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Numero do processo: 13808.001647/96-49
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.826
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-01T14:48:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 5; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-01T14:48:37Z; Last-Modified: 2013-10-01T14:48:37Z; dcterms:modified: 2013-10-01T14:48:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:929b1c2a-2087-4ff0-8f10-6300243df28c; Last-Save-Date: 2013-10-01T14:48:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-01T14:48:37Z; meta:save-date: 2013-10-01T14:48:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-01T14:48:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-01T14:48:37Z; created: 2013-10-01T14:48:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2013-10-01T14:48:37Z; pdf:charsPerPage: 974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-01T14:48:37Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA Jy TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1' PRIMEIRA CÂMARA Processo n° : 13808.001647/96-49 Recurso n° : 136.594 Sessão de : 26 de abril de 2007 Recorrente : SOBLOCO CONSTRUTORA S/A. Recorrida : DRJ/SALVADOR/BA RESOLUÇÃO 3014.826 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. OTACÍLIO DA 1 AS CARTAXO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Valmar Fons8ca de Menezes, George Lippert Neto, Adriana Giuntini Viana, Irene Souza da Trindade Torres e Susy Gomes Hoffmann. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. Esteve presente o advogado Dr. Daniel Vitor Bellan, OAB/SP 174.745. CCS Processo n° : 13808.001647/96-49 Resolução no : 301-1.826 RELATÓRIO Em razão de conter os elementos necessários à compreensão dos fatos e dos fundamentos que permeiam o litígio, adoto o relatório constante da decisão de primeira instância, o qual transcrevo adiante: "Neste processo a contribuinte impugna o Auto de Infração (AI) • lavrado para exigência do crédito tributário de 14.162,63 UFIR, relativo à Contribuição para o finsocial do período de 30/06/1991 a 30/10/1991 (fls. 01 a 07). 2. A base legal utilizada foi o art. 1°, § 1°, do Decreto-Lei n° 1.940, de 1982, arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do Finsocial, aprovado pelo Decreto n° 92.698, de 1986, e art. 28 da Lei n° 7.738, de 1989. 0 autuante aplicou a aliquota de 2,0% (dois por cento) e multa de oficio de 80% e 100%. 3. Consta na descrição dos fatos, anexo ao AI, que a contribuinte foi autuada por falta de recolhimento da Contribuição para o finsocial sobre o faturamento, relativamente ao período de jun/1991 a out/1991. Consta do Termo de fl. 09 que o crédito tributário encontra-se suspenso, por força de depósitos judiciais, sendo defeso repartição toda e qualquer medida tendente a exigir sua liquidação, enquanto persistir as razões determinantes de sua suspensibilidade. . 4. Ciente do feito em 12/09/1996, a autuada interpôs impugnação em 14/10/1996 (fls. 10/35), requerendo o cancelamento do AI, porque seria incabível a sua lavratura pela existência de pendência judicial, com exigibilidade suspensa; e que a autuação pretende a cobrança à aliquota de 2%, quando a determinação judicial valida se somente feita a 0,5%. Questiona a incidência de juros e multa de 100%. 5. Em face da transferência de competência para julgamento, prevista no anexo único da Portaria SRF n° 1.033, de 27/08/2002, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento." O acórdão DRJ/SDR n°04.331/03 (fl. 155/159) julgou o lançamento procedente em parte, sintetizando o seu entendimento consoante os termos exarados na ementa adiante transcrita: Período de apuração: 30/06/1991 a 30/10/1991 2 Processo n° : 13808.001647/96-49 Resolução n° : 301-1.826 "CONCOMITANCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tratando-se de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao principio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente a matéria não submetida â apreciação do Poder Judiciário. PRESTADORAS DE SERVIÇOS. ALÍQUOTAS MAJORADAS. As aliquotas do FINSOCIAL acima de 0,5% foram declaradas inconstitucionais pelo STF somente para as empresas vendedoras de mercadorias, ou mistas, excluindo-se, portanto, as empresas prestadoras de serviços. FINSOCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. 0 crédito tributário, ainda que questionado e depositado judicialmente, deve ser regularmente constituído de oficio, mediante auto de infração, tendo porém suspensa a sua exigibilidade. MULTA DE OFÍCIO. É incabível a imposição de multa de oficio no caso de lançamento efetuado apenas para formalizar a constituição legal do crédito tributário destinada a prevenir a decadência também quando sua exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso V do artigo 151 do CTN. JUROS DE MORA. Nos cálculos de lançamento do crédito tributário questionado e depositado judicialmente é cabível o acréscimo de juros moratórios, cujos efeitos, porém, serão anulados, na medida em que, no caso de conversão em renda, a data de quitação do tributo sell aquela em que foi efetuado o depósito. Lançamento Procedente em Parte." A decisão de primeira instância, preliminarmente, reconheceu a legitimidade do. lançamento de oficio para prevenção de decadência, nos termos do Parecer PGFN/CRJN/N° 743/88; que a propositura pelo contribuinte de Mandado de Segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto (art. 1°, § 2°, DL 1.737/79 e art. 38, p. CI., Lei 6.830/80, ADN/COSIT n° 03/96). Reconheceu, ainda, o descabimento de multa de oficio nessa modalidade de lançamento (art. 63, Lei 9.430/96), em razão da exigibilidade do crédito tributário encontrar-se suspenso, nos termos do art. 151-IV do CTN. No mérito, a decisão de primeira instância entendeu que a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em relação â majoração da aliquota do 3 Processo n° : 13808.001647/96-49 Resolução n° : 301-1.826 Finsocial acima de 0,5%, contemplou somente as empresas vendedoras de mercadorias ou mistas, excetuando-se, portanto, aquelas empresas prestadoras de serviços, de acordo com o art. 1 0-III, da IN/SRF n° 31/97. Como no caso em comento trata-se de empresa do ramo de construção civil, encontra-se correto o lançamento efetuado com a aliquota de 2%. O lançamento é julgado procedente em parte para a exclusão da incidência da multa de oficio, restando mantidos os juros de mora (art. 161, § 1°, CTN), cujos efeitos serão anulados na medida em que, no caso de conversão em renda, à data da quitação do tributo em sendo efetuado o depósito. Ciente da decisão por meio de AR em 05/01/06 (fl. 165-v), a contribuinte protocoliza o seu recurso voluntário em 24/01/06 (fls. 166/173), portanto, tempestivamente, apresentando relação de bens para arrolamento, conforme prevê a IN/SRF n° 264/02 (fl. 186), bem como reiterando os termos aduzidos na exordial, para complementá-los, a saber: • Em razão das majorações da aliquora da referida exação, a Recorrente ajuizou Medida Cautelar n° 91.0667054-7 na 5' VF, obtendo liminar em julho/91 para garantir o seu direito ao depósito em juizo do valor mensalmente exigido a esse titulo, bem como para que ficasse resguardada de qualquer autuação fiscal tendente a cobrar as quantias discutidas, até a decisão final da ação principal. • A partir da data da concessão da liminar depositou em juizo o valor integral dos valores supostamente devidos a titulo de Finsocial, calculados mediante a utilização da aliquota de 2%. • Em 26/05/92 a Recorrente obteve sentença confirmando o deferimento dos termos da liminar em Medida Cautelar. • Em 28/05/92, foi proferida sentença denegatória em Ação Declaratória de inexistência de relação jurídica obrigacional entre a Recorrente e a Unido, relativamente ao Finsocial, dela apelando e obtendo em 09/11/94, o provimento jurisdicional para desobrigá-la ao pagamento da aliquota superior a 0,5%. • A fazenda Nacional, contra a tutela jurisdicional obtida, interpôs Recurso Especial e Recurso Extraordinário, não sendo os mesmos admitidos pelo Juizo a quo. Ocasião em que agravou dessa decisão, • havendo o STF admitido o processamento do RE. • Em 26/05/98, por unanimidade de votos, a la Turma do STF deu provimento ao RE. • Requer o cancelamento do auto de infração em tela, em razão da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156-VI, do CTN, 4 • Processo n° : 13808.001647/96-49 Resolução n° : 301-1.826 uma vez que diante da decisão desfavorável à Recorrente, os depósitos judiciais realizados foram convertidos em renda da União em 20/09/00, conforme demonstra a Certidão de Inteiro Teor, expedida pelo Diretor da Secretaria da 5a Vara Cível da Justiça Federal, relativamente à Ação Cautelar n°91.0667054-7. • o relatório. • Processo n° : 13808.001647/96-49 Resolução n° : 301-1.826 VOTO Conselheiro ()tadlio Dantas Cartaxo, Relator A matéria sob análise versa sobre a postulação pela Recorrente para extinção de crédito tributário constituído mediante auto de infração cujo lançamento teve a finalidade de prevenção de decadência, em decorrência de Ação Declaratória ajuizada visando â desobrigação do recolhimento do Finsocial pela aliquota majorada. A decisão de primeira instância, entendendo que a exigência era devida para o prestador de serviços, manteve o lançamento, inclusive os juros de mora (art. 161, § 1 0, CTN), entretanto, excluindo a multa de oficio sob o fundamento disposto no art. 63 da Lei 9.430/96, em razão dos depósitos judiciais efetivados pelo valor integral do Finsocial devido, mensalmente. Havendo transitado em julgado o mérito da mencionada ação em 24/11/95 (Ac n° 94.03.49500-6) e sendo desfavorável â Recorrente (fl. 91), requer a mesma a extinção do feito em razão da conversão dos depósitos judiciais realizados â alíquota de 2%, no total de R$ 73.182,93, convertidos em renda da Unido em 20/09/00 (fl. 103). Ante o exposto, conheço do recurso por preencher os requisitos â sua admissibilidade e pugno pela conversão deste julgamento em diligência â repartição para que se proceda a verificação dos valores acobertados pelos depósitos judiciais efetivados devendo ser verificada a liquidação integral do débito levando-se em conta a tempestividade e os valores do montante depositados. • Ao final, depois do atendimento â solicitação ora formulada, retorne-se os autos a esta e. Corte para o prosseguimento do feito. É assim que voto. Sala das Sesso m 26 de abril de 2007 .. IN OTACiLIO DAN S ARTAXO - Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901627/2006-11
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A
TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 3°, § 2°, III, da Lei n°9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.069
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de
JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por
unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O art. 3°, § 2°, III, da Lei n°9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O art. 3°, § 2°, III, da Lei n°9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. OPt NDRE 'i • ' ' N - Presidente ~Ihs1 BELC :IOR MELO DE SOUSA - Relator Particip. am, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio afeta Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti 1 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de n o 07-11.465 , de 30 de novembro de 2007, da DAI/Florianópolis/SC, fls. 54 a 57, que indeferiu a solicitação, mantendo a decisão do despacho decisório, considerando não-homologada a compensação formalizada., em face da manifestação de inconformidade, fls. 38 a 48 Em de setembro de 2003, a contribuinte declara compensação de COFINS referente ao período de apuração maio/2003 utilizando crédito de pagamento a maior da mesma contribuição, relativa ao mês de março/2000. Mesmo após a transmissão da Dcomp o débito objeto dela foi cobrado pela Delegacia em Florianópolis. Provocada por requerimento da contribuinte em que reclama a improcedência da cobrança, a delegacia efetua análise manual da DComp eletrônica, fls. 05 a 09, e não constata existência de crédito, porquanto o pagamento alegado está alocado ao débito que lhe corresponde e que informado em DCTF, nada havendo disponível desse crédito em favor da contribuinte. As compensações veiculadas pelas DComps não foram homologadas pelo Despacho Decisório de fls. 33/34. Feitas as argumentações perante a DRJ/Florianópolis: a) preliminares quanto à suspensão da exigibilidade do débito em discussão, inclusive da diferença de valores entre o que foi confessado na DCTF e o que foi compensado na Dcomp; e b) de mérito, quanto à verossimilhança do seu crédito à luz do que rege o inciso III, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 1 . Sua solicitação foi indeferida e, assim, mantida a não-homologação da compensação. Cientificada da decisão em 22 de fevereiro de 2008, li-resignada, apresenta recurso voluntário, fls. 62 a 72, em 17 de março de 2008, por meio do qual reitera todos os seus argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, conforme, em síntese, se os descreve. a) para se obter a base de cálculo da COFINS bastam as disposições do artigo 3° e parágrafos da Lei n° 9.718/98; b) O inciso III do §2° desse artigo previu a possibilidade da exclusão para apuração daquela base de cálculo das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. A União Federal para negar os efeitos a esse dispositivo a falta de regulamentação, argumento que não pode prosperar, pois somente a lei pode dispor sobre base de cálculo de contribuições, não podendo esta ser definida por regulamentos; Art. 3 0 § 2°. [...] III - os valores que, computados como receita, te* sido sferidos p outra pessoa juridiea, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Exe 2 Processo n° 10983.901627/2006-11 S3-TE03 Acórdão n.° 3803-000.069 Fl. 88 c) assenta que quaisquer regulamentações não poderiam fixar os critérios que compõem a regra matriz de tributação, matéria reservada à lei, e, citando excerto de doutrina registra que 'a sistemática da não-cumulatividade para o PIS e a COFINS independe de regulamentação operacional, devendo ser imediatamente aplicada através da simples exclusão da base de cálculo das mencionadas contribuições dos valores que, tidos como receita dos contribuintes tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas, impedindo o duplo pagamento sobre a mesma base'; d) Prevalecendo o entendimento da inaplicabilidade do inciso III do §2° artigo 3° da Lei n° 9.718/98 em razão da ausência de regulamentação, estar-se-á admitindo a interferência do Poder Executivo na fixação da base de cálculo de tributos, em flagrante violação aos princípios constitucionais da legalidade, da estrita legalidade em matéria tributária, e o disposto no artigo 99 do CTN; e) relembra que no sistema jurídico brasileiro o regulamento limita-se a oferecer os meios para o fiel cumprimento da lei. No caso concreto, o dispositivo legal contempla todos os requisitos necessários para a sua imediata aplicação, "de forma que a sua inexistência não condiciona a aplicação da lei, sob pena de afronta à legalidade tributária emanada da Constituição (art. 150, I), e do C7'N (art. 97, IV)". É o relatorio. Voto Conselheiro BELCHIOR MELO DE SOUSA, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Não assiste razão à Recorrente. Embora inquestionável a validade da norma, porquanto adequado o processo de inserção de sua proposição jurídica no ordenamento pátrio, a questão presente encontra barreira no plano de eficácia do Direito posto. Na linha do positivismo analítico, muito bem defendida pelo italiano Norberto Bobbio, a validade de uma norma prescinde do fato da mesma ser ou não efetivamente aplicada na sociedade, vez que na concessão de um Direito pelo Estado, embora tido como legitimo, não se induz o elemento eficácia.V O inciso III, do § 2°, do art. 3°, da Lei n°9.718/98, não é norma autoaplicável, portanto não lhe socorre, tal como decidiu a instância de piso, pois o legislador conferiu ao Poder Executivo o desenho dos contornos de como se deveria dar a exclusão de receitas. Ambas as Turmas de Direito Público do STJ (I e 2') convergem no sentido de que o art. 30, § 2°, III, da Lei 9.718/98, nunca ostentou eficácia plena, porque dependente - desde sua origem - de norma regulamentadora ulterior do Poder Executivo, ck NL, 3 TRIBUTÁRIO. PIS E COF1NS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARÁ OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 9.718/91, ART. 3°, § 2°, HL NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. É de sabença que na dicotomia das normas jurídico- tributárias, há as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, 'as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.'. Isto porque, 'não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem'. 2. A lei 9.718/91, art. 3°, § 2°, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedou-se inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 1991-18/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3°, § 2°, HL da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que 'se o comando legal inserto no artigo 3°, § 2°, HI, da Lei n.° 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regu lamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 1991-18/200'. 4. Deveras, é licito ao legislador, ao outorgar qualquer beneficio tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não, pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. Precedentes das Primeira e Segunda Turtnas:RESP 644969 / SC ; Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 27.09.2004; RESP 507876 / RS; deste relator, DJ de 15.03.2004; REsp 445.452, Rel. MM. José Delgado, 13.1 de 10/03/2003. 7.Recurso Especial provido 4 Processo n° 10983.901627/2006-11 S3-TE03 Acórdão n.°3803-000.069 Fl. 89 A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente — até ter sido revogado pelo art. 47,1V, "b", da MP n°1.991-18, de 09 de junho de 2000, atual MP 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, em virtude da ausência de regulamentação. Pel• exposto, nego provimento ao Recurso. dalt BEL IOR • ODE SOUSA C1\4
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001133/2003-85
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 301-01.836
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Recorrida : DRJ/RIBEIRAO PRETO/SP RESOLUÇA0 1■12 301-1.836 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, George Lippert Neto, Adriana Giuntini Viana, Irene Souza da Trindade Torres e Susy Gomes Hoffmann. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional José Carlos Dourado Maciel. CCS Processo n° : 13851.001133/2003-85 Resolução n° : 301-1.836 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Trata o presente de impugnação contra Ato Declaratório Executivo da DRF em Araraquara que excluiu a empresa do Simples em face de uma das atividades exercida pela pessoa jurídica — manutenção de máquinas e equipamentos industriais. Em sua manifestação, a contribuinte esclarece que a atividade citada consiste apenas na substituição de peças simples e que não necessita de engenheiro para tanto." • A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples • Ano-calendário: 2002 Ementa: ATIVIDADE VEDADA. A pessoa jurídica que presta serviços de manutenção em equipamentos industriais está impedida de exercer opção pelo Simples, pela caracterização da prestação de serviços assemelhados ao de engenharia. Solicitação indeferida" Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, pela petição de fl. 79, reiterando a sua permanência no SIMPLES e anexando várias notas fiscais de prestação de serviços, alegando que,na realidade, somente possui atividade de transporte rodoviário de cargas em geral e manutenção de máquinas (reparos em peças desgastadas pelo uso, com utilização de um equipamento mecânico), não prestando nenhum dos serviços listados no inciso II do artigo 9 ° da Lei 9.317/96. É o relatório. VALMAR F MENEZES - Relator Sala das Sessões, em 2 de abril de 2007 t r • Processo n° : 13851.001133/2003-85 Resolução n° : 301-1.836 , VOTO Conselheiro Valmar FonsEca de Menezes, Relator . Preliminarmente, verifica-se que um dos motivos do indeferimento da solicitação pela Delegacia de Julgamento foi o fato de que a atividade da recorrente, prevista em seu Contrato Social, â época, a impediria de ingressar na sistemática do SIMPLES. Não obstante constar de determinado Contrato Social o rol de atividades para as quais uma empresa é constituída nada impede que esta empresa apenas exerça parte das mesmas, por sua conveniência. Entendo que é de fundamental importância, por força do Principio da Verdade Material, que seja verificada a verdadeira atividade da recorrente, tendo em vista a evidência aduzida aos autos pela juntada das notas de fiscais de serviços aos autos, pela mesma. Desta forma, entendo que deva o presente julgamento convertido em diligencia para que a Delegacia de origem proceda â verificação da real atividade da contribuinte, a vista dos seus documentos, ou com utilização de outros recursos, a critério da autoridade fiscal. • •
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001425/2005-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
PAF. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.
INOCORRÊNCIA.
Constatado que o Auto de Infração foi lavrado com observância da legislação de regência, bem como que foi assegurado ao contribuinte o exercício do contraditório e do direito de defesa, descabe a alegação de desrespeito ao princípio do devido processo legal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. ALEGAÇÃO DE PARCERIA. PROVA.
Se os elementos de prova carreados aos autos, desde o procedimento de fiscalização, indicam que o interessado e seu genitor eram sócios na exploração da atividade rural e o genitor não foi intimado a se pronunciar acerca da sociedade sugerida, por força da interpretação benigna a que alude o art. 112 do CTN, deve ser aceita a parceria alegada.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-001.814
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 PAF. DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Constatado que o Auto de Infração foi lavrado com observância da legislação de regência, bem como que foi assegurado ao contribuinte o exercício do contraditório e do direito de defesa, descabe a alegação de desrespeito ao princípio do devido processo legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. ALEGAÇÃO DE PARCERIA. PROVA. Se os elementos de prova carreados aos autos, desde o procedimento de fiscalização, indicam que o interessado e seu genitor eram sócios na exploração da atividade rural e o genitor não foi intimado a se pronunciar acerca da sociedade sugerida, por força da interpretação benigna a que alude o art. 112 do CTN, deve ser aceita a parceria alegada. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido
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DESRESPEITO AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Constatado que o Auto de Infração foi lavrado com observância da legislação de regência, bem como que foi assegurado ao contribuinte o exercício do contraditório e do direito de defesa, descabe a alegação de desrespeito ao princípio do devido processo legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. ALEGAÇÃO DE PARCERIA. PROVA. Se os elementos de prova carreados aos autos, desde o procedimento de fiscalização, indicam que o interessado e seu genitor eram sócios na exploração da atividade rural e o genitor não foi intimado a se pronunciar acerca da sociedade sugerida, por força da interpretação benigna a que alude o art. 112 do CTN, deve ser aceita a parceria alegada. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13971.001425/200513 Acórdão n.º 2801001.814 S2TE01 Fl. 0 2 Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Eivanice Canário da Silva, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 337 a 353, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2002, 2003, 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$45.519,01, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada (R$3.535,03 e R$1.058,00, exercícios 2002 e 2004, respectivamente), bem como de rendimentos da atividade rural (R$46.440,37, R$119.262,24 e R$45.266,43, exercícios 2002 a 2004, respectivamente). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 340 a 348, a autoridade lançadora relata que diligenciou junto ao Frigorífico Riosulense para obter informações acerca dos pagamentos efetuados ao contribuinte pela aquisição de produção rural. Destacou que, embora as notas fiscais de produtor rural apresentadas, bem como aquelas emitidas pelo Frigorífico Riosulense indiquem o contribuinte e seu pai, Olindo Effting, como emitentes e beneficiários, respectivamente, há um Contrato Oneroso de Arrendamento Rural firmado entre o contribuinte e seu genitor, datado de 15/05/2002, com validade de cinco anos (fls. 59 e 60), no qual o contribuinte consta como arrendatário das terras de propriedade de Olinto Effting. Assim, tendo ainda em vista que o frigorífico informou que todos os pagamentos foram efetivados ao contribuinte, considerou que as receitas da atividade rural pertencem exclusivamente ao interessado. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 29/06/2005 (fls. 353), o contribuinte apresentou impugnação (fls. 355 a 357), acatada como tempestiva. Alegou, em apertada síntese, que toda a atividade rural efetivamente é desenvolvida sob o regime de sociedade estabelecida com seu genitor. Desta forma, a autuação não pode prevalecer nos moldes em que foi efetuada, pois não foram lançadas apenas 50% das receitas para o contribuinte. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13971.001425/200513 Acórdão n.º 2801001.814 S2TE01 Fl. 0 3 A 4ª Turma DRJ Florianópolis/SC, conforme Acórdão de fls. 401 a 404, registrou que a omissão de rendimentos decorrentes de resgate de contribuições à previdência privada, ), bem como 50% dos rendimentos da atividade rural não constituem litígio. Quanto à parcela litigiosa, julgou procedente o lançamento. Destacou que a alegada parceria rural não restou documentalmente comprovada. Demonstrou que há diferentes tipos de contratos rurais, não se confundindo o contrato de arrendamento apresentado com o de parceria rural (ausente nos autos). Frisou a ausência de prova de que Olindo Effting teria assumido riscos na exploração da atividade rural bem como se beneficiado dos resultados obtidos. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 15/05/2009 (fls. 407), o contribuinte apresentou, em 08/06/2009, o Recurso de fls. 408 a 417, reafirmando, em síntese, que seu pai era sócio na exploração das atividades rurais. Assevera que a documentação disponibilizada (linhas de crédito, notas fiscais de produtor rural, compra de insumos, despesas oriundas da atividade rural, contratos de parceria firmados com o Frigorífico Riosulense S/A, demais transações financeiras) demonstram a participação de Olindo Effting, restando demonstrada a existência da sociedade alegada. Pondera que o contrato de arrendamento foi firmado em maio de 2002, de forma que parceria deve ser reconhecida, no mínimo, para o anocalendário 2001. Prossegue fazendo longas considerações acerca da atividade rural e dos contratos de parceria e arrendamento rural, inclusive no tocante à proposta vetada de alteração de dispositivo do Estatuto da Terra (art. 95, inc. XIII), tudo com o propósito de defender que o lançamento careceria de base legal. Invoca posições doutrinárias para robustecer seus argumentos e, ao final, concluindo que autoridade lançadora teria agido com discricionariedade, malferindo o princípio do devido processo legal. Ao final, formula requerimento de que seja reconhecida a prescrição quinquenária e que a multa aplicada seja desconsiderada. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 418 (vol. II), que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, quanto aos requisitos específicos do Auto de Infração, destaquese que houve o regular lançamento às fls. 337 a 353, procedimento administrativo, por meio do qual o servidor competente qualificou o sujeito passivo, descreveu os fatos, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13971.001425/200513 Acórdão n.º 2801001.814 S2TE01 Fl. 0 4 apontou as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável, e determinou a exigência com a respectiva intimação para cumprila ou impugnála no prazo legal, haja vista que o ilícito fiscal há de ser apenado onde quer que se detecte a sua ocorrência (art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Portanto, todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam no Auto, dos quais foi regularmente cientificado o contribuinte de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado. Verificase, também, que o servidor competente observou todos os princípios que norteiam a atividade administrativa previstos no “caput” do art. 37 da Constituição Federal, mesmo porque o administrador público está sujeito aos mandamentos da determinação legal em toda a sua atividade funcional. Não restou, dessa forma, especificada nenhuma hipótese que propicie a nulidade do presente Auto de Infração, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores). Portanto, afastase a conclusão do contribuinte de que a autoridade lançadora teria agido com discricionariedade, malferindo o princípio do devido processo legal. Quanto ao mérito, está em discussão se as receitas da atividade rural identificadas pela autoridade lançadora devam ser atribuídas integralmente ao recorrente ou apenas 50%, pois teriam sido auferidas em regime de parceria. Assim, fazse necessário um exame mais detido dos elementos de prova constantes dos autos. No caso, consoante Termo de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal (fls. 03 a 05, ciência às fls. 06), o interessado fora intimado a (grifos nossos): 5. No caso da existência de imóveis rurais explorados na forma de parceria, arrendamento ou condomínio, apresentar documentação que comprove tal condição, especialmente o respectivo contrato e/ou comprovação de propriedade em condomínio, conforme o caso. Em 22/05/2005, conforme se vê do Termo de Recepção de Documentos de fls. 28, apresentou: notas fiscais de produtor emitidas nos anos calendário de 2001, 2002 e 2003, e respectivas relação de tais notas com sua totalização por ano calendário; Contrato de Arrendamento Rural; Contrato de Comodato de Suíno efetuado com o Frigorífico Riosulense S/A e Contrato de Parceria de Terminação de Suínos efetuado com o Frigorífico Riosulense. Não obstante nos documentos acima figurem os nomes do contribuinte e de seu pai, entendeu a Fiscalização que o interessado teria assumido que aquelas receitas seriam de sua titularidade, conforme exposto na intimação de fls. 331 a 335 (vol. II) com grifos nossos: Ressaltase ainda que, embora conste indicação nas notas fiscais apresentadas de que o produtor emissor é o contribuinte Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13971.001425/200513 Acórdão n.º 2801001.814 S2TE01 Fl. 0 5 e/ou seu pai Olindo Effting, o contribuinte, ao apresentar as referenciadas cópias das notas fiscais solicitadas por esta fiscalização, assume que estas correspondem a receitas de sua titularidade. Além disso, o contribuinte apresentou também cópia de contrato de arrendamento rural, datado de 13/05/2002, com validade até 31/05/2007. Ocorre que a Fiscalização, em nenhum momento, buscou questionar Olindo Effting acerca da pareceria sugerida pelos contratos e notas fiscais apresentados. Construiu sua convicção em cima de uma leitura possível dos elementos de prova de que dispunha, não obstante as informações contidas nos documentos apresentados militassem a favor da existência da parceria, por exemplo: todas as notas fiscais apresentadas foram emitidas para Severino e/ou Olindo Effting que igualmente figuram como contratantes nos documentos de fls. 33 a 58 e Olindo Effting, nos Contratos de Comodato de Suínos — Reprodutores, às fls. 38 a 58, nas cláusulas décima sexta, é qualificado como sócio do interessado. Tivesse Olindo Effting, sob intimação, se pronunciado acerca da parceria sugerida, afirmandoa ou negandoa, poderseia aquilatar se o procedimento adotado pela Fiscalização corresponde à verdade material ou se, como pretendido pelo recorrente, caberia a divisão das receitas entre os parceiros de fato. Ora, o certo é que há dúvidas quanto à parceria alegada e, consequentemente, quanto à base de cálculo lançada. Neste contexto, devese trazer à colação o disposto no art. 112 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN): Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (grifos acrescidos) Aceito, assim, o argumento da parceria rural, tornamse inócuas as demais alegações do recorrente, em especial em relação à prescrição quinquenária (a qual não se aplica ao processo administrativo fiscal, consoante disposto na Súmula CARF nº 11) e ao pedido de desconsideração da multa de ofício (que foi aplicada em conformidade com a legislação de regência), por não remanescer parcela de imposto suplementar litigiosa a ser exigida. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13971.001425/200513 Acórdão n.º 2801001.814 S2TE01 Fl. 0 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10166.720349/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO.
Para que as despesas previstas na legislação como dedutíveis da base de cálculo do IRPF sejam acatadas, indispensável a existência de documentos hábeis e idôneos que comprovem a realização das respectivas despesas.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Incabível a alegação de nulidade do lançamento, com base na ocorrência de cerceamento ao direito de defesa, quando o recorrente não comprova a existência desse fato tampouco se encontram presentes nos autos quaisquer elementos que demonstrem ofensa àquele direito.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Comprovado o evidente intuito de fraude praticado pelo contribuinte, caracterizado pelo conjunto probatório contido nos autos, correta a qualificação da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DESCABIMENTO.
Se o não atendimento às intimações da fiscalização não acarretar prejuízo ao curso da ação fiscal, incabível o agravamento da multa de ofício.
PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não
Numero da decisão: 2801-001.760
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 225% para 150%, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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Para que as despesas previstas na legislação como dedutíveis da base de cálculo do IRPF sejam acatadas, indispensável a existência de documentos hábeis e idôneos que comprovem a realização das respectivas despesas. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Incabível a alegação de nulidade do lançamento, com base na ocorrência de cerceamento ao direito de defesa, quando o recorrente não comprova a existência desse fato tampouco se encontram presentes nos autos quaisquer elementos que demonstrem ofensa àquele direito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude praticado pelo contribuinte, caracterizado pelo conjunto probatório contido nos autos, correta a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. DESCABIMENTO. Se o não atendimento às intimações da fiscalização não acarretar prejuízo ao curso da ação fiscal, incabível o agravamento da multa de ofício. PROVA. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma não Fl. 144DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 2 2 lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário, que não possuem efeito vinculante, não constituem normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual somente produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício de 225% para 150%, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Eivanice Canário da Silva, Walter Reinaldo Falcão Lima, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 66/90, relativo às Declarações de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios 2005 a 2009, anoscalendário 2004 a 2008, respectivamente, resultando em um crédito tributário de R$ 143.805,21, tendo sido apuradas as seguintes infrações: Dedução indevida de Dependentes Exercício Valor (R$) 2005 2.544,00 2006 2.808,00 2007 6.065,28 2008 4.753,80 2009 4.967,64 Fl. 145DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 3 3 Dedução indevida de Despesas Médicas Exercício Valor (R$) 2005 13.471,53 2006 19.636,37 2007 16.738,70 2008 12.421,66 2009 15.044,85 Dedução indevida de Pensão Judicial Exercício Valor (R$) 2008 12.800,00 2009 16.200,00 Dedução indevida de despesas com Instrução Exercício Valor (R$) 2005 3.996,00 2006 4.396,00 2007 11.869,20 2008 9.922,64 2009 10.369,16 Dedução indevida de Previdência Privada/FAPI Exercício Valor (R$) 2005 6.493,42 2006 6.348,20 2007 8.424,02 2008 8.350,00 2009 11.300,00 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração, a multa de ofício foi qualificada em virtude de ter sido constatado, por intermédio de diversos cruzamentos de informações nos sistemas da Receita Federal do Brasil RFB, que o contribuinte se beneficiou de um esquema montado com o intuito “assessorar contribuintes”, que buscava incrementar os valores de imposto a restituir, agindo, portanto, com evidente intuito de fraude. O esquema consistia, basicamente, em alterar os campos das deduções das declarações de imposto de renda pessoa física com inserção de despesas inexistentes. Conforme investigação realizada pelo Escritório de Pesquisa e Investigação – ESPEI da 1a Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal, que deu origem à ação fiscal em comento, o referido esquema era realizado por Luís Joubert dos Santos Lima, conhecido por “Dr. Santos”, e outras pessoas, o qual cobrava tanto para elaborar as respectivas DAA quanto um percentual incidente sobre o valor restituído indevidamente. E que, em relação às DAA fiscalizadas, a inserção de deduções fictícias ocorreu nos moldes utilizados pelo grupo comandado por “Dr. Santos”, com um único objetivo de alcançar o valor máximo de restituição possível sem que a DAA incidisse em “malha”. Foram destacadas pelo Fisco a existência das seguintes irregularidades nas DAA fiscalizadas, que indicam procedimentos comuns àqueles adotados pelo esquema acima citado, conforme descrito no aludido Termo de Verificação Fiscal: Fl. 146DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 4 4 a) cometimento das infrações de forma reiterada, uma vez que as deduções indevidas foram pleiteadas nos exercícios 2005 a 2009; b) não apresentação da documentação comprobatória das despesas médicas e com instrução supostamente efetuadas; c) declaração falsa de ter contribuído para a previdência privada, conforme intimação realizada à empresa RS Previdência com o intuito de verificar se o contribuinte tinha efetuado contribuições àquela empresa. Esta respondeu que não havia localizado qualquer pagamento feito pelo recorrente a esse título. Foi também constatado que, dentre os documentos apreendidos pela Polícia Federal nas residências e escritórios das pessoas participantes da fraude, decorrente de Mandado de Busca e Apreensão determinado pela juíza da 12ª Vara da Justiça Federal em Brasília, há uma grande quantidade de cadastros de CNPJ que eram informados falsamente como beneficiários nas declarações, sendo alguns utilizados pelo contribuinte. Todas as DAA resultantes desse esquema foram transmitidas por determinados protocolos da internet IP (protocolo de comunicações utilizados pelos computadores conectados à internet), segundo a citada investigação. O contribuinte foi intimado a apresentar documentos comprobatórios de todos os rendimentos tributáveis e das deduções pleiteadas nas respectivas DAA, não tendo atendido tal solicitação, o que motivou uma nova intimação nesse sentido, que também não foi respondida. Com base nesses fatos, a autoridade lançadora procedeu ao agravamento da multa de ofício, nos termos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 95/102, acatada como tempestiva, alegando, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 110/111), que: “Preliminar de nulidade Inicialmente faz referência aos termos do Auto de Infração, acrescentando que o procedimento deve ser anulado por existir vício de ilegalidade insanável. Anota que restou prejudicada a análise das infrações apuradas no Auto de Infração. Suscita preliminar de cerceamento do direito de defesa, pelo fato de não restar comprovada a participação do contribuinte nas irregularidades praticadas por Luis Joubert dos Santos Lima – Dr. Santos –, com a intenção de se beneficiar de restituições indevidas. Menciona que é pessoa de boa fé, não foi conivente com as atitudes relatadas no Termo de Verificação Fiscal, não podendo a fiscalização entender que o contribuinte participava de esquema de fraude. Fl. 147DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 5 5 Afirma que a razoabilidade exige coerência e lógica, devendo a fiscalização assim agir, levando em consideração o conhecimento do “homem médio”. Cita o art. 136 do CTN, transcreve trechos dos doutrinadores Hely Lopes Meirelles e Luciano Amaro para afirmar que, apesar de a responsabilidade tributária não depender da intenção do agente, é necessário constatar ao menos um grau mínimo de culpa stricto sensu, devendo ser aplicada a equidade, não para dispensar tributo, mas afastar uma penalidade. Princípio do não confisco Recorre ao Princípio da Legalidade para asseverar que é indispensável que a pena prevista na lei atenda a uma finalidade específica e obedeça aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo necessário que a conduta descrita como infração represente uma ofensa a um bem juridicamente tutelado. Diz que a Constituição Federal de 1988, inciso IV do art. 150, estabelece que, para aplicação válida de qualquer penalidade, é indispensável prévio processo legal, que assegure o contraditório e ampla defesa. Reproduz trecho do doutrinador Ives Gandra da Silva Martins e ressalta que o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça tem aplicado o princípio da proporcionalidade da lei que comina sanções tributárias desproporcionais à infração, sendo o art. 136 do CTN interpretado conforme a Constituição Federal de 1988. Discorre sobre o percentual das multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430/1996, quando firma entendimento que a penalidade, no campo tributário, deve guardar uma proporção ao dano e nunca ser algo maior que ele, tendo em visa que o dano principal será reparado com o pagamento dos tributos devidos e não pagos. Faz referência a ADI 5511 RJ e à ementa de julgamento da Apelação Cível nº 292.454 (TRF/5ª Região). Menciona o Princípio da Igualdade ou Isonomia Tributária, nos ditames do inciso II do art. 150 da Lei Maior. Conclui que a Receita Federal do Brasil deve rever os seus atos eivados pelo vício da ilegalidade, sob pena de afrontar a Lei Maior. Dos pedidos Requer o impugnante que: 1. O Auto de Infração seja extinto, anulando seus efeitos, ou julgado improcedente o lançamento; 2. Seja afastada a multa de ofício para o mínimo determinado por lei, caso não considerada a improcedência total do lançamento.” Fl. 148DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 6 6 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Brasília julgou o lançamento procedente (fls. 106/118), nos termos do voto do relator, abaixo reproduzido: “A impugnação é tempestiva, uma vez que foi apresentada no prazo estabelecido pelo art. 15 do Decreto nº 70.235/1972. De início, cumpre esclarecer que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito de sua fundamentação, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir o sujeito passivo, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o que não se verifica nos presentes autos. Não há como apreciar o mérito das matérias desprovidas de contestação na forma mencionada no parágrafo anterior. O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) expressa este mesmo entendimento: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – Após a vigência da Lei n.º 8.748/93, impossível a análise das matérias não expressamente impugnadas, sob o argumento da negativa geral (Art. 17, Decreto n.º 70.235/72). (Acórdão n.º 103 19981/1999). Com base nos documentos anexados à peça contestatória, considerase instaurado o litígio no tocante à multa de ofício qualificada e agravada. Dessa forma, depreendese que o contribuinte não contesta a totalidade das infrações apuradas, por isso, de acordo com o art. 17 do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei 9.532/1997, consideramse matérias não impugnadas. DA PRELIMINAR DE NULIDADE O impugnante alega a existência de vícios de ilegalidade insanável e cerceamento do direito de defesa pelo fato de não restar comprovada a sua participação nas irregularidades praticadas com a intenção de se beneficiar de restituições indevidas. Cumpre esclarecer que, sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar o Auto de Infração se dispunha dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração. Ainda que o sujeito passivo não tenha sido regularmente consultado ou intimado a se manifestar durante o procedimento fiscal de revisão das declarações, situação não presenciada no caso concreto, não há que se falar em irregularidade do lançamento, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo. Vale ressaltar que a autoridade lançadora, no decorrer da ação fiscal, depois da ciência do Termo de Início da Fiscalização, intimou e reintimou o sujeito passivo a apresentar documentos e Fl. 149DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 7 7 esclarecimentos sobre as declarações dos exercícios autuados, contudo, nenhuma resposta foi obtida. Imperioso esclarecer que a fase litigiosa do procedimento administrativo se instaura com a impugnação, em que o sujeito passivo tem assegurado o contraditório e ampla defesa. Nesse sentido o Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) proferiu acórdãos nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA A fase litigiosa do procedimento administrativo se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida, pela autuada, esta oportunidade de defesa, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal, ainda mais quando os elementos necessários à defesa estiveram à disposição da contribuinte (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 94.453 em 04.12.2003. Publicado no DOU em: 18.03.2004.). ANUÊNCIA PRÉVIA DO CONTRIBUINTE – Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer nulidade ou sequer cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar um auto de infração após apurar o ilícito, mesmo sem consultar o sujeito passivo ou intimálo a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo (Ac. 1º CC 10310.196/90 DOU 24/07/90). Ademais, importa enfatizar que as infrações constatadas durante o procedimento de revisão da declaração, e o respectivo enquadramento legal, estão perfeitamente demonstrados no Auto de Infração, permitindo, dessa forma, amplo direito de defesa por parte do sujeito passivo. E, como teve acesso a todos os elementos da autuação, foi instaurado o devido processo legal, sendo que o contraditório e o direito de defesa foram exercidos com a apresentação da presente impugnação, de acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972. Além do mais, o Auto de Infração levado a efeito pela autoridade lançadora está em perfeita consonância com as exigências estampadas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 150DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 8 8 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no razo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Sobre a nulidade, vale ainda colacionar o que estabelece o art. 59 do mesmo diploma legal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É inquestionável que o presente lançamento não se enquadra em nenhuma das hipóteses citadas e foi lavrado com observância das regras estabelecidas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Não houve cerceamento ao direito de defesa, haja vista que, com a ciência da autuação, foi aberto prazo para contestação. Assim, conhecendo os termos das infrações assentadas no Auto de Infração, o direito de defesa foi exercido mediante a apresentação da peça impugnatória objeto do presente julgamento. Os argumentos apresentados não excluem a responsabilidade do sujeito passivo pelas infrações, como se vê do conteúdo exposto no tópico seguinte. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. DA MATERIALIDADE DO DELITO FISCAL Relativamente às alegações de ausência de materialidade do delito fiscal, é importante ressaltar que a ação fiscal em comento decorreu de investigações realizadas pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1ª Região Fiscal (ESPEI/1ª RF), quando foram identificadas várias pessoas que se beneficiaram de restituições indevidas. A prática ilícita era fundamentada na apresentação de Declarações de Ajuste Anual, inserindo pagamentos fictícios (deduções inexistentes), de forma reiterada e sistemática, com a finalidade de redução da base de cálculo do imposto de renda para receber restituições indevidas. Vale anotar que, para a realização da mencionada operação, a juíza Federal da 12ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal autorizou expedição de Mandados de Busca e Apreensão, bem como a Quebra de Sigilo fiscal e dos dados contidos nos computadores/equipamentos apreendidos, conforme decisão nº 57/2009 proferida nos autos da Medida Cautelar nº 2008.34.00.0177913 requerida pelo Ministério Público Federal, objetivando a busca e apreensão de objetos com serventia à comprovação de materialidade de delito tributário. Fl. 151DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 9 9 Em cumprimento à decisão judicial foram apreendidos documentos e computadores, em residências de pessoas que participaram da fraude tributária em diversas declarações de imposto de renda de vários contribuintes. Os contribuintes, pessoas físicas, estão obrigados, dentro de pré definidas hipóteses, a prestar informações ao Fisco sobre seus rendimentos e operações financeiras, tanto que apresentam regularmente declarações de rendimentos, sendo as informações nelas prestadas de sua exclusiva responsabilidade. Não prospera a alegação do sujeito passivo de não ter autorizado ou não participado de qualquer ação com a finalidade de obter da Fazenda Pública restituição indevida do imposto de renda, sendo irrelevante o fato de as declarações fraudulentas terem sido elaboradas por outra pessoa. A Receita Federal do Brasil, com a operação realizada, conseguiu descobrir os mentores da fraude tributária, aqueles que montaram todo o esquema para que contribuintes recebessem indevidamente restituições do imposto de renda, mediante a majoração de deduções. Todavia, não podemos nos esquecer que sem a conivência do sujeito passivo, este o verdadeiro beneficiário dos valores subtraídos do Erário Público, não haveria fraude. Portanto, o argumento trazido na peça impugnatória, para afastar a responsabilidade do sujeito passivo, não encontra amparo na legislação tributária. O fato de as declarações terem sido apresentadas por outra pessoa não exclui a sua responsabilidade pelas infrações cometidas, pois, para efeitos tributários o sujeito passivo da obrigação tributária é o contribuinte, que deveria, se não fez pessoalmente suas declarações de rendimentos, resguardarse e contratar profissional confiável, a fim de elaborar as declarações de rendimentos com valores e dados condizentes com a realidade. Tivesse outra intenção o sujeito passivo, senão receber indevidamente os valores apurados nas declarações – originais ou retificadoras –, teria consultado à Receita Federal do Brasil sobre a licitude do procedimento, e não da forma como agiu, resgatando todos os valores que lhe foram disponibilizados. Ressaltese que, conforme pesquisa aos sistemas informatizados da Receita Federal, com o processamento das declarações apresentadas com deduções fictícias, o sujeito passivo resgatou restituições corrigidas nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, nos valores de R$ 7.370,55, R$ 9.740,98, R$ 10.843,88 e R$ 12.998,01, respectivamente. No anocalendário 2008, com a operação realizada, a Receita Federal impediu o pagamento de restituição indevida de R$ 15.051,19. Corrobora ainda mais o envolvimento do sujeito passivo na fraude o fato de supostos beneficiários de pagamentos informados pelo autuado não confirmar, à autoridade Fl. 152DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 10 10 lançadora, o recebimento dos respectivos valores declarados pelo contribuinte. Com efeito, diante das provas carreadas aos autos pela fiscalização, concluise pela irrefutável responsabilidade do sujeito passivo autuado, pois está caracterizada a sua intenção de obter restituições indevidas de forma fraudulenta. DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA Conforme já demonstrado anteriormente, no primeiro tópico desta decisão, o sujeito passivo se esforça para descaracterizar os motivos ensejadores da aplicação da multa de ofício agravada de 225%. Para elucidar a questão, citase o que dispõe o artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 sobre as multas aplicáveis aos lançamentos de ofício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). (...). Ao qualificar a multa de ofício, de acordo com o § 1º do artigo antes transcrito, a autoridade fiscal fez constar no Termo de Verificação Fiscal que os fatos verificados no curso da fiscalização demonstram práticas que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária nos termos de artigo 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Pelo não atendimento às intimações fiscais para prestar esclarecimentos e apresentar documentos, a autoridade lançadora agravou a multa de ofício em 50%, nos termos do § 2º do dispositivo legal antes colacionado. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 11 11 Dessa forma, não há como afastar a aplicação da Multa de Ofício de 225% sobre o valor do imposto apurado, tendo em vista o evidente intuito de fraudar o Fisco materializado pela inserção de deduções fictícias nas sucessivas declarações, de forma reiterada e continuada, com o objetivo de usufruir restituições indevidas. Além do mais, enfatizese que nenhuma intimação feita pela fiscalização foi atendida pelo sujeito passivo. O fato de as declarações terem sido feitas e enviadas à Receita Federal por terceiros, não exclui a responsabilidade do contribuinte pelas infrações cometidas, pois, no caso concreto, o sujeito passivo da obrigação tributária é o contribuinte. Registrese, ainda, que as restituições indevidas dos exercícios 2005, 2006, 2007 e 2008 foram resgatadas pelo sujeito passivo, configurando a sua intenção dolosa em face da Administração Tributária. A restituição do exercício 2009 só não foi disponibilizada em razão da operação deflagrada para estancar a fraude que vinha sendo perpetrada. Sonegação, fraude e conluio estão assim definidos e positivados na Lei nº 4.502/1964, em seus arts. 71, 72 e 73: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (destacouse) Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. É descabida a alegação de confisco, bem como o pedido para aplicação da isonomia tributária ao caso concreto. Importa esclarecer que a multa de ofício é devida em face de infração às regras instituídas pela legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. Ementários de acórdãos do Conselho de Contribuintes homologam este entendimento: CONFISCO A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo Fl. 154DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 12 12 inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V do artigo 150 da Constituição Federal. (Ac. 102 42741, sessão de 20/02/1998). MULTA DE OFÍCIO A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese ao valor do tributo, não extravasando para o percentual aplicável às multas por infrações à legislação tributária. A multa deve, no entanto, ser reduzida aos limites impostos pela Lei n.º 9.430/96, conforme preconiza o art. 112 do CTN. (Ac. 20171102, sessão de 15/10/1997). Convém salientar que o procedimento administrativo de lançamento é atividade plenamente vinculada e obrigatória, como determina o parágrafo único do art. 142 da Lei no 5.172/1966, CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Mantémse a multa de ofício agravada de 225%. DAS DECISÕES JUDICIAIS E DO CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE Diz que, para aplicação válida de qualquer penalidade, a Constituição Federal de 1988 estabelece que é indispensável prévio processo legal, que assegure o contraditório e ampla defesa. Além disso, faz referência a ADI 5511 RJ e à ementa de julgamento da Apelação Cível nº 292.454 (TRF/5ª Região) para amparar o argumento de que a aplicação das multas deve obedecer ao princípio da proporcionalidade. Imperioso lembrar que questões relativas à constitucionalidade de leis, cuja vigência e aplicabilidade não foram erga omnes atacadas pelo judiciário, não são apreciadas nesta esfera administrativa. Os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela Carta Magna passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, falecendo, assim, competência a esta autoridade para pronunciarse sobre a validade de lei regularmente editada. Cabe elucidar que o Decreto nº 2.346, de 1997, que consolida as normas de procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais e, quanto aos créditos administrados pela Secretaria da Receita Federal, determina que a extensão dos efeitos de decisões judiciais possui como pressuposto a existência de decisão Fl. 155DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 13 13 definitiva do Supremo Tribunal Federal, tratando especificamente sobre a inconstitucionalidade da lei, do tratado ou do ato normativo federal que esteja em litígio. No tópico inerente ao enfrentamento da Preliminar de Nulidade, exposto nesta decisão, está demonstrado que ao contribuinte foi garantido o devido processo legal, o amplo direito de defesa e o contraditório, tanto que apresentou a presente impugnação. Improcedentes os argumentos apresentados. DO RESULTADO DO JULGAMENTO Diante do exposto, encaminho o meu VOTO no sentido de REJEITAR a PRELIMINAR argüida e, no mérito, julgar IMPROCEDENTE a impugnação.” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 22/02/11, fls. 125/126, o contribuinte apresentou, em 18/03/11, o Recurso de fls. 127/140, em que reproduz as alegações expostas na impugnação, além de discorrer sobre os princípio da razoabilidade ou proporcionalidade, da vedação ao confisco e da isonomia, em que requer a aplicação da mesma penalidade para todos os contribuintes que “tiveram as mesmas qualidades de infração e gravidade conforme o relatório do ESPEI/1a RF”. Ao final, apresenta os seguintes pedidos: “I. Seja a presente IMPUGNAÇÃO aceite e examinada em seus aspectos substanciais e materiais; II. Seja apreciado um parâmetro que a Delegacia da Receita adote a razoabilidade na aplicação de multa aos processos de mesma natureza aonde são observados tais ilegalidade e determine a pena de multa fixa de 75% ou 150% ; III. Seja extinto o Auto de Infração lavrado na ação fiscal e anulados seus efeitos quanto à questão de primariedade e suas repercussões; IV. Sejam concedidos os efeitos suspensivos dispostos no Inciso III, do artigo 151, do CTN; V. O contribuinte encontrase na Lei 11.941/09. Com clareza solar, há que ser julgado, no mérito, a improcedência do Auto de Infração, em face da existência de jurisprudência das cortes superiores favoráveis às postulações da requerente.” É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 14 14 Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O recorrente, em nenhum momento, demonstra a ocorrência do cerceamento do direito de defesa, no tocante às glosas das despesas médicas, com instrução, dependentes, que resultaria na nulidade do auto de infração em relação a tais matérias, apenas sustenta que não há elementos que comprovem que ele tenha participado do esquema comandado pelo “Dr. Santos”. Aduz que a ilegalidade do ato reside nesse fato. Afirma ter apresentado documentos relativos ao período de 2004 a 2008 para corroborar seu entendimento. Alega, ainda, que deveria ser aplicado o princípio da razoabilidade no que diz respeito à exigência da multa de ofício, e que o percentual da multa aplicada deveria ser o mesmo para todos os contribuintes “que tiveram as mesmas qualidades de infração e gravidade conforme o referido relatório do ESPEI/1aRF”. Afirma ser pessoa de boafé e que a fiscalização não pode agir de forma incoerente, devendo fazer uso da equidade na aplicação da lei. Como bem demonstrado no acórdão da DRJ/Brasília, não há qualquer nulidade no procedimento fiscal realizado contra o contribuinte, assim como no auto de infração em discussão. Nesse sentido, peço venia para adotar os fundamentos expostos naquele acórdão, os quais reproduzo a seguir: “DA PRELIMINAR DE NULIDADE O impugnante alega a existência de vícios de ilegalidade insanável e cerceamento do direito de defesa pelo fato de não restar comprovada a sua participação nas irregularidades praticadas com a intenção de se beneficiar de restituições indevidas. Cumpre esclarecer que, sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar o Auto de Infração se dispunha dos elementos necessários e suficientes para a caracterização da infração. Ainda que o sujeito passivo não tenha sido regularmente consultado ou intimado a se manifestar durante o procedimento fiscal de revisão das declarações, situação não presenciada no caso concreto, não há que se falar em irregularidade do lançamento, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo. Vale ressaltar que a autoridade lançadora, no decorrer da ação fiscal, depois da ciência do Termo de Início da Fiscalização, intimou e reintimou o sujeito passivo a apresentar documentos e esclarecimentos sobre as declarações dos exercícios autuados, contudo, nenhuma resposta foi obtida. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 15 15 Imperioso esclarecer que a fase litigiosa do procedimento administrativo se instaura com a impugnação, em que o sujeito passivo tem assegurado o contraditório e ampla defesa. Nesse sentido o Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) proferiu acórdãos nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA IMPROCEDÊNCIA A fase litigiosa do procedimento administrativo se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida, pela autuada, esta oportunidade de defesa, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal, ainda mais quando os elementos necessários à defesa estiveram à disposição da contribuinte (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 101 94.453 em 04.12.2003. Publicado no DOU em: 18.03.2004.). ANUÊNCIA PRÉVIA DO CONTRIBUINTE – Sendo o procedimento de lançamento privativo da autoridade lançadora, não há qualquer nulidade ou sequer cerceamento do direito de defesa pelo fato de a fiscalização lavrar um auto de infração após apurar o ilícito, mesmo sem consultar o sujeito passivo ou intimálo a se manifestar, já que esta oportunidade é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo (Ac. 1º CC 10310.196/90 DOU 24/07/90). Ademais, importa enfatizar que as infrações constatadas durante o procedimento de revisão da declaração, e o respectivo enquadramento legal, estão perfeitamente demonstrados no Auto de Infração, permitindo, dessa forma, amplo direito de defesa por parte do sujeito passivo. E, como teve acesso a todos os elementos da autuação, foi instaurado o devido processo legal, sendo que o contraditório e o direito de defesa foram exercidos com a apresentação da presente impugnação, de acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972. Além do mais, o Auto de Infração levado a efeito pela autoridade lançadora está em perfeita consonância com as exigências estampadas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no razo de trinta dias; Fl. 158DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 16 16 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Sobre a nulidade, vale ainda colacionar o que estabelece o art. 59 do mesmo diploma legal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. É inquestionável que o presente lançamento não se enquadra em nenhuma das hipóteses citadas e foi lavrado com observância das regras estabelecidas no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Não houve cerceamento ao direito de defesa, haja vista que, com a ciência da autuação, foi aberto prazo para contestação. Assim, conhecendo os termos das infrações assentadas no Auto de Infração, o direito de defesa foi exercido mediante a apresentação da peça impugnatória objeto do presente julgamento. Os argumentos apresentados não excluem a responsabilidade do sujeito passivo pelas infrações, como se vê do conteúdo exposto no tópico seguinte. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade suscitada.” As alegações de ilegalidade, pelo fato de o recorrente afirmar não ter participação no esquema comandado pelo “Dr. Santos, de boa fé, e de ofensa ao princípio da razoabilidade serão enfrentadas na análise do mérito, por não se tratarem de matérias consideradas preliminares. Diante do exposto acima rejeito a preliminar de nulidade alegada. DO MÉRITO De acordo com o acórdão da DRJ/Brasília, o interessado não contestou as infrações apuradas, somente a sua participação no esquema, que acarretou a aplicação da multa de ofício qualificada, que também foi agravada, razão pela qual aquelas matérias foram consideradas não impugnadas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972. Por conseguinte não cabe a este Colegiado apreciálas, pois tornaramse matérias incontroversas. Cumpre informar que, em seu recurso, o contribuinte também não as questionou, sendo que não constam nos autos quaisquer documentos comprobatórios das deduções glosadas. Assim, resta somente verificar se há elementos nos autos que comprovem que o recorrente usufruiu do esquema comandado pelo “Dr. Santos” para fins de apreciação da legalidade da qualificação da multa, e se é caso de agravamento da penalidade, como foi considerado pela autoridade lançadora. A qualificação e o agravamento da multa de ofício têm previsão legal no art. 44, da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Fl. 159DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 17 17 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). (...)” DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA A identificação dos beneficiários do esquema montado para auferir restituições indevidas, entre eles o contribuinte, ocorreu após a realização de diversos cruzamentos nos sistemas da RFB pelo Escritório de Pesquisa e Investigação da 1a Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal, em que foram selecionadas DAA que possuíam padrões comuns, sugerindose tratar de declarações forjadas por determinados grupos de fraudadores. Vejamos abaixo trechos do relatório produzido por aquele órgão que tratam dessa identificação: “Para os contribuintes que entregaram declarações com indícios de irregularidades, notase um fato curioso: apesar de serem em sua maioria servidores públicos, e, portanto, contribuírem obrigatoriamente para o regime próprio de previdência social, todos declararam que teriam contribuído também para o regime de previdência privada, que possui caráter facultativo e complementar. Embora não seja vedado pela legislação vigente, seria improvável que TODOS estes servidores optassem pela contribuição ao regime privado de previdência, visto que a adesão a este tipo de produto é, estatisticamente, pouco comum para servidores públicos. (...) A partir do conhecimento deste esquema, foram realizados diversos cruzamentos de informações disponíveis nos sistemas da RFB, o que permitiu a seleção de várias declarações com indícios de irregularidades. Fl. 160DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 18 18 Foi possível, também, visualizar padrões comuns que se repetiam em determinados grupos de declarações, sugerindo tratarse de declarações forjadas por determinados grupos de fraudadores. Em todos, porém, existe a intenção de obter o maior valor possível de restituição dos valores pagos a títulos de Imposto de Renda da Pessoa Física.” Verificouse, também, que tais declarações, entre as quais aquelas do recorrente, foram transmitidas por determinados protocolos da internet – IP. A fraude consistia em declarar deduções inexistentes com o objetivo de se obter restituição indevida. Tais deduções referiamse a despesas médicas, com instrução, dependentes e contribuição à previdência oficial e privada. No auto de infração lavrado contra o recorrente houve glosa de todas essas deduções (com exceção da contribuição à previdência oficial), além de pagamento de pensão alimentícia judicial, e não foram apresentados quaisquer esclarecimentos e documentos para comprovar os valores declarados, mesmo aqueles relativos aos dependentes, que são de fácil comprovação. É incomum o contribuinte não se esforçar em comprovar ou esclarecer as deduções pleiteadas. Cumpre informar que, em relação à contribuição para entidade de previdência privada, a fiscalização intimou o suposto beneficiário dos pagamentos, RS Previdência, tendo este respondido que o recorrente não lhe efetuou qualquer pagamento sob aquele título nos anos de 2004 a 2008 (fls. 43/48). Vale destacar que, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao auto de infração (fls. 79/90), no curso da investigação realizada pela Polícia Federal foram apreendidos documentos contendo uma grande quantidade de cadastros de CNPJ de pessoas jurídicas, que eram informados falsamente como beneficiários nas declarações beneficiadas pelo esquema, sendo que o recorrente utilizouse de vários deles em suas declarações dos exercícios 2005 a 2009, conforme relação abaixo: CNPJ Razão Social DAA Exercícios 00.319.819/000174 União Pioneira de Integração Social 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009 43.144.880/000182 Faculdades Objetivo 2005, 2006, 2007 72.575.822/000101 Clínica Ortodôntica Moroso Ltda 2005, 2006, 2007 01.323.415/000169 Speed Help Assistência Domiciliar 2005, 2006, 2007 76.621.853/000617 RS Previdência 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009 60.470.960/000570 Sociedade das Filhas de Nossa Sra. do Sagrado Coração (Colégio Nossa Sra. do Perpétuo Socorro) 2007 29.309.127/009478 Amil Assistência Médica Internacional 2007, 2008 e 2009 61.015.087/002028 Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus 2009 Outrossim, foram constatadas divergências nas informações prestadas pelo recorrente nas DAA fiscalizadas, no tocante aos dependentes, descritas abaixo, que não são comuns de ocorrerem no preenchimento das declarações: 1 – a data de nascimento do dependente Leonardo Oliveira Athayde, declarado como filho, foi informada como sendo 27/08/87 nas DAAs dos exercícios 2005 a 2007, e 10/01/06 nas DAA dos exercícios 2008 e 2009; 2 a data de nascimento da dependente Elisangela Santos, declarada como irmã, neta ou bisneta, foi informada como sendo 10/01/06 nas DAAs dos exercícios 2007 e 2008, e 15/03/00 na DAA do exercício 2009; Fl. 161DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 19 19 3 – Luciana Cesar Athayde foi declarada como dependente (filha) somente na DAA do exercício 2007, não obstante sua data de nascimento informada, 23/03/89, permitir sua inclusão como dependente nas DAA dos exercícios anteriores; 4 – na DAA do exercício 2008 foi informada a mesma data de nascimento, 10/01/06, dos dependentes Leonardo Oliveira Athayde e Elisangela Atahyde Santos, fato verificado em várias outras declarações identificadas como beneficiárias do esquema denominado de “Grupo 4 – Sr. Santos” no Relatório do ESPEI/1aRF. Diante dos elementos contidos nos autos e dos fatos acima expostos, podese concluir que: a) as DAA do contribuinte relativas aos exercícios 2005 a 2009 foram selecionadas pela fiscalização por conterem indícios de irregularidades comuns às declarações que usufruíram do esquema montado pelo “Dr. Santos” para obter restituições indevidas; b) o interessado declarou pagamentos fictícios, sob o título de contribuição à previdência privada, tendo como beneficiária a empresa RS Previdência; c) as divergências existentes nos dados relativos aos dependentes declarados, a existência, nesse aspecto, de similitude fática com outras declarações identificadas como beneficiárias do esquema do “Dr. Santos”, aliada à ausência da prova da relação de dependência, constituem fortes indícios de que tais deduções são fictícias; d) o contribuinte utilizouse de números de CNPJ encontrados nos documentos apreendidos pela Polícia Federal, para declarar pagamentos efetuados às respectivas empresas nas DAA dos exercícios 2005 a 2009, para fins de dedução da base de cálculo do IRPF, sem que fosse comprovada a efetiva prestação de serviços, haja vista não terem sido apresentadas provas nesse sentido. Esse fato constitui forte indício de que o recorrente sabia da existência do esquema montado para obtenção de restituições indevidas de imposto de renda, e utilizouse dele nas DAA dos exercícios 2005 a 2009, objetos do lançamento em discussão; Vale frisar que as deduções pleiteadas pelo contribuinte nas DAA fiscalizadas representam um percentual bastante elevado dos rendimentos tributáveis, o que constitui mais um motivo para considerar que o recorrente declarou deduções inexistentes, e para reforçar o entendimento acerca do seu envolvimento no esquema desvendado pela ESPEI. Vejamos abaixo os aludidos percentuais para cada exercício: Exercício Rendimentos tributáveis Total das deduções Percentual (%) 2005 67.922,21 31.759,02 46,76 2006 66.554,89 39.112,43 58,77 2007 70.210,79 49.450,68 70,43 2008 79.894,78 54.623,01 68,37 2009 94.804,95 65.368,33 68,95 Fl. 162DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 20 20 Assim, resta caracterizado que o interessado beneficiouse do esquema montado pelo “Dr. Santos” para obtenção de restituições indevidas, e, aliado ao fato de que não foram apresentadas quaisquer provas das deduções glosadas, consideroas todas inexistentes, embora o relatório da ESPEI não tenha incluído entre as deduções fictícias o pagamento de pensão alimentícia judicial. Convém ressaltar que o suposto beneficiário dessa pensão, Sr. Geraldo Pereira da Silva, não apresentou a DAA dos exercícios que o recorrente declarou ter efetuado tais pagamentos, conforme consulta ao sítio da Receita Federal do Brasil. Ademais, o Sr. Geraldo não possui qualquer sobrenome comum ao contribuinte, donde se conclui não haver parentesco entre eles, e, nos termos do art. 1.694 do Código Civil, o direito à prestação de alimentos restringese aos parentes, cônjuge ou companheiro do alimentante. Por tais razões não restam dúvidas que o recorrente incorreu na prática das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, que ensejam a aplicação da multa qualificada, nos termos do 44, § 1°, da Lei nº 9.430/1996. DO AGRAVAMENTO DA MULTA O agravamento da multa ocorreu pelo fato de o contribuinte não ter atendido ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, que solicitou documentos relativos aos rendimentos declarados e às deduções lançadas em suas declarações, e ao Termo de Reintimação Fiscal, lavrado em virtude do não atendimento ao citado Termo de Início. Entendo que a multa de ofício somente pode ser agravada se a falta de atendimento às intimações do Fisco acarretar prejuízo ao desenvolvimento da ação fiscal. No caso em apreço isso não ocorreu, pois, mesmo sem os documentos solicitados, a fiscalização possuía elementos suficientes para lavrar o auto de infração em discussão, haja vista que a não apresentação de comprovantes das deduções glosadas resulta na glosa de tais despesas, e as informações sobre os rendimentos declarados podem ser obtidas por meio de consulta às DIRF apresentadas pelas respectivas fontes pagadoras. Diante do exposto acima não há como prosperar o agravamento da multa de ofício, que deve ser reduzida de 225% para 150%. DOS EFEITOS DAS DECISÕES JUDICIAIS Cumpre assinalar que as decisões proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário, que não possuem efeito vinculante, não constituem normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. DA ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios da razoabilidade/proporcionalidade, da vedação ao confisco e da isonomia referemse à matéria constitucional e o reconhecimento de que foram desrespeitados implica no pronunciamento de inconstitucionalidade das leis que os teriam afrontado. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim incabível a apreciação das alegações da recorrente de violação àqueles princípios. Cabe esclarecer que o princípio da vedação ao confisco limitase ao valor do tributo, não se aplicando às multas por infrações à legislação tributária e que o interessado não demonstrou em que situação o lançamento afrontou o princípio da isonomia. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL Processo nº 10166.720349/201011 Acórdão n.º 280101.760 S2TE01 Fl. 21 21 É importante destacar que a informação do recorrente de que “encontrase na Lei 11.941/09”, que trata, entre outros assuntos, do parcelamento dos débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não tem o condão de alterar o lançamento em questão, pois este Conselho não é competente para apreciar tal matéria, haja vista que os pedidos de parcelamento devem ser encaminhados para o titular da unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o domicílio do contribuinte. Convém ressaltar que, nos termos do art. 136 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por fim vale lembrar que, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Por conseguinte não há como querer que a apreciação acerca da pertinência da qualificação da multa seja a mesma para todos os contribuintes envolvidos no esquema desvendado pela ESPEI/1a RF, mesmo porque não há como comparar os conjuntos probatórios de todos os processos, que não se resumem aos elementos levantados durante a investigação. Diante do exposto acima, voto por REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de ofício de 225% para 150%. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 164DF CARF MF Emitido em 19/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 02/ 08/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/08/2011 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGAL
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Numero do processo: 35405.004609/2006-83
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/01/2006
Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. 05 (CINCO) ANOS. AUDITOR FISCAL. ANÁLISE DE DOCUMENTOS FISCAIS. COMPETÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PAGAS COM ATRASO. JUROS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
I – Ainda que o art. 45 da Lei nº 8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, desafiou diretamente a nossa Lei Maior, face o teor do art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, bem como da Súmula nº 2 do 2º Conselho, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que deve ser reconhecido o prazo de 10 (dez) anos para a decadência do tributo previdenciário; II – Segundo a Súmula nº 05 do 2º Conselho de Contribuintes, o Auditor Fiscal tem competência para proceder a análise dos documentos fiscais do contribuinte, ainda que sua formação profissional não seja a de contador; III - As contribuições sociais devidas à Previdência Social, quando não pagas, pagas com atraso ou a menor, sujeitam-se aos juros equivalentes à taxa SELIC, consoante determina o art. 34 da Lei n° 8.212/91.
Recurso negado.
Numero da decisão: 206-00.020
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares de decadência e de competência do Auditor Fiscal para o exame de escrituração contábil; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ROGERIO DE LELLIS PINTO
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Fls. 110 Canos Mat.: 01 .r. n ffif" k kg, MINISTÉRIO DA 14A NDA 4, • i-Maria i r IT'r"."Yr. cibokn.`if:(-ntro., SEGUNDO CONSELHO D CONTRIBUINTELL SEXTA CÂMARA ~te o ic ornai lutes- pra Processo n0 35405.004609/2006-83 Recurso n° 141.483 Voluntário cootourntes Ganso" n '2 ' 4c. Matéria APROPRIAÇÃO INDÉBITA F-snuod° Dito30"pmcedo not Acórdão n° 206-00.020 Rubro* Sessão de 09 de outubro de 2007 Recorrente FÁBRICA DE CALÇADOS LUCIANO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM BAURU-SÃO PAULO Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 31/01/2006 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DECADÊNCIA. 05 (CINCO) ANOS. AUDITOR FISCAL. ANÁLISE DE DOCUMENTOS FISCAIS. COMPETÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PAGAS COM ATRASO. JUROS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. I — Ainda que o art. 45 da Lei n°8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, desafiou diretamente a nossa Lei Maior, face o teor do art. 49 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, bem como da Súmula n° 2 do 2° Conselho, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que deve ser reconhecido o prazo de 10 (dez) anos para a decadência do tributo previdenciário; II — Segundo a Súmula n° 05 do 2° Conselho de Contribuintes, o Auditor Fiscal tem competência para proceder a análise dos documentos fiscais do contribuinte, ainda que sua formação profissional não seja a de contador; III - As contribuições sociais devidas à Previdência Social, quando não pagas, pagas com atraso ou a menor, sujeitam-se aos juros equivalentes à taxa SELIC, consoante determina o art. 34 da Lei n° 8.212/91. Recurso negado. / , ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Mina, CCOVC06 S á Fls. 111 Cid i 01 .t— Vistos, relatados e discutidos os present s autos. ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares de decadência e de competência do Auditor Fiscal para o exame de escrituração contábil; e II) no mérito, em negar provi to ao recurso. Yr ELIAS S • • AIO FREIRE Presidente ('Ir; RO e n à ELLIS PINTO Reta a - Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ana Maria Bandeira, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. — — Processo n.° 35405.004609/2006-83 • CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.020 Fls. 112MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUI S CONFERE COM O ORIGINAL Brasffia, / —1211"nif Relatório Carlos to Mie : Trata:se de Recurso Voluntário interposto pela empresa FÁBRICA DE CALCADOS LUCIANO LTDA, contra Decisão-Notificação (fis.79/85), exarada pela Secretaria da Receita Previdenciária em Bauru-SP, a qual julgou procedente a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito-NFLD, no valor de R$ 40.723,08 (quarenta mil, setecentos e vinte e três reais e oito centavos). Segundo o Relatório Fiscal, o crédito tributário ora questionado, refere-se a contribuições previdenciárias descontadas dos segurados da Previdência Social e não repassadas ao Fisco, o que, em tese, constitui crime de apropriação indébita. O Recorrente alega em seu recurso que parte do débito teria sido fulminado pela decadência, posto que além dos 05 (cinco) anos previstos no CTN. Sustenta que o fiscal atuante procedeu a uma verdadeira auditoria pericial em sua contabilidade, sem ter formação profissional adequada para tanto, já que não possui graduação em contabilidade e habilitado pelo CRC, trazendo apontamentos doutrinários e jurisprudências para sustentar seu entendimento. Segue seu discurso questionando a incidência da taxa SELIC, apontando sua suposta inconstitucionalidade, e encerra requerendo o provimento do seu recurso. A SRP apresentou suas contra-razões, reiterando os fundamentos da DN, requerendo a sua manutenção. É o Relatório? Processo n.° 35405.004609/2006-83 CCO21C06 Acórdão n.° 206-00.020 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 113 CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia, --21/ - Voto Met: 01225 Conselheiro ROGERIO DE LELLIS PINTO, Relator Recurso tempestivo, dispensado do depósito recursal por força de decisão judicial, e considerando assim estar presentes todos os requisitos para sua admissibilidade, passo à sua análise. Alega o Contribuinte, em sede de preliminar, que o crédito tributário contido na presente NFLD, teria sido parcialmente alcançado pela decadência qüinqüenal, aplicável as contribuições previdenciárias. Sem embargos, a questão da decadência das contribuições vertidas para o Custeio da Seguridade Social, tem sido objeto de constantes discussões tanto no âmbito doutrinário, quanto no âmbito jurisprudencial. Nesse ideal, é sabido que o E. STJ recentemente, por meio de seu plenário, e em decisão unânime, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, que fixa o prazo de 10 (dez) anos para a decadência das contribuições sociais, reconhecendo o prazo qüinqüenal para esses fins, muito embora o Pretório Excelso, guardião maior do texto Constitucional, ainda não tenha enfrentado definitivamente o tema. Não posso negar que, enquanto Conselheiro junto a urna das extintas Câmaras do V. CRPS, responsável por julgar o Custeio Previdenciário, vinha me posicionando sobre a possibilidade de aplicação chi prazo de 05 (cinco) anos para a decadência das contribuições previdenciárias, em algumas hipóteses. Em verdade, creio que uma análise técnica e isenta da matéria em discussão, tal qual aquela realizada pelo STJ, nos levaria a reconhecer que, de fato, o aft. 45 da Lei n° 8.212/91, padece de irremediável vício de constitucionalidade, já que trata de matéria de alçada de Lei Complementar, o que levaria a aplicação do prazo decadencial previsto no Códex Tributário, qual seja 05 (cinco) anos. Não obstante esse entendimento, não podemos perder de vistas que o atual Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, veda expressamente, em seu art. 49, que suas Câmaras pronunciem ou mesmo deixem de aplicar a legislação em vigor, mesmo quando entender pela sua inconstitucionalidade. Reforçando esse posicionamento, o Pleno do 2° Conselho de Contribuintes, referendou em súmula (n° 2) a matéria, impossibilitando que seus Órgãos Julgadores pronunciem a inconstitucionalidade da legislação tributária. Desse modo, mesmo considerando que o art. 45 da Lei n° 8.212/91, ao tratar de matéria excluída da competência legislativa ordinária, desafiou diretamente a nossa Lei Maior, não nos cabe afastar a sua aplicação, pelo que concluo não haver nenhum crédito tributário alcançado pela decadência decenal, rejeitando assim a preliminar aventada na peça recursal. Segue a recorrente alegando que a autoridade lançadora teria extrapolado suas atribuições, ao proceder a uma auditoria contábil sem conhecimento ou qualificação profissional devida, já que apenas um contador habilitado perante o CRC, seria pessoa idônea pra assim proceder, o que alega sem razão alguma.A, • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°35405.004609/2006-83 COM,F.,kRE COMO •RIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.° 206-00.020 Brasília, Vai / Fls. 114 ri Carlos An .1%, • Em que pese à abascaela-eliseussão-m”. - - — ; ora Recorrente, creio que seus argumentos devem ser afastados sem aiores tergiversações, e pelos próprios fundamentos da Decisão guerreada, já que de forma singular, afastou qualquer dúvida que pudesse pairar sobre a competência dos Auditores Fiscais em proceder à análise dos documentos contáveis dos contribuintes sob ação fiscal. Contudo, adite-se apenas que a Súmula n° 05 do 2° Conselho de Contribuintes, expressamente reconhece que o Auditor Fiscal tem competência para proceder à análise dos documentos fiscais do contribuinte, ainda que sua formação profissional não seja a de contador. Insurge o contribuinte contra o lançamento ainda, alegando a impossibilidade de aplicação da taxa SELIC, requerendo a fixação dos juros de atualização em I% (um por cento), nos termos do CTN. Mais uma vez sem razão alguma. Com efeito, importa lembrar que a incidência da referida taxa, está expressamente prevista no art. 34 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.528/97, que assim expressa: "Art. 34: As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrevogável." Como se vê, a aplicação da taxa SELIC sobre o débito ora exigido decorre de lei, e não pode ser taxada de indevida, como alega o Recorrente. A bem da verdade, dizer o contrário seria o mesmo que afastar a aplicação da determinação contida em lei, em flagrante desrespeito à vedação prevista no art. 49, do Regimento Interno deste Conselho, bem como a própria Súmula 02 deste Conselho acima citada. Importa lembrarmos ainda que a incidência da taxa SELIC sob os débitos para com a União referentes aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, encontra amparo também na Súmula de n° 03 deste 2° Conselho de Contribuintes, não podendo ser afastada por esta Câmara. Desse modo, indubitavelmente correta a postura do Auditor Fiscal da Previdência Social, ao fazer incidir, sobre contribuições recolhidas com atraso, os juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, já que assim ordena o comando legal. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO mantendo-se inalterada a decisão guerreada. Sala das Sessões, em 09 de outubro de 2007. ,tor, R041 ; LELLIS PINTO Page 1 _0013100.PDF Page 1 _0013200.PDF Page 1 _0013300.PDF Page 1 _0013400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10675.901941/2008-49
Data da sessão: Sun Aug 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Comprovada a efetividade do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ, cumpre reconhecer o direito creditório.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: RF06 - A03 - Fazendária - Restituição PJ Demais
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovada a efetividade do saldo negativo de recolhimentos do IRPJ, cumpre reconhecer o direito creditório. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório TRICARD ADMINISTRADORA DE CARTOES LTDA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que deferiu em parte seu pleito. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase o presente de Declaração Eletrônica de Compensação — Dcomp, 11° 36521.53000.310506.1.7.020864, transmitida cm 31/05/2006. cujo objeto é a compensação de débitos proprios , no valor de 24.174.76. com crédito oriundo de saldo negativo de 1RPJ relativo ao exercício de 2006. anocalendário de 2005. no valor de R$40.249.21 (fls. 6 a 10). A interessada apresentou ainda as Dcomp, listadas às fls. 16 a 21 (frente e verso), utilizando crédito relativo ao saldo negativo do anocalendário de 2005. de modo que o montante original de débitos compensados no presente processo é de R$457.790,83. A DRPUBE/MG emitiu, em 26/08/2008, o Despacho Decisório Eletrônico de li. 6. por meio do qual não homologou a compensação declarada porque não foi possível confirmar a apuração do crédito. uma vez que o valor informado na DIRE/2006 (R$439.465,01) no corresponde ao valor informado na Dcomp com demonstrativo de crédito (R$40.249.21). A interessada foi cientificada em 01/09/2008 (fl. 15v). A requerente apresentou Manifestação de Inconformidade (lis. 22 a 24), na qual alega que: (...) Para instrução dos autos foram anexados, As fls. 39 a 57, extratos retirados dos sistemas da Receita Federal do Brasil, relativamente As declarações entregues pela interessada (DIPJ, DCTF, DCOMP) e DIRF. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Constitui crédito passive] de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRRI decorrente do ajuste efetuado no final do período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Deferido em parte o direito creditório, há que se homologar parcialmente a compensação até o limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 3 No voto condutor do acórdão de primeira instância extraise os seguintes fundamentos: A requerente alega em sua defesa ocorrência de erro formal no preenchimento da Dcomp ao fracionar o valor do saldo negativo do anocalendário de 2005, no importe de R$439.465,01, em três Dcomp distintas a saber: [...]7125, [...]7001 c [...]6226, retificada pela Dcomp [...]0864. De fato a interessada errou no preenchimento das Dcomp ao informar o valor do saldo negativo diferente do valor apurado na DIRF/2006, impossibilitando a confirmação desse crédito nos controles internos da RFB. E, embora intimada a proceder a necessária retificação, conforme fls. 11 a 14, nada fez. Contudo. isso não implica a inexistência do crédito indicado nas declarações de compensação. Posteriormente à ciência do Despacho Decisório, a interessada retificou duas vezes a mencionada declaração, em 15/12/2008 e em13/01/2009. A DIPJ/2006 Retificadora ativa demonstra apuração do saldo negativo igual ao apurado na original, no valor de R$439.465,01 (fls. 39 a 45). Conforme extrato da DIPJ/2006, acostada aos autos à fl. 27. observase que a interessada optou pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual, e, ao final do anocalendário apurou saldo negativo, conforme demonstrado abaixo: IRPJ devido no período R$ 7.468,82 Imposto de Renda Pago Por Estimativa () R$199.803,55 IRRF () R$246.831.53 Saldo Negativo (=) R$439.465,01 Quanto ao IRRF, de acordo com o extrato da DIRF de fl 50, confirmouse a retenção do valor indicado acima. No entanto. na DIPJ/2006, o valor informado na linha 24 Outras Receitas Financeiras", espaço próprio para inclusão dos rendimentos de aplicações financeiras que compõem a demonstração do resultado, é menor que o valor dos rendimentos recebidos pela interessada. informados na Ficha 50 Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte" da DIPJ (11. 28) e na DIRF. Concluise, então, que a contribuinte deduziu IRRF inclusive quanto a rendimentos não oferecidos à tributação. Nesse sentido determina o Decreto n° 3.000. de 1999 a seguir: (...) De acordo com o dispositivo legal acima, no encerramento do anocalendário, quando da apuração do IRPJ a pagar, a contribuinte pode deduzir o imposto de renda retido na fonte, desde que as receitas que deram causa às retenções tenham sido computadas na determinação do lucro. No presente caso, tratandose de uma só fonte pagadora e um só tipo de receita. "Rendimentos sobre Aplicações Financeiras de Renda Fixa ". sob um mesmo código de retenção (3426), o IRRF a deduzir sera considerado proporcionalmente as receitas computadas na apuração do lucro do anocalendário de 2005, no valor de R$192.485.44. No que concerne às estimativas devidas (fls. 51 a 53), as referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, foram quitadas por pagamentos, confirmados à 11. 54, no montante de R$142.911.00. A estimativa , relativa a março de 2005. foi compensada na Dcomp n° [...]1366 (R$38.109,50), totalmente homologada , e na Dcomp n° [...]7094 (R$18.783.05), não homologada, nos termos do Acórdão 09 32.348. desta 1a Turma da DRJ/JFA, exarado nesta mesma Sessão de Julgamento. O total confirmado a titulo de estimativa é de R$181.020,50. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 4 Dessa forma, restou comprovado o saldo negativo do anocalendário de 2005. passível de compensação, no valor abaixo: IRPJ devido no período R$ 7.468.82 Imposto de Renda Pago Por Estimativa () R$181.020.50 IRRF ()R$192.485,44 Saldo Negativo (=) R$366.037.12 Diante do exposto. voto pela parcial procedência da manifestação de inconformidade, para reconhecer direito creditório em favor da interessada , a titulo de saldo negativo do anocalendário de 2005, no valor de R$366.037,12. e homologar em parte as compensações declaradas , até o limite do crédito reconhecido. Cientificada da aludida decisão em 13/12/2010, fl. 63, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 11/11/2011, fl. 64 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e contesta as conclusões do acórdão recorrido, alegando, em essência que (verbis): (...) 1.2 — DA NECESSIDADE DE REUNIÃO DE PROCESSOS A análise da legitimidade de parte do crédito de "saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006" (estimativa de IRPJ do mês de março/2005, cuja compensação respectiva não foi homologada pela SRFB), objeto das DCOMPs que não foram homologadas depende do desfecho atinente ao processo administrativo de n° 10675.900043/200873 que tramita junto ao CARF, conforme será exposto no item 3.1.1 do presente Recurso. Desta forma, é imperioso o apensamento do presente processo àquele, para julgamento conjunto, com o escopo de se evitar decisões conflitantes e visandose garantir a celeridade processual. (...) III DAS RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO 3.1. DA ORIGEM E LEGITIMIDADE DA TOTALIDADE DO CRÉDITO Nas compensações não homologadas nos termos do Despacho Decisório rastreado sob o n° 783764864 (Doc. 5) emitido pela SRFB aos 26.08.2008 foi utilizado, de forma fracionada, crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006, conforme tabela resumo a seguir: (...) De acordo com o que restou consignado no próprio Acórdão recorrido, o erro da Contribuinte no preenchimento das DCOMPs ao informar o valor do saldo negativo diferente do valor apurado na DIPJ/2006, fato que teria impossibilitado a confirmação desse crédito nos controles internos da RFB, não implica a inexistência do crédito indicado nas declarações de compensação. Todavia, ao analisar a composição do saldo negativo de IRPJ/2006 declarado, a r. julgadora da DRJ/JFA não reconheceu a totalidade do crédito, conforme demonstrativo a seguir: (...) Adiante serão apresentadas e refutadas todas as diferenças apontadas pela nobre relatora do Acórdão recorrido. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 5 3.1.1. DIFERENÇA DE IMPOSTO DE RENDA PAGO POR ESTIMATIVA Como visto, parte do crédito de saldo negativo de IRPJ/2006 é composto das estimativas do imposto pagas mensalmente. Desta forma, o montante de IRPJ pago por estimativas declarado pela Recorrente no importe de R$ 199.803,55 apresenta a seguinte composição: (...) As estimativas de janeiro e fevereiro de 2005 foram quitadas por pagamentos, devidamente confirmados pela DRJ/JFA através dos documentos de fls. 54. No entanto, a estimativa de março de 2005 foi liquidada por meio de • duas compensações. A DCOMP 27456.02303.030505.1.7.021366 foi totalmente homologada. A DCOMP 00025.54338.290405.1.3.027094 não foi homologada nos termos do Acórdão n° 0932.348. Todavia, tal decisão foi objeto de Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte (Doc. 6), atualmente, pendente de julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Doc. 7). 3.1.1.1. LEGITIMIDADE DA COMPENSAÇÃO DE PARTE DA ESTIMATIVA DE IRPJ DO MÊS DE MARÇO/ 2005 A origem do crédito objeto da DCOMP n° 0025.54338.290405.1.3.027094, por meio da qual foi compensado parte do débito da estimativa de IRPJ do mês de março/2005, é pagamento indevido ou a maior de IRPJ do ano calendário de 2004. A Recorrente apurou o montante de R$ 247.616,37 à titulo de IRPJ/2004 a pagar, o qual foi devidamente quitado da seguinte forma: (i) parte em espécie, por meio de DARF, no valor de R$ 220.633,63 e (ii) parte com antecipações do crédito parcial de IRRF no valor de R$ 26.982,74. A diferença do IRRF do período, que não foi utilizada como antecipação do IR11/2004, referese exatamente ao crédito informado na DCOMP em questão, tudo devidamente registrado em seus livros fiscais e informes de rendimento respectivos. Assim, o crédito de IRPJ objeto da compensação com parte da estimativa devida a titulo de IRPJ no mês de março/2005 é plenamente válido e legitimo. Tal compensação não foi homologada pela SRFB, sob o argumento de que a forma de apuração do lucro real indicada na DCOMP (ANUAL) diferia daquela informada na DIPJ (TRIMESTRAL). No aludido processo restou cabalmente comprovado que a divergência originouse de mero ERRO DE FATO incorrido pela Contribuinte quando do preenchimento da DCOMP, pois, ao invés de informar que sua apuração de IRPJ era TRIMESTRAL, tal qual atesta sua DIPJ, informou que a apuração do imposto era ANUAL. Todavia, esse pequeno equivoco, meramente formal, não é suficiente para tornar ilegítimo o crédito declarado pela Recorrente na DCOMP de n o 0025.54338.290405.1.3.027094. Desta forma, a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006 relativa a estimativa parcial de IRPJ do mês de março de 2005, somente poderá não ser homologada, quando houver decisão administrativa irreformável nos autos do processo de n° 10675.90043/200873, em que se discute a legitimidade do crédito objeto da DCOMP n° 0025.54338.290405.1.3.027094, o que, frisese, ainda não aconteceu. Por isso, tornase imperiosa e imprescindível a conexão dos processos nos moldes requeridos no item 1.2 supra. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 6 3.2. DIFERENÇA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Segundo a nobre julgadora da DRJ/JFA a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006 relativa ao IRRF não foi confirmada em sua totalidade, vez que o valor informado na linha 24 ("outras receitas financeiras") da ficha 06 da DIPJ/2006, espaço próprio para inclusão dos rendimentos de aplicação financeiras que compõem a demonstração do resultado, é menor que o valor dos rendimentos recebidos pela interessada, informados na ficha 50 da DIPJ e na DIRF da instituição financeira (fonte pagadora). Por isso, concluiu, equivocadamente, que a Recorrente deduziu IRRF quanto a rendimentos não oferecidos A tributação, em desconformidade com a regra prevista no Art. 526 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR). Sem qualquer justificativa razoável, a n. julgadora entendeu que o IRRF a deduzir deveria ser considerado proporcionalmente às receitas computadas na apuração do lucro do anocalendário de 2005, ou seja, o IRRF deveria incidir sobre o montante informado na linha 24 da ficha 06 da DIPJ/2006 e não sobre o montante declarado na ficha 50 da DIPJ e na DIRF. Insta ressaltar, inicialmente, que os rendimentos de aplicação financeira são registrados na ficha 6 da DIPJ relativa à Demonstração do Resultado do Exercício, que refletem informações contábeis, em observância ao Principio da Competência, conforme comprovam os extratos de aplicações financeiras (Doc.8) e razão contábil (Doc. 9) anexos. Já o registro dos rendimentos de aplicação financeira na ficha 50 da DIPJ e na DIRF é feito no momento em que ocorre a efetiva disponibilidade financeira do recurso, in casu, no momento do resgate da aplicação financeira, fato gerador do 1RRF. A legislação em vigor é clara ao estabelecer que o imposto de renda deve ser retido na fonte no momento do pagamento do rendimento (resgate da aplicação), senão vejamos: (...) Não restam dúvidas de que o momento da incidência do IRRF ´´e, de fato, o resgate da aplicação financeira, sendo que o § 10 do Art. 33 da IN no 25/2001 é claro ao estabelecer que o crédito do 1RRF a ser considerado pelo contribuinte é o indicado no comprovante de rendimentos fornecido pela instituição financeira, informe de rendimentos ou na sua DIRF, o que como reconhecido pela própria n.julgadora da DRJ/JFA confere com os valores declarados na ficha 50 da DIPJ da Recorrente. Ressaltese que a Recorrente somente se creditou do IRRF após a sua efetiva incidência, como visto, após o resgate da aplicação e não quando registrou contabilmente os rendimentos pelo regime de competência. No entendimento da n. Julgadora da DRI/JFA o 1RRF a deduzir deveria ser considerado proporcionalmente As receitas computadas na apuração do lucro do anocalendário de 2005, ou seja, aquelas contabilizadas na linha 24 da ficha 06 da DIPJ/2006, no valor total de R$ 192.485,44. Tal critério está absolutamente equivocado, pois o Art. 526 do Decreto n° 3.000/1999, dispõe que a DEDUÇÃO DO IRPJ DEVIDO EM DETERMINADO PERÍODO DE APURAÇÃO, PODERÁ SER FEITA COM 0 IMPOSTO PAGO OU RETIDO NA FONTE SOBRE AS RECEITAS QUE INTEGRARAM A BASE DE CALCULO. Em momento algum, o legislador estabelece que as receitas em questão devem ser tributadas no mesmo período de apuração, isto 6, no anocalendário de 2005. Basta que todas as receitas correspondentes ao crédito de IRRF tenham sido oferecidas A tributação (inclusive de exercícios anteriores), ou melhor, basta que tais receitas Fl. 262DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 7 tenham integrado a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social da pessoa jurídica que auferiu tal rendimento. Tal requisito foi rigorosamente cumprido pela Recorrente. Na medida em que auferia o rendimento (independentemente do efetivo resgate fato gerador do IRRF) contabilizava a receita e oferecia à tributação do IRPJ e CSLL. Ocorre que a aplicação em tela iniciouse em 01.07.2002. Portanto, a partir do momento em que a Recorrente auferia os rendimentos mensais, contabilizavaos e ofereciaos a tributação, sem creditarse do imposto, o que era feito, frisese urna vez mais, somente após o resgate e ao final do período de apuração do imposto. 0 alegado pode ser comprovado pelo demonstrativo constante do Anexo I ao presente Recurso, bem como pelo extrato de aplicação financeira (Doc. 8), registros contábeis (Doc. 9) e DIPJ (Doc. 10) de todo o período em que a aplicação financeira em questão esteve ativa. Tal demonstrativo evidencia que os rendimentos auferidos desde o inicio das aplicações financeiras foram devidamente oferecidos à tributação, tempestivamente, sendo que o crédito de IRRF somente era apropriado após o resgate das aplicações e ao final do período de apuração do IRPJ da Recorrente de determinado exercício fiscal. Portanto, o crédito atende aos requisitos de liquidez e certeza estabelecidos pela legislação pertinente, já que o IRRF que compôs o saldo negativo de IRPJ/2006 foi devidamente comprovado por meio da ficha 50 da DIPj e da DIRF anexadas aos presentes autos, bem assim restou demonstrado que a receita correspondente (rendimento sobre aplicações financeiras de renda fixa) foi tributada correta e tempestivamente. (...) Em 05/08/2011 o recurso foi apreciado por esta Turma que mediante Resolução 140200.079 converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: De início o contribuinte pleiteia que o julgamento desse processo seja feita em conjunto com o de nº 10675.900043/200873, sob a seguinte alegação (verbis) Desta forma, a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006 relativa a estimativa parcial de IRPJ do mês de março de 2005, somente poderá não ser homologada, quando houver decisão administrativa irreformável nos autos do processo de n° 10675.90043/200873, em que se discute a legitimidade do crédito objeto da DCOMP n° 0025.54338.290405.1.3.027094, o que, frisese, ainda não aconteceu. Por isso, tornase imperiosa e imprescindível a conexão dos processos nos moldes requeridos no item 1.2 supra. (grifei) A meu ver, tal reunião é absolutamente necessária, pois, parte do crédito tributário em litígio está mesmo em discussão naquele processo, consoante registrado na própria decisão recorrida (verbis): No que concerne às estimativas devidas (fls. 51 a 53), as referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, foram quitadas por pagamentos, confirmados à 11. 54, no montante de R$142.911.00. A estimativa , relativa a março d2 2005. foi compensada na Dcomp n° [...]1366 (R$38.109,50), totalmente homologada, e na Dcomp n° [...]7094 (R$18.783.05), não homologada, nos termos do Acórdão 0932.348. desta 1a Turma da DRJ/JFA, exarado nesta Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 8 mesma Sessão de Julgamento. O total confirmado a titulo de estimativa é de R$181.020,50 (grifei) Verifiquei no sitio do CARF na internet que o processo 10675.90043/200873, foi objeto de recurso voluntário, tal qual alegado pelo contribuinte e ainda não foi distribuído a Relator, pelo que deve ser mesmo reunido a este para julgamento em conjunto. No que concerne a glosa de IRRF a contribuinte alegou que (verbis): Segundo a nobre julgadora da DRJ/JFA a parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2006 relativa ao IRRF não foi confirmada em sua totalidade, vez que o valor informado na linha 24 ("outras receitas financeiras") da ficha 06 da DIPJ/2006, espaço próprio para inclusão dos rendimentos de aplicação financeiras que compõem a demonstração do resultado, é menor que o valor dos rendimentos recebidos pela interessada, informados na ficha 50 da DIPJ e na DIRF da instituição financeira (fonte pagadora). Por isso, concluiu, equivocadamente, que a Recorrente deduziu IRRF quanto a rendimentos não oferecidos A tributação, em desconformidade com a regra prevista no Art. 526 do Decreto n° 3.000/1999 (RIR). (...) Insta ressaltar, inicialmente, que os rendimentos de aplicação financeira são registrados na ficha 6 da DIPJ relativa à Demonstração do Resultado do Exercício, que refletem informações contábeis, em observância ao Principio da Competência, conforme comprovam os extratos de aplicações financeiras (Doc.8) e razão contábil (Doc. 9) anexos. Já o registro dos rendimentos de aplicação financeira na ficha 50 da DIPJ e na DIRF é feito no momento em que ocorre a efetiva disponibilidade financeira do recurso, in casu, no momento do resgate da aplicação financeira, fato gerador do 1RRF. (...) Não restam dúvidas de que o momento da incidência do IRRF ´e, de fato, o resgate da aplicação financeira, sendo que o § 10 do Art. 33 da IN no 25/2001 é claro ao estabelecer que o crédito do 1RRF a ser considerado pelo contribuinte é o indicado no comprovante de rendimentos fornecido pela instituição financeira, informe de rendimentos ou na sua DIRF, o que como reconhecido pela própria n.julgadora da DRJ/JFA confere com os valores declarados na ficha 50 da DIPJ da Recorrente. Ressaltese que a Recorrente somente se creditou do IRRF após a sua efetiva incidência, como visto, após o resgate da aplicação e não quando registrou contabilmente os rendimentos pelo regime de competência. No entendimento da n. Julgadora da DRI/JFA o 1RRF a deduzir deveria ser considerado proporcionalmente As receitas computadas na apuração do lucro do anocalendário de 2005, ou seja, aquelas contabilizadas na linha 24 da ficha 06 da DIPJ/2006, no valor total de R$ 192.485,44. (..) Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 9 Em momento algum, o legislador estabelece que as receitas em questão devem ser tributadas no mesmo período de apuração, isto é, no ano calendário de 2005. Basta que todas as receitas correspondentes ao crédito de IRRF tenham sido oferecidas A tributação (inclusive de exercícios anteriores), ou melhor, basta que tais receitas tenham integrado a base de cálculo do imposto de renda e contribuição social da pessoa jurídica que auferiu tal rendimento. Tal requisito foi rigorosamente cumprido pela Recorrente. Na medida em que auferia o rendimento (independentemente do efetivo resgate fato gerador do IRRF) contabilizava a receita e oferecia à tributação do IRPJ e CSLL. Ocorre que a aplicação em tela iniciouse em 01.07.2002. Portanto, a partir do momento em que a Recorrente auferia os rendimentos mensais, contabilizavaos e ofereciaos a tributação, sem creditarse do imposto, o que era feito, frisese urna vez mais, somente após o resgate e ao final do período de apuração do imposto. 0 alegado pode ser comprovado pelo demonstrativo constante do Anexo I ao presente Recurso, bem como pelo extrato de aplicação financeira (Doc. 8), registros contábeis (Doc. 9) e DIPJ (Doc. 10) de todo o período em que a aplicação financeira em questão esteve ativa. (...) Pois bem, em tese cabe razão à recorrente. O IRFonte deve ser aproveitado no período em que houver a retenção, mas os rendimentos devem ser reconhecidos pelo regime de competência, o que pode causar descompasso. Logo, há que ser convertido o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal realize verificações na contabilidade e nas declarações de IRPJ da contribuinte confirmando a tributação da totalidade dos rendimentos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte em 2005 sobre as aplicações financeiras. Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem realize os seguintes procedimentos: 1) apensar ao presente o processo de nº 10675.900043/200873 para julgamento em conjunto, bem como outros que tratarem de recursos voluntários sobre os mesmos créditos que porventura não tenham sido julgados neste Conselho. 2) efetuar verificação fiscal na contabilidade da contribuinte para apurar a tributação da totalidade dos rendimentos relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte em 2005 sobre as aplicações financeiras, conforme alegado. 3) ao final, deverá ser lavrado relatório consubstanciado dos procedimentos executados pela unidade de origem, bem com cientificado o contribuinte para, caso deseje, manifestar no prazo de 30 dias. Os trabalhos de diligencia resultaram na juntada dos documentos de fls. 215 e seguintes, tendo sido lavrado relatório de fls. 247 nos seguintes termos: Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 10 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 11 Efetuados os procedimentos solicitados, sendo que o contribuinte não se manifestou, o processo retornou ao CARF para continuidade do julgamento (fl. 252). É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10675.901941/200849 Acórdão n.º 1402001.136 S1C4T2 Fl. 0 12 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Retorno ao presente processo a julgamento após os procedimentos de diligência solicitados mediante Resolução 140200.079. A diligência fiscal confirmou as alegações do contribuinte no sentido de que tributou integralmente os rendimentos de aplicações financeiras que ensejaram as retenções de IRfonte nos anos de 2002 a 2005, conforme Relatório Fiscal acima transcrito. Neste processo estava em litígio o ano de 2005, cuja retenção de IR/Fonte foi de R$246.831,53. Resta, portanto, dar provimento ao recurso e reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$439.465,01 (original), relativo ao saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2005, bem como homologar as compensações até este valor. Uma vez que foi reconhecido o direito creditório neste processo, cumpre também dar provimento ao recurso voluntário do processo 10675.900043/200873, apensado a este, cujo o litígio referese a compensação dos valores relativos a este mesmo direito creditório. Conclusão. Diante de exposto, voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários dos processos 10675.901941/200849 e 10675.900043/200873, em face do reconhecimento do direito creditório no valor de R$439.465,01 (original), relativo ao saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2005, homologandose as compensações até este valor. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 18/ 09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 13942.720090/2014-74
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.392
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 94 2. 72 00 90 /2 01 4- 74 Fl. 64766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.392 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720090/2014-74 Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. Fl. 64767DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.392 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720090/2014-74 O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fl. 64768DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.392 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13942.720090/2014-74 Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64769DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000181/2007-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário de Contribuição.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário
Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por
descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso.
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A,
LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO
NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN
Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada
pela Lei 11.941/2009.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2403-000.390
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o Salário de Contribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso voluntário provido em parte.
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PROGRAMA DE INCENTIVO PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO GRATIFICAÇÃO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA MORATÓRIA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 120 3 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 88 a 114, apresentado contra Acórdão nº 0619.126 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR, fls. 77 a 84, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.097.9125, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 84.280,95 (oitenta e quatro mil, duzentos e oitenta reais e noventa e cinco centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11, o Auto de Infração nº. 37.097.9125, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de incluir as remunerações discriminadas na coluna "C" da tabela do Anexo I deste Relatório, decorrentes de premiações para os seus empregados, pagas por intermédio da empresa fornecedora de cartões de premiação SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108, nas GFIPs Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social referentes ao período 02/2003 a 07/2004. Ademais, o referido benefício, pago pelo trabalho e não para o trabalho, visava incentivar a produtividade e o desempenho dos empregados da empresa notificada e era operado através do SIMCLUB, sistema de cartões eletrônicos utilizados como meio de pagamento de premiações. Tratase de remuneração, independentemente do título que a ele se atribua (incentivo, prêmio, estímulo, bonificação, etc.) e é, portanto, salário de contribuição, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias. Observa ainda o Relatório Fiscal da Infração às fls. 13, que: “(...) 2.7 Esclarecese que tampouco foram recolhidas tempestivamente as contribuições previdenciárias incidentes sobre tais remunerações, contribuições essas que foram objeto da NFLD 37.097.9133. Também não ocorreu o lançamento das referidas remunerações em folhas de pagamento, o que ensejou a lavratura dos Auto de Infração 37.087.5184. 2.8 Não houve apresentação do contrato de prestação de serviços celebrado entre a empresa autuada e a SIM INCENTIVE MARKETING SC LTDA, o que ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 37.087.5176, mas por informações verbais fornecidas pelo Sr. Antônio Gonçalves Cervilha, que atendeu a fiscalização, a prestadora dos serviços emitia cartões com um limite de crédito, os quais eram encaminhados à empresa autuada que os distribuía aos seus funcionários, os quais utilizavam os créditos carregados nesses cartões. A falta de apresentação da relação com os funcionários contemplados com a premiação também foi objeto do Auto de Infração retrocitado. Anota ainda o Relatório Fiscal, às fls. 13, que a ocorrência foi constatada pelo exame de notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, folhas de pagamento, GFIPs, GPS Guias da Previdência Social, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 121 5 bem como de lançamentos contábeis dos Livros Diários e Razão, conta 9400900Incentivo e Marketing c/ Empregados. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fls. 15, a multa aplicada pela infração praticada ê de R$ 84.280,95 (oitenta e quatro mil, duzentos e oitenta reais e noventa e cinco centavos), que corresponde a 100 % do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no parágrafo quarto do artigo 32 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. O Relatório Fiscal da Infração, fls. 17, mostra que o autuado é primário, não registra a existência de circunstância agravante, conforme a descrição do inciso V do art. 290, do Decreto n° 3.048/1999, tampouco registra a existência de circunstância atenuante, prevista no art. 291 do Decreto n° 3.048/1999. Ademais, Foram emitidos os seguintes documentos, decorrentes da ação fiscal: • AI Auto de Infração 37.087.5184 • AI Auto de Infração 37.097.9117 • AI Auto de Infração 37.087.9125 • NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133 O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09395144F00, foi de 01/1997 a 12/2006, às fls. 06. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal, às fls. 12, é de 02/2003 a 07/2004. A recorrente teve ciência do auto de infração no dia 29.06.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR nº RA 382150515BR, às fls. 36. A Recorrente apresentou impugnação, às fls. 37 a 56, com Anexos às fls. 57 a 71. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, fls. 77 a 84, conforme Ementa do Acórdão nº 0619.126 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba – PR, a seguir: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/07/2004 AI N°37.097.9125 GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES. INFRAÇÃO. Apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores das contribuições destinadas à seguridade social constitui infração à legislação previdenciária. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA CONTRIBUTIVA. CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS. Conforme prevê a Constituição Federal de 1988 (art. 201, §11) e a legislação ordinária (Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 28, I), integram o saláriodecontribuição do segurado empregado todos os rendimentos recebidos a qualquer título como contraprestação do seu trabalho, ainda que pagos indiretamente sob a forma de créditos em cartões eletrônicos. APLICAÇÃO DA MULTA. PROCEDÊNCIA. A multa aplicada por omissão de fatos geradores em GFIP correspondente a 100% do valor devido, relativo à contribuição não declarada, observado o limite máximo de acordo com o número total de segurados da empresa. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão da recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 88 a 114, onde alega, em apertada síntese: I – Da nulidade por impossibilidade de se decidir sobre a obrigação acessória antes da principal Conforme já salientado, além do AI ora discutido, a ora Recorrente teve contra si lavrados outros 3 (três) AI, de n.°s 370875184, 370875176 e 390979125, além da NFLD n.° 37.097.9133, na qual se discute o tributo em si. Tendo em vista que os Autos de Infração referemse a penalidades decorrentes do suposto tributo devido, as impugnações referentes ao AI e à NFLD deveriam ser julgadas simultaneamente, vez que são interligadas. A medida impõese até mesmo para evitar julgamentos conflitantes. II Da adequação do procedimento fiscal adotado pela Recorrente em face da legislação tributárioprevidenciária e da Constituição Federal de 1988. As contribuições previdenciárias incidem tãosomente sobre a "remuneração", paga aos empregados, como contraprestação pelo trabalho realizado, e nunca sobre valores pagos a título de "prêmios por resultados"; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 122 7 A Lei n° 8.212/91, no artigo 28, prescreve expressamente quais verbas que devem —ou não ser consideradas como "saláriodecontribuição" para fins de tributação, e que o termo "remuneração" restringese ao ato pelo qual o empregado recebe uma contraprestação pelo seu trabalho. E que os valores pagos a título de "prêmio", instituído em programa de incentivo aos empregados e colaboradores não encontra nenhum enquadramento na definição legal de remuneração, nem tampouco no conceito de salário utilidade; As premiações conferidas a quem cumpriu com as determinadas metas, nada mais são do que incentivos ao bom desempenho no trabalho, conferidos por mera liberalidade do empregador, não remunerando o trabalho prestado; III – Do programa de incentivo por resultado da empresa ora Recorrente – ausência de habitualidade e comutatividade / retributividade. As premiações (programa "Sistema de Prêmio por Resultado") se consubstanciam em negócios unilaterais, outorgados mediante determinadas condições de resultado, administrada por outra empresa (terceirizada), contratada para a promoção de campanha de incentivo em nome e por conta da cliente que buscou os seus serviços, como ocorre no presente caso; Desenvolve atividades ligadas a exploração do ramo de serviços de coleta, de aceite em títulos, a informações cadastrais para bancos e comércio, transporte e entrega de malotes e entrega domiciliar de talonários de cheques e cartões de créditos, cujo o objetivo fundamental é atender com eficiência e qualidade os prazos estipulados pelos clientes. E que, no final do mês, os funcionários que melhor atingiram as metas de coleta e entrega recebiam uma premiação (cartão de crédito) por meio da empresa SIM INCENTIVE, que possibilitava a realização de compras em lojas credenciadas, saques em instituições bancárias,etc.; Os valores pagos não possuem requisitos de habitualidade e cumulatividade, essenciais nas relações de caráter salarial. E que na planilha elaborada pelo Auditor Fiscal, se constata que os valores não seguem um padrão em correspondência ao número de funcionários, o que seria necessário, caso esses valores fossem efetivamente remuneração, o que demonstra se tratar de situações não habituais, motivadas por campanha promocional gerenciada por empresa especializada, cujos os prêmios são estabelecidos por ato unilateral dos empregadores, não podendo assim ser tributado; IV – Do posicionamento jurisprudencial Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 A jurisprudência, conforme acórdãos transcritos, já pacificou o entendimento de que os prêmios pagos aos empregados que atingem as metas não integram a remuneração. Em seguida, fala da tipicidade fechada o legislador não pode, a seu talante, instituir nova base de cálculo do tributo, pois são ganhos eventuais conforme alínea "e" item7, do §9 º do artigo 28 da Lei n°8.212/91.E que o prêmio instituído no programa de metas (viagens, eletrodomésticos,etc.) tampouco integra o conceito de salárioutilidade. V – Do regime jurídico A atividade de marketing de incentivo tem por objeto a motivação de colaboradores internos (empregados) e externos (terceiros sem vínculo empregatício) com o cliente, bem como daqueles que se destacam, e que a promessa de recompensa é uma espécie de ato unilateral nos moldes do art. 854 do Código Civil, e que os empregados são livres para aderir ou não ao plano engendrado pela entidade promotora; Se a promessa de pagamento previu ser em dinheiro, não se pode deduzir, só desse fato, sua natureza salarial, e que as premiações por resultados pagas pela empresa, em decorrência de campanha de marketing de incentivo, possuem natureza jurídica de promessa de recompensa decorrente de ato unilateral; VI – Do valor exigido a título de multa Acaso este Conselho decida pela manutenção da multa, o que se admite apenas a título de argumentação, ainda assim a decisão ora recorrida deve ser revista, e virtude do valor exorbitante que foi fixado. Pela simples visualização dos valores cobrados a este título, vêse que os mesmos são excessivos, passando dos limites legais de sua cobrança, dando a ela efeito de confisco. Todavia, em obediência ao Principio Constitucional da Tipicidade Fechada em Matéria Penal, Administrativa e Tributária, da Legalidade Estrita, do Devido Processo Legal, da Moralidade, da Proporcionalidade, do Non Bis In Idem, todos fundamentais para a sustentação de um Estado Democrático de Direito, resta imperioso reconhecer a abusividade da multa veiculada no presente Auto de Infração. VII – Vício na forma de cálculo da sanção No presente caso, a capitulação legal adotada pelo agente fiscal chega a dois valores de referência: o valor mínimo, de R$ 1.195,13, e um valor máximo, de R$ 11.951,30. Veja que o estabelecimento destes valores (mínimo e máximo) obedece a um único critério, qual seja, o número de segurados relativos à empresa ora Recorrente. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 123 9 De se ressaltar que a própria decisão reconhece que o valor da multa é quantificado utilizandose de parâmetros e valores veiculados em ato infralegal, o que contraria expressamente o princípio da legalidade ("valor mínimo" — fls. 06 e 07 da decisão). VIII – Alegações diversas de inconstitucionalidades. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 118. É o Relatório. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 118. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. DA PRELIMINAR Da nulidade por impossibilidade de se decidir sobre a obrigação acessória antes da principal Em relação ao resultado da AuditoriaFiscal em análise, quais sejam: • AI Auto de Infração 37.087.5184 • AI Auto de Infração 37.097.9117 • AI Auto de Infração 37.087.9125 • NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133 De plano, em síntese, a Recorrente requer que tanto a NFLD quanto os autos de infração, originados da mesma AuditoriaFiscal, sejam julgados na mesma Sessão de Julgamento, o que de fato ocorre com o julgamento dos Recursos Voluntários referentes às autuações principal e acessória acima elencados nesta Colenda Turma na Sessão de 10 de fevereiro de 2011. Portanto, rejeitada a Preliminar de nulidade, passemos ao exame do Mérito. DO MÉRITO Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 124 11 Em relação ao Mérito, a argumentação central da Recorrente foi no sentido de descabimento de incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes do cartão de Premiação SIM INCENTIVE. I Da incidência de contribuição social previdenciária em relação às operações decorrentes do cartão de Premiação SIM INCENTIVE. O Relatório Fiscal da Infração, às fls. 11, mostra que constituem fatos geradores das contribuições, os valores de prêmios pagos pela empresa notificada aos seus empregados e contidos nas notas fiscais de emissão da empresa que operou o sistema de premiação SIM INCENTIVE MARKETING S/C LTDA, CNPJ 03.745.219/000108. Passemos a análise do Mérito em relação à incidência de contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação SIM INCENTIVE. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, etc. Caracterizase pelo seu aspecto condicional, pois uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. De início, devese destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 dispositivo legal as verbas pagas a segurados empregados sob a rubrica de "Prêmios" através dos cartões de premiação, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela Recorrente. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9° Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. É cediço que este tema da incidência da contribuição social previdenciária sobre o valor das remunerações pagas a segurados empregados por meio de cartões de premiação é matéria pacificada no âmbito desta Colenda Câmara no sentido de procedência dos lançamentos efetuados pela Auditoria Fiscal, como se infere a seguir dos seguintes julgados: Recurso 259.082– Voluntário Acórdão 240300.221– 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de outubro de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 125 13 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, no caso, anotase que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3º e 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. PREVIDENCIÁRIO REMUNERAÇÃO CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Recurso 146.668– Voluntário Acórdão 240100.294 – 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de junho de 2009 Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º, DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias PAGAMENTO DE VERBAS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A TÍTULO DE PRODUTIVIDADE. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A teor do disposto no art. 28, I, da Lei 8.212/91, integram o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária as verbas pagas a segurados empregados e diretores por intermédio da empresa Incentive House LTDA. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO Não cabe ao Conselho de Contribuintes a análise de inconstitucionalidade. Matéria sumulada. RECURSO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso de ofício cujo valor do crédito tributário exonerado em primeira instância, não alcança o valor legalmente estipulado para a sua interposição. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. Recurso 151.960– Voluntário Acórdão 240100.619– 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 126 15 contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 153.149– Voluntário Acórdão 240200.028– 4ª Câmara 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de julho de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2002 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Recurso 158.879 – Voluntário Acórdão: 240300.001 – 4ª Câmara 3ª Turma Ordinária Sessão de 28 de abril de 2010 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 PRÊMIO INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Valores pagos aos segurados empregados, em decorrência do cumprimento de metas ou estimulo pelos resultados obtidos. ainda que efetivados na forma de utilidades (vales ou cupons), constitui prêmio, parcela indiscutivelmente de natureza salarial, integrando, em conseqüência, a remuneração e, por extensão, o saláriodecontribuição da Previdência Social. MULTA DE MORA Devido à nova redação do artigo 35 da Lei 8.212/91 dada pela Lei 11.941/2009, a multa de mora deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica para o contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 Anotase no mesmo sentido a jurisprudência administrativa do Conselho de Recursos da Previdência Social e do 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição: "9. A Consolidação das Leis do Trabalho, ao tratar da remuneração do empregado, estabeleceu que: Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1 0 Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações Fl. 16DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 127 17 ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (grifo nosso) 10. Portanto, como o salário é elemento remuneratório do trabalho e se determinada parcela remuneratória se originou em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre empregado e empregador, esta não deve ser excluída da base de cálculo da contribuição. 11. Em face deste conceito, algumas considerações se fazem necessárias sobre a natureza jurídica dos valores pagos a título de Prêmios. Segundo o Professor AMAURI MASCARO NASCIMENTO: A CONCEITO E FUNDAMENTO. Não estão previstos em nossa lei, mas são encontrados como forma de pagamento de empregados. Prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência etc. Não pode ser forma única de pagamento. A natureza jurídica salarial do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra, a sua produção. Daí se falar, também, em salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resulta, deve ser pago. B DIFERENÇA DE OUTRAS FIGURAS. O prêmio não se confunde com a participação nos lucros, uma vez que sua causa não é a percepção de lucros pela empresa, mas o cumprimento, pelo empregado, de uma condição preestabelecida (ex.: uma determinada produção). Nem com a gratificação do, cujos causas dependem mais de fatos ou acontecimentos objetivos e externos à vontade do empregado, enquanto o prêmio está diretamente ligado ao esforço, ao rendimento do empregado. Também não é confundível com comissões, porque estas têm por base um negócio fechado através do empregado, enquanto o prêmio tem como causa um aumento de produção ou de eficiência. Em outras palavras, as comissões pendem para o setor comercial, e os prêmios, para o setor industrial. C CLASSIFICAÇÃO. Há diversas modalidades de prêmios criadas pelas necessidades do processo de produção. São mais difundidos os prêmios de produção, instituídos para que o empregado se anime a produzir mais e pagos sempre que o trabalhador, individual ou coletivamente, atingir um limite ixado pelo empregador; o prêmio de assiduidade, pago ao empregado que não falta ao serviço mais que o número de dias por mês que a empresa determinar; e o prêmio de zelo, pago ao empregado que não danifica os bens da empresa, em especial ao motorista Fl. 17DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 18 da empresa de ônibus que não der causa a colisão do veículo durante o mês. Diante da natureza jurídica salarial os prêmios: a) integram a remuneraçãobase para recolhimento do depósitos do Fundo de Garantia do tempo de Serviço, de contribuições previdenciárias, cálculo de indenização, 13° salário, repouso remunerado, férias etc.; b)n ao podem ser suprimidos unilateralmente; c) não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique; d) se não verificada a condição que os causa, não são exigíveis pelo empregado; e) obedecem ao critério de médias, para o cômputo da remuneração; fi por serem aleatórios, como a participação nos lucros e as gratificações de balanço, não podem ser admitidos como forma única de salário, pressupondo sempre a existência, ao seu lado, de um salário fixo, garantido e invariável para a subsistência do trabalhador. (in Iniciação ao Direito do Trabalho, 24ª ed., LTr, SP, 1998, Págs. 343/344) (grifo nosso) 12. Também neste sentido as seguintes decisões do Tribunal Superior do Trabalho: A parcela bonificação por assiduidade/produtividade constitui salário para todos os efeitos legais. Seu caráter condicional não lhe altera natureza jurídica de salário. (TST. RR 189.047/95. 2' Turma. Relator Ministro JOSÉ LUCL4NO DE CASTILHO. DJ 22.11.96) (grifo nosso) Sem prejuízo da terminologia usada, 'bonificação', o fato é que referida verba tem natureza premial e, como tal, identificase como salário, de vez que originouse do contrato de trabalho e sempre foi paga como retribuição e incentivo, respectivamente à produção e assiduidade do reclamante ao serviço, no curso da semana. Desde que determinada verba seja ajustada de forma expressa ou tácita, presentes nesta última hipótese a habitualidade, a periodicidade e a uniformidade de seu pagamento, e objetive remunerar o empregado pelo trabalho executado, sua natureza salarial manifestase plena. (TST. ERR 192.120/95.7. SDI1. Relator Ministro MILTON DE MOURA FRANÇA. DJ 1.8.97) (grifo nosso) 13. Do exposto, podemos concluir que a prestação paga por uma empresa em favor de seus empregados a título de Prêmios, mesmo que subordinada ao implemento de uma condição, tem natureza salarial. Ressaltese que para caracterizar o Prêmio como salário é necessário que primeiro, seja uma remuneração do trabalho executado, e segundo, seja pago ao empregado ou grupo de empregados que cumprir a condição estipulada. Dessa forma, uma vez presentes tais requisitos, os Prêmios terão natureza salarial e, por conseguinte, integrarão o saláriodecontribuição.” (grifo nosso) Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 128 19 Em relação à habitualidade, esta não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, semestral, etc., mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. Tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Ademais, o pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores e aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho: “Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia.”. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: “Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199)” “Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603)” Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados intitulados de Cartão SIM INCENTIVE devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando Fl. 19DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 20 perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Neste sentido, tendo a Recorrente concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. Assim, escorreita a decisão Recorrida devendo nesse sentido ser mantida a NFLD, uma vez que a Recorrente não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. II Alegações diversas de violações a preceitos constitucionais. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 20DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 129 21 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. III DO VÍCIO NA FORMA DE CÁLCULO DA SANÇÃO A Recorrente alega: No presente caso, a capitulação legal adotada pelo agente fiscal chega a dois valores de referência: o valor mínimo, de R$ 1.195,13, e um valor máximo, de R$ 11.951,30. Veja que o estabelecimento destes valores (mínimo e máximo) obedece a um único critério, qual seja, o número de segurados relativos à empresa ora Recorrente. De se ressaltar que a própria decisão reconhece que o valor da multa é quantificado utilizandose de parâmetros e Fl. 21DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 22 valores veiculados em ato infralegal, o que contraria expressamente o princípio da legalidade ("valor mínimo" — fls. 06 e 07 da decisão). Analisemos. Insurgese a recorrente contra a aplicação da sanção, o que não prospera porque a penalidade questionada se encontra fundamentada no artigo 32, inciso IV e § 5 º, da Lei n.° 8.212, de 1991, com a redação à época dos fatos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Ademais, o valor mínimo, previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91, foi fixado em R$1.195,13, valor vigente e atualizado na data da lavratura do Auto de Infração pelos incisos V e VI do art.9º da Portaria MPS n° 142, de 11 de abril de 2007. Lei nº 8.212/1991: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da Fl. 22DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 130 23 infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Registrese, porque importante, que a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pela Recorrente. Outrossim, a Recorrente alega que foi penalizada cinco vezes pela mesma situação fática, incluindo a NFLD, com sanções idênticas, e que tal procedimento afronta princípios constitucionais (no bis in idem). Entretanto, devese anotar que a obrigação tributária principal se diferencia da obrigação tributária acessória. Nos dizeres do professor Ricardo Lobo Torres1, a obrigação tributária principal é o vínculo jurídico que une os sujeitos ativo e passivo em torno do pagamento de um tributo, enquanto que .a obrigação acessória se revestira de deveres meramente instrumentais, tais como prestar declarações ao fisco e manter livros fiscais. Na lição de Leandro Paulsen2, observase que a obrigação acessória é a obrigação de fazer em sentido amplo, ou seja, fazer, não fazer, tolerar, enfim, no interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos. Neste sentido, colacionando o art. 113, CTN, pelo descumprimento da obrigação principal submetese o sujeito passivo à emissão pela autoridade fiscal do lançamento de débito denominado Auto de Infração de Obrigação Principal, no presente caso a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito 37.097.9133. Enquanto que pelo descumprimento da obrigação acessória, há a conversão em obrigação principal pela multa aplicável, submetendose o sujeito passivo à lavratura do Auto de Infração de Obrigação Acessória, no presente caso o AI Auto de Infração 37.087.5184, o AI 37.097.9117 e o AI 37.087.9125. Desta forma, não prospera a alegação da recorrente no sentido de uma possível confusão entre a obrigação acessória e a obrigação principal, pois os descumprimentos de obrigação principal e de obrigação acessória implicam em multas de diferentes naturezas jurídicas. CÁLCULO DA MULTA Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: 1 TORRES, Ricardo Lobo. Op. cit., p. 236. 2 PAULSEN, Leandro. Op. cit., p. 900. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 24 “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, Auto de Infração nº. 37.097.9125, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14474.000181/200797 Acórdão n.º 240300.390 S2C4T3 Fl. 131 25 Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a PRELIMINAR suscitada, e, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 25DF CARF MF Emitido em 22/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001013/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NFLD. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXISTÊNCIA DEMONSTRADA.
Nos termos do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelos débitos fiscais de natureza previdenciária.
Compõem grupo econômico de fato as empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa mesma pessoa a administração e controle interno, e a própria atuação de mercado.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA.
ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.467
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência até a competência 11/2000 e 13/2000 com base nos critérios estabelecidos no Art. 173, I, CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NFLD. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. EXISTÊNCIA DEMONSTRADA. Nos termos do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91, as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelos débitos fiscais de natureza previdenciária. Compõem grupo econômico de fato as empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde numa mesma pessoa a administração e controle interno, e a própria atuação de mercado. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 355DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência até a competência 11/2000 e 13/2000 com base nos critérios estabelecidos no Art. 173, I, CTN. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 329 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Acórdão 0519.362 7ª Turma da Delegacia de julgamento em Campinas, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal e decidiu pela exclusão de Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda do pólo passivo do lançamento. Assim o lançamento foi apresentado pela DRJ, folha 248: Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 91 a 100), tratase de NFLD lavrada para cobrança de contribuições previdenciárias relativas às contribuições arrecadadas de segurados empregados e contribuintes individuais, não repassadas à Previdência Social. Os valores lançados têm como base as folhas de pagamento e as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, nos dados cadastrais informatizados ("sistema CNISA" — fls. 111 a 116) e recibos de férias. Os valores lançados encontramse devidamente discriminados no anexo "Relatório de Lançamentos" fls. 33 a 39. Na ação fiscal, da qual resultou o lançamento fiscal em análise, a Auditorafiscal estabeleceu, com base no inciso IX do art. 30 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991 e art 222 do Decreto n°. 3.048, de 06/05/1999, a responsabilidade solidária entre determinadas empresas, pelos valores apurados no conjunto dos lançamentos fiscais realizados (dentre os quais o que ora se encontra em análise), já que considerou presentes os motivos e os requisitos legais, adiante analisados, que seriam suficientes para caracterizar a existência de um "grupo econômico de fato". Foram consideradas, juntamente com a notificada principal, como integrantes do grupo econômico: • FRIGOVALPA COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE CARNES LTDA • FRIGOSEF FRIGORIFICO SEF DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA • FRIGORÍFICO MANTIQUEIRA LTDA • FRIGORIFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ • ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JÚNIOR ME • TÂNIA PEREIRA LOPES ME • MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA— ME Fl. 357DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 O lançamento referese ao período de 12/1999 a 11/2005 e a ciência dos contribuintes ocorreu entre 15 e 18/12/2006. Inconformada com a decisão, as recorrentes apresentaram recurso voluntário, onde alegam, em síntese, que: FRIGORÍFICO CAMPOS DE SÃO JOSÉ Ltda: • da ilegalidade e inexigibilidade na cobrança do FUNRURAL e INCRA. • Inexistência de grupo econômico e conseqüente não participação. • Não podemos sequer falar em sucessão de empresas, pois jamais ocorreu transferência do fundo de comércio, lembrando que os equipamentos e o local são arrendados. • Quanto a confusão patrimonial, também não existiu, pois cada uma das empresas tem sua personalidade e obrigações tributárias próprias. • Interpretação equivocada da legislação. ANDRÉ LUIZ NOGUEIRA JR ME • O presente recurso se dá pela omissão da decisão, que não apresentou qualquer fundamentação legal para manutenção do recorrente no pólo passivo; pois apresentadas as alegações de impugnação oportunamente pelo recorrente, e esta não foram analisadas. • Em momento algum, encontramos elementos irrefutáveis que evidenciam a participação do Recorrente no alegado grupo econômico de fato; bem como também ausente no relatório fiscal inerente a NFLD em questão. • Entende que não participa de grupo econômico. FRIGOSEF FRIGORÍFICO SEF DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LTDA • encontramos diversas afrontas a legislação pátria, bem como, aplicações equivocadas de entendimentos legais e desrespeito a hierarquia das leis, o que traduz evidente ilegalidade, motivando o presente recurso. • Questiona a existência do grupo econômico. • Questiona a solidariedade tributária aplicada. Registro que as empresas TÂNIA PEREIRA LOPES ME e MONALISA PEREIRA LOPES NOGUEIRA ME não apresentaram recurso. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 330 5 É o Relatório. Fl. 359DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Preliminares: Inconstitucionalidade competência A contribuinte alega ilegalidades e/ou inconstitucionalidades nas normas que fundamentaram o lançamento e competência deste colegiado para decidir sobre a questão. Cumpre esclarecer que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 2 é clara quanto à incompetência do CARF para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Decadência O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Fl. 360DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 331 7 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Fl. 361DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 O presente lançamento referese a contribuição dos segurados que a empresa reteve e não recolheu para a Previdência. Registra o Relatório Fiscal a Representação Fiscal para Fins Penais. B) DAS CONTRIBUIÇÕES AUFERIDAS DECLARADAS EM GF1P Encontramse lançados neste débito : 1) As contribuições previdenciárias descontadas dos segundos empregados, os fatos foram verificados no sistema CNISA, declarados em GF1P e recibos de férias. Tal fato, caracteriza, em tese, crime contra a Previdência Social, de apropriação indébita, estabelecido no dispositivo legal transcrito abaixo, o fato será comunicado à autoridade competente para verificar o ilícito. J) OUTRAS INFORMAÇÕES ... 2. Os fatos que ensejaram, em tese, crime contra a Previdência Social, serão comunicados ao Ministério Público, através de RFFP (Representação Fiscal para Fins Penais) Por entender que esse comportamento como ilícito, aplico a regra do artigo 173 do CTN. Registro que o RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados apresenta recolhimentos apropriados ao lançamento. O período do lançamento é de 12/1999 a 11/2005. A ciência do lançamento ocorreu entre 15 e 18/12/2006. Entendo decadentes as competências até 11/2000, inclusive e 13/2000. Mérito: Grupo Econômico Inicialmente registro que a questão do grupo econômico está aqui presente em razão da previsão legal de solidariedade tributária entre empresas componentes do grupo econômico. O CTN prevê que a lei pode designar situações de solidariedade tributária. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 362DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 332 9 II as pessoas expressamente designadas por lei. A lei 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, expressamente estabelece que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Abaixo ficará demonstrado, por meio de resumo das evidências se tratar de grupo econômico de fato. Outros processos decorrentes da mesma ação fiscal já foram julgados por este CARF. A 2ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, 2ª Seção já se pronunciou sobre a regularidade do grupo econômico de fato. Reproduzo abaixo texto extraído do processo 17546.001022/2007 15, de autoria do conselheiro Rogério de Lellis Pinto. Desta feita, como esta Câmara já se pronunciou sobre a regularidade do grupo econômico de fato, tal qual como posta nos autos, peço vênia para adotar as mesmas razões de decidir do citado Recurso Voluntário 156044, que restou vazada no seguinte sentido: Assim é que a questão trazida à ponderação deste Nobre Colegiado cingese exclusivamente na verificação da existência de um grupo econômico de fato, e o que já me adianto, apesar das brilhantes argumentações trazidas pelas Recorrentes, me parece realmente existir. Com efeito, o grupo econômico encontrado pela autoridade fiscal responsável pelo presente lançamento não é exatamente aquele citado nas peças recursais, que tem em vista algo formalmente montado, com participações acionárias e documentos que o externam. Ao contrário daquele, aqui tratase de uma “união” in concreto de várias empresas visando a atuação conjunta no mercado, atuando de forma conglomerada, sendo impossível disfarçar a existência de um interesse comum inerente a essa atuação conjunta, e que acaba por vincular umas as outras. A questão da responsabilidade solidária de empresas que integram um grupo econômico de fato, já foi por diversas vezes abordada por este Colegiado, de forma que peço Vênia a Ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, para trazerlhe trecho do seu voto nos RV nº 156242, 156210 e 159619, cujo caráter elucidativo não merece ser ignorado: “No que tange à caracterização de grupo econômico, entendo necessário tecer algumas considerações. Fl. 363DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 A auditoria fiscal entendeu por caracterizar a existência de grupo econômico de fato entre a recorrente e demais empresas por força do disposto no art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito: Lei 8.212/1991 “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei;” A legislação é clara ao afirmar que são solidariamente responsáveis, as empresas integrantes de grupos econômicos de qualquer natureza, ou seja, grupos de fato e de direito. A respeito do assunto, a Instrução Normativa SRP nº 03/2005 estabelece o seguinte: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Cumpre dizer que o disposto na normativa está consoante ao entendimento existente na doutrina. Além da Lei nº 8.212/1991, o sistema jurídico brasileiro trata dos grupos empresariais em outros diplomas legais, dentre eles: A Consolidação das Leis do Trabalho – CLT (Decretolei 5.452/1943) que, em seu art. 2.º, § 2.º, estabelece, para efeitos da relação de emprego, a responsabilidade solidária de empresas que “estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”; A Lei 8.884/1994, que dispõe sobre a prevenção e a repressão às infrações contra a ordem econômica, em seu art. 17, prevê a responsabilidade solidária de “empresa ou entidades integrantes de grupo econômico, de fato ou de direito, que praticarem infrações da ordem econômica”. o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) que, em seu art. 28, prevê responsabilidade subsidiária para as “sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas”; No entanto, o que vem a ser considerado grupo econômico de fato e de direito pode ser extraído da Lei nº 6.404/1976, a Lei das Sociedades Anônimas. Na doutrina, é pacífico o entendimento de que a legislação brasileira adota o sistema dual para disciplinar os grupos de sociedades, considerando os grupos de fato e de direito. A sistemática da Lei das S.A. consiste em prever regras próprias para as sociedades coligadas, controladas e controladoras, estas dispostas no seu Capítulo XX, que é o que a doutrina considera como sociedades formadoras de grupos de fato. Já no Capítulo XXI, há disciplina específica dos grupos constituídos mediante convenção grupal, ou seja, os grupos de direito. Fl. 364DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 333 11 O entendimento acima pode ser corroborado nos dizeres de Fábio Konder Comparato, abaixo transcritos: “Tratase da distinção, sob certo aspecto radical, entre grupos de fato e grupos de direito. A lei, na verdade, não contém essas expressões, de origem doutrinária. Mas elas parecem muito sugestivas e apropriadas para a compreensão do sistema legal. (...) Vejamos agora, mais de perto, a regulação de cada um desses tipos de grupos, principiando pelos de fato. II – Disciplina dos Grupos de Fato Pressuposto de aplicação normativa: Antes de examinarmos as regras específicas de disciplina dos grupos de fato, importa fixar o pressuposto de aplicação de tais normas. Com efeito, se a lei não fala aqui em grupos, qual o critério para o reconhecimento das hipóteses de incidência normativa? Esse critério é dado pelas noções de controle e de coligação. O primeiro é definido no art. 243, § 2º, quando considera “controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores”. (...) No que tange à coligação, a lei a reconhece quando uma sociedade participa do capital de outra com dez por cento ou mais, sem controlála (art. 243, § 1º). Esse mínimo percentual já constava da legislação bancária como denotando um interesse societário importante (Lei 4.505, de 31.12.64, art. 34)” 1 O entendimento de que a Lei das S/A dispõe em seu Capítulo XX a respeito do que considerase grupos econômicos de fato pode ser extraído do trecho de artigo de autoria de Edmur de Andrade Nunes Pereira Neto: “A legislação brasileira dos grupos, como é sabido, adotou o modelo contratual. O art. 265, da lei nº 6.404/76, dispõe que a sociedade controladora e suas controladas podem constituir grupo de sociedade, mediante convenção.(...) Não descuida nossa lei, entretanto, dos grupos de fato, vale dizer, da existência na realidade fática de um conjunto de sociedades articuladas sob uma direção unitária. A Lei 6.404/76, trata da matéria no Capítulo XX, dedicado às sociedades coligadas, controladoras e controladas, mantendose fiel ao modelo contratual, na medida em que disciplina o comportamento dos administradores nas relações entre a sociedade controladora e suas coligadas e controladas, bem como agrava a responsabilidade daqueles e ainda submete a 1 Os Grupos Societários na Nova Lei das Sociedades por Ações Fábio Konder Comparato Revista Direito Mercantil Industrial Econômico e Financeiro nº 23 1976 Editora Revista dos Tribunais Fl. 365DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 sociedade de comando ao direito comum das sociedades.” 2 No mesmo sentido, cito Jorge Lobo, Modesto Carvalhosa e Arnoldo Wald: “A classificação mais comum distingue os grupos de direito dos grupos de fato, consoante haja ou não sido celebrada uma convenção para disciplinar as relações entre a sociedade controladora e suas controladas. Entre nós, em que a dicotomia é nítida, os grupos de sociedades de fato são regulados no capítulo XX (arts. 243 a 264 da Leis de S.A.) e os grupos de sociedades de direito no capítulo XXI (arts. 265 a 277).” 3 “Na captação desses fenômenos concentracionais, a nossa lei reconhece a existência de uma relação horizontal entre sociedades coligadas e vertical entre controladoras e controladas, implicitamente reconhecendo que, no sistema vertical, o controle geralmente ocorre através de holdings, que, por sua vez, controlam outras holdings, que controlam as sociedades operacionais. Dessa forma, conforme a lei, no regime vertical há sociedade controladora e no horizontal não existe esse predicado. Aqui há a coligada investidora e coligada investida. Estabelecese, assim, um regime de coordenação entre as sociedades coligadas e de comando entre a controladora e as controladas. Essas unidades formam um grupo econômico, não convencional, com efeitos jurídicos decorrentes do entrelaçamento dos patrimônios dessas mesmas sociedades. Formam, assim, uma entidade econômica de relevância jurídica. Diferentemente do grupo de sociedades, regido pelos arts. 265 a 279, que constitui uma entidade jurídica. A diferença fundamental entre uma e outra forma de concentração é que, no Capítulo XX, ora comentado, as sociedades envolvidas não estão sujeitas a convenção, diferentemente das regidas pelo Capítulo XXI, que se vinculam convencionalmente. Assim, este capítulo trata dos chamados grupos de fato ou grupos não convencionais, ao passo que o capítulo seguinte (XXI) disciplina os chamados grupos de direito ou grupos convencionais.” 4 “1.3 Regime jurídico dos grupos societários de fato No Brasil, à Lei nº 6.404/76 – Lei das Sociedades por Ações – se atribui o mérito de suprir a lacuna legislativa societária na disciplina dos grupos de sociedades. Adotando a diretriz geral da lei germânica, a legislação pátria diversifica o regramento dos chamados grupos societários de fato, da subsidiária integral e dos grupos de sociedades. Verificamos, no entanto, já antes da edição da lei societária, a existência de algumas disposições legais sobre controladas e coligadas, que surgiram inicialmente no direito trabalhista, na legislação sobre repressão aos abusos do poder econômico, no direito tributário e em seguida, de modo mais preciso, na legislação bancária. 2 Anotações sobre os Grupos de Sociedades Edmur de Andrade Nunes Pereira Neto Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro nº 82 abril/junho/1991 Ed. Revista dos Tribunais 3 Direito dos Grupos de Sociedades Jorge Lobo Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro Vol 107 1997 Malheiros Editores 4 Comentários à Lei das Sociedades Anônimas Modesto Carvalhosa 4º Volume Tomo II 2º Edição 2003 Editora Saraiva (pag 7 e 8) Fl. 366DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 334 13 Com sua sensibilidade para os fatos e um certo desprezo pelos mitos jurídicos, a Consolidação das Leis do Trabalho foi, certamente, o primeiro diploma brasileiro a estabelecer a co responsabilidade da holding e da empresa subsidiária no tocante aos ônus trabalhistas, referindose expressamente aos grupos industriais, comerciais e outros (art. 2º § 2º, da CLT). O Capítulo XX da lei das Sociedades por Ações trata das empresas que, embora mantendo entre si vínculos societários, não se organizaram sob a forma de grupo, através de uma convenção específica, e que, assim sendo, obedecem, em tese, aos princípios aplicáveis às sociedades isoladas, com as restrições e derrogações contidas no mencionado capítulo. Conforme sintetiza Bulhões Pedreira: “a vinculação de duas ou mais sociedades por relações de participação dá origem a uma estrutura de sociedades, e quando essa estrutura é hierarquizada (ou seja, uma sociedade tem o poder de controlar as outras), é designada “grupo de sociedades”, que pode ser de fato (baseado apenas nas relações de participação societária e de controle) ou de direito (se, além disso, é regulado por uma convenção de grupo acordada entre as sociedades.). A participação societária pode operarse através da coligação e do controle, que se diferenciam, segundo a doutrina dominante, pela existência, na primeira, de uma relação horizontal entre as sociedades, sem vínculos de sujeição de uma à outra, enquanto na segunda, a relação entre elas se faz verticalmente, sujeitando se uma das sociedades ao poder de dominação de outra. Tanto num caso como noutro é inegável a interdependência entre as sociedades que se agrupam.” 5 Diante dos entendimentos apresentados, resta evidente que, a Lei das Sociedades por Ações considera que os grupos de empresas podem ser de fato e de direito. Em estudo denominado “Grupos Societários: Análise do Modelo da Lei 6.404/1976”, Viviane Muller Prado, Professora da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, apresenta importantes informações para o entendimento da questão. 6 Tal qual os demais doutrinadores citados, a professora concorda que Lei 6.404/1976 quando disciplinou os grupos societários, adotou o modelo dual, no qual os grupos podem ser de direito ou de fato. Quanto trata do modelo dual, onde são considerados grupos de fato e de direito, entende que o que impede que seja considerado em sua totalidade no estudo é o fato da quase inexistência de grupos de direito entre os agrupamentos empresariais brasileiros, conforme se infere do trecho abaixo: 5 Caracterização do Grupo Econômico de Fato e suas Consequências quanto à Remuneração dos Dirigentes de suas Diversas Sociedades Componentes Arnold Wald Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais Ano 7 julho/setembro 2004 Editora Revista dos Tribunais 6 Grupos Societários: Análise do Modelo da Lei nº 6.404/1976 Viviane Muller Prado Revista Direito GV, nº 2, vol 1, pag 528 Junho/Dezembro 2005 Fl. 367DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 “Há, entretanto, um fato que impede que este estudo continue considerando o modelo dual na sua totalidade: os grupos empresariais brasileiros não se organizam como grupos contratuais. Conforme informação de Fábio Konder Comparato, temse conhecimento do registro de menos de 30 grupos de direito no Departamento Nacional de Registro de Empresas. Modesto Carvalhosa dá exemplo das seguintes empresas que tentaram se constituir na forma de grupo, mas não levaram adiante a reestruturação para tanto, continuando na roupagem de grupos de fato: Grupos Real, Grupo Cindumel, Grupo Roager e Grupo Pão de Açúcar (Carvalhosa, 2003a, p. 311). A não utilização do instrumento para a formação de grupos de direito não significa que inexistem grupos societários no Brasil. Muito pelo contrário. As grandes empresas brasileiras organizamse na forma grupal, mas a partir do poder de controle societário. A utilização da estrutura grupal para a organização das grandes empresas brasileiras fica evidenciada no periódico Valor Grandes Grupos de 2004. Este anuário demonstra que as 200 maiores empresas com atuação no País, nos vários segmentos de mercado, organizamse em estruturas complexas plurissocietárias. Saindo da Lei das Sociedades por Ações para o Código Civil de 2002, também encontrase tratamento próprio das sociedades coligadas no Capítulo VII, Subtítulo II, do Livro II, nomeadamente nos arts. 1.097 a 1.101. O Código Civil, todavia, traz apenas uma descrição das situações de ligações entre sociedades e não especifica disciplina diferenciada para a participação de sociedade no capital de outra.” Diante das argumentações apresentadas é possível concluir que as empresas coligadas, controladoras e controladas nos termos estabelecidos no artigo 243, §§ 2º e 3º da Lei nº 6.404/1976 formam grupos econômicos de fato e como tal, são solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias, conforme estabelece o inciso IX do art. 30, da Lei nº 8.212/1991. “Art.243 O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. § 1º São coligadas as sociedades quando uma participa, com 10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra, sem controlá la. § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores.” A meu ver, a situação descrita no dispositivo acima é suficiente para concluir a respeito da existência de grupo econômico e, conseqüente, solidariedade. Fora da situação prevista em lei em que empresas coligadas, controladas e controladoras formam grupos econômicos de fato, estes também podem ser caracterizados, tendo por base o exercício do controle, o qual pode apresentarse de forma simulada, como, por exemplo, no caso de empresas aparentemente sem nenhuma interligação, formalmente Fl. 368DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 335 15 pertencentes a pessoas que efetivamente não detém poder de controle algum (laranjas), mas que são administradas por pessoas que, embora não constem do contrato social, revelamse os verdadeiros donos do negócio. Na esteira do julgado acima transcrito, nítido ressoa que a jurisprudência desta Corte tem sido firme no sentido de que demonstrada uma união entre empresas, controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que confunde se numa mesma pessoa a administração e o controle interno e a própria atuação de mercado, o Grupo Econômico existirá independente de estar formalizado em documentos próprios. No caso dos autos, não é difícil notar a existência de uma administração comum, já que a mesma pessoa que assina documentos internos de uma empresa (Sr. André Luiz), é proprietário de outra (André Luis Nogueira ME). Por outro lado, verificouse também que o Frigorífico Campos de São José arcava com rescisões contratuais da empresa aqui Notificada, e ainda toda a aquisição de Gado Bovino era exclusivamente realizada por ele, usandose ainda um mesmo nome de fantasia (Distribuidora Mantiqueira II), tudo isso sob a supervisão e administração do Sr. André Luiz, que como constatado pelo autor do lançamento, era quem sempre estava presente nos empreendimentos fiscalizados. É óbvio que tais elementos são típicos de uma relação onde interesses comuns se convergem de tal modo que nos leva a acreditar que um Grupo Econômico existe de fato entre aquelas empresas, e esse interesse que todas demonstradamente nutrem entre si, e a forma integrada que coexistem, traz sim a possibilidade (poder/dever) de aplicação do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91, tornando todas responsáveis pelos débitos tributários apurados em qualquer uma delas. Desse modo é que me parece indiscutível que todas as empresa mencionadas pela fiscalização, devem sim responder pelo presente crédito tributário constituído, uma vez que compondo um Grupo Econômico, a responsabilidade solidária atinge a todos que a ele integra. Registro que o Acórdão 0519.362 7ª Turma da Delegacia de julgamento em Campinas, que julgou procedente o lançamento, decidiu pela exclusão de Frigovalpa Comércio e Indústria de Carnes Ltda do pólo passivo do lançamento e que não há recurso sobre esta exclusão. Registro também que a auditoriafiscal enfrentou consideráveis dificuldades, especialmente relativas à falta de cumprimento de diversas obrigações tributárias acessórias, que ensejaram lavratura de 31 Autos de Infrações contra todas as empresas. Quadro detalhando as infrações por empresa está presente no acórdão da DRJ. Destaco as infrações mais freqüentes: • Deixar de apresentar os livros contábeis e diversos documentos Fl. 369DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 • Deixar de informar mensalmente ao INSS através de GFIP os dados cadastrais, informações e fatos geradores das contribuições previdenciárias. • Apresentar GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores. • Apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados com fatos geradores de contribuições • Deixar de incluir em diversas folhas de pagamento segurados obrigatórios da Previdência Social e parte da remuneração. Vêse, assim, que foram lavrados, no conjunto, a expressiva quantidade de 31 (trinta e um) Autos de Infrações sendo que as faltas cometidas apresentam praticamente um padrão de procedimento: • Falta de apresentação de documentos à auditoriafiscal (especialmente os livros contábeis ou, se fosse o caso, livros caixa, além da maioria dos respectivos documentos fiscais). Falta de prestação de informações formalmente solicitadas pela Auditora fiscal. • Falta de entrega, em algumas competências, de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP ou sua entrega, em outras competências, com erros, falhas e omissões. • Contratação de empregados: 1. Sem a formalização dos contratos de trabalho, ou seja, sem as devidas anotações nas carteiras de trabalho e Livros de Registro de Empregados 2. Formalização dos contratos de trabalho em data posterior ao do início da efetiva prestação de serviços. Apresento abaixo evidências presentes no caso concreto que levam a concluir pela existência dos pressupostos de controle e coligação do que resulta tratarse de grupo econômico de fato. • Consta que todos os frigoríficos integrantes do "grupo econômico", funcionam ou funcionaram originariamente no mesmo endereço, Rodovia São José dos Campos — Campos do Jordão, s/n°, km 100, Bairro Buquirinha, em São José dos Campos/SP, • A existência concomitante das empresas integrantes do "grupo econômico" • Atividades dos integrantes do "Grupo Econômico" • Máquinas e equipamentos utilizados Fl. 370DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 336 17 • O pessoal empregado o Consulta ao sistema CNISA (Cadastro Nacional de Informações Sociais) revela que os empregados do Frigorífico Mantiqueira foram (ou eram) empregados do Frigosef. o O Frigosef informou em GFIP, até julho de 2000, a quantidade média de 40 vínculos e a maioria desses empregados foi transferida para o Frigorífico Mantiqueira em agosto de 2000. o O Frigorifico Mantiqueira declarou empregados na RAIS até 2004, a partir de quando a declaração passou a ser feita pelo Frigorifico Campos de São José (considerado na ação fiscal sucessor daquele). o Nas competências de maio a julho de 2000 os mesmos empregados foram informados em RAIS pelo Frigorífico Mantiqueira e em GFIP pelo Frigosef. o Em maio de 2005, conforme operações constatadas no Livro de Registro de Empregados — LRE, os empregados, até então registrados no Frigorífico Mantiqueira, foram transferidos para o Frigorifico Campos de São José. o Constatouse que, em ação desenvolvida pela fiscalização do Ministério do Trabalho, os valores das remunerações dos empregados das empresas Frigosef Frigorífico Sef de São José dos Campos Ltda, Frigorífico Mantiqueira Ltda e Frigorifico Campos de São José Lida foram somados para efeito de determinação da base de cálculo do FGTS. • Composição dos quadros societários — a existência do "controlador". Os frigoríficoa são pertencentes, controladas ou têm a par ação societária de André Luiz Nogueira. • A utilização do mesmo "nome fantasia". Os açougues (correspondentes às aludidas firmas individuais) adquirem carne exclusivamente do mesmo frigorifico (atualmente Frigorifico Campos de São José Ltda, que adota exatamente o nome fantasia de "Frigorifico Mantiqueira") e utilizam o nome fantasia "Distribuidora de Carnes Mantiqueira", que é colocado com destaque nas fachadas dos estabelecimentos, sendo (segundo registra os dados cadastrais extraídos do sistema informatizado da Previdência Social — "CONEST — CONSULTA DADOS DO ESTABELECIMENTO"): o Distribuidora de Carnes Mantiqueira I: André Luiz Nogueira Junior — ME (matriz). o Distribuidora de Carnes Mantiqueira II: Tânia Pereira Lopes — ME. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 o Distribuidora de Carnes Mantiqueira III: Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME (matriz). o Distribuidora de Carnes Mantiqueira IV: André Luiz Nogueira Junior — ME (filial 2). o Distribuidora de Carnes Mantiqueira IV: Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME (filial 2). • Foram constatadas as emissões de cheques, por André Luiz Nogueira (como pessoa física), em favor de Antonio Denilson Mendes (ex empregado de Tânia Pereira Lopes — ME — fl 223) e Raul Reno Vergueiro (11. 224). • A prática de pagamentos de despesas de pessoas jurídicas por pessoas físicas, especificamente os sócios e, neste caso, pelo controlador do "grupo econômico" denotam a ocorrência de "confusão patrimonial", especialmente em se considerando que não foram apresentados os livros contábeis (ou, eventual e alternativamente, os livroscaixa, quando substituíveis) e respectivos documentos fiscais que pudessem demonstrar a regularidade dos atos praticados. • Consta, também, a assinatura, por André Luiz Nogueira (considerado na auditoriafiscal o controlador do "grupo econômico") em documentos de outras empresas (integrantes do "grupo econômico"), que, supostamente, segundo alegam as impugnações, seriam dotadas de "administração própria": aviso prévio e termo de rescisão de contrato de trabalho do empregado Genésio dos Santos (fl 225)e termo de rescisão de contrato de trabalho da empregada Fernanda Enedina Reis Prado (exempregados de Tânia Pereira Lopes — ME — fl. 226). Não foram apresentados os documentos idôneos que pudessem demonstrar a legitima representação, que suposta e eventualmente teria ocorrido. • André Luiz Nogueira que, reiterando, foi considerado o real controlador do "grupo econômico", assina também os termos de abertura do Livro de Inspeção do Trabalho (fl. 227) e do Livro de Registro de Empregados (fl.228), ambos também da firma individual Tânia Pereira Lopes — ME, novamente desacompanhados dos documentos idôneos que pudessem demonstrar a legítima representação, que suposta e eventualmente teria ocorrido. • A ficha do SIF — Serviço de Inspeção Federal de n° 222 (fl 229) informa que aquele órgão público limitouse a cadastrar sucessivamente, no mesmo endereço (e na mesma ficha), o Frigovalpa, o Frigosef, o Frigorífico Mantiqueira e o Frigorífico Campos de S. José, no ramo "matadouro frigorífico". • André Luiz Nogueira promove o pagamento, mediante emissão de cheque pessoal, para o mesmo Valtencir Carneiro Mendes, então empregado de André Luiz Nogueira Junior — ME (fls. 230). Tratase novamente da prática de pagamentos de despesas de pessoas jurídicas por pessoas físicas especificamente os sócios e, novamente neste caso, Fl. 372DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 337 19 pelo controlador do "grupo econômico", denotando a ocorrência de "confusão patrimonial", especialmente em se considerando que não foram apresentados os livros contábeis (ou, eventual e alternativamente, os livroscaixa) e respectivos documentos fiscais que pudessem eventualmente demonstrar a regularidade dos atos praticados. • André Luiz Nogueira assina, também, a folha de rosto de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP (fl. 231) da empresa individual Tânia Pereira Lopes — ME. • André Luiz Nogueira assina, também, os termos de rescisões de contratos de trabalhos de Luiz Carlos dos Santos (fl. 232), Maria Cristiane Teixeira (fl. 233)e José Maria Rodrigues Gaivão (fl. 234), que constam ser ex empregados da empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME, igualmente desacompanhados dos documentos idôneos que pudessem demonstrar a legitima representação, que supostamente pudesse ter ocorrido. • André Luiz Nogueira firmou, em nome pessoal, contrato de locação de imóvel, tendo como locadora, Rosa Maria Maciel Rodrigues (fls. 235 a 241). O contrato é relativo ao imóvel no qual seria instalado um estabelecimento filial da empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME e em cujo estabelecimento consta estar também instalada a empresa Rosa Maria Maciel Rodrigues (estabelecimento matriz) e, na mesma data, o mesmo André Luiz Nogueira firma, com Rosa Maria Maciel Rodrigues, contrato de "compromisso de compra e venda de maquinário, equipamento e outras avenças (fls. 242 a 247). Ambos os negócios indicam novamente que André Luiz Nogueira assumiu pessoalmente a responsabilidade pela locação de imóvel destinado à empresa Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME como também assumiu pessoalmente a responsabilidade pelos pagamentos das respectivas máquinas e equipamentos existentes no local. Convém destacar as estipulações do parágrafo único da cláusula terceira, do contrato de "compromisso de compra e venda de maquinário, equipamento e outras avenças, no qual André Luiz Nogueira assume a obrigação de pagar o total devido com a emissão de cheques de sua conta corrente pessoal, junto ao Banco Bradesco (conta 34819 da agência 31330). Tratase novamente de práticas que denotam a ocorrência de "confusão patrimonial" (assunção de obrigações financeiras por pessoa considerada controladora do "grupo econômico"), sem que se possa apurar nem mesmo a regularidade contábil das operações. • Os titulares das respectivas firmas individuais, André Luiz Nogueira Junior — ME e Monalisa Pereira Lopes Nogueira — ME são empregados do Frigorífico Campos de São José Ltda, sendo que: o André Luiz Nogueira Junior é filho de André Luiz Nogueira (que consta ser o real controlador de todo o empreendimento); Fl. 373DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 o Tânia Pereira Lopes é esposa do mesmo André Luiz Nogueira; e o Monalisa Pereira Lopes Nogueira é filha de André Luiz Nogueira e de Tânia Pereira Lopes. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conclusão À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências até 11/2000 e 13/2000 e por manter o lançamento para a competência 12/2000. No mérito, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 374DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 17546.001013/200716 Acórdão n.º 240300.467 S2C4T3 Fl. 338 21 Fl. 375DF CARF MF Emitido em 11/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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