Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 12739.000143/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Consta
nos autos valores pagos, na forma de partilha de bens, e não pagamentos de despesas com pensão alimentícia.
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O imposto de renda retido na fonte, restabelecido na decisão de primeiro grau, deve ser integralmente compensado com o imposto
apurado na revisão da declaração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.578
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a restituição de R$12.893,20.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Consta nos autos valores pagos, na forma de partilha de bens, e não pagamentos de despesas com pensão alimentícia. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O imposto de renda retido na fonte, restabelecido na decisão de primeiro grau, deve ser integralmente compensado com o imposto apurado na revisão da declaração. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 12739.000143/2009-12
conteudo_id_s : 5213857
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.578
nome_arquivo_s : Decisao_12739000143200912.pdf
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 12739000143200912_5213857.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a restituição de R$12.893,20.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4565856
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395316424704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12739.000143/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.578 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente OSMAR DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Consta nos autos valores pagos, na forma de partilha de bens, e não pagamentos de despesas com pensão alimentícia. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O imposto de renda retido na fonte, restabelecido na decisão de primeiro grau, deve ser integralmente compensado com o imposto apurado na revisão da declaração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a restituição de R$12.893,20. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Jose Evande Carvalho Araujo, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canario da Silva e Alexandre Naoki Nishioka. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1744.777, proferido pela 11ª Turma da DRJ/SP2 (fl. 51), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação. A descrição dos fatos do lançamento atribui ao sujeito passivo as seguintes infrações: Dedução Indevida de Pensão Judicial Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 25.673,05, deduzido indevidamente a titulo de pensão alimentícia judicial por falta de comprovação. Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 1.280,00, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada abaixo. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 24.590,10, indevidamente compensado a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), para o titular e/ou dependentes. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação de fls. 01/07, o Órgão julgador de primeiro grau, diante dos documentos 24/27, reconheceu o direito do contribuinte compensar o imposto de renda na fonte no valor de R$ 24.590,10. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. GLOSA DEVIDA. Considerase não impugnada as matérias que não tenha sido contestada pelo impugnante, consolidandose administrativamente o respectivo crédito tributário apurado. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 12739.000143/200912 Acórdão n.º 2101001.578 S2C1T1 Fl. 2 3 Consta nos autos valores pagos, na forma de partilha de bens e não pagamentos de despesas com pensão alimentícia, portanto correta a glosa dos valores declarados indevidamente. COMPENSAÇÃO DEVIDA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Documentos trazidos na impugnação comprovam o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre os ganhos recebidos em uma ação trabalhista, portanto o contribuinte faz jus da compensação do imposto recolhido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera no mérito as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo, na parte que lhe foi desfavorável: Considerando tudo mais que do processo consta, o Recorrente requer o provimento do presente Recurso, com a reforma do Acórdão ora atacado, para excluir da base de cálculo da declaração de rendimentos do exercício de 20051 ano calendário 2004, o valor de R$ 25.673,05 (vinte e cinco mil seiscentos e setenta e três reais e cinco centavos) referente a 50% do crédito trabalhista recebido pela exesposa e a compensação na totalidade do Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 24.590,10 (vinte e quatro mil quinhentos e noventa reais e dez centavos), mantendose apenas o rendimento omitido no valor de R$ 1.280,00 (um mil duzentos e oitenta reais), recebido de Rodoviário Transbueno Ltda., liberando a restituição do IR, a qual o Recorrente tem direito, com a conseqüente extinção do presente processo administrativo, visto que ficou demonstrada a total inexigibilidade do crédito tributário então consignado, por ser medida de direito e mais lídima justiça. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Consta da descrição dos fatos da Notificação de Lançamento a glosa do imposto de renda retido na fonte por inexistência de DIRF no valor de R$ 24.590,10 (vinte e quatro mil quinhentos e noventa reais e dez centavos); glosa da dedução com pensão judicial alimentícia no valor de R$ 25.673,05 (vinte e cinco mil seiscentos e setenta e três reais e cinco centavos) e acréscimo de rendimentos omitidos no valor de R$ 1.280,00 (um mil duzentos e oitenta reais), recebido de Rodoviário Transbueno Ltda. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Inicialmente, cumpre observar que assiste razão ao recorrente quando alega que o IRRF restabelecido no julgamento de primeiro grau não foi corretamente compensado. De fato, se considerado no Demonstrativo elaborado pela fiscalização à fl. 14, o IRRF de R$24.590,10, apurarseá o imposto a restituir de R$12.893,20. Com efeito, o voto condutor da decisão recorrida reconheceu o direito do contribuinte compensar R$24.590,10, no entanto, o quadro demonstrativo à fl. 56 do Acórdão, equivocadamente, compensou apenas R$ 8.987,75. Em relação à entrega de R$25.673,05 à exesposa, deduzida na DIRPF como pensão judicial alimentícia, correta a glosa efetuada pela fiscalização, tendo em vista que tal pagamento tem natureza de meação. De fato, em nenhum momento os documentos às folhas 16 a 18 indicam tratarse de pensão alimentícia, conforme minucioso exame efetuado na decisão de primeiro grau, à fl. 55. Ademais, como o rendimento auferido na ação judicial foi inteiramente tributado na declaração de rendimentos do autuado e foi concedida a compensação integral do IRRF que incidiram sobre a totalidade do rendimento, entendo que nenhuma alteração deve ser feita nesta questão. A rigor, o resultado será o mesmo se a parte entregue à exesposa for excluído e o imposto retido na fonte for proporcionalmente subtraído. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para determinar a restituição de R$12.893,20. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 5/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11618.002710/2001-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1998
DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, retira a propriedade de bem integrante do patrimônio do particular, mediante justa e prévia indenização. Nos termos do art. 5º, XXIV da Constituição Federal, o valor recebido tem natureza indenizatória, portanto, não se sujeita a incidência de imposto de renda.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1998 DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, retira a propriedade de bem integrante do patrimônio do particular, mediante justa e prévia indenização. Nos termos do art. 5º, XXIV da Constituição Federal, o valor recebido tem natureza indenizatória, portanto, não se sujeita a incidência de imposto de renda. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11618.002710/2001-21
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200187
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9101-001.461
nome_arquivo_s : Decisao_11618002710200121.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOSE RICARDO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11618002710200121_5200187.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4538576
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395319570432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11618.002710/200121 Recurso nº 999.999 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.461 – 1ª Turma Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria IRPJ MULTA ISOLADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA DE TECIDOS RIO TINTO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, retira a propriedade de bem integrante do patrimônio do particular, mediante justa e prévia indenização. Nos termos do art. 5º, XXIV da Constituição Federal, o valor recebido tem natureza indenizatória, portanto, não se sujeita a incidência de imposto de renda. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 27 10 /2 00 1- 21 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada). Ausente justificadamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 11618.002710/200121 Acórdão n.º 9101001.461 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 23/10/2009 (fls. 275), a Fazenda Nacional, por seu procurador, legalmente habilitado, junto a Turma Julgadora, apresenta, tempestivamente, em 04/11/2009, seu Recurso Especial (fls. 279/285), para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária – 2ª Câmara – 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 120200.047, de 13/05/2009 (fls. 271/274) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto, em 21/06/2007, pelo contribuinte Companhia de Tecidos Rio Tinto (fls. 246/262). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), possibilidade excluída pelo atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, exceto para os casos previstos no art. 4º do atual RICARF. Consta dos autos, que contra o contribuinte, Companhia de Tecidos Rio Tinto, foi lavrado, em 10/08/2001, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa PB, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 04/08), com ciência, em 10/08/2001 (fls. 04) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 119.728,83, a título de multa isolada de 75% por falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada, referente ao exercício de 1998, correspondentes ao anocalendário de 1997. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora constatou a opção do contribuinte, para o ano calendário 1997, pela tributação do resultado com base no Lucro Real Anual, com recolhimentos por estimativa mensal, com levantamento de balancetes mensais contendo os lançamentos de cada período e os saldos acumulados até o período, escriturados no Livro Diário nº 44 fls. 13/137 objetivando redução/suspensão dos recolhimentos. Analisando os balancetes citados, a autoridade fiscal lançadora identificou a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, para os períodos 04, 05 e 12/97, motivando lançamento da multa isolada de 75%. Infração capitulada nos arts. 2°, 6º, 43, 44, § 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece no próprio Auto de Infração o conteúdo do lançamento. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 03/09/2001 (fls. 152/155, instruído pelos documentos de fls. 156/164) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG, em 16/04/2007, decide julgar procedente em parte o lançamento, mantendo de forma parcial o crédito tributário lançado (fls. 241/243), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: Fl. 303DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 que a falta de recolhimento do imposto apurado sobre a base estimada ou com base em balancete de redução enseja a aplicação de multa exigida isoladamente, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal, ao final do anocalendário; que a norma legal se aplica a fatos pretéritos quando prevê penalidade menos severa ao contribuinte que a vigente à época de ocorrência dos fatos que ensejaram o lançamento de ofício. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 23/05/2007, conforme Termo constante às fls. 241/243, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 21/06/2007, o seu Recurso Voluntário (fls. 246/262), instruído pelos documentos de fls. 263/269, o qual, ao ser apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 120200.047, de 13/05/2009 (fls. 272/274), proferiu, por maioria de votos, a decisão de dar provimento ao recurso, conforme se verifica de sua ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DESAPROPRIAÇÃO. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide o tributo sobre valores recebidos em decorrência de desapropriação, sob pena de descaracterizar o conceito de "justa indenização em dinheiro", que condiciona o ato do poder expropriante. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Nelson Lósso Filho que negavam. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 23/10/2009, conforme Termo constante às fls. 275, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (04/11/2009), o seu Recurso Especial de fls. 279/285, com amparo no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007 (decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova), combinado com o art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que se insurge a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria, deu provimento ao recurso interposto pelo contribuinte, por entender que não incide imposto de renda sobre indenização em processos expropriatórios; que de acordo com o art. 7°, inciso I, c/c § 1º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.° 147, de 25/06/2007, caberá privativamente ao Procurador da Fazenda Nacional, recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, de "decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à Fl. 304DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 11618.002710/200121 Acórdão n.º 9101001.461 CSRFT1 Fl. 4 5 evidência da prova". Consta no respeitável acórdão que os conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso e Nelson Lósso Filho negavam provimento ao recurso; que, por outro lado, ao cancelar o lançamento tributário a e. Turma a quo contrariou frontalmente a lei, a saber, o art. 43, I, do Código Tributário Nacional c/c art. 111, II, do mesmo diploma legal, restando, portanto, constatados os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; que, temse, assim, que, a partir da entrada em vigor da Lei n° 11.941/09, o cabimento do recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais foi reduzido, ficando, agora, limitado às hipóteses de divergência jurisprudencial no seio deste Eg. Conselho; que em razão do veto presidencial ao inciso I, acabou por ser suprimido o recurso especial por violação à lei ou à evidência da prova; que, relativamente ao ponto, a Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, publicada no DOU de 23/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, solucionou uma possível controvérsia de direito intertemporal; que proferido o resultado do acórdão recorrido na sessão de 13/05/2009, é forçoso concluir à luz dos dispositivos regimentais acima, que ainda restava vigente a legislação que previa a figura do recurso especial por violação a dispositivo de lei ou à evidência da prova, sendo este o critério regulador da admissibilidade do presente recurso; que a decisão merece ser modificada porque falta amparo legal à pretensão do contribuinte, já que o valor pago a titulo de indenização por desapropriação, ao mesmo tempo em que indeniza o desapropriado pela alienação forçada do bem imóvel, em verdade pode lhe outorgar um acréscimo de renda advindo da diferença positiva entre o valor de aquisição ou contábil e o valor recebido do ente público, subsumindose, portanto, à hipótese de incidência do inciso I do art. 43 do Código Tributário Nacional; que, realmente, a diferença positiva entre o valor contábil ou de aquisição (corrigido monetariamente) e o valor recebido pela desapropriação, induvidosamente indica aquisição de disponibilidade de renda, decorrente ou como produto do capital que estava imobilizado; que a tributação pelo ganho de capital havido pela valorização de imóvel é diferida para o momento da alienação, seja por uma questão de praticidade, seja porque é neste momento que se traduz com objetividade e certeza o valor da aquisição de renda; que se note que se por um lado é certo de que o valor pago pela desapropriação constitui uma espécie de indenização e recompõe o patrimônio expropriado, por outro lado é igualmente correto dizer que o que ultrapassar os registros contábeis, devidamente atualizados, corresponde a ganho de capital, sendo passível de tributação, independentemente de a alienação ter se realizado de forma voluntária ou não; que não resta dúvida de que o ganho de capital auferido em razão da desapropriação de imóvel urbano deva ser computado na base de cálculo do imposto de renda já que é, por excelência, uma típica aquisição de renda, e, embora não tributado gradualmente e Fl. 305DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 cobrado ano a ano do proprietário contribuinte, nada impede que, por diferimento, o seja por ocasião da alienação. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 12000.389/2009, de 11/11/2010 (fls. 286/287), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 09/12/2009 (fls. 289), o contribuinte não se manifestou através de contrarrazões. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 11618.002710/200121 Acórdão n.º 9101001.461 CSRFT1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 23/10/2009 (fls. 275) e tendo protocolizado o presente apelo em 04/11/2009 (fls. 279/285), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase, que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 12000.389/2009, de 11/11/2010 (fls. 286/287), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar, que a Fazenda Nacional, cumpriu os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Procurador, já que demonstrou que a decisão foi nãounânime de Câmara, prolatada antes da edição do novo regimento e foi contrária à lei ou à evidência da prova. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto no relatório a Fazenda Nacional insurgese contra o acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Resta claro no autos que a exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora constatou a opção do contribuinte, para o ano calendário 1997, pela tributação do resultado com base no Lucro Real Anual, com recolhimentos por estimativa mensal, com levantamento de balancetes mensais contendo os lançamentos de cada período e os saldos acumulados até o período, escriturados no Livro Diário nº 44 fls. 13/137 objetivando redução/suspensão dos recolhimentos. Analisando os balancetes citados, a autoridade fiscal lançadora identificou a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, para os períodos 04, 05 e 12/97, motivando lançamento da multa isolada de 75%, que a autoridade julgadora de Primeira Instância reduziu ao patamar de 50%. Observase, ainda, que a matéria em discussão (multa isolada) referese a exclusão da tributação, nos meses de maio e dezembro, do valor de R$ 537.988,00, relativo a desapropriação, nos termos do artigo 184, § 5º, da Constituição Federal e do artigo 26 da Lei n° 8.629, de 1993. A Prefeitura Municipal de Rio Tinto informa, à fl. 188, que a operação em questão se refere a desapropriações de áreas urbanas, e não para fins de reforma agrária. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 Assim, a presente discussão diz respeito tãosomente a não incidência do imposto de renda sobre os valores recebidos em decorrência de desapropriação, por utilidade pública, de áreas urbanas, com reflexo na aplicação da multa isolada, já que a autoridade fiscal lançadora considerou os valores como sendo tributáveis pelo imposto de renda, razão pela qual o contribuinte, optante do lucro real anual, teria que ter realizado recolhimentos mensais e não o fez. Primeiramente, cumpre dizer que é matéria ultrapassada o fato de que houve desapropriação e que de que se trata de desapropriação urbana e não de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão é, portanto, se as verbas recebidas a título de indenização decorrente de reforma urbana estão sujeitas à incidência do IRPJ. Desta forma, argumenta a Fazenda Nacional que somente os valores recebidos à título de indenização por desapropriação para reforma agrária não estão sujeitas à incidência do IRPJ. Hugo de Brito Machado, citado por Roque Antônio Carrazza, em sua obra Imposto sobre a Renda, 1a. Edição, Ed. Malheiros, 2005, p. 182, assim enfrenta o tema: Sem o acréscimo patrimonial não há, segundo o código, nem renda, nem proventos. Como se vê, o Código Tributário Nacional estreitou o âmbito do legislador ordinário, que não poderá definir como renda, ou como proventos, algo que não seja, na verdade, um acréscimo patrimonial. Complementando o que disse Hugo de Brito Machado, Roque Antônio Carrazza afirma que: É o caso das indenizações. Nelas mostrase de todo ausente este sentido de acréscimo patrimonial; transparece, ao revés, sua vocação meramente compensatória ou reparatória, por perdas sofridas. Como já se visualiza, a indenização serve para coibir os prejuízos causados, de forma que o equilíbrio patrimonial do credor lesado se restabeleça. O montante da indenização é correlato ao valor do bem lesado: restabelece o equilíbrio rompido pelo causador do dano. Quem indeniza repara – isto é, compensa – prejuízos” (...). Em resumo, a indenização – tenha a origem que tiver – ressarci danos. As quantias a este título recebidas pela pessoa lesada não tipificam renda; apenas recuperamlhe o patrimônio danificado – e, nesta medida, positivamente não tem o condão de transformála em contribuinte do IR. Com efeito, como a indenização compensa a injusta perda de direito, tributála diminuilhe o montante, com isso, logicamente reabrese a lesão que acabara de ser composta. O imposto assim exigido não seria sobre a renda, mas confiscatório, já que acarretaria a expropriação de parte do patrimônio do lesado. Assevera o Ministro Luiz Galloti que: Fl. 308DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 11618.002710/200121 Acórdão n.º 9101001.461 CSRFT1 Fl. 6 9 É certo que podemos interpretar a lei, de modo a arredar a inconstitucionalidade. Mas, interpretar interpretando e, não mudandolhe o texto, e, menos ainda, criando imposto novo, que a lei não criou. Como sustentei muitas vezes, ainda no Rio, se a lei pudesse chamar de compra o que não é de compra, de importação o que não é de importação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição (RTJ 66/154) Revista Dialética do Direito Tributário, n° 42, pg. 89. Nos termos do Vocabulário Jurídico De Plácido e Silva, atualizado por Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho, Ed. Forense, 27 a. Edição: Alienação é o termo jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designa todo e qualquer ato que tem o efeito de transmitir o domínio de uma coisa para outra pessoa, seja por venda, troca ou doação. Esta transmissão da propriedade de uma coisa ou de um direito processase voluntariamente ou forçadamente. A alienação é forçada quando resulta de ato independentemente da vontade do proprietário, tais como no implemento de condição resolutiva, na exceção rei venditae et traditae, na arrematação ou adjudicação em hasta pública; desapropriação, derivada do verbo desapropriar (tirar a propriedade de alguém sobre certa coisa), é de aplicação, na terminologia jurídica, para indicar o ato emanado do poder público, em virtude da qual declara desafetado (desclassificado) ou resolvido o domínio particular ou privado sobre um imóvel, a fim de que, a seguir, por uma cessão compulsória, o senhor dele o transfira para o domínio público. Na desapropriação, registrase, apenas, uma conversão de propriedade, conseqüente da venda forçada por interesse da ordem pública. As regras jurídico tributárias são parte integrante de um sistema único, portanto, devem respeitar os conceitos e definições estabelecidas pelo direito privado. A Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no art. 110 determina: Art. 110 A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. De pronto, constatase que desapropriação é um termo jurídico especifico para designar a retirada de propriedade de alguém. A declaração de utilidade pública ou interesse social e a desapropriação são atos administrativos que independem da manifestação da vontade do proprietário do imóvel. A desapropriação implica na retirada de propriedade de um imóvel por um ente público, portanto, não pode ser enquadrada como uma transferência de propriedade entre particulares, fruto da livre manifestação de vontade das partes contratantes. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 Sendo um termo especifico, por impedimento legal (art. 110 do CTN), não há como enquadrála como alienação (termo genérico) para fins tributários. A desapropriação, prevista no art.5°, XXIV, da Constituição Federal, é um ato coativo do Estado que por necessidade, interesse público, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, expropria o bem privado. Só é passível de tributação por meio do imposto de renda, a riqueza nova, ou seja, o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte ao longo de um determinado espaço de tempo. Tudo aquilo que não representar ganhos, mas sim transformações de riqueza, não poderá ser objeto de tributação. O valor recebido pelo particular não se equipara ao preço de alienação, pois não é fixado pelo proprietário do imóvel, mas sim pelo autor da desapropriação. Por isso a norma constitucional utilizou o vocábulo indenização. Nos temos da obra anteriormente mencionada o termo indenização deriva do latim indemnis (indene), de que se formou no vernáculo o ver indenizar (reparar, recompensar, retribuir), e em sentido genérico quer exprimir toda compensação ou retribuição monetária feita por uma pessoa a outrem, para a reembolsar de despesas feitas ou para a ressarcir de perdas tidas. Neste sentido, indenização tanto se refere ao reembolso de quantias que alguém despendeu por conta de outrem, ao pagamento feito para a recompensa do que se fez ou para a reparação de prejuízo ou dano que se tenha causado a outrem. É, portanto, em sentido amplo, toda reparação ou contribuição pecuniária, que se efetiva para satisfazer um pagamento, a que se está obrigado ou que se apresenta como um dever jurídico. Isso significa que a finalidade da indenização é recompor o patrimônio daquilo que se desfalcou, de recompôlo pelas perdas ou prejuízos sofridos, ou seja, representa uma compensação de caráter monetário, a ser atribuída ao patrimônio da pessoa, que de alguma forma foi reduzido. Portanto, se a indenização (justa e prévia) restaura o patrimônio de alguém que perdeu, por ato unilateral do autor da desapropriação, a propriedade de bem imóvel integrante de seu patrimônio, não se pode cogitar de incidência de imposto e conseqüentemente de dever de apuração do ganho de capital. Nesta altura da discussão, cumpre trazer à baila os dispositivos constitucionais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...). XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 11618.002710/200121 Acórdão n.º 9101001.461 CSRFT1 Fl. 7 11 anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. (...). § 5º São isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.” Consoante se infere das normas constitucionais acima transcritas, de fato, o legislador constituinte contemplou a desapropriação em duas situações distintas. Na primeira norma encimada, tratou da desapropriação por necessidade ou utilidade pública, estabelecendo valor a ser pago a título de justa e prévia indenização em dinheiro ao então proprietário do imóvel. No segundo caso, relativo à desapropriação para reforma agrária, inferiu os valores recebidos em sua decorrência não estariam sujeitos à incidência do imposto de renda. Entrementes, o simples fato de a Constituição Federal somente fazer referência à isenção no artigo 184, § 5º, da CF, não tem o condão de afastar o mesmo efeito no caso da aplicabilidade do artigo 5º, inciso XXIV, para a hipótese vertente. Isto porque os dois dispositivos constitucionais se referem à desapropriação, conferindo às verbas pagas em virtude deste ato estatal natureza indenizatória, de reposição das perdas sofridas pelo contribuinte. Um em razão de reforma agrária e outro em favor da necessidade ou utilidade pública. Nos dois casos, a vontade do Estado prevalece em detrimento a do contribuinte. Na desapropriação, por qualquer das normas constitucionais mencionadas, o contribuinte não expressa sua vontade; não estabelece valor ao seu imóvel; ou seja, não parte deste o interesse na alienação do seu bem, ficando sujeito à vontade do Estado. Não se trata, pois, de simples ato de alienação de bem imóvel, onde as partes transigem, negociam, com o fito de se chegar ao um denominador comum, mas, sim, de uma retirada forçada de propriedade, em defesa de bem maior – comum à sociedade – razão pela qual o contribuinte é indenizado por tal conduta. Em razão dessa natureza indenizatória das verbas pagas na desapropriação do bem do contribuinte, não se pode cogitar na hipótese de incidência do imposto de renda pessoa física, tanto em um caso (necessidade ou utilidade pública), como no outro (reforma agrária), sobretudo em virtude de terem o mesmo intuito, qual seja, reparar/repor (indenizar) os danos causados pela desapropriação, inexistindo ganho ou acréscimo de capital por parte do contribuinte, mas tão somente recomposição daquilo (bem) que já era de sua titularidade/propriedade e foi transferido ao Estado, com base na vontade exclusiva deste. Aliás, referida matéria, por demais conhecida e analisada no âmbito Judicial, fora objeto, inclusive, da Súmula nº 39 do extinto Tribunal Federal de Recursos, nos seguintes termos: Não está sujeita ao Imposto de Renda a indenização recebida por pessoa jurídica/física, em decorrência de desapropriação amigável ou judiciária. No mesmo sentido, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 12 TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE RENDA — DESAPROPRIAÇÃO DIRETA — JUROS COMPENSATÓRIOS E MORA TÓRIOS — NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO — PRECEDENTES. Os juros compensatórios e moratórios integram a indenização por expropriação, não constituindo renda; portanto, não podem ser tributáveis. Recurso especial não conhecido: (STJ, RESP 208477/RS, Rei Min. Peçanha Martins, 2 a Turma, J25/06/2001) DESAPROPRIAÇÃO INDENIZAÇÃO IMPOSTO DE RENDA NÃO INCIDÊNCIA. A indenização decorrente de Desapropriação não apresenta nenhum Ganho ou Acréscimo de Capital e sobre ela não incide o Imposto de Renda. Recurso Provido. (STJ, RESP 153772/RJ, Rel. Min. Garcia Vieira, l a Turma, DJ de 04/05/1998). No mesmos sentido é o acórdão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 960407, publicado em 15/09/2008, Relator Ministro Luiz Fux, no qual é exarado o entendimento de que a indenização por desapropriação não representa acréscimo patrimonial, não estando sujeito à incidência do Imposto sobre a Renda, citando, ainda, diversos precedentes do próprio tribunal, verbis: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INDENIZAÇÃO DECORRENTE DE DESAPROPRIAÇÃO. VERBA INDENIZ4TÓRL4. NÃOINCIDÊNCL4. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A incidência do imposto de renda tem como fato gerador o acréscimo patrimonial (art. 43, do CTN), sendo, por isso, imperioso perscrutar a natureza jurídica da verba percebida, a fim de verificar se há efetivamente a criação de riqueza nova: a) se indenizatória, que, via de regra, não retrata hipótese de incidência da exação; ou b) se remuneratória, ensejando a tributação. Isto porque a tributação ocorre sobre signos presuntivos de capacidade econômica, sendo a obtenção de renda e proventos de qualquer natureza um deles. 2. Com efeito, a Constituição Federal, em seu art. 5º, assim disciplina o instituto da desapropriação: "XXIV a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição; 3. Destarte, a interpretação mais consentânea com o comando emanado da Carta Maior é no sentido de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder publico por valor justo e determinado pela justiça a titulo de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 11618.002710/200121 Acórdão n.º 9101001.461 CSRFT1 Fl. 8 13 4. In casu, os ora recorridos perceberam verba decorrente de indenização oriunda de ato expropriatório, o que, manifestamente, consubstancia verba indenizatória, razão pela qual não pode ser objeto de incidência do imposto sobre a renda. 5. Deveras, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da nãoincidência da exação sobre as verbas auferidas a titulo de indenização advinda de desapropriação, seja por necessidade ou utilidade pública ou por interesse social, porquanto não representam acréscimo patrimonial. 6. Precedentes: AgRg no Ag 934.006/SP, Rel. Ministro CARLOS FERNANDO MATHL4S, DJ 06.03.2008; REsp 799.434/CE, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 31.05.2007; REsp 673273/AL, Rel. Ministro LUIZ FUX, DJ 02.05.2005; REsp 156.772/Rj, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ 04/05/98; REsp 118.534/RS, Rel. Min. Milton Luiz Pereira, DJ 19/12/1997. 7. Ad argumentandum tantum, ainda que se considerasse a alegação da recorrente, de que o imposto de renda deveria incidir não sobre a própria indenização, mas sobre o ganho de capital apurado quando da operação que importasse a desapropriação, nos termos do art. 3°, § 3°, da Lei 7.713/89, o recurso não mereceria prosperar, porquanto o voto condutor do acórdão recorrido consignou o malogro da União em comprovar o efetivo ganho de capital decorrente da indenização por desapropriação do imóvel, in verbis: Evidentemente, cabe à União apurar e provar que, no procedimento desapropriatório, houve acréscimo patrimonial, apurado a partir do cotejo entre o valor do imóvel desapropriado e o valor fixado em sentença a título de indenização. Eventualmente, se a União lograr obter tal prova, haverá efetivo ganho de capital, realizandose, então, o fato gerador do imposto. No caso, não houve tal prova, de modo que não incide imposto de renda sobre a indenização recebida pelos impetrantes. 8. Destarte, reformar a decisão do Tribunal a quo implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, insindicável em sede de recurso especial, em face do óbice contido na Súmula 07/STJ. 9. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial a que se nega provimento. Nesta linha também são as decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, responsável pela uniformização das decisões das câmaras deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 14 Acórdão n° CSRF/0104.918 IRPF — GANHO DE CAPITAL — DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA — A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, expropria bem privado, mediante justa e prévia indenização (art. 5º°, XXIV da CF). Assim sendo, o valor recebido não está sujeito a incidência de imposto de renda e conseqüentemente apuração de ganho de capital, eis que não se cogita de negócio jurídico, mas simples indenização pela perda involuntária do patrimônio. Acórdão nº CSRF/0400.114 GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO INDENIZAÇÃO NÃO INCIDÊNCIA Não incide o tributo sobre valores recebidos em decorrência de desapropriação, sob pena de descaracterizar o conceito de "justa indenização em dinheiro", que condiciona e dá validade ao ato do poder expropriante. Recurso especial provido. Acórdão nº CSRF/0104.918 IRPF – GANHO DE CAPITAL – DESAPROPRIAÇÃO POR UTILIDADE PÚBLICA – A desapropriação é ato coativo do Estado, que, na satisfação do interesse público, expropria bem privado, mediante justa e prévia indenização (art. 5º, XXIV da CF). Assim sendo, o valor recebido não está sujeito a incidência de imposto de renda e conseqüentemente apuração de ganho de capital, eis que não se cogita de negócio jurídico, mas simples indenização pela perda involuntária do patrimônio. Recurso improvido. Acórdão nº CSRF/0401.017 DESAPROPRIAÇÃO IMPOSTO DE RENDA NÃO INCIDÊNCIA A indenização decorrente da desapropriação tem vocação compensatória ou reparatória, não se constituindo em acréscimo patrimonial ou riqueza nova, razão pela qual não se sujeita à incidência de imposto de renda. As quantias recebidas a título de indenização não tipificam renda; apenas recuperam o patrimônio danificado. Recurso especial do procurador negado. Acórdão nº 920200.880 – 2ª Turma IRPF. INDENIZAÇÃO. DESAPROPRIAÇÃO. UTILIDADE E/OU NECESSIDADE PÚBLICA. AUSÊNCIA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. GANHO DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, as verbas pagas à título de indenização em virtude de desapropriação por necessidade ou utilidade pública, a exemplo do que ocorre com a reforma agrária, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda (ganho de capital), sobretudo por não representar acréscimo ou ganho de capital, mas tão somente recomposição de prejuízos em face de bem que já era de sua propriedade e foi transferido ao Estado, com base na vontade exclusiva deste. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 11618.002710/200121 Acórdão n.º 9101001.461 CSRFT1 Fl. 9 15 Recurso especial do procurador conhecido e negado. Na mesma linha as decisões são predominantes nas câmaras que compõem o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão n° 10245.909 IRPF GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO INDENIZAÇÃO NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos do Poder Publico em decorrência de desapropriação, não se sujeitam à tributação, por tratarse de indenização, não representando acréscimo patrimonial, constituindose tão somente em reposição do patrimônio desfalcado pela desapropriação. A incidência do imposto de renda desnaturaria o conceito de justa indenização, pela redução do valor a ser incorporado no patrimônio do desapropriado. Acórdão n° 10418.899 IRPF GANHO DE CAPITAL DESAPROPRIAÇÃO INDENIZAÇÃO NÃO INCIDÊNCIA Os valores recebidos em decorrência de desapropriação pelo Poder Público não se sujeitam à tributação. Constituemse meras indenizações, não provocando acréscimo patrimonial e caracterizando, portanto, hipótese de não incidência de imposto. A tributação sobre o valor recebido, "in casu", desnaturaria o conceito de justa indenização ferindo preceito constitucional. Acórdão n° 10614.425 GANHO DE CAPITAL — DESAPROPRIAÇÃO — Assente na doutrina e jurisprudência o caráter indenizatório dos valores recebidos a título de desapropriação, pelos quais se busca a recomposição do patrimônio expropriado unilateralmente pelo Poder Público. A indenização não seria total acaso se pretendesse a imputação de ônus tributário ao expropriado. Assim, não havendo previsão para a tributação do valor recebido pela desapropriação realizada, não existe base de cálculo para a exigência da multa isolada. Nestas condições, entendo que a decisão recorrida está em perfeita consonância com os dispositivos legais vigentes, razão por que conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo e, no mérito, negolhe provimento. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 315DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 16 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11618.000853/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO CONTRIBUINTES. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164), deve ser admitido o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62-A do Regimento Interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO CONTRIBUINTES. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164), deve ser admitido o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11618.000853/2003-61
conteudo_id_s : 5213574
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.483
nome_arquivo_s : Decisao_11618000853200361.pdf
nome_relator_s : ANDREA MEDRADO DARZE
nome_arquivo_pdf_s : 11618000853200361_5213574.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4565731
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395327959040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 92 1 91 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.000853/200361 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.483 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2012 Matéria IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente BRASTEX S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A do Regimento Interno. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 e 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO CONTRIBUINTES. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Segundo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164), deve ser admitido o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de não contribuintes de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ Recife que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que a matéria relativa ao direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Portaria MF n° 38/97 nas aquisições de pessoas físicas não foi impugnada. A ora Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao quarto trimestre de apuração de 2001 e ao quarto trimestre de apuração de 2002, apresentado em formulário único, no valor total de R$ 31.240,43 (fls. 02). A Delegacia da Receita Federal em João Pessoa, por meio do Despacho Decisório, de fls. 123, indeferiu parcialmente o pleito do contribuinte e homologou as compensações pleiteadas, no limite do crédito reconhecido. Na Informação Fiscal (fls. 117/122) restou consignado que: Os quadros de fls. 114 e 116 apresentam a quantificação dos insumos utilizados pela empresa no processo produtivo, referente aos quais foi pedido crédito presumido no período em questão. Os valores aqui trabalhados foram extraídos dos balancetes fornecidos pela empresa (lis. 3864), mais especificamente dos custos diretos de produção, onde foi informado o consumo de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários em cada unidade. Ou seja, os dados que utilizamos para cálculo do montante dos insumos utilizados na produção foram extraídos diretamente da própria contabilidade da empresa, com os ajustes que serão descritos a seguir. Como a legislação não permite a contabilização de insumos adquiridos de pessoas físicas para efeito de cálculo do crédito presumido, houve a necessidade de ajustarmos os valores retirados da contabilidade, tendo em vista que neles estavam incluídas tais aquisições. Para tanto, calculamos o percentual que as aquisições a pessoas físicas representam sobre o total de aquisições de MP, PI e ME e aplicamos este percentual sobre o total de insumos utilizados na produção constante dos balancetes, encontrando, assim, o valor a ser excluído, a título de aquisição feita a pessoa física, conforme demonstrado no quadro de fls. 114 a 116. As aquisições de MP, PI e ME feitas a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídicas, foram informadas pela empresa e encontramse devidamente agrupadas nas planilhas de fls. 6584, estando, inclusive, separadas por unidade fabril. A empresa apresentou também uma outra relação de aquisições (fls. 85107) que, após análise por amostragem das respectivas notas fiscais, constatamos não se tratar de MP, PI e ME e, por isso, não as consideramos em nossos cálculos. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 11618.000853/200361 Acórdão n.º 3301001.483 S3C3T1 Fl. 93 3 Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade de fls. 139/141, alegando, em apertada síntese, que teria sido mal orientada pela autoridade administrativa quanto à formulação do seu pedido, razão pela qual teriam se dado algumas inconformidades, que redundaram, segundo afirma, na análise apenas de parte do período de apuração pretendido (4° trim/2001 e 40 trim/2002), ao invés do período integral, cujo valor total de créditos passíveis de ressarcimento seria de R$ 92.126,63. A DRJ em Recife julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho repetindo as razões apresentadas na manifestação de inconformidade e ressaltando que: Diferentemente, data vênia, do que referido na r. decisão recorrida, na Manifestação de Inconformidade, de forma implícita; foi defendida a possibilidade de inclusão das aquisições de pessoas físicas, uma vez que a Recorrente defendeu que o seu crédito era de todo aproveitável; não cabendo qualquer (exclusão seja a que, título for). Independentemente de qualquer demonstração, a premissa básica é de que .não caberia a exclusão como a levada,a efeito pela autoridade administrativa. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a solução da presente controvérsia requer, preliminarmente, a definição se a matéria “direito ao crédito presumido nas aquisições de insumo de pessoas físicas” foi impugnada (ou mesmo, se pode ser conhecida de ofício). Afinal, apenas diante posicionamento positivo em face desta preliminar é que será possível analisar efetivamente seu mérito. Pois bem. Como bem colocado pelo contribuinte em seu recurso, toda a matéria objeto de glosa foi impugnada. Nas suas palavras: Diferentemente, data vênia, do que referido na r. decisão recorrida, na Manifestação de Inconformidade, de forma implícita; foi defendida a possibilidade de inclusão das aquisições de pessoas físicas, uma vez que a Recorrente Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 defendeu que o seu crédito era de todo aproveitável; não cabendo qualquer (exclusão seja a que, título for). Independentemente de qualquer demonstração, a premissa básica é de que .não caberia a exclusão como a levada,a efeito pela autoridade administrativa. Sendo assim, e tendo em vista que o processo administrativo é informado pelo formalismo moderado e pela busca da verdade material, tomo conhecimento da presente matéria, passando a análise do seu mérito. O Superior Tribunal de Justiça, valendose da sistemática prevista no art. 543C, do CPC, pacificou, no REsp 993.164, o entendimento de as aquisições MP, PI, ME de pessoas físicas e cooperativas geram direito ao crédito presumido, tendo em vista que as disposições da Lei nº 9.363/96 não poderiam ter sua aplicação restringida por força de Instruções Normativas, “atos normativos secundários, que não podem inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal”: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 11618.000853/200361 Acórdão n.º 3301001.483 S3C3T1 Fl. 94 5 receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) (destacouse) Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 11618.000853/200361 Acórdão n.º 3301001.483 S3C3T1 Fl. 95 7 Por conta disso, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, e alternativamente, a Lei nº 10.276, de 2001, mesmo quando os insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados ao mercado externo sejam adquiridos de pessoas físicas. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 186DF CARF MF Impresso em 22/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720124/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
VENDA DO IMÓVEL. PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA.
Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2003.
Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN.
VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO.
O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.
No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacioná-lo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização
imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.780
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VENDA DO IMÓVEL. PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA. Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2003. Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN. VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacioná-lo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11065.720124/2007-51
conteudo_id_s : 5219003
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-001.780
nome_arquivo_s : Decisao_11065720124200751.pdf
nome_relator_s : JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 11065720124200751_5219003.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
id : 4573507
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395333201920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2455; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 111 1 110 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.720124/200751 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.780 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria ITR Recorrente MONTEPACI SOCIEDADE COMERCIAL DE IMOVEIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VENDA DO IMÓVEL. PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA. Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR sub rogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2003. Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN. VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacionálo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região. Recurso Voluntário Negado Fl. 113DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720124/200751 Acórdão n.º 2101001.780 S2C1T1 Fl. 112 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente justificadamente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para arbitrar o Valor da Terra Nua – VTN, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Rita”, NIRF no 2.251.8010, com área de 1.664,4 ha, localizado no município de Nova Santa Rita – RS, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$17.453,50, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 33 a 37), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 94), alegou o seguinte: 7.1 Estava em dia com suas obrigações fiscais e tributárias no momento da formalização da compra e venda do imóvel, tanto que ficou consignado na Escritura Pública que foram apresentadas todas as certidões negativas, inclusive a de quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Receita Federal. 7.2 Havia informado que, por subrogação legal e convencional, cabia aos novos proprietários, INCRA e Estado do Rio Grande do Sul, a responsabilidade fiscal e tributária sobre o referido bem. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720124/200751 Acórdão n.º 2101001.780 S2C1T1 Fl. 113 3 7.3 Surpresamente se deparou com a apuração e lançamento em foco, discordando da utilização dos valores do SIPT por estarem mais próximos daquele pelo qual o imóvel foi, efetivamente, vendido. 7.4 Tratou da avaliação efetuada para alienar o imóvel em leilão público, através do processo de licitação da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, cujo valor constante do laudo da AHM Consultoria de Avaliações Ltda., foi de R$ 4.200.000,00. 7.5 Listou os valores dos lances e explanou a respeito da ordem judicial que autorizou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA apresentar proposta do VTN de R$ 8.770.533,71, homologado pelo Conselho Diretor da SUSEP. 7.6 Na seqüência disse que a alienação ocorreu atendendo ao disposto na legislação que regulamenta as liquidações extrajudiciais, sendo que o valor foi aquele maior entre os lançadores, superior ao da avaliação do especialista e maior do que o escriturado na contabilidade da vendedora e que, no entanto, não procede o lançamento fiscal apurado entre o valor efetivo da venda e o efetivo da declaração do ITR em cada um dos períodos base, 2003, 2004 e 2005. 7.7 De todo o exposto requereu seja recebida a defesa, com seus respectivos anexos, para considerar cumpridas todas as obrigações fiscais, principais e acessórias, enquanto o bem imóvel esteve sob a propriedade da impugnante, e se determine a extinção, baixa e arquivamento do procedimento para todos os fins e efeitos de direito. 8. Das fls. 38 a 77 consta a documentação anexada, composta por cópia de folhas do processo licitação mencionada, onde constam: as propostas de pagamentos; informação do INCRA de apresentação dos valores com base em laudo técnico; da avaliação efetuada pela AHM Consultoria de Avaliações Ltda., embasada em uma avaliação ocorrida em 28/09/1999 e atualizada por meio de opiniões e variações do valor do Dólar Americano, entre outros, para concluir pelo valor de R$ 5.992.092,00 e, considerando a necessidade de liquidez imediata, com uma redução de 30,0% restaria o valor de R$ 4.200.000,00; cópia da liminar concedida ao INCRA, na qual se verifica a não realização de laudo conforme ABNT; entre ouros e, das fls. 78 a 90 consta providência quanto à regularização do processo, bem como quanto à baixa de inscrição na dívida ativa, efetuada equivocadamente. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 91 a 96): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 Alienação de bens imóveis Subrogação de créditos Por determinação legal, os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720124/200751 Acórdão n.º 2101001.780 S2C1T1 Fl. 114 4 de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, porém, não ocorre subrogação se do título de aquisição constar a prova de quitação dos tributos. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 6/11/2009 (fl. 99), o contribuinte apresentou, em 24/11/2009, o recurso de fls. 103 a 109, onde afirma: a) que é uma empresa controlada e/ou coligada do MONTEPIO MFM EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, ambas em processo especial de Liquidação Extrajudicial decretada nos termos e de acordo com o que dispõe a Lei Complementar no 109/2001, submetidas ao juízo da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, e que essa condição não foi mencionada pelo acórdão recorrido; b) que o imóvel objeto do lançamento foi vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Estado do Rio Grande do Sul em 21/10/2005, e que, nesta data, estava em dia com suas obrigações fiscais, como ficou consignado na escritura pública; c) que os adquirentes são responsáveis pelo tributo do ano base 2005 por sub rogação legal; d) que todos os documentos do imóvel foram entregues aos compradores; e) que os valores arbitrados com base no SIPT são irreais; f) que o imóvel estava registrado em sua contabilidade por valor baixo, e que, ao vendêlo em leilão público, realizou laudo de avaliação elaborado por AHM Consultoria de Avaliações Ltda, e que se chegou ao valor de R$4.200.000,00, bem abaixo daquele utilizado como base para o lançamento; g) que o valor efetivamente pago pela terra nua foi o de R$ 8.770.533,71; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720124/200751 Acórdão n.º 2101001.780 S2C1T1 Fl. 115 5 h) que está comprovado que o valor do imóvel foi alienado atendendo ao disposto na legislação que regulamenta as liquidações extrajudiciais, sendo que o valor da venda foi aquele maior entre os lançadores, superior ao valor da avaliação do especialista e maior do que aquele escriturado na contabilidade da vendedora, sendo improcedente, portanto, o ato de lançamento fiscal do imposto complementar da diferença apurada entre o valor efetivo da venda e o valor efetivo da declaração do ITR em cada um dos períodosbase. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 110, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Responsabilidade pelo tributo O recorrente afirma que o imóvel objeto do lançamento foi vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Estado do Rio Grande do Sul em 21/10/2005, e que, nesta data, estava em dia com suas obrigações fiscais, como ficou consignado na escritura pública. Assim, defende que os adquirentes são responsáveis pelo tributo do ano base 2005 por subrogação legal, e que, para os anos anteriores, comprovou estar em dia com os tributos na época da venda, não podendo ser cobrado por débitos passados. A solução do impasse é encontrada no art. 130 do Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcrito: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. (...) Desta forma, as dívidas do ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720124/200751 Acórdão n.º 2101001.780 S2C1T1 Fl. 116 6 Examinando os termos da escritura de venda e compra de fls. 12 a 18, lavrada em 21/10/2005, verificase que foi apresentada certidão negativa de débitos do imóvel rural, expedida pela Secretaria da Receita Federal em 27/09/2005. Assim, ocorre a cláusula excepcional do art. 130 do CTN, ficando o adquirente responsável pelos tributos apenas após a venda. Como o fato gerador do ITR ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, o alienante permanece responsável pelo ITR até o exercício de 2005. Acrescentese que essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN, abaixo transcrito: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Desta forma, o contribuinte é o responsável pelos créditos tributários relativos ao imóvel do exercício de 2003. Valor da Terra Nua – VTN O contribuinte informou, em sua Declaração do ITR do exercício de 2003, o VTN de R$1.578.967,29 (fls. 21). Entretanto, o VTN constante no Sistema de Preços de Terra da Receita Federal (SIPT), para imóveis daquele município, era de R$9.612.747,01. Intimado a comprovar o efetivo valor da terra nua mediante laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT (fls. 7 a 8), o sujeito passivo alegou não possuir mais os documentos relativos ao imóvel, que haviam sido entregues ao novo proprietário (fls. 9 a 10). Diante da falta de comprovação mediante laudo, e por considerar que o valor da alienação de R$10.011.847,95, em 2005, era compatível com aqueles constantes no SIPT daquele ano (R$11.105.859,83), a Fiscalização adotou o valor da venda como base para o arbitramento do VTN. Para isso, com o fim de obter o VTN de 2003, partiu do valor de venda da terra nua em 2005 (R$9.233.642,95), obtido da subtração do valor de venda menos as benfeitorias declaradas, e deflacionou o resultado de acordo com a valorização imobiliária apontada no SIPT. Assim, para o exercício de 2003, chegou ao valor de R$7.887.613,13. O recorrente afirma que os valores arbitrados com base no SIPT são irreais, que o imóvel estava registrado em sua contabilidade por valor baixo, que, ao vendêlo em leilão público, utilizou laudo de avaliação elaborado por AHM Consultoria de Avaliações Ltda, que indicou o valor de R$4.200.000,00, bem abaixo daquele utilizado como base para o lançamento, e que o valor efetivamente pago pela terra nua foi o de R$8.770.533,71. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720124/200751 Acórdão n.º 2101001.780 S2C1T1 Fl. 117 7 Pela simples comparação entre o valor adotado no lançamento, referente a 01/01/2003 (R$7.887.613,13), e aquele efetivamente obtido na venda em 21/10/2005 indicado pelo contribuinte (R$8.770.533,71), vêse que não procede o argumento de que o valor arbitrado era irreal. Na verdade, utilizandose os valores constantes na escritura (fl. 13), há que reconhecer que o valor da terra nua foi na verdade de R$9.595.475,65, já que o valor pago foi de R$10.011.847,95 e as benfeitoria indenizadas importaram em R$416.372,30. O laudo de fls. 52 a 54, que atribuiu o valor de R$ 4.200.000,00 para o imóvel, e que serviu de base para o preço da licitação, não foi admitido pelo julgador de 1a instância por ter como “base uma avaliação efetuada em 1999, corrigida com base em opiniões e valoração de moeda estrangeira”, não se tratando “de uma avaliação específica de VTN, com base em pesquisa de valores de mercados, acompanhado dos comprovantes dessa pesquisa, em quantidade mínima de cinco, relativamente à negociação e/ou oferta oficial de imóveis à venda na região da propriedade em avaliação no ano base do lançamento, atendendo, assim, a requisitos mínimos constante das normas técnicas da ABNT.” Correta a conclusão do acórdão recorrido, até mesmo porque o preço efetivo de venda foi mais que o dobro daquele indicado nessa avaliação. Não se pode perder de vista que o art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Assim, diante da evidente subavaliação, nada mais razoável do que se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacionálo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720124/200751 Acórdão n.º 2101001.780 S2C1T1 Fl. 118 8 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002308/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
MESMA AÇÃO OU OMISSÃO QUE RESULTA EM MAIS DE UMA INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONCURSO FORMAL DE INFRAÇÕES NO DIREITO TRIBUTÁRIO.
No Direito Penal, o concurso formal tem previsão legal, o que inexiste para o Direito Tributário, impossibilitando sua aplicação para as infrações fiscais.
Ademais, o art. 136 do CTN determina que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Se a extensão dos efeitos do ato praticado pela recorrente implica em mais de uma sanção, não há obstáculo legal para aplicação daquelas que estiverem previstas na lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-002.537
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto elaborado pelo Redator Designado. Vencidos(as) os(as) Conselheiros(as) Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator Designado: Mauro José Silva. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MESMA AÇÃO OU OMISSÃO QUE RESULTA EM MAIS DE UMA INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONCURSO FORMAL DE INFRAÇÕES NO DIREITO TRIBUTÁRIO. No Direito Penal, o concurso formal tem previsão legal, o que inexiste para o Direito Tributário, impossibilitando sua aplicação para as infrações fiscais. Ademais, o art. 136 do CTN determina que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Se a extensão dos efeitos do ato praticado pela recorrente implica em mais de uma sanção, não há obstáculo legal para aplicação daquelas que estiverem previstas na lei. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11065.002308/2009-06
conteudo_id_s : 5218702
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-002.537
nome_arquivo_s : Decisao_11065002308200906.pdf
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
nome_arquivo_pdf_s : 11065002308200906_5218702.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto elaborado pelo Redator Designado. Vencidos(as) os(as) Conselheiros(as) Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator Designado: Mauro José Silva. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4573400
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395340541952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2294; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.002308/200906 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.537 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de janeiro de 2012 Matéria Auto de Infração: GFIP. Outros Dados. Recorrente ATENDE BEM SOLUÇÕES DE ATENDIMENTO, INFORMAÇÃO COMUNICAÇÃO, INFORMÁTICA, LOCAÇÃO, COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MESMA AÇÃO OU OMISSÃO QUE RESULTA EM MAIS DE UMA INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONCURSO FORMAL DE INFRAÇÕES NO DIREITO TRIBUTÁRIO. No Direito Penal, o concurso formal tem previsão legal, o que inexiste para o Direito Tributário, impossibilitando sua aplicação para as infrações fiscais. Ademais, o art. 136 do CTN determina que a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Se a extensão dos efeitos do ato praticado pela recorrente implica em mais de uma sanção, não há obstáculo legal para aplicação daquelas que estiverem previstas na lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto elaborado pelo Redator Designado. Vencidos(as) os(as) Conselheiros(as) Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. Redator Designado: Mauro José Silva. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira – Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 2 2 Mauro José Silva – Redator Designado Damião Cordeiro de Moraes Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva E Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/10/2009, em desfavor de ATENDE BEM SOLUÇÕES DE ATENDIMENTO, INFORMAÇÃO COMUNICAÇÃO, INFORMÁTICA, LOCAÇÃO, COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA, com fulcro no art. 32, inciso II da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso II e §§ 13 ao 17 do RPS, sob o fundamento de que a empresa lançava de forma indiscriminada na conta 03055 “Adiantamento a Fornecedores” valores de naturezas diversas (pagamentos a pessoas físicas e jurídicas) que não constituíam adiantamentos, a exemplo dos pagamentos a segurados empregados de comissão sobre produção. Inconformado, o contribuinte ofereceu Defesa tempestiva de fls. 23/28, tendo, posteriormente, requerido a desistência da impugnação dos processos 11065.002307/200953, 11065.002308/200906, 11065.002310/200977 e 11065.002309/200942 objetivando incluir o débito no programa de parcelamento da Lei 11.941/09, visto que o aderiu em 18/08/2009. Após o pedido de desistência manifestado pelo contribuinte, o SECAT se pronunciou, através de despacho, acerca da possibilidade de parcelamento através da Lei n° 11.941/09 (fl. 43), verificando que o presente processo não é passível de parcelamento, vez que este Auto de Infração foi constituído em 10/2009, período este que não está abrangido pela referida Lei. Do exposto, foi exarado acórdão de fls. 44/49 julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 13/10/2009 AI Debcad n° 37.088.8871 AUTO DE INFRAÇÃO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. MULTA. AGRAVANTE. SOBREPOSIÇÃO DE PENALIDADE. INEXISTÊNCIA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O valor da multa aplicada decorre do disposto na Lei, tendo em vista infração cometida pelo contribuinte, por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 3 3 A multa aplicada referese ao valor mínimo estabelecido na legislação, sem a caracterização de agravante. Não se confirma a duplicidade de autuações quando se constata obrigações acessórias distintas, com distintos fundamentos legais que se coadunam com distintos elementos fáticos demonstrados pela autoridade lançadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 55/73, alegando que, em síntese, que: a) Não infringiu os dispositivos aludidos pelo auditor fiscal no Relatório Fiscal, pois apresentou toda a documentação solicitada pela fiscalização; b) Não pode ser imposta penalidade agravada, equivalente ao dobro do mínimo legal. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da infração à legislação previdenciária O auto de infração em comento referese aos erros contábeis praticados pelo contribuinte, mais especificamente o lançamento na conta “antecipação de fornecedores” de valores sem esta natureza. Venho defendendo o entendimento de que a punição pela falta de lançamento em títulos próprios da contabilidade de fatos geradores de todas as contribuições configura bis in idem com a penalidade decorrente da omissão em GFIP de fatos geradores. Isto porque, sendo a declaração em GFIP espelho dos documentos contábeis do contribuinte, a conduta infracional seria a mesma, não sendo possível a aplicação de mais de uma punição. No caso concreto, verificase que o presente auto de infração (nº 37.088.887 1) decorreu da constatação pela fiscalização que a empresa realizava lançamento na conta “Adiantamento de Fornecedores” de valores de naturezas diversas, consoante se infere da transcrição abaixo: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 4 4 A partir da análise da contabilidade do contribuinte, detectamos que o mesmo costumava lançar de forma indiscriminda na conta código 03055 "Adiantamento a Fornecedores", valores de diversas naturezas, pagamentos a pessoas físicas, pagamentos a pessoas jurídicas, muitos dos quais sequer constituiamse em adiantamentos. Como exemplo de tal prática, citamos alguns dos lançamentos efetuados conforme Anexo 1 ao presente auto. Vejase, apenas a título de elucidação, os lançamentos números 5768 e 5798, na conta acima referida, os mesmos referemse a pagamentos a segurados empregados de comissão sobre produção ou "TOP". A fiscalização somente chegou a esta conclusão após a apresentação por parte do contribuinte das cópias dos cheques explicitados no histórico de tais lançamentos, e observando a anotação manuscrita registrada nos mesmos, qual seja "TOP Prêmio". A natureza destes lançamentos nada tem a ver com a natureza da conta Adiantamento a Fornecedores. Com tal procedimento a autuada infringiu a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. No auto de infração nº 37.088.8898 (Processo nº 11065.002310/200977), por sua vez, foi aplicada a multa pelo descumprimento da obrigação contida no art. 32, IV da Lei nº 8.212/1991, sob o fundamento de que diversos valores pagos aos empregados a título de premiação de incentivo denominadas TOP configurariam, na verdade, remuneração e, portanto, base de cálculo da contribuição previdenciário, razão pela qual deveriam constar na GFIP. Da análise dos dois autos de infração, verificase que o fato ensejador de ambos os lançamentos foram as verbas pagas aos empregados como premiação de incentivo, intituladas TOP, mas que não foram informadas em GFIP e que foram lançadas na contabilidade no título incorreto (antecipação de fornecedores). O registro indevido na contabilidade somente se torna punível quando o dado for relevante para efeitos previdenciários, pois, do contrário, sequer caberia à fiscalização apurálo. Assim, a omissão na conta contábil correta, relativa aos pagamentos aos funcionários, ganha relevância na medida em que dificultam à fiscalização a análise dos pagamentos de contribuições previdenciárias. Neste diapasão, deve a conduta efetivamente ser punida pela fiscalização. Ocorre que, in casu, essa incorreção já foi devidamente penalizada quando da tipificação da conduta no art. 32, IV combinado com o seu §5º da Lei nº 8.212/1991, que corresponde à omissão em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ora, devendo a GFIP ser espelho da contabilidade da empresa, a ausência de indicação de determinada verba como base de cálculo da contribuição previdenciária nesta implica também na ausência de lançamentos contábeis corretos. A falta de lançamento mensal nos títulos de contabilidade é conduta que já se encontra abarcada na conduta de apresentação deficiente da GFIP, sendo irrazoável nova punição pelo mesmo fato, carecendo de nova causa para a segunda penalidade. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 5 5 Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública”. (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279) Assim, uma nova autuação por incorreções contabilidade decorrentes da omissão daqueles valores configuraria sim, no meu entendimento, duplicidade de autuação, o que implica a nulidade do lançamento correspondente. Da Conclusão Ante o exposto, deve ser DADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, anulando o presente auto de infração, por configurar duplicidade de penalidade com a multa do auto de infração nº 37.088.8898 (Processo nº 11065.002310/200977). É como voto. Sala das Sessões, em 19 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 6 6 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado O Relator pretende a aplicação do que denominou princípio do non bis in idem ao caso, o que resultaria no afastamento da penalidade aplicada. A proposta do Conselheiro é assente na seara do Direito Penal, porém naquele ramo do Direito, diferentemente do Direito Tributário, existe norma explícita prevendo o concurso formal de crimes. Vejamos o art. 70 do Código Penal: Concurso formal Art. 70 Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplicaselhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicamse, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Num ramo do Direito marcado pela legalidade estrita, como o Direito Penal, foi necessária a introdução de norma explícita para determinar a aplicação do concurso formal de crimes com previsão de aumento da pena aplicável ao crime mais grave. Não bastou, portanto, a aplicação de alguma ideia que poderia ser identificada como princípio geral do Direito. Norma positivada de conteúdo similar não existe no âmbito do Direito Tributário, o que, de per si, já representa um obstáculo à sua aplicação em questões fiscais. Mas poderíamos cogitar sua aplicação com base no art. 108 do CTN. Se adotássemos com tal justificativa a ideia de concurso formal de infrações tributárias, o que nos impediria de aplicar a ideia de infrações continuadas pela similaridade com os crimes continuados previstos no art. 71 do Código Penal? Não vejo justificativa plausível para diferenciar a aplicação das infrações em concurso formal das infrações continuadas. Assim, se aplicarmos, por analogia, a ideia de infrações em concurso formal, devemos aplicar a ideia de infrações continuadas. Se assim fosse, estaríamos promovendo grande estímulo ao não pagamento dos tributos, uma vez que após deixar de pagar o tributo correspondente a uma primeira competência, o mau contribuinte sofreria penalização bastante branda para a sonegação nas demais competências. Esse singelo exemplo demonstra o equívoco de transplantarmos para o direito tributário, por meio de analogia ou de princípio gerais do direito, as normas gerais explicitamente insertas e positivadas para o Direito Penal. Deve ser ressaltado que não podemos ignorar que as infrações penais estão fortemente marcadas pela intenção do agente, ao passo que as infrações tributárias independem de tal elemento volitivo, conforme art. 136 do CTN. No caso da absorção ou consunção no direito penal, ou mesmo dos crimes progressivos, a intenção do agente é elemento primordial Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 7 7 para justificar o sancionamento apenas do crime que era visado pela intenção do infrator. Como no direito tributário não podemos considerar a intenção, perdemos o elemento determinante para a aplicação de tais conceitos penais. No âmbito do CARF, observamos que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já afastou penalidades concomitantes quando a base de cálculo era idêntica, o que não é o caso dos autos. Vejamos uma decisão da CSRF: Autoridade Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Título Acórdão nº 40104987 do Processo 10510000679200219 Data 15/06/2004 Ementa MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. Autoridade Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Título Acórdão nº 40105503 do Processo 13502000216200317 Data 18/09/2006 Ementa PENALIDADE MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Recurso especial provido. Por outro lado, o princípio da consunção já foi aplicado em outras decisões: Autoridade: Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma Título: Acórdão nº 40105838 do Processo 13629000292200304 Data: 15/04/2008 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 8 8 recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. Apesar de a CSRF já ter admitido a aplicação do princípio da consunção no direito tributário, observamos que tal permissivo se deu em situações que se assemelham às situações de idêntica base de cálculo : multa de ofício e multa por não recolhimento de estimativa. Não temos ainda neste colegiado uma discussão amadurecida sobre tal aplicação quando as bases de cálculo são diferentes e as condutas, embora cometidas no mesmo íter infracional, estejam individualmente previstas na lei. Não há, portanto, um precedente administrativo que se amolde perfeitamente ao caso em análise. Em adição, entendo que o art. 136 do CTN é obstáculo instransponível para a pretensão do Relator na medida em que define que a responsabilidade por infrações independe “da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Parecenos que o dispositivo citado impõe a conclusão de que se a extensão dos efeitos do ato infracional causa a imposição de mais uma penalidade isso em nada afeta a responsabilização do agente infrator em mais de uma penalidade. Pelo exposto, a despeito da substanciosa argumentação do Relator, votamos em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 9 9 Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio contrário ao exposto pelo douto relator do voto vencedor e dou provimento ao recurso voluntário. DOS LANÇAMENTOS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. Sobre a questão da emissão de vários autos de infração por descumprimento de obrigação acessória relativos ao mesmo fato gerador, venho me posicionando no sentido de que o contribuinte já se encontra devidamente punido com a emissão do primeiro auto e, assim, não poderia ser novamente castigado pela não observância de obrigação acessória. 3. Sem adentrar no mérito e na capitulação legal de cada uma das infrações imputadas ao contribuinte tenho que a apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e por deixar de exibir as Guias abarcaram, efetivamente, a reprimenda ora cominada à empresa. 4. Não se questiona aqui o fato de que a falta de lançamento mensal em títulos de contabilidade, a entrega deficiente de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 e a não apresentação de GFIP constituem infrações distintas, possuindo inclusive fundamentação legal diferente. Entretanto, para efeito de punição a aplicação de uma multa pode ser inserida no contexto da outra. 5. Tal entendimento encontra guarida na própria norma previdenciária que, em alguns casos já trata conjuntamente as hipóteses de “recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente” para assegurar que o fisco poderá lançar de ofício a importância devida. (art. 33, §3º, da Lei 8.212/91) 6. O duplo sancionamento deve ser evitado. Sobre o tema vale ressaltar os ensinamentos de Daniel Ferreira “tem outra e especial serventia enquanto princípio geral do Direito: a de proibir reiterado sancionamento por uma mesma infração – vale dizer, afastar a possibilidade de múltipla e reiterada manifestação sancionadora da Administração Pública”. (in “Sanções Administrativas”, Malheiros Editores) 7. Nesse sentido, cito jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO ENTREGA DE GFIP E PELA NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MESMO PERÍODO PARA O MESMO SUJEITO PASSIVO. Ocorrência de bis in idem quando se trata de uma infração e são lavrados dois autos de infração para aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de uma obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 2050.1522, julgado em 03.02.2009, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 10 10 “DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS PRESTADOS. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 constitui infração distinta da não prestação de informações e esclarecimentos, mas a autuação fiscal deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 230101.291, julgado em 23.03.2010; Rel.: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) 8. Ainda com relação à matéria, apenas para exemplificar, a legislação que trata do processo administrativo por dano ambiental pacifica matéria semelhante na Lei 9.605/98, artigo 76, onde se encontra previsto que “o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substituiu a multa federal na mesma hipótese de incidência”. 9. Além disso, importa que sejam observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme previsto nos artigos 37, 5º, inciso II, e 84, inciso IV, todos da Constituição Federal, pois, a meu ver, a Administração Pública deve seguilos como parâmetro para que as medidas adotadas por ela não gerem prejuízos elevados ao contribuinte. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado(...).” (Recurso Especial nº 728.999 PR (2005∕00331148; Ministro Relator Luiz Fux) 10. O princípio da proporcionalidade pode ser visto como um desdobramento do princípio da razoabilidade e se traduz no sentido de que, adotando a medida necessária para atingir o interesse almejado, o administrador age com proporcionalidade, que deve ser media não pelos critérios pessoais do administrador e nem nos termos frios da lei, mas diante do caso concreto e segundo os padrões comuns na sociedade. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 11 11 11. E, no caso concreto, entendo que a fiscalização agiu de forma desproporcional ao sucessivas vezes o contribuinte em decorrência de ações da empresa que se comunicam entre sí. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que a proporcionalidade é uma “faceta específica” da razoabilidade, o que significa dizer que nas decisões e nas medidas administrativas deve haver adequação entre os meios e os fins previstos na lei. 12. A segurança jurídica é afetada ante a ação da fiscalização. E sobre a questão cito o parecer ProCADE n.º 526/2005, da Advocacia Geral da União AGU, no qual a Procuradora Nancy de Abreu afirma que o bis in idem “tratase de um princípio basicamente de construção doutrinária e que irradia sobre os atos administrativos, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, como uma limitação ao poder punitivo ao EstadoAdministração”. 13. Ainda conforme a AGU “a expressão bis in idem pode ter seu significado dividido nos seguintes termo: o bis deve ser entendido como uma vedação não só à nova sanção, mas deve ser estendido seu significado para se evitar nova persecução (instrução mediante novo processo); o idem, em termos objetivos, possui como significado, ao menos no direito brasileiro, como mesmos fatos, em termos reais e históricos, com relevância decorrente da análise dos fatos e não estritamente jurídica”. 14. Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública”. (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279). 15. Assim, firme é o meu convencimento no sentido de que o agente fiscal agiu em contraposição ao princípio do non bis in idem, ao autuar o contribuinte por sucessivas vezes, agravando as multas aplicadas. 16. O fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra, porém, cumpre salientar que não estou a menosprezar a função repressiva das sanções tributárias, adotadas sempre no sentido de preservar a atividade de fiscalização e a segurança nos atos destinados a arrecadação dos tributos. Entretanto, a meu sentir, o Estado também não pode punir excessivamente o contribuinte, notadamente no presente caso em que a empresa recebeu vários autos de infração por múltiplas condutas. 17. Não é demais falar que no Brasil a burocracia e o excessivo dever acessório de prestar ou franquear o acesso a informações de interesse da administração tributária colocam as empresas em situação caótica. A guarda de documentos, a produção de dados nos exatos formatos delimitados pelo fisco, entrega de documentos mensais, são apenas algumas das inúmeras e crescentes obrigações dos contribuintes passivas de pesadas multas. Sem falar no acompanhamento diário a que é obrigada a empresa sobre a edição de Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas etc. 18. Essas imposições de obrigações tributárias acessórias sem limite algum, na verdade, asfixiam as pequenas empresas e propiciam o aumento da informalidade no País. O que resulta, finalmente, no aumento do Custo Brasil, que, por seu turno, afeta gravemente a vida das empresas e dos empregados. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 12 12 19. Feitas tais considerações, tenho como certo que uma das autuações fiscais por descumprimento de obrigação acessória é suficiente para aplicação da sanção, a fim de coibir futuras práticas negativas do contribuinte. DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 32A 20. A apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias configura o descumprimento do disposto no artigo 32, inciso IV e entendo que a multa a ser aplicada é a prevista no artigo 32A. 21. Isso porque a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 22. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 13 13 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 23. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 24. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 25. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 26. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 14 14 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 27. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 28. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 29. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 30. Quanto à cobrança de multa em lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 31. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 15 15 destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 35. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11065.002308/200906 Acórdão n.º 230102.537 S2C3T1 Fl. 16 16 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 32. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 33. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 34. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 35. Razão pela qual entendo que deve ser aplicado ao cálculo da multa o artigo 32A, caso seja mais benéfico ao contribuinte. CONCLUSÃO 36. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Damião Cordeiro de Moraes Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 20/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAM IAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004939/2006-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2801-000.074
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10410.004939/2006-79
conteudo_id_s : 6418241
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2801-000.074
nome_arquivo_s : 280100074_10410004939200679_201110.pdf
nome_relator_s : AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
nome_arquivo_pdf_s : 10410004939200679_6418241.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
id : 4567603
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395360464896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 118 1 117 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.004939/200679 Recurso nº 506.059 Resolução nº 2801000.074 – 1ª Turma Especial Data 25 de outubro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente JORGE AUGUSTO BASTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração (extrato às fls. 87, 96 e 97), referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$3.129,39, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de lançamento de prolabore percebido da Pessoa Jurídica Companhia Alagoas Industrial Cinal (R$2.340,00) e omitido na declaração de ajuste anual, bem como de glosas de deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, por falta de comprovação, e despesas médicas (R$16.492,37, em virtude de não ter sido apresentado documento discriminando o valor pago ao plano de saúde Triken S.A. Assistência Médica para cada um dos beneficiários). Fl. 121DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 10410.004939/200679 Resolução n.º 2801000.074 S2TE01 Fl. 119 2 Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 01 a 05), acatada como tempestiva, discordando da exigência formalizada. A 2ª Turma da DRJ Recife/PE, conforme Acórdão de fls. 98 a 104, julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que acatou despesas com instrução de três dependentes (R$5.994,00), mantendo as demais infrações. Destacou que DIRPF apresentada em 23/06/2003, a última entregue antes de iniciado o procedimento fiscal (16/08/2006), efetivamente não foram informados os rendimentos recebidos da Cinal (R$2.340,00). Quanto às despesas médicas, ponderou que os documentos apresentados não permitem a identificação dos beneficiários do plano de saúde e os respectivos valores pagos, impossibilitando o aproveitamento da despesa para fins de dedução no ajuste anual. Cientificado da decisão de primeira instância em 04/08/2009 (fls. 109), o contribuinte apresentou, em 02/09/2009, o Recurso de fls. 110 a 112, argumentando, em síntese, que as despesas médicas glosadas foram comprovadas e que o valor de R$5.215,68 referese a pagamento de plano de saúde em favor de Clementina Santos Bastos, genitora e dependente do interessado. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 117, que também trata do envio dos autos a este Conselho. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, compulsando os autos, não localizo a cópia do Auto de Infração em discussão, mas tãosomente um extrato do referido documento, extraído do banco de dados administrado pela RFB (fls. 87, 96 e 97). Sendo assim, proponho o retorno dos autos à DRF de origem para que a autoridade preparadora junte a cópia do Auto de Infração a que se refere o extrato de fls. 87, 96 e 97. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 122DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGAL
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002633/2002-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício:
Ementa: MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.
Numero da decisão: 9101-001.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto de Souza Júnior (Relator) e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: Ementa: MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10120.002633/2002-10
conteudo_id_s : 5215922
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.334
nome_arquivo_s : Decisao_10120002633200210.pdf
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10120002633200210_5215922.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto de Souza Júnior (Relator) e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
id : 4566414
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395364659200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 431 1 430 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10120.002633/200210 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.334 – 1ª Turma Sessão de 26 de abril de 2012 Matéria MULTA ISOLADA CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TIO JORGE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: Ementa: MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo efetivamente devido pelo contribuinte surge com o lucro apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto de Souza Júnior (Relator) e Henrique Pinheiro Torres. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. (documento assinado digitalmente) Fl. 540DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 2 Valmir Sandri Redator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório Fl. 541DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.002633/200210 Acórdão n.º 9101001.334 CSRFT1 Fl. 432 3 Tratase de Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional interposto em face do acórdão nº 10194.379, de 15 de outubro de 2003 (fls. 396 e segs.), proferido pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuinte, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário cancelando o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL sobre bases estimadas mensais dos meses de janeiro a dezembro de 2000. Com fulcro no art. 5˚, I, da então vigente Portaria MF n˚ 55, de 1998, a recorrente interpôs recurso especial em face do retro citado acórdão recorrido, que decidiu dar provimento ao recurso voluntário por considerar que a exigência de multa de ofício conjuntamente com a multa isolada por falta de recolhimento da CSLL sobre bases estimadas se constituía: “bis in idem punitivo, ao arrepio do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária, porquanto estão sento exigidas cumulativamente duas multas de oficio sobre uma mesma irregularidade, ou seja, a falta de pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido devida no anocalendário de 2000”. Na sua peça recursal, a recorrente alega em apertada síntese que: a) a equidade não foi corretamente empregada pela e. Câmara a quo, pois inexiste norma que permita a dispensa da multa prevista no art. 44, §1˚, inc. IV, da Lei 9.430/96 por considerações de equidade, a posição adotada pela e. Câmara a quo também, portanto, incorre em conflito com o art. 172 do CTN; b) a dispensa da multa nos termos concedidos pela e. Câmara a quo traduziria, sim, injustiça com aqueles contribuintes que, cientes das suas responsabilidades, não foram negligentes, mas arcaram com o ônus de elaborar e transcrever os balancetes de suspensão no Livro Diário; c) a partir da Lei 9.430/96, o contribuinte somente estará dispensado de recolher os tributos devidos, apurados pelo sistema de estimativa, quando transcrever no Livro Diário os balancetes de suspensão ou redução. O presidente da 1ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, em despacho proferido à fls. 448, admitiu o recurso especial. A recorrida, uma vez cientificada do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso especial em 15/08/2006, conforme AR a fls. 453, não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 4 Voto Vencido Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior: O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Com relação ao fulcro da questão, ou seja sobre a possibilidade de exigência concomitante de multa isolada devida por falta de recolhimento de estimativas da CSLL durante o anocalendário e multa de ofício por falta de recolhimento ao final do exercício, peço vênia para repetir o meu voto em outros processos dos quais fui relator e, no quais, procurei analisar as várias teses que sustentavam a impossibilidade de aplicação concomitante de tais multas. Da aplicação do princípio da consunção O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão no 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão no 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher a CSLL mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher a CSLL mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei no 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento da CSLL mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.002633/200210 Acórdão n.º 9101001.334 CSRFT1 Fl. 433 5 Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1o – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento da CSLL sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1˚. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Refuto, também, a tese de que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento da CSLLestimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das bases para os cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício incidem sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 6 A multa isolada corresponde a um percentual da CSLL calculada sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre a CSLL calculada sobre a base ajustada, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere da base ajustada, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, as contribuições delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre a CSLL incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido toda a CSLL devida sobre a base estimada em cada mês do ano calendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofíco, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher a CSLL sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, toda a CSLL sobre a base ajustada, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF no 2. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com tal exegese desenvolvida pelo acórdão recorrido e por outros, na mesma linha, os quais têm decidido incabível a multa isolada: a) quando for apurado prejuizo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, ainda que o contribuinte não tenha levantado balanço de suspensão (ac. no 10517.072); b) sobre eventuais diferenças, quando o tributo recolhido antecipadamente supera o tributo efetivamente devido no ajuste (ac. no 0105.376/2005), e c) quando houver a cobrança da multa de ofício sobre o tributo efetivamente devido no ajuste (hipótese do acórdão recorrido ora em análise). Tais decisões têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2˚ e 44, § 1˚, IV, da Lei no 9.430/96 e no art. 35 da Lei no 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado ano calendário, decidir se obedece ou não o art. 2˚ e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras a decisão recorrida e as demas citadas desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais decisões, qualquer consequência jurídica. Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, no inciso IV do § 1˚ do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base Fl. 545DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.002633/200210 Acórdão n.º 9101001.334 CSRFT1 Fl. 434 7 negativa de CSLL ao final do ano, deixando claro, assim, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada. Vê se, assim, que o acórdão recorrido incorreu em rotundo equívoco exegético, ao tornar inócua a norma contida no inciso IV do § 1o do art. 44 da Lei no 9.430/96. Tornar inócua a norma federal vigente é, por meio oblíquo, um descumprimento da Súmula CARF no 2. Da retroatividade benigna Por força do disposto no art. 106, II, c, do CTN, o art. 44 da Lei no 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007 deve ser aplicado retroativamente, para reduzir o percentual da multa isolada constiuída em lançamentos ainda não definitivemente julgados. Logo, o percentual da multa isolada aplicada pela falta de recolhimento da CSLL sobre as bases estimadas dos meses de janeiro a dezembro de 2000, objeto do auto de infração ora em julgamento, deve ser reduzido para 50%. Assim, por todo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a cobrança da multa isolada aplicada pela falta de recolhimento da CSLL sobre as bases estimadas nos meses de janeiro a dezembro de 2000 e, de ofício, reduzir o percentual da referida multa de 75% para 50%. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 546DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 8 Voto Vencedor Conselheiro Valmir Sandri. Com a devida vênia ao entendimento esposado no substancioso voto vencido, proferido pelo Ilustre Relator dos presentes autos para manter a exigência da Multa Isolada, tenho opinião divergente, mormente quando o sujeito passivo não tiver apurado resultado positivo no encerramento do período base, conforme o presente caso. Isto porque, entendo que depois de encerrado o anocalendário objeto da penalidade – Multa Isolada , havendo ou não base tributável em 31.12 , não há como subsistir tal exigência, pois interpreto no sentido de que os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1o., art. 44 da Lei 9.430/96, em sua versão original, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante o anocalendário em curso, tendo em vista que, com a apuração do tributo (CSLL) efetivamente devido ao final do anocalendário (31.12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. Portanto, com o encerramento do anocalendário objeto das antecipações, surge, a partir daí, uma nova base imponível, ou seja, a base que irá suportar o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tãosomente do inciso I, § 1o. do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1o do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto Fl. 547DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.002633/200210 Acórdão n.º 9101001.334 CSRFT1 Fl. 435 9 as prestações, positivas ou negativas pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. No presente caso, conforme se depreende dos autos, o auto de infração foi lavrado após o encerramento do anocalendário que foi objeto do lançamento, portanto, quando já apurada a base de cálculo do IRPJ efetivamente devido no período. Logo, embora a contribuinte não tenha antecipado ou tenha antecipado a menor o tributo nos anoscalendário acima citado, o fato é que a exigência da referida penalidade somente foi consubstanciada após o anocalendário em questão, portanto, quando já conhecida a respectiva base de cálculo e o imposto efetivamente devido, porquanto, impossível no meu entendimento, coexistir num determinado momento (ocasião do lançamento), duas bases de cálculo para uma mesma exação, ou seja, uma com base nas estimativas mensais e outra ao final do anocalendário. Nesse passo é a jurisprudência predominante deste E. Conselho e mesmo dessa E. Turma, conforme se depreende da ementa do Recurso n.105141.498 – Sessão de 14 de abril de 2008, tendo como Relator o Ilustre Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, e por ser o seu voto por demais elucidativo, peço vênia para transcrevêlo na sua integralidade, eis que tratou das hipóteses em que a mesma – Multa Isolada – não deve subsistir, vejamos: “ ... O art. 44 da Lei nº 9.430/96 que autoriza a aplicação da multa isolada tem o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 10 Art. 2º (Lei nº 9.430/96) – A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. As remissões relevantes são as seguintes: Art. 35 (Lei nº 8.981/95) – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei nº 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir à lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que “o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais”. 1 Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. Nesse sentido, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. 22 Ricardo Guastini citado por Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.002633/200210 Acórdão n.º 9101001.334 CSRFT1 Fl. 436 11 HIPÓTESE CONSEQUÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória è Pagar multa de 75% ou 150%3 calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) ; Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. è Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV); Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. è Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44. §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). Essas proposições extraídas do texto legal devem guardar coerência interna, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia à norma (função desestimuladora da conduta ilícita). 3 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 12 Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ”pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. 4 Fixadas essas premissas, passo ao exame dos enunciados acima transcritos. Primeiro, o exame do texto evidencia que o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Por inferência lógica, tem que se entender que os incisos I e II também se referem à falta de pagamento de tributo. 4 Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277 Fl. 551DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.002633/200210 Acórdão n.º 9101001.334 CSRFT1 Fl. 437 13 Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. Tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3º do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos da pessoa jurídica. Marco Aurélio Greco, na mesma direção, sustenta que “mensalmente, o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2°, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3° do art. 2°). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95).”5 Tanto é assim, que o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 93/97, ao interpretar o art. 2º da Lei nº 9.430/96, que trata do regime da estimativa, prescreve a impossibilidade de as autoridades fiscais exigir de ofício a estimativa não paga no vencimento, a saber: “Art.15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31.12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do ano calendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo – sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Tal inferência se alinha coerentemente com o princípio de bases correntes, pois se a empresa nada deve ao longo do ano, nada deverá ao seu final. Se houvesse algum 5 Marco Aurélio Geco. Multa Agravada em Duplicidade. São Paulo: Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 14 recolhimento prévio que não tem correspondência com o tributo devido ao final do período, tal fato implicaria apenas em restituição ou compensação tributária. Por outro lado, no encerramento do exercício, caso constatada a insuficiência de pagamento do tributo apurado pelo lucro real as empresas terão de complementar a estimativa que fora recolhida ao longo do mesmo período. Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou a menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução de tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. Defendem alguns que a conclusão acima contradiz o § 1º, inciso IV, do mesmo dispositivo legal, que estabelece a aplicação de multa isolada na hipótese de a pessoa jurídica estar sujeita ao pagamento de tributo ou contribuição e deixar de fazêlo, ainda que tenha prejuízo ou apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Ou seja, por esse enunciado, permaneceria obrigatório o recolhimento por estimativa mesmo se houvesse prejuízo ou base de cálculo negativa. Essa contradição é apenas aparente. O parágrafo 2° do art. 39 da Lei n.º 8.383/91 autoriza a interrupção ou diminuição dos pagamentos por antecipação quando o contribuinte demonstra, mediante balanços ou balancetes mensais, que o valor já pago da estimativa acumulada excede o valor do tributo calculado com base no lucro ajustado do período em curso. Os balanços ou balancetes mensais são, então, os meios de prova exigidos pelo Direito, para que se demonstre a inexistência de tributo devido. Na verdade, para emprestar praticidade ao regime de estimativa, inverteuse o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o dever de demonstrar que não apurou lucro no curso do ano e que não está sujeito ao recolhimento antecipado. Via de regra, o ônus de provar que o contribuinte está sujeito ao regime de estimativa, para fins de aplicação da multa, caberia ao agente fiscal. Assim, caso a pessoa jurídica não promova o correspondente recolhimento da estimativa nos meses próprios do respectivo anocalendário e não apresente os balancetes de suspensão no curso do período ainda que tenha experimentado prejuízo ou base de cálculo negativa ficará sujeita à multa isolada de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei estabelece uma presunção de que o valor calculado de forma presumida (estimada) coincide com o tributo que será devido ao final do período, partindo da constatação de que a estimativa não foi recolhida e de omissão do sujeito passivo em apresentar os balanços ou balancetes. Esse não é caso, contudo, da empresa que, após o término do anocalendário correspondente, apresenta o balanço final do período ao invés de balancetes ou balanços de suspensão. Nesse caso, a exigência da norma sancionadora para que se comprove a inexistência de tributo é atendida. Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçálo a pedir restituição posteriormente. Daí Fl. 553DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.002633/200210 Acórdão n.º 9101001.334 CSRFT1 Fl. 438 15 concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Resta examinar, então, qual seria a hipótese em que, na presença de prejuízo fiscal, se deveria aplicar a multa isolada. Nesse caso, a interpretação sistemática dos dois enunciados prescritivos dispostos no mesmo artigo aqui comentados (caput e § 1º, inciso IV, do art. 44) conduz ao entendimento de que o procedimento fiscal e a aplicação da penalidade devem obrigatoriamente ocorrer no curso do anocalendário, pois a conduta objetivada pela norma (dever de antecipar o tributo) é descumprida e, nesse momento, o efetivo resultado do exercício não está evidenciado mediante balancetes. Assim, em virtude da inobservância da pessoa jurídica dos dispositivos legais reitores, o agente fiscal não tem como aferir a situação fiscal corrente do contribuinte. O legislador concede a fiscalização, durante o transcorrer do períodobase, o poder de presumir que o valor apurado de forma estimada a partir da receita da empresa coincide com o tributo devido, desde que demonstrada a omissão do dever probatório atribuído pela lei ao contribuinte. Essa presunção legal da existência de tributo não poderia ser desfeita após a aplicação da multa de lançamento de ofício pela posterior apresentação de balanço na fase de defesa administrativa, pois tornaria o arbitramento do tributo sob base estimada condicional. Chegamos, portanto, a poucas, mas importantes conclusões: 1. as penalidades, além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. 2. a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas normas sancionadoras faz pressupor a identidade do critério material dessas normas; 3. tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3º do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos; 4. a base de cálculo predita no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 referese à multa pela falta de pagamento de tributo; 5. o tributo devido ao final do exercício e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício; 6. não será devida estimativa caso inexista tributo devido no encerramento do exercício; 7. os balanços ou balancetes mensais são os meios de prova exigidos pelo Direito, para que o contribuinte demonstre a inexistência de tributo devido e a dispensa do recolhimento da estimativa. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI 16 8. após o final do exercício, o balanço de encerramento e o tributo apurado devem ser considerados para fins de cálculo da multa isolada; 9. antes do final do exercício, o fisco pode considerar para fins de aplicação de multa isolada o valor estimado calculado a partir da receita da empresa, desde que a inexistência de tributo não esteja comprovada por balanços ou balancetes mensais. 10. não se pode aplicar a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas e exigir a multa de ofício pela falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício No caso presente, em relação aos anos de 2001 e 2002, o relatório indica que a empresa foi autuada para exigir principal e multa de ofício em relação à Contribuição não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida no curso do exercício. Como exposto, essa dupla aplicação, por força do princípio da consunção, não pode subsistir. Se aplicada multa de ofício pela falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e constatado que também esse mesmo valor deixou de ser antecipado ao longo do ano sob a forma de estimativa, não será exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício.Cobrase apenas a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de ofício – na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dessimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6º). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de ofício em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo.”. Portanto, em consonância com a jurisprudência dessa E. Turma, entendo que não merece qualquer reforma o r. acórdão recorrido, razão porque, nego provimento ao recurso da D. Procuradoria. É como voto. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10120.002633/200210 Acórdão n.º 9101001.334 CSRFT1 Fl. 439 17 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 556DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 21/11/2012 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 17515.001100/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/08/2008
Ementa:
Diante da imunidade em relação aos Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP e a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social ter sido reconhecida no âmbito do Poder Judiciário, essa deve ser reconhecida em sede administrativa.
Numero da decisão: 3801-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que não conhecia do recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto do processo.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordingnon, Sidney Eduardo Stahl, Adriana Oliveira e Ribeiro, Fabio Miranda Coradini, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/08/2008 Ementa: Diante da imunidade em relação aos Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP e a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social ter sido reconhecida no âmbito do Poder Judiciário, essa deve ser reconhecida em sede administrativa.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 17515.001100/2008-11
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5194285
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3801-001.403
nome_arquivo_s : Decisao_17515001100200811.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 17515001100200811_5194285.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que não conhecia do recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto do processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordingnon, Sidney Eduardo Stahl, Adriana Oliveira e Ribeiro, Fabio Miranda Coradini, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4521151
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:56:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395374096384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1794; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17515.001100/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.403 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2012 Matéria IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO Recorrente FUNDAÇÃO PIO XII Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/08/2008 Ementa: Diante da imunidade em relação aos Imposto de Importação, Cofins e PIS/PASEP e a validade da expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social ter sido reconhecida no âmbito do Poder Judiciário, essa deve ser reconhecida em sede administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que não conhecia do recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto do processo. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Bordingnon, Sidney Eduardo Stahl, Adriana Oliveira e Ribeiro, Fabio Miranda Coradini, Maria Inês AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 51 5. 00 11 00 /2 00 8- 11 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ – Florianópolis/SC, abaixo transcrito: “O presente processo referese aos autos de infração de fls. 35/45, lavrados para as exigências de Cofins e PIS/PASEP, acrescidos de juros de mora e multa de oficio, totalizando um crédito tributário no valor de R$8.680,88. Segundo relato da fiscalização, a interessada registrou a DI n.° 08/13296387 em 27/08/2008, alegando a não incidência de PIS e Cofins, conforme Lei n.° 10.865/2004. Referido beneficio não foi concedido haja vista a não apresentação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. A importadora, então, impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.70.0.0163420/PR, onde discute a imunidade quanto aos tributos e a validade do Certificado. O pedido de liminar foi indeferido e autorizado o depósito judicial do montante integral do crédito discutido para liberação das mercadorias importadas em 11/09/2008 (fls. 29). Como o depósito judicial foi efetuado em valor inferior ao montante devido, a fiscalização lavrou os presentes autos de infração com as contribuições devidas e não recolhidas, correspondentes às diferenças não incluídas no depósito e que não estariam com a exigibilidade suspensa, bem como juros de mora e multa de oficio de 75% prevista na Lei n.° 9.430/96, art. 44, com a redação da Lei n.° 11.488/2007. Os valores devidos e não recolhidos que correspondiam ao montante do depósito judicial foram objetos do lançamento através do processo n.° 17515.000844//200819. Os valores lançados através do presente processo não encontramse amparados por medida liminar ou depósito judicial e portanto estão sendo exigidos. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 53/57, alegando o que segue: 1 Haja vista o indeferimento da isenção requerida no registro da DI n.° 08/13296387 pela autoridade fiscal, a autuada impetrou Mandado de Segurança n. ° 2008.70.00.0163420/PR para ser julgado seu pedido. A liminar foi indeferida mas autorizado o depósito do valor integral dos tributos para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a liberação das mercadorias importadas. 2 Mesmo com a apresentação da guia de depósito nos autos do mandado de segurança, a fiscalização constituiu o auto de Fl. 209DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 3801001.403 S3TE01 Fl. 12 3 infração em tela cobrando os tributos e a exorbitante multa de oficio de 75%, mais juros de mora. 3 É sabido que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por força do art. 151, II, do CTN. A liberação das mercadorias, e a conseqüente suspensão do crédito, só poderia ter ocorrido com o depósito integral do valor dos tributos, nos moldes da decisão proferida. E se o Inspetor não se opôs ao valor apresentado judicialmente, não há mais o direito da Secretaria da Receita Federal discutir diferenças e multas devidas. A maneira adequada para cobrar as diferenças seria impugnar a guia de depósito apresentada pela impugnante no mandado de segurança, o que não ocorreu. 4 Questiona também o valor do ICMS na base de cálculo das contribuições eis que é isenta do recolhimento de ICMS. 5 A multa exigida de 75% é exorbitante e não poderia passar de 20% do valor da contribuição. Analisando o litígio, a DRJ – Florianópolis/SC decidiu pela procedência dos autos de infração consubstanciados no presente processo administrativo, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/08/2008 MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. Aplicase a multa de oficio em lançamento tendente a prevenir decadência de crédito discutido judicialmente em mandado de segurança impetrado contra exigência formulada no curso do despacho aduaneiro de importação, tendo em vista a exclusão da espontaneidade do importador em conseqüência do inicio do despacho aduaneiro por meio do registro da Declaração de Importação. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA JUDICIAL. Ainda que houvesse medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não afastaria a constituição do mesmo através de auto de infração ou lançamento, tendo em vista a prevenção da decadência. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. CDT, ART. 151. DEPÓSITO INTEGRAL. ABRANGÊNCIA. O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro. (Súmula 112/STJ) A expressão "depósito integral", contida no art. 151, do CTN, e na Súmula 112/STJ, abrange não só os tributos considerados devidos, mas, também, a multa e juros moratórios. Impugnação Improcedente”. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Consta nos autos recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a fundação traz as seguintes alegações, em resumo: · O depósito judicial realizado nos autos do Mandado de Segurança suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, circunstância que impediria a lavratura das autuações fiscais em debate; · A Recorrente é imune ao recolhimento de impostos e contribuições em importações; · A superveniente expedição do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social em nome da Recorrente, compreendendo os períodos de 28.09.2005 a 27.09.2008 e 10.11.2008 a 09.11.2011; e · por fim, a exorbitância da multa aplicada aos autos de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Como bem destacado no Relatório Fiscal, as exigências consubstanciadas nos Autos de Infração em debate estavam sendo discutidas pela Recorrente perante o Poder Judiciário, por meio do Mandado de Segurança nº. 2008.70.00.0163420/PR, proposto perante a Sexta Vara Federal de Curitiba – Seção Judiciária do Paraná. Nos autos da referida ação mandamental, a sentença que concedeu a segurança pleiteada pela Recorrente foi confirmada pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, para fins de reconhecimento de sua condição de entidade imune, confirase: “TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. SOLUÇÃO IMEDIATA. AGRAVO LEGAL. DECISÃO AGRAVADA. POSSIBILIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA À SEGURIDADE SOCIAL. ARTS. 14 DO CTN E 12 DA LEI N° 9.532/97. REQUISITOS. 1 Viável solver o agravo de instrumento por meio de decisão terminativa quando o seu objeto confronta jurisprudência dominante ou está em sintonia com precedentes dos tribunais superiores. Inteligência dos artigos 557 caput e §1°A , do CPC e 5°, inciso LXXVIII, da CF. 2 A entidade preenche os requisitos dos arts. 14 do CTN e 12 da Lei n° 9.532/97, para o que trouxe aos autos documentos comprovando ser portadora do Certificado de Entidade Fl. 211DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 17515.001100/200811 Acórdão n.º 3801001.403 S3TE01 Fl. 13 5 Beneficente de Assistência Social, emitido pelo Conselho Nacional de Assistência Social. 3 O fato de ter a associação tardiamente requerido a renovação de seu certificado, tal situação não tem o condão de aniquilar os requisitos até então preenchidos, tendo a entidade continuado a desenvolver suas atividades da mesma forma que dantes”. (http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/visualizar_documento_ged pro.php?local=trf4&documento=3258448&hash=68b7dfde6356 f7e9abf36ccc5bc1340e) Em consulta realizada junto ao sítio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, verificase que o acórdão transitou em julgado em sentido favorável à Recorrente. Constatase inclusive pelos documentos anexados no processo administrativo n.° 17515.000844/200819 que os valores depositados em juízo com a finalidade de suspender a exigibilidade dos créditos cobrados naqueles autos foram levantados pela Recorrente. Atualmente, o mencionado Mandado de Segurança encontrase baixado. Diante destas circunstâncias, corroboradas pela expedição retroativa do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social no Conselho Nacional de Assistência Social, informada pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, o presente Auto de Infração não merece subsistir, devendo ser cancelado. Neste sentido, voto pelo conhecimento e provimento do Recurso Voluntário. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 212DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 05 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13555.000129/2011-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÕES RETIFICADORAS APRESENTADAS APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Considera-se ineficaz a retificação da DIPJ e das DCTF que pretendam alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANA E MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A prestação de serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, compreendendo atividades de limpeza mecanizada e manual de praias e fornecimento de equipe para lavagem de vias não se caracterizam como empreitada de obras de construção civil com emprego de materiais, sujeitando-se ao coeficiente de determinação do lucro presumido de 32%. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÕES RETIFICADORAS APRESENTADAS APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Considera-se ineficaz a retificação da DIPJ e das DCTF que pretendam alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANA E MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A prestação de serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, compreendendo atividades de limpeza mecanizada e manual de praias e fornecimento de equipe para lavagem de vias não se caracterizam como empreitada de obras de construção civil com emprego de materiais, sujeitando-se ao coeficiente de determinação do lucro presumido de 32%. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13555.000129/2011-54
conteudo_id_s : 5217543
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-001.151
nome_arquivo_s : Decisao_13555000129201154.pdf
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13555000129201154_5217543.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4567459
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395400310784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2282; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13555.000129/201154 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.151 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ E REFLEXOS Recorrente GRADO ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÕES RETIFICADORAS APRESENTADAS APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Considerase ineficaz a retificação da DIPJ e das DCTF que pretendam alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANA E MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A prestação de serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, compreendendo atividades de limpeza mecanizada e manual de praias e fornecimento de equipe para lavagem de vias não se caracterizam como empreitada de obras de construção civil com emprego de materiais, sujeitandose ao coeficiente de determinação do lucro presumido de 32%. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório GRADO ENGENHARIA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Trata o presente processo de Autos de Infração formalizando crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no valor de R$378.293,07 (trezentos e setenta e oito mil, duzentos e noventa e três reais e sete centavos), e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$161.870,78 (cento e sessenta e um mil, oitocentos e setenta reais e setenta e oito centavos), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$32.764,54 (trinta e dois mil, setecentos e sessenta e quatro reais e cinqüenta e quatro centavos), e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$157.635,34 (cento e cinquenta e sete mil, seiscentos e trinta e cinco reais e trinta e quatro centavos), acrescidos da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e dos juros de mora. Está descrito no Auto de Infração do IRPJ, à fl. 06, que a fiscalização apurou omissão de receitas da atividade (Serviços em Geral, Administração, Locação ou Cessão de Bens e Direitos), conforme “RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL”, que é parte integrante do citado Auto, com fundamentação legal no art. 528 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. Os Autos de Infração decorrentes, com as suas respectivas fundamentações legais, encontramse às fls. 10 a 38. O Relatório de Auditoria Fiscal, às fls. 271 a 275, subscrito pela Autoridade Tributária, registrou os seguintes fatos: INTRODUÇÃO. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 05105002011000346, que autorizou a o procedimento de fiscalização, foi formalizado em face de Determinação Interna da Delegacia da Receita Federal do Brasil em ItabunaBa, baseado em confronto de valores de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa(s) Jurídica(s). informados por fontes pagadoras em Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – Dirf (Nome Empresarial: Salvador Prefeitura – CNPJ nº 13.927.801/001030/ Nome de Fantasia: Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prev. Violência SESP– ver Fl. 664DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 3 documentos de folhas 54 a 56 – Consulta Dirf/Detalhamento Mensal do Beneficiário: Grado Engenharia Ltda) com o informado à Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio das DCTF – 1º e 2º semestres, apresentadas zeradas, como se movimento não tivesse ocorrido, e a DIPJ 2009 – Lucro Presumido que foi apresentada com receita bem menor e com percentual aplicado para composição do lucro presumido a menor do que deveria ser aplicado para a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, ou seja, aplicou o percentual de 8%, quando o correto seria a aplicação do percentual de 32%, sobre a receita bruta da atividade, o que implicava em indício de omissão de receita operacional de R$5.620.513,80;– movimentação financeira, por parte do sujeito passivo, nas instituições União dos Bancos Brasileiros SA – CNPJ nº 33.700.394/000140, anocalendário de 2008, no montante de R$3.806.386,29, e Banco Bradesco SA – CNPJ nº 60.746.948/000112, ano calendário de 2008, no montante de R$9.241.210,66, totalizando R$13.047.596,95 (treze milhões, quarenta e sete mil, quinhentos e noventa e seis reais e noventa e cinco centavos), também implicava em indício de Omissão de Receita da Atividade do Sujeito Passivo; DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL – em 27/01/2011, o interessado tomou ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal, solicitando, relativamente ao anocalendário de 2008, os elementos constantes de 18 itens, assim relacionados: 1) Cópia Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) 2009, AC 2008; 2) Cópia Contrato Social acompanhado de alterações (se houver); 3) Livro Diário; 4) Livro Razão; 5) Livro Caixa; 6) Livro Registro de Inventário; 7) Livro Registro de Apuração de ICMS; 8) Cópias autenticadas de todas as DMA, assim como, a DMA consolidada (RELATÓRIO DA DMA CONSOLIDA DE 2008), apresentada à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia referente a Fatos Geradores ocorridos no período de 01/2008 12/2008; 9) Livro de Saídas de Mercadorias (se houver); 10) Cópia autenticada do CPF e do RG do(s) interessado(s) constantes do quadro societário da empresa objeto da ação fiscal (Srs. Antonio Cezar Teixeira Mesquita Martins e Rubem Maia Vilas Boas Pinto); 11) Cópias das DCTF inerentes ao anocalendário de 2008; 12) Esclarecer por escrito o porque de divergências entre valores de receita da atividade informada ao fisco federal e as receitas recebidas de órgãos públicos; 13); Livro de Registro de Prestação de Serviços 14) Blocos de todas as notas fiscais emitidas no período de 01/01/2008 a 31/12/2008; 15) Cópias autenticadas e/ou cópias simples acompanhadas de originais de todos os contratos formalizados junto à Prefeitura Municipal de SalvadorBa (SALVADOR PREFEITURA)/CNPJ nº 13.927.801/001030, e também junto a outros órgãos públicos; Fl. 665DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 4 16) Comprovantes de recebimentos por remuneração Serv. Prestados junto a SALVADOR PREFEITURA CNPJ nº 13.927.801/001030 nos valores/mêsano 161) R$699.781,20/janeiro2008; 162) R$699.781,20/fevereiro2008; 163) R$1.151.708,76/março2008; 164) R$698.644,82/abril2008; 165) R$349.073,10/maio2008; 166) R$699.002,93/junho2008; 167) R$623.688,05/julho2008; 168) R$349.721,80/agosto2008; 169) R$349.111,94/setembro2008, o que totaliza rendimentos, somente junto à Prefeitura Municipal de Salvador no montante de R$5.620.513,80; 17) apresentar extratos bancários, devidamente contabilizados, de recursos movimentados junto à instituição Banco Bradesco SA – CNPJ nº 60.746.948/000112, anocalendário de 2008, no montante de R$9.241.210,66 18) apresentar planilha mês a mês com o faturamento/receita bruta real no período de 01 a 1/2008;– em 02/02/2011, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para atendimento ao que foi requerido no Termo de Início do Procedimento Fiscal, no que foi atendido de imediato (docs. De fls. 45/46); – em resposta, esclareceu, sem nenhuma coerência, que deixava de apresentar os elementos constantes dos itens 6, 7, 8 e 9, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, tendo em vista que a empresa tem por objetivo a prestação de serviços, mas não esclarece o porque de não apresentar o Livro Registro de Prestação de Serviços, solicitado no item 13;– em 29/03/2011 o interessado tomou ciência do Termo de Ciência e de solicitação de Documentos, e em resposta, solicita mais 30 (trinta) dias para apresentar os elementos solicitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal e, reratificados no Termo de Ciência e de solicitação de Documentos, ao tempo em que, mesmo sem apresentar o Livro de Registro de Prestação de Serviços e também as notas fiscais emitidas, em sua totalidade (apresentou somente os documentos de folhas 51 a 203), diz que as diferenças entre o declarado pelo sujeito passivo na DIPJ 2009 e informações prestadas por órgãos públicos decorrem de divergências entre as datas de pagamento/recebimento e a emissão das notas fiscais por serviços prestados. Informa ainda que o endereço do estabelecimento sede é IpiaúBa e ainda que estava passando por dificuldades financeiras em virtude da situação econômica financeira do país;– em 25/05/2011, doc de folha 207, solicita mais 30 (trinta) dias de prazo para atender às demandas da fiscalização, ao tempo em que, conforme documentos de folhas 204 a 206, traz informações já prestadas anteriormente, ou seja, informações repetitivas. Como se observa, o contribuinte não estava, efetivamente interessado em apresentar os elementos solicitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal e sim ganhar tempo, como se pode observar à folha 248, Em 15/06/2011, folhas 246 a 248, o interessado insiste em apresentar documentos em duplicidade; DA AÇÃO FISCAL DA INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS – ao longo de todo o procedimento fiscal, o interessado apresentou parcialmente os elementos solicitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal;– analisando os Fl. 666DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 5 documentos apresentados pelo sujeito passivo (DIPJ 2009 e DCTF retificada e retificadora, etc, elementos que acompanham o Auto de Infração), e as informações constantes dos sistemas da RFB, seguramente podese afirmar que o sujeito passivo, deliberadamente, não declarou os valores de Receita Bruta, em sua totalidade, inerentes à remuneração por serviços prestados à Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prev. Violência – SESP – Salvador Prefeitura – CNPJ nº 13.927.80130, conforme consta em Dirf (doc. fls. 54 a 56), em relação ao declarado nas Declarações: DCTF (1º e 2º semestres) e DIPJ 2009/Lucro Presumido;– o sujeito passivo, em 02/06/2011, apresentou DCTF (1º e 2º semestres) retificadoras – documentos de folhas 212 a 245, que retificam os doc. de folhas 136 a 139, porém não foram levadas em consideração para efeito de lançamento tendo em vista a exclusão da espontaneidade conforme letra “f” do Termo de Início do Procedimento Fiscal;– a entrega de DIPJ/2009, anocalendário de 2008, com receitas brutas trimestrais oferecidas à tributação a menor, também, com a alíquota aplicada para a atividade desenvolvida, a menor (aplicou 8% (oito por cento) quando o correto seria a 32% (trinta e dois por cento)), a entrega das DCTF retificadas, 1º e 2º trimestres, zeradas, e a retificação das DCTF em 02/06/2011, com as mesmas incorreções incorridas na DIPJ 2009, assim como o pagamento a menor de PIS e Cofins, e não pagamento do IRPJ e da CSLL, devidos por conta dos serviços prestados, configuraram, crime contra a ordem tributária, nos termos da Lei nº 8.137, de 1990, art. 1º, sem prejuízo do enquadramento da empresa em outras figuras penais cabíveis, a que também estão sujeitos os titulares ou sócios da pessoa jurídica (Lei nº 9.317, de 1996, art. 2º, 9º e 22). Em atendimento à Portaria SRF nº 326 de 15/03/2005 e Portaria RFB nº 665, de 24 de abril de 2008, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais (Processo nº 13555000.130/ 201189) ; DO AUTO DE INFRAÇÃO – diante da situação evidenciada, foi efetuado o lançamento, referente aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2008, com base no Lucro Presumido, tendo em vista a omissão de receitas, base de cálculo não declarada em DCTF, assim como pagamentos de tributos a menor, à RFB, em decorrência de Remuneração de Serviços Prestados à Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prev. Violência – SESP – Salvador Prefeitura – CNPJ nº 13.927.80130 (Sistema Dirf – Consulta Dirf), em anexo;– nos lançamentos, foram levados em consideração o IRRF constante em Dirf, assim como os pagamentos de PIS e Cofins constantes nos sistemas da RFB;– a ciência ao contribuinte dos Autos de Infração, do Termo de Encerramento e da Representação Fiscal para Fins Penais será feita por via postal e o processo correspondente de nº 13555.000.129/201154, será encaminhado para a ARFB – IPIAÚBa, em face do domicílio fiscal do sujeito passivo. Em 26 de julho de 2011, a Contribuinte, por seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 281 a 298, sob os seguintes argumentos: DA AUTUAÇÃO FISCAL – o Agente Autuador fundamenta o início do procedimento fiscal, confrontando as informações enviadas pela SESP do Município de Salvador e as informações enviadas pela Impugnante e, diante de ambas as informações, tratou de quebrar o sigilo bancário da Impugnante sem a devida e prévia autorização judicial, constatando supostas divergências e, posteriormente, enviando o MPF para que o Impugnante apresentasse documentos listados em 18 itens;– a sede da impugnante é em Ipiaú e, conforme noticiado nas informações prestadas, sofreu um incêndio, pelo Fl. 667DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 6 que, nem todos os documentos estavam disponíveis/localizados. Assim sendo, foram apresentados os documentos que possuía e solicitou a necessária dilação do prazo para a integral apresentação dos documentos;– em 21/03/2011, a autuante enviou nova intimação para apresentação de documentos, apenas repetindo todos os documentos exigidos no MPF inicial; – tendo em vista a busca pelos materiais, respondeuse, nesta segunda intimação, em relação a alguns itens, reiterando o envio dos documentos já emitidos na primeira resposta; tal conduta do Sr. Auditor se repetiu na correspondência enviada em 12/05/2011, na qual foi enviado mandado de intimação, sem referencia a qualquer das respostas enviadas, nem tampouco acerca da dilação de prazo; – a sanha arrecadatória demonstroue superior à busca da verdade material, tendo o Auditor lavrado o presente Auto de Infração totalmente ao arrepio da Lei, carecendo, pois, de arquivamento pela sua insubsistência;– a autuação utilizouse dos contratos firmados com o Município de Salvador, lavrando o presente Auto em relação aos valores recebidos por conta daqueles contratos, tomando por base a alíquota de 32% para o cálculo do lucro presumido e aplicando a multa de 150%, sob a alegação de omissão de receita, e não foram considerados os valores retidos na fonte a título de Imposto de Renda, nem tampouco os pagamentos de PIS, Cofins e CSLL realizados;– somente após a primeira intimação, percebeue que as DCTF enviadas à época estavam com a movimentação zerada, pelo que se procedeu, posteriormente, à retificação;– o ato que demonstra de forma clara e patente a inexistência do animus de omitir receita foi a apresentação da DIPJ no referido exercício, pois, como uma empresa que busca omitir receita não apresentaria as DCTF, porém apresentaria a DIPJ? Seria por demais contrasenso;– a Grado Engenharia Ltda aderiu ao parcelamento na forma da Lei nº 11.941, de 2009, e, por um problema do sistema da própria RFB, os débitos apresentados na DCTF retificadora, muito embora estivessem no ContaCorrente da empresa, não constavam no sistema das “Opções da Lei nº 11.941/09”, pelo que foi requerida a sua inclusão dentre os débitos parceláveis;– pugna pelo respeito ao princípio da verdade material, quando do presente julgamento, o qual consubstanciase na análise minuciosa e coerente dos fatos e documentos acostados ao processo, com intuito de buscar a verdade e, caso necessário, efetuar diligências para galgála, tendo em vista que de tal atitude não deve se furtar a autoridade administrativa, mesmo porque é seu dever funcional (cita doutrina); Questões de Direito PRELIMINARMENTE DA OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL – tomando por base as atitudes do autuante que, no curso do procedimento administrativo, enviou notificações idênticas, solicitando documentos que já haviam sido entregues e, ainda, não se pronunciando sobre o pedido de prorrogação de prazo, terminou por ferir o direito de defesa da Impugnante, previsto no art. 5º, LIV, da CF (transcrito); – a lavratura do Auto de Infração, sem oportunizar a apresentação de toda a documentação, em face das dificuldades relatadas pela impugnante, ao ir de encontro ao princípio da verdade material, ofende, claramente, o devido processo legal;– assim o Auto de Infração prescinde da declaração de nulidade do seu procedimento, vez que clara a ofensa do devido processo legal, contraditório e ampla defesa; DA PERDA DO OBJETO – DA NÃO OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA – DA INOCORRÊNCIA DE ILÍCITO PENAL Fl. 668DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 7 – a Impugnante desconhecia a situação de que as DCTF haviam sido enviadas em branco e, ao tomar ciência, procedeu à retificação, promovendo o lançamento do débito, não havendo razão da existência de procedimento administrativo para a realização de lançamento, quando este já ocorreu pelo autolançamento decorrente da retificação das declarações. Ademais, os valores já se encontravam na Conta Corrente da Impugnante como débitos e estes foram inseridos nos valores a serem parcelados através da Lei nº 11.941/09;– é certo que o MPF excluiu a espontaneidade da denúncia, porém, os demais efeitos decorrentes deste ato permanecem, mormente, a constituição definitiva do débito e, uma vez constituído definitivamente o débito, não há que se falar em continuidade do processo administrativo, que visa constituílo por meio de lançamento de ofício;– tendo sido, o montante devido, apontado pelo próprio devedor, e constituindoo definitivamente, além da sua inclusão no parcelamento, resta evidente que o objeto, ou seja, o resultado útil do procedimento administrativo, encontrase prejudicado;– à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica tinha como receita operacional, apontada na DIPJ, o montante de R$3.863.776,16, tendo sido, tal valor, retificado para R$6.210.957,44, devido às incorreções havidas no envio/prestação das informações;– o autuante afirmou, em seu relatório, que a Receita Operacional perfazia o montante de R$5.620.513,80, ou seja, o valor retificado já engloba, totalmente, a receita apontada pelo Auditor, não havendo, pois, qualquer omissão a ser objeto de lançamento;– não ocorreu omissão de receita operacional, mas sim, que as incorreções se deram, em verdade, em função de meros erros no preenchimento das DCTF e DIPJ. A divergência apontada mostra que os valores apresentados inicialmente, os valores apontados e os apresentados em retificação não apontam substancial diferença a ponto de caracterizarse omissão de receita e, pior ainda, ocorrência de ilícito penal; – revelase, assim, mais claramente, a perda do objeto, posto que, não obstante o lançamento definitivo através das Declarações Retificadoras, estas continham valor acima do encontrado pelo Auditor Fiscal, revelando a ausência de omissão de receita e a correta constituição do crédito tributário;– nesses termos, requer seja reconhecida a perda do objeto da autuação; DO PARCELAMENTO DOS DÉBITOS – ainda em sede preliminar, caso não seja acatada a perda do objeto, imperiosa se faz a exclusão, do Auto de Infração, dos valores parcelados através da Lei nº 11.941/09, uma vez que a Impugnante apresentou Declaração Retificadora, com vistas a, identificando os débitos, incluílos nas opções de parcelamento da Lei nº 11.941/09; – de acordo com os documentos acostados, vêse, claramente, que os débitos já constavam dentre os demais existentes na Receita Federal, porém, por erro do sistema da RFB, não constavam como débitos parceláveis, pelo que foi requerida a inclusão no montante consolidado do parcelamento;– assim, tendo em vista o parcelamento, requer sejam os débitos parcelados excluídos da presente Autuação; DO MÉRITO DA CORRETA ALÍQUOTA APLICADA – a presente autuação se mostra absolutamente indevida, tendo sido encontrados valores muito acima daqueles efetivamente devidos e apresentados através das DCTF Retificadoras, já constantes do ContaCorrente da Impugnante perante a RFB; Fl. 669DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 8 – a Impugnante é empresa de construção civil que tem como objeto social a realização de obras de engenharia civil e prestação de serviços referentes às referidas obras, desde a construção até a manutenção, inclusive com a prestação dos serviços de limpeza; – vêse claramente que os contratos que foram objetos de autuação no presente Auto referemse aos serviços de limpeza e manutenção das vias públicas com fornecimento de tratores, retroescavadeiras, usina de compostagem e beneficiamento de entulho, sendo suas atividades não restritas à limpeza das vias, mas, principalmente, à manutenção destas;– assim, há efetivo serviço de engenharia. Com a operação das máquinas e com a manutenção das vias públicas, estamos diante de obras de engenharia civil;– construção, latu sensu, é muito mais do que a simples edificação, mas engloba as atividades de manutenção, reforma, dentre outras, razão pela qual os referidos contratos se submetem à alíquota de 8%; – para ainda mais reforçar, o Edital de Concorrência nº 010/2001 dispõe como condição para participação no certame: “que exerçam atividades relacionadas com o objeto desta Licitação, comprovadas através do estatuto social ou contrato social...”. A impugnante tem o seguinte objeto social, na forma do seu contrato social: “Construção civil, estradas, serviços de engenharia em geral e incorporações”, conforme instrumento anexo;– fica claro que a presente Licitação trata não somente da prestação de serviços de limpeza, mas, também, de obras de engenharia, já que tais atividades encontramse, no caso vertente, intrinsecamente ligadas; – tal exigência se mostra ainda mais relevante, quando, ao demonstrar os requisitos para a Qualificação Técnica, o registro e regularidade da empresa e dos responsáveis técnicos no Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia (CREA); – na forma do ADN Cosit 06/97, é necessária, para a aplicação da alíquota de 8%, dois itens: o primeiro, que se trate de construção; o segundo, que haja a utilização de materiais em qualquer quantidade. Conforme já demonstrado acima, resta atingido o requisito de ser construção, faltando, apenas o emprego dos materiais; na forma dos contratos, há a utilização de materiais adquiridos pela própria impugnante, na execução dos serviços, pelo que faz, sim, jus ao percentual indicado para definição das alíquotas para o lucro presumido; – a título exemplificativo, vejamos a disposição da cláusula 13.6, do Contrato SESP 011/2002, ao afirmar que é obrigação da contratada “arcar com todas as despesas, referentes ao fornecimento de materiais, mãod obra, máquinas, ferramentas, equipamentos...”; – resta evidente que proceder à autuação numa alíquota superior a 8% desrespeita o direito da Impugnante, posto que, em regime de empreitada, realiza obras de manutenção e limpeza de vias públicas com emprego de materiais, na forma especificada nos contratos, e, albergada pela lei; DOS PAGAMENTOS REALIZADOS à época da prestação dos serviços foram realizados diversos pagamentos, compensações e retenções referentes ao Imposto de Renda, PIS, Cofins e CSLL, não tendo sido, nenhum destes valores, considerados no cálculo do montante supostamente devido (apresenta planilha); DA MULTA Fl. 670DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 9 – sobre o montante encontrado pelo autuante incidiu multa de 150%, sob a alegação de omissão de receita, todavia, conforme já asseverado, não houve qualquer omissão, mas sim, pagamento do quanto devido sob a real alíquota que deveria incidir sobre as referidas operações;– ainda que se admitisse como verdadeira a premissa adotada pelo autuante, o mesmo não poderia, sob nenhuma hipótese, fazer incidir a multa de 150%, sobre os valores reconhecidos na DIPJ apresentada, e muito menos sobre os valores que o contribuinte já realizou pagamento e compensação e, também, aqueles retidos pelo tomador do serviço;– no caso, a multa tem natureza punitiva, visando, justamente, punir aquele que age com dolo, com intenção de burlar o fisco, o que não ocorreu no presente caso, conforme exaustivamente exposto (cita jurisprudência judicial). Desta forma, não há consectário lógico que justifique a aplicação da citada multa, devendo ser aplicada somente quanto ao valor reconhecido como omisso, vez que o mesmo foi integralmente declarado através da DIPJ, tendo sido pagos os tributos devidos, através de DARF, compensação, além daqueles retidos na fonte; CONCLUSÃO – o autuante tomou como premissas as informações lançadas por tomadores de serviço e, com base na ilegal quebra do sigilo bancário da Impugnante, ao arrepio da CF, posto que realizou tal quebra sem prévia autorização judicial; – lavrou Auto de Infração imputando aos serviços prestados a alíquota de 32%, quando, conforme demonstrado acima e, na forma estipulada nos contratos, aos serviços prestados devem incidir a alíquota de 8%;– não foram apreciados, para a dedução do quanto devido, os valores pagos através de DARF, Compensações e Retenções; – fez incidir multa de 150% sobre valores declarados em DIPJ, sobre valores já pagos através de DARF, Compensações e Retenções, além daqueles retidos pelo tomador do serviço; DOS PEDIDOS a) preliminarmente, seja reconhecida a ofensa ao devido processo legal e seus consectários, contraditório e ampla defesa, vez que o procedimento de autuação fiscal não garantiu ao Impugnante o seu pleno direito de defesa, já que no curso da autuação não foram emitidas respostas fundamentadas, foram solicitados diversas vezes os mesmos documentos sem qualquer menção àqueles enviados e aos pleitos de prorrogação de prazo e, ainda, foi lavrado o auto de infração sem qualquer oportunidade de melhor se defender, já que não teve tempo hábil para angariar todos os documentos requeridos; b) ainda em sede preliminar, seja reconhecida perda do objeto do procedimento fiscal, por ter sido apresentada Declaração Retificadora, na qual consta integralmente a Receita Operacional indicada pelo autuante, tendo sido constituído definitivamente e parcelado o crédito tributário; c) caso não acolhida nenhuma das preliminares acima mencionadas, requer seja reconhecido o parcelamento havido, arquivandose o presente Auto de Infração, uma vez que, na forma do art. 151 do CTN, é o parcelamento, medida de suspensão do crédito tributário, e, este foi completamente constituído com a apresentação da DCTF Retificadora; d) no mérito, caso ultrapassadas as preliminares, requer reconhecimento da insubsistência do presente Auto de Infração, por restar demonstrado, a despeito do Fl. 671DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 10 quanto alega o autuante, que os serviços prestados pela Impugnante fazem jus à aplicação da alíquota de 8% na forma da lei; e) ainda no mérito, requer sejam retirados da autuação todos os valores pagos, compensados e retidos a título de IR, CSLL, PIS e Cofins; f) por fim, admitindose correta a premissa adotada pelo autuante, requer seja a multa aplicada somente quanto ao valor reconhecido como omisso, uma vez que foi integralmente declarado através da DIPJ, tendo sido pago os tributos devidos, através de DARF, compensação, além daqueles retidos na fonte. A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS APRESENTADAS APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Considerase ineficaz a retificação da DIPJ e das DCTF que pretendam alterar os débitos relativos a impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. INCLUSÃO DE DÉBITOS EM PARCELAMENTO. ALEGAÇÃO. Os argumentos da Impugnante, atinentes à existência de débitos, relativos aos períodos autuados, já incluídos no parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009, não podem ser acolhidos, tendo em vista que o respectivo pedido de parcelamento foi cancelado. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E LIMPEZA URBANA E MANEJO DE RESÍDUOS SÓLIDOS. PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. A prestação de serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, compreendendo atividades de limpeza mecanizada e manual de praias e fornecimento de equipe para lavagem de vias não se caracterizam como empreitada de obras de construção civil com emprego de materiais, sujeitandose ao coeficiente de determinação do lucro presumido de 32%. MULTA DE OFÍCIO. Presentes os atos previstos na legislação de regência, tornase aplicável multa de ofício qualificada. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis): Fl. 672DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 11 É o relatório. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 12 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratase de exigência consubstanciada em omissão de receitas bem como aplicação incorreta do percentual de apuração do lucro presumido. A empresa aplicou o percentual de 8% enquanto a fiscalização entendeu que o correto seria 32%, haja vista tratarse de serviços de limpeza de vias públicas e praias. No recurso voluntário a contribuinte repisou as alegações da peça impugnatória, enfrentadas na decisão de 1a. instancia com os seguintes fundamentos, verbis: (...) PRELIMINARMENTE DA OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL Preliminarmente, a Contribuinte suscita a nulidade dos lançamentos por ofensa ao devido processo legal argüindo ter a autoridade fiscal enviado notificações idênticas, solicitando documentos que já haviam sido entregues, e ainda, não ter se pronunciado sobre o pedido de prorrogação de prazo, terminando por ferir o direito do de defesa da Impugnante. (...) Observase, ainda, que a hipótese do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, relativa ao cerceamento do direito de defesa, não se aplicaria ao auto de infração, nem à notificação de lançamento. É que a ampla defesa e o contraditório somente têm lugar com a apresentação da impugnação. Isso porque o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitiva. A contribuinte teve acesso a todos os elementos constantes da peça de autuação, os quais permitiram identificar o fundamento da exigência fiscal de forma que a autuada apresentou sua impugnação no prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência da exigência tributária, conforme preceitua o artigo 15 do mencionado Decreto, demonstrando amplo conhecimento da matéria tratada e exercendo plenamente o seu direito de defesa. Ademais, vale ressaltar, que os fatos alegados pela Impugnante não se confirmam nos autos, pois, examinando os atos e termos praticados, tanto pelo autuante, quanto pela Contribuinte, que registram o desenrolar da ação fiscal, verificase que a Contribuinte foi inicialmente intimada a apresentar os elementos relacionados no Termo de Início do Procedimento Fiscal, em 27/01/2011 (fls. 42 e 43) e, em 02/02/2011, solicitou prorrogação de prazo, expressamente concedida pelo autuante (fl. 47). Em 14/02/2011, a Contribuinte prestou esclarecimentos (fl. 50) e em 25/02/2011 informou estar apresentando a documentação solicitada no Termo de Início do Procedimento Fl. 674DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 13 Fiscal (fl. 51). Em 29/03/2011, a Contribuinte tomou ciência do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos em que é reintimada a apresentar os elementos anteriormente solicitados e ainda faltantes, inclusive esclarecimentos que a autoridade fiscal considerou haver sido prestados insatisfatoriamente (fls. 52 e 53). Em 01/04/2011, a Contribuinte apresentou esclarecimentos (fl. 54), pediu prorrogação de prazo, em virtude da quantidade de documentos para serem entregues (fl. 55), e também prestou informações acerca do seu endereço (fl. 56). Portanto, não se vislumbra qualquer irregularidade quanto à reintimação feita por meio do Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos, a qual somente seria impertinente caso a Contribuinte já houvesse atendido, na íntegra, à solicitação contida no Termo de Início do Procedimento Fiscal, o que não é o caso, como se pode inferir do teor da justificativa exposta no pedido de prorrogação de prazo apresentado em 01/04/2011. A concessão expressa da prorrogação do prazo solicitado em 01/04/2011 não se encontra registrada nos autos, no entanto, observase que a fiscalização somente foi concluída em 27/06/2011, ou seja, seis meses após o Termo de Início do Procedimento Fiscal, e aproximadamente 88 dias após o referido pedido, período bastante elástico, no qual a Contribuinte poderia ter entregue a documentação que alega não ter tido oportunidade de apresentar. Também, é importante registrar que, diferentemente do que foi aventado pela Impugnante, não houve quebra do sigilo bancário da Contribuinte, muito embora haja comando legal expresso, autorizando o exame de informações bancárias, pela Autoridade Fiscal, sem necessidade de autorização judicial, desde que presentes as hipóteses previstas em lei. No caso concreto, as receitas levantadas pela Fiscalização estão respaldadas na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) apresentada pela Prefeitura Municipal de Salvador e nos contratos e notas fiscais, anexados aos autos. Dessa forma, não há que se aventar a nulidade do auto de infração, uma vez ausente qualquer indício que denote vício irremediável quer do lançamento quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, visto que nos autos não restou provada qualquer violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos arts. 10 e 59 do PAF. DA PERDA DO OBJETO – DA NÃO OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA – DA INOCORRÊNCIA DE ILÍCITO PENAL A Contribuinte argui que o Auto de Infração perdeu o seu objeto, porque retificou suas DCTF, promovendo o autolançamento do débito e, além disso, os valores já se encontram na ContaCorrente da Impugnante como débitos e estes foram inseridos nos valores a serem parcelados através da Lei nº 11.941, de 2009. Alega, também, que à época dos fatos geradores tinha como receita operacional, apontada na DIPJ, o montante de R$3.863.776,16, tendo sido, tal valor, retificado para R$6.210.957,44, devido às incorreções havidas no envio/prestação das informações, valor este, superior ao montante de R$5.620.513,80, apontado pelo Auditor. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 14 Quanto à referida confissão dos débitos, objeto do Auto de Infração, por meio das DCTF Retificadoras, relativas ao 1º e 2º semestres de 2008, apresentadas em 02/06/2011, sob ação fiscal, é importante transcrever o disposto no art. 7º, caput, inciso I e § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Assim, a confissão dos débitos constantes das DCTF retificadoras, entregues já no curso da ação fiscal, não pode ser admitida, pois a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade para fazêlo, nos termos do § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, acima reproduzido. Corroborando esse entendimento, a Instrução Normativa nº 695, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu normas disciplinadoras da DCTF, prescreveu, em seu artigo 12, § 2º, inciso III, verbis: Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...). § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III – em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No mesmo sentido, é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), conforme ementa de acórdão a seguir: DECLARAÇÃO RETIFICADORA APRESENTADA APÓS INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO LANÇAMENTO DE OFICIO DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA Na situação em que o contribuinte apresentou, após o início da fiscalização, declaração retificadora na qual confessa débito, é correta a providência de lavratura de auto de infração do débito apurado pela fiscalização com aplicação da multa de ofício. Recurso negado. 1º Conselho de Contribuintes/8ª Câmara/Acórdão 10809.313 em 27/04/2007. Publicado no DOU em 28/11/2007 No tocante à alegada inclusão dos débitos confessados nas DCTF retificadoras no parcelamento previsto pela Lei nº 11.941, de 2009, cumpre observar que a consulta ao processo nº 13558.721038/201126, Fl. 676DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 15 cujo assunto é “Lei 11.941 – Revisão de Consolidação”, feita por meio do sistema eprocesso da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), revela a existência, nos autos do referido processo, de tela extraída dos sistemas da RFB com a informação de que o Pedido de Parcelamento, com base na Lei nº 11.941, de 2009, efetuado pela Contribuinte, foi cancelado, em 29/12/2011, em virtude da não apresentação de informações de consolidação, conforme § 3º do art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. E o Despacho Decisório nº 0011/2012, de 27 de fevereiro de 2012, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itabuna, indeferiu o pedido de revisão de consolidação ali tratado, com base nas conclusões do parecer, com o seguinte teor: Após consultas feitas aos sistemas da Receita Federal do Brasil confirmouse que o interessado em questão foi rejeitado na consolidação do parcelamento regido pela Lei nº 11.941/2009 na modalidade L11941 – RFB – DEMAIS – ART 1. Tendo em vista a exposição acima sobre a necessidade das informações suplementares e admitindo que interessado em questão não as prestou, proponho o indeferimento tratado neste processo. Assim, não podem ser acolhidos os argumentos da Impugnante, atinentes à existência de débitos relativos ao períodos autuados, que careceriam de lançamento de ofício, por já se encontrarem devidamente constituídos, em face de sua inclusão no parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 2009. DO MÉRITO DA CORRETA ALÍQUOTA APLICADA Alega a Contribuinte ser empresa de Construção Civil, que tem como objeto social a realização de obras de engenharia civil e prestação de serviços relativos às referidas obras, desde a construção até a manutenção, inclusive com a prestação dos serviços de limpeza, e que os contratos que foram objeto de autuação no Auto de Infração em litígio referemse a serviços de limpeza e manutenção das vias públicas com fornecimento de tratores, retro escavadeiras, usina de compostagem e beneficiamento de entulho, sendo suas atividades não restritas à limpeza de vias, mas, principalmente, à manutenção destas. Assim, sustenta que, no caso em comento, há serviço efetivo de engenharia, com a operação das máquinas e com a manutenção das vias públicas, estandose diante de obras de engenharia civil. Afirma, também, que, na forma dos contratos, há a utilização de materiais adquiridos pela própria Impugnante, na execução dos serviços, razões pelas quais, na apuração do lucro presumido, faz jus à aplicação da alíquota de 8%, na forma do ADN Cosit nº 06/97, e não 32%, como consta do auto de Infração. Em relação às empresas optantes pela apuração do IRPJ com base no lucro presumido, os percentuais que devem ser aplicados sobre as receitas brutas, auferidas trimestralmente, encontramse definidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, a seguir reproduzido: Fl. 677DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 16 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ l º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. Com o intuito de interpretar o citado art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, e apenas no que tange à atividade de prestação de serviços de construção por empreitada, a Administração Tributária editou o Ato Declaratório Normativo nº 06, de 13 de janeiro de 1997, nos seguintes termos: (...) I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (...) Fl. 678DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 17 Conforme estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004 (DOU de 29.12.2004), os órgãos da administração federal direta, as autarquias, as fundações federais, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades em que a União, direta ou indiretamente detenha a maioria do capital social sujeito a voto, e que recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) reterão, na fonte, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e a Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem as pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, observados os procedimentos previstos na referida Instrução Normativa. Segundo a referida Instrução, os entes jurídicos acima deverão reter o imposto de renda (IR), a razão de 1,2% sobre o montante pago, somente na hipótese de fornecimento pelo empreiteiro de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, em que se admite uma presunção de lucro de 8% sobre os serviços prestados pelo empreiteiro. Isso é o que se depreende da leitura do inciso II do § 7º da IN acima. A retenção da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) será de 1% sobre o montante pago, independentemente de aplicação de material na obra. Portanto, na hipótese de se incluir na empreitada apenas parte do material, a retenção será de 4,8% (15% x 0,32) e de 1,0%, em relação ao IR e a CSLL, respectivamente, sobre o montante faturado, tendo por base uma presunção de lucro de 32% sobre o faturamento, em relação ao Imposto de Renda. Pela nova norma de retenção, entendiase que as retenções não tinham reflexo na determinação do lucro presumido, ou seja, não alterava a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995 (art. 32 da IN acima). Já a Instrução Normativa SRF nº 539, de 25/04/2005 (DOU de 27/04/2005), no seu art. 1º, deu nova redação ao art. 32 da INSRF nº 480 acima, na forma a seguir: Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (...) II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. Vêse que a IN nº 539 acima altera o percentual de lucro presumido para efeito de cálculo do imposto de renda, no caso de empreitadas com ou sem Fl. 679DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 18 aplicação de materiais, ou seja, para que o lucro presumido seja de 8% do faturamento é necessário que se inclua na empreitada todo o material aplicado na obra e não somente parte dele. Caso não seja utilizado material ou apenas parte, o percentual de lucro será de 32% sobre o faturamento. Esse entendimento vale também para a CSLL, que passou a ter percentuais de presunção de 12% ou 32%, respectivamente, na hipótese de incluir todo o material ou somente parte. É bom lembrar que a Instrução nº 539 citada não alterou a Lei nº 9.249, de 1995, mas apenas derrogou o Ato Declaratório Cosit nº 6, de 1997, já citado. Portanto, desde o ano de 2005, os serviços prestados de construção por empreitada só serão considerados com lucro de 8% e 12%, para Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, respectivamente, nos casos em que haja aplicação integral dos materiais na obra. Caso contrário, será considerado como prestação de serviços, com base de cálculo de 32% sobre o faturamento, tanto para imposto de renda como para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. No caso concreto, relativamente ao objeto social da Contribuinte, a cláusula 5ª do Contrato de Constituição de Sociedade por cotas de Responsabilidade Limitada, firmado em 1989 (fl. 71/74) tem o seguinte teor: Cláusula 5ª – Objeto social: Construção Civil, estradas, serviços de engenharia em geral e incorporações. Por meio da 1ª Cláusula da Alteração Contratual, de 28 de janeiro de 1997 (fls. 111 e 112), foram acrescentadas outras atividade ao objetivo inicial: 1ª Cláusula – OBJETIVO SOCIAL Acrescentase ao objetivo inicial as seguintes atividades: Limpeza Pública B) Coleta, tratamento e disposição final de efluentes sanitários e industriais Resíduos sólidos urbanos e industriais D) Urbanização, pavimentação e drenagem Limpeza e manutenção de vias, logradouros, prédios e monumentos Projeto e consultoria na área de engenharia sanitária e civil Transporte rodoviário de carga Entretanto, a partir de 5 de janeiro de 2004, quando foi feita a “9ª ALTERAÇÃO CONTRATUAL E CONSOLIDAÇÃO GRADO ENGENHARIA LTDA” (fls. 117 a 120), a Construção Civil, estradas, serviços de engenharia em geral e incorporações, previstas no Contrato Social, de 1989, não mais figuram entre as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica, conforme se depreende da cláusula 6ª da Consolidação do Contrato Social, transcrita a seguir: CONSOLIDAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL “em consequência das Alterações introduzidas, os atos constitutivos e alterações têm nova redação, passando a sociedade a regerse pelas Cláusulas e condições seguintes: (...) Fl. 680DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 19 6ª CLÁUSULA – OBJETIVO SOCIAL Os objetivos da sociedade são: limpeza pública coleta e tratamento de disposição final de efluentes sanitários e industriais resíduos sólidos urbanos e industriais limpeza e manutenção de vias, logradouros, prédios e monumentos projeto e consultoria na área de engenharia sanitária e civil transporte rodoviário de carga A Cláusula acima transcrita encontrase ratificada nas 10ª e 11ª Alterações Contratuais posteriores (fls. 122 e 123). Dessa forma, ao contrário do alegado na defesa, no anocalendário de 2008, não mais constava do seu objeto social as atividades de Construção Civil, estradas, serviços de engenharia em geral e incorporações. No entanto, o que interessa para a identificação do percentual aplicável é a atividade efetivamente desenvolvida pela empresa, e não simplesmente a atividade registrada em seus atos constitutivos. Nesse aspecto, verificase, também, que as atividades descritas nas notas fiscais de fls. 150 a 164, que deram origem às receitas submetidas à tributação em litígio, não se confundem, de maneira alguma, com a atividade de construção civil, muito menos com a empreitada global de construção civil, senão vejamos. De acordo com a descrição constante das referidas notas fiscais, as receitas submetidas à tributação se restringem a serviços de limpeza mecanizada e manual de praias e fornecimento de equipes para lavagem de vias, no Município de Salvador, executados conforme Contrato Emergencial de Prestação de Serviços n° 06/2008 (fls. 165 a 184), Contrato Emergencial de Prestação de Serviços de Limpeza Urbana nº 026/2008 (fls. 185 a 200), e Contrato nº SESP/ – 011/2002, firmados com o Município de Salvador, através da Secretaria Municipal de Serviços Públicos. Observese que o Contrato SESP nº 011/2002 foi firmado entre a Secretaria Municipal de Serviços Públicos – SESP e o CONSÓRCIO ITAPOAN, constituído pelas empresas VEGA ENGENHARIA AMBIENTAL S.A, TORRE EMPREENDIMENTOS RURAIS E CONSTRUÇÃO LTDA e GRADO ENGENHARIA LTDA. Vale transcrever, parcialmente, as cláusulas que determinam o objeto dos aludidos contratos: CONTRATO EMERGENCIAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Nº 06/2008 Cláusula Primeira – Do Objeto Contratação de pessoa jurídica, em caráter emergencial, por dispensa de licitação, para prestação de serviço de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos compreendendo as seguintes atividades: limpeza mecanizada e manual de praias e fornecimento de equipe para lavagem de vias, no Município do Salvador, conforme especificações e planilha de preços, constantes dos Anexos I e II deste Contrato. (..) CLÁUSULA SEGUNDA – DO PREÇO E DAS CONDIÇÕES DE PAGAMENTO (...) Fl. 681DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 20 2.2 Estão incluídas no preço referido no subitem 2.1, além do lucro, todas e quaisquer despesas que onerem direta ou indiretamente os serviços contratados inclusive os valores referentes a todos os serviços constantes do Anexo I bem como todos os custos, tributos, encargos, emolumentos, contribuições sociais, fiscais, parafiscais, obrigações trabalhistas, insumos, transporte, fardamento, equipamentos de proteção individual e demais obrigações legais... (...) ANEXO I – ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS (...) 1. SERVIÇOS A SEREM REALIZADOS 1.1 Os serviços serão executados nas áreas, vias e logradouros públicos, constantes neste anexo. 1.2 O objeto licitado compreende a execução dos seguintes serviços: a) Limpeza mecanizada e manual de praias; b) Fornecimento de equipes para lavagem de vias 2.1 LIMPEZA MECANIZADA E MANUAL DE PRAIAS 2.1.1 A limpeza de praia deverá ser realizada mecanicamente com o uso de tratores agrícolas com equipamento limpadora de praia modelo de referencia Cobra HM2 ou similar. 2.1.2 Os serviços serão realizados de segunda a sábado ... 2.1.3 As áreas de abrangência dos serviços e quantidades de equipamentos estão discriminados a seguir... 2.2 FORNECIMENTO DE EQUIPES DE SERVIÇOS PARA LAVAGEM DE VIAS 2.2.1 Compreende o jateamento d’agua com pressão suficiente para a limpeza de todos os resíduos restantes e impregnados no pavimento, após a coleta e varrição de praças, ruas, escadarias, pontos de ônibus, etc. 2.2.2 Após o término das feiras livres deverá ser feita a lavagem das ruas onde as mesmas se realizam e desinfecção com produtos higienizadores aplicados nas áreas. 2.2.3 A água para lavagem, detergente e aromatizante utilizados no serviço de limpeza será fornecido pela Contratada. 2.2.4 A equipe para os serviços de lavagem de vias será constituída de 01 (um) motorista, 02 (dois) ajudantes, 01 (um) caminhão tanque irrigador (pipa); 2.2.5 O caminhão deverá ser equipado com tanque (pipa) dotado de bomba ou dispositivo similar mecânico ou hidráulico com pressão d’água suficiente para perfeita execução dos serviços e mangueira com 60m de comprimento, diâmetro de 1” e vazão normal mínima de 200 litros por minuto; (...) CONTRATO EMERGENCIAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA URBANA Nº 026/2008 Cláusula Primeira – Do Objeto Contratação de pessoa jurídica, em caráter emergencial, por dispensa de licitação, para prestação de serviço de limpeza Fl. 682DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 21 urbana e manejo de resíduos sólidos compreendendo as seguintes atividades: limpeza mecanizada e manual de praias e fornecimento de equipe para lavagem de vias, no Município do Salvador, conforme especificações e planilha de preços, constantes dos Anexos I, II e III deste Contrato. (..) CLÁUSULA SEGUNDA – DO PREÇO E DAS CONDIÇÕES DE PAGAMENTO (...) 2.2 Estão incluídas no preço referido no subitem 2.1, além do lucro, todas e quaisquer despesas que onerem direta ou indiretamente os serviços contratados inclusive os valores referentes a todos os serviços constantes dos Anexos I e II bem como todos os custos, tributos, encargos, emolumentos, contribuições sociais, fiscais, parafiscais, obrigações trabalhistas, insumos, transporte, fardamento, equipamentos de proteção individual e demais obrigações legais... (...) CONTRATO Nº SESP – 011/2002 Cláusula Primeira – Objeto 1.1 Constitui objeto do presente Contrato a execução, na forma de prestação de serviços, sob o regime de empreitada por preços unitários, dos serviços abaixo discriminados: Fornecimento de Equipe de Serviços para Lavagem de Vias Varrição Mecanizada Limpeza Mecanizada e Manual de Praias Fornecimento de Equipe de Serviços para Limpeza Manual de Praias Fornecimento de Equipamentos Diversos: Trator de Esteiras Tipo D6 Caminhão Basculante Caminhão com Carroceria de madeira Escavadeira Hidráulica Pá Carregadeira Retro Escavadeira Caminhão Munk Roçadeira Costal Fornecimento e Implantação de Usina de Compostagem Fornecimento, Implantação e Operação de Usina de Beneficiamento de Entulho A título de exemplo, transcrevese, também, a descrição contida nas notas fiscais nº 3549 (fl. 151); 3574 (fl. 154); 3585 e 3596, relativas aos contratos nº 011/2002, 06/2008 e 026/2008, pois as demais têm o mesmo teor, alterando apenas os quantitativos e valores em reais: NF 3549 Valor referente aos serviços executados conforme Contrato n° 011/2002, no período 01.01.2008 a 31.01.2008, conforme descrição abaixo: CARROS PIPA Valor ref. 272,0 equipes xR$ 825,02 Valor ref. Mãodeobra (24,18%.) R$54.261,24 Valor ref. retenção INSS (11%.)..R$4.095,56 TRATORES Valor ref. 350,30 Kms. x R$358,11 Valor ref. Mãodeobra (29,68%.). R$37.232,35 Valor ref. Retenção INSS (11%.)..R$4.095,56 NF 3574 Valor referente aos serviços executados conforme Contrato n° 06/2008, no período 05.02.2008 a 29.02.2008, conforme descrição abaixo: CARROS PIPA Valor ref. 230,0 equipes xR$ 825,02 Valor ref. Mãodeobra (24,18%.) R$45.882,66 Valor ref. retenção INSS (11%.)..R$5.047,09 Fl. 683DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 22 TRATORES Valor ref. 314,0 Kms. x R$358,11 Valor ref. Mãodeobra (29,68%.). R$33.374,13 Valor ref. Retenção INSS (11%.)..R$3.671,15 NF 3585 Valor referente aos serviços executados conforme Contrato n° 06/2008, no período01.05.2008 a 31.05.2008, conforme descrição abaixo: Fornecimento de equipes de serv. p/lavagem de vias Valor ref. 280,0 equipes xR$ 825,02 Valor ref. Mãodeobra (24,18%.) R$55.857,15 Valor ref. retenção INSS (11%.)..R$6.144,29 Limpeza Mecanizada e Manual de Praias: Valor ref. 332,0 Kms. x R$358,11 Valor ref. Mãodeobra (29,68%.). R$35.287,30 Valor ref. Retenção INSS (11%.)..R$3.881,60 NF 3596 Valor referente aos serviços executados conforme Contrato n° 026/2008, no período01.09.2008 a 30.09.2008, conforme descrição abaixo: Fornecimento de equipes de serv. p/lavagem de vias Valor ref. 282,0 equipes xR$ 825,02 Valor ref. Mãodeobra (24,18%.) R$56.256,13 Valor ref. retenção INSS (11%.)..R$6.188,17 Limpeza Mecanizada e Manual de Praias: Valor ref. 327 Kms. x R$358,11 Valor ref. Mãodeobra (29,68%.). R$34.755,86 Valor ref. Retenção INSS (11%.)..R$3.823,14..... Depreendese, pois, que o objeto social da Contribuinte não é a construção civil, como também as receitas tributadas nos autos são provenientes de serviços de limpeza urbana, compreendendo atividades de limpeza mecanizada e manual de praias e fornecimento de equipe para lavagem de vias, no Município de Salvador, totalmente distintos de obras de construção civil. Convém esclarecer que ao alegar que na forma dos contratos há utilização de materiais adquiridos pela própria Impugnante, na execução dos serviços, pois é obrigação da contratada “arcar com todas as despesas, referentes ao fornecimento de materiais, mãodeobra, máquinas, ferramentas, equipamentos”, a Impugnante parece ter confundido as expressões “prestação de serviços com emprego de material” e “utilização de material para prestação de serviços”, o que nem de longe representa o mesmo fato econômico. O que constitui a lógica da distinção feita pela legislação, para fins de adoção do percentual de presunção de lucro de 8% para o IRPJ, no caso de empreitada de construção, é pressupor o fornecimento de mercadorias, ou seja, o emprego de materiais que ficam incorporados ao bem construído. No caso dos serviços executados pela Contribuinte, nem há que se falar em bem construído. Diante do exposto, concluise estar correto o coeficiente de determinação do lucro presumido adotado pela Autoridade Fiscal, na constituição do lançamento do IRPJ, razão pela qual o IRPJ devido apurado deve ser integralmente mantido. Quanto aos demais Autos de Infração, decorrentes (Contribuição para o PIS, COFINS e CSLL), deve ser observado o que foi decidido para o Auto de Fl. 684DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 23 Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. DOS PAGAMENTOS REALIZADOS Com relação a este tópico, da análise dos autos, verificase que nas DCTF originais apresentadas, relativas ao 1º e 2º semestres de 2008, não há débitos declarados referentes ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Assim, no cálculo do IRPJ lançado, foram deduzidos do IRPJ devido, apurado em cada trimestre do anocalendário de 2008, os únicos valores passíveis de dedução, representados pelo respectivo IRPJ retido na fonte, sob o código 1708, informado na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) apresentada pela Prefeitura Municipal de Salvador. Com relação à CSLL, não há qualquer valor retido ou confessado em DCTF a ser considerado. No tocante ao PIS e à Cofins, também não há qualquer valor retido na fonte ou confessado em DCTF, mas, mesmo assim, observase que foram deduzidos dos valores destas contribuições apurados nos meses de junho a setembro, os valores dos recolhimentos efetuados espontaneamente, confirmados nos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Logo, não procede a alegação de que a autoridade fiscal teria deixado de considerar no cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, lançados, as retenções e pagamentos que já haviam sido realizados. DA MULTA A Contribuinte insurgese contra a aplicação da multa qualificada, arguindo: não ter havido omissão de receita, mas sim pagamento do quanto devido sob a real alíquota que deveria incidir sobre as referidas operações; ainda que se admitisse verdadeira a premissa adotada pelo Auditor, a multa não deveria incidir sobre os valores reconhecidos na DIPJ apresentada, muito menos sobre os valores que o contribuinte já realizou pagamento e compensação, e também aqueles retidos pelo tomador de serviço; não ter agido com dolo. A multa qualificada de 150% tem fundamento legal no art. 44, inciso II, da Lei n.º 9.430/1996. Dispõe o dispositivo que a multa é devida nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964 assim rezam: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13555.000129/201154 Acórdão n.º 1402001.151 S1C4T2 Fl. 0 24 I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal, e demonstrado nos autos, relativamente aos períodos de apuração ocorridos no anocalendário de 2008, a Dirf entregue pela Prefeitura Municipal de Salvador revela receitas auferidas pela Contribuinte em volume bem superior àquele informado em sua DIPJ, receitas estas que também não foram oferecidas à tributação do IRPJ e da CSLL, pois não foram confessadas em DCTF, e oferecidas apenas, parcialmente, à tributação da Contribuição para o PIS e da Cofins, pois referidas contribuições também não foram confessadas em DCTF, constando apenas pagamentos em valores bem inferiores aos devidos, para os meses de junho a setembro de 2008. Portanto, ao declarar, sistematicamente, a inexistência de débitos em suas DCTF, a Contribuinte tentou impedir ou retardar, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Essa prática reiterada forma o elemento subjetivo da conduta dolosa. Tal situação fática se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. Entretanto, entendo assistir razão à Contribuinte, quanto ao pleito de desqualificação da multa, apenas sobre os valores do IRPJ e CSLL informados na DIPJ/2009, apresentada espontaneamente, conforme demonstrado a seguir: (...) (Grifei). A meu ver, os fundamentos acima transcritos esgotam as alegações de defesa e não merecem qualquer reparo. Uma vez que a contribuinte limitouse a repisar sua peça impugnatória, peço vênia para adotálos com razões de decidir. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 686DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 27/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente em 10/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.007882/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. ENQUADRAMENTO DE OBRA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. CLASSIFICAÇÃO DA OBRA COM BASE NO ART. 346 DA IN RFB n. 791/09.
Trata-se de autuação referente à contribuição previdenciária destinada a terceiros, apurada por aferição indireta, incidente sobre remuneração de mão-de-obra em construção. O art. 346 da IN RFB n° 791/09 prevê que quando houver confusão entre área residencial e área comercial, o enquadramento será feito com base na área preponderante. O mesmo dispositivo prevê, ainda, que quando houver, num mesmo projeto, área nas condições dos incisos I a III e nos incisos IV ou V, o enquadramento das primeiras será feito separadamente das segundas. No caso em análise, a autoridade fiscal agiu de forma diversa da prevista na legislação específica ao autuar o contribuinte considerando enquadramento da obra em três das classificações trazidas pelo art. 346 da IN RFB 971/09: Projeto Residencial, Projeto Comercial - salas e lojas e Projeto Galpão Industrial. Assim, necessário o reenquadramento da obra para fins de tributação nos termos da lei para que conste classificada como Galpão Industrial e Projeto Residencial Unifamiliar.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. ENQUADRAMENTO DE OBRA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. CLASSIFICAÇÃO DA OBRA COM BASE NO ART. 346 DA IN RFB n. 791/09. Trata-se de autuação referente à contribuição previdenciária destinada a terceiros, apurada por aferição indireta, incidente sobre remuneração de mão-de-obra em construção. O art. 346 da IN RFB n° 791/09 prevê que quando houver confusão entre área residencial e área comercial, o enquadramento será feito com base na área preponderante. O mesmo dispositivo prevê, ainda, que quando houver, num mesmo projeto, área nas condições dos incisos I a III e nos incisos IV ou V, o enquadramento das primeiras será feito separadamente das segundas. No caso em análise, a autoridade fiscal agiu de forma diversa da prevista na legislação específica ao autuar o contribuinte considerando enquadramento da obra em três das classificações trazidas pelo art. 346 da IN RFB 971/09: Projeto Residencial, Projeto Comercial - salas e lojas e Projeto Galpão Industrial. Assim, necessário o reenquadramento da obra para fins de tributação nos termos da lei para que conste classificada como Galpão Industrial e Projeto Residencial Unifamiliar. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10935.007882/2009-93
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200035
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-003.209
nome_arquivo_s : Decisao_10935007882200993.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : THIAGO TABORDA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 10935007882200993_5200035.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 4538424
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395418136576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2201; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 42 1 41 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.007882/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.209 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO. ENQUADRAMENTO DE EDIFICAÇÃO. Recorrente ANTONIO BEDIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS. ENQUADRAMENTO DE OBRA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. CLASSIFICAÇÃO DA OBRA COM BASE NO ART. 346 DA IN RFB n. 791/09. Tratase de autuação referente à contribuição previdenciária destinada a terceiros, apurada por aferição indireta, incidente sobre remuneração de mão deobra em construção. O art. 346 da IN RFB n° 791/09 prevê que quando houver confusão entre área residencial e área comercial, o enquadramento será feito com base na área preponderante. O mesmo dispositivo prevê, ainda, que quando houver, num mesmo projeto, área nas condições dos incisos I a III e nos incisos IV ou V, o enquadramento das primeiras será feito separadamente das segundas. No caso em análise, a autoridade fiscal agiu de forma diversa da prevista na legislação específica ao autuar o contribuinte considerando enquadramento da obra em três das classificações trazidas pelo art. 346 da IN RFB 971/09: Projeto Residencial, Projeto Comercial salas e lojas e Projeto Galpão Industrial. Assim, necessário o reenquadramento da obra para fins de tributação nos termos da lei para que conste classificada como Galpão Industrial e Projeto Residencial Unifamiliar. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 78 82 /2 00 9- 93 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.007882/200993 Acórdão n.º 2402003.209 S2C4T2 Fl. 43 3 Relatório Tratase de AI DEBCAD n. 37.241.4141, consolidado em 26/11/2009, no montante de R$ 12.900,21, referente a contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, apuradas por aferição indireta, incidente sobre a remuneração de mãodeobra, a regularizar, empregada em obra de construção civil, sob responsabilidade de pessoa física (proprietário). Os autos foram apensados ao processo principal n° 10935.007881/200949, nos termos do Termo de Apensação de Processo às fls. 09, estando os elementos de prova a ele referentes juntados às fls 09 a 43 daqueles autos. De acordo com o relatório fiscal de fls. 9/15, no mesmo procedimento fiscalizatório, além do Auto de Infração acima descrito, também foram lavrados os AI DEBCAD n. 37.241.4133 e 37.241.4150, referentes a contribuições do empregador e de terceiros, respectivamente. Ainda com base no Relatório fiscal, extraise as seguintes informações: i) os autos de infração lavrados têm por finalidade a constituição de débitos de contribuições sociais devidas pelo contribuinte, referentes a remuneração de mãodeobra, não regularizada, empregada na obra de construção civil, com matrícula no Cadastro Específico do INSS (CEI) e com identificação junto à RFB n. 50.018.07938/64; ii) para fins de autuação, verificouse o projeto aprovado pela Prefeitura de Cascavel, bem como o alvará de construção n. 917/04, que se refere a área comercial de 842,40 m² e residencial de 196,38 m²; iii) não foram apresentados comprovantes de recolhimento de contribuições previdenciárias vinculados a obra de construção; iv) para apuração da remuneração da mão de obra por aferição indireta, utilizouse o procedimento previsto na seção II do Capítulo IV da Instrução Normativa RFB 971. v) quanto à destinação, a obra foi classificada como “residencial edifício de padrão alto”, “comercial salas e lojas” e “galpão industrial”; quanto ao número de pavimentos, classificouse como sendo edificação com três pavimentos; quanto ao tipo de obra, identificou se como “alvenaria”. Ante a autuação, o Recorrente apresentou impugnação de fls. 10/18, alegando, em suma, que: i) o enquadramento realizado pelo agente administrativo não observou os ditames fixados pela Lei n. 8.212/91 e pela IN RFB n. 971/09; ii) a IN RFB n. 971/09 prevê que são considerados galpão industrial os imóveis compostos de galpão com ou sem área administrativa, banheiros, vestiários e depósito Fl. 44DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 e, ainda, que a mesma IN prevê expressamente, como sendo galpão industrial, oficina mecânica, que é o caso da obra em questão; iii) o total da área, ou seja, 842,40 m², deveria ter sido considerado como projeto galpão industrial, nos termos do inciso IV do artigo 346 da IN RFB n. 971/09, estando equivocado o agente autuante que, sem autorização legal ou regulamentar, desmembrou a área em duas, enquadrando uma delas como projeto comercial – salas e lojas – e a outra como projeto galpão industrial; iv) da análise do projeto arquitetônico, é possível verificar que a parte classificada pelo fiscal como sendo projeto comercial – salas e lojas, em verdade, é área administrativa e depósito da oficina mecância; v) que não se aplica ao caso o parágrafo 8o do art. 346 da IN RFB n. 971/09, já que as edificações verificadas no galpão estão de acordo com o caput do art. 346 da IN; vi) quanto ao número de pavimentos, o fiscal considerou que a área enquadrada como projeto residencial e a área enquadrada como projeto comercial salas e lojas foram somadas e consideradas como sendo CSL8 (classificação para salas e lojas). Todavia, considerando o erro quanto à classificação acima descrito, sequer poderia fazer menção à CSL 8, que diz respeito apenas a salas e lojas. O correto seria considerar 143,79 m² na faixa R1 (residencial unifamiliar) e o restante – 842,40 – na faixa GI (galpão industrial). (Art. 346, párag. 3o); Ao final, apresenta recálculo dos valores que considera efetivamente devidos e conclui requerendo a improcedência da ação fiscal para que faça a adequação do enquadramento da obra e dos valores lançados a título de contribuição. Em julgamento da impugnação apresentada, a DRJ em Curitiba prolatou acórdão (Fls. 20/23 frente e verso), decidindo pela improcedência da impugnação e mantendo integralmente o débito. Inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário (Fls. 32/40), reiterando os fundamentos da impugnação. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.007882/200993 Acórdão n.º 2402003.209 S2C4T2 Fl. 44 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Em preliminar O recurso preenche a todos os requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade. Por esta razão, voto por seu conhecimento. No mérito Pretendese o cancelamento dos autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário referente ao não recolhimento de contribuições previdenciárias decorrentes de obra de construção civil realizada. Conforme descrito em sede de relatório fiscal, a apuração da remuneração da mão de obra foi feita mediante aferição indireta, de acordo com o procedimento trazido pela Instrução Normativa RFB n. 971/09. Da classificação de acordo com as tabelas do art. 346, IN RFB 971/09 O ponto principal da discussão encontrase no enquadramento da obra, pelo fiscal, em três das classificações trazidas pelo art. 346 da IN RFB 971/09: Projeto Residencial, Projeto Comercial – salas e lojas e Projeto Galpão Industrial. Inicialmente, analisaremos as restrições regulamentares quanto às classificações pela autoridade fiscal. O art. 346 da IN RFB 971/09, prevê: “Art. 346. O enquadramento da obra levará em conta as seguintes tabelas: I PROJETO RESIDENCIAL, para os imóveis que se destinam a: a) residência unifamiliar; b) edifício residencial; c) hotel, motel, spa e hospital; d) áreas comuns de conjunto habitacional horizontal; II PROJETO COMERCIAL ANDAR LIVRE, para os imóveis cujo pavimentotipo seja composto de hall de circulação, escada, elevador e andar corrido sem a existência de pilares ou qualquer elemento de sustentação no vão, com sanitários privativos por andar; Fl. 46DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 III PROJETO COMERCIAL SALAS E LOJAS, para os imóveis cujo pavimentotipo seja composto de hall de circulação, escada, elevador, andar com pilares ou paredes divisórias de alvenaria e sanitários privativos por andar ou por sala; IV PROJETO GALPÃO INDUSTRIAL, para os imóveis compostos de galpão com ou sem área administrativa, banheiros, vestiário e depósito, tais como: (...) § 1º Quando no mesmo projeto constarem áreas com as características das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III do caput, efetuarseá o enquadramento conforme a área construída preponderante, sendo que, se houver coincidência de áreas, a tabela projeto residencial prevalecerá sobre a tabela projeto comercial andar livre, que, por sua vez, prevalecerá sobre a tabela projeto comercial salas e lojas. (...) § 3º Caso haja, no mesmo projeto, construções com as características mencionadas nas tabelas previstas nos incisos I, II ou III e construções com as características das tabelas previstas nos incisos IV ou V do caput, deverão ser feitos enquadramentos distintos na respectiva tabela, sendo que as obras referidas nas tabelas dos incisos IV ou V serão consideradas, para efeito de cálculo, como acréscimo das obras mencionadas nas tabelas dos incisos I, II ou III, observado o disposto no § 1º deste artigo e no art. 369.” Da análise do dispositivo acima transcrito, é possível extrair duas conclusões principais: (i) quando da ocorrência de duas das hipóteses previstas nos incisos I a III, dever seá realizar enquadramento considerando a área construída preponderante; (ii) quando houver, num mesmo projeto, área nas condições dos incisos I a III e nos incisos IV ou V, o enquadramento das primeiras será feito separadamente das segundas. No caso em tela, a autoridade fiscal agiu de forma contrária à prevista da Instrução Normativa ao deixar de considerar a regra do parágrafo 2o do art. 346, realizando enquadramento em três classificações distintas. O dispositivo é claro ao estabelecer que, quando da confusão entre área residencial e área comercial, será o enquadramento feito com base na área preponderante. No caso, a área residencial. Não obstante, da análise das plantas acostadas às fls. 41/43, é possível verificar que a área considerada pelo fiscal como sendo Projeto Comercial – salas e lojas, em verdade, é parte componente da área Galpão Industrial, vez que inserida na hipótese prevista no inciso IV do art. 346, senão vejamos: “IV PROJETO GALPÃO INDUSTRIAL, para os imóveis compostos de galpão com ou sem área administrativa, banheiros, vestiário e depósito, tais como: a) pavilhão industrial; b) oficina mecânica; Fl. 47DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10935.007882/200993 Acórdão n.º 2402003.209 S2C4T2 Fl. 45 7 (...)” Em sendo assim, necessário o reenquadramento da obra em questão, para que a área classificada em Projeto Comercial – salas e lojas passe a compor a metragem da área dada como Galpão Industrial, mantendose o que se verifica incontroverso na questão – a área classificada como sendo residencial. Por conseqüência, quanto aos demais pontos abordados, como o enquadramento quanto a quantidade de pavimentos da edificação, correta a pretensão do Recorrente. Ao considerarmos a inexistência de área de Projeto Comercial, devemos entender também a impossibilidade de classificação dos 418,82 m² na faixa CSL8 (art. 347, V). A partir do reenquadramento reconhecido como necessário no presente voto, a classificação quanto ao número de pavimentos da edificação em comento passa a ser a seguinte: 143,79 m² na faixa R1 (projeto residencial unifamiliar) e 842,40 m² na faixa GI (Galpão Industrial). Conclusão Diante do exposto, tendo em vista a irregularidade vislumbrada no auto de infração em comento, voto pelo conhecimento e total provimento do recurso voluntário, para reenquadrar a obra nos termos do presente voto e, por conseqüência, recalcular os valores devidos pelo Recorrente a título de contribuições previdenciárias. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 25/02/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
