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Numero do processo: 10120.001891/95-99
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2005
Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Por meio do Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, foi vazado o entendimento de que, no caso da Contribuição para o Finsocial, o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com alíquota superior a 0,5% seria a data da edição da MP n° 1.110, em 31/05/95. Portanto, tendo em vista que até a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, era aquele o entendimento, os pleitos protocolados até essa data estavam por ele amparados. PAF. Considerando que foi reformada a decisão no que concerne à decadência, em obediência ao princípio do duplo grau de jurisdição e ao disposto no artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 deve a autoridade julgadora de primeiro grau apreciar o direito à restituição/compensação.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-04.319
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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TERCEIRA TURMA „ Processo n° :10120.001891195-99 Recurso n° : 301-126721 Matéria : FINSOCIAL — RESTITUIÇÃO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida :1° CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : POLIGEL EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA. Sessão de : 22 de fevereiro 2005. Acórdão n° : CSRF/03-04.319 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Por meio do Parecer COSIT n° 58, de 27/10/98, foi vazado o entendimento de que, no caso da Contribuição para o Finsocial, o termo a quo para o pedido de restituição do valor pago com aliquota superior a 0,5% seria a data da edição da MP n° 1.110, em 31/05/95. Portanto, tendo em vista que até a publicação do Ato Declaratório SRF n° 96, em 30/11/99, era aquele o entendimento, os pleitos protocolados até essa data estavam por ele amparados. PAF. Considerando que foi reformada a decisão no que conceme à decadência, em obediência ao principio do duplo grau de jurisdição e ao disposto no artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 deve a autoridade julgadora de primeiro grau apreciar o direito à restituição/compensação. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE OalL-2 A ELISE DAUDT PRIETO RELATORA FORMALIZADO EM: 27 ABR 2005 vv, . Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 Participaram, ainda do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO, CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCCO ANTUNES, NILTON LUIZ BARTOLI e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. C4j) 2 Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 Recurso n° : 301-126721 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : POLIGEL EMBALAGENS PLÁSTICAS LTDA. RELATÓRIO A Fazenda Nacional interpõe recurso com fundamento no artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra decisão proferida pela 1° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, afastando a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição/compensação de valores recolhidos para a Contribuição para o Finsocial a alíquotas superiores a 0,5% e devolver o processo à DRJ para julgamento das demais questões de mérito. Foi considerada a data da edição da MP n° 1.110, em 31/08/95, como sendo o termo inicial para a contagem do prazo decadencial. O paradigma apontado é o Acórdão 302-31.782, de 15/10/2003, que traz a seguinte ementa: "FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A inconstitucionalidade reconhecida em sede de Recurso extraordinário não gera efeitos erga omnes, sem que haja Resolução do Senado Federal suspendendo a aplicação do ato legal inquinado (art. 52, inciso X, da Constituição Federal). Tampouco a Medida Provisória n° 1.110/95 (atual Lei n° 10.522/2002) autoriza a interpretação de que cabe a revisão de créditos tributários definitivamente constituídos e extintos pelo pagamento". DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA" Aduz que o acórdão, ao fixar tal termo inicial, deixou de observar o disposto no Código Tributário Nacional, artigos 165, inciso I e 168, inciso I. Além disso, não teria sido observado o que consta do AD SRF n° 96/99, que teria caráter vinculante para a administração tributária em face do disposto nos artigos 100, inciso I, e 103, inciso I, também do CTN. 49, 3 . Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 Aplicando o dispositivo normativo citado e tendo em vista que o CTN, em seu artigo 156, inciso I, especifica que o pagamento é modalidade de extinção de crédito tributário e considerando a data em que o pedido de compensação/restituição foi protocolizado, conclui que não havia como ser deferido tal pleito, levando-se em conta o decurso de mais de 5 anos desde o reconhecimento efetivado. Alega ainda que não há nada que justifique ser considerada a data da publicação da MP n° 1.110/95 como termo inicial para pleitear o direito creditório. Isto porque no dia seguinte ao do recolhimento do tributo o contribuinte já poderia ter buscado a guarida do Judiciário, não tendo que aguardar a decisão da Suprema Corte para tal fim. O Ilustre Presidente da Câmara recorrida entendeu que o recurso preenchia os requisitos de admissibilidade. Intimada, a empresa não apresentou contra-razões. reRÉ o relatório. gp2 I 4 4 _ Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 VOTO Conselheira, ANELISE DAUDT PRIETO, Relatora. O recurso especial da PFN, que foi protocolado em 19/02/2004, sendo que a recorrente havia sido cientificada da decisão em 18/12/2004, é tempestivo. A divergência diz respeito à nulidade e está comprovada. A matéria foi questionada na Câmara recorrida. A exigência contida no Regimento sobre a comprovação da decisão divergente não está amparada pela Lei 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal: 1 "Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de oficio, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias." Entendo, então, que o recurso especial deve ser conhecido. Quanto ao mérito, não posso concordar com as razões apresentadas pela recorrente no que conceme á decadência do direito de pleitear a restituição. DO PRAZO DE DEZ ANOS PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO Uma das teses defendidas pelos contribuintes que pleiteiam a restituição em pauta com relação à decadência do seu direito é que o prazo para a repetição do indébito seria de dez anos contados da data do pagamento ou recolhimento indevido ou daquela em que se tomar definitiva decisão administrativa ou passar em julgado decisão judicial que haja reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, conforme era previsto no artigo 122 do Decreto n° 92.698/1986. Porém, aquele dispositivo trazia como base legal o artigo 9° do Decreto-Lei n° 2.049/1983, sendo que este dispunha tão somente quanto à ação para cobrança da Contribuição para o Finsocial e não quanto à restituição. ' O dispositivo deve ser aplicado ao caso por força do disposto no artigo 69 daquele mesmo diploma legal: "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas »rd)subsidiariamente os preceitos desta gle5 1 . . Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 Além disso, o referido artigo 122 não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988, pois o art. 149 da Carta Magna remeteu as contribuições sociais ao art. 146, inciso III, ficando, assim, sujeitas às normas gerais em matéria de legislação tributária, inclusive decadência e prescrição. Devem, então, seguir o disposto no CTN, artigo 168 c/c artigo 165, inciso I, sujeitando-se o prazo para pleitear a restituição aos cinco anos contados a partir da extinção do crédito tributário. No que conceme ao prazo de 10 anos previsto na Lei n° 8.212/91, artigo 45, inciso I, lembro que o mesmo diz respeito tão somente à decadência do direito de constituir o crédito tributário, o que é bem diverso do direito de pleitear a restituição do pagamento indevido. Note-se que o próprio CTN, que regula os institutos da decadência e prescrição, trata de formas bem diferenciadas o direito de constituir o crédito e o direito de pleitear a sua restituição. A outra tese de dez anos do direito de o contribuinte pleitear a restituição do débito com o Fisco, para o caso de lançamento por homologação, traz como fundamento que o termo inicial não seria o "pagamento antecipado" e sim o momento da homologação expressa ou tácita do pagamento, sob a alegação de que a realização do crédito só se realizaria com a posterior homologação do pagamento. Como normalmente a extinção do crédito se realiza com a homologação tácita, que ocorre cinco anos após o fato gerador (CTN, 150, par. 4°), contar-se-ia estes cinco anos e mais cinco a partir da data da extinção. Eurico Marcos Diniz de Santi 2 rebate aquela posição de forma muito lúcida, conforme transcrevo a seguir "Não podemos aceitar esta tese, primeiro porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento". Segundo, porque se interpretou o "sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento de forma equivocada, Mesmo desconsiderando a crítica de ALCIDES JORGE COSTA 3, para quem "não faz sentido (...), ao cuidar do lançamento por homologação, pôr condição onde inexiste negócio jurídico", pois "condição é modalidade de negócio jurídico e, portanto, inaplicável ao ato jurídico material" do pagamento, não se pode aceitar condição resolutiva como se fosse necessariamente uma condição suspensiva que retarda o efeito do (Kep pagamento para a data da homologação.4 2 Decadência e Prescrição em Direito Tributário. Max Limonad: São Paulo, 2.000. pp. 268/270. 3 "Da extinção das obrigações tributárias. p. 95. Também é esta a argumentação de SACHA CALMON NAVARRO COELHO, Curso de direito tributário brasileiro, p. 699." 4 "LUCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CIN dirigir a homologação como condição resolutiva: "Ora, os sinais ai estão trocados. Ou se deveria, prever como condição resolutõria, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir-se, como condição 6 a Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 A condição resolutiva não impede a plena eficácia do pagamento e, portanto, não descaracteriza a extinção do crédito no átimo do pagamento. Assim sendo, enquanto a homologação não se realiza, vigora com plena eficácia o pagamento, 5a partir do qual podem exercer-se os direitos advindos desse ato, mas dentro dos prazos prescricionais. Se o fundamento jurídico da tese dos dez anos é que a extinção do crédito tributário pressupõe a homologação, o direito de pleitear o débito do Fisco só surgiria ao final do prazo de homologação tácita, de modo que, se o contribuinte ficaria impedido de pleitear a restituição antes do prazo de cinco anos para homologação, tendo que aguardar a extinção do crédito pela homologação." Em suma, entendo que o prazo para proceder à restituição do indébito em pauta é de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. DA DECISÃO DO STF E SEUS EFEITOS Vários pedidos de restituição/compensação trazem como embasamento a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n° 150.764-1/PE, em 02/04/93, publicada no D. J. de 02/03/93. Daquela feita, os ministros da Corte Suprema decidiram, por unanimidade de votos, conhecer do recurso interposto pela União Federal pela letra b do permissivo constitucional. E, por uma apertada maioria de seis votos, lhe negaram provimento, declarando a inconstitucionalidade do artigo 9° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, do artigo 7° da Lei n° 7.787, de 30 de junho de 1989, do artigo 1° da Lei n° 7.894, de 24 de novembro de 1989 e do artigo 1° da Lei n° 8.147, de 28 de dezembro de 1990. Aquele decisum, que tratava da majoração das alíquotas do Finsocial, pasz, recebeu a seguinte ementa: suspensiva a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344." 5 "Nesse sentido, Min. DEMÓCRITO REINALDO, ao relatar os embargos de divergéncia em Resp n° 48.113-7/PR, averbou: "O lançamento, no caso, constitui mero ato declaratório de situação preexistente, preconstituida. E a homologação ficta (ou expressa) como instrumento declaratório, tem efeito retro-operatne, ou, em outras palavras: tem efeitos a tunc, alcança o ato do pagamento, declarando a sua eficácia, no momento em que a realizou". Também julgou assim SÉRGIO NOJIRI: "Verifica-se, pois, que a extinção do crédito tributário se opera no momento do efetivo recolhimento do tributo, ainda que este tenha sido exigido ilegalmente. Neste sentido, o direito de pleitear a restituição está sujeito ao prazo de cinco anos (art. 168, CTN), a contar da data da extinção do credito tributário, que é o da data do pagamento indevido. Contudo, por estar esse pagamento sob condição resolutária, seus efeitos se darão somente a partir do lançamento tributário (que no caso em apreço é ficto), nos termo do art. 150, § 40 (...). A meu ver, e este é o ponto crucial da questão, os efeitos deste lançamento ficto operam-se ex tune. A homologação apenas reconhece o pagamento havido, declarando, com efeitos retroativos, a extinção do crédito tributário. Portanto, o prazo de restituição é de 5 anos, a contar do efetivo pagamento espontâneo do . uto indevido ou a maior", (Sentença, Autos n° 96.0902460-2, Sorocaba, ? Vara da Justiça Federal, p. 9). 7 Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PARÂMETROS. NORMAS DE REGÊNCIA. FINSOCIAL. BALIZAMENTO TEMPORAL. À teor do disposto no artigo 195 da Constituição Federal, incumbe à sociedade, como um todo, financiar, de forma direta e indireta, nos termos da lei, a seguridade social, atribuindo-se aos empregadores a participação mediante bases de incidência próprias — folha de salários, o faturamento e o lucro. Em norma de natureza constitucional transitória, emprestou-se ao FINSOCIAL característica de contribuição, jungindo- se a imperatividade das regaras insertas no Decreto-lei n 1940/82, com as alterações ocorridas até a promulgação da Carta de 1988, ao espaço de tempo relativo à edição da lei prevista no referido artigo. Conflita com as disposições constitucionais — artigos 195 do corpo permanente da Carta e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — preceito de lei que, a título de viabilizar o texto constitucional, toma de empréstimo, por simples remissão, a disciplina do FINSOCIAL. Incompatibilidade manifesta do artigo 9° da Lei n° 7689/88 com o Diploma Fundamental, no que discrepa do contexto constitucional." Em suma, decidiu-se que foi preservada, para as empresas vendedoras de mercadorias ou de mercadorias e serviços, a cobrança do FINSOCIAL nos termos em que figurava ao ser promulgada a Constituição de 1988. Porém, trata-se de decisão em caso concreto, controle de constitucionalidade exercido pelo método difuso, por via de exceção. Por isto, só prevalece entre as partes, sendo que qualquer juiz ou tribunal pode deixar ou não de aplicar as normas declaradas inconstitucionais. ! Aquele julgado não foi conferida a eficácia erga omnes pelo Senado Federal, que tem competência privativa para suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do STF t. Aliás, conforme consta do Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN/CRJ/N° 3401/2002, o relator, Senador Amir Lando, justificou sua posição contrária à suspensão daqueles dispositivos alegando que: "É incontestável, pois, que a suspensão da eficácia desses artigos de leis pelo Senado Federal, operando erga omnes, trará profunda repercussão na vida econômica do País, notadamente em momento de acentuada crise do Tesouro Nacional e de conjugação de esforços no sentido da recuperação da economia nacional. Ademais, a decisão declaratória de inconstitucionalidade do STF, no presente caso, embora configurada em maioria absoluta nos precisos termos do art. 97 da Lei Maior, ocorreu pelo voto de seis de seus membros contra cinco, demonstrando, com isso, que o entendimento sobre a questão )(0 não é pacífico"4. i 6 Constituição Federal, artigo 52, inciso X. 'Cadernos de Direito Constitucional e Ciência Política, 12.6 8, p. 31. 8 Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 Em decorrência, não foi conferida eficácia erga omnes à decisão e, portanto, não há como estendê-la ao caso em questão. DA LEI 10.522/2002 E DO PARECER COSIT 58/1998 Por outro lado, vale abordar o disposto na Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002, art. 18, inciso III e parágrafo 30.8 O Parecer COSIT n° 58, de 27/10/1998, retrata bem como veio sendo tratada pelas sucessivas edições de medidas provisórias finalmente convalidadas pela lei supra citada a questão da restituição de alguns tributos, entre os quais a Contribuição ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas na alíquota superior a zero vírgula cinco por cento. Inicia a exposição pelo art. 18, § 2°, da Medida Provisória n° 1.699- 40/1998, que dispôs: "Art. 18 - Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente": (...) § 2° O disposto neste artigo não implicará restituição "ex officio" de quantias pagas." Prossegue explicando que: "15. O citado artigo consta da MP que dispõe sobre o CADIN desde a sua primeira edição, em 30/08/95 (MP n° 1.110/1995, art. 17), tendo havido, desde então, três alterações em sua redação". 15.1 Duas das alterações incluíram os incisos VIII (MP n° 1.244, de 14/12/95) e IX (MP n° 1.490-15, de 31/10/96) entre as hipóteses de que trata o cap"rnout. te‘V‘ eArt. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: (...) fli - à contribuição ao Fundo de Investimento Social — Finsocial, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art. 90 da Lei no 7.689. de 1988, na alíquota superior a 0,5% (cinco décimos por cento), conforme Leis nos 7.787. de 30 de junho de 1989, 7.894 de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de 0,1% (um décimo por cento) sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos temos do art. 22 do Decreto-Lei no 2.397. de 21 de dezembro de 1987; (...) § 32 O disposto neste artigo não implicará restituição ex oficio de quantia paga. 9 Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 16. A terceira alteração, ocorrida em 10/06/1998 (MP n9 1.621-36), acrescentou ao § r a expressão "ex officio". Essa mudança, numa primeira leitura, poderia levar ao entendimento de que, só a partir de então, poderia ser procedida a restituição, quando requerida pelo contribuinte; antes disso, o interessado que se sentisse prejudicado teria que ingressar com uma ação de repetição de indébito junto ao Poder Judiciário. 16.1 Salienta-se que, nos termos da Lei n 9 4.657/1942 (Lei de Introdução ao Código Civil), art. 1 9, § 49, as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. 17. Entretanto, conforme consta da Exposição de Motivos que acompanhou a proposta de alteração, o disposto no § r "consiste em norma a ser observada pela Administração Tributaria, pois esta não pode proceder ex officio, até por impossibilidade material e insuficiência de informações, eventual restituição devida". O acréscimo da expressão ex officio visou, portanto, tão-somente, dar mais clareza e precisão à norma, pois os contribuintes já faziam jus à restituição antes disso; não criou fato novo, situação nova, razão pela qual não há que se falar em lei nova. 18. Logo, os delegados/inspetores da Receita Federal também estão autorizados a proceder à restituição/compensação nos casos expressamente previstos na MP n 9 1.69911998. art. 18, antes mesmo que fosse incluída a expressão "ex officio" ao § r." Concordo com tal interpretação. Porém, divirjo da conclusão exarada naquele parecer sobre o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do pedido de restituição, verbis: "d) os valores pagos indevidamente a titulo de Finsocial pelas empresas vendedoras de mercadorias e mistas - MP n 9 1.699-40/1998, art. 18, inciso III - podem ser objeto de pedido de restituição/compensação desde a edição da MP n9 1.110/1995, devendo ser observado o prazo decadencial de 5 (cinco anos);" Isto porque, como já falado, entendo que o referido termo a quo é a data da extinção do crédito tributário, conforme exponho a seguir. DO PRAZO P RA SOLICITAR A RESTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL fi Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° CSRF/03-04.319 A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional exarou o Parecer PGFN/CAT n° 1.538/99, defendendo que o prazo para pleitear a restituição de tributos com base em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário rege-se pelo art. 168 do CTN e extingue-se após decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo código. No caso em tela não existe decisão do STF para a recorrente e aquela proferida no julgamento do Recurso Extraordinário n° 150.764-1/PE, em 02/04/93, não tem eficácia erga omnes. Portanto, não poderia ser concedida a restituição do tributo na via administrativa em decorrência de decisurn do Pretória Excelso. Além disso, os fundamentos que constam do parecer supra citado se ajustam perfeitamente ao caso, motivo pelo qual tomo a liberdade de transcrevê-los, adotando-os: 9. Por primeiro, abre-se um parêntese, para observar, como já o fizera o PARECER PGFN/CAT/N° 550/99, que o Decreto n° 2.346, de 10.10.97, cujas regras vinculam toda a Administração Pública Federal, determina que decisões da espécie, proferidas pelo STF, só alcançam os atos que ainda sejam passíveis de revisão": "Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimento estabelecidos neste Decreto". § 1° Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial". 10. Esse mandamento aplica-se, inclusive, aos casos em que a inconstitucionalidade da lei seja proferida, incidenter tantum, pelo STF e haja suspensão de sua execução por ato do Senado Federal, por força do que dispõe o § 2° do mesmo art. 1°. Destarte, ainda que não se concorde com a linha doutrinária adotada pelo ato do Chefe do Poder Executivo, não há como afastar-se de duas assertivas inexoráveis: uma, que, para a administração pública federal, a decisão do STF declaratória de inconstitucionalidade é dotada de efeito ex tunc; outra, que tal efeito só será pleno se o ato praticado pela Administração Pública ou pelo administrado, com base nessa norma, ainda for suscetível de revisão administrativa ou judicial. it g91 Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 11. Representa isto dizer que, na esfera administrativa, o Decreto só admite revisão daquilo que, nos termos da legislação regente, ainda seja passível de modificação, isto é, quando não tenha ocorrido, por exemplo, a prescrição ou a decadência do direito alcançado pelo ato ou mesmo quando seja impossível, por qualquer razão fática ou jurídica, a reversão da situação ao status quo ante. Não obstante tal conclusão, é de se examinar a questão sob a ótica das retrocitadas decisões judiciais. 12. Com efeito, assiste razão à COSIT, quando se preocupa com o desfecho de situação desta natureza em que a PGFN propugna por uma tese que não encontra respaldo em Tribunais Federais. Efetivamente, isto é relevante, haja vista precedentes em que este órgão se debateu contra teses encampadas por esses Tribunais e depois, por conta de repetidos insucessos, viu-se compelido a desistir de demandas judiciais, mediante autorização do Senhor Procurador- Geral. Mas também não é menos verdade que, em inúmeras outras questões, a Fazenda Nacional foi derrotada nessas mesmas Cortes de Justiça e conseguiu reverter a situação no Supremo Tribunal Federal. 13. Os arts. 165 e 168 do CTN, que tratam, especificamente, dos aspectos que interessam a este trabalho, determinam, in litteris: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, sela qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 do artigo 162, nos seguintes casos: 1 -cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11- erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III -reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. "Art. 168- O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados": I — nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165. da data da extinção do crédito tributário: II- na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (o destaque não consta da norma). 14. Em princípio, não haveria razão para questionamentos, dada a clareza dos dispositivos legais. A cobrança ou o pagamento de tribu 12 61) Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 indevido confere ao contribuinte direito à restituição, e esse direito extingue-se no prazo de cinco anos, contados "da data da extinção do crédito tributário", que se verifica por uma das hipóteses do art. 156 do CTN. Como esse Código, norma com status de lei complementar, não prevê tratamento diferente em virtude dessa ou daquela hipótese, é de se concluir que a decadência opera-se, peremptoriamente, com o término do prazo retrocitado, independentemente da situação jurídica que envolveu a extinção. Não importa se lei que serviu de amparo à exigência foi posteriormente declarada inconstitucional, porque as relações que se concretizaram sob sua égide só poderão ser desfeitas se não houver expirado o prazo para a revisão. 15. O Ministro Pádua Ribeiro, do ST J, no voto proferido quando do julgamento do REsp n° 44.221/PR, revela uma das premissas que serviu de fulcro à tese encampada pelo Tribunal, de que o prazo decadencial, no caso de lei declarada inconstitucional, inicia-se com a publicação do respectivo acórdão: "... A interpretação conjunta dos artigos 168 e 169, do Código Tributário Nacional, demonstram que tais dispositivos não se referem a esse tipo de ação. O art. 168 diz respeito ao pedido de restituição formulado perante a autoridade administrativa. E o art. 169 diz respeito à ação para anular a decisão administrativa denegatória do pedido de restituição. lnexiste, portanto, dispositivo legal estabelecendo a prescrição para a ação do contribuinte, para haver tributo cobrado com base em lei que considere inconstitucional". 16. As conseqüências desastrosas para a segurança jurídica, impostas por tal interpretação, conduzem à certeza da conveniência de se manter a tese de que o inicio do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, seja por aplicação inadequada da lei, seja por inconstitucionalidade desta, ocorre no prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência de uma das hipóteses previstas nos incisos I a III do art. 165 do CTN, como determina o art. 168 do mesmo Código. 17. É necessário ressaltar, a propósito, que o principio da segurança jurídica não se aplica apenas ao administrado; também a Administração Pública -cuja observância da lei é imperiosa, até mesmo no exercício do poder discricionário (CF, art. 37, caput) -, é amparada por tal princípio, sob pena de se instalar o caos no serviço público por ela prestado. Com efeito, a incerteza, quanto à sustentabilidade jurídica de seus atos, conduziria a Administração a um estado de insegurança que a inviabilizaria totalmente. 18. A prosperar a tese adotada pelos retrocitados Tribunais federais, será possível imaginar contribuintes reivindicando restituição cinqüenta, sessenta ou até mais anos depois de pago o tributo. Isto pode parecer absurdo, mas basta que uma lei inco titucion I 13 Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° CSRF/03-04.319 permaneça inatacada por alguns anos, até que um contribuinte mais atento venha argüir, em ação judicial, a sua inconstitucionalidade. Como demandas dessa natureza podem demorar vários anos, é perfeitamente plausível que se concretize a situação de, décadas depois, o Estado ter de restituir tributo pago sob lei declarada inconstitucional. 19. Não se venha alegar, em rebate, que a probabilidade de isto ocorrer é mínima, pois este não é um argumento jurídico. O que importa é que pode acontecer e tal possibilidade deve ser examinada juridicamente. 20. O que mais chama a atenção nesse entendimento do STJ e do TRF da i a Região é que ele decorre de simples construção teórica, desprovida de fulcro legal; não é fruto de um processo de integração ou de interpretação de normas, mas sim uma obra exegética, construída sem uma referência nítida no ordenamento jurídico pátrio. 21. Essa interpretação exagerada, que conduz a mandamentos que não se comportam na lei, efetivamente afasta desta o julgador. CARLOS MAXIMILIANO, em seu insuperável Hermenêutica e Aplicação do Direito, a propósito da postura hermenêutica do juiz, ensina, in verbis: "Em geral, a função do juiz, quanto aos textos, é dilatar, completar e compreender, porém não alterar, corrigir, substituir. Pode melhorar o dispositivo, graças à interpretação larga e hábil; porém, não negar a lei, decidir o contrário do que a mesma estabelece. A jurisprudência desenvolve e aperfeiçoa o Direito, porém como que inconscientemente, com o intuito de o compreender e bem aplicar. Não cria, reconhece o que existe; não formula, descobre e revela o preceito em vigor e adaptável à espécie. Examina o Código, perquirindo das circunstâncias culturais e psicológicas em que ele surgiu e se desenvolveu o seu espírito; faz a crítica dos dispositivos em face da ética e das ciências sociais; interpreta a regra com a preocupação de fazer prevalecer a justiça ideal (richtiges Recht); porém tudo procura achar e resolver com a lei; jamais com a intenção descoberta de agir por conta própria, proeter ou contra legem ". 22. A nosso ver, é equivocada a afirmativa de que "Inexiste, portanto, dispositivo legal estabelecendo a prescrição para a ação do contribuinte, para haver tributo cobrado com base em lei que considere inconstitucional", pois isto representa, indubitavelmente, negar vigência . ao CTN, que cuidou expressamente da matéria no art. 168 c/c art. 165. Com efeito, a leitura conjugada desses dispositivos conduz à conclusão única de que o direito ao contribuinte de pleitear a restituição de tributo extingue-se após cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses referidas nos incisos I a III do art. 165. 14 Processo n° :10120.001891195-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 23. A Constituição, em seu art. 146, III, "b", estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normais gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias; portanto, a norma legal a ser observada nesta matéria é o CTN - cuja recepção pela Carta de 1988, com status de lei complementar, é pacífica na doutrina e na jurisprudência -, que fixou, indistintamente, o prazo de cinco anos para a decadência do direito de pedir restituição de tributo indevido, independentemente da razão ou da situação em que se deu pagamento. Se o legislador infraconstitucional, a quem compete dispor sobre a matéria, não diferenciou os prazos decadenciais, em função de o pagamento ser indevido por erro na aplicação da norma imponível ou por inconstitucionalidade desta, ao intérprete é negado fazer tal diferença, por simples exercício de hermenêutica. 24. ALIOMAR BALEEIRO, do alto de sua sapiência, já consignara que a restituição do tributo rege-se pelo CTN, independentemente da razão pela qual o pagamento se tomou indevido, "seja inconstitucionalidade, seja ilegalidade do tributo", e que "Os tributos resultantes de inconstitucionalidade, ou de ato ilegal e arbitrário, são os casos mais frequentes de aplicação do inciso I, do art. 165" (in Dir. Trib. Bras. 10° ed., rev. e atual, 1991, Forense, pag. 563). 25. Ora, se existe norma legal dispondo sobre a matéria, não tem cabimento o juiz negar-lhe vigência para, assumindo indevidamente a função legislativa, atribuir-se o papel de legislador positivo. As respeitáveis decisões dos retrocitados Tribunais federais, portanto, carecem de amparo jurídico, porque desconheceram a existência do mandamento legal para com isto desrespeitá-lo em sua inteireza. 26. É verdade que tal entendimento encontra apoio em respeitável corrente doutrinária que entende não haver direito a ser pleiteado administrativamente, antes da declaração de inconstitucionalidade. A propósito, vale transcrever texto da lavra do tributarista Hugo de Brito Machado: "Tenho sustentado, e constitui entendimento pacifico no âmbito da Administração Tributária Federal, que a autoridade administrativa não tem competência para dizer da inconstitucionalidade das leis. Inúmeras, reiteradas e uniformes manifestações dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda o atestam. Assim, sendo o pedido de restituição fundado na inconstitucionalidade da lei tributária, entendo que não há direito a ser pleiteado administrativamente. Não se pode cogitar da incidência do art. 168, inciso I, do CTN. Inexistente o direito, não se pode cogitar de sua extinção". O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional 15 PI2 Processo n° :10120.001891/95 99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta. Ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiros, 1983, p. 169). Tem, é certo, o contribuinte, ação para pedir, perante o Judiciário, a restituição, tendo como fundamento a inconstitucionalidade da lei tributária, mas no que concerne a esta não existe prescrição. A interpretação conjunta dos artigos 168 e 169, do CTN, demonstram que tais dispositivos não se referem a esse tipo de ação. O art. 168 diz respeito ao pedido de restituição formulado perante a autoridade administrativa. E o art. 169 diz respeito à ação para anular decisão administrativa denegatária do pedido de restituição. Inexiste, portanto, dispositivo legal estabelecendo a prescrição para a ação do contribuinte, para haver tributo cobrado com base em lei que considere inconstitucional" 27. Com todo respeito ao ilustre tributarista, por quem nutrimos especial admiração, não se pode concordar com sua tese, pois ela ao mesmo tempo em que afirma que o "direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa.., somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade"; conclui que não existe dispositivo legal tratando da matéria e que os ads. 168 e 169 do CTN não se aplicam ao caso. Ora, a Administração Pública rege-se pelo princípio da estrita legalidade (CF, art. 37, caput), portanto, se inexiste lei fixando o direito à restituição do tributo pago com base em lei declarada inconstitucional, já que o CTN não regeria matéria, seda imperioso admitir que ela (a Administração) não poderia restituir o tributo. O contribuinte teria, impreterivelmente, de intentar a ação judicial para pleitear o seu direito. 28. Ou, por uma outra ótica, admitido o direito à restituição, o contribuinte poderia pleiteá-la a qualquer tempo, já que não há disposição legal fixando os prazos decadenciais ou prescricionais, para o exercício deste direito. Também é de se questionar onde estaria fixado o prazo de cinco anos apontado pelo ilustre Ricardo L. Torres. Se o art. 168 do CTN não se aplica ao caso, seu prazo qüinqüenal também não serve para marcar a extinção do direito de pedir restituição com base na declaração de inconstitucionalidade. Enfim, são detalhes que, no mínimo, demonstram que a tese abraçada por essa corrente doutrinária também possui pontos vulneráveis a criticas. 16 611 /ali° e i e Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 29. Também inexiste, no direito positivo brasileiro, disposição expressa que atribua às decisões do STF, proferidas em ADIn, ou às resoluções do Senado, o efeito de desfazer situações jurídicas ou fáticas que se realizaram, inteiramente, sob a égide da lei inconstitucional, cujos direitos de pleitear ou de ação tenham seus prazos, decadenciais ou prescricionais, já extintos, nos termos da legislação aplicável. Existe apenas, como já se disse nos itens 5 a 8, o Decreto n° 2.346/97, que, pelo menos no âmbito da administração pública federal, atenua o efeito ex tunc de tais decisões ou resolução, ao impor a preservação de atos insuscetíveis de revisão administrativa ou judicial. 30. A linha interpretativa do STJ contraria, portanto, um dos princípios fundamentais do estado de direito, plenamente consagrado na Constituição da República, que é o da segurança jurídica. Com efeito, permitir sejam revistas situações jurídicas plenamente consolidadas durante a vigência de lei posteriormente declarada inconstitucional, mesmo após decorridos os prazos decadenciais ou prescricionais, é estabelecer o caos na sociedade. Sim, porque a tese teria de ser aplicada a todos indistintamente, e isto significa dizer, por exemplo, que um contrato celebrado entre particulares, sob a égide de uma lei inconstitucional, possa ser desconstituído ou anulado a qualquer tempo, se a lei sob a qual se amparou for declarada inconstitucional, ainda que decorrido o prazo extintivo do direito, estabelecido na legislação civil. 31. Outra situação absurda ocorreria quando uma lei que concedesse isenção fosse declarada inconstitucional. Neste caso, ainda que decorrido um século do fato gerador, a Administração poderá formalizar o crédito tributário e exigir do contribuinte o correspondente pagamento. Isto, indubitavelmente, jogaria por terra o princípio da segurança jurídica e submeteria o contribuinte isento à inadmissível situação de nunca saber se aquele benefício é definitivo ou se, a qualquer tempo, poderá a Administração vir em seu encalço, para exigir o tributo, se a lei, que lhe exonerou do ônus for declarada inconstitucional. (.-.) 33. Essa irretroatividade absoluta dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade contraria, inclusive, o entendimento adotado pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no Recurso Extraordinário n° 57.310-PB, de 1964, que já antecipara a moderação do efeito ex tunc da decisão que declara inconstitucional a lei, quando ressalvou as situações já alcançadas pelo prazo prescricional, in verbis: "Recurso extraordinário não conhecido -A declaração de inconstitucionalidade da lei importa em tornar sem efeito tudo quanto se fez à sua sombra -Declarada inválida uma lei tributária, a conseqüência é a restituição das contribuições arrecadadas, salvo gji--naturalmente as atingidas por prescrição". (destacamos). 17 g) I • 1 Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 34. É preciso salientar, a esta altura, que não se nega o efeito ex tunc da declaração de inconstitucionalidade, tese hoje defendida pela maioria dos doutrinadores. O que se argumenta é em torno da eficácia temporal dessa espécie de decisão sobre situações já consolidadas. No campo da abstração jurídica, esse efeito é absoluto, já que ataca a lei ab initio, e restaura a ordem jurídica, em sua plenitude, ao status quo ante. Todavia, quando aplicado ao exame do caso concreto, razões relevantes ao Direito, vinculadas notadamente ao princípio da segurança jurídica e ao próprio interesse público, impõem um abrandamento da eficácia desse efeito. (—) 41. Dessume-se, pois, que a eficácia do efeito ex tunc das decisões que declaram leis inconstitucionais deve ser temperada, de forma a não causar transtornos pelo desfazimento de situações jurídicas já consolidadas e, algumas vezes, irreversíveis ou de reversibilidade extremamente danosa ao Estado e à sociedade. Não se trata de questionar-se a nulidade ab initio da norma inconstitucional, no campo abstrato da ciência jurídica, questão aceita pela grande maioria da doutrina; mas simplesmente de reconhecer que, examinado à luz de fatos concretos, toma-se imperioso o abrandamento do efeito retroativo, para que não se provoque lesão maior do que a causada pela norma inconstitucional. 42. Ressalte-se, ademais, que o entendimento vencedor no STJ e no TRF da i a Região não considerou o princípio da estrita legalidade que rege o sistema tributário nacional. O CTN, como aduzido acima, cuidou expressamente do prazo de extinção do direito de pleitear a restituição tributária -"seja inconstitucionalidade, seja ilegalidade do tributo", como ensinou ALIOMAR BALEEIRO -, destarte, qualquer solução que não observe o disposto no art. 165 c/c o art. 168, constituirá simples criação exegética, desprovida de qualquer amparo jurídico ou legal. (...) 44. O interessante, também, no raciocínio que serve de fundamento à decisão dos Tribunais é que, por ele, o ato administrativo que exige ou recebe tributo indevido de forma contrária à lei, torna-se inatacável após decorrido o prazo estabelecido no CTN, enquanto o ato praticado sob a égide de lei inconstitucional não se consolida nunca, ainda que decorram décadas da sua prática, pois, se a qualquer tempo for declarada a inconstitucionalidade da norma, ressurgirá incólume o direito do contribuinte. Ora isto, efetivamente, não condiz com o Direito, que não patrocina relações que se perpetuam no tempo. 45. Enfim, por todos os argumentos acima despendidos, pelas lições de eminentes mestres do Direito, nacional e estrangeiro, e, notadamente, pela decisão do STF, no RE n° 57.310-PB, cujo acórdão encontra-se reproduzido no artículo 34 deste trabalho, temos a convicção de que é equivocada a jurisprudência que define as datas de 18 e Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 publicação do acórdão do STF e da resolução do Senado Federal como marcos iniciais dos prazos decadencial ou prescricional do direito de pleitear a restituição de tributo pago com base em lei declarada inconstitucional. 46. Por todo o exposto, são estas as conclusões do presente trabalho: I -o entendimento de que termo a quo do prazo decadencial do direito de restituição de tributo pago indevidamente, com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, seria a data de publicação do respectivo acórdão, no controle concentrado, e da resolução do Senado, no controle difuso, contraria o princípio da segurança jurídica, por aplicar o efeito ex tunc, de maneira absoluta, sem atenuar a sua eficácia, de forma a não desfazer situações jurídicas que, pela legislação regente, não sejam mais passíveis de revisão administrativa ou judicial; II -os prazos decadenciais e prescricionais em direito tributário constituem-se em matéria de lei complementar, conforme determina o art. 150, III, "h" da Constituição da República, encontrando-se hoje regulamentada pelo Código Tributário Nacional; III -o prazo decadencial do direito de pleitear restituição de crédito decorrente de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, rege-se pelo art. 168 do CTN, extinguindo-se, destarte, após decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código; (—)" Estou de pleno acordo com tais razões. Entendo que também no caso da Contribuição para o Finsocial não há que se estabelecer termo inicial diverso da data da extinção do crédito tributário para o prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. A questão da decadência deve ser interpretada à luz do que consta do CTN, com status de lei complementar, conforme exigido pela Carta Magna para o caso das normas relativas á decadência. Observe-se ainda que, em decorrência do Parecer 1538/99 da Procuradoria, a Secretaria da Receita Federal alterou o posicionamento vazado no Parecer Normativo 58, de 27/10/1998, por meio do Ato Declaratório SRF n° 096, de 26 de novembro de 1999, publicado em 30/11/99.9s0) 9 - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário - arts. 165, I, e 168, I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). 19 • • Processo n° :10120.001891/95-99 Acórdão n° : CSRF/03-04.319 Mas entendo que, in casu, não deve ser declarada a decadência. Em que pesem todos os argumentos trazidos, devo admitir que, a partir de uma reflexão sobre o disposto no artigo 2°, inciso XIII, da Lei n° 9.784, de 29/01/1999 10, entendi ser necessário fazer uma exceção ao meu posicionamento de que o contribuinte somente faz jus à repetição/compensação dentro do prazo de cinco anos contados a partir da extinção do crédito tributário. Isto porque aquela norma, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal e que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que nos processos administrativos é vedada a aplicação retroativa de nova interpretação. Ou seja, não há como a administração aplicar ao contribuinte, que deu entrada ao seu pleito de restituição antes ou sob a égide do disposto no PN n° 58/98, entendimento diverso posterior, constante do AD SRF 96/99. Portanto, ao pedido da contribuinte, protocolado em 31/05/95, antes da publicação do AD SRF n° 96, em 30/11/99, deve ser dado o entendimento exarado no Parecer COSIT n° 58/99, contando-se o prazo de cinco anos para pleitear a restituição a partir da data da publicação da MP n° 1.110, em 31/08/95. Então, não há como declarar a decadência. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala de Sessões, em 22 de fevereiro de 2005. nelise a neto J1-1---)121 ("2 I° "Art. 2°. (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se destina, vedada a aplicação retroativa de nova Interpretação."(grifei) 20 Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10073.000445/93-26
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PRELIMINARES - INDEFERIMENTO DE PERÍCIA - INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO - O pedido de realização de perícia também se submete a julgamento, não implicando deferimento automático. Não é nula a decisão que nega a realização de perícia contábil, fundamentada na inexistência de início de prova que a justificasse.
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO – PRELIMINARES - PREPARAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR FUNCIONÁRIO SUBALTERNO - INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO – Não causa nulidade da Decisão de Primeira Instância o cometimento de seu preparo a funcionário da Delegacia da Receita Federal, antes da instalação das delegacias especializadas em julgamento, quando esta é assinada por autoridade competente investida da função julgador.
IRPJ – DESCARACTERIZAÇÃO DO AUMENTO DE CAPITAL - FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SUA REALIZAÇÃO - GLOSA DA CORREÇÃO MONETÁRIA DEVEDORA - A correção monetária do Capital Social só é admitida quando comprovada a efetividade da sua integralização. As cessões de créditos para aumento de capital, com a assunção de promissórias, baseadas em operações efetuadas entre empresas ligadas, para serem consideradas como válidas precisam ter comprovados efetivamente os fatos que lhe deram origem.
TRD - PERÍODO DE INCIDÊNCIA COMO JUROS DE MORA - Face ao princípio da irretroatividade das normas, somente será admitida a aplicação da TRD como juros de mora a partir do mês de agosto de 1991, quando da vigência da Lei nº 8.218/91. Com a edição da IN SRF nº 32, publicada no DOU de 10/04/97 este entendimento ficou homologado pela Administração Tributária Federal.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 108-04918
Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade argüida e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a incidência da TRD excedented a 1% (um por cento) ao mês, no período de fevereiro a julho de 1991.
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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Recorrida : DRF - VOLTA REDONDA/RJ Sessão de : 18 de fevereiro de 1998 Acórdão n°. :108-04.918 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — PRELIMINARES - INDEFERIMENTO DE PERÍCIA - INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO - O pedido de realização de perícia também se submete a julgamento, não implicando deferimento automático. Não é nula a decisão que nega a realização de perícia contábil, fundamentada na inexistência de início de prova que a justificasse. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO — PRELIMINARES - PREPARAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR FUNCIONÁRIO SUBALTERNO - INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO — Não causa nulidade da Decisão de Primeira Instância o cometimento de seu preparo a funcionário da Delegacia da Receita Federal, antes da instalação das delegacias especializadas em julgamento, quando esta é assinada por autoridade competente investida da função julgador. IRPJ — DESCARACTERIZAÇÃO DO AUMENTO DE CAPITAL - FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SUA REALIZAÇÃO - GLOSA DA CORREÇÃO MONETÁRIA DEVEDORA - A correção monetária do Capital Social só é admitida quando comprovada a efetividade da sua integralização. As cessões de créditos para aumento de capital, com a assunção de promissórias, baseadas em operações efetuadas entre empresas ligadas, para serem consideradas como válidas precisam ter comprovados efetivamente os fatos que lhe deram origem. TRD - PERIODO DE INCIDÊNCIA COMO JUROS DE MORA - Face ao princípio da irretroatividade das normas, somente será admitida a aplicação da TRD como juros de mora a partir do mês de agosto de 1991, quando da vigência da Lei n° 8.218/91. Com a edição da IN SRF n° 32, publicada no DOU de 10/04197 este entendimento ficou homologado pela Administração Tributária Federal. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido. etiç • Processo n°. : 10073.000445/93-26 Acórdão n°. : 108.04.918 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por FIPAR S/A. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade argüida e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a incidência da TRD excedente a 1% (um por cento) ao mês, no período de fevereiro a julho de 1991, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE 7 tTIELYSO/N SSO RELAT FORMALIZADO EM: 9/ 5 SET ?orlo Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ ANTÔNIO MINATEL, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR, JORGE EDUARDO GOUVÉA VIEIRA, ANA LUCILA RIBEIRO DE PAIVA, MARCIA MARIA LORIA MEIRA e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. _ Processo n°. : 10073.000445/93-26 Acórdão n°. :108.04.918 Recurso n°. : 109.429 Recorrente : FIPAR S/A. RELATÓRIO Contra a empresa Fipar S/A., foi lavrado auto de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, fls. 135/141 por ter a fiscalização constatado a seguinte infração, descritas às fls. 136 e no Termo de Verificação de fls. 130/134: "1- Despesa Indevida de Correção Monetária — Despesa indevida de correção monetária, caracterizada por aumento artificial do Capital Social, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo a este Auto de Infração. Exercício de 1989— período-base de 1988 315.366.297,60 Exercício de 1990 — período-base de 1989 6.917.060,20 Exercício de 1991 — período-base de 1990 68.888.764,64 Exercício de 1992 — período-base de 1991 367.345.936,20 Inconformada com a exigência, apresentou a autuada impugnação que foi protocolizada em 22/10/93, em cujo arrazoado de fls. 149/152, alega em síntese o seguinte: 1- a glosa parcial do saldo devedor de correção monetária não tem amparo legal; 2- a exigência oscilou, ante à inexistência de supedâneo legal para tipificá-la, entre a analogia ou a presunção, presunção esta sem autorização legal; 3- a indexação das demonstrações financeiras rege-se pelo princípio jurídico da universalidade, estando apoiada no caso na Leis n° 7.799 e 8.200; 4- A legislação comercial, a lei das S/A, Lei n° 6.404R6, reconheceu o grupamento de sociedades e o seu artigo 7° prevê que o capital social poderá ser Gfit Processo n°. :10073.000445/93-26 Acórdão n°. : 108.04.918 formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro; 5- O Parecer Normativo CST n° 23181, invocado na autuação fiscal, submete os efeitos do aumento de capital ao cumprimento das normas dos artigos 166 e seguintes da Lei n° 6.404/76; 6- Existe inexatidão material no cálculo dos efeitos continuados da correção monetária. 7- os acréscimos com base na Taxa Referencial Diária, TRD, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Às fls. 155/158, o autor do feito presta a sua informação fiscal, opinando pela manutenção integral do lançamento. Em 01/07/94 foi prolatada a Decisão 094/94, fls. 159/170, onde a Autoridade Julgadora "a quo", considerou procedente o lançamento, estando suas conclusões sintetizadas no seguinte ementário: " Ementa: Imposto de Renda — Pessoa Jurídica Perícia. — só é cabível quando o contribuinte demonstra de forma cabal a incorreção do levantamento fiscal e não for possível levar para os autos as provas e elementos capazes de viabilizar a verdade fiscal e isto não ocorreu. Cerceamento de Defesa.- Não tendo sido comprovado o cerceamento de defesa, não pode o contribuinte querer se valer do amparo legal. Aumento de CapitaL — A falta de comprovação, por parte, do contribuinte da efetiva realização, com os ingressos respectivos dos recursos para o aumento de capital, faz com que não produza efeito, para fins de correção monetária, de modo a que a mesma possa refletir no resultado do exercício, como determinação do lucro real, base de cálculo e no imposto de renda, dando assim ao fisco o direito de glosar a correção monetária devedora. Independentemente do não cumprimento de todas as etapas sucessivas, em que se decompõe o aumento de capital, principalmente no que se refere a integralização de 10% (dez por cento) no mínimo, das ações subscritas em dinheiro. Ação Fiscal Procedente". 4 Processo n°. : 10073.000445/93-26 Acórdão n°. : 108.04.918 Cientificada em 03/09/94, AR de fls. 171-verso, e novamente irresignada com a decisão de primeira instância, apresenta seu recurso voluntário protocolizado em 30109194, em cujo arrazoado de fls. 176/187, repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória, agregando ainda alegações quanto preliminar de nulidade da decisão de primeira instância pelo não atendimento a seu pedido de perícia e por não estar presente os requisitos contidos no art. 32 do Decreto n° 70.235/72, em virtude de não ter a decisão fundamentação própria, reportando-se a opinamento de funcionário não competente administrativamente para aquele ato jurisdicional. É o Relatório 7() Processo n°. : 10073.000445/93-26 Acórdão n°. : 108.04.918 VOTO Conselheiro - NELSON LOSS° FILHO - Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A empresa em grau de recurso apresenta apenas uma preliminar de nulidade quanto a decisão de primeira instância, não repetindo a preliminar de nulidade do lançamento apresentada na impugnação. A solicitação de preliminar de nulidade da Decisão de Primeira Instância está pautada em dois fundamentos: falta de atendimento ao pedido de perícia e por ter sido elaborada por funcionário não autorizado administrativamente. De pronto rejeito a preliminar de nulidade da Decisão de Primeira Instância argüida, em virtude do indeferimento do pedido de perícia contábil, uma vez que o instituto da perícia é instrumento que deve servir ao julgador, e não só à parte, na busca de sedimentar a sua convicção sobre os fatos em litígio, devendo ser utilizado quando há dúvida, contradição ou um início de prova que a justifique. A perícia não é instrumento adequado para trazer ao processo elementos que estão contidos na própria escrituração contábil ou fiscal e nos controles internos da autuada, situação imita aos próprios registros da recorrente, de fácil demonstração nestes autos, se efetivamente pertinentes. 6 Processo n°. :10073.000445/93-26 Acórdão n°. : 108.04.918 A mesma sorte está reservada à preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, fundamentada no desrespeito ao art. 30 do Decreto n° 70.235/72. O fato de ter adotado na decisão singular fundamentação apresentada por servidor autorizado por lei a fazê-lo, não implica em quaisquer das nulidades previstas no referido decreto, haja vista que o servidor preparador da minuta e quem a aprovou, o Delegado da Receita Federal, estavam autorizados a elaborar este decisium. Rejeitada a preliminar, passo ao exame do mérito. O cerne do litígio diz respeito a falta de comprovação da efetividade dos aumentos de capital efetuados. Quanto à infração detectada pelo Fisco relativa a débito de correção monetária a maior, pela descaracterização do aumento de Capital com a cessão de crédito, lastreado por promissórias, vejo que a legislação comercial, por meio da Lei n° 6.404/76, e a legislação tributária, não colocam óbice ao aumento de capital efetuado com tais direitos, entretanto se faz necessária a comprovação da efetiva realização da operação que lhe deu motivo, ainda mais quando todos os envolvidos são empresas interligadas, bem dizer, não basta a simples apresentação das promissórias para que fique consolidada a incorporação do numerário ao patrimônio da autuada, sedimentando-se a integralização. Da análise dos documentos juntados aos autos às fls. 33/128, notas promissórias, notas de débito, cópias de livros contábeis e fiscais e atas de assembléia, verifico que apenas demonstram uma intensa movimentação escriturai de recursos nos dias que antecederam ao aumento de capital, no valor de Cz$116.316.000, com créditos entre a autuada e suas interligadas, tendo sido movimentado da parte da empresa Fipar o montante de Cz$661.320.000, de tal forma que esses valores chegaram à integralizadora, mesmo que indiretamente, no mesmo dia do referido fato, 7 Processo n°. : 10073.000445/93-26 Acórdão n°. :108.04.918 Em nenhum momento, desde a fiscalização até a fase recursal, traz a autuada elementos para a comprovação da efetividade destas operações, mesmo quando regularmente intimada e reintimada. Até mesmo em relação ao aumento de capital no ano de 1989, cala-se a empresa quanto à justificativa solicitada pela fiscalização. Regularmente intimada a apresentar a efetividade destas operações, fls. 31/32, nada trouxe de concreto em relação aos aumentos de capital contestados pela fiscalização. Acatar como válidos estes aumentos de capital, não sendo comprovada estas operações, nem os aportes de numerários, se chegaria a absurda conclusão que a recorrente estaria ela mesma integralizando seu Capital com recursos próprios, fato não aceito pela legislação comercial ou fiscal Neste ponto, cabe transcrever entendimento a respeito do assunto do mestre Rubens Requião, expresso no seu livro Curso de Direito Comercial, volume 2, 18a edição, ano de 1992, editora Saraiva, fls. 46: "A TRANSFERÊNCIA DE BENS. Trata a lei, nos arts. 9° e 10, da transferência dos bens e da responsabilidade do transmitente. Na falta de declaração expressa em contrário, os bens transferem-se à companhia a título de propriedade. Isso deixa claro que se pode incorporar à sociedade apenas o uso de determinados bens, como exemplo, a exploração de uma patente de invenção. A responsabilidade do subscritor ou do acionista ( no caso de aumento de capital), que contribuírem com bens, será idêntica à do devedor. Responde• pela evicção, pelos vícios da coisa etc. E quando a entrada consistir em crédito, o subscritor ou acionista responderá pela solvência do devedor. A respeito da possibilidade da entrada consistir em crédito, como admite o art. 10, parágrafo único, simplesmente responsabilizando o subscritor ou acionista pela solvência do devedor, apresentamos estudo ao Simpósio sobre Sociedades Anônimas, realizado em 1970, em São Paulo, sobre a fraude da incorporação de crédito na formação do capital social. Dizíamos, então: "Bastou que as ações pudessem ser integralizadas em espécie, para que a mente fértil dos menos escrupulosos Processo n°. : 10073.000445/93-26 Acórdão n°. : 108.04.918 imaginasse uni artifício ensejador das mais deslavadas fraudes contra os acionistas e contra a sociedade e seus credores. Referimo-nos à integralização das ações através da entrega à sociedade de letras de câmbio ou notas promissórias do respectivo valor Levando-se esses créditos à conta de capital, como se a entrada fosse realizada em dinheiro, lançam o crédito no "realizável", ficando o subscritor como devedor da sociedade. Aparece, então, o subscritor com suas ações integralizadas e, consequentemente, também realizado o capital social, embora não se resgate o titulo de crédito" Verificamos, com efeito, na prática, o uso dessa fraude. Sugerimos que as ações, provenientes de títulos de crédito, deveriam, na hipótese, ser consideradas realmente integralizadas após o pagamento do respectivo titulo. Enquanto o pagamento não se realizar, a sociedade não poderá emitir o certificado de ações (art. 23 § 2°). Era imprescindível que a empresa comprovasse a movimentação desses numerários, que escrituralmente foram utilizados em empréstimos recíprocos entre ela e empresas ligadas, para que se acatasse como válida a subscrição das ações e os aumentos do Capital. Não o fazendo, continua de pá a acusação fiscal de que estas movimentações foram apenas escriturais, não envolvendo a efetiva realização dos mesmos. A comprovação da efetividade dos aumentos de capital está ínsita sua própria contabilidade, quando do resgate, recebimento ou transferência dos créditos e adiantamentos para futuro aumento de capital, facilmente trazido aos autos, se efetivos, pela recorrente. Não o fazendo, é justo ver-se esboroar os aumentos de capital não comprovados e glosado seus efeitos na correção monetária das demonstrações financeiras, com influência na base de cálculo do imposto de renda. Assim, ante a total falta de comprovação da efetiva realização das operações que lastrearam os créditos utilizados para aumento de capital nos anos de 1988 e 1989, entendo deva ser mantida a exigência fiscal. Quanto ao questionamento da incidência da TRD como juros de mora, vejo que é pacífico neste Colegiado o entendimento que deva ser excluída da ej% Processo n°. : 10073.000445193-26 Acórdão n°. : 108.04.918 exigência fiscal a TRD que exceder a 1% (um por cento) como juros de mora no período compreendido entre fevereiro e julho de 1991. Vejo ainda, que a matéria já foi objeto de exame pela colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, selou administrativamente a controvérsia relativa à questionada aplicação da TRD, pelo Acórdão n° CSRF/01-1.773, assim ementado: "VIGÊNCIA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA - INCIDÊNCIA DA TRD COMO JUROS DE MORA - Por força do disposto no artigo 101 do CTN e no parágrafo 4° do artigo 1° da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, a Taxa Referencial Diária - TRD só poderia ser cobrada, como juros de mora, a partir do mês de agosto de 1991, quando entrou em vigor a Lei n° 8.218. Recurso Provido." Por meio da Instrução Normativa de n° 32, publicada no DOU de 10/04/97, a própria administração tributária tomou a iniciativa de "determinar seja subtraída, no período compreendido entre 4 de fevereiro a 29 de julho de 1991, a aplicação do disposto no art. 30 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, resultante da conversão da Medida Provisória n°298, de 29 de julho de 1991", uniformizando o tratamento na cobrança de todos os créditos tributários ainda pendentes, inclusive parcelados, deixando, portanto, de existir controvérsia sobre a exclusão da TRD no período de fevereiro a julho do ano de 1991, no que exceder ao percentual dos juros de mora de 1% (um por cento). Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir a incidência da TRD como taxa de juros no que exceder de 1% ( um por cento ) ao mês, no período de fevereiro a julho de 1991 Saia das Sessões (DF), em 18 de fevereiro de 2000 . . t NELSON áo FIL O 611 n Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1 _0012600.PDF Page 1 _0012700.PDF Page 1 _0012800.PDF Page 1 _0012900.PDF Page 1 _0013000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10435.000531/2007-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, conforme proposto no voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, CynthiaElenadeCampos e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, conforme proposto no voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, CynthiaElenadeCampos e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, substituída pelo Suplente convocado. Relatório Contra a empresa LIBER CONSERVAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA., foi formalizado processo de lançamento de oficio da Contribuição para o PIS (fls. 168/170) e da COFINS (fls. 179/182). De acordo com as informações contidas nos TERMOS DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL de fls. 169/170 e 179/181, bem como do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 158/161), que acompanham os Autos de Infração, foram apuradas irregularidades praticadas pela pessoa jurídica autuada, em relação às contribuições referenciadas, nos períodos mencionados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 1125.708, de 19/03/2009, prolatado pela DRJ em Recife (PE), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 218/232): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 35 .0 00 53 1/ 20 07 -2 1 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 538 2 "(...) 2. De acordo com as informações contidas nos TERMOS DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL de fls. 168/169 e 179/180 que acompanham os Autos ide Infração, foram apuradas as seguintes irregularidades praticadas pela pessoa jurídica autuada, em relação às contribuições referenciadas, nos períodos mencionados. 2.1. PIS E COFINS DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores escriturados e os declarados, conforme demonstrado e no TERMO DE VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL anexo ao Auto de infração, do qual faz parte integrante. 3. No Termo de VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL DE fls.157/160, consta a informação de que foi verificado que a empresa autuada auferiu, nos períodos fiscalizados receita de atividade submetida ao regime cumulativo e nãocumulativo e que o valor dos créditos sobre as compras efetuadas teriam que ser proporcionais às receitas não cumulativas, no entanto, para efeito do cálculo do valor do crédito sobre as compras a empresa utilizou o total das mesmas não procedendo ao cálculo proporcional, o que foi efetuado pela fiscalização, conforme demonstrado nas planilhas de "Apuração dos Créditos PIS/COFINS", anexas às fls.155 a 156. 4. Devidamente intimada, na data de 10/05/2007, a autuada apresentou na data de 01/06/2007, por meio da sua sócia e administradora, assim identificada no Contrato Social de fls.24/28, a impugnação de fls. 185/210 , com as seguintes alegações, em síntese: DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS NO PROCEDIMENTO FISCAL ART. 59 DO DECRETO 70.235/1972 I pede a nulidade do lançamento por ter o Auditor Fiscal extrapolado o prazo previsto no art.12 da Portaria 1.265/1999 (120 dias), sendo mantida tal regra pelo art.15 da Portaria SRF nº 6.087, de 2005, sendo imperativo, de acordo com o art.16, parágrafo único da citada Portaria, que o novo Mandado seja emitido para outra autoridade fiscal; II acrescenta que a obrigatoriedade de a autoridade fiscal dar ciência ao contribuinte, não somente no MPF inicial, porém, de todas as renovações e abrangências temporais da auditoria, consoante arts. 10 e 13, da citada Portaria, o que não foi observado pela fiscalização o que lhe causou o cerceamento de defesa; II entende, enfim, que as irregularidades ora apontadas no procedimento fiscal, tais como, a falta de cientificação do início do procedimento fiscal, das várias prorrogações do MPF e, por fim, o decurso do prazo de 120 dias do MPFF n° 04.02.00200600151, sem a devida indicação de outro Auditor Fiscal para prosseguimento dos trabalhos, são .suficientes para a decretação da nulidade do Auto de Infração, uma vez lavrado por servidor incompetente, além de da inexistência, quando da lavratura referenciada, de procedimento fiscal em curso, mi, pelo menos procedimento autorizado; III Cita e transcreve Doutrina e jurisprudência que tratam da importância do MPF na validade dos atos de procedimento fiscal. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 539 3 DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3°, § 1°, DA LEI N° 9.718 DE 1998 I Faz um longo arrazoado a respeito da inconstitucionalidade do art.3°, § 1º, da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, que majorou o conceito de receita operacional, para receita bruta, das bases de cálculo do PIS/Cofins e conclui, em síntese, que não se enquadram no conceito de faturamento (ou de receita bruta) da empresa contribuinte as receitas resultantes das atividades financeiras, nãooperacionais ou de simples ganho de capital, não se subsumindo, à hipótese, de incidência traçada no art.195, I, da Carta magna; II Informa que o STF declarou a inconstitucionalidade do dispositivo legal em julgamento realizado em 09.11.2005, no qual foram decididos em conjunto os RE de nºs 357950, 359273 e 346084. III Invoca o art.77 da Lei n° 9.430, de 1997 que autoriza o poder executivo a disciplinar as hipóteses em que a administração tributária federal, relativamente aos créditos tributários baseados em dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. No MÉRITO, I entende que a fiscalização criou uma nova forma de apuração das contribuições para o PIS e para a Cofins, juntando a cumulatividade com a não cumulatividade, o que por si só, torna ilegal o procedimento e a determinação da improcedência das exigências; II aduz que as verificações levadas a efeito extrapolaram ao que conta autorizado no MPF, haja vista, que segundo consta naquele instrumento, as verificações deveriam se limitar a correspondência entre os valores declarados e os escriturados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos e no período de execução do Procedimento Fiscal, entretanto, os autuantes foram além e imiscuiramse a presumir irregularmente a "indevida utilização de créditos, sem aplicar a proporcionalidade", sendo este fato reconhecido no Termo de Verificação Fiscal, extrapolando, assim, o MPF; III no tocante a este item, caso vencidas as questões referentes aos vícios formais que contaminam todo o procedimento, o que não se espera, é necessário que sejam avaliados minudentemente os valores do crédito tributário constituído, pois entende que esses valores se referem exclusivamente a um presumido "creditamento irregular" sobre insumos, uma vez que estes o foram exclusivamente nos contratos sujeitos à nãocumulatividade firmados, o que é suficiente para autorizar o creditamento sobre a totalidade das aquisições. Esse fato pode ser facilmente comprovado a partir da análise dos contratos firmados entre a prestadora e a tomadora dos serviços, pelo que desde já protesta pela realização de diligências adicionais, quando então, poderá ser descortinada a verdade material que determinará de maneira definitiva a improcedência do lançamento. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 540 4 CONCLUSÃO Em face do exposto requer: a) a nulidade dos lançamentos, em virtude dos vícios referidos na sua formalização; b) que sejam acolhidos, também, os argumentos descaracterizadores da ilegítima ação fiscal, assentada em acusação desprovida de qualquer consistência legal e fática; c) protesta o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial ajuntada posterior de documentos, produção de prova oral e escrita. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/07/2005 a 31/10/2006., INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS . A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2006 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS . A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins constitui infração que autoriza a laVratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2006 PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando este atende a todos as formalidades legais e o contribuinte tem acesso à detalhada descrição dos fatos e a todos os elementos e provas que o embasaram. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que haja eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 541 5 Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004, 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/01/2005 a 31/05/2005, 01/07/2005 a 31/10/2006 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negarlhe execução. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIA. No processo administrativo fiscal regido pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, é facultado à autoridade julgadora de primeira instância a determinação, de ofício, da realização de diligências ou perícias, quando entendêla necessária. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que ocorra um dos fatos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Lançamento Procedente Em 08/04/2009 (fl. 237), a Recorrente tomou ciência do resultado do julgamento. Contra essa decisão, em 08/05/2009 (fl. 238), foi interposto o Recurso Voluntário (fls. 238/263), para reiterar os argumentos da peça impugnatória e acrescentado, em resumo, os seguintes pontos: (i) Preliminarmente, alega a nulidade dos Auto de Infração, por vícios no procedimento Fiscal (do MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF ) e afronta aos princípios do devido processo legal, legalidade, da ampla defesa, da moralidade e da eficiência pela Administração Tributária. Por decorrência, da própria segurança jurídica, pois, não se pode obstar direitos em decorrência de exigências, de supostos débitos constituídos e lançados com base em procedimentos viciados. Portanto, o procedimento fiscal deuse com total infração aos princípios da legalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, da moralidade, da eficiência e da segurança jurídica pois, na data da expedição dos Autos de Infração a autoridade fiscal que procedeu à respectiva lavratura não detinha mais qualquer competência legal para lançar o crédito tributário contra a Recorrente em decorrência do MPF original, sendo dever de oficio, portanto, declarar a respectiva NULIDADE, anulando se, por conseguinte todos os demais atos processuais dele decorrentes, pois, de acordo com o Decreto n° 70.235/1972 que rege o processo administrativotributário, são nulos os Autos de Infração lavrados por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. (ii) Da Base de Cálculo majorada utilizado no Lançamento: a) aduz que a Fazenda, ao lançar as contribuições sociais do PIS, através do Auto de Infração ora impugnado, considerou como base de cálculo das exações, a totalidade das receitas auferidas pela Recorrente, independentemente de sua classificação contábil (incluindo as receitas resultantes das atividades financeiras, não operacionais ou de simples ganho de capital). Em outras palavras, os Autos de Infração fundamentouse no art. art. 3º, §1º da Lei n° 9.718/98, vigente à época dos fatos geradores, mas já declarado Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 542 6 INCONSTITUCIONAL pelo STF nos REs nºs 390.840, 357.950 e 346.084, devendo ser observada por todo o Judiciário, bem como pela Administração Pública direta e indireta; b) destaca que a RFB não considerou que a Recorrente é empresa que presta serviços de agenciamento de mãodeobra temporária e locação de mãodeobra especializada, e que nem todos os valores recebidos das pessoas jurídicas tomadoras de serviços constitui seu faturamento. Alega que a Recorrente atua como verdadeira intermediária entre a parte contratante da mão de obra e o terceiro que irá prestar os serviços. Atuando nessa função de intermediação, é remunerada pela taxa de administração acordada, rendimento específico desse tipo de negócio jurídico. No caso, o faturamento é a taxa de administração, que é o preço dos serviços pagos pelo tomador, excluídas as parcelas atinentes aos salários e aos encargos sociais dos trabalhadores. Em contraprestação recebe o que se chama de "taxa de administração" que constitui o seu real faturamento; e c) a Fiscalização, ao calcular as contribuições em comento, fez incluir na base de calculo o ISS (Imposto Sobre Serviço). Isto porque, o ISS, mesmo não sendo faturamento da Recorrente, é, por determinação legal, incluso na base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS. No entanto, ressalta que o IPI é excluído da base cálculo do PIS. Ora, o ISS dá mesma forma que o IPI não se configura faturamento real da Recorrente ou de qualquer outro contribuinte. Assim, ao não se excluir o valor do ISS do faturamento real, se está, por via de conseqüência, alargando a base de cálculo do PIS e da Cofins, o que já foi rechaçado por nossa Corte Constitucional. (iii) da Ilegalidade da Multa Imposta alega que a multa imposta é confiscatória e torna o débito tributário impagável, ferindo diversos Princípios Constitucionais, entre eles: Princípio do Não Confisco; Princípio da Capacidade Contributiva; da Proporcionalidade e da Razoabilidade, e Princípio do Due Process of Law. O processo digitalizado, então, foi movimentado para este CARF. Durante a análise dos autos nesta Conselho, foi arguido conflito de competência do processo em epígrafe, em nome de Líber Conservação e Serviços Ltda. A 2ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho, mediante despacho de efls. 265/266, de 12/12/2013, declinou da competência para o exame da lide em favor da 1ª Seção, sob o argumento de que os créditos de PIS e de COFINS exigidos no presente processo seriam decorrentes dos mesmos fatos inerentes à exigência do IRPJ. Por sua vez, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por meio do despacho de efls. 268/270, de 21/11/2015, defendeu que os fatos que motivaram os lançamentos de PIS/COFINS e de IRPJ/CSLL seriam totalmente independentes, conforme trechos do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal (fls. 158), que reproduz às e fls. 269/270. O Presidente do CARF, diante do disposto no artigo 20, inciso IX, c/c § 7º do artigo 6º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (Despacho de fls.271/272), decidiu o conflito da seguinte forma: "(...) Portanto, há que se acolher a exegese feita pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que suscitou o conflito de competência por entender, corretamente, que a matéria é sim da competência da 3ª Seção deste Conselho" (grifei). Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 543 7 Posto isto, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. Quando da análise do Recurso Voluntário juntamente com os demonstrativos apresentados e anexados aos autos às fls. 15/19 e 42/112 preparada pela Recorrente e, 153/157 elaborada pelo Fisco, verificouse em alguns meses a presença da rubrica "Outras Receitas (de juros, etc)", que compuseram a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação aos recolhimentos à título de PIS e da COFINS no período de apuração deste Auto de Infração, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como uma das alegações do Recurso Voluntário, que houve Contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados no curso da fiscalização, são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS e eventuais pagamentos a maior. Com base no exposto, nos termos do art. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, o julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 3402001.025, de 28/06/2017 (fls. 274/283), para que a Delegacia de origem (DRF/Caruaru (PE), procedesse as seguintes informações: "(...) (a) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessário (a critério da fiscalização), e apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, relativo aos períodos de apuração apontados nos Autos de Infração, bem como, se for o caso, indique a eventual correção dos valores, correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998; b) informar se houve, ou não, na composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, inclusão de receitas não operacionais ou de simples ganho de capital no período; c) relatar outras informações que considerar relevantes, objetivando esclarecer questionamentos aduzidos pela Recorrente em seu recurso voluntário; e d) ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF/Caruaru(PE), deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de eventual pagamento indevido ou a maior neste processo, conforme alegado pela Recorrente". Em cumprimento à Resolução solicitada por este CARF, a DRF/Caruaru/PE, elaborou o Termo de Diligência Fiscal de fls. 312/316, que restou consignado, no item IV Conclusões, as seguintes informações (transcrição dos principais trechos): Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 544 8 "(...) IV Conclusões Da análise dos elementos postos à disposição desta fiscalização pela diligenciada, em atendimento aos Termos de Intimações Fiscais n°s 01 e 02, e dos elementos obtidos junto ao processo administrativo fiscal n° 10435.000.531/200721, pudemos constatar o que adiante resta explicitado: IV.1. (...) IV.2 Da análise das planilhas acima elaboradas pudemos constatar o seguinte: IV.2.1 As divergências entre os valores informados pela diligenciada em confronto com os valores constantes do auto de infração lavrado ocorreram nos meses de: fevereiro, março e junho/2004, fevereiro e maio/2005 e julho e agosto de 2006; IV.2.3 Nos meses de fevereiro e março de 2004 a diligenciada informou que não auferiu receita de serviços nos respectivos meses, no entanto, conforme cópia livro razão conta ""SERVIÇOS PRESTADOS" foi constatado receita nos valores de R$ 2.736.663,02 e R$ 2.853.978,88, respectivamente; IV.2.4 No mês de julho de 2004 o valor correto é R$ 4.653.641,54, conforme cópia razão conta "SERVIÇOS PRESTADOS". Portanto, o valor lançados à época estava a menor em R$ 76.980,17; IV.2.5 Nos meses de fevereiro e maio de 2005 os valores corretos são R$ 1.889.595,50 e R$ 4.752.530,77, conforme cópia razão conta "SERVIÇOS PRESTADOS". Portanto, os valores lançados à época estavam a menor em R$ 99.999,70 e R$7.829,12; IV.2.6 Nos meses de julho e agosto de 2006 os valores corretos são R$ 4.101.961,52 e R$ 6.338.601,89, conforme cópia razão conta "SERVIÇOS PRESTADOS". Portanto, quanto aos valores lançados à época o mês de julho foi lançado a maior em R$ 1.545,06 e o do mês de agosto foi lançado a menor em R$ 1.515,06; IV.3 Que das informações prestadas pela diligenciada em confronto com as planilhas elaboradas à época da citada fiscalização ficou evidenciado que da base de cálculo fizeram parte as receitas financeiras, as quais constam das planilhas elaboras à época mais especificamente na coluna "OUTRAS RECEITAS (C), conforme abaixo discriminado: Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 545 9 IV.3 Quanto aos pagamentos indevidos ou a maior que o contribuinte afirma ter efetuado não pudemos identificálos, tendo em vista, que o mesmo não apresentou documentos que comprovassem ou justificassem os questionamentos dessa fiscalização, bem como, não apresentou a documentação necessária a comprovação dos aludidos pagamentos, supostamente efetuados a maior, nos períodos relacionados no referido processo administrativo fiscal. IV.4 Quanto as receitas não operacionais ou de simples ganho de capital o contribuinte apresentou em suas planilhas os valores referentes as receitas financeiras obtidas nos períodos fiscalizados, os quais, encontramse devidamente identificados, conforme tabela item IV.2 acima. No entanto, não nos foi apresentado qualquer outro documento ou lançamento contábil referente a outras receitas não operacionais os de simples ganho de capital". Por outro giro, em 19/03/2018, a Recorrente em sua Manifestação após ser cientificada da Diligência, discordando das informações do Fisco, aduz as seguintes considerações (fls. 323/325): "(...) Primeiramente, é de se destacar que na tabela constante da fl. 04 das informações prestadas, no mês de set/2006, 3ª coluna, Valores informados pela diligenciada, consta o valor de R$ 26.925.948,43. Este valor jamais foi informado pela diligencidada. Ademais, em momento algum a Empresa informou à fiscalização que não auferiu receita de serviços nos meses de fev e mar/2004. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 546 10 Conforme planilhas de apuração contábil da época a receita de fevereiro/2004 foi de R$ 2.737.045,06 (receita a maior do que a fiscalização de r$ 382,04). Conforme planilhas de apuração contábil da época a receita de mar/2004 foi de R$ 2.859.615, 21(receita a maior do que a fiscalização de r$ 5.636,33). Conforme planilhas de apuração contábil da época a receita de jul/2004 foi de R$ 4.576.927,82 (receita a menor do que a fiscalização de r$ 76.713,72). Conforme planilhas e demais documentos ora acostados, houve pagamento a maior de PIS de fev a jun/2004, totalizando um crédito de R$ 75.462,18. Conforme planilhas de apuração contábil da época a receita de fev/2005 foi de R$ 1.789.595,80 (receita a menor do que a fiscalização de r$ 99.999,70). Conforme planilhas de apuração contábil da época a receita de maio/2005 foi de R$ 4.744.701,65 (receita a menor do que a fiscalização de r$ 7.829,12). Conforme planilhas de apuração contábil da época a receita de maio/2006 foi de R$ 4.103.506,58(receita a maior do que a fiscalização de r$ 1.545,06). Conforme planilhas de apuração contábil da época a receita de ago/2006 foi de R$ 6.337.086,83 (receita a menor do que a fiscalização de r$ 1.515,06). Como se depreende da documentação anexada (planilhas de apuração, DCTFs), a fiscalização não considerou pagamentos realizados no ano 2004 no valor R$ 75.462,18 mediante lançamentos contábeis, compensação, nem créditos oriundos de retenção na fonte. Por fim, importa destacar que, ainda que a fiscalização ao realizar a diligência determinada pelo CARF, tenha encontrados valores supostamente divergentes, não poderá haver reforma do lançamento para piorar a situação do contribuinte. Assim, a Recorrente requer sejam juntados aos autos os presentes esclarecimentos e demais documentos ora acostados que demonstram cabalmente os equívocos incorridos pelo Sr. Auditor na realização da diligência". (Grifei) É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator Em que pese os argumentos e documentos acostados aos autos, do exame dos elementos comprobatórios anexados pela Recorrente em sua Manifestação pós realização da diligência, constatase que, no caso vertente, resta dúvidas para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS e eventuais pagamentos não considerados pela Fiscalização. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10435.000531/200721 Resolução nº 3402001.410 S3C4T2 Fl. 547 11 Ante ao exposto, nos termos do art. 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter novamente o presente julgamento em diligência, para que a Unidade Local (DRF/Caruaru (PE), proceda o seguinte: a) Informar, se com base nos documentos anexados aos autos junto a Manifestação da Recorrente pós diligência (fls. 328/515 documentos, planilhas de apuração, DCTFs), tem fundamento e comprovam a alegação de que a Fiscalização não considerou os pagamentos realizados no ano 2004 no valor R$ 75.462,18, mediante lançamentos contábeis, compensação, nem créditos oriundos de retenção na fonte; b) ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF/Caruaru(PE), deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestando se sobre a existência (ou não) de pagamentos não considerados conforme alegado pela Recorrente; e c) Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Após, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento do julgamento. É como voto a presente Resolução. (assinatura digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 547DF CARF MF
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Numero do processo: 10305.000336/97-15
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2001
Ementa: NORMAS GERAIS — PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional é o órgão jurídico que possui a incumbência privativa de representar os interesses do Fazenda Nacional nos Conselhos de Contribuintes. O reconhecimento da Fazenda da improcedência do lançamento fiscal (Nota PGFN/CAT/540/2001) e a concordância com as razões do recurso interposto pela empresa, representam a desistência da pretensão do Fisco à cobrança do tributo. Não há, portanto, litígio a ser apreciado por este Colegiado. O processo perdeu o objeto com o ato de reconhecimento do direito do sujeito passivo pela Fazenda
Nacional. Aplicação do artigo 52 da Lei n° 9.784/99.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-01.068
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais por maioria de votos, CONHECER do recurso quanto à
admissibilidade, e, no mérito por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Marcos Vinicius Neder de Lima
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS -'-----" :/ SEGUNDA TURMA Processo n': 10305.000336/97-15 Recurso n2: RD/201-0.355 Matéria : IOF Recorrente: BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL - BNDES Recorrida : 1 2 Câmara do 22 Conselho de Contribuintes Interessada: FAZENDA NACIONAL Sessão de: 15 DE OUTUBRO DE 2001 Acórdão n.°: CSRF/02-01.068 NORMAS GERAIS — PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional é o órgão jurídico que possui a incumbência privativa de representar os interesses do Fazenda Nacional nos Conselhos de Contribuintes. O reconhecimento da Fazenda da improcedência do lançamento fiscal (Nota PGFN/CAT/540/2001) e a concordância com as razões do recurso interposto pela empresa, representam a desistência da pretensão do Fisco à cobrança do tributo. Não há, portanto, litígio a ser apreciado por este Colegiado. O processo perdeu o objeto com o ato de reconhecimento do direito do sujeito passivo pela Fazenda Nacional. Aplicação do artigo 52 da Lei n° 9.784/99. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL- BNDES ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais por maioria de votos, CONHECER do recurso quanto à admissibilidade, e, no mérito por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por falta de objeto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ---c„..E. ,ot.--- -_.,-;-- N a - gr -- i '' • D m ES PRESIDE - , Trf W-.(9 M Á RCeS, INICIUS NEDER DE LIMA LA '0- FORMALIZADO EM: es l'' -A P7 L5 JAN .4-)--... Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, JORGE FREIRE, SÉRGIO GOMES VELLOSO, DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA, OTACíLIO DANTAS CARTAXO e FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. 2 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 Recurso n2: RD/201-0.355 Recorrente: BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL -BNDES RELATÓRIO Trata-se de divergência argüida pelo sujeito passivo acerca do entendimento firmado quanto à responsabilidade do BNDES - na qualidade de Agente Financeiro da União - pelo recolhimento do Imposto sobre Operações Financeiras incidente sobre aplicações de recursos do FMM, FAT e FINSOCIAL. Com fulcro na Lei n2 8.033/90, procedeu-se à lavratura do auto de infração para formalização da exigência do 10F devido sobre títulos e aplicações renda fixa de propriedade e/ou realizadas pelo estabelecimento bancário acima identificado, conforme balancetes de 15/03/90. Em sua defesa, o BNDES tece considerações para justificar que - pelas operações realizadas - não se pode caracteriza-lo como contribuinte do 10F. Entre outros, o autuado presta os seguintes esclarecimentos (fls. 08): a) "...Os recursos classificados como "Operações Compromissadas" constituem-se em aplicações do BNDES no Extramercado, que, aliás, ressalte-se, são advindas da obrigatoriedade prevista no Decreto Lei n2 1.290, de 3.12.1973, e percebem sempre remuneração inferior à praticada pelo mercado financeiro. Estas aplicações diferem das tradicionais operações compromissadas conforme se conhece no mercado financeiro, e que são referidas no inciso I da Circular n 2 1695. No entanto, esta classificação pelo BNDES no Plano de Contas do COSIF é a que melhor se aproxima da natureza da operação financeira."; b) "A inexistência de contrapartida em "Depósitos Interfinanceiros" decorre de que o lastro dos recursos aplicados no extramercado constitui-se das disponibilidades dos fundos administrados pelo Banco, para os quais o BACEN instituiu conta específica no COSIF de n2 4.9.6.50.00-2. ..." 3 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 (Fundo de Participação PIS-PASEP; Fundo de Participação Social - FPS; Fundo Nacional de Desenvolvimento - FND; Fundo da Marinha Mercante - FMM; Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT e Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL). Em momento algum o interessado questiona sua condição de contribuinte ou responsável pelas aplicações dos Fundos PIS-PASEP, FPS e FND, insurgindo-se tão-somente quanto à condição de sujeito passivo nas operações relativas aos fundos FMM, FAT e FINSOCIAL. De posse dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância manteve a exigência fiscal referente aos fundos especiais, excluindo, porém, a exação relativa às debêntures, tendo em vista as considerações a seguir transcritas: " . As particularidades, portanto, alegadas pela impugnante não são relevantes. Acrescente-se que toda instituição financeira possui seu balanço ajustado ao do COSIF. Algumas delas aplicam fundos do governo, e não foi por conta deste fato que deixaram de recolher o referido imposto, conforme determina a legislação a respeito. Também não há sentido na afirmação de que: "com relação aos fundos FMM, FAT e FINSOCIAL, o BNDES é administrador dos recursos da União Federal, não havendo, portanto, qualquer amparo legal para cobrança do 10F, uma vez que fere o princípio basilar do direito tributário, segundo o qual o Poder Tributante que figurar como sujeito ativo da relação jurídica não pode ser sujeito passivo da mesma". Isto porque, após ter sido dado uma destinação aos recursos auferidos pela União, eles não lhe pertencem mais. É neste caso que estão inseridos os fundos acima. Eles estão relacionados às atividades dos mutuários dos fundos. O BNDES não é o administrador dos recursos da União como quer o impugnante, mas, sim, administrador dos recursos do FMM, FAT e FINSOCIAL. Na realidade, esta situação caracteriza uma captação comum, só não sendo comum porque a captação tanto do BNDES como dos outros agentes financeiros é disciplinada por normas próprias, relativas aos fundos em questão." 4 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 Desta decisão, a DRJ-Rio de Janeiro recorreu de ofício ao Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 91). Da parte que lhe foi contrária, o BNDES também recorre ao 2 2 CC (fls. 93/102). Em suas considerações, tente novamente se desqualificar da condição de sujeito passivo da obrigação tributária, argumentando que os fundos especiais em referência são de titularidade da União - ente jurídico, dotado de personalidade jurídica de direito público. Em sessão plenária de 08/12/98, a Primeira Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes decide - pelo voto de qualidade - negar provimento ao recurso de oficio interposto, mantendo a decisão singular nos termos da ementa do Acórdão n2 201-72.316 (fls. 119): 10F - Empresa pública de direto privado sujeita-se ao regime tributário das empresas privadas, § 1 2 do art. 173 da CF de 1988. Exigência fiscal, com base na Lei n 2 8.033, de 1990, é de ser mantida, não conseguindo o contribuinte, através do recurso pertinente, elidi-la. Recurso voluntário a que se dá provimento parcial apenas para excluir do auto de infração a exação referente às debêntures, mantida a exigência fiscal referente aos fundos especiais." Para melhor elucidar as razões de decidir constantes do voto condutor da referida decisão de segunda instância, transcreve-se parte de sua fundamentação: "...os Fundos administrados pelo BNDES são fundos de recursos do Tesouro Nacional, cuja administração foi delegada ao BNDES. Para o exame da questão, posta ao crivo deste Colegiado, não importa a característica contábil ou financeira de cada fundo. Constitui Fundo o produto de receitas especificadas que, na lei, vinculam à realização de determinados objetivos e serviços. O que importa, realmente, é que o BNDES, como instituição financeira, exerce atividade bancária e, como tal, aplica recursos destes Fundos. Com estas premissas, cumpre-me ressalvar que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é o 5 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 principal instrumento de execução da política de investimentos do Governo Federal, nos termos que dispõe o art. 23 da Lei n 2 4.595, de 1964. É uma instituição financeira pública. O BNDES, na execução de sua função de fomento e investimento, utiliza-se de fundos, além das inversões diretas que faz em setor industrial, agrícola, e serviços. É o principal agente do Governo Federal para financiamento a médio e longo prazo dos diversos setores da economia nacional. Em particular, o BNDES, por intermédio da BNDES Participações - BNDESPAR, sua subsidiária integral, fomenta o desenvolvimento do mercado de capitais. São operações ativas das sociedades de crédito, financiamento e investimento - BNDES, realizar financiamentos de bens e serviços a pessoas jurídicas e físicas, realizar financiamentos de capital de giro a pessoas jurídicas, aplicações de recursos e depósitos interfinanceiros. Como operações passivas, destacam-se aceites em letras de câmbio, recebimento de depósitos acionistas, sem emissão de certificado, recursos de repasses dentro de programas específicos. Por fim, como operações especiais das referidas sociedades, subscrever, adquirir ou intermediar debêntures à subscrição pública, realizar operações compromissadas, credenciar agentes autônomos, realizar operações com títulos de renda fixa. Assim exposto, considero o BNDES, instituição financeira, contribuinte do 10F, nos termos do inciso I do art. 1 2 da Lei n2 8.033, de 1990. Os recursos dos fundos administrados pelo Banco são repassados por determinação orçamentária, constituindo tais recursos instrumento de política governamental a ser executada pela empresa pública de direito privado - BNDES. O BNDES, como instituição financeira, na aplicação de valores mobiliários, não estaria sujeito à incidência do IOF - art. 18 da Lei n 2 8.033/90. Entretanto, tal matéria não foi trazida pelo recorrente na impugnação e nas razões de recurso. Assim, a aplicação do efeito devolutório para acolhimento do pedido do recorrente deixa de ser instrumento útil do julgador. O conhecimento da matéria, trazida na impugnação, não elide a exação fiscal nos termos consignados no Auto de Infração. Assim sendo, Nego Provimento ao Recurso de Ofício pelos argumentos expendidos, mantendo a conclusão da decisão recorrida, sem extrapolar os limites da mesma." Postulando a reforma parcial da decisão proferida em segunda instância administrativa, recorre o sujeito passivo à Câmara Superior de Recursos 6 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 Fiscais (fls. 152/166), sob a alegação de que o julgado em epígrafe contraria o entendimento jurisprudencial presente nos Acórdãos de rM 201-67.007; 202-08.114; 202-08.778; 202-00.479; 202-00.483; 202-00.521; 202-00.503; 202-00.567; 202- 00.570 e CSRF/02-0.676, anexados por cópia, às fls.167/254, para comprovação do dissídio. Conforme Despacho n2 201.126, a Presidência da Primeira Câmara deste Colegiado recebeu o recurso especial interposto pelo contribuinte, posto que revestido dos requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, nos termos da Informação de fls. 258/260. Em cumprimento ao disposto no artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, manifesta-se a Procuradoria da Fazenda Nacional pela manutenção da decisão consubstanciada no Acórdão n 2 201-72.316, por seus próprios e jurídicos fundamentos (fls. 263/271). Segundo a Fazenda Nacional, os julgados trazidos à colação não guardam identidade substancial fática e jurídica com a hipótese versada nos presentes autos, cujo aspecto fático cinge-se à condição do contribuinte-recorrente junto aos fundos públicos objeto do lançamento; e o jurídico, à interpretação dessa situação quanto aos ditames legais. Em síntese, discute-se no presente processo a questão da administração remunerada de fundos constituídos por recursos públicos ou sob a gestão pública, o que essencialmente não se aplica a nenhum dos acórdãos arrolados no recurso especial. Ademais, o fato de a decisão recorrida ter sido proferida à luz de peculiaridade normativa resultante da combinação das Leis e 8.033/90 e 4.320/64 exclui absolutamente todos os paradigmas, vez que nenhum deles abordou a matéria na perspectiva desta peculiaridade. Prossegue a PFN, proclamando que o Acórdão CSRF/02-0.676 não pode ser, regimentalmente, aceito como divergente porque já reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Outrossim, em frontal desobediência ao artigo 32, II, § 22 , do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, o 7 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 recorrente invoca o Acórdão n 2 201-67.007, que também não se presta para comprovação da divergência argüida, em se tratando de julgado proferido pela mesma Câmara prolatora da decisão recorrida. Finalizando, aduz, ainda, a Fazenda Nacional que a petição recursal excede o limite de indicação de julgados previsto no artigo 33, § 22 , do mesmo diploma legal. É o relatório. 8 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 VOTO Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, Relator Como se sabe, os recursos especiais se subordinam ao duplo juízo de admissibilidade: na instância a quo e ad quem, este inteiramente desvinculado daquele. Compete ao relator do processo o exame prévio dos pressupostos legais exigidos para conhecimento do recurso. Em suas razões de recurso especial, a recorrente sustenta que a decisão recorrida diverge das decisões constantes nos Acórdãos n° s 201-67.007, 202-08.114, 202-08.778, 202-00.479, 202-00.483, 202-00.521, 202-00.503, 202- 00.567, 202-00.570 e CSRF 02-0676. Além dessas, a recorrente cita outras decisões paradigmas, mas deixa de apresentar a cópia integral do acórdão ou de publicação de sua ementa, o que impossibilita seu conhecimento por força do disposto no artigo 33, parágrafo 2°, do Regimento Interno dos Conselhos Contribuintes. Ressalte-se que a mera transcrição de ementas de acórdãos inviabilize a análise do dissídio jurisprudencial. É óbvio que há ementas que por si só positivam o dissídio. Na maioria dos casos, porém, tal não ocorre. E nessas hipóteses, as ementas não bastam para caracterizar a divergência, há necessidade de a recorrente transcrever os trechos dos acórdãos que demonstrem a divergência, mencionando as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. Da análise das decisões invocadas pela parte, cumpre afastar, inicialmente, o primeiro paradigma (Ac.n° 201-67.007), eis que, sendo da mesma Câmara da Acórdão guerreado, não é hábil para configurar a divergência. Da mesma forma, o Acórdão CSRF/02-0676, por ter sido reformado posteriormente na 9 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 apreciação dos embargos declaratórios junto à CSRF (art. 33, parágrafo 3°, do Regimento Interno), e, por fim, o Acórdão n° 202-08.778, cujo teor da decisão é contrário a tese defendida pela recorrente, haja vista a improcedência do recurso interposto para afastar a tributação de IOF sobre adiantamentos de recursos. Quanto aos outros paradigmas trazidos pela apelante, verifica-se que eles buscam demonstrar a divergência em relação aos dois argumentos jurídicos centrais que embasaram o voto condutor do Acórdão recorrido: o primeiro refere-se à incidência de IOF previsto na Lei n°8.033/90 sobre empresa pública que administra Fundos compostos de recursos públicos e o segundo trata da preclusão de matéria - não-incidência do imposto em razão do disposto artigo 18 da Lei n° 8.088/90 - não alegada pela parte em momento processual oportuno. Os Acórdãos 202-08.114 e 202-08.114, trazidos pela recorrente para se contrapor ao primeiro argumento, tratam da incidência de 10F sobre operações tidas pelo Fisco como de renda fixa, em que a instituição financeira remunera o devedor de obrigações tributárias que entrega antecipadamente recursos a serem aplicados na posterior quitação do débito. A fundamentação da peça de acusação é no sentido de que essa operação é de renda fixa e sujeita-se ao IOF com base no artigo 18 da Lei n° 8.088/90. Os recursos em ambos os casos foram providos por não estar configurada a ocorrência do fato gerador do 10F, eis que não houve a negociação com títulos e valores imobiliários, nem a emissão, transmissão, pagamento ou resgates desses. Ressalte-se que a incidência de IOF prevista no artigo 18 da Lei n°8.088/90 é diária com alíquota de 1,5% sobre o valor das operações relativas a crédito e a títulos e valores imobiliários. Na decisão recorrida, por outro lado, debate-se a incidência de IOF com base na Lei n° 8.033/90 sobre aplicações financeiras e ativos de disponibilidade da própria instituição financeira, ora recorrente, em 16 de janeiro de 1990. O imposto incide uma só vez e é apurado de forma especial, com a base de cálculo apurada nos termos da Instrução Normativa SRF n° 65/90 e da Circular n° 10 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 1.695/90 do Conselho Monetário Nacional. Essa incidência é totalmente distinta da incidência prevista no artigo 18 da Lei n° 8.088/90, quer pela hipótese de incidência quer pela base de cálculo. Diga-se, por oportuno, que o artigo 2°, inciso II, da Lei n° 8.033/90 prevê que a incidência prevista nessa lei não prejudica as incidências previstas na legislação, constituindo um adicional pra as operações já tributadas por essa legislação. É uma incidência especial instituída com a finalidade de reduzir a liquidez do mercado e ajustar o déficit fiscal da União. Foi adotada como instrumento de política econômica dentro do conjunto de medidas econômicas conhecidas como Plano Collor. O litígio dos autos centrou-se na definição da propriedade dos recursos que deram origem as aplicações financeiras, se são recursos do próprio Banco ou dos Fundos Especiais que a instituição administra por expressa determinação legal. A improcedência do recurso deveu-se ao entendimento da Primeira Câmara sobre a propriedade dos recursos dos Fundos geridos pela recorrente. Parte majoritária da Egrégia Câmara sustenta que, a teor da Lei n° 4.320/64, tais recursos compõem a base de apuração do imposto. Ora, o recurso especial deve demonstrar de forma clara e precisa à disparidade de interpretação e aplicação de uma mesma lei tributária ou processual à situações fáticas idênticas. Ocorre que, no confronto das matérias trazidas no recurso, as situações fáticas e jurídicas tratadas nos Acórdãos 202-08.114 e 202- 08.114 e na decisão recorrida em nada se assemelham. As decisões divergem por estarem reguladas por duas normas distintas — Leis n° 8.033 e 8.088, ambas de 1990. Portanto, não está caracterizado o pressuposto de divergência necessário à subida do processo à instância especial. Relativamente aos Acórdãos nos 202-00.483, 202-00.521, 202- 00.503, 202-00.567, 202-00.570, sustenta-se a aplicação, como medida de economia processual, de decisões pacíficas dos Tribunais Superiores que declaram 11 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 a inconstitucionalidade de determinada lei . A decisão recorrida, por sua vez, não conheceu da matéria relativa ao enquadramento da empresa na hipótese legal do artigo 18, parágrafo 2°, por considera-la preclusa. A relatora entendeu que a matéria não devia ser conhecida por não ter sido objeto tanto da impugnação quanto do recurso interpostos pela recorrente. Ou seja, nos arestos paradigmas, os entendimentos da Suprema Corte foram acolhidos por economia processual, enquanto, na decisão guerreada, o Hão conhecimento de determinada matéria deveu-se exclusivamente ao fato de ela não ter sido questionada no momento processual oportuno. De novo, também quantos esses paradigmas (n os 202-00.483, 202- 00.521, 202-00.503, 202-00.567, 202-00.570) não vislumbro identidade fático- jurídica com a decisão proferida nos autos. Além de não ter sido obedecido o requisito do pré-questionamento previsto no artigo 32, parágrafo 4°, do Regimento Interno deste Conselho. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer do recurso especial por não estar caracterizada a divergência.. Vencido, contudo, na preliminar de inadmissibilidade do recurso, por decisão de maioria de meus pares, passo a examinar o mérito do processo. O douto Procurador representante da Fazenda Nacional junto a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais traz aos autos, às fls 299/310, a Nota PGFN/CAT/540/2001, firmada pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, em 11 de outubro de 2001, em que sustenta a improcedência da exigência fiscal sob exame nesse processo. O referido Parecer, após minucioso e extenso relatório, chega a seguinte conclusão, verbis: "Aliás, sobre todos os ângulos que se olhe o presente caso, no nosso entendimento, o auto não merece subsistir. Seja pelo 12 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 enquadramento na não incidência prevista no art. 3° do art. 2° da lei n° 8.033, de 1990, ou seja pela excludente do parágrafo 2° do art. 18 da Lei n° 8.088, de 1990, ou seja pelo fundamento do fundamento dos votos discordantes dos membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido que houve erro na identificação do sujeito passivo. (...) Como se pode verificar o BNDES poderia, no máximo, visto o reconhecimento de que os recursos não lhe pertenciam, ser enquadrado como responsável pela retenção e recolhimento do tributo, nunca como contribuinte. Considerando-se que os recursos são da União, fato também não contestado no Conselho, por óbvio não haveria razão para cobrança do imposto." (Grifo não consta do original). Além disso, o ilustre Representante da Fazenda Nacional vem aos autos, às fls. 311, requerer a desistência das contra-razões da Fazenda Nacional oferecidas ao recurso interposto pela Recorrente. Cumpre lembrar, nesse passo, que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional é o órgão jurídico do Ministro da Fazenda e é quem possui a incumbência privativa de representar os interesses da Fazenda Nacional nos Conselhos de Contribuintes (artigo 1°, inciso IV, do Decreto-Lei n° 147/67). Assim, a petição supramencionada representa a desistência da Fazenda de sua pretensão à cobrança do tributo, concordando com os razões do recurso interposto pela empresa. Nesse contexto, não mais litígio a ser apreciado por este Colegiado, o processo perdeu seu objeto com o ato de desistência da Fazenda Nacional. Assim, não há razão para se persistir com tal cobrança, devendo ser extinto o processo. Segundo ensina José Afonso da Silva i , a finalidade é um aspecto do princípio da legalidade e "impõe ao administrador público que só pratique o ato para o seu fim legal". SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional, Malheiros Editores, 15 " ed, p. 645 13 Processo n.° 10305.000336/97-15 Acórdão n.° CSRF/02-01.068 O artigo 52 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo federal, dispõe que: "o órgão competente poderá declarar extinto o processo quando exaurida sua finalidade ou objeto da decisão se tornar impossível, inútil ou prejudicado por fato superveniente". (Grifo meu). O artigo 269 do Código de Processo Civil também enumera os casos em que se extingue o processo com julgamento de mérito e, dentre eles, está o inciso V, que prevê a extinção "quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação". Dado o exposto, voto no sentido de declarar extinto o processo por falta de objeto, não devendo prosseguir a cobrança do tributo objeto do lançamento. Sala das Sessões, , de outubro de 2001. / , , MARC* V f\ CIUS NEDER DE LIMA ,.....,, 14 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1
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Numero do processo: 19515.001203/2005-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa:
AQUISIÇÃO DE BENS. CONTABILIZAÇÃO. AUSÊNCIA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Tratando-se de imputação de omissão de receitas fundada em aquisições de bens não contabilizadas, ausente contestação quanto ao indício que serviu de base para a autuação, a simples retificação de declarações de informação (DIPJ), desacompanhadas dos registros contábeis e respectivos documentos de suporte, não é capaz de elidir a imputação promovida pela Fiscalização.
PRECLUSÃO.
À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário.
MULTA QUALIFICADA. CONFISCO.
O CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF Nº 2).
Numero da decisão: 1302-000.841
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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CONTABILIZAÇÃO. AUSÊNCIA. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Tratandose de imputação de omissão de receitas fundada em aquisições de bens não contabilizadas, ausente contestação quanto ao indício que serviu de base para a autuação, a simples retificação de declarações de informação (DIPJ), desacompanhadas dos registros contábeis e respectivos documentos de suporte, não é capaz de elidir a imputação promovida pela Fiscalização. PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. O CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF Nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 833 2 “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. . Fl. 833DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 834 3 Relatório CÂMARA PAULISTA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2000 a 2003, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receita operacional, apurada a partir do confronto entre as primeiras vias de notas fiscais destinadas aos clientes com as que serviram de base para os registros contábeis; e ii) omissão de receitas caracterizada pela ausência de contabilização de imóveis adquiridos. Dos autos, extraio as seguintes informações: a) para a infração indicada no item “i” acima, foi aplicada multa qualificada de 150%; b) após o início do procedimento fiscal, a contribuinte apresentou declarações retificadoras; e c) relativamente aos imóveis adquiridos, a Fiscalização não identificou financiamento ou empréstimo que pudessem servir de suporte para referidas aquisições. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 463/580). Apreciando os argumentos ali expendidos, a 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo decidiu, por meio do Acórdão nº. 1613.042, de 12 de abril de 2007, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES CONSTANTES DE NOTAS FISCAIS E OS LEVADOS À ESCRITURAÇÃO. NÃO CONTABILIZAÇÃO DE IMÓVEIS ADQUIRIDOS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse como não impugnadas, as matérias não expressamente combatidas pela impugnação apresentada, na forma do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972, devendo ser dado prosseguimento à cobrança do crédito tributário delas originado. Correta a exigência. MULTA AGRAVADA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Dado o procedimento deliberado do contribuinte, visando a não levar a conhecimento do fisco suas efetivas receitas, correta a exigência da multa de oficio, no percentual em que aplicado, assim como a elaboração da respectiva Representação Fiscal para Fins Penais. DIPJ RETIFICADORA. IMÓVEIS DECLARADOS. NÃO COMPROVAÇÃO DOS BENS DECLARADOS. INCOMPROVAÇÃO DA ORIGEM DAS DISPONIBILIDADES PARA AS AQUISIÇÕES. AQUISIÇÕES A Fl. 834DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 835 4 POSTERIORI. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Correto não se aceitar valores inseridos em DIPJ retificadora, relativa a anocalendário anterior, onde incluídos bens adquiridos posteriormente. Ainda que levados a registro em anoscalendário seguintes, haveria a necessidade de comprovação de que as aquisições se deram no período retificado, assim como as origens das disponibilidades destinadas às aquisições. Não há que se falar na ocorrência de cerceamento do direito de defesa, quando ao contribuinte é permitida a manifestação em todos os momentos da acusação fiscal. Correta a exigência. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito, que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos. Correta a exigência, em relação ao PIS, da maneira como formulada. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 735/757, por meio do qual sustenta: que retificou a sua declaração antes do processo administrativo ter sido instaurado e a autoridade fazendária não vem reconhecendo essa retificação; que a avaliação da Delegacia da Receita Federal para fins de arrolamento, além de não atentar ao devido processo legal, envolveu bens em dados inexistentes e causou um prejuízo de R$ 6.140.374,10 (a contribuinte requer a liberação dos bens arrolados); que a Delegacia da Receita Federal tem que admitir a sua inércia quanto à fase de um ano de processo administrativo onde se permite divisar a nulidade da autuação, por falta de continuidade, a teor do art. 7º, § 2º, do Decreto 70.235/72, sendo imprescindível a perícia no documento nº 1, inserido nos autos; que o documento n° 01 a ser periciado tem necessidade de ser anulado, uma vez que uma data encobre a outra, pois, sutilmente, a Administração fez inserir um carimbo de 18.12.03, com o fim demonstrar que a ação administrativa teve início em 18.12.2003, porém, em outubro de 2003, a retificação já estava consumada; que “a própria Lei do Processo Administrativo, o Decreto 70.235/72, admite a retificação em períodos não incluídos no processo administrativo”; que deve ser considerada a retificação, pois a Fiscalização foi interrompida por mais de sessenta dias e a Administração pretendeu ocultar esse lapso temporal; que uma multa de 150% caracteriza não só confisco como o fechamento da empresa; que os bens incluídos no seu patrimônio por meio de retificação foram adquiridos pelo seu representante legal, como pessoa física; que, desde que declarados como bem de capital da empresa, os imóveis estão devidamente certificados, tal qual no Registro da Junta Comercial; que o fato de a autoridade fiscalizadora não reconhecer a retificação das declarações constitui cerceamento do direito de defesa. É o Relatório. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 836 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas aos anoscalendário de 2000 a 2003, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receita operacional, apurada a partir do confronto entre as primeiras vias de notas fiscais destinadas aos clientes com as que serviram de base para os registros contábeis; e ii) omissão de receitas caracterizada pela ausência de contabilização de imóveis adquiridos. Por entender que a contribuinte adotou conduta dolosa na prática da primeira infração, a Fiscalização aplicou multa qualificada de 150% no lançamento do imposto dela derivado. A autoridade julgadora de primeiro grau manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados. Em sede de recurso, a contribuinte traz razões, as quais passo a apreciar. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO, CONTINUIDADE DA AÇÃO FISCAL E PERÍCIA Alega a Recorrente que retificou a sua declaração antes do processo administrativo ter sido instaurado, fato não reconhecido pela autoridade fazendária. Sustenta que a Delegacia da Receita Federal tem que admitir a sua inércia quanto à fase de um ano de processo administrativo onde se permite divisar a nulidade da autuação, por falta de continuidade, a teor do art. 7º, § 2º, do Decreto 70.235/72, sendo imprescindível a perícia no documento nº 1, inserido nos autos. Diz que o citado documento n° 01 deve ser anulado, uma vez que uma data encobre a outra, pois, sutilmente, a Administração fez inserir um carimbo de 18.12.03, com o fim demonstrar que a ação administrativa teve início em 18.12.2003, porém, em outubro de 2003, a retificação já estava consumada. Argumenta que “a própria Lei do Processo Administrativo, o Decreto 70.235/72, admite a retificação em períodos não incluídos no processo administrativo”. Alega que a retificação deve ser considerada, pois a Fiscalização foi interrompida por mais de sessenta dias e a Administração pretendeu ocultar esse lapso temporal. Adita que o não reconhecimento da retificação por ela efetuada constitui cerceamento do direito de defesa. Às fls. 219, identifico TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL E DE INTIMAÇÃO FISCAL datado de 18 de novembro de 2002, que faz referência ao Mandado de Procedimento Fiscal nº 2002038806. Às fls. 05, consta TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL datado de 27 de outubro de 2004. Não obstante a alegação da contribuinte, na impugnação, de que a “segunda incursão” da Fiscalização se deu em 03 de dezembro de 2003, não identifico, entre as datas de Fl. 836DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 837 6 lavraturas dos referidos Termos de Início, a emissão de nenhum outro Termo por parte da Fiscalização. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 407/410, a autoridade responsável pela ação fiscal assinala: O contribuinte procedeu à retificação das declarações DIPJ/2001, DIPJ/2002 e DIPJ/2003 nas datas de 27/10/2003, 27/10/2003 e 03/12/2003, respectivamente, após o inicio do procedimento fiscal nº 08.1.90.00.2002038806, ocorrido em 18/11/2002, onde as mesmas foram desconsideradas por esta fiscalização, por força do disposto no artigo 7°, parágrafo 1º, do Decreto n° 70.235 de 06/03/1972. Diante da constatação de lacunas associadas ao efetivo momento da instauração do procedimento fiscal, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, supondo que o Termo lavrado em 18 de novembro de 2002 só foi cientificado à contribuinte em 26 de novembro de 2003 e identificando Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, trazido por meio da impugnação, datado de 21 de outubro de 2003, requisitou esclarecimentos à Delegacia da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo (fls. 589/592). Em atendimento, foram prestados os esclarecimentos abaixo transcritos (fls. 655): Os trabalhos fiscais junto ao contribuinte acima referenciado foram iniciados conforme MPF/RPF nº 08.1.90.002003038806 na data de 26/11/2003 via AR RB nº 509413382 BR. Ocorreu um equívoco na data do temo fiscal lavrado, conforme cópia anexa, que menciona MPF nº 2002038806 e data da lavratura como 18/11/2002, 16:00 hs. Ocorreram, posteriormente ao procedimento fiscal acima referenciado, a lavratura dos seguintes termos fiscais, cujas cópias anexamos ao presente processo às fls. 607/626: Termo de Ciência do Prosseguimento da Ação Fiscal lavrado em 12/02/2004, expediente recepcionado via AR RB nº 50941399 7 BR em 18/02/2004; Termo de Recebimento de Documentos lavrado em 03/09/2004; Termo de Ciência do Prosseguimento da Ação Fiscal lavrado em 03/09/2004, expediente recepcionado via AR RZ nº 21308350 3 BR em 14/09/2004; Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal lavrado em 27/10/2004 no domicilio fiscal do contribuinte, esclarecendo que os trabalhos fiscais terão seu prosseguimento normal através do MPF/RPF nº 08.1.90.002004021672, recepcionado pelo sócioproprietário da empresa na data de 27/10/2004; Termo de Inicio de Ação Fiscal conforme MPF/RPF nº 08.1.90.002004 021672, lavrado em 27/10/2004 no domicilio fiscal do contribuinte, recepcionado pelo sócioproprietário da empresa na data de 27/10/2004. Por relevante, reproduzo, a seguir, excertos do voto condutor da decisão de primeira instância relacionados aos fatos acima relatados. ... Fl. 837DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 838 7 09.01.01. e os elementos constantes dos autos, trazidos inclusive pela diligenciante, assim como sua própria conclusão (vide acima), nos dão conta da efetiva ocorrência de equívocos em relação ao inicio dos trabalhos fiscais, até porque: (i) o Mandato (sic) de Procedimento Fiscal de n° 08.1.90.002003038806 1 (e não 2002038806, conforme mencionado no "Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e de Intimação Fiscal"), foi emitido em 21/10/2003 (fls. 608), (ii) por conseqüência de tal fato, o "Termo de Inicio" respectivo não poderia ter sido lavrado em 18/11/2002 e, sim (hipótese muito mais aceitável), em 18/11/2003, até porque o contribuinte foi dele cientificado em 26/11/2003 (fls. 611), conforme assevera, acima, a diligenciante. 09.02. Dessa maneira, é de se concluir que: iniciados os trabalhos fiscais somente em 26/11/2003 e, entregues as DIPJs retificadoras (relativas aos exercícios de 2000, 2001 e 2002) em 27/10/2003, não há que se falar, sequer, em reaquisição de espontaneidade, por parte do contribuinte, até porque o mesmo não se encontrava, ainda, quando dos encaminhamentos das mencionadas retificadoras, sob ação fiscal. Incorretamente, portanto, e, em princípio, agiu a autuante ao não aceitar tais DIPJs retificadoras mencionado tal fato no próprio "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 410) por ocasião de seus trabalhos. Apenas, e tão somente, por ocasião da entrega da DIPJ/2003, retificadora, o contribuinte já se encontrava sob ação fiscal, visto que a mesma foi encaminhada em 03/12/2003; 09.02.01. e é de se dizer que, apenas em princípio, foi incorreto o procedimento da autuante, ao não aceitar mencionadas DIPJs retificadoras, até porque, conforme acima, o contribuinte não se encontrava, por ocasião dos encaminhamentos das mesmas (relativas aos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001), sob ação fiscal. No entanto, a não aceitação de tais DIPJs retificadoras se deu em função de que, por ocasião do encaminhamento daquela relativa ao anocalendário de 1999, o contribuinte fez inserir em seu "Ativo Permanente" (rubrica 'Edifícios e Construções"), parte dos bens, até então não declarados, no importe de R$ 181.344,00 (vide fls. 640 e 668), e que foram adquiridos, apenas, no decorrer do anocalendário de 2001 (fls. 358/395). E tal fato foi objeto de menção, pela Auditora Fiscal, quando da elaboração do respectivo "Termo de Verificação Fiscal" (fls. 409); 09.02.02. como poderiam, então, imóveis adquiridos no decorrer do mês de maio do mencionado anocalendário, integrar o patrimônio da interessada desde o anocalendário de 1999, conforme apregoa o contribuinte, por sua impugnação (fls. 465)??? Ainda através desta, a interessada tenta apresentar justificativas para tal, no sentido de que o representante legal da Impugnante, havia adquirido bens como pessoa física bem anteriormente, nos idos de 1997/1998, todavia, à mingua de numerário para inscrevêlos nos Registros de Imóveis, apenas em 2001 levouos a Registro. Mas essa aquisição dos imóveis de valores depreciados em virtude da localização, serviram como capital integrado à empresa.; 09.02.03. os elementos trazidos aos autos (fls. 358/395), entretanto, desmentem tais assertivas, visto que as escrituras correspondentes (devidamente mencionadas as datas de suas lavraturas), assim como as alterações processadas pelo respectivo Registro de Imóveis, junto a cada um dos imóveis (por suas matrículas), nos dão conta que as transações ocorreram, em realidade, no decorrer do mês de maio de 2001. Limitouse, portanto, a impugnação apresentada, em relação a tal tema, a simples alegações, sem a presença de quaisquer elementos que viessem a contestar, de forma cabal, a acusação que lhe foi imposta pela ação fiscal; 09.02.03.01. além de que, restaria à interessada, também, comprovar a(s) origem(ns) das disponibilidades necessárias as aquisições dos mencionados bens, Fl. 838DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 839 8 tenham elas ocorrido no decorrer do anocalendário de 1999, conforme apregoa a impugnação, ou no decorrer de 2001, conforme os elementos constantes dos autos e levados em conta pela ação fiscal; 09.02.04. diante de tais fatos, correto o procedimento adotado pela autuante, pelos motivos acima, ao não haver levado em conta, por ocasião dos trabalhos fiscais desenvolvidos junto ao contribuinte, os elementos trazidos pela DIPJ/2000 (anocalendário de 1999) retificadora (e subseqüentes), em razão de que os dados nela informados (retificados), e relativos aos mencionados bens, não poderiam integrar, naquele anocalendário, o patrimônio da interessada, em razão de haverem sido adquiridos posteriormente, ou seja, somente em 2001. E, de se repetir, seja naquele (1999), seja neste último (2001), não logrou, a interessada, comprovar, de maneira cabal, as origens dos numerários que viriam a dar respaldo às referidas aquisições. Primeiramente deve ser ressaltado que as retificações de declaração promovidas pela contribuinte dizem respeito, exclusivamente, aos imóveis adquiridos e não contabilizados (ou contabilizados a menor). Nessa linha, tratandose tão somente de retificação de declaração de informações, não me parece relevante o fato de tal providência ter sido adotada, ao menos em parte1, antes do início da ação fiscal, pois, no caso, o autor do feito descreve a infração como “insuficiência ou ausência de contabilidade de bens de natureza permanente” na peça acusatória (fls. 421) e “bens do ativo permanente não contabilizados” no Termo de Verificação Fiscal (fls. 408). Considerando, portanto, que nenhuma contestação foi apresentada relativamente à presunção em que se fundamentou a Fiscalização para considerar que os recursos utilizados nas aquisições dos imóveis derivaram de receitas omitidas, a simples retificação das declarações apresentadas anteriormente com o intuito de fazer constar dos Balanços Patrimoniais ali reproduzidos os citados imóveis, desacompanhada dos registros contábeis pertinentes e da respectiva documentação de suporte, não tem o condão de elidir a imputação feita pela autoridade fiscal. No caso, caberia à Recorrente aportar ao processo os lançamentos contábeis representativos das aquisições em referência (bem como os documentos que lhes serviram de base), capazes de demonstrar que os recursos utilizados em tais operações foram devidamente escriturados. A retificação de declaração antes referenciada, da mesma forma que a simples alegação de que as aquisições foram feitas pelo sócio da ora Recorrente, desprovidas de lastro documental, em nada contribuem para afastar a infração apontada pela autoridade fiscal. Não é demais advertir que, se outra fosse a situação, isto é, se a contribuinte pretendia com a retificação das declarações denunciar, de forma espontânea, a infração, deveria, também, ter providenciado o pagamento dos tributos, nos exatos termos do disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Impróprios, pois, tanto o pedido de perícia, como a alegação de cerceamento do direito de defesa. 1 Como se viu, a decisão de primeira instância assinala que a declaração retificadora relativa ao exercício de 2003 foi entregue em 03 de dezembro de 2003, depois, portanto, de instaurado o procedimento fiscal. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 840 9 ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS Argumenta a Recorrente que a avaliação da Delegacia da Receita Federal para fins de arrolamento, além de não atentar ao devido processo legal, envolveu bens em dados inexistentes e causou um prejuízo de R$ 6.140.374,10, motivo pelo qual requer a liberação dos bens. Não obstante a impertinência de se discutir, no âmbito do processo administrativo fiscal, questões associadas a arrolamento de bens e direitos, deixo de conhecer os argumentos relativos a tal matéria, eis que o procedimento não foi contestado por ocasião da interposição da peça impugnatória. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 1997, abaixo transcrito, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA CONFISCATÓRIA Argumenta a Recorrente que uma multa de 150% caracteriza não só confisco como o fechamento da empresa. A multa qualificada aplicada pela autoridade fiscal tem amparo em lei e os requisitos para a sua utilização foram observados no presente feito, eis que foram carreados aos autos comprovação de conduta dolosa por parte da contribuinte fiscalizada, eis que ela registrou em sua contabilidade valores inferiores aos efetivamente auferidos na prestação de serviços. No mais, descabe apreciar, em âmbito administrativo, argumentos associados à eventual inconstitucionalidade da lei que serviu de suporte para o lançamento da sanção, conforme súmula CARF nº 2, abaixo transcrita. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AQUISIÇÃO DE BENS Sustenta a Recorrente que os bens incluídos no seu patrimônio por meio de retificação foram adquiridos pelo seu representante legal, como pessoa física. Diz que, desde que declarados como bem de capital da empresa, os imóveis estão devidamente certificados, tal qual no Registro da Junta Comercial. A questão relativa à aquisição dos imóveis por parte da Recorrente já foi objeto de apreciação no item relativo à retificação das declarações. Repiso, pois, que a simples alegação de que os bens foram adquiridos pelo seu representante legal, desacompanhada de elementos de comprovação contábil e documental, não se presta para afastar a imputação feita pela autoridade fiscal. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 19515.001203/200564 Acórdão n.º 130200.841 S1C3T2 Fl. 841 10 Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 841DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 11131.720822/2013-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 14/08/2008, 12/06/2009
ADMISSÃO EM REPETRO. INCOTERM®. VALORAÇÃO ADUANEIRA. NEGATIVA DE ESSENCIALIDADE/RELEVÂNCIA.
Na admissão temporária de embarcações no regime de REPETRO, por arrendamento, sem compra e venda, a informação prestada sobre o INCOTERM®, no momento da admissão no regime, não é essencial nem determinante para definição do valor aduaneiro, como imputado pela fiscalização, visto que nas operações distintas da compra e venda não se aplica o primeiro método de valoração, e que caso ocorra um descumprimento do regime, o valor inicialmente informado na admissão não vincula a valoração da nacionalização, cabendo o registro adicional de que, no caso em análise, mesmo depois da ação fiscal, seguida de conjecturas sobre a possibilidade de afetação do valor, acatou-se o valor aduaneiro informado.
Numero da decisão: 3401-005.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 14/08/2008, 12/06/2009 ADMISSÃO EM REPETRO. INCOTERM®. VALORAÇÃO ADUANEIRA. NEGATIVA DE ESSENCIALIDADE/RELEVÂNCIA. Na admissão temporária de embarcações no regime de REPETRO, por arrendamento, sem compra e venda, a informação prestada sobre o INCOTERM®, no momento da admissão no regime, não é essencial nem determinante para definição do valor aduaneiro, como imputado pela fiscalização, visto que nas operações distintas da compra e venda não se aplica o primeiro método de valoração, e que caso ocorra um descumprimento do regime, o valor inicialmente informado na admissão não vincula a valoração da nacionalização, cabendo o registro adicional de que, no caso em análise, mesmo depois da ação fiscal, seguida de conjecturas sobre a possibilidade de afetação do valor, acatou-se o valor aduaneiro informado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/08/2008, 12/06/2009 ADMISSÃO EM REPETRO. INCOTERM®. VALORAÇÃO ADUANEIRA. NEGATIVA DE ESSENCIALIDADE/RELEVÂNCIA. Na admissão temporária de embarcações no regime de REPETRO, por arrendamento, sem compra e venda, a informação prestada sobre o INCOTERM®, no momento da admissão no regime, não é essencial nem determinante para definição do valor aduaneiro, como imputado pela fiscalização, visto que nas operações distintas da “compra e venda” não se aplica o primeiro método de valoração, e que caso ocorra um descumprimento do regime, o valor inicialmente informado na admissão não vincula a valoração da nacionalização, cabendo o registro adicional de que, no caso em análise, mesmo depois da ação fiscal, seguida de conjecturas sobre a possibilidade de afetação do valor, acatouse o valor aduaneiro informado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 72 08 22 /2 01 3- 64 Fl. 2255DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 61, lavrado em 30/06/2013, para exigência de multa por informação incorreta do INCOTERM utilizado, prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835/2001, em valor de R$ 7.512.815,00, nas declarações de importação (DI) no 08/12516332 e no 09/07412119, conforme detalhamento em Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (REAF). No REAF (fls. 10 a 28), narra a fiscalização que: (a) em verificação da exatidão das informações prestadas nas duas DI citadas, que tratam de importações de dois navios transportadores de gás natural liquefeito (GNL), equipados com planta de regaseificação, sob o regime especial de admissão temporária, e após análise dos contratos de afretamento, foram identificados pontos relevantes para definição dos INCOTERMS, e demandados outros documentos; (b) pelas informações prestadas pela empresa, concluise que o INCOTERM declarado (FCA) não reflete a realidade da operação, e que deveria ter sido utilizado algum INCOTERM do Grupo “D” (o INCOTERM que reflete a realidade contratual é o “DDP”, considerando que os contratos estabelecem que os exportadores estrangeiros proprietários das embarcações respondem inclusive pelos tributos aduaneiros no desembaraço no local de destino dos bens – Brasil – cf. cláusulas 2.15 a 2.19 dos contratos de afretamento); (c) intimada a esclarecer o INCOTERM utilizado, a empresa informou que “dada a complexidade do contrato, não existe um INCOTERM que traduza perfeitamente a situação fática praticada sob os termos contratuais”; e (d) o INCOTERM é uma informação essencial para definição das responsabilidades dos intervenientes nas operações de comércio internacional, inclusive determinante para aferição as parcelas componentes do valor aduaneiro, sendo, por consequência, exigível a multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835/2001, no percentual de 1% do valor da mercadoria. Ciente da autuação em 17/07/2013 (fl. 2094), a empresa apresentou impugnação em 16/08/2013 (fls. 2097 a 2106), sustentando, basicamente, que: (a) a fiscalização entendeu de forma equivocada que, à luz dos contratos firmados entre a empresa e os exportadores das embarcações, os INCOTERMS aplicáveis à espécie não seriam do Grupo “F” (mais especificamente o INCOTERM “FCA, declarado), mas do Grupo “D” (sendo que o INCOTERM “DDP”, que sequer é aceito pela RFB, conforme Manual de Importação constante do sítio web do órgão, refletiria, segundo a fiscalização, a realidade contratual encontrada); (b) a substância deve prevalecer sobre a forma, e o INCOTERM “FCA” era o que mas se aproximava das condições contratuais, tendo sido a própria empresa a titular dos despachos de importação dos navios; (c) as embarcações ingressaram no país sob o regime de admissão temporária, com suspensão total de tributos incidentes, caso em que o valor aduaneiro, ainda que tivesse sido apurado de forma equivocada, não ocasionaria prejuízo ao fisco, ou ao controle aduaneiro; (d) há precedente (Acórdão DRJ FOR 0825.741, de 12/06/2013 – processo administrativo no 11762.720090/201203), no sentido de que somente se aplica a multa de um por cento ao beneficiário do regime que prestar de forma inexata ou incompleta informação de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 11131.720822/201364 Acórdão n.º 3401005.290 S3C4T1 Fl. 2.256 3 natureza administrativotributária, cambial ou comercial, se ficar demonstrado o prejuízo à determinação do controle aduaneiro apropriado. Em 02/02/2017 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 2176 a 2183), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) nas DI objeto do lançamento, embora o importador tenha informado o INCOTERM “FCA”, segundo o qual o custo do frete seria por suas expensas, não houve qualquer informação de frete ou seguro nos campos apropriados, e a legislação aplicável determina que a informação correta destes valores é de extrema importância, já que há previsão legal para que os gastos relativos ao transporte e seguro da mercadoria importada, até a chegada ao porto de descarga integrem o valor aduaneiro; (b) a informação do INCOTERM é necessária a determinação do controle aduaneiro apropriado tanto que a IN RFB no 680/2006, que disciplina o despacho de importação, em seu anexo único estabelece a exigência de tal informação; (c) o fato de não ser admissível o INCOTERM “DDP” no Brasil não isenta o importador do erro; (d) o fato de o importador ter registrado a DI não enseja a conclusão de que o INCOTERM mais apropriado seria o “FCA”; e (e) a jurisprudência administrativa não apresenta caráter vinculante, salvo nos casos expressos em lei. Após a ciência da decisão de piso, em 13/02/2017 (fl. 2190), a empresa apresentou recurso voluntário em 14/03/2017 (fls. 2194 a 2206), reiterando os argumentos expostos na impugnação, e acrescentando que eventual equívoco na indicação do INCOTERM não tem o condão de, por si só, caracterizar prejuízo ao controle aduaneiro, cabendo à fiscalização demonstrar o prejuízo alegado, como vem decidindo o CARF (mencionando os Acórdãos no 3402002.358, no 3401002.543 e no 3302003.198), e o Poder Judiciário (justamente em relação a INCOTERM, em caso análogo ao aqui discutido REsp no 1.632.351CE). O processo foi encaminhado ao CARF, sendo a mim distribuído, por sorteio, em abril de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. Há apenas um tema contencioso, nos autos: a imputação da multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835/2001, com o acréscimo trazido pelo art. 69 da Lei no 10.833/2003: “Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Fl. 2257DF CARF MF 4 I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (...)” “Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1o A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2o As informações referidas no § 1o, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque.” (grifo nosso) Afirma a fiscalização que a empresa, ao admitir duas embarcações (navios tanque – código NCM 8901.20.00) no regime aduaneiro especial de REPETRO, com suspensão total da exigibilidade de tributos, informou que os INCOTERMS foram FCA, e que, analisando os contratos correspondentes, verificase que a operação não se enquadra nos INCOTERMS do Grupo “F”, mas do Grupo “D”, adicionando que a informação a respeito do INCOTERM é fundamental na determinação do valor aduaneiro das mercadorias e da responsabilidade perante a legislação aduaneira brasileira. As declarações de importação DI no 08/12516332 (fls. 131 a 133), registrada em 14/08/2008, e DI no 09/07412119 (fls. 188 a 190), registrada em 12/06/2009, trazem, respectivamente, as seguintes informações: Fl. 2258DF CARF MF Processo nº 11131.720822/201364 Acórdão n.º 3401005.290 S3C4T1 Fl. 2.257 5 É incontroverso, assim, que o INCOTERM declarado foi o “FCA”. Paira o contencioso, então, na análise de duas variáveis: (a) se o INCOTERM utilizado foi incorreto; e (b) se a informação do INCOTERM correto é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, para os fins a que se refere o art. 69 da Lei no 10.833/2003, no caso em apreço. Antes de empreender a análise de tais variáveis, no entanto, cabe tecer algumas considerações sobre os INCOTERMS®, que passaremos, em nosso voto, a informar com o acompanhamento do símbolo de registro, como o faz a entidade criadora, a “Câmara de Comercio Internacional” (CCI)/“International Chamber of Commerce” (ICC), inclusive em seu sítio web (https://iccwbo.org), e como fizemos em estudo recente (O imposto de importação e o Direito Aduaneiro Internacional, LEX/Aduaneiras, 2018, p. 290292), de onde extraímos os esclarecimentos a seguir. Os INCOTERMS® são termos internacionais de comércio propostos pela CCI/ICC com o objetivo de facilitar o comércio entre vendedores e compradores de diferentes países, delimitando objetivamente as responsabilidades e custos de cada um. Tais regras não constituem normas internacionais em sentido estrito, nem são de observância obrigatória, e não derivam de um acordo internacional entre países, mas de uma elaboração vinda do setor comercial.2 2 A ICC é uma entidade não governamental, fundada em 1919, e que hoje agrupa centenas de milhares de companhias e associados em mais de 120 países. A câmara busca criar formas de simplificação e padronização de práticas comerciais, nas mais variadas áreas, sendo, os INCOTERMS®, um de seus produtos mais notórios e aplicados mundialmente. A primeira edição dos INCOTERMS® foi veiculada em 1936, e, de tempos em tempos, a ICC publica novas versões, de modo a refletir as mudanças nas práticas de comércio. Após as versões subsequentes, de 1953, 1967, 1976, 1980, 1990, e 2000, chegase à atual, publicada em 2010, e em aplicação desde 01/01/2011. Sobre o histórico dos INCOTERMS®, remetese a Ângelo Luiz LUNARDI, principal Fl. 2259DF CARF MF 6 A versão atual dos INCOTERMS®, de 2010, veiculada pela Publicação no 715, da ICC, contém 11 termos de comércio, subdivididos em 4 Grupos. No Grupo E – “de partida”, ou de “mínima obrigação para o exportador”, a mercadoria é entregue ao comprador no estabelecimento do vendedor, com apenas um termo: EXW (Ex Works);3 No Grupo F – de “transporte principal não pago pelo exportador” – a mercadoria é entregue a um transportador internacional indicado pelo comprador, com três termos: FCA (Free Carrier), FAS (Free Alongside Ship) e FOB (Free on Board);4 No Grupo C – de “transporte principal pago pelo exportador” – o vendedor contrata o transporte, sem assumir riscos por perdas ou danos às mercadorias ou custos adicionais decorrentes de eventos ocorridos após o embarque e despacho, havendo diferença de amplitude entre custos e riscos; com quatro termos: CFR (Cost and Freight), CIF (Cost, Insurance and Freight), CPT (Carriage paid to), e CIP (Carriage and Insurance paid to); e5 Por fim, no Grupo D – de “chegada”, ou de “máxima obrigação para o exportador” – o vendedor se responsabiliza por todos os custos e riscos para colocar a tradutor, no Brasil, dos termos, visto que, por não constituírem rigorosamente normas, mas “standards”/padrões, os INCOTERMS® não são, oficialmente, publicados em língua portuguesa, mas comercializados por quem detém os direitos correspondentes. LUNARDI apresenta a história dos INCOTERMS® e de seu principal “rival”, bem menos popular, as “American Foreign Trade Definitions”/“Definições Americanas de Comércio Exterior”, atestando a indiscutível aceitação universal dos temos existentes – Condições de Compra e Venda – INCOTERMS® 2010, p. 3031. A história dos INCOTERMS® pode ainda ser visualizada, de forma mais detalhada, no sítio eletrônico da ICC, disponível em: <http://www.iccwbo.org/productsandservices/trade facilitation/incoterms2010/historyoftheincotermsrules/>, acesso em: 03 jul. 2016. 3 No termo EXW, utilizável em qualquer modalidade de transporte, o vendedor limitase a colocar a mercadoria à disposição do comprador no seu domicílio, no prazo estabelecido, não se responsabilizando pelo desembaraço para exportação nem pelo carregamento da mercadoria em qualquer veículo coletor. A Resolução CAMEX no 21, de 07/04/2011, estabelece, ainda, que, em virtude de o comprador estrangeiro não dispor de condições legais para providenciar o desembaraço para saída de bens do país, fica subentendido que esta providência é adotada pelo vendedor, sob suas expensas e riscos, no caso da exportação brasileira. 4 No termo FCA, utilizável em qualquer modalidade de transporte, o vendedor completa suas obrigações e encerra sua responsabilidade quando entrega a mercadoria, desembaraçada para a exportação, ao transportador ou a outra pessoa indicada pelo comprador, no local nomeado do país de origem. No termo FAS, utilizável exclusivamente no transporte aquaviário, marítimo ou hidroviário interior, o vendedor encerra suas obrigações no momento em que a mercadoria é colocada, desembaraçada para exportação, ao longo do costado do navio transportador indicado pelo comprador, no cais ou em embarcações utilizadas para carregamento da mercadoria, no porto de embarque nomeado pelo comprador. E, no termo FOB, também utilizável exclusivamente no transporte aquaviário, o vendedor encerra suas obrigações e responsabilidades quando a mercadoria, desembaraçada para a exportação, é entregue, arrumada, a bordo do navio, no porto de embarque, ambos indicados pelo comprador, na data ou dentro do período acordado. 5 No termo CFR, utilizável exclusivamente no transporte aquaviário, além de arcar com obrigações e riscos previstos para o termo FOB, o vendedor contrata e paga frete e custos necessários para levar a mercadoria até o porto de destino combinado. No termo CIF, igualmente utilizável somente no transporte aquaviário, além de arcar com obrigações e riscos previstos para o termo FOB, o vendedor contrata e paga frete, custos e seguro relativos ao transporte da mercadoria até o porto de destino combinado. No termo CPT, utilizável em qualquer modalidade de transporte, além de arcar com obrigações e riscos previstos para o termo FCA, o vendedor contrata e paga frete e custos necessários para levar a mercadoria até o local de destino combinado. E, por fim, no termo CIP, também utilizável em qualquer modalidade de transporte, além de arcar com obrigações e riscos previstos para o termo FCA, o vendedor contrata e paga frete, custos e seguro relativos ao transporte da mercadoria até o local de destino combinado. Fl. 2260DF CARF MF Processo nº 11131.720822/201364 Acórdão n.º 3401005.290 S3C4T1 Fl. 2.258 7 mercadoria no local de destino, com três termos: DAT (Delivered at Terminal), DAP (Delivered at Place) e DDP (Delivered Duty paid).6 Assim, em vez de ser redigido um contrato de diversas páginas para indicar os riscos e as responsabilidades das partes, utilizase um simples código, com três letras, que é suficiente para esclarecer todos esses atributos, inclusive em caráter internacional. E, por mais que não constituam norma, nem sejam de observância obrigatória, os INCOTERMS® são adotados na quase totalidade das operações comerciais, mundialmente, revelando a força e a importância da “lex mercatoria”, no comércio internacional, e são citados nas legislações, que pressupõem seu conhecimento. No Brasil, a Resolução CAMEX no 21/2011, apesar de informar que, nas exportações e importações brasileiras, “... serão aceitas quaisquer condições de venda praticadas no comércio internacional, desde que compatíveis com o ordenamento nacional”, faz expressa menção individualizada aos INCOTERMS®, demandando o preenchimento de um campo, na declaração de importação, com três dígitos.7 E o Regulamento Aduaneiro brasileiro faz menção explícita aos termos FOB (artigo 153) e CIF (artigo 190). Daí sua importância para o imposto de importação, porque a identificação precisa da operação, inclusive no que se refere a elementos a adicionar ou excluir da base de cálculo do imposto, depende do conhecimento do termo eventualmente utilizado. Voltando ao caso em análise, percebemos que os fatos narrados se referem a 2008 e 2009, quando eram aplicados os INCOTERMS® 2000 (e não os termos de 2010, constantes de nossa explicação – os INCOTERMS® 2010, entre outras alterações, consolidaram o Grupo “D” existente em 2000, que era composto por “DAF”, “DES”, “DEQ” e “DDU”, que foram extintos, sendo criados o “DAT” e o “DAP”). Como exposto, nunca foi (e não é) obrigatória a utilização de INCOTERMS® no comércio internacional ou no comércio exterior brasileiro, e tais termos de comércio não derivam de um acordo celebrado entre governos, ou fruto de uma organização internacional 6 No termo DAT, utilizável em qualquer modalidade de transporte, o vendedor completa suas obrigações e encerra sua responsabilidade quando a mercadoria é colocada à disposição do comprador, na data ou dentro do período acordado, num terminal de destino nomeado – cais, terminal de contêineres ou armazém, dentre outros – descarregada do veículo transportador mas não desembaraçada para importação. No termo DAP, também utilizável em qualquer modalidade de transporte, por sua vez, o vendedor completa suas obrigações e encerra sua responsabilidade quando coloca a mercadoria à disposição do comprador, na data ou dentro do período acordado, num local de destino indicado que não seja um terminal, pronta para ser descarregada do veículo transportador e não desembaraçada para importação. E, por fim, no termo DDP, igualmente utilizável em qualquer modalidade de transporte, o vendedor completa suas obrigações e encerra sua responsabilidade quando a mercadoria é colocada à disposição do comprador, na data ou dentro do período acordado, no local de destino designado, no país importador, não descarregada do meio de transporte, sendo que o vendedor, além do desembaraço, assume todos os riscos e custos, inclusive impostos, taxas e outros encargos incidentes na importação, cabendo registrar que a Resolução CAMEX no 21/2011 estabelece que, em virtude de o vendedor estrangeiro não dispor de condições legais para providenciar o desembaraço para entrada de bens do País, o termo DDP não pode ser utilizado em importações brasileiras, devendo ser escolhido o DAT ou o DAP, no caso de preferência por condição disciplinada pela ICC. 7 Os três dígitos devem ser preenchidos com as letras correspondentes aos INCOTERMS®, ou com “C+F”, para ser referir a “custo mais frete”; “C+I”, para remeter a custo mais seguro, ou, ainda, “OCV”, no caso de “outra condição de venda”. Fl. 2261DF CARF MF 8 composta por participantes que sejam Estados (pessoas jurídicas de Direito Internacional Público), mas lex mercatória (derivada de avenças surgidas da própria praxe do comércio, ou por parte de representantes de comerciantes, organizados, nacional e internacionalmente). Aliás, os INCOTERMS®, em sua versão completa, não são publicados em diário oficial, mas comercializados. Tais termos de comércio, embora utilizados correntemente em grande parte do mundo, ainda não estavam positivados em ato normativo que os explicitasse individualizadamente no Brasil, como a Resolução CAMEX no 21/2011, que, após explicar os termos, convencionou siglas para condições de venda não mencionadas na publicação no 715E, de 2010, da ICC, que trata dos INCOTERMS® 2010, inclusive a genérica “OCV” (“outra condição de venda”). Resta saber se antes da referida Portaria CAMEX de 2011 era possível ao importador (ou ao beneficiário do regime, no caso, que registrou declarações em 2008 e 2009) informar um código distinto daqueles usados nos INCOTERMS®. Em consulta à tabela histórica do SISCOMEX (em https://www35.receita.fazenda.gov.br/tabaduaneirasweb/private/pages/telaInicial.jsf), vêse que desde 01/10/1992 era possível informar na declaração de importação o código “INI”, que significava “INCOTERM NÃO IDENTIFICADO”, e que tal possibilidade durou até 16/09/2011, pouco depois de surgir a nova sigla “OCV” (“OUTRA CONDIÇÃO DE VENDA”), em 22/12/2010. INCOTERM Condição de Venda Dados Gerais Código INI Descrição INCOTERM NAO IDENTIFICADO Início de Vigência 01/10/1992 Fim de Vigência 16/09/2011 Código OCV Descrição OUTRA CONDICAO DE VENDA Início de Vigência 22/12/2010 Fim de Vigência Assim, caso a importadora ou beneficiária de regime aduaneiro entendesse que a condição de venda a ser informada não poderia ser bem enquadrada em nenhum INCOTERM®, no período analisado (2008/2009), poderia informar o código “INI”. Em síntese, as edições anteriores dos INCOTERMS® (como a de 2000, que norteia o caso em análise) representam, como a atual, uma coleção de termos de comércio internacionalmente aceitos, que revelam a condição de venda (condição esta que sempre foi de informação necessária à fiscalização). Entendemos, então, que a condição de venda é indiscutivelmente necessária ao tratamento tributário e aduaneiro, visto que é a partir dela que se compõe a base de cálculo do imposto de importação. Por exemplo, se a condição de venda (seja ela ou não um INCOTERM®) não incluir frete, o fisco terá que somar o valor de frete ao preço indicado na fatura, para obtenção do valor aduaneiro (base de cálculo do imposto de importação, segundo o Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT). Fl. 2262DF CARF MF Processo nº 11131.720822/201364 Acórdão n.º 3401005.290 S3C4T1 Fl. 2.259 9 Não podemos olvidar, no entanto, que estamos, no caso em análise, a tratar de uma admissão temporária ao amparo do REPETRO (regime aduaneiro especial detalhado nos artigos 458 a 462 do Regulamento Aduaneiro – Decreto no 6.759/2009), e não de uma importação definitiva. Assim, o dado informado para efeito de valoração aduaneira é menos relevante, não só pelo fato de que não haver “compra e venda” inviabiliza a utilização do primeiro método de valoração aduaneira, mas porque a própria legislação nacional que rege a matéria (IN SRF no 327/2003) textualmente afirma que a valoração não se reveste de tanta relevância no momento da admissão no regime: “VALORAÇÃO ADUANEIRA EM REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS Art. 34. O valor aduaneiro de mercadoria admitida em regime aduaneiro especial, cuja importação não tenha como fundamento uma venda para exportação para o País, deverá ser declarado com base nos documentos da operação comercial, conformes à prática do tipo de negócio. § 1º Na hipótese deste artigo a autoridade aduaneira poderá decidir pela adoção de procedimentos fiscais de valoração aduaneira na admissão das mercadorias no regime, visando à correta determinação dos valores tributários para fins de responsabilização do beneficiário, ou de exigência dos tributos devidos quando for o caso. (...) Art. 35. Na hipótese de descumprimento das regras de permanência da mercadoria no regime ou no caso de despacho para consumo, a valoração da mercadoria para fins de exigência tributária não se limita pelo valor declarado por ocasião de sua admissão no regime. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a execução do termo de responsabilidade não prejudica a apuração e a exigência de eventual diferença de tributos, em decorrência da determinação do correto valor aduaneiro, que deverá ser objeto de lançamento.” (grifo nosso) Vejase que a valoração aduaneira em regimes aduaneiros especiais pode ser efetuada no momento da nacionalização, no Brasil, e o valor declarado na admissão do regime não prejudica a apuração posterior do valor aduaneiro da mercadoria. Isso faz com que a informação do INCOTERM® reduza substancialmente em importância, visto que, se descumprido o regime, não está a fiscalização adstrita ao que informou o importador na admissão. No procedimento em análise, parece a fiscalização ter tentado acautelarse em relação a eventual descumprimento com a medida referida no art. 34, § 1o da IN SRF no 327/2003, buscando saber se havia “seguro” e “frete” a acrescentar ao valor dos naviostanque indicados pela empresa como importados ao amparo do INCOTERM® CIF, o que, de início, já constituiria um problema, por parecer o fisco utilizar o primeiro método de valoração para uma operação que não é de “compra e venda”. Fl. 2263DF CARF MF 10 No caso em análise, o INCOTERM® 2000 informado, como aqui exposto, de início, foi o “FCA” (Free Carrier), termo de comércio que não sofreu substantiva alteração com o advento dos INCOTERMS® 2010, e designa a operação em que o vendedor é responsável até a entrega da mercadoria, desembaraçada para a exportação, ao transportador ou a outra pessoa indicada pelo comprador, no local nomeado do país de origem, em qualquer meio de transporte. Assim, frete internacional e seguro internacional (parcelas que compõem o “valor aduaneiro”, base de cálculo do imposto de importação) estariam a cargo do importador, se fosse levada a cabo valoração pelo primeiro método, o que já mostramos ser inviável a casos de admissão temporária, como o arrendamento no regime de REPETRO. Portanto, quando se informa o INCOTERM® “FCA”, a apuração do valor aduaneiro demandaria inclusão de frete e seguro, se fosse a operação uma “compra e venda”. Em ambas as DI, objeto da autuação (fl. 131 e 188), os valores de frete e seguro foram apontados como R$ 0,00, não se somando ao VMLE (valor da mercadoria no local de embarque), para determinação do valor aduaneiro: Quanto ao frete, cabe destacar que as embarcações chegaram ao país por “meios próprios”. E, no que se refere ao seguro, ambas as DI trazem a informação de que a carga não foi objeto de seguro (fls. 132 e 189): Ao que parece, a fiscalização efetivamente desejava, de início, efetuar valoração aduaneira dos dois naviostanque, buscando saber qual seria o valor do seguro. Daí ter solicitado contratos de câmbio e seguro, e planilha de custos com combustíveis realizados durante a viagem do porto de origem no exterior ao porto de destino no Brasil, como se narra à fl. 10. O que se segue é uma sucessão de suposições, por parte da fiscalização, que busca encontrar nos contratos respostas que amoldem o caso a um INCOTERM® (que provavelmente seria do Grupo “D”, porque entendeu o fisco que havia discrepância em relação ao grau de responsabilidade e risco de importador e exportador), e que, no máximo, lograram uma relevante confissão por parte da empresa beneficiária do regime, depois de variadas Fl. 2264DF CARF MF Processo nº 11131.720822/201364 Acórdão n.º 3401005.290 S3C4T1 Fl. 2.260 11 intimações: a de que “...dada a complexidade do contrato, não existe um INCOTERM que traduza perfeitamente a situação fática praticada sobre os termos contratuais”. Já havia, então, uma infração, ao menos formal: o beneficiário do regime teria informado nas DI o INCOTERM® “FCA” quando, em verdade, sabia que a operação não era perfeitamente enquadrável em nenhum INCOTERM. No entanto, como já dissemos, pouco relevante o erro, visto que se trata de regime que não versa sobre operação de “compra e venda”, e que a ausência de valoração não prejudica a correta apuração posterior (em caso de descumprimento). Mas a fiscalização insistiu em efetuar valoração aduaneira da operação, diga se, sem sucesso, não só porque fundada em método inaplicável a operação diversa da “compra e venda”, mas porque segue no reino das suposições, buscando, com base em operações efetuadas anteriormente nas embarcações, e respectivos seguros, comparando com operações posteriores, e conjecturando que seria “no mínimo estranho” que a empresa pague o equivalente a 183,6% e 175,05% do valor aduaneiro declarado das embarcações a título de arrendamento em dez anos, quando seria mais lucrativo adquirir as embarcações, logo depois admitindo que (fl. 14): Ou seja, mesmo para efeitos da valoração acautelatória a que se refere o art. 34, § 1o da IN SRF no 327/2003, o trabalho de fiscalização foi inconclusivo. A única conclusão efetiva a que chega o fisco é equivocada: a de que deveria ser adotado um INCOTERM no qual o exportador estrangeiro responde inclusive pelos tributos aduaneiros no Brasil (que, digase, não foram exigidos dele, mas sim do importador, e constituídos em Termo de Responsabilidade com valores não afastados pelo autuante). INCOTERM esse que sequer é permitido no Brasil, como reconhece a defesa e a própria DRJ (que, entanto, releva essa circunstância). Assim, não podemos concordar com a conclusão da fiscalização, externada à fl. 15: Na admissão temporária de embarcações no regime de REPETRO, por arrendamento, sem compra e venda, a informação prestada sobre o INCOTERM®, no momento da admissão no regime, não é essencial nem determinante para definição do valor aduaneiro, Fl. 2265DF CARF MF 12 como imputado pela fiscalização, visto que nas operações distintas da “compra e venda” não se aplica o primeiro método de valoração, e que caso ocorra um descumprimento do regime, o valor inicialmente informado na admissão não vincula a valoração da nacionalização, cabendo o registro adicional de que, no caso em análise, mesmo depois da ação fiscal, seguida de conjecturas sobre a possibilidade de afetação do valor, acatouse o valor aduaneiro informado. Assim, embora reconheçamos incorreto o INCOTERM® utilizado, e que o beneficiário do regime tinha como informar, inclusive, código de três letras que não espelhasse perfeitamente nenhum INCOTERM® (“ICI” “INCOTERM NÃO IDENTIFICADO”), à época, tal incorreção não se amolda ao tipo infracional previsto no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835/2001, com o acréscimo trazido pelo art. 69 da Lei no 10.833/2003, ou seja, não se pode afirmar, no caso, que a informação do INCOTERM® correto é necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, na admissão ao regime. Endossamos, por fim, as considerações da instância de piso no que se refere à impossibilidade de simples acolhida de precedentes não vinculantes, administrativos e judiciais, e no que se sustenta que o simples fato de a empresa realizar os trâmites de admissão temporária tornaria mais apropriado o INCOTERM® “FCA”. Os precedentes, que, digase, podem existir, inclusive, em sentido diametralmente oposto, para uma mesma situação fática, prestamse a formação de convicção do julgador e como parâmetro de análise hermenêutica possível. E o fato de registrar a declaração de admissão no regime é uma entre uma dezena de fatores aptos a enquadrar uma operação em um INCOTERM®. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 2266DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.721733/2012-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual.
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
DESPESAS MÉDICAS
Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO
Reconhecimento da comprovação com pagamento de despesas com instrução realizada através da utilização de créditos junto à administradora de imóveis do Contribuinte.
Numero da decisão: 2001-000.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir: a glosa da dedução referente à pensão alimentícia integralmente de Yasmin Lara Claramunt, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o ano-calendário de 2010; pensão alimentícia de Calípsia Pacheco da Silva a partir de 16/08/2010; despesa com instrução de Enrico Sommerfeld Claramunt, referente à Escola Morumbi e a glosa referente às despesas médicas.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DESPESAS MÉDICAS Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas. DESPESAS COM INSTRUÇÃO Reconhecimento da comprovação com pagamento de despesas com instrução realizada através da utilização de créditos junto à administradora de imóveis do Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 17 33 /2 01 2- 38 Fl. 268DF CARF MF 2 excluir: a glosa da dedução referente à pensão alimentícia integralmente de Yasmin Lara Claramunt, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o ano calendário de 2010; pensão alimentícia de Calípsia Pacheco da Silva a partir de 16/08/2010; despesa com instrução de Enrico Sommerfeld Claramunt, referente à Escola Morumbi e a glosa referente às despesas médicas. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial e omissão de rendimentos. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 17.593,25, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. No Despacho Decisório nº 086/2012 o Fisco aceitou parte da comprovação apresentada pelo Recorrente e reduziu o valor do Lançamento para R$ 15.820,22. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não teria comprovado integralmente o pagamento da pensão alimentícia aos beneficiários, embora tivesse apresentado o termo de acordo de separação consensual homologado judicialmente. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à falta de comprovação nos moldes que entende legalmente apropriado, nos termos que segue: O contribuinte supracitado foi intimado impugnar o valor do Imposto de Renda Pessoa Física suplementar do anocalendário de 2010 de R$ 17.593,25, com multa de ofício e juros de mora. Tal fato decorreu da dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 3.616,56; da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 12.624,48; da dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 61.225,84 e da dedução indevida com instrução, no valor de R$ 5.661,68. Dedução de Dependentes Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13896.721733/201238 Acórdão n.º 2001000.580 S2C0T1 Fl. 269 3 A glosa da despesa com dependente não procede, pois o contribuinte é pai do menor Enrico Sommerfeld Claramunt, nascido em 27/03/2003, e casado com Patrícia Sommerfeld Claramunt, devendo ser cancelada a glosa de R$3.616,56. Tal glosa de dedução já foi objeto de cancelamento pela DRF de origem através do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls. 204 a 209. Dedução com Instrução Na despesa com instrução, fica comprovada a despesa com a dependente Patrícia Sommerfeld Claramunt, no limite individual de R$ 2.830,84, e deve ser indeferida a despesa do dependente Enrico Sommerfeld Claramunt, pois o valor pago para Red Balloon (curso de inglês) não pode ser aceito por falta de previsão legal, enquanto que os valores da Escola Morumbi de Alphaville Ltda foram pagos por GK Administradora de Bens S/S Ltda e não há prova de ônus do contribuinte. Embora o contribuinte alegue que os valores pagos pela GK Administradora de Bens S/S Ltda são seus recursos, pois esta pessoa jurídica é intermediadora de aluguéis recebidos pelo contribuinte, cuja informação consta de DIMOB e da declaração do contribuinte, e fez os pagamentos por pedido deste, não consta nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para o dependente, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Meras alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. A aceitação parcial da dedução já foi objeto do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls. 204 a 209. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia A dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 61.225,84, é composta pela falta de comprovação do pagamento pelo contribuinte da alimentanda Yasmin Lara Claramunt e Calipsia Pacheco da Silva . Em ambas, o valor foi pago por GK Administradora de Bens S/S Ltda., não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para as alimentandas, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Meras alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. Ademais, a pensionista Calipsia Pacheco da Silva somente teve decisão judicial para receber alimentos em 16/08/2010 ( efls.234 a 236), não constando dos autos nenhuma outra decisão para pagar pensão antes desta data, sendo que o contribuinte, embora alegue existir decisão antecipando o pagamento da pensão, não trouxe a documentação comprobatória até a presente data. Fl. 270DF CARF MF 4 Para fins de esclarecimento, os valores pagos de instrução devido à decisão judicial que concede alimentos e despesa com instrução, deve ser aceito como despesa com instrução, até o limite legal permitido (R$ 2.830,84), e não como dedução como alimentos, conforme a legislação que rege o assunto, contida no item 378 do Livro Perguntas e Respostas do IRPF, abaixo transcrito: Dedução de Despesas Médicas O contribuinte teve glosada a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 12.624,48, pois o pagamento os pagamentos foram realizada pela empresa GK Administradora de Bens Ltda, sem demonstração de ônus para o contribuinte. Em que pese o contribuinte alegar que os valores pagos pela GK Administradora de Bens S/S Ltda são seus recursos, pois esta pessoa jurídica é intermediadora de aluguéis recebidos pelo contribuinte, cuja informação consta de DIMOB e da declaração do contribuinte, e fez os pagamentos por pedido deste, não consta nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para o dependente, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. Destarte, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, na parte litigiosa mantida pela revisão da DRF de origem, mantendo o imposto suplementar no valor de R$ 15.820,22, com multa e juros de mora, nos termos da legislação. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento, com a redução determinada no despacho decisório da autoridade competente para R$ 15.820,22, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Aos 06 de fevereiro de 2013 o Recorrente apresentou sua impugnação ao Despacho Decisório nº 87/2012, discordando dos lançamentos descritos, para tanto colecionou documentação hábil e idônea a fim de corroborar com a referida impugnação. Agora, aos 15 de maio de 2017, decorridos 4 anos da Impugnação, sobreveio a decisão colegiada – Acórdão 1058.2015, dissonando com as provas táticas e materiais colecionadas ao bojo do procedimento fiscalizatório. Portanto, a presente preliminar trata da prescrição intercorrente no curso do procedimento fiscal, pois patente a insegurança jurídica praticada pelo ente fiscal, ofendendo frontalmente o art. 1º em seu parágrafo 1º da Lei 9.873/99. (...) Assim sendo, poderia o Fisco apreciar a Impugnação e os documentos que a instruem dentro de prazo exíguo, obedecendo os Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13896.721733/201238 Acórdão n.º 2001000.580 S2C0T1 Fl. 270 5 limites previsto na legislação, ou pelo menos se curvando ao Princípio da razoabilidade e moralidade, mas não permanecer em desarrazoada e indeterminado tempo para aferição. De tal sorte, que deverá ser acolhida a preliminar arguida para declarar a prescrição intercorrente do presente. DO MÉRITO DEDUÇÃO COM INSTRUÇÃO (...) Portanto, o contribuinte demonstrou através de documentação hábil e idônea ser pai do menor Enrico Sommerfeld Claramunt, e que este é seu dependente, que este estuda na Escola Morumbi, e apenas para saldar a obrigação da referida mensalidade escolar, utilizouse dos créditos seus, que detinha junto com a empresa, “GK Administradora de Bens S/S”, oriundos de recebíveis declarados e informados através de DIMOBs. DEDUÇÃO COM PENSÃO ALIMENTÍCIA Foi glosada as despesas de pensões alimentícias compotas pelas alimentadas Yasmin Lara Claramunt e Calípsia Pacheco da Silva, sob o argumento de terem sido pagas pela empresa “GK Administradora de Bens S/S”, e que não há nos Autos nenhuma procuração ou documento que demonstrem ter sido ônus do contribuinte, meras alegações sem prova. Ainda na glosa, alegou que a pensionista “Calipsia Pacheco da Silva” somente teve decisão judicial para receber alimentos em 16/08/2010. Como se observa nos documentos apresentados, DIMOBs, o contribuinte possui uma relação comercial com a referida empresa, cuja qual é uma administradora, que durante o referido exercício administrou o recebimento de valores oriundos de locações do Contribuinte, como se observa dos DIMOBs acostados. Após a realização dos recebimentos, a GK informava o saldo disponível ao contribuinte, e este por sua vez, solicitava e direcionava seus créditos aos pagamentos de suas obrigações, dentre elas com as pensões alimentícias. A relação entre o contribuinte e a empresa GK está demonstrada através dos DIMOBs juntados tanto pelo contribuinte como pela referida empresa, pois esta é obrada a fazêlo por força de legislação. O contribuinte demonstrou através de documentação hábil e idônea, decisão judicial a que lhe obriga prestar alimentos às suas filhas, foi considerado imposto por aquela decisão judicial, também como alimentos, o custeio pelo contribuinte de assistência médica e escolar. Para com a outra alimentada apenas foi determinado o pagamento mensal de valores, sem imposição de assistência médica e escolar. Fl. 272DF CARF MF 6 O contribuinte está obrigado a prestar alimentos a suas filhas Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Cararamunt, sendo que esta segunda tem como genitora Calipsia Pacheco da Silva. O ente fiscal confundese, pois, os valores pagos à Calipsia Pacheco da Silva, destinaramse a alimentada Victoria Pacheco (filha), nascida em 01/07/1998. A pesar de haver de somente imposição judicial após 2010, em ação de alimentos, contudo contribuinte sempre prestou alimentos voluntariamente a sua filha, desde seu nascimento, cuja documentação encontrase encartada ao presente processo. Pente fiscal pretende glosar as despesas com alimentos/escolar ao limite anual previsto, contudo não encontra amparo, pois a imposição é de caráter alimentar, diferentemente daquele que é considerado dependente. Por outro lado, ao invés de pagar as mensalidades, bastaria o contribuinte depositar tais valores correspondentes nas contas das alimentadas, para estas o fizessem, onde assim produziriam a dedução integral ao contribuinte? Assim não merece prosperar o entendimento do ente fiscal, devendo ser reformado, e ano final julgado procedente a pretensão e os argumentos do contribuinte. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS Restou Glosada o valor de R$ 12.264,48 (Doze mil duzentos e sessenta e quatro reais e quarenta e oito centavos), realizadas com despesas médicas do contribuinte e seus dependentes, no exercício em questão, estando devidamente embasadas em documentação idônea e hábil. (...) Observase que as glosas estão pautadas na transferência dos saldos recebidos pelo contribuinte através da empresa GK, na administração das locações de bens do contribuinte, que lhe rendeu valores mensais, devidamente declarados, através de DIMOB, sob alegação de não haver procuração para esse fim. O DIMOB é claro em dizer na intermediação das locações, com recebimentos de valores em favor do contribuinte, expressando ainda o pagamento de comissões à empresa administradora. Portanto, o que houve, foi a solicitação da transferência dos créditos amealhados, pelo contribuinte à empresa GK em prol das obrigações que este tem para com seu filhos, ora dependentes e ora alimentados. Diante de todo o exposto, requer seja acolhida as preliminares, para ver declarada a prescrição intercorrente fiscal, ou não sendo este o entendimento, requerse seja acolhido o presente Recurso, e uma vez verificada sua insubsistência seja proclamada sua improcedência, cancelandolhe o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13896.721733/201238 Acórdão n.º 2001000.580 S2C0T1 Fl. 271 7 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINAR – PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE O Recorrente alega que apresentou sua impugnação ao Despacho Decisório, discordando do lançamento e que para tanto colecionou documentação hábil e idônea para respaldar a referida impugnação. Diz que em 15/03/2017, decorridos 4 anos e l mês da impugnação, sobreveio a decisão colegiada no Acórdão, em dissonância com as provas fáticas apresentadas no procedimento fiscalizatório. Conclui afirmando que a preliminar trata da prescrição intercorrente no curso do procedimento fiscal, ofendendo frontalmente o art. 1º, da Lei nº 9.873/99. DECIDO A prescrição intercorrente ocorre quando há inércia do autor que deixa de praticar os atos necessários para o prosseguimento da ação, no curso do processo, em tempo superior ao máximo previsto em lei para a prescrição do direito discutido. A Lei nº 9.873/99, citada no Recurso, define as condições e prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, em relação ao indevidamente requerido pelo Contribuinte neste processo, nos seguintes termos: Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (...) Art. 2o Interrompese a prescrição da ação punitiva: I – pela notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de edital; II por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato; No exame dos autos verificase que a impugnação consta na fl. 02 e foi protocolada em 10/07/2012, tendo o Despacho Decisório da autoridade competente nº 086/2012, fls. 209, ocorrido em 27/08/2012 e ciência do DD em 07/01/2013 fl. 212. Em sequência ocorreu a decisão do Acórdão 1058.215, fl. 243 em 15/03/2017, seguido da ciência deste, fl. 253, em 27/03/2017. Fl. 274DF CARF MF 8 Constatase pela cronologia das ações administrativas não ter havido prescrição intercorrente, como alegado, estando preservada a razoável duração do processo e a celeridade de sua tramitação. Assim sendo, razão não há para a alegação de prescrição intercorrente, motivo suficiente para a rejeição da preliminar. DO MÉRITO O Despacho Decisório nº 08/2012 aceitou parte da comprovação apresentada pelo Recorrente e reduziu o valor do Lançamento para R$ 15.820,22. O Acórdão da DRJ destaca a aceitação da comprovação da despesa com o dependente Enrico Sommerfeld Claramunt, o que já havia sido reconhecido no despacho decisório. O Acórdão da DRJ também considera comprovadas as despesas de instrução da dependente Patrícia Sommerfeld Claramunt, no limite individual de R$ 2.830,84 e indefere a despesa do dependente Enrico Sommerfeld Claramunt referente Red Balloom, por se tratar de curso de inglês e a Escola Morumbi de Alphaville Ltda, por ter sido paga através de recursos depositados junto a GK Administradora de Bens S/S. Assinala que a aceitação parcial da dedução já foi objeto do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de 2fls 204 a 209. A decisão do Acórdão contestado somente considera para a alimentada Yasmin o valor referente ao limite individual como despesa com instrução, o que contraria a decisão judicial que definiu a obrigação do pagamento das despesas deste tipo como obrigação de pensão alimentícia, sem vinculação com o limite para fins fiscais de gastos com dependentes. Não há que se confundir dedutibilidade de pensão alimentícia com despesas com instrução e seus efeitos fiscais vinculados a limites individuais. Na verdade o Recorrente paga despesa com instrução dentro da espécie pensão alimentícia. Portanto considerase aqui todo o valor pago com despesa de instrução da alimentada como dedutível a título de pensão alimentícia. DESPESAS MÉDICAS O pagamento total das despesas médicas de R$ 12.624,48, foram realizados através da empresa GK Administradora de Bens S/S onde o Recorrente mantem saldo de créditos a receber por conta de locações de seus imóveis administrados por aquela empresa. Portanto válida a comprovação porque justificada a assunção do ônus por diminuição de seus créditos a receber junto aquela empresa administradora de seus bens. Como a única alegação do agente fiscal é de que os pagamentos das despesas médicas foram feitos desta forma triangular, uma vez considerada legal pelo exposto anteriormente, fica assim, excluída a glosa no que se refere às despesas médicas. PENSÃO ALIMENTÍCIA A divergência estabelecida na lide em relação à pensão alimentícia diz respeito aos valores constantes nas decisões judiciais que definiram a pensão alimentícia de Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Claramunt e naqueles termos devem ser consideradas para efeito de aceitação da dedução, com base nos pagamentos comprovados Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13896.721733/201238 Acórdão n.º 2001000.580 S2C0T1 Fl. 272 9 documentalmente, seja como depósito em conta corrente ou pagamentos a título de despesas com instrução ou saúde, nos termos e no quantitativo que a decisão judicial determina. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que entende plenamente comprovado mediante documentação apresentada, inclusive declaração da empresa intermediadora dos pagamentos para as alimentadas. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, Fl. 276DF CARF MF 10 quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor das pensões das filhas do Recorrente em razão de que não reconhecia suficiente os documentos de pagamentos feito através de terceiros, sob ordem do Contribuinte. Tratase de pensão alimentícia de paga a Yasmin Lara Claramunt, em que o contribuinte apresentou decisão judicial e comprovantes de pagamentos mensais através de comprovantes de transferência da empresa GK Administradora de Bens S/S, onde mantinha crédito por locação de seus imóveis. Deve ser considerado também para a alimentada Yasmin despesas com instrução e as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome da alimentanda, em razão de decisão judicial que abrange estes itens, além da soma em dinheiro, não se confundido com despesas com dependentes que tem outra classificação para fins de declaração de ajuste anual. Em relação à Pensão Alimentícia paga a Calípsia Pacheco da Silva, da mesma forma, devem ser considerada, a partir de 16/08/2010, quando efetivamente ocorreu a decisão judicial da pensão alimentícia de Victoria Pacheco Claramunt. Os comprovantes constam terem os recursos saídos da conta debitada GK Administradora de Bens S/S, por transferências para a alimentada, em vista de constar com suporte de saldo em favor do Recorrente naquela empresa. Tratase neste caso do direito à dedução do imposto de renda por pagamentos de pensão alimentícia em que a exigência fica condicionada a ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99, e prova do efetivo pagamento do valor declarado como pago aos pensionistas. Com efeito, constatase que foram realmente acostadas ao processo cópia dos acordos judiciais homologados, certidões de nascimentos, comprovações de despesas e declarações e outros comprovantes da empresa GK Administradora de Bens S/S, informando os valores pagos diretamente pela empresa às alimentadas e a respectiva compensação no encontro de contas com os créditos a receber que o Recorrente possuía junto a ela, identificando uma praxe na realização dos pagamentos das pensões alimentícias em cumprimento da decisão judicial, pela realização dos depósitos em conta corrente das beneficiárias. A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13896.721733/201238 Acórdão n.º 2001000.580 S2C0T1 Fl. 273 11 Cabe destacar que o dispositivo que mais se aproxima de uma definição dos condicionantes para obtenção do benefício da dedução diz que o segundo elemento se fará presente “quando comprovado o seu efetivo pagamento”, sem lhe especificar a forma. O fato de ter sido pago através de uma forma que não aquela de crédito em conta das beneficiárias cujo valor não tenha saído diretamente da conta do Recorrente não é motivo suficiente para a glosa da dedução, pois o que realmente importa é a efetividade do pagamento do compromisso assumido. A quitação do compromisso independe da rigorosa observância de crédito em conta corrente e de ter o Contribuinte utilizado um terceiro com o qual tinha créditos, para satisfazer sua obrigação de pagar a pensão alimentícia. Por isso, neste caso, satisfeitos os requisitos legais que regem a matéria. Ademais, não há que se confundir abatimentos de despesas com dependentes e beneficiários de pensões alimentícias e suas diferentes formalidades de informação na declaração do Imposto de Renda. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória do acordo judicial e a comprovação do pagamento da pensão a que se comprometeu judicialmente, podendo assim se beneficiar da utilização da dedução do imposto a esse título, fazendose imperioso que se conceda o direito pleiteado pelo Recorrente, dando provimento ao recurso para o restabelecimento das deduções, até o valor definido nos acordos judiciais, reajustados para o anocalendário de 2010, pelos índices definidos na homologação judicial. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia integralmente de Yasmin Lara Claramunt, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o anocalendário de 2010, pensão alimentícia de Victória Pacheco Claramunt em nome da mãe Calípsia Pacheco da Silva, a partir de 16/08/2010, despesa com instrução de Enrico Sommerfeld Claramunt, referente à Escola Morumbi e excluir a glosa referente às despesas médicas. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901214/2009-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
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PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados na DIPJ e na escrituração contábil. Não se presta como prova as declarações elaboradas pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Bárbara Santos Guedes, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 12 14 /2 00 9- 37 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.901214/200937 Acórdão n.º 1302003.059 S1C3T2 Fl. 3 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão nº 1635.193, da 5ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 26/04/2007 DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A simples alegação da contribuinte de que teria efetuado recolhimento a maior que o devido, sem apresentar justificativa e muito menos juntar aos autos documentos comprobatórios, não é suficiente para desconstituir a confissão do débito em DCTF, que presumese líquido e certo, e caracterizar a ocorrência de pagamento a maior. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DERAT/São Paulo, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. Na manifestação de inconformidade, foi alegado que o crédito existe pelo fato de o contribuinte ter recolhido, de forma indevida, valor maior de IRPJ apurado no 1º trimestre de 2007, conforme demonstra a DIPJ/2008, os comprovantes de pagamento e a DCTF apresentada. O acórdão da DRJ/SP1 não acatou as alegações, pois o DARF indicado como origem do crédito corresponde exatamente ao débito confessado da DCTF, inexistindo, a principio, pagamento indevido. A DIPJ/2008 e a DCTF retificadora, esta última apresentada após a ciência da decisão da DERAT/São Paulo, não seriam suficientes para comprovação do recolhimento a maior. Da análise das declarações, verificouse que, na DIPJ/2008, a base de cálculo do tributo foi apurado com a aplicação do percentual de 8%, enquanto que na DCTF original foi aplicado o percentual de 32%. Entretanto, não foi apresentado nenhuma documentação que pudesse demonstrar a natureza das atividades da empresa, sendo que em seu contrato social constam, como objeto social, as seguintes atividades: (1) administração de bens próprios, (2) participação em empreendimentos imobiliários e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A ciência do Acórdão da DRJ ocorreu em 03/02/2012, e o recurso voluntário foi apresentado em 01/03/2012, com as seguintes alegações: afirma que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade demonstram e esclarecem a atividade por ela exercida, de empreendimentos imobiliários, e os motivos que a levaram ao cálculo da base de cálculo do tributo, adotando o percentual de 8% em vez de 32 %. pelo Princípio da Verdade Material, é oportuno esclarecer que a recorrente atua no ramo de empreendimentos imobiliários e tem sua tributação na forma do Lucro Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.901214/200937 Acórdão n.º 1302003.059 S1C3T2 Fl. 4 3 Presumido, aplicando sobre as receitas tributáveis decorrentes das vendas de imóveis próprios o percentual de 8% para apurar a base de cálculo dos tributos. em 2007 obteve receitas oriundas exclusivamente da venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%, nos termos do artigo 15, caput, c/c §4º da Lei nº 9.249/95, bem como do artigo 3º, §7º da IN SRF n° 93/97. houve erro de fato no cálculo de IRPJ da recorrente no período de 2007, com a utilização de alíquota de 32%, que acabou interferindo diretamente no valor final do tributo, resultando em recolhimento a maior. andou mal a decisão recorrida quando da avaliação do contrato social, pois não se trata da simples leitura para deduzir a atividade da recorrente como colocado, mas sim da leitura aliada à atividade e cálculos do tributo, devidamente demonstrado na DIPJ. demonstrada a atividade exercida pela recorrente, não se pode utilizar de presunção para tributar o sujeito passivo, nos termos do artigo 118, caput, c/c inciso II do CTN. agiu de boa fé, fornecendo todos os elementos para análise e devida homologação da compensação, inclusive cuidando de retificar a DCTF para que não pairassem dúvidas quanto aos valores corretos dos tributos. a DCTF, como instrumento de confissão de dívida, comporta prova em contrário, sob pena de a Administração Pública locupletarse à custa do sujeito passivo. o artigo 16 da Lei nº 9.779/99 delega à SRF a competência para dispor sobre obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições, tendo por finalidade amenizar o rigor da norma invocada, haja vista as inúmeras situações que podem levar o contribuinte a ter o seu débito declarado de maneira incorreta, em virtude de erro de fato que, via de conseqüência, pode acarretar indevida confissão de débito tributário por erro na declaração. não pode prevalecer o entendimento de que a DCTF apresentada, com erro, constitui confissão absoluta de dívida. restou demonstrado que houve erro de fato na DCTF original, com o preenchimento de IRPJ com valor superior ao que de fato e de direito era devido, ao aplicar a alíquota de 32% em vez de 8%. a MP nº 2.18849/2001, em seu artigo 18, permite a retificação das declarações dos tributos administrados pela SRF, nas hipóteses permitidas, possuindo a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. ao tempo da publicação do Despacho Decisório denegatório, estava vigente IN SRF nº 974/2009, que dispunha em seu artigo 9º, § 3º, sobre a possibilidade de retificação de DCTF nos casos em que houvesse prova inequívoca do erro de fato da DCTF. nestes termos, não há como subsistir o entendimento posto no acórdão recorrido no sentido de que a DCTF apresentada após o início de qualquer procedimento fiscal não produz efeitos. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.901214/200937 Acórdão n.º 1302003.059 S1C3T2 Fl. 5 4 a decisão recorrida incorreu em contradição quando afirmou que débito espontaneamente confessado em DCTF tem presunção de liquidez e certeza, mas que poderia ser desconstituído se apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. ocorre que as provas foram apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, mas que a turma da DRJ/SP1, ausente o Princípio da Razoabilidade, entendeu que não surtiram seus efeitos jurídicos característicos e válidas, razão pela qual deve ser reformado acórdão recorrido. consta no acórdão recorrido que, nos termos do artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve ser apresentada junto com a manifestação de inconformidade, fato que ocorreu com a apresentação da DIPJ/2008, DCTF e pagamentos, que dão suporte ao direito creditório a que faz jus, sempre agindo de boafé, não podendo ser penalizada tendo indeferido seu pedido de compensação. Junto com o recurso voluntário, a recorrente apresentou o Livro Diário e o Laudo de Avaliação de Créditos. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.901214/200937 Acórdão n.º 1302003.059 S1C3T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.057, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.681715/2009 91, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.057): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim dele eu conheço. A lide neste processo se concentra na questão da prova da atividade exercida pela recorrente. Isto porque não há dúvidas que, no caso do Lucro Presumido, a alíquota a ser aplicada para determinação da base de cálculo dos tributos é de 8% quando a receita financeira decorre da exploração de atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (artigo 15, §4º da Lei nº 9.249/95, incluído pela Lei nº 11.196/2005) A recorrente afirma que incorreu em erro de fato no preenchimento da DCTF original quando aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para determinar o lucro presumido, base de cálculo dos tributos. Aduz que sua receita decorre exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios, ensejando a aplicação do percentual de 8%. E entende que a comprovação do erro de fato se deu com a apresentação, junto com a manifestação de inconformidade, da DIPJ/2008, das DCTF retificadas e dos pagamentos. Aduz que faltou razoabilidade por parte da 5ª Turma da DRJ quando da análise dos citados documentos. Na apresentação do recurso voluntário, além das declarações já mencionadas, a recorrente apresentou cópia do Livro Diário Geral de Contabilidade e Laudo de Avaliação de Créditos. Passo a me pronunciar. Discordo da recorrente quando alega que faltou razoabilidade quando análise dos documentos. Como bem ressaltou o voto condutor da decisão recorrida, não há qualquer explicação quanto aos valores discrepantes informados entre a Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.901214/200937 Acórdão n.º 1302003.059 S1C3T2 Fl. 7 6 DCTF original e a DIPJ/2008. E esta explicação era devida, já que, de acordo com o contrato social, a recorrente exerce 3 (três) atividades econômicas, sendo que nem todas permitem a aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta. De fato, as atividades que constam no contrato social seriam: (1) a administração de bens próprios; (2) a participação em empreendimentos imobiliários; e (3) a participação em outras sociedades como sócia ou acionista. A recorrente informa, na DIPJ/2008, como Código da Atividade Econômica (CNAE fiscal) o 64.620/00 Holdings de Instituições não financeiras. Para tessas atividades econômicas o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta, para determinação da base de cálculo dos tributos, é de 32%. A exceção poderia ser, talvez, a participação em empreendimentos imobiliários, para a qual a recorrente deveria comprovar a venda de imóveis próprios. As declarações fiscais apresentadas DIPJ/2008 e DCTF retificadas, são suficientes para comprovar que as receitas decorrem exclusivamente da atividade de venda de imóveis próprios ? Entendo que não, uma vez que as declarações são preenchidas pela própria recorrente, que é parte interessada na presente demanda, fato enfraquece a força probante dos documentos. É preciso esclarecer que as declarações devem refletir a escrituração do contribuinte, seus registros contábeis e resultados apurados. O artigo 923 do RIR/99 dispõe que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. E é com base neste artigo que devemos analisar se o Livro Diário Geral e o Laudo de Avaliação de Créditos, apresentados juntamente com o recurso voluntário, seriam suficientes para comprovar que a totalidade da receita auferida no anocalendário de 2007 seria exclusivamente decorrente de venda de imóveis próprios. O Laudo de Avaliação de Crédito tão somente descreve as atividades da recorrente, afirmando que, de acordo com sua operação de administração e vendas de bens próprios, tem a opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Consta a afirmação de que a empresa utilizou indevidamente o coeficiente de 32%. Ao final, elabora uma tabela com os valores que teria a compensar: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.901214/200937 Acórdão n.º 1302003.059 S1C3T2 Fl. 8 7 Ocorre que, ainda que o laudo tenha sido elaborado por contador, a afirmação sem a devida comprovação não faz prova a favor do pleito. Estão ausentes os documentos que comprovem que as receitas são decorrentes exclusivamente da venda de imóveis próprios. O mesmo raciocínio se aplica ao Livro Diário Geral. Em pese a tentativa de demonstrar que as receitas seriam todas decorrentes de vendas, considerando os históricos dos lançamentos contábeis "venda de unidades" em destaque, faltou a comprovação com documentação hábil, requisito necessário nos termos do artigo 923 do RIR/99. É preciso lembrar que a aplicação do percentual de 8% será sobre a comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato (§4º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95). Na ausência destes elementos, entendo que não houve a prova de que a receita teria origem exclusivamente na venda de imóveis próprios, não sendo possível afirmar que a alíquota a ser aplicada, para determinação da base tributável dos tributos, seria de 8%. Nestes termos, não é possível reconhecer o direito creditório pela ausência de certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do CTN, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser mantido. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.904320/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 20 /2 01 0- 64 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13884.904320/201064 Acórdão n.º 3302005.766 S3C3T2 Fl. 86 2 Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao primeiro trimestre de 2005. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13884.904320/201064 Acórdão n.º 3302005.766 S3C3T2 Fl. 87 3 que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 83 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 74 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 75 a 81) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.727171/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2011
ITR. IMÓVEL RURAL. ÁREA CONTÍNUA.
Para o fim de apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, considera-se imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município, ainda que sujeitas a mais de uma matrícula no Registro de Imóveis competente.
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. ANULAÇÃO DA AUTUAÇÃO INDEVIDA. CORREÇÃO DA FALTA.
Constatado a existência de lançamento voltado para imóvel rural abrangido no Auto de Infração, a anulação daquela autuação mostra-se suficiente para a correção da falta apontada.
AUTUAÇÃO. INTIMAÇÃO IMPROFÍCUA. EDITAL VALIDADE.
Resultado improfícua a intimação de autuação por via postal, essa poderá ser efetuada por via postal no domicílio tributário do sujeito passivo
ITR. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. MUNICÍPIO DE LOCALIZAÇÃO DO IMÓVEL.
O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO.
A dedução da Área de Reserva Legal da base de cálculo do ITR está condicionada à sua averbação, à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador.
DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELO SIPT.
Caracterizada a subavaliação no VTN/ha informado na DITR e constatado que o valor apurado pelo contribuinte, mediante laudo de avaliação, é superior ao aferido pela Fiscalização com base no no Sistema de Preços de Terras - SIPT, deve ser mantido VTN/ha indicado no Auto de Infração, sob pena de agravamento da exigência fiscal.
Numero da decisão: 2402-006.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário exclusivamente para reduzir a área aproveitável do imóvel rural para 1330,0 ha. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregório Rechmann Junior que reconheceram a existência de APP e área de floresta nativa em relação ao imóvel denominado Fazenda Salto da Lontra
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2011 ITR. IMÓVEL RURAL. ÁREA CONTÍNUA. Para o fim de apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, considera-se imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município, ainda que sujeitas a mais de uma matrícula no Registro de Imóveis competente. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. ANULAÇÃO DA AUTUAÇÃO INDEVIDA. CORREÇÃO DA FALTA. Constatado a existência de lançamento voltado para imóvel rural abrangido no Auto de Infração, a anulação daquela autuação mostra-se suficiente para a correção da falta apontada. AUTUAÇÃO. INTIMAÇÃO IMPROFÍCUA. EDITAL VALIDADE. Resultado improfícua a intimação de autuação por via postal, essa poderá ser efetuada por via postal no domicílio tributário do sujeito passivo ITR. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. MUNICÍPIO DE LOCALIZAÇÃO DO IMÓVEL. O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO. A dedução da Área de Reserva Legal da base de cálculo do ITR está condicionada à sua averbação, à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELO SIPT. Caracterizada a subavaliação no VTN/ha informado na DITR e constatado que o valor apurado pelo contribuinte, mediante laudo de avaliação, é superior ao aferido pela Fiscalização com base no no Sistema de Preços de Terras - SIPT, deve ser mantido VTN/ha indicado no Auto de Infração, sob pena de agravamento da exigência fiscal.
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IMÓVEL RURAL. ÁREA CONTÍNUA. Para o fim de apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município, ainda que sujeitas a mais de uma matrícula no Registro de Imóveis competente. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. ANULAÇÃO DA AUTUAÇÃO INDEVIDA. CORREÇÃO DA FALTA. Constatado a existência de lançamento voltado para imóvel rural abrangido no Auto de Infração, a anulação daquela autuação mostrase suficiente para a correção da falta apontada. AUTUAÇÃO. INTIMAÇÃO IMPROFÍCUA. EDITAL VALIDADE. Resultado improfícua a intimação de autuação por via postal, essa poderá ser efetuada por via postal no domicílio tributário do sujeito passivo ITR. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. MUNICÍPIO DE LOCALIZAÇÃO DO IMÓVEL. O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 71 71 /2 01 4- 59 Fl. 366DF CARF MF 2 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO. A dedução da Área de Reserva Legal da base de cálculo do ITR está condicionada à sua averbação, à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELO SIPT. Caracterizada a subavaliação no VTN/ha informado na DITR e constatado que o valor apurado pelo contribuinte, mediante laudo de avaliação, é superior ao aferido pela Fiscalização com base no no Sistema de Preços de Terras SIPT, deve ser mantido VTN/ha indicado no Auto de Infração, sob pena de agravamento da exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário exclusivamente para reduzir a área aproveitável do imóvel rural para 1330,0 ha. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregório Rechmann Junior que reconheceram a existência de APP e área de floresta nativa em relação ao imóvel denominado Fazenda Salto da Lontra (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 03069.398, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF – DRJ/BSA (fls. 163/183) que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2011, cujo objeto foi o imóvel denominado “Fazenda 3 Barras”, cadastrado na RFB sob o nº 1.089.9014, com área declarada de 1.330,0 ha, localizado no Município de Riachão das Neves/BA. A seguir reproduzse trechos do relatório da decisão recorrida, que retratam adequadamente o contexto em que se deu a autuação, bem assim as razões trazidas na impugnação: Ação Fiscal A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2011 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 3825/00036/2014 de Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 3 3 fls. 15/17, lavrado em 22.07.2014 e recepcionado em 31.07.2014, às fls. 18, para o contribuinte apresentar, no prazo de 20 dias a contar da sua ciência, o seguinte documento de prova: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2011, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2011 no valor de R$: outras R$2.000,00. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte apresentou, em 07.08.2014, a correspondência de fls. 19, na qual solicitou cópia do processo. O contribuinte, em 20.08.2014, requereu a prorrogação do prazo por mais 30 (trinta) dias, por meio da correspondência de fls. 24, para o atendimento ao Termo de Intimação Fiscal. A fiscalização lavrou, em 27.08.2014, o Termo de Prorrogação de Prazo de fls. 29, no qual foi prorrogado o prazo para resposta ao Termo de Intimação Fiscal por mais 20 (vinte) dias. O Termo de Prorrogação de Prazo foi recepcionado pelo contribuinte em 09.09.2014, às fls. 30. Em 09.09.2014, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 31, para juntar aos autos a cópia das Matrículas do Imóvel, às fls. 37/43. Por meio da correspondência de fls. 44, protocolada em 26.09.2014, o contribuinte requereu a prorrogação do prazo para atendimento ao Termo de Intimação Fiscal por mais 90 (noventa) dias. Tal requerimento foi indeferido por meio do Termo de fls. 48, lavrado em 28.10.2014 e recepcionado pelo contribuinte em 05.11.2014, às fls. 49. A fiscalização lavrou, em 29.10.2014, o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 38725/00100/2014, às fls. 50/53, que foi enviado para o mesmo endereço para o qual foram encaminhados os Termos anteriores, contudo os Correios devolveram o Aviso de Recebimento (AR) ao remetente, às fls. 54/55. Posteriormente, esse mesmo Termo foi reencaminhado ao mesmo endereço e encaminhado para um segundo endereço do contribuinte, sendo esses Termos recepcionados pelo contribuinte em 04.12.2014, às fls. 60/61, nos dois endereços. Por não ter sido apresentado o documento de prova exigido e procedendose a análise e verificação dos dados constantes na DITR/2011 e nas Matrículas do Imóvel, às fls. 37/43, apresentadas pelo contribuinte, a fiscalização resolveu alterar a área total declarada do imóvel de 1.330,0 ha para 1.468,4 ha e o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$0,00 para o arbitrado de R$2.936.800,00 (R$2.000,00/ha), com base em valor constante no SIPT, com consequente aumento do VTN Fl. 368DF CARF MF 4 tributável, e disto resultando imposto suplementar de R$252.554,80, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais da infração, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 04/05 e 07. Impugnação Cientificado do lançamento, em 04.04.2015, às fls. 12/14, ingressou o contribuinte, em 04.05.2015, às fls. 64, com sua impugnação de fls. 64/74, instruída com os documentos de fls. 75/153, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: considera que a fiscalização preferiu promover a Notificação de Lançamento por Edital, mesmo dispondo da informação do seu domicílio e já tendo utilizado o mesmo endereço para intimações anteriores e sendo assim tal fato é inconcebível, gerando nulidade, e cita e transcreve Ementa de Decisão Judicial para embasar sua tese; acentua que a intimação editalícia caracterizase como modalidade extraordinária de intimação, apenas devendo ser aplicada quando comprovado que houve o esgotamento das vias ordinárias, o que exige para tanto prova de que pessoa esteja efetivamente em lugar incerto e desconhecido; destaca que, no caso, tanto o Termo de Intimação Fiscal como o envelope em que foi postado e os pedidos de prorrogação revelam que o Fisco tinha totais condições de dispor do seu endereço para promover a regular notificação do lançamento via postal, bastava verificar no sistema informatizado da RFB o endereço atualizado do contribuinte; entende ser imperioso, diante dos fatos, reconhecer que houve precipitação da Administração, de modo a evidenciar a nulidade da via editalícia, posto que, à míngua de qualquer justificativa, é patente a nulidade do Edital pela falta de prova das razões da frustração da notificação anterior; considera que, além do exposto, a publicação do Edital foi feita na cidade de Riachão das Neves/BA, quando teria que ser realizada em Brasília/DF, que é a circunscrição do seu domicílio; registra que o art. 23, § 4º, I, do Decreto nº 70.235/72 é inequívoco ao dispor que considerase o domicílio tributário o endereço postal por ele fornecido; acentua que, ainda que se legitimasse a intimação pela via do Edital, por eventual frustração da tentativa de intimação pela via postal, esta via apenas seria válida se tivesse sido procedida no domicílio tributário do sujeito passivo; destaca que não pode haver dúvida de que o Fisco tem que adotar por domicílio tributário aquele local constante no cadastro do contribuinte, conforme deixa claro o entendimento do CARF, e transcreve Ementas desse Colegiado, para embasar sua tese, e da mesma forma Ementa de Decisão Judicial, enfatizando que, por isso, deve ser considerada nula de pleno direito a notificação promovida por Edital fora do domicílio fiscal do contribuinte; entende que o ocorrido, no caso, implica em patente violação ao seu direito de defesa, violando o princípio constitucional da ampla defesa e, também, o disposto no art. 2º, VII e X, da Lei nº 9.784/99; enfatiza que o art. 26, § 5º, da Lei nº 9.784/99 dispõe que “as intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais”; considera que a motivação central do Auto de Infração (sic) se ancorou na suposta falta de prestação de esclarecimento pelo contribuinte, o que não pode prevalecer diante do fato de que Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 4 5 a sua notificação para apresentar defesa é nula de pleno direito, por ter sido promovido pela via editalícia e fora do seu domicílio fiscal, sendo de rigor, pois, que se anule o Auto de Infração (sic); entende que houve ilegalidade do Auto de Infração (sic) por erro na determinação da matéria tributável, isso porque foi lavrado um único lançamento fiscal em relação a dois imóveis distintos, tal como se tratasse de um mesmo fato gerador, ou seja, como se fosse um único imóvel supostamente com área de 1.468,4 ha, o que não corresponde à realidade dos fatos; transcreve excerto da “Descrição dos Fatos” e diz ser patente nas declarações que não houve “unificação” de dois imóveis, mesmo porque isso não seria possível, visto tratarse de imóveis de proprietários diferentes e, como visto, a fiscalização tinha ciência de que se trata de dois imóveis distintos; diz que a Fazenda Salto do Lontra e a Fazenda São Joaquim são duas propriedades distintas, cada qual com a sua respectiva matrícula e com proprietários diferentes e que não pode a fiscalização promover o lançamento unificando as duas fazendas como se tratasse de um único imóvel; considera que a Fazenda Três Barras é a antiga denominação da Fazenda Salto do Lontra, que estava matriculada no Cartório de Barreiras e foi posteriormente averbada no Cartório de Riachão das Neves, localizado no município de Riachão das Neves/BA; reitera que a fiscalização lavrou o Auto de Infração (sic) tributando toda a área como se fosse um único imóvel, não levando em consideração que são dois imóveis distintos e com proprietários diferentes; entende que deve ser anulado o Auto de Infração (sic), diante do erro na apuração da matéria tributável, que conduziu ao erro na determinação da alíquota aplicável e, também, da base de cálculo, tornando imprestável o lançamento; diz que o lançamento toma como suporte fático a confusão de dois imóveis distintos, de proprietários distintos, o que o torna imprestável e mesmo que se cogitasse em mantêlo em relação a um dos imóveis, deveria ser ajustado o valor para a realidade do imóvel Fazenda Três Barras, hoje denominada Salto da Lontra; informa que, pelo levantamento constante no Laudo técnicopericial, o imóvel, na verdade, tem área de 285,815 ha (item 2.4 do Laudo anexo – doc. 5) e que foi identificado equívoco no georreferenciamento anterior, conforme explica o Laudo, cujos fundamentos se requer sejam considerados parte integrante da impugnação; entende que deve ser tomada como área total de 285,815 ha, bem como as áreas de preservação permanente e reserva legal apuradas no Laudo; destaca que, sendo a área efetiva do imóvel de 285,815 ha, a alíquota aplicável é de, no máximo, 3,30%, por força de lei (art. 11 da Lei nº 9.393/1996); enfatiza que os VTN arbitrados são absurdos e não correspondem à realidade e diz que em recente pesquisa aos Cartórios de Notas e Registro de Imóveis, não houve sequer uma operação de compra e venda nesse valor/ha, para as terras da região; entende que a fiscalização não demonstrou a configuração de hipótese de arbitramento do valor do imóvel e salienta que o arbitramento da base de cálculo dos Fl. 370DF CARF MF 6 tributos é procedimento previsto no art. 148 do CTN, que dispõe que somente poderá arbitrar ou o preço dos bens em duas hipóteses: (a) se o contribuinte omitir tal informação, ou (b) se demonstrado que a declaração do contribuinte não merece fé; registra que o art. 10, § 1º, I, da Lei nº 9.393/96 especifica, para efeitos de apuração do ITR, como será considerado o VTN e o seu art. 14 não pode ser interpretado em sentido que extravase os limites delineados pelo art. 148 do CTN, posto que o art. 14 não diz que o valor do SIPT passaria a ser considerado como valor mínimo para a base de cálculo; acentua que a subavaliação não pode ser presumida pelo simples fato do valor indicado pelo contribuinte for inferior ao valor do SIPT; diz que o art. 148 do CTN exige que o arbitramento aconteça por meio de um “processo regular”, o que significa que devem ser respeitados o contraditório e a ampla defesa e cita e transcreve ementa de Decisão Judicial para referendar seu argumento; salienta que o arbitramento é medida excepcional cabível em razão da omissão ou da infidelidade do contribuinte e deverá ser realizado em processo administrativo próprio, garantidos o contraditório e a ampla defesa do contribuinte e que no caso concreto não pode ser aplicado, pois não houve omissão alguma por parte do contribuinte; considera que o fato de não ter conseguido apresentar a tempo, para a fiscalização, o Laudo de Avaliação, não configura omissão e nem afasta a idoneidade das informações prestadas; requer, seja pela não configuração das hipóteses de arbitramento ou pela ausência do respectivo processo regular, requer a anulação da exigência fiscal; pelo exposto, requer o reconhecimento da nulidade da notificação feita por Edital em local diferente do seu domicílio, anulandose o Auto de Infração (sic); ou, caso superada a nulidade, requer que seja integralmente cancelada a exigência fiscal, em razão do erro na apuração da matéria tributável, da ilegalidade do arbitramento, bem como em razão do erro na determinação da alíquota; ou, caso não se entenda pela anulação, requer que o ITR seja apurado exclusivamente em relação ao imóvel Fazenda Três Barras (Fazenda Salto da Lontra), tomando como critério os dados constantes no Laudo de Avaliação anexo. Decisão de Primeira Instância A DRJ/BSA considerou o lançamento procedente, conforme se depreende a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2011 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo o contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 5 7 Fiscal (PAF). A intimação feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não é possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL Incabível a redução da área total do imóvel tendo em vista a ausência de documentação hábil para tanto, qual seja, Certidão ou Matrícula do Registro de Imóveis na qual conste, para o imóvel em questão, a retificação da área total. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE RESERVA LEGAL E COBERTA POR FLORESTAS NATIVAS As áreas de preservação permanente, de reserva legal e cobertas por florestas nativas, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), além da averbação tempestiva da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontado no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, atenda a integralidade dos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, e a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Recurso Voluntário Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas alegações são resumidas na referida peça nos seguintes termos: I. é grosseiro o erro da Fiscalização em aglutinar dois imóveis distintos, de proprietários distintos, no mesmo lançamento fiscal, quando a DITR apenas se referia a um único imóvel (doe. 2); e ainda por cima realizando a Fiscalização um segundo lançamento em relação ao mesmo imóvel ! (doe. 3), o que implica na Fl. 372DF CARF MF 8 nulidade da exigência fiscal por falta de segurança na definição da matéria tributável; II. ainda que se cogitasse da manutenção do lançamento fiscal, a área total efetiva do imóvel em questão era de 285,82 hectares, conforme já fazia o Laudo Técnico apresentado nestes autos (fl. 97), e também o Cadastro Ambiental Rural CAR (fl. 153 e doe. 4), bem como o Certificado de Inscrição no Inema CEFIR (fl. 151) sendo que recentemente o imóvel foi objeto de georeferenciamento, já homologado pelo Sigef/Incra sem nenhuma ressalva (doe. 5), por meio do qual se comprova que a verdade material é de que a área tem 286,01 hectares, conforme apurado por instrumentos de alta precisão, o que também já foi objeto de emissão do Certificado CCIR pelo INCRA com efeito inclusive para 2010 (doe. 6) transcrição na Matrícula do Imóvel (doe. 7), também levando o contribuinte a realizar novo levantamento, ajustando o Laudo Técnico para este parâmetro (doe. 8) razão pela qual, por força da verdade dos fatos, tem de ser considerada a área real do imóvel para a apuração do imposto; III. não se pode ignorar que a integralidade da área do imóvel é coberta por floresta nativa que configura a hipótese alínea "e" do art. 10, §1°, II, da Lei n° 9.393/96, para o efeito de apuração do imposto, conforme aferido de forma objetiva e categórica pelo Laudo Técnico; IV. a área de Reserva Legal (RL) é aferida de forma objetiva tanto pelo Laudo Técnico quanto pela inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) a qual já foi, aliás, averbada na matrícula do imóvel , o que tem de ser considerado para fins de apuração do ITR; V. o Laudo Técnico é categórico em demonstrar a existência, dimensão e localização da Área de Preservação Permanente (APP) no imóvel sob fiscalização, de tal modo que recusar sua existência também é recusar a verdade dos fatos; VI. a Medida Provisória n° 2.16667/2001, que incluiu no art. 10 da Lei n° 9.393/96 o parágrafo 7o, não exigia nenhuma comprovação prévia de RL e APP nas declarações apresentadas até o ano de 2012 (quando o dispositivo foi revogado pela Lei n° 12.651/2012), razão pela qual devem ser reconhecidas as áreas de RL e APP conforme demonstra o contribuinte; VII é ilegal o arbitramento da base de cálculo quando ausente o respectivo processo regular para demonstrar a configuração da hipótese de arbitramento do valor do imóvel, de modo que tal ausência macula o lançamento, razão pela qual devese anular a exigência fiscal; VIII. é nula de pleno direito a intimação editalícia quando realizada em local diverso do domicílio do contribuinte constante no cadastro da RFB. Requer, por fim que seja o recurso voluntário provido para que a exigência fiscal seja cancelada a) em razão: do reconhecimento da existência de vício material no lançamento, por erro na determinação da matéria tributável, que conduziu ao erro na determinação da base de cálculo e do montante devido, em flagrante violação aos arts. 142 e 145 do CTN; nulidade do lançamento por ilegalidade no arbitramento da base de cálculo; da nulidade do edital publicado em local diverso do domicílio eleito pelo Contribuinte; Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 6 9 da efetiva existência de RL e de APP conforme aferido de maneira conclusiva por meio de Laudo Técnico b) ou ainda, na hipótese de subsistir o lançamento, seja o ITR apurado sobre o tamanho efetivo do imóvel e que seja considerado o VTN apurado conforme o Laudo Técnico de Avaliação. É o relatório Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Nulidade por Erro na Determinação da Matéria Tributável Sobre esse ponto, o reclamante aduz que “foi lavrado um único lançamento fiscal em relação a dois imóveis distintos, tal como se se tratasse de um mesmo fato gerador e de uma mesma base de cálculo”, ou seja, de um único imóvel supostamente com a área de 1.468,40 ha – o que não corresponderia à realidade dos fatos. Ainda de acordo com a peça recursal, a motivação trazida no Auto de Infração é falsa, pois a DITR/2011 referese a um único imóvel, sem que conste nenhuma agregação de área contígua e que seria impossível realizar esse tipo de anexação, visto que os imóveis rurais pertencem a coproprietário diversos. De acordo com a peça recursal: Conforme se verifica dos autos, a matrícula n° 2854 (fl. 38) trata de imóvel de propriedade de Romildo Sousa Ribeiro, Ueliton Baltasar Caetano e Artur Ribeiro Jarnalo, cuja averbação AV 52854 (fl. 39) informa que o nome da Fazenda é Salto da Lontra. Já a matrícula n° 2855 (fl. 41) tratase de imóvel de propriedade de Ueliton Baltasar Caetano, Selma Resende Jornal e Romildo Sousa Ribeiro, cuja averbação AV2 2855 (fl. 42) informa que o nome da Fazenda é São Joaquim. Segundo informa o recorrente a DITR/2011 não foi por ele apresentada, mas por outro dos coproprietário e apenas com relação a um dos imóveis. Argumenta ainda o sujeito passivo que a DRJ/BSA teria alterado a fundamentação do Auto de Infração. Segundo infere: A motivação do Auto de Infração, como visto, foi de que os imóveis teriam sido unificados na DITR2011, o que, como é patente, é falso. Fl. 374DF CARF MF 10 A DRJ, agora, pretende sustentar o lançamento unificado dos dois imóveis a pretexto de que seriam áreas contíguas de um mesmo proprietário. Examinandose os documentos de fls. 37/43 constatase que o argumento de que os imóveis objeto do lançamento pertenceriam a proprietários diferentes, não se sustenta. Vejase que o recurso voluntário informa que, com relação o imóvel de matrícula n° 2854 figuram com os coproprietários as seguintes pessoas físicas: Romildo Sousa Ribeiro, Ueliton Baltasar Caetano e Artur Ribeiro Jarnalo. Já os coproprietários do imóvel matriculado sob o número 2855 são Ueliton Baltasar Caetano, Selma Resende Jarnalo e Romildo Sousa Ribeiro. Ocorre que as informações insertas no registro R42854 (fl. 38) do imóvel de matrícula nº 2854 dão conta de que Artur Ribeiro Jarnalo e Selma Resende Jarnalo são casados. Confirase: Com isso, em razão da sociedade conjugal, Artur e Selma Jarnalo têm a propriedade em comum de um terço de cada um dos imóveis. E isso pode ser facilmente verificado a partir da averbação efetuada em 15/08/2013 na matrícula de ambos os imóveis, conforme trechos a seguir transcrito, onde Selma Jarnalo figura, em relação a esses dois imóveis, entre os coproprietária (fls. 39 e 42): Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 7 11 Verificase, pois, a improcedência do argumento recursal de que os imóveis rurais em relação aos quais foi realizado o lançamento do tributo pertencem a coproprietários diversos. Sobre a asserção recursal de que os imóveis não seriam contíguos, também não há como conferir razão ao recorrente, pois os dados registrados na matrículas dos dois imóveis são absolutamente claros no sentido de que as propriedades rurais fazem limite entre si. De modo a espancar qualquer dúvida a esse respeito, reproduzo, mais uma vez, trechos das matrículas dos imóveis: Dessarte, ainda que a informação contida na DITR/2011 dissesse respeito a apenas um dos imóveis, como alegado no recurso voluntário, o lançamento deveria ser feito em relação a ambos, em vista dos disposto § 2º do art. 1º da Lei nº 9.393/1996 Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. § 2º Para os efeitos desta Lei, considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município. § 3º O imóvel que pertencer a mais de um município deverá ser enquadrado no município onde fique a sede do imóvel e, se esta não existir, será enquadrado no município onde se localize a maior parte do imóvel. (Grifouse) Do mesmo modo, a assertiva de que a decisão de primeira instância administrativa teria alterado os fundamentos do lançamento não resiste a uma análise, ainda Fl. 376DF CARF MF 12 que superficial, das razões trazidas no Auto de Infração e na decisão de piso. Esclareçase que o Auto de Infração traz como fundamento o inciso I do § 1º do art. 10 e o art. 14 da Lei nº 9.393/1996, ou seja, encontrase pautado no fato de o Valor da Terra Nua – VTN declarado pelo contribuinte para os imóveis de matrícula 2854 e 2855 está em desacordo com o que estabelece a legislação e de que a área dos imóveis (somadas por serem contíguas e terem sido declaradas de forma unificada na DITR/2011) ser maior do que o informado nessa declaração. Asseverese que, em momento algum, a DRJ afastouse de tais fundamentos ao proferir sua decisão. Além do que, tivesse o representante da recorrente analisado de forma mais detida a decisão atacada, perceberia que o argumento trazido pelo Fisco foi inclusive reproduzido na decisão fustigada nos seguintes termos: Quantos às alegações de ilegalidade da autuação porque a fiscalização teria promovido o lançamento unificando duas fazendas (Fazenda Salto do Lontra e a Fazenda São Joaquim) como se tratasse de um único imóvel, afirmando que seriam duas propriedades distintas, cada qual com a sua respectiva Matrícula e com proprietários diferentes, e que a Fazenda Três Barras é a antiga denominação da Fazenda Salto do Lontra, verificase nos autos que elas não procedem, como observou, inclusive, a Autoridade Fiscal, às fls. 155, posto que as Matrículas nº 2854 e nº 2855 referemse a imóveis contínuos, de propriedade do impugnante, com áreas totais, respectivamente de 728,17 ha, às fls. 39, e 740,29 ha, às fls. 42, que perfazem um imóvel, para fins de ITR, de área total de 1.468,4 ha, como apurado corretamente pela fiscalização. Registrese que não foi a fiscalização que unificou os imóveis de propriedade do impugnante, como fazem prova as referidas Matrículas, já que foi o próprio contribuinte que o fez corretamente, com erro apenas na soma da área total, que foi declarada equivocadamente como de 1.330,0 ha. (Grifouse) Ademais, ainda que o recorrente tivesse alguma razão com relação a esse ponto, é absolutamente pacífico na jurisprudência deste Conselho que o julgador não está adstrito às razões invocadas pelas partes, podendo, à luz dos elementos fáticos e da legislação afeta à matéria objeto de litígio, formar livremente sua convicção. Sobre a indicação de que a DITR/2011 fora apresentada não pelo autuado, mas por outro coproprietário dos imóveis relacionados ao Auto de Infração, não vejo em que isso possa interferir no litígio. É que o recorrente e os demais proprietários dos imóveis rurais, por terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador tributo, são solidários entre si. Implica dizer que, independentemente de quem tenha apresentado a DITR/2011, o lançamento pode ser efetuado contra qualquer dos coproprietários, sem benefício de ordem, de conformidade com o art. 124 do CTN, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 8 13 Outra questão apresentada em sede de recurso voluntário é de que também houve lançamento de ITR voltado especificamente para a Fazenda São Joaquim (matrícula 2855), referente ao exercício 2011, o que configuraria bis in idem e macularia o lançamento, reclamando a decretação de sua nulidade. De fato, a autoridade autuante incorreu em equívoco ao formalizar o presente lançamento, além de um outro voltado para um dos imóveis já abragido na presente Notificação de Lançamento. Porém, como visto no início deste tópico, para fim de tributação pelo ITR, o § 2º do art. 1º da Lei nº 9.393/1996 estatui que, para o fim de apuração do ITR, considerase imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras. Desse modo, não há qualquer vício que seja apto a invalidar o presente lançamento. Além disso, como bem sabe o recorrente, a Notificação de Lançamento voltada exclusivamente para a Fazenda São Joaquim (matrícula nº 2855) para o exercício 2011 (Processo nº 10530.725774/201505) foi anulada, pela decisão consubstanciada no Acórdão nº 03072.276, da 1ª Turma da DRJ/BSA, nos seguintes termos: Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, acolhendo a preliminar de nulidade, por duplicidade, do lançamento consubstanciado na Notificação nº 3825/00124/2015 de fls. 03/08, desconsiderandose a exigência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Por essa razão, resta insubsistente a alegação do recorrente quanto a eventual lançamento em duplicidade ou ainda de ofensa a princípios como o da legalidade ou da moralidade administrativa Assim sendo, afasto essa preliminar de nulidade. Intimação Editalícia e a Nulidade do Edital Publicado em Local Diverso do Domicílio do Contribuinte A despeito de toda a cantilena apresentada no apelo recursal, de que a notificação feita por edital seria nula, o que implicaria a nulidade do Auto de Infração, e de que a “Administração dispondo da informação do domicílio do contribuinte – e já tendo utilizado este mesmo endereço para notificações anteriores –, preferiu promover a Notificação de Lançamento por edital”, o fato é que tais alegações não encontram suporte na verdade dos autos. É que, diferentemente do se aduz no apelo, foram feitas três tentativas de entrega da notificação de lançamento no endereço informado para tal pelo contribuinte, conforme se depreende do Aviso de Recebimento de fl. 11, que a seguir se reproduz: Fl. 378DF CARF MF 14 Por outro lado, como restou esclarecido na decisão a quo, o parágrafo único do art. 4º da Lei nº 9.393/1996 é taxativo no que diz respeito a domicílio tributário em se tratando de ITR, apontando ser esse o município de localização do imóvel. Confirase: Art. 4º [...] Parágrafo único. O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer outro. Em virtude disso, carece de razão a alegação trazida em sede de recurso quanto à nulidade do edital que deu ciência ao recorrente do lançamento fiscal. Além do mais, o recorrente apresentou impugnação tempestiva, defendendo se de todos fatos arrolados na autuação. Desta feita, ainda que se verificasse qualquer irregularidade no procedimento de notificação, temse que a apresentação da peça impugnatória supriria eventuais nulidades da citação, a teor do § 1º do art. 239 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal: Art. 239. Para a validade do processo é indispensável a citação do réu ou do executado, ressalvadas as hipóteses de indeferimento da petição inicial ou de improcedência liminar do pedido. § 1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução. Quanto as decisões administrativas e judiciais acostadas aos autos, essas, além de não vincularem o julgador administrativo, retratam contextos fáticos diversos do ora analisado. Desse modo, acolho os argumentos suscitados na decisão de piso, adotando os como razão de decidir, o que impõe o afastamento da presente preliminar. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 9 15 Erro da Área Tributável Outra questão aventada no recurso é que o laudo inicialmente apresentado atestaria ser a área total do imóvel de 285,82 ha. Inferese ainda que, “conforme aferido em georeferenciamento por meio de instrumentos de alta precisão, verificouse que a área real do imóvel é de 286,0077 ha”. Referido georeferenciamento, informa, encontrase homologado pelo Incra/Sigef e registrado na matrícula do Imóvel, tendo ainda demandado a atualização do laudo técnico, acosta às fls. 242/301. De início, importa rememorar que o lançamento em questão se reporta a dois imóveis rurais contíguos, matriculados no Registro de Imóveis sob os números 2854 e 2855. Contudo, as informações aferidas no georeferenciamento e reproduzidas no novo laudo apresentado fazem referência somente ao imóvel de matrícula 2854, denominado atualmente “Fazenda Salta da Lontra”, onde foi gravada a informação acerca da área aferida, de acordo com o documento de fls. 237/241 (Av62854). Asseverese que não houve qualquer alteração nos registros da fazenda São Joaquim (matrícula nº 2855), cuja área totaliza 740,2988 ha. De outra parte, não cabe ao julgador administrativo retificar a área do imóvel rural registrada na DITR do contribuinte, tal providência deveria ter sido adotada pelo próprio sujeito passivo e antes da perda da espontaneidade em razão do início do procedimento fiscal. Não obstante, mesmo tendo sido apresentados somente por ocasião do recurso voluntário, como os documentos trazidos aos autos, inclusive com o registro efetuado no cartório competente, reduzindo a área total de um dos imóveis abragidos na autuação, decorreu de manifestação contida no acórdão recorrido, entendo pela possibilidade de restabelecer a informação contida na DITR/2011, reduzindo a área total dos imóveis para 1330 ha. Sobre a alíquota aplicável, para a área aqui considerada, essa permanece em 8,60%, de conformidade com o Anexo à Lei nº 9.393/1996, não cabendo atender a solicitação do recorrente, de redução para 3,30%. Áreas Não Tributáveis pelo ITR O sujeito passivo apresenta diversas considerações a respeito de áreas de floresta nativa (área de interesse ecológico), reserva legal e de preservação permanente que, no seu entender, deveriam ser excluídas do cômputo da área tributável. Cabe esclarecer, de início, que não foram informadas quaisquer dessas áreas quando da apresentação da DITR/2011, consoante se pode observar do quadro extraído da Notificação de Lançamento, denominado “Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha)”, de fl. 6: Fl. 380DF CARF MF 16 Desta feita, o lançamento está fundado exclusivamente no fato de a DITR/2011 do contribuinte apresentar área inferior à incluída nas matrículas dos imóveis e de o VTN mostrarse subavaliado. Vejase que questões relacionadas a áreas não tributáveis não têm nenhuma relação com o lançamento e, consequentemente, não seriam objeto de litígio e não deveriam, no meu entender, sequer ter sido conhecidas pela DRJ. Contudo, como o acórdão recorrido traz considerações a esse respeito, entendo que tais matérias também devem ser debatidas pela segunda instância de julgamento administrativo. A respeito desse assunto, o caput e o § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, na redação vigente à época do fato gerador, estabelecem: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) [...] Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 10 17 § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Grifouse) No apelo recursal asseverase que o § 7º art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, com as alterações promovidas pela Medida Provisória nº 2.16667/ 2001, teria dispensado qualquer comprovação prévia para fins de sua exclusão de áreas ambientais, como APP e ARL, da tributação pelo ITR. Entretanto, dito dispositivo legal não teve tal escopo, visando tãosomente sedimentar a alteração da modalidade de lançamento anterior do ITR (por declaração, conforme a Lei nº 8.847/1994) para lançamento por homologação. Assim, a dispensa de comprovação prévia nada tem a ver com dispensa de ADA ou de averbação, e sim com a sistemática de lançamento, igualandoo à modalidade dos demais tributos administrados pela Receita Federal. De mais a mais, as disposições acima destacadas deixam claro que, independentemente de comprovação prévia, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas cobertas por florestas nativas, estão excluídas da tributação pelo ITR. Nada obstante, a partir do exercício 2001, com a inclusão do art. 17O na Lei nº 6.938/1981, para se beneficiar das isenções previstas no § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, fazse necessário, via de regra, a informação tempestiva das áreas respectivas ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por meio do ADA, nos prazos definidos na legislação. Vejamos o teor do dispositivo: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (Grifouse) [...] A seguir, serão analisadas se áreas em questão podem ou não ser excluídas da tributação. Área de Floresta Nativa e Área de Preservação Permanente (APP) Segundo já se esclareceu, não foram especificadas na DITR/2011 áreas suscetíveis de exclusão da área tributável, em particular “áreas ambientais de preservação permanente” e “áreas de florestas nativas”, fato evidenciado no quadro “Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha)”, reproduzido alhures. Ainda assim, à luz dos normativos Fl. 382DF CARF MF 18 acima referenciados, a decisão de primeira instância administrativa realizou um minucioso exame acerca da postulação dessas áreas (requeridas somente na fase contenciosa), com fundamento em Laudo Técnico e Cadastro Ambiental Rural apresentado pelo contribuinte, relativo a apenas um dos imóveis abrangidos no lançamento. Referida decisão foi expressa quanto à não comprovação do cumprimento da exigência legalmente prevista para justificar a exclusão APP e da área de floresta nativa do cálculo do ITR/2011. Porém, o recorrente insiste na tese de que o laudo técnico seria suficiente para comprovar a existência das indigitadas áreas, sendo desnecessária a apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA para sua exclusão da área total tributável do imóvel. Portanto, neste ponto, a discussão gira em torno da possibilidade de, em sede de recurso voluntário, admitir a exclusão da área tributável pelo ITR no exercício de 2011 aquelas descritas como APP área coberta por floresta nativa, com base nos documentos acostados aos autos, quais sejam: Cadastro Ambiental Rural – CAR (fls. 228/230); Certificado do georeferencimento (fls. 231/234); Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR (fl. 235); Matrícula atualizada do Imóvel (fls. 237/241); e Laudo Técnico atualizado (fls. 242/301). Convém reiterar que, conquanto inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei n° 10.165/2000, e a respectiva alteração do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981, o gozo benefício fiscal ficou condicionado à entrega dessa declaração. Apercebase que, como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, esta foi fixado em 1º de janeiro de cada ano (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), resta claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação da APP, bem assim da área de floresta nativa, quando for o caso, em referida data. Nessa perspectiva, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias consubstanciada na entrega do ADA, especificou para tanto o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR. Nada obstante, a jurisprudência consolidada no âmbito desse Conselho é no sentido de aceitar o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Senão vejamos decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 11 19 admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA foi apresentado em 21/12/2007, assim, após o início da ação fiscal, ocorrido em 04/10/2007. Destarte, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR. (Acórdão nº 9202005.679, de 27/07/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] APP ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. GLOSA. ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL TEMPESTIVO. Cabível o acolhimento de Área Preservação Permanente cujo ADA foi protocolado antes do início da ação fiscal. [...]. (Acórdão nº 9202005.606, de 29/06/2017) (Grifouse) Temse ainda, com relação a APP e área de florestas nativas, dentre outras, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. (Acórdão nº 9202005.598, de 29/07/2017) (Grifouse) Asseverese a jurisprudência administrativa colacionada pelo recorrente a esse respeito, além de não vincular o julgador administrativo, traz entendimento semelhante do aqui esposado, não o acudindo em suas pretensões recursais. No caso concreto, a despeito do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938/1981, que condiciona a exclusão da APP e das áreas cobertas por vegetação nativa à apresentação de ADA com informações a seu respeito, e da jurisprudência pacífica no âmbito deste Conselho quanto à necessidade de que, para o fim de gozo do benefício fiscal, o Ato Declaratório tenha sido protocolado no órgão ambiental competente até o início da ação fiscal, não se tem notícias sobre a existência de tal documento. Em virtude das considerações encimadas, e tendo em vista a não apresentação de ADA até o presente momento, nego provimento ao recurso em relação à APP e áreas de florestas nativas. Fl. 384DF CARF MF 20 Área de Reserva Legal (ARL) A respeito desse tema, impende ressaltar que, consoante § 8º do art. 16 do antigo Código Florestal (vigente à época da ocorrência do fato gerador), há requisito específico quanto a exclusão da ARL na determinação do valor do ITR, qual seja, a averbação no registro de imóveis competente. Confirase: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código.(Grifouse) De se esclarecer que, diferentemente da APP, a Reserva Legal não se trata de área préexistente, ao revés disso, consiste em um percentual legalmente estabelecido do imóvel rural cuja localização é sugerida pelo seu proprietário e aprovada pelo órgão ambiental competente. Vejase que, até que seja averbada no registro competente, a ARL sequer pode ser tida como existente, ou seja, somente após a efetiva averbação é que determinada área pode ser considerada, de fato, como Reserva Legal. Portanto, a averbação é ato constitutivo em relação à ARL e, tendo sido efetuada antes da ocorrência do fato gerador do ITR, supre, no meu entender, a necessidade de apresentação de ADA. Ademais, é também nesse sentido que a jurisprudência administrativa tem se consolidado. Vejase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 [...] ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. ATO CONSTITUTIVO. A averbação da Área de Reserva Legal à margem da matrícula do imóvel, antes da ocorrência do fato gerador, autoriza a sua exclusão da tributação do ITR, independentemente do protocolo do ADA. (Acórdão nº 9202005.606, de 29/06/2017) (Grifouse) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Anocalendário: 2003 [...] ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 12 21 NECESSIDADE. APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ADA. DISPENSÁVEL. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, basta sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, sendo dispensável a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA. No caso, a averbação ocorreu antes da ocorrência do fato gerador, assim, não é de se manter a glosa. (Acórdão nº 9202 006.824, de 19/04/2018) (Grifouse) Sobre asserção trazida no apelo do sujeito passivo de que “de que já consta averbada na matrícula do imóvel a alteração da área total da Fazenda Salto da Lontra para 286,0077 ha”, talvez o representante do recorrente ainda não tenha conseguido compreender, mas não é qualquer registro que está apto a excluir a Reserva Legal da área tributável do imóvel. Somente quando o registro atesta que determinada área tratase efetivamente de ARL é que essa área pode ser considerada como tal. Não é necessário grande esforço interpretativo para se concluir que a averbação referenciada no recurso (Av62854 – fl. 240) não faz referência a ARL. Uma leitura, mesmo que perfunctória, de citado registro leva qualquer um a essa compreensão. Referida averbação prestase tãosomente a ajustar a área total do imóvel. Ainda que se estivesse diante da averbação de ARL, o registro foi efetuado somente em relação a um dos imóveis envolvidos na autuação e apenas em 12 de janeiro de 2016, ou seja, muito depois de ocorrido o fato gerador da exação. Implica dizer que mesmo que se tratasse de registro de ARL, com base na legislação de regência e na jurisprudência do CARF, a averbação não teria o condão de suplantar o lançamento, posto que o fato gerador do imposto ocorreu em 1º de janeiro de 2011. O mesmo se pode dizer do registro efetuado Cadastro Ambiental Rural – CAR que, além de não atestar a existência de ARL, reportase a fato ocorrido em data posterior à de surgimento da exigência fiscal. Neste ponto, cabe esclarecer, por oportuno, que uma norma publicada em 2012 (como é o caso da Lei nº 12.651/2012 que possibilita a substituição do registro da ARL na matrícula do imóvel pela informação prestada no CAR) não retroage para alcançar fatos ocorridos em 2011 como devaneia o recorrente. Dito isso, nego provimento ao apelo também neste ponto. Ilegalidade do Arbitramento da Base de Cálculo Recalcitrase o apelante em razão de, no seu entender, a DRJ/BSA ter desconsiderado o VTN apresentado no laudo técnico sob o fundamento de que tal valor seria superior ao que foi arbitrado pela Autoridade Fiscal. Segundo infere, “o VTN/ha arbitrado pela fiscalização somente foi inferior ao VTN/ha demonstrado no Laudo pois baseouse em uma área surreal de 1.468,4 ha”, mas que a área do imóvel é de 286,0077 ha. Reitera que o VTN por hectare corresponde a R$ 1.332,93, de acordo com o a laudo técnico. Adverte que, com base no art. 148 do CTN, “o Fisco somente poderá arbitrar o valor ou o preço dos bens em duas hipóteses: (a) se o contribuinte omitir tal informação, ou (b) se demonstrado que a declaração do contribuinte não merece fé” e que a autoridade autuante “não logrou demonstrar a configuração de hipótese de arbitramento do valor do imóvel”. Fl. 386DF CARF MF 22 Segundo afirma: “Não se pode aplicar no caso concreto o arbitramento, pois não houve omissão alguma por parte do contribuinte”. Consigna que o fato de não ter conseguido apresentar a tempo, para a Fiscalização, o laudo de avaliação, não configura omissão nem afasta a idoneidade das informações prestadas. Inicialmente, cumpre evidenciar que o apelo em exame não faz oposição ao Valor da Terra Nua por hectare (VTN/ha) aferido pelo Fisco, até porque, como muito bem evidenciado na decisão vergastada, a Fiscalização considerou que o VTN/ha equivaleria a R$ 1.307,50 e o valor estabelecido nos laudos técnicos foi superior, ou seja, R$ 1.332,93. Esclareçase que o Sistema de Preços de Terras – SIPT, utilizado pelo Fisco para o cálculo do tributo, fornece o VTN por hectare, ou seja, as ruidosas inferências ostentadas pelo recorrente de que o dispositivo legal a respeito desse tema “não diz que o valor do sistema de preços passaria a ser considerado como o valor mínimo para a base de cálculo” não têm nenhuma razão de ser, pois, em hipótese alguma lhe favorecem. Além do mais, restou fartamente esclarecido em tópico específico que, em razão do disposto no art. 1º da Lei nº 9.393/1996, para o fim de incidência de ITR, “considera se imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona rural do município”. Do mesmo modo, tendo em conta que os imóveis registrados sob as matrículas 2804 (Fazenda Salto da Lontra) e 2805 (Fazenda São Joaquim) são contíguos e pertencem aos mesmos coproprietários (o que também já se atestou em item próprio deste voto), o que deve ser considerado para fins de incidência do imposto é o somatório das áreas dos dois imóveis, consoante declarado na DITR/2011, que corresponde a 1.330,0 ha e não de 286,0077 ha (área somente da Fazenda Salto da Lontra, de conformidade com o laudo apresentado conjuntamente com o recurso voluntário). No que respeita as asserções exibidas pelo sujeito passivo de que o arbitramento do VTN não encontraria amparo na legislação de regência, os documentos acostados aos autos, inclusive os laudos técnicos trazidos na impugnação e no recurso voluntário, demonstram exatamente o contrário. Restou patente nos autos que sujeito passivo, de forma absolutamente deliberada, e com o fim específico de reduzir o valor do tributo devido, ao arrepio das normas que disciplinam a matéria, declarou que o imóvel de sua propriedade valia R$ 0,00. O Documento de Informação e Apuração do ITR, integrante da DITR/2011 (fl. 218) registra esse fato: Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10530.727171/201459 Acórdão n.º 2402006.514 S2C4T2 Fl. 13 23 Verificase, portanto, que a informação prestada na DITR/2011 não tem credibilidade alguma. Aliás, reiterese, os próprios laudos técnicos apresentados pelo recorrente corroboram a tese de que o sujeito passivo, ao incluir tal informação na declaração do imposto, laborou no intuito de dissimular o valor do tributo visto que tais documentos atribuíram R$ 1.332,93 a cada a cada hectare de um dos imóveis em questão, e não R$ 0,00 como consta da declaração. Não restam dúvidas de que o comportamento reprovável adotado pelo contribuinte justificou o arbitramento levado a efeito pelo Fisco, o qual está em absoluta consonância com o art. 148 do CTN, a seguir transcrito: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. O caput e o § 2º do art. 8º da Lei nº 9.393/1996, impõem ao contribuinte o dever de entregar o Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT anualmente, declarando VTN que deve refletir o preço de mercado das terras: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. (Grifouse) Por seu turno, a falta da declaração ou a subavaliação dos valores constantes da declaração, mediante informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, como se verificou no presente caso, dão ensejo à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constante do SIPT, consoante expressamente previsto no art. 14 da mesma lei: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, Fl. 388DF CARF MF 24 de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. (Grifou se) Verificase, pois, estar correto o procedimento adotado pelo Fisco, visto que em absoluta consonância com a legislação que rege a matéria, razão pela qual não acolho as pretensões recursais neste ponto. CONCLUSÃO Por todo o exposto voto por afastar as preliminares e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário exclusivamente para reduzir a área aproveitável do imóvel rural para 1330,0 ha. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 389DF CARF MF
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