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Numero do processo: 11075.001803/00-06
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPF
Período de apuração: 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999
DECADÊNCIA: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.729
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: Manoel Coelho Arruda Junior
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O direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento da Contribuição para o PIS decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não existir autolançamento a ser homologado, por não ter ocorrido extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, VII do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,. Acordam os membros do colegiado, po unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO ' . 1, AS BA r ETO- Presidente ,. ) ANO .- COELHO 3. 1 . " 17D , J r O Relator 7 ITADO EM: ,,,. :93/0 c/jou 1 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial por divergência [fls. 417/428] interposto em face do v. acórdão [fis, 407/414] proferido pela então Sexta Câmara do Primeiro Conselho do Conselho de Contribuintes, com espeque nos artigo 5 0, inciso II, do RICSRF, Decidiu-se no acórdão recorrido, acolher a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso do sujeito passivo, haja vista que o lançamento decorreu de Auto de Infração que a fiscalização efetuou a glosa de saldo de prejuízos da atividade rural e excesso de redução por investimento apurados nos anos-base de 1989 e 1990, em decorrência da atualização monetária baseada na variação do BTNF, 1PC e INPC de 1990 O e, Órgão do Conselho de Contribuintes entendeu que o lançamento homologado pelo fisco, foi atingido pela decadência: IRPF - DECADÊNCIA — A legislação tributária federal confere à Fazenda Nacional o prazo de cinco anos para que os livros fiscais dos contribuintes sejam examinados para o . firn da constituição de créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram No entendimento da d. Procuradoria da Fazenda Nacional, o decisum supramencionado diverge do acórdão n° 104-19.219 proferido pela Quarta Câmara. A Recorrente aduz que, o prazo consubstanciado no artigo 195 do CTN impõe apenas o período de guarda dos documentos ao contribuinte e não um prazo para apreciação da indigitada documentação, razão pela qual pugna pela reforma do decisum recorrido., Suscita, portanto que, o Fisco pode utilizar escriturações de operações que repercutam em crédito tributário de exercício ainda não decaído. O ilustre presidente da então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em Juízo de admissibilidade [fis. 429/432], negou seguimento ao recurso especial, o que ensejou a interposição de agravo de instrumento pela Fazenda Nacional [433/445]. Em novo exame de admissibilidade [folha 451/452] a ilustre presidente da então 6' Câmara do Primeiro Conselho de contribuintes deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Devidamente intimado para ofertar contra-razões ao recurso especial [folha 454], o sujeito passivo da obrigação tributária quedou-se silente. É o relatório. 2 Proccsso n° 11075 001803/00-06 CSRF-T2 Acórdão n 9202-00.729 Fl 2 Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Como razões de decidir colaciono, como razões de decidir, voto prolatado pelo i. Conselheiro Moisés Giacomelli, nos autos do processo n. 10940.0002768/2005-74 (Recurso 152.278). - Da decadência como forma de extinção do crédito tributário Para que se compreenda o instituto da decadência como urna das formas de extinção do crédito tributário faz-se necessário entender a constituição deste. Não se pode falar em extinção do crédito tributário sem compreender como se dá a sua constituição. A constituição do crédito tributário está prevista no Livro Segundo, Título III, Capitulo II, do Código Tributário Nacional, cujo artigo 142 prevê, "in verbis:" Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do . fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso; propor a aplicação da penalidade cabível. O artigo 142 do CTN não pode ser interpretado corno norma isolada dentro do sistema. Há que se ter presente que o Capítulo II, do Título III, do Livro Segundo, do CTN, é subdividido em duas seções, sendo que a Seção I, composta pelos artigos 142 a 146, trata do lançamento e a Seção II, composta pelos artigos 147 a 150, trata das modalidades de lançamento, a saber: lançamento por declaração (art. 147); lançamento de oficio (art. 149) e lançamento por homologação (art. 150), La) Das modalidades de lançamento O Código Tributário Nacional, nos artigos 147, 149 e 150, prevê três modalidades de lançamento', a saber: a) lançamento por declaração; b) lançamento de oficio e c) lançamento por homologação. I O CTN prevê três modalidades de lançamentos que se distinguem pela medida da participação do sujeito passivo: (i) O lançamento por declaração, no qual o sujeito passivo apresenta uma declaração contendo as informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, que fica a cargo da autoridade fiscal definir o montante devido e notificar o sujeito passivo para efetuar o pagamento; (ii) O lançamento de oficio, no qual toda a atividade é desenvolvida pela autoridade fiscal E, por fim, (lli) o lançamento por homologação, no qual o 3 O lançamento por declaração, conferme prevê o artigo 147 do CIN 2, dá-se quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar informações para que o sujeito ativo, com base nas informações prestadas pelo contribuinte, apure o montante do imposto devido. 'Temos corno exemplo de lançamento por declaração a sistemática de pagamento do Imposto de Renda do exercício de 1993, em que os contribuintes preenchiam a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, mas não efetuavam apuração ou recolhimento do imposto devido. Para pagamento do tributo, os sujeitos passivos aguardavam o recebimento de notificação de lançamento, em que constava o valor do débito calculado pela autoridade administrativa, Caracteriza, também, lançamento por declaração o mecanismo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - FIR empregado até 1996, no qual o proprietário informava a extensão de sua propriedade e a produção nela obtida em formulário (declaração) especialmente destinado a este fim, de maneira que a Receita Federal, com base nestes dados, promovia a emissão da notificação de lançamento. O lançamento de ofício, previsto no artigo 149 do CTN 3 , ocorre na hipótese de haver urna omissão ou inexatidão do contribuinte em relação às atividades que deveria cumprir, de maneira que a autoridade efetuará o lançamento, com a aplicação de penalidade administrativa. Cabe ressaltar que não há tributo cujo regime de lançamento seja o "de oficio", originalmente. O lançamento de oficio é efetuado de forma residual em relação a tributos cujo regime é "por declaração" ou "por homologação" e que tenha havido irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, demandando a intervenção da autoridade administrativa no sentido de efetuar um lançamento "complementar" em relação ao período de apuração ou a determinado fato gerador. contribuinte desenvolve toda a atividade apuratória do valor do tributo devido e realiza o pagamento, ficando a cargo da autoridade fiscal a posterior verificação dessa atividade e, se for o caso, sua respectiva homologação Ar t. 147, O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação 3 Art., 149, O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercicio da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial 4 Processo n° 11075 001803/00-06 CSRF-T2 Acórdão n " 9202-00,729 Fl 3 No lançamento por homologação, de que trata o artigo 150 do CTN 4 , o sujeito passivo é quem identifica e determina a matéria tributável, verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e calcula o montante do tributo devido., Neste caso, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. São exemplos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação os rendimentos decorrentes de ganho de capital na alienação de bens, rendimentos provenientes de aplicação financeiras, pagamentos de lucros e juros a não residentes no país, IPI, ICMS, PIS e FINSOCIAL e, atualmente, o IR, entre outros. Lb) Dos elementos essenciais que caracterizam a constituição do crédito tributário e das questões relacionadas à homologação Com a identificação do sujeito passivo, a matéria tributável, a regra-matriz de incidência tributária e o cálculo do tributo devido, tem-se os elementos essenciais do lançamento.. O pagamento do tributo devido não faz parte do lançamento. Não integra a sua essência e nem é condição de sua validade. O crédito tributário, resultante do lançamento por homologação, existirá ainda que o tributo não seja pago. O pagamento é ato jurídico que ocorre num segundo momento para extinguir o que foi constituído em momento anterior. Quando se fala em constituição e extinção do crédito tributário é preciso identificar o momento da sua constituição e o momento da sua extinção, a) No momento da constituição do crédito tributário, no lançamento por homologação, o sujeito passivo apura a matéria tributável, a ocorrência do fato gerador e calcula o valor do imposto devido, b) No momento da extinção do crédito tributário tem-se o pagamento s do tributo correspondente. Nos casos de lançamento por homologação, o lançamento se consuma quando o sujeito passivo pratica atividade tendente a apurar a ocorrência do fato gerador; identificar a matéria tributável, calcular o valor devido, com obrigação de realizar o pagamento, independentemente de intimação a ser feita pelo do sujeito ativo. O pagamento é mera causa de extinção do crédito tributário. Só se extingue o que existe. Primeiro o crédito tributário precisa ser constituído para depois, num segundo momento, por meio de causa externa, caracterizada pelo pagamento, ou por qualquer outra das hipóteses previstas no artigo 156 do CTN, ser extinto. 4 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa 5 Além do pagamento, há outras causas de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do CTN Entretanto, interessa-nos, neste momento, apenas o pagamento 5 Se o contribuinte, por exemplo, apresentar Declaração de Ajuste Anual com imposto a pagar, tal fato se constitui lançamento por homologação. Apresentada a Declaração de Ajuste Anual, no caso cie pessoa .física 6, ou DCTF no caso de pessoa jurídica, e apurado o montante cio imposto devido, o lançamento está perfeito e consumado, independentemente de pagamento, Se o pagamento não for realizado, não se fará novo lançamento, pois o crédito tributário já está constituído. Em tais casos, cabe à Procuradoria da Fazenda Nacional intimar o contribuinte para realizar o pagamento, sob pena de inscrição em divida ativa e execução'. A homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte para apurar o montante devido. Não se pode confundir homologação do lançamento, com o pagamento do crédito tributário. O artigo 150 do CIN, abaixo transcrito e grifado por nós, deixa claro que o que se homologa é a atividade (autolançamento) e não o pagamento feito pelo sujeito passivo. O fato de haver ou não pagamento não altera a tipleidade do lançamento. Art 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa Para confirmar a assertiva de que a incidência da norma que prevê o lançamento por homologação não está condicionada a necessidade de pagamento prévio, basta citar a hipótese em que o contribuinte, embora cumpra o dever legal de apurar o quantuni debeatur, conclui que não há nada a ser pago, como Ocorre, por exemplo, na compensação de prejuízos fiscais e nas hipóteses de isenção, não incidência e imunidade, Nesse contexto, se o contribuinte, por exemplo, estiver sob o abrigo de uma imunidade ou isenção de IP1, onde não ocorre nenhum pagamento, tendo em vista que o imposto sequer é destacado em nota fiscal, tal fato (a inexistência de pagamento) não impede 6 Encenado o ano-calendário, a pessoa fisica, apura os rendimentos e as despesas dedutiveis e calcula o valor do imposto devido, informando tal fato à Receita Federal por meio da Declaração de Ajuste Anual Ao apresentar a Declaração de Ajuste Anual, com imposto a pagar ou a restituir, o lançamento se consuma, tanto isto é verdadeiro que a fiscalização, para exigir o tributo não necessita lavrar auto de infração, bastando encaminhar as informações prestadas pelo contribuinte para que a Procuradoria da Fazenda Nacional proceda a inscrição em divida ativa, com posterior execução Ver artigos 47 e 74, §§ 7°c 8' da Lei n° 9 430, de 1996 Art 47 A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de inicio de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo (Redação dada ao artigo pela Lei n° 9 532, de 10 12 1997, DOU 11.12 1997, conversão da Medida Provisória n° 1 602, de 14 111997, DOU 17 11 1997) Art 74. § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intima-10 a efetuar ., no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 10 833, de 29 12.2003, DOU 30 12 2003 - Ed. Extra) § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7", o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9' (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 10 833, de 29 122003, DOU 30 12 2003 Ed Extra) 6 Processo n n 11075 001803/00-06 CSRIF-T2 Acórdão n ° 9202-00,729 Fi 4 que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei - (tais como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso) -; ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 4' do art. 150, do CTN. Igualmente, existe atividade a ser homologada nas hipóteses de verificação de prejuízo fiscal, quando não é apurado IRPJ e CRI, devidos, por ausência de lucro tributável. No caso de imposto de renda pessoa fisica, por exemplo, o sujeito passivo, ao término de cada ano-calendário, apresenta declaração de ajuste anual. Nas situações em que o contribuinte não apurar nenhum imposto a pagar, mesmo assim a Fiscalização irá homologar sua declaração. Isto, conforme já afirmei, demonstra que o que se homologa é a atividade praticada pelo sujeito passivo e não eventual pagamento realizado. O pagamento, volto a repetir, é causa de extinção do tributo decorrente da atividade correspondente ao lançamento por homologação praticado pelo sujeito passivo. Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer o contribuinte tenha pago ou não o tributo eventualmente apurado, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões, ou o prazo prescricional s para cobrança do que foi declarado, sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4°, do CM, nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte faz o lançamento e apura prejuízo, para ser compensado no período seguinte, como pode ocorrer com o contribuinte produtor rural A jurisprudência da citada Corte também não resolve, de forma adequada, os casos em que a pessoa física apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição. Mais, a atual jurisprudência do STJ e de parte da doutrina que o segue e entende que nos casos de crédito tributário constituído por homologação o pagamento, ainda que parcial, é fator essencial para determinar o marco inicial do prazo decadencial, além de não resolver a situação relacionada aos casos em que o sujeito passivo apura prejuízo, também não apresenta solução para os casos em que as pessoas fisicas, por não atingirem determinados rendimentos, estão dispensadas de apresentarem declaração de ajuste anual de imposto de renda. Não há como falar em pagamento para ser homologado em tais hipóteses pois sequer a lei exige que o sujeito passivo realize atividade para apurar eventual imposto. Como falar em pagamento realizado nos casos em que o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo, sem imposto a pagar? Segunda Câmara Leal " A decadência e a prescrição apresentam um ponto de contacto, que as assemelh • ambas se fundam na inércia continuada do titular durante um certo lapso de tempo, e tem, portanto, como fatore operantes a inércia e o tempo" (CÂMARA LEAL, Antônio Luiz da Da Prescrição e da Decadência - atualizada por José de Aguir Dias - FORENSE — Rio de Janeiro - 2a. Edição - márnero seqüencial: 00881 - pág. 114) 7 A divergência que tenho em relação aos seguidores da atual jurisprudência do ST1 está relacionada ao ponto em que esta entende que a autoridade administrativa pratica ato com a finalidade de homologar o pagamento, o que é um equivoco. O artigo 142 do CTN, anteriormente transcrito, ao dizer que "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento" é expresso quando usa as expressões "assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrig-acão correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível",. Dos comandos da regra aqui destacada tem-se que, nos casos em que o artigo 150, do CTN, determina que o sujeito passivo realize as atividades inerentes à constituição do crédito tributário, o que a autoridade administrativa homologa são os atos praticados pelo sujeito passivo e não o pagamento realizado por este. Pode ocorrer casos, por exemplo, em que a pessoa física entrega Declaração de Ajuste Anual em 30 de abril e requer parcelamento do imposto devido. Isto, entretanto, não impede que a Fiscalização, antes mesmo do pagamento da primeira parcela, homologue a atividade praticada pelo contribuinte.. Na linha das razões de decidir até aqui expostos, são dignos de destaque os fundamentos do ilustre Conselheiro Nélson Mallmann, extraído do acórdão n° 104-20.071: (..) Como, também, refuto o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sujeito sempre à regra geral de decadência do art 173 do CTN É fantasioso. Em primeiro lugar; porque não é isto que está escrito no capta do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (.. ) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa." O que é passível de ser ou não homologado é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da Administração Tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CIN Faz-se necessário lembrar; que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha a fiscalização federal. a Processo a' 11075 001803/00-06 CSRF-T2 Acórdão n " 9202-00,729 Fl 5 Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do In com a apuração de saldo ci edor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento ) I.c) Do aspecto temporal do fato gerador: Os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados corno instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, corno o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (ex.: imposto de renda com tributação exclusiva na fonte; ganho de capital na alienação de bens etc). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. Nos fatos geradores complexivos, o evento que interessa à exigência da obrigação tributária só se consuma em determinada data, corno se fosse a linha de chegada de uma maratona No decorrer do trajeto existem inúmeros passos, mas para efeito de conclusão do percurso, só é considerado um único passo, qual seja, o passo em que o atleta atinge a linha de chegada Em síntese, considerando que o crédito tributário correspondente a este processo se encontra entre os tributos 9 cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo amolda-se à sistemática de lançamento por homologação, onde a contagem do prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação l °, encontra 9 III, ICMS, PIS, COPINS, FINSOCIAL . e IR, entre outros 10 Nos casos de dolo, fraude e simulação a data do fato gerador deixa de ser o marco inicial da decadência e passa a prevalecer a regra do artigo 173, I, do CTN, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado Nesta linha segue doutrina de Luciano Amaro: "A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra do artigo 173, I Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional (art 156, V, 173, 174, 195, parágrafo único) Tomar de empréstimo prazo clo direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, 9 respaldo no § 40 do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, No caso concreto, em 2005, a autoridade fiscal não poderia modificar os dados inerentes ao ano-calendário de 1999, razão pela qual andou bem o acórdão recorrido que reconheceu já estar decadente o direito da Fazenda Nacional em revisar a declaração de ajuste que apurou prejuízo de 1999. ISTO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É o voto anoel elho Arruda por protrair indefinitivamente o inicio do lapso temporal Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito Melhor seria não ter criado a ressalva (AMARO, Luciano, citado por Leandro Paulsen, in, Direito - Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Ed. Livraria do Advogado, 6 Edição Porto Alegre, 2004 p 1010) Na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos segue a doutrina de Sacha Calmon Navaro Coelho, para quem "em ocorrendo fraude, ou simulação, devidamente comprovados pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo, da obrigação tributária do imposto sujeito a 'lançamento por homologação', a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência Prevalece o dias a quo do art 173, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado" (In Liminares e Depósitos Antes do Lançamento por Homologação — Decadência e Prescrição, 2'. ed. Dialética, 2002, p 16)
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Numero do processo: 10865.901336/2008-31
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/01/2000
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA.
As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 13 36 /2 00 8- 31 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.901336/200831 Acórdão n.º 3802003.563 S3TE02 Fl. 294 2 (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra e Bruno Mauricio Macedo Curi. Ausente justificadamente o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2000 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS. As bonificações em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Dispositivos legais: arts. 2º e 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998; e IN SRF nº 51, de 03/11/1978. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão de bonificações na base de cálculo das contribuições. Após a conversão do julgamento em diligência, a DRJ entendeu que a documentação apresentada pelo contribuinte seria insuficiente para o reconhecimento do direito. Isso porque as bonificações não constaram da nota fiscal de venda dos bens, tendo sido objeto de nota fiscal própria, o que impede a exclusão da base de cálculo, à medida que não poderiam ser consideradas descontos incondicionais. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.901336/200831 Acórdão n.º 3802003.563 S3TE02 Fl. 295 3 O Recorrente, nas razões de fls. 254 e ss., alega que, embora as bonificações tenham sido objeto de nota fiscal separada, as mesmas eram emitidas conjuntamente às notas fiscais de venda, de forma sequencial, o que comprovaria a sua vinculação às operações de venda e a incondicionalidade do desconto concedido. Sustenta que as bonificações tanto podem ser concedidas mediante abatimento do preço ou com entrega de mercadorias em quantidade superior à paga pelo comprado, como na hipótese dos autos. Aduz não ter havido o recebimento de qualquer valor decorrente das notas fiscais de bonificação. Requer, assim, o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 31/03/2010 (fls. 253), interpondo recurso tempestivo em 28/04/2010 (fls. 254). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.901336/200831 Acórdão n.º 3802003.563 S3TE02 Fl. 296 4 REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.901336/200831 Acórdão n.º 3802003.563 S3TE02 Fl. 297 5 verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte apresentou como prova da liquidez e da certeza do direito de crédito as notas fiscais de bonificação. A DRJ, entretanto, após a Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.901336/200831 Acórdão n.º 3802003.563 S3TE02 Fl. 298 6 conversão do julgamento em diligência, entendeu que tais documentos seriam insuficientes porque a nota fiscal em separado, sem vínculo com outra nota de venda de produto que lhe daria suporte, não caracteriza o desconto incondicional concedido. Entendo, no entanto, que as notas fiscais, mesmo isoladas ou emitidas em separado, são suficientes para a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito, porque denotam claramente que se trataram de bonificação. Cumpre considerar que há, na verdade, dois tipos de bonificação: as bonificações vinculadas e as desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço de venda e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto (condição), têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. Nesse sentido, cumpre destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.901336/200831 Acórdão n.º 3802003.563 S3TE02 Fl. 299 7 doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Registrese ainda o Acórdão nº 3802002.410, decidido por unanimidade pela Turma, em sessão de 27 de fevereiro de 2014: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação1. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, as notas fiscais, mesmo isoladas, são suficientes para a demonstrar a liquidez e a certeza do direito, sobretudo quando descrevem claramente a natureza da operação. 1 Isso não significa que todos as bonificações vinculadas à operações de venda devam ser concedidas na mesma nota fiscal. Há casos em que, mesmo em operações subsequentes, a bonificação redutora de custo de aquisição pode estar vinculada a uma ou mais vendas anteriores. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.901336/200831 Acórdão n.º 3802003.563 S3TE02 Fl. 300 8 Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação acostadas aos autos do processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 19515.003547/2005-16
Data da sessão: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto Sobre a renda de pessoa — IRPJ e reflexos
Ano-calendário: 2.000
OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
AUSÊNCIA DE INDÍCIOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA OMISSÃO.
Para que fique caracterizada a omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, é necessária, no mínimo, a existência de indícios que demonstrem a omissão de receitas. As diferenças entre créditos em conta corrente e faturamento, quando irrelevantes, são insuficientes para se
caracterizar a omissão de receitas.
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se a mesma decisão aos lançamentos reflexos alusivos ao PIS, à Cofins e à CSLL.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2.000
JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS
PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE
No âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes.
Numero da decisão: 103-23.646
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, AFASTAR preliminar argüida pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes no sentido de converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Régis Magalhães Soares de Queiroz e Antonio Carlos Guidoni Filho. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (Relator) e Régis Magalhães Soares Queiroz, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Redigirá voto vencedor o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Carlos Pelá
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ementa_s : Imposto Sobre a renda de pessoa — IRPJ e reflexos Ano-calendário: 2.000 OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA OMISSÃO. Para que fique caracterizada a omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, é necessária, no mínimo, a existência de indícios que demonstrem a omissão de receitas. As diferenças entre créditos em conta corrente e faturamento, quando irrelevantes, são insuficientes para se caracterizar a omissão de receitas. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se a mesma decisão aos lançamentos reflexos alusivos ao PIS, à Cofins e à CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2.000 JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE No âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes.
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Recorrida 7TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Imposto Sobre a renda de pessoa — IRPJ e reflexos Ano-calendário: 2.000 OMISSÃO DE RECEITAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DA OMISSÃO. Para que fique caracterizada a omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, é necessária, no mínimo, a existência de indícios que demonstrem a omissão de receitas. As diferenças entre créditos em conta corrente e faturamento, quando irrelevantes, são insuficientes para se caracterizar a omissão de receitas. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se a mesma decisão aos lançamentos reflexos alusivos ao PIS, à Cofins e à CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2.000 JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE No âmbito dos Conselhos, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do • contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, AFASTAR preliminar argüida pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes no sentido de converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Régis Magalhães Soares de Queiroz e Antonio Carlos Guidoni Filho. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (Relator) e Régis Magalhães Soares Queiroz?, • v./ t 1 fàmtenos teimos do relatório e voto que untes . p e julgado. Redigirá voto vencedor o Conselheiro Leonardo de Andrade Coutf , / ' Antonio Carlos Guide Fi o-Viee Presidente em Exercício - RAato—r C‘dt' Leonardo de Andrade Couto - Redator designado EDITADO EM 1 '1) . 2,010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho(Vice Presidente em Exercício), Alexandre Barbosa Jaguaribe, Leonardo de Andrade Couto, Carlos Pela, Nelso Kichel (Suplente Convocado), Régis Magalhães Soares Queiroz e Guilheime Adolfo dos Santos Mendes. 2 Processo n° 19515.003547/2005-16 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-23.646 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte VIA VENETO ROUPAS LTDA. contra decisão proferida pela 7 a Tufina da Delegacia de Julgamento de São Paulo, que considerou procedente o lançamento efetuado pela autoridade fiscalizadora. Referido Auto de Infração (fls. 162 a 185) impôs ao contribuinte a cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro, PIS e COFINS, com base em suposta omissão de receitas que teriam sido auferidas durante o ano de 2.000. A suposta omissão de receitas fora apurada pela autoridade fiscalizadora com base em depósitos em contas correntes constantes nos extratos bancários enviados pelo contribuinte. O valor dos depósitos em questão foi cotejado mensalmente com o faturamento declarado pelo contribuinte, resultando em Termo de Constatação (fls. 158 a 161). No documento, a autoridade fiscalizadora concluiu que a diferença entre o valor dos depósitos bancários e o faturamento declarado constituiria omissão de receitas, confoinie disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Contra o referido Auto de Infração, o ora Recorrente ingressou com Impugnação (fls. 189 a 195), alegando, em síntese: (i) que teria sido incorreta a presunção de omissão de receitas; (ii) que o prazo de vinte dias concedido pelo Fisco para comprovação dos depósitos era exíguo; (iii) que a comprovação dos inúmeros lançamentos traduzia-se em árdua missão; (iv) que a diferença a maior entre os depósitos e o faturamento decorria de vendas a prazo, creditadas em meses posteriores, que não correspondiam aos meses das efetivas vendas; (v) que a atualização dos tributos pela taxa referencial Selic não respeitaria o Princípio da Legalidade; (vi) por fim, solicitava perícia dos extratos bancários, de forma a comparar com a documentação contábil da empresa. Analisando a questão, a r Tunna da DRJ de São Paulo considerou o • lançamento procedente (fls. 255 a 265). Preliminarmente, indeferiu a perícia requerida pelo Impugnante, por não haver detalhado seus requisitos. No mérito, concordava com a linha adotada pelo contribuinte, -\que a diferença apurada seria decorrente de vendas a prazo. No entanto, concluiu que estai questão deveria ser comprovada pelo contribuinte no decorrer da fiscalização. Neste sentid dr• , \ - ft \,____ P.-) J,J 3 \ __ esclarece que o alegado prazo exíguo, que teria dificultado a missão do contribuinte em comprovar os depósitos, poderia ter sido dilatado mediante solicitação formal à autoridade fazendária. Reproduzo a ementa da decisão proferida pela DRJ de São Paulo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam- se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PIS. COFINS.CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, tendo em vista que se originam das mesmas provas. Lançamento Procedente" Inconformado com a decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 324 a 339). Aduziu, em resumo: (i) que o prazo de vinte dias para comprovação dos créditos em conta corrente era exíguo; (ii) que a autoridade administrativa fiscal não demonstrou a existência do fato gerador, em desrespeito aos ditames da Tipicidade Fechada; (iii) que o indeferimento da perícia prejudicou o seu direito de defesa; (iv) que a autoridade fiscalizadora teria o dever de aprofundar as investigações a fim de vincular as transações financeiras à atividade comercial da empresa; (iv) que a diferença a maior entre os depósitos e o faturamento decorria de vendas a prazo, creditadas em meses posteriores, que não correspondiam aos meses das efetivas vendas; (v) que a atualização dos tributos pela taxa referencial Selic não respeitaria o Princípio da Legalidade; Sem mais, é o relatório. P.,L9 r 4 Processo n° 19515.003547/2005-16 S 1-C3T1 Acórdão n.° 1301-23.646 Fl. 3 Voto Vencido Conselheiro Carlos Pelá • O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Preliminarmente Inicialmente, o ora Recorrente alega que o prazo que lhe foi concedido para comprovar a origem dos créditos foi exíguo, impossibilitando a resposta – o que redundou em cerceamento de defesa. O argumento não foi aceito pela DRJ, sob a justificativa de que o contribuinte poderia pedir dilação do prazo e, se fizesse isso, "certamente a fiscalização teria deferido". De fato, os Mandados de Procedimento Fiscal fixam prazo para seu cumprimento, sem qualquer menção à possibilidade de dilação. Um contribuinte experiente no trato com a Receita Federal sabe que isso é possível, corriqueiro até, mas não é obrigado a sabê-lo. As normas que tratam da fiscalização não deixam explícita esta possibilidade. Ademais, a autoridade fiscalizadora, obrigado a desencavar os fatos e encontrar a verdade por trás deles, pois não lhe é lícito cobrar o que não é devido, poderia ter concedido novo prazo de ofício, mediante nova intimação. Errada a Autoridade neste aspecto. Por outro lado, o contribuinte poderia se esforçar para apresentar as provas durante o processo, seja na fase de impugnação ao auto, seja após, pois a autoridade teria o dever de analisá-la em busca da verdade. Não o fez também. Seria o caso de baixar o processo em diligência, mas creio ser isso desnecessário, em razão da decisão que proponho a seguir. Improcedente, portanto, a preliminar de cerceamento de defesa. Da inocorrência de omissão de receitas A questão tratada no processo está inteiramente centrada na suposta omissão de receitas do Recorrente, verificada na comparação entre os depósitos constantes nos extratos bancários, com a receita declarada pelo contribuinte na DIPJ. - Desta comparação, verificou-se uma diferença entre os créditos em conta corrente e o valor do faturamento declarado no exercício 2.001. Esta diferença foi considerada omissão de receitas pela autoridade fiscalizadora, resultando no Auto de Infração em tela. A caracterização da omissão de receitas está prevista em lei, no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de Dezembro de 1996, in verbis: 4Ib "Art.42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de — rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente - _- intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 71L 5 §1 0 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos." (grifei) O alcance da norma - e suas interpretações teleológica e sistemática - será objeto de análise mais criteriosa nos próximos parágrafos. A previsão normativa referida constitui importante ferramenta da autoridade fiscal no combate à sonegação. Em havendo indícios de sonegação, o Fisco pode (deve) solicitar os extratos bancários do contribuinte. E em havendo uma discrepância relevante entre o valor declarado pelo contribuinte e sua movimentação financeira, a autoridade fazendária deve intimá-lo para que explique e comprove a razão da diferença. Não logrando êxito em justificar as transações financeiras, o Fisco pode (deve) lavrar auto de infração, considerando os créditos em conta corrente como receitas tributáveis. Não é o que ocorreu, in casu, senão vejamos: Inicialmente, este artifício (comparação entre extratos bancários) não se justificaria neste caso, pois, do procedimento fiscalizatório, não restou demonstrado nenhum indício que o contribuinte teria omitido receitas ou praticado qualquer ato que atentasse aos interesses da Fazenda Nacional. Mesmo diante da ausência de indícios de omissão de receitas, assim procedeu o Fisco, à procura de provas que demonstrassem omissão de receitas. O trabalho de cotejamento entre os extratos bancários e a DIPJ resultou na tabela comparativa (fls. 160) constante no já mencionado Termo de Constatação. Nos meses de junho e dezembro, o valor do faturamento do sujeito passivo foi superior ao valor creditado em conta corrente. Nos demais meses ocorreu o inverso. Exatamente nestes meses teria havido omissão de receitas, de acordo com o Auto de Infração Fato é que a aludida comparação não obteve sucesso. Ocorre que a diferença apurada entre créditos bancários e faturamento, em valores absolutos é pequena. Quando realizamos esta comparação em relação à grandeza dos valores totais envolvidos (faturamento e transações), a diferença torna-se irrelevante. A irrelevância do valor apurado nos leva a crer que a referida diferença não decorre de omissão de receitas — até porque nem todo valor que transita em conta corrente corresponde a faturamento. Ora, é coerente concluir que nem todo faturamento é creditado em conta corrente, assim como nem todo crédito em conta corrente decorre de faturamento. •Se o raciocínio oposto prosperasse, isto é, o faturamento estivesse simetricamente espelhado em conta corrente, chegaríamos à absurda situação de o contribuinte ter declarado e pago tributo a maior nos meses de junho e dezembro, possuindo, destarte, um crédito tributário perante a União. 6 Processo n° 19515.003547/2005-16 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-23.646 Fl. 4 A questão fica ainda mais cristalina quando o Recorrente traz a baila o argumento — óbvio — que poderá haver uma dissonância temporal entre o faturamento e o efetivo crédito em conta corrente, decorrente, entre outros, de vendas a prazo, realizadas com cheques pré-datados e cartões de crédito. Em razão desta característica, própria de comércio — especialmente o comércio varejista - necessariamente encontramos este descompasso temporal entre faturamento e movimentação financeira. Qualquer um que tenha freqüentado um shopping center em época de natal e pagou as compras com cheques sabe que grande parte das compras se faz com cheques pré-datados, às vezes em parcelas. Fato notório O argumento ganha especial relevância se observanuos os meses em que a diferença foi inversa, isto é, o faturamento foi maior que os valores creditados em conta. No mês de dezembro, sabidamente o mês mais importante para o comércio, em razão da comemoração das festas natalinas, o faturamento foi extremamente maior que o valor total creditado em conta corrente. Isso ocorre porque é o principal mês de vendas — e faturamento. Do ponto de vista financeiro, no entanto, parte dos valores somente é creditada em conta corrente nos meses subseqüentes, em razão das vendas "parceladas" efetuadas por intermédio de cartões de crédito e cheques pré-datados. Fato notório. Por esta mesma razão, o mês de janeiro é o que apresenta a maior diferença entre movimentação financeira e faturamento, já que algumas vendas, mesmo não sendo parceladas, têm o pagamento efetivo previsto para o prazo de trinta dias da data da compra — nolmalmente no mês de janeiro, quando referentes às compras de Natal. Ora, quando o artigo 42 da Lei 9.430/96 imputa uma conseqüência igual á da omissão de receitas no caso de créditos bancários não relacionados com o faturamento, estabelece uma presunção de os créditos se referem ao faturamento do mês. A presunção, contudo, não é absoluta, pois admite prova em contrário. No caso destes autos, a Fiscalização exigiu que prova fosse feita em 20 dias, concluindo na sua ausência, que a presunção se consumou. Errou. Compulsando os autos, não se vislumbra qualquer indício de omissão de receitas. O faturamento da empresa é menor que os créditos em dois meses do ano: nos meses que se seguem às duas datas Mais importantes do comércio: Natal e Dia das Mães. Nos demais meses, o faturamento é maior. Este fato é notório e, por ser notório, dispensa a realização de prova, especialmente porque o excedente do faturamento é pequeno em comparação com o faturamento total declarado. O fisco, a meu ver, não poderia ignorar tal fato. Não buscou e, por isso, não encontrou a verdade. De fato, aplicou uma presunção que é contrária aos fatos que constatou. 41 r\•,--, t 7 Vale dizer que, não havendo indícios, não há que se falar em aplicação do disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430. . E mais: a inversão do ônus da prova prevista incidentalmente na nolina também deve ser aplicada quando apurados indícios de sonegação, de omissão de receitas. No presente caso, não há qualquer indício de omissão de receitas pelo contribuinte. Mesmo após comparados extratos e Declaração, não restou qualquer indício neste sentido, uma vez que a diferença de valores apurada é irrelevante. E, em não havendo indícios de omissão de receitas, não é aplicável, in casu, a inversão do ônus da prova constante no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Desta forma, caberia ao Fisco — e não ao contribuinte — a devida comprovação que os valores, creditados em conta corrente durante o ano 2.000, decorrem de faturamento omitido na DIPJ. Procedente, portanto, o recurso. Da impossibilidade de utilização da Taxa Selic para atualização dos débitos O Recorrente alega que a Taxa Selic não poderia ser utilizado pela Fazenda para atualizar seus créditos tributários. Para tanto, argumenta que a taxa de juros deveria ser instituída por intelmédio de Lei Complementar, com base no artigo 146, inciso III, alínea "b", pois se inseriria na expressão "crédito", constante no referido dispositivo, verbis: Art. 146. Cabe à lei complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Não prospera a tese defendida pelo Recorrente. O que deve ser regulamentado por Lei Complementar, segundo a CF, são aspectos relacionados à conformação do crédito tributário — e não a founa de atualização, em caso de não pagamento do crédito. IV. CONCLUSÃO 8 Processo n° 19515.003547/2005-16 S1-C3T11 Acórdão n.° 1301-23.646 Ft_ 5 Diante do exposto, voto pela procedência parcial do Recurso Voluntário, a fim de reformar a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento de São Paulo, pela inexistência de indícios de omissão de receitas e inaplicabilidade da presunção prevista no artigo 42 da Lei 9.430/96. Sala das Sessões, em 18 de dezembro de 2008 0)07/7 dPi Carl /k1 .Relator • 9 Processo n° 19515.003547/2005-16 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-23.646 Fl. 6 VOTO VENCEDOR Conselheiro Leonardo de Andrade Couto — Redator designado Apesar da coerente análise realizada pelo Relator, principalmente no que se refere às questões fáticas que tipificam a atividade comercial, permito-me divergir das inferências que o levaram a propor o cancelamento da exigência. A presunção legal trazida ao mundo jurídico pelo art. 42, da Lei n° 9.430/96, estabelece que caracteriza omissão de receita os valores depositados em conta corrente cuja origem o titular, devidamente intimado, não comprovou. • É notório no ordenamento jurídico que o principal efeito da presunção legal é a inversão do ônus da prova. Assim, se o sujeito passivo é intimado nos termos previstos no dispositivo cabe a ele esclarecer a origem dos valores e o Fisco tem o poder-dever de considerar como omissão aqueles não esclarecidos. Em tese, no caso de pessoa jurídica, se a conta bancária integra a escrituração e se tal escrituração segue as regras comerciais e fiscais, não haveria maiores dificuldades em prestar os devidos esclarecimentos. Nessa hipótese, a correta vinculação entre o lançamento bancário e o registro contábil da operação a que refere permite, no caso de depósitos, identificar se corresponde a receita auferida e, se for o caso, o período de competência a que se refere, nos casos de transações envolvendo pagamentos a prazo. No presente caso, o sujeito passivo efetuou o registro contábil da movimentação bancária por partidas mensais. Em termOs de controle, tal procedimento por si só não seria recomendável em qualquer circunstância. Na atividade comercial, nos moldes exercidos pela interessada, mostra-se temerário em função do grande volume de operações de venda realizadas e com formas de recebimento as mais diversas. • Por ter adotado essa prática, a Fiscalizada obrigou-se a responder simplesmente que os valores depositados correspondiam ao faturamento da empresa. Não ofereceu à autoridade lançadora um nível de esclarecimento que peimitisse análise detalhada e verificação de sua principal razão de defesa qual seja, o argumento de que parte dos depósitos corresponderia a períodos anteriores, A Fiscalização procedeu de acordo com os elementos que dispunha. No que se refere ao sujeito passivo, além de argumentação mencionada no parágrafo anterior, limitou- se a questionar o que seria a exigüidade do prazo para atender à intimação. Pois bem. No que se refere à hipótese de parte dos depósitos corresponderem a períodos anteriores já tributados, não foi apresentado qualquer elemento de prova. Quanto ao prazo reduzido para apresentar justificativas, até este momento processual essas provas não foram apresentadas. fl 4110 Ainda que a argumentação do Relator mostre-se lógica no que se refere à tipicidade da atividade comercial exercida pelo sujeito passivo, discordo da conclusão de que o Fisco deveria demonstrar a ocorrência da omissão. Além da já mencionada questão da inversão do ônus da prova, fato é que a interessada foi vítima de sua própria desorganização, pois a apresentação do recurso voluntário ocorreu mais de dois anos após o início do procedimento fiscal e, ainda assim, ao longo desse período nenhuma documentação foi trazida aos autos que pudesse, mesmo que por amostragem, embasar qualquer razão de defesa. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Lerwl,n — SL—LJÁ. (11.. LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12
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Numero do processo: 10435.002503/2008-29
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.608
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 25 03 /2 00 8- 29 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10435.002503/200829 Acórdão n.º 2803002.608 S2TE03 Fl. 3 2 conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10435.002503/200829 Acórdão n.º 2803002.608 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (CFL 68) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por descumprimento de obrigação acessória, em razão de a empresa ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2004 a 12/2004, conforme registrado na descrição sumária de fl. 01, bem como no Relatório Fiscal da Infração de fls. 10/11. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 04 de dezembro de 2008 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO – AI. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS. MULTA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação punível com multa. AFRONTA À CONSTITUIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado, à autoridade julgadora, no âmbito administrativo, afastar a aplicação, por inconstitucionalidade, de dispositivo legal em vigor, competência exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A Recorrente foi autuada pela fiscalização sob a alegação de descumprimento da obrigação acessória e, por força disso, foilhe imposta a multa prevista no art. 22, inc. IV, § 5º, da Lei 8.212/91 c/c art. 284, inc. II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que corresponde a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição previdenciária não declarada em GFIP, limitada, por competência, aos valores previstos no art. 284, inc. I do RPS, atualizado de acordo com o disposto no art. 373 do RPS. A Recorrente apresentou defesa que, contudo, não foi acolhida. O acórdão merece ser reformado. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10435.002503/200829 Acórdão n.º 2803002.608 S2TE03 Fl. 5 4 A multa imposta é confiscatória e impagável, ferindo os princípios constitucionais do não confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade e da razoabilidade e o Due Process of Law. Diante do exposto, requer a Recorrente se digne esse E. Conselho de Contribuintes em acolher as razões recursais expendidas, reformando o acórdão impugnado e julgando totalmente improcedente a autuação sofrida, por ser de Direito e Justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10435.002503/200829 Acórdão n.º 2803002.608 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fl. 10), constatouse que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências de 01/2004 a 12/2004. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32, IV, § 5º da lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Analisando os autos, notase que restou claramente evidenciada a falta cometida pelo contribuinte, situação que justifica o enquadramento da empresa nos dispositivos legais referidos no parágrafo anterior. No lançamento, a autoridade administrativa observou as regras de que trata o art. 10 do Decreto nº 70.215/72, bem como aquela prevista no art. 142 do CTN, não havendo, portanto, nenhuma falha que possa macular o lançamento ora em discussão. De outra parte, é sabido que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 343DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10435.002503/200829 Acórdão n.º 2803002.608 S2TE03 Fl. 7 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como Fl. 344DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10435.002503/200829 Acórdão n.º 2803002.608 S2TE03 Fl. 8 7 infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.007237/2003-30
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998
DCTF REVISÃO INTERNA.
COMPENSAÇÃO COM DARF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Ausente outra motivação, cancela-se a exigência ante as evidências de que a contribuinte errou ao apontar o recolhimento que originou o indébito utilizado em compensação,
Numero da decisão: 1101-000.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso e cancelar a exigência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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COMPENSAÇÃO COM DARF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Ausente outra motivação, cancela-se a exigência ante as evidências de que a contribuinte errou ao apontar o recolhimento que originou o indébito utilizado em compensação, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso e cancelar a exigência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado QOUU, 'VtU,M,013 DELI PEREIRA BESSA - Presidente Substituta e Relatora EDITADO EM: 19/05/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente substituto da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo de da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Shelley Henrique Dalcamirn, Relatório ÓTIMA INDUSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela l n Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, que por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento formalizado para exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ devido nos 3' e 4° trimestres de 1998, relativamente aos quais não restou confirmada a compensação com DARF e sem processo informada nas DCTFS retificadoras apresentadas em 10/12/1999. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o processo de auto de infração que exige da interessada o recolhimento de R$ 6 380,09 de IRPJ, R$ 4 785,07 de multa de oficio sobre o principal, e demais acréscimos legais O lançamento resultou de Auditoria interna nas DCTF dos 3" e 4" Trimestres de 1998, em que foi constatada a falta de recolhimento de IRPJ Enquadramento legal indicado à fl 15 Contra o lançamento, a interessada interpôs tempestiva impugnação (fls. 1/4), trazendo as seguintes alegações, em síntese. Argumenta que a autuação foi baseada nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio das DCTF, e que a auditoria promovida não localizou o(s) pagamento(s) e/ou qualquer vinculação conforme consta do Anexo 1 e lb- Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados e Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados, mas, tais débitos ou foram devidamente compensados ou foram efetivamente pagos Cita processos administrativos, aduzindo que não devem ter sido considerados na auditoria, além de que é optante do Refis, e alguns débitos estão incluidos naquele programa oficial Alega que o auto de infração deve ser julgado nulo, haja vista não discriminar perfeitamente o débito que a autoridade julga existir, apresentando um valor de débito de R$ 6 121,30, que jamais foi informado na DCTF, bem como não resulta de qualquer composição matemática possível Finalizando requer, que seja determinada Perícia Técnica, a fim de se apurar o quantum devido, bem como seja previamente intimado para todos o.s atos, como reuniões, apresentação de quesitos, memoriais, para o qual indica perito, além de protestar pela defesa oral perante o Conselho de Contribuintes-, em grau de recurso. Junta-se ao presente processo as telas de fls 70/73, relativamente a parte das DCTF apresentada pela contribuinte É o relatório A l a Turma da DRI/Curitiba afastou tais alegações argumentando que: o A auditoria tomou por referência DCTF apresentadas pela própria contribuinte, e os demonstrativos que lhe foram cientificados detalham os débitos exigidos, e evidenciam a não confirmação das parcelas de R$ 6.121,30 e R$ 258,79, compensadas como informado 2 Processo n° 10980 007237/2003-30 Acórdão n 1101-00.266 S1-cin EL em DCTF, vinculadas ao DARF de RS 8 546,16, relativo ao trimestre/98. e Considerando que o pagamento de R$ 8.546,16 estava vinculado ai débito do próprio 1° trimestre/98, inexistindo parcela disponível, regular se mostrou o lançamento. e A mera adesão ao REF1S não é suficiente para afastar a exigibilidade de débitos não declarados ou não confessados, sendo de se ressaltar que na DCTF os débitos foram informados sem saldo a pagar, porque vinculados à compensação questionada Apenas a parcela de RS 255,77, confessada no âmbito do REFIS para o 4 0 trimestre/98, deve ser excluída da exigência. e A perícia é indeferida por não atender às exigência fixadas no art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, para sua formulação. • Não há previsão de sustentação oral na l a instância administrativa. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/10/2007 (fl.. 80) 7 a, contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 09/11/2007 (fls. 84/88), reiterando os argumentos trazidos na impugnação. Ainda, reporta-se aos processos de solicitação de retificação das DCIT relativas aos quatro trimestres de 1998, frisando que a decisão ora recorrida em nenhzur momento faz referência e/ou traz aos autos as decisões proferidas nos mesmos, o que praticamente inviabiliza qualquer argumento de impugnação e, agora, de recurso. Menciona a apresentação de pedidos de compensação, além das DCTF retificadoras, e questiona a exigência dos débitos compensados sem qualquer decisão) administrativa acerca daqueles pleitos. Pede a declaração de nulidade da decisão recorrida e destaca que em outras- AIS, de PIS e COFINS, também decorrentes de revisão de DCTFs, o relatar responsáveg tomou o devido cuidado de analisar tais' PAFs, bem como solicitar outros documentos, antes de prolatar sua decisão, conforme se demonstra com as intimações anexas. Requer seja expressa e regularmente intimada para o julgamento do presente recurso, protestando, desde já, pela defesa oral perante este conselho. É o relatório Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente reporta-se a processos de solicitação de retificação das DCTE, mencionando clue a autoridade julgadora de primeira instância não se manifestou acerca de sua apresentação, Observe-se que a contribuinte limitou-se a juntar cópias com a impugnação, assim consignando na defesa: Inicialmente, há alguns processos administrativos que não devem ter sido considerados na "auditoria", ou seja.. 10980 018335/99-28, ref retificação de DCTF do 1° trimestre de 1998, 10980.018334/99-65, ref 2° trimestre de 1998, Recibo n° 2031741664 (n° de controle da SRE n° 33 41 42 7991, de 10/12/1999), ref 3 0 trimestre de 1998, Idem, n° 4030209821 (n° 38 17 11.44 07, de 10/12/1999), ref 4 0 trimestre de 1998; 10980 012067/99-68, ref pedido de compensação, ref IR-PJ e CSLL, COFINS e PIS, ref recolhimentos efetuados a maior. Às razões para apresentação de todos estes processos administrativos encontram-se devidamente esclarecidas nos referidos documentos A exigência se refere aos 3° e 40 trimestres de 1998, e diante deste contexto fez-se constar no Acórdão recorrido que o lançamento já havia levado em consideração as DCTFs retificadoras apresentadas e transmitidas em 10/12/1999 (fls. 50/57), Quanto aos processos 10980.018335/99-28, 10980,018334/99-65 e 10980.012067/99-68, o fato é que nada ali apresenta correlação com a exigência aqui tratada, de fortim que a autoridade julgadora de 1 3 instância não teria porque abordá-los na decisão proferida. As cópias relativas ao processo administrativo ri° 10980.,012067/99-68 (fls 29/32) dão conta de pedido de retificação de débitos declarados a titulo de COFINS e Contribuição ao PIS apurados em 1998 e no 1° trimestre/99, em razão da desconsideração, nos cálculos iniciais, de deduções do faturamento Na seqüência, constam planilhas de apuração de recolhimentos a maior de IRPJ nos anos-calendário 1996 e 1997, e da correspondente compensação dos créditos (fls. 33/36), que não aparentam guardar qualquer relação com o processo de retificação de DCTF antes citado, e também não contemplam, dentre os tributos compensados, quaisquer dos débitos aqui exigidos Dai já se vê o porque dos esclarecimentos solicitados antes do julgamento das exigências pertinentes aos débitos de COF1NS e da Contribuição ao PIS declarados em 1998. Havia evidências de que os débitos daqueles períodos foram diretamente afetados pela retificação solicitada 4 Processo n ú 10980 007237/2003-30 Acótclão n 1101-00.266 Fl. 3 Com referência ao processo administrativo n° 10980.018334/99-65, trataria de retificação de DCTF pertinente ao 2' trimestre/98 (fls. .38/43), que em nada influiria nesta exigência, onde os débitos lançados são do 3' e 4° trimestres/98, e o DARF neles utilizado em compensação corresponde à apuração do 1° trimestre/98. Relativamente ao processo administrativo n° 10980.018335/99-28, as cópias juntadas apontam declaração retificadora para o 1° trimestre/98, que apresenta carimbo de recepção datado de 14/12/1999, informando débito de IRPJ de R$ 12,365,66, com créditos vinculados de mesmo valor (fls. 44/49). Por sua vez, a autoridade julgadora firmou convencimento acerca da manutenção da exigência por verificar que o pagamento de RS 8 546,16, efetuado em 30/04/1998 e relativo ao débito apurado em 31/03/1998 estava integralmente vinculado ao débito de IRPI declarado no 1' trimestre/98 (fls. 70/71). E, se a pretensão da contribuinte, ao apresentar a DCTF retificadora para o 1" trimestre/98, foi, de fato, reconhecer um débito de R$ 12.365,66, resta evidente que o pagamento de R$ 8.546,16 não comportaria qualquer parcela de indébito, porque inferior ao tributo apurado no período. Em verdade, errou o contribuinte ao reportar-se às provas juntadas aos autos, pois não são os processos administrativos que amparam a inexigibilidade do débito aqui remanescente, mas sim os DARFs que compõem as fls. 26/27 Ali se vê que o contribuinte não efetuou apenas o recolhimento de R$ 8.546,16 para o 1° trimestre/98, mas também outros dois recolhimentos, pertinentes à 2 e 3' quotas do débito inicialmente apurado de RS 25,638,48 para aquele período. Quando tal débito foi reduzido para R$ 12 365,66, na retificação antes mencionada, os recolhimentos se mostraram maiores que os devidos, mas não na parcela recolhida em 30/04/98, que permaneceu integralmente vinculada ao débito declarado. Os excedentes se formaram a partir da 2' quota recolhida, razão pela qual incorreta se mostrou as compensações informadas nos 3° e 4' trimestres/98, e que tiveram por referência o recolhimento efetuado em 30/04/98. Assim, frente às evidências de que o contribuinte errou ao apontar o recolhimento que originou o indébito utilizado em compensação com o IRPJ apurado nos 3° e 4° trimestres/98, não subsiste motivação suficiente para a manutenção das exigências remanescentes no total de R$ 6,124,32, e correspondentes acréscimos. Por estas razões, VOTO no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para exonerar o crédito tributário em litígio. /E-DELI PEREIRA BESSA Relatora Processo n° 10980 007237/2003-30 Acórdão ° 1101-00.266 51--CIV.11 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junte este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°,, ulko anexo II, do Regimento Interno do GARE, aprovado pela Portaria Ministerial n o 256, de 22 der, junho de 2009 Brasília, 2"/ / 457 Ã2,0 i T. Kg ; INT. v'0 N' TC; 'D'-A -S, SILVA José Antonio da Silva Chge de 2•:gii.,:..2 ,.1: Primeini C.S..nnra da 1° Seção do eónse,;.hiiikiL-n. ido de Recursos Fise4is - MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ com Recurso Especial; [ com Embargos de Declaração; [
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720116/2007-24
Data da sessão: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/09/2005
ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALIDADE DAS LEIS DE REGÊNCIA.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do PIS, nos termos das Leis que regem a matéria nos períodos de apuração sob exame. Inafastabilidade de lei sob argumentos de inconstitucionalidade, por força de norma regimental.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. FALTA DE INTERESSE DE AGIR
Impossibilidade de se conhecer do recurso quando a matéria atacada não foi resistida pelo acórdão recorrido.
Numero da decisão: 3803-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros Do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2002 a 30/09/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALIDADE DAS LEIS DE REGÊNCIA. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do PIS, nos termos das Leis que regem a matéria nos períodos de apuração sob exame. Inafastabilidade de lei sob argumentos de inconstitucionalidade, por força de norma regimental. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. FALTA DE INTERESSE DE AGIR Impossibilidade de se conhecer do recurso quando a matéria atacada não foi resistida pelo acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros Do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
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BASE DE CÁLCULO. VALIDADE DAS LEIS DE REGÊNCIA. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do PIS, nos termos das Leis que regem a matéria nos períodos de apuração sob exame. Inafastabilidade de lei sob argumentos de inconstitucionalidade, por força de norma regimental. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. FALTA DE INTERESSE DE AGIR Impossibilidade de se conhecer do recurso quando a matéria atacada não foi resistida pelo acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros Do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walber José da Silva – Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 16 /2 00 7- 24 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.720116/200724 Acórdão n.º 3803000.292 S3TE03 Fl. 146 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0521.263, de 22 de fevereiro de 2008, da DRJ/Campinas/SP, fls. 107 a 111, que votou pelo não reconhecimento do direito creditório em litígio e pela nãohomologação de todas as compensação declaradas, em face da manifestação de inconformidade apresentada pela impugnante, fls. 79 a 105. Por entender a contribuinte ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição e tendo levantado créditos de pagamentos a maior, transmitiu declarações de compensação. Como resultado de préanálise pelo sistema PeRDcomp, foram expedidas intimações eletrônicas, fls. 24 e 25, que, foram atendidas por meio dos esclarecimentos de fls. 07 a 10, fazendose acompanhar das cópias impressas das DComps a que referem as intimações, que derem início ao presente processo. O despacho decisório negou integralmente o reconhecimento do direito creditório e não homologou as compensações da declarante, sob os argumentos de ilegitimidade para pleitear, pela decadência dos períodos anteriores a 27 de julho de 2002 e face ao mérito de ver impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS A decisão recorrida rechaçou o fundamento da ilegitimidade para pleitear assentado pelo despacho decisório, sustentando que o ICMS não é tributo que comporta transferência jurídica do respectivo encargo financeiro; e abraçou integralmente os demais fundamentos daquela decisão quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2002 a 30/09/2005 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. ICMS. BASE DE CÁLCULO. 0 valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo do PIS. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 11 de abril de 2008 apresenta recurso voluntário, fls. 114 a 131, em 25 de abril de 2008, em que: a) afirma a diferença que existe entre os conceitos de “faturamento” e “receita”, trazido ao ordenamento jurídico pátrio por meio da EC nº 20/98, alterando as disposições do art. 195, I, da CF/88; b) não obstante a distinção, declara que o Fisco Federal modifica o conceito que a Constituição Federal adotou para definir faturamento e receitas ao entender devida a inclusão do imposto na base da contribuição; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.720116/200724 Acórdão n.º 3803000.292 S3TE03 Fl. 147 3 c) faz extenso arrazoado sobre o conceito de faturamento registrando que: · este é a contrapartida econômica auferida como riqueza própria pelas empresas em razão do desempenho de suas atividades típicas. Conquanto nessa contrapartida possa existir um componente que corresponde ao ICMS devido, ele não integra nem adere ao conceito de faturamento; · a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS leva ao inaceitável entendimento de que o sujeito passivo desse tributo “fatura ICMS”. A toda evidência, ele não faz isto. Enquanto o ICMS circula por suas contabilidades, o PIS apenas obtém ingresso de caixa, que não lhe pertence, isto é, não se incorpora a seu patrimônio, até porque destinado aos cofres públicos estaduais ou do Distrito Federal; · a integração do valor do ICMS na base de cálculo do PIS traz como inaceitável conseqüência que contribuintes passem a calcular a exação sobre receitas que não lhes pertencem. Isso levaria ao desvirtuamento do arquétipo constitucional do PIS, acarretando a criação de adicional de outro tributo, diferentemente daqueles cuja competência a Carta Suprema, em seu art. 195, inciso I, reservou à União Federal; · o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 240.785, se manifestou pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS; · inadmissível a existência da única hipótese de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, constante do art. 3º, § 2º, I, in fine, “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.”. d) o acórdão ora combatido representa abuso de autoridade que não pode subsistir, uma vez que não possui suporte jurídico, pois viola regras constitucionais; f) é de pleno direito também a contribuinte ver os supostos débitos com exigibilidade suspensa, tendo em vista o § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com o art. 48 da Instrução Normativa nº 600, de 2005. É entendimento majoritário da doutrina que “impugnação”, “manifestação de inconformismo” e “recurso voluntário” são todas espécies dos gêneros “reclamações” e “recursos”, atendendo, pois, plenamente a prescrição do inciso III do art. 151 do CTN. Assim, estando suspenso o crédito, incabível se faz qualquer espécie de cobrança, por conta de ainda não haver uma decisão administrativa definitiva; g) nos termos dos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, a decisão deve ser feita no prazo de trinta dias e, ainda, com motivação explícita. No caso o pedido de compensação é de 15 de dezembro de 2005 e o indeferimento se deu em 24/08/2007 (data da ciência), não restando dúvida, portanto, que seu pedido fora antes deferido pela inércia da Administração. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.720116/200724 Acórdão n.º 3803000.292 S3TE03 Fl. 148 4 Ao fim, requer o reconhecimento do direito creditório gerados pelo recolhimento a maior do PIS dentro do lapso temporal de 10 (dez) anos, mediante o reconhecimento da Inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo d PIS. É o relatório Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. De pronto, não há interesse de agir quanto à suspensão da exigibilidade dos débitos objetos da compensação declarada, uma vez já suspensos no cumprimento de direito legalmente assegurado, conforme demonstra a tela do SIEFcobrança, Extrato do Contribuinte, de fl. 67. Não conheço do recurso nesta parte. Por atender os demais requisitos para sua admissibilidade, conheço o recurso quanto às demais matérias. Inatacável a decisão recorrida no tocante ao pedido de deferimento tácito da declaração de compensação em razão da inércia da Administração, como pretende a recorrente desde a impugnação. Reitero os termos do contraponto que assentou: Primeiro, porque o prazo de trinta dias para decidir, previsto no art. 49 da Lei nº 9.784, de 1999, é daqueles denominados de impróprios, cujas conseqüências jurídicas não se dão dentro do processo, mas, se for o caso, no âmbito do controle da atividade administrativa. Depois, porque a Lei nº 9.784, de 1999, por expressa menção do seu art. 69, aplicase apenas subsidiariamente ao processo administrativo tributário, máxime no caso de apreciação de compensações declaradas, para o que o § 5º do art.74 da Lei nº 9.430, de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê prazo de cinco anos para manifestação, sob condição de, assim não o fazendo, ocorrer a homologação tácita. A recorrente deixou de ferir o que fora decidido pela DRJ acerca da decadência do direito de pleitear a restituição dos valores de PIS anteriores a 27 de fevereiro de 2002. Nos termos do art. 168, I, do CTN, a decisão deve ser mantida. No que tange à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, vejo que as razões de decidir, para o caso presente, prescindem de digressões em torno do conceito de faturamento, que definam sua composição exclusivamente pela venda de mercadorias e serviços, excluído, portanto, o ICMS de sua base de cálculo, na medida em que a resolução do presente conflito deve circunscreverse dentro dos lindes da legalidade, no contexto da interpretação mais consentânea com o ordenamento tributário brasileiro. Os argumentos da recorrente extrapolam este limite. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.720116/200724 Acórdão n.º 3803000.292 S3TE03 Fl. 149 5 Considerese, inicialmente, que os períodos de apuração abarcados pela origem dos créditos ora em discussão estão sob a incidência das disposições legais do art. 3º, § 2º, I, da Lei nº 9.718/98, até 30 de novembro de 2002, que permitiu a exclusão da base de cálculo do PIS do IPI e do ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; e a partir daí sob o diapasão da Lei nº 10.637/2002, que sequer determina esta exclusão. Em ambas as leis, contrapondose ao entendimento vergastado pela recorrente, há, expressamente, equiparação entre as categorias faturamento e receita bruta, esta legalmente definida como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada e independente de sua denominação. Notese que, no passo em que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional, entre outros nos RREE 357.950/RS e 346.084/PR, permaneceu incólume o § 2º do mesmo artigo. Dessumese disso que permanece a presunção de validade de sua norma, até que venha a ser infirmada em nova interpretação pelo Supremo Tribunal Federal. A questão quanto à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, como também aduz a recorrente, está elevada à categoria constitucional, no RE 240.785, que, com efeito teve votação majoritária, porém não encerrada, em razão do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes. No ínterim, o Chefe do Poder Executivo atravessou a ADC nº 18, que passou a ter precedência sobre o dito Recurso Extraordinário, em face do efeito vinculante que dela acarretará. Enquanto não for reconduzida a sua votação, prevalece o entendimento atual quanto ao fundamento constitucional de validade de ambas as retrocitadas leis que regem a matéria em discussão, nos espectros temporais de suas vigências. E diante da nova composição daquela Corte, a decidir a ADC nº 18, nem se pode ter como certo o desfecho do leading case.. No sistema brasileiro, na lição de Hugo de Brito Machado, verificase que o ICMS, como tributo indireto, onera a circulação de mercadorias e é devido pelo empresário que promove a saída do bem. O adquirente suporta o ônus tributário somente por meio do pagamento do preço, que ingressa totalmente no patrimônio do vendedor, inclusive a parcela correspondente ao ônus tributário. Assim, contrapõese à visão do Ministro Marco Aurélio, Relator no Recurso Extraordinário, segundo a qual o comerciante vendedor seria somente um intermediário entre o comprador e o Estado, um mero agente arrecadador. O debate é rico, com elevadas performances construtivas, e não se menospreze a lucidez da linha defendida pela exclusão do ICMS da base de cálculo de ambas as contribuições PIS e COFINS, mirando não se cobrar tributo em cascata, tributo sobre tributo. Mas não se pode deixar de ver que há o precedente constitucional do ICMS incidir sobre sua própria base, “por dentro”, enlaçando como um nó a questão em foco, cujo desate está posto para a Corte Suprema. Por esse passo em que se encontra a matéria, não cabe antecipar o debate que ainda ocorrerá proximamente no STF e contrapor os argumentos de cunho constitucional conduzidos no presente recurso e, aqui, estabelecer a verdade, a amplitude ou os limites do conceito de faturamento, para decidir pela exclusão ou não do ICMS da base de cálculo do PIS. Cabe, tãosó, aplicar a norma regente, reconhecendo sua validade, porquanto ainda não formalmente inquinada de inconstitucional ao não exprimir em seu bojo a exclusão do imposto de circulação, e pela impossibilidade regimental de afastála pelos fundamentos expostos no recurso. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10830.720116/200724 Acórdão n.º 3803000.292 S3TE03 Fl. 150 6 E como demonstrado pela decisão recorrida, com efeito, esta é a posição da jurisprudência nesta Corte Administrativa. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à suspensão da exigibilidade e no mérito por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2009 (Assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 11030.000579/2002-40
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2102-000.007
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA-Redator ad hoc
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Recorrida DRJ JUIZ DE FORA - MG. RESOLUÇÃO N° 3302-00.007 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros 3' Câmara / 2' Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. I i -Uka...- elLI Ct. LQ-Rit14t;£,C)7/ • dec2 --0 - SEF MARIA CpELHO,NIARQUES - PresidOle GILENO G 1 J.ÃO BARRETO - Relator I-./ 1EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. ,- ... e/ 1 1 Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.203 Relatório Por bem descrever os fatos aludidos no presente recurso voluntário transcrevi na integra o relatório da decisão recorrida. Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados os autos de infração de fls. 358/367 e 368/377 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, respectivamente, relativamente aos meses de 01/2005 a 12/2005. Em relação ao PIS foram constituídos créditos no valor total de R$ 2.100.269,91, incluídos multa de oficio e juros de mora calculados até 29/06/2007. Quanto à Cofins o auto lavrado perfaz R$ 12.924.738,95 também incluídos multa de oficio e juros de mora calculados até 29/06/2007. O enquadramento legal foi consignado às folhas 361 e 371 e também no Termo de Verificação Fiscal de folhas 347 a 357, integrante do Auto de Infração. No referido Termo o fiscal autuante detalha as razões da autuação: ... procedemos à análise das planilhas mensais de apuração da base de cálculo da COFINS do ano-calendário de 2005 (fls. 38 a 97), especificamente em relação às exclusões e deduções permitidas pela legislação tributária. Em decorrência dessa análise verificamos que durante o período em tela o contribuinte havia excluído da apuração da base de cálculo de PIS e COFINS algumas despesas que, em princípio, não estariam previstas na legislação. Desta forma, em 31/05/2007, intimamos o contribuinte «is. 98 e 99), em relação aos grupos de contas 5.3.5.59 (Contribuição s/ Excesso do Lucro Máximo - FESR), 5.5.6.61 (Despesas com Retenções Diversas) e 5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), a descrever as operações registradas nas contas, expondo o motivo, de acordo com a legislação vigente, de terem sido deduzidas na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS do ano-calendário de 2005 e apresentar cópia das folhas do livro Razão das referidas contas de despesas. Em resposta de fis. 102 e 103, encaminhada a esta Fiscalização em 15/06/2007, o contribuinte descreve as operações registradas contabilmente nas contas de resultado: a)5.3.5.59 (Contribuiç. s/ Excesso do Lucro Máximo - FESR) _Registra contribuições do IRB e/ou retrocessionárias do país, correspondentes ao excedente do lucro máximo admissivel nas operações de seguro rural, creditadas no Fundo de Estabilidade do Seguro Rural. b)5.5.6.61 (Despesas com Retenções Diversas) _Registra as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, x`. Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.204 reservas de sinistros e depósitos em moedas estrangeiras, bem como a despesa pela atribuição de rendimentos Uuros e atualização monetária) ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo IRB a seguradoras nacionais, retidas em função de condições de financiamento de empréstimos concedidos, cujo contrato prevê a retenção desses créditos. c)5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais) _ Registra mensalmente os ajustes monetários e cambiais oriundos ár eaatualizações de saldos das contas patrimoniais ligadas à ara operacional (resseguros indexados). No entender desta Fiscalização inexiste amparo legal que dê suporte ao procedimento adotado pelo IRB, em relação às operações registradas contabilmente nos grupos de contas 5.3.5.59 e 5.5.6.61, cujos valores foram excluídos da apuração da base de cálculo de PIS e COFINS e, de acordo com a descrição das operações registradas rias referidas contas, não existe qualquer semelhança com àquelas elencadas no anexo II da //V SRF 247/2002 que possam ser consideradas passíveis de exclusão. Em relação aos ajustes cambiais e monetários, contabilizados pelo IRB no grupo de contas 5.5.8.81, a legislação tributária é clara quando define que, a partir de 1° de fevereiro de 1999, na condição de receitas financeiras, as variações monetárias ativas, calculadas em função 11t a taxa de câmbio, integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COF1NS, ocorrendo o respectivo fato gerador, , mensalmente, segundo o regime de competência, sendo incabível a compensação das variações monetárias passivas. Entretanto, a partir de 1° de janeiro de 2000, de acordo com o disposto no artigo 30 da Medida Provisória n° 1.991-14, de 11/02/2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição paralo PIS/PASEP e COFINS, quando da liquidação da correspondente operação (regime de Caixa). Por opção do contribuinte, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo segundo o regime de competência. Desta forma, em 28/06/2007, fls. 230, intimamos o contribuinte a informar se as variações monetárias apuradas durante o ano- calendário de 2005, em função da taxa de câmbio, foram consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, quando da liquidação de cada operação ou segundo o regime de competência. Na mesma intimação solicitamos a apresentação de cópia das folhas do livro Razão das contas que integram o grupo 6.6.8.8I (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), referentes ao ano-calendário de 2005. Em resposta encaminhada em 03/07/2007 (fis. 231) o contribuinte informa que as variações monetárias, referentes ao ano-calendário de 2005, foram consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS segundo o regime de competência. kA9.- ,r, \ 3 Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.205 Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte (fis. 102 a 344), observamos em seu razão contábil do grupo de contas 6.6.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais) lançamentos efetuados a débito nas contas de receita, relativamente à variação monetária passiva, oriundos de lançamentos automáticos realizados pelo IRB, em decorrência da desvalorização das taxas de câmbio ou de qualquer outro índice indexador. Já em relação ao razão contábil do grupo de contas 5.5.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais), o efeito da desvalorização das taxas de câmbio ou de qualquer outro índice indexador, em relação à variação monetária ativa é verificado nos lançamentos contábeis efetuados a crédito das contas de despesas do referido grupo. 4-DO LANÇAMENTO Com base no razão contábil (fis. 104 a 229 e 232 a 344), encaminhado pelo contribuinte a esta Fiscalização, referente ao ano-calendário de 2005, e considerando as observações descritas no parágrafo anterior, efetuamos o presente lançamento de oficio com a finalidade de glosar os valores relativos à variação monetária passiva, de acordo com o disposto no art. 13 da IN SRF 247/2002, excluídos indevidamente da apuração da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS, os quais estão demonstrados em planilha de fls. 345 e 346, relativamente aos grupos de contas 5.5.8.81 e 6.6.8.81 (Ajustes Cambiais e Monetários de Saldos Operacionais). Na mesma planilha constam valores registrados nos grupos de contas 5.3.5.59 e 5.5.6.61, excluídos indevidamente pelo contribuinte da apuração da base de cálculo das contribuições, ressaltando-se que, de acordo com o art. 28 e anexo II da mesma Instrução Normativa, não existe previsão legal para essas exclusões. Cientificada em 31/07/2007, a interessada apresentou em 30/08/2007 a impugnação de fls. 380/429, na qual alegou que as exigências fiscais ora contestadas são manifestamente descabidas e arbitrárias, na medida em que o Impugnante, em realidade, submeteu à tributação todas as receitas que integram as bases de cálculo das referidas contribuições, inclusive em montantes superiores aos efetivamente devidos, sendo, portanto, titular de créditos contra a União Federal e não devedor desta, na medida em que: (1) as variações cambiais passivas deduzidas das bases de cálculo mensais das contribuições em tela, em nenhuma das competências, superaram o montante das variações cambiais ativas oferecidas à tributação; (ii) as variações cambiais ativas não constituem fato gerador das contribuições ao PIS e da COFINS, na medida em que não representam receita auferida; mas, ao contrário, constituem, mera expectativa de ganhos futuros, que podem ou não ocorrer; (iii) o Supremo Tribunal Federal já reconheceu, de forma inequívoca, a inconstitucionalidade da exigência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre a totalidade das refeitas auferidas pelo contribuinte, prevista no ssç 1 0, do artigo 3 0, da Lei n° 9.718/98; "N.4, Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.206 (iv)as exclusões efetuadas pelo Impugnante a título de: (a) contribuições sobre o excesso do lucro máximo tecnicamente admitido, cedidas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural - FESR, no valor de R$ 16.468.953,25 (dezesseis milhões, quatrocentos e sessenta e oito mil, novecentos e cinqüenta e três reais e vinte e cinco centavos); e de (b) quantias contabilizadas na conta contábil 5.5.6.61 - "despesas com retenções diversas", no valor de R$ 3.425.086,09 (três milhões, quatrocentos e vinte e cinco mil, oitenta e seis reais e nove centavos), estão em perfeita consonância com a legislação que rege as contribuições objeto da presente autuação; (v)as quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural — FESR, nos termos do art. 17 do Decreto-Lei n° 73/66 e Resoluções CNSP n°46 e 50/01, dos excedentes ao máximo admissivel tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões foram excluídas da base de cálculo das contribuições ora questionadas com amparo no disposto no art. 1°, inciso IV, item "c", da Lei n° 9.701/98 e IN SRF n° 247/02, em seu art. 28, inciso III. A legitimidade desta exclusão resta ainda mais evidente ao se analisar o anexo II da citada Instrução Normativa, invocado, de forma completamente inócua, pela própria fiscalização para alicerçar o lançamento efetuado; (vi)a conta contábil 5.5.6.61 - "Despesas com retenções diversas" tem por função, na contabilidade do Impugnante, registrar as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, reservas de sinistros, depósitos em moeda estrangeira, e, ainda, ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo Impugnante a seguradoras nacionais - indenizações por sinistros de que é responsável na qualidade de retrocessionária, por exemplo -, retidas para fins, dentre outros, de constituir consórcios destinados à pulverização de riscos relevantes. (vii)ainda que se entenda como devidas as glosas dos valores excluídos pelo Impugnante a título de: (a) contribuições sobre o excesso do lucro máximo tecnicamente admitido, cedidas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural - FESR e de (b) quantias contabilizadas na conta contábil 5.5.6.61 — "despesas com retenções diversas", acabou-se por fazer incidir as referidas contribuições sobre receitas que na verdade não são próprias, mas de terceiros, por força, inclusive, de disposição de lei, o que ilegalmente desvirtua Irzs hipóteses de incidência das respectivas contribuições. Tais receitas pertencem ao fundo ou às seguradoras consorciadas e não ao Impugnante e da mésma forma que ingressam são integralmente repassadas. Como se vê, tais quantias não integram o patrimônio do Impugnante e em conseqüência, Impugnante é credor e não devedor de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. (viii)considerando-se que o Impugnante tributou indevidamente as receitas de terceiros ingressadas em seu patrimônio, no momento do respectivo ingresso, e só procedeu sua exclusão quando do seu repasse aos seus efetivos titulares, há que se reconhecer o seu direito de recuperar, via compensação ou restituição, o montante correspondente aos juros de mora devidos no período compreendido entre o pagamento (indevido) das contribuições calculadas sobre receitas de Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.207 terceiros e a efetiva exclusão de tais quantias, quando de seu repasse aos seus efetivos titulares. O acórdão n° 13.18803 da 4° Turma da DRJ Rio de Janeiro II de 23 de novembro de 2007 decidiu no sentido de negar provimento às pretensões da recorrente in totum, no qual consta a seguinte ementa.: - VARIAÇÃO CAMBL4L. REGIME DE COMPETÊNCIA. Até dezembro de 1999, o regime de competência era utilizado como regra de tributação para a Cofins e para o PIS sobre as receitas provenientes de variações monetárias, seja em função da taxa de câmbio, seja em função de outros índices aplicáveis por disposição legal ou contratual. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE CAIXA. A partir de 01 de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações em função da taxa de câmbio serão consideradas para efeito de determinação da base de cálculo da Cofins segundo o regime de caixa ou, à opção do contribuinte, segundo o regime de competência. O regime de apuração da variação cambial (caixa ou competência) deve ser aplicado igualmente ao IRPJ, à CSLL, à Cofins e à contribuição para o PIS em todo o ano-calendário. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE - Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. BASE DE CÁLCULO COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES. Na apuração da base de cálculo da Co fins devem ser consideradas somente as exclusões e deduções permitidas na legislação tributária. COMPENSAÇÃO - COMPETÊNCIA - Não compete às DRI manifestar-se acerca de pedidos de compensação, exceto nos casos de inconformidade do contribuinte quanto à decisão da autoridade competente, quando instaurado o litígio no prazo legal. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, por isso dele o conheço, e passo a apreciá-lo. (— \ 6 Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.208 Apreciá-lo-ei em ordem inversa daquela apontada no acórdão recorrido, para facilitar o raciocínio desse julgador. 1. Exclusões e deduções da base cálculo Das quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural No que se refere à exclusão das quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural, a impugnante fundamenta-a invocando o art. 28, inciso III, da IN SRF n° 247/02, abaixo transcrito, e no seu anexo de n° II. Art. 28. As empresas de seguros privados, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir ou deduzir da receita bruta o valor: 1— do co-seguro e resseguro cedidos; II — referente a cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados como receitas; III — da parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; e IV— referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, • efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de co-seguros e resseguros, salvados e outros ressarcimentos. Parágrafo único. A dedução de que trata o inciso IV aplica-se somente às indenizações referentes a seguros de ramos elementares e a seguros de vida sem cláusula de cobertura por sobrevivência. Resta-nos avaliar se as quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural enquadram-se na qualificação de "parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas". Argumenta a recorrente que o art. 17 do Decreto-Lei n° 7 /66; art. 10 da Resolução CNSP n° 46/01 e art. 30 da Resolução CNSP O 50/01, in verbis, fundamenta sua pretensão à exclusão: Decreto-Lei n° 73/66 • Art 17. O Fundo de Estabilidade do Seguro Rural será constituído: a) dos excedentes do máximo admissivel tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões, segundo os limites fixados pelo CNSP; b) dos recursos previstos no artigo 23, parágrafo 3 0, dêste Decreto-lei; (Redação dada pelo Decreto-lei n°296, de 1967) c) por dotações orçamentárias anuais, durante dez anos, a partir do presente Decreto-lei ou mediante o crédito especial necessário para cobrir a deficiência operacional do exercício anterior. (Redação dada pelo Decreto-lei n° 296, de 1967). RESOLUÇÃO CNSP N° 46, DE 2001. 7 Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.209 Art. 10. As sociedades seguradoras efetuarão contribuições ao Fundo de Estabilidade do Seguro Rural - FESR em função do resultado positivo em cada exercício nas modalidades garantidas pelo Fundo, de acordo com os seguintes percentuais: - seguros agrícola, pecuário, aqükola e de florestas - 30% ( trinta por cento); e II - seguro de penhor rural - instituições financeiras públicas e instituições financeiras privadas - 50% (cinqüenta por cento). Art. 11. As sociedades seguradoras poderão recuperar do Fundo de Estabilidade do Seguro Rural - FESR, a cada trimestre, a partir do início do exercício, a parcela de seus sinistros retidos, nos seguros agrícola, pecuário, aqüícola e de florestas, que exceder a (1-CC-DA) x prêmios ganhos, limitada a 50% (cinqüenta por cento) x (1-CC-DA) x prêmios ganhos, considerando sempre os últimos três meses de sinistros, prêmios e recuperações do exercício em curso. Parágrafo único. As siglas CC e DA designam, respectivamente, a parcela correspondente às comissões de corretagem, incluída a despesa de angariação, quando houver, e despesas administrativas, por unidade de prêmio emitido. • RESOLUÇÃO CNSP N° 50, de 2001. Art. 3 0 O IRB-Brasil Resseguros efetuará contribuições e recuperações ao FESR em função de seu resultado, nas mesmas bases estabelecidas para as sociedades seguradoras na Seção II do Capítulo IV da Resolução CNSP n o 46, de 2001, exclusivamente, para o resseguro proporcional, quota parte e/ou excedente de responsabilidade, das operações de seguro habilitadas à garantia do FESR. A douta autoridade argumenta que "o repasse ao FESR é função do resultado obtido nas operações de seguro nas modalidades garantidas pelo fundo, quando este excede a um limite máximo que veio a ser definido pela Resolução CNSP N° 46, de 2001", e que portanto, não se trataria de repasse de parcela dos prêmios recebidos para fins de constituição de provisão ou reserva técnica, mas de repasse a fundo cuja contribuição ou recuperação fica na dependência de posterior apuração de resultados. A douta fiscalização, no entender desse julgador, não logrou comprovar o contrário, mas apenas concluiu que, em se tratando de resultado, não poderia ser deduzido da base de cálculo das contribuições em comento. Mais ainda, este julgador entende de forma distinta. Quanto há repasse de resultado, a legislação regulatória determina a que base de cálculo desse repasse é o resultado. Não impede que haja resultado, mas que esse será a base do repasse para o fundo, que aliás cumpre função econômica específica, qual seja a de garantir a segurança do seguro rural, e a entidade, como sociedade de economia mista, cujo principal acionista é a União, é utilizada como instrumento para a consecução de políticas econômicas. Processo n0 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.210 O legislador ao determinar modo especifico de apuração das bases das contribuições para as instituições financeiras e seguradoras não poderia fazê-lo restrita ao resultado apurado. Fosse assim, muito mais fácil seria tributar pelas contribuições o próprio lucro contábil ao final do ano. Esse sim, seria o resultado real. Não. Pretendeu tributar as receitas correntes mas, no caso dessas instituições, por não serem esses resultados realizáveis imediatamente, mereceram atenção especial para excluir da base de cálcyo determinadas receitas não realizadas e despesas necessárias à consecução ou correlatas a outras receitas. Por isso, esse repasse de valores ao dito Fundo, muito embora não esteja prevista ipsi litteris na IN n° 247/2002, pode sim enquadrar-se nas receitas ou rendas não realizadas, posto que obviamente repassadas, até o seu retorno ao Instituto, quando não ocorrer a materialização do risco do fundo. Nesse momento, tributada seria. Finalmente, não foi observado pelo douto auditor o Decreto-lei n° 73/66, que "dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, regula as Operações de Seguros e Resseguros e dá outras providências." Estabelece a lei em capitulo especifico que: "Art. 16. É criado o Fundo de Estabilidade do Seguro Rural, com a finalidade de garantir a estabilidade dessas operações e atender à cobertura suplementar dos riscos de catástrofe. Parágrafo único. O Fundo será administrado pelo IRB e seus recursos aplicados segundo o estabelecido pelo CNSP. Art. 17. O Fundo de Estabilidade do Seguro Rural será constituído: a) dos excedentes do máximo admissivel tecnicamente como lucro nas operações de seguros de crédito rural, seus resseguros e suas retrocessões, segundo os limites fixados pelo CNSP; b) dos recursos previstos no art. 123, § 3°, deste Decreto-Lei; c) por dotações orçamentárias anuais, durante dez anos, a partir do presente Decreto-Lei, ou mediante o crédito especial necessário para cobrir a deficiência operacional do exercício anterior. Art. 18 (Revogado pela Lei Complementar n°126, de 15/01/2007). Art. 19. As operações de Seguro Rural gozam de isenção tributária irrestrita de quaisquer impostos ou tributos federais. "(grifo nosso) Pelo exposto, incorreta a autuação no tocante à glosa das deduções relativas às quantias repassadas ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural. Das "despesas com retenções diversas" A impupante fundamenta a possibilidade de dedução/exclusão das despesas contabilizadas na conta em referência nos mesmos dispositivos legais que fundamentaram sua pretensão em deduzir as contribuições ao Fundo de Estabilidade de Seguro Rural. orei / Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.211 Destaca ainda a impugnante que o anexo II da Instrução Normativa SRF n° 247/02 prevê a possibilidade de se deduzir das bases de cálculo do PIS e da Cofins os "prêmios de co-seguros cedidos a congêneres" e os "prêmios de resseguros cedidos", hipótese em que se enquadram as exclusões indevidamente glosadas pela fiscalização. De fato, com bem entendeu a douta fiscalização, a legislação de regência prevê a possibilidade de dedução/exclusão dos "co-seguro e resseguro cedidos". Menciona contra a contribuinte sua própria explicação da conta contábil:: "a conta contábil em referência tem por função, na contabilidade do Impugnante,- registrar as despesas realizadas com a atribuição de rendimentos aos fundos, consórcios, reservas de sinistros, depósitos em moeda estrangeira, e, ainda, ao saldo das retenções de importâncias devidas pelo Impugnante a seguradoras nacionais - indenizações por sinistros de que é responsável na qualidade de retrocessionária, por exemplo -, retidas para fins, dentre outros, de constituir consórcios destinados à pulverização de riscos relevantes." Para ele, essa conta seria utilizada para o lançamento de "despesas de naturezas diversas", aliás expressão que não a vi, "não sendo possível afirmar, a partir da descrição apresentada, que todas estas despesas pertencem à categoria "co-seguro e resseguro cedidos'. Ora, se essa conta é utilizada para despesas de natureza variada dentro da contabilidade, e que não se poderia afirmar que todas elas pertencessem à categoria de co- seguro e resseguro cedidos, o fiscalização deveria lograr cumprir seu dever de.... fiscalizar, e não atribuir a todas as despesas a indedutibilidade. Como não pode haver tributação sem base de cálculo, e restando incerteza quanto a este caso, concluo que não poderia a fiscalização requerer crédito tributário sem a adequada segregação da natureza das despesas durante o curso do procedimento. Das receitas de variação cambial No que se refere às receitas de variação cambial é necessário, as variações monetárias passaram a ser tratadas, sendo o caso, como receitas financeiras e tributadas pelo PIS e pela Cofins, por força dos artigos 2°, 30 e 90 da Lei 9.718/98,: "Art 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso." (grifou-se) Assim, nos termos do artigo 9° acima transcrito, a variação monetária dos direitos de crédito, seja em função da taxa de câmbio ou de outros índices ou coeficientes legais ou contratuais têm a natureza de receita financeira, devendo compor a base de cálculo dos impostos e contribuições. Certamente. Porém, dois fatos, ou melhor, três, devem ser aqui considerados antes de imputar a tributação sobre tais valores. n 10 \\ Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.212 Primeiro, que a IN n° 247/2002 é regime especial de apuração tributária, e considerou que as instituições financeiras e seguradoras naturalmente, pela sua atividade, teriam resultados financeiros não realizados, apenas isso acontecendo na liquidação das operações que se lhes deram causa. E mais, no Anexo II, sequer separa as variações cambiais, tratando-as todas como receitas financeiras. Ora, e as receitas financeiras são tratadas por regime de caixa pelo Anexo II da referida IN, independente da sua espécie, se em reais ou se decorrentes da variação de moeda estrangeira, aliás como claramente demonstrado pelo acórdão recorrido o foi pela Lei n° 9.718/98. Logo, tributá-las da forma como pretende a douta fiscalização é impossível. O segundo fato é o de que pesquisando o Poder Judiciário, não pude perceber contestação da Lei n° 9.718/98 pelo Instituto. Em verdade, ironia que uma entidade pertencente à União tenha se abstido de contestar a Lei, e a mesma União agora exija tributo sob a égide dessa lei.. Outrossim, claramente o dispositivo no qual inserir-se-ia tais receitas, caso ainda se pretendesse tributá-las fora declarado inconstitucional. Diante do disposto no art. 23 da MP n° 449/2009, que acresce o art. 26-A ao DL nO 70.235-72, litteris: "art. 26-A. No âmbito do preocesso administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § único. O dispositivo no caput não se aplica ao caso de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1— que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (-.)" O terceiro fato refere-se à inconstitucionalidade posterior do § 3° da Lei n° 9.718/98. Nesse sentido, conquanto ainda reste controvérsia acerca do tema acerca da tributação das receitas financeiras, reconheço-a no caso da contribuinte, como sendo de natureza diversa da sua finalidade, ou seja, de outra receita. E tendo o STF julgado tal dispositivo inconstitucional, estando essas rendas ai enquadradas, entendo que não deve ser exigido tal tributo. Finalmente, para afastar qualquer dúvida quanto os argumentos utilizados pela douta utilização quanto à necessidade de acompanhamento do regime de competência, assumido pela contribuinte, pelo PIS e COFINS, vejamos a IN n° 345, ainda em vigor: Art. 1° Para fins de apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Ilda Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Ira" ( 11 I) Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.213 PIS/Pasep, a pessoa jurídica optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido ou pela tributação na forma do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas à medida do recebimento e, por opção ou obrigatoriedade, passar a adotar o critério de reconhecimento de suas receitas segundo o regime de competência, deverá reconhecer no mês de dezembro do ano-calendário anterior àquele em que ocorrer a mudança de regime as receitas auferidas e ainda não recebidas. Omissis" Nesse dispositivo, menciona o caso de quem está no lucro presumido ou no Simples. Não é o caso de uma seguradora, ou resseguradora. Ai vem o artigo 2°: Art. 2° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. § 1 0 À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o caput poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, segundo o regime de competência. § 2°A opção prevista no § 1 0 aplicar-se-á a todo o ano-calendário. § 3° Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias previsto no caput para o regime de competência, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em 31 de dezembro do período de encerramento do ano precedente ao da opção, as variações monetárias incorridas até essa data, inclusive as de períodos anteriores. § 4° Na hipótese de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias pelo regime de competência para o regime previsto no caput, no período de apuração em que ocorrer a liquidação da operação, deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL as variações monetárias relativas ao período de 1 0 de janeiro do ano-calendário da opção até a data da liquidação. § 5° As variações monetárias relativas a anos-calendário anteriores ainda não computadas em virtude de mudança de critério de reconhecimento em data anterior à da publicação desta Instrução Normativa deverão ser computadas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL até 31 de dezembro de 2003. Como se vê, regulou a IN a mudança de opção para o IRPJ e a CSLL. Aliás para o que há campo específico na DIPJ. E não o fez para o PIS e a COFINS. Ainda que haja previsão legal para a opção conjunta, ela é aplicável para aquelas pessoas jurídicas que têm a tributação pela não-cumulatividade atrelada ao lucro real. Não é o caso das instituições financeiras ou seguradoras. E porquê ? porque são as únicas instituições que estão no lucro real e no regime cumulativo ao mesmo tempo. ç"-W"—N 12 '1„, Processo n° 10665.001433/2005-35 S3-C3T2 Resolução n.° 3302-00.007 Fl. 1.214 Do pedido de restituição / compensação Por fim, com relação à solicitação de restituição/compensação de indébitos, concordo com a douta autoridade que não se inclui na competência deste órgão julgador apreciar qualquer questionamento acerca de compensação, uma vez que se trata de medida extintiva de crédito tributário e não constitutiva, exceto no caso previsto nos artigos 174 e 175 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, ou seja, quando instaurado o litígio, no prazo legal Isso posto, voto no sentido de dar provimento, no mérito, as pretensões da contribuinte, exceto quanto ao requerimento de restituição ou de compensação 1 constante do seu pedido. / / GILENQ GURJAOSARRETO / - • 13
score : 1.0
Numero do processo: 10880.002046/90-33
Data da sessão: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS FATURAMENTO - Ex. 195
DECORRÊNCIA
Tratando-se de lançamento reflexivo, a
decisão proferida no processo matriz se
aplica ao julgamento do processo decorrente,
dada a intima relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.317
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Ursula Hansen
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Sessão de 20 de outub,to de 1995 Aeordão n. 102-30. 3 17 RECURSO n. 88.289 - PIS Faturarnento - Ex.: 1986 RECORRENTE PANIFICADORA DA VILLA LTDA.. RECORRIDA DRF em SÃO PAULO, SP PIS FAIURAMENTO - Ex. 195 DECORRÊNCIA Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro. VíA. tv, te-eatadoá e dí4cutído 04 pAe3ente4 auto4 de tecán30 ínteApoisto poit PANIFICAPORA DA VILA LTDA. ACORDAM v4 Membto3 dá Segunda Camata do Piucme.uto Con3e-ao de ContAíbuínte4, poit unanímídade de voto3, Aefeíta/L a loteUm-cnat e, no mEníto, negat ptovímen.to ao tecuit40. Sa.ea da-5 Se43EYe4, em 20 de outub/to de 1995 ANTONIO DE FR AITAS DUTRA - PRESIDENTE n URSULA HAiiSÉ -N- - RELATORA —474- VISTO EM LOUREMBERG RIBEIRO NUNES ROCHA - PROCURADOR DA FA ZENOA NACIONAL — SESSÃO DE: 20 OUT 1995 Paittícípanam, aínda, do lote4ente fui.gamen-ro o3 4egLne4 Con-, 4e-eheítois: Waidevan Ai.veÁ de Olíveíita, Jo3J Cl jv14 A,eve3, Ma- . iLía Cl jlía de Anatade Figueíitedo,iilíío Ce-,ait. Gome da Sítva, lo3J Cato Pcu3ue/i,o e Suelí Eáíg jnía Mendes de Biuctto. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 103801002,046/90-33 RECURSO a. 88.289 ACORDÀ0 n. 102- 3 0 . 317 RECORRENTE PANIFICADORA DA VIDA LTDA. RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de fls. 06 e anexos, lavrado contra PANIFICADORA DA VIDA LTDA., CGC n. 62.568.704/0001-12, jurisdicionada à Delegacia da Receita Federal em São Paulo, SP, formalizando a exigência de PIS Faturamento, relativa ao exercicio de 1986, no valor de 15,33 BTNF e correspondentes gravames legais. O lançamento, com base na alínea "b" do artigo 3o. e artigo 6o. parágrafo único da Lei Complementar n.7/70, c/c o parágrafo único do artigo lo. da Lei Complementar 17/73, e Regulamento do PIS/PASEP, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto de Renda - Pessoa Juridica, confoi me demonstrado no processo 10880/002.050/90-19. inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, em 19/01/90, sua impugnação de fts. 08/09, com os anexos de fls. 10/15, fundamentando suas alegações nas razões apresentadas no processo matriz. A decisão de primeira instância, foi proferida às fls. 21/22, e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular em 04/12/90 (fls.24), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 28/12/90, reiterando, em suas Razões, juntadas às fls. 26, com os anexos de fls. 27/42, os argumentos formulados na fase impugnatória. O recurso é lido integralmente em Plenário. É o relatório./ ' 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO o. 10880/002.046/90-33 ACÓRDÃO n. 102- 30 . 317 VOTO Conselheira Ursula Hansen - Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n. 10880/002.050190-19. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 07 de julho de 1992, após rejeitadas as preliminares, foi julgado improcedente, conforme faz certo o Acórdão n. 102-27.139; Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente, após reapresentar as preliminares já arguidas e refutadas no processo referente ao Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, revela seu reconhecimento de que a exigência fiscal decorre daquela foilnalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova que infirmasse o acerto da decisão proferida; Considerando o principio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Voto no sentido de, rejeitadas as preliminares ar guidas, negar-se provimento ao recurso. BRASÍLIA, DF, 20 outubito d e 1995 / /// URSUL kiANSEN - Relatora 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10715.008064/2008-11
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. Antecipado o julgamento para o dia 18 de março no período matutino a pedido da recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. Antecipado o julgamento para o dia 18 de março no período matutino a pedido da recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407. Antecipado o julgamento para o dia 18 de março no período matutino a pedido da recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 80 64 /2 00 8- 11 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3801005.319 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo e Flavio de Castro Pontes Fl. 182DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3801005.319 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.008064/200811 contra o acórdão nº 0727.092, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de janeiro de 2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 25.000,00, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n° 37/66. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através das Declarações de Exportação (DE’s) listada no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no artigo 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizado a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo não cumprimento do prazo de informação dos dados de embarque no SISCOMEX. Regularmente cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que a SRF equivocouse ao enquadrar a conduta da impugnante no artigo 107, IV, "e", o qual imputa multa de R$5.000,00 por informação intempestiva de veiculo ou carga nele transportada, isso porque existe previsão legal especifica, portanto aqui aplicável, acerca de mercadoria transportada não manifestada ou informada a SRF na forma e prazo estabelecidos legalmente. A previsão legal especifica seria o artigo 107, inciso XI, alínea a. Portanto tendo em vista a inexistência do cumprimento das formalidades legais para a lavratura do presente auto de infração que impossibilita o direito de defesa ampla e do contraditório, requer que o auto de infração deve ser declarado nulo. Se esse não for o entendimento , penalizar a impugnante no termos do artigo 107, inciso XI, alínea "a" do Decreto n° 37/66 o qual se refere a imposição de multa no valor de R$100,00 por carga não manifestada.. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3801005.319 S3TE01 Fl. 5 4 Período de apuração: 28/01/2004 a 23/02/2004 EMENTA DISPENSADA. Estão dispensados de ementa os acórdãos resultantes de julgamento de processos fiscais de valor inferior R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), na forma do artigo 1°, inciso I, da Portaria SRF n° 1364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 2 A recorrente espontaneamente inseriu todas as informações de embarque de mercadorias o Siscomex, por esse motivo não deve ser penalizada pela suposta infração; 3 O Siscomex apresenta falhas técnicas, que por diversas vezes geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo arcar com pesadas multas em virtude de um atraso; 4 A inexistência de embaraço à fiscalização, bem como necessária desoneração das exportações e também nítida violação à finalidade do ato administrativo, eis que não ocorreu qualquer prejuízo ao Fisco ou ao interesse público, sendo a multa em questão desvinculada do aumento à fiscalização ou arrecadação de tributos; 5 A denúncia espontânea é aplicável a todas as penalidades de natureza administrativa, exceto com relação ao perdimento. É o sucinto relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3801005.319 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3801005.319 S3TE01 Fl. 7 6 dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicarin casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3801005.319 S3TE01 Fl. 8 7 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso, sendo que e passo a analisar as demais matérias passam a ser prejudicadas. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.008064/200811 Acórdão n.º 3801005.319 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/05/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELL OSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 15374.001246/99-13
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1996
Ementa: IRPJ-CSLL- PIS e COFINS- INTIMAÇÃO- NOTIFICAÇÃO-MANDATO APARENTE-IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA-ARTIGO 23, I DO DECRETO 70.235/1972 - REPRESENTANTE LEGAL - PREPOSTO- EFETIVAÇÃO DA CITAÇÃO POR EMPREGADO SEM PODERES DE DECIDIR- SÚMULA CARF Nº 9. É possível a citação de empresa em pessoa que se apresentando com poderes de gerência recebe a fiscalização, acompanha e auxilia seus trabalhos e recebe o auto de infração nada apondo a respeito da falta de poderes de representação.
Numero da decisão: 9101-001.664
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: IRPJCSLL PIS e COFINS INTIMAÇÃO NOTIFICAÇÃOMANDATO APARENTEIMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVAARTIGO 23, I DO DECRETO 70.235/1972 REPRESENTANTE LEGAL PREPOSTO EFETIVAÇÃO DA CITAÇÃO POR EMPREGADO SEM PODERES DE DECIDIR SÚMULA CARF Nº 9. É possível a citação de empresa em pessoa que se apresentando com poderes de gerência recebe a fiscalização, acompanha e auxilia seus trabalhos e recebe o auto de infração nada apondo a respeito da falta de poderes de representação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 12 46 /9 9- 13 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15374.001246/9913 Acórdão n.º 9101001.664 CSRFT1 Fl. 345 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e eu, Susy Gomes Hoffmann. Relatório A Contribuinte, ora Recorrente, teve lavrados autos de infração em que se apurou possível omissão de receitas referente ao anocalendário 1996, exercício 1997 (fls.67/90). A ciência dos respectivos autos foi dada pelo Sr. Zevs Ghivelder. Decorrido o prazo sem apresentação de impugnação, teve a Recorrente seus débitos inscritos em dívida ativa da União, fls. 122/146. Inconformada, apresentou impugnação, contra a inscrição dos débitos em dívida ativa (fls.154/155), e pugnou pela anulação de todos os atos de cobrança (fls.175/176), alegando cerceamento de defesa uma vez que não tomou ciência dos autos. Ao se manifestar sobre a impugnação apresentada pela Recorrente, a autoridade autuante, informou (fls.169), que o senhor Zevs Ghivelder signatário da ciência nos autos, também tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização e ainda acompanhou todos os trabalhos de fiscalização, se fazendo acompanhar pela Senhora Eliane Israel Feldman, sócia gerente da empresa, sempre no domicílio fiscal da empresa.. Encaminhado os autos a Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro, decidiu o Delegado, por reintimar a Recorrente, para ciência dos lançamentos, o que se deu em 29/11/2001, e consequente reabertura de prazo para impugnação. Em julgamento realizado pela DRJ/RJ, acordaram os julgadores em por unanimidade de votos não tomar conhecimento da impugnação e considerar definitivamente constituído o crédito tributário oriundo do auto de infração. Inconformada, apresentou a recorrente recurso voluntário, pleiteando preliminarmente a nulidade da decisão de primeira instância e no mérito pugnou pela improcedência do auto de infração com o consequente cancelamento de seus lançamentos e cobranças. O Primeiro Conselho de Contribuintes, por intermédio de sua Quinta Câmara ao julgar o presente recurso (244/247), acordou por unanimidade de votos em anular a decisão de primeira instância, nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NORMAS PROCESSUAIS – É nula a decisão de primeira instância que não se pronuncia sobre despacho de Delegado da Receita Federal reabrindo prazo para oferecimento de impugnação. Acolhendo o disposto pela decisão supra, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro, por intermédio de sua 2ª Turma, novamente julgou a matéria (fls.260/271), acordando por maioria de votos que a impugnação apresentada pela recorrente não deve ser conhecida e os créditos tributários devem ser definitivamente constituídos. Eis a ementa: Fl. 369DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15374.001246/9913 Acórdão n.º 9101001.664 CSRFT1 Fl. 346 3 CITAÇÃO. PREPOSTO É válida a citação feita na sede da empresa a pessoa que se apresenta como seu responsável, principalmente se esta mesma pessoa acompanhou todo o trabalho da Fiscalização, inclusive fornecendo documentos nos quais é identificada como gerente, diretor e representante da pessoa jurídica, e se os responsáveis legais da empresa permanecem silentes, quanto a este fato, demonstrando assim sua aquiescência. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA É intempestiva a impugnação apresentada após 30 dias contados a partir do dia seguinte à ciência dos autos. Irresignada com a decisão que novamente considerou válido o lançamento e não conheceu a impugnação por ela apresentada, interpôs a Contribuinte novo Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, que pela sua Quinta Câmara, acordou, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso (fls.296/303), nos seguintes termos: LANÇAMENTO CIÊNCIA VALIDADE – É, válida a citação feita na sede da empresa à pessoa que se apresenta como seu representante legal, principalmente se esta mesma pessoa acompanhou todo o trabalho da Fiscalização, inclusive fornecendo documentos nos quais é identificada corno diretor e, representante da pessoa jurídica, e se os responsáveis legais da empresa permanecem silentes quanto a este fato, demonstrando assim sua aquiescência. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA É intempestiva a impugnação apresentada após o decurso de 30 (trinta) dias contados da ciência valida do lançamento. Alegando a existência de divergência de entendimento na matéria apreciada pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, impetrou a Contribuinte Recurso Especial de Divergência. Para tanto, colacionou aos autos o acórdão paradigma (fls.328/330) que assim restou ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOCIEDADE ANÔNIMA. INTIMAÇÃO INVÁLIDA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Sendo inválida a intimação do lançamento, porque feita a pessoa que não é representante legal da contribuinte, se impõe a declaração de nulidade do lançamento, que sequer se aperfeiçoou (Acórdão 10322623, Processo nº 19515.001403/200355, Terceira Câmara do Conselho de Contribuintes). No mérito, pugnou pelo conhecimento e provimento do recurso, para reformar o acórdão recorrido e determinar o julgamento do mérito da impugnação de fls. 196/203. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15374.001246/9913 Acórdão n.º 9101001.664 CSRFT1 Fl. 347 4 Eis o relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. Cingese a presente controvérsia em estabelecer se a notificação feita pela Receita Federal do Rio de Janeiro ao Senhor Zevs Ghivelder, pode ser considerada válida para efeitos de notificação da Contribuinte LEPAN ASSESSORIA DE MARKETING COMERCIAL LTDA . Para tanto, tornase imperiosa a análise de alguns dispositivos legais. O artigo 23 do Decreto 70.235/72, estatui: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Dispõe a Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Como se pode apreender, constituí entendimento pacificado neste Conselho, que a citação feita por via postal e assinada por pessoa que não seja o representante legal da empresa, é válida. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15374.001246/9913 Acórdão n.º 9101001.664 CSRFT1 Fl. 348 5 Assim, para que a notificação seja considerada, deve ela ser realizada no domicílio fiscal eleito pelo Contribuinte e conter assinatura de seu recebedor. Esses com certeza são os fatores preponderantes para sua efetivação. No presente caso, a notificação não foi realizada por via postal, mas pessoalmente no domicílio fiscal da Contribuinte, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Rio de Janeiro, como atesta o documento de fls. 169. Portanto, configurados estão todos os requisitos necessários para que a notificação seja considerada válida. Ademais, importante frisar que no presente caso a notificação não se realizou por via postal, mas pessoalmente, ou seja, ela foi além do necessário para ser considerada. E isso, com certeza traz a presente controvérsia uma certeza ainda maior de que as garantias da ampla defesa e do contrário foram respeitadas pela Autoridade Fiscal e conferidas ao Contribuinte, não ocasionando assim nenhum prejuízo ou impedimento a sua atuação e exercício do sagrado direito de defesa. Outrossim, ao presente caso, deve–se aplicar a teoria da aparência, pois, como ficou demonstrado às fls.169 dos autos, agiu a autoridade fazendária de boafé ao intimar o Senhor Zevs Ghivelder, que em todos os momentos se comportou como representante da empresa, constando inclusive em alguns documentos da Contribuinte como seu representante. O Senhor Zevs Ghivelder, que foi quem assinou a notificação (recebedor), além de ter acompanhado e auxiliado em todos os trabalhos da fiscalização que resultou no presente auto de infração, foi também quem assinou na qualidade de representante legal da empresa a Declaração do Imposto de Renda do ano de 1996, é o que afirma o Auditor às fls.196 dos autos.. Assim, embora não conste seu nome no contrato social da empresa como representante, ou esteja registrado como gerente ou empregado, em todas as etapas da fiscalização agiu como se assim o fosse, o que da ensejo a aplicação da teoria da aparência. Esse tem sido o entendimento majoritário dos Tribunais e do CARF, vejamos: Fl. 372DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15374.001246/9913 Acórdão n.º 9101001.664 CSRFT1 Fl. 349 6 AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. CITAÇÃO REALIZADA NA PESSOA DE FUNCIONÁRIO DA EMPRESA. TEORIA DA APARÊNCIA. VALIDADE. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICOPROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA. IMPROVIMENTO. 1. Com base na teoria da aparência, é válida a citação realizada na pessoa que se identifica como funcionário da empresa, sem ressalvas, não sendo necessário que receba a citação o seu representante legal autorizado. In casu, salientese ademais que a funcionária, a quem foi entregue o comunicado citatório, trabalha na área jurídica da empresa, o que afasta qualquer alegação de ignorância acerca da conhecimento sobre a relevância e a natureza de aludido ato. Precedentes. (...) (STJ AgRg no AREsp 47065/MG, Relator Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, julgado em 16/4/2013). E ainda: AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. NULIDADE. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. RECEBIDA POR PESSOA QUE SE IDENTIFICA COMO REPRESENTANTE LEGAL. PRETENSÃO DE MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 7 E 83/STJ. 1. Este Superior Tribunal de Justiça tem entendimento consolidado no sentido da validade da citação de pessoa jurídica, quando recebida por pessoa que se identifica como sua representante legal, mas deixa de ressalvar que não possui poderes para tanto, prevalecendo, na espécie, a teoria da aparência. 2. Rever o entendimento firmado no aresto recorrido, que admitiu a pessoa que recebeu a citação como representante legal da instituição financeira, requer, necessariamente, o revolvimento de matéria fáticaprobatória, circunstância vedada nesta sede especial, nos termos do enunciado sumular n. 7 desta Corte Superior de Justiça. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 15374.001246/9913 Acórdão n.º 9101001.664 CSRFT1 Fl. 350 7 3. Acórdão recorrido que se encontra em consonância com o entendimento consolidado nesta Corte, incidindo ao caso o óbice previsto na Súmula 83/STJ. 4. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. (STJ, AgRg no REsp 1226161/SP, Relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 9/4/2013) Desta feita, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte para considerar válida a intimação realizada pela Autoridade Fazendária. Sala das Sessões, em 15 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 374DF CARF MF Impresso em 06/11/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN
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