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Numero do processo: 15971.000295/2007-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
RECURSO INTERPOSTO APÓS O DECURSO DO PRAZO RECURSAL DE 30 DIAS.
Não merece ser conhecido o recurso interposto após o decurso do prazo recursal previsto no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 2001-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Ulrich Pinto, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 RECURSO INTERPOSTO APÓS O DECURSO DO PRAZO RECURSAL DE 30 DIAS. Não merece ser conhecido o recurso interposto após o decurso do prazo recursal previsto no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972.
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Não merece ser conhecido o recurso interposto após o decurso do prazo recursal previsto no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Ulrich Pinto, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de notificação de lançamento, lavrada em 30 de abril de 2004, ano- calendário 2003, exercício 2004, por meio da qual exige-se do Recorrente o valor de R$ 1.370,71, acrescido de multa de ofício e demais consectários, a título de IRPF, diante de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 3.778,92. Devidamente notificado, o ora Recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, que no referido período prestava serviços para a empresa Cozac Imóveis e Incorporações Ltda, que procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, juntando, além de outros documentos, recibo de pagamento autônomo (fls. 08); declaração de ajuste anual (fls. 24 a 26); e contrato de prestação de serviços da empresa Cozac Imóveis e Incorporações Ltda. (fls. 30 a 32). Na ocasião do julgamento da Impugnação apresentada pelo ora Recorrente, a 5ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP), proferiu o acórdão 17-42.738 – 5ª Turma da DRJ/SP2, julgando improcedente a impugnação, por entender AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 1. 00 02 95 /2 00 7- 99 Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-003.651 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15971.000295/2007-99 que o Recorrente não comprovou o pagamento do imposto, mesmo porque nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil não há nenhum recolhimento a título de imposto de renda retido na fonte efetuado pela empresa Cozac Imóveis e Incorporações Ltda. em nome do interessado. Irresignado com o v. acórdão a quo, o Recorrente interpôs recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Rendimentos Fiscais alegando, em síntese que a retenção dos valores foi comprovada através de prova documental (RPA) e que é a fonte pagadora, enquanto não ocorrer a decadência, a responsável pelo recolhimento do imposto de renda retido na fonte. Diante da emissão do Termo de Perempção juntado às fls. 65, foi proferido despacho de encaminhamento dos autos para o CARF julgar a perempção, nos termos do art. 35, do Decreto nº 70.235/72. É a síntese do necessário, passo ao voto. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. Conforme ao que se verifica das informações constantes do despacho de encaminhamento de fls. 68, o Recorrente foi intimado do acórdão da impugnação em 09 de agosto de 2010 (segunda feira). Como é cediço, por força do art. 5º, do Decreto nº 70.235/72, na contagem dos prazos no processo administrativo tributário, exclui-se o dia de início e inclui-se o de vencimento. Assim, o prazo de 30 dias previsto no art. 33, do mesmo Decreto nº 70.235/72, teve início no dia 10/08/2010 (terça feira), encerrando-se no dia 08/09/2010 (quarta feira). Com razão, portanto, a Autoridade Fiscal ao apontar a perempção, tendo em vista que o recurso voluntário foi interposto apenas no dia 09/09/2010 (quinta feira), ou seja, intempestivamente. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004913/2007-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Oct 15 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE AÇÃO TRABALHISTA.
Demonstrada nos autos a indenização por dano moral, e senda esta parcela de natureza indenizatória, não é devida, sobre esta, a imposição fiscal.
Numero da decisão: 1402-004.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar da base de cálculo a verba indenizatória.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Paula Santos de Abreu, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE AÇÃO TRABALHISTA. Demonstrada nos autos a indenização por dano moral, e senda esta parcela de natureza indenizatória, não é devida, sobre esta, a imposição fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar da base de cálculo a verba indenizatória. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Paula Santos de Abreu, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone.
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Demonstrada nos autos a indenização por dano moral, e senda esta parcela de natureza indenizatória, não é devida, sobre esta, a imposição fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar da base de cálculo a verba indenizatória. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Paula Santos de Abreu, Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Luciano Bernart e Paulo Mateus Ciccone. Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora - MG, através do acórdão 09-22.510, que julgou IMPROCEDENTE a impugnação do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 49 13 /2 00 7- 09 Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.974 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.004913/2007-09 Da autuação fiscal: Por bem descrever os termos da autuação fiscal, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Contra o interessado foi lavrado auto de infração de IRRF no valor total de R$ 51.824,07 (fls. 31 e seguintes), em função das irregularidades descritas no relatório de fl. 33. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: A empresa apresenta impugnação (fls. 40 e seguintes), na qual alega que: a) deve ser decotado da base de cálculo do IRRF, o valor relativo aos danos morais, por não ser rendimento tributável e também por ter sido determinado pelo Juiz da causa; b) “o Instituto já recolheu $ 14.582,99, O QUE QUITA IN TOTUM A PARCELA FISCAL” Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu por NEGAR PROVIMENTO TOTAL à mesma, por unanimidade. A decisão foi ementada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO POR DANO MORAL. TRIBUTAÇÃO NA FONTE O imposto incidente sobre a compensação a titulo de danos morais, paga em cumprimento de decisão judicial, será retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário ESPONTANEIDADE Pagamento efetuado após o início da fiscalização não impede o lançamento. Lançamento Procedente Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extrai-se os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para fundamentar a sua decisão final: O auto de infração atacado originou-se do não recolhimento de IRRF por parte da instituição, em função de decisão judicial que a condenou a pagar verbas trabalhistas e de danos morais à Sra. Miriane Rodrigues Marques, no valor total de R$ 83.300,00 em sete parcelas iguais. Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.974 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.004913/2007-09 Registre-se que os rendimentos recebidos em função de decisão judicial relativa a compensação de danos morais são tributáveis. Nesse sentido a Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT nº 416/2004, cujo teor transcrevemos a seguir: (...) CONCLUSÃO 18 - Isso posto, conclui-se que: 18.1 - não se sujeitam à incidência do imposto de renda as indenizações pagas ou creditadas destinadas a reparar danos patrimoniais; 18.2 - o imposto incidente sobre a compensação a titulo de danos morais, paga em cumprimento de decisão judicial, será retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário, podendo o contribuinte aproveitar o referido valor na declaração de ajuste anual correspondente ao ano- base com direito à dedução aos custos inerentes ao processo judicial (honorários advocatícios, por exemplo).” Não há que se falar que a Justiça declarou que a verba relativa à compensação por dano moral não é tributável, pois como se vê no despacho anexado à fl 113, o Juiz do Trabalho se limitou a ordenar o retorno dos autos ao S.C.J., para “decotar da base de cálculo do IRRF o valor dos danos morais”. Não houve, como se constata, declaração de inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da cobrança do IRRF sobre a citada verba, até mesmo por não estar essa declaração na competência da Justiça do Trabalho, como se depreende da leitura do artigo 114 da Constituição Federal: Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as ações que envolvam exercício do direito de greve; III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data , quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.974 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.004913/2007-09 Assim não existe impedimento para a cobrança do IRRF sobre verba de danos morais, na forma de legislação tributária de regência, como se viu na Solução de Consulta acima transcrita. Não merece prosperar a alegação de que “o Instituto já recolheu o valor de R$ 14.582,99 o que quita in totum a parcela fiscal cobrada”. Como se vê no Termo de Início de Fiscalização (fl. 03), o contribuinte foi cientificado da ação fiscal em 01/11/2007, perdendo a partir dessa data o direito de recolher diferenças de tributos em relação ao período fiscalizado como estabelece o § 1º do artigo 7º do Decreto 70.235/1972. È certo que o valor pago, depois de confirmado pelo setor competente, deverá ser subtraído do lançado a título de contribuição, mantendo-se a cobrança da respectiva multa de ofício. Pelo exposto voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção integral do lançamento efetuado. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 16/10/2009, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 16/11/2009 (e-fls.140 e segs), ou seja tempestivamente. No mesmo, em essência reforça os pontos já alegados na sua peça impugnatória, dos quais destaco abaixo: (....) 2 - DA NÃO TRIBUTAÇÃO Ocorre que a exclusão determinada judicialmente não foi acatada tendo sido mantido o débito de IR sobre a parcela paga a título de indenização por dano moral. Não merece prosperar a indevida pretensão, vez que fere frontalmente dispositivo de Lei Federal e jurisprudência dominante do Egrégio Superior Tribunal de Justiça (REsp. 963387). Consoante recente manifestação daquela corte não são tributáveis os valores recebidos por compensação de danos morais. Evidentemente que posição manifestada pela SRRF/93 RF/DISIT n° 416/2004, em Solução de Consulta, pois que fere entendimento pacífico da jurisprudência e doutrina. Isso porque, a indenização por dano moral não gera IR porque se limita a recompor o patrimônio imaterial da vítima, e não aumenta seu patrimônio apenas repõe pela substituição monetária. Este é um dos fundamentos a não enquadrar a parcela dessa natureza indenizatória no art. 43 da Lei n° 5.172/96 (Código Tributário Nacional), o qual define como fato gerador (inciso II) os proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais além dos advindos de renda pelo capital ou pelo trabalho. Por outro lado a Receita Federal argumenta que os casos de isenção tributária merecem interpretação restrita. Ora, Eméritos Julgadores, a não incidência do imposto sobre parcela de natureza indenizatória não se dá por isenção e sim pelo fato de não caracterizar riqueza nova a ensejar acréscimo patrimonial. Neste sentido é a recente manifestação do Colendo TRT da 3a Região no aresto seguinte: Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.974 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.004913/2007-09 "EMENTA: TRIBUTO, PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, ATIVIDADE PLENAMENTE VINCULADA. ACIDENTE DO TRABALHO. DANOS MORAIS. IMPOSTO DE RENDA. LEI 7713/88, ART. 6o, IV. O princípio da legalidade exige que a tributação seja realizada exclusivamente sob o império da lei (CF, art. 150, I), mediante atividade plenamente vinculada (CTN, art. 3o), o que significa dizer que a obrigação tributária somente nasce com o estrito cumprimento da lei, em sentido próprio e restrito. Assim, os valores percebidos pela indenização por danos morais decorrentes de acidente de trabalho estão isentos de impostos de renda, em face dos termos do art. 6o, IV, da Lei n° 7713/88, art. 6o, IV, devendo o mesmo ser aplicado única e exclusivamente quando não houver conflito com o disposto na citada lei. "(RO TRT3 0031-2000-025-03-00-9-AP, pub. Em 03/08/2009-Rel Dês. César Machado). Desta feita, não merece prosperar a manutenção do lançamento efetuado e requer seja declarado o impedimento para cobrança do IRRF sobre a verba indenizatória, por medida de direito e justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. Conforme relatório que precede o presente voto, o recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos regimentais para a sua admissibilidade, pelo que o conheço. Do recurso voluntário: O caso em discussão nos autos envolve basicamente da questão de tributação do IRRF sobre pagamento de indenização por dano moral, entre outras parcelas, em sentença trabalhista, conforme as alegações da agora recorrente. A recorrente pagou à reclamante da ação trabalhista o valor total de R$ 83.300,00 sendo a título de dano moral o correspondente a R$ 30.400,00, recolhendo o IRRF no valor de R$ 14.582,99. Segundo alega a recorrente, o juízo do trabalho, em sentença de mérito, determinou a exclusão da parcela indenizável da base de cálculo do IR. Compulsando os autos, cabe verificar qual a natureza dos pagamentos ocorridos, que suscitaram a autuação fiscal e o presente litígio. Do termo de audiência relativa ao processo nº 04/00730/01 (e-fl. 10), não consta nenhuma referência a haver uma parcela indenizável no total pago de R$ 83.300,00 (em 7 parcelas mensais de R$ 11.900,00, a contar de 16/01/2006). Menciona apenas que a executada arcará com os recolhimentos previdenciários e fiscais cabíveis sobre as parcelas de natureza salarial, dentre as elencadas no comando exequendo (....). A executada, no caso, é a recorrente agora dos autos. Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.974 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.004913/2007-09 Na e-fl. 32 temos um extrato do pagamento, gerado pela própria SRFB, em que consta os valores pagos dos seguintes códigos de arrecadação: - código 5936 – R$ 11.168,72 (rendimentos decorrente de decisões trabalhistas) - código 3279 – R$ 2.233,74 (multa de mora) - código 2831 – R$ 1.180,53 (juros de mora) Tais valores acima foram recolhidos em 08/11/2007, ou seja, mais de um ano após o pagamento da parcela final do pagamento decidido pela justiça do trabalho, e após o início do procedimento fiscal (ciência do termo de início de fiscalização em 01/11.2007). A ciência do auto de infração ocorreu em 04/12/2007. Em sede de impugnação, a agora recorrente apresenta uma cópia da sentença trabalhista, em que na sua folha 24 (e-fl. 79 dos autos), há a seguinte decisão relevante para a discussão dos autos: Assim, na esteira do entendimento do Eg. Superior Tribunal de Justiça, para casos análogos, fixo o valor da indenização pelo dano moral em R$ 20.000,00, em compensação à violação à honra da reclamante, sendo que para a fixação do valor foi levado em conta o tempo de serviço da reclamante (mais de 13 anos), a extensão dos comentários perante os pais de seus alunos e o poderio econômico da reclamada (pois, conforme a preposto, existem cerca de 1000 alunos, que pagam R$ 200,00 de mensalidade – fl. 135). Logo à frente da sentença (e-fl. 87 dos autos), há a seguinte especificação: 12 Contribuições ao Imposto de Renda Fica declarado que são tributáveis, na forma do Decreto nº 3.000, de 26.03.99, as seguintes parcelas, inclusive aquelas apuradas como reflexos de outros títulos deferidos: - horas extras, com seus adicionais (art. 43, I); - diferenças de férias com 1/3 (art. 43, II); - diferenças de aviso prévio trabalhado; - diferenças de repousos semanais remunerados; - 13º salários (art. 43, IV). E, com base no mesmo Decreto nº 3.000/99, são rendimentos isentos ou não tributáveis, os seguintes títulos, inclusive quanto aos reflexos pelas parcela deferidas: - indenização pelo dano moral; - diferenças de FGTS com 40% (art. 39, XX); Na forma do art. 43, § 3º, do Decreto nº 3.000/99, serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária e os juros de mora sobre as parcelas sujeitas ao imposto de renda, exclusivamente. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência do imposto serão deduzidas as contribuições para a Previdência Social, os dependentes do Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.974 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.004913/2007-09 empregado, e os rendimentos serão tributados com base nas tabelas vigentes no mês em que forem recebidos os valores. A decisão do TRT – 3ª Região, também apresentada pela recorrente (e-fls. 93 a 99) manteve praticamente incólume a decisão do primeiro grau trabalhista, inclusive no que tange ao valor de dano moral de R$ 20.000,00. Na e-fl. 107 dos autos, há um resumo geral do provimento 04/2000, em que menciona o total do processo (de R$ 59.870,27), incluindo o valor de indenização de danos morais de R$ 20.451,04. Na e-fl. 110, há uma planilha que verifica a apuração da base de cálculo do IRRF, com características de gerado nos autos do processo trabalhista, com o total do imposto de renda retido na fonte de R$ 11.168,71 a pagar. Pelo que se verifica dos autos, são cálculos apresentados durante o litígio trabalhista, e que o Sr. Juiz do Trabalho deu razão à reclamada, em parte, na parte que concerne aos juros sobre a indenização por danos morais (e-fl. 114). Contudo, tudo se resolve no termo de audiência (e-fl. 117), com os valores já mencionados de pagamentos mensais a partir de 16/01/2006. Em sede recursal, a recorrente contesta é a autuação fiscal na parcela inerente aos danos morais, basicamente. Em nada mais distinto contesta nos autos. Bem, cabe analisar o caso em discussão nos autos. Primeiramente, cabe ressaltar que o pagamento do IRRF coube à reclamada da ação trabalhista, no caso a recorrente dos autos. Assim, não há que se falar em retenção na fonte necessariamente, e muito menos a eventual aplicação do parecer normativo Cosit nº 1, de 24/09/2002, que trata da discussão de responsabilidade do IRRF e seu momento. Nos autos, fica latente que a responsabilidade do IRRF é da fonte pagadora, no caso, dos autos em discussão, da recorrente. Sobre a controvérsia sobre a incidência do imposto de renda sobre a indenização por dano moral, esta foi solucionada pelo STJ, no bojo do REsp nº 1.152.764 – CE, relator o Ministro Luiz Fux, no rito de recursos repetitivos, em sessão de 23/06/2010, unânime, transitado em julgado em 01/09/2010, que restou assim ementado: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER INDENIZATÓRIO DA VERBA RECEBIDA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, cujo objetivo precípuo é a reparação do sofrimento e da dor da vítima ou de seus parentes, causados pela lesão de direito, razão pela qual torna-se infensa à incidência do imposto de renda, porquanto inexistente qualquer acréscimo patrimonial. (Precedentes: REsp 686.920/MS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 19/10/2009; AgRg no Ag 1021368/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 25/06/2009; REsp 865.693/RS, Rel. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-004.974 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.004913/2007-09 Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 04/02/2009; AgRg no REsp 1017901/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/11/2008, DJe 12/11/2008; REsp 963.387/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/10/2008, DJe 05/03/2009; REsp 402035 / RN, 2ª Turma, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 17/05/2004; REsp 410347 / SC, desta Relatoria, DJ 17/02/2003). 2. In casu, a verba percebida a título de dano moral adveio de indenização em reclamação trabalhista. 3. Deveras, se a reposição patrimonial goza dessa não incidência fiscal, a fortiori, a indenização com o escopo de reparação imaterial deve subsumir-se ao mesmo regime, porquanto ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio. 4. "Não incide imposto de renda sobre o valor da indenização pago a terceiro. Essa ausência de incidência não depende da natureza do dano a ser reparado. Qualquer espécie de dano (material, moral puro ou impuro, por ato legal ou ilegal) indenizado, o valor concretizado como ressarcimento está livre da incidência de imposto de renda. A prática do dano em si não é fato gerador do imposto de renda por não ser renda. O pagamento da indenização também não é renda, não sendo, portanto, fato gerador desse imposto. (...) Configurado esse panorama, tenho que aplicar o princípio de que a base de cálculo do imposto de renda (ou de qualquer outro imposto) só pode ser fixada por via de lei oriunda do poder competente. É o comando do art. 127, IV, do CTN. Se a lei não insere a "indenização", qualquer que seja o seu tipo, como renda tributável, inocorrendo, portanto, fato gerador e base de cálculo, não pode o fisco exigir imposto sobre essa situação fática. (...) Atente-se para a necessidade de, em homenagem ao princípio da legalidade, afastar-se as pretensões do fisco em alargar o campo da incidência do imposto de renda sobre fatos estranhos à vontade do legislador." ("Regime Tributário das Indenizações", Coordenado por Hugo de Brito Machado, Ed. Dialética, pg. 174/176) 5. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Como acima se vê, a verba percebida a título de dano moral tem a natureza jurídica de indenização, não incidindo sobre ela o imposto de renda. Tal natureza de dano moral está latente na fundamentação das peças judiciais trabalhistas trazidas aos autos, não havendo nenhuma dissensão a respeito. Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-004.974 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10675.004913/2007-09 Nos termos do art. 62-A, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF), mister reproduzir o entendimento do STJ, acima, afastando a incidência do imposto de renda sobre as verbas consideradas omitidas pela autoridade fiscal. Nos autos não fica bem claro o valor exato deste valor recebido por dano moral, mas pelas alegações da recorrente, que sempre menciona o montante de R$ 20.000,00 e é o valor praticamente sempre mencionado nas peças processuais trabalhista, cabe então afastar da tributação este valor da autuação fiscal. Conclusão: Considerando o exposto acima, voto no sentido DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, exonerando da base cálculo mensal, proporcional as 7 parcelas pagas e consideradas na autuação fiscal, o montante de R$ 20.000,00 por conta de dano moral não tributável, mantendo incólume todo o restante da autuação fiscal. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907306/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Provido.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3803-002.668
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão.
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 13/10/2005, onde busca a contribuinte compensar crédito de PIS/PASEP, do período de apuração de abril de 2003, decorrente de pagamento a maior ou indevido, com débitos da mesma contribuição. A DRF em Florianópolis não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 29/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 23/07/2009, na qual alega que A empresa sendo tributada pelo lucro real, vinha pagando o PIS não cumulativo no período de janeiro/2003 à abril/2005 e a COFINS no período de janeiro/2004 à abril/2005 não cumulativos. Porém em maio de 2005 foi verificado que a atividade de vigilância se enquadrava nas atividades da Lei 7.102 de 20 de junho de 2003, que devem tributar o PIS e a COFINS pelo método cumulativo. Desta forma, foi refeito o cálculo do período acima referido, com base na tributação cumulativo conforme determina a lei e devidamente retificadas as declarações de IR, DCTF e DACON, sendo que o crédito referente ao pagamento a maior, foi compensado nos débitos posteriores conforme PERDCOMP (grifamos) A DRJ em Florianópolis manteve o despacho decisório por entender que a DCTF retificada após o início do procedimento fiscal não possui o condão de produzir efeitos retroativos, de modo que somente seria possível a homologação da compensação, independentemente de eventuais outras verificações, caso a contribuinte houvesse retificado a DCTF antes da transmissão da Dcomp. Eis a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 49DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10983.907306/200972 Acórdão n.º 380302.668 S3TE03 Fl. 2 3 Inconformada, após ciência do acórdão retro (20/07/2011), apresentou recurso voluntário em 16/08/2011, na qual requer a homologação da compensação apresentada ou, subsidiariamente, que seja facultado outro pedido de compensação utilizando o crédito gerado pela retificação da DCTF. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Consoante o relato, tratam os autos de declaração de compensação na qual o contribuinte buscou compensar créditos com débitos próprios, porém não logrou êxito ante a constatação pela RFB de insuficiência de saldo credor. A defesa da PROLINCON VIGILANCIA LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato em relação ao regime tributário de arrecadação. Alega que recolhia o PIS/Pasep pelo regime não cumulativo mas que, em análise posterior, verificouse que deveria recolher pelo regime cumulativo pois a empresa de vigilância se enquadraria na Lei 7.102 de 20 de junho de 2003. Diante disso, apresentou a DCOMP em 13/10/2005, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 09/07/2009, ou seja, após a ciência do despacho decisório (29/06/2009) –passados mais de três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Já se encontra pacificado no âmbito administrativo e judicial que este instrumento constituise em confissão de dívida, sendo inclusive suficiente para a Fazenda Nacional exigir o respectivo crédito tributário mediante a inscrição em dívida ativa do débito declarado.2 Não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração do PIS/Pasep objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep sobre regime de apuração errôneo, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não se deve reconhecer a retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, premissa esta já devidamente superada. Como bem citou a PROLINCON, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros3. Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 5º, §§ 1º e 2º do Decreto Lei nº 2.124, de 1984. 3 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10983.907306/200972 Acórdão n.º 380302.668 S3TE03 Fl. 3 5 seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 4 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. No tocante ao mérito da questão, extraímos do art. 8º da Lei nº 10.637/02 que as pessoas jurídicas de direito privado, e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, que apuram o IRPJ com base no lucro real estão sujeitas à incidência nãocumulativa, exceto: as instituições financeiras, as cooperativas de crédito, as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos imobiliários e financeiros, as operadoras de planos de assistência à saúde, as empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores de que trata a Lei nº 7.102, de 1983, e as sociedades cooperativas (exceto as sociedades cooperativas de produção agropecuária e as sociedades cooperativas de consumo). Sabendo que a alíquota do PIS/PASEP nãocumulativo, instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, é de 1,65% e que a alíquota da contribuição pelo regime cumulativo é de 0,65% há que se presumir a existência de efetivo recolhimento a maior pela Interessada. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de agosto de 2003, apurar o PIS/Pasep devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. No presente caso, o contribuinte verificou existência de crédito ao constatar que a atividade de vigilância se enquadrava nas atividades da Lei nº 7.102/2003 e que estava apurando o tributo equivocadamente pelo regime não cumulativo, que apresenta alíquota majorada se comparada com o regime cumulativo, o correto. Por força dos princípios da verdade material e do formalismo moderado, princípios estes que regem o processo administrativo fiscal, entendo que a retificadora deve ser aceita, posto que o equívoco perpetrado pelo contribuinte foi de gravidade tal que inequivocamente geroulhe o direito ao 4 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 6 crédito. Não reconhecer tal fato ensejaria o recolhimento em duplicidade do tributo e conseqüentemente o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que a discussão pairou somente na entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Florianópolis, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. É como voto. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 19515.005812/2008-35
Data da sessão: Mon Jul 27 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 23/09/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. RETROATIVIDADE BENIGNA.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 9202-008.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 58 12 /2 00 8- 35 Fl. 462DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.836 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.005812/2008-35 Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2803-01.175, proferido pela 3ªTurma Especial da 2ª Seção do CARF, em 29 de novembro de 2011, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 262: LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, constitui infração à legislação previdenciária. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32-A, I, da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte. No que se refere ao Recurso Especial, fls. 275 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 318 e seguintes, para rediscutir a aplicação da multa prevista no art. 32-A da Lei 8.212/91. Em seu recurso, aduz a Procuradoria, em síntese, que: a) que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91. Separadamente, havia a lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada); b) com o advento da MP 449/2008, instituiu‑se uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32‑A e artigo 35‑A, ambos da Lei 8.212/91; c) o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32‑A, com a multa reduzida; d) o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto/contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); e) a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32‑A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão‑somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; f) toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35‑A da Lei 8.212/91; g) de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35‑A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96); h) a NFLD e o auto de infração de obrigação acessória devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35‑A da MP 449. Fl. 463DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.836 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.005812/2008-35 Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, como se observa das fls. 391 e seguintes: a) não deve ser aceito o Recurso Especial interposto pela Procuradoria, por conter pedido que contraria entendimento consolidado na Súmula 74 do CARF; b) a CSRF tem demonstrado sustentar, em diversas ocasiões, a aplicabilidade retroativa da norma que comine penalidade menos gravosa; c) a Súmula CARF 74 expressamente determina a aplicação retroativa de norma que institua penalidade menos gravosa. Foi interposto Recurso Especial pelo Contribuinte, fls. 326 e seguintes, mas não foi admitido, consoante consta do Despacho de fls. 433 e seguintes. Posteriormente, foi interposto Agravo contra a inadmissibilidade do Recurso, mas foi rejeitado, restando mantida a negativa inicial, conforme se extrai das fls. 451 e seguintes. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais pressupostos de admissibilidade. No que se refere à alegação no sentido de que “não deve ser aceito o Recurso Especial interposto pela Procuradoria por conter pedido que contraria a Súmula CARF n.º 74”, cumpre esclarecer que a situação dos presentes autos não se subsume ao disposto na Súmula mencionada, considerando que há regramento específico para o lançamento da multa em análise, quando existe lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória. Observa-se que, da presente ação fiscal, tiveram origem os seguintes autos, fls. 12: AI 37.196.327-3 AI 37.196.328-1 AI 37.171.967-4 AI 37.171.968-2 AI 37.171.969-0 O processo sob análise trata da obrigação acessória disposta no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n.º 8.212 de 24/07/99, acrescentado pela Lei n.º 9.528/97, combinado com o artigo 225, Inciso IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99. Foi admitida para rediscussão pelo Colegiado, conforme narrado, apenas a matéria atinente à aplicação da multa (retroatividade benigna). Sobre o tema, o CARF sedimentou o entendimento esposado no âmbito do Enunciado de Súmula CARF n.º 119, como segue: Súmula CARF nº 119 Fl. 464DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.836 - CSRF/2ª Turma Processo nº 19515.005812/2008-35 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Verifica-se que assiste razão à Recorrente, em seus argumentos, quanto à necessidade de recálculo da multa. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria e, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 465DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 35301.005369/2006-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/01/1994.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, inciso I do CTN. O lançamento fiscal encontra-se
decadente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-000.804
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/01/1994. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, inciso I do CTN. O lançamento fiscal encontra-se decadente. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/01/1994. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, inciso I do CTN. O lançamento fiscal encontrase decadente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 385 2 Relatório Tratase de crédito tributário lançado contra o contribuinte acima identificado relativo às contribuições previdenciárias patronal e de segurados, período de 06/1995 a 01/1999. Consoante relatório fiscal, de fls. 45/51, a apuração deuse com base na responsabilidade solidária decorrente da execução de obra de construção civil pela empresa SENSOR ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ 78.798.634/000129, uma vez que a contratante não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados incluídas em notas fiscais e/ou faturas correspondentes aos serviços executados, na forma determinada pela legislação previdenciária. O contribuinte não apresentou as cópias das folhas de pagamento e dos comprovantes de recolhimento correspondentes à obra contratada, fato que ensejou o arbitramento das contribuições devidas, consoante o disposto no art. 33, §3° da Lei 8.212/91. O contribuinte (Embratel) tomou ciência da notificação fiscal em 20/12/2005 (fl. 01), apresentando impugnação. O prestador dos serviços (SENSOR ENGENHARIA) também apresentou impugnação. Os autos foram baixados em diligência fiscal e retificados (fls. 241/249) em razão da apresentação de documentos por ocasião da defesa. O órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal julgou parcialmente procedente o lançamento, fls. 255 a 264. Declarou os contribuintes devedores do crédito retirado no DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 251 a 254), período de 06/1995 a 12/1998. A competência 01/1999 foi excluída do lançamento por ser relativo a valores de outra empresa (Sendon Engenharia). O contribuinte (Embratel) tomou ciência da decisão em 17/05/2006 (fls. 266), inconformado apresentou recurso em 14/06/2006, fls. 273 a 312, em síntese: seja reconhecida a decadência dos valores lançados nesta NFLD; seja reconhecida a impossibilidade de majoração da multa, para percentuais superiores a 12%; seja reformada a r. decisão recorrida e, conseqüentemente, sejam anulados os lançamentos constantes da NFLD com o conseqüente arquivamento do processo administrativo respectivo; seja realizada perícia, com os quesitos formulados (fls. 311 e 312) caso os argumentos e fundamentos ora expostos não sejam suficientes à anulação dos lançamentos em questão, ou convertido em diligência, de forma que sejam carreados aos autos os elementos indispensáveis para que forme este Colendo Conselho seu convencimento, livre dos vícios verificados na autuação e na decisão de primeira instância. A empresa prestadora dos serviços foi cientificada da decisão em 18/05/2006 (fls. 268) apresentou recurso às folhas 319 a 331 e cópia (fls. 334 a 345), alegando em síntese: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 386 3 a ausência de fundamentação legal do arbitramento das contribuições previdenciárias, O conhecimento e integral análise da presente impugnação e dos documentos oferecidos, a realização de novas diligências, especialmente visando à comprovação dos fatos alegados nesta defesa e o efetivo e correto recolhimento das contribuições; cerceamento ao direito de defesa da empresa notificada, face ao trânsito do processo administrativo no Rio de Janeiro, quando toda a documentação atinente aos fatos encontrase em Curitiba/PR, com a conseqüente determinação do imediato envio dos autos para julgamento nesta capital e devolução do prazo para o oferecimento de defesa, sob pena de nulidade; a decadência do período lançado; o reexame das notas fiscais e demais documentos anexos, a fim de que sejam apurados os reais valores de referência; o reconhecimento dos valores recolhidos através de GRPS 's e o abatimento de tais valores sobre eventuais débitos encontrados; o recálculo do débito, por ventura apurado, por excessivos os juros aplicados; a suspensão da aplicação da penalidade, sendo atribuída à mesma o efeito ex tunc, até o julgamento final deste recurso; por fim, o arquivamento do lançamento. Foram apresentadas contrarazões (fls. 359 a 363) requerendo que os recursos sejam improvidos. O Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS converteu o julgamento em diligência (fls. 364 a 366). A diligência foi cumprida (fls. 368). Os contribuintes (Embratel e Sensor Engenharia) apresentaram contrarrazões (fls. 372/373 e 376/380). É o relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima Os recursos são tempestivo, fls. 349, pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões suscitadas. Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 387 4 O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Os acórdãos exarados pelas Turmas do Superior Tribunal de Justiça STJ prevêem a aplicação de regras de contagem da decadência para as contribuições previdenciárias. Havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento pelo Fisco de eventuais diferenças de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN). Se não houver pagamento antecipado, ou parcelamento parcial, ou declaração prévia (GFIP), aplicase o art. 173, I, do CTN, cujo prazo decadencial para a constituição do crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo certo que corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, consoante julgamento do REsp 973.733/SC pelo STJ, sujeito ao regime dos recursos repetitivos. São os textos dos julgados: Processo AGRESP 201001395597AGRESP AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 1203986 Relator(a) LUIZ FUX Sigla do órgão STJ Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte DJE DATA:24/11/2010 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 388 5 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo173: "Art.173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.". 2. (...). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (...). 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º,I,da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. Data da Decisão 09/11/2010 Data da Publicação 24/11/2010 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 389 6 Processo RESP 201001432647RESP RECURSO ESPECIAL 1207053 Relator(a) CASTRO MEIRA Sigla do órgão STJ Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DJE DATA:23/11/2010 Ementa TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. VERBA HONORÁRIA. ART. 20, § 4º, DO CPC. 1. Nos créditos tributários relativos a tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte – caso em que se aplica o art.173, I, do CTN –, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 2. Na hipótese dos autos, deve ser reconhecida a decadência do direito à constituição do crédito tributário referente ao anobase de 1989, tendo em vista que o prazo para a notificação do contribuinte do auto de infração era de 1º de janeiro de 1990 a 31 de dezembro de 1994, enquanto a dívida foi inscrita somente em 30 de setembro de 1999. 3. Vencida a Fazenda Pública, mediante apreciação equitativa, pode o juiz arbitrar os honorários advocatícios em percentual que esteja dentro dos limites legais previstos no artigo 20, § 3º, do CPC. 4. Recurso especial não provido. Data da Decisão 09/11/2010 Data da Publicação 23/11/2010 Processo RESP 200702134298RESP RECURSO ESPECIAL 985301 Relator(a) ELIANA CALMON Sigla do órgão STJ Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DJE DATA:01/09/2010 Ementa PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO TERMO INICIAL – ARTIGO 173, I, DO CTN APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN IMPOSSIBILIDADE REEXAME DE PROVAS: SÚMULA 7/STJ. PRECEDENTE: REsp 973.733/SC. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. 2. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 3. Recursos especiais conhecidos e não providos. Data da Decisão 19/08/2010 Data da Publicação 01/09/2010 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 390 7 Processo APELREEX 200780000026293APELREEX Apelação / Reexame Necessário 5108 Relator(a) Desembargador Federal Francisco Barros Dias Sigla do órgão TRF5 Órgão julgador Segunda Turma Fonte DJE Data::25/11/2010 Página::394. Decisão UNÂNIME Ementa PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARA FINS DE PARCELAMENTO INDEFERIDO. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO COM PEDERES PARA TAL FIM. PEDIDO DE DISPENSA DO PAGAMENTO DAS CUSTAS PROCESSUAIS E HONORÁRIOS ADVOCATICIOS AFASTADO.. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS SÚMULA VINCULANTE Nº 8. DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO. 1. Discutese se a divida fiscal constante na LDC 370043278 no valor de R$ 6.130.727,51 estaria atingida pela decadência 2. (...) 3. (...) 4. O prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente contribuições sociais, é de cinco anos, de acordo com o art. 174 do Código Tributário Nacional, pois o Supremo Tribunal Federal, em entendimento cristalizado na Súmula Vinculante nº 08, estabeleceu que os artigos 45 e 46 da Lei nº. 8.212/91 são inconstitucionais. 5. Nos termos do art. 173, I do CTN, o direito para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, extingue se em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 6. É de se destacar que não foi apresentada GFIP em relação aos debitos das competências relativas ao ano 2000, fato que tornaria constituido o credito tributário, afastando qualquer discussão acerca dadecadência 7. No caso em tela, se observa que a confissão da dívida somente ocorreu em 31/072006. Como o fato gerador mais antigo do débito constante na LDC 37.004.3278 ocorreu no ano de 2000, a contagem do prazo decadencial teve inicio no primeiro dia útil do exercicio financeiro seguinte, no caso 1º de janeiro de 2001 e término em 31 de dezembro de 2005. 8. Neste caso, há de se reconhecer a decadência do débito constante na referida LDC, apenas, relativo as competências compreendidas no ano de 2000. 9. Quanto ao débitos relativos a competência de janeiro de 2001 a junho de 2006, constante na LDC, se entende que não ocorreu a decadência. 10. (...) 11. (...) 12. (...). Apelação e remessa oficial parcialmente providas. Data da Decisão 09/11/2010 Data da Publicação 25/11/2010 (nosso grifo) Quanto ao descumprimento da obrigação acessória, o STJ e Tribunal Federal (TRF2), em decisão por unanimidade, vêm entendendo que deve ser aplicado o art. 173, I, do CTN, no caso de sanção pecuniária (autuação) por descumprimento de obrigação acessória, inclusive na falta ou entrega deficiente de dados informados na GFIP. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art.173, I, do CTN, tendo em vista tratarse de lançamento de ofício, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI; ou seja, nos casos de descumprimento de obrigação acessória, decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito da administração tributária constituir seus créditos. São os textos das decisões: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 391 8 Processo RESP 200800984908RESP RECURSO ESPECIAL 1055540 Relator(a) ELIANA CALMON Sigla do órgão STJ Órgão julgador SEGUNDA TURMA Fonte DJE DATA:27/03/2009. Ementa TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART.173, I, DO CTN. 1. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art.173, I, do CTN, tendo em vista tratar se de lançamento de ofício, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente a figura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4º, do CTN. 4. Recurso especial não provido. Data da Decisão 19/02/2009 Data da Publicação 27/03/2009 Processo AG 201002010085209AG AGRAVO DE INSTRUMENTO 189664 Relator(a) Desembargadora Federal MARIA ALICE PAIM LYARD Sigla do órgão TRF2 Órgão julgador OITAVA TURMA ESPECIALIZADA Fonte EDJF2R Data::07/02/2011 Página::137 Decisão A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Relator(a). Ementa AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. SISCOMEX. DESCUMPRIMENTO. DECADÊNCIA. ART.173 DO CTN. 1 “A obrigação acessória, pelo simples descumprimento, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3º, do CTN), estando o Fisco autorizado a inscrevêla em dívida ativa e cobrála por meio de execução fiscal. (TRF1ª Região, Apelação Cível 1997.38.01.0055010, Oitava Turma, Rel. Des. Federal Maria do Carmo Cardoso, DJF 21/11/2008). 2 A aplicação de penalidade por não cumprimento da obrigação acessória deve obedecer à regra prevista no artigo173 do Código Tributário Nacional, ou seja, nos casos de descumprimento de obrigação acessória, decai em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, o direito da administração tributária constituir seus créditos. 3 Agravo Interno desprovido. Data da Decisão 01/02/2011 Data da Publicação 07/02/2011 (nosso grifo) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 392 9 O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão exarado em Recurso Especial REsp 761908 / SC, 2005/01010128, T1 PRIMEIRA TURMA, relator Ministro LUIZ FUX (1122), publicação DJ 18/12/2006 p. 322, prevê a aplicação de regras de contagem de decadência distintas em um mesmo lançamento de contribuições previdenciárias, cujo excerto transcrevo: Processo RESP 200501010128RESP RECURSO ESPECIAL 761908 Relator(a) LUIZ FUX Sigla do órgão STJ Órgão julgador PRIMEIRA TURMA Fonte DJ DATA:18/12/2006 PG:00322 RET VOL.:00054 PG:00055. Ementa TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS.DECADÊNCIA.LEI 8.212/91 (ARTIGO 45). ARTIGOS 150, § 4º, E173, I,DA CF/88. ACÓRDÃO ASSENTADO EM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. 1. (...). 11. In casu, a notificação de lançamento, lavrada em 31.10.2001 e com ciente em 05.11.2001, abrange duas situações: (1) diferenças decorrentes de créditos previdenciários recolhidos a menor (abril e novembro/1991, março a julho/1992; novembro e dezembro/1992; setembro a novembro/1993, janeiro/1994, março/1994 a janeiro/1998; e março e junho/1998); e (2) débitos decorrentes de integral inadimplemento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos (maio a novembro/1996; janeiro a julho/1997; setembro e dezembro/1997; e janeiro, março e dezembro/1998) e das contribuições destinadas ao SAT incidente sobre pagamentos de reclamações trabalhistas (maio/1993; abril/1994; e setembro a novembro/1995). 12. No primeiro caso, considerandose a fluência do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, encontramse fulminados pela decadência os créditos anteriores a novembro/1996. 13. No que pertine à segunda situação elencada, em que não houve entrega de GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), nem confissão ou qualquer pagamento parcial, incide a regra do artigo 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial qüinqüenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta sorte, encontram se hígidos os créditos decorrentes de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos e caducos os decorrentes das contribuições para o SAT. (nosso grifo) REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. Na interpretação em análise de recurso repetitivo do Superior Tribunal de Justiça STJ, o início do prazo decadencial se dá “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível” (REsp. n. 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, 18.09.2009). No caso em concreto, o período do lançamento retificado é de 06/1995 a 12/1998. A competência 01/1999 foi excluída do lançamento por ser relativo a valores de outra empresa (Sendon Engenharia), conforme DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado (fls. 251 a 254). Não houve pagamento antecipado nem declaração em GFIP, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.005369/200601 Acórdão n.º 280300.804 S2TE03 Fl. 393 10 conforme Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 4/7). A diligência fiscal deflagrada em razão das defesas apresentadas pelos contribuintes não reconheceu a aptidão das cópias das guias de recolhimento apresentadas por serem recolhimentos genéricos e não vinculados à prestação dos serviços para a Embratel (fls. 241). A ciência da notificação se deu em 20/12/2005 (fl. 01). Logo deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para essas competências encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os todos fatos geradores apurados pela fiscalização anteriores a 01/01/2004. Assim, o lançamento está totalmente decadente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso em razão da decadência do período lançado, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10865.903803/2009-48
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.190
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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BENEFICIAMENTO DE MATERIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencido o Relator, que votou pela conversão do julgamento em diligência. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Redator designado [assinado digitalmente] Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 2 Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresenta Recurso Voluntário contra decisão denegatória de PER/DCOMP eletrônico referente ao recolhimento a maior de COFINS referente ao PA de 31.08.2003. O despacho eletrônico anexo fls. 06 indeferiu o pedido de homologação da compensação com fundamento no fato de que o “suposto” pagamento a maior não foi comprovado pelo contribuinte. Na manifestação de inconformidade anexa fls. 11/14 o contribuinte sustentou que a partir de 1º de novembro de 2002 a Lei n.º 10.485/2002 reduziu para zero a alíquota da COFINS incidente sobre as receitas auferidas com a venda e industrialização por encomenda de autopeças. Afirmou ainda que com a edição da Lei n.º 10.865/2004 foi afastado o regime monofásico do setor automotivo, retornando a incidência do PIS e da Cofins a todos os componentes da cadeia, a partir de 1º de agosto de 2004. Alegou ainda ter recolhido indevidamente PIS e COFINS durante o período de dezembro de 2002 ao final de julho de 2004, incidente sobre suas receitas de venda e industrialização sob encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e por essa razão tem direito a homologação da compensação desses créditos, embora não tenha retificado a DCTF para informar a alteração do valor correto devido. Por fim, o contribuinte alegou na Manifestação de Inconformidade que não informou o número do recibo da DCOMP na correspondente DCTF, sendo que, por outro equívoco, pagou o tributo informado nesta DCOMP por meio de DARF, ocasionando um pagamento em duplicidade (Darf e Dcomp). As fls. 26/28 sobreveio a Decisão n.º 1428.855 4 º Turma da DRJ/POR, cuja ementa foi lavrada com o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O direito creditório só é passível de ser reconhecido se lastreado em documentação fiscal e contábil, demonstrada nos autos pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Extraise da decisão atacada que os julgadores de primeiro grau têm ciência de que a alíquota do PIS e COFINS foi reduzida a zero relativamente à receita bruta de venda de produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei n.º 10.485/2002 dos produtos classificados nos códigos da TIPI mencionados no art. 1º desta Lei. Entretanto, a decisão recorrida concluiu que o direito creditório pleiteado não restou comprovado por meio de documentação idônea, uma vez que o contribuinte não demonstrou que toda ou parte das receitas auferidas foram Fl. 106DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903803/200948 Acórdão n.º 3803003.190 S3TE03 Fl. 106 3 provenientes de venda de produtos classificados nos códigos da TIPI, conforme definido no art. 1º da Lei n.º 10.485/2002, logo o motivo do indeferimento decorreu da ausência de provas, segundo a decisão recorrida. Em Recurso Voluntário, anexo fls. 30/40 o contribuinte alega nulidade da decisão de primeiro grau, com fundamento no art. 59, II do Decreto n.º 70.235/72 tendo em vista que a mesma desconsiderou o direito a ampla defesa e contraditório, pois o Fisco não o intimou a apresentar documentos e deixou de reconhecer o direito creditório sob o argumento de que não foram apresentada prova contábil que fizesse lastro com o direito pretendido, quando na realidade é obrigação da Fazenda Nacional realizar diligência e buscar informações no sentido de apurar a existência do crédito. Afirmou que o cerne da questão neste processo se refere a discussão da alíquota zero da contribuição incidente sobre as receitas auferidas com a venda e com a industrialização por encomenda relacionadas nos anexos I e II da Lei nº 10.845/02, durante o período compreendido entre dezembro de 2002 a julho de 2004. Argumenta ter acontecido equívoco da não retificação da DCTF informando sobre a alteração do valor efetivamente devido de PIS e COFINS, isto é, deveria ter informado na DCTF que sobre estas contribuições incidia alíquota zero, razão pela qual houve o pagamento a maior do tributo no período de apuração em tela. Neste sentido, ressalta o contribuinte que por não ter acontecido a retificação da DCTF, o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito para fazer frente aos débitos apontados no PER/DCOMP. Assim, com fulcro no princípio da verdade material o contribuinte solicita que seja homologada a Dcomp apresentada e que seja cancelado o saldo devedor constante no despacho decisório, principalmente porque agora trás em seu recurso voluntário planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais por amostragem, conforme se observa dos DOCUMENTOS 2 e 3, respectivamente. Por fim, requer que seja homologada a Dcomp e seja cancelado o saldo devedor apurado. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, Relator O recurso é tempestivo e por isso merece ser analisado. Conforme relatado, tratase de decisão denegatória de pedido de compensação em razão de pagamento a maior de PIS/Pasep, sob o argumento de que o pagamento indevido não foi comprovado pelo contribuinte. Retirase da decisão recorrida, que os julgadores de primeiro grau concluíram não ter trazido o contribuinte “quaisquer” elementos de prova por meio das quais a Fazenda Nacional pudesse verificar quais receitas do período apontado se referem efetivamente a Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 4 industrialização por encomenda, principalmente se os produtos estariam relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002. Já compulsando os autos, constatase que o despacho decisório foi emitido de forma eletrônica e se limitou a indeferir o pedido por falta de comprovação do crédito apontado para realizar a compensação pleiteada. Acontece que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte teceu comentários a respeito da incidência da alíquota zero da COFINS para as operações de industrialização por encomenda de autopeças relacionadas nos anexos I e II da Lei n 10.485/2002 e informou também ter recolhido indevidamente o tributo, pois indicou valores equivocados em DCTF. É verdade que em sua Manifestação de Inconformidade não trouxe elementos probatórios capazes de derruir a premissa fazendária de ausência de crédito e por conta disso a DRJ concluiu pelo indeferimento do pedido. Entretanto, agora em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe importantes provas da existência do crédito, ou seja, planilha contendo relação de notas fiscais objeto de recolhimento indevido de PIS e COFINS e notas fiscais, ainda que por amostragem. Com efeito, “data vênia”, entendimento contrário, manifesto posicionamento de que os autos devem ser encaminhados à repartição de origem, com o propósito de que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar todas as notas fiscais relacionadas na referida planilha, bem como lançamentos contábeis, relatório do seu processo produtivo e demais documentos que entenda necessários para a apuração do direito creditório. Alertase ainda para o fato de que em momento algum ocorreu a intimação, por parte da Fazenda Nacional, para que o contribuinte apresentasse qualquer documento fiscal. Assim, ainda que seja ônus do sujeito passivo colacionar aos autos provas constitutivas do seu direito, por outro lado também é verdade que uma vez trazidos pelo contribuinte elementos de provas do seu direito, ainda que posteriormente a decisão da DRJ, não deve ser criado óbice a apuração da verdade material. Ante o exposto, considerando o contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como o princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem para que se proceda à verificação se os produtos sob os quais ocorreu a industrialização por encomenda estão relacionados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei 10.845/2002, pois tal constatação é fundamental para a apuração do direito crédito. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Kern, Redator designado A compensação declarada não foi homologada porque o pagamento apontado como indevido estava integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A decisão recorrida, por sua vez, não reconheceu o direito creditório reivindicado, no valor de R$ Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903803/200948 Acórdão n.º 3803003.190 S3TE03 Fl. 107 5 85,79, mantendo o Despacho Decisório atacado, porque o interessado não trouxe quaisquer elementos de prova que permitisse a verificação de se toda ou parte das receitas daquele período referemse à industrialização por encomenda especificamente daqueles produtos classificados nos códigos da TIPI listados nos anexo I e II à Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002. Fazendo tabola rasa das regras processuais de preclusão e apoiandose em noção arrevesada do princípio da verdade material, o redator, equivocadamente, propôs a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de jurisdição sobre o contribuinte produzisse a prova que toca ao interessado produzir, nos momentos processuais adequados. Evidentemente, a 3ª Turma Especial, à exceção do Conselheiro Juliano Eduardo Lirani, jamais respaldaria tal proposição. A natureza extintiva –ainda que condicionada a ulterior homologação – da Declaração de Compensação, impõe que o interessado assegurese que crédito oposto no encontro de contas seja líquido e certo, já no momento da transmissão da Dcomp, sob pena de não têlo homologado. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008, apresentando, não apenas as alegações que fez, vazias, pois desacompanhadas de qualquer embasamento documental, mas de documentação contábilfiscal idônea e hábil para demonstrar o erro cometido e afastar o atributo de irretratabilidade da confissão feita na DCTF. O que o recorrente – e o relator também não pode esperar é que a autoridade fiscal suplemente a sua vontade e o intime a tanto. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 6 impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903803/200948 Acórdão n.º 3803003.190 S3TE03 Fl. 108 7 Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de oficio. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 8 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, acima parcialmente transcrita, prevê a "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI Processo nº 10865.903803/200948 Acórdão n.º 3803003.190 S3TE03 Fl. 109 9 No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI 10 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, prévia e espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria espontaneidade para retificar a DCTF,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 2008. O recorrente, contudo, limitouse a apresentar planilha de bases de cálculo, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposta na compensação declarada. Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2012 Alexandre Kern Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por JULIANO EDUARDO LIRANI
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Numero do processo: 13820.001036/2006-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DECLARAÇÃO RETIFICADORA ANTES DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Deve ser cancelado o auto de infração lavrado, mas notificado ao contribuinte somente após a entrega de declaração retificadora que corrigiu as irregularidades da declaração anterior e que fora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-000.803
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado: Por maioria de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso para cancelar o lançamento. Vencido(s) o Conselheiro(s) Relator Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Lúcia Reiko Sakae.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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Deve ser cancelado o auto de infração lavrado, mas notificado ao contribuinte somente após a entrega de declaração retificadora que corrigiu as irregularidades da declaração anterior e que fora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os autos. ACORDAM os membros do colegiado: Por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar o lançamento. Vencido(s) o Conselheiro(s) Relator Dayse Fernandes Leite. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Redator designado EDITADO EM: 04/06/2011 Fl. 38DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 06/06/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 07/ 06/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram do julgamento, os Conselheiros: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, LUCIA REIKO SAKAE, CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, DAYSE FERNANDES LEITE, SIDNEY FERRO BARROS. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 0/12, relativo ao exercício financeiro de 2005, lavrada em virtude de omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas, no valor de R$44.975,34, informados na DIMOB pela HOFFMAN IMÓVEIS LTDA – CNPJ 05.281.747/000189. Insurgido contra o lançamento, o peticionário apresentou a impugnação de fls. 01/02, na qual alega, em síntese, consoante o relatório de primeira instância que: • Na época da elaboração de sua declaração, solicitou à imobiliária os informes de rendimentos de aluguéis, não tendo ficado em nenhum momento da falta de informes declarados; • A falta dos rendimentos declarados não foi sua culpa direta, pois tem idade avançada e ficou a mercê de terceiros, sendo assim requer o cancelamento da multa de ofício, pois não teve a intenção de burlar o fisco; • Requer a retificação dos rendimentos de pessoas jurídicas constantes na declaração, pois se encontram a maior. O valor declarado foi o valor bruto, sem a comissão da imobiliária. A autoridade recorrida ao examinar tal pleito decidiu, por unanimidade de votos, mediante o acórdão de fls. 13/18, pela procedência do lançamento, sob o seguinte fundamento: “Verificase que o contribuinte não questiona a omissão de rendimentos, se limitando a pedir o cancelamento da multa e alegar que os valores declarados estavam incorretos. Retificação dos rendimentos tributáveis declarados Quanto à tentativa de retificar os rendimentos, o contribuinte não traz nenhum elemento probatório para demonstrar qual seria o valor correto, além do mais, a correção de um valor devidamente declarado tratase de uma tentativa de retificação de declaração o que não pode ser efetuado após o inicio do procedimento fiscal. Quanto a este fato fazse mister transcrever o art. 832 do Regulamento do Imposto de Renda, consubstanciado no Decreto n° 3.000, de 29/03/1999: "Art.832 — A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento Fl. 39DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 06/06/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 07/ 06/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13820.001036/200601 Acórdão n.º 280200.803 S2TE02 Fl. 11.3 3 de oficio ( Decretolei n° 1.967, de 1982, art. 21, e Decretolei n° 1.968, de 23/11/1982, art.6°). (g.n.) Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto." Frisese que o art. 19 da Medida Provisória n° 1.99026/99, sucessivamente reeditada, não convertida em Lei até então, vigorando nesta data a Medida Provisória n° 2.189 49/2001, estabelece que a retificação de declarações de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. No caso em tela, cumpre ressaltar o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, como se constata a seguir, em que não pode o contribuinte, em seu benefício, obter a retificação da declaração de rendimentos após iniciado o procedimento fiscal: "INICIATIVA DO CONTRIBUINTE — Só é admissível a retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, para fins de reduzir ou excluir tributo, quando solicitada antes de notificado o lançamento de oficio (Ac. 1° CC 1050.614/84 e 1060.207/84)."(g.n) "RETIFICAÇÃO APÓS INICIADO PROCEDIMENTO FISCAL — Não pode o contribuinte em seu beneficio obter a retificação da declaração de rendimentos, após iniciado o procedimento fiscal (Ac. 1° CC 102 21.822/85)." (g.n) Notese, por outro lado que, ainda que houvesse a apresentação da declaração retificadora, esta não teria o condão de suspender os efeitos do lançamento e, tampouco excluiria a aplicação das penalidades de ofício, por não contar mais o declarante com o benefício da espontaneidade previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/1966, abaixo transcrito: "Art.138 — A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo depende de apuração. Parágrafo único — Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionadas com a infração." (g. n.) Como no caso em tela esta DRJ é competente para apreciar somente o assunto pertinente ao lançamento, não cabe apreciar o pedido de retificação da declaração conforme pretende a contribuinte. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 06/06/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 07/ 06/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Da multa de oficio Pede o contribuinte pela improcedência da multa de oficio, entretanto a definição deste consectário está prevista na legislação e, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. Assim, à multa aplicada de 75% está prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e em plena validade, conforme aqui colacionado: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Da análise dos dispositivos legais expostos, podemos constatar que a multa de ofício de 75%, prevista no inciso I, é devida também nos casos de declaração inexata, ou seja, de equívoco do contribuinte, independentemente da intenção do agente de fraudar o fisco, por oposição ao disposto no inciso II do mesmo dispositivo. Assim, uma vez que a artigo 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, estabelece literalmente o percentual de 75% de multa no caso de lançamento de ofício, cabe à autoridade fiscal, juntamente com o imposto devido, exigir a multa de 75%. Referida multa, como esclarecido no Auto de Infração, será reduzida em sendo o crédito tributário recolhido integralmente ou parcelado. Inexiste, portanto, amparo legal que possibilite atender a pretensão do autuado no sentido de excluir do Auto de Infração a multa de ofício. Situação pessoal do contribuinte Em que pesem as alegações da contribuinte de ter idade avançada e ter confiado sua declaração a terceiros, estas não tem o condão de eximilo da obrigação tributária, por faltar previsão legal para tanto. Já com relação ao argumento do contribuinte de que não teve intenção de burlar o fisco, devese ressaltar que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. Assim, não cabe a alegação de que não houve por parte da contribuinte intenção de lesar o fisco. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Fl. 41DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 06/06/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 07/ 06/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13820.001036/200601 Acórdão n.º 280200.803 S2TE02 Fl. 12.3 5 Art.136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 13/02/2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 21. À vista disso foi protocolizado, em 11/03/2009, recurso voluntário dirigido a ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 22/27, no qual o pólo passivo e seu bastante procurador, conforme instrumento de mandato de fl. 28, questionam a exação procedida. Na peça recursal, o litigante, em apertada síntese, requer o cancelamento da a multa de ofício constante na aludida Notificação Fiscal. Assevera que por ter entregue uma declaração retificadora, espontaneamente, em 17 de novembro de 2006, faz jus ao benefício da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, uma vez que o lançamento só se aperfeiçoou em 21 de novembro de 2006. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite O recurso de fls. 22/27 é tempestivo, mediante o cotejo do “AR Aviso de Recebimento” de fl. 21 com o carimbo de recepção aposto à fl. 22. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio está centrado no pedido de afastamento de multa de ofício uma vez que, espontaneamente retificou sua declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2005, sanando assim as irregularidades apontados pelo fisco na aludida notificação fiscal. Esta é a disciplina contida no art. 832 do RIR/1999 (incorporando regra legal estatuída no Decretolei nº 1.967/1982, art. 21; e no Decretolei nº 1.968/1982, art. 6º): “Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (Decretolei nº 1.967, de1982, art. 21, e Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto.” [grifouse] A cronologia dos fatos é decisiva para o deslinde da questão posta: declaração retificadora apresentada em 17/11/2006 – fl. 29; Tela extraída do sistema Malha Imposto de Renda Pessoa Física, de fl. 05, onde consta que uma Intimação foi emitida ao recorrente em 18/11/2006; Fl. 42DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 06/06/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 07/ 06/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Notificação de Lançamento lavrada em 21 de novembro; Pois bem, em que pese os argumentos do Acórdão 0416.462, proferido pela 4ª Turma da DRJ Campo Grande MS, não posso concordar com o entendimento daquele colegiado. Entendo que cabe ao fisco comprovar que o contribuinte entregou a declaração retificadora após o início do procedimento fiscal. O processo administrativo é inspirado pelo princípio da verdade material, no sentido de se buscar identificar se realmente ocorreu ou não o fato gerador. Compulsando os autos, em especial pelo exame da notificação fiscal de fls. 09 a 12 verifico que não há qualquer prova trazida aos autos que demonstre qual a data que ocorreu o início do processo de lançamento de ofício. Destarte, por se tratar de infração e penalidade, o princípio do in dúbio pro reo que inspira as normas extraídas do art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN) requer que se adote solução mais favorável ao acusado. Tratandose de atividade plenamente vinculada (artigos 3º e 142 do Código Tributário Nacional), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias para obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário Nacional. Caso contrário, subsistindo a incerteza no caso de prova, o Fisco deve absterse de praticar o lançamento em homenagem à máxima “in dúbio pro contribuinte”. Em síntese, nada nos autos demonstra que a declaração retificadora foi apresentada depois do início do procedimento fiscal, o que se tem comprovado nos autos é que a declaração retificadora foi entregue em 17 de novembro de 2006. Logo, insistir em manter a multa de ofício, após as evidências constantes dos autos, é afrontar a verdade material. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso para tãosó excluir a multa de ofício. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 12 de maio de 2011. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 43DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 06/06/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 07/ 06/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13820.001036/200601 Acórdão n.º 280200.803 S2TE02 Fl. 13.3 7 Voto Vencedor Conselheira Lucia Reiko Sakae Redator designado. Como esclareceu a ilustre relatora o litígio centravase “no pedido de afastamento de multa de ofício uma vez que, espontaneamente retificou sua declaração de rendimentos relativa ao exercício de 2005, sanando assim as irregularidades apontados pelo fisco na aludida notificação fiscal.” No entanto, confirmandose que o recorrente apresentara declaração retificadora corrigindo as irregularidades observadas, mas ainda não lançadas, tampouco notificado ao contribuinte, o auto de infração perde o objeto, pois com a retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício sanando as irregularidades, o recorrente espontaneamente apura e confessa o imposto devido, resultando, em consequência, em mera cobrança do imposto apurado na declaração retificadora, com os devidos acréscimos legais. com os devidos acréscimos legais. Desta feita, deve o auto ser cancelado por perda de objeto. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Fl. 44DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 06/06/2011 por DAYSE FERNANDES LEITE, 04/06/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 07/ 06/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13854.000169/2004-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 26 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Deve ser decretada a nulidade de despacho decisório que não demonstra, claramente, como a auditoria-fiscal apurou o valor ajustado de depreciação de máquinas e equipamentos, em relação ao valor declarado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3302-009.216
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular o despacho decisório, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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NULIDADE. Deve ser decretada a nulidade de despacho decisório que não demonstra, claramente, como a auditoria-fiscal apurou o valor ajustado de depreciação de máquinas e equipamentos, em relação ao valor declarado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para anular o despacho decisório, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 01 69 /2 00 4- 01 Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-009.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13854.000169/2004-01 Relatório Adota-se o relato da decisão recorrida: A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, do mês de agosto de 2004, apurado de conformidade com o art. 3° da Lei 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 103.744,72. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal ( fls 93/100), procedeu ao rateio proporcional, por não encontrar sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; receita de álcool para fins carburantes; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa física; créditos indevidos de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária; despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos e apuração incorreta do crédito presumido relativo aos estoques de abertura, com glosa de R$ 98.569,63. O Auditor-fiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pela empresa via internet (fls. 60/64) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fls. 65/66), os seguintes demonstrativos: I - Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 86); II - Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 87); III - Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 88); IV - Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a COFINS não Cumulativa (fl. 89); V - Demonstrativo de Receitas de Exportação de Produtos de Fabricação Própria (fls. 69/71); e VI - Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fls.69/70). Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 5.205,09, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 101/102, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 111/127. Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal falta- lhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltando-lhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos, na glosa de insumos e na análise dos créditos relativos à cana de açúcar adquiridas de pessoas físicas e jurídicas. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive cana-de-açúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Sustenta que os créditos de cana-de-açúcar adquiridas de pessoa física e jurídica são devidos, e que as normas consideradas pelo Auditor-fiscal, inclusive a IN/SRF nº 660/2006, são ilegais e inconstitucionais, por ferirem o “princípio da irretroatividade”. Por fim, alega inconstitucionalidade na aplicação das normas que tratam da variação cambial, defendendo que “o legislador infraconstitucional extrapolou a sua Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-009.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13854.000169/2004-01 competência para instituir PIS/COFINS, equiparando e incluindo na base de cálculo o evento– variação cambial que não possui, essencialmente, natureza de “receita” ao qual se refere a Constituição Federal.” e pede o deferimento da manifestação de inconformidade. Posteriormente, por meio do Acórdão número 14-38.361, da 4ª Turma da DRJ/RPO os argumentos foram analisados e a Manifestação de Inconformidade indeferida. Ainda, conforme Acórdão nº 3801-004.721 da 1ª Turma Especial do Carf, o Recurso Voluntário foi apreciado, resultando na nulidade da decisão de primeira instância. Desta feita, nos termos do Acórdão do Carf acima citado, analisa-se a Manifestação de Inconformidade. Em 11/06/2015, a DRJ/RPO julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins não-cumulativa, entende- se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. Na determinação da Cofins não-cumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto de crédito correspondente ao estoque de abertura dos bens referidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, existentes na data de início da incidência da Cofins não-cumulativa, calculado na forma prevista no art. 12 da citada Lei. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime não-cumulativo de apuração. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-009.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13854.000169/2004-01 Nos casos dos julgamentos proferidos pelos STF e STJ sob a sistemática dos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (repercussão geral e recursos repetitivos), a RFB deve reproduzir em seus atos o entendimento adotado pelos tribunais nesses julgamentos. É inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente de variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos, por estar abrangida pela imunidade prevista no art. 149, § 2°, inciso I, da Constituição Federal de 1988. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimado da decisão, em 24/08/2016, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 10/09/2014, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos, no qual criticou as razões de decidir do acórdão guerreado, e defende a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, ao não demonstrar, claramente, como a auditoria-fiscal apurou o valor ajustado de depreciação de máquinas e equipamentos, em relação ao valor declarado pelo contribuinte, bem como não especificou quais foram os bens e serviços utilizados como insumos adquiridos pela recorrente que foram glosados pela fiscalização e quais foram considerados para apuração do crédito. No mérito, irresigna-se com as glosas que supõe estarem no relatório de fls. 73 a 77, bem como da energia elétrica; combustível (óleo diesel) e lubrificantes usados na manutenção e abastecimento de caminhões, máquinas e implementos agrícolas que transportam, cortam e carregam a cana-de-açúcar; despesas de depreciação de determinados bens do ativo fixo da recorrente, dentre os quais destacam-se os caminhões, transbordos, torres de processamento de massa, caldeiras, semi-reboques e colhedoras de cana, carrocerias e ônibus; aquisições de cana- de-açúcar de produtor rural pessoas física e jurídica; e as receitas de exportação de álcool não se classificam como para fins carburantes, e portanto enquadram-se no regime não-cumulativo. Por fim, requer a nulidade da decisão recorrida (sic), para que a auditoria-fiscal detalhe quais produtos e serviços adquiridos pela recorrente não têm direito a créditos de COFINS, ou, a reforma da decisão, para que seja reconhecido todos os créditos de COFINS utilizados para compensação com outros tributos e contribuições. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-009.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13854.000169/2004-01 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado e conhecido. DO DESPACHO DECISÓRIO Em preliminar, cumpre apreciar o pedido de nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, ao não demonstrar, claramente, como a auditoria-fiscal apurou o valor ajustado de depreciação de máquinas e equipamentos, em relação ao valor declarado pelo contribuinte, bem como não ter especificado quais foram os bens e serviços utilizados como insumos adquiridos pela recorrente que foram glosados pela fiscalização e quais foram considerados para apuração do crédito. Ao meu sentir, com razão a recorrente, pois o despacho decisório, de fato, não demonstrou com clareza como chegou ao valor ajustado de depreciação de máquinas e equipamentos, bem como não especificou quais foram os bens e serviços utilizados como insumos que foram glosados pela fiscalização para apuração do crédito constantes do “demonstrativo de apuração dos créditos da contribuição para a Cofins não cumulativa” de fls. 87, nas respectivas rubricas – “encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado”, “bens utilizados como insumos” e “serviços utilizados como insumos”. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para anular o despacho decisório. (documento assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002667/99-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2002
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — COMPETÊNCIA - Em face das
normas regimentais, processam-se perante o Egrégio Terceiro
Conselho de Contribuintes processos relativos à restituição
isolada de multa de mora relacionada com o instituto da
denúncia espontânea.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 202-14.219
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por tratar de matéria estranha ao Segundo Conselho de Contribuintes, declinando da competência para julgamento em favor do Terceiro Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO
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"11 .4ç Segundo Conselho de Contribuintes Rubrica eiS14) Processo n° : 10675.002667/99-81 Recurso n° : 115.181 Acórdão n° : 202-14.219 Recorrente : ABC AGRICULTURA E PECUÁRIA S/A — ABC — A & P Recorrida : DRJ em Belo Horizonte - MG NORMAS PROCESSUAIS — COMPETÊNCIA - Em face das normas regimentais, processam-se perante o Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes processos relativos à restituição isolada de multa de mora relacionada com o instituto da denúncia espontânea. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ABC AGRICULTURA E PECUÁRIA S/A — ABC— A & P. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por tratar de matéria estranha ao Segundo Conselho de Contribuintes, declinando da competência para julgamento em favor do Terceiro Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2002 f f-N(44_ lardf:44 endque Pinheiro Toff5 '747 Presidente An jp; ar os Bueno Ribeiro /R • ator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Eduardo da Rocha Schmidt, Adolfo Montelo, Raimar da Silva Aguiar, Ana Neyle Olímpio Holanda, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Adriene Maria de Miranda (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Kelly Alencar. Imp/cf • • i) if is, 29 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. . 1`.17.-...j Segundo Conselho de Contribuintes ).2, Processo n° : 10675.002667/99-81 Recurso n° : 115.181 Acórdão n° : 202-14.219 Recorrente : ABC AGRICULTURA E PECUÁRIA S/A — ABC — A & P RELATÓRIO I Em pleito encaminhado à Delegacia da Receita Federal em Uberlândia — MG, a ora Recorrente pede a restituição de alegados créditos, oriundos de recolhimentos a titulo de multa de mora pelo pagamento após o vencimento dos créditos tributários denunciados espontaneamente referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, relativas aos períodos de out/96 a abr/97. O titular daquela repartição, mediante a Decisão de fls. 10/14, indeferiu o pleito ao fundamento de ser inaceitável a tese de que o instituto da espontaneidade previsto no art. 138 do CT/sT afastaria a multa de mora, dado que ela não possuiria natureza punitiva e sim indenizatória. Intimada dessa decisão, a Contribuinte ingressou, tempestivamente, com a Petição de fls. 19/31, manifestando sua inconformidade com o indeferimento de seu pleito, alegando, em síntese, que o CTN, com base em doutrina e jurisprudência que acosta aos autos, não distingue a natureza da multa de mora e de oficio, tendo, portanto, ambas, natureza punitiva, pelo que às duas se aplica o instituto da denúncia espontânea (CTN, art. 138). A Autoridade Singular manteve o indeferimento do pedido de restituição em tela, mediante a Decisão de fls. 35/39, assim ementada: "Assunto: Obrigações Acessórias Data dos fatos geradores: 31/10/1996 e 16/04/199 7, Ementa: Multa de Mora — Denúncia Espontânea A espontaneidade não obsta a incidência da multa de mora decorrente do cumprimento extemporâneo da obrigação tributária. Restituição A restituição é regular somente no caso de pagamento indevido ou a maior que o devido, em face da legislação vigente. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA". f 2 k „›, 2Q CCMF ae 4 Ministério da Fazenda Fl Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10675.002667/99-81 Recurso n° : 115.181 Acórdão n° : 202-14.219 Inconformada, a Contribuinte apresenta, tempestivamente, o Recurso de fls. 42/55, no qual, em suma, reedita os argumentos da impugnação É o relatório 3 , 1e 22 CC-MF •• ••n ri :rir. Ministério da Fazenda,,,...:.•-•.; t, Fl.• ze):15-,;'W, Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10675.002667/99-81 Recurso n° : 115.181 Acórdão n° : 202-14.219 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTÔNIO CARLOS BUENO RIBEIRO Trata o presente processo de restituição de alegados indébitos, oriundos de recolhimentos a titulo de multa de mora pelo pagamento após o vencimento dos créditos tributários denunciados espontaneamente referentes à Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, no período compreendido entre out/96 e abr/97. Dai se vê que a Recorrente postula pura e simplesmente e de forma autônoma a restituição da parcela da multa de mora que recolheu, ao promover o pagamento a destempo de crédito tributário a que estava sujeita, por considerar que o instituto da denúncia espontânea afasta também as denominadas multas moratórias, porquanto também seriam de natureza punitiva no âmbito das obrigações tributárias. A questão assim posta suscita de imediato um incidente de competência, tendo em vista que o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55/98, com as alterações introduzidas pela Portaria MF n° 103, de 23/04/2002 (R1CC), adotou, para a repartição das competências acerca do procedimento de restituição, como discrimen o tributo a que se referir o indébito. Com isso, à evidência, quando a restituição envolver parcela da multa de mora na condição de consectário do tributo objeto do pedido, não resta dúvida que o assunto se resolve, por força do principio de que "o acessório segue o principal", na esfera do Conselho que for competente pela aplicação da legislação referente ao tributo envolvido, de cuja análise emergirá se o recolhimento do tributo foi indevido, de sorte a ensejar o direito à restituição como um todo (tributo e consectários). Na hipótese em causa, o deslinde do pleito não se refere à legislação específica de nenhum dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, mas sim a normas gerais de direito tributário, o que poderia, à primeira vista, levar à conclusão de que o assunto seria da competência de todos os Conselhos, já que todos operam com essas normas e, em última análise, a parcela de multa de mora tida como indevida acompanhou, mesmo que não questionado, o recolhimento de um determinado tributo. Entrementes, tenho que entendimento desse jaez contraria o princípio de repartição de competência por especialização de cada Conselho, aumentando a possibilidade de disceptação a respeito dessa matéria, razão pela qual sou pelo seu adequado enquadramento na competência residual prevista no inciso XVII do artigo 9° do RICC, verbis: "A ri. 9° Compete ao Terceiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da i legislação referente a: 4 • 49. 29 CC-MF sc„yaL, Ministério da Fazenda Fl. 'f fZ jZ Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10675.002667/99-81 Recurso n° 115.181 Acórdão n° : 202-14.219 XVII - tributos e empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora dos demais Conselhos. (Inciso incluído pelo art. 50 da Portaria MF n°103, de 23/04/2002)." (g/n) Isto posto, voto no sentido de não conhecer do recurso para declinar da competência para julgamento deste processo e pelo seu encaminhamento ao Terceiro Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 19 de setembro de 2002 ANT is1) ,11;- NO RIBEIRO 5
score : 1.0
Numero do processo: 35318.002046/2003-25
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999
CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
O regular pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais constitui fato gerador de contribuições à seguridade social e terceiros.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-000.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 31/01/1999 CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O regular pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais constitui fato gerador de contribuições à seguridade social e terceiros. Recurso Voluntário Negado
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O regular pagamento a segurados empregados e contribuintes individuais constitui fato gerador de contribuições à seguridade social e terceiros. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35318.002046/200325 Acórdão n.º 280300.476 S2TE03 Fl. 1.881 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35318.002046/200325 Acórdão n.º 280300.476 S2TE03 Fl. 1.882 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia de Julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições da empresa, as provenientes de remunerações pagas a trabalhadores autônomos e pagamentos a diretores na modalidade prolabre e as dos segurados empregados. Do que consta dos autos, temos o seguinte: 1. Fls. 302 – DN 17 423.4/0133/2003 – Lançamento parcialmente procedente, retificando o débito com aproveitamento de guias. 2. Fls. 306 – contribuinte é notificado da decisão em 17.06.2003 3. Fls. 307 – Serviço de Arrecadação atesta a não interposição de recurso em 23.07.2003 e encaminha ao Serviço de Análise. 4. Fls. 309 – 05.08.2003 Serviço de Análise encaminha ao Serviço de Arrecadação em Niterói com o despacho seguinte: a. considerando a inexistência de apresentação de recurso, bem como a situação em que o débito se encontra no Sistema SICOB, conforme cópia de tela contida às fls.306, necessário se faz O retomo dos autos ao Serviço de Arrecadação da APS Niterói — Centro (17023.08.0) visando as providências necessárias quanto ao comando do evento adequado na esfera administrativa, e posterior remessa ao órgão jurídico competente; 5. Fls. 312 04.11.2003– Termo de Trânsito em julgado e aberto prazo para cobrança amigável. 6. fls. 315 – 17.11.2003 – Comunicação de decisão Judicial, referente a ação interposta em 06.11.2003, determinando a inexigência do depósito de 30% 7. fls. – 05.12.2003 – Apresentação de Recurso ao CRPS 8. fls 323 – 07.01.2004 O Serviço de Análise informa: a. Tratase de lançamento já julgado parcialmente procedente por esta Seção de Análise, através da DN 17.423.4/0133/2003 de 22/05/2003. Como se vê no Aviso de Recebimento de fls.304, o sujeito passivo tomou ciência da DN em 17/06/2003. Ocorre que apenas em 05/12/2003, segundo o protocolo n° 35318.002046/200325 do volume anexo, a Notificada ofereceu recurso ao CRPS, sem o depósito previsto pelo §1° do art.126 da Lei 8213/91, mas ao abrigo de decisão judicial Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35318.002046/200325 Acórdão n.º 280300.476 S2TE03 Fl. 1.883 4 que lhe dispensou de tal exigência (Mandado de le Segurança n° 2003.51020076124 — la Vara Federal de Niterói — vide fls.313/317). b. 2. A intempestividade da peça recursal é manifesta, porém há alegações defensivas de existência de erro material no lançamento, tendo o sujeito passivo juntado à peça recursal cópia de vários documentos (volume anexo — fls. 14/1287), com os quais pretende demonstrar a procedência daquelas alegações. 3. Assim, tendo em linha de conta o disposto no art.23, §2° da Portaria MPAS n° 357/2002, opino pelo retomo dos autos à Seção de Fiscalização para que a autoridade lançadora analise a peça recursal oferecida, pronunciandose conclusivamente a respeito da necessidade (ou não) de eventual retificação do lançamento. Em caso afirmativo, deve ser juntado aos autos o competente FORCED. 9. Fls 1688 – 01.07.2005 A seção de Análise informa o retorno dos autos com informações do AFPS autuante e determina novos esclarecimentos. 10. Fls. 1732 – 28.04.2006 – O Contencioso Administrativo informa ao contribuinte as retificações ocorridas em razão das novas informações prestadas pelo AFPS e abre 10 dias para sua manifestação. 11. Fls. 1829 – 30.11.2006 – Reforma da DN 17.423.4/0133/2003 12. Fls. 1837 – 08.05.2007 ciência da decisão e, em 06.06.07, apresentado recurso. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35318.002046/200325 Acórdão n.º 280300.476 S2TE03 Fl. 1.884 5 Voto Vencido Conselheiro Oséas Coimbra Consoante se depreende dos autos, o contribuinte teve ciência da DN 17 423.4/0133/2003 em 17.06.2003 e só veio a apresentar recurso em 05.12.2003. A intempestividade inclusive foi reconhecida através de vários despachos – fls. 307; 309; 312; 323. Ressalte que a decisão final que transitou em julgado – TRF2 AMS 2003.51.02.0076124 é clara ao determinar a não exigência do depósito recursal e somente isso, não autoriza o processamento de recurso intempestivo, matéria sequer discutida. Vejamos ementa do julgado: ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO. DEPÓSITO DE 30% (TRINTA POR CENTO). INTERESSE DE AGIR. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. PRECEDENTES DO STF. IMPOSSIBILIDADE DE EFETUAR O DEPÓSITO. DIFICULDADES FINANCEIRAS COMPROVADAS. 1. Interesse de agir da impetrante, por ser questão a ser decidida com o mérito. 2. Conforme entendimento da Suprema Corte, a exigência do depósito de 30% (trinta por cento) para recebimento do recurso administrativo não fere os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 3. Comprovação de impossibilidade de realizar o depósito por inexistência de recursos. 4. A pessoa – física ou jurídica – não pode deixar de defenderse por falta de recursos. 5. Apelação e remessa necessária, que considero existente, improvidas. Eventual correção, de ofício, de valores devidos, podem ser feitas, mas não tem o condão de reabrir uma discussão que não mais existe. O prazo para apresentação de recurso é peremptório, vencido este, não há mais que se falar em demanda existente. Com o exaurimento do prazo recursal, já demonstrado, falece a manifestação deste colegiado. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35318.002046/200325 Acórdão n.º 280300.476 S2TE03 Fl. 1.885 6 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. assinado digitalmente OSÉAS COIMBRA Relator Voto Vencedor Conselheira Siqueira Monteiro de Andrade, redatora designada. Como consta do Relatório, não obstante o contribuinte tenha apresentado Recurso Voluntário intempestivo, as informações relativas à existência de suposto erro material foram levadas em consideração pela Delegacia da Receita de Julgamento. – Seção de Análise. Diante disso, foi determinada a realização de diligência para que o auditor fiscal pudesse se pronunciar sobre os fatos alegados. Em conclusão ao novo procedimento fiscal, foi promovida a retificação do lançamento, tendo sido concedido prazo ao contribuinte para se manifestar. O processo foi, então, encaminhado a Delegacia da Receita Previdenciária para a prolação de nova decisão notificação. O que se vê, portanto, é que, muito embora tenha havido o trânsito em julgado da primeira decisão proferida pela autoridade julgadora, em razão da interposição de recurso intempestivo, o procedimento que foi adotado pela Seção de Análise teve o condão de reabrir o contencioso fiscal, com a oportunidade para que o contribuinte possa recorrer da nova decisão notificação proferida em substituição à anterior. Nestes termos, de forma a assegurar o direito de petição do contribuinte, assegurado constitucionalmente pelo art. 5º, XXXIV, a, deve ser conhecido o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. assinado digitalmente Conselheira Carolina Siqueira Monteiro de Andrade NO MÉRITO Voto Conselheiro Oséas Coimbra Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35318.002046/200325 Acórdão n.º 280300.476 S2TE03 Fl. 1.886 7 Vencido na preliminar, passo a analisar o mérito do que discutido. DO DEPÓSITO RECURSAL A lei 8.213/91 teve o § 1º do artigo 126 revogado pela lei 11.727/08, não sendo mais necessário o depósito recursal para o seguimento do recurso apresentado, dessarte, a falta do depósito não é razão impeditiva de análise do recurso . DO PEDIDO DE PERÍCIA E JUNTADA DE DOCUMENTOS Vejamos a legislação pertinente: arts. 16 e ss do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) ... Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93) O pedido de perícia requerido – fls 1840, se resume a “02 — PERÍCIA TÉCNICA, para analisar na integra nosso pleito, uma vez não ter sido atendido na integra, pela fiscalização no processo de Revisão Fiscal”; em desobediência ao que consta a legislação retrocitada. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35318.002046/200325 Acórdão n.º 280300.476 S2TE03 Fl. 1.887 8 Uma vez que o requerente não seguiu o previsto no prefalado art. 16, aplica se a regra do § 1º, considerandose não formulado o pedido de perícia. Ademais, a tenho por desnecessária para o deslinde da questão, ante os esclarecimentos já constantes nos autos. DO RECURSO Tratase de diferenças apuradas em razão de pagamentos efetuados a segurados empregados e autônomos, hoje com a denominação de contribuintes individuais. Inconformada com a decisão, o recurso apresentado, de fls. 1839, informa: 1. Apesar de Declaramos ao AFPS notificante conforme fls. 1687/1689, não termos mais nenhum documento a ser anexado ao processo que pudesse esclarecer mais o nosso pleito; 2. 02 E, também não termos nos pronunciado quanto ao oficio 016/2006, art. 44 da Lei 9.784/99, manifestando interesse em cópias dos autos. 3. DIANTE do exposto, vimos requer á V.Sas., a. 01— REVISÃO da Decisão Notificação n° 17.4234/0273/2006, do ilustre Supervisor da Equipe, Dr. Domilde Almeida Quintino, AFPS, matricula 0914589; b. 02 — PERÍCIA TÉCNICA, para analisar na integra nosso pleito, uma vez não ter sido atendido na integra, pela fiscalização no processo de Revisão Fiscal; c. 03 — O não pagamento do Depósito Administrativo de 30% (trinta por cento), do valor da exigência fiscal, nos termos do & primeiro do art.126, da Lei n° 8.213/01, alterado pela Lei n° 10.684/03, uma vez que estamos anexando cópia do Mandato de Segurança n°2003.510.2007.6124, da Vara de Niterói/RJ; d. 04 — A Reforma da Decisão — Notificação n° 17.423.4/0272/2006, julgado pela Nulidade da Autuação, por não obedecer aos requisitos formais estabelecido pela legislação em vigor. As suscintas alegações presentes na peça recursal não impugnaram expressamente as razões da decisão a quo, não ficando assim demonstrado vícios na decisão impugnada. Não vislumbro defeitos na decisão DN n° 17 423.4/0272/2006, que a mantenho por seus próprios fundamentos. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35318.002046/200325 Acórdão n.º 280300.476 S2TE03 Fl. 1.888 9 CONCLUSÃO Ante o exposto, nego provimento ao recurso apresentado. assinado digitalmente OSÉAS COIMBRA Relator. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Assinado digitalmente em 16/03/2011 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, 17/03/2011 por CAROLINA SIQUEIRA MONTE IRO DE AN, 24/04/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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