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Numero do processo: 15215.720179/2011-38
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2010
TRIBUTAÇÃO. VALIDADE JURÍDICA DOS ATOS.
A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
As contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria estão sujeitas a juros e multa de mora conforme disposto na Lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2403-001.835
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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VALIDADE JURÍDICA DOS ATOS. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. As contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria estão sujeitas a juros e multa de mora conforme disposto na Lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 01 79 /2 01 1- 38 Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720179/201138 Acórdão n.º 2403001.835 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte , Acórdão 0236.951 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Submetido à fiscalização conforme Mandado de Procedimento Fiscal nº 0610300.2011.00800 ficou constatado que o Município de Mendes Pimentel Prefeitura Municipal incorreu em descumprimento de obrigações principais e acessórias, tendo sido lavrados em seu nome os seguintes autos de infração, em 23/9/2011: 1 – de Obrigações principais: DEBCAD 51.005.7446 – valor total originário de R$287.229,95 – período 012009 a 12/2009 referese à exigência de contribuição destinada a Seguridade Social, a cargo da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidente sobre valores excluídos indevidamente da folha de pagamento, bem como aos fatos geradores verificados nos empenhos relativos aos empregados (contratados, comissionados, efetivos e agentes políticos), contribuintes individuais e transportadores autônomos. DEBCAD 51.005.7454 – no valor total originário de R$22.245,98, período de 01/2009 a 12/2009, referentes à contribuição social não descontada e R$52.275,96 referentes à contribuição social descontada dos segurados empregados e contribuintes individuais, não repassada em época própria à Seguridade Social. As contribuições não foram declaradas em GFIP. DEBCAD 51.005.7462 – no valor total originário de R$1.735,29, período 01/2009 a 12/2009, referente às contribuições destinadas a Outras Entidades – Terceiros (SEST e SENAT), calculadas sobre os pagamentos efetuados aos transportadores autônomos e não recolhidas. 2 – de Obrigações acessórias: DEBCAD 51.005.7489 – por ter deixado de incluir em folha de pagamento segurados empregados e contribuintes individuais, remunerados através de notas de empenho, nos meses de janeiro a dezembro de 2009 (PLAN 003). Infringência: artigo Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 32, inciso I, da Lei 8.212, de 1991, c/c artigo 225, inciso I, e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Foi aplicada multa, na forma dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 1991, e 283, inciso I, alínea “a”, e 373 do Regulamento da Previdência Social, de 1999, no valor de R$1.524,43. DEBCAD 51.005.7497 – por ter deixado de apresentar informações em meio digital do período de 2007 a 2008 (folhas de pagamento e contabilidade), solicitadas através dos Termos de Início de Procedimento Fiscal, de 29/6/2011, com ciência do sujeito passivo em 30/6/2011 e de Intimação Fiscal 001, de 29/7/2011, com ciência em 1/8/2011. Houve a apresentação dos arquivos magnéticos em formato Manad apenas para o período de janeiro a dezembro/2009. Infringência: artigo 32, inciso III, e § 11, da Lei 8.212, de 1991, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c artigo 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999. Foi aplicada multa, na forma dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 1991, e 283, inciso II, alínea “b”, e 373 do Regulamento da Previdência Social, de 1999, no valor de R$15.244,14. DEBCAD 51.005.7500 deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, remunerados através de notas de empenho, nas competências 01 a 12/2009 (Planilha 005). Infringência: artigos 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8212, de 1991, e 4º da Lei 10.666, de 2003, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social, de 1999. Em decorrência da infração, foi aplicada multa, nos termos dos artigos 92 e 102 da Lei 8.212, de 1991, 283, inciso I, alínea “g”, e 373 do Regulamento da Previdência Social, de 1999, no valor de R$1.524,43. DEBCAD 51.005.7420 – O Município entregou, via Conectividade Social, as GFIPs das competências 05/2009 e 08/2009, em 10/6/2009 e 10/9/2009, respectivamente, portanto, em atraso, ou seja, após o prazo fixado na legislação previdenciária e antes de iniciado o procedimento fiscal. Infringência: artigo 32, inciso IV, e § 9º, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Em decorrência da infração, foi aplicada multa, com base no artigo 32A, caput, inciso II, §§ 1º, 2º e 3º, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, no valor de R$1.073,85, como demonstrado no anexo AIOA 77. DEBCAD 51.005.7438 – O Município apresentou GFIP com incorreções ou omissões em dados relacionados a fato gerador, nas competências junho a novembro/2006, janeiro a Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720179/201138 Acórdão n.º 2403001.835 S2C4T3 Fl. 4 5 dezembro/2007 e de janeiro a novembro/2008, e não relacionados a fato gerador em 12/2008 e de janeiro a 13/2009, conforme Planilha de fls. 67/68 (AIOA 78). Infringência: artigo 32, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Em decorrência da infração, foi aplicada multa, no valor de R$19.000,00, nas competências 06/2006 a 11/2006, 01/2007, 04/2007, 06/2007 a 09/2007, 11/2007, 12/2007, 02/2008 a 11/2008, 12/2008 e de 01/2009 a 13/2009, com base no artigo 32A, caput, inciso I, §§ 2º e 3º, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Observase que para as competências até 11/2008, foi respeitado o disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. As inconsistências encontradas, documentos analisados, levantamentos e observações feitas durante a ação fiscal estão discriminados no item 2.8 do Relatório Fiscal, fls. 39 a 41, de onde destacamos: 2.8.1 o Município de Mendes Pimentel adota o Regime Geral de Previdência Social, conforme Lei Municipal 1.313/2000; 2.8.3 – Sobre os valores apurados “a menor” nos confrontos Folha x GFIP (2009), Resumo Folha meio Magnético x Resumo Folha meio papel (2009), Folha e GFIP x Empenhos (2007 a 2009) e GFIP x Documentos e/ou declarações apresentados pela Prefeitura (2007 a 2009) estão sendo cobradas as contribuições previdenciárias devidas (planilhas 002 e 006) e glosados os valores declarados a maior do salário maternidade e do salário família (Planilhas 006); 2.8.4 – as diferenças de contribuição previdenciária de responsabilidade dos segurados lançadas estão demonstradas nas Planilhas 002; 2.8.7 –por falta de apresentação dos documentos exigidos nos artigos 67 da Lei 8.213/1991 e 84 do Regulamento da Previdência Social, de 1999, foram glosados os valores relativos ao Salário Família abatidos nas GFIP (Planilhas 006); 2.8.8 Os valores informados a maior de salário maternidade estão sendo glosados (planilhas 006). Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Nulidade da contribuição previdenciária frente à nulidade dos contratos administrativos. · Necessidade de concurso para ingresso no serviço público, a partir de promulgação da Constituição Federal de 1988. · Caráter confiscatório da multa. · Juros. SELIC. É o relatório Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720179/201138 Acórdão n.º 2403001.835 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari , Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FRENTE À NULIDADE DOS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS. A recorrente discorre sobre a necessidade de concurso para ingresso no serviço público, a partir de promulgação da Constituição Federal de 1988, sobre aos contratos administrativos e sobre contribuições previdenciárias pagas em reclamatórias trabalhistas. Abaixo ficará demonstrado que não cabe razão à recorrente. O CTN estabelece que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, que o fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência e que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A Lei 8.212/91 estabelece a tributação por parte das empresas incidente sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço e por parte dos trabalhadores incidente sobre seu salário de contribuição. Por definição legal, a prefeitura é considerada empresa. Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; O tributo lançado incide sobre valores não ofertados à tributação extraídos das folhas de pagamento; fatos geradores verificados nos empenhos, relativos a segurados empregados (contratados, comissionados, efetivos e agentes políticos); contribuintes individuais e transportadores autônomos, que prestaram serviço à municipalidade. Nos casos acima citados, verificase a ocorrência dos fatos geradores, do que resulta a imposição do tributo, independentemente da validade jurídica dos atos de contratação das pessoas. Para a questão apresentada de recolhimentos havidos em reclamatórias trabalhistas, tal tese carece de provas. Não estão demonstrados os recolhimentos e que tais valores também estão incluídos no presente lançamento e deveriam ser expurgados. JUROS E MULTA Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15215.720179/201138 Acórdão n.º 2403001.835 S2C4T3 Fl. 6 9 COBRANÇA CUMULADA DE JUROS E SELIC. A recorrente questiona os juros aplicados e a multa. Verificase no lançamento a presença do relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, que informa os dispositivos legais que fundamentaram o lançamento, de acordo com a legislação vigente à época dos fatos geradores. Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Entendo que os juros cobrados estão de acordo com o ordenamento legal. Cabe citar que conforme Decreto 70,235/72, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Também para a questão das multas aplicadas, verificase que estão de acordo com o ordenamento legal e que sua fundamentação foi apresentada. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.722218/2011-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C
DO CPC. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra
do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C
do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
DEDUÇÕES COM DEPENDENTES E DESPESA COM INSTRUÇÃO.
NETO. REQUISITOS LEGAIS. Para que o neto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, seja deduzido como dependente, é necessário que o contribuinte detenha a sua guarda judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a preliminar de decadência em relação ao imposto lançado no ano-calendário de 2005.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. DEDUÇÕES COM DEPENDENTES E DESPESA COM INSTRUÇÃO. NETO. REQUISITOS LEGAIS. Para que o neto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, seja deduzido como dependente, é necessário que o contribuinte detenha a sua guarda judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para acolher a preliminar de decadência em relação ao imposto lançado no anocalendário de 2005. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0632.235 4ª Turma da DRJ Curitiba (fl. 113), que contém em seu dispositivo a seguinte deliberação: Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em: rejeitar a preliminar de decadência referente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005; considerar extintas pelo pagamento as exigências de R$ 4.519,70 e R$ 2.190,27 de imposto suplementar, acrescidos de multa de ofício de 150% e encargos legais, referentes aos exercícios de 2008 e 2009, respectivamente, conforme DARF à fl. 89 e extrato do processo às fls. 110/111; considerar não impugnada a exigência de R$ 335,68 de imposto suplementar, referente ao exercício de 2008, acrescidos de multa de ofício de 150% e encargos legais; e julgar o lançamento, na matéria litigiosa, parcialmente procedente, cancelando R$ 346,50 de imposto, e os consectários legais, referentes ao exercício de 2008, mantendo R$ 1.276,55, R$ 1.069,79, R$ 1.117,94 e R$ 1.168,25 de imposto, R$ 3.261,96 de multa de ofício de 75%, referentes aos exercícios de 2006 a 2009, respectivamente, R$ 424,87 de multa de ofício de 150% relativa ao exercício de 2006, e encargos legais. O lançamento em exame, às fls. 69/80, decorre da revisão das Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2006 a 2009, que exige R$ 12.024,68 de imposto, R$ 18.037,01 de multa de ofício de 150%, e encargos legais. Consoante descrição dos fatos do Auto de Infração às fls. 76/79, foram consideras indevidas as seguintes deduções: Anocalendário 2005 2006 2007 2008 Dependentes 1.414,00 1.516,32 1.584,60 1.655,88 Despesas médicas 1.030,00 0,00 16.435,26 7.964,62 Despesas de instrução 2.198,00 2.373,84 4.961,32 2.592,29 Cientificado em 03/05/2011 (fl. 81), o interessado apresentou, em 30/05/2011, a impugnação de fls. 83/88, instruída com os documentos de fls. 89/109, onde alega não proceder a glosa da menor Isabella Magnabosco Tomczak como dependente, primeiro por apurar fatos geradores já prescritos relativos ao anocalendário de 2005, mas o fundamental é a comprovação de que a menor encontrase sobre sua dependência, visto que os genitores não dispõem de recursos para a manutenção da mesma, tratandose, portanto, de guarda de fato. Aduz que o código 26 indica ser dependente: irmão (ã), neto (a) ou bisneto (a), sem arrimo dos pais, de quem o contribuinte detenha a guarda judicial, até 21 anos, ou em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. Aduz não haver Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10980.722218/201147 Acórdão n.º 210101.794 S2C1T1 Fl. 161 3 fraude, pois, apresentou a Certidão de Nascimento, conforme solicitado, comprovando que a pessoa existe, além de não ter havido dedução concomitante do mesmo dependente por mais de um contribuinte. Estranha a RFB considerar irregular a dedução de uma criança sem arrimo, como dependente, quando aceita a dedução de companheiros, inclusive, o homoafetivo. Transcreve disposições do Código Civil e do Estatuto da Criança, para afirmar que não é necessário a determinação de um Juiz para que os avós passem a cuidar da criança, uma vez que a Lei já coloca, em primeiro lugar, os avós como responsáveis pela manutenção dos netos, obrigandoos, portanto. Para corroborar transcreve jurisprudências judiciais. Relativamente às despesas médicas e de instrução, alega prescrição dos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005 e, por conseguinte, requer a exclusão da multa de 150% e do crédito tributário decorrente. Aduz serem cabíveis as despesas de instrução da neta, bem assim, das despesas destinadas a Associação Franciscana de Ensino Bom Jesus, no valor de R$ 1.260,00, conforme documentos que anexa. Acrescenta já ter recolhido, o crédito decorrente das despesas médicas relativa aos anoscalendário de 2007 e 2008, conforme DARF anexos (fl. 89). Por fim, diz ser autor de ação proposta contra a União, já transitada em julgado desde 24/02/2011, cujos cálculos efetivados pelo órgão resultou em R$ 13.822,91 até o mês 03/2011, contudo a RPV determina o pagamento de R$ 10.110,62, baseados na informação de que R$ 4.580,18 já teriam sido restituídos na DIRPF/2010, entretanto, tal assertiva não procede, posto que teria apurado imposto a pagar de R$ 6.911,37, liquidado em 29/04/2011, conforme DARF à fl. 98. Diante do exposto, requer o acolhimento das suas razões e o recálculo da exigência imposta e, ocorrendo eventual imposto a ser pago, que o mesmo seja compensado, levando em conta o processo 2009705001401144, objeto da ação mencionada no parágrafo anterior. Ao apreciar o litígio o Órgão julgador de primeiro grau resumiu o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de ofício a contagem do prazo decadencial obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESAS MÉDICAS. PARCIAL. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 DEPENDENTE. NETO. REQUISITOS. Para que o neto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, seja deduzido como dependente, é necessário que o contribuinte detenha a sua guarda judicial. DEDUÇÃO. DESPESA DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes, quando restarem devidamente comprovados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA. A dedução indevida de dependente e das despesas de instrução desse dependente, em face da insuficiência de comprovação da relação de dependência de neto, por si só, não justifica o agravamento da multa de ofício, devendo a multa incidente sobre o crédito tributário decorrente ser reduzida ao patamar de 75%; todavia, é aplicável sobre as despesas médicas e de instrução, para as quais o contribuinte não apresenta elementos probantes, denotando comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo, na parte que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Sobre a decadência, peço vênia ao i. Conselheiro José Evande Carvalho Araújo para transcrever a seguir seus abalizados argumentos declinados no voto condutor do Acórdão nº 210100.007, em sessão realizada em 12/05/2011, a respeito da regra decadencial aplicada ao imposto de renda, considerando a sistemática estabelecida pelo artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10980.722218/201147 Acórdão n.º 210101.794 S2C1T1 Fl. 162 5 “Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância, uma vez que eram poucos os tributos para os quais a legislação atribuía ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas à tributação ocorrem simultaneamente, tornouse impossível para o Fisco efetuar o lançamento direto, e praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de apurar e recolher, fazendo a Administração apenas o controle posterior. As diversas correntes doutrinárias agora se digladiam sobre qual das regras de decadência deve se utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que, no âmbito da 2ª Seção de Julgamento do CARF, prevalecia a idéia de que seria sempre a do art. 150, §4º, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10980.722218/201147 Acórdão n.º 210101.794 S2C1T1 Fl. 163 7 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente terá que mudar seu posicionamento, e adotar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos.” Em relação ao anocalendário de 2005, Demonstrativo à fl. 69, elaborado pela fiscalização, confirma que foi antecipado o pagamento do IRPF. Quanto a existência de dolo, fraude ou simulação, a decisão de primeiro grau desqualificou a multa de ofício em relação as glosas relacionadas à dependente e com a instrução desta, mantendo a multa qualificada de 150% apenas sobre a glosa das despesas médicas havidas com os profissionais Mauro Pedro de Lara (R$470,00) e Celso Luiz Scolari (R$560,00) – montante anual de R$1.030,00 – sob o fundamento de que não teriam sido comprovadas. Confirase: Pela análise dos autos, não se vislumbra a existência de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, para efeito de qualificação da multa de ofício sobre o crédito tributário decorrente da dedução indevida com dependente e as despesas de instrução da neta, nos anoscalendário de 2005 a 2008, pois, tendo o contribuinte apresentado Certidão de Nascimento da mesma e os comprovantes das despesas de instrução em que baseou as pretensas deduções, a discussão diz respeito à insuficiência de comprovação da relação de dependência, devendo a multa de ofício incidente sobre o crédito tributário decorrente ser reduzida ao patamar de 75%. Por outro lado, mantémse a multa qualificada de 150%, sobre o crédito decorrente das glosas das despesas médicas relativas ao anocalendário de 2005, no valor de R$ 1.030,00..., uma vez que o interessado não apresentou qualquer comprovação dessas despesas. O entendimento reiterado deste Colegiado acerca da qualificação da multa de ofício é no sentido de que é ônus da fiscalização comprovar o plus ou o ardil para exacerbação da penalidade, o que não ocorreu no caso em exame, razão pela qual impõese também a desqualificação da multa de ofício que incidiu no imposto apurado devido às glosas das despesas médicas relacionadas aos profissionais Mauro Pedro de Lara (R$470,00) e Celso Luiz Scolari (R$560,00) – no montante anual de R$1.030,00 – pois o recolhimento a menor do imposto devido e a declaração inexata, nos termos do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, são causas para a aplicação da multa de ofício em seu percentual mínimo de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, somente a falta de comprovação da despesa, sem qualquer elemento de prova adicional do evidente intuito de fraude, conforme exige a redação do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que vigia no ano de 2005, inviabiliza a majoração da Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 multa de ofício. Pareceme evidente, portanto, ser insuficiente o fundamento indicado na descrição dos fatos do Auto de Infração (1º parágrafo do item 002 – fl. 77), pois a simples falta de comprovação da despesa não dá o suporte necessário para a qualificação da multa. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 14: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Desta forma, forçoso reconhecer a decadência do direito da Fazenda Publica Nacional em constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2005, tendo em vista que o seu prazo fatal ocorreu em 31/12/2010, considerando o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN, com fato gerador em 31 de dezembro do respectivo período de apuração, sendo certo que o auto de infração somente foi cientificado ao contribuinte em 03/05/2011, a destempo, consoante Aviso de Recebimento à fl. 81. No que tange à dedução da dependente Isabella Magnabosco Tomczak, neta do sujeito passivo, e da despesa com instrução a ela relacionada, os fundamentos da decisão recorrida estão alinhados com a jurisprudência deste CARF, razão pela qual não merece qualquer reparo. Com efeito, a norma estabelecida no art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõe que: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: (…) V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (grifos acrescidos) (…) Portanto, para que o contribuinte possa deduzir a neta como dependente, é necessário que detenha a sua guarda judicial, requisito que o próprio interessado informa não possuir, mas que a lei expressamente estabelece como fundamental. De fato, sem a guarda judicial a ajuda do avô na alimentação e educação da neta é ato de liberalidade muito louvável, mais não é dedutível para fins do imposto de renda. É assim que este Colegiado reiteradamente tem julgado esta matéria. Nos termos do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não cabendo à esfera administrativa pronunciarse sobre os critérios que nortearam o legislador na fixação de determinada regra, concorde com ela ou não. O texto da lei tributária, acima transcrito, é claro e direto, e não oferece dúvidas à sua aplicação, muito embora a lei civil estabeleça a obrigação de auxílio mútuo entre os parentes, na proporção dos seus respectivos recursos. Portanto, falece competência ao órgão administrativo para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste sentido dispõe a Súmula CARF nº 2: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O contribuinte transcreve no recurso ementas e junta aos autos fotocópias de decisões judiciais em que foram deferidas as deduções em comento, com fundamento em ação de justificação e ação declaratória. A situação do autuado não se enquadra nos casos Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10980.722218/201147 Acórdão n.º 210101.794 S2C1T1 Fl. 164 9 colacionados, tendo em vista que este não possui qualquer medida judicial no mesmo sentido. Conquanto sinalize o entendimento judicial num determinado sentido, tratamse de decisões proferidas no âmbito entre particulares, sem efeito erga omnes. Sobre o Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, cabe transcrever a seguir a Súmula CARF nº 28, que tem suporte em mansa e pacífica jurisprudência administrativa sobre o tema: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. As questões suscitadas pelo recorrente em relação ao crédito que possui, decorrente do processo nº 2009705001401144, bem assim à compensação deste com o crédito tributário que for mantido no lançamento em exame, devem ser analisados pela repartição fiscal do domicílio do requerente. O contribuinte alega descaso e atendimento deficiente quando procurou a repartição fiscal para tratar dessas matérias. Contudo, falece competência ao CARF para se manifestar originariamente sobre tais pleitos. Ademais, devese considerar que, talvez, a solução do problema envolva a Procuradoria da Fazenda Nacional, em se tratando de crédito em favor do contribuinte, transitado em julgado, com expedição de RPV. Por fim, entendo desnecessária a exacerbação da matéria em litígio, pretendida pelo contribuinte, com sua interpelação extrajudicial à Administração Tributária. A fiscalização deve reunir os elementos de prova que entender necessários para formular a acusação fiscal e provar o ilícito imputado ao sujeito passivo. Se estes são insuficientes para comprovar o fato jurídico tributário indicado no lançamento, inclusive em relação à penalidade aplicada, caberá aos órgãos julgadores se manifestar nesse sentido, como efetivamente o fez nos autos deste processo a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento de Curitiba, e o faz neste momento o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Processo Administrativo Fiscal tem por objeto compor o litígio que se instaura com a impugnação tempestiva ao lançamento. É o momento adequado para o contribuinte manifestar toda a sua insurgência contra o crédito tributário exigido, exercendo amplamente o seu direito de defesa, dotando, ao final, de liquidez e certeza o crédito tributário que sobreviveu ao contraditório, tornandoo exigível pela via da ação de execução. Não é outro o entendimento de James Marins (Direito Processual Tributário Brasileiro Administrativo e Judicial São Paulo, Dialética, 2001, p. 180), que, ao dissertar sobre os princípios informativos do procedimento fiscal, reportase ao princípio da inquisitoriedade e diz do caráter inquisitório do procedimento administrativo que decorre da relativa liberdade que concedida à autoridade tributária em sua tarefa de fiscalização e apuração dos eventos de interesse tributário, e demarca a diferença entre o procedimento administrativo de lançamento e o processo administrativo tributário, dizendo ser o primeiro procedimento preparatório que pode vir a se tornar um processo: Enquanto que a inquisitoriedade que preside o procedimento permite – dentro da lei – uma atuação mais célere e eficaz por parte da Administração, as garantias do processo enfeixam o atuar administrativo, criando para o contribuinte poderes de participação no iter do julgamento (contraditório, ampla defesa, recursos...). Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 10 Então, o procedimento fiscal é informado pelo princípio da inquisitoriedade no sentido de que os poderes legais investigatórios (princípio do dever de investigação) da autoridade administrativa devem ser suportados pelos particulares (princípio do dever de colaboração) que não atuam como parte, já que na etapa averiguatória sequer existe, tecnicamente, pretensão fiscal. Com efeito, as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa estão preservadas quando o contribuinte é notificado do lançamento, e lhe é garantido o prazo de trinta dias para impugnar o feito (Decreto n° 70.235, de1972, artigo 15), ocasião em que pode alegar as razões de fato e de direito a seu favor e produzir provas do alegado, requerendo inclusive diligências e perícias. Neste momento, transmuda o procedimento administrativo preparatório do ato de lançamento em processo administrativo de julgamento da lide fiscal. Portanto, não deve o sujeito passivo se sentir ofendido pelos termos utilizados pela fiscalização no lançamento, pois a linguagem é a mesma da lei que prevê a exacerbação da multa. Ademais, serve ao propósito de dar conhecimento dos fundamentos para a qualificação da multa, e assim permitir ao contribuinte exercer amplamente o seu direito de defesa, e ao julgador administrativo aferir o acerto ou não do lançamento. Em face ao exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso, para acolher a preliminar de decadência em relação ao imposto lançado no anocalendário de 2005. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 8/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933000/2009-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2002
Ementa:
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DCTF APÓS TRANSCORRIDOS MAIS DE 05 ANOS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
Decorrido o prazo de 05 anos, não se pode admitir retificações na DCTF. Extingue-se o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.747
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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RETIFICAÇÃO DCTF APÓS TRANSCORRIDOS MAIS DE 05 ANOS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. Decorrido o prazo de 05 anos, não se pode admitir retificações na DCTF. Extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Flávio de Castro Pontes Presidente. Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 00 /2 00 9- 86 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.933000/200986 Acórdão n.º 3801001.747 S3TE01 Fl. 112 2 Relatório Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O ora Recorrente, Hospital Mater Dei S/A, apresentou pedido de PerdDcomp, visando compensar débito nela declarado com credito de COFINS pago a maior, com fato gerador em 31/08/2002. Ocorre que a compensação não foi homologada, uma vez que não foi identificado pelo sistema da Receita Federal do Brasil o crédito alegado no pedido de compensação apresentado. Não concordando com o despacho decisório, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que, de fato, houve um erro de preenchimento na DCTF e que, por isso, os créditos não foram identificados pela RFB. Alegou, ainda, que promoveu a retificação de sua DCTF, o que comprovaria, a princípio, o seu direito creditório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, julgoua como improcedente, alegando, em síntese, que “o prazo concedido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração apresentada”. Tal alegação se deu pelo fato de o Recorrente ter retificado a sua DCTF após decorrido o prazo de 05 anos. Ou seja, a Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte, considerando a ausência de comprovação do direito ao crédito objeto da compensação. Devidamente intimado da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, repisando, basicamente, os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.933000/200986 Acórdão n.º 3801001.747 S3TE01 Fl. 113 3 Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, relatora. O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Analisando os presentes autos verificase que a Recorrente, com o objetivo de demonstrar e lastrear os créditos indicados em seu pedido de compensação, retificou a sua DCTF, após decorridos mais de cinco anos. Ademais, alegou que os referidos créditos eram originados da recomposição da base de cálculo da Recorrente no período de 2001 a 2006, em razão da “necessária exclusão dos medicamentos submetidos à aliquota zero”. Deve prevalecer o entendimento da decisão recorrida. É que, como restou demonstrado, o Recorrente só retificou sua DCTF após decorrido o prazo de 05 anos, contados do período de apuração dos tributos. Neste sentido, são elucidativas os esclarecimentos do parecer COSIT 48/99, já citado no acórdão recorrido: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos” Ao contrário das alegações do Recorrente, não se pode admitir que retificações nas declarações apresentadas sejam realizadas em qualquer momento, sem um limite temporal. Ora, se há prazo para a Fazenda Pública homologar expressa ou tacitamente a constituição do crédito tributário realizada pelo contribuinte, este mesmo prazo deve ser dado ao contribuinte para que possa retificar suas declarações. Caso contrário, mesmo havendo homologação e a consequente extinção do crédito tributário constituído pelo próprio contribuinte, este poderá retificar suas declarações sempre que identificar um erro, fazendo nascer um novo direito que já não existia mais. Por outro lado, caso fosse possível a retificação das declarações em qualquer momento, cumpre esclarecer que o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar planilhas de apurações, sob a alegação de que os créditos indicados no pedido de compensação seriam originados da recomposição da base de cálculo da Recorrente no período de 2001 a 2006, em razão da “necessária exclusão dos medicamentos submetidos à aliquota zero”. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.933000/200986 Acórdão n.º 3801001.747 S3TE01 Fl. 114 4 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.100121/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2005, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 18.221,44. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de dependente e despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .1 00 12 1/ 20 09 -7 2 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10882.100121/200972 Resolução nº 2801000.194 S2TE01 Fl. 89 2 “3.1 Gastou considerável soma na realização de tratamento fisioterápico por ter sofrido no mês de dezembro de 2003 acidente doméstico que provocou inflamações no nervo ciático da perna direita, ocasionandolhe fortes dores e dificuldades de locomoção, sendo obrigado a contratar inúmeros serviços médicos. 3.2 É de se ver da documentação anexa que, sobre a totalidade dos valores tidos pelo impugnante como desembolsados, existem recibos que comprovam seu recebimento pelos prestadores de serviços. E mais, após instado pela própria Receita Federal a apresentar declaração dos prestadores que o pagamento foi realizado, logrou êxito em recolher declaração de três dos quatro prestadores de serviços médicos impugnados, os quais informam textualmente i) terem sido prestados os serviços; ii) terem recebido pelos serviços; e iii) que o pagamento deu se através de dinheiro. 3.2.1 Quanto à fisioterapeuta Leni Mara dos Santos, não foi possível obter a declaração pois esta mudouse para endereço desconhecido do Impugnante. 3.3 Entretanto, entendeu a Fazenda Pública que havia irregularidades nas notas apresentadas e, assim, simplesmente as desprezou, tanto quanto com as declarações firmadas. Mas ora, não pode a autoridade exigir que o contribuinte avalie a regularidade das notas que lhe são fornecidas, pois estaria exigindo dele o exercício de competência que lhe é exclusiva e, portanto, indelegável. É impossível para o cidadão comum avaliar os recibos que lhe são apresentados. A aparente regularidade desses documentos já é suficiente. E mais, exigir que o contribuinte faça os pagamentos em cheque é então de um absurdo sem tamanho, pois não há na lei nenhuma determinação de que tais pagamentos não possam ocorrer em dinheiro! 3.4 Assim, fato é que os recibos utilizados pelo contribuinte para realizar as deduções cabíveis preenchem todos os requisitos exigidos pela Lei, quais sejam, nome, endereço e CPF do prestador de serviços que o emitiu. 3.5 Às fls. 07 a 16 o contribuinte insurgese contra a aplicação da multa de mora. Alega que a mesma é desproporcional e, por consequência, confiscatória. Salienta ainda a impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa.” A 9ª Turma da DRJ/SP2/SP julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 55/60, que restou assim ementado: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente definitivamente consolidado na esfera administrativa. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10882.100121/200972 Resolução nº 2801000.194 S2TE01 Fl. 90 3 O direito à dedução das despesas médicas condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. MULTA DE MORA CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa de ofício aplicada no percentual de 75% está prevista no artigo 44, inciso I e § 3 o , da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Regularmente cientificado daquele acórdão em 12/05/2011 (fl. 66), o interessado, representado por seu advogado (fl. 84), interpôs recurso voluntário de fls. 68/83, em 13/06/2011. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à glosa da dedução de despesas médicas. A referida glosa foi assim fundamentada pela autoridade fiscal: “Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa ao valor de R$ ********27.670,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8º, inciso II, alínea 'a', e §§.2º e 3º da Lei nº 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Falta de comprovação do efetivo pagamento, e/ou da efetiva prestação dos serviços ao titular e/ou seus dependentes legais, dos valores a seguir relacionados: EDIVAR BATISTA DE OLIVEIRA, CNPJ/CPF: 991.275.98691, R$ 5100,00 TÂNIA MARIA SEKI, CNPJ/CPF: 215.704.91852, R$ 6570,00 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10882.100121/200972 Resolução nº 2801000.194 S2TE01 Fl. 91 4 LENI MARA DOS SANTOS, CNPJ/CPF: 098.690.43844, R$ 3000,00 CRISTIANE ABADIA BORGES FARIA, CNPJ/CPF: 223.830.11860, R$ 13000,00’ Compulsando os autos, não se encontra a intimação que solicitou ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, e/ou da efetiva prestação dos serviços mencionada pela fiscalização, mas apenas a intimação de fl. 22, que solicitou os seguintes documentos: · Comprovantes de Dependência; · Comprovante de despesas com instrução; · Comprovantes originais e cópias das despesas médicas. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que se junte aos autos a intimação que solicitou ao contribuinte a comprovação do efetivo pagamento, e/ou da efetiva prestação dos serviços referentes às despesas médicas declaradas. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 91DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000424/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
GLOSA DE IRRF. RENDIMENTO DE BEM COMUM. CÔNJUGES CASADOS EM REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. POSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO BEM COMUM NA DECLARAÇÃO DE QUAISQUER DOS CÔNJUGES.
Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, §5°) cem por cento dos que lhes forem próprios ou cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns, sendo que opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges (art. 6º do Decreto nº 3.000/99).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-002.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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RENDIMENTO DE BEM COMUM. CÔNJUGES CASADOS EM REGIME DE COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS. POSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DOS RENDIMENTOS DO BEM COMUM NA DECLARAÇÃO DE QUAISQUER DOS CÔNJUGES. Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, §5°) cem por cento dos que lhes forem próprios ou cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns, sendo que opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges (art. 6º do Decreto nº 3.000/99). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/07/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Em face do contribuinte João Veríssimo Nunes, CPF/MF nº 009.651.70934, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 25/02/2008, notificação de lançamento, a partir da revisão de sua declaração de rendimentos do anocalendário 2004. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 3.721,38 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de IRRF, no importe de R$ 3.824,98, por ausência de informação na DIRF da fonte pagadora (a empresa CASA VISCARDI S/A COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO – CNPJ 78.588 431/000108). Compulsando os autos, vêse que o contribuinte confessou um rendimento de 32.370,76 da fonte acima discriminada, com o IRRF respectivo (fl. 07), este glosado pela autoridade lançadora. Ainda, foi juntada cópia do comprovante de rendimentos da fonte pagadora com os valores em debate, a título de aluguéis e royalties, em nome do cônjuge do fiscalizado Mariene Viscardi Veríssimo (fl. 13), sendo que esta não confessou em sua DIRPF tais valores (fl. 12). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação em desfavor do lançamento, em petição dirigida à Delegacia de Julgamento, com a seguinte motivação (fl. 30v): (...) 2. Cientificado do lançamento em 07/04/2008 (fls. 15 e 25), o interessado apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01 em 02/05/2008 (fl. 01), acompanhada dos documentos de fls. 02/14, alegando, em síntese, que: a) O impugnante é casado em regime de comunhão universal com Mariane Viscardi Veríssimo, CPF n° 006.058.63970. b) O valor de R$ 3.824,98 consiste em imposto retido sobre o rendimento de R$ 32.370,76, conforme DIRF elaborada pela fonte pagadora Casa Viscardi S/A Comércio e Importação, CNPJ n° 78.588.431/000108, tendo por beneficiária Mariane Viscardi Veríssimo. c) Nos termos do art. 7º, §§ 1º e 2º , do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, o rendimento de capital (aluguel) foi tributado apenas em uma das declarações dos cônjuges. d) Anexando cópias da Notificação de Lançamento, da DAA do impugnante, da DAA da cônjuge, do Comprovante de Rendimentos Pagos emitido pela fonte pagadora e da Certidão de Casamento, requer o cancelamento da Notificação de Lançamento. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13909.000424/200858 Acórdão n.º 210202.123 S2C1T2 Fl. 2 3 A 6ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0630.112, de 31 de janeiro de 2011 (fls. 30 e seguintes). A decisão acima rejeitou a pretensão do impugnante com a seguinte motivação (fl. 31v): (...) 6. Compulsando os autos, constatase que o impugnante apresentou cópia não autenticada de Certidão de Casamento. Não indicou e nem fez prova de qual é o imóvel locado (contrato de locação) e nem de que se trata de bem comum (não gravado com cláusula de incomunicabilidade) pela apresentação do título aquisitivo da propriedade (por exemplo: escritura pública de doação) e da Certidão do Registro de Imóveis (matrícula do imóvel). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 15/02/2011(fl. 37). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 15/03/2011 (fl. 38). No voluntário, o recorrente alegou, em síntese, que: I. o presente feito deve se julgado em conjunto com o recurso tombado no processo administrativo fiscal nº 13909.000425/200801, com notificação lavrada em desfavor de seu cônjuge, pois os fatos são idênticos; II. deve ser temperado o momento de apresentação de prova documental no rito do processo administrativo fiscal PAF, porque não se pode esquecer que o PAF é um momento prévio ao processo judicial, este que permite absoluta produção probatória, sendo certo que não há nada que afasta a validade da certidão de casamento juntada aos autos, tendo o recorrente confessado os rendimentos de todos os bens comuns do casal na declaração auditada, e agora, “a título de esclarecimento a Recorrente apresente (sic) a escritura de propriedade do imóvel, o qual fora havido por doação de seu genitor”. O contribuinte juntou apenas uma cópia autenticada de sua certidão de casamento (fl. 41). É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 15/02/2011(fl. 37), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 15/03/2011, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 17/03/2011, quintafeira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Alegou o recorrente que o recurso tombado no processo administrativo fiscal nº 13909.000425/200801, com notificação lavrada em desfavor de seu cônjuge, está lastreado em fatos idênticos a do recurso aqui em análise, devendo ambos ser julgados em conjunto. Antes de tudo, compulsando os autos do processo administrativo fiscal nº 13909.000425/200801, vêse que se trata de lançamento perpetrado em desfavor do cônjuge do aqui recorrente, referente ao anocalendário 2003, período antecedente ao lançamento destes autos (anocalendário 2004). Ora, mão havendo identidade entre os exercícios fiscalizados, por óbvio não há falar em conexão entre os processos, a justificar o julgamento em conjunto. Afastase, assim, o pedido acima descrito. Indo para o mérito, vêse que somente foi juntada ao recurso a cópia da certidão de casamento do recorrente, na qual se vê o regime de comunhão universal de bens, sem a escritura do imóvel, objeto dos rendimentos e IRRF, este glosado. Entretanto, compulsando o processo administrativo fiscal nº 13909.000425/200801, vêse que a recorrente, cônjuge do fiscalizado, lá juntou uma escritura pública de doação de imóveis, na qual se vê que o cônjuge do fiscalizado funcionou como donatária, tendo os doadores, pais dela, ficado com usufruto vitalício, com registro de cláusula de incomunicabilidade, enquanto os doadores viverem. Parece crível que a escritura acima represente o imóvel objeto dos rendimentos e do IRRF, este aqui glosado, sendo certo que o recorrente (e seu cônjuge), pessoas com mais de 60 anos na data das autuações, passaram a usufruir os frutos civis do imóvel (aluguéis), por passamento dos doadores. E, nesta hipótese, afastandose a incomunicabilidade do bem imóvel, passa a ser comum (art. 1.688, I, do Código Civil), passíveis os frutos de tributação na declaração de quaisquer dos cônjuges. Com as premissas acima, acatase a possibilidade de o recorrente declarar os rendimentos auferidos pela esposa, a título de aluguéis, como constou no comprovante de rendimentos de fl. 13. Isso já seria suficiente para fazer soçobrar o lançamento. Porém há um ponto adicional que enfraquece de forma iniludível o lançamento. Como se vê no comprovante de rendimento de fl. 13, no qual consta o IRRF glosado (R$ 3.824,98), em nome do cônjuge do fiscalizado (Mariene Viscardi Veríssimo), caso não fosse possível deduzir do imposto devido do fiscalizado tal IRRF, como entendeu a autoridade lançadora, necessariamente deveria ter sido efetuado também a exclusão dos rendimentos dos aluguéis (R$ 32.370,76) do montante tributável. Não parece razoável glosar apenas o IRRF de determinado rendimento, submetendo o rendimento (sem o IRRF) à tributação, quando o comprovante de rendimentos comprova o montante tributável e o IRRF respectivo. Por todas as razões acima, entendo que o lançamento não pode ser mantido, devendo ser dado provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13909.000424/200858 Acórdão n.º 210202.123 S2C1T2 Fl. 3 5 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15586.001156/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/12/2007
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. CEBAS RENOVADO NO PERÍODO FISCALIZADO.
O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) será concedido às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que prestem serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, as quais gozaram de isenção do pagamento de contribuições para a seguridade social,
documento este que terá repercussão imediata na esfera tributária.
Não subsiste o lançamento fiscal baseado em decisão liminar revogada e que deu ensejo ao lançamento. Em consonância com a documentação anexa ao processo, o próprio Ministério Público, autor da ação, pediu a desistência do processo judicial.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-002.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Impedido: Mauro José Silva. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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CEBAS RENOVADO NO PERÍODO FISCALIZADO. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) será concedido às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que prestem serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, as quais gozaram de isenção do pagamento de contribuições para a seguridade social, documento este que terá repercussão imediata na esfera tributária. Não subsiste o lançamento fiscal baseado em decisão liminar revogada e que deu ensejo ao lançamento. Em consonância com a documentação anexa ao processo, o próprio Ministério Público, autor da ação, pediu a desistência do processo judicial. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso. Impedido: Mauro José Silva. Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Damião Cordeiro De Moraes Redator designado. Declarações de impedimento: MAURO JOSE SILVA Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas às Terceiras Entidades. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 31), é objeto do presente AI as contribuições sociais devidas aos terceiros, INCRA, SENAC, SESC, SAL. EDUCAÇÃO e SEBRAE, incidentes sobre o pagamento de remuneração aos segurados empregados da entidade. A autoridade autuante esclarece que o AI foi lavrado em observância à decisão judicial nº 70, prolatada nos autos da Ação Civil Pública nº 2008.34.00.0383144, movida pelo Ministério Público Federal, que determinou o lançamento do débito cuja exigibilidade ficará suspensa. A autoridade autuante informa que a base de cálculo da contribuição lançada foi extraída das GFIPs e folhas de pagamento fornecidas pela empresa, e que foi emitida "Representação Fiscal para Fins Penais RFFP", que tem por finalidade comunicar a ocorrência de Crimes Contra a Ordem Tributária ao Ministério Público Federal, pois, em tese, demonstram a prática do ilícito previsto nos arts. 1°, inciso II e 2°, inciso I, da Lei n.° 8.137, de 27/12/1990. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1230.709, da 15a Turma da DRJ/RJ1, (fls. 110), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 126), alegando, em síntese, o que se segue. Inicialmente ressalta que, mesmo diante da decisão liminar proferida no processo referido no acórdão combatido, o Certificado de entidade filantrópica expedido em favor do requerente atesta que a autuada é efetivamente entidade de fins filantrópicos. Informa que junta ao recurso, outra vez, os documentos que, segundo entende, demonstram que o Recorrente é entidade de fins filantrópicos, para apreciação deste Egrégio Conselho, e que está com sua situação em dia com a Receita Federal do Brasil e outras Fazendas Públicas, sem quaisquer débitos em aberto. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001156/200998 Acórdão n.º 230102.405 S2C3T1 Fl. 2 3 Salienta que o site da Justiça Federal do Distrito Federal, conforme o andamento anexo demonstra, deve julgar a desistência por sentença da ação 2008.34.00.0383144, já que o último andamento ali demonstrado em 20/05/2010 diz "Conclusos para Sentença" e, no complemento, "Desistência". Requer seja julgado improcedente e arquivado o lançamento fiscal, na forma da própria fundamentação do Acórdão ora recorrido e, em seguida, repete toda a defesa de primeiro grau, não acatada pelo acórdão recorrido. Reitera que preenche todas as exigências para ser reconhecida como entidade de fins filantrópicas há muitos anos, como comprovam as cópias anexas, e que a Fiscalização não apurou qualquer irregularidade nos procedimentos de recolhimento dos tributos da recorrente, mas apenas obedeceu a uma decisão judicial proferida pela 13a Vara Federal de Brasília. Entende que o Auto jamais poderia ter sido lavrado, posto que a liminar da 13a Vara Federal de Brasília foi revogada pela Presidência do Tribunal Regional Federal da 1a Região, além de o lançamento em tela desrespeitar preceitos constitucionais que garantem a imunidade tributária e o respeito do direito adquirido. Esclarece que a execução da medida liminar proferida na ação civil pública n° 2008.34.00.0383144, foi suspensa pelo Presidente do Tribunal Regional Federal da 1a Região antes mesmo da lavratura do Auto de Infração ora impugnado, já que, de acordo com as informações obtidas no site do TRF, já em 25/09/09 foi determinada a expedição de documento de ciência à MM Juíza prolatora da liminar que foi objeto de revogação. Relata que a suspensão da liminar foi imediatamente comunicada à Juíza da 13a Vara Federal, que determinou a intimação das partes do inteiro teor daquela decisão, em 30.09.09, e defende que a aplicação de tal decisão é imediata, pois caso contrário, se consumaria o justificado receio de danos irreparáveis, e, por conseguinte, tornará letra morta a decisão proferida pela Presidência do Tribunal. Conclui que, na medida em que o Auto de Infração combatido foi exclusivamente lavrado com respaldo na liminar concedida nos autos da Ação Civil Pública, cuja decisão encontrase revogada, o cancelamento do mesmo é uma medida que se impõe no caso, pela suspensão da liminar de forma tão veemente como demonstrado. Lista toda a titularidade da qual é portadora para tentar demonstrar o direito adquirido à imunidade e insurgese contra a multa aplicada, argumentando que a mesma somente poderia ser de, no máximo, 2% (dois por cento) do valor originário do débito, e os juros não poderiam ultrapassar 1% ao mês. Esclarece que não se pede que a autoridade administrativa aprecie inconstitucionalidade de atos normativos, vez que tal atribuição seria reservada ao Poder Judiciário, mas sim que, em função da competência tributária, regulada nos limites de atribuição de poder, não se exija contribuição ou penalidade desprovida de base constitucional, mesmo porque o exercício de Poder, quer para inovar a ordem jurídica, quer para aplicação da norma, tem seu fundamento de validade na Matriz Constitucional. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Verificase, dos autos, que o AI foi motivado pela decisão judicial, prolatada nos autos da Ação Civil Pública nº 2008.34.00.0383144, movida pelo Ministério Público Federal, que determinou a constituição, mediante lançamento, de todos os créditos de contribuições devidas à Seguridade Social, em face das entidades que tinham pedido de renovação do CEAS pendente de julgamento no CNAS quando da edição da MP 446/08. A autuada defende que o Auto jamais poderia ter sido lavrado, posto que a liminar da 13a Vara Federal de Brasília foi revogada pela Presidência do Tribunal Regional Federal da 1a Região, além de o lançamento em tela desrespeitar preceitos constitucionais que garantem a imunidade tributária e o respeito do direito adquirido. De fato, a decisão liminar n°. 070, proferida nos autos do processo 2008.34.00.0383144, teve a sua exigibilidade suspensa por decisão do Presidente do TRF da 1a Região, nos autos do processo 2009.01.00.0523377/DF de suspensão de liminar, em 25.09.2009, tendo sido publicada em 01.10.2009. Porém, verificase, do documento de fls. 105, que a ciência, pela União, representada pela AGU, da decisão que suspendeu a liminar, se deu somente em 11.12.2009, ou seja, após a lavratura do AI discutido. Dessa forma, entendo que o lançamento lavrado em 08/10/2009 é válido, nos termos do art. 38 da LC 73/1993, por ter sido realizado com base em decisão judicial ainda vigente, uma vez que a suspensão da execução da liminar produz efeitos ex nunc, conforme art. 40, da lei 8.437/1992, não invalidando os atos jurídicos perpetrados com base na liminar suspensa. Assim, tendo sido determinado, por decisão judicial, o lançamento dos créditos da Seguridade Social, a autoridade fiscal agiu em conformidade com os normativos legais, lançando o presente débito, protegendoo da decadência, uma vez que o prazo não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial. Em relação ao argumento de que a entidade preenche todas as exigências para ser reconhecida como entidade de fins filantrópicas, cumpre reiterar que, conforme a própria recorrente afirma em seu recurso, a fiscalização apenas obedeceu a uma decisão judicial proferida pela 13a Vara Federal de Brasília. Portanto, não cabe, por meio do presente processo administrativo fiscal, a discussão do direito à imunidade da recorrente, pois trata o presente caso de AI lavrado em cumprimento de decisão judicial, lançamento esse que constitui crédito cuja exigibilidade está suspensa. Nesse sentido, ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento objeto do presente processo administrativo não só é possível, como também obrigatório, por força de determinação judicial. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001156/200998 Acórdão n.º 230102.405 S2C3T1 Fl. 3 5 É oportuno ressaltar, porém, que exigibilidade do crédito está suspensa, ou seja, a Administração Pública está impedida de efetuar atos executórios de cobrança, por força também de determinação expressa na decisão judicial nº 070, citada acima. Em relação ao entendimento de que a entidade faz jus à imunidade tributária, que lhe é assegurada pela Carta Magna, assim como possui o direito adquirido à isenção tributária, vale esclarecer que a Constituição Federal não outorgou imunidade/isenção a todas as entidades filantrópicas, como quer achar a recorrente, mas apenas àquelas que atendessem aos requisitos estabelecidos em lei. Para melhor compreensão da matéria, convém, primeiro, tecer algumas considerações acerca da legislação que trata da isenção previdenciária para, depois, fazer algumas observações sobre direito adquirido ao referido benefício fiscal. A Lei 3.577/59 que, no art. 1º, concedeu isenção a todas as entidades de fins filantrópicos reconhecidas como de utilidade pública e cujos membros não percebessem remuneração, foi revogada em 1977 pelo DecretoLei nº 1572, que resguardou, porém, o direito à isenção das entidades que tinham sido reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data de publicação do referido DecretoLei e que fossem portadoras do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos com validade por prazo indeterminado. Em 1988, a Constituição Federal veio amparar a isenção de contribuições previdenciárias dispondo, em seu art. 195, § 7º, serem isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei; Diferentemente do que afirma a recorrente, observase que o texto constitucional remeteu à lei ordinária o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. O art. 55 da Lei 8.212/91 veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim de obterem isenção da cota patronal. Com relação ao direito adquirido, para melhor análise da matéria, segue transcrita a redação do art. 1º e § 1º do Decretolei 1.572/77: Art. 1º Fica revogada a Lei nº 3.577, de 4 de julho de 1959, que isenta da contribuição de previdência devida aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões unificados no Instituto nacional de Previdência Social IAPAS, as entidades de fins filantrópicos reconhecidas de utilidade pública, cujos diretores não percebam remuneração. § 1º A revogação a que se refere este artigo não prejudicará a instituição que tenha sido reconhecida como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data da publicação deste Decreto Lei, seja portadora de certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado e esteja isenta daquela contribuição. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Entretanto, de uma simples leitura do art. 2º, do mesmo Decretolei resta afastada, inequivocamente, qualquer possibilidade de entendimento no sentido de direito adquirido à isenção, verbis: Art. 2º O cancelamento da declaração de utilidade pública federal ou a perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos acarretará a revogação automática da isenção, ficando a instituição obrigada ao recolhimento da contribuição previdenciária a partir do mês seguinte ao dessa revogação. Essa regra contida no art. 2º transcrito acima exige que as entidades beneficiadas pelos §§ 1º, 2º e 3º do art. 1º , do referido diploma legal, mantenham a condição de entidades filantrópicas, bem como o reconhecimento de utilidade pública federal, caso contrário, perdem automaticamente o direito à isenção, ou seja, a garantia do direito à isenção ficou sujeita a não ocorrência da condição resolutiva. Assim, ao prever a possibilidade de perda da qualidade de entidade de fins filantrópicos, depreendese que o Decretolei 1.527/77 manteve, conseqüentemente, no ordenamento jurídico, a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção das contribuições previdenciárias. Corrobora nesse sentido o Parecer 3.133/2003, da Consultoria Jurídica do INSS: (...) 33. O instituto do direito adquirido protege um determinado direito, já incorporado definitivamente ao patrimônio do seu titular, contra alterações posteriores da legislação. Para tanto, é necessário que o ordenamento jurídico, em um dado momento, segundo as regras então vigentes, tenha garantido a incorporação do direito ao patrimônio do seu titular, bem como tenha determinado a intangibilidade deste direito. 34. Concluise, portanto, que o direito à isenção não foi resguardado pela cláusula da intangibilidade, muito pelo contrário, a própria lei que o garantiu, estabeleceu os casos em que seria revogado. Nunca, em nenhum momento, o direito à isenção tornouse um direito intocável, de forma a configurar direito adquirido das entidades beneficiárias, como quer fazer crer, equivocadamente, a recorrente. 35. A tese da recorrente, na verdade, defende direito adquirido a um regime jurídico, na medida que ela, simplesmente, não teria que atender qualquer novo requisito criado por meio de lei para a obtenção da isenção, permanecendo, tão somente, as exigências estabelecidas pela legislação anterior, a qual encontrase revogada. Em outras palavras, a pretensão da recorrente é de não se submeter à legislação atualmente em vigor, legislação esta de conteúdo abstrato e comando imperativo erga omnes, cuja previsão encontra respaldo no próprio Texto Constitucional quando determina que: “Art. 195. (...) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001156/200998 Acórdão n.º 230102.405 S2C3T1 Fl. 4 7 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. 36. Portanto, não pode prevalecer a proposição de direito adquirido alegada pela impetrante, sob pena de termos reconhecido o direito adquirido a um regime jurídico que não está mais em vigor, em detrimento da nova regulamentação estabelecida por meio de lei. É oportuno ressaltar que a legislação previdenciária vigente à época da ocorrência do fato gerador deixava claro que o direito ao benefício da isenção das contribuições previdenciárias não era exercível de plano por quem preenchia as condições, mas dependia de ato declaratório da Administração Pública, estabelecido a título precário, passível de anulação se a entidade deixasse de preencher as condições legais de manutenção. Assim, o fato de uma entidade já ter gozado do benefício da isenção desde a sua implantação e ser possuidora da titulação exigida por lei não lhe confere o direito à eterna isenção da contribuição previdenciária. No mais, entendo que a recorrente deve demonstrar seu inconformismo em relação à matéria de imunidade nos autos do processo que discute seu direito à isenção das contribuições previdenciárias, já que o presente processo administrativo fiscal trata apenas de AI lavrado por determinação judicial. Verificase que a recorrente não contestou as bases de cálculos e alíquotas utilizadas pela fiscalização na apuração da contribuição devida aos Terceiros. Além da ilegalidade do ato do lançamento e do seu direito adquirido à imunidade, a recorrente insurgese apenas contra a multa e juros aplicados. Contudo, conforme já amplamente exposto acima, a lavratura do presente AI foi motivada por decisão judicial, não podendo a autoridade fiscal deixar de cumprir determinação emanada do Poder Judiciário e de constituir o crédito tributário por intermédio da AI ora atacado, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91, prevenindoo da decadência. E o AI foi acrescido de juros e multa, em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento Portanto, as multas e juros aplicados encontram fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Cumpre destacar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 A recorrente alega ainda inconstitucionalidade de leis e decretos, e argumenta que a administração pode se furtar de exigir contribuição ou penalidade desprovida de base constitucional, mesmo porque o exercício de Poder, quer para inovar a ordem jurídica, quer para aplicação da norma, tem seu fundamento de validade na Matriz Constitucional. Todavia, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Portanto, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Ademais, é oportuno lembrar que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. E o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria, por meio do Enunciado 02/2007, transcrito a seguir: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Assim, a autoridade julgadora, como agente da Administração, não está obrigada a apreciar as alegações de inconstitucionalidade de dispositivos legais, já que está impedida de aplicálas. Da mesma forma, ao contrário do que afirma a recorrente, o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição aos terceiros, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuaçãoo, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Nesse sentido, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER do recurso voluntário par, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15586.001156/200998 Acórdão n.º 230102.405 S2C3T1 Fl. 5 9 Bernadete de Oliveira Barros Relator Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes – Redator designado Tratase de recurso voluntário interposto pelo HOSPITAL EVANGÉLICO CAHOEIRA DO ITAPEMIRIM em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve o lançamento de débito por descumprimento de obrigação acessória, referente ao período 01/09/2006 a 31/12/2007. Conforme narra o relatório fiscal de ff. 25 a 30, o lançamento se deu “em razão da Decisão nº 70, prolatada no processo 2008.34.00.0383144, relativo à Ação Civil Pública em que figura na lide como autor o Ministério Público Federal e como ré a União Federal, na qual a Justiça Federal – 13ª Vara/DF, determinou ‘à Secretaria da Receita Federal do Brasil para que a constitua – proceda ao lançamento de todos os créditos de contribuições devidas à Seguridade Social, em face de entidades que tinham pedidos de concessão e renovação de Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) e Representações Administrativas, que estavam pendentes de julgamento do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, quando da edição da Medida Provisória 446/2008, bem como das que aguardavam decisões em Recurso/Pedidos de Reconsideração dirigidos ao Ministro da Previdência Social (art. 7º, §1º do Decreto 2.536/98 e § único do art. 18 da Lei nº 8.742/93), relativamente aos fatos geradores ocorridos dentro dos períodos de validade ou análise dos Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) solicitados...”. Ainda em consonância com a peça introdutória “o Hospital Evangélico de Cachoeira do Itapemirim apresentou CERTIDÃO emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, datada de 22/03/2007, com validade de 21/09/2003 a 20/09/2006, anexada, da qual podemos extrair que: protocolizou pedido de RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO de Entidade Beneficente de Assistência Social no CNAS, o qual aguardava análise e foi DEFERIDO por força do artigo 37 da Medida Provisória 446, de 07/11/2008, publicada no Diário Oficial da União em 23/01/2009. No CNAS, através do processo nº 71010.002307/200678, o contribuinte obteve a validade da renovação que abrangeu o período de 21/09/2006 a 20/09/2009”. (f. 31) É dizer: o lançamento se deu em razão da judicialização da documentação da recorrente como entidade beneficente. E a narrativa do próprio agente fiscalizador demonstra que a empresa obteve a renovação do seu Certificado e permaneceu na situação de Entidade Beneficente de Assistência Social no período de 21/09/200 a 20/09/2009, o que abarca as competências objeto de lançamento, quais sejam, 01/09/2006 a 31/12/2007. E compulsando os autos, verificase que a referida decisão liminar (que deu ensejo ao lançamento) foi revogada, conforme consta da decisão juntada às ff. 74 a 82. Também em consonância com a documentação anexa ao processo, o próprio Ministério Público, autor da ação, pediu a desistência do processo em 20/05/2010 (ff. 195 a 197), dessa forma, o objeto em que se fundou o lançamento sequer existe mais. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 Cumpre ressaltar, ainda, que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) será concedido às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, que prestem serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, as quais gozaram de isenção do pagamento de contribuições para a seguridade social, documento este que terá repercussão imediata na esfera tributária em favor do contribuinte. Dessa forma, tendo em vista que o contribuinte cumpriu com os requisitos para que pudesse gozar do benefício da isenção, entendo que o lançamento não deve ser mantido. Firme nesse posicionamento, voto pelo provimento do recurso do contribuinte. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09 /2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE M ORAES, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 16832.000172/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 2007 MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexistente, também, fator temporal limitador de sua aplicação, sendo prevista, inclusive, a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas, há de se manter os lançamentos tributários.
Numero da decisão: 1302-000.848
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas. Inexistente, também, fator temporal limitador de sua aplicação, sendo prevista, inclusive, a sua exigência mesmo na situação em que as bases de cálculo das exações são negativas, há de se manter os lançamentos tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16832.000172/201019 Acórdão n.º 130200.848 S1C3T2 Fl. 413 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16832.000172/201019 Acórdão n.º 130200.848 S1C3T2 Fl. 414 3 Relatório CIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Multa Isolada, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da imputação das seguintes infrações: i) insuficiência de recolhimento, em virtude de apuração incorreta; e ii) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 325/334), por meio da qual informou, primeiramente, que a contestação limitarseia à multa isolada, eis que, relativamente à CSLL, havia aderido ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941, de 2009. Quanto à multa isolada, argumentou: que ela não seria devida, pois foi aplicada quando já encerrado o ano calendário; que após o encerramento do exercício, caberia, apenas, a aplicação de multa sobre eventual diferença de contribuição apurada no balanço anual, conforme jurisprudência; que, na medida em que a Fiscalização já havia aplicado a multa de ofício sobre a CSLL devida ao final do exercício, não poderia cumular as penalidades. A 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 12 38.505, de 14 de julho de 2011, pela procedência do lançamento. O referido julgado restou assim ementado: MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo estimada enseja lançamento de multa isolada. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual sustenta: que o acórdão recorrido é contrário à orientação que se firmou no âmbito deste Colegiado; Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16832.000172/201019 Acórdão n.º 130200.848 S1C3T2 Fl. 415 4 que não se sustenta a assertiva, vaga e genérica, consignada no acórdão, de que deveria ser mantido “o lançamento, efetuado de acordo com a legislação vigente, por não ter o interessado apresentado elemento de prova capaz de elidilo” (GRIFO DO ORIGINAL); que a alegação, deduzida à míngua de outros argumentos, é apriorística – o acórdão não indica que elementos de prova teriam faltado, que fatos restariam sem evidência; que a documentação contábil e fiscal carreada aos autos é mais do que suficiente à demonstração do direito que milita em seu favor; que não se justifica a aplicação da multa em virtude de: a) o auto ter sido lavrado quando já encerrado o exercício; b) o valor da CSLL apurado ao final do exercício ter sido inferior àquele apurado por estimativa no curso do anocalendário, pelo que eventual multa isolada aplicada após o encerramento do exercício só poderia incidir sobre o efetivo saldo de CSLL a pagar; e c) ter havido lançamento da multa de ofício sobre o saldo da contribuição apurada no final do exercício, sendo certo que jamais poderia ter sido cumulada com a multa isolada. É o Relatório. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16832.000172/201019 Acórdão n.º 130200.848 S1C3T2 Fl. 416 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. O presente processo foi formalizado para fins de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Multa Isolada, relativas ao anocalendário de 2006. Citadas exigências decorreram da imputação das seguintes infrações: i) insuficiência de recolhimento, em virtude de apuração incorreta; e ii) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). A lide, contudo, limitase à exigência de MULTA ISOLADA, vez que a contribuinte, relativamente à CSLL, aderiu a parcelamento especial. A autoridade julgadora de primeira instância manteve na íntegra o lançamento tributário relativo à multa exigida isoladamente. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte sustenta que o acórdão recorrido é contrário à orientação que se firmou no âmbito deste Colegiado. Diz que não se sustenta a assertiva consignada no acórdão de que deveria ser mantido “o lançamento, efetuado de acordo com a legislação vigente, por não ter o interessado apresentado elemento de prova capaz de elidilo”. Argumenta que a alegação é apriorística (o acórdão não indica que elementos de prova teriam faltado, que fatos restariam sem evidência). Sustenta que a documentação contábil e fiscal carreadas aos autos é mais do que suficiente à demonstração do direito que milita em seu favor. Alega que não se justifica a aplicação da multa em virtude de: a) o auto ter sido lavrado quando já encerrado o exercício; b) o valor da CSLL apurado ao final do exercício ter sido inferior àquele apurado por estimativa no curso do anocalendário, pelo que eventual multa isolada aplicada após o encerramento do exercício só poderia incidir sobre o efetivo saldo de CSLL a pagar; e c) ter havido lançamento da multa de ofício sobre o saldo da contribuição apurada no final do exercício, sendo certo que jamais poderia ter sido cumulada com a multa isolada. Irrelevantes para solução da controvérsia, a meu ver, as considerações da Recorrente acerca da decisão prolatada em primeira instância. Inexistente matéria presente em súmula dotada de efeito vinculante, a autoridade julgadora de primeiro grau é livre para firmar convicção acerca dos fatos submetidos à sua apreciação. O argumento de que o lançamento foi promovido em conformidade com a legislação de regência, por sua vez, prescinde de esforço probatório, sendo dispensável, também, a indicação dos elementos que poderiam ser carreados aos autos para elidir a infração, vez que, tratandose de falta de recolhimento, resta evidente que a infração, neste particular, só poderia ser afastada por meio da comprovação de que a exação não era devida ou de que fora extinta, suspensa ou excluída. Vêse que a peça recursal apresentada é dirigida no sentido de sustentar que a exação não é devida. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16832.000172/201019 Acórdão n.º 130200.848 S1C3T2 Fl. 417 6 Nesse particular, penso que os argumentos expendidos pela Recorrente não possam ser recepcionados. Não se pode deixar de admitir, contudo, que a questão da aplicação da multa isolada nas circunstâncias versadas nos presentes autos constitui matéria controversa no âmbito deste Colegiado. Não obstante, alinhome ao entendimento de que o óbice apontado pela Recorrente nas suas peças de defesa não encontram ressonância na legislação de regência. Com efeito, inexiste na legislação referenciada a condição explicitada pela Recorrente, isto é, o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada não poderia ser aplicada. Destaco que a norma impositiva estabelece, de forma expressa, que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigese no sentido de que o requisito condicionador da aplicação da penalidade indicado pela Recorrente decorre de exercício de interpretação da norma sancionadora que, a meu ver, não pode ser recepcionado, sob pena de violação ao disposto no art. 97 do Código Tributário Nacional. Filiome, também, ao entendimento de que inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato (concomitância), pois, na situação sob análise, estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento da contribuição em razão de erro de cálculo; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas). A meu ver, a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº. 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação da sanção. A primeira, consubstanciada no dever de recolher contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. Tenho que o fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. Destaco que a variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo e da contribuição devidos. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo, assim como a contribuição, serão lançados com a multa de ofício correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 16832.000172/201019 Acórdão n.º 130200.848 S1C3T2 Fl. 418 7 Assim, sou por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 16 de março de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 35564.004495/2005-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/10/2005
EMBARGOS.DE DECLARAÇÃO
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em Acórdão exarado por este Conselho, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
MULTA DE MORA - AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DO CRÉDITO
A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Se o depósito judicial for feito dentro deste prazo, não cabe a multa de mora.
AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL.
O depósito judicial do montante integral descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os juros decorrentes da mora a partir da sua efetivação.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2402-003.240
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em acolher os embargos para que seja rerratificado o acórdão embargado para a exclusão da multa e dos juros.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/10/2005 EMBARGOS.DE DECLARAÇÃO Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em Acórdão exarado por este Conselho, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. MULTA DE MORA - AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DO CRÉDITO A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Se o depósito judicial for feito dentro deste prazo, não cabe a multa de mora. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. O depósito judicial do montante integral descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os juros decorrentes da mora a partir da sua efetivação. Embargos Acolhidos
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MULTA DE MORA AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DO CRÉDITO A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Se o depósito judicial for feito dentro deste prazo, não cabe a multa de mora. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. O depósito judicial do montante integral descaracteriza a inadimplência, não sendo devidos os juros decorrentes da mora a partir da sua efetivação. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 4. 00 44 95 /2 00 5- 68 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em acolher os embargos para que seja rerratificado o acórdão embargado para a exclusão da multa e dos juros. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35564.004495/200568 Acórdão n.º 2402003.240 S2C4T2 Fl. 302 3 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 269/276) apresentados pela autuada contra o Acórdão nº 2402.001.938 (fls. 242/243). O acórdão citado rerratificou o Acórdão nº 240201.257 (fls. 230/233), após acolhimento de embargos de declaração apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O Acórdão nº 240201.257, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores referentes à multa de mora e que esta deveria ser exigida apenas nos termos do art. 63, § 2o da Lei n°9. 430/96. Salientase que o lançamento em questão tem por objeto a contribuição patronal e a destinada a terceiros e foi efetuada para prevenir a decadência, uma vez que a autuada propôs ação Declaratória n° 1999.61.00.0559413, 14ª Vara Federal de São Paulo visando a declaração de inexistência de relação jurídico tributária entre a autora e a autoridade fiscal, consistente na exigência da quota patronal da contribuição previdenciária, a partir de 1999, face ao gozo da imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal e adequação aos requisitos estabelecidos no art. 14 do Código Tributário Nacional. A autuada obteve decisão liminar favorável, em face deste fato, decidiuse pela aplicação do art. 63, § 2º da Lei nº 9.430/1996. Ocorre que a PFN informou nos embargos de declaração apresentados que a liminar concedida teria sido revogada em 18/01/2008 e na data da decisão embargada, sessão de 21/10/2010, não havia que se falar em suspensão de exigibilidade, já que não mais subsistia a liminar. Os embargos de declaração apresentados pela PFN foram acolhidos o que resultou no Acórdão nº 2402.001938, rerratificando o anterior no sentido de negar provimento ao recurso. Ao tomar ciência do acórdão acima, a autuada também apresentou embargos de declaração onde informa que visando manter a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários em discussão, com fulcro na antecipação dos efeitos da tutela preliminarmente concedida, a embargante efetuou depósito judicial do crédito em questão, nos autos da ação declaratória em comento, frisese, dentro do prazo de 30 dias a contar da ciência da sentença improcedente, que havia revogado expressamente a tutela anteriormente concedida, conforme se depreende das guias de depósito já acostadas aos presentes autos. Argumenta que houve contradição no acórdão ao reconhecer o descabimento da multa frente à suspensão do crédito tributário quando da lavratura do AI, mas manter sua aplicação por alegada queda de tal causa suspensiva, como se tal fato de per se convalidasse a indevida exigência de multa sobre crédito tributário com exigibilidade suspensa. Entende que o acórdão embargado também incorre em omissão ao olvidar do restabelecimento da causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário combatido por meio Fl. 333DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 de competente depósito judicial efetuado no lapso de 30 (trinta) dias, nos exatos termos do artigo 63, §2°, da Lei n° 9.430/96. Aduz que com o reconhecimento do depósito do montante integral, os juros de mora seriam indevidos e deveriam ser excluídos do lançamento. É o breve relato. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35564.004495/200568 Acórdão n.º 2402003.240 S2C4T2 Fl. 303 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Os embargos de declaração apresentados são tempestivos e podem ser conhecidos. Dispõe o caput artigo 65 do Regimento Interno do CARF o seguinte: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Dentre os argumentos apresentados pela embargante, entendo que a existência do depósito judicial do montante integral é capaz de ensejar o acolhimento dos embargos de declaração pelas razões que se seguem. Embora a embargante afirme que havia informado nos autos a existência do depósito judicial efetuado tão logo perdeu a eficácia a medida liminar, não é o que se verifica. Analisandose as peças juntadas pela embargante, podese perceber que esta só deu notícia da existência do depósito judicial quando da apresentação dos embargos de declaração. Portanto, não era possível tratar tal questão tanto no julgamento do recurso, como da análise dos embargos de declaração apresentados pela PFN, em razão de ser informação ainda não sabida. Entretanto, é fato que o depósito foi feito pela embargante em 18/01/2008, anteriormente, portanto, ao julgamento do recurso que ocorreu em 21/10/2010 e, por ser informação que deveria ser considerada na análise do recurso apresentado, entendo que os embargos de declaração devem ser acolhidos para saneamento da omissão existente. O Acórdão nº 240201.257 reconheceu que quanto à multa aplicada deveria ser observado o que dispõe o art. 63, § 2o da Lei n° 9. 430/96, abaixo transcrito. Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IveV do art. 151 da Lei nº5.172, de 25 de outubro de 1966,não caberá lançamento de multa de ofício.(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da Fl. 335DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Observase da guia juntada, bem como da planilha de cálculos (fls. 294/299) que a embargante utilizou a prerrogativa legal acima, recolhendo somente o principal e os juros de mora. Assim, na existência do depósito dentro do prazo estabelecido pela lei de 30 dias, entendo que prevalece o entendimento do acórdão inicial no sentido de que a multa não seria devida. Quanto aos juros de mora, verificase na planilha que a embargante efetuou os cálculos até a data do pagamento que ocorreu em 18/02/2008. Por essa razão, percebese que o total de juros recolhidos judicialmente é superior aos valores de juros lançados, uma vez que a autuação ocorreu em 12/12/2005. Portanto, entendo que foi caracterizado o depósito do montante integral do crédito lançado, razão pela qual os juros de mora também devem ser excluídos. Cumpre ressaltar que o depósito efetuado pela recorrente compreendeu várias outras competências, inclusive, objeto de outros lançamentos. Assim, o que se reconhece neste julgamento é que relativamente às contribuições objeto deste lançamento, ocorreu a suspensão da exigibilidade em face do depósito do montante integral destes valores. Convém, ainda, deixar claro que os juros recolhidos pela recorrente quando da realização do depósito judicial são devidos em razão do recolhimento ter ocorrido após a decisão judicial desfavorável. É prudente que a autoridade cumpridora do acórdão verifique se o depósito efetuado corresponde realmente ao valor devido. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO propostos, ACOLHÊLOS e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para a retirada da multa e dos juros pelas razões apresentadas. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 336DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002741/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado.
PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA.
A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Numero da decisão: 2301-003.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.002741/200897 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.285 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria Contribuição Previdenciária da Empresa. Contribuinte Individual. Recorrente FUNDAÇÃO HOSPITALAR DO ESTADO DE M.G. FHEMIG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 41 /2 00 8- 97 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15504.002741/200897 Acórdão n.º 2301003.285 S2C3T1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCELO OLIVEIRA (Presidente), MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Trata se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrado em face de FUNDAÇÃO HOSPITALAR DO ESTADO DE M.G. FHEMIG, pertinente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, bem como as contribuições devidas pelos segurados, incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores contribuintes individuais que lhe prestam serviços, conforme se infere do Relatório Fiscal às fls. 184/194. Diante do descumprimento de obrigação, foi lançado contra a empresa valor de R$ 206.782,42 (duzentos e seis mil setecentos e oitenta e dois reais e quarenta e dois centavos). O contribuinte tomou ciência em 24/08/2007 e apresentou impugnação tempestiva em 25/09/2007, às fls. 273/508. Entretanto, a autuação foi parcialmente mantida pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, às fls. 549/553, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2004 DECADÊNCIA QÜINQÜENAL A decadência das contribuições previdenciárias operase em 05 (cinco) anos em face da declaração de inconstitucionalidade formal dos art. 45 e 46 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal. COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. A comprovação de erro material determina a revisão do lançamento. Lançamento Procedente em parte Fl. 659DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15504.002741/200897 Acórdão n.º 2301003.285 S2C3T1 Fl. 4 3 Consta ainda, à fl. 542, que autos foram convertidos em diligencia para posicionamento sobre a alegação de existência de erro material no lançamento. A Auditora Fiscal, por sua vez, pronunciouse às fls. 538/540. Dessa forma, o contribuinte foi notificado para possível manifestação, contudo, não o fez. A ora Recorrente interpôs o Recurso Voluntário em 29/09/2009, sob exame, às fls. 595/614, cujas razões podem ser resumidas às seguintes: 1) Por ter a 6ª Turma da Delegacia da Receia Federal do Brasil acolhido a decadência quinquenal das competências de 01/1997 a 11/2001, requer apenas a realização de perícia para apuração dos valores realmente devidos, haja vista a presença de inconformidades no lançamento em questão. ‘ Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Preclusão sobre matérias não impugnadas O lançamento da presente NFLD referese à cobrança de contribuições devidas à Previdência Social tanto pela empresa quanto pelo segurado, incidentes sobre a remuneração paga aos trabalhadores contribuintes individuais que lhe prestam serviços e não recolhidas em época própria. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15504.002741/200897 Acórdão n.º 2301003.285 S2C3T1 Fl. 5 4 Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto à pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Do Pedido de Perícia Quanto ao pedido de perícia, o Decreto n° 70.235/72, é claro ao estabelecer, em seu artigo 18, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O dispositivo legal acima destacado é expresso ao afirmar que a realização de perícias ou diligências apenas será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias...'', ou seja, é condição determinante para a produção pericial o convencimento do julgador acerca de sua necessidade. Destarte, o eventual indeferimento de sua produção não caracteriza cerceamento de defesa. No contexto do presente processo, a produção de provas periciais serviria apenas para prorrogar indevidamente a discussão sobre o lançamento, cuja procedência não há mais, em virtude do até agora exposto, que ser questionada. Diante disso, rejeito o pedido de produção da prova pericial. Da multa aplicada Fl. 661DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15504.002741/200897 Acórdão n.º 2301003.285 S2C3T1 Fl. 6 5 A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do Fl. 662DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15504.002741/200897 Acórdão n.º 2301003.285 S2C3T1 Fl. 7 6 art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15504.002741/200897 Acórdão n.º 2301003.285 S2C3T1 Fl. 8 7 Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15504.002741/200897 Acórdão n.º 2301003.285 S2C3T1 Fl. 9 8 Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2013 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 665DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 15504.002741/200897 Acórdão n.º 2301003.285 S2C3T1 Fl. 10 9 Fl. 666DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 7/02/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10909.001607/2004-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. No caso presente, não há qualquer desses permissivos a permitir o acolhimento dos aclaratórios.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 2102-002.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos, mantendo integralmente o decidido no Acórdão nº 2102-002.380, de 20/11/2012.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 19/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. No caso presente, não há qualquer desses permissivos a permitir o acolhimento dos aclaratórios. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos, mantendo integralmente o decidido no Acórdão nº 2102-002.380, de 20/11/2012. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira.
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CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. No caso presente, não há qualquer desses permissivos a permitir o acolhimento dos aclaratórios. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR os embargos, mantendo integralmente o decidido no Acórdão nº 2102002.380, de 20/11/2012. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 19/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Francisco Marconi de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 16 07 /2 00 4- 79 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Primitivamente, o contribuinte havia sido autuado na pendência de controvérsia judicial sobre a quebra de seu sigilo bancário pelo fisco. Aquele havia obtido medida liminar favorável no TRF4ª Região, tendo havido na sequência a prolação de sentença denegatória do mandado. No curso do prazo de apelação, o fisco procedeu ao lançamento, o qual foi declarado nulo pela Turma de Julgamento da DRJ/FNS, ao entendimento de que a medida liminar havia sido obtida no tribunal de segundo grau, e esta somente poderia ser considerada reformada se houvesse o trânsito em julgado da sentença monocrática (fls. 447), consoante se apreenderia do art. 23 da Lei nº 3.470/58. Posteriormente, superado o prazo da apelação, a autoridade fiscal constituiu novamente o lançamento, com multa qualificada e agravada, não tendo o contribuinte sido intimado a apresentar quaisquer documentos, tendo em vista que o objetivo do novo lançamento limitarseia tão somente a restaurar a exigência do crédito tributário lançado através do primitivo Auto de Infração resultante do MPF 0920600/2002/000950 (processo 10909.002248/200396), anulado por vício formal pelo Acórdão DRJ/FNS 3.407, de 23 de dezembro de 2003 (ciência em 12/04/2004). A DRJ/FNS deu parcialmente provimento à impugnação, apenas para reduzir a multa de ofício do percentual de 225% para 150%. Em sessão plenária de 20 de novembro de 2012, esta Turma de Julgamento prolatou o Acórdão nº 2102002.380, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTRIBUINTE NÃO INTIMADO A COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS QUE NÃO SE APERFEIÇOA. O lançamento incorreu em gravíssimo equívoco procedimental, pois obrigatoriamente a autoridade fiscal teria que ter intimado o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, como exigido pela cabeça do art. 42 da Lei nº 9.430/96. O fato de o contribuinte não ter comprovado a origem no procedimento administrativo anterior, declarado nulo pela DRJ por outro motivo, não autorizaria que a autoridade lançadora presumisse que ele não o faria no novo lançamento. Vejase que a intimação do contribuinte para comprovar as origens dos depósitos bancários é condição imperativa para higidez do lançamento fiscal, conforme pacífica jurisprudência administrativa, que tem como exemplo a Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso provido. Compulsando o voto acima, vêse que este Colegiado considerou obrigatória a intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários no segundo procedimento fiscal, pois não se poderia presumir que o contribuinte não desnudaria a origem deles, bem como, em Fl. 508DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10909.001607/200479 Acórdão n.º 2102002.511 S2C1T2 Fl. 3 3 adição, desqualificou a multa de ofício e reconheceu que a decadência teria fulminado o crédito lançado. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional foi notificada da decisão acima e opôs embargos de declaração, apontando omissão e contradição no julgado embargado, nos termos que seguem: 1. a decisão da DRJ/FNS que declarou nulo o primitivo lançamento somente havia anulado o auto de infração, tendo restado hígido todo o procedimento anterior ao lançamento de ofício, inclusive as intimações para o embargado se pronunciar a respeito dos depósitos bancários; 2. apesar de o relator do acórdão embargado asseverar que poderia desde logo enfrentar o mérito da discusão, pois o lançamento padeceria de vício insanável sem qualquer ligação com o debate judicial, este embargante entende de outra forma, pois, a legalidade da quebra do sigilo bancário é prejudicial em relação ao debate sobre a regularidade da intimação a comprovar a origem dos depósitos bancários, bem como do mérito do auto de infração, sendo de rigor sobrestar a discussão administrativa, por aplicação do art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF, já que a legalidade da quebra do sigilo bancário pelo fisco se encontra no rito da repercussão geral no STF (RE nº 601314); 3. existe ainda um óbice adicional ao julgamento do recurso voluntário, pois o contribuinte buscou a via judicial para debater a higidez da transferência de seus dados bancários para o fisco, sendo de rigor aplicar a Súmula CARF nº 01 à espécie; 4. “não bastassem as questões acima, cabe registrar que que o auto de infração foi lavrado na vigência de Despacho do Ex.mº Sr. Ministro da Fazenda, Memo SRF/GAB/Nº 788/2003, que vinculou a Administração Fazendária ao entendimento firmado no Parecer PGFN/CAT/Nº 1.649/2003”, que conclui pela pena aplicabilidade da aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 e da Lei Complementar nº 105/2001, implicando que está em discussão não o ato do Fisco, mas a decisão do Exmo. Sr. Ministro Fazenda, matéria que não está na competência desse Conselho, sendo que a única decisão coerente seira sobrestar o julgamento da causa até a decisão definitiva de mérito do RE nº 601.314. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Os embargos são tempestivos e devem ser processados. Os embargos devem ser rejeitados. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Para que os embargos sejam acatados, necessário que haja no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma, na forma do art. 65, do Anexo II, do RICARF. No caso presente, de plano, vêse que o lançamento foi cancelado por este Colegiado alicerçado em dois fundamentos, ambos independentes, reconhecendose uma nulidade substancial pela ausência de intimação do contribuinte a comprovar a origem dos depósitos bancários, incidindo na espécie a inteligência da Súmula CARF nº 29 (Todos os co titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento), bem como, se superado a questão precedente, a decadência teria fulminado igualmente o lançamento. Ocorre que o embargante somente atacou o primeiro dos fundamentos, razão suficiente para impedir qualquer efeito infringente no âmbito destes embargos, pois o acórdão embargado, como já dito, alicerçouse em duplo fundamento, ambos independentes, para afastar a exação fiscal. Entretanto, devese reconhecer que o embargante busca apenas sobrestar o julgamento do recurso voluntário, ao argumento de que haveria uma questão prejudicial a todo o debate de mérito (e mesmo das nulidades), associada à transferência do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria que estaria judicializada, não restando a este Colegiado a aplicação da Súmula CARF nº 01 e do art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF à espécei, sobrestando o julgamento. Ora, antes de tudo, aqui não se pode aferrar a ordem de julgamento das matérias no âmbito do processo (questões prejudiciais, preliminares e de mérito), como se tal sequência fosse imutável ou de ordem pública, pois sequer há alguma norma legal que obrigue o julgador a seguir tal sequência. Ademais, essas estruturas de julgamento no âmbito do processo cível (e administrativo, por decorrência) são a mais das vezes questões doutrinárias, havendo inclusive dissenso sobre elas. Indo mais além, o processo administrativo deve caminhar para seu final, não podendo uma preliminar (ou prejudicial) de sobrestamento do feito impedir que o julgador avance no mérito de uma controvérsia que ordinariamente estaria com julgamento sobrestado, quando no mérito a exação não deve se manter (precedentes desta Turma: 210201.125, sessão de 17 de março de 2011; ). Nessa linha de entendimento, qual o sentido de sobrestar o julgamento de um recurso voluntário pelo debate da higidez da transferencia compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, quando houve uma nulidade formal completamente dissociada do debate judicial, ou quando a decadência extinguiu o lançamento, como ocorreu nestes autos? Devese anotar que, no presente caso, a decisão embargada fundamentou adequadamente o porquê de apreciar desde logo o recurso voluntário, pois entendeu que o lançamento padeceria de um vício insanável, pela ausência de intimação do fiscalizado para comprovar a origem dos depósitos bancários, questão que não teria qualquer ligação com o debate judicial sobre a transferência do sigilo bancário do sujeito passivo para o fisco, na forma da Lei Complementar nº 105/2001, pois “o fato de o contribuinte não ter comprovado a origem no procedimento administrativo fiscal anterior não autorizaria que a autoridade lançadora presumisse que ele não o faria no novo lançamento”. A argumentação do embargante de que todo o lastro probatório do procedimento declarado nulo originalmente pela DRJ/FNS seria hígido, para aparelhar o novo lançamento, o que desobrigaria um nova intimação do contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários, é um mero inconformismo do embargante em face da decisão embargada, como se estes aclaratórios obrigassem este Colegiado a julgar nova a lide. Ora, este Fl. 510DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10909.001607/200479 Acórdão n.º 2102002.511 S2C1T2 Fl. 4 5 Colegiado asseverou expressamente que o contribuinte deveria ter sido novamente intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários, tendo havido nulidade substancial no procedimento anterior (e no presente), o que impede, por óbvio, de se considerar o contribuinte como omisso. Assim sendo, se havia uma nulidade insanável no novo lançamento, com matéria dissociada daquelas em discussão no Poder Judiciário, inviável se falar em sobrestamento do recurso voluntário, pois independemente da sorte do RE nº 601.314 no STF (pela higidez ou não da transferência do sigilo bancário para Fisco Federal), o lançamento não poderá prosperar, quer porque o contribuinte não foi intimado no novo procedimento fiscal a comprovar a origem dos depósitos bancários, quer porque a decadência fulminou o crédito lançado. Interessante ressaltar que a decisão embargada explicitou minudentemente porque iria julgar a lide, como se vê no excerto abaixo: (...) Em princípio, considerando que a Segunda Câmara do Primeiro Conselho entendeu que a decisão judicial definitiva no writ acima seria uma questão prejudicial em face da decisão administrativa, não caberia à autoridade preparadora da unidade de origem ter devolvido estes autos para prosseguimento do julgamento, até porque este CARF, majoritariamente por suas Turmas julgadoras, em qualquer controvérsia sobre transferência de sigilo bancário compulsório para o fisco, na forma da Lei complementar nº 105/2001, mesmo que o contribuinte não tenha suscitada a discussão judicial da matéria, tem sobrestado o julgamento administrativo, até que o Supremo Tribunal Federal decida sobre a constitucionalidade da LC nº 105/2001, matéria no âmbito da repercussão geral, na forma do art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF. Entretanto, como os autos retornaram para este CARF para prosseguimento, seria o caso de mantêlo por aqui, com julgamento sobrestado, como temos feito nesta Turma quando se debate a transferência compulsória do sigilo bancário para o fisco, ou enfrentar a lide, no caso de se entender que o recurso deveria ser provido, em respeito ao princípio da oficialidade, evitando passos desnecessários e impulsionando o feito para o seu final. Entendo claramente que se deve enfrentar o mérito da discussão, pois o lançamento padece de vício insanável, sem qualquer ligação com o debate judicial, o que permite que esta instância administrativa enfrentar desde logo o mérito da causa. (...) Por tudo, claramente não há qualquer omissão ou contradição no acórdão embargado, que entendeu que deveria julgar desde logo a lide, pois qualquer que fosse o resultado da decisão judicial no tocante à transferência dos dados bancários do contribuinte para o fisco, tal decisão não influiria na sorte do lançamento, pois este tinha uma nulidade susbtancial diversa da matéria debatida no judiciário, bem como tinha sido confeccionado após o quinquênio decadencial legal. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Concluindo, observese, em nenhum momento a decisão embargada fez qualquer apreciação sobre a matéria judicializada, quer porque não poderia fazêlo, pela prevalência da instância judicial sobre a administrativa, quer porque a sorte do processo judicial era irrelevante para a manutenção do lançamento, como já dito. Com isso, por óbvio, jamais este Colegiado se opôs ao Despacho do Ex.mº Sr. Ministro da Fazenda, Memo SRF/GAB/Nº 788/2003, que vinculou a Administração Fazendária ao entendimento firmado no Parecer PGFN/CAT/Nº 1.649/2003, pois não houve, insistase, qualquer debate no Acórdão embargado sobre a higidez da transferência compulsória dos dados bancários do contribuinte para o Fisco Federal. Com as considerações acima, voto no sentido de REJEITAR os embargos, mantendo integralmente o decidido no Acórdão nº 2102002.380, de 20/11/2012. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 512DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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