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Numero do processo: 10660.001237/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercícios: 2005, 2006, 2007
IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MESMA BASE DE CÁLCULO. NÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO.
Descabe a aplicação cumulativa da multa por atraso na entrega da declaração com a multa de ofício vinculada ao imposto lançado, quando ambas têm a mesma base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
1.0 = *:*
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercícios: 2005, 2006, 2007 IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. MESMA BASE DE CÁLCULO. NÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. Descabe a aplicação cumulativa da multa por atraso na entrega da declaração com a multa de ofício vinculada ao imposto lançado, quando ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido.
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MESMA BASE DE CÁLCULO. NÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. Descabe a aplicação cumulativa da multa por atraso na entrega da declaração com a multa de ofício vinculada ao imposto lançado, quando ambas têm a mesma base de cálculo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura. Rubens Maurício Carvalho – Presidente substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) EDITADO EM: 25/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rubens Maurício Carvalho (Presidente substituto), Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Francisco Marconi de Oliveira. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 2 Relatório O contribuinte acima identificado foi autuado, por meio de auto de infração (fls. 1 a 29), com a exigência de multa por atraso na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, no valor total de R$ 97.095,98 (noventa e sete mil, noventa e cinco reais e noventa e oito centavos), referente aos exercícios 2005 a 2007, sendo: R$ 32.309,52 no exercício 2005, R$ 31.477,35 no exercício 2006, e R$ 33.309,11 no exercício 2007, conforme demonstrativo de cálculo da multa (fls. 12 e 13). O auto de infração decorreu de ação fiscal para apurar omissão de rendimentos, já que o contribuinte havia movimentado significativo montante de recursos nas instituições financeiras, nos anoscalendários 2004 a 2006, e não havia apresentado as DIRPFs correspondentes. Conforme registrado no Acórdão nº 0927.447, da 4ª Turma da DRJ/JFA, no processo 10660.001239/200923 foi apurado o valor de R$ 485.479,88 (quatrocentos e oitenta e cinco mil, quatrocentos e setenta e nove reais e oitenta e oito centavos) de imposto, R$ 364.109,89 (trezentos e sessenta e quatro mil, cento e nove reais e oitenta e nove centavos) de multa e R$ 194.559,30 (cento e noventa e quatro mil, quinhentos e cinquenta e nove reais e trinta centavos) de juros de mora. O requerente apresentou impugnação (fls. 32 e 33) alegando que o presente processo é reflexo de outro, de nº 10660.001239/200923, e que o lançamento do imposto de renda é improcedente. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, por ter obtido rendimentos muito superior ao limite estipulado para obrigatoriedade da entrega da DIRPF, nos exercícios 2005 a 2007, e por ter apresentado a declaração do exercício 2007, com valores “zerados” (fl. 15) quando já se encontrava sob procedimento fiscal. O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ/JFA em 04 de janeiro de 2010 (fl. 47) e, por procuração (fl. 31), apresentou recurso voluntário em 03 de fevereiro de 2010 (fls. 48 e 49). Alega que o lançamento que exige o imposto de renda no processo nº 10660.001239/200923 é improcedente e que o processo em questão, por ser reflexo do principal, é indevido. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO Processo nº 10660.001237/200934 Acórdão n.º 210201.200 S2C1T2 Fl. 52 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso nas entregas das declarações de ajuste anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 a 2007, em decorrência da obrigatoriedade da entrega da referida declaração por ter obtido o contribuinte rendimentos superiores ao limite estabelecido para a apresentação da DIRPF. Como o principal não foi ainda objeto de analise, não procede a alegação do recorrente que o lançamento para a exigência do imposto de renda no processo nº 10660.001239/200923 é improcedente e que o processo em questão, por ser reflexo do principal, é indevido. Não há como analisar o principal a partir deste processo. Entretanto, a multa por atraso na entrega da declaração foi efetuada juntamente com a multa de ofício, tendo a mesma base de cálculo. No auto de infração constante do processo nº 10660.001239/200923, conforme registra o relatório do Acórdão DRJ/JFA Nº 0927.447 (fl. 37), foi lançado o valor de R$ 364.109,89 de multa de ofício, apurado sobre o imposto a pagar de R$ 485.479,88. No demonstrativo de cálculo da multa pelo atraso na entrega da declaração de ajuste anual (fls. 12 e 13) foi utilizado como base de cálculo o valor do imposto de renda apurado em cada um dos exercícios, cuja somatória é a mesma, resumida na tabela a seguir: EXERCÍCIO IMPOSTO DEVIDO PERCENTUAL MAED 2005 161.547,62 20% 32.309,52 2006 157.386,73 20% 31.477,35 2007 166.545,53 20% 33.309,11 485.479,88 97.095,98 Assim, constatase a aplicação de duas multas sobre a mesma base de cálculo, o que não pode persistir. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas dos Acórdãos CSRF 0104.987 e CSRF/0400.271, a seguir transcritas, assim se posicionou em relação à matéria: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo." (Acórdão CSRF 0104.987, julg. em 15/06/2004). Fl. 67DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO 4 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA Improcede a multa por atraso na entrega da declaração exigida sobre a mesma base de cálculo e concomitantemente com a multa de ofício. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/0400.271, julg. em 12/06/2006) Assim, pelos fundamentos aqui expostos, tendo a multa pelo atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual incidido exclusivamente sobre o valor do imposto apurado no auto de infração, em relação ao qual já foi aplicado multa de oficio, deve ser afastada a exigência da multa por atraso na entrega da Declaração do imposto de renda. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de DARlhe provimento. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 68DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICI O CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 13931.001193/2008-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002, 2003
AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA.
É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Súmula CARF nº 27).
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF).
O descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não invalida o lançamento efetuado pela autoridade tributária.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A alegação de que os depósitos em conta corrente bancária têm origem em contratos de mútuo celebrados com pessoas ligadas deve estar amparada em um conjunto probatório robusto, sendo insuficiente a apresentação do instrumento contratual.
DECADÊNCIA.
Aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, quando não há pagamento do IRPJ e da CSLL. Contagem do prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador.
Reconhecimento da decadência do IRPJ e da CSLL do ano-calendário
de 2002, visto que o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003, com término do prazo em 31/12/2007. Lançamento efetuado apenas em 24/12/2008.
Numero da decisão: 1201-000.425
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do auto de infração. Por maioria de votos, ACATAR a decadência para os créditos de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2002. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos e Marcelo Cuba Netto (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003 AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA. É válido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Súmula CARF nº 27). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não invalida o lançamento efetuado pela autoridade tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A alegação de que os depósitos em conta corrente bancária têm origem em contratos de mútuo celebrados com pessoas ligadas deve estar amparada em um conjunto probatório robusto, sendo insuficiente a apresentação do instrumento contratual. DECADÊNCIA. Aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, quando não há pagamento do IRPJ e da CSLL. Contagem do prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Reconhecimento da decadência do IRPJ e da CSLL do ano-calendário de 2002, visto que o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003, com término do prazo em 31/12/2007. Lançamento efetuado apenas em 24/12/2008.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA. É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Súmula CARF nº 27). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não invalida o lançamento efetuado pela autoridade tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A alegação de que os depósitos em conta corrente bancária têm origem em contratos de mútuo celebrados com pessoas ligadas deve estar amparada em um conjunto probatório robusto, sendo insuficiente a apresentação do instrumento contratual. DECADÊNCIA. Aplicação do artigo 173, inciso I, do CTN, quando não há pagamento do IRPJ e da CSLL. Contagem do prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Reconhecimento da decadência do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2002, visto que o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003, com término do prazo em 31/12/2007. Lançamento efetuado apenas em 24/12/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 768 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do auto de infração. Por maioria de votos, ACATAR a decadência para os créditos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2002. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos e Marcelo Cuba Netto (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rafael Correia Fuso. Quanto ao mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto, Natanael Vieira dos Santos e Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos, respectivamente, nos termos dos arts. 33 e 34, I, ambos do Decreto nº 70.235/72. No termo de relatório de ação fiscal de fls. 215/230 a autoridade informa haver apurado as seguintes infrações à legislação tributária, relativamente aos anoscalendários de 2002 e 2003: a) depósitos bancários de origem não comprovada, conforme demonstrativo individualizado de fls. 231/258 e demonstrativo consolidado de fl. 259; b) dedução indevida, na DIPJ/2002 (fls. 260/261), de outras despesas financeiras e de despesas operacionais, uma vez não comprovadas as operações que lhes deram causa. Em virtude dos ilícitos apurados o auditor lavrou os autos de infração do IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL (fls. 272/298). Sobre o valor dos tributos e contribuições apurados impôs multa qualificada (150%), sob o argumento de que restou constatada a ocorrência de fraude ou conluio, conforme arts. 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Impugnada a exigência (fls. 334/372), a DRJ de origem decidiu pela procedência parcial do lançamento para (fls. 721/727): a) reconhecer a extinção, por decadência, da contribuição para o PIS e da Cofins lançadas, exceto quanto aos fatos geradores ocorridos em 12/2003; b) admitir como comprovada a origem de depósitos bancários nos montantes de R$ 130.000,00 e R$ 384.897,72 para os anos de 2002 e 2003, respectivamente; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 769 3 c) reduzir de 150% para 75% a multa imposta pela autoridade tributária, por considerar não haver nos autos prova inequívoca e objetiva da ocorrência de fraude ou conluio. Tendo em vista haver exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00, o órgão a quo submeteu sua decisão ao duplo grau de jurisdição. Inconformada, a autuada interpôs recurso voluntário argumentando, em síntese, o seguinte (fls. 735/766): a) é nulo o processo, pois, apesar de haver se iniciado em Curitiba, onde a empresa mantém sua sede, a ação fiscal posteriormente foi transferida para a jurisdição da DRF em Ponta Grossa, sem qualquer justificativa; b) é nulo o auto de infração, uma vez lavrado após expirado o prazo de validade do MPFF; c) com base no art. 150, § 4º, do CTN, encontramse extintos pela decadência todos os créditos tributários cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de 12/2003; d) os documentos acostados aos autos comprovam a origem dos depósitos em conta corrente advindos de mútuos obtidos junto as empresa Ozyx, Replecta e sua sócia Karina Rozemblum; e) também está comprovada a origem dos depósitos referentes à amortização de contrato de mútuo celebrado com a Construtora Valor; f) provada a existência dos contratos de mútuo, revelase indevida a glosa de despesas financeiras com juros; g) vários dos depósitos que a autoridade considerou como de origem não comprovada referemse a valores recebidos da Construtora Valor, a título de adiantamento de investimento em sociedade em conta de participação constituída com vistas à construção do Edifício Victoria Village, conforme demonstram os documentos em anexo; h) ainda entre os créditos considerados como de origem não comprovada está a alienação da parte da participação que a contribuinte mantinha junto à empresa Joinville Express Empreendimentos, conforme documentos acostados aos autos; i) a multa aplicada viola o princípio constitucional do não confisco; j) é ilegal a incidência da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator 1) Da Admissibilidade dos Recursos Voluntário e de Ofício Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 770 4 Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. 2) Da Alegação de Nulidade do Processo Alega a recorrente, com fulcro no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que o processo é nulo, tendo em vista a alteração de jurisdição da DRF em Curitiba para a DRF Ponta Grossa no curso da ação fiscal e sem que fosse dada qualquer justificativa à contribuinte. Não assiste razão à recorrente. De ver que a autoridade fiscal que lavrou o auto de infração é mesma que foi indicada a conduzir, e efetivamente conduziu, desde o início, a ação fiscal (fl. 1). Assim sendo, restou preventa e prorrogada a sua competência, a teor do disposto no art. 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Esse é também o entendimento deste Conselho, vazado em sua Súmula nº 27, publicada no DOU de 22/12/2009: Súmula CARF nº 27: É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. 3) Da Alegação de Nulidade do Auto de Infração Afirma a interessada ser nulo o auto de infração, por haver sido lavrado após o prazo de validade do MPFF. Ocorre que, conforme documento de fl. 720, a lavratura do auto de infração se deu antes de expirado o prazo de validade do MPF. Seja como for, é pacífico o entendimento neste Conselho de que o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal, apesar de sujeitar a autoridade tributária a sanções administrativas, não invalida o lançamento por esta efetuado. 4) Do Recurso de Ofício Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 771 5 Não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto à matéria submetida, de ofício, ao duplo grau de jurisdição. De fato, no que concerne à decadência da contribuição para o PIS e da Cofins, comprovado o pagamento parcial em relação aos períodos lançados, a contagem do prazo qüinqüenal obedece ao disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Assim, como o lançamento foi cientificado à contribuinte em 24/12/2008 (fl. 302), encontramse extintos pela decadência todos os créditos tributários dessas contribuições cujos respectivos fatos geradores tenham ocorrido antes de 24/12/2003. Quanto à origem dos depósitos em conta corrente bancária, realmente estão comprovadas as transferências entre contas de titularidade da autuada indicadas na decisão recorrida (fl. 725 – verso), bem como os valores pagos pelo cliente Francisco Terasawa, que já haviam sido objeto de lançamento de ação fiscal anterior (fl. 3 e fls. 634/640). Por fim, correta também a redução da multa de 150% para 75%, uma vez que a autoridade não expôs as razões pelas quais teria identificado a ocorrência de fraude ou conluio. 5) Da Alegação de Decadência Argumenta a defendente que encontramse extintos pela decadência os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram antes de 24/12/2003. Como visto antes, a DRJ de origem já havia reconhecido a decadência da contribuição para o PIS e da Cofins cujos fatos geradores ocorreram antes de 24/12/2003. Entendeu o órgão recorrido, todavia, que o IRPJ e a CSLL cujos fatos geradores anuais ocorreram em 31/12/2002 não foram alcançados pelo decurso do prazo decadencial, haja vista que, inexistindo pagamento, a contagem se faria pelo disposto no art. 173 do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Tratase, aqui, da já antiga controvérsia doutrinária e jurisprudencial acerca do termo a quo do prazo decadencial qüinqüenal dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Antes de se adentrar no âmbito dessa controvérsia, é importante esclarecer duas situações em que ela não se estabelece: (i) quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipótese em que não há dúvida de que termo inicial será sempre o previsto no art. 173 do CTN; (ii) quando haja pagamento parcial do tributo, caso em que é pacífico o entendimento de que o termo a quo será sempre o estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, exceto na hipótese descrita em (i) acima. Assim sendo, o imbróglio jurídico limitase à hipótese em que não exista comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nem tampouco haja pagamento do tributo. Nessa situação existem ao menos quatro teses, a saber: (i) o termo inicial é o estabelecido no art. 150, § 4º, c/c o art. 173, ambos do CTN (tese do “cinco mais cinco para lançar”); (ii) o termo inicial é aquele estampado no art. 173 do CTN; (iii) o termo inicial é o previsto no art. 150, § 4º, do CTN; (iv) o termo inicial é o estabelecido no art. 150, § 4º, do CTN, desde que, realizada a “atividade” de determinação da base de cálculo, não haja tributo devido. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 772 6 Ao apreciar o REsp nº 973.733/SC, o qual, em razão da multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, foi submetido ao procedimento de que cuida o art. 543C do Código de Processo Civil, a Primeira Seção do STJ prolatou acórdão com a seguinte ementa (DJe de 18/09/2009 grifos são do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 773 7 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Pois bem, ainda que o art. 62A do Regimento Interno do CARF estabeleça que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil devam ser observadas pelos conselheiros do CARF, entendo que, no caso sob exame, os membros desta Turma estão livres para adotar sua prórpia interpretação sobre o tema. Isso porque, embora a ementa acima transcrita não seja clara a esse respeito, o que foi decidido pelo STJ nos autos do REsp nº 973.733/SC é que a tese do “cinco mais cinco para lançar” não encontra amparo no CTN. Como não é essa a questão de que tratam os presentes autos, não há vinculação. Assim sendo, permaneço adotando a posição segundo a qual, na inexistência de pagamento, a contagem do prazo decadencial é regulado pelo disposto no art. 173 do CTN. No caso, além de não haverem sido realizados pagamentos a título de IRPJ e CSLL anual, verifico também que, segundo informação prestada na DIPJ/2003, inexistem pagamentos a título de estimativas de IRPJ e CSLL, bem como retenções de imposto de renda na fonte (fl. 262). Não há como acolher, pois, a alegação de decadência do IRPJ e da CSLL relativos ao anocalendário de 2002, já que a contagem do prazo qüinqüenal iniciouse em 01/01/2004 e se encerraria apenas em 31/12/2008. 6) Depósitos de Origem não Comprovada Alega a interessada estar comprovada a origem dos recursos depositados em suas contas correntes bancárias, conforme operações que serão a seguir examinadas. 6.1) Contratos de Mútuo De acordo com a interessada os depósitos relacionados às fls. 750/751 correspondem a ingressos decorrentes de contratos de mútuo em que a contribuinte, na condição de mutuária, celebrou com as empresas Ozyx, Replecta e sua sócia, Karina Rozemblum. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 774 8 De pronto verificase que a própria recorrente admite, nas planilhas de fls. 750/751, não possuir os instrumentos dos contratos de mútuo relativamente a 10 dos 20 depósitos supostamente efetuados pelas empresas Ozyx e Replecta, e pela sócia Karina Rozemblum. Tais depósitos, em razão da ausência de elementos que comprovem as correspondentes operações de mútuo, permanecem com sua origem incomprovada. Em relação aos outros 10 depósitos a interessada apresenta, além dos registros de sua contabilidade, os contratos de mútuo (fls. 535/575). A DRJ entendeu serem insuficientes os documentos apresentados sob o argumento de que, em se tratando de mútuo entre pessoas ligadas, seria necessária a apresentação de outros elementos de convicção, como a quitação dos empréstimos. Entendo também que o instrumento do contrato de mútuo entre pessoas ligadas, apesar de necessário, é insuficiente para provar a operação. A interessada poderia ter apresentado, junto à peça recursal, os elementos solicitados pela DRJ, mas não o fez. Assim sendo, permanece sem comprovação a origem dos recursos relativos aos 10 depósitos sob exame. 6.2) Amortizações de Mútuo e Adiantamentos para Investimento Diz a recorrente que os depósitos relacionados à fl. 756 têm origem em amortizações de mútuo contratados com a empresa Construtora Valor Ltda., em que a contribuinte figura na condição de mutuante. Pelo exame dos documentos acostados aos autos com vistas a comprovação da alegação acima (fls. 599/608), é possível constatar que não foram juntados os respectivos instrumentos dos contratos de mútuo. Há ainda o fato, já alertado pela DRJ de origem, de que a Construtora Valor Ltda. é pessoa ligada a ora recorrente, daí porque a alegação de que os referidos depósitos adviriam de mútuo entre as empresas demandaria prova mais robusta do que a exigida para pessoas não ligadas. Afirma também a interessada que os depósitos relacionados à fl. 757 são oriundos de adiantamentos concedidos pela Construtora Valor Ltda., para investimento em sociedade em conta de participação constituída com vistas à construção do Edifício Victoria Village. Os documentos referentes à alegada operação encontram às fls. 609/628. São eles o instrumento do contrato de constituição da referida sociedade em conta de participação e cópias de extratos bancários da Construtora Valor Ltda. Não há, entretanto, o instrumento do contrato para adiantamento de investimento, razão pela qual permanece incomprovada a origem dos depósitos em questão. 6.3) Alienação de Participação Societária Argumenta a recorrente que o depósito relacionado à fl. 758 tem origem em alienação de parcela de sua participação societária na empresa Joinville Express Empreendimentos, conforme documentos de fls. 641/649. Ocorre que a cláusula primeira da segunda alteração ao contrato social da empresa Joinville Express Empreendimentos revela que a alienação da citada parcela da participação societária se deu pelo valor de R$ 10.000,00, pagos na data do ato, ou seja, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 775 9 20/11/2002. Por sua vez, o depósito cuja a origem a contribuinte pretende comprovar é de R$ 260.000,00, realizado no dia 11/09/2002. Não havendo coincidência entre datas e valores, permanece sem comprovação o depósito sob exame. 7) Glosa de Despesas Por não haverem sido provadas, foram glosadas despesas operacionais, no montante de R$ 225.128,50, e outras despesas financeiras, no valor de R$ 1.881.106,13, informadas na DIPJ/2003 (fls. 260/261). A glosa das despesas operacionais não foi contestada. Quanto às outras despesas financeiras diz a recorrente que, provadas as operações de mútuo, incabível seria a sua glosa. Porém, como visto no item 6.1 deste voto, as operações de mútuo permanecem incomprovadas. Por outro lado, ainda que provadas as referidas operações de mútuo, não se poderia concluir que estariam “automaticamente” provadas as despesas financeiras. Isso porque, como visto anteriormente, o mútuo foi contratado com pessoas ligadas, e não há na contabilidade da contribuinte qualquer registro de despesas com juros. 8) Multa de Ofício e Juros de Mora Afirma ainda a recorrente que a multa de ofício estabelecida no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 possui caráter confiscatório, violando dessa forma o disposto no art. 150, IV, da Constituição. A alegação de inconstitucionalidade de lei é objeto da abaixo transcrita Súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne ao emprego da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o CARF, por intermédio da Súmula nº 4, pacificou a questão da seguinte maneira: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 9) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por indeferir as preliminares de nulidade do processo e do auto de infração e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 776 10 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Correia Fuso, Redator designado Coube a este julgador o voto vencedor apenas em relação à questão da decadência, visto que nos demais itens julgados pelo ilustre Conselheiro Relator, não houve reparos, sendo acompanhado no mérito por unanimidade de votos. Como bem narrado nesse julgado, a Recorrente argumenta em seu petitório que os créditos tributários objeto do presente lançamento, que são anteriores a 24/12/2003, foram extintos pela decadência, visto que o lançamento ocorreu com a notificação do contribuinte em 24/12/2008. A DRJ de origem já havia reconhecido a decadência da contribuição para o PIS e da Cofins cujos fatos geradores ocorreram antes de 24/12/2003. Já em relação ao IRPJ e a CSLL, cujos fatos geradores anuais ocorreram em 31/12/2002, o entendimento do ilustre Relator fora pelo não reconhecimento do prazo decadencial, haja vista que, inexistindo pagamento, a contagem se faria pelo disposto no art. 173 do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal, porém dando interpretação, que sob nosso ponto de vista não está contemplada nas hipóteses possíveis trazidas no enunciado artigo 173, inciso I, do CTN, qual seja, iniciar a contagem do prazo a partir de 01 de janeiro de 2004. A jurisprudência firmada do STJ, a despeito das quatro teses ventiladas pelo Relator, é no sentido de reconhecer a aplicação do disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, quando não há pagamento, portanto, iniciandose o prazo a partir do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Contudo, a despeito de existir no art. 62A do Regimento Interno do CARF a necessidade de aplicação das decisões do STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, entendo que, no caso sob exame, os membros desta Turma estão livres para adotar sua própria interpretação sobre o tema, visto que em momento algum a Corte Maior, em seu julgado no REsp nº 973.733/SC, teceu qualquer análise no sentido da aplicação do artigo 150, § 4° ou artigo 173, inciso I, do CTN, nos casos em que envolvam o início da contagem de prazo de decadência de um tributo anual, como o caso do IRPJ e a CSLL. Por isso, considerando a ausência de pagamento dos tributos, bem como que em relação aos fatos geradores de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002 (31/12/2002), o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2003, atendendo a redação do artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo decadencial quanto a esse períodobase anual se encerrou em 31/12/2007, ou seja, foram atingidos pela decadência. Já em relação ao fato gerador do IRPJ e da CSLL do período de 2003 (31/12/2003), este já não fora atingido pela decadência nos termos do artigo 173, inciso I, do CTN, pois o término do prazo decadencial ocorreu em 31/12/2008, sendo que o lançamento, conforme narrado, ocorreu em 24/12/2008. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13931.001193/200812 Acórdão n.º 120100.425 S1C2T1 Fl. 777 11 Diante do exposto, acolho a questão preliminar da decadência quanto ao IRPJ e a CSSL, relativa aos fatos geradores de 2002 (31/12/2002). É como voto! Rafael Correia Fuso (documento assinado digitalmente) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por MARCELO CUBA NETTO, 10/03/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 08/0 4/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 10865.001670/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 08/12/2006
RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PRIMARIEDADE.
A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; sem ocorrência de circunstância agravante.
A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte.
Analisando os requisitos e os autos, verifica-se que o autuado é reincidente.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe
comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.974
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida
Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A,
inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2006 RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PRIMARIEDADE. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verifica-se que o autuado é reincidente. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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BITTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA. Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2006 RELEVAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PRIMARIEDADE. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessitava dos seguintes requisitos: Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; Primariedade do infrator; Correção da falta até a decisão do INSS; sem ocorrência de circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que o autuado é reincidente. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Ausente momentaneamente o Conselheiro Thiago Davila Melo Fernandes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.001670/200710 Acórdão n.º 230200.974 S2C3T2 Fl. 88 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente apresentou algumas GFIP preenchidas e entregues ao agente arrecadador em duplicidade, o que provocou um valor devido a maior para a Previdência Social, conforme relatório fiscal às fls. 12 a 15. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 60 a 62. A Delegacia da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 72 a 75, mantendo a autuação em sua integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 78 a 81. Alega em síntese que: a) A recorrente possui direito à relevação da multa; b) A recorrente não é reincidente; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 84. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao cabimento da relevação da multa teço a seguinte análise. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: I. Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; II. Primariedade do infrator; III. Correção da falta até a decisão do INSS; IV. Sem ocorrência de circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que a recorrente é reincidente, conforme fl. 16, o que impede a relevação da multa, em virtude da ausência de primariedade. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Contudo, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10865.001670/200710 Acórdão n.º 230200.974 S2C3T2 Fl. 89 5 que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores, declarando a maior, sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa prevista no art. 283, parágrafo 3º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que pode haver cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Deve ser refeito o cálculo da multa aplicada considerando o disposto na Lei 11.941, caso seja mais vantajoso ao infrator. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada, se mais vantajosa, considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13807.009382/00-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1997
INCENTIVO FISCAL. FINAM e FINOR. DATA EXAME REGULARIDADE FISCAL.
A contribuinte tem o direito de ver examinada a sua regularidade fiscal na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da respectiva declaração DIRPJ. Aplicação da Súmula CARF nº 37.
Numero da decisão: 1202-000.502
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, sem prejuízo do exame do mérito do incentivo fiscal pela unidade preparadora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1997 INCENTIVO FISCAL. FINAM e FINOR. DATA EXAME REGULARIDADE FISCAL. A contribuinte tem o direito de ver examinada a sua regularidade fiscal na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da respectiva declaração DIRPJ. Aplicação da Súmula CARF nº 37.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 INCENTIVO FISCAL. FINAM e FINOR. DATA EXAME REGULARIDADE FISCAL. A contribuinte tem o direito de ver examinada a sua regularidade fiscal na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da respectiva declaração DIRPJ. Aplicação da Súmula CARF nº 37. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, sem prejuízo do exame do mérito do incentivo fiscal pela unidade preparadora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta e João Bellini Júnior. Fl. 381DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.009382/0040 Acórdão n.º 120200.502 S1C2T2 Fl. 382 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório do Acórdão nº 16 22.022 da DRJ/São Paulo I, de fls. 306 a 311: “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, relativo ao anocalendário 1997, protocolado em 28/09/2000 pelo contribuinte acima identificado (fl. 01). 2. Conforme dados constantes na DIRPJ/1998 apresentada (Ficha 10 — Aplicações em Incentivos Fiscais fls. 26 e 234), a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda aos fundos de investimento FINOR e FINAM. 3. Todavia, no processamento eletrônico da DIRPJ, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, conforme cópia do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 04), o que motivou a apresentação do PERC, que foi indeferido no Despacho Decisório de fl. 240, em razão de irregularidades da contribuinte (fls. 224, 225, 226 e 239) perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). 4. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 242 a 247, protocolizada em 12/12/2008 e acompanhada dos documentos de fls. 248 a 304, alegando em síntese que: 4.1. A autoridade administrativa verificou a regularidade fiscal da contribuinte na data em que analisou o PERC, contudo, a melhor interpretação para a definição da data da regularidade fiscal é a da entrega da DIPJ, uma vez que a regularidade fiscal da contribuinte deve corresponder ao período a que o beneficio fiscal se refere; 4.2. Os débitos inscritos em dívida ativa, apontados pelo Despacho Decisório, não podem constituir motivo de indeferimento do PERC, conforme a seguir demonstrado: 4.2.1. A inscrição em dívida ativa n° 80.6.04.03182228 foi objeto de pedido de revisão protocolado em 05/07/2004, pendente de análise até o momento (fls. 263 a 265); 4.2.2. A inscrição em dívida ativa n° 80.2.07.01644336 está sendo objeto de exceção de préexecutividade (fls. 266 a 304).” Na sequência, a DRJ/ São Paulo I indeferiu o pedido, porque a contribuinte não teria demonstrado a situação de regularidade fiscal na data da emissão do Despacho Decisório da DIORT/DERAT/SP, condição exigida pelo artigo 60, da Lei n° 9.069, de 1995, cujo ementário do Acórdão abaixo se transcreve: “TRIBUTOS FEDERAIS. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. INCENTIVO OU BENEFÍCIO FISCAL. INDEFERIMENTO. A falta de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, pelo contribuinte, impede o reconhecimento da concessão de beneficios ou incentivos fiscais. Solicitação Indeferida” Fl. 382DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.009382/0040 Acórdão n.º 120200.502 S1C2T2 Fl. 383 3 Cientificada do Acórdão da DRJ em 31/07/2009, fls. 312verso, e inconformada com o resultado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 31/08/2009, fls. 313 a 326, repisando praticamente os mesmos argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente e dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente processo, gira em torno do atendimento do art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, que trata da comprovação da quitação de tributos e contribuições federais para fins de gozo do benefício fiscal de aplicação de parte do imposto de renda devido em fundos regionais de desenvolvimento (FINOR e FINAM). Assim dispõe o citado art. 60: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Pois bem. A dúvida que se instaurou diz respeito em esclarecer qual a data que deve ser considerada para a comprovação da quitação de tributos e contribuições federais para fazer jus ao incentivo fiscal. O Acórdão recorrido se manifestou no sentido de que o momento de verificação da regularidade fiscal é a data do exame do PERC pela autoridade fiscal quando da emissão do Despacho Decisório, ocorrida em 04/08/2008, fls.240. Assim, nessa data, referido Despacho identificou pendências de débitos fiscais controlados nos processos administrativos nº 10880.534576/200401 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8060403182228), e nº 13807.002107/200318 (inscrição na Dívida Ativa da União n° 8020701644336), controlados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), indeferindo o direito aos incentivos. Já a recorrente, alega que o órgão julgador deveria examinar a situação fiscal da empresa na época da opção pelo incentivo fiscal, ou seja, na data da entrega da DIRPJ/98, ocorrida em 29/04/1998, fls. 05, e não na data do exame do PERC pela autoridade fiscal quando da emissão do Despacho Decisório, realizado em 2008. Efetivamente, este colegiado tem se deparado, por diversas vezes, com dúvidas a respeito do momento em que deve ser verificada a situação fiscal dos contribuintes que desejam usufruir de benefícios e incentivos fiscais. Se na data da entrega da declaração DIPJ, quando foi feita a opção pelo incentivo, ou se na data do exame do PERC pela unidade administrativa de origem. Fl. 383DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.009382/0040 Acórdão n.º 120200.502 S1C2T2 Fl. 384 4 Com efeito, essa matéria encontrase sumulada neste órgão julgador, conforme prescreve a Súmula CARF nº 37, aprovada pela Portaria CARF nº 052, de 21 de dezembro de 2010, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifei) Como se percebe da leitura da Súmula acima transcrita, a jurisprudência se consolidou no sentido de que a comprovação da regularidade fiscal deve se dar na data da opção pelo incentivo fiscal, que ocorre com a entrega da declaração DIPJ, podendo tal regularidade ser comprovada em qualquer fase do Processo Administrativo Fiscal. Pois bem. Não existe nos autos comprovação da regularidade fiscal na data da entrega da declaração DIRPJ/98, relativa ao período de 01/01/1997 a 31/12/1997, que foi entregue em 29/04/1998. Assim, quando do exame do direito ao incentivo pela autoridade competente, a exigência de comprovação da regularidade fiscal, prevista no art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, deve se ater aos possíveis débitos existentes na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da DIRPJ/98, nos termos da Súmula CARF nº 37. Esse entendimento vem sendo confirmado pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em recente julgamento levado a efeito entre 13 e 15 de dezembro de 2010, no processo nº 10768.023289/9949, que abaixo se noticia: “IRPJ. FINOR. Pedidos de revisão e ordem de emissão de incentivos fiscais. A 1ª Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso da PGFN contra o acórdão recorrido 10195982, assim ementado: “PEDIDOS DE REVISÃO E ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS – CRITÉRIOS PARA DEFERIMENTO: A jurisprudência desta Câmara tem se pautado em analisar os Pedidos de Revisão de Ordem e Emissão de Incentivos Fiscais sob os seguintes parâmetros: para fins de cumprimento do disposto no artigo 60 da Lei 9.069/95 os débitos a serem comprovados pelo contribuinte são aqueles existentes à época da opção; pode o contribuinte, em caso de pendência, regularizá los mediante quitação ou suspensão da exigibilidade a qualquer tempo durante o processamento de seu pedido de revisão.” (Processo: 10768.023289/9949) Pelo exposto, voto no sentido de que seja dado provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito da interessada em ver examinada a sua regularidade fiscal na data da opção pelo incentivo, que ocorreu com a entrega da respectiva declaração DIRPJ, sem prejuízo do exame do mérito do incentivo fiscal pela unidade preparadora. (documento assinado digitalmente) Fl. 384DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13807.009382/0040 Acórdão n.º 120200.502 S1C2T2 Fl. 385 5 Carlos Alberto Donassolo Fl. 385DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 27/04/2011 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10283.004758/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2001
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO.
O contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA
FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de Co-Responsáveis
e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição
societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal.
PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
VERDADE MATERIAL
A busca da verdade material permite o reconhecimento de provas
extemporâneas relativas a recolhimento efetuado, pois não pode ser admitida a cobrança de um débito já pago.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer
parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatrio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Orgãos Públicos Recorrente ESTADO DO AMAZONAS SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/2001 CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. O contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços e recolher a importância retida, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. VERDADE MATERIAL A busca da verdade material permite o reconhecimento de provas extemporâneas relativas a recolhimento efetuado, pois não pode ser admitida a cobrança de um débito já pago. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para na parte conhecida conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatrio e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Adriana Sato e Wilson Antônio de Souza Correa. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10283.004758/200726 Acórdão n.º 230201.028 S2C3T2 Fl. 121 3 Relatório A presente notificação, lavrada em 25/10/2005, é substitutiva da de n.º 35.709.7429, datada de 27/06/2003 e tornada nula por Acórdão do CRPS n.º 1052/2005, em 24/05/2005, por falha na identificação do sujeito passivo. A NFLD referese a falta de recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social e relativas à retenção de 11%, incidentes sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviço emitidas pelas empresas nominadas no anexo I do relatório fiscal às fls.33/34, no período de 02/1999 a 04/2001. O relatório fiscal, fls. 26/32, diz que não foi efetuado o destaque da retenção nas notas fiscais de prestação de serviço, nem efetuado o recolhimento da mesma, sendo examinados os contratos de prestação de serviços, faturas, notas fiscais, notas de empenho, notas de liquidação de despesas e balancetes de verificação. Após a apresentação de defesa, os autos baixaram em diligência para a elaboração de relatório complementar onde ficasse demonstrada a prestação de serviço com cessão de mãodeobra em cada atividade exercida: saúde, transporte/locação de veículo com motorista, publicidade/promoções e eventos, vigilância, manutenção e limpeza e conservação. O relatório complementar de fl.60, diz que as atividades de transporte, publicidade, promoção e eventos e manutenção foram prestados na forma de empreitada. E, que as atividades de saúde foram prestadas por empregados sem vínculos com serviços profissionais regulamentados por lei federal. O contribuinte foi cientificado, com abertura de prazo para aditar a defesa, mas não se manifestou. Acórdão de fls. 69/77, julgou o lançamento procedente em parte para excluir do mesmo os serviços que foram prestados através de empreitada de mão de obra. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que os serviços prestados pela Clinicor – Clínica Cardiológica de Manaus, foi prestado por empreitada, sem empregados à disposição, que não encontrou o contrato, mas a prestadora emitiu documento para comprovar a situação; b) que o serviço prestado no hospital da força aérea não teve cessão de mão de obra porque foi prestado nas dependências do mesmo, não havendo deslocamento de segurados para o tomador; c) que houve pagamento para as notas fiscais 289, 298 e 337, da empresa Serv Max da Amazônia Técnica em Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Qualidade de Serviços, mas o fisco os negligenciou, anexa os comprovantes; d) que houve o recolhimento de R$435,34, relativo a nota fiscal n.º 8924 da empresa Poliservice; e) que o procurador foi equivocadamente responsabilizado pela fiscalização. Requer o provimento do recurso para excluir o valor das notas da Clinicor, Hospital Galeão, Poliservice e Serv Max, bem como excluir da relação de coresponsáveis e vínculos os procuradores do estado. Não foram oferecidas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10283.004758/200726 Acórdão n.º 230201.028 S2C3T2 Fl. 122 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Argüi a recorrente a exclusão do nome do Procurador Geral do Estado da relação de coresponsáveis e da relação de vínculos, haja vista que o quadro de coobrigados será repetido na eventual e futura Certidão da Dívida Ativa. Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; No Mérito A presente notificação é substitutiva de outra lavrada em 27/06/2003, e referese a retenção de 11%, incidente sobre as notas fiscais de prestação de serviço, no período de 02/1999 a 04/2001. A Lei nº 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mãodeobra. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre o INSS e a empresa tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, deixando de existir a solidariedade, criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. O artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 9.711/1998, diz que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá proceder à retenção incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da cedente de mãodeobra. Portanto, a notificada estava obrigada a proceder a retenção nas notas fiscais de prestação de serviço e ao seu recolhimento. A recorrente não se insurge quanto ao mérito da notificação na peça de defesa, apenas traz aos autos, em sede recursal, documentos que diz comprovar a prestação de alguns serviços sem cessão de mão de obra e o recolhimento de algumas contribuições lançadas. Embora o artigo 16,§4º, do Decreto n.º 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal diga que a prova documental deve ser produzida quando da impugnação, precluindo o direito do impugnante de fazêlo em outro momento, entendo que no presente caso devem ser acolhidos os argumentos notificada quanto aos recolhimentos havidos, porque se trata da busca da verdade material, objetivo primeiro da fiscalização. A lei não veda a existência de mais de um crédito tributário em relação a mesma obrigação tributária. Pode o fisco lançar o tributo (constituir o crédito tributário) e depois anular o lançamento, seja de ofício, seja por ordem judicial, e constituir outro crédito. Pode, também, ser constituído um crédito parcial e depois, verificando tal situação, lançar o crédito restante, tudo incidente sobre a mesma obrigação. Entretanto, o que não pode haver é a cobrança de uma obrigação já paga ou negociada. Temos que o ordenamento jurídico não veda a possibilidade de existência de mais de um crédito sobre a mesma obrigação tributária. O que não pode ser admitido é a cobrança de um débito já pago. Por isso, embora extemporâneas as provas juntadas pela recorrente, entendo que devam ser conhecidas para retificar o crédito lançado, nas competências em que houve pagamento de contribuição previdenciária. Quanto as guias de recolhimento da empresa Serv Max juntadas às fls. 108/111, vêse que tem total relação com as notas fiscais e os valores das retenções lançados no Discriminativo Analítico do Débito, fls.07/08 e Relatório de Lançamentos, fl.14: Competência Nota Fiscal Valor Recolhido Folha n.º 03/1999 289 R$4.924,87 108 05/1999 298 R$4.629,90 110 11/1999 337 R$ 440,00 111 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10283.004758/200726 Acórdão n.º 230201.028 S2C3T2 Fl. 123 7 Todavia, com relação ao recolhimento da empresa Poliservice, guia juntada à fl.117, no valor de R$ 435,34, não merece acolhida a argüição da recorrente, posto que se refere à nota fiscal n.º 8924, enquanto o levantamento traz a competência 03/2001 e a nota fiscal n.º 8925, de 20/01/2001, como se pode observar do Relatório de Lançamentos, à fl. 13, do processo. Também não merece guarida a alegação da recorrente de que os serviços prestados pelo Hospital Galeão estariam excluídos da cessão de mão de obra por terem sido prestados no estabelecimento do prestador, pois devese atentar para o que estatui o artigo 31, §3º, da Lei n.º 8.212/91, na redação que lhe foi dada pela Lei n.º 9.711/98, vigente à época do fato gerador: § 3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Portanto, o serviço pode ser prestado com cessão de mãodeobra tanto nas dependências do contratante como na de terceiros, não havendo a excludente como quer a recorrente. Ademais, esta argumentação não fez parte da defesa, estando neste caso precluso o prazo para seu exame. Diferentemente das provas materiais de recolhimentos efetuados que acolhi, evitando o recolhimento em duplicidade, as demais argumentações que não foram argüidas na defesa, eu deixo de examinar com base no disposto pela Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, que acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, conforme disposições abaixo transcritas , in verbis: PORTARIA MPS/GM N.º520/2004 Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. § 1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. DECRETO Nº 70.235 DE 6 DE MARÇO DE 1972 DOU DE 7/3/72 Art.16. A impugnação mencionará: ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente;( acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.( acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Não houve nos autos demonstração de exceção que ensejasse o recebimento das provas em fase recursal. A recorrente teve oportunidade quando da defesa e do prazo concedido após a ciência do relatório complementar para trazer suas razões e os documentos hábeis a comproválas, mas não o fez. Desta forma, precluso o direito da recorrente, haja vista que a essência da preclusão vem a ser a perda, extinção ou consumação do exercício de ato processual pela inércia da parte, no lapso de tempo prescrito por lei. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento as competências 03/1999; 05/1999 e 11/1999, relativas ao levantamento R7 RETENÇÃO SUSAM/SERV MAX. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10283.004758/200726 Acórdão n.º 230201.028 S2C3T2 Fl. 124 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 24/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001274/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade
de lei.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS
FINANCEIRAS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei no 9.718,
de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do
Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.889
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei no 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001274/200591 Acórdão n.º 330200.889 S3C3T2 Fl. 273 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 234 a 255) apresentado em 16 de dezembro de 2008 contra o Acórdão no 0219.705, de 03 de novembro de 2008, da 1a Turma da DRJ/BHE (fls. 223 a 228), cientificado em 21 de novembro de 2008, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de janeiro a dezembro de 2001, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2001 A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. As multas de ofício são previstas em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos o seu relevamento. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontramse disciplinadas em lei. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 18 de julho de 2005, de acordo com o termo de fls. 14 a 16. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 04/13), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 143.485,17, incluindo multa e acréscimos regulamentares, correspondente aos períodos de 01/2001 a 12/2001 (fl. 06). A autuação ocorreu em virtude da falta de recolhimento da contribuição nos citados períodos, tendo a fiscalização efetuado Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001274/200591 Acórdão n.º 330200.889 S3C3T2 Fl. 274 3 o levantamento da base de cálculo conforme demonstrativo de fls. 17/18, consoante relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 14/16. Como enquadramento legal, citaramse os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970; artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Irresignado, tendo sido cientificado em 18/07/2005 (fl. 05), o autuado apresentou, em 12/08/2005, acompanhadas dos docs. de fls. 187/216, as suas razões de discordância (fls. 172/186), assim resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, ressalta que a cobrança da contribuição em foco, com fulcro na Lei nº 9.718, de 1998, ao pretender a extensão do conceito de faturamento, de modo a abranger toda receita auferida pela pessoa jurídica, violou diversos dispositivos constitucionais, tais como os princípios da legalidade (inciso I do art. 5º e II do art. 150 da Constituição Federal e 97 do CTN), da isonomia (inciso II do art. 5º e I do art. 150 da C.F.), da capacidade contributiva (§ 1º do art. 145), da anterioridade nonagesimal (art. 6º do art. 195 da C.F.), da hierarquia das leis (art. 59 da C. F.) e dos conceitos do direito privado (art. 110 do CTN). Salientando que nem mesmo com a promulgação da EC nº 20, de 1998, criada na tentativa de regularizar a cobrança dos PIS e da Cofins, de forma a sanar as irregularidades perpetradas, afastouse a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998. Isto porque esta fora editada em data anterior àquela, não gozando a emenda de efeitos retroativos, porquanto, se admitidos tais efeitos, esse entendimento acarretaria a insegurança jurídica plena, decorrente da afronta ao sistema constitucional vigente. Transcreve doutrina e jurisprudência a respeito do assunto, contestando o percentual aplicado da multa de ofício, porque exacerbado, possuindo nítido efeito confiscatório, indo de encontro à disposição contida no artigo 150, IV, da Constituição Federal de 1988, que o veda, portanto inconstitucional, ferindo ainda o princípio da capacidade contributiva, nos termos do § 1º do art. 145 da Constituição Federal, pelo que requer a sua exclusão. Transcrevendo jurisprudência acerca do assunto, prossegue em seu arrazoado, insurgindose contra a possibilidade de aplicar se a taxa Selic, seja como índice de atualização de tributos, seja como taxa de juros, pelo fato de essa possuir caráter estritamente remuneratório de capital, porquanto criada e regulamentada pelo Banco Central do Brasil, regulamentação essa sem força legal, o que contraria o princípio da legalidade, ferindo ainda os mandamentos contidos nos arts. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, (e o § 3º do art. 192 da Constituição Federal), que estabelece o limite de juros de 12% ao ano, pelo que requer a sua redução. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001274/200591 Acórdão n.º 330200.889 S3C3T2 Fl. 275 4 Por fim, requer seja reconhecida a improcedência da presente autuação, dandose integral provimento às suas razões de defesa ou que sejam excluídos do lançamento os juros calculados com base na taxa Selic, limitados aos termos do art. 161 do CTN, e a multa de ofício, por confiscatória. Eis o relatório do essencial." No recurso, a Interessada alegou que deveriam ser excluídos da base de cálculo os valores que não correspondessem a faturamento, à vista da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pela Lei no 9.718, de 1998. Ademais, a criação de nova fonte de custeio da seguridade social somente poderia ser efetuada por lei complementar, conforme art. 195, § 4º, da Constituição. Contestou também a aplicação da multa, alegando ser confiscatória. Por fim, seria impossível a aplicação da taxa Selic como de juros de mora. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, sobreveio, entre a aprovação da diligência e seu retorno, a declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins. Inicialmente, é preciso esclarecer que o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001274/200591 Acórdão n.º 330200.889 S3C3T2 Fl. 276 5 Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001274/200591 Acórdão n.º 330200.889 S3C3T2 Fl. 277 6 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Dessa forma, como o presente lançamento ocorreu em função da não observação das disposições da Lei no 9.718, de 1998, em princípio deveria ser afastada a exigência. A Fiscalização esclareceu, no relatório fiscal, não terem sido declarados e pagos quaisquer valores da contribuição no período a que se refere o auto de infração. A apuração foi efetuada de acordo com o demonstrativo de fls. 17 e 18, que dá conta da inclusão de receita bruta de vendas e de receitas financeiras (descontos obtidos e juros recebidos). Portanto, somente as receitas financeiras acima mencionadas devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Em relação às demais alegações de inconstitucionalidade, o que abrange também a multa, aplicase a Súmula Carf no 2, conforme a Portaria Carf no 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula Carf no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante aos juros, aplicamse as Súmulas Carf nos 4 e 5: Súmula CARF no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF no 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídas da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001274/200591 Acórdão n.º 330200.889 S3C3T2 Fl. 278 7 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001788/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2004
DESPESAS COM INSTRUÇÃO E MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECURSO IMPROVIDO
Conforme estabelece o art. 8º, par. 2o, III da lei 9.250/95, todas as deduções da base de cálculo do imposto de renda estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de instrução
ou médicas, mantêm-se a exigência fiscal.
Numero da decisão: 2102-001.361
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2004 DESPESAS COM INSTRUÇÃO E MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECURSO IMPROVIDO Conforme estabelece o art. 8º, par. 2o, III da lei 9.250/95, todas as deduções da base de cálculo do imposto de renda estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de instrução ou médicas, mantêm-se a exigência fiscal.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECURSO IMPROVIDO Conforme estabelece o art. 8o, par. 2o, III da lei 9.250/95, todas as deduções da base de cálculo do imposto de renda estão sujeitas à comprovação, a juízo da autoridade lançadora. Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de instrução ou médicas, mantêmse a exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 184DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 19/07/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10670.001788/200717 Acórdão n.º 2102001.361 S2C1T2 Fl. 160 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 2a. Turma da DRJ/JFA, de 05 de maio de 2.010 (fls. 131/136), que por unanimidade de votos manteve parcialmente exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 06/06/2006, quando foi intimado a recolher o valor total de R$ 7.562,55 (sete mil, quinhentos e sessenta e dois reais e cinqüenta e cinco centavos) , sendo R$ 3.618,45 a título de imposto, R$ 1.230,27 de juros de mora e R$ 2.713,83 de multa. De acordo com o Auto de Infração (fls. 02/07), a exigência do imposto com os acréscimos legais decorre da glosa de despesas com instrução e médicas, lançadas na Declaração de Ajuste Anual referente ao ano base de 2.004. Por decisão da 2a Turma da DRJ/JFA, de 07 de dezembro de 2009, o julgamento foi convertido em diligência (fls. 58/59), para que os documentos apresentados após a lavratura do auto de infração fossem apreciados, bem como, reabrir novo prazo para o Recorrente apresentar documentos comprobatórios da realização das despesas. Em resposta à diligência, o Recorrente apresentou os documentos de fls. 63 a 129, acolhidos em parte na decisão proferida em 05/05/2010., uma vez que restou reconhecidas despesa de instrução pertinente ao dependente Paulo Eduardo Palazzo Quintino Borges, até o limite de R$ 1.998,00, devendo neste valor ser a glosa revertida. No tocante aos pagamentos efetuados em função da dependente Patrícia Palazzo Borges, uma vez considerados inábeis os documentos de fls. 20/22 (canhotos de cheques). Destarte, foi mantida pela decisão de primeira instancia, a glosa no valor de R$ 1.998,00, limite para a dependente Patrícia Palazzo Borges. No tocante às despesas médicas, entendeu o Sr. Relator da decisão de primeira instancia, que a despesa realizada com o fisioterapeuta Sr. Clyford Alves Vieira, no valor de R$ 8.000,00 foi elevada, e mesmo instado também através de diligência, o Recorrente não apresentou canhoto de cheques e tão pouco evidencias de saques que justificassem o pagamento em papel moeda, nem mesmo, outras evidencias do pagamento. Relativamente aos valores atribuídos à Fundação Hospitalar de Montes Claros, de R$ 67,00 e R$ 505,00, não foram aceitos por não estarem amparados em notas fiscais e não haver informação sobre a dispensa em emitilas, bem como, pelo fato de não identificar o recebedor dos serviços médicos, apenas constando o Recorrente como pagador. Pelo mesmo motivo, os valores atribuídos à Prolab Laboratório de Análises Clinicas. Finalmente, por não haver comprovação, mantidas as glosas dos valores de R$ 100,00 e R$ 5,00, respectivamente, atribuídos a Gilson Miguel da Silva e Hospital São Lucas. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 19/07/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10670.001788/200717 Acórdão n.º 2102001.361 S2C1T2 Fl. 161 3 Assim, a decisão de primeira instância glosou o valor de R$ 9.012,00, atribuídas a despesas médicas.. Em grau de recurso a este colegiado, aduz o Recorrente às fls. 139/140: a) ratifica pedido de revisão face à glosa da despesa em nome de Patrícia Palazzo Borges, bem como protesta por futura apresentação de documento solicitado à entidade de ensino; b) não haver contrato de prestação de serviço médico, e que os recibos se encontravam em poder da secretária. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Inicialmente, apreciando a glosa das despesas de instrução da dependente Patricia Palazzo Borges, com efeito, os canhotos de cheques acostados às fls. 22 e 23 não são suficientes para assegurar o direito ao abatimento dos valores na DAA, como pretendido. No decorrer do processo administrativo fiscal, o Recorrente não apresentou um único documento de instituição de ensino, nas várias oportunidades que teve, e o simples fato de protestar, a final, por futura juntada deste documento, sem fazêlo, evidencia que não o tem, e por conseqüência, não lhe pode ser assegurado o direito ao abatimento de tal despesa. A exigência da comprovação decorre do art. 73 do decreto 3.300/99, devendo assim, ser mantida a glosa, tal como consta da decisão recorrida. No tocante às despesas médicas, melhor sorte não espera o Recorrente. Às fls. 140 do Recurso Voluntário, o Recorrente simplesmente alega “não ter contrato de pagamento, o mesmo era efetuado a qualquer momento, pois os recibos se encontravam em poder da secretária que recebia e entregava o recibo”. Cediço que sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir do contribuinte a comprovação ou justificação das despesas médicas deduzidas. Com efeito, nos caso em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de tratamento médico, há de se manter a exigência do crédito tributário. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 19/07/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10670.001788/200717 Acórdão n.º 2102001.361 S2C1T2 Fl. 162 4 Dos vários precedentes mencionados na decisão recorrida, merece destaque o Acórdão do 1o CC 10423.322, de 2008, cuja ementa é a seguinte: “DEDUÇÃO – DESPESAS MÉDICAS – Recibos ou notas fiscais, mesmo que emitidos nos termos exigidos pela legislação, não comprovam, por si só, sem outros elementos de provas complementares, pagamentos realizados por serviços médicos ou odontológicos, quando há dúvidas sobre a efetividade da sua prestação. Nessa hipótese, justificase a exigência por parte do Fisco, de elementos adicionais para a comprovação da efetividade da prestação dos serviços e/ou do pagamento”. Pelas razões acima expostas, conheço e quanto ao mérito, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 187DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/07/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 19/07/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 10/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.010359/91-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1985, 1986, 1987
Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância
não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de
funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1103-000.494
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1985, 1986, 1987 Ementa: IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. O órgão de primeira instância não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo.
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O órgão de primeira instância não deve conhecer de impugnação intempestiva. Alegação de falta de funcionamento da repartição por ocorrência de greve deve ser provada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado negar provimento por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes (suplente convocado), Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero (Vice presidente) e Aloysio José Percínio da Silva (Presidente). Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ – imposto de renda .pessoa jurídica (fls. 07) lavrado em razão de omissão de receitas nos exercícios 1986, 1987 e 1988, conforme Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.010359/9155 Acórdão n.º 110300.494 S1C1T3 Fl. 2 2 descrição da autoridade fiscal contida no TVC – termo de verificação e constatação (fls. 03), com multa de 50% prevista no art. 728, II, do RIR/80 – regulamento do imposto de renda aprovado pelo Decreto nº 85.450, de 4 de dezembro de 1980. Cientificada do lançamento no dia 21/03/1991, a contribuinte apresentou impugnação no dia 30 do mês seguinte (fls. 10). O Delegado da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, por intermédio da Decisão DRJ nº 002870/95.11931 (fls. 22), não conheceu da impugnação e declarou definitivamente constituído o crédito tributário. A decisão recebeu a seguinte ementa: “IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Dela não se toma conhecimento, e, consequentemente, considerase definitivo o lançamento formalizado.” Cientificada da decisão em 06/11/1996 (fls. 31), a contribuinte formulou pedido de reexame quanto à tempestividade da impugnação no dia 6 do mês seguinte (fls. 34). Alegou ter apresentado a impugnação apenas no dia 30/04/1991 em razão de falta de funcionamento do serviço de protocolo da repartição por motivo de greve de funcionários. Requereu o julgamento do mérito “por ser questão de direito e de justiça”. Por intermédio da Resolução nº 10301.681 (fls. 39), de 19 de agosto de 1998, a colenda Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes conheceu do pedido da contribuinte como recurso voluntário e converteu o julgamento em diligência para verificação do fato alegado pela contribuinte. Em cumprimento à referida Resolução, a Derat/São Paulo expediu memorando noticiando a inexistência de qualquer “documento comprovando a ocorrência de paralisação entre os dias 22 e 30 de abril de 1991” (fls. 49). O memorando foi cientificado ao contribuinte, por edital (62), em atendimento à determinação contida no Despacho nº 1030.002/2008 (fls. 53). A contribuinte não apresentou contrarazões (fls. 63). É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O admissibilidade do recurso já foi alvo de exame pó ocasião da adoção da Resolução nº 10301.681 (fls. 39). Deve, portanto, ser conhecido. A contribuinte admitiu ter impugnado a exigência após o prazo legal de 30 dias previsto no art. 15 do Decreto 70.235/72. Justificou a perda do prazo na falta de funcionamento do protocolo em razão de greve de funcionários. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10880.010359/9155 Acórdão n.º 110300.494 S1C1T3 Fl. 3 3 A c. Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem informasse: a) se houve expediente normal na repartição por onde corria o feito, particularmente quanto ao protocolo de entrada, no dia final do prazo para Impugnação, 22.04.91; b) se o dia marcado no protocolo de recepção da Impugnação, 30.04.91, foi o primeiro dia útil após eventual movimento de paralisação da repartição. Viuse no relatório que não foi encontrado nenhum “documento comprovando a ocorrência de paralisação entre os dias 22 e 30 de abril de 1991”, segundo consta do Memo/DERAT/SPO/DIPOL/EQRHU nº 991/2007 (fls. 49). A contribuinte não contestou tal afirmação (fls. 63). Assim, constatase, do exame dos autos, que a contribuinte não provou a sua alegação. Deve ser ratificada a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação em razão de intempestividade. Conclusão Pelo exposto, nego provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Assinado digitalmente em 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10552.000564/2007-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 30/04/2006
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
SALÁRIO EDUCAÇÃO DECRETO LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA
CONSTITUIÇÃO DE 1988
A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário Educação veiculado pelo Decreto Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT)
SEBRAE INCRA INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/04/2006 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SALÁRIO EDUCAÇÃO DECRETO LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário Educação veiculado pelo Decreto Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE INCRA INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 30/04/2006 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SALÁRIOEDUCAÇÃO DECRETOLEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao SalárioEducação veiculado pelo DecretoLei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE INCRA INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Presidente. LIEGE LACROIX THOMASI Relator. EDITADO EM: 14/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10552.000564/200734 Acórdão n.º 230201.084 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período 02/2005 a 04/2006, conforme detalhado no relatório fiscal da notificação de lançamento de débito, fl. 30, lavrada em 11/08/2006, com ciência pelo sujeito passivo na mesma data. O relatório fiscal diz que a fiscalização foi Seletiva para batimento GFIP x GPS. A recorrente informou nas GFIP’s – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social as bases de cálculo da incidência das contribuições previdenciárias. Após impugnação os autos baixaram em diligência para a confecção de relatório complementar, já que por lapso, constaram como terceiras entidades SENAC e SESC , quando seriam SENAI e SESI. Foi reaberto o prazo de defesa, mas a notificada não se manifestou. Acórdão de fls. 85/93, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso tempestivo, alegando em síntese: a) que não houve certeza quanto aos valores exigidos; b) que a NFLD é nula, pois o relatório fiscal menciona as entidades SENAC e SESC quando é SENAI e SESI; c) que é deficiente a descrição e apuração da matéria tributária; d) que não há incidência da contribuição sobre verbas como saláriomaternidade, primeiros 15 dias de auxíliodoença, adicional noturno sobre horas extras, 1/3 férias, adicional de periculosidade, insalubridade e auxíliocreche; e) que entre 03/89 até 90 dias da promulgação da Lei n.º 9424/96, não há base legal para a exigência do salárioeducação; f) a inexigência do SEBRAE e INCRA; g) a inconstitucionalidade da contribuição para autônomos; h) que declarou em GFIP, devendo ser beneficiado pela denuncia espontânea; i) que a multa aplicada é confiscatória e a inconstitucionalidade da taxa selic como juros moratórios; j) que não é possível incidir correção monetária sobre a multa, nem juros sobre acessórios. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Requer a reforma em parte da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10552.000564/200734 Acórdão n.º 230201.084 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Ademais, é inócua a reiterada alegação quanto às terceiras entidades, eis que foi confeccionado relatório complementar, corrigindo a nomenclatura aposta no primitivo relatório, sendo o contribuinte cientificado e reaberto o prazo de defesa, do qual não fez uso. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10552.000564/200734 Acórdão n.º 230201.084 S2C3T2 Fl. 4 7 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam inócuas as alegações de que não foram evidenciadas as bases de cálculo. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pela recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Quanto a alegação da recorrente de que deveria ter sido beneficiada com o instituto da denuncia espontânea, já que declarou em GFIP, informo que de acordo com o exposto no Discriminativo Analítico do Débito, documento de fls. 04 a 09, a recorrente teve a multa moratória reduzida por ter declarado em GFIP as informações relativas às contribuições previdenciárias. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 É totalmente improcedente a alegação acerca da inexistência de norma jurídica a amparar o SalárioEducação, no período de 03/89 até noventa dias da publicação da Lei n.º 9.424/96, eis que esta notificação compreende as competências de 02/2005 a 04/2006, estando a exação relativa ao SalárioEducação com total amparo na legislação vigente. Ainda, com relação à contribuição social para salárioeducação, sua constitucionalidade é reconhecida através da Súmula de n ° 732 do Supremo Tribunal Federal, o que reforça a presunção de legalidade da lei que instituiu sua cobrança, conforme plenamente indicado no relatório de fundamentos legais, impedindo este órgão colegiado de afastar sua aplicação: Súmula nº 732 É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, e no regime da lei 9.424/96. Em relação às contribuições destinadas ao Sebrae as mesmas são devidas estando perfeitamente compatíveis com o ordenamento jurídico vigente, não sendo necessária lei complementar para sua instituição. Apenas para ilustrar, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10552.000564/200734 Acórdão n.º 230201.084 S2C3T2 Fl. 5 9 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de pequeno porte. Nesse sentido é o entendimento pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. A cobrança das contribuições destinadas ao INCRA está prevista em lei, conforme fundamentação legal, estando perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 10 Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10552.000564/200734 Acórdão n.º 230201.084 S2C3T2 Fl. 6 11 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdades regionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispunha, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 12 b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10552.000564/200734 Acórdão n.º 230201.084 S2C3T2 Fl. 7 13 No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Todas as contribuições acima citadas advêm de diplomas legais e o exame da constitucionalidade das leis é matéria afeta ao Supremo Tribunal Federal, não sendo pertinente seu estudo na esfera administrativa, motivo pelo qual, apenas estão apontadas as leis que respaldam o levantamento do débito, deixandose de se manifestar quanto ao aspecto constitucional das mesmas. Quanto à alegação de inconstitucionalidade, ressalto que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 14 constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por derradeiro, são totalmente improcedentes as alegações de correção monetária sobre a multa e cumulatividade de índices de correção com a taxa SELIC, posto que a atualização monetária foi extinta para fatos geradores ocorridos a partir de 01/1995, conforme a Lei n.º 8.981/95, e no Discriminativo Sintético do Débito, às fls.10 e 11, podese perfeitamente vislumbrar que o valor atualizado é idêntico ao valor originário, sobre o qual incidem separadamente a multa moratória e os juros com base na taxa SELIC. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 14DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 10552.000564/200734 Acórdão n.º 230201.084 S2C3T2 Fl. 8 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 01/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901440/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2000
SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE RECONHECIDO MAS INSUFICIENTE PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS COMPENSADOS. PROCEDIMENTO DE HOMOLOGAÇÃO PARCIAL NÃO CONCLUÍDO NO PRAZO LEGAL. HOMOLOGAÇÃO TOTAL. Resta definitivamente homologada a compensação se a insuficiência do direito creditório para a liquidação dos débitos compensados não é evidenciada no prazo legal.
Numero da decisão: 1101-000.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INTEGRALMENTE RECONHECIDO MAS INSUFICIENTE PARA LIQUIDAÇÃO DOS DÉBITOS COMPENSADOS. PROCEDIMENTO DE HOMOLOGAÇÃO PARCIAL NÃO CONCLUÍDO NO PRAZO LEGAL. HOMOLOGAÇÃO TOTAL. Resta definitivamente homologada a compensação se a insuficiência do direito creditório para a liquidação dos débitos compensados não é evidenciada no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10880.901440/200675 Acórdão n.º 110100.469 S1C1T1 Fl. 112 2 Relatório CAMARGO CORREA S A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São PauloI que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que reconheceu o direito creditório utilizado em compensações e as homologou até este limite. Em 31/07/2003 a contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DCOMP nº 18271.93026.310703.1.3.035671 na qual utilizou a parcela de R$ 1.238.278,42 do crédito total de R$ 1.560.837,20, relativo a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário 2000, exercício 2001, para liquidação dos débitos da própria CSLL, com vencimentos de 28/02/2003 a 31/07/2003 (fls. 02/04). A autoridade administrativa juntou aos autos os elementos de fls. 05/41, para confirmação das antecipações consideradas na apuração do saldo negativo do anocalendário 2000, bem como os documentos de fls. 42/45, para evidenciar os débitos declarados de CSLL de janeiro/2001 a março/2002 vinculados a outras compensações, sem processo, mas com o mesmo saldo negativo apontado na DCOMP. O demonstrativo de fls. 46/47 evidencia que em razão destas compensações sem processo remanesceu, do direito creditório total de R$ 1.560.837,20, a parcela de R$ 1.238.278,42. Confirmado o saldo negativo de CSLL no anocalendário 2000 no montante de R$ 1.560.837,20, a autoridade administrativa apontou as compensações antes referidas, que propôs fossem convalidadas, e também propôs o reconhecimento do direito creditório de R$ 1.238.278,42, e a conseqüente homologação das compensações declaradas, vinculadas ao crédito aqui analisado, até o limite do direito creditório reconhecido, nos termos do disposto no §2o do art. 26 da IN SRF nº 600/05. Acolhendo a proposta, o Chefe da DIORT/DERAT/SP convalidou as compensações sem processo, e reconheceu o direito creditório no valor antes mencionado, determinando a incidência de juros equivalentes à taxa SELIC sobre este valor, e a homologação das compensações até o limite do referido crédito, acrescentandose que eventual saldo remanescente não será restituído ao contribuinte, devido à extinção do direito de pleitear a restituição, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional e do artigo 27 da IN SRF nº 600, de 2005 (fls. 49/60). A contribuinte foi cientificada desta decisão em 22/07/2008 (fl. 59). Na manifestação de inconformidade, a contribuinte expressou sua concordância com referido despacho decisório, mas ressalvou: 18. Todavia, a Manifestante contesta qualquer eventual cobrança de débitos, que pode vir a ser efetuada pela SRFB, e/ou qualquer eventual inscrição de débitos na divida ativa da União, que pode vir a ser realizada pela PGFN, relativas ao direito creditório mencionado acima. 19. Por conseguinte, a ordem de intimação do r. Despacho Decisório, com data de 01/07/2008, não pode prosperar devendo ser reformada na parte correspondente à Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10880.901440/200675 Acórdão n.º 110100.469 S1C1T1 Fl. 113 3 eventual cobrança ou inscrição de dívida ativa de débitos, além daqueles objeto de compensação nas DCTFS sem processo, e daqueles declarados e compensados na PER/DCOMP n° 18271.93026.310703.1.3.035671. Após a impugnação está juntado documento denominado “extrato do processo” nº 10880.919226/200675, no qual estão relacionados os débitos compensados na DCOMP em referência e a extinção de parte deles por compensação, remanescendo a parcela de R$ 51.004,43 referente ao débito de CSLL vencido em 31/07/2003. A ele seguese despacho vinculado a este processo, intitulado compensação de débito sem saldo a restituir, apontando que restou saldo devedor, conforme fls. 86, e desta forma os autos foram encaminhado à DRJ/SPI com a informação de que os débitos estão declarados em DCTF e encontramse cadastrados no SIEF COBRANÇA com “suspensão – em julgamento da manifestação” (fls. 86/88). A Turma Julgadora indeferiu a manifestação de inconformidade acolhendo o voto condutor que expressou entendimento no sentido de que o texto da ordem de intimação constitui parte obrigatória do Despacho Decisório e serve apenas como alerta à contribuinte para as conseqüências de declarar compensações de débitos cuja soma de valores seja maior do que valor do crédito reconhecido. Esclarece, assim, que débitos que porventura excederem ao total do crédito informado nas DCOMP serão imediatamente encaminhados a PGFN para inscrição na Divida Ativa da União, nos termos do Art. 48, §3°, inciso II da IN SRF n° 600/05. Em conseqüência, tal decisão prestase a demonstrar que não basta haver uma decisão favorável à contribuinte, reconhecendo o crédito declarado, é necessário também que os valores compensados de débitos não tenham excedido o valor do crédito. No voto consignouse, ainda, que o Despacho Decisório não efetua qualquer calculo limitandose a reconhecer o direito creditório e homologando as DCOMP até o limite desse crédito, sendo necessário avisar a contribuinte sobre as conseqüências da hipótese eventual de os débitos declarados superarem crédito reconhecido. E isto porque, como o crédito reconhecido e valorizado pela adição de juros calculados sobre a taxa Selic e como os débitos declarados também sofrem a incidência de acréscimos legais, dependendo da data de seu vencimento, há a imputação proporcional do crédito e dos acréscimos legais, que não é feita manualmente para se evitar erros de cálculo, cabendo a um setor especifico da Receita Federal, verificar a sua correção e intimar a contribuinte sobre eventuais diferenças encontradas, conforme dispõe os arts. 28 , 29 e 30 da IN n° 600/2005. Ressaltouse também a necessidade de inclusão do texto combatido pela reclamante pois, no momento do Despacho Decisório, ainda não há a certeza que todos os débitos declarados estarão cobertos pelo credito reconhecido após os acréscimos legais e esse alerta nada mais faz que cientificar a contribuinte sobre os débitos que excederem o crédito reconhecido.Ou seja, ainda que a empresa recorra ao Conselho de Contribuintes, o valor dos débitos que excederem o crédito reconhecido não estará suspenso sendo passível de inscrição em Dívida Ativa da União, conforme está previsto no art. 48 da mesma Instrução Normativa n° 600/2005. Assim, indeferiuse a solicitação da contribuinte uma vez que esse alerta contido na Ordem de Intimação é em seu beneficio, possibilitando à empresa recolher os eventuais débitos que não puderam ser compensados por insuficiência de crédito antes de sua remessa a PGFN. E acrescentouse que se a empresa detiver créditos suficientes às Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10880.901440/200675 Acórdão n.º 110100.469 S1C1T1 Fl. 114 4 compensações declaradas , nenhum valor será inscrito na Dívida Ativa da União, podendo a contribuinte restar tranqüila a respeito. Cientificada da decisão de primeira instância em 29/06/2009 (fl. 94), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 29/07/2009 (fls. 97/102), no qual frisa que obteve cópia integral dos autos e nela constatou: a) A inexistência de extrato do processo relativo ao processo em tela n° 10880.901440/200675; e, b) A existência de um extrato do processo relativo ao Processo n° 10880.919226/200675 (folha n°. 86), onde consta um saldo devedor de R$ 51.004,43. Destacando que a fl. 86 foi juntada depois da ciência do despacho decisório e da apresentação da manifestação de inconformidade, aduz que não foi notificada pela SRFB da existência do saldo devedor de R$51.004,43, tampouco do Processo n° 10880.919226/2006 75, ressaltando que a mesma tomou conhecimento quando da obtenção das fotocópias dos autos deste processo em 24/07/2009. Declara sua concordância com a decisão recorrida na parte em que afirma: “O Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR da Delegacia de Administração Tributária em São PauloDERAT (fls. 49 à 58) reconheceu o direito da contribuinte, convalidou e homologou as compensações declaradas nos valores exatos que haviam sido requeridos através da PER/DCOMP de fls. 01 à 04, não havendo qualquer diferença a ser exigida ou crédito pleiteado que não tenha sido reconhecido." Expressa seu entendimento de que a inexistência de extrato do processo relativo ao Processo em tela n° 10880.901440/200675 significa que não há nenhum débito relativo ao mesmo, bem como de que a folha n° 86, referente ao processo n° 10880.919226/200675, não está relacionada ao processo em tela, de n° 10880.901440/2006 75, e consequentemente, deve ter sido anexada indevidamente ao mesmo. Concluindo que o saldo devedor de R$51.004,43 não pode ser exigido, nem ser objeto de cobrança no processo em tela n° 10880.901440/200675 pede: i) o desentranhamento do documento de Folha n° 86, ii) o impedimento de qualquer cobrança, nos presentes autos processuais, relacionada ao saldo devedor de R$51.004,43 (posto que envolve o Processo n°. 10880.919226/200675), e, por fim, iii) o arquivamento definitivo dos presentes autos processuais. Às fls. 104/106 está juntada petição dirigida à DERAT/SP na qual apresenta o mesmo pedido acima referido e antecipadamente renuncia ao presente recurso voluntário caso os pedidos acima sejam deferidos em sua totalidade. O despacho de fl. 110 apenas determina o encaminhamento destes autos para o CARF, tendo em vista a apresentação tempestiva do Recurso Voluntário (fls. 97/109) contrário ao Acórdão DRJ/SPOI Nº 1621.697 (fls. 89 a 93). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10880.901440/200675 Acórdão n.º 110100.469 S1C1T1 Fl. 115 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA As alterações promovidas na Lei nº 9.430/96 pelas Medidas Provisórias nº 66/2002 e 135/2003, convertidas nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, estabeleceram regime próprio, no âmbito da antiga Secretaria da Receita Federal, para formalização de compensações e para manifestação da discordância da autoridade administrativa acerca do procedimento assim adotado pelo sujeito passivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10880.901440/200675 Acórdão n.º 110100.469 S1C1T1 Fl. 116 6 § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] Nestes termos, o sujeito passivo, detentor de um direito creditório que entende passível de compensação, apresenta a Declaração de Compensação – DCOMP e extingue o crédito tributário ali apontado sob condição resolutória de ulterior ato de não homologação que expresse as irregularidades verificadas no procedimento analisado, facultandose ao sujeito passivo a discussão administrativa desta decisão. Se ela não for cientificada ao sujeito passivo em até 5 (cinco) anos da data da entrega da DCOMP, a extinção do crédito tributário compensado tornase definitiva. Imperioso, portanto, que o ato de nãohomologação esteja adequadamente motivado e permita ao sujeito passivo discutir seus fundamentos no contencioso administrativo especializado, o que não se verificou no caso presente. Não há, nos autos, qualquer documento cientificado à contribuinte esclarecendo o motivo de o direito creditório utilizado em compensação, integralmente reconhecido, ser insuficiente para liquidar os débitos informados na DCOMP. O despacho decisório de fls. 49/58 foi elaborado com perfeita clareza no que tange à confirmação do direito creditório utilizado em compensação, mas tratou hipoteticamente da imputação deste aos débitos compensados, homologando as compensações até o limite do referido crédito, e não foi complementado por um ato posterior que explicitasse os cálculos desta imputação e evidenciasse a eventual apuração de débitos excedentes ao crédito reconhecido. Há notícia de que esta imputação foi realizada, e que dela resultou saldo devedor de R$ 51.004,43 pertinente à CSLL devida em junho/2003. Ao contrário do que entende a recorrente, não há qualquer irregularidade em o processamento desta imputação se verificar sob o número de um processo administrativo distinto daquele no qual o direito creditório foi reconhecido, desde que ambos tenham como interessado o mesmo sujeito passivo, e tratem do mesmo crédito e dos mesmos débitos indicados na DCOMP analisada. Apenas que esta imputação deve ser cientificada ao sujeito passivo, para que este possa exercer o direito que a lei lhe confere de manifestar sua inconformidade contra a nãohomologação total ou parcial da compensação declarada. É necessário que se explicite qual a atualização monetária aplicada sobre o crédito e quais os acréscimos moratórios eventualmente aplicados sobre o débito, para que o sujeito passivo possa identificar os pontos de sua discordância e leválos à discussão no contencioso administrativo especializado. O direito de defesa no âmbito administrativo, no que se refere às compensações declaradas, não está restrito à análise da existência e disponibilidade do direito creditório utilizado, mas sim abrange todo o procedimento que resulta, ao final, na declaração de sua insuficiência, total ou parcial, para homologação da extinção dos débitos informados na DCOMP. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10880.901440/200675 Acórdão n.º 110100.469 S1C1T1 Fl. 117 7 Relevante notar, ainda, que não há porque se cogitar do retorno dos autos à autoridade preparadora para que providencie a ciência à contribuinte do procedimento realizado, facultandolhe a complementação de suas razões de defesa. Isto porque a declaração da compensação em questão se deu em 31/07/2003 e a ciência do despacho decisório de fls. 49/58, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido, verificouse em 22/07/2008 (fl. 59), sem que fosse juntado aos autos, até 31/07/2008 – termo final para a manifestação de discordância da autoridade administrativa em relação à compensação declarada – qualquer elemento evidenciando a realização da imputação determinada no despacho decisório. De fato, à fl. 68, consta termo de vista processual concedida à contribuinte em 08/08/2008, e até esta data nada havia sido juntado aos autos. Somente após a apresentação da manifestação de inconformidade pela contribuinte, em 21/08/2008, vem aos autos o extrato de fl. 87, anunciando a extinção parcial dos débitos compensados. Assim, não se trata, aqui, de eventual vício na ciência do ato de homologação parcial das compensações à contribuinte, mas sim da conclusão deste ato após o prazo previsto pela lei, restando, dessa forma, homologada integralmente a compensação declarada. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para determinar o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes, vinculados à compensação declarada, em razão de sua homologação total. EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 7DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10880.901440/200675 Acórdão n.º 110100.469 S1C1T1 Fl. 118 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA
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