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Numero do processo: 10845.720011/2006-25
Data da sessão: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2003
SUJEITO PASSIVO DO ITR.
Contribuinte do Imposto Territorial Rural é o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer titulo de imóvel rural, assim definido em lei. É nulo o lançamento que exige o ITR de pessoa que não se enquadra na situação de contribuinte.
Recurso De Oficio Negado.
Numero da decisão: 3102-00.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO .~' Processo n° 10845.720011/2006-25 Recurso n° 143.798 Voluntário Acórdão n° 3102-00.405 — i a Câmara / 2 11 Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2009 Matéria ITR Recorrente DRJ - CAMPO GRANDE/ms Recorrida FUNDAÇÃO FERNANDO EDUARDO LEE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2003 SUJEITO PASSIVO DO ITR. 1 1 Contribuinte do Imposto Territorial Rural é o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer titulo de imóvel rural, assim definido em lei. É nulo o lançamento que exige o ITR de pessoa que não se enquadra na situação de contribuinte. Recurso De Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. --C-Lt----Q `,' I ;; • iir24a9U. h— M . CIA HELENA T' • I O DAMORIM - Presidente/ g , LUCIANO LOPES• • EIDA MORAES — Relator01 EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 , Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.°3102-O0.405 Fl. 169 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01 a 04, por meio do qual se exigiu o pagamento do Imposto Territorial Rural — ITR do Exercício 2003, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 12.943.812,26, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Rio Negro 11, cadastrado na Receita Federal sob n.° 6004355-5, localizado no município de Sinop/MT. Na descrição dos fatos fls. 02), a autoridade fiscal relatou, em suma, que, regulamente intimada, a contribuinte não comprovou a isenção para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada declaradas, sendo alterados os valores declarados; e que também não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, como estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado, sendo alterado o VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras — SIPT da SRF. O lançamento foi fundamentado no artigo 10, parágrafo 1°, incisos I e II e alíneas e artigo 14 da Lei n.° 9.393/1996. Cientificada do lançamento em 26/12/2006, por via postal (AR - fls. 10), a interessada apresentou impugnação em 25/01/2007, acompanhada dos documentos de .fls. 28 a 114, onde apresenta os seguintes argumentos contrários à sua indicação como proprietária do imóvel e contribuinte do ITR e tratando de imunidade: "(4 DIREITO - titularidade A titularidade da Fazenda Rio Negro está sendo questionada judiciahnente pela FUNAI, nos termos da ação declarató ria de nulidade de títulos dominiais, processo n° 2005.36.00.015080-2, em curso perante o D. Juízo Federal da 2° Vara da Seção Judiciária de Mato Grosso, cópia anexa. No entender da FUNAI, a área encontra-se inserida dentro das dimensões do Parque Nacional do Xingu, criado pelo Decreto Federal n° 68.909, de 13 de julho de 1971. Não obstante o teor da ação, cumpre registrar que o alienante Evandro Alberto de Oliveira Bonini, em 16 de maio de 1973, na condição de interessado, obteve da FUNAI certidão, cópia 2 Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 170 , ,-, haviaanexa, nó .9entiao quo na() na arca relativa a Fazenda Rio Negro aldeamento indígena, Seja como for, não se pode perder de vista a unidade da Administração, afigurando-se, assim, um despropósito jurídico a contradição existente entre dois órgãos (FUNAI e SRF) da própria UNIÃO. Afinal, enquanto a Receita Federal exige o ITR, a FUNAI contesta judicialmente a titularidade do imóvel que ensejou o lançamento tributário, reclamando a mesma para o povo indígena. Consta, todavia, da Lei n° 9.393, de 19.12.1996, que: "Art. I °. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 10 de janeiro de cada ano. Art. 4 0. O contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou seu possuidor a qualquer título." Regra semelhante está capitulada no CTN: "Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título." Neste contexto, caso se comprove que a propriedade está realmente inserida no Parque Nacional do Xingu, não se poderá atribuir à impugnante os direitos inerentes à propriedade e, por conseguinte, a condição de contribuinte do ITR, em face da não ocorrência do fato gerador respectivo. Afinal, as áreas indígenas pertencem à própria União, nos termos do art. 20, XI, da Constituição da República. Não é demais lembrar as seguintes disposições do CT1V: "Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ssÇ 1 0 A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, (.). Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência." (Destacamos) Os fatos tornam-se ainda mais surreais, na medida em que a 3 Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 171 DRF de Ribeirão Preto — SP, nos termos da Notificação Fiscal - Processo Administrativo - 10840.002434/2005-61, encaminhada para ASSOCIAÇO DE ENSINO DE RIBEIRÃO PRETO - AERP, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ 55.983.670/0001-67, estabelecida na Av. Costábile Romano, 2201, Ribeirânia, Município de Ribeirão Preto — SP, afirma que a alienação da Fazenda Rio Negro não passou de uma simulação engendrada pela Família Bonini. A referida Notificação Fiscal foi produzida pela Receita Federal com a finalidade de suspender a imunidade tributária da AERP, nos moldes do art. 32 da Lei n° 9.430. Como a defesa prévia, sob a forma de alegações, apresentada pela AERP não foi acolhida pelo Sr. Delegado da Receita Federal de Ribeirão Preto, a mesma teve a sua imunidade suspensa, por força do Ato Declaratório n° 77, publicado no DOU de 13 de dezembro de 2005, na forma determinada pelo § 3° do art. 32 da Lei n°9.430. Conseqüência disso é que a DRF de Ribeirão Preto autuou a AERP pelo não recolhimento de diversos tributos, muito dos quais têm origem na afirmação de fraude na alienação da Fazenda Rio Negro. Com efeito, a afirmação de fraude na alienação da Fazenda Rio Negro, tal como colocada pela própria Administração, impede que a impugnante venha a ser considerada proprietária ou possuidora da mencionada propriedade a qualquer titulo. Não bastasse a FUNAI, a própria Receita Federal, por sua Delegacia em Ribeirão Preto, está afirmando, ainda que indiretamente, que a impugnante não é proprietária do indigitado imóvel. A contradição é latente, pois, se a afirmação de fraude sustenta a autuação fiscal em relação à AERP, como pode a mesma Administração dizer que o imóvel pertence à impugnante? É o máximo da engenharia jurídica! É preciso ter consciência que, ao menos na esfera fiscal, a fraude/simulação implica nulidade absoluta do negócio jurídico. Aliás, conceitualmente, ele não se realizou. Por fim, ainda que resolvida a questão da titularidade acima, a notificação não prospera, porquanto a impugnante é imune à tributação. - Imunidade: Consta da Constituição da República, a seguinte limitação ao poder de tributar: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 4 Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 172 V/ - instituir impostos sobre: c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;" (Destacamos). Para o Professor Paulo de Barros Carvalho, imunidade tributária é: " a classe finito e imediatamente determinável de normas jurídicas, contidas no texto da Constituição Federal, e que estabelecem, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras •instituidoras de tributos que alcancem situações especificas e suficientemente caracterizadas." Não é necessário esforço de linguagem, para demonstrar que o objetivo da imunidade é limitar o campo de atuação do poder de tributar que o Estado detém por atribuição constitucional. Não obstante a omissão da Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 19996, em especial os artigos 2° e 3 0, no tocante à situação jurídica da impugnante, não é possível ignorar o teor do art. 150, VI, "c", da Constituição da República. É preciso ter noção de que a Lei n° 9.393, em momento algum, regulamentou a referida imunidade tributária. Aliás, nem poderia, já que se trata de lei ordinária e não complementar. Neste sentido, o texto constitucional é forte: "Art. 146. Cabe à lei complementar: II -regular as limitações constitucionais ao poder de tributar:" (Grifamos). A própria disposição do texto constitucional não permite outra TÍTULO VIDa Tributação e do OrçamentoCAPÍTULO IDO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL Seção IDOS PRINCÍPIOS GERAIS Seção IIDAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTARArt. 150 Neste compasso, os requisitos exigidos por lei, referidos pelo legislador constituinte na alínea "c" do inciso VI do art. 150, para fins de gozo da imunidade, estão previstos no CTN, nos seguintes termos: "Art. 9° É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV- cobrar imposto sobre: 5 Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 173 c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capitulo;3 • • • Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: 1— não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1° do artigo 9°, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9° são exclusivamente os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos." A recepção do CTN como lei complementar é matéria incontroversa, conforme se constata dos julgados do Superior Tribunal de Justiça abaixo enunciados: • —> 2" Turma, Recurso Especial n°. 123.392 / SP, Relatora Ministra Eliana Calmon, julgamento 20.06.2000, publicação DJ 01.08.2000, p. 221. —> 2" Turma, Recurso Especial n° 139.787 / RS, Relator Ministro Francisco Peçanha Martins, data do julgamento 03.02.2000, publicação DJ 27.03.2000, p. 84; —> 1" Turma, Recurso Especial n° 85.178 / PR, Relator p/ Acórdão Ministro Demócrito Reinaldo, julgamento 20.1 1.1997, publicação DJ 08.09.1998, p. 26. No mais, a suspensão da imunidade, conforme admitido pelo § 1° do art. 14 do CTN, não é aleatória, mas vinculada, devendo ser observado o devido processo legal, nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: (transcreve integralmente o art. 32 da Lei 9.430/1996). Logo, não se suspende a imunidade pela constituição do crédito tributário via lançamento de oficio ou notificação de lançamento. 6 Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.°3102-00.405 Fl. 174 A suspensão exige antes a expedição de ato declarató rio, o que somente poderá ocorrer após a rejeição pela autoridade administrativa das alegações de defesa do contribuinte, nos moldes dos §§ I°, 2° e 3°, do art. 32 da Lei n° 9.430, transcritos linhas acima. À evidência, no caso concreto, o ato administrativo de lançamento/notificação violou o disposto no inciso 11 do § 6° do art. 32 da Lei n° 9.430. Seja como for, a imunidade é objetiva, vale dizer, basta o imóvel pertencer ao patrimônio da entidade, não importando a sua destinação. Aliás, o próprio Supremo Tribunal Federal já decidiu pela imunidade objetiva, na qual o gozo do beneficio não está atrelado à destinação, basta o imóvel pertencer à entidade de educação ou de assistência social sem fins lucrativos. Vejamos: (transcreve jurisprudência) Nem mesmo o fato de o imóvel estar sendo utilizado para outros fins, como escritório ou residência, afasta a proteção constitucional. Vejamos: (transcreve jurisprudência) Noutro giro, não obstante o crédito tributário ter sido constituído mediante notificação de lançamento, fato este que resultou na aplicação de multa punitiva de 75%, a Administração, em momento algum, colacionou aos processos administrativos qualquer evidência de que o imóvel estivesse sendo empregado em finalidade estranha aos objetivos sociais da autora. É preciso notar que o lançamento não foi por declaração do contribuinte, mas sim de oficio, fato este que exige do Fisco a verdade material, nos termos do art. 142 do CTIV: (transcreve o dispositivo). A verdade é que a impugnante não deu ao imóvel nenhuma destinação específica, até que se resolva a questão da sua titularidade, matéria abordada acima. (.)" Ao final, a contribuinte ainda questionou a exigência da multa de 75% e a aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros, sob a alegação, em suma, de que, também para o cálculo da multa deve ser observado o princípio constitucional de vedação da tributação com efeito de confisco, cabendo a exclusão da multa ou, no mínimo, a sua redução para 20%; e que, quanto aos juros, a incidência da TAXA SELIC sobre o débito não encontra respaldo jurídico, sendo que os juros exigidos possuem caráter de indenização pela mora, ou seja, agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinando-se a apenar a 7 Processo n° 10845.720011/2006-25 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 175 mora, e essa taxa tem natureza remuneratória pelo uso do dinheiro alheio, não havendo elementos na sua apuração que lhe confira caráter morató rio. Acrescentou ainda que a Lei n° 9.065/95 não encontra fundamento no artigo 161, § 1 0, do C.T.N, porque este dispositivo complementar autoriza a definição de outra taxa de juros, desde que contenha e reflita natureza moratória, e não remunerató ria, e que, com a adoção da taxa Selic, os juros incidentes superam o quantitativo de 1% ao mês previsto nesse dispositivo do CTN. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CGE n°12.986, de 09/11/07, fls. 152/159: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 SUJEITO PASSIVO DO ITR. Contribuinte do Imposto Territorial Rural é o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei. É nulo o lançamento que exige o ITR de pessoa que não se enquadra na situação de contribuinte. Lançamento Nulo. Às fls. 163 o contribuinte foi intimado da decisão supra, tendo seguimento o recurso de oficio. É o Relatório. 8 Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.°3102-00.405 Fl. 176 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator Verificamos dos autos que se trata de recurso de oficio, em face da decisão da DRJ/CGE ter decidido pela ilegitimidade passiva do contribuinte autuado. Efetivamente o contribuinte autuado não é sujeito passivo do ITR neste caso, já que não tem aposse do imóvel, muito menos consta do registro do imóvel como proprietário. A decisão recorrida é clara neste sentido: Com a entrada em vigor da Lei n." 9.393, de 1996, o I7'R passou a ser tributo lançado por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei n." 5.172, de 25 de outubro 1966, o Código Tributário Nacional — CTIV. O procedimento assim realizado pelo contribuinte fica sujeito à verificação por parte da autoridade fiscal, sendo que o lançamento de oficio do ITR encontra amparo no art. 14, da citada Lei n°9.393/1.996. Na esfera administrativa, não é cabível a discussão quanto a legalidade e/ou constitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor. Às Delegacias de Julgamento, como órgãos integrantes da estrutura básica do Ministério da Fazenda, compete julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, obedecendo aos ditames da lei, sendo-lhe defeso apreciar arguições de inconstitucionalidade ou inaplicabilidade de textos legais. Como esclarece Luiz Henrique Barros de Arruda em sua obra "Processo Administrativo Fiscal" (Editora Resenha Tributária — 2" Edição), a função dos órgãos de jurisdição administrativa "consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades "a quo" com as normas legais vigentes". E conclui que 'falece-lhes, como falece aos órgãos do poder Executivo criados para desempenhar atribuições equivalentes, competência para pronunciar-se a respeito da conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com os demais preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declarar-lhe a nulidade ou a inaplicabilidade ao caso expressamente nela previsto, matéria reservada, também por força de dispositivo constitucional, ao Poder Judiciário." O julgador com mandato nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, ao elaborar seu voto, deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos tributários e 9 Processo n° 10845.720011/2006-25 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 177 aduaneiros, conforme previsto no art. 7° da Portaria MF n.° 58, de 17 de março de 2006. O lançamento notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em decorrência da apresentação da impugnação, conforme disposto no art. 145, I, do CTN, se existir justificativa suficiente para tanto. De acordo com o sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto n° 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, conforme seu artigo 16, inciso II, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária, cabe ao impugnante fazer a prova do direito ou do fato afirmado na impugnação, o que, não ocorrendo, acarreta a improcedência da alegação. •A apresentação de provas pelo impugnante deve ser feita no momento da impugnação, conforme disposto no parágrafo 4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972, acrescido pelo art. 67 da Lei n." 9.532/1997, sendo possível a juntada posterior de documentos, mas desde que observado o disposto no 5° desse mesmo artigo. O lançamento ora questionado foi efetuado em nome da interessada em razão de a DITR processada, que serviu de base para o mesmo, ter sido apresentada em seu nome, e decorreu da glosa das áreas declaradas de preservação permanente, utilização limitada e alteração do VTN tributado com base no SIPT mantido pela RFB, pelo fato de a interessada não ter atendido intimação para comprovação dos dados declarados. Quanto à alegação de que o imóvel está localizado em área indígena e que, portanto, pertence à União, consta nos autos informação sobre existência de averbações nas matrículas junto ao CRI do 1°. Oficio de Sinop/MT, de números 04-12.131 e 04- 12.132, com relato de que a Funai solicitou que passasse a constar da matrícula que o imóvel estava incidindo em sua quase totalidade dentro dos limites do Parque Indígena do Xingu e que as informações sobre o assunto constavam de processo administrativo arquivado na Funai, e também foi apresentada cópia de Ação de Nulidade de Títulos Dominiais, de outubro de 2005, proposta pela Funai contra Evandro Alberto de Oliveira Bonini, relativa às matrículas 12.131 e 12.132 do citado CRI. As averbações citadas e a ação proposta pela Funai comprovam que a questão da propriedade está em discussão, mas não servem como prova efetiva de que a ora impugnante ou o proprietário indicado nas matrículas haviam perdido a posse do imóvel, situação que enquadraria um dos dois na condição de contribuinte do ITR, nos termos do artigo 4° da Lei n." 9.393/1996. Quanto à alegação de imunidade, não há nos autos comprovação efetiva que permita reconhecer que a interessada se enquadrava nas determinações do artigo 150, inciso VI, "c", da Constituição Federal de 1988. Além disso, a imunidade em questão não é irrestrita e incondicionada, devendo ser 10 Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 178 1 observada a norma contida no § 4° do mesmo artigo, pelo qual "As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas". Para tanto, também é mister comprovar que cada imóvel, isoladamente, está diretamente relacionado aos fins da entidade. Observa-se do comprovante de inscrição e de situação cadastral da interessada junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, juntado aos autos, que ela está cadastrada como Associação, sem indicação de que se trate de instituição de educação ou de assistência social, e na DITR processada que deu origem ao lançamento não constou informação de que o imóvel estava imune ou isento do ITR e a impugnante não logrou comprovar que foi cometido erro no preenchimento dessa declaração quanto a esse item. Por outro lado, cabe razão à impugnante quanto à alegação de que ela não pode ser considerada proprietária ou possuidora do imóvel, tendo em vista as conclusões apresentadas pela DRF/Ribeirã o Preto-SP na Notificação Fiscal encaminhada para a Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP, CNPJ n.° 55.983.670/0001-67, tratada no processo administrativo n.° 10840.002434/2005-61, pelo qual foi suspensa a imunidade tributária dessa associação, consoante art. 32 da Lei n.° 9. 430/ 1996 . Com efeito, consta da citada Notificação Fiscal (cópia às fls. 42 à 113) informações detalhadas que permitem reconhecer que a impugnante nunca utilizou ou desenvolveu qualquer atividade no imóvel ora tratado, com área de 39.021,9 ha, NIRF 6004355-5, e no imóvel com área de 10.159,0 ha., NIRF 5990845-9, matriculados junto ao CRI do 1 0. Oficio de Sinop/MT com os números 12.131 e 12.132, onde constam como sendo de propriedade de Evandro Alberto de Oliveira Bonini. A citada Notificação Fiscal tratou de procedimento de fiscalização levado a efeito em outra contribuinte, mas, pode ser considerada como prova efetiva no caso aqui tratado, tendo em vista que a fiscalização analisou detalhadamente a situação do imóvel rural em questão, concluindo que a venda da Fazenda Rio Negro para a Fundação Fernando Eduardo Lee não passou de simulação para transferir recursos da Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP para as mãos de seus dirigentes. Para ilustrar, transcrevo a seguir dois dos trechos da Notificação Fiscal que permitem essa conclusão: "12-1 — Desse modo, a Fundação Fernando Eduardo Lee, uma instituição que vinha passando sérias dificuldades financeiras conforme relatado em ata por sua ex-presidente (..), de um momento para outro adquire por R$ 36.000.000,00 um imóvel que os dirigentes da AERP diziam possuir. E com recursos recebidos da Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP, a título de "aluguel", vem pagando mensalmente a todos os dirigentes da AERP, (.), por um imóvel que, conforme adiante 11 Processo n° 10845.720011/2006-25 53-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 179 veremos, n'do pode sequer ser alienado, posto que área indígena, e mesmo se não o fosse, não existe em sua totalidade, e mesmo se existisse, jamais pertenceu na sua totalidade, como também veremos, a todos os beneficiários dos cheques pagos com recursos retirados da AERP, e mais: ainda que todos fossem seus proprietários, o imóvel objeto dessa transação jamais teve sua propriedade transferida para aquela Fundação ou foi objeto da finalidade alegada em ata para sua aquisição ou no contrato de compra e venda firmado, e continua até a presente data servindo para garantir dívidas particulares do contribuinte Evandro Alberto de Oliveira Bonini" (grifos e destaques do original). (.) 16— A conclusão a que se chega, portanto, no que diz respeito à "Venda" do imóvel a que o contribuinte e os demais dirigentes da AERP denominam de "Fazenda Rio Negro", é de que tudo não passou de uma grande farsa, uma simulação que utilizou expedientes que davam a falsa impressão de legalidade aos atos praticados, para drenar e transferir, da Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP para as mãos de seus dirigentes, enorme sornas de recursos, utilizando como "intermediária" para o repasse de tais recursos, a Fundação Fernando Eduardo Lee, entidade dirigida por parte dos mesmos dirigentes da AERP ( o contribuinte Evandro Alberto Oliveira Bonini e a contribuinte Elmara Lúcia de Oliveira Bonini Corauci são respectivamente, presidente vitalício e vice-presidente da Fundação) além de demais membros da família Bonini. Provado está, que essa Fundação nunca se utilizou, explorou, pesquisou, ou desenvolveu qualquer atividade para manter ou preservar referida propriedade, caindo por terra os argumentos lançados em Ata para sua aquisição: "desenvolver pesquisas relacionadas à biodiversidade em sua exploração sustentada e ainda com vistas à preservação desta área." (grifos e destaques do original). (.)" Em outros processos de impugnação de lançamento do ITR do mesmo imóvel, esta Turma de Julgamento julgou procedentes os lançamentos formalizados com base nas declarações processadas, por ter concluído que a declarante se encontrava na condição de contribuinte do ITR, pela posse, tendo em vista que não foi alegado erro de preenchimento na declaração apresentada em seu nome e não foram suficientemente comprovadas as alegações de que o imóvel estava enquadrado nos requisitos de imunidade constitucional e totalmente localizado em área indígena. Diante de todo o exposto, havendo comprovação de que a impugnante não tem a posse do imóvel e que esse consta do registro de imóveis como propriedade de outra pessoa, e que, portanto, não há justificativa para que ela seja considerada contribuinte do ITR em relação a esse imóvel, deve ser declarada a nulidade do lançamento de ITR formalizado em 12 Processo n° 10845.720011/2006-25 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.405 Fl. 180 I nome dela, por apresentar erro na identificação do sujeito passivo, ferindo o disposto no art. 142, "caput", da Lei n.° 5.172/1966 (C.T.N.). Assim, voto no sentido de declarar a nulidade do lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de fls. 01 a 04, ficando ressalvado o direito da autoridade lançadora de efetuar novo lançamento em boa e devida forma, se cabível, em nome de quem for identificado co o o contribuinte do ITR em relação ao imóvel. Ante o exposto, voto I,or negar provirne e o ao recurso de oficio. 1, r k-- LUCIANO LOPI D • ALMEIDA MOR • S , • , 13
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Numero do processo: 36944.005076/2006-12
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL.
Não houve a preclusão apontada pela Fazenda Nacional, conforme se deprende da leitura do recurso voluntário que aponta a ausência de fundamentação do relatório fiscal.
Para que não houvesse incidência de contribuições previdenciárias, a legislação vigente à época dos fatos geradores exigia que todos empregados e dirigentes tivessem acesso às bolsas de estudos. Entretanto, não me parece que a autoridade fiscal tenha logrado êxito em demonstrar e muito menos comprovar que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos.
Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido.
No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar demonstrado que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999.
Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública.
Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN.
A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Redator Designado
EDITADO EM: 12/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (conselheiro convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NULIDADE MATERIAL. Não houve a preclusão apontada pela Fazenda Nacional, conforme se deprende da leitura do recurso voluntário que aponta a ausência de fundamentação do relatório fiscal. Para que não houvesse incidência de contribuições previdenciárias, a legislação vigente à época dos fatos geradores exigia que todos empregados e dirigentes tivessem acesso às bolsas de estudos. Entretanto, não me parece que a autoridade fiscal tenha logrado êxito em demonstrar e muito menos comprovar que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos. Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar demonstrado que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999. Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 94 4. 00 50 76 /2 00 6- 12 Fl. 514DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 3 2 Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 4 3 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Redator Designado EDITADO EM: 12/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (conselheiro convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 5 4 Relatório O Acórdão nº 20600.762, da 6a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes (fls. 422 a 434), julgado na sessão plenária de 07 de maio de 2008, deu provimento parcial ao recurso, (a) por maioria de votos, para excluir, por vício material, a parcela referente a bolsas de estudos concedidas, e, (b) por unanimidade de votos, para adequar os valores referentes à contribuição dos segurados das parcelas remanescentes, aplicandose sobre o salário de contribuição as alíquotas vigentes à época da ocorrência do fato gerador, respeitando os limites legais. Para a parte decidida por maioria, duas conselheiras entenderam que se tratava de nulidade por vício formal, e uma defendeu que não havia nulidade. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO ALIMENTAÇÃO SEM INSCRIÇÃO NO PAT TICKET REFEIÇÃO PARCELA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. 1. O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. 2. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. RELATÓRIO FISCAL. OMISSÕES. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. VÍCIO INSANÁVEL. 1. Nos termos do artigo 37, da Lei n. 8.212/91 e artigo 243 do RPS, o fiscal autuante ao promover o lançamento deve fundamentálo de forma clara e precisa, sob pena de nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. 2. O Relatório Fiscal tem por finalidade explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. 3. Violação ao inciso II, do artigo 59, do Decreto n. 70.235/72. Preterição ao direito de defesa. 4. Vício material. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 6 5 Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada dessa decisão em 04/02/2009 (fl. 435), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, recurso especial por contrariedade à lei (fls. 439 a 462), onde defendeu: a) que os fatos foram devidamente analisados pela fiscalização, quando do lançamento, conforme relatório fiscal de fl. 151; b) que, se o sujeito passivo exerceu plenamente o seu direito de defesa, descabe falar em decretação de nulidade, pois, ausente o prejuízo, não se decreta a nulidade, conforme orientação da Câmara Superior de Recursos Fiscais; c) que, considerando que a contribuinte não arguiu a nulidade da NFLD, a matéria se encontra preclusa; d) que, mesmo que se admita a omissão, ainda assim não é o caso de declarar a existência de vício material, mas tãosomente vício formal. Isso porque a deficiência no lançamento relativamente aos fatos e fundamentos pela qual a concessão de pósgraduação não foi abrangida a todos os funcionários da fundação, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, não pode ser considerado como de natureza material, pois, se assim fosse, estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; e) que, verificandose a deficiência na descrição do fato gerador (motivação do ato administrativo de lançamento), nada obsta a sua complementação, pela autoridade fiscal competente, mediante a expedição de relatório fiscal complementar, nos termos do art. 55 da Lei n° 9.784/99 e dos arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido pelo despacho de fls. 464 a 466. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 01/02/2010 (fl. 468v), o contribuinte apresentou, em 17/02/2010, recurso especial da parte que lhe foi desfavorável (fls. 471 a 483), onde defende a não incidência das contribuições previdenciárias sobre seguro de vida em grupo e sobre as remunerações recebidas a título de programa de alimentação do trabalhador – PAT e de assistência odontológica. Não foram oferecidas contrarrazões ao especial da Fazenda. Os despachos de fls. 486 a 487 negaram seguimento ao recurso especial do contribuinte, por falta de apresentação de divergência de interpretação da lei tributária. É o relatório. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à declaração de nulidade, por vício material, da parte do lançamento que cobrou contribuições previdenciárias sobre valores pagos a empregados a título de cursos de pósgraduação. Entendeu a decisão recorrida que o relatório fiscal não explicitou de forma clara e precisa o objeto do lançamento, relativamente a razão pela qual a concessão de pós graduação não foi abrangida a todos os funcionários da Fundação São Francisco Xavier, o que acarretou em cerceamento do direito de defesa do contribuinte. A recorrente discorda do argumento afirmando: a) que o relatório fiscal não falhou na descrição da infração; b) que o sujeito passivo exerceu plenamente o seu direito de defesa, não sendo possível se falar em cerceamento de defesa; c) que o contribuinte não arguiu a nulidade, encontrandose a matéria preclusa; d) que, caso se admita o vício, ele seria de natureza formal, e não material; e) que seria possível admitir a complementação do lançamento, mediante a expedição de relatório fiscal complementar. Penso que os três primeiros argumentos já são suficientes para se dar provimento ao recurso. Em análise do relatório fiscal de fls. 151 a 157, entendo que a infração fiscal está suficientemente descrita. O item 2.3 (fl. 153) esclarece quais o requisitos para que as parcelas lançadas não integrem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. E o subitem 2.3.4 afirma que as despesas de curso superior podem ser excluídas desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados. Já o anexo IV do relatório fiscal (fls. 287 a 290) traz planilhas com os pagamentos feitos a cada funcionário a título de pósgraduação. Ora, é claro que essas peças evidenciam que o motivo da tributação das bolsas de pósgraduação foi o fato de elas não terem sido oferecidas a todos os funcionários. É possível que o acórdão recorrido tenha considerado a descrição dos fatos insuficiente, pois o item 2.4 esclarece porque a empresa não atendeu às exigências legais Fl. 519DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 8 7 descritas no item 2.3, mas não há um subitem específico para o pagamento de bolsas de pós graduação. Assim, sem a explicação do porquê da tributação, estarseia cerceando o direito de defesa do autuado. Entretanto, a falta de inclusão de explicação específica para os cursos de pós graduação não caracterizou qualquer vício, pois não chegou a interferir na compreensão de que a tributação da verba se deu por ela não abranger a todos os empregados. De qualquer modo, o contribuinte teve todas as condições de se defender da acusação, e o fez no item 7 de sua impugnação (fls. 328 a 329), afirmando que os pagamentos de pósgraduação não remuneram a prestação de serviços e não eram feitos de forma habitual e que a jurisprudência do STJ entendia que não integravam o salário de contribuição. E, o recurso voluntário repete os mesmos argumentos da impugnação (fls. 411 a 412). Além disso, em nenhum momento o sujeito passivo alegou qualquer cerceamento ou nulidade nesse sentido. Assim, tratase de matéria preclusa, da qual não se pode conhecer de ofício. Estando claro que o motivo da tributação das bolsas de pósgraduação decorreu do fato dela não ter sido oferecida a todos os funcionários, deve a Turma Julgadora decidir se o lançamento deve ser mantido com relação a essa rubrica. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, devendo os autos retornar para análise do mérito pela Turma Julgadora. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 520DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Inicialmente, entendo que não houve a preclusão apontada pela Fazenda Nacional, conforme se deprende da leitura do recurso voluntário que aponta a ausência de fundamentação do relatório fiscal (fls. 411 e 412): “Desse modo, tendo em vista que a parcela acima não se trata de remuneração, que o relatório fiscal não tem um mínimo de fundamentação de fato e de direito e que a assistência odontológica abrange a totalidade dos empregados, requer que a verba acima seja decotada da presente NFLD. 6. DA INEXIGIBILIDADE DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA SOBRE A REMUNERAÇÃO RECEBIDA A TÍTULO DE PÓS GRADUAÇÃO O i. auditor fiscal equivocouse ainda ao considerar que a rubrica acima configura salário indireto. Conforme já explicado acima, essa parcela também não é paga em a título de remuneração dos serviços prestados além de não haver habitualidade em seu pagamento. Este entendimento é respaldado pelo Eg. STJ:” Ultrapassada a alegação da preclusão, transcrevo trechos do relatório fiscal que abordam a questão do pagamento de despesas de curso superior (fls. 153): 2.3. Para que os benefícios concedidos pela empresa a seus trabalhadores, não se constituam base de incidência de contribuições previdenciária e de terceiros, urge que a mesma seja paga em conformidade com o seguinte: (...) 2.3.4 Pagamento de despesas de Curso Superior: Desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. 2.4 Quanto a estes benefícios, item "2.3", a empresa não comprovou as seguintes exigências legais: (...) Por certo que, para que não houvesse incidência de contribuições previdenciárias, a legislação vigente à época dos fatos geradores exigia que todos empregados e dirigentes tivessem acesso às bolsas de estudos. Entretanto, não me parece que a autoridade fiscal tenha logrado êxito em demonstrar e muito menos comprovar que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 10 9 Tão pouco mencionado anexo IV do relatório fiscal (fls. 287 a 290), que traz planilhas com os pagamentos feitos a cada funcionário a título de pósgraduação, comprova que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos. O referido anexo simplesmente elenca os beneficiários das bolsas de estudos e não aqueles que tiveram o acesso vedado pelo contribuinte. Há de se salientar que a decisão recorrida declarou a nulidade por vicio material. É de vital importância a distinção entre vício formal e material para dimensionar os diferentes efeitos que, quanto à sua natureza e intensidade, cada um desses erros pode ter sobre o crédito tributário constituído. Há de se avaliar a ocorrência do erro como sendo “menos ou mais gravoso” e reforçando a idéia de que, também daí, podese extrair subsídios com vistas à classificação do vício como sendo de forma ou de substância. Como efeito prático de se declarar a nulidade do lançamento por vício formal ou material temos que: no caso de vício formal o prazo decadencial para a realização de outro lançamento é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade por vício formal do lançamento, conforme estabelece o 173, inciso II, do CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da ocorrência do fato gerador do tributo, no caso do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, tratandose do artigos 173, inciso I do CTN. Assim sendo, neste último caso, poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício material incorrido, conquanto que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de vício formal. Portanto, a questão reside, assim, no estudo da natureza e intensidade do erro cometido, de cujas conclusões se extrai a classificação necessária para se definir a existência, ou não, do direito de o sujeito ativo da obrigação efetuar novo lançamento, levandose em conta o princípio da segurança jurídica e os limites temporais dos atos administrativos. As incorreções e omissões quanto à formalidade do ato praticado caracterizam o vício formal. Luiz Henrique Barros de Arruda, Processo Administrativa Fiscal, Editora Resenha Tributária, pág. 82, define assim o vício formal: “O vício de forma existe sempre que na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal.” Ou seja, os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, isto é, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Destarte, a inobservância do que preconiza o art. 142 do CTN, que prevê ser o lançamento procedimento administrativo a tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo Fl. 522DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 11 10 devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, caracteriza existência de vício de natureza material. Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. No presente caso a nulidade foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude de não restar demonstrado que a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não tiveram acesso às bolsas de estudos, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN e, especificamente, ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 e ao art. 229, § 2º do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048/1999, in verbis: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação Clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." Destarte, entendo que que nulo é o lançamento, por vício material, quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável Outro aspecto a ser enfrentado diz respeito a alegação apresentada pela Fazenda Nacional, no sentido de que a Câmara prolatora do acórdão recorrido entendeu que a insuficiente descrição dos fatos que ensejaram a autuação fiscal é bastante para a nulidade, por vício material, do lançamento. Desconsiderou, no entanto, a inexistência de prejuízo ao contribuinte. Por diversas vezes neste colegiado tenho me manifestado no sentido de que quando estamos diante de um vício formal e inexiste prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa, a nulidade não deve ser declarada, de acordo com o princípio pas de nullité sans grief: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE FORMAL AFASTADA. AUSÊNCIA DO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Mesmo que estejamos diante de um vício formal no lançamento, a sua nulidade não deve ser decretada, por ausência de efetivo prejuízo por parte do contribuinte em sua defesa. Não há de se Fl. 523DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36944.005076/200612 Acórdão n.º 9202002.375 CSRFT2 Fl. 12 11 falar em nulidade do lançamento, por não restar configurado o binômio defeitoprejuízo. Recurso Especial Provido (2ª Turma CSRF – Ac. 920201609 – Rel. Elias Sampaio Freire) Entretanto, no presente caso, o vício existente no lançamento é de natureza material e não de natureza formal, conforme demonstrado alhures. Por certo, quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio princípio pas de nullité sans grief ou princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistema rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Nestes casos, há que se ter em mente a noção de prejuízo ao sujeito passivo; somente quando o lançamento, enquanto ato declaratório da obrigação tributária e constitutivo do crédito fiscal, conduzir a um efetivo prejuízo ao contribuinte terse á como conseqüência a nulidade por vício formal. Por outro lado, cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. Destarte, a declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincubido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 524DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10865.900312/2008-64
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/02/2001
BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE.
Equiparam-se aos descontos concedidos incondicionalmente a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as bonificações perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negava provimento.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado, emitido imediatamente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negava provimento. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 12 /2 00 8- 64 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de processo que retorna a julgamento em face da conclusão da diligência que deliberáramos por meio da Resolução nº 340100.093, de 27/10/2010. Ocorreu que, em face do Despacho Decisório Eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição de parte da Cofins recolhida em fevereiro de 2000, período de apuração de janeiro de 2000, a interessada esclarecera em sua Manifestação de Inconformidade que o pagamento a maior tinha origem no fato de ter deixado de excluir da base de cálculo da contribuição daquele período o valor correspondente ao montante das “bonificações” concedidas a clientes. Naquela ocasião, invocara a aplicação da regra contida no inciso I, do parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, segundo a qual, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, podem ser excluídos os “descontos incondicionais concedidos”, ou seja, defendeu a equiparação das “bonificações” aos “descontos incondicionais”. Após a conclusão de diligência por ela própria determinada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. (grifei) A decisão recorrida fundamentouse integralmente nos termos da Solução de Consulta proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 183, em 27 de maio de 2009, ou seja, a pretensão da interessada [de ver reconhecido um pagamento a maior por ter incluído na base de cálculo da contribuição os valores das bonificações de mercadorias a clientes] foi rejeitada por entender aquele Colegiado que as bonificações não poderiam ter o mesmo tratamento dos descontos incondicionais (exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins) e isso pelo fato de, no presente caso, e consoante a documentação acostada ao processo em face de diligência por ela própria, DRJ, requisitada, não terem as bonificações constado da nota fiscal de venda, ou seja, por terem constado de uma nota fiscal própria [bonificação], emitida posteriormente. Depreendese do voto da DRJ que o reconhecimento da “incondicionalidade” do desconto, no caso, representado pela “bonificação”, depende fundamentalmente da inexistência de qualquer hiato entre as duas modalidades de saída de mercadorias [venda e bonificação]; isto é, para a instância de piso a bonificação somente se caracterizaria como um desconto incondicional se constasse do corpo da própria nota fiscal de venda. Por seu turno, a Recorrente argumentou que a emissão apartada dos documentos fiscais decorrera de uma questão meramente formal, não podendo tal “hiato” dar azo ao cumprimento de qualquer condição. Até porque, ressaltou ela, as notas fiscais de bonificação eram emitidas na sequência imediata à das notas fiscais de venda, dandose conjuntamente a saída das mercadorias do estabelecimento. Aduziu ainda a Recorrente que a bonificação ocorre quando há um abatimento no preço de venda normalmente praticado, ou quando é entregue mercadorias em Fl. 325DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900312/200864 Acórdão n.º 3401001.950 S3C4T1 Fl. 311 3 quantidade superior ao pago pelo comprador, situação esta ocorrida no presente caso, em que não recebeu qualquer valor por conta das bonificações, as quais se revestiram de mero apelo comercial. Daí, a seu ver, as razões pelas quais entende que tal operação equivale a de descontos incondicionais. Outro argumento trazido pela Recorrente é o de que, nos termos do decidido pelo STF no RE nº 170.555PE, a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, de sorte que, a seu ver, a forma pela qual a concessão da bonificação é documentada tornase irrelevante, dado o fato não corresponder à hipótese de incidência dessas contribuições visto que não recebe qualquer valor nesta operação. Neste ponto, colacionou decisão do TRF da 1ª Região. Invocou, por fim, a Recorrente, que eventuais normais infralegais não poderiam alargar a hipótese de incidência constitucionalmente eleita, mormente porquanto o inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, deixa claro que devem ser excluídos da receita bruta os descontos incondicionais. Acolhendo minha proposição, esta Turma, com outra composição [o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho era o Presidente], resolveu converter o julgamento em diligencia para que se verificasse junto às notas fiscais de bonificação de que forma as mesmas se relacionavam com as notas fiscais de venda, ou seja, se havia a “incondicionalidade” reclamada pela instância julgadora. Fora então referida Resolução assim elaborada: Por todo o exposto e, em observância aos princípios da legalidade e da verdade material, e, ainda, ao disposto no artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19723, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem informe a este Colegiado: a) se as notas fiscais de bonificação do período de apuração em discussão estão realmente relacionadas às notas fiscais de venda emitidas no momento imediatamente anterior, ou seja, se, em relação às notas fiscais de venda a que se referem, indicam o mesmo cliente, a mesma data, o mesmo produto, o mesmo transportador, as mesmas placas dos veículos e o mesmo horário de saída; e b) para as notas fiscais de bonificação efetivamente caracterizadas como uma espécie de “descontos incondicionais” (o que se conclui a partir da resposta positiva a todos os quesitos da letra “a” acima), apurar o seu total, calcular o valor da Cofins correspondente e utilizálo no procedimento de compensação indicado pela interessada na Dcomp objeto deste processo, informando a este Colegiado o resultado do encontro de contas. O Relatório de Diligência Fiscal atestou que uma parte apenas daquele montante das bonificações preencheu aos quesitos indicados na letra “a” da Resolução, de sorte que a Cofins correspondente, no valor de R$ 802,63, poderia ser reconhecida em favor da interessada como originária de um recolhimento a maior. Cientificada dos termos em que elaborado o Relatório de Diligência Fiscal, a interessada não se manifestou. No essencial, é o Relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho A discussão aqui se cinge a se as “bonificações” concedidas pela empresa a seus clientes, o que se dava na forma de entrega de mercadorias em quantidade superior ao valor pago por elas e mediante a emissão de nota fiscal destacada da venda à qual se referia, podem ser equiparadas como “descontos incondicionais concedidos” para fins da exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins de que trata o inciso I, do parágrafo 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Conforme já constara do voto em que resultou na Resolução alhures mencionada, a própria Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, emitiu entendimento acerca do tratamento fiscal a ser dado para as “bonificações” em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas, o que se deu no Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, trechos abaixo transcritos: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que, se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real. E a citada IN nº 51/78, dispõe: 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (..) Esse entendimento da Administração Tributária também foi estendido para o PIS/Pasep e a Cofins, consoante se verifica nas “Perguntas e Respostas”, disponibilizado no site da Receita Federal do Brasil na internet1, cujo texto transcrevo: 370 As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins? 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2004/pergresp2004/pr363a430.htm Fl. 327DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900312/200864 Acórdão n.º 3401001.950 S3C4T1 Fl. 312 5 Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN nº 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições. (destaques do original) Para o Fisco, portanto, para que as bonificações possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há que de serem caracterizadas como os descontos incondicionais concedidos assim definidos na IN SRF nº 51, de 1978, isto é, atenderem a duas condições: a primeira, de que constem da nota fiscal de venda dos bens; e, a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. No presente caso, o resultado da diligência demonstra que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração sequencial imediata, envolveu o mesmo produto [com ressalvas feitas pela fiscalização quanto às referências dos mesmos, o que, para mim se mostra irrelevante], o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, portanto, não vejo como elas possam ter ficado na dependência de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, o que permite que possam ser caracterizadas como “descontos incondicionais concedidos”, mostrandose irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. De outra parte, e tendo a Recorrente quedado inerte, não se reconhece tais características para a parte das bonificações que não puderam ser relacionadas a um mesmo cliente, a um mesmo produto etc. Alem disso, não se tem notícia nos autos, ao contrário, de que a interessada tenha sido paga pelas mercadorias entregues em “bonificação”, situação essa que se lhe retira a característica de integrante da “receita bruta” a que alude a hipótese de incidência das contribuições. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de pagamento a maior no recolhimento da Cofins do período de apuração de janeiro de 2000 no valor original de R$ 802,63, nos termos da diligência fiscal. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 328DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10280.000499/00-19
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1995
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - Súmula
Vinculante n2 8,. -O Supremo Tribunal Federal consagrou que o
prazo decadencial e prescricional das contribuições
previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição para
financiamento da seguridade social - COFINS, prevalece aqueles
estabelecido no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: PLENO/00-00.082
Decisão: ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso extraordinário, para afastar a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, Os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Anelise Daudt Prieto, Maria Helena Cotta Cardozo, Eduardo Tadeu Farah Substituto convocado), Henrique Pinheiro Torres, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Atulim, Maria Cristina Roza da Costa, Júlio César Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Antonio Praga, que contam a decadência pelo art 150 do CTN, quando houver pagamento, acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões, nos termos do relatório e voto que passam a integram o presente julgado.
Nome do relator: Ivete malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - Súmula Vinculante n2 8,. -O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição para financiamento da seguridade social - COFINS, prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional.
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I ;*#:n14A, MINISTÉRIO DA FAZENDA a? :-.".,ert 1 ,',.nZt. CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS ->" PLENO Processo n° 10280.000499/00-19 Recurso n° 203-115.698 Extraordinário Matéria PRAZO DECADENCIAL (RECURSO EX IRAORDINÁRIO AO PLENO DA CSRF). Acórdão n° 00-00.082. Sessão de 15 de dezembro de 2008 Recorrente TELECOMUNICAÇÕES DO PARÁ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. - Súmula Vinculante n2 8,. -O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias, entre as quais de inclui a Contribuição para financiamento da seguridade social - COFINS, prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional. Recurso extraordinário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso extraordinário, para afastar a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, Os Conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Anelise Daudt Prieto, Maria Helena Cotta Cardozo, Eduardo Tadeu Farah (Substituto convocado), Henrique Pinheiro Torres, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Atulim, Maria Cristina Roza da Costa, Júlio César Vieira Gomes, Elias Sampaio Freire, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Antonio Praga, que contam a decadência pelo art 150 do CTN, quando houver pagamento, acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões, nos termos do relatório e iã_voto que passam a int gr: o presente jul ado. 10 GA President I Processo n° 10280.000499100-19 CSRF/T02 Acórdão n.° 00-00.082. Fls. 2 I, 7,1*-' • •--•"" • evrt4r• ESSOA MONTEIRO Relatar 2 7 MA 2009 Parti iparam, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CS • F), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), José Clóvis Alves, Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Valmir Sandri (Substituto Convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Eduardo T. Farah (Substituto Convocado), Leonardo H. M. Oliveira (Substituto Convocado), Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Sandra Maria Faroni (Substituto Convocado), Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filhoe Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto pela Contribuinte, em face do Acórdão CSRF/02-01.722, de 13 de setembro de 2004, de fls. 237/248, no qual, por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso mantendo a exigência da COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos de 31/01/ a 31/12/1994 e 31/03/31/05 de 1995, com a ciência do lançamento se deu em 31/01/2000. O acórdão está assim ementado: COFINS - DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é de dez anos, contado a partir do I° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. Recurso Negado. Prova a Contribuinte divergência entre decisões de Turmas da Câmara Superior através do recurso especial de divergência de fls. 261/267, e anexos, requerendo remessa ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O pretendido dissídio jurisprudencial se relaciona ao prazo decadencial da COFINS. O acórdão litigado decidiu, com amparo no artigo 45 da Lei n° 8.212/91 que o prazo decadencial da COFINS é de dez anos, contado a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído, conforme exarado em sua ementa, fls. 237. 3 • • 2 Processo n° I 0280.000499/00-19 CSRF/T02 Acórdão n.° 00-00.082. Fls. 3 A entendimento da Contribuinte, além de manifestamente contrário às disposições legais, a decisão diverge da interpretação dada pelo Acórdão n° CSRF/01-04.719, acostado aos autos como paradigma às fls. 315/330, conforme consignado em sua ementa às fls. 315. O despacho CSRF n° 259/2005, fls. 343/344, dá seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional foi regularmente notificada, apresenta contra-razões em tempo hábil e em despacho de fls. 344, pugna pela manutenção do julgado recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Aprecia-se o recurso especial interposto pela Contribuinte, pelo qual se discute a decadência dos créditos oriundos de lançamento para exigência da COFINS relativa aos fatos geradores ocorridos de 31/01 a 31/12 de 1994, uma vez que o sujeito passivo tomou ciência do auto de infração em 09.02.2000. A controvérsia cinge-se em saber se o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais, sujeitas à sistemática do chamado "lançamento por homologação", deve ser contado por uma das regras previstas no CTN ou pela regra prevista no art. 45 da Lei n°8.212/91. O Diário Oficial da União do dia 20/06/2008 publicou o enunciado da Súmula vinculante n9 8, verbis: ''Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do g 4" do art. 2" da Lei n°11.417/2006: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. MM. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, reL MM. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, reL Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, reL MM. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: Decreto-Lei n° 1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CP: art. 146, 111 Brasília, 18 de junho de 2008. si ty.'s 3 Processo n° 10280.000499/00-19 CSRP/T02 Acórdão n.° 00-00.082. Fls. 4 Ministro Gilmar Mendes Presidente" (DOU n° 117, de 20/06/2008, Seção 1, pág. I) Portanto, diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n2 8.212/91, da-se provimento ao recurso para reconhecer a decadência dos lançamentos realizados até 31/19/1994. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2008 11) / • "ir ete Ma 4qui . : ' essoa Monteiro 4 Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10865.003966/2008-48
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - FALTA DE DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES - . Constitui infração a legislação a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
MÉDICO RESIDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais, portanto segurados obrigatórios.
BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO- Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire- Presidente
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa .
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - FALTA DE DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES - . Constitui infração a legislação a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MÉDICO RESIDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO - Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais, portanto segurados obrigatórios. BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO- Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes. Recurso Voluntário Negado
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Constitui infração a legislação a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MÉDICO RESIDENTE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos médicos residentes, na qualidade de contribuintes individuais, portanto segurados obrigatórios. BOLSA DE ESTUDO DE DEPENDENTE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Não incidem contribuições previdenciárias nas verbas pagas à título de bolsas de estudo, somente quando estas são destinadas aos empregados e dirigentes, não sendo extensivo tal benefícios aos dependentes destes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 66 /2 00 8- 48 Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa . Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003966/200848 Acórdão n.º 2401002.774 S2C4T1 Fl. 1.704 3 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado contra o contribuinte acima identificado, com fulcro no art. 32, IV, da Lei 8212/91 por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal, a autuada deixou de informar em GFIP, as verbas pagas a título de bolsas de estudos concedidas aos dependentes dos segurados, sobre os valores pagos aos contribuintes individuais, assim como sobre as bolsas de estudo concedidas aos alunos do curso de pós graduação em medicina veterinária. Inconformado com a Decisão que julgou procedente a autuação, o contribuinte apresentou recurso onde alega em síntese: Que o lançamento não pode contemplar as verbas indenizatórias pagas aos segurados empregados pois estas estavam previstas em Convenção Coletiva, o que deve ser reconhecido pela Administração Tributária em respeito ao art. 7º, XXVI da Constituição Federal; Afirma que o empregado somente fará jus ao recebimento das indenizações previstas na CCT, quando o empregador der causa, não por força de seu trabalho tendo a Convenção estabelecido condições específicas para que tais indenizações fossem pagas. No que se refere às bolsas de estudos concedidas aos médicos residentes, a recorrente defende a não incidência de contribuições sobre tais valores por não se tratar de remuneração. Questiona também a incidência de contribuição sobre as bolsas de estudo fornecidas aos dependentes dos segurados. Defende que a isenção prevista no artigo 28, § 9º, “t”, da Lei .n° 8212/91, se aplica a pósgraduação, pois se trata de capacitação e qualificação profissional sendo certo que a própria denominação do curso remete a idéia de que o curso está indo além do que se aprendeu durante a graduação. Por fim requer a procedência do recurso ou, na hipótese de insucesso do presente recurso, que sobre o Auto de Infração que originou o presente processo e acórdão guerreado, seja aplicada em relação a multa, os termos da Lei n° 11941, de 27 de maio de 2009, em especial as disposições que incluíram artigos 32A e 35A, bem como as que alteraram o artigo 35 da Lei 8212/91. É o relatório. Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. A presente autuação foi lavrada em virtude do descumprimento da obrigação acessória descrita no art. 32, IV da Lei 8212/91, em virtude ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em especial os valores pagos as segurados empregados e contribuintes individuais à título de bolsas de estudo e verbas indenizatórias. Contudo, a recorrente se insurge apenas com relação ao mérito no tocante a não incidência de contribuições sobre as rubricas levantadas nas autuações relativas às obrigações principais, também julgadas nesta assentada. Assim como naqueles processos, transcrevo o entendimento que levou ao julgamento pela procedência dos levantamentos efetuados. Das verbas previstas em Convenção Coletiva Em um primeiro momento, entendo que as Convenções e Acordos Coletivos tem caráter normativo vez que, às empresas, não cabe descumprir a convenção coletiva, eis que estariam descumprido norma expressa do nosso ordenamento jurídico, sujeitandose a sanções administrativas e judiciais cabíveis (Auto de Infração pela Delegacia Regional do Trabalho; Ação de Cumprimento pelo Sindicato; etc...), já que a mesma é equiparada à lei, tendo efeito obrigacional sobre todas as empresas e trabalhadores dos sindicatos signatários na sua base territorial. A força de lei da convenção coletiva é conferida pela Constituição Federal, através dos artigos 7º, inciso XXVI, e 114, e pela Consolidação das Leis do Trabalho, através do artigo 611, que equiparam as mesmas as leis ordinárias, devendo, portanto, ser respeitada e cumprida. Contudo, temos que a não incidência de contribuição sobre as verbas pagas a título indenização, devem cumprir outros requisitos, em especial, o de ser efetivamente uma verba indenizatória. Do que consta dos autos, tais verbas eram na verdade verbas rescisórias pagas quando da dispensa imotivada dos segurados, não podendo dar a estes pagamentos, o caráter indenizatório, ainda que previstos em Convenção Coletiva. Da residência médica A situação do médicoresidente é sui generis: ao mesmo tempo que é graduado e inscrito no Conselho Profissional, podendo assim exercer a medicina, ele se encontra em aperfeiçoamento. A residência médica é modalidade de ensino de pósgraduação, caracterizada por treinamento em serviço, sob orientação de profissionais médicos, cujo programa deve ser aprovado pela Comissão Nacional de Residência Médica, vinculada ao Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003966/200848 Acórdão n.º 2401002.774 S2C4T1 Fl. 1.705 5 Ministério da Educação. É situação diferente do estagiário, por exemplo, que ainda está em formação profissional e só pode se inscrever na Previdência Social como segurado facultativo. Os médicosresidentes, desde a Lei nº 6.932, de 7 de julho de 1981, são segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados autônomos, hoje denominados contribuintes individuais. As instituições que oferecem residência médica, por sua vez, são equiparadas a empresa, para fins da legislação previdenciária e, portanto, também têm obrigação de recolher a sua contribuição sobre os valores pagos aos médicosresidentes, como já fazem, ou devem fazer, em relação a todos os contribuintes individuais que lhes prestam serviços. Na realidade, o médico residente é médico, ou seja, já formado e apto a clinicar, tão somente desenvolvendo especialidade. Desta forma, o que recebe é sim, ainda que de forma mediata, retribuição pelo serviço que exerce, apesar de supervisionado. Ademais, a inclusão de tais valores agrega ao paradigma da universalidade de cobertura e atendimento e, em especial, a diversidade da base de financiamento conforme estabelecido pela Constituição Federal. Esta é uma situação diversa daquela definida na Lei 9.250/95, em seu art. 26, que isenta de imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, pois no presente caso, há sim a vantagem para o doador e a verba paga ao médico residente representa uma contraprestação pelos serviços prestados. Das bolsas de estudo fornecida aos dependentes Em regra geral, as bolsas de estudo fornecidas pelas empresas aos dependentes de seus empregados e dirigentes, sofre incidência de contribuição previdenciária. Porém, esta não é uma regra absoluta, devese atentar a cada caso concreto antes de se chegar a esta conclusão. Pelo que se depreende da planilha constantes nos anexos, todas as bolsas de estudo que foram oferecidas aos filhos dos empregados. Conforme se depreende do art.214,.§ 9º, inciso XIX: §9º Não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) XIXo valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Do mencionado artigo temos que as verbas que não sofrem incidência de contribuições são aquelas relativas aos valores pagos à título de bolsas, somente aos empregados e dirigentes, não sendo extensivas aos dependentes destes. Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Sobre este assunto, o Superior Tribunal de Justiça, em vários julgados entendeu pela não incidência de contribuições previdenciárias tão somente no que tange aos valores pagos aos empregados, sem mencionar os dependentres, senão vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 784.887 SC (2005/01618537) RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : MANOEL FELIPE REGO BRANDAO E OUTROS RECORRIDO : COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CAMPOS NOVOS LTDA COPERCAMPOS ADVOGADO : ADEMAR SILVA DOS SANTOS E OUTRO EMENTA TRIBUTÁRIO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. VALORES GASTOS COM A EDUCAÇÃO DO EMPREGADO (BOLSAS DE ESTUDO). CARÁTER SALARIAL. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os valores despendidos pelo empregador a título de bolsas de estudo destinadas aos empregados não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária (REsp 231.739/SC, Min. João Otávio de Noronha, 2ª Turma, DJ 12.09.2005; REsp 676.627/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ 09.05.2005, REsp 324178/PR, 1ª Turma, Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª Turma, Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). 2. Recurso especial a que se nega provimento E ainda; RECURSO ESPECIAL Nº 676.627 PR (2004/01092736) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : CIMENTO RIO BRANCO S/A ADVOGADO : JOSÉ CARLOS BUSATTO E OUTRO RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS PROCURADOR : ADILSON LUIZ BOHATCZUK E OUTROS EMENTA PREVIDENCIÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. VERBAS CREDITADAS A TÍTULO DE AUXÍLIO EDUCAÇÃO E AUXÍLIO MATRIMÔNIO. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, o auxílioeducação é pago pela empresa em forma de reembolso das mensalidades da faculdade, cursos de línguas e outros do gênero, destinados ao aperfeiçoamento dos seus empregados. Precedentes: REsp 324178/PR, 1ª T., Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS 1ª T., Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10865.003966/200848 Acórdão n.º 2401002.774 S2C4T1 Fl. 1.706 7 Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS 1ª T., Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002. 3. O auxílio matrimônio, fornecido uma única vez ao empregado, por ocasião de suas primeiras núpcias, não integra o saláriode contribuição, porquanto ausente a habitualidade do seu pagamento. 4. Recurso Especial provido. Desta forma, ainda que a recorrente apele para o caráter social do fato gerador em comento, a legislação e a jurisprudência não tem corroborado com tal entendimento. Logo houve a infração ao disposto no art. 32, IV, da Lei 8212/91 No que se refere a multa, temos que no presente caso a decisão de primeira instância foi no sentido da aplicação da retroatividade benéfica ao contribuinte para a aplicação da multa conforme a Lei 11.941/2009, o que deve ser mantido, não merecendo acolhimento os argumentos recursais. Ante ao exposto conheço do recurso e negolhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10580.002507/98-91
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1995
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA JULGAR EM PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A competência para julgar manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pedido de compensação é do mesmo órgão que detém a função de julgar o direito à respectiva restituição, cujo pedido fora cumulado com o de compensação. A recusa de julgamento da manifestação de inconformidade oposta pelo sujeito passivo cerceia-lhe o direito de defesa, razão pela qual deve ser anulada, devendo o órgão julgador de primeira instância proceder a uma outra decisão, na boa forma da lei. Processo anulado.
Numero da decisão: 9303-002.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo, de ofício, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1995 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA JULGAR EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. A competência para julgar manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pedido de compensação é do mesmo órgão que detém a função de julgar o direito à respectiva restituição, cujo pedido fora cumulado com o de compensação. A recusa de julgamento da manifestação de inconformidade oposta pelo sujeito passivo cerceia-lhe o direito de defesa, razão pela qual deve ser anulada, devendo o órgão julgador de primeira instância proceder a uma outra decisão, na boa forma da lei. Processo anulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo, de ofício, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto. HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 179 1 178 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.002507/9891 Recurso nº 224.778 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303002.157 – 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2012 Matéria Normas Processuais matéria não enfrenta pela decisão de primeira instância. Recorrente ACRINOR ACRINOLITRILA DO NORDESTE S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1995 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA JULGAR EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. A competência para julgar manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu o pedido de compensação é do mesmo órgão que detém a função de julgar o direito à respectiva restituição, cujo pedido fora cumulado com o de compensação. A recusa de julgamento da manifestação de inconformidade oposta pelo sujeito passivo cerceialhe o direito de defesa, razão pela qual deve ser anulada, devendo o órgão julgador de primeira instância proceder a uma outra decisão, na boa forma da lei. Processo anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo, de ofício, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 25 07 /9 8- 91 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido. Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 07/13, quanto à Decisão do Delegado da Receita Federal em Salvador, Parecer n.° 767/98 (fl. 05), que indeferiu o pedido de compensação do crédito presumido de IPI com débitos de terceiros, no valor de R$ 17.032,55, relativo à parcela do ressarcimento total de R$ 770.222,37, que fora deferido à interessada através do Parecer 180/97 — SESIT (fotocópias de fls. 02/04). A DRF/Salvador BA mencionou ser impossível a utilização do crédito presumido do IPI relativo a períodos anteriores a I° de janeiro de 1997 para compensação com débitos vincendos, citando a Decisão SRRF/5' RF n.° 05/98, proferida pela Divisão de TributaçãoDISIT da Superintendência da Receita Federal na 5' Região Fiscal. A contribuinte foi cientificada do Parecer n.° 767/98 em 05/08/98 (fl. 05), e irresignada apresenta a Manifestação de Inconformidade de fls. 07/13, alegando, em síntese: 1. o exercício do direito à compensação poderá ser imediato, conforme interpretação do disposto no art. 13, § 3°, alínea "c", da IN SRF n°21/97, levandose em conta a data do vencimento do débito que será objeto de compensação; 2. a exigência da autoridade é infundada, ao pretender que a contribuinte aguarde o deferimento do pedido de ressarcimento para, após, iniciar o procedimento da compensação; 3. é necessário que se considere a data do vencimento dos débitos, e não da autorização dos ressarcimentos, porque (i) a decisão que aprova o ressarcimento é declaratória e não constitutiva do direito, (ii) a compensação é modalidade de extinção resolutória e (iii) o reconhecimento do direito de ressarcimento e de compensação encerra um poderdever ao Estado, inegável se preenchidos os pressupostos legais, como no caso concreto; 4. a data do exercício do direito de compensação prevalece juridicamente, pois está na vigência da IN SRF n.° 21/97, e não a data originária do crédito ressarcível, em razão, dentre outros, da aplicação do princípio da legalidade; 5. a restrição pretendida implica verdadeira criação de "empréstimo compulsório" disfarçado; 6. no presente caso também é aplicável, entre a data do pedido de ressarcimento e a compensação efetivada, a correção monetária do valor, do crédito da contribuinte, pois não Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303002.157 CSRFT3 Fl. 180 3 representa acréscimo de valor, mas somente a recomposição do crédito corroído pela inflação; e 7. finaliza requerendo que a compensação seja efetivada, pois todos os requisitos legais foram atendidos, devendo a compensação ser processada. A DRJ em Recife/PE manteve o indeferimento, pela fundamentação já exposta. Decidindo o feito, o Colegiado recorrido negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: IPI.. CRÉDITO PRESUMIDO_ COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS_ IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do IPI, quando relativo a período anterior a 1° de janeiro de 1997, não pode ser utilizado para compensação com débitos vincendos de outro contribuinte. Recurso ao qual se nega provimento. Inconformado, o sujeito passivo apresentou embargos de declaração sob alegação de omissão a qual teria incorrido o Colegiado. Os declaratórios foram rejeitados nos termos do acórdão de fls. 136/137. Ainda inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso especial pugnando pela reforma do acórdão vergastado para que lhe seja reconhecido o direito à compensação pleiteada. Contrarrazões vieram às fls. 168 a 170. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Antes de adentrar na controvérsia sobre o direito pretendido pela recorrente, entendo que se faz necessário analisar higidez das decisões precedentes, e o faço pelas razões seguintes: A decisão de primeira instância deixou de analisar o pedido de compensação formulado pela reclamante, por entender que tal mister não estava na competência das Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Delegacias de Julgamento. Para fundamentar a decisão, o julgador de primeira instância argumentou que: A Portaria SRF nº 4.980, de 1994, que autorizava a apreciação dessa matéria, nas DRJs, foi revogada pelo art. 3º da Portaria SRF nº 436, de 28 de março de 2002, sem convalidar as competências materiais das DRJs, o que leva à convicção inexorável de que as citadas unidades deixaram de deter competência para julgar manifestação de inconformidade relativa a compensação, porque essa matéria não consta no rol de competências materiais existente no art. 203, I, do vigente Regimento Interno da SRF, e tampouco em norma complementar editada pelo Secretario da Receita Federal. No caso de que se cuida, como já foi visto, o direito ao ressarcimento do crédito de IPI foi reconhecido pela autoridade administrativa, não havendo qualquer litígio nesse aspecto, tendo sido negada, tãosomente, a compensação na forma pleiteada pela requerente, de forma que resta o reconhecimento de incompetência desse órgão colegiado para análise de questões estritamente atinentes à compensação que não envolvam o reconhecimento de direito creditório. Desta decisão o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, onde, dentre outros fundamentos, alegou a nulidade da decisão de primeira instância, postulando, ao final que tal nulidade fosse superada, caso, no mérito, o recurso fosse provido, do contrário, requereu a anulação do acórdão recorrido. No julgamento em segunda instância, o voto condutor do acórdão passou ao largo dessa preliminar, o que levou a recorrente a opor embargos de declaração para que essa omissão fosse suprida. Todavia, o Colegiado, no julgamento dos declaratórios, em decisão lacônica, os rejeitou, sob os fundamentos a seguir transcritos. Conheço dos embargos, por tempestivos, para rejeitálos, por inexistir omissão que mereça reparo. 0 que deseja a embargante é o rejulgamento de seu recurso, o que é inadmissível, pelo menos nesta via escolhida. Pelo principio do livre convencimento motivado, não há omissão alguma a ser sanada, pois o julgador não é obrigado a apreciar todos os argumentos expostos pelo interessado, se há outro(s) tanto(s) que fulmine(m) sua pretensão. Contra esse acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial onde deixa de lado a preliminar e centrase no mérito de seu pedido, o direito à compensação. Da análise dos fatos acima narrados, verificase uma série de erros que precisam aqui ser corrigidos. Inicialmente, devese reconhecer a nulidade insanável do acórdão recorrido, pelas razões que se declina linhas abaixo, mas também da decisão de primeira instância, que igualmente, padece desse vício. De fato, o acórdão recorrido incorreu em 3 vícios que os tornam nulo de pleno direito, o primeiro deles, diz respeito a analise de recurso versando sobre matéria que não foi enfrentada na decisão de primeira instância. Esse fato, de per si, afasta a possibilidade de o Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10580.002507/9891 Acórdão n.º 9303002.157 CSRFT3 Fl. 181 5 Colegiado conhecer do recurso, nessa parte, pois a este faltaria um dos requisitos essenciais de admissibilidade, o préquestionamento; O segundo vício do acórdão recorrido, ainda no campo da admissibilidade, diz respeito à competência para exame da matéria recorrida, isso porque, o órgão julgador de segunda instância tem sua competência fixada, no caso concreto, pela devolutividade do recurso, e essa não ocorre se o órgão julgador de primeira instância não enfrentou a matéria por entender lhe faltar competência para esse mister. Ora, nas instâncias ordinárias, não existe possibilidade de ao órgão julgador a quo falecer competência e o ad quem detêla. Caso contrário, a instância estaria exercendo a função de primeira instância julgadora, o que,absolutamente, não é o rito estabelecido no Decreto 70.235/1972. Por derradeiro, não bastassem essas nódoas a macular o acórdão recorrido, em outro equívoco incorreu o Colegiado recorrido, o Colegiado haver deixado de se pronunciar sobre questão ventilada no recurso voluntário, qual seja, a nulidade da decisão de primeira instância. Aqui não se estar a dizer que o órgão julgador deveria ter anulado a decisão impugnada, mas teria que ter respondido, fundamentadamente, os motivos que o levaram a não acatar a preliminar suscitada pela defesa. Aliás, mesmo sendo provocada a se manifestar sobre tal omissão, em embargos apresentados, tempestivamente, a Câmara Recorrida, mais uma vez foi omissa e não fundamentou, adequadamente, as razões para deixar de apreciar a preliminar suscitada pela defesa em seu recurso voluntário. Esse procedimento equivocado ocasionou sério prejuízo à defesa. Assim, não há como deixar de se reconhecer a nulidade do acórdão recorrido. De outro lado, a decisão de primeira instância também incorreu em vício insanável de nulidade, ao deixar de apreciar a compensação pleiteada pelo sujeito passivo, sob alegação de falecer competência às Delegacias da Receita Federal de Julgamento para examinar manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedido de compensação que fora cominado com o de ressarcimento ou restituição. Primeiramente, devese ter em mente que a compensação de tributos é uma das formas ou melhor dizendo, é a principal forma de se materializar proceder ao ressarcimento ou à restituição. Com isso, não faz o menor sentido, atribuir competência ao um órgão para examinar a correção da restituição ou do ressarcimento, e suprimirlhe a função de verificar se o procedimento utilizado para ressarcir ou restituir estava correto. Ora, se ao sujeito passivo era dado o direito de cumular pedidos de compensação aos de restituição ou de ressarcimento, e tais pedidos são controlados nos mesmos autos, seria absurdo entender que, ao órgão julgador era dado, apenas, competência para examinar parte da controvérsia, e parte não. De outro lado, a Portaria nº SRF nº 4.980, de 1994, conferia, expressamente, competência às DRJs para apreciação da matéria, posteriormente, esse ato normativo foi revogado pelo art. 3º da Portaria SRF nº 436, de 28 de março de 2002, que não convalidou expressamente as competências materiais das DRJs, e o novo Regimento foi omisso quanto à competência das DRJs para julgar essa matéria. Acontece, porém, que a compensação, no mínimo, desde da edição dessa Portaria SRF nº 4.980/1994, vinha sendo julgada no rito do PAF, e este não foi alterado, cabendo competindo às Delegacias de Julgamento o exame da primeira instância julgadora, e aos antigos Conselhos de Contribuintes julgar em segunda instância. Aliás, em todos os regimentos internos dos Conselhos, sempre existiu a competência para examinar as decisões de primeira instancias que versassem sobre compensação. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Aqui, voltase a repetir, não há competência para a instância ad quem se essa não for conferida, também, a a quo. Do contrário, estarseia criando situação em que a instância revisória funcionaria como primeira instância, o que, obviamente, subvertese o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/1972. Ademais, na data em que foi interposta a manifestação de inconformidade, que o sujeito passivo denominou de recurso, vigia, plenamente, a Portaria SRF nº 4.980/1994, que dava competência expressa ao órgão julgador de primeira instância para examinar tal matéria. Assim, por qualquer ângulo que se espie, a delegacia de julgamento não poderia haver deixado de enfrentar a compensação objeto destes autos. Assim, a decisão que formalizou a negativa da prestação “jurisdicional” padece de nulidade, por haver cerceado o direito de defesa do sujeito passivo. Diante de todo o exposto, e considerando a nulidade do acórdão recorrido, e, também, da decisão de primeira instância, por medida de economia processual, deve ser anulado o acórdão recorrido, e, também, a decisão de primeira instância, e, por consequência. todos os atos posteriores, dela decorrentes. Com essas considerações, voto por anular, de ofício, a decisão de primeira instância, e todos os demais atos dela decorrentes, determinando ao órgão julgador competente para que proceda nova decisão, na boa forma da lei. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/02/ 2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000170/2006-01
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO.
O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer uma área de preservação permanente de 627,00 ha.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer uma área de preservação permanente de 627,00 ha. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer uma área de preservação permanente de 627,00 ha. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 26/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 70 /2 00 6- 01 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000170/200601 Acórdão n.º 2102002.452 S2C1T2 Fl. 61 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra ARMANDO LUIZ MALAN DE PAIVA CHAVES foi lavrado Auto de Infração, fls. 08/12, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Ribeirão Bonito, com área total de 713,1 ha (NIRF 3.603.9969), relativo ao exercício 2002, no valor de R$ 12.650,93, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 29/09/2006. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão da glosa total das áreas de preservação permanente e de reserva legal, conforme quadro a seguir: ITR 2002 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 627,0 ha 0,0 ha 03Área de Utilização Limitada 15,0 ha 0,0 ha Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 17/20, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/REC nº 1125.010, de 22/12/2008, fls. 34/39. Cientificado da referida decisão, por via postal, em 19/03/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 42, o contribuinte apresentou, em 14/04/2009, recurso voluntário, fls. 45/57, trazendo as seguintes alegações: que os procedimentos adotados pelo recorrente, por ocasião da elaboração das Declarações do ITR, sempre estiveram em obediência às instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal, especialmente quanto à inexigibilidade de apresentação do ADA, referente aos exercícios até 2002, visto que o imóvel já vinha sendo incluído nas Declarações dos anos anteriores, e não teve a área de interesse ambiental alterada. que o recorrente não estava obrigado a apresentar o ADA, referente ao exercício 2002, pois tal exigência não estava prevista no Manual de Preenchimento do ITR, por tratarse de imóvel já declarado em anos anteriores. que o ADA apresentado posteriormente comprova que a área de preservação permanente já existia nos exercícios anteriores. que o recorrente ingressou com ação judicial sobre a mesma matéria, relativamente ao exercício 2001, e obteve o deferimento da tutela antecipada, que determinou à União que se abstenha de promover a cobrança dos débitos em discussão na demanda judicial. É o Relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000170/200601 Acórdão n.º 2102002.452 S2C1T2 Fl. 62 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, cumpre dizer que a decisão judicial proferida no pedido de tutela antecipada mencionada pelo contribuinte em seu recurso somente abarca os débitos em discussão na referida demanda. Ou seja, a decisão judicial somente se aplica aos débitos relativos ao exercício 2001, os quais foram questionados no pedido de tutela antecipada, não se podendo admitir que seus efeitos sejam estendidos para o exercício 2002. Dos documentos que compõem o processo, verificase que cuidase de glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal em razão da apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e, no caso da área de reserva legal, também, em função da falta da averbação da respectiva área à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Vêse, portanto, que a glosa da área de preservação permanente se deu tão somente em função da apresentação intempestiva do ADA. Ocorre que esta Turma vem consolidando o entendimento de que a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Nesse sentido, temse voto proferido no Acórdão 210200.528, de 14/04/2010, do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que fez brilhante estudo da questão, cuja conclusão abaixo se transcreve: Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. De fato, o prazo de até seis meses para a apresentação do ADA, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR, somente veio a ser fixado na Instrução Normativa SRF nº 43, de 7 de maio de 1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 67, de 1 de setembro de 1997. Tal prazo permanece nas redações das Instruções SRF nºs 73, de 18 de junho de 2000, 60, de 6 de junho de 2001 e 256, de 11 de dezembro de 2002, que posteriormente foi alterada pela Instrução Normativa RFB nº 861, de 17 de julho de 2008, de sorte que o referido prazo deixou de existir, conforme se infere da atual redação do parágrafo 3º do art. 9º da IN SRF nº 256, de 2002: § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 17883.000170/200601 Acórdão n.º 2102002.452 S2C1T2 Fl. 63 4 I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) observada a legislação pertinente; (Redação dada pela IN RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VIII do caput em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR, observado o disposto nos arts. 10 a 14A. (Redação dada pela IN RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) No presente caso, verificase a existência de ADA, fls. 22, protocolado em 15/09/2005, onde se encontra declarada a existência de área de preservação permanente de 627,0 ha. Logo, devese reconhecer para fins de cálculo do imposto devido 627,0 ha de área de preservação permanente. Já no que se refere à área de reserva legal a legislação de regência (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, §8º, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º e Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, §1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º) determina duas condições para que o contribuinte usufrua do benefício fiscal: a apresentação do ADA e a averbação da respectiva área à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Contudo, no presente caso, a área de reserva legal não está contemplada no ADA, fls. 22, no qual somente se encontra declarada a área de preservação permanente, tampouco, foi averbada à margem da matrícula do imóvel, conforme se infere da certidão do imóvel, fls. 23/24. Nestes termos, deve ser mantida a glosa da área de reserva legal de 15,0 ha. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer uma área de preservação permanente de 627,00 ha. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16327.000211/2006-01
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002, 2003
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. RECEITAS FINANCEIRAS.
Por ter natureza de ato cooperativo típico, o resultado de receitas financeiras decorrentes de aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito, não se sujeita a Contribuição da COFINS.
Numero da decisão: 1803-001.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE SÃO PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. RECEITAS FINANCEIRAS. Por ter natureza de ato cooperativo típico, o resultado de receitas financeiras decorrentes de aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito, não se sujeita ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. RECEITAS FINANCEIRAS. Por ter natureza de ato cooperativo típico, o resultado de receitas financeiras decorrentes de aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito, não se sujeita a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002, 2003 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. RECEITAS FINANCEIRAS. Por ter natureza de ato cooperativo típico, o resultado de receitas financeiras decorrentes de aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito, não se sujeita a Contribuição para o PIS/PASEP. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. RECEITAS FINANCEIRAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 11 /2 00 6- 01 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 176 2 Por ter natureza de ato cooperativo típico, o resultado de receitas financeiras decorrentes de aplicações financeiras realizadas por cooperativas de crédito, não se sujeita a Contribuição da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório C.E.C.M. COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE SÃO PAULO, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SÃO PAULO/SP I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação de fls. 09/10, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, referente aos anoscalendário de 2002 e 2003, a Fiscalização relata o seguinte: Tendo sido intimada, a empresa apresentou demonstrativo de receitas de atos cooperativos, e atos não cooperativos, que são aplicações financeiras junto às instituições financeiras, no caso Banco do Brasil, Banespa e Unibanco, que não estão declaradas nas declarações de IRPJ entregues à Secretaria da Receita Federal, dos exercícios de 2003 (anobase de 2002) e de 2004 (anobase de 2003); Que tendo a empresa realizado aplicações financeiras junto a várias instituições financeiras, não cooperativas, o que indica que são atos não cooperados e, portanto, fora da denominação Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 177 3 de atos cooperativos, citados pelo artigo 79 da Lei n°5.764/71, temse assim, que os atos que envolvam a cooperativa e outra pessoa não associada, no nosso caso, um banco, estão fora da definição de atos cooperativo, conforme o artigo 183 do RIR/99 o que faz com que se sujeitem a incidência da norma tributária, as aplicações financeiras no mercado financeiro, efetuadas pelas cooperativas, por não constituírem negócios jurídicos vinculados à finalidade básica dos atos cooperativos. Desta forma, então, é de se lançar de oficio o crédito tributário não declarado em questão, conforme abaixo relacionamos: Período Receitas Financeiras de atos não cooperativos 12/2002 R$137.436,63 12/2003 R$195.981,14 Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 17/02/2006 foram lavrados os Autos de Infração: (i) Imposto de RendaPessoa Jurídica (fls.11/14 e 16); (ii) Contribuição para o Programa de Integração Social (fls.15, 17/19); (iii) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls.20/23); (iv) Contribuição social Sobre o Lucro Líquido (fls.24/28), com os valores a seguir discriminados: Demonstrativo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls.11). Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ IRPJ Art. 24 da Lei n°9.249/95; art. 249, inciso II, 50.012,66 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288, do RIR/99. Juros de Mora (calculados até Art. 61 § 2°, da Lei n° 9.430/96. 20.652,08 31/01/2006) Multa de Oficio (75%) Art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. 37.509,48 TOTAL 108.174,22 Demonstrativo do PIS (fls.15). Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ PIS Art. 24 § 2° da Lei n°9.249/95; art. 2° alínea "a" 2.167,20 e parágrafo único, 3° 10, 26, 51 e 91 do Decreto n°4.524/02. Juros de Mora (calculados até Art. 61 § 2°, da Lei n° 9.430/96. 894,91 I 31/01/2006) Multa de Oficio (75%) Art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. 1.625,39 TOTAL 4.687,50 Demonstrativo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls.22). Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ COFINS Art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3° 10, 22, 11.962, arts. 33, 51 e 91 do Decreto n°4.524/02; Art. 18 da Lei n°10.684/03. Juros de Mora (calculados até Art. 61 § 2°, da Lei n° 9.430/96. 4.774,40 31/01/2006) Multa de Oficio (75%) Art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. R$ 8.971,74 TOTAL 25.708,47, Demonstrativo da Contribuição Social (fls. 27) Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 28 da Lei n° 30.007,59 9.430/96; art. 7° da MP 1.807/99 e reedições; i art. 6° da MP 1.858/99 e reedições. Juros de Mora (calculados até Art. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 178 4 61, §3°, da Lei n° 9.430/96. 12.391 ,23 31/01/2006) Multa de Oficio (75%) Art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. R$ 22.505,68 TOTAL 64.904,50, DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.31/40, protocolizada em 17/03/2006, acompanhada dos documentos de fls. 41/91, expondo, em síntese, que: 1. Na situação específica das cooperativas de crédito que têm como objeto estatutário proporcionar, pela mutualidade, a assistência financeira aos associados, fomentando a circulação creditícia, entendese que as mesmas não estão obrigadas ao recolhimento de impostos. 1.1. As cooperativas de crédito, referendadas pelo Estatuto Social, demonstram de forma contundente e sob o manto constitucional e legal que, ao praticarem sua atividade essencial, integrada pelos denominados atos cooperativos, não auferem lucros, rendas ou receitas. 1.2. As receitas e as despesas, na verdade, são dos cooperados (associados), assim como o eventual resultado positivo obtido pela cooperativa é sobra, dividida na proporção dos serviços usufruídos de cada associado. 1.3. Exigese que as cooperativas trabalhem com uma margem de segurança para não ficarem produzindo somente perdas. Daí, no cooperativismo, surge a sobra e, caso o resultado seja negativo, criase a perda. Sobra não é o objetivo da cooperativa, mas uma decorrência necessária. 1.4. A sobra ou a perda que ocorra na cooperativa é uma mera inadequação entre o custo dos serviços ou produtos e o valor recebido por estes. Não há o objetivo de lucro ou mesmo o de sobras, pois a cooperativa visa atingir seu objetivo de prestar serviços ao preço exato de seu custo. 2. Do ponto de vista do princípio da igualdade, as sociedades cooperativas não devem ter o mesmo tratamento fiscal das sociedades comerciais, pois pessoas jurídicas como as cooperativas de crédito só praticam atos cooperativos, que não realizam a hipótese de incidência dos tributos exigidos pela União Federal, que são, por conseguinte, indevidos. 3. A equiparação das cooperativas de crédito às instituições financeiras pelo artigo 22, parágrafo 1°, da Lei 8.212/91 resulta em dupla ofensa ao princípio da isonomia, em face dos artigos 5° e 150, inciso II, da CF, já que se verifica tratamento desigual a iguais (cooperativas de crédito tratadas de forma diferentes das demais cooperativas) e tratamento igual a desiguais (cooperativas de crédito tratadas da mesma forma que bancos e congêneres). Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 179 5 4. Em atenção às especificidades das cooperativas de crédito, vem sendo firmada posição no Judiciário no sentido de que todas as aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito, inclusive em entes não cooperativos integram o denominado ato cooperativo, consoante julgados do STJ e do Conselho de Contribuintes. A CONCLUSÃO Por tudo o que já se viu e frente aos documentos apresentados, espera e requer a impugnante que seja acolhida apresente IMPUGNAÇÃO para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito reclamado e seus reflexos. A DRJ SÃO PAULO/SP I, através do acórdão nº 1621.412, de 18 de maio de 2009 (fls. 95/104), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 Ementa: COOPERATIVA. CONCEITO DE SOBRA. O fato de a lei do cooperativismo denominar a mais valia de "sobra" não tem o intuito de excluíla do conceito de lucro, mas permitir um disciplinamento específico da destinação desses resultados (sobras), cujo parâmetro é o volume de operações de cada associado, enquanto o lucro deve guardar relação com a contribuição do capital (Lei n 6.404, de 1976, art. 187). APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM INSTITUIÇÕES NÃO COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não se caracterizam como atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido pela cooperativa nessas aplicações. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EQUIPARAÇÃO COM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. OFENSA À ISONOMIA. MATÉRIA FORA DA COMPETÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS1 JULGADORAS. A alegação de ofensa ao princípio constitucional de isonomia cometida por dispositivo legal que equipara cooperativas de crédito com instituições financeiras constitui matéria cuja apreciação foge à competência das instâncias julgadoras administrativas, às quais cabe aplicar as leis vigentes aos casos concreto detendo poderes para afastálas por pretensos vicios de inconstitucionalidade, o que é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO DO PIS, COFINS E CSLL. O resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras deve ser tributado pelo PIS, COFINS e CSLL. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 180 6 Ciente da decisão em 13/07/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 107), apresentou o recurso voluntário em 11/08/2009 fls. 108/122, onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de autos de infração IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrados em virtude de não oferecimento à tributação de resultados de atos não cooperativos (aplicações financeiras), auferidos por cooperativa de crédito nos anos calendários 2002 e 2003. Alega a recorrente em síntese, de que por ser cooperativa de crédito as receitas decorrentes de aplicações financeiras, não se sujeitam a qualquer tipo de tributação, por decorrerem de atos cooperativos. Entendo que assiste razão à interessada. Com efeito, registro inicialmente o deficiente método empregado para a tributação das receitas e da precária instrução processual realizada pela autoridade fiscal o que já determinaria em grande parte a impossibilidade de manutenção do lançamento de ofício. No que tange ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social s/Lucro Líquido se impunha a apuração e demonstração do lucro real e base de cálculo da CSLL, a partir dos resultados (lucros ou sobras), sem o que não é possível aferir a base imponível dessas exações. Também com relação às contribuições do PIS e COFINS seja pela base de cálculo anual utilizada e a total ausência de comprovação de onde os valores foram extraídos, comprometem sobremaneira a aferição da exatidão e legalidade do lançamento. No entanto, com relação a matéria de fundo, não restam dúvidas de que o lançamento de ofício não merece prosperar. Com efeito, se para as sociedades cooperativas em geral até o presente momento, as receitas financeiras tem natureza de atos não cooperativos (Súmula 262 do STJ), para as cooperativas de crédito tal não ocorre devendo ser considerados atos cooperativos típicos. Tal constatação decorre que a captação de recursos e sua aplicação da forma mais rentável ocorre em nome e em favor dos associados da cooperativa de crédito, sendo atos Fl. 196DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 181 7 inequivocamente ligados a atividade para a qual a sociedade cooperativa foi constituída, com fulcro no art. 79 da Lei nº 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria (grifei). Portanto não se trata de afastar qualquer norma tributária que em tese determina a tributação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS mas tão somente considerar como ato cooperativo e não sujeito a qualquer tributação, com base na Lei especial nº 5.764/71, as receitas financeiras auferidas por cooperativa de crédito. O CARF tem adotado este entendimento, conforme decisão da CSRF (Ac. 910100.626, de 06/07/2010) cuja ementa e voto condutor da lavra da ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, não deixam margem a qualquer dúvida: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercícios: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS, ATOS COOPERATIVOS, NÃO TRIBUTAÇÃO. A efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação. (Precedentes do STJ) (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) Voto Conselheira VIVIANE VIDAL WAGNER Presentes os pressupostos recursais, o recurso é de ser conhecido. Os limites da lide ora cingemse à tributação do resultado das aplicações financeiras no mercado, caso se configurem tais operações como ato cooperado, ou não. A Lei n.° 5364/71, ao tratar da Política Nacional de Cooperativismo, define a forma de tributação das cooperativas e estabelece a incidência de tributação sobre as receitas derivadas de atos não cooperativos. Dispõem os artigos 85, 86, 87 e 111 da Lei n.° 5364/71, litteris: (...) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 182 8 As cooperativas de crédito assumem uma das formas permitidas pelo art. 5º da Lei nº 5.764/71, subordinandose supletivamente às diretrizes fixadas pelo Conselho Monetário Nacional, consoante o disposto no art. 10.3 da mesma lei. Apesar disso, sua forma de tributação é especial e não pode ser simplesmente equiparada à das instituições financeiras, pois não descaracteriza a sua natureza de cooperativa o objetivo de ofertar crédito aos seus cooperados. A tributação deve atingir apenas atos não cooperativos e, neste ponto, é assente a posição deste Colegiado. A questão específica do presente recurso referese ao correto enquadramento do resultado das aplicações financeiras realizadas pela cooperativa com os recursos disponíveis. O acórdão recorrido adotou a posição firmada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que as receitas de aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito não são tributáveis por caracterizarem atos cooperativos. Do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.057.481 — CE (2008/1048520), de relatoria do Ministro Francisco Falcão, que trata da incidência do PIS e da Cofins, se extrai a seguinte fundamentação, verbis: “(...) Também remanesce pacificado o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não auferem lucro, porquanto as despesas e os resultados são divididos entre seus cooperados. Esse entendimento está consagrado em inúmeros precedentes desta Corte, a exemplo dos que se seguem REsp nº 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004, p, 282, AgRg no REsp nº 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; AgRg nos EDcl no Ag 980095/SP, Rel. Min.. LUIZ FUX, Dje de 29/09/2008, este último assim ementado, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO, AGRAVO REGIMENTAL, RECURSO ESPECIAL. PIS, COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS (...) 10. A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. (...) 12. Outrossim, a Primeira Seção, no julgamento do REsp 591298/MG, Relator para o acórdão o Ministro Castro Meira, sessão de 27 de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 183 9 outubro de 2004, firmou o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não são passíveis de incidência tributária, uma vez que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados, constituem atos cooperativos. 13. A intributabilidade pelo PIS do ato cooperativo alcança todas as aplicações financeiras, conducentes à consecução dos objetivos sociais das cooperativas. 14. Agravo regimental desprovido, (grifei). No mesmo sentido: EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611217 / MG EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2003/02138920 Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 20/10/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 04/11/2009. Ementa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação.” Essa orientação ainda pode ser confirmada em julgado recente da Segunda Turma daquele Egrégio tribunal no AgRg no AgRg no REsp 717126 / SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, julgado em 09/02/2010, abaixo transcrito: “Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos— assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais — não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito — incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 184 10 financeiras no mercado —constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados (...).” Diante da firme orientação jurisprudencial emanada da Corte judicial competente, em que pese não vinculante, e em homenagem ao princípio da economia processual e à segurança jurídica, a instância administrativa deve trilhar o mesma caminho, considerando não tributáveis os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito, porque enquadrados como atos cooperados. Isto posto, nego provimento ao recurso especial” No mesmo sentido, os julgados contidos nos REsp 611.217/MG, 718.001/MG e 717.126/SC, nos quais o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, reafirma a intributabilidade das receitas financeiras auferidas pelas cooperativas de crédito, não se fazendo distinção se auferidas pela cobrança de empréstimos à associados ou de recursos captados de associados e aplicados no mercado financeiro nacional. Por outro turno, o Supremo Tribunal Federal tem recusado sistematicamente a apreciação de Recursos Extraordinários de processos que tenham sido julgados pelo Superior Tribunal de Justiça, com fundamento na Lei nº 5.764/71, no que tange a tributação de receitas financeiras auferidas por cooperativas de crédito entendendo que a matéria tem nítido caráter infraconstitucional, fazendo com que as decisões do STJ sejam definitivas no âmbito das cortes superiores. De se notar por derradeiro, que de acordo com a Resolução nº 3.106/2003, do Banco Central do Brasil, a cooperativa de crédito somente pode realizar operações de crédito ou captação de recursos com associados, cabendo qualquer prova em contrário à autoridade fiscal. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 185 11 Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Divergi do Ilustre Relator por entender cabível, sim, a tributação de aplicações financeiras efetuadas por cooperativas de crédito. Fundamentando esse meu entendimento, transcrevo excerto do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) nº 5.348, de 5 de dezembro de 2005, como segue: O dissenso trazido neste recurso especial de divergência versa sobre a legalidade da a incidência de imposto de renda sobre aplicações financeiras realizadas por sociedades cooperativas de crédito. A divergência situase exatamente na natureza desses atos realizados pela Cooperativa, se estão enquadrados como atos cooperativos ou não. A decisão recorrida entendeu procedente a exigência por entender que a aplicação de recursos no mercado financeiro se trata de uma atividade estranha aos objetivos sociais das sociedades cooperativas, devendo ser submetida a tributação. Enquanto o acórdão paradigma teve entendimento diverso, considerando essa aplicação financeira um ato cooperativo. O recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Como se sabe as sociedades cooperativas gozam de tratamento especial e mais benéfico em nosso ordenamento jurídico Essa proteção se estende, inclusive, à seara do Direito Tributário, com a concessão de isenção/não incidência de tributos. Isso se deve ao consenso que se formou em torno da ideia da necessidade de se incentivar a inserção do trabalhador ou do pequeno produtor no mercado econômico. O Estado, ao facilitar a reunião desses produtores para a exploração conjunta de determinada atividade, permite ganhos em escala para os pequenos empresários e incrementa a competição entre os agentes produtivos, gerando efeitos benéficos a toda sociedade. Nesse contexto, as cooperativas de crédito são formadas para baratear o custo financeiro dos cooperados. Atuam da mesma forma de uma instituição financeira, captando e emprestando recursos dos próprios associados. Negociando também diretamente no mercado financeiro, realizando aplicações de recursos nas instituições financeiras tradicionais, auferindo rendimentos tributáveis e repassando tais recursos a seus cooperados. Essa associação de interesses permite benefícios claros aos cooperados, que conseguem financiar melhor a sua atividade produtiva, eis que obtêm recursos mais facilmente do que se atuassem de forma isolada. Isso se deve à melhor alocação dos recursos ociosos dos cooperados e ao menor custo Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 16327.000211/200601 Acórdão n.º 1803001.507 S1TE03 Fl. 186 12 de captação em razão do aumento do volume de recursos e das garantias (ganhos de escala). A legislação do imposto sobre a renda foi, então, concebida de forma a calibrar a tributação das cooperativas de forma a não tributar as pessoas reunidas em forma cooperativa além do que seriam tributadas isoladamente. Ou seja, o fato de se reunirem em sociedade e transferirem recursos e produtos entre si, internamente à cooperativa, não geraria nenhum excedente de tributação do imposto. Assim, as cooperativas seriam tributadas de forma equânime com as demais empresas lucrativas do mercado e seriam protegidas em suas operações internas com seus associados. Nessa trilha de raciocínio, quando as cooperativas aplicam seus excedentes em outras instituições financeiras, devem ser tributadas da mesma forma que qualquer outro agente econômico. Do contrário, a tributação não seria neutra e incentivaria a formação de sociedades cooperativas apenas por razões de economia de tributo. Ressaltese, por relevante, que a legislação tributária afasta a incidência do imposto apenas nas operações internas da cooperativa (atos cooperados), que se evidenciam quando a sociedade empresta ou remunera seus associados com recursos gerados internamente ou captados no mercado financeiro e repassados aos associados. Os rendimentos obtidos dessa forma são tributados apenas nos beneficiários — cooperados. Nego provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 31/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assi nado digitalmente em 19/10/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10435.000745/2004-54
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2004
Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/05/2000 a 30/11/2002
BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇA APURADA PELO FISCO.
Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF e os tributos devidos com base na escrita contábil e fiscal de contribuinte, procede-se ao lançamento de oficio para exigir a diferença do tributo não declarado, com os encargos legais previstos na legislação, inclusive a multa de 75%.
ESPONTANEIDADE. APRESENTAÇÃO DE DCTF NO CURSO DA AÇÃO FISCAL.
De acordo com o parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional, não podem ser beneficiadas pela espontaneidade as DCTF entregues em atraso, quando o contribuinte se encontra sob fiscalização.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.260
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Walber José da Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2004 Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/05/2000 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇA APURADA PELO FISCO. Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF e os tributos devidos com base na escrita contábil e fiscal de contribuinte, procede-se ao lançamento de oficio para exigir a diferença do tributo não declarado, com os encargos legais previstos na legislação, inclusive a multa de 75%. ESPONTANEIDADE. APRESENTAÇÃO DE DCTF NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. De acordo com o parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional, não podem ser beneficiadas pela espontaneidade as DCTF entregues em atraso, quando o contribuinte se encontra sob fiscalização. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-12-28T13:45:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-12-28T13:45:51Z; Last-Modified: 2009-12-28T13:45:51Z; dcterms:modified: 2009-12-28T13:45:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-12-28T13:45:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-12-28T13:45:51Z; meta:save-date: 2009-12-28T13:45:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-12-28T13:45:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-12-28T13:45:51Z; created: 2009-12-28T13:45:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-12-28T13:45:51Z; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-12-28T13:45:51Z | Conteúdo => S3-C3T2 Fl. 191 MINISTÉRIO DA FAZENDA.p:,-""fi • -~ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10435.000745/2004-54 Recurso n° 141.892 Voluntário Acórdão n° 3302-00.260 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 17 de novembro de 2009 Matéria Falta de Pagamento ou de Declaração de Cofins Recorrente SFT REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida DRJ em Recife -PE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/01/2004 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/05/2000 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. DIFERENÇA APURADA PELO FISCO. Apurado diferença, em procedimento fiscal, entre os tributos declarados em DCTF e os tributos devidos com base na escrita contábil e fiscal de contribuinte, procede-se ao lançamento de oficio para exigir a diferença do tributo não declarado, com os encargos legais previstos na legislação, inclusive a multa de 75%. ESPONTANEIDADE. APRESENTAÇÃO DE DCTF NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. De acordo com o parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional, não podem ser beneficiadas pela espontaneidade as DCTF entregues em atraso, quando o contribuinte se encontra sob fiscalização. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar irprovimento ao recurso, nos t , os do , to do Relator. , , K Uic 1,b , WALBF OSE DA ILVA — Presidente em Exercício e Relator Particii4am do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, José Antonio iFrancisco, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Gileno Gurjão Barreto e Alexandre Gomes. Relatório 1 Contra a empresa SFT REPRESENTAÇÕES LTDA foi lavrado autos de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins de fatos gerados ocorridos entre fevereiro de 2000 e novembro de 2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada pagou ou declarou a RFB valores menores do que os apurados com base nas suas escriturações contábil e fiscal. , Tempestivamente a contribuinte insurge-se contra a exigência fiscal, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no Relatório do Acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRJ em Recife - PE manteve o lançamento, nos termos do Acórdão if 11- 19.281, de 18/062007 (fls. 166/172), rejeitando a preliminar de nulidade do auto de infração e mantendo a diferença apurada sob o fundamento de falta de prova dos erros de fato alegados pela recorrente. Ciente da decisão de primeira instância em 28/06/2007, fl. 177, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 20/07/07, no qual repisa os argumentos da impugnação a seguir sintetizados: 1- para autuar, o Fisco valeu-se de dados "extraídos aleatoriamente dos registros fiscais" da recorrente, o que torna impreciso o valor e a definição do PIS e da Cofins; 2- a Taxa Selic não foi instituída com a fmalidade tributária e,portanto, não serve para calcular os juros de mora; 3- os valores lançados já haviam sido incluídos nas DIRPJ/DIPJ, suficientes para a Fazenda Nacional promover a execução fiscal; 4- fez a apresentação regular, apesar de a destempo mas antes da lavratura dos autos de infração, das respectivas DCTF, atendendo a intimação do próprio Fisco, correndo o risco dos débitos serem executados em duplicidade. Estando o lançamento efetuado pela recorrente, o auto de infração está viciado em sua essência, sendo nulo por vício formal; 2 Processo n° 10435.000745/2004-54 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.260 Fl. 192 5- o termo de procedimento fiscal se deu de forma bastante sucinta, comprometendo o direito de ampla defesa, haja vista que faltou dados fundamentais para a elaboração da sua defesa; 6- o Fisco não demonstrou e provou a pertinência absoluta da obrigação fiscal; 7- o Fisco não identificou e nem quantificou com precisão as bases de cálculo mensais dos períodos objeto da atuação; 8- o auto de infração está eivado de inconsistências e erros técnicos absurdos; Na forma regimental, o recurso voluntário foi a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. A empresa recorrente foi autuada em face da apuração de diferenças de PIS e de Cofms realizada com base nas informações prestadas pela recorrente à Fiscalização, acostada às fls. 09/21 e 82/94, nos pagamentos realizados e nos valores declarados em DCTF pela empresa fiscalizada antes do inicio do procedimento fiscal. As informações prestadas pela recorrente sobre as receitas que compõe a base de cálculo do PIS e da Cofms foram conferidas, por amostragem, pela autoridade lançadora (fl. 35), que elaborou os seguintes mapas demonstrativos, para o PIS e para a Cofms, integrante dos auto de infração: 1-Composição da base de cálculo (Apuração Sintética) — fls. 22/24 e 95/99; 2- Apuração de débitos — fls. 25/27 e 100/104; 3- Pagamentos — fls. 28/31 e 105/107; 4- Demonstração da situação fiscal apurada — fls.32/34 e 108/112; e 5- Demonstrativo de apuração — fls. 39/41 e 117/120. Portanto, todas as verificações e apurações foram realizadas a partir das informações prestadas pela recorrente sobre a base de cálculo do PIS e da Cofins e dos pagamentos e confissões de débitos realizadas antes do inicio do procedimento fiscal. Se, no entanto, os valores apresentados à Fiscalização foram "extraídos aleatoriamente dos registros fiscais" pela recorrente, cabe a ela provar que houve erro nas 3 informações prestadas ao Fisco. Se alega mas não prova, não há como acatar a pretensão da recorrente para desconstituir o lançamento por vício formal. • Mais ainda, toda a apuração dos valores das contribuições lançadas foi perfeitamente demonstrada pela fiscalização através dos demonstrativos elaborados e apresentados à autuada. Com relação aos valores informados em DIPJ como disse e fundamentou a decisão recorrida, os mesmo não representam confissão de dívida. Já a confissão de débitos realizadas no curso da ação fiscal não exime a recorrente do pagamento da multa de oficio e muito menos desobriga o seu competente lançamento. Quanto ao valor do principal, claro que a RFB deve tomar providências para não efetuar a cobrança ou a inscrição em dívida ativa da União, em dobro, dos débitos que foram, simultaneamente, objeto deste lançamento de oficio e de declaração em DCTF entregue no curso da Fiscalização, quando estava excluído a espontaneidade da fiscalizada, nos termos do Parágrafo Único do art. 138 do CTN, c/c o § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235/72. Quanto a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa em face da sucinta descrição dos fatos que ensejaram a autuação, entendo que a referida descrição está absolutamente coerente com a singeleza dos fatos que levaram à autuação: a recorrente pagou ou declarou a menor o PIS e a Cofins no período fiscalizado. Só isto e nada mais. Os elementos probantes do delito fiscal apresentados pelo Fisco são contundentes. No entanto, são perfeitamente passíveis de contestação. Cabe à recorrente demonstrar os erros cometidos na apuração da base de cálculo (inclusive os cometidos por ela mesmo ao prestar informações ao Fisco ou efetuar algum pagamento). Se não o faz, não há reparos a fazer no lançamento. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o Segundo Conselho de Contribuinte firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula n2 3 (DOU de 26/09/2007), de adoção obrigatória pelo CARF (§ 4°, do art. 72, do Anexo II, da Portaria MF n° 256/09 1), abaixo reproduzida: "Súmula n°3 - É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais". No mais, com fulcro no art. 50, § 1 11, da Lei n2 9.784/19992, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. 1 § 40 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARI 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (- • .) - § 1° A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Ç‘çá 4 Processo n° 10435.000745/2004-54 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.260 Fl. 193 , , Por tais r õi es, que r i uto suficientes ao deslinde, voto no sentido de negar provimento ao recurso vol tãrio. ç iCtkjii ,,, g ) , WALç E J ç OSt, DA 'LVA ( I , '\, ! ,J , 1 , s
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Numero do processo: 10912.000263/00-27
Data da sessão: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Jan 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, inicia-se na data da publicação da resolução.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.592
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR 'provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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Recurso n.O. Matéria Recorrente Interessada Recorrida Sessão de Acórdão nO : 10912.00p263/00-27 : 202-122931 : RESTITUIÇÃO/COMP PIS : FAZENDA NACIONAL , : AUTO POSTO QUEOPS.L TDA : Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes : 22 de janeiro de 2007 : CSRF/02-02.592' " PIS. RESTITUiÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCtAL. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução. de lei. por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei in,constitucional, inicia-se na data da publicação da resolução. . Recurso especial negadõ. , . , I , ' Vistàs, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior . . de Recursos Fi,scais, por maioria de votos, NEGAR 'provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Antonio Bezerra Neto e Henrique Pinheiro Torres. . . ~. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE MARIATER{:;;;;'INEZLÓPEZ RELATORAYSA FORMALIZADO EM:. 3 O ABR 2007 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: JOSEFA MARIA COELHO MARQUES, GILENO GURJÃO BARRETO, FLAVIO DE sA MUNHOZ e MÁRIO JUNQÜEIRA FRANCO JÚNIOR. Ausente momentaneamente o Conselheiro DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA. , ' Processo n.O Acórdão n.o ,Recurson,o Recorrente Interessada :' 10912.000263/00-27 : CSRF/02-02.592 : 202-122931 : FAZENDA NACIONAL , : AUTO POSTO QUEOPS LTOA. RELATÓRIO' A Fazenda Nacional, por seu procurado~, com fundamento rio art. 32, \ inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos. de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovaqo pel.a Portaria .n° 55, de' 12/03/98, contra decisão majoritária consubstanciada em acórdão da Terceira Câmara. do .Seg~ndo Conselho de Contribuintes interpõe recurso especial a esta Segunda Turma da Câmara Superior de . . . Recursos Fiscais. Inconformada, pois, com a decisão que considerou o prazo - - qüinqüenal de decadência do direito d~ o contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação do PIS, indicando como termo inicial a Resolução do Senado, ao invés da data do pagamento. . redação: A ementa dessa decisão, na parte objeto de recurso, possui a seguinte PIS. PEDIDO DE RESTITUiÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECAD~NCIA. Cabível '0 pleit de restituição/compensação d~ valores recolhidos a maio,r,' a título, de Contribuição para o PIS, nos moldes dos inconstitucionais Decretos-Leis nO2.445 e 2.449, de 1998, sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da Resolução nO49, do Senado Federal. . Recurso provido em parte. Segundo as razões apresentadas pela Fazenda Nacional a r. .câmara diverge, quanto ao pr~o de restituir (decadência) da orientação firmada pela 1.a seção do STJ, ria apreciação do ERESP 423.994/MG, o 'qual determina que o termo a quo conta-se da extinção do crédito tributário, ou seja, o pagamento, com a ressalva de que essa tese não pode reabrir prazos prescricionais superados à luz do CTN. Pede para 2 I I . Processo n,o, : 10912.000263/00-27 Acórdão n.o, : CSRF/02-02.592 que seja restabelecido a dec,isão de Primeira instância administrátiva, por entender que bem aplicou a leg,islação ao caso concreto. ' O' apelo especial, uma vez preenchidos os -requisitos .de , ' ' admissibilidad~, foi ,recebido pelo despacho n°, 202-235 d~ Presidência daquela' Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. A interessada foi devidamente cientificada do Recurso Especial. Às fls. 2420 a 2428 a interessada apresenta as suas co~tra-razões aô recurso ,interposto onde, . _'em síntese e fundamentalmente requer para que não seja conhecido do recurso eis 'que 'a interpretação não fot contrária à lei e sim de interpretação conforme a\ , ' Constituição Federal. No mais, alega que a jurisprudência administrativa é mansa e pacífica quanto ao entendimento adotado pela decisão recorrida. Pede para que seja ( , mantido o Acórdão recorrido. É o Relatório. ..g2. 3 " " . Processo-no° Acórdão n.o : 10912.000263/00-27 : CSRF/02-02.592 ", VOTO Conselheira MARIA TERESA MARTfNEZ L6PEZ, Relatora. O recurso especial da! ~rocuràdoriá Ge~al da Fazenda Nacional pode ser admitido nos termos' do art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55/98, e, portahto, dele tomo conhecimento. Trata-se de pedido de restituição/compensação, datado em 09/10/00 e , ; se reporta a pagamentos efetuados a' maio~, sob a égide dos Decretos Lei 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Conforme ,relatado, o recurso interposto abrange a discussão da contagem do prazo, no meu entender de décadência, para solicitar, a restituição/compensação de tributo pago indevidamente:' Em pri~eiro lugar"reconhecendo a controvérsia" que o tema envolve, ressalvo a minha opinião particular de recor,ihecer,rna 'linha de interpretação do STJ, que os pedidos efetuados' antes da vigência do 'disposto no art. 3° da Lei Complementar nO118/2005 1 devam obedecer aó prazo de 10 anos retroativos' a contar. do pleito 2. \ No entanto, no caso dos autos, entre as duas interpretações' apresentadas - uma pela Fazenda Nacional (5 anos contados do pagamento) e outra a do acórdão recorrido ( 5 anos, indicando como termo inicial a Resolução do Senado, ao 1 "Art. 30 Para efeito de interpretaçãodo,inciso I do art. 168 da Lei nO5.172, de 25 de outubro de 1966 -Código Tributário Nacional,a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamentopor homologação,no momentodo pagamentoantecipadode que trata o ~ 10 do art. 150 da referida Lei 2 O prazo para ao pedido.de restituiçãQ/compensa'çãode indébito é de dez anos a contar do fato gerador do tributo. (Precedentesdo STJ - Embargosde Divergênciano Recurso Especial n. 43S.83S-5C). . .4 @ . \ Pr()cesso n.O Acórdão n.o : 10912.000263/00-27 : CSRF/02-02.592 invés da data do pagamento) curvo-me a esta segunda, por ser particularmente a tese , . . defendida por esta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Invocq, na. linha do acórdão recorrido, a interpr~tação expressa no Acórdão. abaixo do STJ, embora ~tualmente esse' tribunal já tenha alterado sua jurisprudência 3 Observe-se: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS. DECRETOS-LEI 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. TERMO INICiAL. LC N° 7flO. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRAUDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA.IMPOSSIBIUDADE. 1. Não cabe a este Tribunal proceder ao exame de violaçqes à Constituição pela via estreita do recurso especial. 2. Esta Corte Já pacificou o entendimento no sentido de que o termo a quo do lapso prescricional para pleitear a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS é o da Resolução do Senado que suspendeu a execução dos Decretos-Lei nO 2.445/88 e 2.449/88, declarados' inconstitucionais pelo Supremo, Tribunal Federal através do controle difuso. 3. Enquanto não ocorrido o respectivo fato gerador do tributo, não estará sujeita à correção monetária a base de cálculo do PIS apurada na forma da LC 07flO. Entendimento consagrado pela 18 Seção do STJ. .4. Agravo regimental improvido. (Negrito ausente no origina'I). (STJ, 28 Turma, Ag Rg no REsp. nO449.019/PR, ReI. Min. João Otávio Noronha, J. à unanimidade em 20.05.03, DJU de 09.06.03); Penso equivocado O' entendimento de que nos casos de inconstitucionalidade, a data deve ser contada a partir. do pagamento. Cabe lembrar que, administrativamente antes da Resolução, indev,ida era a restituição. Vale registrar que a Coordenação-Geral do Sistema de Tributação da Secre.taria da Receita Federal, através do Parecer COSIT nO58/98, adotou-o o instituto da ~'decadênciaJl com o seguinte esclarecimento: 15 3 posteriormente o STJ passou a interpretar que o prazo para repetição do indébito, na hipótese de lançamento por homologação, é de dez anos a contar do pagamento indevido, independentemente do indébito ser decorrente de inconstitucionalidade de lei () Processo 'n.o Acórdão n:o : 10912.000263/00-27 : CSRF/02-02.592 I . ,6 "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Ementa: RESOLUÇÃO DO SENADO. EFEITOS. A Resolução do Senado que suspende a eficácia de lei declarada inconstitucional pelo STF tem efeitos ex tunc. TRIBUTO PAGO COM BASE EM LEI DECLARADA INCONSTITUCIO- NAL. RESTITUiÇÃO. HiPótESES. . . , Os delegados e inspetores da Receita Federal estão autorizados a restituir tributo que foi pago com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, em ações incidentais, para terceiros não-participantes da ação - como regra geral - apenas após a publicação da Resolução do Senado que suspenda a execução da lei. Excepcionalmente; a autorização pode ocorrer em momento anterior, desde que seja editada lei ou ato específico do Secretário da Receita Federal que estenda os efeitos da declaràção de inconstitucionalidade a todos. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Somente são passíveis de restituição os valores recolhidos indevidamente que. não tiverem sido alcançados pelo prazo decadencial de 5 (cinco anos), 'contado a partir da data do ato que conceda ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. DispositivosLegais: Decreto nO2.346/1997, art. 1°, Medida Provisória nO 1.699-40/1998, art. 92°, Lei nO 5.172/1966 (Código Tributário Nacional,) art. 168. (...) CONCLUSÃO 32. Em face do exposto, conclui-se, em resumo que: a) as decisões do STF que declaram a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo. seja na via direta, seja na via de exceção, têm eficácia ex tunc; . . b) os delegados e inspetores da Receita Federal podem autorizar a restituição de' tributo cobrado. com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, desde que a' declaração de inconstitucionalidade tenha sido' proferida na via direta: ou, se na via indireta: 1. quando ocorrer a suspensão da execução da lei ou do ato normativo pelo Senado: .ou 2. quando o Secretário da Receita Federa! editar ato específico, no uso da autorização prevista no Decreto nO2.346/1997, art. 4°; ou ainda 3. nas hipóteses elencadas na MP nO1.699-40/1998, art. 18; c) quando .da análise dos pedidos de restituição/compensação de tributos cobrados com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, deve ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 dp CTN. seja no caso de controle concentrado (o termo inicial é a data do trânsito em julgado da decisão do STF), seja no do controle difuso (o termo inicial para o contribuinte que foi parte na' relação processual é a data do trânsito em julgado da decisão judicial e, para . terceiros não- artici antes da lide' é a data da ublica ão da \ . ,. • Processe n.O Acórdão. n.O 'i 10912.000263/00-27 : CSRF/02-02.592 Reseluçãe de Senado. eu a data da publicação. do ato do Secretário. da Receita Federal,a,quese refere e Decreto nO2.346/1997, art. 4°), bem assim nos cases permitidos pela MP nO 1.699-40/1998, ende e termo. inicial é a data da publicação.: . 1. da Resolução. do Senado. nO11/1995, para o case dó inciso I; , 2. da MP nO1.110/1995, para es cases dqs incises 11a VII;, 3. da Resolução. de Senado nO49/1995, para e caso do inciso. VIII; 4. da MP n° 1.490-15/1996, para o case de inciso. IX; d) es valeres pagos indevidamente a título de Finsecial pelas empresas , . \ vendederas de mercadarias e mistas - MP nO,1.699-40/1998, art. 18, incisa 111- padem ser abjeto. de pedida de restituiçãa/cempensaçãa desde a edição. da MP n° 1.110/1995, devendo ser abservada o prazo. decadencial de 5 (cinco.anes); e) es pedidas de restituiçãa/campensa(;ãa da PIS recalhido a maiar cem base nas. Decretos-Leis nOs 2.445/1988 e 2.449/1988, fundamentades em decisão. judicial específica, devem ser feites dentro da prazo. de 5 (cinco.) anas, contando. da data de publicação. da Resalução do Senado. nO49/1995; f) na hipótese da IN'SRF nO21/1997, árt. 17, 9 1°, cam as alterações da IN SRF nO73/1997, não há que se falar em prazo. decadencial au prescricianal, tendo em vista tratar-se de decisão. já transitada em julgada, constituindo., apenas, uma prerragativa de centribuinte, com vistas ao recebimento., em prazo mais ágil, de vaIar a que já tem direita (a desistência se dá na fase de execução. da título judicial). 11 Nem se diga, argumentanda,' aplicabilidade de art. 3º da Lei Cemplementar nº 118/2005 4 , no.sentido. de que cem à edição. da nerma sepulteu:-se' definitivamente a cantrevérsia envelvende e termo. inicial da prescrição. em se tratando. I , de tributes sujeites a lançamento. per hemelegaçãe. Segunda neticiam es Embarges de . . Declaração. 327.043/DF, a' neva regra - de cinco anes contades a partir de'pagamenta indevido., intreduzida pela Lei Cemplementar, aplica-se semente aas pedidas ~ . ' administratives ou.ações judiciais protocoladas eu ajuizadas a partir de 09 de junho. de 2005. , Esclarecido. perque entendo razeável a interpretação. de que e prazo. para a restituição. eu cempensaçãe des indéb'ites eriundes des malsinades Decretas- Leis começa a contar da' publicação. da Reseluçãa de.Senado. nO49/95. I 4 nArt. 3° Para efeito.de interpretaçãodo inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional,a extinção do crédito tributário ocorre, nq caso de tributo sujeito a lançamentopor homologação,no momentodo pagamentoantecipadode que tràta o 9 10 dÇ)art. 150 da referida Lei. 7 \ . .. ,.. " . Prócesso n.o Acórdão n.o : 10912.000263/00-27 : CSRF/02-02.592 / / .Portanto, considerando que a interessada formulou pedido quando ainda não tinha transcorrido o prazo de cinco anos. da data da publicação da . Resolução do Senado, voto no sentido de neg~r provimento ao recú~o especial. Sala das Sessões - DF, em 22 de janeiro de ~007. .I?~-- . .MARIA TERES~ART~NEZ LÓPEZ. ;; . . \ 8 / 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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