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Numero do processo: 10508.000325/86-42
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 1992
Ementa: IRPF - DECORRÊNCIA - Declarada a nulidade
da decisão de primeira instância o proferida
no processo matriz, igual sorte colhe
a decisão prolatada nos autos do processo
que tem por objeto auto de infração lavra_
do por mera decorrência daquele.
Numero da decisão: 103-12.766
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão a quo para que nova decisão seja prolata da na boa e devida forma, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Luiz Henrique Barros de Arruda
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-23T14:56:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-23T14:56:36Z; Last-Modified: 2009-07-23T14:56:36Z; dcterms:modified: 2009-07-23T14:56:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-23T14:56:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-23T14:56:36Z; meta:save-date: 2009-07-23T14:56:36Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-23T14:56:36Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-23T14:56:36Z; created: 2009-07-23T14:56:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-07-23T14:56:36Z; pdf:charsPerPage: 1410; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-23T14:56:36Z | Conteúdo => _ 1 /1 \ -Pr.; .f;*naa.›,,....r.,..-_-.. MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO PROCESSO N9 10508/000.325186-42 - Sessão de 26 de agngto de 1912_ ACORDÃO N9 103-12.766 RecumoR 2: 65.591 - IRPF - EX: DE 1983 %coimes- GILDASIO MARTINS LINS Recorrido IRF EM ILHEUS - BA IRPF - DECORRÊNCIA - Declarada a nulidade da decisão de primeira instânciao proferi- da no processo matriz, igual sorte colhe a decisão prolatada nos autos do processo que tem por objeto auto de infração lavra_ do por mera decorrência daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes au tos de recurso interposto por GILDÁSIO MARTINS LINS. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Pri_ meiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decla- rar a nulidade da decisão a quo para que nova decisão seja prolata da na boa e devida forma, nos termos do relatório e voto que .pas sam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, em 26 de agosto de 1992 .-,L27."---"1,;.-,-P-t5---,----se -i-. .0- . 0D- $._ , U% R - PRESIDENTE nIP . .1 Á , to, L Higlike tf-) • ARRUDA- RELATOR liddlir r ,,,,,TP - ZAI:4111HOLANkA B c. GA - PROCURADOR DA FAZEN_ VISTO EM DA NACIONAL SESSÃO DE: 19 NOV 1992 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: Victor Luis de Salles Freire, Maria de Fátima P. de Mello Car- taxo, Sonia Nacinovic, Paulo Affonseca de Barros F. Júnior, Ilcenil Franco e Dicler de Assunção. f dl \.. ./ DAIIIEFP/OF- SECOS N%054/t0 J.N. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NT 10508-000325/86-42 • RECORRO N9 65.591 ACORDA° NR: 103-12.766 RECORRENTE: GILDASIO MARTINS LINS RELATÓRIO E VOTO Conselheiro LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA - Relatar OILDASIO MARTINS LINS, pessoa física inscrita no CPF sob o n 2 0003.122.665-53, com domicílio tributário em Salvador (BA), interpõe, tempestivamente, em 10/04/91, recurso voluntário contra decisão de primeira instância, da qual foi cientificada em 13/03/91, com o fito de obter sua reforma. A exigência fiscal contestada tem origem no auto de infração de fls. 11/13, mediante o qual foi constituído de oficio, em 01/08/86, crédito tributário no valor de CZ$ 950.639,23, nele computados os juros de mora e a multa de 50%, por decorrência da ação fiscal levada a efeito na empresa INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CAFÉS FINOS LTDA., da qual o recorrente é sócio, relativa ao imposto sobre a renda - pessoa jurídica, que culminou com a lavratura do auto de infração de que trata o processo n210508-000324/86-80. Esta Câmara, ao apreciar o processo matriz, em 24/08/92,~, declarou a nulidade da decisão recorrida, nos termos do acórdão n2 103-12,674. Em conseqüência, igual tratamento deve ser dispensado ao aresto oriundo da instância singular proferido neste feito decorrente, na medida seu objeto consiste, exatamente, nos fatos apurados no processo instaurado contra a empresa da qual o Recorrente era sócio.m tg/ t ei 4 SERVICONSWFWEI4M PROCESSO N9 10508/000.325/86-42 AcOrdão n9 103-12.766 2 A vista do exposto e do mais que dos autos consta, meu voto é no sentido de declarar nula a decisão de fls. 48/51, restituindo-se os autos à repartição de origem para que outra seja proferida na boa e devida forma. Brasília - DF, 26 de agosto de 1992. HENRIO E OS DE ARRUDA - Relator iffnmammin, Page 1 _0109100.PDF Page 1 _0109300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 13338.000139/2007-78
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos aos instrumentos de lançamento previdenciário, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação.
Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Art. 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72.
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as competências até 05/2002, inclusive, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 RELAÇÃO DE VÍNCULOS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos aos instrumentos de lançamento previdenciário, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Art. 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as competências até 05/2002, inclusive, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
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RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. NATUREZA INFORMATIVA. A “Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos aos instrumentos de lançamento previdenciário, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula nº 88 do CARF. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 33 8. 00 01 39 /2 00 7- 78 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Art. 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento as competências até 05/2002, inclusive, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13338.000139/200778 Acórdão n.º 2302003.274 S2C3T2 Fl. 199 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 162 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 66/68) tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a valores declarados e não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocialGFIP e em folha de pagamento e não recolhidos à Previdência Social, contribuições sociais estas incidentes sobre a remuneração de servidores municipais nãoefetivos (empregados), parte patronal, ou seja, os 20% da empresa e mais 1% relativo ao GILRAT, previstas no artigo 22, incisos I e II, da lei n° 8.212/91, respectivamente, e parte dos segurados empregados, conforme artigo 20 da lei n° 8.212/91. Abrange ainda as contribuições pagas ou creditadas aos segurados condutores autônomos de veículos automotores na alíquota de 15% até 02/2000; e de 20% a partir de 03/2000, calculados sobre 11,71% do valor bruto do serviço de frete, conforme descrito no relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD. Abrange ainda as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas às pessoas físicas (contribuintes individuais) que prestaram serviços aò Município, previstas no artigo 22, III, da Lei n° 8.212/91. Constituem fatos geradores das contribuições sociais objeto deste levantamento as remunerações pagas, devidas ou creditadas pelo Município de Santa Luzia do Paruá Prefeitura Municipal aos servidores municipais não efetivos vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, e aos prestadores de serviços transportadores autônomos (contribuinte individual), bem como Diferença de Acréscimos Legais relativas a contribuições recolhidas em atraso no período de 01/1997 a 12/2002. O Município de Santa Luzia do Paruá Prefeitura Municipal não recolheu, em sua totalidade, no prazo estabelecido na letra "b" do inciso I do artigo 30 da lei n° 8.212/91 as contribuições destinadas à Seguridade Social. Os valores eventualmente recolhidos em GPS Guias da Previdência Social foram deduzidos do levantamento. Os valores apurados e os recolhidos estão relacionados nos anexos da NFLD. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13338.000139/200778 Acórdão n.º 2302003.274 S2C3T2 Fl. 200 5 O valor do débito consolidado em 31/05/2007 é de R$ 3.854.164,64 (três milhões, oitocentos e cinqüenta e quatro mil, cento e sessenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos). DA IMPUGNAÇÃO Em 09/07/2007, o Município de Santa Luzia do Paruá Prefeitura Municipal, inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 131/142, alegando, em síntese, o exposto a seguir: A inclusão equivocada do atual Prefeito Municipal como coresponsável por período em que o mesmo não tem qualquer relação com o fato gerador; A decadência de parte considerável da NFLD ora questionada; A ausência de compensação fiscal com as quitações mensais nas cotas do ^PM, dos parcelamentos fiscais espontâneos levados a efeito pelo Município; Restou exacerbada a consideração fiscal que todos os servidores municipais concursados é que poderiam estar vinculados ao Fundo de Previdência Próprio. Foram listados servidores estáveis como se fossem celetistas; Requer a realização de perícia, oportunidade em que indica perito e formula quesitos; Por fim, requer a procedência da defesa apresentada, mediante a ordem de cancelamento do Auto de Infração ora impugnado. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 174 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * inclusão equivocada do atual Prefeito Municipal como coresponsável, posto que seu mandato não corresponde ao período do débito; * decadência; * não consideração das quitações mensais nas cotas do FPM, dos parcelamentos e recolhimentos espontâneos; * consideração de todos servidores municipais como segurados do Regime Geral de Previdência Social; Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 * impossibilidade de enquadramento dos prestadores de serviço como empregados; * requer o deferimento de perícia contábil. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13338.000139/200778 Acórdão n.º 2302003.274 S2C3T2 Fl. 201 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Relação de Vínculos. RepLeg. Alega a recorrente a inclusão equivocada do atual Prefeito Municipal como coresponsável, posto que seu mandato não corresponde ao período do débito. Cumpre esclarecer que a responsabilidade pelas obrigações decorrentes dos vertentes Autos de Infração é da recorrente, e não dos seus representantes legais arrolados no relatório intitulado "RELAÇÃO DE VÍNCULOS", não integrando estes o polo passivo da autuação. O anexo "Relação de Vínculos" possui apenas caráter informativo, prestando se como mero subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional, caso haja a necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, após a preclusão do contencioso administrativo, nas estritas hipóteses em que vingue configurada a responsabilidade pessoal de terceiros pelos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos estatuídos no inciso III do art. 135 do CTN. Tal entendimento encontrase consolidado no Verbete da Súmula CARF nº 88, conforme se vos segue: Súmula CARF nº 88: A “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, o art. 2º da Portaria PGFN nº 180, de 25 de fevereiro de 2010, dispõe que, a inclusão do responsável solidário na Certidão de Dívida Ativa da União somente ocorrerá após a declaração fundamentada da autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) acerca da ocorrência de ao menos uma das quatro situações elencadas a seguir: I excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Na hipótese de dissolução irregular da pessoa jurídica, os sóciosgerentes e os terceiros não sócios, com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. De acordo com a citada Portaria, para fins de responsabilização com base no inciso III do art. 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional entendese como responsável solidário o sócio, pessoa física ou jurídica, ou o terceiro não sócio, que possua poderes de gerência sobre a pessoa jurídica, independentemente da denominação conferida, à época da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária objeto de cobrança judicial. Cumpre ressaltar, por relevante, que a atividade fiscal tem caráter plenamente vinculado, característica que impinge ao Auditor Fiscal a atenção aos procedimentos de fiscalização fixados na legislação tributária. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, vigente por ocasião da lavratura da NFLD em tela, assim dispõe: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (..) XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente;" Destarte, a atuação do auditor fiscal notificante, no que tange à constituição da Relação de Vínculos, não se encontra impregnada de qualquer discricionariedade nem, tampouco, ilegalidade. Ela decorre, pura e simplesmente, da natureza vinculada do seu atuar de oficio. Matéria Preclusa. Aduz a recorrente a impossibilidade de enquadramento dos prestadores de serviço como empregados. Antes mesmo de se notar que tal matéria não consta do lançamento, é preciso considerar que esta alegação não se encontrava contida na impugnação, como visto no relatório supra. Portanto, tais inovações da peça recursal não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III, estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13338.000139/200778 Acórdão n.º 2302003.274 S2C3T2 Fl. 202 9 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante tem o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa, assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. Cumpre esclarecer que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo, que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Nesse diapasão, o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior, a qual tenha se decidido, em relação a determinada questão do lançamento, de maneira que não contemple os interesses do Recorrente. Não se mostra despiciendo frisar que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, por não ter sido expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as razões recursais inovadoras não serão conhecidas. Decadência. Quanto à decadência invocada, com razão a recorrente. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Resta definir se é o caso de aplicação do art. 173, I, ou do art. 150, § 4°, do referido codex. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13338.000139/200778 Acórdão n.º 2302003.274 S2C3T2 Fl. 203 11 É cediço que o pagamento antecipadamente realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, § 4º, do CTN em relação aos fatos geradores para os quais houve o pagamento antecipado. Assim, se há recolhimento em uma determinada competência e não em outra, àquela competência seria aplicável a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, mas não a esta, que seguiria o disposto no artigo 173, I, do CTN, quanto ao cálculo do prazo decadencial. Ocorre que, quanto às contribuições previdenciárias, temos ainda a particularidade de ela ser integrada por diversas rubricas ou levantamentos, que são as parcelas integrantes da totalidade da remuneração. Por tal especificidade, indagase, de forma recorrente, se o fato gerador, e consequentemente o pagamento, deve ser analisado por rubrica/levantamento ou pela totalidade da remuneração no mês. Antes, porém, é preciso justificar que a expressão fato gerador, está sendo utilizada aqui de forma equivalente à hipótese de incidência, indicando “tanto aquela figura conceptual e hipotética – consistente no enunciado descritivo do fato, contido na lei – como o próprio fato concreto que, na sua conformidade, se realiza, hic et nunc, no mundo fenomênico” (ATALIBA, Geraldo. Hipótese de incidência tributária. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p. 54). Pois bem. O Código Tributário Nacional define o fato gerador como a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Então, voltando à questão tratada, perguntase: qual é esta situação necessária e suficiente para a configuração da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária? Vejamos o quadro normativo para chegarmos a uma conclusão. O art. 195, I, a, da CF, estipula os limites da instituição de contribuições previdenciárias, estabelecendo, assim, o seu arquétipo constitucional. Sem especificação muito pormenorizada do fato gerador das aludidas contribuições, dispõe que são devidas pela empresa e que incidem sobre “a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados.” Subordinado a tais ditames e concretizando a hipótese de incidência/fato gerador, os incisos I, II e III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991 são repetitivos ao estipularem que a contribuição previdenciária das empresas incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título “no decorrer” ou “durante o mês”. Do cotejamento dos referidos dispositivos, extraímos os elementos essenciais da hipótese de incidência / fato gerador, de sorte que podemos concluir que o legislador não atomizou o fato gerador da contribuição previdenciária tomando por base cada levantamento ou cada rubrica. Pelo menos não há menção expressa neste sentido. Da mesma forma ocorre com a contribuição do segurado. Vejamos a contribuição dos segurados empregados e avulsos, a qual leva em consideração o denominado saláriodecontribuição mensal (art. 20 da Lei n° 8.212/91), que está definido no inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 com critérios semelhantes aos da contribuição da empresa, naquilo que nos interessa. Para o referido dispositivo legal, o saláriodecontribuição corresponde à “totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês”. Depreendese da análise atenta do dispositivo legal que, novamente, o legislador congrega todos os rendimentos daquela competência em um único instituto – saláriodecontribuição. É verdade que o saláriodecontribuição representa a base de cálculo, e não propriamente o fato Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 gerador, todavia, o corte temporal (mensal) e quantitativo (totalidade) da descrição indica, novamente, que a situação necessária e suficiente para a ocorrência do fato gerador é o pagamento ou crédito da totalidade da remuneração, “no decorrer” ou “durante o mês”. Voltando para a contribuição da empresa, se consideramos que a Lei n° 8.212/91, ao estabelecer que a contribuição previdenciária incide “sobre o total das remunerações” pagas ou creditadas a qualquer título no “decorrer” ou “durante o mês” (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991) está definindo o seu fato gerador, podemos concluir que este fato gerador constituise da totalidade da remuneração no mês e não de cada parcela, rubrica ou levantamento isoladamente. Se a definição do fato gerador apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês, consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico – vejase novamente a definição da alíquota para segurados empregados e avulsos. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN. Ocorre que, em razão da persistência da divergência, este Conselho editou a Súmula CARF n° 99: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. Destarte, estando comprovado que há recolhimentos a homologar, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Analisandose os autos, constatase que a recorrente foi cientificada da NFLD em junho de 2007 (fls. 149), de sorte que, por quaisquer das regras do CTN, podese considerar como decadentes todas as competências até 11/2001 (decadentes até mesmo na regra mais prejudicial, contida no art. 173, I). Quanto às competências subseqüentes, 12/2001 a 12/2002, notase dos relatórios de fls. 50 e de fls. 68 que há recolhimentos em todas as competências, razão pela qual devese considerar como decadentes todas as competências até 05/2002, por força da aplicação do art. 150, § 4°, do CTN. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13338.000139/200778 Acórdão n.º 2302003.274 S2C3T2 Fl. 204 13 Regime Próprio x Regime Geral. Alega a recorrente que no lançamento houve a consideração de todos servidores municipais como segurados do Regime Geral de Previdência Social. Não é o que consta do Relatório Fiscal, no qual a autoridade fiscal aponta que: os servidores da Prefeitura Municipal encontrados em folha de pagamento e em notas de empenho e que pertencem ao Regime Próprio de Previdência foram excluídos de todo e qualquer lançamento, conforme demonstrado nas planilhas Relação Nominal dos Servidores Concursados e Folha dos Servidores Empregados (total). Nenhum erro concreto foi apontado. O fato de o Município de Santa Luzia do Paruá possuir Regime Próprio de Previdência Social desde 01/01/1993 não exclui do Regime Geral de Previdência Social – RGPS os servidores não detentores de cargo efetivo. Como apontado na decisão a quo, a Constituição Federal, no artigo 149, parágrafo primeiro, posicionouse no sentido de assegurar aos Estados, Distrito Federal e Municípios o direito de instituir contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, de sistema de previdência social. Em respeito às disposições constitucionais então vigentes, a Lei n° 8.212/91, no seu artigo 13, na sua redação original, determinou que somente seria aplicado o Regime Geral de Previdência Social nos casos em que o servidor, inclusive o comissionado e o temporário, não estivesse vinculado a regime próprio de previdência, não havendo menção à efetividade. Ocorre que esta regra prevaleceu somente até a edição da Emenda Constitucional n° 20/98, que deu nova redação ao artigo 40 da Constituição Federal, restringindo a possibilidade de inclusão em regime próprio de previdência a servidores efetivos. É por tal razão que, desde então, os ocupantes de cargo exclusivamente em comissão, cargo temporário ou emprego público, são necessariamente vinculados ao RGPS na condição de segurado empregado. Sendo assim e considerando ainda que não há nenhuma prova ou demonstração concreta por parte da recorrente que infirme o procedimento adotado pela autoridade fiscal, nenhum reparo merece o lançamento. Fundo de Participação dos Municípios. Afirma a recorrente, sem trazer nenhuma prova ou efetiva indicação, que não houve consideração das quitações mensais nas cotas do FPM, dos parcelamentos e recolhimentos espontâneos. Quanto aos recolhimentos, quando tratamos da questão relativa à decadência, já afirmamos que há nos autos demonstrativo de todos os recolhimentos considerados. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 14 Relativamente aos parcelamentos, a recorrente sequer demonstrou a existência de parcelamentos em seu nome. No que tange ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM, é preciso considerar que, como consignado na decisão a quo, o art. 160, parágrafo único, inciso I da Constituição Federal, admite, por exceção, que os recursos destinados ao FPM sejam retidos para o pagamento dos créditos previdenciários a cargo do Município. Por outro lado, o art. 38, § 12 da Lei 8.212/91, impõe o bloqueio do FPM para o pagamento de obrigações previdenciárias correntes do ente municipal. No primeiro caso, pressupõese a existência de um crédito tributárioprevidenciário certo e exigível, e, no segundo, deve haver a adesão a parcelamento, constando cláusula expressa em que o Município autorize a retenção do FPM e o repasse aos cofres da Previdência Social do valor correspondente às obrigações previdenciárias correntes do mês anterior ao do recebimento do respectivo Fundo de Participação. Nenhuma das situações foram demonstradas pela recorrente, sendo de se ressaltar que, caso houvesse se configurado tais condições, esta teria que ser demonstrada e provada pelo interessado, mediante a instrução do processo com provas documentais idôneas, fato que não logrou se suceder no caso ora em exame. Assim, podese afirmar que as alegações da recorrente resumemse a afirmações vagas, que se encontram despidas de qualquer documento de suporte preciso. Em razão de estarem desacompanhadas das devidas comprovações, ensejam a aplicação do aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei (destaques nossos) Sendo assim, não assiste razão à recorrente. Prova pericial. Por fim, requer o deferimento de perícia contábil. Ocorre que, do quanto exposto até aqui, não remanesce nenhuma dúvida quanto à legitimidade do lançamento. O artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 faculta a determinação de ofício da diligência ou perícia, quando entendêlas necessárias. No entanto, como se viu, não há que se cogitar de maiores investigações sobre as questões de que tratam os autos, os quais estão devidamente instruídos. Outrossim, consignese que, diferentemente do que pretende a recorrente, a realização da prova pericial não constitui direito subjetivo do contribuinte, pois, em razão do livre convencimento motivado, compete ao julgador deferila, se entendêla necessária. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13338.000139/200778 Acórdão n.º 2302003.274 S2C3T2 Fl. 205 15 Assim, sendo dispensável a prova pericial para a convicção do julgador, concluise que não deve ser deferido o pedido de perícia. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, a fim de considerar como decadentes todas as competências até 05/2002, por força da aplicação do art. 150, § 4°, do CTN (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13884.005041/2002-14
Data da sessão: Tue May 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. PERDA DE OBJETO. Se o recurso especial apenas recorre de matéria de decadência, deixando de recorrer da matéria de mérito, em face da qual foi dado provimento ao recurso voluntário e cancelado o lançamento pela decisão recorrida, não deve ser conhecido o recurso especial, por perda de objeto.
Numero da decisão: 9101-000.144
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. PERDA DE OBJETO. Se o recurso especial apenas recorre de matéria de decadência, deixando de recorrer da matéria de mérito, em face da qual foi dado provimento ao recurso voluntário e cancelado o lançamento pela decisão recorrida, não deve ser conhecido o recurso especial, por perda de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por animidade de votos, não conhecer do recurso especial, nos termos do relatório t voto que int gram o presente julgado. CARLOS ALBERTO -1 •1 AS B • • TO - Presidente. a...-../0011112; ALEXANDRE ANDRAD LIMA DA ' ONTE FILHO - Relator. EDITADO EM: I Slo i>0 Participaram, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Marcos Vinicius Neder de Lima, José Carlos Passuello, Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Adriana Gomes Rego, Antonio Carlos Guidoni Filho, Nelson Lósso Filho, Valmir Sandri e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. e. Relatório Em face do Acórdão n° 105-15.819, proferido pela Egrégia Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, através de seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 298/306, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 70, II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em 17.12.2002, a contribuinte foi cientificada do auto de infração de fls. 91/96, por meio do qual foi constituído crédito tributário de IRPJ, no valor de R$ 73.867,52, já incluídos juros e multa de oficio de 75%, relativo ao ano-calendário 1997. O lançamento tem origem no arbitramento das receitas operacionais, em razão da ausência de escrituração, de forma discriminada, das mercadorias em estoque. A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de lis. 277/295, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Em suas razões, acolheu a preliminar de decadência em relação ao 1°, 2° e 30 trimestres do ano- calendário 1997 e, no mérito, deu provimento ao recurso, por entender que não houve razão para o arbitramento das receitas da contribuinte, mormente em razão da apresentação de documentos durante o procedimento fiscal, nos quais as mercadorias encontram-se devidamente especificadas, discriminadas e identificadas, com valores correspondentes àqueles registrados na escrituração comercial. Em seu Recurso, a Fazenda Nacional afirmou que a decisão recorrida, ao julgar a decadência parcial do crédito tributário, com base no art. 150 do CTN, foi contrária ao entendimento manifestado pelo STJ e decisões proferidas pelo 2° e 3° Conselhos de Contribuintes, que entendem que a contagem do prazo decadencial tem por termo a quo a homologação, tácita ou expressa, do lançamento. Afirmou que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento, o prazo decadencial para o Fisco homologar o lançamento é de cinco anos a contar do fato gerador. Inexistido pagamento, não há o que se homologar nem se pode falar em lançamento por homologação, caso em que a Fazenda Pública dispõe do prazo de 10 anos, a partir do fato gerador, para constituir o crédito tributário, em conformidade com os arts. 150 e 173, Ido CTN. Como paradigma, o Recorrente indicou os acórdãos 203-07196, 203-07648 e 302-35671 e respectivas ementas, relacionados à matéria de decadência objeto do recurso. A contribuinte apresentou contra-razões ao recurso, às fls. 312/315 Em suas razões, afirmou que, no período fiscalizado, obteve prejuízo fiscal, tendo efetuado a entrega da DIPJ no prazo legal. Alegou que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a partir da vigência da Lei 8.381/91, uniformizou a jurisprudência no sentido de que o WH sujeita-se ao lançamento por homologação, aplicando-se, no caso, o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN. Mesmo apurando prejuízo a compensar, a contribuinte efetuou pagamento trimestral de antecipação de tributos. Tendo em vista a apuração de prejuízo ao final do período de apuração, a antecipação não era devida, havendo a suspensão de tais pagamentos, com levantamento do balancete de suspensão. 2 Processo n° 13884.005041/2002-14 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-00.144 Fl. 2 Com a entrega da DIPJ, a contribuinte exerceu a atividade de identificar a matéria tributável e apurar o tributo devido, resultando em prejuízo a compensar. O não pagamento não ocorreu em razão da omissão do sujeito passivo mas em face da apuração de prejuízo fiscal no período fiscalizado, devendo ser aplicado o Prazo decadencial constante no artigo 150 do CTN, e não aquele previsto no art. 173 do mesmo diploma legal. Por fim, ressaltou que a contribuinte adota o sistema de apuração anual de seu lucro real, com o pagamento de estimativas mensais, tendo a decisão recorrida reconhecido a improcedência integral do lançamento sob exame. É o Relatório. 3 . • 4. Voto Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho A Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida de fis. 277/295, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso Em que pese ter acolhido a preliminar de decadência, em relação ao 1°, 2° e 3° trimestres do ano- calendário 1997, a decisão, no mérito, igualmente deu provimento ao recurso. O recurso especial em análise apenas recorre da matéria de decadência, deixando de recorrer da matéria de mérito, em face da qual foi dado provimento ao recurso, para, por entender inaplicável o arbitramento, cancelar toda a exigência, incluindo as competências alcançadas pela preliminar de decadência acolhida, já que todo o arbitramento alcançou todo do período fiscalizado. Desse modo, por não ter a recorrente recorrido da matéria de mérito, igualmente provida pela decisão recorrida, que ocasionou o cancelamento de todo o lançamento, entendo que não deva ser conhecido o presente recurso, por perda de objeto. Isto posto, VOTO no sentido de não conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho - Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 10814.726906/2011-06
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 16/06/2011
MULTA. IMPORTAÇÃO. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS.
Na aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, é irrelevante se há efeito tributário no acobertamento, seja pela existência de responsabilidade objetiva, ou pelo fato de a matéria aduaneira extrapolar o espectro tributário.
MULTA. IMPORTAÇÃO. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE.
A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Transchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 16/06/2011 MULTA. IMPORTAÇÃO. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Na aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, é irrelevante se há efeito tributário no acobertamento, seja pela existência de responsabilidade objetiva, ou pelo fato de a matéria aduaneira extrapolar o espectro tributário. MULTA. IMPORTAÇÃO. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Transchesi Ortiz.
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IMPORTAÇÃO. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Na aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, é irrelevante se há efeito tributário no acobertamento, seja pela existência de responsabilidade objetiva, ou pelo fato de a matéria aduaneira extrapolar o espectro tributário. MULTA. IMPORTAÇÃO. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE OU BENEFICIÁRIO. PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Transchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 69 06 /2 01 1- 06 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase o presente Recurso Voluntário em modificar a decisão de piso que manteve o crédito tributário referente aplicação da multa minima prevista pelo Artigo 38 da lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), decorrente do que foi apurado no despacho aduaneiro de importação, especificamente quanto às mercadorias acobertadas pela Declaração de Importação de n º 11/11076733, registrada em 16/06/2011. A Recorrente é acusada, conforme se vê da descrição do auto de infração, de cessão do nome da pessoa jurídica com vistas a acobertar os reais intervenientes ou beneficiários, diz à fiscalização que: “A empresa TRIALL COMÉRCIO EXTERIOR S/A, devidamente identificada, cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação. De acordo com o art. 23, inciso V, do Decreto Lei nº 1.455/1976, a empresa foi punida com o perdimento da mercadoria, sendo lavrados o auto de infração correspondente e protocolizado sob o número 10814.726905/201153”. “A multa de 10% sobre o valor das operações foi aplicada com base no artigo 38 da Lei 11.488/2007. As descrições dos fatos que levaram à convicção com relação à ocultação do sujeito passivo se encontram no processo do Auto de Infração de Perdimento das Mercadorias. Outrossim, uma vez que foi constatado o subfaturamento das mercadorias o valor aduaneiro indicado no presente auto de infração é o valor arbitrado pela fiscalização e indicado no processo de perdimento de nº 10814.726905/201153”. Em síntese sustenta a Recorrente que: Não importou qualquer mercadoria por encomenda, jamais a empresa MLO Comércio e Serviços de Produtos de Informática e Comunicação Ltda. encomendou mercadoria; Nunca atuou como prestadora de serviços de despacho aduaneiro e jamais teve registro nessa qualidade; Afirma que a recorrente sempre importou mercadoria para subsequentemente revendelas, e, todas às aquisições foram com recursos próprios, evitando os custos com armazenagem; Que a prova é alocação de armazém para estocagem de suas mercadorias, quando necessário, como resta demonstrado em nota fiscal juntado aos autos; Quanto aos painéis objeto da DI 11/11076733, tratase de mercadoria que ela vem adquirindo constantemente, que os seus clientes são as empresas Concessionária Raposo Tavares AS, a Concessionária de Rodovias Teve S/A e a Vetec Comércio e Serviços S/A; Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10814.726906/201106 Acórdão n.º 3403003.010 S3C4T3 Fl. 7 3 A autuação ocorreu em razão do nome da Sra. Valeska Cristina de Bartolo Nahas ter sido mencionado no conhecimento aéreo, vez que ela é exsócia da empresa MLO, ao tempo dos fatos estava auxiliando a Impugnante na parte de fretes marítimos por deter o domínio da língua inglesa; Afirma que não houve subfaturamento da mercadoria. Os argumentos da recorrente foram afastados a asserção de fortes indícios de que a importação não deu de forma direta, mas, sim para atender a empresa MLO Comércio e Serviços de Produtos de Informática e Comunicação Ltda. Por essa razão a alegação de que o fato do nome Sra. Valeska Cristina de Bartolo Nahas, constar no conhecimento de frete por o caso, inclusive o endereço, o que levou a reforçar o entendimento de que a tratativa da aquisição das mercadorias foi conduzida pela encomendante não convence. Rebate, também, o argumento de que a Sra. Valeska estivesse auxiliando no setor de frete marítimo, fato esse que nada prova, pois a importação deuse por via aérea o que resta confirmado pelo despacho. Buscou afastar a sustentação da recorrente de que a fiscalização não tachou de despachante aduaneiro, apenas mencionou em decorrência de constar no site a expertises, em que pese esse fato não possuir o condão de afirmar tratarse de despachante, mas assistiria razão à fiscalização quando ela afirma que a interessada atua como uma trading, pela pluralidade e diversidade das mercadorias importadas, os produtos importados não guardam relação com nenhum ramo de atividade específico. Afirma que o convencimento decorre da investigação que analisou diversos documentos de importação visando identificar o modus operandi da empresa, quando observou que as notas fiscais de entrada e saída são emitidas em datas muito próximas, e, sempre pela totalidade das mercadorias importadas, menciona datas próximas e de até um dia de distância da entrada do produto. A Recorrente impetrou mandado de segurança contra o perdimento da mercadoria, obtendo liminar determinando a Autoridade impetrada que se abstivesse por ora da prática de qualquer ato tendente à decretação do perdimento dos bens de propriedade da recorrente constante da Declaração de Importação nº 11/11076733. À fl. 297 há notícia do desfecho da ação judicial, que teria sido desfavorável a recorrente. Em razões recursais mantém firme nos argumentos tecidos quando da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. A Autoridade Julgadora de Piso ao conhecer e julgar a matéria entendeu inexistir conexão com o processo de perdimento das mercadorias que tomou o número 10814.726905/201153. Tenho, também, que a decisão que vier a ser proferida no processo de perdimento de mercadoria não acarreta efeito a esse processado. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação A acusação é de hipótese importação fraudulenta, com desígnio de ocultar o verdadeiro importador (intervenientes ou beneficiários) a cessão de nome configura conduta repudiada e passível de punição por meio de multa, nos moldes aplicados pela fiscalização aduaneira. A motivação para lavrar o auto de infração está assentada ao fato de que a empresa autuada efetivar a venda das mercadorias cinco dias após o desembaraço e não possuir prova do armazenamento, quando se sabe da demora nacionalização decorrente da burocracia aduaneira. Outros indícios fortes em vinculação da senhora Valeska Cristina de Bartolo Nahas. A relevância da discussão em relação à validade do elemento probatório ficou patente a vinculação direta da recorrente com empresa MLO Comércio e Serviços de Produtos de Informática e Comunicação Ltda., que envolve a figura da senhora Valeska, outro fato determinante que a mercadoria importada não guarda relação com o ramo de atuação, sendo que, os produtos interessam diretamente a empresa supra mencionada. Cabia a Recorrente fazer prova robusta capaz de contradizer as afirmações da fiscalização, demonstrando sua capacidade financeira, bem comocomercialização diversificada para outros clientes, só relação não é suficiente. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento exatamente como o aqui identificado: no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. Essa distinção fica bem explicada a partir da simples leitura do parágrafo único do art. 33 da Lei no 11.488/2007. Assim, não há que se falar em bis in idem, pois são diversas as tipificações e materialidades, assim como distintos podem ser os sujeitos passivos a serem enquadrados em cada uma delas. A conclusão aqui expressa encontra ainda apoio em julgamentos judiciais e administrativos: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N. 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI Nº 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. (...) 5. O artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10814.726906/201106 Acórdão n.º 3403003.010 S3C4T3 Fl. 8 5 de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL nº 1.455/76, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revela se como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que 'à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996'. Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto às demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal. (...)”1 A ausência de prova contundente capaz de afastar a imputação lhe atribuída, sou inclinado em manter o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Domingos de Sá Filho 1 TRF4, AMS 200572080051666, SEGUNDA TURMA, D.E. 01/08/2007, Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 36624.014040/2006-42
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2401-000.024
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara
do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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Numero do processo: 10384.004230/2007-19
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/08/2007
RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/08/2007 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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Obrigação Acessória Recorrente RAIMUNDO PAULO DE SOUSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/08/2007 RETROATIVIDADE BENIGNA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DE DIRIGENTES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Com a revogação do art. 41 da lei 8.212/91, através da lei 11.941/09, os dirigentes de órgãos e entidades da Administração Pública deixaram de ser pessoalmente responsáveis por multas aplicadas por infração à prefalada lei previdenciária e seu regulamento, sendo cabível tal desoneração retroativa por ser mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 42 30 /2 00 7- 19 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10384.004230/200719 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10384.004230/200719 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório O recorrente, dirigente de órgão público, foi autuado por descumprimento da legislação previdenciária, por não ter entregue GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social nas competências 10/2004, 11/2004 e 12/2004. O r. acórdão – fls 83 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · O Recorrente, mesmo intempestivamente, sanou a falha, ocasião em que faz a juntada das Informações à Previdência Social GFIP do período solicitado. Assim, o objetivo final da previsão legal foi cumprido. Penalizar o Recorrente é atribuir a ele uma multa por obrigação cumprida. · Não foi considerada a primariedade, característica que é uma atenuante da infração, ou porque não dizer, excludente de antijuridicidade, devendo também ser objeto de consideração no tocante à individualização da infração. A multa aplicada constitui excesso de exação. · Requer pela reconsideração da multa imposta, isentandoo de qualquer multa, ou outra penalidade, transformandose a infração em ADVERTÊNCIA, posto que o Recorrente não tem condições de arcar com a carga que esta lhe acarretaria. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10384.004230/200719 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento referese a auto de infração aplicado contra o Sr. RAIMUNDO PAULO DE SOUZA, que ocupava o cargo de dirigente da Câmara Municipal de Amarante, no Estado do Piaui, por deixar de entregar GFIP nas competências 10/2004, 11/2004 e 12/2004. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontrava respaldo no art. 41 da Lei 8.212/1991, como segue: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Referido artigo foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, afastando assim a base legal de imputação de responsabilidade ao dirigente de órgão público, na hipótese sub examine. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim sendo, revogada a lei que determinava a responsabilidade pela infração, há que se dar provimento ao presente recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10384.004230/200719 Acórdão n.º 2803002.278 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 10665.000087/00-56
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2006
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados -
IPI
Ano-calendário. 1998
Ementa: IN PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
SALDO CREDOR. LEI N° 9.779/99, ART. 11.
PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO
INSUMOS PELO PN CST N° 65/79. GLOSA.
Incluem-se entre os insumos para fins de crédito do
IPI os produtos adquiridos no mercado interno não
compreendidos entre os bens do ativo permanente
que, embora não se integrando ao novo produto,
forem consumidos, desgastados ou alterados no
processo industrialização, em função de ação
direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou
deste sobre aquele. Produtos outros, não classificados
como insumos segundo o Parecer Normativo CST n°
65/79, não podem ser considerados como matéria-prima
ou produto intermediário para fins de formação
do saldo valor que, nos termos do art. 11 da Lei n°
9.779/99, passível de restituição.
TAXA SEL1C. Incidindo a Taxa SELIC sobre a
restituição, nos termos do art. 39, 4° da Lei n°
9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento
uma espécie do gênero restituição, conforme
entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais
no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do
que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição
de ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa
incidirá, também, sobre o ressarcimento.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 203-11.482
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: 1) por maioria de votos, para determinar a incidência dos juros Selic a partir da data do pedido. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis (Relator), Antonio Bezerra Neto e Odassi Guerzoni Filho. Designado o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda para redigir o voto vencedor; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, no restante.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário. 1998 Ementa: IN PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. LEI N° 9.779/99, ART. 11. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS PELO PN CST N° 65/79. GLOSA. Incluem-se entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos adquiridos no mercado interno não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Produtos outros, não classificados como insumos segundo o Parecer Normativo CST n° 65/79, não podem ser considerados como matéria-prima ou produto intermediário para fins de formação do saldo valor que, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99, passível de restituição. TAXA SEL1C. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, 4° da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição de ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido em parte
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Recorrida DRJ/JUIZ DE FORA/MG Assunto: Trnposto sobre Produtos Industrializados -• IPI Ano-calendário. 1998 • Ementa: IN PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO LREDOR. LEI N° 9.779/99, ART. 11. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS PELO PN CST N° 65/79. GLOSA. Incluem-se çrntre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos adquiridos no mercado interno não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produte, forem cons w idos, desgastados ou alterados no processo industrialização, em função de ação direta do iumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre acRiele. Produtos outros, não classificados como insurt,.); segundo o Parecer Normativo CST n° 65/79, não podem ser considerados como matéria- prima ou pr,duto intermediário para fins de formação • do saldo tc, , or que, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779/99, passível de restituição. TAXA SEL1C. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, 4° da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição de ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONMIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL }tecurso provido em parte. ennma, o?' ir E a Marido te no de ~Ia Mat. Sapo 91650 - - - Processo n.° 10665.000087100-56 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-11.482 • Fls. 242 • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: 1) por maioria de votos, para determinar a incidência dos juros Selic a partir da data do pedido. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis (Relator), Antonio Bezerra Neto e Odassi Guerzoni Filho. Designado o Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda para redigir o voto vencedor; e II) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, no restante. , ANTONIO B ZERRA NETO Presidente • _ DALTON- CESAR C RD G .DE MLRANDA Relator-Designado • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig e Eric Moraes de Castro e Silva. Ausente o Conselheiro Cesar Piantavigna. Eaa/ MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL &adia, g a 01 MarlIdeCort de 01Isa met Stape 91650 • Processo n.°10665.000087/00-56 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-11.482 Es. 243 Relatório Trata-se do Pedido de Ressarcimento de fl. 01. relativo ao Crédito Presumido de IPI instituído pela Lei n° 9.363/96, período 1° trimestre de 1998, no valor total de RS 439.314,30, cumulado com pedidos de compensação. O valor referido inclui o montante requerido por meio do processo n° 10665.000354/00-31, em apenso, que foi formalizado posteriormente mas é relativo ao mesmo período. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância (fls. 205/206): Conforme despacho decisório proferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort), foram os seguintes os motivos do indeferimento do pedido (fls. 135/144): do total do crédito preswnido requerido pela interessada, no valor de R$ 439.314,30 (fl. 1 e fl 1 do processo n° 10665.000354/00-31, em apenso), a Seção de Fiscalização e Controle Aduaneiro (flana) opinou pelo deferimento de apenas R$ 27.638,90 (tl. 132), tendo em vista que o restante advém da aquisição de bens importados, ou de bens que não se . incluem no conceito de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, os quais não dão direito ao crédito presumido; no entanto, nem mesmo o referido valor de R$ 27.638,90 pode ser " objeto de ressarcimento ou compensação, uma vez que a interessada deixou de cumprir um requisito indispensável ao aproveitamento dos créditos, qual seja, a escrituração do livro registro de apuração de IPL Não concordando com as razões expostas pela Saort, a intere.ssaria interpôs manifestação de inconformidade (fls. 148/178) junto a esta - Delegacia de Julgamento pedindo, ao final, seja julgado procedente o recurso, sob as seguirdes alegações: • ao contrário do afirmado pela Fiana, a interessada não incluiu qualquer insumo na base de cálculo do crédito presumido que tenha sido adquirido no mercado externo. O auditor apenas presumiu, com -fulcro em informações verbais supostamente fornecidas pela empresa, que tais insumos tivessem sido incluídos na citada base de cálculo. Ocorre que a Fiscalização não pode se amparar em informações verbais, devendo levantar dados escriturais, o que no caso não foi feito; a Fiana apurou a base de cálculo do crédito presumido utilizando-se de conceitos presentes em instruções normativos e pareceres expedidos pela própria Secretaria da Receita Federal, enquanto a interessada se valeu da regra insculpida na Lei n° 9.363/96, ou seja, considerando o custo total de suas aquisições no mercado interno; tendo em vista o princípio constitucional da legalidade tributária, o - conceito de insumo presente na Lei n°9.363/96 prevalece sobre aquele constante em atos infra legais; MS-SEGUNDO CONSELHO DE CONtRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Braslrm 0(21 / /7 / O 49 Mete Corseio de Oliveira MM. Siape 91650 4 a Processo n.° 10665.000087100-56 CCO2/CO3 Acórdão n.°203-11.482 Fls. 244 . . como a interessada somente industrializa produtos sujeitos a aliquota zero, torna-se desnecessária a escrituração do livro registro do IPI, logo, o aproveitamento do crédito presumido não pode ficar submetido a essa obrigação acessória; o crédito presumido deve ser acrescido da devida atualização monetária, que somente visa recompor a perda aquisitiva da moeda. Tal atualização deve ser feita pela taxa Selic; Pede ainda a interessada que, no minhno, se ordene realização de nova diligência para apuração do valor do crédito presumido. A 2° Turma da DRJ, nos termos do Acórdão de fls. 204/212, deferiu em parte a Manifestação de Inconformidade para reconhecer o direito sobre a parcela relativa às aquisições, no mercado interno, de insumos tal como definido pelo Parecer Normativo CST n° 65/79, que o órgão de origem indeferira tão-somente em virtude da não escrituração do Livro •! Registro de Apuração do IPI. Como a empresa só industrializa produtos sujeitos à aliquota zero, a DRJ entendeu que o citado Livro torna-se dispensáv Cl, uma vez que não há, no caso, sistema de débito e crédito (só há créditos, nunca débitos, pelo que inexiste LPI a pagar). No mais, indeferiu o pedido de diligência, por considerar que a questão se . resume à interpretação dos conceitos de matéria-prima e produtos intermediários (matéria de -..i. direito, e não de fato), e manteve o indeferimento, de modo a não incluir na base de cálculo do 4 incentivo os seguintes custos: , ‘. . a) dos corpos moedores, coletores, depressores è espumantes, uma vez que são produtos adquiridos no mercado externo, fato não foi contestado pela interessada; f , b) de um terço do GLP, referente à parte não utilizada diretamente na produção; . . , c) do óleo diesel não apropriável no período analisado; e d) dos materiais de laboratório e vidraria, pois não entraram em contato direto com o produto final. - Por fim, a primeira instância rejeitou a aplicação dos juros Selic sobre a parcela deferida, interpretando que tais juros dizem respeito apenas aos casos de compensação ou restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior. O Recurso Voluntário de fls. 213/238, tempestivo, insiste no ressarcimento do, valor total e na aplicação dos juros Selic, argüindo, basicamente, que a glosa sobre os valores atinentes à energia elétrica, comunicação, fretes, uso e consumo e ativo imobilizado não encontra o menor suporte legal, tendo havido equívoco na aplicação da legislação federal sobre o tema. / É o Relatório. 4i ,IP 08..-------nE EED-arreui NTES MF*SEGUNnCERE COM O ORIGIt4AL _I \ Medlie °Ceo de OlIvoIre Met. Sege 91650 - Processo n.° 10665.000087100-56 MF-SEGUNDO CONSELHO DE Call1kI8UINTE5 CCO2/CO3 -- Acórdão n.° 203-11.482 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 245 Btaa 0.9/ I ti Mate Sdi Ottadra Voto Vencido mit Siepe 91650 Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais condições do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. A par das alegações da recorrente, que não contesta a não inclusão dos custos de aquisições no mercado externo na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI, cabe investigar, primeiro., quais produtos, quando adquiridos no mercado interno, podem (ou não) ser considerados no cálculo do incentivo, com vistas a decidir se os valores de combustíveis, materiais de laboratório e vidraria devem ser computados; e segundo, se sobre a parcela dos créditos a serem ressarcidos incidem os juros Selic. Assim como o órgão de origem e a DRJ, também entendo que os produtos cm questão não dão direilo ao benefício requerido. É mie, nos termos do art. 20 da Lei n° 9.363/96, a base de cálculo do Crédito Presumido igual ao valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediárins.e materiais de ernbilagem, conceituados segundo a legislação do IPI, multiplicado peio percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional buiu do produtor (industrial) exportador. O valor do crédito presumido, então, será o equivalem a 5,37% da base de cálculo, tendo este fator sido obtido a partir da soma de 2% de COFINS mais s 0,65% de PIS, corri incidência dupla e bis in idem (2 x 2,65% + 2,65% x 2,65 = 5,37%). O . art. 3°, parágrafo único, da Lei n° 9.363/96, por sua vez, define Line os conceitos de matéria-prima, produtos intermediários e materiais de embalagem, cujos varcnes integram a base de cálculo do incentivo, devem ser buscados na legislação do IPI. Esta tr,Is informa, ao tratar dos créditos básicos do imposto, especialmente no art. 82, I, do Regulamento - - • do IPI aprovado peio Decreto n° 87.981, de 23/12/82 (RIP1182), equivalente ao art. 147, I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n°2.637, de 25/06/98 (RIP1198), o seguinte: An. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei n°4.502, de 1964, art. 25): 1 - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermedidrios e material de embalagem, adquiridos para emprego na industsialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; O Parecer Normativo CST n° 65/79, tratando do art. 66, I, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 83.263/79 (RIPI/79), equivalente aos arts. 82, I, do RIPI182, e 147, I, do RIPI/98, assentou interpretação acerca dos créditos básicos do imposto, que continua válida até hoje. Segundo essa interpretação consolidada, geram direito ao crédito, além das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem que se integram ao produto final, quaisquer outros bens não contabilizados pelo contribuinte em seu ativo permanente que, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fa icação, ou deste sobre o MF-SEGUNDO CONSELHO DE COWRI8LIINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.• 10665.000087/00-56 Brunia, 0.9/ 11/ / O 2 CCO2/CO3 Acórdão o? 203-11482 Fls. 246 Manlde CurfirC ORveira Mal &age 91650 insumo, forem consumidos no processo de industrialização, isto é sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Embora os produtos em litígio sejam consumidos no processo produtivo, total ou parcialmente, tal consumo acontece de modo indireto, pelo que não podem ser considerados para fins de crédito do IPI. Daí a exclusão dos valores correspondentes, no cálculo do Crédito Presumido. Quanto à incidência dos juros Selic, entendo que não se aplicam aos créditos escriturais do 1PI, como são os ora discutidos. Entendo impossibilitada a aplicação de tais juros, primeiro porque a taxa Selic é inconfundível com os índices de inflação, e segundo porque ao ressarcimento não se aplica o mesmo tratamento próprio da restituição ou compensação. Não se constituindo em mera correção monetária, plus quando comparada aos índices de inflação, referida taxa somente poderia ser aplicada aos valores a ressarcir se houvesse lei específica. É certo que a partir do momento em que o contribuinte ingressa com o pedido de ressarcimento, o mais justo é que fosse o valor corrigido monetariamente, até a data da efetiva disponibilização dos recursos ao requerente. Afinal, entre a data do pedido e a do ressarcimento o valor pode ficar defasado, sendo corroído pela inflação do período. Daí ser admissivel no intervalo a correção monetária. Todavia, desde 01/01/96 não se tem qualquer índice inflacionário que possa ser aplicado aos valores em tela. A taxa Selic, representando juros, e não mera atualização monetária, é aplicável somente na repetição de indébito de pagamentos indevidos ou a maior, inconfundíveis com a hipótese de ressarcimento. Daí a impossibilidade de sua aplicação no caso ora em exame. No sentido de que a Selic não deve ser aplicada nos pedidos de ressarcimento, valho-me do voto vencedor do ilustre Conselheiro Antônio Carlos Bueno Ribeiro, proferido no Acórdão n° 202- 13.651, sessão de 19/0312002, que transcrevo: Neste Colegiada é pacifico o entendimento quanto ao direito à atualização monetária, segundo a variação da UFIR, no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente do valor de créditosincentivados do IPI em pedidos de ressarcimento, conforme muito bem expresso no Acórdão CSRF/02-0.723 e segundo a metodologia de cálculo ali referendada, válida até 31.12.1.995. No entanto, não vejo amparo nessa mesma jurisprudência para a pretensão de dar continuidade à atualização desses créditos, a partir de 31.12.95, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais (Taxa Selic), consoante o disposto no § 4° do art. 39 da Lei tt° 9.250, de 26.12.1995 (DOU 27.12.1995).i Art. 39- A compensação de que trata o art.66 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art.58 da Lei n° 9.069. de 29 de junho de 1995. somente poderá ser ceai dk com o recolhimento de ' MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONItIBLUNTES . — CONFERE COM O ORIGINAL _ Processo a? 10665.000087/00-56 Brasas, 07/ / / o g CCOVCO3 Acórdão n.° 203-11.482 Fls. 247 Main* Curaino • • hera Mat. &are 81650 Apesar desse dispositivo legal ter derrogado e substituído, a partir de -1° de janeiro de 1.996, o § 3o do art. 66 da Lei n° 8.383/91, que foi utilizado, por analogia, para estender a correção monetária nele estabelecida para a compensação ou restituição de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições ao ressarcimento de créditos incentivados de 1PL Com efeito, todo o raciocínio desenvolvido no aludido acórdão, bem como no Parecer AGU n° 01/96 e às decisões judiciais a que se reporta, dizem respeito exclusivamente à correção monetária como "...simples resgate da expressão real do incentivo, não constituindo 'pitu' a exigir expressa previsão legal". Ora, em sendo a referida taxa a média mensal dos juros pagos pela • União na captação de recursos através de títulos lançados no merecido • financeiro, é evidente a sua natureza de taxa de juros e, assim, a sua • desvalia como índice de inflação, já que informados por pressupostos • econômicos distintos. • - - . De se ressaltar que, no período em referência, a Taxa Seue refletiu patamares muito superiores aos correspondentes índices de • inflação, • em virtude da política monetária em curso, o que traduziria caso adotada, na concessão de um "plus", o que manifestamente s ó é possível por expressa previsão legal. Desse modo, considerando o novo contexto econômico introduzido • pelo Plano Real de uma economia desindexada e as distinções existentes entre o ressarcimento e o instituto da restituição, conforme assinalado pela decisão recorrida, aqui não pode mais se inVocar os • princípios da igualdade, finalidade e da repulsa ao enriquecimento sem - causa para também aplica-, por analogia, a Taxa Sebe ao ressarcimento de créditos incentivados de Pois, se assim ocorresse, poderia advir, na realidade, um tratamento privilegiado, mercê dos acréscimos derivados da Taxa Selic, para os contribuintes que não tivessem como aproveitar automaticamente os • créditos incentivados na escrita fiscal, que seria o procedimento usual, em comparação com a maioria que assim o faz." Agora passo a fazer apreciações adicionais para realçar os motivos que me levam a manter essa posição, mesmo em face das razões articuladas pelo ilustre Conselheiro Eduardo da Rocha Schmidt, prolator do voto vencedor. Em primeiro lugar, manifesto minha discordância com o entendimento manifestado, inclusive nos tribunais superiores, de que a Taxa SEL1C importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § I° (VETADO). § 2° (VETADO). § 30 (VETADO). § 40 A partir de I° de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de I% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." ' ) , MF-SEGUNDO CONSELHO DE COMUBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL. . Processo n.° 10665.000087/00-56 &adie, dl r I] i 09 CCO2JCO3 Acórdão n.• 203-11.482 Fls. 248- deMarkt* no de OINeira Mat. Stage 91850 possuiria a natureza mista de juros e correção monetária, o que se depreenderia da definição a ela conferida pelo Banco Central e da aferição de sua metodologia, consoante afirmado no voto condutor do RESP n" 215.881 — PR, da lavra do ilustre Ministro Franciulli Netto, no qual é realizada uma extensa análise sobre vários aspectos dessa taxa culminando justamente por suscitar o incidente de . inconstitucionalidade do art. 39, § 4°, da Lei n°9.250/95, aqui adotado analogicamente para estender a aplicação da Tara SELIC no ressarcimento de créditos incentivados do IPL Da definição do que seja a Taxa SEL1C só vislumbro taxa de juros, como se pode conferir, dentre outros normativos, nas Circulares BACEN es 2.868 e 2.900/99, ambas no art. 2", § I", a saber . "Define-se Tc& a SELIC conto a taxa média ajustada dos . financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SEIJC) para títulos federais." . :. :. No que respeita à metodologia de cálculo da Taxa SEL1C, segundo as . informações colhidas em consulta junto ao Banco Central, citadas no • , indigitado RESP n" 215.881 — PR, só vejo reforçada a sua exclusiva „- natureza de juros, a saber: "... as taxas das operações overnight, realizadas no mercado aberto entre diferentes instituições financeiras, que envolvem títulos de . emissão do Tesouro Nacional e do Banco Central, formam a base para .,. . o cálculo da taxa SELIC. Portanto, a Taxa SELIC é um indicador . diário da taxa de juros, podendo ser definida como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados com títulos públicos ' • . federais. Essa taxa média é calculada com precisão, tendo em vista que, por .. força da legislação, os títulos encontram-se registrados no Sistema SELIC e todas as operações são por ele processadas. A taxa média diária ajustada das mencionadas operações compromissadas. overnight é calculada de acordo com a seguinte . fórmula: (...) Com a finalidade de dar maior rekresentatividade à referida taxa, são consideradas as taxas de juros de todas as operações overnight ponderadas pelos respectivos montantes em reais" (negritei). Em resposta a essa mesma consulta é dito pelo Banco Central que "a taxa SELIC reflete, basicamente, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário (oferta versus demanda por recursos financeiros). Finalmente, ressalte-se que a taxa SELIC acumulada para determinado período de tempo correlaciona-se positivamente com a taxa de inflação apurada "ex-post", embora a sua fórmula de cálculo não contemple a participação expressa de índices de preços". (negritei e subscritei) Aqui releva salientar que a ocorrência da aludida "correlação" nada afeta a natureza de juros da Taxa SELIC e nem tom - tibrida pela I -\ eN 1- • i..-- • MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONO1IBUINTES I CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 10665.000087/00-56 Brama. '2/ I n2 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-11.432 Fls. 249 Mate Cuntate Oliveira Mat. Sege 91650 incorporação da taxa de inflação, mas simplesmente indica que, em termos estatísticos, tem-se verificado uma relação positiva entre essas duas variáveis, ou seja, que as suas grandezas variaram no mesmo sentido no período considerado, sem que haja alteração na especificidade de cada uma dessas variáveis. A Taxa SELIC em si não está investida de nenhum propósito, sendo, inclusive, impróprio acoimá-la de neutralizadora dos efeitos da inflação, já que, como visto, é uma variável de resultado que reflete a média das taxas de juros praticadas pelo Mercado nas operações overnight com títulos públicos, que é reconhecida pela teoria econômica como um indicador das condições de liquidez do mercado monetário, constituindo também na denominada taxa básica da economia. • Por outro lado, é certo que o Banco Central na qualidade de • autoridade monetária (CF, art. 164) dispõe de um amplo arsenal de • instrumentos de política monetária com vistas u assegurar o nível de liquidez adequada para a economia, inclusive no sentido de prevenir a ocorrência de surtos inflacionários, que, et : última análise, influencia as toros praticodor no mercado de financiamentos por um dia lastreados com títulos públicos e, conseqüente. mente, a tara SEL1C. Mais recentemente foi estabelecido como • instrumento de política monetária a fixação de meta para a Taxa SEL1C e seu eventual viés 2, • • visando o cumprimento da meta para a Inflaçao, estabelecida pelo .4„ - Decreto n°3.088, de 21 de junho de 1999. É importante salientar que esse instrumento apenas fixa a meta para a Taxa SEL1C e não esta taxa em si, valendo mais uma vez repisar que a taxa de financiamento, como qualquer outro preço, é determinada no mercado pelas forças de procura e oferta de fina,tciamento, refletindo a situação das reservas do sistema bancário o cada momento. Com o estabelecimento da meta, obviamente que o Banco Central na condução da política monetária e da política . de títulos públicos buscará induzir o mercado na direção da mera' para a Taxa SEL1C estabelecida, julgada, por sua vez, adequada para assegurar a meta de inflação perseguida. Portanto, na realidade, com essas políticas o Banco Central objetiva que a taxa de juros básica praticada na economia seja suficiente para prevenir a inflação ou mantê-la nos limites da meta ftxada, atuando, assim, a autoridade monetária na esfera das expectativas inflacionárias dos agentes econômicos, aspecto esse que também realça a distinção entre taxa de juros e taxa de inflação, já que esta última é voltada para mensuração da inflação pretérita. Aliás, considerando a similaridade entre a Taxa SEL1C e a TR, é de se notar que a impropriedade e desvalia de se pretender valer de taxa de juros dessa natureza, como instrumento de correção monetária, foi muito percebida pelo STF ao declarar a inconstitucionalidade da TR como tal, na AD1N 493 — DF, como se verifica no excerto do voto do ilustre Ministro Moreira Alves: 2 Circulares Bacen n' 2.868 e 2.900 de 1999. MT-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n.°10665.000087/00-56 Brasília. n I / 02 CCO2/CO3 Acórdão n. • 203-11.482 Fls. 250 Wide Curfiede Oliveira Mat. Sapa 91650 "a taxa referencial (TR) não é índice de correção monetária, pois. refletindo as variações do custo primário da captação dos depósitos a prazo fixo, não constitui índice que reflita variação do poder aquisitivo da moeda..." Do exposto, tenho também como equivocado o entendimento de que a Fazenda Nacional estaria se valendo da Taxa SELIC como uma forma velada de dar continuidade à correção monetária dos créditos tributários não integralmente pagos no vencimento em face do advento do Plano Real, a partir do qual paulatinamente foi extinta a utilização da correção monetária para fins tributários. • Em verdade o emprego da Taxa SELIC como juros de mora, no ambiente económico de unta economia desindexada, está em consonância com o imperativo econômico de inibir os contribuintes a adiarem o adimplemento de suas obrigações tributárias como forma alternativa de se financiarem junto ao sistema bancário., . • Com isso, mais uma vez impende gizar que a natureza da Taxa SELIC é exclusivamente de juros e como tal é a lógica econômica de seu uso •para fins tributários, o que tomcun prejudicadas as ilações extraídas a par:ir do falso pressuposto de ela estar mesclada com um componente de correção monetária. • Qucnto à incidência da Taxa SELIC sobre indébitos tributários a partir do pagamento indevido, instituída pelo art. 39, § 4 0 , da Lei n° 9.250/95, •É indisfarçável a motivação isoru3mica dessa medida ao garantir o mesmo tratamento, neste particular, para os créditos da Fazenda Pública e aos dos contribuintes, quando decorrentes do pagamento indevido ou a maior de tributos, chegando, inclusive, a preponderar sobre a disposição do parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, que faculta à Fazenda Pública restituir o indébito com vencimento de juros não capitalizáveis a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Agera, como já havia dito alhures, não vejo como justo e nem próprio, muito pelo contrário, pretender lançar mão da analogia. com base nos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, para estender a incidência da Taxa SELIC aos valores a serem ressarcidos oriundos de créditos incentivados na área do 1PI, a exemplo do decidido no Acórdão CSRF/02-0.723, no que diz respeito à atualização monetária, segundo a variação da UFIR, no período entre o protocolo do pedido e a data do respectivo crédito em conta corrente, do valor de créditos incentivados do IPI e segundo a metodologia de cálculo ali referendada, válida até 31.12.95. Aqui não se está a tratar de recursos do contribuinte que foram indevidamente carreados para a Fazenda Pública, mas sim de renúncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, cuja concessão, à evidência, se subordina aos termos e condições do poder concedente e necessariamente deve ser objeto de estrita delimitação pela lei, que, por se tratar de disposição excepcional em proveito de empresas, como é consabido, não permite ao interprete ir além do que nela estabelecido. 1 "s"------SCH"NO CONikalINTES InEGUCOWERNE COM O ORIGINAL_ . Processo n.° 10665.000087100-56 Brasilia„.44-.1 CCO2/c03 Acórdão n.° 203-11.482 Fls. 251 Marte Culte Oliveira MM. Siape 91650 Numa conjuntura econômica de inflação alta, como a vigente antes do Plano Real, em que o valor da importância a ser ressarcida acusava perda de até 95% devido ao fenômeno inflacionário, se justificou. forte no princípio da finalidade, que se recorresse ao processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma para que fosse deferida a correção monetária aos pleitos de ressarcimento em espécie de créditos incentivados do IPI, sob pena de, em certos casos, tornar inócuo o incentivo fiscal, conforme asseverado no aludido Acórdão n° CSRF/02-0.723. De se ressaltar, ainda, que a extensão da correção monetária, sem expressa previsão legal, ali defendida também se escorou no entendimento do Parecer da Advocacia Geral da União n" GQ — 96 e na jurisprudência dos tribunais superiores, no sentido de que "a correção monetária não constitui 'pias' a exigir expressa previsão legal." (negritei) A partir do Plano Real, pela primeira vez, com um .sucesso duradouro, logrou-se reduzir os efeitos da inflação inercia1 3, passando a economia a apresentar níveis de inflação signcativamente inferiores ao período anterior, tendo sido crucial para isso a eliminação bu alargamento dos prazos para a incidência da correção monetária, ou seja, pela . progressiva atenuação do nível de indexação até então vigente na economia, que se prestava num moto contínuo a realimentar a inflação. : • Nesse novo contexto, não há mais nem mesmo como invocar o princípio da finalidade para tout court justificar a recorrência ao princípio de integração analógica para a correção monetária como . forma de simples resgate da expressão real dos créditos incentivados do IPI, em relação ao período de tramitação do pleito correspondente, que na quase totalidade são solucionados em prazos inferiores a um ano. O que não dizer então do emprego da Taxa SELIC com esse propósito que, a par de não guardar a menor verossimilhança com índices de preços, consoante já exaust;vamente asseverado, apresentou, no período, patamares muito superiores aos correspondentes índices de inflação, em virtude da política monetária praticada desde a edição do Plano Real, em razão, inclusive, de contingências exógenas tais como a necessidade de defender a economia nacional de choques externos provocados por crises como a asiática a russa e, presentemente, a argentina e a relacionada com o atentado às torres do Word Trade Cen ter. Para ilustrar a discrepância entre os valores da Taxa SELIC e os dos principais índices de preços, a exemplo do índice Nacional de Preços ao Consumidor — INPC, no período de 1996 a 2001 4, apresento a tabela abaixo: 3 Inflação inercia1. Econ. 1. A que se origina da repetição dos aumentos passados de preços, pela ação dos mecanismos de indexação, (Dicionário Aurélio - Século XXI) 4 até 31.10.2001. MFUGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL j Processo n. • 10665.000087/00-56 as 10665.000087/O0-56 o 7/ / & CCO2iO33 Acórdão n°203.11482 Mate Ct de ~ire Fls. 252 MM. Slim 91650 1.1.1.1.1.1 TAXA SELIC X INPC 1996/2001 ANO\ SELIC INPC ÍNDICE TAXA UNITÁRIO TAXA UNITÁRIO SELIC/INPC ANUAL ANUAL 1996 24,91 1.249100 9. 12 1.091200 2.731360 1997 40,84 1,759232 4.34 1,138558 9,410138 • 1998 28,96 2,268706 2.49 1.166908 11.630522 1999 19,04 2.700668 8,43 1,265279 2,258600 2000 15.84 3,128454 5.2 7 1.331959 3.005693 2001 19.05 3.724424 7,25 . 1.428526 2.627586 FONTE: BACEN/IBGE Dessa tabela, verifica-se que no período de 1996/2001 (até 31.10.2001) a Taxa SELIC superou, no mínimo, 2,25 vezes (1999) e, no máximo, 11,63 vezes (1998) o INPC, apresentando uma variação total de 272,44% em contraste com a de 42,85% relativa ao INPC. Portanto, a adoção da Taxa SELIC como indexador monetário, além de configurar uma impropriedade técnica, implica uma destnpsurada e adicional vantagem econômica aos agraciados (na realidade à/71 extra "pias"), promovendo enriquecimento sem causa e expressa previsão legal, condição inarreddvel para a outorga de recursos públicos a particulares. Por oportuno, ressalto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, embora tenha • julgados contrários, possui decisão no sentido de inaplicabilidale não só de juros, mas inclusive de correção monetária, aos créditos do IPI. Observe-se: Número do Recurso:201-111325 Turma:SEGUNDA TURMA Número do Processo:10120.001391/97-28 Tipo do Recurso:RECURSO DE DIVERGÊNCIA • • Matéria:IPI Recorrente:REFRESCOS BANDEIRANTES IND. E COM. LTDA Interessado(a):FAZENDA NACIONAL . . Data da Sessão:24/01/2005 09:30:00 Relator(a):Josefa Marta Coelho Marques Acórdão:CSRF/02-01.772 Decisão:NP° - NEGADO PROVIMENTO PELO VOTO DE QUALIDADE Ementa:IPI. CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Gustavo Kelly Alencar (Suplente convocado), Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva e Leonardo de Andrade Couto que deram provimento ao recurso. o• Processo n.0 10665 000087/00-56 CC0VCO3 Acórdão n.°203-11.482 FL. 253 Pelo exposto, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 07 de nove1Dbag.4e,2006 Nr Calft/‘, EMA -Ir' AS DE ASSIS W-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL etailika, SP/ /1 ~de Cure de Oliveira Met St* 91650 ' _ - — — — Processo n.°10665.000087/00-56 CCO2/CO3 Acórdão n.°203-11.482 NIF.8EGuNDO CONSELHO DE coNTRIBUINTEs HL 254 CONFERE COM O ORIGINAL Brada / II / oR Mera» CL Olaia Mat. S3ape 91650 Voto Vencedor Conselheiro DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA, Relator-Designado: O Recurso Voluntário da recorrente atende aos pressupostos para a sua admissibilidade, dai dele se conhecer. Coube-me a elaboração do voto vencedor tão somente com relação ao reconhecimento da incidência ou não da taxa SELIC, tão somente para os valores reconhecidos pelo acórdão parcialmente recorrido e a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento, registrando aqui minha concordância com as razões de recorrer apresentadas. - Meu entendimento na Câmara Superior dc Recursos Fiscais - e neste Colegiada -, tem sido o seguinte sobre o tema: • "Número do Recurso: 201-117227 -Turma: SEGUNDA TURMA Número do Processo: 13854.000220/97-12 Tipo do Recurso: RECURSO DOPROCURADOR/RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: RESSARCIMENTO DE IPI • Recorrente: FAZENDA NACIONAL Interessado(a): CARGILL AGRíCOLA S/A Data da Sessão: 23/01/2006 15:30:00 Relator(a): Dalton Cesar Cordeiro de Miranda •Acórdão: CSRF/02-02.175 Decisão: NPM - NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Ementa: (...) TAXA SEL1C - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 40 da Lei e 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento." Em face do acima exposto e de tudo o mais que consta dos autos, voto por dar provimento parcial ao apelo interposto, tão somente para reconhecer a incidência da taxa SELIC, observando que a decisão final administrativa deste processo deverá ser observada na compensação. - f • - Processo n.° 10665.000087/00-56 CCO2/CO3 Acórdão 203-11.482 Es. 255 É o meu voto. Sala das Sessões, em 07 de novembro de 2006. DALTON CES7filt 12-DE1RO DE MIRANDA • • MF-SEGUnVEOASELHOOD8ReitlusuorrEs •• &urna, r91 / .7/ / r)3 . ' Matilde de Oftveka Met S 91850 • _ • • . Page 1 _0062000.PDF Page 1 _0062100.PDF Page 1 _0062200.PDF Page 1 _0062300.PDF Page 1 _0062400.PDF Page 1 _0062500.PDF Page 1 _0062600.PDF Page 1 _0062700.PDF Page 1 _0062800.PDF Page 1 _0062900.PDF Page 1 _0063000.PDF Page 1 _0063100.PDF Page 1 _0063200.PDF Page 1 _0063300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10865.721480/2011-91
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
IRPJ - ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO.
Após o encerramento do ano-calendário é incabível o lançamento do imposto não recolhido com base na estimativa mensal.
CSLL- ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO.
Após o encerramento do ano-calendário é incabível o lançamento da CSLL não recolhida com base na estimativa mensal
Numero da decisão: 1301-001.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 IRPJ - ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. Após o encerramento do ano-calendário é incabível o lançamento do imposto não recolhido com base na estimativa mensal. CSLL- ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. Após o encerramento do ano-calendário é incabível o lançamento da CSLL não recolhida com base na estimativa mensal
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 IRPJ ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. Após o encerramento do anocalendário é incabível o lançamento do imposto não recolhido com base na estimativa mensal. CSLL ESTIMATIVA. FALTA DE PAGAMENTO. Após o encerramento do anocalendário é incabível o lançamento da CSLL não recolhida com base na estimativa mensal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 14 80 /2 01 1- 91 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10865.721480/201191 Acórdão n.º 1301001.522 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório A 3ª Turma de Julfamento da DRJ em Ribeirão Preto recorre de ofício de sua decisão, consubstanciada no Acórdão 14028, por meio do qual cancelou as exigências formalizadas contra o contribuinte Sucos Kiki Ltda., referentes ao IRPJ e CSLL do ano calendário de 2007, nos seguintes valores: Valor do tributo Valor dos juros Valor da multa TOTAL IRPJ 435.997,74 181.070,20 326.998,29 944.66,23 CSLL 161.279,19 66.970,15 120.959,38 349.208,72 Segundo consta do Termo de Verificação de Irregularidades Fiscais, na DIPJ 2008 (anocalendário de 2007) o contribuinte apurou lucro real anual calculando as estimativas mensais, não tendo declarado os valores em DCTF nem efetuado o pagamento. Assim, para os meses de janeiro, maio e junho, nos quais foi apurado IRPJ e CSLL a pagar, foram feitos os lançamentos de ofício para constituição e exigência do correspondente crédito tributário não declarado em DCTF. O contribuinte impugnou tempestivamente os lançamentos, que foram cancelados pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto, ao fundamento de que a o art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/12/97, determina que, no caso de falta de pagamento do imposto sobre estimativas, o lançamento de ofício após o término do ano calendário só abrangerá a multa de ofício sobre os valores não recolhidos. após o término do anocalendário. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O crédito exonerado é superior ao limite que dispensa a revisão necessária. Conheço do recurso. A decisão recorrida deve ser confirmada, pelos seus bem lançados fundamentos. De fato, após o encerramento do anocalendário, não há previsão para exigir os valores mensais dos tributos calculados com base em estimativas (art. 2º da Lei nº 9.430/96), que se consomem na apuração do tributo anual. Dispõe a Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 154DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10865.721480/201191 Acórdão n.º 1301001.522 S1C3T1 Fl. 4 3 (...) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007).” Por seu turno, a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24/11/1997, dispõe: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Tendo a Turma a quo decidido de acordo com a lei, nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16542.000442/2007-43
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2006
SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
HABITUALIDADE
O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual.
MULTA
No presente caso, deve-se aplicar a multa nos termos do artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, se mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/07/2006 SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retira-lhe o caráter da eventualidade, tornando-o habitual. MULTA No presente caso, deve-se aplicar a multa nos termos do artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, se mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. MULTA No presente caso, devese aplicar a multa nos termos do artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, se mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 04 42 /2 00 7- 43 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 376DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000442/200743 Acórdão n.º 2301003.424 S2C3T1 Fl. 376 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, à da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos Terceiros. Consta do Relatório da NFLD (fls. 73) que o objeto do lançamento são as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados por meio de um sistema de premiação, que consiste no fornecimento de cartões de premiação, denominados FLEXCARD, fornecidos pela empresa administradora do programa INCENTIVE HOUSE S/A. A autoridade lançadora esclarece que os salários de contribuição foram apurados a partir das notas fiscais emitidas pela empresa administradora do programa, registradas nos livros contábeis da notificada, e que, apesar de solicitado por meio de TIAD, a empresa não apresentou a relação de todos os beneficiários do programa, motivo pelo qual a contribuição dos segurados foi apurada por aferição. Informa ainda que a falta da declaração em GFIP dos pagamentos realizados através de cartões eletrônicos, em tese, configura o CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983/2000, e que este fato será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. A recorrente impugnou o débito e a a Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da Decisão Notificação nº 20.401.4/089/2007 (fls. 126), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo(fls. 139), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega impossibilidade de exigência do depósito recursal e ilegitimidade passiva da empresa Matrix, argumentando que não foi a recorrente quem efetuou os pagamentos, e sim a Incentive House S.A, na forma de liberações eventuais de créditos no cartão FLEXCARD, administrado pelo Unibanco. No mérito, reafirma a não incidência de contribuição sobre os pagamentos realizados pela Incentive House, conceituando os tipos de ações de marketing e os programas de incentivo, tentando demonstrar que a prática utilizada pela recorrente de contratar uma empresa de Marketing de Incentivo que trabalha com cartões de saque, nada tem de ilegal, sendo reconhecida pela Associação Brasileira de Marketing Promocional. Discorre sobre a atividade do prestador de serviços e sobre a natureza jurídica dos programas de Marketing, inferindo que a fiscalização do INSS tenta desvirtuar uma relação Fl. 377DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 de negócios legalmente tipificada pelo Código Civil, alterando a natureza Jurídica da mesma de modo a incluí1a no salário contribuição. Se refere a vínculo trabalhista e transcreve os arts. 458 da CLT, e 28, da Lei 8.212/91 para demonstrar que a habitualidade é condição sine qua non.para que os pagamentos efetuados aos empregados e aos terceiros sejam integrados ao salário de contribuição. Analisa o § 9o, do art. 28 citado acima e conclui que os pagamentos eventuais não integram o salário de contribuição, trazendo julgados do STJ para comprovar suas alegações e que somente o pagamento habitual é passível de incidência de contribuição previdenciária, de terceiros e de segurados, o que não ocorreu no presente caso. Observa que os prêmios eram concedidos com base no atingimento de metas, sendo que o controle e gerenciamento era efetuado peta Incentive House S.A., sendo está a fonte pagadora responsável pelos prêmios disponibilizados através do Flexcard. Reitera que a Incentive House S.A. era a empresa responsável pelos pagamentos eventuais realizados aos colaboradores da Matrix S.A, devendo o presente processo administrativo ser extinto com relação a recorrente e redirecionado contra a empresa prestadora. Insurgese contra a contribuição ao INCRA, que, segundo entende, só pode ser exigida de empresas vinculadas ap previdência rural e não à urbana, não cabendo à Matrix efetuar qualquer recolhimento a título de contribuição para à referida Terceira Entidade. Quanto ao SENAC, SESC, SEBRAE e Salário Educação, reafirma que os pagamentos realizados pela Incentive House, por serem eventuais, não integram o salário de contribuição, não havendo que se falar em incidência das contribuições mencionadas. É o relatório. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000442/200743 Acórdão n.º 2301003.424 S2C3T1 Fl. 377 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega inexigibilidade do depósito prévio. De fato, o plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: “RECURSO ADMINISTRATIVO – DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo.” A situação acima aplicase ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, prevê, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, com amparo no dispositivo acima, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio. Ainda em preliminar, a recorrente alega ilegitimidade passiva, argumentando que quem realizou os pagamentos foi a empresa Incentive House. Todavia, o que restou demonstrado é que a empresa recorrente remunerava seus empregados por intermédio d empresa interposta, Incentive House. Ou seja, a recorrente contratou a empresa Incentive House, repassando a essa valores que seriam utilizados para premiar os empregados da empresa contratante. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Portanto, não há que se falar em ilegitimidade passiva, uma vez que os beneficiários dos cartões de premiação eram empregados da recorrente, que se utilizou de uma outra empresa, a Incentive House, para realizar os pagamentos. Assim, rejeito a preliminar de ilegitimidade passiva. No mérito, a recorrente não nega que pagou premiações a alguns de seus empregados, mas apenas tenta demonstrar que os valores relativos à premiação concedida por meio de empresa contratada, administradora do programa, não integram o salário de contribuição. Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho, como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas, como a própria recorrente insiste em afirmar em seu recurso, possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falarse, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000442/200743 Acórdão n.º 2301003.424 S2C3T1 Fl. 378 7 Assim as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos por meio de empresa interposta para premiar alguns de seus empregados. Conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio da empresa prestadora citada no Relatório Fiscal, não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos segurados que lhe prestam serviços não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes aos prêmios de incentivo. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e o julgador de primeira instância. Cumpre esclarecer que a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação a que trata da matéria. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente a título de prêmio integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. Em relação ao argumento de que os prêmios eram concedidos com base no atingimento de metas, sendo que o controle e gerenciamento era efetuado peta Incentive House S.A., sendo esta a fonte pagadora responsável pelos prêmios disponibilizados através do Flexcard, é oportuno observar que tais prêmios, oferecidos por mera liberalidade, ainda que de forma condicionada a atingimento de metas, pela empregadora a seus empregados, não nega sua característica remuneratória, já que é decorrência única e exclusiva do contrato existente entre ambos, e mais, representa ganho obtido da empresa, o que nos mostra uma vinculação entre seu fornecimento e o labor do seu beneficiário, indicadora da sua natureza contraprestativa, numa forma indireta. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 A notificada defende ainda que a prática utilizada pela recorrente de contratar uma empresa de Marketing de Incentivo que trabalha com cartões de saque, nada tem de ilegal, e que a fiscalização do INSS tenta desvirtuar uma relação de negócios legalmente tipificada pelo Código Civil, alterando a natureza Jurídica da mesma de modo a incluí1a no salário contribuição. Todavia, em nenhum momento a fiscalização alegou ilegalidade no pagamento de prêmio por empresa de marketing interposta. O que a fiscalização verificou foi que os pagamentos em tela se amoldam no conceito de remuneração contido no art. 28, da Lei 8.212/91. E, diante da constatação, por meio da análise dos registros contábeis da recorrente e das notas fiscais emitidas pela empresa administradora do programa de premiação, Incentive House, que a notificada concedia prêmios a seus empregados, e diante de um entendimento jurisprudencial de que prêmio é remuneração, a fiscalização, cuja atividade é vinculada, não teve outra alternativa a não ser lançar a contribuição devida, incidente sobre os valores relativos aos prêmios. A recorrente traz um extenso arrazoado para tentar demonstrar que os pagamentos eventuais, sem habitualidade, não integram o salário de contribuição. Contudo, no caso presente, verificase que não estamos diante de pagamentos eventuais, pois observase que os pagamentos foram realizados várias vezes ao ano, durante seis anos consecutivos. Tomemos como exemplo o ano de 2001, em que houve pagamento a essa rubrica em dez meses. Desse forma, não vislumbro a eventualidade em tais pagamentos. Ademais, constatase que não estamos diante de um pagamento eventual, como veementemente sustenta a recorrente, já que o ganho habitual passível de exação não é necessariamente aquele valor auferido mês a mês, trimestralmente ou mesmo bimestralmente etc. Há verbas pagas no decorrer do contrato de trabalho, ainda que não sejam auferidas nessas condições, e que não podem ser vistas como meramente eventuais. E o conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornando o habitual. Há, portanto, uma expectativa criada que se sobrepõe ao fato de não ser seqüencial a continuidade a liberalidade; a continuidade existe por todo o tempo que perdurar o contrato, o recebimento é que depende acontecer a condição estabelecida pelo empregador, que concede o prêmio. A expectativa criada, o costume e a certeza do benefício em se caracterizando a situação prédefinida pela empresa empregadora gera a habitualidade, afasta por completo a eventualidade que poderia enquadrar o pagamento na hipótese de isenção prevista no § 9º da Lei 8.212/91. Com relação às alegações de inexigibilidade e ilegalidade das contribuições ao INCRA, cumpre observar que a contribuição lançada à referida Terceira Entidade encontra amparo na legislação listada no relatório FLD. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000442/200743 Acórdão n.º 2301003.424 S2C3T1 Fl. 379 9 Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de tais exações, vez que a sua cobrança possui amparo legal. Conforme nos ensina Hans Kelsen: “ partindo da premissa unidade lógica da ordem jurídica, tenta impôr concordância apriorística entre a lei e a Constituição, que acabe por negar não apenas a possibilidade jurídica da sanção da nulidade, mas da própria noção de inconstitucionalidade "lato sensur": "A afirmação de que uma lei válida é "contrária à constituição" (anticonstitucional) é uma "contradictio in adejecto", pois uma lei somente pode ser válida com fundamento na Constituição. Quando se tem fundamento para aceitar a validade de uma lei, o fundamento da sua validade tem de residir na Constituição. De uma lei invalida não se pode, porem, afirmar que ela é contraria à Constituição, pois uma lei invalida não é sequer uma lei, porque não é juridicamente existente e, portanto, não é possível qualquer afirmação jurídica sobre ela. Se a afirmação, corrente na jurisprudência tradicional, de que uma lei é inconstitucional há de ter um sentido jurídico possível, não pode ser tomada ao pé da letra. O seu significado apenas pode ser o de que a lei em questão, de acordo com a Constituição, pode ser revogada não só pelo processo usual, quer dizer, por uma outra lei, segundo o principio lex posterior "derogat priori", mas também através de um processo especial, previsto pela Constituição. Enquanto, porém, não for revogada, tem de ser considerada válida; e, enquanto for válida, não pode ser inconstitucional" (KELSEN, Hans. Teoria pura do direito, 2. ed., trad. João Baptista Machado, São Paulo, Martins Fontes, 1987, p287). No tocante às decisões judiciais citadas/transcritas na peça recursal, registra se que por expressa vedação legal contida no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, não pode este órgão julgador desconsiderar norma válida no ordenamento jurídico para aplicar o entendimento da jurisprudência. Portanto, constatase, ao contrário do que afirma a recorrente, que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o AI, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. No que se refere à aplicação da multa, caso o Fisco identifique benefício penalidade nova ao contribuinte, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991, assim disposto: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 2. E o citado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 3. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 4. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, se mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 384DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 16542.000442/200743 Acórdão n.º 2301003.424 S2C3T1 Fl. 380 11 5. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator designado Fl. 385DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13830.000776/2002-79
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE MOTIVO. INVALIDADE.
O lançamento de ofício deve se fundar em um motivo real e deve conter a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o lastreiam. Cancela-se o auto de infração fundado em premissa falsa (vício material).
Numero da decisão: 3803-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima, Daniel Maurício Fedato (Relator) e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE MOTIVO. INVALIDADE. O lançamento de ofício deve se fundar em um motivo real e deve conter a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o lastreiam. Cancelase o auto de infração fundado em premissa falsa (vício material). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima, Daniel Maurício Fedato (Relator) e Ivan Allegretti. Relatório Por bem demonstrar os fatos controvertidos nos autos, reproduzse o relatório elaborado pela DRJ Ribeirão Preto/SP: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 07 76 /2 00 2- 79 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.000776/200279 Acórdão n.º 3803000.156 S3TE03 Fl. 246 2 A empresa qualificada em epígrafe foi autuada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 30.073,16, conforme auto de infração de fl. 96, em virtude de apuração de irregularidades quanto à quitação de débitos em auditoria da Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, períodos de apuração de 1997. A autuação decorre de vinculação de débitos da contribuição para o Pis, apurados no decorrer do anocalendário de 1997, e declarados em DCTF, a processo judicial não comprovado, sendo exigidos o valor do imposto devido, acrescido de juros de mora e multa de oficio. Cientificada, a autuada impugnou o lançamento, em 15/07/2002 (fl. 01), alegando, sua insubsistência, tendo em vista que os débitos relacionados no auto de infração teriam sido regularmente quitados mediante procedimento de compensação com indébitos da contribuição ao Pis assegurados mediante concessão de tutela em ação judicial, com trâmite junto à 2ª Vara Federal de MariliaSP, tendo por objeto a suspensão do recolhimento da contribuição ao Pis na forma dos Decretoslei n.° 2.445 e 2.449, ambos de 1988, bem como a compensação do montante supostamente recolhido a maior com débitos da mesma espécie. Ao final, requereu o cancelamento do auto de infração. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou procedente em parte o lançamento restou ementada da seguinte forma: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1997 Ementa: DCTF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A insuficiência de créditos a compensar decorrentes de ação judicial, vinculados em DCTF a débitos da Pis, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A discussão da matéria tributável na esfera judicial, não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário, por lançamento exofficio. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Nas hipóteses de suspensão do crédito tributário previstas no art. 151, incisos IV e V, do CTN, incabível o inclusão de multa de oficio no lançamento destinado a prevenir decadência. Lançamento Procedente em Parte Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.000776/200279 Acórdão n.º 3803000.156 S3TE03 Fl. 247 3 Cientificado da decisão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário e reitera seu pedido de cancelamento do auto de infração, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento, o entendimento consolidado da 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF a respeito da matéria: Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. De início, registrese que o auto de infração fora lavrado partindose da premissa equivocada de que o processo judicial informado na DCTF pelo contribuinte, de nº 97.10042858, para fins de justificar a compensação por ele declarada, não havia sido comprovado, conclusão essa que não se sustenta em razão dos elementos fáticos constantes dos autos, em que, sobre a existência da referida ação judicial, não restaram dúvidas, encontrando se as peças processuais fundamentais acostadas por cópia aos presentes autos. Destaquese que o número da ação judicial informado pelo contribuinte em DCTF e reproduzido no Anexo I do auto de infração Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados (fls. 98 a 99) corresponde exatamente ao número constante da petição inicial (fl. 15), constatação essa que retira todo o fundamento fático do auto de infração. Nesse sentido, considerando que o auto de infração fora lavrado a partir de uma premissa falsa, qual seja, a não comprovação da existência do processo judicial (“Proc jud não comprovad”), temse, no caso, uma ausência de motivo real para o lançamento de ofício, a reclamar pela anulação do processo ab initio. Esta 3ª Turma Especial tem decidido dessa forma nos processos da espécie, tratandose de jurisprudência consolidada, conforme é possível verificar, dentre outros, nos acórdãos nº 3803000.299, de 01/02/20091, e 3803000.840, de 27/10/20102. 1 Ementa CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/0411998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTOS INTERNOS DE AUDITORIA DE DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL COMPROVADO. Os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Deve ser cancelado o auto de infração quando falso o fundamento fático sobre o qual foi lavrado. Recurso Voluntário Provido. 2 Ementa CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO.Cancelase a exigência fiscal, formulada sob o fundamento de que não estava comprovado o processo judicial que teria reconhecido os créditos opostos em compensação dos débitos lançados, quando o sujeito passivo comprova que tal imputação é improcedente. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.000776/200279 Acórdão n.º 3803000.156 S3TE03 Fl. 248 4 No mesmo sentido, temse o acórdão nº 280200.016, de 10 de março de 2009, da 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, cujo teor do voto condutor abrangeu as seguintes afirmações: Irrita perceber, neste caso, que o auto de infração singelamente se arrima na inexistência da ação judicial e que, depois de demonstrada a existência da ação judicial, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância se arvorou em esmiuçar os detalhes da ação judicial existente, buscando outros motivos de fato para sustentar a manutenção da exigência, passando a argumentar que o lançamento pretenderia prevenir a decadência quanto à exigência dos créditos em discussão na ação judicial justamente aquela ação judicial que a autoridade lançadora dizia não existir! Se a autuação tomou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o contribuinte demonstrou a existência da ação em seu nome, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Devese, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. Do excerto supra, relativo a um caso similar ao presente, destacamse as seguintes constatações, todas elas aplicáveis ao presente processo: 1) o lançamento tributário não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe; 2) a Delegacia de Julgamento, mesmo ciente da inexistência de motivação do auto de infração, procedeu ao julgamento do processo, esquivandose de enfrentar o vício que o maculava. A doutrina muito bem trabalha a questão relativa à necessária motivação do lançamento de ofício, merecendo registro os seguintes excertos: A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que o autuante demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. É, assim, elemento fundamental do material probatório coletado pela autoridade lançadora, posto Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.000776/200279 Acórdão n.º 3803000.156 S3TE03 Fl. 249 5 que uma minudente descrição dos fatos pode suprir até eventuais incorreções no enquadramento legal adotado no auto de infração (...); o contrário é que, via de regra, não se admite, até porque, no mais das vezes, não há como aferir a correção do fundamento legal, se não se puder saber, com precisão, quais os fatos que deram margem à tipificação legal e à autuação. Por meio da descrição dos fatos é que fica estabelecida a conexão entre todos os meios de prova coletados e/ou produzidos (documentos fiscais, relatórios, termos de intimação e declaração, demonstrativos, etc.) e explicitada a linha de encadeamento lógico destes elementos, com vistas à demonstração da plausibilidade legal da autuação. Especialmente depois da eliminação da oitiva do autuante, a importância da descrição dos fatos ampliouse muito; é que o auto de infração, no mais das vezes, passou a ser a última oportunidade de o autuante falar nos autos. De se lembrar, ainda, que o auto de infração, depois de lavrado, passa a ser, antes de qualquer outra coisa, uma peça jurídica, e como tal, deve seu objeto estar juridicamente traduzido, independentemente de seus fundamentos de fato terem sido aferidos a partir de uma auditoria contábil ou de uma apreensão de mercadorias; seja qual for o método investigativo, ao final suas conclusões devem estar juridicamente validadas. 3 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López argumentam que “a errônea compreensão dos fatos ocorridos ou do direito aplicável é vício que dificilmente poderá ser sanado no curso do processo, pois incide no motivo do ato. Não é vício formal na descrição, mas no próprio conteúdo do ato. Não adianta a repetição do lançamento pela autoridade com a finalidade de aproveitamento do ato anterior pela sua convalidação, pois remanesce na nova norma individual e concreta introduzida a mesma anomalia. A correção só poderá ser empreendida por meio da invalidação do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 4. (grifei) (...) Se o auditor utilizar sistema informatizado para emissão do auto de infração, muito comum hoje em dia, é necessário que complemente a informação básica do sistema com as peculiaridades do caso concreto; do contrário, a descrição se tornará inadequada ou, até mesmo, equivocada. Não são válidas também as meras conjecturas do auditor baseadas apenas em ilações ou em indício vagos, sob pena de se responsabilizar o 3 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto nº 70.235, de 06/03/1972, versão 11, dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Decreto/ProcAdmFiscal/PAF.Pdf. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.000776/200279 Acórdão n.º 3803000.156 S3TE03 Fl. 250 6 agente pelos danos impostos ao contribuinte em face de acusação a título gratuito. 5 Controvertese, portanto, acerca de um motivo inexistente, qual seja, a não comprovação do processo judicial informado em DCTF para justificar a compensação do crédito tributário declarado, fato esse que, ao contrário, restou comprovado desde a primeira instância administrativa. “[Os] motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de “motivos de fato” falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando (...) a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato” 6. Havendo necessidade de se modificarem as razões de fato e/ou de direito em que se funda o lançamento de ofício, estarseá diante de um erro material e não de um simples erro formal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se pronunciou nesse sentido, em caso relativo à falta de indicação da origem do crédito tributário, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (grifei) (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) No presente caso, a DRJ Ribeirão Preto/SP, tendo detectado a efetiva existência da ação judicial, afastou a premissa que ensejara o lançamento de ofício (declaração inexata em razão da não comprovação do processo judicial) e buscou construir sua decisão com base em alegações genéricas acerca da obrigatoriedade de se constituir o crédito tributário pela via do lançamento de ofício. Dessa forma, por ter havido mudança do motivo de fato que ensejara a lavratura do auto de infração, temse que a ação da DRJ Ribeirão Preto/SP não se constituiu em simples complementação ou aclaramento da motivação do lançamento, tendo havido alteração substancial do ato, procedimento esse que não encontra suporte na legislação definidora de competências no âmbito do Ministério da Fazenda. Inexiste preceptivo normativo que autorize a autoridade administrativa julgadora a substituir ou complementar a atividade da autoridade lançadora no mister de 5 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, versão 11, atualizada até 31/Dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://receita.fazenda.gov.br. 6 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 369370. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13830.000776/200279 Acórdão n.º 3803000.156 S3TE03 Fl. 251 7 constituir o crédito tributário por meio do lançamento, nos termos propugnados pelo art. 142 do CTN acima transcrito. Nesse sentido, considerando o equivocado motivo do lançamento de ofício, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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