Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 14112.000245/2005-05
Data da sessão: Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. ADMISSÃO. REQUISITO.
Para que sejam admitidas as compensações devem ser declaradas antes da decisão da Autoridade Administrativa denegatória do pedido de restituição, mesmo que o crédito esteja sendo discutido nas instâncias de julgamento.
Numero da decisão: 3803-000.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 200907
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. ADMISSÃO. REQUISITO. Para que sejam admitidas as compensações devem ser declaradas antes da decisão da Autoridade Administrativa denegatória do pedido de restituição, mesmo que o crédito esteja sendo discutido nas instâncias de julgamento.
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14112.000245/2005-05
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364162
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-000.007
nome_arquivo_s : Decisao_14112000245200505.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 14112000245200505_5364162.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 06 00:00:00 UTC 2009
id : 5546204
ano_sessao_s : 2009
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607805652992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 197 1 196 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14112.000245/200505 Recurso nº 155.469 Voluntário Acórdão nº 3803000.007 – 3ª Turma Especial Sessão de 06 de julho de 2009 Matéria RESTITUIÇÃO/COMP PASEP Recorrente FUNDAÇÃO INSTITUTO DE APOIO AO PLANEJAMENTO DO ESTADOMS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. ADMISSÃO. REQUISITO. Para que sejam admitidas as compensações devem ser declaradas antes da decisão da Autoridade Administrativa denegatória do pedido de restituição, mesmo que o crédito esteja sendo discutido nas instâncias de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 45 /2 00 5- 05 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14112.000245/200505 Acórdão n.º 3803000.007 S3TE03 Fl. 198 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1315.184, de 15 de fevereiro de 2007, da DRJ/Rio de Janeiro/RJ, fls. 177 a 186, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, fls. 104 a 121. A Fundação Instituto de Apoio ao Planejamento do Estado de Mato Grosso do Sul, apresentou Pedido e Declarações de Compensação, relativamente ao PASEP dos períodos de apuração dezembro de 2001 e setembro a dezembro de 2002, totalizando R$ 5.810,96. O crédito indicado tem origem no Pedido de Restituição formalizado no processo de n. 10140.001792/0044, cujo valor total pleiteado era de R$ 111.892,24. A DRF/Campo Grande considerou que: a) os pedidos de compensação entregues até 30 de setembro de 2002 não foram convertidos em declarações de compensação, por não possuírem os requisitos mínimos para tal, e considerados nulos, porque apresentados isoladamente, sem o correspondente pedido de restituição; b) as declarações de compensação entregues entre 1° de outubro de 2002 e 29 de dezembro de 2004, não homologadas, uma vez terem sido apresentadas após o indeferimento do pedido de restituição pela autoridade administrativa. Em face da consideração de nulidade das compensações foi enviada para a Declarante "Autorização para Compensação de Oficio" dos débitos tratados neste processo com o crédito reconhecido no processo n. 10140.001792/0044. Por meio desse documento a Autoridade Administrativa conclama a contribuinte a confessar os débitos não constituídos e constantes das compensações declaradas. A confissão de dívida não foi assinada. Em manifestação de inconformidade apresentada a Manifestante alegou que: a) o pedido de restituição foi formulado segundo as normas de regência da espécie e encontravase pendente de decisão administrativa, proferida em 23 de janeiro de 2002 em favor do contribuinte; b) os pedidos de compensação fundaramse em bom direito e instrumentalizaramse de acordo com as regras então em vigor; c) a MP 66/2002, convertida na Lei n. 10.637/2002, determinou a conversão de todos os pedidos de compensação pendentes de decisão administrativa em declarações de compensação. A interessada pugnou pela existência, validade e homologação do pedido de compensação. Despacho datado de 28 de setembro de 2007, encaminha o processo para a Seção de Fiscalização, para o fim de efetuar o lançamento dos débitos. Em 1º de outubro de 2007 o processo de crédito 10140.001792/0044 é apensado a este, e novamente desapensado em 03 de janeiro de 2008. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14112.000245/200505 Acórdão n.º 3803000.007 S3TE03 Fl. 199 3 A DRJ/Campo Grande corrobora o Despacho Decisório, não conhecendo a manifestação de inconformidade no que tange ao pedido de compensação apresentado em 11/01/2002, e não homologando as compensações declaradas. Cientificada da decisão em 28 de março de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 191 a 206, em 20 de abril de 2007, em que: a) rediscute o crédito tratado no processo acima referido, afirmando que houve cerceamento do seu direito à ampla defesa e ao contraditório, com fundamento na falta de transparência do Demonstrativo de Correção dos Créditos, quanto aos índices de atualização monetária manejados pelo órgão, ausente de notas explicativas e de explanação sobre os critérios utilizados; b) insiste que seu pedido de compensação não é nulo, e que, em face do seu crédito, deve ele ser homologado juntamente com as declarações de compensação, mesmo tendo sido apresentado/declaradas na pendência de decisão administrativa “definitiva”, como entende que se deve interpretar tal pendência, contrariamente ao fundamento de ambas as decisões anteriores, que entenderam ser a pendência enquanto o processo não tivesse manifestação da delegacia de origem. c) reclama a necessidade de nova decisão acerca das compensações, ao tempo em que, inquina de inexigíveis os débitos que elas registram, eis que não confessados e não lançados, para, ao fim, da pedir a sua decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Registrese, de início, que este processo não se presta à discussão do crédito, senão, tãosó, quanto a homologar ou não as compensações que constituíram este processo. Isso, porque ao tempo da apresentação do Pedido de Compensação e das Declarações de Compensação o processo de restituição, nº 10140.001792/0044, já tinha decisão denegatória, ocorrida em 09/10/2000, e estava em curso a contestação da Interessada, obedecido o rito do Processo Administrativo Fiscal. Daí terse considerado que tais pedido e declarações estavam desvinculados de crédito. Comungo com a posição da decisão recorrida, que confirmou o despacho decisório da DRF, ainda que tenha indicado o Pedido de Restituição contido no processo de nº 10140.001792/0044. Com o crédito a ele vinculado já antes não reconhecido, com efeito, o Pedido de Compensação não convolase em Declaração de Compensação, podendo ser considerado não formulado. Quanto às declarações de Compensação, seu destino haveria mesmo de ser a nãohomologação Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14112.000245/200505 Acórdão n.º 3803000.007 S3TE03 Fl. 200 4 Tenhase que, seja na vigência da IN SRF nº 21/97, art. 12, § 4º[1], quando apresentado o pedido de compensação, ou da IN SRF nº 210, art. 21, § 4º[2], quando protocolizadas as declarações de compensação, são de mesmo conteúdo semântico as normas contidas nos dois diferentes textos, e explicitavam a condição de admissibilidade das compensações, consoante a ressalva em suas partes finais: “desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido”, na IN SRF nº 21/97, e “desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da ‘Declaração de Compensação’”, na IN SRF nº 210/2002. A primeira ressalva, ao condicionar a admissão de pedidos de compensação a que o valor ou saldo não tenha sido restituído ou ressarcido, está vinculando a existência de tal pedido até a momento posterior à decisão administrativa, vale dizer o momento da efetiva restituição ao contribuinte. Por óbvio, já que posterior à decisão administrativa esta, fica claro, será uma decisão positiva da análise do crédito. Por exclusão, era inadmissível o pedido quando denegatória do crédito. A ressalva da IN 210/02, tendo em mira uma decisão denegatória, restringe a admissão de declaração de declaração de compensação a momento anterior a citada decisão, portanto, na pendência de decisão administrativa. Logo, tratase, de fato, de decisão da delegacia de origem. A palavra “definitiva” utilizada para qualificar a decisão administrativa em pedido de restituição. no texto do art. 74, § 3º, VI, da Lei nº 9.430/96, trazida pela Lei nº 11.051/2004[3], só reforça a força denegatória da decisão da Autoridade da SRF a impedir o uso do crédito em compensação. Ao mencionar, em seu recurso, a disciplina da restituição de indébito, segundo o disposto no art. 34, § 1º, da IN SRF nº 600/05, gizese que, uma vez não assinada a Confissão de Dívida proposta pela DRF/Campo Grande, os débitos constantes do Pedido de Compensação e das Declarações de Compensação haveriam de ser lançados de ofício. Se efetuado o lançamento dentro do prazo decadencial, após a sua definitividade, com ou sem contestação, o citado procedimento será, ao fim, executado. Caso contrário, sem lançamento de oficio ou feito fora do prazo decadencial, não haveria no sistema os aludidos débitos para serem alvo da compensação de ofício, restando líquidos os valores a restituir, na hipótese de outros não existirem, verbis: "Art. 34. Antes de proceder a restituição ou ao ressarcimento de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional relativo aos tributos e contribuições de competência da Unido, a autoridade competente para promover a restituição ou o ressarcimento deverá verificar, mediante consulta aos sistemas 1 Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. 2 O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado à SRF, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação". 3 Art. 4o O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74.[ ..]. § 3o [...]. VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14112.000245/200505 Acórdão n.º 3803000.007 S3TE03 Fl. 201 5 de informação da SRF, a existência de débito em nome do sujeito passivo no âmbito da SRF e da PGFN. § 1° Verificada a existência de débito, ainda que parcelado, inclusive de débito encaminhado à PGFN para inscrição em Divida Ativa da Unido, de natureza tributária ou não, ou de débito consolidado no âmbito do Refis, do parcelamento alternativo ao Refis ou do parcelamento especial de que trata a Lei n° 10.684, de 2003, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de oficio. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2009 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.006281/2009-58
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do Decreto-Lei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do Decreto-Lei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10715.006281/2009-58
anomes_publicacao_s : 201506
conteudo_id_s : 5474308
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-005.329
nome_arquivo_s : Decisao_10715006281200958.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10715006281200958_5474308.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
id : 5960342
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:13:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607808798720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.006281/200958 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.329 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2015 Matéria AUTO DE INFRACAO ADUANEIROADUANA Recorrente TAM LINHAS AEREAS S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do DecretoLei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Cássio Schappo. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 62 81 /2 00 9- 58 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 3 2 Cássio Schappo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/1966, com a redação da Lei n 10.833/2003, no valor de R$ 45.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF nº 28/1994, alterado pela IN RFB nº 510/2005. A fiscalização junta aos autos a planilha de fl. 10, na qual indica o número da DDE da carga transportada, a data de embarque e número do vôo e a data da efetiva averbação dos dados do respectivo embarque. Não se conformando com a exigência, a autuada apresenta impugnação às fls. 23 a 31 para afirmar que na autuação em tela não houve subsunção do evento ocorrido (registro “intempestivo” dos dados de embarque) com a hipótese normativa prevista no art. 107, IV da Lei 10.833/03 (deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada), como demanda o princípio da tipicidade cerrada, que deve nortear todas e qualquer imposição tributária, não obstante confirmar que registrou de forma tardia os dados de embarque das mercadorias relacionadas no bojo desde auto de infração, o que, obviamente, não se confunde com a falta de prestação de informações, não podendo, nesse sentido, subsistir a presente ação fiscal. Noutra vertente, sustenta que a própria instrução normativa nº 28/94 estabelece a aplicação de penalidade distinta daquela fixada pelo agente fazendário, nos casos de descumprimento do disposto no citado artigo 37, conforme se observa do artigo 44 da instrução normativa acima referenciada; sendo inaplicável ao caso sob exame a multa prevista no art. 107, IV, alínea “e”, da Lei nº 10.833/2003. Prossegue aduzindo que a penalidade aplicada contrapõe aos princípios constitucionais que orientam o ordenamento jurídico como um todo, além daqueles destinados ao âmbito do direito tributário, dentre eles, o da proporcionalidade e/ou razoabilidade, o qual preceitua que o instrumento deve ser adequado ao fim pretendido, deve guardar referibilidade com falta cometida. Logo, a exigência feita pelas autoridades aduaneiras para que os dados de embarque sejam registrados no exato momento da saída da aeronave para o exterior mostrase exacerbada, pois é humanamente impossível realizar de imediato a inserção de todos os dados de embarque relacionados a cada Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 5 4 um dos vôos internacionais operados pela Impugnante, o que revela o “excesso de punição”. Ainda mais que não causou qualquer prejuízo ao Fisco. Portanto, entende que a penalidade pecuniária prevista na Lei 10.833/03 deveria ser relevada de plano ou, excepcionalmente, ser aplicada uma única vez e não sobre cada um dos vôos em que foi constatado o registro tardio de informações relacionadas a mercadorias destinadas ao exterior. Do exposto, requer a insubsistência do auto de infração e consequente cancelamento da penalidade imposta, ou, subsidiariamente, seja permitida a retificação do lançamento para que a penalidade seja aplicada sobre um único evento infracional.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, sendo o acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, alegando ainda a inaplicabilidade do art. 37 da IN SRF 28/94, a nulidade do auto de infração por ausência de provas, a incorreta tipificação dos fatos e a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise com a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional.. É o Relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) Originalmente a IN SRF n° 28, de 27/04/1994 previa em seu art. 37 que o registro dos dados pertinentes no SISCOMEX deveria ser efetuado imediatamente após realizado o embarque da mercadoria: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (grifei) A IN SRF n° 510/2005, que entrou em vigor em 15/02/2005, veio dar nova redação ao art. 37 da IN SRF n° 28/1994, determinando que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da inaplicabilidade de infração com base no disposto na redação original do art. 37 da IN SRF n° 28, de 27/04/1994 Verificase que os fatos que geraram a aplicação das multas ocorreram no início de 2005, ou seja, em parte se encontravam no período em que vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, que estabelecia que a obrigação devia ser satisfeita "imediatamente após realizado o embarque da mercadoria ". Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 7 6 Entendo que se trata de regra incerta e a imposição normativa constante desse ato administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a que se propõe, de imposição de penalidade. Como ressalta bem, o I. Relator José Luiz Novo Rossari, no processo de n° 10715.006280/200911, acórdão de n° 320200.364, de 01/09/2011: A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em se tratando de norma tributáriapenal, que deve obedecer ao princípio insculpido no art. 97, inciso V do CTN, devendo o elaborador usar, em sua redação legislativa, dos cuidados básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a aplicação das regras mais benéficas ao autuado, previstas no art. 112 desse mesmo Código. O caso em exame é exemplo da falta desse cuidado, ao apontar prazo incerto para o cumprimento de norma, visto que "imediatamente após" não pode ser considerado como um prazo regulamentar. Daí que, na vigência original da IN SRF no 28/1994, não havia norma que impusesse prazo para que as empresas aéreas procedessem ao registro no Siscomex, visto que a expressão "imediatamente após" não se traduz em prazo certo para o cumprimento de obrigação. Resta acrescentar, por oportuno, que a interpretação dada a essa expressão pela Notícia Siscomex no 105/1994, no sentido de que deve ser entendida como "em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria" não tem base legal para os efeitos da lide, visto não estar compreendida entre os atos normativos de que trata o art. 100 do CTN. Tratase, no caso, de veiculação destinada à orientação do Fisco e dos usuários do Siscomex, mas sem que possua as características essenciais de ato normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação. Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de prazo para que se implementasse a eficácia do art. 37 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu a Lei no 10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir que o primeiro ato administrativo que veio a disciplinar esse artigo foi a IN SRF no 510, de 2005, antes transcrita, que em seu art. 1o alterou a redação do art. 37 da IN SRF no 28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro dos dados pertinentes ao embarque. Como parte dos fatos que originaram este processo ocorreu entre 6/2/2005 e 11/2/2005, quando ainda não existia essa Instrução Normativa, são descabidas a sua arguição e a sua trazida ao mundo jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a legitimar a cominação de penalidades que lhe correspondam. Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, "a", da Constituição Federal e pelo art. 2o, parágrafo único, XIII, da Lei no 9.784/1999, que rege o processo administrativo. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 8 7 Desse modo, há que se concluir que a multa objeto de lide somente tem aplicação nos casos em que a inobservância da prestação de informações refirase a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e produziu efeitos. Assim devem ser exoneradas as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. No tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Assim, relativamente aos fatos que ocorreram posteriormente a 14/2/2005, devem ser exoneradas as multas com referência aos vôos cujas informações sobre o embarque foram prestadas em prazo inferior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 9 8 nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pelo acórdão recorrido. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 10 9 O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 11 10 Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE O RECURSO VOLUNTÁRIO, exonerandose as multas relativamente aos fatos que ocorreram até 14/2/2005, no qual vigia a redação original do art. 37 da IN SRF no 28/1994. (assinado digitalmente) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 12 11 Marcos Antonio Borges Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Cássio Schappo, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar, quanto a aplicação do instituto da denúncia espontânea. O fato sob análise diz respeito a exigência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/1966, com nova redação dada pela Lei nº 10.833/2003, aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória contida no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, posteriormente alterado, primeiro pela IN SRF nº 510/2005 e depois pela IN SRF nº 1.096/2010. Todos esses dispositivos legais já foram abordados e transcritos no voto do Conselheiro Relator, dispensandose nova reprodução. A obrigação acessória cumprida fora do prazo conforme estabelecido nas Instruções Normativas mencionadas, porém, antes de qualquer iniciativa do fisco, tiveram seus prazos alterados, contados da data da realização do embarque da mercadoria para o exterior do país. Revendo o texto dos dispositivos legais mencionados, a redação do art. 37 da IN SRF 28/1994 dizia que o transportador deveria cumprir com suas obrigações acessórias “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”; com o advento da IN SRF nº 510/2005, passou de imediatamente após para “no prazo de dois dias”; e através da IN SRF nº 1.096/2010 passou para “no prazo de 7 (sete) dias”. Portanto, para todos os casos em que o registro no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria se deu no prazo de 7 (sete) dias contados da data de realização do embarque, por unanimidade dos Conselheiros foi aceita a retroatividade benigna com base no art. 106, inciso II, “b”, do CTN, cancelando a penalidade imposta. Por outro lado restaram os casos em que as informações sobre o embarque da mercadoria, ultrapassaram o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes de qualquer iniciativa do fisco para a lavratura do auto de infração. Neste caso, aplicase o instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 14 13 No presente caso se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006281/200958 Acórdão n.º 3801005.329 S3TE01 Fl. 15 14 A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo que deva ser cancelada toda a parte remanescente do ato fiscal, correspondente aos casos em que foi ultrapassado o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes da lavratura do presente auto de infração. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digita lmente em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001009/2008-41
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94, SÚMULA CARF Nº 68
A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2201-002.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, RICARDO ANDERLE (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94, SÚMULA CARF Nº 68 A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13736.001009/2008-41
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5282818
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-002.036
nome_arquivo_s : Decisao_13736001009200841.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
nome_arquivo_pdf_s : 13736001009200841_5282818.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, RICARDO ANDERLE (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
id : 5001488
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607811944448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1715; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 37 1 36 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13736.001009/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.036 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria omissão de rendimentos Recorrente JOSE FERREIRA DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL Nº 8.852/94, SÚMULA CARF Nº 68 A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, RICARDO ANDERLE (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 10 09 /2 00 8- 41 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da notificação lançamento, gerado após o processamento da declaração retificadora de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 10 da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. A DRJ assim se manifestou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente Inconformado o contribuinte recorre reafirmando os argumentos da impugnação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. A questão em tela já foi apreciada por este nobre Conselho, tendo sido convertido o entendimento na súmula nº 68, in verbis: Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 13736.001009/200841 Acórdão n.º 2201002.036 S2C2T1 Fl. 38 3 Assim, nos termos do artigo 72 do RICARF, a matéria sumulada é de observância obrigatória, in verbis: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Diante do exposto nego provimento. É como voto. Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 3 0/07/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10280.004256/00-51
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 30/11/1994 a .31/10/1995
DECADÊNCIA PARA LANÇAR,
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Formação do Servidor Público Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-001.191
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial, Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/1994 a .31/10/1995 DECADÊNCIA PARA LANÇAR, O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Formação do Servidor Público Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso negado.
numero_processo_s : 10280.004256/00-51
conteudo_id_s : 5388008
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-001.191
nome_arquivo_s : Decisao_102800042560051.pdf
nome_relator_s : Henrique Pinheiro Torres
nome_arquivo_pdf_s : 102800042560051_5388008.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
id : 5658994
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607814041600
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-02-14T13:45:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-02-14T13:45:11Z; Last-Modified: 2011-02-14T13:45:11Z; dcterms:modified: 2011-02-14T13:45:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:59fb8048-f1da-465c-8754-ed43bab7090d; Last-Save-Date: 2011-02-14T13:45:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-02-14T13:45:11Z; meta:save-date: 2011-02-14T13:45:11Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-02-14T13:45:11Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-02-14T13:45:11Z; created: 2011-02-14T13:45:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-02-14T13:45:11Z; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-02-14T13:45:11Z | Conteúdo => CSRF43 H 554 \Ir MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10280,004256/00-51 Recurso n" 217,234 Especial do Procurador Acórdão n" 9303-01.191 — 3" Turma Sessão de 26 de outubro de 2010 Matéria PASEP - Decadência para lançar Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TELECOMUNICAÇÕES DO PARÁ S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/11/1994 a .31/10/1995 DECADÊNCIA PARA LANÇAR, O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Formação do Servidor Público Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial, Os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Susy Gomes Hoffmann votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relatar' EDITADO EM: 26/10/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene I -[ Souza da Trindade Torres, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para constituir crédito pertinente à Contribuição para Formação do Patrimônio do Servidor Público — Pasep que a contribuinte teria deixado de recolher aos cofres públicos, no período de apuração compreendido entre novembro de 1994 a outubro de 1995 A Câmara recorrida manteve parcialmente a exigência fiscal, determinando a exoneração do crédito relativo a fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 de outubro de 1995, visto terem sido alcançados pela decadência, contada a partir da data de ocorrência do fato gerador. A Douta Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial de divergência, onde postula o restabelecimento do crédito exonerado, posto que o termo de início da decadência dava-se com a homologação tácita do lançamento, nos termos do § 40 do art. 150 do CIN, e, a partir daí, iniciava-se a contagem do qüinqüênio previsto no art. 173, inciso 1, do Código Tributário.. Tese dos 5 mais 5 para lançar. O apelo fazendário foi admitido, nos termos do despacho de fls, 343 a 345. A recorrida apresentou contrarrazões, fls, 356 a 375 Ao seu turno, a autuada também apresenta recurso especial de divergência o qual não logrou admissibilidade, conforme despacho de fls.. 491 a 494. Inconformada com a não admissibilidade de seu apelo, a contribuinte apresentou agravo pretendendo o reexarne do despacho que lhe obstou o seguimento do recurso especial. Com fundamento na informação de fls 532 a 535, o então Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais indeferiu o agravo e manteve o despacho que negou seguimento ao recuso especial do sujeito passivo_ É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cinge-se à questão do termo inicial para contagem da decadência do direito de a Fazenda Publicar lançar crédito tributário relativo à Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público Pasep A Câmara recorrida entendeu que o prazo da caducidade tem início na data da ocorrência çlo fáto„ gerador, . já a Faz(1 ,0 .Nacional, trouxe à colação julgados de outros 2 Processo n" I 0280 004256/00-51 Acórdão n." 9303-0 L191 CSRF-T3 El 555 colegiados no sentido de que o termo a quo só tem inicio após o decurso cio prazo para homologação do lançamento, tese dos 5 mais 5.. Passemos ao voto, o CTN traz duas situações, absolutamente, distintas para definir o termo inicial da decadência: a primeira, regra geral, aplica-se a todos os tributos, e, a segunda, apenas aos tributos que incorram na modalidade de lançamento por homologação, e, mesmo estes, dentro de certas condições. A regra geral inserta no inciso 1 do art. 173 do CTN, fixa o termo a quo como sendo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado. Já o § 4' do art 150 do CTN traz regra especifica que alcança os tributos cujo lançamento é por homologação, quando atendidas certas condições. A primeira delas é que não tenha havido fraude, dolo ou simulação; a segunda, que o sujeito passivo tenha tornado as providências tendentes a apuração do tributo a pagar (fato imponivel, base de cálculo, alíquota, o quantian devido etc) e efetue o recolhimento devido,. Assim procedendo o sujeito passivo, o termo inicial de decadência desloca-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado para a data de ocorrência do fato gerador... Note-se que não é o simples fato de o tributo estar sujeito a lançamento por homologação que se dá o deslocamento do prazo previsto no inciso do 173 do CTN para o do§ 4' do art. 150 do CTN. É necessário que todos os procedimentos a cargo do sujeito passivo tenha sido por ele efetuado, inclusive, e, principalmente, a satisfação da obrigação tributária. Ora, a principal característica do lançamento por homologação, e a razão maior de ser desta modalidade de lançamento, é o pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Daí, no meu pensar, não fazer o menor sentido homologar-se procedimento que não tenha corno conseqüência a antecipação do pagamento. No caso dos autos, o sujeito passivo recolheu a contribuição com base nos Decretos-Leis 2.445 e 2449, ambos de 1988, PIS-Repique. Com isso, entendo que a regra a ser aplicada é a do § 40 do art. 150 do CTN, ou seja, o termo inicial é a data de ocrrência do fato gerador. De outro lado, afasto a tese dos 5 mais 5, posto que não há em toda a legislação tributária federal qualquer dispositivo que afaste a possibilidade de a Fiscalização proceder . ao lançamento antes de decorrido o prazo de homologação. Ao contrário, se ocorrer a homologação, não se pode mais lançar. Daí, não fazer sentido dizer que o prazo de decadência previsto no inciso I do art. 173 do CTN só começa a fluir quando exaurido o da homologação de que trata o § 4° do art. 150 do Código Tributário. Em suma, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. No caso dos autos, como houve antecipação de pagamento, o termo de início é a data de ocorrência do fato gerador ., como decidiu a câmara recorrida. Com essas considerações, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional.. 3 11 .1 Henrique Pinheiro Torres 4
score : 1.0
Numero do processo: 13770.000636/00-83
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. LEI Nº 9.363/96. DESGASTE PELO CONTATO FÍSICO. BASE DE CÁLCULO.
Comprovado por laudo técnico que os insumos sofrem desgaste no processo produtivo, em função de seu contato com o produto em fabricação, demandando sua constante reposição, deve ser reconhecido o direito de crédito de IPI sobre tais insumos. Não se enquadra no conceito de produto intermediário, os produtos químicos utilizados para tratamento de água das caldeiras para produção de vapor, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto em fabricação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos dos termos da diligência fiscal e ratificada pelo voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva. Participou da sessão a Conselheira suplente Fábia Regina Freitas.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Leonardo Mussi da Silva (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. LEI Nº 9.363/96. DESGASTE PELO CONTATO FÍSICO. BASE DE CÁLCULO. Comprovado por laudo técnico que os insumos sofrem desgaste no processo produtivo, em função de seu contato com o produto em fabricação, demandando sua constante reposição, deve ser reconhecido o direito de crédito de IPI sobre tais insumos. Não se enquadra no conceito de produto intermediário, os produtos químicos utilizados para tratamento de água das caldeiras para produção de vapor, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13770.000636/00-83
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5293797
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-002.122
nome_arquivo_s : Decisao_137700006360083.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 137700006360083_5293797.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos dos termos da diligência fiscal e ratificada pelo voto do relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva. Participou da sessão a Conselheira suplente Fábia Regina Freitas. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Leonardo Mussi da Silva (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5077944
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607816138752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.097 1 1.096 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13770.000636/0083 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.122 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2013 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente ARACRUZ CELULOSE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. LEI Nº 9.363/96. DESGASTE PELO CONTATO FÍSICO. BASE DE CÁLCULO. Comprovado por laudo técnico que os insumos sofrem desgaste no processo produtivo, em função de seu contato com o produto em fabricação, demandando sua constante reposição, deve ser reconhecido o direito de crédito de IPI sobre tais insumos. Não se enquadra no conceito de produto intermediário, os produtos químicos utilizados para tratamento de água das caldeiras para produção de vapor, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos dos termos da diligência fiscal e ratificada pelo voto do relator. Declarouse impedido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva. Participou da sessão a Conselheira suplente Fábia Regina Freitas. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 06 36 /0 0- 83 Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Winderley Morais Pereira (Substituto), Silvia de Brito Oliveira, Leonardo Mussi da Silva (Suplente) e João Carlos Cassuli Junior. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13770.000636/0083 Acórdão n.º 3402002.122 S3C4T2 Fl. 1.098 3 Relatório Por bem narrados os fatos ocorridos no processo, no relatório da DRJ recorrida, adoto o mesmo por fidelidade: A interessada solicita o ressarcimento de saldo credor de IPI originado da aquisição de insumos — matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem — utilizados na industrialização de produtos isentos, imunes ou tributados alíquota zero, nos termos do artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 033/99, referente ao terceiro trimestre do ano de 2000, no valor de R$123.238,89, conforme fls. 01/06. A contribuinte informa à fl. 267 que efetuou PER/DCOMP n° 19427.58596.050803.1.33006 para compensação de créditos de IPI do presente processo administrativo com débitos de 1RRF, código 0561. O Despacho Decisório n° 13770.000636/0083, de 06/08/2004, da DRF em Vitória, à fl. 286, ratificou os termos do Parecer DRFNIT/SEFIS n° 17/2004, de fls. 279/285, o qual glosou alguns dos insumos relacionados pelo contribuinte e deferiu, para o terceiro trimestre de 2000, o ressarcimento de R$116.221,01, valor inferior àquele originalmente pleiteado. Conforme fl, 327, foram feitas as compensações pretendidas, restando ainda crédito a ser restituído. Insurgiuse a interessada contra as glosas efetuadas, podendo o arrazoado de inconformismo (fls. 330/346) ser assim resumido: a contribuinte faz jus ao beneficio originado da aquisição de insumos — matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem — utilizados na industrialização de produtos isentos, imunes ou tributados à alíquota zero, nos termos do artigo 11, da Lei n° 9.779/99 e da IN SRF n° 033/99; a autoridade administrativa alegou a utilização indevida de produtos não alcançados pelo conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; a legislação do IPI inclui entre as matériasprimas e os produtos intermediários aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização; deve ser considerado insumo toda e qualquer matériaprima cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final; para os "bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto" (fls. 335/336), é correto afirmar que as matériasprimas utilizadas para "produzir" madeira, madeira picada e seu extrato são matériasprimas utilizadas na produção da celulose; a porca sextavada que fixa a faca do picador que interage com a madeira, entre outros relacionados (como o parafuso Pallmann, o suporte guia e o parafuso sextavado), são insumos da celulose e, como tal, geram direito ao creditamento em questão; os produtos relacionados são utilizados no corte, na picagem e no transporte da madeira e sofrem desgaste decorrente do contato direto com a própria madeira; sobre os "produtos utilizados no cozimento da celulose" (fl. 336), cabe afirmar que o processo produtivo da celulose envolve o cozimento da madeira picada pelo uso de caldeiras; para o funcionamento das caldeiras fazse necessário o uso do Lewatit Monoplus M 500, do produto Dowex Monosphere 650 e do liquido inibidor de corrosão; para realizar o cozimento é essencial também a utilização de água tratada Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 quimicamente; o Conselho de Contribuintes já reconheceu que a energia elétrica, os combustíveis, os lubrificantes e os gases são produtos intermediários consumidos durante a produção e indispensáveis h. sua consecução. Por todo o exposto, requer seja reformado o despacho decisório para que não sejam excluídos do creditamento do IPI os valores ora discutidos. Junta ainda os elementos as fls. 347/390. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, proferido Acórdão nº. 8.956, onde manteve o mesmo fundamento do Despacho Decisório que deferiu parcialmente a homologação da compensação pleiteada pelo Recorrente. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 29/11/2011, conforme AR de fls. 311, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 312/321) em 20/12/2011, alegando, após repisar os argumentos já utilizados em sede de Manifestação de Inconformidade que não serão repetidos por brevidade. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTANCIA Distribuído no CARF, o processo foi a julgamento em sessão datada de 24/05/2006, tendo a 3ª Câmara do Conselho de Contribuintes convertido o julgamento do mesmo em diligência, nos termos do voto do Relator Cesar Piantavigna para que se descreva toda a sequencia de atos e procedimentos que se estabelece de um ponto a outro, associando a cada qual das etapas produtivas os materiais que nelas foram empregados e consumidos e/ou desgastados, especificando quais representariam insumos e quais seriam exemplares de peças e/ou equipamentos. DA DILIGÊNCIA Cientificada da Resolução nº 20300.724, a unidade preparadora, às fls. 985 n.e., acostou aos autos Informação Fiscal conforme solicitado. Foi lavrado Termo de Encerramento de Diligencia Fiscal, de fls. 995, n.e., do qual o contribuinte foi cientificado na data de 24/07/2007, para manifestarse acerca da referida Informação Fiscal, sendo que o mesmo manifestouse concordando com a diligência, fls. 1007/1027 – n.e. , pedindo o integral provimento do seu recurso, em face do laudo técnico que atestou o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação. DA DISTRIBUIÇÃO Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13770.000636/0083 Acórdão n.º 3402002.122 S3C4T2 Fl. 1.099 5 Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, numerado até a folha 1096 (um mil e noventa e seis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Conforme relatado, a discussão nesses autos se resume na consideração ou não dos insumos relacionados às fls. 767 a 771 n.e –, os quais foram glosados em virtude de entender a autoridade fazendária que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, não gerando, desta maneira, crédito de IPI, de modo que não pode o contribuinte ressarcirse com base nesses insumos. Muito bem elaborada a Resolução do Ilustre Conselheiro que converteu o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora trouxesse aos autos esclarecimentos sobre cada etapa do processo produtivo da celulose bem como quais materiais eram empregados, consumidos e desgastados e, ainda, especificando quais seriam insumos propriamente ditos e quais seriam apenas exemplares de peças ou equipamentos. A autoridade preparadora, em virtude da diligência determinada, manifestou se através da Informação Fiscal IF de fls. 983 –n.e (acompanhada do laudo técnico apresentado pela Recorrente), a qual foi elaborada por AuditoresFiscais do Serviço de Fiscalização da SRF em Vitória, ES, tendo a Recorrente concordado expressamente com as informações contidas na IF. Compre resumir as conclusões da diligência: 1) Os insumos que são partes e peças de máquinas, devido ao choque mecânico excessivo com outras peças da mesma máquina ou com parte das embalagens da celulose, devem ser constantemente substituídos. São eles: 1. Mola (amarradeira de fardos N item 2668 Nfls. 460). 2. Guia Deslizante (enfardamento da celulose) N item 2911 Nfls. 447). 3. Prendedor Móvel (embalagem dos fardos) N item 2630 Nfls. 453). 4. Rolo Torcedor (amarradeira de fardos N item 2582 Nfls. 449). 5. Prendedor Móvel (embalagem dos fardos) N item 30280 Nfls. 448). 6. Trilho Guia (embalagem dos fardos) N item 2650 Nfls. 443). 7. Guia do Arame (amarradeira de fardos) N item 2628 Nfls. 452). 8. Suporte ou Placa Guia (amarradeira de fardos) N item 2666 Nfls. 444). 9. Chapa ou Placa Guia (amarradeira de fardos) N item 2635 Nfls. 454). 10.Alavanca de Armação (amarradeira de fardos) N item 2624 Nfls. 451). 11.Alavanca de Armação (amarradeira de fardos) N item 2687 Nfls. 446). 12. Guia do Arame (amarradeira de fardos) N item 2627 Nfls. 459). 13.Suporte Guia Arame (amarradeira de fardos) N item 2579 N s/ laudo). 14.Polia com eixo (embalagem dos fardos) N item 2618 Nfls. 450). 15.Rolo torcedor (embalagem dos fardos) N item 2679 Nfls. 445). 2) Que além dos acima relacionados, outros insumos que sofrem choque mecânico excessivo com as toras/toretes de eucalipto e que devem ser constantemente substituídos são: Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 13770.000636/0083 Acórdão n.º 3402002.122 S3C4T2 Fl. 1.100 7 1. Parafuso Fixação Placa Desgaste (picador de torasN item 608 Nfls. 442). 2. Parafuso ou Parafuso Sextavado (picador de toretes N item 74463 Nfls. 458). 3) Quanto aos insumos aplicados na estação de tratamento de água, apesar de serem efetivamente consumidos no processo produtivo da fabricação de celulose, esses insumos são utilizados apenas para tratamento adicional das águas para as caldeiras de produção de vapor, agindo de forma indireta sobre os cavados de madeira, principal insumo da celulose. São eles: 1. Triact 1820 Nalco (desmineralizador N item 37742 N fls. 693). 2. Resina Catiônica (desmineralizador N item 37744 Nils. 694). 3. Resina Aniônica Forte (desmineralizador N item 37746 Nils. 695). 4) No que tange aos insumos aplicados na lavagem e branqueamento da do caldo que contém a polpa de celulose, constatouse que há desgaste nas gaxetas que vedam os tambores de lavagem da celulose bem como nas mangueiras e parafusos de fixação das telas do tambor também devem ser constantemente substituídos. São eles: 1. Gaxeta Quadrada (filtro de branqueamento N item 1589 N fls.437). 2. Gaxeta Quadrada (filtro de branqueamento N item 1590 N fls.438). 3. Mangueira Vedac Filtro (filtro de branqueamento N item 1583 N fls.440). 4. Mangueira Vedac Filtro (filtro de branqueamento N item 1584 N fls.441). 5. Parafuso Sextavado (Filtro de Branqueamento item 1599 Nfls.439 Assim sendo, adoto a referida IF para admitir os créditos do IPI somente referentes às aquisições dos produtos assim denominados e indicados no referido laudo: 1. Mola (amarradeira de fardos N item 2668 Nfls. 460). 2. Guia Deslizante (enfardamento da celulose) N item 2911 Nfls. 447). 3. Prendedor Móvel (embalagem dos fardos) N item 2630 Nfls. 453). 4. Rolo Torcedor (amarradeira de fardos N item 2582 Nfls. 449). 5. Prendedor Móvel (embalagem dos fardos) N item 30280 Nfls. 448). 6. Trilho Guia (embalagem dos fardos) N item 2650 Nfls. 443). 7. Guia do Arame (amarradeira de fardos) N item 2628 Nfls. 452). 8. Suporte ou Placa Guia (amarradeira de fardos) N item 2666 Nfls. 444). 9. Chapa ou Placa Guia (amarradeira de fardos) N item 2635 Nfls. 454). 10.Alavanca de Armação (amarradeira de fardos) N item 2624 Nfls. 451). 11.Alavanca de Armação (amarradeira de fardos) N item 2687 Nfls. 446). 12. Guia do Arame (amarradeira de fardos) N item 2627 Nfls. 459). 13.Suporte Guia Arame (amarradeira de fardos) N item 2579 N s/ laudo). 14.Polia com eixo (embalagem dos fardos) N item 2618 Nfls. 450). 15.Rolo torcedor (embalagem dos fardos) N item 2679 Nfls. 445). 16. Parafuso Fixação Placa Desgaste (picador de torasN item 608 Nfls. 442). 17. Parafuso ou Parafuso Sextavado (picador de toretes N item 74463 Nfls. 458). 18. Gaxeta Quadrada (filtro de branqueamento N item 1589 N fls.437). 19. Gaxeta Quadrada (filtro de branqueamento N item 1590 N fls.438). 20. Mangueira Vedac Filtro (filtro de branqueamento N item 1583 N fls.440). 21. Mangueira Vedac Filtro (filtro de branqueamento N item 1584 N fls.441). 22. Parafuso Sextavado (Filtro de Branqueamento item 1599 N fls.439) Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 8 Cumpre salientar que os produtos acima relacionados referemse exclusivamente à partes e peças de máquinas que, devido ao choque mecânico excessivo com outras peças da mesma máquina ou com parte das embalagens da celulose ou, ainda com as próprias toras/toretes de eucalipto, devem ser constantemente substituídos. Desta forma, importante lembrar que a admissão destes créditos deverá ser considerada para o cálculo do valor dos créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados no processo de produção da celulose. No que tange aos insumos aplicados na estação de tratamento de água, que é necessária para a produção de vapor nas caldeiras, tenho que, devido ao vapor agir indiretamente sobre o principal insumo da celulose, que são os cavacos de madeira, não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, justamente por não ter contato direto com o produto em fabricação, conforme condições previstas na legislação do IPI, a qual reportase a Lei nº 9.363, de 1996, para concessão do crédito. Por essas razões, voto no sentido de dar provimento parcial do recurso voluntário para que sejam considerados os créditos do IPI decorrente das aquisições dos produtos relacionados nos itens 1, 2 e 4 da Informação Fiscal (itens 1 a 22, acima relacionados), na apuração do saldo credor do período objeto destes autos, devendo ser homologadas as compensações declaradas até o limite do saldo credor apurado em conformidade com esta decisão. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/0 8/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720052/2007-41
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES.
Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES. Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Recurso Voluntário Negado
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10166.720052/2007-41
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5295295
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-002.316
nome_arquivo_s : Decisao_10166720052200741.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10166720052200741_5295295.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5089634
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607822430208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.720052/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.317 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2013 Matéria IPI DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 GLOSA DE CRÉDITOS. PERIFÉRICOS DE COMPUTADORES. Não gera direito a crédito a aquisição de bens e equipamentos periféricos de computadores, pois a este não se integram no processo de industrialização, não sendo, portanto, matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 52 /2 00 7- 41 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.720052/200741 Acórdão n.º 3302002.317 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de declarações de compensação transmitidas a partir de 20 de fevereiro de 2004, relativamente a ressarcimento de IPI do 4º trimestre de 2003, que foram originalmente indeferidas em parte por despacho decisório de 16 de julho de 2008 (efls. 427 a 430). A Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o mencionado despacho, que foi apreciada pelo Acórdão 4ª Turma da DRJ/SDR nº 1517.717, de 26 de novembro de 2008, (efls. 451 a 453), cientificado à Interessada em 13 de dezembro de 2008 (efl. 455). O relatório do mencionado acórdão, que se adota por refletir claramente a demanda, foi o seguinte: Tratase de processo de Declarações de Compensação – DCOMP – do estabelecimento acima identificado, transmitidas pela contribuinte, para aproveitamento de créditos do IPI, oriundos de aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática, relativo ao 4º trimestre de 2003, no valor R$ 2.037.747,39, conforme declarações eletrônicas nº 06315.18589.200204.1.3.01 4200, fls. 01 a 115, e nº 41469.28335.150904.1.3.015000, fls. 116 a 137; 24501.57705.290904.1.3.013712, fls. 138 a 160; e 11195.46408.241204.1.3.01 9096, fls. 184 a 190. No Relatório de Fiscalização, fls. 318 a 333, o fiscal diligente relata que apurou as seguintes irregularidades: (i) aproveitamento indevido de créditos referentes a bens que não se enquadram no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem; (ii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de optantes pelo SIMPLES; (iii) aproveitamento indevido de créditos de compras oriundas de comércio varejista nãocontribuinte do IPI; (iv) notas fiscais de Saída escrituradas com IPI nulo – Isenção; (v) Notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo – remessa para demonstração de modelos não cobertos pelas portarias de isenção, que não tiveram o retorno comprovado; (vi) Notas fiscais de saída escrituradas com IPI nulo – revenda de mercadorias importadas; e (vii) Notas fiscais de saída escrituradas no livro registro de saída com IPI nulo – remessa para locação. Ao final, o diligente relata que apurou o IPI relativo ao 2º trimestre de 2003, conforme planilha “APURAÇÃO DO IPI”, à fl. 384, e considerou passível de ressarcimento o saldo credor no valor de R$ 1.665.225,99. A Delegacia da Receita Federal em Ilhéus, proferiu Despacho Decisório nº 088/2008, fls. 425 a 428, deferindo parcialmente o pedido de ressarcimento, no valor de R$ 1.665.225,99, e homologando a compensação até o limite do crédito deferido, com base no Relatório de Fiscalização e na Fundamentação deste Despacho Decisório. Cientificada da decisão em 23/07/2008, conforme cópia do “AR”, fl. 433, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 21/08/2008, fls. 434 a 445, alegando, em síntese que: c os créditos de IPI referentes à aquisição de teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, conversores de energia, estabilizadores, mouse pad, monitores, microfones com pedestal, cadeados, balança eletrônica, impressoras e cartuchos, não reconhecidos pela autoridade fiscal, são partes integrantes dos equipamentos fabricados pela Novadata e devem ser reconhecidos , pois são Fl. 471DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.720052/200741 Acórdão n.º 3302002.317 S3C3T2 Fl. 4 3 produtos empregados na industrialização, que compõem o produto final “Computador”. cda leitura das disposições constitucionais que disciplinam o regime de não cumulatividade do IPI, é possível concluir que não existe restrição quanto ao aproveitamento de crédito, sendo assegurado ao contribuinte o seu gozo de forma plena e irrestrita; cos créditos de IPI requeridos pela defendente são legítimos, pois todos os produtos mencionados são ou matériaprima, ou produto intermediário da montagem do produto final computador, não podem ser glosados pela autoridade fiscal, por afronta ao princípio da nãocumulatividade e às próprias disposições da legislação ordinária e regulamentar. co laudo técnico assinado por engenheiro especializado (doc. 1) confirma que os produtos analisados pelo fisco são componentes dos computadores, seja como matériaprima, seja como produto intermediário. Ou seja, são itens consumidos no processo produtivo, como parte integrante do novo produto, na forma do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999; cnesse sentido dispõe o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, ao concluir que somente geram direito ao crédito do IPI os produtos que se integrem ao novo produto fabricado, e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integram nem sejam consumidos na operação de industrialização; cdiante do exposto, aguardase o acolhimento da presente defesa, para que seja integralmente cancelada a glosa dos créditos de IPI em comento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do mencionado acórdão, cuja ementa a seguir se reproduz: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de produtos que, embora necessários ao pleno funcionamento do equipamento, a ele não se integram, não se constituindo em matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem. De modo sucinto, a DRJ decidiu, especificamente, o seguinte: 1) Houve contestação em relação à aquisição de teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, estabilizadores, mouse pad, monitores, microfones com pedestal, cadeados, balança eletrônica, impressoras e cartuchos, mas a Interessada “não se manifesta especificamente sobre as demais infrações apuradas na diligencia fiscal, conforme Relatório Fiscal, fls. 385 a 400”; 2) Em relação aos referidos produtos (materiais periféricos), eles não se caracterizariam como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integrariam ao novo produto fabricado, nem seriam consumidos no processo de industrialização; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.720052/200741 Acórdão n.º 3302002.317 S3C3T2 Fl. 5 4 3) Aplicarseia ao caso a Nota 5.D, do Capítulo 4, da Tipi aprovada pelo Decreto nº 3.777, de 23 de março de 2001; 4) Em razão da interpretação dada pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, e em consonância com o inciso I, do art. 147, do RIPI/98 e com o inciso I, do art. 164, do RIPI/2002, que não existe amparo legal para aproveitamento de crédito do imposto referente aos produtos: teclados, CDR recovery, mouse, caixas acústicas, microfone, monitor, caixa de som, transformadores, estabilizadores de tensão e conversores NE. Contra o acórdão, a Interessada apresentou o recurso voluntário de efls. 456 a 464 em 23 de dezembro de 2008, alegando, inicialmente, o seguinte: 9. Contudo, os créditos de !PI referentes à aquisição de teclados, monitores, mouses, microfones, caixa de som, cabos, chaves tipo pushbottom, amortecedores de butil, sacos plástico para gabinete, impressoras, transformadores, estabilizadores de tensão, balanças eletrônicas, CDR recovery, conversores de NE não foram reconhecidos pela autoridade fiscal, tampouco pela 4a Turma de Julgamento da DRJ/SDR. 10. A irregularidade apontada pelo fisco, relativa aos créditos glosados teve como fundamento o entendimento de que os produtos supra mencionados não integram os produtos fabricados, podendo até serem adquiridos separadamente. 11. Ocorre que, ao contrário do afirmado pelo fisco, tais componentes constituem partes integrantes dos equipamentos fabricados pela RECORRENTE, como também são componentes de quaisquer computadores, não havendo motivo para a glosa do crédito de IPI, originário da aquisição destes componentes. Passou a tratar do princípio da nãocumulatividade do IPI, conforme estaria estipulado na Constituição Federal, citando opinião da doutrina. Depois, tratou da legislação ordinária, analisando a Lei n. 4.502, de 1964, e citando o laudo técnico juntado aos autos. Enfatizou que o art. 4º da referida lei estabeleceu que caracterizaria “industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto [...]”. No caso, o processo produtivo resultaria num único produto, o computador, nos termos de acórdão do 2º Conselho de Contribuintes, cuja ementa foi reproduzida, que considerou ocorrer operação de montagem. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator Fl. 473DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.720052/200741 Acórdão n.º 3302002.317 S3C3T2 Fl. 6 5 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de IPI relativo a aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e a Fiscalização glosou créditos relativos à aquisição de periféricos de computadores e componentes de impressoras por entender que não se constituem em matériaprima ou produtos intermediários usados na fabricação de computadores. Por seu turno, a recorrente alega, na impugnação e no recurso voluntário, que teclados, mouse, caixas acústicas, transformadores, conversores de energia, estabilizadores, mouse pad, monitores, microfones com pedestal, cadeados, balança eletrônica, impressoras e cartuchos são matériasprimas ou produtos intermediários utilizados na fabricação de computadores e, como tal, tem direito ao crédito pleiteado. A decisão recorrida assim tratou o tema: na planilha de folhas 238 a 242, inexiste dúvida de que o teclado, o monitor, o mouse, o microfone e a caixa de som não se integram ao computador montado pela autuada, tanto assim que nas notas fiscais esses produtos são vendidos separadamente, sendo informado, inclusive, preço e código de classificação fiscal especifico. Claro que a impressora deve ser utilizada em conjunto com o equipamento, e que é importante no funcionamento do projeto do usuário, mas o computador pode perfeitamente ser utilizado sem que se imprima o trabalho final, não sendo portanto, parte integrante do computador. Ademais, vejase a Nota 5.D) do Capitulo 84 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, aprovada pelo Decreto n° 3.777, de 23 de março de 2001: 5. B) As máquinas automáticas para processamento de dados podem apresentarse sob a forma de sistemas compreendendo um número variável de unidades distintas. Ressalvadas as disposições da alínea E) abaixo, considerase como fazendo parte do sistema completo qualquer unidade que preencha simultaneamente as seguintes condições: (...) 5. B) b) ser conectável à unidade central de processamento, seja diretamente, seja por intermédio de uma ou de várias outras unidades; e c) ser capaz de receber ou de fornecer dados em forma códigos ou sinais utilizáveis pelo sistema. 5. D) As impressoras, os teclados, os dispositivos de entrada de coordenadas x, y e as unidades de memória de discos que preencham as condições referidas nas alíneas B) b) e B) c), acima, classificamse sempre como unidades, na posição 8471. (grifo do original) Fl. 474DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.720052/200741 Acórdão n.º 3302002.317 S3C3T2 Fl. 7 6 Portanto, no presente caso, além das impressoras, também os teclados, monitores, transformadores, estabilizadores de tensão e balanças eletrônicas continuam sendo classificados como unidades, e não como máquinas automáticas, e assim, não são parte integrante do microcomputador. Destaquese que ao se adquirir um computador, pode o consumidor escolher o teclado, o monitor, caixas acústicas e o "mouse" que melhor lhe aprouver, inclusive de fabricantes diferentes. Este tema também foi enfrentado no Processo nº 10508.001046/200773, de interesse da Recorrente, no qual a 3ª Turma Especial da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, se manifestou nos seguintes termos: Argumenta o Recorrente que os produtos por ele adquiridos, cujos créditos do IPI foram glosados pela Fiscalização, seriam partes integrantes dos equipamentos fabricados pela empresa, que se constituiriam de microcomputadores acompanhados de periféricos, resultantes da industrialização na modalidade montagem. Das cópias de notas fiscais emitidas pelo Recorrente (fls. 216 a 256), é possível constatar que os computadores são vendidos juntamente com outros equipamentos (estabilizadores, impressoras, etc.), algumas vezes discriminados de forma individualizada, demonstrando tratarse de diferentes equipamentos de informática comercializados em conjunto. Durante os procedimentos de fiscalização, a autoridade fiscal detectara que os créditos de IPI escriturados pelo contribuinte se referiam à aquisição de teclados, caixas acústicas, transformadores, impressoras, cartuchos de tinta (toners), estabilizadores de tensão, conversores e balanças eletrônicas. Tais produtos, como é do conhecimento geral, são comercializados, ainda que conjuntamente, enquanto unidades autônomas, não se configurando montagem nos termos previstos na legislação do IPI, pois no Regulamento do Imposto (atual Decreto nº 7.212/2010) prevêse que tal modalidade de industrialização requer que o produto final decorra da reunião de produtos, peças ou partes e que resulte em um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. (Acórdão nº 380301.473). As fundamentações das decisões acima são coerentes e de conforme com a legislação e, portanto, nada há a reparar na decisão recorrida, que tenho por boa e de conforme com a lei, inclusive no que diz respeito aos demais produtos não citados nos enxertos acima. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 475DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10166.720052/200741 Acórdão n.º 3302002.317 S3C3T2 Fl. 8 7 WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000135/2008-49
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.246
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Cleber Renato de Oliveira, inscrito na OAB/SP sob o nº 250.115.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
numero_processo_s : 10803.000135/2008-49
conteudo_id_s : 5361492
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-000.246
nome_arquivo_s : Decisao_10803000135200849.pdf
nome_relator_s : PEDRO ANAN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10803000135200849_5361492.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Cleber Renato de Oliveira, inscrito na OAB/SP sob o nº 250.115.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
id : 5531569
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607831867392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1707; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000135/200849 Recurso nº Resolução nº 220200.246 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de junho de 2012 Assunto Sobrestamento de Julgamento Recorrente ANTONIO EDUARDO VIEIRA DINIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Cleber Renato de Oliveira, inscrito na OAB/SP sob o nº 250.115 (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10803.000135/200849 Resolução n.º 220200.246 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 09/12/2008, o Auto de Infração de fls. 736 a 746, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2.003, 2.004, 2.005 e 2.006 (anoscalendário 2.002, 2.003, 2.004 e 2.005, respectivamente), reratificado As fls. 786 a 803, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 530.820,31, dos quais R$ 141.562,43 correspondem a imposto, R$ 318.515,45, a multa proporcional, e R$ 70.742,43, a juros de mora calculados até 28/11/2.008. Conforme Termo de Verificação e Conclusão Fiscal (fls. 711 a 735), Demonstrativos de Variação Patrimonial relativos aos anoscalendário 2.002 (fl. 706), 2.003 (fls. 788 e 789), 2.004 (fl. 790) e 2.005 (fl. 710), e Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 794 a 796), o procedimento teve origem na apuração da seguinte infração: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados Cientificado do Auto de Infração em 26/12/2.008 (fl. 804), o contribuinte apresentou, em 26/01/2.009, a impugnação de fls. 751 a 775, acompanhada dos documentos de fls. 815 a 873. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em negar provimento a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2002,2003,2004,2005 PRELIMINAR. DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A competência da Autoridade Administrativa no que tange ao procedimento fiscal de constituição do lançamento, uma vez deferida, de forma exclusiva, ao Auditor Fiscal da Receita Federal, não cabe ser discutida à luz do Mandado de Procedimento Fiscal, já que essa competência só pode ser invalidada ou retirada por norma veiculada em legislação complementar ou ordinária. Assim sendo, tendo sido a fiscalização avocada pela Superintendência de Sao Paulo, todos os atos praticados pelo Fisco após esse fato continuam válidos, mesmo baseados no MPF referente ao inicio de fiscalização pela DRF/Campinas/SP. Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10803.000135/200849 Resolução n.º 220200.246 S2C2T2 Fl. 3 3 Preliminar rejeitada. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL PARA A RETIFICAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A revisão de oficio do lançamento, cientificada, em detalhes, ao contribuinte, encontrase plenamente fundamentada pelos elementos constantes dos autos e discriminada no Termo de Re Ratificação de Auto de Infração, conferindo o art. 149 do Código Tributário Nacional, em seu caput, prerrogativa A autoridade administrativa, no sentido de revisão de oficio do lançamento, sendo que essa revisão, no caso, encontrase plenamente lastreada na constatação, pelo Fisco, da existência de erro na base de cálculo apurada no lançamento originário. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o processo em análise, até o presente momento, caracterizouse pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais dispostos no Processo Administrativo Fiscal, observandose que, ao contribuinte, foram efetuadas, regularmente, diversas intimações no sentido de carrear aos autos os elementos que pudessem comprovar/justificar as informações contidas em suas declarações de ajuste anuais ou obtidas pelo Fisco, tendo o interessado, tanto na fase de autuação, regida pelo principio inquisitório, quanto na interposição da impugnação, que inaugurou a fase do contraditório, amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, com a oportunidade de carrear aos autos elementos/comprovantes, no sentido de tentar ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. Outrossim, os fatos geradores da presente autuação estão plenamente discriminados e capitulados legalmente, encontrandose nos autos todos os elementos que a embasaram. Descaracterizado, portanto, o cerceamento do direito de defesa. Preliminar rejeitada. DA ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, tendo o contribuinte omitido nas declarações de ajuste anuais, de forma reiterada, informações sobre aquisição de bens, aplicações financeiras do cônjuge, seu dependente nas declarações, gastos com construção e reforma de imóvel, bem como de pagamentos de IPTU, energia elétrica e IPVA, ficam consubstanciadas as condições que propiciaram a aplicação da multa de oficio qualificada (duplicada), no Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10803.000135/200849 Resolução n.º 220200.246 S2C2T2 Fl. 4 4 percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), uma vez constatada a tentativa do contribuinte de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto, ou de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo. Outrossim, a aplicação da multa qualificada (duplicada) de 150%, independe, nos casos de falta de declaração, da forma de apuração da omissão de rendimentos (direta ou presumida), uma vez que essa multa tem como fundamento, unicamente, a constatação da existência de atitude dolosa por parte do contribuinte. PRELIMINAR. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO A APURAÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS (ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO) NO ANO CALENDÁRIO 2.002. Configurado, no presente caso, o dolo, consistente na tentativa do contribuinte de evitar o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto ou de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributo, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que, no caso de apuração de omissão de rendimentos, o fato gerador é complexivo, com período anual. Tendo o lançamento sido efetuado em 16/12/2.008, data de sua ciência, dentro, portanto, do prazo decadencial referente ao ano calendário 2.002, que expirou em 31/12/2.008, deve ser rejeitada a preliminar de decadência do lançamento em relação ao referido anocalendário. BEM IMÓVEL. EXISTÊNCIA DE REFORMA E CONSTRUÇÃO. 0 conjunto de provas constante dos autos demonstra, de forma cabal e inequívoca, ter o contribuinte efetuado, durante os anos calendário 2.003 e 2.004, reforma/construção em imóvel por ele adquirido em 21/11/2.002, aumentando, inclusive, a área construída, o que prejudica qualquer declaração em sentido contrário, mesmo a do engenheiro responsável pela obra. ARBITRAMENTO DO CUSTO DA OBRA. DO PERÍODO DE EXECUÇÃO DA OBRA. 0 arbitramento do custo de reforma/construção de bem imóvel com base nos indices SINDUSCON teve ensejo, na medida em que o contribuinte não carreou aos autos elementos probantes para determinar esse custo, argumentando, inclusive, que as referidas obras não foram por ele realizadas. Correto o procedimento do Fisco, no sentido de considerar a data de inicio da reforma como sendo aquela constante do correspondente Memorial Descritivo, e o período de construção e de Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10803.000135/200849 Resolução n.º 220200.246 S2C2T2 Fl. 5 5 regularização de área como sendo o da data da aprovação do projeto, até a data da concessão do "Habitese". Retificase, entretanto, o lançamento, uma vez constatado que o Fisco considerou, para efeito de arbitramento do custo da obra de construção no mês de junho de 2.004, índice superior ao constante da correspondente tabela SINDUSCON para o referido mês. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA DO CÔNJUGE DO CONTRIBUINTE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INEXISTÊNCIA DESSA PRESUNÇÃO NA PRESENTE AUTUAÇÃO. Na presente autuação, o Fisco não utilizou a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996, uma vez que os valores relativos à movimentação financeira (aplicações financeiras sem respaldo em saldos bancários credores) do cônjuge do contribuinte foram utilizados, tão somente, para compor um dos itens de Dispêndios/Aplicações, nos Demonstrativos de Variação Patrimonial Mensal relativos aos anoscalendário 2.002, 2.003, 2.004 e 2.005. DA INEXISTÊNCIA DE AUTUAÇÃO EM SEPARADO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DA ESPOSA DO CONTRIBUINTE. Pelo fato das declarações de ajuste anuais do IRPF exercícios 2.003, 2.004, 2.005 e 2.006 terem sido apresentadas em conjunto, a variação patrimonial a descoberto apurada em nome do cônjuge do contribuinte não foi objeto de autuação separada, mas, tão somente, integrou, como aplicações financeiras não respaldadas em saldos bancários credores, um dos itens de Dispêndios/Aplicações, nos Demonstrativos de Variação Patrimonial Mensal relativos aos anoscalendário 2.002, 2.003, 2.004 e 2.005. DA EXCLUDENTE DO ART. 42 DA LEI N°9.430/1.996 Na análise da variação patrimonial mensal não podem ser excluídos, do campo de Dispêndios/Aplicações, os saldos bancários inferiores ao limite mensal disposto no inciso II, do § 3°, do art. 42, da Lei n° 9.430/1.996, na medida em que esse limite mínimo de valor de tributação referese, exclusivamente, a créditos bancários passíveis de autuação, como omissão de rendimentos, em face da nãocomprovação de suas origens, em nada se comunicando esses valores com aqueles passíveis de cômputo na análise de evolução patrimonial mensal e que podem dar ensejo à apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10803.000135/200849 Resolução n.º 220200.246 S2C2T2 Fl. 6 6 CONTRATO DE MÚTUO. REALIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação do contrato de mútuo e/ou a informação nas declarações de bens do credor e do devedor. AQUISIÇÃO DE BEM IMÓVEL. PAGAMENTOS COMPUTADOS EM MESES ERRADOS. Comprovado nos autos que o pagamento parcelado pela aquisição de bem imóvel iniciouse em março de 2.004, é de se excluir, no Demonstrativo de Variação Patrimonial relativo aos meses do anocalendário 2.004, no campo de Dispêndios/Aplicações, os correspondentes pagamentos equivocadamente computados nos meses de janeiro e fevereiro de 2.004. MULTA AGRAVADA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS ATENDIDOS PARA SUA APLICAÇÃO. Três requisitos são essenciais para a análise da correta aplicação da multa agravada por desatendimento de intimação: 1) a existência de intimação desatendida pelo contribuinte; 2) a constatação de que os documentos que deixaram de ser apresentados estavam sob a responsabilidade do sujeito passivo ou poderiam por ele ser obtidos; e 3) inexistência de impossibilidade material para o cumprimento da intimação. Constatados tais requisitos no presente caso, há que se manter a multa agravada (225,00%). OMISSÃO DE RENDIMENTOS APURAÇÃO DE ACRÉSCIMOS PATRIMONIAIS A DESCOBERTO MENSAIS (ANOSCALENDÁRIO 2.002, 2.003, 2.004 E 2.005). Constatados acréscimos patrimoniais mensais nos anos calendário 2.002,2.003, 2.004 e 2.005, cujas origens não foram comprovadas por rendimentos tributáveis, nãotributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda em virtude da apuração de omissão de rendimentos. Todavia, há que se retificar o item Dispêndios/Aplicações, integrante do Demonstrativo de Variação Patrimonial Mensal relativo ao ano calendário 2.004, mediante a diminuição do valor do custo arbitrado da obra de construção de bem imóvel em junho de 2.004, bem como a exclusão de pagamentos pela aquisição de bem imóvel, equivocadamente computados pelo Fisco em janeiro e fevereiro de 2.004. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10803.000135/200849 Resolução n.º 220200.246 S2C2T2 Fl. 7 7 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente cientificado dessa decisão a Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10803.000135/200849 Resolução n.º 220200.246 S2C2T2 Fl. 8 8 Voto O presente processo administrativo, versa sobre acréscimo patrimonial a descoberto, onde o acesso as informações bancárias que fizeram parte do fluxo financeiro, foi efetuada através de Requisição de Movimentação Financeira – RMF, sem autorização judicial. Tendo em vista que a partir de 21 de dezembro de 2011, os conselheiro do CARF são obrigados a observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que foi alterado pela Portaria MF n° 256 abaixo transcrita: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Desta forma, a partir de 21 de dezembro de 2011, devemos sobrestar os julgamentos em que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Neste sentido, proponho o sobrestamento do julgamento do presente caso até que o STF decida sobre a matéria de sorte a suspender o sobrestamento efetuado. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001656/2007-16
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005
DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A
QU0 DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO.
De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei N° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN), O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O clies a ci tro do
referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 17.3, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4"
do CTN (data do fato gerador) para os casos de, lançamento por
homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4" em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento.
Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados,
o que fixa a regra decadencial no art.. 173, inciso Ido CTN.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO
LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL, AO CASO DE PENALIDADE
PECUNIÁRIA
O Principio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto
no inciso IV do art, 150 da Constituição Federal.
TAXA SELIC.. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI
8.212/91.
Em conformidade com a Súmula 4 deste Colegiado, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic
para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91,0 art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Sebe, Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.568
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento com fundamento no artigo 173, I do CTN; e, no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores.
Nome do relator: Mauro José Silva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201007
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A QU0 DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei N° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN), O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O clies a ci tro do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 17.3, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4" do CTN (data do fato gerador) para os casos de, lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4" em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art.. 173, inciso Ido CTN. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL, AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Principio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art, 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC.. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 deste Colegiado, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91,0 art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Sebe, Recurso Voluntário Provido em Parte
numero_processo_s : 10865.001656/2007-16
conteudo_id_s : 5361128
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.568
nome_arquivo_s : Decisao_10865001656200716.pdf
nome_relator_s : Mauro José Silva
nome_arquivo_pdf_s : 10865001656200716_5361128.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento com fundamento no artigo 173, I do CTN; e, no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
id : 5529454
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:12:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607838158848
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-14T16:43:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-14T16:43:06Z; Last-Modified: 2010-12-14T16:43:08Z; dcterms:modified: 2010-12-14T16:43:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:a5ba07ad-c150-4201-b8e8-484edbb37480; Last-Save-Date: 2010-12-14T16:43:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-14T16:43:08Z; meta:save-date: 2010-12-14T16:43:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-14T16:43:08Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-14T16:43:06Z; created: 2010-12-14T16:43:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2010-12-14T16:43:06Z; pdf:charsPerPage: 2292; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-14T16:43:06Z | Conteúdo => S2-C311 Fl 152 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10865,001656/2007-16 Recurso n" 247.476 Voluntário Acórdão n" 2301-01368 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2010 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS Recorrente ALLIANCE COMÉRCIO DE FRUTAS E VERDURAS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁR1A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS, DISCUSSÃO DO DIES A OU0 DESNECESSÁRIA NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante IV 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei ri' 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN), O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O clies a ci tro do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 17.3, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4" do CTN (data do fato gerador) para os casos de, lançamento por homologação. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4" em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Constatando-se dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN.. No caso dos autos, temos omissões e dolo no não pagamento das contribuições previdenciárias retidas dos empregados, o que fixa a regra decadencial no art.. 173, inciso Ido CTN. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL, AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Principio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade lator pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art, 150 da Constituição Federal. TAXA SELIC.. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 deste Colegiado, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91,0 art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Sebe, Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3° Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Edgar Silva Vidal, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam que deveria se aplicar o artigo 150, §4° CTN, em acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento com fundamento no artigo 173, I do CTN; e, no mérito, por unanimidade de votos, em mePter oi4mais valores.. JULIO CESAR VIETKA GOMES — Presidente Parti iparai do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Hei iqu Pires Lopes, Mauro José Silva, Edgar Silva Vidal (suplente), Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Relatório Trata-se da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.871..163-0, lavrada em 28/07/2006, por terem sido encontradas omissões nas GPIPs e falta de recolhimento de contribuições previdenciárias da parte retida do empregado, fls. 58/60, tendo resultado na constituição do crédito tributário de RS 63.609,92, fls. 01 Após tomar ciência pessoal da autuação emn 01/08/2006, a recorrente apresentou impugnação, fls. 62/86, em 16/08/2006, protestando pela nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, ilegalidade de sua exclusão do SIMPLES, efeito confiscatório da multa e inconstitucionalidade da Taxa Selic, A autoridade julgadora de primeira instância afastou os argumentos da contribuinte na Decisão-Notificação de fls. 98/104, tendo havido ciência desta em 08/12/2006, lis, 108. 2 Processo n" 10865.001656/2007-16 S2-C31- Acórdão n 2301-01368 H 15.3 O recurso voluntário, apresentado em 05/01/2007, contém os argumentos que resumimos a seguir na ordem que constam do documento de fls., 109/132. Inicialmente, sustenta que sua exclusão do SIMPLES foi efetivada sem motivação idônea. Informa que fatura em média cinqüenta mil reais e que passou por uma crise financeira que a levou optar por uma reestruturação e troca de sócios. Tais mudanças tumultuaram o ambiente da empresa, o que deve ter causado o erro no envio dos dados, conforme apontado no relatório fiscal, sem que qualquer dolo pudesse ser identificado. Passa discutir a exclusão do SIMPLES por entender que a mera inadimplência não seria uma infração que resultaria nessa conseqüência jurídica.. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer, pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN É o relatório, Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, Ainda que não suscitada pela recorrente, abordamos, preliminarmente, a questão da decadência. DECADÊNCIA A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8..212/1991 — dez anos - ou o CTN — cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF), Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei ri' 8,212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Ex.mo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 4.5 e 46 da Lei n" 8..21.2/91 e o parágrafo único do mi 5" do Decreto-lei a' 3 1 569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionai,s os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 do CTTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do ar! 5" do Decreto-lei n° 1 ..569/77,.fi-ente ao § I" do art 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto Súmula Vinculante n° 08. "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vineulante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei if 1 L417, de 19/12/2006, in verbis: Ari 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11 417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Li 9 784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Ari 2 O Sul?, emo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação Processo n° 10865 001656/2007-16 S2-C31-1 Acórdão n. 2301-01.568 Fl 154 aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administi ação pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, naforina prevista nesta Lei § 1 O enunciado da simula terá pai objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarreie grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão Corno se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Sumula Vinculante n°, 08. Ternos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante n" 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies ci (pia. Corno podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere à decadência, da definição de seu prazo — 05 anos — em harmonia com o previsto no CTN -, deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras Constantes do art. 150,0' ou do art. 173, inciso 1 do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontra-se disciplinada no art. 173 CTN: "Art. 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, comados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado Parágrafo único O direito a que se refere este artigo ex-tingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto-À Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regr. geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, ia ver bis : "Ari 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade achninistrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa 1" O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação tlo lançamento ) 4" Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, .fiaude ou simulação Observe-se, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários.. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Mis abel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed .Forense, 1997, pág 160 e 404: "A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art 149 do CTN, e eventual imposição de sanção," (auto de 10 . ação) "O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência cio fato gerador da obrigação. Portanto a ,forma de contagem é diferente daquela estabelecido no art, 173, própria para OS demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de oficio Trata-se de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo." Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed , 1999, pág. 352' "Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em 7 Processo if 10865 001656/2007-16 Acórdão n 2301-01368 S2-C3 TI F1 155 razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido." Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/01-0L994, manifestou-se o Relator: "O lançamento por honiologação plessupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o ai 1. 1.50 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do . fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou „simulação, situações previstas no 4" do teferido artigo 150 O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessume-se do referido dispositivo legal O que não foi pago não se homologa, porque nada há O .ser homologado Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício Trata-se de lançamento ex officio eido termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou se/a, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado," (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (ST.1), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art, 150, §4" com o art. 17.3, inciso 1, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973,933.3 — SC como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO, TERMO INICIAL ARTIGO 1 73, I, DO CTN APLICA ÇÃO CUMULATIVA DOS' PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §. e 1 73, do CTN IMPOSSIBILIDADE 1. O prazo decadencial qüinqüenal paia o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação tio contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção, Resp 766050/PR, Rd, Ministro Luiz Fax, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02,2008, AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rei Ministro Temi Albino Zavascki, julgado em 22 03.2006, DJ 10 04,2006; e ERESp 276,142/SP, Rei Ministro Luiz Fux, julgado em 1.3 12 2004, DJ 28.02.2005). 2 É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos cio lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o paganiento antecipado (E -lírico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs 163/210) .3 O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência rege-se pelo disposto no artigo 173, 1, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivehnente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do lato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadinissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4", e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto _Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed, Ed Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104, Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10" cd., Ed Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Extrai-se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4" com o art. 173, inciso 1, definiu que o dies a qua para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso 1., Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei, Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso 1 para o art. 150, § 4"? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4" em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso 1. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial 8 Processo n° 10865 001656/2007-16 Acórdão o `) 2301-01368 S2-C3T 1 156 do art. 150, §4° refere-se aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso 1, precisamos tornar seu conteúdo para prosseguirmos: "Art. 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o ci édito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado," Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 973.933-SC, o ST3 entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento. Aqui tratamos de lançamento de oficio e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de oficio, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de oficio só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstância pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11,93:3;2009, é o 20' dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX÷1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2).. Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso 1 do CTN. Para o lançamento de oficio em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4" do CTN. do referido dispositivo: Para a aplicação do art. 150, § 4', entretanto, temos que atentar para o teXo 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contai da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal refere-se a urna homologação tácita por parte da Fazenda Pública — "considera-se homologado" é a expressão utilizada - no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco "se tenha pronunciado". A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de oficio com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão "pronunciado" não conduz a urna interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de oficio. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, "emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente". Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art, 142 do CTN. Caso o §4 0 do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do capta do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão"pronunciado", Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art, 173, inciso 1. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX-5), Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX-5) poderão ser objeto de lançamento de oficio válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso!, Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. A recorrente, após ter sido excluída do SIMPLES, foi flagrada em omissão de recolhimento de contribuições previdenciárias retidas de seus empregados, bem como foram constatadas omissões em algumas OFIPs. No caso da retenção e não recolhimento, temos uma clara situação de dolo, pois se realizou o desconto dos empregados a empresa tinha conhecimento de sua obrigação de repassar tais valores ao fisco Ao não fazê-lo agiu de forma consciente e intencional, o que caracteriza o dolo. Quanto às omissões, é fácil concluir que tudo o quanto foi omitido não fez parte da atividade do sujeito passivo que precedeu ao pagamento antecipado, não havendo, nessa parte o que homologar. Ou seja, a falta de recolhimento do tributo não decorreu de divergência de interpretação da legislação sobre aspectos dos fatos geradores considerados pelo sujeito passivo e que estariam aguardando a homologação do fisco, mas decorreu de omissão culposa ou dolosa. Somente a ação do fisco por meio do lançamento de oficio permitiu que os fatos geradores omitidos fossem atingi4o,s, pela tributação.. Portanto, seja pela ocorrência de dolo quanto aos valores retidos e Mio, 10 Processo n" 10865001656/2007-16 S2-C311 Acórdiio n ° 2.301-01368 El 157 recolhidos ou quanto à omissão nas GFIPs, temos que a regra decadencial -a ser aplicada é aquela do art. 173, inciso I do CTM Assim, tendo o lançamento sido cientificado em 01/08/2006, a aplicação da regra decadencial do art., 173, inciso I, resulta em excluirmos do lançamento todos os fatos geradores ocorridos até dezembro/2000, com exceção da competência 12/2000, Nulidade por cerceamento do direito de defesa. Referência genérica a artigos no enquadramento legal. Inocorrência. incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de oficio não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - INEKLSIÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada i0-ação. (Ac. I"CC - 108-05.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL— NULIDADE - Contendo o auto de i0-ação completa descrição dos latos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o ar! 10 do Decreto n" 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especiahnente quando a im`i-ação detectada lbi simples filha de recolhimento de tributo. ( Ac. 2" CC 202-11700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - CERCEAMENTO DE DEFESA - Incabível a argüição de nulidade do procedimento .fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos .fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo (Acórdão I" CG, 106-13409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos a preliminar de cerceamento de defesa para iniciarmos a análise do mérito. No mérito, a recorrente limitou-se a discutir sua exclusão do SIMPLES. No entanto, tal matéria é estranha aos autos. Caso queira discutir sua exclusão do SIMPLES, a recorrente deve dirigir-se à autoridade competente para tanto, travando a discussão em outro processo administrativo. Aqui tratamos do lançamento veiculado pela NFLD .35.871.163-0 e, quanto ao conteúdo desta, a recorrente pouco discutiu, além do que veremos adiante: multa confiscatória e aplicação da Taxa SELIC. Logo, não havendo nenhuma outra matéria a ser reconhecida de oficio além da decadência, restringimos nossa análise aos limites dos argumentos da recorrente. Multa de oficio - confisco O impugnante suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco.. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal principio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional.: Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Legalidade da Taxa SELIC corno juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Sebe como juros moratórias não pode prosperar, urna vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF 1\1<,.4 A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil s-âo devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC paia títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8,212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para excluir do lançamento os fatos geradores ocorridos antes de 31/12/2000, Sala das Sessões, 08 de julho de 2010 12
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001386/2007-36
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/08/2007
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. FALTAS JUSTIFICADORAS DA INFRAÇÃO. OCORRIDAS A MAIS DE CINCO ANOS.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/08/2007 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. FALTAS JUSTIFICADORAS DA INFRAÇÃO. OCORRIDAS A MAIS DE CINCO ANOS. Recurso Voluntário Provido.
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11330.001386/2007-36
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5303722
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.718
nome_arquivo_s : Decisao_11330001386200736.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11330001386200736_5303722.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5147260
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607886393344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 119 1 118 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.001386/200736 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803002.718 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente SINDICATO DOS EMPREGADOS EM ESTABELECIMENTOS BANCÁRIOS NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/08/2007 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. FALTAS JUSTIFICADORAS DA INFRAÇÃO. OCORRIDAS A MAIS DE CINCO ANOS. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 86 /2 00 7- 36 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.001386/200736 Acórdão n.º 2803002.718 S2TE03 Fl. 120 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.051.3231, CFL.91, objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, acrescentado pelo Lei n. 9.528, de 10.12.97, em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação, conforme Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafos 1. e 3., combinado com o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 20/08/2007, conforme Histórico de Objeto – AR RA 029143589BR, de fls. 21, bem como pelo AR, de fls. 86. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 23 a 37, recebida, em 14/09/2007, estando acompanhada dos documentos, de fls. 38 a 82. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 83 a 85. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1219.011 10ª Turma da DRJ/RJOI, em 24/04/2008, fls. 87 a 95, no qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 21/10/2008, AR, de fls. 99. Irresignada a autuada apresentou recurso voluntário, petição de interposição, as fls. 100, recebida, em 11/11/2008, com razões recursais, as fls. 101 a 115, acompanhada do documento, de fls. 116. As razões recursais serão sumariadas apenas em um tópico. Preliminar · que o crédito está decadente ante a passagem do prazo de cinco anos, inclusive, nos termos da SV Nº 08 STF, pois o período da autuação é 1997 e 1998 e o lançamento se deu em 17/09/2007, tendo em vista que decorridos mais de oito anos, aplicandose o artigo 173, I, do CTN; · No pedido espera e requer: a) reforma da decisão a quo e reconhecimento da decadência, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 118. Os autos subiram ao 2º Conselho de Contribuintes, fls. 118. É o Relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.001386/200736 Acórdão n.º 2803002.718 S2TE03 Fl. 121 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre esclarecer que não houve equivoco do agente lançador e nem do julgador de primeiro grau, pois à época em que aqueles atuaram no feito o prazo decadencial era de dez anos nos termos do artigo 45, da Lei 8.212/91, uma vez que o lançador e julgador estão subordinados ao artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142 e parágrafo único, da Lei 5.172/66 e a lei existindo, estando vigente e eficaz é de observação obrigatória pelos agentes do Estado e disto não podendo se desviar. Preliminar. A Súmula Vinculante nº 08/2008 foi publicada depois que aquelas autoridades fiscais tinham falado nos autos, não existindo até a intervenção por eles realizada. Todavia, depois da publicação da citada súmula, a questão passou a ser outra. O prazo decadencial aplicável passou a ser o da Lei 5.172/66 e para o presente caso, estando no campo do descumprimento do dever instrumental devese aplicar o decadência do artigo 173, I, haja vista que a existência de pagamento extinguiria o débito e não se estaria a discutir esta questão nos presentes autos, o que se coaduna com a decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ a seguir transcrita. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN No caso dos autos o período fiscalizado vai de 01/1997 até 12/1999, conforme consta no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de fls. 08, e do Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF, de fls. 11, diferentemente do que alegado pela recorrente. Observase que o lançamento ocorreu em 20/08/2007, AR, de fls. 86, o que, também, não se ajusta as alegações da recorrente. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11330.001386/200736 Acórdão n.º 2803002.718 S2TE03 Fl. 122 4 Assim sendo, considerandose que a última competência do lançamento é 12/1999 e esta se refere a GFIP e tal documento deve ser entregue no dia sete do mês seguinte ao da competência, ou seja, 07/01/2000 o lançamento com base nele só pode ser dar a partir de 08/01/2000. Logo, primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ser efetuado seria 01/01/2001 e a decadência se operaria em 01/01/2006. Evidente se mostra que em 20/08/2007, quando o lançamento se deu as faltas que justificariam a autuação estavam decadentes. Com esses esclarecimentos reconheço a decadência das faltas e declaro o lançamento improcedente, este é o motivo pelo qual apenas uma tese recursal foi sumariada. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento, em razão da decadência das faltas justificadoras da autuação. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000676/2006-81
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2001, 2002
PAF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN).
Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001 Não há vedação à constituição de crédito tributário decorrente de procedimento de fiscalização que teve por base dados da CPMF. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001 ampliou os poderes de investigação do Fisco, caracterizando a hipótese prevista no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes.
Numero da decisão: 2202-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo argüida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior, que ficou vencido. Por unanimidade de votos, acolher a decadência relativamente ao anos-calendário de 2000, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr.Onivaldo José Squizzato, OAB nº 68.531.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Anan Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:17:28 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2001, 2002 PAF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62-A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001 Não há vedação à constituição de crédito tributário decorrente de procedimento de fiscalização que teve por base dados da CPMF. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001 ampliou os poderes de investigação do Fisco, caracterizando a hipótese prevista no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes.
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10865.000676/2006-81
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5283559
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2202-002.323
nome_arquivo_s : Decisao_10865000676200681.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10865000676200681_5283559.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo argüida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior, que ficou vencido. Por unanimidade de votos, acolher a decadência relativamente ao anos-calendário de 2000, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr.Onivaldo José Squizzato, OAB nº 68.531. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Anan Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5007225
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Tue Oct 19 19:11:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1714076607891636224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2404; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.000676/200681 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.323 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria IRPF Recorrente ANA MARIA MORAES ANTONELLI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2001, 2002 PAF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. APLICAÇÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) “contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”(artigo 173, I do CTN); e da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este se dá (artigo 150, § 4º, do CTN). Por força do art. 62A do anexo II do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 06 76 /2 00 6- 81 Fl. 827DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001 Não há vedação à constituição de crédito tributário decorrente de procedimento de fiscalização que teve por base dados da CPMF. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001 ampliou os poderes de investigação do Fisco, caracterizando a hipótese prevista no § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PAF. DILIGÊNCIA. CABIMENTO. A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo argüida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior, que ficou vencido. Por unanimidade de votos, acolher a decadência relativamente ao anos calendário de 2000, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr.Onivaldo José Squizzato, OAB nº 68.531. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Anan Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt. Relatório ANA MARIA MORAES ANTONELLI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SP II (fls. 215) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 04/09, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2001 e 2002, no valor de R$ 940.098,21, acrescido Fl. 828DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10865.000676/200681 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 3 3 de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 2.376.259,32. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão der endimentos apurada com base em depósitos bancários sem comrovação de origem, conforme detalhadamente relatado no auto de infração. A Contribuinte impugnou o lançamento e arguiu, preliminarmente, a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001. Ainda como preliminar, arguiu a inaplicabilidade retroativa da Lei Complementar nº 105, de 2001 e da Lei nº 10.174, de 2001. Arguiu também, como preliminar, a nulidade do auto de infração por falta de motivação. Alegou não se enquadrar em nenhuma das hipoteses elencadas no artigo 3º do Decreto nº 3.714, de 2001, que definem os casos de imprescindibilidade da expedição da Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira – RMF. Quanto ao mérito, aduziu a Contribuinte que depósitos bancários não configuram renda; que a existência de depósitos em conta não caracteriza o fato gerador do imposto; que para tanto seria necessário comprovar o nexo causal entre a movimentação financeira e a aquisição de renda; e que os valorews considerados como omissão de receita em um mês sejam considerados como origem dos depósitos no mês seguinte. Requereu a realização de diligência com vista a se buscar elementos de prova de que os depósitos bancários realizados em suas contas bancárias pertencem à pessoa jurídica Divaldo A. Antoneloli & Cia. Ltda., tendo juntado comprovantes de movimentação financeira entre as contas da pessoa física e da pessoa jurídica. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSÃO PAULO/SP II rejeitou todas as preliminares arguidas. Quanto à alegada incosntitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 observou que reforge competência aos órgãos julgqadores administrativos para apreciarem a matéria; sobre a irretroatividade desta lei e da Lei nº 10.174, de 2001, também afastou qualquer irregularidade no procedimento. Observou, ainda, que, no caso, foi a própria contribuinte que apresentou ao agente Fiscal os extratos bancários, o que afasta a alegação de quebra irregular de sigilo bancário. Quanto à arguição de nulidade por falta de motivação, a DRJ observou que, no caso em análise, a verificação de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados é condição suficiente para justificar a expedição da RMF, nos termos do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001; que, portanto, não se verifica o vício apontado. Quanto ao mérito, após discorrer sobre a regularidade do lançamento tomando por base a existência de depósitos bancários cujas origens, regularmente intimado, o contribuinte não logre comprovar, procedimento que tem previsão legal expressa no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. E, no caso, pondera a DRJ, a Contribuinte não apresentou nada que comprovasse a s origens dos depósitos. Por fim, relativamente ao pedido de diligência, a DRJ observou que a providência é dispensável, indeferindo o pedido. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Também rejeitou a alegação de confisco. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 11/05/2009 (fls. 242) e, em 10/06/2009, interpôs o recurso voluntáriuo de fls. 248/271, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese as alegações e argumentos da impugnação, e apresenta vários elementos com os quais pretende comprovar as origens dos depósitos e, por fim, resume a peça de defesa nos seguintes termos: Considerações finais: 1. Considerando que o auto de infração é basead0o em ‘presunção relativa’ e não houve aprofrundamento na busca da verdade material; 2. Considerando que a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos estabelece que ‘é iolegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado, com base apenas em extratos bancários”; 3. Considerando que depósitos bancários por si só não configuram renda, conforme preceitua a Constituição Federal, devendo haver nexco causal entre os depósitos e a omissão de rendimentos; 4. Considerando que o princípio da verdade material é aplicável ao processo administrativo fiscal e, a busca da mesma, deve pautar todo o trabalho na fase de procedimento, com intuito de se obter um juízo de certeza, necessário identificaçãoi da capacidade contributiva; 5. Considerando que eventuais omissões de rendimentos detectadas e tributadas em um mês são suficientes ou necessárias para justificarem omissão presumida de rendimentos nos meses seguintes; 6. Considerando a jurisprudência do Conselho de Contribuintes; 7. Considerando que os valores que transitaram pela conta corrente da recorrente, na verdade e conforme provado pertenciam á empresa DIVALDO A. ANTONELLI & CIA LTDA, é que é nesta empresa que deverão ser lançados eventuais omissões, após considerados os valores normalmente tributados em sua DIPF; 8. Considerando que, pela cópias de cupons fiscais emitidos pela pessoa jurídica, coincidentes em data e valor em cheques devolvidos na conta da pessoa física justificam a realização de diligências; 9. Considerando tudo o mais que no processo consta. [...] É o relatório. Voto Fl. 830DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10865.000676/200681 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 4 5 Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Examino, inicialmente, a proposta de sobrestamento do julgamento do processo argüida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior. Como é sabido, o sobrestamento do julgamento de recursos no âmbito do CARF se dá por imposição e nos termos do seu Regimento Interno, cujo artigo 62A reza o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Cumpre às turmas julgadoras do CARF, portanto, verificarem, em cada caso, as situações em que o julgamento deva ser sobrestado, seja por provocação da parte, seja por iniciativa que qualquer dos Conselheiros da Turma. Pois bem, o artigo 62A, acima reproduzido, é claro ao referirse ao sobrestamento do recursos, “sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Ora, a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo CivilCPC cuida dos processos com repercussão geral, e define três situações distintas, veiculadas nos artigos 543A, 543B e 543C, a saber: Art. 543A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do recurso, para apreciação exclusiva do Supremo Tribunal Federal, a existência da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 831DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 § 3o Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Se a Turma decidir pela existência da repercussão geral por, no mínimo, 4 (quatro) votos, ficará dispensada a remessa do recurso ao Plenário. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o Negada a existência da repercussão geral, a decisão valerá para todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão indeferidos liminarmente, salvo revisão da tese, tudo nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 6o O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 7o A Súmula da decisão sobre a repercussão geral constará de ata, que será publicada no Diário Oficial e valerá como acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). Fl. 832DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10865.000676/200681 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 5 7 § 1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os Fl. 833DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). Como se vê, o artigo 543A cuida de situação envolvendo recursos extraordinários que chegam ao Supremo Tribunal Federal, e que somente serão conhecidos pela Corte quando a questão constitucional nele versada for reconhecida como de repercussão geral, definida pela existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. O § 2º do mesmo artigo determina que o recorrente deve demonstrar, em preliminar do recurso, a existência da repercussão geral. Já o artigo 543B cuida de situação em que os tribunais de origem selecionam um ou mais recursos representativos da controvérsia e os encaminha ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando o julgamento dos demais recursos até o pronunciamento definitivo da Corte, cabendo ao Supremo Tribunal Federal – STF, nestes casos, negar ou confirmar a existência da repercussão geral. Negada a existência da repercussão geral, os recursos que ficaram sobrestrados nos tribunais consideramse automaticamente não admitidos;. acatada a repercussão geral, estes permanecem sobrestados até julgamento do mérito pelo STF. Um terceira situação está disciplinada no artigo 543C, e assemelhase à situação definida no artigo 543B, porém envolvendo recursos especiais. Cuidase, portanto, vale repisar, de três situações distintas: as duas primeiras envolvendo recursos extraordinários, a última, recurso especial. E mais, em relação às situações tratadas nos artigos 543A e 543B há uma clara distinção, especialmente, quanto ao sobrestamento dos recursos pelos tribunais de origem. No caso tratado no artigo 543A, o reconhecimento da repercussão geral é examinada como condição para a admissibilidade do recurso, pelo STF, não implicando no sobrestamento, pelos tribunais de origem, dos recursos que versem sobre matéria idêntica, o que é evidente, pois, se assim não fosse, o artigo 543A seria inócuo, pois não subiriam recursos relativamente a tais matérias, para terem sua admissibilidade, quanto à repercussão geral, examinada pelo STF. Diferentemente, no caso do 543B, o reconhecimento da repercussão geral pelo STF implica, necessariamente, no sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem até decisão pelo STF. O próprio STF expediu orientações com vistas à padronização de procedimentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e dos demais órgãos do Poder Judiciário, em que deixa clara essa distinção. Vejamos: RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS I) Verificase se o RE trata de matéria isolada ou de matéria repetitiva (processos múltiplos). a) Quanto às matérias isoladas, realizase diretamente o juízo de admissibilidade, exigindose, além dos demais requisitos, a presença de preliminar de repercussão geral, sob pena de inadmissibilidade. b) Quanto aos recursos extraordinários múltiplos: b.1) Selecionamse em torno de três recursos extraordinários representativos da controvérsia, com preliminar de repercussão geral e que preencham os demais requisitos para sua admissibilidade, os quais deverão ser remetidos ao STF, mantendose sobrestados todos os demais, inclusive os que forem Fl. 834DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10865.000676/200681 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 6 9 interpostos a partir de então (§ 1º do art. 543B do CPC). Não há necessidade de prévio juízo de admissibilidade dos recursos que permanecerão sobrestados. b.2) Os recursos extraordinários múltiplos que forem remetidos ao Supremo Tribunal Federal em desacordo com o art. § 1º do art. 543B do CPC, ou seja, em número além do necessário para que o Tribunal tenha conhecimento da controvérsia, serão devolvidos aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais, nos termos da Portaria 138/2009 da Presidência do STF. b.3) Se a seleção ainda não foi feita para um assunto específico, mas já houve pronunciamento do STF quanto à repercussão geral do assunto em outro recurso, é desnecessária a remessa de recursos representativos da mesma controvérsia, podendo ocorrer o imediato sobrestamento de todos os recursos extraordinários e agravos sobre o tema. A identificação dessa hipótese se dá pela consulta às matérias com repercussão geral reconhecida, no portal do Supremo Tribunal Federal. II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de 1maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestando se recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminhase o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Notese que o STF distingue as “matérias isoladas” dos “recursos extraordinários múltiplos”, tratados, respectivamente, nos artigos 543A e 543B do CPC, e define procedimentos específicos para cada situação. Pois bem, a questão central para o deslinde da controvérsia ora examinada, no que diz respeito ao CARF, é que o RICARF definiu explicitamente que o sobrestamento do julgamento dos recursos deveriam ocorrer nos casos em que a repercussão geral foi reconhecida pelo STF na sistemática estabelecida no artigo 543B do CPC, e, no caso sob exame, o RE nº 601.314/SP, tido como leading case, foi admitido como se repercussão geral 1 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo Fl. 835DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 pela “relevância jurídica da questão constitucional”, nos termos do artigo 543A do CPC c/c o artigo323, § 1º do RISTF. Eis a conclusão do voto do Relator, Ministro Ricardo Levandovski: Isto posto, manifestome pela existência da repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do artigo 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º do RISTF. Ora, reconhecida como de repercussão geral, ainda que na sistemática do art. 543A do CPC é natural que o julgamento de recursos extraordinários versando matéria idêntica sejam sobrestado no âmbito do próprio STF, até o julgamento do RE 601.314, mas esta decisão não implica no sobrestamento, nos tribunais de origem, dos processos versando matéria idêntica. E, com mais razão ainda, não se justifica o sobrestamento dos processos no âmbito do CARF. Diferentemente, quando a repercussão geral é reconhecida com amparo no artigo 543B, § 1º do CPC, o STF determina o sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem, até decisão do mérito. É o que ocorreu, por exemplo, no RE 614.232, que trata de rendimentos recebidos acumuladamente. Vejamos: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIUO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados, se por regime de caixa ou de competência, vinha sendo considerado por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição dói recurso extraordinário com fundamento no artigo 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da uniformidade e da isonomia geográfica. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do artigo 543B, § 1º do CPC. Aqui, o STF determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários versando sobre a mesma matéria, o que não ocorreu, coerentemente, no caso do RE 601.316. Rejeito, portanto, a preliminar. Passo a analisar a decadência do direito de o Fisco proceder à autuação. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10865.000676/200681 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 7 11 Observo, inicialmente, que a autuação referese aos anoscalendário de 2000 e 2001 e que a ciência do lançamento ocorreu em 20/06/2006 (fls.). Observo, ainda, que o Contribuinte antecipou pagamento de imposto no ano de 2000, conforme informado no próprio auto de infração (fls. 07). Ora, como se sabe, a antiga controvérsia sobre o termo inicial de contagem do prazo decadencial está pacificada no âmbito deste Conselho que, por imposição do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 837DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, nos casos em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, o termo inicial será contado do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN, a saber: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se co0mprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. E na hipótese de não haver antecipação do pagamento o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, como se viu, houve pagamento antecipado referente ao anocalendário de 2000 e a ciência do auto de infração ocorreu em 20/03/2006. Logo, relativamente ao an0calendário de 2000, é aplicável a regra do artigo 150, § 4º do CTN, nos termos da decisão judicial com repercussão geral. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10865.000676/200681 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 8 13 Devese reconhecer, pois, a decadência relativamente ao anocalendário de 2000. Passo ao exame das demais questões. Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. A Contribuinte se insurge contra a autuação argüindo, preliminarmente, a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001 e a irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Sobre a alegada inconstitucionalidade, o exame da matéria refoge à competência dos órgãos julgadores administrativos, conforme entendimento consagrado no âmbito de Conselho e consolidado na súmula CARF nº 02, que tem o seguinte enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre a irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001 que a afastou a vedação antes existente à utilização dos dados da CPMF como base para o lançamento tributário do IRPF, vejamos o que reza esta lei: Art. 1º O art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 11... § 3º A secretaria da Receita Federal resguardará, na forma aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para o lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1966, e alterações posteriores'. A seguir a redação original do § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996: Art. 11. (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. A questão a ser decidida, portanto, é se, como a legislação alterada vedava a utilização das informações para fins de constituição de crédito tributário de outros tributos, o que passou a ser permitido com a alteração introduzida pela Lei nº 10.174, de 2001, é possível, ou não, procederse a lançamentos referentes a períodos anteriores à vigência dessa última lei, a partir das informações da CPMF. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 Entendo que o cerne da questão está na natureza da norma em apreço, se esta se refere aos aspectos materiais do lançamento ou se ao procedimento de investigação. Isso porque o Código Tributário Nacional, no seu artigo 144, disciplina a questão da vigência da legislação no tempo e, ao fazêlo, distingue expressamente as duas hipóteses, senão vejamos: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maior garantia ou privilégio, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade a terceiros. Não tenho dúvidas em afirmar que a alteração introduzida pela Lei nº 10.174, de 2001, no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996 alcança apenas os procedimentos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação do Fisco que, a partir de então, passou a poder utilizarse de informações que antes lhe eram vedadas. Essa questão, inclusive, já foi enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ em julgados que concluíram nesse mesmo sentido. Como exemplo cito a decisão da 1ª Turma no Resp 685708/ES; RECURSO ESPECIAL 2004/01295086, cuja ementa foi publicada no DJ de 20/06/2005, e que teve como relator o Ministro LUIZ FUX, in verbis: TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3º da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10865.000676/200681 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 9 15 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6º dispõe: 'Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.’ 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial desprovido, para manter o acórdão recorrido. Aplicável na espécie, portanto, o disposto no § 1º, do art. 144 do CTN, acima referido. Vale ressaltar, também, que os dados da CPMF aparecem aqui apenas como indicação inicial da existência de elevada movimentação financeira e que veio a provocar o passo seguinte da fiscalização que foi a obtenção dos extratos bancários a partir dos quais, aí sim, foram identificados os depósitos efetuados nas contas do Contribuinte. E foram estes depósitos, e não as informações da CPMF que serviram de base para o lançamento. Assim, não vislumbro nenhum vício ou irregularidade no lançamento quanto a esse aspecto. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 16 Também alegou a Recorrente não se enquadrar em nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 3º da Lei nº 10.174, de 2001 para a emissão da RMF. Tal alegação, todavia, não procede. É que a existência de movimentação financeira incompatível com a renda declarada configura a hipótese referida no inciso V do artigo 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. De qualquer forma, no presente caso, foi a própria contribuinte quem apresentou os extratos bancários, atendendo a intimações da Fiscalização. Quanto à alegação de falta de motivação para o lançamento, a alegação, da mesma forma, não procede. A motivação do Fisco para proceder a Fiscalização e, sendo o caso, o lançamento tributário, decorre, por um lado, da obrigação dos contribuintes de recolher o imposto devido, conforme a legislação aplicável e, por outro, do Fisco, de apurar o regular cumprimento dessa obrigação. O que justifica, portanto, a ação do Fisco, neste como em qualquer outro caso, é o poder/dever do Fisco de verificar o devido cumprimento da obrigação tributária pelos contribuintes. Não se cogita, portanto, de falta de motivação quando o Fisco nada mais faz do que cumprir com sua missão. Assim, não vislumbro nenhum vício que pudesse ensejar a nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade. Sobre o pedido de diligência, registrese que, no processo administrativo fiscal, a diligência ou perícia deve ser determinada a pedido do impugnante/recorrente ou por iniciativa da autoridade julgadora, a critério desta, que poderá indeferir os pedidos de diligência/perícia sempre que considerar prescindível ou impraticável a providência, conforme artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, a saber: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligência ou perícia, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine. Pois bem, a diligência não se pr4esta à produção de provas de interesse das partes. Cabe ao impugnante o ônus de fazer prova de suas alegações, não se prestando a diligência para suprir as deficiências da defesa. Neste caso, o pedido de diligência se destina a buscar elementos de prova cuja responsabilidade é inteiramente da defesa. Considero, pois, prescindível, a realização da diligência, razão pela qual indefiro o pedido. Quanto ao mérito, cuidase, na espécie, de lançamento com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10865.000676/200681 Acórdão n.º 2201002.323 S2C2T1 Fl. 10 17 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 18 E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. A Contribuinte alega que a conta bancária movimentava recursos da empresa DIVALDO A. ANTONELLI & CIA LTDA da qual é sócia. Tal alegação já foi feita perante a própria fiscalização que teve o cuidado de apurar o fato, concluindo pela sua não comprovação. De fato, a Contribuinte não consegue demonstrar, com elementos de prova, que a conta bancária movimentava recursos da empresa. O fato de ter havido algumas poucas transferêsncia da conta para a empresa e viceversa, não prova a alegação. Se, de fato, a conta movimentava recursos da empresa, como alegado, a contribuinte não deveria ter dificuldade em comprovar este fato, o que não faz. Sem tal comprovação, paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher a decadência relativamente ao anocalendário de 2000, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 844DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
