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Numero do processo: 13971.720014/2007-92
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.164
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Alexandre Kern.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Alexandre Kern. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de novo Recurso Voluntário interposto em face da nova decisão proferida pela DRJ Ribeirão Preto/SP, que decorreu da anulação da decisão anterior por esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380300.746, de 29 de setembro de 2010. Em 27 de outubro de 2003, o contribuinte havia transmitido à Receita Federal Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI, acompanhado de Declaração de Compensação, em relação aos quais se obteve, em 13 de dezembro de 2006, decisão parcialmente favorável em sede de mandado de segurança impetrado junto à Justiça Federal em Blumenau/SC, em que se determinou à Receita Federal a apreciação do pleito no prazo de 30 dias e a prolação de decisão em igual prazo após o esgotamento do anterior. Fl. 541DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Para fins de cumprimento do writ, a Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort) da DRF Blumenau/SC intimou o contribuinte a apresentar, em 20 dias, os elementos probatórios considerados necessários à apreciação do pedido de ressarcimento, tendo sido requerido pelo intimado a prorrogação do prazo de entrega dos documentos em mais 30 dias em razão de problemas operacionais internos à sociedade empresária. Considerando a exiguidade do prazo estipulado na decisão judicial para seu cumprimento e a negligência do requerente no atendimento da intimação no prazo estatuído, a autoridade administrativa negou a prorrogação requerida e indeferiu a solicitação com base na ausência de comprovação dos fatos alegados, salientandose que os arquivos digitais solicitados deveriam estar disponíveis à Receita Federal desde o início do trimestre sob análise, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 86/2001. Não se conformando com tal decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que a solicitação de prorrogação de prazo para atendimento da intimação se devera à existência de inúmeros pedidos protocolizados concomitantemente que teriam demandado a contratação de assessoria especializada, inexistindo qualquer embaraço ao juízo quanto à dilação do prazo por conta da complexidade e do volume dos documentos requeridos. Alegando o direito de apresentação de provas em qualquer fase do processo administrativo, o contribuinte requereu a juntada dos documentos exigidos pela autoridade fiscal, a revisão da decisão a quo, bem como a reanálise do pedido pela repartição de origem. A DRJ Ribeirão Preto/SP indeferiu a solicitação, considerando que a não apresentação, no prazo fixado, dos documentos necessários à apreciação do pedido formulado pelo próprio contribuinte, a quem cabe o ônus da prova, ensejaria o arquivamento do processo. Considerou a autoridade julgadora a quo que o exame do mérito se encontraria prejudicado, pois que a apreciação dos documentos trazidos ao processo somente após a instauração do contencioso administrativo acarretaria supressão de instância, tendo em vista que a concessão de direitos creditórios e a homologação de compensações seriam da competência da repartição de origem que primeiro apreciou o pleito formulado. Ressaltouse, também, que a falta de atendimento da intimação provocada judicialmente pelo próprio interessado já seria motivo suficiente para o indeferimento sumário da solicitação, não havendo amparo à inversão do interesse de ação no sentido de caber à Administração a busca pela dilatação do prazo definido pelo juiz. Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho e requereu a declaração de nulidade do processo a partir do despacho decisório, alegando afronta ao princípio da verdade material, considerando que os documentos acostados juntamente com a manifestação de inconformidade, contendo todas as informações necessárias à análise requerida, ensejariam o deferimento do pleito. Para embasar sua defesa, apresentou excertos de decisões deste Conselho, em que se decidiu pela faculdade conferida aos administrados de apresentar os elementos probatórios na fase impugnatória, em consonância com os princípios da ampla defesa e da verdade material. Em 29 de setembro de 2010, esta 3ª Turma Especial, por meio do acórdão nº 380300.746, considerando os elementos probatórios trazidos aos autos na fase de manifestação de inconformidade, decidiu, por unanimidade de votos, por anular a decisão de Fl. 542DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720014/200792 Resolução n.º 38030.164 S3TE03 Fl. 2 3 primeira instância, para que outra fosse proferida após a análise dos documentos e das demais informações carreadas aos autos pelo então Impugnante, ainda que, para tanto, fosse necessária a realização de diligências junto à repartição de origem com vistas à elucidação dos fatos e ao bom deslinde da questão. Esta 3ª Turma considerou que não se vislumbrou negligência por parte do Recorrente na relação com a Administração tributária, pois que, tempestivamente, requereu a prorrogação do prazo de atendimento da intimação, dada a complexidade e o volume dos dados requeridos. Ponderou, ainda, que a alegação de que tal prorrogação inviabilizaria o estrito cumprimento do prazo estipulado na ordem judicial não se mostrava de todo convincente, uma vez que a dilação do período de análise do pleito viria a ocorrer por provocação do próprio interessado, situação essa que poderia ter sido cientificada ao Juízo competente para fins de desoneração e afastamento de qualquer responsabilização por eventual descumprimento de decisão judicial. Destacouse, também, que a realidade dos fatos exteriorizada pelos documentos e informações presentes nos autos não poderia ser prejudicada, dado que as regras do Processo Administrativo Fiscal (PAF) foram observadas pelo Recorrente. A DRJ Ribeirão Preto/SP baixou os autos em diligência à repartição de origem para que a Fiscalização se pronunciasse sobre os seguintes questionamentos: 1º) A documentação juntada pelo interessado, inclusive o arquivo magnético (CD) apresentado, atendeu às intimações feitas no decorrer do exame do pedido? 2º) A documentação juntada pelo interessado prova no todo ou em parte o direito creditório alegado? (Em caso afirmativo, em quanto montaria tal crédito contra a Fazenda nacional?). A Fiscalização, em atendimento ao requerido pela DRJ, informou que, embora parte da documentação tivesse sido juntada na Manifestação de Inconformidade, o interessado não apresentou a memória de cálculo do crédito presumido, prevista no art. 6º da IN SRF nº 23/97, em razão do que restou não comprovado o direito creditório alegado. Informou, ainda, a Fiscalização que, no que tange à “parcela de crédito básico, apurouse, com fulcro nos arquivos contendo os registros de entradas e os registros de saídas, e no pedido de ressarcimento, créditos passíveis de ressarcimento equivalentes a R$ 346,00”(...), “tendo em vista que os créditos passíveis de ressarcimento em aquisições somaram R$ 346,00” (...), “e que não houve destaque de IPI nas saídas”. Ciente da Informação Fiscal, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade e alegou que, ao contrário do que afirmara a Fiscalização, a documentação apresentada seria mais do que suficiente para comprovar seu direito ao crédito presumido, que teria sido calculado de acordo com o disposto na Lei nº 9.393/1996, sendo que “nem mesmo o mencionado art. 6º da IN SRF nº 23/97, apresenta tal exigência, apenas recomenda que a empresa deva mantêla em boa guarda”. Segundo o contribuinte, o crédito presumido encontravase demonstrado na DCP, nos arquivos digitais anexos e na PER/DCOMP. Fl. 543DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Inobstante suas argumentações, o contribuinte trouxe aos autos o documento intitulado “Memória de Cálculo”, que, segundo ele, demonstraria as CFOPs utilizadas para compor os valores do crédito pleiteado. A DRJ Ribeirão Preto/SP proferiu nova decisão e julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade, considerando o seguinte: a) os documentos que haviam sido solicitados são obrigatórios e estavam de posse da pessoa jurídica; b) o primeiro pedido de prorrogação de prazo feito pelo contribuinte se dera de forma irregular, sem prova de que quem assinava representava o contribuinte; c) na medida em que o próprio interessado buscara “a ordem judicial para que o procedimento fiscal de investigação e apuração da certeza e liquidez do crédito presumido para fins de compensação, conforme estatui o artigo 170 do CTN, se encerrasse em trinta dias, seria mínima cautela, para não falar em bom senso, já estar de posse para plena apresentação à Fazenda Pública dos documentos probantes de seu direito”; d) o julgador administrativo não poderia “avocar para si a competência do reexame e analisar a matéria de mérito que envolve os autos”, nem “poderia analisar o pedido como se tivesse sido efetuado na manifestação de inconformidade”; e) examinandose a documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que se tratava de “listagens e demonstrativos que totalizam o que foi escriturado nos livros fiscais, com exceção da listagem de insumos que não foi juntada”; f) “em homenagem ao princípio da verdade material levantado pela defesa, a prova do direito creditório alegado se faz pela apresentação da correta e idônea documentação que originaram os lançamentos contábeis, não só pelo disposto na legislação tributária como pelos princípios contábeis geralmente aceitos”; g) inexistiriam “dúvidas de que a falta de apresentação das memórias de cálculo, previstas na IN SRF nº 23/97 e posteriores, impediu a fiscalização a comprovação do crédito presumido alegado”; h) “ao contrário do que entende a defesa, a guarda e apresentação das memórias de cálculo, para fins de apuração do crédito presumido, é obrigatória sim e, vale lembrar que essa obrigação acessória, como qualquer outra, não é imposta apenas pela lei, mas, nos termos do CTN, pela legislação tributária, na qual se insere a citada Instrução Normativa”; i) “No caso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, provase sua certeza e liquidez, além dos itens apresentados, pelo que consta nas memórias de cálculo, notas fiscais de aquisição, comprovantes de exportação, etc, ou seja, para que a Administração Pública se pronuncie a respeito da demanda do particular, por meio de despacho decisório, é necessário que investigue se efetivamente os créditos escriturados são provenientes de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo referese a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados ou apurados de maneira a respeitar a legislação de regência, o que não consta no presente processo. Não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido”; j) “o contribuinte confessa que, ao arrepio da legislação aplicável, não possuía as memórias de cálculo, nem mesmo no momento de responder a Informação Fiscal, ou seja, o Fl. 544DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720014/200792 Resolução n.º 38030.164 S3TE03 Fl. 3 5 que se constata é a crença do manifestante de que o princípio da verdade material lhe garante apresentar a documentação que quer, no momento que quiser, em flagrante desrespeito aos prazos legais e aos determinados por ordem judicial e acórdão do CARF”; k) “o documento apresentado não apresenta as memórias de cálculo necessárias para a comprovação do direito creditório, nem demonstra as CFOP’s utilizadas, salta aos olhos que, embora o contribuinte tenha pedido o Crédito Presumido com base na Portaria nº 38/97, os cálculos que o interessado apresentou foram feitos com base na opção, não exercida, da Lei nº 10.276/2001, com a inclusão das compras de energia elétrica, aliás, destaquese que essa opção de cálculo nem existia no período de apuração em questão, o que demonstra a imprestabilidade do demonstrativo; l) “restou comprovado o direito ao ressarcimento de R$ 346,00, relativos ao saldo credor acumulado do IPI, o qual deve ser utilizado na compensação dos débitos confessados do contribuinte”. Inconformado, o contribuinte recorre novamente a este Conselho e reitera seu pedido, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) infundada alegação da não comprovação do crédito por intempestividade, pois este pode ser comprovado por meio das informações e dos documentos constantes dos autos; b) todas as notas fiscais de exportação direta e indireta encontramse relacionadas em documento anexo e em arquivo digital; c) todos os valores que compõem o crédito presumido podem ser comprovados por meio das notas fiscais e dos arquivos digitais entregues em atendimento à intimação fiscal; d) constam dos autos o Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) e a DCTF que contêm a demonstração da apuração do direito creditório; e) “para melhor comprovar o alegado, foi juntado aos autos, inclusive para melhor visualização, planilha com a composição dos valores que integram a DCP/DCTF, com menção das respectivas CFOP’s”, bem como “relação e cópia das notas fiscais, para comprovar o crédito reclamado”; f) foram anexados, também, os balancetes solicitados; g) além da memória de cálculo apresentada junto com a Manifestação de Inconformidade, já haviam sido apresentados anteriormente todos os documentos comprobatórios do crédito presumido de IPI, dispondo a Fiscalização de todas as informações necessárias a sua apuração; h) afronta ao princípio da verdade material, em decorrência do que o presente processo deve ser declarado nulo, para que a autoridade fiscal analise o pedido à luz dos documentos trazidos aos autos. Por fim, requer que todas as intimações sejam dirigidas aos seus advogados no endereço informado. Fl. 545DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Quanto ao pedido de encaminhamento da correspondência ao endereço dos causídicos, esclareçase que inexiste autorização legal nesse sentido, havendo previsão no art. 23, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal (PAF), que as intimações enviadas por via postal devem ser recebidas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passsivo. A eleição do domicílio tributário se dá no momento do registro da pessoa jurídica no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), ou, posteriormente, por meio de sua atualização, formalmente requerida à Receita Federal, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, e naquelas de mesma diretiva por esta sucedidas. Conforme acima relatado, mesmo após a anulação da decisão administrativa de primeira instância, em razão da falta de apreciação das provas trazidas pelo sujeito passivo na fase de Manifestação de Inconformidade, a DRJ Ribeirão Preto/SP, na mesma linha adotada pela Fiscalização, manteve seu entendimento no novo acórdão de que, em razão da não apresentação da memória de cálculo do crédito presumido, a análise do pedido tornouse prejudicada, acarretando o seu não acatamento. Constatase que o fundamento central da negativa da DRJ foi o não atendimento pelo sujeito passivo de um dentre os treze itens solicitados pela Fiscalização. Baseouse o julgador de piso, para não apreciar as demais provas trazidas aos autos pelo contribuinte, no art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 23/1997, que estipula a necessidade de manutenção em boa guarda das memórias de cálculo dos créditos presumidos. No entanto, todos os demais documentos e informações solicitados foram apresentados pelo sujeito passivo, com exceção daquelas justificadamente não disponíveis. Foram apresentados o Livro de Registro de Apuração do IPI contendo a escrituração do período sob análise, arquivos digitais contendo os lançamentos efetuados no Livro Registro de Entradas e no Livro Registro de Saídas, referentes aos períodos a que se referem os pedidos de ressarcimento, relação das notas fiscais das exportações diretas ocorridas nos períodos, relação das notas fiscais de vendas a comerciais exportadoras, Demonstrativos dos produtos exportados, dos produtos oriundos da atividade rural adquiridos de cooperativa e dos produtos oriundos de não contribuintes do PIS e da Cofins, relação de todos os produtos industrializados ou comercializados pela empresa, relação de todos os insumos adquiridos e considerados como origem do crédito pleiteado, dentre outros. Além disso, no momento da apresentação da nova Manifestação de Inconformidade, que corresponde ao termo inicial de instauração do Processo Administrativo Fiscal (PAF), em que se assegura ao sujeito passivo o direito de trazer a prova documental aos autos, nos termos do § 4ª do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte apresentou a memória de cálculo requerida, que foi totalmente ignorada pelo julgador de piso, sob o argumento de que os cálculos apresentados teriam sido feitos com base na Lei nº 10.276/2001 e não na Portaria MF nº 38/1997, sendo que o contribuinte, em momento algum, fez qualquer referência à citada lei. Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720014/200792 Resolução n.º 38030.164 S3TE03 Fl. 4 7 O fato de o contribuinte ter considerado no cálculo do crédito presumido despesas que não se subsumem no conceito de insumos, como gastos com energia elétrica, não pode servir de supedâneo para o seu pronto descarte, independentemente de qualquer análise ou confronto com a escrituração e os documentos fiscais. Argumenta, ainda, o relator a quo, contrariando frontalmente os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como as regras do PAF, e, por conseguinte, cerceando o direito de defesa do contribuinte, que o julgador administrativo não pode avocar para si a competência para o reexame da matéria de mérito sob enfoque, nem para a análise do pedido como se este tivesse sido efetuado na Manifestação de Inconformidade. Ainda segundo o relator de piso, em homenagem ao princípio da verdade material, a prova do direito creditório se faria pela apresentação da correta e idônea documentação que originou os lançamentos contábeis, ignorando, por completo, que todos os itens solicitados pela Fiscalização foram apresentados pelo contribuinte até o momento da impugnação do despacho decisório, em conformidade com o disposto no já citado § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Verificase, portanto, que o mesmo fato que ensejara a anulação do primeiro acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP, qual seja, a não apreciação das provas trazidas aos autos pelo interessado no momento processual oportuno, garantido pelas normas administrativas processuais, ainda remanesce vívida, a reclamar por nova anulação. Contudo, os fatos presentes nos autos demonstram que essa medida não produziria efeito prático nenhum, dada a postura assaz reativa da autoridade julgadora de piso, que não se conformou com o pedido do contribuinte de prorrogação do prazo para atendimento do primeiro termo de intimação firmado pela repartição de origem, o que, no seu entender, contrariaria a sua precedente busca pelo Poder Judiciário para forçar a aceleração da apreciação dos pedidos de ressarcimento e das declarações de compensação. Nesse contexto, considerando que para se concluir acerca da extensão do direito creditório pleiteado há a necessidade de se confrontarem os dados presentes nos autos, muitos deles apresentados em arquivos magnéticos, com outros constantes dos sistemas internos da Receita Federal, bem como da escrituração contábilfiscal e da documentação da pessoa jurídica trazidas aos autos, surge como única alternativa à pacificação no processo a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a Fiscalização, com base em todas as informações já disponíveis nos autos, proceda ao exame do crédito presumido requerido pelo Recorrente. Concluise, portanto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – Portaria MF n° 256/2008 – que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, bem como no princípio da verdade material decorrente do princípio da legalidade, pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para que se apure, observandose as normas que regem a matéria, a extensão do crédito presumido de IPI a que tem direito o Recorrente, valendose de todas as informações e documentos presentes nos autos, bem como de outros que se mostrarem necessários ao bom cumprimento desta decisão. O interessado deverá ser cientificado dos resultados da diligência, oportunizandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos serem devolvidos a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF, para julgamento. Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720014/200792 Resolução n.º 38030.164 S3TE03 Fl. 5 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13971.720014/200792 Interessada: DF MADEIRAS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor da Resolução no 38030.164, de 26 de abril de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 26 de abril de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.1220.15098.S50P. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por HELCIO LAFETA REIS em 26/04/2012 16:26:09. Documento autenticado digitalmente por HELCIO LAFETA REIS em 26/04/2012. Documento assinado digitalmente por: ALEXANDRE KERN em 27/04/2012 e HELCIO LAFETA REIS em 26/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/12/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP17.1220.15098.S50P Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: BA6DB5DEFCFAAF2E4A25E94233B4D496B5B210B5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13971.720014/2007-92. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720722/2008-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3803-000.124
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte supra identificado (fls. 24 a 39), em que se pretende compensar débitos das contribuições Cofins e para o PIS com crédito controlado em outro processo administrativo de nº 10280.000413/9980. A repartição de origem, ao analisar os pedidos, decidiu por não homologar as compensações (fls. 42 a 43), considerando que o direito creditório pleiteado pela interessada não fora suficiente para quitar as DCOMPs acostadas ao processo n° 10280.000413/9980, em razão do que as DCOMPs do presente processo deveriam, também, ser não homologadas, dado que o direito creditório postulado não seria suficiente para a quitação pretendida. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/10/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 48 a 84) e requereu a suspensão do trâmite deste processo até o julgamento final do processo administrativo nº 10280.000413/9980, em que se discute o direito creditório pleiteado. A DRJ Belém/PA indeferiu a solicitação (fls. 111 a 112), arguindo que o processo administrativo nº 10280.000413/9980 já havia sido julgado naquela Delegacia de Julgamento, com indeferimento do pleito do interessado, em razão do que a solicitação constante deste processo, por dependência, também deveria ser negada. Não satisfeito, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fls. 117 a 128) e requer a revisão de ofício da decisão de primeiro grau, alegando que o processo nº 10280.000413/9980 já havia sido julgado pela Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, com decisão favorável à tese por ele defendida, relativa ao prazo para repetição de indébito, bem como à observância da regra da semestralidade na apuração da contribuição para o PIS devida. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos quanto ao direito à compensação de débitos da Cofins e do PIS com crédito controlado no processo administrativo nº 10280.000413/9980. Alega o Recorrente que, naquele processo, já teria sido proferida decisão pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assegurandolhe o direito creditório pleiteado. Às fls. 129 a 137, encontrase a cópia da decisão da Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, prolatada em 6 de agosto de 2008, em que se constata que, efetivamente, o colegiado decidiu, no julgamento do recurso voluntário interposto no bojo do processo 10280.000413/9980, pelo afastamento da decadência, considerando que o prazo para a repetição do indébito se iniciaria da data da publicação da Resolução do Senado Federal que dotou de efeito erga omnes a decisão do Supremo do Tribunal Federal de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, bem como pela necessária aplicação do critério da semestralidade na apuração da contribuição para o PIS devida no período. Contudo, em consulta ao sistema Comprot, em 15 de setembro de 2011, constatouse que o referido processo encontrase em andamento, tendo sido, em 30 de agosto de 2010, movimentado da Câmara Superior de Recursos Fiscais para o CARF, onde se encontra desde então. Nesse contexto, considerando que a análise do presente pleito depende do que vier a ser definitivamente decidido no âmbito do processo administrativo nº 10280.000413/99 80, proponho que se converta o julgamento em diligência à repartição de origem, para que se providencie a juntada, nestes autos, dos resultados finais, não mais passíveis de reforma na esfera administrativa, do referido processo, bem como se informe, caso o resultado final seja Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/10/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10280.720722/200802 Resolução n.º 380300.124 S3TE03 Fl. 169 3 no sentido arguido pelo Recorrente, acerca da disponibilidade de saldo credor para as compensações pleiteadas nos presentes autos. É com voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/10/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10280.720722/200802 Interessada: DENDÊ DO PARÁ S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor da Resolução no 380300.124, de 05 de outubro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 05 de outubro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/10/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10820.002512/2004-42
Data da sessão: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
Ementa: SIMPLES. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente à exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ.
Precedentes.
RECURSO NÃO CONHECIDO. DECLINADA COMPETÊNCIA EM FAVOR DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
Numero da decisão: 301-33.741
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declinar competência em
favor do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 Ementa: SIMPLES. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente à exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ. Precedentes. RECURSO NÃO CONHECIDO. DECLINADA COMPETÊNCIA EM FAVOR DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.
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TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 10820.002512/2004-42 Recurso n° 136.100 Voluntário Matéria SIMPLES - INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Acórdão n° 301-33.741 Sessão de 29 de março de 2007 Recorrente FRIGORÍFICO BABY BEEF LTDA. - EPP Recorrida DRJ/RD3E1RÃO PRETO/SP Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 Ementa: SIMPLES. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar • os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente à exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ. Precedentes. RECURSO NÃO CONHECIDO. DECLINADA COMPETÊNCIA EM FAVOR DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, declinar competência em favor do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator. 4tiax, OTACÍLIO DANTA AR O — Presidente e Relator Processo n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 754 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fonsêca de Menezes, Susy Gomes Hoffmann, Irene Souza da Trindade Torres, Carlos Henrique Klaser Filho e Lisa Marine Ferreira dos Santos (Suplente). Ausente a Conselheira Atalina Rodrigues Alves. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. T.7 • • . • Processo n.° 10820.00251212004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 755 Relatório Em razão de conter os elementos necessários à compreensão dos fatos e dos fundamentos que permeiam o litígio, adoto o relatório constante da decisão de primeira instância, o qual transcrevo adiante: "Trata-se de impugnação aos Autos de Infração de IRPJ-Simples, PIS- Simples, CSLL-Simples, Cofins-Simples e Cofins-INSS-Simples, lavrados em 20 de dezembro de 2004, contra o Interessado, relativos ao ano-calendário de 1999, em razão de haver sido apurado, em ação fiscal direta, omissão de receita, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas jurídicas. No procedimento das venficações obrigatórias o autuante constatou, também, insuficiências nos recolhimentos do IRPJ, CSLL, PIS e • COFINS, no ano-calendário de 1999, em razão da alteração das alíquotas que deveriam ter sido utilizadas decorrente da omissão de receita apurada. Os valores relativos aos fatos geradores verificados no ano-calendário de 1999, encontram-se indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário o montante de R$ 7.373.874,41 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos, acrescidos da multa de oficio de 150To(omissão de receita) e 75%(insuficiência de recolhimento) e de juros de mora calculados até 30/1112004, assim distribuídos: IRPJ R$ 555.775,80 PIS R$ 555.775,80 CSLL. R$ 859.158,06 • Cofins R$ 1.718.316,30 Cofins-INSS R$ 3.684.848,47 A fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Verificação Fiscal - TCVF (fls.57/113), onde há a descrição do procedimento fiscal e das irregularidades apontadas pelo autuante como infrações à legislação tributária, que motivaram a lavratura dos autos de infração acima citados. Regulamente cientificada, apresentou impugnação(fls.571 a 624), firmada pelo sócio da empresa Sr. Gregório Pompei, onde em síntese alega o seguinte: Inicialmente contesta o critério de apuração da omissão de receita vedada em lei. Argüi que a omissão de receitas das empresas integrantes do Simples deverá ser apurada com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas as microempresas e as empresas de pequeno porte, . • Processo n.° 10820.00251212004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 756 consoante o art. 33 da IN SRF n° 355, que regulamentou o art. 18 da Lei n° 9.317, de 1996. Após reproduzir excertos do item 67 do Termo de Constatação e Verificação Fiscal, e a nota de rodapé 36, afinrza que o procedimento da fiscalização contraria frontalmente a determinação contida no art. 33 da IN/SRF n° 35512003. Aduz que é defeso à fiscalização utilizar meios proibidos pela própria administração em que servem, e que o não cumprimento do princípio da legalidade administrativa torna inválido e ineficaz todos os atos praticados, tornando nulo o lançamento efetuado. Ainda em sede preliminar, combate a aplicação retroativa da Lei n° 10.174/2001. Alega que a autuação pautou-se na utilização de dados da CPMF em período anterior à vigência da Lei n° 10.174/2001 e da Lei Complementar n° 10512001, ou seja, ano-calendário 1999, pois que, entrando em vigor na data de sua publicação a indigitada Lei 10.174, de 09 de janeiro de 2001, não autorizava requisição de informações bancárias anteriores ao seu surgimento no mundo jurídico, sob pena de clara afronta à irretroatividade das leis, ao ato jurídico perfeito e ao direito adquirido. Diz que a vedação é reafirmada, de forma insofismável, pela Lei n° 9.784 de 29/01/1999, de aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal, por força do art. 69. Após discorrer sobre o art. 5°, LVI e XXXV, da Constituição Federal e o art. 6°, § 1°, da Lei de Introdução ao Código Civil, reproduz ementas de acórdãos do STF e do Conselho de Contribuintes, assim como, ensinamentos de Leandro Paulsen, e de Hiromi Higuchi, retirados de obras de suas autorias, em socorro de seus argumentos. Argüi, ainda que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois, a verdadeira titular das contas bancárias é a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. Em seguida expõe as razões de sua defesa, que contradizem explanações da fiscalização registradas no TCVF de fls.57 a 113, combatendo item a item do relatório fiscal. Destaca-se a seguir os itens de maior relevância para os fundamentos da autuação com a respectiva alegação do contribuinte: 1) Os autuantes informam que a fiscalização foi aberta devido ao fato de a Fiscalizada possuir uma movimentação financeira no período de 1999. a 2001 no valor de R$133.070.579,21 (cento e trinta e três milhões, setenta mil e quinhentos e setenta e nove reais e vinte e um centavos) tendo apresentado para esses anos Declaração Simplificada (SIMPLES). R.: Aqui há a efetiva confirmação da origem da fiscalização, que é a utilização dos dados da CPMF . • Processo n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 757 3) Neste mesmo dia lavrou-se Termo de Declaração/Constatação cuja declarante Srta. Ilcelene Aparecida da Silva, CPF n° 137.030.838-83, informou que em Janeiro de 1999 " O Frigorífico Abaeté Lula, foi arrendado pelo Sr. Marcos Antônio Pompei, que é o atual proprietário do Frigorífico Baby Beef Ltda. Informou ainda que o "Frigorífico Baby Beef começou a operar em 26/02/1999. Que em meados de maio de 1999 a declarante se afastou do Frigorifico Baby Beef Ltda. e que o Sr. Gregório Pompei, pai do Sr. Marcos Antônio Pompei é o comprador de gado do Frigorifico Baby Beef Ltda e que as compras de gado naquela época eram do próprio Frigorifico Baby Beef e não de terceiros.. .", entretanto como a razão social na época de seu afastamento ainda era Frigorífico Abaeté Ltda., ela moveu a ação em nome deste. R.: A Fiscalização já tinha conhecimento do litígio existente entre a depoente Ilcelene Aparecida da Silva e o Impugnante antes mesmo do início da auditoria fiscal, conforme consta do item 66 do Termo de Verificação Fiscal. A ligação entre a Impugnante e a depoente é que 4111) ela era esposa do Sr. Gregório Pompei, pai do sócio da Impugnante, sr. Marcos Antônio Pompa Isto consta do depoimento dado pelo Sr. Ricardo Aparecido Quinhones (item 66, iv). O prévio conhecimento desses fatos levou a Fiscalização no mesmo dia em que se iniciou a fiscalização, intimá-la a prestar esclarecimentos a respeito da Impugnante. Evidentemente, a depoente estava com o seu ânimo em exaltação, tendo por origem não só a reclamação trabalhista, mas o rompimento da união com o Sr. Gregório Pompei. Isto, sem dúvida, foi o primeiro procedimento ardiloso utilizado pelas autoridades fiscais. Em qualquer lugar, em qualquer tribunal, um depoimento formalizado nessas condições não possui nenhum valor como sustentação de um fato. Portanto, as declarações da depoente foram calcadas não em dizer a verdade, mas sim para a satisfação de um sentimento íntimo. Daí a razão de não ter nenhum valor probante. De outra parte, persistem outras suspeitas. A depoente, com precisão, afirma que o Frigorífico Baby Beef começou a operar em 26/02/1999. Como poderia ela lembrar com tanta segurança o dia da operação do frigorífico? Há 11, de se ver que ao longo da explanação, esta é a data chave utilizada pela Fiscalização. Ainda a expressão "como a razão social da época de seu afastamento ainda era Frigorífico Abaeté Ltda., esta moveu ação em nome deste". Ora, a utilização de tal expressão é justamente para dizer que só a razão social era Frigorífico Abaeté. Na verdade, foi um depoimento induzido pelas autoridades fiscais. Com certeza, a Impugnante ainda fará provas desse acontecimento. 5) Em 16/0512003 a fiscalizada apresentou livro Caixa para todo o período solicitado e nestes não constam quaisquer informações sobre movimentação bancária (depósitos, cheques emitidos, etc...) e também não constam documentação desta movimentação. A primeira nota fiscal emitida pela fiscalizada com a denominação de Frigorifico foi em 02/0612000, nota fiscal de n° 000001, com autorização n° 1.711 de 0512000, confeccionado pela empresa Forte & Valderramos Ltda.- EPP, CNPJ n° 02.422.229/0001-40, de Fernandópolis-SP e que foi emitida como abate de 3° (terceiro), nota de entrada com remetente à Distribuidora de Carnes e Der. São Paulo Lida. CNPJ n° 68.195.072/0001-75 (a partir de azora identificada como Distribuidora), cujo transportador consta a informação 'frota". V31 . • Processo n.° 10820.00251212004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 758 R.: A razão de não constar a movimentação financeira e nem possuir os documentos decorre do fato das movimentações financeiras serem de titularidade da Distribuidora conforme se informa na correspondência de 31/0512003. 6) No dia 26/0512003, recebeu-se resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 042, lavrado em 12/05/2003, recebido pela agência de Andradina em 23/05/2003, em que a fiscalizada apresentou cópia do contrato de arrendamento de imóvel e equipamentos para fins industriais e comerciais datado de 29/12/1998, que em seu item "e" informa: (todos, grifos nossos) "1-A atividade desempenhada pelo contribuinte foi de transporte rodoviário de cargas no período de 1999 até 0512000, e de abate e frigorificação de bovinos para terceiros nos períodos de 06/2000 a 12/2001. • 2-0 contribuinte não efetuou compras de gado para abate por conta própria nos períodos de 1999, 2000 e 2001". "4- O contribuinte prestou serviços de transporte nos períodos de 1999 a 05/2000 para: -Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Lida, CNPJ 68.195.072/0001-75, fone 017-23120005 contato Valder António Alves. -Distribuidora de Carnes e Derivados São Luiz Lida, CNPJ 01.698.432/0003-42, fone 017-2357775 contato Vinicios dos Santos Vulpini. -Pessoas físicas diversas. O contribuinte prestou serviços de abate e frk de bovinos para terceiro nos períodos de 06/2000 a 1T272T500 para: • -Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Lida, CNPJ 68.195.072/0001-75, fone 017-23120005 contato Valder António Alves. Os serviços eram remunerados conforme discriminados nos conhecimentos e notas fiscais". "6-Conforme contrato de arrendamento de imóvel e equipamentos para fins industriais e comerciais o estabelecimento foi arrendado em janeiro de 1999, sendo que apenas em junho de 2000 foi que a empresa iniciou suas atividades, em razão de liberação do posto fiscal de Andradina-SP, sendo que o valor pago mensalmente é de 200 (duzentas) arrobas de boi, não podendo ser inferior a R$5.200,00 (cinco mil e duzentos reais) e após a renovação de R$7.200,00 (sete mil e duzentos reais), a partir de janeiro/2003 o imóvel foi adquirido por Marcelo Aparecido Pompei, sendo que a escritura definitiva está sendo providenciada, assim como o contrato de aluguel; o aluguel mensal atualmente é de R$8.000,00 (oito mil reais) conforme escrituração". Processo n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 IF1s. 759 R.: Talvez, por não ser de seu interesse, a fiscalização não transcreveu a resposta à sua intimação, de n° 5, onde se informa: "5. O procedimento de entrada e saída de gado para abate de terceiro é o seguinte: O gado em pé, transportado por caminhão boiadeiro contratado pelo comprador do gado, acompanhado da nota _fiscal do produtor onde no corpo da própria nota consta observação do local em que o gado será abatido desembarcando no frigorífico prestador do serviço de abate, momento em que é efetuado a emissão de nota fiscal de entrada de abate de terceiro pelo prestador; após o serviço prestado de abate, a mercadoria é retomada ao tomador do serviço, através nota fiscal de retomo de abate emitida pelo prestador do serviço, sendo que na própria nota de retomo é cobrado o valor pela prestação de serviços de abate e frigorificação para terceiros ". • 7) Em análise de contrato apresentado, conforme item 6 acima, verifica-se que o imóvel e os equipamentos, em que a Fiscalizada exerce suas atividades, foram arrendados do Frigorifico Abaeté lida, CNPJ n°01.180.149/0001-62, cujo endereço é o mesmo da Fiscalizada. Este contrato está datado de 29/12/1998, e contém a assinatura da Sra. Sinézia de Lima e do Sr. Marcos Antônio Pompei, como representantes da fiscalizada A fiscalizada, já nesta data, se denominava FRIGORÍFICO BABY BEEF LTDA, CNPJ N° 68.207.463/0001-62, e foi declarado que sua sede seria a mesma do frigorífico Abaeté Lida , qual seja, Estrada do Jaó, sln, Km 05 + 300 mts. Em sua cláusula terceira, caput do §1°, cita expressamente que "... ARRENDADORES, arrendam a Marca FRIGORIFICO ABAETE LTDA , sendo permitido aos ARRENDATÁRIOS utilizarem desta marca, bem como de sua inscrição estadual por no máximo 120 (cento e vinte) dias...". Também na seqüência o inciso 1 do §1 0 cita que "Vencido os 120 (cento e vinte) dias de carência, deverá de imediato, os ARRENDATÁRIOS, deixarem de fazer uso da Marca Abaeté, bem como passar a usar Exclusivamente a marca da Empresa dos ARRENDATÁRIOS, • FRIGORÍFICO BABY BEEF LTDA". Fato desprovido de amparo legal, pois a inscrição estadual e/ou o CNPJ não são passíveis de arrendamento. A inscrição estadual e o CNPJ são a forma com que uma pessoa jurídica é identificada e individualizada perante terceiros (inclusive perante o Estado), assim Frigorifico Abaeté Ltda não é Marca é o nome de uma pessoa jurídica, prova disso é que no início do contrato ele mesmo se identifica como "Pelo presente INSTRUMENTO PARTICULAR, que fazem entre si: de um lado FRIGORÍFICO ABAETE LTDA ", que é sua individualização legal. A título de exemplo, uma pessoa fi'sica não pode arrendar seu nome pessoal para que outra seja ela, isto traria insegurança nas relações pessoais e jurídicas, o próprio código civil diz que o direito de personalidade é intransmissível e inalienável. Poderia-se entender que ocorreu um equivoco já que no item 1 do mesmo parágrafo cita Marca Abaeté (e não Frigorifico Abaeté lida), mas não foi o que aconteceu (ver item 51 abaixo, em seu tópico 5.2 -tanto da intimação quanto da resposta), pois, a Fiscalizada se utilizou da inscrição estadual do CNPJ e da Razão Social do Frigorífico Abaeté, o que não é permitido. Processo n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 760 R.: Tem razão a fiscalização quando afinna que a inscrição estadual ou o CNPJ não são passíveis de arrendamento. Exatamente por isso, as eventuais transações ocorridas nos períodos de 1999 até 05/2000, constam nas notas fiscais emitidas pela Distribuidora, em suas informações complementares, a seguinte expressão: 'MERC. PROVENIENTE DO ABATE EM ESTABELECIMENTO DE TERCEIROS - ART. 53 ITEM 10 TABELA H ANEXO H DO RICMS. LOCAL ABATE- FRIGOR. ABAETE LIDA. ANDRADINA-SP CGC- 01.180.149/0001-62" (destacamos). Desta forma, a Fiscalização ao presumir que todas as notas fiscais emitidas pela Distribuidora são venda de terceiros, a verdadeira contribuinte dos tributos e contribuições seria o Frigorifico Abaeté Ltda., devidamente inscrita e ativa nos registros da Secretaria da Receita Federal e na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Vê-se que o lançamento efetuado em nome da Impugnante, por ser contraditório à manifestação fiscal, de que não são passíveis de arrendamento a inscrição estadual e o CNPJ. o lançamento deveria ter sido efetuado na titular dessas inscrições. SAssim, o entendimento da fiscalização está correto, mas incorreto o seu procedimento. O art. 123 do C77V, que tem aplicação ao fato, diz que "Salvo disposição de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes". Por último, a resposta do sr. Luiz Alexandre de Souza Pinto, ao Termo de Intimação Fiscal n° 52/04, não deixa nenhuma dúvida quanto a verdade dos fatos: No iteml da resposta está claramente afirmado que: Para atender o Termo de Intimação Fiscal dentro do prazo, n° 52/04, presto os seguintes esclarecimentos: "1-0 Frigorifico Abaeté Ltda. prestou serviços de abate de gado bovino para terceiros em 1999 e parte de 2.000, sendo que após teve suas atividades suspensas." • Ilustres Julgadores: a rigor, a impugnação deveria findar-se neste tópico, pois, está devidamente comprovado que a Impugnante não se reveste na condição de contribuinte, porquanto não possuir relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (art. 121, parágrafo único, 1, do CTN). Entretanto, outras impropriedades do lançamento devem ser contestadas. 13) No documento datado de 17/07/2003 (ver item "11" acima), a Fiscalizada - prestadora - apresentou um contrato de prestação de serviço entre esta e a Distribuidora, e que segundo a Fiscalizada confirmaria que a movimentação financeira constante de suas contas-correntes seriam desta outra Pessoa Jurídica (Distribuidora). Ao analisar-se tal contrato, verifica-se que está datado de 02/01/1999, que a fiscalizada, nesta data já se denomina Frigorifico Baby Beef Ltda., que têm sede na cidade de Andradina-SP, que é denominada prestadora de serviços e que em seu item 1 informa que a prestadora têm como objeto social, a exploração do ramo de abate e frigorificação de bovinos e suínos próprios e para terceiros e verifica- se que consta no item 2 a seguinte informação: Processo n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 761 "A CONTRATANTE, visando servir-se da PRESTADORA, resolve contratá-la, como de fato contratada é, para prestar-lhe os seguintes serviços: 2.1 -Abate de gado bovino e suíno mediante entrega no seu estabelecimento de animais, livre de quaisquer despesas inerentes à transporte, tributos, comissões, etc. 2.2 -Operacionalização de todo o processo de abate, descarne, desossa, classificação, higienizaç ão e frigor(cação. 2.3 -Manuseio dos produtos para a entrega à CONTRATANTE acomodados em caminhões por esta contratados ou contratados por quem esta indicar. 2.4 -Pagamentos aos pecuaristas fornecedores de animais, mediante repasse de numerários em conta corrente bancária, bem como, 410 recebimentos dos valores relativos às vendas feitas pela CONTRATANTE". Tal contrato informa claramente, em seu item 2.4, que a Distribuidora irá repassar numerários à Fiscalizada para pagamento de fornecedores e irá receber as vendas feitas pela Distribuidora, portanto toda movimentação financeira deveria estar registrada na contabilidade, mas não está. Assim, cada crédito e débito, em sua conta corrente, deveriam constar na contabilidade da Fiscalizada, inclusive para demonstrar que este recurso não ficou em seu poder, mas apenas transitou em suas contas-correntes, coincidentes em valores de ingresso e de saídas e para que nenhum valor fosse considerado como sendo de sua propriedade e não poderia haver quaisquer pagamentos de despesas suas ou recebimentos de receitas suas nestas contas-correntes, para isso, esta deveria possuir contas- correntes distintas para transações de terceiros e transações próprias, além de que seu contrato social não explicita a atividade de representante comercial e também não consta da atividade da • fiscalizada a prestação deste tipo de serviço, qual seja, recebimento, cobrança e pagamento - administração de contas. Ocultando estas informações bancárias e operacionais a contabilidade da Fiscalizada apenas demonstra que possui diversas irregularidades, fazendo prova contra a mesma, e contra seus contadores, que as forjaram. R.: Se atentarmos aos dizeres deste item no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, a Fiscalização dá como válido este contrato. Por tal razão, insurge-se contra a contabilidade da Fiscalizada, considerando-a irregular. Ao mesmo tempo afirma que a contabilidade faz prova contra a Fiscalizada e contra seus contadores, que as forjaram. Primeiramente, é de esclarecer que a Fiscalizada não poderia contabilizar movimentações financeiras que não lhe pertencem. Como valores pertencentes a terceiros, a falta de contabilização não afeta o resultado e nem tampouco o ativo, o passivo e o patrimônio líquido. Também, é de lembrar que a Lei n° 9317/1996 em seu art. 7°, § 1°, dispensa as microempresas e as empresas pequeno porte da escrituração contábil. 15) Para demonstrar disparidades entre os contratos e as alterações sociais da Fiscalizada, verifica-se que apenas na sétima Processo n.° 10820.00251212004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 762 alteracão contratual da Fiscalizada. aue é datado de 21/06/1999, sua denominação de Transportadora Baby Beef Presidente Prudente Lida passa a denominar-se FriRorífico Babv Beef Lida e altera seu objeto que passa de transporte rodoviário de cargas para abate e frigorificação de bovinos e suínos próprios e para terceiros, industrialização de carnes bovinas, suínas, ovinas, caprinas e seus derivados e subprodutos, ração animal, gordura e óleos animais, embutidos de carne bovina, suína e outros e transporte rodoviário de cargas. Para isso também informa-se que o contrato de arrendamento das instalações do frigorífico é datado de 29/12/1998, e a Fiscalizada já se denominava Frigorífico Baby Beef Lida. Como se verifica muitas divergências. R.: Na verdade, não existe nenhuma divergência. O que a Fiscalização fez foi ler o contrato já mentalizando a feitura do lançamento. Nesta condição, como se verá ao longo do trabalho fiscal, o que ela fez foi interpretar casuisticamente todas as informações e 111 dados apresentados, com a aflorada intenção de que o auto de infração deverá ser lavrado em nome do Frigorifico Baby Beef Ltda. Vejamos pois: a) em todas as cláusulas do contrato de arrendamento, o Frigorífico Baby Beef Ltda., por não ter ainda o registro dessa denominação, é representado como Arrendatários, designação dada aos Sr. Marcos Antonio Pompei e sra. Sinézia de Lima; b)na cláusula 3a•, § 1°, inciso I diz-se que: Vencido os 120 (cento e vinte) dias de carência, deverá de imediato, os arrendatários, deixaram de faz(sic) uso da Marca Abaeté, bem como passar a usar Exclusivamente a marca da Empresa dos ARRENDATÁRIOS, FRIGORÍFICO BABY BEEF LTDA. (grifamos). A existência desta cláusula dispensa qualquer comentário; c)Por fim, quem assina o contrato não é o Frigorifico Baby Beef lida, mas o sr. Marcos Antonio Pompei e sra. Sinézia de Lima, • arrendatários. 19) Também se intimou a fiscalizada, vide item "12", a apresentar cópia de cheques/comprovantes de depósitos e recibos de pagamentos dos aluguéis pagos aos arrendatários pelo arrendamento das instalações do Frigorífico Abaeté Ltda. desde o início do arrendamento ou seja, contrato de arrendamento datado de 28/12/1998, com primeiro pagamento em 11/01/1999 até 31/12/2002, como resposta foram apresentados recibos de arrendamento de março de 2001 até dezembro de 2002, portanto deveria apresentar os recibos faltantes, ou seja de janeiro de 1999 ate fevereiro de 2001, e apresentar todas as cópias de DARF's referentes à retenção do Imposto de Renda, que é devida no caso dos pagamentos de aluguel/arrendamento a pessoa flsica, ou informar os motivos da não retenção, além de apresentar relação dos veículos de propriedade da Fiscalizada no período em que esta prestou serviço de transporte de cargas. Quanto a estes fatos a empresa informa, em 11/08/2003, que os recibos de arrendamento dos períodos solicitados foram extraviados, por tal razão não foram apresentados, sendo que ocorreu a escrituração por haver a efetivação real dos pagamentos e existir contrato de arrendamento registrado e válido e Processo n.° 10820.002512t2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 763 que não existem DARF's de recolhimento referente a retenção do imposto de renda. dos pagamentos de aluguel/arrendamento para serem apresentados, em razão do recebedor se negar a receber tal arrendamento com algum tipo de desconto ou retenção, sendo que o mesmo recolheria na declaração de ajuste anual. A Fiscalizada também declara que não é a titular de direito e/ou de fato de contas correntes no período fiscalizado (está se fiscalizando os anos de 1999 a 2002), e informa que o contrato de prestação de serviços constaria o titular da movimentação financeira (a Distribuidora), esclarece ainda que não foram escrituradas movimentações financeiras em razão de não possuírem. Que os empréstimos realizados com a Distribuidora foram em espécie. Também informa que os serviços de transportes foram efetuados através de subcontratação e que a empresa não possuía veículos de carga. R.: Com a relação a este item, é de afirmar que a Impugnante fez • alguns pagamentos de aluguel a título de adiantamento para os meses em que efetivamente fosse utilizar as dependências do frigor(fico. Até que houvesse a regularização da pendência das inscrições no Estado, o Frigorífico Abaeté Ltda. vinha utilizando-se dele para o abate de gados pertencentes à Distribuidora. O empréstimo a que se refere a fiscalização está devidamente escriturada no livro Caixa, de acordo com o contrato elaborado. 20) Também foram apresentados parte dos documentos solicitados nas RMF's já emitidas, referentes aos anos-calendário de 1999 à 2001, e constam na ficha cadastral da fiscalizada, seus dados cadastrais e não os da Distribuidora, além de haver históricos de transação de crédito com as informações de "carnets e assemelhados" e "liberação de capital de giro" que provavelmente sejam pagamentos de despesas em débito automático e de empréstimo de capital de giro para a Fiscalizada, respectivamente, que deveriam estar contabilizados nos livros fiscais desta. Posteriormente, com a apresentação dos mesmos (vide item 49, tópico xvi), confirmou-se tal probabilidade, mas estes • não estão contabilizados nos livros da Fiscalizada. R. Já foi esclarecido que a verdadeira titular da conta é a Distribuidora de Carnes São Paulo Ltda.. Entretanto, por acordo entre as partes, constante do subitem 2.4 do contrato de prestação de serviços, Impugnante teve que manter movimentações financeiras em seu nome, daí a razão das fichas cadastrais estar em seu nome. Quanto à contabilização referida, é de se informar que a Impugnante não possuía livros contábeis, possuindo somente o livro Caixa, já que está legalmente dispensada de efetuar a escrituração contábil. 27) Em 30/1012003, os Auditores Ronaldo Antônio Casatti e Élio Miorim foram a São José do Rio Preto-SP para efetuar as Diligências na Distribuidora, nos sócios e contador da mesma. Localizou-se os endereços dos sócios, constantes da base CPF, sendo que na rua São Paulo, 1376, que consta como endereço do sócio Sr. Valder é a sede de uma escola de denominação Euroamérica, que estava fechada naquele horário (fotografou-se este endereço), na vizinhança contatamos o Sr. Antônio Pereira Mota, que nos prestou as declarações constantes do termo de Declaração/Constatação datado de 30/10/2003, às 13:15 horas, informando que no local anteriormente à escola funcionou a Processo n.° 10820.002512/2004~42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 764 empresa Açougue e Mercearia Paulista. Verificou-se que há uma procuração outorgada pela Distribuidora ao Sr. Ricardo Aparecido Quinhones, datada de 28/04/2003, o Sr. Valder declara residir na rua São Paulo, n°1.439 casa 2, assim compareceu-se neste endereço e localizou-se o Sr. Izidoro Cavalari, proprietário do imóvel e residente na casa 1, que nos prestou as declarações constantes do termo de Declaração/Constatação datado de 30/1012003, às 13:40 horas, informando que o Sr. Valder teria realmente residido no local mas, fazia mais de 05 anos. R.: Contribuinte não apresentou resposta para este item. 28) Posteriormente, compareceu-se ao endereço da Srta. Cláudia sendo que esta não se encontrava, assim sua mãe prestou as declarações constantes do termo de Declaração/Constatação datado de 30/10/2003, às 14:12 horas, informando que sua filha trabalhou como funcionária da Distribuidora e que atualmente trabalha em um escritório de contabilidade. Conforme fotos tiradas constata-se tratar de unza residência muito humilde, incompatível com os valores declarados de receita pela Distribuidora, se estes valores fossem realmente da Distribuidora. R.: Segundo afirmação da própria Fiscalização, a srta. Cláudia participa com apenas 1% do capital da Distribuidora. 29) Após, estas diligências compareceu-se ao endereço da Distribuidora e a Srta. Maria dos Anjos Medeiros os atendeu, na ausência do Sr. Valder, e apresentou as instalações da empresa esclarecendo algumas operações efetuadas pela Distribuidora. Na parte superior a empresa possui um setor apenas para emissão de notas fiscais que possui apenas uma impressora matricial(que no período em que estivemos na empresa não emitiu qualquer nota fiscal) e que se encontravam duas pessoas, nesta sala há uma divisória onde a Sra. Maria tem sua sala que também tem uma impressora matricial e havia ainda uma funcionária (recepcionista) que prontamente nos • atendeu, havia ainda uma outra sala em que se pôde observar algumas notas fiscais de entrada de várias empresas como o Friboi e do Frigo Vale, há ainda uma copa, uma sala em que o Sr. Valder utiliza como escritório e também uma sala utilizada como arquivo de notas fiscais emitidas. Na parte inferior do prédio há câmaras frias que não são utilizadas pela empresa e que estão arrendadas, conforme informação da Srta. Maria, estas câmaras frias estavam vazias, não estavam sendo utilizadas. Enquanto esteve-se no local compareceram dois funcionários de um outro frigorifico para retirarem as notas _fiscais das entregas que efetuariam no dia seguinte. Como se pode observar a Distribuidora não efetua qualquer entrega de produtos, não faz abate em instalações próprias, não possui prédio próprio, suas atividades se limitam à emissão e entrega de notas fiscais, portanto é uma Distribuidora de Notas Fiscais e não de Carne e Derivados. R.: O contrato de prestação de serviços entre a Distribuidora e a Impugnante determina em sua cláusula 2 parte operacional da prestação de serviços, desta forma: . • Processo n.° 10820.00251212004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 765 "2. - A CONTRATANTE (Distribuidora), visando servir-se da PRESTADORA (Impugnante), resolve contratá-la como de fato contratada é, para prestar-lhe os seguintes serviços: 2.1 - Abate de gado bovino e suíno mediante entrega no seu estabelecimento de animais, livre de quaisquer despesas inerentes à transportadora, tributos, comissões, etc. 2.2 - Operacionalização de todo o processo de abate, descarne, desossa, classificação, higienização e frigorificação. 2.3 - Manuseio dos produtos para a entrega à CONTRATANTE acomodados em caminhões por esta contratados ou contratados por quem esta indicar. Ora, basta examinar os serviços a que a Impugnante se obriga, para se constatar que pelo menos aqui a Fiscalização não distorceu a realidade dos acontecimentos. Também, deve-se afirmar que não é somente a Impugnante que presta estes serviços à Distribuidora. Existem ainda vários outros estabelecimentos, dos quais a Fiscalização tem pleno conhecimento. 30) Diligência no escritório do sr. Vanderlei Antunes Rodrigues - Termo de Diligência Fiscal/Intimação n° 106, datado de 30/10/2003. Foram apresentados todos os extratos bancários da Fiscalizada do período que se estava fisc". O acórdão DRJ/RPO n° 9.028/05 (fl. 630/671) julgou o lançamento procedente, sintetizando o seu entendimento consoante os termos exarados na ementa adiante transcrita: "DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE FRAUDE. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS Ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública rever o lançamento para constituir o crédito relativo a tributos enquadrados na modalidade de lançamento por • homologação conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em relação às contribuições para a seguridade social, a lei fixou um prazo de 10 anos para o Fisco proceder à constituição do crédito tributário. OMISSÃO DE RECEITA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. A omissão de receitas, com a utilização de interpostas pessoas jurídicas para acobertar receitas provenientes de suas operações comerciais denota a intenção de sonegar tributos. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. PrOCeSSO n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 766 INCONS77TUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. É defeso à autoridade administrativa pronunciar-se quanto a alegações de inconstitucionalidade de normas legais. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% quando comprovada a ocorrência de omissão de receitas com evidente intuito defraude. NULIDADE. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCEDIMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. Cofins. Cofins-INSS. • Aplica-se aos lançamentos decorrentes a decisão proferida quanto ao IRPJ pela íntima relação de causa e efeito existente. Lançamento Procedente." No caso em tela, as normas tachadas de inconstitucionais pela impugnante continuam válidas, não sendo permitido à autoridade administrativa abster-se de cumpri-las, nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade na primeira hipótese, e de invadir competência alheia na segunda. A contribuinte questiona a validade do procedimento, porque estaria vinculado ao inconstitucional e ilegal acesso aos seus dados bancários, posto que, decorrente da aplicação retroativa da Lei n° 10.174, de 2001. Ocorre que o acesso pelas autoridades administrativas às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federa, art. 145, § 1°, no art. 197 do CTN e posteriormente no art. 8° da Lei 8.021/90, onde o art. 197 dispõe que mediante • intimaçãoação escrita são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros, inclusive os bancos, casas bancárias, e demais instituições fmanceiras; e o art. 8° caminha na mesma direção. Atualmente cumpre esse papel à LC 105/01. Em cumprimento a tal regramento, a Lei n° 10.174, de 2001, e o Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, apenas definiram com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Assim, uma vez presente o comando expresso, em lei ordinária e complementar, autorizando o exame de informações bancárias, cumpre acatá-lo e utilizá-lo, até porque não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade de lei vigente, mediante juízos subjetivos, dado o princípio da legalidade que vincula a atividade administrativa. A corroborar todo o exposto, reproduzem-se os fragmentos da decisão proferida no Agravo n° 138263, pelo Relator, Juiz Federal convocado, Carlos Muta, no TRF da 3' Região, 3° Turma — Processo 2001.03.00.027704-8- DJU de 13.11.2001, p. 590, reproduzido pela Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 216/219. V) Processo n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 767 E, por elucidativas, transcrevem-se as seguintes ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes: LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO. Aplica-se ao lançamento a lei que amplia os meios de fiscalização, pois o princípio da irretroatividade atinge somente os aspectos materiais do lançanzento. [Acórdão n° 106-13188, Data da Sessão: 30/01/2003]. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. È incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. [Acórdão n° 106-13161, Data da Sessão: 29/01/2003]. Especificamente com referência à retroatividade da lei, ela tão só estabelece meios de fiscalização, e não hipóteses tributárias destinando-se a verificar a ocorrência de fato • gerador de imposto, antes já previsto na legislação — art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Clara é a disposição do CTN no sentido de o lançamento submeter-se ao procedimento disposto na lei vigente à data de sua formalização. Do dispositivo legal invocado, cabe observar à contribuinte que o devido processo legal, com a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa a que se refere o diploma legal acima, está plenamente assegurado pela CF, especialmente no art. 50, incisos XXXV, XXXVI e LV, sendo que este último assegura que aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e os recursos a ele inerentes. Diante disso, por estar o acesso às informações bancárias dos contribuintes regularmente autorizado nas leis mencionadas, bem como no Decreto n° 3.724, de 2001, regulares são os procedimentos aqui adotados e as provas assim obtidas, inexistindo qualquer prejuízo à validade da por não conseguir o seu intento, mas que nem por isso possa eximir-se da autoria. • No mérito, o voto condutor aduziu que ao contrário do alegado pela contribuinte a movimentação financeira foi o ponto de partida para o início dos trabalhos fiscais, eis que a partir desse indício, a empresa foi colocada sob investigação fiscal que resultou na presente autuação. Portanto, a essência da autuação fiscal não foi a movimentação bancária do contribuinte, mas a omissão de receitas com a utilização de interpostas pessoas jurídicas. A fiscalização não se baseou em declarações de quem quer que seja. As provas carreadas para os autos são os meios de se buscar a verdade a fim de se fixar os fatos ali narrados. Da análise efetuada e que deram gênese ao lançamento em exame, ficou claro para o julgador que o procedimento fiscal preocupou-se inicialmente em investigar a existência e a natureza da pessoa jurídica (Distribuidora de Carnes São Paulo) com a qual o interessado (Frigorífico Baby Beef) supostamente realizara operações comerciais (abates e distribuição de carnes) que não se revelaram verdadeiras. Investigaram-se pessoas, fatos e documentos. Do resultado desse trabalho gigantesco (vide o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 57 a 113), chegou-se à conclusão de que a Distribuidora não efetuou nenhuma operação Processo n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 • Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 768 comercial no ano-calendário de 1999, e que funcionava como mera fachada para acobertar as vendas internas do Frigorífico Baby Beef. São exemplos de que a fiscalização trouxe aos autos importantes elementos e subsídios: o livro Caixa sem o registro da movimentação bancária, que girou em torno de R$24.000.000,00 no ano-calendário de 1999; falta de documentação relativa as operações bancárias; contrato de arrendamento de imóvel e equipamentos para fms industriais e comerciais datado de 29/12/1998, celebrado com o Frigorífico Abaeté; relatório de diligência fiscal realizada no domicilio fiscal da Distribuidora, onde constatou-se que a mesma não operava comercialmente, limitando-se a emissão de notas fiscais, etc... Salientou que esses são apenas alguns dos profusos e contundentes indícios que nos levam a concluir que a Distribuidora era, de fato, não um ente autônomo, atuando no mercado de forma individual, mas sim um mero artifício, um mero ardil formal, elaborado pelo interessado para ali descarregar o máximo de gravames fiscais que se lhe porventura • aparecessem em sua trajetória. Esse conjunto de circunstâncias e fatos resta minuciosamente descrito no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, respaldado pela extensa documentação acostada em dezesseis anexos. Ressaltou que no presente caso a autoridade autuante cumpriu com o ônus que era seu de demonstrar que o interessado é, de fato, o titular dos depósitos bancários provenientes de'sua principal atividade, que é o abate próprio de gado bovino, assim como das receitas provenientes do transporte de cargas. Por outro lado, para que a interessada demonstrasse a inverdade do comportamento a ela imputado, necessário seria que juntasse aos autos contra-provas que respaldassem suas alegações. Não foi, porém, o que se verificou. Na contraposição de provas necessária à busca da verdade processual constata- se que as colhidas pela autoridade autuante são consistentes e completas. Quanto a autuada, conforme já exposto, a impugnação não foi instruída com • nenhum documento que seria necessário à fundamentação de suas alegações. Com relação aos autos de infração reflexos (CSLL, PIS, Cofms e Cofins-INSS), sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao MPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. Ciente da decisão por meio de AR em 07/03/06 (fl. 691), a contribuinte protocoliza o seu recurso voluntário em 04/04/06 (fls. 692/727), portanto tempestivamente, para arrolando bens consoante a liN/SRF n° 264/02 (fl. 728/729), reiterando com outros termos aqueles contidos na exordial, sem acrescentar fato superveniente, nem trazendo fatos novos à lide. É o Relatório. Processo n.° 10820.002512/2004-42 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-33.741 Fls. 769 Voto Conselheiro Otacfiio Dantas Cartaxo, Relator Versa a matéria em comento sobre a procedência da exigibilidade ou não dos lançamentos efetuados em face da ora recorrente, mediante a constatação da insuficiência de recolhimento (omissão de receitas — sonegação) de TRPJ, CSLL, PIS, COFINS-Simples e COFINS-INSS, durante o ano-fiscal de 1999, todas pelo sistema simplificado de arrecadação SIMPLES, mediante a utilização de interpostas pessoas jurídicas no intuito de acobertar receitas provenientes de operações comerciais, motivando a lavratura de auto de infração para exigência do crédito tributário apurado de R$ 7.373.874,71 acrescidos de multa de ofício de 150% (omissão de receita), 75% (insuficiência de recolhimento) e de juros de mora calculados até 31.11.2004(fls.5). 110 Dada a íntima relação existente entre os fatos motivadores da exigência do IRPJ e aqueles relativos à COFINS, PIS, e outros, e não havendo nenhuma argumentação específica, estende-se, a estas últimas, a orientação decisória adotada naquela. No mais, segundo dispõe o § 1° do art. 9° do Dec. 70.235/72, com a redação dada pelo art. 113 da Lei n° 11.196/05, quando a comprovação de ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, será formado um único processo com os autos de infração formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo. Com soe, nas exigências por vias reflexas, os elementos de prova pertencem à fiscalização do imposto de renda, que irradia os seus efeitos aos demais lançamentos de ofício, tidos como decorrentes, ou nascidos por vias reflexivas. Observação esta pacificada por uma questão de economia procedimental. Ante o exposto voto no sentido de que esta Corte decline da realização do julgamento da matéria posta na apreciação deste recurso, em favor da apreciação do feito pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, em razão de sua competência para o julgamento do TRPJ e seus reflexos. Sala das Sessões, em 29 de março de 2007 X‘i‘ OTACILIO D • • 5 • • TAXO - Relator
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Numero do processo: 10783.902168/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3803-000.129
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Kern (presidente), Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada, por entender que não havia nos autos prova de que houve pagamento a maior no período de janeiro de 2001. A ora recorrente apresentou pedido eletrônico de ressarcimento e declaração de compensação (PER/Dcomp) para compensar débito da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (código 8109), do período de apuração dezembro de 2002, com créditos da mesma Contribuição, recolhidos a maior no período de apuração janeiro de 2001, no valor original de R$ 2.433,03. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10783.902168/200819 Despacho n.º 3803000.129 S3TE03 Fl. 153 2 A DRF de Vitória emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação. Contra esta decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, devidamente acompanhada de cópia da DCTF retificadora, fls. 05/18; DCTF original, fls.19/31; DIPJ/2002, fls. 32/85; PER/Dcomp, fls. 86/90, "objetivando esclarecer eventuais diferenças apuradas pela Secretaria da Receita Federal". A DRJ Rio de Janeiro II julgou improcedente a Manifestação de por entender que a DIPJ e a DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório não se prestam para demonstrar o pagamento indevido vez que se trata de documento não espontâneo. Afirmou que, em situações como a presente, “somente a apresentação de documentos, integrantes da escrituração contábil e fiscal do interessado, poderiam atestar ou comprovar que o PIS devido no PA 01/01 seria de R$ 1.060,93, e, que, desta forma, o pagamento em DARF arrecadado pela empresa, no valor (principal) de R$ 3.493,96, daria ao sujeito passivo crédito passível de ser compensado com outros débitos e contribuições federais, no valor de R$ 2.433,03”. Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho, alegando, em apertada síntese, que a circunstância a DCTF retificadora ter sido apresentada após o despacho decisório não a torna imprestável, na medida em que não se está diante de procedimento de cobrança de tributo, mas de restituição. Afirma, ainda, que a Instrução Normativa SRF nº 255/02, não estabelece qualquer óbice nesse sentido. Por outro lado, defende que os documentos apresentados com a Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para demonstrar o recolhimento a maior da Contribuição ao PIS no período de apuração de janeiro de 2001. Entretanto, para que não remanescesse qualquer dúvida a respeito do valor a compensar, trazia aos autos os documentos indicados pela decisão recorrida como necessários: (i) Livro Diário; (ii) Livro nº 02 Registro de Saída e (iii) Livro Registro de Apuração de ICMS. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente alega que teria um crédito de Contribuição ao PIS relativo ao período de apuração de janeiro de 2001 no valor de R$ 2.433,03. Para demonstrar o seu direito, instruiu sua Manifestação de Inconformidade com DIPJ do período e DCTF retificadora, a qual teria sida transmitida após o Despacho Decisório. A autoridade recorrida entendeu que esses dois documentos fiscais não seriam suficientes para demonstrar o pagamento a maior, em especial em se tratando de DCTF não espontânea. Neste ponto, entendo que tem razão a Recorrente ao alegar que não seria possível igualar os procedimentos de constituição e exigência do crédito tributário aos pedidos de compensação. É certo que o art. 74, § 11º, da Lei 9.430/96, prescreve que a Manifestação de Inconformidade obedecerá ao rito processual do PAF – Decreto nº 70.235/72. Todavia, isso Fl. 178DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10783.902168/200819 Despacho n.º 3803000.129 S3TE03 Fl. 154 3 não é suficiente para equiparar esses procedimentos, a ponto de considerar que a transmissão de DCTF retificadora após o despacho decisório a tornaria sem efeito, vez que não espontânea. Ora, nos termos do art. 138 do CTN, a espontaneidade é relevante apenas para excluir a responsabilidade pela infração. Por conta disso, e tendo em vista que não estamos falando de ausência de pagamento de tributo, mas, pelo contrário, de pagamento a maior, não há que se obstar a análise de documento fiscal, pela simples razão de ter sido transmitido após o início do procedimento de restituição. Por outro lado, também o art. 9º, § 1º, II, da IN 255/02 não se presta para fundamentar a conclusão de que a DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório não poderia ser analisada. Com efeito, o texto deste enunciado normativo é muito claro ao prescrever que não será aceita a retificação da DCTF que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do inicio de procedimento fiscal. Ou seja, o que se veda é a entrega de DCTF para retificar débito sob procedimento fiscal e não crédito, como o fez a Recorrente. Tecidos estes comentários, resta evidente que a documentação trazida pela Recorrente deveria ter sido analisada. Além disso, verificase que, muito provavelmente por conta de ter entendido a autoridade recorrida que a DCTF retificadora e a DIPJ não são documentos hábeis para demonstrar o indébito e para demonstrar sua boa fé, a Recorrente trouxe aos autos novas provas, quais sejam: (i) Livro Diário; (ii) Livro nº 02 Registro de Saída e (iii) Livro Registro de Apuração de ICMS. Provas estas indicadas pela DRJ Rio de Janeiro II como idôneas para comprovar o pagamento a maior. Neste contexto e sem entrar no mérito a respeito da possibilidade de considerar DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, mas com informações idênticas à DIPJ do período pleiteado, como documento suficiente para demonstrar o indébito, verifico que há nos autos outros elementos neste sentido. Por conta disso e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que verifique se está correto o valor indicado pela Recorrente como pagamento a maior (R$ 2.433,03), bem como se ele não está alocado a outro débito. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 179DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/11/2011 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/11/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10909.003289/2005-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3803-000.082
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) BELCHIOR MELO DE SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0715.763, de 17 de abril de 2009, da DRJFlorianópolis/SC, fls. 1.856 a 1.863, que indeferiu a solicitação de ressarcimento de crédito de IPI apurado no 3º trimestre de 2005, fls. 01. Tais créditos referemse, pretensamente, a nãoaproveitamentos decorrentes de operações de exportação. Na apreciação do pleito, a Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC alegou que em todas as notas fiscais de prestação de serviços apresentadas pela contribuinte para embasar a existência de seus créditos aparecem como tomadores dos serviços empresas residentes e domiciliadas no Brasil. Aduziu que o fato de haver destaque do ISS nas notas fiscais é o atestado de que as operações são caracterizadas como de mercado interno. Assim, não restaria configurada a exportação de serviços, o que prejudicaria a pretensão da contribuinte, à luz do inciso II do artigo 5.o da Lei n.o 10.637/2002 e o inciso II do artigo 6.o da Lei n.o 10.833/2003, Fl. 24DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10909.003289/200561 Resolução n.º 3803000.082 S3TE03 Fl. 1.910 2 que exigem, para a caracterização da exportação de serviços, que o tomador fosse residente e domiciliado no exterior. Em sua manifestação de inconformidade, fls. 170 a 189, a impugnante explicita a sistemática de suas operações e afirma o equívoco em que teria incorrido a DRF/Itajaí/SC ao deixar de considerar entendimento já pacificado, mesmo em sede administrativa, de que "a intermediação de agente ou responsável, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a operação como de exportação de serviços". Alegou que a seus procedimentos estão em perfeita consonância com regramento específico do Bacen Banco Central do Brasil. Afirmou que, na qualidade de operadora portuária, presta serviços de movimentação de cargas importadas e exportadas, ora a tomadores residentes e domiciliados no Brasil e no exterior (transportador/armador internacional), sendo que os pagamentos relacionados a estes últimos contratantes são realizados em moeda corrente nacional, pelos agentes/representantes formalmente designados/constituídos do transportador estrangeiro, conforme normas específicas do Bacen. Assim, assegura a contribuinte que o ônus pelo serviço prestado recai sobre a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e não sobre a pessoa jurídica que meramente a representa no país. Serviuse das regulamentações do Bacen acerca da matéria, com o fim de enfatizar não apenas a regularidade das operações realizadas por agentes marítimos representantes de pessoas jurídicas estrangeiras no país, como também o fato de que tais operações não se descaracterizariam como "operações de comércio exterior", inclusive para fins tributários. Em seguida, citou a legislação específica do PIS e da Cofins (artigo 5.o da Lei n.o 10.637/2002 e artigo 6.o da Lei n.o 10.833/2003, com as redações dadas pela Lei n.o 10.865/2004), para fins de demonstrar que as operações vinculadas ao crédito ora pleiteado atendem aos requisitos legais, quais sejam: representam serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior e os pagamentos que lhes são respectivos certamente representam ingressos de divisas. Fez referência, ainda, a entendimentos da própria Receita Federal do Brasil, expressos em soluções de consulta, no sentido que a mera intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só não é suficiente para descaracterizar a operação de exportação. A DRJFlorianópolis, discordando do entendimento da DRFItajaí, acolhe os argumentos da impugnante quanto à regularidade da intermediação de suas operações com os armadores internacionais por meio de agência de serviços marítimos, nos termos a seguir: “Como se vê, a figura do representante do transportador estrangeiro no território nacional está devidamente integrada à nossa ordem jurídica, consubstanciandose em ente que atua em nome e por conta daquele transportador estrangeiro. Não se pode afirmar, assim, que a atuação deste representante sirva à descaracterização de uma operação como de exportação (operação esta envolvendo, por exemplo, um prestador de serviços nacional e um tomador estrangeiro representado por um agente marítimo).” Fl. 25DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10909.003289/200561 Resolução n.º 3803000.082 S3TE03 Fl. 1.911 3 Quanto à notas fiscais trazidas aos autos, reconhece que várias das notas fiscais tem como tomador empresas estrangeiras: “evidenciam a possibilidade de atuação do representante sem a descaracterização da exportação e a possibilidade que as operações possam ter ocorrido na forma como a contribuinte alega, mas não atestam de forma conclusiva a existência do crédito, tanto seja porque a prova está associada, em regra, a apenas uma ou algumas poucas das milhares de operações constantes de cada processo, como seja porque a prova em si não estabelece um nexo entre notas fiscais específicas e operações concretas e também específicas de exportação.” Porém, indefere a solicitação por considerar, conforme refere nos termos abaixo, que a mera emissão de tais notas não são prova da conclusividade das operações e sua correspondência com ingressos de divisas, cabendolhe o ônus de comprovar por meio de outros documentos a liquidez e certeza do seu crédito, conforme rege o art. 170 do CTN: Diante deste quadro, há que se dizer que as notas fiscais emitidas para entes domiciliados ou residentes no Brasil, isoladamente, não comprovam os vínculos que a operação deve ter com uma operação de exportação para que possa gerar o direito pretendido pela contribuinte; é que com base apenas nelas não apenas não há prova de que os tomadores dos serviços constantes das notas tenham atuado, naquelas operações específicas, como representantes de entes residentes ou domiciliados no exterior, como também não há comprovação de que tais operações tenham resultado em ingresso de divisas. Cientificada da decisão em 18 de maio de 2009, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 1.866 a 1.889, em 17 de junho de 2009, em que reitera os mesmos argumentos da impugnação, e na veemência de sua defesa compromete sua compostura e abusa de qualificações pouco respeitosas atribuídas aos Auditores que regularmente atuaram nas decisões. É o relatório. Conselheiro Relator BELCHIOR MELO DE SOUSA O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Com razão a Delegacia de Julgamento em Florianópolis quando afirma que é do contribuintepleiteante o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito que utiliza na compensação. No entanto, esta afirmação não é suficiente para fulminar as razões do recurso voluntário, cabendo para o deslinde deste caso análise de algumas nuanças que passaram ao largo do julgamento de piso, a despeito da firmeza e percuciência com que o nobre julgador se houve na prospecção da especificidade da matéria que cobriu, na condução do seu voto. No transporte internacional executado por armador estrangeiro, a sistemática no terminal de cargas portuárias operase como segue: Fl. 26DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10909.003289/200561 Resolução n.º 3803000.082 S3TE03 Fl. 1.912 4 É usual a existência de contrato do armador estrangeiro com certas empresas movimentadoras de contêineres, com preços previamente dessa forma pactuados. Não havendo tal contrato, o armador servese de seu representante no Brasil, um agente portuário, para contratar serviço a serviço, além de cuidar de outros trâmites administrativos pertinentes ao embarque ou desembarque de cargas. Nesta última hipótese, o armador consulta o seu agente acerca do preço da movimentação de certa quantidade de contêineres. Orçada a despesa, o armador efetua a transferência do valor desta e das demais despesas referentes à operação. O contrato de câmbio é feito em nome do agente, sem especificações em seu conteúdo quanto ao destino específico de cada parte dos recursos. Da descrição acima, concluise uma vez configurado que as despesas efetuadas pelo agente são feitas em nome do tomador do serviço, o armador estrangeiro que haverá ingresso de divisas para o Brasil. A TECONVI foi intimada para apresentar alguns documentos; atendeu, e, entre esses, anexou uns poucos milhares de notas fiscais. Não há relato no despacho decisório de que tenha faltado algo da documentação solicitada, e a decisão de nãohomologação das compensações fundouse no nãoreconhecendo da legitimidade da intermediação ocorrida e sobre o argumento de que os serviços foram prestados para tomador residente e domiciliado no Brasil, atestandoo, inclusive, com as observações de que sobre os serviços prestados foram efetuados recolhimentos de ISS, à alíquota de 3%, e de que estes foram pagos em reais. A documentação, portanto, não passou da análise perfunctória de identificação do tomador do serviço. Conforme relatado, a DRJFlorianópolis, na linha de entendimento oposto ao da Delegacia em Itajaí, reconhece a legitimidade da intermediação de agente agindo em nome do tomador de serviços residente e domiciliado no exterior, bem como a possibilidade do pagamento ser efetuado em reais. Reconhece também a possibilidade de existência que estão sendo utilizados na compensação, porém, sobre outro fundamento – de que os documentos são insuficientes para comprovar que houve ingresso de divisas para o País – não se inclinou para apurar a verossimilhança do crédito apontado pela interessada e não homologou as compensações . Em visão sobre amostra aleatória de notas fiscais, é possível observar que na maioria delas os tomadores tem domicílio no exterior. Notese, também, que no campo “observações”destas consta o nome do navio receptor/entregador da carga. Ao nome do navio, tendo em mira a data da nota fiscal, são regularmente vinculados conhecimento de transporte, número da viagem e Bills of Landing (BL) a indicar o destino da mercadoria embarcada, documento este que, uma vez assinado pelo comandante do navio, tornase atestado a confirmar a saída da carga do País. E cópias destes documentos ficam em poder do agente representante dos armadores estrangeiros. Há, inequivocamente, entrada de divisas não só na hipótese acima, sendo indiferente se os containeres encontramse cheios ou vazios (de regresso para o país estrangeiro), mas também nos serviços prestados no desembarque de cargas, no caso de importação de produtos. Desse modo, ao invés de modificar o fundamento do despacho decisório a Delegacia de Julgamento poderia ter convertido o julgamento em diligência para que a Delegacia em Itajaí solicitasse documentos suplementares para a efetiva comprovação das transações realizadas com armadores estrangeiros, das quais, inafastavelmente, haveria de se Fl. 27DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10909.003289/200561 Resolução n.º 3803000.082 S3TE03 Fl. 1.913 5 constatar ingressos de divisas no País, subsumindose ao disposto no artigo 5.o, II, da Lei n.o 10.637/2002 e artigo 6.o, II, da Lei n.o 10.833/2003. As importâncias de que o armador seja credor no País, e que lhe são remetidas pelo agente representante, segundo reza a Carta Circular nº 3.249/2004 do Banco Central, delas são feitas remessas parciais, ficando o que não é transferido para cobertura das despesas com taxas e prestações de serviços de atracamento, embarque/desembarque etc., obviamente pagos em reais. Complementando o comando inserto na dita cartacircular, ainda que feita remessa parcial, o contrato de câmbio é feito no valor integral da receita do armador. E no prazo de 90 (noventa) dias da contratação deste câmbio, devem ser firmados novos contratos de câmbio correspondentes à efetivação dos pagamentos das despesas, quando efetuados. No âmbito desta mecânica, não há como se dizer que não houve ingressos de divisas para o País, a despeito de os pagamentos terem sido efetuados pelo agente representante do tomador estrangeiro e em nome deste, ainda que em reais. Pelo exposto, voto por converter o processo em diligência para que a Delegacia da Receita Federal em Itajaí: a) intime a TECONVI para que apresente: a.1.) lista indicando o navio e o tomador correspondente a cada nota fiscal que a recorrente reputa estar vinculada a serviço prestado a residente e domiciliado no exterior; a.2) a documentação da viagem do navio correspondente a cada nota fiscal, especialmente os Bills of Landing, por meio da qual fique demonstrada a saída dos containeres, b) proceda à apuração do crédito da contribuinte, não importando se as saídas dos contêineres se deram cheios ou vazios (porquanto não se está a tratar aqui de exportação de mercadorias), dando ciência do resultado da diligência à contribuinte, na forma da legislação em vigor e, após, retornem os autos a este Conselho. É como voto. Sala das sessões, 08 de dezembro de 2010 BELCHIOR MELO DE SOUSA Fl. 28DF CARF MF Emitido em 26/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Numero do processo: 10480.001609/2003-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Marcos Antônio Pires. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .0 01 60 9/ 20 03 -5 5 Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10480.001609/200355 Resolução nº 1202000.185 S1C2T2 Fl. 3 2 Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) em que se pretende compensar saldo negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL, relativos ao ano calendário de 2002, no montante de R$ 2.704.163,08 (dois milhões, setecentos e quatro mil, cento e sessenta e três reais e oito centavos), com débitos de outros tributos. Conforme disposto no Termo de Informação Fiscal (fls.336/337), houve a homologação das compensações até o limite de R$ 2.298.041,50 (IRPJ) e R$ 391.171,66 (CSLL), totalizando R$ 2.689.213,16, com base em conclusões do Serviço de Fiscalização – SEFIS, que apurou diferenças em razão da glosa de despesas não dedutíveis. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que a redução do seu crédito, bem como a cobrança dos tributos remanescentes, adviria de auto de infração ainda pendente de julgamento, sendo necessária uma decisão no processo no 19647.003321/200510. Após diligência solicitada pela DRJ, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife concluiu, in verbis: "(.) o processo 19647.003321/200510 tem relação direta com o presente no que se refere à tributação do IRPJ e CSLL do ano calendário de 2002. Outrossim, os resultados das diligências promovidas naquele processo foram no sentido da manutenção do crédito tributário lançado, na sua integralidade, portanto, em nada repercutindo no resultado das compensações admitidas neste processo." A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Recife decidiu não acatar as alegações de defesa, mantendo integralmente o despacho decisório de f1.338, que homologou as compensações até os limites de crédito ali informados, editando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ORIGEM. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. AUTUAÇÃO. REDUÇÃO. Os saldos negativos de IRPJ e CSLL podem ser reduzidos de ofício em razão de créditos tributários devidamente constituídos, relativos ao mesmo anocalendário. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos, cuja prova compete ao sujeito passivo, são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Cientificado dessa decisão em 25/05/2009 (cfe AR, fl.480), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF em 25/06/2009 (fls.484/487), apontando que: “o presente processo ainda não pode ser concluído, com decisão definitiva do Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10480.001609/200355 Resolução nº 1202000.185 S1C2T2 Fl. 4 3 feito, tendo em vista que o Processo Administrativo n° 19647.003321/200510, que tem relação direta com o presente no que se refere à tributação do IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, ainda está pendente de apreciação”. Pede a reunião de ambos, para que sejam decididos simultaneamente pelo CARF, em virtude de evidente continência. É o relatório. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10480.001609/200355 Resolução nº 1202000.185 S1C2T2 Fl. 5 4 Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. Como já reconhecido pelas instâncias inferiores, o julgamento do presente processo é vinculado à decisão no processo nº 19647.003321/200510, visto que o crédito utilizado nas compensações, referente ao ano calendário de 2002, foi reduzido em razão de glosa de despesas não comprovadas através de auto de infração objeto daquele processo. Assim, a análise da compensação pretendida nestes autos depende diretamente do resultado do julgamento daquele processo, ou seja, tratase de processo decorrente. O art. 2º da Lei nº 9.430/96 determina o procedimento de apuração do saldo de imposto a pagar ou a restituir ao final do período, a partir das antecipações mensais ocorridas durante o anocalendário: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. A mesma Lei nº 9.430/96, dispõe sobre a homologação da compensação tributária declarada pelo contribuinte, prevendo um prazo para que a Administração Tributária se manifeste: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10480.001609/200355 Resolução nº 1202000.185 S1C2T2 Fl. 6 5 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (destacouse) O legislador estabeleceu que a compensação de qualquer crédito, inclusive a resultante da apuração do “Saldo Negativo de IRPJ” e de “base de cálculo negativa”, é declarada sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesse sentido, compete à autoridade fiscal realizar diligências com vistas à confirmação da liquidez e certeza do crédito pleiteado através da compensação, antes de esgotado o prazo de homologação, quando, por meio da denominada homologação tácita, serão considerados extintos os débitos tributários compensados, na forma do art. 156, inciso II, do CTN. Quando da verificação da procedência do crédito utilizado na DCOMP – Saldo Negativo de IRPJ e base de cálculo negativa de CSLL, a autoridade fiscal apurou IRPJ e CSLL a pagar, respectivamente, após deduzidas todas as antecipações efetuadas no período. Ao proceder dessa forma, a Administração Tributária sinaliza que o crédito alegado pela recorrente não é o que ela informou na DCOMP sob análise, mas aquele que a fiscalização apurou, o que, no caso concreto, corresponde à inexistência de crédito. Ocorre que, na desconstituição do crédito alegado pela recorrente com a apuração de IRPJ a pagar, como em todas as manifestações decorrentes da relação Fisco contribuinte, a decisão da Administração comporta recurso. Assim, não há que se falar em efetiva utilização do crédito para compensação de débitos tributários enquanto não houver a constituição definitiva do auto de infração impugnado. É certo que a compensação tributária somente é possível na existência de crédito líquido e certo, a teor do art. 170 do CTN. Todavia, tendo sido constatado que o crédito utilizado na DCOMP anexada ao processo é inexistente, em razão do ajuste realizado após a lavratura do auto de infração, não cabe neste momento reconhecêlo como válido, nem tampouco como inválido, enquanto não se tornar definitivo o lançamento que resultou em IRPJ a pagar, visto que poderá ser restabelecido, total ou parcialmente, o crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, caso seja considerado improcedente ou parcialmente procedente o lançamento. O crédito tributário apurado pelo fisco no processo nº 19647.003321/200510, assim como o crédito tributário indevidamente compensado na DCOMP em análise neste processo, encontramse com a exigibilidade suspensa, por força do art. 151 do CTN, até que sejam definitivamente julgados. Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10480.001609/200355 Resolução nº 1202000.185 S1C2T2 Fl. 7 6 Até esta instância de julgamento, a análise dos recursos seguiu os trâmites processuais normais, sem qualquer prejuízo à defesa. Contudo, o julgamento proferido por esta instância recursal poderá encerrar definitivamente o litígio, visto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais não é terceira instância de julgamento, pois não se trata de uma instância revisora. Tratase de órgão uniformizador de jurisprudência, a teor do que dispõe o Decreto nº 70.235/72: SEÇÃO VII Do Julgamento em Segunda Instância Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º (Revogado pelo Decreto nº 83.304, de 1979) § 2o Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – (VETADO)(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Eventual interposição de recurso especial dependerá do atendimento aos requisitos constantes do art. 67 e §§ do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suas alterações, que dispõe: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10480.001609/200355 Resolução nº 1202000.185 S1C2T2 Fl. 8 7 § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício. (destacouse) Assim, o recurso especial de decisão que julgou o recurso voluntário, para ser admitido a um novo julgamento, deve preencher alguns requisitos, sendo o mais importante deles a demonstração de existência de divergência em relação ao julgamento da mesma matéria realizado por outra turma. Diante disso, a dependência do resultado daquele julgamento prejudica o julgamento deste processo neste momento, visto que, para que a decisão seja passível de recurso especial, o interessado deverá comprovar a adoção de tese divergente por outra turma e o prequestionamento da matéria. Para ser admitido, o recurso especial eventualmente apresentado neste processo teria que trazer a prova da divergência da tese, o que não se faz possível ou, quando muito, repetiria a comprovação adotada no processo principal, e dependeria do critério de admissibilidade adotado pelo destinatário do recurso. Explicase. Tecnicamente, neste processo não se questiona o dever de proceder às retificações nas informações apresentadas à Receita Federal do Brasil e no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), em função da autuação referente a período anterior, a qual reduziu o saldo de prejuízos fiscais disponível, o que não foi feito e deu ensejo à presente autuação. A questão (tese jurídica) que importa ao deslinde do presente litígio, como se depreende da acusação fiscal e das razões recursais, corresponde à glosa de despesas, que é exatamente a matéria que está sendo debatida em outro processo. Sendo este julgamento apenas decorrente, a aplicação daquela decisão se daria de forma automática, sem novo exame do mérito. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10480.001609/200355 Resolução nº 1202000.185 S1C2T2 Fl. 9 8 Assim, ainda que pudessem ser julgados na mesma sessão, entendese que o julgamento do processo dependente fica prejudicado, pois, caso seja decidida a questão objeto do processo principal, aquela decisão estará sujeita a recurso especial, enquanto a questão decidida neste processo, sendo apenas de natureza instrumental, não possibilitaria a comprovação de divergência. Ademais, não estando os processos apensados, ainda que fosse admitido, a subida do recurso especial eventualmente interposto nestes autos para a Câmara Superior de Recursos Fiscais em nada contribuiria para a realização da função precípua daquela Corte, qual seja, a uniformização da jurisprudência do CARF, e apenas aumentaria o estoque de recursos a serem por ela apreciados, representando um desperdício de recursos humanos e financeiros. Cabe, ainda, referir o art. 265, inciso IV, alínea “a” do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo, que determina: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Assim, considerandose que a decisão neste processo depende (decorre) da decisão no processo principal, a suspensão do feito neste momento é medida que se impõe, em respeito aos princípios do devido processo legal e da economia processual. Diante do exposto, deve ser convertido o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a decisão definitiva sobre o crédito, a ser exarada no processo nº 19647.003321/200510, junte cópia daquela decisão e, em seguida, devolva os autos a esta relatora, para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10820.001841/2007-19
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.002
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do relator,
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
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ÂNiál, MINISTÉRIO DA FAZENDA '.",t .4 .• ';'..:'::.• tt::' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO.'-' -t,,e2,,fporiO41,eat Processo n° 10820,001841/2007-19 Recurso n" 167.633 - Ex Officio Resolução n° 1401-00.002 — 4" Câmara / 1 1 Turma Ordinária Sessão 11 de março de 2009 Matéria IRPJ e OUTROS - ANOS-CALENDÁRIO: 2002 a 2005 Recorrente ia TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Interessada CONDOMÍNIO DE PRODUTORES JOSÉ CARLOS OLIVEIRA FERNANDES NETO E OUTROS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os mei aros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligi 'ia, nos termos do voto do relator, ,i 4t ( W i MARCOS i1 . WS NEDER DE LIMA - Presidente ..,,,' ^ V-AL- k R FONSE A DE + ENEZES - Relator EDITADO EM: (-- t, tH 1 -)nlo u 9 JUL LU Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Vinicius Neder de Lima, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Silvana Rescigno Guerra Barretto e Carlos Alberto Gonçalves Nunes. i Processo e 10820 001841/2007-19 Si-C412 Resolução n " 1401-00.002 F I 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Contra o interessado, acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração (A I) de f1.121, que lhe exigiu o imposto de renda pessoa jurídica dos exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005, períodos-base 2001, 2002, 2003 e 2004 na forma de lucro arbitrado em virtude de a fiscalização ter procedido à descaracterização do condomínio atribuindo-lhe caráter de sociedade de fato, procedendo à sua inscrição de oficio no CNN'. O arbitramento deu-se em razão de o contribuinte, após ter sua inscrição efetuada de oficio no CNN", não ter atendido às diversas intimações para apresentar os livros Diário e Razão, conforme descrito na folha de continuação ao A I (fls. 122 a 123). Foram exigidos os valores de R$ 2.401.335,56 de imposto, R$ 1,448.078,38 de juros de mora calculados até 31/08/2007; e R$ 1.801.001,64 de multa proporcional, perfazendo um crédito tributário total de R$ 5.650.415,58 Enquadramento legal: Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), retificado em 17/06/1999, art. 532., A base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórias encontra-se às fis. 131/132, assim fundamentada: Multa: Lei n°9.430, de 1996, art. 44, I, Juros de mora: A partir de janeiro de 1997 — Apuração trimestral — (para fatos geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 3°. Corno a infração apurada apresenta reflexos nos valores devidos às contribuições sociais, foram lavrados autos de infração referentes ao Programa de Integração Social — PIS (fl. 155), com crédito tributário de R$ 1,581.148,65; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins (fl, 144), com crédito tributário de R$ 7.297.611,02; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fl, 133), com crédi,to tributário de R$ 2.606.897,76. 2 Processo n" 10820 001841/2007-19 S1-C4T2 Resolução n 1401-00,002 Fl 3 O Termo de Constatação Fiscal, fls. 109/120, nos dá conta que durante os trabalhos de fiscalização na pessoa física de JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES, CPF 060.668.478-64, foi verificada a existência de vendas de cana-de-açúcar para a empresa Clealco Açúcar e Álcool S/A, da qual o . fiscalizado era um dos "sócios", O Termo de Constatação Fiscal, fls. 109/120, nos dá conta que durante os trabalhos de fiscalização na pessoa fisica de JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES, CPF 060.668478-64, foi verificada a existência de vendas de cana-de-açúcar para a empresa Clealco Açúcar e Álcool S/A, da qual o fiscalizado era um dos "sócios" . Segundo a fiscalização, essas vendas estavam relacionadas com o chamado "Condomínio de Produtores JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA FERNANDES NETO E OUTROS". Relata a fiscalização que para se ratear os resultados (receitas e despesas) utilizava-se o percentual de participação de cada um no condomínio ao invés de se basear na produção de cada propriedade rural. Ainda de acordo com a fiscalização, o próprio Condomínio arrendava propriedade de terreiros para produção de cana-de-açúcar para posterior entrega do produto para a empresa Clealco. A fiscalização aponta que além de despesas com folha de pagamento registradas nos livros do condomínio, foram encontrados outros gastos como: a) compra de lavoura de cana da Destilaria ocorrida em 2001 e 2002; b) compra de óleo diesel da empresa PETROCANA; c) despesas com locomoção dos trabalhadores; c) compra de materiais da própria usina, etc.,. Diante disso, entendeu a fiscalização tratar-se de uma sociedade de fato, com "interesse comum", motivo pelo qual elaborou uma Representação Fiscal para a inscrição de oficio do "Condomínio" no CNPJ, cujo processo administrativo recebeu o n° 10820.001990/2006-05, e foi anexado a este processo. O Condomínio, não concordando com o tratamento dado pela Fiscalização da SRFB, impetrou um mandado de segurança, na qual solicitava o cancelamento do CNPJ, dado de oficio pela Autoridade da Receita Federal do Brasil em Araçatuba. A Justiça Federal indeferiu o pedido liminar (cópia da decisão anexa). Na sentença, em razão da desistência da ação por parte do impetrante, o processo foi extinto (cópia também anexa). Lavrado o Auto de Infração, o Condomínio apresentou em 15/10/2007 impugnação de fls. 801 a 833, firmada pelos procuradores constituídos pela procuração de fl,.302, e em 26/10/2007, foi apresentada outra impugnação, esta em nome de todos os consorciados solidários firmada pelo pro irador constituído pela procuração de fis, 1.497 a 1.499, reproduzindo as mesmas razões d ato e de direito apresentadas pelo "Condomínio", 3 Processo na 10820.001841/2007-19 S 1-C41" 2 Resoluetio n ° 1401-00.002 FL 4 cujos argumentos reproduzo, em síntese, na mesma ordem em que foram apresentados, como segue: 1)- Da desconsideração das operações de pessoas físicas e do auto de infração de exigência tributária. Neste tópico o impugnante descreve de modo sucinto todo procedimento da fiscalização que impôs ao condomínio de produtores rurais a condição de pessoa jurídica e culminou com a lavratura dos autos de infração ora em discussão e a imputação de responsabilidade solidária de todos os integrantes do condomínio. 2) - Do "condomínio" ou "consórcio" de empregadores rurais pessoas físicas. Discorre sobre a evolução histórica do Condomínio e/ou Consórcio de Empregadores Rurais, destacando a Circular 56 de 25 de outubro de 1999, editada pelo INSS, que disciplinou a matéria e a Portaria n° 1.964/99 do Ministério do Trabalho e Emprego, segundo a qual o consórcio de empregadores rurais pessoas físicas consiste na união de produtores rurais, pessoas fisicas, com a finalidade única de contratar empregados rurais, e determinou às DRT's conferir ampla divulgação a este novo modelo de contratação no meio rural, inclusive, com a edição no ano de 2000 de uma cartilha denominada "Condomínio de Empregadores, um novo modelo de contratação no meio rural". Reproduz o art. 25-A da Lei rf 8.212, de 1991, cuja redação foi dada pela Lei n° 10.256, de 2001, que equiparou o condomínio/consórcio de empregadores rurais aos empregadores rurais pessoas físicas. Alega que o Condomínio de Produtores Rurais estabelecidos pelos defendentes, o qual foi desconsiderado pela fiscalização, obedece aos requisitos legais e foi instituído com base na lei exclusivamente para contratação de mão de obra, haja vista que os participantes do mesmo mantiveram suas individualidades, antes e durante o condomínio, no cultivo de cana de açúcar, conforme demonstram as notas fiscais de entrada de cana encartada aos autos. Aduz que a realidade jurídica estabelecida no contrato de constituição do condomínio é totalmente distinta do contrato de parceira/arrendamento agrícola estabelecido entre os produtores rurais e os donos de propriedades rurais, sendo que deste contrato de parceria/arrendamento agrícola é que resultaram as receitas que a fiscalização atribuiu a uma suposta pessoa .jurídica. Argumenta que a tributação das rendas provenientes do contrato de parceria/arrendamento deve ser feita individualmente por cada participante, proporcionalmente à sua participação na geração da renda, a qual deve ser levada à tributação na declaração de renda individual de cada produtor, exatamente como fizeram os produtores envolvi na presente fiscalização. Processo na 10820.001841/2007-19 S1-C4T2 Resolução n 1401-00.002 Fl. 5 3) - Do tratamento dispensado pelos agentes fiscais da receita federal ao condomínio de empregadores rurais. Alega que o 'Pacto de Solidariedade' fixado entre os empregadores rurais, com a finalidade de contratarem em conjunto funcionários para o trabalho nas lavouras canavieiras de suas propriedades ou das lavouras que viessem a explorar em conjunto, está em total consonância com os permissivos legais acima enumerados, sendo forma de contratação de mão-de-obra amplamente conhecida e incentivada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme se depreende da Portaria 1,96411999 deste órgão, bem como pelo INSS. Assevera que houve equivoco da fiscalização em desconsiderar o pacto de solidariedade dos condôminos e lhes atribuir uma pessoa jurídica, uma vez que o procedimento adotado pela fiscalização, constitui violação a texto literal de lei ordinária, segundo a qual o condomínio de empregadores rurais deve ser considerado pessoa fisica para fins previdenciários, assim, para fins de imputação dos demais tributos e contribuições, desnecessária seria a desconsideração da constituição do condomínio e pacto de solidariedade lavrado pelas pessoas físicas. Aduz que o Contrato de Constituição do Condomínio de Empregadores Rurais e Pacto de Solidariedade firmado entre as partes ampara a contratação de mão de obra em conjunto, possuindo inscrição conjunta na CEI — Cadastro Empregador Individual, servindo de amparo aos procedimentos de contratação, registro dos trabalhadores, recolhimentos de encargos do FGTS e INSS. Acrescenta que, para efeito de Imposto de Renda e quaisquer outras obrigações tributárias, os produtores rurais permanecem mantendo suas condições individuais, como sempre mantiveram, haja vista que são plantadores de cana-de-açúcar desde 1983, quando se iniciou na região de Araçatuba, interior de São Paulo, a implantação de usinas de moagem de cana. Argumenta que não se mostra razoável o tratamento dispensado Pela fiscalização ao condomínio de empregadores rurais, quando imputa aos seus componentes o tratamento tributário típico das pessoas jurídicas pelo simples fato de se reunirem, em condomínio, na forma da legislação de regência, para contratação de mão-de-obra rural, sem considerar qualquer outro reforço probatório de existência de sociedade de fato. Diz que a fiscalização se esquece que os participantes do mencionado condomínio sempre foram produtores de cana-de-açúcar e sempre plantaram em suas terras próprias, bem como exploraram áreas de terceiros mediante parceria/arrendamento agrícola, mesmo antes da existência do mencionado condomínio agrícola, fatos estes que continuaram a ocorrer imutavelmente após a implantação do condomínio agrícola, inexistindo fato novo relevante a ensejar a desconsideração da pessoas físicas e imposição de pessoa jurídica, com objetivo único de locupletamento do fisc Processo n" 10820,001841/2007-19 S1-C4r2 Resolução n ° 1401-00.002 El 6 4) - Da desconsidera ão do condomínio de • rodutores rurais e considera ão de sociedade de fato. Alega que, diferentemente do que apontou a fiscalização, inexistiu a criação de pessoa jurídica consistente em sociedade de fato em razão de faltar a Afféctio Societatis, definida pelo próprio Superior Tribunal de Justiça como a vontade necessária à constituição da pessoa jurídica, inexistente no presente caso, já que restou demonstrado que os produtores continuaram a manter sua individualidade na exploração da atividade agrícola, simplesmente possuindo alguns contratos de parceria/arrendamento agrícola explorados em conjunto, 5) -Da tributação da renda proveniente da parceria agrícola rural do produtor pessoa física. Enfatiza que o "condomínio agrícola" formado pelos produtores rurais que foram fiscalizados é realidade jurídica totalmente dissociada do contexto fático dos contratos de parceria agrícola, donde advieram as receitas provenientes da venda das canas produzidas em razão do mencionado contrato de exploração de áreas rurais. Após ressaltar que foi exaustivamente comprovado que as receitas e despesas mencionadas pela fiscalização, como de venda de cana, são decorrentes dos contratos de parceria agrícola explorados em conjunto pelos mesmos participantes do condomínio e não do contrato de "constituição do condomínio de empregadores rurais", reproduz o art. 9° da Lei n° 9,250, de 1995, e o art. 13 da Lei ri° 8.023, de 1990, que tratam de tributação da renda auferida pelas pessoas físicas decorrentes da venda de cana-de-açúcar proveniente de contratos de parceria agrícola, pois, entende que a legislação invocada pela fiscalização é imprestável para tal finalidade, Cita, ainda, em reforço aos seus argumentos o art, 59 do Decreto 1f 3.000, de 1999, que regulamentou o RIR199, o art. 15 da IN SRF 83/2001, Alega que a legislação acima citada menciona que mesmo sendo a atividade rural explorada por meio de condomínio, comprovada a condição documentalmente, os participantes pagarão imposto de renda separadamente, na proporção dos rendimentos de cada participante, assim, ainda que se considerasse a existência de condomínio agrícola para exploração da atividade rural, não se poderia exigir constituição de pessoa jurídica, urna vez que a própria legislação do Imposto de Renda estabelece que as rendas auferidas nessa forma de exploração da atividade rural deve ser tributada individualmente por cada participante na proporção de seus rendimentos. Afirma que no caso em tela as receitas apreciadas pela fiscalização não foram provenientes de exploração por meio de contrato de condomínio e sim por meio de contrato de parceira agrícola, cuja prova documental consiste nos contratos de parceria firmados com os donos das propriedades, com a finalidade de exploração do plantio e cultivo de cana de açúcar, prova-se ainda a condição de parceiros por meio das notas fiscais de venda dos produtos à Industria. 6 Processo n' 10820 001841/2007-19 S1 -C4T2 Resolução n° 1401-00.002 Fl. 7 Complementa que os contratos de parceria, acompanhados das notas fiscais de entrada de cana faturada em favor de José Carlos de Oliveira Fernandes Neto e Outros, bem como o rateio destes rendimentos em favor de cada um dos participantes da parceria agrícola, conforme documento anexo, justificam a tributação dos rendimentos na Declaração de Ajuste Anual de cada um dos participantes da parceria agrícola. Alega que é comum e corriqueiro no meio rural, a existência de parcerias agrícolas onde se tem pluralidade de pessoas no pólo ativo e no pólo passivo do contrato, como é o caso em tela, onde os produtores firmaram contratos de parceria agrícola com diversos proprietários rurais para exploração das propriedades por meio de plantio de cana, partilhando- se os frutos entre os participantes da parceria de acordo com a participação de cada um, proporção esta também respeitada na tributação da renda. Cita o Parecer Normativo CST 68/76, onde restou consignado que "., os parceiros rurais não têm, necessariamente, os mesmos deveres e responsabilidades no empreendimento: o proprietário da terra ou do gado pode participar unicamente pela cessão do imóvel a ser cultivado, ou pela entrega do gado a ser criado ou engordado, respectivamente, competindo ao (s) outro (s) parceiro (5) todos os demais encargos.". Conclui: "Aspecto interessante e que se encaixa perfeitamente no caso em tela é a menção ,feita pelo Parecer Normativo à pluralidade de Parceiros Outorgados, ou seja, é perfeitamente possível e reconhecido pela própria Fazenda Pública a possibilidade de se explorar uma parceria agrícola com pluralidade de parceiros outorgados, exatamente o que ocorreu nos contratos encartados à presente." 6) - Do arbitramentopita tributação imposta ela fiscalização, pessoa jurídica agro-pastoril. Contesta o arbitramento efetuado pela fiscalização sob o argumento de que o livro Caixa é admitido pelo Regulamento do Imposto de Renda como apto a demonstrar as receitas, despesas e investimentos das pessoas fisicas, e, em algumas hipóteses, pode ser aplicado às pessoas jurídicas, vs. a previsão do Parágrafo Único do Artigo 527, o qual autoriza que a empresa que esteja na opção pelo lucro presumido mantenha a escrituração em livro caixa. Acrescenta que, não bastasse o livro caixa ser documento apto a demonstrar todas as receitas, despesas e investimento da pessoa jurídica, os contribuintes, ora penalizados, forneceram toda a documentação comprobatória das receitas e despesas registradas no livro caixa, bem como forneceram arquivo em meio magnético, no qual estava toda a escrituração realizada na forma das boas práticas contábeis. Alega que, conforme reconhece a própria fiscalização, os elementos de prova que lhe foram encaminhados serviram a comprovar as receitas e despesas em que incidiram os produtores rurais reunidos na exploração das parcerias agrícolas, tanto que estas informações serviram a embasar as declarações de ajuste anual dos produtores rurais, daí a razão pela qual 7 Processo nõ 10820.001841/2007-19 S1 -0112 Resolução n 1401-00.002 F1. 8 podemos concluir serem todas as informações do contribuinte de pleno e total conhecimento da Fiscalização. Veja-se que o objetivo da norma, ao estabelecer as formas de escrituração contábil e fiscal, é proporcionar à Fiscalização a possibilidade de arbitrar o lucro nas hipóteses em que não seja possível se constatar as informações corretas sobre as receitas e despesas dos contribuintes, não se justificando, nem se mostrando razoável, nas hipóteses em que todas as informações das operações dos contribuintes são de pleno conhecimento da fiscalização. Em reforço aos seus argumentos reproduz a ementa do Acórdão 108-07530 da Oitava Câmara do 1° Conselho de Contribuintes. Ressalta ser inaplicável o arbitramento, já que todas as informações pertinentes ao contribuinte são de pleno conhecimento da Autoridade Fazendária, tanto é assim que as receitas utilizadas como base de cálculo para todas as imposições tributárias são exatamente as mesmas fornecidas pelo contribuinte por meio do Livro Caixa e dos arquivos magnéticos, tudo devidamente comprovado por meio de documentos fiscais idôneos. Protesta que as imposições da fiscalização se mostram demasiadamente onerosas ao Contribuinte, primeiro, porque desconsidera que as receitas auferidas já foram efetivamente tributadas nas declarações de ajuste anual, conforme exposto supra, segundo que o regime de apuração pelo lucro arbitrado mostrou-se demasiadamente prejudicial ao contribuinte, conforme se pode depreender da apuração pelo lucro presumido levada a efeito pela fiscalização. Menciona a planilha elaborada pelo Contador responsável pela escrituração dos produtores rurais e devidamente fundada no mesmo documento utilizado pela fiscalização, para concluir que o lucro arbitrado se mostra demasiadamente prejudicial ao contribuinte em comparação ao lucro presumido ou real. Solicita, caso não sejam acatadas suas razões de mérito, que o regime a ser aplicado para a tributação seja o lucro real. Insurge-se contra a exigência das contribuições ao PIS/Cofins, pois, seria beneficiária da permissão legal de venda dos produtos com suspensão consoante § 3' do art. 15 da Lei n° 10.925, de 2004, com redação dada pela Lei n° 11,051, de 2004, 7) - Da solidariedade dos produtores rurais pelos débitos da pessoa jurídica criada pelo fisco. Alega que a responsabilidade solidária imposta pela Fiscalização aos participantes do Condomínio Agrícola, não encontra respaldo na legislação de regência, uma vez que o pacto de solidariedade firmado entre os produtores é feito de forma particular e com a finalidade de abranger obrigações trabalhistas e previdenciárias, entretanto, ainda que 8 Processo n° 0820001841/2007-19 S1-C4T2 Resolução n.° 1401-00.002 Ft 9 mencionado Condomínio fosse considerado pessoa jurídica, não restou configurada nenhuma das hipóteses do Artigo 135, III do Código Tributário Nacional, razão pela qual inviável a imposição de solidariedade, por falta de amparo legal. 8) - Da inadequação da multa de ofício imposta pelo fisco e de seu caráter confiscatório. Insurge-se contra a multa de oficio, alegando que o lançamento deve ser efetuado sem a aplicação de multa de qualquer tipo, haja vista se tratar de confissão espontânea dos contribuintes com o recolhimento do tributo devido à época, cujas diferenças e lançamentos somente ocorreram em razão de mudança de regime imposto pela fiscalização. Entretanto, caso não seja este o entendimento deste órgão julgador, aplicável somente a multa de mora prevista na legislação, haja vista ter a multa de oficio caráter nitidamente confiscatório. 9) - Dos juros baseados na taxa do sistema de liquidaçãQe custódia do Banco Central- Selic. Contesta a exigência dos juros de mora, taxando-os de ilegais e inconstitucionais, haja vista serem superiores aos patamares permitidos pelo CTN, possuírem natureza eminentemente remuneratória e não possuírem legislação específica que tracem seus contornos para fins tributários, 10) - Dos pedidos dos defendentes. Solicita seja efetivamente compreendida a realidade fática e jurídica pertinente ao assunto e o Distinto Julgador possa declarar inexistente a mencionada sociedade de fato, criada pela Fiscalização, urna vez que as receitas mencionadas pelo fisco são decorrentes de contratos de parcerias agrícolas e não do contrato de condomínio, afastando-se pois todas as demais imposições de tributos e multas, entretanto, ainda que considerada existente a sociedade, necessária a observação de regime de tributação menos oneroso ao contribuinte, conforme o lucro real decorrente de apuração anexa, devidamente comprovada com o documental acostado aos autos, observando-se ainda que as receitas já foram oferecidas à tributação nas pessoas fisicas individuais de cada produtor, conforme manda a legislação de regência, razão pela qual deve ser julgada procedente a presente para desconstituir integralmente o auto de infração ou, na pior das hipóteses, sejam observados os pedidos alternativos. \k 2 9 Processo n° 10820.001841/2007-19 SI-C412 Resolução n.° 1401-00,002 Fl. 10 Requer ainda o afastamento dos juros de mora, em razão das irregularidades apontadas no decorrer da presente, bem como a multa de oficio, em razão das inconsistências apresentadas no decorrer da defesa e pelo fato de possui caráter eminentemente confiscatório, na linha da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ ANO-CALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 CONDOMÍNIO/CONSORCIO DE PRODUTORES RURAIS, APURAÇÃO DE RESULTADO. A união de empregadores rurais para a formação de um "Condomínio de Empregadores" com a finalidade única de contratar empregados rurais não o caracteriza como pessoa jurídica, a teor do art. 25-A da Lei n° 8.212, de 1991, e alterações, e art. 200-A do Decreto n" 3.048, de 1999, na redação dada pelo Decreto n°4031, de 2001, Lançamento Improcedente I/ Recorre-se de oficio ao Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34, I, do Decreto n° 70.2,35, de 06 de março de 1972 e redação dada pelo art, 67 da Lei n° 9,532, de 1997_ Aos Autos, foi juntada manifestação da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, argumentando que se faz necessário o provimento do recurso de ofício, pelo fato de que "o contribuinte não se resume à simples união de produtores rurais, mas se constitui em verdadeira sociedade de fato", discorrendo longamente sobre suas razões de inconformismo. É o relatório. Voto Conselheiro VALMAR FONSECA DE MENEZES, Relator O recurso preenche as condições de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. No entanto, verifico, preliminarmente, que da Manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional não foi dada a ciência à recorrente. Em respeito ao princípio constitucional da ampla defesa e do contraditório, e atento às disposições do que Decreto 70,235/72, em especial no que concerne às nulidades processuais 10 Processo n° 10820 001841/2007-19 S1-C4T2 Resolução n 1401-00.002 Fl li artigo 59 daquele diploma legal — entendo que deva ser convertido o presente julgamento em diligência, para que seja dada ciência ao contribuinte da referida manifestação, concedendo-se um prazo de 30(trinta) dias para que este possa - se assim o quiser — se pronunciar sobre a mesma. O que é amplo não pode ser restrito. Sem delongas desnecessárias, é corno voto. b '1.:MA-R- FON MENEZES 11
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720035/2006-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3803-000.136
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO EPGRAF EQUIPE EDITORIAL E SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA. transmitiu o Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação PER/DCOMP no 30262.29893.270505.1.1.017019 (fls. 02 a 11) e 27264.28535.270505.1.3.012475 (fls. 44 a 47), visando a extinguir débitos próprios, no valor total de R$ 4.038,89, com saldo credor de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI do 1º trimestre de 2005. O Despacho Decisório DRF/CGD/PB no 015/2010, fls. 52 e 53, indeferiu totalmente o pleito. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 13 a 40 e a Informação Fiscal de fls. 41 e 42, em procedimento de verificação prévia, constataramse saídas sem lançamento do imposto. Reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, emergiram saldos devedores em diversos períodos de apuração, lançados de ofício por meio do Auto de Infração, objeto do processo administrativo fiscal no 10425.002117/200937. No trimestre em questão, o contribuinte não apresentou saldo credor que amparasse a compensação declarada. Sobreveio reclamação, fls. 58 a 71, por meio da qual o interessado, em sede de preliminar, argui a litispendência do presente processo com o de no 10425.002117/200937. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10425.720035/200625 Resolução n.º 380300.136 S3TE03 Fl. 137 2 Pede o seu julgamento conjunto. No mérito, descrevese como sociedade prestadora de serviços de composição gráfica exclusivamente personalizados, executados mediante encomenda, conforme comprovariam a relação de notas fiscais anexada à peça de reclamação. Discorre sobre o princípio constitucional da nãocumulatividade e sobre as possibilidades legalmente autorizadas de aproveitamento de saldos credores do IPI. Argumenta que a prestação de serviços gráficos personalizados, mediante a produção, entre outros, de sacolas, envelopes, notas fiscais, ingressos e pastas, produtos estes que são confeccionados sob encomenda, propiciaria a saída dos mesmos sem a incidência do IPI. Acusa o procedimento fiscal de incoerência, porque o produto "ingressos" estaria sendo considerado ora como tributável, ora como alíquota zero. Combate a incidência do IPI sobre as operações desenvolvidas, ou seja, em relação aos serviços de composição gráfica personalizada e sob encomenda, em conformidade com a lista de serviços anexa à Lei Complementar no 116, de 31 de julho de 2003, em entendimento que julga consolidado no âmbito do Poder Judiciário e nas instâncias recursais administrativas. Colaciona, às fls. 961103, ementas e excertos de julgados de tribunais administrativos e judiciários, que corroborariam seu entendimento. Invoca ainda o disposto no § 1° do art. 8° do Decretolei 406/68 e nas Súmulas 156 do STJ e 143 do extinto TRF (as quais transcreve). A 5ª Turma da DRJ/REC julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 1131.236, de 24 de setembro de 2010, fls. 109 a 116, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. É irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato do serviço estar catalogado na lista anexa ao Decretolei 406/68 (depois anexa à LC 116/2003), desde que se caracterize como operação de industrialização dentre as modalidades previstas no Regulamento do IPI (RIPI). Os serviços de composição e impressão gráficas abrangidos no art. 8°, §1°, do Dl 406/68, estão sujeitos à incidência do ISS municipal, mas também do IPI federal. A incidência do ISS não exclui a do IPI. A partir da vigência da CF/88, a Súmula STJ 156 serve tão somente para dirimir eventual conflito de competência entre municípios e estados, isto é, resolve conflitos acerca da incidência de ISS ou ICMS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10425.720035/200625 Resolução n.º 380300.136 S3TE03 Fl. 138 3 Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/REC5ª Turma. O arrazoado de fls. 122 a 134 irresignase contra a possibilidade de ser tributado, simultaneamente, pelo ISS e pelo IPI. Rechaça a ocorrência de industrialização. Raciocina no sentido de que a personalização dos seus produtos afastaria a incidência do IPI. Conclui que (fl. 127): (...) se uma empresa que promove a venda de produtos no mercado tiver um setor industrial, para fabricar suas embalagens personalizadas não haverá incidência do ISS, porque o que é tributado pelo ISS é a prestação de serviço remunerado, dado o seu caráter mercantil. Por outro lado, se o estabelecimento fornece embalagens personalizadas por encomenda de terceiro presta serviços de composição gráfica específica que se constitui em atividadefim, e como tal sujeitase ao recolhimento apenas de ISS. Brande a Súmula STJ no 156 e jurisprudência no mesmo sentido. No seu entender, a atividade de composição gráfica personalizada apenas sofre a incidência do IPI quando é exercida de forma secundária pela empresa, o que não é o caso dos autos, uma vez que aquela é a atividadefim da Recorrente. Destaca não ser contribuinte do imposto. Por essa razão, repugna a reconstituição da escrita do IPI, objeto do processo 10425.002117/200937. Nada obstante, entende ter direito de dele ser ressarcido em face do princípio constitucional da nãocumulatividade. Retoma a acusação de incoerência do procedimento fiscal. Em conclusão, requer provimento, para o fim de deferimento do pedido de ressarcimento de IPI indicado no PER/DCOMP no 30262.29893.270505.1.1.017019, e de homologação das compensações declaradas nas DCOMPs n°s 27264.28535.270505.1.3.01 2475 e, por conseguinte, cancelar as cobranças dos "débitos" ocasionadas pelo Despacho Decisório atacado, bem como as multas isoladas indevidamente aplicadas. É o Relatório. VOTO Conselheiro Alexandre Kern Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 155 a 166 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJREC5ª Turma nº 1131.232, de 24 de setembro de 2010. A par dos pscitacismos recursais, que, sem qualquer margem de dúvida, já permitiriam o julgamento da lide, como fez a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara no Acórdão nº 3402001.484, de 1º de setembro de 2011, entendo que a boa técnica processual exige que se aguarde a decisão final proferida nos autos do processo 10425.002117/200937, ainda que a prolixa peça recursal não tenha repetido o pedido nesse sentido que fez por ocasião da Manifestação de Inconformidade. Tratase lá de questão prejudicial do julgamento do presente recurso. Não há dúvida, o deslinde da controvérsia a respeito da incidência ou não do IPI nas saídas dos produtos que o ora recorrente industrializa – não se trata aqui de lapso linguae, Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10425.720035/200625 Resolução n.º 380300.136 S3TE03 Fl. 139 4 posto que estou convicto de que o recorrente é contribuinte do IPI – e sobre a reconstituição de sua escrita fiscal são questões prejudiciais, razão pelo qual voto por que se converta o presente julgamento em diligência, baixandose o processo à origem, para que lá se adotem as seguintes providências: a) Aguardese a decisão definitiva a ser proferida no processo 10425.002117/200937; b) À luz dessa decisão, certifiquese o saldo credor disponível para ressarcimento mediante compensação com o(s) débito(s), objeto da(s) declaração(ões) de compensação do presente processo, em parecer conclusivo, e; c) Devolvase o processo a este Conselho, para julgamento do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de janeiro de 2012 Alexandre Kern – Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN Processo nº 10425.720035/200625 Resolução n.º 380300.136 S3TE03 Fl. 140 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10425.720035/200625 Interessada: EPGRAF EQUIPE EDITORIAL E SERVIÇOS GRÁFICOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor da Resolução no 380300.136, de 25 de janeiro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de janeiro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por A LEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13896.002044/2007-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2005
Ementa:BASE DE CÁLCULO. A folha de pagamento e a GFIP são
documentos próprios para identificar valores e bases de cálculo das contribuições previdenciárias
JUROS DE MORA. TAXA SELIC, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para
com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO
RETROATIVA - CTN, ART. 106. Tratando-se de crédito não
definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.165
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro no que refere se ao recalculo da multa.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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A folha de pagamento e a GFIP são documentos próprios para identificar valores e bases de cálculo das contribuições previ denci árias JUROS DE MORA. TAXA SELIC, APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA - REDUÇÃO - LEI MENOS SEVERA - APLICAÇÃO RETROATIVA - CTN, ART. 106. Tratando-se de crédito não definitivamente julgada, aplica-se o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recalculo da multa de mora, de acordo com o determinado no Art. 35, caput, da Lei 8,212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro no que refere se ao recalculo da multa, (.7» ?;-( CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, 2 Processo n° 13896,002044/2007-63 S2-C4T3 Acórdão a° 2403-00165 Fl. 255 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária em Osasco, Decisão Notificação 21.028.0/0013/2006, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 24 a 29, a fiscalização originou-se de procedimento de combate à inadimplência — verificação de divergência no batimento GFIP x GPS. O débito previdenciário, lançado contra a empresa acima • identificada, referente às contribuições sociais a cargo dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, descontadas pela empresa, e parcial ou integralmente não recolhidas pela empresa. O valor do débito previdenciário é de R$ 170.683,84 (cento e setenta mil, seiscentos e oitenta e três reais e oitenta e quatro centavos), consolidado em 08/12/2005, abrangendo o período de 07/2004 a 09/2004 e 11 e 12/2004, 01 a 07/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 08/12/2005. O débito previdenciário tem por base os valores descontados de segurados empregados sobre a remuneração, declarados pela empresa em Guia de, Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP e Resumo da folha de pagamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 172 a 191, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, as mesmas teses apresentadas na impugnação, quais sejam: • nulidade da NFLD pela falta de comprovação dos valores apontados como devidos; • ilegitimidade da base de cálculo adotada; • multa confiscatória; • Juros – SELIC é ilegal. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Comprovação dos valores apontados como devidos e ilegitimidade da base de cálculo adotada A Recorrente argumentou que a NFLD era nula de pleno direito, posto que não foi acompanhada de prova documental que demonstrasse a efetiva ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária. Os valores lançados foram apurados com base nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, e, portanto, declarados pelo próprio contribuinte, e também dos resumos das folhas de pagamento, conforme Relatório Fiscal, itens 3.5 e 3.6. 3.5 - Para as competências 07 a 09/2004, 11/2004 e 03/05, os valores descontados dos segurados foram calculados sobre os salários de contribuição retirados da GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) declarados pela empresa, constantes no Sistema Informatizado da Previdência Social. 3.6 - Para as competências 12/2004, 01 e 02/2005, 04 a 07/200.5, os valores descontados dos segurados foram calculados sobre os salários de contribuição retirados do resumo da folha de pagamento e GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) declarados pela empresa. As GFIP destas competências e seus respectivos protocolos de envio, apesar de terem sido apresentados em meio papel, conforme anexos, não .foram processados pelo Sistema Informatizado da Previdência Social até a presente data. Por este motivo, foram utilizados, complementarmente, os resumos das folhas de pagamento para confirmar as contribuições sociais a cargo dos segurados empregados destinadas à Seguridade Social incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, descontadas pela empresa. O inciso I do artigo 32 da Lei 8212/91, estabelece a obrigação de elaborar folha de pagamento; o inciso IV estabelece a obrigação de as empresas informarem os fatos geradores das contribuições.° parágrafo segundo do mesmo artigo,estabelece que as informações constantes daquelas declarações servirão como base de cálculo das contribuições devidas Art 32. A empresa é também obrigada a: I - preparar folhas-de-pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os 4 Processo na 13896002044/2007-63 52-C41-3 Acórdão n 2403-00.165 Fl. 256 padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II - lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de .forma discriminada, os .fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III - prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS e ao Departamento da Receita Federal-DRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na .forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei n°9528, de 10,12.97). ,sç 2 0 As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, (Parágrafo acrescentado pela Lei n" 9,528, de 10.1 2,97), O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048/99, no artigo 225 trata da folha de pagamento e da GFIP nos termos abaixo apresentados: Art,225. A empresa é também obrigada I- preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida Ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo nianter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; IV- informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na .forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; §12 As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir- se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese do não- recolhimento, §22A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto n" 3.265, de 1999) §32 A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999, §42 O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa, §92 A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomado,- de serviços, com a correspondente totalização, deverá: 1-discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; 11-agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto n°3.265, de 1999) Ill-destacar o nome das seguradas em gozo de salário- maternidade; IV-destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V-indicar o PáMCM de quotas de salário-família atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso, Podemos concluir que a folha de pagamento e a GFIP são documentos gerados pelas empresas e próprios para identificar valores e bases de cálculo das contribuições previdenciárias. que seria ilegal. Juros - SELIC. Insurge-se a recorrente contra a aplicação da taxa SELIC ao argumento de Registre-se, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei n° 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pelo recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34 da Lei rf 8212/91: Art. 34 As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art 13 da Lei n° 9. 065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irr-ekvável (Restabelecido com redação alterada pela MP n" 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n°9.528/97. A 6 Processo na 13896.002044/2007-63 82-C413 Acórdão n.° 2403-00165 Fl. 257 atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei n° 8,981/95, A multa de mora esta disciplinada no art.. 35 desta Lei) A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula IV 03, nos seguintes termos: SÚMULA N° 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com Mero no artigo 34 da Lei n° 8,212/91, Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11,941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei n9 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8,212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. An 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado:. a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou 0711iSSt20, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão 7 À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mota, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 2010 411V/7/ CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Relator /MINISTÉRIO DA FAZENDA ,11F(J, -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 1-41-/ QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n': 13896,002044/2007-63 ,-Recurso n': 155.696 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se °(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ir 2403-00,165 Brasilií, 25 db outubro de 2010 MAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10882.001126/2005-90
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1301-000.014
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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I 1 % MINISTÉRIO DA FAZENDA 4:r^ CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS , PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ' Processo ii° 10882.001 1 26/2005-90 Recurso n° 164.922 Resolução n° 1301-00.014 — 3 Câmara/i a Turma Ordinária Data 17 de junho de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente LINDE GASES LTDA., atual denominação de AGA SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida ir TURMA / DRJ CAMPINAS / SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, que passa a integrar o e esente julgado. JO Áli‘‘ VIS A VES P sidente WALDIR V A ROCHA Relator Formalizado em: O 6 OUT 2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Benedicto Celso Benicio Júnior (suplente convocado),Waldir Veiga Rocha e José Clóvis Alves. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Carlos Passuello. 1 Processo n°10882.001126/2005-90 SI-C3T1 Resolução n.° 1301-00.014 Fl. 2 RELATÓRIO LINDE GASES LTDA., atual denominação de AGA SOCIEDADE ANÔNIMA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 05-14.333, de 14/08/2006, da 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de auto de infração (fl. 101) do imposto de renda pessoa jurídica, lavrado em 23/05/2005, contra a contribuinte em epígrafe, constituindo crédito tributário total de R$ 6.103.992,00 (fl. 01), abrangendo o principal, multa de oficio de 75% e juros de mora, estes calculados até abril/2005. No Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 102/104, a autoridade fiscal relata as infrações apuradas, como segue: O presente Auto de Infração originou-se da revisão da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ apresentada pelo contribuinte acima identificado, de acordo com o disposto no art. 835 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda). No procedimento de revisão foi constatada a existência de irregularidade(s), sendo o contribuinte intimado a prestar os esclarecimentos necessários quanto às divergências apontadas. Em atendimento à intimação o contribuinte informa que efetuou as compensações acima do limite legal amparado em liminar em mandado de segurança, processo 200.51.01.014122-2 proposto junto à r Vara Federal do Rio de Janeiro. Informa ainda que a liminar inicialmente deferida e, no mérito, concedida em julgamento de 1' instância, foi posteriormente denegada em vista do Recurso de Apelação da União ao qual foi dado provimento e Recurso Extraordinário do contribuinte ao qual foi negado seguimento. O trânsito em julgado deu-se em 29/04/2004. Por fim, invocando o Art. 909 do RIR/99, o Contribuinte apresentou os DARFs de recolhimento relativos ao crédito tributário decorrente das divergências verificadas nas DIPJ 2001 e 2002, anos-calendário de 2000 e 2001, objeto da intimação. Informa ainda ter apresentado, após recebimento da intimação, declarações retificadoras para os períodos acima mencionados. O citado Art. 909 do RIR199 permite ao sujeito passivo o pagamento, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimentos espontâneos, de tributos e contribuições já declarados, o que não ocorre com o crédito tributário decorrente das divergências verificadas nas DIPJ retro citadas, estando o contribuinte sujeito ao disposto no parágrafo único do Art. 138 do CTN e Art. 7 0, § 1° do Dec. 70235/72 (PAF). Desta forma, lavrou-se o presente auto de infração para lançamento do crédito tributário apurado com base nos valores informados na intimação inicial, cujo(s) fato(s) gerador(es), descrição dos fatos, valor tributável, multa aplicável e enquadramento legal encontram-se abaixo especificados. 001 — GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% Glosa de valores compensados na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, a título de prejuízo(s) fiscal(is) a rado(s) em período(s)- dl_ 2 Processo n° 10882.001126/2005-90 S1-C3T1 Resolução n.° 1301-00.014 Fl. 3 base anterior(es), tendo em vista a inobservância do limite máximo de compensação de 30% do lucro liquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda. Mês/Ano Luc.Real Ajustado antes Compensação Prej .Fi scal Comp. Limite 30% Dif. Apurada 12/2000 4.109.479,76 4.065.908,85 1 .232.843,93 2.833.064,92 12/2001 1 0.85 8.060,2 9 1 0.764.952,3 8 3.257.418,09 7.507.534,29 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 3 1/1 2/2000 R$ 2.83 3.064,92 75,00 3 1/1 2/200 1 R$ 7.507.53 4,29 75,00 I...1 002 - ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO - REALIZAÇÃO MÍNIMA Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. Saldo Lucro Saldo Lucro Realização Mês/Ano Infi. Intl. Mínima em 3 1 /12/1995 Período Anterior Valor Realizado Dif. Apurada 12/2000 2.61 6.3 08,09 1.07 8.95 1,72 26 1.630,8 I 21 8.059,90 43.570,9 1 12/2001 2.61 6.308,09 8 17.320,9 1 26 1.630,8 1 168.522,90 93.1 07,91 Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 12/2000 43.570,91 75,00 12/2001 93.107,91 75,00 [...] Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 30/05/2005, (fls. 101), a contribuinte interpôs impugnação (fls. 1 1 9/123), expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 3 Processo n° 10882.001126/2005-90 SI-C3T1 Resolução n.° 1301-00.014 Fl. 4 Faz considerações iniciais sobre a tempestividade da impugnação, afirmando que atendeu ao disposto no artigo 1 5, do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. Afirma que o auto de infração teve como motivação o suposto não-atendimento, pela impugnante, de um dos requisitos dispostos no artigo 47, da Lei n° 9.430, de 17 de dezembro de 1996, para gozo dos beneficios da denúncia espontânea, estabelecidos no artigo 138, do CTN. Transcreve o artigo 47, da Lei n° 9.430, de 1996, dizendo que os pressupostos para usufruir dos beneficios do artigo 138, do CTN, são: (a) que o tributo ou contribuição já tenha sido declarado; e (b) que o pagamento do(a) mesmo(a) se dê até o vigésimo dia subseqüente á data de recebimento do termo de inicio de fiscalização. Com relação ao requisito do item (b), informa que apresentou em 12/04/2005 prova inequívoca de seu cumprimento, ao entregar as D1PJ de 2000 e 2001, para o que fora intimada em 05/04/2005. Em relação ao item (a), traz à colação doutrina de Marco Aurélio Greco, para interpretar o termo 'declarado", asseverando que o seu entendimento deve seguir o sentido comum, definido no Dicionário Aurélio como "dar a conhecer, manifestar, pronunciar, expor, dizer". Nesses termos, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional — PGFN, ficou ciente das informações relativas ao IRPJ devido pela impugiante, quando citada no mandado de segurança impetrado contra a União pela impugnante. A Secretaria da Receita Federal, igualmente, tomou conhecimento das atividades da recorrente, que entregou as competentes DIPJ dos anos-calendário de 2000 e 2001. Ressalta ainda a interessada a publicidade dada por meio do Diário Oficial, do andamento e a decisão final do mandado de segurança. Enfatiza que "Resta demonstrado, portanto, que as informações relativas ao montante do tributo efetivamente devido pela Impugnante já eram dadas a conhecer ao Ente tributante — União, tanto antes, quanto no prazo de vinte dias do início da fiscalização e foram, portanto, declaradas para os fins do artigo 47 da Lei 9.430/96". Considera ainda que a inércia da empresa, no período entre o trânsito em julgado do mandado de segurança e o início da fiscalização da Receita Federal, não caracterizou tentativa de sonegação de informações ou do tributo exigido, porquanto assim agiu, aguardando a definição de tendência da jurisprudência, sobre a validade jurídica e constitucionalidade da legislação que impôs limite à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL. Cita a Súmula 304, do STF_ Esclarece que, iniciado o procedimento de fiscalização e diante do quadro jurisprudencial sobre a matéria, a irnpugnante decidiu recolher o tributo devido, calculado conforme a legislação, sendo improcedente a lavratura do auto de infração. 4 Processo n° 10882.001126/2005-90 SI-C3TI Resolução n.° 1301-00.014 Fl. 5 Protesta que a fiscalização, além de interpretar equivocadamente a legislação aplicável ao caso, deixou de considerar, no cálculo do tributo devido, os valores efetivamente recolhidos pela contribuinte, por estimativa, bem como o imposto de renda retido na fonte, pelas empresas pagadoras de rendimentos que compuseram a base de cálculo do imposto, relativas aos períodos encerrados em 2000 e 2001. Informa que está anexando planilha de cálculo, que serviu de base para os ajustes e recolhimentos efetuados dentro do prazo de vinte dias, após o inicio da fiscalização, e requer seja julgado improcedente o auto de infração e cancelado o débito fiscal correspondente. A Lia Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 05-14.333, de 14/08/2006 (fls. _ ), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: RETIFICAÇA-0 DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO FISCAL EM CURSO. Já iniciado o procedimento fiscal, não se admite a declaração de rendimentos retificczarora que vise sanar os valores que evidenciam a infração investigada, porq LlE excluída a espontaneidade do sujeito passivo. FALTA DE 013SERVA-IVCIA DO PRAZO PREVISTO NO ART. 47 DA LEI N" 9.430, DE 1996. As disposições constantes da legislação em comento não se destinam à regularização de equívocos na declaração de rendimentos, apenas conferem prazo para pagamento espontâneo dos valores já regularmente declarados pelo contribuinte. PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO. LIMITE. O prejuízo fiscal apurado a partir do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos _fiscais apurados até 31/12/94, observado o limite máximo, para a compensação, de 30% do lucro liquido ajustado. LUCRO INFLACIOIVÁ RIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA. Comprovado pelo relatório SAPLI que, após ajustes do sistema, inexistia, em 31/12/1999, saldo de lucro inflacionário a realizar, cancela-se o lançamento por insubsistente. Ciente da decisão de primeira instância em 28/12/2008, conforme Aviso de Recebimento à fl. 256, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/01/2008 conforme carimbo de recepção à folha 31 7. No recurso interposto (fls. 318/340) traz os argumentos abaixo sintetizados: Esclarece, antes de mais nada, que não se discute o mérito da autuação, ou seja, admite que são devidos os valores exigidos a titulo de IRPJ (principal). O que pleiteia é o le 5 Processo n° 10882.001126/2005-90 SI-C3T1 Resolução n.° 1301-00.014 Fl. 6 reconhecimento do pagamento dos referidos valores, ocorridos sob o manto do art. 47 da Lei n" 9.430/1996, mediante aproveitamento do imposto de renda retido na fonte antecipado dentro dos respectivos anos-calendário, circunstância que teria sido completamente ignorada pelo acórdão recorrido. Acerca da aplicação do mencionado art. 47 da Lei n° 9.430/1996, a recorrente afirma que o débito exigido no auto teria sido declarado em sua EM PJ, antes do recebimento do Termo de Início pela Fiscalização. Por sua ótica, o autuante tão somente questiona a forma de extinção de tais débitos declarados, entendendo indevida a compensação informada pela recorrente de parte dos prejuízos fiscais acumulados. Assim, conclui que faz jus ao prazo de 20 dias estatuído pelo dispositivo legal invocado. Na seqüência, sustenta que a retificação que fez de suas D1PJs não teve por objetivo reduzir ou alterar o valor do débito tributário anteriormente declarado, mas tão somente demonstrar de forma diversa que os valores exigidos pela fiscalização já tinham sido absorvidos — ou extintos — pelas antecipações do próprio IRPJ feitas em decorrência das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras (IR Fonte). Aduz que seria dever da fiscalização considerar, na apuração dos valores devidos, aqueles já antecipados/retidos e recolhidos pelas fontes pagadores em nome da Recorrente. Faz juntar ao processo cópias de documentos com os quais pretende comprovar as retenções sofridas, e elabora quadros, às fls. 328/330, no intuito de demonstrar que as retenções sofridas superam o valor do tributo exigido. Pede a aplicação do entendimento, que afirma sedimentado no âmbito dos extintos Conselhos de Contribuintes, de que, em se tratando de auto de infração para glosa de prejuízos fiscais, seria necessário verificar se o valor do imposto exigido não foi objeto de recolhimento nos exercícios subseqüentes. Com isso, se caracterizaria o mesmo efeito da inobservância do regime de competência (post ergação). Colaciona jurisprudência administrativa em favor de sua tese. Reclama contra a exigência de juros Selic sobre a multa de oficio. Sustenta que inexiste base legal para essa cobrança. Em sentido contrário, invoca o art. 16 do Decreto-Lei n° 2.323/1987, com a redação que lhe foi dada pelo art. 6° do Decreto-Lei n°2.331/1987, o qual proíbe expressamente a incidência de juros sobre a multa de mora. Tal dispositivo seria também aplicável à multa de oficio, em face de entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Acrescenta que os dispositivos legais atualmente em vigor sobre a matéria (art. 59 da Lei n°8.383/1991 e art. 61 da Lei n° 9.430/1996) não prevêem a cobrança de juros na forma pretendida pela SPE Colaciona jurisprudência administrativa em apoio a sua tese. É o Relatório. 6 Processo n° 10882001126/2005-90 SI-C3TI Resolução n.° 1301-00.014 Fl. 7 VOTO Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Compulsando os autos, verifico que o processo não se encontra em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Sem entrar no mérito das alegações trazidas no recurso voluntário, verifico que o deslinde da questão depende da confirmação das alegadas retenções de imposto de renda sofridas na fonte pela recorrente, nos anos-calendário 2000 e 2001. Pelo exposto, de forma a permitir a apuração do quantum efetivamente devido, e em atenção ao princípio da verdade material, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte consulte os sistemas de processamento de dados da RFB, examine, se necessário, a escrita contábil e fiscal da interessada, e adote as seguintes providências: Instrua o processo com cópias completas e autenticadas das declarações de rendimentos, original e retificadora, dos exercícios 2001 e 2002, respectivamente anos- calendário 2000 e 2001. Faça acostar aos autos extratos da Declaração do Imposto de Renda na Fonte (DIRF) em que conste a interessada como beneficiária, nos anos-calendário 2000 e 2001. Confirme, ou não, as alegadas retenções de imposto de renda na fonte sofridas no ano-calendário 2000, sintetizadas pela recorrente na planilha de fl. 342, correspondendo aos documentos de fls. 343/375. Confirme, ou não, as alegadas retenções de imposto de renda na fonte sofridas no ano-calendário 2001, sintetizadas pela recorrente na planilha de fl. 376, correspondendo aos documentos de fls. 377/415. Nos casos em que for confirmada a retenção na fonte, informe se os rendimentos correspondentes ao imposto retido foram oferecidos à tributação no respectivo ano-calendário. Informe se o contribuinte já utilizou de alguma forma (restituição, compensação) o imposto de renda retido na fonte confirmado nos itens 3 e 4, acima. Acrescente outras informações e/ou documentos que considerar relevantes. Ii 7 Processo n" 10882.001126/2005-90 5I-C3T1 Resolução n." 1301-00.014 Fl. 8 O resultado final das verificações ora requeridas deve constar de relatório conclusivo, do qual deve ser cientificada a empresa, para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, no prazo de 30 dias. Na hipótese de haver desistência do recurso voluntário, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deverá ser informado. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2009. WALDIR VEI4 ROCHA e 8
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