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Numero do processo: 14479.000284/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO POR EMPRESA CONTRATANTE. DESACORDO LEGISLAÇÃO.
É devida a autuação da empresa que deixar de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil, por empresa contratante de serviço.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE.
INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal que poderá ser por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal.
O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR).
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
REINCIDÊNCIA. OCORRÊNCIA.
A reincidência genérica eleva em duas vezes o valor da multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. FOLHA PAGAMENTO POR EMPRESA CONTRATANTE. DESACORDO LEGISLAÇÃO. É devida a autuação da empresa que deixar de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil, por empresa contratante de serviço. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal que poderá ser por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. REINCIDÊNCIA. OCORRÊNCIA. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 A reincidência genérica eleva em duas vezes o valor da multa aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000284/200715 Acórdão n.º 2402002.635 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 31, § 5o, da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.711/1998, que consiste em deixar a empresa cedente de mãodeobra de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil, por empresa contratante de serviço, para as competências 01/2002 a 10/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 17/32), a empresa apresentou as folhas de pagamento contendo apenas os resumos gerais, e não elaborou as folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil, por empresa contratante de seus serviços. Foram juntados aos autos, por amostragem, os resumos de folhas de pagamento (fls. 18/32). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 33) informa que foi aplicada a multa prevista nos arts. 92 e 102, ambos da Lei 8.212/1991, c/c art. 283, caput e § 3o, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos), sendo que no valor básico (R$1.195,13) foi agravado em duas vezes em razão da caracterização da reincidência genérica. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/08/2007 (fls. 01 e 39), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 40/49), alegando, em síntese, que: 1. o processo administrativo fiscal trouxe tão somente a cópia do Aviso de Recebimento relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal Inicial, faltando as intimações dos demais Mandados Complementares, requerendo a cópia dos mesmos; 2. ocorreu a decadência, pois o período anterior a agosto de 2002 encontrase extinto, nos termos do artigo 156,V do CTN; 3. existirem contradições que levam o lançamento à nulidade absoluta. Reclama que lhe foram impostas diversas multas sob a mesma motivação, numa mesma fiscalização que no entendimento da autuada se referem à mesma situação: não apresentação de documentos; 4. requer, por fim, o julgamento em conjunto dos autos de infração lavrados durante a mesma ação fiscal e a improcedência total do Auto de Infração. Posteriormente, a DRJ/SPOII encaminhou o processo administrativo fiscal à Seção de Fiscalização Previdenciária São Paulo/Norte, para que se providenciasse a remessa de cópia do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF – Auditoria Previdenciária, de Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 folhas 07, reabrindo o prazo para que o contribuinte apresente defesa ou adite a anteriormente a apresentada. Às folhas 76/77 a autoridade lançadora junta aos autos a manifestação fiscal e informa que o demonstrativo de emissão e prorrogação de mandado foi enviado por meio do Aviso de Recebimento (AR) de folhas 78, recebido pelo contribuinte em 30/01/2009. O contribuinte interpõe aditamento a sua defesa (fls. 93/98), solicitando nova diligência para que se providencie a juntada do Aviso de Recebimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0527.131 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 110/113) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 117/127), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de Administração Tributária/SP encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 129). É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000284/200715 Acórdão n.º 2402002.635 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que há falta de cobertura de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) durante a realização da auditoria fiscal, eis que ela não foi cientificada de forma expressa, quando do primeiro ato de ofício praticado, das alterações e prorrogações do MPFF. Entendo que o MPF foi criado no intuito de legitimar o procedimento fiscal. Além disso, MPF válido para fins de autuação é aquele em que o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). O MPF é a ordem específica dirigida ao auditor fiscal para que, no uso de suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais, assim conceituados como ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, podendo, dessas ações, resultar a constituição do crédito previdenciário. É mero controle administrativo interno, podendo ser prorrogado pela autoridade outorgante tantas vezes quantas necessárias, por intermédio de registro eletrônico, disponível na internet, no endereço "www.receita.fazenda.gov.br" (www.previdenciasocial.gov.br), cujo código de acesso é indicado no próprio documento. Devidamente instaurado o procedimento fiscal, o MPF terá validade até o final do prazo por ele estabelecido ou na data em que houver conclusão do procedimento fiscal, registrado por meio do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF). Verificase que o procedimento fiscal foi iniciado regularmente com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) n° 09370144F00, código de acesso no 92853526 (fls. 06/12), e sua ciência ocorreu em 02/02/2007, por meio do Aviso de Recebimento (AR) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) de fls. 13/16, através do qual foi solicitada a apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, bem como foi informado o número e o código de acesso ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) no site do Fisco (www.previdenciasocial.gov.br). Posteriormente, foram prorrogados regularmente os Mandados de Procedimento Fiscal. No que se refere ao prazo de validade de MPF e suas prorrogações, cumpre transcrever os seguintes dispositivos da Portaria RFB n° 11.371/2007: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 4o. O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de novembro de 1997, darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o inicio do procedimento fiscal. (g. n.) (...) Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observadas, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. (...) Art. 18. Os MPF emitidos e suas alterações permanecerão disponíveis para consulta na Internet, mediante a utilização do código de acesso de que trata o art. 4°, parágrafo único, mesmo após a conclusão do procedimento fiscal correspondente. (g. n.) Pelos dispositivos acima mencionados, percebese que há previsão de prorrogação do prazo de validade do MPF, tantas vezes quantas forem necessárias, sendo que a prorrogação é efetuada por meio eletrônico e essa informação, a dispensar a ciência pessoal do sujeito passivo, estará disponível na Internet para consulta, a partir do código de acesso a ele fornecido com o termo que formaliza o início do procedimento fiscal (fls. 06/16). Para a caracterização de que a autuação foi regularmente comunicada ao sujeito passivo, constatase que a Recorrente impugnou o levantamento no prazo definido pela norma que rege o Processo Administrativo Fiscal, exercendo seu direito ao contraditório e à ampla defesa e dando início à fase litigiosa. Com isso, a regularidade da continuidade da fiscalização poderia ter sido conferida pela Recorrente a qualquer tempo, com o acesso ao site institucional do Fisco. Diante disso, não acato as preliminares ora examinadas de nulidade e de ilegalidade. A Recorrente alega que seja declarada a extinção dos valores lançados até a competência 08/2002, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000284/200715 Acórdão n.º 2402002.635 S2C4T2 Fl. 4 7 A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, §4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Assim – como a autuação se deu em 21/08/2007, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 39), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 01/2002 a 10/2006 –, percebese que as competências posteriores a 12/2001 não foram atingidas pela decadência tributária, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, e, por consectário lógico, a decadência não atingiu o período abarcado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória. Outro ponto a esclarecer é que essa autuação não é calculada conforme a quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi descumprida. Assim, o cálculo é único, bastando um descumprimento para gerar a autuação com o mesmo valor, no caso em tela as competências posteriores a 12/2001 em que a Recorrente deixou de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil, por empresa contratante de seus serviços. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela legislação vigente –, a preliminar de decadência não será acatada, eis que o lançamento fiscal referese ao período de 01/2002 a 10/2006 e as competências posteriores a 12/2001 não estão abarcadas pela decadência tributária. Nesse sentido, há o entendimento de que a empresa deverá conservar e guardar os livros obrigatórios e a documentação, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência, no tocante aos atos neles consignados, nos termos do parágrafo único do art. 195 do CTN e do art. 1.194 do Código Civil CC (Lei 10.406/2002), transcritos abaixo: Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000284/200715 Acórdão n.º 2402002.635 S2C4T2 Fl. 5 9 Art. 195. (...) Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se referirem. Código Civil (CC) – Lei 10.406/2002: Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Diante disso, rejeito a preliminar de decadência ora examinada, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente, na qualidade de cedente de mãodeobra, deixou de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil, por empresa contratante de seus serviços. Nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos/Termos de Intimação Fiscal (TIAD/TIF), constatase a intimação para a apresentação das folhas e recibos de pagamentos do período de 01/2002 a 10/2006. Posteriormente, houve também a emissão do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF), atestando o encerramento do procedimento fiscal. A sua apresentação deficiente motivou a lavratura deste auto de infração. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 31, § 5o, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (...) § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (grifo nosso) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não elaborar as folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil, por empresa contratante de seus serviços, para as competências 01/2002 a 10/2006 – incorreu na infração disposta no art. 31, § 5o, da Lei 8.212/1991. Da mesma forma, enganase a Recorrente ao alegar a não observação ao princípio da tipicidade, uma vez que a Lei 8.212/1991 delimita o valor, prevê sua atualização e remete ao regulamento a fixação do mesmo: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de CrS 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a CrS 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, determina: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de RS 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; (...) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente, referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência. Posteriormente – conforme dispôs a Lei 8.212/1991, artigos 92 e 102, e o Regulamento da Previdência Social (RPS), artigos 283 e 373, todos susomencionados – a Portaria MPS/GM n° 142, publicada em 11/04/2007, reajustou os valores da multa para R$1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos). Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000284/200715 Acórdão n.º 2402002.635 S2C4T2 Fl. 6 11 Consta dos autos (fl. 34) a informação de que, em ação fiscal anterior, foi emitido o auto de infração 35.213.5930 (código de fundamento legal 38), que transitou em julgado em 10/11/2002. Isso caracteriza a reincidência genérica em relação a este auto de infração e, portanto, a multa foi elevada em duas vezes, conforme previsto no art. 292, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Com relação à alegação de multiplicidade de autuações sobre um mesmo fato gerador, aduzindo que a fiscalização lavrou múltiplas infrações sobre uma mesma conduta de não apresentar documentos, entendo que tal alegação é impertinente e genérica em razão dos fundamentos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Constatase que o presente lançamento fiscal decorre da inobservância pela Recorrente da infração prevista no art. 31, § 5o, da Lei 8.212/1991, que consiste em deixar a empresa cedente de mãodeobra de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil, por empresa contratante de seus serviços. Por outro lado, não há que se falar em duplicidade na aplicação da “multa regulamentar”, em face da lavratura dos seguintes Autos de Infração (AI’s): 1. AI n° 37.028.4321 (processo n° 14479.000285/200751), o dispositivo legal infringido é o art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/1991 c/c artigos 232 e 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira; 2. AI n° 37.028.4380 (processo n° 14479.000286/200704), o dispositivo legal infringido é o art. 32, inciso III, da Lei 8.212/1991, c/c os art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em razão da empresa não ter prestado ao Fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; 3. AI n° 37.028.4372 (processo n° 14479.000281/200773), o dispositivo legal infringido é o art. 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 combinado com o art. 225, inciso I e parágrafo 9o, do Regulamento da Previdência Social (RPS), que consiste em deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação previdenciária. Isso decorre do fato de que as obrigações tributárias acessórias não se confundem entre si, possuindo objetos distintos e sujeitando o infrator, em caso de descumprimento, a penalidades específicas e próprias a cada uma delas. Cumpre esclarecer que é no momento da ocorrência do fato gerador que se estabelece o vínculo relacional da obrigação tributária entre o Fisco e o sujeito passivo, nos termos do art. 144 do CTN, in verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente revogada. (g.n.) Depreendese que é da lei de regência do fato gerador que se devem ser extraídas as consequências jurídicas, os efeitos normais da relação obrigacional tributária, tais como a tipificação tributária, base de cálculo, alíquotas e multas aplicáveis, dentre outros. Logo, não acato a alegação da Recorrente, eis que se trata, no presente caso, de obrigação tributária acessória, instituída no interesse da arrecadação e da fiscalização tributária, correspondente a um dever de prestação de informações, a ser realizado através de documento próprio, devidamente identificado. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000284/200715 Acórdão n.º 2402002.635 S2C4T2 Fl. 7 13 Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 35366.001436/2005-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Haja vista a correlação existente entre os lançamentos de obrigação principal cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP e a autuação por ausência de declaração destes, naquilo que não subsistir a obrigação principal, também não subsiste o acessório.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para excluir da multa aplicada a parte relativa aos fatos objeto de redução no julgamento da obrigação principal e, após, para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/10/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Haja vista a correlação existente entre os lançamentos de obrigação principal cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP e a autuação por ausência de declaração destes, naquilo que não subsistir a obrigação principal, também não subsiste o acessório. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Haja vista a correlação existente entre os lançamentos de obrigação principal cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP e a autuação por ausência de declaração destes, naquilo que não subsistir a obrigação principal, também não subsiste o acessório. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL – APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte . Fl. 316DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir da multa aplicada a parte relativa aos fatos objeto de redução no julgamento da obrigação principal e, após, para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Julio Cesar Gomes Vieira Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35366.001436/200574 Acórdão n.º 2402002.631 S2C4T2 Fl. 315 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O lançamento foi constituído em 20/04/2005, data da intimação do sujeito passivo. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 04), a autuada teria deixado de informar em GFIP valores pagos a contribuintes individuais (autônomos e de diretores não empregados), valores pagos em processos trabalhistas e dos segurados com rescisão, valor do patrocínio pago ao Rio Branco Esporte Clube, valores pagos a cooperativas e aos segurados empregados a título de participação nos lucros – PLR. A auditoria fiscal elaborou planilhas discriminativas dos valores omitidos e informou a existência de agravante de reincidência. A autuada apresentou defesa (fls. 182/189), onde alega que após tomar conhecimento das irregularidades apontadas em suas GFIP, está tomando as providências cabíveis para a regularização de todos os documentos do período de 01/2000 a 10/2004, no que se refere aos seguintes títulos: (i) pagamentos de autônomos e diretores não empregados; (ii) pagamentos de reclamações trabalhistas; (iii) pagamentos de rescisões de contrato de trabalho; (iv) pagamento de patrocínio do Rio Branco Esporte Clube. Requer que seja relevada a multa imposta, em razão da correção das irregularidades acima mencionadas pela impugnante, o que se comprovará antes de decisão da autoridade julgadora, nos termos do artigo 291 do Decreto nº 3048/1999 ou ao menos a sua redução em 50%. Argumenta que os pagamentos de faturas de Cooperativas de Trabalho e o pagamento de "PLR" não são fatos geradores de contribuições previdenciárias. Acrescenta que a análise mais profunda de cada um dos temas está abordada nas defesas de cada uma das NFLD's especificas lavradas pela fiscalização na mesma oportunidade, aproveitandose delas todos os argumentos de fato e de direito. Quanto à participação nos lucros e resultados alega que a Constituição Federal, através do seu Art. 7° inciso XI, prevê que a participação nos lucros, ou resultados, é desvinculada da remuneração. Aduz que o modo de pagamento da participação nos resultados não pode lhe alterar a natureza, exceto se caracterizada fraude, o que não é o caso dos autos. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 No que tange aos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho, entende que não se poderia cogitar em se autuar a empresa em razão da matéria objeto da NFLD correlata estar sub judice perante a E. Justiça Federal nos autos do processo n° 2000.61.00.0300185, onde é discutida a constitucionalidade da Lei 9.876/99 para a imposição da contribuição de 15% relativa às cooperativas de trabalho. Protesta pela concessão de noventa dias de prazo para juntada de documentos que comprovam a regularização das questões apontadas na defesa, para fins de relevação da multa imposta. Pelo Acórdão nº 1719.541 (fls. 261/267) a 9ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP) considerou a autuação procedente. A decisão salienta que até a emissão desta, a autuada não havia comprovado ter efetuado a correção da falta a fim de ter a multa relevada. Além disso, não seria primária o que já impediria a relevação da multa. Relativamente ao pagamento valores a título de Participação nos Lucros e Resultados, as contribuições correspondentes foram lançadas nas NFLDs n° 35.418.7007 (PLR Terceiros) e 35.649.6317 (PLR patronal), julgadas procedentes em primeira instância administrativa, uma vez que a distribuição de lucros efetuada pela empresa efetivamente não foi realizada de acordo com a Lei n° 10.101/00 e, por conseqüência, não atenderia ao previsto na alínea "j" do § 9° da Lei nº 8.212/91. Segundo o acórdão, não houve tempo suficiente para que os lucros ou resultados se verificassem, bem como não foi respeitada a periodicidade fixada pelo § 2º, art. 3ºda Lei nº 8.212/1991. Informa que a NFLD nº 35.649.6333 que se refere às contribuições sobre os valores pagos a cooperativas está em cobrança pela Procuradoria, desde 30/03/2007. Inconformada, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 274/282) onde efetua repetição das alegações de defesa. O recurso teve seguimento por força de decisão judicial. Posteriormente, a autuada junta aos autos correspondência onde pleiteia que seja aplicado o princípio da retroatividade benigna, no que tange à multa aplicada, face as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009 na forma de cálculo da multa da autuação da espécie. Na apreciação do recurso interposto, esta 2ª Turma Ordinária, pela Resolução nº 2402000.107 (fls. 301/302), entendeu por converter o julgamento em diligência para que fosse informada a situação das autuações relativas às contribuições incidentes sobre a participação nos lucros e resultados. Em resposta (fls. 313), a DRF – São Paulo (SP) informou que as autuações já teriam sido julgadas pelo CARF estando na situação de “aguardando expedição de acórdão”. Retornaram os autos a esta 4ª Câmara para continuidade da análise e julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35366.001436/200574 Acórdão n.º 2402002.631 S2C4T2 Fl. 316 5 Voto Conselheiro Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O autuação em tela se deu em razão da autuada haver deixado de informar em GFIP, fatos geradores de contribuições previdenciárias, assim considerados pela auditoria fiscal. Dos fatos geradores omitidos, a recorrente questionou apenas aqueles decorrente do pagamento de participação nos lucros e resultados, bem como os pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho. Quanto aos valores pagos a cooperativas de trabalho, o Acórdão recorrido informa que a notificação correlata encontrase em fase de cobrança junto à Procuradoria, inferindose que relativamente a tal notificação o contencioso administrativo fiscal já se encontra encerrado. Já as autuações cujo objeto são as contribuições incidentes sobre os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, processos número 35366.001448/2005 07 e 35366.001447/200554, tiveram os recursos já julgados pela 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara que pelos Acórdãos 2301.002.05. e 2.301.002.092, respectivamente, deu provimento parcial aos recursos nos seguintes termos: Por todo exposto voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento: Devido aos efeitos da decadência: as contribuições apuradas até a competência 03/2000, anteriores a 04/2000, nos termos do voto; Segurados em geral: excluir do lançamento as contribuições referentes a pagamentos descritos no Relatório Fiscal, da seguinte forma: a) em 2000, excluir do lançamento somente as contribuições referentes aos pagamentos correspondentes a terceira parcela; b) em 2001 e 2004, excluir do lançamento as contribuições referentes aos pagamentos correspondentes a primeira parcela; c) em 2002 e 2003, excluir do lançamento as contribuições referentes aos pagamentos correspondentes a primeira e terceira parcelas; Segurados que atuam na área de vendas e no Grupo executivo: voto pelo provimento parcial do recurso, a fim de excluir do lançamento, nos anos de 2000 a 2003, as contribuições referentes aos pagamentos correspondentes a primeira e a terceira parcelas pagas e no ano de 2004 excluir as Fl. 320DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 contribuições referentes aos pagamentos correspondentes as duas parcelas, conforme voto. Notase que foi reconhecida a decadência de parte do lançamento pela aplicação do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Entretanto, diante da aplicação da multa pelo descumprimento obrigação acessória é pacífico o entendimento neste colegiado de que no cômputo da decadência aplica se o art. 173, Inciso I, do CTN. Assim, ainda que o contribuinte não tenha alegado a decadência, esta de fato não ocorreu, uma vez que o lançamento ocorreu em 20/04/2005, relativamente à infração cometida no período de 01/01/2000 a 31/10/2004. Quanto ao mérito, observase que parte da obrigação principal não prevaleceu e há que se reconhecer que neste caso existe a correlação entre o principal e o acessório. Não subsistindo o primeiro, o segundo também deve ter o mesmo destino. Assim, entendo que devem ser retirados da multa aplicada os valores de pagamentos de participação nos lucros e resultados considerados improcedentes pelos acórdãos 2301.002.056 e 2301.002.092. No que tange à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35366.001436/200574 Acórdão n.º 2402002.631 S2C4T2 Fl. 317 7 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas e após a retificação da multa original, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos do cálculo da multa os valores considerados improcedentes no julgamento da obrigação principal e que o valor retificado seja comparado com o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991para que seja aplicado o cálculo mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 322DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.722577/2012-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010
RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. ANÁLISE SOBRE CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
PLR - PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E NOS RESULTADOS. REQUISITOS. ACORDO PRÉVIO.
Integra o salário-de-contribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação no lucro ou nos resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente, portanto não há como acatar-se instrumento firmado somente após o exercício a que se refere.
PLR. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 EM DA LEI 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108.Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.'
Numero da decisão: 9202-010.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (relator), que conheceu. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Joao Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto às matérias referentes à PLR.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. ANÁLISE SOBRE CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. PLR - PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E NOS RESULTADOS. REQUISITOS. ACORDO PRÉVIO. Integra o salário-de-contribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a título de participação no lucro ou nos resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente, portanto não há como acatar-se instrumento firmado somente após o exercício a que se refere. PLR. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 EM DA LEI 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 108.Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.' Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 25 77 /2 01 2- 46 Fl. 1481DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 (relator), que conheceu. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Joao Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto às matérias referentes à PLR. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Cuida-se de Recursos Especiais interpostos por SANTANDER BRASIL TECNOLOGIA S/A e FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão nº 2401-004.760, proferido na Sessão de 6 de abril de 2017, e que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento a parte relativa aos pagamentos correspondentes à CCT 2008, competências 01/2009, 02/2009, 04/2009, 06/2009 e 07/2009. Vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Miriam Denise Xavier Lazarini, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para: (i) excluir os valores relativos aos pagamentos previstos em ACT e a diretor não empregado; e (ii) afastar a incidência de juros sobre a multa de ofício. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2010 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103) Fl. 1482DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTOS MAIS DE DUAS VEZES NO MESMO ANO CIVIL OU EM PERIODICIDADE INFERIOR AO PREVISTO NA LEI nº 10.101, DE 2000. ANÁLISE DO CASO CONCRETO. Não há que se falar em descumprimento do requisito de periodicidade de pagamentos, quando (i) o pagamento extemporâneo efetuado a título de participação nos lucros ou resultados não configura parcela autônoma, mas corresponde a saldo remanescente integrante da segunda parcela, prevista no instrumento de negociação coletiva entre as partes, paga incompleta pela empresa; e (ii) inexistem elementos que apontem para a utilização do pagamento com o propósito de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ASSINATURA DO ACORDO NO PENÚLTIMO OU ÚLTIMO DIA DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101, DE 2000. É da essência do instituto da participação nos lucros ou resultados que a assinatura do termo de ajuste preceda os fatos que se propõe a regular, incentivando, desse modo, o alcance de lucros ou resultados pactuados previamente. Nada obstante, a prévia pactuação dos termos do acordo, antes de iniciado o período de aferição, é prática limitada pelo mundo real, o que impõe certa flexibilidade na análise dos fatos, para não chegar ao ponto de inviabilizar a aplicação do instituto. A possibilidade de flexibilização demanda, necessariamente, a avaliação do caso concreto e, em qualquer hipótese, o instrumento negocial deve estar assinado com antecedência razoável ao término do período de apuração a que se referem os lucros ou resultados. O instrumento assinado apenas no penúltimo ou último dia do período de apuração dos resultados, ou após o encerramento desse período, está em desconformidade com a legislação de regência. O estabelecimento de parâmetros já sabidamente atingidos, ou mesmo em estágio avançado de apuração, desnatura o programa de participação nos lucros ou resultados, configurando-se, na verdade, em parcela de natureza salarial a título de gratificação ou prêmio pago por liberalidade da empresa. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus segurados empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, na condição de contribuintes individuais, ainda que atendidos os termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. GANHO EVENTUAL. HABITUALIDADE ANUAL DOS PAGAMENTOS. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade anual nos pagamentos aos trabalhadores, na forma prevista em acordo coletivo de trabalho. Relativamente aos contribuintes individuais, pela própria característica da prestação de serviço, a habitualidade do pagamento é irrelevante para a tributação. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA (SELIC). INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. O Recurso do contribuinte visava rediscutir as seguintes matérias: a) PLR - Pactuação prévia - Legislação interpretada de forma divergente: art. 2º, § 1º, da Lei nº 101.101/2000 - Paradigmas 2402-004.109 e 2301-003.733; b) PLR - Diretores não empregados - Legislação interpretada de forma divergente: arts 2º e 3º da Lei nº 10.101/2000 - Paradigmas: 2403-002.158 e 2403-002.336; c) Não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas pagas sem habitualidade - Legislação interpretada de forma Fl. 1483DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 divergente: arts 22, inciso I e 28, inciso I, da Lei nº 8.212/1991 - Paradigmas: 2301.003.381 e 2403-002.244. d) Juros de mora sobre multa de ofício - Legislação interpretada de forma divergente: Art. 61 da Lei nº 9.430/96 e art 161 do Código Tributário Nacional - Paradigmas: 9202-002.600 e 9101-000.722 e) Da vedação à retroatividade de lei para aplicação de multa mais gravosa - Legislação interpretada de forma divergente: art. 105 do CTN - paradigmas 3202-001.106 e 9303-005.880. Em exame preliminar de admissibilidade, contudo, somente tiveram seguimento as matérias a) PLR - Pactuação prévia; b) PLR - Diretores não empregados; e d) Juros de mora sobre multa de ofício. Em suas razões recursais, a contribuinte alega, sobre a primeira matéria - PLR - Pactuação prévia – em síntese, que embora os ACTs tenham sido assinados no decorrer e no curso dos exercícios a que se referiam, é fato que as metas para recebimento da PLR já eram de amplo conhecimento dos funcionários; que os acordos tinham metas semelhantes as de planos anteriores; que o PPr 2008 apenas renovou as disposições dos ACT’s 2006/2007; que com o adventos dos PPR’s (2009 e 2010) as metas para recebimento de PLR passaram a ter por base um índice distinto, entretanto, a despeito da alteração do índice, as metas eram muito semelhantes às doas acordos próprios dos anos anteriores; que ao contrário do que alega a fiscalização, o art. 2º, § 1º da Lei nº 10.101/00 não condiciona a legitimidade da PLR a um programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente; que analisando a letra do referido dispositivo, verifica-se que a legislação não impôs ao contribuinte a necessidade de observância dos critérios e condições constantes dos incisos I e II, § 1º do referido dispositivo, que seriam meras sugestões do legislador; que o acordo prévio nada mais é do que uma sugestão, que esse é o entendimento do próprio CARF, conforme jurisprudência que cita. Sobre a segunda matéria - PLR - Diretores não empregados – a contribuinte aduz que a matriz constitucional da PLR é o art. 7º, inciso XI, que trata do direito dos trabalhadores; que o conceito de trabalhador é vinculado na Consolidação das Leis do Trabalho e definida como “toda pessoa física que prestar sérvios de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”; que essa definição deixa claro que o conceito de trabalhador não se restringe a empregado; que, portanto, diretores não empregados enquadram-se na categoria de trabalhadores; que o próprio CARF já firmou entendimento nesse sentido, conforme jurisprudência que cita; que o intento do legislador foi estabelecer o comprometimento e a colaboração dos trabalhadores em função da empresa, sejam eles empregados ou não; que a própria Constituição, em seu artigo 7º, coíbe a diferenciação defendida pela Fiscalização; que os administradores não empregados concorrem com os empregados na geração dos lucros. Sustenta, por fim, que a lei específica a que se refere o art. 28, § 9º, “j”, da Lei nº 8.212, de 1991, no que se refere aos administradores não empregados é a Lei nº 6.404, de 1.976, que prevê expressamente o pagamento de PLR aos administradores. Finalmente, sobre a matéria - Juros de mora sobre multa de ofício - a contribuinte sustenta que exigência carece de base legal; que o § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1.996 é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado; que os débitos a que se refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput, que não podem ser confundidos com as multas; que a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, somente pode se referir a débitos não lançados, visto que normatiza a incidência sobre estes de multa de mora; que corroborando essa interpretação, o artigo 43, da Lei nº 9.430, de 1.996 prevê a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente. Fl. 1484DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 A fazenda Nacional apresentou Contrarrazões nas quais defende o não conhecimento do recursos por falta de demonstração da divergência e por ausência de similitude fática. Especificamente sobre a matéria ‘Juros sobre Multa de Ofício”, aduz que a matéria foi objeto da súmula CARF nº 108, aplicando-se ao caso a vedação do art. 67, § 3º, do CARF. Quanto ao mérito, defende a manutenção do Acórdão Recorrido com base, em síntese, nos seus próprios fundamentos. O Recurso da Fazenda Nacional visa rediscutir a seguinte matéria: PLR – pagamento em mais de duas parcelas. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Câmara de origem negou seguimento ao apelo. A Fazenda Nacional opôs Agravo, os qual foi acolhido, dando seguimento ao recurso. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, é PLR apenas o numerário pago aos empregados nos termos previstos na lei a que se refere o art. 7º, inciso XI da Constituição, que é a Lei nº ’10.101, de 2000; que pela lei são necessários o cumprimento de dois requisitos cumulativamente, para a aquisição do benefício: que o plano tenha regras claras e objetivas e que não seja pago com periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; que no caso, o requisito da periodicidade não foi observado pelo contribuinte; que o próprio art. 28, § 9.º, da Lei n.º 8.212/91 é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos. A contribuinte tomou ciência do Acórdão de Recurso de Ofício e Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria, do despacho de Admissibilidade do Recurso Especial e do Despacho de Agravo em 15/01/2018 (AR. e-fls. 918) e. em 29/01/2018 (e-fls. 920) apresentou as Contrarrazões de e-fls. 1.014 a 1.031 nas quais defende, inicialmente, o não conhecimento do recurso. Aduz, em síntese, que a PGFN adotou a premissa equivocada de que o Acórdão Recorrido teria mantido a autuação apenas sobre as parcelas tidas por "excedentes", por entender que os ACTs não teriam qualquer vício além da pretensa violação da regra de periodicidade; que incorreu em claro equívoco a PGFN, pois não é disso que tratou o v. Acórdão Recorrido; que em verdade, o Acórdão Recorrido analisou a alegada 3ª parcela de PLR tida por excedente, pela D. Fiscalização, e verificou não ser de fato uma 3ª parcela de PLR, mas, comprovadamente, uma diferença prescrita pela própria CCT, inclusive compelindo a Recorrida ao seu pagamento; que tanto é assim, que não se manteve a autuação sobre esta parcela, como pressupôs a PGFN, mas se cancelou o lançamento sobre a PLR fundada em CCT; que o RESP, portanto, é inepto e não poderia ter sido admitido por meio do Agravo; que não se tratou de "flexibilizar" à regra de periodicidade para admitir mais pagamentos do que a lei permitiria, mas de adequar a compreensão do caso concreto à da legislação de regência; que, de fato, enquanto nos acórdãos paradigmas se analisou a incidência previdenciária em relação às parcelas excedentes, no presente caso a a turma a quo analisou a higidez de todos os pagamentos efetuados pela Recorrida com base no CCT, para concluir que as parcelas de 06/2009 e 07 /2009 não representavam excedentes; que não há qualquer análise, no presente caso, sobre a (não) incidência sobre eventuais terceiras parcelas e, por tal razão, não há similitude fática entre o recorrido e os paradigmas. A contribuinte alega também que não haveria interesse recursas da Fzenda Nacional e que o recurso visa rediscutir o conjunto probatório, o que não se admite. Fl. 1485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 Quanto ao mérito, defende a higidez do PLR e defende a manutenção do Recorrido com base, em síntese, nos seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator. Começo pela análise do Recurso Especial da Procuradoria, o qual foi apresentado tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, contrariamente ao que defende a Contrarrazoante, penso que restou demonstrada a divergência. Como bem anotado no despacho de Agravo, tanto no acórdão recorrido quanto nos paradigmas, examinou-se lançamentos de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), envolvendo a discussão sobre o descumprimento do requisito da periodicidade, previsto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, que estipula o máximo de dois pagamentos no ano e periodicidade mínima de seis meses; que em todos os julgados houve mais de dois pagamentos no ano civil, e apenas no caso do Recorrido se alegou que os pagamentos excedentes se referiam a complementos, ajustes ou adicionais relativos a uma das duas parcelas anteriores; que no acórdão recorrido, acatou-se os argumentos do sujeito passivo e entendeu-se que o pagamento extemporâneo se configurou em saldo remanescente da segunda parcela e que não foi descumprido o requisito da periodicidade, afastando-se, assim, o lançamento sobre toda verba daquela PLR; já nos paradigmas não se admitiu as ressalvas e se considerou que os pagamentos fora dos limites temporais ocasionam o descumprimento do critério da periodicidade e manteve-se o lançamento sobre toda a PLR. Resta, portanto, configurada a similitude fática. Também não procedem as alegações de ausência de interesse recursal e de que o recurso implica na necessidade de revolvimento de provas. Nem uma coisa, nem outra. O interesse recursal está em ver rediscutida matéria em relação à qual teria havido divergência de interpretação; e não se cogita de revolvimento de provas, pois a discussão devolvida ao Colegiado é se, objetivamente, tendo havido pagamentos em mais de duas parcelas, independentemente das alegadas razões para isso, deve ou não incidir a contribuição. Conheço, pois do recurso. Vencido quanto ao conhecimento, deixo de analisar o mérito. Passo ao exame do recurso da contribuinte. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, como visto, são três as matérias devolvidas para julgamento: PLR - Pactuação prévia; PLR - Diretores não empregados; e Juros de mora sobre multa de ofício. Para o exame da matéria PLR – Pactuação Prévia – a contribuinte se insurge contra a posição do Acórdão Recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário nesta parte, sob o fundamento de que a assinatura dos PPRs referentes aos anos de 2008 e 2009, realizadas ao final de cada um dos períodos (31/12/2008 e 31/12/2009), descumpririam o requisito legal para a exclusão das verbas em questão do conceito de salário-de-contribuição. Fl. 1486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 Pois bem, o recurso restringe-se às parcelas pagas a título de PLR referente ao ano de 2009, mais especificamente às parcelas pagas no período de 08 a 11/2009, pois, de um lado, a exigência, relativamente ao período de 01 a 07 de 2009 foi afastada em razão da decadência, e de outro lado, a matéria discutida, conforme descrita acima, refere-se aos pagamentos feitos a título de PLR antes da formalização do acordo, que ser deu em 30/11/2009 e, portanto, alcançaria apenas os pagamentos feitos antes dessa data. Frise-se, também, para que não pairem dúvidas sobre este ponto, que, conforme ressaltado pela Contribuinte nas contrarrazões, o recurso especial, quanto a este item, não envolve os pagamentos referente ao PLR 2010 além da chamada “parcela D”, até porque o fundamento da autuação relativamente ao PLR 2010, exceto quanto à “parcela D” não foi a ausência de acordo prévio. Pois bem, compulsando o acórdão de impugnação e o acórdão recorrido, verifica- se que o primeiro exonerou o crédito tributário referente ao principal no valor total de R$ 2.371.602,97. Confira-se o dispositivo do Acórdão da DRJ: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, considerando: a) PROCEDENTE o lançamento do valor principal de R$ 11.042.100,92, acrescido de juros moratórios (a calcular) e a multa de ofício de 75% correspondente a R$ 8.281.575,69; b) EXONERADO do crédito tributário principal o valor de R$ 2.371.602,97 (R$ 13.413.703,89 – R$ 11.042.100,92), acrescido de juros moratórios (a calcular) e multa de ofício de 75% correspondente a R$ 1.778.702,28 (R$ 10.060.277,97 – 8.281.575,69). Registre-se que esse valor de R$ 2.371.602,97 foi exonerado em razão da decadência, conforme o seguinte trecho do voto condutor do julgado: Portanto, as exigências relativas às competências 01/2009 e 07/2009 já haviam sido alcançadas pela decadência antes do lançamento do auto de infração de DEBCAD nº 51.052.387-0, visto que na data em que a Autuada tomou ciência da referida autuação (14/08/2014, fl. 03) já havia decorrido mais de 5 anos a contar das citadas competências (01/2009 e 02/2009). Por força da decadência, as exigências contidas no Levantamento I - PLR, referentes às competências 01/2009 a 07/2009, devem ser julgadas improcedentes. Consequentemente, devem ser exonerados do auto de infração de DEBCAD nº 51.052.387- 0 os seguintes valores de contribuições lançadas, juntamente com os acréscimos legais aplicados sobre elas (juros e multa de ofício de 75%): Já o acórdão recorrido negou provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, no mérito, deu-lhe provimento parcial apenas para exclusão dos valores decorrentes das seguintes verbas: (a) aviso prévio indenizado; e (b) os valores pagos a título de aluguéis, nos termos do voto do relator; (c) a exclusão da PLR 2010 e da sua Parcela Adicional. Confira-se o dispositivo do Acórdão Recorrido: Acordam os membros do Colegiado, I) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício; II) com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recuso, para a exclusão dos valores decorrentes do aviso prévio indenizado; III) ainda com relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para a exclusão da PLR 2010 e da sua Parcela Adicional. Vencido o Conselheiro Kleber que negava provimento com relação à Parcela Adicional do PLR 2010. Fl. 1487DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 Como se vê, portanto, salvo os valores cuja exigência foi afastada em razão da decadência, o acórdão recorrido manteve o lançamento referente ao PLR 2009, ficando delimitado o alcance do recurso a essa parcela. Quanto ao mérito, a respeito da necessidade de pactuação prévia, não há dúvida de que a Carta Magna delegou à lei a atribuição de definir as regras acerca da participação nos lucros ou resultados, o que foi feito por meio da Lei nº 10.101, de 2001, que assim determina: "Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." (grifei) Do conjunto de regras acima estabelecidas, deduz-se que o cumprimento do §1º, do art. 2º, ou seja, o estabelecimento de regras claras e objetivas, bem como de mecanismos de aferição, e principalmente a fixação prévia de metas e resultados, requer que o pacto ocorra antes do início do exercício a que se refere, do contrário os empregados sequer saberiam o quanto teriam de se esforçar, e qual seria a compensação por esse esforço. Note-se que a expressão "pactuados previamente" é inequívoca: o pacto deve ser feito antes da implementação do programa e do seu pagamento; primeiro se negocia e estabelece os parâmetros do programa, depois se realiza as aferições, etc e o consequente pagamento. É óbvio, portanto, que pagamentos a título de PLR realizados antes da formalização do acordo não atendem ao requisito da pactuação prévia. E nem se diga que os empregados conheciam os termos do acordo, que o programa repetia regras de programas anteriores, pois cada programa deve ser analisado ser analisado individualmente e com base nos instrumentos formais que o constituem. A jurisprudência deste Conselho é firme nesse sentido. Cito como exemplo recente julgado, de 22 de setembro de 2021, Acórdão nº 9202-009.903, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, a saber: PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (plr). ASSINATURA DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE AFERIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Constitui requisito legal que as regras do acordo da PLR sejam estabelecidas previamente, de sorte que os acordos discutidos e firmados após o inicio do período de aferição acarretam a inclusão dos respectivos pagamentos no salário de contribuição. Fl. 1488DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 Obviamente que no momento em que o pagamento de PLR foi efetuado, já haviam ocorrido as variáveis que determinaram o lucro e os resultados obtidos pela empresa, sem qualquer possibilidade de aferição acerca do alcance de eventuais metas. Sobre a segunda matéria - PLR - Diretores não empregados - conforme relatório, discute-se a incidência de contribuição sobre parcela correspondente a PLR para Diretores Estatutários. A questão não é nova neste Colegiado, que a enfrentou por diversas vezes. O fundamento da autuação foi o de que a Lei nº 10.101, de 2000 contempla apenas os segurados empregados e, portanto, os pagamentos feitos a diretores não empregados estariam incluídos do conceito de salário-de-contribuição, ou, dito de outro modo, não estariam excluídos do conceito. De fato, para os contribuintes individuais, categoria na qual se enquadram os diretores não empregados, a definição de salário-de-contribuição é a seguinte: Art.28. Entende- se por salário-de- contribuição: [...] III – para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; O art. 22, III, da Lei nº 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 9.876, de 1.999, por sua vez, trata da contribuição patronal aobre a remuneração dos contribuintes individuais, nos seguintes termos: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III – vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). O art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212, de 1991, estabelece as hipóteses de exclusão do conceito de salário-de-contribuição, e especificamente quanto à Participação nos Lucros e Resultados, remete a lei específica. Confira-se: Art. 28 (...) [...] § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; E é a Lei nº 10.101, de 2001 que disciplina a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa. Note-se: dos trabalhadores, dos empregados, não dos diretores. E não se diga que a lei específica que disciplina a participação nos lucros e resultados de diretores é a Lei nº 6.404, de 1.976. A participação dos administradores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei nº 6.404/1976, não se confunde com a participação dos empregados nos lucros/resultados da empresa prevista na Lei nº 10.101/2000. São coisas distintas. Primeiramente, a participação prevista no § 1º, do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976, é restrita aos Fl. 1489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 administradores das sociedades anônimas, enquanto que a participação prevista na Lei nº 10.101/2000 é devida pelas empresas a todos os seus empregados; depois, a legislação previdenciária exclui da incidência das contribuições sociais previdenciárias somente a participação dos empregados nos lucros/resultados da empresa paga em conformidade com a Lei nº 10.101/2000, que contempla apenas os segurados-empregados. No caso de Sociedades Anônimas, a remuneração dos administradores pode ser o “pro labore”, ou a participação nos lucros, conforme dispuser o estatuto social. A participação nos lucros é forma de remuneração pelo trabalho, conforme reza expressamente o art. 152, da Lei nº 6.404, de 1.976. Confira-se: Art. 152. A assembleia-geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. (destaquei) Esse dispositivo trata das formas de remuneração dos administradores e nada diz sobre a inclusão ou não da Participação nos Lucros e Resultados do conceito de salário-de- contribuição, matéria tratada por norma especial. Ora, como vimos, o art. 28, § 9º, “j”, da Lei nº 8.212, de 1.991 condiciona a exclusão dos pagamentos a título de PLR do conceito de salário-de-contribuição à observância da lei disciplinadora do benefício, que é a Lei nº 10.101, de 2001, conversão, após sucessivas reedições, da Medida Provisória nº 794, de 1994. É claro, portanto, que o pagamento da PLR e as condições para sua inclusão ou exclusão do conceito de salário-de-contribuição são dadas pela norma que disciplinam o dispositivo e não por qualquer outra, como a Lei nº 6.404, de 1.976, como quer a Recorrente. É que, vale repetir, os pagamentos feitos a título de Participação nos Lucros e Resultados feita aos diretores não empregados não é foram de remuneração do capital, mas do trabalho, portanto, possui natureza remuneratória. Como referido acima, essa matéria já foi enfrentada por este Colegiado em diversas oportunidades. Como exemplo, cito o Acórdão nº 9202-007.609, proferido na Sessão de 26 de fevereiro de 2019, de Relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, assim ementada, no ponto: PLR. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 EM DA LEI 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados. Fl. 1490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. Não merece ser acolhida, portanto, a pretensão da Recorrente quanto a esta matéria. Finalmente, sobre a outra matéria - Juros de mora sobre multa de ofício - a questão está pacificada no âmbito deste Conselho que editou a Súmula nº 108. Confira-se: Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. A situação aqui tratada amolda-se perfeitamente ao caso, devendo ser aplicada a súmula, o que impõe o não provimento do recurso também quanto a esta matéria. Ante o exposto, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e, no mérito, dou- lhe provimento; e conheço do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso – Redator Designado 01 – Pedi vista na sessão anterior uma vez que foi levantada na tribuna virtual argumentos bem ponderados e em memoriais relativo à não similitude fática dos paradigmas Ac. 9202-004.342 e nº 2302-002.844 juntados pela Fazenda Nacional em sua peça recursal e que foram admitidos pela decisão de agravo datada de 31/10/2017. 02 – Contudo, após melhor avaliação da decisão recorrida e dos paradigmas entendo pelo não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, diante das ponderações da decisão recorrida que no meu entender com base no conjunto probatório reconheceu que os valores que teriam sido pagos em periodicidade acima da Lei, na realidade eram complementos dos valores do principal, verbis: 23. Segundo a autoridade lançadora, a empresa realizou o pagamento da PLR em 3 (três) parcelas, em desacordo com o § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, e conflitando com o estipulado na própria CCT 2008 (Anexo 1, fls. 236/240). 23.1 A fim de manter fidelidade com os termos da acusação fiscal, reproduzo o item 3.1.4 do Relatório Fiscal, "in verbis" (fls. 225): 3.1.8 Foram verificados na folha de pagamento de 11/2008, 12/2008 e 01/2009 pagamentos referentes a primeira parcela da PLR, rubrica 505 - antecipação PLR. Na segunda parcela, conforme a CCT 2008, deveriam ser pagos a PLR e o adicional de PLR até 02/03/2009. Foram verificados pagamentos referentes a PLR (rubrica Fl. 1491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 980) em 02/2009 e 04/2009 e valores referentes ao adicional de PLR (rubrica 985) em 06/2009 para uma parte dos empregados e em 07/2009 para a outra parte. Portanto os pagamentos foram efetuados em 3 (três) parcelas. 24. Em contraponto aos termos acusatórios, a recorrente advoga que os pagamentos nos meses de jun/2009 e jul/2009, sob a rubrica "985 - Adicional de PLR", configura tão somente um complemento da segunda parcela e não caracteriza a existência de pagamento autônomo. 24.1 De acordo com o convencionado na CCT 2008, a segunda parcela era bipartida em duas rubricas: "980 - PLR" e "985 - Adicional de PLR", as quais deveriam ser apuradas com base em metodologias de cálculo distintas. O pagamento da segunda parcela, em fev/2009, deuse apenas com relação à rubrica "980 PLR"; a parte inadimplida, representada pelo adicional a ser pago sob a rubrica "985 - Adicional de PLR", foi quitada nos meses de jun/2009 e jul/2009. 24.2 A extemporaneidade do pagamento do adicional de PLR foi motivada, segundo a petição recursal, pelo fato de o cálculo da parcela assentar-se em bases complexas, utilizando-se do cotejamento de lucros da empresa, cujos resultados foram objeto de reavaliação contábil e de contínuo diálogo com as entidades sindicais representantes dos trabalhadores. (...) omissis 29. Nessa linha de pensamento, e com base no exame do conjunto probatório carreado aos autos pelas partes, assiste razão à recorrente quando afirma que os pagamentos realizados nos meses de jun/2009 e jul/2009 não descaracterizam a natureza jurídica da PLR com base na CCT 2008. 30. A PLR devida aos trabalhadores, segundo a CCT 2008, é composta de duas partes, ambas com pagamento previsto até 2/3/2009, utilizando de metodologias de apuração distintas (fls. 156/165). 30.1 Uma parte da PLR, conforme Cláusula Primeira, corresponde ao valor que chamaremos de "ordinário", calculado a partir de um percentual incidente sobre a remuneração mensal do trabalhador, mais uma quantia fixa, respeitado, no conjunto, um limite máximo, igual a R$ 6.301,00 (seis mil trezentos e um reais). 30.2 Já quanto ao adicional da PLR, previsto na Cláusula Terceira da CCT 2008, sua apuração é feita em função de um percentual incidente sobre o crescimento do lucro líquido 2008/2007, com divisão do montante em partes iguais entre os segurados empregados, observado um limite individual. 31. Voltando-se os olhos para o Anexo 1, planilha elaborada pela autoridade fiscal para mostrar os pagamentos efetuados pela recorrente, observa-se que: (i) a segunda parcela, foi paga em valores variáveis, porém limitada ao montante de R$ 6.301,00, nos meses de 02/2009 ou 04/2009, conforme o beneficiário (rubrica 980 PLR); e (ii) a terceira parcela, foi paga em valores fixos, iguais a R$ 500,00 (quinhentos reais), ressalvados os casos de proporcionalidade em razão dos meses trabalhados, nos meses de 06/2009 ou 07/2009, conforme o trabalhador (rubrica 985 - Adicional PLR). 32. A fim de demonstrar que os pagamentos de 06/2009 e 07/2009 referem-se ao adicional da PLR 2008, o qual deixou de ser adimplido pela empresa na época inicialmente acordada, a recorrente trouxe aos autos cópias de correspondências mantidas com as representações sindicais (Contraf e Contec), em que há a cobrança do pagamento do adicional previsto na CCT 2008, assim como as justificativas da empresa para o atraso na quitação dos valores devidos aos trabalhadores (fls. 791/798). 33. Por sua vez, conforme registra o Relatório Fiscal, a CCT 2008 estabeleceu o pagamento da participação nos lucros ou resultados em duas parcelas: a Fl. 1492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 antecipação do valor ordinário e do respectivo adicional da PLR, até 10/11/2008, e o pagamento da parcela final, equivalente a PLR e do seu complemento, até 2/3/2009 (item 3.1.3, às fls. 224). A autoridade lançadora não faz alusão à existência de quaisquer aspectos que neguem validade ao instrumento de negociação efetivado entre as partes. 33.1 É de se admitir, portanto, a higidez da convenção coletiva no que tange à estipulação das regras de periodicidade dos pagamentos, constituindo a irregularidade apontada pela autoridade lançadora, quanto ao número de pagamentos, um problema exclusivo da execução da CCT 2008. 34. Contudo, tal falha na execução da CCT 2008, que considero uma situação excepcional, após avaliado o caso concreto, não possui o condão de alterar a natureza dos valores pagos em jun/2009 e jul/2009 para fazer incidir a tributação da contribuição previdenciária, assim como as contribuições reflexas devidas a terceiros. 35. É nítido, pelo conjunto probatório, que os pagamentos realizados em 06/2009 e 07/2009 não representam parcelas autônomas de PLR, de modo a tipificar uma incompatibilidade com os termos negociados e pactuados mediante a CCT 2008. 35.1 Os valores pagos em 06/2009 e 07/2009, embora extemporâneos, integram a segunda parcela prevista na CCT 2008, a qual foi paga incompleta em 02/2009 ou 04/2009, correspondendo a pagamento de saldo remanescente. 36. Além disso, não há elementos que apontem para a sua utilização com o propósito de substituição ou complementação da remuneração devida ao segurado empregado naqueles meses. 37. Enxergo, desse modo, que os pagamentos em 06/2009 e 07/2009 não representam desrespeito ao comando previsto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000. 38. Em consequência, estão conforme a sistemática legal de desoneração tributária, atendendo aos pressupostos normativos contidos no § 2º do art. 22 e na alínea "j" do § 9º do art. 28, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, abaixo reproduzidos: 03 – Entendo que no caso, para o conhecimento do recurso haveria a necessidade de paradigma no mesmo sentido, avaliando ao menos o conjunto probatório similar e valorando a prova de forma contrária ao que exposto no voto recorrido. 04 – Pela análise do Ac. 9202-004.342 entendo que ele sequer entra nesse mérito tratando de forma bem objetiva a respeito da questão da falta de periodicidade. 05 – Em relação ao Ac. nº 2302-002.844 entendo que é que o mais se aproxima da questão quanto ao conhecimento quando trata verbis: Relatório A recorrente foi intimada do acórdão em 03 de janeiro de 2013 (fls. 221), tendo apresentado, em 01 de fevereiro de 2013, o Recurso Voluntário de fls. 225/244, no qual, reprisando parte dos argumentos da defesa, alega, em apertada síntese, que: * Quanto aos fatos, descreve que promoveu pagamentos a título de PLR para seus empregados, nos anos-calendário de 2007 e 2008, em duas parcelas anuais, nos meses de junho e dezembro, cada qual referente a um semestre civil. Além disso, pagou ainda a parcela denominada “Adicional”, que corresponde a 8% (oito por cento) da variação em valor absoluto do crescimento do lucro líquido do exercício, em relação ao lucro líquido do exercício anterior, dividido entre os seus empregados em partes iguais, com limite individual de R$ 1.800,00 (um mil e oitocentos reais). Este “Adicional”, por força de Convenções Coletivas de Trabalho – CCT´s realizadas nos meses de outubro de 2007 e novembro de 2008, foi Fl. 1493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 parcialmente antecipado aos empregados. Em suma, cada funcionário recebeu dois pagamentos anuais a título de PLR e um pagamento referente à antecipação do “Adicional”. Diante de tal situação, entende equivocado o lançamento e a decisão a quo, pois o modo como foram “operacionalizados, por força das CCT´s, não alteraria sua natureza * Ademais, ainda que se reconheça a irregularidade, a lei não estabelece consequência para tal fato. Para sustentar tal entendimento, cita a Orientação Jurisprudencial Transitória – SDI-I n° 73, do Colendo Tribunal Superior do Trabalho; * Suscita ainda que eventual reconhecimento da irregularidade do adiantamento do referido “Adicional” não teria o condão desnaturar todas as parcelas pagas a título de PLR;” (...) omissis Voto No caso concreto, o objeto da discórdia cinge-se à incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os pagamentos título de Participação nos Lucros, vez que efetuados em três ocasiões durante um mesmo ano civil. Sustenta a autoridade fiscal e a decisão a quo que houve ofensa ao parágrafo segundo do artigo 3° da referida lei regulamentadora do instituto, a qual veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores (...) mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, descumprida a periodicidade dos pagamentos, a verba perderia a natureza jurídica de direito social insuscetível de tributação previdenciária. Por outro lado, defende a recorrente que o modo como os pagamentos foram “operacionalizados, por força das CCT´s, não alteraria sua natureza jurídica”. Acrescenta também que não houve previsão de consequência legal para o descumprimento da periodicidade. Em que pese a argúcia dos argumentos da recorrente, entendemos que, em razão da clareza do texto constitucional, que condiciona a desvinculação da parcela da remuneração aos termos da lei, qualquer ofensa aos condicionamentos normativos tem o condão de desnaturar seus pagamentos. E isso ocorre até porque a regra é a integração de todas as parcelas pagas à remuneração. É só estarmos atentos ao conceito de salário-de-contribuição: artigo 28, I, da Lei n° 8.212/91. Portanto, a exceção é a desvinculação e, a regra, a vinculação do pagamento à remuneração.” 06 – Mesmo que considerássemos que tais pontos se aproximam de eventual discussão sobre o tema, entendo que no caso, o paradigma sequer tratou da questão da prova uma vez que a decisão fundamenta que muito do contexto da defesa apresentada no caso, fora com base na “argúcia dos argumento da recorrente”, e entendeu que não houve a comprovação por parte do contribuinte. 07 - Ao contrário do caso concreto em que a C. Turma Ordinária se debruçou sobre as provas carreadas aos autos e decidiu pela comprovação da excepcionalidade do assunto afastando a exigência fiscal. 08 – No caso, entendo que para a análise do mérito seria necessário a revisão da prova, sendo que no caso a Turma Ordinária é soberana nesse aspecto, salvo em raras exceções quanto a valoração da prova, contudo não é o caso dos autos. Fl. 1494DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 9202-010.029 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.722577/2012-46 09 – Portanto, pedindo vênia ao I. Relator, não conheço do recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1495DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.001682/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA –DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO – APLICAÇÃO DE MULTA
Consiste em descumprimento de obrigação acessória punível com multa, a empresa deixar de arrecadar a contribuição previdenciária dos segurados a seu serviço
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
MULTA – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – INAPLICABILIDADE
A multa pelo descumprimento da obrigação acessória de não efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados não sofreu qualquer alteração para que se pudesse falar em aplicação retroativa da lei mais benéfica
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.746
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA –DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO – APLICAÇÃO DE MULTA Consiste em descumprimento de obrigação acessória punível com multa, a empresa deixar de arrecadar a contribuição previdenciária dos segurados a seu serviço CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara MULTA – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – INAPLICABILIDADE A multa pelo descumprimento da obrigação acessória de não efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados não sofreu qualquer alteração para que se pudesse falar em aplicação retroativa da lei mais benéfica Recurso Voluntário Negado.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001682/200942 Acórdão n.º 2402002.746 S2C4T2 Fl. 154 3 Relatório Tratase de infração ao disposto na Lei nº 8.212/1991, art. 30, inciso I, alínea ‘a’, na Lei nº 10.666/2003, art. 4º, caput e no Decreto nº 3.048/1999, art. 216, inciso I, alínea ‘a’, que consiste em a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 60), empresa deixou de arrecadar mediante desconto das remunerações as contribuições dos segurados contribuintes individuais sobre serviços prestados diversos, dos sócios sobre pro labore e dos empregados sobre: Vale transporte pago em dinheiro, ganho eventual/abono, comissões, serviços diversos, horas extras, diferenças sobre a remuneração total percebida por cargos diferentes na mesma filial ou mesmo cargo em filiais diferentes; Salário, abono, férias, comissões, décimo terceiro pagos a segurados caracterizados como empregados que preenchiam todos os requisitos de pessoalidade, não eventualidade, subordinação e remuneração. Tais segurados foram remunerados mensalmente sob a forma de salário e estavam subordinados diretamente ao sócio JAIR EDISON SANZONE. São eles: 1) Antonio Paulo dos Santos responsável por todos os serviços que lhe forem apontados, dentre outras, as seguintes atividades: a) acompanhamento e suporte, Depto Financeiro e Administrativo, Depto Técnico e Depto. Jurídico; b) Conciliação e controle de contas a pagar e receber; c) Responsável pela filial Ribeirão Preto SP 2) Ricardo Aparecido Cirillo responsável por todos os serviços que lhe forem apontados, dentre outras, as seguintes atividades: a) acompanhamento e suporte, Depto Jornalismo e Depto. Financeiro e Administrativo e Depto Artístico. b) Conciliação e controle de contas a pagar e receber; c) Gerenciamento da filial São José do Rio Preto SP 3) Braulio dos Santos Neto responsável por todos os serviços que lhe forem apontados, dentre outras, as seguintes atividades: a) Relações públicas; Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 b) Acompanhamento Processos Jurídicos da Sede e das Filiais É informada a inexistência de circunstâncias agravantes. A autuada teve ciência do lançamento em 01/06/2009 e apresentou defesa (fls. 87/105), onde alega cerceamento de defesa em face da entrega, por parte da auditoria fiscal de diversos documentos (extratos), os quais verificase tratarse de meras planilhas, o que, sem dúvida, prejudica a possibilidade de conhecer os fatos que embasam a autuação, e, conseqüentemente sua defesa. Solicita a aplicação do princípio da retroatividade benigna no que tange à multa em face das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449/2008. No julgamento de primeira instância o lançamento foi mantido pelo Acórdão nº 1624610 da 12ª Turma da DRJ/São Paulo I. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 132/150), onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001682/200942 Acórdão n.º 2402002.746 S2C4T2 Fl. 155 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega cerceamento de defesa em face da entrega, por parte da auditoria fiscal de diversos documentos (extratos), os quais entendeu tratarse de meras planilhas, impossibilitandoa de conhecer os fatos que embasaram a autuação e, conseqüentemente, sua defesa. Verificase que a alegação é desprovida de fundamento. A autuação ocorreu pelo fato de a recorrente haver deixado de arrecadar contribuições previdenciárias de segurados a seu serviço e os dispositivos legais que contém tal obrigação acessória bem como aqueles que disciplinam a penalidade aplicada em caso de descumprimento foram devidamente informados à recorrente. O Relatório Fiscal da Infração informa com clareza quais os fatos geradores apurados cujos descontos não foram efetuados pela recorrente. O que a recorrente chama de meras planilhas são anexos ao Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 07 (fls. 34), onde a auditoria fiscal intima o contribuinte a declarar em GFIPs relativa ao ano 2004, bem como adicionar às folhas de pagamento, os fatos geradores constantes das citadas planilhas, sob pena de autuação O TIF mencionado foi emitido no decorrer da ação fiscal e a cópia deste foi anexada aos autos, tal qual os demais TIF e outros documentos relativos à ação fiscal. O objetivo da emissão do TIF nº 07 foi oportunizar ao contribuinte a correção das faltas correspondentes à não inclusão dos fatos geradores em GFIP e na folha de pagamento, o que não ocorreu. Assim, as planilhas em questão referemse às relações de pagamentos efetuados segurado a segurado, por competência, data e origem de tais pagamentos. Além disso, foram observados todos os prazos legais estabelecidos para manifestação por parte do contribuinte. Assim, a preliminar de cerceamento de defesa deve ser rejeitada. Quanto à solicitação de que seja aplicado o princípio da retroatividade benigna no que tange à multa em face das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449/2008, melhor sorte não cabe à recorrente. De fato, a MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009 efetuou alteração no cálculo da multa de algumas obrigações acessórias, especialmente àquelas relacionadas à GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 No entanto, com relação à obrigação acessória em referência, não houve qualquer modificação nos dispositivos legais que amparam a aplicação da multa em caso de descumprimento, quais sejam, Lei n. 8.212/1991, art. 92 e art. 102 e Decreto nº 3.048/1999 art. 283, inciso I, alínea “g” e art. 373. Lei nº 8212/1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social Decreto nº 3.048/1999 Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: Ia partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: (...) g)deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (...) Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assim, não há que se acolher tal alegação. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001682/200942 Acórdão n.º 2402002.746 S2C4T2 Fl. 156 7 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11080.006309/2009-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1103-000.050
Decisão: acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Processo nº 11080.006309/200923 Resolução n.º 110300.050 S1C1T3 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1030.052/2011 (fls. 767), da 1ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS. O contexto de fato do lançamento foi assim pormenorizado no relatório da decisão contestada: “O contribuinte, acima identificado, foi excluído Simples – Sistema Integrado de Pagamento dos Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – pelo Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 064, de 18 de setembro de 2009 (fls. 53), em decorrência da prática reiterada de infração à legislação tributária, omissão de receitas no anocalendário de 2006, pois a receita declarada na DIPJ SIMPLES (fls. 31/43) foi de R$ 377.156,79, enquanto a receita escriturada no Movimento de Caixa (fls. 44/51) foi de R$ 4.913.367,41 e a receita escriturada no Livro Registro de Saídas (fls. 31/43) foi de R$ 5.406.264,73, conforme apontado na Representação Fiscal para Exclusão do Simples (fls. 02/07). Em decorrência da exclusão do Simples foram lavrados os autos de infração (i) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – de folhas 57/63, (ii) da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS – de folhas 75/81, (iii) da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS – de folhas 93/99, e (iv) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL – de folhas 111/117. O total do crédito tributário lançado atingiu o montante de R$ 2.195.404,50. Segundo o “Relatório de Ação Fiscal” de folhas 130/139, além das infrações apontadas na Representação Fiscal para Exclusão do Simples, o contribuinte, atendendo intimação (fls. 204), apresentou extratos da movimentação financeira (fls. 209/533) dos quais foram apurados valores que comprovam que na escrituração do Livro Caixa foi omitida toda a movimentação bancária dos anoscalendário de 2006 e 2007. É relatado que a movimentação financeira do anocalendário de 2006 é compatível com as receitas escrituradas no Livro Registro de Saídas do ICMS. A receita escriturada no referido Livro foi de R$ 5.406.264,73 (fls. 31/43) e o valor declarado na DIPJ – Simples foi de R$ 377.156,79, resultando num valor omitido de R$ 5.029.107,94, conforme quadro demonstrativo de folhas 06. Por outro lado, no anocalendário de 2007 o contribuinte não apresentou a DIPJ espontaneamente. A movimentação bancária atingiu o montante de R$ 6.739.612,27, enquanto as vendas escrituradas no livro Registro de Saídas (fls. 166/193) e no Livro movimento de Caixa (fls. 194/203) foram de R$ 4.864.504,78. Os valores relativos à movimentação bancária referemse aos depósitos em dinheiro ou cheque, depósito on line, cobrança, TEDs, DOCS e transferências de terceiros, excluídas as operações cuja origem foi identificada como sendo liberação de crédito bancário e transferência entre contas do próprio contribuinte. O Contribuinte foi intimado (fls. 534) a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias no ano de 2007, conforme relação de folhas 535/559. O contribuinte apresentou relação de notas fiscais, conforme Livro Registro de Saídas, como origem dos recursos depositados nas contas correntes, o que foi aceito pela fiscalização, que considerou o montante de R$ 4.864.504,78 como comprovado e o restante da movimentação bancária (R$ 2.295.949,98) como receita de origem não comprovada, conforme planilha de folhas 142. Processo nº 11080.006309/200923 Resolução n.º 110300.050 S1C1T3 Fl. 3 3 O contribuinte havia apresentado a declaração de rendimentos do anocalendário de 2006 pela modalidade Simples (fls. 08/25). No anocalendário de 2007 optou pelo Lucro Presumido ao efetuar o recolhimento relativo a três competências (fls. 146). Em razão das irregularidades verificadas na escrita fiscal, falta de registro de toda a movimentação bancária, o que não permite identificar a efetiva movimentação financeira ocorrida nos anos de 2006 e 2006, foi arbitrado o lucro com base nos arts. 530 e 532 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. A apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL está demonstrada na planilha de folhas 140. A apuração do PIS/Pasep e da Cofins foi efetuada na modalidade cumulativa. Os recolhimentos efetuados na modalidade Simples, referentes ao anocalendário de 2006, foram compensados, conforme demonstrado às folhas 144. Foi aplicada a multa de ofício de 150%, conforme previsto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, pois a conduta adotada pelo contribuinte de declarar receitas, no ano calendário de 2006, inferiores à receita efetivamente auferida, nada declarar no ano calendário de 2007 e não declarar nenhum débito em DCTF, demonstra o intuito doloso reduzir o valor do tributo devido à Fazenda Pública, o que remete ao disposto no art. 71, inc. I, da lei nº 4.502, de 1964. Em relação às receitas declaradas na DIPJ Simples do anocalendário de 2006, foi aplicada a multa de ofício de 75%, tendo em vista a exclusão do Simples e o arbitramento do Lucro. Também foi aplicada a multa de 75% sobre os valores decorrentes da infração depósitos bancários de origem não comprovada, tendo em vista tratarse de presunção de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 632/640 manifestando seu inconformismo em relação às multas de ofício, aplicadas nos percentuais de 75% e 150%, e informando que efetuou o parcelamento dos demais valores. (...) O crédito tributário não impugnado foi transferido para o Processo Administrativo nº 11012000.227/201012, conforme documentos de folhas 750 a 765.” A turma de primeira instância julgou o lançamento procedente, por unanimidade, assim resumindo a decisão: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006, 2007 LANÇAMENTO. VINCULAÇÃO A atividade administrativa de lançamento de crédito tributário é vinculada, e obrigatória, o que impede o julgador de levar em consideração as condições particulares do sujeito passivo e analisar questões sobre a legalidade ou inconstitucionalidade das normas legais.” Cientificada da decisão em 21/03/2011, a contribuinte interpôs o recurso no dia 13 do mês seguinte (fls. 780), alegando: Processo nº 11080.006309/200923 Resolução n.º 110300.050 S1C1T3 Fl. 4 4 a inclusão dos valores no Refis, inclusive multa, teria por conseqüência redução da multa; teria havido concomitância de multas (75% e 150%) sobre o mesmo fato gerador; o percentual de multa estaria limitado a 20% segundo prescreve o art. 59 da Lei 8.383/1991. A aplicação de percentual superior caracterizaria confisco. Também afirmou que a turma recorrida não teria se manifestado acerca da redução da multa em razão da inclusão no Refis, o que seria obrigatório por se tratar de matéria de ordem pública. É o relatório. Processo nº 11080.006309/200923 Resolução n.º 110300.050 S1C1T3 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva O recurso é tempestivo e foi apresentado por parte legítima, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme relatado, o litígio está restrito às multas aplicadas. No recurso, a contribuinte alegou ter parcelado todos os valores, inclusive as multas (fls. 782). Entre as peças digitalizadas dos autos que me foram repassadas para exame, constantes do sistema “eprocesso” da Receita Federal, encontrase o “Recibo de pedido de parcelamento da Lei 11.941/2009”, expedido em 24/11/2009. Entretanto, o referido recibo não contém especificação dos valores parcelados. Nada mais encontrei nos autos que contivesse informação precisa a respeito do alegado parcelamento das multas. Assim, tendo em vista a necessidade de identificação dos limites da lide, os autos devem retornar à unidade de origem para elaboração de relatório no qual se informe clara e objetivamente quais valores foram efetivamente abrangidos pelo parcelamento alegado pela recorrente e se as multas foram incluídas. Cópia do referido relatório deve ser fornecida à recorrente acompanhado de prazo de 30 (trinta) dias para que se pronuncie sobre as conclusões, após o que o processo deverá retornar a este Conselho. Cópia desta resolução também deve ser entregue à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital)
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Numero do processo: 11516.003426/2006-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1103-000.072
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Processo nº 11516.003426/200625 Resolução n.º 110300.072 S1C1T3 Fl. 336 2 Relatório Tratase de análise de PER/DCOMP transmitidos entre 07/11/03 e 07/01/04, discriminados pela Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF Florianópolis às fls.01 e 99, em que se informou como direito creditório saldo negativo de IRPJ, apurado no ano calendário 1998. De acordo com Informação Fiscal e Despacho decisório (fls.99/107), cientificado ao contribuinte em 17/01/07 (fl.140), reconheceuse parcialmente o direito pleiteado em razão dos seguintes fundamentos, in verbis: “(...) Nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro as estimativas mensais foram pagas em DARF, e os recolhimentos estão confirmados no Sistema SINAL09 (fl.76). Os recolhimentos em DARF têm o montante de R$ 4.665.285,92. O contribuinte transmitiu três Declarações de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ relativas ao anocalendário 1998. A declaração original foi cancelada, existem duas retificadoras. O saldo negativo apurado na retificadora mais recente, transmitida em 2006, confere com o solicitado na DCOMP, entretanto não leva em conta um dos pagamentos por estimativa, no valor de R$482.845,25, referente ao mês de dezembro. Na 1ª retificadora esse pagamento foi incluído no montante das estimativas recolhidas e a apuração do saldo negativo incluía o pagamento de dezembro. Assim, na 1ª retificadora as estimativas pagas tinham o montante de R$7.395.114,04 e o saldo negativo resultou em R$3.754.551,70. Na 2ª retificadora foi excluído o pagamento de dezembro, informado estimativas pagas no montante de R$ 6.912.268,79 e apurado saldo negativo de R$ 3.271.706,45. O contribuinte transmitiu duas DCOMP utilizando o DARF relativo à competência dezembro como pagamento indevido. Esse pagamento, no valor de R$482.845,25, é devido, o débito consta da DCTF entregue. O valor pago será considerado como parte das estimativas mensais recolhidas e incluído no montante do saldo negativo a ser apurado. As respectivas DCOMP, por conseqüência, serão trabalhadas neste processo. Conforme a DIPJ, o saldo negativo apurado no ajuste anual decorre do excesso das estimativas mensais sobre o imposto devido no ano calendário. As estimativas mensais por sua vez foram quitadas parte com recolhimentos em DARF, parte por compensação com saldo negativo de período anterior, conforme já mencionado, e ainda uma parte por intermédio de outras compensações. Nos meses de agosto (R$393.342,09), setembro (R$2.533,13) e outubro (R$57.998,82), foi informado na DIPJ que parte da estimativa foi quitada com outras compensações (fls. 69/71, Linha 15 da Ficha 12). Com o intuito de elucidar qual o crédito usado nestas compensações, indicadas como "outras”, foi emitida a Intimação SAORT n° 2006.277, solicitando ao contribuinte que esclarecesse o tipo e origem do crédito usado. Processo nº 11516.003426/200625 Resolução n.º 110300.072 S1C1T3 Fl. 337 3 O contribuinte informou que os valores indicados como "outras compensações” são relativos a retenções na fonte, que deveriam ter sido incluídos na Linha 07 da Ficha 12, mas foram indicados equivocadamente na Linha 15. O contribuinte, entretanto, não apresentou comprovantes de rendimentos para corroborar as deduções com retenções na fonte. Além disso, as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos contêm valores de retenções (R$15.397,59 + R$37.864,86 = R$53.262,45, fl. 94) bem inferiores aos utilizados como dedução na DIPJ (R$393.342,09 + R$2.533,13 + R$57.998,82 = R$453.874,04, fls. 69/71). De acordo com o art. 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985 e art. 87, §2°, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999), o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. O contribuinte não apresentou os comprovantes de rendimentos referentes as retenções na fonte do anocalendário e as DIRF não conferem com os valores utilizados pelo contribuinte. Assim, não serão consideradas as deduções indicadas na DIPJ como "outras compensações”, no montante de R$ 453.874,04. O valor a ser transportado para o ajuste anual como montante pago por estimativa no anocalendário é R$6.941.240,00 (R$2.275.954,08 compensados com saldo negativo de IRPJ do anocalendário anterior e R$4.665.285,92 recolhidos em DARF). Assim chegase ao saldo negativo de IRPJ de R$ 3.300.677,66. O crédito deverá ser acrescido de juros a partir de 01/01/1999, conforme art. 52 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005.” (destaquei) Contra tal decisão, houve interposição de manifestação de inconformidade (fls.141/145), indeferida pela Terceira Turma da DRJ – Florianópolis (SC), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.183/184): RETENÇÃO. COMPROVAÇÃO. UTILIZAÇÃO. REQUISITO. O imposto retido na fonte sobre rendimentos ou ganhos de capital, submetidos à tributação ao final do período de apuração, poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ou outros elementos de provas hábeis a demonstrar que sofreu o ônus da retenção. Devidamente cientificado da decisão em 01/03/2012 (fl.204), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso voluntário em 28/03/2012 (fls.205/220), por meio do qual sustenta, em síntese: os valores registrados na DIPJ (Ficha 12, linha 15), nos meses de agosto, setembro e outubro de 1998, seriam relativos a retenções na fonte, sendo que o INSS apenas reteve a importância de R$265.288,99 a título de IRPJ; Processo nº 11516.003426/200625 Resolução n.º 110300.072 S1C1T3 Fl. 338 4 a seguinte documentação anexada à manifestação de inconformidade e agora, ao recurso voluntário, comprovaria as retenções nos períodos: “a) recibos de pagamento por serviços prestados de arrecadação e de benefícios do INSS de janeiro a dezembro de 1997, totalizando o valor de R$ 5.684.640,62, o que corresponde a retenção na fonte do valor de R$235.912,59; b) recibos de pagamento por serviços prestados de arrecadação e de benefícios do INSS de janeiro a dezembro de 1998, totalizando o valor de R$ 7.644.666,64, o que corresponde a retenção na fonte do valor de R$317.253,67; c) comprovante anual de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de imposto de renda na fonte emitido pela empresa ICATU HARTFORD CAPITALIZAÇÃO, no valor de R$1.304.592,32, o que corresponde a retenção na fonte do valor de R$19.564,38.” os serviços prestados ao INSS, nos anos 1997, 1998 e 1999, teriam sido remunerados na forma do Contrato nº 009, de 01/03/97, Termo Aditivo nº 010, de 02/05/98, Contrato nº 015, de 01/02/99 e Contrato nº 060, de 01/08/99, sempre pelo valor líquido, conforme evidenciado na contabilidade do BESC; embora o INSS retivesse os tributos devidos, não fornecia os comprovantes na forma preconizada pela legislação vigente. Apenas após inúmeras solicitações, disponibilizara as informações sobre as retenções em 1997, conforme Ofícios INSS/01.500.2/465/97 e INSS/01.500.22/284/98, que foram confirmadas no processo nº 11516.003123/200360, após diligência determinada pelo CARF; quanto à retenção do valor de R$92.566,64, a própria DRF/FNS junta aos autos a relação das fontes pagadoras para o BESC nos anoscalendário 1997 e 1998, que não foram consideradas originariamente no ajuste anual do anocalendário 1998, mas que deveria compor o saldo negativo; nos anos 1997 e 1998, as retenções na fonte seriam assim distribuídas: R$19.564,37 (ICATU HARTFORD CAPITALIZAÇÃO), R$553.166,26 (INSS), e R$92.566,64 (terceiros); as retenções realizadas pelo INSS teriam sido empregadas nas compensações das estimativas dos meses de agosto, setembro e outubro de 1998; o saldo negativo ao final do anocalendário 1998 totalizaria R$3.904.540,35; maior em R$149.988,65 ao já declarado; não deveria prevalecer a atualização dos débitos declarados nas DCOMP nº 30244.14013.171203.1.7.027516, 36578.63894.071103.1.3.029186, 11789.53832.071103.1.3.029727 e 32297.09494.071103.1.3.022518, vez que “...correspondiam a fatos geradores anteriores à publicação da IN SRF nº 323, de 24/04/03, que alterou o art.28 da IN SRF nº 210/2002, e passou a determinar a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”; o processo administrativo tributário deve ser regido pelos princípios da verdade material, razoabilidade e não confisco. É o relatório. Processo nº 11516.003426/200625 Resolução n.º 110300.072 S1C1T3 Fl. 339 5 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Conforme relatório supra, o cerne da questão, quanto ao direito creditório, diz respeito à comprovação de retenções na fonte de imposto de renda, empregadas na quitação das estimativas de agosto, setembro e outubro de 1998, que totalizariam R$ 453.874,04. Da DIPJ 99 (fls.69/71), colhemse as seguintes informações: Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda por Estimativa – Inst. Financeiras (R$) DEDUÇÕES Agosto Setembro Outubro 07. () Imposto de renda retido na fonte 0,00 0,00 0,00 COMPENSAÇÕES 15. () Outras 393.342,09 2.533,13 57.998,82 Para o Recorrente, em 1997 e 1998, as retenções teriam sido assim distribuídas, por fonte pagadora: INSS (R$553.166,26), Icatu Hartford Capitalização (R$19.564,37) e outras (R$92.566,64). Quanto às últimas, afirmar que a DRF – Florianópolis (SC), mesmo após têlas confirmado, não as considerou. Em decorrência de tais retenções, o saldo negativo deveria totalizar R$3.904.540,35, superior em R$149.988,65 ao declarado. Vêse que a resolução da controvérsia demanda análise do acervo probatório. Na manifestação de inconformidade foram anexados: 1. Ofícios/INSS/01.500.22/284/98 e 01.500.2/465/97 que se referem a retenções ocorridas entre dezembro/96 e dezembro/97 (fls.148/149); 2. Recibos de Pagamento por Serviços Prestados, emitidos pelo BESC ao INSS, relativos aos períodos de janeiro/97 a dezembro/97 (fls.150/161) e de janeiro/98 a setembro/98 (fls.162/170); 3. Relatório, aparentemente emitido pelo INSS em 17/02/098, sem qualquer assinatura, em que consta a informação de retenções (não é possível saber se a título de IRPJ ou a própria remuneração) – fl.171; 4. Comprovante de rendimentos e retenções na fonte, referentes a 1998, emitidos por Icatu Hartford Capitalização S/A, CNPJ nº 74.267.170/000173 (fl.172). Com o recurso voluntário foram carreados ao autos: 1. Contratos celebrados com o INSS (fls.237/272); 2. Cópias dos livros Diário dos anos 1997, 1998 e 1999 (fls.273/309); 3. Recibos de Pagamento por Serviços Prestados, emitidos pelo BESC ao INSS, relativos aos períodos de outubro/98 a dezembro/98 (fls.319/321) e de janeiro/99 a fevereiro/99 (fls.322/323); Processo nº 11516.003426/200625 Resolução n.º 110300.072 S1C1T3 Fl. 340 6 4. Comprovante de rendimentos e retenções na fonte, referentes a 1998, emitidos por Icatu Hartford Capitalização S/A, CNPJ nº 74.267.170/000173 (fl.324). A fiscalização anexou ao processo, além da DIPJ/99 e PER/DCOMP, uma relação de pagamentos e retenções realizados por diversas fontes pagadoras, extraída do sistema IRF CONSULTA (fl.94), em que o Recorrente consta como beneficiário. Vejamos: Declarantes Rend sem 13 IRF sem 13 Cod Trib Descrição Trib 00.394.460/005887 613.031,64 45.233,82 6188 Financeiras – Retenção em pgto por órgão público 02.558.074/000173 374,93 56,23 5706 IRRF Juros sobre o capital próprio 02.558.144/000193 59,59 8,92 5706 IRRF Juros sobre o capital próprio 76.550.714/000135 2.646.895,28 0,00 3426 IRRF – Aplicações financeiras de renda fixa – pessoa jurídica 02.558.129/000145 244,76 36,71 5706 IRRF Juros sobre o capital próprio 02.558.115/000121 108,71 16,30 5706 IRRF Juros sobre o capital próprio 62.173.620/000180 12.572,53 1.885,88 5706 IRRF Juros sobre o capital próprio 00.336.701/000104 90,44 13,56 5706 IRRF Juros sobre o capital próprio 02.558.132/000169 212,84 31,92 5706 IRRF Juros sobre o capital próprio 34.098.442/000134 46.129,36 691,91 8045 IRRF – Outros rendimentos 74.267.170/000173 384.703,42 5.770,56 1708 IRRF – Remuneração serviços prestados por pessoa jurídica 74.267.170/000173 919.588,90 13.793,82 8045 IRRF – Outros rendimentos 80.647.035/000156 1.019.833,52 15.298,34 8045 IRRF – Outros rendimentos 02.558.157/000162 1.738,11 260,71 5706 IRRF Juros sobre o capital próprio 5.645.597,03 83.111,68 Verificase que na DIPJ 99 (fls.64/75) não foram apuradas bases de cálculo positivas das estimativas de janeiro a junho. Em julho, passou o contribuinte a apurálas com base na receita bruta, sendo que naquele mês o imposto devido foi compensado com saldo negativo de períodos anteriores. Em agosto, setembro e outubro, o imposto devido teria sido compensado com retenções na fonte, que totalizaram R$453.874,04, sendo este o valor controvertido. Em dezembro, apurouse o saldo negativo de R$ 3.271.706,45. Ainda na mesma declaração, constatase não haver informação, inclusive ao final do anocalendário, sobre outras retenções na fonte, além daquelas informadas quando das apurações das estimativas de agosto, setembro e outubro (na apuração ao final do ano, nada foi declarado a título de IRRF). Em sua manifestação de inconformidade, como lembrado no recurso voluntário, o Recorrente afirmou textualmente: “Processo 11516.003426/200625 (IRPJ/1998) INSS: Os valores apresentados na linha 15 da Ficha 12 da DIPJ (outras compensações), relativo a retenções na fonte não foram homologados. No entanto, como provas os documentos anexados, só o INSS reteve R$458.728,88 (4,15%), sendo R$265.288,99 (2,4%) referente à IRPJ. É possível que o INSS tenha declarado alguns desses valores em 1997” Processo nº 11516.003426/200625 Resolução n.º 110300.072 S1C1T3 Fl. 341 7 No recurso voluntário, em decorrência de prova produzida pela Receita Federal, o Recorrente pleiteia também o aproveitamento de imposto de renda retido na fonte além do montante empregado na compensação das estimativas de agosto, setembro e outubro de 1998, o que representaria inovação do pedido no transcorrer do processo administrativo tributário. Especificamente quanto às retenções realizadas pela Icatu Hartford Capitalização S/A (fls.172 e 324), CNPJ nº 74.267.170/000173, o informe de rendimentos acostado aos autos atesta o total de R$ 19.564,18, coincidente com o montante confirmado pela própria fiscalização no sistema IRF CONSULTA: Código 8045 Mês Imposto retido (R$) Janeiro 935,56 Fevereiro 997,05 Março 1.223,45 Abril 1.311,22 Maio 1.379,65 Junho 1.163,31 Julho 1.213,62 Agosto 1.206,50 Setembro 1.246,80 Outubro 1.197,01 Novembro 998,78 Dezembro 920,67 Subtotal 13.793,62 Código 1708 Agosto 1.612,87 Dezembro 4.157,69 Subtotal 5.770,56 Total 19.564,18 O Recorrente ainda afirma que recebera do INSS valores líquidos do IRRF, conforme atestaria sua contabilidade. Isto posto, os documentos e relatos constantes dos autos suscitam dúvidas, principalmente sobre a possibilidade de o Recorrente ter recebido do INSS valores sobre os quais pode ter havido retenções na fonte. Sendo assim, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a) intime o INSS a se pronunciar sobre supostos pagamentos efetuados ao Recorrente durante o anocalendário 1998 e respectivas retenções na fonte. Em caso afirmativo, verificar se os rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação; Processo nº 11516.003426/200625 Resolução n.º 110300.072 S1C1T3 Fl. 342 8 b) adote providências adicionais que possam contribuir para a solução da controvérsia, tendo em vista o que foi relatado neste voto; c) descreva, em relatório circunstanciado, acompanhado das respectivas provas, as constatações decorrentes das intimações e exames realizados; d) cientifique o Recorrente do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro
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Numero do processo: 16327.906383/2010-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 25/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
Os registros em DCTF que vinculem integralmente o valor do pagamento de DARF à quitação de débito tributário anterior impedem o reconhecimento de direito creditório que justifique DCOMP baseada na mesma origem.
É ônus do contribuinte demonstrar, a desdúvidas, não ter alocado o crédito para quitação de outros débitos, tanto quanto apresentar DCTF retificadora e demais documentos contábeis e fiscais que justifiquem a identificação do crédito reclamado e a possível não utilização do mesmo em outros procedimentos compensatórios.
RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IRRF. ÔNUS DA PROVA.
A extinção de crédito tributário instrumentalizada mediante declaração de compensação (DCOMP) demanda do interessado a comprovação dos elementos que justifiquem o aproveitamento do crédito, sendo do contribuinte o ônus probatório de justificar sua origem.
A ausência de comprovação dos créditos indicados em DCOMP importam em denegação do pedido compensatório, por ser do interessado o ônus de apontar e comprovar adequadamente os fatos que autorizam o abatimento de débitos por força da extinção da obrigação tributária.
Nos procedimentos administrativos que demandam a iniciativa do contribuinte para comprovar a existência de créditos objeto de compensação com débitos fiscais, é ônus do próprio interessado demonstrar e provar a materialidade dos fatos que autorizam a concessão do direito reivindicado, tomando ele mesmo a iniciativa de promover a Declaração de Compensação, apresentar documentos comprobatórios - sem prejuízo de posterior complementação - e indicar os débitos suscetíveis à extinção da obrigação tributária reflexa.
Se à administração tributária pertence o ônus de provar, a desdúvidas, os fatos que ensejam a constituição plena do crédito tributário, através de seu lançamento, ao contribuinte incumbe idêntico ônus quanto à demonstração dos elementos comprobatórios do direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 1201-005.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Fredy José Gomes de Albuquerque
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 25/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Os registros em DCTF que vinculem integralmente o valor do pagamento de DARF à quitação de débito tributário anterior impedem o reconhecimento de direito creditório que justifique DCOMP baseada na mesma origem. É ônus do contribuinte demonstrar, a desdúvidas, não ter alocado o crédito para quitação de outros débitos, tanto quanto apresentar DCTF retificadora e demais documentos contábeis e fiscais que justifiquem a identificação do crédito reclamado e a possível não utilização do mesmo em outros procedimentos compensatórios. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IRRF. ÔNUS DA PROVA. A extinção de crédito tributário instrumentalizada mediante declaração de compensação (DCOMP) demanda do interessado a comprovação dos elementos que justifiquem o aproveitamento do crédito, sendo do contribuinte o ônus probatório de justificar sua origem. A ausência de comprovação dos créditos indicados em DCOMP importam em denegação do pedido compensatório, por ser do interessado o ônus de apontar e comprovar adequadamente os fatos que autorizam o abatimento de débitos por força da extinção da obrigação tributária. Nos procedimentos administrativos que demandam a iniciativa do contribuinte para comprovar a existência de créditos objeto de compensação com débitos fiscais, é ônus do próprio interessado demonstrar e provar a materialidade dos fatos que autorizam a concessão do direito reivindicado, tomando ele mesmo a iniciativa de promover a Declaração de Compensação, apresentar documentos comprobatórios - sem prejuízo de posterior complementação - e indicar os débitos suscetíveis à extinção da obrigação tributária reflexa. Se à administração tributária pertence o ônus de provar, a desdúvidas, os fatos que ensejam a constituição plena do crédito tributário, através de seu lançamento, ao contribuinte incumbe idêntico ônus quanto à demonstração dos elementos comprobatórios do direito creditório reclamado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 25/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Os registros em DCTF que vinculem integralmente o valor do pagamento de DARF à quitação de débito tributário anterior impedem o reconhecimento de direito creditório que justifique DCOMP baseada na mesma origem. É ônus do contribuinte demonstrar, a desdúvidas, não ter alocado o crédito para quitação de outros débitos, tanto quanto apresentar DCTF retificadora e demais documentos contábeis e fiscais que justifiquem a identificação do crédito reclamado e a possível não utilização do mesmo em outros procedimentos compensatórios. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IRRF. ÔNUS DA PROVA. A extinção de crédito tributário instrumentalizada mediante declaração de compensação (DCOMP) demanda do interessado a comprovação dos elementos que justifiquem o aproveitamento do crédito, sendo do contribuinte o ônus probatório de justificar sua origem. A ausência de comprovação dos créditos indicados em DCOMP importam em denegação do pedido compensatório, por ser do interessado o ônus de apontar e comprovar adequadamente os fatos que autorizam o abatimento de débitos por força da extinção da obrigação tributária. Nos procedimentos administrativos que demandam a iniciativa do contribuinte para comprovar a existência de créditos objeto de compensação com débitos fiscais, é ônus do próprio interessado demonstrar e provar a materialidade dos fatos que autorizam a concessão do direito reivindicado, tomando ele mesmo a iniciativa de promover a Declaração de Compensação, apresentar documentos comprobatórios - sem prejuízo de posterior complementação - e indicar os débitos suscetíveis à extinção da obrigação tributária reflexa. Se à administração tributária pertence o ônus de provar, a desdúvidas, os fatos que ensejam a constituição plena do crédito tributário, através de seu lançamento, ao contribuinte incumbe idêntico ônus quanto à demonstração dos elementos comprobatórios do direito creditório reclamado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 63 83 /2 01 0- 69 Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.502 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906383/2010-69 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário manejado em face do acórdão nº 0732.679 - 3ª Turma da DRJ/FNS, de 13 de setembro de 2013, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela qual o contribuinte requereu compensação de crédito oriundo de recolhimento a maior de IRRF, referente ao período de apuração encerrado em 25/12/2004. Na decisão que negou a homologação da DCOMP, constam as informações abaixo reproduzidas: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A instância de piso validou e confirmou o despacho decisório denegatório, em decisão assim ementada: COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. REQUISITO. A falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável, acarreta o indeferimento do pedido de compensação/restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. ... Cópia da DCTF retificadora do 4º trimestre de 2004, foi anexada aos autos pela Interessada (f. 28 a 37), e informa que foi transmitida em 26/10/2009, mas constata-se que ela não evidencia a existência de crédito a favor da Interessada. Em consulta aos sistemas corporativos da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, obtém-se as seguintes informações da referida DCTF: Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.502 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906383/2010-69 Como se vê na tela acima, o pagamento do valor principal de R$ 94.164,27 está vinculado a débito de mesmo valor, indicando que inexiste parcela paga a maior. Esta DCTF retificadora é a última apresentada, por isso, perante a RFB o débito tem aquele valor de R$ 94.164,27, não havendo pagamento a maior. É que a DCTF tem valor jurídico de confissão de dívida e constitui instrumento suficiente para inscrição do débito em dívida ativa da União. Deste modo, independentemente de outros elementos de prova que a Interessada possa trazer, verdade é que o pagamento em análise está vinculado completamente a débito devidamente constituído. Não obstante, constata-se que os valores mencionados nos documentos referentes à reclamatória trabalhista não guardam identidade com os valores apontados pela Interessada. Irresignado, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, em que alega que a não homologação da compensação ocorreu por conta de erro por ele mesmo praticado, uma vez que a DCTF original e a retificadora não contemplavam do valor do crédito. Informa que, por equívoco, declarou na DCTF o IRRF com DARF relacionando o débito do período, contudo, tal valor foi recolhido a maior, uma vez que decorre de ação trabalhista, em que foi realizado depósito judicial de importância superior a que efetivamente foi levantada pelo funcionário ao final da ação, tendo o IR-fonte sido recolhido sobre base de cálculo pretensamente superior à devida, convalidando-se o alegado direito creditório reclamado. Assim, alega que o erro no preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento da compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. Penso que não assiste razão à recorrente, porquanto não ter se manifestado sobre a matéria efetivamente controvertida pela DRJ quando do julgamento da manifestação de inconformidade, onde se vê que a ratio decidendi que denegou o direito creditório baseou-se na constatação de que o pagamento do DARF realizado pelo interessado já “ter sido integralmente alocado para a quitação de débito do contribuinte, conforme consignado no Despacho Decisório ora combatido”. Ora, se o montante do crédito extinguiu outro débito, não pode ser utilizado para nova compensação. Essa é a razão da denegação da DCOMP objeto deste processo administrativo e sobre tal fato o contribuinte pretende apresentar novo fundamento, baseado em uma DCTF não retificada, sem qualquer validação de dados perante a administração tributária. Caberia ao contribuinte demonstrar, a desdúvidas, não ter alocado o crédito para quitação de outros débitos, fato que não foi objeto de recurso ou manifestação da parte. Da mesma forma, ao apresentar DCTF retificadora, caberia juntar os demais documentos contábeis e fiscais que justificassem a identificação do crédito e possível não utilização em outros procedimentos compensatórios. Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.502 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906383/2010-69 Outrossim, demonstram-se adequadas as conclusões da instância de piso, ao consignar que o valor recolhido está vinculado a débito de mesmo valor, indicando que inexiste parcela paga a maior. Esta DCTF retificadora é a última apresentada, por isso, perante a RFB o débito tem aquele valor de R$ 94.164,27, não havendo pagamento a maior. É que a DCTF tem valor jurídico de confissão de dívida e constitui instrumento suficiente para inscrição do débito em dívida ativa da União. Deste modo, independentemente de outros elementos de prova que a Interessada possa trazer, verdade é que o pagamento em análise está vinculado completamente a débito devidamente constituído. A ausência de comprovação dos créditos reclamados em DCOMP, que decorram do alegado pagamento indevido de tributos, importam em denegação do pedido compensatório, por ser do interessado o ônus de apontar adequadamente os fatos que autorizam o abatimento de débitos por força da extinção do crédito tributário. Nos procedimentos administrativos que demandam a iniciativa do contribuinte para comprovar a existência de créditos reclamados à compensação com débitos fiscais, é ônus do próprio interessado demonstrar e provar a materialidade dos fatos que autorizam a concessão do direito reivindicado, tomando ele mesmo a iniciativa de promover a Declaração de Compensação, apresentar documentos comprobatórios – sem prejuízo de posterior complementação – e indicar os débitos suscetíveis à extinção da obrigação tributária reflexa. Se à administração tributária pertence o ônus de provar, a desdúvidas, os fatos que ensejam a constituição plena do crédito tributário, através de seu lançamento, ao contribuinte incumbe idêntico ônus quanto à demonstração dos elementos comprobatórios da liquidez e certeza do crédito reclamado, podendo valer-se, inclusive, da escrituração mantida com observância das disposições legais, pois ela “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (art. 9º, § 1º, do Decreto-lei1.598/77). A extinção de crédito tributário pela compensação exige idônea comprovação de elementos de prova que instruam o procedimento iniciado através da DCOMP ou que venham a ser admitidos em momento posterior, inclusive, durante o trâmite do processo administrativo tributário, de sorte que a omissão do contribuinte em apresentar documentos e indicar escrita fiscal que não registre a origem do crédito que diz possuir impede o reconhecimento da compensação. Neste sentido, vê-se precedentes do CARF: PER/DCOMP. DIPJ. COMPROVAÇÃO EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme inteligência da Súmula CARF nº 92, a DIPJ - Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário. O reconhecimento de direito crédito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. Apenas as situações comprovadas de erro material podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento, após prolação de despacho decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015. (Acórdão nº 1003-000.617, Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção, DJ: 29/04/2019) PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. ERRO DE FATO NA DCTF. ÔNUS PROBATÓRIO. Para fundamentar o crédito pleiteado em PER/DComp decorrente Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.502 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.906383/2010-69 de pagamento indevido ou a maior, incumbe ao sujeito passivo juntar elementos probatórios robustos, fundados na escrita comercial/fiscal e nos documentos de lastro, para comprovar o eventual erro de fato no débito declarado em DCTF. A DRJ indicou quais seriam os elementos de prova imprescindíveis para comprovar o alegado erro de fato e, mesmo assim, o contribuinte não os apresentou. (Acórdão nº 1401-004.389, Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção, DJ: 17/06/2020) COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. CARACTERIZAÇÃO DO ERRO. PROVA. OPÇÃO FORMALIZADA DE MODO REGULAR. INALTERABILIDADE. Quando a existência do crédito utilizado em compensação dependa da retificação da DCTF, por erro no preenchimento, é necessário que se comprove que efetivamente existiu o erro alegado e que não se trata de mera opção, pois esta, quando regularmente formalizada, não tem natureza jurídica de erro e vem revestida do atributo da inalterabilidade. (Acórdão nº 1301-004.652, Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção, DJ: 14/07/2020) Todos os elementos constantes dos autos tornam ilegítima a declaração de compensação requestada pelo contribuinte, demonstrando-se adequada a decisão denegatória proferida. DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.006007/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/09/2004 a 31/10/2004
DESISTÊNCIA.
Formalizada a desistência para fins de parcelamento do crédito, o recurso voluntário não deverá ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-002.764
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por desistência.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/09/2004 a 31/10/2004 DESISTÊNCIA. Formalizada a desistência para fins de parcelamento do crédito, o recurso voluntário não deverá ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Formalizada a desistência para fins de parcelamento do crédito, o recurso voluntário não deverá ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por desistência Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.006007/200918 Acórdão n.º 2402002.764 S2C4T2 Fl. 113 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação fiscal lavrada com ciência em 15/12/2009 em razão de a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Segue transcrição do relatório fiscal: Em ação fiscal desenvolvida na empresa acima identificada, para cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.90.002008043093, constatouse que a mesma deixou de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, deixando de atender o disposto na alínea "a", inciso I do artigo 30 da lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, e Lei n° 10.666, de 08/05/2003, art. 4°, "caput", combinado com o artigo 216, inciso I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99. A decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente: INFRAÇÃO. Constitui infração a empresa deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, conforme descrito no artigo 30,1, "a" da Lei 8.212/91 com as alterações posteriores e art. 4o, "caput" da Lei 10.666/03. PRAZO DECADENCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Em se tratando de crédito por descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial, de cinco anos, é regido pelo art. 173,1, do CTN SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EXCLUSÕES LEGAIS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Os pagamentos de verbas em desacordo com as hipóteses taxativas de sua exclusão integram o salário de contribuição e sobre estes valores incidem as contribuições sociais. Artigo 28, I c/c § 9o, letra " j " , da Lei 8.212/91 e art. 214, § 9o, X do Decreto 3.048/99 PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. PRAZO DE DEFESA. O prazo de defesa com a prerrogativa de produção de provas e juntada de documentos é de tinta dias a contar da ciência do lançamento. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte, tendo em vista o § 4o do art. 23 do Decreto 70.235/72. ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação. Ato contínuo o recorrente requereu a desistência de todos os recursos interpostos nos processos originados de autuações e lançamentos na mesma ação fiscal, mas que seja examinada de ofício, para fins de cálculo do montante consolidado para fins de parcelamento, a ocorrência de decadência (fls. 107 do processo nº 19515.006005/2009 11). É o Relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.006007/200918 Acórdão n.º 2402002.764 S2C4T2 Fl. 114 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Em conformidade com o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, não tendo ocorrido a hipótese no §3º do mesmo dispositivo, deve ser homologada a desistência do recurso voluntário: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3° Na hipótese de acórdão passível de recurso pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a desistência de recurso deverá ser precedida de renúncia do requerente ao direito sobre o qual se funda o recurso por ele anteriormente interposto. Quanto à decadência, no caso de desistência do recurso, seu exame e aplicação competirá ao órgão responsável pela execução do acórdão. Em razão do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário por desistência. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10510.004506/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REMUNERAÇÕES.
As informações prestadas pela própria empresa em sua escrituração contábil gozam da presunção de veracidade, sendo ônus da empresa a comprovação de eventual equívoco em seus lançamentos contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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REMUNERAÇÕES. As informações prestadas pela própria empresa em sua escrituração contábil gozam da presunção de veracidade, sendo ônus da empresa a comprovação de eventual equívoco em seus lançamentos contábeis. Recurso Voluntário Negado Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004506/200938 Acórdão n.º 240202.541 S2C4T2 Fl. 106 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado em 22/12/2009 com base nos valores relativos às diferenças entre escrituração contábil e folhas de pagamento/GFIP e acréscimos legais (parte patronal). Foram excluídos do lançamento os valores alcançados pela decadência e os relativos às reclamatórias trabalhistas. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e do acórdão recorrido: Relatório Fiscal: 3.7 Nos diversos relatórios constantes dessa notificação fiscal, os fatos geradores foram lançados através dos seguintes levantamentos, sendo apuradas diferenças no confronto com as guias de recolhimento apresentadas, respeitadas as prioridades para apropriação demonstradas no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA: • AD — Pagamentos a contribuintes individuais — autônomo, como definido no art. 12, inciso V, alínea g, da Lei 8.212/91— declarados em GFIP; • SD — Pagamentos a segurados empregados, como definido no art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91— declarados em GFIP; • AN 1 — Pagamentos a contribuintes individuais — autônomo, como definido no art. 12, inciso V, alínea g, da Lei 8.212/91— não declarados em GFIP; • DAL — Diferença de Acréscimos Legais — diferenças decorrentes de recolhimento de juros ou multa de mora a menor; • FD Pagamentos a contribuintes individuais — condutor autônomo de veiculo rodoviário, como definido no art. 12, inciso V, alínea g, da Lei 8.212/91 e art.201, § 40 , do Decreto 3048/99 — declarados em GFIP; • FN1 e FT Pagamentos a contribuintes individuais — condutor autônomo de veiculo rodoviário, como definido no art. 12, inciso V, alínea g, da Lei 8.212/91 e art.201, § 4 0 , do Decreto 3048/99 — não declarados em GFIP; • SN1 — Pagamentos a segurados empregados, como definido no art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91— não declarados em GFIP; • SJ1 — Pagamentos, em processos trabalhistas, a segurados empregados — não declarados em GFIP; ... 3.8 — Visando observar o principio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inciso II, c), comparouse as multas impostas Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pela legislação vigente ã época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente (Lei 11941, de 27 de maio de 2009), como demonstrado no relatório COMPMULTA. Acórdão: DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CONTAGEM DO PRAZO. É inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212, de 1991, consoante entendimento esposado pela Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, publicada no DOU de 20/06/2008. Como as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, havendo pagamento parcial da obrigação, o prazo de decadência quinquenal para o lançamento de oficio da diferença não paga é contado com base no § 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional. VERBA PAGA EM PROCESSO TRABALHISTA. IMPROCEDÊNCIA. A partir da Emenda Constitucional n° 20 de 1998, compete A. Justiça do Trabalho a execução, de oficio, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, da Constituição Federal e seus acréscimos legais, decorrentes de sentenças que proferir, conforme preceitua o art.114, VIII da Constituição Federal. E improcedente o levantamento efetuado em desacordo com a legislação de regência. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias patronais e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; assim como as contribuições da empresa incidentes sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Contendo o auto de infração suficiente descrição dos fatos e adequado enquadramento legal, atendendo integralmente ao que determina a legislação de regência, não há falar em sua nulidade ou anulação. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004506/200938 Acórdão n.º 240202.541 S2C4T2 Fl. 107 5 ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Preliminar de Nulidade. Falta de provas da ocorrência dos fatos geradores. Cita o art. 9° do Decreto 70.235, de 1972, e doutrina, aduzindo que o auto de infração deverá ser instruído com elementos de convicção aptos a afirmar a legitimidade da cobrança. O lançamento tributário não pode se resumir a uma simples demonstração numérica, elaborada pelo próprio Fisco e desprovida de provas, pois é dever do agente público motivar os atos administrativos por ele praticados. Suscita que a ausência de comprovação e motivação vicia o ato, e transcreve jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes no entendimento de que cabe a autoridade lançadora demonstrar a ocorrência do direito do Fisco de lançar. Afirma que a fiscalização não demonstrou quais os fatos geradores foram omitidos na GFIP, e que não consta dos autos nenhuma prova de que deixou de recolher as contribuições declaradas. Alega que o Fisco deveria juntar aos autos as cópias dos documentos que comprovaria a ocorrência do fato gerador, a despeito de uma simples menção a tais documentos, e conclui que, ausentes tais documentos, são imprestáveis os lançamentos em questão. Aduz que não cabe a presunção de legitimidade, pois é possível para o Fisco demonstrar a existência dos fatos através dos documentos apresentados pela Prefeitura de Malhador, e ressalta que o crédito somente passa a contar com certeza de liquidez após a inscrição em Divida Ativa. Deveriam ter sido mencionados nominalmente todos os segurados omitidos em GFIP. Entende que a omissão de segurados em GFIP deve ser devidamente apurada quando da realização de auditoria, devendo sendo mencionados, nominalmente, todos os servidores, bem como deve ser determinado ao ente que providencie a elaboração de nova GFIP incluindo todos os servidores. Como os servidores não foram relacionados nominalmente, bem como não foi determinada a elaboração de nova GFIP, conclui que a fiscalização previdenciária incidiu em desvio de finalidade, vez que o lançamento dos créditos devidos pelo sujeito passivo não ajudará em nada os segurados, logo nunca constarão da base de dados da Previdência Social. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Por fim conclui que os fatos geradores que fundamentaram o lançamento das contribuições não existiram, pois entende que a GFIP informada descreve todos os fatos imponíveis que ocorreram no âmbito da prefeitura durante o período objeto da fiscalização. É o Relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004506/200938 Acórdão n.º 240202.541 S2C4T2 Fl. 108 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observa qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). O lançamento foi realizado com base na escrituração contábil da recorrente que evidencia pagamentos a segurados. E a fiscalização faz referência a cada um dos documentos preparados pela própria empresa donde extraiu suas conclusões. A leitura desses documentos é suficiente para que conheça individualmente os segurados a que se refere o lançamento, que não teve por objeto situações outras onde se caracterizam como segurados relações jurídicas desconsideradas em sua forma. Assim fosse, seria ônus da fiscalização a identificação individual de cada um dos prestadores de serviços e segurados. Ressaltase, ainda, que foram preparadas cinco planilhas que compuseram os anexos I a V onde estão evidenciados todos os pagamentos a segurados não declarados em GFIP. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004506/200938 Acórdão n.º 240202.541 S2C4T2 Fl. 109 9 Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornarem nulos quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No mérito, insurgese a recorrente sob alegação de que os fatos geradores não ocorreram, mas não apresentou quaisquer elementos de prova que afastasse a presunção de veracidade de sua escrituração contábil. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/03/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10855.722934/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Jan 13 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes e, por consequência, ao processo.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. FATO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À AUTORIDADE DE ORIGEM.
No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte, nos termos do art. 333 do CPC, deve juntar aos autos elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Apresentada documentação comprobatória, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir a análise do direito vindicado.
Logo, impõe-se a anulação da acórdão de manifestação de inconformidade e do despacho decisório, com o retorno dos autos à Unidade de Origem para análise de mérito do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 2402-010.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, bem como o despacho decisório de fls. 85 e 86, para que seja feita análise de mérito do crédito pleiteado, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz (relator) e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gregório Rechmann Junior.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Júnior Redator Designado
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Ana Claudia Borges de Oliveira, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz e Diogo Cristian Denny (suplente convocado).
Nome do relator: Francisco Ibiapino Luz
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes e, por consequência, ao processo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. FATO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À AUTORIDADE DE ORIGEM. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte, nos termos do art. 333 do CPC, deve juntar aos autos elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Apresentada documentação comprobatória, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir a análise do direito vindicado. Logo, impõe-se a anulação da acórdão de manifestação de inconformidade e do despacho decisório, com o retorno dos autos à Unidade de Origem para análise de mérito do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, bem como o despacho decisório de fls. 85 e 86, para que seja feita análise de mérito do crédito pleiteado, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz (relator) e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Relator (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Júnior Redator Designado Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Ana Claudia Borges de Oliveira, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz e Diogo Cristian Denny (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-01-04T13:50:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-01-04T13:50:38Z; Last-Modified: 2022-01-04T13:50:38Z; dcterms:modified: 2022-01-04T13:50:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-01-04T13:50:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-01-04T13:50:38Z; meta:save-date: 2022-01-04T13:50:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-01-04T13:50:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-01-04T13:50:38Z; created: 2022-01-04T13:50:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2022-01-04T13:50:38Z; pdf:charsPerPage: 2261; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-01-04T13:50:38Z | Conteúdo => S2-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10855.722934/2011-60 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-010.606 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de novembro de 2021 Recorrente HOSPITAL E MATERNIDADE SAMARITANO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse contexto, devem ser superados os erros de procedimentos dos contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo às partes e, por consequência, ao processo. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. FATO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À AUTORIDADE DE ORIGEM. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte, nos termos do art. 333 do CPC, deve juntar aos autos elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Apresentada documentação comprobatória, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir a análise do direito vindicado. Logo, impõe-se a anulação da acórdão de manifestação de inconformidade e do despacho decisório, com o retorno dos autos à Unidade de Origem para análise de mérito do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, bem como o despacho decisório de fls. 85 e 86, para que seja feita análise de mérito do crédito pleiteado, nos termos do voto do redator. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz (relator) e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 29 34 /2 01 1- 60 Fl. 139DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Relator (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Júnior – Redator Designado Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Ana Claudia Borges de Oliveira, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz e Diogo Cristian Denny (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte contestando o indeferimento do requerimento da restituição de contribuição social supostamente recolhida indevidamente. Indeferimento do requerimento de restituição Por bem descrever os fatos e as razões da contestação, adoto excertos do relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 16-68.272 - proferida pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - DRJ/SPO - transcritos a seguir (processo digital, fls. 117 a 123): - DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO 1. Trata-se de pedido de restituição, protocolado em 17/08/2011 pela requerente em epigrafe, com fundamento em pagamento indevido ou a maior de DARF, referente ao parcelamento do art. 3 da Lei 11.941/2009-PGFN - débitos previdenciários, no valor de R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais), pelos fundamentos e documentos acostados às fls. 02/50. - DA ANALISE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO 2. Às fls. 52 consta o Ofício 443/2011 - SEORT/DRF/SOROCABA, no qual foi solicitado a manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, com relação ao pedido de restituição relativo aos valores demandados pela requerente, conforme determina o art. 2, paragrafo 2 c/c o art. 20 e parágrafos da IN SRF 900/2008. 3. Em 14/12/2011 a Procuradoria da Fazenda Nacional, manifestou-se com relação ao pedido de restituição: "... Ocorre que o requerente não fez opção por essa modalidade de parcelamento (cf. consultas anexadas)..." "... Outrossim, a fim de melhor delimitar as quantias que deseja restituir, deverá ele apresentar o formulário constante no Anexo I da Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, no qual deverá discriminar os valores que pretende sejam repetidos... " 3.1. As fls. 67 conta a intimação PSFN Sorocaba 929/2011 ao representante legal da requerente. 3.2. Em 10/04/2012 a Procuradoria da Fazenda Nacional em análise de revisão assim se manifestou: "... verifica-se que as DARF's acostadas foram recolhidas no código de receita 1136, que corresponde à modalidade do art. 1, da referida lei, conforme Ato Declaratório Executivo Codac 65, de 27 de julho de 2009. Com efeito, não guardam correspondência com o pedido." "Não obstante, analisando- se a situação do art. 1 foi rejeitada na consolidação, de sorte que todos os Fl. 140DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 pagamentos realizados para a modalidade padrão ser restituídos ou compensados, mediante PERDCOMP junto a RFB, observando as normas pertinentes... " 5. De acordo com o documento de fls. 76, foi concedido vista do processo digital, mediante fornecimento de arquivos digitais ao Sr. André Sampaio de Vilhena, bem como dos atos processuais constantes nos arquivos digitais fornecidos denominados 10855.722934/2011-60. 6. Às fls. 84 consta o despacho de encaminhamento à SEORT/DRF/SOR para prosseguimento dos autos. 7. Em 02/07/2012 foi emitido o Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição pelos fundamentos constantes às fls. 85/86. - DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 8. A Requerente foi intimada do Despacho Decisório em 14/09/2012 (AR, fls. 88), apresentando Manifestação de Inconformidade tempestiva às fls. 89/91 e documentos de fls. 92/106, alegando em síntese: 8.1. Solicitou o pedido com base no art. 3 da Lei 11.941/2009, quando deveria ter requerido o art. 1 da referida lei, entretanto, houve apenas um erro de digitação (doc. 01). 8.2. A informação equivocada do número do artigo da Lei, não traz nenhum prejuízo ao erário público, pois não possui nenhum débito na modalidade do art. 1 da citada lei. 8.3. As parcelas foram pagas, tendo em vista sua insegurança diante do emaranhado de Instruções Normativas publicadas antes da consolidação do parcelamento. - DO PEDIDO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 9. Assim, solicita que seja recebida sua manifestação, com decisão procedente com relação ao pedido de restituição, tendo em vista que houve erro na digitação do número do artigo da lei. 10. Em 29/08/2014 a Manifestante protocolou pedido que o presente processo fosse apreciado. 11. Às fls. 116 consta o despacho de encaminhamento a SERET-DRJ-SPO-SP para apreciação. (Destaques no original) Julgamento de Primeira Instância A 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, por unanimidade, julgou improcedente a contestação da Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos (processo digital, fls. 117 a 123): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2011 Ementa: RESTITUIÇÃO. INOVAÇÃO DO PEDIDO. ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. Nos processos de restituição é a manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento. Os limites do litígio estão definidos pelo Pedido de Restituição e pela decisão da autoridade competente, não sendo possível, na manifestação de inconformidade, a inovação do feito. Fl. 141DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Carece de certeza e liquidez o crédito pleiteado quando o interessado não comprova o seu direito de forma efetiva. O pedido de restituição somente será devido nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente (Destaques no original) Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, ratificando os argumentando apresentados na manifestação de inconformidade (processo digital, fls. 130 a 135). Contrarrazões ao recurso voluntário Não apresentadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Ibiapino Luz - Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 10/8/2015 (processo digital, fl. 126), e a peça recursal foi interposta em 31/8/2015 (processo digital, fls. 130), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Mérito Fundamentos da decisão de origem Por oportuno, vale registrar que os §§ 1º e 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017, facultam o relator fundamentar seu voto mediante transcrição da decisão recorrida, quando o recorrente não inovar em suas razões recursais, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa Fl. 142DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Nessa perspectiva, a Recorrente basicamente reiterou os termos da impugnação, nada acrescentando que pudesse alterar o julgamento a quo. Logo, tendo em vista minha concordância com os fundamentos do Colegiado de origem e amparado no reportado preceito regimental, adoto as razões de decidir constantes no voto condutor do respectivo acórdão, nestes termos: 12. A Manifestação de Inconformidade apresentada no presente processo, observou aos requisitos legais previstos nos art.66 da IN 900/2008, alterada pela IN 1224/2011, dela toma-se conhecimento. in verbis: [...] 13. As alegações apresentadas na referida manifestação não tem o condão de alterar do despacho decisório (fls.85/86), pelas razões que se passa a expor. - Erro na digitação do dispositivo legal da Lei 11.940/2009 . Do Despacho Decisório. 14. Argumenta o Manifestante que a razão do indeferimento do seu pedido de restituição deu-se por um erro de digitação do dispositivo legal (fls.02/03), pois inverteu o art. 1° pelo art.3° da Lei 11.941/2009, conforme documentação anexada. Salienta, ainda, que a inversão dos citados dispositivos legais não traz qualquer prejuízo ao erário, uma vez que não possui débitos e pagou as parcelas do citado parcelamento. 14.1. Os argumentos não merecem amparo, uma vez que no âmbito do processo de restituição é a manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento, sendo que os limites do litígio estão definidos pelo pedido de restituição apresentado pelo contribuinte (fls. 02/03) e pelo ato de indeferimento praticado pela autoridade competente (fls.85/86) 14.2. No caso em apreço, o pedido de restituição interposto foi baseado em pagamento indevido efetuado em parcelamento (art.3° da Lei.11.941/2009, fls. 02/03), portanto, não é possível na fase litigiosa do procedimento, mediante a apresentação de Manifestação de Inconformidade, a inovação do feito, com a substituição de um artigo por outro artigo da Lei 11.941/2009. 14.3. Vale esclarecer que os princípios da informalidade e da verdade material que regem o processo administrativo não dispensa o contribuinte do cumprimento das normas que disciplinam a restituição dos tributos e contribuições federais. Assim, o eventual "erro de digitação", alegado pelo contribuinte, não é suficiente para alterar o despacho decisório. 14.4. Frisa-se que o próprio contribuinte, em Manifestação de Inconformidade, admitiu erro no requerimento protocolizado em 17/08/2011, limitando-se em alegar que tal erro não traria qualquer prejuízo ao erário. Entretanto, vale enfatizar mais uma vez, que a análise da referida manifestação está toda relacionada com o pedido de restituição, bem assim com o despacho decisório, ora combatido (fls. 02/03 e 85/86). 14.6. E mais, não é possível alteração do fundamento que embasou o pedido de restituição (art.3° da Lei 11.940/2009), em sede de Manifestação de Inconformidade, muito menos apreciar novo fundamento (art.1° da Lei 11.940/2009), que se quer foi objeto de manifestação e decisão pelos órgãos competentes, conforme se verifica no art. 2° § 2° c/c o art. 20 da IN RFB 900/2008, vigente a época e alterações posteriores pela IN RFB 1224/2011, in verbis: IN RFF 900/2008 e alterações promovidas vela IN RFB 1224/2011 Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 CAPÍTULO II DA RESTITUIÇÃO SEÇÃO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I - cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II - erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela RFB, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos administrados pela RFB. § 2º- A RFB promoverá a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf e GPS que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. DA RESTITUIÇÃO DE RECEITA NÃO ADMINISTRADA PELA RFB Art. 20. O pedido de restituição de receita da União, arrecadada mediante Darf ou GPS, cuja administração não esteja a cargo da RFB, deverá ser apresentado à unidade da RFB com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, que o encaminhará ao órgão ou entidade responsável pela administração da receita a fim de que este se manifeste quanto à pertinência do pedido. DA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA Art. 66. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não-homologação da compensação. (grifou-se) 14.6. Sendo assim, não há como analisar novo pedido proposto pelo contribuinte, que se quer foi objeto de pedido de restituição. 15. Com relação ao DESPACHO DECISÓRIO, abaixo transcrito, verifica-se que o mesmo não merece reparo, pois observou as normas legais (art.2°, § 2° c/c o art.20 da IN RFB 900/2008 e alterações posteriores), bem como a cautela devida para a análise do pedido de restituição (manifestação do Procurador da Fazenda Nacional), uma vez que este foi baseado em suposto pagamento indevido (parcelamento - art. 3° da Lei 11.941/2009), recolhido mediante DARF, conforme se constada às fls.70 e 85/86, vejamos: MANIFESTAÇÃO DA PFN Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 "Em análise de revisão, verifica-se que os DARF's acostados foram recolhidos no código de receita 1136, que correspondem à modalidade do art. 1º, da referida lei, conforme Ato Declaratório Eexcutivo CODAC 65, de 27 de julho de 2009. Com efeito, não guardam correspondência com o pedido. Não Obstante, analisando-se a situação "ex-ofício", verifica-se que a modalidade do art. 1 foi rejeitada na consolidação, de sorte que todos os pagamentos realizados para esta modalidade poderão ser restituídos ou compensados, mediante PERDCOMP junto à RFB, observando as normas pertinentes..."(grifou-se) DESPACHO DECISÓRIO DRF/SOR/SEORT 470/2012 "Considerando o § 2o do art. 2o c/c o art. 20 e §§ da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008, abaixo transcritos, é necessária a manifestação por parte do órgão ou entidade responsável pela administração da receita quanto à pertinência do presente Pedido de Restituição, reconhecendo ou não o respectivo direito creditório e, se for o caso de restituição, que valores deverão ser restituídos e quais acréscimos legais deverão sofrer. Na folha 69 consta despacho do Procurador da Fazenda Nacional, Sr. Reiner Zenthofer Muller, que não reconheceu o direito creditório pleiteado e mencionou que os DARFs acostados neste processo foram recolhidos com código de receita 1136, que correspondem à modalidade de parcelamento do art. Io da Lei n° 11.941/2009 e não guardam correspondência com o Pedido. No uso da competência delegada pela Portaria DRF Sorocaba n° 26, de 21/02/2011, decido INDEFERIR o Pedido de Restituição devido o direito creditório não ter sido reconhecido pelo Órgão responsável pela administração da receita. 15.1. Assim, a partir das transcrições acima, verifica-se que a decisão questionada não merece ser modificada, uma vez que os recolhimentos realizados pelo Requerente, ora Manifestante, em parcelamento ocorreram na modalidade do art.1° da Lei 11.940/2009 (DARF cod. 1136, fls.11/49), ao passo que o pedido de restituição foi fundamentado no art. 3° da referida lei, razão pela qual se manifestou a Procuradoria da Fazenda Nacional de forma contrária a restituição pleiteada pelo contribuinte, com consequente pronunciamento da Delegacia da Receita Federal de Sorocaba pelo indeferimento do referido pedido, tudo de acordo com o art.2°, § 2° c/c o art.20 da IN RFB 900/2008, vigente a época, acima transcrito. Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao recurso interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Voto Vencedor Conselheiro Gregório Rechmann Júnior – Redator Designado Em que pese as bem fundamentadas razões de decidir do voto do ilustre relator, peço vênia para delas discordar, nos termos abaixo declinados. Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de pedido de restituição, protocolado em 17/08/2011 pela requerente em epigrafe, com fundamento em pagamento indevido ou a maior de DARF, referente ao parcelamento do art. 3 da Lei 11.941/2009-PGFN - débitos previdenciários, no valor de R$ 2.100,00. A Unidade de Origem, o órgão julgador de primeira instância e nobre Relator do presente acórdão indeferiram o pedido de restituição em face de erro na indicação do dispositivo legal do crédito pleiteado. É o que se infere, pois, do excerto abaixo reproduzido: 14. Argumenta o Manifestante que a razão do indeferimento do seu pedido de restituição deu-se por um erro de digitação do dispositivo legal (fls.02/03), pois inverteu o art. 1° pelo art.3° da Lei 11.941/2009, conforme documentação anexada. Salienta, ainda, que a inversão dos citados dispositivos legais não traz qualquer prejuízo ao erário, uma vez que não possui débitos e pagou as parcelas do citado parcelamento. 14.1. Os argumentos não merecem amparo, uma vez que no âmbito do processo de restituição é a manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento, sendo que os limites do litígio estão definidos pelo pedido de restituição apresentado pelo contribuinte (fls. 02/03) e pelo ato de indeferimento praticado pela autoridade competente (fls.85/86) 14.2. No caso em apreço, o pedido de restituição interposto foi baseado em pagamento indevido efetuado em parcelamento (art.3° da Lei.11.941/2009, fls. 02/03), portanto, não é possível na fase litigiosa do procedimento, mediante a apresentação de Manifestação de Inconformidade, a inovação do feito, com a substituição de um artigo por outro artigo da Lei 11.941/2009. Pois bem! Incialmente, cumpre destacar que, em relação à alegação da Contribuinte no sentido de que incorreu em erro por ocasião do preenchimento do Pedido de Restituição, este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Neste sentido, confira-se os julgados abaixo indicados que amparam esse entendimento: Acórdão 108-08689 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 101-94955 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveu-se, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancela-se o auto de infração. Acórdão 10321472 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO. A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 Neste espeque, nas hipóteses de erro de fato no preenchimento de declaração, uma vez juntados aos autos elementos probatórios hábeis para comprovar o direito alegado, o equívoco no preenchimento não pode figurar como óbice a impedir a análise do direito vindicado, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 2/2015: Conclusão 22. Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não-homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 Salienta-se que erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. Nessas hipóteses, a Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Logo, erro de fato no preenchimento pelo contribuinte, de suas das declarações, não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo. Se assim não o fosse, tal interpretação estabelecer-se-ia uma preclusão que inviabilizaria a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Neste exato sentido, confira-se o precedente abaixo indicado desse Egrégio Conselho: RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. POSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCOMP não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.(...) – (Acórdão nº1301-003.491, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Relatora: Geovana Pereira de Paiva Leite , Data da Sessão: 20/11/2018) Assim, não há que se falar em perda de espontaneidade. Em verdade e a rigor, não se trata de espontaneidade, mas sim de hipótese na qual o contribuinte, como dito, não pode apresentar uma nova declaração e/ou não pode retificar a declaração original, em face do início do procedimento fiscal. Sobre o tema, confira-se, mutatis mutandis, os escólios do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, objeto do Acórdão nº 1402-00.388, in verbis: A questão que se coloca diz respeito aos aspectos essenciais da declaração de que trata a lei. Teria o legislador privilegiado a forma ou os dados materiais da declaração? Ao dizer que a compensação deve conter informações relativas aos créditos utilizados, e aos respectivos débitos compensados, quis o legislador que os elementos materiais prevalecessem sobre os aspectos formais. Não será pela utilização de formulário equivocado, que haverá de se desconsiderar a compensação. Em sendo o sujeito passivo credor e devedor de tributo ao mesmo tempo, tem ele, à luz do artigo 170, do CTN, e do artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, o direito de realizar a compensação, comunicando-a ao credor para evitar inscrição em dívida ativa e a consequente execução. Nos debates realizados durante a sessão de julgamento, procurei confrontar o entendimento acima referido com os argumentos: - Enquanto a DCTF, apresentada é instrumento adequado à constituição do crédito tributário, a extinção deste só se dá por meio do processamento da DCOMP. Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.606 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722934/2011-60 - Tanto é assim que o parágrafo segundo do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada a partir da MP 66, convertida na Lei 10.637, de 2002, prevê que “a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário.” - Enquanto não declarada a compensação não há extinção do crédito tributário informado na DCTF. As teses acima não subsistiram ao crivo da análise jurídica, pelas seguintes razões: 1º. A apuração de imposto a pagar ou de saldo negativo a recuperar se dá a partir da escrita contábil e da declaração de imposto de renda da pessoa jurídica; 2º. As informações constantes em DCTF devem espelhar o que consta na DIPJ e não ao contrário; 3º. A entrega de DCTF constitui-se em atividade acessória, por meio da qual o sujeito passivo informa os valores encontrados em sua DIPJ e os valores do imposto a pagar ou a compensar. 4º. As informações relativas aos créditos utilizados, e aos respectivos débitos compensados, exigidas por lei, especificados na DCOMP, encaminhada em 14/10/2004, já constavam da DCTF e da DIPJ, anteriormente encaminhadas à SRF. 5º. A DCOMP é mecanismo de controle e acompanhamento interno da Administração. Isto, todavia, não significa que se constitui como único instrumento válido e essencial para que se realize a extinção de crédito mediante compensação que, em determinados casos concretos, pode dar-se de ofício, por iniciativa da própria autoridade fiscal. 6º. Na realização do direito, os aspectos formais não podem sobrepor-se aos aspectos materiais. (destaquei) Registre-se pela sua importância que, no caso em análise, a própria manifestação da d. Procuradoria – na qual a Unidade de Origem se embasou para emitir o Despacho Decisório indeferindo o Pedido de Restituição – expressamente reconheceu que a modalidade do art. 1º foi rejeitada na consolidação, de sorte que todos os pagamentos realizados para esta modalidade poderão ser restituídos ou compensados, mediante PERDCOMP junto à RFB, observando-se as normas pertinentes. Neste contexto, superada a questão formal do erro no preenchimento do pedido de restituição, cabe anular a decisão de piso, bem como o despacho decisório, devendo o processo retornar à unidade de origem a fim de realizar a verificação dos documentos apresentados, analisando a materialidade ou não do direito creditório e, a depender do convencimento, até mesmo a necessidade de instrução probatória. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, bem como o despacho decisório, para que seja feita análise de mérito do crédito pleiteado. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital
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