Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10074.001046/2005-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003
DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao regime.
Numero da decisão: 9303-005.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003 DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao regime.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10074.001046/2005-59
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771007
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.492
nome_arquivo_s : Decisao_10074001046200559.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10074001046200559_5771007.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6934164
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467301658624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10074.001046/200559 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.492 – 3ª Turma Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria Auto de Infração Drawback Recorrente VALESUL ALUMÍNIO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003 DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 10 46 /2 00 5- 59 Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VALESUL ALUMÍNIO S/A (fls. 2.343 a 2.371) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3202000.651 (fls. 2.223 a 2.239) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara Terceira Seção de julgamento, em 27 de fevereiro de 2013, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. Somente serão aceitos para comprovação do regime especial de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. Recurso Voluntário Negado. Por bem retratar a origem do processo administrativo, adotase o relatório do acórdão recorrido, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] O presente processo trata lançamento de ofício, veiculado através de autos de infração, para a exigência de crédito tributário referente ao Imposto sobre a Importação, multa de ofício e juros de mora, no valor de Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 4 3 R$ 1.814.103,86 (fls. 04/ss), e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, multa de ofício e juros de mora, no valor de R$ 1.421.668,43 (fls. 14/ss), em decorrência do suposto descumprimento de obrigações inerentes ao regime aduaneiro especial de drawback, mais especificamente: (i) em relação aos Atos Concessórios nºs 20020125780 e 20030083745: a utilização do código de enquadramento de exportação errado, uma vez que a empresa utilizou o código 80.000 exportação normal e 81.301 exportação sujeita a registro de venda, quando deveria utilizar o código 81.101 drawback suspensão comum; e a omissão da informação do número do ato concessório nos respectivos registros de exportação, nos termos do disposto no artigo 325 do Decreto nº 90.030/85 e no artigo 352 do Decreto nº 4.543/2002 (item 4.1 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 38/42); (ii) em relação especificamente ao Ato Concessório nº 20020125780: restou caracterizado o descumprimento ao Princípio da Vinculação Física, uma vez que se comprovou que a empresa não aplicou/utilizou 1.755.556,00 kg do insumo importado “coque calcinado” no processo produtivo de produtos a serem exportados (item 4.2 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 42/45); (iii) em relação especificamente ao Ato Concessório nº 20030083745: restou caracterizado o descumprimento ao Princípio da Vinculação Física, uma vez que se comprovou que a empresa 6.410,00 kg do insumo “fluoreto de alumínio” não haviam sido importados quando ocorreram as exportações, ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato (item 4.3 do Termo de Constatação Fiscal, fls. 45/47). Deste modo, a fiscalização glosou todos os REs – registros de exportação apresentados pelo contribuinte, seja pela falta de indicação do código de enquadramento de exportação correto, seja pela falta de vinculação dos REs ao Ato Concessório respectivo e, por conseguinte cobrou os tributos incidentes nas importações, até então com a exigibilidade suspensa, em relação a todas das Declarações de Importações utilizadas ao amparo dos respectivos Atos Concessórios (nºs 20020125780 e 20030083745). Para melhor detalhar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Do processo em análise, depreendese que a empresa acima identificada realizou importações de mercadorias com suspensão dos tributos exigíveis na sua nacionalização ao amparo no regime aduaneiro especial de drawback suspensão, tendo em vista a obtenção dos Atos Concessórios (AC's) n° 20020125780 e n°20030083745. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 25 a 47 temse evidenciado o fundamento da exação, por absolutamente elucidativo, peço vênia para transcrever os trechos relevantes. Vejamos: Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 5 4 “(...) em relação ao AC 20020125780, verificase que, de acordo com os dados informados pelo contribuinte no SISCOMEX: I O contribuinte estava autorizado a importar 12.811.790,00 kg de coque calcinado e 550.000,00 kg de fluoreto de alumínio. Em contrapartida deveria exportar 7.300.000,00 kg de alumínio não ligado e 25.053.000,00 kg de ligas de alumínio; 2 Com relação ao insumo fluoreto de alumínio o contribuinte importou 396.000,00 kg, deixando, portanto, de importar 154.000,00 kg; 3 O contribuinte informou que exportou os produtos através dos Registros de exportação relacionados no extrato do siscomex de fls. 96/447; 4 Com relação ao produto alumínio não ligado o contribuinte estava obrigado a exportar 7.300.000,00 kg e exportou 4.576.734,00 kg e em relação ao produto ligas de alumínio o contribuinte estava obrigado a exportar 25.053.000,00 kg e exportou 23.202.749,00 kg; 5 Da análise dos extratos de todos os REGISTROS DE EXPORTAÇÃO de fls. 96/447, verificouse que o contribuinte utilizou os códigos de enquadramento 80000 e 81301 nas exportações vinculadas ao ato concessório, referentes respectivamente à exportação normal e exportação sujeita a registro de venda. ..., em relação ao AC 20030083745, verificase que, de acordo com os dados informados pelo contribuinte no SISCOMEX. I O contribuinte estava autorizado a importar 12.480.000,00 kg de coque calcinado e 750.000,00 kg de fluoreto de alumínio. Em contrapartida deveria exportar 855.000,00 kg de alumínio não ligado e 30.445.000,00 kg de ligas de alumínio; 2 Com relação ao insumo fluoreto de alumínio o contribuinte importou 12.463.120,00 kg, deixando, portanto, de importar 16.880,00 kg; 3 O contribuinte informou que exportou os produtos através dos Registros de exportação relacionados no extrato do SISCOMEX de fls. 488/1073; 4 Com relação ao produto alumínio não ligado o contribuinte estava obrigado a exportar 855.000,00 kg e exportou 865.171,00 kg e em relação ao produto ligas de alumínio o contribuinte estava obrigado a exportar 30.445.000,00 kg e exportou 30.656.729,00 kg; 5 Da análise dos extratos de todos os REGISTROS DE EXPORTAÇÃO de fls. 488/1073, verificouse que o contribuinte utilizou os códigos de enquadramento 80000 e 81301 nas exportações vinculadas ao ato concessório, referentes respectivamente à exportação normal e exportação sujeita a registro de venda. (...) 4.1 DAS INFRAÇÕES COMUNS AOS DOIS ATOS CONCESSÓRIOS: Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 6 5 A empresa beneficiária dos atos concessórios de drawback — suspensão apresentou a esta fiscalização para comprovar o adimplemento da condição de exportar os REGISTROS DE EXPORTAÇÃO de fls. 96/447 e 488/1073, contudo nestes RE's utilizou os códigos de enquadramento 80.000 e 81.301 que caracterizam respectivamente as exportações normais e as exportações sujeitas a registro de venda. (...) Dessa forma, não pode o exportador, utilizarse de exportações efetuadas no "regime comum" para comprovar um ato concessório Drawback suspensão. Neste caso, somente exportações enquadradas, quando da efetiva exportação, nos códigos de operação para regime aduaneiro de drawback (81101) são hábeis para comprovar o ato concess6rio drawback suspensão. Igualmente, a anotação do n° do ato concessório no documento de exportação RE, é condição necessária para caracterizar a vinculação daquela exportação ao ato concessório, e como se vê nos extratos dos RE's, de fls. 96/447 e 488/1073, em nenhum dos REGISTROS DE EXPORTAÇÃO consta esta anotação, vinculando as exportações aos Atos Concessórios. (...) A efetiva exportação através de TODOS OS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO referentes aos dois atos concessórios sem a utilização do código 81101 que identifica o Regime Aduaneiro Especial de Drawback suspensão e sem a anotação do n° do ato concessório, constituem infração aos artigos 325 da RA (Dec. 90.030/85) e 352 do RA (Dec. 4.543/2002). (...) Portanto, não comprovada a relação entre as exportações e o ato concessório, seja pela falta de vinculação da exportação ao Ato Concessório respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação de Drawback nos campos apropriados dos Registros de Exportação, não há como se demonstrar que as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que o contribuinte cumpriu o compromisso assumido. (...) Assim sendo, conforme tabelas abaixo, todos os insumos importados sob o amparo dos dois atos concessórios vinculados as licenças de importação / declaração de importação que foram desembaraçadas com a exigibilidade dos tributos suspensa por estarem sendo beneficiadas pelo Regime de DrawbackSuspensão, serão tributadas de acordo com a legislação que trata da importação comum. (...) 4.2 DA INFRAÇÃO RELATIVA AO ATO CONCESSÓRIO 20020125780: Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 7 6 De acordo com o extrato do siscomex CONSULTA DIAGNÓSTICO E AC, às fls. 59/63, temos o seguinte quadro em relação às importações: (...) Conforme laudo técnico de fls. 58, apresentado pelo contribuinte as mercadorias exportadas, na sua produção consumiram 0,398 toneladas métricas do insumo coque calcinado por tonelada métrica de produto final e 0,024 toneladas métricas do insumo fluoreto de alumínio por tonelada métrica de produto final. Utilizando as proporções acima descritas foram elaboradas as planilhas de fls. 448/451, para verificar o atendimento, por parte do contribuinte do compromisso de exportar produtos elaborados com insumos importados. Desse cotejamento verificouse que: Em relação ao insumo coque calcinado houve uma sobra de 1.755.556,00 kg, que não foram utilizados na fabricação dos produtos exportados. Desse modo, ficou claramente caracterizado que 1.755.556,00 kg de coque calcinado não foram necessariamente aplicados kg de coque calcinado não foram necessariamente aplicados nos fins para os quais foram importados no Ato Concessório, ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato, ficando, portanto, sujeitos ao recolhimento dos impostos sob suspensão. L..1 4.3 DA INFRAÇÃO RELATIVA AO ATO CONCESSÓRIO 20030083745: De acordo com o extrato do siscomex CONSULTA DIAGNÓSTICO E AC, as fls. 454/458, temos o seguinte quadro em relação às importações: Conforme laudo técnico de fls. 453, apresentado pelo contribuinte as mercadorias exportadas, na sua produção consumiram 0,398 toneladas métricas do insumo coque calcinado por tonelada métrica de produto final e 0,024 toneladas métricas do insumo fluoreto de alumínio por tonelada métrica de produto final. Utilizando as proporções acima descritas foram elaboradas as planilhas de fls. 1074/1077, para verificar o atendimento, por parte do contribuinte do compromisso de exportar produtos elaborados com insumos importados. Desse cotejamento verificouse que: As mercadorias exportadas através dos três primeiros RE's 30792133001 (12/07/2003), 30790160001 (12/07/2003) e 30837572001 (23/07/2003), não utilizaram o produto fluoreto de alumínio, pois a primeira importação deste insumo foi através da Declaração de Importação no 03/05787831 desembaraçada na data de 10/07/2003, sendo que estes insumos entraram no estoque da empresa na data de 28/07/2003, conforme planilha de fls. 1080 apresentada pelo contribuinte. Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 8 7 Desse modo, ficou claramente caracterizada a infração ao Princípio da Vinculação Física, anteriormente relatado, já que os insumos referentes a 6.410,00 kg do insumo FLUORETO DE ALUMÍNIO não haviam sido importados quando ocorreram as exportações, ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato, ficando, portanto, sujeitos ao recolhimento dos impostos sob suspensão. (...) Constatado o cometimento, por parte da beneficiária do regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão, das infrações acima mencionadas, a fiscalização competente lavrou os autos de infração de fls. 04 a 19, complementado pelo termo de constatação fiscal de fls. 25 a 47 (parte integrante e indestacável daqueles) e o termo de encerramento de fl. 20, constituindo o crédito tributário de R$ 3.235.772,20, decorrente da exigência do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, vinculado à importação, acrescidos dos demais encargos legais, calculados até 31.08.2005. Cientificada do lançamento em 22.09.2005 (fls. 04, 14 e 20), a beneficiária protocolou, em 22.10.2005, a impugnação de fls. 1117 a 1130, acompanhada dos documentos de fls. 1131 a 2060, para contestar os fundamentos da autuação, notadamente quanto às glosas fiscais decorrentes da não vinculação dos Registros de Exportação com os respectivos Atos Concessórios n° 20020125780 e n° 20030083745, bem como da anotação equivocada do código da operação, ou seja, da utilização dos códigos de enquadramento 80000 e 81301 nos documentos de exportação (RE's) que a beneficiária apresentou como prova do cumprimento do regime aduaneiro pleiteado (fls. 96/447 e 488/1073), por entender que se tratam de meros erros formais que não têm o condão de invalidar as exportações efetivamente realizadas, posto que embasada em simples presunção. Ademais, afirma que a fiscalização depois de analisar os documentos referentes às operações de importação e exportação objeto da autuação litigada constatou, afora o equívoco acima apontado, apenas duas irregularidades, que não tem o condão de invalidar todo o procedimento adotado. Salienta também que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes tem entendido que uma vez comprovada a exportação e respectiva vinculação entre os insumos importados com os produtos exportados, cumprido está o regime de drawback, não podendo eventuais falhas na utilização do código de enquadramento correto ocasionar a desconsideração das operações realizadas. Esclarece que em relação às irregularidades apontadas pela fiscalização nos itens 4.2 e 4.3 do termo de constatação fiscal concorda com os fundamentos da autuação, razão pela qual já providenciou o recolhimento dos créditos tributários exigidos, conforme demonstram os DARF's juntados a fl. 1142. Diante do exposto, requer o acolhimento das razões de defesa a fim de que seja determinada a improcedência da parte remanescente do crédito tributário exigido nos presentes Autos de Infração. Este é o Relatório. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 9 8 A DRJ – Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão Nº 0714.875, em sessão de 19 de dezembro de 2008 (fls. 2.163/ss), julgando o lançamento procedente, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 22/10/2002 a 13/10/2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O descumprimento das condições estabelecidas em ato concessório referente ao regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com beneficio fiscal e demais encargos legais. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime especial de Drawback, Registros de Exportação devidamente vinculados ao Ato Concessório, e que contenham todas as informações de que se referem à operação de Drawback. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera se não impugnada a matéria na qual o contribuinte tenha expressamente concordado com sua autuação fiscal. Lançamento Procedente A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis em 08/01/2009 (folhas 2170/2172). Foi interposto Recurso Voluntário em 09/02/2009 (fls. 2175/ss), onde a Recorrente alega, em apertada síntese, que: em relação à matéria que não foi impugnada (itens 4.2 e 4.3 da autuação), efetuou o recolhimento parcial do presente lançamento, relativamente aos valores decorrentes dos fatos narrados naqueles itens, deste modo, requer, desde logo, a retificação do lançamento para reduzilo no montante recolhido em 21.10.2005, conforme cópia dos comprovantes de arrecadação anexos (doc. 01); a desconsideração de qualquer regime especial aduaneiro regularmente concedido, tal como o regime de drawback, deverá ser motivada e justificada por violações substanciais, que afrontem de forma robusta as condições e formas em que o regime foi instituído. Aduz que no caso não houve afronta de forma substancial aos requisitos e obrigações assumidas no regime; entretanto, a desconsideração do regime especial perpetrada pelo auditor fiscal baseouse apenas na utilização de dois códigos inapropriados o que, segundo a referida autoridade, impossibilitou a vinculação entre os insumos importados com os produtos efetivamente exportados pela Recorrente; Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 10 9 o preenchimento dos Registros de Exportação — RE com códigos de enquadramento equivocados não é suficiente para descaracterizar o regime especial concedido através de atos concessórios, conforme a jurisprudência do Conselho de Contribuintes que cita; a autuação baseouse em simples presunção, que não pode gerar tributação. Alega que só faz nascer a obrigação tributária é o comportamento (fato imponível) adequado à prescrição normativa estabelecida em lei (hipótese de incidência). Desta forma, verificase que a autuação, mesmo com todos os elementos bastantes para comprovar a vinculação entre os insumos importados e os produtos exportados, desconsiderou todos os Atos Concessórios em virtude de uma mera formalidade quanto à utilização do correto código de enquadramento; em atendimento ao princípio da busca pela verdade material, não poderia a fiscalização invalidar todo procedimento adotado pela Recorrente por constatar, dentre toda extensa documentação verificada, apenas dois equívocos no preenchimento de registros de exportação. Salvo esses dois equívocos que a própria Recorrente admitiu ainda em sede de impugnação e aos quais diligenciou o recolhimento dos respectivos créditos tributários, em todas as demais operações foi demonstrado que houve a perfeita vinculação entre os insumos importados com os produtos exportados; afirma que no caso foram desconsiderados os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; por fim, requer a retificação do lançamento para excluir do valor supostamente devido o montante recolhido em 21.10.2005 e, no mérito, seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário para o fim de reformar o acórdão recorrido. [...] Sobreveio julgamento de negativa de provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 3202000.651 (fls. 2.223 a 2.239) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara Terceira Seção de julgamento, em 27 de fevereiro de 2013, ora recorrido, ratificado pelo despacho nº 3202062, de 20 de dezembro de 2013 (fl. 2.333) que rejeitou os embargos de declaração (fls. 2.279 a 2.321) opostos pelo Sujeito Passivo com base em suposta omissão/obscuridade. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 2.343 a 2.371), instruído com documentos (fls. 2.372 a 2.436), alegando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de ser reconhecido como cumprido o Regime Especial de Drawback Suspensão, quando devidamente comprovada a efetiva exportação das mercadorias, mesmo diante de equívocos nas formalidades e obrigações acessórias, que gerou o desatendimento do princípio da vinculação física. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 30235.851 e 30236.312. Suscitou, ainda, preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: Fl. 2465DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 11 10 (a) preliminarmente, o acórdão recorrido está eivado do vício de nulidade, pois, embora tenham sido interpostos embargos de declaração, a decisão permaneceu obscura quanto ao reconhecimento da existência da efetiva exportação, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, premissa fática importante para o caso; (b) tendo em vista o reconhecimento, pela Autoridade Fiscal e consignado no Termo de Verificação Fiscal, que ocorreram as exportações, requer seja também reafirmado o fato pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; (c) os erros formais, consistentes na indicação incorreta do código SISCOMEX e na ausência de anotação dos números dos atos concessórios nos registros de exportação, não invalidam o regime especial de drawback suspensão, entendimento explicitado nos acórdãos de nºs 30235.851 e 302 36.312, indicados como paradigmas. Comprovada a realização da exportação da mercadoria, em conformidade com o compromisso assumido pela empresa beneficiária no referido regime especial, restam supridas as deficiências decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias; (d) na espécie, tendo restado comprovado o efetivo cumprimento do compromisso de exportação, faz jus o contribuinte ao benefício da isenção dos impostos até então suspensos pelo regime especial de drawback suspensão, prevalecendo o princípio da equivalência ou da fungibilidade dos insumos em detrimento do princípio da vinculação física; (e) a exigência da vinculação física entre os insumos importados e a mercadoria exportada pode trazer efeitos contrários ao pretendido pela criação do regime especial de drawback suspensão, que é o de fomentar as exportações, ocasionando o desestímulo das empresas nacionais a se valerem desse benefício em razão da dificuldade e da onerosidade para comprovação da vinculação física ou da sua própria inexistência; (f) no sentido da tese defendida em sua peça recursal, a Recorrente colaciona precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/03.05.562) e do Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 341.285 e AgRg no RESP nº 413.564); (g) a prevalência do princípio da fungibilidade em relação ao da vinculação física está expressamente prevista no art. 17 da Lei nº 11.774/2008, incluído como art. 402A do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009) pelo Decreto nº 8.010/2013, que reafirma a desnecessidade da perfeita vinculação física entre os insumos importados e as mercadorias exportadas para fins de cumprimento do compromisso de exportação do regime especial de drawback suspensão; (h) o caso em exame enquadrase na norma contida no art. 402A do Regulamento Aduaneiro, pois houve a efetiva ocorrência das exportações compromissadas, conforme observado pela Fiscalização, tendo restado descaracterizado o cumprimento do regime especial unicamente pelo não atendimento de obrigações acessórias (indicação incorreta dos códigos das operações no Siscomex e ausência da anotação dos números dos respectivos Fl. 2466DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 12 11 atos concessórios). Além disso, a aplicação do art. 402A à espécie vem garantida pelo art. 106, inciso II, alínea "b" do Código Tributário Nacional; (i) ao final requer o provimento do recurso especial para: (a) na hipótese de não ser reconhecida a ocorrência das exportações, anular o acórdão recorrido e determinadar a realização de novo julgamento pelo Colegiado a quo, considerando o Termo de Verificação Fiscal que afirma terem havido as exportações e, sucessivamente, (b) a reforma da decisão recorrida para cancelar o crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 26 de junho de 2015 (fls. 2442 a 2446), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial suscitada pela Contribuinte "[...] em razão da manutenção, no Acórdão recorrido, da exigência fiscal, na parte em que a empresa autuada deixou de prover a efetiva comprovação das exportações de produtos sob a égide do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade Suspensão, mais especificamente quanto à valoração dos documentos apresentados – Registros de Exportação (RE), para demonstrar o cumprimento do regime especial, quais sejam, a indicação incorreta dos códigos das operações no sistema SISCOMEX e da ausência da especificação dos números dos respectivos atos concessórios". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 2448 a 2454) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 2467DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 13 12 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, reside a controvérsia na possibilidade de se reconhecer como adimplido o compromisso de exportação do regime especial de drawback suspensão independente da demonstração da vinculação física entre os insumos importados com a suspensão do pagamento de tributos e a mercadoria exportada. O fundamento para negativa de provimento ao recurso voluntário, em síntese, é de que as normas regulamentares do incentivo fiscal do drawback suspensão impõe de forma clara a necessidade de vinculação física entre a mercadoria importada como insumo e o produto a ser exportado no regime, permitindo ao Fisco o controle efetivo da utilização dos insumos importados com desoneração tributária e a destinação dos bens produtivos à exportação. Acrescentou, ainda, o Ilustre Relator do acórdão recorrido que a vinculação física entre as mercadorias importadas e as mercadorias exportadas deve estar claramente demonstrada, mediante a devida vinculação dos Registros de Exportação aos Atos Concessórios emitidos pela Secex, bem como pela identificação das exportações beneficiadas pelo regime aduaneiro especial mediante a indicação do código de operação respectivo. No âmago das razões do julgado recorrido, portanto, está o Princípio da Vinculação Física, segundo o qual a correção das informações apostas nos documentos de exportação registros de exportação transpõe as formalidades, constituindose em elemento essencial no adimplemento do compromisso de exportar. Ocorre que a solução emprestada ao caso pelo bem fundamentado acórdão recorrido, com a devida vênia, não merece prosperar, sendo imperioso o provimento do recurso especial da Contribuinte com fulcro nos argumentos que serão aqui expendidos. Os Regimes Aduaneiros Especiais caracterizamse pelo não pagamento dos tributos quando da importação, que seriam devidos no Regime de Importação Comum1, e pela temporariedade da entrada da mercadoria em território nacional enquanto que na importação comum os bens ingressam em definitivo no país. 1 No regime comum de importação são devidos os seguintes tributos: imposto sobre as importações (II), imposto sobre produtos industrializados (IPI), imposto sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS), contribuições sociais para o PIS/PASEP e para a COFINS e contribuição destinada à intervenção no domínio econômico AFRMM, esta última quando o transporte se der pela via marítima. Fl. 2468DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 14 13 Dentre os regimes aduaneiros especiais, está o drawback, previsto no art. 78 do DecretoLei nº 37/66, e que pode ser concedido em três modalidades distintas: suspensão, isenção e restituição, in verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº 8.402, de 1992) § 1º A restituição de que trata este artigo poderá ser feita mediante crédito da importância correspondente, a ser ressarcida em importação posterior. § 2º O regulamento estabelecerá limite mínimo para aplicação dos regimes previstos neste capítulo. (Revogado pela de Medida Provisória nº 497, de 2010) (Revogado pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3º Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1º do art.75. (grifouse) Consoante disposto no art. 335 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 20022, Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos geradores, e que atualmente encontrase reproduzido no art. 383 do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro em vigor, o regime aduaneiro especial de drawback é um incentivo fiscal à exportação, podendo ser aplicado nas modalidades de suspensão, isenção e restituição. Por conseguinte, trata da suspensão de tributos incidentes sobre as importações de mercadorias a serem utilizados em produtos exportados ou a exportar, sendo que a mercadoria deverá sofrer algum processo de aperfeiçoamento e/ou beneficiamento 3. 2 Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro). Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; e III restituição, total ou parcial, dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada. 3 Decreto nº 4.543/2002. Art. 336. O regime de drawback poderá ser concedido a: I mercadoria importada para beneficiamento no País e posterior exportação; II matériaprima, produto semielaborado ou acabado, utilizados na fabricação de mercadoria exportada, ou a exportar; III peça, parte, aparelho, máquina, veículo ou equipamento exportado ou a exportar; Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 15 14 No regime aduaneiro especial do drawback suspensão os fatos geradores dos tributos incidente na importação ocorrem no desembaraço aduaneiro. Por se tratar de importação de mercadoria a ser exportada após o seu beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada, haverá a suspensão do pagamento dos impostos e contribuições exigíveis (II, IPI, ICMS, PIS, COFINS e AFRMM). Verificandose a exportação no prazo e condições legais, a suspensão do pagamento transformase em isenção definitiva, ensejando a exclusão do crédito tributário. Na hipótese de não serem atendidas as condições legais, por outro lado, passam a ser exigíveis os tributos suspensos. No caso dos autos, a discussão a ser enfrentada, portanto, com relação ao drawback suspensão, é sobre a necessidade ou não da vinculação física para se ter como atendidas as exigências legais do regime aduaneiro especial: se os insumos importados no referido regime aduaneiro especial necessariamente deverão ser aplicados na elaboração do produto final a ser exportado ou se é admissível a sua substituição por outros equivalentes nacionais. Na vigência das disposições legais do Decretolei nº 37/66, regulamentado pelo Decreto nº 91.030/1985 (Regulamento Aduaneiro de 1985), posteriormente revogado pelo Decreto nº 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002) o qual, por sua vez, foi revogado pelo Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro atualmente em vigor), para o regime de drawback suspensão a norma expressava a necessidade de vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados, devendo os insumos importados ser efetivamente utilizados na industrialização dos produtos a serem exportados. Ainda na vigência dos referidos diplomas legais, o Superior Tribunal de Justiça modificou o entendimento, posteriormente consolidado pela jurisprudência daquela Corte 4, no IV mercadoria destinada a embalagem, acondicionamento ou apresentação de produto exportado ou a exportar, desde que propicie comprovadamente uma agregação de valor ao produto final; ou V animais destinados ao abate e posterior exportação. § 1o O regime poderá ainda ser concedido: I para matériaprima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem a concessão; ou II para matériaprima e outros produtos utilizados no cultivo de produtos agrícolas ou na criação de animais a serem exportados, definidos pela Câmara de Comércio Exterior. § 2o Na hipótese do inciso II do § 1o, o regime será concedido: I nos limites quantitativos e qualitativos constantes de laudo técnico emitido nos termos fixados pela Secretaria da Receita Federal, por órgão ou entidade especializada da Administração Pública federal; e II a empresa que possua controle contábil de produção em conformidade com as normas editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 3o O regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com recursos captados no exterior (Lei no 8.032, de 1990, art. 5o, com a redação dada pela Lei no 10.184, de 12 de fevereiro de 2001, art. 5o). 4 Citese, exemplificativamente, o julgado proferido no recurso especial nº 341.285/RS, de relatoria do Ministro Herman Benjamim, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. SODA CÁUSTICA IMPORTADA. CELULOSE EXPORTADA. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÍSICA. DESNECESSIDADE. EQUIVALÊNCIA. 1. Hipótese em que a contribuinte importou soda cáustica para ser utilizada como insumo na produção de celulose a ser posteriormente exportada, no regime de drawback, modalidade suspensão. Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 16 15 julgamento do recurso especial nº 413.564/RS, pela desnecessidade de vinculação física entre o insumo importado e a mercadoria exportada para se ter como adimplido o compromisso do regime especial de drawback suspensão, prevalecendo a aplicação do "princípio da fungibilidade". Os fundamentos do julgado foram sintetizados na seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. DRAWBACK. SODA CÁUSTICA. EMPREGO DE MATÉRIA PRIMA IDÊNTICA NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO EXPORTADO. BENEFÍCIO FISCAL. 1. É desnecessária a identidade física entre a mercadoria importada e a posteriormente exportada no produto final, para fins de fruição do benefício de drawback, não havendo nenhum óbice a que o contribuinte dê outra destinação às matériasprimas importadas quando utilizado similar nacional para a exportação. 2. In casu, o acórdão de segundo grau decidiu que o fato de a empresa ter empregado similar nacional da soda cáustica importada na industrialização da celulose que foi exportada não implica a desconstituição do benefício da suspensão do tributo. 3. Recurso especial nãoprovido. (REsp 413.564/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 05/10/2006, p. 236) (grifouse) Sobreveio, então, alteração na legislação, excluindo do ordenamento jurídico brasileiro a necessidade da vinculação física entre os insumos importados e os produtos finais a serem exportados. A modificação foi introduzida pelos artigos 12 e 14 da Lei nº 11.945, de 04 de junho de 2009, combinado com o art. 17 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009 (drawback suspensão) e artigos 31 e 32 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 (drawback isenção), in verbis: Lei nº 11.945/2009 Art. 12. A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na 2. A empresa adquiriu a soda cáustica também no mercado interno e, por questões de segurança e custo, utilizou indistintamente o produto importado e o nacional na produção da celulose exportada. 3. É incontroverso que a contribuinte cumpriu o compromisso de exportação firmado com a CACEX. Assim, a quantidade de soda cáustica importada foi efetivamente empregada na celulose exportada. 4. Seria desarrazoado exigir que a fábrica mantivesse dois estoques de soda cáustica, um com o produto importado e outro com conteúdo idêntico, porém de procedência nacional, apenas para atender à exigência de identidade física exigida pelo fisco. 5. O objetivo da legislação relativa ao drawback, qual seja a desoneração das exportações e o fomento da balança comercial, independe da identidade física entre o produto fungível importado e aquele empregado no bem exportado. É suficiente a equivalência, o que ocorreu in casu, sem que se cogite de fraude ou máfé. 6. Precedente da Primeira Turma. 7. Recurso Especial não provido. (REsp 341.285/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/05/2009, DJe 25/05/2009)" Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 17 16 industrialização de produto a ser exportado poderá ser realizada com suspensão do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. § 1º As suspensões de que trata o caput deste artigo: I aplicamse também à aquisição no mercado interno ou à importação de mercadorias para emprego em reparo, criação, cultivo ou atividade extrativista de produto a ser exportado; II não alcançam as hipóteses previstas nos incisos IV a IX do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III a IX do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e nos incisos III a V do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. III aplicamse também às aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantesintermediários, para industrialização de produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriaisexportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final destinado à exportação. § 2º Apenas a pessoa jurídica habilitada pela Secretaria de Comércio Exterior poderá efetuar aquisições ou importações com suspensão na forma deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 12.058, de 2009) § 3º A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. [...] Art. 14. Os atos concessórios de drawback, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei, poderão ser deferidos, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, levandose em conta a agregação de valor e o resultado da operação. § 1º A comprovação do regime poderá ser realizada com base no fluxo físico, por meio de comparação entre os volumes de importação e de aquisição no mercado interno em relação ao volume exportado, considerada, ainda, a variação cambial das moedas de negociação. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. Lei 12.058/2009 Art. 17. O art. 12 da Lei no 11.945, de 4 de junho de 2009, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 12. ........................................................... § 1o ........................................................... III aplicamse também às aquisições no mercado interno ou importações de empresas denominadas fabricantesintermediários, para industrialização de Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 18 17 produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriais exportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final destinado à exportação. § 2o Apenas a pessoa jurídica habilitada pela Secretaria de Comércio Exterior poderá efetuar aquisições ou importações com suspensão na forma deste artigo. Lei nº 12.350 Art. 31. A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria equivalente à empregada ou consumida na industrialização de produto exportado poderá ser realizada com isenção do Imposto de Importação e com redução a zero do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação. § 1o O disposto no caput aplicase também à aquisição no mercado interno ou à importação de mercadoria equivalente: I – à empregada em reparo, criação, cultivo ou atividade extrativista de produto já exportado; e II – para industrialização de produto intermediário fornecido diretamente a empresa industrialexportadora e empregado ou consumido na industrialização de produto final já exportado. § 2o O disposto no caput não alcança as hipóteses previstas nos incisos IV a IX do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, nos incisos III a IX do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e nos incisos III a V do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o O beneficiário poderá optar pela importação ou pela aquisição no mercado interno da mercadoria equivalente, de forma combinada ou não, considerada a quantidade total adquirida ou importada com pagamento de tributos. § 4o Para os efeitos deste artigo, considerase mercadoria equivalente a mercadoria nacional ou estrangeira da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquirida no mercado interno ou importada sem fruição dos benefícios referidos no caput, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Art. 32. O art. 17 da Lei no 11.774, de 17 de setembro de 2008, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 19 18 § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo.” (NR) (grifouse) Com as alterações introduzidas na legislação pelos dispositivos acima citados, não se faz mais necessária para o adimplemento do regime de drawback suspensão a vinculação física entre os insumos importados e a mercadoria destinada à exportação. Passoua a ser possível: (a) a utilização dos insumos importados combinados (ou não) com aqueles adquiridos no mercado interno, e (b) a substituição dos insumos importados por outros, idênticos ou equivalentes, nacionais ou importados, de mesma espécie, qualidade e quantidade. Para regulamentar a possibilidade de "substituição" dos insumos a serem utilizados na produção da mercadoria a ser exportada, foi editada a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010, que em seu art. 5ªA dispõe: "Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes". Além disso, com as alterações introduzidas pela Portaria Conjunta RFB/Secex nº 1618/2014, foram estabelecidos os requisitos para que determinada mercadoria seja reconhecida como equivalente, em espécie e qualidade. Outro ponto importante é o disposto no §6º, do art. 5ºA da Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010, o qual estabelece a aplicação das disposições contidas no referido artigo aos fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no §único, do art. 6ºA. Prevê, portanto, efeitos retroativos a 28/07/2010, tornando improcedentes os lançamentos com fatos geradores posteriores a 28/07/2010, que tenham por base a falta de vinculação física. De outro lado, com base na aplicação do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN, temse que a retroatividade do art. 17 da Lei nº 11.774/2008, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 12.350/2010, darseá a fato ou ato inclusive anterior a 28/07/2010, deixando se de ter como hipótese de descumprimento do regime especial de drawback suspensão a não observância do princípio da vinculação física. Dispõe o art. 106, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 20 19 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Aplicável, assim, a retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN, cancelandose os lançamentos de ofícios efetuados unicamente com base na falta de vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados, independente da data de ocorrência do fato gerador. No caso dos autos, a discussão remanescente no processo, portanto, relacionase diretamente à parte do auto de infração embasado exclusivamente no descumprimento do princípio da vinculação física pela ocorrência de erros formais no preenchimento dos documentos relativos à exportação e que seriam elementos essenciais para o Fisco controlar a utilização dos insumos importados com desoneração tributária e a destinação dos bens (exportação). Face às alterações introduzidas na legislação e o disposto no art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b", do CTN, deve ser cancelado o lançamento de ofício, pois o descumprimento da vinculação física já não mais se constitui como infração às normas do regime aduaneiro especial de drawback suspensão. Importante acrescentar que não houve questionamento quanto à efetiva exportação das mercadorias produzidas, mas sim quanto aos erros formais cometidos no preenchimento da documentação, razão pela qual resta nítida a evidência de terem ocorrido as exportações, ainda que com falhas no preenchimento da documentação obrigatória, o que não mais é causa de revogação do regime. Tendo em vista terse entendido assistir razão à Contribuinte no mérito do recurso especial, restou prejudicado o exame da preliminar de nulidade do acórdão recorrido. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 21 20 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho conclusões diferentes a respeito do presente processo em julgamento. O recurso especial interposto pela contribuinte contempla dois pedidos distintos. Em primeiro plano, requer a decretação da nulidade da decisão recorrida, em face da inadmissão dos embargos de declaração por ela interpostos. A seguir, a reforma do acórdão, na esteira do entendimento expresso nas decisões divergentes apresentadas como paradigma à demonstração do dissenso jurisprudencial. O despacho de admissibilidade do recurso especial, ainda que o tenha admitido sem ressalvas, não se manifestou acerca do pedido de nulidade da decisão recorrida. A esse respeito, creio que seja pertinente pontuar que essa matéria, em particular, não foi prequestionada (e nem poderia ter sido mesmo, pois é fato superveniente ao recurso voluntário), razão pela qual não deve ser apreciada como se pedido do contribuinte fosse. Inobstante, por se tratar de matéria de ordem pública, nada impede que o Colegiado, se assim entender, entenda que o acórdão recorrido padece de omissão e, por conseguinte, o declare nulo. Mérito Feitas as considerações delineadas no tópico anterior, destacase, desde logo, que não assiste razão à recorrente em relação ao pedido de decretação da nulidade da decisão a quo. A omissão alegada nos aclaratórios aponta a falta de manifestação do Colegiado recorrido acerca do art. 17 da Lei 11.774/08; contudo, a recorrente não fez referência à Lei 11.774/08 em sede de recurso voluntário; assim, não era mesmo de se esperar que a Turma se manifestasse a esse respeito. E com muito menos razão podese falar em nulidade da decisão recorrida porque os AuditoresFiscais responsáveis pelo procedimento teriam atestado a efetiva ocorrência das exportações planejadas. Observese o que afirmaram os autoridades autuantes no corpo do Termo de Constatação Fiscal: "Ao solicitar e efetuar todas as exportações com enquadramento da operação normal ou sujeita a registro de venda, o exportador fez com que todo o procedimento de desembaraço aduaneiro na exportação fosse conduzido com tratamento fiscal de uma exportação no 'regime comum', (...) sem o devido controle (...). E "A efetiva exportação através de TODOS OS REGISTROS DE EXPORTAÇÃO referentes aos dois atos concessório sem a utilização do código 81101 (...)" Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 22 21 Ora, a toda evidência, as duas afirmações pretende esclarecer que todas as exportações foram enquadradas equivocadamente e não de que todas as exportações foram realizadas. Com base nos mesmos fundamentos não será atendido o pedido de que essa confirmação seja reafirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela simples razão de que tal afirmação nunca foi feita. Superado isso, temse que a controvérsia gira em torno da obrigatoriedade ou não de (i) fazer constar nos Registros de Exportação de Drawback o código da operação 81.101, e não, como aconteceu, o código 80.000, que se refere a uma operação de exportação normal, ou 81.301, que se refere a exportações sujeitas a registro de venda (uma obrigatoriedade antiga. Não existem mais produtos sujeitos a esse tipo de registro prévio); e (ii) fazer constar nos Registros de Exportação de Drawback o número do Ato Concessório correspondente. A contribuinte pretende a mitigação do efeito da inobservância das formalidades por ele negligenciadas, em prestígio ao primado da verdade material. Considera, também, que nem mesmo a exigência de vinculação física entre insumos importados e produtos exportados deve prevalecer quando confrontada com a efetiva exportação dos valores pactuados. Defende a fungibilidade dos insumos. Releva dizer que, embora a defesa se esforce com veemência em demonstrar a desnecessidade da efetiva vinculação física entre o insumo importado e o produto exportado, não me parece que seja isso que está em discussão no processo. A indicação do código da operação no registro de exportação traz consequências para o controle da operação de exportação em zona primária. Quando o código é corretamente informado (81101), os Auditores Fiscais da RFB encarregados de conferir as mercadorias tem melhores condições de monitorar com rigor a operação de Drawback (já que ela atesta o adimplemento de uma condição que desonera a importação das matériasprimas utilizadas na fabricação do produto exportado). Por sua vez, a vinculação dos registros de exportação ao ato concessório correspondente permite que a fiscalização verifique o adimplemento do compromisso de exportação de maneira individualizada. Se a anotação não for feita, a fiscalização teria que auditar todos os atos concessórios do contribuinte para certificarse de que ele não utilizou um mesmo registro de exportação na comprovação de diversos atos concessórios. Ou seja, pelo menos em princípio, nenhum desses dois requisitos guarda relação com a controvertida exigência de vinculação física entre insumo importado e produto exportado. Essa, em regra geral (a menos que exista controle de estoques por lotes ou com segregação das mercadorias importadas com o benefício fiscal) é atestada com base em um controle de disponibilidade de matériasprimas em estoque. E, de fato, às folhas 36 e 38 do processo, no corpo do Termo de Verificação Fiscal, os AuditoresFiscais autuantes referemse aos problemas, identificados em ambos Atos Concessórios, de erro de enquadramento da operação e falta de vinculação do RE ao AC. No final, concluem: Portanto , não comprovada a relação entre as exportações e o ato concessório, seja pela falta de vinculação da exportação ao Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 23 22 Ato Concessório respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação Drawback nos campos apropriados dos Registros de Exportação, não há como se demonstrar que as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que o contribuinte cumpriu o compromisso assumido. É verdade que às folhas 42 e 45 do processo, ainda no Termo de Constatação Fiscal, demonstramse cálculos baseados em laudo pericial que indicam que parte da matéria prima importada não foi empregada nos produtos exportados, senão vejamos. 4.2 DA INFRACAO RELATIVA AO ATO CONCESSÓRIO 20020125780: Desse modo, ficou claramente caracterizado que 1.755.556,00 kg de coque calcinado não foram necessariamente aplicados nos fins para os quais foram importados no Ato Concessório, ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato, ficando, portanto, sujeitos ao recolhimento dos impostos sob suspensão. (...) 4.3 DA INFRACAO RELATIVA AO ATO CONCESSÓRIO 20030083745: Desse modo, ficou claramente caracterizada a infração ao Principio da Vinculação Física, anteriormente relatado, já que os instunos referentes a 6.410,00 kg do insumo FLUORETO DE ALUMiN0 não haviam sido importados quando ocorreram as exportações ou seja, não integraram qualquer dos produtos exportados dentro do Ato, ficando, portanto, sujeitos ao recolhimento dos impostos sob suspensão. Contudo, a recorrente é taxativa a respeito dos limites dentro dos quais permanece litigando. Observese (efolha 2.346). 5. Ademais, apontou a autoridade fiscal nos itens 4.2 e 4.3 do mencionado Termo de Constatação Fiscal (fls.26 a 51) que havia infrações específicas relacionadas a cada um dos referidos Atos Concessórios. Neste ponto é importante destacar que já ao apresentar sua impugnação a contribuinte reconheceu o equívoco neste particular e promoveu o recolhimento do crédito tributário, conforme DARFs de fls. 1142, novamente apresentados por ocasião da interposição do Recurso Voluntário (fls. 2.208). 6. Dessa forma, a matéria em litígio submetida à análise do CARF Colegiado limitouse ao equívoco cometido pela Recorrente na indicação dos códigos de enquadramento das operações nos Registros de Exportação (REs) no SISCOMEX indicou os códigos 80.000 e 81.301, que se referem às "exportações normais" e às "exportações sujeitas a registro de venda", quando deveria ter indicado o código 81.101 que se Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 24 23 refere ao "Drawback Suspensão" e à ausência de anotação nos respectivos Atos Concessórios. Esclarecido o alcance da controvérsia, analisemos as alegações da recorrente à luz das particularidades do regime e da legislação que regulamenta sua concessão e as condições de adimplemento da obrigação que lhe confere condição de eficácia. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art.78 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art.1º, inciso I, da Lei n.° 8.402/92. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX, verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição,total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento,ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº8.402,de 1992) (...) Na modalidade suspensiva, o Regime permite à contribuinte importar insumos com suspensão dos tributos incidentes na importação, com o compromisso firmado de, em certo prazo e condições, utilizálos no beneficiamento ou industrialização de produtos e efetivamente reexportálos. Cumprido esse compromisso aquela suspensão inicial dos tributos é convertida em uma isenção. Tratandose de uma isenção condicionada, portanto, reclama a aplicação dos art.111, 155 e 179 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 25 24 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa,em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor,cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: (...) Pois bem, o Registro de Exportação é o documento que comprova a exportação vinculada ao regime drawback e, por conseguinte, tanto o correto enquadramento do tipo de regime quanto a sua vinculação ao Ato Concessório são obrigações acessórias inerentes ao cumprimento do regime. Não havendo vinculação entre os Registros de Exportação apresentados e o citado Ato Concessório, resta evidenciado que a contribuinte infringiu ao disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, vigente à época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, in verbis: Art.325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Além disso, o Registro de Exportação que não contenha ou que contenha de forma inexata informação relativa ao código da operação de Drawback também não faz prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso ao regime Drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação impedem o controle na utilização dos benefícios fiscais inerentes ao regime. Nesse sentido, confiramse as disposições normativas: Portaria Secex nº 01, de 25 de janeiro de 2000 Art. 35 Na comprovação ou habilitação ao Regime de Drawback, os documentos eletrônicos registrados no Siscomex utilizarão somente um Ato Concessório de Drawback. Art. 37 O Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) estabelecerá as normas e procedimentos específicos necessários à apresentação do Relatório Unificado de Drawback e à utilização do Registro de Exportação Simplificado." Comunicado Decex 02, de 31 de janeiro de 2000 COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 Modalidade Suspensão Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 26 25 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, na modalidade suspensão, as empresas utilizarão o Relatório Unificado de Drawback, identificando os documentos eletrônicos registrados no Siscomex, relativos às operações de importação e exportação, bem como as Notas Fiscais de venda no mercado interno, vinculadas ao Regime, ficando as empresas dispensadas de apresentar documentos impressos. (...) 19.4. Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório. 19.5. As Declarações de Importação (DI) e os Registros de Exportação (RE) indicados no Relatório Unificado de Drawback deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de baixa. 19.6. Não serão aceitos para comprovação do Regime, Registros de Exportação (RE) que possuam um único CNPJ vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback. 19.7. Para fins de comprovação, será utilizada a data de registro da Declaração de Importação (DI), que deverá ser indicada no Relatório Unificado de Drawback. Em simples leitura da regulamentação, verificase a necessidade de constar nesses documentos eletrônicos (Registros de Exportação) o correto enquadramento da operação e também a sua vinculação ao Ato Concessório. Sem a devida averbação de tais dados no Registro de Exportação não há como o Fisco controlar a adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback. O ônus probatório é do contribuinte. Cabe a ele comprovar que o Registro de Exportação está corretamente preenchido e devidamente vinculado aos respectivos Atos Concessórios. Ademais, o despacho de exportação é a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar à autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. E nesse momento, com base nas informações prestadas pela contribuinte no Registro de Exportação é que a Aduana vai inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa corretamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a informação inexata nos Registros de Exportação não significa “mero” erro formal, como deseja crer a Recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Esses "erros de preenchimento" dos Registros de Exportação praticados pela contribuinte, na verdade, mascaram as correspondentes operações de exportação. De todo o exposto, constatase que é da contribuinte a obrigação de comprovar o integral cumprimento das exportações para se beneficiar do referido benefício fiscal. No meu entender, a autuada não obteve esse êxito, além de adotar procedimentos que dificultaram o controle das operações decorrentes da adoção do Drawback Suspensão, como ficou exaustivamente demonstrado no lançamento fiscal. Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 27 26 Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também já decidiu nesse sentido.Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003.850, de 17/05/2016, da relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Período de apuração:23/01/2007 a 12/12/2007 Data do fato gerador:16/07/1996 (...) DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Alegase, também, no especial supostos efeitos favoráveis da inovação introduzida pela Lei 11.774/08, que, segundo a defesa, prevê expressamente a fungibilidade e deve ser aplicada a fatos pretéritos, por força do disposto no art. 106 do CTN. Segue o dispositivo legal em referência vigente à época dos fatos e, a seguir, o texto com as alterações introduzidas pela Lei nº 12.350/12. Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos nacionais adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes por aplicação do § 1o do art. 59 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, podem ser substituídos por outros produtos nacionais da mesma espécie, qualidade e quantidade, adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (grifos acrescidos) Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplicase também ao regime aduaneiro de isenção, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. ... Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 28 27 limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. (grifos acrescidos) A regulamentação prevista desde a origem veio através da Portaria Conjunta RFB_SCE 467/10, mais tarde alterada pela Portaria Conjunta RFB_SCE nº 1.618/14. Observese o que dispunha o § 2º do art. 1º da Portaria Conjunta RFB_SCE 467/10: Art. 1º A aquisição no mercado interno ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado poderá ser realizada com suspensão do pagamento do Imposto de Importação (II), do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. § 2º O regime especial de que trata este artigo denominase Drawback Integrado. E os artigos 2º e 3º do mesmo Ato Normativo Art. 2º A pessoa jurídica será habilitada no Drawback Integrado por meio de ato concessório expedido pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). § 1º A habilitação no regime especial deverá ser solicitada por meio de requerimento específico no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), módulo Drawback web, disponível na página do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), no endereço <http://www.desenvolvimento.gov.br>. § 2º O requerente informará o valor, a quantidade na unidade de medida estatística, a descrição e os códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) das mercadorias que serão adquiridas no mercado interno ou das que serão importadas, bem como dos bens a exportar. § 3º É permitida a conversão de ato concessório de Drawback VerdeAmarelo em Drawback Integrado, quando o primeiro foi concedido antes da vigência desta Portaria, sendo vedada a conversão nos casos das operações de que trata o art. 90 da Portaria SECEX Nº 25, de 27 de novembro de 2008. Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 29 28 Art. 3º A mercadoria admitida no Drawback Integrado não poderá ser destinada à complementação de processo industrial de produto já amparado por regime de drawback concedido anteriormente. A toda evidência, a legislação da qual a recorrente pretende socorrerse trata de um regime especial novo, específico, denominado Drawback Integrado, criado pela Lei 11.774/08. Inequivocamente, não se aplica a fatos pretéritos e tampouco pode ser confundido ou miscigenado com a modalidade de Drawback Suspensão típica, cujas regras eram de conhecimento das partes envolvidas e devem ser observadas à risca pelo importador (sobretudo por tratarse de uma desoneração fiscal). E não é só isso. A Portaria Conjunta RFB_SCE nº 1.618/14 veio mais tarde determinar o que se pode reconhecer como equivalente. § 1º Poderão ser reconhecidas como equivalentes, em espécie e qualidade, as mercadorias que, cumulativamente: I sejam classificáveis no mesmo código da NCM; II realizem as mesmas funções; III sejam obtidas a partir dos mesmos materiais; IV sejam comercializadas a preços equivalentes; e V possuam as mesmas especificações (dimensões, características e propriedades físicas, entre outras especificações), que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. Quer dizer, é um despropósito sugerir que o Regime de Drawback Suspensão como tal conhecido à época da outorga do direito à importação seja simplesmente transmutado em Drawback Integrado, ao bel prazer da outorgada, segundo as condições que melhor lhe aprovem e à margem de toda a regulamentação do Poder Executivo. Para encerrar, fazse derradeiro destaque ao elemento de limitação temporal de eficácia normativa introduzida pelo § 6º do artigo 5º da Portaria Conjunta RFB_SCE nº 1.618/14: Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. (Incluído pela Portaria RFB/Secex nº 1.618, de 2 de setembro de 2014) § 6º O disposto neste artigo aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10074.001046/200559 Acórdão n.º 9303005.492 CSRFT3 Fl. 30 29 formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA (grifos acrescidos) Portanto, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000935/93-46
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 201-00.244
Decisão: RESOLVEM, os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar à DRJ em Ribeirão Preto - SP que cumpra o Acórdão nº 201-73.033, de 15.08~2000, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Serafim Fernandes Corrêa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200201
turma_s : Primeira Câmara
numero_processo_s : 10825.000935/93-46
conteudo_id_s : 5759680
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 201-00.244
nome_arquivo_s : Decisao_108250009359346.pdf
nome_relator_s : Serafim Fernandes Corrêa
nome_arquivo_pdf_s : 108250009359346_5759680.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM, os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar à DRJ em Ribeirão Preto - SP que cumpra o Acórdão nº 201-73.033, de 15.08~2000, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2002
id : 6901028
ano_sessao_s : 2002
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467314241536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 20100244_108250009359346_200201; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-01-17T12:34:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 20100244_108250009359346_200201; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 20100244_108250009359346_200201; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-01-17T12:34:27Z; created: 2017-01-17T12:34:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2017-01-17T12:34:27Z; pdf:charsPerPage: 811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-01-17T12:34:27Z | Conteúdo => .' .. ';, Vistos, relatad?~ e discútidos os' prys~ntêsautosde recufs9 interpost~; 'por: ' ',SAT~ENGENHARIAE COMERCIOLTDA.' " " . ,. , ,RESOLVEM, os Membros daPrirheiré). ,Câmara do Segundo Conselho de ) \ Contribuintes, por unanimidade~de votos, deter~inar'J .DRJem Ribeirão Preto - SP que " .cQmpra o Acór-dão nO201-73.~933, de 15.08~2000, nos termos do voto do Relato ••.' -I r J .1. . J' " " , . I ,. , ! i' I' ) , '. " .. -' ...' .' '" . 1.', , .\. \.., .. '.. "'.' . /, " SAT'-'- ENGENHARIA ECOMÉRCIO LTDA. , DRJemRibeirãd Préto -, SP . . RESOLUÇÃO' N° 201-00.244 10825.00093'5/93-46, .' 201-00.244 101.217 MINISTÉRio DA FAZENDA . . " "I .SI!GVNpÓCONSELHODE CONfRIB~~ " .'Sala das SessÕes; em 22 de janeiro de 2002 Jl~)' ~. '. preside~~_ ... ~~Z2'~""'".... 'C.•...' .~ .. ' .. ' " .). " .. -" '. .• .'."- ' '. (_, . :.J.' . .. .".-' : Serafim Femandes Corrêa: ' 'f Relator ... ". ", , , Processo :' Resolução: Recurs9 : . ( Iao/c( . Recorrente: .•: Recprrida , : . .' , \. l, I I ~: f i .) \ " / ) , ( , r " , Processo: Resolução: Recurso - Recorrente : - MINIsTÉRIO DA FAZENDA • SEGUNDO CbNSELH~ DE CONTRIBUINTES 10825.000935/93-46 201-00.244 101.217 SAT - ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA RELATÓRIO \ Adoto como Relatório o de fls. 157/158 e aéresço mais o seguinte . ..-. Em Sessão de 15.08.2000, esta C~mara, à unanimidade de votos, através do Acórdão nO201-73.933, assim-decidiu: "NORMAS PROCESSUAIS DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO - NULIDADE - É nula a decisão que não toma conhecim~nto das razões de defesa apresentadas pela -impugnante. Processo que se anula, a partir da decisão deprimeira instância, inclusive. " Foi dado ciência do acórdão correspondente à contribuinte e, em seguida, remetido o processo para julgamento pela DRJ em Ribeirão Preto - SP, que, por sua vez, reduziu a multa de~fOO%para 75%, mas não conheceu do mérito do litígio, sob o fundamento que a opção do contribuinte pela via judicial implica em renúncia à esfera adininistrativa. • Cientificada de tal decisão, a contribuinte interpôs recurso a este Conselho, arrolando bens e alegando qué a matéria levada à apreciação do Judiciário é diferente da que se dis~ute na esfera administrativa. Tendo em vista a não reconduç-ã.o do ilustre Conselheiro Valdemar Ludvig, foi o processo a mim redistribuído. _/ 2 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SERAFIM FERNANDES CORRÊA O .recurso é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento .. 10825.000935/93-46. 201-00.244 .101.217 SEGUNrio CONSELHO DE CONTRIBUINTES .MINIsTÉRIO DA FAZENDA Processo : Resolução: Recurso Inicialmente, cabe, registrar a completa inversão da hierarquia das instâncias ocorrida neste processo. . '.À época do julgamento em segunda instância (15.08.2000), bem como do novo julgamento em primeira instância, decorrente' da nulidade declarada da anterior decisao singular. (3 1.07.2001), assim dispunha o art. 25 do Decreto nO70.235/72 :. "Art. 25. O julgamento do processo compete: I - emprimeira instância: . , j ~ JI .,f . . a) aos Delegados .da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas 'atividades concernentes 'afl;"lgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da . Receita Federal. (Redação dada pelo ar[. 10 da Lei nO 8.748/93) . b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação, aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido; 11- em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, coma ressalvaprevista no inciso III dO.S 1~" ! I ~ Através do Acórdão n° 201-73.933, de 15.08.2000, esta Câmara, à unanimidade de votos,' anulou adecisão recorrida, que não conhecia da impugnação, por alegar que a contribuinte havia recorrido ao Judiciário (fls. 50), e mandou que outra fosse proferida enfrentando o mérito do litígio, de vez que a matéria levada' ao Judiciário era diferente da submetida à esfera administrativa (fls. '159). , .. ,-.. . *'A autoridade julgadora de .primeira instância, o Delegado da DRJ e . Ribeirão Preto ~ SP, no ~taóto, nãoenfrento~ o mérito, vale dizer, descumpriu " deei - 't!J, . . J/ . Processo : Resolução: Recurso .. MINIsTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDo CONSELHO DE C0l'ITRIBUlNTEs 10825:000935/93_46 201-00.244 101.217 { ] ". í . I t J ; mstiÍncia.superior, reiterando a decisão singular anterior, afumando, .em sintese, o que .consta 'da Ementa de fls. 169: I "EMENTA: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. A opção do contribuinte pelo Poder Judiciário para a discusSão do crédito tributário exigido por meio de auto de infração implica renúncia à instância administrativa e desistência de recurso acaso interposto. " Ora, a matéria. foi apreciada e decidida pela segunda instância, que entendeu não haver concomitfuicia entre o processo administrativo e o judicial, de Vez que num. (o judicial) diseute-se se cabe, ou não, a multa de mora, ao invés da de oficio, em função de processo de consulta e do que dispõe a Portatia nO 655, de 09.12.93, e no outrn (o admínístrativo) se cabivel a aplicação no presente processo da multa de mora, ao invés da de oficio, elü função do que dispõe o art. l°da Lei nO8.696/93. Embora objetivando a mesma coisa - parcelamento com. multa de 20%, aó,invés de 100% -, os fundamentos são diferentes. .. E" nessas condições, agiu corretamente esta Câmara em anular o julgamento anterior da primeira instância para que, em nova decisão, a mesma se manifestasse sobre o litigío na esfera administrativa, de Vez que só existe impedimento para tal manifestação se amatéria for igual, o que não é O caso.' . No entanto, t~.l não ocorreu, num completo desrespeito a esta Câmara e à1iierarquia das instâncias. ~ . Isto posto, já existindo 1)6s autos acórdão desta Câmara que não foi cumprido pela instância inferinr, devem os autos retomarem à DRJ em Ribeirão Preto _ SP . para que aquela Delegacia respeite a hierarquia, cumpra o acórdão e julgue o litígio quanto ao mérito, sob pena de, não o fazendo, estar, de novo, desrespeitando decisão hierarquicamente. superior, sujeita, portanto, às penalidades previstas na legislação correspondente. É o voto que submeto à consideração dos meus pares. Sala das Sessões, em 22 de janeiro de2002. O.."...m •••• _-=---... --..-'. '--'-"'C9:'. .. , (:) =-"'" c:::2-.--- -., ~. - , SERAFIM FERNANDES CORRÊA 4 ___ o ._ 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 10665.721055/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa.
Numero da decisão: 2301-005.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto- Relator
EDITADO EM: 11/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10665.721055/2014-09
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761932
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-005.002
nome_arquivo_s : Decisao_10665721055201409.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ALEXANDRE EVARISTO PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10665721055201409_5761932.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto- Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6903988
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467344650240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1380; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 60 1 59 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.721055/201409 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.002 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2017 Matéria Rendimentos Recebidos Acumuladamente Recorrente CIR MARIO DE ARAUJO Recorrida União ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, para negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 11/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Maria Anselma Croscato dos Santos e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 10 55 /2 01 4- 09 Fl. 60DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0954.251, de 04/09/2014, (fls. 42 a 44). No lançamento, relativo ao anocalendário 2012 (fls. 22 a 34), o imposto a restituir foi reduzido de R$ 8.827,26 para R$ 0,02, uma vez que: (i) teria havido uma compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 9.967,34 (fl. 24); (ii) teria havido uma omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, na monta de R$ 1.964,20 (fls. 26 e 27); e (iii) teria havido uma dedução indevida de previdência oficial relativa a rendimentos recebidos acumuladamente no valor de R$ 16.780,27 (fls. 28 e 29); Na impugnação (fls. 3 e 4), o recorrente argumentou que o valor corresponde à retenção de imposto de renda sobre rendimentos recebidos em virtude de ação judicial, assim como o valor da retenção na fonte/depósito judicial foi declarado no CNPJ 00.360.305/000104 da Caixa Econômica Federal. A DRJ julgou a impugnação improcedente, visto que foi entendido que a Fiscalização apenas produziu as alterações devidas na Declaração de Ajuste Anual do interessado de forma a amoldála aos efetivos valores que constaram na planilha da ação trabalhista, da qual a Unimed foi a parte reclamada, e a Caixa Econômica Federal a instituição bancária que repassou os valores em questão ao interessado na qualidade de reclamante. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 50) reiterando as alegações anteriormente feitas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Tal qual já exposto no Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento, o recorrente não ofereceu contradita às infrações alusivas à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, sujeitos à tributação exclusiva na fonte, de R$ 1.964,20 (fls. 26 e 27), e à dedução indevida de previdência oficial relativa a rendimentos recebidos acumuladamente – tributação exclusiva, de R$ 16.780,27 (fls. 28 e 29). Logo, com relação a tais parcelas não impugnadas, não foi instaurado litígio, nos termos do artigo 17 do Decreto n. 70.235/72. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10665.721055/201409 Acórdão n.º 2301005.002 S2C3T1 Fl. 61 3 No que diz respeito à “compensação indevida de imposto de renda retido na fonte” (fl. 24), no montante de R$ 9.967,34, o recorrente aduz que tal valor correspondeu ao retido em face de ação judicial. O recorrente declarou os rendimentos advindos da ação judicial em comento, tendo por reclamada a Unimed e por instituição bancária pagadora a Caixa Econômica Federal, sendo que informou tais rendimentos na ficha de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, com tributação exclusiva na fonte. Tal qual assinalado no Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento, a Fiscalização apenas produziu as alterações devidas na Declaração de Ajuste Anual do interessado de forma a amoldála aos efetivos valores que constaram na planilha da ação trabalhista, da qual a Unimed foi a parte reclamada, e a Caixa Econômica Federal a instituição bancária que repassou os valores em questão ao interessado na qualidade de reclamante, sendo que o montante do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 9.967,34 já foi considerado no cálculo da fiscalização (fl. 30). Vale lembrar que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, conforme dispõe o artigo 36 da Lei n° 9.784/99, "in verbis": Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Portanto, no caso em tela caberia ao recorrente demonstrar que o lançamento e o Acórdão da DRJ não procedem, o que não foi feito, de modo que deve ser mantida a glosa por compensação indevida. Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720381/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007
PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas
Numero da decisão: 3302-004.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Charles Pereira Nunes Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Cassio Schappo .
Nome do relator: CHARLES PEREIRA NUNES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.720381/2012-46
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5788406
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.817
nome_arquivo_s : Decisao_16327720381201246.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CHARLES PEREIRA NUNES
nome_arquivo_pdf_s : 16327720381201246_5788406.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes Relator Participaram ainda do presente julgamento: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Cassio Schappo .
dt_sessao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6984521
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467378204672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720381/201246 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302004.817 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2017 Matéria COFINS BASE DE CÁLCULO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado UNICARD BANCO MULTIPLO S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007 PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas Embargos Acolhidos Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Charles Pereira Nunes – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Cassio Schappo . S3C3T2 Fl. 2 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 81 /2 01 2- 46 Fl. 694DF CARF MF Relatório Com arrimo no art. 65 inc. III do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF nº 343, de 2015, a FAZENDA NACIONAL embargou o Acórdão 3302003.370, de 27 de setembro de 2016. Esse julgado recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/10/2007 a 30/11/2007 PRAZO. DOMICÍLIO ELETRÔNICO. TRANSCURSO DE PRAZO. LEI N. 12.844/2013. Até o advento da Lei n. 12.844/2013 (DOU de 19/07/2013) a contagem de prazo recursal, quando a intimação feita por via eletrônica, iniciavase exclusivamente pelo decurso de prazo. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PRECEDENTES. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora. Assinto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/2007 a 30/11/2007 BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 3 2 Fl. 695DF CARF MF Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 31/10/2007 a 30/11/2007 BOLSA DE VALORES. BOLSA DE MERCADORIAS E FUTUROS. PROCESSO DE DESMUTUALIZAÇÃO. CONVERSÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS EM AÇÕES. NEGOCIAÇÃO. CURTO OU MÉDIO PRAZO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. As disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente devem ser contabilizados no Ativo Circulante. Caracterizada a intenção prévia de negociar em prazo exíguo as ações recebidas em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas e, após, a efetiva consumação do negócio, não se cogita da hipótese de exclusão da base de cálculo prevista no inciso IV do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Há incidência da Contribuição sobre o valor da receita obtida na transação. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarados inconstitucional o § 1º e constitucional o caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS todo o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido em Parte Consta do acórdão da decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para que a base de cálculo seja apurada pela diferença entre o preço de venda e valor arbitrado no processo 16327.720438/201126 Acórdão n. 1101 Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 4 3 Fl. 696DF CARF MF 000.868, de 09/04/2013 (Bovespa: 10,80 e BM&F: 9,98), vencidos os Conselheiros Domingos de Sá e Walker Araújo e as Conselheiras Sarah Araújo e Lenisa Prado, que davam integral provimento ao Recurso. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Recurso Voluntário Provido em Parte A Embargante acusa a decisão do vício de omissão ao não apreciar, ou ao não afastar expressamente, a inexistência de pressupostos a permitirem a apreciação de matéria que não se configura como de ordem pública, tratandose, na verdade, de matéria preclusa, a teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Os embargos foram admitidos no seguintes termos: "1 Omissão A PFN entende que o Colegiado não poderia ter apreciado e decidido o pleito recursal, no sentido de que a base de cálculo fosse apurada pela diferença entre o preço de venda e valor arbitrado no processo 16327.720438/201126 Acórdão nº 1101000.868, de 09/04/2013. A propósito, o voto vencedor da decisão embargada, depois de decidir sobre o mérito de outras matérias, assim abordou o pleito de redução da base de cálculo: (...) Resolvido isso, resta decidir a respeito da alega a redução da base de cálculo das Contribuições decorrente do arbitramento do valor das ações determinado no processo de exigência do Imposto de Renda. Revejamos as alegações da Recorrente. 'A saber, a RFB considerou que os lindos foram alienados por valores inferiores aos praticados à época no mercado e autuou a Unibanco Corretora, formalizando o Processo Administrativo n. 16327.720438/201126 e. ao fazêlo. fixou que os valores unitários de mercado na data das alienações da Unibanco Corretora para o Recorrente seriam de RS 10.80 para Bovespa (e não de R$2,23) e RS 9,98 para BM&F (e não de RS 1,42). Considerando que a suposta receita obtida nas alienações das ações se dá pela diferença entre valor de custo e o de venda, é certo que o aumento do custo determinado pela Fiscalização redundou, necessariamente, na redução da receita supostamente auferida pelo Recorrente. Pontuese que já há decisão proferida pelo CARF no P.A. n. 16327.720438/201126 que não possui, ainda, caráter de definitividade". Creio que a parte tenha direito a ver sua pretensão atendida. Se o próprio Fisco rejeitou a base de cálculo indicada pela empresa na apuração do IRPJ, adaptandoa aos valores de mercado que considerou compatíveis com o tipo de negócio exercido, a mesma premissa deve ser considerada no caso concreto, calculandose a base em função dos valores arbitrados Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 5 4 Fl. 697DF CARF MF pela Fiscalização Federal no processo de determinação e exigência do valor do Imposto de Renda devido. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para que a base de cálculo seja apurada pela diferença entre o preço de venda e valor arbitrado no processo 16327.720438/201126 Acórdão n°.1101000.868. de 09/04/2013 (Bovespa: 10,80 e BM&F: 9,98). (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa' Compulsando os autos, nas fls. 337 a 347, constato que o pleito apreciado pelo Colegiado Recursal foi inédito, não constando da impugnação. Nada obstante, o voto vencedor da decisão embargada não declinou os motivos pelos quais conhecia de matéria com essa natureza. Tratase de carência de fundamentação que enseja saneamento pela via dos aclaratórios. 2 Conclusão Com essas considerações, e para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RI CARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os embargos interpostos, para que uma nova decisão seja prolatada, colmatandose a omissão referida." É o relatório Voto Conselheiro Charles Pereira Nunes Inicialmente vêse que não é o caso de se reexaminar o mérito relativo à base de cálculo uma vez que os embargos alegam apenas que a matéria estava preclusa, a teor do art. 17 do Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Realmente essa matéria não foi expressamente impugnada, todavia vêse que ela se revelou como prova ainda não disponível para a Embargada no momento da impugnação, uma vez que a produção desta prova estava acontecendo em outro processo ainda em tramitação, vindo a ter uma definição depois do julgamento de primeira instância quando então foi levada ao conhecimento da segunda instância. Cronologia dos fatos: em 04 de maio de 2012 foi apresentada a impugnação; em 13 de junho de 2013 ocorreu a sessão de julgamento na DRJ; em 27 de janeiro de 2014 a empresa peticionou nos autos de produção da prova nos seguintes termos (negritei) Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 6 5 Fl. 698DF CARF MF ITAÚ UNIBANCO S/A (atual denominação de UNIBANCO CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS E CÂMBIO), com sede na Praça Alfredo Egydio de Souza Aranha n° 100, São PauloSP, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 60.701.190/000104, vem, por suas advogadas infraassinadas (doc. 01), nos termos do artigo 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 07, de 15 de outubro de 2013 (com as alterações da Portaria PGFN/RFB n° 13/2013), comunicar que efetuou o recolhimento do IRPJ e CSLL, relativo ao anocalendário de 2007, discutidos nestes autos, com os benefícios concedidos pela Lei n° 11.941 de 27 de maio de 2009, cujo prazo para adesão foi reaberto pela Lei n° 12.865, de 09 de outubro de 2013, conforme guias de arrecadação e planilha de cálculo anexas (doc.02). Por essa razão, o peticionante desiste do Recurso Especial interposto e renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam referido recurso, requerendo, desde já, a extinção dos créditos tributários e a baixa do processo administrativo em epígrafe. Pois bem, neste momento a validade do arbitramento, que aumentaria o valor de custo, se confirmou e automaticamente se transformou em prova a ser emprestada para o processo em exame nesta turma, e assim, em 21 junho de 2016 a Embargada requereu à relatora deste processo sua juntada, fl. 485, de onde colho o exceto: Processo nº 16327.720381/201246 Relatora: Conselheira Lenisa Rodrigues Prado (Item 46 da Pauta de 22/06/2016) HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S.A., sucessor por incorporação do UNICARD BANCO MÚLTIPLO S.A. (doc. 01), já qualificado nestes autos, vem, por meio de seu advogado, requerer, nos termos do art. 16, § 4º, alínea "b" do Decreto nº 70.235/72, a juntada da petição de desistência da discussão relativa ao PA nº 16327.720438/201126, que comprova o encerramento definitivo daquele feito (doc. 02). 1. De início, salientese que o recurso voluntário interposto nestes autos deve ser integralmente provido, uma vez que as receitas decorrentes da substituição títulos patrimoniais por ações processo de desmutualização da Bovespa e da BM&F integram do ativo permanente do recorrente (hipótese de exclusão legal") e, ainda que assim não fosse, tais receitas não decorrem da atividade típica bancária por ele desenvolvida (não se caracterizam como fato gerador do PIS e da Cofins2). 2. Todavia, a comprovação da desistência relativa ao PA nº 16327.720438/201126 se revela imprescindível pois, caso essa D. Turma supere as questões meritórias ventiladas neste processo, o que se admite para argumentar, é certo que o montante cobrado nesses autos deve, necessariamente, ser reduzido em razão de alterações promovidas pela RFB na base de cálculo autuada, nos termos do item III do recurso voluntário a ser julgado. Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 699DF CARF MF 6. Ocorre que, no que toca às ações adquiridas da pessoa jurídica Unibanco Corretora de Valores Mobiliários S/A3, a RFB acabou por entender, em uma outra fiscalização, que tal aquisição se deu por um valor inferior ao praticado no mercado (PA nº 16327.720438/201126). 7. Por tal razão, a RFB autuou a Unibanco Corretora de Valores Mobiliários S/A, elevando, para tanto, o preço de custo dos títulos mobiliários (PA n2 16327.720438/201126). 8. A saber, a RFB considerou que os títulos foram alienados por valores inferiores aos praticados à época no mercado e autuou a Unibanco Corretora, formalizando o processo administrativo nº 16327.720438/201126. 9. Ao fazêlo, fixou que os valores unitários de mercado na data das alienações da Unibanco Corretora para o Recorrente seriam de R$ 10,80 para Bovespa (e não de R$ 2,23) e R$ 9,98 para BM&F (e não de R$ 1,42). 15. Ad argumentandum, caso essa D. Turma não determine de plano a redução da autuação, requerse sejam os autos baixados em diligência para a Unidade de Origem, a fim de que esta confirme os valores alterados em razão da definitividade relativa ao PA 16327.720438/201126 e recalcule tanto a base de cálculo em discussão quanto o montante autuado. Termos em que, Pede deferimento." Verificase que, a despeito do voto condutor do acórdão embargado não ter fundamentado sua aceitação da prova apresentada, não se configurou a preclusão, pois no caso em análise o disposto no art. 16, § 4ª alínea "b" do Decreto nº 70.235, de 1972 PAF1 amparou a juntada da prova depois da impugnação. Conclusão Do exposto acolho os embargos de declaração opostos pela Fazenda nacional para rerratificar o acórdão embargado, sem conferirlhe efeitos infringentes. Charles Pereira Nunes Relator . 1 Decreto nº 70.235/72 (PAF) Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: b) refirase a fato ou a direito superveniente; § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterio.r § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 8 7 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16327.720381/201246 Acórdão n.º 3302004.817 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000552/2003-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-005.392
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13016.000552/2003-41
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5779158
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.392
nome_arquivo_s : Decisao_13016000552200341.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13016000552200341_5779158.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6957716
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467391836160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13016.000552/200341 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.392 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. EXPORTAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MADEM SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS E EMBALAGENS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 6. 00 05 52 /2 00 3- 41 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13016.000552/200341 Acórdão n.º 9303005.392 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 380300.872. Na parte de interesse ao presente litígio, o colegiado a quo decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão argumentando, em síntese, que a cessão onerosa de créditos de ICMS é uma operação que equiparase a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo da PIS/ COFINS, conforme dispõe o art. 1° §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. O contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.319, de 25/07/2017, proferido no julgamento do processo 13016.000004/200401, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.319): "Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13016.000552/200341 Acórdão n.º 9303005.392 CSRFT3 Fl. 4 3 O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, cuja decisão possui a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deu se em 05/12/2013. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13016.000552/200341 Acórdão n.º 9303005.392 CSRFT3 Fl. 5 4 Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte." Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13016.000552/200341 Acórdão n.º 9303005.392 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721612/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007
SAÍDA DE INSUMOS COM SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637, DE 2002. A suspensão do IPI nas vendas de insumos prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, é aplicável para as saídas do estabelecimento industrial. O requisito de ser "estabelecimento industrial" é de caráter subjetivo (quanto à essência, constituição social da empresa importadora) e não objetivo (atrelado à execução operações de industrialização com os MP, PI ou ME importados). É essa a interpretação tanto literal (artigo 111 do CTN) quanto teleológica da norma, que desonerou as importações efetuadas pela indústria automotiva.
IPI. FATOS GERADORES. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Assim, sendo equiparado a estabelecimento industrial o importador de produtos de procedência estrangeira que der saída a esses produtos, fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois momentos distintos, relativos aos dois fatos geradores acima citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento.
IPI. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. MATERIAIS DE USO E CONSUMO. GLOSA. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Não dá direito ao crédito de IPI a aquisição de bens destinado ao ativo permanente e de uso e consumo do contribuinte, conforme a Súmula nº 495 do STJ e jurisprudência do STF (RE 491.262 AgR /PR).
IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESGASTE DIRETO NO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. O artigo 82 do RIPI/82 confere direito ao crédito de IPI pela aquisição de produtos intermediários, entendidos como "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização." A melhor interpretação da norma é que não é possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários que só indiretamente façam parte da industrialização. Contudo, dão direito ao crédito de IPI as aquisições de produtos intermediários (como partes e peças de máquinas) que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, desgastando-se ou consumindo-se. Este é o entendimento explicitado na Solução de Consulta nº 24 - Cosit, de 23 de janeiro de 2014, devendo glosas contrárias ao ali exposto serem canceladas.
CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE APURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A decadência fulmina o direito da fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar a apuração (débitos e créditos) no livro de IPI. As glosas de créditos podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência requerida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto-vista da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Relator, e Jorge Olmiro Lock Freire, que negaram provimento ao recurso e, ainda, o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, que negou provimento em menor extensão para permitir apenas o creditamento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne declarou-se impedida, sendo substituída pelo Conselheiro Cássio Schappo.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
(assinado digitalmente)
Thais de Laurentiis Galkowicz - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Dr. Marco Túlio F. Ibraim, OAB/MG nº 110.372.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007 SAÍDA DE INSUMOS COM SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637, DE 2002. A suspensão do IPI nas vendas de insumos prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, é aplicável para as saídas do estabelecimento industrial. O requisito de ser "estabelecimento industrial" é de caráter subjetivo (quanto à essência, constituição social da empresa importadora) e não objetivo (atrelado à execução operações de industrialização com os MP, PI ou ME importados). É essa a interpretação tanto literal (artigo 111 do CTN) quanto teleológica da norma, que desonerou as importações efetuadas pela indústria automotiva. IPI. FATOS GERADORES. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Assim, sendo equiparado a estabelecimento industrial o importador de produtos de procedência estrangeira que der saída a esses produtos, fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois momentos distintos, relativos aos dois fatos geradores acima citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento. IPI. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. MATERIAIS DE USO E CONSUMO. GLOSA. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Não dá direito ao crédito de IPI a aquisição de bens destinado ao ativo permanente e de uso e consumo do contribuinte, conforme a Súmula nº 495 do STJ e jurisprudência do STF (RE 491.262 AgR /PR). IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESGASTE DIRETO NO PROCESSO PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. O artigo 82 do RIPI/82 confere direito ao crédito de IPI pela aquisição de produtos intermediários, entendidos como "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização." A melhor interpretação da norma é que não é possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários que só indiretamente façam parte da industrialização. Contudo, dão direito ao crédito de IPI as aquisições de produtos intermediários (como partes e peças de máquinas) que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, desgastando-se ou consumindo-se. Este é o entendimento explicitado na Solução de Consulta nº 24 - Cosit, de 23 de janeiro de 2014, devendo glosas contrárias ao ali exposto serem canceladas. CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE APURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A decadência fulmina o direito da fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar a apuração (débitos e créditos) no livro de IPI. As glosas de créditos podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência requerida. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.721612/2012-62
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756494
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.295
nome_arquivo_s : Decisao_10830721612201262.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830721612201262_5756494.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto-vista da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Relator, e Jorge Olmiro Lock Freire, que negaram provimento ao recurso e, ainda, o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, que negou provimento em menor extensão para permitir apenas o creditamento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne declarou-se impedida, sendo substituída pelo Conselheiro Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowicz - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Dr. Marco Túlio F. Ibraim, OAB/MG nº 110.372.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6884667
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467439022080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2341; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 730 1 729 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.721612/201262 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.295 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MAGNETI MARELLI SISTEMAS AUTOMOTIVOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007 SAÍDA DE INSUMOS COM SUSPENSÃO. ART. 29 DA LEI Nº 10.637, DE 2002. A suspensão do IPI nas vendas de insumos prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, é aplicável para as saídas do “estabelecimento industrial”. O requisito de ser "estabelecimento industrial" é de caráter subjetivo (quanto à essência, constituição social da empresa importadora) e não objetivo (atrelado à execução operações de industrialização com os MP, PI ou ME importados). É essa a interpretação tanto literal (artigo 111 do CTN) quanto teleológica da norma, que desonerou as importações efetuadas pela indústria automotiva. IPI. FATOS GERADORES. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Assim, sendo equiparado a estabelecimento industrial o importador de produtos de procedência estrangeira que der saída a esses produtos, fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois momentos distintos, relativos aos dois fatos geradores acima citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento. IPI. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. MATERIAIS DE USO E CONSUMO. GLOSA. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Não dá direito ao crédito de IPI a aquisição de bens destinado ao ativo permanente e de uso e consumo do contribuinte, conforme a Súmula nº 495 do STJ e jurisprudência do STF (RE 491.262 AgR /PR). IPI. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESGASTE DIRETO NO PROCESSO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 16 12 /2 01 2- 62 Fl. 730DF CARF MF 2 PRODUTIVO. DIREITO AO CRÉDITO. O artigo 82 do RIPI/82 confere direito ao crédito de IPI pela aquisição de produtos intermediários, entendidos como "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização." A melhor interpretação da norma é que não é possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários que só indiretamente façam parte da industrialização. Contudo, dão direito ao crédito de IPI as aquisições de produtos intermediários (como partes e peças de máquinas) que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, desgastandose ou consumindose. Este é o entendimento explicitado na Solução de Consulta nº 24 Cosit, de 23 de janeiro de 2014, devendo glosas contrárias ao ali exposto serem canceladas. CRÉDITOS. DECADÊNCIA DO DIREITO DE APURAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A decadência fulmina o direito da fazenda pública exigir tributo por meio do lançamento de ofício e não o direito de o fisco efetuar a apuração (débitos e créditos) no livro de IPI. As glosas de créditos podem retroagir a tempos imemoriais, mas o fisco só pode exigir o imposto relativo aos últimos cinco anos, contados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência requerida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do votovista da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Relator, e Jorge Olmiro Lock Freire, que negaram provimento ao recurso e, ainda, o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, que negou provimento em menor extensão para permitir apenas o creditamento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. A Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne declarouse impedida, sendo substituída pelo Conselheiro Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. (assinado digitalmente) Thais de Laurentiis Galkowicz Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 731 3 Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, o Dr. Marco Túlio F. Ibraim, OAB/MG nº 110.372. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa MAGNETI MARELLI SISTEMAS AUTOMOTIVOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, doravante denominada de MAGNETI MARELLI, em que foi lançado o IPI referente aos períodos de apuração (PA) de janeiro a setembro de 2007, no valor total de R$ 1.994.937,21 (incluídos nesse valor o principal, multa proporcional e juros de mora). Segundo Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 477/507, foram apuradas as seguintes infrações, em síntese: (i) Erro na classificação fiscal dos produtos “Painéis de Instrumento” e “Partes e Peças de Painéis de Instrumento” que utilizaram indevidamente as classificações respectivas de 8708.29.94 e 8708.29.99, com alíquotas de 5% (cinco por cento), quando a correta para ambos os casos seria 9029.90.10, com alíquota de quinze por cento; (ii) Falta de destaque do imposto nas saída do produto importado “transponder” para as empresas TRW Automotive e Valeo Sistemas Automotivos, alegando haver suspensão de IPI nos termos do art. 29 da Lei 10.637, de 2002. Com base nas informações obtidas da impugnante, a fiscalização concluiu que não era realizada nenhuma operação industrial, caracterizando a embalagem na qual o material era armazenado meramente acondicionamento para transporte (“é feito em caixas, sem acabamento e rotulagem de função promocional, colocando apenas o logo ‘Magneti Marelli’ indicando o fornecedor, não objetivando valorizar o produto em razão da qualidade do , material nele empregado, da perfeição do acabamento ou da sua utilizada adicional (caixa de papelão)”); (iii) Falta de destaque do IPI nas notas fiscais de saída de ferramentais. Segundo a fiscalização, a impugnante alegou a suspensão do imposto nos termos da Lei 10.637, de 2002, art. 29 caput, e §1°, inciso I, “a”, e Lei 10.485, de 2002, art. 4º, regulamentados pela IN SRF 296, de 2003, posteriormente revogada pela IN SRF nº 948, de 2009. O entendimento da Unidade é o de que o ferramental não é alcançado pela suspensão do art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, por ser item do imobilizado. Além disso, com relação a duas notas que cita, estaria ocorrendo simples revenda de item importado, conforme hipótese da alínea “b” acima; e d) Glosa de créditos referentes a itens fora do conceito de insumos. Tais itens foram relacionados nas tabelas das fls. 499/501 (tópicos LV a LVIII). Por trazer uma clara síntese do processo até o julgamento da Impugnação Administrativa, peço vênia para transcrever o relatório do Acórdão 0128.869, da 3ª Turma da DRJ em Belem (PA), ora recorrido (fls. 654/672): "(...) 2. Diante da apuração dos débitos e das glosas de créditos acima, a fiscalização reconstituiu a escrita dos períodos, lançando o imposto referente aos saldos devedores com multa de ofício, além de multa isolada nos casos em que os débitos foram cobertos com créditos da escrita da empresa. Fl. 732DF CARF MF 4 3. Ressalta que as glosas utilizadas na reconstituição também foram objeto de análise nos processos 13603.908483/200991 (1º Trimestre/2007); 13603.904910/201187 (2º Trimestre/2007); e 13603.904911/201121 (3º Trimestre/2007). 4. Cientificada em 22.03.2012, a interessada apresentou, tempestivamente, em 23.04.2012, impugnação (fls. 525/550) na qual apresenta os argumentos abaixo sintetizados: a) Aponta decadência do direito de exigir o IPI atinente ao período compreendido entre 01.01.2007 e 20.03.2007, manifestando entendimento de que “a decadência tributária, segundo o art. 173, I, do CTN, não se inicia apenas no ano seguinte ao de ocorrência do fato gerador, conforme preconizado pelo Fisco Federal, mas sim no período de apuração imediatamente subseqüente, momento no qual o tributo já poderia ser lançado.”; b) Defende a aplicação da suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, nas saídas do “transponder” (alínea “b” do item 1 do Relatório acima), afirmando que “não é necessário, para a suspensão, que as mercadorias vendidas, antes de seremno, sejam industrializadas pelos respectivos alienantes; o que interessa é que estes sejam estabelecimentos industriais, independentemente de terem submetido os bens comercializados a processos de industrialização.”. Acrescenta: “Com efeito, sendo o comerciante um estabelecimento industrial, as vendas que realizar das mercadorias mencionadas no art. 29 da Lei n. 10.637/02 haverão de ter o IPI, acaso incidente, suspenso, ainda que estas, as mercadorias, não tenham sido industrializadas por aquele, o estabelecimento vendedor. ...... A interpretação mais adequada, então, do art. 29 da Lei n. 10.637/02, é de que o benefício de suspensão é prerrogativa da pessoa vendedora (o estabelecimento industrial), e não característica de apenas algumas operações por ela realizadas. Dessarte, sendo a Impugnante estabelecimento indiscutivelmente industrial como é notório, está demonstrado no laudo técnico anexo e também poderá ser aferido em diligência fiscal ou perícia, se entendidas necessárias ela estava, sim, autorizada a aplicar a suspensão do IPI nas vendas autuadas, mesmo que não tenha industrializado, especificamente, as mercadorias então vendidas.” c) Ainda com relação aos “transponders”, alega que a suspensão em questão também se aplica aos estabelecimentos equiparados a industriais, citando orientação do CARF no Acórdão n. 20217844. Aduz: “Ou seja, ainda que se desconsidere, in casu, a condição de indústria da Impugnante, por não ter ela industrializado as mercadorias autuadas (argumento anterior), o fato de ela ser, por essas mesmas operações, juridicamente equiparada a um estabelecimento industrial, faz com que tenha direito à citada suspensão do art. 29. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 732 5 ...... E assim é porque o art. 29, instituidor do benefício em comento, não trouxe qualquer proibição à sua aplicação aos estabelecimentos equiparados a industriais. Foi silente quanto a este ponto, o que permite, senão impõe, a adoção do raciocínio ora desenvolvido. Por isso, tendo em conta os mais elementares princípios jurídicos, merecendo destaque a legalidade, não poderia uma IN criar vedação inexistente na lei que buscou regulamentar. A vedação nela constante, portanto, não goza de eficácia jurídica alguma.” d) Outro argumento apresentado pela impugnante relativo à saída dos “transponders” e também referente às saídas sem destaque dos ferramentais, é o de que, em se tratando de produtos importados, a incidência do IPI deveria ocorrer unicamente no momento do desembaraço aduaneiro, sob pena de ocorrer a bitributação, vedada pela Constituição: “Ou seja, importada uma mercadoria, para que seja posteriormente alienada (sem que sofra qualquer processo industrial), a tributação do IPI deve se restringir ao momento de sua entrada no país, não havendo falar em nova incidência por ocasião da primeira e subseqüente venda no mercado nacional.”; e) No que diz respeito às glosas efetuadas, argumenta que “a maior parte dos bens autuados, além de não integrarem o ativo permanente da Impugnante (doc. n. 08) e serem essenciais no seu processo produtivo, são nele consumidos o que o próprio Fiscal não questionou a partir de ação exercida diretamente sobre os produtos em fabricação. São insumos, portanto, e deveriam, nessa condição, ter permitido o creditamento”; f) Cita exemplo de dois itens: “Fresa RH 1.50” e “Ponta Apex 49ATX09 e 49ATX10”, cujas funções descreve: “(...) a ‘Fresa RH 1.50’ é uma espécie de agulha, que presa a um suporte, tem por função, conforme o laudo técnico, ‘(...) destacar a placa de circuito impresso de sua moldura de montagem por meio de remoção por usinagem das aletas de fixação.’ Tais placas de circuito, produzidas pela Impugnante, são sempre feitas a duas, de modo a potencializar a produção (...) ....... Naturalmente, chegada à etapa descrita na foto, fazse necessário destacar as placas uma da outra e também do restante do molde, a fim de que possam ser aplicadas nos painéis dos veículos (os ‘quadros de instrumentos’). A ‘Fresa RH 1.50’ é então utilizada, realizando esses destaques por sua aplicação direta (em contato físico) com as placas.(...) Exerce, portanto, função indiscutivelmente essencial no processo produtivo da Impugnante, além de ser nele consumida, justamente pelo intenso e repetido contato físico com o bem em produção. Características estas que, além de demonstrarem a Fl. 734DF CARF MF 6 sua feição de insumo (gerador de crédito, portanto, encontramse confirmadas no laudo pericial anexo e nos documentos de fls. 09. ....... As ‘Ponta Apex 49ATX09 e 49ATX10’7, por seu turno, são agulhas um pouco mais grossas, que são utilizadas, segundo o laudo, ‘(...) em parafusadeiras que são responsáveis pelo fechamento do produto...’, a fim de ‘(...) executar a fixação de parafusos no produto por processo de parafusamento...’. Em termos mais simples, prestamse a encaixar, por sua ação rotativa, os parafusos nas placas de circuito, os quais são necessários para afixar este último no ‘quadro de instrumentos’ (que é o painel do veículo, como dito). ...... Não é necessário justificar o seu contato com o ‘quadro de instrumentos’, que é o bem em produção. Os parafusos afixados pelas ‘Pontas’ são parte fundamental do produto fabricado, eis que são responsáveis por conectar a parte eletrônica (a ‘placa de circuitos’) à parte visual do ‘painel de instrumentos’, que é a interface com o condutor do veículo. Desgastandose, portanto, em função de seu contato físico com esses parafusos (em freqüência quinzenal, como se vê do laudo), as ‘Pontas Apex’ são indiscutivelmente insumos, pois se enquadram, à perfeição, nas características pertinentes, acima delineadas.” g) Relaciona os demais itens glosados para os quais entende haver direito ao crédito (lâminas de poliuretano, Emulsão Azocol, Rolo de papel, Vaselina sólida e Resistência Heatcon), afirmando de maneira geral: “Quanto aos demais bens que foram erroneamente classificados pelo Fiscal, que se arrola a seguir para fins de sistematização, as características são as mesmas: fundamentais ao processo produtivo, e não passíveis de imobilização, eles se desgastam ou se consomem em virtude de sua ação diretamente exercida sobre os produtos fabricados pela Impugnante. Portanto, tendo sido demonstrado que os materiais acima apontados atendem às condições legais para serem considerados como insumos (e, ato contínuo), outra conclusão não é possível, para o presente caso, que não a validação dos créditos escriturados pela Impugnante” h) Solicita a realização de diligência/perícia, indicando os questionamentos e assistente técnico; i) Ao final, requer: “(a) preliminarmente, a decadência dos valores atinentes ao período compreendido entre 01.01.07 e 20.03.07, com base nas razões do subtópico 3.1. (b) no mérito, o cancelamento do presente Auto de Infração, com a consequente anulação da recomposição da escrita fiscal da Impugnante realizada pela DRF, tendo em vista os argumentos apresentados nos subtópicos 3.2. a .3.5; e Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 733 7 (c) caso se entenda necessário, a realização de perícia técnica e/ou diligência fiscal, nos termos do subtópico 3.6.” É o que importa relatar. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2007 VENDA DE INSUMOS COM SUSPENSÃO; ART. 29 DA LEI Nº 10.637, DE 2002. A suspensão do IPI nas vendas de insumos prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, é aplicável unicamente para as saídas do “estabelecimento industrial”, que é o que executa operações de industrialização. Assim, não tendo ocorrido qualquer operação caracterizada como industrialização, inexiste direito ao benefício. FATOS GERADORES. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. São fatos geradores do IPI o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira e a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. Assim, sendo equiparado a estabelecimento industrial o importador de produtos de procedência estrangeira que der saída a esses produtos, fica o mesmo obrigado ao pagamento do IPI em dois momentos distintos, relativos aos dois fatos geradores acima citados: desembaraço aduaneiro e saída do estabelecimento. CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação, sem que façam parte de máquinas ou sejam itens do ativo permanente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012 DECADÊNCIA. Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 Fl. 736DF CARF MF 8 IMPUGNAÇÃO . A impugnação tempestivamente apresentada deverá trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sem o que não poderá ser conhecida. Deixando a empresa de contestar a reclassificação fiscal de parte dos produtos, definitiva é a decisão. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa MAGNETI MARELLI, tomou ciência do Acórdão em 07/05/2014, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) fl. 677. Em, 28/05/2014 (fl. 680), protocolou seu Recurso Voluntário de fls. 680/709, aduzindo suas razões, que desta forma pode ser resumida: (a) Decadência do direito de exigir o IPI e de proceder à reformulação da escrita fiscal da Recorrente no período compreendido entre 01.01.07 e 30.03.07. No presente caso, o prazo decadencial, seja para se lançar eventuais diferenças de IPI, seja para se proceder ao exame da escrita fiscal da Recorrente, teve início no período de apuração seguinte àquele da ocorrência dos respectivos fatos geradores. De todas as formas, ainda que ultrapassada a argumentação anterior, devese lembrar que o IPI é tributo sujeito ao lançamento por homologação, o que atrai a aplicação do art. 150, §4°, do CTN; (b) Venda do "transponder": aplicabilidade da suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/02. A Recorrente aduz, na defesa apresentada, que faz jus à suspensão estipulada no art. 29 da Lei nº 10.637/02, uma vez demonstrado que ela se enquadra no conceito de "estabelecimento industrial"; a lei não fala na necessidade de industrialização do bem alienado para que sua saída se dê ao abrigo da suspensão; ela não se foca na operação que terá o IPI suspenso para tratar do benefício. A regra é bastante nítida e exata neste ponto: exige, para o uso da suspensão, que a saída advenha de estabelecimento industrial; b.1) Subsidiariamente: a suspensão prevista no art. 29 da Lei n. 10.637/02 também se aplica aos estabelecimentos equiparados a industriais. Orientação do CARF, Acórdão n. 20217.844: Subsidiariamente à alegação acima, a Recorrente argumentou que, ainda que não se considere o critério subjetivo do benefício previsto no art. 29 da Lei n. 10.637/02, ela faria jus à suspensão, tendo em vista que, nas operações analisadas, ela se caracteriza como estabelecimento equiparado a industrial; (c) Venda de ferramentais e do "transponder": o IPI não incide na 1ª saída após a importação. Inteligência do REsp n. 842.269/BA, do STJ: Neste item, a DRJ/BEL entendeu que a saída ao produto nacionalizada pelo importador configuraria novo fato gerador do imposto, eis que, por ficção legal, o importador seria equiparado a industrial. Trouxe a interpretação conferida pelos Pareceres Normativos CST ns. 367 e 452, de 1971. O fundamento carece de base legal. O benefício era sim aplicável como demonstrado. Entretanto, ainda que ultrapassados os pontos supra, importa rememorar que o IPI, de qualquer forma, ao contrário do sustentado no acórdão, não deve incidir em operações como as analisadas. Quando estão em Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 734 9 análise produtos importados revendidos, a cobrança do IPI se dá, única e exclusivamente, no momento do desembaraço aduaneiro, sob pena da constitucionalmente vedada bitributação; (d) Glosas de créditos de IPI registrados pela Recorrente como insumos: possibilidade do creditamento dos produtos autuados. O cerne da controvérsia residiu na classificação dos produtos adquiridos: por um lado, segundo a DRF de Campinas/SP, eles não se classificariam como insumos; por outro, de acordo com os argumentos desenvolvidos na Impugnação ao Auto de Infração, os requisitos legais para a caracterização de insumo estariam preenchidos, sendo clarividente o direito ao creditamento. Para tanto, a Recorrente anexou laudo técnico e evidenciou a contabilização dos itens autuados. Nesse sentido, cumpre observar que as características de todos os produtos são as mesmas, como se pode verificar do referido laudo (doc. nº 07 da Impugnação): fundamentais ao processo produtivo, e não passíveis de imobilização, eles se desgastam ou se consomem em virtude de sua ação diretamente exercida sobre os produtos fabricados pela Recorrente. Isto é, não são apenas partes e peças ou itens de limpeza, como disposto no Acórdão; são verdadeiros insumos, que se desgastam no curso do processo produtivo em decorrência do contato físico com os produtos fabricados. São eles: (a) a "Fresa RH 1.50"; (b) As "Ponta Apex 49ATX09 e 49ATX10", (c) Lamina de poliuretano 60 SHOR 12"x3/8"x3; (d) Lamina de poliuretano 70/75 SHOR 0,65x10x50mm (e) Lamina de poliuretano 80 SHOR 12"x3/8"x3/8" C (f) Lamina de poliuretano 80 SHOR 7x35x3000mm RE (g) Emulsão Azocol (h)Rolo de papel (i)Vaselina sólida (j) Resistência Heatcon HT3289 30X37mm 220V 400W. e) Pedido de diligência/perícia: caso os documentos já juntados aos autos não sejam suficientes para formar o convencimento dos Julgadores, no intuito de concretizar o princípio da verdade material, a decisão recorrida deve ser reformada para se determinar a realização de diligência fiscal nestes autos. Por fim, requer seja o presente Recurso Voluntário conhecido e provido, com a reforma do acórdão atacado, para que seja reconhecida a decadência do direito lançar imposto atinente ao período compreendido entre 01.01.07 e 30.03.07 e no mérito, o cancelamento do Auto de Infração com a conseqüente anulação da recomposição da escrita fiscal. Subsidiariamente, caso não se entenda que as provas já anexadas aos autos são suficientes, seja determinada a realização de diligência fiscal/perícia. O processo, então, foi encaminhado ao CARF e distribuído para este Conselheiro proceder a análise do recurso. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 738DF CARF MF 10 2. Objeto da lide Foram os seguintes fatores que motivou as infrações cometidas pela Recorrente (período fiscalizado): (i) recolheu o IPI "a menor", pela aplicação da alíquota incorreta (item "A" da "Informação Fiscal"); (ii) deixou de pagálo, por ter se valido de um benefício de suspensão (itens "B" e "C" da "Informação Fiscal"); e, (iii) creditouse de bens que não permitiam o comportamento, uma vez que não se qualificavam como insumos (item "D" da "Informação Fiscal"). A partir dessas infringência, o Fisco reconstituiu a escrita fiscal da Recorrente e lavrou o Auto de Infração. 3. Contexto do Auto de Infração Das motivações das infrações acima, acarretaram as seguintes consequências: (a) a lavratura deste Auto de Infração (fls. 2 e 459/476), pois, uma vez feita a recomposição da escrituração dos saldos, foram identificados débitos de IPI, o que fez com que fossem formalmente constituídos, aplicação das multas proporcional e isolada e do acréscimo de juros; e (b) e, o indeferimento/nãohomologação dos PER/DCOMPs examinados nos PAF nº 13603.908483/200991 13603.904910/201187 e 13603.904911/201121, visto que os correspondentes créditos, decorrentes do período fiscalizado, teriam deixado de existir com a citada recomposição fiscal. 4. Decadência Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) que o prazo para que o Fisco Federal reconstituísse a escrita fiscal e lançasse imposto no período de 01.01.07 e 30.03.07 teria sido fulminado, seja com fundamento no art. 173,1, do CTN, seja com respaldo no art. 150, §4°, do CTN. Entretanto, o acórdão recorrido consignou a aplicação do art. 173, I, do CTN no presente caso, ao verificar, "através dos levantamentos feitos nos sistemas de pagamento da Receita Federal, a inocorrência das antecipações que conduziriam à contagem do prazo decadencial de acordo com o art. 150 do CTN". E, nessa ordem de idéias, afastou as alegações da Recorrente quanto ao termo inicial da contagem (período de apuração imediatamente subsequente, e não o início do próximo ano civil)". O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre as hipóteses de extinção do crédito tributário, previstas no seu art. 156, cuida, no Capítulo IV, Seção IV, das modalidades de extinção diversas do pagamento, contemplando o instituto da decadência com as disposições contidas no, a seguir transcrito, art. 173: “Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...). No entanto, considerando que, a despeito do que determina o art. 142 do CTN, grande parte dos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil condicionase a sistemática de pagamento em que o sujeito passivo está obrigado a satisfazer os respectivos créditos sem prévio exame da autoridade administrativa, temse por imprescindível à definição dos termos iniciais para a contagem do prazo decadencial de cada tributo ou contribuição as disposições contidas no art. 150 desse Código, em especial, o seu § 4º, que estabelece: “Art. 150 – O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 735 11 administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Portanto, é necessário que tenha havido pagamento ou antecipação parcial de recolhimento de tributo, atraindo, assim, a incidência da regra do §4º, do art. 150, do CTN. Em comprimento ao art. 62 do seu Regimento Interno, o CARF acolhe o entendimento constante no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333/SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que: "O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Desse modo, é evidente que a menção à "declaração prévia do débito", contida no parágrafo do voto condutor do RESP nº 973.733 (SC) acima transcrito, significa que se houver a declaração prévia, não se cogita de prazo de decadência e nem de lançamento, pois o fisco estará desobrigado de efetuar o lançamento de ofício, uma vez que no entendimento do STJ a própria declaração já é instrumento hábil para a constituição do crédito tributário. Nesse sentido, decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais o tratamento a ser dado à decadência nos tributos sujeitos à homologação no julgado abaixo, cuja ementa se segue: Processo nº 13819.005008/200260 RE nº 142.314 do Procurador Acórdão nº 9101001.353– 1ª Turma Sessão de 15 de maio de 2012 Relatora: Susy Gomes Hoffmann Anocalendário: 1998. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO E DE DECLARAÇÃO PRÉVIA DO DÉBITO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 173, I, DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. FATOS GERADORES OCORRIDOS EM 1998. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO EM 26/12/2003. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houve pagamento antecipado nem declaração prévia do débito, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de Fl. 740DF CARF MF 12 recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo. Necessária observância dessa decisão, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Consta à fl. 504 do TVF que "(...) O contribuinte não realizou qualquer recolhimento ou apresentou qualquer declaração (DCTF) referente ao IPI relativo aos meses de janeiro/2007 a setembro/2007, mesmo porque, conforme análise do Livro Registro de Apuração do IPI, os saldos em tais períodos foram sempre credores". Da mesma forma, informado na decisão a quo, "(...) no caso presente verificase, através dos levantamentos feitos nos sistemas de pagamento da Receita Federal, a inocorrência das antecipações que conduziriam à contagem do prazo decadencial de acordo com o art. 150 do CTN". Posto isto, como visto acima, deve ser aplicado para o caso a regra geral do art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial, para o período mais antigo lançado (que é o PA de Jan/2007), no primeiro dia do exercício seguinte, que conta a partir de 1º de janeiro de 2008. Como a Recorrente foi cientificada do Auto de Infração em 22.03.2012 (fl. 459), não há que se falar em decadência para nenhum dos períodos lançados (jan/2007 a setembro/2007). No caso, o prazo para lançamento do PA/Jan/2007, somente se expirava em 31.12.2012. Quanto a alegação de que "quanto ao termo inicial da contagem período de apuração imediatamente subsequente, e não o início do próximo ano civil", ressaltese, tendo em vista a clareza da norma do CTN e dos Tribunais, é incabível o entendimento da Recorrente de que a decadência, mesmo na regra geral, seria contada a partir do período de apuração seguinte. No item I, do art. 173, resta claro que prazo será contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Argumenta também que, "(...) Equivocase, todavia, o acórdão. O Fisco Federal procedeu à reconstituição da escrita fiscal do contribuinte de período anterior aos cinco anos da ocorrência do fato gerador. Acaso não reconhecida a decadência, a insegurança jurídica estarseá instalada: o contribuinte estará vulnerável à possibilidade de a Administração Fazendária reconstruir sua escrita fiscal a qualquer tempo". Em suma, a Recorrente alega que o Fisco perdeu o direito de glosar o saldo credor de período anterior aos cinco anos da ocorrência do fato gerador. Cabe esclarecer que a decadência fulmina apenas e tãosomente o direito de o fisco exigir tributo por meio de lançamento de ofício e não o de efetuar a apuração (reconstituição) dos créditos e glosas no livro de IPI. Ou seja, as glosas (apuração/reconstituição dos créditos) podem retroagir no tempo há mais de cinco anos, no entanto o Fisco só poderá efetuar a exigência dos saldos devedores dos últimos cinco anos, respeitados pela regra do art. 150, § 4º do CTN ou do art. 173, I, do CTN, conforme for o caso. VOTO DA MAYSA 5. Da venda do produto "Transponder". No caso do produto "Transponder", aduz a Recorrente da aplicabilidade da suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/02, "(...) na defesa apresentada contra o Auto de Infração, que o "transponder" faz jus à suspensão estipulada no art. 29 da Lei n. 10.637/02, Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 736 13 uma vez demonstrado que ela se enquadra no conceito de "estabelecimento industrial"; a lei não fala na necessidade de industrialização do bem alienado para que sua saída se dê ao abrigo da suspensão; ela não se foca na operação que terá o IPI suspenso para tratar do benefício. A regra é bastante nítida e exata neste ponto: exige, para o uso da suspensão, que a saída advenha de estabelecimento industrial". Como elementos subsidiários, alega que a suspensão prevista no art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, e que conforme decisões emitidas pelo CARF (cita o Acórdão nº 202 17.844), também se aplica aos estabelecimentos equiparados a industriais; portanto, faria jus à suspensão, tendo em vista que, nas operações ora analisadas, se caracterizam como estabelecimento equiparado a industrial. Por outro lado, consta do TVF (Termo de Verificação Fiscal fls. 477/507) que a Recorrente não destacou o IPI nas notas fiscais de saída de TRANSPONDER DE VIDRO TXP AUTOMOTIVE(619400)4, Código 52O358180345, para a empresa TRW Automotive Ltda, CNPJ 60.857.349/000923, alegando haver suspensão de IPI nos termos do art. 29 da Lei 10.637/02 (fls. 371/372). Da mesma forma não destacou o IPI nas notas fiscais de saída de SEN050.01 TRANSPONDER DE VIDRO (942050), Código 503950120100, para a VALEO Sistemas Automotivos Ltda, CNPJ 57.010.662/003002, relacionadas no Anexo IV do TVF, alegando haver suspensão de IPI nos termos do art. 29 da Lei 10.637/02, (fls. 371/372). Em resposta apresentada pela Recorrente, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de 28/02/2012 (fls. 378/379), que indagava se os itens Transponder de Vidro TXP Automotive (619400)4, Código 520358180345, e (Sen050.01 Transponder de Vidro (942050), Código 503950120100, tratavamse exatamente do mesmo produto, respondeu em 15/03/2012 que (fls. 383/384): "Em atendimento ao item acima, a INTIMADA informa que na aquisição do material é efetuado seu registro no controle interno do estoque sobre o Código 520358180345. A esse material se acopla a embalagem (caixa de papelão) com o logo "Magneti Marelli", folha de espuma de polietileno, saco plástico bolha, bem como etiqueta autoadesiva para a identificação do material. Após este processo o código do produto é alterado nó sistema interno para 503950120100. O produto é vendido com suspensão do IPI conforme declaração anexa, nos termos da Lei 10.637, art. 29, caput 1", inciso I, "a" e Lei 10.485/02, art. 4º, ambos regulamentados pela Instrução Normativa 948/09. Pois bem. Desta forma dispõe o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, ora em discussão: “Art. 29. As matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto.(Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (...). Fl. 742DF CARF MF 14 § 5º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. (...). § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal;.........” (Grifos nosso) Vigente na época dos fatos, a Instrução Normativa da SRF nº 296, de 2003, desta forma prescrevia (Grifei): Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: (Redação dada pela IN SRF nº 429, de 21/06/2004) (...). II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º. (Redação dada pela IN SRF 429, de 21/06/2004). Conforme bem asseverado pela decisão recorrida, a equiparação prevista no art. 4º da IN SRF 429/2004, reporta ao § 5º do art. 17 da MP nº 2.18949, de 2001, o qual trata de empresa comercial atacadista adquirente dos produtos resultantes da industrialização por encomenda, hipótese distinta da analisado neste caso. Portanto, desde já afastase os argumentos apresentados pela Recorrente e a possibilidade da suspensão alcançar os estabelecimentos equiparados a industrial. Conforme informa o Fisco em seu TVF, "da resposta do contribuinte conclui se que os códigos 520358180345 e 503950120100, tratamse do mesmo material, e que o contribuinte realiza apenas o acondicionamento para transporte, para envio dos itens da Magneti Marelli, para a Valeo Sistemas Automotivos Ltda, pois é feito em caixas, sem acabamento e rotulagem de função promocional, colocando apenas o logo "Magneti Marelli" indicando o fornecedor, não objetivando valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do acabamento ou da sua utilizada adicional (caixa de papelão). Além disto, a própria empresa informa que nas caixas são colocados diversos potes com 1.000 peças, ou seja, uma grande quantidade de itens, muito superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. Já no caso dos itens vendidos para a TRW Automotive Ltda, o mesmo código de item importado é o que é enviado para empresa: TRANSPONDER DE VIDRO TXP / AUTOMOTIVE(619400)4, Código 520358180345. O conceito de acondicionamento para transporte está definido no artigo 6º do RIPI/2002: Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 737 15 I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. Portanto, como o acondicionamento efetuado para os itens a serem enviados para a VALEO Sistemas Automotivos Ltda, é somente para transporte, tal acondicionamento não pode ser considerado industrialização por acondicionamento ou reacondicionamento, nos termos do artigo 4° do RIPI/2002. Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, eLei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I (...) IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou (...). Portanto a classificação fiscal que deve constar das notas fiscais de saída do item Sen050.01 Transponder de Vidro (942050), Código 503950120100 para a Valeo, relacionadas no Anexo IV ao Termo de Verificação Fiscal é 85423919, que possui alíquota de IPI de 10%, que é a mesma constante das notas de importação do Transponder de Vidro TXP Automotive (619400)4,Código 520358180345, constante do Anexo III ao Termo de Verificação Fiscal. Como o item em análise é importado, conforme notas fiscais de entradas de TRANSPONDER DE VIDRO TXP AUTOMOTIVE(619400)4, Código 520358180345, relacionadas no TVF, a suspensão de IPI nas notas fiscais relacionadas é indevida, pois na situação em análise a Recorrente é equiparado a industrial, e á suspensão de IPI alegada pela Recorrente cabe somente ao estabelecimento industrial, e não ao estabelecimento equiparado a industrial. Posto isto, concluise que, quanto à possibilidade de aplicação da suspensão quando o estabelecimento não é o produtor do insumo, verificase que o texto legal é bastante claro ao prever o benefício unicamente para as saídas do “estabelecimento industrial” que, segundo o art. 8º do RIPI/2002, na época vigente, “é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado”. Assim, como consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF), neste caso não tendo ocorrido qualquer operação caracterizada como de industrialização (art. 4º do RIPI/2002), para a referida operação o estabelecimento não é considerado industrial, mas apenas comercial, inexistindo, portanto, direito ao benefício. 6. Das vendas de produtos importados "Ferramentais" Fl. 744DF CARF MF 16 Conforme consta do TVF a Recorrente não destacou o IPI nas notas fiscais de saída de FERRAMENTAIS (produtos importados), alegando haver suspensão de IPI nos termos da Lei 10.637/02, art. 29 caput, e §1°, inciso I, "a" e Lei 10.485/02, art. 4º, regulamentados pela IN SRF nº 296/03, posteriormente revogada pela IN SRF nº 948/09 (fl. 283). A Recorrente argumenta em seu recurso que o IPI não incide na 1ª saída após a importação, "(...) Inteligência do REsp nº 842.269/BA, do STJ: Neste item, a DRJ/BEL entendeu que a saída ao produto nacionalizada pelo importador configuraria novo fato gerador do imposto, eis que, por ficção legal, o importador seria equiparado a industrial. Trouxe a interpretação conferida pelos Pareceres Normativos CST ns. 367 e 452, de 1971. O fundamento carece de base legal. O benefício era sim aplicável como demonstrado. Entretanto, ainda que ultrapassados os pontos supra, importa rememorar que o IPI, de qualquer forma, ao contrário do sustentado no acórdão, não deve incidir em operações como as analisadas". Como é cediço, no caso dos bens de procedência estrangeira, o fato gerador do imposto é o desembaraço aduaneiro, que consiste no ato final do despacho aduaneiro, procedimento administrativo tendente a verificar a regularidade da importação. A partir desse momento o bem está nacionalizado e autorizado a circular em território brasileiro. O Código Tributário Nacional (CTN), ao tratar do IPI, determina (Grifei): Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; Por sua vez, assim prescreve a Lei nº 4.502, de 1964, base legal dos Regulamentos do IPI de 2002 e o, atualmente vigente RIPI/2010: Art. 2º Constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. (...) Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; (...) Art . 35. São obrigados ao pagamento do imposto: I como contribuinte originário: a) o produtor, inclusive os que lhe são equiparados pelo art. 4º (...) Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 738 17 b) o importador e o arrematante de produtos de procedência estrangeira com relação aos produtos tributados que importarem ou arrematarem. (...) Por outro lado, assim preceitua o RIPI/2002: Art. 9º. Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); (...) Art.24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: I o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira (Lei no 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea ‘b’); II (...) III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem como quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei nº 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea ‘a’); e (...) Art.35. Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. (...) Art.38. O imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º, § 2º).” O fisco entende que, no caso, a venda de FERRAMENTAL não se encontra amparada pela suspensão de IPI previsto no art. 29 da Lei nº 10.637/02, uma vez que menciona apenas matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, e o ferramental não é matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, ele pertence ao ativo imobilizado da empresa. Daí tá ruim mesmo Informa que nas duas notas fiscais de saída objeto da autuação (nº 15657 de 28/09/2007, e 8538 de 16/03/2007), existe a revenda de produto importado, configurando o estabelecimento como equiparado a industrial, nos termos do art. 9º, inciso I, do RJPI/2002, também não se aplicando a suspensão indicada (fl. 494). Na ocasião em que o importador dá a saída ao produto nacionalizado ocorre novo fato gerador do imposto, quando o estabelecimento importador, embora não execute operações de industrialização, é considerado, por ficção legal, equiparado ao industrial, tornandoo contribuinte do imposto obrigado ao cumprimento de todas as obrigações previstas na legislação de regência. Quanto a alegação de que "(...) Quando estão em análise produtos importados revendidos, a cobrança do IPI se dá, única e exclusivamente, no momento do Fl. 746DF CARF MF 18 desembaraço aduaneiro, sob pena da constitucionalmente vedada bitributação", não procede tal argumento. Como visto na legislação exposta, e que preceitua o Parecer Normativo CST nº 367 e 452, de 1971, não é o mesmo fato jurídico que está sendo tributado pelo Fisco, o que caracterizaria o “bis in idem” alegado pela Recorrente. Pelo contrário, pois conforme visto acima, tratamse de fatos geradores distintos: importação e saída de bem nacionalizado de estabelecimento equiparado a industrial por ficção legal, inexistindo a irregularidade apontada. Neste diapasão, concluise correto o consignado na decisão a quo, pela obrigatoriedade de destaque do imposto nas vendas de bens de importação direta. 7. Das glosas créditos aquisição de insumos A Recorrente insurgese contra as Glosas de créditos de IPI registrados pela Recorrente como insumos, insistindo na possibilidade do creditamento dos produtos autuados. Aduz que "(...) O cerne da controvérsia residiu na classificação dos produtos adquiridos: por um lado, segundo a DRF de Campinas/SP, eles não se classificariam como insumos; por outro, de acordo com os argumentos desenvolvidos na Impugnação ao Auto de Infração, os requisitos legais para a caracterização de insumo estariam preenchidos, sendo clarividente o direito ao creditamento. Para tanto, a Recorrente anexou laudo técnico e evidenciou a contabilização dos itens autuados". Por outro giro, a fiscalização verificou que entre as notas fiscais de aquisição com crédito de IPI, constatouse a aquisição de diversos produtos que não se enquadram no conceito de insumos. Alegou que o Parecer Normativo CST N° 65/79 expressa, de forma inequívoca, o entendimento, "ainda vigente, sobre o assunto" e observa que a redação do inciso I, do art. 66 do RIPI/79 é idêntica à do inciso I, do art. 164 do RIPI/2002. E prossegue afirmando que somente podem ser considerados insumos a matériaprima, o produto intermediário e o material de embalagem, que devem integrar o novo produto fabricado ou, no caso da matériaprima e do produto intermediário, embora não se integrando a ele, sejam consumidos, desgastados ou alterados em função da ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou viceversa, oriunda de ação exercida diretamente pelo produto em industrialização. Reforçando seu entendimento, alude o Parecer Normativo CST No 181/74, que determina, entre outros, que partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos não se enquadram no conceito de insumo, além da Solução de Consulta n° 393, de 19 de setembro de 2006, que corrobora o entendimento acima exposto: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: CRÉDITO DO IPI. MATERIAIS EMPREGADOS NO PROCESSO INDUSTRIAL QUE NÃO SE AGREGAM AO PRODUTO FINAL FABRICADO. Não geram direito ao crédito de que trata o art. 164, inciso I, do Decreto n° 4.544, de 2002 RIPI/2002, as partes e pecas de máquinas adquiridas para reposição ou restauração, ainda que não sejam incorporadas ao ativo imobilizado e mesmo que tais partes e pecas se desgastem, se consumam ou percam suas propriedades no processo de industrialização em razão do contato direto que exercem sobre o produto em fabricação ou que este produto exerce sobre elas. Passase a verificase, por produtos, os itens que foram glosados: Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 739 19 (i) Às fls. 499/502 do TVF, encontramse indicados os produtos adquiridos que não se enquadram dentro do conceito de insumo, uma vez trataremse de máquinas ou equipamentos, partes ou peças para máquinas ou equipamentos ou são utilizados na manutenção de máquinas ou equipamentos. Vejase a seguir a identificação com os códigos, a descrição e Aplicação desses bens: 1) Código SI36MNCFIXTURE PARA EOL QUADRO T3 Total: É um dispositivo que faz adaptação do produto com a parte elétrica da máquina, utilizada para fazer teste no quadro de instrumentos produto acabado; 2) Código SI36MNCFIXTURE PARA O CRAVADOR DE AGULHAS QUADRO T3 É um dispositivo que faz adaptação do produto com a parte elétrica da máquina, utilizada para inserir a agulha (ponteiro) no quadro de instrumentos; 3) Código SI36MSCFIXTURE de TSTE ICT FLP 2008: É um dispositivo quefaz adaptação do produto com a parte elétrica da máquina, utilizada para fazer testes elétricos em placa eletrônica montada; 4) Código: 514210090270FRESARH 1.50: É uma parte da máquina "rotiadeira ", utilizada na separação de placas eletrônicas após a montagem no processo SMD; 5) Código: 514210140010LAMINA DE POLlURETANO 60 SHOR 12" X 3/8" X 3/: Parte da máquina sergráfica, utilizada para distribuir tinta sobre as folhas de policarbonato para confecção dos mostradores; 6) Código: 514210140190LAMINA DE POLlURETANO 70/75 SHOR 0,65X10X50MMParte da máquina sergráfica, utilizada para distribuir tinta sobre as folhas de policarbonato para confecção dos mostradores; 7) Código: 514210140000LAMINA DE POLlURETANO 80 1 SHOR 12"X3/8"X3/8" C É parte da máquina sergráfica, utilizada para distribuir tinta sobre as folhas de policarbonato para confecção dos mostradores; 8) Código: 514210140160: Tratase de LAMINA DE POLlURETANO 80 SHOR 7X35X3000 MM RE Parte da máquina sergráfica, utilizada para distribuir tinta sobre as folhas de policarbonato para confecção dos mostradores; 9) Código: 514210020140: PONTA APEX49ATX09 COMPR:69,9MM TORX A=0,097É parte da máquina parafusadeira, utilizada para apertar parafusos dos quadros de instrumentos; 10) Código: 514210020170 PONTA APEX 49ATX10 COMP: 70MMTORX É parte da máquina parafusadeira, utilizada para apertar parafusos dos quadros de instrumentos; 11) Código: SP1412800810: RESISTÊNCIA HEATCON HT3289 30X37MM 220V 400W É uma parte da máquina injetora, utilizada no bico do cilindro ihjetór para aquecimento da matériaprima para a injeção plástica; Fl. 748DF CARF MF 20 12) Código: SP1312700166 TUBO DE ALUMÍNIO DIFFUSER AWAVE 30172058012 É uma parte da máquina, utilizado para distribuir nitrogênio nas máquinas de solda, usadas na montagem de placas eletrônicas. (ii) A fiscalização glosou também, baseada em resposta apresentada pela Recorrente (fls. 280/282), produtos que se destinam à manutenção/limpeza de máquinas/equipamentos, e não se desgastam pelo contato direto com o produto final: 1) Código: 514209060240: EMULSAO AZOCOL Z1/SENSIBILIZANTE: Utilizada na preparação da tela serigrafica. Serve para fazer a limpeza de uma parte da máquina (da tela serigrafica). 2) Código: 514202060130 ROLO DE PAPEL PARA LÍMPEZA SERIGRAFO DEK INFINITY Utilizado para limpeza.no stencil (template para aplicação da pasta de solda), na placa de circuito impresso para montagem SMD (montagem , de componentes na superfície) 3) Código: 514207020000: VASELINA SÓLIDA ( POTE Cl 1 KG ) Material auxiliar da produção, usada no revestimento da cabine de resinagem da célula immobilizer. (circ eletrônico). Serve como uma película antiaderente para que a resina não adere na parede da cabine (iii) Da mesma forma, glosou o itens abaixo, que não se enquadram no conceito de insumo, pois tratase de caixas utilizadas para transporte de materiais em processo entre as células de montagem, ou seja, é utilizado apenas no transporte interno na linha de produção. Usada na linha de produção em diversas ordens de produção. Não se desgastam pelo contato direto com o produto final. Tratase de bem do ativo permanente, mesmo porque tem vida útil de aproximadamente 2 anos. 1) Código: 520750113100CAIXA PLÁSTICA CONDUTIVA: Utilizado para transporte de materiais em processo (placas eletrônicas) entre as células de montagem (SMD para a montagem mecânica). Vida útil: aproximadamente 2 anos. (iv) Quanto às embalagens retornáveis abaixo descritas, em conformidade com o Termo de Recebimento de Documentos de 28/02/2012 (fls. 280/282), tais itens também não foram considerados insumos. Não são considerados embalagens porque são retornáveis e são utilizadas em diversas ordens de produção. Não se desgastam pelo contato direto com o produto final. Foi considerado um bem do ativo permanente. 1) Código: 551608009300 CAIXA PLÁSTICA TIPO KLT6421: É utilizada na embalagem de produtos para envio aos clientes. Retornável, fluxo contínuo.Vida útil: aproximadamente 2 anos; 2) Código: 520750114500 EMBALAGEM PLÁSTICA RETORNÁVEL KLT 6421 CONDUTIVO: Utilizada na embalagem de produtos para envio aos clientes. Retornável, fluxo contínuo. Vida útil: aproximadamente 2 anos; 3) Código: 551608009500 TAMPA P/CAIXA PLÁSTICA (GRAVAJO LOGO MME) KLT: Utilizada na embalagem de produtos para envio aos clientes. Retornável, fluxo contínuo. Vida útil: aproximadamente 2 anos, e 4) Código: 520751107000 TAMPA PLUSTICA RETORNuVEL KLT 6421 CONDUTIVO: Utilizada na embalagem de produtos para envio aos clientes. Retornável, fluxo contínuo. Vida útil: aproximadamente 2 anos. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 740 21 No âmbito do processo administrativo fiscal, a oportunidade da autuada, na fase impugnatória, comprovar a existência dos créditos do IPI encontrase expressamente assegurada no art. 191 do RIPI/2002, a seguir transcrito (Grifei): Art. 191. Nos casos de apuração de créditos para dedução do imposto lançado de oficio, em auto de infração, serão considerados, também, como escriturados, os créditos a que o contribuinte comprovadamente tiver direito e que forem alegados até a impugnação. Embora ciente dessa possibilidade, a Turma de Julgamento de primeiro grau não acatou os créditos alegados pela recorrente, com base nos seguintes argumentos: (i) os itens "Fresa RH 1.50" e "Ponta Apex 49ATX09 e 49ATX10", defendidos "especificamente" na Impugnação, comporiam máquinas de produção e (ii) os demais itens, "muito embora não tenha sido apresentados outros argumentos pela impugnante", seriam peças de máquinas ou itens de limpeza ou preparação de máquinas. Informa a Recorrente que é notório o contato físico e o desgaste e/ou consumo desses em decorrência de sua atuação no processo produtivo "(...) conforme se verifica do laudo técnico anexado à Impugnação (doc. n. 07 da defesa administrativa), a maior parte dos bens autuados, além de não integrarem o ativo permanente da Recorrente (doc. n. 08 da Impugnação) e serem essenciais no seu processo produtivo, são nele consumidos o que o próprio Fiscal não questionou a partir de ação exercida diretamente sobre os produtos em fabricação. Dessa forma, ao contrário do sustentado no acórdão recorrido, os produtos adquiridos são insumos, portanto, e devem, nessa condição, permitir o creditamento". A Recorrente, coloca no corpo de seu recurso (fls. 702/708), uma descrição (com fotos), sustentandose no Laudo anexado quando da impugnação, sobre a utilização dos bens denominados de "Fresa" e à "Ponta Apex", "(...) Basta perceber que a Impugnação faz explícita remissão ao laudo técnico anexado aos autos, que, por sua vez,descreve, com o mesmo detalhamento dispensado à "Fresa" e à "Ponta Apex" no corpo da defesa administrativa, a função exercida pelos produtos no processo produtivo". No entanto, restou evidenciado pelo Fisco nos autos, que tanto a "Fresa quanto a Ponta Apex", são itens que compõem máquinas de produção, sem possibilidade de crédito. Quanto aos demais itens relacionados acima (lâminas de poliuretano, Emulsão Azocol, Rolo de papel, Vaselina sólida e Resistência Heatcon), muito embora não tenha sido apresentados outros argumentos pela Recorrente, observase pela lista de fls. 280/282, que as mesma também não reúnem direito ao crédito por se tratarem de peças de máquinas (lâminas de poliuretano e Resistência Heatcon) ou itens de limpeza ou preparação de máquinas (Emulsão Azocol, Rolo de papel e Vaselina sólida). Frisese que, com relação aos bens destinado aos bens do Ativo Permanente, devese afastar de pronto a argumentação da Recorrente, pois tratase de matéria já sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, em enunciado de nº 495, in verbis: "A aquisição de bens integrantes do ativo permanente da empresa não gera direito a creditamento de IPI". (DJe 13/08/2012) Fl. 750DF CARF MF 22 No RE nº 491.262 (PR), o STF seguiu sua orientação jurisprudencial anterior da Corte e negou ao contribuinte a pretensão de utilização de créditos do IPI na aquisição de bens destinados ao ativo permanente e materiais de uso e consumo da empresa. Destaco o seguinte trecho do pronunciamento da Ministra Rosa Weber: "Não mais comporta discussão, no âmbito desta Suprema Corte, a matéria acerca da ausência do direito ao creditamento de IPI nas aquisições de bens para integrar ativo fixo e de materiais de uso e consumo. Colho precedentes: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO FIXO OU AO USO E CONSUMO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não admite o creditamento do IPI pago na aquisição de bens que irão integrar o ativo fixo da empresa ou produtos destinados ao uso e consumo. 2. Agravo regimental desprovido.” (RE 451965 AgR, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Segunda Turma, julgado em 20/09/2011, DJe215 DIVULG 10112011 PUBLIC 11112011 EMENT VOL0262401 PP00054)" Assim a matéria se encontra pacificada sobre o assunto sobre a constitucionalidade das limitações ao creditamento estabelecidas pela legislação do IPI, razão pela qual não acolho os argumentos do contribuinte com relação a este item. Também, como já explanado anteriormente, nos casos das partes e peças de máquinas e equipamentos, mesmo que eles se consumam pelo contato direto com o produto em elaboração, também não são considerados insumos, ainda que não sejam incorporadas ao ativo imobilizado. Quanto aos material de embalagem, o Fisco aduz que se trata de embalagens retornáveis, e portanto também não foram considerados insumos. Não foram considerados embalagens porque são retornáveis e são utilizadas em diversas ordens de produção. Não se desgastam pelo contato direto com o produto final. Foi, portanto, considerado um bem do ativo permanente. Ou seja, o termo “insumo” para fins de IPI possui conceito jurídico, e não contábil ou econômico. Como foi seguido estritamente o direito a crédito relativo a MP, PI e ME adquiridos para emprego na industrialização, portanto, não há que se falar em violação ao art. 25, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964. Assim, ficou estabelecido que geram direito ao crédito, além das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente, que se consumam por decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou vice versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, ficando excluídos os produtos: (a) que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização; (b) incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, e (c) empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos. Portanto, entendo corretas as glosas dos bens adquiridos e relacionados nos itens (i), (ii), (iii) e (iv) deste tópico. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 741 23 8. Das provas Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do atual Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito (no caso das Glosas). Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Nas linhas de Moacir Amaral Santos: "A prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação". Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Regressando às glosas, como já mencionado, a Recorrente apresentou as provas de seu direito quando de sua impugnação Laudo e descrição do seu processo produtivo do equipamento denominado "quadro de instrumentos" e do controle de estoque fls. 619/648, que já foi objeto de analise pela decisão recorrida, de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos, uma vez que nada mais de elementos probatórios foi acostado em seu recurso. Fl. 752DF CARF MF 24 Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos e das provas juntadas aos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 9. Pedido de Diligência A Recorrente requer, no intuito de concretizar o princípio da verdade material, a decisão recorrida deve ser reformada para se determinar a realização de diligência fiscal/perícia nestes autos. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, e, para o caso da glosa dos créditos solicitados, cabe a ele o ônus de comprovar a legitimidade do direito de crédito oposto à Administração, razão pela qual não há como se deferir os pedidos de diligência e perícia, que unicamente visam a suprir o ônus da prova que cabia ao contribuinte (art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72). 10. Dispositivo Por todo o exposto, votase por conhecer do recurso e no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO, para manter na íntegra a decisão recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Voto Vencedor Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz Redatora designada Com a devida vênia, ouso divergir do ilustre Relator no que tange: i) à suspensão do IPI com base no artigo 29 da Lei n. 10.637/2002; ii) ao crédito do IPI relativamente aos itens "Fresa RH 1.50", "Ponta Aplex 49ATX09 e 49ATX10" e "lâminas de poliuretano", pelas razões que passo a expor. 1. Suspensão do IPI com base no artigo 29 da Lei n. 10.637/2002 O presente lançamento tributário, lembremos, tem como fatos geradores operações de importação de peças de veículos e sua posterior revenda, conforme consta do item B do Termo de Verificação Fiscal (fls 481). A Recorrente traz contundente argumentação sobre a impossibilidade de tal cobrança, respaldada por entendimento que por muito anos prevaleceu nos Tribunais Judiciários, em especial o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entretanto, em dezembro de 2015, o STJ julgou o EREsp 1.403.532/SC, processo em que se discutia justamente a legitimidade da cobrança de IPI na revenda de produtos importados no mercado interno, quando já houve seu recolhimento pela empresa Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 742 25 importadora, considerando que o fato gerador ocorre no desembaraço aduaneiro. Nessa oportunidade, o STJ reviu seu entendimento anterior, como se constata da ementa do acórdão colacionada a seguir: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 – que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. Fl. 754DF CARF MF 26 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Por se tratar de julgamento em sede de recurso repetitivo, é preciso aplicar ao presente caso o artigo 62, §2º do RICARF, uma vez que seu conteúdo prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos. Assim, não é possível acolher a pretensão da Recorrente sobre a não incidência do IPI nas operações sob análise (conforme item 3.4. de sua peça recursal, em fls 697): a revenda de produtos importados, segundo o STJ, é fato gerador do IPI, de modo que a consequência jurídica seria o dever de seu pagamento pela Recorrente. Contudo, o legislador ordinário entendeu por bem, dentre tantas outras benesses concedidas à indústria automotiva no contexto das importações (e.g. alíquota menos onerosa de PIS/COFINSimportação para nacionalização de peças por montadoras, 1 de acordo com a Lei 10.485/2002; 2 ou redução da alíquota do II para importação de peças importadas por 1 Notícia STF Quartafeira, 02 de julho de 2014 Reconhecida repercussão de disputa sobre PIS/Cofins na importação de autopeças O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a repercussão geral de disputa relativa a alíquotas diferenciadas de tributação para a importação de autopeças. No Recurso Extraordinário (RE) 633345, uma empresa questiona os valores recolhidos ao Programa de Integração Social (PIS) e a título de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) menores para fabricantes de máquinas e veículos, e maiores para distribuidores. Segundo a Lei 10.865/2004, na importação de autopeças os valores das contribuições é de 2,3% para o PIS e 10,8% para a Cofins, exceto no caso de a empresa ser fabricante de máquinas ou equipamentos, quando aplicamse as alíquotas gerais, de 1,65% de PIS e 7,6% de Cofins. Para a recorrente, há no caso uma inconstitucionalidade, por transgressão aos princípios da isonomia tributária, da capacidade contributiva e da livre concorrência, uma vez que as montadoras de veículos também atuam no mercado interno de reposição de autopeças. 2 Art. 36. Os arts. 1º, 3º e 5º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 743 27 montadoras, conforme a Lei n. 10.182/2001) 3 criar hipótese de suspensão do IPI para este segmento da economia. Tal desoneração tributária foi positivada pelo artigo 29 da Lei n. 10.637/2002, cuja redação vigente à época dos fatos geradores abarcados por esse processo é a seguinte: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: 3 Art. 5o O Imposto de Importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos fica reduzido em: (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) I – 40% (quarenta por cento) até 31 de agosto de 2010; (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – 30% (trinta por cento) até 30 de novembro de 2010; (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) III – 20% (vinte por cento) até 30 de maio de 2011; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) IV – 0% (zero por cento) a partir de 1o de junho de 2011. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O disposto no caput aplicase exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: I veículos leves: automóveis e comerciais leves; II ônibus; III caminhões; IV reboques e semireboques; V chassis com motor; VI carrocerias; VII tratores rodoviários para semireboques; VIII tratores agrícolas e colheitadeiras; IX máquinas rodoviárias; e X autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição. Art. 6o A fruição da redução do imposto de importação de que trata esta Lei depende de habilitação específica no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX. Parágrafo único. A solicitação de habilitação será feita mediante petição dirigida à Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, contendo: (...) III comprovação, exclusivamente para as empresas fabricantes dos produtos relacionados no inciso X do § 1o do artigo anterior, de que mais de cinqüenta por cento do seu faturamento líquido anual é decorrente da venda desses produtos, destinados à montagem e fabricação dos produtos relacionados nos incisos I a X do citado § 1o e ao mercado de reposição. Fl. 756DF CARF MF 28 a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. § 2o O disposto no caput e no inciso I do § 1o aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 3o Para fins do disposto no inciso II do § 1o, considerase pessoa jurídica preponderantemente exportadora aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 80% (oitenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. § 4o As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1o serão desembaraçados com suspensão do IPI. § 5o A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 6o Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5o, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. Pela literalidade do caput, §1º, inciso I e §4º do citado dispositivo legal, depreendemos que são três os requisitos para que o importador possa se valer da suspensão do IPI, quais sejam: i) ser estabelecimento industrial; ii) que dê saída à MP, PI ou ME; iii) para estabelecimentos fabricantes dos produtos mencionados no dispositivo. É na interpretação do primeiro desses itens que reside o equívoco da Fiscalização, ratificado pelo Acórdão recorrido. Vejamos. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 744 29 A infração apontada pela Fiscalização, de falta de destaque do IPI nas saídas dos produtos importados (Transponder, matéria prima para a linha de produção dos clientes TRW Automotive e Valeo Sistemas Automotivos da Recorrente, conforme fls 483 do TVF) teve como pressuposto que: “com base nas informações obtidas da impugnante, a fiscalização concluiu que não era realizada nenhuma operação industrial”. Foi esse também o argumento utilizado pela decisão da DRJ e pelo ilustre Relator para manter o auto de infração incólume. Entretanto, tal pressuposto da inexistência de industrialização, além de confirmado pela Recorrente em suas razões ao CARF (não sendo então objeto de controvérsia e, por conseguinte, do contencioso administrativo) é indiferente para o direito pleiteado, qual seja, das saídas do IPI com a suspensão prevista pelo artigo 29 da Lei n. 10.637. Com efeito, o critério utilizado pela Lei n. 10.637/2002 para o direito à suspensão do IPI é subjetivo (quanto ao estabelecimento industrial importador, a montadora de veículos, vale dizer, na pessoa vendedora) e não objetivo (quanto à operação de industrialização realizada). Repisemos os dizeres do artigo 29: “as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos (...), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (...) O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por estabelecimentos industriais fabricantes.” Ou seja, é inequívoco que a Lei não fala, em nenhum instante, da necessidade de haver industrialização dos produtos para que exista o direito à suspensão do IPI. E nem faria sentido o fazer, porque o que se quer é simplesmente desonerar as importações efetuadas pela indústria automotiva, assim como feito para outros tributos federais (II e PIS/COFINS importação), conforme destacado alhures. A alíquota mais baixa de PIS/COFINSimportação estabelecida pela Lei 10.485/2002 para a nacionalização de peças se aplica às vendas efetuadas por "pessoas jurídicas fabricantes e os importadores" (artigo 3º), pouco importando existir ou não a efetiva industrialização. Igualmente a redução da alíquota do II para a importação de peças por montadoras, trazida pela Lei n. 10.182/2001, concede o benefício fiscal para indústria automotiva tendo como exclusivo critério o importador ser uma montadora de veículos, mesmo que atuando no mercado de reposição (artigo 5º, §1º, inciso X). Tal fato, inclusive, levou outros contribuintes, que realizam importações nas mesmas condições porém sem ostentar a qualidade de montadoras de veículos, a contestar a constitucionalidade da norma perante o Poder Judiciário (RE 405.579), 4 alegando ofensa ao princípio da isonomia. Afinal, a operação 4 Ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTACAO. PNEUS. BENEFÍCIO FISCAL. REDUÇÃO DE 40% DO VALOR DEVIDO NAS OPERAÇÕES REALIZADAS POR MONTADORAS. PEDIDO DE EXTENSÃO A EMPRESA DA ÁREA DE REPOSIÇÃO DE PNEUMÁTICOS POR QUEBRA DA ISONOMIA. IMPOSSIBILIDADE. LEI FEDERAL 10.182/2001. CONSTITUIÇÃO FEDERAL (ARTS. 37 E 150, II). CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (ART. 111). Sob o pretexto de tornar efetivo o princípio da isonomia tributária, não pode o Poder Judiciário estender benefício fiscal sem que haja previsão legal específica. No caso em exame, a eventual conclusão pela inconstitucionalidade do critério que se entende indevidamente restritivo conduziria à inaplicabilidade integral do benefício fiscal. A extensão do benefício àqueles que não foram expressamente contemplados não poderia ser utilizada para restaurar a igualdade de condições tida por desequilibrada. Precedentes. Recurso extraordinário provido. Fl. 758DF CARF MF 30 de importar peças de veículos é a mesma e as montadoras também atuam como revendedora das peças no mercado nacional, todavia a lei só concedeu o benefício às montadoras, e não aos demais importadores. Disto o que se percebe é que há um movimento da legislação federal no sentido de desonerar as importações efetuadas pela industria automotiva, simplesmente pelo o fato de serem montadoras de veículos (critério subjetivo, como já citado), e não de efetivamente utilizarem as peças na industrialização tão logo entrem em território nacional (critério objetivo). Em nenhuma dessas situações de desoneração das importações (PIS/COFINSimportação e II) realizadas por montadoras adveio o problema enfrentado nesses autos, que só surgiu pelo fato de a legislação do IPI apresentar a conceituação de estabelecimento produtor como "todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto" (artigo 3º da Lei n. 4.502/1964), o que levou a Autoridade Fiscal a abraçar o entendimento exposto no lançamento tributário. Entretanto, como já se pode constatar, seja pela literalidade do texto normativo, seja pela leitura teleológica do artigo 29 da Lei n. 10.637/2002, tal interpretação não tem respaldo jurídico. Sobre a exatidão dos termos usados no texto, temos que, em se tratando de benefício fiscal, o artigo 29 da Lei n. 10.637/2002 deve ser interpretado de forma literal, conforme determina o artigo 111 do Código Tributário Nacional. Vale dizer, não cabe ao intérprete/julgador nem estender nem amesquinhar os dizeres da norma, que foi positivada representando vontade dos congressistas. Assim, pela literalidade do caput, do §1º, inciso I e do §4º do citado dispositivo legal, os três os requisitos para o gozo da suspensão do IPI foram cumpridos no presente caso, haja vista que (i) a Recorrente é estabelecimento industrial (em sua essência, constituição social, e não quanto àquela específica operação), (ii) que deu saída a matéria prima (transponder) (iii) para estabelecimentos fabricantes dos produtos descritos pela lei (TRW Automotive e Valeo Sistemas Automotivos). Corroborando tal conclusão, é importante notar que caso o intuito da regra fosse desonerar as importações com base em outro critério, delimitando com precisão as atividades a serem exercidas sobre o produto como requisito para a suspensão do imposto, assim o teria dito o artigo 29 da Lei n. 10.637/2002, como em tantas outras oportunidades fez a legislação do IPI. Efetivamente, o RIPI/2002, então vigente, era cauteloso ao definir o que é “estabelecimento industrial”, sendo que toda a sua disciplina toma esse conceito como premissa. Ademais, na Seção II de seu Capítulo II encontramse as hipóteses de suspensão do IPI, dentre as quais visualizamos dois critérios de concessão do benefício fiscal: critérios subjetivos ou objetivos. No caso do artigo 29, o critério foi subjetivo, e assim deve ser cumprido pelos contribuintes. Repito que foi essa a vontade do legislador ao positivar o artigo 29 da Lei n. 10.637/2002: mais uma vez desonerar as importações da indústria automotiva (realizadas por qualquer ‘estabelecimento industrial’), da qual a Recorrente faz parte. Inclusive a separação feita entre os §§4º e 5º do dispositivo confirmam essa conclusão. Enquanto o §4º, que trata das hipóteses de "importação" não fala em "fabricante", o Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 745 31 §5º, por sua vez tratando dos casos em que há efetiva etapa industrial, dá condição para o direito ao crédito do IPI suspenso. Ocorre que no presente caso só há de se cogitar da aplicação do §4º e não do §5º do artigo 29, uma vez que aqui tratamos de importações. Diante de tudo quanto exposto, entendo que a Recorrente cumpriu os requisitos legais para usufruir da suspensão do IPI, devendo ser cancelada a autuação fiscal sobre esse ponto. 2. Sobre o direito ao crédito de IPI de produtos intermediários (partes e peças de máquinas) Outrossim, a Recorrente afirma que a Autoridade Fiscal deveria ter reconhecido o crédito de IPI decorrente da aquisição, dentre outros, dos itens "Fresa RH 1.50", "Ponta Aplex 49ATX09 e 49ATX10" e "lâminas de poliuretano". Lembremos a legislação a respeito do assunto. O artigo 82, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°87.981, de 1982 (RIPI/82), determinava que: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4,502, de 1964, art, 25); I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de ai/quota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente Diante de muitas dúvidas e disputas, o alcance da expressão "consumidos no processo de industrialização", ela foi fixada no Parecer Normativo CST n° 65/79, nos seguintes termos: 10. Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deva entender como produtos 'que embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização.' (...) 10.2 A expressão 'consumidos...' há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde de que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. Em outros termos “devese considerar no conceito de MP e PI, em sentido amplo, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, guardando semelhança com as MP e os PI em sentido estrito, semelhança esta que reside no fato de exercerem, na operação de industrialização, função análoga à das MP e PI, ou seja, se consumirem, em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma Fl. 760DF CARF MF 32 ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou desse sobre o insumo,” como bem ressaltou o Conselheiro Ivan Allegretti no Acórdão 3403003.446. No presente caso, especificamente sobre os itens “Fresa RH 1.50”, “Ponta Apex 49ATX09 e 49ATX10 e "lâminas de poliuretano", há comprovação nos autos que, embora não configurem matéria prima ou material de embalagem, constituem dentro das atividades da empresa, produtos intermediários que, em contato físico direto com o produto (veículos), desgastamse em período curtíssimo, contabilizados em conta de estoque (fls 646), não constituindo bens do ativo permanente da Recorrente. Tratase do laudo pericial apresentado pela Recorrente em fls 619 a 644, bem como das informações constantes na impugnação e no recurso voluntário. Neste ponto, cumpre salientar que o único motivo pelo qual a Fiscalização glosou o crédito de tais itens foi porque entendeu que partes e peças de máquinas adquiridas para reposição não podem dar direito ao crédito (fls 498 e 499). Dito isto, destaco abaixo as informações constantes nos autos com relação aos itens ora sob análise: (...) (...) (...) Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 746 33 (...) Fl. 762DF CARF MF 34 Pois bem. Com relação ao direito ao crédito de IPI, é amplamente conhecido o conteúdo do Parecer Normativo CST nº 181, de 1974, publicado no DOU de 23.10.74, quando dispõe que "não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento." Entretanto, o antigo Parecer Normativo não pode ser aplicado sem maiores reflexões, pois não trouxe importante distinção para fins de crédito do IPI sobre peças e partes de máquinas: seu desgaste/ação direta ou indireta no bem produzido. Tal ato normativo deve ser interpretado no contexto da legislação do IPI, especialmente à dicção do artigo 82 do RIPI/82 (e suas reedições), que confere direito ao crédito pela aquisição de produtos intermediários, entendidos como "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização." Assim, resta claro que não é possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários que só indiretamente façam parte da industrialização (e.g. lubrificantes para máquinas, no contexto da indústria de metais). De outro lado, darão direito ao crédito as aquisições de produtos intermediários que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, desgastandose ou consumindose. Com efeito, hodiernamente a própria Receita Federal aceita que tal sorte de produtos intermediários, mesmo sendo partes ou peças de máquinas, sejam entendidos como suficientes para dar direito ao crédito de IPI. Este entendimento foi explicitado na Solução de Consulta nº 24 Cosit, de 23 de janeiro de 2014 (CoordenaçãoGeral de Tributação). Transcrevo abaixo sua ementa, bem como trecho do suas razões, que são absolutamente pertinentes para a solução do presente caso: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INDÚSTRIA DE FIAÇÃO E TECELAGEM. PEÇAS DE REPOSIÇÃO. MANCHÕES. ROLETES. VIAJANTES. Consideramse produtos intermediários, para fins de creditamento do IPI, desde que atendidos todos os requisitos legais e normativos, as partes e peças de reposição que, apesar de não integrarem o produto final, desgastamse mediante ação direta (contato físico) sobre o produto industrializado, exigindo sua constante substituição. Dispositivos Legais: Decreto nº 3.000, de 1999, art. 346, § 1o ; Decreto nº 7.212, de 2010 (Ripi/2010), art. 226, I; PN CST nº 65, de 1979. (...) 11. Para que a aquisição de partes e peças propicie ao estabelecimento industrial a apropriação de crédito de IPI faz se necessário o atendimento cumulativo dos seguintes requisitos: a) que as partes ou peças tenham contato físico direto com o produto industrializado; b) que o produto industrializado seja tributado pelo imposto; c) que desse contato físico resulte desgaste, consumo ou alteração de propriedades físicas ou químicas dessas partes e peças, exigindo sua constante substituição; d) que a troca das partes e peças não aumente a vida útil do bem em mais de 1 (um) ano; Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10830.721612/201262 Acórdão n.º 3402004.295 S3C4T2 Fl. 747 35 e) que haja incidência do IPI na aquisição desses insumos, devidamente destacado nas Notas Fiscais de Entrada. 11.1 Um exemplo claro de partes e peças que atendem aos requisitos das alíneas “a”, “c” e “d”, referidas no item 11, são as agulhas de teares, utilizadas nas indústrias de tecelagem para produção de tecidos: Têm contato físico com o tecido em produção, desse contato físico resulta desgaste, consumo ou alteração de suas propriedades físicas, exigindo constante substituição, e a troca dessas agulhas não proporciona aumento de mais de um ano na vida útil do bem. 12. No caso trazido à apreciação, abrangendo “manchões, roletes e viajantes”, afirma a Consulente que tais “peças de reposição ... são consumidas no processo de industrialização”, que “têm contato direto com o produto fabricado e se desgastam em função da ação exercida sobre o produto em processo de fabricação, inutilizandose no prazo máximo de 12 meses”. Se o produto por ela fabricado for tributado pelo IPI, e se na aquisição dos aludidos “manchões, roletes e viajantes” houver incidência do imposto, devidamente destacado na Nota Fiscal de Entrada, estariam, assim, supridos todos os requisitos mencionados no item 11 para configurar “produtos intermediários”, consoante preconiza o PN CST nº 65, de 1979 A “Fresa RH 1.50”, a “Ponta Apex 49ATX09 e 49ATX10" e as "lâminas de poliuretano" cumprem os requisitos de "a" a "e" estabelecidos pela Fiscalização na Solução de Consulta n. 24 Cosit, de 23 de janeiro de 2014, de modo que o crédito é admitido pela legislação do IPI e as glosas devem ser canceladas. 3. Conclusão Por tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, cancelando o lançamento no atinente à suspensão do IPI na saída dos Transponders, bem como cancelando a glosa dos créditos de IPI dos itens “Fresa RH 1.50”, “Ponta Apex 49ATX09 e 49ATX10" e "lâminas de poliuretano". Fl. 764DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903453/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.656
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.903453/2012-66
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5788461
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.656
nome_arquivo_s : Decisao_10283903453201266.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10283903453201266_5788461.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6984755
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467466285056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.903453/201266 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.656 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2017 Matéria PIS/COFINS Recorrente PLASTIPAK PACKAGING DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 53 /2 01 2- 66 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10283.903453/201266 Acórdão n.º 3402004.656 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10283.903453/201266 Acórdão n.º 3402004.656 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10283.903453/201266 Acórdão n.º 3402004.656 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10283.903453/201266 Acórdão n.º 3402004.656 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003336/2003-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
RETROATIVIDADE BENIGNA.
O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, restringiu as hipóteses de aplicação da multa de que tratava o art. 90 da MP Nº 2.158-35, de 2001. Se à luz da nova legislação a hipótese não é mais passível de multa de ofício, opera-se a retroatividade benigna em favor do contribuinte.
Numero da decisão: 9101-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 RETROATIVIDADE BENIGNA. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, restringiu as hipóteses de aplicação da multa de que tratava o art. 90 da MP Nº 2.158-35, de 2001. Se à luz da nova legislação a hipótese não é mais passível de multa de ofício, opera-se a retroatividade benigna em favor do contribuinte.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.003336/2003-32
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5752361
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.878
nome_arquivo_s : Decisao_16327003336200332.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 16327003336200332_5752361.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6877861
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467469430784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1674; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 265 1 264 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.003336/200332 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.878 – 1ª Turma Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria LANÇAMENTO COM BASE NO ART. 90 DA MP nº 2.15835/2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIA. ITAU DE CAPITALIZAÇÃO (DENOMINAÇÃO ANTENAS PHILCO PARTICIPAÇÕES LTDA.) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 RETROATIVIDADE BENIGNA. O art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, restringiu as hipóteses de aplicação da multa de que tratava o art. 90 da MP Nº 2.15835, de 2001. Se à luz da nova legislação a hipótese não é mais passível de multa de ofício, operase a retroatividade benigna em favor do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), André Mendes de Moura e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rego. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 33 36 /2 00 3- 32 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 266 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra, Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra "decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova", fundamentado no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c art. 4º da Portaria MF nº 256/2009 (RICARF/2009) e art. 3º da Portaria MF nº 343/2015, que aprova o atual Regimento Interno do CARF. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 180500.078, de 28/05/2009, por meio do qual a 5a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento parcial a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de afastar a multa de ofício que estava sendo exigida juntamente com tributo (CSLL) lançado com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, após a negativa de pedido de compensação para a quitação do mesmo. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva transcritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PENALIDADE. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA IRPJ DECLARADO EM DCTF. No lançamento efetuado com base no art. 90 da MP215835 de 24.08.2001, com vinculação de pagamento incorreta, a multa de oficio deve ser exonerada pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN, em razão da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de oficio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa que negava provimento. A PGFN afirma que o acórdão recorrido configura decisão nãounânime e contrária à lei, no que toca ao afastamento do multa de ofício. Para o processamento de seu recurso, ela desenvolve os argumentos descritos abaixo: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 267 3 DA CONTRARIEDADE AOS ARTIGOS 44, INCISO I, DA LEI N. 9.430, DE 1996, 144 DO CTN E 18 DA LEI N. 10.833, DE 2003 de uma leitura atenta do v. acórdão ora recorrido, entendeuse que: a) com o advento do artigo 18 da Lei n. 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o lançamento com base no artigo 90 da Medida Provisória n. 2.15835 somente passou a dever ser realizado para a exigência de multa isolada, e mesmo assim, somente nas hipóteses de não homologação de compensação por falsidade de declaração apresentada pelo contribuinte, o que não é o caso dos autos; b) assim, a apuração de diferenças de tributo em declaração prestada pelo contribuinte, em decorrência de compensação, deixou de caracterizar fato sujeito à multa de lançamento de oficio. discordamos desse entendimento, estando devidamente caracterizada a violação ao artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430, de 1996, senão vejamos; como se vê pelo demonstrativo de multa e juros de mora contribuição social (fls. 5), a multa de oficio no caso presente foi aplicada com base no artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430, de 1996, que reza, verbis: [...]; com efeito, sendo inquestionável no caso em tela a falta de pagamento ou recolhimento do tributo, não restava alternativa ao autuante, senão aplicar o dispositivo acima transcrito; ademais, não pactuamos com o entendimento de que a penalidade por falta de pagamento ou recolhimento do tributo (situação caracterizadora da multa de ofício aplicada nos autos) tenha sido extinta pelo advento do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 2003; na realidade, tal dispositivo legal modificou apenas a forma como deveria ser formalizado o lançamento previsto no artigo 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não extinguindo a hipótese fática que autorizava e autoriza a imposição da multa de oficio cobrada nestes autos; assim sendo, entendemos que a mudança nos critérios do lançamento não deveria ter sido reconhecida no caso em tela, também considerando o artigo 144 do Código Tributário Nacional, verbis: [...] em resumo, aplicamse ao lançamento no que diz respeito à parte substancial, isto é, a definição da hipótese de incidência, da base de cálculo, da alíquota, ou de outro critério de determinação do valor do tributo, e quanto à identificação do sujeito passivo, a lei em vigor na data em que se consumou a ocorrência do fato gerador da obrigação respectiva; concluindo, ao ter o v. acórdão ora recorrido admitido a retroatividade benigna acabou por malferir os artigos 44, inciso I, da Lei n. 9.430, de 1996, 144 do CTN e deu interpretação equivocada ao artigo 18 da Lei n. 10.833, de 2003; DO PEDIDO Fl. 267DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 268 4 diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial por Maioria, a fim de reformar em parte o v. acórdão ora recorrido, restaurandose a r. decisão de 1ª instancia. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 0.413/2009, exarado em 25/11/2009, deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: Tratase de Recurso Especial apresentado à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suposta contrariedade à lei, em face do Acórdão n° 180500.078, de 28/05/2009, que foi assim ementado: [...] Salientese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF). O Recurso é tempestivo, a decisão em relação à matéria recorrida foi não unânime, e sessão de julgamento é anterior a 30/06/2009. Passo à análise da contrariedade indicada. A Procuradoria da Fazenda indica que o acórdão recorrido teria contrariado os seguintes dispositivos legais: art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996, art. 144, do CTN e art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Isto porque, constatada a falta de pagamento do tributo objeto da presente discussão, não restava à autoridade autuante outra alternativa, senão cobrar a multa nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e, como não concorda que tal penalidade foi extinta pelo art. 18 da Lei n° 10.833/03, vislumbra que também esse dispositivo foi contrariado, além do 144 do CTN, por conceber que "a mudança nos critérios de lançamento que não poderia ter sido reconhecida". Em face do exposto, entendo que o recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade, motivo por que, no uso da competência de que trata o art. 68, § 1°, do RICARF, DOU SEGUIMENTO a ele. Em 27/11/2015 (sextafeira), a contribuinte foi considerada cientificada da intimação para apresentar contrarrazões ao recurso especial da PGFN, e em 14/12/2015 (segundafeira) ela apresentou tempestivamente as contrarrazões, com os argumentos descritos a seguir: DAS RAZÕES DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO o auto de infração em questão foi lavrado com fundamento no disposto no art. 90 da MP n° 215835, de 24.08.2001. Nesse dispositivo, verificase a seguinte redação: [...]; ocorre que, neste caso, a aplicação do referido art. 90 está limitada pelo art. 18 da Lei n° 10.833/2003: [...]; Fl. 268DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 269 5 o lançamento com base no art. 90 da MP n° 215835 somente passou ser realizado para a exigência de multa isolada, nas hipóteses de não homologação de compensação por falsidade de declaração apresentada pelo contribuinte, o que não se verificou nos presentes autos; a apuração de diferenças de tributo em declaração prestada pelo contribuinte, em decorrência de compensação, deixou de caracterizar fato sujeito à multa de lançamento de oficio; contudo, a PGFN em seu Recurso Especial defende que a base para exigência da multa é o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96: [...]; ocorre que, pela leitura do referido dispositivo somente se aplica multa se houver lançamento de oficio a ser feito; portanto, uma vez entendido que o art. 18 da Lei n° 10.833/2003 afasta o lançamento em qualquer hipótese antes prevista no art. 90 da MP n° 215835, desaparece, por consequência, o fundamento para o próprio lançamento de ofício da diferença, não havendo como aplicarse a multa prevista no art. 44, por força do art. 106, I, "c", do CTN, corretamente aplicado pelo acórdão recorrido; nesse sentido, verificase que o acórdão recorrido está em total consonância com a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos 9101001.557, 9303 003.206 e 9303003.280 ementas transcritas); assim, resta evidente que o entendimento trazido pela PGFN em suas razões recursais não merece prosperar, razão pela qual deve ser mantido o acórdão recorrido, a fim de que seja cancelado o auto de infração relativo ao lançamento da multa de ofício; DO PEDIDO diante do exposto, requer seja negado provimento ao Recurso Especial da PGFN, com a manutenção do acórdão recorrido, a fim de que seja cancelado o auto de infração em questão. É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 270 6 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para exigência de débito de CSLL apurado no curso do anocalendário de 1998, acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. A autuação decorreu da não confirmação das vinculações informadas em DCTF. O sujeito passivo tentou quitar o referido débito mediante compensação com crédito de terceiros, cuja liquidez e certeza restaram incomprovados. Em razão do indeferimento do pedido de compensação, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício do referido débito, nos termos do comando contido no art. 90 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O acórdão recorrido aplicou retroativamente o art. 18 da Lei n° l0.833/2003, e exonerou a multa de ofício que foi lançada juntamente com o débito. E o recurso especial da Fazenda Nacional objetiva restabelecer a exigência da multa de ofício. Cabe registrar que não há mais qualquer litígio em relação ao lançamento no que toca à rubrica principal. A contribuinte inclusive já quitou esse valor. O litígio remanesceu mesmo apenas em relação à exigência da multa de ofício. A questão a ser aqui examinada é se, por força do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, cabe ou não a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para fins de exonerar a multa de 75% que foi lançada de ofício juntamente com o débito de CSLL apurado em 1998, com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, em razão do indeferimento de pedido de compensação que fora apresentado para a quitação desse débito. Para tanto, é preciso averiguar em que medida há sobreposição dos campos normativos constantes do art. 90 da MP nº 2.15835/2001 e do art. 18 da Lei n° l0.833/2003, uma vez que só faz sentido falar em retroatividade benigna se as normas anterior e posterior estiverem tratando de penalidade sobre o mesmo tipo de ato (conduta, infração). O ato apenado é o elemento comum, o elo entre os diferentes contextos normativos, que viabiliza a aplicação da retroatividade benigna. Nesse passo, é preciso registrar que o art. 90 da MP nº 2.15835/2001, transcrito anteriormente, tratou da sistemática para lançamento de "tributo" em algumas Fl. 270DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 271 7 situações, mas não estipulou nenhuma penalidade como veio a fazer posteriormente o art. 18 da Lei nº 10.833/2003. O art. 90 da MP nº 2.15835/2001 foi introduzido num contexto em que as DCTF só se constituíam como confissão de dívida e instrumento hábil à execução fiscal pelos valores de saldo a pagar, conforme as normas da Receita Federal que tratavam do conteúdo jurídico dessa declaração à época (IN SRF nº 45/1998 e IN SRF nº 126/1998). As diferenças de tributos apuradas em decorrência das vinculações realizadas pelo contribuinte (a título de pagamento, compensação, etc.) tinham que ser lançadas de ofício, por meio de auto de infração. Do contrário, a União não disporia de instrumento para promover a cobrança do tributo. Foi exatamente isso que motivou o lançamento de ofício para exigência do débito de CSLL apurado em 1998, acompanhado da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996. No decorrer do tempo, entretanto, ocorreram mudanças na legislação que alteraram bastante esse contexto jurídico. A Lei nº 10.637/2002, ao implementar modificações no art. 74 da Lei 9.430/1996, instituiu a "Declaração de Compensação", instrumento jurídico que passou a produzir o efeito de extinguir o débito compensado, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. A referida Lei nº 10.833/2003 também implementou outras importantes modificações no mesmo art. 74 da Lei 9.430/1996, para que a "Declaração de Compensação" passasse a constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Nesse conjunto de mudanças, vale ainda mencionar as implementadas pela IN SRF nº 255/2002, a partir da qual os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna de DCTF, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas em decorrência de compensação que não foi reconhecida pelo Fisco, apuradas em decorrência de pagamento que não foi confirmado, etc., passaram a ser enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos, não havendo mais a necessidade de lançamento de ofício para esses casos (art. 8º, §3º). Diante disso, tem razão a PGFN quando sustenta argumentação no sentido de que a hipótese dos autos, cujo lançamento se deu com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001, c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, não se subsume às regras introduzidas pela Lei nº 10.833/2003. Já se disse anteriormente que a retroatividade benigna depende de uma sobreposição, no que diz respeito à matéria de penalidade, entre os campos normativos constantes do art. 90 da MP nº 2.15835/2001 (c/c art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996) e do art. 18 da Lei n° 10.833/2003. Isto porque, na lógica do art. 106 do CTN, é preciso que a norma posterior, no caso, a introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003, trate do mesmo tipo de ato/infração que foi apenado nestes autos, deixando de definilo como infração, ou lhe cominando Fl. 271DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 272 8 penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática (art. 90 da MP nº 2.15835/2001, c/c o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996). Não há dúvidas de que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 limitou o âmbito de abrangência do referido art. 90 da MP nº 2.15835/2001, no que diz respeito à realização de lançamento de ofício em decorrência de trabalhos de auditoria interna de DCTF, ao mesmo tempo em que instituiu multa isolada para punir especificamente contribuintes que realizam compensações indevidas em determinados contextos que agravam as suas condutas. Mas o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 não extinguiu nenhuma penalidade que era prevista anteriormente. Primeiro, porque o art. 90 da MP nº 2.15835/2001 nem mesmo estabelecia qualquer penalidade, ele apenas elencava situações em que os trabalhos de auditoria interna de DCTF deveriam ensejar lançamento de ofício de tributo, justamente os casos em que a referida declaração não configurava confissão de dívida. Em segundo lugar, porque a penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que acompanha todos os lançamentos de ofício para exigência de tributo devido e não confessado, sempre esteve e continua em plena vigência até os dias de hoje. O que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 fez foi criar penalidade nova, inexistente até então, para apenar contribuintes que realizam determinados tipos de compensação, dependendo do tipo de crédito/débito envolvido no encontro de contas e também de outras circunstâncias (ocorrência de fraude, p/ ex.). Não se desconhece que com as modificações legislativas mencionadas acima, deixou de haver lançamento de ofício para os casos em que a compensação simplesmente não é homologada (em razão do não reconhecimento do direito creditório). Para esses casos, não há lançamento de ofício, nem do tributo e nem da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, mas isso decorre apenas do fato de que os débitos indevidamente compensados já estão confessados, já constam de instrumento hábil à execução fiscal, e não porque houve a alegada retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Não se nega também que há alguns aspectos comuns entre os contextos normativos cotejados, abrangendo períodos anteriores e posteriores à Lei 10.833/2003. Tanto antes quanto depois dessa lei existiam débitos que os contribuintes pretendiam quitar por compensação, antes com a apresentação de "Pedido de Compensação", e depois com a entrega da "Declaração de Compensação". Outro aspecto comum é que tanto antes quando depois da referida lei, os débitos indevidamente compensados podiam estar declarados em DCTF. Mas estes pontos comuns não são suficientes para a aplicação da regra de retroatividade benigna, porque as diferenças entre os contextos normativos nos diferentes momentos são bem mais relevantes. São enormes as diferenças entre os antigos "Pedidos de Compensação" e a atual "Declaração de Compensação". A principal delas, no âmbito desse debate, é que o mais antigo não configurava instrumento de confissão de dívida. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 273 9 E as DCTF no contexto anterior não produziam o mesmo efeito que as DCTF apresentadas de 2003 em diante, embora sua designação e sigla não tenham sido modificadas. Na época anterior (que é a época dos fatos sob exame), a referida declaração não constituía confissão de dívida relativamente aos débitos cuja compensação não era confirmada. Tanto era assim, que a lei ordenava que fosse realizado o lançamento de ofício, com a respectiva multa de 75%, que sempre acompanha esse tipo de lançamento. De 2003 em diante, a DCTF e a DCOMP configuram confissão de dívida para os débitos cuja compensação não é homologada, o que dispensa a realização de lançamento de ofício (tanto do tributo, quanto da multa vinculada), conforme já mencionado, mas isso não implica em afastar a multa que foi aplicada no contexto anterior, com base no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Finalmente, vale registrar que há situações na legislação atual, abrangendo procedimentos de compensação, que indicam a possibilidade de incidência conjunta da multa prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. É o caso da compensação que é considerada como "não declarada", cujo instrumento de formalização (declaração) não constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados (art. 74, §§ 6º, 12 e 13, da Lei 9.430/1996). Nesse tipo de situação, a exigência dos débitos indevidamente compensados (e que também não tenham sido declarados em DCTF) depende da realização de lançamento de ofício, acompanhado da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, sem prejuízo da aplicação da multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Essa possibilidade de cumulatividade das multas demonstra que não há a mencionada sobreposição normativa. Revela ainda que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 não veio para afastar (ou substituir) a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, e, finalmente, evidencia a improcedência da argumentação que sustenta a tese da retroatividade benigna tentando fazer um paralelo entre a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 e a tipologia introduzida pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Se tal argumentação fosse procedente, haveria incidência de apenas uma das multas para os casos de compensação considerada como "não declarada" (em que o débito não está confessado), a multa do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 em detrimento da multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, mas não é o que ocorre. A possibilidade de cumulação das referidas multas se dá justamente porque a "declaração de compensação", nas hipóteses do §12 do art. 74 da Lei 9.430/1996, não constitui confissão de dívida, e foi justamente essa mesma circunstância que ensejou o lançamento de ofício nos presentes autos. Obviamente, não houve aqui o lançamento de multa isolada porque os fatos são anteriores à Lei 10.833/2003. Mas o que interessa é realçar a independência das normas punitivas em comento, ou seja, a ausência de sobreposição dos campos normativos destas normas, o que muito reforça o argumento de que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 não derrogou a multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, especialmente nos casos em que os débitos objeto da tentativa frustrada de compensação não constam de instrumento de confissão de dívida. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 274 10 Se houve alguma derrogação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 (admitindose que isso possa ser dito dessa forma), ela é uma só: a multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 não incide sobre débito confessado, aquele que consta de declaração que constitui confissão de dívida (instrumento hábil e suficiente para a sua exigência). Para débito confessado, não há lançamento de ofício, nem do tributo e nem da multa do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. O débito confessado é sempre exigido com multa de mora, e essa é a única razão pela qual o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 deixou de incidir sobre débitos cuja compensação é simplesmente não homologada. A multa do art. 44 , I, da Lei nº 9.430/1996 não incide atualmente nos casos de simples não homologação da "Declaração de Compensação" porque tanto esta declaração quanto as atuais DCTF configuram confissão de dívida, dispensando o lançamento de ofício (tanto do tributo, quanto da multa a ele vinculada), o que não acontecia na época dos fatos sob exame. Entretanto, para os débitos cuja compensação não é confirmada pela Administração Tributária, e que não constam de instrumento de confissão de dívida, cabe a aplicação da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, tenham os fatos ocorridos antes ou depois da Lei nº 10.833/2003. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA EXIGÊNCIA DE DÉBITO NÃO CONFESSADO E COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. APLICAÇÃO DO ART. 90 DA MP Nº 2.15835/2001, C/C ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/1996. CABIMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA DE RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003 PARA AFASTAR A MULTA DE OFÍCIO. Só faz sentido falar em retroatividade benigna se as normas anterior e posterior estiverem tratando de penalidade sobre o mesmo tipo de ato (conduta, infração). Não há dúvidas de que o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 limitou o âmbito de abrangência do referido art. 90 da MP nº 2.15835/2001, no que diz respeito à realização de lançamento de ofício em decorrência de trabalhos de auditoria interna de DCTF, ao mesmo tempo em que instituiu multa isolada para punir especificamente contribuintes que realizam compensações indevidas em determinados contextos que agravam as suas condutas. Mas o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 não extinguiu nenhuma penalidade que era prevista anteriormente. A penalidade prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que acompanha todos os lançamentos de ofício para exigência de tributo devido e não confessado, sempre esteve e continua em plena vigência até os dias de hoje. Se não havia um instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado (ausência de confissão de dívida), era (e ainda é) cabível o lançamento de ofício, tanto do tributo, quanto da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a multa de ofício que tinha sido afastada pela decisão recorrida. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 275 11 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Voto Vencedor Conselheira Adriana Gomes Rego, Redatora Designada No mérito divirjo do I. Relator, no sentido de negar provimento ao recurso especial da PGFN, mantendo a decisão recorrida, que excluiu a multa de ofício. Entendo que não deve prevalecer a multa de ofício aplicada em face da retroatividade benigna de legislação superveniente. Quanto ao tema, em recente julgado proferi meu voto nesse sentido (acórdão 9101002.563, de 9/2/2017), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões que reafirmo a seguir. Ao contrário do relator, entendo que há, sim, a “sobreposição dos campos normativos” entre o art. 90 da MP nº 2.15835/2001 e o art. 18 da Lei n° l0.833/2003. Isto porque foi editado o art. 18 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, esta convertida na Lei nº 10.833/2003, cuja redação original, dispunha: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. O referido artigo limitou a aplicação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida Fl. 275DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 276 12 – nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Até essa redação, ainda seria possível dizer que a multa estava mantida, porque a hipótese dos autos é de compensação com crédito de terceiro, ou seja, crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, nos termos do art. 170 do CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Ocorre que a atual redação do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, restringiu ainda mais as hipóteses de aplicação do art. 90, senão vejamos: Lei 10.833/2003 Redação atual Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ......................................................................................................... § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Negritei) Inferese que a intenção do legislador, já na redação original, foi a de punir, com multa isolada, o sujeito passivo que apresentou declaração de compensação sabidamente em desconformidade com o disposto na legislação, pois o tributo já se encontrava constituído, ou seja, confessado por força do art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, que, ao adicionar o § 6º ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, atribuiu à Dcomp a natureza de confissão de dívida. Ou seja, primeiro foi editado o art. 90 da MP nº 2.15835, determinando a constituição do crédito tributário relativo às compensações indevidas, por meio do qual cobravase o tributo, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Depois, com a MP nº 135, de 2003, dispensouse a constituição do crédito tributário relativo ao tributo nas hipóteses ali mencionadas, e passouse a exigir tãosomente a multa isolada. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 277 13 Contudo, a redação atual restringiu a imposição da multa isolada para ser aplicada quando a não homologação decorre de falsidade na declaração e nos casos de compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. E, analisando o caso dos autos, verificase que se trata de um pedido de compensação formulado pelo contribuinte, relativo a crédito de terceiros, não estando tal hipótese contemplada pela sistemática introduzida a partir da Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, que deu nova redação ao art.74 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (...)(Negritei) Com efeito, a leitura do caput do dispositivo acima transcrito permite verificar que está expressamente previsto que a compensação ali disciplinada referese tão somente àquela efetuada entre créditos e débitos próprios, de onde se conclui ser imprescindível tal condição para que ao pedido de compensação pendente de apreciação à época da alteração legislativa seja aplicável a nova disciplina das declarações de compensação (Dcomp) introduzida pelo art. 74, no caput e seus parágrafos. No presente caso, vêse, portanto, que não estão caracterizadas as circunstâncias previstas na nova redação do caput do art. 18, pois, além de ausente qualquer imputação referente à prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, também não se cogita de nãohomologação de compensação declarada, haja vista a inaplicabilidade dos efeitos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, como já dito. Daí que, em face do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional), no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas deveriam ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não fossem fundamentadas nas hipóteses versadas no “caput” desse artigo. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 16327.003336/200332 Acórdão n.º 9101002.878 CSRFT1 Fl. 278 14 Em outras palavras, entendo que a retroatividade benigna somente não se operaria se o lançamento de ofício tivesse ocorrido com fundamento nas mesmas hipóteses hoje admitidas pelo o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, impõese a exoneração da multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000286/2009-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PERDA DO INCENTIVO. REQUISITOS.
A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária implica a perda dos incentivos e benefícios de redução ou isenção de tributos no respectivo ano-calendário, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado.
O crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, não tem a natureza de incentivo e benefício de redução ou isenção de tributos.
Numero da decisão: 9303-005.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PERDA DO INCENTIVO. REQUISITOS. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária implica a perda dos incentivos e benefícios de redução ou isenção de tributos no respectivo ano-calendário, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. O crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, não tem a natureza de incentivo e benefício de redução ou isenção de tributos.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13056.000286/2009-76
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771056
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.511
nome_arquivo_s : Decisao_13056000286200976.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 13056000286200976_5771056.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6934213
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467474673664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1680; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 962 1 961 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13056.000286/200976 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.511 – 3ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2017 Matéria IPI DCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CALÇADOS STATUS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PERDA DO INCENTIVO. REQUISITOS. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária implica a perda dos incentivos e benefícios de redução ou isenção de tributos no respectivo anocalendário, independentemente de sentença judicial condenatória transitada em julgado. O crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, não tem a natureza de incentivo e benefício de redução ou isenção de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento.Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 02 86 /2 00 9- 76 Fl. 962DF CARF MF Processo nº 13056.000286/200976 Acórdão n.º 9303005.511 CSRFT3 Fl. 963 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra ao acórdão nº 3102001.949, proferido pela 1º Câmara/2º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que seja reconhecido o direito da ora Recorrente ao ressarcimento de eventuais créditos presumidos do IPI, devidamente corrigidos pela Taxa SELIC, a partir da data da transmissão do pedido de ressarcimento/compensação, homologando a compensação até o limite dos valores dos créditos apurados. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A ora Recorrente solicitou o ressarcimento de crédito básico e presumido do IPI, referente ao 3º trimestre de 2009, no valor total de R$ 330.005,14, por meio do PER/DCOMP nº 08864.57289.201009.1.1.011600, transmitido em 20 de outubro de 2009. Na mesma data, transmitiu o PER/DCOMP nº 42010.40212.201009.1.3.018904, pleiteando o aproveitamento, mediante compensação, da parcela de R$ 71.028,63. Foi realizada auditoria para analisar a legitimidade desse crédito, bem como do crédito objeto do PER/DCOMP nº 15740.58500.170709.1.1.015530, relativo ao 2º trimestre de 2009 (processo administrativo nº 13056.000173/200971, , no qual a autoridade fiscal concluiu o seguinte (relatório de fls. 345 a 353): foram detectados indícios de inclusão indevida de gastos com prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido, o que motivou a realização de fiscalização previdenciária que resultou em lavratura de auto de infração, objeto do processo 11065.001584/201082 e formalização de duas representações fiscais para fins penais, a primeira, pela constatação da prática de fato considerado crime, em tese, de sonegação fiscal previdenciária art. 337A, I, do Código Penal (Decreto Lei nº 2.848, de 1940, com alterações da Lei 9.983, de 14/07/2000; e a segunda, por crime, em tese, contra a ordem tributária, Lei nº 8.137, de 1990, art. 1°, I. O relatório da ação fiscal relativa às Contribuições Previdenciárias está reproduzido às fls. 293 a 341, onde consta em resumo, o entendimento da fiscalização no sentido de que as empresas do mesmo grupo Calçados Laesa Ltda., Calçados Joice Ltda. e Calçados Siberia Ltda., optantes do Simples, foram criadas com o objetivo de reduzir os tributos incidentes sobre a folha de pagamentos da requerente, sendo os empregados destas empresas, de fato, funcionários de Calçados Status Ltda.; Fl. 963DF CARF MF Processo nº 13056.000286/200976 Acórdão n.º 9303005.511 CSRFT3 Fl. 964 3 tendo em vista que o art. 59 da Lei nº 9.069, 29 de junho de 1995 determina a perda, no ano calendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária aos contribuintes que praticarem atos que configurem crimes contra a ordem tributária, a Fiscalização da DRF em Novo Hamburgo propôs o deferimento parcial do pedido, com o indeferimento do ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de R$ 328.303,74e o reconhecimento do direito ressarcimento de créditos básicos do mesmo imposto, com fundamento no art. 11, da Lei nº 9.779, de 1999, no valor de R$ 1.701,40: em decorrência, foram emitidos os Despachos Decisórios de fls. 341 e 353, que deferiram parcialmente o pedido de ressarcimento formalizada no PER/DCOMP nº 08864.57289.201009.1.1.011600 e homologaram até o limite do deferimento a compensação declarada no PER/DCOMP nº 42010.40212.201009.1.3.018904. O acórdão recorrido, restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PERDA DO INCENTIVO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido de IPI não tem natureza jurídica de redução ou isenção, razão pela qual não se lhe aplica a penalidade prescrita no art. 59 da Lei 9.069/1995. Recurso Voluntário Provido em Parte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja conhecido e provido o presente RECURSO ESPECIAL para reformar o acórdão atacado e indeferir o pedido de ressarcimento dos créditos presumidos do IPI, restabelecendose a decisão da DRJ; ou, subsidiariamente, caso o ressarcimento seja deferido, excluir da incidência da Taxa Selic sobre o respectivo valor, ante a ausência de previsão legal específica. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nº 110100.617, CSRF/0203.718 e 930300.720. No despacho de admissibilidade, o Presidente da Câmara admitiu o Recurso apenas quanto aplicabilidade do art. 59 da Lei nº 9.069/95 ao ressarcimento do credito presumido do IPI, quanto a incidência da Taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido do IPI, apesar do entendimento divergente, nos termos do § 10 do artigo 67 do RICARF, o acórdão apontado não serve como paradigma para essa matéria, em virtude de a tese adotada (impossibilidade de incidir a taxa Selic sobre valores ressarcíveis de créditos do IPI, por ausência de previsão legal) já ter sido superada pela CSRF, na data de interposição do recurso especial (11/2013 – fl. 916). Fl. 964DF CARF MF Processo nº 13056.000286/200976 Acórdão n.º 9303005.511 CSRFT3 Fl. 965 4 Houve reexame de admissibilidade do Recurso, o Presidente do CARF manteve na integra o despacho do Presidente da Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, apenas quanto à questão da aplicação do art. 59 da Lei 9.069, de 1995, ao ressarcimento de crédito presumido do IPI. A Contribuinte não apresentou contrarrazões É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a aplicação ou não do art. 59 da Lei nº 9.069/95 ao ressarcimento do credito presumido do IPI. Tratase de ressarcimento de crédito presumido do IPI, referente ao 3º trimestre de 2009, por meio do PER/DCOMP nº 08864.57289.201009.1.1.011600, transmitido em 20 de outubro de 2009. Na mesma data, transmitiu o PER/DCOMP nº 42010.40212.201009.1.3.018904, pleiteando o aproveitamento, mediante compensação. Foi realizada auditoria para analisar a legitimidade desse crédito, bem como do crédito objeto do PER/DCOMP nº 15740.58500.170709.1.1.015530, relativo ao 2º trimestre de 2009 (processo administrativo nº 13056.000173/20097, o qual a Autoridade Fiscal concluiu o seguinte: foram detectados indícios de inclusão indevida de gastos com prestação de serviços decorrentes de industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido, o que motivou a realização de fiscalização previdenciária que resultou em lavratura de auto de infração, objeto do processo 11065.001584/201082 e a formalização de duas representações fiscais para fins penais, a primeira, pela constatação da prática de fato considerado crime, em tese, de sonegação fiscal previdenciária art. 337A, I, do Código Penal (Decreto Lei nº 2.848, de 1940, com alterações da Lei 9.983, de 14/07/2000,e a segunda, por crime, em tese, contra a ordem tributária, Lei nº 8.137, de 1990, art. 1, I. Conforme se insere no despacho decisório, o pleito foi indeferido, sob o argumento de que seria incabível o reconhecimento do incentivo fiscal do crédito presumido do IPI, quando constatada a prática, no ano calendário, de ato que configure crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 59 da Lei 9.069/95. O qual prescreve o seguinte: Art. 59 A prática de atos que configurem crime contra a ordem tributária (Lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão a pessoa jurídica infratora a perda, no ano calendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Por outro lado, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, por entender que: Fl. 965DF CARF MF Processo nº 13056.000286/200976 Acórdão n.º 9303005.511 CSRFT3 Fl. 966 5 "Nos casos de incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária, a restrição trazida no art. 59 , aplicase, independentemente, de haver ou não condenação penal daquele beneficiário que tenha praticado atos que configurem crime contra a ordem tributária. Todavia, no caso dos autos, a natureza jurídica do crédito presumido de IPI não se enquadra corno incentivo e beneficio de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Vejase que o legislador restringiu a aplicação da norma aos casos de incentivos e benefícios ligados à redução ou isenção tributária. O crédito presumido, não se enquadra nem como redução, nem como isenção, é incentivo creditício. Por conseguinte, a norma inserta no art. 59 da Lei nº 9.069/1995 não o alcança". Com efeito, quanto esta matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303005.426, de relatoria do Ilustre Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, pronunciada na sessão de julgamento do mês de julho de 2017, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: "No mérito, vemos que a questão de fundo é a perda de incentivos fiscais pela prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária. A matéria encontrase disciplinada no art. 59 da Lei nº 9.069, de 1995, cuja redação é a seguinte: Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Percebase que esta norma jurídica não estabeleceu, para que se desse a pura e simples perda do benefício, qualquer outro requisito além da prática dos crimes que menciona ou da falta de emissão de notas fiscais. Portanto, nada falou sobre a necessidade de o crime contra a ordem tributária ter sido discutido em ação penal com trânsito em julgado. Chega a ser tedioso ressaltar, a iniciativa da Administração Pública não está – em todo e qualquer caso – atrelada a um eventual e futuro entendimento do Poder Judiciário, ainda que em análise o cometimento e as conseqüências jurídicoadministrativas de atos tipificados como crimes contra a ordem tributária. É óbvio, cabe ao Poder Judiciário, observado o devido processo legal, a condenação ou absolvição do sujeito passivo pelo cometimento de condutas criminalmente tipificadas. Todavia, também é de conhecimento geral, o próprio Código de Processo Penal (CPP) estabelece as hipóteses em que a ação cívil – e também assim os processos de natureza administrativa – pode ser proposta a despeito da sentença absolutória na ação penal, como é exemplo o caso em que alguém é absolvido por falta de provas (arts. 66 e 67 do CPP). Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13056.000286/200976 Acórdão n.º 9303005.511 CSRFT3 Fl. 967 6 Contudo, a questão aqui é outra: o crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, ou, alternativamente, na Lei nº 10.276, de 2001, não tem a natureza de incentivo ou benefício de redução ou isenção de tributo. Tratase, na verdade, de um direito das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Esta mesma Turma já teve a oportunidade de apreciar a mesma questão. E como observou o il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, na declaração de voto que apresentou e que compõe o Acórdão nº 930301.258, de 06/12/2010, "... a natureza jurídica do crédito presumido de IPI não se enquadra corno incentivo e beneficio de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Vejase que o legislador restringiu a aplicação da norma aos casos de incentivos e benefícios ligados à redução ou isenção tributária. 0 crédito presumido, não se enquadra nem como redução, nem como isenção, é incentivo creditício. Por conseguinte, a norma inserta no art. 59 da Lei 9.069/1995 não o alcança." Vêse, pois, improcedente a única razão para o indeferimento dos pedidos de ressarcimento cumulados com a compensação de tributos. Nesse contexto, entendemos que os autos devem retornar à unidade de origem, a fim de que, ultrapassada a matéria aqui apreciada, reaprecie os pedidos, obviamente desconsiderando, se assim entender, aquelas notas fiscais que a própria fiscalização entendeu, pelas razões que expôs, serem ideologicamente falsas. Notese que também constou do recurso especial a alegação aqui adotada de que o crédito presumido de IPI não constitui incentivo de redução e isenção de tributo, matéria que, contudo, não obstante não tenha sido apreciada no exame de sua admissibilidade, está, com a primeira matéria, umbilicalmente ligada, daí que não vemos a menor necessidade de que seja realizado um novo exame de admissibilidade para apreciar apenas esta matéria faltante. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, a fim de que, ultrapassada a matéria aqui apreciada, a DRF de origem prossiga na análise dos pedidos formulados pela contribuinte". Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente). Demes Brito Fl. 967DF CARF MF Processo nº 13056.000286/200976 Acórdão n.º 9303005.511 CSRFT3 Fl. 968 7 Fl. 968DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000726/2003-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT)
A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT) A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10665.000726/2003-33
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5770997
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.168
nome_arquivo_s : Decisao_10665000726200333.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10665000726200333_5770997.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
id : 6934154
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049467485159424
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-09-07T12:42:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-09-07T12:42:49Z; Last-Modified: 2017-09-07T12:42:49Z; dcterms:modified: 2017-09-07T12:42:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-09-07T12:42:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-09-07T12:42:49Z; meta:save-date: 2017-09-07T12:42:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-09-07T12:42:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-09-07T12:42:49Z; created: 2017-09-07T12:42:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2017-09-07T12:42:49Z; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-09-07T12:42:49Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 496 1 495 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10665.000726/200333 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.168 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2017 Matéria IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NACIONAL DE GRAFITE LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT) A exportação de produtos NT, situados fora do campo de incidência do imposto, não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de Recurso Especial (fls. 423 a 4411) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 210100.201, de 4 de junho de 2009 (fls. 405 a 415), com fulcro 1 A numeração das folhas reportase à atribuída nos autos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 07 26 /2 00 3- 33 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 497 2 no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais–RI CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O acórdão recorrido está assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. O produtor e exportador de produtos nãotributados no mercado interno tem direito ao crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Recurso Voluntário Provido. Em síntese, a decisão reconheceu o direito de o contribuinte inserir, na base de cálculo do crédito presumido do IPI – CPIPI, os valores das aquisições de todos os insumos utilizados no procedimento industrial que se incorporarem ao produto final, para os fins de determinar o valor do benefício fiscal e, conseqüentemente, o seu ressarcimento. No recurso especial, a Fazenda Nacional suscita dissídio jurisprudencial quanto à inclusão, na base de cálculo do CPIPI, do valor das receitas de exportação de produtos situados fora do campo de incidência do imposto, gravados com a notação NT na TIPI. No mérito, argumenta que tais bens não são considerados como industrializados de acordo com o art. 13 da Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1993, e que a Instrução Normativa SRF nº 23, de 13 de março de 1997, reafirma o direito ao benefício, quando o produto exportado for tributado à alíquota zero, sem referirse aos produtos NT. Refere também o Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP nº 139, de 22 de abril de 1996, item 4.11. Por meio do Despacho S/Nº 3ª Câmara, de 1° de junho de 2015 (fls. 461 a 465), o Presidente da 3ª Câmara admitiu o apelo. O feito foi contrarrazoado (fls. 482 a 492). O interessado colacionou doutrina e jurisprudência que amparam a tese de que a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, instituidora do benefício, não exigiu que o produto fosse exportado para o direito à sua fruição. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Admissibilidade A Fazenda Nacional foi intimada do acórdão recorrido, em 19/12/2009(cfe. Termo de Intimação pessoal do Procurador, fl. 417). O apelo formulado em 21/12/2009(cfe. RM nº 13905, fl. 421) é tempestivo. Ademais, o instrumento recursal foi adequadamente instruído, mediante cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma, que, a partir de circunstâncias fáticas similares, deram diversa interpretação à lei tributária. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 498 3 Assim, presentes os pressupostos recursais, o arrazoado de fls. 423 a 441 merece ser conhecido como recurso especial contra o Acórdão nº 210100.201, de 4 de junho de 2009. Mérito Este Colegiado já julgou recurso idêntico nos autos do processo administrativo nº 10665.001234/200284, em que figuravam as mesmas partes, na sessão de 5 de julho de 2016. Na ocasião, fui designado para a redação do voto vencedor para o Acórdão nº 9303004.177, cujos fundamentos repito como razão de decidir, forte no § 3º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3a Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3a T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3aT., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 499 4 TRF da 5a Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rei. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2a T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação "NT" na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e. portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1o da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O beneficio fiscal chamado "Crédito Presumido de IPI Exportações" consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1o da Lei 9.363/96: "Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará Jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento dos contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo". "Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior". Considerandose, então, que o artigo 1º da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do benefício do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições — ser produtora e ser exportadora —, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 500 5 condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estímulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi avocação do pais ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis. trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1o da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que "considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto". Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI. conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2º do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25.06.98). "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.º 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13)" Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4º do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8º do RIP1/98, que prescreve: Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 501 6 Art. 8º Estabelecimento industrial è o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei nº 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão "produtora e exportadora". Bastaria o uso da palavra "exportadora". Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica "que provém do latim hermenêutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis. a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, aponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 502 7 Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. E necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do princípio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis. mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico, Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão Ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: "A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante ás aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados á exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal ê aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 2° da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal o crédito é destinado, tãosomente, às empresas Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 503 8 que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3o da Lei 4.5021964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não ê considerada como produtora não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos á alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IP1 conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral ê que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 2.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 504 9 exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de 1P1 nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razoes, ê de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI". Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 RIPI/82), não é considerado, ã luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial ê o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como "de industrialização", da qual cumulativamente, resulte um produto ''tributado", ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industria! para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. "Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n° 4.502, art 3º)." Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em ''Tudo sobre o IPI, 4aedição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: "Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, o condicionamento/reacondicionamento e renovação e recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou tento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto '(art. 8º). As expressões fábrica' e fabricante' são equivalentes a 'estabelecimento industrial', como definido acima (art. 487II). Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 505 10 Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida observando as demais obrigações concernentes ã escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23 II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 22). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (não tributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrial tacão pelo artigo 5o do RIPI." O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão "NT" aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI qual seja o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o não reconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: "Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...)." Lógico que "produção" conformase na atividade do "produtor ". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, "estabelecimento produtor" é aquele Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 506 11 que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: "Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto." Considerandose, então, que o art. lº da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao "estabelecimento produtor e exportador", e que o art. 3o da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, consequentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como "NT" na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou se/a, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI: A legislação que trata do especifico beneficio do crédito presumido do IPI determina que as "mercadorias" devam decorrer de "estabelecimento produtor", o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato. mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1o da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 507 12 quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia: II os princípios gerais de direito tributário: III os princípios gerais de direito público; TV a eqüidade § 1o O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2° O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federa! ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10665.000726/200333 Acórdão n.º 9303005.168 CSRFT3 Fl. 508 13 geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF n° 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI. transcrito abaixo: Art. 153, § 3o: "O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores". Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96. em cotejo com as demais legislações do IPI. Aqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa. podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto, voto dar provimento do Recurso Especial interposto pela PGFN. Conclusão Com tais considerações, voto pelo provimento do Recurso Especial fazendário, para o efeito de restaurar integralmente a decisão do julgamento de primeira instância. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
