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Numero do processo: 10925.903122/2010-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2006
DCOMP. COMPENSAÇÃO COM BASE EM DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADA ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A DCTF retificadora, satisfeitas as condições normativas expedidas pela RFB, substitui integralmente a original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária, acaso não conste dos autos elementos que porventura demonstrem a impossibilidade de retificação do débito correspondente.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2006 DCOMP. COMPENSAÇÃO COM BASE EM DÉBITO DECLARADO EM DCTF RETIFICADA ANTES DA CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A DCTF retificadora, satisfeitas as condições normativas expedidas pela RFB, substitui integralmente a original, podendo o crédito decorrente do pagamento a maior do débito retificado ser utilizado para fins de compensação tributária, acaso não conste dos autos elementos que porventura demonstrem a impossibilidade de retificação do débito correspondente. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 31 22 /2 01 0- 61 Fl. 33DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Florianópolis (fls. 21/23 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que não homologou compensação, onde o crédito apresentado era relativo a suposto pagamento indevido de PIS (código de receita 8109), realizado em 31/01/2006, no valor de R$ 3.471,63. Conforme relatado pela instância recorrida, a nãohomologação da compensação decorreu do fato de o DARF informado como fonte do crédito haver sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando, pois, crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/Dcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a interessada interpôs manifestação de inconformidade onde alega ter efetuado pagamento indevido em relação à competência de jan/2006. Ressalta que, com o objetivo de sanar as pendências constantes na DCTF, apresentou declaração retificadora evidenciando a legitimidade do pagamento a maior. Requereu, por fim, a homologação da compensação pleiteada. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, como dito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 13/10/2011 (conf. AR de fls. 25), a interessada, em 01/11/2011, apresentou o recurso voluntário de fls. 26/30 onde ressalta que o valor efetivamente devido do tributo que originou o crédito (PIS, código de receita 8109) fora informado corretamente na DACON do período, e que a DCTF foi posteriormente retificada retratando a mesma realidade. Assevera, ainda, que a DACON, tanto quanto a DCTF, tem a mesma natureza de confissão de dívida. Faz alusão à efetiva correção monetária na data do encontro das contas na DCOMP, bem como à demora da análise da compensação, a qual “teria como vontade deliberada rejeitar a compensação por aspectos formais e impedir que o contribuinte a refizesse”, já que ultrapassado o prazo qüinqüenal para se fazer novo pedido. Requer, ao fim, a reforma da decisão da DRJ e o consequente provimento do recurso. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10925.903122/201061 Acórdão n.º 3802001.886 S3TE02 Fl. 34 3 É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão de primeira instância se deu em 13/10/2011 (v. fls. 25). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 01/11/2011 (fls. 26), tempestivamente, portanto. Ademais, nos termos do instrumento de mandato de fls. 5, c/c Ata da 11a Assembléia Extraordinária dos acionistas da empresa (fls. 07/08), vêse que o signatário da petição de recurso voluntário detém legitimidade para representar a empresa perante este foro. Quanto à matéria, esta se encontra dentre os assuntos que são da competência desta Turma de julgamento. Portanto, conheço do recurso. Do mérito Analisando os documentos acostados aos autos, vêse que a DCTF do 1o Trimestre de 2006 foi retificada em 16/12/2010 (v. fls. 11 do processo eletrônico). Nesta, consta, às fls. 12, que o valor do PIS (regime cumulativo) devido em janeiro de 2006 é de R$ 949,78, ou seja, o mesmo valor informado na DACON do período (conf. fls. 13 e 14), transmitida em 27/12/2006. Considerando que, a título da obrigação tributária em tela, houve recolhimento de R$ 3.471,63, a recorrente teria direito de crédito em seu favor no montante de R$ 2.521,85 (valor original). Quanto ao despacho decisório que indeferiu a compensação, dele o sujeito passivo tomou ciência em 18/12/2010, ou seja, 15 dias depois da afixação do edital (em 03/12/2010 – v. fls. 18) – artigo, 23, § 2o, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 – já que restaram improfícuas as tentativas de ciência da interessada por via postal (v. fls. 17). Portanto, na data da ciência do despacho decisório, repitase, em 18/12/2010, a DCTF retificadora acima referenciada já tinha sido apresentada pela recorrente, posto que aludida declaração fora transmitida dois dias antes, ou seja, em 16/12/2010, conforme ressaltado. À época da retificação da DCTF vigorava a IN RFB no 974, de 27/11/2009, cujo artigo 9º segue abaixo reproduzido, onde estão destacados os dispositivos relevantes para a solução da lide: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para Fl. 35DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4 º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5 º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Da leitura do dispositivo de interesse acima transcrito, vêse que a DCTF retificadora tem a “[...] mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente [...]” (artigo 9º, § 1º). Todavia, a teor da aludida instrução normativa, a retificação automática não produziria efeitos nos casos em que os saldos a pagar ou os valores apurados em procedimentos de auditoria interna já tivessem sido enviados à PGFN para inscrição em dívida ativa, ou ainda, acaso a pessoa jurídica já tivesse sido intimada de início de procedimento fiscal. Quanto a isso, nenhum problema retratado nas peças colacionadas aos autos. Porém, em relação à instrução normativa que anteriormente tratava da matéria (IN nº 903/2008), a IN nº 974/2009 inovou ao também prever, como condição impeditiva de acolhimento da retificação da DCTF destinada a reduzir débitos anteriormente declarados, os casos “que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização” (art. 9º, § 2º, inciso I, alínea “c”). Entendemos, contudo, que tal prescrição não se coaduna com a necessária ciência do sujeito passivo do início do procedimento fiscal, que, a teor do disposto do § 1º do artigo 7º do Decreto 70.235/72, exclui a espontaneidade do sujeito passivo. Com efeito, Fl. 36DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10925.903122/201061 Acórdão n.º 3802001.886 S3TE02 Fl. 35 5 estabelece o inciso I do artigo 7º do decreto que trata do Processo Administrativo Fiscal que o procedimento fiscal tem início com “o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto” (grifo nosso). Assim, ainda que a glosa da compensação fosse considerada resultado de um “procedimento de fiscalização”, não se pode admitir que norma infralegal restrinja o acatamento de declaração do sujeito passivo com base em hipotético início de procedimento fiscal não previsto em lei, dado que as hipóteses que tratam do início de tal procedimento são numerus clausus, onde a perda da espontaneidade está sujeita a prazo de validade (de 60 dias), espontaneidade esta que é restabelecida findo citado prazo, a menos que o mesmo seja prorrogado pelo mesmo período (que pode ser de forma sucessiva), por “[...] qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos” (§ 2º do artigo 7º do Decreto 70.235/72). Logo, por não admitir a inovação restritiva à apresentação da DCTF retificadora contida no artigo 9º, § 2º, I, “c”, da IN 974/2009 – por falta de supedâneo legal –, julgo ser irrelevante o fato de o despacho decisório ter sido emitido (em 05/10/2010) antes da apresentação da declaração retificadora, a qual, conforme ressaltado, foi enviada eletronicamente antes da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação. Portanto, diante dos fatos retratados nos autos, quando da apresentação da DCTF retificadora, ressalvada a infundada inovação contida na IN nº 974/2009 acima comentada, não havia nenhuma vedação na norma tributária que impedisse fosse referida retificação regularmente acatada e processada pela Administração Tributária. Com efeito, não consta dos autos outra eventual condição impeditiva à efetiva retificação dos débitos declarados nos termos dispostos no § 2o do artigo 9º da mencionada IN RFB no 974/09. Além disso, quanto à condição de que trata o inciso II do § 5o do mesmo artigo, constatase, às fls. 13/14, que o montante do PIS nãocumulativo devido em janeiro de 2006, nos termos da DACON transmitida em 27/12/2006, era de R$ 949,78, ou seja, o valor da contribuição informado na DCTF retificadora. Há, pois, que se acatar a alteração do débito vislumbrada pela recorrente e implementar as compensações requeridas até o exaurimento do crédito decorrente do pagamento a maior frente ao débito retificado. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada, reconhecendo a legitimidade da retificação do débito do PIS não cumulativo (código de receita 8109) implementada na DCTF do primeiro semestre de 2006 (mês de janeiro), devendo ser operacionalizada a compensação desejada pela interessada nos termos acima tratados. Sala de Sessões, em 24 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 37DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 30/ 07/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10315.000586/2008-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE – LANÇAMENTOS O direito à ampla defesa e ao contraditório, e ao due process of law se instalam e são exercíveis no processo administrativo, que se inicia com a
pretensão resistida. O procedimento fiscal que culmina no ato de lançamento é governado pelo princípio inquisitório. Ausente a violação ao direito de reação do contribuinte nem da recorrente a responsabilizada solidariamente.
O processo administrativo referido pela Lei 9.784/99 é o que corresponde ao
processo administrativo fiscal propriamente dito, i.e., ao que se instala com a
pretensão resistida (contencioso). Não concreção de ofensa à referida lei, no
procedimento fiscal de lançamento.
PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM
Como se vê da peça impugnatória, encontram-se ausentes os quesitos para a
perícia, o que, por si, fulmina o pedido para tanto. De mais a mais, o que há é
um direito potestativo do contribuinte de pedir a perícia, mas não um direito
subjetivo do contribuinte à perícia. Nulidade que não se divisa.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA
Não se acusa necessária a diligência, no caso vertente, pois ela não se presta a
suprir deficiências ou o ônus “primário” da parte a quem recai. A diligência
se ordena ao esclarecimento de produção probatória adequada feita por quem
tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclamar essa constatação
(esclarecimentos), ou, eventualmente, para complementar produção probatória. Não é o que se afigura aqui.
DECADÊNCIA – ANO-CALENDÁRIO
DE 2002 Os lançamentos, que alcançam os fatos geradores de IRPJ e de CSL ocorridos de 2002 a 2004, aperfeiçoaram-se no final de maio de 2008. Consumada a
decadência em relação aos fatos geradores de IRPJ e de CSLL dos primeiro,
segundo e terceiro trimestres do ano-calendário de 2002.
ARBITRAMENTO DO LUCRO
Diante da falta de apresentação dos livros contábeis, o arbitramento do lucro
é de rigor. Caso de receita não conhecida, com arbitramento do lucro com
base nas compras feitas pelo contribuinte, aplicando-se o coeficiente de 0,4
sobre o valor das compras de mercadorias, conforme a lei.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
A conjunção dos elementos coletados na investigação fiscal, e não no dossiê
fornecido pela Polícia Federal, permite a conclusão de que o efetivo proprietário da empresa J A Comercial de Alimentos era a recorrente. Esse conjunto de elementos que são convergentes acusa particularização do fato probando por indução, e permite concluir que os sócios formais eram strohmann ou “testas-de-ferro”,
atuando o contribuinte através da recorrente.
Nesse sentido, ela ostentou interesse comum nas situações que constituíram
fato gerador das obrigações tributárias principais.
MULTA QUALIFICADA
O conjunto dos dados de fato que se revelam juridicamente relevantes, sobretudo a simulação subjetiva, que igualmente resultou configurada, informa o concurso do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, para inflição de multa qualificada.
Numero da decisão: 1103-000.669
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento parcial ao recurso para excluir o crédito tributário relativo aos fatos geradores dos três primeiros trimestres do ano-calendário de 2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE – LANÇAMENTOS O direito à ampla defesa e ao contraditório, e ao due process of law se instalam e são exercíveis no processo administrativo, que se inicia com a pretensão resistida. O procedimento fiscal que culmina no ato de lançamento é governado pelo princípio inquisitório. Ausente a violação ao direito de reação do contribuinte nem da recorrente a responsabilizada solidariamente. O processo administrativo referido pela Lei 9.784/99 é o que corresponde ao processo administrativo fiscal propriamente dito, i.e., ao que se instala com a pretensão resistida (contencioso). Não concreção de ofensa à referida lei, no procedimento fiscal de lançamento. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM Como se vê da peça impugnatória, encontram-se ausentes os quesitos para a perícia, o que, por si, fulmina o pedido para tanto. De mais a mais, o que há é um direito potestativo do contribuinte de pedir a perícia, mas não um direito subjetivo do contribuinte à perícia. Nulidade que não se divisa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Não se acusa necessária a diligência, no caso vertente, pois ela não se presta a suprir deficiências ou o ônus “primário” da parte a quem recai. A diligência se ordena ao esclarecimento de produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclamar essa constatação (esclarecimentos), ou, eventualmente, para complementar produção probatória. Não é o que se afigura aqui. DECADÊNCIA – ANO-CALENDÁRIO DE 2002 Os lançamentos, que alcançam os fatos geradores de IRPJ e de CSL ocorridos de 2002 a 2004, aperfeiçoaram-se no final de maio de 2008. Consumada a decadência em relação aos fatos geradores de IRPJ e de CSLL dos primeiro, segundo e terceiro trimestres do ano-calendário de 2002. ARBITRAMENTO DO LUCRO Diante da falta de apresentação dos livros contábeis, o arbitramento do lucro é de rigor. Caso de receita não conhecida, com arbitramento do lucro com base nas compras feitas pelo contribuinte, aplicando-se o coeficiente de 0,4 sobre o valor das compras de mercadorias, conforme a lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A conjunção dos elementos coletados na investigação fiscal, e não no dossiê fornecido pela Polícia Federal, permite a conclusão de que o efetivo proprietário da empresa J A Comercial de Alimentos era a recorrente. Esse conjunto de elementos que são convergentes acusa particularização do fato probando por indução, e permite concluir que os sócios formais eram strohmann ou “testas-de-ferro”, atuando o contribuinte através da recorrente. Nesse sentido, ela ostentou interesse comum nas situações que constituíram fato gerador das obrigações tributárias principais. MULTA QUALIFICADA O conjunto dos dados de fato que se revelam juridicamente relevantes, sobretudo a simulação subjetiva, que igualmente resultou configurada, informa o concurso do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, para inflição de multa qualificada.
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RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO: JOÃO ALENCAR DE OLIVEIRA Recorrida 4ª TURMA DA DRJ/FORTALEZA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE – LANÇAMENTOS O direito à ampla defesa e ao contraditório, e ao due process of law se instalam e são exercíveis no processo administrativo, que se inicia com a pretensão resistida. O procedimento fiscal que culmina no ato de lançamento é governado pelo princípio inquisitório. Ausente a violação ao direito de reação do contribuinte nem da recorrente a responsabilizada solidariamente. O processo administrativo referido pela Lei 9.784/99 é o que corresponde ao processo administrativo fiscal propriamente dito, i.e., ao que se instala com a pretensão resistida (contencioso). Não concreção de ofensa à referida lei, no procedimento fiscal de lançamento. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO DE ORIGEM Como se vê da peça impugnatória, encontramse ausentes os quesitos para a perícia, o que, por si, fulmina o pedido para tanto. De mais a mais, o que há é um direito potestativo do contribuinte de pedir a perícia, mas não um direito subjetivo do contribuinte à perícia. Nulidade que não se divisa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Não se acusa necessária a diligência, no caso vertente, pois ela não se presta a suprir deficiências ou o ônus “primário” da parte a quem recai. A diligência se ordena ao esclarecimento de produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclamar essa constatação (esclarecimentos), ou, eventualmente, para complementar produção probatória. Não é o que se afigura aqui. DECADÊNCIA – ANOCALENDÁRIO DE 2002 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 679 2 Os lançamentos, que alcançam os fatos geradores de IRPJ e de CSL ocorridos de 2002 a 2004, aperfeiçoaramse no final de maio de 2008. Consumada a decadência em relação aos fatos geradores de IRPJ e de CSLL dos primeiro, segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2002. ARBITRAMENTO DO LUCRO Diante da falta de apresentação dos livros contábeis, o arbitramento do lucro é de rigor. Caso de receita não conhecida, com arbitramento do lucro com base nas compras feitas pelo contribuinte, aplicandose o coeficiente de 0,4 sobre o valor das compras de mercadorias, conforme a lei. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A conjunção dos elementos coletados na investigação fiscal, e não no dossiê fornecido pela Polícia Federal, permite a conclusão de que o efetivo proprietário da empresa J A Comercial de Alimentos era a recorrente. Esse conjunto de elementos que são convergentes acusa particularização do fato probando por indução, e permite concluir que os sócios formais eram strohmann ou “testasdeferro”, atuando o contribuinte através da recorrente. Nesse sentido, ela ostentou interesse comum nas situações que constituíram fato gerador das obrigações tributárias principais. MULTA QUALIFICADA O conjunto dos dados de fato que se revelam juridicamente relevantes, sobretudo a simulação subjetiva, que igualmente resultou configurada, informa o concurso do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, para inflição de multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir o crédito tributário relativo aos fatos geradores dos três primeiros trimestres do anocalendário de 2002, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 680 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ (fls. 4 a 17) e de CSL (fls. 18 a 29), lavrados contra J. A. Filho Comercial de Alimento Ltda., no valor total de R$ 11.584.140,02, incluindo encargos legais calculados até 30/04/2008. Houve termo de responsabilidade solidária a João Alencar de Oliveira. Conforme descrição dos fatos, fls. 6 a 8 e 20 a 22, após diversas intimações, o contribuinte não apresentou escrituração contábil. Antônio Dias de Menezes Filho, sócio da empresa, em depoimento prestado por ocasião de seu comparecimento à Delegacia da Receita Federal, em 10/08/2007, informou terem sido extraviados todos os livros e documentos referentes à empresa, sendo impossível sua recuperação. Por essa razão foram arbitrados os lucros dos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, com base nos valores de compras efetuadas pela empresa, de acordo com notas fiscais solicitadas e apresentadas pelos seus fornecedores. Ainda neste depoimento, o sr. Antônio D. de M. Filho afirmou trabalhar entregando encomendas de terceiros para outras cidades e disse ser desconhecido o paradeiro do responsável jurídico pela empresa, o sócio sr. José Alencar Filho, mas garantiu ser este parente de João Alencar de Oliveira. Foi realizado trabalho investigativo pela autoridade fiscal em que foram colhidos e levados a termo diversos depoimentos, dentre eles, de Juraci Abreu Alencar (fl. 185), João Alencar de Oliveira (pessoa física – fl. 180), Fidias Viana Diniz (fl. 181). Foi obtida também relação de fornecedores da recorrente e estes foram intimados a informar as vendas realizadas ao contribuinte, com as respectivas notas fiscais, comprovantes de recebimento, nome de quem representava o contribuinte e o endereço informado para entrega das mercadorias. Todos indicaram o endereço cadastrado do contribuinte como local de entrega. A Unilever Brasil Ltda. e a Campari do Brasil registraram como responsável de compras o sr. João Alencar de Oliveira. A Pernoid Ricard do Brasil apresentou comprovantes de pagamentos feitos por João Alencar de Oliveira e pela J. F. Uchoa, cuja responsável é a esposa do sr. João Alencar. Por todas essas evidências foi lavrado o termo de sujeição passiva solidária (fl. 55). Acerca de sua relação com a empresa fiscalizada, foi perguntado ao sr. João Alencar de Oliveira, que afirmou ser irmão de Antônio Alencar de Oliveira, o qual foi sócio do sr. Antônio D. de M. Filho, proprietário da empresa J. A. Filho. Negou qualquer participação na empresa e informou que apenas ajudava os sócios da empresa fiscalizada cedendo o uso do telefone e do fax da empresa J. F. Uchoa, supermercado no qual é gerente. Por outro lado, em análise da documentação enviada pelo banco, foi encontrada autorização em nome do sr. João Alencar de Oliveira para verificação de saldos e extratos da fiscalizada. E, ainda, consta como “referências” a empresa J. F. Uchoa, cuja responsável é a sra. Josefa Francisca Uchoa de Alencar, esposa do sr. João Alencar de Oliveira. Em comparecimento ao endereço cadastrado da empresa, constatouse ser essa inexistente no local. E, ainda, em observação à falta de cumprimento das obrigações fiscais, o insucesso na localização de um dos sócios responsáveis, a baixa capacidade econômica do outro e à ausência de escrituração contábil da empresa, foi possível, conforme previsão do art. 33, I, da Lei 9.430/96, a requisição de informações sobre movimentação Fl. 3DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 681 4 financeira da empresa autuada junto ao Banco do Brasil, a fim de verificar quais os verdadeiros responsáveis e beneficiários das atividades da empresa. Em análise à documentação enviada pelo banco, verificouse que a pessoa jurídica fiscalizada é a única titular da conta 6.4041, mantida na agência 01228, do Banco do Brasil e que não há instrumento de procuração, contudo, consta na ficha cadastral autorização para verificação de saldos e extratos em nome de João Alencar de Oliveira. A partir daí, foram solicitadas as cópias de cheques a fim de intimar seus beneficiários. Grande maioria foi sacada ou depositada pelos responsáveis, outros tiveram destinação diversa, tais como, por exemplo, as contas da empresa J. F. Uchoa, Prefeitura Municipal de Iguatu (cidade em que João Alencar de Oliveira foi eleito viceprefeito), Distribuidora Sta. Rosa de Alimentos Ltda. (cujo responsável legal Francisco de Araújo Uchoa, cunhado de João Alencar de Oliveira), entre outros. O Banco Bradesco informou ainda que as contas solicitadas são de titularidade dos fornecedores da empresa fiscalizada. Antes de instaurada a ação fiscal, através de ofício de número 002123/2006, a Polícia Federal encaminhou denúncia de sonegação de tributos federais juntamente com dossiê denominado “O Império dos Atacadistas Virtuais”, envolvendo o sr. João Alencar de Oliveira, viceprefeito de Iguatu, que teria cometido “delitos envolvendo a sonegação de astronômicas quantias em detrimento do fisco federal” através de diversas empresas e “laranjas”. Neste material havia também auto de infração contra a empresa J. A. Filho lavrado pela Receita Estadual, que, após solicitação pelo fisco federal, forneceu dossiê completo onde constatam que João Alencar era o real responsável e beneficiário dos rendimentos da empresa levandose em conta provas descritas, dentre elas, informações de que o sócio de direito, José Alencar Filho, presta serviços a João Alencar de Oliveira em sua propriedade agrícola. A ciência do contribuinte sobre o termo de início da ação fiscal, o termo de constatação fiscal e o termo de continuidade e demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF foram dadas por edital, respectivamente às datas de 23/05/2007, 10/03/2008 e 10/05/2008. Diante de todos os fatos, concluiuse que os sócios de direito são interpostas pessoas, e que as participações de João Alencar não se restringiam apenas a dar mero suporte ou ajudar os sócios da empresa, mas sim a efetivamente gerir e administrar o negócio, agindo livremente em nome da pessoa jurídica ora fiscalizada, com amplos poderes. Por esta razão restou inequívoco que deve responder pessoal e solidariamente pelo crédito tributário devido pela J. A. Filho Comercial de Alimentos Ltda., conforme instrui o art. 124, I, combinado com o art. 135, III, do CTN, com multa qualificada prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/96 e art. 957, II, do RIR/99. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte fiscalizado não apresentou impugnação. Em 14/01/2008, o responsável solidário, João Alencar de Oliveira, apresentou a impugnação de fls. 566 a 588 alegando, em síntese, o que segue. Entende que a autuação baseouse em meros indícios de suposta infração e presunção de fatos, não tendo restado comprovado que a recorrente teve qualquer ingerência nos negócios da empresa autuada ou mesmo tenha obtido benefício financeiro. Sendo Fl. 4DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 682 5 inconclusivos os argumentos, alega não poder o fisco federal imputar práticas dolosas calcado em meras suposições, o que, de pronto, autoriza a improcedência da ação. Aduz pela necessidade de juntada de cópia do auto de infração de nº 10315.000586/200888 sob o argumento do direito do administrado a ter acesso aos autos do processo administrativo em tempo hábil para apresentação de defesa, especialmente quando se trata de terceiro interessado que não participou da produção das provas e diligências executadas pelo fisco federal. Neste sentido, afirma que o recorrente, por mais diligente que fosse, não teria tempo razoável para alisar as mais de 2500 folhas, distribuídas em 13 volumes, o que o impossibilita de exercer plenamente seu direito à ampla defesa. Deve, portanto, a autoridade fiscal declarar a nulidade da intimação do recorrente com fulcro no art. 59, II, do Decreto 70.235/72. Insiste na ausência de provas suficientes para embasar o lançamento e acrescenta que não há referência da página do processo administrativo onde se encontra o documento que comprova a autorização para verificação de saldo e extrato em nome do recorrente. E, ainda, que, o fato de a recorrente ser parente de um dos sócios da empresa autuada não autoriza a conclusão extraída pelo autuante, bem como são lícitas as origens dos cheques, tendo em vista serem as operações de empréstimo entre parentes bastante usuais em operações comerciais. Afirma não haver qualquer relação entre o depósito realizado na conta da Prefeitura de Iguatu e o fato de ter sido o recorrente eleito viceprefeito do referido município. Isso porque o depósito foi realizado em 2003 e sua eleição ocorreu em 2006. E ainda que os fatos fossem concomitantes, não possuem qualquer ligação com a imputação fiscal. Ataca a autuação de sujeição passiva solidária prevista pelos artigos 124, I, e 135, III, do CTN, por não haver nenhuma prova nos autos de que o recorrente tenha sido beneficiado pela empresa J. A. Filho Comercial de Alimentos Ltda, bem assim por não ter sido demonstrado exercício de administração da empresa fiscalizada pelo recorrente. De tal sorte que deve ser adotada a medida do art. 112, II e III, do CTN, interpretandose a legislação tributária da forma mais favorável ao acusado, em caso de dúvidas. Pelo exposto, requer seja declarada a nulidade do termo de intimação fiscal, sendo restituído o prazo integral para apresentação de impugnação; a improcedência do auto de infração por não haver prova suficiente da interposição de pessoas e não ter a recorrente qualquer relação com a administração da empresa fiscalizada; seja aplicado o art. 112 do CTN por ausência de prova contundente de fraude ou simulação – para ser julgado improcedente o termo de sujeição passiva solidária; e, alternativamente, seja realizado exame pericial na documentação (art. 17 do Decreto 70.235/72), e as diligências acima requeridas, e, não restando dúvida sobre a existência do ilícito, seja declarada total improcedência do auto de infração. DA DECISÃO DA DRJ Em 25/09/2008, acordaram os julgadores da 4ª Turma da DRJ de Fortaleza, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, manter o crédito tributário lançado nos autos de infração, acolhendo a conclusão fiscal de ser o sr. João Alencar de Oliveira “sócio de fato” da empresa fiscalizada e, como tal, responsável solidário nos termos do art. 124, I, do CTN, pelos motivos abaixo sintetizados. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 683 6 Acerca das alegações de cerceamento de defesa, esclarece que a empresa fiscalizada teve conhecimento da existência do procedimento fiscal dada a necessidade de apresentação de documentário contábilfiscal, tendo sido concedida a mesma o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar explicitar a base tributável para os anoscalendário de 2002, 2003 e 2004. E a contribuinte teve ciência dos autos de infração e do relatório fiscal, podendo exercer amplamente o seu direito de defesa. Quanto à sujeição passiva solidária, o momento de contestar a conclusão fiscal é efetivamente na fase litigiosa do procedimento, que se inicia com a apresentação da peça contestatória. Com efeito, o autuante, com base nos dados e informações coletadas durante o procedimento fiscal, concluiu sobre a existência de interposição de pessoa na empresa fiscalizada. Assim, com base nas provas que o autor do procedimento fiscal considerou suficientes, deve este proceder à acusação fiscal lavrando o competente termo de sujeição passiva solidária. Para declarar a nulidade de um ato, além do previsto no art. 59 do Decreto 70.235/72, há que se pesquisar dois aspectos: primeiro, se o ato atingiu sua finalidade e, segundo, se houve prejuízo para a parte. Dos autos se constata que não houve prejuízo à parte e que o ato alcançou sua finalidade. Portanto, não resultou o ato em questão em cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, uma vez que esse foi regularmente intimado, tendo tomado ciência dos autos de infração e termos que o integram, onde as infrações que lhe foram imputadas encontramse descritas e capituladas. Foi assegurado ao sujeito passivo o prazo para defesa previsto em lei. Prova inequívoca de que não ocorreu o cerceamento do direito de defesa é a de que a imputação de sujeição passiva solidária foi impugnada e examinada pelo órgão julgador a quo. Não há qualquer dispositivo legal que autorize o deslocamento do prazo para apresentação de impugnação em virtude de demora em fornecimento de cópias dos autos solicitadas pelo contribuinte. E não se observou qualquer esforço do recorrente em carrear aos autos provas que contestassem os dados e informações utilizados pela autoridade fiscal. Às fls. 639 a 641 são apontadas as diversas provas, oriundas das fls. 217 a 302 dos presentes autos, dentre elas as declarações da Campari do Brasil e Unilever Brasil Ltda., apontando o endereço constante da ficha cadastral da empresa fiscalizada como o endereço de destino para fornecimento de mercadorias, bem como o nome de João Alencar de Oliveira, ora recorrente, como proprietário da empresa fiscalizada. Diante dos fatos relatados, restou claro que o representante legal da empresa, sr. José Alencar Filho, parente do recorrente e não localizado pela fiscalização, continuou a não se fazer presente nos autos. O sr. João Alencar de Oliveira, acusado de utilizar o parente como seu “laranja” e ainda, em relação à informação de que este seria seu empregado em propriedade rural, nenhuma menção fez às ilações que se retiram do presente processo. O outro “titular de direito” da empresa, sr. Antônio Dias de Menezes Filho, nada esclareceu sobre a pessoa jurídica, dando nítida demonstração de que nunca se inteirou dos negócios realizados pela fiscalizada. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 684 7 Com efeito, diante de flagrante abuso de direito no uso de pessoa jurídica, a autoridade administrativa ou judiciária, em defesa do interesse público, deve aprofundar as investigações a fim de alcançar as verdadeiras pessoas, físicas ou jurídicas, que por trás dela se escondem, descobrindo, assim, a simulação ou a fraude. No presente caso, se afigura patente que o sr. João Alencar de Oliveira efetivamente participou da pessoa jurídica fiscalizada, encobrindo seu nome quando da constituição da empresa, incorrendo, assim, em ato simulado ao colocar na empresa “interpostas pessoas”, formalizando referida ocorrência através de documento público, qual seja, contrato social e suas alterações registrados na Junta Comercial, o que configura falsidade ideológica. Apontamse as considerações de fls. 49 a 54 feitas pela autoridade fiscal e que serviram de base para as conclusões desta decisão. Neste sentido, deve o sr. João Alencar de Oliveira ser chamado ao processo, por ter restado comprovada sua condição de “sócio de fato”, sendo responsabilizado solidariamente no termos do art. 124, I, do CTN. De forma que se torna desnecessária a realização de diligência/perícia solicitada pela defesa, indeferida de acordo com a previsão do art. 18 do Decreto 70.235/72. Em relação ao arbitramento dos lucros procedidos pela autoridade fiscal, inexiste litígio a ser apreciado, nos termos dos arts. 14 e 17 do Decreto 70.235/72, tornandose definitiva a exigência do crédito tributário na esfera administrativa, o que implica na sua competente cobrança. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte fiscalizado não apresentou impugnação. Inconformada com a decisão, a recorrente, a pessoa do sr. João Alencar de Oliveira, apresentou recurso voluntário de fls. 656 a 675, em 24/11/2008, alegando, em síntese, o que segue. Inicialmente, insurgese contra o fato de haver sido surpreendida com a autuação fiscal e ao fato de não terlhe sido concedida oportunidade de participar do processo administrativo de constituição da dívida e que em momento algum recebeu qualquer intimação para acompanhar a fiscalização. Entende que o agente fiscal formou seu convencimento através de simples indícios sem investigar se houve benefício material ou de fato pela recorrente através da suposta interposição pessoal. De tal sorte que houve mácula aos princípios constitucionais do devido processo legal e ampla defesa, bem como da proporcionalidade e razoabilidade. O ato de lançamento de crédito tributário tem necessidade de estrita consonância com os princípios constitucionais, sob pena de ser nulo. Assim, verificase que o ato de a autoridade fiscal não buscar maiores informações junto ao autuado solidário antes de efetuar o lançamento torna este ato absolutamente nulo. O ato de sujeição passiva solidária a terceiro, sem que este seja ouvido anteriormente, e baseado unicamente em indícios é desproporcional, porque não teve um motivo de fato que o fundamentasse, vez que a fiscalização deveria buscar comprovação de benefício auferido. Neste sentido, o agente fiscal agiu movido pelas paixões pessoais em detrimento do objetivo da administração pública. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 685 8 E, ainda, aduz pela existência de prazo mínimo concedido ao administrado para apresentação de documentos e informações, e que seu não cumprimento eiva de nulidade o ato praticado. No caso, essa disposição foi infringida pelo agente fiscal, que não determinou qualquer intimação da recorrente antes de proferir o ato administrativo de lançamento. Foi requerida em impugnação a realização de prova pericial. Em decisão retro, o pedido foi indeferido, ocasionando cerceamento do direito de defesa. Observa a recorrente que a matéria objeto desta lide é “questão de fato” e, por esta razão, se mostra indispensável a realização do exame pericial solicitado a fim de ser afastada a acusação feita pela autoridade fiscal. Isso, pela necessidade de se examinarem minuciosamente os demais elementos necessários para a conclusão de que estaria a recorrente incursa nas penalidades de “interposição pessoal”, para verificação de auferimento de benefício pessoal pela recorrente: depoimento dos responsáveis pelo imóvel locado à empresa, oitiva do sr. Antônio Dias de Menezes Filho sobre a imputação de responsabilidade solidária à recorrente. Deve, portanto, o presente processo retornar para realização das solicitações acima e, posteriormente, para novo julgamento. Discorda a recorrente do arbitramento do lucro, aduzindo, uma vez mais, sobre não ter tido acesso aos documentos que geraram a conclusão do relatório totalizador e pela ausência de prazo razoável para análise do conteúdo de forma a proporcionar a defesa do recorrente, conforme apontado na impugnação. Alega sobre a utilização do dossiê apresentado pela Polícia Federal ser prova emprestada e, portanto, para admissão de informações de terceiros, exigese aprofundamento do fisco nos trabalhos de auditoria fiscal. Mais, os cheques com assinatura da recorrente no verso não revelam qualquer ilícito, vez que as empresas atuavam no mesmo ramo e houve negociação entre as mesmas. E, ainda, é prática corriqueira no mercado comercial a troca de produtos entre empresas, bem como o desconto de cheques, dada a necessidade de capital de giro. Sobre a ocorrência de fraude, argumenta que a autoridade fiscal utilizouse de mera presunção de dolo através da observância de fatos isolados. Que até mesmo a julgadora de primeira instância evitou se pronunciar, distanciandose da discussão e alegando que algumas regras de direito civil permitem a utilização da presunção para balizar o lançamento tributário. Assim, não restou comprovado o interesse da recorrente nas situações que supostamente o levariam à interposição pessoal, não havendo que se falar em responsabilidade solidária. Pelo exposto, requereu a nulidade do procedimento fiscal que culminou no lançamento, tendo em vista a não participação da recorrente, devendo ser restituído o prazo integral para apresentação de impugnação; a nulidade da decisão da DRJ por infração ao princípio da ampla defesa através do indeferimento do pedido de realização de perícia; que seja julgado improcedente o lançamento recorrido por não haver prova suficiente para sustentálo, sendo improcedente também o termo de sujeição passiva solidária. É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 686 9 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Liminarmente, observo que o recurso foi interposto pelo responsabilizado solidariamente, não havendo recurso do contribuinte. Principio com o exame da preliminar de nulidade. A recorrente articula em síntese os seguintes vícios na imputação que lhe é feita de responsabilidade solidária. Por não se ter dado oportunidade de a responsabilizada participar da constituição do crédito tributário que lhe é exigido, não tendo sido intimada em nenhum momento para acompanhamento da fiscalização, houve violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como ao princípio da ampla defesa e do devido processo legal. Ademais, ofendeu os arts. 3º, 26 e 41, da Lei 9.784/99. A desproporcionalidade evidencia que o autuante agira movido pelas paixões pessoais em agressão à objetividade da administração pública. Pois bem. O procedimento fiscal que desemboca no ato do lançamento não se confunde com processo administrativo (na dicção do art. 142 do CTN, o lançamento é “o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível”). O lançamento e o procedimento fiscal para tanto são governados pelo princípio inquisitório, ao passo que o contencioso inaugurado pela resistência à pretensão fiscal é dominado pelo princípio do contraditório e da ampla defesa. Daí se dizer que o procedimento fiscal para o lançamento é informado pelo princípio do formalismo, e o processo administrativo gerado pela pretensão resistida é dominada pelo princípio do informalismo. Não por menos, a doutrina italiana distingue a chamada instrução primária da instrução secundária. Aquela orienta a relação jurídicoformal do lançamento, e a última governa a relação jurídicoprocessual. A instrução primária é ônus da fiscalização. A instrução secundária é a decorrente do contraditório e da ampla defesa. Não se há de falar, pois, em violação ao direito de reação do contribuinte, muito menos em interdição ao direito de reação da responsabilizada solidariamente. O direito à ampla defesa e ao contraditório, e ao due process of law se instalam e são exercíveis no Fl. 9DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 687 10 processo administrativo, que se inicia com o contencioso mediante a pretensão resistida. O processo administrativo é dominado pelo princípio do contraditório e da ampla defesa. O procedimento fiscal é governado pelo princípio inquisitório. Mais. As intimações durante o procedimento fiscal que se ultima no ato de lançamento devem ser feitas para o contribuinte. Este é representado por seus procuradores, prepostos, ou pelos investidos de representação formalmente, ou pelos sócios que como tal figuram formalmente. Eventual imputação de responsabilidade solidária a quem não se ostente como sócio formalmente poderá darse pela conclusão da investigação levada a efeito pela fiscalização. Se, a final, se revelar que a instrução primária que orienta o lançamento é precária, insuficiente para a pretensão de se imputar a responsabilidade solidária, isso é questão de fundo sobre a ilegitimidade passiva da responsabilizada solidariamente. Vale dizer, isso não tem de ver com preliminar de nulidade. Eventual desrespeito à razoabilidade e à proporcionalidade se imbrica com a apreciação da questão de fundo da própria imputação de responsabilidade. São juízos que se interpenetram no “mérito”, por assim dizer, da responsabilidade solidária. Além disso, transplantando a aplicação subsidiária da Lei Geral do Processo Administrativo Federal (Lei 9.784/99) ao processo administrativo fiscal federal, a exegese extraível é a de que o processo administrativo referido pela Lei 9.784/99 é a de que (Lei Geral do Processo Administrativo Federal) corresponde ao processo administrativo fiscal propriamente dito, i.e., ao que se instala com a pretensão resistida (contencioso). A isso conduz também a interpretação sistemática da Lei 9.784/99. O processo administrativo versado nesse diploma não é o procedimento fiscal que culmina no ato de lançamento. Conquanto seja comum se falar em fase inquisitória do processo administrativo, para designar o procedimento fiscal para o ato do lançamento, e em fase contenciosa do processo administrativo, para identificar o processo propriamente dito, não me resulta dúvidas de que o processo administrativo, tal como referido pela Lei 9.784/99, cuida do processo administrativo propriamente dito, em matéria tributária. Isso fica claro do art. 3º, II, dessa lei invocado pela recorrente (“tramitação dos processos”, “vista dos autos” – que só se formam após o lançamento, “decisões”)1. Na mesma toada, o art. 26 daquela lei (“tramita o processo administrativo”, intimação para ciência “de decisão” ou “a efetivação de diligências”)2. 1 Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: I ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e o cumprimento de suas obrigações; II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; IV fazerse assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de lei. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 688 11 Não discrepa o art. 41 da mesma lei (intimados “de prova” ou “diligência ordenada”)3. Nessa ordem de considerações, rejeito a preliminar de nulidade. Argui a recorrente nulidade do acórdão a quo por não ter ele deferido o pedido de realização de perícia. Ora, como se vê da peça impugnatória, encontramse ausentes os quesitos para a perícia, o que, por si, fulmina o pedido para tanto, conforme o art. 16, § 1º, do Decreto 70.235/724. De mais a mais, a perícia não constitui direito subjetivo do contribuinte. O que há é o direito de pedir a perícia do contribuinte, e não o direito à perícia. Há um direito potestativo (direito formativo gerador, como diz o mestre Pontes de Miranda) do contribuinte de pedir a perícia, mas não um direito subjetivo do contribuinte à perícia. Além disso, a determinação de perícia, tal qual a diligência, se põe na esfera da formação do convencimento do órgão julgador, para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclamar essa constatação (esclarecimentos), ou, eventualmente, para complementar produção probatória não imputável à parte que tenha o ônus da prova. 2 Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. § 1º A intimação deverá conter: I identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; II finalidade da intimação; III data, hora e local em que deve comparecer; IV se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazerse representar; V informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; VI indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. § 2º A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento. § 3º A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. § 4º No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. § 5º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. 3 Art. 41. Os interessados serão intimados de prova ou diligência ordenada, com antecedência mínima de três dias úteis, mencionandose data, hora e local de realização. 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 11DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 689 12 Colocandose a perícia no âmbito da formação do convencimento do julgador em matéria probatória, a ele compete sua determinação, inclusive de ofício, hipótese em que se dá o nome de diligência, quando reputar necessária para formação de sua convicção. Não diviso, pois, nulidade do acórdão de origem sobre a questão do pedido de perícia, de modo que rejeito essa preliminar. Sobre a realização de diligência, entendo não ser necessário no caso vertente, pois ela não se presta a suprir deficiências ou o ônus “primário” da parte a quem recai. Além disso, como já disse, a diligência se ordena para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclamar essa constatação (esclarecimentos), ou, eventualmente, para complementar produção probatória. E não é o que se afigura aqui, segundo o que constato nos autos. A recorrente se insurge contra o arbitramento do lucro do contribuinte, para exigência de IRPJ e de CSL. In limine, observo que essa questão não foi controvertida pela recorrente, nem pelo contribuinte, na fase impugnatória. Mesmo assim, faço as considerações a ela pertinentes. Ora, ficou evidenciado que o contribuinte não apresentou sua escrituração contábil, ainda que intimado e reintimado. Aliás, o contribuinte não tem localização no endereço cadastrado, Av. Agenor Araújo, 1150, complemento C, Iguatu, CE – a propósito, não tem localização física, ou se tiver é desconhecido. O sócio formal intimado, José Alencar Filho, intimado, não foi localizado. No endereço indicado do sócio formal José Alencar Filho, inclusive na DIRPF/08, este não possui residência, conforme depoimento coletado de moradora do local, Juraci Abreu Alencar, que alegou não conhecer ninguém com tal nome, informando que ela reside na mesma rua de longa data. Por sua vez, o outro sócio formal intimado, Antônio Dias de Menezes Filho, ao comparecer à DRF para depoimento, alegou extravio de todos os livros contábeis e documentação a eles referentes, afirmando, também, que trabalhava levando encomenda de terceiros a outras cidades, e que desconhecia o paradeiro do responsável pela empresa, José Alencar Filho. Não resulta dúvida que diante de tal quadro, o arbitramento do lucro é de rigor. Nesse sentido, o art. 530, I, III ou V, do RIR/995, que reproduz o art. 47, I, III e VII, da Lei 8.981/95. 5 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 690 13 À vista da total ausência de escrituração contábil e de qualquer documento relativo à empresa – que não existe na localidade cadastrada – e da não localização do sócio formal indicado como responsável pela empresa, houve a emissão de RMF para obtenção de informações bancárias. Detectados, assim, os fornecedores do contribuinte, estes foram intimados a informarem as vendas ao contribuinte, à apresentação das notas fiscais a elas relativas, os comprovantes de recebimentos pelas vendas feitas, nome de quem representava o contribuinte e endereço de entrega das mercadorias. O arbitramento do lucro se deu com base na hipótese legal de não conhecimento da receita bruta. No caso, aplicouse a hipótese do 51, V, da Lei 8.981/95, reproduzido no art. 535, V, do RIR/996 – e para a CSL, com suporte no art. 55 da Lei 8.981/957. Ou seja, o arbitramento do lucro se deu com base nas compras feitas pelo contribuinte, aplicandose o coeficiente de 0,4 sobre o valor das compras de mercadorias. E bem se sabe que inexiste lançamento “condicional”, i.e., afastamento do arbitramento do lucro se só posteriormente ao lançamento o contribuinte vier a apresentar escrituração contábil idônea lastreada em documentação hábil. Ou o caso é de arbitramento do III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. 6 Art. 535. O lucro arbitrado, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51): I um inteiro e cinco décimos do lucro real referente ao último período em que a pessoa jurídica manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais; II quatro centésimos da soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido; III sete centésimos do valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade; IV cinco centésimos do valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido; V quatro décimos do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI quatro décimos da soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII oito décimos da soma dos valores devidos no mês a empregados; VIII nove décimos do valor mensal do aluguel devido. § 1º. As alternativas previstas nos incisos V, VI e VII, a critério da autoridade lançadora, poderão ter sua aplicação limitada, respectivamente, às atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços e, no caso de empresas com atividade mista, ser adotados isoladamente em cada atividade (Lei nº 8.981, de 1995, art. 51, § 1º). 7 Art. 51. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando não conhecida a receita bruta, será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das seguintes alternativas de cálculo: (...) V 0,4 (quatro décimos) do valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; (...) Art. 55. O lucro arbitrado na forma do art. 51 constituirá também base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, de que trata a Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 691 14 lucro pela inexistência ou imprestabilidade da escrituração contábil, ou não o é. Não o sendo, o lançamento resulta derruído. De mais a mais, nem agora a recorrente traz aos autos a escrituração contábil da empresa. Digo isso, em face da irresignação por ela lançada na fase recursiva. Muito claro, portanto, que o arbitramento do lucro levado a efeito não merece censura. Combate a recorrente que a imputação de responsabilidade solidária se dá com apoio em provas inconclusivas, meramente indiciárias, sendo nomeadamente questionável basearse em suposto dossiê encaminhado pela Polícia Federal, denominado de “O Império dos Atacadistas Virtuais”, contaminado por injunções políticas. É muito claro para mim que a prova emprestada, sobretudo quando ela não se fixou para comprovação das relações jurídicas em jogo nas autuações em dissídio, é insuficiente para imputação de responsabilidade, cabendo o aprofundamento da investigação fiscal para a responsabilização solidária. No caso, aliás, sequer se está diante de prova emprestada. Cuidase somente de elementos coletados no curso de investigação criminal que, do que se tem notícia, não houve nem o desencadeamento da ação penal ainda. Os dados e informações constantes no mencionado dossiê da Polícia Federal não passam de elementos de valor secundário, para se pretender materializar a responsabilidade solidária. Mais. Tais elementos diria, de per se, são precários, para a pretensão contra a responsabilizada solidariamente. Entretanto, a pretensão referida apoiouse em aprofundamento da investigação, em que tais elementos comparecem com valor subsidiário, e jamais principal. Questão que se põe é se os dados coletados pela investigação fiscal são suficientes para a caracterização da responsabilidade solidária. Já foi dito que o sócio formal José Alencar Filho, responsável pelo contribuinte não fora localizado. No endereço constante no contrato social, bem como na DIRPF (na DIPJ/03 não consta endereço – fl. 66) não reside José Alencar Filho, conforme depoimento reduzido a termo, de Juraci Abreu Alencar, que também informa morar na mesma avenida há mais de 20 anos (fl. 185). Tratase de bairro simples, conforme pontuado nos autos. O outro sócio formal, Antônio Dias de Menezes Filho, reside em bairro e casa humildes, e suas DIRPF/04 e DIRPF/05 (fls. 131 a 136) indicam remuneração de pouca expressão, e sem rendimentos de distribuição de lucros, sendo que na relação de bens e direitos o único direito que consta são as quotas do contribuinte em valor de R$ 10.000,00. Sobre seu depoimento, já me referi alhures. No depoimento reduzido a termo da própria recorrente, a pessoa física sr. João Alencar de Oliveira (fl. 180), é dito que, no endereço do contribuinte, funcionava empresa de Antônio Dias (Antônio Dias de Menezes Filho) que supõe chamarse J A (J A Filho Comercial de Alimentos Ltda., que é a denominação do contribuinte), e que há mais de 2 anos quebrara e que não abrira em outro local. E que Antônio Alencar de Oliveira, irmão da recorrente, fora sócio de Antônio Dias de Menezes Filho. O depoimento foi prestado pela Fl. 14DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 692 15 recorrente, que se intitulou gerente do supermercado denominado J F Uchoa, e que este pertence a Josué Uchoa, seu cunhado. O supermercado funciona na mesma avenida e nas proximidades do endereço do contribuinte. Há vários outros depoimentos reduzidos a termo, entre os quais, o de Fidias Viana Diniz (fl. 181), segundo quem: há mais de 10 anos funcionou a J A Distribuidora de Alimentos (o contribuinte) no endereço cadastrado; que a empresa era de João Alencar (João Alencar de Oliveira, a recorrente); que acha que fechou há 13 anos. Na ficha cadastral da conta bancária titularizada pelo contribuinte no Banco do Brasil S.A., consta autorização outorgada a João Alencar de Oliveira (a recorrente), para verificação de saldos e extratos. Das cópias dos cheques obtidas junto ao banco para que se procedesse à intimação dos beneficiários deles, em dois cheques, nominais ao próprio contribuinte, figura a assinatura de João Alencar de Oliveira, e em outro, também nominal ao próprio contribuinte, consta no verso “confirmado por JOÃO ALENCAR”. Obtida a relação dos fornecedores da recorrente, estes foram intimados a informarem as vendas ao contribuinte, à apresentação das notas fiscais a elas relativas, os comprovantes de recebimentos pelas vendas feitas, nome de quem representava o contribuinte e endereço de entrega das mercadorias. Todos eles indicaram o endereço cadastrado do contribuinte como local de entrega das mercadorias. Dois dos maiores fornecedores do contribuinte (como se vê das planilhas de fls. 30 a 47 e se nota dos volumes 1 a 3 do Anexo I e do volume 1 do Anexo III), a Unilever Brasil Ltda. e a Campari do Brasil, registraram que o responsável pelas compras junto eles era João Alencar de Oliveira. Outro fornecedor significativo do contribuinte, a Pernoid Ricard do Brasil, apresentara comprovantes de pagamentos feitos por João Alencar de Oliveira e pela J F Uchoa – a responsável por esta é esposa de João Alencar. Também, um representante da Campari informara que João Alencar de Oliveira era o “mandachuva” da empresa e que, apesar de os sócios formais assinarem os pedidos, era João Alencar quem efetuava os pedidos por telefone e definia todos os pormenores. Todos esses elementos foram coletados mediante a investigação fiscal levada a efeito pelo autuante. Dos dados constantes no dossiê da Polícia Federal, ou melhor, do dossiê que instrui auto de infração estadual (auto de infração que consta no dossiê da Polícia Federal) fornecido pelo fisco estadual ao fisco federal, acentuo apenas a informação de que o sócio formal responsável pela empresa, José Alencar Filho, não localizado, presta serviços a João Alencar de Oliveira em sua propriedade agrícola. A conjunção desses elementos, que se conectam, e revela gravidade, precisão e concordância, a meu ver, permite a conclusão de que o efetivo proprietário da empresa J A Comercial de Alimentos Ltda. era João Alencar de Oliveira, a recorrente. É de se pontuar que a causalidade não é física, mas jurídica. Quanto à causalidade física, nem mesmo a prova direta é capaz de conferir certeza absoluta quanto à realidade dos fatos representados. E isso não significa que a verdade não é obtenível, a verdade jurídica, que emana do exercício mental de convencimento fundado nas provas, diretas ou indiretas, contidas nos autos. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 693 16 O conjunto desses elementos que se conectam e são convergentes acusa particularização do resultado (fato probando) por indução, e permite concluir que os sócios formais eram strohmann, “testasdeferro” ou “laranjas”, atuando o contribuinte através de João Alencar de Oliveira, a recorrente. Nesse sentido, ostentou João Alencar de Oliveira interesse comum nas situações que constituíram fato gerador das obrigações tributárias principais8. Alguns fatos isolados descritos não permitiriam conduzir a esse juízo, o que levaria â carência da instrução primária para pretensão contra a recorrente. Não é o fato de as diversas empresas que compareceram na investigação fiscal pertencerem a pessoas com grau de parentesco com a recorrente que levam à conclusão ora extraída. Não é o fato isolado de alguns cheques terem assinatura da recorrente no verso que levam a essa conclusão. Não é a locação do imóvel, afiançada por parentes que conduzem a conclusão exposta. Fatos isolados que a recorrente invoca para combater a pretensão fiscal. Não diviso, pois, desrespeito à razoabilidade, tampouco à proporcionalidade, referidas pela recorrente como preliminar, e que, como disse ao enfrentar a preliminar, são elas princípios ou regras – conforme concepção – que se imbricam na questão de fundo da imputação de responsabilidade solidária da recorrente. Não atino com a desproporcionalidade nem com a irrazoabilidade na instrução primária que orienta a responsabilização solidária em jogo. Diante do quadro exposto, minha conclusão é pela concreção do tipo para responsabilidade solidária da recorrente, com o que nego provimento ao recurso sobre a questão. Também, o conjunto dos dados de fato que se revelam juridicamente relevantes a meu ver, sobretudo a simulação subjetiva, que igualmente resultou configurada segundo meu juízo, informa o concurso do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, para inflição de multa qualificada. Dessa forma, nego provimento ao recurso sobre a questão da multa qualificada. A recorrente não arguiu a decadência. Porém, entendo que se trata de questão apreciável de ofício. O edital de intimação dos lançamentos, os quais são integrados pelo relatório fiscal pelas planilhas, e do termo de sujeição passiva, foi afixado em 12/05/08 e publicado (fl. 552). Como se sabe, o edital de intimação é para comparecimento e recebimento dos referidos documentos na DRF no prazo de 15 dias de sua publicação (edital), findo o qual se considera efetivada a cientificação. A recorrente compareceu à DRF para solicitação de cópia integral do processo (procedimento fiscal que culminou no lançamento) em 21/05/08 – fl. 556. 8 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10315.000586/200888 Acórdão n.º 110300.669 S1C1T3 Fl. 694 17 Os lançamentos, que alcançam os fatos geradores de IRPJ e de CSL ocorridos de 2002 a 2004, aperfeiçoaramse, pois, no final de maio de 2008. Não resulta dúvida de que é aplicável, no caso vertente, o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. Isso, não só quanto aos fatos geradores de IRPJ, como também aos relativos à CSL. Outrossim, encontramse vitimados pelo fenômeno decadencial os lançamentos referentes aos fatos geradores de IRPJ e de CSL do 1º, do 2º e do 3º trimestres do anocalendário de 2002. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos lançamentos pertinentes aos fatos geradores de IRPJ e de CSL dos 1º, 2º e 3º trimestres do anocalendário de 2002. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de maio de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 17DF CARF MF Impresso em 03/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/06/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001929/2004-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ESCLARECIMENTOS.
Cabem os Embargos de Declaração no sentido de tecer-se esclarecimentos sobre expressões mal interpretadas pela embargante, ou ambíguas, e sobre o fundamento utilizado no acórdão embargado para refutar as alegações de defesa, tidas como não enfrentadas.
Numero da decisão: 1801-001.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte, e, no mérito, ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-00.056/09, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ESCLARECIMENTOS. Cabem os Embargos de Declaração no sentido de tecerse esclarecimentos sobre expressões mal interpretadas pela embargante, ou ambíguas, e sobre o fundamento utilizado no acórdão embargado para refutar as alegações de defesa, tidas como não enfrentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte, e, no mérito, ratificar o decidido no Acórdão nº 180100.056/09, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A contribuinte embargou, tempestivamente, o Acórdão nº 180100.056, fls. 543 a 551, proferido por este colegiado, em sessão realizada em 28 de julho 2009, argumentando a ocorrência de omissão e obscuridade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 29 /2 00 4- 45 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Transcrevo a ementa do acórdão embargado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 GLOSA DE DESPESA. JUROS SOBRE EMPRÉSTIMOS. EMPRESAS COLIGADAS. EXTERIOR. Procede a glosa de despesas, na mutuária, com juros incidentes sobre empréstimo contraído de empresa controlada situada no exterior, não havendo ocorrido distribuição de lucros no período, conforme disposto no artigo 1° da Lei n° 9.532/97, § 3°, vigente à época da ocorrência do fato gerador. NATUREZA PENAL DA NORMA TRIBUTARIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. No caso em concreto não se identifica a natureza de penalidade na norma tributária aplicada à questão, pelo que não se admite invocar o princípio penal da retroatividade penal benigna à ordem tributária. Sendo, pois, norma tributária aplica se aquela vigente à época da ocorrência do fato gerador, só excepcionandose a retroatividade nas hipóteses arroladas no artigo 106 do CTN. Ementa:TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar a autuação reflexa de CSLL. Os Embargos de Declaração interpostos contra o acórdão, que negou provimento ao recurso voluntário, encontrase às fls. 556 a 561 dos autos. A embargante retrata a omissão como a ausência de referência no acórdão embargado à alegação da então recorrente que por haver tributado os lucros disponibilizados pela controlada no ano de 2002, a autuação não deveria subsistir, uma vez observado o comando legal insculpido no artigo 74, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001. A obscuridade, devido à expressão utilizada no referido acórdão, sobre a manutenção do lançamento fiscal em relação à CSLL, apurada de ofício, relativa ao ano calendário de 2000, cujo reflexo no resultado da autuação foi ajustar a base de cálculo negativa de CSLL para reduzila. Eu, como ConselheiraRelatora, esclareci no Relatório que houve a a redução da base de cálculo: “No que respeita à exigência da CSLL, por falta de previsão legal, declarou improcedente o lançamento tributário em relação ao ano calendário de 1999, reputando correta a redução da base de cálculo negativa no que concerne ao anocalendário de 2000.” (grifos no original dos Embargos de Declaração) Mas, ao invés de utilizar esta expressão, ao final do acórdão, assim me manifestei: “Destarte, não acolho as razões tecidas pela recorrente, pelo que ratifico o decidido no acórdão prolatado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP — I. Observese que a CSLL exigida, relativa a 1999, foi exonerada em primeira instância, remanescendo, todavia, a exigibilidade desta contribuição em relação à 2000.” (grifos não pertencem ao original) Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.001929/200445 Acórdão n.º 1801001.502 S1TE01 Fl. 3 3 A embargante pugna pela improcedência do lançamento fiscal e, sucessivamente, que seja consignado que em relação ao ano de 2000, houve redução da base de cálculo negativa e não há crédito tributário a ser exigido. É o suficiente para o Relatório. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço dos Embargos de Declaração interpostos, por tempestivo, e os acolho para esclarecer aquilo que trouxe dúvidas à recorrente. Primeiramente, esclareço com relação à ausência de apreciação no acórdão embargado sobre os argumentos da embargante sobre a insubsistência da autuação em razão de haver oferecido à tributação os lucros disponibilizados pela controlada, por força do artigo 74 da MP nº 2.15835/2001. Talvez não tenha sido expresso o acórdão neste tópico, mas a matéria foi apreciada ao debruçarse sobre as alegações da recorrente sobre os efeitos do artigo 74 da MP em tela. Assim está na decisão o trecho concernente: “Daí que refuto todas as argumentações nesse sentido da recorrente, inclusive, a extensão de princípio do direito penal ao campo tributário, por totalmente incabível tal ilação. Ademais, a norma tributária posteriormente editada avocada pela contribuinte, não tem qualquer caráter ‘punitivo’, assim como aquela que fundamentou a autuação presente. São normas tipicamente tributárias, não normas penais tributárias, que para determinados períodos de apuração dos lucros das empresas estipulam como devem essas proceder. São normas jurídicas procedimentais relacionadas à tributação do imposto de renda e outros tributos federais, em absolutamente nada permeando o campo do direito penal. O fato de o legislador mudar a forma de tributar o lucro auferido do exterior no caso das empresas controladas e controladoras não autoriza a aplicarse a norma tributária posterior retroativamente. Assim está consagrado no CTN, em seu artigo 105, ainda que a norma posterior reduzisse alíquota aplicável, por exemplo: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Portanto, a tributação nessa oportunidade debatida pautouse, devidamente, em norma vigente à época dos fatos geradores, atendendo ao princípio da legalidade e de forma totalmente vinculada aos preceitos normativos em vigência, não declarados ilegais ou inconstitucionais, com exceção à exigência da CSLL em período que não Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 havia previsão legal, acerto já efetuado no acórdão de primeira instância de julgamento. (grifos não pertencem ao original) Pretendeu a ConselheiraRelatora refutar todas as alegações da recorrente sobre qualquer efeito do art. 74, MP nº 2.15835/01, inclusive o fato de a recorrente haver tributado em 2001 os lucros disponibilizados pela controlada. Entendo que este procedimento não tem influência sobre a legislação tributária vigente à época dos fatos, que determinava expressamente serem indedutíveis os juros pagos às coligadas nos períodos que não houvesse a disponibilização dos lucros no balanço erguido pelas controladas/coligadas, e portanto, acertado o procedimento fiscal e a autuação em litígio. Foi transcrito excerto da legislação aplicável à época dos fatos e infringida pela embargante: Lei n°9.532/97: "Art.1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro liquido, para determinarão do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. [...] § 3° Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil. (grifos não pertencem ao original) Cumpre também salientar, a ratificação expressa do que foi decidido pela instância a quo, incluindo o texto justificativo que também não levou em consideração, para cancelar o lançamento fiscal, o argumento de que os lucros foram disponibilizados em balanço pela controlada no anocalendário de 2001 e oferecidos à tributação, mantendo a glosa das despesas com juros de empréstimos. É obrigação fiscal da recorrente observar as regras legais impostas e vigentes. E qualquer ajuste a ser realizado na contabilidade deverá observar os princípios contábeis e legislação em vigor. Desta forma, nenhum reparo no acórdão embargado, por haver suposta omissão, ora esclarecidos os fundamentos legais decisórios e sua abrangência. No que respeita à utilização da expressão ¨...remanescendo, todavia, a exigibilidade desta contribuição em relação a 2000.”, oportuno esclarecer que a contribuição – CSLL –, relativa ao anocalendário de 2000, é, de fato devida (destaquei) – mais especificamente no valor de R$ 1.135.800,00, consoante consignado no Auto de Infração (fls. 312). Todavia, como a contribuinte possuía saldo de base de cálculo negativa suficiente, não restou crédito tributário a ser exigido. A expressão “...remanescendo, todavia, a manutenção do lançamento tributário desta contribuição em relação a 2000”, poderia ter sido mais feliz para não causar qualquer dúvida à embargante. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16327.001929/200445 Acórdão n.º 1801001.502 S1TE01 Fl. 4 5 Dou por analisados os presentes Embargos de Declaração no sentido aclareatório. Voto em acolher os Embargos Declaratórios interpostos pela empresa, e, no mérito, ratificar o decidido no Acórdão nº 180100.056, de 28 de julho de 2009. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000572/2003-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1997, 1998
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O art. 62-A do Regimento Interno do CARF determina observância das decisões definitivas de mérito do STJ e do STF. O STJ fixou decisão definitiva sobre a contagem do prazo da decadencial do lançamento por homologação, com aplicação do art. 150, Parg. 4°, do CTN, quando houver pagamento. Se não houve pagamento aplica-se o art. 173, I, do CTN.
Ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior
EDITADO EM: 12/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1997, 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF determina observância das decisões definitivas de mérito do STJ e do STF. O STJ fixou decisão definitiva sobre a contagem do prazo da decadencial do lançamento por homologação, com aplicação do art. 150, Parg. 4°, do CTN, quando houver pagamento. Se não houve pagamento aplica-se o art. 173, I, do CTN. Ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior EDITADO EM: 12/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. APLICAÇÃO ARTIGO 150, §4º, CTN. ENTENDIMENTO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O art. 62A do Regimento Interno do CARF determina observância das decisões definitivas de mérito do STJ e do STF. O STJ fixou decisão definitiva sobre a contagem do prazo da decadencial do lançamento por homologação, com aplicação do art. 150, Parg. 4°, do CTN, quando houver pagamento. Se não houve pagamento aplicase o art. 173, I, do CTN. Ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual estabelece a observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 05 72 /2 00 3- 69 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior EDITADO EM: 12/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 20/10/2005, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário n° 146.165, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão no 10421.072 (fls. 181 a 218), assim ementado: "DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas fisicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. NORMAS PROCESSUAIS MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Estando o procedimento fiscal autorizado pela Administração Tributária, com emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal, cuja validade das prorrogações cobre o período em que o contribuinte esteve sob procedimento de fiscalização, não há que se falar em nulidade do lançamento. RENDIMENTOS DO EXTERIOR OMISSÃO DE RENDIMENTOS Até prova em contrário, os valores recebidos pelo contribuinte, oriundos do exterior e não incluídos nos rendimentos tributados da Declaração de Ajuste Anual, caracterizam omissão de rendimentos. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de oficio Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.000572/200369 Acórdão n.º 9202002.579 CSRFT2 Fl. 8 3 exigida com o tributo ou contribuição, com multa lançamento de oficio exigida isoladamente. (artigo 44, inciso I, sç 1°, itens II e III, da Lei n°. 9.430, de 1996). TRIBUTO NÃO RECOLHIDO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO MULTA EXIGIDA JUNTAMENTE COM 0 TRIBUTO – A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto sujeita o contribuinte aos encargos legais correspondentes. Válida a aplicação da penalidade prevista no inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente. Preliminar de nulidade rejeitada. Preliminar de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido." A decisão foi assim resumida: "Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência relativamente ao exercício de 1998, vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêledo, aplicada concomitantemente com a multa de oficio." Cientificada do julgado acima, a Fazenda Nacional opôs os Embargos Inominados de fls. 221/222, bem como o Recurso Especial de fls. 223 a 230. Os Embargos Inominados foram acatados, conforme despacho de fls. 232 a 237, exaradose, em 19/10/2006, o Acórdão 10421.979 (fls.. 241 a 247— Volume II) , assim ementado: "EMBARGOS INOMINADOS Verificada a existência de inexatidão material devida a lapso manifesto no julgado, é de se acolher os Embargos Inominados apresentados pela Fazenda Nacional. Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado." A decisão foi assim resumida: "Por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Inominados para, rerratificando o Acórdão n° 10421.072, de 20/10/2005, corrigir o voto condutor do aresto e complementar a decisão para, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência relativamente ao exercício de 1998, anocalendário de 1997, arguida pelo Relator, vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Beatriz Andrade de Carvalho e Maria Helena Cotta Cardozo. No mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de oficio." Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Cientificada do julgamento dos Embargos, a Fazenda Nacional reiterou o Recurso Especial já interposto (fls. 224 a 230 e 248 — Volume II), com fundamento no art 32, inciso I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, vigente à época. Primeiramente, requer seja declarada a tempestividade do Recurso Especial, eis que interposto dentro do prazo estabelecido no artigo 33, caput, do Regimento acima. No acórdão recorrido, por maioria de votos, acolheuse a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento relativo ao exercício de 1998, anocalendário de 1997. A Fazenda Nacional, por sua vez, intenta reformar o julgado, alegando contrariedade aos dispositivos do CTN — Lei n° 5.172, de 1966, que disciplinam a material [art. 173]. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs recurso especial, cuja matéria se refere à “comprovação de erro de fato, através da apresentação de documentação comprobatória”. Por meio do Despacho n. 220200.157 [fls. 386 e ss], o i. Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF negou seguimento ao recurso interposto, por não atender os pressupostos de admissibilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O presente recurso especial é tempestivo e demonstrada a contrariedade suscitada, conheço do recurso especial interposto e passo ao exame da matéria suscitada. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõe se a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, tem se que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.000572/200369 Acórdão n.º 9202002.579 CSRFT2 Fl. 9 5 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A imperiosidade de aplicação dessa decisão do STJ, no âmbito do CARF, é inequívoca, conforme o disposto no artigo 62A do seu Regimento Interno. Desse modo, ao observar o caso concreto trazido a esta câmara superior de julgamento, notase que à recorrente Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 assiste razão quanto ao seu inconformismo no que se refere à fundamentação do acórdão recorrido. De acordo com o julgado, foi suscitada a decadência do crédito tributário com base no disposto no art. 150, § 4º do CTN. Senão vejamos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No entanto, conforme se o observa no precedente vinculante do Superior Tribunal de Justiça, deverseá aplicar o disposto no art.173, I do CTN quando do cálculo do prazo quinquenal, mesmo nos casos de lançamento por homologação. Fato imprescindível para a seleção de tal dispositivo é antecipação de pagamento, por parte do contribuinte, do tributo devido e recolhido a menor. Ao consultar os autos, verifico que o contribuinte se adiantou à quitação fiscal, havendo pagamento [fl. 11], deste modo, verossimilhança entre o fático trazido a este Conselho Pleno com aquele objeto da apreciação do Superior Tribunal de Justiça. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito tributário em 26/03/2003, com a devida ciência do contribuinte constante da folha de rosto do Auto de Infração, a exigência fiscal relativa ao anocalendário 1997 se encontra fulminada pela decadência, haja vista demonstração de recolhimento a folha 11 e demonstrativo a folha 66. CONCLUSÃO Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com a jurisprudência consolidada nos Tribunais Superiores e de observância obrigatória por este Colegiado, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.000572/200369 Acórdão n.º 9202002.579 CSRFT2 Fl. 10 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2 013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 17883.000238/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 30/11/2003
VÍCIO MATERIAL. NULIDADE.
Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento encontra-se viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso; no entanto, eventuais erros na identificação do sujeito passivo constituem vícios de formalização do crédito.
DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL.
O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2001 a 30/11/2003 VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento encontra-se viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso; no entanto, eventuais erros na identificação do sujeito passivo constituem vícios de formalização do crédito. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
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NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento encontrase viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso; no entanto, eventuais erros na identificação do sujeito passivo constituem vícios de formalização do crédito. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente Substituta (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 38 /2 01 0- 20 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000238/201020 Acórdão n.º 2302002.563 S2C3T2 Fl. 97 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 13/10/2010 para constituição de crédito de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a Cooperativas de Trabalho. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ÓRGÃOS PÚBLICOS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA. EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os órgãos públicos da administração direta são considerados empresas em relação aos segurados não abrangidos por Regime Próprio de Previdência Social RPPS, ficando sujeitos, em relação a estes, ao cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. PAGAMENTOS POR SERVIÇOS DE PESSOAS FÍSICAS INTEGRANTES DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES DA PARTE DA EMPRESA. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração a contribuintes individuais participantes de cooperativa de trabalho. Art. 22, IV da Lei n° 8.212/1991 (redação da Lei 9.876/1999). LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO DE AI ANULADO POR VÍCIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ART. 173, II CTN. O mero VÍCIO FORMAL, caracterizado no caso concreto pela correta identificação do CNPJ do sujeito passivo, por equivoco em sua nomeação, autoriza, em relação a lançamento substitutivo, o deslocamento da regra decadencial para o art. 173, II do Código Tributário Nacional. ... 3. Esclarece a autuante que o presente crédito decorreu do procedimento fiscal aberto para reconstituição da NFLD DEBCAD n° ..., lavrada em 28/12/2004, a qual foi julgada nula por conter erro na identificação do Sujeito Passivo, vicio insanável, pelo DespachoDecisório n° ..., datado de 25/08/2005 e homologado em 16/11/2005. ... 11. Como reportado pela Autoridade Fiscal, motivou a anulação do lançamento anterior (NFLD DEBCAD n° ...) terse verificado erro na identificação do Sujeito Passivo. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera alegações trazidas na impugnação, em especial a decadência dos débitos superiores a cinco anos, conforme Súmula Vinculante n° 8. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000238/201020 Acórdão n.º 2302002.563 S2C3T2 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Procedimentos formais. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa Fl. 114DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados. Decadência. Vício Formal. Antes da verificação do transcurso do prazo para constituição do crédito, é necessário o exame quanto à natureza do vício insanável, já que no Código Tributário Nacional há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal. Daí a relevância e finalidade da qualificação dos vícios que sejam identificados nos processos administrativos fiscais: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destaques nossos) Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; o que implica reconhecer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, identificandose o conceito de vício formal, por exclusão, podese reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de Fl. 115DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000238/201020 Acórdão n.º 2302002.563 S2C3T2 Fl. 99 7 validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, citamos a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192). Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: Auto de Infração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal, etc). Vale dizer, esta última concepção confundese com o próprio conceito de procedimento, de prática de atos ordenados visando à consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. É um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o Auto de Infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: (...) RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de Fl. 116DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.(...) (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Abstraindose da denominação que se possa atribuir à falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores, o que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador (vício material) junto com equívocos e omissões na qualificação do autuado, do dispositivo legal, da data e horário da lavratura, apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu (vício formal). Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO –INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é justamente essa diferença acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo apenas quando o vício é formal. O rigor da forma como requisito de validade gera um cem número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário a regra de interrupção da decadência para a realização de lançamento substitutivo do anterior, anulado por simples vício na formalização. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000238/201020 Acórdão n.º 2302002.563 S2C3T2 Fl. 100 9 De fato, a forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Caso não houvesse a interrupção da decadência, o Estado estaria impedido de refazer o ato através da forma válida. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, o vício está na identificação do sujeito passivo ou, mais precisamente, na descrição do nome identificador da pessoa jurídica de direito público sem, contudo, prejudicar o conhecimento através de outros elementos identificadores como, por exemplo, CNPJ e endereço, da pessoa obrigada; portanto sem relação com a verificação e demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação. Assim, entendemos que o lançamento substituído foi anulado por vício formal. Com efeito, assiste razão à decisão recorrida. Tratandose de nulidade por vício formal, é possível a sua reconstituição com reabertura do prazo qüinqüenal que somente se inicia quando a decisão anulatória se torna definitiva, o que somente ocorreu com sua homologação em 16/11/2005: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destaques nossos) Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 14/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 08/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13710.002349/00-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/1999
Ementa:
DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DOS FATOS ALEGADOS.
Conforme artigo 16, §4°, do Decreto 70.235/72, e artigo 333, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, é ônus do contribuinte trazer o conjunto probatório necessário para o exame do seu potencial direito creditório.
PIS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA.
Não se aplica à contribuição ao PIS, por não possuir natureza de imposto, a regra da imunidade tributária recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da CR.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DOS FATOS ALEGADOS. Conforme artigo 16, §4°, do Decreto 70.235/72, e artigo 333, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, é ônus do contribuinte trazer o conjunto probatório necessário para o exame do seu potencial direito creditório. PIS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. Não se aplica à contribuição ao PIS, por não possuir natureza de imposto, a regra da imunidade tributária recíproca prevista no artigo 150, VI, a, da CR. Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
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PROVA DOS FATOS ALEGADOS. Conforme artigo 16, §4°, do Decreto 70.235/72, e artigo 333, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, é ônus do contribuinte trazer o conjunto probatório necessário para o exame do seu potencial direito creditório. COFINS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. Não se aplica à COFINS, por não possuir natureza de imposto, a regra da imunidade tributária recíproca prevista no artigo 150, VI, “a”, da CR. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PROVA DOS FATOS ALEGADOS. Conforme artigo 16, §4°, do Decreto 70.235/72, e artigo 333, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, é ônus do contribuinte trazer o conjunto probatório necessário para o exame do seu potencial direito creditório. PIS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. Não se aplica à contribuição ao PIS, por não possuir natureza de imposto, a regra da imunidade tributária recíproca prevista no artigo 150, VI, “a”, da CR. Recurso negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 23 49 /0 0- 68 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de DComps – Declarações de Compensação pelas quais se pretende a extinção de débitos tributários com créditos da COFINS e da contribuição ao PIS, decorrentes de pagamentos a maior realizados nos períodos de apuração 02 a 05/1999. Fundamenta a recorrente seu pedido no disposto no art. 14, I, da MP 2.158 35/01, cujos efeitos retroagiram para 01.02.1999. Este dispositivo, segundo a recorrente, institui isenção do PIS e da COFINS para as receitas recebidas a título de repasse, oriundo do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista. A DRF de origem, com base no parecer conclusivo nº 227/10 (fls. 110/115), indeferiu o direito creditório e não homologou as DComps (fls. 116). Segundo a DRF, embora a recorrente tenha retificado as DCTFs relativas aos 1º e 2º trimestres de 1999, estas declarações foram transmitidas com valores idênticos ao que constavam anteriormente. Apenas em 03.10.2005, as retificadoras foram devidamente apresentadas, porém não mais surtiram efeitos, pois consideradas intempestivas. Ainda que as retificadores surtissem efeitos, conclui a DRF, os DARFs estariam totalmente vinculados aos débitos declarados em DCTF, inexistindo saldo credor. A recorrente, então, manifestou sua inconformidade (fls. 121/123), sustentando, em síntese, a aplicabilidade da isenção conferida pela atual MP nº 2.15835/01 e trazendo aos autos documentos comprobatórios do seu suposto direito creditório, tais como as DREs, o livro Razão da conta relacionada às “receitas de transferências correntes”, livros Diários, extratos bancários e demonstrativo das receitas de transferências correntes. A DRJ, então, superou o suposto vício formal consistente na retificação tardia da DCTF, e apreciou o mérito da pretensão do contribuinte. E o fez para manter a não homologação das DComps (fls. 218/225), ao argumento de que a recorrente não faria jus à isenção conferida pela atual MP nº 2.15835/01, pois, nos termos do art. 111, do CTN, e da Lei Fl. 286DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13710.002349/0068 Acórdão n.º 3403002.227 S3C4T3 Fl. 6 3 nº 4.320/64, os recursos recebidos pela recorrente, contabilmente classificados como receitas de transferência, seriam, na verdade, contraprestação por serviços prestados ao município do Rio de Janeiro, sendo incabível enquadrálos como repasses, o que afastaria a isenção prevista na MP nº 2.15835/01. Sobreveio recurso voluntário (fls. 230/248), no qual a recorrente tenta demonstrar o sentido amplo do termo “repasse”, contido no art. 14, I, da MP nº 2.15835/01, bem como alega ser aplicável in casu o art. 150, VI, “a”, da CF/88, que institui a imunidade tributária recíproca. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. A controvérsia instaurada diz respeito à aplicabilidade da isenção prevista no art. 14, I, da MP 2.15835/01 às receitas de transferências correntes auferidas pela recorrente. Eis a norma controvertida: "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput.” A recorrente é uma empresa pública e, portanto, apta a receber repasses orçamentários de entes públicos. Disso não há dúvida. A dúvida está em saber se o montante utilizado como base de lançamento tem a natureza jurídica de repasse. A DRJ conclui que não, com fundamento na descrição da receita constante do razão analítico da recorrente, juntado às fls. 129/160 dos autos. Neste documento comercial, cujo preenchimento é de exclusiva responsabilidade do contribuinte, está consignado que as receitas decorrem de contraprestação por serviços prestados ao Município do Rio de Janeiro. Para infirmar o que registrou em seu livro comercial, a recorrente junta sua DRE – Demonstração do Resultado do Exercício (fls. 125/128), na qual a receita objeto do lançamento consta como “receitas de transferências correntes”. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Havendo ou não preferência entre o livro Razão Analítico e a DRE acima mencionados, penso que quaisquer deles poderiam ser utilizados pela autoridade lançadora para definir a natureza das receitas auferidas pela recorrente. Caberia, pois, à recorrente fazer prova de que a catalogação da DRE é correta e, a do Livro Razão, equivocada. Ora, sem as provas do direito alegado (art. 333 do CPC), é possível a esta autoridade julgadora confirmar que as receitas, de fato, possuem natureza de contraprestação por serviços prestados. Isto é também o que determina o art. 378 do CPC, in verbis: “Art. 378. Os livros comerciais provam contra o seu autor. É lícito ao comerciante, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos.” Em outras palavras, os livros comerciais fazem prova contra o seu autor, embora seja lícito a este último comprovar que os lançamentos nele efetuados estão incorretos. Quer dizer, o recorrente contra quem se indefere direito creditório fundado na sua própria escrituração contábil tem o ônus probatório quanto à inveracidade dos dados ali lançados. No caso, verificase, de pronto, que o recorrente não se desincumbiu deste ônus, incidindo na hipótese o disposto no art. 16, III, e §4°, do Decreto 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Por fim, argumenta a recorrente que as suas receitas não podem sofrer tributação pelo PIS e pela COFINS, em razão de que a elas se aplicaria a regra constitucional da imunidade tributária recíproca, instituída pelo art. 150, VI, “a”, da Constituição da República., in verbis: "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;" A referida regra constitucional se dirige, exclusivamente, como se percebe, aos impostos, de modo que é possível a exigência de contribuições sociais, tais quais o PIS e a COFINS, de empresas públicas. A esse respeito, confirase precedente deste órgão de julgamento: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13710.002349/0068 Acórdão n.º 3403002.227 S3C4T3 Fl. 7 5 (...)“Inexiste imunidade recíproca nessa espécie tributária, uma vez que o art. 150, VI reportase a impostos.”(P.A. 10907.002078/200289, Ac. 20309.757, publicado em 23.06.05) “As empresas públicas fruem da imunidade recíproca prevista pelo artigo 150, VI, a, da CF, no que se refere ao patrimônio, bens ou serviços vocacionados ao empreendimento de atividades que lhe delega o Poder Público, sejam elas serviços públicos ou o exercício do Poder de Polícia. A abrangência objetiva da imunidade, todavia, se restringe aos impostos, não se aplicando às taxas ou às contribuições sociais, inclusive as destinadas à Seguridade Social.“ (P.A. 10510.001344/200471, Ac. 3403 00.191, j. em 03.12.2009) Em face do exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 289DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 26/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10074.000093/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 08/11/2002 a 08/06/2004
Ementa:
PENA DE PERDIMENTO - CONVERSÃO EM MULTA - DANO ERÁRIO - IMPRESCINDIBILIDADE - DESEMBARAÇO ADUANEIRO - IRREGULARIDADE NO CREDENCIAMENTO DE REPRESENTANTE - FALSIDADE IDEOLÓGICA - FATO ATÍPICO.
A irregularidade ocorrida no credenciamento do representante legal do importador no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) não contamina a higidez do conteúdo da Declaração de Importação, tornando-a ideologicamente falsa.
PENA DE PERDIMENTO. FALTA DE ELEMENTO DO TIPO. CONVERSÃO EM MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
É condição necessária para a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria estrangeira importada, sancionada com pena de perdimento, que a infração qualificada como dano erário esteja devidamente tipificada mediante a comprovação do efetivo dano ao erário. Ante ausência de fato (comprovação de efetivo dano ao erário) que se subsuma a essa tipificação, torna-se insubsistente a exigência da referida multa.
Numero da decisão: 3402-001.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso de ofício.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. ; Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator), Mário Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 08/11/2002 a 08/06/2004 Ementa: PENA DE PERDIMENTO - CONVERSÃO EM MULTA - DANO ERÁRIO - IMPRESCINDIBILIDADE - DESEMBARAÇO ADUANEIRO - IRREGULARIDADE NO CREDENCIAMENTO DE REPRESENTANTE - FALSIDADE IDEOLÓGICA - FATO ATÍPICO. A irregularidade ocorrida no credenciamento do representante legal do importador no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) não contamina a higidez do conteúdo da Declaração de Importação, tornando-a ideologicamente falsa. PENA DE PERDIMENTO. FALTA DE ELEMENTO DO TIPO. CONVERSÃO EM MULTA. IMPOSSIBILIDADE. É condição necessária para a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria estrangeira importada, sancionada com pena de perdimento, que a infração qualificada como dano erário esteja devidamente tipificada mediante a comprovação do efetivo dano ao erário. Ante ausência de fato (comprovação de efetivo dano ao erário) que se subsuma a essa tipificação, torna-se insubsistente a exigência da referida multa.
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Interessado DRJ FLORIANÓPOLIS SC ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/11/2002 a 08/06/2004 Ementa: PENA DE PERDIMENTO CONVERSÃO EM MULTA DANO ERÁRIO IMPRESCINDIBILIDADE DESEMBARAÇO ADUANEIRO IRREGULARIDADE NO CREDENCIAMENTO DE REPRESENTANTE FALSIDADE IDEOLÓGICA FATO ATÍPICO. A irregularidade ocorrida no credenciamento do representante legal do importador no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) não contamina a higidez do conteúdo da Declaração de Importação, tornandoa ideologicamente falsa. PENA DE PERDIMENTO. FALTA DE ELEMENTO DO TIPO. CONVERSÃO EM MULTA. IMPOSSIBILIDADE. É condição necessária para a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria estrangeira importada, sancionada com pena de perdimento, que a infração qualificada como dano erário esteja devidamente tipificada mediante a comprovação do efetivo dano ao erário. Ante ausência de fato (comprovação de efetivo dano ao erário) que se subsuma a essa tipificação, tornase insubsistente a exigência da referida multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 00 93 /2 00 7- 47 Fl. 923DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. ; Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Mário Cesar Fracalossi Bais (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso de Ofício (fls. 434)contra o v. Acórdão DRJ/FNS nº 07 21.362 de 01/10/10 (fls. 433/438) exarado pela 1ª Turma da DRJ de Florianópolis SC que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar “procedente” a impugnação ao lançamento das multas de 100% sobre o valor das mercadorias importadas no valor total de R$ 3.3651.951,01, referentes às DIs registradas no período de 08/11/02 a 08/06/04 em razão dos seguintes fatos relatados no Relatório de Conclusão de Ação Fiscal (fls. 12/20, nos seguintes termos: RELATÓRIO DE CONCLUSÃO DE AÇÃO FISCAL DESCRIÇÃO DOS FATOS A empresa TELVENT BRASIL S. A., CNPJ n° 31.432.685/0001 79, submeteu a despacho aduaneiro mercadorias estrangeiras importadas por intermédio das Declarações de Importação relacionadas na tabela a seguir, utilizandose de representantes legais não credenciados na forma da legislação vigente à época, a Instrução Normativa SRF no 229, de 23 de outubro de 2002. Declaração de Importação Data de Registro Valor CIF das Mercadorias (em U$) Valor Tributável (em R$) CPF do Representante 02/0996515- 5 08/11/2002 562,68 1.984,18 025.627.808- 33 02/1045835- 0 25/11/2002 589,97 2.093,45 025.627.808- 33 02/1045834- 2 25/11/2002 255,39 906,23 025.627.808- 33 02/1114166- 0 16/12/2002 47.638,89 172.976,81 025.627.808- 33 02/1126572- 6 19/12/2002 2.321,89 8.135,67 025.627.808- 33 02/1132362- 9 23/12/2002 1.904,83 6.655,29 025.627.808- 33 03/0030363- 1 14/01/2003 7.378,29 24.163,90 025.627.808- 33 03/0046603- 4 20/01/2003 4.119,77 14.046,36 025.627.808- 33 03/1096626- 9 23/01/2003 123.373,90 430.488,55 025.627.808- 33 03/0068004- 26/01/2003 82,77 297,27 025.627.808- Fl. 924DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.000093/200747 Acórdão n.º 3402001.867 S3C4T2 Fl. 3 3 4 33 03/0160629- 8 25/02/2003 621,35 2.237,17 025.627.808- 33 03/0189812- 4 07/03/2003 7.239,77 25.340,64 025.627.808- 33 03/0227628- 3 19/03/2003 216,99 750,09 025.627.808- 33 03/0291589- 8 08/04/2003 47,90 151,56 025.627.808- 33 03/0291587- 1 08/04/2003 2.688,47 8.506,59 025.627.808- 33 03/0388241- 1 09/05/2003 253.216,82 729.112,51 025.627.808- 33 03/0486279- 1 10/06/2003 107.060,93 306.140,73 025.627.808- 33 03/0500934- 0 13/06/2003 29.563,38 84.438,93 025.627.808- 33 03/0624501- 3 24/07/2003 16.315,96 47.239,60 025.449.817- 50 03/0644048- 7 30/07/2003 14,48 42,67 025.449.817- 50 03/0657367- 3 05/08/2003 129.562,05 393.324,47 025.449.817- 50 03/0884972- 2 14/10/2003 6.934,10 19.704,63 025.449.817- 50 03/0884971- 4 14/10/2003 6.523,12 18.536,75 025.449.817- 50 03/0982730- 7 11/11/2003 11.170,62 32.335,59 025.449.817- 50 03/0982729- 3 11/11/2003 13.476,95 39.011,73 025.449.817- 50 03/1019309- 0 20/11/2003 7.359,70 21.690,51 025.449.817- 50 03/1019308- 1 20/11/2003 25.309,23 74.591,36 025.449.817- 50 03/1019304- 9 20/11/2003 1.860,48 5.483,21 025.449.817- 50 03/1071643- 2 05/12/2003 17.790,67 52.286,78 025.449.817- 50 03/1121261- 6 19/12/2003 52.885,02 154.794,45 025.449.817- 50 03/1121260- 8 19/12/2003 536,32 1.569,81 025.449.817- 50 04/0013233- 2 07/01/2004 1.784,53 5.124,28 025.449.817- 50 04/0031909- 2 13/01/2004 22.490,14 63.003,88 025.449.817- 50 04/0031894- 0 13/01/2004 1.236,00 3.462,53 025.449.817- 50 04/0031887- 8 13/01/2004 1.408,22 3.944,99 025.449.817- 50 04/0355679- 6 15/04/2004 1.602,07 4.504,70 025.449.817- 50 04/0355678- 8 15/04/2004 7.884,99 22.271,01 025.449.817- 50 04/0399195- 6 28/04/2004 3.154,88 9.252,32 025.449.817- 50 04/0410461- 9 30/04/2004 11.736,14 34.550,02 025.449.817- 50 04/0447343- 6 12/05/2004 3.392,46 10.585,49 025.449.817- 50 04/0468888- 2 18/05/2004 16.468,08 51.372,27 025.449.817- 50 04/0547121- 6 08/06/2004 149.241,35 464.842,03 025.449.817- 50 TOTAL 3.351.951,01 As Declarações de Importação listadas acima, objeto da presente autuação, foram registradas eletronicamente no sistema Fl. 925DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Siscomex por Henrique Rodrigues Machado, CPF n° 025.627.80833, e por Roberto Gomes da Costa, CPF n° 025.449.81750, e tiveram seus valores CIF em dólares estadunidenses convertidos em reais as taxas de câmbio vigentes nas datas das ocorrências dos respectivos fatos geradores das importações, na forma estabelecida no art. 73 c/c art. 97 do Decreto n° 4.543/2002, totalizando R$ 3.351.951,01 (três milhões e trezentos e cinqüenta e um mil e novecentos e cinqüenta e um reais e um centavo). DAS SISTEMÁTICAS DE CREDENCIAMENTO Preliminarmente, cabe mencionar o DecretoLei n° 2.472/88 que dispõe, em seu artigo 5°, regulamentado pelo artigo 718 do Decreto n° 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro), que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas, bem como quaisquer outras relativas a operações de comércio exterior poderão ser realizadas pelo importador ou por seus representantes. No Relatório Fiscal da SOPEL/IRFRJO, de fls. 21 a 24, que trata da habilitação da fiscalizada e do credenciamento de seus representantes, são descritas informações colhidas de servidores responsáveis pelos procedimentos de registro de representantes legais para atuar no comércio exterior em nome da empresa, na fase anterior ao advento da Instrução Normativa SRF 229/2002: “.... os pretensos despachantes dirigiamse A. unidade aduaneira responsável pelo cadastramento, conduzindo cartões de credenciamento, contrato social ou estatuto e procuração da empresa a ser representada, dandolhe plenos poderes para tal. 0 servidor responsável pelo procedimento, após análise da documentação e entendendo ser válida e pertinente, assinava os cartões de credenciamento, permanecendo com uma cópia em arquivo. Após isso, acessava o sistema CADASTRO DE REPRESENTANTES LEGAIS e vinculava o CPF do representante legal (p.ex. despachante) ao CNPJ da empresa (representada)....". Discorre ainda o Relatório sobre o prazo de validade do credenciamento efetuado da forma descrita acima, revelando que não havia limitação imposta pelo sistema e que alguns servidores limitavam a validade do credenciamento àdata de vencimento da procuração apresentada. Tal procedimento foi verificado, inclusive, no caso do credenciamento da despachante aduaneira Cícera Fátima dos Santos, CPF n° 727.135.00800, cuja inclusão no cadastro deu se em 30/07/2002, e a exclusão em 02/07/2003, na data do vencimento da procuração da fiscalizada que lhe outorgava o poder, dentre outros, de representála no Siscomex, conforme se pode verificar na pesquisa de fls. 25 a 27 e na procuração de fls. 28. Tanto que, no período de 05/11/2002 a 13/05/2003, registrou regularmente cinco DI's representando a Telvent Brasil S. A, conforme pesquisa de fls. 29. A partir de 25/10/2002, no entanto, a sistemática de credenciamento foi reformulada. Publicada nessa data, a IN SRF Fl. 926DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.000093/200747 Acórdão n.º 3402001.867 S3C4T2 Fl. 4 5 229/2002 dispunha, em seu artigo 3º , que a pessoa jurídica somente estaria apta a atuar no comércio exterior se fosse habilitada após análise fiscal sumária realizada com base nas informações cadastrais e fiscais disponibilizadas no sistema Radar e nos demais sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal. No artigo 2°, a IN SRF 229/2002 previa que a pessoa jurídica interessada na habilitação de seu responsável legal perante o Siscomex deveria formalizar requerimento junto a. unidade de fiscalização aduaneira da SRF jurisdicionante de seu estabelecimento matriz. No caso da Telvent Brasil S. A., portanto, junto à Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro. Adiante, no parágrafo 3° de seu artigo 7° o diploma legal citado determinava que a conclusão do procedimento seria registrada no sistema Radar pelo responsável por sua execução. Em caso de deferimento da habilitação, o responsável legal da empresa, obrigatoriamente o mesmo perante o CNPJ, conforme dispunha o parágrafo único do artigo 1° da mesma Instrução Normativa, teria seu CPF vinculado como representante legal ao CNPJ da empresa e receberia a senha para cadastrar seus representantes legais no Siscomex, por meio de Internet. Concluise que, a partir de então, os antigos cartões de credenciamento de despachantes não poderiam ser mais expedidos pelas unidades de despacho, embora tenham permanecido válidos, e regidos pelas normas anteriores, enquanto não expirasse seu prazo de validade, aqueles emitidos antes de 25/10/2002, bem como a respectiva vinculação no sistema dos portadores desses cartões, feita pelo funcionário da Receita Federal. Fica evidente, portanto, que qualquer inserção de representante legal no Siscomex posterior àquela data não poderia ser feita pela unidade de despacho, a não ser por motivo excepcional, devidamente justificada e aceita pela Administração. É pacífico, além disso, o entendimento de que o credenciamento do representante legal de uma empresa que, repitase, não é mais realizado mediante a emissão de um papel, mas por meio de informação eletrônica no Sistema pelo próprio responsável legal, correspondente a um documento eletrônico. DA OBRIGATORIEDADE DO CREDENCIAMENTO Resta saber se o documento eletrônico mencionado, que credencia os representantes legais, é ou não necessário ao desembaraço de uma mercadoria importada. A resposta à questão é simples: sem estar credenciado, o representante não pode registrar a Declaração de Importação. Se não a registrar, obviamente, não conseguirá desembaraçar as mercadorias. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 0 embasamento desse entendimento é dado pelo art. 718 do Decreto n° 4.543/02, cuja matriz legal é o art. 5° do DecretoLei n° 2.472/88, transcrito a seguir. Art. 718. As atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas ou exportadas, bem assim quaisquer outras relativas a operações de comércio exterior, poderão ser realizadas pelo importador, pelo exportador ou por seus representantes (DecretoLei n° 2.452, de 1988, art. 5°). Parágrafo único. As atividades referidas no caput dependem de prévia habilitação do responsável legal da pessoa jurídica interessada, bem assim do credenciamento das pessoas físicas que atuarão em seu nome no exercício dessas atividades, de conformidade com o estabelecido pela Secretaria da Receita Federal e em norma específica. Obedecendo a essa diretriz, a Instrução Normativa SRF n° 206/02 dispõe, em seu art. 14: Art. 14. 0 registro da DI caracteriza o inicio do despacho aduaneiro de importação, e somente será efetivado; I se verificada a regularidade cadastral do importador; Evidentemente, em caso de não haver a habilitação prévia do responsável legal da empresa, é impossível seu acesso ao sistema para cadastrar representantes. Concluise, então, que qualquer registro nessas condições foi efetuado de forma irregular, sendo, por isso, igualmente irregular a situação cadastral do importador. Decorre dai que manipulação indevida do sistema, ou seja, a vinculação de CPF de representante em desconformidade com as normas legais estabelecidas se configura como um ato administrativo inválido, nulo. E a constatação dessa nulidade opera efeitos ex tunc, ou seja, retroage As suas origens, invalidando todas as consequências dele advindas, em especial no caso, o registro das Declarações de Importação efetuadas por esses representantes. DA IRREGULARIDADE DOS CREDENCIAMENTOS O Relatório Fiscal da SOPEL em pesquisa Radar de fls. 30 a 34, constatou que ate aquela data, 02 de setembro de 2004, a empresa Telvent do Brasil S. A. não possuía responsável legal perante o Siscomex, nem ficha de habilitação Radar registrada. Tal fato somente se deu em 05 de julho de 2005, mediante o registro da Ficha no 05/00164231, conforme informa pesquisa de fls. 35 a 39. Cita também a pesquisa de fls. 25 a 27, que dá conta de que o representante legal de CPF n° 025.449.81750 foi vinculado ao CNPJ da entidade em 28/11/2002 e o de CPF n° 025.627.808 33, em 25/11/2002. Cabe frisar ainda, que não consta registro de que tais procedimentos de vinculação, em desacordo com o rito previsto na norma legal, tenham sido fundamentados em algum fato, Fl. 928DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.000093/200747 Acórdão n.º 3402001.867 S3C4T2 Fl. 5 7 documento ou autorização excepcional, contando com a prévia anuência da Administração. As vinculações desses representantes legais, que registraram as Declarações de Importação objeto da presente autuação, Henrique Rodrigues Sampaio, CPF n° 025.627.80833, e Roberto Gomes da Costa, CPF n° 025.449.81750, deramse, por conseguinte, de forma irregular, ao arrepio da legislação vigente, uma vez que não consta na unidade, no período entre a publicação da IN SRF 229, em 25/10/2002, e os citados cadastramentos, deferimento de habilitação perante o Siscomex do responsável legal pela empresa, que seria a pessoa dotada de prerrogativas para proceder ao registro dessas vinculações. 0 Relatório SOPEL, em seu final, propunha a realização de diligência na empresa a fim de que fossem apuradas as possíveis irregularidades para que, em caso de serem constatadas, dessem margem A instauração de procedimento de fiscalização no contribuinte. DAS AÇÕES FISCAIS REALIZADAS Acolhida a proposta, o Senhor Inspetor da IRF'11.10 expediu primeiramente o Mandado de Procedimento Fiscal — Diligência n° 07.1.54.002005008210 e a diligência iniciouse com o Termo de Intimação de fls. 40, expedido em 22 de agosto de 2005, solicitando à Telvent Brasil S. A. originais e cópias autenticadas de todos os documentos apresentados A Receita Federal para instruir seu credenciamento e os utilizados pela empresa como credenciais para atuação no comércio exterior no período de 25/10/2002 e 26/06/2005. A empresa atendeu à intimação mediante a entrega do documento de fls. 41, no qual informava que "... documentos ... foram entregues aos competentes setores de credenciamento das Alfândegas do Porto de Santos e do Aeroporto Internacional, no Rio de Janeiro...". Informava ainda o mesmo documento, do qual foi signatário o Diretor Administrativo Financeiro da Sociedade Anônima, "... que a Telvent do Brasil S. A. está devidamente habilitada no Sistema Radar, através do procedimento obrigatório relativo A. IN SRF 455/04, desde o Último dia 5 de julho." Ha que se ressaltar aqui, que o próprio contribuinte confirma que sua habilitação deuse somente em 05/07/2005, em data posterior, portanto, à de vinculação dos representantes legais da empresa no sistema Siscomex. Em 22/05/2005 e 09/11/2005, o Senhor Inspetor Substituto da IRFRJO enviou os Memorandos de fls. 42, 44 e 45 às unidades de despacho citadas no documento de resposta ao Termo de Intimação desta Fiscalização, solicitando cópias de documentos porventura existentes, referentes à habilitação, ao credenciamento e à vinculação de responsável legal da Telvent Brasil S. A. no Siscomex. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 A Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro respondeu, mediante o Memorando n° 170/2005/ALF/G1G, de fls. 43, que não havia documentos arquivados naquela repartição referentes ao contribuinte em tela. Já a Alfândega do Porto de Santos encaminhou o MEMO/GAB/ALP/n0 281, de fls. 46, e cópia da procuração já citada, de fls. 28, da Sainco Brasil S. A. (antiga Razão Social da Telvent Brasil S. A.) que concedia poderes para atuar no Siscomex, durante o período de 02 de julho de 2003 a 02 de julho de 2003, aos representantes Walter Thomaz da Silva, CPF n° 621.696.96849, Walter Thomaz da Silva Júnior, CPF n° 060.115.54830, Cícera Fátima Thomaz da Silva, CPF n° 727.135.00800 e José Romualdo da Silva, CPF n° 065.841.148 99. Ora, confirmada por meio da diligência a irregularidade quanto A. vinculação dos representantes legais que operaram no Siscomex em nome da empresa, resta claro que os despachos aduaneiros efetuados por esses agentes em nome da empresa são irregulares, cabendo, por consequência, a aplicação da pena de perdimento dos bens ou sua conversão em multa, no caso de impossibilidade de apreendelos. Em vista disso, o Senhor Inspetor da IRFRJO expediu o MPF n° 07.1.54.002006007544, de fls. 01, instaurando a presente ação fiscal, tendente a apurar os fatos e aplicar a pena de perdimento às mercadorias importadas de forma irregular, porquanto as pessoas que registraram as respectivas DI's não se revestiam da condição de representante legal para fazêlo, configurandose, assim, a situação prevista em lei como passível de aplicação da penalidade. Em 19 de setembro de 2006 e em 20 de setembro de 2007, foram expedidas por esta Fiscalização os Temos de Intimação de fls. 47 e 48, questionando a empresa sobre o paradeiro dos bens em questão. As intimações foram atendidas mediante a apresentação dos Livros Fiscais e das Notas Fiscais de Saída, que, juntamente com as cópias dos Extratos das DI's correspondentes e as respectivas explicações, perfazem a documentação de fls. 49 a 204 e 207 a 363, comprovando que as mercadorias foram dadas a consumo em sua totalidade. A empresa protocolou, ainda, em 29/01/2007, a Declaração de fls. 364. DAS INFRAÇÕES E DAS PENALIDADES Com efeito, a manipulação indevida do sistema, ou seja, a vinculação do CPF dos representantes ao CNPJ da empresa Telvent Brasil S. A. em desconformidade com as normas estabelecidas, possibilitaram o registro das Declarações de Importação mencionadas na tabela de fls. 13 e 14, o que configura, de forma inequívoca, FALSIFICAÇÃO IDEOLÓGICA DE DOCUMENTO NECESSÁRIO AO DESEMBARAÇO. 0 art. 602 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, dispõe, in verbis: Fl. 930DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.000093/200747 Acórdão n.º 3402001.867 S3C4T2 Fl. 6 9 Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 3, de 1966, art. 94). 0 tratamento legal a ser dado As mercadorias importadas com a utilização desse expediente é o preconizado pelo art. 618, inc. VI, do Decreto n° 4.543/02, com as alterações do Decreto n° 4.765/03, cuja matriz legal é o art. 105, inc. VI, do DecretoLei n° 37/66, o qual dispõe, in verbis: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI Estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; De fato, a situação acima aludida, de acordo com o art. 23, inc. IV, do DecretoLei n° 1.455/76, representa DANO AO ERÁRIO, sendo a pena de perdimento a forma de punição prevista no parágrafo único do dispositivo legal: Art. 23. Consideramse como dano ao Erário as infrações relativas ás mercadorias: IV — enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do art. 104 e nos incs. I a XIX do art. 105 do DL 37/66. Parágrafo único. 0 dano ao Erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com pena de perdimento das mercadorias. CONCLUSÃO Diante do relatado, verificouse ser cabível a aplicação da pena de perdimento com base no art. 618, inc. VI, do Decreto n° 4.543/02 (art. 23, inc. IV e parágrafo único do DecretoLei n° 1.455/76 e art. 105, inc. VI, do DecretoLei n° 37/66). No entanto, tendo o contribuinte consumido as mercadorias em questão, convertese, com base no art. 618, § 1° do Decreto n° 4.543/02 (art. 23, § 3° do DecretoLei no 1.455/76) c/c art. 57, §s 1° e 2° da Medida Provisória n° 135/03 e art. 73, §s 1° e 2° da Lei n° 10.833/03, a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro dessa mercadoria, calculado em R$ 3.351.951,01 (três milhões e trezentos e cinqüenta e um mil e novecentos e cinqüenta e um reais e um centavo).” Reconhecendo expressamente que a impugnação oportunamente apresentada atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão fls. 433/438) da 1ª Turma da DRJ de Florianópolis SC, houve por bem julgar “procedente” a impugnação ao lançamento, exonerando a Recorrida das multas de 100% sobre o valor das mercadorias importadas, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 931DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 Período de apuração: 08/11/2002 a 08/06/2004 IMPORTAÇÃO. REPRESENTANTE DO IMPORTADOR. NULIDADE DO CREDENCIAMENTO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIAS CONSUMIDAS OU NÃO LOCALIZADAS. CONVERSÃO EM MULTA. A decretação de nulidade de credenciamento no Siscomex, de representante do importador, não caracteriza utilização de documento falso ou adulterado necessário ao desembaraço e, por conseguinte, não enseja a aplicação de pena de perdimento das mercadorias importadas ou sua conversão em multa no caso de as mesmas não terem sido localizadas ou terem sido consumidas. INFRAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. DOCUMENTO FALSO OU ADULTERADO. DOLO OU MAFÉ. A infração, considerada como dano ao Erário, caracterizada pela utilização de documento necessário ao desembaraço que tenha sido falsificado ou adulterado, demanda que se comprove o dolo ou máfé do autuado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Regularmente intimada do v. Acórdão em 28/10/10 (cf. AR fls.440), a Recorrida deixou de apresentar contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade nos termos da legislação de regência indicada na r. decisão recorrida, razão pela qual dele conheço, mas no mérito não merece provimento. Realmente, desde logo verifico que a r. decisão recorria mostrase em consonância com a legislação de regência e com a jurisprudência Administrativa como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/11/2005 DANO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. DOCUMENTO NECESSÁRIO. FALSIDADE IDEOLÓGICA. IRREGULARIDADE NO CREDENCIAMENTO. FATO ATÍPICO. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.000093/200747 Acórdão n.º 3402001.867 S3C4T2 Fl. 7 11 A irregularidade ocorrida no credenciamento do representante legal do importador no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) não contamina a higidez do conteúdo da Declaração de Importação, tornandoa ideologicamente falsa. PENA DE PERDIMENTO. FALTA DE ELEMENTO DO TIPO. CONVERSÃO EM MULTA. IMPOSSIBILIDADE. É condição necessária para a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria estrangeira importada, sancionada com pena de perdimento, que a infração qualificada como dano erário esteja devidamente tipificada. Por decorrência, ante ausência de fato que se subsuma a essa tipificação, tornase insubsistente a exigência da referida multa. Recurso de Oficio Negado. (Cf. Acórdão nº 310200.536 da 1ª Câm. , 2ª Turma Ord. da 3ª Seção do CARF, Rec. nº 343.159, Proc. nº 10074.001346/200538, em sessão de 16/11/09, Rel. Cons. Jose Fernandes do Nascimento) Por outro lado a Jurisprudência Judicial tem reiteradamente ressaltado a imprescindibilidade da prova do dano ao erário, da dimensão e extensão do dano e da materialidade da infração pelo acusado, para aplicação da severa pena de perdimento e sua conversão em multa como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MERCADORIA IMPORTADA. DANO AO ERÁRIO INEXISTENTE. PENA DE PERDIMENTO. INAPLICABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. 1. Ausente a comprovação do dano ao erário, devese flexibilizar a aplicação da pena de perda de mercadoria estrangeira prevista no art. 23 do DecretoLei n. 1.455/76. 2. Recurso especial improvido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 639252PR, Reg. nº 2004/00050800, em sessão de 21/11/2006, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, publ. in DJU de 06/02/07 p. 286) “ADMINISTRATIVO PENA DE PERDIMENTO ART. 23 DO DECRETOLEI 1455/76 DANO AO ERÁRIO INEXISTENTE PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A jurisprudência desta eg. Segunda Turma firmou o entendimento de que se deve flexibilizar a pena de perdimento de bens, quando ausente o elemento danoso. Recurso Especial conhecido, mas improvido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 331548PR; Reg. 2001/00933870, 16/02/2006, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, in DJU de 04.05.2006 p. 154) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. BOAFÉ DO CONTRIBUINTE E Fl. 933DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO. FUNDAMENTOS NÃO ATACADOS. SÚMULA 283/STF. 1. Os fundamentos alusivos à inaplicabilidade da pena de perdimento em face da boafé do contribuinte – que procurou regularizar a importação – e da ausência de prejuízo ao erário público – ante o pagamento das exações – não foram combatidos pela Fazenda Nacional, apesar de suficientes para manter o acórdão recorrido, o que atrai o óbice da Súmula 283/STF. 2. Recurso especial não conhecido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 611830PR, reg. nº 2003/02108120, 28/11/2006, rel. Min. CASTRO MEIRA, in DJU de 11.12.2006 p. 336 ADMINISTRATIVO PENA DE PERDIMENTO ART. 23 DO DECRETOLEI 1455/76 DANO AO ERÁRIO INEXISTENTE PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. A jurisprudência desta eg. Segunda Turma firmou o entendimento de que se deve flexibilizar a pena de perdimento de bens, quando ausente o elemento danoso. Recurso Especial conhecido, mas improvido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 331548PR,Reg. nº 2001/00933870, 16/02/2006, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS DJ 04.05.2006 p. 154) Dos preceitos expostos verificase que a r. decisão recorrida é incensurável e conformase plenamente com a legalidade eis que se limita a proclamar a ilegalidade da aplicação da multa na ausência dos pressupostos legais à sua aplicação, tal como já proclamado pela Jurisprudência Administrativa e Judicial. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício, para manter a r. decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 934DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10074.000093/200747 Acórdão n.º 3402001.867 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 05/06/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10380.017119/2008-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE SANÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA. EMPRESA DO SISTEMA SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DO STJ. REGIME DO RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO. RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE SANÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA. EMPRESA DO SISTEMA SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DO STJ. REGIME DO RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO. RICARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 71 19 /2 00 8- 11 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017119/200811 Acórdão n.º 2803002.434 S2TE03 Fl. 108 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI, com DEBCAD 37.178.1540, CFL.37, deixar a empresa cedente de mãodeobra de destacar onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme dispõe o art. 31, parágrafo 1., da Lei n. 8.212, de 24.07.91, na redação dada pela Lei n. 9.711, de 20.11.98, combinado com o art. 219, parágrafo 4, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 26/11/2008, conforme – Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 27 a 36, recebida, em 26/12/2008, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 37 a 50. A impugnação, considerada tempestiva, fls. 51. A primeira instância exarou o Acórdão nº 0824.121 6ª Turma da DRJ/FOR, em 10/10/2012, fls. 53 a 58, no qual a impugnação foi considerada improcedente. A empresa tomou conhecimento desse decisório, em 27/11/2012, AR, de fls. 104. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 66, recebida, em 27/12/2012, com as razões recursais, as fls. 67 a 80, acompanhado dos documentos, de fls. 81 a 99, as teses recursais resumidas são as que a seguir constam. · que o Ato Declaratório Executivo nº 69/2008 de exclusão do simples é nulo, pois sua receita bruta anual mormente no ano de 2004 não ultrapassou o limite legal, mas que a lei estabeleceu exceções para inclusão no SIMPLES entre elas a do artigo 9º, XIII; · que a empresa foi excluída do SIMPLES, pois em seu contrato social consta uma série de serviços que no entender do fisco configura serviços de engenharia, não sendo necessário habilitação profissional de engenharia para realizar os serviços constantes das notas fiscais analisadas, sendo que o Sr. José Anchieta empresário individual é técnico de telefonia inscrito no CREACE, a lei não veda o serviço de técnico; · que o Acórdão ao considerar válido o ADE 69/2008 violou o artigo 84, da Lei 5.194/66, regulamentado pelo RS CONFEA 262/1979; os artigos 1º; 2º e 3º da Lei 9.317/96 e os artigo 96 e 100, I, do CTN · que a decisão do acórdão recorrido não está de acordo com a jurisprudência do STJ, transcreve decisões, demonstrado, assim, a Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017119/200811 Acórdão n.º 2803002.434 S2TE03 Fl. 109 3 divergência entre os acórdão da DRJ e do STJ, porém em situação fática idêntica, cita decisão do TRF4; · que demonstrada a nulidade do ADE 69/2008 em razão da comprovação dos requisitos para inclusão no sistema SIMPLES, tornase ilegal a obrigatoriedade da escrituração do Diário, nos termos do artigo 7º, § 1º, da Lei 9.317/96; · que o sistema da retenção de 11% sobre notas fiscais ou faturas é incompatível como o sistema SIMPLES e a redução de tributação por ele autorizado, sendo que o STJ no RESP 1.112.467DF julgado nos moldes o artigo 543C do CPC, proclamou a incompatibilidade dos sistemas, asseverando que as empresas do SIMPLES não estão sujeitas a retenção de 11%; · que houve violação aos artigos 97, 108, §1° do CTN, pois a interpretação de norma excepcional deve ser restritiva, não sendo vedado a empresa estar no simples, pois esta não exerce atividade que exige profissional habilitado, sendo vedado exigir tributo por analogia, bem como não cedendo a empresa mão de obra não pode sujeitarse a retenção. · Por fim, a recorrente requer e pede: a) acolhimento do recurso com a reforma da decisão a quo; b) declaração de insubsistência do auto de infração. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo, fls. 102 e 106. Os autos subiram ao CARF, fls. 106. É o Relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017119/200811 Acórdão n.º 2803002.434 S2TE03 Fl. 110 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Ato Declaratório Executivo Nº 69/2008 não está em discussão nestes autos este ato foi discutido nos autos do processo 10380.017769/200859 e foi julgado regular pela primeira instância e pelo CARF estando, hoje, arquivado no Arquivo Geral da SAMFCE, desde 19/12/2012, conforme consulta COMPROT realizada nesta data, portanto os motivos da exclusão para este julgamento são irrelevantes. A empresa ora recorrente apresentou notas fiscais ou faturas de prestação de serviço sem o devido destaque da retenção de onze por cento, como consta do Relatório Fiscal da Infração, de fls. 10. Não está sendo objeto destes autos o ADE 69/2008, pois este já foi discutido em outros autos, cuja a tramitação administrava está concluída e em desfavor do contribuinte, as alegações sobre este e seu direito de permanência no SIMPLES e demais alegações relativas a matéria são impertinentes, por divórcio ideológico. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF Todavia, penso que a questão não seja essa e explico, até o advento do ADE 69/2008 a empresa estava usufruindo dos benefícios do sistema SIMPLES. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017119/200811 Acórdão n.º 2803002.434 S2TE03 Fl. 111 5 Registro, ainda, que consta do autos um Despacho Decisório, datado de 08/10/2008, fls. 38, que nega pedido da empresa para exclusão do SIMPLES NACIONAL, pois a solicitação foi extemporânea. Nesta vertente estando a empresa no sistema de arrecadação beneficiada é de ser entender que ela agiu e agisse dentro dos parâmetros de tal sistema. Não é racional e razoável querer que uma empresa em 2004 pudesse imaginar que em 2008 seria excluída do sistema com efeitos retroativos ao ano de 2004 para exigir que ela promovesse por antecipação o destaque das retenções nas notas fiscais emitidas em 2004, ou, ainda, que após a exclusão, saísse retificando os documentos já emitidos para adequálos a sua nova situação, uma vez que como explicitado pela recorrente o Superior Tribunal de Justiça – STJ entende que a técnica de arrecadação pela retenção não é compatível como o sistema de tributação favorecida da micro e pequena empresa, o que faz ser esta dispensada de tal obrigação, observe ementa de aresto julgado no moldes do artigo 543C, da Lei 5.869/73. EMEN: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. ..EMEN: (RESP 200900455200, TEORI ALBINO ZAVASCKI, STJ PRIMEIRA SEÇÃO, DJE DATA:21/08/2009 RT VOL.:00889 PG:00242 ..DTPB:.) (grifo meu). Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.017119/200811 Acórdão n.º 2803002.434 S2TE03 Fl. 112 6 Aplico a decisão acima nos termos do artigo 62A, caput, da Portaria MF 256/2009, com suas alterações que transcrevo abaixo. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Posto isto, encontro razões jurídicas para acatar o pedido da recorrente, ainda, que por motivos distintos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 17546.000824/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/01/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão
exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração
visando sanar o vicio apontado.
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE
CORESPONSÁVEIS.
DOCUMENTO INFORMATIVO.
A relação de co-responsáveis
é meramente informativa do vínculo que os
dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores.
Embargos Acolhhidos.
Numero da decisão: 2301-002.648
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em acolher
os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o
acórdão embargado, a fim de corrigir a contradição apontada, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SUPERTAINER ITALPLAST DO BRASIL EMBALAGENS TÉCNICAS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/01/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Embargos Acolhhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, em rerratificar o acórdão embargado, a fim de corrigir a contradição apontada, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17546.000824/200708 Acórdão n.º 230102.648 S2C3T1 Fl. 281 3 Relatório Tratase de embargos opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda nacional, fls. 278/279, contra Acórdão, fls. 267/275, que deu provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, no sentido de manter a lista de representantes legais com caráter apenas informativo do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. A Embargante alega que houve contradição/obscuridade no Acórdão na medida em que foi afirmado que não havia litígio instaurado sobre a relação de coresponsáveis, mas foi dado provimento parcial para excluir estes. Caberia a Turma negar provimento seguindo a mesma linha desenvolvida no Acórdão 230100.283. Em despacho para o Presidente da Turma, opinamos pelo acatamento dos Embargos somente em relação à contradição apontada. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator: Tendo os Embargos sido admitidos em relação à existência de contradição, passamos para a análise do mérito de seus argumentos. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Na análise do acórdão proferido verificamos que há razão na oposição dos embargos por contradição, pois em dois momentos é afirmado que não há litígio sobre o assunto, mas a parte dispositiva do Acórdão trata da matéria. Duas são as partes que geraram a contradição: “Quanto à alegação de que devem ser excluídos os dirigentes da relação de co responsáveis, não procede o argumento da recorrente”; e “Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto”. No entanto, observamos que no relatório é informado que a recorrente insurgese quanto à inclusão dos responsáveis, o que evidencia a contradição. Para sanar a contradição retificamos nossos argumentos quanto à exclusão dos sócios da lista de coresponsáveis conforme segue. Anexo CORESP. Lista apenas indicativa sem valor para inclusão na CDA Em suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos sóciosgerentes da empresa da lista de ‘coresponsáveis’. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. É que, uma vez arrolados os sóciosgerentes da empresa na anexa lista, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as “pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo”, como defendido pela Fazenda. Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes. E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será de pronto inscrito Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17546.000824/200708 Acórdão n.º 230102.648 S2C3T1 Fl. 282 5 no CADIN, em nome do autuado e também de todos os coresponsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, como exceção à regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sóciogerente responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sóciosgerentes ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos coresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do coresponsável. Isso porque partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sóciogerente ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos coresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do coresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao coresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de Fl. 328DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor arrolado na Certidão. Nesse sentido colhese a seguinte decisão ementada: “PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA – POSSIBILIDADE. 1. Descumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702.232/RS, de relatoria do Min. Castro Meira, assentou que, se a execução fiscal foi promovida contra a pessoa jurídica e o sóciogerente ou se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em face da presunção juris tantum de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Dívida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como co responsável tributário, cabendo à executada o ônus de provar os requisitos do art. 135 do CTN. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no Ag 1162734/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009) Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do coresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Resta claro o prejuízo para as pessoas arroladas como responsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Considerando que não houve apuração de responsabilidade dos sócios no procedimento fiscal e que estes não foram intimados a apresentarem suas respectivas defesas, voto por manter a lista nominal CORESP como uma relação meramente indicativa de representantes legais já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos imediatamente em dívida ativa tãosomente com base nesta lista. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 17546.000824/200708 Acórdão n.º 230102.648 S2C3T1 Fl. 283 7 Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com relação à contradição apontada, para sanar a contradição e rerratificar o Acórdão embargado, para ajustar os fundamentos da decisão e reafirmar a conclusão no sentido de manter a lista de representantes legais com caráter apenas informativo do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 330DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10074.001322/2005-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 07/01/2003 a 18/06/2004
CANCELAMENTO DO CREDENCIAMENTO DO DESPACHANTE ADUANEIRO. PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA DO ART. 83, I, DA LEI N° 4.502/64. INAPLICABILIDADE.
Não há que se falar em importação irregular ou fraudulenta quando os registros das Declarações de Importação foram efetuados por despachante aduaneiro detentor de cartão de identificação e credenciamento, expedido por autoridade competente da própria Receita Federal do Brasil e dentro do prazo de validade, ainda que tal expedição tenha sido equivocada e o credenciamento posteriormente cancelado. Inaplicabilidade da pena prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente, momentaneamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 07/01/2003 a 18/06/2004 CANCELAMENTO DO CREDENCIAMENTO DO DESPACHANTE ADUANEIRO. PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA DO ART. 83, I, DA LEI N° 4.502/64. INAPLICABILIDADE. Não há que se falar em importação irregular ou fraudulenta quando os registros das Declarações de Importação foram efetuados por despachante aduaneiro detentor de cartão de identificação e credenciamento, expedido por autoridade competente da própria Receita Federal do Brasil e dentro do prazo de validade, ainda que tal expedição tenha sido equivocada e o credenciamento posteriormente cancelado. Inaplicabilidade da pena prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64. Recurso de ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente, momentaneamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALKO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/01/2003 a 18/06/2004 CANCELAMENTO DO CREDENCIAMENTO DO DESPACHANTE ADUANEIRO. PRODUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. MULTA DO ART. 83, I, DA LEI N° 4.502/64. INAPLICABILIDADE. Não há que se falar em importação irregular ou fraudulenta quando os registros das Declarações de Importação foram efetuados por despachante aduaneiro detentor de cartão de identificação e credenciamento, expedido por autoridade competente da própria Receita Federal do Brasil e dentro do prazo de validade, ainda que tal expedição tenha sido equivocada e o credenciamento posteriormente cancelado. Inaplicabilidade da pena prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente, momentaneamente, a conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 13 22 /2 00 5- 89 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo da exigência da multa regulamentar do IPI no valor de R$ 2.138.756,02, conforme art. 83, inciso I, da Lei n°4.502/64. A autoridade fiscal, às fls. 03/05, assim descreveu os fatos, em síntese: A contribuinte realizou importações no período de novembro de 2003 a março de 2004, tendo sido o desembaraço e processamento das mesmas providenciadas por representante da empresa cujo credenciamento veio a ser considerado nulo, com efeito "extunc", por despacho do Inspetor da Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, datado de 15/10/2004. Não tendo havido habilitação de qualquer responsável legal perante o Siscomex, nos termos da legislação então vigorante, nem conseqüente credenciamento de representantes para a prática de atividades relacionadas com o despacho aduaneiro, fica configurada a importação irregular das mercadorias já indicadas e relacionadas, pelo que ficam sujeitas às mesmas à penalidade prevista no art. 631 do Regulamento Aduaneiro — Decreto n° 4.543/2002. Que a contribuinte declarou que as mercadorias referente às Declarações de Importação, referente ao período de janeiro/2003 a junho/2004, foram comercializadas. Intimada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 79/108, acompanhada dos documentos de fls. 109/129, alegando, em síntese que: A punição aplicada se fundamenta no fato do Sr. Inspetor da Alfândega do Aeroporto do Rio de Janeiro haver declarado nulo, com efeito "ex tunc", o credenciamento da despachante aduaneira da empresa. A argumentação essencial da autoridade signatária do auto de infração pode ser resumida em: 1. a despachante aduaneira da empresa estava irregularmente inscrita no Siscomex. 2. a manipulação indevida do sistema, isto é, a vinculação do CPF da respectiva despachante aduaneira à empresa sem obediência às normas estabelecidas, possibilitaram os registros das DI's em tela e configura, de forma inequívoca, falsificação ideológica de documento necessário ao desembaraço; 3. o tratamento legal a ser dado às mercadorias importadas com a utilização desse expediente é o previsto pelo art. 618, inciso VI do Regulamento Aduaneiro, que preconiza a aplicação da pena de perdimento à mercadoria importada, "se qualquer documento necessário a seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado"; 4. a situação aludida representa dano ao Erário, nos termos do art. 23, inciso IV, do DecretoLei n° 1.455/76. Requer o cancelamento da exigência feita com referência a DI 04/05855979, registrada em 18/06/2004, de valor igual a US$ 13.624,24 (fls. 11 e 23 a 30), uma vez que a respectiva mercadoria não foi objeto de desembaraço aduaneiro, tendo já sido, inclusive, objeto do auto de infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0715400/0025/05. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10074.001322/200589 Acórdão n.º 3202000.790 S3C2T2 Fl. 141 3 O auto de infração não merece prosperar pelos seguintes motivos: 1. veicula a conclusão da existência de uma fraude, sem a instauração de processo disciplinar e sem apontar responsáveis, punindo somente o importador; 2. está desrespeitando frontalmente o princípio da tipicidade cerrada que rege o Direito Tributário, ao criar infrações e condutas não previstas em Lei (qual seja, a de falsificação ideológica de documento, configurada pelo registro das DI's efetuadas por despachante supostamente habilitada irregularmente pela própria Alfândega); 3. não houve nenhum prejuízo ao Erário, nenhuma conduta visando suprimir tributos; pelo contrário, a autoridade aduaneira permitiu o registro das DI's com o recolhimento de todos os tributos devidos; (grifos do original) 4. a boafé se presume e, neste caso, a repartição aduaneira conferiu um credenciamento à despachante do importador, que já provou ser uma empresa plenamente regular, já tendo inclusive obtido sua habilitação no SISCOMEX, nos termos da IN SRF n° 455/04; 5. em nenhum momento apontouse qualquer participação do contribuinte em conduta ilegal ou irregular. Entre os anos de 2003 e 2004 a empresa apresentou à Alfândega do Porto do Rio de Janeiro as quarenta e duas DI's elencadas às fls. 10 e 11 deste processo. A despachante aduaneira, representando a empresa, registrou com a utilização da sua senha de acesso, no SISCOMEX, as mencionadas DI' s. Após o registro e desembaraço das DI's, a Receita Federal cancelou, inopinadamenite, o credenciamento da despachante aduaneira responsável pelo registro das DI's. (grifo do original). O cancelamento do credenciamento no SISCOMEX do representante legal da empresa, sem aviso prévio ou oportunidade de defesa, desconsiderando a procuração que foi outorgada à despachante aduaneira atenta contra o direito de petição e contra o princípio da segurança jurídica. Como a administração alega ter havido uma fraude no credenciamento dos representantes legais da impugnante, fazse necessário dirimir qualquer imputação nesse sentido, estabelecendo os atos praticados pelo importador nos atos de habilitação de seus representantes perante as repartições aduaneiras. Disserta sobre as atribuições legais dos despachantes aduaneiros, do credenciamento pela Receita Federal e da suposta fraude, transcrevendo acórdãos do Poder Judiciário que vêm ao encontro das teses defendidas pela impugnante, fls. 83/105. Transcreve parecer exarado pelo Exmo. Procurador Regional da república na 2ª Região que versa sobre Dano ao Erário, fls. 105/107. Pelo exposto, requer a improcedência do auto de infração.” A DRJFlorianópolis/SC julgou improcedente o lançamento (efls. 137/142), nos termos da ementa adiante transcrita: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/01/2003 a 18/06/2004 PRODUTO ESTRANGEIRO EM SITUAÇÃO IRREGULAR. CONSUMO OU ENTREGA A CONSUMO. MULTA DO ART. 83, I, DA LEI N° 4.502/64. É inaplicável a pena prevista no art. 83, I, da Lei n° 4.502/64 quando não demonstrado nos autos que a autuada ou sua representante legal tenha contribuído de alguma forma para a prática de ato ilegal. Lançamento Improcedente Da decisão, a DRJFlorianópolis/SC recorre de ofício, em razão do valor de alçada. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa ALKO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA(doravante denominada “Alko”), para aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei nº. 4.502/641, no valor total de R$ 2.138.756,00, por entender a Fiscalização que a contribuinte efetuou importações irregulares entre o período de janeiro/2003 a junho/2004, e, cujas mercadorias, segundo informação da própria interessada, teriam sido comercializadas. Segundo a autoridade fiscal, a irregularidade das importações apontada cingese ao fato de que a contribuinte, no período em que se deram as importações, não possuía qualquer representante legal habilitado perante o Siscomex, nos termos da IN/SRF nº 229/2002, e, por via de conseqüência, inexistia qualquer pessoa credenciada pelo representante legal da empresa para a prática de atos relacionados ao despacho aduaneiro. Isso porque, após verificada inexistência de habilitação do representante legal, que deveria ter sido efetuada nos termos da IN/SRF nº 229/2002, foi cancelado, com efeitos ex tunc, o cartão de identificação e credenciamento concedido à Srª Rose Mary da Costa Araújo, na qualidade de despachante aduaneiro da empresa Alko, de nº. 455/2002. Referido cancelamento se deu nos termos do Despacho do Sr. Inspetor da Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, pelas seguintes razões (fl. 54): “........................................................................................................................... 1 Art . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso (...) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10074.001322/200589 Acórdão n.º 3202000.790 S3C2T2 Fl. 142 5 6 Consoante informações do Grupo de Cadastramento, nenhuma das empresas em questão possuía habilitação do seu responsável legal, nos termos da IN nº. 229/2002, revogada pela IN 286/2003, condição indispensável para inclusão da representação no SISCOMEX para o período de transição indicado (antes da disponibilização do perfil RESPONSAVE para responsável legal da empresa). Quanto à irregularidade na emissão dos Cartões de Credenciamento: ............................................................................................................................ 6.2 – ALKO DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA – 455/2002. No sistema informatizado de credenciamento,. esse número pertence ao Credenciamento de uma Pessoa Física, THIERRY COURTES DE CARVALHO, recebido pelo representante legal em 28/02/2002, constando, também, ficha de inclusão da representação no Siscomex (MEMO ALF/GIG/STEC Nº 22/2004, cópia em anexo). ...........................................................................................................................” Ou seja, na verdade, o cartão de nº. 455/2002, que fora concedido à Srª Rose Mary, já pertencia a outra pessoa, não podendolhe ter sido concedido, como assim o foi. Acontece que não foi apontada qualquer adulteração ou falsificação do cartão de posse da Srª Rose Mary que se tenha dado por ação dela própria ou da empresa importadora. Se a Receita Federal forneceu credenciamento indevido, fato é que, para tanto, não houve qualquer ação dolosa ou ato de máfé praticado por nenhuma outra pessoa, tendo ocorrido tão somente um equívoco, cometido exclusivamente pela própria Receita Federal. Assim, ao meu sentir, a nulidade do cartão de credenciamento, por si só, não torna a importação irregular, posto que irregular era apenas o credenciamento concedido pela própria Receita, e não a operação de importação. No momento em que foram registradas as DI, a Srª. Rose Mary possuía cartão de identificação e credenciamento como despachante aduaneiro da empresa Alko, de nº. 0455/2002, emitido pela Receita Federal por autoridade competente e com validade para o período compreendido entre 03/07/2002 a 31/12/2004 (fl. 59). Assim, quando das importações, os registros no Siscomex foram efetuados a quem cabia fazêlos. Cabe, portanto, corroborar as conclusões emitidas pela autoridade julgadora de base, quando assim afirma: “Notese que as importações realizadas pela autuada, representada pela Sra. Rose Mary da Costa Araújo, na qualidade de despachante aduaneira, estavam ao abrigo do "Cartão de Credenciamento e Identificação n° 0455/2002", emitido por Autoridade Fiscal da ALF/AIRJ/SRRF/7aRF, sendo que inexiste nos autos qualquer referência a fraude que tenha sido praticada pela empresa ou por sua representante (despachante aduaneira). Podese deduzir, pela informação exarada às fls. 57 (por derradeiro, cabe ressaltar que o caso em questão fora encaminhado ao ESCOR para as apurações do seu mister), que tenha ocorrido irregularidade cometida pela autoridade fiscal na emissão do referido cartão, no entanto, uma vez não demonstrado que a autuada ou sua representante legal tenha contribuído de alguma forma para a prática de ato ilegal, tornase inaplicável a penalidade imposta pela fiscalização”. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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