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Numero do processo: 10280.722250/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS.
A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação aos serviços de transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio).
CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS.
Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço.
ÔNUS DA PROVA.
Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.863
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto aos serviços de transporte de rejeitos industriais.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS. A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação aos serviços de transporte e co-processamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio). CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS. Tratando-se de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço. ÔNUS DA PROVA. Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária. Recurso provido em parte.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. GLOSAS IMOTIVADAS. A indicação sucinta no termo de verificação fiscal das razões que conduziram o exator a efetuar as glosas, desautoriza a alegação de nulidade por cerceamento de defesa. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. SERVIÇOS APLICADOS INDIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. TRATAMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação aos serviços de transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais; por integrarem o custo de produção do produto destinado à venda (alumínio). CRÉDITOS. MATERIAIS REFRATÁRIOS E SERVIÇOS CONEXOS. Tratandose de gasto passível de ativação obrigatória, é incabível a tomada de crédito diretamente sobre o custo de aquisição do material ou do serviço. ÔNUS DA PROVA. Nos processos de pedidos de ressarcimento de créditos, cabe ao contribuinte o ônus da prova do direito oposto à Administração Tributária. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 50 /2 00 9- 03 Fl. 2437DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto aos serviços de transporte de rejeitos industriais. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da não cumulatividade, relativo ao 1ª Trimestre de 2007, cumulado com declarações de compensação. A autoridade administrativa glosou parte do crédito e homologou parcialmente as compensações declaradas, sob os seguintes fundamentos (fls. 376), in verbis: "(...) 09) CREDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (Outros) OBJETO DE GLOSA: Foram glosadas as notas fiscais referente a refratários, posto que os mesmos não se caracterizam como gastos de manutenção de consumo rápido, visto que é substituído a intervalos superiores a 1900 dias, conforme laudo fornecido pela empresa em anexo, a relação das notas fiscais objeto da glosa estão em anexo. Foram glosados também os gastos de transportes referentes a refratários, uma vez que esses não são considerados como insumos já exposto acima. 10) CRÉDITO DECORRENTE DE COMPRA INSUMOS (OUTROS PARTES E PEÇAS): Foram glosadas as notas fiscais referente a peças de reposição por se tratarem de produtos não utilizados nas máquinas e equipamentos, para a fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, estando assim, em desacordo com o disposto no inciso II, do art. 3º da Lei n°10.833/2003. 11) CRÉDITOS DECORRENTES SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA: Art. 8º § 4º , inciso II da IN SRF n° 404/ 2004 as notas fiscais referente a esse serviços, objeto da relação em anexo, foram glosados, tendo em vista não ter sido aceitas por esta fiscalização como bens e ou serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviços; 12) CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS/ENCARGOS OBJETO DE GLOSA: Estas glosas estão demonstradas nas planilhas em anexo denominada: Relação Notas Fiscais de Bens glosados do Ativo Imobilizado para Utilização na Fabricação de Produtos Destinados a Venda ou na Prestação de Serviços 2004, 2005, 2007; Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 3 3 Demonstrativo Ativo Imobilizado maio/2004 a dez/2005, (1/48 avos); Demonstrativo Ativo Imobilizado de: jan/2007 a dez/2007, (1/12 avos); Memória de cálculo da Depreciação (Base do Ativo Imobilizado), janeiro/2007, fevereiro/2007 e março/2007, elaborados por esta fiscalização, para se obter os créditos decorrentes de depreciação acelerada incentivada e os que foram objeto de glosa, por se tratarem de produtos não alcançados pelo disposto no art. 1°, § 2º,I, da IN 457/04, LEI n° 11.196/2005, Dec. nº 5.789/2006 e Dec. 5.988/2006, como também as edificações e instalações, que se referem a produtos só abrangidos para a apuração do crédito, a partir de janeiro de 2007, conforme disposto no art. 6° da Lei 11.488/2007, acelerada incentivada (2 anos) 1/24 avos por mês. (...)" Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte contestou as glosas efetuadas, argumentando com o conceito amplo de insumo e com o fato de que todos os itens glosados foram aplicados em seu processo produtivo. A DRJ em Belém PA indeferiu a manifestação de inconformidade, em julgado que recebeu a seguinte ementa: "PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972. COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da COFINS NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Fl. 2439DF CARF MF 4 Na nãocumulatividade da COFINS, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda. Direito creditório não reconhecido." Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 03/11/2011 (fl. 186), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/12/2011, no qual, basicamente, reprisou as alegações de impugnação e contestou pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio da Resolução nº 3402000.488 (fls. 715/726) o julgamento foi convertido em diligência à repartição fiscal de origem nos seguintes termos: "(...) Retornando aos autos, para uma decisão justa e precisa, necessito que a Unidade de Origem emita um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Necessito, outrossim, que sejam identificas as máquinas, os equipamentos e as edificações do parque industrial do recorrente e seus os respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. (...)" O processo retornou com o termo de diligência de fls. 1962/1963. Por entender que a diligência não havia sido cumprida na íntegra, o colegiado solicitou nova diligência para complementar a anterior (fls. 1971/1972), nos seguintes termos: "(...) Entendo que a diligência não foi cumprida pela Unidade de Origem. Assim sendo remeto novamente os autos para que seja emitido um parecer conclusivo acerca da relação de inerência entre os dispêndios realizados a título de transporte e coprocessamento de rejeito gasto de cubas – RGC, de beneficiamento de banho eletrolítico, de processamento de borra de alumínio e refratários e o transporte de rejeitos industriais, e a realização da produção industrial do recorrente em face da eventual inexistência desses gastos. Nesse parecer conclusivo deve constar a identificação das máquinas, equipamentos e edificações do parque industrial da recorrente e seus respectivos custos. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (...)" Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 4 5 O processo retornou com o termo de diligência de fls. 2340/2341, com ciência do contribuinte para apresentar manifestação em 10/03/2015. Transcorrido in albis o prazo para manifestação do contribuinte, o processo retornou ao CARF e foi sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido por este colegiado. Neste processo não se trata da produção da alumina pelo método de Bayer, mas sim da produção do alumínio metálico pelo processo de redução eletrolítica da alumina (método de HallHeroult), e mais uma vez o colegiado está sendo conclamado a decidir sobre o conceito de insumo aplicável no âmbito das contribuições nãocumulativas. No que concerne ao alcance do termo "insumo" utilizado nas leis que instituíram o regime não cumulativo da contribuições ao PIS e à COFINS, a Administração Tributária adota o conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os itens glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do Fl. 2441DF CARF MF 6 que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade de o produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 5 7 expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos das contribuições não cumulativas, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Portanto, ao contrário do alegado pela recorrente, não é todo e qualquer gasto que está apto a gerar créditos das contribuições nãocumulativas, mas apenas e tãosomente aqueles identificados com o custo de produção. Adotando como parâmetro a interpretação acima, passase à análise das glosas contestadas pelo contribuinte, na ordem em que foram apresentadas no recurso. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS:: TTRRAANNSSPPOORRTTEE EE CCOOPPRROOCCEESSSSAAMMEETTOO DDEE RRGGCC;; TTRRAANNSSPPOORRTTEE EE PPRROOCCEESSSSAAMMEENNTTOO DDEE BBOORRRRAA DDEE AALLUUMMÍÍNNIIOO;; BBEENNEEFFIICCIIAAMMEENNTTOO DDEE BBAANNHHOO EELLEETTRROOLLÍÍTTIICCOO;; TTRRAANNSSPPOORRTTEE DDEE RREEJJEEIITTOOSS IINNDDUUSSTTRRIIAAIISS.. A fiscalização glosou esses créditos por considerar que esses serviços não foram aplicados diretamente na produção. O termo de diligência (fls. 2340) expôs a tese fiscal com todas as letras, in verbis: "(...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 2443DF CARF MF 8 (...)" Por sua vez, o contribuinte, na diligência, esclareceu a relação de pertinência desses dispêndios com o seu processo produtivo (fls. 387 e ss. do processo nº10280.722246/200937 ), in verbis: "(...) (...)" Verificase que o óbice oposto pela fiscalização ao reconhecimento do crédito reside no fato desses gastos serem incorridos de forma indireta, alguns deles em etapa posterior à obtenção do alumínio. Essa questão já foi enfrentada pela antiga Turma 3403 no Acórdão nº 3403 001.958, no qual se discutia acerca dos custos incorridos com a remoção de rejeitos industriais resultantes da produção da alunina pelo método de Bayer, in verbis: "(...) Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 6 9 Não há como se concordar com a tese da fiscalização, no sentido de que custos incorridos com itens que não contribuem para a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ocorrer com algo que “sai” da linha de produção ou mesmo de ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto relativo a bem ou serviço que não contribuiu para a formação do bem ou serviço produzido ou que não foi “aplicado na linha de produção”. Além disso, deve ser lembrado que a lama não surge por geração espontânea no processo industrial. Esse resíduo surge porque a bauxita está dispersa no solo . E é o solo impregnado de bauxita e contaminado por outras substâncias que é umedecido com soda cáustica para formar a polpa que será cozida, decantada e filtrada. Portanto, de certo modo, a lama também “entra” na linha de produção para possibilitar a extração da alumina e depois “sai” durante o processo como resíduo industrial. É uma situação análoga à da soda cáustica. A soda “entra” na linha para formar a polpa e depois“sai”da linha sob a forma de rejeito misturada à lama. (...)" Mutatis mutandis, os dispêndios ora sob análise são uma consequência do processo produtivo da recorrente. A empresa precisa incorrer nesses gastos, sob pena de prejudicar o rendimento de seu processo produtivo e a qualidade do alumínio produzido. Com efeito, as respostas dadas ao quesito 1, acima transcritas, são plenamente compatíveis com à descrição do processo de eletrólise que consta à fl. 31, in verbis: Desse modo, é evidente que esse processo produtivo causa um desgaste nas cubas, as quais, precisam ser reformadas a cada cinco anos, conforme os esclarecimentos prestados pela empresa. Tais gastos decorrem do principal processo químico que dá origem ao produto final e oneram o custo de produção do alumínio, enquadrandose na disposição do art. 290, I, do RIR/99. Devem, portanto, gerar créditos das contribuições no regime não cumulativo, pois se enquadram na previsão do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. MMAATTEERRIIAALL RREEFFRRAATTÁÁRRIIOO Fl. 2445DF CARF MF 10 Nas planilhas de fls. 146, 241/242 e 342/343 a fiscalização glosou o material refratário, basicamente constituído por tijolos refratários e argamassa refratária, bem como os serviços relacionados ao transporte e manutenção de refratários, sob o argumento de que se tratam de gastos ativáveis, uma vez que os refratários duram pelo menos 1.900 dias, conforme informação prestada pelo próprio contribuinte. Por seu turno, o contribuinte, basicamente, alegou que os refratários integram o custo de produção e que por tal motivo "optou" por tomar o crédito sobre o custo de aquisição. Conforme se verifica na fl. 33, o contribuinte informou o seguinte: "(...) (...)" Portanto, tratandose de gastos que beneficiam mais de um exercício social, eles devem ser obrigatoriamente ativados e o contribuinte só pode tomar o crédito sobre a respectiva despesa de depreciação a teor do art. 3º, § 1º, III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Esses dispositivos legais e o art. 301 do RIR/99 não estabelecem nenhuma "opção" de ativar ou não ativar o bem ou de tomar o crédito sobre a despesa de depreciação ou sobre o custo de aquisição. Se o gasto beneficiar mais de um exercício social ele deverá ser obrigatoriamente ativado, e neste caso a base de cálculo do crédito da nãocumulatividade será a despesa de depreciação incorrida no mês e não o custo de aquisição. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de manter a glosa em relação a materiais refratários e serviços conexos nos moldes efetuados pela fiscalização. GGLLOOSSAA EEMM RREELLAAÇÇÃÃOO AA BBEENNSS DDOO AATTIIVVOO IIMMOOBBIILLIIZZAADDOO Nas planilhas de fls. 78/140, a fiscalização glosou os valores contabilizados no ativo imobilizado, sob as seguintes justificativas: "(...) Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 7 11 (...) (...)" Essas planilhas revelam que, basicamente, foram quatro motivos que justificaram essas glosas a saber: a) os produtos discriminados nas notas fiscais não são abrangidos pelos Decretos nº 5.789/2006 e 5.988/2006 (Lei nº 11.196/2005); b) as edificações e instalações só dão direito à tomada do crédito sobre a depreciação acelerada a partir de junho de 2007 (art. 6º, da Lei nº 11.488/2007); c) os bens não se enquadram no art. 1º, § 2º, I da IN SRF nº 457/2004; e d) o próprio contribuinte informou que o item constante da nota fiscal "não se aplica" ao setor de produção. Esmiuçando a fundamentação adotada pela fiscalização verificase, pela leitura do Decreto nº 5.789/2006, que ele regulamentou o art. 16 da Lei nº 11.196/2005, a qual criou o Regime Especial de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP. A fiscalização disse que os bens constantes da planilha de glosa não foram contemplados pelo referido decreto e, portanto, não dão direito ao desconto de créditos no prazo de 12 meses (1/12 avos sobre o custo de aquisição), previsto no art. 3º do Decreto nº 5.988/2006 (art. 31 da Lei nº 11.196/2005). Fl. 2447DF CARF MF 12 Já o art. 6º, da Lei nº 11.488/2007 prevê o direito à apropriação de créditos sobre a depreciação acelerada em 24 meses, em relação a edificações incorporadas ao ativo imobilizado, para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Esse dispositivo legal só teve eficácia a partir de janeiro de 2007, conforme prevê o § 5º do seu art. 6º. Na planilha em questão, a fiscalização glosou os créditos tomados antes de janeiro de 2007, por falta de previsão legal, já que o próprio art. 6º fixou que o direito só poderia ser exercido a partir de janeiro de 2007. Relativamente ao art. 1º, § 2º, I da IN SRF nº 457/2004, ele regulamentou o art. 3º, §§ 14 e 16 da Lei nº 10.833/2003, que versa sobre o direito de o contribuinte optar pelo cálculo de créditos sobre 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição do bem, em lugar do crédito sobre a despesa de depreciação, em relação a máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado para emprego na produção de bens e serviços a serem vendidos. A fiscalização glosou os valores relativos aos bens que não atendiam à exigência legal de serem empregados na produção de bens e serviços destinados à venda. Por fim, a indicação "não se aplica" constante das planilhas, revela que o próprio contribuinte considerou que o item não é aplicável à produção e, portanto, não é apto a gerar créditos da nãocumulatividade. No recurso voluntário, uma das alegações do contribuinte foi de cerceamento de defesa por ausência de motivação, pois a fiscalização não teria declinado de forma individualizada o porquê de cada uma das glosas. O exame acima efetuado das planilhas de glosa revela que a fiscalização apresentou a motivação da glosa nas próprias planilhas, ainda que de forma sucinta, o que não acarretou cerceamento de defesa, mesmo porque a descrição dos itens dessas planilhas revela que muitos deles não guardam nenhuma relação de pertinência com o processo produtivo do alumínio, a exemplo dos seguintes itens: trava elétrica p/ 04 portas veículo; impressora deskjet 3845; poltrona diretor sobre longarina 03 lugares; armário alto 2 portas fech c/tampa; cortador de grama elétrico Trapp; trator de cortar grama Trapp; aparelho condicionador de ar Split; soleira em granito verde Ubatuba; mesa de centro em MDF; poltrona 1 lugar com estrutura de madeira, etc. Desse modo, essas glosas devem ser mantidas, pois estando os itens descritos e as glosas motivadas, o contribuinte poderia ter apresentado defesa específica em relação aos itens em relação aos quais julga possuir direito ao crédito. Não se olvide que em se tratando de processo de ressarcimento de créditos, cuja iniciativa pertence ao contribuinte, cabe a ele o ônus da prova da certeza e da liquidez dos valores vinculados às compensações declaradas, a teor do que estabelece o art. 373, I, do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Contudo, apesar de as glosas estarem perfeitamente motivadas e os itens identificados nas planilhas, o conselheiro que me antecedeu na relatoria deste processo entendeu que era necessário baixar o processo em diligência para que a fiscalização identificasse o item do ativo imobilizado com o respectivo custo. Considero essa providência totalmente desnecessária para o deslinde desta questão, pois o item glosado, a nota fiscal, e a conta contábil, já estão perfeitamente Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10280.722250/200903 Acórdão n.º 3402003.863 S3C4T2 Fl. 8 13 identificados nas planilhas de fls. 78/140. Assim, por exclusão, os valores utilizados nos cálculos dos créditos à razão de 1/48 avos e 1/12 avos das planilhas de fls. 142 e/145; 237 e 240, 337/338, se referem aos bens do imobilizado em relação aos quais não houve controvérsia sobre o direito ao crédito. E, se não há controvérsia sobre o direito em relação a tais bens, não é totalmente desnecessária a providência solicitada na diligência. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de manter as glosas relativas aos créditos tomados sobre bens do ativo imobilizado. CCRRÉÉDDIITTOOSS DDEECCOORRRREENNTTEESS DDEE PPAARRTTEESS EE PPEEÇÇAASS DDEE RREEPPOOSSIIÇÇÃÃOO MMÁÁQQUUIINNAASS EEMMPPRREEGGAADDAASS NNAA PPRROODDUUÇÇÃÃOO Nas planilhas de fls. 155/162, a fiscalização glosou os mais variados itens que a empresa classificou como partes e peças de reposição de máquinas empregadas diretamente na produção, sob o argumento e que tais itens não são aplicados nas máquinas empregadas na produção da empresa. Em sua defesa, o contribuinte argumentou com o conceito amplo de insumo e contestou a aplicação das soluções de divergência da Cosit invocadas pela fiscalização. Não tem razão o contribuinte. O exame dos itens glosados pelo fisco sob esta rubrica revelam que vários deles, manifestamente, não se enquadram como partes e peças de reposição de máquinas empregadas na produção do alumínio, como por exemplo: saco de coleta de lixo e conjunto de bacia sanitária (fl. 158); rolo para pintura (fl. 155); e giz branco (fl. 151); Kit Dimitri Masculino, Kit Connexion Masculino, Kit EGEO Masculino, Kit Colonia Connexion + gel para banho Malbee (fls. 156). A contabilização dos itens acima como "partes e peças de reposição de máquinas empregadas na produção" revela a negligência da recorrente em estabelecer critérios para a tomada de seus créditos, o que desqualifica por completo os demais itens enquadrados nessa rubrica como aptos a gerarem créditos das contribuições. Conforme já foi dito alhures, tratandose de processo de pedido de ressarcimento de créditos, incide a regra de distribuição do ônus da prova estabelecida no art. 373, I, do Novo CPC, cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que os itens glosados sob esta rubrica são partes e peças de máquinas empregadas na produção e que essas partes e peças não são de ativação obrigatória, hipótese em que o crédito só pode ser tomado sob a despesa de depreciação. Tendo em vista que nos recursos apresentados neste processo a defesa se limitou a apresentar alegações de direito, sem apresentar nenhuma prova de que os itens glosados se enquadram no permissivo legal que autoriza a tomada de crédito, a glosa deve ser mantida nos moldes efetuados pela fiscalização. Por fim, o contribuinte se insurgiu contra a não consideração de decisões judiciais e administrativas sobre as matérias discutidas no recurso. Não tem razão o contribuinte. As decisões judiciais colacionadas não são vinculantes para este colegiado porque não foram proferidas com base no art. 543 do CPC. Já as decisões administrativas, também não vinculam este colegiado, pois a teor do art. 62 do Fl. 2449DF CARF MF 14 Regimento, o CARF só está vinculado à observância de normas de hierarquia igual ou superior a decreto. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas sobre transporte e coprocessamento de RGC; transporte e processamento de borra de alumínio e refratário; beneficiamento de banho eletrolítico e transporte de rejeitos industriais. A fim de que se evitem embargos de declaração, já esclareço que o "transporte e processamento de borra de alumínio e refratário" é coisa totalmente distinta da glosa mantida em relação materiais refratários e serviços conexos. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.021535/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003
DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. TRIBUTOS. CTN.
Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial disposto no art. 139 do Decreto-lei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração.
Com relação ao prazo de decadência para a exigência de tributos e multa de ofício aplicam-se as normas do Código Tributário Nacional, inclusive para os tributos incidentes sobre o comércio exterior.
ILICITUDE DAS PROVAS. SUPERVENIENTE. AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. SEGREGAÇÃO DAS PROVAS.
A decretação judicial da ilicitude da prova da ocorrida posteriormente não anula a ação fiscal no âmbito administrativo, eis que tal declaração superveniente não afasta o fato de que, à época, existiam indícios da prática das infrações pelos fiscalizados e da falta de recolhimento de tributos.
Depois de lavrado o auto de infração para a exigência dos tributos e multas, a decretação da ilicitude das provas não mais se insere no âmbito da nulidade da ação fiscal que o precedeu, mas sim no da existência ou não de provas independentes, apuradas no procedimento fiscal autônomo, que possam suportar a autuação.
ARBITRAMENTO. FRAUDE. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Cabe à autoridade fiscal comprovar a fraude imputada para subsidiar o arbitramento e a consequente exigência tributária.
Recurso Voluntário provido
Crédito Tributário exonerado
Numero da decisão: 3402-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto acompanharam a relatora pelas conclusões por entenderem que o procedimento está viciado como um todo, pois foi instaurado a partir das provas ilícitas coligidas na Operação Dilúvio. Esteve presente ao julgamento a Dra. Gabriela da Cunha Furquim de Almeida, OAB/DF nº 36.545.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. TRIBUTOS. CTN. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial disposto no art. 139 do Decreto-lei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração. Com relação ao prazo de decadência para a exigência de tributos e multa de ofício aplicam-se as normas do Código Tributário Nacional, inclusive para os tributos incidentes sobre o comércio exterior. ILICITUDE DAS PROVAS. SUPERVENIENTE. AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. SEGREGAÇÃO DAS PROVAS. A decretação judicial da ilicitude da prova da ocorrida posteriormente não anula a ação fiscal no âmbito administrativo, eis que tal declaração superveniente não afasta o fato de que, à época, existiam indícios da prática das infrações pelos fiscalizados e da falta de recolhimento de tributos. Depois de lavrado o auto de infração para a exigência dos tributos e multas, a decretação da ilicitude das provas não mais se insere no âmbito da nulidade da ação fiscal que o precedeu, mas sim no da existência ou não de provas independentes, apuradas no procedimento fiscal autônomo, que possam suportar a autuação. ARBITRAMENTO. FRAUDE. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. Cabe à autoridade fiscal comprovar a fraude imputada para subsidiar o arbitramento e a consequente exigência tributária. Recurso Voluntário provido Crédito Tributário exonerado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. TRIBUTOS. CTN. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial disposto no art. 139 do Decretolei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração. Com relação ao prazo de decadência para a exigência de tributos e multa de ofício aplicamse as normas do Código Tributário Nacional, inclusive para os tributos incidentes sobre o comércio exterior. ILICITUDE DAS PROVAS. SUPERVENIENTE. AÇÃO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. SEGREGAÇÃO DAS PROVAS. A decretação judicial da ilicitude da prova da ocorrida posteriormente não anula a ação fiscal no âmbito administrativo, eis que tal declaração superveniente não afasta o fato de que, à época, existiam indícios da prática das infrações pelos fiscalizados e da falta de recolhimento de tributos. Depois de lavrado o auto de infração para a exigência dos tributos e multas, a decretação da ilicitude das provas não mais se insere no âmbito da nulidade da ação fiscal que o precedeu, mas sim no da existência ou não de provas independentes, apuradas no procedimento fiscal autônomo, que possam suportar a autuação. ARBITRAMENTO. FRAUDE. EXIGÊNCIA TRIBUTÁRIA. Cabe à autoridade fiscal comprovar a fraude imputada para subsidiar o arbitramento e a consequente exigência tributária. Recurso Voluntário provido Crédito Tributário exonerado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 02 15 35 /2 00 8- 11 Fl. 929DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto acompanharam a relatora pelas conclusões por entenderem que o procedimento está viciado como um todo, pois foi instaurado a partir das provas ilícitas coligidas na Operação Dilúvio. Esteve presente ao julgamento a Dra. Gabriela da Cunha Furquim de Almeida, OAB/DF nº 36.545. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que: a) não conheceu da impugnação da Mtrading Comércio Importação e exportação Ltda; b) rejeitou a arguição de decadência suscitada pela CIL Comércio de Informática Ltda; c) declarou nulo, por vício formal, o lançamento do crédito relacionado às DI's n°s 0/02899760, 03/04022130, 03/04898516, 03104941403, 03/04941420, 03/06040420 e 03/0087713, referente à aplicação da multa prevista no art. 83, inc. I, da Lei n° 4502/64; e d) no mérito, julgou procedente em parte o lançamento. Trata o presente processo de autos de infração para a exigência de Imposto sobre a importação, IPI, juros de mora e multa de ofício de 150%, bem como da multa administrativa de 100%, nos termos do parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, e da multa prevista no art. 83. inc. I, da Lei nº 4.502, de 1964. Conforme consta na decisão recorrida, de modo sintético, a autuação pode ser assim descrita: os procedimentos de investigação realizados pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal, conduzidos sob a denominação de Operação Dilúvio, se iniciaram em 2005 e culminaram com a deflagração, em 16/08/06, de uma ação ostensiva em mais de 100 endereços comerciais e residenciais, visando localizar e apreender documentos comprobatórios das fraudes praticadas por pessoas jurídicas e físicas domiciliadas em oito estados do Brasil e também no exterior; documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16/08/06, examinados e selecionados pela Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída pela Portaria SRF n° 1.172, de 17/11/06 e enviados por meio da Representação Fiscal 10980.005072/200795, juntamente com documentos e Fl. 930DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 930 3 informações coletados com intimações fiscais são a base probatória da presente autuação; a operação dilúvio, devidamente amparada por autorizações judiciais identificou pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias, cometidas pela organização criminosa denominada "Grupo MAM", que vem a ser um conjunto de empresas constituídas, em sua maioria, em nome de interpostas pessoas e que atuavam de forma dissimulada, seja como importadores, seja como distribuidores de mercadorias importadas, mas que de fato serviam apenas de anteparo e de escudo para ocultar os verdadeiros adquirentes, que não figuravam como tal nas operações, tampouco como importadores, perante os controles administrativos e aduaneiros; foi também possível apurar a prática de inúmeras outras fraudes relacionadas ao comércio exterior, tais coma subfaturamento dos preços declarados, falsificação de documentos, corrupção de servidores públicos, etc.; dentre as apreensões realizadas nos estabelecimentos da Cil Comércio de Informática Ltda, verificase a existência de meios probantes do envolvimento da empresa em fraudes de comércio exterior praticadas em conluio com a Mtrading Comércio Importação e Exportação Ltda [importadora de direito] empresa que até então não teria sido alvo das investigações e da qual não se pôde perceber vinculação com o aludido Grupo MAM; (...) grande parte do extraordinário crescimento apresentado pela empresa CIL, especialmente nos últimos 10 anos, viabilizandose financeira e economicamente e ampliando sua atuação no mercado de informática em nosso País, decorre da comercialização de produtos importados, entretanto essa empresa nunca se submeteu a procedimento de habilitação perante a RFB para operar no comércio exterior, o que implica dizer que não poderia atuar de forma alguma neste tipo de comercialização, seja como importadora direta, seja como encornendante prédeterminada, ou ainda como adquirente (por sua conta e ordem) por meio da pessoa jurídica importadora; a empresa CIL desempenhava corriqueiramente atividades no comércio internacional, realizando transações ás margens da legislação vigente. A mercadoria transacionada com o fornecedor estrangeiro chegava à empresa através de simulações praticadas em conjunto com empresas importadoras, para não deixar transparecer sua atuação no comércio internacional. Sendo assim, as "aquisições internas" de tais mercadorias formalizadas pela empresa tinham o propósito de ocultar o real negócio efetivado; como forma de permanecer oculta durante as operações de importação, empresa CIL "contratava" a Mtrading para realizar as importações de seu interesse como sendo importações por conta própria. Posteriormente as mercadorias eram "comercializadas" para a CIL como se fosse uma operação comercial interna; Fl. 931DF CARF MF 4 em verdade, a própria CIL é quem de fato importava, negociando preços com fornecedores estrangeiros, definindo produtos e quantidades, participando de cotações de fretes, seguros, enfim, promovendo todo o entendimento comercial, logístico e financeiro necessários à realização da transação. A Mtrading registrava a Declaração de Importação (DI) em seu nome, utilizandose corriqueiramente do artifício da "fabricação de Notas Fiscais" para instrução dos despachos aduaneiros, e cuidava de desembaraçála, tudo conforme orientações da CIL, para poder entregar a mercadoria ao real adquirente; o importador — Mtrading — e o real adquirente das mercadorias — CIL — praticaram fraudes de simulação, ocultação do real comprador, subfaturamento dos preços declarados, sonegação de tributos, falsificação de documentos e prestação de informações falsas, remessa ilegal de divisas, dentre outros; com a prática da simulação, realizada conjuntamente pelas autuadas, também em conjunto é a responsabilidade pelos tributos sonegados e pelas infrações praticadas [a Mtrading, como importadora de direito, é contribuinte dos impostos e a empresa CIL, como real adquirente, é responsável solidário], ambas respondem pelas infrações praticadas arts. 121, 124 e 136, do CTN; 31, 32, 94 e 95, do DL n° 37/66; 35, da Lei n°4.502/64; e, 27, da Lei n° 10.637/02]; (...) no presente caso, nas DI em que foi possível reconstituir, por meio dos documentos e arquivos magnéticos apreendidos na Operação Dilúvio, juntamente com elementos obtidos no decorrer da fiscalização, as operações comerciais efetivamente realizadas e identificar com total segurança os preços efetivamente praticados, o método do valor de transação (1º Método de Valoração) foi preservado. Nas demais, as bases de cálculo foram determinadas mediante arbitramento, tendo em vista que, conforme demonstrado, a fraude, a sonegação e o conluio estão presentes em todas as operações analisadas ao longo do procedimento fiscal; são imputáveis ao caso a multa de lançamento de ofício agravada no percentual de 150%, a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado nos termos do parágrafo único, do art.88, da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001 e a multa prevista no art.83 inc. I, da Lei n° 4.502, de 1964; (...) Cientificada do lançamento, a empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, apresentou impugnação, alegando, em síntese: DECADÊNCIA: todas as 17 DI, objeto da presente autuação, foram registradas entre 07/04/03 e 03/10/03. Entretanto, a ora impugnante somente foi cientificada da exigência do sobredito crédito tributário em 22/12/08, tendo expirado o prazo decadencial estabelecido no §2º, do art. 570, do Regulamento Aduaneiro [Decreto no 4.543102], sem se ter por concluída a revisão aduaneira iniciada contra as Autuadas; Fl. 932DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 931 5 na legislação aduaneira existe norma especifica estipulando o prazo decadencial para a Fazenda proceder ao lançamento da respectiva penalidade administrativa, o qual tem como termo inicial a data em que fora cometida a infração; os lançamentos do II e do IPI estão sujeitos à apuração pelo método de homologação, conforme prevê o art. 150, do CTN, sendo inaplicável o deslocamento da regra decadencial para a hipótese prevista no art. 173, ou qualquer outra do CTN, haja vista a inexistência de dolo ou fraude que pudesse afastar a norma do art. 150, § 4°, do CTN. Multa prevista no art. 83, inc. I, da Lei n° 4.502/64: é injurídica a exigência cumulativa do crédito tributário de II e IPI com a multa administrativa estatuída no art. 83, 1, da Lei ri° 4.502/64. A multa em montante igual ao valor da mercadoria somente é aplicável para o caso de impossibilidade material da aplicação da pena de perdimento, em virtude do consumo ou da entrega a consumo das mercadorias que seriam objeto da penalidade; em sendo mantida, ad argumentandtan tantum, temse que a base adotada para o cálculo da multa ("valor aduaneiro" das mercadorias) carece dc fundamento legal. O dispositivo legal é claro ao preceituar que a muita deve ser igual ao valor da mercadoria e não igual ao valor aduaneiro da mercadoria. Valor da mercadoria, base de cálculo da multa do art. 631, do RA, é o preço pago pelo importador para aquisição da mercadoria de origem estrangeira (valor de transação). Deste modo, a base de cálculo para a correta cominação da penalidade deve ser o preço pago pelas mercadorias importadas, sem a inclusão dos custos de frete e seguro; Subfaturamento: os emails e a "Conta Corrente AMD Nagem" não são provas da prática de subfaturamento das mercadorias importadas pela Mtrading, mas, sim, espelham a política comercial adotada pela empresa AMD, em que se privilegia o cliente fidelizado por meio da concessão de reembolso; o valor efetivamente pago, pelo importador, por cada ma das mercadorias importadas é aquele destacado em cada uma das invoices emitidas regularmente pela AMD, não compondo o preço o abatimento decorrente do aproveitamento do crédito gerado pela política de reembolso; O chamado método do valor de transação, somente pode ser rejeitado quando a fiscalização demonstra que o preço real pago ou a pagar não corresponde ao declarado, mas se trata de outro montante. Essa fundamentação deve ter em conta alicerces objetivos e robustos, e não meras especulações, obtidas por meio de ilações firmadas por quem desconhece inteiramente a prática comercial de reembolso adotada pela empresa AMD; a desconsideração do valor de transação teve por base o conteúdo de documentos apreendidos na Operação Dilúvio, sem que fosse dada a impugnante a oportunidade para explicar o seu real significado. São equivocadas as conclusões da fiscalização sobre tais documentos; os valores lançados para cada uma das mercadorias importadas, tanto os da invoices quanto os das notas fiscais emitidas pela Mtrading, são compatíveis com os preços encontrados no mercado. Esta compatibilidade serve para demonstrar que os preços praticados estavam alinhados às tabelas de referência dos fornecedores, servindo de prova irrefutável da existência de subfaturamento; nas DI's n° 03/03646378, 03/07301081 e 03 107439253 os preços de referência adotados não merecem prosperar, pois, para fundamentar o arbitramento, seria necessário que a Fl. 933DF CARF MF 6 fiscalização averiguasse objetivamente, seguindo os critérios legais, a valoração da mercadoria segundo os métodos previstos no Decreto nº 1.355/94; no arbitramento não foram observados alguns aspectos como: se os preços tomados como paradigma não foram formados por pessoas jurídicas vinculadas e, que, por isso, poderiam estar superfaturados para fins de remessa de divisa (lucro) para o exterior; a oscilação de preço por razões típicas de mercado, como, por exemplo, baixa demanda, obsolescência do produto, entre outras; Imputação de dolo, fraude: analisados os fatos documentados nos autos e os elementos contrapostos na presente defesa, de forma isenta, emerge clara a improcedência da tese de subfaturamento, a insubsistência da imputação de interposição fraudulenta, e a precariedade de quaisquer insinuações opostas contra a impugnante; à época dos fatos havia duas formas de proceder a importações: por conta própria, c por conta e ordem. Apenas em 2006 foi introduzida no ordenamento jurídico brasileiro a modal idade de importação por encomenda; ainda que se admita que a Receita não concorde com a qualificação adotada nas importações enfocadas nos presentes autos (Por conta própria), afigurase evidente que não foram importações "por conta e ordem". Em verdade, não sendo compatível com a modalidade por conta e ordem, restava apenas a importação por conta própria sem que com tal opção se possa vislumbrar prejuizo ao Erário. A empresa Mtrading Comércio Importação e Exportação Ltda. apresentou intempestivamente a sua impugnação, e por essa razão não foi conhecida. A DRJ acolheu parcialmente os argumentos da impugnante CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003 PETIÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO. NÃO CONHECIMENTO COMO IMPUGNAÇAO. A petição apresentada fora do prazo não deve ser conhecida como impugnação, motivo pelo qual não comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar, o que não é o caso. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Constatada a fraude pelo conjunto probatório dos autos, temse que o prazo para a homologação do lançamento a que esta se aplique passa a ser contado não mais da ocorrência do fato gerador, mas sim do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE POR VÍCIO FORMAL. OCORRÊNCIA. Sendo cabível a aplicação de penalidade, mas não restando clara a apuração de seus valores, fica prejudicado a direito à ampla defesa do sujeito passivo, o que caracteriza vício formal no lançamento, levando nulidade deste. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO Período de apuração: 07/04/2003 a 03/10/2003 NÃO APLICAÇÃO DO ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA EM CASO DE FRAUDE. O Acordo de Valoração Aduaneira (AVA) foi concebido para aplicação em operações legítimas e leais de comércio. Nos casos Fl. 934DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 932 7 de fraude, as administrações aduaneiras encontram respaldo legal no próprio Acordo para se afastarem do rigor técnico procedimental previsto em suas regras. Sendo a fraude matéria submetida a legislação específica, aplicase esta em detrimento do AVA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/04/2003 a 03/3012003 PENALIDADES. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO AGRAVADA E DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DA IMPORTAÇÃO. Constatado que o valor da mercadoria foi subfaturado uti1izandose de artifício doloso (fraude fiscal), resta caracterizado, em tese, crime contra a ordem tributária e de sonegação fiscal, motivo pelo qual se aplica a multa agravada de 150% incidente sobre o II e o IPI, bem assim a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. MULTA PREVISTA NO ART. 83, INC. I, DA LEI N° 4.502/64. O ato específico de consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira, importados irregular ou fraudulentamente, é penalizado com multa igual ao valor comercial da mercadoria, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis. Cientificada em 10/09/2009, a empresa CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA. apresentou recurso voluntário, repisando as alegações da impugnação e acrescentando outras matérias, sob os seguintes tópicos: Preliminarmente Nulidade da decisão a que, por não ter apreciado questionamentos aduzidos em impugnação [no que concerne à decadência] Decadência: 1 Da Revisão Aduaneira 2 Das multas administrativas 3 Decadência dos impostos e das multas de ofício. Do Mérito 1 Da indevida aplicação cumulativa da multa igual ao valor da mercadoria (artigo 631 do RA) 2 Da indevida aplicação da multa do artigo 83, I, da Lei n° 4.502/64 (artigo 631 do RA) 3 Da correta base de cálculo da multa prevista no artigo 83,1, da Lei n° 4.502/64 (artigo 631 do RA) 4 Da ausência de subfaturamento Fl. 935DF CARF MF 8 Da ausência de dolo, fraude, ou de outro ilícito penal qualquer. Improcedência da qualificação das multas, e descabimento da representação fiscal para fins penais. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula Consta no recurso voluntário a data de 13/10/2009 na qual a petição foi distribuída a outra servidora para a juntada física ao processo, mas não há notícia nos autos sobre data de apresentação do recurso voluntário, tampouco de eventual constatação de sua intempestividade, razão pela qual, atendidos aos demais requisitos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido. Decadência: Alega a recorrente que o julgador de primeira instância não teria analisado todos os seus argumentos sobre a decadência, entretanto, como os fundamentos utilizados na decisão recorrida são suficientes para embasar o entendimento nela contido de que incidiriam no caso as regras de decadência do CTN, não se configurou a nulidade suscitada. No entanto, ao contrário da decisão recorrida, entendo que, com relação especificamente às infrações aduaneiras, o prazo de decadência para impor penalidades previsto é de 5 anos a contar da data da infração, nos termos do art. 139 do Decretolei nº 37/66, regulamentado pelo art. 669 do Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). No presente caso, foram apuradas as infrações puníveis com as seguintes penalidades: a) multa administrativa pela diferença de preços, prevista no parágrafo único do art. 88 da Medida Provisória no 2.15835/2001, e b) multa prevista no art. 83, inc. I, da Lei nº 4.502, de 1964, regulamentada pelo art. 631 do Regulamento Aduaneiro/2002 relativamente a importações registradas entre 07/04/2003 e 03/10/2003, conforme dispositivos abaixo transcritos: Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: Ipreço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; (...) Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço Fl. 936DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 933 9 efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhada de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei no 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei no 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1o, alteração 2ª). Parágrafo único. A multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem, caso em que será procedida à conversão de que trata o § 1o do art. 632. (Redação original) Parágrafo único. A multa referida no caput não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem, caso em que será efetuada a conversão de que trata o § 1o do art. 618. (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Embora a infração veiculada no art. 631 do Regulamento Aduaneiro/2002, seja originária da legislação do IPI, ela foi incorporada pelo Regulamento Aduaneiro, tratando se, portanto, de uma infração aduaneira, a teor do art. 602 desse Regulamento1. Assim, in casu, considerandose que a recorrente foi cientificada da autuação em 22/12/2008 e as importações foram realizadas entre 07/04/2003 e 03/10/2003, operouse a decadência do direito de impor penalidades aduaneiras para todas as importações, devendo ser exoneradas integralmente tanto a multa administrativa pela diferença de preço como a multa pelo consumo de mercadoria introduzida no País clandestinamente. Com relação ao prazo de decadência para a exigência de tributos e multa de ofício, aplicamse as normas do Código Tributário Nacional, inclusive para os tributos incidentes sobre o comércio exterior. A questão sobre a aplicação do art. 173, I do CTN ou do art. 150, §4º do CTN nos tributos sujeitos a lançamento por homologação já se encontra resolvida pela aplicação do entendimento do STJ no julgamento do recurso repetitivo REsp 973.733/SC, de aplicação obrigatória pelos membros do CARF, no qual restou consignado que deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN nos tributos sujeitos a lançamento por homologação quando não houver pagamento antecipado ou quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação. 1 Art. 602. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (Decretolei no 37, de 1966, art. 94). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (Decretolei no 37, de 1966, art. 94, § 2o). Fl. 937DF CARF MF 10 Assim, no presente caso, em que se autuou por fraude, dolo e simulação, aplicase para os tributos o prazo do decadência do art. 173, I do CTN, não estando o lançamento dos tributos e multa de ofício atingidos pela decadência. Das Provas obtidas na Operação Dilúvio Embora nada tenha sido alegado nos autos, por se tratar de matéria de ordem pública, deve ser trazido ao presente julgamento a questão da ilicitude das provas decretada no âmbito do Habeas Corpus nº 142.045/PR, conforme ementa abaixo transcrita e Acórdão juntado nas fls. 902/928, impetrado em benefício de Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho, apontando como autoridade coatora o Eg. TRF da 4ª Região, que havia julgado regular a interceptação telefônica e suas sucessivas prorrogações realizadas para a apuração de conduta criminosa dos pacientes, nos autos do inquérito policial nº 2006.70.00.0224356, conforme ementa abaixo: Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Princípio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindo se, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei nº 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei nº 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei nº 9.296/96 (art. 5º), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, §2º) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explícita ou implícita violação do art. 5º da Lei nº 9.296/96, evidente violação do princípio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito. (STJ; HC 142.045/PR, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), Rel. p/ Acórdão Ministro NILSON NAVES, SEXTA TURMA, julgado em 15/04/2010, DJe 28/06/2010) (grifos nosso). Inclusive, em recente julgado deste Colegiado, cuja ementa segue abaixo, em processo administrativo decorrente da Operação Dilúvio, por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, ante a impossibilidade de segregação das provas lícitas daquelas consideradas ilícitas no âmbito judicial: Acórdão nº 3402003.195 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2016 Relator: Diego Diniz Ribeiro ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 938DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 934 11 Período de apuração: 15/12/2004 a 05/04/2005 Ementa: ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO EM COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS ILÍCITAS RECONHECIDAS JUDICIALMENTE. NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL. Exigência fiscal pautada em provas produzidas em processo criminal que, por sua vez, foram reconhecidas com ilícitas no âmbito judicial. Ante a impossibilidade de segregar as provas que seriam lícitas daquelas reconhecidas como ilícitas, todo o acervo probatório é contaminado pela ilicitude, o que se dá por derivação (teoria dos frutos da árvore envenenada). No referido julgado deste Colegiado restou consignado a extensão da decretação da ilicitude das provas, conforme trecho abaixo do Voto do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro: (...) 8. Ressaltese, inclusive, que referida ordem foi objeto de pedido de extensão, o que foi deferido pelo STJ, consoante se observa abaixo: PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. PEDIDO DE EXTENSÃO. SIMILITUDE DE SITUAÇÃO PROCESSUAL. INEXISTÊNCIA DE EMPECILHO INERENTE A CIRCUNSTÂNCIA DE CARÁTER EXCLUSIVAMENTE PESSOAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 580 DO CPP. POSSIBILIDADE. PEDIDO DEFERIDO. 1. Demonstrada a similitude da situação processual dos requerentes com a dos pacientes, devese estender a ordem, eis que não se verifica a existência de qualquer circunstância de caráter exclusivamente pessoal que a obstaculize, sendo aplicável, portanto, o artigo 580 do Código de Processo Penal. 2. Dada a documentação acostada aos autos, excepcionalmente, entendese que os efeitos dessa decisão devem ser estendidos também aos demais corréus da ação penal, pois, evidenciandose o semelhante contexto no que tange à medida constritiva telefônica, o deferimento se lhes alcança. 3. Pedido de extensão deferido em relação aos peticionários, bem como aos demais corréus em idêntica situação, nos termos do primevo voto concessivo, para "reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que 'toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas' seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito". (STJ; PExt no HC 142.045/PR, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 24/05/2016, DJe 10/06/2016) (g.n.). 9. Deferida a citada ordem, referida decisão foi objeto de análise pelo juízo criminal de 1ª. instância, onde corria a ação criminal correlata (autos n. 2007.70.00.0197047/ PR). Nesta oportunidade, assim se manifestou o juízo de 1ª. instância: (...) Fl. 939DF CARF MF 12 A despeito de este juízo ter considerado inicialmente válidas as interceptações telefônicas realizadas nos primeiros sessenta dias da medida, o parquet apontou a impossibilidade de separação das provas colhidas, nos moldes pretendidos. Isso porque foram os elementos colhidos em todo o período em que perduraram as interceptações, analisados em conjunto, que deram suporte às medidas de busca e apreensão posteriormente deferidas que, por sua vez, deram ensejo à colheita de elementos representativos da materialidade do crime de descaminho e de falsidade ideológica, tais como notas fiscais e dados armazenados em computadores. A esse respeito, colhese da manifestação ministerial: Sem as provas conseguidas através da interceptação, não seria possível a obtenção dos mandados de busca e apreensão; sem as provas carreadas aos autos com o cumprimento destes, não seria possível a apreensão, para dizer o mínimo, de centenas de milhares de notas fiscais/computadores contendo os verdadeiros preços das mercadorias descaminhadas; sem a análise destes, pela Receita Federal, em conjunto com os inúmeros emails interceptados, os laudos que acompanham as denúncias não teriam sido produzidos. Insistindo; a pretendida separação é impossível. Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vício da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada" (art. 157, §1°, CPP). Em conclusão, não subsistem razões para continuidade da persecução penal em relação aos crimes de descaminho e de falsidade ideológica, ante a ausência de elementos representativos da materialidade delitiva. (...) Nesse sentido também foi decidido no Acórdão nº 3401003.171 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 17 de maio de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan, conforme voto abaixo, no qual foi ressalvado, contudo, a licitude das provas obtidas no procedimento fiscal autônomo: (...) Portanto, antes de seguir na análise dos processos judiciais, é preciso destacar que há efetivamente também uma fiscalização administrativa, que não pode ter seus elementos de prova, colhidos em procedimento administrativo autônomo (sem apreensões ou escutas, e calcado em simples verificações in loco e intimações atendidas pela fiscalizada), afetados pela decisão judicial, que, pelo que se analisou até o momento, limitouse a macular as provas obtidas na "Operação Dilúvio", na ação penal, em função das escutas tidas como ilegais, não estabelecendo nenhum impedimento para que o fisco apurasse, em procedimento autônomo, eventuais infrações ocorridas nas referidas importações. Entender o contrário equivaleria a admitir que toda fiscalização que coletar provas entendidas como ilícitas pelo Poder Judiciário jamais poderá ser refeita, ainda que com coleta de provas distintas, por meio lícito. Nada mais absurdo. (...) Fl. 940DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 935 13 Assim, não fosse o parecer do Ministério Público, acatado pelo juízo de primeiro grau, afirmar que eram indissociáveis as provas obtidas no primeiro período de escutas das demais, e que maculavam todo o restante, ainda haveria discussão sobre a amplitude da prova ilícita. Reiterese que o próprio Ministério Público reconheceu como ilícitas todas as provas derivadas de todas as escutas, por serem indissociáveis, assim como os documentos em virtude delas apreendidos, e as análises destes documentos feita pela RFB. Restaram lícitas apenas as provas obtidas em virtude de procedimentos, inclusive de escutas, obtidos em função de outras operações. Mas, nestes autos administrativos, não se narra a existência de nenhuma prova nesses moldes. (...) Pelo exposto, entendo que o teor do processo judicial afeta, sim, o julgamento do presente processo administrativo. Ao contrário do que entendeu a DRJ, não vejo como considerar, no presente contencioso, válidas, as provas que o Poder Judiciário entendeu como obtidas ilicitamente, ainda mais diante da manifestação do Ministério Público, defensor da ordem jurídica, que concedeu amplitude até maior do que a inicialmente definida pelo juízo. Tendo o STJ definitivamente estabelecido que era ilícita a prova obtida após o excesso de prazo da escuta telefônica e as delas resultantes, e tendo o Ministério Público revelado a impossibilidade de dissociar as provas obtidas antes e depois do excesso de prazo, não me parece plausível que se possa neste contencioso administrativo admitir todos aqueles procedimentos rechaçados em juízo como legais e regulares. Seria levar a independência entre os processos ao extremo, permitindose aqui, administrativamente, algo que o STJ definitivamente afastou, em relação aos mesmos fatos. No entanto, naquilo que foi objeto de apuração fiscal autônoma, entendo que devem ser apreciados administrativamente os argumentos da fiscalização e da recorrente. É o que se faz a seguir. (...) Nessa esteira, também no presente processo, conforme demonstra o Relatório Fiscal (vide trechos abaixo), além das provas trazidas na Operação Dilúvio, a fiscalização também coletou documentos e informações em procedimento fiscal autônomo para sustentar a autuação: (...) Fl. 941DF CARF MF 14 (...) (...) A decretação judicial da ilicitude da prova da ocorrida posteriormente não anula a ação fiscal no âmbito administrativo, eis que tal declaração superveniente não afasta o fato de que, à época, existiam indícios da possível prática das infrações pelos fiscalizados e de falta de recolhimento de tributos. Não há que se olvidar que todos os contribuintes estão potencialmente sujeitos a um procedimento fiscal dentro do prazo decadencial dos tributos objeto de lançamento por homologação, mas, na prática, adotase o método de seleção de contribuintes para serem fiscalizados, segundo procedimentos internos previamente estabelecidos na Receita Federal, com observância dos princípios constitucionais de impessoalidade, interesse público, imparcialidade e eficiência. No presente caso, a recorrente foi selecionada para fiscalização pela Equipe responsável da Inspetoria com base em legítima representação de Divisão da Superintendência Regional da 9ª Região Fiscal, como bem esclarecido no Relatório Fiscal: A prova ilícita é inadmissível tanto no processo penal como no administrativo, não mais devendo ser objeto de ponderação pelo julgador ou pelo juiz, entretanto, a decretação superveniente da ilicitude de uma prova não implica a nulidade automática dos atos processuais anteriores legitimamente praticados. Depois de lavrado o auto de infração para a exigência dos tributos e multas, a decretação da ilicitude das provas não mais se insere no âmbito da nulidade da ação fiscal que o precedeu, mas sim no da existência ou não de provas independentes das declaradas ilícitas que possam sustentar a autuação.2 2 Raciocínio semelhante foi utilizado no Voto da Relatora Desembargadora Simone Schreiber no processo judicial nº 080220514.2011.4.02.5101 (Apelação Criminal no TRF2), colacionado no processo nº 10074.000899/201031 (Vide Voto Vencedor no Acórdão nº 3402003.077 deste Colegiado em sessão de 18 de maio de 2016), em análise de preliminar de julgamento, acerca da impossibilidade de anulação da investigação policial que precedeu à ação penal na qual foi decretada a ilicitude da prova, nesses termos: (...) Fl. 942DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 936 15 Assim, considerandose todas as provas obtidas na Operação Dilúvio como ilícitas, importa analisar, na parte restante da autuação não atingida pela decadência, relativa aos tributos e multa de ofício, se haveriam provas lícitas, obtidas no âmbito da ação fiscal autônoma, com habilidade para suportar a pretensão fiscal. Da exigência de tributos e multa de ofício: A exigência de tributos decorreu da apuração de nova base de cálculo para o II e o IPI, seja pelo arbitramento, quando não foi possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação; seja pela aplicação do Método do Valor da Transação, nas hipóteses em que os preços das mercadorias puderam ser reconstituídos com os documentos coletados; ou conforme tabelas abaixo extraídas do Relatório Fiscal: Arbitramento: Método do Valor da Transação: A decretação da ilicitude da prova produzida pelas interceptações telefônicas e telemáticas, ocorrida em momento muito posterior, não anula a investigação policial que precedeu a esta ação penal, o decorrente oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal e mesmo seu recebimento pelo Juízo a quo. É que a declaração superveniente da ilicitude da prova não alcança o fato de que, à época, existiam indícios da possível prática de crimes pelos acusados, havendo, destarte, suporte para uma investigação. E o recebimento da exordial acusatória foi calcado na presença, naquela ocasião, de indícios mínimos de materialidade e autoria. A prova ilícita é inadmissível, devendo ser desentranhada do processo, de acordo com o art. 157, caput, do Código de Processo Penal. Em outras palavras, a prova passa a não mais integrar o conjunto probatório formado nos autos, não sendo objeto de ponderação do juiz quando da prolação de sentença. Todavia, a declaração superveniente da ilicitude de uma prova não implica a nulidade automática dos atos processuais anteriores, se praticados com observância às disposições legais e constitucionais. (...) Prolatada a sentença, entendo que a questão não mais se insere no contexto da nulidade da investigação policial ou da ação penal, mas sim no da existência (ou não) de provas independentes das declaradas ilícitas pelo Superior Tribunal de Justiça que possam sustentar a sentença condenatória prolatada pelo Juízo a quo, a ser aferida por este Tribunal quando da análise do mérito das apelações interpostas pelos acusados. Assim, se houver provas ilícitas não derivadas da prova ilegal, suficientes para embasar as condenações, a sentença será mantida. Sob outro giro, não restando prova válida e hábil a sustentar um decreto condenatório, a sentença será reformada, absolvendose os acusados. (...) Fl. 943DF CARF MF 16 No Relatório Fiscal (nas suas fls. 49/70) consta a análise dos fatos separadamente para cada Declaração de Importação, razão pela qual, não se trata de tarefa difícil segregar as provas obtidas licitamente no procedimento fiscal autônomo. Nas 7 Declarações de Importação acima, cujo valor aduaneiro foi obtido pelo Método do Valor da Transação, verificase que o valor real da transação pode ser obtido especialmente graças à documentação obtida na Operação Dilúvio, conforme demonstram os elementos relativos à DI nº 03/03910105: (...) (...) (...) Conforme se observa nos documentos referidos no extrato abaixo (fls. 379/383 do processo em papel), eles possuem a menção à operação Dilúvio na seguinte forma: O mesmo se observa no Relatório Fiscal em relação as outras Declarações de Importação cujo valor das mercadorias foi obtido pelo Método do Valor da Transação, especificadas no quadro acima. Assim, considerandose que as provas fundamentais para a obtenção do real valor aduaneiro dessas mercadorias são provenientes da Operação Dilúvio, deve ser exonerada essa parcela da autuação, no que concerne aos tributos e à multa de ofício. Com relação às três importações que foram objeto de arbitramento para a apuração do valor aduaneiro das mercadorias, apurouse que foram realizadas pela Mtrading em favor da CIL, que seria a real adquirente das mercadorias importadas, de forma que as informações prestadas nas DI´s e nos documentos de sua instrução estariam viciados pela falsidade, não podendo subsidiar a apuração do valor aduaneiro. Como se verifica no Relatório Fiscal (itens 7.10 a 7.12), a fiscalização apurou elementos indiciários de fraude que justificariam o arbitramento, quais sejam, inscrições nos extratos da DI's e nos contratos de câmbio que foram associadas pela fiscalização à empresa CIL como real adquirente das mercadorias; notas fiscais de venda da Mtrading para a CIL poucos dias após o desembaraço, sendo no caso das DI´s nºs 03/0731081 e 03/07439253, elas foram obtidas da Operação Dilúvio; e falsidade material na cópia de fatura comercial enviada à fiscalização por fax pela Mtrading em relação à DI nº 03/03646378. Em relação às DI's nºs 03/0731081 e 03/07439253, entendo que os elementos levantados pela própria fiscalização, sem ou com as notas fiscais obtidas na Fl. 944DF CARF MF Processo nº 19647.021535/200811 Acórdão n.º 3402003.852 S3C4T2 Fl. 937 17 Operação Dilúvio, não são suficientes para caracterizar a fraude, sonegação ou conluio que ensejariam o arbitramento. A associação das operações à empresa CIL como real adquirente das mercadorias só se torna possível quando se tem em mente todo o conjunto de informações da Operação Dilúvio. Com relação à DI nº 03/03646378, em apuração autônoma da fiscalização constatouse a falsidade da fatura comercial para justificar o arbitramento, nesses termos: (...) Solicitada por telefone, aos 16/11/2008, a que nos enviasse FAX com as Invoices que instruíram a DI sob análise, por não ter sido esta incluída em intimação feita anteriormente, a MTRADING providenciou o atendimento através de seu FAX n° 0144/2008 (Fls. 537 a 539). Apesar da má qualidade gráfica do material recebido, podemos constatar facilmente a notável diferença entre o layout das invoices apresentadas nesta importação e de uma outra invoice (Fls. 564), supostamente do mesmo emissor (Samsung), que instruiu a DI 03/07439253, de que trataremos posteriormente. Nas invoices apresentadas encontramos um possível erro de grafia na palavra Quantity (quantidade em português) escrita como "Quantit" . Outrossim, a data informada nos documentos, ao menos na invoice 1KB0310933 (F1s. 539), aparece da seguinte forma: "Date: 22012003". Além de expressar, um significativo lapso temporal entre a sua suposta emissão (22/01/2003) e a efetivação da importação (02/05/2003), a forma em que foi escrita foge às práticas americanas, em que a data (date) é sempre dada na ordem mês/dia/ano, diferentemente do brasileiro que informa sempre dia/mês/ano, indicando mais um erro cometido possivelmente quando da fabricação própria da fatura. Diante da falsidade das declarações prestadas e dos documentos apresentados, bem como da impossibilidade de apuração, em relação a esta DI analisada, do preço efetivamente praticado na transação comercial, partimos para o arbitramento da base de cálculo dos tributos incidentes na importação, conforme dispõe o art. 88, I, da MP 2.15835/2001. (...) Em relação à acusação de falsidade material da Fatura comercial, alega a recorrente que: (...) Apenas com relação a uma única DI, a de nº 03/03646378, colocouse dúvida quanto autenticidade das invoices que instruiu a referida declaração de importação. A rigor essa desconfiança se fundamenta em uma aventada diversidade de layout entre as invoices e de discordância quanto à grafia da data de sua emissão. No entanto, tais especulações não passam de suposições, de conjecturas não comprovadas em dados objetivos e concretos. A data impressa nas invoices, por exemplo, se analisada sem prejulgamento, a olho desarmado, logo se percebe o porquê de no ter seguido o padrão americano (com a Fl. 945DF CARF MF 18 aposição do mês antes do dia e este antes do ano): tratase de documento emitido por empresa chinesa, que não necessariamente segue as práticas americanas (fl. 97), "em que data (date) é sempre dada na ordem mês/dia/ano". De mais a mais, a suscitada material das invoices não passou de afirmação lançada ao léu, sem o respaldo da única prova adequada para o caso, a prova pericial, que atestaria a propalada falsidade. (...) A meu ver, a fiscalização, embora tenha apurado indícios de falsidade da Fatura Comercial, eles não são suficientes para a sua completa caracterização. Os elementos levantados podem, em tese, ter justificativas razoáveis, como por exemplo, as alegações acima da recorrente, além do fato de que o documento sob suspeita tratase de uma cópia de má qualidade gráfica enviada por fax pela empresa Mtrading. Dessa forma, não tendo sido comprovada cabalmente a hipótese de fraude, sonegação ou conluio para essa Declaração de Importação, também não prospera o arbitramento e a decorrente exigência tributária. Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para exonerar integralmente o crédito tributário. Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 946DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.729878/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores subsume-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-002.466
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente.
(assinado com certificado digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, que votou por serem as operações da Recorrente enquadradas no regime de apuração cumulativa e o Conselheiro Winderley Morais Pereira, que votou por não ser possível a discussão administrativa no CARF de matéria com solução de consulta exarada pela Receita Federal, cuja consulente seja a própria Recorrente. (assinado com certificado digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 78 /2 01 3- 27 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Mércia Helena Trajano D'Amorim; Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 09054.933, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em apreciação de DCOMP eletrônica transmitida com objetivo de compensar débitos nela apontados com créditos oriundos de pagamento indevido. Por economia processual, utilizarseá o relatório da autoridade recorrida no que interessa ao exame dos autos em apreço: "A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório referente à DCOMP acima identificada, onde ficou constatada a improcedência do crédito original nela informado, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração nãocumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 3 Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou suas razões de defesa alegando, em resumo, que: (...) Como ficará exaustivamente demonstrado ao longo da presente manifestação de inconformidade, o direito creditório da REQUERENTE decorre do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade nãocumulativa. A atividade de instalação de elevadores realizada REQUERENTE tem a natureza de obra de construção civil, o que já foi declarado pelo Poder Judiciário no passado, e as receitas decorrentes da mesma estão sujeitas ao PIS/COFINS na modalidade cumulativa, nos termos do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que se aplica às duas contribuições (cfr. inciso V do artigo 15). Qualquer pagamento realizado a outro título reputase indevido e, portanto, é passível de compensação nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430/96. (...) O direito creditório da REQUERENTE decorre (i) da natureza do serviço prestado (obra de construção civil), o que se verifica pela aplicação da legislação do PIS/COFINS combinada com a legislação do IPI; (ii) da sujeição das receitas decorrentes dessa atividade à sistemática cumulativa do PIS/COFINS; e (iii) do pagamento indevido do PIS/COFINS na modalidade não cumulativa. O Despacho Decisório, para não reconhecer o direito creditório em discussão, recorre à primeira consulta fiscal formulada pela REQUERENTE (Consulta SSRF08/Disit n° 446/2007) e invoca o conceito de industrialização presente na legislação do IPI para concluir que o serviço de instalação não tem a natureza de serviço de construção civil. Data máxima vênia, o Despacho Decisório não merece prosperar: · em preliminar, porque afronta e contradiz decisão judicial transitada em julgado na Ação Ordinária n° 88.00.03357 1, movida pela REQUERENTE, a qual declarou que o IPI não incide sobre o preço dos serviços decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores, haja visto que tais serviços não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil; · no mérito, porque: (i) as atividades de instalação de elevadores não se caracterizam como operação de industrialização, na modalidade de montagem, mas sim como obra de construção civil; (ii) a legislação do PIS/COFINS é silente quanto à definição do que se deva compreender por "obras de construção civil"; (iii) o Código Civil considera bem imóvel tudo quanto se incorporar ao solo, natural ou artificialmente; (iv) a Instrução Normativa RFB N n° 971/093, "considera (... ) obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo"; (v) os elevadores fabricados e instalados pela REQUERENTE são incorporados às edificações, o que caracteriza o serviço de instalação como uma verdadeira obra de construção civil; (vi) a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 4 privado, a teor do disposto pelos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional. (...) O Despacho Decisório, ao não reconhecer o crédito compensado pela REQUERENTE e deixar de homologar a compensação declarada, com base nos mesmos fundamentos da Solução de Consulta SRRF08/DISIT n° 446/2007 (os serviços prestados pela REQUERENTE decorrentes da realização de obras de instalação de elevadores consistiriam em suposta industrialização, na modalidade montagem), vai de encontro à coisa julgada, devendo, por isso, ser reformado. Como há declaração judicial no sentido de que os serviços prestados pela REQUERENTE — de instalação de elevadores não consubstanciam operação de industrialização, na modalidade montagem, mas sim obra de construção civil, obviamente que a Administração Tributária Federal deve respeitar o julgado, interpretando a legislação de regência nos termos da decisão passada em julgado, levando em consideração o seu conteúdo. (...) Ao assim proceder, interpretando o conceito de industrialização (montagem) da legislação de IPI de forma diametralmente oposta àquela que lhe foi conferida pela decisão passada em julgado, a União Federal, por meio de seus agentes, adota comportamento nitidamente contraditório e incompatível com interpretação da legislação tributária. (...) Nesse passo, cumpre destacar que o "principio da moralidade obriga que a Administração Pública, no desempenho das atividades por meio de seus agentes, atue de forma ética", sob pena de ser considerado ilegítimo o ato administrativo que deixa de observar tal mandamento. O E. Supremo Tribunal Federal, a propósito, em diversas oportunidades confirmou que a Administração Pública está subordinada ao Princípio da Moralidade, como se pode verificar, exemplificativamente, do acórdão que segue (...) Assim sendo, independentemente da anulação da Solução de Consulta SRRF10/DISIT n° 104/2008, que se deu por questões formais, o reconhecimento do direito creditório da REQUERENTE e a homologação da compensação declarada decorrem da interpretação do inciso XX do artigo 10 da Lei n° 10.833/2003, que tem de ser harmoniosa com o que decidiu o Poder Judiciário nos autos Ação Ordinária n° 88.00.033571/RS, transitada em julgado desde 08/05/1997. (...)" Após exame da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: COMPENSAÇÃO. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 5 A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra no despacho decisório qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COISA JULGADA. A decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do direito creditório postulado. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.448, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 11080.729874/201349, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3201002.448): "O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 6 Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 7 Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 8 O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: Art.100. Se, após a resposta à consulta, a administração alterar o entendimento expresso na respectiva solução, a nova orientação atingirá apenas os fatos geradores que ocorrerem após ser dada ciência ao consulente ou após a sua publicação na imprensa oficial (Lei no 9.430, de 1996, art. 48, § 12). Parágrafo único. Na hipótese de alteração de entendimento expresso em solução de consulta, a nova orientação alcança apenas os fatos geradores que ocorrerem após a sua publicação na Imprensa Oficial ou após a ciência do consulente, exceto se a nova orientação lhe for mais favorável, caso em que esta atingirá, também, o período abrangido pela solução anteriormente dada. Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 9 Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO ISERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1Serviços de construção 1.0131Outros serviços de instalação 1.0131.10.00Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.729878/201327 Acórdão n.º 3201000.466 S3C2T1 Fl. 0 10 constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado." Apenas uma observação, que em nada afeta o resultado do julgamento do presente processo: não há que se falar em exonerar o crédito tributário lançado, uma vez que tanto o processo paradigma quanto o presente tratam de PER/DCOMP. Assim, a consequência do provimento ao recurso é o reconhecimento do direito creditório postulado pela Contribuinte, com a homologação da compensação declarada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000147/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DESPACHO DE DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO
A Recorrente concordou com o montante do direito creditório indicado no Despacho de Diligência. Assim, há de se deferir o Pedido de Ressarcimento, observando-se o montante de créditos indicado no Despacho de Diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Marcelo Giovani Vieira, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DESPACHO DE DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO A Recorrente concordou com o montante do direito creditório indicado no Despacho de Diligência. Assim, há de se deferir o Pedido de Ressarcimento, observando-se o montante de créditos indicado no Despacho de Diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO A Recorrente concordou com o montante do direito creditório indicado no Despacho de Diligência. Assim, há de se deferir o Pedido de Ressarcimento, observandose o montante de créditos indicado no Despacho de Diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Marcelo Giovani Vieira, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 01 47 /2 00 7- 83 Fl. 2510DF CARF MF Processo nº 16349.000147/200783 Acórdão n.º 3301003.251 S3C3T1 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "4. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS não cumulativo relativo ao 3° trimestre de 2006 (fls. 01 a 04), apresentado eletronicamente em 28.11.2006, no valor de R$ 32.403.568,14. 5. Em 26.03.2007 a Justiça Federal concedeu liminar nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0052093 determinando que o Delegado da DERAT/SPO apreciasse os pedidos de ressarcimentos apresentados pelo contribuinte no prazo de 30 dias (fls. 06/07). 6. A DIORT/DERAT/SPO, em 03.04.2007, encaminhou o presente processo para a DEFIS/SPO para que fossem feitas as verificações necessárias nos livros contábeis e fiscais, bem como toda a documentação que deu suporte ao crédito pleiteado (fls. 09a 11). 7. Em 21.05.2007 o contribuinte tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF (fls. 14) e foi intimado a apresentar, em 5 dias (tendo em vista o MS n° 2007.61.00.0052093), livros contábeis e fiscais, dentre outros documentos necessários à análise do pleito (fls. 15/16). 8. Em 25.05.2007 o contribuinte solicitou prorrogação do prazo por 60 dias para apresentação dos documentos solicitados (fls. 17). 9. O presente processo foi devolvido à DIORT/DERAT/SPO para que fosse proferido despacho decisório, conforme os despachos de fls. 18/19, 10. Através do despacho decisório da EQITD/DIORT/DERAT/SPO, de fls. 24 a 29, foi indeferido o pedido de ressarcimento, em síntese, com base nos seguintes fundamentos: a) O artigo 24 da IN SRF n° 600/2005, afirma que a autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos da pessoa jurídica a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Tal diligência foi determinada e iniciada, conforme despacho de fls. 09 a 11 e MPF • de fls. 14; b) Em 25.05.2007 a empresa solicita prorrogação do prazo para apresentação dos documentos por 60 dias, contudo, a Justiça Federal, acionada pelo próprio contribuinte, havia proferido decisão determinando que se realizasse a análise do pedido em 30 dias, expirando o prazo em 18.06.2007; c) Tendo em vista a complexidade da legislação referente à apuração das contribuições nãocumulativas, e a quantidade de livros necessários para tal exame, obviamente o auditor responsável pela diligência não poderia proceder à análise do crédito no prazo determinado, tendo ainda que devolver o processo para a Fl. 2511DF CARF MF Processo nº 16349.000147/200783 Acórdão n.º 3301003.251 S3C3T1 Fl. 12 3 DIORT/DERAT/SPO, cujo chefe da unidade é a autoridade responsável para analisar o pedido de ressarcimento; d) Comprovado que foi o próprio contribuinte que deu causa à ausência de exame acurado de sua documentação, fica impossibilitado o deferimento do direito creditório, por obediência aos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e do interesse público; e) Nos termos do art. 10 da Lei n° 8.429/92, constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres de órgãos da Administração Direta Federal, e notadamente conceder benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie; f) E ainda, os art. 2°, parágrafo único, IV; e art. 40, I e IV da Lei n° 9.784/99, determinam que nos processos administrativos serão observados os critérios de atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boafé, e que são deveres do administrado perante a administração expor os fatos conforme a verdade, e prestar as informações que forem solicitadas e colaborar para os esclarecimentos dos fatos; g) Assim, o pedido de ressarcimento de PIS foi indeferido tendo em vista: i) o curtíssimo prazo dado pela determinação judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0052093; ii) a não apresentação dos documentos necessários à análise do pleito, bem como a solicitação de prorrogação do prazo para a entrega dos mesmos; iii) os princípios da legalidade, moralidade e probidade administrativa; e iv) o art. 36 a. Lei n° 9.784/99, que prescreve que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, que não foi feito pelo contribuinte. 11. O contribuinte, inconformado com despacho decisório que indeferiu seu pleito, apresentou sua manifestação de inconformidade em 26.07.2007 (fls. 31 a 40), acompanhada de documentos de fls. 41 a 53, no qual argumenta, em síntese, que: 11.1 No desenvolvimento de seus negócios, o contribuinte aferiu vários créditos tributários federais junto ao fisco, decorrentes de Contribuições para o PIS/PASEP não cumulativo exportação e da COFINS não cumulativaexportação, e, dessa forma, requereu administrativamente o ressarcimento de tais créditos à Secretaria da Receita Federal do Brasil; 11.2 Após significante lapso temporal, a Fiscalização não havia se manifestado sobre o pedido formulado, praticando portando ato omissivo injustificado que violava o direito do contribuinte, acarretando a descapitalização deste e importando prejuízos financeiros, pois, impossibilitado de utilizar seus créditos; 11.3 O contribuinte impetrou Mandado de Segurança n° 2007.61.00.0052093 visando obter provimento jurisdicional a fim de determinar que seus pedidos fossem apreciados e julgados em até 30 dias. A liminar foi deferida, determinando à Receita Federal que procedesse a análise dos requerimentos do contribuinte no prazo de 30 dias, nos termos do artigo 49 da Lei 9.784/99 e, ao final, a segurança foi concedida; 11.4 Maliciosamente, a Fiscalização indeferiu o pedido de ressarcimento do contribuinte, sob o viés de que havia requerido documentos necessários para a fiscalização e que estes não foram entregues até o prazo determinado no Mandado de Segurança. Salta aos olhos, a máfé da Fiscalização, pois o indeferimento sob tais Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 16349.000147/200783 Acórdão n.º 3301003.251 S3C3T1 Fl. 13 4 alegações evidencia que a fiscalização tenta esquivarse de seu múnus, em detrimento do direito do contribuinte; 11.5 Clarividente que o prazo fixado no Mandado de Segurança, contarseá somente quando a Impetrada estiver munida de todos os documentos que entender necessários à averiguação dos créditos do contribuinte; 11.6 Tal entendimento chega a ser lógico até mesmo para um leigo, no entanto, se assim não entendesse a Fiscalização, poderia meramente protocolizar petição naqueles autos informando o motivo do descumprimento da determinação judicial, que seria plenamente justificável; 11.7 Todavia, contrariamente a todas as possibilidades lógicas e coerentes, contrariando ainda diversos princípios constitucionais e administrativos, em especial o da finalidade, a Fiscalização entendeu pela providência mais cômoda e arbitrária, indeferindo os créditos do contribuinte; 11.8 É bem verdade que a r. sentença proferida nos autos do já mencionado Mandado de Segurança fixou o prazo de trinta dias para a análise dos pedidos de ressarcimento do contribuinte. É certo ainda que o escopo da decisão não é outro senão proteger o contribuinte de arbitrariedades cometidas pela Administração Pública; 11.9 O que se buscou judicialmente foi a plena aplicabilidade dos artigos 48 e 41115 n° 9.784/99, vejamos: "Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência. Art. 49. Concluída a instrução de processo administrativo, a Administração tem o prazo de até trinta dias para decidir, salvo prorrogação por igual período expressamente motivada."; 11.10 Extraise do comando supramencionado que somente depois de concluída a instrução do processo administrativo é que iniciarseá o prazo de trinta dias para ser proferida a decisão. Igualmente deve ser interpretada a decisão do writ. In casu, quando da solicitação de documentos pela Fiscalização, clarividente que a instrução do processo administrativo não havia sido concluída, entendimento este estendido quando do requerimento de prazo pelo contribuinte para a entrega destes; 11.11 Por óbvio, somente após a definitiva entrega de todos os documentos necessários à fiscalização é que se iniciará a contagem do prazo estabelecido na lei e confirmado no Mandado de Segurança citado; 11.12 Interpretação contrária seria uma afronta não somente ao artigo 37 da Carta Magna, mas aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público, eficiência, boafé, proporcionalidade, segurança jurídica, e o da interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige (Lei n° 9.784/99); 11.13 À luz de todos os princípios mencionados, vêse que o prazo determinado no Mandado de Segurança, bem como fixado nos artigos 48 e 49 da Lei n° 9.784/99, deve ser considerado como termo inicial a conclusão da instrução do processo administrativo, com a efetiva entrega pelo contribuinte de todos os documentos necessários à Fiscalização; 11.14 Alega que o contribuinte RENUNCIA ao direito que se funda aquela ação, o que acarretará na extinção do Mandado de Segurança, com julgamento do mérito, nos termos do artigo 269, inciso V do Código de Processo Civil. O processo em questão foi remetido ao Tribunal Regional Federal da 3 a Região, em razão da Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 16349.000147/200783 Acórdão n.º 3301003.251 S3C3T1 Fl. 14 5 Remessa Voluntária, sendo certo que ainda não fora distribuído, impossibilitando a juntada de petição nesse sentido, o que desde já se compromete o contribuinte a fazêlo quando da distribuição. Que assim, não mais subsistem os argumentos do decisium que ora se rebate, devendo ser anulada dita decisão, com a conseqüente continuidade dos trabalhos da Fiscalização, colocandose o contribuinte à disposição para a entrega de quaisquer documentos necessários à conclusão dos trabalhos; 11.15 Requer a anulação da decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento, e o retorno dos autos à Fiscalização para manifestação acerca do mérito dos pedidos em trinta dias contandose o prazo a partir da entrega pelo contribuinte de todos os documentos necessários à instrução do processo. 12. Em 19.05.2008 o contribuinte protocolizou petição de fls. 57 a 59, na qual alega que possui em seus arquivos a documentação necessária à dilação probatória da existência de seu crédito, e solicita a conversão do julgamento do presente processo diligência à Delegacia de origem. 13. É o relatório." A DRJ em São Paulo (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e o Acórdão n° 1617.705, de 04/07/08, foi assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE Satisfeitos os requisitos do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em anulação ou invalidação do Despacho decisório. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA A liminar concedida nos autos do Mandado de segurança n° 2007.61.00.0052093 determinou que o Delegado da DERAT/SPO apreciasse os pedidos de ressarcimento no prazo de 30 dias, conforme requerido pelo impetrante. Autoridade a quo seguiu a determinação judicial, que não comporta interpretação diversa. RESSARCIMENTO. PIS NÃOCUMULATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO A não comprovação pelo contribuinte do crédito pleiteado enseja o indeferimento do pedido de ressarcimento. Nos termos do art. 36 da Lei n° 9.784/99, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Solicitação indeferida Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi apreciado pela 2° Turma da 3° Câmara da 3° Seção. Por meio da Resolução n° 330200.078, de 28/10/2010, decidiram converter o julgamento em diligência. Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 16349.000147/200783 Acórdão n.º 3301003.251 S3C3T1 Fl. 15 6 Abaixo, transcrevo trecho do relatório em que se encontra sumário das alegações da Recorrente e o voto do relator: "Relatório (. . .) Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 16349.000147/200783 Acórdão n.º 3301003.251 S3C3T1 Fl. 16 7 A diligência foi realizada e o Despacho de Diligência encontrase nas fls. 1.785 a 1.800. Do montante total de créditos pleiteado, R$ 32.403.568,14, foram admitidos R$ 17.317.811,49. O contribuinte apresentou manifestação sobre o Despacho de Diligência (fls. 1.812), concordando com a conclusão. É o relatório. Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 16349.000147/200783 Acórdão n.º 3301003.251 S3C3T1 Fl. 17 8 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O Despacho de Diligência (fls. 1.785 a 1.800) encontrase nos autos e a Recorrente concordou com a conclusão, conforme consignado em sua manifestação (fl. 1.812). Do montante total de créditos constante do Pedido de Ressarcimento (PER) n° 15880.03519.281106.1.1.095510, de R$ 32.403.568,14, foi reconhecido direito creditório de R$ 17.317.811,49. Diante da convergência entre os posicionamentos do agente responsável pela diligência e do contribuinte, adoto o resultado consignado no Despacho de Diligência e voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, deferindo parcialmente o PER mencionado no parágrafo anterior. É como voto. Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2517DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.000147/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 01 47 /2 00 7- 12 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 235DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 237DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 239DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 12269.000147/200712 Acórdão n.º 9202004.916 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.906479/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO INDEVIDAMENTE RECOLHIDA NA SITEMÁTICA DO REGIME NÃO CUMULATIVO, QUANDO DEVIDO PELA SISTEMÁTICA DO REGIME CUMULATIVO.
Comprovado a existência do crédito, faz jus, o contribuinte, à compensação mediante apresentação/transmissão da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 3201-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
CÁSSIO SCHAPPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto
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CONTRIBUIÇÃO INDEVIDAMENTE RECOLHIDA NA SITEMÁTICA DO REGIME NÃO CUMULATIVO, QUANDO DEVIDO PELA SISTEMÁTICA DO REGIME CUMULATIVO. Comprovado a existência do crédito, faz jus, o contribuinte, à compensação mediante apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. CÁSSIO SCHAPPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Cássio Schappo (Relator), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, José Luiz Feistauer de Oliveira e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. O interessado transmitiu, em 23/04/2005, PER/Dcomp de folhas 24 a 26 que recebeu o n° 12985.25090.230405.1.7.040809 para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 64 79 /2 00 8- 05 Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10680.906479/200805 Acórdão n.º 3201002.512 S3C2T1 Fl. 453 2 compensar o débito de PIS — faturamento — código 8109/02 referente ao mês de fevereiro de 2004, com vencimento em 15/03/2004, com crédito proveniente de pagamento a maior de R$65.435,98 de PIS, código 6912, referente ao período de apuração 02/2004. A Delegacia da Receita Federal — DRF em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico — folha 03 no qual não homologa a compensação pleiteada sob a justificativa de que o pagamento, apontado pelo contribuinte no PER/Dcomp — folhas 24 a 26, foi totalmente utilizado na quitação de débito de PIS, código 6912, período de apuração fevereiro de 2004, declarado em DCTF, não restando saldo creditório. Irresignado com o não deferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 30/07/2008 – AR folha 27 — o contribuinte apresentou, em 29/08/2008, a manifestação de inconformidade folhas 01 e 02 — com os argumentos a seguir sintetizados. Afirma que houve pagamento a maior de R$65.435,98 quando efetuou o pagamento do PIS , código 6912, período de apuração fevereiro de 2004, e que, por equivoco, não ajustou a DCTF do 1° trimestre de 2004 "deforma a refletir o pagamento indevido ". Informa também que, em 28/08/2008, após ciência do Despacho Decisório, transmitiu DCTF retificadora de forma a caracterizar a existência do pagamento indevido a maior no valor de R$65.435,98 (sessenta e cinco mil quatrocentos e trinta e cinco reais e noventa e oito centavos). Por fim, requer o reconhecimento do crédito apontado e a consequente homologação da compensação realizada. Em decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que a DACON entregue em 28/04/2004 referente ao primeiro trimestre de 2004, na condição ativa, não confirma os valores contidos na DCTF retificadora. A ementa desse acórdão veio assim fundamentada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10680.906479/200805 Acórdão n.º 3201002.512 S3C2T1 Fl. 454 3 Inconformada com a decisão, a Recorrente, tempestivamente, apresentou recurso voluntário, onde alega que as informações da DACON daquele período eram, realmente, contraditórias; que não pode retificála por já ter ultrapassado o prazo de cinco anos. Porém, aduziu que a DIPJ enviada refletia corretamente as informações que suportavam o direito ao crédito requerido. Na data de 27/06/2012, a 1ª TO da 2ª Câmara da 3ª Seção, decidiu com base no voto do Relator, Cons. Luciano Lopes de Almeida Moraes, baixar o processo em diligência, por meio da Resolução nº 3201000.332, nos seguintes termos: Vemos existirem documentos que suportam tanto o entendimento da recorrente quanto da DRJ, motivo pelo qual apenas uma diligência é capaz de sanar a dúvida quanto à real existência do direito creditório. Sendo assim, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique junto à recorrente a existência do crédito utilizado na compensação, verificando, então, se a informação correta da referida base de cálculo foi a DIPJ ou a DACON. Realizada a diligência, deve ser intimada a recorrente para se manifestar em 30 dias e, após, encaminhados os autos para vista à PGFN. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Conforme Resolução o processo foi encaminhado a autoridade preparadora em 11/07/2012 (fls. 88), com a seguinte ordem: (...), a fim de que “a autoridade preparadora verifique junto à recorrente a existência do crédito utilizado na compensação, verificando, então, se a informação correta da referida base de cálculo foi a DIPJ ou a DACON”. Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp com utilização de suposto crédito de pagamento a maior referente ao PIS não cumulativo, código de receita 6912, PA 02/2004. A fim de se atender à solicitação de diligência, fazse necessário, SMJ, análise dos registros contábeis e documentos fiscais referentes ao período de apuração acima, para se apurar o valor correto do crédito tributário devido. Assim, proponho o encaminhamento do presente processo ao Sefis para realização da diligência. Minucioso trabalho de auditoria foi levado a cabo pela autoridade fiscal designada, que detalhou com precisão após análise nos livros e documentos fiscais da contribuinte, apresentados sob intimações devidamente formalizadas, toda a receita do período, as deduções permitidas, chegando a efetiva base de cálculo da contribuição devida. Separou, Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10680.906479/200805 Acórdão n.º 3201002.512 S3C2T1 Fl. 455 4 evidentemente, qual a receita que estaria sob a incidência cumulativa e não cumulativa da contribuição para o PIS/PASEP, concluindo os trabalhos com a lavratura do TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA, apresentado às folhas 105/121 dos autos. Oportuno destacar a parte conclusiva do “Termo de Encerramento de Diligência”, que em elaborada síntese esclarece toda a questão do direito a compensação do crédito requerido na Per/Dcomp que deu causa ao presente processo: 10. CONCLUSÃO 10.1 A partir dos fatos apurados pela fiscalização na amostra analisada caberia tão somente ressaltar a utilização indevida pelo contribuinte na apuração do PIS/COFINS em fevereiro e maço de 2004 de grande parte dos contratos com assinaturas anteriores a 31/10/2003 como se fossem posteriores a aludida data. Por outro lado, se fossem procedidos os ajustes neste procedimento fiscal, ou seja, a migração de receitas do REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVO PARA O CUMULATIVO, seria obtido um novo percentual de rateio menor do que o calculado anteriormente, conforme Memória de Cálculo anexa, tendo em vista que este rateio representa a proporção das receitas dos contratos assinados após 31/10/2003 face ao total das receitas auferidas no respectivo mês. Esses aludidos ajustes resultariam na apuração do PIS/COFINS em valores menores do que aqueles informados na DIPJ do ano calendário de 2004 e consequentemente um acréscimo do valor a ser ressarcido quando comparamos os pagamentos efetuados e o valor apurado. 10.2 Tratando de um lapso de tempo decadencial impossibilitando a revisão de DIPJ, e considerando que a Memória de Cálculo do PIS/PASEP em fevereiro de 2004 está em conformidade com as informações da ficha 21 da DIPJ do ano calendário de 2004 (item 5 do presente Termo), bem como os valores considerados pelo contribuinte no cômputo da apuração do PIS/PASEP em fevereiro de 2004, conforme a memória de cálculo apresentada, integram os lançamentos contábeis, conforme o balancete analítico anexo apresentado (item 6 e 6.1 do presente Termo), concluo pela procedência do crédito pleiteado originário de pagamento a maior do PIS/PASEP relativo a fevereiro de 2004. (sublinhei). 10.3 Na data 19/03/2013, encerro o procedimento, e para constar e surtir os efeitos legais, lavro o presente Termo de Encerramento de Diligência em duas vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor da Receita ?Federal do Brasil, cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal, concedendo lhe o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de informações ou documentos, se for o caso, visando contestar, modificar ou complementar os fatos acima apurados. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10680.906479/200805 Acórdão n.º 3201002.512 S3C2T1 Fl. 456 5 A contribuinte foi cientificada do Termo de Encerramento de Diligência por “AR” na data de 21/03/2013 (fls. 242/243) e transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias não houve da parte qualquer manifestação. Em ato contínuo foi efetuado despacho de encaminhamento do processo (fls. 246), intimando o Representante da PGFN, credenciado junto ao CARF, a tomar ciência da diligência, tendo o Procurador da Fazenda Nacional, Paulo Renato González Nardelli, através do ofício de fls. 247, dado por cientificado do Termo de Encerramento de Diligência. Retornando os autos ao CARF foi dado prosseguimento conforme estabelecido no art. 7º da Portaria nº 34/2015 – CARF/MF e distribuído por sorteio a esse relator. É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo Relator Superada a questão de admissibilidade do recurso voluntário na sessão de 27/06/2012, dessa mesma Turma Ordinária, passo agora a tratar da diligência objeto da Resolução nº 3201000.332. O ponto central que levou o contribuinte a recalcular a contribuição devida para o PIS/PASEP da competência 02/2004, foi o fato de o mesmo ter submetido todo o seu faturamento a incidência pela sistemática não cumulativa, quando parte desse faturamento estaria sujeito a sistemática cumulativa. Refeito os cálculos, verificouse que o PIS/PASEP devido no código 6912, não cumulativo, era de R$ 14.482,81 e o PIS/PASEP devido no código 8109, cumulativo, era de R$ 65.435,98. Apurouse ainda, que havia dois recolhimentos via DARF no código 6912, um no valor de R$ 9.429,93 e outro no valor de R$ 88.384,00. Diante dessa situação o contribuinte requereu via PER/DCOMP a liquidação do valor devido no código 8109, com o valor recolhido a maior no código 6912, sem contudo, retificar sua DCTF do 1º Trimestre/2004. Com o surgimento da PER/DCOMP ocorreram as seguintes manifestações nos autos: 1º A DRF de BH não homologou o pedido de compensação, porque a DCTF original apresentada não refletia crédito excedente a compensar; 2º Diante da não homologação pela DRF/BH o contribuinte retificou a DCTF do 1º Trimestre/2004 e protocolou manifestação de inconformidade, pugnando mais uma vez pela compensação antes requerida; Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10680.906479/200805 Acórdão n.º 3201002.512 S3C2T1 Fl. 457 6 3º A manifestação de inconformidade foi julgada pela DRJ/BHE, improcedente, por não restar comprovada as alterações na base de cálculo, conforme se verifica na ficha 05 do DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais; 4º Cientificado da decisão da DRJ/BHE o contribuinte interpôs recurso voluntário ao CARF, justificando que a não apresentação de DACON retificadora foi por equívoco da recorrente e que nessa altura estava impedida de fazêlo por decurso de prazo. Além disso, essa divergência apontada não poderia prevalecer porque a DIPJ do ano base de 2004 está correta e confere com os dados da DCTF retificadora; 5º No CARF este processo veio cair nessa 1ªTO da 2ªC da 3ªS, que sabiamente converteu o julgamento em diligência através da Resolução nº 3201000.332, pois só assim, “é capaz de sanar a dúvida quanto à real existência do direito creditório”; 6º Realizada a diligência por auditor fiscal da Receita Federal do Brasil, retornaram os autos a esse Colegiado para proceder, em fim, o julgamento do recurso voluntário. Conferese razão à Recorrente. A prática da justiça nem sempre trilha por caminhos iluminados, mas presente o bom senso e boa vontade somos capazes de atingila. Louvo aqui dois fatos importantes para a solução da lide, primeiro a resolução de conversão do julgamento em diligência pela 1ªTO da 2ªC da 3ªS do CARF e segundo, o empenho do auditor fiscal em busca da verdade material dos fatos. O relatório contido no Termo de Encerramento de Diligência fez referência a questão principal desse processo, ao de apurar que parcela do faturamento da recorrente estaria sujeito ao cálculo da contribuição para o PIS/PASEP na sistemática CUMULATIVA. Como vimos, esse trabalho foi muito além, que por dever de ofício tornouse necessário conferir também, a base de cálculo de apuração da contribuição na sistemática NÃO CUMULATIVA, computandose as receitas do período e as deduções permitidas em lei. A conclusão dessa diligência nos trouxe a realidade dos fatos, atestando que os cálculos de apuração do PIS/PASEP para o mês de fevereiro de 2004 estão em conformidade com os dados contábeis, com as informações na ficha 21 da DIPJ do ano calendário de 2004, sendo, portanto, procedente o crédito como requerido em Per/Dcomp. Diante do exposto, voto pelo integral provimento ao recurso voluntário. Cássio Schappo Relator Fl. 263DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000094/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2005 a 30/04/2006
EMBARGOS DECLARATÓRIOS - EXISTÊNCIA DE VÍCIO - OMISSÃO.
Observado que não foi tratada a relativização da coisa julgada constitucional, tal vício deve ser suprido.
Numero da decisão: 3302-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foi rerratificado o acórdão embargado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: Relator
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Observado que não foi tratada a relativização da coisa julgada constitucional, tal vício deve ser suprido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foi rerratificado o acórdão embargado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 00 94 /2 01 0- 29 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10925.000094/201029 Acórdão n.º 3302003.502 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de embargos de declaração, opostos pela Fazenda Nacional em face de acórdão, proferido por este colegiado. Antes de adentrar no mérito, propriamente dito, dos embargos, é cabível esclarecer sinteticamente o transcurso da lide. Tratase de auto de infração, lançando crédito de imposto sobre produtos industrializados IPI, período de apuração de 31.01.2005 a 30.04.2006, tendo como fundamento o recolhimento a menor, pelo fato de a contribuinte ter se utilizado de crédito referente à aquisição de insumos ou matérias primas isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. Ocorre que a contribuinte possuía decisão transitada em julgado em 15 de fevereiro de 2001, fls. 271, que reconheceu o seu direito a creditarse de produto isento ou tributado à alíquota zero, fls. 20/22. Em face do auto de infração, foi apresentada impugnação administrativa, fls. 196/2008. Sobreveio acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 263/266, mantendo o lançamento. A contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 273/293, em face da decisão da DRJ/Ribeirão Preto, ocasionando, então, decisão deste Egrégio Tribunal Administrativo, fls. 298/304, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 30/04/2006 IPI. LIMITES DA COISA JULGADA. A aplicação da Súmula 239 do STF deve leva em conta as peculiaridades da decisão transitada em julgado. Quando a decisão julga improcedente o tributo em razão de peculiaridades do ato de lançamento ou em razão de reconhecimento de prescrição, a coisa julgada ali reconhecida, é restrita àquele exercício. Todavia, se a conclusão for em razão de ilegalidade do tributo em si mesmo, ou de sua inconstitucionalidade, ou referirse à sua essência, então, tratandose de tributo continuativo e de obrigação periódica, o julgado proferido conservará sua eficácia, protegido sob o manto da coisa julgada. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração com fundamento em omissão do v. acórdão em relação à relativização da coisa julgada, em face da notória mudança da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, em decorrência do julgamento pelo plenário do Excelso Pretório dos RREE 370.682 Rel. Ministro Ilmar Galvão e 353.657 Rel. Ministro Marco Aurélio. Vencida na admissibilidade dos embargos em questão, acórdão nº 3302003.340, de 24 de agosto de 2016, voto vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, passase à análise do mérito. 1 Todas as páginas referidas no voto correspondem ao processo eletrônico. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10925.000094/201029 Acórdão n.º 3302003.502 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Do mérito Vencida no requisito relativo à admissibilidade dos embargos, passo à análise do mérito, tendo como fundamento o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011. Acolhidos os embargos em relação à omissão da análise da relativização da coisa julgada constitucional, observase que houve uma mudança no posicionamento do Supremo Tribunal Federal quanto ao crédito ficto do IPI. Até 2007, os contribuintes faziam jus ao chamado crédito ficto de IPI, quando o Supremo Tribunal Federal modificou o posicionamento da sua jurisprudência até, então, consolidada nos seguintes termos: EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. (STF; RE 370682 / SC; Relator:Ilmar Galvão; Data: 25.06.2007) No caso em análise, a Embargada tinha decisão com trânsito em julgado, fls. 27, em 15.02.2001, que lhe concedia o direito ao crédito ficto do IPI. Por sua vez, o período de apuração do auto de infração é de 31.01.2005 a 30.04.2006 e a mudança da jurisprudência foi em 2007. No relatório de atividade fiscal, fls. 163, há uma série de julgados que demonstram a modificação no posicionamento do Supremo Tribunal Federal quanto à impossibilidade de direito ao crédito de IPI nas operações de aquisição de matériasprimas ou de insumos isentos, nãotributados ou, então, sujeitos à alíquota zero. Entendeu a Suprema Corte que tal creditamento implicaria em uma violação ao princípio da nãocumulatividade, no relatório, há os seguintes precedentes do STF: RE 370.6829/SC; RE 353.6575/PR; AI 522.18; RE 352.424 e RE 371.964. Não há nos citados precedentes uma declaração de inconstitucionalidade da lei, mas um reconhecimento de ofensa ao princípio da não cumulatividade no caso de creditamos das matériasprimas ou insumos, que não foram tributados na operação anterior. O Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 orientará sobre as relações jurídicas de trato sucessivo acerca da cobrança de tributo, que há decisão transitada em julgado, e os limites objetivos da coisa julgada. Tal parecer é assim ementado: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10925.000094/201029 Acórdão n.º 3302003.502 S3C3T2 Fl. 5 4 DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO QUE DISCIPLINA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO/JURÍDICO. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE PRECEDENTE OBJETIVO/DEFINITIVO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE DE VOLTAR A COBRAR O TRIBUTO, OU DE DEIXAR DE PAGÁLO, EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS. Do referido parecer, extraemse trechos que elucidam se é possível a cobrança ou não do tributo, cujo posicionamento foi alterado, e a partir de qual período a referida decisão possui efeitos. No caso em análise, a decisão do Supremo Tribunal Federal, que modificou a jurisprudência consolidada é um Recurso Extraordinário, no qual foi observado que o direito ao crédito ficto do IPI, nos casos já explicitados, seria uma ofensa ao princípio da nãocumulatividade, além disso, o RE não está sujeito ao regime de repercussão geral. (...) 10. Ocorre que a imutabilidade e a eficácia vinculante da decisão transitada em julgado apenas recairá sobre os desdobramentos futuros da declaração, nela contida, de existência ou inexistência da relação jurídica de direito material sucessiva deduzida em juízo, se e enquanto permanecerem inalterados os suportes fático e jurídico existentes ao tempo da sua prolação, ou seja, se e enquanto continuarem ocorrendo aqueles mesmos fatos e continuar a incidir (ou a não incidir) aquela mesma norma sob os quais o juízo de certeza se formou. Alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, o que se faz possível em face da natureza conhecidamente dinâmica dos fatos e do direito, essa decisão naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente; tratase da cláusula rebus sic stantibus subjacente às sentenças em geral, com especial destaque àquelas que se voltam à disciplina de relações jurídicas de trato continuado. (...) 12. Vistos esses conceitos basilares, impende trazêlos integralmente ao campo do Direito Tributário, para nele permanecer até o final deste Parecer. Como se sabe, as relações jurídicas desenvolvidas nesse campo, travadas entre Fisco e sujeitos passivos tributários, assumem, frequentemente, uma feição continuada, eis que se repetem no tempo de forma sucessiva e homogênea, nascendo todas as vezes que ocorre, no mundo dos fatos, a hipótese de incidência prevista na lei tributária; dessa repetição de relações jurídicas tributárias no tempo, resulta, de forma também contínua e homogênea, a obrigação de pagar o correspondente tributo. (...) Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10925.000094/201029 Acórdão n.º 3302003.502 S3C3T2 Fl. 6 5 22. Daí que, diante da roupagem e das funções institucionais conferidas, pela ordem constitucional positiva, à Suprema Corte, é certo que as suas decisões definitivas, uma vez proferidas, incorporamse ao sistema jurídico vigente assim entendido, repitase, como o conjunto de normas (regras e princípios) predestinadas a disciplinar o convívio social , agregandolhe um elemento até então inexistente, e que consiste, justamente, no já mencionado juízo de certeza acerca da constitucionalidade, ou não, de uma determinada lei, ou acerca da correta interpretação de uma dada norma constitucional. Esse juízo de certeza termina por se prender ou se incorporar à própria lei analisada, cuja aplicação, ou, conforme o caso, cuja não aplicação, deverá, dali por diante, estar nele pautada. Assim, sob essa ótica, podese afirmar que alguns dos precedentes oriundos do STF impactam ou alteram o sistema jurídico vigente, que passa a ser integrado por um novo elemento. 23. Importa ressaltar, entretanto, que para que um precedente do STF seja capaz de efetivamente alterar ou impactar o sistema jurídico vigente, agregandolhe um elemento novo, fazse necessário que nele se possa identificar duas características essenciais: primeira – que se trate de decisão que enfrenta uma dada questão constitucional de forma objetiva, resolvendoa em tese, sem qualquer apego a dados subjetivos da demanda concreta; segunda que essa decisão, além de objetiva, seja definitiva, ou seja, esteja vocacionada a representar a palavra final da Suprema Corte acerca da questão constitucional apreciada. Essas características, quando conjuntamente presentes em um determinando precedente, permite que se considere que o comando nele contido veicula a resolução definitiva da Suprema Corte acerca da questão constitucional apreciada, dandolhe solução estável, apta a se aplicar à generalidade das situações que, eventualmente, apresentem questão idêntica. 24. E essas duas características, segundo aqui se entende, fazem se presentes, ao menos atualmente (mais precisamente, após 3 de maio de 2007, conforme restará demonstrado mais adiante), nos precedentes do STF formados: (i) em sede de controle concentrado de constitucionalidade das leis ou; (ii) em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, da Resolução de que trata o art. 52, inc. X da CF/887, desde que, nesse último caso, o precedente tenha resultado de julgamento realizado nos moldes previstos no art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Ou seja, nos dias atuais, são objetivos e definitivos e, portanto, alteram/ impactam o sistema jurídico vigente, agregandolhe um elemento novo, tanto os precedentes oriundos do Plenário do STF formados em controle concentrado de constitucionalidade, quanto alguns dos seus precedentes formados em controle difuso, independentemente, nesse último caso, de posterior edição, pelo Senado Federal, da Resolução prevista no art. 52, inc. X da CF/88. (...) Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10925.000094/201029 Acórdão n.º 3302003.502 S3C3T2 Fl. 7 6 29. Todos esses exemplos apontam, inequivocamente, para uma mesma direção, ou para uma mesma verdade que já se mostra irrecusável: as decisões proferidas pelo STF em sede de controle difuso de constitucionalidade, quando oriundas do seu órgão Plenário, independentemente de posterior edição de Resolução Senatorial, têm assumido um caráter objetivo, já que desprendido do caso concreto e de suas vicissitudes. (...) 46. Diante disso, parece correto se afirmar que, do dia 3 de maio de 2007 em diante, apenas os julgamentos do Plenário do STF submetidos ao art. 543B do CPC é que podem ser considerados como, além de objetivos, vocacionados a representar a palavra final e definitiva da Suprema Corte acerca da questão constitucional apreciada, e, conseqüentemente, podem ser tidos como capazes de efetivamente alterar/impactar o sistema jurídico vigente, nos termos acima assinalados. Entendese que, a partir do momento em que a Suprema Corte passou a ter à sua disposição o instrumental previsto no art. 543B do CPC, o seu eventual não uso para a resolução de um determinado caso é um indicativo de que essa resolução não ostenta ou, pelo menos, pode não ostentar, os atributos da objetividade e definitividade. (...) 49. Com efeito, mesmo antes do advento do art. 543B do CPC, as decisões proferidas pelo Plenário do STF em controle difuso, embaladas pela mencionada tendência de "dessubjetivação" das formas de controle de constitucionalidade, já ostentavam um caráter objetivo e geral, depreendido das vicissitudes do caso concreto; daí que o atributo da objetividade certamente já marcava essas decisões proferidas pelo STF. (...) c) A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado é automática, independe de prévio reconhecimento judicial 61. A resposta à questão ora analisada — ou seja: saber se a cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado, pelas razões acima expostas, operase automaticamente ou, ao revés, se depende de prévio pronunciamento judicial não exige muito esforço para ser encontrada, até porque resulta diretamente dos conceitos e das conclusões já expostas mais acima. É que, conforme exaustivamente demonstrado ao longo deste Parecer, o precedente objetivo e definitivo do STF em sentido diverso do sufragado na anterior decisão tributária transitada em julgado faz surgir uma relação jurídica de direito material sob algum aspecto nova, que, não tendo sido deduzida pelo autor da demanda e, assim, apreciada na correspondente coisa julgada, não se encontra compreendida em seus limites objetivos. Conseqüência natural disso é que a eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado simplesmente não Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10925.000094/201029 Acórdão n.º 3302003.502 S3C3T2 Fl. 8 7 alcança a nova relação jurídica (assim como, pelo mesmo raciocínio, não alcança todas as outras relações jurídicas, de que eventualmente faça parte o autor da correspondente demanda judicial, que não tenham sido deduzidas nessa demanda); daí porque se diz que essa eficácia vinculante deixa de operar dali para frente. (...) d) O advento de precedente definitivo e objetivo do STF considerase ocorrido na data do trânsito em julgado da respectiva decisão. As situações pretéritas devem ser excepcionadas Como a cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado contrária ao posterior entendimento sufragado pela Suprema Corte, conforme demonstrado no item anterior, dáse de forma automática, vale dizer, independentemente de prévio pronunciamento judicial nesse sentido, podese afirmar que o direito de que dispõe o Fisco de voltar a exigir o tributo (tido por inconstitucional pela coisa julgada), ou de que dispõe o contribuinteautor de deixar de pagar o tributo (tido por constitucional pela coisa julgada), surge com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, o que, por sua vez, somente podese considerar ocorrido com o seu trânsito em julgado; é que, antes disso, por óbvio, o entendimento firmado no acórdão do STF ainda pode ser alterado, de modo que esse entendimento ainda não pode ser tido como realmente definitivo. (...) 80. Afora essas situações específicas, que se caracterizam, primordialmente, por serem pretéritas a este Parecer, em todas as demais deve incidir a regra referida mais acima, segundo o qual o termo a quo para o exercício do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo antes tido como inexigível pela coisa julgada que lhe favorecia é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. (...) 82. Neste ponto, importa esclarece que, conforme já sucintamente salientado logo no início deste Parecer, a cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado contrária a posterior precedente objetivo e definitivo do STF, nos termos ora defendidos, não se confunde com a "relativização da coisa julgada inconstitucional". É que "relativizar a coisa julgada" contrária à posterior jurisprudência do STF (daí a denominação "coisa julgada inconstitucional") significa rever, desconstituir, desconsiderar ou desfazer os efeitos pretéritos, já produzidos pela respectiva decisão transitada em julgado, em momento anterior ao advento do precedente da Suprema Corte: seria, por exemplo, permitir que, face ao advento de julgado do Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10925.000094/201029 Acórdão n.º 3302003.502 S3C3T2 Fl. 9 8 STF no sentido da constitucionalidade de determinada lei tributária, o Fisco pudesse cobrar tudo aquilo que deixou de ser pago, no passado, a título de tributo, por contribuinte beneficiário de coisa julgada que havia reconhecido a inexistência da relação jurídica tributária face à inconstitucionalidade dessa lei. (...) Na síntese do referido parecer, temse que: V SÍNTESE DO EXPOSTO 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: (i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte; (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iii) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte autor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10925.000094/201029 Acórdão n.º 3302003.502 S3C3T2 Fl. 10 9 (iv) em regra, o termo a quo para o exercício do direito conferido ao contribuinteautor de deixar de pagar o tributo antes tido por constitucional pela coisa julgada, ou conferido ao Fisco de voltar a cobrar o tributo antes tido por inconstitucional pela coisa julgada, é a data do trânsito em julgado do acórdão proferido pelo STF. Excepcionase essa regra, no que tange ao direito do Fisco de voltar a cobrar, naquelas específicas hipóteses em que a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado tenha ocorrido em momento anterior à publicação deste Parecer, e tenha havido inércia dos agentes fazendários quanto à cobrança; nessas hipóteses, o termo a quo do direito conferido ao Fisco de voltar a exigir, do contribuinteautor, o tributo em questão, é a publicação do presente Parecer. Diante de trechos do parecer, percebese que só se pode cobrar tributo após os efeitos do trânsito em julgado da decisão do Supremo Tribunal Federal. No caso em análise, os recursos citados no relatório da fiscalização, que embasaram o lançamento e que a Fazenda Nacional alega que não foram analisados, ocasionando omissão no julgado, são os RREE 370.6829/SC e 353.6575/PR, o primeiro tem como data de trânsito em julgado o dia 21.02.2011 e o segundo o dia 27.10.2010. Logo, conforme expresso no Parecer, com trechos acima colacionados, "o advento de precedente definitivo e objetivo do STF considerase ocorrido na data do trânsito em julgado da respectiva decisão. As situações pretéritas devem ser excepcionadas". Assim, o auto de infração, lançando crédito de imposto sobre produtos industrializados IPI, período de apuração de 31.01.2005 a 30.04.2006, não merece prosperar, estando correta a decisão, ora embargada. Ademais, conforme informação do relatório da fiscalização, fls. 164, "a partir de abril/2006 o sujeito passivo não mais utilizou, em sua escrita, créditos de IPI de que trata o caso em tela". Portanto, a contribuinte a partir de abril do ano de 2006, muito antes do trânsito em julgado das decisões, que reverteram o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, não utilizou mais os créditos, que possuía a partir de decisão com trânsito em julgado que concedeu o reconhecimento. 2. Conclusão Diante do exposto, acolhidos os embargos, suprida a omissão, voto por não conceder efeitos infringentes. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 348DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003677/2005-92
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Retido de Pessoa Jurídica e Outro
Exercício: 2004
Ementa: EXULA 1SÃO DO SIMPLES. PR ECLUSÃO. Não tendo havido
manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES de que tratou processo administrativo específico, dentro dos trinta dias da data da ciência do Ato Declaratório, a discussão sobre esta matéria encontra-se medusa, nos termos do arL 15 do Decreto nº 70.235/72
SIMPLES RETROAÇ.ÃO DOS EFEITOS DO ATO DE EXCLUSÃO, POSSIBILIDADE. Os efeitos retroativos da exclusão do Simples a 01/01/2002, a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente descrita no Ato Declinatório Executivo DRF/SDR - ADE IV
417.396/03, estão em perfeita consonância com a legislação que rege a matéria (artigo :15, inciso II, da 1,ei nº 9.317/96).
COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS N.A SISTEMÁTICA DO SIMPLES COM OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APURADOS DE OFÍCIO, Estando provado nos autos o recolhimento do tributo na modalidade SIMPLES, relativo aos mesmos períodos fiscalizados, é certo que a legislação de regência confere ao contribuinte o direito de compensar os valores assim determinados, até o mês de sua exclusão de oficio, com débitos fiscais — inclusive os constituídos em lançamento de oficio Assim, deve o Fisco levar em conta tal direito, deduzindo do crédito tributário a ser exigido os valores recolhidos pelo contribuinte de forma unificado,observando as regras de partição fixadas no art. 23 da Lei n" 9.317/96.
Hipótese em que, não obstante não sejam conhecidos os valores de receita bruta do período, pode-se deduzir a faixa de rendimentos aplicável a partir das aliquotas utilizadas, nos moldes do artigo 5° da Lei n' 9.317/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1803-000.311
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, pala determinar a compensação dos valores de IRPI e CS LL já recolhidos no seio da sistemática do Simples, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado,
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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PR ECLUSÃO. Não tendo havido manifestação de inconformidade quanto à exclusão do SIMPLES de que tratou processo administrativo específico, dentro dos trinta dias da data da ciência do Ato Declaratório, a discussão sobre esta matéria encontra-se medusa, nos termos do arL 15 do Decreto n" 70.235/72 SIMPLES RETROAÇ.ÃO DOS EFEITOS DO ATO DE EXCLUSÃO, POSSIBILIDADE. Os efeitos retroativos da exclusão do Simples a 01/01/2002, a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente descrita no Ato Declinatório Executivo DRF/SDR - ADE IV 417.396/03, estão em perfeita consonância com a legislação que rege a matéria (artigo :15, inciso II, da 1,ei n" 9.317/96). COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS N.A SISTEMÁTICA DO SIMPLES COM OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APURADOS DE OFÍCIO, Estando provado nos autos o recolhimento do tributo na modalidade SIMPLES, relativo aos mesmos períodos fiscalizados, é certo que a legislação de regência confere ao contribuinte o direito de compensar os valores assim determinados, até o mês de sua exclusão de oficio, com débitos fiscais — inclusive os constituídos em lançamento de oficio Assim, deve o Fisco levar em conta tal direito, deduzindo do crédito tributário a ser exigido os valores recolhidos pelo contribuinte de forma unificado, observando as regras de partição fixadas no art. 23 da Lei n" 9.317/96. Hipótese em que, não obstante não sejam conhecidos os valores de receita bruta do período, pode-se deduzir a faixa de rendimentos aplicável a partir das aliquotas utilizadas, nos moldes do artigo 5° da Lei n' 9.317/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, rroccsso n" 10550 003077/2005-92 51-1E03 Ackirdio ri "1803-00311 1'1 2 Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, pala determinar a compensação dos valores de IRPI e CS LL já recolhidos no seio da sistemática do Simples, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, SELENE FERREIRA DE 1 .7AES - Presidente , BENEDICTO CP SO ICIO .1ÚN1OR - Relator - 'EDITADO ';; 4: O i j Participa :arn da io de .julgamento os (_-_onselheirus: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Berne° Júnior, Sérgio Rochignes Mendes, Luciano .1nocêncio dos Santos e Silvaria R.eseigno Guerra Barreto. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração por meio dos quais formalizada a exigência de Imposto sobre a Renda das Pessoas 'Jurídicas (1.R.P.1), no valor R$ 22..059,41 (vinte e dois mil, cinqüenta e nove reais e quarenta e uni centavos) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (C.',SLL), no valor de R$ 19.072,31 (dezenove mil, setenta e dois reais e trinta e um centavos), acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e de juros de mora, totalizando crédito tributário no montante de R$ 83.976,92 (oitenta e-tres mil novecentos e setenta e seis reais e noventa e dois centavos).. De acordo com a descrição dos tatos, à11.. 04 do Auto de Infração do IRP.1, foram submetidas à tributação as receitas da atividade, escrituradas e não declaradas, apuradas confonne relatório em anexo, com enquadramento legal nos artigos 224 e 518 do .Decteto n" 3000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda (R.I.R.11999). .A referida -planilha, intitulada "RELATÓRIO DE RECEBIMENTOS 200:3 CARTÕES DK CREDITO MLAV CNP.' 03.247.950/0001-03", encontra-se na 11. 21 e nela estão consignados valores recebidos dos cartões de crédito ali relacionados, durante os meses de janeiro a dezembro do ano-calendário de 2003 O .1.,ivro Caixa, com a escrituração referente ao ano-calendário de 2003, está anexado às fls. 26/73.. Às fls.. 09 a 15, está o Auto de Infração decorrente, relativo à A contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 04/05/2005 (7) e 09), mmuguando-os em 31/5/2005 (II. 76), por meio de seus procuradores, devidamente c Istituídos (Instrumento de Mandado à .11 91), sob os argumentos a seguir: - o autuante elaborou o Auto de Infração baseando-se em infOrmações de que a cc. ntribuinte havia sido excluída do SIM PI ,ES por forca do Ato Declinatório Executivo DRF/SDR - ADE n°41.7.396, de 07 de agosto de 2003, fazendo então renuação dos efeitos da exclusão a padir de 01/01/2002, perpetrando a autuação de todo o período de 2003; 2 Proceso n 105$0.003677/2005-92 til-1 E03 AcórdM " 1803-00.311 H . :3 - o ato de exclusão do SIMPLES se baseia em falsos fatos, com o equivocado fundamento apontado da seguinte forma: "sócio ou titular de outra empresa com mais de 10% e receita bruta global no ano-calendario de 2001 ultrapassou o limite legal". Isto porque após a análise perfunctória dos contratos sociais das empresas cujos CNRI foram citados na descrição, como sendo empresas das quais a sócia Solange Maria Ivanilde da Rocha 1-3arteto de Araújo Sarmento, portadora do CPF 487,346.085-91, supostamente participava., observa-se que esta. 1.11.inca integrou, simultaneamente, o quadro societário das duas empresas, evidenciando a irrefirtável ilegalidade perpetrada pela Receita Federal, quando da exclusão por motivo inexistente e que não poderá ser mantida, devendo ser, de plano, anulada a referida exclusão; - em que pese a ilegalidade acima apontada, alguns meses após a exclusão ilegal, a empresa nupugnante ultrapassou O limite de receita bruta permitido pelo SIMPLES, razão pela qual se encontra fiara do referido regime de tributação. A partir da comunicação da exclusão a empresa iinpugnante passou a pagar os tributos nos moldes do regime geral de tributação, tiara do SIMPLES; -a pretensão da Receita federal C ilegal e inconstitucional, posto que além de haver sido realizada com fulcro em equivocada exclusão da impugnante do SIM P1 ES, Fundamenta-se na. retroação dos efeitos desta, conferindo-lhe efeito cx tunc, contrário à própria natureza .jurídica constitutiva do ato e ao previsto no art.. 24 da Instrução Normativa SR F 34/200 .1 (cita jurisprudência judicial); - apenas por amor à argumentação, em. caso de não ser acolhido o pedido de anulação do ato de exclusão da impugnante do SIMPLES, hipótese que não acredita, deve ser determinada a compensação dos valores pagos pela impugnante ainda na forina. do SIMPLES, isso porque não pode a impugnante sei . obrigada a pagar os valores novanrente, sob pena de se perpetrar o biN in idem, a bi tributação, não sendo válida a intenção do Auditor de desconsiderar os pagamentos de IR P3, (!'otins, Pis e C,SLL efetivados no regime do SIMPLES., - ante o exposto requer: a) seja declarada a nulidade do Ato Declaratorio Executivo DRE/SDR n" 417.396, de 07 de agosto de 2003, bem como sejam extintos todos os seus efeitos; b) caso não seja este o entendimento, pelo princípio da eventualidade, seja declarada a inexistência de relação jurídico-tributária entre a impugnante e a Receita Federal, no que diz respeito a qualquer crédito tributário constituído em relação ao período anterior ao ato de exclusão da impugnante, por decorrência da aplicação dos efeitos retroativos da exclusão ilegalmente conferidos pelo ADE DR F/SDR n°416.332/2003; c) ainda com fulcro na eventualidade, caso se entenda legal a retroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES, requer seja determinada a compensação entre os valores recolhidos através da sistemática simplificada. e o crédito tributário ora equivocadamente constituído, conforme plain lha anexa; - protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos, em especial a pericial (diligência), bem assim, a juntada ulterior de documentos; - por fim, requer a nulidade ou a improcedência da autuação Aos,anali-u os argumentos apresentados pelo contribuinte na citada impugnação, a 2" TURMA. • DR.1 EM SALVADOR -- BA .julgou procedentes, os lançamentos, com fulcro nos seguintes termos: 1.) "ASSUNTO - PROCESSO AD Al IN LVIR.4. TIVO FlSCL1.L, .Alw-calcizclário: 200.3 Ni.IJ,JDÃDE Processo n" 10580 003677./2005-Q2 SI- 1!:03 Aeórd.Eio n ' 180.3-00.311 Fl Afasta-se a tese de nulidade do lançamento, quando iaii ado por .servidoi competente e cm obediência aos princípios legais que o regem PEDIDO DE PERÍCIA É de ser indeferido o pedido de perícia A''ito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos re.datados e as provas constantes dos autos ,são suficientes para O deslinde da matá'ia ,A0SUN10 . NORMAS GERAIS DE DIREITOEuro itu UTÁRIO Ano-calendar to: 2003 INCONSTITIJCWNALIDADE OU ILEGALIDADE LEI 01,1 110 NORM/1111/0. ARGUIÇÃO. APRECE:1(7:10 COMPETENCIA. /1 apreciação e declaração de ineonstituctonalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é piei rogativa reser vada ao Poder io, sendo vedada sua apreciação pela autoridade admintstratiVO ern respeito aos princípios I/O legalidade e da independência dos Podei es. iriv70 ImposTo SOBRE A ju:Nirm ,IT 7R1D1CA - Ano-calendário. 200.3 EAC,LUSÃO DO SIMPLES c7,:clusão do Simples mediante ato declaratorio e.vecutivo da autoridade fiscal da S'eer ciaria da Receita Federal que jurisdiciona a contribuinte, assegurado o contraditório e a anifila defesa, torna-se definitiva se a contribuinte não manifesta inconfOi In idade, por escr i to, à autoridade competente, dentro do paro legal EFEITOS DO Al0 DE EXCLUSÃO DO SiMPL ES Os eleitos retroativos da exclusão do Simples à 01/01/2002, a partir do mês sub.scqüente 00 que incori ida a situação ewhiden te desci ila no Ato Declinatório Eseentivo DRE/SDR - ADE n' 417 396. de 07 de agosto de 2003 - 31/12/2001 - estão em perfeita consonância com a legislação que rege Cl matéria. RECEITAS NÃO OLERE(1DAS TR1PUTA(..ÃO Mantem-se O lançamento de oficio do IREI incidente .sobre o Lucro Presumido calculado com base nas receitas da atividade não oferecidas à tributação espontaneamente LANÇA MENTO DE CO RI?E N1 E Contribuição Social sobn.E • o Lucro líquido - CSLL 4 r0",cr( Proces0 n" 105W {101-',67712005-92 Si- 1 E03 Acóctio n " 1803-00„311 H 5 EM Se tratando de lançamento decorrente do..s mesmos pressupostas . fáticos que serviram de base para o lançamento do Impo.sto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser-lhe estendidas as conclusões advindos da apreciação daquele lançamento em razão da relação de causa e ekito" C,ienti ficado do acórdão em I 7/06/20(18, o contribuinte apresentou Recurso a este Conselho, em 14/07/2008, repisando, basica.mente, os mesmos argumentos tombados na peça im pugnatória. •É. o relatório do essencial. Voto Conselheiro BENEDICIO C.TI ;SC) BEN 'CIO JÚNIOR. - Relator () recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Decl conheço. Os lançamentos hodiernamente controvertidos tiveram por fulcro a exclusão do contribuinte do regime do Simples Os recolhimentos efetuados a menor, tangentes ao ano- calendário de 2003, originaram-se do desenquadramento da empresa autuada, reconhecido pelo Ato Declinatório Executivo DRF/SDR n" 417.396/0.3, com efeitos retroativos a partir de 01/01/02 (_) primeiro óbice suscitado pelo contribuinte contra as autuações em comento diz respeito à pretensa nulidade do citado Ato Declaratório Nxceritivo, em decorrência de eventual inexistência tática dos motivos que o ensejaram ("sócio ou titular de outra empresa com mais . de 10% e receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal"). Neste ponto, contudo, é de se reconhecer, antes de tudo, a preclusão do debate provocado.. -Incumbe ao contribuinte, depois de dada a ciência do .A_DE, apresentar manifestação de incfflfirrinidade ao competente Delegado da Receita Federal do F-3rasil, dentro do prazo de trinta dias corridos. .Na hipótese da não -formulação da peça adequada, torna-se definitivo o Ato Declaratório Executivo, remanescendo preelusos supervenientes discussões sobre seu mérito.. "No caso, c,onforme se depreende do extrato de fls. 110/111, é perceptível que o interessado deixou de se opor à exclusão do Simples, pela via e no momento pertinentes.. É- lhe ilícito suscitar a controvérsia em sede de Recurso Voluntário, interposto contra as presentes autuações, ainda que estas sejam derivadas, indiretamente, do combatido de.senquadramento. Assim .já decidiu o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, segundo elucidativa ementa adiante reproduzida: "EXCLUSÃO DO SIMPLES - [RECLUSÃO .1Vão tendo havido matujestaçõo de inconjOrmidade quanto à eu:lusa:o do .5111,1P1ES de que tratou processo administrativo específico, dentro dos trinta dias da data da ciência do Ato Declaratório, a discussão sobre esta matéria encontra-se preclusa, nos termos do art. 15 do Decreto n" 70.235/72 1" (SX.' — 1 07-08. 87 1 /07)" Processo n' 10550 00307712005-92 SI- 1!:(P Ac0alâo " 15(0-00111 1,1 o irrelevante é, portanto, eventuais alegações de que a ex-súcia Solange Maria h/anil& da Rocha Barreto de Araújo Sarmento jamais tivesse integrado, simultaneamente, dois quadros societários distintos.. Pois -bem. Ainda que igualmente despiciendo, é também de se ressaltai que o outro entendimento da .peticionária, acerca da inetroatividade dos efeitos da ADE, nao [nereee igualmente prosperar.. O artigo 15, inciso II, daLein" 9.317/96 expressamente define que os efeitos da exclusão do Simples, nos casos que enumera -- dentre os quais o ora versado —, iniciar-se-ao já a partir do mês subsequente ao da ocorrência da situação exeludente, mesmo que a de-claração de desenquadramento seja posterior, Citado dispositivo legal vigia, à época, com a. seguinte edaçã.o: "Art. 154 enlusão do SIMPI,h -S nas condições de que traiam OS uris. 13 e 14 surtirá efeito ) ti - a partir do in/s subseqüente ao que incorrida a situação excludente, HOS hipóteses de que. tratam Os incisos III a AIA' do art. 9":' Ora, vigente o desenquadramento desde o primeiro dia de 2002, estava o co.ntribuinte, por óbvio, no ano-calendário de 2003, sujeito ao regime ordinário de tributação pelo 1...R1)1 e pela (SIA,. As peças acusatórias ora guerreadas foram corretamente formalizadas, seguindo os estritos ditames da lei. Foi derradeiro, solícita ainda o contribuinte, em terceiro lugar, sejam compensados, em relação aos débitos lançados de ofício, os montantes já recolhidos sOb sistemática do Simples, nos dois primeiros trimestres do ano-base de 2003 Sus-te.nta ele que os recolhimentos já. [eitos teria-n sido considerados apenas no que atine ao segundo semestre de 2003, ignorando o agente fiscal os pagamentos anteiores daquele ano. A respeito deste -pedido, já apresentado na seara impuguatoria, assim se manit .estoti a 2 a TI 1RM.A —.DRI EM. SALVADOR —13A: "Sobre o pleito no sentido de que ,s(jam considerados ON valores pagos dentro do i e ,,.;iinc de tributação do Simples, dei 50 de atcndê-lo devido a impossibilidade de identificar, dentro dos recolhimentos efetuados (extratos . de COO suba às 121/123), os percentuais relativos aos ti ibutos lançados no presente processo (IRP,I e (.S11).. Para determinação do pereodual a .ser utilizado no cálculo • do recolhimento do Simples incidente sobre a receita bruta apurada em cada m/s, bem como dos percentuais de cada um dos tributos que o compõem, é necessário identificar primeiramente a faixa de receita bruta acumulada em que se encoram a microcuull asa ou empresa de pequeiw pai te, dentro do ano-calendário, até o próprio mês em que está Ne fazendo a apuração. No caso conewto, a contribuinte não apre.sentou qualquer documento comprovando os valores MC 11.NaiN das receitas. submetidas à tributação pelo regime do Simples e também 7 Proce.sso n" 10580 003677/27/05-92 8; I -I F03 Acórdão n 18 03-00.3 II 61 7 não . fOi pos sive/. obter tais dados mediante a consulta feita à Declaração de infótinações Económico-Fiscais da Pessoa lúridica, referente ao ewrcício de 2004, ano-calendário 2003, n° 074.5266, constante do sistema JAPI-Consulta da RH?, em virtude de os campos de.stinados lis receitas brutas mensais nas . fichas de apto ação do Pis . e da Cotins terem sido pi eenchidos com valores iguais a zer() Ocorre, contudo, que interpreto como superáveis Os óbices clucubrados pelo d colegrado recorrido, impondo-se, por conseguinte, a reforma do aresto proferido. O direito da recorrente de ver compensados os valores já I ecollridos a. título de IRP1 e (-S1,1, é inquestionável. Nesse diapasão vigora profusa jurisprudência. administrativa, da qual colhemos o exemplar . julgado a seguir: "KW t/S/TO /)() SIMPLES (.Y)A1 EFETIO 1?1;715).0.111 VO COMPLW4(ÃO DE RECOLHIDOS ilf/4 ,S'IS7E111Á1ICy1 /)0,57.11.1PLE,S" COM O (RI 1)110 TRIBUIÁRIO APURADO DE OFÍCIO - Estando Inovado FIOS auto.s O iccolhimento do fiando na modalidade SIMPLES ielativo aos mesmos p ci iodos fiscalizados, e sendo certo que a legislaçãci de iegência confere ao contribuinte O direito de compensar OV 14110reS (Mini detei minadas, a1e. o mês de sua evcIusão de oficio, com débitos fiscais, inclusive, os con stituídos em lançamento de oficio Assim, deve o Fisco levai em conta tal direito, deduzindo do crédito tributário a sei e yigido os valores recolhidos pelo contribuinte de fOrma unificada, observando as regras de partição fixada,s no ar! 23 da Lei 1. 1 `) 9 31 7/1996. (Ac. I"CC 108-09 191/07)" É dever do fisco apurar o montante de imposto e de contribuição já quitado sob a égide do Simples, podendo a administração fazendaria se eximir desta. obrigação apenas se não existirem substratos suficientes para tanto, em virtude de culpa do próprio contribuinte. No caso, todavia, parece-me certo que as informações necessárias se encontram satisfatoriamente, explanadas nas telas de consulta postas às fls. 121/1.21. É verdade, como asseverou a autor idade recorrida, que nelas não constam os valores das receitas brutas mensais percebidas pela recorrente. Entretanto, é fácil se identificar, a partir da análise destes extratos, os valores totais mensais de tributos recolhidos pelo contribuinte, bera como as alíquotas empregadas para a apuração do devido em cada mês. \ Noutras palavras, ainda que não sejam conhecidas a receita bruta acumulada, de um lado, e as receitas brutas de cada mês, de outro lado, parece-nos possível reconhecer facilmente a primeira destas cifras, em razão da correspondência existente entre cada faixa de rendimentos apurada e a alíquota empregada definida na legislação (artigo 5" da Lei n" 92,17/96). Destarte, considerando-se os percentuais de alíquota adotados, passa.-se ao conhecimento da faixa. de renda bruta acumulada no ano, até o mês em apreço; a partir daí, faz- , se possível reconhecer o esquema de partilha de tributos cabível, dentre os vários derreados pelo artigo 23 da lei n" 9 .317/96. Aplicando-se estes correspondentes percentuais de partição sobre Os valores mensais recolhidos mês a Inês, torna-se fácil contabilizar o quanto de 11ZP1 e 7 mesw 10580 003677/2005-92 81-1 1003 Acuidi-ic>11' 1803-00 311 II 8 de CS1,1_, já Ibra yeeollndo no regime do Simples, no ptimeiro semcstie de 2003, sendo plausível c necessailo seu abatimento junto aos lançamentos de ofício constituído guerreados Isto posto, 1)0U PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, pala determinar a compensação dos vitimes de MI e de CSLI, já recolhidos no seio da sistemática do Simples, calculados na fórina acima pormenmizada inicialmente desconsiderados pelo trabalho fiscal. 13KN.14)ICTO CE' _8( 31:NICIO JUNI(I)R ‘•\,• • 4)/ . , - MINISI .ÉRIO DA FAZEM )AP-. CONSKIJ I() ADMIN IS FRAIWO DE _RECURSOS FISCAIS QIIAR IA CÂMAR.A - PRIMEIRA SIT-ÇÃO Processo n" : 10580 00.3677/2005-92 Acórd ã o n o .. 1803 00,3 11 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Proemadoies da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciado no acórdão supra, nos termos do art 81, § 3', do anexo 11. do Re l .imento Interno do (.1",AR1, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 09 de julho de 2010 a;iffia'a dh6i-L'isa-Rodri,4e- Seci ciai ia da Câmara_.P2t Ciência Data: / / Nome: Piocuradoi(a) da Fazenda Nacional Vocantinliameni:o da PFN: L -I apenas com ciência; l i com Recuiso Especial; I 1 com I.m1-.)ar gos de Dedal ação
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005647/2005-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa: COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. LUCRO INFLACIONÁRIO
DIFERIDO.
Somente a parcela do lucro inflacionário apurado pelas sociedades cooperativas, relativa às receitas incluídas no campo de incidência do imposto de renda, será passível de diferimento
da tributação para o exercício em que vier a se realizar, visto que a parcela decorrente das receitas não tributáveis é insusceptível de diferimento.
LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA.
A partir de 10 de janeiro de 1996, constatada a falta de realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado, cabe exigir o imposto correspondente à parcela não oferecida à
tributação e não alcançada pela decadência, apurada com base no lucro inflacionário existente em 31/12/1995.”
Numero da decisão: 1803-000.682
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: Marcelo Fonseca Vicentini
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa: COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. Somente a parcela do lucro inflacionário apurado pelas sociedades cooperativas, relativa às receitas incluídas no campo de incidência do imposto de renda, será passível de diferimento da tributação para o exercício em que vier a se realizar, visto que a parcela decorrente das receitas não tributáveis é insusceptível de diferimento. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 10 de janeiro de 1996, constatada a falta de realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado, cabe exigir o imposto correspondente à parcela não oferecida à tributação e não alcançada pela decadência, apurada com base no lucro inflacionário existente em 31/12/1995.”
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LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. Somente a parcela do lucro inflacionário apurado pelas sociedades cooperativas, relativa às receitas incluídas no campo de incidência do imposto de renda, será passível de diferimento da tributação para o exercício em que vier a se realizar, visto que a parcela decorrente das receitas não tributáveis é insusceptível de diferimento. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 10 de janeiro de 1996, constatada a falta de realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado, cabe exigir o imposto correspondente à parcela não oferecida à tributação e não alcançada pela decadência, apurada com base no lucro inflacionário existente em 31/12/1995.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Selene Ferreira de Moraes - Presidente. Marcelo Fonseca Vicentini - Relator. EDITADO EM: 27/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Luciano Inocêncio dos Santos Fl. 128DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI 2 Relatório UNIMED DA BAHIA FEDERAÇÃO ESTADUAL DAS COOPERATIVAS MÉDICAS, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador – DRJ/SDR, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão, para que seja integralmente desconstituído o lançamento. Trata-se de auto de infração lavrado em 19/07/2005, relativo à Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ no montante de R$ 17.188,86, acrescido de juros de mora no montante de R$ 12.953,30 e multa de R$ 12.891,64, perfazendo montante total de R$ 43.033,80. Tendo em vista a clareza e correção do Relatório da DRJ, adoto o mesmo e reproduzo ipsis litteris os trechos pertinentes: “A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, constituída sob a forma de cooperativa de trabalho médico, nos termos do seu Estatuto Social, com arrimo na Lei n° 5.764/71, norma geral que versa sobre as cooperativas no País. A Impugnante, apesar de ser formal e materialmente uma cooperativa, tem como principal função representar a União das Cooperativas UNIMED do Estado da Bahia. A "Federação" não é quem presta o serviço, mas as UNIMED localizadas na capital e no interior do Estado, porém possui a importante função garantir um caráter de unidade entre as diversas cooperativas; As receitas que circulam por ela são das empresa que compõem a "Federação" e não da Impugnante, que não persegue lucro, razão pela qual os valores auferidos são distribuídos entre os cooperados, na proporção da prestação de serviços de cada um. Os usuários dos serviços prestados pelas "cooperativas singulares" têm à sua disposição uma série de serviços médicos, podendo se valer de hospitais e laboratórios credenciados, tudo com o objetivo de prestar o melhor atendimento. As receitas auferidas são oriundas do ato cooperado traduzido na realização de consultas médicas por cooperados, ou do ato acessório cooperativo consubstanciado na utilização da rede hospitalar e laboratorial, mediante internações, exames, sem os quais o trabalho cooperado tornar-se-ia inócuo; Portanto, a Impugnante não possui, em sua esmagadora maioria, receita diversa dos atos cooperados e atos acessórios. Consoante o seu Estatuto, os atos cooperados são discriminados separadamente dos atos acessórios e dos atos não-cooperados. Quando existe uma "sobra", este valor é dividido entre as cooperativas singulares, não cabendo à Impugnante qualquer quantia. Além do mais, a Impugnante realiza a escrituração dos atos não-cooperados, dentre os quais as operações atinentes à alienação de bens, juros decorrentes de aplicações financeiras, recolhendo os tributos legalmente devidos. Porém, o mais importante é ressaltar que as cooperativas não estão obrigadas ao recolhimento do imposto de renda com base em suas atividades ordinárias, mas apenas quando realizam operações estranhas às suas finalidades, conforme determina o RIR199 (transcreve os artigos 182 e 183); O lucro inflacionário foi criado pelo artigo 21 do Decreto n° 332, de 04/11/1991 (transcreve). Com o fim da hiperinflação, a União, por meio da Lei n° 9.249/95, vedou a utilização de qualquer sistemática de correção monetária das demonstrações financeiras, situação prevista também no art. 446 do RIR199. Diante dessa nova realidade, o Governo Federal entendeu que, apesar do fim do lucro inflacionário, as correções monetárias do balanço seriam "acréscimo patrimonial" ou "renda" das empresas e, portanto, base de cálculo do imposto de renda (transcreve o art. 7° da Lei n° 9.249/95); Ao ver da Impugnante, existem dois pontos básicos a serem discutidos. O primeiro, é se existe legalidade na cobrança do imposto de renda que tem por base a correção do ativo da pessoa jurídica; e o segundo, é se a Impugnante, como cooperativa de serviços médicos, deve ser contribuinte do imposto de renda tendo por base o lucro inflacionário. Os arts. 25 e 26 da Lei n° 8.981/95, o art. 1° da Lei n° 9.430/96 e os arts. 218 e 219 do RIR/99 tratam especificamente de conceitos ligados ao imposto de renda pessoa jurídica e suas formas de apuração. O art. 43 do CTN estabeleceu uma diferença jurídico-positiva de renda e provento, perfeitamente compatível com o que determina a Constituição. Os conceitos de renda e proventos estão relacionados ao aumento de patrimônio da pessoa jurídica. Integram a base de cálculo do imposto todos os ganhos, rendas, lucros, independentemente da natureza ou denominação, bastando estar comprovado que represente um aumento de patrimônio; De fato, ao analisar os elementos jurídicos necessários para a cobrança do imposto de renda, verifica-se que o lucro inflacionário não representa a materialização da hipótese de incidência, sendo, portanto, indevida a sua inclusão na base de cálculo tributável se a base de cálculo do imposto de renda é o lucro Fl. 129DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10580.005647/2005-11 Acórdão n.º 1803-000.682 S1-TE03 Fl. 2 3 real ou presumido, nesta não se pode incluir o lucro inflacionário, pois representa mera correção monetária. Nesse sentido, transcreve alguns pronunciamentos do Superior Tribunal de Justiça e diz, com base em tais entendimentos, não restar dúvida acerca da ilegalidade do lançamento; Outro forte argumento contra o lançamento de oficio é que o lucro inflacionário foi criado por meio do Decreto n° 332/91, norma infralegal, não podendo compor a base de cálculo do imposto de renda, tendo em vista a previsão contida no art. 97, IV, do CTN (transcreve). Ainda que o lucro inflacionário não contrariasse ao disposto nos arts. 43 e 44 do CTN, é indiscutível que a ausência de previsão legal na sua criação afronta o princípio da legalidade, bem como o art. 97 do citado diploma legal; Por fim, ainda resta um último argumento para demonstrar, mais uma vez, a ilegalidade do lançamento. O lucro inflacionário não poderia compor a base de cálculo do imposto de renda devido pelas cooperativas de serviços. Como se sabe, as cooperativas são isentas do imposto de renda quando auferem receitas de suas atividades de proveito comum, sem objetivo de lucro (art. 182 do RIR), estando obrigada ao recolhimento apenas quanto aos resultados com operações estranhas à sua finalidade (art. 183 do RIR). Por outro lado, o art. 218 do RIR estabelece, de maneira restrita, quais são as hipóteses em que as cooperativas devam recolher o imposto e qual é a base de cálculo. Portanto, não existe a possibilidade de incluir o lucro inflacionário, pois esse não representa uma atividade ou operação, mas apenas a correção monetária das demonstrações financeiras; Diante do exposto, a Impugnante requer seja julgado improcedente o Auto de Infração, por exigir imposto de renda com base no lucro inflacionário, contrariando os arts. 43, 44 e 97 do CTN, os arts. 182, 183 e 218 do RIR199, bem como o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme acima demonstrado. Protesta ainda pela produção de todas as provas admitidas em processo administrativo, notadamente a juntada de novos documentos e a testemunhal para comprovar o aqui afirmado.” Por seu turno, ao julgar a impugnação apresentada pelo contribuinte, a DRJ julgou o lançamento parcialmente procedente, através do acórdão 15-17.999, ementando assim a decisão: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1992, 1993, 1994, 1998, 1999 DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. LUCRO INFLACIONÁRIO. Tratando-se de lançamento decorrente de falta de realização do lucro inflacionário, ainda que nos períodos-base objeto do lançamento não tenha ocorrido a decadência, há que se excluir do saldo do lucro inflacionário acumulado as parcelas relativas à realização mínima obrigatória em períodos-base anteriores alcançados pelo prazo decadencial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ • Ano-calendário: 2000, 2001 COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. Somente a parcela do lucro inflacionário apurado pelas sociedades cooperativas, relativa às receitas incluídas no campo de incidência do imposto de renda, será passível de diferimento da tributação para o exercício em que vier a se realizar, visto que a parcela decorrente das receitas não tributáveis é insusceptível de diferimento. LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. A partir de 10 de janeiro de 1996, constatada a falta de realização mínima do saldo de lucro inflacionário acumulado, cabe exigir o imposto correspondente à parcela não oferecida à tributação, apurada com base no lucro inflacionário existente em 31/12/1995.” Apesar de bastante clara e didática a ementa da decisão da DRJ acima reproduzida, julgo importante esclarecer alguns aspectos da referida decisão por meio da reprodução de parte do voto: “Verificou-se, então, que a Interessada, quando da apuração do lucro real relativo a cada trimestre dos anos-calendário de 2000 e 2001, teria deixado de adicionar o valor do lucro inflacionário realizado, de R$23.870,87, calculado mediante a aplicação sobre o lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, do percentual de realização mínima obrigatória, no caso, de 2,5% ao trimestre. O valor do lucro inflacionário acumulado seria decorrente de três parcelas distintas que vieram a se somar a partir do ano-calendário de 1993: a primeira é o próprio saldo ordinário do lucro inflacionário acumulado, apurado no ano-base de 1991 e nos dois semestres de 1992; a segunda é originária da diferença de correção monetária IPC/BTNF apurada no ano de 1990, de que trata o artigo 3°, inciso II, da Fl. 130DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI 4 Lei n°8.200, de 28 de junho de 1991; e a terceira refere-se à parcela de correção monetária relativa a aplicação da mesma diferença IPC/BTNF sobre o "lucro inflacionário a tributar", em 31/12/1989, em conformidade com os dados extraídos do sistema SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). ... Por sua vez, alega a Impugnante que o lucro inflacionário é mera correção monetária e não representa aquisição econômica ou jurídica de renda, não devendo compor a base de cálculo do imposto de renda, de acordo com jurisprudência do STJ. Diz também que o lucro inflacionário foi criado pelo Decreto n° 332, de 1991, e que para ser incluído na base de cálculo do imposto de renda deveria ter sido instituído por lei, como preceitua o artigo 97, IV, do CTN. Por fim, argumenta que, sendo uma cooperativa de serviços médicos, o artigo 218 do RIR/1999 restringe a base de cálculo do imposto de renda aos resultados obtidos com atividades estranhas à sua finalidade, vedando, assim, a inclusão do lucro inflacionário na base de cálculo do imposto de renda das cooperativas. ... Ora, é de se observar que o saldo credor da correção monetária (e, assim, o lucro inflacionário) mantém vinculações com todas as atividades das cooperativas, quer tributáveis, quer não, já que tanto a prática de umas quanto o exercício de outras não apenas criam valores para o patrimônio líquido, como também só se tornam possíveis em função das inversões no permanente. Assim sendo, quando as cooperativas exercerem, além das atividades próprias, outras que conduzirem a resultados tributáveis, o lucro inflacionário por elas apurado estará parcialmente dentro do campo de incidência Em tais casos, tornar-se-á necessário extremar a parcela dele que se refira ao desempenho das atividades tributáveis. Ante, porém, a impossibilidade de se apurar exatamente a parcela do lucro inflacionário imputável ao resultado sujeito à incidência do tributo, impõe-se determiná-la proporcionalmente de modo que ela guarde com o lucro inflacionário total do exercício a mesma relação existente entre as receitas passíveis de tributação e as receitas totais auferidas. Advirta-se, finalmente, que tão-somente esta parte do lucro inflacionário é susceptível de ter sua tributação diferida para o exercício em que vier a se realizar, visto que a fração complementar, reportando-se às operações típicas das sociedades cooperativas, refoge ao campo de incidência e, por isso mesmo, se incompatibiliza com o diferimento. Em suma, é de se concluir que as sociedades cooperativas que aufiram resultados tributáveis estão obrigadas a oferecer à tributação a parcela do lucro inflacionário do exercício que, em relação ao total, guarde a mesma proporção existente entre as receitas tributáveis e as receitas totais percebidas no exercício. (grifei) É evidente, como se observa pelo teor do Parecer acima, que apenas a parcela do lucro inflacionário correspondente ao exercício de atividades tributáveis é passível de diferimento, uma vez que a parcela decorrente das atividades próprias das sociedades cooperativas está fora do campo de incidência do imposto de renda. Ora, não há que se diferir a tributação de resultado que, pela sua natureza, não seja tributável. Na prática, o resultado relativo às operações típicas das cooperativas é inteiramente excluído, extracontabilmente, quando da determinação do lucro real. A Autuada apurou — e diferiu — lucro inflacionário nos períodos-base de 1989 e 1991 e nos dois semestres do ano de 1992, conforme sistema SAPLI da RFB. Frise-se que as informações contidas no referido sistema são extraídas das próprias declarações de rendimentos apresentadas pela Contribuinte. Logo, configurado o diferimento de lucro inflacionário, sem dúvida alguma que este lucro era concernente às receitas oriundas de atividades estranhas à cooperativa e, portanto, tributáveis, justificando, assim, a exigência fiscal levada a efeito no presente Auto de Infração, nos termos do disposto no artigo 183 do RIR/1999 e nos itens 4 e 5 do PN CST n°33, de 1980. Destaque-se, entretanto, que a própria RFB reconheceu, de ofício, a decadência do imposto de renda correspondente às parcelas do saldo de lucro inflacionário acumulado que deveriam ter sido — e não foram — oferecidas à tributação em cada período-base anterior alcançado pelo prazo decadencial, fazendo constar do sistema SAPLI tais ajustes, como se pode observar no Demonstrativo SAPLI (fls. 69 a Fl. 131DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10580.005647/2005-11 Acórdão n.º 1803-000.682 S1-TE03 Fl. 3 5 77), através da introdução da linha "Baixa por decadência", na qual foram registradas as parcelas excluídas do saldo de lucro inflacionário acumulado. Além das diferenças baixadas a título de complementação das parcelas realizadas, nos 1° e 2° semestres de 1992, posto que a realização efetuada pela Contribuinte foi inferior à mínima obrigatória, foram também baixadas por decadência as parcelas que deixaram de ser integralmente realizadas, em todos meses dos anos-calendário de 1993 e 1994 e nos quatro trimestres dos anos-calendário de 1998 e 1999. Desse modo, como se observa no Demonstrativo do Lucro Inflacionário (SAPLI), às fls. 69 a 77, que já contempla todas as alterações procedidas, relativas à exclusão das parcelas do lucro inflacionário alcançadas pela decadência, chega-se, em 31/12/1995, a um "Lucro Inflacionário Acumulado a Realizar" no valor de R$832.988,80, e não de R$954.834,74, como registrado no Auto de Infração. Aplicando-se o percentual mínimo de realização (2,5% ao trimestre), encontra-se o valor de R$20.824,72, que corresponde ao lucro inflacionário realizado que deve ser adicionado no cálculo do lucro real, nos quatro trimestres dos anos-calendário de 2000 e 2001. Conseqüentemente, deve ser ajustado o lucro real/prejuízo fiscal de cada trimestre dos anos-calendário de 2000 e 2001, alterando-se também o valor do prejuízo compensado, conforme Demonstrativo SAPLI, às fls. 78 a 80. Diante do exposto, VOTO, por reconhecer a decadência das parcelas do lucro inflacionário que deixaram de ser realizadas em períodos-base anteriores e, no mérito, por considerar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica referente aos quatro trimestres do ano-calendário de 2001, mantendo o valor de R$14.949,91 (quatorze mil, novecentos e quarenta e nove reais e noventa e um centavos).” Ante a decisão acima reproduzida, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde reitera os argumentos constantes da impugnação apresentada a DRJ e requer seja julgado procedente o recurso, para que seja desconstituído in totum o lançamento fiscal levado a efeito, por contrariar os arts. 43, 44 e 97, do Código Tributário Nacional, os arts. 182, 183 e 218, do Regulamento do Imposto de Renda, bem como o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça. Voto Conselheiro Marcelo Fonseca Vicentini A recorrente inicia o seu recurso com o tópico “da tempestividade”, onde afirma que: “1. Antes de qualquer ilação acerca do mérito da presente demanda, mister se faz salientar a tempestividade deste Recurso Voluntário. 2. A Recorrente foi intimada da decisão, ora impugnada, no dia 29/05/2009, uma sexta-feira, motivo pelo qual se teria por termo inicial do prazo o dia 01/06/2009, a segunda-feira seguinte, primeiro dia subseqüente à ciência. 3. Assim, considerando o prazo de 30 (trinta) dias para oferecimento de recurso, previsto na legislação de regência, tem-se por termo final o dia 30/06/2009.” Entretanto, é possível verificar de maneira inequívoca por meio do Aviso de Recebimento – AR constante da folha 94 dos autos que, em verdade, a recorrente foi intimada em 28/05/2009, uma quinta-feira. Neste sentido, a contagem do prazo para apresentação do recurso se iniciou em 29 de maio de 2009, sexta-feira, primeiro dia útil após a intimação, conforme definido no art. 5º do Decreto n. 70.235, de 1972, sendo o prazo para apresentação do recurso 30 dias após esta data, o que significa a data de 27 de junho de 2009, sábado. Desta forma, tendo em vista que o último dia para apresentação do recurso não é dia de expediente normal, o prazo fatal a ser considerado é 29 de junho de 2009, segunda-feira, conforme parágrafo único do art. 5º do Decreto n. 70.235, de 1972. Em que pese o equivoco do contribuinte ao indicar que o termo final para apresentação do recurso seria dia 30 de junho de 2009, e considerando que o recurso foi apresentado exatamente em 29 de junho de 2009, data esta limite Fl. 132DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI 6 para apresentação do recurso, considero o mesmo tempestivo, e considerando que preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. No que tange ao mérito, inicialmente cabe esclarecer que, por determinação legal, o lucro inflacionário realizado integra a base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas e, portanto, deve ser adicionado ao lucro líquido de cada exercício, para efeito de determinação do lucro real (conforme determina, por exemplo, os artigos 20 e 21 da Lei 7799/89), sendo que, a partir de 1° de janeiro de 1996, a parcela de realização mínima obrigatória passou a ser apurada com base no saldo do lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, conforme o disposto nos artigos 448 e 449 do Decreto 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda. Afirma a recorrente que o Superior Tribunal de Justiça tem consolidado entendimento que a tributação do lucro inflacionário acima referida contraria os arts. 43, 44 e 97, do Código Tributário Nacional e os arts. 182, 183 e 218, do Regulamento do Imposto de Renda, entretanto não é o que demonstra pesquisa realizada neste tribunal, onde se verifica a existência de decisões recentes que consideram legitima referida tributação como, por exemplo, o RESP 802452/PR, julgado em 17 de dezembro de 2009 e publicado em 02 de fevereiro de 2010, a seguir reproduzido: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. LUCRO INFLACIONÁRIO (LEI 7.799/89, ART. 21). CORREÇÃO MONETÁRIA DAS CONTAS INTEGRANTES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (LEI 6.404/76, ARTS. 178, § 2º, D, E 185; DL 1.598/77, ART. 39, E LEI 7.799/89, ART. 4º). EXCLUSÃO DA BASE DE INCIDÊNCIA DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. 1. Visando a "expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto de renda de cada período-base" (art. 3º), a Lei 7.799/89 determinou que a consideração dos efeitos da inflação sobre as demonstrações contábeis se fizesse mediante sua atualização monetária, realizada nos termos ali explicitados e destacada em conta de natureza não-operacional. O saldo dessa conta, se devedor, constitui encargo dedutível do lucro tributável (art. 4º, III), e, se credor, deve a ele ser adicionado, denominando-se "lucro inflacionário" (art. 21). 2. A legitimidade dessa sistemática frente aos conceitos de renda e de lucro da legislação infraconstitucional foi reconhecida pelo STF no RE 201.465-6/MG, em que, apreciando o tema da constitucionalidade do art. 3º, I, da Lei 8.200/91, a Corte assentou não haver um conceito ontológico (= pertencente ao mundo dos fatos) de lucro tributável, mas apenas um conceito jurídico-formal, obtido pelo ajuste do resultado do exercício segundo as prescrições (adições, deduções e exclusões) taxativamente estabelecidas em preceitos normativos. 3. Entre as contas cujo valor histórico deveria ser corrigido, integrando a conta especial de correção monetária, estavam aquelas integrantes do patrimônio líquido, arroladas no art. 178, § 2º, d, da Lei 6.404/76, por força do art. 185 da mesma Lei (revogado pela Lei 7.730, de 31.01.1989), o qual continha norma semelhante à posta no Decreto-lei 1.598/77, art. 39, e na Lei 7.799/89, art. 4º (revogada pela Lei 9.249, de 26.12.1995). 4. Havendo normas legais determinando expressamente a dedução ou a adição, conforme devedor ou credor, do saldo da conta especial de correção monetária do lucro real, não há como - salvo mediante a declaração de inconstitucionalidade das referidas normas – excluir da base de incidência do imposto de renda o valor correspondente à correção monetária do patrimônio líquido, conta que, também por força de expressa disposição normativa, deve ter seu resultado integralmente corrigido. Ante a clareza da decisão e por concordar com os argumentos ali colocados, entendo superada a primeira questão colocada pela recorrente, no que tange a possibilidade de tributação do saldo de lucro inflacionário pelo imposto de renda. No que tange a segunda questão colocada, que o lucro inflacionário teria sido criado por norma infra-legal (Decreto nº 332/91), contrariando assim o art. 97 do Código Tributário Nacional, concordo com os argumentos constantes da Decisão da DRJ que afirma que: “Improcede também a afirmação da Impugnante de que o lucro inflacionário teria sido instituído pelo Decreto n° 332, de 1991. O artigo 21 do referido dispositivo, que trata da apuração do lucro inflacionário em cada período-base, reproduz, praticamente, o artigo 21 da Lei n° 7.799, de 10 de julho de 1989, que, por sua vez, é quase idêntico à redação do artigo 52 do Decreto-lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Note-se que a Contribuinte apura lucro inflacionário desde o ano de 1981, ou seja, muito antes da edição do Decreto n° 332, de 1991, que o teria criado, consoante entendimento equivocado da Impugnante.” Continuando a análise dos argumentos da recorrente constantes da impugnação, bem como da decisão da DRJ e por fim do recurso voluntário, passamos a próxima questão colocada pela recorrente: “o lucro inflacionário não poderia compor a base de cálculo do imposto de renda devido pelas cooperativas de serviços” pois “como se sabe, as cooperativas são isentas do imposto de renda quando auferem receitas com as suas atividades econômicas de Fl. 133DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10580.005647/2005-11 Acórdão n.º 1803-000.682 S1-TE03 Fl. 4 7 proveito comum, sem objetivo de lucro (art. 182 do RIR), estando obrigada ao recolhimento da exação apenas quando obtiver resultados com operações estranhas a sua finalidade (art. 183 do RIR). Neste ponto, é de se exaltar a didática e clareza do voto da DRJ, que não deixa dúvidas que somente é passível de diferimento o lucro relativo os resultados com operações estranhas à cooperativa. Reproduzo novamente, por oportuno, breve trecho do voto da DRJ: “A Autuada apurou — e diferiu — lucro inflacionário nos períodos-base de 1989 e 1991 e nos dois semestres do ano de 1992, conforme sistema SAPLI da RFB. Frise-se que as informações contidas no referido sistema são extraídas das próprias declarações de rendimentos apresentadas pela Contribuinte. Logo, configurado o diferimento de lucro inflacionário, sem dúvida alguma que este lucro era concernente às receitas oriundas de atividades estranhas à cooperativa e, portanto, tributáveis, justificando, assim, a exigência fiscal levada a efeito no presente Auto de Infração, nos termos do disposto no artigo 183 do RIR/1999 e nos itens 4 e 5 do PN CST n°33, de 1980.” Não há duvida que a recorrente tem razão quando afirma que “as cooperativas são isentas do imposto de renda quando auferem receitas com as suas atividades econômicas de proveito comum, sem objetivo de lucro (art. 182 do RIR), estando obrigada ao recolhimento da exação apenas quando obtiver resultados com operações estranhas à sua finalidade (art. 183 do RIR)”, entretanto, também não há duvida que assiste razão à DRJ quando afirma que apenas o lucro diferido concerne às receitas oriundas de atividades estranhas à cooperativa, o que justifica a lavratura do auto de infração ora combatido. Por seu turno, tendo em vista que a recorrente se limitou a reproduzir em seu recurso voluntário apresentado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais os mesmos argumentos constantes da impugnação apresentada à DRJ, sem fazer qualquer referência aos termos constantes da decisão da DRJ, especialmente no que tange ao fato do diferimento se referir a receitas de atividades estranhas à cooperativa, assumo os mesmos como validos, visto que as informações contidas no SAPLI da receita são extraídas das próprias declarações de rendimentos apresentadas pela Contribuinte. Por fim, é de se observar que a DRJ em sua decisão reconheceu a decadência de 1998 e 1999 em estrita observância da súmula CARF nº 10, que determina que: “o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.”, bem como excluiu do saldo de lucro inflacionário acumulado as parcelas relativas à realização mínima obrigatória em períodos-base anteriores alcançados pelo prazo decadencial (1992. 1993 e 1994). Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Marcelo Fonseca Vicentini – Relator Fl. 134DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI
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Numero do processo: 11060.000967/2002-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.708
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1280; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 533 1 532 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11060.000967/200273 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.708 – 3ª Turma Sessão de 21 de março de 2017 Matéria IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente FRIGOPAL COMERCIAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 ASSUNTO: PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 09 67 /2 00 2- 73 Fl. 533DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 20181.597, de 07/11/2008, proferido pela 1ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que fora assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 DESPACHO DECISÓRIO EXARADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. NULIDADE. É nulo o despacho decisório exarado por autoridade incompetente, em face da comprovada alteração de domicilio fiscal do contribuinte, ainda que não tenha sido expressamente anulado por despacho posterior da autoridade competente e decida a matéria de forma mais prejudicial ao contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. Recurso voluntário negado.” No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inclusão no cálculo do crédito presumido do IPI dos insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº CSRF/0202.260 e 20174.245. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 515/516. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (fl. 519/529). É o Relatório. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 11060.000967/200273 Acórdão n.º 9303004.708 CSRFT3 Fl. 534 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial não deve ser conhecido. É que, conforme noticia a Informação Fiscal de fls. 490/494, a Recorrente ingressou em juízo (depois de apresentado o recurso especial), pleiteando a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, das aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas, matéria que, como restou consignou no relatório, constitui o objeto do recurso especial ora em exame. Na esfera judicial, também discute a incidência da taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos. Nesse contexto, é de se aplicar a Súmula CARF nº 1, segundo a qual “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Ante o exposto, por concomitância de matéria nas esferas administrativa e judicial, não conheço do recurso especial apresentado pela Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 535DF CARF MF
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