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Numero do processo: 10580.726619/2009-64
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.025
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: AMARYLLES RELNALDI E HENRIQUES RESENDE
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LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 240DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 241 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 17 a 22, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, 2006, 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$40.940,58, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar Estadual n° 20, de 08 de setembro de 2003. IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 28 a 97), acatada como tempestiva. Alegou, em apertada síntese, que os rendimentos recebidos a título de URV têm caráter claramente indenizatório desde sua gênese, não representando aumento patrimonial e, consequentemente, verba tributável. Pondera que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, dispõe acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Ademais, o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu Fl. 241DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 242 3 sua obrigação e gerou para a contribuinte o dever de pagar mais imposto, gerando a quebra da capacidade contributiva da signatária. Questiona a multa de ofício e os juros de mora alegando que não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, mas tãosomente se baseou nas informações prestadas pela fonte pagadora. Discute a forma de tributação, discordando do cômputo isolado das diferenças em questão, sem a consideração dos rendimentos e das deduções já declarados e sem levar em consideração que a alíquota vigente nos anos de 1994 e 1998 era de 25%. Por fim, defende que os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 3ª Turma da DRJ Salvador/BA, conforme Acórdão de fls. 119 a 125, julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 23/09/2010 (fls. 129), a contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 99), apresentou, em 15/10/2010, o Recurso de fls. 131 a 219. Principia tecendo considerações acerca da instituição da URV e buscando demonstrar que a correção, nos moldes em que deveria ter sido efetuada, à época, não ocorrera, motivando a interposição de ação judicial. Anos depois, houve a Edição da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, reconhecendo a natureza indenizatória das referidas diferenças. O Estado da Bahia, o devedor da obrigação legal e processual, expressa em título executivo judicial, credor do Imposto de Renda incidente sobre os salários pagos a seus servidores, abriu mão da arrecadação do imposto daí decorrente. Dessa forma, não foi a interessada quem deu causa ao erro de classificação dos valores recebidos. E não errou a fonte pagadora em considerar tais diferenças indenizatórias, eis que o STF, ao pagar idêntica parcela, editou a Resolução 245, a qual trata tais rendimentos como não sujeitos ao Imposto de Renda. Entende que o acórdão recorrido não enfrentou o argumento da ilegitimidade da União para cobrar Imposto de Renda que, por determinação judicial, pertence ao Estado Membro. Igualmente deixou de apreciar a alegação de quebra da capacidade contributiva da recorrente. Por tais motivos, protesta pela nulidade do acórdão recorrido. Invocando jurisprudência, discorre longamente acerca dos argumentos acima referidos. Quanto ao mérito, repissa a alegação de que as diferenças de URV recebidas teriam natureza indenizatória, não se sujeitando à incidência do Imposto de Renda. Traz entendimentos doutrinários para elucidar o raciocínio adotado. Protesta pela observâcia do disposto na Resolução STF nº 245, de 2002, para fins de apreciação do caso em discussão, sob pena de quebra do princípio da isonomia. Prossegue questionando os cálculos efetuados, asseverando que teriam sido aplicadas alíquotas incorretas, a saber, para os anoscalendário 1994 e 1998 as alíquotas deveriam ser 25%, como divulgado no site da Receita Federal, porém foram empregadas as alíquotas de 26,6% e 27,5%, respectivamente. E mais, foram desconsideradas as deduções cabíveis, ainda que em tese, no cálculo do imposto devido. Pondera que não se pode invocar o art. 845 do RIR/1999, que trata da perda do benefícioo das deduções, pois declarara os rendimentos objeto do lançamento conforme informação recebida da fonte pagadora. De forma Fl. 242DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 243 4 que feitas as simulações das declarações envolvidas na presente discussão, conforme planilha que instrui a impugnação, apuramse valores totalmente diversos daqueles lançados. Protesta para que sejam considerados os valores referentes a férias indenizadas e 13º salários, para fins de recálculo do imposto devido, se for o caso. Discorda da exigência de multa de ofício e juros de mora. O recurso está instruído com cópia do acórdão recorrido e da correspondência que o acompanhou. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 231, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, no tocante à alegação de que parcelas dos valores recebidos a título de URV se referiam à correção incidente sobre férias indenizadas e 13º salário, e que tais parcelas foram indevidamente tributadas, pois seriam respectivamente isentas e sujeitas à tributação exclusiva, cabe registrar que esta não procede. Confrontando as planilhas de cálculo da diferença de URV emitidas pelo Ministério Público (fls. 14 a 16), com o demonstrativo de apuração do imposto de renda elaborado pela fiscalização (fls. 23), verificase que tais parcelas não foram incluídas no lançamento fiscal. A interessada argumenta, ainda, que o lançamento teria sido efetuado com erro no cálculo do Imposto Devido. Entretanto, examinando os autos, tal como já exposto no acórdão recorrido, verifico que tal alegação não procede, eis que o lançamento se fez em conformidade com a legislação de regência e os demonstrativos de apuração do imposto devido, parte integrante do Auto de Infração, refletem a situação dos autos. Prossegue a contribuinte alegando que o acórdão recorrido seria nulo por não ter enfrentado todos os argumentos da impugnação em especial a ilegitimidade passiva da contribuinte e a perda da capacidade contributiva. Ocorre que além de expressamente se manifestar acerca da responsabilidade da contribuinte pelo pagamento do imposto devido, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte (fls. 124 e 125), o acórdão recorrido cuidou de demonstrar que a autuação contemplou os valores percebidos pela autuada e foram calculados as diferenças de imposto devidas para cada um dos períodos a que se referem os rendimentos recebidos, respeitadas as declarações anteriormente apresentadas pela interessada (fls. 123). Fl. 243DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 244 5 Por oportuno, quanto à ilegitimidade passiva invocada, destaquese que a Súmula nº 12, deste Conselho, dispõe: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Rejeito, portanto, as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, a interessada discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, a contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005 a 2007, valores recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 245 6 §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, a contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Ministério Público do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas à recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem constar expressamente do texto legal, em conformidade com o disposto no art. 111, do CTN. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pela recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas. Igualmente ausente embasamento legal para considerar os juros moratórios como isentos ou não tributáveis, uma vez que estão explicitamente definidos em lei como rendimentos tributáveis, devendo a autoridade administrativa basearse na legislação tributária vigente, em consonância com o princípio da estrita legalidade estabelecido na Constituição Federal. No tocante à multa de ofício, consoante vem sendo decidido por este Colegiado (confiramse os julgados 280101.675, 280101.676 e 280101.677, todos de 27/07/2011, relatados pelo Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães e 2801001.747, de 29/07/2011, Conselheira Tânia Mara Paschoalin) é incabível a exigência de tal penalidade quando a contribuinte demonstra ter sido induzida pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro escusável. Por fim, com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10580.726619/200964 Acórdão n.º 2801002.025 S2TE01 Fl. 246 7 Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 246DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 17/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10860.000174/2009-42
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS.
Para que seja possível a dedução de despesas médicas, indispensável a existência de respectivas provas comprobatórias, representadas por documentos hábeis e idôneos, que contenham todos os requisitos previstos na legislação que trata da matéria.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. VALORES INFORMADOS NA DIMOB.
Os valores relativos a rendimentos de aluguéis informados na DIMOB somente podem ser desconsiderados mediante apresentação de documentação hábil e idônea que comprove que tais valores são incorretos.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-002.253
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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DEDUÇÃO. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. REQUISITOS. Para que seja possível a dedução de despesas médicas, indispensável a existência de respectivas provas comprobatórias, representadas por documentos hábeis e idôneos, que contenham todos os requisitos previstos na legislação que trata da matéria. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. VALORES INFORMADOS NA DIMOB. Os valores relativos a rendimentos de aluguéis informados na DIMOB somente podem ser desconsiderados mediante apresentação de documentação hábil e idônea que comprove que tais valores são incorretos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10860.000174/200942 Acórdão n.º 2801002.253 S2TE01 Fl. 120 2 Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Eivanice Canário da Silva, Renato Coelho Borelli, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 69/75, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, em que foi apurado um crédito tributário correspondente a R$ 21.910, 79, decorrente das seguintes infrações: a) dedução indevida de incentivo, no montante de R$ 150,00, correspondente à diferença entre o valor declarado e o valor das doações informadas em Declaração de Beneficio Fiscal DBF pelas entidades beneficiárias das doações; b) dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 20.783,67, em virtude de a contribuinte não ter atendido à intimação para comproválas; c) compensação indevida de IRRF, no montante de R$ 1.028,38, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pela fonte pagadora Península Importação e Exportação Ltda em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes; d) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no montante de R$ 11.221,33, correspondente à diferença entre o total declarado pelo contribuinte e o total dos rendimentos informados na em Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias (Dimob); IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação parcial de fls. 01/04, juntamente com os documentos de fls. 05/68, alegando, em síntese, que: a) efetuou doação a UNICEF no valor de R$ 150,00, conforme doc. de fls. 09, sendo pertinente, portanto, a dedução de incentivo declarada; b) os documentos de fls. 11/38 comprovam as despesas médicas que foram glosadas; c) empresa Península Importação e Exportação Ltda informou o valor retido pela impugnante por meio de DIRF retificadora (fls. 40/43). Logo, a quantia compensada a título de IRRF é válida; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10860.000174/200942 Acórdão n.º 2801002.253 S2TE01 Fl. 121 3 d) o valor dos rendimentos de aluguéis relativos ao imóvel administrado pela Imobiliária e Administração Predimóveis Ltda não é o constante na notificação de lançamento, mas sim a quantia de R$ 5.400,00, conforme documento de fls. 57. e) recolheu o crédito tributário correspondente à parcela não impugnada. Por tais razões requer o cancelamento da notificação de lançamento. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/São PauloII julgou a impugnação procedente em parte (fls. 90/96), para restabelecer a quantia de R$ 13.588,67, a título de despesas médicas, por considerar que os documentos de fls.11 (R$ 8.591,85 Bradesco Saúde), 12 e 32 (R$ 770,00 Hans Wolfgang Halbe), 15 (R$ 140,00 – Antonio Manuel R. F. Freitas), 16 e 30 (R$ 200,00 – Plasticenter Clínica de Cirurgia Plástica), 18 (R$ 215,00 – Cardiocentro), 19/33/37 (R$ 575,40 – Pró Imagem Exames), 20 (R$ 270,00 – Acta Laboratório), 21 (R$ 151,00 – Clínica Radiológica 9 de Julho), 22 (R$ 300,00 – Clínica Ligia Kogos), 23/24 (iguais R$ 150,00 – Ortobioclínica), 26 (R$ 25,42 – Hospital São Lucas) e 36 (R$ 2.200,00 – Cristiane Ibannes Pólo) comprovam o direito as deduções de tais despesas. Quanto aos demais documentos juntados como comprovantes de despesas médicas, entendeu que não podem ser aceitos por não atenderem todos os requisitos do inc. III, § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 (ausência de endereço). Manteve a glosa da dedução de incentivo em virtude de a doação efetuada pela contribuinte não se tratar de as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, nos termos exigidos pelo art. 12, I, da Lei nº 9.250/95. Restabeleceu o IRRF glosado, ante a documentação comprobatória apresentada. Quanto à omissão de rendimentos de aluguéis questionada, vale reproduzir trecho do voto do relator daquele aresto, que aprecia tal matéria: “Pela descrição feita à fl.44 e em razão dos termos da impugnação de fl.03, verifico que existe controvérsia apenas com relação ao valor informado em DIMOB relativo ao imóvel administrado pela Imobiliária e Administração Predimóveis Ltda. O contribuinte afirma que o valor de R$10.488,00 informado pela imobiliária é inadequado, sendo que o valor correto seria o valor de R$5.400,00. Portanto: a) documentos de fls.45 a 56 sem controvérsia (TECAD). b) documento de fl.57 (Predimóveis): O documento não pode ser aceito para a prova que o sujeito passivo pretende produzir, pois o mesmo informa como data de pagamento dos aluguéis o ano calendário de 2005 (apesar de sobrescrito para informar o ano calendário destes autos – 2004); sendo inconclusiva a análise do mesmo. Ademais, é fato que a fiscalização verificou em DIMOB (fl.44) que a Predimóveis informou o valor de R$10.488,00 e não Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10860.000174/200942 Acórdão n.º 2801002.253 S2TE01 Fl. 122 4 o valor pretendido pelo contribuinte (de R$5.400,00). Não verifico como sobrepor o valor do documento de fl.57 de emissão da imobiliária ao valor por ela informado em DIMOB.” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 26/11/10 (fls. 100), a interessada apresentou, em 28/12/10, o Recurso de fls. 101/105, juntamente com os documentos de fls. 76/11, alegando, em suma, que: a) os recibos médicos apresentados comprovam a efetiva prestação dos serviços ali discriminados. Não merece ser penalizada pelo simples fato de não constar o endereço dos profissionais nos documentos apresentados, haja vista que é cediço que o essencial para a dedução é a comprovação dos serviços prestados que, neste caso, ocorreu. Cita decisões deste Conselho que seriam favoráveis à sua tese; b) quanto à omissão de rendimentos de aluguéis, não pode ser responsabilizada se a imobiliária Predimóveis declarou, por meio da DIMOB, valor diferente daquele constante em sua declaração de ajuste anual, que lhe foi informado por aquela empresa. Aduz que não tinha conhecimento dessa divergência e que fez sua declaração com base em documento hábil e idôneo. Sustenta que a questão não diz respeito a qual documento tem mais legalidade, mas sim ao confronto das informações prestadas pela imobiliária; c) não foi deduzido no cálculo remetido o valor recolhido pela recorrente a título de imposto suplementar, conforme documento de fls. 58. Diante do exposto acima requer a extinção da notificação de lançamento em discussão. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em relação às despesas médicas que tiveram sua glosa mantida não há qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, pois, como bem esclarecido, os documentos apresentados não preenchem todos os requisitos estabelecidos no inciso III, § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95, devido não conterem o endereço do prestador de serviços. Por conseguinte deve ser mantida a glosa de tais valores. Cumpre informar que decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 10860.000174/200942 Acórdão n.º 2801002.253 S2TE01 Fl. 123 5 normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. No que diz respeito aos rendimentos de aluguéis relativos ao imóvel administrado pela Imobiliária e Administração Predimóveis Ltda., não considero a declaração de fls. 57 hábil e idônea para comprovar os rendimentos referentes ao ano de 2004, devido à existência de dados conflitantes, posto que, enquanto no cabeçalho do citado documento consta a informação de que se trata de valores recebidos em 2004, todas as datas dos pagamentos mensais se referem a 2005, tendo sido sobrescritas, manualmente, para informar o ano como sendo 2004. Por conseguinte o documento carece de credibilidade, não servindo para contradizer as informações constantes na DIMOB, utilizadas no lançamento em discussão. Por fim cabe esclarecer que o valor pago constante no DARF de fls. 58 foi devidamente amortizado do crédito tributário cadastrado neste processo, como pode ser verificado no extrato de fls. 116/117. Por tais razões voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 10/ 02/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001531/2007-59
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do ano-calendário correspondente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS.
Não procede a apontada omissão de rendimentos quando o contribuinte demonstra que auferiu os valores relativos a pagamentos de aluguéis em nome de terceiros, os quais lhe outorgaram poderes para administração do imóvel locado, não sendo o sujeito passivo, portanto, o real beneficiário dos valores questionados.
IRRF SOBRE O VALOR TRIBUTADO. EXCLUSÃO.
Não sendo o contribuinte o beneficiário dos rendimentos de aluguéis lançados, também não pode ser efetuada a dedução do respectivo IRRF retido, cabendo a sua exclusão.
Preliminar de Decadência Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.224
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento a parcela relativa à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 30.000,00, bem como o valor respectivo a título de dedução de IRRF, no valor de R$ 4.199,20.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do ano-calendário correspondente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Não procede a apontada omissão de rendimentos quando o contribuinte demonstra que auferiu os valores relativos a pagamentos de aluguéis em nome de terceiros, os quais lhe outorgaram poderes para administração do imóvel locado, não sendo o sujeito passivo, portanto, o real beneficiário dos valores questionados. IRRF SOBRE O VALOR TRIBUTADO. EXCLUSÃO. Não sendo o contribuinte o beneficiário dos rendimentos de aluguéis lançados, também não pode ser efetuada a dedução do respectivo IRRF retido, cabendo a sua exclusão. Preliminar de Decadência Rejeitada. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento a parcela relativa à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 30.000,00, bem como o valor respectivo a título de dedução de IRRF, no valor de R$ 4.199,20.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 74 1 73 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.001531/200759 Recurso nº 887.723 Voluntário Acórdão nº 2801002.224 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente ELIETE DE SOUZA COLARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Incabível a alegação de decadência nas hipóteses em que a ciência do lançamento se deu antes de transcorrido o prazo de cinco anos contados da data do fato gerador do IRPF, a saber, 31 de dezembro do anocalendário correspondente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Não procede a apontada omissão de rendimentos quando o contribuinte demonstra que auferiu os valores relativos a pagamentos de aluguéis em nome de terceiros, os quais lhe outorgaram poderes para administração do imóvel locado, não sendo o sujeito passivo, portanto, o real beneficiário dos valores questionados. IRRF SOBRE O VALOR TRIBUTADO. EXCLUSÃO. Não sendo o contribuinte o beneficiário dos rendimentos de aluguéis lançados, também não pode ser efetuada a dedução do respectivo IRRF retido, cabendo a sua exclusão. Preliminar de Decadência Rejeitada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento a parcela relativa à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 30.000,00, bem como o valor respectivo a título de dedução de IRRF, no valor de R$ 4.199,20. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 75 2 Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canário da Silva e Tânia Mara Paschoalin. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (doc. às fls. 38/42) para exigência do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física (Suplementar) no montante de R$ 3.338,68, sendo o valor de R$ 1.635,81 a título de principal, acompanhado de multa de ofício no valor de R$ 1.226,85, e de juros de mora no valor de R$ 476,02, estes calculados até 30/03/2007. A autuação decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual referente ao exercício 2005, anocalendário 2004. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, constatou a autoridade lançadora a ocorrência das seguintes infrações: i) omissão de rendimentos de aluguéis e/ou royalties recebidos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (CNPJ nº 05.544.392/000173), no valor de R$ 30.000,00; e ii) omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, no valor de R$ 5.767,23, da BrasilPrev Seguros e Previdência S/A (CNPJ nº 27.665.207/000131). Cientificada da exigência em 10/04/2007, conforme AR – Aviso de Recebimento à fl. 27, a contribuinte apresentou a impugnação às fls. 01/09, subscrita por seu representante legal, onde argumenta, em síntese, que: jamais recebeu qualquer rendimento relativo ao aluguel do imóvel em questão, vez que na verdade figuraria tão somente como advogada e procuradora da pessoa jurídica Colares Empreendimentos, a quem o real proprietário do imóvel teria outorgado poderes relacionados ao referido bem locado; a fonte pagadora do aluguel (Secretaria Municipal de Meio Ambiente SEMMA), na qualidade de substituto tributário, teria promovido os devidos descontos e recolhimentos a titulo de imposto sobre a renda quando da realização dos pagamentos, porquanto reputa o crédito tributário extinto; não teria assumido qualquer tipo de obrigação ou responsabilidade tributária; quanto aos rendimentos recebidos a titulo de resgate de contribuições à previdência privada, referidos rendimentos não constituiriam renda da contribuinte, pois sequer seriam de sua titularidade, e sim de seus filhos, e no momento do resgate o substituto tributário (BrasilPrev) igualmente teria realizado os descontos e recolhimentos devidos, não subsistindo qualquer débito. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 76 3 Ao final, a litigante juntou ao processo os documentos às fls. 11/17. Ao apreciar a lide, a 5a Turma de Julgamento da DRJ/Belém/PA decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo, assim, o crédito tributário exigido no lançamento, nos termos do Acórdão nº 0115.650, de 18/11/2009, às fls. 46/49. Concluiu a Turma julgadora que: i) em relação à omissão de rendimentos de aluguéis recebidos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente SEMMA, a impugnante não logrou comprovar o alegado, ou seja, que não seria a beneficiária de tais rendimentos; ii) quanto à omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, entendeu aquele Colegiado que a litigante não produziu prova que pudesse afastar o lançamento, pois tampouco apresentou o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, limitandose a alegar que não revestia a condição de beneficiária, e sim seus filhos. Devidamente intimada da decisão a quo em 28/12/2009 (AR à fl. 52), a contribuinte interpôs, em 22/01/2010, por meio de seu procurador, o Recurso Voluntário às fls. 53/56, alegando que: o crédito tributário é referente ao anocalendário de 2004, e portanto a contagem do prazo iniciouse no primeiro dia útil do ano de 2005 (ano subseqüente) e assim, não pode ser mais exigido pela fazenda pública, haja vista que, já fora preenchido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, por força do art. 173 do CTN; era apenas e tãosomente a advogada e procuradora do Sr. Ney Alberto Martins Monteiro, que é o proprietário do imóvel, localizado na Avenida Senador Lemos n° 4357, e que fora locado para a FUNVERDE, mas o referido proprietário foi quem recebeu todos os aluguéis pagos pela locadora; detinha apenas a incumbência de fiscalizar o contrato de locação, assim, não assumiu nenhuma responsabilidade ou obrigação tributária, visto que não era e nunca foi proprietária do imóvel e nem auferiu rendimentos provenientes deste, revestindose somente na qualidade de procuradora da imobiliária que administrou parte do contrato de locação; é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente cobrança tributária, haja vista que, o proprietário do imóvel, Sr. Ney Alberto Martins Monteiro, foi quem recebeu todos os rendimentos referentes ao contrato de locação com a FUNVERDE, e que deveria ser intimado para o pagamento da cobrança; ao ser intimada para recolhimento da exigência, encaminhou um comunicado (cópia em anexo), informando para o Sr. Ney Alberto Martins Monteiro, que estava sendo cobrada indevidamente pela RFB a pagar tributos e encargos fiscais, todavia, o Sr. Ney Alberto mantevese inerte, e possivelmente será demandado na Justiça pela demandada, caso esta exigência seja mantida. Por fim, solicita a recorrente que seja reconhecida a decadência do lançamento, ou senão, no mérito, seja dado provimento ao seu recurso. Anexou aos autos a documentação às fl. 57/72. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 77 4 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente cabe a apreciação da preliminar de decadência suscitada pela recorrente. Verificase, quanto a esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 78 5 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (...) Face ao exposto, concluise que o prazo decadencial do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 79 6 antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No presente caso, a exigência fiscal se refere ao exercício 2005, ano calendário 2004. Verificase que houve antecipação do pagamento do imposto (conforme DIRPF às fls. 21/24 e Demonstrativo de Apuração à fl. 41), sendo o dia inicial da contagem do prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento a data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo anocalendário (art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN). Assim, o prazo decadencial deve ter como termo inicial 31/12/2004 e como termo final 31/12/2009. O auto de infração em apreço foi cientificado à contribuinte em 10/04/2007 (conforme fl. 27), quando ainda não havia decaído o direito de o Fisco constituir o crédito tributário. Rejeitase, portanto, a preliminar de decadência. Quanto ao mérito, nesta fase recursal, verificase que a discussão no presente feito cingese à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, referente a aluguéis. A decisão de primeiro grau foi no sentido de julgar procedente a exigência fiscal, vez que a autuada não havia carreado aos autos provas de que não seria a beneficiária de tais rendimentos. O argumento apresentado pela interessada para afastar a exigência fiscal amparase na afirmação de que teria atuado tãosomente como mera procuradora do proprietário do imóvel locado (Sr. Ney Alberto Martins Monteiro), e que, portanto, este seria o real beneficiário dos aluguéis pagos pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA), locadora do imóvel. Com efeito, o conjunto probatório colacionado aos autos pela recorrente, dentre os quais, digase, especificamente, o Contrato de Locação n° 004/ 2001, firmado entre o Sr. Ney Alberto Martins Monteiro e a FUNVERDE (extinta em 2003 por ocasião da criação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente – SEMMA), e o posterior Terceiro Aditivo ao referido Contrato n° 004/2001, este efetuado entre a SEMMA e a empresa M A C CORECHA, à fl. 14, revela que a autuada atuou apenas como representante (procuradora) em nome da empresa Colares Empreendimentos Imobiliários e Advocacia em Geral dos locadores do imóvel em questão. Consta, ainda, à fl. 11, procuração outorgada pelo Sr. Ney Alberto Martins Monteiro, através da qual este senhor concede poderes à Colares Empreendimentos Imobiliários e Advocacia em Geral, naquele ato representada pela recorrente, para “(...) alugar, administrar (receber, prestar contas de alugueis e encargos locatícios) do imóvel sito à Av. Senador Lemos, n° 4357 Sacramenta Belém Pará”. Deveras, a tributação dos valores recebidos a título de aluguéis deve recair sobre o proprietário do imóvel locado. Ressaltese que o fato de os valores dos aluguéis terem sido depositados pela SEMMA (locadora) na contacorrente da recorrente (enquanto pessoa responsável pela administração do bem locado) não transfere a esta a titularidade dos valores correspondentes aos aluguéis. Deste modo, tais fatos devem ter como norte a exigência do tributo devido pelo respectivo proprietário do imóvel locado, e não na manutenção do lançamento formalizado com erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10280.001531/200759 Acórdão n.º 2801002.224 S2TE01 Fl. 80 7 E mais, cabe também frisar que, não sendo a recorrente a beneficiária dos rendimentos apontados, não pode a mesma aproveitar a dedução do respectivo IRRF (R$ 4.199,20) retido por ocasião do pagamento destes valores. Isto posto, VOTO em rejeitar a preliminar de decadência suscitada, e no mérito, em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento a parcela relativa à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 30.000,00, bem como o valor respectivo a titulo de dedução de IRRF, no valor de R$ 4.199,20. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 17/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000875/2005-43
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 30/09/2003
IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.
LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO.
Verificada em procedimento de oficio a falta de declaração e de recolhimento de valores devidos ao PIS, cabe a aplicação da multa de ofício, por expressa determinação do artigo 44 da Lei n° 9.430/96.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS DE MORA - TAXA SELIC.
A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.152
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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Numero do processo: 10880.946242/2012-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2009
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a homologação parcial de declaração de compensação quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez.
Numero da decisão: 1002-002.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa.
Nome do relator: Ailton Neves da Silva
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2009 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral e Fellipe Honório Rodrigues da Costa. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade, transcrevo e adoto parcialmente o relatório produzido pela DRJ/FNS. Trata-se de Manifestação de Inconformidade de fls. 10-17 mais anexos, interposta pela Contribuinte acima identificada contra o Despacho Decisório nº de Rastreamento 024963851, de fl. 5, exarado em 03/07/2012 pela Autoridade Competente da DERAT de São Paulo/SP, com o seguinte teor: (...) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 62 42 /2 01 2- 89 Fl. 164DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.319 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.946242/2012-89 Como se nota, o direito creditório informado na Dcomp, no valor de R$ 37.549,28, refere-se a saldo negativo de CSLL relativo ao período de apuração compreendido entre 01/01/2009 a 31/12/2009. No entanto, por ocasião da análise das informações prestadas no referido documento de compensação, verificou-se que na DIPJ relativa ao mesmo período de apuração, entregue pela Contribuinte, foi apurado contribuição social a pagar de R$ 32.084,43, inexistindo, portanto, o saldo negativo de CSLL, conforme indicado na Dcomp. Em função de tal constatação, a compensação declarada não restou homologada pela RFB. Do feito fiscal a Contribuinte foi cientificada em 12/07/2012 (fls. 6-7). Irresignada, em 06/08/2012, apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 10-17 mais anexos, alegando , em síntese, o que segue. Discorda da RFB quanto à inexistência de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2009. Isso porque, segundo alega, pelas informações veiculadas pela Ficha 57 da DIPJ de 2010, tem-se expressamente registrado um crédito de CSLL, resultante de retenção nafonte, no importe de R$ 37.549,28, crédito esse correspondente ao exato montante declarado na Dcomp apresentada. Nesse particular, informa estar anexando as notas fiscais listadas em tabela por si elaborada, as quais, a seu ver, comprovadamente, demonstram as efetivas retenções na fonte de CSLL, de modo que há que se reconhecer, como conclusão óbvia e necessária, a homologação da compensação tratada nestes autos. Sendo assim, sustenta que não há como se admitir a glosa dos créditos da Manifestante na hipótese destes autos, na medida em que tais créditos foram efetivamente retidos pelas fontes pagadoras, gerando para si, por conseguinte, o direito certo de se utilizar de referidos valores, em respeito ao princípio constitucional da não cumulatividade. Não obstante, em outro plano, esclarece que, por um equívoco no preenchimento da DIPJ 2010, esqueceu de mencionar, quando do preenchimento da Ficha 12A, o montante de crédito relacionado à retenção na fonte de CSLL, acarretando a apuração, na DIPJ, de um suposto saldo devedor de CSLL no valor de R$ 32.084,43, o qual foi integralmente liquidado, de acordo com os documentos acostados aos autos. Nesse aspecto, articula no sentido de que, tivesse a Manifestante indicado citado crédito na Ficha 17 de sua DIPJ, não teria sido apurado um saldo devedor no importe de R$ 32.084,43 e, por consequência, teria sido evitado recolhimento a título de CSLL a pagar nesse montante (R$ 32.084,43). Argui que, em decorrência do equívoco noticiado e do não aproveitamento das retenções sofridas na fonte, viu-se autorizada a utilizá-las, as quais, finalizada a apuração do ano calendário de 2009, foram transformadas em saldo negativo de CSLL, sendo este, então, utilizado para a compensação com outros débitos. Fl. 165DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.319 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.946242/2012-89 Na passagem seguinte, alega que tal equívoco não tem por condão afastar o direito da Manifestante em utilizar o crédito decorrente de retenções de CSLL, que, comprovadamente, ocorreram e, mais ainda, foi noticiado na mesma declaração, na Ficha 57. Ressalta que mencionado equívoco cometido por ocasião do preenchimento da obrigação acessória não resultou em nenhum prejuízo financeiro aos cofres públicos, haja vista que o valor apurado como saldo devedor de CSLL foi integralmente quitado. Na sequência, traz julgados do CARF dando provimento ao recurso voluntário em hipóteses consistentes na comprovação de erro de fato no preenchimento da DIPJ. Por fim, pleiteia pelo conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, pelo reconhecimento do direito integral ao crédito de CSLL declarado em Dcomp, assim como, consequentemente, pela homologação total da compensação declarada e cancelamento integral do débito exigido. Requer também que todas as intimações e notificações relativas às decisões proferidas neste processo sejam encaminhadas aos Drs. Ronaldo Rayes e João Paulo Fogaça de Almeida Fagundes, bem como sejam enviadas cópias reprográficas para a Manifestante. A Manifestação de Inconformidade foi julgada procedente em parte pelo acórdão n. 07-44.714 da DRJ/RPO (e-fl. 76). Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário de e-fls. 97, no qual apresenta, como único ponto de discordância, a alegação de que a decisão recorrida equivocou-se ao considerar o valor de R$ 35.801,80 de CSLL retida na fonte na apuração do saldo negativo de CSLL, ao invés de deduzir o valor de R$ 37.549,25, declarado na DIPJ/2010 e no PER/DCOMP apresentados pelo contribuinte, do que resultou o reconhecimento de direito creditório inferior ao postulado. Ao final, requer que o recurso seja conhecido e provido “para que a decisão recorrida seja revista para considerar o valor de R$ 37.549,25 a título de CSLL-Fonte e, consequentemente, reconhecido o direito de crédito no valor de R$ 33.452,52.” É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017, e de acordo com a Portaria CARF nº 146, de 12 de dezembro de 2018, que estende, temporariamente, à 1ª Seção de Julgamento a Fl. 166DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.319 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.946242/2012-89 competência para processar e julgar recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa ao IRRF e respectivas penalidades pelo descumprimento de obrigação acessória, quando o requerente do direito creditório ou o sujeito passivo do lançamento for pessoa jurídica, inclusive quando o litígio envolver esse tributo e outras matérias que se incluam na competência das demais Seções. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Como dito antes, a controvérsia remanescente dos autos diz respeito exclusivamente ao montante de CSLL efetivamente retida na fonte utilizada na apuração do saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2009. Sobre o tema, assim pronunciou-se o Voto vencedor do acórdão recorrido (destaques deste relator): De fato, existe um direito creditório a ser reconhecido à contribuinte a despeito dos equívocos cometidos no preenchimento da DIPJ, do próprio PER/Dcomp e do recolhimento realizado através do DARF código 6773, no valor de R$ 27.987,70, em 30/06/2010. Partindo-se do reconhecimento de R$ 56.323,92 a título de CSLL retida na fonte e dos erros de preenchimentos da DIPJ ocorridos, teríamos a apuração da CSLL a pagar abaixo demonstrada: Como se observa, o valor de CSLL retida na fonte utilizada pelo acórdão recorrido no cálculo da CSLL a pagar foi de R$ 35.801,80, discrepando do valor de R$ 37.549,25 declarado pelo Recorrente. Da análise dos autos, constata-se que o valor de CSLL efetivamente retida na fonte no período-base examinado foi de R$ 35.801,80, conforme mostra informação em DIRF e cálculos consignados nos excertos do Voto vencido, reproduzidos a seguir: Assim, transportando essa conclusão ao caso concreto, tem-se que somente poderiam ser deduzidos da CSLL devida constante da DIPJ, no importe de R$ 32.084,43, para fins de apuração do saldo negativo de CSLL de 2009, os valores das supostas retenções sofridas pelo Sujeito Passivo a título de CSLL, no montante de R$ 37.549,28. Fl. 167DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.319 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.946242/2012-89 A par disso, consultando o sistema “Portal DIRF”, constatei as seguintes informações fornecidas pelas fontes pagadoras quanto às retenções sofridas pela Contribuinte: Pela imagem colacionada, verifica-se que a Contribuinte sofreu retenções mediante o código de receita 5952, no montante de R$ 166.478,38 (R$ 80.340,70+R$ 86.137,68). Considerando que a retenção sob o código de retenção é constituída por retenções a título de Cofins (3,0%), PIS (0,65%) e CSLL(1,0%), apura-se retenção de CSLL total de R$ 35.801,80. Vê-se que as retenções a título de CSLL no valor de R$ 35.801,80 estão de acordo com as informações prestadas em DIRF pela fonte pagadora. Portanto, conforme cálculo supra, faz jus o Recorrente ao crédito de R$ 3.717,37, já reconhecido na decisão de primeiro grau, a qual, por isso, não comporta reparo. Nesse quadro, o não provimento do recurso é medida que se impõe ao colegiado. Dispositivo Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 168DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.319 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.946242/2012-89 Fl. 169DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10830.006870/96-16
Data da sessão: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI
Período de apuração: 01/0111992 a 31/10/1995
RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO
MONETÁRIA
Impossibilidade de aplicar a correção monetária aos créditos escriturais de IPI por falta de previsão legal. O instituto do creditamento e o conseqüente ressarcimento do que não foi utilizado não se confunde com a restituição de indébitos tributários, estes passíveis de correção nos termos do art. 66, § 3° da Lei n° 8.383/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.223
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/0111992 a 31/10/1995 RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA Impossibilidade de aplicar a correção monetária aos créditos escriturais de IPI por falta de previsão legal. O instituto do creditamento e o conseqüente ressarcimento do que não foi utilizado não se confunde com a restituição de indébitos tributários, estes passíveis de correção nos termos do art. 66, § 3° da Lei n° 8.383/91. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-05-10T11:15:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-05-10T11:15:30Z; Last-Modified: 2010-05-10T11:15:30Z; dcterms:modified: 2010-05-10T11:15:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-05-10T11:15:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-05-10T11:15:30Z; meta:save-date: 2010-05-10T11:15:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-05-10T11:15:30Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-05-10T11:15:30Z; created: 2010-05-10T11:15:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-05-10T11:15:30Z; pdf:charsPerPage: 1217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-05-10T11:15:30Z | Conteúdo => S3-TE03 Fl. 126 R.s,d9;I‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO AD1VHNISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Pt*.* TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10830.006870/96-16 Recurso n° 140.710 Voluntário Acórdão n° 3803-00.223 — r Turma Especial Sessão de 19 de novembro de 2009 Matéria IPI Recorrente CERÂMICA CHIARELLI S/A Recorrida DAI/RIBEIRÃO PRETO-SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS /NDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/0111992 a 31/10/1995 RESSARCIMENTO DE IN. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CORREÇÃO MONETÁRIA Impossibilidade de aplicar a correção monetária aos créditos escriturais de IPI por falta de previsão legal. O instituto do creditamento e o conseqüente ressarcimento do que ao foi utilizado não se confunde com a restituiç ião de indébitos tributários, estes passíveis de correção nos termos do art. 66, § 3° da Lei n° 8.383/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 a. TURMA ESPECIAL da TERCEIRA SEÇÃO DE JUL AMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. • • DRE ICERN - Presidente — BBL, HIO-nnel DE SOUSA - Relator Partici aram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n° 1.694 de 11 de julho de 2002, da DRJ-Ribeirão Preto/SP, fls. 67 a 73, que julgou o lançamento procedente em parte, face à manifestação de inconformidade de fls. 35 a 52. A reclamante é fabricante de ladrilhos cerâmicos e deu saída, no período de 01/01/1992 a 31/10/1995, ao que declarou serem resíduos de fabricação denominando-os e enquadrando-os na TIPI como "cacos de produtos cerâmicos", identificados nessa tabela como produtos NT. Outrossim, do valor do imposto devido nos referidos períodos de apuração, a contribuinte deduziu a correção monetária de créditos escriturais. Divergindo da apuração procedida pela fiscalizada, por uma e pela outra razão, a auditoria fiscal encontrou diferenças no imposto devido, sendo por isso autuada. Não acolhidos os argumentos de sua defesa, quanto a ambas as questões, o lançamento foi mantido integralmente quanto a elas, obtendo a impugnante redução da multa de oficio, de 100% para 75%, por força da retroatividade benigna de que trata o art. 106, II, c, do CTN, fundada no art. 45 da Lei n° 9.430/96, que estabeleceu novo patamar para a referida multa. Cientificada da decisão em 09 de agosto de 2002, apresenta recurso voluntário, fls. 94 a 108, em 09 de setembro de 2007, e pugnando pela reforma da decisão recorrida, foi seu recurso encaminhado para a e. Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que não conheceu do recurso quanto à correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI, declinando esse julgamento para o e. Segundo Conselho. Tendo conhecido do recurso na matéria classificação fiscal a ela negou provimento. Agora vem o recurso a esta Turma Especial da Terceira Seção para julgamento da segunda matéria de mérito, não conhecida no julgamento anterior. Nesta matéria arrazoa que não deve prosperar a decisão recorrida, eis porque: a) não teve oportunidade de aproveitar os créditos imediatamente, fazendo-o extemporaneamente; b) de modo contrário, o mesmo critério de não se poder efetuar a correção dos créditos não era adotado pela legislação federal no tocante aos débitos de IPI, sendo estes corrigidos pela Unidade Fiscal de Referencia (UF1R); c) o princípio da igualdade e da isonomia constitucional enunciado no art. 5° da Carta Magna não permite excepcionar o Estado do âmbito da norma de isonomia, sob pena de sepultamento da relação de igualdade; d) traz excertos da doutrina, segundo os quais "não pode haver correção para o fisco e não para o contribuinte. A relação tributária é bilateral H A justificação da indexação está na vedação do enriquecimento ilícito (ATALIBA. VI Congresso Brasileiro de Direito Tributário, compêndio, Malheiros Editores, p. 43); e) não pode subsistir a alegação de que é vedada a escrituração de c•ivaii monetária, diante da inexistência de previsão legal; 2 Processo n°10830.006870/96-16 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-00.223 Fl. 127 f) divisa que a norma a contemplar o seu direito encontra-se implícita no art. 108, 1, do Código Tributário Nacional, pela qual há respaldo para aplicar-se a correção monetária, analogicamente, dada a semelhança entre as condições do sujeito ativo e passivo. g) ampara, ainda, sua tese em excertos de decisões judiciais no teor das quais são sustentados entendimentos segundo os quais "[,.] tratando de créditos tributários, a atualização monetária impõem-se (sic) senão por outros motivos, por simples equidade, pois o fisco além de pesadas multas, atualiza monetariamente seus créditos toda vez que o contribuinte deixa de pagar no dia avençado seus imposto e taxas. Aplicáveis, pois, em favor dos apelados, a analogia e a equidade, especialmente previstas no art. 108, do Código Tributário Nacional, na ausência de disposição expressa f .1", fl. 106; h) não conceder a atualização monetária dos créditos extemporâneos de 1PI viola o principio da legalidade, uma vez que equivale a aumento de imposto não previsto em lei. Enfim, não concordando com a decisão recorrida requer sua reforma para o fim de ser extinto o crédito tributário constituído. É o relatório. Voto • Conselheiro BELCHIOR MELO DE SOUSA, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Dois pontos reconhece a recorrente: a) que não há previsão legal para proceder à correção monetária dos créditos de IPI, decorrentes das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens; b) implicitamente, que não houve impedimento normativo, nem negação da Administração Fazendária de deferir seu direito ao crédito no momento em que já poderia ter solicitado, mas sua utilização extemporânea é decorrente de impossibilidade, que não identificou, de lazê-lo no momento oportuno. Com efeito, a relação tributária ente fazendário/contribuinte é bilateral, nas quais se pode identificar, sem muito esforço, no tocante à atualização de débitos/créditos, matéria que ora se discute, a aplicação do brocardo latino trazido à baila pela recorrente "onde a razão é a mesma, o mesmo seja o direito". Assim, se à Secretaria da Receita Federal (SRF) subsistia o direito de corrigir monetariamente seus créditos de tributos e contribuições, indexados pela UFIR, com fulcro no art. 53 da Lei n° 8.383/91, simétrica e isonomicamente, a norma contida no art. 66, § 3° da mesma lei determinava a atualização monetária dos créditos do contribuinte perante a Fazenda Nacional passíveis de restituição com base na mesma variável financeira.Lora 3 Posteriormente, com a extinção da correção monetária, ficou estabelecida no art. 61, § 3°, da Lei n°9.430/96 a incidência de juros moratórios para os créditos tributários pagos a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao prazo legal fixado, e juros compensatórios para os créditos do contribuinte perante a SRF, passíveis de restituição, pela Lei n" 9.250/95, art. 39, § 4°, alterado pelo art. 73 da Lei n° 9.532/97, ambos os acréscimos ao principal referenciados pela taxa SELIC. Para o contribuinte, as mesmas razões para firmar o mesmo direito à atualização monetária de créditos encontra identidade no instituto da restituição a que faça jus perante a Fazenda. Não fosse pela essencial diferença que os marca, a lei teria incluído nessas mesmas razões, para o mesmo direito, o instituto do ressarcimento. Os créditos escriturais de IPI que transitam de um período para outro, e que dão ensejo ao ressarcimento, não pode ser equiparado à restituição a que faz jus o contribuinte. Não apenas por sua distinta dinâmica, que é patente. Mas, máxime, por sua natureza jurídica. Os créditos de IPI são, por natureza, patrimônio da União, que deles dispõe em prol do contribuinte, para fazer face a política tributária constitucionalmente disposta. Ao contrário, valores objeto de restituição configura patrimônio do contribuinte em poder da Fazenda. Há quem entenda devida a aplicação de correção monetária aos créditos de IPI sob o argumento de que sem esta não haveria manutenção do valor relativo dos créditos, prejudicando a efetividade do principio constitucional da não-cumulatividade. Embora veja como plausível essa realidade, e respeitável a tese, o próprio • STF, por meio do voto do Min. Moreira Alves no AGRAG 181.138, manifestou-se por entendimento de não-violação constitucional pela ausência de correção monetária, em questão semelhante relativa ao ICMS: 'A técnica do creditamento escriturai, em atendimento ao princípio da não-cumulatividade, pode ser expressa de uma equação matemática, de modo que, adotando-se uma aliquota constante, a soma das importâncias pagas pelos contribuintes, nas diversas fases do ciclo econômico, corresponda exatamente à aplicação desta aliquota sobre o valor da última operação. Portanto, por ser essa operação urna operação matenultica pura, devem ficar estanques quaisquer fatores econômicos ou financeiros, justamente em observância ao principio da não- cumulatividade (ard 155, §2°, 1, da Constituição Federal e artigo 3° do Decreto-lei n. 406/68). Por sua vez, não há falar-se em violação ao princípio da isonomia. Isto porque, em primeiro lugar, a correção monetária dos créditos não está prevista na legislação e, ao vedar-se a correção monetária dos créditos de ICMS, não se deu tratamento desigual a situações equivalentes. A correção monetária do crédito tributário incide apenas quando este está definitivamente constituído, ou quando recolhido em atraso, mas não antes disso. Neste sentido prevê a legislação. São créditos na expressão total do termo jurídico, podendo o Estado exigi-lo. Diferencia-se do crédito escritura!, que existe para fazer valer o princípio da não cumulatividade". Mutatis mutandi, o raciocínio prevalece para o IPS •••n Por sua vez a jurisprudência do STS tem-se firmado no ;. ten. mento . - que só é passível de correção monetária os créditos escriturais quando o dire o riTt foi exerci.. no • 4 Processo n°10830.006870/96-16 83-TE03 Acórdão n.° 3803-00.223 Fl. 128 momento oportuno em razão de óbice normativo ou administrativo do fisco. Para essa Corte Superior os créditos escriturais não são corrigidos monetariamente, por falta de previsão legal. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVERSIA.ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCIPIO DA NÃO-CUMULÁTIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAI. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI 'decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não-cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escriturai, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrer-se do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rd Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09,2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, Me 07.04.2008; e EREsp 605.921IRS, Rel. Ministro Teor! Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A hipótese contemplada pelo SIT para a correção monetária dos créditos, passa pela descaracterização deste como escriturais pela oposição da Administração Tributária em reconhecê-los, e uma vez feita a opção pela via judicial para reavê-los. É remédio para purgar a mora decorrente do obstáculo oposto ao contribuinte. Não é o que se c. • figura nestes autos. .01P1 (r+L XV. n Sem previsão legal, é defeso ao administrador público, bem como a esta Corte Administrativa fazer o que a lei não prever. É como leciona a melhor doutrina do Direito Administrativo aqui representada no dizer do mestre Hely Lopes Meireles: "Enquanto na administração particular é licito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza" (in "Direito Administrativo Brasileiro", Ir edição, Malheiros Editora). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. BEL Ift-~rDE SOUSA - • •
score : 1.0
Numero do processo: 10730.010295/2007-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não procede a alegação de nulidade do lançamento, quando este se fez em consonância com a legislação de regência e a impugnação e o recurso voluntário apresentados demonstram que o contribuinte entendeu que infrações lhe foram imputadas e busca delas se defender.
DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIOS. PROVA.
Somente são dedutíveis despesas médicas cujos beneficiários sejam o contribuinte ou seus dependentes declarados no ajuste anual, que estejam devidamente comprovadas nos autos, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-001.961
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer deduções a título de despesas médicas no montante de R$6.286,26, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procede a alegação de nulidade do lançamento, quando este se fez em consonância com a legislação de regência e a impugnação e o recurso voluntário apresentados demonstram que o contribuinte entendeu que infrações lhe foram imputadas e busca delas se defender. DESPESAS MÉDICAS. BENEFICIÁRIOS. PROVA. Somente são dedutíveis despesas médicas cujos beneficiários sejam o contribuinte ou seus dependentes declarados no ajuste anual, que estejam devidamente comprovadas nos autos, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer deduções a título de despesas médicas no montante de R$6.286,26, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Fl. 54DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10730.010295/200716 Acórdão n.º 2801001.961 S2TE01 Fl. 49 2 Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra a contribuinte acima identificada foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 04 a 07, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$8.511,01, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de glosas da totalidade das deduções pleiteadas a título de despesas com instrução (R$1.998,00), dependente (R$1.272,00), despesas médicas (R$24.802,22) e pensão alimentícia judicial (R$2.932,30). IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01), acatada como tempestiva, discordando da exigência. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 4ª Turma da DRJ Brasília/DF, conforme Acórdão de fls. 33 a 37, julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que restabeleceu as deduções referentes ao dependente (R$1.272,00), despesas com instrução (R$1.998,00) e despesas médicas no valor de R$2.906,00. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 06/09/2010 (fls. 39), a contribuinte apresentou, em 29/09/2010, o Recurso de fls. 41 a 44, argumentando, em síntese, que não foram aceitas as despesa médicas referentes à Camperj – Caixa de Assistência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (R$21.896,22) em virtude de o demonstrativo apresentado não ter especificado os beneficiários e correspondentes valores pagos, porém agora junta declaração que sana as falhas apontadas. Pondera que a notificação do Auto de Infração seria nula porque teria sido recebida em endereço no qual não mais residia. Assim, foi prejudicada na medida em que não pode entender o Auto de Infração e acabou instruindo a impugnação com documentos padecendo das mesmas falhas apontadas no lançamento. De qualquer forma, faz jus à dedução de despesas médicas próprias (R$3.844,80) e de sua filha, Natália M. B. Itabaiana Nicolau (R$2.441,46). Fl. 55DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10730.010295/200716 Acórdão n.º 2801001.961 S2TE01 Fl. 50 3 Pede, ainda, a revisão da multa e penalidades decorrentes de suposta inércia da contribuinte. O recurso está acompanhado dos documentos de fls. 40 e 45, a saber, solicitação da interessada à Camperj para emitir declaração individualizada de beneficiários do plano de saúde e correspondentes valores pagos, bem como declaração emitida. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 47, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, a contribuinte pondera que a notificação do Auto de Infração seria nula porque teria sido recebida em endereço no qual não mais residia. Assim, foi prejudicada na medida em que não pode entender o Auto de Infração e acabou instruindo a impugnação com documentos padecendo das mesmas falhas apontadas no lançamento. Registrese, inicialmente, que examinando os autos, verifico que a autuação se fez em conformidade com a legislação de regência, tendo sido assegurando ao interessado o exercício do contraditório e da ampla defesa, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, motivos pelos quais rejeito a preliminar invocada. Ademais, registresse, a fase processual de fiscalização é uma atividade administrativa de investigação, na qual não há que se falar em observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, eis que, nesta fase, o que se busca é a verificação e investigação do cumprimento das obrigações tributárias pelos sujeitos passivos. Rejeito, portanto, a preliminar suscitada. No tocante ao mérito, o litígio cingese a glosa de despesas médicas. Nos termos do inciso II, alínea “a”, §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. A dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi Fl. 56DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10730.010295/200716 Acórdão n.º 2801001.961 S2TE01 Fl. 51 4 efetuado o pagamento, não se aplicando às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. Observase, portanto, que para se acatar uma despesa médica como dedutível é necessário que o contribuinte ou seus dependentes efetivamente tenham recebido serviços médicos e que tenha havido o correspondente pagamento pelo contribuinte. No caso, em sede de recurso voluntário, a interessada apresenta o documento de fls. 46, emitido pela Caixa de Assistência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que comprova que as despesas tidas com seu plano de saúde e de sua filha e dependente informada no ajuste anual, Natália M. B. Itabaiana Nicolau, e aceita em sede de julgamento de impugnação (fls. 09, 25 a 28, 33 a 37), somam R$ 6.286,26(R$3.844,80 + R$2.441,46),dedução que ora se restabelece. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer deduções a título de despesas médicas no montante de R$6.286,26. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 57DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 19647.001087/2007-40
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.074
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado.
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COMPROVAÇÃO. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/02/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 19647.001087/200740 Acórdão n.º 280102.074 S2TE01 Fl. 58 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 03 a 05, no qual é calculada a restituição relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2004, no valor de R$ 4.356,71 (quatro mil trezentos e cinqüenta e seis reais e setenta e um centavos). 2. O lançamento em questão foi decorrente de revisão procedida na Declaração de Ajuste Anual, referente ao exercício 2005, tendo em vista ter sido constatada a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 4.768,74. 3 Não concordando com a exigência, o contribuinte, apresentou a impugnação de fl. 01, alegando, em síntese, que: 3.1. esteve no setor de orientação ao contribuinte com os respectivos recibos, não tendo sido esclarecido que seria imprescindível a comunicação do CRM, mas apenas o CPF e os valores dos recibos, devidamente apresentados na primeira instância; 3.2. a acupuntura é uma atividade milenar na China, assim a Faculdade de Medicina Chinesa seria a escola mais adequada à formação de profissionais, sendo suficiente para que a Prefeitura da Cidade do Recife emitisse a autorização para o funcionamento da clínica do aludido profissional; 3.3. com relação ao seguro saúde internacional, foi lhe esclarecido que com o CNPJ seria viável a dedução correspondente e, na descrição dos fatos, entende que foi tacitamente reconhecida a característica de seguro saúde, sendo a indenizado por bagagem, um peso mínimo em relação ao custo total. 4. Conclui, solicitando a retificação da decisão de primeira instância, permitindo que estas despesas efetivamente realizadas com atendimento médico sejam consideradas para apuração final da referida declaração de rendimentos. 5. Anexa documentos pertinentes à questão nas fls. 06 a 47. 6. O contribuinte solicitou a priorização da tramitação do presente processo baseado na Lei 10.741/2003 (Estatuto do Idoso), conforme requerimento de fl. 17.” Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/02/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 19647.001087/200740 Acórdão n.º 280102.074 S2TE01 Fl. 59 3 Doravante, a Primeira Instância de Julgamento, por decisão unânime, negou provimento a Impugnação. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos de sua Impugnação e rebatendo os fundamentos da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual conheço do mesmo. Tratase, na origem, de glosa de despesas médicas incorridas pelo Recorrente, sob o fundamento de que seria impossível deduzir os valores abatidos com tratamento de acupuntura, bem assim com seguro de saúde contratado para viagem internacional. Primeiramente, com relação às despesas com acupuntura, de fato, no presente caso, não poderá o Recorrente deduzilas. Isso porque o profissional que prestou os serviços ao Recorrente possui diploma emitido pela Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Nanjing, sendo certo que não foi convalidado pelo Conselho Federal de Medicina Brasileiro. Ou seja, em que pese tenha o profissional se formado em medicina tradicional chinesa, para as leis brasileiras o mesmo não pode ser considerado médico, já que não inscrito em seu Conselho Federal. Consequentemente, como não há previsão para a dedução de despesas incorridas com acupunturistas “não médicos”, agiu com correção a fiscalização ao glosar tais valores. Passo adiante, com relação à despesa realizada com a contratação de suposto seguro saúde internacional, também não deve prosperar a irresignação do Recorrente. Afinal, como se apura dos documentos acostados ao processo, impossível comprovarse que o seguro contratado pelo Recorrente foi efetivamente o de saúde, já que a empresa com a qual firmou contrato oferece uma série de serviços além daquele de saúde (vide fl. 31). Diante dessa impossibilidade de comprovação, também deve ser mantida, neste ponto, a glosa realizada pela fiscalização. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/02/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 19647.001087/200740 Acórdão n.º 280102.074 S2TE01 Fl. 60 4 Sandro Machado dos Reis Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/02/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 19647.001087/200740 Acórdão n.º 280102.074 S2TE01 Fl. 61 5 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 08/02/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA
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Numero do processo: 10886.001391/2009-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER — O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o
pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de pensão.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-001.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidades de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canario da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Fl. 43DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10886.001391/200961 Acórdão n.º 280101.786 S2TE01 Fl. 69 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra a contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.08/10 relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, anocalendário 2005, para cobrança do crédito tributário no valor de R$ 567,83. O lançamento se reporta aos dados informados na declaração de ajuste/2006 da interessada, tendo sido apontada a seguinte infração: 1. omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas: * AMAZONPREV — FUNDO PREVIDENCIÁRIO DO ESTADO DO AMAZONAS, no valor de R$ 208.696,00; * ITAÚ VIDA E PREVIDÊNCIA S.A, no montante de R$ 298.47. O enquadramento legal encontrase às fls. 09/10. Inconformada, a interessada, por intermédio de seu representante legal, (fls.05/07) ingressou com a impugnação de 11.01, argumentando que: 1. concorda com a infração relativa à omissão de rendimentos cuja fonte pagadora é ITAÚ VIDA PREVIDÊNCIA S.A; 2. com relação aos rendimentos recebidos da AMAZONPREV Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas alega que tais rendimentos têm a natureza de pensão e que a interessada é portadora de moléstia grave conforme documentação acostada aos autos; 3. por fim, a contribuinte solicita prioridade na tramitação do processo. Passo adiante, 2a Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Para serem isentos do imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10886.001391/200961 Acórdão n.º 280101.786 S2TE01 Fl. 70 3 Cientificado em 31/05/2010 (Fls.56), o procurador da Recorrente, interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010 (fls.57 e 58), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Como bem descrito no Acórdão recorrido, a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte defonnante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); Fl. 45DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10886.001391/200961 Acórdão n.º 280101.786 S2TE01 Fl. 71 4 A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados, não restam dúvidas quanto ao fato de que a restituição pleiteada se refere a Imposto incidente sobre pensão; tendo, inclusive, o Relator do Acórdão recorrido afirmado que “primeiramente, cabe destacar que a Sra. Maria Jenny Bacelar Correa recebe rendimentos que têm a natureza de pensão, conforme documento acostado à f1.02 do processo”. (pág. 25 dos autos) Resta então analisar se, à época dos recolhimentos, a recorrente era portadora de moléstia que lhe garantisse a isenção do Imposto de Renda. Segundo o laudo médico oficial, emitido pelo Estado do Amazonas, conclui se: ” que a doença apresentada, desde 11.02.2004, CID10, G30, pela Sra. Maria Jenny Bacelar Correea, enquadrase na Lei n° 7.713 de 22.12.88, Art. 6°, Inciso XIV, alterada pela Lei n° 11.052 de 29.12.2004. Posteriormente, a Recorrente anexou novos atestados e declarações, emitidos pelo Estado do Rio de Janeiro, todos afirmando que a mesma apresenta a doença de Alzheimer. Podemos então constatar que, desde 2004, a recorrente já era portadora da Doença de Alzheimer, caracterizada pela síndrome demencial, constituída da demência senil, e comprometimento da memória; é de ser entendido, desta forma, que a contribuinte já se encontrava em estado de alienação mental. Esta matéria — alienação mental em face da Doença de Alzheimer — foi objeto de assentado estudo, no âmbito da Sexta Câmara, pelo Conselheiro Antônio Augusto Silva Pereira de Carvalho, formado em Medicina e Advocacia, advindo o Acórdão 10613.418, de 02.07.2003, cuja ementa é a seguinte: IRPF PEDIDO DE RESTITUIÇÃO VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE PENSÃO ISENÇÃO DEMÊNCIA NA DOENÇA DE ALZHEIMER 1. A demência na Doença de Alzheimer tem como uma de suas manifestações o que, na falta de melhor expressão, tratase como "alienação mental"; via de Fl. 46DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10886.001391/200961 Acórdão n.º 280101.786 S2TE01 Fl. 72 5 conseqüência, segundo dispõem os incisos XIV e XXI do artigo 6° da Lei n° 7.713/1988, na redação que lhes foi dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.451/92, estão isentos do imposto de renda os valores que o doente receber a titulo de pensão. 2. A fixação de um termo no qual se tem como estabelecida determinada enfermidade, na falta de informação constante de laudo oficial, deve levar em conta outros elementos de convicção, desde que não impugnados pelo Estado Administração e merecedores de fé. Recurso provido. Dito Acórdão da Sexta Câmara foi submetido à Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 29.11.2004, que sob a relatoria do Conselheiro Remis Almeida Estol, foi confirmado nos termos do Acórdão CSRF/01 05.165, ementa, in verbis: IRPF RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER Quando o quadro clinico de "alienação mental e/ou demência" decorrer da Doença de Alzheimer, fica caracterizado o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação, devendo ser reconhecida a isenção do imposto sobre os rendimentos da aposentadoria percebidos pelo paciente. Recurso especial negado. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por dar provimento ao recurso, reconhecendo o direito da recorrente à isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de pensão. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 31/ 08/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 13884.004343/2001-86
Data da sessão: Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Mar 03 00:00:00 UTC 2008
Ementa: ILL – SOCIEDADE LIMITADA - INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉDITO.
-Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação destes eventos jurídicos que começa a fluir o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição.
- Publicada em 25 de junho de 1997 a Instrução Normativa SRF, n.º 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário exigido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte tem para pedir a restituição estende-se até 25 de junho de 2002.
Numero da decisão: CSRF/04-00.811
Decisão: ACORDAM os membros da quarta turma da câmara superior de recursos
fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retomo dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que
passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Ana Maria Ribeiro dos Reis e Antonio Praga que deram provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : ILL – SOCIEDADE LIMITADA - INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉDITO. -Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação destes eventos jurídicos que começa a fluir o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição. - Publicada em 25 de junho de 1997 a Instrução Normativa SRF, n.º 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário exigido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte tem para pedir a restituição estende-se até 25 de junho de 2002.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da quarta turma da câmara superior de recursos fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retomo dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Ana Maria Ribeiro dos Reis e Antonio Praga que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta turma da câmara superior de recursos fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retomo dos autos à DRF de origem para apreciação do mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Relatora), Ana Maria Ribeiro dos Reis e Antonio Praga que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. 4 4;1 P GA residente Processo n° 13884.004343/2001-86 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. 2 e % MOISES GIACI 1 ES DA SILVA Redator designado FORMALIZADO EM: 02 MA I 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, REMIS ALMEIDA ESTOL, GONÇALO BONET ALLAGE E ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. 2 Processo n° 13884.00434312001-86 CSRF/T04 Acórdão n.° 0440.811 Fls. 3 Relatório A contribuinte acima identificada apresentou, em 14/11/2001, o Pedido de Restituição de Imposto sobre o Lucro Líquido recolhido nos anos de 1990 a 1992, com base na declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Em 09/12/2003, a Delegacia da Receita Federal em São José dos Campos/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 43 a 47, indeferiu o pedido, declarando a decadência do direito ao pleito, com base no Ato Declaratório SRF n°96, de 1999. Irresignada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 58 a 67 , apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que reiterou o indeferimento do pedido, por meio do Acórdão DRJ/CPS n° 9.136, de 08/04/2005 (fls. 88 a 98). Cientificada da decisão de primeira instância, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 104 a 113, julgado em sessão plenária de 24/05/2006, pela Colenda Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferindo-se a decisão consubstanciada no Acórdão n° 102-47.567 (fls. 131 a 138), assim ementado: "ILL — DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — O prazo decadencial para que o sujeito passivo possa pleitear a restituição e/ou compensação de valor pago indevidamente somente começa fluir após a Resolução do Senado que reconhece e dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou, a partir do ato da autoridade administrativa que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição, eis que somente a partir desta data é que surge o direito à repetição do valor pago indevidamente. Decadência afastada. Recurso provido." Na oportunidade a Câmara decidiu, por maioria de votos, afastar a decadência e determinar a remessa dos autos à DRJ, para apreciação do mérito. Inconformada, a Fazenda Nacional interpõe, tempestivamente, o Recurso Especial de fls. 140 a 150, em que defende a fixação do dia a quo do prazo decadencial na data dos pagamentos indevidos, com base no art. 168 do Código Tributário Nacional e no art. 3° da Lei Complementar n° 118, de 2005. A Presidência da Câmara recorrida entendeu estarem presentes os pressupostos de admissibilidade e deu seguimento ao recurso (fls. 151/152). Ciente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em 08/03/2007 (fls. 156), o contribuinte apresentou, em 04/05/2007, portanto fora do prazo, as contra-razões de fls. 157a 161. r. \/ 3 . . Processo e 13884.004343/2001-86 CSAF/T04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. 4 O processo foi distribuído a esta Conselheira contendo 164 folhas. É o Relatório. r /17 4 . . Processo n° 13884.004343/2001-86 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. $ Voto Vencido Conselheira MARIA HELENA COITA CARDOZO, Relatora O presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o processo, de pedido de restituição de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido, previsto no art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988, recolhido de 1990 a 1992, formalizado em 14/11/2001. A Fazenda Nacional entende que deve ser mantida a declaração de decadência do direito ao pleito de restituição, tendo em vista o princípio da segurança jurídica, defendendo que a contagem do respectivo prazo deve seguir a regra dos artigos 165 e 168 do CTN, corroborada pela Lei Complementar n° 118, de 2005. O assunto é tormentoso e deve ser tratado com a necessária cautela. A Constituição Federal de 1998 assim dispõe: "Art. 146. Cabe à lei complementar: (-) III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (-) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; " (grifei) Cumprindo a determinação constitucional de regular a decadência tributária, o Código Tributário Nacional assim estabelece: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: 1— cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração 591_ ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; A5 Processo n° 13884.004343/2001-86 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. 6 III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (.) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados: 1— nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, na data da extinção do crédito tributário; II — na hipótese do inciso 111 do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória." (grifei) No caso em apreço, trata-se obviamente de hipótese inserida no inciso I do art. 165, acima transcrito, uma vez que o pagamento foi espontâneo, realizado de acordo com dispositivo legal que, embora posteriormente tenha sido declarado parcialmente inconstitucional, à época dos recolhimentos encontrava-se em plena vigência. Ressalte-se que referido inciso menciona apenas o pagamento indevido, sem adentrar ao mérito do motivo do indébito, concluindo-se então que estão incluídos também os casos de pagamento indevido em função de posterior declaração de inconstitucionalidade da lei que obrigava ao pagamento. Assim, na situação em tela, uma vez que o crédito tributário teria sido extinto pelo pagamento de 1990 a 1992(art. 156, inciso I, do CTN), o direito de pleitear a respectiva restituição decaiu, na melhor das hipóteses, em 1997. Obviamente, o presente pedido de restituição, protocolado que foi em 14/11/2001, encontra-se inexoravelmente atingido pela decadência. Ressalte-se que, ainda que aqui se aplicasse a tese do Superior Tribunal de Justiça, conhecida como a tese dos "cinco mais cinco", citada no recurso da Fazenda Nacional, também teria de ser declarada a decadência parcial. Recapitulando, a tese defendida no acórdão recorrido é no sentido de que o termo inicial para contagem da decadência, no caso em apreço, não seria a data do recolhimento, mas sim data posterior, fixada a partir do momento em que dito pagamento teria sido considerado indevido. Tal tese não deixa de constituir argumentação coerente, tanto assim que chegou a encontrar abrigo no próprio Superior Tribunal de Justiça. Não obstante, analisando-se mais detidamente a matéria, chega-se à conclusão de que a argumentação é desprovida de fundamento legal, de sorte que abraçá-la equivaleria à criação de nova hipótese de dies a quo para a decadência, totalmente à revelia do CTN e, conseqüentemente, da Constituição Federal. Ademais, a interpretação outrora abraçada pelo STJ conduz à seguinte ponderação: uma vez que a ADIn — Ação Direta de Inconstitucionalidade pode ser ajuizada a qualquer tempo, e tendo em vista a discricionariedade do Senado Federal para editar Resoluções, o STJ teria inaugurado hipótese de imprescritibilidade no Direito Tributário, o que não está previsto nem mesmo na Constituição Federal, salvo no âmbito do Direito Penal, relativamente à pretensão punitiva do Estado quanto à prática de racismo e à ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 50, incisos XLII e XLIV). tt\,_ 6 • Processo e 13884.004343/200146 CSRM-04 Acórdão n.• 01-00.811 Fl,. 7 Por esse motivo, o entendimento do STJ já foi revisto, no sentido de prestigiar o dia a quo assinalado no CTN, conectado não à declaração de inconstitucionalidade do STF ou à Resolução do Senado Federal, mas sim à data de extinção do crédito tributário objeto do pedido de restituição. Cabe aqui destacar a doutrina do Professor Eurico Marques Diniz de Santi, que a seguir se transcreve (Decadência e Prescrição no Direito Tributário, São Paulo: Max Limonad, 2000, p. 273/277): "Por isso, o controle da legalidade não é absoluto, exige o respeito do presente em que a lei foi vigente. Daí surgem os prazos judiciais garantindo a coisa julgada, e a decadência e a prescrição cristalizando o ato jurídico perfeito e o direito adquirido. Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positiva ção do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de repetição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação, serve tão só como novo fundamento jurídico para exercitar o direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN." Assim, a tese defendida no acórdão recorrido não mais encontra eco no Superior Tribunal de Justiça, que passou a prestigiar o dies a quo estabelecido no CTN (art. 168, inciso i)k 7 . . Processo n° 13884.004343/2001-86 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. 8 I), como forma de respeito à segurança jurídica. Nesse passo, a aferição sobre a tempestividade do pedido de restituição tem sido conectada não à data da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou de Resolução do Senado Federal, mas sim à data de extinção do crédito tributário. Os julgados daquela Corte já sedimentaram a opção pela segurança jurídica, citando-se como exemplo o Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 653.469/SP, Relator Ministro José Delgado, DJ de 13/06/2005: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO SOBRE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. DL N° 2.288/86. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. INICIO DO PRAZO. INOCORRÉNCIA. LC N° 118/2005. INAPLICAÇÃO RETROATIVA. ENTENDIMENTO DA 1" SEÇÃO. 1. Agravo regimental contra decisão que desproveu agravo de instrumento por entender que a pretensão da autora não estava prescrita, em ação de repetição do indébito de quantia recolhida a título de empréstimo compulsório (Decreto-Lei n°2.288/86). 2. Está pacífico na 1" Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Sujeito o tributo a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima. 3. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel. A ação não está prescrita, nem o direito decaído. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos "cinco mais cinco". 4. In casu, comprovado que não transcorreu, entre o prazo do recolhimento e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. 1nexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás a partir do ajuizamento da ação. Precedentes desta Corte Superior. 5. Quanto à LC n° 118/2005, a 1 0 Seção deste Sodalício, no julgamento dos EREsp n° 327093/DF — ainda não finalizado, após os votos do Ministro Relator João Otávio de Noronha e dos Ministros Francisco Peçanha Martins, José Delgado, Franciulli Netto, Luiz Fia e Teori Albino Zavascki, posicionou-se contra a nova regra prevista no art. 3° da referida Lei Complementar. )).k. Composta a 1" Seção por dez Ministros, dos quais seis já se (r 8 . . Processo n°13884.004343/2001-86 CSRUT04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. 9 manifestaram contra a aplicação do art. 3° da LC n' 118/05, a tese da Fazenda Nacional, portanto, não restará acolhida. 6. Agravo regimental não provido." (grifei) Nesse mesmo sentido a matéria publicada no Informativo n° 0267, do STJ - Superior Tribunal de Justiça, acerca da decisão no Recurso Especial n° 747.091-ES, de 08/11/2005, que tratava da cota de contribuição sobre exportações de café: "RENÚNCIA. PRESCRIÇÃO. FAZENDA PÚBLICA. Não há como se entender que haja renúncia tácita de prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública, pois, conforme o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, isso só pode dar-se mediante lei. No caso, o art. 18 da Lei n° 10.522/2002 apenas dispensou a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição na dívida ativa da União e o ajuizamento de execução fiscal em casos de quota de contribuição para a exportação de café, nada dispondo sobre renúncia à prescrição. Ao contrário, em seu i 3°, aquele artigo deixa claro que não abre mão de valores já percebidos, quanto mais de valores recebidos e insusceptíveis de exigência pela via judicial pelo fato de se haver consumado a prescrição. Com esse entendimento, destacado entre outros, a Turma negou provimento ao especial. Precedentes citados do STF: RE 80.15 3-SP, DJ 13/10/1976. REsp 747.091, Rel Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8/11/2005." Ora, se não é cabível a reabertura de prazo decadencial/prescricional pela edição de uma lei, muito menos pela edição de Resolução do Senado Federal, e menos ainda pela publicação de Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. Ademais, nem mesmo a tese dos "cinco mais cinco", defendida pelo STJ até junho de 2005, socorreria totalmente a contribuinte, uma vez que o recolhimento mais antigo foi efetuado em 1990, enquanto que o pedido foi protocolado em 2001. Nesse sentido, confira-se a ementa da decisão exarada no Recurso Especial 747.091/ES, de 08/11/2005: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 1NOCORRÉNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELA 1° SEÇÃO NO ERESP 435.835/SC. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE 1NTERPRETATIVA) DO SEU ART. 3°. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4°, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. ENTENDIMENTO CONSIGNADO NO VOTO DO ERESP 327.043/DF. (.) 2. A I° Seção do STJ, no julgamento do ERESP 435.835/SC, Rel. p/ o acórdão Min. José Delgado, sessão de 24.03.2004, consagrou o entendimento segundo o qual o prazo prescricional para pleitear a Ft restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de AV-- 9 Processo n°13884.004343/2001-86 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. 10 cinco anos, contados da data da homologação do lançamento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realização do fato gerador — sendo irrelevante, para fins de cômputo do prazo prescricional, a causa do indébito. Adota-se o entendimento firmado pela I° Seção, com ressalva do ponto de vista pessoal, no sentido da subordinação do termo a quo do prazo ao universal principio da actio nata (voto-vista proferido nos autos do ERESP 423.994/SC, l a Seção, Min. Peçonha Marfins, sessão de 08.10.2003). 3. No caso, a ação foi promovida quando já passados mais de dez anos da data do recolhimento do tributo que se busca repetir. 4.A renúncia à prescrição em favor da Fazenda Pública somente se dá quando expressamente autorizada por lei. 5. Recurso Especial a que se nega provimento." (grifè0 Diante do exposto, seguindo a linha que sempre tenho adotado em casos semelhantes, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, mantendo a decadência do direito de pleitear a restituição. Sala das Sessões - DF, em 03 de março de 2008. LOAL ARIA HELENA COITA Ciüttr Pr. 10 . . Processo n° 13884.00434312001-86 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.811 F. 11 Voto Vencedor Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3° do CTN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que uma vez a editada determinada norma pela Administração exigindo certo tributo ao particular nasce a obrigação, independentemente de sua vontade ou concordância, de satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo cabe - ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e c) A Administração Pública, através de ato competente, administrativamente reconhece que o tributo cobrado é indevido. A exigência do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido, de que tratava o artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1988, que determinava que o sócio quotista, o acionista ou o titular da empresa individual ficava sujeito ao Imposto sobre a Renda na Fonte, à aliquota de 8% (oito por cento), calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período-base, teve sua constitucionalidade questionada por meio do Recurso Extraordinário n°. 172.058/SC, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, que decidiu a matéria nos seguintes termos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO - ATO NORMATIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL - LIMITES. Alicercado o extraordinário na alínea b do inciso III do artigo 102 da Constituição Federal, a atuação do Supremo Tribunal Federal faz-se na extensão do provimento judicial atacado. Os limites da lide não a balizam, no que verificada declaração de inconstitucionalidade que os excederam. Alcance da atividade precipita do Supremo Tribunal Federal - de guarda maior da Carta Política da República. TRIBUTO - RELAÇÃO JUR1D1CA ESTADO/CONTRIBUINTE - PEDRA DE TOQUE. No embate diário Estado/contribuinte, a Carta Política da República #exsurge com insuplantável valia, no que, em prol do segundo, impõe 1 I 4/V . . Processo n°13884.00434312001-86 CSRE/T04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. 12 parâmetros a serem respeitados pelo primeiro. Dentre as garantias constitucionais explícitas, e a constatação não excluí o reconhecimento de outras decorrentes do próprio sistema adotado, exsurge a de que somente a lei complementar cabe "a definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes" - alínea "a" do inciso III do artigo 146 do Diploma Maior de 1988. IMPOSTO DE RENDA - RETENÇA-0 NA FONTE - SÓCIO COT1STA. A norma insculpida no artigo 35 da Lei n" 7.713/88 mostra-se harmônica com a Constituição Federal quando o contrato social prevê a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado, na data do encerramento do período- base. Nesse caso, o citado artigo exsurge como explicitação do fato gerador estabelecido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, não cabendo dizer da disciplina, de tal elemento do tributo, via legislação ordinária. Interpretação da norma conforme o Texto Maior. IMPOSTO DE RENDA - RETENÇÃO NA FONTE - ACIONISTA. O artigo 35 da Lei n° 1713/88 é inconstitucional, ao revelar como fato gerador do imposto de renda na modalidade "desconto na fonte", relativamente aos acionistas, a simples apuração, pela sociedade e na data do encerramento do período-base, do lucro líquido, já que o fenômeno não implica qualquer das espécies de disponibilidade versadas no artigo 43 do Código Tributário Nacional, isto diante da Lei n° 6.404/76. IMPOSTO DE RENDA - RETENÇÃO NA FONTE - TITULAR DE EMPRESA INDIVIDUAL. O artigo 35 da Lei n" 7.713/88 encerra explicitação do fito gerador, alusivo ao imposto de renda, fixado no artigo 43 do Código Tributário Nacional, mostrando-se harmônico, no particular, com a Constituição Federal Apurado o lucro líquido da empresa, a destinação fica ao sabor de manifestação de vontade única, ou seja, do titular, fato a demonstrar a disponibilidade jurídica. Situação fálica a conduzir a pertinência do princípio da despersonalização. RECURSO EXTRAORDINÁRIO - CONHECIMENTO - JULGAMENTO DA CAUSA. A observância da jurisprudência sedimentada no sentido de que o Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgara a causa aplicando o direito a espécie (verbete n° 456 da Súmula), pressupõe decisão formalizada, a respeito, na instância de origem. Declarada a inconstitucionalidade linear de um certo artigo, uma vez restringida a pecha a uma das normas nele insertas ou a um enfoque determinado, impõe-se a baixa dos autos para que, na origem, seja julgada a lide com apreciação das peculiaridades. Inteligência da ordem constitucional, no que homenageante do devido processo legal, avesso, a mais não poder, as soluções que, embora práticas, resultem no desprezo a organicidade do Direito. U. 30/06/1995. DJ 13-10-1995) Após o julgamento acima referido, o Senado Federal, nos termos do artigo 52, X, da CF, editou a Resolução n.° 82, de 18/11/1996, publicada em 19/11/1996, "in verbis": "Art. 1° É suspensa a execução do art. 35 da Lei 7.713, de 29 de dezembro de 1988, no que diz respeito à expressão 'o acionista' nele contida. é Art. 2° Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. fr. 12 . . Processo n°13884.004343/2001-86 CSRFIT04 Acórdão n.° 04-00.811 Eis. 13 Art. 30 Revogam-se as disposições em contrário. Senado Federal, em 18 de novembro de 1996." O texto da Lei n.° 7.713, de 1988, excluído do ordenamento jurídico, em face da Resolução do Senado, possuía a seguinte redação: "Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período-base." Por sua vez, em se tratando de quotas de responsabilidade limitada, a Secretaria da Receita Federal, com base no que dispõe o Decreto n° 2.194, de 07 de abril de 1997", editou a Instrução Normativa SRF, n.° 63, de 24 de julho de 1997 (D.O.U. de 25/07/1997), verbis: "Art. 1° Fica vedada à constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao Imposto de Renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei 7.713, de 2 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. No caso de norma declarada inconstitucional, o prazo de que trata o artigo 168 do CTN que assegura o período de tempo de cinco anos para o contribuinte pedir a restituição começa a fluir a partir de um dos eventos referidos no parágrafo anterior. Assim, em se tratando de Sociedade Anônimas, tem-se como marco inicial o dia 20/11/1996 com término em 19/11/2001. Para as empresas individuais e as sociedades por quotas o prazo inicial começa no dia 26/07/97, que corresponde ao dia seguinte da publicação no Diário Oficial da Instrução Normativa n° 63, de 24 de julho de 1997, da Secretaria da Receita Federal, findando o citado prazo em 25-07-2002. Sendo a recorrente constituída sob a forma de sociedade limitada o prazo decadencial começa a fluir a contar do dia no dia 26/07/97, que corresponde ao dia seguinte da publicação no Diário Oficial da Instrução Normativa n° 63, de 24 de julho de 1997, da Secretaria da Receita Federal, findando o citado prazo em 25/07/2002. Neste mesmo sentido destaco o seguinte: "DECADÊNCIA - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TERMO INICIAL - Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia- se: - da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; - da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; - da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. tptRecurso conhecido e improvido." (Ac. CSRF/01-03.239). K , 3 • • . Processo n° 13884.004343/2001-86 CSRF/T04 Acórdão n.° 04-00.811 Fls. 14 No caso dos autos, tendo a requerente protocolizado seu recurso em data anterior a 26 de julho de 2002, o fez dentro do prazo legal. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, em 03 de março de 2008. MOISES GIACOMELL NUNES DA SILVA Redator-designado 14 Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1 _0041900.PDF Page 1 _0042100.PDF Page 1 _0042300.PDF Page 1 _0042500.PDF Page 1 _0042700.PDF Page 1 _0042900.PDF Page 1 _0043100.PDF Page 1 _0043300.PDF Page 1 _0043500.PDF Page 1 _0043700.PDF Page 1 _0043900.PDF Page 1
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