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Numero do processo: 10183.720441/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra exigido pelo artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c a redação original do artigo 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 1993.
Numero da decisão: 2201-002.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Reserva Legal de 8.381,2 hectares e o VTN-Valor da Terra Nua declarado. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que apenas admitiu o VTN de R$ 2.850.000,00.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUSTAVO LIAN HADDAD - Redator ad hoc
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (Suplente convocado), Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado), Nathália Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
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A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados nas DITR de outros contribuintes, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra exigido pelo artigo 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c a redação original do artigo 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 1993. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a Área de Reserva Legal de 8.381,2 hectares e o VTN Valor da Terra Nua declarado. Vencida a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que apenas admitiu o VTN de R$ 2.850.000,00. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Redator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 41 /2 00 7- 69 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior (Suplente convocado), Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Walter Reinaldo Falcão Lima (Suplente convocado), Nathália Mesquita Ceia, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada Notificação de Lançamento objetivando a exigência de imposto territorial rural do exercício de 2004, em decorrência da glosa do valor declarado a título de Área de Preservação Permanente, bem como arbitramento do Valor da Terra Nua. Cientificado do lançamento em 20/12/2007 (AR de fl. 43) o contribuinte apresentou, em 17/01/2008, a impugnação de fls. 113/117, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instância: “4. QUANTO À ÁREA DE PRESERVAÇAO PERMANENTE e ÁREA DE RESERVA LEGAL: 4.1. O contribuinte comprovou a área de preservação permanente pois juntou o Laudo Técnico de Avaliação de Recursos Naturais e Terra Nua, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo, ART e ADA; 4.2. O ADA possui informações convergentes com a DITR. O ADA foi entregue em 31/10/2000. Os dados do ADA são perfeitamente compatíveis com o Laudo. Mesmo que não se aceite os valores do Laudo, deveria prevalecer os valores constantes do ADA, convergentes com a DITR; 4.3. A responsabilidade pelas questões ambientais são do Estado de Mato Grosso, através da SEMA e não dos órgãos federais; 4.4. Não se pode admitir que a autoridade lançadora considere inexistente á área de preservação permanente e a área de utilização limitada em uma fazenda encravada no Pantanal Matorossense de forma aleatória, sem ter recebido visita in lovo dos Auditores Fiscais; 4.5. A decisão foi fruto de decisão absoluta e sem estar amparada em elemento fático; 4.6. QUANTO AO VALOR DA TERRA NUA: 4.6.1. Mesmo desprezando o laudo técnico, não se pode olvidar que o valor constante do ADA é merecedor de fé, não podendo assim ser desprezado.” A 4ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: Fl. 245DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720441/200769 Acórdão n.º 2201002.270 S2C2T1 Fl. 245 3 “DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para comprovação da área de preservação permanente, há a necessidade de apresentação de laudo específico que comprove as áreas, com sua discriminação, localização, características e enquadramento legal. Não pode ser aceito laudo genérico. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. PANTANAL. INUNDAÇÕES SISTEMÁTICAS. Os imóveis que sofrem inundações sistemáticas, situados no Pantanal, devem ser declarados normalmente. DO VALOR DA TERRA NUA Não tendo o laudo apresentado cumprido os requisitos da Norma Técnica correspondente, é lícito o lançamento efetuado com atribuição do valor da terra nua com dados obtidos pelo Banco de Dados da Receita Federal (SIPT).” Cientificado da decisão de primeira instância em 18/02/2010, conforme AR de fl. 138, e com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em 22/03/2010, o Recurso Voluntário de fls. 143/169, questionando o arbitramento do VTN com base no SIPT, bem como contestando a glosa da Área de Preservação Permanente. O Recurso Voluntário foi conhecido e colocado em pauta de julgamento. Entretanto, o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo Acórdão do Recurso Voluntário, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad – Relator ad hoc O presente processo tem como objeto a cobrança de Imposto Territorial Rural – ITR, relativo ao exercício de 2004, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Acori”, localizado no município de Barão do Melgaço/MT. O Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte questiona a glosa da área de Preservação Permanente e o arbitramento do VTN com base no SIPT. Área de Preservação Permanente O lançamento decorre da não comprovação pelo Recorrente dos valores declarados a título de APP. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Já me manifestei em diversas oportunidades no sentido de que o ADA é meio de prova, mas não exclusivo, à comprovação do direito à exclusão da área tributável sujeita ao ITR. Referido entendimento decorre do disposto no artigo 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/96, modificado originalmente pela Medida Provisória nº 1.95650, de Maio de 2000 e convalidado pela Medida Provisória nº 2.16667/2001, segundo o qual basta a declaração do contribuinte quanto à existência de área de exclusão, para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade, in verbis: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis.” A suposta obrigatoriedade do ADA estaria prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima verificase que o § 1º do art. 17 O acima instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, dependa do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorra diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. A finalidade precípua do ADA foi a instituição de Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720441/200769 Acórdão n.º 2201002.270 S2C2T1 Fl. 246 5 Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art. 2º e 16 da Lei n.4.771/65, da base de cálculo do ITR. Para fins de comprovação das áreas de preservação permanente o contribuinte apresentou o Laudo Técnico de Avaliação de Recursos Naturais e de Terra Nua (fls. 47/97), assim como o Laudo Técnico Complementar (173/226), este último apresentado juntamente com seu recurso voluntário. Tais documentos, a meu ver, não preenchem os requisitos necessários para comprovar a existência da área de proteção permanente informada pelo contribuinte em sua DITR. O Laudo Técnico de Avaliação de Recursos Naturais e de Terra Nua (fls. 47/97) tem como objetivo a “avaliação do imóvel rural para fins de fixação de Valor da Terra Nua” (fls. 51), não se prestando, portanto, para comprovar a existência de áreas de preservação permanente. Referido laudo se limita a informar o valor da APP, deixando de detalhar/identificar tais áreas. O Laudo Técnico Complementar, por sua vez, deixou de vincular claramente as áreas de preservação permanente às hipóteses previstas na legislação ambiental (ie. margens de rios, nascentes, encostas, etc), demonstrando o montante das respectivas áreas de preservação permanente. Ante à ausência de tais elementos entendo que não deve ser aceita exclusão da área tributável a título de área de preservação permanente. Arbitramento do VTN O Recorrente questiona, ainda, o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal trazendo aos autos laudo técnico com o valor do VTN utilizado. Restou comprovado nos autos, no entanto, que a RFB não obteve junto aos órgãos competentes as informações previstas em lei como necessárias sobre preços de terras para alimentar o SIPT. De fato, conforme se verifica da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 03/04), a D. Autoridade Fiscal reconhece que utilizou como parâmetro a média dos VTNs declarados por contribuintes do município de localização do imóvel rural, in verbis: “6. Do Arbitramento do Valor da Terra Nua VTN: Para o município do imóvel rural em questão, apesar de solicitado às Secretarias de Agricultura Estadual e Municipal informações sobre o VTN para serem levados em consideração no estabelecimento do SIPT, não obtivemos resposta. Na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, nem pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando e a competência legal para a instituição do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, a Receita Federal do Brasil disporá, para fins de Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 lançamento de oficio do ITR, do preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) pelo conjunto dos próprios contribuintes dos imóveis localizados em cada município. Assim, os valores instituídos pela RFB para o SIPT,, conforme Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, com valores evidenciados abaixo, extratos do SIPT encontramse no processo de autuação. O VTN arbitrado é a média dos VTN declarados pelos contribuintes do município de localização do imóvel rural. VTN=138,32.” Tal constatação pode ser verificada também na tela do SIPT juntada aos autos pela D. Autoridade Fiscal (fls. 11) na qual está consignado que “NÃO EXISTE VTN PARA O EXERCÍCIO/MUNICÍPIO INFORMADOS”. Ocorre que o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza, no caso de subavaliação, o arbitramento do VTN, assim estabelece: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.720441/200769 Acórdão n.º 2201002.270 S2C2T1 Fl. 247 7 avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” O arbitramento do valor da terra nua, expediente legítimo, nos art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo, deve observar os parâmetros previstos pelo legislador e acima referidos, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente na média de VTN declarados por outros contribuintes, cuja utilização não atende às exigências legais. Transcrevo abaixo trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 220200.722, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto, in verbis: “Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Assim entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pelo Recorrente. Considerando o exposto acima a conclusão do presente voto é no sentido de conhecer o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer o VTN Valor da Terra Nua nos termos como declarado pelo contribuinte. O recurso voluntário foi conhecido e julgado por este E. Colegiado tendo como relator o I. Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe e, nos termos da ata do julgamento ocorrido em 16/10/2013, foi dado parcial provimento ao recurso “para restabelecer a Área de Reserva Legal de 8.381,2 hectares e o VTNValor da Terra Nua declarado”. Com a renúncia do I. Conselheiro Relator ao seu mandato sem formalizar o acórdão fui designado como Relator ad hoc nos termos do art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 2009) e, ao examinar os autos verifiquei que a área de reserva legal declarada pelo contribuinte em sua DITR/2004 não foi objeto de glosa pela autoridade fiscal. Logo, a parte dispositiva do presente acórdão é contraditória com o voto, razão pela qual serão opostos Embargos de Declaração em apartado. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator ad hoc (Despacho de fl. 243) Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13811.003338/99-70
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1995
PIS - PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 9900-000.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, para reconhecer a prescrição do direito à repetição de indébito pertinente a pagamentos relativos a fatos geradores ocorridos até novembro de 1989, inclusive.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo..
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, para reconhecer a prescrição do direito à repetição de indébito pertinente a pagamentos relativos a fatos geradores ocorridos até novembro de 1989, inclusive. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Cortez, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 33 38 /9 9- 70 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo.. Relatório Tratase de recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional contra acórdão da então Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso especial apresentado pela PGFN, cuja decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO 0 prazo de decadência/prescrição para se requerer restituição/compensação de valores referentes a indébitos referentes à legislação em que, em sede de controle incidental, o STF declarou inconstitucional, começa a fluir para todos os contribuintes a partir do momento em que a decisão do Excelso Tribunal passou a ter efeitos erga omnes, in casu, 10 de outubro de 1995, data de publicação da resolução do Senado da República que suspendeu o dispositivo inquinado de inconstitucionalidade. Recurso Especial do Procurador Negado. Em seu extraordinário, a PGFN pede para que o termo inicial da contagem do prazo extintivo do direito à repetição do indébito seja contado a partir da data do pagamento indevido, e, com isso. pretende ver reconhecida a prescrição do direito à restituição pleiteada pelo sujeito passivo. O extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do Despacho nº 910000.639, fls. 338/339. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. o Colegiado recorrido afastou a prescrição, sob Fl. 452DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.003338/9970 Acórdão n.º 9900000.929 CSRFPL Fl. 452 3 entendimento de que o prazo para postular a repetição de indébito relativo ao PIS pago a maior com base nos DecretosLeis 2.445 e 2449, ambos de 1988, é de 5 anos contados a partir da Resolução do Senado nº 49, de 10/10/1995. Em seu recurso extraordinário, a Fazenda Nacional pede a aplicação do prazo quinquenal, previsto no art. 168 do CTN, cujo termo inicial seria a data do pagamento indevido, conforme interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A seu turno, o sujeito passivo, em contrarrazões, defende a manutenção da decisão recorrida. Analisando os autos, verificase que a compensação pertine a créditos de PIS referentes a pagamentos efetuados com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Como dito linhas acima, a controvérsia que subiu para exame deste Colegiado cingese, tãosomente, à questão do prazo extintivo do direito à repetição dos alegados indébitos que teriam decorridos de pagamentos efetuados a maior em relação a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre outubro de 1989 e setembro de 1995. O pedido de compensação foi protocolado em 22 de dezembro de 1999. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Fl. 454DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13811.003338/9970 Acórdão n.º 9900000.929 CSRFPL Fl. 453 5 Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob o RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora. Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005, com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é, com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF, por conseguinte, deve todos os demais tribunais e órgãos administrativos observarem suas decisões. De outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, concluise que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, temse que os créditos relativos a fato geradores ocorridos até novembro de 1989, inclusive, na data em que apresentado o pedido de repetição, 22 de dezembro de 1999, encontravamse prescritos. Os créditos relativos a dezembro de 1989, cujo fato gerador ocorreu no último dia desse mês, não foram alcançados pela prescrição, pois, nessa data, ainda não havia ocorrido o exaurimento do prazo decenal da prescrição. Os valores referentes a fatos geradores ocorridos posteriormente, por óbvio, também não prescreveram. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional, para reconhecer a prescrição do direito à repetição dos indébitos pertinente a fatos geradores ocorridos até novembro de 1989, inclusive. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 455DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13555.000232/2006-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRODUTOR RURAL. EXCLUSIVA ATIVIDADE RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECÍFICO.
Os contribuintes que, comprovadamente, exercem exclusivamente atividades rurais, estão submetidos à regime de tributação especial/específico, contemplado pela Lei nº 8.023/1990, impondo a compatibilização desta norma com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, a propósito da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, limitando-se, assim, a base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apurada, nos precisos termos do artigo 5o da lei especifica retromencionada.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por dar provimento em parte ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM:02/02/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRODUTOR RURAL. EXCLUSIVA ATIVIDADE RURAL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL/ESPECÍFICO. Os contribuintes que, comprovadamente, exercem exclusivamente atividades rurais, estão submetidos à regime de tributação especial/específico, contemplado pela Lei nº 8.023/1990, impondo a compatibilização desta norma com o disposto no artigo 42 da Lei nº 9.430, a propósito da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, limitandose, assim, a base de cálculo a 20% (vinte por cento) da omissão apurada, nos precisos termos do artigo 5o da lei especifica retromencionada. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os menbros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votaram por dar provimento em parte ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 5. 00 02 32 /2 00 6- 37 Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM:02/02/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório WALDOMIRO MUNIZ COUTINHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 13/09/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, bem como da atividade rural, em relação ao anocalendário 2000 a 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 04/16, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, consubstanciada no Acórdão nº 1513.804/2007, às fls. 1.441/1.444, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara, em 16/06/2010, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 220200.564, sintetizados na seguinte ementa: “IRPF RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL O lançamento relativo à omissão decorrentes de rendimentos da atividade rural fica limitado a 20% da receita relativa a tal atividade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Entretanto, se o contribuinte somente declara rendimentos provenientes da atividade rural e o Fisco não prova que a omissão de rendimentos apurada tem origem em outra atividade, Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13555.000232/200637 Acórdão n.º 9202003.554 CSRFT2 Fl. 167 3 não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação normal, sendo que nestes casos o valor a ser tributado deverá se limitar a vinte por cento da omissão apurada. Recurso parcialmente provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 1.474/1.480, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 10246.647, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Acrescenta que o decisum combatido, além de malferir os preceitos contidos no decisório paradigma, contrariou, igualmente, o artigo 42, § 2o, da Lei nº 9.430/1996, o qual determina que apenas os depósitos bancários de origem comprovada devem ser submetidos à tributação específica, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada a contrariedade à lei argüida. Sustenta que o ponto nodal da presente demanda centrase em determinar se aos depósitos bancários, cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, pode ser aplicada a tributação especial da atividade rural. Em defesa de sua pretensão, infere que a presunção legal inserida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, inverte o ônus da prova e somente será afastada na hipótese do contribuinte, mediante documentação hábil e idônea, comprovar a origem dos depósitos bancários, o que não se vislumbra no presente caso. Alega que, inobstante a legislação de regência determinar que o produtor rural desprovido de escrituração regular será submetido a tributação via arbitramento no limite máximo de vinte por cento, não se pode confundir os dispositivos legais que regulamentam a matéria, uma vez que o § 2o, do artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, em momento algum estabelece que os depósitos tidos como não comprovados, como é o caso dos autos, foram abrangidos ou mencionados pela norma. Nesse sentido, defende que somente os depósitos bancários de origem comprovada podem ser submetidos à tributação específica da atividade rural, com base no arbitramento da receita bruta. Já os depósitos cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte, deverão ser tributados normalmente, como simples caso de omissão de rendimentos, conforme circunstanciadamente demonstrado no voto vencido. Contrapõese ao Acórdão guerreado, aduzindo para tanto que não se pode admitir a conclusão levada a efeito pela Turma, ao determinar a tributação especial da atividade rural dos depósitos bancários que não tiveram sua origem comprovada pelo recorrido, ao arrepio da lei e das provas carreadas aos autos. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF a propósito da mesma matéria, conforme Despacho n° 220000.440/2011, às fls. 1.502/1.507. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 1.511/1.518, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF a divergência suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, em virtude da omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos bancários realizados em conta de sua titularidade, senão vejamos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. [...]” Afora a vasta discussão a respeito do tema, o certo é que após a edição do Diploma legal encimado, especialmente em seu artigo 42, a movimentação bancária dos contribuintes, pessoa física ou jurídica, passou a ser presumidamente considerada omissão de rendimentos ou de receitas se aqueles não comprovassem a origem dos recursos transitados em suas contas correntes. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13555.000232/200637 Acórdão n.º 9202003.554 CSRFT2 Fl. 168 5 Na hipótese dos autos, a Câmara recorrida achou por bem rechaçar parcialmente a pretensão fiscal, sob alegação de que as pessoas físicas que exercem exclusivamente atividades rurais se submetem à tributação específica e diferenciada, razão pela qual o Acórdão guerreado alterou a base de cálculo do tributo devido, limitandoa a 20 % (vinte por cento) da omissão apurada, nos termos do artigo 5º da Lei nº 8.023/1990, in verbis: “Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no ano base. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do art. 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase.” Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida pelo Acórdão nº 10246.647, bem como os preceitos contidos no artigo 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96, o qual determina que somente nos casos de comprovação da origem dos depósitos bancários é que poderá ser levada a efeito tributação específica contemplada na legislação de regência vigente à época da ocorrência do fato gerador. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da simples análise dos autos, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Destarte, consoante se infere do dispositivo legal supra (artigo 5º da Lei nº 8.023/1990), os contribuintes que comprovam exercerem exclusivamente a atividade de produtor rural, estão sujeitos à tributação específica, a qual determina que inexistindo escrituração regular, será procedido arbitramento de sua receita bruta, declarada ou não, identificada ou não, ao limite máximo de 20%. Tratase, em verdade, de legislação específica para os contribuintes que desenvolvem exclusivamente atividades rurais, vigentes à época do lançamento, e preexistente em relação ao artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, impondo, por conseguinte, à sua aplicação, independentemente da comprovação da origem dos valores tributados, para efeito do afastamento da omissão apurada por presunção legal. Como se verifica, o Acórdão recorrido não rechaçou a tributação das importâncias que transitaram nas contas bancárias do contribuinte, como omissão de rendimentos, mas tão somente impôs à observância ao limite máximo de 20 % (vinte por cento), reduzindo a base de cálculo àquele percentual, nos precisos termos do artigo 5o da Lei nº 8.023/1990, uma vez que o autuado se enquadra perfeitamente na hipótese contemplada naquele dispositivo legal. Com efeito, da simples análise dos documentos trazidos à colação pelo contribuinte, especialmente Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física, às fls. 23/47, demonstram cabalmente que sua fonte de renda declarada decorre exclusivamente das atividades rurais que desenvolve, com exceção dos rendimentos de aplicação financeira. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Na esteira desse entendimento, tornase inviável a tributação da totalidade dos depósitos realizados em suas contas bancárias como omissão de rendimentos relativa à outra atividade desenvolvida pelo contribuinte afora a de produtor rural, a qual goza de tributação mais favorecida, em face de suas nuances. Nesse sentido, peço vênia para me reportar aos termos do Acórdão nº 104 22.880, exarado nos autos do processo nº 1540.001336/200397, da lavra do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann, o qual dissertou com muita propriedade a respeito da matéria, in verbis: “ [...] Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.° 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação especifica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Tratase, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao principio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts. 37, caput e 150, I, da Constituição Federal. Matéria já enfrentada pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na Sessão de julgamento de 13 de dezembro de 2006, conforme Acórdão n° CSRF/0400.487, tendo como redator do voto vencedor o Ilustre Conselheiro Remis Almeida Estol, ao qual peço permissão para adotálo na íntegra, verbis: [...]” Extraise do Acórdão encimado, que aquele Colegiado, ao reduzir a base de cálculo a 20% (vinte por cento), não afrontou os preceitos do artigo 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96, ao contrário do que sustenta a Procuradoria da Fazenda Nacional. Na verdade, procurou o julgador guerreado compatibilizar àquele dispositivo legal com a legislação específica referente aos contribuintes que exercem unicamente atividades rurais, que em razão Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13555.000232/200637 Acórdão n.º 9202003.554 CSRFT2 Fl. 169 7 de suas peculiaridades limita a apuração por arbitramento da receita bruta ao percentual de 20%, quando inexistir escrituração contábil regular, em observância ao regime de tributação especial daqueles contribuintes. A jurisprudência deste Egrégio Colegiado não discrepa desse entendimento, como se constata dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: “ATIVIDADE RURAL DEDICAÇÃO EXCLUSIVA DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTAÇÃO Identificada a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, via presunção legal, o contribuinte que se dedica exclusivamente à atividade rural fica submetido ao regime de tributação definido na Lei nº. 8.023, de 1990, que limita a base de cálculo da incidência em 20% (vinte por cento) da omissão apurada. Recurso especial parcialmente provido.” (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Recurso nº 106135.060 – Acórdão nº CSRF/0400.468, Sessão de 13/12/2006) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999, 2000 DEPÓSITOS BANCÁRIOS RECURSOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL OMITIDA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. Demonstrado, pelos meios de provas existentes nos autos, que a movimentação financeira do sujeito passivo decorre do exercício de atividade rural cuja tributação foi omitida, ainda que parcialmente, a exigência do crédito tributário, por força do disposto no artigo 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996, deve se dar em conformidade com o artigo 5° da Lei n° 8.023, de 1990. Recurso especial negado.” (Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Recurso nº 104142.038 – Acórdão nº CSRF/0400.801, Sessão de 03/03/2008) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000, 2001, 2002 EMBARGOS INOMINADOS LAPSO MANIFESTO Verificada no julgado a existência de incorreções devidas a lapso manifesto, é de se acolher os Embargos Inominados. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM ATIVIDADE RURAL O lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42, da Lei nº. 9.430, de 1996, é incompatível com o reconhecimento, por parte da fiscalização, de que ditos depósitos tiveram origem no exercício da atividade rural. Nessa hipótese, eventuais diferenças não tributadas devem ser exigidas com base na legislação específica da atividade rural. Embargos acolhidos. Acórdão retificado. Recurso provido.” (4a Câmara do 1o Conselho – Recurso nº 153.295 – Acórdão nº 10423.376, Sessão de 07/08/2008) Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 No presente caso, como acima alinhavado, não se cogita em contrariedade à lei (artigo 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96), na forma que pretende fazer crer a Fazenda Nacional, mas tão somente compatibilização da apuração de omissão de rendimentos (exclusivos da atividade rural) com base em depósitos bancários de origem não comprovada, com o regime de tributação especial dos produtores rurais, na forma prescrita pelo artigo 5º da Lei nº 8.023/1990. Não se pode confundir regime de tributação com a forma de apuração do crédito tributário. In casu, o regime especial de tributação dos produtores rurais pessoas físicas, conquanto que seus rendimentos sejam exclusivos dessa atividade, impõe à observância aos ditames do regramento específico (artigo 5o da Lei nº 8.023/90), devendo a apuração de rendimentos – ainda que com base em depósitos bancários na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 – obedecer àquele regime especial, de maneira a manter a autuação, limitando, porém, a base de calculo a 20 % (vinte por cento) da omissão apontada. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por WAGNER LUIS DE OLIVEIRA ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RYCARDO HENR IQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11020.722016/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício, não há que se falar em nulidade do lançamento.
INTIMAÇÃO FISCAL. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO.
Em relação à documentação apresentada pelo contribuinte, em atendimento a intimação efetuada com base e estrita obediência ao disposto na legislação em vigor, descabe a alegação de quebra do sigilo bancário.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. SUFICIÊNCIA DOS RECURSOS. NÃO JUSTIFICADO,
O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de prova em contrário composta de documentação hábil que não deixe margem a dúvida.
MULTA DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. DOLO. APLICABILIDADE. QUALIFICAÇÃO.
Aplica-se a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte usou intencionalmente de informação falsa e montou operações fictícias para acobertar os rendimentos omitidos sujeitos à tributação.
Numero da decisão: 2201-002.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOSO - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Inexistindo violação às disposições contidas no art. 142, do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício, não há que se falar em nulidade do lançamento. INTIMAÇÃO FISCAL. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES PELO CONTRIBUINTE. SIGILO BANCÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. Em relação à documentação apresentada pelo contribuinte, em atendimento a intimação efetuada com base e estrita obediência ao disposto na legislação em vigor, descabe a alegação de quebra do sigilo bancário. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. SUFICIÊNCIA DOS RECURSOS. NÃO JUSTIFICADO, O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte só é elidido mediante a apresentação de prova em contrário composta de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. MULTA DE OFÍCIO. SIMULAÇÃO. DOLO. APLICABILIDADE. QUALIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 20 16 /2 01 2- 05 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Aplicase a multa qualificada quando restar comprovado que o contribuinte usou intencionalmente de informação falsa e montou operações fictícias para acobertar os rendimentos omitidos sujeitos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOSO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Gustavo Lian Haddad. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 113 a 122), exercício 2009, no qual se apurou R$ 875.886,60 de imposto por omissão de omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoas físicas e jurídicas, com a aplicação de multa de 75% e Acréscimo Patrimonial a Descoberto (APD), com multa de 150%. No curso da ação fiscal, o contribuinte informou contratos de mútuo firmados com o Francisco Wisintainer, Nelson D’Arrigo, Ruy Reinert Júnior e Oscar de Azevedo, totalizando R$ 3.229.284,07, apresentando cópias referentes aos três primeiros. Posteriormente, intimado pela fiscalização para esclarecer a finalidade dos contratos de mútuos e para apresentar a comprovação da transferência bancária ou outro documento hábil idôneo, o contribuinte informou que os contratos serviam para comprovar a origem dos depósitos em VGBL no Bradesco Vida e Previdência S/A. Na ocasião, apresentou uma nota promissória emitida em 18 de dezembro de 2008 em favor de Oscar de Azevedo no lugar do contrato de mútuo faltante e declarou que os repasses foram feitos em espécie, motivo pelo qual não haveria documento comprobatório além dos já apresentados à fiscalização. Com o objetivo de convalidar as informações, foram realizadas diligências junto aos mutuantes. A fiscalização concluiu que além da necessidade de constar nas Declarações do IRPF do mutuário e dos mutuantes, o que no presente caso não se configurou plenamente, seria indispensável que o contrato de mútuo estivesse devidamente registrado, e que houvesse capacidade econômica e financeira do credor, na data do empréstimo, além da obrigatória comprovação da saída do numerário do patrimônio do credor e o respectivo ingresso no patrimônio do devedor. Essa comprovação, para que surtisse efeito, deveria ser feita por meio de documentação hábil, coincidente em datas e valores, e os elementos enumerados deveriam conferir veracidade aos contratos de mútuo. A Fiscalização destacou no Termo de Verificação que o contribuinte não declarou em sua DAA 2009 os aportes realizados em seu nome junto à instituição Bradesco Vida e Previdência S/A, no anocalendário 2008, nem os supostos contratos de mútuo na ficha Dívidas e Ônus Reais ou da nota promissória. Também, que os supostos mutuantes, nem o favorecido pela emissão da nota promissória, declararam em suas DAA's 2009 a existência de créditos junto a Cláudio Muraro nos montantes indicados; que não foi provada a efetiva saída do numerário do patrimônio dos credores e o coincidente ingresso no patrimônio do devedor; que os mutuantes, no anocalendário 2008, não teriam condições econômicas para os citados empréstimos; e que os contratos de mútuo não se revestiam de formalidades legais extrínsecas para serem considerados válidos perante terceiros, pois hes faltava o registro público. Os rendimentos de aluguéis, recebidos da pessoa jurídica Art Lustre Comércio e Iluminação Ltda. e da pessoa física Gilsee Ivan Régis Filho, não foram declarados na DAA 2009, motivo pelo qual foram lançados como omissão de rendimentos tributáveis. A qualificação da multa para o APD foi justificada pela autoridade fiscal em função simulação da origem dos recursos para os depósitos feitos pelo contribuinte em VGBL, Fl. 326DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 junto ao Bradesco Vida e Previdência S/A, sendo tipificado nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964. Cientificado da autuação, o contribuinte impugnou o lançamento. As alegações de defesa foram assim resumidas no relatório da primeira instância: O impugnante entende que o seu direito de defesa foi maculado pela omissão de informações necessárias a elaboração da defesa, bem como a simulação da fiscalização levada a efeito no decorrer do processo administrativo. Relata que consta no Termo de Verificação Fiscal que: “Em virtude de em análises prévias junto aos sistemas informatizados da RFB – Receita Federal do Brasil –, ter se constatado indícios de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física e jurídica, bem como omissão de informação de valores aplicados em VGBL junto a Bradesco Vida e Previdência S/A. (destaques pelo Impugnante).” Pergunta: “Mas, em qual documento a fiscalização constatou a omissão de valores aplicados junto ao VGBL do Bradesco, se esse documento não consta dos autos?” Entende que a fiscalização quebrou o sigilo bancário sem o prévio processo, isso porque já no Termo de Início constava a informação acerca do VGBL no Bradesco. A partir da premissa de que a fiscalização lavrou o Auto de Infração com base em documento que não está nos autos, o impugnante apresenta extenso arrazoado (inclusive com citações de entendimentos e transcrições de decisões judiciais e administrativas) sobre a não observância do devido processo legal, ampla defesa e contraditório, configurando evidente inconstitucionalidade (fls. 168/176). Requer, portanto, o reconhecimento da nulidade do Auto de Infração em razão de sua insubsistência. A seguir censura a presunção utilizada para lavrar o Auto de Infração, uma vez que a autoridade fiscal deveria descrever a conduta tributável, fazer a sua valoração jurídica e apurar o crédito tributário, eis que o lançamento tem função legal de exigir o pagamento do tributo devido pelo contribuinte e é dotado de força imperativa (art. 142 do CTN). A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe não só alegar, mas, principalmente, produzir provas que criem condições de convicção favoráveis à sua pretensão, devendo triunfar sempre a verdade material. Nas folhas 190 a 198, retorna a defender seu entendimento de que o Auto de Infração trata de meras presunções e por esse motivo deve ser cancelado. Referese que cabe à administração fazendária o ônus da prova no ilícito tributário, sob pena de se instalar o arbítrio em matéria tributária e ao contribuinte cabe proceder aos devidos lançamentos nos livros fiscais e contábeis dos fatos relativos à sua movimentação empresarial, sempre alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que deverão, quando requisitados, ser entregues à fiscalização, servindo, à administração fazendária, de elemento de prova das irregularidades tributárias cometidas. Afirma que (fl. 178): “Dos Princípios dos Registros Contábeis extraise a preocupação com os registros escriturais que deverão ter preservados os elementos de comprovação necessários à verificação, não só quanto à precisão como à perfeita compreensão das demonstrações contábeis.” Entende que a Fiscalização, baseada unicamente na presunção de que os contratos de mútuos firmados pelo Impugnante com terceiros não são válidos e na mesma linha o empréstimo recebido via Nota Promissória não é válido, não considerou válidas as informações constantes em contratos e em Declarações de Imposto de Renda. Todos os contratos foram invalidados sem que ao menos uma razão plausível fosse lançada. Afirma que: “Todavia, no afã de lançar o crédito tributário, a Fiscalização apegouse ao fato de que não constava nas declarações os empréstimos firmados. Porém, em momento algum a fiscalização questionou o porquê de não ser relacionado nas respectivas declarações os empréstimos. A questão é muito simples. O Impugnante é sócio da Muraro e Cia Ltda., conforme referido no relatório e termo de arrolamento. Pois bem, referida empresa possuiu elevado passivo tributário, fato que inviabiliza a obtenção de linhas de créditos junto a instituições bancárias. Assim sendo, a proposta do Bradesco foi justamente abrir uma linha de crédito para a empresa na hipótese de ocorrerem aportes financeiros. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 4 5 Considerando esse fato, o Impugnante conseguiu empréstimo junto a pessoas próximas para aplicar em VGBL, condição imposta por esses, para que a empresa pudesse obter linhas de crédito. E assim foi feito. Tanto é assim que a empresa Muraro passou a operar com o Banco Bradesco, conforme documentos em anexo. Importante referir que a aplicação em VGBL e o fato de não constar na Declaração de Renda tinha exatamente o fim de não expor crédito que não era e não é de sua propriedade. Todavia, conforme referido, somente a presunção legal não é elemento suficiente para caracterizar a imputação da penalidade e, as discrepâncias apontadas entre os valores informados pelos mutuários em suas declarações no código do bem 51 créditos decorrentes de empréstimos e em alguns casos parte dos valores em outros códigos, 63 – moeda em espécie e 99 – outros bens e direitos, não declarando a quem disponibilizou tais valores são informações passíveis de correção, por tratarse tão somente de erro formal de preenchimento de declaração, o que não invalida a efetiva disponibilidade dos mutuantes para conceder tais empréstimos. Ou seja, o crédito efetivamente existe apenas a referência que não está de acordo com o entendimento da Fiscalização. Com efeito, todas as operações efetuadas entre os mutuários e o Impugnante aconteceram em dinheiro, portanto, de impossível comprovação da entrega destes recursos em determinada época. Ou seja, exige a fiscalização a prova diabólica. É a chamada prova impossível ou excessivamente difícil de ser produzida, como a prova de fato negativo. A prova diabólica existe muito na prática e fez a doutrina do ônus da prova ser repensada.” A partir daí, passa a discorrer sobre a questão do ônus da prova (fls. 181/183) para concluir que a fiscalização exige uma prova impossível. Afirma (fl. 183) que: “Na verdade o critério utilizado para lançar são os valores e não a existência ou não de contratos. Isso porque o Impugnante tinha lançado em sua declaração empréstimo de R$ 10.000,00, sem contrato de mútuo. Todavia, sobre esses valores a fiscalização nada questiona, por isso que se afirma que a fiscalização apegouse tão somente aos valores envolvidos e não na existência de elementos comprobatórios ou não do crédito e do débito. Ora, se a Fiscalização não reconhece os empréstimos significa dizer que entende ou insinua que a origem dos depósitos decorre de fatos ilícitos, vez que está comprovado que o Impugnante não possui renda suficiente a justificar tal acréscimo patrimonial.” E mais adiante (fl. 184): “Mas se assim fosse, como alegado pelo Fisco, que não é, ainda assim não haveria tributação. É ilegal a tributação de fatos ilícitos.” A seguir passa a apreciar a questão da tributação frente a atos ilícitos (fls. 184/198). A partir da folha 199 a 205, defende, em extenso arrazoado, que houve ilegal quebra de sigilo bancário, pois, havendo indícios de sonegação, a Administração deve, necessariamente, recorrer ao Poder Judiciário, e as autuações fiscais resultantes da utilização de dados bancários sem ordem judicial, poderão ser questionadas. No caso em tela a quebra do sigilo bancário ocorreu sem a existência de processo administrativo e, por óbvio, sem ordem judicial. Quanto à imposição da multa em 150% sobre o valor do imposto, entende que não estão presentes elementos a justificar tal graduação e que além de indevida, tem nítido efeito confiscatório, vedado pelo artigo 150, inciso VI, da Constituição Federal. Portanto, ausente procedimento fraudulento ou qualquer espécie de conluio, segundo o Supremo Tribunal Federal, descabe a multa imposta, ainda mais no percentual draconiano de 150%. Nenhum documento de prova foi anexado à peça impugnatória. A 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre (RS), por unanimidade de votos, considerou o lançamento procedente. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Cientificado em 11 de março de 2013 (fls. 262), o contribuinte apresentou o recurso voluntário no dia 8 de abril, no qual repete os argumentos de defesa da impugnação, acrescentando o pedido de nulidade da decisão recorrida por falta de fundamentação. Nesse ponto, alega que se trata de uma decisão genérica. Nela, a questão da quebra do sigilo bancário não teria sido tratada de acordo com a realidade dos autos, pois essa quebra teria ocorrido em momento prévio à abertura de qualquer procedimento, e não no decorrer do processo, como informado na decisão. E, sendo matéria de mérito, requer a reforma da decisão recorrida com a devolução dos autos à primeira instância sob pena de afronta ao princípio do devido processo legal. Na impossibilidade disso, requer a extinção do auto de infração ou, alternativamente, a redução da multa aplicada. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento e analiso os pontos questionados, a saber: (a) nulidade da decisão de primeira instância por falta de apreciação de matéria; (b) quebra ilegal do sigilo bancário; (c) nulidade do auto de infração; (d) lançamento baseado em presunção; e (e) aplicação da multa de ofício qualificada. O crédito objeto do litígio está relacionado apenas ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, já que a omissão dos rendimentos de aluguéis não foi impugnada. Nulidade da decisão de primeira instância O contribuinte rebate a decisão recorrida pelo fato de não ter enfrentado a questão da quebra do sigilo bancário, solicitando a devolução dos autos à instância a quo sob pena de afronta ao princípio do devido processo legal. Compulsando os autos, constatase que no acórdão da DRJ a referida matéria foi apreciada, entendendo a turma julgadora pela inexistência de nulidade no lançamento por quebra indevida do sigilo bancário, já que os documentos teriam sido apresentados pelo próprio recorrente, conforme se observa na transcrição a seguir: Quanto ao lançamento por variação patrimonial a descoberto e à alegada quebra de sigilo bancário, não assiste razão ao contribuinte uma vez que no Termo de Início de Procedimento Fiscal, datado de 18/01/2012, é solicitada uma série de documentos relativos ao anocalendário de 2008, entre eles, no item 7: “Comprovantes de pagamentos efetuados a planos de Previdência Privada (VGBL, PGBL, FAPI,...) em todas as instituições financeiras que mantiver conta, dentre outras o Banco Bradesco S/A.” Em atendimento à intimação, em 09/03/2012, o Sr. Cláudio Muraro, apresenta parte dos documentos solicitados, entre eles, o Comprovante de Rendimento emitido por Bradesco Vida e Previdência S/A, CNPJ 51.990.695/000137 (fl. 29) no qual consta saldo, em 31/12/2008, de prêmios acumulados em VGBL no valor de R$ 3.184.000,00 e telas de consulta ao histórico de pagamento do Fundo Gerador de Benefício Individual no valor de R$ 1.550.000,00 com data do pagamento em 23/12/2008 (fl. 30) e no valor de R$ 1.650.000,00 com data de pagamento em 22/12/2008 (fl. 31). Portanto, o Fisco obteve a prova da aplicação financeira em VGBL, no decorrer do procedimento fiscal instaurado pelo por meio do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização 10.1.06.002012000330 de 17/01/2012, solicitada no Termo de Início de Procedimento Fiscal e apresentada pelo próprio contribuinte em resposta à intimação. (grifos do original). Ressaltese que o julgador não está obrigado a responder, uma a uma, às teses levantadas pelas partes, nem a se manifestar, expressamente, sobre todos os dispositivos legais apontados, devendo, apenas, referirse aos princípios e normas que entende ser, direta e necessariamente, aplicáveis ao caso concreto, mormente quando os fundamentos utilizados Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 tenham sido suficientes para embasar a decisão. Esse e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: "ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 125, 130, 165 E 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. AÇÃO INDENIZATÓRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOHOSPITALARES. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. REEXAME PROBATÓRIO. TERMO INICIAL. (...) 1. Inexiste negativa de prestação jurisdicional ou ofensa ao art. 535, tampouco violação aos artigos 125, I, 130, 165, todos do CPC, quando o tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Precedentes: REsp n.º 600.218/RJ, Rel Min. José Delgado, DJ de 17/05/2004; e REsp n.º 503.205/SC, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 29/03/2004. (...)" (REsp 711812/SP, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 04/08/2005) "PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. ART. 485, V, DO CPC. INÉPCIA DA INICIAL. (...) O Juiz não está obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se obriga a aterse aos fundamentos indicados por elas e, tampouco, a responder um a um todos os seus argumentos. (...) Embargos de declaração rejeitados." (EDcl no AgRg nos EInf na AR 2937/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, J. 25/05/2005) (grifos nossos) Ante ao exposto, não restou demonstrada a alegada omissão, mas sim a intenção, por parte do contribuinte, de ver a sua impugnação reexaminada quanto às razões de decidir, o não seria possível. Nulidade dos autos por quebra ilegal de sigilo bancário O contribuinte discorre sobre a quebra do sigilo bancário, ocorrida com a coleta ilegal das provas que deram origem ao crédito tributário, resultando assim na nulidade do procedimento. Após, longamente discorrer sobre o instituto do sigilo, defende a tese de que Administração deve necessariamente recorrer ao Poder Judiciário nos casos de ações fiscais resultantes da utilização de dados bancários. Ocorre que, pelo que consta dos autos, o comprovante de rendimento da previdência privada do Bradesco Vida e Previdência S/A foi entregue pelo próprio contribuinte, conforme registrado na folha 17, Termo de Recebimento de Documentação. O fato de constar no Termo de Início de Fiscalização, expedido em 18 de janeiro de 2012, a exigência de comprovantes de pagamentos relacionados a planos de previdência privada, inclusive do Banco Bradesco, não implica dizer que houve quebra de sigilo. A questão é muito simples: a Secretaria da Receita Federal do Brasil faz rotineiramente circularizações de informações das pessoas jurídicas, tanto dos pagamentos efetuados por elas, como dos pagamentos realizados a elas. Isso ocorre comumente com as empresas responsáveis, por exemplo, por planos de saúde e previdência privada, cujas transações interferem nas declarações prestadas pelas pessoas físicas, estando as empresas, nas condições em que a legislação especifica, obrigadas a fornecer as informações. A exigência dessa obrigação está consolidada no Regulamento do Imposto de Renda, no art. 927, como se verifica a seguir: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 6 9 Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, aos Tabeliães e Oficiais de Registro, às empresas corretoras, ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial, às Juntas Comerciais ou repartições e autoridades que as substituírem, às caixas de assistência, às associações e organizações sindicais, às companhias de seguros e às demais pessoas, entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações de interesse para a fiscalização do imposto (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º). § 2º Se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal competente cientificará desde logo o infrator da multa que lhe foi imposta (art. 968), fixando novo prazo para o cumprimento da exigência (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 1º). § 3º Se as exigências forem novamente desatendidas, o infrator ficará sujeito à penalidade máxima, além de outras medidas legais (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 2º). § 4º Na hipótese prevista no parágrafo anterior, a autoridade fiscal competente designará funcionário para colher a informação de que necessitar (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, § 3º). § 5º Em casos especiais, para controle da arrecadação ou revisão de declaração de rendimentos, poderá o órgão competente exigir informações periódicas, em formulário padronizado (DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º, parágrafo único). E essa informação, de interesse fiscal, não está entre as situações abrangidas pelo sigilo bancário, pois não se tem acesso à movimentação financeira do contribuinte, e sim aos pagamentos efetuados ou recebidos por uma determinada empresa ou seguimento econômico. Tanto é que, por meio da Instrução Normativa RFB nº 1.452, de 21 de fevereiro de 2014, foi regularmente estabelecida a prestação dessas informações (relativas aos recebimentos de contribuições, prêmios e aportes destinados ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária e aos pagamentos de resgates aos participantes e beneficiários) à RFB, conforme se observa na citada norma Art. 1º As informações relativas aos recebimentos de contribuições, prêmios e aportes destinados ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária e aos pagamentos de resgates aos participantes e beneficiários serão prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), na forma disciplinada nesta Instrução Normativa. Art. 2º As entidades de previdência complementar, sociedades seguradoras e administradoras de Fundos de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ficam obrigadas a prestar as informações de que trata o art. 1º, até o último dia útil do mês de abril de 2014, em meio digital, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no sítio da RFB, na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>. [...] § 3º Para informações referentes aos anoscalendário de 2014 e de anos seguintes, o prazo mencionado no caput será até o último dia útil do mês de março do ano subsequente ao que se referirem as informações. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.509, de 4 de novembro de 2014) (grifos nossos). [...] Essas coleta de informações, seja por solicitação da autoridade fiscal ou por determinação normativa, tem o objetivo de efetuar cruzamentos com os rendimentos declarados pelos contribuintes pessoas físicas e jurídicas. Não custa nada lembrar que todas as Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 pessoas físicas e jurídicas têm seus rendimentos sujeitos à fiscalização pelo fisco. É inimaginável o fisco ser impedido de fiscalizar uma empresa sem verificar as relações comerciais de pagamentos ou recebimentos registrados na contabilidade apenas pelo fato de os fornecedores ou clientes serem pessoas físicas. Assim, pelo que se percebe, não causa estranheza o interesse da RFB, após três anos da data da obrigatoriedade da entrega da DAA pelo contribuinte, em iniciar um procedimento fiscal. Ainda que legalmente permitido, já que a situação em tela aparentemente se enquadraria no inciso I do §2º do art. 3º Decreto nº 3.724, de 2001, com montante transacionado superiores a dez vezes o valor declarado, não houve em momento algum, antes durante ou depois do procedimento, a emissão de Requisição de Movimentação Financeiras às instituições financeiras. Portanto, é completamente desnecessário fazer ponderações sobre a questão do sigilo bancário, por ser matéria estranha aos autos. A prestação de informações pelo contribuinte por meio das Declarações de Ajuste Anual ou em atendimento à intimação fiscal ou das fontes pagadoras por meio das DIRF ou das circularizações de pagamentos ou recebimentos efetuadas pelo fisco não implica, como pretende o contribuinte, quebra de sigilo fiscal. Nulidade do auto de infração O recorrente argui que o direito de defesa teria sido maculado pela omissão de informações. Novamente questiona o fato de como o fisco teria tomado conhecimento dos valores aplicados em VGBL no Bradesco Vida e Previdência S/A, querendo induzir que teria havia quebra do sigilo bancário antes do início do processo administrativo. Mais, uma vez, repetindo a questão, não cabe ao fisco informar nos autos toda a origem das informações constante em banco de dados da RFB decorrente do processo sistemático de sua alimentação. Essas informações oriundas de declarações obrigatórias e circularizações de informações e pagamentos formam o conjunto de indícios para a investigação das pessoas físicas e jurídicas. Aliás, na fase investigatória não cabe a participação do(s) contribuinte(s), limitandose as pessoas físicas e jurídicas a fornecer as informações, quando requisitadas pela autoridade fiscal ou determinadas por meio de ato normativo, pois nesse momento inexiste contraditório. O direito à ampla defesa e ao contraditório, previsto no art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, é uma garantia do processo administrativo, ou seja, da fase litigiosa do procedimento fiscal, conforme dispõe o 14 do Decreto nº 70.235/1972. Esclarecimentos quanto às informações requisitadas ou aos documentos juntados, quando necessários, até podem ocorrer no curso da ação fiscal. Caso não sejam necessários tais esclarecimentos, dispondo a autoridade lançadora de todos os elementos necessários e entender dispensável a intimação, o lançamento pode ocorrer sem a ciência prévia. Por esse motivo é que somente podese falar em contencioso administrativo com a apresentação da impugnação. É nessa fase que o contribuinte tem acesso a integralidade dos autos e formaliza suas contestações e apresenta os elementos de prova para sua defesa. Assim, a tese da nulidade quando ao uso indevido de provas inidôneas obtidas sem a determinação judicial é desprovida de sustentação. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 7 11 Ao contrário do que entende o recorrente, o auto de infração em epígrafe se revestiu de todas as formalidades legais previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 (com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.748, de 1993), que assim dispõe: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Também, não se encontram presentes nos autos aspectos que implicam nulidade, dispostos nos arts. 59, 60 e 61 do Decreto nº 70.235/1972, por isso não cabem os questionamentos do sujeito passivo acerca da validade do procedimento fiscal, pois não há nele qualquer vício que comprometa a validade do lançamento. Assim sendo, considerando que os autos contêm a descrição detalhada do fato gerador do imposto de renda da pessoa física, o fundamento legal, a identificação da matéria e do sujeito passivo, bem como estão presentes todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, e que ao contribuinte foi possibilitado a defesa por meio da impugnação e do recurso, não há que se falar em nulidade do lançamento. Presunção para o lançamento O contribuinte argui a fragilidade do lançamento por estar baseado em presunção, não tendo sido utilizados os meios adequados para a apuração do eventual crédito tributário, já que o ônus da prova caberia à administração tributária. Nesse sentido, o lançamento estaria baseado unicamente na presunção de que os contratos de mútuos firmados pelo recorrente com terceiros, bem como a nota promissória, não seriam válidos. Justifica que a operação seria uma manobra para viabilizar a obtenção de créditos da empresa Muraro e Cia Ltda., do qual o recorrente é sócio, diante “do elevado passivo tributário” da pessoa jurídica. Assim, teria conseguido recurso de terceiros para fazer um aporte em VGBL na conta da pessoa física, atendendo condição imposta pela instituição financeira. Por essa razão os empréstimos não estavam registrados nas declarações das partes. Justifica também que as operações eram realizados em dinheiro em espécie, por pessoas de confiança, sendo impossível apresentar a comprovação da entrega dos recursos. E, se a fiscalização não reconhece os contratos, insinua ou entende que tais recursos teriam origem em fatos ilícitos. E, neste caso, citando uma ampla doutrina, diz que seria ilegal a tributação dos atos ilícitos. Entretanto, não foi aventada pela fiscalização ou pelo recorrente qualquer ilicitude como as citadas no recurso voluntário. Apenas foi apurada a omissão de rendimentos em função da aplicação de recursos superiores aos valores informados na Declaração de Ajuste Anual do ano 2008, demonstrada na evolução que resultou no Acréscimo Patrimonial a descoberto. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 12 Dito isso, vejamos dois pontos. A legalidade do lançamento com base no acréscimo patrimonial a descoberto e as provas apresentadas pelo recorrente. No que diz respeito ao acréscimo patrimonial a descoberto, quando verificado, demonstra a ocorrência da omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, já que, uma vez comprovada pelo contribuinte a efetividade dos rendimentos, restará afastada a presunção. Na forma do Art. 37 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/1999), constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. E, nos termos do 1º, § 2º, constatada a omissão, será devido o imposto à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Dispõe o § 4º do art. 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. O fisco, por sua vez, pode exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem e destino de recursos, conforme expresso no RIR/1999: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Na documentação apresentada pelo contribuinte, em atendimento à intimação fiscal, consta o Comprovante de Rendimento emitido por Bradesco Vida e Previdência S/A. (fl. 29), o qual registra o saldo de prêmios acumulados em VGBL em 31 de dezembro de 2008 de R$ 3.184.000,00, cujos depósitos ocorreram nos dias 22 e 23 de dezembro, nos valores, respectivamente, de R$ 1.650.000,00 e R$ 1.550.000,00 (fls. 30 e 31). Porém, tais valores são incompatíveis com os informados na declaração de rendimento entregue à RFB pelo recorrente. Ocorre que, diante do indício de patrimônio a descoberto, caberia ao contribuinte provar a inocorrência do fato ou justificar a sua existência, o que não ocorreu. Inicialmente buscou acobertar a operação por meio de contratos de mútuos e depois, na impugnação e no recurso, com a argumentação de que a não aceitação de tais contratos implicaria ilicitudes dos fatos e, por conseguinte, ilegalidade da tributação. Conforme prevê o artigo 333 do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O ônus de provar, por sua vez, implica trazer elementos que não deixem dúvidas quanto ao fato questionado. Logo, caberia apenas ao sujeito passivo, e não ao fisco, obter provas da inexistência do acréscimo patrimonial. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 11020.722016/201205 Acórdão n.º 2201002.647 S2C2T1 Fl. 8 13 O contribuinte apresentou três contratos de mútuos e uma duplicata informado que o valor aplicado seria proveniente de empréstimos obtidos juntos aos senhores Francisco Wisintainer, Nelson D’Arrigo, Ruy Reinert Júnior e Oscar de Azevedo, totalizando R$ 3.229.284,07. A autoridade fiscal, pela fragilidade da documentação apresentada como prova dos recursos, promoveu diligências e intimou os supostos mutuantes, chegando às seguintes conclusões: a) as dívidas não estavam declaradas pelo contribuinte na DAA 2009, apesar de constar outra bem menor, de R$ 10.000,00 com o senhor João Batista de Jesus; b) o contribuinte ou os supostos mutuantes não apresentaram provas de entrega dos numerários, apesar de significativo valor, restringindose a informar que as transações se deram em espécie; c) Os mutuantes não teriam origens de recursos suficientes para o suposto aporte no ano 2008; d) Os valores quando declarados pelos mutuantes são genéricos e incompatíveis com o supostamente emprestados no anocalendário, sequer havendo recursos em espécie declarados ou saques em contas para fazer face aos montantes emprestados; e) Parte dos valores informados nas declarações dos mutuantes já estava, integralmente ou parcialmente, declarados em 31 de dezembro de 2007 e, ainda, nas suas discrições mencionam notas promissórias e cheques pré datados, o que contraria a versão de repasse em espécie; f) Diferentemente dos registros dos supostos contratos de mútuos, que não são individualizados pelo devedor na declaração dos mutuantes, outros direitos de valor bastante inferior estão individualizados por devedor; g) Os contratos não foram registrados ou reconhecidos à época, mesmo sendo de expressivos valores; Assim, verificase nos autos que, ao contrário da alegação da parte recorrente, a não aceitação pelo fisco foi amplamente justificada, estando evidenciado que a autoridade fiscal se empenhou bastante para apurar a verdade material dos fatos, analisando todos os documentos apresentados pelo contribuinte e diligenciando junto às pessoas citadas como supostos mutuantes. Observase que o contribuinte ficou no abstrato terreno das alegações sem provas, apesar de ter sido intimado e reintimado a prestar esclarecimentos. Não foram apontadas quaisquer outras fontes de recursos, nem ressaltada a existência de erros no demonstrativo elaborado pela fiscalização. Assim, as alegações trazidas pelo recorrente não foram suficientes no sentido de cancelar o lançamento tributário efetuado dentro dos ditames legais que cercam a matéria. Por esse motivo, correto o procedimento que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 14 Multa de ofício A multa de ofício está fundamentada no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, que há época do lançamento, assim como atualmente com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, era de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou diferença do imposto lançado. Isso não significa confisco, como indica o recorrente. Como a Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não pode se furtar em aplicar a lei. Alterar a alíquota da multa ou afastar a sua aplicação, invocando o principio do não confisco, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto pelos seus membros. Ademais, a questão de inconstitucionalidade de lei foi pacificada no CARF por meio da Súmula 2, a qual diz: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Quanto á qualificação, após analise dos autos, chegase a conclusão que o contribuinte, não tendo como comprovar os rendimentos aplicados no plano de previdência privada, simulou operações com o objetivo de impedir o conhecimento dos fatos por parte do Fisco. Nessa simulação foram claramente envolvidos supostos mutuantes que não teriam disponibilidades financeiras no montante das operações indicadas. Assim, o que se vê não é uma mera omissão, erro ou equivoco do declarante, de direito ou de fato, que possa gerar dúvidas quanto à intencionalidade da operação, mas uma manobra detalhadamente planejada, como ele mesmo insinua ao dizer que seria uma ação para contornar a situação de “elevado passivo tributário” da sua empresa, cuja real intenção era esquivarse do pagamento do tributo devido. Portanto, não havendo dúvidas quanto à qualificação, deve ser mantida a multa de ofício à alíquota de 150%. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 8/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 16682.720731/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/06/2010
VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA.
A Cofins incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo relevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável.
RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, ainda que se caracterizem como receitas oriundas das atividades típicas da pessoa jurídica, representam recuperações de despesas, de modo que não sofrem a incidência da tributação pelo PIS/Pasep e Cofins, por decorrência do art. 3º, § 2º , II da Lei nº 9.718/1998.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA.
A Contribuição para o PIS incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo relevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável.
RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, ainda que se caracterizem como receitas oriundas das atividades típicas da pessoa jurídica, representam recuperações de despesas, de modo que não sofrem a incidência da tributação pelo PIS/Pasep e Cofins, por decorrência do art. 3º, § 2º , II da Lei nº 9.718/1998.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A exigência de juros de mora sobre multa de ofício ocorre quando não é ele recolhido no prazo estabelecido para pagamento a partir da condição da definitividade do crédito tributário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual.
Numero da decisão: 3401-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator) quanto à exigência sobre resseguro e comissões. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o Acórdão.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Robson José Bayerl - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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INCIDÊNCIA. A Cofins incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo relevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, ainda que se caracterizem como receitas oriundas das atividades típicas da pessoa jurídica, representam recuperações de despesas, de modo que não sofrem a incidência da tributação pelo PIS/Pasep e Cofins, por decorrência do art. 3º, § 2º , II da Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo relevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, ainda que se caracterizem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 31 /2 01 2- 25 Fl. 8477DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 como receitas oriundas das atividades típicas da pessoa jurídica, representam recuperações de despesas, de modo que não sofrem a incidência da tributação pelo PIS/Pasep e Cofins, por decorrência do art. 3º, § 2º , II da Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A exigência de juros de mora sobre multa de ofício ocorre quando não é ele recolhido no prazo estabelecido para pagamento a partir da condição da definitividade do crédito tributário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira (Relator) quanto à exigência sobre resseguro e comissões. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o Acórdão. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Robson José Bayerl Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Cláudio Monroe Massetti e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Cuida este processo de Autos de Infração lavrados para constituir e exigir crédito tributário de PIS e de COFINS em decorrência da falta de recolhimento dessas contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 01/07/2007 a 30/06/2010. A autoridade fiscal identificou os seguintes fatos que considerou infrações: Fl. 8478DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 3 3 · exclusão, pelo contribuinte, das bases de cálculo do PIS e da COFINS, dos rendimentos relativos a atualizações monetárias de depósitos judiciais; os rendimentos foram contabilizados nas contas integrantes do grupo RECEITAS FINANCEIRAS361 : CONTA 3619450010000 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA TRABALHISTA; CONTA 3619450020000 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA CIVIL; CONTA 3619450030000 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA FISCAL; a autoridade fiscal entende indevidas essas exclusões pois: (a) durante tal período encontravase em plena vigência o parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998, que expressamente determinava que a contribuição para o PIS e a COFINS deveriam incidir sobre “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”; (b) além disso, da base de cálculo do PIS e da COFINS somente era possível deduzir as exclusões também expressamente previstas legalmente art. 1º, IV, da Lei n° 9.701/1998 e § 5º do art. 3º da Lei n° 9.718/1998 dentre as quais não se inserem as RECEITAS FINANCEIRAS RELATIVAS À ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE VALORES REGISTRADOS NO ATIVO; (c) mas, em relação à competência maio/2009, considerando que a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009 (publicada no D.O.U. de 28 de maio de 2009), que revogou o § 1º, do art. 3º da Lei n° 9.718/1998, entrou em vigor na data de sua publicação, os montantes das exclusões indevidamente efetivadas, relativas às atualizações monetárias de depósitos judiciais escriturados nas contas 361945002000 e 3619450030000, devem corresponder a 27/31 (vinte sete inteiros e trinta e um avos) do total lançado no mês. · Deduções das bases de cálculo do PIS e da COFINS dos valores das despesas denominadas pela fiscalizada como "DESPESAS COM ASSISTÊNCIA DIA E NOITE (24 H)", contabilizados nas contas a seguir relacionadas: CONTA 3127100000000 ASSISTÊNCIA 24 HORAS (período de 07/2007 a 09/2007); CONTA 3137100000000 ASSISTÊNCIA 24 HORAS (período de 10/2007 a 06/2010); mas a autoridade lançadora entendeu que elas são deduções indevidas uma vez que os SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA: • NÃO SE CARACTERIZAM COMO OPERAÇÃO SECURITÁRIA; • ESTÃO DISSOCIADOS DA COBERTURA DE SEGUROS; • SÃO ENTENDIDOS COMO DE CARÁTER SUPLEMENTAR E DE SUPORTE AO CONTRATO DE SEGURO; • NÃO ESTÃO VINCULADOS AO INSTITUTO DO SEGURO; • NÃO TÊM CARÁTER INDENITÁRIO; • NÃO ESTÃO PREVISTOS EM NOTA TÉCNICA ATUARIAL • NÃO SE CARACTERIZAM COMO DESPESAS RELATIVAS AO PAGAMENTO DE INDENIZAÇÕES. · falta de recolhimento pela não inclusão nas bases de cálculos da recuperação de despesas de resseguro, no caso o lançamento realizado em 31/05/2010 que apresenta o seguinte descritivo "RL REC. RESSARC. HO", apesar da codificação não ter sido explicada pela fiscalizada, denota a característica de registro de RESSARCIMENTO. RESSARCIMENTO é a compensação ou devolução de uma despesa ou de um prejuízo causado anteriormente. essa não inclusão foi indevida porque os valores ressarcidos, a título de recuperação de despesas, deverão integrar a base de cálculo da Fl. 8479DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 Contribuição para o PIS e da COFINS, pois não estão relacionados entre as exclusões legalmente permitidas, indicadas no art. 28, inciso IV, da IN SRF n° 247/2002; · falta de recolhimento do PIS e da COFINS correspondente à falta de inclusão nas bases de cálculo das comissões sobre prêmios cancelados e restituídos. A autoridade lançadora entende que, "na ocorrência de Cancelamento das Apólices ou Restituição dos Prêmios, conforme preceituado no art. 21 da CIRCULAR SUSEP n° 127/2000; os valores devolvidos ou restituídos pelas corretoras (Pessoas Jurídicas) e corretores (Pessoas Físicas) constituemse em RECUPERAÇÃO DE DESPESAS, com a consequente natureza de RECEITAS, devendo, portanto integrar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS"; A contribuinte impugnou o lançamento argumentando a legalidade e a correção de seus procedimentos questionados pela autoridade fiscal, o não cabimento da exigência de juros sobre multa e a ilegalidade da taxa selic sobre juros de mora. A Respeitável 16ª Turma da 1ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro DRJRJ1 apreciou os auto de infração, a impugnação e demais documentos que instruem o processo, e, ao final, concluiu por considerar a impugnação improcedente e manter integralmente o crédito tributário exigido. O Acórdão n. 1257.951, de 18/07/2013, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2010 VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA. A Cofins incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo irrelevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA. DESPESA INDEDUTÍVEL. Os valores pagos pela seguradora às empresas por ela contratadas para prestar serviços de assistência aos seus segurados constituem despesas da seguradora com a prestação de serviços de assistência por outra pessoa jurídica aos seus segurados, serviços esses por ela oferecidos como complemento do contrato de seguro. Tais despesas não se incluem na hipótese de dedução prevista no artigo 3°, § 6°, II, da Lei n° 9.718/98, já que não se referem a indenizações pagas a seus segurados em virtude da ocorrência dos sinistros previstos no contrato de seguro. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos representam recuperações de despesas, cuja natureza é de receita operacional. Por ser receita oriunda da atividade da empresa deve ser oferecida à tributação pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, independentemente da aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2010 VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS incide sobre o valor da variação monetária de depósitos judiciais, registrada pelo regime de competência, sendo irrelevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor, nos termos da legislação específica aplicável. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA. DESPESA INDEDUTÍVEL. Os valores pagos pela seguradora às empresas por ela contratadas para prestar serviços de assistência aos seus segurados constituem despesas da seguradora com a prestação de Fl. 8480DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 4 5 serviços de assistência por outra pessoa jurídica aos seus segurados, serviços esses por ela oferecidos como complemento do contrato de seguro. Tais despesas não se incluem na hipótese de dedução prevista no artigo 3°, § 6°, II, da Lei n° 9.718/98, já que não se referem a indenizações pagas a seus segurados em virtude da ocorrência dos sinistros previstos no contrato de seguro. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS DE RESSEGUROS E COMISSÕES SOBRE PRÊMIOS CANCELADOS E RESTITUÍDOS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. Os valores decorrentes de recuperação de despesas de resseguro e de comissões sobre prêmios cancelados e restituídos representam recuperações de despesas cuja natureza é de receita operacional. Por ser receita oriunda da atividade da empresa deve ser oferecida à tributação pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, independentemente da aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2010 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A autoridade julgadora não deve se manifestar acerca da incidência de juros sobre multa de ofício, uma vez que tais valores não integram o crédito tributário lançado, tratandose de aspecto concernente à sua cobrança. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, inexistindo qualquer limite à aplicação deste percentual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte ingressou com recurso voluntário autenticado em 14/10/2013 e nele apresenta as razões por que entende deva ser o auto de infração e o acórdão de primeiro grau revistos integralmente e o crédito tributário extinto. São elas, em breve resumo: · com relação à suposta infração de não incluir na base de cálculo das contribuições a atualização monetária de depósitos judiciais deve ser julgado improcedente o lançamento porque (a) ele se fundamentou no § 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98 declarado inconstitucional pelo E. STF no julgamento dos Recursos Extraordinários de n° 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840, entendimento que também foi adotado pelo mesmo Tribunal no Recurso Extraordinário n° 582.235, em regime de repercussão geral, motivo pelo qual vem a jurisprudência administrativa aplicando tal entendimento aos processos que lhe são submetidos; (b) ele se refere a eventual receita que somente existirá se e quando transitar em julgado decisão final favorável à contribuinte. · não procede a decisão da DRJ não conhecer a impugnação na parte referente à argüição de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, na alegação de que haveria concomitância com a ação ordinária n.º 2008.51.01.0218874, pois nessa ação se discute repetição de indébito relativo a pagamentos indevidos de PIS e de COFINS, logo não há concomitância. · com relação à suposta infração pelas exclusões das despesas com assistência dia e noite (24 horas das bases de cálculo deve ser julgado improcedente o lançamento porque elas foram legítimas. O artigo 3°, § 6°, II, da Lei n° 9.718/98, ao prever a exclusão do "valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos" e não do "valor das indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos", assim o faz justamente para não restringir a dedutibilidade ao valor das indenizações em sentido Fl. 8481DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 estrito, permitindo assim a dedução de despesas que sejam intrinsecamente vinculadas ao contrato de seguro. · com relação à suposta infração da não inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS dos valores de comissão de prêmios devolvidos e cancelados deve ser julgado improcedente o lançamento porque (a) a exclusão em questão está expressamente prevista na legislação tributária, a saber: Lei nº 9701/98, art. 1º, IV, “b”; Lei nº 9718/98, art. 3º, § 5º; e IN SRF nº 247/2002, art. 28, II, onde consta a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos ''cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados"; (b) se há recuperação de despesas com os seguros cancelados ou restituídos, recuperação de despesas não é receita, e a pretensão de incluíla nas bases de cálculos do PIS e da COFINS afronta declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n, 9.718, de 1998, além dela não se inserir no conceito que as contribuições incidem sobre a venda de mercadorias e serviços (e recuperação de despesas não é nenhum dos dois); (c) as comissões não são receitas, mas meros ingressos de repasse entre segurado e corretor, não havendo composição com a base. · com relação à suposta infração da não inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS dos valores de recuperação de despesas de resseguro deve ser julgado improcedente o lançamento porque não há que se falar na necessidade de que a recuperação de despesas esteja relacionada "entre as exclusões legalmente permitidas, indicadas no art. 28, inciso IV, da IN SRF n° 247/2002", já que a recuperação de despesa não é incluída na base de cálculo por não configurar receita, por não se tratar de riqueza nova, consistindo em mera recuperação patrimonial da Impugnante, como já visto anteriormente; e também por que ela não é receita da venda de mercadoria ou serviço, só podendo, assim, ser exigida se considerado o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS trazido pelo § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, que, como já visto, foi julgado inconstitucional pelo E. STF e não pode figurar como fundamento de validade dos lançamentos. o com relação à suposta infração da não inclusão nas bases de cálculo do PIS e da COFINS dos valores recebidos pela seguradora a título de prêmio deve ser julgado improcedente o lançamento porque a análise da legislação reguladora da Contribuição para o PIS e da COFINS até a atual Lei nº 9.718/98, editada antes do advento da EC 20/98, com fundamento no artigo 195, I, da CF/88 na sua redação original, evidencia que essas exações sempre incidiram sobre receitas específicas e determinadas — decorrentes da venda de mercadorias, mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza que compõem o faturamento; e os prêmios não decorrem da venda de mercadorias (pois seguros não são mercadorias), nem da venda de serviços (pois seguros não envolvem qualquer obrigação de fazer), mas tão somente da assunção do risco do segurado quanto à ocorrência futura e incerta de um sinistro ou evento, razão pela qual o premio pago pelo segurado à seguradora em troca dessa assunção de risco não se insere no faturamento, que, como vimos, deve ser entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não procedendo a pretensão fiscal de exigir PIS e COFINS no caso concreto. o que não cabe a exigência de juros de mora sobre multa de ofício por que a única interpretação possível do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo está a disciplinar os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. o há ilegalidade na utilização da taxa SELIC como juros de mora pois, no caso presente, eles jamais poderiam ser exigidos na dimensão pretendida pela ilustre Fl. 8482DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 5 7 autoridade fiscal, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa SELIC acumulada mensalmente, a qual além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN. Em 29 de novembro o contribuinte desiste de parte do seu recurso, conforme expediente de fls. 8420, no que se refere à infração pela exclusão das bases de cálculos do PIS e da COFINS das despesas com assistência dia e noite (24 horas), mas mantendo com relação às demais que constituem as autuações. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Relator Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, entendo o que já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § 1º, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Entretanto, essa declaração de inconstitucionalidade, face a diversidade de atividades das pessoas jurídicas, não definiu quais cujas receitas dela decorrentes estão incluídas ou não nas bases de cálculo do PIS e da COFINS. Tanto é assim, que, à Suprema Corte têm sido endereçados novos pedidos, questionamentos e argumentações para se obter o esclarecimento pacificador para se saber que receitas são as que devem ser tributadas. Portanto, afirmar que o § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, é inconstitucional não supre a demanda por estabelecer o significado do texto que descreve a hipótese de incidência. E, a meu ver, este é o caso das seguradoras, e das receitas provenientes da recuperação de despesas de resseguro, das comissões sobre prêmios cancelados e restituídos, das variações monetárias de depósitos judiciais. O contribuinte ingressou com a ação judicial para obter (a) declaração de inexistência de relação jurídica ao recolhimento do PIS e da COFINS nas competências de Fl. 8483DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 janeiro/2006 a agosto/2008 com base no § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; (b) reconhecer como indevidos os pagamentos realizados a este título cuja receita computada nas bases de cálculo não seja exclusivamente proveniente de venda de mercadoria e prestação de serviços, estando fora desse conceito os prêmios de seguro, receitas financeiras, juros sobre capital próprio, dividendos, etc. Como se vê, o objeto da ação judicial se restringe a um período determinado, e tem por finalidade última que seja reconhecido ter havido pagamento a maior que o devido dessas contribuições nesse período, o que difere do objeto deste processo administrativo. Com relação à discussão da incidência do PIS e da COFINS sobre atualização monetária de depósitos judiciais: por conflitar com a declaração de inconstitucionalidade, entendo que não pode ser mantido o lançamento desses tributos cuja motivação e fundamentação legal tenha sido exclusiva e exatamente o teor desse § 1º do art. 3º, qual seja, "a totalidade das receitas auferidas pelas pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Este é o caso do lançamento com relação a essa infração (a não inclusão nas bases de cálculo das atualizações monetárias dos depósitos judiciais). Por isso, proponho que seja dado provimento ao recurso voluntário neste aspecto. Além disso, a meu ver, a atualização monetária dos depósitos judiciais, quando seguir regime específico dependente e vinculado à decisão futura da autoridade judicial, pode ser considerado como passível de inclusão na base de cálculo de exação tributária, se assim dispuser a legislação própria, quando se der a decisão que justifica a liberação do depósito para que o valor dele decorrente possa vir a integrar de pleno direito o patrimônio do depositante e possa dele dispor como lhe aprouver, e serem assim consideradas como realmente auferidas. E não vejo conflito desse entendimento com o firmado no Ato Declaratório SRF n. 73/1999, pois esse não propõe proceder divergente para a especificidade do regime dos depósitos em autos dependentes de decisão judicial, inclusive por que tenho que depósito judicial nessa condição não se trata de direito de crédito ou de obrigação do contribuinte. Com relação ao questionamento de que os valores de recuperação de despesas de resseguro e os valores das comissão sobre prêmios cancelados e restituídos não integrariam a base de cálculo do PIS e da COFINS, creio que razão não assiste à recorrente. Até onde posso vislumbrar: (1º) a restituição à seguradora da comissão que havia sido inicialmente registrada na contabilidade como despesa motivada pelo cancelamento ou pela devolução de prêmio é recuperação de despesa e ela adquire natureza de receita para fins da incidência e apuração do PIS e da COFINS; (2º) o valor de recuperação de despesas de resseguro ingressa no patrimônio da contribuinte e está relacionada à atividade de operações de seguro atividades características do empreendimento e objeto social do contribuinte e , portanto, é receita que deve compor a base de cálculo para fins de determinação do PIS e da COFINS. A meu ver, não procede a argumentação que a inclusão das recuperações de despesas de resseguro e das comissões sobre prêmios cancelados e restituídos seria o entendimento de que "toda e qualquer receita independente da classificação contábil", ou seja, o do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, já declarado inconstitucional, e seria mais um caso de submissão ao indigitado alargamento da base de tributação. Ao contrário, essas inclusões na base de tributação é proceder necessário, afinal, o prêmio havia sido incluído nas bases e a comissão correspondente tratada como despesa. Ocorrendo o cancelamento e a restituição do prêmio e da comissão há que se deduzir Fl. 8484DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 6 9 o valor do prêmio das bases, mas também adicionar a comissão restituída. Raciocínio semelhante com a despesa de resseguro. Corretas as conclusões dos Julgadores a quo nesse particular, que aqui reproduzo para integrar este voto: 62. Também neste aspecto não assiste razão a impugnante. A despesa de comissões integra o resultado operacional da seguradora e está diretamente ligada à receita oriunda da sua atividade que é a receita de prêmio. Os registros contábeis desses valores são efetuados em obediência ao regime de competência, ou seja, na medida em que as receitas são auferidas e as despesas incorridas. No caso de cancelamento e restituições de prêmios, os valores cancelados e restituídos são registrados em contas de despesas específicas, podendo ser estes deduzidos para cômputo da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. Simultaneamente, os valores das comissões sobre os prêmios cancelados e restituídos são registrados a crédito em contas específicas retificadoras da conta Despesa de Comissão, e a débito em conta do passivo denominada “Comissão sobre prêmios emitidos”, aumentando o lucro operacional da seguradora ou diminuindo o seu prejuízo, conforme o caso, e diminuindo a sua obrigação no que se refere ao pagamento de comissão sobre prêmios emitidos. 63. Como pode ser observado o valor das comissões sobre os prêmios cancelados e restituídos representa, de fato, uma recuperação de despesas cuja natureza é de receita operacional, já que foi incorporada de forma definitiva ao patrimônio da seguradora e está diretamente relacionada com as operações de seguro. Assim, ainda que se afaste a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, tais receitas devem ser oferecidas à tributação pela Contribuição para o PIS e pela Cofins, por serem receitas oriundas da atividade da empresa. .... 71. Não procede tal entendimento. Assim como o valor das comissões sobre os prêmios cancelados e restituídos, o valor de recuperação de despesas de resseguros é receita operacional da seguradora, já que foi incorporada de forma definitiva ao patrimônio da seguradora e está diretamente relacionada com as operações de seguro. Ademais, essa receita não se encontra dentre aquelas abrangidas pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, por ser receita oriunda da atividade da empresa, devendo ser oferecida à tributação pela Contribuição para o PIS e pela Cofins. Também não procede o argumento de que essa restituição de comissão são meros ingressos que transitam para repasse aos segurados. A seguradora não é mediadora entre corretor e segurado. São distintas, embora interdependentes, mas sem caracterizar uma mediação, as relações entre segurado e seguradora e seguradora e corretor, no âmbito dos prêmios contratados. A recorrente argumenta "que os prêmios não decorrem da venda de mercadorias (pois seguros não são mercadorias), nem da venda de serviços (pois seguros não envolvem qualquer obrigação de fazer), mas tão somente da assunção do risco do segurado quanto à ocorrência futura e incerta de um sinistro ou evento, razão pela qual o prêmio pago pelo segurado à seguradora em troca dessa assunção de risco não se insere no faturamento, que Fl. 8485DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 deve ser entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, não procedendo a pretensão fiscal de exigir PIS e COFINS no caso concreto." Mas essa argumentação não convence, pois é fato que se está buscando a intervenção judicial, para que se tenha definição. Tenho como certo que o prosseguimento do debate nas Altas Cortes e entre os estudiosos da matéria têm proporcionado mais elementos para obtermos mais clareza e discernimento, especialmente considerando as peculiaridades dos tipos de atividades que geram as receitas versus as características dos tipos de pessoas jurídicas. Nesse âmbito não há definição judicial de observação compulsória que exclua os valores recebidos a título de prêmios das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Ao contrário do que explica a recorrente, esse tipo de valores deve ser considerado como receita operacional por corresponder a atividade típica de pessoa juridica dedicada ao ramo de seguros. Tendo em vista essas peculiaridades, esses valores constituiriam uma receita a ser considerada equivalente àquela proveniente da venda de mercadoria e de prestação de serviços. Considero que não assiste razão à recorrente nesse particular. Com relação à incidência de juros de mora sobre multa de ofício: A convicção que exponho e submeto a esse colegiado é que o § 3º do artigo 61 da Lei n. 9.430, de 1996, prevê juros de mora sobre os débitos, decorrentes de tributos federais, que não foram pagos no vencimento. A meu ver a exigência de juros de mora sobre multa de ofício ocorre quando não é ele recolhido no prazo estabelecido para pagamento a partir da condição da definitividade do crédito tributário. Proponho acolher o recurso voluntário nesse particular. Quanto às alegações da ilegalidade da taxa SELIC e que ela contraria o § 1º do art. 161 do CTN, creio que razão não assiste à recorrente. Compartilho do entendimento dos I. Julgadores a quo ao ponderarem que; "...em momento algum o citado dispositivo [§ 1º do art. 161 do CTN ] limita a taxa de juros de mora em um por cento ao mês. O artigo determina que cabe à lei ordinária estabelecer o percentual de juros de mora tributários, mas, na ausência ou no silêncio desta, os juros serão cobrados à taxa nele estabelecida. No caso, uma vez que os artigos 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, e 61, § 3º da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 dispõem que os juros de mora são equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, não merece acolhida a alegação de ilegalidade quanto à sua cobrança, sendo que, ademais, a natureza da taxa Selic em si não é relevante. Importa dizer que, conforme determinação legal, seu percentual foi adotado para o cálculo dos juros de mora. E, em sendo a atividade administrativofiscal do lançamento plenamente vinculada, não há outro procedimento possível que não seja a estrita obediência ao que dispõe a lei, inclusive sob pena de responsabilidade funcional." Proponho que não seja acolhida a alegação da recorrente nesse particular. Fl. 8486DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 16682.720731/201225 Acórdão n.º 3401002.832 S3C4T1 Fl. 7 11 Submeto a este Colegiado: dar provimento ao recurso com relação (i) à infração de não inclusão de atualizações monetárias de depósitos judiciais nas bases de cálculo do PIS e da COFINS e (ii) com relação à incidência de juros de mora sobre multa de ofício antes do prazo para seu recolhimento depois de decidida a definitividade do crédito tributário sobre a qual ela incide; e proponho negar provimento aos demais itens do recurso. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Em que pese os fundamentos do voto vencido, com as costumeiras vênias, divirjo quanto à inclusão dos valores correspondentes à recuperação de despesas de resseguro e os valores das comissão sobre prêmios cancelados e restituídos na apuração do PIS/Pasep e Cofins. Ainda que acolha o argumento segundo o qual tais receitas guardariam pertinência com o resultado das atividades típicas da pessoa jurídica, tenho que, por se tratar de “recuperação de despesas”, como, aliás, reconhecem o próprio voto vencido e a decisão recorrida, não é possível qualificálas como “novas receitas”, no intuito de submetêlas novamente à incidência tributária, por força das disposições do art. 3º, § 2º, II da Lei nº 9.718/98, verbis: “Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Vigência” Notese que a lei faz menção à expressão “ingresso de novas receitas” para se referir aos valores que representem simples recomposição de patrimônio e que, anteriormente, já compuseram a base de cálculo das contribuições em comento, como sói ocorrer com o Fl. 8487DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 12 recebimento de créditos baixados como perda ou mesmo a reversão de provisões, nominalmente citados na lei, como também a recuperação de valores registrados como despesas. Os fatos jurídicos tributários sub examine dizem respeito à devolução da parcela da comissão dos intervenientes, corretores de seguros, nas hipóteses de restituição dos prêmios aos segurados. Segundo se extrai dos autos, quando do recebimento dos prêmios de seguros, ofertados integralmente à tributação, há uma parcela correspondente à comissão dos corretores, tal como previsto na legislação específica do ramo securitário, que não é abatida da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins, de maneira que, nas hipóteses de cancelamento da apólice e conseqüente devolução proporcional do prêmio, há a reversão concorrente daquela comissão à seguradora. Portanto, uma vez tributada originariamente, sob a rubrica prêmio de seguros, como um de seus componentes, não faria sentido lógicojurídico sua reinserção na apuração das exações, sob pena de verdadeiro bis in idem. O mesmo raciocínio é aplicável à recuperação de despesas de resseguro. Com estas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso nesta parte. Robson José Bayerl Fl. 8488DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ROBSON JOSE BAYERL, Ass inado digitalmente em 26/01/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720502/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3402-002.598
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, não corre prazo contra a Administração Tributária para análise de pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 05 02 /2 01 1- 17 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 530 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO – COMIGO transmitiu, em 10/02/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 36326.82099.100206.1.1.115682, visando à extinção de débitos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) pela via de sua compensação com créditos da nãocumulatividade de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social mercado interno, apurados com base na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Foram consideradas, para utilização do credito pleiteado no PER em referência, as declarações de compensação DComp arroladas nas fls. 141. Para análise do pleito, a Fiscalização intimou a reintimou o interessado a apresentar documentação comprobatória. Após, uma primeira resposta, em que pediu prorrogação do prazo para atendimento do solicitado, este respondeu que se considerava desobrigado da apresentação dos documentos requisitados porque já se havia transcorrido o prazo decadencial. O Despacho Decisório n° 719/2011 – DRF/GOI (fls. 259 a 271) indeferiu o pedido. Em reclamação, fls. 287 a 351, o interessado invoca o princípio da verdade material, para requere a juntada posterior de documentos. No mérito, alega, em síntese, que: (i) em nenhum momento houve recusa de sua parte em apresentar documentos; (ii) suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, depois de decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes; Fl. 530DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 531 3 (iii) o crédito tributário que é objeto do despacho decisório, tem como nascituro a data da transmissão eletrônica do PER, que ocorreu em 10/02/2006; (iv) dispunha a Fazenda de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, realizado por meio de PER, a contar da ciência do órgão fazendário da realização desse pedido, ou seja, da sua transmissão eletrônica; (v) poderia o Fisco não homologar o pedido de ressarcimento até 09.02.2011, o que não ocorreu, decaindo o seu direito de se manifestar contrário e; (vi) com a ocorrência da homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente as declarações de compensação dos débitos também devem ser homologadas. A 17ª Turma da DRJ/RJ1 julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 12066.605, de 6/26/2014, fls. 409 a 430, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório não está sujeito a prazo decadencial, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1. O arrazoado de fls. 441 a 481, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma, em preliminar a arguição da decadência do direito do Fisco de Fl. 531DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 532 4 proceder ao exame do PER. Entende que a Fazenda dispunha de cinco anos para homologar ou não o ressarcimento, contados da data de transmissão, em 10 de fevereiro de 2006. Encerrado o prazo em 09.02.2011, ocorreu a homologação tácita dos créditos vinculados ao referido pedido de ressarcimento, automaticamente os débitos utilizados nas DCOMPs, devem ser compensados. Pugna por que se interprete analogicamente o § 5° do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Reclama que informou pessoalmente ao Auditor Fiscal, que suas rotinas administrativas determinam eliminar automaticamente todos os documentos e arquivos magnéticos, após decorrido o prazo decadencial, salvo orientações expressas sobre atos pendentes. Informou ainda, que estava e está buscando resgatar os arquivos magnéticos apagados de seus sistemas eletrônico de dados. Conforme já dito, para ela, não mais existiam atos pendentes inerentes aos exercícios de 2003 a 2008, porquanto já fiscalizados e recolhidos pelo Fisco. Destaca que, se o Fisco tivesse cumprido sua obrigação no tempo certo, poderia ele próprio, buscar as informações em seus próprios sistemas e bancos de dados, visto que repassados tempestivamente, quando solicitados: Afirma que o descarte da documentação e sua não apresentação não foram mera opção da Recorrente, mas conseqüência de sua desobrigação de mantêla. Foi impossibilidade física momentânea, tendo em vista o decurso de prazo decadencial de seus efeitos tributários e necessidades operacionais de seus sistemas de processamento eletrônico de dados. Discorre sobre a vedação da utilização de tributo com efeito de confisco. Repete a arguição de falta de fundamentação para as glosas procedidas. Na continuação, repete os termos da sua reclamação, inclusive o pedido de abono de juros Selic ao valor do ressarcimento. Conclui, requerendo a intimação pessoal do patrono da causa da data e hora do julgamento do presente recurso. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 441 a 481 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ117ª Turma nº 12066.605, de 6/26/2014. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 533 5 Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto n° 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, inc. II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Indefiro. Preliminar de decadência do direito do Fisco de apreciar pedido de ressarcimento Tema preliminar, mas que perpassa toda a discussão de mérito proposta pelo recurso voluntário, argúise a decadência do direito de o Fisco indeferir o ressarcimento em prazo superior a cinco anos contados do ingresso do respectivo pedido. Para tanto, a recorrente faz alusões à previsão de homologação da Declaração de Compensação, especificada no artigo 74, § 5° da Lei n°.430, de 1996, introduzido pelo artigo 49 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74 [...] § 5° O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação A tese construída traduzse na aplicação analógica desse prazo para a Fazenda rever os cálculos elaborados pela contribuinte, tendentes a lhe conferir o direito ao ressarcimento. Ora, o prazo a homologação tácita de DComp está expressamente definido em lei [justamente o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, transcrito acima, que se aplica exclusivamente à compensação do débito de tributo próprio que o contribuinte interessado declarou/confessou na DCOMP por ele transmitida à Receita Federal]. Já para o exame da legitimidade de créditos não há prazo legalmente estatuído. Em não havendo qualquer restrição temporal ao exame da legitimidade de créditos solicitados pelo contribuinte, conseqüentemente, não decai o direito de o Fisco examinar a escrituração da contribuinte com o fim de verificar o montante de crédito a que faz jus. Se coubesse, ao caso, avaliações de analogia, deverseia, então, buscar seus fundamentos na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, que em seus artigos 97, caput e inciso VI, e 156, caput e inciso II, assim dispõe: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 534 6 II a compensação; Aplicandose, então, a analogia, verificase que se a compensação, que é hipótese de exclusão do crédito tributário, só pode ser disciplinada através de lei, do mesmo modo, o respectivo crédito que a ela conduz também só pode ser tratado através de lei. Assim, qualquer estipulação de prazo para o deferimento de pedido de ressarcimento também demanda a existência de lei definidora. Em não havendo a determinação legal concernente a prazo para a concessão do ressarcimento, válida é a averiguação, a qualquer tempo, do quantum a que faz jus o requerente de créditos contra a Fazenda Nacional. Hely Lopes Meirelles, em “O Processo Administrativo e em Especial o Tributário”, interpretando o alcance e as conseqüências do princípio da oficialidade, entende que “... a instância não perime, nem o processo se extingue pelo decurso de prazo, senão quando a lei expressamente o estabelecer”. Portanto, há que se indeferir a preliminar de decadência, em face da falta de disposição legal que obrigue a autoridade administrativa a ressarcir saldos credores independentemente de averiguar o real direito do interessado. Esse entendimento está amparado em sólida jurisprudência desta instância recursal: Acórdão n° 3402002.301, de 29 de janeiro de 2014: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDEFERIMENTO. CARÊNCIA DE PROVA. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a documentação hábil a legitimar o crédito pretendido e não o feito, bem como, deixado ainda de trazêla em quaisquer oportunidades processuais, é de se indeferir o pedido de ressarcimento pretendido, pela carência de prova de sua existência. Inteligência do art. 333 do CPC. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Pela absoluta ausência de previsão legal, e nos termos dos precedentes deste Colegiado, inexiste prazo para análise de pedido de ressarcimento por parte da Administração Tributária, sendo o prazo de 5 anos suscitado pelo contribuinte estendido apenas aos Pedidos de Compensação, o que foi observado no processo. Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 3403.002.568, de 1º de novembro de 2013: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 535 7 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO TÁCITO. ART. 24 DA LEI Nº 11.457/2007. Conquanto esteja sedimentado no STJ entendimento segundo o qual a administração tributária deve decidir os processos no prazo de 360 dias, o descumprimento desse prazo não gera como consequência jurídica o deferimento tácito do pedido de ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inexistindo declaração de compensação vinculada ao pedido de ressarcimento, não flui contra a administração o prazo de cinco anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. CRÉDITOS FICTOS. INSUMOS IMUNES, ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. O regime jurídico dos créditos de IPI somente autoriza o aproveitamento do crédito se houver incidência do imposto na operação de aquisição dos insumos. Recurso voluntário negado. Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. REQUISITOS. Somente é passível de ressarcimento o saldo credor trimestral apurada na escrituração fiscal, o que pressupõe o trânsito obrigatório dos créditos pelo livro de apuração fiscal e o encontro de contas entre os débitos e créditos do imposto. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. ESCRITURAÇÃO REGULAR. Não há que se falar em inversão de ônus de prova em relação à procedimento de adoção legal obrigatória pelo sujeito passivo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. PRAZO PARA ANÁLISE. INEXISTÊNCIA. Quer sob a denominação de homologação tácita, decadência ou qualquer outra, inexiste prazo legal para a apreciação de pedido de ressarcimento de IPI a partir da data do direito de crédito. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 536 8 Recurso Voluntário Negado. Acórdão n° 330200.526 de 23 de agosto de 2010 IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI LEI N° 9.36.3/96 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 IPI PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO SATISFATÓRIO A INTIMAÇÃO.De se manter decisão que referendou procedimento do Fisco no sentido de não apreciar o mérito de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, porquanto, devidamente intimada, a.,interessada não logrou apresentar os elementos essenciais para a confirmação do valor pleiteado e, consequentemente, o reconhecimento do favor fiscal envolvido, não obstante, entre a data do pedido e a data da intimação, tivessem se passado mais de sete anos. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI, "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA". IMPOSSIBILIDADE. O transcurso de mais de cinco anos entre a data do pedido de ressarcimento de crédito de IPI e a de sua análise pela autoridade administrativa não configura o seu reconhecimento por conta de uma "homologação tácita", instituto existente na legislação apenas para a "declaração de compensação". Muito embora o recorrente não o tenha alegado, convém destacar, incidentalmente, que tampouco há falar em homologação tácita de qualquer das declarações de compensações que se analisa. Ônus da prova em processos de iniciativa do contribuinte Quanto à possibilidade de se deferir pedido de ressarcimento e homologar compensações sem que o interessado tenha feito prova cabal da liquidez e certeza do crédito pleiteado, acolho integralmente os fundamentos da decisão recorrida e os adoto como razão de decidir, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A decisão está em linha com o que vem decidindo este Colegiado. Ilustro (Acórdão n° 3403003.168, de 20 de agosto de 2014, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado na DCOMP. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 537 9 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. EXISTÊNCIA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. CASOS DE DILIGÊNCIA. Incumbe ao postulante a prova da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação. Se a verificação da existência e da liquidez for possível a partir da documentação apresentada pelo postulante, mas demandar procedimento de verificação fiscal/contábil, cabível a realização de diligência. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante. A propósito, este Colegiado vem sufragando o entendimento de que não há violação do princípio da verdade material quando a Fiscalização denega pedidos do contribuinte que, intimado, não tenha feito prova cabal de seu direito. Transcrevo, nesse sentido, excerto do voto condutor do Acórdão n° 3403002.981, de 27 de maio de 2014, da lavra do ínclito Conselheiro Rosaldo Trevisan (unânime): Assim, não há que se falar em violação da verdade material (ou do devido processo legal), pois o fisco cumpriu com seu dever de diligência, somente não tendo logrado êxito na conclusividade da análise em função da falta de cooperação da própria recorrente. Há que se ter em mente que a verdade material conformase em duas feições, como ensina James Marins: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1” E igualmente refutada deve ser a alegação de violação à legalidade, ao direito à propriedade, ou à moralidade, visto que a empresa não faz prova contábil de ser detentora de direito creditório, o que impede o reconhecimento do crédito, até por questão de interesse público. Da mesma forma em que é incabível o locupletamento indevido pelo Erário, é inconcebível que se autorize crédito a contribuinte sem saber conclusivamente se este é devido. Atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusões À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10120.720502/201117 Acórdão n.º 3402002.598 S3C4T2 Fl. 538 10 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10380.906709/2009-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS.
Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 - Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475-L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação.
Numero da decisão: 3401-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simôes Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI N" 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 67 09 /2 00 9- 93 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simôes Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente de pedido de compensação informado em PER/DCOMP que não foi homologado, e que percorre as instâncias julgadoras pela persistente inconformidade do contribuinte, nos termos da legislação que disciplina a matéria. A Autoridade Administrativa, consoante despacho decisório, entendeu por não homologar a compensação pleiteada pela Requerente, através da PER/DCOMP referenciada em epígrafe, sob os seguintes fundamentos: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 232,52. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” [...] Diante da inexistência do crédito, NAO HOMOLOGO a compensação declarada O contribuinte contestou essa decisão. Explicou que seu direito creditório para realizar a compensação provinha da redefinição da base de calculo do Pis e da COFINS conforme constava no texto legal, mas que havia deixado de registrar esse valor nas DCTF e DIPJ, razão porque o sistema informatizado de controle identificou falta de crédito e não homologou a compensação. Mas que providenciou a DCTF e a DIPJ retificadora. Sua argumentação, in verbis: · Consoante exposto nas razões de fato, a Requerente quando da definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, incluiu, no conceito de faturamento, além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, outras receitas nãooperacionais, tais como receitas financeiras, decorrentes de descontos obtidos, juros ativos, variação monetária, rendimentos de aplicações, recuperação de despesas e reversão de provisões, conforme comprovam os balancetes elaborados à época (DOC. 04), a seguir descritos · Sobre o montante acima identificado, apurou os valores a pagar das referidas Contribuições, cujas informações foram devidamente prestadas à Receita Federal, através das declarações entregues à época, quais sejam DIPJ's e DCTF's. Ato contínuo, efetuou o recolhimento dos valores supostamente devidos, através de Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906709/200993 Acórdão n.º 3401002.869 S3C4T1 Fl. 3 3 bem como efetuou a vinculação de outros créditos, decorrentes de compensações outrora realizadas. · Ocorre que, por força da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a Requerente passou a ser detentora de créditos oriundos dos recolhimentos efetuados a maior, a título das referidas Contribuições, relativamente à parcela calculada sobre outras receitas, ... : · A Requerente, todavia, não obstante ter identificado a existência desses créditos em seu favor, não efetuou as retificações necessárias das Declarações originalmente transmitidas à Receita Federal DIPJs e DCTF's motivo pelo qual o Fisco, ao cruzar os valores declarados e os DARF's pagos, não identificou o recolhimento realizado a maior, entendendo que os pagamentos localizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. · Por ocasião da presente manifestação de inconformidade, a Requerente procedeu às retificações necessárias das declarações apresentadas à Receita Federal, devidamente transmitidas DIPJ's e DCTF's (DOC. 05), aptas a comprovar o montante do crédito existente, este amparado na contabilidade e demais documentos da Requerente. · Vislumbrando a documentação acostada, fácil constatar que houve pagamento a maior do período, visto que, a partir das Declarações Retificadoras, o valor efetivamente devido a título de COFINS em 30/04/2002 perfazia originalmente R$ 12.513,50 (doze mil, quinhentos e treze reais e cinqüenta centavos), ao passo que foi efetuada a vinculação de créditos (pagamentos e compensações) no montante de R$ 12.746,02 (doze mil, setecentos e quarenta e seis reais e dois centavos) (também valores principais), remanescendo saldo credor original de R$ 232,52 (duzentos e trinta e dois reais e cinqüenta e dois centavos), valor este integralmente utilizado nesse Pedido de Compensação.. Em sede de apreciação do pedido do contribuinte a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza(CE) exarou o Acórdão 0818.225– 4ª Turma, em 15 de junho de 2010, ponderando que: "(...) cabe vincar que a declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos (contábeis e fiscais) que fundamentam a retificação." A respeitável 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza CE apreciou a contestação da contribuinte, mas concluiu pelo indeferimento do seu Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 pedido. Em suma, entendeu que não havia direito liquido e certo quando do pedido de compensação, e que a declarações retificadoras não poderiam produzir efeito para sanear o fato, representado pela exigência relacionada à não homologação. A ementa do Acórdão 0818.225 ficou assim redigida: ASSUNTO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVAS. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. DCTF. RETIFICAÇÃO. DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. E legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório. Se entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante ajuntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, onde, além das razões presentes na impugnação, acrescenta outras adicionais porque pede a reforma da decisão de 1º grau: · Seu direito creditório provem do recolhimento indevido de Pis e Cofins face a inconstitucionalidade reconhecida do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. o “Preliminarmente, antes de adentrar nas razões que levaram à improcedência da Manifestação de Inconformidade em comento, importa destacar que o direito creditório diz respeito à possibilidade de compensação dos valores indevidamente recolhidos pela Recorrente a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sob a égide do inconstitucional § I o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98.” o “Com a declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, pelo Plenário do Egrégio Supremo Tribunal Federal, restaram reconhecidas como indevidas as majorações da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS decorrentes da ampliação de suas bases de cálculo, assim entendidas como faturamento, deixando de ser considerado como a totalidade das receitas da pessoa jurídica, para voltar a ser entendido como as receitas advindas da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços.” Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906709/200993 Acórdão n.º 3401002.869 S3C4T1 Fl. 4 5 · Em sua opinião, a legislação que rege as DIPJ E DCTF prevê o direito do contribuinte retificar as declarações por ele prestadas, inclusive para louvar os princípios de justiça e da verdade material que devem orientar os procedimentos das relações tributárias: o “Ocorre que mesmo reconhecendo a possibilidade de devolução dos valores recolhidos a maior pela Recorrente, a Ilustre Turma entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento da impossibilidade de análise das retificações de declarações apresentadas após o despacho decisório que não homologara as compensações, o que, a seu ver, impossibilitaria a análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado.” o “No caso em comento, a Autoridade Administrativa afirma que o despacho decisório (de não homologação das compensações) levara em conta as informações prestadas em DCTF original, e que o manifestante retificou a DIPJ e a DCTF depois de cientificado do decisório impugnado, o que impossibilitaria a análise das referidas retificações, a não ser que a defesa administrativa fosse acompanhada de provas inequívocas da existência do crédito.” o “ Ocorre que o procedimento de retificação da DCTF, na forma em que fez a Recorrente, não incorre em qualquer vedação, motivo pelo qual merece ser acatado, senão vejase. (...) A Instrução Normativa RFB n°. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época da retificação das DCTF's que albergam o crédito pleiteado, dispõe, em seu art. 11, sobre os efeitos da referida retificação” (...) E o item ‘c’ desse artigo 11 não pode ser interpretado como restrição para a retificação e seus efeitos pois o contribuinte não havia sido intimado do inicio de procedimento fiscal, mas apenas cientificado do despacho eletrônico de não homologação de seu pedido de compensação. o O princípio da verdade material impõe às autoridades administrativas o dever de apurar todos os fatos que lhe são apresentados na busca da verdade real, não se limitando a emitir juízo acerca dos documentos analisados a partir de mera presunção. o Desta forma, a autoridade administrativa competente para decidir não está limitada às provas produzidas pelas partes, nem está restrita às suas alegações, devendo obrigatoriamente buscar todos os elementos que julgar necessários e suficientes ao seu livre convencimento. o Assim, dada à importância desse princípio, a busca da verdade material não é uma faculdade da autoridade administrativa, mas sim um dever, de modo que esta deve solicitar e analisar todos os documentos que entender necessários à elucidação do caso, principalmente quando o contribuinte apresenta documentação amplamente comprobatória do deu direito. · Não é verdade, como afirmaram os Julgadores que o contribuinte não comprovou seu direito ao crédito e à compensação: o Neste diapasão, afirmou a Autoridade Administrativa que a Recorrente "não se desincumbiu do ônus de comprovar o indébito ao instruir a sua manifestação apenas com a DCTF retificadora." o Ocorre que basta uma análise perfunctória da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, para verificar que a Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 mesma não instruiu referida impugnação "apenas com a DCTF retificadora", como afirmado pela Autoridade Administrativa. o Quando da apresentação da manifestação de inconformidade por parte da Recorrente, a mesma apresentou diversas PLANILHAS contendo o histórico da formação e utilização do crédito, acostando ainda como documentos, não só a referida DCTF retificadora, como também os BALANCETES do mês em questão com o detalhamento das receitas auferidas, acompanhados ainda da DIPJ devidamente retificada. o Dessa forma, o entendimento exarado no acórdão recorrido, pela não homologação da compensação declarada deve ser modificado, levandose em conta a documentação já apresentada pela Recorrente e já acostada aos autos, quando da apresentação de manifestação de inconformidade, que devem ser objeto de apreciação da Autoridade Administrativa, em obediência aos princípios da verdade material e da instrumentalidade. Este processo chegou à apreciação da Egrégia 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e foi submetido a apreciação, ocasião em que ela proferiu decisões e determinou diligência, tudo isso através da Resolução n.º 3402 000.165. Os Respeitáveis Conselheiros, ao analisarem as manifestações do contribuinte aduziram que: "De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente. Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada "balanço" e referida no recurso como "balancete", e por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas "demonstrações". Para baixar o processo em diligência para que a fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição o Colegiado decidiu que a autoridade da unidade de jurisdição levasse em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição, ou seja, considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, e que ela indicasse se há indébito no período de apuração em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão). A autoridade fiscal, como resultado no atendimento da diligência solicitada pelo CARF, de posse das informações apresentadas pelo contribuinte (Livro Razão), finaliza seu parecer informando: O crédito objeto do PER/DCOMP e tratado neste processo referese a COFINS do período de apuração ABRIL/2002. Após os procedimentos de auditoria, chegase ao seguinte valor de crédito a que faz jus o contribuinte: Base de cálculo COFINS apurada COFINS paga/retida Crédito da COFINS Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906709/200993 Acórdão n.º 3401002.869 S3C4T1 Fl. 5 7 R$ 417.116,78 R$ 12.513,50 R$ 12.746,02 R$ 232,52 Apesar de cientificada desse relatório fiscal e da possibilidade de se manifestar, o contribuinte nada apresenta a ser juntado ao processo. Assim, o processo retorna ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Há tempestividade do Recuso Voluntário e atendimento dos requisitos de admissibilidade. Tratase de recurso interposto contra decisão que indeferiu pedido de compensação declarado por meio do PER/DCOMP n° 07325.66513.290906.1.3.048912. O pedido de compensação objetiva compensar o alegado pagamento a maior de Cofins, referente ao mês de ABRIL de 2002 e efetuado em 15/05/2002, com débito de estimativa de CSLL, respeitante ao mês de agosto de 2006. Aliome aos que valorizam a busca da verdade material como concorrente à realização dos mais elevados propósitos do julgamento das lides na esfera administrativa. Há acórdãos proferidos em o Conselho de Contribuinte e no atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que representam essa orientação de que a busca da verdade material deve ser fortemente considerada nas relações tributárias e nas soluções dos contenciosos entre o Fisco e o Contribuinte: IRPJ FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO Em respeito à legalidade, verdade material e segurança jurídica não pode subsistir lançamento de crédito tributário quando não estiver devidamente demonstrada e provada a efetiva subsunção da realidade factual à hipótese descrita na lei como infração à legislação tributária. ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação. PROCESSOS REFLEXOS PIS COFINS IRF CSLL Respeitandose a materialidade do respectivo fato gerador, a decisão prolatada no processo principal será aplicada aos processos tidos como decorrentes, face a íntima relação de causa e efeito. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 3° Câmara, Relatora Mary Elbe Gomes Queiroz, Recurso n°. 124737, Processo n°. 10283.002174/9774, Acórdão n°. 10320594,sessão de 22/05/2001) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999 EXCESSO NA DESTINAÇÃO AO FINOR Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Como cediço, no processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que, buscase descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação, é de se levar em conta, que a preclusão temporal, em razão dos princípios da busca da verdade material, da legalidade e da eficiência pode vir a ter sua aplicação mitigada nos julgamentos administrativos. Recurso Voluntário Provido. (1° Conselho de Contribuintes, 8 Turma Especial, Relator Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, Recurso n°.156170, processo n°. 10820.002086/200366, Acórdão n°. 19800116, sessão de 30/01/2009). Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1994 a 30/04/2004 PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA PARA EXECUÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ELEMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material, tão caro no processo administrativo fiscal, deve prevalecer, de modo que sejam considerados documentos hábeis a comprovar a decadência das contribuições vinculadas à realização de obra de construção civil, ainda que não expressamente previstas nas normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Provido. (2° Conselho de Contribuintes, 6ª Turma Especial, Relator Kleber Ferreira de Araújo, Recurso n°. 246754, processo n°. 12045.000374/200772, Acórdão n°. 296 00078, sessão de 10/02/2009). IRRF DCTF ERRO DE PREENCHIMENTO Comprovados os recolhimentos de IRRF, mediante apresentação das guias respectivas, acompanhadas da regular retificação e complementação da DCTF e dos respectivos lançamentos contábeis, afastase o lançamento. Recurso provido. (Iº Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, processo n°. 10665.000668/200267, Recurso n°. 147364, Relatora Silvana Mancini Karam, Acórdão 10247820, Sessão de 16/08/2006) A meu sentir, correta foi a decisão e orientação dada pelo E. Relator na Resolução n.º 3402000.165 que originou o pedido de diligência, em suas palavras: “Não partilho, como já tive oportunidade de afirmar em outros julgados, a tese da Administração segundo a qual a homologação de compensações declaradas pelo sujeito passivo dependa de prévia retificação de sua DCTF quando nesta conste valor condizente com o pagamento realizado . O que é necessário, a meu ver, é que o alegado indébito esteja provado. E é por isso que não se pode ainda decidir o recurso.” “De fato, há nos autos diversos documentos, coerentes entre si, que demonstram o indébito. Mas nenhum deles é, ao menos comprovadamente, documento contábil cuja validação seja exigida legalmente.” “Entendo, por isso, que o acatamento do recurso requer a verificação, que já deveria ter sido feita em primeiro grau, da veracidade das informações apostas, primeiro, na planilha integrante da própria manifestação de inconformidade, depois, na peça intitulada “balanço” e referida no recurso como “balancete” e, por fim, na DIPJ entregue. Repisese que há perfeita consonância entre as diversas “demonstrações”. Sou, por isso, pela baixa do processo em diligência para que a d. fiscalização aponte qual é o valor devido da contribuição, argüida neste processo, levando em conta apenas o conceito de faturamento reconhecido pelo STF como apto a constituir a base de cálculo da contribuição. Mais especificamente: considerando apenas receitas de prestação de serviços e/ou de vendas de mercadorias, indique se há indébito no mês em discussão e qual o seu montante, com base nos livros contábeis exigidos pela legislação (Diário e Razão) a serem exibidos pelo Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 10380.906709/200993 Acórdão n.º 3401002.869 S3C4T1 Fl. 6 9 contribuinte. Dos resultados da diligência, seja cientificada a ora recorrente, abrindoselhe prazo de trinta dias para eventual contestação.” Portanto, não procede deixar de apreciar as retificações das declarações prestadas pelo contribuinte, nem de se verificar a sua correspondência com os próprios registros contábeis. E nessa direção, é que a verificação dos valores que seriam devidos do tributo é procedimento essencial para a apreciação e conclusão da lide. Como já exposto anteriormente, entendo que o Colegiado pode apreciar o mérito da lide, parcial ou totalmente, em sessões que não resultem em Acórdão final, mas, sim, em Resoluções. Entendo que, neste caso, o Colegiado apreciou e decidiu o mérito, no que concerne à não inclusão, na base de tributação do PIS e da COFINS, das receitas apontadas pela contribuinte em sua petição original e indeferida pela autoridade de jurisdição e pelos julgadores a quo. O processo retorna ao CARF para apreciar o resultado da diligência, tendo como válidas as decisões que conduziram e condicionaram a sua realização. Respeitando essa decisão, há que se reconhecer o teor das bases do direito creditório pleiteado. Esta posição adotada pelo Colegiado com relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998 tem respaldo em entendimento firmado neste Tribunal Administrativo. Há julgamentos do CARF que consolidam, nos casos concretos, a definição de que a ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, foi inconstitucional, afastando a aplicação da referida Lei, o que corresponde à tese do recorrente, conforme julgados a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2002, 31/05/2002, 31/08/2002 BASE DE CALCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às receitas financeiras pela Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitivo do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Acórdão 20181.260, de 03.07.08, Relator: José Antonio Francisco). COFINS E PIS RECEITA FINANCEIRAS INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 380840 MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o § Iº, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. Recurso provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Ia Câmara, Processo n". 10120.003831/200381, Recuso n°. 140629, Acórdão 10195764, Relator Mário Junqueira Franco Júnior, Sessão de 21/09/2006). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3o, § Iº, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. EFEITOS. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3o, § Iº, da Lei n° 9.718/98 (RREE n°s 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 Inf/STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § Iº, redação da Lei n° 11.232/2005). Afastada a incidência do § º do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributaria decorrente de sua aplicação. [...] Recurso voluntário provido. (Segundo Conselho de Contribuintes, Iª Câmara, Processo n°. 10980.011343/200318, Recurso nº 139409, Acórdão 20181235,Relator Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Sessão de 01/07/2008). Além disso, a contribuinte tem como objeto social os serviços de diagnóstico médico, e as receitas financeiras aqui em discussão não resultam de suas atividades empresariais operacionais. A autoridade fiscal, em seu relatório em atendimento à diligência confirma a suficiência do crédito para a compensação requerida pela contribuinte. Por todos esses elementos, concluo que deve se dar provimento ao recurso. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 12/ 02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909707/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 07 /2 00 9- 54 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909707/200954 Acórdão n.º 3202001.566 S3C2T2 Fl. 380 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.723049/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 30 49 /2 00 9- 54 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723049/200954 Acórdão n.º 2102003.241 S2C1T2 Fl. 186 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra CLAUDIO LUIZ SPERB Espólio foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 14/20, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda da Divisa, com área total de 489,9 ha (NIRF 0.515.6203), relativo ao exercício 2005, no valor de R$ 4.497,05, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 19/11/2009. A infração imputada ao contribuinte foi arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT) – R$ 5.498,90/ha: ITR 2005 Declarado Apurado na Notificação 16Valor da Terra Nua R$ 679.545,16 R$ 2.693.911,11 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0425.633, de 15/08/2011, fls. 156/166. Cientificado da decisão, acima referida, por via postal, em 13/09/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 172, o contribuinte apresentou, em 11/10/2011, recurso voluntário, fls. 174/178, onde requer o a seguir transcrito: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723049/200954 Acórdão n.º 2102003.241 S2C1T2 Fl. 187 3 a) A nulidade dos lançamentos realizados, com a reabertura do prazo para apresentar a documentação regulatória, visto que o lançamento ocorreu dentro do prazo para defesa. b) Superado o requerimento acima, requer a redução do VTN com base no valor real da propriedade e do valor das benfeitorias e a redução do grau de utilização em razão das pastagens e da lotação utilizada. c) A nulidade da aplicação de ônus de mora, visto que não restou oportunizado ao contribuinte a possibilidade de quitação espontânea do débito. É o Relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723049/200954 Acórdão n.º 2102003.241 S2C1T2 Fl. 188 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Nesse sentido, esclarece que a Notificação de Lançamento foi lavrada antes de decorrido o prazo concedido, durante o procedimento fiscal, para a apresentação de documentos comprobatórios das informações prestadas na Declaração de ITR. Inicialmente é importante dizer que não foi acostado aos autos o AR correspondente à ciência do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal, fls. 10. Todavia, verificase que o Termo foi lavrado em 14/09/2009, sendo concedido ao contribuinte um prazo de vinte dias para o atendimento da intimação. Já a Notificação de Lançamento, fls. 14, foi lavrada em 23/11/2009,com ciência postal em 01/12/2009, AR, fls. 148. Como se vê, entre as datas de lavratura do Termo de Intimação e da Notificação de Lançamento transcorreram exatos setenta dias, de modo que é bastante provável que a Notificação de Lançamento somente foi lavrada depois de já vencido o prazo para a apresentação dos documentos solicitados. Por outro lado, devese dizer que não há nos autos comprovação da alegação da defesa de que Dentro do prazo, providenciou a documentação solicitada, todavia, ao se dirigir a Receita Federal para entrega dos documentos comprobatórios foi informado pelo funcionário, Sr. David, que não poderia ser entregue a documentação pois o processo já havia sido encaminhado para a realização dos respectivos lançamentos. A defesa, embora faça tal afirmação, não juntou aos autos nenhum documento que demonstre a tentativa de apresentação dos documentos, tampouco da data em que tal fato, por ventura, tenha ocorrido. Contudo, ainda, que prevalecesse a afirmação da defesa, tal ocorrência não ensejaria a nulidade do lançamento, posto que, cientificado da Notificação, o contribuinte teve o prazo de trinta para a apresentação da impugnação, que deveria vir acompanhada de todos os documentos pertinentes a sua defesa. Logo, não restou configurado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, nos termos em que disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Ou seja, a Notificação de Lançamento foi lavrada por autoridade fiscal competente e no momento da apresentação da impugnação foi oportunizado ao contribuinte juntar aos autos todos os documentos, de que dispusesse, como de fato o fez, sendo certo que a referida documentação foi analisada pela autoridade de primeira instância, quando da apreciação da impugnação. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723049/200954 Acórdão n.º 2102003.241 S2C1T2 Fl. 189 5 No mérito, temse que o lançamento cuida de arbitramento do valor da terra nua (VTN), conforme disposto no art. 14 da Lei nº 9.393 de 1996. Em sua DITR/2005, o contribuinte informou VTN de R$ 679.545,16 (R$ 1.387,11/ha) e foi intimado a fazer a comprovação de tal valor, durante o procedimento fiscal, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 10, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com fundamentação e grau de precisão II ou III e anotação de responsabilidade técnica (ART). Encerrado o procedimento, sem que o contribuinte tenha apresentado o laudo solicitado, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do VTN em R$ 2.693.911,11 (R$ 5.498,90/ha), utilizando valor extraído do SIPT. No recurso, o contribuinte requer a redução do VTN, com base no valor real da propriedade e do valor das benfeitorias. Todavia, tal pedido vem desacompanhado do competente Laudo de Avaliação do imóvel em questão. Destaquese que o Laudo de Avaliação de Benfeitorias e Pastagens, fls. 56 e seguintes, apresentado pela defesa, não se presta para a comprovação do VTN declarado, posto que, conforme art. 8º, § 2º e art. 10, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.393, de 1996, o valor da terra nua é o valor de mercado do imóvel, excluídos os valores de mercado relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. Nestes termos, considerando que o contribuinte não comprovou o VTN declarado, pois deixou de apresentar o laudo de avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR 14.653 da ABNT, há de prevalecer o arbitramento do VTN, nos moldes em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Por fim, no que concerne à alegação da defesa de que não foi oportunizada ao contribuinte a possibilidade de quitação espontânea do débito, com dispensa da multa, cumpre dizer que não há disposição legal nesse sentido. A multa de ofício foi aplicada nos termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal apurou falta de pagamento de ITR em decorrência da infração a ele imputada. Logo, o contribuinte está sujeito à imposição da multa de 75%, que deve prevalecer, posto que a legislação de regência assim prevê, nos casos de lançamento de ofício. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723049/200954 Acórdão n.º 2102003.241 S2C1T2 Fl. 190 6 Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10930.003975/2005-65
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS,
O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-004.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543-B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos-calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62-A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 39 75 /2 00 5- 65 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.003975/200565 Acórdão n.º 2801004.040 S2TE01 Fl. 201 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canario da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Por meio do Auto de Infração de fls. 14/20, exigese do contribuinte R$ 8.603,91 de imposto, R$ 6.452,93 de multa de oficio de 75%, e encargos legais, decorrentes da revisão da declaração de rendimentos relativa ao exercício 2001, ano calendário 2000, em face de omissão de rendimentos decorrentes de reclamatória trabalhista movida contra a Eletrosul, no valor de R$ 41.861,79. A autuação foi fundamentada nos art. 1° ao 30 e 6°, da Lei 7.713, de 22 de dezembro de 1988; art. 10 ao 3° da Lei 8.134, de 14 de abril de 1990; art. 1°, 3°, 5°, 6°, 11 e 32, da Lei n.° 9.250, de 26 de dezembro de 1995; art. 21 da Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Lei 9.887, de 07 de dezembro de 1999; art. 43 e 44, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999, e alterou os rendimentos recebidos de pessoa jurídica de R$ 15.524,44 para R$ 57.386,23. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 07/11/2005, por meio de representante (procuração à fl. 13), a impugnação de fls. 01/12, acolhida como tempestiva pela unidade de origem (fl. 151), instruída com os documentos de fls. 14/43, onde, preliminarmente, alega decadência do direito de a Fazenda Pública constituir, em 07/10/2005, o crédito tributário decorrente da indenização trabalhista recebida em 15/06/2000. Alega, ainda, ilegitimidade passiva, pois, entende que a obrigação pela retenção e recolhimento do imposto incidente sobre as verbas trabalhista seria da fonte pagadora. Insurgese contra a multa de oficio 75%, por inexistir dolo e ter agido em consonância com decisões que transcreve, não podendo o fisco por mera divergência de interpretação, aplicar lhe uma multa que é devida pela fonte pagadora, nos termos do art. 722, do RIR/1999. Alternativamente, requer a exclusão de verbas isentas e não tributáveis, conforme planilhas que anexa, além de honorários advocatícios. Requer que lhe seja oportunizada a retificação da declaração para mudança de formulário simplificado para completo, pois, com a alteração dos rendimentos tributáveis, foi drasticamente Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.003975/200565 Acórdão n.º 2801004.040 S2TE01 Fl. 202 3 onerado, de forma, a lhe permitir a recomposição da base de cálculo do imposto com a apropriação de todas as despesas dedutíveis. Protesta pela realização de perícia para constatar quais rubricas e montantes computados não estariam sujeitas ao IR; qual a base de cálculo após levarse em conta todas as deduções permitidas; qual o montante das despesas judiciais e, colocase à disposição do perito para prestar esclarecimentos e documentos necessários. Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. No lançamento de oficio a contagem do prazo decadencial obedece a regra geral expressamente prevista no art. 173, I do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RENDIMENTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO NA FONTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Tratandose de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração de ajuste anual, inexiste responsabilidade tributária concentrada exclusivamente na pessoa da fonte pagadora. AÇÃO JUDICIAL. PERDAS SALARIAIS. REPOSIÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos referentes a diferenças ou atualizações de salários, inclusive juros e correção monetária, recebidos acumuladamente por força de decisão judicial, devem ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual; cabendo, no entanto, excluir as verbas isentas recebidas a título de aviso prévio e FGTS. 13° SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Em razão de estar sujeita à tributação exclusiva na fonte, a parcela referente ao 13 0 salário não pode ser incluída entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. PROPORCIONALIDADE. As despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, observada a Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.003975/200565 Acórdão n.º 2801004.040 S2TE01 Fl. 203 4 proporcionalidade entre os rendimentos tributáveis, isentos e de tributação exclusiva, podem ser excluídos da base de cálculo. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. É desnecessária a perícia que objetiva responder a questões que não dependem de conhecimento técnico especializado não dominado pela autoridade julgadora. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de oficio é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal, possui previsão legal e aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de oficio é supedâneo à sua exigência. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente em Parte Regularmente cientificado daquele acórdão em 24/06/2008 (fl. 182), o Interessado, representado por seu advogado, interpôs recurso voluntário de fls. 183/194, em 15/07/2008. Em sua defesa, reitera os argumentos da impugnação. Conforme Resolução de fls. 196/197, foi sobrestado o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF, conforme Resolução de fls. 647/649, tendo em vista que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Com a revogação dos §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF, conforme Portaria nº 545 de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013, o recurso voluntário foi incluído em pauta para julgamento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.003975/200565 Acórdão n.º 2801004.040 S2TE01 Fl. 204 5 Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Deixo de apreciar as preliminares suscitadas, por se vislumbrar, no mérito, decisão favorável ao recorrente. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de ação trabalhista, cuja tributação ocorreu sob a regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. A constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O julgamento do referido Recurso Extraordinário (transitado em julgado em 09/12/2014) manteve a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 reconhecida pelo TRF da 4ª Região. A decisão foi assentada no fundamento de que ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.(RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou bases de cálculo, Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10930.003975/200565 Acórdão n.º 2801004.040 S2TE01 Fl. 205 6 alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveriam ter utilizados, de acordo com o Supremo Tribunal Federal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 16/03/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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