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Numero do processo: 11128.008121/2009-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/03/2007
AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE.
A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível.
Numero da decisão: 3001-000.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/03/2007 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/03/2007 AGENTE MARÍTIMO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. LEGITIMIDADE PASSIVA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. Logo, o recorrente, investido na qualidade de representante do transportador estrangeiro, ao não prestar as informações devidas, no prazo regulamentar, sobre carga destinada ao exterior, no âmbito do despacho aduaneiro de exportação, responde pela respectiva sanção pecuniária, em face da referida infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. INFRAÇÃO CONTINUADA. CÓDIGO PENAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. INAPLICABILIDADE. A gradação da pena baseada na tese da ocorrência de infração continuada, prevista no Código Penal, não tem aplicabilidade no Direito Tributário, pois este ramo do direito adota o critério objetivo, conforme prevê o CTN, em que a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 81 21 /2 00 9- 26 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 115 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Renato Vieira de Avila que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 81 a 109) interposto contra o Acórdão 16048.976, da 23ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 1 DRJ/SP1 que, na sessão de julgamento realizada em 30.07.2013 (efls. 62 a 72), julgou improcedente a impugnação e, por consequência, manteve o crédito tributário lançado de ofício. Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 20/10/2009, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar no valor de R$ 20.000,00 em virtude dos fatos a seguir descritos. Concluído levantamento realizado na Equipe de Averbação de manifesto e Retificação de RE Averbado (EQMAX) do Setor de Exportação da Alfândega do Porto de Santos, através do qual se apurou informação que os dados de embarque no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), foram inseridos pela transportadora RELIANCE AGENCIAMENTO E SERVIÇOS PORTUÁRIOS LTDA EPP no ano de 2006 e 2007 em prazo superior a 07 (sete) dias em 09 embarques/SD realizados através de 04 navios/viagem por ela representados. O atraso na informação dos dados de embarque no Siscomex, de acordo com o art. 44 da IN SRF nº 28/1994, constitui embaraço à fiscalização, e sujeita o Transportador Marítimo ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00, conforme previsão legal do art. 107 do DecretoLei 37/1966, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/2003. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 25/11/2009 (fls. 20), o contribuinte, protocolizou Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 116 3 impugnação, tempestivamente em 18/06/2007, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 21 à 41, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: DA INÉPCIA DA AUTUAÇÃO A fiscalização autuante não anexou nenhum documento que comprove a infração apontada atraso no registro de informações no SISCOMEX referentes a 10 navios agenciados nos anos de 2006 e 2007 (o auto de infração limitase a apontar uma PLANILHA com uma relação de dados de embarque supostamente registrados no Siscomex fora do prazo legal). A não disponibilização dos documentos que levaram a fiscalização a impingir a cobrança de vultosa multa, maculam o auto de infração com a eiva da nulidade, uma vez que impossibilitam o julgamento do processo, a compreensão da infração, o enquadramento legal correto e as razões que justificam o entendimento da autoridade autuante, impossibilitando o direito à ampla defesa assegurado constitucionalmente. Nessas condições, a arbitrariedade na imposição de multa, sem a devida fundamentação alicerçada nos documentos que supostamente comprovariam o atraso apontado, pretere o direito de defesa do contribuinte e torna insubsistente a autuação nos termos do artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, pois, como se sabe, o ato nulo não produz efeitos. CONDUTA IMPOSSÍVEL DE SER PRATICADA É impossível cumprirse o prazo de 07 dias para o registro de declarações de despacho de exportação no SISCOMEX em embarques de navios, enquanto o exportador não fornecer ao transportador o número da sua Declaração de Despacho de Exportação. Perguntase: A SD/DDE supostamente entregue com atraso é um documento EMITIDO pelo transportador? A resposta é negativa. A DDE/SD que a Alfândega exige que o transportador registre no SISCOMEX não é um documento emitido pelo transportador, mas sim pelo exportador. O transportador prescinde obrigatoriamente que a informação, ou seja, que o número da DDE/SD lhe seja informado pelo exportador. Sem esta informação do exportador o sistema não efetua o registro, ainda que o transportador queira fazêlo no mesmo dia do embarque. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 117 4 Portanto, só pelo fato de que a Declaração de Despacho de Exportação não é um documento emitido pelo transportador, o lançamento fiscal é improcedente. A NORMA SÓ PUNE O ATRASO NO REGISTRO COM BASE NOS DOCUMENTOS EMITIDOS PELO INFRATOR. Como se verifica, conforme se estipula no art. 52 da IN 37, combinado com o art. 56, III, ao mesmo tempo em que a norma estipula o prazo de 07 dias para o transportador efetuar o registro no SISCOMEX, concede o prazo de 10 dias para o exportador efetuar este mesmo registro, sendo que sem a informação do exportador o transportador não consegue efetuar o registro no sistema. Ora, essa conduta exigida pela norma, inviabiliza a prestação da informação pelo transportador marítimo. Se o exportador não cumprir o prazo de 10 dias, o transportador continuará impedido (pelo sistema) de efetuar o registro determinado pelo art. 37 da INSRF28/94. Ou seja, o que se exige, neste caso é uma obrigação impossível de ser cumprida, mormente porque esta obrigação está condicionada à informação de terceiros que nem sempre a fornecem no momento adequado. O ente administrativo não pode exigir do contribuinte uma conduta impossível de ser realizada. Em sendo assim, é evidente que não se pode penalizar esta requerente pela prestação de informações eventualmente fora de prazo em virtude de não dispôla por razões alheias a sua vontade. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA DO AGENTE MARÍTIMO É de se ressaltar, outrossim, que a Requerente não é parte legítima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que, na qualidade de mero agente marítimo não responde pelas obrigações tributárias do seu representado. A penalidade em discussão foi instaurada em nome da Requerente, que atuou como Agente de Navegação Marítima dos navios que supostamente registraram as Declarações de Despachos de Exportação com atraso. A matéria, na espécie, é regulamentada pelo art. 37 da Instrução Normativa SRF n. 028, de 27 de abril de 1994, publicada no DOU de 28.04.1994, com a redação dada pela IN 510 de 2005. Portanto, a obrigação de registrar o embarque da mercadoria no prazo de 07 dias após a efetivação do embarque era e é do TRANSPORTADOR MARÍTIMO. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 118 5 Logo, o entendimento adotado pela fiscalização é equivocado, uma vez que o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária e nem se equipara ao próprio transportador, para os efeitos do DecretoLei nº 37/66. Junta textos da Jurisprudência do STF a respeito do assunto. Como agente marítimo, a Requerente é considerada mera representante do armador, e, como mandatária que é, não responde pelas falhas imputáveis a seus representados, entendimento este também aplicável no âmbito fiscal, consoante a Súmula 192 do extinto, mas sempre Egrégio TRIBUNAL FEDERAL DE RECURSOS. Nem se diga, por outro lado, que o TERMO DE RESPONSABILIDADE firmado pela agência de navegação teria o condão de caracterizar a sua responsabilidade pelas multas aplicáveis ao transportador marítimo (o que é discutível na espécie), mormente porque somente a LEI pode fazer nascer a obrigação de se impor uma penalidade. Junta textos da Jurisprudência do STJ a respeito do assunto. DO NÃO ENQUADRAMENTO DA MULTA PREVISTA NA alínea “e”, IV, art. 107 do Decretolei 37/66 (ausência de tipicidade legal) Como a autuada, ora Requerente, não é uma empresa de transporte internacional, não é uma prestadora de serviços de transporte expresso portaaporta, nem tampouco um agente de carga (agente desconsolidador de cargas), não há, na espécie, tipicidade legal para o seu enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar. Nem se diga, por outro lado que, na espécie, haveria solidariedade entre o agente marítimo e a empresa de transporte internacional, a quem é imputada a obrigação acessória em discussão. A solidariedade, como se sabe, decorre apenas da LEI ou de contrato entre as partes. Evidentemente, não há contrato entre a Requerente e o fisco federal a justificar a solidariedade arguida. Não quis o legislador, na hipótese descrita, aplicar esta multa ao agente marítimo. Quando quis fazêlo, o fez expressamente, como se observa no art. 32 do mesmo diploma legal em relação a solidariedade ao pagamento do imposto de importação. Mas aqui não se discute imposto de importação, mas, sim, uma obrigação tributária acessória específica a um dispositivo legal, situação totalmente distinta. Como se sabe, a norma tributária não pode ser ampliada para albergar hipóteses que a lei não previu. Em resumo, a multa estabelecida na alínea ‘e’ do inciso IV do art. 107 do DecretoLei 37/66, não pode ser aplicada ao agente Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 119 6 marítimo, nem tampouco a este pode ser estendida a solidariedade passiva por absoluta falta de previsão legal a respeito desta obrigação acessória. DENUNCIA ESPONTÂNEA descabimento de multa Se fosse possível considerar como infração a conduta da recorrente, hipótese de que se cogita exclusivamente para só argumentar, ainda assim, não seria cabível a aplicação de qualquer penalidade. Isso porque, como reconhecido pela fiscalização, as DDEs mencionadas no auto de infração, foram inseridas no SISCOMEX, ANTES da lavratura do auto de infração ora impugnado. Vale dizer, o procedimento fiscalizatório só foi iniciado após o noticiado pela Requerente. Cita o artigo 138 do Código Tributário Nacional. Alegase também a boa fé do impugnante. INFRAÇÕES IDÊNTICAS. APLICAÇÃO DA TEORIA DA INFRAÇÃO CONTINUADA. A continuidade delitiva ocorre sempre que há irregularidade praticada, embora composta de mais de uma ação ou omissão, possa ser reconduzida a uma unidade de resolução e a uma unidade de direito violado, como ocorre no caso em análise. Na hipótese aventada, é forçoso concluir que toda e qualquer ação imputada à Requerente decorre de um mesmo fato descumprimento do prazo para o registro no SISCOMEX dos dados relativos ao embarque das mercadorias no período 2006/2007 e, portanto, corresponde a uma só infração, praticada de forma continuada, que deve ser penalizada tão somente mediante a aplicação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), e não de uma multa para cada ato isolado, como havia suposto a fiscalização. Junta textos da Jurisprudência do STJ. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, pede e espera a Requerente: • que seja dado provimento a esta impugnação, declarandose a nulidade ou a improcedência do lançamento, cancelandose a multa a que este se refere; ou • caso assim não entendam, julgálo parcialmente procedente a fim de reduzir todas as multas imputadas a esta Requerente e as futuras que possam ser impostas para R$ 5.000,00 (cinco mil reais), caso se observe a Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 120 7 característica da continuidade inerente a suposta infração; É o relatório. Da ementa da decisão de primeira instância Com a apresentação da manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 23ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO Data do fato gerador: 16/03/2007 Multa regulamentar. Informação dos dados de embarque foram inseridos pela transportadora em prazo superior a 07 (sete) dias. Legislação do Imposto de Exportação autoriza aplicar subsidiariamente a legislação relativa ao Imposto de Importação. A eventual responsabilidade do exportador alegada pelo impugnante de não entregar as informações em tempo hábil deve ser discutida em outro âmbito. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé. Para cada uma das 04 (quatro) condutas praticadas o autuado deve suportar a multa correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Inconformado com a decisão da 23ª Turma da DRJ/SP1, o contribuinte interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, trouxe à discussão os temas/pontos abaixo. II EXCLUSÃO DA PUNIBILIDADE FATO NOVO Denúncia Espontânea Retroatividade Benigna Lei 12.350/2010 alterou o parágrafo 2º, do art. 102, do DecretoLei 37/66 Alega que na espécie o procedimento fiscal só foi iniciado após a inserção das DDE/SDe no "Siscomex", circunstância que caracteriza, a seu ver, a denúncia espontânea que impôs a presente exigência fiscal. Nesse passo, com a vigência da Medida provisória 497 de 27.07.2010, transformada na Lei 12.350 de 2010, que alterou a redação do parágrafo 2º, do artigo 102, do Decretolei 37 de 1966, referida norma reconheceu que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa, exatamente o caso sob apreço. Devendo, portanto, tal regramento, retroagir para alcançálo, de acordo co o disposto na alínea "a", do inciso II do artigo 106, do Código tributário Nacional, por tratarse de exclusão de punibilidade. Restando, por fim, prejudicado o presente Auto de Infração. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 121 8 III INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO AGENTE MARÍTIMO Aduz que a não responsabilização do agente marítimo, inclusive, é matéria já sumulada pelos tribunais, consoante proclamado pela Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Logo, sendo agente marítimo, "é considerada mera representante do armador, e, como mandatária que é, não responde pelas falhas imputáveis a seus representados, entendimento este também aplicável no âmbito fiscal". IV AUSÊNCIA DE TIPICIDADE LEGAL Assevera que a norma é extremamente clara e que o legislador excluiu o agente marítimo do rol daqueles imputáveis pela presente penalidade, pois, quando quis fazê lo, o fez expressamente, como observase do teor do artigo 32 Decretolei 37 de 1966, em relação à solidariedade ao pagamento do Imposto de Importação, situação distinta do presente processo, por tratarse de uma obrigação tributária acessória, não podendose ampliar o alcance da norma para albergar hipóteses que a lei não previu. Logo, "não há embasamento legal para sua autuação, tendo em vista que o dispositivo legal que serviu de base para a aplicação da multa em discussão só pode ser aplicado ao (i) transportador internacional, a (ii) prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta e/ou ao (iii) agente de carga". V INFRAÇÕES IDÊNTICAS APLICAÇÃO DA TEORIA DA INFRAÇÃO CONTINUADA Defende que, ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, a presente autuação decorre de infrações da mesma natureza, praticadas no período de abril a dezembro de 2004, devendo, por conseguinte, ser consideradas como infração continuada, para aplicação da penalidade cabível, correspondente, na verdade, a um só infração, praticada de forma continuada, devendo, portanto, ser penalizada tãosomente mediante a aplicação de uma única multa, limitada ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), posto que até na esfera do direito penal, a sequência de ações idênticas é considerado um único delito, cometido de forma continuada, conforme expressamente prevê o artigo 71 do Código penal. Aliás, é também neste sentido o entendimento da RFB, consubstanciado na Solução de Consulta SRFB Interna 8 de 14.02.2008, que trata das regras para aplicação do artigo 37 da IN/SRF 28 de 27.04.1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação. Colaciona jurisprudências. Portanto, pede que seja reformada a decisão recorrida, julgandose improcedente o presente lançamento fiscal. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 10.09.2013 (efl. 113), que posteriormente foi distribuído para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, e na forma regimental, sorteado a este relator. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 122 9 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi protocolado na Alfândega do Porto de Santos em 09.09.2013, conforme depreendese da chancela gravada na "Folha de Rosto" da respectiva peça recursal, após ciência no dia 12.08.2013, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado (efls. 79/80), tendo respeitado o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Do litígio Como muito bem salientado na decisão recorrida, é "ponto incontroverso que os dados de embarque no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) no ano de 2006 e 2007 foram inseridos em prazo superior a 07 (sete) dias em 09 embarques/SD realizados através de 04 navios/viagem por ela representados". O litígio cingese, portanto, aos seguintes pontos: a1) ilegitimidade passiva do recorrente e, complementarmente, a2) impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal; b) excludente de responsabilidade, por denúncia espontânea da infração, notadamente em razão da alteração legal promovida pela Lei 12.350 de 2010; e c) adoção da tese infração continuada, por se tratar de infrações da mesma natureza. Da preliminar de ilegitimidade do agente marítimo Para o recorrente, o agente marítimo não é considerado responsável tributário, uma vez que não pode ser equiparado ao transportador para efeito da responsabilização tributária, porque esta atribuição não se aplica à natureza de sua atividade de mandatária. Para tanto, cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que possui o seguinte verbete: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966, bem como outras jurisprudências. Em vista disso, requer seja dado provimento ao seu recurso voluntário para cancelamento do auto de infração. De plano, conforme se demonstrará a seguir, não lhe assiste razão neste tópico preliminar. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 123 10 Dispõe o artigo 32 do Decretolei 37 de 18.11.1966, verbis: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) (grifei) II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluída pela Lei nº 11.281, de 2006) Ressaltese que a redação do parágrafo único dada pelo Decretolei 2.472 de 1988, foi mantida na redação dada pela Medida Provisória 2.15835 de 24.08.2001. Além disso, a solidariedade tributária passiva encontra guarida no CTN, nos seguintes dispositivos: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. (grifei) Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 124 11 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (grifei) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (grifei) A respeito da legitimidade da solidariedade tributária do agente marítimo em relação ao transportador estrangeiro, citese a decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção do STJ, DJE de 14/12/2010, em sede de recurso repetitivo, que assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472 de 1988 (que alterou o artigo 32, do Decretolei 37 de 1966), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do Decretolei 2.472 de 1988 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Em decorrência do exposto, o Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Consignase, por fim, que para os dois primeiros argumentos tecidos pelo recorrente em seu voluntário, este E. Tribunal em inúmeros precedentes idênticos ao caso concreto já teve a oportunidade de se manifestar, mantendo as autuações, dentre outros, citese os acórdãos 3401003.883, 3401003.882, 3401003.881, 3401002.443, 3401002.442, 3401 002.441, 3401002.440, 3102001.988, 3401002.357, 3401002.379, 3302002.733, 3802 003.962, 3403003.252, 3802001.127 e 3302002.732. Por economia, cito apenas a primeira parte da ementa do acórdão 3301 002.972, cujo julgado ocorreu em 17.06.2016, verbis: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. (...) Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 125 12 É também nesse sentido o Acórdão 9303003.276, da 3ª Turma da Câmara Superior, cujo julgado ocorreu já em 05.02.2015, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Afastase, portanto, esta contestação preliminar. Da impossibilidade de aplicação da multa, por ausência de tipicidade legal Esclareçase, que embora o tema agora abordado ser concorrente ao tratado no tópico anterior ilegitimidade passiva do agente marítimo, em homenagem ao pleno direito de defesa, procederseá a breves considerações sobre referida temática. O enquadramento legal da infração praticada pelo recorrente é a alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, que assim dispõe, verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. No caso em tela, não se discute se a informação foi prestada tempestiva ou intempestivamente, pois o descumprimento do prazo foi confessado pelo recorrente, não sendo, portanto, objeto de contenda. Apenas em reforço, sabese que o agente marítimo, na qualidade de representante do transportador estrangeiro, no país, por força do artigo 95 do Decretolei 37 de 1966, responde pela infração consistente na prestação de informações sobre embarques de exportação, no SISCOMEX, fora do prazo, sendo legitimado sujeito passivo a figurar na presente exação fiscal. Conforme também já abordado no tópico anterior, a conduta do recorrente está enquadrada de forma correta, de modo que não cabe o cancelamento do auto de infração, logo, não acode o direito ao recorrente, haja vista que prevista a obrigação de informar em prazo definido os embarques de exportação no sistema próprio e não observada a temporalidade da informação plenamente cabível a infração prescrita na alínea "e" do inciso IV Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 126 13 do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, consoante o qual é aplicável a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), àquele que deixa de prestar informação sobre carga ou sobre as operações que execute, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga. Neste contexto, portanto, não há falar em inaplicabilidade da penalidade em comento, sob a equivocada alegação de falta de tipicidade legal, por suposta inimputabilidade dos agentes marítimos. Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, melhor sorte também não assiste ao recorrente, porque, como veremos, a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea. A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar o por quê de a penalidade ora objetada não comportar o instituto da denúncia espontânea, previsto no CTN, peço licença ao ilustre conselheiro José Fernandes do Nascimento para colacionar trechos do voto de sua lavra, consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 127 14 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 128 15 (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 129 16 [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, é de relevo destacar que a presente situação envolve operações de exportação cujos dados foram obtidos junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO. O Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, conforme artigo 2º do Decreto 660 de 25.09.1992. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como um dos órgãos gestores do Siscomex é responsável pelas áreas aduaneira e tributária, assim, a fiscalização no âmbito de sua competência objete os dados junto ao referido sistema. Para contextualizar a situação fática, observese que toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada, está sujeita a despacho de exportação, com as Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 130 17 exceções estabelecidas na legislação específica. (RA/2002, artigo 520) e (RA/2009, artigo 581). Em geral, o despacho de exportação será processado por meio de Declaração de Despacho de Exportação (DDE), registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), tendo a si vinculados um ou mais Registros de Exportação (RE). Assim, constatase da planilha elaborada pela autoridade lançadora, como fundamento a exação em discussão, que os dados obtidos pela fiscalização junto ao SISCOMEX EXPORTAÇÃO foram prestados pelo próprio recorrente, já que é também, como interveniente, usuário do sistema e responsável pelos dados do embarque das mercadorias, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, contemplam as informações necessárias para a individualização dos dados referentes aos 9 (nove) embarques dos 4 (quatro) navios, no Sistema Integrado de Comercio Exterior (Siscomex), ocorridos no ano de 2006 e 2007. Portanto, sabedores que tais processamentos de embarques são determinantes para propiciar o desembaraço aduaneiro das respectivas mercadorias e, por consequência, procede à conclusão dos despachos de exportação (DDE's), não há como prevalecer a hipótese do recorrente para adotarse a tese da denúncia espontânea da infração prevista no artigo 138 do CTN. Isto por que, como já salientado, em se tratando de penalidade aduaneira, a denúncia espontânea possui tratamento específico. Com efeito, reproduzse os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 Regulamento Aduaneiro à época vidente e do atualmente em vigor, qual seja o 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 131 18 § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o recorrente prestou extemporaneamente as informações exigidas e, por óbvio, antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias/cargas descritas nos respectivos despachos de exportação; isto porque tal procedimento desembaraço aduaneiro somente é passível de perfectibilizarse depois de prestadas as informações que estavam sob a responsabilidade do agente marítimo ora autuado. Da hipótese da tese da infração continuada Da adoção da decisão recorrida Dispõe a Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf vigente: (...) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 132 19 segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) (...) Verificado que o recorrente não apresentou novas razões de defesa perante este Colegiado, com amparo no permissivo regimental acima reproduzido, valhome das razões de decidir contidas no acórdão recorrido, para dar início às contraargumentações aos questionamentos reapresentados, neste tópico, na peça recursal, cujo voto condutor reproduzo abaixo: Voto (...) • A aplicação da teoria da infração continuada por serem infrações idênticas e a boa fé alegada. O instituto alegado da infração continuada é próprio do Direito Penal e está ligado a conduta subjetiva do agente. Oportuno agora se faz trazer comentários a respeito do artigo 136 do Código Tributário Nacional: Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O artigo 136 do CTN seja taxativo no sentido de que a responsabilidade tributária é objetiva. Ainda agindo de boafé, cercado das cautelas de praxe, com razões suficientes para acreditar que está praticando um ato em conformidade com o direito, ainda que ignore o fato de seu ato ou de seus representantes estar em descompasso com a legislação, o Impugnante não pode se furtar de sua responsabilidade. O Código Tributário Nacional, ao preceituar a aplicação de sanção por infrações tributárias, utiliza a expressão “independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, ou seja, desconsidera a intenção do agente ou responsável como pressuposto para a aplicação da devida punição, bem como dispensa a comprovação dos efeitos e extensão dos danos à Fazenda Pública. A boa fé alegada, ainda que preponderante, por força do artigo 136 do Código Tributário Nacional, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Assim, o legislador consagrar a responsabilidade objetiva por atos infracionais tributários, dispensando a Fazenda Pública de perquirir fatos comprovadores da presença do dolo ou da culpa Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 133 20 e elementos de materialidade efetiva para aplicar a sanção correspondente. Isto porque No campo tributário, existe uma estrutura na qual se estabelece uma norma criadora da obrigação tributária (hipótese de incidência + lançamento tributário), de modo que o seu não cumprimento acarretará sanções. A responsabilidade objetiva garante de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário. De outro modo, a atividade de fiscalização se inviabilizaria se a cada infração tivesse que se provar que o contribuinte não autorizou determinada operação por negligência, imperícia ou imprudência. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé. Para cada uma das 04 (quatro) condutas praticadas o autuado deve suportar a multa correspondente. (...) Do prosseguimento da fundamentação Continuando a enfrentar as razões de recorrer do autuado, quanto a aplicação da "teoria da infração continuada", devese, de plano, asseverar que o direito tributário adota o critério objetivo previsto no artigo 136 do Código Tributário Nacional CTN e, portanto, a cada ato praticado ou omitido do contribuinte redunda na aplicação da penalidade cabível. Logo, a gradação da penalidade, levando em conta a existência de infração continuada, presente no artigo 71 do Código Penal, não tem aplicabilidade na seara tributária. Demais disso, inexiste dispositivo semelhante no referido código CTN prevendo a possibilidade de unificação de multa em razão da continuidade da ilicitude cometida pelo contribuinte. Observase que nem mesmo a aplicação do Código Penal seria possível haja vista que as condutas de deixar de prestar informações, no prazo regulamentar, sobre os dados de embarques de mercadorias destinadas ao exterior são independentes e autônomas, tanto que o fato de o infrator deixar de cumprir a referida obrigação acessória no prazo legalmente estipulado para uma determinada embarcação não tem qualquer influência nos dados de embarque de outro, in casu, navio. Observese inclusive que, no caso sob exame, sequer o período da apuração é contínuo, uma vez que as lavraturas sob discussão referemse tão somente as operações realizadas relativamente aos dados de nove embarques e quatro navios, cujos fatos geradores reportamse aos dias 16 de março, 20 de abril e 27 de abril de 2007. Assim, não resta dúvida de que a multa deve ser aplicada de forma individualizada, por navio, conforme assentado no auto de infração, em absoluta submissão ao previsto na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, que impõe a incidência de multa pecuniária no valor de cinco mil reais para quem, estando legalmente obrigado, "deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.008121/200926 Acórdão n.º 3001000.418 S3C0T1 Fl. 134 21 Da conclusão Dessa forma, evidenciada a legitimidade passiva do recorrente, demonstrada a infração praticada e a correta aplicação da penalidade ora objurgada, voto por conhecer do recurso voluntário interposto, para rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10516.720004/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011
POLO PASSIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO.
A solidariedade no pólo passivo da relação jurídica tributária não permite dizer que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois podem constar no pólo passivo tanto ambos (responsável solidário e o contribuinte) ou apenas um isoladamente, até porque não há benefício de ordem na solidariedade tributária aqui tratada. Inteligência do art. 95, I, do DL nº 37/66.
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. DANO AO ERÁRIO.
A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida, ou não localizada.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 POLO PASSIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. A solidariedade no pólo passivo da relação jurídica tributária não permite dizer que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois podem constar no pólo passivo tanto ambos (responsável solidário e o contribuinte) ou apenas um isoladamente, até porque não há benefício de ordem na solidariedade tributária aqui tratada. Inteligência do art. 95, I, do DL nº 37/66. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. DANO AO ERÁRIO. A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida, ou não localizada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. A solidariedade no pólo passivo da relação jurídica tributária não permite dizer que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois podem constar no pólo passivo tanto ambos (responsável solidário e o contribuinte) ou apenas um isoladamente, até porque não há benefício de ordem na solidariedade tributária aqui tratada. Inteligência do art. 95, I, do DL nº 37/66. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PROVADA. DANO AO ERÁRIO. A pena de perdimento, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, inclusive por meio da interposição fraudulenta de terceiros, deve ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria quando esta houver sido consumida, revendida, ou não localizada. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), que davam provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 04 /2 01 2- 01 Fl. 6873DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de autos de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 109.384.456,21 referentes a multa prevista no art. 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, contribuição COFINS – importação, contribuição PIS/PASEP – importação, multa de ofício e juros de mora (calculados até 30/04/2012). Depreendese da “Descrição dos Fatos” dos autos de infração (fls. 197, 200, 201, 347, 354 e 361), que a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre – RS, com base nos documentos acostados aos autos, concluiu que as importações em nome da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. (CNPJ nº 08.008.172/000113) foram registradas com ocultação da MADEIREIRA HERVAL LTDA., real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude, simulação e utilização de documentos ideologicamente falsos para fins de desembaraço aduaneiro; prática que configura dano ao Erário punível com a aplicação da pena de perdimento das mercadorias importadas, mas que em vista da impossibilidade de localizar e apreender tais mercadorias acabou por resultar na aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro. Informa ainda que, em algumas operações de importação (seis declarações) foi constatada a redução indevida do valor aduaneiro em razão da apropriação de descontos retroativos e relacionados a ressarcimentos concedidos pelo exportador em virtude de direitos antidumping incidentes em operações anteriores, fato que culminou na recomposição da base de cálculo dos tributos e autuação da diferença dos mesmos. À folhas 2.226 a 2.380 a fiscalização anexou aos autos o “RELATÓRIO DE AUDITORIA”, onde apresenta detalhadamente os motivos e indica as provas (anexadas aos autos) que levaram à conclusão de que houve a prática das infrações em análise, e cujo teor, em síntese, é apresentado abaixo. A ação fiscal foi realizada de forma conjunta, entre a Secretaria da Fazenda Estadual do Rio Grande do Sul (SEFAZRS) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por intermédio da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre – RS. O trabalho de auditoria foi desenvolvido com o objetivo de demonstrar que o contribuinte utilizouse de um planejamento tributário concebido de forma irregular, com o Fl. 6874DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.874 3 objetivo de obter vantagens tributárias mediante a ocultação da MADEIREIRA HERVAL LTDA., de sua condição de real importador ou real adquirente de pneus adquiridos da empresa coreana HANKOOK TIRES. Diligências realizadas em estabelecimentos da MADEIREIRA HERVAL LTDA. (matriz Dois Irmãos – RS, filial Araranguá – SC, filial São José – SC e filial Dois Irmãos RS), da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. (matriz São José – SC) e da HANKOOK TIRE DO BRASIL SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS NO RAMO DE PNEUS LTDA. (CNPJ n° 00.018.404/000102, São Paulo – SP) acarretou na lavratura de diversos termos e coleta das provas anexadas aos autos. Registra a fiscalização que as operações de importação do GRUPO HERVAL (conjunto de empresas variadas que atua em diversos ramos, com mesmo quadro societário, com atuação no comércio e indústria, do qual fazem parte tanto a MADEIREIRA HERVAL LTDA. quanto a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA.) foram realizadas em 5 formas diferentes: por conta própria da Herval filial 0016; por encomenda da Herval matriz ao importador Free Trade; por conta própria da Herval matriz; por conta própria da Herval filial 0036 e; por conta própria da Free Trade. A fiscalização constatou a ocultação do real importador/adquirente nesta última forma (fl. 2.234). Após apresentar conceitos inerentes ao Direito Cível sobre “Sociedade Empresária”, sua personalização e autonomia, compra e venda civil e mercantil, a fiscalização, considerando os resultados (prejuízo e baixa margem de lucro) da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. apresentados na Ficha Demonstração do Resultado (DIPJ), conclui que os preços supostamente praticados por ela, no mínimo não são fixados seguindo regras normais de mercado. Aduz que referida empresa só pode ser entendida como tal na condição de uma prestadora de serviços, pois, de fato, ela não opera de forma autônoma como empresa comercial, não possui condições necessárias para que possa ser considerada tanto compradora de produtos estrangeiros, como vendedora de tais produtos no mercado interno.), com objetivo de lucro, assumindo os riscos da atividade (recursos financeiros e a estrutura administrativa advêm da MADEIREIRA HERVAL LTDA.; falta atividade organizada, através da coordenação dos fatores da produção; exercício profissional – a operacionalização é coordenada por MADEIREIRA HERVAL LTDA; ausência de risco empresarial). Os recursos financeiros (especialmente em 2007) foram aportados à FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. por meio de adiantamentos e ou empréstimos – contratos de mútuo – que foram “quitados” por subscrição e integralização de capital social. À fls. 2.301 a fiscalização apresenta uma síntese da forma utilizada para aumento de capital na FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. durante o período de 12/2006 a 08/2007: Pelo que se expõe, constatase que a “capitalização” da pessoa jurídica FREE TRADE, ocorreu assim: 1. A HERVAL reconhece o direito dos sócios à percepção de “juros sobre capitais próprios”, criando um “passivo” a ser pago aos sócios. 2. A HERVAL concede empréstimos à FREE TRADE, valores utilizados como adiantamento de recuros para as Fl. 6875DF CARF MF 4 despesas de importações, criando um ativo na HERVAL e um passivo na FREE TRADE. 3. A fim de “quitar” esses empréstimos (sem ter de pagá los com dinheiro), FREE TRADE aumenta seu capital social, fazendo com que os sócios (HERVAL e FREE TRADE possuem o mesmo quadro social)subscrevamno. Logo, os SÓCIOS DEVEM A FREE TRADE. 4. Finalmente, há um encontro de “dívidas” e conseqüentemente suas extinções por “termo de quitação e ou cessão de créditos”. Logo, o DEVER da HERVAL em pagar JUROS aos sócios é “baixado” contra o DEVER dos sócios de integralizarem o capital social da FREE TRADE. O entendimento é de que os recursos financeiros continuam tendo origem exclusivamente na MADEIREIRA HERVAL LTDA., vez que as saídas da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. possuem como “destinatário” (comprador formal) único e ou principal a própria MADEIREIRA HERVAL LTDA. (fl. 2.302). À folhas 2.279 a 2.283 apresenta, a título demonstrativo, desde a operação de importação até a venda da mercadoria pneu ao comerciante que fará a venda ao consumidor final, a evolução do preço unitário da mercadoria, evidenciando a margem de lucro praticada pela FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. 25% (mero repasse de custos e despesas incorridas entre o desembaraço aduaneiro e o registra de entrada na escrita fiscal); e aquela praticada pela MADEIREIRA HERVAL LTDA. 130% (97% se considerada a passagem pela filial de Araranguá – SC). Prossegue o relato indicando que até mesmo nas operações declaradas como tendo sido por encomenda da MADEIREIRA HERVAL LTDA, o pressuposto de que a compra internacional seja feita pelo importador FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. para atender à encomenda, não se configura, pois as operações comerciais que deram origem a estas importações foram, de fato, realizadas pela própria MADEIREIRA HERVAL LTDA. Aliás, isso fica evidente no próprio contrato de importação por encomenda, formalizado entre as empresas, no qual consta, de forma expressa, que a responsabilidade pela compra internacional é do encomendante, contrariando o próprio conceito desta modalidade de operação, previsto no Artigo 11 da Lei 11.281/2006 e no Artigo 1º da IN SRF 634/2006, segundo o qual este tipo de operação se caracteriza quando um importador adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado. Fundamentado no princípio da verdade material (ou real), o procedimento fiscal aponta para a existência de elementos característicos de simulação, a pretexto de planejamento tributário. Relata que ficou de fato configurado tratarse de uma tentativa de maquiar ou disfarçar, como operações de comércio, atividades de outra natureza, como serviços de armazenamento, logística, etc., ocultandose assim as efetivas atividades de comércio realizadas entre a MADEIREIRA HERVAL LTDA e seu fornecedor HANKOOK, com vistas a diminuir o custo tributário das importações. O “planejamento” é irregular e ilegítimo, posto que está fundamentado em formalidades e registros que divergem completamente dos atos efetivamente praticados. Objetivando a redução do ICMS – pelo não recolhimento nos desembaraços aduaneiros em Santa Catarina, bem como de IPI, em decorrência da quebra de sua cadeia de incidência, os sócios da MADEIREIRA HERVAL LTDA criaram a empresa FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., sediada em Santa Catarina para fazer uso do Fl. 6876DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.875 5 Regime Especial “COMPEX” (inicialmente) e “PRÓEMPREGO” (a partir de 2008). O quadro societário de ambas as empresas é exatamente o mesmo. Relatam as autoridades que as negociações para compra de pneus, no entanto, acontecem sempre a partir de contatos efetuados entre a matriz da MADEIREIRA HERVAL LTDA., por meio de seus sócios e funcionários, e a HANKOOK, através de sua representante em São Paulo. Documentos apreendidos revelam que , para a HANKOOK seu cliente é efetivamente a MADEIREIRA HERVAL LTDA., cujo código de cliente é o número 100343. Contudo, a despeito deste fato, os documentos visando o desembaraço aduaneiro eram emitidos identificando a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. como suposto importador. Também as “ordens de compra” (PO) indicam em sua formatação numérica as letras HE, clara referência ao cliente “HERVAL”. De igual sorte, as vendas realizadas pela FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. não decorrem de uma relação de compra e venda, mas simplesmente de uma decisão unilateral da própria MADEIREIRA HERVAL LTDA. Apresenta o seguinte fluxo (fl. 2.251): a as notas fiscais da FREE TRADE eram emitidas “venda” (de fato, houve transferência – preço sem valor agregado) de pneus hankook para as filiais ARARANGUÁ e ITAIÓPOLIS da HERVAL em SC; b a filial Araranguá/SC “transferia” as mercadorias para a matriz da HERVAL em DOIS IRMÃOS/RS; c a filial Itaiópolis/SC “transferia” as mercadorias para a filial da HERVAL em SÃO PAULO; d a partir dessas operações de “transferências” para os estabelecimentos da HERVAL (Filial 0061 de Araranguá SC 1Matriz de Dois IrmãosRS e Filial 0005 de Itaiópolis/SC 1Filial 0036/0046 de Itaquera/São Paulo/SP), não há mais incidência de IPI.(...) Como resultado, o preço de venda final da MADEIREIRA HERVAL LTDA., referente ao produto pneu HANNKOOK, é reduzido em razão da manobra tributária. Observa a fiscalização que a partir de março de 2009, visando aperfeiçoar a aparência da legalidade aos negócios, a saída dos produtos da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. passou também a ser direta para os varejistas da MADEIREIRA HERVAL LTDA., não circulando por esta, ainda que tais vendas continuem a ser operadas da mesma forma. A simulação das vendas das mercadorias importadas resta evidente na mensagem eletrônica comercial dirigida aos gerentes da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. e da filial da MADEIREIRA HERVAL LTDA. em Araranguá – SC (fls. 1976, 1977 a 1979), onde são transmitidas orientações relacionadas à emissão e apresentação dos documentos fiscais por ocasião do transporte para a matriz da MADEIREIRA HERVAL LTDA. Também a mensagem eletrônica comercial (fl. 2.340), datada de 02/02/2009, do Sr. GERMANO GRINGS ao Sr. ARNALDO (contabilidade) ratifica o entendimento de que, em relação às vendas internas para a MADEIREIRA HERVAL LTDA. não passavam de meras Fl. 6877DF CARF MF 6 transferências com margens variáveis de acordo com os interesses do Grupo HERVAL e não das condições de mercado: Arnaldo, ficou uma margem de 2.795 milhões para a Free, acho que isso encerra o ciclo do cambio, gostaria de diminuir a margem para 10% entre Free e Herval a partir de 01.02, verifica se é possível e conversa comigo segunda pela manhã. Carolina, antes de faturar qualquer coisa da Free para Herval, conversa comigo amanhã. Att Germano Registram as autoridades que em 04/05/2007 houve a formalização de Contrato de Importação por Encomenda entre a MADEIREIRA HERVAL LTDA. (encomendante) e a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. (importador) com prazo de vigência de 6 meses (fls. 525 a 528), tendo sido encontrado, em meio magnético, por ocasião de diligência, adendo ao referido contrato com vigência por prazo indeterminado (não foi apresentado tal instrumento assinado, ainda que intimado o administrador). Mesmo fora do “prazo” de vigência, a fiscalização indica que houve registro de declarações de importação na modalidade por encomenda, fato que ratifica a validade do “adendo” (último registro em 27/05/2008). No entender da fiscalização (fl. 2.257) referido contrato se trata claramente de um contrato de importação por conta e ordem (e não por encomenda), já que à exceção dos recursos, seus artigos deixam evidente que as mercadorias são adquiridas no exterior pela MADEIREIRA HERVAL LTDA. Não se vislumbra que a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. tenha participado, de forma efetiva, em qualquer negociação comercial, seja com a HANKOOK, tampouco com a própria MADEIREIRA HERVAL LTDA. Após a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas pela FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. no ano de 2007 por ocultação do real adquirente, a mesma passou a registrar, durante alguns meses, as operações na modalidade por encomenda. Em relação à estrutura da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., a fiscalização registra que a mesma possui um ativo permanente modesto se comparado ao seu capital social de mais de 10 milhões de Reais. Igualmente entende ser incoerente a existência de um pequeno número de funcionários (entre 7 e 9 ao longo do período) para realizar o volume de operações de comércio exterior que declara praticar. O entendimento é de que a empresa em nenhum momento teve estrutura administrativa e comercial suficientes para operar importações “por conta própria”. Sob a ótica da auditoria todos os controles administrativos e financeiros das importações de pneus registradas em nome da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. são realizados pela MADEIREIRA HERVAL LTDA., por intermédio de seu Diretor (GERMANO GRINGS) e seus funcionários registrados, evidenciando assim a ausência de autonomia para a realização de todas as operações comerciais como quer fazer parecer em seus registros. A única funcionária que participou de algum controle nas operações de pneus foi a Sra. DEISE CAROLINA FILERENO WASEM, porém esta trabalhava no estabelecimento da matriz da MADEIREIRA HERVAL LTDA. na Cidade de Dois Irmãos – RS e usava endereço eletrônico “@herval”. Já a administração financeira e ou contábil é realizada pelo Sr. ARNALDO RIHL, funcionário da MADEIREIRA HERVAL LTDA. Fl. 6878DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.876 7 Documentos encontrados no computador do Sr. JEAN PIERRE ROCKENBACH, funcionário da MADEIREIRA HERVAL LTDA. tratam de controles relacionados às operações e declarações de importação da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., o que não se coaduna com as práticas usuais mercantis. Não obstante as provas coletadas e acostadas aos autos, declaração da funcionária Sra. DEISE CAROLINA FILERENO WASEM (fls. 589 e 590), prestada aos Agentes Fiscais do Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul, referenda o entendimento da fiscalização de que o real importador é a MADEIREIRA HERVAL LTDA. Resposta do Sr. ARNALDO RIHL, relacionada a procedimento Especial de Controle Aduaneiro realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí – SC (fls. 591 a 594), encontrada em seu computador por ocasião da diligência ratifica a conclusão de que a FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. operaria na importação de produtos para o GRUPO HERVAL. A partir de março de 2009 algumas operações (poucas no relato da fiscalização) passaram a ser realizadas como vendas diretas aos clientes varejistas da MADEIREIRA HERVAL LTDA. (fl. 2.264). Diferentemente das vendas realizadas para o GRUPO HERVAL, estas tem margem de lucro de 126% (fl. 2.286). Tais vendas, segundo a fiscalização, tinham por objetivo evitar chamar a atenção do Fisco em razão da existência de um único “cliente”. Com vistas a comprovar as conclusões firmadas no relatório, a fiscalização traz no “ANEXO II” (fls. 1.884 a 2.033) cópias de diversas mensagens eletrônicas comerciais que ratificam a relação comercial existente entre a MADEIREIRA HERVAL LTDA. e o exportador HANKOOK, dado que são funcionários da MADEIREIRA HERVAL LTDA. que participam das operações de importação consignadas em nome da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Também apresenta no “ANEXO V (fls. 2.066 a 2.131) cópias de diversas mensagens eletrônicas comerciais encontradas nos computadores da HANKOOK TIRE DO BRASIL SERVIÇO DE INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS NO RAMO DE PNEUS LTDA. em São Paulo – SP, que igualmente demonstram firmemente o vínculo negocial entre as duas empresas. Quanto aos pagamentos das importações registradas pela FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., os mesmos vem sendo garantidos por meio de cartas de crédito, cujas notas promissórias a elas relacionadas são normalmente avalizadas pela MADEIREIRA HERVAL LTDA., além do sócio Sr. JOSÉ AGNELO SEGER. Assim, não obstante não possuir conta bancária no Estado de Santa Catarina, onde se encontra a matriz da empresa, os pagamentos de suas importações necessitam de um “prévioaval” da MADEIREIRA HERVAL LTDA., já que perante a instituição financeira aquela empresa não possui estrutura patrimonial suficiente para garantir suas próprias operações. Outro aspecto importante é o fato de a MADEIREIRA HERVAL LTDA. ser responsável pela “garantia e assistência técnica” após a venda dos pneus HANKOOK, como comprova a declaração de folhas 759. Em seu relatório a fiscalização chama a atenção para o fato de o exportador HANKOOK participar financeiramente de convenção organizada pela MADEIREIRA HERVAL LTDA., custeando parte dos gastos em publicidade/propaganda. Fl. 6879DF CARF MF 8 Também são anexados aos autos cópias de documentos aprendidos durante as diligências realizadas e que tratam notadamente de “planejamento tributário”, inclusive com alertas claros quanto aos aspectos inerentes ao procedimento adotado, como a hipótese de caracterização de simulação em razão da “venda” para filial seguida de transferência para matriz da MADEIREIRA HERVAL LTDA. Em sua conclusão a fiscalização aduz que sendo a real adquirente dos Pneus HANKOOK, a MADEIREIRA HERVAL LTDA. deveria ter sido declarada nas declarações de importação, contudo não houve tais registros nas mesmas, uma vez que estão em nome da FREE TRADE IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Com tal conduta a MADEIREIRA HERVAL LTDA. deixou de recolher irregularmente tributos ( ICMS, PIS, COFINS, IPI – fl. 2.372) Finalmente, considerando tudo o que foi relatado, a fiscalização entende que tanto na condição de responsável solidário, quanto na de contribuinte, o sujeito passivo MADEIREIRA HERVAL LTDA. permaneceu oculto nas importações. Da mesma forma, na condição de real adquirente, comprador das mercadorias estrangeiras. A conduta causou dano ao Erário. Quanto às faturas comerciais utilizadas para fins de desembaraço aduaneiro, considera que as mesmas foram falsificadas ideologicamente, pois identificam, como comprador, pessoa jurídica interposta, sem identificar o real adquirente. Assim, as mercadorias importadas estão sujeitas à aplicação da pena de perdimento, contudo considerando a impossibilidade de aplicação efetiva da pena de perdimento em razão de ser impossível localizar referidas mercadorias (já revendidas no mercado nacional), foi então aplicada a multa decorrente da conversão do valor aduaneiro das mercadorias. Paralelamente, em razão de 6 operações de importação terem sido beneficiadas com descontos do exportador (relacionado ao pagamento de direitos antidumping ocorridos em operações anteriores), a fiscalização com base no Acordo de Valoração Aduaneira refez a valoração das mercadorias correspondentes, fato que resultou na constituição de crédito tributário decorrente da diferença existente entre os tributos recolhidos no momento do registro das declarações e do efetivamente devido, calculado com base no valor aduaneiro considerado correto. Intimada, a empresa MADEIREIRA HERVAL LTDA. apresentou impugnação de folhas 2.440 a 2.564, anexando os documentos de folhas 2.565 a 5.676. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, há ilegitimidade passiva da ora impugnante. A pena de perdimento, segundo os dispositivos legais, deve ser aplicada à pessoa do importador, e não a uma terceira pessoa, a quem as autoridades fiscais desejam imputar como “real adquirente”. A autuação deveria ter sido lavrada contra o importador que realizou o desembaraço das mercadorias importadas, por ter sido este que “supostamente” teria incorrido na ocultação do real adquirente. O próprio relatório fiscal é enfático ao dizer que não está desconsiderando a constituição da pessoa jurídica da Free Trade, mas sim desconsiderando as operações de importação que a mesma realizou. No processo administrativo n° 10909.001939/200704, mesmas razões do presente auto, a pena de perdimento foi aplicada à Free Trade (posteriormente anulada por decisão judicial), não se observando qualquer diferença no suporte fático que seja apta a afastar a Free Trade do pólo passivo no presente caso; Fl. 6880DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.877 9 Que, a única explicação plausível para que as autoridades fiscais tenham lavrado o auto de infração em testilha contra a ora impugnante é o fato da sua incompetência para autuar a Free Trade (9ª Região Fiscal), já que a fiscalização está na 10ª Região Fiscal. Afrontaram o artigo 12 do Decreto n° 70.235/72 Que, em relação aos tributos há idêntico erro na sujeição passiva da autuação; Que, embora o período autuado seja de 2008 a 2011, a fiscalização aplicou a redação da Medida Provisória nº 497,de 28 de julho de 2010, para fatos geradores anteriores à sua vigência, já que a redação anterior não previa a pena de multa quando a mercadoria fosse revendida (produto nacionalizado, etapa posterior); Que, as operações de importação em tela já foram devidamente analisadas pela autoridade fiscal nos respectivos desembaraços aduaneiro, momento em que foram submetidas à analise documental e física, para verificação da exatidão das informações prestadas, como a identificação do importador e a devida correspondência das mercadorias importadas; Que, falta motivação para revisão aduaneira, não houve respeito ao preceituado no artigo 149 do CTN (lançamento de ofício de revisão), a autoridade fiscal não fundamentou o motivo pelo qual ocorreu o procedimento de revisão, o auto de infração é desmotivado, eivado de nulidade; Que, o Fisco em vários momentos aponta como uma prova préconstituída, em seu favor, o fato de ter sido aplicada uma pena de perdimento contra a empresa Free Trade, a qual teria sido confirmada definitivamente. Porém, não labora com a verdade a fiscalização, haja vista que é de seu conhecimento que há mais de 02 anos foi proposta ação anulatória visando invalidar aquele ato. A sentença de mérito prolatada pelo Poder Judiciário reconheceu como indevida a pena de perdimento aplicada, condenando a União a indenizar aquela empresa no valor da mercadoria leiloada, além de lucros cessantes e danos morais; Que, em outra ação judicial impetrada por aquela empresa, a sentença prolatada pelo Poder Judiciário (antecipação de tutela) reconhece a não incidência do IPI nas operações de revenda do produto importado, o qual não passe por nenhum processo produtivo, ou seja, que apenas seja revendido. Tal informação, omitida pela fiscalização, contraria a assertiva feita por esta e relacionada a “quebra de cadeia do IPI”. A União foi condenada à restituir à Free Trade os valores de IPI sobre “revenda”; Que, a inexistência de incidência do IPI nas operações de revenda afasta por completo a afirmação de que poderia haver qualquer prejuízo ao Erário Público. Os tributos, quando da importação, foram recolhidos; Que, o caso representa uma represália imposta pela fiscalização em razão do ajuizamento das ações judiciais; Que, ocorreu nulidade em face da ausência de convênio específico na fiscalização e protocolo de autoridades incompetentes; Que, tanto o procedimento de fiscalização, quanto o auto de infração são nulos em face das provas terem sido obtidas de forma ilícita, houve violação ao direito ao Fl. 6881DF CARF MF 10 sigilo fiscal, ao direito de correspondência e ao direito à inviolabilidade do domicílio. Não havia mandado judicial. Os documentos instrutórios do presente processo administrativo devem ser desentranhados e devolvidos aos seus titulares, haja vista a ilicitude no meio de obtenção das referidas provas; Que, há ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso. Há verdadeira tentativa de desconsiderar as operações de importação diante da impossibilidade jurídica de desconsiderar a operação de revenda da Free Trade para a impugnante; Que, a interposição de terceiros para poder ser considerada fraudulenta, deve estar demonstrada com a falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Contudo não conseguindo enquadrar o caso dos autos nesta situação, a fiscalização tratou dos fatos aplicandoos em normas incompatíveis; Que, a fiscalização não possui competência para tratar de tributo estadual (ICMS), contudo trata de dano ao Erário em razão do benefício fiscal concedido pelo Estado de Santa Catarina; Que, o marco decadencial para a Administração Fazendária se insurgir contra o contribuinte é a data do registro da Declaração de Importação. Requer seja cancelado parcialmente o auto de infração (DI’s registradas antes de 03/08/2012 – fl. 2.488); Que, a própria documentação juntada pela fiscalização dá conta de demonstrar a veracidade das informações acerca da constituição da importadora; Que, após os primeiros anos de importações, os quais inicialmente eram feitas pela impugnante, tanto para si, quanto para as demais empresas do Grupo Herval, percebeuse da necessidade de que tal atividade fosse individualizada, separada e concentrada em uma nova empresa, surgindo, com isto, a Free Trade, visando também fins logísticos e de menor custo portuário, além dos incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Santa Catarina (fl. 2.490); Que, o próprio Poder Judiciário já exarou medida judicial, que reconheceu a Free Trade como importadora e a regularidade das suas importações, ademais o parágrafo único, do artigo 116 do CTN carece de regulamentação em lei, a autoridade fiscal não pode simplesmente desconsiderar a Free Trade como importadora e as operações por ela realizadas; Que, quanto a integralização do capital social da Free Trade, questionado pela fiscalização em razão do capital que veio dos sócios, que também são sócios da impugnante, nunca se negou que exista um grupo econômico, tampouco que sejam os mesmo sócios, como o são em várias outras empresas do mesmo grupo, tais como na H. LAR CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA., HERVAL NORDESTE INDÚSTRIA DE MÓVEIS, COLÇÕES E ESPUMAS LTDA., ...além de empresas do segmento de consórcio, corretora, financeira e tantas outras. Não houve qualquer ato oculto ou simulado relacionado a integralização, os sócios simplesmente em vez de receber os valores relacionados aos juros sobre capital próprio devido pela impugnante, optaram por receber o crédito que a impugnante possuía junto à Free Trade. Por sua vez, os sócios ao invés de cobrar a dívida daquela empresa, integralizaram tais valores com a subscrição de novas quotas, ato legal e realizado em apenas uma operação de subscrição, as demais o foram por formas diversas, como incorporação de outra empresa, ou mesmo aporte direto de dinheiro pelos sócios; Fl. 6882DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.878 11 Que, os Balanços Patrimoniais indicam que a Free Trade é uma empresa que não depende do financiamento junto a terceiros, com passivo circulante reduzido e excelente ativo circulante, com liquidez exemplar, estando entre as empresas de maior potencial no País. Não se trata de empresa deficitária e sem qualquer capacidade financeira ou econômica. Apresenta atestados de instituições financeiras; Que, a Free Trade possui capacidade e autonomia estrutural. A administração comercial é realizada pelo Sr. Germano Grings, fato este constante nos atos constitutivos daquela importadora. O Sr. Germano é diretor comercial daquela empresa, atuando como tal, fato que nunca foi negado ou ocultado. Não há nenhum empecilho para que o mesmo administrador o seja presente em mais de uma empresa, principalmente quando se está diante um mesmo grupo econômico, como no caso em tela (vide atos constitutivos das empresas do Grupo Herval anexados). Que a Free Trade dispõe de área construída de aproximadamente 5.000m² , espaço suficiente para realizar as atividades, anexa “ata notarial” para ratificar suas afirmações; Que, o fato do administrador encontrarse em município diverso da matriz em nada altera a capacidade, ou a autonomia das empresas, tampouco retira a credibilidade das suas determinações. Os meios de comunicação permitem a perfeita administração de tais empresas. De igual sorte o Sr. Arnaldo não é apenas contador da impugnante, como também o é de todas as outras empresas do Grupo Herval, incluída a Free Trade, não existindo qualquer vedação a que um contador possa atuar em mais de uma empresa ao mesmo tempo; Que, como comprovam os livros de saída da Free Trade, verificase que a mesma não importou apenas pneus, como faz crer a fiscalização, tampouco, portanto, que tenha sido criada apenas para a importação destes produtos. Seus clientes, além da impugnante, estão em vários Estados da Federação Brasileira, sendo compostos por várias pessoas; Que, a quantidade de funcionários não está diretamente vinculada ao faturamento, ou mesmo à lucratividade de uma empresa. A atividade desenvolvida pela Free Trade não necessita de uma quantidade exacerbada de funcionários, o sistema “just in time” implica em um melhor gerenciamento das mercadorias. Não é necessário inchar o quadro de pessoas, com controles e estruturas desorganizadas para que se considere legítima e qualificada a gestão ou personalidade de uma empresa. Deve é ser prestigiada a eficiência e não a incompetência. Este fundamento demonstrase desprovido de qualquer razoabilidade; Que, os questionamentos relacionados ao ativo permanente (baixo) para o volume do seu faturamento beiram o despautério. As empresas não podem mais alugar imóveis para trabalhar?; Que, o prejuízo na Free Trade, observado pela fiscalização, decorre de dois fatores importantes: a aplicação da pena de perdimento em 2007 e a crise mundial de 2008 (variação cambial). Anexa laudo de empresa de contabilidade especializada. Lucro é diferente de preço de venda; Que, não é possível comparar o preço de venda ao consumidor final com o preço de venda de mais de milhares de unidades por mês feitas à impugnante (juros, transporte, risco, comissões, etc.); Fl. 6883DF CARF MF 12 Que, embora a Hankook mencione em alguns emails “Herval” nunca mencionou Madeireira Herval, mas sim Grupo Herval. Quanto ao controle interno (códigos) realizados por aquela empresa, este decorre do fato de tal abreviação ter sido criado em época anterior (anos antes) e não ter sido alterado pelo fornecedor; Que, como destacado e comprovado, a Herval comercializa sim pneus da marca Hankook, fato este, também, sempre declarado e comprovado, nunca negado, razão pela qual, por lógica de qualquer mercado, a Hankook tem todo o interesse em estimular que o mercador se desenvolva, decorrendo daí os auxílios com ações de marketing, fato normal para quem trabalha diretamente no comércio, como no caso da impugnante, que é quem vende às pessoas físicas que transitam pelas avenidas e estradas ( o que não acontece com o importador); Que, em mais de 05 (cinco) anos, em todas as vendas feitas para a Madeireira Herval de SP, nunca houve nenhuma venda para a sua filial de Itaiópolis, basta que analise as cópias dos livros de entrada da ora impugnante e do livro de saída da própria importadora. As vendas para o Estado de São Paulo sempre foram diretas; Que, quanto ao conteúdo dos emails apreendidos houve interpretação equivocada por parte da fiscalização. O projeto oferecido pela Alliance Consultoria sequer foram adotados pelas empresas do grupo. Em tais correspondências resta clara a preocupação do Sr. Germano para todos os procedimentos sejam realizados dentro da lei. Sequer houve operações nos termos em que o consultor da Consultoria Tozzini Freire Teixeira e Silva Advogados estaria questionando. Os emails particulares comprovam a licitude de sua constituição. Nas correspondências relacionadas ao dumping resta clara a preocupação do grupo em manterse tudo em conformidade com a legislação. Os emails relacionados ao problema com DANFE há solicitação para que não se repita o erro, qual seja, circulação com cópia de DANFE, ao invés da própria DANFE; Que, o email relacionado a declaração feita pelo Sr. Germano, na qualidade de diretor da Herval, destaca que a Madeireira Herval tinha autorização da Hankook para comercializar e dar assistência técnica (e não importar); Que, os tributos recolhidos por ocasião do desembaraço aduaneiro tornaramse indevidos e devem ser objeto de dedução do débito lançado no auto de infração ora combatido; Que, deve ser excluída da autuação a parcela de valores relacionadas às vendas da importadora para terceiros que não a impugnante; Que, desconto não pode ser objeto de tributação. O desconto foi obtido na própria operação e não em anteriores, cita o artigo 21 da Instrução Normativa SRF n° 327/03; Requer seja cancelado o auto de infração em razão dos argumentos preliminares e de mérito apresentados na peça de defesa; não sendo acolhido o pedido, seja parcialmente cancelado em face dos motivos já consignados na impugnação apresentada. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 Fl. 6884DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.879 13 LEGITIMIDADE PASSIVA NA INFRAÇÃO. A responsabilidade pela infração pode ser atribuída conjuntamente ou isoladamente ao responsável solidário e ao contribuinte, quando da práticas de infrações que recaiam sobre o adquirente ou encomendante de mercadorias de procedência estrangeira PERDIMENTO DE MERCADORIA POR OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO NA IMPORTAÇÃO. A falta de identificação da pessoa jurídica encomendante ou contratante por conta e ordem na declaração de importação, mediante utilização de fraude ou simulação, acarreta a pena de perdimento da mercadoria importada. Impugnação Improcedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A lide ora analisada gira em torno de lançamento fiscal de multa relacionada à prática de infração de dano ao erário por ocorrência de interposição fraudulenta comprovada, mediante simulação ou fraude. Preliminares Inicialmente, a Recorrente suscita várias questões preliminares e prejudiciais, visando a nulidade do auto de infração, que a seguir serão analisadas individualmente. Parte das preliminares e prejudiciais suscitadas pela Recorrente já foi objeto de análise na 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF, por ocasião do julgamento do processo administrativo nº 10516.720006/201292, referente aos mesmos fatos aqui discutidos que levaram a autuação da empresa FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA atinente a multa por cessão de nome. Tendo em vista a conexão de ambas as multas (cessão de nome e substitutiva da pena de perdimento) e a similaridade das Fl. 6885DF CARF MF 14 alegações, utilizome de parte das conclusões tomadas pelo Conselheiro Relator Winderley Morais Pereira no acórdão nº 3201002.985 proferido em 29 de junho de 2017, in verbis: Ilegitimidade ativa pela incompetência das autoridades autuantes; A embargante alega ilegitimidade da autoridade autuante, em razão dos Auditores Fiscais responsáveis pelo lançamento estarem lotados na Inspetoria da ReceitaFederal do Brasil em Porto Alegre 10ª Região da RFB e a empresa possuir seu domicílio na cidade de São José no Estado de Santa Catarina na 9ª Região RFB. Quanto a competência do Auditor Fiscal para o lançamento fiscal em domicilio diverso do contribuinte, este Conselho já enfrentou a matéria existindo posição pacifica pela validade do lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil independente de sua lotação ou do domicilio do sujeito passivo. Posição formalizada na Súmula CARF nº 27. Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Preclusão lógica e da falta de motivação para revisão aduaneira, sem o competente lançamento de revisão de ofício; Alega a Recorrente, que a revisão aduaneira prevista no art. 638 do Decreto nº6.759/09, somente poderia ocorrer nas hipóteses previstas no art. 149 do CTN, que segunda a Recorrente, traz um rol taxativo de situações em que a revisão de ofício seria possível e por consequência a Revisão Aduaneira. Os diplomas legais alegados pela Recorrente são os seguintes: Art. 638, do Decreto nº 6.759/09. Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2º; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº º37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei nª 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Art. 149, do CTN. Fl. 6886DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.880 15 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusase a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Entendo, não assistir razão ao Recurso, a redação do art. 638 do RA deixa cristalino que a revisão aduaneira é o procedimento de verificação da regularidade da operação de importação, podendo a atividade da Fiscalização revisar todos as informações prestadas pelo importador. A alegação que a revisão aduaneira por tratarse de revisão de ofício não poderia existir sem a comprovação de um dos itens previstos no art. 149 do CTN, não guarda nenhuma relação com a legislação tributária. Por mais que a Recorrente tente fazer ligações entre os dois diplomas legais previstos no Regulamento Aduaneiro e no Código Tributário Nacional, não vislumbro nenhuma ilegalidade no procedimento de revisão aduaneira adotado pela Fiscalização Aduaneira da Receita Federal. O procedimento de revisão existe em previsão própria do Regulamento Aduaneiro e ocorrendo dentro do prazo de 5 (cinco) anos previstos na legislação, não possui restrições vinculadas ao art. 149 do CTN. A existência de precedentes judiciais; Inveracidade da premissa do fisco pena de perdimento afastada anulação do processo administrativo nº 10909001.939/200704; reconhecimento do Fl. 6887DF CARF MF 16 poder judiciário da inexistência de relação jurídicatributária de IPI sobre as operações de "revendas" da ora embargante; condenação da união para restituir à ora embargante os valores de IPI sobre "revenda"; inexigibilidade de IPI nas operações de "revenda", por força de antecipação de tutela na sentença; represália imposta pela fiscalização em razão do ajuizamento das ações judiciais; Quanto a alegação de obediência a precedentes judiciais, é mister ressaltar que o julgador administrativo somente está vinculado a decisões judiciais em que a Recorrente esteja atuando como parte e que trate de matéria referente ao objeto submetido ao julgamento administrativo. Decisões judiciais que não tratem especificamente da mesma matéria tratada no presente processos não interferem no presente julgamento. As alegações que existiria uma represália da Fiscalização em razão da ações judiciais movidas com a União são argumentos que carecem de base legal para alterar o lançamento. A irresignação da Recorrente necessita de argumentos jurídicos, questões genéricas desamparadas de comprovação não interferem no julgamento. Inexistência de dano ao erário; Alega a Recorrente a inexistência da incidência do IPI nas operações de revenda, confirmaria a inexistência de dano ao erário. Também para esta matéria entendo não assistir razão ao recurso. A turma já analisou as alegações da Recorrente quanto ao mérito da existência da cessão de nome, conforme bem esclarecido no mérito da decisão, portanto, tendo a turma decidido pela existência da interposição fraudulenta com a cessão de nome para terceiros, a incidência do IPI não é condição exigida para que seja declarada a interposição e a cessão de nome. Ademais a matéria já foi objeto de deliberação por parte da turma e os embargos no que concernem ao mérito da decisão da turma não foi admitido. Portanto, mantendose a decisão de mérito, tornase irrelevante a discussão sobre a incidência do IPI na revenda como matéria possível de alterar o julgamento, já decidido no mérito. Nulidade da fiscalização e do auto de infração em face das provas obtidas de forma ilícita; Alega a Recorrente que a obtenção de provas a partir da operação realizada na sede da empresa, deveria ocorrer com amparo de medida judicial e que os procedimentos da Autoridade Fiscal ofenderam os princípios constitucionais previstos no Art. 5ª, incisos X, XI, XII. Entendo não assistir razão a Recorrente, nos termos constantes do relatório fiscal todos os documentos apreendidos foram objeto da operação dentro da sede da empresa, em nenhum momento ocorreu operação fora do estabelecimento da pessoa jurídica. ou que tenha apreendido ou utilizado documentos pessoais dos sócios ou quaisquer outros funcionários da empresa. Todos os documentos e correspondência eletrônicas apreendidas tratam de documentos comerciais e referentes as atividades da pessoa jurídica fiscalizada. Assim, descabe a alegação de violação de individualidade e residência. Quanto a alegada falta de competência do Auditor Fiscal em buscar documentos referentes a contas bancárias e correspondências eletrônicas, a legislação é robusta em permitir ao Auditor Fiscal que realize as diligência e retenções de documentos necessários ao trabalho da auditoria fiscal, conforme pode ser verificado nos diplomas normativos a seguir transcritos: Art. 159 do CTN. Fl. 6888DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.881 17 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Lei nº 9.430/96 Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Portanto, a Autoridade Fiscal possui competência legal para acessar e se necessário realizar as apreensões de documentos, inclusive arquivos magnéticos em procedimento de auditoria fiscal levado a termo em pessoa jurídica. Não existindo nenhuma ilegalidade no procedimento realizado pela Auditoria Fiscal constante do Procedimento Fiscal, que deu origem ao lançamento fiscal controlado no presente processo. Ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso; capitulação formal em fato diverso do apresentado, face à impossibilidade de enquadramento do dano ao erário " ocultação" x "interposição de terceiros"; Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso também quanto a estas matérias. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foi interposto recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Fl. 6889DF CARF MF 18 As demais questões preliminares e prejudiciais suscitadas, não coincidentes com o voto anteriormente transcrito, serão a seguir analisadas. Nulidade em face da ausência de convênio específico na fiscalização e protocolo de autoridades incompetentes O compartilhamento de informações entre as Fazendas Públicas tem fundamento no Código Tributário Nacional, podendo ser instituído por lei ou convênio, conforme preceitua o seu art.199: Art.199 A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo ùnico. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nessa direção, a Secretaria da Receita Federal firmou em 12/09/2000 convênio de cooperação com a Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul, publicado no Diário Oficial nº179, Seção 3, página 4, de 15/09/2000, objetivando o intercâmbio de informações econômicofiscais e a prestação de mútua assistência na fiscalização dos tributos que administram, nos seguintes termos: 1 NATUREZA Convênio de Cooperação Técnica que entre si celebram a União, representada pela Secretaria al Receita Federal SRF, e o Estado do Rio Grande do Sul, representado pela Secretaria da Fazenda. 2 OBJETO I – intercâmbio de informações cadastrais e econômicofiscais, inclusive sobre comércio exterior, II Uniformização e atualização de dados cadastrais dos contribuintes, III Aperfeiçoamento da coleta e organização de dados, para subsidiar as atividades de fiscalização e cobrança, inclusive cooperação para o desenvolvimento de sistemas de informação na área tributária; IV Permuta e aperfeiçoamento de técnicas e metodologias adotadas no trabalho fiscal, V Realização de atividades conjuntas de fiscalização e cobrança dos tributos administrados pelos convenentes, com utilização de recursos providos pelos respectivos órgãos; e VI Intercâmbio de informações decorrentes de lançamentos de oficio realizados pelos convenentes. 03 PRAZO DE VIGÊNCIA. Prazo indeterminado a partir da data de sua assinatura, e poderá ser rescindido a qualquer momento por qualquer dos convenentes. 4 DATA DA ASSINATURA: 12 de setembro de 2.000. 5 NOME DOS SIGNATÁRIOS. Pela Secretaria da Receita Federal. Sr Everardo de Almeida Maciel Secretario da Receita Federal e pelo Estado do Rio Grande do Sul, Sr. Amo Hugo Augustin Filho Secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul Fl. 6890DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.882 19 (negritos nossos) Ademais, firmouse também, entre os citados órgãos, o protocolo 01/2000, de 01/07/2011, com o objetivo de se criar o grupo especial de trabalho para desenvolver atividades de pesquisa, investigação, diligências e fiscalizações, pelas equipes de fiscalização estadual e federal. Observase que todos os procedimentos desenvolvidos pelas autoridades fiscais dos entes tributários, em ação fiscal conjunta, estavam devidamente fundados no convênio e protocolo celebrados entre eles. O item 2Objeto, IV do convênio, anteriormente reproduzido, dispõe exatamente sobre autorização de realização dos procedimentos de fiscalização realizados no caso ora analisado. Portanto, entendo que a existência de convênio de cooperação entre os entes tributantes, juntamente com protocolo de criação de grupo especial, são instrumentos legais necessários e suficientes para autorizar os procedimentos fiscais realizados em conjunto pelos Auditores da Receita Federal e da SEFAZRS. Quanto a alegação de que o convênio necessariamente deveria ter sido lavrado com a SEFAZSC, estado no qual as mercadorias ingressaram no país, ao invés da SEFAZRS, como foi feito pelos Auditores Fiscais, também não tem qualquer fundamento, uma vez que cabe aos representantes da SRF avaliar quais tipos de procedimentos fiscais que deseja realizar e qual a forma mais adequada de executálos. No presente caso, nada mais natural o estabelecimento de convênio com a SEFAZRS tendo em vista que o grupo empresarial ao qual a acusada pertence tem predominânia de gestão e operação no estado do Rio Grande do Sul e as mercadorias importadas irregularmente tiveram como destino a Recorrente, que possui sede no mesmo estado. Dessa forma, os atos praticados pelos Auditores Fiscais com fundamento no citado convênio são válidos para fundamentar o auto de infração ora analisado. Irretroatividade da Lei nº 12.350/2010 aos fatos anteriores à sua vigência e sua repercussão ao presente auto de infração Nesse ponto, a Recorrente questiona a possibilidade de aplicação da multa (conversão da pena de perdimento) decorrente da infração de dano ao erário em operações de importações, cujos fatos geradores ocorreram anteriores a vigência da medida provisória nº497/2010 (convertida na Lei nº12.350/2010), porque não existiria previsão de aplicação da referida multa para os casos em que as mercadorias foram revendidas. Transcrevese a seguir a redação original do dispositivo legal (art.23 do Decretolei nº1.455/76) que regulava a matéria anteriormente à vigência da Lei nº12.350/2010: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou Fl. 6891DF CARF MF 20 simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (negrito nosso) O parágrafo terceiro do artigo transcrito sofreu substancial alteração por meio da MP nº497/2010, posteriormente convertida na Lei nº12.350/2010, in verbis: (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (negrito nosso) Percebese pela redação original do art.23, inciso V, do Decretolei nº1.455/76 que já havia previsão da caracterização de dano ao erário em razão de interposição fraudulenta tanto nas operações de importação como nas de exportação. No entanto, só havia previsão de conversão da pena de perdimento em multa equivalente para os casos relacionados de interposição fraudulenta ligada a operações de importação. A edição da MP nº497/2010 veio justamente suprir a lacuna existente na lei quanto a não previsão de punição para os casos de interposição fraudulenta ocorridos em operações de exportação, em nada afetando, portanto, as operações de importações que já possuíam previsão legal de punição na sua redação original. A Recorrente alega, entretanto, que no caso de mercadoria importada revendida, inexistiria previsão legal antes da edição da MP nº497/2010 para a aplicação da multa de valor equivalente em substituição à pena de perdimento, isto porque somente a partir da nova redação do dispositivo em comento é que se passou a prever a aplicação da multa nesses casos de mercadorias revendidas. Equivocase a Recorrente em sua argumentação, uma vez que o motivo determinante para a conversão da pena de perdimento em multa, no caso concreto, foi a sua não localização, como se pode conferir em trecho do Relatório Fiscal (fls.201), in verbis: Tendo em vista a impossibilidade de localizar e apreender as referidas mercadorias, aplicase a multa equivalente ao valor Fl. 6892DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.883 21 aduaneiro, conforme demonstra o Relatório de Fiscalização anexo. (negrito nosso) As mercadorias envolvidas na importação (pneus) são por natureza bens de consumo não duráveis de difícil recuperação pela Fiscalização depois que entram no mercado nacional. Os Auditores atestam em seu Relatório Fiscal a impossibilidade de localização dos pneus importados. Assim, comprovados nos autos a impossibilidade de localização dos bens importados irregularmente para apreensão, e caracterizada a infração de dano ao erário, resta evidente que os fatos apurados pela Fiscalização se subsumem a hipótese legal de aplicação da multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias, prevista no art.23, inciso V, § 3º,do Decretolei nº1.455/76. Ilegitimidade Passiva da Recorrente A ilegitimidade passiva alegada pela Recorrente deve ser rechaçada porque não se identifica no lançamento fiscal qualquer erro na identificação do sujeito passivo. Não há benefício de ordem na solidariedade aqui discutida, podendo figurar na posição de contribuinte o real adquirente das mercadorias importadas A redação do art. 95, I, do DL nº 37/66 é clara quanto a isso: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória no 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei no 11.281, de 2006) (negritos nossos) Fl. 6893DF CARF MF 22 Nesse sentindo, também é a jurisprudência deste Colegiado, a exemplo do acórdão nº 3101001.009 da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 13 de fevereiro de 2012, que trata de caso envolvendo interposição fraudulenta comprovada, cujo trecho da ementa é a seguir reproduzido: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 26/04/2004 a 21/01/2005 Ementa: PÓLO PASSIVO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO. A solidariedade no pólo passivo da relação jurídica tributária não permite dizer que houve erro na identificação do sujeito passivo, até porque não há benefício de ordem na solidariedade tributária aqui tratada. Inteligência do art. 95, I, do DL nº 37/66. Assim, nenhum vício foi identificado na identificação do sujeito passivo no presente auto de infração, podendo ser indicado isoladamente o real adquirente de mercadoria importada ou o encomendante e o importador, conforme institui o Decretolei nº 37/66, artigo 95. Inovação na fundamentação Alega a Recorrente que o fundamento basilar do auto de infração foi a ocultação do real importador, tendo em vista a total ausência de condições estruturais, financeiras, operacionais, administrativas da interposta importadora FREE TRADE para realizar a sua atividade econômica de importação de bens para revender. No entanto, segundo o seu entendimento, o Julgador no acórdão vergastado teria promovido inovação na fundamentação do lançamento fiscal, uma vez que se utilizou de outras argumentações não presentes na acusação fiscal e se esquivou de analisar as suas argumentações contra a fundamentação original do auto de infração. Não procede a reclamação da Recorrente, pois não foi identificada inovação da fundamentação do lançamento fiscal. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, conforme se depreende do Relatório da Fiscalização, a acusação fiscal não se baseou apenas na falta de estrutura da Imprtadora FREE TRADE, mas sim no conjunto dos fatos apurados e provas obtidas no transcorrer do procedimento fiscal. Nessa direção, noticiase no Relatório Fiscal outros elementos para suportar a acusação, além daquele indicado pela Recorrente, tais como: i) a MADEIREIRA HERVAL é detentora da marca Hankook e a única autorizada a comercializar e dar assistência técnica dos pneus; ii) apreensão de relatório da PERSONALITY ASSESSORIA EMPRESARIAL, datado de 03 de março de 2010, no qual demonstra as preocupações da empresa de consultoria quanto ao planejamento tributario operado pelo grupo Herval, com possíveis repercussões tributárias indesejáveis; iii) documentos apreendidos e mensagens eletrônicas que corraboram com a acusação de que as importações da FREE TRADE são realizadas por decisão e interesse da MADEIREIRA HERVAL; iv) inúmeras mensagens eletrônicas que comprovam funcionários da Madeireira Herval como únicos responsáveis pelas negociações quanto aos modelos e quantidade referentes aos pedidos para a fornecedora dos pneus Hankook; e v) a margem de lucro praticada nos preços de “revenda”da FREE TRADE para a empresa MADEIREIRA HERVAL. em nada se equiparam a condições de livre negociação. Fl. 6894DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.884 23 Observase que a autuação foi baseada em um conjunto abundante de provas e indícios que foram ricamente detalhados pelos Autores Fiscais em seu Relatório Fiscal. Na decisão recorrida, o Julgador analisou todo esse suporte fático e jurídico apurado pela Fiscalização a fim de obter o seu convencimento quanto a procedência da autuação. Não houve, assim, inovação na fundamentação do lançamento, pois todos os fatos indicados pelo julgador como suporte da sua decisão tiveram como origem o próprio Relatório Fiscal do auto de infração, inexistindo qualquer agressão ao direito de defesa da Recorrente. Quanto ao não pronunciamento do Relator no acórdão sobre todos os pontos suscitados na sua defesa, é entendimento predominante neste Colegiado que o julgador não é obrigado a fazer referência ou rebater cada um dos argumentos apresentados pelo Contribuinte na sua defesa se os argumentos abordados na decisão já se mostram suficientes para a formação do seu convencimento. Ausência de apreciação da Impugnaçãoviolação ao direito da ampla defesa, contraditório e devido processo legal A Recorrente pede a nulidade do acórdão recorrido pois o Auditor da DRJ teria deixado de julgar as matérias suscitadas na impugnação apresentada para repetir todos os fundamentos do voto condutor do acórdão proferido no processo administrativo nº10516.720006/201292. Noticiase nos autos a existência de outro processo de auto de infração (nº10516.720006/201292) de multa decorrente da mesma fiscalização que autuou a empresa FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA por cessão de nome. Em seu voto o Conselheiro Redator do acórdão recorrido informa sobre o julgamento por outra turma da DRJ do processo citado e se utliza das razões de decidir da decisão já proferida, tendo em vista a conexão de ambas as multas e a similaridade das alegações nas impugnações, transcrevendo parte do julgamento do referido processo. Constatase que ambos os processos foram fundamentados nos mesmos fatos apurados pela Fiscalização. A infração atribuída a cada empresa e a correspondente penalidade caracterizada é que foram diferentes em observância das condutas das envolvidas. Enquanto no caso aqui discutido foi caracterizada a infração de dano ao erário, no outro processo a conduta da FREE TRADE levou a acusação de infração de “cessão de nome”. Embora as infrações caracterizadas nos dois processos sejam diferentes, é notório que os fatos apurados ensejadores da imputação as acusadas são idênticos, inclusive embasados no mesmo Relatório Fiscal. Dessa forma, entendo que não houve qualquer mácula ao presente processo, se neste foi adotado parte da fundamentação daquele referente a ”cessão de nome”, uma vez que esta se mostra clara e congruente com a matéria ora analisada. Aliás, a legislação de processo tributário prevê a possibilidade do julgador fundamentar o seu voto em decisão anteriomente proferida, desde que expresse a sua concordância com tais fundamentos da decisão utilizada, conforme se depreende do § 1o do art.50 da Lei nº9.784/98, a seguir reproduzido: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) Fl. 6895DF CARF MF 24 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Temse que tal procedimento de fundamentar uma decisão, utilizando os fundamentos de outra com a qual tenha similaridade nos fatos, é corriqueiro no âmbito do processo administrativo, abrigado pelo disposito acima transcrito. Assim, estando explicitadas no auto de infração as fundamentações fática e jurídica ensejadoras da autuação, não se identifica ocorrência de cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Necessidade de julgamento conjunto do presente processo com processo administrativo nº10516.720006/201292 (autuação multa cessão de nome) Subsidiariamente, no caso de não acolhimento das nulidades argüidas, a Recorrente solicita o julgamento conjunto do presente processo com o de multa de cessão de nome lavrado contra a empresa FREE TRADE, visando obter uma decisão conjunta e uniforme deste Colegiado. Embora reconheça a conexão entre os processos das multas lançadas, por se basearem em fatos idêncicos, e desejável o julgamento conjunto conforme indicado no § 1o do art.6º, I, do RICARF, infelizmente, conforme antes informado, o processo de multa por “cessão de nome” já foi objeto de julgamento por outra turma deste Conselho, o que torna irrealizável a demanda da Recorrente. Mérito Conforme já consignado, a acusação fiscal é de ter ocorrido importação de mercadorias com ocultação do real adquirente na modalidade comprovada, mediante simulação ou fraude, restando caracterizada a infração de Dano ao Erário, na forma prevista no inciso V do artigo 23, do DecretoLei nº1.455/1976. Como se sabe, a legislação aduaneira, visando o combate à prática de interposição fraudulenta de terceiros, tipificou a conduta de dano ao erário punível com a aplicação da pena de perdimento de mercadorias decorrente da ocultação do real sujeito passivo em operações de importação ou exportação, por meio do artigo 23 do Decreto n. 1.455/76, abaixo transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) Fl. 6896DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.885 25 § 1oO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2oPresumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Depreendese, quanto à comprovação, que a legislação transcrita prevê dois tipos de interposição fraudulenta: presumida.e comprovada. A interposição fraudulenta presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Destarte, com base em presunção legalmente estabelecida no § 2º do art.23 do Decretolei nº 1.455/1976), configurase a interposição fraudulenta e aplicase o perdimento (ou a multa que a substitui). É do importador o ônus de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação por ele declaradas, mediante documentação hábil e idônea, dentre elas contrato de câmbio, comprovante da liquidação cambial, extrato das movimentações financeiras correspondentes, etc. Assim, para a caracterização da interposição fraudulenta presumida basta que a empresa não consiga comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. A presunção legal em questão se caracteriza como relativa, ou juris tantum, admitindo prova em contrário. Após o lançamento, o ônus da prova de não ocorrência da interposição presumida recai sobre a empresa, devendo esta trazer ao contencioso administrativo documentação hábil para desconstruir as conclusões da presunção lançada. Na interposição comprovada, por sua vez, cabe à fiscalização buscar elementos probatórios no sentido de demonstrar que a empresa fiscalizada está realizando a operação de importação acobertando um terceiro que se constitui no real beneficiário da operação. Quando resta demonstrado a interposição, aplicase a pena de perdimento (ou a multa que a substitui), com fundamento no inciso V do art.23, do Decretolei nº1.455/76 e em seu § 3º. O sujeito passivo que deve ser penalizado pela referida multa é o terceiro acobertado, enquanto o acobertante responde como responsável solidário, nos termos do art.95 do Decreto lei nº37/66, além da multa por acobertamento prevista no art.33 da Lei nº11.488/2007. Para a caracterização da interposição fraudulenta comprovada é necessário que as condutas realizadas pelas envolvidas se subsumam ao tipo previsto no inciso V do art.23, do Decreto Lei nº1.455/76. Os elementos do tipo previsto nesse dispositivo legal são a interposição ou Fl. 6897DF CARF MF 26 ocultação do real comprador e a fraude ou simulação. Sem a comprovação de ambas elementares, não pode ser caracterizada a interposição fraudulenta. Ainda nos casos de acusação de interposição fraudulenta comprovada, a fim de caracterizar a conduta ilícita, a fiscalização deve carrear aos autos um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com a intenção de incluir interposta pessoa entre o real adquirente e a Autoridade Aduaneira, sempre com o objetivo da primeira permanecer oculta nas operações de comércio exterior. Portanto, o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, é do fisco, que deve trazer aos autos um conjunto de elementos probatórios suficiente para atestar a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. No presente caso, a fiscalização apurou que, embora a empresa FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA tivesse identificado nas DIs como importadora por conta própria, na realidade, ela atuara como interposta pessoa, acobertando o real adquirente, que no caso foi a Recorrente MADEIREIRA HERVAL LTDA. Com efeito, o caso ora analisado trata de acusação de interposição fraudulenta provada, uma vez que nas diligências efetuadas pela Ficalização apuraramse diversos fatos e provas que levaram a conclusão de que as operações entre a FREE TRADE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e a MADEIREIRA HERVAL LTDA foram simuladas, com o objetivo de burlar os controles aduaneiros e obtenção de economia de impostos tanto federais, como estaduais. Em sua defesa, a Recorrente equivocase ao afirmar que para a caracterização da interposição fraudulenta seria necessária a demostração da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Conforme já consignado no presente voto, a interposição fraudulenta pode se dar nas modalidades presumida e comprovada. A presumida é que envolve a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, fundada no § 2º do inciso V do Decretolei nº1.455/76. Pelos elementos constantes nos autos, percebese facilmente que o lançamento fiscal está relacionado com a interposição fraudulenta comprovada, uma vez que foi identificadoo real adquirente da mercadoria. Transcrevese a seguir trecho do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que demonstra a qual modalidade de interposição fraudulenta os fatos apurados se subsumiram: Fl. 6898DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.886 27 Resta demonstrado que a autuação se fundamentou na interporsição fraudulenta comprovada, não guardando nenhuma relação com a modalidade presumida alegada pela Recorrente. Cabe analisar, a partir de agora, se as provas e fatos apurados nas diligências fiscais se subsumem a norma caracterizadora da interposição fraudulenta. Quanto ao financiamento das importações, a Fiscalização demonstrou que no período inicial de funcionamento da FREE TRADE, no período de 12/2006 a 08/2007, as operações de importação foram lastreadas por empréstimos concedidos pela MADEIREIRA HERVAL no montante aproximado de R$ 10.000.000,00 no período. Tais empréstimos não exigiram desembolso para quitação, uma vez que a sua baixa na contabilidade da FREE TRADE se deu por meio de compensação com o aumento do capital social em valor equivalente no nome dos sócios em comum das duas empresas. Transcrevo, a seguir, a descrição da Fiscalização de como se deram essas operações: Pelo que se expõe, constatase que a “capitalização” FREE TRADE, ocorreu assim: da pessoa jurídica 1 A HERVAL reconhece o direito dos sócios à percepção de “juros sobre c apitais próprios”, criando um “passivo” a ser pago aos sócios. 2 A Herval concede empréstimos à Free Trade, valores utilizados como adiantamento de recursos para as despesas de importações, criando um ativo na Herval e um passivo na FREE TRADE. 3 A fim de quitar esses emprétimos(sem ter que pagálos com dinheiro), Free Trade aumenta seu capital fazendo com que os Fl. 6899DF CARF MF 28 sócios (Herval e Free Trade possuem o mesmo quadro social), subscreemno. 4 Finalmente, há um encontro de “dívidas” e conseqüentemente suas extinções por “termo de quitação e ou cessão de créditos”. Logo, o DEVER da Herval em pagar JUROS aos sócios é “baixado” contra o DEVER o dever dos sócios de integralizarem o capital social da FREE TRADE. Ai está, portanto, o planejamento que garantiu uma “suposta” autonomia financeira” para a Free Trade interporse nas importações realizadas, DE FATO, por MADEIREIRA HERVAL LTDA durante todo o período Reiterase que a aparente autonomia financeira, construída a partir das primeiras antecipações de recursos para importações é que permitiuà HERVAL manterse oculta em todas as operações realizadas. Utilizandose dessas operações, a empresa FREE TRADE aumentou o seu capital social de R$ 100.000,00 para R$ 10.000.000,00 no referido período. Após essa capitalização inicial, segundo a informa a Fiscalização, a FREE TRADE seguiu o ciclo econômico normal, financiando as suas importações por meio dos recebimentos das vendas referentes a importações passadas: compra/importa > vende > recebe > compra/importa. Embora a fiscalização tenha demonstrado como se deu a capitalização inicial da FREE TRADE, não fundou a sua autuação nesse fato, haja vista que ocorreram em período anterior ao período autuado (14/05/2008 a 21/12/2011). São pouco importantes para a solução da lide as considerações da Recorrente afirmando a legalidade das citadas operações porque os próprios Auditores informam que no período fiscalizado as importações foram financiadas pelo ciclo econômico normal da empresa, conforme já informado. Assim, a infração aqui analisada, interposição fraudulenta comprovada, não exige para a sua caracterização a comprovação da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação. Noutro giro, em diligências realizadas pela Fiscalização nas empresas envolvidas foram apurados fatos e apreendidos inúmeros documentos que embasam a acusação fiscal. O Relatório de Auditoria apresenta de forma minuciosa como se deram as operações entre as empresas acusadas, restando comprovado por inúmeros elementos coletados que o controle da importações era exercido unicamente pela MADEIREIRA HERVAL e que a FREE TRADE atuava apenas como interposta pessoa, cedendo o seu nome para as importações realizadas. Nessa direção, noticiase nos autos que foi apreendido o “relatório conclusivo”, datado de 03 de março de 2010, referente a trabalho de “revisão fiscal e tributária” e de autoria da PERSONALITY ASSESSORIA EMPRESARIAL, empresa responsável pelas orientações ao grupo Herval quanto ao planejamento tributario operado, no qual, em seu conteúdo, demonstra as preocupações dos Consultores quanto as possíveis repercussões da forma como as operações se encontravam estruturadas entre as empresas do grupo, dos quais se destaca o contido a folhas 971: 6. PROCEDIMENTO ADOTADO COM A IMPORTAÇÃO DE PNEUS PELA FREE TRADE A PARTIR DE 01/06/2008 Fl. 6900DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.887 29 ... * Free Trade localizada em SC, beneficiada pelo COMPEX, importa as mercadorias por conta própria; ... * Por esta razão são utilizadas as unidades de Itaiopolis e Ararangua, posto que as mercadorias importadas pela Free Trade são “vendidas” para referidas filiais do grupo Herval, estas localizadas em SC e, posteriormente, estas transferem para o RS, disfarçando, assim, a origem para possam fazer uso do crédito ... * Simulação. Note que se a mercadoria tem como destino estabelecimento comercial localizado no RS e , este referido estabelecimento é, na verdade, o real adquirente da mercadoria, razão ... * Madeireira Herval e/ou demais empresas do grupo são os ÚNICOS clientes/destinatários. (grifos e negritos nossos) Tais trechos demonstram que os envolvidos tinham consciência das irregularidades cometidas e estruturam as suas operações de forma deliberada para ocultar o real adquirente das mercadorias com o objetivo de economia tributária nas importações, restando caracterizado o dolo. Ainda nesse cenário, a fiscalização obteve mensagem de email entre o Diretor da FREE TRADE, o Sr. Germano Grings, e o Consultor da Personality, Alexandre, na qual é expresso a preocupação da empresa com problemas fiscais e legais com a estrutura de venda praticada pela FREE TRADE para um único cliente, que no caso é a MADEIREIRA HERVAL: Em outras mensagens de email, obtidas do Sr. Germano Grings, discutese a mudança de modelo de venda da FREE TRADE, que era para um único cliente Fl. 6901DF CARF MF 30 (MADEIREIRA HERVAL), para a venda direta a consumidor final, bem como os custos envolvidos na nova estrutura: De fato, a MADEIREIRA HERVAL, entre 01/2007 a 02/2009, foi o único cliente da FREE TRADE, no entanto, a partir desse período a empresa passou a realizar parte de suas vendas de forma direta para consumidor final, na ordem de 20%. Tal procedimento, segundo a Fiscalização, visou dissipar as suspeitas de interposição pelos fiscos estadual e federal. No entanto, conforme restará demonstrado adiante, apesar da mudança verificada na estrutura com parte de vendas da FREE TRADE feita diretamente a clientes finais, a MADEIREIRA HERVAL continuou, de fato, sendo a responsável direta da compra dos pneus da HANKOOK, bem como manteve o controle da revenda aos seus clientes varejistas. Nas diligências realizadas nos estabelecimentos da MADEIREIRA HERVAL e HANKOOK foram copiados arquivos dos computadores da empresa que ratificam que a MADEIREIRA HERVAL era a única responsável pelas negociações diretas com o fornecedor externo e seu representante no Brasil dos pneus Hankook. Dentre os diversos elementos comprobatórios apreendidos de que as negociações de fato são realizadas por MADEIREIRA HERVAL, destacamse pedidos, contatos ou correspondências eletrônicas trocadas entre o Fl. 6902DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.888 31 exportador HANKOOK e a real adquirente HERVAL, planilhas eletrônicas arquivadas na HANKOOK. Tais documentos dizem respeito apenas ao importador e em situações de normalidade não deveriam estar na posse daquele que se diz adquirente no mercado interno. O documento de folhas 872 (indicado como confidencial e exclusivo para uso interno) apresenta fluxo do processo de importação e prazo dos pedidos, restando claro que o pedido é realizado junto ao fornecedor pela HERVAL, ou seja, não é realizado pela FREE TRADE (“Herval envia Pedido”), e que a chegada ao depósito da FREE TRADE ocorre 5 meses após a data do pedido. Já o documento de folhas 912 (indicado como confidencial e exclusivo para uso interno) traz a seguinte informação: “FREETRADE COMPANY (MADEREIRA HERVAL)”. Como se observa, é notório que a MADEIREIRA HERVAL é a única responsável pelas tratativas relacionadas aos pedidos feitos ao fornecedor externo, restando claro que as importações são realizadas sob controle total da HERVAL e a FREE TRADE tem uma função meramente formal nas operações de importações. A empresa alega em sua defesa que quando se cita em tais documentos o nome “HERVAL” significa, na verdade, referência ao Grupo Herval, ao qual a FREE TRADE faz parte. Por isso, aduz que a dedução da Fiscalização de que se trata MADEIREIRA HERVAL é equivocada. No entanto, é difícil se acolher a justificativa da Recorrente porque, ao se conferir os documentos, percebese que em um mesmo documento é feita referência tanto a HERVAL, como a FREE TRADE, o que leva a crer que são empresas distintas citadas e com funções específicas indicadas no demonstrativo de fluxo de importação apreendido. Abaixo, transcrevese mensagem da MADEIREIRA HERVAL explicando a HANKOOK a criação da FREE TRADE: De: Germano Grings [germano@herval.com.br] Enviado em: Quintafeira, 31 de agosto de 2006 18:44 Para: Mario Fugita Hankook Cc: m9102640@hanta.co.kr Assunto: Re: REf; Criação Free Trade Importação e Exportação Ltda 1 Por questões de incentivos fiscais que o estado de SC nos oferece. 2 Menos tributação de ICMS e como estaremos importando por uma importadora teremos um IPI menor também. 3 O produto será importado pela Free Trade e depois repassado para o atacado Herval. Serão duas empresas distintas. 4 Num primeiro momento sim, teremos nossos estoques no RS e SP sem estoques em SC. Num segundo momento poderemos ter o estoque regulador em SC, o que evitaria as faltas em um estado e a sobra em outro. A operação ficaria mais redonda. Mas dentro desse ano e inicio do próximo não teremos estoque em SC. Fl. 6903DF CARF MF 32 5 De maneira nenhuma, tanto os estoques como as equipes continuam iguais e aumentando conforme a venda. Nossa logistica de entrega nos pneus é imediata quando o cliente retira e de 12 horas quando ele solicita. Para isso é essencial termos estoques fortes tanto em SP quanto no RS. 6 A sede inicial ficará em Itajai. 7 Como é uma operação inicial e não terá estoque, basicamente será um escritório alugado. Contudo, já estamos procurando áreas grandes para a implantação de um CD próprio, visando também nossa rede de lojas que estará abrindo a primeira unidade em SC no mês de setembro. 8 Importamos ferramentas elétricas e manuais, alguns eletrônicos como MP3 etc., pisos cerâmicos (porcelanatos), tijolos de vidro, produtos para nossa indústria (tecidos etc..) e diversos outros itens. 9 Mário, o último item é ofensivo. Somos pessoas de palavra, somos empresa de palavra, e não precisamos tocar nesse tipo de assunto. Claro que poderemos com a importadora faturar para qualquer estado, e talvez isso no futuro seja interessante para a Hankook quando for necessário atender algum cliente sem estoque ou algum estado onde alguém queira Hankook e a Hankook não tenha distribuidor. Mas isso somente acontecerá se a Hankook pedir para nós, e jamais faremos qualquer venda fora dos dois estados conforme já combinamos. A intenção da importadora é simplificar a operação tirando o peso de um grande grupo nesse negócio, diminuir a carga tributária desses produtos dentro do que permite a lei e reforçar nossa parceria principalmente com a Hankook, procurando aumentar os volumes e representar bem essa marca. Esperamos contar com o apoio de todos da Hankook. Att. Germano Grings Embora a Recorrente afirme em sua defesa que os únicos propósitos do Grupo Herval para a criação da FREE TRADE foi por questões logísticas e de desvincular as operações de importação do grupo, constatase pelos elementos aqui apresentados que as importações continuaram sendo totalmente controladas pela principal empresa do grupo, a MADEIREIRA HERVAL. Nenhuma ilicitude há realmente em o grupo HERVAL criar uma empresa especializada em importação. A infração ocorre quando essa empresa não cumpre, de fato, o seu papel de importadora, sendo apenas utilizada formalmente para encobrir o real responsável pelas importações. Muito esclarecedores também são os depoimentos coletados de funcionários das empresas envolvidas que confirmam o entendimento de que as importações ocorrem única e exclusivamente de acordo com os interesses e necessidades da empresa MADEIREIRA HERVAL. Como exemplo, a declaração da Sra Deise Carolina Filereno, funcionária da FREE TRADE desde 17/05/2008 e responsável pelas importações das mercadorias: ...; que as importações são motivadas pela necessidade da Madeireira Herval de suprir suas lojas com produtos para atender a demanda de mercado ... [...]...;parte dos pneus Fl. 6904DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.889 33 importados é remetida para a Madeireira Herval de Dois Irmãos (RS), parte é remetida para a empresa Dobler, outra empresa do grupo Herval sediada em São Paulo, e uma pequena parte dos pneus é retirada diretamente pelos clientes nos depósitos da Free Trade, em São José (SC), apesar de serem comercializadas pela unidade da Dobler de São Paulo, ou da Madeireira Herval de Dois Irmãos; que desconhece que a Free Trade possua unidade de comercialização;... (grifos e negritos nossso) Nessa direção, também a declaração prestada pelo Sr. ADRIANO ESCHER (fl. 393 e 394), funcionário da FREE TRADE, indicando a vinculação das mercadorias com a empresa MADEIREIRA HERVAL LTDA.: ...; que todas as notas fiscais de saída emitida pela Free Trade são efetuadas conforme orientação da matriz da empresa Herval Ltda, sede em Dois Irmãos; ...; que em geral as notas fiscais de saída emitidas pela empresa Free Trade são destinadas às filiais do grupo Herval em Araranguá e ou São Paulo; que eventualmente podem ser emitidas notas fiscais de saída para outros clientes quando indicados pela empresa Herval Ltda. ... . Informa também que os documentos e livros de contabilidade não ficam armazenadas no endereço da empresa, e estão armazenadas na matriz da empresa Herval em Dois Irmãos. ... (grifos e negritos nossos) Relevantes também são as mensagens trocadas pela funcionária da MADEIREIRA HERVAL, Sra. Micheli Scholles, com a HANKOOK, relativos a pedidos de pneus, cujas importações vieram consignadas em nome da FREE TRADE: 16/08/2007 From: Carlos (Hankook Tire) To: HK (Meire) Sent: Thursday, August 16, 2007 3:19 PM Subject: Fw: Programação Herval Original Message From: Micheli CIH Herval To: carlos@hankookpneus.com.br Sent: Thursday, August 16, 2007 2:50 PM Subject: Programação Herval Boa tarde... Em anexo segue a programação. Fl. 6905DF CARF MF 34 Abaixo segue algumas medidas que não localizei na Planilha/Hankook e, peço para que sejam incluídos em nossa programação. 1000R20 AM01 250 215/75R17,5 AH06 100 295/75R22,5 AL01 60 195R14 RA06 40 195/75R16 RA08 150 205/80R14 RA08 40 235/75R15 RF09 80 31X10,5R15 RT01 60 33X12,5R15 RT01 60 33X12,5R15 Z36 60 650R15 F3 40 145R12 K819 40 165/70R12 K402 60 185R14 RA07 40 185/55R15 K102 40 195/R14 RA17 60 195/60R15 K407 40 205/50R15 K102 – 20 205/55R16 K406 60 225/35R19 K105 20 225/50R16 H405 20 225/50R16 K102 20 295/50R15 Z88 20 500R13 F2 20 295/50R15 Z88 20 500R13 F2 20 315/80R22,5 DL02 80 275/80R22,5 AU02 80 275/80R22,5 DL02 80 315/70R22,5 AL02 80 Fl. 6906DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.890 35 315/70R22,5 DL02 80 Obrigada Micheli De: "Meire" <meire@hankookpneus.com.br> Enviado em: 16/08/2007 18:20 ZW3 Para:"Micheli CIH Herval" <micheli@herval.com.br> Cc: "Carlos \(Hankook Tire\)" <carlos@hankookpneus.com.br> Assunto Fw: Programação Herval Cara Micheli, boa tarde! Estou enviando em anexo a programação feita pela Herval, com algumas modificações. Refiz o pedido em uma planilha mais atualizada, onde podese observar que não consta mais os modelos K702 e K406 (Coréia), pois eles foram substituídos pelos modelos K715 e K415, respectivamente. Por esta razão, estamos automaticamente mudando para o modelo novo. Os equipamentos originais do modelo K406 foram mantidos, porém com um limite na quantidade de 60 pneus por modelo. Vale lembrar que o modelo K702 continua normal na fábrica da China. Algumas medidas que constava na sua tabela, que está desatualizada, já não está mais disponível. Segue abaixo a relação destas medidas: P225/70R15H RA03 P255/70R15H RA03 P255/70R15T RA07 235/70R15T RA03 P235/75R15T RA03 P185/70R14S H725 900R20 AH02 385/65R22.5 TH02 Na programação da China, informamos que não será possível incluir os pneus convencionais. Referente as medidas que você não encontrou em nossa planilha, segue as informações abaixo: Fl. 6907DF CARF MF 36 Muitos modelos listados abaixo já foram substituídos por modelos novos. Por favor, confirmar se irão incluir no pedido. CÓDIGO MATERIAL MODELO PRICE 1000R20 AM01 250 3000860 1000R20 AM06 179.66 215/75R17,5 AH06 100 3000771 215/75R17.5 AH11 96.75 295/75R22,5 AL01 60 INDISPONÍVEL 195R14 RA06 40 2000180 195R14 RA08 35.83 195/75R16 RA08 150 2000590 195/75R16 RA08 48.27 205/80R14 RA08 40 235/75R15 RF09 80 2001372 LT235/75R15 RF10 57.67 31X10,5R15 RT01 60 2000789 31X10.50R15 RT03 71.15 33X12,5R15 RT01 60 2000977 33X12.50R15 RT03 84.19 33X12,5R15 Z36 60 INDISPONÍVEL 650R15 F3 40 INDISPONÍVEL 145R12 K819 40 2000170 145R12 RA08 19.24 165/70R12 K402 60 1007038 165/70R12T K715 15.70 185R14 RA07 40 INDISPONÍVEL 185/55R15 K102 40 1005120 185/55R15V K105 41.06 195/R14 RA17 60 INDISPONÍVEL 195/60R15 K407 40 1006583 195/60R15H K415 31.36 205/50R15 K102 20 INDISPONÍVEL 205/55R16 K406 60 INDISPONÍVEL 225/35R19 K105 20 INDISPONÍVEL 225/50R16 H405 20 INDISPONÍVEL 225/50R16 K102 20 1005064 225/50R16W K105 46.27 295/50R15 Z88 20 INDISPONÍVEL 500R13 F2 20 INDISPONÍVEL 295/50R15 Z88 20 INDISPONÍVEL 500R13 F2 20 INDISPONÍVEL 315/80R22,5 DL02 80 INDISPONÍVEL 275/80R22,5 AU02 80 INDISPONÍVEL 275/80R22,5 DL02 80 INDISPONÍVEL Fl. 6908DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.891 37 315/70R22,5 AL02 80 INDISPONÍVEL 315/70R22,5 DL02 80 INDISPONÍVEL De: "Meire" <meire@hankookpneus.com.br> Enviado em: 21/08/2007 15:13 ZW3 Para: "Micheli CIH Herval" <micheli@herval.com.br> Cc: "Carlos \(Hankook Tire\)" <carlos@hankookpneus.com.br> Assunto: Pedido Herval Agosto Cara Micheli, Segue em anexo o pedido da Herval com os modelos K702 e K406 (Coréia) que foram aceitos para este mes. Como pode observar, os preços também estão atualizados e as medidas que foram colocados pela Herval, mas que estão indisponíveis, estão grifados em verde e zerados. Peço a gentileza de confirmar o pedido. Grata, Meire 16/01/2008 From: Micheli Scholles To: Meire Sent: Wednesday, January 16, 2008 4:09 PM Subject: Programação Herval Boa tarde Meire... Em anexo estou enviando a programação e, abaixo relaciono várias medidas que não localizei nesta planilha atual e que peço para incluir na programação. 225/60R15 K406 40pçs 225/75R16 RA07 30pçs 195/55R15 K406 200pçs 195/60R14 K406 200pçs 195/60R15 K406 600pçs 205/40R17 K104 200pçs Fl. 6909DF CARF MF 38 205/45R16 K104 100pçs 205/50R15 K104 100pçs 205/50R17 K104 200pçs 205/55R15 K102 40pçs 205/55R16 H105 600pçs 205/60R15 K406 200pçs 215/40R17 K104 200pçs 215/45R17 K104 200pçs 225/35R18 K104 20pçs 225/40R18 K104 100pçs 225/45R17 K104 40pçs 235/40R17 K104 60pçs 235/40R18 K107 60pçs 235/45R17 K104 20pçs 245/35R19 K104 60pçs 245/40R18 K104 20pçs 245/40R20 K104 20pçs 295/50R15 Z88 20pçs 205/80R14 RA08 60pçs 235/75R16 Z36 80pçs 275/70R16 Z36 60pçs 295/50R15 RH06 60pçs 175/70R14 K406 100pçs 175/80R14 K702 60pçs 185/55R15 K102 60pçs 185/60R14 K702 200pçs 185/65R14 K406 300pçs 185/70R13 K702 1000pçs 205/45R17 K104 40pçs 205/65R15 K406 100pçs 215/40R16 K104 20pçs 215/50R17 K104 40pçs Fl. 6910DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.892 39 225/35R19 K105 40pçs 245/40R17 K104 20pçs 255/45R18 K104 20pçs Sei que os modelos K104 já estão substituidos por outros modelos porém, os relacionei junto para verificar se ainda tens condições de incluir na programação. Dúvidas, favor retornar... Obrigada Micheli 12/11/2008 De Micheli Scholles Para Carlos@hankookpneus.com; meire. Enviado em: 12/11/2008 Assunto: Programação Novembro Herval Boa tarde, Em anexo segue nossa programação. A mesma foi preenchida na Planilha Hankook mas, por orientação do Germano as proformas deverão estar com os valores unitários 5% menor do que consta na planilha, ou seja, terá quer ser aplicado um desconto de 5%sobre a última tabela. Abaixo relaciona algumas medidas solicitadas e não encontradas na planilha e que peço para incluílas. 295/60R22,5 AL02 80pçs 225/75R16 RA07 80pçs 275/70R16 Z36 20pçs 235/35R20 H105 40pçs 235/30R20 K107 40pçs 295/80R24,5 AL02 60pçs 1100R22 DM04 ou DM03 40pçs 305/40R22 20pçs 305/45R22 RH07 20pçs 285/45R22 20pçs 255/70R15 RH03 100pçs 225/50R17 K110 60pçs Fl. 6911DF CARF MF 40 Dúvidas favor retornar, Obrigada Micheli Não menos relevantes também são as mensagens trocadas por outros funcionários da MADEIREIRA HERVAL, Sr. Everton Sander e Sra. Deisi Diel, com a HANKOOK, na qual é tratado assunto relacionado com os embarques da FREE TRADE: 27/08/2007 De: "Everton Herval" <everton@herval.com.br> Enviado em: 27/08/2007 19:20 ZW3 Para: "Carlos \(Hankook Tire\)" <carlos@hankookpneus.com.br>, <meire@hankookpneus.com.br> cc: "Deisi" <deisi@herval.com.br> Assunto: Fw: EMBARQUE DA HERVAL Maersk em Busan [Our Ref:ACD46597] Olá Carlos!! Por gentileza verifique com a origem o nr do bookings registrados os quais a Maersk diz não ter espaço para os próximos navios. Com este nr de booking a Ana da Maersk poderá tentar espaço. A partir de 29/08 estarei em período de férias e qualquer assunto relacionado aos embarques da Free Trade poderão ser discutidos com a Colega Deisi (deisi@herval.com.br 51 3564 8473) em conjunto com a Clemar. sds _____________________________ Everton Sander Comercial Exportação/ Importação Grupo HERVAL Fone: 55.51.3564.8487 Fax: 55.51.35648499 Email: import@herval.com.br everton@herval.com.br Web Site: www.herval.com.br Dois Irmãos/ RS Brasil Fl. 6912DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.893 41 Em sua defesa, a Recorrente apenas afirma a normalidade das mensagens do Sr. Germano Grings que tratam de negociações comerciais da FREE TRADE com o seu fornecedor HANKOOK tendo em vista que ele, embora seja diretor da MADEIREIRA HERVAL, também é diretor comercial da importadora FREE TRADE, sendo natural participar dessas tratativas. No entanto, a Recorrente não explica o porquê de funcionários da MADEIREIRA HERVAL realizarem as tratativas e pedidos das importações da FREE TRADE com o fornecedor Hankook, conforme restou comprovado pelas várias mensagens aqui transcritas. Conforme demonstrado, o corpo funcional da MADEIREIRA HERVAL era responsável por todos os pedidos, estabelecendo a quantidade, preço, prazo e os modelos de pneus a serem produzidos nas fábricas da HANKOOK no exterior e posterior envio para o Brasil por meio da FREE TRADE. De igual forma, está demonstrado nos autos que a FREE TRADE, dentre os poucos funcionários de que possuía (total de sete a nove), nenhum era ligado a área de comércio exterior. Disso, concluise que a MADEIREIRA HERVAL sempre foi a única responsável pelas negociações e pedidos a fornecedoras dos pneus HANKOOK, exercendo o controle do fluxo das mercadorias envolvidas nas importações dos pneus. Vale ainda frisar, que não foi encontrada, ou a Recorrente juntou em sua defesa, qualquer documentação comprobatória de que a FREE TRADE participou efetivamente de qualquer negociação comercial, seja com a HANKOOK, ou com a própria MADEIREIRA HERVAL. Além disso, apurou a Fiscalização que a MADEIREIRA HERVAL detinha a exclusividade de comercialização e assistência técnica dos pneus HANKOOK no Brasil. Tal fato foi inclusive confirmado por declaração tomada do Diretor em comum das duas empresa (HERVAL e FREE TRADE), o Sr. Germano Grings, in verbis: Declaramos para os devidos fins e a quem interessar possa, que a Madeireira Herval Ltda, possui a concessão oficial da marca Hankook, fabricante Coreano de pneus, para representar a referida marca no Brasil, respectivamente nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, sendo responsável pela comercialização e assistência técnica. (grifos e negritos nossos) É fato incontroverso, assim, que a MADEIREIRA HERVAL detém a exclusividade de comercialização dos pneus HANKOOK em território nacional. Embora a FREE TRADE tenha passado a negociar parte dos produtos importados diretamente a terceiros consumidores finais, a fim de evitar "problemas fiscais", o faz com a permissão e ordem da MADEIREIRA HERVAL detentora da marca, conforme indicado nas mensagens eletrônicas antes reproduzidas. Se a MADEIREIRA HERVAL é detentora da marca no Brasil, deduzse que a FREE TRADE não possui liberdade para importar de acordo com as necessidades de mercado, mas é vinculada as necessidades indicadas pela MADEIREIRA HERVAL. Os elementos até aqui apresentados demonstram que a ocultada MADEIREIRA HERVAL, além de deter o controle total das importações realizadas, da mesma forma, controla toda a comercialização dos pneus em território nacional e, ainda que permita a FREE TRADE realizar algumas de suas vendas diretamente a terceiros, tal fato não é capaz de infirmar a acusação de interposição fraudulenta no presente caso. Isso se constitui em mais um elemento que confirma que a FREE TRADE não opera de forma autônoma como empresa comercial, mas tão somente age a serviço da MADEIREIRA HERVAL. Noticiase, ainda, nos autos que a FREE TRADE adota preços normalmente formados apenas pelo custo e valores para reposição de impostos. Disso resulta que em suas Fl. 6913DF CARF MF 42 operações com a MADEIREIRA HERVAL opera com margens de lucro baixas ou quase zero, em condições diferentes daquelas normais de mercado. Como se sabe, esse tipo de definição de preço de venda próximo ou abaixo do custo de importação é típico nas operações em que se dão por conta e ordem, na qual o importador ostensivo age como mero prestador de serviço, não guardando características de operação de compra e venda. Nesse cenário, restou comprovado nos autos que as margens de lucro praticadas nas operações de vendas da FREE TRADE para a MADEIREIRA HERVAL são definidas por essa última de acordo com os interesses do Grupo HERVAL. A mensagem eletrônica comercial (fl. 2.340), datada de 02/02/2009, do Sr. GERMANO GRINGS ao Sr. ARNALDO (contabilidade) ratifica esse entendimento de que, em relação às vendas internas feitas à MADEIREIRA HERVAL LTDA, não passam de meras transferências, distantes das condições normais de mercado: Arnaldo, ficou uma margem de 2.795 milhões para a Free, acho que isso encerra o ciclo do cambio, gostaria de diminuir a margem para 10% entre Free e Herval a partir de 01.02, verifica se é possível e conversa comigo segunda pela manhã. Carolina, antes de faturar qualquer coisa da Free para Herval, conversa comigo amanhã. Att Germano (negrito nosso) Tais fatos demonstram que a FREE TRADE não opera de forma autônoma na comercialização das mercadorias importadas no mercado interno, inexistindo, assim, nessas operações qualquer propósito negocial. A fim contestar essa constatação, a empresa discorreu longamente sobre o resultado anual da FREE TRADE que em alguns anos apresentou prejuízo, devido a fatores externos a atuação da empresa, e em outros apresentou resultado positivo. Afirma ainda que a Fiscalização não atentou para os fatos que afetaram o resultado da empresa, tais como a pena de perdimento aplicada em 2008 e a crise mundial no mesmo ano que causou um variação cambial absurda. Mas que, superados esses fatos excepcionais, a importadora FREE TRADE passou a apresentar lucros nos anos subseqüentes, inclusive recuperando os prejuízos que estavam se acumulando nos primeiros anos de operação. A Fiscalização verificou especificamente as operações de vendas de pneus da FREE TRADE para a MADEIREIRA HERVAL, nas quais constatou que os preços praticados entre elas eram próximos ao “preço de custo” (custo da mercadoria + tributos incidentes) ou com baixa margem de lucro. Isso denota na operação mais semelhanças com “transferência” do que com venda de mercadoria nas operações entre as empresas, uma vez que foge das condições normais de mercado. Quanto aos preços praticados bem abaixo aos de mercado nas operações de venda da FREE TRADE para a MADEIREIRA HEVAL, nada foi falado pela Recorrente. O fato também de nos últimos anos a empresa destinar parte das suas vendas (20%) para terceiros em condições normais de mercado, com margem de lucro de 126%, não altera a situação, pois como já demonstrado anteriormente, tais vendas somente são realizadas pela FREE TRADE com a autorização e controle da MADEIREIRA HERVAL que detém a Fl. 6914DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.894 43 exclusividade da marca HANKOOK no país, conforme restou demonstrado em várias mensagens de email antes reproduzidas e documentos constantes nos autos. Ou seja, ainda que parte das vendas sejam realizadas diretamente a terceiros, a importadora continua agindo a conta e ordem da MADEIREIRA HEVAL. Cabe ressaltar, que no julgamento do processo nº 10516.720006/201292, referente a multa de cessão de nome lavrada contra a empresa FREE TRADE, o Conselheiro Winderley Morais Pereira analisou a mesma situação fática envolvida e entendeu que constam nos autos elementos comprobatórios suficientes de suporte para a acusação fiscal de que a Recorrente (FREE TRADE) operou no comércio exterior cedendo o seu nome para que fossem realizadas operações de importação de terceiros, reais adquirentes da mercadoria. Reproduzse a seguir trechos do voto vencedor proferido que expressam o entendimento do Conselheiro quanto a matéria analisada: A Fiscalização identificou por diversos informações e documentos fiscais, a relação da Free Trade com a empresa Herval. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma cristalina, o modo de operação e a relação comercial e econômica entre as duas empresas. O relatório que consta do presente acórdão traz as comprovações das operações realizadas, bem como o relatório fiscal que motiva o lançamento (fls. 2227 a 2381). O trabalho realizado pela fiscalização aduaneira comprova que a Free Trade atuava em nome da Herval, as provas colhidas durante o trabalho fiscal não deixam dúvida, que a Free Trade além de fazer parte do mesmo grupo da Herval, apenas cedia o nome para as operações de importação. O eminente Redator designado prossegue a análise apresentando amostras de diálogos apreendidos pela Fiscalização representativos do controle da MADEIREIRA HERVAL sobre as importações realizadas em nome da FREE TRADE, bem como identifica e reproduz trechos do Termo de Verificação Fiscal que demonstram a relação de subordinação da última a primeira e, por fim, arremata a sua análise dos fatos e documentação dos autos nos seguintes termos: As informações citadas alhures é uma pequena amostra de todo o trabalho fiscal que além das conclusões traz cópias de mensagens e documentos que deixam prova robusta da que as operações de importação eram declaradas como de importação direta pela Free Trade, mas na verdade sempre tiveram como real adquirente a Madeira Herval. Depreendese, assim, que o conjunto de provas juntadas pela Fiscalização são robustas para demonstrar a ocorrência de interposição fraudulenta comprovada operada por meio da prática de atos simulados que visaram a ocultação do real adquirente da mercadoria, com consequente burla dos controles aduaneiros e economia no pagamento de tributos estaduais (ICMS) e federais (IPI), nos termos do art. 23, V, §1º do Decreto Lei nº 1.455/76. Restando comprovada a ocorrência da interposição fraudulenta, fica evidente a procedência da multa lançada. Subsidiariamente, a Recorrente solicita que os tributos incidente sobre as importações envolvidas no caso sejam abatidos do valor da multa lançada. Fl. 6915DF CARF MF 44 A “lei” prevê a não incidência dos tributos incidentes na importação nos casos de aplicada a pena de perdimento, porém, ressalva expressamente, mantendo a incidência, nos casos de não localização, consumo ou revenda, conforme as legislações indicadas a seguir. Assim, não há possibilidade de compensação no caso pois, conforme informado nos autos, as mercadorias não foram localizadas e, por isso, os tributos são devidos. Para o imposto de importação, inciso III, do § 4º, do artigo 1º, do Decreto Lei n° 37/66: Art.1º O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) ... § 4o O imposto não incide sobre mercadoria estrangeira: (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... III que tenha sido objeto de pena de perdimento, exceto na hipótese em que não seja localizada, tenha sido consumida ou revendida. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (negritos nossos) Para as contribuições incidentes na importação, inciso III, do artigo 2º, da Lei n° 10.865/04: Art. 2o As contribuições instituídas no art. 1o desta Lei não incidem sobre: ... III bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento, exceto nas hipóteses em que não sejam localizados, tenham sido consumidos ou revendidos; ...(negritos nossos) Quanto a excluir da autuação as vendas efetuadas para terceiros que não a Recorrente, também não pode prosperar, pois ainda que a menor parte dos pneus importados tenha sido destinada a terceiros não ligados ao grupo HERVAL, restou demonstrado nos autos que todas as importações de pneus foram realizadas de fato pela MADEIREIRA HERVAL, que se utilizou da FREE TRADE como interposta pessoa para efetuar tais operações. Assim, não apresenta diferença se a mercadoria foi destinada ao real importador ou diretamente a terceiros, pois também nesse último caso a venda foi realizada com a autorização e controle da MADEIREIRA HERVAL que detém a exclusividade da marca HANKOOK no país, fato comprovado nos autos. Assim, a destinação de parte das mercadorias a terceiros não ligados ao grupo HERVAL não tem potencial para infirmar a acusação de que a modalidade de importação realmente ocorrida se deu “Por Conta e Ordem”, ao invés da modalidade “Por Conta Própria” como consta nas Declarações de Importação. Dispositivo Fl. 6916DF CARF MF Processo nº 10516.720004/201201 Acórdão n.º 3402005.305 S3C4T2 Fl. 6.895 45 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 6917DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720494/2013-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA.
Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS.
Os valores recolhidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES, cujos empregados foram caracterizados como da empresa principal podem ser deduzidos da base de cálculo. (Súmula CARF nº 76)
Numero da decisão: 2202-004.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam deduzidos da base de cálculo da infração os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negou provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. Os valores recolhidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES, cujos empregados foram caracterizados como da empresa principal podem ser deduzidos da base de cálculo. (Súmula CARF nº 76)
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APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 04 94 /2 01 3- 30 Fl. 1878DF CARF MF 2 Os valores recolhidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES, cujos empregados foram caracterizados como da empresa principal podem ser deduzidos da base de cálculo. (Súmula CARF nº 76) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que sejam deduzidos da base de cálculo da infração os recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada, vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Conforme se verifica pelo Relatório Fiscal de fls. 1079/1107 tratam os presentes autos do lançamento de contribuições previdenciárias e obrigações acessórias correspondentes formalizado contra a Recorrente em virtude de serviços prestados por empregados das empresas OM TÊXTIL LTDA e TECELAGEM EMBALAGEM SALTO LTDA. De acordo com a fiscalização a Recorrente criou as duas empresas (OM TÊXTIL e TECELAGEM) para que pudesse optar pelo SIMPLES NACIONAL e, assim, efetuar o recolhimento a menor das contribuições previdenciárias. Embora a criação das empresas não seja vedada, a fiscalização apontou os seguintes fatos que demonstrariam a existência meramente formal das mencionadas empresas: a) os trabalhadores das empresas prestadoras de serviços, OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, trabalhavam na realidade para a empresa LULI. Essas empresas foram incorporadas pela empresa LULI em janeiro/2009; Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.879 3 b) a empresa LULI LTDA iniciou suas atividades em 02/01/1985, no endereço Praça Dr. Blumenau, 11, Centro, Blumenau/SC. Em 10/12/1998 mudouse para a Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Sala 01, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC, conforme 7ªAlteração Contratual, onde permanece até hoje; c) a empresa OM TÊXTIL LTDA ME iniciou suas atividades em 17/05/1999, no endereço Rua Ari Barroso, 80, Salto do Norte, Blumenau/SC, que fica nos fundos da empresa LULI. De acordo com os funcionários da empresa OM TÊXTIL o acesso à empresa sempre foi pela frente (do prédio da LULI), na Rua Udo Deeke, 600, concluindo que, de fato, a empresa instalouse no mesmo endereço da empresa controladora LULI, onde permaneceu até a data da incorporação; d) a empresa TECELAGEM E EMBALAGEM SALTO LTDA iniciou suas atividades em 01/06/1999, no endereço Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC mesmo endereço da LULI , lá permanecendo até o momento de sua incorporação; e) as três empresas não possuem sede própria. O imóvel situado na Rua Engenheiro Udo Deeke, 600 foi locado pelas empresas e está registrado em nome da empresa PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS INA LTDA, a qual possuía atividades interligadas com as atividades da Recorrente, conforme objeto Social de cada uma em 2008; f) as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO eram empresas meramente formais ou fictícias e que eram interligadas e operavam de fato como uma única empresa pois; f.1) quadro societário das empresas era composto por parentes dos proprietários da empresa LULI e/ou empregados e ainda exempregados; f.2) as empresas controladas instalaramse dentro da empresa controladora, LULI, sem qualquer distinção ou separação, como afirmaram os exempregados das empresas prestadoras de serviços (empregados atuais da LULI); f.3) no exercício de 01/2008 a 12/2008 o Capital Social da LULI era de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). No mesmo período o Capital Social das empresas OM TÊXTIL e da TEC. EMB. SALTO era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais); f.4) o patrimônio das empresas concentrase na empresa LULI, conforme Balancetes Contábeis que anexa (DOC. 11 a 13), pois as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB SALTO, não possuíam patrimônio nenhum, nem mesmo máquinas, cadeiras, ou um telefone, bem como mercadorias, salvo mercadorias de terceiros, lançadas na conta “1.1.4.04 CONTA DE COMPENSAÇÃO”; f.5) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E BEM. SALTO eram deficitárias e acumulavam prejuízos; f.6) a Folha de Pagamento de Salários da empresa da LULI LTDA correspondeu a 4,2% (do Faturamento da empresa (R$ 53.797.950,57), enquanto que o Faturamento das empresas Prestadoras de Serviços foi insuficiente para cobrir o valor da Folha de Pagamento; Fl. 1880DF CARF MF 4 f.7) a empresa LULI possuía custos excessivos se comparados com as empresas prestadoras de serviços, considerando que aquela possuía uma média de 134 (cento e trinta e quatro) funcionários e as empresas terceirizadas (somadas) uma média de 320 (trezentos e vinte); f.8) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E EMB. SALTO nada pagavam a título de Água, Energia Elétrica, Telefone, Manutenções de Instalações, Máquinas e Equipamentos, Móveis e Utensílios. Também não tinham custos com Material de Segurança, Materiais de Consumo, Expediente e Limpeza. Tais custos corriam por conta da empresa LULI, em cuja contabilidade eram lançados; g) em razão da incorporação das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, em janeiro/2009, pela empresa LULI, aquelas foram declaradas extintas, conforme Décima Terceira Alteração e Consolidação do Contrato Social. A maioria dos empregados das empresas incorporadas migraram para a empresa LULI em janeiro/2009, sem efetuarem a Rescisão de Contrato de Trabalho e com a mesma data de admissão que haviam sido registrados nas empresas incorporadas; h) de acordo depoimentos de alguns exfuncionários das empresas incorporadas nunca houve mais de uma empresa. Afirmaram que as empresas operavam em conjunto e alguns funcionários sequer sabiam da existência de outras empresas no local. A maioria dos funcionários não conhecia os sócios da empresas incorporadas. Reconheciam proprietários das mesmas os Srs. JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO (LULI). Além disso, confirmaram que o acesso às três empresas sempre foi pela porta principal da empresa LULI; que sempre houve um só Escritório, um RH, uma Portaria e um Refeitório; e assim permanece até hoje; Em decorrência dos fatos relatados a fiscalização entendeu que os empregados e sócios formais das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da empresa LULI LTDA, conforme o disposto no art. 3º da CLT e no art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei n.º 8.212/91: Pessoalidade; NãoEventualidade; Subordinação e Onerosidade; Além disso, a fiscalização considerou que as empresas LULI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e PARTICIPAÇÕES INA LTDA configuram um Grupo Econômico de Fato, uma vez que possuem os mesmos sócios. Essa identidade do quadro societário se dá porque JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO, possuem o usufruto vitalício dos bens e quotas doadas para as filhas KATIUSCIA, CAMILA e CELINA. Diante disso, são, indiretamente, proprietários da empresa INA, possuindo o direito de extinguir a sociedade a qualquer tempo; O lançamento se fundamentou nos art. 121, 124, 128, 134 e 135 do CTN; art. 2º, § 2º da Consolidação das Leis do Trabalho; art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212, de 24/07/1991; Em virtude da edição da Lei 11.941/2009 foi efetuado comparativo entre as multas do CFL 68 + multa de mora x Multa de Ofício de 75%, (Período 01/2008 a 11/2008) a fim de verificar qual a multa mais benigna, conforme demonstrativo em anexo, “SAFIS – Comparação de Multas” e, no período autuado (01/2008 a 11/2008) a multa menos severa foi a anterior à vigência da Lei 11.941/2009; Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.880 5 Na competência 12/2008 foi aplicada a multa de ofício qualificada (art. 35A da lei 11.941/2009, c/c art. 44 da Lei 9.430/96) por restar caracterizada a prática de sonegação, conforme artigo 71 da Lei 4.502/64; Foi também efetuado o lançamento da obrigação acessória no AI DEBCAD Nº 37.359.3767 (CFL 68), por ter a empresa elaborado a GFIP no período de 01/2008 a 11/2008 com dados não correspondentes a todas as contribuições previdenciárias ( art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela lei 9.528/97, combinado com o artigo 225, IV, parágrafo 4o., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99); A impugnante (LULI) e os sujeitos passivos solidários (Luzia Cordeiro e Participações e Investimentos INA Ltda) foram notificadas dos Autos de Infração e apresentaram suas respectivas impugnações alegando, resumidamente, o seguinte: a) Erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que os fatos geradores (vínculos empregatícios) não estavam atrelados diretamente a ela, mas, sim, às reais empregadoras ("Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. ME e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME") cuja existência é admitida pela fiscalização, tanto que nenhum procedimento foi adotado para desconstituílas. Defende que o lançamento tributário deveria ter sido formulado contra o contribuinte direto, cabendo à autuada, empresa Luli Ltda, apenas a responsabilização como coobrigada (responsável). b) Incompetência da Previdência Social Para Reconhecer Vínculo Empregatício, pois somente o Juiz do Trabalho, na sua função inquisitória, é competente para declarar a qualificação de um determinado vínculo jurídico de trabalho, conforme previsão expressa contida no art. 114 da Constituição Federal de 1988, a qual não pode ser derrogada por normativas de inferior hierarquia. c) Decadência do Direito de Lançar, uma vez que vez que entre a ocorrência do fato gerador (jan/08 e fev/08) e a data da formalização do lançamento (mar/13), transcorrera mais de cinco (05) anos. Afirma que não houve a comprovação da prática de ato doloso, fraudulento ou simulado, o que torna impossível transmudar a regra do prazo decadencial fincada no artigo 150, §4°, para o artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. d) Inexistência de Vínculo Direto Para Fins de Recolhimento Previdenciário, pois em nenhum momento restou comprovado que a autuada detinha qualquer relação com as empresas desconstituídas, anteriormente ao ano de 2009 (quando então adquiriuas por incorporação). d.1) A manifestação unilateral do fiscal é incipiente para embasar a desconsideração da existência das empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME e a interferência na esfera jurídicopatrimonial da insurgente é medida extrema, que não pode estar lastreada em dúvida, como ocorre no presente caso d.2) As empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME detinham vida própria, inclusive com a prestação de serviços para várias empresas do mercado, conforme registros anexados da empresa Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda cujo registro contábil demonstra contas à receber de vários clientes, inclusive empresas de grande porte, tais como Malharia Kyly, Malhas Soft, Hering, entre outros. Fl. 1882DF CARF MF 6 d.3) no período fiscalizado a empresa Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME vinha prestando serviços exclusivos à autuada em face das peculiaridades que norteavam seus produtos, como também, porque encontravase com sua capacidade produtiva totalmente voltada para tal fim. d.4) Defende que não se afigura razoável sustentar a autuação fiscal em meros registros contábeis de uma empresa de pequeno porte, porque a contabilização dos atos e fatos econômicos nestas sociedades nem sempre se afiguram exatos, vez que contabilização completa dos eventos importaria em gastos excessivos para uma sociedade de pequeno porte, como àquelas que a fiscalização supõe serem "de fachada" d.5) Alega que a coleta dos depoimentos dos funcionários não foi acompanhada pela impugnante, de forma que podem ter sido coletados de forma direcionada, através da formulação de perguntas induzidas ou distorcidas a pessoas simples, que não detém conhecimento acerca dos negócios, nem tampouco detém capacidade para compreensão da sistemática de funcionamento das instituições, de forma que não podem ser considerados em nenhuma hipótese, por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa e) Inexistência de Grupo Econômico de Fato e Solidariedade Tributária, pois este requer a "coligação" e/ou o "controle", haja vista que as sociedades fiscalizadas sequer detêm investimentos (relevantes ou irrelevantes) em outras empresas, quanto menos, nas empresas fiscalizadas. e.1) Defende que no presente caso também não se identifica a "combinação de esforços de sociedades para realizar seus objetivos sociais" haja vista tratarse de 03 (três) sociedades distintas e autônomas, com quadro societário, funcional, atividade, objeto e endereços absolutamente distintos, não denotando qualquer ligação as mesmas. e.2) Ressalta que há absoluta distinção dos sócios das empresas envolvidas e que todas as empresas possuem sócios pessoas físicas, o que, por si só afasta a possibilidade de coligação ou controle necessário para caracterizar o "Grupo Econômico de Fato". e.3) Contesta que o simples fato de alguns dos sócios das sociedades terem sido empregados ou deter quaisquer outro laço com outras empresas, em especial, da empresa autuada, não pode ser considerado como elemento para caracterização de grupo econômico;. e.4) Assinala que as atividades e objeto social das empresas são absolutamente distintas, sendo a autuada empresa especializada na produção de artigos têxteis, ao passo que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME destinamse a atividades próprias, de tinturaria, estamparia, tecelagem, entre outros, o que afasta ainda mais a possibilidade de caracterização de qualquer tipo de vínculo entre as sociedades, pois a identidade de objeto e atividade para a caracterização do "grupo econômico de fato" deve ser tal, a ponto de causar verdadeira confusão entre as atividades, não se sabendo onde termina uma e começa a outra. f) Quantificação da Base de Cálculo e Compensação dos Tributos Recolhidos Pondera que, na hipótese de mantença da exigência fiscal, deve ser excluído da base de cálculo do lançamento, o valor relativo ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal, já recolhido pelo real empregador, pelo sistema Simples de recolhimento de tributos, no período autuado, a fim de se proceder a devida compensação e evitar dupla incidência, uma vez que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME procederam à regular recolhimento das obrigações previdenciárias pelo Simples Nacional. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.881 7 g) Pleiteia que, na hipótese de não admissão da compensação requerida no tópico anterior, seja reconhecido o direito da autuada ao ressarcimento dos valores pagos a título de Simples pelas empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME. h) Discorda do entendimento do agente fiscal quando afirma que os atos praticados pela autuada caracterizam as hipóteses de "sonegação" e de "conluio" (arts. 71 e 73 da Lei n. 4.502/1964), motivando assim a aplicação da multa qualificada (150%), com fulcro no art. 44 da Lei . 9.430/1996. i) Aponta que a prevalência do presente AI relativo à obrigação acessória (CFL 68) encontrase diretamente ligada a subsistência da imposição fiscal principal de forma que, inexistindo o reconhecimento de formação de "grupo econômico de fato" entre as empresas fiscalizadas e a condição da autuada como empregadora dos segurados das empresas "Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. ME" e "Tecelagem e Embalagens Salto Ltda. ME", não pode ser imposta a autuada penalidade pelo não reconhecimento dos segurados como seus funcionários. As responsáveis solidárias apresentaram as seguintes alegações a) que a responsabilidade tributária mencionada na autuação em nada se difere da responsabilidade comum, decorrente da culpa, de forma que a simples invocação dos dispositivos mencionados no AI não se constitui em fundamento autônomo para responsabilização do impugnante. a) as disposições legais contidas nos art. 121, 124 e 128 nas quais se fundamenta o lançamento, são apenas remissivas, não atribuindo nenhuma responsabilidade específica; b) a fundamentação do art. 134, inciso III do CTN detém destinação específica, não podendo ser utilizado para a hipótese de responsabilização do 'administrador' da sociedade, vez que confere responsabilidade aos "administradores de bens de terceiros", hipótese esta que não se alinha à condição da impugnante que é detentora de quotas sociais; c) excluemse as hipóteses mencionadas nos incisos I e II do art. 134, pois não foi mencionada nenhuma das pessoas ali, bem como não há que se falar aqui em 'mandatário', prepostos e empregados, no presente caso; d) a hipótese do art. 135, inciso III, do CTN, única viável por se alinhar à condição da impugnante de administradora, não trata de responsabilidade solidária, mas sim de responsabilidade pessoal, de forma que na sua aplicação pressupõe a exclusão da pessoa jurídica do pólo passivo, o que não ocorreu no presente caso; além do quê também não ocorreu a prática de atos praticados com "excesso de poderes" ou "infração de lei, contrato social ou estatutos", e) o art. 2º, § 2° da CLT e o art. 30, inciso IX da Lei n. 8.212/1991, não tem aplicabilidade nesta hipótese visto que tratam de 'grupo econômico', o que não se alinha à responsabilização pessoas de sócios ou administradores, cuja fundamentação legal é outra, bem diversa. Fl. 1884DF CARF MF 8 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém julgou improcedente a impugnação em decisão cuja a ementa é a seguinte (fls. 1705/1707): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SIMULAÇÃO. PRAZO DE DECADÊNCIA. Em caso simulação, o prazo de decadência, é contado segundo a regra do inciso I do art. 173 do CTN. SIMULAÇÃO. A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, devendo o correspondente tributo ser exigido da pessoa que efetivamente teve relação pessoal e direta com o fato gerador. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS SIMULADOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos simulados, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos. Esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material, com prevalência da substância sobre a forma. VÍNCULO TRABALHISTA FORMALIZADO COM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. SIMULAÇÃO CARACTERIZADA. A ausência de atividade econômica própria e de autonomia operacional e patrimonial da empresa optante pelo Simples Nacional caracteriza a ocorrência de simulação na formalização de contratos de trabalho, tornando cabível a caracterização do vínculo dos segurados com a verdadeira empregadora, da qual deve ser exigido o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Presente os requisitos da relação de emprego é cabível à autoridade fiscal a caracterização dos segurados empregados de uma empresa como trabalhadores de outra, tendo em vista que a legalidade formal dos contratos celebrados não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. OCORRÊNCIA Identificada a infração à lei, é imputada aos sócios administradores a responsabilização solidária do artigo 135, inciso III, do CTN. Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.882 9 RECOLHIMENTOS. COMPENSAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode acolher pedido de compensação da dívida do contribuinte com recolhimentos ao SIMPLES em razão de vedação legal, de os recolhimentos apontados terem sido efetuados por terceiro e com a utilização do artifício da simulação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Comprovada a intenção de impedir/ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária das contribuições sociais previdenciárias e modificar suas características de modo a reduzir o montante do tributo devido, resta caracterizada a sonegação e a fraude, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária, sujeita a multa variável em função do número de segurados da empresa, deixar de entregar, mensalmente, GFIP na rede bancária autorizada, com as informações acerca dos fatos geradores das contribuições previdenciárias e outras do interesse da RFB. Constatado que a empresa apresentou suas GFIP omitindo as informações referentes aos segurados empregados registrados formalmente em empresas interpostas para simular o real vínculo empregatício, cabe a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, relativa à omissão de fato gerador em GFIP. PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. INDEFERIMENTO A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; que se refira a fato ou a direito superveniente;ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Considerase existente grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. Caracterizada a existência do Fl. 1886DF CARF MF 10 “grupo”, impõese a imputação de responsabilidade solidária a cada um seus integrantes, pelo cumprimento das obrigações previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, por expressa determinação contida no inciso IX do art. 30 do referido normativo. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Regra geral, toda prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado fazêlo em momento processual diverso. Inteligência dos artigos 15 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Cientificado da decisão acima (AR´s fls. 1752 e 1755), o contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram os Recursos Voluntários de fls. 1757 à 1801 (Luli Indústria e Comercio), fls. 1820 à 1841 (Participações INA), fls. 1852 à 1874 nos quais reiteram as alegações formuladas quando das Impugnações. É o Relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. Conforme se verifica pelo Relatório fiscal o lançamento centrase em 3 questões: a) Existência da denominada "pejotização" (contratação de empregado por meio de pessoas jurídicas para reduzir os custos previdenciários e trabalhistas) b) Lançamento de obrigações acessórias relativas às contribuições sobre os empregados contratados por meio de pessoa jurídica. c) Lançamento da multa agravada de 150% sobre os valores não recolhidos. d) Responsabilidade solidária da Empresa INA Participações em função da caracterização de grupo econômico. f) Responsabilidade solidária da sócia Luzia Cordeiro por atos praticados com excesso de poderes, infração à lei ou estatutos (art. 135, III do CTN). 1) PRELIMINARES 1.1) Erro na identificação do sujeito passivo. A preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista a ausência do procedimento de desconsideração das pessoas jurídicas por meio das quais foi efetuada a pejotização se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.883 11 1.2) Incompetência da Previdência Social para reconhecer vínculo empregatício. Alega o Recorrente que somente o Juiz do Trabalho, na sua função inquisitória, é competente para declarar a qualificação de um determinado vínculo jurídico de trabalho, conforme previsão expressa contida no art. 114 da Constituição Federal de 1988, a qual não pode ser derrogada por normativas de inferior hierarquia. Antes de mais nada é importante registrar que, conforme previsto da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, alegações de inconstitucionalidade da legislação previdenciária não podem ser conhecidas. A competência para que a fiscalização reconheça o vínculo laboral vem expressamente prevista no artigo 229, §2º do Regulamento da Previdência Social que assim dispõe: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, já se manifestou, diversas vezes, quanto a possibilidade de reconhecimento de vínculo laborar pela fiscalização para efeito de cobrança das contribuições previdenciárias PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços.Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821∕RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do Fl. 1888DF CARF MF 12 fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086∕PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). (grifamos) Improcedente, portanto, a preliminar suscitada. 1.3) Da decadência Alega a Recorrente que entre a ocorrência do fato gerador (jan/08 e fev/08) e a data da formalização do lançamento (mar/13), transcorrera mais de cinco (05) anos, ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar em relação à essas competências. Verificase que o pressuposto essencial da alegação de decadência é o de que a contagem do prazo deveria ser feita a partida da data da ocorrência do fato gerador, nos termos previstos no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Ocorre que, conforme demonstrado no relatório, o pressuposto da presente autuação é a simulação da prestação de serviços por meio de empresas meramente formais. Conforme restará demonstrado da análise do mérito, entendo que a simulação restou satisfatoriamente demonstrada, motivo pelo qual a contagem do prazo decadencial deverá ser feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Sendo assim, as competências relativas ao ano de 2008, não estão abrangidas pela decadência, uma vez que a ciência ocorreu em 27/03/2013 e o prazo do fisco efetuar o lançamento somente se esgotaria em 31/12/2013 para as competências 01 a 11 e 13/2008 e 31/12/2014 para o mês 12/2008. 2) MÉRITO 2.1) DA "PEJOTIZAÇÃO" ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DIREITO PARA FINS DE RECOLHIMENTO PREVIDENCIÁRIO. Alega a Recorrente que inexiste vinculo para fins de recolhimento pois em nenhum momento restou comprovado que a autuada detinha qualquer relação com as empresas desconstituídas, anteriormente ao ano de 2009 (quando então adquiriuas por incorporação), sem, contudo, demonstrar satisfatoriamente a existência autônoma das empresas utilizadas para redução dos recolhimentos previdenciários. Por outro lado, o extenso conjunto probatório trazido aos autos no trabalho fiscal deixa clara a inexistência das referidas pessoas jurídicas. Tais fatos, como já evidenciado no relatório, permitem concluir pela existência de vínculo de emprego diante da presença dos elementos de onerosidade, subordinação e habitualidade constantes do artigo 12 da Lei 8.212/91. Tais elementos podem ser identificados pelas seguintes situações, já descritas no relatório: a) As empresas LULI LTDA, OM TÊXTIL E TECELAGEM E EMBALAGEM SALTO ALTO estavam localizadas no mesmo endereço na a Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Sala 01, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC b) quadro societário das empresas era composto por parentes dos proprietários da empresa LULI e/ou empregados e ainda exempregados; Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.884 13 c) no exercício de 01/2008 a 12/2008 o Capital Social da LULI era de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). No mesmo período o Capital Social das empresas OM TÊXTIL e da TEC. EMB. SALTO era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais); d) o patrimônio das empresas concentrase na empresa LULI, conforme Balancetes Contábeis que anexa (DOC. 11 a 13), pois as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB SALTO, não possuíam patrimônio nenhum, nem mesmo máquinas, cadeiras, ou um telefone, bem como mercadorias, salvo mercadorias de terceiros, lançadas na conta “1.1.4.04 CONTA DE COMPENSAÇÃO”; e) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E BEM. SALTO eram deficitárias e acumulavam prejuízos; f) a Folha de Pagamento de Salários da empresa da LULI LTDA correspondeu a 4,2% (do Faturamento da empresa (R$ 53.797.950,57), enquanto que o Faturamento das empresas Prestadoras de Serviços foi insuficiente para cobrir o valor da Folha de Pagamento; g) a empresa LULI possuía custos excessivos se comparados com as empresas prestadoras de serviços, considerando que aquela possuía uma média de 134 (cento e trinta e quatro) funcionários e as empresas terceirizadas (somadas) uma média de 320 (trezentos e vinte); h) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E EMB. SALTO nada pagavam a título de Água, Energia Elétrica, Telefone, Manutenções de Instalações, Máquinas e Equipamentos, Móveis e Utensílios. Também não tinham custos com Material de Segurança, Materiais de Consumo, Expediente e Limpeza. Tais custos corriam por conta da empresa LULI, em cuja contabilidade eram lançados; i) em razão da incorporação das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, em janeiro/2009, pela empresa LULI, aquelas foram declaradas extintas, conforme Décima Terceira Alteração e Consolidação do Contrato Social. A maioria dos empregados das empresas incorporadas migraram para a empresa LULI em janeiro/2009, sem efetuarem a Rescisão de Contrato de Trabalho e com a mesma data de admissão que haviam sido registrados nas empresas incorporadas; j) de acordo depoimentos de alguns exfuncionários das empresas incorporadas nunca houve mais de uma empresa. Afirmaram que as empresas operavam em conjunto e alguns funcionários sequer sabiam da existência de outras empresas no local. A maioria dos funcionários não conhecia os sócios da empresas incorporadas. Reconheciam proprietários das mesmas os Srs. JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO (LULI). Além disso, confirmaram que o acesso às três empresas sempre foi pela porta principal da empresa LULI; que sempre houve um só Escritório, um RH, uma Portaria e um Refeitório; e assim permanece até hoje; O conjunto de indícios trazidos pela fiscalização permitem concluir pela inexistência fática das pessoas jurídicas. Nesse sentido, valiosas as ponderações de FÁBIO PIOVESAN BOZZA: Por se tratar de prova indireta, a conclusão sobre a existência do fato principal desconhecido, a partir do indício, estará sujeita Fl. 1890DF CARF MF 14 a diferentes graus de crença. Se o fato desconhecido pode ter multiplicidade de causa, ou ser causa de muitos efeitos, o indício isolado perde a força e impede o emprego da presunção. Por isso o quadro de indícios deve ser: (i) preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; (ii) grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão; (iii) harmônico: com indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. (BOZZA, Fábio Piovesan Planejamento Fiscal e Autonomia Privada ed. Quartier Latin, p. 193) (grifos no original) Dessa forma, improcedente as alegações de ilegitimidade do lançamento no perante a Recorrente. Isso porque restou demonstrada a simulação. O Código Civil, ao tratar dos efeitos dos negócios jurídicos simulados, assim dispõe: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados (grifamos) A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF reconheceu a simulação e a validade do lançamento efetuado em situações como a dos autos (interposição se pessoas jurídicas), conforme se verifica pelo acórdão CSRF/0105.543 que recebeu a seguinte ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – INTERPOSTA PESSOA – SIMULAÇÃO. Comprovada a interposição fictícia de pessoa jurídica, deve o fisco exigir o imposto do beneficiário da renda tributável auferida em nome da empresa individual. O artigo 149 do CTN, VII, autoriza realizar o lançamento de ofício diretamente naquele que agiu com dolo, fraude ou simulação, afastandose os sujeitos aparentes, cuja constituição formal visava apenas ocultar os reais titulares da renda. Essa, aliás, é a também regra inscrita na Lei nº 9.430/96, art. 42, § 5º, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário. SOCIEDADE DE FATO – evidenciada a existência de vários beneficiários do ilícito, organizados sobre a gerência do principal interessado, configurase a sociedade de fato e a imputação de responsabilidade tributária por força do interesse comum (art. 124, I, do CTN). LEGITIMIDADE PROCESSUAL – Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.885 15 Admitese a defesa administrativa dos responsáveis solidários no processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 58 da Lei nº 9.784/99, que atribui legitimidade aqueles cujos interesses forem indiretamente afetados pela decisão. COMPETÊNCIA – Dada a identificação dos coresponsáveis pelo pagamento da obrigação tributária, é legitima sua inclusão no lançamento de ofício (art. 202 do CTN). Entendemos que, em situações como essa, não há que se falar em desconsideração da pessoa jurídica, pois esse procedimento pressupõe a existência material das empresas interpostas. Nos termos do artigo 149, inciso VII do CTN, a autoridade fiscal está autorizada a rever de ofício o lançamento e exigir o tributo diretamente daquele que agiu com dolo ou simulação, afastando o sujeito aparente. Por fim, a alegação de que o fato das provas testemunhais terem sido colhidas unilateralmente pela fiscalização maculariam a conclusão do trabalho fiscal por ofensa ao princípio do contraditório não se sustenta. Em primeiro lugar, porque os depoimentos dos funcionários são apenas um dos diversos indícios trazidos no trabalho fiscal. Além disso, não há se que falar em contraditório no procedimento de fiscalização, uma vez que esse é, essencialmente, inquisitorial, não havendo, portanto que se falar em contraditório de ampla defesa. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” (MARINS, James – Direito Processual Tributário Brasileiro – ed. Dialética, 4ª edição, p. 231) Sendo assim, não há que se falar no direito ao contraditório pleiteado pela Recorrente. Fl. 1892DF CARF MF 16 2.2) INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO Alega a Recorrente a inexistência de grupo econômico de fato e solidariedade tributária, pois este requer a "coligação" e/ou o "controle", haja vista que as sociedades fiscalizadas sequer detêm investimentos (relevantes ou irrelevantes) em outras empresas, quanto menos, nas empresas fiscalizadas. Assinala que as atividades e objeto social das empresas são absolutamente distintas, sendo a autuada empresa especializada na produção de artigos têxteis, ao passo que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME destinamse a atividades próprias, de tinturaria, estamparia, tecelagem, entre outros, o que afasta ainda mais a possibilidade de caracterização de qualquer tipo de vínculo entre as sociedades, pois a identidade de objeto e atividade para a caracterização do "grupo econômico de fato" deve ser tal, a ponto de causar verdadeira confusão entre as atividades, não se sabendo onde termina uma e começa a outra. Improcedentes as alegações do Recorrente. Isso porque, como bem observado pela decisão recorrida: Todavia, examinando os autos não se constata a caracterização de grupo econômico entre a empresa Luli Ltda e as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda ME, nos moldes combatido na impugnação. Segundo o Relatório Fiscal em seu item 25, bem como os termos de Sujeição Passiva Solidária 1 e 2 (fls. 1158 a 1161) houve tão somente a caracterização de grupo econômico e configuração de solidariedade entre a autuada e a empresa PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS INA LTDA e a sócia administradora, LUZIA CORDEIRO. Em relação à responsabilidade da sócia Luzia Cordeiro entendo que uma vez comprovada a prática de simulação, correta a imputação da responsabilidade solidária prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional. 2.3) DA QUANTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES Pleiteia a Recorrente que seja excluído da base de cálculo do presente lançamento, os valores relativos à contribuição previdenciária patronal recolhidos pelas empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME no sistema Simples no período autuado, a fim de evitar dupla incidência. Entendo corretas as alegações da Recorrente. Ao desconsiderar a existência das demais pessoas jurídicas a conseqüência natural é admitir que os pagamentos por elas realizados, foram, na verdade, efetuados pela Recorrente. Esse entendimento é corroborado pela Súmula CARF nº 76 que assim dispõe: Súmula CARF nº 76 na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Em face dos exposto, entendo que deve ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 13971.720494/201330 Acórdão n.º 2202004.697 S2C2T2 Fl. 1.886 17 2.4) DA MULTA AGRAVADA Alega a Recorrente que não houve, no caso dos autos, dolo fraude ou simulação, mas mera divergência quanto a interpretação dos conceitos da legislação de regência. Nesse ponto, como já extensamente demonstrado pelo trabalho fiscal e pela decisão recorrida, entendo que resta claramente demonstrada a simulação da qualidade de "sócios" por parte da Recorrente para se esquivar das suas obrigações tributárias e trabalhistas. Sendo assim, considero correto o procedimento fiscal e a decisão recorrida, devendo ser mantida a penalidade qualificada, porquanto aplicada nos exatos termos das disposições contidas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Em face do exposto, entendo correta a imputação da multa qualificada. 2.5) DA INCORRETA APLICAÇÃO DA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Conforme afirma a própria Recorrente a prevalência do lançamento relativo à obrigação acessória está diretamente ligada a imposição fiscal. Sendo assim, uma vez que evidenciado nos autos que os empregados constantes das folhas de pagamento das empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. ME e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME, eram na verdade empregados da autuada, cabia a esta a inclusão dos mesmos nas suas GFIP, como sujeito passivo da obrigação tributária acessória, obrigada, portanto, ao cumprimento de obrigações que constituam um fazer ou não fazer determinado em lei, não sendo possível atribuir essa responsabilidade a terceiros. Em face disto também não há que se cogitar em descumprimento parcial da obrigação de prestar informações com redução do percentual de multa aplicável. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, dou parcial provimento ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do SIMPLES, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 1894DF CARF MF 18 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1895DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000006/2002-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois antes deste prazo não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
Numero da decisão: 9303-006.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC apenas a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois antes deste prazo não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC apenas a partir de 360 dias do protocolo do pedido. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 00 06 /2 00 2- 75 Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 787 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 739 a 745), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 340200.536, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 728 a 736), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E SOCIEDADES COOPERATIVAS. INCLUSÃO. LEI 9.363/96 IN/SRFs nºs 23/97 e 103/97. RESTRIÇÕES INDEVIDAS. ARTS. 96, 99 E 100 DO CTN. Incluemse na base de cálculo do beneficio as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem a pessoas físicas e a cooperativas de produtores, ainda que não tenham sofrido a incidência da contribuição para o PIS e da COFINS. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1°, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as aludidas aquisições feitas de pessoas físicas e de cooperativas de produtores, incidindo em violação ao disposto nos arts. 96,99 e 100 do CTN. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01.01.96 (art. 39, § 40 da Lei n° 9.250/95) e, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF. Recurso Provido em Parte. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 752), a PGFN contesta tãosomente a aplicação da Taxa SELIC, alegando que “... além de inexistir previsão legal, aqui não há repetição, porque não há pagamento indevido ou a maior que o devido”, ou seja, o ressarcimento não é espécie do gênero restituição, tratandose de institutos completamente distintos. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 788 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas as formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. A matéria que nos foi trazida à apreciação restringese à atualização monetária pela aplicação da Taxa SELIC no caso de Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI. Utilizome aqui do Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, desta mesma 3º Turma da CSRF: A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 789 4 descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 790 5 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 791 6 protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: ..........) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 792 7 o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 793 8 aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei n° 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 794 9 O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto ... para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. Resta saber então se houve oposição ilegítima estatal ou não na análise, pela Unidade de Origem, do direito creditório, posteriormente revertida nas instâncias de julgamento. Houve, sim. a inclusão, na base de cálculo do Crédito Presumido das aquisições de nãocontribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 795 10 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disto, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13909.000006/200275 Acórdão n.º 9303006.801 CSRFT3 Fl. 796 11 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para reconhecer a aplicação da Taxa SELIC apenas a partir de 360 dias do protocolo do pedido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 796DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.036851/90-61
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2001
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PASEP — DECADÊNCIA
- A decadência relativa ao direito de constituir crédito tributário, nos casos em que não houve a antecipação do pagamento, rege-se pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, hipótese em que o prazo de decadência corre a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser realizado.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: CSRF/02-01.024
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso para considerar decaído o período de Ago/83 a dez/84, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo que dava provimento integral ao recurso e os Conselheiros Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Edison Pereira Rodrigues que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcos Vinicius Neder de Lima
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T04:49:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T04:49:46Z; Last-Modified: 2009-07-07T04:49:46Z; dcterms:modified: 2009-07-07T04:49:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T04:49:46Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T04:49:46Z; meta:save-date: 2009-07-07T04:49:46Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T04:49:46Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T04:49:46Z; created: 2009-07-07T04:49:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-07T04:49:46Z; pdf:charsPerPage: 1363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T04:49:46Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA .? CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS / SEGUNDA TURMA Processo n° 10880.036851/90-61 Recurso n° RD/101 1 337 Matéria PASEP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessada ELETROPAULO — ELETRICIDADE DE SiÃO PAULO S/A Recorrida 16- CÂMARA DO 1 Q- CONSELHO DE CONTRIBUINTE Sessão de 21 DE JUNHO DE 2001 Acórdão n° CSRF/02-01 024 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PASEP — DECADÊNCIA - A decadência relativa ao direito de constituir crédito tributário, nos casos em que não houve a antecipação do pagamento, rege-se pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, hipótese em que o prazo de decadência corre a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser realizado. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso para considerar decaído o período de Ago/83 a dez/84, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo que dava provimento integral ao recurso e os Conselheiros Francisco Maurício R de Albuquerque Silva e Edison Pereira Rodrigues que negavam provimento ao recurso EtYrSON PEREI G GUES PRESIDEN ("G'W M Á C VINICIUS NEDER DE LIMA R OR FORMALIZADO EM 24 OUT 2001 1 Processo n° . 10880.036851/90-61 Acórdão n° CSRF/02-01.024 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, Ausente o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. 2 Processo n° , 10880 036851/90-61 Acórdão n° CSRF/02-01.024 Recurso n° . RD/101-01„ 337 Recorrente FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de exigência da contribuição ao Programa de Formação de Patrimônio do Servidor Público - PASEP, referente aos fatos geradores de agosto de 1983 a dezembro de 1988, constituída nos termos da Lei Complementar n- Q 08/70 e alterações posteriores. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão n° 101-90,717, em 26 de fevereiro de 1997, em que decide - por unanimidade de votos — dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos da ementa de fls.. 159 que se transcreve na parte objeto do recurso, "PIS/PASEP - LANÇAMENTO - DECADÊNCIA- O direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário de contribuição para o PASEP decai em cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador. (. ) Objetivando a reforma julgado em epígrafe, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional recorre à instância superior (fls. 167/169), Aduz que a decisão recorrida diverge das decisões constantes nos Acórdãos 105-10.186 e 105-6,386, ambas no sentido de que o prazo decadencial é de dez anos e não de cinco, como sustentado na decisão ora recorrida O primeiro acórdão paradigma tem a seguinte ementa: "PIS/REPIQUE — DECADÊNCIA — Considera-se homologado o lançamento, posto que a Lei fixou prazo diferenciado, se a Fazenda Pública não se pronunciar sobre o mesmo prazo no prazo de 10 (dez) anos, a contar da ocorrência do fato gerador Inteligência dos Artigos 150 Parag "4" do "CTN" e "3" do Dec-Lei n. 2052, de 03/08/93." Pelo Despacho de fls. 910, a Presidência da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes recebeu o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, vez que devidamente revestido dos requisitos de admissibilidade exigidos pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cientificada da interposição de recurso pela Fazenda Nacional, a recorrente não ofereceu contra-razões no prazo previsto no Regimento Interno desse Conselho, É o relatório 3 Processo n° 10880036851/90-61 Acórdão n° CSRF/02-01 024 VOTO CONSELHEIRO — RELATOR MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA O Recurso Especial da interessada atendeu aos pressupostos para a sua admissibilidade O apelo merece se conhecido. A questão cinge-se a alegação de decadência do direito de constituir o crédito em questão, verifica-se que a Câmara recorrida sustenta que o direito de constituir o crédito tributário relativo à contribuição para o PASEP decai em cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, enquanto a decisão paradigma entende que o prazo de decadência para o PIS é de 10 anos, ex vi do disposto no Decreto n° 2 052/83 O Decreto-lei n° 2 052, de 03/08/83, regulou a cobrança, fiscalização, processo administrativo e de consulta para a contribuição para o PIS/PASEP, estabeleceu em seu art 3° regras de guarda de documentos, a saber "Os contribuintes que não conservarem, pelo prazo de dez anos da data fixada para o recolhimento, os documentos comprobatórios dos pagamentos efetuados e da base de cálculo, ficam sujeitos ao pagamento das parcelas devidas, calculadas sobre a receita média mensal anterior " Este dispositivo estabelece o dever de os contribuintes conservarem, pelo prazo dez anos, os documentos comprobatórios dos pagamentos e da apuração das bases de cálculo O artigo 10 do mesmo Decreto, estatui prazo prescricional, a saber "Art 10 — A ação para cobrança das contribuições devidas ao PIS/PASEP, prescreverá no prazo de 10 anos, contados a partir da data prevista para seu recolhimento" coerente Da interpretação conjunta destes dois dispositivos, a meu sentir, não é possível alcançar a definição legal para o prazo decadencial das referidas contribuições O artigo 3° apenas estatui a guarda de documentos, 4 Processo n° : 10880.036851/90-61 Acórdão n° CSRF/02-01.024 imposição com a necessidade de cobrança do débito dentro do prazo de prescrição previsto do artigo 10, não havendo razão para se inferir que estamos diante da decadência e não da prescrição.. A decadência, por se tratar de prazo extintivo, necessita de expressa previsão legal, não podendo ser presumida a partir da obrigação acessória de manter registros dos pagamentos. Assim, na falta de legislação específica sobre a matéria e havendo o Supremo Tribunal Federal reconhecido, reiterada vezes, a natureza tributária da Contribuição para o PIS/PASEP, deve-se aplicar à hipótese as disposições do Código Tributário Nacional relativas à decadência. O Código Tributário Nacional define nos artigos 147, 149 e 150 as três modalidades de lançamento: por declaração, de ofício e por homologação. A regra geral de decadência do lançamento de ofício é estabelecida no artigo 173, enquanto o prazos para o lançamento por homologação, por exceção à regra, são classificados no artigo 150. A distinção do Código no tratamento dessas duas modalidades deve-se ao maior ou menor conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária pela autoridade administrativa., Enquanto no lançamento por homologação a ocorrência do fato gerador é conhecida de imediato pela antecipação do pagamento do tributo pelo contribuinte, no de ofício, o fato só vem a ser conhecido após a iniciativa de investigação do Fisco„ No caso em questão, verifica-se que a exigência decorre de falta de recolhimento do tributo.. Assim, não há que se falar em lançamento por homologação, mas em lançamento de ofício, eis que nesse caso não está presente o pressuposto da antecipação do pagamento, caracterizante desta modalidade de lançamento. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça ao analisar essa matéria, no Resp n°23706, de 14 de outubro de 1996, decidiu, por unanimidade de votos, que . -- "Se não houver antecipação de pagamento, não há falar-se em lançamento por homologação, mas em lançamento de ofício, hipótese em que o prazo de 5 Processo n° 10880.036851/90-61 Acórdão n° . CSRF/02-01 024 decadência corre a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser realizado,." Daí pode-se concluir que a hipótese dos autos é tratada pela regra geral do artigo 173 do Código Tributário Nacional, que prescreve que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Neste contexto, entendo que relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1983 e 1984, está decadente o direito da Fazenda Pública da União de constituir o crédito tributário relativamente ao PASEP A sua efetivação poderia dar-se até 31/12/88 e 31/12/89, respectivamente, mas ocorreu em data posterior (out/90), não abrangida pelo prazo extinto. Nestes termos, dou provimento parcial ao recurso especial para reformar a decisão recorrida e restabelecer a exigência relativa aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1985 não alcançados pela decadência Sala das Sessões, 21 de junho de 2001. 44. /-"(PL"‘ IN/r7Rr • VINICIUS NEDER DE LIMA 6 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10530.723779/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
DESPESAS NECESSÁRIAS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA.
As despesas consideradas necessárias ou operacionais devem ser comprovadas pelo contribuinte com documentação hábil e idônea, sob pena de glosa.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez ausente a figura do dolo, fraude ou simulação, a multa qualificada deve ser afastada.
O não pagamento de tributo, por si só, não revela conduta dolosa. Trata-se, na verdade, de situação típica que enseja a aplicação da multa de ofício ordinária, de 75%, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA.
Inexistindo motivação ou prova de que a pessoa praticou conduta dolosa que caracterize excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto social, não há que se falar em responsabilidade tributária dos sócios, ainda que detenha poderes de gestão.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa, de CSLL, idêntica solução dada ao IRPJ.
Numero da decisão: 1201-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para: afastar a multa qualificada passando de 150% para 75%; bem como afastar a responsabilidade solidária do recorrente Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira. Os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa davam integral provimento aos recursos voluntários. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães (relator) e Eva Maria Los que negavam provimento aos recursos. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 DESPESAS NECESSÁRIAS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. As despesas consideradas necessárias ou operacionais devem ser comprovadas pelo contribuinte com documentação hábil e idônea, sob pena de glosa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, fraude ou simulação, a multa qualificada deve ser afastada. O não pagamento de tributo, por si só, não revela conduta dolosa. Trata-se, na verdade, de situação típica que enseja a aplicação da multa de ofício ordinária, de 75%, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo motivação ou prova de que a pessoa praticou conduta dolosa que caracterize excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto social, não há que se falar em responsabilidade tributária dos sócios, ainda que detenha poderes de gestão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa, de CSLL, idêntica solução dada ao IRPJ.
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NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. As despesas consideradas necessárias ou operacionais devem ser comprovadas pelo contribuinte com documentação hábil e idônea, sob pena de glosa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, fraude ou simulação, a multa qualificada deve ser afastada. O não pagamento de tributo, por si só, não revela conduta dolosa. Tratase, na verdade, de situação típica que enseja a aplicação da multa de ofício ordinária, de 75%, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Inexistindo motivação ou prova de que a pessoa praticou conduta dolosa que caracterize excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto social, não há que se falar em responsabilidade tributária dos sócios, ainda que detenha poderes de gestão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa, de CSLL, idêntica solução dada ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 37 79 /2 01 3- 23 Fl. 4064DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para: afastar a multa qualificada passando de 150% para 75%; bem como afastar a responsabilidade solidária do recorrente Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira. Os conselheiros: Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa davam integral provimento aos recursos voluntários. Vencidos os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães (relator) e Eva Maria Los que negavam provimento aos recursos. Designado o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório TV SUBAE LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1536.391, de 20/08/2014, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que julgou improcedente a impugnação apresentada, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, mantendo o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, no valor de R$182.277,03 (cento e oitenta e dois mil, duzentos e setenta e sete reais e três centavos), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$65.619,73 (sessenta e cinco mil, seiscentos e dezenove reais e setenta e três centavos), juntamente com a multa de oficio, no percentual de 150%, e os juros de mora, mantendo as Multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre base de cálculo estimada, nos valores respectivos de R$228.096,34 (duzentos e vinte e oito mil e noventa e seis reais e trinta e quatro centavos) e R$32.811,87 (trinta e dois mil, oitocentos e onze reais e oitenta e sete centavos), e mantendo também a imputação de responsabilidade tributária solidária dos dirigentes Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira,. A seguir trago a colação a ementa daquele Acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo os autos de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar os lançamentos, descabe a alegação de nulidade. Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Comprovado que o autuado simulou a prestação de serviços por empresa que, apesar de criada atendendo às formalidades legais, de fato não existe, cabe a responsabilização dos diretores da empresa autuada por infração de lei e do contrato social, restando caracterizada a solidariedade e justificada a reunião da empresa e das pessoas físicas indicadas nos autos de infração no mesmo polo passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 DESPESAS OPERACIONAIS. INDEDUDITIBILIDADE. GLOSA. As despesas operacionais devem estar lastreadas em documentação hábil e idônea, bem como sua dedutibilidade condicionase à comprovação de que são necessárias às atividades da empresa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. SONEGAÇÃO. FRAUDE. CONLUIO. Os atos ilícitos praticados pelo contribuinte e pelos responsáveis tributários, dentre os quais a simulação, por interposição de pessoa, configuram procedimento doloso, visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, ou ainda visando a modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar o seu pagamento, demonstrando o objetivo de sonegação de tributos, e sujeitam a pessoa jurídica à multa de ofício qualificada, no percentual de 150%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. Fl. 4066DF CARF MF 4 A matéria relativa à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício faz parte do lançamento e deve ser conhecida por este órgão julgador, entendendose que a multa de ofício, como parcela integrante do crédito tributário, está sujeita aos juros de mora, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. Aplicase a multa isolada no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento da contribuição social deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no anocalendário correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da Decisão de Primeira Instância, completandoo ao final: Tratase dos autos de infração de fls. 3/15 e 16/26, relativos aos anoscalendário de 2008 e 2009, lavrados em 04/06/2013, que pretendem a cobrança, respectivamente: do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$182.277,03 (cento e oitenta e dois mil, duzentos e setenta e sete reais e três centavos), além da multa de ofício no percentual de 150% e dos juros de mora, e da Multa Isolada, decorrente da falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada, no valor de R$228.096,34 (duzentos e vinte e oito mil e noventa e seis reais e trinta e quatro centavos); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$65.619,73 (sessenta e cinco mil, seiscentos e dezenove reais e setenta e três centavos), além da multa de ofício, no percentual de 150%, e dos juros de mora, e da Multa Isolada, decorrente da falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimada, no valor de R$32.811,87 (trinta e dois mil, oitocentos e onze reais e oitenta e sete centavos). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 27/57, parte integrante dos autos de infração, o autuante apresenta as informações a seguir: 1. DO HISTÓRICO a) em 14/04/2012, o contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes livros e documentos, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal: arquivos digitais relativos aos registros contábeis de 2006 a 2008 e de notas fiscais de 2006 a 2010; contrato social/estatuto e suas alterações/consolidações; atas de reuniões diversas; LALUR; balanço patrimonial e DRE; declaração expressa acerca da existência de ação judicial relativa a IRPJ e demais tributos administrados pela Receita Federal do Brasil RFB; contratos de prestação de serviços com a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, CNPJ 08.578.708/0001 36, bem como notas fiscais e comprovantes de pagamento com a indicação/apresentação do documento de Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 4 5 liquidação (extratos, livros/documentos contábeis, etc); demonstrativo em papel e meio magnético contendo a relação das notas fiscais, as datas das respectivas prestações de serviços, os valores dos respectivos pagamentos e as retenções dos tributos administrados pela RFB; b) em 18/04/2012, o contribuinte solicitou dilação de prazo para cumprimento do quanto requerido, que foi deferida; c) em 09/05/2012, o contribuinte apresentou parte do quanto solicitado no Termo de Início de Procedimento Fiscal, bem como procuração outorgando poderes de representação à Sra. Ângela Maria Caixeta Andrade, CPF nº 365.390.31653; d) em 17/05/2012, o contribuinte apresentou documentos complementares, ao tempo em que requereu nova dilação de prazo, de trinta dias, para cumprimento integral da demanda, no que foi deferida; e) em 23/05/2012, o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal nº 0001) a apresentar arquivos digitais referentes à folha de pagamento e livros registros de empregados, entre outros documentos; f) em 28/06/2012, o contribuinte apresentou documentos complementares, em cumprimento às intimações lavradas. Nessa mesma data, a empresa foi intimada, mediante Termo de Intimação Fiscal nº 0002, a apresentar os arquivos de folha de pagamento, entregues anteriormente, mas com problemas, e certidões de objeto e pé, entre outros documentos, sendo que a empresa apresentou, no mesmo dia, parte do que foi solicitado; g) em 22/08/2012, o contribuinte, por meio de Termo de Intimação nº 0003, foi intimado a apresentar certidões de objeto e pé referentes a ações judiciais discriminadas em resposta ao Termo de início; h) em 27/08/2012, o contribuinte apresentou parte do quando requerido e solicitou dilação do prazo para cumprimento integral da demanda; i) em 10/10/2012, a empresa foi intimada da continuidade da auditoria, através de Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nº 0001; j) em 21/11/2012, o contribuinte foi intimado, mediante Termo de Intimação Fiscal nº 0004, a apresentar notas fiscais relativas aos serviços tomados junto à empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., CNPJ 08.578.708/000136, entre outros documentos. Integra essa intimação a constatação realizada nas sedes das empresas Anira Veículos Ltda., Morena Veículos Ltda. e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda; k) nos dias 26/11/2012 e 05/12/2012, a contribuinte apresentou o quanto requerido na Intimação Fiscal nº 0004; Fl. 4068DF CARF MF 6 l) nos dias 10/01/2013, 27/02/2013 e 18/04/2013, a empresa foi intimada da continuidade da auditoria, através dos Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal nºs 0002 a 0004, respectivamente. 2. DO DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL. A auditoria realizada demonstrou a ligação/controle entre as empresas TV Subaé Ltda, Morena Veículos Ltda, Anira Veículos Ltda e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., bem como os efeitos tributários no que se refere à dedução de despesas com prestação de serviços tomados da MC Assessoria. 2.1. Do controle comum, através dos mesmos quotistas, entre as empresas TV Subaé Ltda e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. A sociedade TV Subaé Ltda. se dedica à atividade de televisão aberta e iniciou suas atividades em 09/07/1975, cujos quotistas estavam dispostos da seguinte forma: Jair Santos Silva (83,3333%), Iraildes Silveira Amor Silva (10,0000%) e Judith Silva de Souza (6,6667%). Após algumas alterações contratuais, em 13/06/1983, através da 4ª Alteração do Contrato Social, retiraramse da sociedade os citados quotistas, admitindose no quadro societário os Srs. Modesto Cerqueira (50,0000%), Modezil Ferreira de Cerqueira (49,0000%) e Florisberto Ferreira de Cerqueira (1,0000%). De acordo com a cláusula 15ª do citado contrato a sociedade era administrada pelos Srs. Modesto Cerqueira, Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, com as funções respectivas de Diretor Presidente, Diretor Superintendente e Diretor Financeiro. Em 01/06/1994, de acordo com a 16ª Alteração do Contrato Social, retirouse da sociedade o Sr. Modesto Cerqueira, sendo admitidos a Sra. Zildete Ferreira de Cerqueira e o Sr. Noide Ferreira de Cerqueira. Após essas alterações, observouse a seguinte disposição do quadro societário: Modezil Ferreira de Cerqueira (58,3333%), Florisberto Ferreira de Cerqueira (8,3333%), Zildete Ferreira de Cerqueira (25,0000%) e Noide Ferreira de Cerqueira (8,3333). A cláusula 15ª do citado instrumento de alteração dispôs que a sociedade seria administrada pelos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira, Florisberto Ferreira de Cerqueira e Noide Ferreira de Cerqueira. Após algumas alterações contratuais, em 26/05/1998, de acordo com a 19ª alteração do Contrato Social, constatase a seguinte disposição do quadro societário na TV Subaé: Modezil Ferreira de Cerqueira (77,2731%) e Florisberto Ferreira de Cerqueira (22,7269%). Em 09/01/2003, de acordo com a 23ª alteração do Contrato Social, admitiuse na sociedade o Sr. Antônio Carlos Peixoto Magalhães Junior, modificando a disposição societária, da seguinte forma: Modezil Ferreira de Cerqueira (26,1375%), Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 5 7 Florisberto Ferreira de Cerqueira (11,3634%), Zildete Ferreira de Cerqueira (12,4991%) e Antônio Carlos Peixoto Magalhães Junior (50,0000%). Em consonância com a citada alteração contratual, os Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Antônio Carlos Peixoto Magalhães Junior, sócios gerentes, administrariam a sociedade com iguais poderes. Após algumas alterações do contrato social, em 26/08/2009, retirouse da sociedade o Sr. Antônio Carlos Peixoto Magalhães Junior, admitindose a Sra. Renata de Magalhães Correia e a empresa ANRE Participações e Empreendimentos Ltda. O quadro societário ficou como demonstrado à fl. 31 do processo. De acordo com a cláusula sexta da citada alteração contratual, o Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira e a Sra. Arlette Maron de Magalhães foram designados administradores da sociedade. Consoante a cláusula sétima, autorizouse a criação do Conselho de Administração, com atribuição de fixar a orientação geral dos negócios, entre outras. O parágrafo segundo dispôs que o sócio Modezil Ferreira de Cerqueira seria o Presidente do Conselho de Administração. Em 11/01/2010, foi arquivado na JUCEB Instrumento de Reti Ratificação da Alteração Contratual mencionada, para corrigir pequena variação na quantidade de quotas detidas pela ANRE. Constatase que, no período compreendido por esta auditoria (anos 2008 e 2009), o quadro societário da empresa TV Subaé Ltda. estava disposto da forma demonstrada à fl. 32. Do exposto, concluise que o capital social da TV Subaé Ltda. está dividido entre as famílias Ferreira de Cerqueira e Magalhães, todavia, no período auditado, a empresa era administrada majoritariamente pelo Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira. 2.2. Da Constituição da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. A empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. foi constituída em 29/09/2006 e registrada na JUCEB em 12/01/2007, data esta também indicada nos dados cadastrais na Receita Federal do Brasil – RFB. Observase que a empresa está situada em endereço similar ao da Anira Veículos Ltda. (empresa administrada pelos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira e controlada pela Morena Veículos Ltda.), tem como objeto a prestação de serviços de assessoria em gestão empresarial e possuía o quadro societário formado pela Morena Veículos Ltda., Jacuípe Veículos Ltda., Norauto Veículos Ltda., Anira Veículos Ltda. e Norauto Caminhões Ltda., com os percentuais indicados na tabela de fl. 32. Fl. 4070DF CARF MF 8 É possível constatar, de acordo com a cláusula sétima do citado Contrato de Constituição, que o Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira administra e dirige (Diretor Presidente) as empresas MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. e TV Subaé Ltda. Salientese que o Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira é membro do Conselho de Administração desta e Diretor Superintendente daquela. Em 10/07/2007, de acordo com a 1ª alteração do Contrato Social da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., os sócios acima mencionados retiraramse da sociedade, cedendo suas cotas para as seguintes pessoas físicas: Modezil Ferreira de Cerqueira (30%), Florisberto Ferreira de Cerqueira (30%), Modezil Rodrigues Ferreira de Cerqueira (15%), Myllene Rodrigues de Cerqueira (15%) e Luiz José Pimenta (10%). Esta alteração contratual foi a última a ter efeito nos períodos compreendidos nesta auditoria. Assim, constatase que a empresa MC Assessoria possui Diretor Presidente e Diretor Superintendente idênticos aos da TV Subaé Ltda., conforme resumo do quadro societário dessas empresas à fl. 33. Resta claro que a gestão dos negócios das empresas TV Subaé Ltda. e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., no período compreendido por esta auditoria, é realizada pelo Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira. Ressaltese que o Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira é quotista (11,36%) e membro do Conselho de Administração da TV Subaé, bem como administra a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., com a função de Diretor Superintendente. 2.3. Da ligação, através de quotistas comuns, entre as empresas TV Subaé Ltda., MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., Morena Veículos Ltda. e Anira Veículos Ltda., bem como caracterização de Grupo Econômico. Como já mencionado, as empresas TV Subaé Ltda. e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. eram administradas, no período compreendido por esta auditoria, pelos quotistas comuns, Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira. Analisandose os atos societários da empresa Morena Veículos Ltda. no citado período, constatouse que, em 22/12/2006, foi registrada a 11ª alteração do Contrato social, cujos quotistas estavam dispostos conforme demonstrativo à fl. 34. De acordo com a cláusula 7ª dessa alteração contratual, a sociedade era administrada pelos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira, Florisberto Ferreira de Cerqueira, Luiz José Pimenta, Modezil Rodrigues Ferreira e Cerqueira e Myllene Rodrigues de Cerqueira Telles de Souza, com as funções respectivas de Diretor Presidente, Diretor Superintende, Diretor Financeiro, Diretor Comercial e Diretora Administrativa. De acordo com todo o exposto, a situação societária da morena Veículos, nos anos fiscalizados, encontrase resumida no quadro de fl. 35. Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 6 9 A ligação entre as empresas TV Subaé Ltda., MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., Morena Veículos Ltda. e Anira Veículos Ltda., no período investigado, encontrase resumida no diagrama de fl. 36, com a qual se conclui que essas empresas são administradas, majoritariamente, pelos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira. 2.4. Da artificialidade na constituição da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. A empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. foi constituída em janeiro de 2007, todavia, apenas em 15 de junho do corrente ano houve integralização de capital no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), de acordo com Razão da conta “Capital Registrado”, código 2301010001. De acordo com análise realizada nos arquivos digitais de folha de pagamento apresentados pela MC Assessoria, é possível perceber que a empresa iniciou suas atividades com 46 funcionários (dados limitados até 11/06/2007), sendo que 42 deles oriundos do próprio grupo econômico, conforme mostra a planilha de fls. 37/38. Ainda de acordo com os citados arquivos de folha de pagamento, os funcionários transferidos das empresas do grupo econômico para a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. continuaram a receber, em sua grande maioria, os mesmos proventos e não tiveram alteração do cargo após a transferência. Resta claro ter havido apenas transferência de funcionários entre empresas do próprio grupo, principalmente quando se observa a data de admissão na empresa MC Assessoria, anterior a sua constituição de fato. Observase ainda que todos os funcionários transferidos, bem como os novos contratados pela MC Assessoria, trabalham fisicamente nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda., que inicialmente a constituiu, juntamente com a Norauto Caminhões, Norauto Veículos, Anira Veículos e Jacuípe Veículos, e, posteriormente mantém sócios e diretoria comuns com aquela (MC), demonstrando cabalmente que as seis empresas são parte integrantes do mesmo grupo econômico, formado ainda por Jubiabá Veículos Ltda., Brune Veículos Ltda. e Jubiabá Autos e Comércio Ltda. Em 3 de abril de 2012, esta auditoria compareceu ao endereço cadastral da empresa Anira Veículos Ltda. e constatou que a empresa MC Assessoria está localizada fisicamente nas dependências daquela, no segundo andar. Inquirido acerca da localização da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., o Sr. Aurivalter C. P. Silva Júnior, Diretor Executivo da Anira Veículos Ltda., se limitou a dizer que ela funciona numa sala, com uma mesa e algumas cadeiras, e que não há responsável pela gerência naquele local. A autoridade fiscal lavrou Termo de Intimação Fiscal n° 0004, cuja ciência ao contribuinte (TV Subaé Ltda.) se deu de forma Fl. 4072DF CARF MF 10 postal, contendo constatação acerca do que fora observado na visita acima mencionada, todavia, não houve qualquer manifestação por parte da empresa. Salientase também que a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, corroborou a informação de que os funcionários lotados na área contábil/financeira, inclusive staff, das empresas investigadas nesta auditoria trabalham nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda., exceção feita aos funcionários da empresa TV Subaé Ltda., localizada no município de Feira de Santana Bahia. A empresa MC Assessoria foi intimada pessoalmente a apresentar cópias das contas de luz e aluguel, bem como informar motivo da constituição da empresa, já que funciona no mesmo local e dispõe de quadro societário idêntico ao das empresas tomadoras dos serviços. Em resposta à intimação fiscal, a empresa MC informa que não possui contas de luz, utilizando, portanto, a energia da cedente Anira Veículos Ltda. Apresenta, ainda, contrato de cessão de uso sem ônus do espaço físico referente ao imóvel localizado à Via Urbana, n° 5.520, Centro Industrial de Aratu, Cia Sul, Simões Filho Bahia, de propriedade da empresa Anira Veículos Ltda. Em relação ao motivo da constituição da citada empresa, o contribuinte alega que a sociedade foi criada para promover gestão integrada dos partícipes do grupo econômico, entre outros. A análise da escrita contábil da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. mostrou que os saldos das contas de luz e aluguéis estão zerados, ou seja, não apresentaram movimentação. Ressaltase que estas contas apresentaram o mesmo padrão em 2008 e 2009. Em 21 de novembro de 2012, a empresa TV Subaé Ltda. foi intimada, através de Termo de Intimação Fiscal n° 0004, a apresentar o relatório de atividades desenvolvidas pela empresa MC Assessoria, cuja resposta, em 5 de dezembro de 2012, versava sobre rol de serviços genericamente prestados referente a cada área operacional da empresa, tais como Controle dos Atos Societários e Análises e Assessoria, entre outros. Frisase que as notas fiscais emitidas pela prestadora para a contratante não discriminam os serviços desenvolvidos, contendo apenas indicação genérica de prestação de serviços, sendo que nos comprovantes de arrecadação apresentados os serviços prestados têm natureza de distribuição de lucros. Concluise, portanto, que o arrazoado produzido não demonstra quais são os serviços oferecidos, os custos e tampouco a mão de obra envolvida, não se prestando a comprovar a efetividade da prestação. Outrossim, não se pode olvidar que as tarefas elencadas genericamente no arrazoado são idênticas às prestadas por qualquer funcionário em uma empresa. Analisandose as DIPJ dos anoscalendário de 2007 a 2009, ficha 03, página 02, das diversas empresas do grupo, constatase que a responsável pelo preenchimento das informações ali contidas é a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, anteriormente lotada na empresa Morena Veículos Ltda e transferida para a empresa MC Assessoria. Frisase que Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 7 11 o correio eletrônico informado nas DIPJ citadas é idêntico, qual seja, CONTABILIDADE@MORENAVEICULOS.COM.BR. Converge ainda, na linha de artificialidade na constituição da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., o fato de o contato informado na GFIP das empresas partícipes do grupo econômico ser a Sra. Rosane Ferreira Andrade, Supervisora de Pessoal, admitida no quadro de funcionários da Morena Veículos Ltda. em 17/06/1997 e transferida para a MC Assessoria em 01/06/2007. A despeito de a MC Assessoria ter sido constituída para promover gestão integrada dos partícipes do grupo econômico sequer é responsável pelo envio das GFIP dessas empresas, tarefa esta realizada pelas próprias empresas e, em alguns meses, pela Morena Veículos. Estas constatações demonstram cabalmente, no mínimo, a confusão patrimonial que existia entre as empresas acima citadas. Diante do exposto, restou comprovado que a empresa MC Assessoria possui endereço cadastral no mesmo local da Anira Veículos Ltda., não possui qualquer estrutura física/operacional condizente com uma empresa prestadora de serviços, tais como despesas de luz, aluguel, ou qualquer outra comum à atividade empresarial. Ressaltase que de acordo com a DRE 2007, apresentada pela empresa MC Assessoria, só é possível observar despesas com pessoal (ordenados da administração e bolsa de estagiários) e seus encargos, bem como pagamento de tributos. Constatouse, ainda, que a MC Assessoria iniciou suas atividades com a transferência de funcionários das empresas para as quais prestaria serviço, cuja remuneração destes alterou infimamente, com auferimento de receitas e elevada margem de lucro. Observase, por fim, mas não de forma exaustiva, que os funcionários da empresa MC Assessoria utiliza as dependências físicas da empresa Morena Veículos Ltda., bem como prestam os mesmos serviços que os funcionários transferidos prestavam na lotação anterior (empresas do grupo econômico), inclusive com mesmos proventos. Merece ainda atenção o fato de que todo o atendimento a esta Auditoria para prestação de informações foi realizado pela mesma pessoa, Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo. Estas afirmações estão corroboradas, entre outros, pelos seguintes fatos: a) envio das GFIP por pessoa comum ao grupo (Rosane Ferreira Andrade); b) envio das DIPJ por pessoa comum ao grupo (Rita dos Santos Campos); c) manutenção dos proventos pagos antes da constituição da MC e após a transferência dos funcionários mencionados na planilha; Fl. 4074DF CARF MF 12 d) data de admissão dos funcionários na empresa MC Assessoria convergente com a data de admissão na antiga lotação, conforme dados obtidos nos arquivos de folha de pagamento apresentados pelas empresas do grupo investigado; e) ausência de relatórios de atividades comprovando a efetividade dos serviços prestados, requisito essencial à idoneidade da despesa contabilizada e deduzida do lucro tributável, bem como identificação genérica dos serviços prestados no corpo das notas fiscais; f) gestão dos negócios realizada pelos mesmos responsáveis, quais sejam, Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, ambos quotistas/administradores das empresas investigadas por esta auditoria; g) prestação de serviços pela empresa MC Assessoria apenas a empresas do grupo econômico com elevada margem de lucro. h) endereço cadastral similar/idêntico e comprovação posterior de localização no mesmo lugar entre a Anira Veículos Ltda. e MC Assessoria, está última sem qualquer estrutura física/operacional; i) ausência de rubricas contábeis na empresa MC Assessoria, referentes a despesas convencionais observadas em qualquer sociedade. Esta Auditoria comprovará, ao término deste Termo de Verificação Fiscal, que a empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. não existe de fato, tendo sido constituída apenas com o fito de reduzir tributos e maximizar distribuição de lucros aos quotistas, utilizandose do instituto da simulação para consecução dos objetivos. 2.5. Da consolidação das operações de prestação de serviços entre as empresas MC Assessoria Gestão Empresarial Ltda. (prestadora) e TV Subaé Ltda. (tomadora) e a consequente infração de glosa de despesas não necessárias/existentes: Nos tópicos anteriores, esta auditoria demonstrou que os quotistas da empresa TV Subaé Ltda. controlam a MC Assessoria, bem como a administram, conforme Contrato Social. Foi constatado que a MC Assessoria foi constituída em endereço idêntico ao da Anira Veículos Ltda. (controlada pela Morena Veículos Ltda. e ligada à TV Subaé Ltda.), sem capacidade operacional, com o objetivo de oferecer os mesmos serviços que já eram prestados pelos funcionários nas lotações anteriores, repisese, empresas do mesmo grupo econômico. Ademais, constatouse ainda que os proventos dos funcionários transferidos das empresas do grupo econômico para a empresa MC Assessoria não se modificaram na grande maioria. Analisandose a questão profundamente percebeuse que, em 2007, apenas as empresas Morena Veículos Ltda., Anira Veículos Ltda., Jacuípe Veículos Ltda., Norauto Veículos Ltda. e Norauto Caminhões Ltda. deduziam despesas com a prestação de serviços em tese oferecidas pela MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda. Entre os anos de 2008 e 2009, as empresas Fl. 4075DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 8 13 TV Subaé Ltda., Jubiabá Autos e Comerciais Ltda., Jubiabá Veículos Ltda. e Brune Veículos Ltda. (apenas em 2009) também passaram a deduzir as citadas despesas, todavia, sem a comprovação da efetividade da prestação dos serviços. As notas fiscais de prestação dos serviços emitidas pela empresa MC Assessoria sequer discriminam os serviços prestados e, em resposta à intimação, a empresa TV Subaé Ltda. se limitou a apresentar arrazoado contendo rol de atividades, em tese, realizadas por setores da empresa. Por si só, este preâmbulo já seria suficiente para glosar as despesas com a citada prestação de serviços, pela falta de sua efetiva comprovação, através dos relatórios de atividades desenvolvidas na atividade comercial, que se tornam mais importantes, sobretudo, por se tratar de empresas de um mesmo grupo econômico. Todavia, esta auditoria demonstra em detalhe a real intenção das empresas ao constituir uma empresa de prestação de serviços sob controle comum. Inicialmente, observase que a TV Subaé Ltda. é tributada pelo Lucro Real Anual, com recolhimento de estimativas mensais, conforme se depreende da ficha 01 da DIPJ do ano calendário 2008, portanto, tem seu lucro tributável reduzido pelas despesas contabilizadas e não adicionadas ao Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. Notase, no caso em tela, que não se verifica qualquer adição a título de despesas com prestação de serviços no referido livro. Da análise realizada na escrita contábil, relativa ao ano calendário 2008, apresentada pela TV Subaé Ltda., percebese que as citadas despesas estão contabilizadas na conta "Prestação Serviço Pessoa Jurídica", código n° 5731, e que reduzem o lucro tributável no montante de R$303.608,10. No outro lado desta questão surge a constituição, em tese, da empresa MC Assessoria, que de acordo com a DIPJ ficha 01, página 01, fez opção por tributar seu lucro de forma presumida, com recolhimentos trimestrais. Da análise do artigo 51, parágrafo 2º, da Instrução Normativa SRF n° 11, de 21 de fevereiro de 1996, constatase que, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. De acordo com o regramento acima descrito, o lucro contábil pode ser distribuído sem a incidência de impostos. No caso concreto, conforme mostram os demonstrativos à fl. 43, percebese que, entre os anos de 2007 e 2009, houve uma Fl. 4076DF CARF MF 14 redução no quadro de funcionários das empresas partícipes do grupo econômico, em contrapartida a um incremento proporcional na empresa MC Assessoria. No que se refere à TV Subaé Ltda., não houve transferência de funcionários para a MC Assessoria, todavia, constatouse que a relação entre as despesas contabilizadas pelas empresas TV Subaé, jubiabá Autos, Brune Veículos e Logmac (dados DIPJ 2009, pg. 14, ficha 54, item 0005, da empresa MC), que passaram a deduzir despesas no anocalendário de 2008, e os proventos pagos aos funcionários contratados fora do grupo econômico, que, em tese, prestariam serviços a estas, se aproxima de 400%, conforme se observa do demonstrativo também à fl. 43. Ressaltase que os cinco funcionários admitidos intragrupo faziam parte do quadro das empresas Morena Veículos (2), Jacuípe Veículos (1), Norauto Veículos (1) e Norauto Caminhões (1), todas autuadas no curso da investigação efetuada no grupo econômico, como se observa no demonstrativo à fl. 44. Esses elementos apenas corroboram a intenção do grupo econômico de reduzir a carga tributária através de prestação de serviço ilícito, com elevada margem de lucro na empresa optante pelo lucro presumido, e aumento significativo das despesas nas empresas optantes pelo lucro real. Conforme quadro demonstrativo à fl. 44, a despesa contabilizada tem efeito na tributação e no lucro a distribuir da empresa TV Subaé Ltda. (a maior). Ressaltase que a relação entre tributos a recolher e Lucro Líquido a distribuir variou de 50,49% e 50,48% (antes da auditoria) para 50,48% e 50,55% (após a auditoria), respectivamente. À fl. 45 encontrase demonstrado o benefício auferido com a constituição da empresa MC Assessoria, que, além de reduzir a tributação do grupo econômico, apura um lucro contábil bem superior ao lucro presumido, possibilitando uma distribuição favorecida aos sócios. Constatouse que o lucro a distribuir na empresa MC Assessoria representa cerca de 86,0% (2008 e 2009) da receita auferida, da forma como a operação foi realizada, e que a relação entre tributos a recolher e Lucro Líquido a distribuir equivale a 16,72%, aproximadamente 3,019 e 3,017 vezes melhor que a configuração verificada na empresa TV Subaé Ltda., respectivamente. Após esses esclarecimentos, resta claro que o objetivo da constituição da empresa MC Assessoria é transformar despesas com pessoal de empresas optantes pelo Lucro Real em receitas de prestação de serviço com tributação favorecida e alta margem de lucro para distribuílo aos quotistas comuns. Outrossim, ressaltase que há vantagem econômico/financeira substancial, no que se refere à redução da tributação das empresas optantes pelo Lucro Real, em face da criação de despesas elevadas com prestação de serviços. Do acima exposto, concluise que a constituição da empresa MC Assessoria se deu apenas no papel, respeitando as formalidades legais, todavia, restou comprovado que de fato a empresa não Fl. 4077DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 9 15 existe e cumpre apenas seu objetivo de redução da tributação e aumento da distribuição de lucros de forma ilícita/abusiva. Insta salientar que esta conduta perpetrada pela empresa TV Subaé Ltda. tem como consequência a glosa de despesas com a referida prestação de serviços e a lavratura de Autos de Infração, referentes aos anos calendário de 2008 e 2009, conforme planilha a seguir. 2.6. Da simulação e consequente glosa das despesas com a prestação de serviços tomada da empresa MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., inexistente de fato. De acordo com todo o acima exposto, não resta qualquer dúvida que a empresa MC Assessoria não existe de fato e que foi constituída com o objetivo de reduzir a carga tributária do grupo econômico e maximizar a distribuição de lucros/dividendos. A citada distribuição de dividendos está evidenciada na ficha 51A, página 12, da DIPJ do anocalendário 2008 e ficha 61A, página 18, da DIPJ do anocalendário 2009, bem como registrada na conta contábil “Exercício Seguinte”, código nº 2303020002. Esta afirmação se baseia em diversos aspectos já pormenorizados neste Termo de Verificação Fiscal, cuja consequência é a glosa da referida despesa. No curso deste procedimento fiscal, ficou comprovado, consoante conjunto probatório vasto, que a empresa MC Assessoria presta os mesmos serviços outrora prestados pelos funcionários integrantes do grupo econômico, porém, com elevado custo para os optantes do lucro real. Ressaltase que o mais importante é que os serviços prestados não foram devidamente comprovados, através de relatórios de atividades, requisito essencial para dedução das despesas nas empresas optantes pelo lucro real. Outrossim, percebese que a indicação dos serviços prestados no corpo das notas fiscais foi feita de forma genérica. Não se pode olvidar que o contribuinte simulou a prestação dos referidos serviços cumprindo as formalidades legais, com objetivo claro de redução da carga tributária e maximização da distribuição dos lucros e dividendos. Neste caso, observase claramente que substância e forma das operações, como foram realizadas, não se coadunam. Concluise que o negócio realizado aparentemente, ou simulado, não subsistirá, ou seja, a prestação dos serviços realizados pela MC Assessoria de fato não ocorreu, impondose a glosa das despesas respectivas. Fl. 4078DF CARF MF 16 O Código Civil do Brasil, aprovado pela Lei n° 10.406, de 2002, estabelece que: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; (...) A essência do negócio jurídico ocorrido foi a criação de despesas não comprovadas, através de atos simulados, cujo objetivo maior era a redução da carga tributária, conforme relato. A simulação, tal qual se verifica na espécie, pressupõe que se procure fingir, disfarçar, mostrar o irreal como verdadeiro, dissimular a verdade. No campo eminentemente privado, os atos anuláveis podem ser retificados, ou seja, as partes podem corrigir os vícios neles existentes, de forma a se compatibilizarem com a vontade da lei. De outra parte, o ato nulo é insanável, de modo que o ato simulado é nulo, não podendo produzir qualquer efeito, nem ser sanado. O artigo 109 do Código Tributário Nacional dispõe, in verbis: Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. (...) O art. 118 do referido Código dispõe, in verbis: A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. O texto reproduzido traz as linhas gerais de interpretação e aplicação da legislação tributária aos fatos econômicos, quando intervém atos jurídicos simulados. O artigo 109 determina que os princípios gerais de direito privado não devem ser utilizados para definir ou conformar os efeitos tributários de seus institutos, conceitos e formas. Portanto, os fatos relevantes para o nascimento da obrigação tributária (fatos econômicos, essencialmente) devem ser analisados com abstração das formas jurídicas sob as quais se apresentarem, sempre que a realidade econômica dos fatos, Fl. 4079DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 10 17 subjacentes à forma jurídica utilizada, se mostrarem vigorosamente distintos da roupagem jurídica que lhes foi imposta, mormente com artificialidade evidente. Ainda é possível observar que o artigo 149, inciso VII, do referido Código, dispõe que o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Enquadramento Legal: Infração Glosa de Despesa não comprovada/existente na apuração do IRPJ: • Artigos 247; 248; 249, inciso I; 251; 277; 278; 299 e 300 do RIR/99; • Artigos 109; 116; 118 e 149 do CTN. Infração Glosa de Despesa não comprovada/existente na apuração da CSLL: • Artigo 2º e 3º, inciso II, da lei 7.689 de 15 de dezembro de 1988 e alterações posteriores; • Artigo 57, da Lei 8.981 de 20 de janeiro de 1995 e alterações posteriores; • Artigo 1º da Lei 9.316 de 22 de novembro de 1996; • Artigo 28, da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996. 2.7 Da qualificação da multa de ofício pela prática de Sonegação, Fraude e Conluio: A TV Subaé Ltda. apura seu resultado fundamentado no Lucro Real Anual com pagamento de estimativas mensais calculadas com base em balanços de redução/suspensão. Este resultado é composto por contas de resultado representado por receitas, despesas e custos, cujo confronto ajustado concebe o fato gerador do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. As condutas supracitadas do contribuinte tiveram a finalidade de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, além de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. De acordo com todo arrazoado produzido, não se questiona que a empresa MC Assessoria não existe de fato, cumprindo apenas com seu papel de redução da carga tributária do grupo Fl. 4080DF CARF MF 18 econômico e maximização da distribuição de dividendos mediante conduta ilícita (simulação). O processo de constituição da empresa MC Assessoria se baseou nas benesses concedidas pelo artigo 51, parágrafo 2º, da Instrução Normativa SRF n° 11, de 21 de fevereiro de 1996, que possibilita a distribuição do lucro contábil quando superior ao presumido. Diante deste regramento, algumas empresas pertencentes ao grupo econômico, quais sejam, TV Subaé Ltda., Norauto Veículos Ltda., Jacuípe Veículos Ltda., Morena Veículos Ltda., Anira Veículos Ltda., Norauto Caminhões Ltda., Jubiabá Autos e Comerciais Ltda., Jubiabá Veículos Ltda. e Brune Veículos Ltda., através de seus administradores comuns, estabelece ram que deveriam criar uma situação jurídica para se beneficiar diante do universo legal estabelecido. A forma encontrada para conseguir o intento foi constituir fictamente uma empresa optante pelo lucro presumido para prestar serviços apenas a empresas ligadas com elevada margem de lucro. Percebese que as citadas empresas demonstraram no papel, através de operações formais, uma intenção que não foi corroborada com os atos efetivamente praticados, ou seja, essência e forma não se coadunam. Os atos públicos praticados não tiveram outra finalidade a não ser esconder/dissimular os verdadeiros. Após a leitura deste Termo de Verificação Fiscal não resta qualquer dúvida que a empresa MC Assessoria não existe de fato. Esta conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir tributos, aumentou as despesas operacionais da TV Subaé Ltda., reduzindo sensivelmente o valor do tributo a recolher, mediante comportamento doloso, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como alterar as características fundamentais do fato gerador, qual seja, o lucro tributável. O artigo 71, da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, dispõe o seguinte, in verbis: Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 4081DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 11 19 O artigo 72, da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, dispõe o seguinte, in verbis: Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Neste cenário observase ainda que o artigo 73, da referida Lei, dispõe o seguinte, in verbis: Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Entende esta Auditoria, consoante arrazoado elaborado neste item e em todo o trabalho realizado, que a conduta intencional adotada pela TV Subaé Ltda. para reduzir seu lucro tributável encaixase com perfeição nos conceitos acima mencionados. Assim, concluise que, de acordo com artigo 44, inciso II, da lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, com nova redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, a multa de ofício será duplicada, mormente ter havido Sonegação, Fraude e Conluio praticados pelas empresas TV Subaé Ltda. e Morena Veículos Ltda., através de seus quotistas/administradores comuns, Anira Veículos Ltda. e MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., entre outros partícipes do Grupo Econômico. 2.8. Da Infração referente à Multa pelo não pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL: Tendo em vista que para os anoscalendário de 2008 e 2009 a empresa optou pela forma de tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, com pagamento de estimativas mensais, e em se considerando as infrações apuradas por esta fiscalização que alteram os resultados fiscais dos períodos e das estimativas citados, constatase que a empresa deixou de efetuar diversos pagamentos do IRPJ e da CSLL estimados. A falta do pagamento do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente por estimativa está sujeita a multa de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, conforme disposto no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, inciso II, alínea b, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007 (conversão da Medida Provisória n° 351 de 22/01/2007), que diz: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas multas: (...) II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Fl. 4082DF CARF MF 20 na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Corroborando entendimento do citado diploma legal, em 24 de dezembro de 1997, a Receita Federal do Brasil publicou Instrução Normativa SRF n° 93, cujo artigo 16, determina o seguinte: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I – a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora, contados do vencimento da quota única do imposto. Do todo acima exposto, foram cobradas as multas isoladas pela falta dos pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, conforme constatação nos Demonstrativos de Apuração dos anoscalendário específicos, parte integrante deste Auto de Infração. 3. DA CONCLUSÃO: Da análise da escrita contábil/fiscal e dos fatos acima expostos, concluise que a despesa com prestação de serviços tomados da empresa MC Assessoria, nos moldes utilizados pela TV Subaé Ltda., é indevida consoante diplomas legais vigentes. Em função desta constatação foram recompostas as bases de cálculo do IRPJ e CSLL, glosandose as despesas citadas. A multa de ofício referente a esta infração foi duplicada nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, com nova redação dada pela Lei 11.488/2007, por entender esta Auditoria que houve Sonegação, Fraude e Conluio nas operações intragrupo realizadas. Ainda neste contexto, observase outra infração cometida pelo contribuinte, cuja penalidade é a aplicação de multa isolada pelo não pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. 4. Dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Em razão da infração cometida pelo contribuinte, já descrita no Termo de Verificação Fiscal, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária contra os diretores da TV Subaé Ltda.: Modezil Ferreira de Cerqueira (Diretor Presidente), fls. 60/66, e Florisberto Ferreira de Cerqueira (Diretor Superintendente), fls. 67/73. Nos referidos Termos encontrase descrita a conduta da empresa que resultou na autuação fiscal, já pormenorizadamente detalhada no Termo de Verificação Fiscal anteriormente citado, Fl. 4083DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 12 21 e as razões da lavratura dos Termos de Solidariedade Passiva, resumidas a seguir: • durante o período que impacta esta auditoria (2008 e 2009), a sociedade era administrada pelos sócios Modezil Ferreira de Cerqueira (Presidente do Conselho e Diretor Presidente) e Florisberto Ferreira de Cerqueira (Conselheiro de Administração e Diretor Superintendente). • os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964, tratam da sonegação, fraude e conluio que, consoante arrazoado elaborado neste item e em todo o trabalho fiscal realizado, se encaixa com perfeição na conduta materializada; • de todo o exposto nos Termos de Solidariedade Passiva e no Termo de Verificação Fiscal, concluise que houve infração a lei, Contrato Social ou Estatutos em face do não cumprimento da legislação em vigor, mediante conduta simulada dos diretores empossados; • O artigo 135 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25/10/1966), dispõe in verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Grifos nossos. • ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva pessoal dos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira, na qualidade de Presidente do Conselho de Administração da TV Subaé Ltda. e Diretor Presidente da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., e Florisberto Ferreira de Cerqueira, na qualidade de sócio e membro do Conselho de Administração da TV Subaé Ltda. e Diretor Superintendente da MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda., nos termos do art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). IMPUGNAÇÃO O contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 06/06/2013 e apresentou a impugnação em 08/07/2013 (fls. 2.724/2.843), alegando, em síntese: • a nulidade da autuação, pela incompetência da autoridade administrativa para decretar a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria e Gestão Empresarial Ltda., empresa prestadora de serviços, haja vista a necessidade Fl. 4084DF CARF MF 22 de lei regulamentadora prevendo o procedimento para a decretação; • o impugnante integra um grupo de empresas estruturadas a partir de sistema de gestão pelo qual há uma empresa, a MC Assessoria, especificamente dedicada a prover as demais empresas nas necessidades de serviçosmeio e back office, através de uma Central de Serviços Compartilhados e Central de Compras; • a autoridade fiscal, compondo um cenário em que tal estrutura de serviços compartilhados consubstancia um suposto estratagema fraudulento, decretou a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, reputandoa "inexistente" e atribuindo suas atividades às empresas que contratam os seus serviços, ou seja, as empresas operacionais do grupo empresarial, dentre as quais o impugnante; • a autoridade autuante desconsiderou a existência jurídica da empresa MC Assessoria como ente personalizado, decretando a ineficácia dos seus atos constitutivos, e, conseguintemente, dos atos civis praticados pela empresa, inclusive o contrato de prestação de serviços celebrado com o impugnante, seus consectários obrigacionais e fiscais; • a decretação da desconsideração da personalidade jurídica para efeitos tributários, pela Autoridade Administrativa, é matéria regida pelo Código Tributário Nacional,em seu art. 116, parágrafo único, inserido pela Lei Complementar n° 104/2001. Ocorre que, consoante se infere da redação do dispositivo, a forma de decretação da desconsideração de atos ou negócios jurídicos visando dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo deverá observar "os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária". A norma, como se vê, carece de regulamentação. Sem a lei estabelecendo o procedimento, resta inaplicável a desconsideração dos atos ou negócios jurídicos supostamente dissimulados; • em dado momento, foi editada a Medida Provisória n° 66/02, em cujos artigos 13 a 19 foram editados os dispositivos estabelecendo "Procedimentos Relativos à Norma Geral Anti Elisão", regulamentando, assim, a regra do art. 116 do CTN, mas durante o trâmite do diploma normativo nas instâncias legislativas, contudo, até a sua conversão na Lei n° 10.637/02, o texto referente à regulamentação do procedimento relativo à desconsideração foi suprimido, de modo que esta possibilidade de atuação da Autoridade Administrativa continua pendente de autorização no direito positivo. A propósito, é reiterado entendimento do CARF quanto à natureza do dispositivo do art. 116 do CTN, que, de eficácia limitada, queda inaplicável enquanto não sobrevier sua regulamentação; • pretender fugir ao regime jurídico do art. 116 do CTN e aplicar regras análogas à do Código Civil, para elidir a inaplicabilidade do regime fiscal de desconsideração, tampouco traz melhor sorte à pretensão fiscal, pois, de logo, já se reputa prejudicada a aplicabilidade da legislação civil geral para a espécie, na medida em que a lei tributária é norma especial, quando se trata Fl. 4085DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 13 23 de ato de lançamento de obrigação tributária, não podendo, ante o princípio da especialidade, recusar a sua aplicação em prol de norma geral, tal qual a lei civil. Por sua vez, o regime de desconsideração da personalidade jurídica do direito civil, sobre não se aplicar preferencialmente ao regime tributário, ante o postulado da especialidade, requer, ainda mais, a decretação pela autoridade judicial, consoante se infere do art. 50 da codificação privada, a saber: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. • na mesma esteira, o regime jurídico de simulação, do art. 167 da lei civil, evocado pela autoridade autuante para fundamentar o seu ato de desconsideração da personalidade jurídica, também requer a intervenção do órgão do Poder Judiciário. De efeito, a simulação, enquanto vício da vontade na produção do ato jurídico, é hipótese de nulidade e, como tal, não pode ser reconhecida senão por decisão do órgão jurisdicional, conforme determinado no art. 168, parágrafo único, do Código Civil; • demonstrase que nem mesmo a aplicação do regime geral de desconsideração, tampouco a hipótese de simulação, enquanto vício de vontade passível de macular o ato jurídico, ambos da lei civil, lastreiam a atuação da autoridade autuante no caso concreto, ao arrogarse competência para decretar veredito normativo que, nos termos da lei, é privativo da autoridade judicial; • a autoridade fiscal decretou a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, reputandoa "inexistente", ao supostamente vislumbrar nesta estrutura de gestão de redundâncias e sinergias, com a otimização do atendimento às necessidades comuns de todas as empresas, através de uma única estrutura hospedada por uma empresa focada exclusivamente em tais atividades meio, um suposto engenhoso esquema fraudulento que pretendeu combater com o presente Auto de Infração; • ocorre que o procedimento administrativo em pauta, no qual se operou a análise das atividades do impugnante, que teve a sua contabilidade auditada e os recolhimentos tributários escrutinados, corresponde a procedimento administrativo em que o contribuinte fiscalizado, e, assim, parte no PAF que daí foi instaurado, é o próprio Impugnante, e não a MC Assessoria; • todas as alegações e supostos elementos que conduziram à autuação não se referem ao autuado, mas sim à MC Assessoria: quais as atividades da MC Assessoria? Ela prestava serviços? Ela tinha conta em banco? Ela tinha empregados em folha, quantos edesenvolvendo quais atividades? Ela tinha contratos Fl. 4086DF CARF MF 24 com fornecedores? Quais os custos e despesas da MC Assessoria? Os custos e despesas estavam contabilizados? A MC Assessoria detinha contrato de prestação de serviços com as empresas do grupo? Ela emitia nota fiscal? A MC Assessoria declarava e recolhia os tributos sobre as receitas auferidas? Essas são as questões fundamentais para o deslinde do feito, porém, nenhuma dessas questões foi respondida pela auditoria realizada pela Autoridade Fiscal, exatamente porque sua análise se centrou na empresa fiscalizada e autuada e não na MC Assessoria; • demonstrase, destarte, a total incongruência do ato de lançamento: decreta a desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa dentro de um procedimento fiscalizatório que tem como objeto uma outra empresa. Mutatis mutandis, é como se o Ministério Público movesse uma denúncia criminal contra Fulano de Tal, e, na peça acusatória, descrevesse como fundamento um ato cometido por Beltrano; • a incongruência, verdadeira inépcia do ato de lançamento, está expressa e simbolizada em uma constatação: um ato jurídico, ou é válido ou não é; ou é nulo ou não é. Não pode ser um e outro ao mesmo tempo. Temos, porém, que este mesmo Auto de Infração que decreta a nulidade da constituição da MC Assessoria foi lavrado contra 9 empresas, dentre as quais o impugnante, e deverá ainda ser, certamente, lavrado contra outras tantas, na medida em que o mesmo grupo empresarial é composto por mais de 10 empresas que contratam os mesmos serviços junto à MC Assessoria; • lógico e coerente, do ponto de vista formal/procedimental, seria que fosse instaurado um procedimento de desconsideração contra a própria MC Assessoria, e, caso fosse afinal consumada a desconsideração, os lançamentos contra as empresas que contrataram seus serviços seriam meros reflexos. Agora, contudo, correse o risco, completamente inusitado, de que a MC Assessoria tenha decretada sua nulidade em um auto lavrado contra uma determinada empresa; e seja mantida, na apreciação dos outros autos de Infração, válida para as demais, ou vice versa!; • medida excepcional que é, a desconsideração da personalidade jurídica, inclusive na hipótese de alegada simulação, exige, como premissa fundamental de segurança, como método de máximo suporte fático e probatório do ato de desconsideração, a oferta do contraditório à pessoa cuja desconsideração é pretendida; • um procedimento administrativo instaurado contra um determinado contribuinte não é idôneo para decretar a desconsideração da personalidade jurídica de um outro contribuinte, totalmente alheio ao procedimento fiscalizatório epigrafado. Tratase de absoluta ineficácia do procedimento administrativo fiscal que pretende afetar a esfera jurídica de outrem além daquele sujeito passivo que é objeto da auditoria, ficando patente o desvio de forma que enseja a nulidade. Vale ainda ressaltar que este auto de infração é modelo idêntico para as diversas empresas do grupo empresarial em epígrafe, que Fl. 4087DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 14 25 contratam serviços compartilhados nos mesmos moldes, perante a mesma MC Assessoria; • o fato é que o impugnante integra grupo empresarial composto por mais de uma dezena de empresas, preponderantemente do ramo do varejo automotivo. Tal cenário, que o fiscal autuante falhou em descrever com precisão, demanda, como um paradigma de gestão, eficiência e plataforma para a expansão das atividades e negócios do grupo empresarial, a instalação de uma central de serviços compartilhados para atender a todos os negócios existentes e àqueles a serem futuramente instalados; • as necessidades de um ambiente econômico crescentemente competitivo, em que os negócios, sobretudo aqueles que operam no varejo, via mera revenda, trabalham com margens de lucro cada vez mais exíguas, exigem uma estrutura de compartilhamento de serviçosmeio, ou seja, serviços que não dizem respeito ao negócio principal da empresa e geram redundâncias quando instalados em cada uma das unidades do grupo isoladamente. Uma empresa do grupo hospeda a central de serviços e fornece às demais unidades de negócio tais utilidades que geram demanda comum a todas elas, de modo que aquilo que o fiscal autuante pretendeu caracterizar como fraude não é senão o paradigma do mercado quando se trata de estrutura de gestão de serviçosmeio, administrativos e back office em grupos empresariais; • o autuante, revelando, reiteradamente, pouco rigor e descompromisso com a verdade material, sobre não escrutinar as bases econômicas e fáticas que pautaram a estrutura de serviços compartilhados fornecida pela MC Assessoria, tampouco mantevese fiel à realidade, inclusive fiscal e contábil, dos fatos, quando pretendeu apurar o IRPJ e a CSLL do impugnante partindo da "inexistência" da MC Assessoria. De fato, para neutralizar a existência da MC Assessoria como pessoa jurídica autônoma, o autuante imputou os valores de IRPJ e CSLL pagos por esta empresa às empresas contratantes, inclusive o impugnante. Deveria, porém, além de haver imputado tais valores de IRPJ, fazêlo igualmente quanto aos demais tributos federais, inclusive PIS/Cofins e contribuições sociais, além de, igualmente, atribuir às contratantes também as despesas incorridas pela própria MC Assessoria, inclusive despesas com pessoal, fornecedores, e todas aquelas assim admitidas, como dedutíveis, pela legislação do IRPJ; • os dispêndios incorridos pela pessoa jurídica são, ou não, dedutíveis para efeito de apuração de IRPJ e CSLL na estrita medida em que se conformam aos critérios do art. 299 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (RIR/99).Tratase de aspectos técnicos, de fundamental relevância, que a lavratura em momento algum considerou; • o lançamento manteve a sua verve persecutória quando determinou a aplicação da multa qualificada. Para tanto, Fl. 4088DF CARF MF 26 atribuiu ao impugnante atos de sonegação e fraude com a aplicação da multa em dobro do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96. A mansa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) entende que a aplicação da multa qualificada requer a demonstração específica e inequívoca do dolo do contribuinte sob a forma da intenção de fraudar o Erário, logro probatório do qual a lavratura sequer se aproxima; • a lavratura está permeada de uma má compreensão generalizada da estrutura negocial e de gestão do impugnante, e do grupo de empresas que integra, o que, refletindo diretamente o modelo amplamente adotado no mercado, e reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil, fornece o grau de incompatibilidade que a lavratura aufere a partir dos fatos que pautam a lide e das normas jurídicas que regem o tema, tudo o que, subsequente e especificamente, nas suas diversas nuanças e vertentes, restará demonstrado, como suficiente para o cancelamento da autuação; • o estabelecimento de uma estrutura de serviços compartilhados na MC Assessoria não consubstancia mero capricho, muito menos engenho fraudulento como surpreendentemente pretendeu caracterizar o autuante, mas sim um passo do grupo empresarial, e do Impugnante como unidade de negócio nele inserida, visando atender a exigências inexoráveis da realidade de mercado, quanto à otimização dos custos do negócio via capitalização das sinergias e ganhos de escala tão necessários em um mercado que pratica margens cada vez mais estreitas, conforme relata no item III da impugnação “A racionalidade econômica e o propósito negocial da estruturação de central de serviços compartilhados, via MC Assessoria”; • salta aos olhos que, após nove meses de auditoria dentro das diversas empresas do grupo empresarial, a fiscalização tenha passado ao largo das atividades e dos negócios realizados pela MC Assessoria e, conseguintemente, da constatação do valor agregado pela empresa à estrutura do grupo. A mensagem que o Termo de Verificação Fiscal transmite para aquele que o lê é de que a MC Assessoria não detém custos nem despesas, não tem qualquer legitimidade contratual perante terceiros, não realiza qualquer operação ou negociação em prol do grupo de empresas, enfim, não desenvolve qualquer atividade; • apesar de haver sido objeto das diligências da autoridade fiscal, conforme atestam os Termos de Intimação anexos, endereçados pela fiscalização diretamente à MC Assessoria, em momento algum esta empresa foi, ela própria, retratada nos autos do PAF como uma entidade per se, com sua contabilidade, custos, despesas, contratos, ativos e passivos, analisados e auditados. Tal circunstância, ou seja, a virtual ausência da MC Assessoria do PAF, observase, foi utilizada pela fiscalização como plataforma de sustentação da pretensão fiscal empunhada na autuação, baseada na desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, por suposta "inexistência", o que explica porque a MC Assessoria não foi autuada, fosse a título de alvo da desconsideração, como codevedora ou qualquer outra modalidade; Fl. 4089DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 15 27 • a auditoria, dado que teve como alvo o impugnante, não analisou a contabilidade da MC Assessoria, que é empresa distinta, não arrolou os negócios em que esta figura, não abriu seus custos e despesas, que são insumos para a prestação dos serviços às demais empresas do grupo e justificam o preço cobrado e as despesas incorridas nas contratantes. A única referência, no Termo de Verificação Fiscal, às atividades da MC Assessoria é o seu quadro de funcionários. E assim o faz a fiscalização no afã de comprovar a sua tese de que a MC Assessoria é mero repositório de empregados, sem qualquer atividade. Observase que a própria auditoria, ao identificar o quadro de empregados da MC Assessoria, e as funções que exercem, demonstra e reconhece que a empresa presta serviços e, mais ainda, quais os serviços que presta, exatamente aqueles que são objeto da função das pessoas ali arroladas e de cada uma das equipes que, podemos identificar, ali estão descritas; • é natural que, em se tratando da implementação de um compartilhamento intragrupo, os empregados que serão alocados à empresa hospedeira da Central de Serviços Compartilhados – CSC sejam oriundos de cada uma das unidades que serão atendidas pela provedora dos serviços, dado que não há ruptura no relacionamento de um lado ou de outro, aproveitase a experiência acumulada pelo colaborador, garantese a sucessão trabalhista e os direitos dos empregados, e se alavanca o vínculo patrãoempregado a partir de uma relação pessoal já consolidada, pelo empregado, dentro do próprio grupo; • é de estranhar o questionamento da fiscalização quanto ao local de trabalho dos empregados da MC Assessoria, que se encontram baseados nas empresas contratantes. Se uma determinada empresa contrata com a KPMG, por exemplo, um outsourcing de compliance fiscal, onde será que os colaboradores cedidos vão trabalhar, escriturando os lançamentos, preenchendo as declarações, gerando os documentos de arrecadação e efetuando os recolhimentos? É evidente que as pessoas cedidas ficarão alocadas dentro do cliente, onde toda a documentação que é utilizada no diaadia do trabalho está baseada. A lógica utilizada pela fiscalização, para questionar os serviços contratados pelo impugnante e prestados pela MC Assessoria, diferente da lógica que pautou as empresas na estruturação da CSC, não guarda qualquer compromisso com a racionalidade econômica e o propósito negocial, não podendo se considerar compreensível sob uma perspectiva empresarial de desempenho e eficiência; • são inúmeras as transações, despesas, custos e negócios em geral que a MC ASSESSORIA celebra no mercado, sempre com a finalidade de prover serviços e centralizar despesas das empresas operacionais que compõem o Grupo MC. Apenas revendedoras de veículos, como já descrito nesta impugnação, são 14 unidades e estabelecimentos, cuja demanda por serviços de back office e fornecimento de insumos e outras utilidades, cada vez maior, é atendida pela MC Assessoria; Fl. 4090DF CARF MF 28 • a MC Assessoria provê, efetivamente, utilidades às contratantes, via prestação de serviços realizada por seu quadro de empregados, cujas equipes e respectivas funções são identificadas e descritas no relatório da própria auditoria. Assim, no intuito de exaurir as informações relativas às atividades da MC Assessoria é de se escrutinar, e trazer a lume e ao crivo do julgador administrativo, suprindo omissão da auditoria fiscal neste ponto fundamental e caro à pretensão fiscal, as despesas, custos e atividades especificamente desenvolvidas pela citada empresa, demonstradas a partir da escrituração contábil, documentos e evidências que, disponibilizadas à fiscalização, foram ignoradas na lavratura. Objetivamente, temos que as atividades da MC Assessoria se centram em: Central de Serviços Compartilhados, prestados pela própria MC Assessoria via fornecimento de mãodeobra em serviçosmeio e central de compras e contratação de fornecedores comuns às diversas empresas do grupo; • todas as despesas, custos, contratos, negócios e atividades em geral, promovidas pela MC Assessoria, estão amparados e lastreados em documentos anexos, notadamente a contabilidade da empresa (Doc. N° 05), além de instrumentos, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas (Doc. N° 06). Finalmente, acompanha a presente impugnação Relatório de Especialista elaborado pela consultoria Ernst & Young Terço, avaliando e atestando todas as atividades desenvolvidas pela MC Assessoria, desde o seu estabelecimento até 2011, conforme anexo (Doc. N° 07); • a descrição do quadro de funcionários da MC Assessoria, com destaque para a função exercida, e a composição das equipes setoriais, representadas na folha de pagamento da empresa, comprovam e identificam os serviços prestados pela MC Assessoria, que compõem a Central de Serviços Compartilhados, tudo conforme descrição realizada pelo próprio autuante; • demonstrase, conforme relatório transcrito no Termo de Verificação Fiscal e folha de pagamento da MC Assessoria (anexa em Doc. N° 02), a prestação, a partir da força de trabalho da própria prestadora, dos seguintes serviços compartilhados, às demais empresas do grupo: (a) serviço de contabilidade; (b) serviço de compliance fiscal; (c) serviço de consultoria em recursos humanos; (d) serviço de tecnologia da informação; (e) serviço de crédito e cobrança; (f) serviço de consultoria financeira e securitária (F&I). • o volume de serviços prestados pela MC Assessoria expandiu se significativamente desde a sua instalação, exigindo o aumento do seu quadro de empregados, ao longo dos anos. A empresa saiu de 46 empregados em 2007 para 134 empregados em 2011, conforme demonstram as folhas de pagamento anexas (Doc. N° Fl. 4091DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 16 29 02), e destacado ainda pelo Relatório da Ernst & Young Terco (Doc. N° 07); • observase que, na linha de uma estrutura típica de serviços compartilhados, não se identifica a alocação ao CSC de atividades vinculadas ao negócio principal das empresas operacionais, ou seja, não houve incorporação, ao quadro de pessoal da MC Assessoria, de vendedores, gerentes de vendas, consultores de oficina, mecânicos e demais colaboradores vinculados ao core business das empresas. A estrutura de back office e serviços compartilhados deve se resumir a atividades meio, e assim se dá na MC Assessoria; • por meio da centralização dos relacionamentos com fornecedores diversos, de insumos, mercadorias e serviços comuns às empresas do Grupo MC, a MC Assessoria viabiliza ganho de escala e gestão uniformizada e centralizada dos processos de compras, agregando valor ao grupo via estruturação de uma central de compras e contratação de fornecedores comuns; • todas estas transações, operações, negociações e contratações estão devidamente documentadas e contabilizadas na empresa, e demonstram, reiteradamente, e em conjunto com as demais evidências já apontadas, a existência, necessidade e o valor da MC Assessoria dentro do grupo empresarial, como prestadora de serviços ao impugnante e às demais empresas do Grupo MC; • conforme lançamentos contábeis (Doc. N° 05 anexo), lastreados em instrumentos, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas, também colacionados aos autos (Doc. N° 06 anexo), identificamse diversas áreas de atuação da central de compras, como estrutura proporcionadora de escala na aquisição de insumos e contratação de fornecedores, dentre as quais podemos indicar as seguintes: (a) serviço de assistência médica aos colaboradores do grupo; (b) aquisição de vestuário padronizado para os colaboradores do grupo; (c) serviço de catering e alimentação para os colaboradores do grupo; (d) serviço de consultoria em tecnologia da informação para as empresas do grupo; (e) serviços de auditoria e consultoria para as empresas do grupo; (f) aquisição de insumos de informática; (g) aquisição de material de escritório; (h) contratação de financiamento para as empresas do grupo junto a instituições financeiras; Fl. 4092DF CARF MF 30 (i) contratação de escritórios de advocacia para as empresas do grupo; (j) contratação de serviços de propaganda e marketing para as empresas do grupo. • não passa despercebido que figuram entre as fornecedoras da MC Assessoria empresas de reconhecida credibilidade no mercado, dentre outras entidades que negociaram e entabularam com a MC Assessoria negócios jurídicos válidos e representativos operacional e economicamente. Desnecessário afirmar que tais entidades nunca se prestariam a colaborar com um teatro fraudulento como aquele roteirizado pela fiscalização no Auto de Infração em epígrafe; • salta aos olhos a disparidade que se identifica do cotejo entre o cenário idealizado pelo autuante, em que a operação da MC Assessoria é fictícia, e a realidade negocial, em que a empresa detém volume significativo de operações, com múltiplos e idôneos fornecedores, legitimadas jurídica e economicamente a partir de uma estrutura racional imposta pelo mercado, baseada na eficiência e na redução de custos; • queda assim demonstrada, mais uma vez, a precariedade da lavratura, quanto ao suporte fático que pretende construir, na medida em que, ao resumir as atividades da empresa à folha de pagamento, ignora vertente relevante e estratégica da atuação da MC Assessoria, que é a operação de centro de compras e contratação de fornecedores comuns; • sendo esta estrutura uma opção racional do contribuinte, consectário do direito à autonomia privada e livre exercício da atividade econômica, visando a maior eficiência de sua atividade econômica, veremos afinal a caracterização jurídica desta estrutura, que, verseá, não representa novidade para o Fisco, cujo entendimento em nada reprime a autonomia privada do contribuinte ao formatar as suas operações, baseado em critérios de eficiência, fazendo uso do formato dos serviços compartilhados intragrupo; • neste contexto, o contrato de prestação de serviços compartilhados provê ao grupo empresarial integrado por interesse comum uma estrutura jurídica que viabiliza uma gestão integrada de custos e despesas, incrementando a eficiência dos processos vinculados aos serviçosmeio, entre empresas do grupo, e, por consequência, a eficiência da própria gestão do core business de cada unidade empresarial; • o contrato de prestação de serviços compartilhados é um negócio jurídico que implementa a gestão centralizada de serviços administrativos, back office, custos e/ou despesas comuns a todas as empresas do grupo, de modo que uma entidade empresarial otimize as sinergias e agregue escala às operações redundantes das empresas, centralizandoas e, afinal, reduzindo custos e agregando valor ao grupo como um todo. São objeto de contrato de prestação de serviços compartilhados, dentre outros: serviços de assessoria contábil, assessoria jurídica, programação, coordenação, controle orçamentário, consultoria financeira, serviços de informática, assistência no Fl. 4093DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 17 31 domínio da produção, das compras, serviços de recrutamento e treinamento, prestados pela própria Central de Serviços Compartilhados; e também a centralização de despesas comuns e comparti hadas entre as empresas do grupo, a exemplo de despesas com pessoal terceirizado, relativas a publicidade, marketing, divulgação, informação de conjuntura, métodos de gestão, assistência de cobrança, consultorias especializadas, serviços gerais, serviços legais, dentre outros, contratados de forma centralizada em fornecedores terceiros; • o contrato de prestação de serviços compartilhados não se confunde, ressaltese, com o contrato de rateio de despesas. Malgrado tenham objeto semelhante, o contrato de rateio de despesas e o contrato de prestação de serviços compartilhados guardam diferença em elemento fundamental, que é a causa do negócio. O contrato de rateio de despesas é transação fora do mercado, que tem como objeto prestações que são marginais ao objeto social da prestadora, e visa atender exclusivamente a entidades sob controle comum e sem auferir qualquer mais valia; ao passo que o contrato de prestação de serviços compartilhados é prestação de serviços a mercado, tendo como objeto prestações que constituem a própria expertise da prestadora, ou seja, seu objeto social, o que faz com fito de lucro, podendo oferecêlos não apenas a unidades do mesmo grupo de empresas, mas também, eventualmente, a outras empresas alheias ao grupo empresarial. Daí porque sua prestação é formalizada via emissão de nota fiscal, e os pagamentos pelos serviços prestados consubstanciam receita e são tributáveis na empresa que centraliza o rateio, inclusive por PIS/Cofins; • o contrato de prestação de serviços compartilhados é, efetivamente, a estrutura implementada pela MC Assessoria, que presta serviços em condições de mercado e, sobre o preço cobrado, emite nota fiscal e recolhe todos os tributos incidentes, inclusive IRPJ, CSLL e PlS/Cofins, nos termos de DIPJs anexas (Doc. N° 08). Daí porque, na medida em que não realiza rateio, mas sim desenvolve atividade econômica como qualquer outra, com fito de lucro, a MC Assessoria agrega margens de lucro (markup) aos seus preços, como retribuição, ou contraprestação, à maisvalia gerada às empresas contratantes, pelo valor que lhes agrega a partir da estrutura que disponibiliza, do expertise consolidado sobre os serviços oferecidos, da uniformização de padrões e procedimentos, da centralização e otimização de processos, e da redução de custos; • não há qualquer grau de ilicitude na contratação com empresas do mesmo grupo econômico, muito menos em uma estrutura em que uma das causas da sua criação reside justamente no fato de se tratar de empresas do mesmo grupo; do contrário, não seria compartilhamento, centralizado e com padrões uniformes. O contrato intragrupo é, per se, negócio jurídico lícito e válido; Fl. 4094DF CARF MF 32 • sabese, sim, que os negócios jurídicos realizados entre empresas do mesmo grupo econômico sofrem, quanto às margens de lucro aplicáveis, o controle das normas de distribuição disfarçada de lucros "DDL", do art. 60 do Decreto Lei n° 1.598/77 e art. 464 do RIR/99, que exigem que tais transações sejam concretizadas em condições análogas às de mercado. Em nenhum momento, porém, as margens de lucro empregadas na prestação de serviços realizada pela MC Assessoria foram objeto de questionamento por parte da auditoria, o que só reitera a regularidade da estrutura implementada sob todos os aspectos, inclusive sob ocontrole fiscal das margens de lucro nas transações intragrupo, proporcionado pelas regras de DDL. E se a auditoria não aplicou as regras de DDL, ou seja, não utilizou os controles fiscais de markup intragrupo, é porque os preços da prestação realizada pela MC Assessoria são absolutamente normais e razoáveis, por compatíveis com a realidade de mercado; • em dado momento, algo que en passant, a Autoridade Fiscal pretende apontar, sem exatamente quantificar, ou melhor, sem questionar tecnicamente, nas despesas contraídas, bases de preço superiores às que entende adequadas à prestação de serviços da MC Assessoria, entretanto, tal juízo, equivocado, decorre exatamente da total subrepresentação da realidade contábil, financeira e jurídica da MC Assessoria nos autos do PAF, do qual consta, dentre as diversas atividades, custos e despesas da entidade, apenas a folha de pagamento. De fato, a Autoridade Fiscal, quando analisa os cenários de despesas do impugnante pré e pós MC, compõe um quadro distorcido, exatamente porque a sua visão estava limitada à despesa com empregados, quando os custos, e, portanto, os serviços, da MC Assessoria, não se referem apenas a empregados (cessão de mãodeobra especializada), mas também e, substancialmente, em valores, a serviços, insumos e utilidades diversas que adquire, como central de compras, de terceiros no mercado para fornecer às empresas do Grupo MC; • não procede a tese, da auditoria, de que os trabalhadores após migrarem para a MC Assessoria passaram a custar mais caro, mas sim que, entre os custos faturados pela MC Assessoria às empresas operacionais, estão não apenas na mãodeobra cedida, mas também inúmeros outros custos e despesas compartilhados entre o grupo através da estrutura criada, a exemplo da contratação de escritórios de advocacia, assistência médica para os colaboradores do grupo, consultorias e auditorias, e até mesmo aquisição de vestuário padronizado para todo o grupo. Tal circunstância exigiria, para o comparativo, proposto pela fiscalização, ser fiel à realidade, que, às despesas de empregados anteriores à migração, fossem acrescentadas as despesas outras incorridas na MC que compuseram os custos desta empresa na prestação de serviços compartilhados ao impugnante; • a comprovar que os níveis de preço praticados pela MC Assessoria são absolutamente razoáveis, e mesmo módicos, está a proporção entre o custo da MC e o faturamento das empresas do grupo, cujos serviços de back office, administrativos, centrais de compras e fornecedores comuns estão todos concentrados e Fl. 4095DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 18 33 custeados na MC Assessoria. Vêse que as despesas que a MC Assessoria fatura às empresas operacionais correspondem, no período fiscalizado, a um percentual anual médio de 0,97% da receita bruta das empresas, conforme mostra demonstrativo de fl. 2791, número que se pode de plano afirmar é pequeno para o nível de serviço demandado pelas empresas do grupo, e o escopo abrangente dos serviços prestados, como já retratado acima. Decerto que, caso se almejasse engendrar um estratagema fraudulento para drenar recursos das empresas e escapar à tributação, não soaria compreensível tamanha exposição, com riscos legais de toda ordem, para lograr um benefício de meros 0,97%; • a MC Assessoria, portanto, como qualquer outra empresa, prestando serviços, cobra preço, no qual está incluída margem de lucro que viabilizará a continuidade das suas atividades, a expansão e a evolução do negócio, investimentos no aprimoramento dos serviços prestados e contratação de mais quadros, cenário que, como já retratado nesta impugnação e demonstram as folhas de pagamento anexas (Doc. N° 02), caracterizou, desde o surgimento, a dinâmica da MC Assessoria, que iniciou com folha de 46 empregados e em 2011 passou abrigar 134 pessoas em seus quadros; • de todo o exposto, fica caracterizada: I) a existência da MC Assessoria como entidade dotada de substância jurídica e de fato, figurando como sujeito contratante em negócios jurídicos entabulados com inúmeros fornecedores, empregados, pessoas físicas e pessoas jurídicas, terceiros em geral sem qualquer vinculação com a empresa, muitos deles instituições reconhecidamente idôneas e rigorosas em seus relacionamentos no mercado; II) a validade do contrato de prestação de serviços compartilhados, como ato jurídico dotado de propósito negocial e racionalidade econômica e executado através de efetiva prestação de serviços realizada pela MC Assessoria. • demonstrase, com base em todas as evidências acima referidas, inclusive aquelas descritas pela própria auditoria no Termo de Verificação Fiscal, que a vontade manifestada e consumada contratualmente, seja na constituição da MC Assessoria, como ente personalizado, seja na celebração e cumprimento do contrato de prestação de serviços compartilhados e central de custos e despesas, celebrado entre esta empresa e as demais que compõem o grupo empresarial, guarda perfeita e absoluta consonância e correspondência com a realidade dos fatos, tanto objetiva quanto subjetivamente, ou seja, tanto pela prestaçãocontratada quanto pelas pessoas obrigadas, sendo inaplicável a desconsideração da personalidade jurídica, pretendida pelo autuante, como também o art. 167 do Código Civil, sendo absolutamente despropositado falarse em simulação, quando o ato jurídico reflete exatamente a vontade manifestada e as pessoas que nele intervieram, com as respectivas obrigações; Fl. 4096DF CARF MF 34 • a jurisprudência do CARF é absolutamente rigorosa no sentido de que a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, inclusive sob alegação de simulação, deve ser acompanhada de demonstração robusta e inequívoca, por parte da autoridade fiscal, da fraude alegada. Análise criteriosa dos autos do PAF revela que em momento algum a autoridade fiscal se vale de provas efetivas, muito menos contundentes, da fraude ou simulação que alega. Sua pretensão, de desconsideração da personalidade jurídica, pautase efetivamente numa pré concepção de máfé do contribuinte, que impregna o juízo da auditoria, e a impede de realizar um escrutínio isento e técnico da realidade negocial do impugnante e do grupo econômico que integra; • todos os elementos que a autoridade autuante pretende utilizar para caracterizar o suposto enredo fraudulento na verdade são dados e circunstâncias de fato que, pelo contrário, justificam, do ponto de vista negocial, e, mais ainda, exigem a implementação da estrutura de serviços compartilhados adotada pela Impugnante: a existência de um grupo de empresas sob controle comum; a alocação de funcionários das empresas operacionais numa Central de Serviços Compartilhados recém instalada, na MC Assessoria; a cessão dos empregados para prestação de serviços de back office e administrativos nas dependências das empresas operacionais; a centralização da contratação de despesas e aquisição de insumos numa central de compras que atende a todo o grupo; • demonstrada a substância negocial e econômica, além da formal e jurídica, do negócio sob o qual a MC Assessoria presta serviços compartilhados ao impugnante e demais empresas do Grupo MC, não pode subsistir a glosa de despesas decretada pela autoridade fiscal, impondose o cancelamento da lavratura, o que se requer desde já; • para constituir crédito tributário referente a IRPJ e CSLL, como levou a cabo na lavratura em epígrafe, o autuante glosou as despesas contratadas pelo impugnante junto à MC Assessoria, reputandolhes indedutíveis para efeito de apuração dos tributos sobre a renda e o lucro da pessoa jurídica. A lavratura simplesmente decretou, genericamente, a desnecessidade ou inexistência de despesa dedutível. Eximiuse de escrutinar os critérios de dedutibilidade da legislação do IRPJ, ou cotejálos com a atividade desenvolvida pela prestadora, MC Assessoria, no caso concreto; • efetivamente, não existe despesa dedutível ou indedutível per se, mas sim despesas que, individualmente consideradas, se subsumem ou não aos critérios do art. 299 do RIR/99, que em seu caput e §§1° e 2º, enuncia cláusula geral de dedutibilidade dos dispêndios não ativáveis, verbis: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 4097DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 19 35 § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, §2°). • as despesas dedutíveis são aquelas necessárias às atividades da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, ou seja, são as despesas usuais ou normais para a realidade negocial, operacional e empresarial da pessoa jurídica. A definição de despesa necessária, e, portanto, dedutível, é complementada via contraposição à mera liberalidade, que é exatamente a despesa não necessária: o ato gracioso e de mero favor que a empresa realiza e, assim, não guarda coerência com a lógica segundo a qual a atuação empresarial deve visar a maisvalia, o lucro. Todos os dispêndios que, não sendo custos, são realizados dentro da perspectiva de destinarse a produzir e gerar resultado positivo na atividade econômica da pessoa jurídica, sendo inerentes ao contexto empresarial e compreensíveis dentro dessa moldura, são considerados despesas dedutíveis. Fixada tal premissa, não requer grande esforço para constatar que os serviços prestados ao impugnante pela MC Assessoria consubstanciam despesas necessárias às atividades do impugnante, na medida em que provêem de utilidades absolutamente necessárias para o desenvolvimento de suas atividades empresariais, conforme já relatado nesta impugnação; • do conteúdo dos serviços prestados ao impugnante pela MC Assessoria, já citados, deflui claramente que os dispêndios a eles relacionados consubstanciam despesas necessárias às atividades do impugnante, na medida em que a provêem de utilidades absolutamente necessárias para o desenvolvimento de suas atividades. Sem poder contar com serviços de contabilidade, recursos humanos e tecnologia da informação, por exemplo, o impugnante não terá a mínima estrutura para poder desenvolver a sua atividade fim que é a venda a varejo de veículos automotores, partes e acessórios, e prestação de serviço de manutenção e instalação de peças em veículos automotores; • os serviços prestados pela MC Assessoria, que compõem a Central de Serviços Compartilhados são comprovados e identificados a partir da descrição, realizada pelo próprio auditor fiscal, do quadro de funcionários da MC Assessoria, apontando a função que cada um exerce, e permitindo identificar, pelo cotejo da função e o cargo, a composição das equipes setoriais, representadas na folha de pagamento da empresa, conforme reprodução digitalizada de passagem do Termo de Verificação Fiscal e folha de pagamento da MC Assessoria, anexa à presente. Ali estão demonstrados os serviços de contabilidade; serviço de compliance fiscal; serviço de consultoria em recursos humanos; serviço de tecnologia da Fl. 4098DF CARF MF 36 informação; serviço de crédito e cobrança; serviço de consultoria financeira e securitária (F&I); dentre outros; • o fornecimento de utilidades e serviços comuns contratados pela MC Assessoria perante terceiros, via central de compras, para provimento de despesas e custos comuns do impugnante e demais empresas do Grupo MC, encontramse demonstradas e comprovadas via lançamentos contábeis (Doc. N° 05 anexo), instrumentos contratuais, notas fiscais e documentos que formalizam as transações respectivas (Doc. N° 06 anexo), identificamse diversas as áreas de atuação da central de compras, como estrutura proporcionadora de escala na aquisição de insumos e contratação de fornecedores, dentre as quais podemos indicar as seguintes: serviço de assistência médica aos colaboradores do grupo; aquisição de vestuário padronizado para os colaboradores do grupo; serviço de catering e alimentação para os colaboradores do grupo; serviço de consultoria em tecnologia da informação para as empresas do grupo; serviços de auditoria e consultoria para as empresas do grupo; aquisição de insumos de informática; aquisição de material de escritório; contratação de financiamento para as empresas do grupo junto a instituições financeiras; contratação de escritórios de advocacia para as empresas do grupo; • comprovada a efetiva realização dos serviços pela MC Assessoria, via fornecimento das utilidades e atendimento das demandas de serviços administrativos, back office e central de compras, do impugnante e demais empresas operacionais do grupo empresarial, incumbiria à fiscalização, como motivação absolutamente imprescindível à glosa das despesas, apontar e demonstrar, especificamente, dentro do universo de despesas contratadas e dedutíveis, qual a parcela, fração ou item que efetivamente não foi prestado, no seu julgamento; • falta à autoridade fiscal competência para, e tampouco é ato compatível com a regramatriz do imposto sobre a renda e o modo de sua apuração, glosar genericamente despesas, por supostamente inexistentes, quando se sabe, e a própria fiscalização em seu relatório reconhece, que existiu volume substancioso de serviços que foi prestado, senão todo ele, pela MC Assessoria; • na ausência de demonstração precisa, via elementos de prova, da inidoneidade de despesas específicas, mediante a comprovação da sua inexistência ou da sua indedutibilidade, à luz do art. 299 do RIR/99, não subsiste glosa genérica, nos moldes pretendidos pela autoridade fiscal, que não pode se arrogar soberana para além da Lei e dos fatos, como aparentemente pretendeu colocarse. Assim tem se manifestado o CARF em seu entendimento sobre a matéria, exigindo da fiscalização, como fundamento à pretensão de glosa e desconsideração, a demonstração e comprovação das operações especificamente apontadas como supostamente irregulares, como se infere dos acórdãos citados nesta impugnação; • a fiscalização, de fato, não conseguiu reunir qualquer elemento de prova, apenas se apegou, como em todo o curso da peça de lavratura, a uma idéia préconcebida, verdadeira presunção ad Fl. 4099DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 20 37 hoc, de que toda a atividade do contribuinte é fraudulenta, o que, à luz da dialética do PAF, não é expediente idôneo a fundamentar, com suporte fático e probatório suficiente, a sua pretensão fiscal; • é inaplicável, no caso, a multa qualificada de 150%, a título de penalidade, pelo não recolhimento dos valores apurados como devidos, após a desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, com arrimo no art. 957, II do RIR/99 e no art. 44, inciso I e §1°, da Lei n° 9.430/96, sob alegação de atuação com evidente intuito de fraude. Decerto, a Autoridade Fiscal, conquanto tenha se referido aos dispositivos legais que instituem a referida multa, não reuniu elementos probatórios que são essenciais à caracterização dessa figura excepcional da legislação. A aplicação da multa qualificada pressupõe o dolo, a intenção inequívoca para praticar especificamente o ilícito tributário de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sendo, para tanto, absolutamente irrelevante, a bem de fundamentar a válida aplicação da sanção epigrafada, ter o contribuinte optado por uma estrutura negocial mais eficiente, inclusive quanto aos custos fiscais incidentes; • a mera alegação de fraude, sem descrever os elementos de fato, especialmente o dolo, o ânimo de fraudar, e sem apresentar elementos de prova, não tem o condão de lastrear a aplicação da multa agravada. De fato, em momento algum aponta o Fisco dados ou subsídios que demonstrem a intenção do contribuinte de se esvair da imposição fiscal. E a mera remissão a uma estrutura negocial, que, ademais, é padrão no mercado e paradigma de eficiência na gestão de grupos empresariais, não autoriza, per se, a imposição da multa qualificada. Sobre o tema, há jurisprudência torrencial do Egrégio CARF (transcreve ementas de Acórdãos); • a propósito da exigência da multa agravada nos lançamentos em que se empunha pretensão de desconsideração da personalidade jurídica, inclusive por alegada simulação, o CARF também mantém mesma linha de entendimento, de que não se pode presumir a fraude ou simulação, com base em meras conjecturas, devendo ser provada especificamente a intenção dolosa, conforme mostra acórdãos transcritos. Não destoa dos argumentos trazidos pelo impugnante as lições que a doutrina nos presta acerca da indigitada penalidade, a fraude fiscal e a sua prova (transcreve excertos doutrinários); • o impugnante não praticou qualquer ato que induzisse a erro a fiscalização, ou terceiro, tendo colaborado, de forma ampla e irrestrita, com a fiscalização, fornecendo toda a documentação solicitada e ao seu alcance, o que provam as respostas à miríade de intimações fiscais fornecidas pelo impugnante, em atendimento às requisições, do fisco, e que integram o PAF nos autos originariamente formados pela autoridade autuante; Fl. 4100DF CARF MF 38 • em nenhum ponto da lavratura restou demonstrada a concorrência dos elementos da fraude, conforme a sua definição legal. Não se desincumbiu o autuante do ônus de construir o suporte fático da fraude no caso concreto, haja vista que não descreveu fatos específicos de cunho fraudulento, muito menos reuniu elementos de prova a eles relativos; • ainda que não se entenda pela integral improcedência do auto de infração, o que se admite apenas para argumentar, há que se reconhecer a improcedência da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Havendo lançamento de ofício, há a incidência de multa à razão de 75%, na forma prevista no art. 44 da Lei n.° 9.430/96. Tal sanção ocorre quando o contribuinte não declara o seu débito, fato este que obrigará o fisco a apurar de ofício o crédito tributário respectivo. Na seara tributária, há espaço somente para a incidência de juros de natureza moratória. Afinal, o Estado, no exercício de sua competência tributária, não empresta dinheiro ao contribuinte, não havendo, portanto, como cobrar juros compensatórios; • não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. O §3º do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 determina que "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. À evidência, a expressão "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora", que inaugura o dispositivo supra citado, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento; • quando o legislador ordinário pretendeu autorizar a incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de ofício, fêlo expressamente. Nesse sentido, vejamos o quanto determinado pelo artigo 43 da Lei 9.430/96, cujo parágrafo único determina a incidência de juros moratórios sobre as multas e os juros exigidos isoladamente. Feita esta análise, mostrase inafastável concluir que não há previsão legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa lançada de ofício nos casos que não foram abrangidos pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/96, como já decidido pela C. Câmara Superior de Recursos Fiscais nos autos do processo administrativo n° 10680.002472/200723; • pelo princípio da eventualidade, e a bem do dever de concentração e exaustão de todos os elementos de defesa na peça impugnatória, o contribuinte vem protestar por elementos de defesa na hipótese, que não se espera em qualquer circunstância, em que a controvertida desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria seja mantida por este Colegiado Julgador. Abstraindose o mérito da desconsideração, já ampla e robustamente impugnada e contraditada nesta impugnação, temse que, a se admitir a inexistência da MC Assessoria, os atos por ela praticados, com seus reflexos fiscais, devem sim, inexoravelmente, ser imputados àquelas entidades que a fiscalização aponta como as entidades que, na suposta simulação subjetiva, eram responsáveis por aquelas atividades, e Fl. 4101DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 21 39 que estariam se utilizando da entidade desconsiderada como um instrumento de ardil; • o autuante aplicou esse raciocínio a todas as empresas autuadas, com exceção da ora impugnante, TV Subaé Ltda., em tratamento discriminatório que não subsiste; • o autuante, quando apurou o IRPJ e a CSLL das outras empresas, após a glosa das despesas, imputou o IRPJ e a CSLL recolhidos pela MC Assessoria às diversas empresas operacionais, em cujas apurações esses valores foram compensados em benefício de cada uma das empresas, conforme reprodução da fl. 57 dos autos de infração lavrados contra a Morena Veículos, PAF nº 10580.733827/201215, cujo teor é idêntico ao de todas as demais empresas autuadas, com exceção da ora impugnante, como reproduzido à fl. 2.817 desse processo; • considerando que são várias as empresas do grupo às quais a MC Assessoria presta serviços, a fiscalização utilizou como critério de rateio, para imputação, a cada uma das empresas, dos valores pagos a título de IRPJ e CSLL pela empresa desconsiderada, o faturamento de cada uma em face da soma total de todas, o que, decerto, é um critério razoável, admitido, inclusive, pela própria Receita Federal, como critério para rateio de despesas. Por tal critério, as demais empresas autuadas, conforme se vê nas planilhas produzidas à fl. 2.817, tiveram imputados percentuais de participação no rateio, dos tributos recolhidos pela MC Assessoria, correspondentes à sua participação no total da receita bruta auferida pelas empresas, por ano, conforme tabela reproduzida às fls. 2.818 e .2819, a qual não inclui a ora impugnante, TV Subaé Ltda. • da transcrição do citado PAF nº 10580.733827/201215, em que é autuada a Morena Veículos, vêse, ainda, que o autuante, sem lastro em qualquer elemento documental ou de prova, afirmou, na mesma fl. 57 do referido processo, que “todos os funcionários da área contábil/financeira estavam ali lotados, todavia, estes prestavam serviços para todas as empresas do grupo, exceto a TV Subaé Ltda.”, conforme reprodução à fl. 2.819. • tal afirmação é de difícil compreensão, porém, podese concluir que foi esse o fundamento que teria motivado a autoridade fiscal a não considerar a TV Subaé Ltda. na imputação e no rateio dos tributos e despesas incorridos pela MC Assessoria. Essa linha de raciocínio, que não foi explicitada na lavratura efetuada contra a TV Subaé, mas apenas nas das demais empresas, não se sustenta, consubstanciando discriminação ilegal e inadmissível contra a empresa, que, com base nas normas fiscais, tem, na hipótese de desconsideração, direito ao rateio tanto quanto as demais empresas contratantes da MC Assessoria; • vejamos as inconsistências do raciocínio do autuante ao negar o direito do ora impugnante ao rateio: Fl. 4102DF CARF MF 40 (i) qual documento ou prova que atesta a afirmação de que os funcionários da área contábil/financeira da MC Assessoria não atendem ao ora impugnante? (ii) qual a relevância que tem apenas os funcionários da área contábil/financeira em face de todo o escopo de serviços prestados pela MC Assessoria ao ora impugnante? (iii) por que a lavratura não registrou, nem fundamentou, a exclusão do impugnante do rateio, na lavratura contra o próprio impugnante, omitindose deliberadamente, com vistas a majorar indevidamente o tributo lançado? Tudo a demonstrar a ilegalidade e a incorreção, tanto quanto a verdadeira discriminação realizada, pela sua exclusão do rateio, vez que é consequência lógica e direta da desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria, relativamente a todas as suas contratantes; • a inclusão do impugnante no rateio realizado implicara, com base no critério utilizado pelo autuante, nos percentuais demonstrados na tabela à fl. 2.821; • contudo, mesmo que se integre o impugnante ao rateio realizado pela autoridade administrativa, dos recolhimentos com IRPJ e CSLL incorridos pela MC Assessoria, não estará integralmente reconhecida a atribuição, no impugnante, dos reflexos da desconsideração da personalidade jurídica da MC Assessoria; • a imputação rateada para as demais empresas autuadas, que o autuante realizou sobre as atividades da MC Assessoria, restringiuse apenas ao IRPJ e a CSLL, de sorte que, conforme itens subsequentes, a bem de manterse coerente com a decretação da desconsideração, fazse necessário imputar também, para efeito dos tributos federais auditados e apurados, as despesas realizadas pela MC Assessoria e os demais tributos federais recolhidos pela empresa; • ocorre que esta imputação, rateada segundo percentuais acima descritos, foi realizada pela autoridade fiscal de forma apenas parcial, restrita aos IRPJ e CSLL recolhidos pela MC Assessoria. Esta empresa, porém, efetuou vasta gama de despesas no período, que devem ser consideradas, no cenário da despersonalização, como despesas do impugnante e demais empresas operacionais. Para começar, a própria despesa com empregados da MC Assessoria, que a autoridade fiscal, repetidamente, indica que em verdade se trata de empregados do próprio impugnante e das outras empresas operacionais. A propósito, quando vai apurar o IRPJ e a CSLL, o próprio autuante reconhece que existem despesas de pessoal a serem rateadas entre as empresas; • na apuração dos tributos referidos, não foi efetuado o rateio dessas despesas em momento algum, de modo que a lavratura, para se manter coerente, ou seja, para que a apuração quantitativa dos tributos guarde consonância com o ato concreto de lançamento, baseado na despersonalização, deve efetivamente promover o rateio, não apenas das despesas de pessoal, mas de todas as despesas incorridas pela MC Assessoria, inclusive Fl. 4103DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 22 41 despesas com tributos, despesas com fornecedores, enfim, todas as despesas dedutíveis assim contabilizadas na MC Assessoria e declaradas ao fisco. Dessa forma, considerando o erro apontado, o impugnante refez os cálculos de IRPJ e CSLL, rateando todas as despesas dedutíveis contabilizadas na MC Assessoria, devidamente declaradas em DIPJ, com base no mesmo critério e nos mesmos percentuais de rateio utilizados pelo fiscal autuante, resultando nos valores demonstrados nas planilhas de fls. 2.825/2.828; • a imputação ampla de todas as despesas, como se viu no item anterior, implicou a correção das bases de cálculo de IRPJ e CSLL, quanto ao lucro apurado no final do exercício. Ocorre que idêntica correção deve ser promovida quanto aos recolhimentos das estimativas mensais, apropriandose os saldos de despesas mensais da MC na proporção do rateio, ou seja, na proporção da participação da empresa na receita bruta total. Decorrente disso, a imputação das despesas na apuração das estimativas mensais implicará redução da multa isolada aplicada, o que desde logo se requer; • em qualquer hipótese, contudo, é inexigível a multa isolada na hipótese em que, ao final ao exercício, a base de cálculo efetivamente apurada é inferior aos valores mensais de estimativa, um exemplo típico do que é exatamente a hipótese em que é apurado prejuízo ao final do exercício prejuízo, ou seja, não há lucro tributável sujeito à incidência de IRPJ ou CSLL. Tendo em vista que o impugnante é sujeito ao lucro real anual para efeito da apuração do IRPJ e da CSLL, as estimativas mensais que a empresa recolhe, apuradas com base na receita bruta ou balanços de suspensão/redução, consubstanciam, em verdade, antecipações relativamente ao imposto que será apurado sobre o lucro eventualmente auferido no final do exercício. Inexistente o lucro ao final do exercício, ou sendo o lucro anual inferior às estimativas exigidas, não há que se falar em IRPJ ou CSLL devidos a título de estimativa mensal, quanto ao valor que supera o lucro real anual, de sorte que resta inaplicável a multa pela falta do recolhimento antecipado. A propósito, é reiterada a jurisprudência do CARF aesse propósito. Na hipótese em que os valores mensais de estimativa são superiores à base de cálculo efetivamente devida ao final do exercício, inclusive, mas não apenas, na hipótese de apuração de prejuízo, não se pode considerar aplicável a multa isolada, na medida em que não há saldo de crédito tributário devido em favor do Fisco; • considerando a imputação e o rateio das despesas da MC Assessoria no cálculo das estimativas mensais de IRPJ e CSLL do impugnante e a inexigibilidade das estimativas mensais naquilo que superam, em valor, o lucro real apurado ao final do exercício, deve ser excluída, ou, se for o caso, reduzida a multa isolada aplicada; • não se limitam às despesas rateadas os reflexos fiscais da decretação da desconsideração da personalidade jurídica da Fl. 4104DF CARF MF 42 MC Assessoria. De fato, a desconsideração, a determinar a inexistência da empresa, implica que os eventos contábeis registrados em sua escrituração passem a ser atribuídos às empresas operacionais, que contrataram sua prestação de serviços. Levantando o véu que representa a suposta e alegada pessoa simulada, surgem os supostos efetivos protagonistas das operações, e, tal se aplica a todos os eventos, o que, para efeito de apuração de tributos federais, tem reflexo não apenas no que se refere às despesas incorridas pelo ente despersonalizado, como descrito no item anterior, mas também quanto aos tributos federais recolhidos pela MC Assessoria; • a auditoria considerou os valores de IRPJ e CSLL recolhidos pela MC Assessoria e efetuou o rateio e a compensação desses valores em benefício das empresas operacionais. Efetivamente, se a MC Assessoria não existe, e os serviços não foram prestados, como pretende a lavratura, os pagamentos realizados não têm relevância para efeitos jurídicofiscais, e assim não houve receita apurada e os tributos recolhidos pela MC Assessoria são indevidos. Ocorre que os mesmos efeitos que tiveram os recolhimentos de IRPJ e CSLL aplicamse aos recolhimentos de PIS/Cofins realizados pela empresa despersonalizada, o que o autuante, equivocadamente, não considerou ao efetuar o rateio e a compensação dos tributos federais recolhidos pelo ente que teve a despersonalização decretada; • não sendo consideradas eficazes para efeitos jurídicofíscais as receitas de prestação de serviço da MC Assessoria, mas sim consideradas pagamentos das empresas contratantes, inclusive o impugnante, para elas próprias, não há incidência de PIS/Cofins, e os valores recolhidos a este título são indevidos e devem ser compensados ou, se for o caso, restituídos. A propósito, considerando o erro apontado, o impugnante, a partir das DIPJ e DARF de PIS/Cofins, em anexo, recolhidos pela MC ASSESSORIA, rateou tais valores entre as empresas contratantes, inclusive o impugnante, com base no mesmo critério e nos mesmos percentuais de rateio utilizados pelo fiscal autuante, resultando nos valores indicados na fl. 2.834, os quais devem ser compensados ou restituídos em benefício do impugnante. Na parte final da sua contestação protesta o impugnante pela produção de todas as provas em Direito admitidas. Os Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira apresentaram impugnação conjunta aos autos de infração e aos termos de sujeição passiva às fls. 2.523 a 2.650. Contestam os autos de infração com os mesmos argumentos apresentados pela TV Subaé Ltda., já mencionados neste relatório. Quanto aos termos de sujeição passiva, alegam: • a ilegitimidade passiva como devedores solidários, por ausência de demonstração de atuação pessoal nas circunstâncias de fato que embasaram a pretensão fiscal; • a autoridade autuante considerou que o estabelecimento de uma central de serviços compartilhados e central de compras na Fl. 4105DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 23 43 MC Assessoria, para atender à pessoa jurídica autuada e às demais empresas do grupo empresarial que integra, composto por 14 concessionárias de veículos e outras empresas de ramo distinto de atividade, consubstanciaria uma articulação de suposta arquitetura fraudulenta, visando sonegar tributos e lesar o Fisco; • decerto que o estabelecimento de uma central de serviços compartilhados e central de compras, através de empresa especificamente constituída para desenvolver tal expertise, dotada de estrutura própria de empregados, contratos com fornecedores diversos, regularmente operantes, com toda receita declarada e tributada, e, ainda mais, efetivamente prestando os serviços para as empresas clientes, focadas no negócio principal do grupo, nem de longe pode consubstanciar engenho ardiloso, muito menos para fraudar o Fisco, senão estrutura de gestão de redundâncias e sinergias em grupos empresariais que todo o mercado utiliza, visando a eficiência administrativa e redução de custos; • a autoridade fiscal não apenas atribuiu natureza fraudulenta à atividade da pessoa jurídica autuada, no que se refere à contratação da MC Assessoria, como também imputou responsabilidade pessoal ao impugnante, sob o fundamento de que a mera existência do suposto esquema fraudulento implicaria responsabilização dos impugnantes pelo mero fato de serem membros da diretoria da pessoa jurídica, pela prática de atos com infração à lei, nos termos do art. 135 da Lei nº 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional – CTN; • a responsabilidade tributária do art. 135 do CTN, contudo, é pessoal, consoante expressamente dispõe a norma, e é aquela imputada à pessoa por atos por ela praticados, comprovada e demonstradamente. A mera condição de membro da diretoria não fornece o liame subjetivo entre a conduta apontada como fraudulenta e a pessoa reputada responsável: imperiosa é (i) a descrição do protagonismo da pessoa responsabilizada no fato infracional; e também (ii) a demonstração, com provas e documentos idôneos, de que os fatos supostamente ilícitos tenham sido praticados pela imputada pessoa. A necessidade de descrição e comprovação das hipóteses do art. 135 do CTN é requisito reiteradamente exigido pela jurisprudência quanto à responsabilização dos gestores, consoante julgados do CARF e do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, cujas ementas transcreve; • nos autos, a autoridade autuante nem descreveu em que medida o impugnante atuou com finalidade de sonegar tributo, nem tampouco demonstrou tal intenção com os indispensáveis elementos de prova. Fundamentar a responsabilidade pessoal na mera condição formal de membro da diretoria da pessoa jurídica autuada não atende decerto aos requisitos legais da responsabilidade tributária do art. 135 do CTN, e implica derrogar, por vias oblíquas, o regime legal que é de responsabilidade limitada, para que seja ilimitada a Fl. 4106DF CARF MF 44 responsabilidade dos sócios e administradores. A simples figuração na diretoria da pessoa jurídica não vincula o administrador a todos os atos praticados pela empresa, sendo necessário demonstrar que tal tenha ocorrido relativamente aos supostos atos fraudulentos em que a fiscalização pretende fundamentar o ato de lançamento; • o impugnante, Sr. Modezil Ferreira de Cerqueira, que há anos vem sofrendo de problemas de saúde que afetam o seu discernimento e impedem que exerça uma atividade profissional, afigurase, por decisão do Exmo Juízo da 1ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Salvador, conforme documento de fl. 2.530, subtraído da sua plena capacidade civil, sendo representado pelo seu curador, que é seu filho Modezil Rodrigues Ferreira de Cerqueira. O impugnante está, portanto, há anos afastado do diaadia das empresas de que é sócio, não podendo a ele ser imputado, em hipótese alguma, qualquer ato de cunho positivo ou negativo, praticado pelas empresas, sendo este apenas o caso mais aviltante, o que não dispensa que, quanto aos demais imputados responsáveis, haja a demonstração específica e cabal da conduta supostamente fraudulenta que se lhes quer atribuir como ensejadora de responsabilidade solidária; • resta demonstrado que a responsabilização em pauta não prescinde da descrição e comprovação da atuação específica do reputado responsável nos atos inquinados de infringentes à lei. Falhando a lavratura em apontar os elementos de fato assim necessários para atender à aplicabilidade do art. 135 do CTN, e, ainda mais, em comproválos via suporte documental idôneo, fica descaracterizada a responsabilidade tributária do impugnante, havendo de ser acolhida a presente preambular para reconhecer a sua ilegitimidade passiva, como se requer; • para determinar a aplicação da responsabilização, o fiscal autuante partiu da estrutura de serviços compartilhados intragrupo, providos pela MC Assessoria à pessoa jurídica autuada e demais empresas do grupo empresarial, como fato suficiente para caracterizar a fraude descrita na lei, conforme se infere de descrição nos autos do PAF; • a aplicação do regime de responsabilidade pessoal, do art. 135 do CTN, pressupõe o dolo, a intenção inequívoca para praticar especificamente o ilícito tributário, de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sendo, para tanto, absolutamente irrelevante, a bem de fundamentar a válida aplicação da sanção epigrafada, ter o contribuinte optado por uma estrutura negocial mais eficiente, inclusive quanto aos custos fiscais incidentes; • em momento algum aponta o Fisco dados ou subsídios que demonstrem a intenção da empresa autuada de se esvair da imposição fiscal; muito menos qualquer contribuição do impugnante, via atos específicos de sua autoria, neste sentido. E a mera remissão a uma estrutura negocial, que, ademais, é padrão no mercado e paradigma de eficiência na gestão de grupos empresariais, não autoriza, per se, a caracterização de fraude. O autuante sequer descreveu onde está ou qual foi a Fl. 4107DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 24 45 fraude praticada pelo contribuinte, que teve todos os seus documentos escrutinados, tem toda a sua documentação idônea e em momento algum deixou de atender à fiscalização, havendo contribuído com pletora de documentos e atendido a todas as demandas da fiscalização. • a estrutura apontada como fraudulenta, consoante resta demonstrado à saciedade na presente impugnação, está absolutamente calcada em critérios de eficiência e de desempenho financeiro e administrativo do autuado e das demais pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo empresarial. A contribuinte e o responsável tributário Florisberto Ferreira de Cerqueira foram cientificados da decisão de primeira instância e apresentaram os respectivos recursos voluntários ás fls. 3.021/3.152 e 3.733/3.782, respectivamente, cuja conclusão e pedido, idênticos, trago a colação: Fl. 4108DF CARF MF 46 Fl. 4109DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 25 47 Fl. 4110DF CARF MF 48 Fl. 4111DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 26 49 Fl. 4112DF CARF MF 50 Fl. 4113DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 27 51 O sujeito passivo solidário Modezil Ferreira de Cerqueira não apresentou o recurso voluntário, apesar de cientificado da decisão de piso (Intimação 330/2015 fls. 3.458 e AR de fls. 3.400). Fl. 4114DF CARF MF 52 Os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Os recursos voluntários da contribuinte e do responsável tributário Florisberto Ferreira de Cerqueira preenchem os requisitos legais para admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento. O sujeito passivo solidário Modezil Ferreira de Cerqueira, ainda que devidamente cientificado da decisão de primeira instância, conforme registrado no relatório deste Acórdão, não apresentou recurso voluntário, havendo restado precluso o direito de recorrer de seus termos, consoante regra o art. 15 do Decreto nº 70.235/72 c/c o art. 223 do Código de Processo Civil (CPC). 1. DA SUPOSTA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA DA EMPRESA MC ASSESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. Por concordar com os seus fundamentos, trago a colação excertos do voto prolatado no Acórdão nº 1302001.663, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, na sessão de 04 de março de 2015, de interesse da contribuinte NORAUTO VEÍCULOS LTDA, CNPJ nº 13.615.174/000100, concluindo que não houve a aplicação do instituto de desconsideração da personalidade jurídica da empresa MC ASSESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. Vamos ao voto: No caso em análise, a recorrente trás à baila questionamento sobre a possibilidade e validade de a autoridade administrativa fiscal determinar a desconsideração da sua personalidade jurídica, alegando que tal prerrogativa se restringe à figura de órgãos jurisdicionais, não podendo ocorrer mediante o mero processo administrativo de fiscalização. Entretanto, ao analisarmos atentamente a fundamentação elaborada pelo auditor fiscal em Termo de Verificação Fiscal de fls. 03/79, 39/65 nestes autos, é possível perceber que não houve a aplicação do instituto civilista da desconsideração da personalidade jurídica da empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, mas sim, a desconsideração do conjunto de atos tidos por simulados perpetrados pela mencionada empresa de gestão. Essa constatação, aliás, fica evidente se tomarmos em conta o seguinte trecho do TVF (fl. 64 e 58 nestes autos), onde a autoridade fiscal deixa claro que a glosa efetuada se impõe graças à artificialidade das operações de prestação de serviços entre as empresas em questão: "Não se pode olvidar que o contribuinte simulou a prestação dos referidos serviços, cumprindo as formalidades legais, com objetivo claro de redução da carga tributário e maximização da Fl. 4115DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 28 53 distribuição de lucros e dividendos. Neste caso, observase claramente que substância e forma das operações como foram realizadas não se coadunam. Concluise que o negócio realizado aparentemente, ou, simulado, não subsistirá, ou seja, a prestação dos serviços realizados pela MC Assessoria em Gestão Empresarial Ltda, de fato não ocorreu, consequentemente, impondose a glosa das despesas respectivas." Assim, o que se discute nos presentes autos não tem a ver com a desconsideração da personalidade jurídica de nenhuma das empresas em questão, restringindose unicamente à possibilidade de a autoridade fazendária desconstituir o ato praticado mediante suposta simulação, conforme determinam os artigos 116 e 149 do Código Tributário Nacional, combinados com as disposições do artigo 167, caput, do Código Civil. Nessa esteira, a fim de garantir a clareza da argumentação aqui tecida, importa transcrever o teor dos mencionados dispositivos: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Dessa feita, vejase que, pela análise combinada dos dispositivos acima mencionados, em consonância com as constatações descritas no Termo de Verificação Fiscal TVF elaborado pela autoridade fiscalizadora, o auto de infração que se viu lavrar pela autoridade competente teve como ponto central a suposta constatação acerca da ocorrência de simulação nas operações de prestação de serviços da MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, sendo determinado, por consequência, a Fl. 4116DF CARF MF 54 glosa das despesas incorridas referente aos valores atrelados à simulação constatada. Por esse motivo, penso que se revela descabido o argumento posto pela recorrente, pois não se trata no presente caso de utilização do instituto civilista da desconsideração da personalidade jurídica. Antes, fica evidente que se operou neste expediente administrativo foi a desconsideração dos atos supostamente segundo as constatações do AFRFB. Nessa esteira, aliás, não bastasse a extensa fundamentação legal que determina a desconstituição do ato fraudulento já referida aqui em momento precedente, vejase que é firme a posição deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais quanto à possibilidade de a autoridade fiscalizadora desconsiderar os atos e negócios jurídicos praticados em simulação: FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. [...] (CARF, Acórdão n. 2302003.309, Rel. Arlindo Da Costa e Silva, data da sessão: 13/08/2014). FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DEATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõese a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. (CARF, Acórdão n. 2302003.291, Rel. Arlindo Da Costa e Silva, data da sessão: 12/08/2014). Assim, tendo em vista que, no presente caso, a desconsideração recaiu não sobre a personalidade jurídica de qualquer empresa, mas sim sobre os atos fraudulentos supostamente praticados em conjunto pelas empresas do Grupo MC e a empresa MC ACESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA, não há como reconhecer as alegações apresentadas pela recorrente, sendo, ao contrário, imperativa a manutenção da decisão prolatada pela DRJ, especificamente quanto a esse tópico. Assim, ante o exposto, considero prejudicada a alegação do sujeito passivo de que a fiscalização decretou a desconsideração da personalidade jurídica da empresa MC ASSESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. Fl. 4117DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 29 55 2. DA GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS COM A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA EMPRESA MC ASSESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. Segundo a Fiscalização, a recorrente não logrou comprovar a efetiva prestação de serviços da MC Assessoria durante os anoscalendário de 2008 a 2009, tendo como consequencia a glosa dessas despesas e a lavratura dos autos de infração de IRPJ e CSLL. Informa a autoridade fiscal no TVF de fls. 39, verbis: O voto condutor da decisão de Primeira Instância conclui que a recorrente não comprovou que os serviços foram efetivamente prestados. A seguir, trago a colação o trecho do voto que o relator fundamenta a sua decisão: Atentese, ainda, que, conforme informa o autuante, o impugnante não comprovou que os serviços foram efetivamente prestados (a indicação dos serviços prestados no corpo das notas fiscais foi feita de forma genérica), através dos relatórios de atividades desenvolvidas, requisito essencial à idoneidade da despesa contabilizada e deduzida do lucro tributável, sobretudo por se tratar de empresas de um mesmo grupo econômico. Ademais, entendo que o conjunto de fatos levantados pela Fiscalização, transcritos resumidamente neste voto, e minuciosamente detalhados no Termo de Verificação Fiscal, comprovam claramente que a TV Subaé Ltda., juntamente com as demais empresas do Grupo, simulou a prestação dos referidos serviços cumprindo as formalidades legais, com objetivo claro de redução da carga tributária e maximização da distribuição dos lucros e dividendos, de modo que o negócio realizado aparentemente, ou, simulado, não subsistirá, e seus resultados não poderão ser oponíveis ao Fisco. O sujeito passivo, por sua vez, refuta os argumentos do autuante e da DRJ com as seguintes alegações: Fl. 4118DF CARF MF 56 O que se verifica é que a Fiscalização trouxe aos autos convergente conjunto de provas e evidências dando conta que as referidas operações não ocorreram na realidade, comprometendo assim a prova da efetividade da prestação de serviços. E esse comprometimento se deu por várias vias, não tendo as alegações e documentos trazidos durante a ação fiscal a força de comprovar a efetiva prestação dos serviços: apresentou Notas Fiscais de Serviços emitidas pela empresa MC Assessoria que não discriminam os serviços prestados (fls. 634/673) acompanhadas de relatório de atividades desenvolvidas na atividade empresarial (fls. 621/633). Mas, o que considero mais importante que tudo isso foram as diligências efetuadas pelo fiscal no sentido de provar que a respectiva empresa que prestava os supostos serviços não existia de fato. Sintetizo, a seguir, as evidências coletadas pela Fiscalização nesse sentido: Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 30 57 falta de infraestrutura própria e adequada à prestação dos serviços; falta de registro de despesas básicas com aluguel, energia elétrica; de acordo com a DRE 2007, apresentada pela empresa MC Assessoria, só é possível observar despesas com pessoal (ordenados da administração e bolsa de estagiários) e seus encargos, bem como pagamento de tributos; a MC Assessoria iniciou suas atividades com a transferência de funcionários das empresas para as quais prestaria serviço, cuja remuneração destes alterou infimamente, com auferimento de receitas e elevada margem de lucro; ausência de relatórios de atividades comprovando a efetividade dos serviços prestados, requisito essencial à idoneidade da despesa contabilizada e deduzida do lucro tributável, bem como, identificação genérica dos serviços prestados no corpo das notas fiscais; falta de elementos de comprovação da efetiva prestação dos serviços; a empresa MC Assessoria utiliza as dependências físicas da empresa Morena Veículos Ltda, bem como presta os mesmos serviços que os funcionários transferidos prestavam na lotação anterior (empresas do grupo econômico), inclusive com mesmos proventos; envio das GFIP por pessoa comum ao grupo (Rosane Ferreira Andrade; envio das DIPJ por pessoa comum ao grupo (Rita dos Santos Campos); gestão dos negócios realizada pelos mesmos responsáveis, quais sejam, Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, ambos quotistas/administradores das empresas investigadas por esta auditoria; prestação de serviços pela empresa MC Assessoria apenas a empresas do grupo econômico com elevada margem de lucro. endereço cadastral similar/idêntico e comprovação posterior de localização no mesmo lugar entre a Anira Veículos Ltda e MC Assessoria, está última sem qualquer estrutura física/operacional; ausência de rubricas contábeis na empresa MC Assessoria, referentes a despesas convencionais observadas em qualquer sociedade. Demonstrado pela fiscalização, portanto, o artificialismo na prestação dos serviços, por parte da empresa MC Assessoria, correto o procedimento fiscal de glosar as respectivas despesas. Esse mesmo artificialismo na prestação dos serviços é que enseja a multa qualificada de 150%. Não basta ser formalmente verdadeiro que a empresa prestava declarações e que era do conhecimento do fisco a identidade dos sócios. Tais informações não indicam, por si sós, a ausência de estrutura operacional da MC ASSESSORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA. Apenas com uma profunda fiscalização é que o fato veio à tona. Fl. 4120DF CARF MF 58 Creio que o intuito de alterar o conteúdo verdadeiro dos fatos está presente nos atos do contribuinte. Manifestome assim pela aplicação da penalidade qualificada. A fiscalização imputou responsabilidade solidária dos créditos tributários apurados na TV Subae Ltda (Contribuinte) para as pessoas físicas Srs Modezil Ferreira de Cerqueira (Diretor Presidente) e Florisberto Ferreira de Cerqueira (Diretor Superintendente), ex vi art. 135 do CTN. O interesse pessoal no fato gerador previsto no art. 135 do CTN por essas pessoas físicas foi provado a contento pela fiscalização. Carreou aos autos uma série de fatos e circunstância que em seu conjunto demonstram, que na realidade, as pessoas físicas Modezil e Florisberto tiveram uma conduta intencional de criar operações sem qualquer substância econômica ou propósito negocial, a não ser o de elidir tributos, aumentou as despesas operacionais da TV Subae Ltda, reduzindo sensivelmente o valor do tributo a recolher, mediante comportamento doloso, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como alteração das características fundamentais do fato gerador, qual seja, o lucro tributável. A decisão de piso assim enfrentou a questão: Notese que no caso em tela, consoante arrazoado elaborado no Termo de Verificação Fiscal, e já analisado neste voto, a conduta da empresa que resultou na autuação fiscal confirmou a presença das três figuras jurídicas definidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Assim, de todo o descrito no Termo de Verificação Fiscal e nos Termos de Solidariedade Passiva, concluise que houve infração à lei em face do não cumprimento da legislação em vigor, mediante conduta simulada dos diretores da empresa autuada, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto dos autos de infração, restando caracterizada a sujeição passiva pessoal dos Srs. Modezil Ferreira de Cerqueira e Florisberto Ferreira de Cerqueira, nas qualidades, respectivamente, de Presidente do Fl. 4121DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 31 59 Conselho de Administração e Membro do Conselho de Administração da TV Subaé Ltda., nos termos do art. 135 do CTN (Lei nº 5.172, de 25/10/1966), abaixo transcrito: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Portanto, mantenho os termos de sujeição passivas nos termos propostos pelo fiscal. Por outro lado, na eventual manutenção da desconsideração da personalidade jurídica da MC ASSESSORIA, requer a recorrente a imputação rateada das despesas da MC ASSESSORIA para efeito de apuração de IRPJ e CSLL, como procedeu a autoridade fiscal e a DRJ/SDR para as outras empresas do grupo. A seguir trago a colação o trecho do voto condutor da decisão de primeira instância onde o julgador justifica porque a TV Subae não participou desse rateio, verbis: O que motivou o rateio do IRPJ e da CSLL pagos pela MC Assessoria às demais empresas do grupo econômico, por parte do agente fiscal, direito posteriormente estendido às despesas incorridas pela MC Assessoria pelas decisões de primeira instância administrativa, foi o fato de que tal empresa foi formada a partir dos mesmos funcionários antes lotados nas demais empresas do grupo, conforme demonstrado na planilha anexa ao Termo de Verificação Fiscal, às fls. 37/38, da qual se observa que a MC Assessoria iniciou suas atividades com 46 funcionários, sendo que 42 oriundos das empresas do grupo econômico, mas nenhum funcionário foi transferido da empresa impugnante, TV Subaé Ltda. Consta também do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 38 desse processo, no caso específico da TV Subaé Ltda., a informação de que foi constatado que os funcionários lotados na área contábil/financeira das empresas do grupo, com exceção dos funcionários da TV Subaé Ltda., trabalham nas dependências da empresa Morena Veículos, como se vê da sua transcrição: Ressaltese que esta Auditoria lavrou Termo de Intimação Fiscal n° 0004, cuja ciência ao contribuinte (TV Subaé) se deu de forma postal, contendo constatação acerca do que fora observado na visita retromencionada, todavia, não houve qualquer manifestação por parte da empresa. Salientase que a Sra. Rita dos Santos Campos, Supervisora Contábil do grupo, corroborou a informação de que os funcionários lotados na área contábil/financeira, inclusive staff, das empresas investigadas Fl. 4122DF CARF MF 60 nesta auditoria trabalham nas dependências da empresa Morena Veículos Ltda., exceção feita aos funcionários da empresa TV Subaé Ltda, localizada no município de Feira de Santana Bahia. O citado Termo de Intimação Fiscal nº 0004 encontrase anexado às fls. 122/123, e foi devidamente cientificado à impugnante (TV Subaé Ltda.) por meio postal, conforme AR de fl. 124. Logo, a empresa TV Subaé Ltda., conforme declaração feita pela própria supervisora contábil do grupo, não teve seus funcionários transferidos para a MC Assessoria, o que foi comprovado pelo autuante, conforme planilha anexada à fl. 38, razão pela qual o agente fiscal, corretamente, não a incluiu no rol de empresas objeto do rateio questionado, devendo ser mantidos, em sua integralidade, os lançamentos do IRPJ e da CSLL. A recorrente alega em seu voluntário que outras empresas do grupo MC, a exemplo de Jubiabá Autos Ltda, Jubiabá Veículos Ltda e Brune Veículos Ltda não contribuíram com empregados e não foram excluídas do rateio das despesas da MC ASSESSORIA pela fiscalizaçõ. Entendo que o fato de ter empresas do grupo MC que entraram no rateio do IRPJ e CSLL pagos pela MC ASSESSORIA, direito posteriormente estendido às despesas incorridas pela MC Assessoria pelas decisões de primeira instância administrativa, que não tiveram seus funcionários transferidos para a MC ASSESSORIA não dá direito ao contribuinte de participar desse rateio. Isso porque os Demonstrativos nºs 1 e 2 de fls. 56 e 57 do processo administrativo fiscal nº 10530.723582/201394, de interesse de Norauto Caminhões Ltda, que abaixo trago a colação, registraram que o referido rateio entre as empresas do grupo MC totalizou 100% do tributos declarados em DCTF pela MC: Fl. 4123DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 32 61 Assim, a tese da recorrente de que a TV Subae também teria direito ao rateio aos tributos e as despesas da MC Assessoria ficou prejudicada, uma vez que eles já foram totalmente distribuídos pelas outras empresas do grupo. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Voto Vencedor Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Redator Designado. Em que pesem os argumentos expendidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para, respeitosamente, divergir de seu voto no que diz respeito à caracterização de simulação, bem como à imputação de responsabilidade solidária ao Recorrente Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira (Diretor Superintendente). De acordo com a acusação fiscal, a prestação dos serviços objeto de rateio de despesas administrativas, que corretamente ensejou a glosa por falta de comprovação adequada, teria sido, na verdade, criada artificialmente por meio de uso de estrutura simulada. Mais precisamente, entenderam a autoridade fiscal autuante, a DRJ e o voto vencido, que a empresa prestadora de serviços não existiria de fato. Teria sido simulada dentro do grupo econômico, essencialmente porque não possuiria estrutura física adequada, não teria custos próprios senão de pessoal transferido de outras empresas do grupo, possui sede em endereço semelhante ao de outra pessoa jurídica vinculada, compartilha o uso de determinados funcionários, tem identidade de administradores e prestaria serviços de forma exclusiva a empresas ligadas. Com base nesses indícios, concluíram que houve artificialismo, ou melhor, simulação na prestação dos serviços por parte da MC Assessoria, o que ensejou, além da glosa Fl. 4124DF CARF MF 62 das despesas, a qualificação da multa de ofício (de 75% para 150%) e a responsabilização solidária dos dirigentes. Não concordo, entretanto, com esse racional. Senão, vejamos: Simulação Em primeiro lugar, vale assinalar que restou demonstrado que MC Assessoria tem como objeto social a gestão e assessoria empresarial, tendo sido constituída justamente para prestar serviços administrativos em geral (contabilidade, informática, escritório etc.), backoffice e central de compras às demais empresas do Grupo MC, sem prejuízo de prestar serviços também a terceiros. Em face da necessidade de centralizar gerencialmente as atividades meio, até então exercidas de forma diversificada e sem controle de gestão rigoroso nas 22 empresas do grupo e também mediante "terceirização", foi decidido, na linha do que adota o mercado, concentrar tais atividades em uma única empresa do grupo, unificando, assim, não somente a gestão, mas também os padrões de qualidade e sem perder de vista a potencial otimização de custos operacionais e tributários. Os documentos contábeis da MC Assessoria, os negócios por ela celebrados, a relação de fornecedores e clientes e o laudo apresentado na defesa, segundo penso, ratificam não só a existência da empresa, mas principalmente sua atuação ativa no mercado, ainda que domiciliada em sala no mesmo endereço e local de outra empresa vinculada. O compartilhamento de custos dentro de um mesmo grupo, na verdade, constitui prática permitida e usual, não havendo qualquer problema quanto à sua adoção. Também a cessão do espaço, dentro de uma segregação clara de atividade e função, não desqualifica a existência da pessoa jurídica. Ressaltase que a transferência ou alocação de funcionários para iniciar a operação é natural. A partir do momento que atividades não preponderantes passam a ser concentradas como atividades fim em pessoa jurídica autônoma, é decorrência lógica a reestruturação do quadro de funcionários. Também o compartilhamento de uso de um ou mais funcionários ou equipe para cumprir algo pontual ou tarefa específica não constitui indício contundente ou prova de abuso ou simulação. Pelo contrário, nesse caso concreto, restou demonstrado que a própria MC Assessoria teve um crescimento na folha em todos os anos e evolução de faturamento no período objeto dos Autos. A contratação de funcionários ocorria mediante anúncios diretos em seu nome. Havia controle de ponto, cartão, emails próprios que atestam haver uma estrutura organizada própria. Ao contrário do que sustenta a decisão de piso, a contabilidade indica não só gastos com pessoal, mas outras despesas que estão em consonância ao objeto social explorado. Há registro de receitas auferidas pela MC por serviços prestados a clientes independentes, isto é, empresas fora do grupo MC. Fl. 4125DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 33 63 A MC Assessoria possui ativos próprios, tendo sido, aliás, contratada por instituições financeiras para atuar como correspondente financeiro, atividade esta sujeita a controle rigoroso e que pressupõe pessoalidade da parte. Outro fato que chama atenção é o de que a Recorrente anexou na defesa laudo contábil (fls. 2.655/2.719) que detalha as atividades da empresa MC Assessoria, analisa a quantidade e função dos funcionários ao longo dos anos e identifica toda a mutação patrimonial da empresa no período. Esse documento, do qual não há notícias de que tenha sido de fato apreciado, somado aos demais elementos probatórios trazidos pela Recorrente na sua defesa, comprova que a dita empresa simulada (MC Assessoria) não apenas desempenhava funções compatíveis àquelas demonstradas nos Contratos firmados com as empresas do grupo, como também manteve relação comercial com outras empresas, adquiriu materiais compatíveis a estas atividades e remunerou funcionários assim alocados. Nesse contexto, penso que os "indícios" trazidos na peça acusatória não se sustentam diante das provas juntadas pelo Recorrente acerca da existência e operação na MC Assessoria. Ora, não é porque as partes não lograram êxito na comprovação da composição dos valores e dos critérios objetivos efetivos do rateio que a operação é simulada. A falta de comprovação do dispêndio, na hipótese como esta, é passível de glosa nos termos do artigo 299 do RIR/99, mas daí a afirmar que a prestação dos serviços foi simulada por ser a MC mera empresa de papel entendo existir um abismo. E nem se diga que o ordenamento jurídico vigente permite ao fisco desqualificar atos em razão exclusivamente de economia tributária. Esta tese não tem amparo e, inclusive, foi afastada com a rejeição do artigo 14 da Medida Provisória n. 66/20021, que não possui eficácia em razão de sua não conversão em lei. Feitas essas considerações, afasto a caracterização de simulação. Multa qualificada Uma vez descaracterizada a simulação da MC Assessoria, o fundamento legal da qualificação da multa de ofício deixa de existir, razão pela qual ela deve ser reduzida de 150% para 75%, nos termos do artigo 44, I, da Lei nº 9.430/1996: 1 Artigo 14 São passíveis de desconsideração os atos ou negócios jurídicos que visem a reduzir o valor de tributo, a evitar ou a postergar o seu pagamento ou a ocultar os verdadeiros aspectos do fato gerador ou a real natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. § 1º Para a desconsideração de ato ou negócio jurídico deverseá levar em conta, entre outras, a ocorrência de: I falta de propósito negocial; ou II abuso de forma. § 2º Considerase indicativo de falta de propósito negocial a opção pela forma mais complexa ou mais onerosa, para os envolvidos, entre duas ou mais formas para a prática de determinado ato. § 3º Para o efeito do disposto no inciso II do § 1º, considerase abuso de forma jurídica a prática de ato ou negócio jurídico indireto que produza o mesmo resultado econômico do ato ou negócio jurídico dissimulado. Fl. 4126DF CARF MF 64 “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Responsabilidade solidária Finalmente, cumpre observar que a motivação para a qualificação da solidariedade da pessoa física Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira (Diretor Superintendente e minoritário) restringiuse ao fato dele ter figurado como sócio administrador. E como fundamento legal, invocou a autoridade responsável pelo lançamento o artivo 135, III, do CTN, verbis: Dispõe o artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Os pressupostos previstos no caput do artigo 135 prática de ato com excesso de poder ou infração de lei ou contrato social não foi objeto de nenhum comentário pela fiscalização na imputação da solidariedade. Ora, se foi o uso indevido ou abusivo do cargo ou função de sócio a causa da caracterização da responsabilidade solidária, deveria a autoridade ao menos ter apontado e motivado qual ato teria sido este, como foi praticado, qual a finalidade, seus efeitos etc, mas nada disso foi feito. O TVF deveria, para valer sua tese de incidência do artigo 135, III, ter demonstrado em que medida o sócio representante agiu em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função de gestor. Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela motive adequadamente o Auto, bem como demonstre a participação direta e consciente daquele que detém poder de representação na realização dos atos alegadamente simulados ou fraudulentos. A atribuição de responsabilidade tributária não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou “no modo automático”, uma vez que tal instituto exige a Fl. 4127DF CARF MF Processo nº 10530.723779/201323 Acórdão n.º 1201002.250 S1C2T1 Fl. 34 65 comprovação de que os fatos ou atos que geraram o descumprimento de normas tributárias tenham sido praticados com dolo pela pessoa qualificada como responsável. A mera qualificação de sócio administrador jamais poderia ensejar responsabilidade pessoal ou solidária, ainda mais nesse caso concreto, no qual a simulação restou afastada. Nesse contexto, não se pode perder de vista que já foi reconhecido e consolidado pelo STJ, por meio da súmula 430, que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Esse entendimento foi ratificado em recurso julgado sob o rito do art. 543C do CPC (sistemática de recursos repetitivos), cuja ementa foi assim redigida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. [...] 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ªSeção, DJ de 28.02.2005).[...]” (Resp 1.101.728/SP, julgado. Dje 23/03/2009). A jurisprudência, contudo, firmouse no sentido de que o não pagamento do tributo pela sociedade não é causa suficiente para que seus representantes se tornem responsáveis pelos débitos fiscais. Também a mera qualificação de diretor, gerente ou representante da empresa autuada, desacompanhada de motivação e comprovação de prática de conduta abusiva, não é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal. Não há dúvidas de que o Recorrente (solidário) exerce um cargo de administração, afinal é sócio assim qualificada, mas isso não significa dizer que ele tenha participado dolosamente de operação para lesar o fisco. Diante dessas considerações, e na linha dos precedentes jurisprudenciais mencionados, afasto a imputação da responsabilidade solidária de Florisberto Ferreira de Cerqueira. Conclusão Fl. 4128DF CARF MF 66 Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos RECURSOS VOLUNTÁRIOS para: (i) afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%; e (ii) afastar a responsabilidade solidária do Recorrente Sr. Florisberto Ferreira de Cerqueira. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Redator Designado Fl. 4129DF CARF MF
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Numero do processo: 10803.000158/2008-53
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/09/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 01 58 /2 00 8- 53 Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 9202006.748 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 9202006.748 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 9202006.748 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 9202006.748 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 9202006.748 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 9202006.748 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 9202006.748 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 10803.000158/200853 Acórdão n.º 9202006.748 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1709DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001163/2002-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2001
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO. IMPROCEDENTE.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento.
JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados sob o índice da Taxa Selic.
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente))
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2001 CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO. IMPROCEDENTE. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados sob o índice da Taxa Selic. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO. IMPROCEDENTE. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. IMPONTUALIDADE. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculados sob o índice da Taxa Selic. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 63 /2 00 2- 07 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 18471.001163/200207 Acórdão n.º 3302005.667 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente)) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, transcrevese o relatório do acórdão nº 9.093, da 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte DRJ/Florianópolis, em sessão de 01/08/2005: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 39/46), relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um credito tributário de R$ 498.120,38, incluindo multa e acréscimos regulamentares, correspondente aos períodos de 28/02/1999 a 31/12/2001 (fls. 42/44). A autuação ocorreu em virtude de divergências entre os valores declarados/pagos e os valores escriturados da contribuição nos períodos acima identificados, conforme o Termo de Constatação, de fl. 38, cuja apuração encontrase discriminada no demonstrativo de fl. 37. A empresa impetrou, perante a l a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, o Mandado de Segurança n° 99.00137582, objetivando eximirse do recolhimento da Cofins com as alterações estabelecidas pela Lei n° 9.718/98. A liminar foi deferida e a segurança foi concedida em 23/08/1999, garantindo A. impetrante o direito de recolher a Cofins na forma do disposto na Lei Complementar n° 70/91. Foi apresentado recurso de apelação pela União, ao qual foi dado provimento pelo Tribunal Regional Federal da 2 Regido, conforme acórdão publicado em 20/02/2002. Atualmente encontrase pendente de julgamento, no STF, o recurso extraordinário interposto pela empresa (fls. 119/125). A autuação corresponde A. diferença devida entre os valores de Cofins calculados com base da Lei n° 9.718/98 e na Lei Complementar n° 70/91. Como enquadramento legal, foram citados: art. 77, III, do DecretoLei n° 5.844/43; art. 149 da Lei n° 5.172/66; art. 10 da Lei Complementar n° 70/91; e arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/99 e suas reedições, e da Medida Provisória n° 1.858/99 e suas reedições. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 18471.001163/200207 Acórdão n.º 3302005.667 S3C3T2 Fl. 4 3 Irresignado, tendo sido cientificado em 28/05/2002 (fl. 39), o autuado apresentou, em 27/06/2002, acompanhadas dos documentos de fls. 77/106, as suas razões de defesa (fls. 64/76), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente Auto de Infração, insurgese contra a possibilidade de aplicarse a Selic como taxa de juros de mora, pelo fato de ela possuir caráter estritamente remunerat6rio de capital, colidindo com a doutrina e jurisprudência e ferindo ainda os mandamentos contidos no art. 161, §1°, do Código Tributário Nacional, e nos arts. 150 e 192, §3° da Constituição Federal. A respeito, transcreve decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre inconstitucionalidade da taxa Selic para fins tributários. Em seguida, argumenta que a multa de 75% tem natureza confiscatória, o que é expressamente vedado pela Constituição Federal, e consubstanciase na negação dos princípios da gradação da penalidade e da proporcionalidade. A esse respeito, cita entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais. Por fim, requer seja o lançamento julgado improcedente. A DRJ/Belo Horizonte considerou improcedente a impugnação, cuja ementa é colacionada abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2001 Ementa: A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto, importa a renúncia As instâncias administrativas. No caso de lançamento de oficio, o autuado está sujeito ao pagamento de multa sobre os valores do tributo e contribuições devidos, nos percentuais definidos na legislação de regência. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente A. taxa Selic encontramse disciplinadas em lei. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Impugnação não Conhecida. A contribuinte irresignada apresentou Recurso Voluntário no qual repisou a argumentação da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Fl. 310DF CARF MF Processo nº 18471.001163/200207 Acórdão n.º 3302005.667 S3C3T2 Fl. 5 4 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Da concomitância e da delimitação da lide A Recorrente impetrou Mandado de Segurança, autos nº 99.00137582, perante a 1ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, Edo relatório da sentença, extraise o objeto da lide: Visto, etc, CASA DE SAÚDE SÃO SEBASTIÃO LTDA, qualificada na inicial, impetra mandado de segurança, com pedido liminar inaldita altera pars, contra ato do Ilmo. Sr. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO, objetivando eximirse do recolhimento da COFINS, nos moldes da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo das mencionadas contribuições sociais, com o fito de efetuar o recolhimento desta exação conforme as disposições insertas na Lei Complementar nº 70/71, ou seja, sob a alíquota de 2% sobre o faturamento, ao argumento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, por afronta aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, além de tratarse de matéria atinente ao âmbito de lei complementar quanto ao qual não poderia dispor legislação ordinária. A inicial veio instruída com os documentos de fls. 06/37 e 42/65. Deferida a medida liminar (fls. 66). Informações da autoridade apontada como coatora, às fls. 72/79, esclarecendo, em suma, a legitimidades das alterações promovidas pela Lei nº 9.718/98, razão pela qual requer a revogação da liminar concedida e a denegação da segurança. Parecer do Ministério Público Federal, às fls. 81/86, pela denegação da segurança. É o relatório. Decido: Em seu Recurso Voluntário, a contribuinte repisa todos os argumentos trazidos em sua impugnação, alegando que a sistemática da apuração da contribuição deveria seguir os ditames da Lei Complementar nº 70/71, tendo em vista a suposta inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, questionando a aplicação da multa de ofício e o juros de mora equivalente à taxa Selic. Quanto ao questionamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98, tal matéria não será apreciada devido à concomitância. Quando o contribuinte opta pela esfera judicial, automaticamente, ele renuncia à esfera administrativa, vide súmula Carf: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação Fl. 311DF CARF MF Processo nº 18471.001163/200207 Acórdão n.º 3302005.667 S3C3T2 Fl. 6 5 judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No mesmo sentido, vide o Decreto nº 7574/2011: Decreto nº 7574/2011 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Esta turma já decidiu nos seguintes termos quanto à concomitância, vide acórdão nº 3302.002.957, Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/1992 a 31/12/1995 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA. A opção pela via judicial quanto ao questionamento da incidência do IPI sobre os cartões com tarja magnética importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. PROVIDÊNCIAS DE COMPETÊNCIA DA UNIDADE. Existindo decisão judicial transitada em julgado, favorável ao contribuinte, declarando a não ocorrência do fato gerador do IPI, compete à unidade as providências no âmbito de sua competência. Portanto, conhecese apenas da matéria quanto à multa de ofício, aos juros de mora e Taxa Selic. II Da multa de ofício Para adentrarmos à análise do presente tópico é importante ressaltar um dado expressivo relacionado ao assunto, quando do lançamento promovido pela autoridade fiscal não se apresentavam as exceções quanto a inaplicabilidade da multa de ofício, vale dizer, medida liminar vigente deferida em mandado de segurança (art. 151, IV, CTN) ou concessão de medida liminar ou tutela antecipara em ações judiciais que não o MS (art. 151, V, CTN). Fl. 312DF CARF MF Processo nº 18471.001163/200207 Acórdão n.º 3302005.667 S3C3T2 Fl. 7 6 Assim, quanto à aplicação da multa de ofício, registrese que a falta de pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1 , da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Desta feita, considerase perfeitamente aplicável a penalidade trazida pelo auto de infração. III Juros de mora e Taxa Selic A Recorrente insurgese, alegando que a Receita Federal lavrou auto de infração com juros e multa, que são calculados com a aplicação da Taxa Selic. Afirma referido índice careceria de norma introdutória no ordenamento jurídico, que teria caráter compensatótio não sendo possível sua comparação com os juros moratórios. Pois bem. A legislação que regula o assunto assim dispõe: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Lei nº 9.430/1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 18471.001163/200207 Acórdão n.º 3302005.667 S3C3T2 Fl. 8 7 (grifos não constam no original) Ademais, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já sumulou a matéria, que se amolda ao caso: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, a legislação é expressa que créditos não pagos no vencimento, tampouco depositados integralmente, serão acrescidos de juros de mora, que serão devidos, no período de inadimplência, à Taxa Selic. Nesse sentido, vide legislação e Súmula CARF: Lei n 9.430/1996 Art. 5º. (...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, improcedente a argumentação da Recorrente, devendo incidir os juros de mora calculados com o índice da Taxa Selic por ausência de pagamento e de depósito judicial integral. V Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer em parte o Recurso Voluntário, e, na parte conhecida, negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 314DF CARF MF Processo nº 18471.001163/200207 Acórdão n.º 3302005.667 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001654/2004-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando houver contradição entre os fundamentos e a parte dispositiva do acórdão.
IRPJ. USUFRUTO DE AÇÕES. RECEITAS AUFERIDAS EM RAZÃO DA CESSÃO DOS DIREITOS DE FRUIÇÃO DOS ATIVOS. RECEITAS QUE NÃO SE CONFUNDEM COM A PERCEPÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. APROPRIAÇÃO PRO RATA DA RECEITA.
A celebração de contrato oneroso de usufruto de ações importa na transferência, ao usufrutuário, do direito, inerente à posição acionária, de percepção de juros e dividendos. A remuneração estabelecida em decorrência da cessão do direito de fruição das ações não se confunde com a percepção de juros e dividendos, constituindo receita do cedente, obrigatoriamente, submetida à tributação pelo Imposto sobre a Renda. Nessas condições, a receita deve ser apropriada pelo regime de competência pro rata tempore, durante o período do contrato.
Numero da decisão: 1201-002.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver contradição entre os fundamentos e a parte dispositiva do acórdão. IRPJ. USUFRUTO DE AÇÕES. RECEITAS AUFERIDAS EM RAZÃO DA CESSÃO DOS DIREITOS DE FRUIÇÃO DOS ATIVOS. RECEITAS QUE NÃO SE CONFUNDEM COM A PERCEPÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. APROPRIAÇÃO PRO RATA DA RECEITA. A celebração de contrato oneroso de usufruto de ações importa na transferência, ao usufrutuário, do direito, inerente à posição acionária, de percepção de juros e dividendos. A remuneração estabelecida em decorrência da cessão do direito de fruição das ações não se confunde com a percepção de juros e dividendos, constituindo receita do cedente, obrigatoriamente, submetida à tributação pelo Imposto sobre a Renda. Nessas condições, a receita deve ser apropriada pelo regime de competência pro rata tempore, durante o período do contrato.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver contradição entre os fundamentos e a parte dispositiva do acórdão. IRPJ. USUFRUTO DE AÇÕES. RECEITAS AUFERIDAS EM RAZÃO DA CESSÃO DOS DIREITOS DE FRUIÇÃO DOS ATIVOS. RECEITAS QUE NÃO SE CONFUNDEM COM A PERCEPÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. APROPRIAÇÃO PRO RATA DA RECEITA. A celebração de contrato oneroso de usufruto de ações importa na transferência, ao usufrutuário, do direito, inerente à posição acionária, de percepção de juros e dividendos. A remuneração estabelecida em decorrência da cessão do direito de fruição das ações não se confunde com a percepção de juros e dividendos, constituindo receita do cedente, obrigatoriamente, submetida à tributação pelo Imposto sobre a Renda. Nessas condições, a receita deve ser apropriada pelo regime de competência pro rata tempore, durante o período do contrato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 54 /2 00 4- 40 Fl. 452DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Angelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Ausentes justificadamente os conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Eva Maria Los. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, opostos por Itaú Rent Administração e Participações S.A., argumentando contradição no acórdão nº 10709.293, ementado a seguir: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 , 2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ART. 150 DO CTN. INAPLICABILIDADE DO ART. 45 DA LEI 8212. Em matéria de decadência é aplicável as contribuições sociais o prazo de 5 (cinco) anos, com fulcro na regra descrita no Código Tributário Nacional. Inaplicável, desta forma, a Lei Ordinária n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 (dez) anos. IRPJ. USUFRUTO DE AÇÕES. RECEITAS AUFERIDAS EM RAZÃO DA CESSÃO DOS DIREITOS DE FRUIÇÃO DOS ATIVOS. RECEITAS QUE NÃO SE CONFUNDEM COM A PERCEPÇÃO DE LUCROS E DIVIDENDOS. TRIBUTAÇÃO. APROPRIAÇÃO PRO RATA DA RECEITA. A celebração de contrato oneroso de usufruto de ações importa na transferência, ao usufrutuário, do direito, inerente à posição acionária, de percepção de juros e dividendos. A remuneração estabelecida em decorrência da cessão do direito de fruição das ações não se confunde com a percepção de juros e dividendos, constituindo receita do cedente obrigatoriamente submetida à tributação pelo Imposto sobre a Renda. Nessas condições, a receita deve ser apropriada prorata, durante o período do contrato. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. [...] ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, para acolher a preliminar de decadência para fatos geradores até outubro de 1999, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. [...] Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir o valor tributável do IRPJ e CSLL para o fato gerador de dezembro de 1999 para R$ 15.396.371,58. Quanto ao PIS e a COF1NS, reduzir o valor tributável do período de novembro de 2000 para R$ 765.309,73. (grifei) Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16327.001654/200440 Acórdão n.º 1201002.074 S1C2T1 Fl. 432 3 A contradição é entre a fundamentação e a parte dispositiva do acórdão embargado, quando não foi aplicado o regime de competência, conforme a seguinte exposição da Embargante: 2. O acórdão mencionado foi contraditório com relação ao critério de apuração da receita, já que, conforme exposto na ementa (e também na redação do voto vencedor), deveria ser "apropriada prorata, durante o período do contrato". Ou seja, entendeu o acórdão que a receita decorrente da constituição do usufruto oneroso deve obedecer a aplicação do regime de competência. 3. Ocorre que, contraditoriamente, o último parágrafo do acórdão conclui: "e no mérito dar parcial provimento ao recurso para reduzir o valor tributável do IRPJ e da CSLL, constantes do Auto de Infração para o período de apuração 12/99 para R$ 15.396.371,58, mantendose inalterado o valor relativo ao fato gerador 12/2000 em R$ 64.860.000,00, pois não se pode agravar a exigência nessa fase de julgamento, bem como reduzir o valor tributável do PIS e da COFINS do período de apuração 11/00 para R$ 765.309,73". 4. Vale dizer, o critério de apropriação da receita pelo regime de competência decidido pela E. 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes não foi adotado no cálculo apresentado no acórdão. 5. Notese que, com relação ao fato gerador 12/2000, o valor mantido no acórdão foi aquele apurado pela fiscalização no lançamento. Ora, adotouse o regime de competência (diverso do lançamento que apropriou a receita pelo regime de caixa) e o valor do crédito não foi alterado! 6. A embargante preparou o quadro anexo (doc. 05), demonstrando os valores apurados segundo o critério exposto na decisão (regime de competência — apropriação prorata) e os valores mencionados no acórdão embargado. 7. Da análise do quadro, verificase que a conclusão do acórdão estaria em consonância com a decisão de adoção da apropriação da receita pelo regime de competência se apresentasse os seguintes valores: [...] 8. Assim, resta demonstrada a contradição existente no acórdão embargado, que não apropriou a receita pelo regime de competência, conforme decidido por essa Câmara no julgamento. O acórdão nº 10709.293, divergindo do critério utilizado no lançamento de ofício, concluiu pela prevalência do regime de competência quanto à incidência tributária sobre a receita oriunda dos contratos de usufrutos de ações, in verbis: Com a formalização dos contratos de usufruto de ações, procedeu a Recorrente à transferência do direito de usar e fruir de suas posições acionárias, atribuindo a terceiros, em troca de Fl. 454DF CARF MF 4 remuneração especifica, o direito de obter juros e dividendos no período de vigência dos aludidos contratos. Tais contratações importaram, em suma, na elisão do risco inerente ao resultados das empresas, obtendo a Recorrente valia certa, independentemente do resultado apresentado pelas empresas. Em síntese, os contratos de usufruto atribuíram o risco inerente à operação (resultado positivo ou negativo das empresas, com a conseqüente distribuição de lucros, juros ou dividendos ou, em caso de prejuízo, diminuição do patrimônio investido) exclusivamente aos usufrutuários. Nessa linha, as receitas advindas dos contratos de usufruto de ações não podem ter tratamento idêntico àquele pertinente aos dividendos, porquanto absolutamente distinta a natureza jurídica das correspondentes valias. Com efeito, com a constituição do usufruto a Recorrente permutou a possibilidade auferir juros e dividendos pela percepção de valor certo, contratualmente definido como contraprestação pela cessão dos ativos. A remuneração paga pelo usufrutuário relacionase, assim, ao uso (fruição) dos ativos, não tendo relação de pertinência com as futuras (e eventuais) distribuições de lucros e dividendos. Com essa feição, os valores percebidos pela Recorrente deveriam ter sido oferecidos à tributação durante o período de vigência dos contratos de usufruto de ações. [...] Com estas considerações, conheço do recurso para acolher a preliminar de decadência, afastando da exigência o lançamento das contribuições até outubro de 1999 e no mérito dar parcial provimento ao recurso para reduzir o valor tributável do IRPJ e da CSLL, constantes do Auto de Infração para o período de apuração 12/99 para R$ 15.396.371,58, mantendose inalterado o valor relativo ao fato gerador 12/2000 em R$ 64.860.000,00, pois não se pode agravar a exigência nesta fase de julgamento, bem como reduzir o valor tributável do PIS e da COFINS do período de apuração 11/00 para R$ 765.309,73. Outrossim, o acórdão embargado citou precedentes deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), consolidando o regime de competência para a hipótese dos autos: IRPJ — USUFRUTO DE COTAS/AÇÕES DE CAPITAL — VALORES RECEBIDOS PELA CESSÃO DE USUFRUTO — TRIBUTAÇÃO DOS VALORES — REGIME DE COMPETÊNCIA O produto da cessão do usufruto de cotas/ações não se confunde com o rendimento produzido por estas, pois derivam de relações jurídicas distintas, devendo ser tributado integralmente o valor recebido, entretanto, a apropriação deve ser realizada de conformidade com o regime de competência, obedecendo o prazo determinado no contrato. APROPRIAÇÃO DE RECEITAS — REGIME DE COMPETÊNCIA — CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO — a receita decorrente da sessão onerosa de parcela do Ativo Permanente, pela constituição de usufruto, é tributável Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16327.001654/200440 Acórdão n.º 1201002.074 S1C2T1 Fl. 433 5 de acordo com o regime de competência, na proporção dos dias transcorridos no curso do anocalendário. LANÇAMENTOS DECORRENTES — CSLL — PIS — COFINS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ; o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. (Acórdão n°. 10196357, 1ª. Câmara, rel. Conselheiro Valmir Sandri) IRPJ — USUFRUTO ONEROSO DE COTAS/AÇÕES TRIBUTAÇÃO DOS VALORES — REGIME DE COMPETÊNCIA — O produto da cessão do usufruto de cotas/ações não se confunde com o rendimento produzido por estas, pois derivam de relações jurídicas distintas, devendo ser tributado integralmente o valor recebido, porém, a apropriação deve ser realizada de conformidade com o regime de competência, obedecendo o prazo determinado no contrato. RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO — REGULARIDADE DO RATEIO — GLOSA — Demonstrado que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e a necessidade das empresas, não prevalece a glosa. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE — CSLL — PIS COFINS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não ha fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. (Acórdão n°. 10195958, 1ª. Câmara, rel. Conselheiro Paulo Roberto Cortez) Em 11.11.2008, a Embargante foi intimada do acórdão embargado, interpondo o presente recurso em 17.11.2008. Considerando a extinção da 7ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento e a modificação da composição desta Turma, mediante novo sorteio, fui designado relator. A admissibilidade dos Embargos de Declaração foi proferida em despacho nos autos (fls. 431 a 434), neste momento, sobrevindo a sua apreciação pelo presente colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Fl. 456DF CARF MF 6 Os Embargos de Declaração são tempestivos, com admissibilidade reconhecida, portanto, deles tomo conhecimento. O artigo 65 do RICARF prevê a interposição dos Embargos de Declaração quando o "acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Adicionalmente, o artigo 66 do RICARF estabelece a hipótese dos embargos inominados para retificação de "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão". De acordo com a Embargante, a parte final do acórdão embargado não observou o regime de competência (pro rata tempore), que reduziria o crédito tributário na forma do seguinte demonstrativo (fls. 385): Portanto, afirma a Embargante que "o valor mantido no acórdão foi aquele apurado pela fiscalização no lançamento. Ora, adotouse o regime de competência (diverso do lançamento que apropriou a receita pelo regime de caixa) e o valor do crédito não foi alterado!" Em Termo de Início de Fiscalização, a contribuinte foi intimada para entregar os seguintes documentos e esclarecimentos, inclusive sobre contrato de usufruto de participações societárias: Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16327.001654/200440 Acórdão n.º 1201002.074 S1C2T1 Fl. 434 7 Por exemplo, a Embargante respondeu mencionado Termo de Início de Fiscalização, anexando o Instrumento de Constituição de Usufruto de Ações (fls. 30), atribuindo o preço de R$ 64.860.000,00 para o período até 31/10/2001, ressalvando que haveria um novo acordo sobre o preço para o período de 01/11/2001 a 31/10/2002: O esquema contábil, quanto ao período acima, foi explanado no seguinte demonstrativo: Fl. 458DF CARF MF 8 O Termo de Verificação Fiscal (fls. 44) esclareceu que a constituição do crédito tributário foi efetivada "nas datas dos respectivos recebimentos, ou seja, quando da auferição da disponibilidade econômica e jurídica das referidas importâncias": Todavia, adotando o regime de competência pro rata tempore, imprescindível a revisão do crédito tributário, segundo esse critério. Isto posto, ACOLHO os Embargos de Declaração, ratificando o regime de competência pro rata tempore inclusive para o IRPJ/CSLL (dezembro/2000) e PIS/COFINS (novembro/2000). (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660321/2012-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.725
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660321/201203 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.725 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 21 /2 01 2- 03 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660321/201203 Acórdão n.º 3401004.725 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660321/201203 Acórdão n.º 3401004.725 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660321/201203 Acórdão n.º 3401004.725 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660321/201203 Acórdão n.º 3401004.725 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660321/201203 Acórdão n.º 3401004.725 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660321/201203 Acórdão n.º 3401004.725 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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