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Numero do processo: 10240.003109/2008-95
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2003
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA NO PROCESSO CONEXO. MATÉRIA JULGADA. INCABÍVEL REVOLVER MATÉRIA JÁ
DECIDIDA
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase
investigatória, que tem natureza inquisitorial, na qual inexiste acusação ou imputação de infração, mas tão somente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do processo administrativo fiscal, que se inicia com a peça vestibular que é o Auto de Infração ou o Ato Declaratório de Exclusão do Simples.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA BRUTA. MATÉRIAS DECIDIDAS NO PROCESSO CONEXO. INCABÍVEL REDISCUTIR MATÉRIAS JÁ DECIDIDAS Restando confirmado, no mérito, excesso de receita bruta pela decisão de
segunda instância administrativa, em processo conexo, incabível revolver, rediscutir nestes autos, matéria já decidida naquele processo.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. LIMITE LEGAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DA DATA DO FATO GERADOR.
Extrapolado o limite legal de receita bruta para permanecer no Simples durante o ano calendário, a empresa está obrigada a fazer sua exclusão do regime, com efeito a partir do primeiro dia do ano seguinte. Não o fazendo, a contribuinte fica sujeita à exclusão de ofício com base na legislação de regência do ano calendário em que ocorreu o excesso de receita bruta.
Numero da decisão: 1802-001.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA NO PROCESSO CONEXO. MATÉRIA JULGADA. INCABÍVEL REVOLVER MATÉRIA JÁ DECIDIDA Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase investigatória, que tem natureza inquisitorial, na qual inexiste acusação ou imputação de infração, mas tão somente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do processo administrativo fiscal, que se inicia com a peça vestibular que é o Auto de Infração ou o Ato Declaratório de Exclusão do Simples. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA BRUTA. MATÉRIAS DECIDIDAS NO PROCESSO CONEXO. INCABÍVEL REDISCUTIR MATÉRIAS JÁ DECIDIDAS Restando confirmado, no mérito, excesso de receita bruta pela decisão de segunda instância administrativa, em processo conexo, incabível revolver, rediscutir nestes autos, matéria já decidida naquele processo. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. LIMITE LEGAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DA DATA DO FATO GERADOR. Extrapolado o limite legal de receita bruta para permanecer no Simples durante o ano calendário, a empresa está obrigada a fazer sua exclusão do regime, com efeito a partir do primeiro dia do ano seguinte. Não o fazendo, a contribuinte fica sujeita à exclusão de ofício com base na legislação de regência do ano calendário em que ocorreu o excesso de receita bruta.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO IMCOMPLETA DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA NO PROCESSO CONEXO. MATÉRIA JULGADA. INCABÍVEL REVOLVER MATÉRIA JÁ DECIDIDA Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase investigatória, que tem natureza inquisitorial, na qual inexiste acusação ou imputação de infração, mas tãosomente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do processo administrativo fiscal, que se inicia com a peça vestibular que é o Auto de Infração ou o Ato Declaratório de Exclusão do Simples. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITA BRUTA. MATÉRIAS DECIDIDAS NO PROCESSO CONEXO. INCABÍVEL REDISCUTIR MATÉRIAS JÁ DECIDIDAS Fl. 60DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Restando confirmado, no mérito, excesso de receita bruta pela decisão de segunda instância administrativa, em processo conexo, incabível revolver, rediscutir nestes autos, matéria já decidida naquele processo. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. LIMITE LEGAL. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO DA DATA DO FATO GERADOR. Extrapolado o limite legal de receita bruta para permanecer no Simples durante o anocalendário, a empresa está obrigada a fazer sua exclusão do regime, com efeito a partir do primeiro dia do ano seguinte. Não o fazendo, a contribuinte fica sujeita à exclusão de ofício com base na legislação de regência do anocalendário em que ocorreu o excesso de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.32/41 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belém (fls. 26/28) que julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a exclusão da contribuinte do Simples. Quanto aos fatos: Primeiramente, houve Representação Fiscal – Exclusão do Simples, em 15/10/2008, por parte da fiscalização da RFB (fl.02), in verbis: (...) 1. No curso do procedimento fiscal instaurado contra o contribuinte acima identificado, foi constatado, conforme o "Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta Total" (receita declarada e adicional apurada pela fiscalização) em anexo, que a fiscalizada enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte (EPP), auferiu, no decorrer do anocalendário de 2003, Fl. 61DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.003109/200895 Acórdão n.º 180201.033 S1TE02 Fl. 2 3 receita bruta excedente ao limite de R$ 1.200.000,00 estabelecido para ingressar no Simples. 2. Diante do exposto, como a empresa infringiu o art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, ao optar e permanecer no Simples no ano calendário de 2003, mesmo excedendo os limites estabelecidos para Empresas de Pequeno Porte (EPP), sujeitase à exclusão do Simples, conforme dispõe o art. 14, I, da Lei na 9.317, de 1996. (...) Demonstrativo de receita bruta, anocalendário 2003, R$ 2.956.857,48 (receita bruta declarada R$ 919.590,41 + Receita bruta omitida R$ 2.037.267,07) – fl.03. Com base nessa Representação Fiscal, em 07/08/2009 houve a emissão do Ato Declaratório Executivo nº 32, da DRF/Porto Velho, de exclusão da contribuinte do Simples (fl. 07), in verbis: (...) e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 9°, e inciso I, do art. 14, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e o que consta do processo administrativo n° 10240.003109/200895, declara: Art. 1º Excluída do Simples a empresa MARIANO MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA, CNPJ nº 63.769.731/000116. Art. 2° A exclusão surtirá efeito a partir de 1 de janeiro de 2004, obedecendo ao disposto no inciso IV, do art. 15 do mesmo instrumento legal. (...) O ato de exclusão do Simples é decorrente (reflexo) da apuração de omissão de receitas do anocalendário 2003 (processo conexo nº 10240.002916/200891). Ciente de sua exclusão do Simples por ato de ofício, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade junto à DRJ/Belém (fls. 10/19), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade: que os referidos lançamentos (IRPJ –Simples e reflexos) – no processo conexo 10240.002916/200891 estão permeados de irregularidades, dentre as quais: a realização do procedimento de auditoria fora do domicilio fiscal da contribuinte, o estabelecimento de prazos exíguos para a prestação de esclarecimentos, a informação de fatos geradores em datas que, efetivamente, não ocorreram, a falta de assinatura nos Autos de Infração de alguns dos AuditoresFiscais e a utilização somente de extratos bancários para tentar "adivinhar" a receita da contribuinte; 2) – Mérito: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 que os AuditoresFiscais deixaram de lado a escrituração contábil da contribuinte e construíram toda sua autuação baseados somente nos extratos bancários, fornecidos, prontamente, pela fiscalizada; que há farta jurisprudência, precedente suscitados na peça impugnatória, demonstrando a improcedência de tal método, pois simples créditos em conta corrente não exprimem a realidade de um sistema contábil inteiro, de forma que não podem ser considerados como boa técnica para se alcançar a receita bruta do período; que a receita efetivamente auferida pela manifestante não foi corretamente identificada para o anocalendário 2003, não se prestando, portanto, os valores apurados pela fiscalização para excluíla do sistema SIMPLES; que os AuditoresFiscais não poderiam ter considerado como receita todo e qualquer lançamento a crédito que verificaram nos extratos bancários, pois, partindo de uma premissa falsa, fatalmente chegariam a um resultado equivocado e por isso o Poder Judiciário tem afastado a tributação quando realizada somente com base em extratos bancários; que a base de cálculo eleita pelos AuditoresFiscais não corresponde à verdade material dos fatos, não resistindo sequer a um breve confronto com os documentos de suporte contibil; que valores recebidos são depositados conjuntamente (de forma global), tornando impossível fragmentar cada depósito e associar cada pequena fração a uma determinada nota fiscal, considerando que dessa determinada nota fiscal farão parte diversos pagamentos realizados em diversos dias diferentes e de diversas formas (cheque, dinheiro, cartão). que receitas não proveniente da revenda de mercadorias foram tributados sem nenhum constrangimento; que nessa categoria se enquadram os empréstimos obtidos dos bancos, conforme "Planilha Demonstrativa dos Empréstimos Descritos nos Extratos Bancários", anexa; que o Poder Judiciário, inclusive, tem afastado o lançamento tributário, quando feito somente com base em extratos bancários, conforme Súmula nº 182 do extinto TFR, de 01/10/1985; que o STJ, no REOSP N° 1.035254PR (2008/00447949), Relator Ministro Castro Meira, somente manteve o lançamento fiscal (naquele caso), pois não decorreu apenas da análise de de extratos bancários, mas, também, de outras provas que foram obtidas pela fiscalização; que, na situação dos presentes autos, o lançamento decorreu somente de extratos bancários; que, a contrário seusu, a apuração da receita bruta pelo fisco não pode prosperar; que a contribuinte reafirma não ter excedido o montante legal de receita previsto para as empresas de pequeno porte, mormente pelo fato de que o lançamento do qual constam as alegadas receitas ainda está pendente de julgamento. Por fim, a contribuinte solicitou a suspensão dos efeitos do Ato Declaratório Executivo nº 32, de 07 de agosto de 2009 (exclusão do Simples), até que fosse julgado definitivamente, na esfera administrativa, o processo administrativo conexo nº 10240.002916/200891 (no qual se discute, em sede de preliminar, e no mérito, as mesmas questões aqui suscitadas, mormente a omissão de receitas/receita bruta apurada pelo fisco para o anocalendário 2003, a qual, reflexamente, implicou a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/01/2004). Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.003109/200895 Acórdão n.º 180201.033 S1TE02 Fl. 3 5 A DRJ/Belém, naqueles autos tendo rechaçado a nulidade suscitada e no mérito – tendo reduzido o valor da omissão de receitas (redução da receita bruta do ano calendário 2003 de R$ 2.956.857,48 para R$ 1.524.099,59), manteve, por conseguinte, a exclusão da contribuinte do Simples (efeito reflexo), conforme ementa do decisum que transcrevo a seguir (fl. 26): (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 EMENTA: EXCLUSÃO O limite legal para permanência no Simples, para o ano calendário 2003, era de R$ 1.200.000,00. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Acórdão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, em julgar a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 20/10/2010 (fl. 31), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/11/2010 (fls. 32/41), reiterando as mesmas razões já apresentadas na instância a quo. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca da exclusão da recorrente do Sistema Simples, com efeito jurídico a partir de 01/01/2004, por excesso de receita bruta no ano calendário 2003, tendo ultrapassando o limite máximo anual de R$ 1.200.000,00 (Um milhão e duzentos mil reais) para figurar e permanecer nesse regime favorecido de apuração de tributos. A receita bruta do anocalendário 2003, que excedeu ou extrapolou o limite legal para permanência no Simples, foi apurada em procedimento de fiscalização que implicou: a) lançamento de ofício do IRPJSimples e reflexos (CSLL – Simples, PIS – Simples, Cofins Simples e INSS – Simples), quanto ao anocalendário 2003, pela imputação das seguintes infrações: omissão de receitas e insuficiência de recolhimentos no que concerne à receita bruta declarada (processo conexo nº 10240.002916/200891); b) exclusão do Simples, com efeito a partir de 01/01/2004 (efeito reflexo da infração omissão de receitas do anocalendário 2003). Logo, existe relação de prejudicialidade de um processo em relação ao outro. Ou seja: a resolução da contenda, aqui neste processo, depende da sorte daquele processo onde a infração omissão de receitas e a receita bruta do anocalendário 2003 estão sendo discutidas. A recorrente, no seu recurso, pediu a suspensão dos efeitos da exclusão do Simples (ou sobrestamento do processo), até solução da lide naquele processo conexo. Neste processo, a recorrente alegou, tanto em sede de preliminar, quanto no mérito, as mesmas questões suscitadas naqueles autos. De sorte que o processo conexo 10240.002916/200891 foi pautado (incluído na pauta), também, para julgamento nesta Sessão de Julgamento e, há poucos instantes, foi julgado por esta Colenda Turma, sendo rejeitada a preliminar de nulidade e, no mérito, foi negado provimento ao recurso voluntário, restando mantida a infração omissão de receitas e a infração insuficiência de recolhimentos (infração reflexa ou decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples, em face do cômputo na receita bruta total o valor da receita omitida), nos termos da decisão a quo. Destarte, restou julgada (confirmada), naquele processo conexo, além da rejeição da preliminar de nulidade suscitada, a omisão de receitas, e o excesso de receita bruta no anocalendário 2003, para a contribuinte figurar no Simples. Por conseguinte, superada a questão prejudicial, deve ser mantida a exclusão da recorrente do Simples, por excesso de receita bruta no anocalendário 2003 (receita bruta declarada + receita omitida), com efeito a partir de 01/01/2004, pois no citado processo conexo Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.003109/200895 Acórdão n.º 180201.033 S1TE02 Fl. 4 7 restou confirmada a infração omissão de receitas e a receita bruta acima do limite para a empresa figurar no Simples, tudo nos termos da decisão recorrida naqueles autos Vale dizer: as matérias objeto destes autos, tanto no que concerne a preliminar de nulidade, quanto, no mérito, quanto à receita bruta, restaram decididas naqueles autos (efeito reflexo). A propósito, transcrevo a ementa do Acórdão nº 1802001.032 desta Colenda Turma processo conexo nº 10240.002916/200891 que rejeitou a preliminar suscitada e manteve a omissão de receitas nos termos da decisão recorrida, confirmando o excesso de receitas do anocalendário 2003, impedindo a contribuinte de figurar no Simples, devendo ser mantida a exclusão do Simples a partir de 01/01/2004, in verbis: (...) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO IMCOMPLETA DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase investigatória, que tem natureza inquisitorial, na qual inexiste acusação ou imputação de infração, mas tãosomente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do processo administrativo fiscal, que se inicia com a peça vestibular que é o Auto de Infração. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS VOLUNTARIAMENTE PELA CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Prejudicada a alegação de violação do sigilo bancário, quando a própria contribuinte, voluntariamente, entrega ao fisco cópias dos extratos bancários de suas contas correntes mantidas em instituições financeiras. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECEITA BRUTA DECLARADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS (INFRAÇÃO REFLEXA DA OMISSÃO DE RECEITAS) Na apuração mensal do IRPJ – Simples e reflexos, levase em consideração a receita bruta acumulada mês a mês, inclusive para efeito de definição da alíquota aplicável. A infração omissão de receitas, reflexamente, implica insuficiência de recolhimentos das exações do Simples sobre a receita bruta declarada, pois para definição da alíquota de recolhimento levase em conta a receita bruta total mês a mês (receita declarada + receita omitida). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS — COFINS — CSLL INSS Tratandose de lançamentos decorrentes, a decisão prolatada no lançamento matriz (IRPJ Simples) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso Voluntário Negado (...) Ainda, consta do voto condutor do Acordão nº 1802001.032 desta Colenda Turma – Processo conexo nº 10240.002916/200891, quanto ao mérito, in verbis: (...) A decisão recorrida, além da decadência do crédito tributário dos meses de janeiro a agosto/2003, provomeu ajustes na base de cálculo da infração omissão de receitas dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro/2003, excluíndo as parcelas comprovadas, conforme transcrição, abaixo, extraída do voto condutor (fls.865/871), in verbis: (...) Ainda, consta do voto condutor da decisão recorrida que, em face dos ajustes citados (decadência e valores comprovados, aceitos das planilhas), a receita omitida do anocalendário 2003 foi reduzida de R$ 2.037.267,07 para R$ 675.659,27, e a receita Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.003109/200895 Acórdão n.º 180201.033 S1TE02 Fl. 5 9 bruta acumulada foi reduzida de R$ 2.956.857,48 para R$ 1.524.099,59, implicando redução do IRPJ – Simples e reflexos (CSLL, PIS, Cofins e INSS) quanto às infrações imputadas (ambas as infrações objeto dos autos), pela redução de base de cálculo e pela redução da alíquota do Simples, tudo conforme planilhas resumo constantes do voto condutor da decisão a quo (fls. 869/871). A recorrente não trouxe aos autos outras provas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário. Compulsando as provas juntadas aos autos pela contribuinte quando da apresentação da impugnação, constatase que não há ajuste a ser feito na decisão recorrida, pois todos os ajustes possíveis de base de cálculo das infrações imputadas, com fulcro nos elementos de prova constantes dos autos, já foram efetuados pela decisão a quo. Não há que se falar de tributação em duplicidade sobre a mesma base de cálculo. As receitas declaradas são receitas da atividade de venda, enquanto as receitas omitidas foram apuradas conforme acréscimo patrimonial caracterizado por depósito bancário de origem não comprovada. Desta forma, visto serem receitas de natureza diferente, não podem compensarse ou confundirse. Portanto, ante tudo que foi exposto, deve ser mantida a decisão recorrida. (...) Como demonstrado, no processo conexo, além da rejeição da preliminar de nulidade suscitada, restou confirmada a omissão de receitas e a receita bruta da recorrente no anocalendário 2003 de R$ 1.524.099,59, nos termos da decisão recorrida (naqueles autos). O montante de receita bruta remanescente da recorrente, no anocalendário 2003, extrapolou o limite máximo permitido de R$ 1.200.000,00 para figurar no Simples. Como já dito, as matérias em sede de preliminar e no mérito, suscitadas nestes autos, são as mesmas suscitadas no processo conexo, incabível, portanto, revolver aqui essas matérias já dicididas naquele processo. Em relação ao pedido de suspensão dos efeitos do ato declaratório de exclusão do Simples, inexiste previsão legal. O sobrestamente do processo de exclusão ficou prejudicado, pois ambos os processos foram julgados na mesma Sessão de Julgamento, como mencionado alhures neste voto. Ademais, o ato declaratório executivo de exclusão do Simples foi expedido em consonância com a legislação de regência, não se vislumbrando vício algum. Por conseguinte, deve ser mantida a decisão recorrida que manteve a exclusão da recorrente do Simples com efeito a partir de 01/01/2004. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada (matéria já enfrentada e decidida no processo conexo) e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001621/2002-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997.
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE – ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e o contribuinte
demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático.
Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes
Numero da decisão: 9303-001.508
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE – ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, deve se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª turma do câmara SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO– Presidente GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Fl. 306DF CARF MF Emitido em 02/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 8/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Miranda, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. . Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 215/224, contra decisão do acórdão nº 20181365, da Primeira Câmara do Segundo Conselho, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997. PIS. REVISÃO DE DCTF. ACUSAÇÃO INICIAL. SUPERAÇÃO. EFEITOS. É improcedente o lançamento efetuado em revisão de DCTF, cuja acusação inicial de "processo judicial não comprovado" tenha sido afastada pela demonstração da existência da ação judicial. Recurso voluntário provido. A Fazenda Pública em sua peça recursal afirma: a) Que a decisão que declarou improcedente o lançamento fundamentado na falta de comprovação de existência de processo judicial informado em DCTF não teria fulcro na melhor análise da prova dos autos e da legislação pertinente. Alega que os fundamentos da autuação seriam a falta de recolhimento ou pagamento do principal ou a declaração inexata. Argumenta pela manutenção do lançamento para prevenir a decadência e discorda de que tenha havido cerceamento ao direito de defesa da contribuinte; e b) Que o pressuposto fático do auto de infração eletrônico em que surge a expressão “proc jud não comprov” não é simplesmente a inexistência do processo judicial, mas sim a ausência de créditos ou pagamento. O recurso teve seguimento nos termos do despacho nº 2101044 de fls.238/241. O Sujeito Passivo apresentou contrarrazões às fls. 246/257. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Fl. 307DF CARF MF Emitido em 02/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 8/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10935001621/200293 Acórdão n.º 9303001508 CSRFT3 Fl. 286 3 O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A discussão em pauta diz respeito à possibilidade da DRJ mudar o fundamento jurídico do auto de infração. O auto de infração foi fundamentado na falta de comprovação do sujeito passivo ser parte na ação judicial informada em DCTF. A decisão da DRJ manteve o lançamento tendo como supedâneo a falta de crédito por parte do contribuinte para realização de compensação. Ou seja, afastou o motivo determinante do auto de infração e analisou o meritum causae. A declaração de voto proferida no acórdão nº 7.386/2004 da DRJ Curitiba/PR enfrentou o tema com maestria, de sorte que peço vênia para utilizar seus fundamentos para alicerçar minha razão de decidir. Respeitosamente, considero que fazer agora tais considerações, no âmbito do processo, e manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram, ou puderam ser cogitados pela autoridade autuante corresponde à verdadeira inovação no que pertine à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de MARCOS VINÍCIUS NEDER e MARIA TERESA MARTINEZ LOPES (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte. "Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração". No caso em pauta, sabemos todos que o auto de infração é lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal. O procedimento in casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do auto de infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora supri lo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da “falta de recolhimento". Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de oficio efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale Fl. 308DF CARF MF Emitido em 02/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 8/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no curso do processo, fazêlo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contrarrazões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. Em apertada síntese, estas são as razões pelas quais, não promovido o aludido saneamento processual e ante a insubsistência do fato que ensejou a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora são outros os pressupostos que o ensejariam, divirjo, respeitosamente, da relatora e dos demais colegas julgadores que votaram pela procedência do feito, eis que, a meu juízo, sem que o processo seja saneado, impõese o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial”. O voto vencedor proferido no acórdão nº 340300249, da lavra do conselheiro Ivan Allegretti, retrata meu pensamento sobre o desfecho desta lide, in verbis: Se a autuação tomou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstrou a existência da ação em seu nome, resta patente que o lançamento não tem suporte, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. Errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado como fundamento no momento da lavratura do auto de infração, Devese, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. Retornando ao processo em análise, o auto de infração eletrônico teve como fundamento a falta de comprovação do processo judicial e dos pagamentos efetuados. A interessada apresentou, dentro do prazo legal, documentos que atestaram seu ingresso na ação judicial nº 97.60122685, em litisconsorte com a Cooperativa Agrícola Mista Duovizinhense Ltda, nome que consta nos sistemas do TRF da 4ª Região. Além de ter demonstrado que efetuou depósitos em juízo no âmbito da referida ação. Pelos fatos arrolados, resta evidente que o pressuposto fático que deu suporte ao auto de infração é falso. Logo, o auto de infração deve ser cancelado pela inexistência e falta de veracidade dos motivos apontados como fundamento. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 309DF CARF MF Emitido em 02/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 8/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10935001621/200293 Acórdão n.º 9303001508 CSRFT3 Fl. 287 5 Fl. 310DF CARF MF Emitido em 02/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 8/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002941/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. LANÇAMENTO SEM IMPOSTO.
Está correto o lançamento efetuado com o intuito de retificar o que fora objeto da Declaração de Ajuste Retificadora. É incabível, porém, a exigência, por procedimento de ofício, de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN.
Numero da decisão: 2102-001.630
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para cancelar o imposto lançado, pois pago no prazo legal, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. LANÇAMENTO SEM IMPOSTO. Está correto o lançamento efetuado com o intuito de retificar o que fora objeto da Declaração de Ajuste Retificadora. É incabível, porém, a exigência, por procedimento de ofício, de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN.
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EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO. LANÇAMENTO SEM IMPOSTO. Está correto o lançamento efetuado com o intuito de retificar o que fora objeto da Declaração de Ajuste Retificadora. É incabível, porém, a exigência, por procedimento de ofício, de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para cancelar o imposto lançado, pois pago no prazo legal, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 26/10/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 05/07 para exigência de IRPF em razão da omissão de rendimentos totais de R$ 98.122,42, recebidos do Ministério da Fazenda no Exercício 2004. Da Notificação constam os seguintes esclarecimentos: Declarou como isentos os rendimentos recebidos do Ministério da Fazenda, CNPJ 00.394.460/002438, sob alegação de apresentar Mal de Alzheimer (moléstia grave definida em Lei alienação mental). No entanto, o Laudo Médico apresentado não identifica o inicio da doença em data anterior a 2004. Isenção integralmente glosada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/04, por meio da qual requereu fosse determinada a restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte, tendo em vista a comprovação, através de documentos trazidos aos autos, que ele seria portador da moléstia grave (Alzheimer), sendo certo que o inicio da doença ocorrera antes do ano de 2002. As autoridades da DRJ em São Paulo determinaram a realização de diligência, a fim de que o contribuinte fosse intimado a apresentar Laudo Pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que identificasse nominalmente a doença, coincidente com a terminologia empregada pelo legislador, o CID, esclarecendo ainda a data em que a doença foi diagnosticada, bem como suas perspectivas de controle, “deixando claro se o interessado, no ano de 2004, era portador da moléstia grave apontada”. Foi determinado ainda que, caso a moléstia grave da qual padece o contribuinte fosse "Alienação Mental", deveria ser apresentado Termo de Curatela. O contribuinte foi então intimado a atender tal determinação, ocasião em que apresentou cópia do mesmo laudo já trazido aos autos, e prestou esclarecimentos acerca do atual estágio da moléstia que lhe acometia. Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção parcial do lançamento. Mantiveram a omissão apontada, mas reconheceram a inexigibilidade da multa de ofício exigida na Notificação, uma vez que o imposto já havia sido pago (por ocasião da apresentação da DIRPF original). O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 27/28, por meio do qual alegou que apresentara Declaração, em 30.04.2004, por meio da qual declarara o valor que lhe é exigido por meio do lançamento, tendo, inclusive, efetuado o pagamento do imposto devido, conforme DARFs acostados à sua Impgnação. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10855.002941/200765 Acórdão n.º 210201.630 S2C1T2 Fl. 85 3 Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 01.06.2010, como atesta o AR de fls. 73. O Recurso Voluntário foi interposto em 01.07.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão de alegada omissão de rendimentos por parte do contribuinte, considerandose que a moléstia grave do qual o mesmo alegadamente padecia não havia sido devidamente comprovada. De acordo com os fatos constantes do autos, é possível depreender que o Recorrente apresentara DIRPF original, dentro do prazo legal, por meio da qual declarara ter recebido o montante de R$ 98.122,42 (fls. 19) a título de rendimentos tributáveis, pagos pelo Ministério da Fazenda. Posteriormente, apresentou DIRPF Retificadora (fls. 23), por meio da qual apontou como “zero” o valor recebido do mesmo Ministério, já que considerou que seus rendimentos seriam isentos por ser portador de moléstia grave. Em face da entrega da declaração retificadora, e diante da falta de comprovação de que fosse portador de moléstia grave, foi lavrada a Notificação de Lançamento para exigência do imposto que seria devido sobre os rendimentos recebidos do Ministério. O contribuinte então impugnou o lançamento, alegando já ter efetuado o pagamento do imposto exigido, e ser portador de Alzheimer conforme laudo trazido aos autos e afirma ter efetuado pedido de restituição em 01.08.2007 (que na verdade foi data em que apresentou a DIRPF Retificadora). A decisão recorrida reconheceu apenas a não incidência da multa de ofício sobre o valor lançado, uma vez que o imposto exigido já havia sido pago por ocasião da quitação das quotas decorrentes da DIRPF originalmente apresentada. O entendimento esposado na decisão recorrida a respeito da necessidade de manutenção do lançamento do imposto (excluindose tãosomente a multa de ofício) está parcialmente correto. É que, de fato, hoje prevalece, para fins de exigência de IRPF do Recorrente relativamente ao Exercício 2004, o valor por ele informado em sua DIRPF Retificadora (da qual constava que os rendimentos eram isentos). Por isso, tendo em vista que não foi comprovada a moléstia grave, tais rendimentos não podem ser considerados isentos, sendo imprescindível que se faça o lançamento de ofício para corrigir as informações constantes daquela Retificadora. O lançamento, no caso, é necessário, por dever de ofício da autoridade lançadora. No entanto, a despeito de ser correto o procedimento de lançamento para corrigir as distorções causadas pela DIRPF Retificadora entregue pelo Recorrente, certo é que o imposto devido sobre os rendimentos em questão já foi devidamente recolhido, quando da entrega da DIRPF original, da qual os rendimentos recebidos pelo Ministério da Fazenda constaram (corretamente) como tributáveis. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 Com o recolhimento daquele imposto, deuse a extinção do crédito tributário devido pelo Recorrente, razão pela qual este crédito não lhe poderá ser exigido novamente. Por isso, o lançamento deve sim prevalecer, porém, sem que nenhum imposto seja exigido do contribuinte, já que não se pode exigir crédito tributário já extinto. No mais, o Recorrente questionou a necessidade de reconhecimento da moléstia grave que o acometia, mas deixou de reiterar este pedido em sede de Recurso Voluntário, limitandose a pleitear o reconhecimento de que o imposto devido já havia sido pago. Como tal matéria já foi apreciada neste voto, nada mais há que se analisar a respeito do Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para cancelar o imposto lançado, bem como os juros eventualmente incidentes sobre ele, mantendose o lançamento (sem imposto). Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 30/01/2012 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006564/2004-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA.
Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.
DECADÊNCIA.
Não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação extingue-se com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. O fato imponível do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.401
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. DECADÊNCIA. Não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. O fato imponível do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 2 (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 24/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (PresidenteSubstituto), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). Relatório Em 08 de novembro de 2006, a então Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu acórdão n° 10615.948 [fls.188 – 1.721], que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para excluir a multa isolada; e, por maioria de votos, desqualificou a multa de oficio e acolheu a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998. Ementa MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável à plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. IRPF DECADÊNCIA Não caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. O fato imponível do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10830.006564/200479 Acórdão n.º 920201.401 CSRFT2 Fl. 2 3 COMPENSAÇÃO A compensação do valor dos tributos já pagos pela pessoa jurídica com o débito apurado em nome da pessoa física não pode ser deferida em razão da falta de comprovação do pagamento dos valores devidos pela pessoa jurídica. IRPF APURAÇÃO ANUAL O conceito de renda envolve necessariamente um período, que, conforme a legislação pátria, corresponde ao anocalendário, assim, os valores recolhidos a título desse tributo no decorrer do ano, são antecipações dos valores devidos na declaração de ajuste anual, quando se opera a tributação definitiva dos rendimentos auferidos durante o ano. Recurso parcialmente provido. Irresignada com o acórdão, a i. Procuradoria da Fazenda Nacional protocolizou Recurso Especial [fls.210 – 221], com fulcro no art. 7º, I, II, do Regimento Interno à época. A r. PGFN argumenta que ao proferir o acórdão supracitado, a Segunda Câmara acabou contrariando o art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996, combinado com os Arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, e, divergindo do entendimento firmado pela Primeira Câmara quando exarou o acórdão nº 10194.858. [Artigo 44, II, da Lei nº 9.430/1996] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [Artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964] Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. [Acórdão 10194.858] Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 4 Ementa CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – AC. 1998 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE – descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade de dispositivos legais, matéria sob a qual tem competência exclusiva o Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS CONCOMITÂNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL – A impetração de Ação Judicial para discussão da mesma matéria tributada no Auto de Infração, importa em renúncia ao litígio administrativo, impedindo o conhecimento do mérito do recurso, resultando em constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO – CABIMENTO SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INFRINGENTES APÓS LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO – PROCESSO JUDICIAL EM CURSO – É cabível a manutenção de multa de ofício lançada na ausência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Apesar dos efeitos infringentes da decisão nos Embargos de Declaração publicados depois da ciência do lançamento, na data deste não havia suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A pendência de decisão judicial é questão prejudicial à exclusão da multa de ofício, por isso, esta deve ser mantida até a decisão judicial do mérito, que se for favorável à tese da autuada resultará em sua extinção. LANÇAMENTO DE OFÍCIO VALOR DECLARADO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA – DECLARAÇÃO INEXATA CABIMENTO – Cabível o lançamento de ofício de parcela equivocadamente informada na DIPJ como estando com sua exigibilidade suspensa, por caracterizar a “declaração inexata” constante da parte final do inciso I do artigo 44 da lei nº 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – Cabível a aplicação de multa de ofício, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO – MESMA BASE DE CÁLCULO – APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE – O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. Requer a Fazenda Nacional o provimento do seu recurso, a fim de que seja reformada a decisão recorrida, restabelecendo o lançamento em sua integralidade, uma vez que ficou caracterizado, segundo a Procuradoria, que o contribuinte usou de simulação ao longo de quatro anoscalendário, para não pagar os tributos do modo devido. Em 27 de agosto de 2008, a então Presidente Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em análise de admissibilidade, proferiu Despacho de n° DA F106148242264 [fls.224 – 227], dando seguimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para que seja reexaminada a desqualificação da multa de ofício aplicada e a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10830.006564/200479 Acórdão n.º 920201.401 CSRFT2 Fl. 3 5 Ciente do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o Contribuinte protocolizou, tempestivamente, contrarazões [fls.238 – 246] que pugna pela manutenção do acórdão ora recorrido na parte concernente à multa qualificada e a decadência Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator O recurso especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Não obstante os argumentos colacionados pelo r. Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo que o voto condutor do Acórdão recorrido não merece qualquer reparo; nesse sentido, peço licença aos ilustres pares para colacionar excerto do decisum guerreado: Tratase de lançamento relativo à omissão de rendimentos em razão da desconsideração — pela fiscalização — da pessoa jurídica da qual o Recorrente era sócio. A desconsideração se deu em razão do caráter pessoal dos serviços prestados, e tendo em vista que o próprio contribuinte afirmou ser empregado das empresas para as quais sua pessoa jurídica prestava serviços. Em preliminar, o Recorrente alega ilegitimidade passiva, pois, em razão do fato de não ter se beneficiado com a simulação (consistente na criação de pessoa jurídica fictícia), o lançamento deveria ser efetuado contra quem efetivamente se beneficiou da mesma: as pessoas jurídicas contratantes. Com efeito, não assiste razão ao Recorrente quanto a tal preliminar. Isto porque ele próprio afirmou reiteradamente que prestou serviços às empresas Traffic Assessoria e Comunicações Ltda. e Rede Bandeirantes, em caráter personalíssimo, e que era verdadeiro empregado destas pessoas jurídicas, prestandolhes serviços na área de jomalismo. Assim sendo, não há como capitular a hipótese em exame como pagamentos a beneficiários não identificados (pois o beneficiário era o próprio Recorrente), e nem como pagamento sem causa (pois a causa era conhecida, e consistia na prestação de serviços por ele mesmo). Por isso, deixo de acolher tais alegações, mormente no que diz respeito à tese de que as verdadeiras beneficiárias da simulação em exame seriam as contratantes, e não ele. (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 6 b)Multa qualificada: Um dos aspectos da inconformidade do Recorrente diz respeito à aplicação da multa qualificada (150%) ao lançamento. Alega que, se houve simulação, ele não se beneficiou dos seus efeitos, mas somente as pessoas jurídicas contratantes, que o obrigaram a fazêlo. A multa qualificada, aplicada ao caso em exame, está prevista no art. 44, inc. II da Lei n° 9.430/96, que determina: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502. de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." (grifos não constantes do original)” Os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° Lei 4502/64, por seu turno, assim dispõem: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendá ria: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais: II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Da leitura de tais artigos, é forçoso concluir que só pode ser exigida a multa de 150% (multa qualificada) aos lançamentos de oficio em que restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte — e não a todo e qualquer lançamento de ofício. No caso em tela, a justificativa da autoridade lançadora para aplicar a multa de 150% ao lançamento (fls. 14) foi a seguinte: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE Processo nº 10830.006564/200479 Acórdão n.º 920201.401 CSRFT2 Fl. 4 7 Por todo o exposto ficou claro que o fiscalizado fez uso da empresa Luiz Ceará Produções S/C Ltda. para tributar rendimentos próprios de sua pessoa física, com o fim de enquadrálos em uma tributação menos todo o período fiscalizado. A simulação da formação e existência de empresa por parte do fiscalizado permitiu a ocultação, em prejuízo da Fazenda Nacional, de seus rendimentos, o que justifica a qualificação de multa nos termos do inciso II e parágrafo 2° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. O fiscalizado fica sujeito a lançamento de oficio pela omissão de seus rendimentos, com qualificação da multa (artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430) e demais conseqüências legais, já que houve evidente intuito de fraude, tendo o contribuinte demonstrado intuito doloso no sentido de impedir ou, no mínimo, retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos rendimentos percebidos na qualidade de pessoa física. Com efeito, no que diz respeito à fraude, assiste razão ao Recorrente. É que a pessoa jurídica não foi criada por ele de forma premeditada e deliberada para se beneficiar de tributação favorecida. De acordo com suas alegações, a abertura da referida pessoa jurídica se deu em razão de imposição das empresas contratantes (Traffic e Band). Por isso, não se pode falar em fraude cometida pelo Recorrente que — ao contrário— sempre atendeu à fiscalização, tendo, desde o inicio desta, afirmado que a abertura da pessoa jurídica Luiz Ceara Produções jamais foi uma opção sua. Neste sentido é a jurisprudência deste Eg. Conselho, como se depreende das ementas abaixo transcritas: MULTA DE OFICIO QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. Preliminar acolhida." (RV n° 146.368, Rel. Cons. Naury Fragoso Tanaka, julgado em 12.09.2005, 2° Câmara, 1° Conselho) Assim, entendo que não restou caracterizada nos autos, a efetiva existência do intuito de fraude, necessária à qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96. Por isso, meu voto é no sentido de desqualificála, reduzindoa a 75%. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE 8 Desconsiderada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos casos de lançamento por homologação extinguese com o transcurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. O fato imponível do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Ante todo o exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e no mérito negolhe provimento. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 29/06/2011 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FR EIRE
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Numero do processo: 10935.002619/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para
a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.289
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Curitiba: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o PIS/Pasep, fl. 01, protocolizado em 15/06/2007, o qual, consoante planilhas e demonstrativos de fls. 06/26, corresponde a retenções efetuadas nos meses de julho de 1997 a fevereiro de 1999, no montante atualizado de R$ 102.525,07. À fl. 01, no quadro destinado à descrição do motivo do pedido constam os seguintes esclarecimentos: "Restituição do Pasep retido sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios' no período de junho/1997 a fevereiro/1999, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sua utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Às fls. 02/04, procuração e documentos pessoais do representante do Município encaminhado para análise (fl. 27), apurouse que, com base no referido crédito, o ente federativo também havia transmitido, eletronicamente, em 20/06/2007, 20/07/2097, 16/08/2007, 15/09/2007 e 11/10/2007 as Declarações de Compensação nº 15515.05964.200607.1.3.04 8788, 40479.32147.200707.1.3.044382, 24143.00 95.169807.1.3.049739, 13955.11080.150907.1.3.047400, 39150.3199.111007.1.3.044100, pleiteando a compensação de débitos de PIS/Pasep dos períodos de maio (R$ 3.500,00), junho (R$ 5.630,51), julho (R$ 4.500,00), agosto (R$ 5.000,00) e setembro (R$ 5.300,00) de 2007, no valor total de R$ 23.930,51 (fls. 28/48). Em 01/11/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, despacho decisório às fls. 51/54, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Consequentemente, não foram homologadas as compensações pleiteadas. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 09/11/2007 (fls. 55/56), a interessada, por intermédio de procurador, interpôs, em 27/11/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 57/70, instruída com os documentos de fls. 71/74 (procurações e cópias de documentos pessoais de mandatários), cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre a ineficácia das medid1as pro1visórias não convertidas em lei e conclui que a MP n° 1.212, de 1995, "não revela os predica1mentos da urgência e relevância." Fl. 118DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.002619/200746 Acórdão n.º 330201.289 S3C3T2 Fl. 2 3 Disserta sobre a ilegalidade da MP n° 1.212, de 1995, e suas reedições, e diz que "no período compreendido entre outubro de 1995 até fevereiro de 1999, pode ser recuperada a totalidade dos recolhimentos feitos a título de PASEP, haja vista que não havia norma legal a exigir a exação, muito menos através da LC 8/70, em respeito à vedação da repristinação em nosso ordenamento jurídico." Fala sobre o posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação à legislação tributária e às medidas provisórias e, após análise das medidas editadas, conclui que a Lei n° 9.715, de 1998, deve operar como lei primitiva, cuja entrada em vigor, respeitandose a anterioridade nonagesimal, teria ocorrido somente em 24/02/1999. A seguir, discorre sobre o prazo decadencial. Defende; a tese dos "5 + 5 anos", transcreve posicionamento da jurisprudência e conclui que em relação aos pagamentos efetuados anteriormente a 09/06/2005 o prazo de restituição 'seria de dez anos contados da data do pagamento ou até 09/06/2010, "valendo o prazo que vier antes.'" Ao final, requer a reforma do despacho decisório e, consequentemente, o deferimento da restituição e a homologação das compensações vinculadas. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 30/09/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de débitos com crédito que não é passível de restituição que não é passível de não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório Fl. 119DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição protocolado em 15/06/2007 relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS no período de 01/07/1997 a 28/02/1999, alegando se tratar de "Restituição do Pasep retido sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios no período de junho/1997 a fevereiro/1999, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sula utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada Fl. 120DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.002619/200746 Acórdão n.º 330201.289 S3C3T2 Fl. 3 5 a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.002619/200746 Acórdão n.º 330201.289 S3C3T2 Fl. 4 7 repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 15/06/2007, estando assim submetido ao prazo de 5 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 07/1997 a 02/1999, estão todos atingidos pela prescrição. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Alexandre Gomes Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10865.001074/2001-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000
COFINS. VENDA A VAREJO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A
PARTIR DE SETEMBRO DE 1999. RESSARCIMENTO OU
COMPENSAÇÃO.
Ocorrendo pagamento indevido de tributo ou contribuição, tem o contribuinte
direito à repetição do indébito, inclusive no regime de substituição tributária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/06/2000
RESTITUIÇÃO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
Incide a Selic sobre a restituição de valores recolhidos a maior no regime de
substituição tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.284
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000 COFINS. VENDA A VAREJO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A PARTIR DE SETEMBRO DE 1999. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. Ocorrendo pagamento indevido de tributo ou contribuição, tem o contribuinte direito à repetição do indébito, inclusive no regime de substituição tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 30/06/2000 RESTITUIÇÃO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. Incide a Selic sobre a restituição de valores recolhidos a maior no regime de substituição tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 225DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência aprovada pela Resolução no 20100.697, de 21 de junho de 2007, da antiga 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes (fls. ), cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 74 a 91) apresentado contra o Acórdão n. 1414.508, de 18 de dezembro de 2006, da DRJ em Ribeirão Preto / SP (fls. 66 a 71), que indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada, quanto a pedido de restituição de Cofins (fl. 1), apresentado em 10 de agosto de 2001, relativamente aos períodos de julho de 1999 a junho de 2000, acompanhado de pedido de compensação com débitos “vincendos” e “a apurar” da própria Cofins (fl. 2). A ementa do acórdão de primeira instância foi a seguinte: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins “Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000 “SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. “A restituição e/ ou a compensação de Cofins paga sob o regime de substituição tributária, na aquisição de gás liquefeito de petróleo, está condicionada à comprovação de que a contribuição foi efetivamente apurada, retida e recolhida pelo substituto. “Solicitação Indeferida” O pedido foi objeto de despacho decisório da autoridade local (fls. 34 a 37), comunicado à interessada em 4 de agosto de 2006, que considerou que “A restituição de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 6, de 29 de janeiro de 1999, diz respeito somente à aquisição de gasolina automotiva e óleo diesel”. A DRJ considerou que, “No presente caso, além dos valores reclamados se referirem às aquisições de GLP cujo ressarcimento não tem amparo na legislação que instituiu o regime de substituição tributária nem na instrução normativa transcrita acima, a interessada não comprovou a efetiva retenção da contribuição apurada sob aquele regime tributário, Fl. 226DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 3 3 por parte do distribuidor. Sequer apresentou as notas fiscais de aquisição do GLP cujo ressarcimento de Cofins pleiteia.” Por fim, considerou que a apuração teria sido efetuada de forma incorreta. No recurso, esclareceu o interessado que desenvolveria “a atividade mercantil no setor de fabricação de azulejos e pisos” e que, “para a industrialização de seus produtos”, utilizaria “como um de seus principais insumos o Gás Liquefeito de Petróleo – GLP”, que, “em decorrência da grande quantidade de combustível”, seria adquirido “diretamente de distribuidores de combustíveis, ou seja, no atacado”. Como a Cofins incidiria sob o regime de substituição tributária, em face das disposições da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, o titular do direito de crédito decorrente da retenção a maior da contribuição seria o adquirente. Quando houvesse retenção a maior da contribuição, a Instrução Normativa SRF nº 6, de 1999, teria resguardado o direito de ressarcimento das diferenças ao consumidor final, relativamente à gasolina e ao óleo diesel. Entretanto, segundo o recorrente, a não inclusão do GLP deveuse ao fato de que, na data de sua edição, “não existia o regime de substituição tributária para as operações com GLP”. Mencionou decisão em processo de consulta da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região, segundo a qual “Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores do PIS, pagos por substituição tributária na hipótese de aquisição de gasolina automotiva, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP diretamente à distribuidora”. A situação teria permanecido até anteriormente a 1º de julho de 2000 e as notas fiscais não teriam sido apresentadas em razão da “necessidade de autenticação das mesmas, as quais são em grande quantidade”, tendo o recorrente aguardado “notificação para apresentação das mesmas, ou que em procedimento de diligência a autoridade fiscal verificasse tais documentos na sede da empresa, o que não foi feito”. A decisão da DRJ, assim, feriria o princípio constitucional na Razoabilidade e o bom senso, uma vez que o tratamento dado ao GLP não poderia ser distinto do dado à gasolina e ao óleo diesel. A seguir, analisou aspectos relativos à compensação de tributos, para considerar insubsistente a nota constante do acórdão de primeira instância de que não teriam sido juntados aos autos pedidos de compensação ou declarações de compensação. Segundo o recorrente, os valores compensados foram declarados em DCTF, vinculados a compensação em processo administrativo, e tratouse de compensação entre contribuições da mesma espécie. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 4 4 A declaração dos valores não seria exigida pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, e a IN SRF nº 210, de 2002, não poderia ser aplicada retroativamente. Segundo o recorrente, a apuração teria sido efetuada nos termos da IN SRF nº 6, de 1999, arts. 6º, § 2º, e 2º, parágrafo único. A diligência foi aprovada nos seguintes termos: O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a autoridade local indeferiu o pleito em razão de inexistência de previsão normativa. A DRJ destacou que o regime de substituição para o gás liquefeito de petróleo vigeu a partir de 1º de outubro de 1999 e que não haveria previsão legal ou normativa para o ressarcimento, uma vez que a lei que instituiu a substituição nada dispôs sobre o ressarcimento, que foi instituído pela IN SRF nº 6, de 1999, relativamente às vendas de gasolina automotiva e de óleo diesel. Ademais, ressaltou o acórdão que o pedido deveria ter sido acompanhado da comprovação do direito, que o método adotado na apuração seria equivocado e que os pedidos de compensação não teriam sido apresentados de forma correta. Há que se notar que a edição da Instrução Normativa SRF nº 6, de 29 de janeiro de 1999, ocorreu concomitantemente à exclusão, pela MP nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999, do gás liquefeito de petróleo do regime de substituição tributária. Quando a substituição tributária para o GLP foi novamente criada, não houve alteração na redação da IN. Entretanto, o direito ao ressarcimento foi previsto pela IN SRF nº 6, de 1999, mas não poderia ter sido por ela criado. Se a IN regulou o direito de ressarcimento e regulou o critério de sua apuração, então se deve pressupor que o direito resultou das disposições legais, no caso específico regulado pela IN, que diz respeito tãosomente “ao consumidor final, pessoa jurídica”, que adquire os combustíveis diretamente da distribuidora. Nesse contexto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a interessada seja intimada a demonstrar, relativamente ao período em que vigeu o regime de substituição tributária, o direito alegado, nos termos do art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 6, de 2000, especialmente no que diz respeito à base de cálculo e à situação de ser consumidora do combustível. A interessada poderá ser intimada a apresentar à Fiscalização ou a colocar a sua disposição os documentos que se fizerem necessários, apresentando também demonstrativo de apuração. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 5 5 Após a diligência, a Fiscalização deverá dar ciência do relatório ao contribuinte, para que apresente resposta no prazo de trinta dias. Intimada (fl. 121), a Interessada apresentou a documentação de fls. 122 a 173. No despacho de fls. 174 a 183, a Seort/DRF/Limeira informou haver efetuado confrontação entre as notas fiscais apresentadas e os arquivos magnéticos apresentados. A Interessada foi cientificada do despacho e apresentou a resposta de fls. 186 a 191, por meio da qual discordou do período de início de abrangência do direito, considerado o dia 4 de outubro de 1999 pelo despacho. Segundo a Interessada, nos termos o art. 22 da Medida Provisória no 1.8586, publicada em 30 de junho de 1999, essa seria a data de entrada em vigor das suas disposições. Não se aplicaria ao caso o prazo do art. 195, § 6º, da Constituição Federal, por se tratar apenas de mudança de regime de arrecadação e não de nova exigência. Ademais, discordou do fator de multiplicação (2,2) utilizado na apuração. Segundo a Interessada, deveria ser levado em conta o disposto no art. 6º, § 2º, da Instrução Normativa SRF no 6, de 1999, que se referiu ao parágrafo único do art. 2º, que previu a multiplicação por quatro do preço da refinaria, no caso da gasolina automotiva. Por fim, requereu a aplicação da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A principal alegação da Interessada é de que a Medida Provisória n. 1.8586, de 29 de junho de 1999, teria abrangido o período posterior a julho de 1999. Dispunha o art. 4º da mencionada MP: Art.4o O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP. Entretanto, a mencionada MP entrou em vigor apenas a partir de setembro de 1999, por conta da anterioridade nonagesimal. No caso, não importa que a Interessada discorde do posicionamento oficial da Receita Federal, uma vez que tendo esse posicionamento sido externado, a retenção não ocorreu anteriormente a esse período (como exemplo, citese http:// www.receita.fazenda.gov.br/ pessoajuridica/ dipj/ 2000/ Orientacoes/ COFINSgerais.htm). Fl. 229DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 6 6 Ademais, a recorrente não prova que a refinaria tenha descumprido esta disposição constitucional e iniciado a retenção e recolhimento do PIS antes do prazo legal, especialmente nas operações objeto do pedido de restituição. A situação do GLP não se assemelha totalmente à do óleo diesel e à da gasolina automotiva, em que a substituição tributária, na saída da refinaria, referese à venda do distribuidor para o posto de combustíveis e à do posto de combustíveis ao consumidor final. Nesse caso, há no mínimo três incidências das contribuições sociais: saída da refinaria, saída do distribuidor (primeira substituição) e saída do posto (segunda substituição). Se a pessoa jurídica adquire o combustível diretamente do distribuidor, torna se indevida a incidência relativa à saída do posto. No caso do GLP, pode ocorrer o envasamento para venda a varejo, que normalmente ocorre na distribuidora. Então, o gás envasado é vendido à revenda. As disposições sobre substituição tributária, entretanto, somente foram alteradas posteriormente. Até MP 18075 não havia previsão de substituição para o GLP: Art. 4o O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva e óleo diesel. Depois, com a MP 18586 já citada, a substituição vigorou de setembro de 1999 até a MP no 1.99118, de 9 de junho de 2000, publicada no DOU em 10 de junho de 2000: Art. 4o O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP. Parágrafo único. Nas vendas de óleo diesel ocorridas a partir de 1o de fevereiro de 1999, o fator de multiplicação previsto no parágrafo único do art. 4º da Lei no 9.718, de 1998, fica reduzido de quatro para três inteiros e trinta e três centésimos. Portanto, a substituição tributária vigorou em relação ao GLP até a publicação da MP no 1.99118, de 09 de junho de 2000, que determinou o seguinte: Art. 4o O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, em sua versão original, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP. Não obstante, a Receita Federal admitiu somente a possibilidade do que chamou de ressarcimento das contribuições em relação à gasolina e ao óleo Diesel. Vejase que a apuração da base de cálculo das duas substituições tributárias, que se dava pela multiplicação do fator “4” (em relação ao óleo Diesel, passou a ser 3,3), foi estabelecida igualmente em relação ao GLP, portanto, a refinaria submetiase às mesmas regras, quer em relação ao GLP, quer em relação à gasolina e ao óleo Diesel. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 7 7 Entretanto, a IN SRF no 6, de 1999, somente previu o ressarcimento de uma das etapas (venda ao varejista), quando o combustível fosse adquirido diretamente do distribuidor, aplicandose, assim, o fator de 2,2, quanto à gasolina e ao óleo Diesel, deixando, sem explicação, o GLP de lado. Embora se refira a ressarcimento, na realidade tratase de restituição, uma vez que o substituído tributário é o contribuinte, enquanto que o substituto é o responsável pela antecipação do recolhimento do tributo. A IN, portanto, reconheceu como parte legítima para receber os valores pagos a maior o contribuinte de direito (não se trata apenas de contribuinte de fato, como ocorre nos casos dos tributos indiretos). Embora o tema seja controverso na doutrina, tratase de uma interpretação plenamente admissível, uma vez que é possível identificar o titular do direito de crédito e sua liquidez e certeza, à vista das instruções expedidas pela própria RFB. Nesse contexto, independentemente da IN, o sujeito passivo (aquele que efetivamente arcou com o encargo financeiro do tributo indevido ou a maior do que o devido) tem direito à restituição, na forma prevista no CTN. Por fim, a Interessada contestou a apuração efetuada na diligência, alegando incidir os juros Selic. Conforme já esclarecido anteriormente, embora a IN denomina o pedido como ressarcimento, na realidade se trata de restituição. Portanto, cabe a incidência de juros compensatórios. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à ressarcimento da Interessada, nos termos do que foi apurado na diligência, incidindo ainda os juros Selic. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 231DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 13971.000046/2004-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM OUTRO
PROCESSO JUDICIAL VINCULAÇÃO
Aplicase
ao processo em que se discute o débito, a decisão definitiva que foi
proferida nos autos em que se debate o crédito utilizado na compensação. A
vinculação entre os processos é indiscutível e não pode ser ignorada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.252
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Presente ao julgamento, a
Dra. Ingrid Karol Cordeiro Moura, OAB/PR 41486.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM OUTRO PROCESSO JUDICIAL VINCULAÇÃO Aplicase ao processo em que se discute o débito, a decisão definitiva que foi proferida nos autos em que se debate o crédito utilizado na compensação. A vinculação entre os processos é indiscutível e não pode ser ignorada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Presente ao julgamento, a Dra. Ingrid Karol Cordeiro Moura, OAB/PR 41486. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 07/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente processo de aproveitamento de créditos decorrentes de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI objeto do processo n° 13971.000286/98 75. Consta declaração de compensação de débitos às fls. (fls. 01) no valor total de R$ 20.000,00. Às fls. 12/14, consta Despacho Decisório no qual a autoridade administrativa deixou de homologar as declarações de compensação em razão da inexistência de crédito, uma vez que o processo administrativo nº 13971.000286/9875, que discute o crédito, foi analisado pela DRF, tendo a conclusão sido pela procedência parcial. Neste sentido e por retratar a realidade dos fatos, passo a transcrever trecho do relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “A Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, através do despacho decisório de fls. 12/14, de 21/01/2004, decidiu por não homologar a declaração de compensação, em razão da inexistência do alegado crédito, pois o pedido de ressarcimento formulado e analisado no processo n° 13971.000286/9875 foi parcialmente deferido, tendo a interessada recebido correspondência com o teor da decisão em 17/12/2003. Irresignada com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 26/01/2004, conforme aviso de recebimento nos autos, a contribuinte ofereceu a manifestação de inconformidade de fls. 20/26, alegando, em síntese, que não existem motivos para o indeferimento das compensações, posto que, protocolou manifestação de inconformidade nos autos do processo n° 13971.000286/9875, estando o mesmo em pleno andamento processual. Deste modo, ao final requer a reforma do despacho decisório para que seja acatada a compensação efetuada.” Após analisar as razões da Recorrente, a Segunda Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu o acórdão nº 1423.297 fls. 45/48, por meio do qual manteve o despacho administrativo nos exatos termos que foi proferido, a saber: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação, quando o direito creditório reclamado é proveniente de outro processo administrativo, só é reconhecida quando o direito creditório reclamado for reconhecido como líquido e certo. Solicitação Indeferida.” Registrase que o mérito do recurso apresentado pela Recorrente, que discutia o direito ao crédito de ressarcimento de IPI, sequer foi analisado pela DRJ, posto que objeto de outro processo administrativo, a saber: Fl. 76DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.000046/200425 Acórdão n.º 330201.252 S3C3T2 Fl. 2 3 “Voto A manifestação de inconformidade, tempestivamente apresentada, cumpre os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. Portanto, dela tomo conhecimento. A origem do crédito indicado na declaração de compensação de fl. 01 está no pedido de ressarcimento de IPI formalizado no processo n° 13971.000286/9875. Assim, a homologação ou não da declaração de compensação está na total dependência do que for decidido naquele processo. Há que se observar que o direito creditório com base no qual a contribuinte efetuou as compensações é matéria estranha ao presentes autos, não cabendo aqui nenhuma manifestação a seu respeito, eis que se trata de matéria já apreciada e decidida no âmbito do processo n° 13971.000286/9875. Aqui, cabe apenas dar conseqüência ao decidido naqueles autos. Em pesquisa ao sitio do Conselho de Contribuintes, a respeito da situação atual do processo n° 13971.000286/9875, verificase que a contribuinte teve seu recurso negado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, e posteriormente, pela Câmara Superior. Assim, a pretensão da contribuinte, de ter deferido totalmente seu pedido de ressarcimento, não foi acolhida.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 50/56, por meio do qual reiterou as alegações realizadas em sua inconformidade, atinentes à existência de crédito tributário em seu favor e principalmente, no que se refere à impossibilidade dos autos serem decididos antes do processo nº 13971.000286/9875 ser julgado definitivamente, uma vez que o direito creditório está sendo discutidos naqueles autos. Neste aspecto, alega a Recorrente que a manutenção da decisão de primeira instância administrativa significa a não homologação da compensação efetuada e que tal fato está vinculado à existência do crédito. Em virtude da evidente conexão, anexei aos autos os acórdãos nº 20178510 e 202124590, proferidos nos autos do mencionado processo nº 13971.000286/9875. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se depreende dos termos do relatório, é indiscutível que o Recurso Voluntário apresentado está vinculado a outro processo administrativo, sendo que não há meios de concluir pela procedência da compensação sem que a existência e o valor do crédito seja decidido definitivamente. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Com razão a Recorrente quando alega que a simples não homologação da compensação é concluir pela inexistência do crédito, o que não está sendo discutido nestes autos. Em virtude destes fatos trouxe à colação as decisões proferidas nos autos do processo administrativo nº 13971.000286/9875. A primeira decisão referese ao julgamento pela Turma Ordinária do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, na intenção de reverter a decisão que lhe foi parcialmente favorável, garantindo apenas parte do crédito solicitado (R$ 647.914,05) e indeferindo o ressarcimento do crédito presumido relativo à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre prestação de serviço de industrialização por encomenda, energia elétrica, combustíveis industriais e lubrificantes industriais. O recurso do contribuinte foi indeferido e restou da seguinte forma ementado: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO. CÁLCULO DO INCENTIVO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTO DO SERVIÇO. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CONCEITO DE MATÉRIAPRIMA OU PRODUTO INTERMEDIÁRIO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. O cálculo do beneficio deve ser realizado com base na receita bruta de exportação de mercadoria nacional para o exterior. A variação cambial ativa de contrato de câmbio vinculado à exportação é receita financeira e não integra a receita de exportação. Recurso negado.” Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – na intenção de reverter a decisão que lhe foi desfavorável sem, contudo, obter êxito, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INCLUSÃO, ENTRE AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS, DE PRODUTOS QUE NÃO SE ENQUADRAM NOS CONCEITOS DE MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS NA LEGISLAÇÃO DO IPI Fl. 78DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.000046/200425 Acórdão n.º 330201.252 S3C3T2 Fl. 3 5 Para enquadramento no beneficio, somente se caracterizam como matériaprima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre ele, no processo de fabricação. A energia elétrica utilizada como fonte de iluminação, de calor ou força motriz, os combustíveis e os lubrificantes, por não atuarem diretamente sobre o produto final industrializado pela reclamante, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo serem incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. INCLUSÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL NA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Para efeito de cálculo do crédito presumido, por expressa determinação normativa, a receita de exportação deve ser apurada segundo o cambio vigente na data do embarque. Recurso Especial do Contribuinte Negado.” Uma vez adotada a premissa de que a sorte do presente processo, que nada mais é do que o débito decorrente da glosa da compensação realizada no processo administrativo nº nº 13971.000286/9875, que trata do crédito, nego provimento ao recurso apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, é o presente para NEGAR PROVIMENTO, face à inexistência de crédito para a compensação. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 79DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 80DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13362.000159/2004-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2003, 2004
Ementa:
VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO VALOR A SER LANÇADO. POSSIBILIDADE.
Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve considerar (deduzir) os eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte na sistemática do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.
Numero da decisão: 9101-001.037
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003, 2004 Ementa: VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO VALOR A SER LANÇADO. POSSIBILIDADE. Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve considerar (deduzir) os eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte na sistemática do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO VALOR A SER LANÇADO. POSSIBILIDADE. Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve considerar (deduzir) os eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte na sistemática do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13362.000159/200407 Acórdão n.º 910101.037 CSRFT1 Fl. 148 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karen Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffman (Vice Presidente). Relatório Com fundamento no art. 7º, inciso II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147/07, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face do acórdão nº 10516.664, de 13.09.2007, proferido pela Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselhos de Contribuintes, assim ementado, na parte que interessa à presente discussão: “COMPENSAÇÃO DARF/SIMPLES Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Recurso Provido parcialmente.” A presente autuação referese ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) promovido em decorrência do Ato Declaratório Executivo DRF/FLO nº 001, de 31 de março de 2004 (fls.18), que excluiu de ofício a contribuinte da sistemática do Simples a partir de 01.01.2002. No procedimento fiscal, que alcançou os anoscalendários 2002 e 2003, a fiscalização constatou divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, oriundas da exclusão da autuada do regime de tributação simplificada, com efeitos a partir de janeiro de 2002, inclusive. Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional aponta divergência na interpretação da legislação atinente à compensação, sustentando que não é possível, pela autoridade fiscal o reconhecimento e utilização dos valores recolhidos indevidamente sob a sistemática do Simples para reduzir o montante a ser lançado de ofício. O acórdão recorrido acolheu o entendimento de que, com a exclusão da pessoa jurídica do Simples, com efeitos retroativos, são indevidos os pagamentos por ela feitos no período abrangido pela eficácia da ato declaratório de exclusão e, portanto, podem ser compensados com débitos apurados em lançamento de ofício. No seu apelo, a Fazenda Nacional demonstrou haver divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 10807.169, de 17.10.2002, proferido pela antiga Oitava Câmara, o qual firmou o entendimento de que é “incabível a redução dos tributos lançados de ofício pela utilização de valores pagos a título de SIMPLES, porque em se tratando de recolhimentos indevidos, em virtude da exclusão do regime, eles só poderão ser considerados por meio de compensação com o crédito tributário lançado e após aval da autoridade local da Secretaria da Receita Federal”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13362.000159/200407 Acórdão n.º 910101.037 CSRFT1 Fl. 149 3 Conforme Despacho nº 10500.128/2008 (fls. 132/133), o Presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselhos de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial da Fazenda. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, onde sustenta a procedência do acórdão (fls. 138/141). É o breve relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A questão a ser dirimida por este Colegiado limitase a saber se, nos casos de exclusão do contribuinte da sistemática do Simples, por ocasião do procedimento de fiscalização, na apuração dos valores a serem exigidos, a autoridade fiscal deve considerar os valores pagos indevidamente no período em que estava sob o regime, compensandoos com os valores a serem lançados de ofício. Entendo, no mesmo sentido que entendeu a decisão ora recorrida, que não assiste razão à Recorrente Fazenda Nacional, porquanto, dentro da melhor interpretação dada aos normativos vigentes, não há como não considerar no procedimento de ofício, os recolhimentos feitos pela contribuinte sob a sistemática do Simples. Conforme o disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, a adesão ao Simples implica o pagamento unificado de diversos tributos ali especificados, entre eles o IRPJ objeto da presente autuação. Assim, os valores que a Contribuinte recolheu a título de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep na sistemática do Simples, devem ser considerados (deduzidos), na determinação dos valores a ser objeto do auto de infração, quando se tratar de lançamento desses mesmos tributos e em relação aos fatos geradores ocorridos nos mesmos anos calendários. A apuração dos valores devidos, relativos aos períodos abrangidos pela exclusão do Simples, deve levar em conta e deduzir do crédito a ser constituído de ofício, os valores efetivamente recolhidos verificados nos DARF/Simples apresentados pela Contribuinte. In casu, a fiscalização deveria ter excluído dos valores lançados os recolhimentos efetuados pois, afinal, correspondem aos mesmos tributos pagos na sistemática do Simples. Em que pesem as alegações da Fazenda Nacional acerca dos limites legais à compensação tributária, no caso, não se trata de compensação propriamente dita, mas de mero critério de apuração do valor efetivamente devido, para fins de lavratura do auto de infração. Devese pontuar também que a consideração dos valores recolhidos feita no momento do lançamento de ofício, evita a geração de processos administrativos de pedidos compensação e um menor ônus para a Contribuinte e trâmite injustificável de processos no âmbito da Administração Pública. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13362.000159/200407 Acórdão n.º 910101.037 CSRFT1 Fl. 150 4 Nesse sentido, entendo que pode este Colegiado, em respeito aos princípios da finalidade, razoabilidade e eficiência, todos previstos no caput do art. 2º da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, determinar que se proceda a apuração dos valores devidos, considerandose os valores recolhidos na sistemática do Simples, conforme bem decidiu a Câmara a quo, Por estas razões, NEGO provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 10950.002736/2005-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004
Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA – POSSIBILIDADE. O atraso
pelo contribuinte na entrega da declaração, além do prazo
estipulado pela Receita Federal, acarreta a aplicação da
multa prevista na legislação de regência.
Numero da decisão: 9101-000.805
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Ausentes justificadamente os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Ausentes justificadamente os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias e Susy Gomes Hoffmann. (assinado digitalmente) CAIO MARCOS CANDIDO Presidente Substituto (assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre de Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Fl. 104DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 2 2 Couto, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Nelson Losso e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Insigne Procurador da Fazenda Nacional, contra a decisão da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão n° 30335.174, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso e cancelou a penalidade imposta ao contribuinte por atraso na entrega da DCTF, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. O Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que estendeu o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, e declarou válidas as declarações entregues até 18/02/2005, somente foi publicado no dia 12/04/2005. Logo, considerando que a publicidade do ato somente ocorreu em referida data, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF no dia 24/02/2005. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O recurso especial foi interposto com fulcro no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº Portaria MF n° 147/2007, trazendo, como paradigma, o acórdão n. 30338.631, que traz a seguinte ementa: Assunto. Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. O atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Após afirmar a identidade fática dos acórdãos confrontados, pois ambos tratam de atraso na entrega da DCTF do 4ª trimestre de 2004, argumenta o ilustre representante da Fazenda Nacional: Fl. 105DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 3 3 “... Sabese, nesse particular, que, por ocasião da apresentação da DCTF relativa ao 4° Trimestre de 2004, foram detectadas, no último dia do prazo de entrega — 15/02/2005, problemas técnicos no sistema eletrônico de envio da referida declaração. 16. Por essa razão e para maior segurança dos contribuintes, é que o Secretário da Receita Federal, em 08/04/2005, editou o Ato Declaratório Executivo de n° 24, com o que considerou, como apresentadas em 15/02/2005, as declarações transmitidas nos dias 16 a 18/02/2005, não se imputando aos contribuintes respectivos qualquer penalidade por atraso no referida entrega. É o que se observa do texto a seguir O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MI n° 30 de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF n° 255 de 11 de dezembro de 2002 e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4 trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. " 17. No presente caso, a contribuinte apresentou a sua DCTF do 4º Trimestre no ano de 2004 em 24/02/2005 ou seja, após o termo do prazo final considerado pelo próprio ADE SRF n° 24, de 08/04/2005, caracterizando a mora no cumprimento da citada obrigação acessória. 18. Do mesmo modo, as justificativas apresentadas pela recorrida no sentido de que teria tentado protocolar a referida declaração perante a repartição pública competente por diversas vezes, o que teria sido negado pelo agente público competente, NÃO lhe socorre de nenhuma maneira. 19. Primeiro, porque não faz prova qualquer dos fatos que aduz, de modo a caracterizar eventual obstrução por parte da Administração tributária como causa do atraso na entrega da aludida DCTF; depois, porque, àquela época, a legislação tributária já havia elegido o meio eletrônico como forma exclusiva de transmissão da DCTF, determinação esta que a contribuinte estava obrigada a observar, conforme art. 4° da IN n° 255, de 11/12/2002. 20. E mais, corroborando os argumentos levantados no acórdão paradigma, em caso semelhante, insta salientar que a "convalidação pela Receita Federal das declarações enviadas nos três dias subseqüentes, provase que outros contribuintes que sofreram o mesmo imprevisto conseguiram enviar suas declarações sem problemas, e que o mesmo poderia ter sido feito pela Interessada", o que, todavia, não foi feito. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 4 4 21. Considerando os fatos expostos e as questões ora pontuadas, e contrariando os argumentos da decisão recorrida, verificase que NÃO se acha caracterizada a negligência administrativa quanto a definir com antecipação adequada o critério de distribuição diária da transmissão e recepção da demanda esperada de declarações, bem como o prazo geral prospectivo que deveria ser concedido, em igualdade de condições, a todos os contribuintes que foram impedidos de entregar suas DCTF eletronicamente no prazo legal. 22. Com efeito, o ADE SRF nº 24, de 08/04/2005, foi editado, com a devida motivação, para sanar e esclarecer todas as conseqüências decorrentes dos problemas técnicos verificados no sistema de transmissão da DCTF em 15/02/2005. 23. Ora, se a autoridade administrativa competente ali determinou fossem admitidas, sem mora, as DCTFs apresentadas entre os dias 16 e 18/02/2005, é porque reconheceu a insuficiência do referido sistema eletrônico apenas naqueles dias, elegendo critério seguro para proteger os contribuintes prejudicados, tudo com vistas a prestigiar a segurança das relações jurídicas tributárias. 24. Por isso é que não se pode admitir que o contribuinte em mora na entrega da declaração, aproveitandose dos problemas técnicos observados nos sistema de envio da DCTF em 15/02/2005, estes que foram suficientemente sanados com a edição do ADE SRF nº 24/2005, venha a levantar tese desprovida de qualquer substrato jurídico e probatório e cujo modelo vem se repetindo em defesas de outros contribuintes (o que é, ao menos, curioso), tudo com o intuito de se ver livre da imposição tributária, demonstrada legítima no presente caso. 25. Da mesma maneira a ocorrência ou mesmo autoria da infração, sobre a sua imputabilidade e principalmente sobre a punibilidade do ora recorrente, se acham devidamente evidenciadas no caso, já que ficou demonstrado e admitido nos autos que a contribuinte se retardou no cumprimento da obrigação tributária acessória, conduta esta que não se acha respaldada em qualquer causa justificada, o que induz à imputação devida da penalidade tributária, conforme previsão do art. 7° da Lei nº 10.426, de 24/04/2002: (...)" A interessada apresentou contrarazões afirmando inexistir identidade fática entre os julgados confrontados, argumentando: “... a) Empresa Recorrida agiu seguindo orientações da Delegacia Federal local, tendo citado em seu Recurso Voluntário os nomes dos agentes que lhe orientaram; b) as únicas informações que possuía a respeito da nova data para envio da declaração eram as fornecidas pelos funcionários da Delegacia da Receita Federal local; Fl. 107DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 5 5 c) restou inequívoca a sua intenção de entregar a declaração corretamente. No Acórdão apresentado como paradigma, a motivação centra se na falta de prova das alegações do contribuinte de obstrução de entrega da DCTF decorrente da indicação de um serventuário e das frustradas tentativas de entregar as declarações perante as repartições públicas competentes, fatores que contribuíram para o atraso na entrega da DCTF. Entretanto, conforme se verifica no r. acórdão proferido no presente processo supra citado, a Empresa Recorrida obteve provimento de seu Recurso Voluntário por razões diversas demonstradas e por ter restado inequívoca a sua intenção de entregar corretamente. Assim, dúvidas não há que o acórdão paradigma citado não demonstra divergência com a decisão prolatada para a Empresa Recorrida; Protesta pela manutenção do acórdão recorrido invocando o princípio da eficiência da Administração Pública. Ressalta que em caso idêntico, julgado pela mesma Terceira Câmara (anexou cópia), por unanimidade de votos foi dado provimento ao recurso, e a Procuradoria não recorreu, o que fere o princípio da igualdade. Traz cópia de informação prestada pelo servidor do órgão local da SRF em outro processo, atestando que: “1Contribuintes reclamaram durante, pelo menos uma semana antes das entrega da DCTF, questionando sobre as dificuldades encontradas e a não disponibilidade do Programa para entrega pela Internet; 2. Tentamos durante todo o período, inclusive com a SATEC, responder aos questionamentos, porém, não tivemos nada oficial de que seria um problema em nossa Rede; 3. No último dia, como derradeira tentativa de resolver os problemas dos contribuintes, passamos um Notes para a Satec, solicitando que fosse verificada a possibilidade deste CAC receber as DCTF impressas. Não foi possível, uma vez que a legislação, permitia sua recepção, somente em casos de constatação oficial do problema na Rede; 4. A situação foi bem dramática, chegamos a deixar a Delegacia aberta até as 20 horas para que os contribuintes tentassem enviar as declarações pelo autoatendimento; 5. Os esclarecimentos a serem dados, como se colocou, não se tratava de anexação de documentos, uma vez que somente trabalhamos com informações oficiais; o que foi dito é que se daria as informações do ocorrido, como se faz agora; 6. Houve realmente uma reunião com o Delegado o chefe da SATEC e os contribuintes que estavam com dificuldades de transmitir a DCTF. Eles, (Delegado/Chefe SATEC) esclareceram que as DCTFs deveriam ser entregues o mais rápido possível, e Fl. 108DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 6 6 que oficialmente a MULTA não poderia deixar de ser cobrada tendo em vista o efetivo atraso na entrega das declarações. 7. Tivemos sempre a preocupação de somente repassar as informações oficiais, por isso esclarecíamos ao contribuinte que o prazo limite era às 20 horas da data prevista, porque esta era a informação a ser dada. 8. Realmente, se soubéssemos que haveria a prorrogação do prazo para a entrega alertaríamos aos contribuintes, uma vez que os mesmos vieram na manhã seguinte buscando uma solução junto a este CAC e a preocupação foi encaminhada ao Gabinete. 9. Ainda, não tínhamos ate aquele momento qualquer noticia de que poderia haver prorrogação ou ato oficial que permitisse a entrega sem a emissão da multa. 10. As tentativas para verificar os problemas ocorridos foram efetuados por este CAC e SATEC, a exaustão; víamos o sofrimento dos contribuinte na tentativa de entrega com os sistemas congestionados.” É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O contribuinte alega falta de identidade fática, postulando a não admissibilidade do especial. Todavia, existe a identidade fática, pois se trata da mesma infração, relativa ao mesmo período, e a alegação de que teria recebido orientação (verbal) do servidor para não transmitir as declarações via Internet, pois o órgão local de Maringá ainda estava aguardando uma posição de Curitiba, e que o contribuinte não seria onerado com a multa não é suficiente para retirar a identidade fática dos casos. Embora irrelevante para minha apreciação, observo que a cópia da informação que o contribuinte trouxe nas contrarazões não comprova que, até o dia 24 de fevereiro, ele tenha sido orientado a não transmitir a declaração. O que o servidor atesta é que pelo menos uma semana antes do prazo final da entrega os contribuintes reclamaram dos problemas no sistema, e que aquele órgão tentou obter autorização para receber as DCTFs impressas, mas não foi autorizado, e que as autoridades administrativas deixaram à repartição aberta até as 20 horas para que os contribuintes tentassem enviar as declarações pelo autoatendimento, sendo lhes informado que deveriam enviar o mais cedo possível, porque a multa não poderia deixar de ser aplicada, eis que o prazo seria até as 20 horas do dia 15 e, ainda, que não sabiam informar se o prazo seria prorrogado. Portanto, o recurso atende os requisitos para seu seguimento, devendo ser conhecido. Em síntese, temse que ocorreu problema técnico no sistema de transmissão das declarações à Receita Federal, que esses problemas se manifestaram nos últimos dias do prazo, como atesta o CAC/Maringá, que em função disso a Secretaria da Receita Federal, em 08 de abril de 2005, baixou um ato declarando que as declarações transmitidas até o dia 18 de fevereiro daquele ano seriam tidas como tempestivas, que o contribuinte transmitiu sua declaração apenas no dia 24 de fevereiro, portanto fora do prazo admitido pela Receita. Pondera a PFN que ADE SRF nº 24, de 08/04/2005, foi editado para sanar e esclarecer todas as conseqüências decorrentes dos problemas técnicos verificados no sistema de transmissão da DCTF em 15/02/2005, que o ato traduz o reconhecimento, pela administração, da insuficiência do sistema eletrônico apenas até o dia 18, não podendo se admitir que o contribuinte em mora se aproveite dos problemas que foram suficientemente sanados com a edição do Ato Declaratório. Em julgado trazido pelo contribuinte em suas contrarazões, em situação fática idêntica, a Terceira Câmara seguiu o voto do relator que assim conclui: “ (...) com base no disposto no art.108 c/c o art. I12, do CTN, aplicar neste caso juízo de eqüidade e propor o cancelamento da multa lançada.” Fl. 110DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 8 8 Entretanto, não vejo como aplicar o art. 112 do CTN. O fato, capitulado no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, está perfeitamente identificado, quer quanto a sua natureza, quer quanto às suas circunstâncias materiais: ocorreu entrega (transmissão) da DCTF após o prazo determinado pela SRF. Também não há qualquer dúvida quanto à natureza ou extensão dos efeitos do fato: infração à legislação punível com a multa de que se trata, bem como, não se vislumbram incertezas quanto à autoria, imputabilidade ou punibilidade. A natureza da penalidade é a multa pecuniária e sua graduação não dá margem à dúvida: 2% ao mês calendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados, limitada a 20%. Quanto ao artigo 108, falece ao Conselho propor dispensa de penalidade (anistia) por qualquer juízo, inclusive de equidade. Antes da nova ordem constitucional, o art. 4º do Decretolei nº 1.041, de 21 de outubro de 1969, dava competência ao Ministro da Fazenda para, em despacho fundamentado, relevar penalidades relativas a infrações tributárias, atendendo a eqüidade em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. Tal possibilidade era restrita às penalidades por infrações de que não houvesse resultado na falta ou insuficiência no recolhimento de tributos. Considerando essa previsão, o Decreto nº 70.235, de 1972, previu, no inciso II do art. 26, instância especial de competência do Ministro da Fazenda para decidir sobre as propostas de aplicação de equidade apresentadas pelos Conselhos de Contribuintes, nos termos do art. 40, que estabelecia: Art. 40. As propostas de aplicação de equidade apresentadas pelos Conselhos de Contribuintes atenderão às características pessoais ou materiais da espécie julgada e serão restritas à dispensa total ou parcial de penalidade pecuniária, nos casos em que não houver reincidência nem sonegação, fraude ou conluio. Ocorre que essa possibilidade não mais existe, eis que o §6º do art. 150 da Constituição de 1988, exige lei específica para concessão de remissão, nos seguintes termos: §6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Nessa ordem de idéias, o Ato Declaratório emitido pela Secretaria da Receita Federal só pode ser entendido dentro dos limites de sua competência, conferida pelo art. 16 da Lei 9.779/1999, de estabelecer o prazo para cumprimento de obrigações acessórias. O acórdão cuja reforma postula a PFN argumenta que, de acordo com o Principio da Publicidade, a eficácia dos atos administrativos está condicionada à sua Fl. 111DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 9 9 publicidade, e conclui que, como a transmissão da DCTF ocorreu antes da publicação do Ato Declaratório 24/2005, não ocorreu à mora. Eficácia é uma qualidade da norma que se refere à possibilidade de produção concreta de seus efeitos. O ato de que se trata não se destinou a regular ocorrências futuras, mas foi editado para reconhecer (declarar) uma situação já acontecida, e afastar os efeitos por ela produzidos, seria prejudicial aos administrados, eis que a publicidade, no caso, atende a necessidade de transparência e generalidade do ato administrativo, mas não altera seu alcance. Assim, apenas a partir da publicação do ato administrativo que considerou tempestivo o cumprimento da obrigação até o dia 18 do mês de fevereiro (quando, presumese, estavam superados os problemas técnicos que dificultaram o cumprimento da obrigação), é que os agentes da administração puderam deixar de aplicar a multa naqueles casos, e para a generalidade dos contribuintes. Entretanto, a publicação não altera o conteúdo e o alcance do ato. O ato foi editado de acordo com a lei, a motivação é real, a autoridade que o assinou estava revestida de competência para fazêlo. A publicação confere ao ato a possibilidade de produzir os efeitos nele previsto, mas não tem o condão de alterálo. A visto do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a multa aplicada. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 112DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13984.000495/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA. MAJORAÇÃO. REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA.
Para majorar multas aplicadas de ofício é preciso que a fiscalização tenha apurado os fatos tributáveis sem qualquer auxílio do contribuinte. Quando a apuração dos fatos tributáveis se faz com base em documentos e livros do contribuinte, não cabe a majoração da multa, sob a alegação de não atendimento de intimação.
MULTA QUALIFICADA.
Caracteriza sonegação o fato do contribuinte apresentar declaração
informando em desacordo com os fatos tributáveis constantes de seus livros. Mesmo estando registrado nos livros os fatos tributáveis e o montante devido, se o contribuinte declara ao Fisco nada dever, resta caracterizada a sonegação de informações, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%.
ARTIGO 124 DO CTN.
O art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso
significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar
o fato gerador.
ARTIGO 135 DO CTN Uma das possibilidades de responsabilização de gerentes, com base no art. 135 do CTN, é que o débito tributário decorra de sonegação, que o gerente tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005 , 2006
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o ato praticado pela autoridade competente, de acordo com a lei, sem cerceamento de defesa, e sem qualquer vício.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
Sob pena de nulidade, a determinação do pólo passivo por meio de
documento diverso do auto de infração só é possível se em tal documento
estejam presentes os requisitos legais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
É nulo o termo de sujeição passiva sem amparo na legislação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005 , 2006
EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO.
Embora seja difícil estabelecer teoricamente o que seja “prática reiterada de infração da legislação tributária”, é possível verificar se em um caso em concreto ocorre ou não a prática reiterada de infração.
EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA.
O fato do ato de exclusão produzir efeitos desde o mês em que se verifique a prática reiterada de infração a legislação tributária, não significa que se trate de exclusão retroativa, mas sim de mera declaração da exclusão ocorrida no mês em que se caracteriza a causa excludente.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Receitas consignadas na contabilidade, mas não declaradas, devem ser
computadas na base de cálculo apurada pela fiscalização. Tributos registrados em livros, mas não pagos e nem declarados, não reduzem os montantes lançados de ofício.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PAGAMENTOS. APROVEITAMENTO.
Devem ser considerados no lançamento de ofício os tributos pagos pelo
contribuinte na sistemática do Simples.
Numero da decisão: 1101-000.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao
recurso voluntário para: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do ato de exclusão do SIMPLES e da autuação; 2) por unanimidade de votos, manter os efeitos da exclusão desde janeiro de 2005 e a base de cálculo apurada; 3) por maioria de votos, cancelar a
majoração de 50% das multas de ofício aplicadas em 2005 e 2006, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por maioria de votos, manter a multa de 150% aplicada em 2005, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva, 5) por
unanimidade de votos, admitir o abatimento dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES; e, 6) relativamente aos termos de sujeição passiva solidária: 6.1) por maioria de votos CONHECER o recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa por
ilegitimidade da recorrente, e 6.2) por maioria de votos, ANULAR os termos de sujeição passiva solidária, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Diniz Raposo e Silva, suplente convocado para substituir a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ME (Responsáveis tributários: Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima) Recorrida 3ª Turma da DRJ em Florianópolis ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 MULTA. MAJORAÇÃO. REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA. Para majorar multas aplicadas de ofício é preciso que a fiscalização tenha apurado os fatos tributáveis sem qualquer auxílio do contribuinte. Quando a apuração dos fatos tributáveis se faz com base em documentos e livros do contribuinte, não cabe a majoração da multa, sob a alegação de não atendimento de intimação. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza sonegação o fato do contribuinte apresentar declaração informando em desacordo com os fatos tributáveis constantes de seus livros. Mesmo estando registrado nos livros os fatos tributáveis e o montante devido, se o contribuinte declara ao Fisco nada dever, resta caracterizada a sonegação de informações, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%. ARTIGO 124 DO CTN. O art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. ARTIGO 135 DO CTN Uma das possibilidades de responsabilização de gerentes, com base no art. 135 do CTN, é que o débito tributário decorra de sonegação, que o gerente tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 , 2006 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o ato praticado pela autoridade competente, de acordo com a lei, sem cerceamento de defesa, e sem qualquer vício. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. Sob pena de nulidade, a determinação do pólo passivo por meio de documento diverso do auto de infração só é possível se em tal documento estejam presentes os requisitos legais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. É nulo o termo de sujeição passiva sem amparo na legislação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 , 2006 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. Embora seja difícil estabelecer teoricamente o que seja “prática reiterada de infração da legislação tributária”, é possível verificar se em um caso em concreto ocorre ou não a prática reiterada de infração. EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. O fato do ato de exclusão produzir efeitos desde o mês em que se verifique a prática reiterada de infração a legislação tributária, não significa que se trate de exclusão retroativa, mas sim de mera declaração da exclusão ocorrida no mês em que se caracteriza a causa excludente. OMISSÃO DE RECEITAS. Receitas consignadas na contabilidade, mas não declaradas, devem ser computadas na base de cálculo apurada pela fiscalização. Tributos registrados em livros, mas não pagos e nem declarados, não reduzem os montantes lançados de ofício. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PAGAMENTOS. APROVEITAMENTO. Devem ser considerados no lançamento de ofício os tributos pagos pelo contribuinte na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do ato de exclusão do SIMPLES e da autuação; 2) por unanimidade de votos, manter os efeitos da exclusão desde janeiro de 2005 e a base de cálculo apurada; 3) por maioria de votos, cancelar a majoração de 50% das multas de ofício aplicadas em 2005 e 2006, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por maioria de votos, manter a multa de 150% aplicada em 2005, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva, 5) por unanimidade de votos, admitir o abatimento dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES; e, 6) relativamente aos termos de sujeição passiva solidária: 6.1) por maioria de votos CONHECER o recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa por ilegitimidade da recorrente, e 6.2) por maioria de votos, ANULAR os termos de sujeição Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.083 3 passiva solidária, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Diniz Raposo e Silva, suplente convocado para substituir a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. Assinado digitalmente VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Assinado digitalmente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Relator. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de turma julgadora que: 1) considerou improcedente manifestação de inconformidade contra exclusão do Simples e impugnação do lançamento de ofício; 2) e que reconheceu a responsabilidade tributária de Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima. Em 08/05/2007, é feita representação fiscal para exclusão do Simples (proc. fls. 1 a 3). O auditor explica que a ação fiscal decorreu de seleção interna e demanda do MPF (Ministério Público Federal), em razão da empresa não declarar nenhuma receita nos anos calendários de 2005 e 2006, mas apresentar movimentação financeira de 2,5 e 1,8 milhões de Reais, respectivamente. Diz que intimou o contribuinte a apresentar livros e documentos, mas a empresa não se manifestou a respeito. Informa que em visita ao estabelecimento, apreendeu livros relativos ao anocalendário de 2005 e obteve esclarecimentos do procurador da empresa sobre os livros de 2006. Esclarece que intimou o contribuinte a apresentar o livro de inventário, que seria obrigatório em razão do art. 7º, § 1º, “b”, da Lei nº 9.317, de 1996, mas não tevê êxito. Explica que informou ao contribuinte por termo que o livro diário de 2005 não atendia aos requisitos legais, pois não identificava as contas bancárias e seu movimento. Adiciona que intimou o contribuinte a apresentar o livro caixa. Também, informa que foi encontrada, no estabelecimento matriz do contribuinte, mercadoria estrangeira em situação irregular, implicando na lavratura de auto de infração e termo de guarda e apreensão fiscal. Conta que o contribuinte foi intimado a apresentar os seus extratos bancários, mas ignorou a solicitação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Conforme a fiscalização, a não apresentação dos livros de inventário e caixa e dos extratos bancários, bem como a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, são situações excludentes do Simples. Quanto às mercadorias estrangeiras irregulares, o contribuinte apresentou contestação administrativa, mas intempestiva. Deste modo, foi aplicada a pena de perdimento de mercadorias, conforme o processo nº 13984.000214/200786. O fiscal apresenta as seguintes causas para a exclusão do Simples: embaraço a fiscalização, por não fornecer as informações sobre a movimentação financeira; prática reiterada de infrações à legislação tributária; não escrituração de livro caixa e inventário do ano de 2005; e comercialização de mercadoria objeto de descaminho. Diz que os efeitos da exclusão a partir de janeiro de 2005, momento em que se verifica a prática reiterada por infração. Ao final, propõe que, por estas razões, o DRF faça a exclusão, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005. Em 10/05/2007, é lavrado o ato declaratório executivo que declara a exclusão do contribuinte do Simples, retroativa a janeiro de 2005, por prática reiterada de infração à legislação tributária (proc. fl. 33). Em 29/05/2007, o contribuinte é cientificado da exclusão (proc. fl. 44). Em 28/06/2007, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade quanto a exclusão (proc. fls. 52 a 61). O contribuinte alega que a exclusão por prática reiterada não é clara, mas sim subjetiva, e que fica sem saber a causa da exclusão. Adiciona que só ao fim do processo administrativo se saberá se existe ou não a prática de alguma infração. Explica que solicitou aos bancos os extratos, mas não conseguiu a tempo. Argumenta que em razão do tratamento diferenciasdo que o sistema jurídico garante a micro empresa, a falta dos livros não caracteriazaria prática reiterada de infração à legislação tributária. Informa que não é verdadeira a acusação de que comercializava mercadorias em situação irregular. No caso, apenas não conseguiu encontrar a documentação comprobatória a tempo e diz juntar as notas fiscais de compra. Diz que todas as causas apontadas para a exclusão seriam atuais, não permitindo a exclusão retroativa, que inclusive não tem respaldo na legislação. Em 25/07/2007, o contribuinte é cientificado de auto de infração (proc. fls. 501 a 546) e termo de verificação fiscal que relata os fatos (proc. fls. 549 a 559). Conforme estes documentos, a empresa omitiu receitas de revenda de mercadorias e de prestação de serviços. Também, informa que o lançamento e a exclusão do Simples serão controlados no presente processo. O fiscal autuante conta que, em 16/02/2007, foi retido na empresa arquivos em meio magnético, que foram impressos e juntados aos autos (proc. fls. 97 a 115), e neles constam informações sobre vendas e estoque. Ainda informa que o procurador da empresa alegou que a informação sobre estoque não procedia. Diz que, como o contribuinte não atendeu as intimações para fornecer livros e documentos, a fiscalização apreendeu os livros encontrados no recinto e tomou depoimento do procurador. Em razão destas informações, a fiscalização se encaminhou para o escritório de contabilidade que atendia a empresa, na mesma rua, onde apreendeu outros livros e documentos (proc. fls. 121 e 122). Também, foi obtido esclarecimentos do Sr. Edson Eneias Wegner, contador da empresa (proc. fls. 119 e 120). A fiscalização constatou a imprestabilidade do livro diário de 2005 e intimou a empresa a comprovar o empréstimo que teria sido tomado da sócia Cristiane Binder, no valor de R$ 120.000,00 (proc. fls. 129 e 130). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.084 5 Com base nos livros e documentos apreendidos e entregues, foi quantificada a receita de venda de mercadorias e de prestação de serviço. O fiscal esclarece que fez alguns ajustes: não considerou os valores que informavam tratarse de simples remessa; nos casos dos livros de saída informar que a nota foi cancelada, mas não haver a primeira via no talonário, foi considerado o valor de notas presas aos blocos apreendidos (proc. fls. 159 a 164); considerou para as notas de 1 a 8 o valor registrado no meio magnético retido, já que não eram informadas nos livros; somou à receita de dezembro de 2006 o valor constante do emissor de cupom fiscal, pois esses valores não estavam registrados nos livros. O fiscal também destaca que nas declarações da empresa para a Receita Federal do anocalendário de 2005 o contribuinte informou que sua receita era zero (proc. fls. 148 e 147). Adiciona que, apesar de intimado, não apresentou a DIPJ e DCTF de 2006, nem recolheu qualquer valor. Explica que, em razão da exclusão, o contribuinte está sujeito às regras normais de tributação. Lembra que o diário de 2005 é imprestável, e que o contribuinte não possui livro caixa e nem livro de inventário para 2005. Diz que o contribuinte não apresentou os livros comerciais e fiscais de 2006. Conclui que o contribuinte fica obrigado à sistemática do lucro arbitrado e que a multa aplicável, no ano de 2005, é a de 150% porque ficou demonstrada as condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Enfatiza que a circunstância do contribuinte ter declarado a receita como sendo zero demonstra a intenção de ocultar o fato tributável do Fisco. Argumentando que o contribuinte não apresentou elementos solicitados, o fiscal faz a majoração de 50% da multa, com exceção das receitas de prestação de serviço omitidas, pois o contribuinte apresentou os talonários de notas de serviço. Informa que foram lavrados termos de sujeição passiva solidária da atual administradora da empresa e do seu procurador. Em 25/07/2007, é lavrado o termo de sujeição passiva solidária de Volnei Muiniz Lima (proc. fl. 560 a 561). Conforme o termo, “os poderes outorgados ao procurador, pelo instrumento juntado ao processo às fls. 96, são amplos e contemplam as mais diversas atividades que a empresa necessita desenvolver, constituindose, assim, em um verdadeiro ADMINISTRADOR”. Explica o desenrolar da fiscalização e diz que a conduta do agente constitui crime previsto nos incisos I e II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990. Adiciona que no contrato social ficou estabelecido que o administrador prestaria diversas informações para a mepresa, que não foram disponibilizadas ao Fisco. Informa que a base legal da responsabilidade é o art. 124, inciso I, e o art. 135, ambos, do CTN. Cientifica o sujeiro passivo solidário da exigência constante dos autos de infração e disponibiliza vistas do presente processo. Na mesma data, com os mesmos fundamentos e características, é também lavrado o termo de sujeição passiva de Cristiane Binder, apontada como sócia gerente (proc. fls. 562 a 563). Em 18/07/2007, o contribuinte junta planilhas resumo (proc. fls. 572 a 584 e 674 a 686) e os extratos de movimentação financeira ao processo (proc. fls. 570 a 673 e 687 a 792). Conforme esclarece (proc. fls. 570 e 571), diz que apenas agora obteve os extratos, que havia solicitado aos bancos, por ocasião da fiscalização. Diz que constatou que a movimentação financeira de 2005 e 2006 foi, respectivamente, de R$ 2.169.504,89 e de R$ 1.123.785,74. Alega que jamais ultrapassou o limite de faturamento anual de R$ 2.400.000,00 e que, por isso, os extratos provam que foi excluído do Simples indevidamente. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Em 24/08/2007, o contribuinte, a Sra. Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima apresentam impugnação ao auto de infração (proc. fls. 801 a 811). A impugnação informa que não houve dedução de qualquer valor pago anteriormente pela empresa, mas que a empresa havia efetuado recolhimentos na sistemática do Simples, referentes aos meses de janeiro de 2005 a dezembro de 2006. Diz que não foi considerada as receitas registradas nos livros contábeis. Argumenta que o demonstrativo de resultados no livro diário de 2005 indica que as receitas forma de R$ 1.749.297,37. Diz que sua contabilidade mostra que registrou débitos fiscais de R$ 150.276,27, que embora não tenham sido recolhidos na sua totalidade devem ser considerados e abatidos do montante lançado. Sustenta que estes vícios implicam na nulidade do lançamento. A defesa propugna que o fiscal não poderia ter desconsiderado a escrita da empresa, até porque seus livros diário, razão, de saídas, e de serviços informam valores compatíveis com os apurados pela fiscalização. Diz que inclusive o fiscal se serviu dos livros para apurar as receitas. Explica que o fiscal usou as notas de simples remessa e as canceladas para quantificar as receitas e isso mostra que os livros não poderiam ser desconsiderados. A empresa diz que os extratos foram disponibilizados antes do fim da fiscalização, para defesa do ato de exclusão, e isso permitiria verificar a exatidão de sua escrita e afastaria a acusação de prática reiterada de infração. Acrescenta que a entrega da declaração do ano de 2005 indicando receita zero foi um erro grosseiro do contador, como mostra o descompasso da declaração com os livros. Alega que a circunstância de informar em livros suas receitas afasta a possibilidade de fraude. Diz que o fato de não ter apresentado DIPJ e DCTF do ano de 2006, após a exclusão, não demonstra nenhuma omissão do contribuinte, pois a exclusão está sendo discutida. Complementa informando que a responsabilidade por apresentar as declarações é do contador Sr. Edison Eneias Wegner. Argumenta que não cabe a aplicação de multa de 150%, pois não houve fraude e a receita estava registrada nos livros, o que impedia a lesão ao Fisco. Lembra que a multa aplicada em 2005 foi de 225% e a de 2006 foi de 112,5%, não havendo razão para tratamento diferenciado. Alega que não cabe a exclusão retroativa. A peça de defesa, no que tange ao Sr. Volnei Lima e a Sra. Cristiane Binder , diz que eles não concordam em serem apontados como responsáveis solidários. Diz que não há base legal para tal determinação. Alega que não foram demonstradas as circunstâncias previstas nos inciso I, do art. 124 e do art. 135 do CTN e nem foi demonstrada qualquer ilegalidade na condução da administração da empresa ou no exercício do mandato. Propugna pela nulidade do termo de sujeição passiva solidária. Em 11/01/2008, a 3º Turma da DRJ em Florianópolis (proc. fls. 1.039 a 1.050): 1) não reconhece nulidade em qualquer dos atos praticados pela Administração; 2) considera improcedente a manifestação de inconformidade sobre a exclusão do Simples, para manter a exclusão do Simples; 3) considera improcedente a impugnação, para manter o lançamento de ofício (tributos, multa qualificada e o agravamento da multa); 4) reconhece a responsabilidade tributária solidária apontada pela fiscalização. No que tange à exclusão do Simples, o voto condutor diz que: Embora no Ato Declaratório Executivo n° 9, de 10 de maio de 2007, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages — SC (fl. 33), haja menção aos dispositivos legais que ampararam a exclusão de oficio da empresa do Simples, os motivos que fundamentam tal medida encontramse detalhados no termo de "Representação Fiscal — Exclusão do Simples" (fls. 01 a 03). Referidos documentos foram entregues conjuntamente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.085 7 à contribuinte, de modo pessoal, conforme documentado pelo termo de ciência à fl. 31. A turma afirma que a falta de escrituração no ano de 2005 e 2006, bem como as irregularidades verificadas, caracterizadas pela falta de escrituração da movimentação financeira, consiste em prática reiterada de infração a legislação tributária. Lembra que não existe uma regra que determine o número de vezes que uma infração precisa ser praticada para ser considerada reiterada e diz que isso deve ser avaliado caso a caso. Informa que a empresa cometeu diversas infrações, inclusive a de dano ao erário, onde o contribuinte ficou revel (proc. fl. 26). Diz que a apresentação superveniente de documentação tentando comprovar a regularidade das mercadorias não afasta a infração. Complementa dizendo que, mesmo analisando a documentação juntada (proc. fls. 63 a 73), não existe documentos de algumas mercadorias constante da lista de bens apreendidos (proc. fls. 18 e 19). Adiciona que a falta de escrituração de livro inventário e caixa também caracteriza a prática reiterada de infração. Explica que a exclusão retroativa é prevista na lei e que o prazo para a juntada de documento é o previsto na legislação. No que tange ao auto de infração, a turma julgadora diz que não procede a argumentação do contribuinte de que a fiscalização não levou em conta os valores recolhidos que o contribuinte indicou na sua defesa. Explica que o fiscal informou que o único recolhimento feito pelo contribuinte em 2005 e 2006 foi no montante de R$ 232,95 (proc. fl. 550). Argumenta que o fiscal não poderia deduzir este montante dos tributos lançados, dado que ele se refere a um grupo de imposto, mas que o contribuinte pode pedir restituição ou mesmo compensação deste valor, inclusive com o montante lançado. Esclarece que os valores escriturados pelo contribuinte não poderia deduzir o montante apurado pelo Fisco porque o total oferecido a tributação pelo contribuinte em 2005 e 2006 foi zero. Informa que a empresa não pode fugir da sua responsabilidade atribuindo a culpa ao contador. Diz que a tributação com base no lucro arbitrada foi feita de acordo com a lei, já que não era possível tributar pelo lucro real ou presumido, em razão da falta/deficiência dos livros. No que diz respeito às multas, diz que é pertinente a aplicação da multa de 150% em 2005, pois nada foi declarado ao Fisco (embora os livros de saída registrassem receitas). Afirma que também está correta a multa de 75% aplicada no ano calendário de 2006. Sustenta que a majoração de ambas das multas, nos anos de 2005 e 2006, no percentual de 50%, é correta porque o contribuinte não forneceu os livros e documentos solicitados pelo contribuinte, já que estes foram obtidos por retenção feita pela fiscalização. Sobre a solidariedade passiva, a turma entende a sóciagerente e o administrador estavam cientes da fiscalização e que: No caso em análise, entretanto, as duas pessoas arroladas como responsáveis solidárias exerciam amplas funções administrativas e ao não promoverem o levantamento dos demonstrativos e livros contábeis previstos no contrato social e apresentaram informações inexatas ao fisco, com o intuito de omitir informações da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, incorreram não só em infração ao contrato social, mas também à lei tributária. Portanto, presentes estão os pressupostos estabelecidos na lei para a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Em 11/02/2008, o contribuinte foi cientificado do acórdão (proc. fl. 1.056 v.). Em 03/03/2008, apresenta seu recurso voluntário, onde repete seus argumentos (proc. fls. 1.057 a 1.075). Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Quanto a alegação de nulidade da exclusão, não há qualquer reparo a fazer no ato declaratório executivo, que foi praticado nos termos da lei e sem qualquer vício. Ademais, o contribuinte foi cientificado das situações que motivaram a exclusão e estas situações estão sobejamente documentadas no processo. Por isso a alegação do contribuinte de que não sabe identificar quais infrações praticou reiteradamente não é pertinente. Enfim, constatase nos autos que não existiu qualquer prejuízo para a defesa. Quanto a alegação de improcedência da exclusão, feita pelo contribuinte, cabe analisar os fatos e o direito aplicável. No que tange aos fatos, o contribuinte foi flagrado com mercadorias estrangeiras irregulares no seu estabelecimento, constatouse que não possuia os livros caixa e de inventário (que são os necessários ao regime de tributação que havia adotado Simples), ele não apresentou o registro de sua movimentação bancária, deixou de fornecer no prazo a documentação (que era obrigado a ter a disposição), omitiu receitas, deixou de recolher tributos, e etc. As infrações são inúmeras, repetidas, e não foram refutadas na impugnação e nem no recurso. Mesmo tendo trazido alguns elementos para demonstra a regularidade das mercadorias estrangeiras, tal prova não alcança a todas mercadorias apreendidas, como demonstrou a DRJ. Mesmo pretendendo apresentar os extratos bancários, este não foram apresentados quando solicitados. Portanto, fica evidente que o Fisco demonstrou a prática de infrações desde janeiro de 2005. No que tange ao direito, o ato de exclusão se baseou no inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. Tal dispositivo prevê a exclusão do contribuinte, quando se verifique a prática reiterada de infração à legislação tributária. Assim, é preciso analisar o conceito de “prática reiterada de infração à legislação tributária”, para verificar se a regra foi corretamente aplicada ao caso concreto. A leitura do texto legal mostra que tratase de um conceito aberto a interpretação do aplicador da lei. Afinal, é impossível préestabelecer o que é uma prática reiterada de infração. Ou seja, é impossível se estabelecer a priori quantas vezes uma infração precisa ser cometida para que seja se entenda que ela é praticada reiteradamente ou quantas infrações diferentes precisam ser praticadas para que se possa sustentar que o agente viola reiteradamente a legislação. Também, é difícil sustentar que o conceito de prática reiterada dependa de decisão definitiva atestando a existência da infração. Ao contrário, parece mais razoável que o processo administrativo julgue a razoabilidade da exclusão com base no dispositivo em análise do que seja um prérequisito para sua aplicação. Ou seja, não parece razoável exigir a existência prévia de um processo administrativo concluso afirmando a existência de infração ou ainda a existência de um segundo processo concluso afirmando que existe prática reiterada. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.086 9 Enfim, como o conceito é aberto, é difícil determinar com exatidão seu alcance. No entanto, embora seja difícil estabelecer teoricamente os limites alcançados pela fórmula legal, é possível verificar se em um caso em concreto ocorre ou não a prática reiterada de infração. No caso concreto, frente aos fatos apresentados pela fiscalização, ficou demonstrado que o contribuinte violou a legislação tributária de diversos modos e repetidas vezes desde janeiro de 2005. Deste modo, é improcedente o recurso contra a exclusão. Quanto a manifestação do contribuinte de que não cabia a exclusão retroativa a janeiro de 2005, cabe lembrar que a matéria tem previsão legal. O inciso V do art. 15 da lei nº 9.317, de 1996, estabelece que, no caso previsto no inciso V do art. 14, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que for verificada a situação excludente. Inclusive, na verdade não se trata de exclusão retroativa, mas sim de mera declaração da exclusão ocorrida no mês em que se caracteriza a prática reiterada de infração a legislação tributária. Portanto, o pleito do contribuinte não procede. Quanto a alegação de nulidade da autuação, o contribuinte também não tem razão. O lançamento foi feito pela autoridade competente, nos termos da lei, não existe cerceamento de defesa e não há nenhum vício que possa atingir o ato. Quanto a pretensão de não reconhecer como receitas omitidas aquele montante indicado pelo fiscal autuante, mais uma vez o contribuinte não tem razão. Os argumentos trazidos pelo contribuinte já foram didaticamente rebatidos pelo acórdão da DRJ, quer sob este aspecto, quer sob a pretensão de anular o lançamento, e por isso são adotados e passam a fazer parte integrante deste voto. Não obstante, cabe tecer alguns comentários para demonstrar a impertinência dos argumentos apresentados pelo recorrente. Inicialmente, cabe rebater a pretensão do contribuinte de infirmar o lançamento alegando que, embora não tenha declarado e nem recolhido qualquer valor, o fiscal deveria “descontar” da apuração de receitas omitidas os valores registrados nos seus balancetes e documentos. Ora, o trabalho de fiscalização consiste em verificar o cumprimento das obrigações principais e acessórias e exigir os tributos não formalizados espontaneamente pelo contribuinte, aplicando as multas correspondentes. No caso em concreto, embora o contribuinte tenha informado parte de suas receitas de venda e de prestação de serviço em alguns livros e documentos, ele não as formalizou nas declarações adequadas e nem efetuou qualquer pagamento. Portanto, não restou outra alternativa ao fiscal senão considerar toda a receita apurada como omitida e efetuar o lançamento de ofício. O fato do contribuinte ter escriturado sua receita em livros, ou mesmo de ter consignado nos seus livros o montante de tributos devidos, não tem o condão de formalizar o crédito tributário. Assim, sem a formalização espontânea (feita pela declarações constitutivas), e sem o recolhimento dos valores, o fiscal tem o dever legal de efetuar o lançamento. Por isso, no caso concreto, mesmo tendo o fiscal apurado boa parte das receitas omitidas com base nos livros e documentos do contribuinte, o lançamento de ofício foi correto. Também, cabe notar que o contribuinte reconhece a receita apurada, ao afirmar que suas receitas estavam registradas nos livros e notas utilizados pelo fiscal para quantificar o montante de receitas omitidas. Portanto, a apuração do montante de receitas é pacífica e o pedido de que os valores registrados na contabilidade não sejam computados no Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 lançamento é improcedente. Por isso não há o que reformar nestes aspectos do auto de infração. No entanto, a pretensão do contribuinte de que seja considerado os pagamentos que fez na sistemática do Simples na quantificação da autuação é procedente. Assim deve ser abatido dos valores lançados de ofício no lucro arbitrado o(s) recolhimento(s) feito(s) pelo contribuinte na sistemática do Simples nos anos de 2005 e 2006. Outro ponto que cabe lembrar é que quem responde pelas obrigações da empresa é a empresa, e não seu contador. Portanto, totalmente equivocado o contribuinte ao pretender imputar suas omissões ao seu contador. Quanto às multas aplicadas, de 225%, em 2005, e de 112,5%, em 2006, o contribuinte tem razão em parte. A aplicação da multa de 150% no ano de 2005 está correta, pois o fiscal demonstrou que o contribuinte omitiu receitas, tentou ocultar este fato do Fisco, e entregou declaração informando não ter receitas. Cabe destacar que a circunstância do contribuinte ter registrado em alguns de seus livros ou nas suas notas as vendas e prestações de serviços, não afasta a caracterização de que os fatos tributáveis foram ocultados do Fisco. Isso porque, de nada serve ao Fisco o registro em livros se os fatos registrados não são levados ao seu conhecimento por meio das declarações instituídas por lei, quer para informar, quer para formalizar os créditos tributários. Inclusive, no caso concreto, existiu o agravante do contribuinte apresentar declaração informando a inexistência de receitas, o que demonstra cabalmente a intenção de lesar os cofres públicos pela sonegação de tributos. A aplicação da multa de 75% no ano de 2006 também decorre da lei, já que o fiscal autuante entendeu não ficar caracterizada alguma das situações descritas nos arts. 71, 72, ou 73 da Lei 4.502, de 1964, estando correta. Porém, o agravamento de ambas as multas em 50%, sob a alegação de que o contribuinte não apresentou os elementos solicitados, não é correta. Para a análise da questão, cabe observar a legislação relativa ao agravamento e suas alterações. Na redação original, o § 2º do art. 44 da lei 9.430, de 1996 estabelecia que: § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Com a alteração introduzida pela Lei nº 9.532, de 1997, o texto legal passou a determinar que: § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.087 11 introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Com a MPV nº 303 de 2006, o dispositivo passou a prever que: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da lei nº 8.218, de 29 de agosto de1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Com a Medida Provisória nº 351. de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, o texto legal passou a ser o seguinte: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da lei nº 8.218, de 29 de agosto de1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Para uma melhor compreensão do contexto em que o agravamento se insere, cabe a transcrição do texto todo do art. 44, na sua redação atual, que é igual às anteriores no que pertine a presente análise (grifos não são do original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da lei nº 8.218, de 29 de agosto de1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ... Conforme se observa nos dispositivos transcritos, desde muito, a legislação prevê o agravamento das multas (aplicadas por de falta de declaração e recolhimento de tributos, quer ela seja de 75%, quer ela seja de 150%) em 50%, quando o contribuinte não presta esclarecimentos. Porém, como se percebe, a previsão legal deste agravamento (de 50% do valor da multa) está conectada, desde sua origem, às multas lançadas em razão da não declaração e não recolhimento de tributos. Ou seja, a ideia de agravar a multa está conectada umbilicalmente às situações onde o Fisco descobre fatos tributáveis (cuja declaração e recolhimento estavam a cargo do contribuinte, mas que este nem declarou e nem recolheu) e faz o lançamento de ofício. Estando o agravamento, desde suas origens, ligado à formalização do crédito tributário de ofício pelo Fisco, não cabe supor que seja um mero não atendimento de intimação que permita o agravamento da multa de ofício (a de 75% ou a de 150%). É preciso que o não atendimento da intimação (a não prestação dos esclarecimentos mencionado no inciso I do § 2º) se refira ao fato tributável. Mas, não basta uma simples falta de esclarecimento sobre a matéria tributária para que haja a incidência do agravamento da multa. É preciso que esta falta de esclarecimento seja de tal monta que obrigue o Fisco a descobrir o fato tributável por seu próprio trabalho e esforço. Se não for assim, não haverá uma relação de proporcionalidade entre a conduta e a sanção administrativa e nem será razoável a intervenção da Administração. Por exemplo, se o Fisco intima o contribuinte para que apresente tabela totalizando por mês talonário de notas não incluído na tributação e o contribuinte não atende ao solicitado, não cabe o agravamento da multa de ofício que será lançada em razão da não declaração e não recolhimento dos tributos devidos em razão da não quantificação do talonário. Isso porque o fato tributável, registrado no talonário, feito pelo próprio contribuinte, está a disposição do Fisco, e é com base nele que o Fisco fará a apuração. A negativa do contribuinte, em totalizar o talonário por mês, não dificultou em nada a percepção do fato tributável. Mas, se o Fisco solicita os talonários (ou livros) e o contribuinte não atende e o Fisco por meio de circularização de terceiros descobre as vendas do contribuinte, a multa de ofício proporcional aos tributos não declarados e não recolhidos deve ser agravada. Isso porque, em razão da negativa do contribuinte, o Fisco foi obrigado a ir a campo descobrir o fato tributável. Assim, o agravamento da multa só é possível quando o contribuinte nega informações sobre a própria existência dos fatos tributáveis, obrigando o Fisco a ir a campo Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.088 13 descobrir estes fatos. Só desta forma há uma finalidade racional na regra e uma adequação ao sistema jurídico. Portanto, quando o contribuinte não fornece informações solicitadas ou não presta esclarecimentos solicitados, e o Fisco apura tributos não declarados e não recolhidos com base em documentos ou livros do contribuinte, não cabe o agravamento da multa de ofício. Nesses casos, embora o contribuinte tenha se negado a prestar esclarecimentos solicitados, ele mesmo revelou os fatos tributáveis nos seus livros e documentos, não sendo necessário ao Fisco maiores esforlços do que analisar a documentação do contribuinte para efetuar o lançamento. Por oportuno, cabe notar que a previsão legal das outras hipótese de agravamento (incisos II e III) se colocam dentro do mesmo contexto. Ainda mais se for considerada a época em que surgiram, coincidentes com a informatização das empresa e crescimento da economia. Como se percebe, essas hipóteses estão voltadas para negativa do contribuinte em fornecer informações que permitam ao Fisco conhecer e manipular os sistemas informatizados de registros contábeis e fiscais do contribuinte. De fato, considerando a quantidade de dados manipulados pelos sistemas contábeis, negar ao Fisco os elementos necessários para administrar esses dados equivale a ocultar o conhecimento dos fatos tributáveis. Então, os incisos II e III, longe de infirmarem a exegese propugnada, a confirmam. Em resumo, se o contribuinte não declara e não recolhe seus tributos, caso o Fisco logre identificar a matéria tributável deve efetuar o lançamento com multa de ofício. Se, para identificar a matéria tributável, o Fisco usa os registros, livros ou documentos do contribuinte, não cabe o agravamento da multa de ofício. Mas, se tal identificação é feita com esforço exclusivo do Fisco, negandose o contribuinte a dar informações sobre os fatos tributáveis, cabe o agravamento da multa de ofício. No caso em concreto, o fiscal quantificou as receitas omitidas com base nos livros e documentos do contribuinte. Portanto, não é pertimente o gravamento das multas aplicadas em 2005 e 2006, que devem ser reduzidas para 150% e 75%, respectivamente. Por último, resta analisar o “termo de sujeição passiva solidária” pelo qual se aponta o Sr. Volnei Muiniz Lima e a Sra. Cristiane Binder como sujeitos passivo solidários (proc. fl. 560 a 563) e o pedido de que sejam excluídos do pólo passivo. Inicialmente, cabe considerar que, em razão do Sr. Volnei e Sra. Cristiane terem sido apontados como sujeitos passivos solidários e, assim, em tese, colocados no pólo passivo, eles poderiam participar do processo administrativo. Tal participação, com certeza, pode versar ao menos sobre a pertinência ou não de sua inclusão (ou tentativa de inclusão) no pólo passivo, em razão da lavratura do termo nominado de “termo de sujeição passiva solidária”. Mas, restaria saber se eles poderiam participar, em em quais circunstância, da discussão do mérito da autuação. Quanto a essa questão, se de fato forem sujeitos passivos solidários, certamente deveriam poder participar da discussão sobre o auto de infração (e também inclusive sobre a exclusão do Simples). Em consequencia, se de fato forem sujeitos passivos solidários, deveriam ter sido intimados a recolher ou recorrer, nos mesmos termos em que o foi a empresa. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Porém, cabe notar que o termo de sujeição passiva solidária não intima os apontados para recolher ou impugnar. O termo apenas dá ciência do auto de infração lavrado contra a empresa e assegura vistas ao processo relativo à exigência. Portanto, independente do posicionamento sobre caber ou não a solidariedade, os termos de sujeição passiva solidária, ora analisados, são nulos. Para quem entenda que existe a solidariedade, há o cerceamento de defesa já que o termo não indica o direito de recorrer do lançamento, ou de pagar/parcelar com redução da multa. Para quem entende que não existe a solidariedade, o termo é nulo por falta de base legal. Inclusive, por oportuno, vale destacar que, caso o fiscal pretendesse intimar os apontados como devedores solidários, deveria ter nominado o documento de “intimação” e não de “termo”. De fato, a expressão “termo” serve para referenciar documento que descreve uma situação. Já a expressão “intimação” serve para veicular exigência. Por isso, o próprio nome utilizado no presente caso induz os apontados como solidários a erro e prejudica sua defesa. Isso porque sugere uma situação estática onde apenas haveria uma constatação de situação, cujos efeitos deveriam/poderiam ocorrer ser adiante, e por outros meios, efetivados, quando então se permitiria a defesa. Em resumo, se o fiscal pretendesse que os apontados fossem tratados como sujeitos passivo, deveria lavrar uma intimação, pela qual exigisse o tributo e informasse das condições de pagamento e impugnação. Ou, ainda, deveria ter nominado o Sr. Volnei e a Sra. Cristiane no auto de infração, junto com a empresa. Mas, de modo algum poderia lavrar um termo ou nominar de termo outro tipo de documento. Mesmo se abstraindo do equívoco do nome dado ao documento, constatase que ele também é falho materialmente. Isso porque omite requisito legal essencial para apontar alguém no pólo passivo. Conforme o inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, é elemento do auto de infração a intimação para cumprir ou impugnar a exigência. A ausência deste requisito torna o auto (termo) nulo em relação aos dois apontados como sujeitos passivos solidários. Feita esta considerações periféricas, cabe aprofundar a análise dos termos de sujeição passiva solidária lavrados, estudando a base legal pela qual o fiscal pretendeu trazer o Sr. Volnei e a Sra. Cristiane para o pólo passivo (inciso I do art. 124 e art 135, ambos do CTN). Em uma primeira abordagem, apenas com base na tópica dos artigos no código, se percebe que eles alcançam situações totalmente distintas. O art. 124 está localizado no capítulo IV “sujeito passivo”, enquanto o art. 135 está localizado no capítulo V “responsabilidade tributária”. O art. 124 aponta pessoas que estão no pólo passivo em razão de uma conexão com o fato tributável (como propõe o capítulo IV), ao passo que o art. 135 indica pessoas que respondem por dívida tributária de outrem por conexão ao devedor (como propõe o capítulo V). Isso mostra que os artigos não podem constar juntos da mesma acusação, sob pena de nulidade. Afinal, se a acusação não é clara, não é possível a defesa. A única possibilidade dos dois artigos constarem da mesma acusação seria ficar cabalmente demonstrado que o apontado como solidário atende às hipóteses de incidência de ambos os artigos. Mas, no presente caso, isso não foi feito pela fiscalização. Inclusive, não houve nenhuma preocupação do Fisco em demonstrar que os apontados atendiam aos requisitos de um e do outro artigo, quanto mais dos dois ao mesmo tempo. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.089 15 Ou seja, para o fiscal ter imputado solidariedade ao Sr. Volnei e à Sra. Clarice com base nos dois dispositivos deveria ter explicado como o Sr. Volnei e a Sra. Clarice se relacionam com as situações alcançadas em cada artigo. Mas, isso não é observado nos termos de sujeição passiva. Nesses documentos se constata apenas a descrição de alguns eventos ocorridos durante a fiscalização, sem qualquer explicação sobre quais destes eventos realizam a hipótese do inciso I do art. 124 e quais eventos realizam a hipótese do art. 135. Com isso, há evidente prejuízo para a defesa que não sabe ao certo qual situação deve refutar ou esclarecer. Por oportuno, vale lembrar que, sendo a presente questão tão complexa e com tão ampla divergência doutrinária e jurisprudencial, caberia ao fiscal ter sido o mais claro o possível. Inclusive, não bastaria demonstrar como cada uma das hipótese de incidência teria sido realizada pelos Sr. Volnei e Sra. Clarice, mas seria conveniente que definisse o alcance de cada dispositivo. Só assim, ficaria evidenciada a regra aplicada e só assim seria permitida a defesa. A ausência de explicações sobre o alcance da regra e a ausencia de demonstração de realização da hipótese de incidência também implica na nulidade do ato. Na sequencia desta análise, cabe agora transcrever e analisar os artigos em pauta, iniciando pelo art. 124, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Da leitura do art. 124, percebese seu aspecto didático, adequado ao status de norma geral (lei nacional), bem como à natureza de código. Conforme o inciso I, são solidárias as pessoas que se coloquem na mesma posição (tenham interesse comum), no que tange ao fato gerador. Assim, por exemplo, os co proprietários de imóvel são devedores solidários do IPTU ou os coadquirentes de imóvel são devedores solidários do ITBI. Ou seja, são solidários aquelas pessoas que corealizam o fato gerador. Já o inciso II diz que são solidários aquelas pessoas apontadas na lei (da União, ou Estados, ou Municípios, no que pertine aos seus tributos respectivamente). Assim, por exemplo, se a legislação estadual estabelecer, o vendedor do imóvel será devedor solidário do ITBI com o comprador. Ou seja, mesmo não realizando conjuntamente o fato gerador, a solidariedade pode decorrer da lei Como visto, com a exegese proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. O que serviria de argumento para pretender que a expressão “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de outros fatos (inciso II). Segundo, garante que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). Enfim, ao dizer “interesse comum”, o CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas corealizam o fato gerador. Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que o sócio gerente, o administrador e a pessoa jurídica estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. Os fatos tributáveis realizado pela empresa são delas e os sócios e administradores não têm participação nestes fatos, embora representem a empresa ou a administrem. O sistema jurpidico e o direito tributário reconhece a personalidade jurídica da empresa, que é distinta da dos seus sócios, gerentes e administradores. Os atos e fatos da empresa são delas e de mais ninguém. Os atos e fatos dos sócios e dos administradores são deles e não da empresa. Dessarte, fica claro que o sóciogerente ou o procurador não podem estar na mesma posição em relação ao fato tributável da empresa. De outra banda, é preciso registrar que não há o menor sentido em se pretender que “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” signifique algo diferente que a mesma posição em relação ao fato gerador. Admitir tal possibilidade é admitir que o CTN pretendesse criar uma instabilidade nas relações jurídicas. Ou seja, não é razoável imaginar que uma norma geral, voltada a regular a produção normativa tributária dos entes da federação ou a estabelecer alguns padrões normativos de âmbito nacional, fosse deixar ao aplicador da lei (da União, dos Estados e dos Municípios) um espaço tão grande para interpretação. Pretender que o aplicador da lei pudesse definir, com toda a sua subjetividade, o que seria “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” é o equivalente a pretender que o Código Tributário Nacional visasse a instabilidade das relações jurídicas. As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Por exemplo, o corretor de imóveis, e talvez até o tabelião que lavra a escritura, pode ter interesse na venda e nisso seu interesse coincide com o interesse do comprador e o interesse do vendedor. Mas, cada um deles é uma pessoa distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na compra e venda do imóvel e tem motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do CTN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutála. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) do Sr. Volnei, da Sra. Cristiane e da empresa na realização dos fatos tributados? Ora, não há qualquer interesse em comum. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.090 17 A empresa realiza suas operaçoes de venda e de prestação de serviço para realizar sua finalidade social. A sóciagerente e o administrador representam e administram a empresa. O sistema jurídico, há muito atribui a cada um seus próprios atos. Pretender que o art. 124 torne os sóciosgerentes ou administradores solidários com os tributos da empresa é defender um retrocesso de centena de anos na definição da personalidade jurídica das pessoas. Mas, consta do termo também a afirmação de que o Sr. Volnei e a Sra. Clarice teriam, em tese, cometido crime contra a ordem tributária e violado o contrato social. Cabe a pergunta: no que isso tornaria os interesses deles comuns com os da empresa em relação aos fatos tributáveis? Também aqui não há como enquadrar a conduta do Sr. Volnei e da Sra. Clarice no inciso I do art. 124. O fato de a empresa ter sonegado e da conduta do gerente poder ser tipificada penalmente, não significa que eles tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Assim, se constata que o inciso I do art. 124 do CTN é totalmente impróprio a estabelecer solidariedade entre a empresa e o Sr. Volnei e a Sra. Cristiane. Cabe agora analisar o art. 135, também mencionado no termo. O texto é o seguinte: Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se percebe, é preciso uma análise construtiva para dar significado à regra, já que seu texto não permite uma compreensão imediata. Assim, antes de se falar se cabe ou não a aplicação do artigo ao caso concreto, é preciso construir e enunciar com clareza a hipótese legal da regra veiculada pelo artigo. Para tanto, dois pontos de partida são adotados: 1º) a regra visa claramente proteger o Fisco do inadimplemento, por parte da empresa (isso decorre da interpretação sistemática do CTN, em especial dos artigos do capítulo V); 2º) tal proteção deve se dar dentro de limites razoáveis. Então, se a finalidade da regra é a de garantir o adimplemento, parece ponderado que ela incida quando ocorre o inadimplemento absoluto. Afinal, se a regra pretende evitar que o Fisco seja prejudicado, não parece necessário que ela incida enquanto a devedora ainda pode satisfazer o débito com seus bens. Portanto, resta claro que um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. Outro elemento bastante evidente é a necessidade de alguma conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Inclusive o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 Obviamente existem diversas possibilidades das pessoas apontadas nos incisos agirem com infração de lei. Mas, considerando que a finalidade da regra é proteger o Fisco do inadimplemento absoluto de débito tributário, é razoável que a atuação da pessoa que será responsabilizada tenha a ver com este débito tributário pelo qual responderá. Com base nesta interpretação, uma das condutas que estariam alcançadas pelo dispositivo é a pessoa estar no comando da empresa quando a empresa sonega tributos (oculta do fisco a ocorrência de fatos tributáveis). Agora, juntando os dois elementos, temse que para reponsabilizar o gerente ou administrador é preciso que o débito tributário decorra de sonegação, que ele tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa. Outra conduta passível de responsabilizar seria a dissipação irregular de patrimônio de empresa devedora do Fisco. Nesses termos, a responsabilidade decorre, não de sonegação, mas de dissipação do patrimônio da devedora sem observar as regras legais de privilégio de crédito. Em termos práticos, concluise que a responsabilidade prevista no art. 135 é subsidiária, e não solidária, e aplicase, dentre outras situações, quando o débito decorre de sonegação. No caso concreto, conforme o fiscal autuante, o auto de infração formaliza débito decorrente de sonegação fiscal no anocalendário de 2005 e de falta de declaração e pagamento no ano calendário de 2006. Assim, apenas seria possível haver a responsabilização da gerente ou do administrador no ano de 2005. No entanto, não há qualquer demonstração no auto ou no termo de sujeição passiva solidária de que a empresa não tenha condições de pagar o débito de 2005. Portanto, não está demonstrado que os fatos correspondem ao descrito no art. 135 e não se pode falar em responsabilidade da gerente ou do administrador. Deste modo, o art. 135 não fornece base legal para o “termo de sujeição passiva solidária”. Em conclusão, ambos os termos são nulos, quer por cerceamento de defesa, quer por falta de base legal. Por estas razões, voto por declarar a nulidade dos termos de sujeição passiva solidária e por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para autorizar o abatimento dos valores recolhidos na sistemática do Simples dos valores lançados de ofício e para cancelar a majoração de 50% das multas de ofício aplicadas em 2005 e 2006, que ficam reduzidas, respectivamente, para 150% e 75%. Cabe à autoridade encarregada da execução deste acórdão providenciar a confirmação dos valores recolhidos e a sua exclusão do montante lançado de oficio, na forma do disposto no artigo 37 da Lei n°9.784/1999. Sala das Sessões, 4 de outubro de 2011 Assinado digitalmente Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro Relator Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.091 19 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Discordo do I. Relator no que tange à desconstituição do agravamento das penalidades aplicadas ao presente lançamento. Em que pese a análise aprofundada dos dispositivos legais que elevam as multas de ofício de 75% e 150% para 112,5% e 225%, vejo sob outro ângulo a conduta da contribuinte durante o procedimento fiscal. Concordo com a abordagem que circunscreve o agravamento em debate às situações nas quais o não atendimento se refere a intimação associada à apuração dos fatos tributáveis, pois considero necessária a existência de prejuízo ao desenvolvimento da atividade fiscal. Todavia, discordo dos contornos dados a este prejuízo pelo nobre Conselheiro. Penso que apenas o atraso na conclusão dos trabalhos fiscais já é suficiente para caracterizar o mencionado prejuízo, na medida em que a autoridade fiscal deixa de realizar outras atividades enquanto insiste que um contribuinte cumpra a obrigação que a lei lhe impõe de manter sob sua guarda, e à disposição das autoridade fiscais, livros e documentos de sua escrituração. Aqui, porém, o contexto fático mostrouse um pouco mais grave, pois ao deixar de atender à intimação fiscal, a contribuinte exigiu que o Fisco procurasse os documentos exigidos não só em seu estabelecimento, como também no escritório de contabilidade que lhe prestava serviços, mobilizando um representante do Poder Público para apreender os elementos que poderiam desde antes ter sido entregues ao Fisco, mas que, por interesse do fiscalizado, não o foram. Correto, portanto, o agravamento aplicado pela autoridade lançadora. Divirjo, também, do I. Relator, quanto à apreciação dos argumentos contrários à imputação de responsabilidade solidária a representantes da fiscalizada. Isto porque, diversamente do que verificado em 1a instância, quando os responsáveis Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima apresentaram impugnações em seu próprio nome, não houve a interposição de recurso voluntário por estas pessoas, mas apenas pela pessoa jurídica autuada, no qual foi inserida a defesa contra a imputação de responsabilidade solidária. O Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, firma que para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art. 3º). E mais: que ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6º). Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal Fl. 19DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato. Acrescento, ainda, que a discordância da pessoa jurídica quanto à atribuição de responsabilidade a seus sócios e administradores mostrase incompatível com os interesses da própria pessoa jurídica em ver liquidado, pelo responsável, o crédito tributário lançado. Entendo, portanto, que não cabe, no presente julgamento, apreciar a oposição à imputação de responsabilidade aos sócios da pessoa jurídica, na medida em que esta não detém legitimidade, e nem interesse, para tanto. Assim, nesta parte, não conheço do recurso voluntário. Todavia, prevalecendo o entendimento majoritário desta Turma em favor do conhecimento desta defesa, discordo, também, de que ela mereça acolhida no mérito. Embora compartilhando do mesmo entendimento expresso em boa parte da interpretação feita pelo I. Conselheiro acerca dos dispositivos legais que regem a responsabilidade tributária, não chego à mesma conclusão apresentada em seu voto. Inicialmente vejo que o fato de o termo de sujeição passiva solidária não intimar os responsáveis a recolher ou impugnar a exigência em nada prejudicou sua defesa, pois as impugnações foram por eles apresentadas no prazo legal. Também considero irrelevante a designação de tal documento como “Termo”, pois determinante para produção de seus efeitos é o seu conteúdo. Assim, não cogito de nulidade dos referidos termos por cerceamento ao direito de defesa ou vício de forma. Quanto à nulidade por falta de fundamentação legal para imputação da responsabilidade tributária, a autoridade lançadora registrou que a contribuinte auferiu vultosa receita bruta, que não fora declarada e/ou confessada na declaração simplificada, praticando crime contra a ordem tributária, além da constatação de afronta às previsões contratuais pactuadas, na medida em que o contrato social exigia a prestação de contas do administrador da sociedade em 31 de dezembro de cada ano, e não era mantida a necessária escrituração para tanto. Entendo que tais circunstâncias fáticas já atraem para si o disposto no art. 135 do CTN, que atribui ao administrador (condição de Cristiane Binder) ou ao mandatário (condição de Volnei Muniz Lima), a responsabilidade pessoal pelo crédito tributário devido pelo representado quando constatada infração à lei ou ao contrato social. De outro lado, pareceme correto o entendimento exposto pelo I. Relator, no sentido de que não foi evidenciada a necessária conexão com o fato tributável para imputação da solidariedade prevista no art. 124 do CTN. É possível, porém, que a indicação deste dispositivo apenas pretendesse dizer que os responsáveis indicados sofrerão a exigência do crédito tributário juntamente com a pessoa jurídica, sem benefício de ordem, deixando de observar que, para tanto, bastava a imputação da responsabilidade pessoal descrita no art. 135 do CTN, a qual se presta a excluir a proteção legal que beneficia representantes de terceiros que exercem regularmente esta atividade, e os coloca ao lado do representado para arcar com a obrigação tributária que deixou de ser adimplida. Sob esta ótica, também divirjo do I. Relator quando exige, para imputação de responsabilidade, a impossibilidade de satisfação do débito fiscal pela pessoa jurídica. Não vejo esta imposição na lei, pois interpreto que o art. 135 do CTN prestase a ampliar as Fl. 20DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.092 21 garantias do crédito tributário, permitindo a busca de sua satisfação no patrimônio pessoal daqueles que participaram da gestão da pessoa jurídica sem a necessária lisura, hábil a assegurar que não houve desvio da riqueza manifestada pelos fatos jurídicos tributáveis. Assim, se tais pessoas se conduzem com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, o Fisco tem o direito de também buscar a satisfação de seus créditos no patrimônio pessoal destes responsáveis, ainda que o representado detenha patrimônio suficiente para tanto, na medida em que esta situação patrimonial pode não decorrer necessariamente da riqueza tributável em debate e estar gravada por outras dívidas, além de estar sujeita a flutuações que podem, no futuro, prejudicar a liquidação da obrigação tributária. Por tais razões, embora não concorde em conhecer dos questionamentos dirigidos à responsabilidade tributária no recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica autuada, vejo que, mesmo apreciandoos, eles não são hábeis a desconstituir a imputação feita a Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima. É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 21DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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