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Numero do processo: 10630.720365/2007-76
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
PAF. PROCESSOS DE PESSOAS DISTINTAS. PEDIDO DE JUNTADA DE PROCESSOS. COMPETÊNCIA LEGAL DAS SEÇÕES DE JULGAMENTO PARA ANALISAR RECURSO VOLUNTÁRIO E DE OFÍCIO DEFINIDA NO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
1. A possibilidade de formalização em um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, dispostos no § 1º do artigo Decreto 70.235/72 aplica-se somente aos lançamentos em relação ao mesmo sujeito passivo. A juntada de processos referentes a pessoas distintas fere a legislação que versa sobre formalização e juntada de processos, e cabe à autoridade julgadora cumprir estritamente os dispositivos legais.
2. As competências para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação de tributos aplicáveis às pessoas físicas e jurídicas são de Seções de Julgamento distintas. Cabe a auditoria fiscal individualizar os lançamentos por pessoas jurídicas distintas e ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) distribuir os processos e julgá-los nas turmas competentes, conforme disciplinado no RICARF.
RENDIMENTOS OMITIDOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Francisco Marconi de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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PROCESSOS DE PESSOAS DISTINTAS. PEDIDO DE JUNTADA DE PROCESSOS. COMPETÊNCIA LEGAL DAS SEÇÕES DE JULGAMENTO PARA ANALISAR RECURSO VOLUNTÁRIO E DE OFÍCIO DEFINIDA NO REGIMENTO INTERNO DO CARF. 1. A possibilidade de formalização em um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, dispostos no § 1º do artigo Decreto 70.235/72 aplicase somente aos lançamentos em relação ao mesmo sujeito passivo. A juntada de processos referentes a pessoas distintas fere a legislação que versa sobre formalização e juntada de processos, e cabe à autoridade julgadora cumprir estritamente os dispositivos legais. 2. As competências para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação de tributos aplicáveis às pessoas físicas e jurídicas são de Seções de Julgamento distintas. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 65 /2 00 7- 76 Fl. 903DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. . (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10630.720365/200776 Acórdão n.º 2102002.512 S2C1T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração (fls. 6 a 14) de Imposto sobre a Renda sobre as Pessoas Físicas (IRPF), relativo aos exercícios 2003 e 2004, no valor original de R$ 2.046.413,26 (dois milhões e quarenta e seis mil, quatrocentos e treze reais e vinte e seis centavos), acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora. O lançamento, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 15 a 27), teve origem no cruzamento das informações prestadas pelas instituições financeiras à Receita Federal do Brasil, relativamente aos valores sujeitos a incidência da Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), com a situação fiscal informada nas Declarações de Ajuste Anual Simplificada de Pessoa Física (DAA) referentes aos anoscalendário de 2002 e 2003. Apesar de ter declarado os valores de R$ 15.800,00 e R$ 15.840,00 nas DAA, o contribuinte teria movimentado os montantes, nos anos respectivos, de R$ 1.878.368,39 e de R$ 4.065.963,09. Os extratos bancários do período de 06 de junho de 2002 a 31 de dezembro de 2002, referentes à conta n° 21.6704 da agência 0166X, do Banco do Brasil S/A em Governador Valadares – MG (fls. 53 a 110), foram apresentados pelo contribuinte em 14 de setembro de 2005, depois de intimado pela auditoria. Entretanto, não justificou a origem dos recursos financeiros transitados em conta corrente. Em resposta à intimação seguinte, respondeu em 24 de novembro de 2005 que era “vendedor ou agente autônomo” e não dispunha de documentos que possam comprovar a origem dos recursos financeiros que tiveram trânsito em sua conta bancária. Alega também que “quando era realizada a venda de um veículo de terceiro mediante comissão’, o produto da venda ficava em sua conta bancária até ser repassado ao proprietário do bem, e que não havia procurações, contratos, recibos ou CTPS que possam comprovar seu rendimento”. Posteriormente, em resposta ao Termo de Intimação nº 01/2005, informou que os comprovantes de depósitos não estavam em seu poder e que todos os documentos em sua posse já haviam sido apresentados a RFB. Quanto à titularidade da conta corrente, o contribuinte informou, em atendimento ao solicitado no termo de intimação nº 01/2007, que era o único titular da conta corrente auditada. A auditoria informou nos autos que foram excluídos os valores correspondentes à devolução de cheques depositados, os valores oriundos de depósitos bancários e resgate de aplicação financeira/poupança, e os referentes à devolução de CPMF e estornos de depósitos. Ainda, que teria observado os limites individuais para os depósitos, como omissão de rendimentos. No entanto, a soma desses valores teria extrapolado o limite anual de R$ 80.000,00. Os demonstrativos de apuração dos depósitos encontramse nas folhas 28 a 42. Cientificado, o contribuinte impugnou o lançamento arguindo que: Fl. 905DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 a) deveria ser juntado a estes autos o processo 10630.720316/200733, instaurado contra a Datamicro Informática Ltda., já que os recursos depositados em sua conta eram oriundos de operações efetuadas pelo seu empregador, Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva; b) os saldos bancários diários em sua conta eram praticamente inexistentes e os baixos valores de limites de crédito na conta corrente do impugnante são indícios de que nem mesmo o Banco do Brasil acreditava que os depósitos lhe pertenciam; c) sua condição econômica, social e financeira demonstra que não poderia manter tão vultosa movimentação bancária, e também por possui um único bem em bairro da periferia de Governador Valadares; d) o financiamento obtido em abril de 2007, em 24 prestações mensais, bem como outros de baixo valor, são incompatíveis os montantes apurados; e) suas declarações de rendimentos registram receita bruta ínfima em relação à movimentação financeira e o lançamento ultrapassa em muito a sua capacidade contributiva; f) os fatos apurados no processo 10630.720316/200733 têm relevância nos presentes autos, e a sua condição de subordinação em relação a Datamicro está clara, já que recebia ordens do real dono da empresa, situação que já havia ocorrido em relação a outras empresas do mesmo empregador, assinando os cheques em branco sem os preenchêlos, sendo o dinheiro depositado e sacado logo em seguida, ao final do expediente. Pede, por fim, o cancelamento do lançamento e o direito de provar as alegações por todas as provas de Direito admitidas. A Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG negou o pedido de juntada já que o processo citado referese “a uma pessoa jurídica”, autuada face omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não justificada, referente a “contacorrente de pessoa jurídica”, diferentemente do “processo em questão, que se refere a pessoa física e a omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não justificada em conta de titularidade da pessoa física impugnante”. Nega também o pedido de apresentação de provas, uma vez que, conforme dispõe o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações promovidas pelo art. 1° da Lei n° 8.748/1993 e art. 67 da Lei n° 9.532/1997, isso deveria ter ocorrido até o momento da impugnação. No mérito, a Turma de Julgamento considera que, uma vez não comprovada a origem dos depósitos por parte do impugnante, dever ser mantida a presunção legal de omissão de rendimentos estabelecida pela Lei n° 9.430, de 1996. Intimado da decisão de primeira instância em três de julho de 2008, o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 25 seguinte, portanto, dentro do prazo legal. Em sua defesa argui, preliminarmente, que: a) deve ser feita a juntada deste processo com o de nº 10630.720316/200733, instaurado contra Datamicro Informática Ltda., que tem responsabilidade solidária estendida ao ora recorrente, por este ter sido mandatário e empregado, e a Edyr Cordeiro De Paula, apontado expressamente no referido processo como doleiro e real proprietário da empresa então autuada, que teria sido constituída com sócios "laranjas”; b) este processo não pode ser decidido com justiça sem a apreciação das questões aventadas naquele outro, uma vez que a responsabilidade do recorrente se estende aos dois processos, por fatos da mesma natureza, e que a apuração dos ilícitos dependem dos mesmos elementos de prova; Fl. 906DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10630.720365/200776 Acórdão n.º 2102002.512 S2C1T2 Fl. 4 5 c) na ação cautelar (processo nº 2008.38.13.0022794, 2ª Vara da Justiça Federal em Governador Valadares/MG) a RFB teria reconhecido que os fatos objeto de ambos os processo merecem ser tratados em conjunto; d) a reunião dos processos se justifica em razão de todo o numerário depositado na conta do recorrente pertencer ao Sr. Edyr Cordeiro de Paula Silva e/ou a sua empresa Datamicro, e que, em ambos os processos citados, o dinheiro para os depósitos tem a mesma origem; No mérito, alega que: a) a inexistência de saldos bancários consideráveis, como no caso presente, é uma das características das contas que servem a "doleiros", os quais, em razão de sua atividade, efetuam diariamente o saque logo após o depósito, de forma a efetuar, em moeda nacional, a compra e venda de moeda estrangeira; b) os pequenos limites de crédito do recorrente, em relação aos valores depositados, são o outro indício de que nem mesmo o próprio Banco do Brasil acreditava que os depósitos pertenciam ao titular da conta; c) efetuou diversos empréstimos de pequeno valor, situação incompatível com a movimentação registrada; d) não possui patrimônio compatível com as infrações fiscais apontadas e não pode suportar a cobrança. O único bem em seu nome é uma casa que se localiza na periferia de Governador Valadares/MG; e) apesar de os atos virem denominados como de gerência, era apenas empregado, condição esta que ostenta até a presente data, porém em outra empresa; f) o mandato conferido ao recorrente davalhe amplos poderes para administrar, representar e gerir a empresa autuada, inclusive em relação à movimentação bancária, apesar de, diariamente, o Sr. Edyr "fazer o fechamento com os vendedores e pegar o dinheiro das vendas". No entanto, assinava os cheques, mas não os preenchia e nem tomava conhecimento do destino a que serviam, já que os talões de cheques assinados ficavam de posse de seu empregador; e g) houve renúncia ao mandato em 24/10/2007 e, antes, negativa do ora recorrente em agir como representante da empresa autuada perante a fiscalização da Receita Federal do Brasil. Por fim, requer que seja acolhido o presente recurso para cancelar a exigência fiscal. É o Relatório. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Os autos tratam de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de valores cuja origem não foi comprovada, e o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelos arts. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, consolidado no art. nº 849, § 2°, inciso II do RIR/99. Inicialmente cabe analisar, em sede preliminar, o pedido de juntada destes autos ao processo nº 10630.720316/200733, da pessoa jurídica Datamicro Informática Ltda e como responsáveis o contribuinte, Wellington Martins da Cruz, e o Edyr Cordeiro de Paula Silva. Em relação a isso, vale salientar que o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que a exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação, distinto para cada tributo. A possibilidade de formalização em um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, disposto no § 1º do artigo citado (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005), aplicase somente aos lançamentos em relação ao mesmo sujeito passivo. No caso em questão têmse dois sujeitos passivos: um a pessoa física do sócio e outro a pessoa jurídica da sociedade. Ainda, nos termos dos arts. 2º e 3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, as competências para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação de tributos aplicáveis às pessoas físicas e jurídicas são de Seções de Julgamento distintas. Portanto, ainda que os fatos praticados pela pessoa física sejam interrelacionados com os da pessoa jurídica, cabe a auditoria individualizálos e ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) julgálos nas respectivas turmas. Desta forma, não cabe a juntada nestes autos dos processos nº 10630.720316/200733, por terem objetos e sujeitos passivos distintos. Também, não assiste razão ao recorrente com relação à sentença citada e anexada nos autos. Nessa ação, que trata do pedido do liminar pela Fazenda Nacional em cautelar fiscal o Juiz Federal da Subseção Judiciária de Governador Valadares/MG determinou o bloqueio dos bens, valores e quaisquer investimentos até o limite do crédito tributário da pessoa jurídica e dos seus dois sócios, entre eles o requerente. O fato de os processos serem analisados ou distribuídos para a mesma Vara Judicial, não se estende à instância administrativa de julgamento no CARF. Vale salientar que as instâncias administrativas e judiciais têm trâmites próprios, não se aplicando no processo fiscal os procedimentos próprios do processo judicial. No mérito, requerente alega que a sua situação financeira e patrimonial é incompatível com montantes movimentados na conta corrente auditada; que apesar de constar Fl. 908DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10630.720365/200776 Acórdão n.º 2102002.512 S2C1T2 Fl. 5 7 nos autos a atividade de gerência e possuir mandato que lhe dava amplos poderes para administrar, representar e gerir a empresa autuada, inclusive em relação à movimentação bancária, era apenas empregado das empresas do Sr. Edyr Cordeiro de Paulo Silva, doleiro. Em relação aos cheques, informa que os assinava em branco, mas não os preenchia e nem tomava conhecimento do destino a que serviam, já que os talonários ficavam de posse de seu empregador. Para frisar a atividade de compra e venda de moeda estrangeira, enfatiza a inexistência de saldos bancários consideráveis como uma das características das contas que servem a "doleiros", os quais, em razão de sua atividade, efetuam diariamente o saque logo após o depósito, de forma a efetuar, em moeda nacional, a compra e venda de outras moedas. Em relação a sua responsabilidade, destaca que houve renúncia ao mandato em 24 de outubro de 2007 e, antes, negativa do ora recorrente em agir como representante da empresa autuada perante a fiscalização da Receita Federal. Os extratos bancários, para levantamento do imposto de renda devido, foram apresentados pelo fiscalizado em atendimento à intimação fiscal. Os argumentos de que não dispõe de patrimônio material não serve como elemento de prova para eximir o lançamento fiscal, nem também o fato de haver as retiradas diárias dos valores depositados e dos saldos diários serem inexpressivos não são características exclusivas e inequívocas da atividade indicada pelo recorrente com a compra e venda de moeda estrangeira. O que se vê é que o contribuinte não juntou quaisquer provas aos autos. Inicialmente, limitouse a afirmar que efetuava compra e venda de veículos, não carreando aos autos qualquer comprovação que pudesse evitar a autuação. Também se declarou como o único titular responsável pela conta corrente. Na impugnação, fixouse na tese que a conta corrente do Banco do Brasil, onde foram efetuados os depósitos bancários de origem não comprovada, pertenciam a Datamicro Informática Ltda. e a Edyr Cordeiro de Paula Silva, e que não possuía condições sócioeconômicafinanceiras para ser o titular da conta corrente. À luz do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais, por sua vez, invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. A lei define que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não são meros indícios de omissão e não há a necessidade de estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Não há também necessidade que o Fisco prove a origem dos recursos movimentados e dos depósitos registrados na conta bancária do recorrente. O legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. Não comprovada a origem dos recursos, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 8 O fato gerador do imposto de renda, nos casos de depósitos bancários, não está vinculado ao mero crédito efetuado na conta bancária, mas à circunstância de tratarse de recursos financeiros sem que o contribuinte, intimado para prestar esclarecimentos, prove sua origem de forma adequada. Não é à toa que a Súmula CARF nº 38 estabelece que ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário “o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada”. Vale ressaltar que o Fisco não se limitou a lavrar o Auto de Infração sem perquirir acerca da verdade dos fatos. Ao contrário, expediu diversas intimações ao contribuinte solicitando os elementos que comprovassem a origem dos depósitos bancários e inquiriu outras pessoas relacionadas à pessoa jurídica Datamicro com o objetivo de identificar os verdadeiros responsáveis. Conforme demonstrado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 15 a 27), o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, para comprovar a origem dos valores depositados/creditados nos anoscalendário de 2002 e 2003. E, como já dito pelos julgadores de primeira instância, não cabe afastar o lançamento baseandose apenas em afirmações do impugnante de que não tem disponibilidade financeira o diante da negativa da suposta titularidade da conta corrente objeto da autuação. O fato de ter se negado em agir como representante da empresa frente à fiscalização ou ter renunciado ao mandato na administração em 24 de outubro de 2007, bem depois dos fatos geradores, não desincumbe o contribuinte dos atos praticados em seu nome nos anoscalendários 2002 e 2003. Assim, os argumentos trazidos pelo contribuinte não têm o condão de alterar os fatos imputados como omissão de rendimentos, pois é seu o ônus da comprovação da origem dos recursos depositados em conta corrente e identificados pelo fisco. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (ASSINATURA DIGITAL) Francisco Marconi de Oliveira – Relator. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/03/2013 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13530.000056/98-41
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO TERRIRORIAL RURAL.
Exercíco: 1995.
NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Notificação de Lançamento que
não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11, do Decreto
n°. 70.235/72, acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.659
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Judith Do Amaral Marcondes Armando
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Sessão de : 26 de fevereiro de 2008 Acórdão n° : CSRF/03-05.659 IMPOSTO TERRIRORIAL RURAL. Exercíco: 1995. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Notificação de Lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 1 1, do Decreto n°. 70.235/72, acarreta a nulidade do lançamento, por vício formal. Recurso especial negado. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o • esente julgado. AN NIO P' - GA - Presidente .0 • JUDITH • 0 • ARAL MARCONDES ARMA O - Relatora FORMALIZADO EM: O 5 OUT PrIng Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann,Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho(Vice Presidente) e Antonio Praga(Presidente). mas Processo n° : 13530.000056/98-41 Acórdão n° : CSRF03-05.659 RELATÓRIO - Os autos versam de notificação da contribuinte "Mineração Caraíba Ltda" para recolher o ITR/95 e contribuições acessórias, incidentes sobre a propriedade denominada "Fazenda Caraíba", localizada no Município de Jaguarari — BA, cadastrada na Receita Federal sob n° 2757820.8. A Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anulou o processo a partir da notificação de lançamento, inclusive, através do Acórdão n° 301-31.361, de 09 de julho de 2004, assim ementado: "IMPOSTO TERRITORIAL RURAL — ITR. Notificação de Lançamento que não preenche os requisitos legais contidos no artigo 11, do Decreto n° 70.235/72, deve ser nulificada. A falta de indicação, na notificação de lançamento, do cargo ou função e o número de matrícula do AFTN, acarreta nulidade do lançamento, por vício formal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." A Fazenda Nacional interpôs tempestivamente Recurso Especial de Divergência (o representante da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão em 23/09/2004 e o Recurso foi protocolizado em 27/09/2004), requerendo a cassação do acórdão recorrido, afastando-se a preliminar de nulidade da notificação, para ser proferida outra decisão pela Colenda Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, analisando o mérito do Recurso Voluntário interposto. O apelo da Fazenda Nacional apóia-se na divergência jurisprudencial apresentada no seguinte paradigma oriundo da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: "O auto de infração ou a Notificação de Lançamento que trata de mais de um imposto, contribuição ou penalidade não é instrumento hábil para exigência do crédito tributário (CTN e Processo Administrativo Fiscal assim o estabelecem) e, portanto, não se sujeita às regras traçadas pela legislação de regência. É um instrumento de cobrança dos valores indicados, contra o qual descabe a argüição de nulidade, prevista no art. 59, do Decreto n° 70.235/72. REJEITADA A PRELIMINAR DE NULIDADE DA NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO". (Acórdão n° 302-34.831, Relator Paulo Affonseca de Barros Faria Junior, Sessão: 07 de junho de 2001). 2 Processo n° : 13530.000056/98-41 Acórdão n° : CSRF03-05.659 O presidente da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional remetendo-se a ementa abaixo transcrita da 3' Turma do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso 00.002, que reforma todos os Acórdãos relativos à matéria ora argüida, fls. 196/199. "IRF — Notificação de lançamento — Ausência de requisitos — Nulidade — Vício Formal — A ausência de formalidade intrínseca determina a nulidade do ato. Lançamento anulado por vício formal." Não se conformando com o indeferimento, a Fazenda Nacional apresentou pedido de reexame de admissibilidade do recurso, fls. 200/204. A Conselheira Anelise Daudt Prieto acolheu o Agravo e deu seguimento ao Recurso Especial, reformando a negativa inicial de seguimento contido no despacho prolatado pela Presidência da Câmara recorrida, fls. 208/209. . Devidamente cientificada da decisão do Conselho de Contribuintes, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho CSRF n° 015/2006, em 11/04/2006 (fl. 213), tendo lhe sido facultada a apresentação de Contra- Razões Recursais, a contribuinte compareceu aos autos, em 28/04/2006, argumentando o exposto, em suma, a seguir: Em preliminar, da inadmissibilidadé do Recurso Especial, pois: - há farta e pacífica jurisprudência da CSRF sobre a matéria, razão pela qual inexiste contradição ou confronto entre Acórdãos que pudessem sustentar o acolhimento do apelo da União; - como previsto no § 3° do art. 5° não pode servir de paradigma Acórdão já reformado; - se o acórdão foi reformado, e só existe um paradigma para comprovar a divergência, evidentemente que este exemplar não tem serventia, pois já não há mais divergência a ser dirimida; - o Juízo de Admissibilidade, tanto a quo, quanto o da CSRF, deve considerar a jurisprudência dominante na CSRF e não posicionamento pessoal do Relator, sobre a matéria, como ensina a doutrina, em consonância com o Código Civil, subsidiário do RPAF. No mérito: - houve vício de forma na Notificação de Lançamento, que deixou de atender ao requisito preconizado pelo inciso IV do artigo 11, do Decreto 70.235/72. Por ser o lançamento um ato solene, cujos elementos estão expressa e detalhadamente elencados em Lei, a 3 ri------- Processo n° : 13530.000056/98-41 Acórdão n° : CSRF03-05.659 Recorrida entende, em alinhamento com a posição consolidada na CSRF, que a Notificação não deve ser validado por lhe faltar o pressuposto essencial, a identificação da Autoridade Lançadora. Na sessão realizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 14/05/2007 (fl. 245), os autos foram distribuídos, por sorteio, em conformidade com o Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, para esta Conselheira. É o relatório. VOTO Conselheira JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Relatora Trata-se de apreciação do Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e de Contra-Razões apresentadas pelo contribuinte, ambos em boa forma. Como relatado, trata-se de irresignação da Fazenda Nacional quanto ao julgamento da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que tomou nula a notificação de lançamento, objeto deste processo, por ausência de formalidade prescrita em lei. Não apreciei a prejudicial de admissibilidade do Recurso Especial argüida nas Contra-Razões da contribuinte posto que ao final, como será visto, decido pela manutenção do acórdão combatido. Em sua argumentação a Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta que a notificação de lançamento onde figura mais de um gravame, no caso imposto e contribuições, não segue os ditames do Código Tributário Nacional e do PAF e que não é uma das formas de exigência do crédito tributário. A esdrúxula argumentação leva à esdrúxula conclusão que não há lide a ser julgada neste processo. Entretanto, tal não é minha posição. Entendo que a Notificação de Lançamento é efetivamente um ato administrativo pelo qual se exige tributos em sentido amplo. É ato plenamente vinculado às prescrições legais quanto à forma e conteúdo e deve ser anulado sempre que não esteja perfeito. Traslado a seguir o artigo. 11 do Decreto 70.235/72 que informa os requisitos que a Notificação de lançamento deverá compreender: 4 Processo n° : 13530.000056/98-41 Acórdão n° : CSRF03-05.659 "Art.11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula." (grifos meus) Considero, também, que há Sumula deste Conselho de Contribuintes tratando a matéria de forma igual à que pretendo. Por todo o exposto, faço minhas as contra-raziões apresentadas as fls. 214 e seguintes, e nego provimento ao Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2008 O JUDITH 9 O MARAL MARCONDES Al21VIA1n1D0 - -latora
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002878/2003-01
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito ou compensação é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas até o dia 9 de junho de 2005 e de cinco anos a partir dessa data. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.340
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2018; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.002878/200301 Recurso nº 500.475 Voluntário Acórdão nº 310201.340 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria Auto de Infração DCTF Recorrente PITANGUEIRAS AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição de indébito ou compensação é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas até o dia 9 de junho de 2005 e de cinco anos a partir dessa data. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 28/03/2012 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Mussi. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 11/06/2003, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), para exigir da autuada o recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), código de receita nº 2172, concernente aos meses de outubro a dezembro de 1998, no valor de R$ 254.850,65, acrescida da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) na importância de R$ 191.137,99 e dos juros de mora na quantia de R$ 215.316,43. Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/19, acompanhada dos documentos de fls. 20/57, por meio da qual fustiga a exigência argumentando, em síntese, preliminar de nulidade do auto de infração pela ausência da descrição do fato, em ofensa ao artigo 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. Quanto ao mérito aduz que os débitos exigidos foram compensados com créditos oriundos de pagamentos feitos a maior ao FINSOCIAL, conforme comprovantes e planilha juntados, cujo restituição é um direito que pode ser exercitado de plano e independentemente de qualquer autorização ou manifestação do Fisco, que apenas averiguará se a compensação se deu dentro dos limites permitidos, na forma do artigo 66 da Lei nº 8.383/91. Pugna, também, pela ausência de pressupostos legais para exigência da multa de ofício já que o débito foi regularmente declarado na DCTF, como ainda, em razão de sua natureza confiscatória. Diz, finalmente, que ainda em se considerando válida a exigência não haveria como admitir a cobrança de juros à taxa Selic, por ilegal e inconstitucional. Ao final requereu a extinção do crédito tributário reclamado. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão PretoSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento intimou a contribuinte à apresentação de documentos e após análise destes exarou o despacho de fls. 114/116 entendendo pela insubsistência de parte da cobrança e revisou de ofício o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), decotando da exigência o tributo na quantia de R$ 93.269,70 e multa de ofício na ordem de R$ 69.952,28, bem assim os juros correlatos, afetos ao período de apuração de outubro de 1998. Notificada, a Recorrente aviou a petição de fls. 120/121 reafirmando os tópicos originariamente apresentados e o seu direito de atualização monetária dos valores indevidamente recolhidos ao FINSOCIAL antes de proceder a compensação, em consonância com o artigo 66 da Lei nº 8.383/91. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10840.002878/200301 Acórdão n.º 310201.340 S3C1T2 Fl. 2 3 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não ocorre nulidade do lançamento quanto atendidos os preceitos do artigo 59 do Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. COFINS. COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS EFETUADA ANTES DE OUTUBRO DE 2002. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA A compensação efetuada a conta e risco do contribuinte, nos moldes permitidos anteriormente à Medida Provisória nº 66, de 2002, requisita lançamentos contábeis do encontro de contas tendentes a demonstrar a quantificação dos indébitos, a identificação das dívidas anuladas e a época do evento, incumbindo observar, quanto a esta, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorre no momento do pagamento, consoante interpretação dada pelo legislador complementar (Lei Complementar nº 118, de 2005). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/12/1998 a 31/12/1998 JUROS DE MORA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de juros de mora, segundo ordenamento jurídico vigente. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis regularmente emanadas do Poder Legislativo, eis que da exclusiva alçada do Poder Judiciário, em face do princípio da independência dos Poderes da República. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, “c”) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Tratase da prescrição do direito de requerer o ressarcimento do saldo credor apurado. Reproduzo excerto do voto de primeira instância. Aqui, diversamente, pretende a Recorrente que os débitos da COFINS dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1998, posteriores, portanto, sejam anulados por conta de eventuais créditos do FINSOCIAL, o que não é juridicamente possível porque dito tributo foi extinto em 1º de abril de 1992, de sorte que o direito a restituição dos pagamentos a maior, efetuados após abril de 1997, já decaíra em razão do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos a que alude o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, que assim comanda: “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; ..........................................................................................................................” A propósito, os pagamentos ao FINSOCIAL cujos créditos se almeja encontramse listados nas planilhas da Recorrente encartadas às fls. 38/40 e também no demonstrativo fiscal de fl. 53, donde se extrai que ocorrente em 17/07/1989 o mais pretérito e em 17/09/1990 o mais recente. Como visto, o direito de repetição do indébito mais novo foi fulminado pelo fenômeno decadencial em 17/09/1995, em face da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, que em seu artigo 3º assim comanda: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10840.002878/200301 Acórdão n.º 310201.340 S3C1T2 Fl. 3 5 O artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, alteração introduzida pela Portaria 586/2010, dispõe que as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) No dia 04 de agosto do corrente ano foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal o Recurso Extraordinário 566.621, prolatando sentença sobre a aplicação do prazo de cinco anos definido pela Lei Complementar nº 118/05, nos seguintes termos. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Na medida em que as compensações ocorreram durante do ano de 1998 e contribuinte lançou mão de valores indevidamente pagos no período de 17/07/1989 a 17/09/1990, não há que se falar em prescrição. Em tais circunstâncias, acolhendo o entendimento reproduzido nas decisões ementadas, VOTO POR DAR PARCIAL provimento ao recurso, para afastar a preliminar de prescrição do direito à repetição do indébito e determinar que o processo retorne à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem para apreciar os demais aspectos inerentes ao mérito do pedido. Sala de Sessões, 25 de janeiro de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.000222/2007-48
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
ARBITRAMENTO DOS LUCROS - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS
Se o contribuinte não apresenta documentário fiscal que respalde as sistemáticas usuais de tributação para IRPJ/CSLL (Lucro Real ou Lucro Presumido), o único caminho para o trabalho de auditoria é a tributação pelo lucro arbitrado.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. ARBITRAMENTO DOS LUCROS - FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS Se o contribuinte não apresenta documentário fiscal que respalde as sistemáticas usuais de tributação para IRPJ/CSLL (Lucro Real ou Lucro Presumido), o único caminho para o trabalho de auditoria é a tributação pelo lucro arbitrado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2027; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.000222/200748 Recurso nº 161.415 Voluntário Acórdão nº 1802001.455 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente CR DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. ARBITRAMENTO DOS LUCROS FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS Se o contribuinte não apresenta documentário fiscal que respalde as sistemáticas usuais de tributação para IRPJ/CSLL (Lucro Real ou Lucro Presumido), o único caminho para o trabalho de auditoria é a tributação pelo lucro arbitrado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 02 22 /2 00 7- 48 Fl. 955DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 956DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 07 a 40, nos valores de R$ 264.766,47, R$ 99.654,19, R$ 164.849,40 e R$ 459.943,56, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício qualificada de 150% e os juros moratórios. O lançamento abrangeu os anoscalendário de 2003 e 2004, e foi realizado com base em omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários com origem não comprovada. Os extratos bancários foram fornecidos à Fiscalização pela própria Contribuinte. Em razão da não apresentação dos livros Diário/Razão ou Caixa, foi realizado o arbitramento dos lucros, para efeito de lançamento de IRPJ e CSLL. As contribuições PIS e COFINS foram apuradas pelo regime cumulativo. O Termo de Esclarecimentos e Intimação de fls. 235 informa que a empresa havia apresentado DIPJINATIVA para o anocalendário de 2003, e que já no decorrer da ação fiscal, em 30/01/2005, ela transmitiu para esse mesmo período uma declaração simplificada contendo valores de “Receita Bruta” e “Simples a Pagar” de agosto a dezembro/2003. A empresa também enviou Declaração Simplificada para o ano de 2004, com todos os valores zerados (fls. 144 a 159). Na seqüência, foi confirmado que a empresa era optante do Simples, o que motivou, antes da realização do lançamento, uma representação para a sua exclusão do regime simplificado desde sua constituição (02/06/2003), porque a receita bruta da empresa, já no primeiro ano de atividade, excedeu o limite estabelecido para as Empresas de Pequeno Porte (EPP). De acordo com a Fiscalização, também houve a utilização de interpostas pessoas, que figuravam apenas formalmente como sócias da empresa autuada, pelo que foi imputada responsabilidade solidária pelo crédito tributário ao Sr. João Francisco Rosa Júnior, CPF nº 167.373.34172, que seria o verdadeiro titular da empresa. Os fundamentos do lançamento e os argumentos das primeiras peças de defesa (impugnações) estão assim descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 08 10.610 (fls. 389 a 409): CR Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 05.677.581/000114, teve contra si lavrados autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, fls. 08/16, da contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, fls. 17/24, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 25/32, e Contribuição Social sobre o Lucro Fl. 957DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 5 4 Líquido – CSLL, fls. 33/40, no valor total de R$ 989.213,62 incluindo encargos legais. Conforme Descrição dos Fatos de fls. 09/10 a empresa foi excluída da sistemática Simples e intimada a optar pelo Lucro Presumido ou Real, para a determinação do lucro dos anos calendário de 2003 e 2004, além da apresentação da escrituração exigida para o tipo de sistemática que viesse a optar, concedendolhe prazo para as providências necessárias. Contudo, até a data da lavratura do auto de infração, não houve qualquer manifestação da empresa fiscalizada quanto ao sistema de tributação a ser adotado, e entrega dos livros e documentos correspondentes. Dessarte, foi arbitrado o lucro dos anoscalendário de 2003 e 2004 tendo em vista que o contribuinte notificado a optar por uma forma de tributação e a apresentar os livros e documentos de sua escrituração que a respaldasse, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação e Reintimação, deixou de apresentálos. A base de cálculo do arbitramento foram os créditos/depósitos efetuados em contas correntes mantidas pela empresa, em relação aos quais o titular não logrou comprovar a origem, tendo sido apurada a omissão de receita presumida nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em relação à empresa CR Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda. consta do Termo de Constatação Fiscal de fls. 41/57 as seguintes informações: a pessoa jurídica foi constituída aos 26/05/2003, sendo o Contrato Social registrado na JUCEMA em 02/06/2003, tendo como sócias as Srªs. Carla Regina Silva Santos, CPF nº 921.944.19184, e Roberta Lucíola Silva Santos, CPF nº 011.621.21360; em 06/06/2003 a Srª Roberta Lucíola Silva Santos compareceu ao Cartório Alvimar Braúna e outorgou poderes de administração dos negócios da empresa fiscalizada ao Sr. JOÃO FRANCISCO ROSA JÚNIOR, CPF nº 167.373.34172, dentre eles, o de representar esta pessoa jurídica junto às repartições públicas federais, estaduais, municipais e autarquias, além de “efetuar descontos de títulos e realizar quaisquer outras operações junto a estabelecimentos de crédito em geral; abrir e movimentar contas correntes bancárias, requisitar talões de cheques; emitir e endossar cheques; efetivar depósitos e requerer protestos de títulos”, etc; do depoimento prestado pelo Sr. JORGE LUIS COSTA SANTOS, pai das sócias da empresa fiscalizada e empregado desta, constatase que as “sócias de direito” da empresa fiscalizada, ao que tudo indica, emprestaram seus nomes ao Sr. JOÃO FRANCISCO ROSA JÚNIOR (patrão do pai de ambas) para que este abrisse a empresa. Isto tornase inequívoco diante da seguinte declaração do Sr. JORGE LUIS COSTA SANTOS: “Que a CR DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA (NOME FANTASIA: HIPER CARNES) foi constituída Fl. 958DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 6 5 em nome de suas filhas porque nem o declarante nem o Sr. JOÃO FRANCISCO ROSA JÚNIOR tinham condição de abri la em seus nomes, em função de restrições cadastrais junto a instituições financeiras”. Ou seja, CARLA REGINA SILVA SANTOS e ROBERTA LUCÍOLA SILVA SANTOS, em tese, são interpostas pessoas (laranjas) no quadro societário da empresa CR DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA.; das declarações prestadas pelas sócias CARLA REGINA SILVA SANTOS e ROBERTA LUCÍOLA SILVA SANTOS extraise: “Que tem conhecimento de que seu nome consta no quadro societário da HIPER CARNES. Que não sabe dizer o valor de sua participação no capital da empresa, nem o endereço, nem o CNPJ, nem a razão social. Que o nome da declarante foi colocado no contrato social da HIPER CARNES a pedido de seu pai, JORGE LUIS COSTA SANTOS. Que não sabe dizer o endereço em que funciona a HIPER CARNES. Que jamais participou da administração da HIPER CARNES”; ambas afirmaram categoricamente que nunca trabalharam e que são estudantes. CR DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS LTDA teve créditos/depósitos bancários de origem não comprovada nos valores de R$ 1.633.773,81 e R$ 3.629.702,78, nos anoscalendário de 2003 e 2004, respectivamente, e as declarantes, suas supostas sócias, afirmaram que o telefone que lhes pertence estava com a linha cortada quando das declarações feitas a esta fiscalização (25/05/2005), por falta de pagamento das contas. Com um mínimo de bom senso, poderemos assegurar que se essas senhoras fossem de fato proprietárias de uma empresa que recebeu créditos/depósitos nesses totais, dificilmente chegariam a essa situação. Com base nas informações e depoimentos acima relatados a fiscalização lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01, anexo às fls. 49/57, concluindo pela caracterização, em tese, da utilização de interposição de pessoa, atribuindo a sujeição passiva solidária ao Sr. JOÃO FRANCISCO ROSA JÚNIOR, CPF Nº 167.373.34172, nos termos do artigo 124 do CTN. Do Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 49/57 destacase que o motivo cerne da imputação de responsabilidade, é que ficou constatado, no curso da ação fiscal, que o Sr. JOÃO FRANCISCO ROSA JÚNIOR é o principal proprietário da pessoa jurídica em foco, e principal beneficiário dos resultados obtidos por ela, restando caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Conforme Aviso de Recebimento – AR, anexo às fls. 267, o Sr. João Francisco Rosa Júnior, foi cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária, dos Autos de Infração lavrados para o IRPJ, PIS, CSLL e Cofins, dos documentos intitulados de “CR – Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda DEPÓSITOS/CRÉDITOS BANCÁRIOS C/ ORIGEM NÃO Fl. 959DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 7 6 COMPROVADA/BRADESCO”, “CR Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda EXCLUSÕES BANCO BRADESCO S/A”, “CR – Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda DEPÓSITOS/CRÉDITOS BANCÁRIOS C/ ORIGEM NÃO COMPROVADA/ITAÚ”, “CR Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda DEPÓSITOS/CRÉDITOS BANCÁRIOS LÍQUIDOS C/ ORIGEM NÃO COMPROVADA”, e “TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL”. IMPUGNAÇÃO DA CONTRIBUINTE AUTUADA Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 25/01/2007, fls. 268, a contribuinte ingressou em 22/02/2007 com impugnação contra os lançamentos, fls. 271/278, 288/295, 304/311 e 320/327, aduzindo, em síntese, que: muito embora tenham sido fornecidos ao Fisco os documentos contábeis, o auto de infração foi lavrado por presunção, com arbitramento do lucro, tendo em vista tãosomente o “levantamento realizado nas contas correntes da empresa, cujos créditos bancários não tiveram sua origem comprovada”; a autuação feita pelo fisco viola o art. 148 do CTN, pois desconsiderou ilegalmente os livros comerciais e as notas fiscais para presumir o “valor” do lucro com base em movimentação bancária. A recorrente forneceu todos os documentos necessários ao Fisco. Todavia, embora estivesse de posse de todos esses documentos, o fisco lançou o tributo por presunção ilegal, tendo por base unicamente a movimentação bancária que entendeu não comprovada. Mas, de ser repulsado, o fisco também não comprovou que a movimentação era “lucro”, ou “renda”, para efeito da tributação objeto do lançamento; depósito bancário per se não é renda ou proventos, portanto, não se sujeita ao Imposto de Renda, qualquer que seja a sua modalidade, diz a doutrina jurídica e jurisprudência pátrias. No passado a questão da tributação dos depósitos bancários teve repulsa do Judiciário ao ponto de sua proibição ter merecido a edição da Súmula nº 182, do extinto TFR, ainda hoje em vigor. Aliás, tantos e abusivos foram os lançamentos fiscais com base exclusivamente em depósitos bancários que foi editado o Decretolei nº 2.471/88; portanto, a presunção legal ora restabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto (uma relação de causa e efeito, ou uma concausa) entre o depósito bancário e o rendimento (supostamente) omitido. É evidente que o auto de infração é nulo, por ter se baseado em ilegalidades; a ilegalidade do procedimento fiscal remonta à própria quebra do sigilo bancário da impugnante, produzido pelo fisco sem autorização judicial; Fl. 960DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 8 7 jamais o legislador classificou o descumprimento da intimação administrativa para prestar informações, quando regularmente intimado o contribuinte em seu domicílio fiscal, como hipótese de confissão ficta para o arbitramento de tributos, mas para sujeitar o contribuinte, gradualmente, ao pagamento de multa, conforme se infere 927, 928 e 968 do RIR/99; a sociedade comercial CR Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda iniciou suas atividades com a subscrição de capital pelas suas sócias, tendo em vista que o seu genitor, Jorge Luis Costa Santos, estava impedido de constituir empresas. As sócias da impugnante, portanto, são filhas de pessoa ligada à empresa, que trabalha diariamente na atividade empresarial e, por isso, não se pode falar em “laranjas”; da mesma forma, a partir das declarações de João Francisco Rosa Júnior ao AFRF, podese perceber que este nunca foi sócio. Tinha uma participação como forma de remuneração pelo desenvolvimento de atividade em prol da empresa. IMPUGNAÇÃO DO RESPONSÁVEL Às fls. 340/343 o Sr. João Francisco Rosa Júnior apresenta contestação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, aduzindo que este contém “presunção” equivocada e repleta de contradições. Acrescenta, que, sem qualquer embasamento fático, o auditor menciona que o impugnante “parece contumaz na constituição de empresas em nome de terceiros (“laranjas”). Todos os “motivos” que levaram à lavratura do Termo de Sujeição Passiva advém de uma procuração que teria sido outorgada pelas sócias da empresa ao impugnante, bem como por uma suposta ligação entre a empresa CR Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda e a empresa Hiper Carnes Comércio Atacadista e Varejista de Carnes Ltda. Protesta o Sr. João Francisco pela nulidade dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01 por ausência de notificação/intimação do impugnante para que pudesse exercer o seu direito de defesa. Aduz, que, em nenhum momento do procedimento administrativo fiscal o impugnante tomou ciência das investigações bem como não foi intimado para esclarecer sua situação pessoal, se existia ou não ligação com a referida empresa etc. Tudo ocorreu à sua revelia. Os autos foram lavrados em evidente ofensa ao direito constitucional de contraditório e ampla defesa, já que em nenhum momento deuse ciência ao impugnante do caminho das investigações, havendo, pois, nulidade do procedimento haja vista que este integralmente transcorreu sem o conhecimento do impugnante. Desta forma, requer sejam declarados nulos todos os atos do procedimento, ante a ofensa ao direito à ampla defesa do impugnante. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 9 8 Contesta a obtenção de prova ilícita dado que os auditores tiveram acesso à “movimentação financeira” da empresa CR Distribuidora de Carnes e Derivados Ltda., sem qualquer requisição ou autorização, o que implica na nulidade dos atos dela derivados. A disposição legal constante no Termo de Sujeição Passiva Solidária não guarda correlação com os fatos nele narrados. O fiscal não mencionou qual das duas hipóteses legais do art. 124 do CTN se aplicaria ao impugnante. De mais a mais, é óbvio que referidas normas legais (art. 124 e incisos) não dizem respeito ao caso em tela, pois logicamente não se tratam de “pessoas que tenham interesse comum” ou mesmo “pessoas designadas por lei”. Como mencionado, a DRJ Fortaleza/CE considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer nulidade ou cerceamento do direito de defesa pelo fato da fiscalização lavrar o auto de infração após apurar o ilícito, mesmo sem consultar o sujeito passivo ou sem intimálo a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso (Ac. 10320.070). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. Não sendo apresentada pelo sujeito passivo a escrituração contábil para a apuração do lucro real e se conhecida a receita bruta, tem procedência o arbitramento do lucro com base nessa receita. ARBITRAMENTO. PROCESSO REGULAR. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 10 9 O processo regular de arbitramento não é necessariamente procedimento especial, antecedente ou preparatório à ação fiscal, mas sim parte componente desta, estando incluído nos procedimentos de auditoria fiscal inerentes ao lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003, 2004 SIMULAÇÃO. INTERPOSTA PESSOA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Na utilização de interposição de pessoa o intuito do declarante é o de inculcar a existência de um titular de direito, mencionado na declaração, ao qual, todavia, nenhum direito se outorga ou se transfere, servindo seu nome exclusivamente para encobrir o da pessoa a quem de fato se quer outorgar ou transferir o direito de que se trata, afigurandose, na espécie, o evidente intuito de fraude, enquadrável na tipificação de simulação da identidade do verdadeiro responsável pela empresa fiscalizada. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIO DE FATO Com base no comando contido no artigo 124, I, do CTN, deve ser chamado ao processo o “sócio de fato”, identificado pela fiscalização, para responder pelo crédito Tributário constituído. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2003, 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase aos lançamentos ditos decorrentes da autuação do IRPJ o mesmo tratamento dado ao lançamento matriz, devido à íntima relação de causa e efeito que os une. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 02/08/2007 (fls. 431), a Contribuinte autuada apresentou em 21/08/2007 o recurso voluntário de fls. 421 a 429, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, alegando mais uma vez: que o procedimento de arbitramento teria violado o art. 148 do CTN; que seria ilegal o lançamento com base em depósito bancário; que teria havido quebra ilegal do sigilo bancário; e que o descumprimento de intimação para prestar informações deveria implicar na aplicação de multa, mas nunca no lançamento do próprio imposto, mediante arbitramento dos lucros. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 11 10 Em seu recurso voluntário, entretanto, a Contribuinte não mais aborda a questão relacionada à interposição de pessoas e à responsabilidade tributária imputada ao Sr. João Francisco Rosa Júnior. O processo foi baixado em diligência, para saneamento de sua instrução (fls. 433 e 461/462). Restou caracterizado que Elias Cardoso Marques, signatário do recurso voluntário da empresa, é o novo sócio responsável perante o CNPJ, conforme tela de consulta às fls. 443. Em 12/09/2012, o Sr. João Francisco Rosa Júnior foi cientificado da decisão de primeira instância, por meio de edital, e não apresentou recurso voluntário ao CARF. Este é o Relatório. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 12 11 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso apresentado pela Contribuinte é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo tem por objeto lançamento de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) por omissão de receita nos anoscalendário 2003 e 2004, apurada com base em depósito bancário com origem não comprovada. Em razão da não apresentação dos livros Diário/Razão ou Caixa, foi realizado o arbitramento dos lucros, para efeito de lançamento de IRPJ e CSLL. As contribuições PIS e COFINS foram apuradas pelo regime cumulativo. Antes da realização do lançamento, a empresa foi excluída do Simples, mas esta matéria não é objeto dos presentes autos. De acordo com a Fiscalização, houve a utilização de interpostas pessoas, que figuravam apenas formalmente como sócias da empresa autuada, pelo que foi imputada responsabilidade solidária pelo crédito tributário ao Sr. João Francisco Rosa Júnior, que seria o verdadeiro titular da empresa. O Sr. João Francisco Rosa Júnior apresentou impugnação para a Delegacia de Julgamento, mas não apresentou recurso voluntário ao CARF. Há, portanto, apenas o recurso da empresa autuada para ser apreciado. Primeiramente é importante registrar que todos os extratos bancários foram fornecidos à Fiscalização pela própria Contribuinte (fls. 99 e 164). Não houve emissão de requisição de informações sobre movimentação financeira – RMF aos bancos, e, portanto, é desprovida a preliminar relativa à quebra ilegal de sigilo bancário. Não cabe aqui questionar qualquer procedimento realizado com base na Lei Complementar nº 105/2001, porque isto não ocorreu. A autuação com base em depósito bancário também não revela qualquer ilegalidade no lançamento, que encontra perfeito fundamento no art. 42 da Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 13 12 Com base nos extratos que apresentou à Fiscalização, a Contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, e, não o fazendo, incorreu na presunção legal de omissão de receitas, que ensejou as autuações ora combatidas. Realmente, antes da introdução do dispositivo acima mencionado, era maior o ônus da prova que incumbia à Fiscalização para autuação com base em depósitos bancários. No caso do IRPJ, por exemplo, para que eles configurassem renda tributável, era necessário que fosse comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, por meio de aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios, ou em beneficio pessoal do contribuinte. A tributação com fulcro na Lei nº 8.021/1990 exigia necessários esforços por parte da Fiscalização, capazes de transformar uma presunção em definitiva certeza. Isto porque, até então, os depósitos bancários apenas retratavam indício de omissão, não tendo o condão de caracterizar, por si só, a omissão de receitas. Assim, na ausência de uma hipótese específica de presunção legal, cabia à Fiscalização demonstrar, de forma cabal, que os valores depositados nas contas bancárias da Contribuinte correspondiam efetivamente a rendimentos próprios, não oferecidos à tributação. Todavia, a partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. Destaco ainda duas súmulas pertinentes ao caso: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Com relação ao arbitramento dos lucros, cabe assinalar que a Contribuinte foi várias vezes intimada a apresentar livro Diário/Razão ou Caixa, de acordo com o regime que fosse por ela adotado para a tributação de IRPJ/CSLL. No decorrer dos trabalhos de auditoria, a Contribuinte apresentou Contrato Social; Extratos de Contas Bancárias; livro Registro de Inventário (sem nenhuma escrituração); livro Registro de Apuração do ICMS, escriturado de agosto/2003 a novembro/2004; livro Registro de Entradas, escriturado de julho/2003 a novembro/2003; e livro Registro de Saídas, escriturado de agosto/2003 a novembro/2004. A Contribuinte não fez opção pelo lucro presumido, e também não apresentou os livros Diário/Razão ou Caixa, nem o livro Lalur, para o qual também foi intimada. A legislação é bastante clara a esse respeito: Fl. 966DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 14 13 Art.530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV (...) V (...) VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Não havia outra alternativa para a Fiscalização, senão proceder ao arbitramento dos lucros. Conforme já foi observado pela decisão recorrida, a matéria aqui examinada em nada se confunde com as hipóteses de aplicação de multa regulamentar pelo não atendimento de intimação para prestar informações. A controvérsia a ser dirimida se dá precisamente em torno dos requisitos para a definição do regime de tributação de IRPJ/CSLL (Lucro Real ou Presumido), e a lei não deixa dúvidas de que a ausência destes requisitos, isolada ou cumulativamente, implica no arbitramento dos lucros. A contribuinte também invoca equivocadamente o art. 148 do CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço dos bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 15 14 Esse dispositivo é inaplicável ao caso, porque trata de arbitramento do valor ou preço de determinadas operações, quando amparadas por documentos que sejam omissos ou não mereçam fé, e não de arbitramento do resultado tributável (lucro). Como já mencionado, as hipóteses para o arbitramento dos lucros estão detalhadamente indicadas na lei. Se o contribuinte não apresenta documentário fiscal que respalde as sistemáticas usuais de tributação para IRPJ/CSLL (Lucro Real ou Lucro Presumido), o único caminho para o trabalho de auditoria é a tributação pelo lucro arbitrado. O arbitramento, nos termos em que foi realizado, não acarretou qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, matéria que representa uma segunda preliminar de nulidade. O que ocorre no processo administrativo fiscal é que o exercício destes direitos apenas é diferido para um momento posterior, após a realização do lançamento, sem qualquer necessidade de se oportunizar uma contestação prévia, para realização de avaliação contraditória (do lucro) antes do lançamento. Vale transcrever as considerações contidas na decisão recorrida a esse respeito: A afirmação do impugnante de que o arbitramento de lucros deve ser, ex vi do citado dispositivo, um procedimento específico, anterior à ação fiscal ou ao lançamento, é completamente equivocada. Na verdade, o que há é um só procedimento a ação fiscal , no curso do qual, verificadas irregularidades nas informações e documentos fornecidos pelo contribuinte, podese chegar ao arbitramento, depois de devidamente assegurado o direito de defesa direito este, aliás, que até mesmo por força de comandos constitucionais, deve nortear todo o feito fiscal, e não especificamente este ou aquele ato. Pela não distinção entre procedimento de lançamento e procedimento de arbitramento manifestamse os poucos juristas pátrios que se debruçaram sobre o assunto. Misabel Abreu Machado Derzi (in “Comentários ao Código Tributário Nacional”, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 1997, p. 390), por exemplo, assim expõe: O arbitramento, mediante processo regular, não é procedimento de lançamento especial. [...] O arbitramento, disciplinado no art. 148, é apenas técnica inerente ao lançamento de ofício para avaliação contraditória de preços, bens, serviços ou atos jurídicos, utilizável sempre que os documentos ou declarações do contribuinte sejam omissos ou não mereçam fé. (grifouse) Como se percebe, improcedentes mostramse as alegações do contribuinte quanto à inexistência do procedimento previsto no artigo 148 do CTN. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10320.000222/200748 Acórdão n.º 1802001.455 S1TE02 Fl. 16 15 Finalmente, cabe apenas destacar que a Contribuinte havia apresentado DIPJ INATIVA para o anocalendário de 2003; que no curso da fiscalização ela apresentou uma DIPJ simplificada para este mesmo período de 2003; que foi apresentada DIPJ simplificada para o anocalendário de 2004, com todos os valores zerados; e que nenhum tributo foi recolhido no período em questão. Ficou bastante evidente a intenção de ocultar ou retardar o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores por parte da autoridade administrativa, e que esta infração foi cometida de maneira reiterada. Além disso, restou muito bem caracterizada, tanto no auto de infração, quanto na decisão recorrida, a utilização de interpostas pessoas (matéria que não foi objeto de recurso), o que contribui para evidenciar o dolo na conduta dos envolvidos (omissão de receitas), tanto para fins de qualificação da multa, quanto para a imputação de responsabilidade tributária a terceiro. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 969DF CARF MF Impresso em 17/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10530.000046/2006-98
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTO DE AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
No caso de rendimentos recebidos no contexto de ação judicial, é cabível a exclusão, do montante a ser tributado, do valor correspondente às despesas necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, quando arcadas pelo contribuinte, sem indenização.
Numero da decisão: 2201-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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RENDIMENTO DE AÇÃO JUDICIAL. DEDUÇÕES. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. No caso de rendimentos recebidos no contexto de ação judicial, é cabível a exclusão, do montante a ser tributado, do valor correspondente às despesas necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, quando arcadas pelo contribuinte, sem indenização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 00 46 /2 00 6- 98 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 03/04, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 27.239,82, calculados até julho de 2005. A fiscalização apurou compensação indevida do imposto de renda retido na fonte. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, verbis: (...) Em ação trabalhista judicial com a empresa CAIXA ECONOM1CA FEDERAL, recebemos o valor de R$ 113.017,89 (cento e treze mil dezessete reais e oitenta e nove centavos) e retenção de Imposto de Renda no valor de R$ 26.668,41(vinte e seis mil seiscentos e sessenta e oito reais e quarenta e um centavos), onde a empresa acima se encontra obrigada transmissão do DIRF2001, o que não foi efetuado, sendo assim mantivemos por diversas vezes contato com a empresa solicitando a devida regularização e a mesma nos informou que o DIRF2001, foi transmitido e estava sendo encaminhado para Brasília para ser retificado o que não ocorreu, gerando assim auto de infração. (...) A 1ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou procedente em parte o lançamento, conforme se extrai da transcrição da integra do voto condutor do julgamento singular: Os documentos apresentados pelo impugnante comprovam que os rendimentos pagos através da ação trabalhista sofreram a retenção do imposto na fonte declarada. Mas o imposto retido somente pode ser compensado se forem incluídos no lançamento os rendimentos tributáveis correspondentes. Apesar de haver recebido através da ação judicial R$ 113.017,89 de rendimentos tributáveis, como demonstra o comprovante de rendimentos às fls. 10, informou em sua declaração apenas R$ 50.127,29. Requeria assim uma restituição de R$ 15.211,29, a que não tem direito. Cabe, portanto, retificar o lançamento, como demonstrado a seguir: R$ Rendimentos tributáveis Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.000046/200698 Acórdão n.º 2201001.758 S2C2T1 Fl. 3 3 Caixa Econômica Federal (ação trabalhista) 113.017,89 Fundação dos Economiários Federais 29.417,40 1. Total dos rendimentos tributáveis 142.435,29 2. Deduções 17.897,41 3. Base de cálculo [1][2] 124.537,88 4. Imposto (27,5% 4.320,00) 29.927,92 Imposto retido na fonte: Caixa Econômica Federal (ação trabalhista) 26.904,21 Fundação dos Economiários Federais 940,08 5. Total do imposto retido na fonte 27.844,29 6. Imposto a pagar [4][5] 2.083,63 7. Imposto a pagar declarado 0,00 8. Imposto suplementar [6][7] 2.083,63 9. Multa de ofício [8] x 75% 1.562,72 Por estas razões, voto pela procedência parcial do lançamento, para manter a exigência do imposto suplementar de R$ 2.083,63, acrescido de multa de lançamento de ofício e juros de mora. Intimado da decisão de primeira instância em 15/10/2008 (fl. 43), Péricles Lima Cavalcante apresenta Recurso Voluntário em 12/11/2008 (fl. 45), alegando, verbis. ... informamos que não apresentamos os recibos do advogado trabalhista Dr. Bel. ARNALDO COSTA JUNIOR, OAB/BA n° 14.945, para a nossa dedução de base de calculo juntamente com os demais documentos pelo motivo do mesmo não nos fornecer em tempo hábil ate a apresentação de documentos e defesa deste processo. Após contato e explanação das informações do processo junto a este órgão federal, ao Dr. Bel. ARNALDO COSTA JUNIOR, CPF.: 109.354.79520, OAB/BA n° 14.945, recebedor do valor de R$ 33.757,29 (Trinta e Três Mil Setecentos e Cinqüenta e Sete Reais e Vinte e Nove Centavos), o mesmo nos forneceu os recibos com os respectivos valores e datas por ele recebido para a devida correção de nossa base de cálculo .... sendo assim o valor recebido pelo advogado não poderá de forma alguma ser pago pelo contratante dos serviços advocatícios. Anexamos as seguintes cópias para fazer parte ao recurso: a) Intimação e Relatório do DRJ, b) Ata de conclusão do processo trabalhista, c) Base de Cálculos, d) Recibo Detalhado, e) Recibos do advogado. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, nesta segunda instância, na dedução do valor pago a título de honorários advocatícios sobre a reclamatória trabalhista movida pelo recorrente contra a Caixa Econômica Federal. Em sua defesa alega o suplicante que efetuou o pagamento de honorários advocatícios ao Dr. Arnaldo Costa Junior, OAB/BA n° 14.945, no valor de R$ 33.757,29, conforme faz prova os diversos recibos juntados a peça recursal. Pois bem, compulsandose os autos, mais precisamente os Recibos de fls. 53/55, verificase que de fato o recorrente efetivamente pagou ao advogado, Dr. Arnaldo Costa Junior, OAB/BA n° 14.945, o valor de R$ 33.757,29, relativo a honorários advocatícios no processo trabalhista n° 01.22.97.260201, movido contra Caixa Econômica Federal. Assim sendo, do total do rendimento bruto proveniente da ação trabalhista deverá ser subtraído o valor de R$ 33.757,29, relativo a honorários advocatícios suportados pelo contribuinte, nos exatos termos do art. 12 da Lei n° 7.713/1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Destarte, com as presentes considerações e diante da prova documental trazida aos autos, encaminho meu voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10530.000046/200698 Acórdão n.º 2201001.758 S2C2T1 Fl. 4 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10530.000046/200698 Recurso nº: 179.522 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.758. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10950.000586/98-50
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1993 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE ATIVIDADE RURAL E LUCRO DE OUTRAS ATIVIDADES O prejuízo fiscal da atividade rural é compensável com os lucros dos períodos-base seguintes da mesma atividade e com o lucro real das demais atividades somente no mesmo período-base.
Numero da decisão: 1802-001.184
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1390; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.000586/9850 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1802001.184 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL DA ATIVIDADE RURAL. GLOSA Recorrente J. MONTEIRO AGROPECUÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE ATIVIDADE RURAL E LUCRO DE OUTRAS ATIVIDADES O prejuízo fiscal da atividade rural é compensável com os lucros dos períodosbase seguintes da mesma atividade e com o lucro real das demais atividades somente no mesmo períodobase. Vistos, relatados e discutivos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.191/194 contra decisão monocrática do do Delegado da DRJ/Foz do Iguaçu (fls.181/188) que julgou procedente o auto de infração do IRPJ do exercício 1994, anocalendário 1993, lavrado no procedimento de revisão sumária de declaração. Quanto aos fatos, consta do auto de infração do IRPJ, de 20/02/1998 (fls. 60/66): que houve glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais da atividade rural de períodos de apuração anteriores com Lucro Real da atividade em geral dos períodos de apuração de novembro/1993 e dezembro/1993, em face de revisão sumária pelo fisco da DIRPJ 2004, anobase 1993. A infração imputada está assim narrada no auto de infração, bem como a capitulação legal (fl. 61): (...) O presente Auto de Infração originou se da revisão sumária de sua declaração de rendimentos correspondente ao ano calendário de 1993 (DIRPJ/94), efetuada com base no art. 623 e parágrafos 1º e 2º do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 85.450/80 (RIR/80); Foi constatada a existência de irregularidades na declaração, conforme abaixo descrito e capitulado, que implicaram a apuração da diferença suplementar de Imposto de Renda apontada no quadro 3 do Auto de Infração; As alterações efetuadas e suas consequências em cada período base estão detalhadas no Demonstrativo de Valores Apurados e no Demonstrativo de Consolidação de Valores; No Demonstrativo dos Valores Apurados, o lucro real foi convertido para UFIR, conforme art. 2º da Lei 8.541/92; O valor do Imposto de Renda suplementar foi convertido para Reais conforme artigo 29 da Medida Provisória 1.62132/98, com base na UFIR de 01/01/97 (R$ 0,9108); No que se refere às penalidades aplicadas, o enquadramento legal correspondente consta no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora; Todos os Demostrativos citados fazem parte integrante deste Auto de Infração. (...) Fl. 314DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 3 3 PREJUÍZO FISCAL INDEVIDAMENTE COMPENSADO NA DEMONSTRACAO DO LUCRO REAL, CONFORME DEMONSTRATIVO DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO EM ANEXO. ARTS. 164, 382 E 388, INCISO III, DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, APROVADO PELO DECRETO 85.450/80; ART. 14 DA LEI 8.023/90; ART. 38, PARÁGRAFOS 7º E 8º DA LEI 8.383/91 E ART. 12 DA LEI 8.541/92. (...) ajustes efetuados pelo fisco na DIRPJ 2004, anobase 1993 (fl. 62): 1) – Período de apuração: Novembro/1993: a) no Anexo 4, quadro 9, linhas 12/14, (4.795.774,00 CR$) para ( 4.765.774,00 CR$) = diferença apurada CR$ 30.000,00; b) no Anexo 2, quadro 04, linha 46, de CR$ 20.157.437,00 para CR$ 4.765.774,00 e, no mesmo anexo e quadro, linha 47, de Cr$ 0,00 para CR$ 15.391.663,00, constituindose o valor de CR$ 15.391.663,00 a diferença de base de cálculo do imposto lançado. 2) – Período de apuração: Dezembro/1993: a) no Anexo 2, quadro 04, linha 46, de CR$ 19.912.687,00 para CR$ 0,00 e, no mesmo anexo e quadro, linha 47, de Cr$ 0,00 para CR$ 19.912.687,00, constituindose o valor de CR$ 19.912.687,00 a diferença de base de cálculo do imposto lançado. o crédito tributário, lançado de ofício, perfaz o montante de R$ 154.462,59, assim especificado: a) IRPJ, R$ 65.302,28; b) Multa de ofício (75%), R$ 48.976,71; c) Juros de mora (calculados até 28/02/1998), R$ 40.183,60. A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal no dia 31/03/1998, por via postal, conforme Aviso de Recebimento–AR (fl. 68); apresentou impugnação em 28/04/1998 de fls. 01/03, juntando ainda os documentos de fls.04/66), cujas razão, em síntese, são as seguintes: que exerce atividade mista (atividade rural e atividade em geral), com destaque para a exploração de atividade rural, a qual, por força de lei, goza de beneficios fiscais; que, em vista da atividade rural (atividade incentivada), é favorecida com a apuração de lucros ou prejuízos fiscais, a partir do lucro de exploração; que, destarte, apura dois resultados: um da atividade rural e, outro, da atividade em geral; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 4 4 que o prejuízo da atividade rural não tem prazo para ser utilizado em compensação tributária; porém, o prejuízo da atividade em geral, na época, tinha prazo de 4 (quatro) anos para ser utilizado em compensação tributária; que, no anocalendário 2003, apurou prejuízo da atividade rural e lucro da atividade em geral; que compensou o lucro da atividade em geral do período com prejuízo da atividade rural do mesmo período, utilizando, ainda, prejuízos acumulados da atividade rural de períodos de apuração anteriores; que, entretanto, o sistema da Receita Federal não aceitou, em DIRPJ 1994, a indicação de valores compensados CR$ 20.157.437,00 (nov/1993) e CR$ 19.912.687,00 (dez/1993) na linha 46 do Anexo 2 (fl.30), por serem superiores aos valores indicados de CR$ 4.795.774,00 (nov/2003) e CR$ 00,00 (dez/1993), na linha 09/14 do anexo 4 (fl.42); que comprovou que havia cometido erro de preenchimento do Anexo 4 da referida declaração, onde, no quadro 09 linha 09 do anexo 4, deixou de informar os valores acumulados dos prejuízos fiscais da atividade rural que deveriam ser compensados, justamente pelo fato de não haver prazo para a compensação de prejuízos decorrentes de atividade rural; que, mediante revisão sumária (interna) da declaração de rendimentos do anocalendário 1993 (DIRPJ/94), o fisco constatou essa discrepância ou erro de preenchimento do Anexo 4, e respectivo transporte de valores para o Anexo 2, no tocante à compensação de prejuízo da atividade rural com lucro das demais atividades, aplicando o auto de infração objeto do litígio; que a glosa da compensação e a diferença de base de cálculo do IRPJ de nov/2003 e dez/2003 estão demonstrados no Anexo do Auto de Infração (fl. 62); que, diversamente do entendimento do fisco, bastaria, no caso, a simples retificação do Anexo 4 da referida declaração, não se justificando o lançamento de ofício, pois foi demostrada a existência do prejuízo fiscal decorrente da atividade rural quanto aos períodos de apuração anteriores, controlado no LALUR; que, para a correta apreciação da revisão da DIRPJ/94 (anocalendário 1993), mister sua retificação, por ter havido erro material substancial quando das declarações prestadas e, assim, não é diferente o pensamento de nossos Tribunais; que, juntamente com a impugnação, apresentou nos autos o formulário preenchido da declaração da DIRPJ 1994, anocalendário 1993 (retificadora). Em face das alegações da contribuinte, a DRJ/Foz do Iguaçu, primeiramente, baixou o processo em diligência fiscal, conforme despacho de 23/09/1999 (fl. 72), in verbis: (...) Em face das peculiaridades que revestiram a apuração da irregularidade e a formalização do presente processo, tendo em vista, ainda, o disposto nos artigos 22 e 32 da Instrução Normativa SRF n° 94, de 24/12/97, mister se faz a realização de diligência por AuditorFiscal para: Fl. 316DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 5 5 verificar na contabilidade da empresa, e se necessário nos arquivos da SRF, a veracidade das alegações da contribuinte, bem como a consistência das irregularidades apuradas; anexar documentos ou informações eventualmente apuradas durante a diligência que possam ser úteis para a formação da convicção do julgador, lavrando termo consubstanciado, quanto às verificações efetuadas. (...) O Relatório de Diligência Fiscal informa, por sua vez, que não há o alegado erro de preenchimento da declaração, mas sim que a contribuinte pretende, na verdade, utilizar, indevidamente, prejuízos da atividade rural de períodos de apuração anteriores para compensação com lucro da atividade em geral do período, o que é vedado. Nesse sentido, consta do Relatório de Diligência Fiscal, de 29/06/1999 (fls. 75/78): (...) O sujeito passivo exerce atividade mista, ou seja, atividade rural de que trata a Lei n.° 8.023/90 e outras atividades, estando sujeito, portanto à apresentação do formulário completo, inclusive anexo 4, para sua declaração de rendimentos. Durante o ano calendário de 1.993, a empresa optou pela apuração do imposto de renda devido com base no lucro real. Para efeito da incidência do imposto de renda, o lucro real das pessoas jurídicas era apurado na data do encerramento de cada mês do anocalendário. A apuração do lucro real era apresentada pelo anexo 2 e o lucro real da atividade rural através do quadro 09 do anexo 4. Assim procedeu a contribuinte e, em principio, não constatamos erros no preenchimento de sua DIRPJ, salvo o erro de soma no anexo 4, quadro 09, linha 12, mês de novembro, o qual resultou em alteração do prejuízo a compensar em CR$ 30.000, e que não é objeto de contestação. O lançamento de oficio é oriundo da compensação a maior nos períodos 11/93 e 12/93 de prejuízos da Atividade Rural com Lucros apurados nas demais atividades, conforme consta no anexo 02, quadro 04, meses 11 e 12, linha 46. Os lucros assim apurados e compensados são provenientes, principalmente, das outras atividades conforme pode ser constatado pelo Anexo 01 da declaração de rendimentos. O manual de preenchimento da DIRPJ de 1994, na página 37 orienta: (...) Portanto, somente o prejuízo apurado no períodobase pode ser compensado com lucros das outras atividades no mesmo período Fl. 317DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 6 6 e não como quer o contribuinte, compensar lucros das demais atividades com prejuízos da atividade rural de períodos anteriores ao da apuração. (...) Concluise, portanto, se possível fosse compensar prejuízos de períodos anteriores da atividade rural com lucros das demais atividades, era apenas uma questão de usar os valores constantes da linha PA. Não haveria a necessidade de usar o "artificio" pretendido pela contribuinte. Em resumo, quer a contribuinte em sua contestação que seja reconhecido o direito de compensação de lucros das demais atividades com prejuízos da atividade rural apurados em períodosbase anteriores aos da apuração do lucro real das demais atividades. (...) Ainda, foi aberto prazo para a contribuinte apresentar contrarrazões ao resultado do Relatório de Diligência Fiscal, tendo se manifestado nas fls. 82/85, argumentando, em síntese, não haveria essa proibição de compensação de prejuízos da atividade rural de períodos de apuração anteriores com lucro real do período das demais atividades. Diante desse reultado da Diligência Fiscal, a DRJ/Foz do Iguaçu manteve o lançamento fiscal, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir (fl. 90): (...) IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS ATIVIDADE RURAL A compensação de prejuízos de períodos anteriores só é admissivel com resultados sujeitos ao mesmo tratamento tributário. Em se tratando de atividade rural, os prejuízos e lucros devem ser oriundos de atividade prevista na Lei 8.023/90. Inadmissível, por força do art. 111 do CTN, ampliar aquele rol de benefícios, de forma a permitir a compensação de lucros das demais atividades com o prejuízo fiscal da atividade rural de períodos anteriores. LANÇAMENTO PROCEDENTE (...) A contribuinte tomou ciência dessa decisão por via postal, porém no Aviso de Recebimento –AR não consta a data de ciência da contribuinte. Entretanto, no corpo do AR foi aposto carimbo pela Agência dos Correios com data de 09/09/1999 (fl. 100). A recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/10/1999 de fls. 102/105, juntando, ainda, os documentos de fls. 106/127, reiterando, em síntese, as razões já aduzidas na instância a quo de que não cometera a infração imputada, defendendo a tese de que não haveria óbice legal para a compensação que efetuara, objeto de glosa pelo fisco. Ainda, em reforço desse argumento, juntou Parecer encomendado junto ao Professor Hiromi Higuchi, defendendo a tese de que não haveria, no anocalendário 1993, óbice legal para compensação dos prejuízos da atividade rural de períodos de apuração anteriores com lucro real da atividade em geral do Fl. 318DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 7 7 anocalendário 1993. Por fim, a recorrente, ainda, pediu seja autorizada a substituição da DIRPJ/94, anocalendário 1993, já acostada aos autos. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 8 8 Voto A recorrente foi intimada da decisão a quo por via postal; porém, não consta do Aviso de Recebimento – AR a data de ciência (fl. 100). O único carimbo aposto no corpo do AR, pelo funcionário da Agência dos Correios ECT, indica a data de 09/09/1999 (quintafeira), a qual pode ser a data de recepção do AR pela Agência ou de retorno à Agência (cumprimento da intimação). Logo, há dúvida fundada, nos autos, quanto à data de ciência da intimação da decisão recorrida pela contribuinte. A propósito, o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 dispõe: Art. 23. Farseá a intimação: I – (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) III – (...) § 1º (...) § 2° Considerase feita a intimação: I – (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Entretanto, não consta dos autos o documento que pudesse comprovar a data de expedição da intimação pela RFB (envio à Agência dos Correios). De qualquer forma, considerando a data de 09/09/2009 como sendo de recepção do AR pelos Correios (expedição da intimação fiscal pela RFB), hipótese mais favorável à contribuinte e aplicando–se o disposto no art. 23, § 2º, II, do Decreto nº 70.235/72, temse por tempestivo o recurso voluntário apresentado em 14/10/1999 (fls. 102/105). Ainda, a juntada do AR aos autos ocorreu apenas em 20/09/2009 (fl. 100). Apenas para argumentar, caso fosse aplicado, subsidiarimente, a norma constante do Código de Processo Civil Brasileiro (Lei nº 5.869/73, art. 241, I), que determina como dia de ciência da intimação da decisão recorrida a data de juntada do AR aos autos, o recurso voluntário, no caso, também seria tempestivo. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 9 9 Por fim, convém trazer à colação precedente jurisprudencial deste Egrégio Conselho que, em situação similar a dos autos, considera ocorrida a intimação na data em que o contribuinte comparece à repartição fiscal para defenderse, in verbis: PRAZO —A intimação por via postal considerase feita na data constante do Aviso de Recebimento, ou se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. À falta de uma e outra prova, temse por intimado o contribuinte na data em que ele comparece à repartição fiscal para defenderse. (Acórdão 107 08.934, sessão de 28/03/2007, RelatorConselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes). Diante do exposto, considero tempestiva a apresentação do recurso e satisfeitas as demais exigências. Conheço, portanto, do recurso. Conforme relatado, a lide versa acerca da exigência, por auto de infração do IRPJ, do crédito tributário dos períodos de apuração de novembro/1993 e dezembro/1993, decorrente de glosa de compensação indevida, por utilização de prejuízos fiscais acumulados da atividade rural de períodos de apuração anteriores com Lucro Real das demais atividade do período (atividade em geral). A recorrente, por sua vez, defende a tese de que não haveria, no ano calendário 1993, óbice legal para compensação dos prejuízos acumulados da atividade rural de períodos de apuração anteriores com Rucro Real da atividade em geral, quanto aos meses 11/93 e 12/93. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito do litígio. O lançamento fiscal decorreu, não de suposto erro de preenchimento da DIRPJ 1994, anocalendário 1993, mas sim de vedação legal para compensação de prejuízos fiscais acumulados da atividade rural de períodos de apuração anteriores com lucro real da atividade em geral dos períodos objeto da autuação. A propósito, a conclusão do relatório de diligência fiscal afasta, de forma cabal, a tese do alegado erro de preenchimento da declaração de rendimentos (fls. 75/78), in verbis: (...) O sujeito passivo exerce atividade mista, ou seja, atividade rural de que trata a Lei n.° 8.023/90 e outras atividades, estando sujeito, portanto à apresentação do formulário completo, inclusive anexo 4, para sua declaração de rendimentos. Durante o ano calendário de 1.993, a empresa optou pela apuração do imposto de renda devido com base no lucro real. Para efeito da incidência do imposto de renda, o lucro real das pessoa jurídicas era apurado na data do encerramento de cada mês do anocalendário. A apuração do lucro real era apresentada pelo anexo 2 e o lucro real da atividade rural através do quadro 09 do anexo 4. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 10 10 Assim procedeu a contribuinte e, em principio, não constatamos erros no preenchimento de sua DIRPJ, salvo o erro de soma no anexo 4, quadro 09, linha 12, mês de novembro, o qual resultou em alteração do prejuízo a compensar em CR$ 30.000,00 e que não é objeto de contestação. O lançamento de oficio é oriundo da compensação a maior nos períodos 11/93 e 12/93 de prejuízos da Atividade Rural com Lucros apurados nas demais atividades, conforme consta no anexo 02, quadro 04, meses 11 e 12, linha 46. Os lucros assim apurados e compensados são provenientes, principalmente, das outras atividades conforme pode ser constatado pelo Anexo 01 da declaração de rendimentos. O manual de preenchimento da DIRPJ de 1994, na página 37 orienta: (...) Portanto, somente o prejuízo apurado no períodobase pode ser compensado com lucros das outras atividades no mesmo período e não como quer o contribuinte, compensar lucros das demais atividades com prejuízos da atividade rural de períodos anteriores ao da apuração. (...) Concluise, portanto, se possível fosse compensar prejuízos de períodos anteriores da atividade rural com lucros das demais atividades, era apenas uma questão de usar os valores constantes da linha PA. Não haveria a necessidade de usar o "artificio" pretendido pela contribuinte. Em resumo, quer a contribuinte em sua contestação que seja reconhecido o direito de compensação de lucros das demais atividades com prejuízos da atividade rural apurados em períodosbase anteriores aos da apuração do lucro real das demais atividades. (...) Na verdade, o ponto controvertido do qual depende a resolução da lide diz respeito a matéria de direito. Como já dito alhures, a contribuinte defende a tese de que não teria óbice legal para a compensação de Lucro Real da atividade em geral do período com prejuízos fiscais acumulados da atitividade rural de períodos de apuração anteriores, juntado, inclusive, Parecer de expert. A tese da recorrente não merece prosperar. A compensação de prejuízos apurados pela atividade incentivada, objeto de tributação favorecida, só pode se dar com lucros sujeitos ao mesmo tratamento, conforme dispõe o Decretolei nº 2.049/88, art. 8º: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 11 11 "Art. 8º A pessoa jurídica que exerce atividades sujeitas à tributação por alíquotas diferenciadas somente poderá compensar os prejuízos decorrentes do exercício de atividade tributada por alíquota reduzida, com lucros da mesma atividade." Posteriormente, foi editada a Lei 8.023/90, art. 14, que tratou, genericamente, da compensação de prejuízos na atividade rural, in verbis: "Art. 14 O prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores." Entretanto, não houve houve revogação do art. 8º do Decretolei 2.049/88. Por isso, em consonância com o citado dispositivo legal, foi editada a Instrução Normativa nº 138, de 28 de dezembro de 1990, que dispõe: (...) "39.2 Os prejuízos da atividade rural somente poderão ser compensados com lucros da mesma atividade." (...) Logo, somente são compensáveis prejuízos apurados na atividade rural com lucros também dessa atividade. Nos anoscalendário de 1993 e 1994, a legislação de regência permitiu a compensação de prejuízos da atividade rural com o lucro real de outras atividades dentro do mesmo períodobase. No mesmo sentido, ainda como razão decidir, transcrevo o voto vencedor Acórdão nº 10513.334, sessão de 18/10/2000, Redator designado Conselheiro Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega, in verbis: (...) Com efeito, argumenta a defesa, que já não se aplicava no ano calendário de 1993, a vedação prevista no artigo 8°, do Decreto lei n° 2.429/1988, pelo fato de as alíquotas do IRPJ já haverem sido padronizadas por ocasião da ocorrência do fato gerador de que se cuida, sendo inconstitucional o comando contido na IN SRF n° 138/1990, por não poder um ato administrativo extrapolar os limites da lei. A alegação teria plena procedência, caso o incentivo fiscal da atividade rural se restringisse tãosomente ao pagamento do imposto com alíquota reduzida, e o ato normativo citado contrariasse expressa disposição legal. E isto não é verdade. Segundo a Lei n° 8.023/1990 (complementada pela Lei n° 8.134/1990), além daquele benefício, as pessoas jurídicas que exercessem a atividade rural, teriam ainda uma série de outros Fl. 323DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 12 12 incentivos fiscais, na quantificação de sua base imponível, como, por exemplo: a) no caso de apuração contábil, a determinação do seu lucro real pode considerar integralmente depreciados os bens do ativo imobilizado no próprio ano da aquisição; b) o regime de escrituração é o de caixa, sendo os investimentos considerados despesas no mês do efetivo pagamento; c) o saldo médio ajustado de depósitos vinculados ao financiamento da atividade rural porventura mantidos pelo contribuinte no decurso do período base, poderá ser utilizado para deduzir em até 100% o valor da base de cálculo do imposto; d) o direito à compensação de prejuízos de períodosbase anteriores não se sujeita à limitação temporal; e) o lucro real da atividade rural não se sujeita à incidência do adicional do imposto de renda prevista para as demais atividades. O artigo 21, do aludido diploma legal autorizou o Poder Executivo a expedir os atos necessários à execução de suas disposições, o que legitima a Instrução Normativa SRF n° 138/1990, (..). E, como enfatizou o julgador singular, o subitem 39.2 do citado ato normativo dispôs, textualmente: " Os prejuízos da atividade rural somente poderão ser compensados com lucros da mesma atividade." O descumprimento da citada regra, implica na completa subversão da intenção do legislador, de assegurar o tratamento tributário diferenciado especificamente para as atividades rurais, pois, de outra forma, se estaria estendendo o benefício fiscal a atividades estranhas àquela que se pretendeu incentivar, não somente pela adoção de uma alíquota reduzida, mas também por uma série de outros benefícios (conforme exemplificado acima), a serem utilizados somente para a apuração do tributo sobre os resultados da atividade rural pelas pessoas jurídicas que efetivamente a exerçam. Ao contrário do que afirmou a Recorrente, a sistemática de preenchimento da declaração de rendimentos do anocalendário de 1993, assim como, o manual de orientação expedido pela Secretaria da Receita Federal (MAJUR/94), seguem fielmente a legislação pertinente à matéria, visando assegurar o gozo do incentivo fiscal em seus estritos termos, não sendo lícita a sua pretensão de interpretála segundo os seus interesses, para estender o tratamento privilegiado concedido à atividade rural, a outras atividades por ela exercidas no períodobase, fato ressaltado na decisão recorrida, sem que fosse contraditado pela defesa. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 13 13 O próprio Quadro 04 do Anexo 2 do formulário I da DRPJ do exercício financeiro de 1994, prevê, em sua linha 46, a possibilidade de compensação, com o lucro real do período, apenas do valor do prejuízo fiscal da atividade rural apurado no próprio períodobase (mêscalendário), demonstrado no Quadro 09 do Anexo 4 (linha 14, correspondente ao resultado negativo do respectivo mês); a compensação de prejuízos da atividade rural de períodos anteriores, somente se acha prevista no próprio cálculo do lucro real da atividade. Assim, caso o resultado obtido em cada período mensal de apuração seja positivo (lucro real), será transportado, após a sua conversão em UFIR, para a linha 50 do Quadro 04 do Anexo 2, para fins de aplicação da alíquota e quantificação do imposto incidente sobre a atividade rural; em caso de resultado negativo (prejuízo fiscal), poderá o mesmo ser compensado com o lucro das demais atividades de igual período limitado ao montante deste, conforme instruções contidas na página 52 do MAJUR/94. Ainda que o único benefício fiscal da atividade rural fosse a alíquota diferenciada, argumento implícito na tese da defesa, esta não prevaleceria, não obstante a respeitável divergência jurisprudencial invocada pela Recorrente, uma vez que, conforme discorrido acima, o lucro real daquela atividade não se sujeita ao adicional do IRPJ, o qual constitui, na prática, em alíquotas majoradas a serem adotadas pelas pessoas jurídicas para a apuração do imposto incidente sobre as demais atividades, permanecendo incólume a regra contida no artigo 8°, do Decretolei n° 2.429/1988, no anocalendário de 1993. A contrario sensu, estarseia violando tal regra, instituída em data anterior à edição da Lei n° 8.023/1990, e ao aludido ato normativo regulador desta, normas que visam garantir o gozo do incentivo fiscal, em sua inteireza, conforme demonstrado. (...) Os precedentes da jurisprudência administratitiva deste Egrégio Conselho, também, reafirmam a plena vigência do art. 8º do Decretolei nº 2.429/1988, mormente no ano calendário de1993, objeto da presente lide, in verbis: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE ATIVIDADE RURAL E LUCRO DE OUTRAS ATIVIDADES O prejuízo fiscal da atividade rural é compensável com os lucros dos períodosbase seguintes da mesma atividade e com o lucro real das demais atividades somente no mesmo períodobase.(Acordão nº 103 21.755, sessão de 21/10/2004, Relator Alexandre Basbosa Jaguaribe). IRPJ — ATIVIDADE RURAL — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS — Os prejuízos fiscais de períodosbase anteriores, relativos à atividade rural, somente poderão ser compensados com lucros da mesma atividade.(Acórdão nº 10513.334, sessão de 18/10/2000, Redator Designado Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega). Fl. 325DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 14 14 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DE ATIVIDADE RURAL E LUCRO DE OUTRAS ATIVIDADES O prejuízo fiscal da atividade rural é compensável com os lucros dos períodosbase seguintes da mesma atividade e com o lucro real das demais atividades somente no mesmo períodobase.(Acrdão nº 105 13.439, sessão de 21/02/2001, Relatora Maria Amélia Fraga Ferreira). COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS PREJUÍZOS DA ATIVIDADE RURAL LUCRO REAL DE OUTRAS ATIVIDADES O prejuízo fiscal da atividade rural é compensável com o lucro real das demais atividades somente no mesmo período base. (Acórdão nº 10514.851, sessão de 01/12/2004, Relator Eduardo Rocha Schmidt). COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO ATIVIDADE RURAL/DEMAIS ATIVIDADES ANO CALENDÁRIO DE 1993 O MAJUR/1994 permitiu a compensação dos prejuízos decorrentes da atividade rural com os resultados positivos das demais atividades, desde que apurados no mesmo períodobase e limitado ao valor indicado como lucro real sujeito à tributação. Contudo não havia previsão legal para se estender o beneficio ao saldo de prejuízos acumulados, passíveis de compensação apenas com resultados positivos da mesma natureza.(Acórdão nº 10807.542, sessão de 15/10/2003, Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Por fim, quanto ao pedido de substituição da DIRPJ/94, anocalendário 1993, já acostada aos autos, incabível tal pretensão. A declaração retificadora, apresentada após ciência do início do procedimento fiscal ou da ciência do auto de infração, nos termos do art. 7º, I, do Decreto nº 70.235/72, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infração tributária, em face da perda da espontaneidade fiscal. Tal entendimento, por ser pacífico neste CARF, encontrase inclusive sumulado: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 326DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.000586/9850 Acórdão n.º 1802001.184 S1TE02 Fl. 15 15 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10768.017104/2002-13
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURANÇA SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 10/1995, 02/1996 e 03/1996
COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Incabível o pleito de restituição de valores recolhidos a maior, a título de Contribuição para a COFINS, após 5 (cinco) anos do fato gerador do tributo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.204
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURANÇA SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 10/1995, 02/1996 e 03/1996 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Incabível o pleito de restituição de valores recolhidos a maior, a título de Contribuição para a COFINS, após 5 (cinco) anos do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado.
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Numero do processo: 10820.720006/2006-09
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
INVASÃO POR SEM TERRAS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO.
A propriedade é conceito jurídico, cujas prerrogativas essenciais se encontram estabelecidas pelo artigo 524 do Código Civil.Tendo suas terras invadidas por sem-terras, o contribuinte não conseguiu até o momento da expedição do Decreto de Desapropriação, no período da exigência tributária, fazer valer as suas prerrogativas de proprietário, pois de fato o Estado não lhe reintegrou na posse, aos fins de poder fruir a propriedade em referência. A ausência de defesa estatal de um direito assegurado em nível constitucional, torna o direito assim concebido em mera propriedade documental, não sendo essa conformação do direito assegurado constitucionalmente ao contribuinte e passível de tributação, nos mesmos termos da Constituição (art. 153, inciso VI), sendo pois, indevida a cobrança do ITR."
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR - Relator.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Redator designado.
EDITADO EM: 13/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka.
Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Cacildo Baptista Palhares, OAB-SP 102258.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 INVASÃO POR SEM TERRAS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. A propriedade é conceito jurídico, cujas prerrogativas essenciais se encontram estabelecidas pelo artigo 524 do Código Civil.Tendo suas terras invadidas por sem-terras, o contribuinte não conseguiu até o momento da expedição do Decreto de Desapropriação, no período da exigência tributária, fazer valer as suas prerrogativas de proprietário, pois de fato o Estado não lhe reintegrou na posse, aos fins de poder fruir a propriedade em referência. A ausência de defesa estatal de um direito assegurado em nível constitucional, torna o direito assim concebido em mera propriedade documental, não sendo essa conformação do direito assegurado constitucionalmente ao contribuinte e passível de tributação, nos mesmos termos da Constituição (art. 153, inciso VI), sendo pois, indevida a cobrança do ITR." Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. RELATOR - Relator. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Redator designado. EDITADO EM: 13/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Cacildo Baptista Palhares, OAB-SP 102258.
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IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. A propriedade é conceito jurídico, cujas prerrogativas essenciais se encontram estabelecidas pelo artigo 524 do Código Civil.Tendo suas terras invadidas por ‘semterras’, o contribuinte não conseguiu até o momento da expedição do Decreto de Desapropriação, no período da exigência tributária, fazer valer as suas prerrogativas de proprietário, pois de fato o Estado não lhe reintegrou na posse, aos fins de poder fruir a propriedade em referência. A ausência de defesa estatal de um direito assegurado em nível constitucional, torna o direito assim concebido em mera propriedade documental, não sendo essa conformação do direito assegurado constitucionalmente ao contribuinte e passível de tributação, nos mesmos termos da Constituição (art. 153, inciso VI), sendo pois, indevida a cobrança do ITR." Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 00 06 /2 00 6- 09 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Redator designado. EDITADO EM: 13/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Realizou sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Cacildo Baptista Palhares, OABSP 102258. Relatório Autuação Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, fls. 01/05, através da qual se exige do interessado, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercido de 2004 acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 1.598.210,62, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 0.752.9902, com área de 27.464,5, localizado no município de Aripuanã/MT. As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas às fls. 04/05. O fiscal autuante relata que em procedimento fiscal do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao ITR, do exercício de 2004, o contribuinte regularmente intimado não comprovou os itens declarados a título de preservação permanente e reserva legal, bem como não comprovou a área utilizada como exploração extrativa. Ainda foi modificado o Valor da Terra Nua por hectare declarado na DITR pelo constante do SIPT da SRF. Impugnação O Recorrente apresentou impugnação, às fls. 124/173, alegando, em síntese, que: a) Os créditos tributários relativos aos exercícios de 2002 a 2005 são nulos porque foram formalizados por autoridade incompetente e também pelo cerceamento ao direito de defesa; b) O fiscal autuante para agir na condição de AFRF deve apoiarse em mandato de procedimento fiscal; c) Não pode ser considerado sujeito passivo, porque não possui mais a posse do imóvel, pela invasão dos semterras em 1998; d) A invasão e a instauração do processo de desapropriação pelo Incra ocorreram, apesar de existir no imóvel um projeto de manejo florestal sustentado aprovado pelo Ibama desde fevereiro de 1987; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10820.720006/200609 Acórdão n.º 2101001.351 S2C1T1 Fl. 285 3 e) Apesar de não ser contribuinte em relação ao imóvel rural em questão vem sempre apresentando as declarações do ITR e efetuando o pagamento do respectivo Imposto como se devido fosse, para não ter o seu nome incluído no CADIN e SERASA; f) A área de reserva legal existente no imóvel corresponde a 80%, devidamente averbada co registro imobiliário e reconhecida pelo lncra conforme Termo de Responsabilidade de Averbação Legal expedido em 26 de outubro de 1998; g) Vem apresentando as declarações do ITR desde 1998, efetuando o pagamento do imposto como se fosse devido para não ser incluído no CADIN e no SERASA; h) O valor da terra nua foi rejeitado porque o Laudo foi elaborado em 1998 e não foi apresentada a ART do profissional responsável pela elaboração do documento; i) A avaliação do imóvel foi extremamente baixa em virtude da pobreza do solo, servindo apenas para pecuária e extrativismo; j) A exigência do ADA é descabida, uma vez que o art. 170 da Lei n 6.938/81, dispensou a apresentação desse documento para comprovar a isenção da área de reserva legal; Por fim, requer o cancelamento do lançamento de ofício, ante extensa apresentação de argumentos e documentos comprobatórios. Acórdão de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fl. 1137): ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2004. ARGUIÇÃO DE NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A ausência de Mandado de Procedimento Fiscal na revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não acarreta a nulidade do lançamento. Somente serão nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do adito tributário é incabível, pois, o direito do contraditório é exercido quando da impugnação da autuação, momento este em que de fato, se instaura a fase litigiosa. PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Há de ser indeferido o pedido de perícia que visa unicamente, levantar provas a favor do contribuinte, as quais poderiam ser produzidas por ele, por outros meios. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendolhe defeso apreciar arguições de aspectos da constitucionalidade da lei. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/RESERVA LEGAL ADA. Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA ou Órgão conveniado, incide o imposto sobre as áreas declaradas a título de preservação permanente e reserva legal. VALOR DA TERRA NUA. Deverá ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado do imóvel e suas características particulares desfavoráveis, que o justificassem. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Para aceitação da área utilizada com exploração extrativa declarada na DITR é necessário que o contribuinte faça prova com o plano de manejo sustentado devidamente autorizado pelo órgão competente e que o cronograma físico financeiro esteja sendo cumprido no período a que se referir. Lançamento Procedente O julgador de 1a instância fundamentou seu voto nos seguintes termos, se manifestando sobre porque não assiste razão ao Recorrente, em relação a a) arguição de nulidade pela ausência de procedimento fiscal, b) cerceamento de defesa, c) pedido de perícia, d) constitucionalidade/legalidade, e) tributação das áreas de preservação permanente/reserva legal, f) alteração do valor da terra nua e g) exploração extrativa, fundamentando ainda: “o argumento de que o imóvel foi invadido pelos semterras, e por isso não é mais o sujeito passivo, não encontra amparo na legislação. Para efeito do ITR, é contribuinte, no caso, o proprietário. O possuidor (invasor) não é contribuinte, pois não tem posse pacífica, tranquila (a posse está sendo contestada em juízo). Pelo esbulho, o proprietário perdeu, momentaneamente, a posse do imóvel ao invasor, no entanto não perdeu o direito de propriedade. Enquanto não resolvida a contenda judicial, está obrigado a declarar o imóvel o proprietário. Já o esbulhador (invasor), neste caso, não é obrigado a declarar o imóvel, mas, querendo, ficalhe facultada a possibilidade de apresentação e declaração sobre a área que julga ter a posse animus domini embora contestada. Em se tratando de invasão de área de posse, mutatis mutandis, vale a mesma regra. O proprietário de imóvel invadido é contribuinte do Imposto Territorial Rural, estando obrigado a apresentar a respectiva declaração, apurar o imposto e efetuar o pagamento independente Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10820.720006/200609 Acórdão n.º 2101001.351 S2C1T1 Fl. 286 5 de prévio procedimento da administração tributária. Ademais disso, o contribuinte que teve seu imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, é responsável pelo recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural — ITR até a imissão prévia na posse pelo Poder Público, conforme art. 1°, § 1° da Lei 9.393/96. Portanto, enquanto não houver imissão prévia do Incra no imóvel, o Impugnante é o proprietário, e como tal está obrigado a declarar o ITR relativo ao imóvel e o efetuar o pagamento do imposto. Inclusive, ele continua apresentando as declarações desde 1998 e, com base nos dados cadastrais existentes na SRF, ele foi Identificado como contribuinte do imposto, conforme previsto no art. 29 do CTN, in verbis: Art. 29 O imposto, de competindo da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio ou a posse do imóvel por natureza, como definido no lei civil, localizado fora da zona urbana do município." Recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF Cientificado da decisão de primeira instância em 13/01/2009 (fl. 166), o contribuinte apresentou, em 11/02/2009, o recurso de fl. 169, onde rebate todos as questões integrantes do Acórdão recorrido, reforçando os argumentos ja presentes na Impugnação, instruindo o recurso com cópia da avaliação do Incra (fl. 54) conforme processo administrativo 54240.000448/9989 instaurado por aquela autarquia), requerendo que seja conhecido e dê provimento ao presente Recurso, para declarar a nulidade da decisão recorrida, pelos defeitos relatados em sua petição. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 281, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Recorrente alega como preliminar a nulidade por incompetência do servidor e por cerceamento do direito de defesa, mas sem entretanto apontar quais os óbices impostos pela Autoridade Tributária que o impedisse de verificar com exatidão, a origem e o cálculo do quantum ora lançado. Tanto que o Recorrente fez exaustiva exposição de seus argumentos, enfrentando cada uma das questões em seu desfavor, descritas no Acórdão Recorrido. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Percebese claramente que o lançamento de ofício observou plenamente os requisitos dispostos no art. 10 do Dec. 70235/72PAF, com a matéria tributaria legalmente caracterizada. Portanto, deve ser afastada a preliminar de nulidade por cerceamento de direito de defesa e por incompetência do servidor. Quanto ao mérito, o Recorrente apresenta argumentos para afastar a incidência da exação ora atacada, contestando a tributação das áreas de preservação permanente/reserva legal, alteração do valor da terra nua e a exploração extrativa, além de demonstrar de forma inequívoca que desde agosto/1999 ja não tinha qualquer domínio sobre a propriedade objeto da exação lançada de ofício. Tenho pra mim que as questões referidas no parágrafo anterior, são acessórias, de menor importância, quando considerado que efetivamente o Recorrente foi privado da utilização da propriedade rural desde agosto/1999, conforme processo administrativo instaurado pelo Incra sob o nr. 54240.000448/9989, resultando na expedição pelo Poder Executivo do Decreto de Desapropriação de 24/11/2005 (fl. 316). Nessa situação, houve a efetiva violação do dever constitucional do Estado em garantir a propriedade do Recorrente, configurandose uma grave omissão do seu dever de garantir a observância dos direitos fundamentais da Constituição. Há uma verdadeira iniquidade consubstanciada na possibilidade de o Estado, aproveitandose da sua própria inércia, tributar propriedade que, devido à sua própria omissão em prover segurança, ocasionou a perda das faculdades inerentes ao direito de propriedade do recorrido. Em que pese ser a propriedade um dos fatos geradores do ITR, ela não é plena quando o imóvel encontrase invadido (art. 1.228 do CC/2002). Com a invasão, seu direito ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse, possibilidade de uso ou fruição do bem; consequentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para o Recorrente. Se espera, no mínimo, que o Estado reconheça que, diante da sua própria omissão e da dramaticidade dos conflitos agrários no País, aquele que não tem mais direito algum não possa ser tributado por algo que, somente em razão de uma ficção jurídica, detém sobre o bem o título de propriedade. Ofende o princípio da razoabilidade, o da boafé objetiva e o próprio bom senso o Estado utilizarse da aparência desse direito ou do resquício que ele deixou, para cobrar tributos que pressupõem a incolumidade e a existência nos planos jurídicos (formal) e fáticos (material) dos direitos inerentes à propriedade. Na peculiar situação do caso, ao considerarse a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade (vide REsp 1.144.982PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 13/10/2009). Ressaltese ainda que se a posse é exercida por posseiros, estes de fato é quem deveriam declarar e pagar o ITR, diante da impossibilidade do Recorrente de exercer pleno domínio da propriedade, nos termos do art. 29 do CTN, havendo uma ilegitimidade passiva quanto à responsabilidade tributária do Recorrente. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10820.720006/200609 Acórdão n.º 2101001.351 S2C1T1 Fl. 287 7 Nesse sentido também tem decidido este Conselho, conforme se depreende dos acórdãos 303.34107 de 28/02/2007 (por maioria de votos, acolhida preliminar de ilegitimidade passiva), 302.38481 de 28/02/2007 (por maioria de votos, dado provimento ao recurso) e 302.38013 de 20/09/2006 por maioria de votos, dado provimento ao recurso), dentre outros. Diante do exposto, voto por afastar as preliminares e no mérito dar provimento ao recurso voluntário. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Fl. 318DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10314.003816/98-19
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 03/09/1998
RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. INAPLICÁVEL O ARTIGO 166 DO CTN.
O imposto de importação é tributo direito, que não comporta o seu repasse a terceiro, sendo sua restituição insuscetível ao determinado no artigo 166 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez Lopez, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Nanci Gama
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/09/1998 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. INAPLICÁVEL O ARTIGO 166 DO CTN. O imposto de importação é tributo direito, que não comporta o seu repasse a terceiro, sendo sua restituição insuscetível ao determinado no artigo 166 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez Lopez, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 38 16 /9 8- 19 Fl. 823DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 363/372) contra a decisão da Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, acórdão n° 30333411 (fls. 352/360), para determinar a restituição do imposto de importação requerida pelo contribuinte. Segundo o acórdão recorrido, o imposto de importação, por não se tratar de imposto indireto que, por sua natureza, comporte sua transferência para terceiro, não se encontra sujeito, para sua restituição, a comprovação de que o respectivo encargo foi suportado pelo requerente, contribuinte de referido imposto. O recurso especial encontrase fundamentado no artigo 5°, inciso I, da Portaria n° 55, de 16 de março de 1998, tendo sido o mesmo admitido conforme despacho às fls. 374/375. O contribuinte apresentou contrarazões reiterando suas razões no sentido de que inaplicável o disposto no artigo 166 do CTN. Ademais não há prova do repasse do encargo financeiro para terceiros. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Como dito acima, com o presente recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, colocase a questão de saber se os impostos ditos diretos, ou seja, aqueles que por sua natureza não comportam sua transferência para terceiros, como no caso do IPI, ou do ICMS estadual, encontramse sujeitos para sua restituição, a comprovação que o respectivo encargo não foi transferido para terceiros. O imposto de importação é tributo direito, e, portanto, não comporta, por sua natureza, transferência para terceiros. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assim se posicionou acerca da necessidade da comprovação da transferência de encargos financeiros de que trata o artigo 166 do CTN: “TRIBUTÁRIIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 3º, I, DA LEI Nº 7.787/89, E ART. 22, I, DA LEI Nº 8.212/91. AUTÔNOMOS, EMPREGADORES E AVULSOS. COMPENSAÇÃO. TRANSFERENCIA DE ENCARGO FINANCEIRO. ART. 166 DO CTN. LEIS NºS 8.212/91, 9.032/95 E 9.129/95. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de embargos de divergência, pacificou o entendimento para acolher a tese de que o art. 66, da Lei nº 8.383/91, em sua interpretação sistêmica, autoriza ao contribuinte efetuar, via autolançamento, Fl. 824DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10314.003816/9819 Acórdão n.º 9303000.111 CSRFT3 Fl. 396 3 compensação de tributos pagos cuja exigência foi indevida ou inconstitucional. Tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro são somente aqueles em relação aos quais a própria lei estabeleça dita transferência. Somente em casos assim aplicase a regra do art. 166, do Código Tributário Nacional, pois a natureza, a que se reporta tal dispositivo legal, só pode ser a jurídica, que é determinada pela lei correspondente e não por meras circunstancias econômicas que podem estar, ou não, presentes, sem que se disponha de um critério seguro para saber quando se deu, e quando não se deu, aludida transferência. Na verdade, o art. 166, do CTN, contém referencia bem clara ao fato de que deve haver pelo interprete sempre, em casos de repetição de indébito, identificação se o tributo, por sua natureza, comporta a transferência do respectivo encargo financeiro para terceiro ou não, quando a lei expressamente, não determina que o pagamento da exação é feito por terceiro, como é o caso do ICMS e do IPI. A prova a ser exigida na primeira situação deve ser aquela possível e que se apresente bem clara, a fim de não se colaborar para o enriquecimento ilícito do poder tributante. Nos casos em que a lei expressamente determina que o terceiro assumiu o encargo, necessidade há, de modo absoluto, que esse terceiro conceda autorização para a repetição de indébito. A contribuição previdenciária examinada é de natureza direta. Apresentase com essa característica porque a sua exigência se concentra, unicamente, na pessoa de quem a recolhe, no caso, uma empresa que assume a condição de contribuinte de fato e de direito. A primeira condição é assumida porque arca com o ônus financeiro imposto pelo tributo; a segunda, caracterizase porque é a responsável pelo cumprimento de todas as obrigações, quer as principais, quer as acessórias. Em conseqüência, o fenômeno da substituição legal no cumprimento da obrigação, do contribuinte de fato pelo contribuinte de direito, não ocorre na exigência do pagamento das contribuições previdenciárias quanto à parte da responsabilidade das empresas. A repetição do indébito e a compensação da contribuição questionada podem ser assim deferidas, sem a exigência da repercussão. Embargos de Divergência rejeitados”. (Resp. 168469/SP ; Embargos de Divergência no Recurso Especial 1998/00637532, DJU 17/12/1999, pág. 00314, Relator Min. Ari Pargendler, data de decisão 10/11/1999, Primeira Seção) Fl. 825DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Como entendeu o Superior Tribunal de Justiça, a exigência da comprovação da não transferência do encargo financeiro a terceiro somente é aplicável para os TRIBUTOS DE NATUREZA INDIRETA, assim definidos pelo CTN como sendo aqueles que comportam o repasse do encargo financeiro a terceiros, isto é, aqueles em que o contribuinte de iure repassa o valor do tributo ao consumidor final, qualificado pela legislação tributária como contribuinte de facto. Como se sabe, é a própria lei instituidora do tributo que prevê a possibilidade de seu encargo financeiro ser transferido a terceiro. Ocorre que o tributo objeto do pedido em exame, o imposto de importação, não tem natureza de tributo indireto, mas antes de verdadeiro TRIBUTO DIRETO, pois, ao ser recolhido, é suportado única e exclusivamente pelo importador. Tratandose, pois, de tributo que não comporta o repasse de seu encargo financeiro, classificado como do tipo DIRETO, temse como absolutamente inaplicável o disposto no artigo 166 do CTN. Ressalto que a orientação pacífica dos tribunais nacionais, é no sentido de repudiar com afinco a exigência contida no artigo 166 do CNT, de que seria necessário ao contribuinte fazer prova de não ter repassado o ônus do tributo a terceiro, quando se está diante de um tributo direto. Logo, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Nanci Gama Fl. 826DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 31/01/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10950.002677/2004-39
Data da sessão: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 15 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva
existência das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada (Reserva Legal) na data do fato gerador (1° de janeiro de 2000), tendo havido protocolização intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), o que somente se deu após o inicio do procedimento fiscal e depois de três anos do termo final do prazo estipulado pela legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.154
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Helcio Lafeta Reis
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada (Reserva Legal) na data do fato gerador (1° de janeiro de 2000), tendo havido protocolização intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), o que somente se deu após o inicio do procedimento fiscal e depois de três anos do termo final do prazo estipulado pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. #:?-~"-1-adr.1.0 g14117.51> ENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente dt s HÉLCIO LAFETÁ RE S - Relator EDITADO EM: 10/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Alex Oliveira Rodrigues de Lima e Hélcio Lafetá Reis. Processo n° 10950.002677/2004-39 53-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 132 Relatório Contra o interessado supra-identificado foi lavrado, em 02/09/2004, o Auto de Infração (AI) de fls. 16 a 24, relativo a lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR do exercício 2000, referente ao imóvel rural denominado "Fazenda Alvorada", localizado no município de Quarto Centenário/PR, cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sob o número 0.824.211-9. O AI foi lavrado a partir de dados apurados pela Fiscalização da DRF Maringá/PR, após intimação enviada ao contribuinte (fls. 2 a 3), quando foi solicitada a apresentação de documentos comprobatórios de valores declarados na declaração do ITR do exercício de 2000. Em razão da protocolização intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), lavrou-se o referido AI, considerando-se a documentação apresentada pelo contribuinte (fls. 6 a 11). O contribuinte, após ciência do AI, impugnou o lançamento (fls. 28 a 52) e requereu o arquivamento do processo, alegando que, não obstante tratar-se de documento exigível, o ADA (...) é elemento de pouca importância (fl. 29). Para embasar sua defesa, informou o então Impugnante que, com base em vistoria realizada no imóvel em dezembro de 2003 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA (fls. 37 a 46), restou comprovada a existência das áreas de Reserva Legal (299,1ha), de Preservação Permanente (167,1ha) e inaproveitável (39,4ha). A DRJ Campo Grande/MS julgou o lançamento procedente (fls. 60 a 68) nos seguintes termos: "Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada, além de comprovação da existência dessas áreas e da averbação da área de reserva legal junto ao Registro de Imóveis, é necessário o reconhecimento específico pelo IBAMA ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado no prazo previsto na legislação tributária" (fl. 60). Inconformado, em 23/3/2007, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 74 a 125) e requer o cancelamento do Auto de Infração, repisando os mesmos argumentos. E o relatório. 2 Processo n° 10950.002677/2004-39 S3-TE01 Acórdão n°3801-00.154 Fl. 133 Voto Conselheiro HÉLCIO LAFETA REIS, Relator O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em seu recurso, inconformado com a decisão de P instância administrativa que julgou procedente o lançamento, o contribuinte requer a reforma da decisão da DRJ Campo Grande/MS, nos termos constantes do relatório supra. A análise do mérito da presente questão terá como base os elementos probatórios trazidos aos autos, a saber: a) averbação da Reserva Legal à margem da matrícula do registro do imóvel em 29 de maio de 1995 — área de 308,38ha (fl. 9); b) Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolizado no Ibama em 30 de março de 2004, informando área de Preservação Permanente de 120,9ha e de Reserva Legal de 257,8ha (fl. 11); c) Oficio/INCRA/SR(09) n° 2.220/03 de 23 de dezembro de 2003 e anexos (fls. 37 a 46) comunicando atualização cadastral do imóvel rural operada de oficio com base em vistoria realizada a partir de 26 de junho de 2003 — Reserva Legal de 299,1 lia, Preservação Permanente de 167,1ha e área inaproveitável de 39,4ha. I. A extrafficalidade do ITR O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) é imposto da competência da União que, em face da extrafiscalidade que lhe é inerente, conforme se depreende do contido no art. 153, § 4°, inciso I, da Constituição Federal, visa a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas, em respeito ao princípio da "função social da propriedade" assegurado constitucionalmente como direito e garantia fundamental (art. 50, inciso XXIII, e art. 170, inciso III). A própria Constituição, ao tratar da política agrícola e fundiária, define, em seu artigo 186, o alcance do princípio da "função social da propriedade", in verbis: Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos: 1- aproveitamento racional e adequado; II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente; /1 3 Processo n° 10950.002677/2004-39 53-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 134 III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho; IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores. Com base nos dispositivos constitucionais referenciados, constata-se que o ITR não se restringe a um tributo de caráter arrecadatório, tendo, além disso, e principalmente, a função de efetivar o princípio da "função social da propriedade" por meio, dentre outras dimensões, da preservação do meio ambiente e do combate aos latifúndios improdutivos. Dessa forma, seu intuito somente se concretizará se atendidos os pressupostos de sua instituição, sendo as áreas legalmente definidas como de interesse ambiental, para fins de cálculo do ITR, consideradas isentas ou não-tributáveis. II) Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada (Reserva Legal) De acordo com a Lei n° 9.393/1996, que disciplina a exigência do ITR, na apuração da Área Tributável, são excluídas da Área Total do imóvel rural as áreas de interesse ambiental, conforme se verifica a seguir: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei e 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei n° 11.428, de 2006) 4 Processo n° 10950.002677/2004-39 53-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 135 fi alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 2008) (grifei). Para o exercício de 2000, são aplicáveis apenas as áreas ambientais previstas nos incisos "a", "h" e "c" acima transcritos, já que os demais foram introduzidos a partir de 2006. A partir do excerto acima reproduzido e considerando o caso sob análise, conclui-se que, para se valer da isenção das áreas ambientais, o contribuinte sob fiscalização, em respeito ao princípio da verdade material, deverá comprovar a efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada existentes no imóvel rural de sua propriedade. Para esse mister, a legislação de regência exige as seguintes providências: a) protocolizaçào do Ato DeelaratOrio Ambiental (ABA) no lama ou em órgão conveniado em até 6 (seis) meses contados a partir do prazo final para apresentação da declaração do ITR (art. 10, § 40, da IN SRF n° 43/1997 e Instruções Normativas que a sucederam; art. 17-0, § 1 0, da Lei n° 6.938/1981; art. 10, § 3°, do Regulamento do ITR - Decreto n° 4.382/2002); b) averbação da área de Reserva Legal à margem da matrícula do registro do imóvel na data do fato gerador (art. 16, § 8°, do Código Florestal — Lei n° 4.771/1965; art. 10, § 4°, I, da IN SRF n° 43/1997 e Instruções Normativas que a sucederam; art. 12, § 1°, do Regulamento do ITR - Decreto n° 4.382/2002). Com base nos elementos probatórios presentes nos autos e identificados no preâmbulo deste voto, o Recorrente comprovou a averbação da Reserva Legal em data anterior ao fato gerador do ITR do exercício 2000, mas somente protocolizou o ADA após o início do procedimento de oficio e em mais de quatro anos depois da data do fato gerador. Além disso, para comprovar as áreas ambientais, o Recorrente trouxe aos autos um resultado de vistoria do Incra realizada no imóvel rural em dezembro de 2003, em que se atesta a existência de áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal em 2003, porém, em valores diferentes em relação à declaração do ITR (DITR) e do ADA. III) Ato Deelaratório Ambiental (ADA) A Lei n° 9.393/1996, que disciplinou a exigência do ITR, foi regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 43/1997, bem como pelas que a sucederam nesse mister, que, dentre outras disposições, instituiu a obrigação acessória do contribuinte de requerer o ato declaratório junto ao Ibama em até seis meses contados da entrega da declaração do ITR. Esse ato declaratório tem a função de indicar ao órgão público responsável pela fiscalização ambiental (Ibama) a existência ou não de áreas de interesse ambiental no imóvel rural. O Ibama, com base nessas informações, poderá proceder a vistoria no local para certificar-se quanto à veracidade dos dados declarados. Referido ato declaratório, portanto, tem função primordial de identificar as áreas não-tributáveis para fins de apuração do ITR, possibilitando ao órgão ambiental proceder !tst -.11 5 Processo n° 10950.002677/2004-39 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 136 a verificações in loco, confirmando-as ou emitindo de oficio um novo ato contendo a real situação existente no imóvel. A apresentação do ato declaratório viabiliza a aferição da real existência das áreas de interesse ambiental declaradas e das condições de sua preservação. A IN SRF n° 43/1997, em seu art. 10, § 4 0, com redação dada pelo art. 10 da IN SRF n° 67/1997, ratificada por Instruções Normativas aplicáveis ao ITR dos exercícios posteriores, inclusive pela IN SRF n° 73/2000, assim dispõe: Art 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: (Redação dada pela IN SRF n2 67/97, de 01/09/1997) I - de preservação permanente; (Redação dada pela IN SRF n2 67/97, de 01/09/1997) II- de utilização limitada. (Redação dada pela IN SRF n2 67/97, de 01/09/1997) ,f 1 0 A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA T, e a distribuição das áreas, à situação existente em I° de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (Redação dada pela IN SRF n 2 67/97, de 01/09/1997) (..) ,sç 4 0 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF n2 67/97, de 01/09/1997) 1 - as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n° 4.771, de 1965; (Incluído pela IN SRF n2 67/97, de 01/09/1997) II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído pela IN SRF n2 67/97, de 01/09/1997) III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (Incluído pela IN SRF n2 67/97, de 01/09/1997) - grifei A exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) por meio de instrução normativa encontra-se em conformidade com dispositivos do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172/1966, em que se prescreve que a obrigação acessória decorre da legislação tributária (art. 113, § 2°) que, por sua vez, engloba as normas complementares, dentre as quais jos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas (art. 100, I). , 6 Processo n° 10950.002677/2004-39 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 137 Além disso, o art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, com redação dada pelo art. 10 da Lei n° 10.165/2000, veio confirmar essa exigência ao determinar que o ADA é obrigatório para efeito de redução do ITR, in verbis: Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) (.) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) - grifei O Regulamento do ITR (Decreto n° 4.382/2002) consolidou a legislação que rege o ITR, dispondo sobre a exigência de ADA nos seguintes termos: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei n°9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): (.) sÇ 3° Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I - ser obrigatoriamente informadas em Ato Declarató rio Ambiental - ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17-0, § 5, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II - estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1° de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4° O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3° e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de oficio, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de oficio, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei n° 6.938, de 1981, art. 17-0, § 5, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n°10.165, de 2000). Grifei. Portanto, para fins de exclusão das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, exige-se a tempestividade da protocolização do ADA junto ao lbama, bem como a averbação da Reserva Legal à margem da matricula do registro do imóvel, 7 Processo n° 10950.002677/2004-39 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 138 Deve-se ressaltar que o ADA não se restringe a uma mera formalidade, despida de fundamento lógico. Trata-se, em verdade, de um instrumento de garantia do cumprimento de valores albergados constitucionalmente, como o princípio da "função social da propriedade". Há, portanto, uma finalidade subjacente à regra, não se restringindo a uma mera exigência a serviço do formalismo inconseqüente (ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios — da definição à aplicação dos princípios jurídicos. 8' ed. São Paulo: Malheiros, 2008, p.117). De acordo com o art. 186, inciso II, da Constituição Federal, a função social da propriedade rural será cumprida quando se tem "utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente". Logo, para se dar efetividade ao comando constitucional, instrumentos de controle, como o ADA, são criados para possibilitar a aferição das reais condições presentes nas propriedades rurais; se atendem ou não as políticas preservacionistas incentivadas pela ordem jurídica nacional. Objetiva-se, com as exclusões das áreas ambientais no cálculo do ITR, não apenas beneficiar o proprietário rural, mas tornar a extrafiscalidade do imposto uma ferramenta de concretização de valores consagrados pelo constituinte. Sendo o ADA um dever instrumental exigido do declarante do ITR em cuja propriedade existam áreas de interesse ambiental, sua função precípua é permitir que o ente estatal, a par das informações prestadas pelo proprietário rural, possa aferir a veracidade das informações ali prestadas, conformando-as à sistemática de apuração do imposto a pagar. Sem a informação prestada pelo contribuinte, torna-se inviável a tarefa do Estado de verificar a conformação dos dados declarados relativamente à realidade objetiva em que se assentam. Roque Antônio Carrazza assim se posicionou sobre essa questão: os deveres instrumentais tributários não se confundem com tributos. Apenas, por assim dizer, documentam a incidência ou a não-incidência (v.g., a isenção), em ordem a permitir que os tributos venham lançados e cobrados com exatidão e as isenções se façam concretamente sentir (CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 237). Outro não é o entendimento que se obtém dos seguintes excertos: Os deveres instrumentais são introduzidos no ordenamento por normas jurídicas específicas, criadas no interesse da administração tributária e com o objetivo de proporcionar a verificação pelos órgãos públicos da ocorrência ou não de fatos correspondentes àqueles descritos pelas normas de incidência tributária. (.) Se não houver um mecanismo através do qual o Estado possa verificar e mensurar a ocorrência desse fato, a norma deixa de ter eficácia, pois o Estado, como sujeito ativo da relação tributária, jamais exigirá a prestação devida. Por isso existem os chamados deveres instrumentais: para possibilitar ao Estado a verificação da ocorrência do fato jurídico tributável (MANICA, 8 Processo n° 10950.002677/2004-39 53-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 139 Fernando Borges. Terceiro setor e imunidade tributária — Teoria e prática. Belo Horizonte: Fórum, 2005, p.82 e 83). Portanto, para que o ADA cumpra seu mister de informar à autoridade estatal a existência de áreas não-tributáveis em sua propriedade, ele deve não apenas ser protocolizado e entregue ao órgão ambiental, a quem compete a verificação da veracidade das informações prestadas, mas, também, que essa providência se dê de forma tempestiva, sob risco de se tornar despicienda a sua função. Reafirme-se que o ADA é um documento cujo objetivo é assegurar que a área de interesse ambiental permanece preservada. A confirmação desse dado é da alçada do Ibama, que, havendo discordância entre os dados declarados pelo contribuinte e aqueles apurados em vistoria, providenciará a lavratura de oficio de novo ADA (Decreto n° 4.382/2002, art. 10, § 4°). Contudo, o ADA apresentado pelo contribuinte fora protocolizado no Ibama somente em 30/05/2004, após o inicio do procedimento de oficio e em mais de quatro anos após a data do fato gerador do ITR 2000. IV. Elementos probatórios — Materialidade A tabela a seguir demonstra os valores presentes nos documentos trazidos aos autos pelo contribuinte: DITR Registro ADA mera Variação Data de apuração Jan/2000 Maio/1995 Mar/2004 Dez/2003 - Preservação Permanente 66,0ha 120,9ha 167, lha 153% Reserva Legal 338,8ha 308,38ha 257,8ha 299,1ha 31% Área inaproveitável 0,0ha - 39,4ha - Totais 404,8ha 378,7ha 505,6ha - Constata-se dos dados acima que há variações significativas entre as mesmas áreas informadas nos diferentes documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar suas alegações. A área de Preservação Permanente varia de 66,0ha na declaração do ITR a 167,1ha na informação do Incra, perfazendo-se um hiato de 153%. No ADA, a mesma área consta como sendo de 120,9ha (variação de quase 100%). Considerando tratar-se de áreas de vegetação cuja configuração pressupõe certa estabilidade — florestas e demais formas de vegetação presentes em matas ciliares e em encostas de morros (arts. 2° e 3 0 do Código Florestal) —, causa espécie referida variação num espaço de tempo de apenas quatro anos. A área de Reserva Legal informada varia de 257,8ha (ADA) a 338,8ha (DITR), o que aponta um acréscimo de 31%. n/4 9 Processo n° 10950.002677/2004-39 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 140 No levantamento do Incra, consta a existência de 39,4ha de área inaproveitável; contudo, considerando a declaração do ITR em que se apurou um Grau de Utilização (GU) de 100%, não há margem para a inserção dessa parcela de terra na composição total do imóvel rural. Considerando que a área total do imóvel é de 1.540,6ha e que a parcela utilizada na atividade rural é de 1.111,6ha (fl. 12), restaria apenas 429,0ha passíveis de ocupação com áreas ambientais e inaproveitáveis; porém, o Mera identificou um total de 505,6ha como área com restrição. Deve-se salientar que o Incra atua no combate às propriedades improdutivas, em consonância com o sub-princípio do aproveitamento racional do imóvel rural, inerente à extrafiscalidade do ITR. O foco dessa instituição é constatar a utilização ou não das áreas aproveitáveis com atividades rurais, diferenciando os imóveis em produtivos ou improdutivos, com vistas à implementação das políticas de reforma agrária e de regularização fundiária. A fiscalização ambiental, por outro lado, é da alçada do Ibama, a quem compete confirmar a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e a preservação do meio ambiente. Seu escopo, portanto, é a fiscalização das áreas de interesse ambiental — Reserva Legal, Preservação Permanente, Interesse Ecológico, etc. Conclui-se, dessa forma, que o conjunto probatório encontra-se destituído do elemento "certeza", necessário para que um documento ou uma informação seja aceito como prova. Conforme leciona o professor Humberto Theodoro Júnior, a finalidade da prova é (...) a formação da convicção em torno dos mesmos fatos (Curso de Direito Processuall Civil. Volume 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 376). Ainda segundo o mesmo autor, a (...) prova destina-se a produzir a certeza ou convicção do julgador a respeito dos fatos litigiosos (idem, p. 378). No presente caso, em razão das divergências existentes entre os elementos de prova trazidos aos autos pelo contribuinte, não é possível concluir, com certeza ou por convicção, acerca da efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal no imóvel na data do fato gerador, e muito menos pela extensão da área a ser considerada como de interesse ambiental. Ao invés de esclarecer os fatos necessários ao convencimento do julgador, dados divergentes contribuem para tumultuar o processo, confundindo muito mais do que contribuindo para se chegar à materialidade dos fatos. V. Processo Administrativo Fiscal — Atividade vinculada De acordo com o art. 26-A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF), com redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008, e art. 49 e parágrafo único do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, no julgamento de Recurso Voluntário ou de oficio os Conselhos de Contribuintes encontram-se impedidos de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, in verbis: io • Processo n° 10950.002677/2004-39 53-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 141 Decreto n° 70.235/1972 (PAF) (.) Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Medida Provisória n°449, de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluz'do pela Medida Provisória n°449, de 2008) I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Medida Provisória n°449, de 2008) II - que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Medida Provisória n°449, de 2008) a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n 10.522, de 19 de junho de 2002; (Incluído pela Medida Provisória n°449, de 2008) b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar II' 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Medida Provisória n°449, de 2008) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n' 73, de 1993. (Incluído pela Medida Provisória n°449, de 2008) Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (.) Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n." 10.522, de 19 de junho de 2002; II / Processo n° 10950.002677/2004-39 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 142 b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. Portanto, não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade da legislação infraconstitucional nos termos contidos nos dispositivos acima reproduzidos. Uma vez que o art. 17-0, § 1°, da Lei n° 6.938/1981, com redação dada pela Lei n° 10.185 de 27 de dezembro de 2000, estipula que o ADA é obrigatório para fins de redução do ITR, não se vislumbra, em face do caráter vinculado da atividade administrativa, possibilidade de afastamento de seu comando ao caso sob análise. Embora referida previsão legal tenha sido publicada em 28 de dezembro de 2000, quando entrou em vigência — ex vi art. 5° da mesma lei —, ela se aplica ao presente caso devido ao fato de que a protocolização do ADA no lhama, relativamente ao ITR do exercício 2000, poderia ter se dado até o mês de março de 2001, quando sua observância já era obrigatória. Essa matéria, inclusive, tem sido objeto de controvérsias em face do § 70 do art. 10 da Lei n° 9.393/1996, com redação dada pela MP n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que assim dispõe: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. (.) 70 A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, ,5Ç 1 0, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001) Alegam muitos que tal dispositivo teria desobrigado os contribuintes do ITR de cumprirem com a obrigação de protocolizar o ADA de forma tempestiva no órgão competente. Porém, não é esse o comando contido na norma. Pode-se extrair do art. 10, caput, e § 7° acima reproduzidos, que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, previsto no art. 150 da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional — CTN). Nessa espécie de lançamento, o contribuinte tem o dever de antecipar o pagamento do tributo independentemente de prévio exame da autoridade -VÁ 12 Processo n° 10950.002677/2004-39 53-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 143 administrativa, pagamento esse que fica sujeito a homologação expressa ou tácita, nos termos definidos no caput do art. 150 e em seu § 40. Nesse contexto, imperioso se torna contextualizar o contido no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 com os dispositivos legais relativos ao lançamento por homologação. o contribuinte, ao apurar e pagar o tributo devido, o faz independentemente de prévia comprovação dos dados por ele informados em declaração. Ao entregar a declaração do ITR à RFB e efetuar o respectivo pagamento nos termos e prazos fixados na legislação tributária, o contribuinte não está obrigado a, antecipadamente, comprovar quaisquer dos dados declarados que serviram de base para a apuração do imposto. E não poderia ser diferente, sob o risco de descaracterizar o instituto do lançamento por homologação expressamente previsto no CTN. A não apresentação do ADA pelo contribuinte não veda a entrega da declaração do ITR à RFB, seja física ou eletronicamente. Nem a entrega do ADA nem de qualquer outro documento que possa ter o condão de comprovar os dados declarados. O ADA é obrigação acessória criada pela legislação tributária, encontrando- se em consonância com o contido no § 2° do art. 113 do CTN. Trata-se de uma prestação positiva compulsória a que o contribuinte se encontra obrigado. Sua apresentação pode se dar em até seis meses após a entrega da declaração do ITR, hipótese essa que, por si só, distancia essa obrigatoriedade da expressão "prévia comprovação". O contido no § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 seria descumprido se a entrega da declaração do ITR estivesse condicionada à prévia protocolização do ADA, o que não ocorre. De acordo com o inciso III do art. 111 do CTN, a dispensa de cumprimento de obrigação acessória deve ser interpretada literalmente. Dessa forma, a interpretação gramatical do § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393/1996 nos leva a concluir que não houve dispensa da obrigação de apresentação do ADA pelo contribuinte. Houve, tão-somente, a dispensa de "comprovação prévia" de áreas de interesse ambiental informadas na declaração do ITR. Isso, contudo, não dispensa o contribuinte de comprovar, a posteriori, em caso de procedimento administrativo de fiscalização, as informações declaradas, por meio de documentação hábil nos termos da legislação de regência da matéria. Além disso, o Regulamento do ITR — Decreto n° 4.382/2002 —, editado após a MP n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, confirmou a exigência da protocolização tempestiva do ADA para fins de redução do imposto a pagar. Portanto, em face do descumprimento da exigência prevista na legislação tributária de protocolização tempestiva do ADA, conclui-se pelo impedimento da exclusão das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal na apuração do ITR. VI. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do presente recurso voluntário e no mérito julgar por lhe NEGAR PROVIMENTO em razão da ausência de comprovação da ‘04) 13 Processo n° 10950.002677/2004-39 S3-TE01 Acórdão n.° 3801-00.154 Fl. 144 efetiva existência das áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada (Reserva Legal) na data do fato gerador do ITR do exercício 2000, não tendo sido cumprida a exigência legal de protocolização tempestiva do ADA junto ao órgão competente. É como voto. HÉLCIO LAFETÁ REIS 14
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