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Numero do processo: 11040.721569/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.147
Decisão: Por unanimidade de votos, resolvem sobrestar o julgamento nos termos do § 1º, do art. 62-A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009; que aprovou o Regimento Interno do CARF, até pronunciamento definitivo do STF sobre o tema.
Nome do relator: CARLOS PELÁ
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Por unanimidade de votos, resolvem sobrestar o julgamento nos termos do § 1º, do art. 62A, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009; que aprovou o Regimento Interno do CARF, até pronunciamento definitivo do STF sobre o tema.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinada digitalmente) Carlos Pelá – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .7 21 56 9/ 20 11 -1 3 Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09459.DL2N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11040.721569/201113 Resolução nº 1402000.147 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ Simples, CSLLSimples, PISSimples, COFINSSimples, INSSSimples (fls. 2/56) e de IRPJ, CSLL, pIS e COFINS, calculados pela sistemática do Lucro Arbitrado (fls. 208/248), lavrados em razão da suposta omissão de receita, apurada pelas autoridades fiscais a partir do confronto entre os valores das receitas registrados nos Livros Registros de Apuração do ICMS e os valores das receitas informadas na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica – SIMPLES, período de 01/01/2007 a 30/06/2007, e na DIPJ – Lucro presumido ou DCTF e DACON (para o PIS e Cofins), períodos de apuração 01/07/2007 a 31/12/2008. O Contribuinte atua no transporte rodoviário de cargas, tendo apresentado no primeiro semestre de 2007, declaração simplificada pelo SIMPLES. Nos 2º e 3º trimestres de 2007 e 1º a 4º trimestres de 2008 apresentou a DIPJ com base no lucro presumido. Além da omissão de receita apurada no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, na sistemática do SIMPLES, foram apuradas insuficiências nos recolhimentos de tributos nos mesmos períodos, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. Nos 3º e 4º trimestres de 2007 e nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2008 , em razão da falta de escrituração no Livro Caixa da movimentação financeira, inclusive da bancária, e também, não tendo apresentado a escrituração comercial e fiscal, a Fiscalização, arbitrou o lucro, tomando por base a receita bruta. Em virtude da omissão de receita apurada, foi aplicada multa qualificada de 150%, conforme art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96 e realizada a Representação Fiscal para Fins Penais (processo nº. 11040.721572/201137). No caso da insuficiência de recolhimento, foi aplicada multa de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. O Contribuinte apresentou impugnação (fls. 298/337) e documentos (fls. 338/402), trazendo, em síntese, os seguintes argumentos: (i) Alega que nos anos de 2007 e 2008 não possuía frota própria de caminhões, sendo necessário a contratação de veículos de terceiros. Desse modo, repassava 80% do valor cobrado pelos fretes. Portanto, somente podem ser considerados como base de cálculo, 20% dos valores recebidos pelos serviços de frete, ou seja, somente 20% de fato representa o faturamento. No caso, é inconcebível considerar os valores repassados a terceiros, que apenas transitaram pela contabilidade (mera entrada de numerário), como integrantes das bases de cálculo para os tributos; (ii) A impossibilidade de o ICMS ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; (iii) A inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS determinada pela Lei nº 9.718/98; (iv) A multa no percentual de 150% não pode exigida, eis que em momento algum houve a intenção de omitir, muito menos de forma dolosa, a sua documentação fiscal. Além disso, a multa de 150% possui caráter confiscatório, sendo desproporcional, irrazoável e ilegal; e (v) Requer a produção de prova técnica contábil para que seja demonstrado que as bases de cálculo dos tributos apurados pela Fiscalização não levaram em com conta o real faturamento. Indica o perito. A 1ª Turma da DRJ/POA julgou o lançamento procedente (fls. 413/428), nos termos da ementa a seguir reproduzida: Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09459.DL2N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11040.721569/201113 Resolução nº 1402000.147 S1C4T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 SIMPLES. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços de transportes são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas operações integra a receita bruta para fins de determinação da base de cálculo do SIMPLES, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração Simplificada na Pessoa Jurídica SIMPLES, constitui omissão de receita passível de tributação. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO É cabível a exigência das diferenças de imposto e contribuições recolhidas a menor, em decorrência da alteração dos percentuais aplicáveis sobre a receita bruta acumulada por conta da adição da receita omitida à declarada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2007, 31/12/2007, 31/03/2008, 30/06/2008, 30/09/2008, 31/12/2008 LUCRO ARBITRADO. RECEITA BRUTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS. Na prestação de serviços de transporte de cargas, quando os serviços de transporte são realizados por conta e exclusiva responsabilidade da transportadora, recebendo os valores dos fretes, inclusive aqueles efetuados por terceiros, a totalidade dos recebimentos decorrentes dessas cálculo do lucro arbitrado, não tendo amparo legal a exclusão dos valores repassados a terceiros pelos fretes subcontratados. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITA. As diferenças existente entre as receitas registradas nos Livros Registros de Apuração do ICMS e as receitas informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica e nas DCTF, constitui omissão de receita passível de tributação. Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09459.DL2N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11040.721569/201113 Resolução nº 1402000.147 S1C4T2 Fl. 5 4 LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP. COFINS. CSLL. INSS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. BASE DE CÁLCULO. PIS/PASEP. COFINS. As contribuições para o PIS e para a COFINS devem ser calculadas com base na receita bruta, assim entendida a receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. RECEITA TRIBUTADA A MENOR. CONDUTA REITERADA. CABIMENTO DA MULTA AGRAVADA PARA 150%. A conduta do Contribuinte de oferecer à tributação receitas inferiores as realmente auferidas, reiteradamente, apurando e recolhendo imposto de renda e contribuições a menor, denota o elemento subjetivo da prática dolosa, justificando o agravamento da multa para 150%. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 438/477), sustentando, preliminarmente, o cerceamento de defesa em razão do indeferimento do pedido de perícia e, no mérito, repisa os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Voto O recurso voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. De plano, cumpre destacar que o recurso voluntário, assim como a impugnação interposta pela contribuinte é parcial, haja vista não apresentar qualquer contestação expressa às infrações que lhe foram imputadas pela fiscalização dando origem aos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS calculados de acordo com a sistemática do Simples Nacional ou do Lucro arbitrado. A Recorrente contesta, tão somente, a aplicação da multa qualificada de 150% e as bases de cálculo utilizadas pela fiscalização, atacando o conceito de receita bruta adotado para apuração do imposto de renda e das contribuições. Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09459.DL2N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11040.721569/201113 Resolução nº 1402000.147 S1C4T2 Fl. 6 5 Assim, a omissão de um item no recurso voluntário e na impugnação da contribuinte, por si só caracteriza a concordância do sujeito passivo relativamente à parte não contestada, ensejando a aplicação do art. 17 do Decreto nº. 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal. Dito isso, passo a analisar a preliminar argüida pela Recorrente. Inicialmente, no que tange à preliminar de cerceamento de direito de defesa alegada pelo contribuinte, entendo descabida. Do exame dos autos, especialmente da decisão a quo, é possível verificar que as instâncias anteriores consideraram os documentos e alegações apresentadas pelo contribuinte, muito embora tenha entendido pela desnecessidade de perícia. Nesse contexto, não é demais frisar que a autoridade julgadora pode apreciar livremente as provas apresentadas conforme sua convicção e juízo, determinando a realização de diligência ou perícia quando entender imprescindíveis ao deslinde da controvérsia, o que não acontece no caso concreto. Passo à análise do mérito. Não merece reparo a decisão recorrida. O Contribuinte sustenta que somente 20% dos valores recebidos a título de fretes representa faturamento, pois repassa o restante para terceiros que prestam o serviço de transporte de cargas em seus veículos. Assim, os valores repassados a terceiros, não poderiam integrar a base de cálculo dos tributos lançados. Ora, não há previsão legal que permita, nas sistemáticas do Simples, do Lucro Arbitrado ou do Lucro Presumido, para que os valores repassados a terceiros a título de fretes possa ser deduzido da receita bruta. Tanto no Simples, como no Lucro arbitrado e no Lucro presumido, a apuração do Imposto de Renda é baseada na receita bruta auferida, como pontuado pela decisão recorrida. Com efeito, uma vez que o Contribuinte optou pelo Simples no período de 01/01/2007 a 30/06/2007 e teve o seu lucro arbitrado no período de 01/07/2007 a 31/12/2008, está correto o procedimento da Fiscalização que considerou como base de cálculo os valores totais dos fretes, sem excluir, por falta de previsão legal, os valores supostamente transferidos para terceiros pelos fretes subcontratados. Tais valores, se comprovados, somente poderiam ser deduzidos como custos ou despesas, caso fosse adotada a forma de tributação pelo lucro real, que não é o caso do Contribuinte. Além disso, a Contribuinte alega erro no apuração dos créditos tributários lançados e razão (i) da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS determinada pela Lei nº 9.718/98; e (ii) da impossibilidade de o ICMS ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09459.DL2N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11040.721569/201113 Resolução nº 1402000.147 S1C4T2 Fl. 7 6 De fato, a inclusão de receitas não operacionais na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme previstos no § 1º do art. 3° da Lei nº. 9.718/98, foi devidamente declara inconstitucional pelo Plenário do STF. Em 09/11/2005, o Tribunal Pleno do STF completou o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 346.0846, 358.273, 357.950 e 390.8405, declarando inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS introduzida pela Lei nº 9.718/98. Ao fazêlo, o STF impediu a incidência destas contribuições sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº. 70/91. Nos termos da decisão do STF, o PIS e a COFINS só poderiam incidir sobre o “faturamento”, assim entendido, a somatória das receitas provenientes da venda de mercadoria e/ou serviços, afastada sua incidência sobre qualquer outra receita. No entanto, vale notar que as receitas decorrentes da prestação de serviço de fretes é receita operacional para a Recorrente. Não se trata, pois, de receita financeira, que poderia ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos da decisão do STF. Finalmente, aduz a Contribuinte sobre a impossibilidade de o ICMS ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. Ora, o tema é de interesse coletivo, dos contribuintes em geral e da Administração Fazendária, qual seja a questão da inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Por essa razão, a disputa constitucional sobre a inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS foi considerada de “repercussão geral” pelo STF, afeto à sistemática do artigo 543B do Código de Processo Civil (Lei nº. 5.869/73). A qualificadora constitucional da repercussão geral, uma vez reconhecida, oferece solução definitiva sobre a matéria e impede a repetição processualmente indevida e socialmente onerosa de outros processos com identidade de objetos e efeitos. A verificação da existência da preliminar formal impõe aos julgadores deste Conselho a aplicação do artigo 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº. 256/09, vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09459.DL2N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11040.721569/201113 Resolução nº 1402000.147 S1C4T2 Fl. 8 7 Assim, é de se sobrestar o feito, nesse ponto, até o deslinde da controvérsia pelo STF no julgamento do RE 574706. Multa qualificada O motivo invocado pela autoridade fiscal autuante para qualificar a multa de ofício foi o seguinte: “Considerando a expressiva divergência de valores e a falta de fundamento nos esclarecimentos prestados pela empresa, não se pode afirmar que esse fato tenha sido decorrente de um simples erro da fiscalizada, restando configurada a intenção dolosa na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, do fato gerador do tributo.” Compulsandose dos autos é possível verificar que durante o procedimento fiscal foram conferidas duas oportunidades para que a Recorrente apresentasse os Livros Contábeis (Diário e Razão), ou o Livro Caixa contendo toda a movimentação financeira inclusive bancária. No entanto, a empresa apresentou tão somente o Livro Caixa, que, contudo, não apontava a movimentação bancária. Além disso, conforme dados informados em DCPMF (Declaração da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) para o anocalendário de 2007 e em DIMOF (Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira) para o anocalendário de 2008, a empresa realizou movimentação financeira nos dois anoscalendário. Assim, tornouse evidente o intuito da Recorrente em evadirse da fiscalização, obstruindo a conferência dos valores efetivamente apurados. Corroborando esse entendimento, temos, ainda, que a Recorrente não contestou os créditos tributários lançados ou o arbitramento realizado pela fiscalização, demonstrando concordar com os valores cobrados. No que tocam às demais alegações de infração aos princípios constitucionais, tais como o princípio da proporcionalidade, da razoabilidade e do nãoconfisco, como já afirmado, descabe tal análise pelo julgador administrativo. Citese o enunciado da Súmula nº 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de sobrestar a decisão final sobre a lide, em razão da questão sobre a inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pendente de análise pelo STF, que poderá impor o recálculo das contribuições devidas. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09459.DL2N. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por CARLOS PELA em 09/07/2013 11:24:49. Documento autenticado digitalmente por CARLOS PELA em 09/07/2013. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 18/07/2013 e CARLOS PELA em 09/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0520.09459.DL2N Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F7F96E9903EB3B4B8B1D13A47A6F87838E08690B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11040.721569/2011-13. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002530/2010-08
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.091
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em realização de diligências, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em realização de diligências, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (Documento assinado digitalmente) Edgar silva Vidal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Ausente momentaneamente o Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira RELATÓRIO A Recorrente foi excluída do SIMPLES NACIONAL a partir de 01 de janeiro de 2011, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SBC nº 445169, de 01 de setembro de 2010,por possuir débitos do SIMPLES com exigibilidade não suspensa, relacionados no mesmo ADE, conforme disposto no inciso V do art. 33 da Lei Complementar 123, de 14/10/2006, e no art. 4º da Resolução CGSN 15, de 23/07/2007. Em 28 de outubro de 2010 apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que os débitos foram pagos, em decorrência do procedimento de pagamento, com conversão em renda, lastreado com créditos do DecretoLei nº 6.019/1943, objeto da ação de execução do Processo nº 2007.34.00.0400373, em trâmite perante a 18ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, pela modalidade de extinção do crédito tributário do art. 156, I, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 07/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13819.002530/201008 Resolução n.º 180100.091 S1C3T1 Fl. 2 2 VI do CTN, c/c art. 6º da Lei nº 10.179/2001, ratificados pela Lei 11.803/2008, conforme guias de depósito judicial que serão posteriormente juntadas ao processo. Pede o cancelamento do Ato Declaratório, tornando sem efeito a Exclusão da empresa do SIMPLES. Todas guias de depósitos judiciais apresentadas pela Recorrente têm valor de R$ 15,00 (quinze) reais cada uma. Em sessão de 25 de maio de 2011, a 8ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação Improcedente, conforme Acórdão nº 0533.811. A decisão da DRJ teve por fundamentos: I– o crédito mencionado com base no DL 6.019/1943, objeto da ação impetrada pela recorrente, referese a pagamento de juros e da amortização dos títulos dos empréstimos externos realizados em libras e dólares pelos Governos da União, Estados e Municípios, Instituo de Café do Estado de São Paulo e Banco do Estado de São Paulo, não se tratando, portanto, de créditos administrados pela RFB, de acordo com a IN nº900, de 2008, II – a sentença judicial citada ainda não transitou em julgado, o que impediria a sua compensação com base no art. 34, § 3º, inciso I”, alínea “d”, da IN 900/2008; III – tratase de débito do SIMPLES, cuja compensação é veda pelo art. 34, § 3º, inciso XV, também da IN nº 900/2008.; IV – a compensação deve ser formalizada em Declaração de Compensação, conforme art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/96. e art. 34, § 1º da IN nº 900/2008. Intimada do Acórdão em 20/06/2011, interpôs Recurso Voluntário em 15 de julho de 2011, onde alega que a decisão da DRJ está equivocada, pois não se trata de compensação, haja vista que a Recorrente promoveu o pagamento, através da conversão em renda de seus débitos, com Declaração Retificadora, em data anterior ao início deste processo. Alega tratarse de Ação Executória contra a União Federal, cujo objeto é o crédito representado por Títulos da Dívida Externa Brasileira, regulados pelo DecretoLei nº 6.019/43, reconhecidos como devidos pela Secretaria do Tesouro Nacional, mas que se recusa a efetuar o seu resgate sem a aplicação de juros e correção monetária devidos, razão pela qual o contribuinte foi obrigado a bater às porta do Judiciário para receber aquilo que lhe é devido. Pede:o cancelamento do Processo Administrativo e dos débitos nele cobrados. É o relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 07/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13819.002530/201008 Resolução n.º 180100.091 S1C3T1 Fl. 3 3 VOTO Conselheiro Edgar Silva Vidal Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A Recorrente alega que a DRJ equivocouse ao julgar a Manifestação de Inconformidade, pois não se trata de compensação, mas de pagamento dos seus débitos tributários através da conversão em renda lastreado com créditos do DecretoLei nº 6.019/1943, objeto da ação de execução do Processo nº 2007.34.00.0400373, em trâmite perante a 18ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, pela modalidade de extinção do crédito tributário do art. 156, I, VI do CTN, c/c art. 6º da Lei nº 10.179/2001, ratificados pela Lei 11.803/2008, conforme guias de depósito judicial juntadas ao processo. Salientese que todas as guias apresentadas têm valor de R$ 15,00 (quinze) reais, portanto diferentes dos valores relacionados no Ato Declaratório de Exclusão.. Entendo que a comprovação dos pagamentos deve ser feita por Documentos de Arrecadação com quitação bancária, com os valores constantes do ADE , devidamente atualizados, o que não existe no processo. Por esta razão, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam os autos baixados a origem para que a recorrente seja intimada para, no prazo de 30 dias, trazer aos autos os documentos que comprovem a quitação dos débitos, assim como as certidões negativas e de objeto e pé. Após, que os documentos juntados sejam analisados pela autoridade competente, com a elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo das verificações efetuadas, do qual deverá ser a recorrente intimada a apresentar manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, se do seu interesse, retornandose, posteriormente, os presentes autos a este Colegiado para prosseguimento. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 07/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10783.915545/2009-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1801-000.117
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Cristiane Silva Costa, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 31.07.2008, fls. 2630, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$23.707,36 de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 31.01.2008, fl. 04. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.915545/200952 Resolução n.º 180100.117 S1C1T1 Fl. 70 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. A Recorrente foi cientificada em 19.10.2009, fls. 25, e apresentou a manifestação de inconformidade em 10.11.2009, fls. 0102, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. Conclui Diante desses fatos [...] entendendo justificado o equivoco ocorrido, o qual, culminou com a ausência de dados no sistema da Receita Federal, acarretando a impossibilidade de comprovação do crédito pelos competentes serventuários federais, requer, a Peticionária, seja declarada nula e sem efeito a cobrança, objeto da presente, em face da insubsistência da mesma diante dos documentos apresentados. Segue ainda, como documento comprobat6rio do quanto alegado e pleiteado, via compensação, planilha de créditos por pagamento indevido ou a maior e utilização em PER/DCOMP, mês a mês desde janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2008. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 39.354, de 11.08.2011, fls. 3233:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Conta no Voto condutor Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Restou ementado ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Notificada em 31.08.2011, fl. 39, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, fls. 4155, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que os atos administrativos são nulos, uma vez que houve preterição do seu direito de defesa, haja vista que a DCTF Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.915545/200952 Resolução n.º 180100.117 S1C1T1 Fl. 71 3 retificadora deve ser considerada para fins de compensação, porque ela tem a mesma natureza daquela originalmente apresentada e a substitui integralmente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto, vem a ora Recorrente requerer: I. Preliminarmente, diante da evidente nulidade do Despacho Decisório, que desconsiderou as informações prestadas (na DIPJ, na retificação da DCTF), o que inverteram integralmente o ônus de provar o que está devidamente declarado e o único argumento utilizado para tanto reside no fato de que a retificação da DCTF apresentada não surtiu efeito algum já que perpetrada posteriormente ao Despacho Decisório, a decretação de nulidade total do Despacho Decisório e a homologação das compensações efetuadas, diante do flagrante cerceamento da defesa e ofensa ao princípio da verdade material é medida que se impõe. II. No mérito, o acolhimento de todas as argumentações e provas apresentadas desde a manifestação de inconformidade, assim como a consideração de todas as informações já constantes nos sistemas da própria SRF que comprovam a existência do crédito em favor da Recorrente, capaz de amparar as compensações pleiteadas e a reconsideração do Despacho Decisório [...] com a homologação das compensações efetuadas. III. Requer ainda a exclusão definitiva dos débitos lançados no [conta corrente] da empresa pela não homologação das compensações. Por fim a Recorrente informa que tem interesse em realizar sustentação oral perante este [CARF]. Termos em que, Pede deferimento. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.915545/200952 Resolução n.º 180100.117 S1C1T1 Fl. 72 4 A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. No Voto condutor do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.354, de 11.08.2011, fls. 3233, consta Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. No caso de ação fiscal, a espontaneidade do sujeito passivo fica excluída a partir do primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária. Por esta razão, a declaração retificadora entregue após o início do procedimento de ofício não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício1. Diferentemente, em se tratando de Per/DComp, a legislação tributária foi bem específica e expressamente proíbe tãosomente a sua retificação, caso a sua análise não mais se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador2. Não se pode adotar nesta matéria a interpretação extensiva, de modo que a Recorrente a instauração da fase litigiosa no procedimento de Per/DComp, por si só, não afasta a espontaneidade da Recorrente em relação ao recolhimento de tributos, tampouco para fins de apresentação de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras. Ademais, o Per/DComp delimita os termos da análise da matéria e assim deve ser observado os limites legais, já que é a Recorrente é quem elege o quantum que vai utilizar de seu crédito tributário para fins de compensação dos débitos eleitos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido3. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior. 1 Fundamentação legal: art. 142 e art. 147 do Código Tributário Nacional, art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF n° 33. 2 Fundamentação legal: inciso III do art. 151, art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10783.915545/200952 Resolução n.º 180100.117 S1C1T1 Fl. 73 5 Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação alegado pagamento a maior no valor total de R$23.707,36 de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 31.01.2008, referente ao fato gerador ocorrido em 31.12.2007, fl. 04: 1) A autoridade preparadora deve instruir os autos com: 1.a) as cópia das DCTF, original e retificadoras, se houver; 1.b) as cópias das DIPJ, original e retificadoras, se houver. 2) A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes4 . (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 23/06/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13982.001026/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.224
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .0 01 02 6/ 20 10 -9 1 Fl. 1180DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A presente autuação diz respeito aos anoscalendário de 2007 e 2008, lavrada em face da empresa antes indicada que é tributada com base no lucro real anual. O auto de infração de fls. 4 e seguintes encontrase acompanhado do termo de verificação fiscal de fls. 627 e seguintes, notificado à recorrente em 22/12/2010 (fl. 640), indicando as seguintes infrações: 001 Custos dos bens ou serviços vendidos Glosa de custos (fl. 6) Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa 31/12/2004/2005/2006/2007/2008 os indicados às fls. 6/8 150% 001 Multas isoladas Falta de recolhimento de estimativas (fl. 37) Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Nos meses indicadas às fls. 37/38 Valores indicados fl. 3 Em relação aos valores indicados às fls. 6/8 além do IPRJ foi exigido CSLL. A controvérsia do presente processo pode ser resumida como glosa de custos referentes a supostas aquisições feitas junto à empresa Tozzo e Cia Ltda CNPJ 81.810.376/000163, lastreadas por notas fiscais emitidas de forma graciosa. Diz a fiscalização que a Empresa Tozzo & Cia Ltda, doravante identificada como Atacado TOZZO, efetuou vendas de mercadorias para estabelecimentos diversos, que não desejavam receber notas e emitiu notas fiscais forjadas indicando como destinatária das referidas mercadorias a empresa Badotti & Cia Ltda, que por sua vez lançou em sua contabilidade como sendo custos, que resultaram glosados. Para efeitos de relatório, da fl. 628 dos autos, transcrevo a seguinte acusação feita pela autoridade fiscal: "...impende salientar que as notas fiscais com destinatários forjados, quais sejam, as chamadas "Notas Referentes" eram identificadas nos sistemas informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda por meio do seguinte procedimento: Tais notas eram lançadas como tendo um desconto de 0,01 %. Esta conduta resta comprovada nos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC pelas seguintes pessoas: SILVIA BOROROWICC, administradora de dados da empresa TOZZO, conforme fls. 444/443; ANDRÉ MARCOS GELHEN, desenvolvimento do sistema de controle de vendas financeiro da empresa TOZZO e CIA Ltda, conforme depoimento fls. 447/450. DÁRIO MANICA desenvolvimento de programas e manutenção de equipamentos de informática e de Rede da empresa TOZZO e CIA Ltda, conforme depoimento fls. 451/454. ANTONIO SÉRGIO NARDES FANFA, coordenador dos trabalhos de setor CPC na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme fls. 456/459. Fl. 1181DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 4 3 BRUNA DE ALMEIDA PRADO exerce a função de AUXILIAR DE VENDAS na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme Fls. 463/465. MARCOS LUIZ MOREIRA exerce a função de ASSISTENTE DE VENDAS na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme Fls. 472/473. ... "É de curial importância ressaltar que as pessoas acima nominadas eram aquelas encarregadas de criar e controlar os sistema informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda. Daí a relevância dos seus depoimentos." A planilha com a relação das notas fiscais cujos custos foram glosados pela autoridade fiscal consta das fls. 205 a 232 (ver também planilha de fls. 518 a 625). Notificada, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 641/562, alegando, além da decadência e de inexistência de situação que caracteriza a exigência de multa qualificada, que o auto de infração merece rejeição pelos seguintes fundamentos: a) que a fiscalizada não praticou as supostas infrações descritas na autuação, tendo contabilizado documentos fiscais idôneos que efetivamente representam compra e venda de mercadorias; b) as alegações fiscais são presunções , a partir de "banco de dados de terceiros", sem participação da empresa reclamante. Segundo informa a autoridade fiscal, tratase de documento obtido com a empresa Tozzo e Cia Ltda. Não procedeu o fisco a nenhuma apuração concreta, e nem mesmo procedeu a qualquer levantamento, averiguação de fato e de direito, ou qualquer análise contábil ou documental, onde poderia comprovar a licitude das operações da autuada, todas elas registradas, com entradas e saídas regulares e estoque corretos. 0 fisco, indevidamente, erigiu tal "banco de dados" em prova absoluta contra a autuada, sem se ater a qualquer outro elemento concreto. c) Em defesa da tese que não se pode adotar como prova absoluta simples informações constantes de registros de terceiros a recorrente aponta vasta doutrina e jurisprudência, dentre as quais, a título de exemplo, cito a que segue: “MERCADORIAS. IMPROCEDENTE ACUSAÇÃO DE AQUISIÇÃO SEM COBERTURA FISCAL, COM BASE EM ANOTAÇÃO EM DOCUMENTO PARTICULAR DE TERCEIRO. APELO PROVIDO. DECISÃO UNÂNIME A simples anotação em "ficha" de terceiro, sem qualquer outro elemento de prova, não induz à segurança do AIIM, pelo que se provê o recurso.(Proc. DRT5 n° 5123/76, julgado em sessão da 6a Câmara de 17.10.77 Rel. Álvaro de S6 Ementa: voto vencedor do Juiz Moisés Akselrand Ementário, 1979, n° 0171).” Em defesa da tese de que efetivamente adquiriu e pagou as mercadorias a recorrente, a título exemplificativo, apresentou os seguintes documentos: “a) Cópia da duplicata n. 312717/1 emitida pela sociedade Tozzo & Cia Ltda, mais as notas fiscais que a originaram, mais as respectivas notas ou cupons fiscais de vendas dessas mesmas mercadorias. b) Cópia da duplicata n. 312702/1 emitida pela sociedade Tozzo & Cia Ltda, mais as notas fiscais que a originaram, mais as respectivas notas ou cupons fiscais de vendas dessas mesmas mercadorias. Fl. 1182DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 5 4 c) Cópia da duplicata n. 312709/1 emitida pela sociedade Tozzo & Cia Ltda, mais as notas fiscais que a originaram, mais as respectivas notas ou cupons fiscais de vendas dessas mesmas mercadorias. d) Cópia de outras 13 (treze) duplicatas emitidas pela sociedade Tozzo & Cia Ltda, mais as notas fiscais que a originaram, mais as respectivas notas ou cupons fiscais de vendas dessas mesmas mercadorias. e) Cópia de notas fiscais exemplificadas de aquisições de mercadorias no valor de até R$ 1.000,00 (mil reais). f) Cópia de notas fiscais pagas em dinheiro pelo caixa da reclamada. Por fim, sustenta que não cabe a multa qualificada.” A DRJ, por meio do acórdão de fls. 1147 e seguintes, manteve o lançamento, sendo que ementa, na parte que interessa, pode ser resumida com os seguintes trechos: “IRPJ.CSLL. Prazo de decadência. Dolo. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art.150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que, sob as regras deste último, não ocorreu a decadência para os fatos geradores supra indicados. Prova Emprestada. Admissibilidade. Na instrução do processo administrativo fiscal são admissíveis como provas elementos, informações e documentos coletados por outros órgãos oficiais e regularmente compartilhados com a Receita Federal do Brasil, limitandose o empréstimo às provas e não às conclusões do órgão em que foram coletadas. Prova Indiciária. Admissibilidade. É admissível, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários, tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. Multa de Ofício Qualificada. Duplicação do Percentual da Multa de Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 303, de 29/06/2006, DOU de 30/06/2006). Escrituração contábil. Força Probante. Escrituração contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos. Nota fiscal. Presunção de veracidade afastada. Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. Fl. 1183DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 6 5 Multa Isolada. Apuração entre 31/01/2005 a 30/09/2008 Multa Isolada. Falta de Recolhimento do IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada mensal. A matéria que não for contestada explicitamente é considerada matéria não impugnada.” A recorrente foi intimada da decisão da DRJ em 3/8/2012 (fl. 1167) e em 13/8/2012 ingressou com o recurso de fls. 1168 repetindo as alegações da impugnação, e requerendo, ao final, o cancelamento da exigência. É o relatório. Fl. 1184DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator. O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões suscitadas. O recurso indaga questões da mais alta relevância em termos de garantias constitucionais, qual seja, se é possível a utilização na esfera administrativa de prova obtida em processo criminal. Se a prova for decorrente de interceptação de correspondência e comunicações telegráficas tenho que, mesmo que obtida com ordem judicial, não é possível sua utilização no processo administrativo. A única exceção contida no artigo 5º, XII, da Constituição Federal é para fins de investigação criminal. Neste sentido, reitero o entendimento por mim exarado quando do exame do processo nº 16408.000183/200703, de que fui relator neste Conselho ocasião em que destaquei textualmente: "(...) a justiça fiscal e penal não se realiza a qualquer preço. Existem, na busca da verdade, limitações imposta por valores mais altos que não podem ser violados.(....) O artigo 195, do CTN; o artigo 34 da Lei nº 9.430, de 1996 e o artigo 911, do Regulamento do Imposto de Renda, devem ser interpretados conforme a Constituição e não o contrário. Tais normas não podem apequenar o texto da Constituição cuja função mais importante é a de resguardar as garantias do cidadão frente ao Estado. Se não fosse este o entendimento, de que valeria uma Constituição que assegurasse a inviolabilidade de domicílio se permitíssemos que residências, locais de trabalhos e memórias de computadores fossem invadidos ou acessados sem ordem judicial. Passaríamos a legitimar a violência e, a pretexto de combater os infratores, também nos tornaríamos um deles, só que violando outras normas. A propósito do preceito constitucional que consagra a inviolabilidade do domicílio, direito fundamental enraizado mundialmente, é oportuna a repise do discurso de Lord Chatham, no parlamento Britânico: “O homem mais pobre desafia em sua casa todas as forças da Coroa, sua cabana pode ser muito frágil, seu teto pode tremer, o vento pode soprar entre as portas mal ajustadas, a tormenta pode nela penetrar, mas o Rei da Inglaterra não pode nela entrar.” "Por fim, não de pode cometer o equívoco de se permitir a captura de dados informatizados, sem ordem judicial, sob a alegação de preponderância do interesse público sobre o privado. No Estado Democrático os direitos e garantias individuais se constituem em valores fundamentais que formam o maior dos interesses públicos, qual seja, garantir aos indivíduos que a ação do Estado, em hipótese alguma, passará dos limites previstos na Lei." Fl. 1185DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 8 7 Se a prova for de natureza documental, quando obtida com ordem judicial, não vejo problema em sua utilização. Nesta linha cito os seguintes precedentes do STJ: MS nº 15.146DF, Rel. Minstra Eliana Calmon, DJe 29/08/2013, MS 10128/DF, Rel. Ministro Og Fernandes, Terceira Seção, DJe 22/02/2010, MS 13.986/DF, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Terceira Seção, DJe 12/02/2010, MS 13.501/DF, Rel. Ministro Felix Fischer, Terceira Seção, DJe 09/02/2009, MS 12.536/DF, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, DJe 26/09/2008, MS 10.292/DF, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Terceira Seção, DJ 11/10/2007. No caso concreto o que vieram aos autos foram depoimentos de exfuncionários da empresa TOZZO informando que ela costumava vender mercadorias sem notas fiscais a determinados estabelecimentos e remeter a nota fiscal a outros estabelecimentos, tributados com base no lucro real, que utilizavam tais custos como despesas e se creditavam do ICMS. Ditas provas, de natureza testemunhal (arts. 400 e seguintes do CPC), obtidas em investigação para fins criminais, não se confundem com prova documental de que tratam os artigos 364 e seguintes do CPC. Ademais, não deixo de reconhecer que em momento algum as referidas provas fazem qualquer referência ao nome da empresa fiscalizada. Na prática, informam a forma como procede um dos fornecedores da autuada e, a partir desta notícia, a autoridade fiscal iniciou diligências junto à empresa, não havendo qualquer ilegalidade no procedimento levado a efeito, neste processo, pela autoridade fiscal. Reconhecida a legalidade do procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário, passo ao exame do mérito. Em 30/6/2010 foi expedido notificação à fiscalizada (fl. 233) que se fez acompanhada da planilha de fls. 244/278, correspondentes a compras feitas junto ao Atacado T0ZZO, solicitando para a autuada (i) comprovar o efetivo recebimento das mercadorias; (ii) explicar como se deu o seu pagamento; (iii) disponibilizar à fiscalização as referidas notas fiscais, em momento a ser solicitado. Conforme consta da fl. 290 dos autos, em 23/7/2010, a empresa fiscalizada entregou à Fiscalização um arquivo magnético (CD) "contendo relação das notas fiscais do fornecedor Tozzo e Cia Ltda. Separadas por cada ano fiscal." No que tange ao pagamento a fiscalizada informou que ditas aquisições eram feitas mediante quitação em duplicatas, em moeda corrente nacional oriundas de suas vendas diárias, recebidas também em moeda corrente nacional, conforme se comprova com relatórios diários de vendas e seus totalizadores das máquina registradoras. Aqui faço um parêntese quanto à forma de pagamento. Nos dias de hoje, a impressão que eu tinha, é que não é habitual fazer pagamento em espécie e sim mediante sistema financeiro. No entanto, a prova colhida pelo Ministério Público indica que, no segmento explorado pela empresa recorrente tal prática estava inserida na rotina, sendo que os caminhões de entrega, segundo depoimentos prestados, possuíam cofre tipo "boca de lobo". Feito tal registro, retomo a análise dos autos e observo que a acusação fiscal, pelo que consta do relatório de fl. 628, fundase nos seguintes elementos: "...impende salientar que as notas fiscais com destinatários forjados, quais sejam, as chamadas "Notas Referentes" eram identificadas nos sistemas informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda por meio do seguinte procedimento: Tais notas eram lançadas como tendo um desconto de 0,01 %. Esta conduta resta comprovada nos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC pelas seguintes pessoas: Fl. 1186DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 9 8 Em síntese, a glosa atinge as notas fiscais identificadas com a informação de desconto de 0,01%. Este é o parâmetro da acusação. Na planilha de fls. 205/232, a autoridade fiscal relaciona o nº, a data e o valor de cada nota fiscal emitida pelo Atacado TOZZO que foram glosadas com base na acusação acima, qual seja, "nota referente", com "desconto de 0,01%". Anexo ao termo de intimação de fls. 234, a autoridade fiscal, na planilha de fls. 244/278, relacionou as notas fiscais referentes as transações entre o Atacado TOZZO e a recorrente, solicitando que comprovasse o recebimento das mercadorias e o efetivo pagamento. A planilha com as notas fiscais glosadas é composta de 26 folhas. A planilha de fls. 244/278 (notas fiscais referentes as transações entre o Atacado TOZZO e a recorrente) também é composta de 26 folhas. Na análise da prova contei quantas notas tinham na primeira lauda da planilha de fls. 205/232 referente às notas fiscais glosadas e encontrei 73. Tive o mesmo cuidado de contar as notas fiscais relacionadas na primeira lauda da planilha de fls. 244/278, referente a todas as compras e encontrei exatamente o mesmo nº de notas fiscais. Mais, ditas notas são idênticas em relação ao número, valor, data de emissão, o que faz presumir, a priori, que foram glosadas todas as notas. Como as notas fiscais relacionadas na planilha de fls. 244/278 (notas fiscais emitidas pelo Atacado TOZZ0 em relação às quais a fiscalizada foi intimada para comprovar o pagamento) coincidem com as notas fiscais que foram glosadas, resta indagar se existem outros notas fiscais referentes a vendas que o Atacado Tozzo fez à fiscalizada e se elas se diferenciam das notas fiscais glosadas. Às fls. 518/625 há uma terceira planilha composta de folhas alternadas sendo que primeira parte indica: Ano, Data de Emissão, Data de Saída, Forma de Pagamento, Mês/Ano, e nº NF e na página seguinte, em relação à respectiva nota, ela contém: Percentual de desconto, Nome do Emitente, Nome do Cliente, Status Valor Total. De forma aleatória, peguei como exemplo as notas fiscais de nº 802993; 802980. 802979, 802978, 802977, indicadas nas últimas 5 linhas da fl. 520 e procurei localizálas na planilha de fls. 205/232, sendo que localizei ditas notas no final da fl. 221, início da fl. 222. Com a impugnação de fls. 641/652 a recorrente trouxe aos autos as notas fiscais e duplicatas de fls. 666/1144, nem todas emitidas pelo Atacado TOZZO, sendo que dentre estas relaciono as que seguem: Nº da NF Fl. Emissão de emissão Valor Desconto % indicado Nota Glosada OBS constante nos dados adicionais da NF 505142 327 26/04/06 15,48 .00 Sim fl. 221 NF com desconto. Itens com valor líquido 376537 329 26/01/06 326,64 .00 Sim fl. 220 NF com desconto. Itens com valor líquido 196777 331 28/09/05 308,07 .00 Sim fl. 218 NF com desconto. Itens com valor líquido 195778 332 28/09/05 103,37 .00 Sim fl. 218 NF com desconto. Itens com valor líquido 312720 334 15/12/05 176,02 .00 Sim fl. 218 NF com desconto. Itens com valor líquido 312721 335 15/12/05 40,40 .00 Sim fl. 218 NF com desconto. Itens com valor líquido. 195752 337 28/09/05 487,55 .00 Sim fl. 218 NF com desconto. Itens com valor líquido. Fl. 1187DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 10 9 142685 345 26/05/2007 744,96 .00 Sim fl. 230 NF com desconto. Itens com valor líquido. 142687 347 26/05/2007 747,71 .00 Sim fl. 230 NF com desconto. Itens com valor líquido. 142688 348 26/05/07 797,28 .00 Sim fl. 230 NF com desconto. Itens com valor líquido. 142689 349 26/05/07 1.789,20 .00 Sim fl. 230 NF com desconto. Itens com valor líquido. 142690 350 26/05/07 1.590,40 .00 Sim fl. 230 NF com desconto. Itens com valor líquido. 312715 691 15/12/05 342,39 .00 Sim fl. 258 NF com desconto. Itens com valor líquido. 312716 693 15/12/05 96,10 .00 Sim fl. 258 NF com desconto. Itens com valor líquido. 503614 909 28/12/07 1,350,09 Não indica Sim fl. 232 NF com desconto. Itens com valor líquido. 503615 910 28/12/07 511,28 Não indica Sim fl. 232 NF com desconto. Itens com valor líquido. 507931 1105 03/01/2008 492,45 Não indica Sim fl. 232 NF com desconto. Itens com valor líquido Dentre os detalhes que procurei observar na análise do processo foi o fato de que as notas fiscais emitidas pelo Atacado TOZZO não indicavam as placas do veículo transportador. Contudo, comparando tais notas com as de outros fornecedores, como por exemplo mercadorias fornecidas pela UNILEVER BRASIL LTDA (fl. 1098) e a Sadia (fl. 1100), para citar apenas dois exemplos, vi que tais registros também não constavam destas notas. Igualmente, questioneime quanto ao fato de existir inúmeras notas fiscais emitidas em um único dia. Para alguns casos encontrei explicações, como por exemplo o fato da descrição da quantidade de itens não comportar no espaço de uma única nota. Para outros restoume a circunstância de não encontrar resposta. A empresa fiscalizada demonstrou que recebe grande quantidade de recursos em moeda corrente, o que, em tese, justifica o pagamento das mercadorias em dinheiro, em especial pelo fato dos os próprios motoristas do Atacado TOZZO confirmarem tal versão. Analisando a prova colhida pelo Ministério Público, tendo por parâmetro a numeração eletrônica, identifico o depoimento das seguintes testemunhas, cujos depoimentos de algumas delas analisarei em seguida: Nome Fls. Função Endereço fornecido SILVIA LÚCIA BOROWICC 461 administradora de dados. Funcionária da empresa Tozzo Rua Itajaí, 300E, Bairro Bervedere Chapecó/SC ANDRÉ MARCOS GELHEN, 464 auxiliar de tecnologia da informação na empresa Tozzo Rua Maria Ranzan, 345, Bairro Rosa Linda, na cidade de Cordilheira Alta SC. DARIO MANICA 467 analista de sistema Travessa Tailândia, n. 78D, Bairro Passo dos Fortes, nesta cidade de ChapecóSC. ANTONIO SERGIO NARDES FANFA 473 coordenador dos trabalhos do setor de CPD na empresa Tozzo Rua Estocolmo, 131E, Bairro Lider, Chapecó SC, Fl. 1188DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 11 10 ADELAR CESAR VAILAT11, 477 supervisor de Vendas na empresa Tozzo Av. Nereu Ramos, 1441 E, Centro, nesta cidade e Comarca de ChapecóSC. BRUNA DE ALMEIDA PRADO, 480 auxiliar de vendas na empresa Tozzo Rua Guaporé, 299 E, Edifício Monreale, apto. 603, centro, nesta cidade de ChapecóSC. MICHEL LUCIANO ANDREGHETTO, 483 auxiliar administrativo na empresa Tozzo Rua Milenium, 70D, Bairro Auri Bodanese, nesta cidade de ChapecóSC. EDEGAR EDSON BRANCAGLIONE, 486 faturista na empresa Tozzo Rua Albino Si Filho, 841D, Bairro Vila Real, nesta cidade de ChapecóSC. MARCOS LUIZ MOREIRA 489 assistente de Vendas na empresa Tozzo Rua João Brfiulio Muniz, 648 1 São Cristóvão, cidade e Comarca de ChapeaSSC. GILSO CELSO MAGGION 491 representante comercial da empresa Tozzo Rua Celso Tozzo, 2671 Centro, cidade e Cordlheira AltaSC. RUNE HENRIQUE DOS SANTOS, 494 auxiliar de informática da empresa Tozzo Rua Vicente Cunha, 1911 Bairro PaImital, Chapecó SC, ROSINEI MARIA MENIN CUNHA, 496 auxiliar de escritório da empresa Tozzo Rua Guaranis, 720D, Bairro Esplanada. nesta cidade de Chapecó/SC. VALMIR LAUCSEN 500 proprietário de Gráfica Rua Cândido Portinari, 315E, Bairro Bela Vista, nesta cidade de ChapecóSC. FRANCINEIA SANTOS DE CAMARGO, 502 Analista de vendas da empresa Tozzo Rua Guarulhos, 120E, Bairro Passo dos Fortes, nesta cidade de Chapecó SC. EVANDRO PEDERSSETTI 506 Gerente de Vendas da empresa Tozzo Rua Principal, Linha Bento Gonçalves, interior do Município de Cordilheira AltaSC. Da análise dos 15 (quinze) depoimentos acima indicados, para efeitos deste processo administrativo, interessa saber se todas as notas fiscais enviadas à empresa Badotti Cia. Ltda correspondiam a vendas inexistentes ou se parte correspondiam a vendas efetivas e parte não ou, ainda, conforme sustenta a recorrente, todas as notas objeto da glosa correspondiam a vendas verdadeiras. Neste sentido, visando o que se pretende com a prova em questão e sem preocupação com investigação em outras áreas do direito, de cada um dos depoimentos, a seguir indicados, colho os seguintes dados, dentre os quais grifo e sublinho o que julgo relevante ao esclarecimento dos fatos: Nome Informações prestadas referentes às vendas à fiscalizada ou situações correlatas SILVIA fl. 461 que sabe que "Nota Referente" é designação dentro da empresa Tozzo e Cia Ltda. de Nota Fiscal emitida com os mesmos itens de um pedido "ATZO", destinado a outro cliente. que a Nota Fiscal "Referente" não é acompanhada de mercadoria; que a identificação de uma Nota Fiscal "Referente" no sistema é pelo índice de desconto igual a "0,01%" que dentre os clientes da empresa Tozzo & Cia Ltda. lembra dos nomes Brasão e Santa Marta como interessados na Nota "Referente"; ANDRÉ fl. 464 que o declarante sabe que Nota "Referente" é a emissão de Nota Fiscal destinada a uma empresa que. necessita de Nota Fiscal, enquanto a mercadoria é destinada para outra empresa, acompanhada de um documento denominado pedido "ATZO", que permite ao motorista entregador saber onde entregar a mercadoria; que em épocas passadas a empresa vendia apenas como pedido sem qualquer Nota Fiscal; que depois passou a emitir Nota Fiscal "Referente" em algumas situações e, atualmente, possivelmente a partir de meados de 2008, toda venda com pedido "ATZO" tem Nota Fl. 1189DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 12 11 Fiscal "Referente"; que existem vendas com a emissão de Nota Fiscal regular, e vendas com o sistema acima descrito; que com a Nota Fiscal "Referente" toda mercadoria transportada passa a ter correspondência em Nota Fiscal; que a regra das vendas "ATZO" é com o pagamento em dinheiro ou cheque, com raras exceções com duplicata; que o sistema da empresa Tozzo & Cia Ltda. não prevê a emissão de relatório que indique Unicamente a emissão de Notas Fiscais "Referentes"; que para a identificação de vendas para um determinado cliente que recebe Nota "Referente" é necessário listar todas as Notas e filtrar as Notas Fiscais com emissão de duplicatas e que tenham desconto de 0,01% (zero virgula zero um 'por cento); que quando é preenchida a op* "S", é emitida a Nota Fiscal Referente; que a Nota "Referente" possui seqüência de carga com número a maior da seqüência de carga de uma entrega efetiva; que não é possível afirmar que toda seqüência diferente seja Nota "Referente", pois pode ocorrer de, no mesmo dia, ocorrer mais de uma entrega para a mesma rota; DARIO fl. 468 que o pedido "ATZO" era feito para empresas que não desejavam Notas Fiscais, sendo que tais pedidos serviam de base para a emissão das Notas "Referentes"; que perguntado ao depoente se ficaria registrada alguma divergência entre o "pedido ATZO" e a "Nota Referente", respondeu que sim e que no sistema fica registrada numa tabela separada denominada "PEDIDO ATZO" que perguntado ao depoente o que representa o "canhoto" destacável de uma nota fiscal, disse que se trata de um 'Comprovante de que o cliente recebeu a mercadoria descriminada na nota fiscal que perguntado como o sistema poderia diferenciar as "Notas Referentes" das notas fiscais "comuns", respondeu que era lançado na "Nota Referente" um desconto de 0,01%, pois o sistema permitia filtrar as notas pelo desconto oferecido. ANTONIO fl. 473 que as Nota Referentes eram emitidas com 0,01% (zero virgula zero um por cento), pois o pagamento se dava em forma de duplicata; que o declarante não sabe se o sacado pagava a duplicata; que o declarante não recebeu solicitação de emissão de Nota Referente de cliente; que o pedido ATZO servia para destinar a mercadoria para um cliente, acompanhando o caminhão na entrega, e a Nota Fiscal simulava a operação para outro cliente; que o código "pedido ATZO" fazia com que a empresa Tozzo e Cia Ltda. emitisse a Nota .para a empresa do "Pedrinho" e o pedido para o "Joãozinho", apenas para exemplificar; MARCOS que a nota fiscal referente é identificada no sistema por um número 0,01. que pedido ao declarante se recorda de a empresa Santa Marta, de Xanxer8, receber Nota referente, respondeu afirmativamente. que o declarante reconhece que apenas o motorista Clóvis falou na expressão "pedido ATZO". ROSINEI fl. 496 que reconhece que algumas notas fiscais eram emitidas em favor de mercados e supermercados sem que correspondessem a efetivas vendas de mercadorias; que lembra que foram feitas emissões de notas fiscais para mercados como Barp, Cristo Rei, Super Popular, Moura, Brasão de Xanxerê, dentre outros. A prova dos autos demonstra que a empresa Tozzo emitia pedidos com a expressão "ATZO" destinado a entrega de mercadorias a um cliente, sem nota fiscal e emitia uma nota do valor correspondente a outra empresa, sem a correspondente entrega das mercadorias. Para a nota de venda simulada existia um código de indicação "NOTA REFERENTE" ou "DESCONTO 0,01%". Da análise das notas fiscais existentes nos autos não identifiquei as expressões "NOTA REFERENTE" e "DESCONTO 0,01%" para formar convencimento de que a recorrente estava envolvida na fraude e em que quantidade. Os depoimentos são uniformes no sentido de que a "NOTA REFERENTE" com indicativo de "DESCONTO DE 0,01%" não correspondia a uma entrega efetiva de mercadoria. Fl. 1190DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13982.001026/201091 Resolução nº 1402000.224 S1C4T2 Fl. 13 12 No entanto, é preciso identificar, em relação às notas glosadas pela autoridade fiscal, onde estão os elementos de prova aqui indicados. No esclarecimento dos fatos julgo pertinente que a própria autoridade fiscal inquira as as testemunhas cujos depoimentos analisei, que limito a quatro, a saber: SILVIA LÚCIA BOROWICC (fl. 461); ANDRÉ MARCOS GELHEN (fl. 464); DARIO MANICA fl. 467 e ROSINEI MARIA MENIN CUNHA fl. 496, questionandoas, de forma individualizada, dentre outros fatos que julgue pertinentes, quanto ao seguinte ponto: 1) Se a testemunha consegue identificar quais as notas relacionadas na planilha de fls. 205/232, emitidas pela Empresa Tozzo & Cia Ltda à empresa Badotti Cia. Ltda que não correspondem a uma venda com efetiva entrega de mercadoria, ou seja, que se referem a uma "Nota Referente" ou com "desconto 0,01%", conforme mencionado nos depoimentos acima indicados. 2) O disposto no item acima não impete que a própria autoridade fiscal também identifique as notas que não correspondem a uma venda com efetiva entrega de mercadoria, ou seja, que se referem a uma "Nota Referente" ou com "desconto 0,01%", e dado as provas existentes nos autos, onde se encontram os elementos que permitem diferencialas das demais. O pergunta acima indicada não exclui à possibilidade da autoridade fiscal ou do representante da própria recorrente, advogado que subscreve o recurso, de formular outras perguntas visando o esclarecimento dos fatos. ISSO POSTO, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal, sem prejuízo do disposto no item 2 acima, observando os fundamentos deste voto e cientificando a parte interessada da diligência para que se manifeste ou requeira o que entender cabível, tome o depoimento de Silvia Lúcia Borowicc, André Marcos Gelhen, Dário Manica e Rosinei Maria Menin Cunha, questionandoos se conseguem identificar quais as notas relacionadas na planilha de fls. 205/232, emitidas pela Empresa Tozzo & Cia Ltda à empresa Badotti Cia. Ltda que não correspondem a uma venda com efetiva entrega de mercadoria, ou seja, que se referem a uma venda simulada com "Nota Referente" ou "desconto de 0,01%". É o voto (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1191DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 12 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.10097.HEGG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 29/11/2013 14:39:00. Documento autenticado digitalmente por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 29/11/2013. Documento assinado digitalmente por: LEONARDO DE ANDRADE COUTO em 09/12/2013 e MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA em 29/11/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0520.10097.HEGG Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: C3BAC18FC3594F29B5370248A32307FBFE82E79F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13982.001026/2010-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11176.000278/2007-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/06/1998
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 03/1996 a 06/1998, o lançamento tendo sido cientificado em 18/10/2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o
direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-000.580
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento ao recurso, face à aplicação da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art. 173, I, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 30/06/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 03/1996 a 06/1998, o lançamento tendo sido cientificado em 18/10/2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2091; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 307 1 306 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11176.000278/200776 Recurso nº 263.057 Voluntário Acórdão nº 240300.580 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 7 de junho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ALGODOEIRA AURORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 30/06/1998 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 03/1996 a 06/1998, o lançamento tendo sido cientificado em 18/10/2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso, face à aplicação da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art. 173, I, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000278/200776 Acórdão n.º 240300.580 S2C4T3 Fl. 308 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 250 a 305, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba PR, Acórdão nº 0615.849 – 7ª Turma da DRJ/CTA, fls. 237 a 244, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 35.941.4850, oriunda de descumprimento de obrigação tributária legal principal, com valor consolidado de R$ 46.831,00 (quarenta e seis mil, oitocentos e trinta e um reais). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 36 a 41, o lançamento referese às contribuições devidas pela empresa e as destinadas às outras entidades e fundos (Terceiros), não recolhidas nas épocas próprias pela Empresa à Seguridade Social, e incidentes sobre aquisição de produtos rurais de produtor rural pessoa física, verificados através de notas fiscais emitidas por empresa inexistente no cadastro nacional de pessoa jurídica — CNPJ. O Relatório Fiscal, às fls. 36 a 41, indica que o fato gerador ocorreu pois: a Recorrente adquiriu produção rural (algodão em caroço) conforme notas fiscais da empresa Cerealista Santa Maria Ltda, CNPJ 79.089.879/000160, porém, em consulta a situação cadastral no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica no site da Receita Federal verificouse que o dígito verificador não confere. Em consulta ao SINTEGRA, a inscrição estadual não confere e também, em consulta ao sistema informatizado do INSS, não existe a empresa com esse CNPJ, tratandose, portanto, de notas fiscais inautêntica. A aquisição foi confirmada através dos livros de registros de entrada e dos lançamentos nos livros diários e razão 01 e 02. Portanto, verificado que o fato gerador realmente ocorreu e que não existe a pessoa jurídica emitente das notas fiscais, há, a presunção legal, de que a produção rural foi adquirida de pessoa física, ficando a empresa adquirente responsável pelo recolhimento da contribuição previdenciária por subrogação nos termos do artigo 30, Inciso III e IV da Lei 8212 de 24/07/91. Para a apuração dos créditos previdenciários, o Relatório Fiscal, às fls. 36 a 41, informa que Com relação à aquisição de produção rural de pessoa física, os montantes da base de cálculo foram obtidos através dos valores totais das notas fiscais da empresa Cerealista Santa Maria Ltda, referente ao período acima mencionado, e estão destacados no RL e DAD, no campo (BC Produção Rural). O Relatório Termo de Encerramento da Ação Fiscal – TEAF às fls. 34 e 35, relaciona o resultado do procedimento fiscal relacionado à Recorrente: Fl. 314DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 4 Documento Período Número Data Valor AI 10/2006 a 10/2006 359414842 18/10/2006 11.569,42 AI 10/2006 a 10/2006 359414770 18/10/2006 598.162,41 NFLD 01/1998 a 12/2005 359414788 18/10/2006 856.376,92 NFLD 05/1996 a 07/2006 359414800 18/10/2006 1.298.364,60 NFLD 05/1996 a 05/2006 359414834 18/10/2006 356.966,49 NFLD 03/1996 a 06/1998 359414850 18/10/2006 46.831,00 Al 10/2006 a 10/2006 359414818 18/10/2006 11.569,42 AI 10/2006 a 10/2006 359414826 18/10/2006 1.156,95 O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09328433F00, foi de 01/1996 a 11/2006, às fls. 29. O período objeto do débito, conforme o Relatório Demonstrativo Sintético do Débito DSD, às fls. 06, é de 03/1996 a 06/1998. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 18.10.2006, às fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 175 a 223, com Anexos às fls. 224 a 231. A instância “a quo” analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 237 a 244, conforme a Ementa do Acórdão nº 0615.849 – 7ª Turma da DRJ/CTA a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 30/06/1998 PRAZO DE DECADÊNCIA. DEZ ANOS. O prazo de decadência aplicável à constituição dos créditos previdenciários é de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. CONTRIBUIÇÕES DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ADQUIRENTE. SUBSTITUIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A responsabilidade pelo recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física é da empresa adquirente na condição de subrogado. A mera substituição da base de cálculo da contribuição incidente sobre folha de pagamento pelo valor da comercialização não importa em nova fonte de custeio para a Seguridade Social. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000278/200776 Acórdão n.º 240300.580 S2C4T3 Fl. 309 5 SENAR. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física, sendo responsável pelo recolhimento das contribuições relativas ao SENAR decorrentes da aquisição de produtos rurais. INCONSTITUCIONALIDADE. PRERROGATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, às fls. 250 a 305, onde alega, em apertada síntese, que: Em sede Preliminar: (i) da decadência total em função da inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da lei 8.212/1991, o que enseja a aplicação dos dispositivos do CTN, em especial o art. 150, § 4º, CTN o que faz decair a autuação anterior a 18.10.2001. (ii) da inconstitucionalidade da cobrança das contribuições previdenciárias sobre a produção rural. (iii) da indevida inclusão do frete na base de cálculo da contribuição incidente sobre a produção rural. (iv) da ilegalidade da cobrança da contribuição para o seguro de acidentes de trabalho – SAT. (v) da cobrança do SENAR dos adquirentes de produção rural por subrogação e sua ilegalidade. (vi) das indevidas cobranças a título de “ Terceiros”: as contribuições para SESI, SENAI, SEST, SENAT e SEBRAE. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina, às fls. 306, informou que a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo e encaminhou ao Conselho os autos para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 306. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 321. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 Fl. 317DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000278/200776 Acórdão n.º 240300.580 S2C4T3 Fl. 310 7 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 8 § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 319DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000278/200776 Acórdão n.º 240300.580 S2C4T3 Fl. 311 9 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 10 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Portanto, para que possa identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o art. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4°, do CTN – devese identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim se pode declarar os efeitos da decadência no lançamento. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela recorrente se deu em 18.10.2006, conforme fls. 01, e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social para o período 03/1996 a 06/1998, segundo o Relatório Demonstrativo Sintético de Débito – DSD, às fls. 06. Fl. 321DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 11176.000278/200776 Acórdão n.º 240300.580 S2C4T3 Fl. 312 11 Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, face à aplicação da decadência qüinqüenal,, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN,, ora o art. 173, I, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 322DF CARF MF Emitido em 21/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 17546.000752/2007-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/07/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV e § 9º, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 225, IV e §§ 2º e 3º, DECRETO Nº 3.048/99 APRESENTAR A GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de
Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Receita
Federal do Brasil RFB na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que
suportaram a lavratura do auto de infração, oportunizando ao contribuinte o
direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos
pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da
legislação de regência, especialmente termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei
8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos
artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em
nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO
ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico
de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a
responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes
daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos
tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos
na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº
8.212/91.
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º , LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO
DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32-A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO
DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN
a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais
favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma
anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art.
32, §5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso
IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada
pela Lei 11.941/2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.589
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a Receita Federal do Brasil RFB na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a lavratura do auto de infração, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 2 A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º , LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, §5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 223 3 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva (suplente). Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 205 a 208, apresentado contra Acórdão nº 0519.7337a. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, fls. 162 a 181, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração AI nº 37.036.1741, no montante de R$ 6.097,62 (seis mil, noventa e sete reais e sessenta e dois centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, o Auto de Infração nº. 37.036.1741, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. O valor da multa foi aplicado em 100% do valor da contribuição previdenciária não declarada, respeitado o limite máximo, por competência, conforme planilha demonstrativa de cálculo anexa ao relatório Fiscal da Infração, às fls. 21 a 31. Segundo o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 05, não ficou caracterizada nem circunstância agravante e nem circunstâncias atenuantes. Ainda segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, na ação fiscal, da qual resultou o AI, em análise, a AuditoriaFiscal estabeleceu, com base no inciso IX do art. 30 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991 e art. 222 do Decreto nº. 3.048/1999, a responsabilidade solidária entre as empresas, indicadas a seguir, e o contribuinte, sobre valores apurados no conjunto dos lançamentos fiscais realizados (dentre os quais o que ora se encontra em análise), já que considerou presentes os motivos e os requisitos legais, adiante analisados, suficientes para caracterizar a existência de um "grupo econômico de fato": Empresas integrantes do grupo econômico de fato: Fl. 251DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 224 5 FRIGOVALPA COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE CARNE LTDA. CNPJ: 60.213.154/000193 ____________________________________________________ QUADRO SOCIETÁRIO: Gilberto Teixeira Brunato sócio Sidnei Fernando e Silva sócio Milton Reinelt sociogerente Germano José Remelt sóciogerente Izilda C. Reinelt Marques sóciogerente FRIGOSEF FRIGORIFICO SEF DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA CNPJ: 00.295.146/000101 ____________________________________________________ QUADRO SOCIETÁRIO: João Raymundo Costa sóciogerente André Luiz Nogueira sóciogerente FRIGORÍFICO MANTIQUEIRA LTDA CNPJ: 02.728.484/000115 ____________________________________________________ QUADRO SOCIETÁRIO: Tânia Pereira Lopes sóciagerente saída em: 28.08.1998 João Raymundo Costa sóciogerente saída em: 18.05.1999 Rosana M. Pereira Lopes sóciagerente saída em: 24.09.1998 Afonso Cerqueira – sócio saída em: 12.01.2001 Eloína Ap. Nogueira – sócia saída em: 11.03.2002 Benedito Carlos Americano – sócio saída em: 12.05.2004 Ivan Rodrigues de Araújo administrador André Luiz Nogueira – sóciogerente Fl. 252DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 6 FRIGORIFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ LTDA – O Frigorifico Mantiqueira Lida foi considerado como tendo sido sucedido pelo Frigorifico Campos de São José Ltda CNPJ: 05.644.477/000123 ____________________________________________________ QUADRO SOCIETÁRIO: Benedito Carlos Americano – sócio André Luiz Nogueira – sóciogerente ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR — ME CNPJ: 06.067.485/000117 ____________________________________________________ QUADRO SOCIETÁRIO: André Luiz Nogueira – titular TÂNIA PEREIRA LOPES — ME CNPJ: 07.138.768/000175 ____________________________________________________ QUADRO SOCIETÁRIO: Tânia Pereira Lopes – titular MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA — ME CNPJ: 07.198.040/000139 ____________________________________________________ QUADRO SOCIETÁRIO: Monalisa Pereira Lopes Nogueira – titular DA MOTIVAÇÃO DA AUDITORIAFISCAL. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, aponta o motivo da AuditoriaFiscal: Na auditoria fiscal impetrada no Frigorífico Campos de São José Lida 05.644477/000123, Sucessor do Frigorífico Mantiqueira lida CNPJ 02.728.484/000115, integrantes de grupo econômico com FRIGOSEF Frigorífico SEF ele São José Fl. 253DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 225 7 dos Campos Lida CNPI. 00.295.146/000101 e FRIGOVALPA Com e Ind. De Carnes Lida CNPJ. 60.213.154/000193, verificouse a existência de outras empresas, que corroboram com o empreendimento, na venda de carne direta ao consumidor, e são controladas por este grupo, dentre estas encontramos a presente. Constituídas em nome de pessoas com parentesco de primeiro grau com o Sr. André Luiz Nogueira, assina inclusive documentos destas empresas, consta como sóciogerente dos frigoríficos, citados anteriormente, e que o mesmo participa financeiramente e controla estas outras componentes do grupo, com ramo de atividade "açougue , vendem carne bovina c suína fornecidas exclusivamente por aqueles frigoríficos. Nas fachadas destes estabelecimentos identificamse como "DISTRIBUIDORA MANTIQUEIRA". Nesta empresa, verificouse a falta de recolhimentos de contribuições previdenciárias e registro de segurados. Diante dos indícios de atos, que em tese, configuram crime de sonegação contra a previdência social, iniciouse auditoria fiscal. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO Em relação à caracterização do grupo econômico, o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, aponta: Esta empresa encontrase sob o domínio do grupo econômico formado pelos frigoríficos citados no preâmbulo deste relatório, pelos seguintes motivos: o Sr. André Luiz Nogueira Junior, é empregado do Frigorifico Campos de São José Ltda – Sucessor do Frigorifico Mantiqueira Lida, como Verificado no livro registro de empregados e folhas de pagamento. o Sr. André Luiz Nogueira, faz pagamentos de verbas rescisórias com cheque de sua conta corrente, da empresa ANDRE, LUIZ NOGUEIRA JUNIOR. o Sr. André Luiz Nogueira Junior, verifica também o estabelecimento de Monalisa Pereira Lopes Nogueira. o escritório contábil que cuida dos documentos é o mesmo para as empresas Mona lisa Pereira Lopes Nogueira e Tânia Pereira Lopes, quem constituiu estas sociedades nos órgãos públicos foi o mesmo contador utilizam o nome fantasia "Distribuidora Mantiqueira I", aparece no site do Frigorífico Mantiqueira e na Fachada do estabelecimento. Fl. 254DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 8 Aquisição de carne bovina e suma é exclusiva do Frigorífico Campos de São José Ltda. Entrega GFIP somente na rescisão do funcionário Portanto, temos certo que o controlador e sócio do negócio é o Sr. André Luiz Nogueira. Em continuidade, temos ainda que, a empresa jamais poderia ter sido enquadrada no SIMPLES, por lazer parte de um grupo econômico, onde o Sr. André Luiz Nogueira, participa em percentual superior ao estabelecido pela Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996, por deixar de apresentar os Livros obrigatórios, Caixa e Inventário, fatos que serão comunicados à Receita Federal, para as providências cabíveis: Lei 9.317 de 05 de dezembro de 1996 Art. 9 —Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bnaa global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2". E, por formarem um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, todas respondem solidariamente aos débitos das contribuições previdenciárias, como previsto na Lei abaixo descrita: Lei 8212 de 24 de julho de 1991 Art. 30 Inciso IX: as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. DA AUDITORIA FISCAL REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DO ESTABELECIMENTO DO RECORRENTE ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR — ME Em relação à AuditoriaFiscal na Recorrente, ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR — ME, o Relatório Fiscal às fls. 22: Em verificação física, realizada em 19/05/06 (através de Diligencia Fiscal), as pessoas que trabalhavam neste local, eram: 1) Nelson Alves dos Santos — açougueiro Admitido em 15/04/2003 — Salário por volta de RS 800,00 Horário de trabalho 8:00 às 20:00 horas Registrado em 01/04/2004 ____________________________________________________ Fl. 255DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 226 9 2) Karina Aparecida de Castilho caixa Admitida em 04/11/2005 — salário RS 600,00 por mês horário de Trabalho: 9:00 às 18:00 horas ____________________________________________________ 3) Luciano Rodrigues Santos — açougueiro Admitido em 0 1 / 0 1 /200 5 salário por volta de R$ 800,00 Horário de Trabalho: 8:00 às 20:00 horas Desta forma, observase que o segurado empregado NELSON ALVES DOS SANTOS evidenciou trabalhar nas dependências do estabelecimento do Recorrente ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR — ME. DO PERÍODO DO DÉBITO, DA CIÊNCIA DO MPF E DA CIÊNCIA DA NFLD O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar – MPFC nº 09326966C01, foi de 04/2003 a 07/2006, às fls. 09. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, é de 04/2003 a 07/2006. O Recorrente, teve ciência do Auto de Infração no dia 18.10.2006, conforme Aviso de Recebimento – AR nº SQ 838620805BR, às fls. 38. Os demais componentes do grupo econômico de fato também tiveram ciência da NFLD, conforme fls. 45 a 64. IMPUGNAÇÕES. O Recorrente apresentou impugnação, às fls. 66 a 71, em 03.11.2006. A empresa FRIGOSEF FRIGORÍFICO SEF DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA, apresentou impugnação tempestiva, em 13/11/2006, às fls. 74 a 77. Fl. 256DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 10 A empresa FRIGORÍFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA. apresentou impugnação tempestiva, em 13/11/2006, às fls. 79 a 81. A empresa MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA — ME apresentou impugnação tempestiva, em 13/11/2006, às fls. 83 a 87 A empresa FRIGOVALPA COM. IND. DE CARNE LTDA., solicitou cópia dos processos conforme requerimento às fls. 95, cujo pedido foi atendido de acordo com fls. 97. A empresa FRIGOVALPA COM. 1ND, DE CARNE LTDA. apresentou impugnação tempestiva, em 08/12/2006, às fls. 99 a 132. A empresa TÂNIA PEREIRA LOPES — ME apresentou impugnação tempestiva, às fls. 89 a 93. A Recorrida, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, fls. 162 a 181, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 05 19.7337a. Turma julgando procedente em parte a autuação: (1) exclusão de Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda. do "grupo econômico". Segue a Ementa e Decisão do Acórdão nº 0519.7337a. Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/07/2006 APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constatada a existência de um "grupo econômico de fato" impõese a responsabilização tributária por solidariedade, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, cujo dispositivo está em consonância com os incisos I e II do art. 124 do CTN. Não obstante a falta de apresentação dos livros contábeis e respectivos documentos fiscais, foram documentalmente identificadas operações que evidenciam a prática de atos típicos de "grupos econômicos", inclusive com a caracterização de "confusão patrimonial", assim como foi identificada, também, a existência de "controlador" do "grupo econômico". Entretanto, por não terem sido contatadas ou evidenciadas efetivas relações entre uma das empresas consideradas Fl. 257DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 227 11 integrantes do "grupo econômico" e as demais, decidese pela sua exclusão do "grupo", mantidas todas as demais. Contribuinte optante do "SIMPLES" (Lei n° 9.317/1996, revogada pela Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006 "Simples Nacional"). Irrelevantes, entretanto, os argumentos relativos à impossibilidade legal de exclusão do regime, em auditoriafiscal e "de oficio", uma vez que o cálculo da multa aplicada independe da condição ser ou não optante. A obrigação tributária acessória, cujo descumprimento ensejou a autuação, é igualmente exigível, sejam os contribuintes optantes ou não do "SIMPLES". Lançamento Procedente Acordam os membros da 7a. Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE o Auto de Infração — AI n° 37.036.1741, lavrado em 10/10/2006, com retificação do pólo passivo. Intimese o contribuinte e demais empresas consideradas integrantes do "grupo econômico" para pagamento do crédito mantido, no prazo de trinta dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário, em igual prazo, nos termos legais e promovase a exclusão de Frigovalna Comércio e Indústria de Carnes Ltda do "grupo econômico" (assim considerado), pelas razões de fato e de direito aduzidas neste acórdão. RECURSOS VOLUNTÁRIOS Regularmente intimados da decisão do órgão julgador “a quo”, apresentaram Recurso Voluntário os contribuintes a seguir. Inconformada com a decisão da Recorrida, o Recorrente, ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR — ME, apresentou Recurso Voluntário, fls. 205 a 208, onde alega, em apertada síntese: (a) Da inexistência de motivação. A decisão também deixou de fundamentar devidamente os motivos pelo entenderam que o recorrente deveria permanecer no pólo passivo no que tange a responsabilidade do débito; salientamos que as decisões ainda que não judiciais devem ser Fl. 258DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 12 devidamente fundamentadas, não podendo ser obscuras ou omissas, sob pena de reforma. Com a simples leitura do relato da decisão ora impugnada, podemos notar que os r. julgadores, em momento algum se referem ao ora recorrente, se quer apresentando elementos capazes de minimamente, levar a crer que possa ter participação na alegada formação do grupo econômico de fato. (b) Da vinculação do recorrente no alegado grupo econômico Não existem elementos que demonstrem que o comando da empresa recorrente, fosse exercido por outra empresa quanto mais pelo Frigorifico Campos de São José ou Frigorifico Mantiqueira, ou mesmo qualquer outro citado no processo; salientamos que o único e exclusivo administrador da empresa recorrente é seu proprietário André Luiz Nogueira Junior. (c) Da impossibilidade de aplicação da Lei 6.404/1976 Nos exatos termos da Lei 6404/76, que rege indiretamente a caracterização dos grupos econômicos, notamos que sua aplicação ao caso é impossível, pelo que se segue. Os Grupos Econômicos ou Concentração Econômica de Empresas estão previstas somente nas Sociedades Anônimas, o que demonstra a sua não aplicação nos demais tipos de sociedade permitidos no pais. Evidente que a legislação reguladora dos Grupos Econômicos é a Lei 6.404/76 (Lei da Sociedade Anônima), sendo que esta não menciona em momento algum sua aplicação, ou seja, formação de grupo econômico com empresa individual "ME", como é o caso da impugnante. Os entendimentos dos estudiosos do direito empresarial, defendem a tese, que frisemos é pacifica nos tribunais de que, o empresário individual jamais poderá integrar ou ter a empresa integrada em qualquer tipo de grupo econômico. (d) Da não participação do recorrente na formação de grupo econômico, quando da analise do inciso IX, artigo 30 da Lei 8212/91, combinado com o artigo 124 do CTN. No mesmo sentido segue nosso entendimento da não participação do recorrente na formação de grupo econômico, quando da analise do inciso IX, artigo 30 da Lei 8212/91, combinado com o artigo 124 do CTN, pois o Recorrente não tem qualquer interesse comum com as demais empresas citadas no relatório fiscal, quanto a situação fiscal que possa constituir fato gerador de obrigação tributária, sendo totalmente independente em seus atos e responsabilidades fiscais, afastando assim completamente a aplicação dos dispositivos legais acima citados. A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda., apresentou Recurso Voluntário, às fls. 210 a 213, onde alega, em síntese: Fl. 259DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 228 13 (a) Preliminarmente, pela desnecessidade do depósito prévio. (b) Da inexistência de grupo econômico e participação. Inicialmente não ocorreu qualquer atuação concomitante entre as empresas, nos termos explicados em impugnação, tanto que o relato da decisão declara em fls, retro, que as empresas foram constituídas sucessivamente e não concomitantemente; assim, latente a ilegalidade na decisão afrontando as determinações legais, deturpando entendimentos entre sucessão e formação de grupo econômico. O próprio relatório reconhece também que a empresa FRIGOSEF entregou as declarações de IR 2003 e 2004, como inativa, assim como poderia pertencer a grupo econômico de fato se encontrase em inatividade? A decisão relata e demonstra que o Frigorífico Mantiqueira, está estabelecido em outra cidade e sob a administração de pessoa diversa do sócio proprietário do recorrente. (c) Do não exercício de atividade concomitante Ainda comprova que Frigosef, Mantiqueira, Frigovalpa e o recorrente não exerceram atividades concomitantes. Não podemos se quer falar em sucessão de empresas, pois jamais ocorreu transferência do fundo de comércio, lembrando que os equipamentos e o local são arrendados. O próprio relatório aduz tratarse de possível sucessão de empresas, assim, se uma sucedeu a outra não poderiam de forma alguma formar grupo econômico de fato, ante a não existência concomitante. (d) Da não ocorrência de confusão patrimonial Quanto a confusão patrimonial, também não existiu, pois cada uma das empresas tem sua personalidade e obrigações tributárias próprias. (e) Da caracterização do grupo econômico Outra ilegalidade observada na r. decisão, foi a de para caracterização do grupo econômico o Sr. Relator, considerou que o fato de os filhos do representante da recorrente trabalharem na empresa leva a crer que tratase de grupo econômico. Ora, o fato de um empregado laborar em uma empresa e ser proprietário de outra no mesmo ramo, não pode ensejar na formação de grupo econômico, sob pena de ferir o direito ao livre emprego do cidadão, sem contar que a legislação nada dispõe em contrário. (f) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 179 da IN 3 com alteração de redação posterior Fl. 260DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 14 A primeira irregularidade ocorreu quando o Sr. Relator citou o artigo 179 da INSRP n° 03, com alteração de redação por outra Instrução Normativa Posterior editada posteriormente a finalização do procedimento fiscal e inicio do contencioso, o que reflete evidente ilegalidade, eis que novas disposições legais ou normativa, somente podem retroagir em caso de trazer beneficio nunca para prejudicar; o aludido artigo somente foi citado para tentar justificar o ato da fiscal, que foi ilegal e sem embasamento legal. (g) da inconstitucionalidade de se aplicar a IN 3 Assevere ser impossível legislar por instrução normativa, nos termos da constituição federal. (h) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 124, CTN Segundo, ao aplicar o artigo 124 do CTN, sob fundamento do inciso I e II, alegando que as empresas têm interesse comum na situação do fato gerador, o faz de forma equivocada distorcendo o verdadeiro sentido do dispositivo legal; sendo que jamais ocorreu interesse comum em fato gerador tributário, e mais, esse interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN, não reflete na formação de grupo econômico ou confusão patrimonial, como entendeu a decisão. Após ainda mencionando o aludido artigo se refere as pessoas designadas por lei, e, destaca instrução normativa, tentando caracterizar a aplicação do inciso II do art 124 do CTN; ora, é notório que as instruções normativas não são consideradas leis, portanto, inaplicáveis a titulo de fundamentação do inciso II do art 124 do CTN, que deixa claro "designadas por lei", lembramos que é impossível legislar por instrução normativa, nos termos da constituição federal. (i) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 2º, § 2º, CLT Quarto, faz alusão a legislação trabalhista, só que se esquece que o final do artigo 2° em seu §20 da CLT, diz "serão para os efeitos da relação de emprego...", o que não é o caso por tratar se de questão tributária; o próprio relator, tece entendimento no sentido de ser para cobrança de direitos trabalhistas. A empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda., apresentou Recurso Voluntário, às fls. 215 a 218, onde alega, em síntese: (a) Preliminarmente, pela desnecessidade do depósito prévio. (b) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 179 da IN 3 com alteração de redação posterior Ao aplicar instrução normativa, o Sr. Julgador cometeu equívocos tais como: aplicou norma posterior a fato anterior; Fl. 261DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 229 15 ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007, em fato relatada e constatado no ano de 2006, conforme relatório fiscal, o que é defeso por lei ante ao principio da irretroatividade. (c) Da inconstitucionalidade As disposições da Lei 6.404/1976 devem prevalecer sobre a IN 3 Ainda na seara das instruções normativas, notamos que não foi respeitada a "hierarquia das Leis", pois o Sr. Julgador, aplicou IN n° 3, deixando de atentarse para as disposições da Lei 6404/76 (S/A), ferindo assim o grau de aplicação da lei, sendo que se uma lei superior dispor algo diferente da inferior, está se renderá aquela sob pena de nulidade do ato. Portanto as disposições da Lei 6404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. (d) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 124, CTN O artigo 124 do CTN trata de solidariedade e não formação de grupo econômico, exigindo alguns requisitos para aplicação da solidariedade, o que no caso não ocorre. Não existe interesse do recorrente no fato gerador da obrigação tributária das demais empresas citadas no processo; não existe a chamada solidariedade natural. Também não existe a solidariedade determinada por lei, visto que a decisão apresentou instrução normativa como embasamento legal; no entanto, o artigo 124 do CTN é claro ao expressar que deve ser por lei, e, instrução normativa não é lei o que caracteriza ilegalidade. Com o acima explicado fica afastada a aplicação do artigo 30 da Lei 8112/91, até mesmo pela já explicada falta de apreciação da lei 6404/76. Assim, não incide a caracterização de grupo econômico ou mesmo solidariedade. (e) Da inexistência de grupo econômico e participação. Inicialmente não ocorreu qualquer atuação concomitante entre as empresas, nos termos explicados em impugnação, tanto que o relato da decisão declara em fls, retro, que as empresas foram constituídas sucessivamente e não concomitantemente; assim, latente a ilegalidade na decisão afrontando as determinações legais, deturpando entendimentos entre sucessão e formação de grupo econômico. O próprio relatório reconhece também que a empresa FRIGOSEF entregou as declarações de IR 2003 e 2004, como inativa, assim como poderia pertencer a grupo econômico de fato se encontrase em inatividade? Fl. 262DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 16 A decisão relata e demonstra que o Frigorífico Mantiqueira, está estabelecido em outra cidade e sob a administração de pessoa diversa do sócio proprietário do recorrente. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 221. É o Relatório. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 230 17 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 221. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Preliminares e ao seguir ao Mérito. DAS PRELIMINARES DA NULIDADE DO AI POR PRETERIÇÃO AOS DIREITOS DE DEFESA Analisemos. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 18 O presente Auto de Infração – AI nº. 37.036.1741, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. De plano notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F e Complementar, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte b. CORESP Relatório de CoResponsáveis do Débito c. VÍNCULOS Relatório de Vínculos d. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal e DEPM Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF e. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos f. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal g. REFISC – Relatório Fiscal da infração e da Aplicação da Multa Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 231 19 O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Fl. 266DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 20 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA – FACE À HIERARQUIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO Não assiste razão na alegação de inconstitucionalidade em face da hierarquia do ordenamento jurídico pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 267DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 232 21 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Superado o exame das Questões Preliminares atinentes às argumentações dos Recursos Voluntários impetrados, passemos ao exame do Mérito. Fl. 268DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 22 DO MÉRITO Como primeiro ponto, analisemos a questão central dos argumentos dos Recursos Voluntários situada na configuração do grupo econômico de fato. I. CONFIGURAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO I.1 Aspectos gerais Nas alegações dos Recursos Voluntários, pretendem os contribuintes que seja afastada a coresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Nesse compasso, asseveram ser equivocada, no caso concreto, a aplicação do artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não podendo servir como fundamento à pretensão fiscal, eis que referida matéria exige que seja apreciada anteriormente a Lei 6.404/1976, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo a decretação da insubsistência do feito. Lei 8.212/1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (gn) Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) Fl. 269DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 233 23 A corroborar tal entendimento, as empresas Recorrentes traçam histórico societário das empresas formadoras do grupo econômico, inferindo que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas, inobstante terem possuído o mesmo controle em um determinado período. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelos contribuintes nas peças recursais, seus entendimentos não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, e, bem assim, na Decisão Recorrida, às fls. 162 a 181, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. Ressalvase neste ponto que a Decisão Recorrida, Acórdão nº 0519.7337a. Turma, julgou procedente em parte a autuação e determinou a exclusão de Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda. do "grupo econômico". I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 24 Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Fl. 271DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 234 25 Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 Por outro lado, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 trata o grupo econômico nos artigos 179, 748 e 749, na redação vigente à época da lavratura da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.036.1822, a seguir: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; (Redação original) I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (gn) Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Fl. 272DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 26 Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Fl. 273DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 235 27 Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento dos Recorrentes, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato entre as empresas retromencionadas, identificadas no Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal, senão vejamos: (a) Da motivação da AuditoriaFiscal. Na auditoria fiscal impetrada no Frigorífico Campos de São José Lida 05.644477/000123, Sucessor do Frigorífico Mantiqueira lida CNPJ 02.728.484/000115, integrantes de grupo econômico com FRIGOSEF Frigorífico SEF ele São José dos Campos Lida CNPI. 00.295.146/000101 e FRIGOVALPA Com e Ind. De Carnes Lida CNPJ. 60.213.154/000193, verificouse a existência de outras empresas, que corroboram com o empreendimento, na venda de carne direta ao consumidor, e são controladas por este grupo, dentre estas encontramos a presente. Constituídas em nome de pessoas com parentesco de primeiro grau com o Sr. André Luiz Nogueira, assina inclusive documentos destas empresas, consta como sóciogerente dos frigoríficos, citados anteriormente, e que o mesmo participa financeiramente e controla estas outras componentes do grupo, com ramo de atividade "açougue , vendem carne bovina c suína fornecidas exclusivamente por aqueles frigoríficos. Nas fachadas destes estabelecimentos identificamse como "DISTRIBUIDORA MANTIQUEIRA". Nesta empresa, verificouse a falta de recolhimentos de contribuições previdenciárias e registro de segurados. Diante dos indícios de atos, que em tese, configuram crime de sonegação contra a previdência social, iniciouse auditoria fiscal. (b) Da caracterização do grupo econômico. Esta empresa encontrase sob o domínio do grupo econômico formado pelos frigoríficos citados no preâmbulo deste relatório, pelos seguintes motivos: Fl. 274DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 28 o Sr. André Luiz Nogueira Junior, é empregado do Frigorifico Campos de São José Ltda – Sucessor do Frigorifico Mantiqueira Lida, como Verificado no livro registro de empregados e folhas de pagamento. o Sr. André Luiz Nogueira, faz pagamentos de verbas rescisórias com cheque de sua conta corrente, da empresa ANDRE, LUIZ NOGUEIRA JUNIOR. o Sr. André Luiz Nogueira Junior, verifica também o estabelecimento de Monalisa Pereira Lopes Nogueira. o escritório contábil que cuida dos documentos é o mesmo para as empresas Mona lisa Pereira Lopes Nogueira e Tânia Pereira Lopes, quem constituiu estas sociedades nos órgãos públicos foi o mesmo contador utilizam o nome fantasia "Distribuidora Mantiqueira I", aparece no site do Frigorífico Mantiqueira e na Fachada do estabelecimento. Aquisição de carne bovina e suma é exclusiva do Frigorífico Campos de São José Ltda. Entrega GFIP somente na rescisão do funcionário Portanto, temos certo que o controlador e sócio do negócio é o Sr. André Luiz Nogueira. Em continuidade, temos ainda que, a empresa jamais poderia ter sido enquadrada no SIMPLES, por lazer parte de um grupo econômico, onde o Sr. André Luiz Nogueira, participa em percentual superior ao estabelecido pela Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996, por deixar de apresentar os Livros obrigatórios, Caixa e Inventário, fatos que serão comunicados à Receita Federal, para as providências cabíveis: Lei 9.317 de 05 de dezembro de 1996 Art. 9 —Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bnaa global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2". E, por formarem um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, todas respondem solidariamente aos débitos das contribuições previdenciárias, como previsto na Lei abaixo descrita: Lei 8212 de 24 de julho de 1991 Art. 30 Inciso IX: as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Fl. 275DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 236 29 Anotase que o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, apresenta ainda mais evidências reais da existência de um grupo econômico de fato: • Tanto o Frigorífico Mantiqueira Ltda., quanto o Frigorífico Campos de São José Ltda adoram o "nome fantasia" de "Frigorífico Mantiqueira", sem que haja prova da alegada e suposta "cessão de direitos". • Os titulares das respectivas firmas individuais, André Luiz Nogueira Junior — MF e Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME são empregados do Frigorífico Campos de São José Ltda., sendo que: 1 André Luiz Nogueira Junior é filho de André Luiz Nogueira (que consta ser o real controlador de todo o empreendimento); 2. Tânia Pereira Lopes é esposa do mesmo André Luiz Nogueira; 3. Monalisa Pereira Lopes Nogueira é filha de André Luiz Nogueira e de Tânia Pereira Lopes. • Os açougues (correspondentes às aludidas firmas individuais) adquirem carne exclusivamente do mesmo frigorífico (atualmente Frigorífico Campos de São José Ltda., que adota exatamente o nome fantasia de "Frigorifico Mantiqueira") e utilizam o nome fantasia "Distribuidora de Carnes Mantiqueira", que é colocado com destaque nas fachadas dos estabelecimentos, sendo (segundo registra os dados cadastrais extraídos do sistema informatizado da Previdência Social — "CONEST — CONSULTA DADOS DO ESTABELECIMENTO"): 1. Distribuidora de Carnes Mantiqueira I: André Luiz Nogueira Junior — ME (matriz). 2. Distribuidora de Carnes Mantiqueira II: Tânia Pereira Lopes — ME. 3. Distribuidora de Carnes Mantiqueira III: Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME (matriz). • 4. Distribuidora de Carnes Mantiqueira IV: André Luiz Nogueira Junior —ME (filial 2). 5. Distribuidora de Carnes Mantiqueira IV: Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME (filial 2). Ademais, no presente caso concreto, em que ao contrário do entendimento dos Recorrentes, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Fl. 276DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 30 Econômico de fato, temse a Decisão Recorrida, as quais pedimos vênia para nos reportar, como se aqui estivessem escritas, eis que a peça recursal da contribuinte traz em seu bojo os mesmos argumentos da impugnação. Ainda a respeito do Grupo Econômico de Fato, caracterizado pela autoridade lançadora, impende transcrever excerto da Decisão da Recorrida, às fls. 162 a 181, a partir da análise do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 04 e 21 a 31, de maneira a rechaçar de uma vez por todas qualquer dúvida quanto a matéria em comento, in verbis: Consta que no mesmo endereço, Rodovia São José dos Campos — Campos do Jordão s/n°, km 100, Bairro Buquirinha, em São José dos Campos/SP, foram constituídas, sucessivamente, as seguintes empresas: • Frigovalpa Comércio e Indústria de Carne Ltda: constituída em 1972. Consta que, presentemente, tem sede na Avenida Perseu, n° 108, sala 1, Jd. Satélite, S. J. dos Campos/SP, • Frigosef Frigorifico Sef de São José dos Campos Ltda: constituída em 1994. Consta que estaria "inapta" (deixou de entregar declarações de imposto de renda para os anos calendário de 1998 a 2002); • Frigorifico Mantiqueira Ltda: constituída em 1998. Consta que, presentemente, tem sede na Estrada dos Vasconcelos, s/n°, km 12, Bairro Vasconcelos, em S. J. dos Campos/SP. • Frigorifico Campos de São José Ltda: constituída em 2003. Consta que está instalada na Rodovia São José dos Campos — Campos do Jordão, s/rf, km 100, Bairro Buquirinha, em S. J. dos Campos/SP. Assim, ao se iniciar auditoria fiscal, foi encontrada no local a empresa Frigorífico Campos de São José Ltda. Releva, de início, considerar que a auditoriafiscal enfrentou consideráveis dificuldades, decorrentes não apenas das graves irregularidades constatadas (tanto no âmbito tributário, quanto trabalhista, adiante destacadas), mas também especialmente relativas à falta de cumprimento de diversas obrigações tributárias previdenciárias acessórias, que ensejaram farta lavratura de Autos de Infrações. (...) O conjunto de práticas e omissões, especialmente as relativas à negativa de exibição dos livros contábeis, formalmente constituídos e acompanhados dos devidos e competentes documentos fiscais, certamente representaram dificuldades adicionais à Auditora fiscal, que, assim, viuse compelida a realizar verdadeira atividade investigatória e, eventualmente, dedutiva, na medida em que não se admite que o contribuinte possa se beneficiar das suas próprias omissões. Neste sentido vale destacar o brocardo jurídico, segundo o qual, "nemo auditur propriam turpitudinem allegans", ou seja: "a ninguém é dado alegar a própria torpeza em seu proveito". Ou, Fl. 277DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 237 31 para refletir o caso específico: "ninguém pode se beneficiar da própria torpeza (omissão)", na medida em que não se pode admitir que o contribuinte inadimplente se valha justamente de suas omissões para impedir a apuração de todos os fatos e circunstâncias relevantes na auditoriafiscal, seja para investigar a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, seja para identificar as reais circunstâncias em que o contribuinte realizou seus negócios jurídicos e se relacionou com as demais empresas integrantes do "grupo econômico" considerado. Assim, à falta de outras informações e respectivos elementos documentais, constitui procedimento legal previsto — art. 33 e §§ da Lei n°. 8.212/1991 — o estabelecimento de presunções legais, com base nos razoáveis elementos de prova coligidos, especialmente documentais, como se verá. Presunções estas suscetíveis de eventual retificação, se (e quando) apresentados oportunamente os elementos idôneos necessários e suficientes para afastar as conclusões, que, em face das omissões cometidas pelo contribuinte, foram levantadas pela audioriafiscal. (...) A existência concomitante das empresas integrantes do "grupo econômico" e suas relações De início, releva destacar que os argumentos apresentados por Frigorífico Campos de São José Lida, Frigosef Frigorífico Sef de São José dos Campos Ltda, André Luiz Nogueira Junior ME, Tânia Pereira Lopes ME e Monalisa Pereira Lopes ME (excetuado, portanto, apenas o Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda) são basicamente os mesmos, incluindo, aliás, extensos trechos literalmente idênticos (até mesmo quanto à menção do revogado Decreto 2.173/1997), o que constitui mais um indício da íntima relação que há entre as correspondentes empresas. Por isso, quando possível, os respectivos argumentos serão analisados conjuntamente. Nas impugnações apresentadas são recorrentemente defendidas as teses de que as empresas não poderiam ser consideradas como integrantes de um "grupo econômico", na medida em que não tiveram funcionamentos concomitantes, nem relações entre si. Contudo, tal afirmação é derrubada pela comparação dos dados cadastrais constantes dos registros informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo como base as próprias declarações de imposto de renda entregues pelos próprios contribuintes. Frigovalpa: consta funcionamento ininterrupto até hoje e, pelo menos, desde 1995. • Frigosef: entregou declarações para os anos de 1994 a 1997. Deixou de entregar as declarações relativas ao período de 1998 a 2002 (não consta que estivesse Fl. 278DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 32 "inativa"). Entregou declarações como "inativa" 2003 e 2004 e de "lucro real" em 2005. Não consta a entrega da declaração de 2006. • Frigorifico Mantiqueira: desde 1998 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • Frigorífico Campos de São José: desde 2003 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). • André Luis Nogueira Junior ME: desde 2003 (ano que consta ter sido constituída) vem entregando suas declarações de imposto de renda (até a relativa a 2006). (...) Não obstante o argumento de que poderia ter havido "confusão da razão social", quando da emissão "equivocada" de GTA — Guia de Transporte de Animais, podese entender, por outro lado, que justamente dada a absoluta confusão entre as empresas que funcionam (ou funcionaram) no local, os fornecedores nem mesmo sabiam" ou era indiferente o nome da empresa, para o qual deveria ser emitido o documento. É irrelevante, para a caracterização de "grupo econômico" se houve ou não transferência do "fundo de comércio". Aliás, há, neste sentido, mera assertiva do impugnante, não comprovada pelos registros contábeis. (...) Além do mais, em que pese tais circunstâncias, foram também claramente evidenciadas as demais características que confirmam a existência de "grupo econômico”, como, por exemplo : o controle societário comum “basicamente familiar com a figura proeminente de um de seus integrantes – o patriarca, no caso); a sucessiva utilização do mesmo pessoal; a assunção de obrigações por um em nome de outro; a exploração de um negócio —comum com seus naturais desdobramentos (abate e processamento industrial e na seqüência, comércio de carnes e derivados). (...) Local de funcionamento das empresas –Atividades dos integrantes do "Grupo Econômico" – Máquinas e equipamentos utilizados – O pessoal empregado – Composição dos quadros societários – a existência do "controlador" –A utilização do mesmo "nome fantasia" Como já se destacou, todos os frigoríficos integrantes do "grupo econômico", assim considerado na auditoriafiscal, funcionam ou funcionaram originariamente no mesmo imóvel, de propriedade de Frigovalpa: Fl. 279DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 238 33 Rodovia São José dos Campos/Monteiro Lobato (ou São José dos Campos/Campos do Jordão), s/a°, km 100, no Bairro Buquirinha, em São José dos Campos/SP. Com efeito, consta que no local inicialmente funcionou a Frigovalpa, que, em 01/02/1995, locou o imóvel, através de "contrato de arrendamento de imóvel com instalações industriais", para a Frigosef. Posteriormente, em 20104/2006, consta que o mesmo imóvel foi locado para o Frigorifico Campos de São José Ltda, conforme "contrato de locação de imóvel comercial e industrial com instalações industriais" e respectivo anexo com extensa lista de máquinas e equipamentos (fls. 109/127). Consta, entretanto, que antes da assinatura deste contrato, funcionou no mesmo local o Frigorifico Mantiqueira (constituído em 1998 e para o qual não consta nem mesmo a formalização de contrato de locação), depois, finalmente, o Frigorifico Campos de São José (desde 2003, quando foi constituído), que funcionava no local, quando da realização da auditoriafiscal. Portanto, foram instaladas sucessivas empresas (respectivamente, Frigovalpa, Frigosef, Frigorifico Mantiqueira e Frigorífico Campos de São José), no mesmo local, para realização exatamente das mesmas atividades e utilização dos mesmos equipamentos, empresas essas que, com exceção da Frigovalpa, são pertencentes, controladas ou têm a participação societária de André Luiz Nogueira e de: • João Raymundo Costa (Frigosef e no Frigorífico Mantiqueira). • Benedito Carlos Americano (Frigorifico Mantiqueira e Frigorifico Campos de São José). • Ivan Rodrigues de Araújo (Frigorífico Mantiqueira). (...) Outra circunstância bastante significativa – além das similaridades entre o local de funcionamento, da atividade realizada, dos equipamentos utilizados e dos sócios – é quanto ao pessoal empregado no local, podendose extrair do Relatório Fiscal as seguintes informações. (...) Portanto, não apenas as empresas se instalaram sucessivamente no mesmo local, mas os empregados (ou pelo menos parte deles) foram sendo concomitantemente transferidos de uma para outra, do que, analisado o conjunto dos lançamentos fiscais realizados na auditoriafiscal, resulta a constatação de que os empregados foram sendo utilizados por uma empresa, enquanto lá funcionava outra; assim como foram sendo transferidos de uma para outra, num contexto de inadimplência quanto ao cumprimento das obrigações legais (recolhimento das contribuições previdenciárias e de FGTS; sem a devida Fl. 280DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 34 formalização dos contratos de trabalho e nem a regular prestação das informações legais — GFIP e RAIS, tudo isso no contexto da suposta falta de escrituração contábil). Tais circunstâncias evidenciam a ocorrência de verdadeira "confusão patrimonial" entre os Frigoríficos, na medida em que não é possível estabelecer uma clara relação entre os vínculos empregatícios e as correspondentes despesas de pessoal ou passivos trabalhistas e tributários e as respectivas responsabilidades individualizadas, por Frigorífico, em cada período de funcionamento, ressalvandose que as empresas não afastaram a confusão patrimonial com a devida e regular apresentação dos livros contábeis (e respectivos documentos fiscais), observadas as demais formalidades legais pertinentes. (...) Por outro lado, a inexistência de vínculos societários formais não pode afastar a possibilidade de caracterização de "grupo econômico", justamente em razão do que se cogita da caracterização dos "grupos econômicos de fato", nos quais o controle, como já se destacou, pode inclusive estar dissimulado, sendo possível identificálo tão somente a partir de atos administrativos aparentemente desvinculados e isolados entre si, como, por exemplo, contratos, empréstimos e pagamentos, que denunciem o efetivo controle das empresas que os integrem. Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal previdenciária não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 239 35 II. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS APRESENTADOS Superada essa questão central da configuração do grupo econômico de fato, no tópico I, passemos à análise das argumentações dos Recursos Voluntários impetrados a seguir: (II.1) Recorrente ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR — ME; (II.2) empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda; e (II.3) empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. (II.1) pelo Recorrente ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR — ME; Anotase de plano que a linha de argumentação do Recorrente se situa na descaracterização do grupo econômico. No entanto, o presente Auto de Infração – AI nº. 37.036.1741, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Desta forma, não há na argumentação do Recorrente qualquer referência a esse descumprimento de obrigação acessória. Passemos à análise dos argumentos do Recorrente. (a) Da inexistência de motivação. O Recorrente alega: A decisão também deixou de fundamentar devidamente os motivos pelo entenderam que o recorrente deveria permanecer Fl. 282DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 36 no pólo passivo no que tange a responsabilidade do débito; salientamos que as decisões ainda que não judiciais devem ser devidamente fundamentadas, não podendo ser obscuras ou omissas, sob pena de reforma. Com a simples leitura do relato da decisão ora impugnada, podemos notar que os r. julgadores, em momento algum se referem ao ora recorrente, se quer apresentando elementos capazes de minimamente, levar a crer que possa ter participação na alegada formação do grupo econômico de fato. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais o Recorrente integra o grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. (b) Da vinculação do recorrente no alegado grupo econômico O Recorrente alega: Não existem elementos que demonstrem que o comando da empresa recorrente, fosse exercido por outra empresa quanto mais pelo Frigorifico Campos de São José ou Frigorifico Mantiqueira, ou mesmo qualquer outro citado no processo; salientamos que o único e exclusivo administrador da empresa recorrente é seu proprietário André Luiz Nogueira Junior. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais o Recorrente integra o grupo econômico de fato, ou seja, com a conseqüente vinculação do Recorrente ao grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. (c) Da impossibilidade de aplicação da Lei 6.404/1976 O Recorrente alega: Fl. 283DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 240 37 Nos exatos termos da Lei 6404/76, que rege indiretamente a caracterização dos grupos econômicos, notamos que sua aplicação ao caso é impossível, pelo que se segue. Os Grupos Econômicos ou Concentração Econômica de Empresas estão previstas somente nas Sociedades Anônimas, o que demonstra a sua não aplicação nos demais tipos de sociedade permitidos no pais. Evidente que a legislação reguladora dos Grupos Econômicos é a Lei 6.404/76 (Lei da Sociedade Anônima), sendo que esta não menciona em momento algum sua aplicação, ou seja, formação de grupo econômico com empresa individual "ME", como é o caso da impugnante. Os entendimentos dos estudiosos do direito empresarial, defendem a tese, que frisemos é pacifica nos tribunais de que, o empresário individual jamais poderá integrar ou ter a empresa integrada em qualquer tipo de grupo econômico. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976, já se debateu de forma intensa a adequação da aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 para o deslinde da questão. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. (d) Da não participação do recorrente na formação de grupo econômico, quando da análise do inciso IX, artigo 30 da Lei 8212/91, combinado com o artigo 124 do CTN. O Recorrente alega: No mesmo sentido segue nosso entendimento da não participação do recorrente na formação de grupo econômico, quando da analise do inciso IX, artigo 30 da Lei 8212/91, combinado com o artigo 124 do CTN, pois o Recorrente não tem qualquer interesse comum com as demais empresas citadas no relatório fiscal, quanto a situação fiscal que possa constituir fato gerador de obrigação tributária, sendo totalmente independente em seus atos e responsabilidades fiscais, afastando assim completamente a aplicação dos dispositivos legais acima citados. Analisemos. Fl. 284DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 38 Conforme já tratado nos tópicos I.1 Aspectos gerais e I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, já se debateu de forma intensa a adequação da aplicação do inciso IX, artigo 30 da Lei 8212/91, combinado com o artigo 124 do CTN para o deslinde da questão da participação do Recorrente no grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação do Recorrente. (II.2) empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda; O presente Auto de Infração – AI nº. 37.036.1741, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Desta forma, não há na argumentação do Recorrente qualquer referência a esse descumprimento de obrigação acessória. Passemos à análise dos argumentos da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. (a) Preliminarmente, pela desnecessidade do depósito prévio. Essa Preliminar já resta superada em função de que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. (b) Da inexistência de grupo econômico e participação. A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda alega: Inicialmente não ocorreu qualquer atuação concomitante entre as empresas, nos termos explicados em impugnação, tanto que o relato da decisão declara em fls, retro, que as empresas foram Fl. 285DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 241 39 constituídas sucessivamente e não concomitantemente; assim, latente a ilegalidade na decisão afrontando as determinações legais, deturpando entendimentos entre sucessão e formação de grupo econômico. O próprio relatório reconhece também que a empresa FRIGOSEF entregou as declarações de IR 2003 e 2004, como inativa, assim como poderia pertencer a grupo econômico de fato se encontrase em inatividade? A decisão relata e demonstra que o Frigorífico Mantiqueira, está estabelecido em outra cidade e sob a administração de pessoa diversa do sócio proprietário do recorrente. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais a empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda integra o grupo econômico de fato, ou seja, com a conseqüente vinculação da empresa ao grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. (c) Do não exercício de atividade concomitante A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda alega: Ainda comprova que Frigosef, Mantiqueira, Frigovalpa e o recorrente não exerceram atividades concomitantes. Não podemos se quer falar em sucessão de empresas, pois jamais ocorreu transferência do fundo de comércio, lembrando que os equipamentos e o local são arrendados. O próprio relatório aduz tratarse de possível sucessão de empresas, assim, se uma sucedeu a outra não poderiam de forma alguma formar grupo econômico de fato, ante a não existência concomitante. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos Fl. 286DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 40 quais a empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda integra o grupo econômico de fato, bem como a questão do não exercício de atividades concomitante. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. (d) Da não ocorrência de confusão patrimonial A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda alega: Quanto a confusão patrimonial, também não existiu, pois cada uma das empresas tem sua personalidade e obrigações tributárias próprias. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais a empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda integra o grupo econômico de fato, bem como o deslinde da questão acerca da confusão patrimonial abordada pela AuditoriaFiscal e também abordada na decisão da Recorrida. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. (e) Da caracterização do grupo econômico A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda alega: Outra ilegalidade observada na r. decisão, foi a de para caracterização do grupo econômico o Sr. Relator, considerou que o fato de os filhos do representante da recorrente trabalharem na empresa leva a crer que tratase de grupo econômico. Ora, o fato de um empregado laborar em uma empresa e ser proprietário de outra no mesmo ramo, não pode ensejar na formação de grupo econômico, sob pena de ferir o direito ao livre emprego do cidadão, sem contar que a legislação nada dispõe em contrário. Analisemos. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 242 41 Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais a empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda integra o grupo econômico de fato, ou seja, com a conseqüente caracterização do grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. (f) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 179 da IN 3 com alteração de redação posterior A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda alega: A primeira irregularidade ocorreu quando o Sr. Relator citou o artigo 179 da INSRP n° 03, com alteração de redação por outra Instrução Normativa Posterior editada posteriormente a finalização do procedimento fiscal e inicio do contencioso, o que reflete evidente ilegalidade, eis que novas disposições legais ou normativa, somente podem retroagir em caso de trazer beneficio nunca para prejudicar; o aludido artigo somente foi citado para tentar justificar o ato da fiscal, que foi ilegal e sem embasamento legal. Analisemos. Conforme já tratado nos tópicos I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e .6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato, já se debateu de forma intensa a adequação da aplicação dos artigos da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 para o deslinde da questão. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. (g) da inconstitucionalidade de se aplicar a IN 3 A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda alega: Assevere ser impossível legislar por instrução normativa, nos termos da constituição federal. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 42 Analisemos. Conforme já tratado NA PRELIMINAR, no tópico DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA – FACE À HIERARQUIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO, já se debateu que resta afastada a discussão de inconstitucionalidade pois Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. (h) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 124, CTN A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda alega: Segundo, ao aplicar o artigo 124 do CTN, sob fundamento do inciso I e II, alegando que as empresas têm interesse comum na situação do fato gerador, o faz de forma equivocada distorcendo o verdadeiro sentido do dispositivo legal; sendo que jamais ocorreu interesse comum em fato gerador tributário, e mais, esse interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN, não reflete na formação de grupo econômico ou confusão patrimonial, como entendeu a decisão. Após ainda mencionando o aludido artigo se refere as pessoas designadas por lei, e, destaca instrução normativa, tentando caracterizar a aplicação do inciso II do art 124 do CTN; ora, é notório que as instruções normativas não são consideradas leis, portanto, inaplicáveis a titulo de fundamentação do inciso II do art 124 do CTN, que deixa claro "designadas por lei", lembramos que é impossível legislar por instrução normativa, nos termos da constituição federal. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, já se debateu de forma intensa a adequação da aplicação dos artigos do CTN para o deslinde da questão. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 243 43 (i) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 2º, § 2º, CLT A empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda alega: Quarto, faz alusão a legislação trabalhista, só que se esquece que o final do artigo 2° em seu §2 º da CLT, diz "serão para os efeitos da relação de emprego...", o que não é o caso por tratar se de questão tributária; o próprio relator, tece entendimento no sentido de ser para cobrança de direitos trabalhistas. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT, já se debateu de forma intensa a adequação da aplicação dos artigos da CLT para o deslinde da questão. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda. (II.3) empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. O presente Auto de Infração – AI nº. 37.036.1741, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Desta forma, não há na argumentação do Recorrente qualquer referência a esse descumprimento de obrigação acessória. Passemos à análise dos argumentos da empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. (a) Preliminarmente, pela desnecessidade do depósito prévio. Fl. 290DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 44 Essa Preliminar já resta superada em função de que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. (b) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 179 da IN 3 com alteração de redação posterior A empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda alega: Ao aplicar instrução normativa, o Sr. Julgador cometeu equívocos tais como: aplicou norma posterior a fato anterior; ou seja, utilizou entendimento da IN n° 3, com alteração dada no ano de 2007, em fato relatada e constatado no ano de 2006, conforme relatório fiscal, o que é defeso por lei ante ao principio da irretroatividade. Analisemos. Conforme já tratado nos tópicos I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e .6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato, já se debateu de forma intensa a adequação da aplicação dos artigos da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 para o deslinde da questão. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. (c) Da inconstitucionalidade As disposições da Lei 6.404/1976 devem prevalecer sobre a IN 3 A empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda alega: Ainda na seara das instruções normativas, notamos que não foi respeitada a "hierarquia das Leis", pois o Sr. Julgador, aplicou IN n° 3, deixando de atentarse para as disposições da Lei 6404/76 (S/A), ferindo assim o grau de aplicação da lei, sendo que se uma lei superior dispor algo diferente da inferior, está se renderá aquela sob pena de nulidade do ato. Portanto as disposições da Lei 6404/76 devem prevalecer sobre o que dispõe a IN n° 3; levando ao entendimento pela impossibilidade de formação do grupo econômico. Analisemos. Fl. 291DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 244 45 Conforme já tratado NA PRELIMINAR, no tópico DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA – FACE À HIERARQUIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO, já se debateu que resta afastada a discussão de inconstitucionalidade pois Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. (d) Das interpretações legais equivocadas – aplicação do art. 124, CTN A empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda alega: O artigo 124 do CTN trata de solidariedade e não formação de grupo econômico, exigindo alguns requisitos para aplicação da solidariedade, o que no caso não ocorre. Não existe interesse do recorrente no fato gerador da obrigação tributária das demais empresas citadas no processo; não existe a chamada solidariedade natural. Também não existe a solidariedade determinada por lei, visto que a decisão apresentou instrução normativa como embasamento legal; no entanto, o artigo 124 do CTN é claro ao expressar que deve ser por lei, e, instrução normativa não é lei o que caracteriza ilegalidade. Com o acima explicado fica afastada a aplicação do artigo 30 da Lei 8112/91, até mesmo pela já explicada falta de apreciação da lei 6404/76. Assim, não incide a caracterização de grupo econômico ou mesmo solidariedade. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, já se debateu de forma intensa a adequação da aplicação dos artigos do CTN para o deslinde da questão. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. (e) Da inexistência de grupo econômico e participação. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 46 A empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda alega: Inicialmente não ocorreu qualquer atuação concomitante entre as empresas, nos termos explicados em impugnação, tanto que o relato da decisão declara em fls, retro, que as empresas foram constituídas sucessivamente e não concomitantemente; assim, latente a ilegalidade na decisão afrontando as determinações legais, deturpando entendimentos entre sucessão e formação de grupo econômico. O próprio relatório reconhece também que a empresa FRIGOSEF entregou as declarações de IR 2003 e 2004, como inativa, assim como poderia pertencer a grupo econômico de fato se encontrase em inatividade? A decisão relata e demonstra que o Frigorífico Mantiqueira, está estabelecido em outra cidade e sob a administração de pessoa diversa do sócio proprietário do recorrente. Analisemos. Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais a empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. integra o grupo econômico de fato, ou seja, com a conseqüente vinculação da empresa ao grupo econômico de fato. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. (f) Do não exercício de atividade concomitante A empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda alega: Ainda comprova que Frigosef, Mantiqueira, Frigovalpa e o recorrente não exerceram atividades concomitantes. Não podemos se quer falar em sucessão de empresas, pois jamais ocorreu transferência do fundo de comércio, lembrando que os equipamentos e o local são arrendados. O próprio relatório aduz tratarse de possível sucessão de empresas, assim, se uma sucedeu a outra não poderiam de forma alguma formar grupo econômico de fato, ante a não existência concomitante. Analisemos. Fl. 293DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 245 47 Conforme já tratado no tópico I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato , já se debateu de forma intensa a fundamentação e os motivos pelos quais a empresa Frigorífico Campos de São José dos Campos Ltda integra o grupo econômico de fato, bem como a questão do não exercício de atividades concomitante. Desta forma, não prospera a argumentação da empresa FRIGOSEF Frigorífico SEF de São José dos Campos Ltda. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não Fl. 294DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI 48 apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.036.1741, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.000752/200791 Acórdão n.º 240300.589 S2C4T3 Fl. 246 49 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 296DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO Assinado digitalmente em 07/07/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, 19/07/2011 por CARLOS ALBE RTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10715.730325/2012-60
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2013
NULIDADE. DISTRIBUIÇÃO. PREVENÇÃO.
Prevento por distribuição Conselheiro desta Seção é nulo Acórdão relatado por outro Conselheiro.
Numero da decisão: 3401-010.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para declarar a nulidade do acordão embargado, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
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DISTRIBUIÇÃO. PREVENÇÃO. Prevento por distribuição Conselheiro desta Seção é nulo Acórdão relatado por outro Conselheiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para declarar a nulidade do acordão embargado, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório 1.1. Por bem descrever os fatos adoto como relatório parte dos Embargos do Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares: Em sessão plenária de 27/05/2021, foi julgado o Recurso Voluntário interposto no processo nº 10715.722900/2013-31 pelo sujeito passivo DELTA AIR LINES INC, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 73 03 25 /2 01 2- 60 Fl. 391DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.14530.E475. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.565 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.730325/2012-60 relatado pelo Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, proferindo-se a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3401-009.128. A decisão foi assim registrada na Ata publicada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto (relator), Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Votaram pelas conclusões os conselheiros Fernanda Vieira Kotzias e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Entretanto, verifica-se inexatidão material devida a lapso manifesto, pois o referido processo administrativo havia sido sorteado, em 28/01/2021, para minha relatoria. Ocorre que este processo foi movimentado indevidamente para o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, juntamente com outro processo do mesmo contribuinte, de nº 10715.005895/2010-56, este sim sorteado para o referido conselheiro. Tendo 02 (dois) processos do mesmo contribuinte em sua caixa do sistema E-processo, o Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto fez a indicação de ambos para pauta em sua planilha de indicações, equívoco que não foi observado pelos demais conselheiros e nem mesmo pelo SEPAJ. 1.2. Em inominados o Conselheiro Lázaro veicula nulidade do julgado por violação ao princípio do Juízo Natural, no que foi recebido pela Presidência desta Turma. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. De fato, por equívoco, foi distribuído a mim processo já distribuído ao ilustre Conselheiro Lázaro. Com a primeira distribuição, o Conselheiro Lázaro tornou-se prevento e competente para proferir decisão como relator no presente processo a teor do que dispõe “o artigo 5º, incisos XXXVII (não haverá juízo ou tribunal de exceção) e LIII (ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente)” da Constituição, como bem lembra o embargante. 2.2. Com isto temos que, a Autoridade competente para proferir decisão no presente processo era (e é) o Conselheiro Lázaro, tornando-me incompetente para tal ato – o que torna o Acórdão nulo, nos termos do artigo 59 inciso I do Decreto 70.235/72. 3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço dos inominados, para sanar a omissão apontada, e no mérito decretar a nulidade do Acórdão anteriormente proferido por esta Turma, devendo os autos serem encaminhados ao Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, para que profira Julgamento. (documento assinado digitalmente) Fl. 392DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.14530.E475. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.565 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10715.730325/2012-60 Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 393DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 3 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0322.14530.E475. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO em 01/02/2022 09:11:00. Documento autenticado digitalmente por OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO em 01/02/2022. Documento assinado digitalmente por: RONALDO SOUZA DIAS em 08/02/2022 e OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO em 01/02/2022. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/03/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.0322.14530.E475 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: B7868D9102CD1A83DBAF55A35028AFD5BA77ACD91423FF3AADB263325F6CE634 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10715.730325/2012-60. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10680.009762/2007-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei
1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NFLD no dia 04.04.2007, o período do débito é de 01/1999 a 12/2004. Dessa forma, constata-se
que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 03/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que
suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e
do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência,
especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do
lançamento.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto
do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União
decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da
Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS
LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO
DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram
distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35
da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991
(que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de
ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine
penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua
prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com
base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com
base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora
mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se
deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora
(com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art.
5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A,
Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-000.642
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial acatando a preliminar de decadência até a competência 03/2002, inclusive com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os
Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NFLD no dia 04.04.2007, o período do débito é de 01/1999 a 12/2004. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 03/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NFLD no dia 04.04.2007, o período do débito é de 01/1999 a 12/2004. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 03/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 237 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial acatando a preliminar de decadência até a competência 03/2002, inclusive com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 772 a 780, com Anexo às fls. 781 a 782, apresentado contra Acórdão nº 0215.002 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte MG, fls. 763 a 782, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD NFLD nº 37.049.2757, no montante de R$ 1.186.457,65 (um milhão, cento e oitenta e seis mil, quatrocentos e cinqüenta e sete reais e sessenta e cinco centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 724 a 732, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados e da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais. O Relatório Fiscal, às fls. 724, mostra que a Recorrente se dedica à atividade da construção civil, mais especificamente à prestação de serviços de terraplenagem, pavimentação de estradas e vias públicas, saneamento e obras de arte correntes, bem como a promoção de incorporações imobiliárias de lotes de terrenos e compra e venda de imóveis. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 724 a 732, foram realizados os seguintes levantamentos: 2.1 01G a 89G e G53 — relativos aos fatos geradores DECLARADOS EM GFIP; 2.2 137 a 189, C53 e BSL relativos aos fatos geradores NÃO DECLARADOS EM GFIP; 2.2.3. Constitui fato gerador das contribuições apuradas nos levantamentos acima a remuneração paga aos segurados empregados apurada nas folhas de pagamento da matriz, filiais e obras de construção civil, cujo código de levantamento, no caso de obras, corresponde ao respectivo número de identificação atribuído à respectiva obra pela notificada. Para os fatos geradores declarados em GFIP, para definir o código de levantamento de forma a distinguilo dos valores não declarados em GFIP, foi suprimido o primeiro algarismo do número de identificação da obra e acrescentado a letra "G". 2.2.4. Nos levantamentos 37C / 49C I 70C / 730 e GOC, foram lançados fatos geradores cujos valores foram coletados na contabilidade, vez que não foram exibidos à fiscalização as respectivas folhas de pagamento e/ou demais documentos que deram origem à totalidade dos registros contábeis efetuados nos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 238 5 centros de custo correspondentes às mesmas obras, na parte relativa à contabilização das verbas remuneratórias pagas aos segurados empregados. (...) 2.2.6. Apurada a base de cálculo, que corresponde ao respectivo saláriodecontribuição (SC), foram calculadas as contribuições destinadas à Seguridade Social e aos terceiros,como especificadas no item 1, mediante a aplicação dos seguintes percentuais: CONTRIBUIÇÃO ALÍQUOTA FPAS: 507 20,0 % SAT/RAT: 1210106 CNAE : 45136 3,0 % TERCEIROS: 0079 Salário Educação 2,5 % 5,8 % INCRA 0,2 % SENAI 1,0 % SESI 1,5 % SEBRAE 0,6 % 2.2.7. Foi aplicada a aliquota mínima para o cálculo da contribuição correspondente à parte dos segurados empregados cuja base de cálculo foi apurada nos registros contábeis. (...) 3. PLG / PL e Cl 3.1. Constitui fato gerador das contribuições lançadas nos levantamentos PLG / PL a remuneração paga aos sócios administradores a título de pro labore e, no levantamento CI, a remuneração paga aos demais contribuintes individuais que prestaram serviços à notificada. 3.1.1 As contribuições lançadas no levantamento PLG foram declaradas em GFIP e as lançadas nos levantamentos PL e Cl não foram declaradas em GFIP.(...) 3.3. Sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais e lançadas nos códigos de levantamento descritos nos itens acima, foi calculada a contribuição devida a cargo da empresa prevista na Lei Complementar n.° 84/96, até a competência 02/2000 e no inciso III do art. 22 da Lei n°8.212, de 24/07/91, com a redação da Lei n°9.876, de 26/11/1999. 3.4. A partir da competência 04/2003 foi lançada a contribuição devida pelos contribuintes individuais, cuja arrecadação a cargo da empresa tornouse obrigatória nos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 termos do disposto no art. 4° da MP n° 83, de 12/12/2002, convertida na Lei n° 10.666, de 08/05/03 (art. 4°) combinado com previsto no § 5° do art. 33 da Lei n° 8212/91. (...) Observase, no Relatório RDA – Relatório de Documentos Apresentados, às fls. 367 a 413, que a AuditoriaFiscal identificou recolhimentos antecipados a homologar em todas as competências 01/1999 a 12/2004. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09284950, às fls. 643 a 647. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 104, é de 01/1999 a 12/2004, sendo que há levantamento de Acréscimos Legais nas competências: (a) 04/2005: no valor de R$ 0,01 (b) 07/2005: no valor de R$ 13,99 (c) 08/2006: no valor de R$ 0,01 (d) 12/2006: no valor de R$ 178,77 para o estabelecimento 11.902.058117/71 A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 04.04.2007, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 739 a 750, com Anexos às fls. 751 a 757. A decisão de primeira instância, conforme o Acórdão nº 0215.002 – 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte MG, fls. 763 a 782, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa e Decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2004 Ementa:CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ILEGALIDADE / INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO. DECADÊNCIA. SAT/RAT. SELIC. MULTA. Contribuições devidas à Seguridade Social a cargo da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (competências a partir de 07/97), bem como as destinadas às Terceiras Entidades. A decadência das contribuições previdenciárias operase em 10 (dez) anos, consoante legislação específica. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 239 7 Foge à alçada da esfera administrativa apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei vigente. A cobrança da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho foi feita com base em legislação válida e vigente à época dos fatos geradores. É legal a cobrança dos juros moratórios calculados de acordo com a taxa referencial SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas em atraso incidirá multa legal de caráter irrelevável. Lançamento Procedente Acordam os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer da argüição de inconstitucionalidade e no mérito, julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.049.2757. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, ressalvado o direito de interpor recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes, no mesmo prazo, conforme facultado pelo § 1° do art. 305 Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. O recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente instruílo com prova de depósito administrativo no valor correspondente a, no mínimo, 30% (trinta por cento) do valor da exigência, conforme dispõe o § 1° do art. 126 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei 10.684, de 30 de maio de 2003. Inconformada com a decisão do órgão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 772 a 780, com Anexo às fls. 781 a 782, onde alega, em apertada síntese: Em sede Preliminar: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 (a) Da inexigibilidade de depósito recursal; (b) Da decadência, com base na Súmula Vinculante nº 8, STF – aplicação do art. 173, I, CTN – decadência parcial anterior a 12/2001. (c) Da aplicação da multa – violação a princípios do não confisco e da capacidade contributiva. (d) Da necessidade de apreciação de toda a matéria alegada pela esfera administrativa – as matérias que versam acerca da afronta aos princípios e institutos constitucionais não poderiam ser apreciados na esfera administrativa. No Mérito: (e) Da cobrança indevida de valores devidos a SAT/RAT. (f) Da aplicação indevida da taxa SELIC. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 785. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 240 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 785. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES (a) Da inexigibilidade de depósito recursal; Analisemos. Esta questão acerca do depósito recursal já está superada pois o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. (b) Da decadência, com base na Súmula Vinculante nº 8, STF – aplicação do art. 173, I, CTN – decadência parcial anterior a 12/2001. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 241 11 Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 242 13 de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 14 O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, verificase que o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, disposto às fls. 367 a 413, apresenta recolhimentos antecipados a homologar em todas as competências 01/1999 a 12/2004. Observase que o Relatório Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF, às fls. 722, aponta a formalização de Representação Fiscal Para Fins Penais, relativa ao período de 01101/1999 a 31/12/2004, pela ocorrência, em tese, de fatos que configuram crimes contra a Seguridade Social, definidos no então vigente Art. 95, alínea "a" "b" e "d" da Lei 8.212/91 (vigente até 14/10/2000), nó M. 168 dó DecretoLei 2.848 de 07/12/40 Código Penal Brasileiro, no Ari. 168A do mesmo Código (acrescido pela Lei 9.983/2000, vigente a partir de 15/10/2000) e no Art. 337A, incisos I e II (acrescido pela Lei 9.983/2000, vigente a partir de 15/10/2000). Não obstante a formalização da RFFP, entendo que nessa etapa do processo administrativofiscal em que ocorre a formalização da RFFP apenas, em tese, se aponta a configuração de dolo, fraude ou simulação. Desta forma, por óbvio, enquanto não houver um pronunciamento judicial acerca da conduta da Recorrente em relação à hipótese dos autos, nesta etapa do processo administrativofiscal não resta materialmente configurada as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o que implica o não afastamento da hipótese de aplicação da regra decadencial insculpida no art. 150, § 4º, CTN. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 04.04.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período: 01/1999 a 12/2004. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 03/2002, inclusive. (c) Da aplicação da multa – violação a princípios do não confisco e da capacidade contributiva. Analisemos. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições devidas pela empresa destinadas à Fl. 14DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 243 15 Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados e da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas aos Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.049.2757 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.049.2757) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 16 • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento e. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); f. RDA – Relatório de Documentos Apresentados (Este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto); g. RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados(Este relatório demonstra como os seguintes documentos apresentados pelo contribuinte ou apurados em ação fiscal foram apropriados pela fiscalização: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos)); h. DAL – Diferença de Acréscimos Legais i. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); j. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); k. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); l. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; m. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 244 17 n. TAB – Termo de Arrolamento de Bens e Direitos; o. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. p. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.049.2757, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (d) Da necessidade de apreciação de toda a matéria alegada pela esfera administrativa – as matérias que versam acerca da afronta aos princípios e institutos constitucionais não poderiam ser apreciados na esfera administrativa. Analisemos. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 18 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 245 19 DO MÉRITO. (e) Da cobrança indevida de valores devidos a SAT/RAT. Analisemos. De plano, em relação às alegações de inconstitucionalidade, estas já foram analisadas no tópico (d) acima. Em relação à contribuição para o SAT. Não confiro razão à recorrente quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, que fixou as alíquotas distintas, 1%, 2% e 3%, para a incidência da contribuição ao SAT: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 19DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 20 O Regulamento da Previdência Social, no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: (Decreto n°3.048/1999) Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, Fl. 20DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 246 21 vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, assim se manifesta: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3° e 4°; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4°; art. 154, II; art. 5°, II; art. 150,I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, 1 Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I(STF — RE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Processo 343446 – SC Decisão 20/03/2003. Tribunal Pleno. Relator MM. Carlos Venoso. DJ 04/04/2003). Fl. 21DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 22 Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Diante do exposto acima, não prosperam os argumentos da Recorrente. (f) Da aplicação indevida da taxa SELIC. Analisemos. Insurgese a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de que seria ilegal. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei nº 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Neste sentido, há a Súmula nº 4 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente estabelece a aplicação da taxa SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com fulcro no artigo 34 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 10680.009762/200706 Acórdão n.º 240300.642 S2C4T3 Fl. 247 23 DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA 24 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, acolher a decadência até a competência 03/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 24DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002791/2007-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da
Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.556
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acatar a
preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. O Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari votou pelas conclusões. Vencido o conselheiro. Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela aplicação do art. 173 I do CTN.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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IND PRECISÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/1999 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar de decadência total com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. O Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari votou pelas conclusões. Vencido o conselheiro. Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro que votou pela aplicação do art. 173 I do CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Julio de Souza Relator Fl. 116DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 117DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 13839.002791/200786 Acórdão n.º 240300.556 S2C4T3 Fl. 111 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado sob n° 37.092.5513 que, conforme "RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO" (fls.13) por ter apresentado, na rede bancária, no período de setembro a dezembro de 1999, suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com irregularidade no preenchimento do campo "Código outras entidades", em que fezse constar o código "0078", quando o correto seria o "0079", em virtude do convênio mantido entre a empresa e o FNDE — Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Tal irregularidade, ainda segundo a Agente Fiscal, caracteriza a infração ao disposto no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, c/c o inciso IV do art. 225 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999. Pelas incorreções relatadas, foi aplicada ao sujeito passivo a pena de multa cominada no § 6° do mesmo art. 32 da lei de custeio, no valor de R$ 239,04 (duzentos e trinta e nove reais e quatro centavos), conforme descrito no item III do já mencionado Relatório Fiscal. Pessoal e regularmente notificado do procedimento fiscal em 2372007, o sujeito passivo impugnouo por meio do expediente protocolado sob n° 010061 (fls. 18 a 21), em 22/08/2007, no qual alega que: 1°) o crédito constituído por meio do presente Auto encontrase abrangido pela decadência de que trata o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, devendo ser afastada, por inconstitucionalidade, a aplicação do art. 46 da Lei n° 8.212/91; e 2°) as GFIP retificadoras anexadas à defesa demonstram que o erro foi sanado, razão pela qual a multa aplicada pela fiscalização deve ser relevada. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas (SP) DRJ/CPS, 10 de junho de 2008, emitiu o Acórdão n ° 0522.146, fls. 78, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 87, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ”. É o Relatório. Fl. 118DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 108 o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” Assim, considerando que a empresa fora notificada em 23/07/2007(fls.01), e, conforme o registro do Relatório Fiscal de fls.13 período da ocorrência da infração foi definido pelas competências 09/99 a 12/99, na forma do artigo 150, §4°o crédito lançado pela fiscalização encontrase totalmente fulminado pelo instituto da decadência. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 13839.002791/200786 Acórdão n.º 240300.556 S2C4T3 Fl. 112 5 CONCLUSÃO Desse modo, por reconhecer fulminados pelo instituto da decadência, determino que sejam considerados decadentes, na forma do artigo 150, §4° os créditos lançados no Auto de Infração n° 37.092.5513, contra empresa Acip Aparelhos Contr. Ind Precisão Ltda no período 09/99 a 12/99. Ivacir Júlio de Souza Fl. 120DF CARF MF Emitido em 09/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA Assinado digitalmente em 08/06/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 09/06/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
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Numero do processo: 12571.720117/2011-89
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1402-000.120
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do processo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do processo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720117/201189 Resolução n.º 140200.120 S1C4T2 Fl. 3 2 Resolução J. F. CARVALHO & CIA. LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e reflexos de CSLL, PIS, COFINS e Multa Independente, dos anoscalendário de 2007 e 2008, apurados tendo como base as seguintes matérias e fundamentos legais: IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – Apurado mediante recomposição do saldo da conta Caixa, com o expurgo de lançamentos realizados a Débito dessa rubrica, pautados em cheques acima de R$ 20.000,00 (fls. 13701373 e 1784), que teriam sido sacados das contas bancárias do contribuinte, e os numerários destinados ao Caixa da empresa. Regularmente intimado (fls. 5860 e 73) a apresentar os documentos comprobatórios dos saques bancários, o contribuinte não teria atendido a intimação e silenciado a respeito dos fatos em foco (fls. 1785). Destarte, tais entradas de recursos no Caixa foram desconsiderados, sendo recomposto o saldo da referida conta, mês a mês, conforme planilhas de fls. 13741424 (2007) e 14251711 (2008), apurandose os Saldos Credores da tabela de fls. 1786. O Relatório da Ação Fiscal destaca, ainda, que independentemente da recomposição procedida, a conta Caixa da empresa já apresentava Saldo Credor nas datas de 30/05/2007 (fls. 1782 – R$ 209.072,65) e 19/12/2007 (fls 1782 – R$ 1.398,94), conforme análise do Razão de fls. 10481313. O enquadramento legal da infração se fez pelo art. 24 da Lei 9.249/95; DecretoLei nº 1.598/77, art. 12, § 2º; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 279, 281, inciso I, e 288, do RIR/99. A Multa de Ofício aplicada foi de 75%, com base no art. 44, inciso I, da lei 9.430/96 (fls. 1731). OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇAS APURADAS EM INVENTÁRIO FINAL DE MERCADORIAS – Considerandose a fórmula contábil “estoque inicial + compras – CMV = estoque final”, a Fiscalização apurou o valor do Estoque Final que a empresa deveria ter ao final do período. Apurado referido valor, passou a comparar com o Estoque Final registrado no Livro de Inventário, verificando diferenças trimestrais entre os Estoques Finais Apurado e Registrado, conforme fls. 1781, sendo que as diferenças de estoque final positivas foram tributadas como omissão de compras, e as diferenças de estoque final negativas foram tributadas como omissão de vendas, ambas refletindo Presunção de Omissão de Receitas (fls. 1781). O enquadramento legal foi o art. 24 da Lei 9.249/95; art. 41 da lei 9.430/96; arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 261, 274, 279, 286, 288 e 289, do RIR/99. A Multa de Ofício aplicada foi de 75%, com base no art. 44, inciso I, da lei 9.430/96 (fls. 1731). MULTA INDEPENDENTE POR NÃO ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS DAS NOTAS FISCAIS. Relata a Fiscalização que o contribuinte foi intimado (fls.4445) e reintimado (fls. 5154) a apresentar os arquivos digitais contendo as informações das notas fiscais de entrada e de saída referente aos AC 2007 e AC 2008, contudo ele não o fez, apresentando declaração (fls. 4750) de que os arquivos não poderiam ser entregues, haja vista “perda total do banco de dados das operações da empresa, em virtude de danos que teriam ocorrido em seu servidor”, acrescendo ainda que em função de sua atividade comercial (supermercado) “ficaria quase inviável do ponto de vista operacional e econômico, que a empresa tentasse inserir essas informações novamente em seu sistema.” Portanto, considerando a não entrega dos arquivos requeridos, aplicouse a multa de 1% da receita bruta da pessoa jurídica no período, já que este é o Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720117/201189 Resolução n.º 140200.120 S1C4T2 Fl. 4 3 limite máximo previsto na legislação, estando os cálculos demonstrado às fls. 1790. O enquadramento legal foi os arts. 11 e 12, inciso II, da Lei 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834/2001 e reedições; arts. 265, 266 e inciso II, 980, do RIR/99. CSLL OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.1 acima, tendo como enquadramento legal artº 2º e §§, da Lei 7.689/88; art. 24 da lei 9.249/95; art. 1º da lei 9.316/96; art. 28 da Lei 9.430/96; art. 37 da Lei 10.637/02; art. 3º da Lei 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇAS APURADAS EM INVENTÁRIO FINAL DE MERCADORIAS – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.2 acima, tendo como enquadramento legal artº 2º e §§, da Lei 7.689/88; art. 24 da lei 9.249/95; art. 1º da lei 9.316/96; art. 28 da Lei 9.430/96; art. 37 da Lei 10.637/02; art. 3º da Lei 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. PIS OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.1 acima, tendo como enquadramento legal arts. 1º, 3º e 4º da Lei 10.637/02. OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇAS APURADAS EM INVENTÁRIO FINAL DE MERCADORIAS – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.2 acima, tendo como enquadramento legal arts. 1º, 3º e 4º da Lei 10.637/02. COFINS OMISSÃO DE RECEITAS – SALDO CREDOR DE CAIXA – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.1 acima, tendo como enquadramento legal arts. 1º, 3º e 5º da Lei 10.833/03. OMISSÃO DE RECEITAS – DIFERENÇAS APURADAS EM INVENTÁRIO FINAL DE MERCADORIAS – Conforme os fatos já descritos no subitem 2.1.2 acima, tendo como enquadramento legal arts. 1º, 3º e 5º da Lei 10.833/03. A composição do Crédito Tributário levantado, consoante se depreende de fls. 02 é: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto1.369.638,12 Juros de Mora 516.023,24 Multa1.027.228,57 Valor do Crédito Apurado2.912.889,93 Multas Independentes Multa281.259,50 Valor do Crédito Apurado281..259,50 Programa de Integração Social Contribuição96..943,20 Juros de Mora36.721,84 Multa 72.707,31 Valor do Crédito Apurado 206.372,35 Contribuição Social s/ Lucro Líquido Contribuição502.578,43 Juros de Mora188.789,48 Multa 376.933,80 Valor do Crédito Apurado 1.068.301,71 Contribuição p/ Financiamento S. Social Contribuição 446.526,62 Juros de Mora169.143,57 Multa 334.894,87 Valor do Crédito Apurado950.565,06 Crédito Tributário do Processo 5.419.388,55 Os Juros de Mora estão calculados até 31/05/2011 (fls. 1717). A ciência do lançamento se deu por via pessoal, em 20/06/2011 (fls. 1799), e na data de 20/07/2011 (fls. 1806) o sujeito passivo ingressou com a Impugnação de fls. 1806 1865, alegando e requerendo: Preliminares: Que, preliminarmente, propugna pela presença de confisco no feito fiscal, caracterizado “a partir do momento que com base na autuação do auditor fiscal, os valores bases são considerados como valores de ganho líquidos sofrendo assim toda a tributação sobre si, como se nenhum custo houvesse para sua apuração. Vendo assim, tais valores ultrapassam em muito os valores normais de tributos, chegando a valores bem Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720117/201189 Resolução n.º 140200.120 S1C4T2 Fl. 5 4 superiores a carga tributária que atualmente já se encontra em patamares insuportáveis, imagine quando aplica sobre valores considerados em sua essência sem nenhum custo” (fls. 1816). Assim, por aplicar valores muito superiores até mesmo ao faturamento da reclamante, sem considerar custos, diretos e indiretos, o Impugnante entende que o auto de infração deve ser anulado, por confisco. Que, ainda a título de preliminar, demanda pela nulidade da autuação, já que entende não haver relação direta entre o saldo da conta Caixa e os cheques bancários arrolados pela Fiscalização. E registra que “...a relação que se pretendeu fazer entre os cheques bancários com a conta Caixa da empresa e os documentos contábeis foi inexitosa, já que não se conseguiu provar cabalmente toda a presunção de fraude (g.n.) apontada, pois não levou em conta a relação de contrapartida de que toda entrada no caixa, resulta em pagamento de outra conta contábil, não havendo assim outra forma de demonstração contábil.” (fls. 18161817). E acrescenta que “..., se de fato tivesse sido retirado (g.n.) do caixa tais valores, invariavelmente teria que se ter a contrapartida, fato não comprovado pelo fisco, simplesmente alegado. E depois em nenhum momento, o auditor apresenta que com a saída outra conta estaria em aberto, porque não há outra forma de se demonstrar isso, a não ser com a conta contrária. Vejamos, se saiu do caixa, isso refletiria diretamente na conta fornecedores, compras e resultados. Onde está isso demonstrado.” (fls. 1817) Depois arremata que “Os agentes fiscais falharam ao não conseguir estabelecer uma relação direta entre os valores apontados em contascorrentes bancárias e os documentos que julgaram terem sido constituídos a partir de fraudes (Negritos do original. Grifei esta última palavra) e, como na atividade fiscalizatória não cabe o princípio da informalidade, cai por terra toda a alegada presunção de atos fraudulentos e que se tratavam de valores declarados.” (fls. 1817) E complementa, dizendo: “Pior que isso, tributaram os valores lançados nas contas correntes duplamente (g.n.), tanto em relação ao que consideraram omissão de receitas, quanto ao que consideram saldo de caixa credor, fato pelo qual entende a reclamante, tais valores somente poderiam ser consideradas receitas após serem efetuados procedimentos para a apuração dos resultados.” (fls. 1817). Cita ao final o artigo 287 do RIR/99, que tem como matriz legal o artigo 42 da Lei 9.430/96, que trata de presunção de omissão de receitas em relação a valores creditados em conta de depósito, que não forem devidamente comprovados quanto a sua origem, mediante documentação hábil e idônea, e alude que “simplesmente se somou os valores depositados (grifei) nas referidas contas contábeis e se tributou.” (fls. 1818) Por final, confessa que a reclamante não fez nenhum tipo de comprovação (fls. 1818), mas reclama que, ainda assim, “seria simples a fiscalização efetuar cruzamento entre a conta caixa e a conta fornecedores, uma vez que a conta caixa, nas mais diversas situações, simplesmente serve para que se efetue a contrapartida com a conta Fornecedores.” (fls. 1818). E conclui que “...,bastaria que se efetuasse o cruzamento desta duas contas e já se teria a resposta para todos os questionamentos efetuados pela fiscalização.” (fls. 1818). Citando o artigo 286 do RIR/99, que trata de omissão de receitas a partir de levantamento por espécie de quantidade de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica, e registra que “Não houve sequer um levantamento da conta mercadorias para que o fisco pudesse assim comprovar que tais receitas seriam realmente frutos de vendas efetuadas sem a emissão de Notas Fiscais, o que não se pode aceitar, uma vez que se ao contribuinte exige toda forma de dados, inclusive os referidos livros de Entradas, Saída, apuração, Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720117/201189 Resolução n.º 140200.120 S1C4T2 Fl. 6 5 Livro diário e Razão, que valor possuem tais livros senão para eventuais levantamentos fiscais.” (fls. 1819). Interpõe ainda a preliminar de nulidade por ausência de produção de prova técnica quanto ao levantamento físico de estoques, onde insiste pela necessidade de levantamento contábil quanto à conta mercadorias, razão pela qual entende que deva ser realizada perícia para uma correta e justa solução da divergência quanto à conta Caixa, Fornecedores e Mercadorias. Mérito: Quanto ao mérito alega que a base de cálculo da COFINS e do PIS não pode estar compostas pelo ICMS, já que a lei que ampliou a base tributável de tais exações é inconstitucional. Ainda, argumenta que o PIS não pode se cobrado concomitantemente com a COFINS, já que incidiriam sobre o mesmo fato gerador. Estatui que a lei que veda a dedutibilidade da CSLL como despesa, no cálculo do IRPJ é inconstitucional. Argúi que a Multa de Ofício Independente, que foi aplicada pela não entrega dos arquivos magnéticos das Notas Fiscais é ilegal, pois tal fato não se deu por sua vontade, mas sim por motivos alheios a ela. Além disso, invocando a Súmula 14 do CARF, alega que a simples presunção de omissão de receitas não autoriza o Fisco a aplicar a presente multa, inclusive porque em nenhum momento ele fez prova do intuito de fraude por parte do sujeito passivo. Quanto à infração que caracterizou presunção de omissão de receitas, por Saldo Credor de Caixa, volta a alegar que ela não pode prosperar, sendo cediço que “em muitos casos, os contadores, para não ficarem lançando cheques uma (sic) a um na contabilidade, acabam por efetuar um só lançamento a débito da conta caixa e um só lançamento na conta fornecedores. Certo ou não, tal fato é praxe no meio contábil de forma que, se fosse efetuada uma análise na conta fornecedores, com certeza iria chegar a fiscalização que todos os valores que alegam não ter fonte, estariam diretamente ligados a Conta Fornecedores do reclamante.” (fls. 1854). Entende que à Impugnante deve ser possibilitado todos os meios de defesa, inclusive com nova abertura de prazo, inclusive no que diz respeito à constituição de toda a sua escrita e contabilidade, se necessário for. (fls. 1856). À vista dos argumentos despendidos, requer sejam acolhidas as preliminares argüidas; excluído o ICMS da base de cálculo da COFINS e PIS; excluída a CSLL da base de cálculo do IRPJ; invalidada a multa independente por falta de entrega de arquivos magnéticos, por não ter dado causa ao fato; afastada a exigência fiscal com relação ao Saldo Credor de Caixa; e refeita toda a fiscalização, com realização de levantamentos de estoques, entradas e saídas de mercadorias. A decisão recorrida está assim ementada: SALDO CREDOR DE CAIXA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Caracteriza presunção de omissão de receitas a existência de Saldo Credor de Caixa, que não é contestado e justificado mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas. Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720117/201189 Resolução n.º 140200.120 S1C4T2 Fl. 7 6 DIFERENÇA EM ESTOQUE FINAL. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. A diferença em estoque final, com força de erigir presunção de omissão de receitas, deve ser apurada mediante levantamento específico envolvendo quantidades de mercadorias existentes no inicio do período, nele adquiridas, e remanescentes ao seu final. Não basta mera aplicação de fórmula contábil embasada em ilações. MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Cabível a multa nos termos dos artigos 11 e 12, inciso II, da Lei 8.218/91, com redação dada pela Medida Provisória nº 2.15834/2011 e reedições; arts. 265, 266 e inciso II, e 980 do RIR/99, quando a empresa, regularmente intimada e reintimada, deixa de entregar arquivos magnéticos de suas notas fiscais. CSLL PIS – COFINS. Aplicamse aos tributos e contribuições reflexos as mesmas razões de decidir e seus efeitos. Impugnação procedente em parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720117/201189 Resolução n.º 140200.120 S1C4T2 Fl. 8 7 Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720117/201189 Resolução n.º 140200.120 S1C4T2 Fl. 9 8 É o relatório. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O Processo nº 12571.720117/201189 Resolução n.º 140200.120 S1C4T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Apesar de ter pautado o presente processo para julgamento, ao elaborar o voto constatei que a recorrente pleiteia seja o valor do ICMS subtraído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Ocorre que esta matéria encontrase em julgamento no Supremo Tribunal Federal STF em recurso com tratamento de “Repercussão Geral” (Tema 69, RE 574706). Em conformidade com o artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Diante do exposto, proponho, o sobrestamento do presente processo até que essa matéria seja decidida pelo STF. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 12/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por LEONARDO HENRIQU E MAGALHAES DE O
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