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Numero do processo: 10580.720601/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. REDUÇÃO DO IMPOSTO A PAGAR.
O contribuinte pode, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, retificar sua declaração de rendimentos. Essa declaração, entretanto, substitui integralmente a declaração original e será considerada pela autoridade administrativa no caso de procedimento de revisão de ofício.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO DE INFORMAÇÕES DIRF E DIRPF.
A constatação da omissão de rendimentos a partir do cruzamento de informações entre a declaração apresentada pelo contribuinte e a declaração apresentada pela fonte pagadora (DIRF), autoriza o lançamento de ofício.
Verificando-se, entretanto, equívoco na DIRF, com patente inconsistência entre o número do CPF e o nome do contribuinte, deve ser realizada revisão no lançamento, na parte que se encontra com erro.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a omissão de rendimentos no valor de R$ 3.854,73.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. REDUÇÃO DO IMPOSTO A PAGAR. O contribuinte pode, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, retificar sua declaração de rendimentos. Essa declaração, entretanto, substitui integralmente a declaração original e será considerada pela autoridade administrativa no caso de procedimento de revisão de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO DE INFORMAÇÕES DIRF E DIRPF. A constatação da omissão de rendimentos a partir do cruzamento de informações entre a declaração apresentada pelo contribuinte e a declaração apresentada pela fonte pagadora (DIRF), autoriza o lançamento de ofício. Verificando-se, entretanto, equívoco na DIRF, com patente inconsistência entre o número do CPF e o nome do contribuinte, deve ser realizada revisão no lançamento, na parte que se encontra com erro. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a omissão de rendimentos no valor de R$ 3.854,73. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, a teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. REDUÇÃO DO IMPOSTO A PAGAR. O contribuinte pode, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, retificar sua declaração de rendimentos. Essa declaração, entretanto, substitui integralmente a declaração original e será considerada pela autoridade administrativa no caso de procedimento de revisão de ofício. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRUZAMENTO DE INFORMAÇÕES DIRF E DIRPF. A constatação da omissão de rendimentos a partir do cruzamento de informações entre a declaração apresentada pelo contribuinte e a declaração apresentada pela fonte pagadora (DIRF), autoriza o lançamento de ofício. Verificandose, entretanto, equívoco na DIRF, com patente inconsistência entre o número do CPF e o nome do contribuinte, deve ser realizada revisão no lançamento, na parte que se encontra com erro. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 01 /2 00 9- 59 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.720601/200959 Acórdão n.º 2202003.136 S2C2T2 Fl. 81 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a omissão de rendimentos no valor de R$ 3.854,73. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrada, em 25/02/2009, Notificação de Lançamento (fl. 06) de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo ao exercício de 2005, anocalendário de 2004. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existe o imposto de renda da pessoa física suplementar de R$ 1.604,04, com multa de ofício de 75%, no importe de R$ 1.203,03, e juros de mora, calculados pela taxa Selic. Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que constatou: 1 – Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, no valor de R$ 14.337,88, uma vez que não foi comprovado o valor maior declarado, considerando a análise de Sentença Judicial que determinou o pagamento. Glosouse a diferença entre o declarado e o determinado na Sentença; 2 – Omissão de rendimentos do trabalho com vínculo/ sem vínculo empregatício, analisando as informações constantes nos sistemas da RFB e as informações prestadas pelo contribuinte. Identificase as fontes pagadoras Santa Casa de Misericórdia de Santo Antônio de Jesus; Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) do Estado da Bahia. Verifico que o contribuinte apresentou uma Declaração original, apondo as fontes pagadoras Santa Casa de Misericórdia e TCM, em 26/04/2005, e depois apresentou uma Declaração retificadora, em 26/09/2008, “zerando” os rendimentos tributáveis, sendo essa última o objeto da revisão pela Autoridade competente. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento (fl. 02), onde afirma que submeteuse a cirurgia para retirada de “tumor maligno”, em abril de 2003, e Fl. 81DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.720601/200959 Acórdão n.º 2202003.136 S2C2T2 Fl. 82 3 pleiteia o reconhecimento de isenção do imposto sobre a renda, por ser portador de “moléstia grave”, anexando “atestado médico devido” (fl. 4) Sua manifestação foi conhecida e tratada pela DRJ/SALVADOR/BA nos seguintes e resumidos termos (fl. 30): A isenção por moléstia grave é disciplinada no art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, alterado pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004... (...) O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, art. 39, §§ 4º e 5º) dispõe ainda que: § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). (...) O interessado não apresenta documento compatível com essa exigência. O atestado médico que agora traz aos autos à fl.4, embora reconheça o início da doença em 2003, não pode ser considerado laudo pericial oficial, pois nele não consta que o emitente estivesse no exercício de cargo que o autorizasse a se manifestar em caráter oficial em nome da instituição que indica. Não basta para essa caracterização apenas o timbre do órgão oficial no documento expedido, mas a própria manifestação oficial do serviço médico ali estabelecido. No documento apresentado não há qualquer indicação do cargo ou delegação de competência que autorize o profissional subscritor a representar o órgão em caráter oficial. Sem esses elementos, não há como se distinguir o relatório médico apresentado de um atestado particular, que seja emitido em um papel timbrado e disponível a qualquer profissional que preste serviços àquela unidade, mas que não detenha poderes de representála oficialmente. Por essas razões, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com os acréscimos legais pertinentes. (sublinhei) Cientificado dessa decisão de 1ª instância em 18/10/2001, conforme AR na folha 39, apresentou recurso voluntário em 31/10/2001, com protocolo na folha 35, com as seguintes razões, em resumo: No ajuste efetuado na sua declaração de rendimentos de 2005, constam “inexplicavelmente” rendimentos auferidos da Fundação Uberlandense do Turismo Esporte e Lazer, no importe de R$ 3.854,73; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.720601/200959 Acórdão n.º 2202003.136 S2C2T2 Fl. 83 4 As outras situações que constam do referido ajuste já foram devidamente impugnadas e o Acórdão recorrido as considerou improcedentes; Manifestase expressamente apenas contra o valor recebido da Fundação Uberlandense, acima citado, reputandoo “não verdadeiro”. Assim, requer que seja apurado tal valor junto “aos órgãos competentes” para que seja verificada a veracidade dos fatos Considerando que a Notificação de Lançamento citava "informações constantes dos sistemas da RFB" mas não anexara aos autos a documentação pertinente, e as alegações do contribuinte no recurso, foi expedida a Resolução nº 2801003304, pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção deste CARF, no sentido de converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: a) que a repartição de origem anexe a fonte da informação (prova) na qual se baseou para efetuar o lançamento referente a omissão de rendimentos relativos a Fundação Uberlandense do Turismo Esporte e Lazer, CNPJ 20.260.121/000180, conforme descrito na Notificação de Lançamento. b) Dê ciência ao contribuinte do teor desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe prazo para manifestação. Cumprida a diligência, retornam os autos para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Primeiro, o Contribuinte apresentou uma declaração de rendimentos em 26/04/2005, cópia na folha 12, onde informou rendimentos tributáveis recebidos de Santa Casa de Misericórdia (R$ 9.000,00) e Tribunal de Contas dos Municípios (R$ 24.574,69). Informou ainda a dedução com pagamento de pensão alimentícia no valor de R$ 7.648,22. Posteriormente, em 26/09/2008, apresentou uma declaração retificadora a essa, com cópia na folha 16, onde informou três fontes. Além das duas acima descritas, incluiu Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer. Porém, informou todos os rendimentos tributáveis como "zero". Além disso, nessa 'retificadora', aumentou o valor da pensão alimentícia originalmente informado para R$ 21.710,28. Se na declaração original fora apurado um saldo de imposto a pagar de R$ 428,40, na retificadora passouse a um saldo de imposto a restituir de R$ 128,31. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.720601/200959 Acórdão n.º 2202003.136 S2C2T2 Fl. 84 5 Na Notificação de Lançamento, conforme relatado, a Fiscalização efetuou revisão de ofício considerando essa declaração retificadora, que enfim substituiu a original, integralmente. Assim, pela falta de comprovação do pagamento da pensão alimentícia no valor de R$ 21.710,28, houve glosa parcial, e pela não inclusão dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, houve o lançamento de ofício. Na impugnação, que consta de folha 02, o contribuinte não se manifesta expressamente em relação à pensão alimentícia nem especificamente em relação a nenhuma das fontes pagadoras consideradas. Outrossim, diz que possui moléstia definida como grave pela legislação (tumor maligno) e pede revisão da Notificação, incluindo "atestado médico devido". A DRJ, ao julgar a manifestação do interessado, concentrouse em tratar dos requisitos legais para reconhecimento de isenção do imposto pelos portadores de moléstia grave, pois essa foi a matéria posta em debate pelo Impugnante. Negou o reconhecimento ao direito de isenção, fundamentandose no atestado médico apresentado. Disse aquele Julgador (fl. 31): O atestado médico que agora traz aos autos à fl.4, embora reconheça o início da doença em 2003, não pode ser considerado laudo pericial oficial, pois nele não consta que o emitente estivesse no exercício de cargo que o autorizasse a se manifestar em caráter oficial em nome da instituição que indica. Não basta para essa caracterização apenas o timbre do órgão oficial no documento expedido, mas a própria manifestação oficial do serviço médico ali estabelecido. No documento apresentado não há qualquer indicação do cargo ou delegação de competência que autorize o profissional subscritor a representar o órgão em caráter oficial. Sem esses elementos, não há como se distinguir o relatório médico apresentado de um atestado particular, que seja emitido em um papel timbrado e disponível a qualquer profissional que preste serviços àquela unidade, mas que não detenha poderes de representála oficialmente.(sublinhei) Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.720601/200959 Acórdão n.º 2202003.136 S2C2T2 Fl. 85 6 Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”.(destaquei) O contribuinte apresentou o Atestado médico cuja cópia consta da folha 4, emitido por médico urologista, dando conta de que era portador de moléstia grave desde 04/2003. Entretanto, analisando o documento, entendo corretas as observações efetuadas pelo Julgador de 1ª instância, acima transcritas, e por isso o Contribuinte não atende aos requisitos para o reconhecimento da isenção. Em sede de recurso, o Interessado diz, na folha 35, que "inexplicavelmente" contam rendimentos auferidos de Fundação Uberlandense do Turismo e que foram "detectadas outras situações já devidamente impugnadas". E aí manifestase expressamente apenas em relação ao valor que teria sido pago por Fundação Uberlandense. O procedimento desenvolvese em fases, a fase litigiosa tem início com a apresentação da impugnação, por escrito, no órgão competente. Conforme já tratado, na Impugnação o Contribuinte questionou a isenção de seus rendimentos por ser portador de moléstia grave, mas essa questão foi bem analisada e devidamente fundamentada e entendo corretas as considerações feitas pelo Julgador a quo. No recurso, o contribuinte questiona expressamente apenas a inclusão de uma das fontes pagadoras, e por isso decidiuse pela conversão do julgamento em diligência. Portanto, para que o processo não tenha um desenvolvimento arbitrário e siga seu curso, com a finalidade imediata de solucionar o litígio concreto, é em relação a essa matéria especifica que devemos nos ater. A fonte de informações utilizada pela Autoridade Administrativa para efetuar o lançamento de ofício da infração de omissão de rendimentos foi a DIRF apresentada pelas fontes pagadoras, como informa na folha 51/52. O contribuinte questiona que nunca recebeu rendimentos de Fundação Uberlandense. O CPF do Recorrente, conforme consta dos autos é 018.000.35500. Na folha 51, observo que no extrato da DIRF apresentado por Fundação Uberlandense, consta esse número de CPF mas o nome de Gilson Nunes dos Santos. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10580.720601/200959 Acórdão n.º 2202003.136 S2C2T2 Fl. 86 7 Sendo essa a única prova utilizada pela Fiscalização para efetuar o lançamento, conforme informou, observo uma patente inconsistência e o lançamento não se mostra seguro, como deve ser. As demais fontes estão corretamente informadas, tinham sido apresentadas na declaração original pelo contribuinte e não são expressamente questionadas no recurso, como já explicado. Além disso, o contribuinte também nada traz para contradizer o lançamento de ofício que glosou em parte a pensão alimentícia declarada na "retificadora". CONCLUSÃO. Pelo exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso apenas para excluir da Notificação de Lançamento a omissão de rendimentos relativa a Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer, CNPJ 20.260.121/000180, no valor de 3.854,73, mantendo as demais infrações lá apontadas. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10925.722519/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Fábio Calcini, OAB/SP nº 097072.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, , em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Compareceu à sessão de julgamento o advogado Fábio Calcini, OAB/SP nº 097072. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 22 51 9/ 20 11 -3 5 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722519/201135 Resolução nº 3201000.615 S3C2T1 Fl. 94 2 Relatório Referese o presente processo a pedido de ressarcimento de Cofins, relativo ao 4o trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade frente a despacho decisório de indeferiu pedido de ressarcimento de créditos apresentado pela contribuinte. O pedido de ressarcimento referese a créditos no regime da não cumulatividade da Cofins referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor de R$ 2.626.982,91. O indeferimento do pedido de ressarcimento foi motivado pela falta de comprovação da interessada de seu direito creditório. A autoridade fiscal esclarece ter intimado a contribuinte para comprovação da procedência de seu crédito, tendo a interessada solicitado por duas vezes a prorrogação de seu prazo para apresentação dos documentos. Conclui com a informação de que teriam se passado mais de 108 dias da data de ciência da Intimação Fiscal até a formalização do despacho decisório, não tendo sido apresentado nenhum dos documentos probatórios solicitados. A contribuinte, irresignada, apresentou manifestação de inconformidade ao despacho decisório com os argumentos abaixo expostos. Aduz a que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de questionar as compensações realizadas, pois teria transcorrido o prazo de 5 anos previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Baseia seu argumento no fato da notificação da glosa ter sido realizada em 13/02/2012, e o crédito dizer respeito ao 2º trimestre de 2005. Entende que há cerceamento de defesa da impugnante, com consequente violação ao devido processo legal administrativo, tendo em vista a glosa decorrer de suposta ausência de comprovação de seus créditos. Argumenta que, diante das circunstâncias específicas do caso concreto, com a fiscalização exigindo documentos referentes a período significativamente antigo, a empresa sendo uma das maiores empresas de alimentos do mundo, e da impugnante ter sofrido em torno de 60 procedimentos de fiscalização por mês, deveria ter o Fisco aguardado mais um período antes de realizar a glosa. Defende ainda que, diante da não comprovação dos créditos, deveria a fiscalização proceder com o lançamento de ofício, e não com a glosa de seu pedido de ressarcimento. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722519/201135 Resolução nº 3201000.615 S3C2T1 Fl. 95 3 Entende ser fundamental a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de se confirmar a falta de comprovação ou a legitimidade de seus créditos. Quanto aos juros, entende que estes são devidos à razão de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, sendo de total improcedência o lançamento realizado. Ressaltar a impossibilidade de incidir juros sobre a multa. Argumenta que o valor da multa imputado é de evidente irrazoabilidade e confisco. Requer o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do ato decisório. Requer ainda prova pericial destinada à avaliar, especialmente, se os bens, produtos/serviços e materiais adquiridos e glosados pela Fiscalização, diante da peculiaridade da atividade econômica despenhada pela impugnante se enquadram no conceito de insumo de PIS e Cofins, excluindose o critério exclusivo da legislação do IPI. Nomeia como assistente do perito Sérgio Luiz Lazzari, CPF: 423.505.30949. Requer, por fim, a juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, perícias, caso seja necessário ao deslinde do presente caso, em cumprimento ao devido processo legal e verdade material A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE É ônus do contribuinte a comprovação minudente da existência do direito creditório. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Os atos anteriores a emissão do despacho decisório referemse à investigação fiscal que tem caráter inquisitório e se destina a verificação da situação fiscal da contribuinte, sendo que o contraditório e a ampla defesa referemse a momento posterior à emissão da decisão administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, entendeuse ausente a nulidade do ato administrativo, uma vez que fornecido à contribuinte todas as informações que embasaram a glosa de seus créditos, bem como lhe foi concedido o direito a se defender desta decisão. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722519/201135 Resolução nº 3201000.615 S3C2T1 Fl. 96 4 Sobre a decadência, entendeuse que em relação a pedidos de ressarcimento inexiste previsão específica, sendo incorreto o entendimento da contribuinte, além de que, não teria decorrido o prazo estabelecido pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96, no caso da declaração de compensação emitida. Quanto ao ônus probatório, afirmouse que incumbe ao contribuinte provar fatos impeditivos do nascimento da obrigação tributária ou de sua extinção, ou requisitos constitutivos de uma isenção ou outro benefício tributário. Ademais, não se poderia usar as diligências como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pelas partes. Em sede de recurso voluntário, foram reiterados os argumentos iniciais, e juntados nessa ocasião, DVDs contendo, supostamente, todos os documentos comprobatórios do direito ao ressarcimento. Destarte, verificouse que, em 31/08/2012, houve termo de juntada física, contendo os seguintes dizeres: Informo que em data de 31/08/2012 foi incluído um ANEXO (Processo Papel) nº. 10925.722.208/201257 para guarda e arquivo de 06 CDR , contendo respostas da Intimação nº. 544 referente ao III trimestre 200 PIS/COFINS em nome da empresa SADIA S.A. Tais arquivos se referem aos processos 10925.722515/201157; 10925.722517/201146; 10925.722516/201100; 10925.722518/201191 E 10925.722519/201135. Foi juntado aos autos, da mesma forma, laudo do Instituto Nacional de Tecnologia, no qual se descreve o processo produtivo da Recorrente, bem como a forma em que os insumos, que gerariam o direito ao crédito, teriam sido empregados. Em vista da juntada dos documentos e do posicionamento desta Turma julgadora, no sentido de prestigiar a Verdade Material, aceitouse a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifestasse, de sorte a não corromper a dialética processual. O processo retornou para o prosseguimento do julgamento, com informação fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, na qual conta a seguinte análise (os grifos são do original): O processo nº 10925.722208/201257 contém 6 (seis) CD, aqui nomeados CD 1 a CD 6, com as seguintes inscrições no envelope que os contém: No envelope que contém o CD 1, folha 5, está escrito “Intimação 544/2011 PIS/COFINS 2000 3º trim”. No envelope que contém o CD 2, folha 7, está escrito “Int 544/2011 – créd. PIS/COFINS 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 3, folha 9, está escrito “Int 544/2011 Pis e Cofins / 3º trim 2000”. No envelope que contém o CD 4, folha 11, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722519/201135 Resolução nº 3201000.615 S3C2T1 Fl. 97 5 No envelope que contém o CD 5, folha 13, está escrito “AA – INTIMAÇÃO 5442011 SAORT CRED. Pis e Cofins 3º trim 200”. No envelope que contém o CD 6, folha 15, não há nada escrito. Foi verificado que todos os 6 (seis) CD têm o mesmo conteúdo. [...]Verificase a presença do arquivo 02 – Termo de Intimação Saort nº 05442011 20 062011.pdf. Tal arquivo contém cópia do Termo de Intimação de mesmo número, que se refere ao período do 3º trimestre de 2006. Em breve análise do conteúdo do CD verificase que contém arquivos de imagens (.PDF) de algumas notas fiscais, agrupadas em pastas relativas a diversas filiais e uma pequena quantidade de arquivos Excel (.xls), um deles contendo amostragem, e alguns relatórios de imobilizado. Ainda, há alguns arquivos texto (.TXT) contendo relatórios como o Relatório 1030429941 CALDEIRA CHAPECÓ.txt, que é um relatório de acompanhamento das compras para as obras da citada caldeira. Considerando o conteúdo do arquivo 10 Relatório de Notas Fiscais Amostragem Fiscal RFB .xls, que contém listagem de pequeno número de notas fiscais, parece tratarse de listagem de documentos relativos ao 3º trimestre de 2006 cujas cópias foram solicitadas pela citada intimação 0544/2011, período que não é objeto de nenhum dos processos em tela. Colo abaixo imagem do programa Excel da planilha Linha 02, contida no citado arquivo. Os documentos a que se referem as imagens e as próprias listagens existentes nos CD referemse a período de apuração diverso dos períodos tratados nos processos em tela. Cada um dos citados processos teve os mesmos documentos solicitados, relativos ao período analisado, através das intimações citadas abaixo: A ordem de grandeza da quantidade de notas fiscais de entrada com crédito de outros períodos de apuração já analisados desta empresa, por trimestre, costuma chegar a centenas de milhares (perto de cem mil por mês) e as notas fiscais de saída passam da marca do milhão. Não há nestes CD nenhuma informação que, mesmo remotamente, lembre o que foi solicitado nestas intimações, em especial a memória de cálculo solicitada no item 3 de cada uma das intimações e nem os arquivos digitais de notas fiscais (item 6), mesmo tendo sido facultada Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722519/201135 Resolução nº 3201000.615 S3C2T1 Fl. 98 6 a apresentação no padrão do ADE COFIS nº 15/2001 ou formato SINTEGRA. 2.Dos DVDs contidos no processo 10925.720663/201218 Na folha 01 do processo nº 10925.720663/201218 está presente Termo de Inclusão de Anexo Físico, com o seguinte teor: Por outro lado, verificando fisicamente os DVDs juntados à folha 2 daquele processo constatase que as capas dizem conter as respostas aos itens 3, 4, 5 e 6 das intimações citadas no quadro acima. Os dois DVDRW contidos no envelope da folha 2 daquele processo tem as seguintes inscrições a caneta no rótulo do disco: 1 “Intimações n.os 939941 e 945/2011 ANO 2004 Itens 3456.” 2 “Intimações n.os 937940942/2011 ANO 2005 Itens 3456” Embora não tenha sido determinada a juntada do conteúdo destes DVDs aos processos, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei a cada um dos processos citados no início desta informação fiscal o inteiro teor destes dois DVDs. Devido ao tamanho do conteúdo e às limitações do sistema Eprocesso, o DVD do item 1 foi compactado em 4 (quatro) partes (~.zip.001.zip a ~.zip.004.zip, que devem ser baixadas, descompactadas para gerar a parcela original compactada (extensão .zip.001, .zip.002, .zip.003 e .zip.004) e então novamente descompactadas a partir do arquivo de extensão .zip.001. Da mesma forma, o DVD do item 2 foi compactado em 5 (cinco) partes. 3.Conclusão O conteúdo dos CDs juntados ao processo 10925.722208/201257 não tem relação com os processos em tela. Em cumprimento às resoluções citadas, juntei o conteúdo dos CDs a cada um destes processos apesar de não tratarem do mesmo período. As informações contidas nos CDs não têm qualquer relação com os períodos tratados nestes processos. Porém, o conteúdo dos DVDs juntados ao processo 10925.720663/2012 18 é relativo aos períodos tratados nos processos em questão. Por outro lado, não foi possível localizar nestes DVDs resposta ao item 2 das citadas intimações, onde são solicitadas cópias dos livros Registro de Apuração do IPI de todos os estabelecimentos de cada período. Não é possível verificar a correção das informações prestadas relativas ao item 6 das citadas intimações sem ter disponíveis as informações de totais de créditos e débitos por CFOP, existentes nos livros solicitados ou nos livros Registro de Apuração do ICMS do período. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO Processo nº 10925.722519/201135 Resolução nº 3201000.615 S3C2T1 Fl. 99 7 Assim, não é possível afirmar que o conteúdo dos DVDs atenda ao item 6 das intimações por falta de atendimento ao item 2. Mesmo assim, em homenagem ao princípio da verdade material, juntei o conteúdo dos DVDs presentes na folha 2 do processo 10925.720663/201218 a todos os processos em tela Não houve manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, nem mesmo da Recorrente, retornando o processo para o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Conforme relatado, o processo foi baixado em diligência, para que fossem examinadas provas acostada aos autos, que pendiam de apreciação, do que resultou detalhado relatório da fiscalização. Os autos retornaram, contudo, sem que se desse oportunidade à Recorrente de se manifestar sobre as conclusões da diligência. Assim sendo, e, para que não fique prejudicada a dialética processual, o contraditório e a ampla defesa, a Turma deliberou nova conversão do julgamento em diligência, para se intimar a Recorrente do relatório fiscal, para que se manifeste, no prazo de trinta dias, prorrogáveis por mais trinta. Após, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 425DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANT OS ARAUJO
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Numero do processo: 13841.000223/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3301-002.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor do crédito presumido das contribuições PIS/Pasep e COFINS, calculados sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, não pode ser objeto de compensação nem de ressarcimento em dinheiro. Tais créditos somente podem ser utilizados na dedução do valor devido da respectiva contribuição, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno no mesmo período de apuração. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 1. 00 02 23 /2 00 5- 30 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Campo Grande (fls. 103/109), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, relativamente a pedido de ressarcimento acolhido apenas em parte pela autoridade administrativa responsável pelo exame inicial do pleito. A lide decorre de pedido de ressarcimento de créditos da COFINS Mercado Externo, no valor de 102.263,90, apurado segundo o regime de incidência nãocumulativa, correspondente ao terceiro trimestre de 2004. O pedido foi fundamentado no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003. A DRF em Limeira/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 55/56, deferiu apenas parcialmente o pedido formulado, tendo reconhecido o direito creditório no montante de R$ 71.539,06. A parte glosada corresponde ao crédito presumido da agroindústria relativo ao mercado externo, o qual, segundo a autoridade fiscal, é legalmente admitido apenas para desconto da correspondente contribuição devida. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde aduziu o seguinte: a) que a Instrução Normativa n° 600/2006 não poderia ter sido aplicada retroativamente, sob pena de ferir a segurança jurídica, o direito adquirido e o ato jurídico perfeito, previstos no art. 5°, inciso XXXVI da Constituição Federal; b) que ainda que se admitisse a aplicação da Instrução Normativa em tela, a compensação ora pleiteada não o é com relação a outros tributos e contribuições, mas referese à própria contribuição; e, c) que indeferir a compensação afrontaria o art. 151, inciso III, do Código Tributário nacional (CTN) e a própria Constituição Federal. Os argumentos em evidência, todavia, não foram acolhidos pela primeira instância, que indeferiu o pleito em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DECORRENTE DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL A IN SRF n° 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 vedam expressamente a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004 com base no art. 8° da Lei n° 10.925/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000223/200530 Acórdão n.º 3301002.706 S3C3T1 Fl. 151 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão vergastada ocorreu em 14/10/2014 (fls. 113). Inconformada, a interessada apresentou, em 23/10/2014 (fls. 114), o recurso voluntário de fls. 114/129, onde se insurge contra a decisão de primeira instância com fundamento nos mesmos argumentos outrora apresentados, em especial contra a aplicação retroativa da IN SRF nº 660/2006, cujos ditames, ainda que aplicados, não impediriam a compensação, já que os débitos compensados também dizem respeito a COFINS. Aduz ainda que o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria não possui nenhuma vedação, já que a compensação com a própria contribuição ou com tributos administrados pela Receita Federal foram claramente o desejo do legislador ao estipular tais normas. Com base nos argumentos em tela, requer seja dado provimento ao seu recurso, com o consequente reconhecimento do direito ao crédito presumido decorrente das vendas da agroindústria ao exterior, ou, alternativamente, que seja autorizado o creditamento dos valores no Sped EFD PIS COFINS/DACON, a fim de que sejam compensados posteriormente com outros débitos. Ao presente processo foram apensados os processos nos , 13841.000316/2005/64 e 13841.000317/200517, inerentes a declarações de compensação de débitos de COFINS não cumulativa (código de receita 5856). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme argumentos aduzidos em seu recurso voluntário, vêse que a lide se restringe ao suposto direito de utilização, para fins de ressarcimento ou de compensação, do crédito presumido da contribuição para a COFINS decorrente das vendas da agroindústria efetuadas para o exterior. O problema inerente à forma de utilização do crédito presumido da contribuição para o PIS/Pasep previsto no artigo 8o da Lei no 10.925, de 2004, já foi objeto de julgamento por este CARF quando do exame do processo no 10945.004981/200732, julgado em 05/05/2011 (acórdão no 380200.457), da relatoria do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, cujo entendimento, abaixo transcrito, também adoto como razões para decidir a presente contenda: Da forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Preambularmente, entendo oportuno apresentar um breve resumo da evolução do tratamento legal que foi conferido a forma de utilização do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física e utilizados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 A instituição do referido benefício fiscal foi feita pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, que acrescentou os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A forma de utilização do mencionado crédito presumido foi expressamente definida no § 10 do citado preceito legal, ao passo que [a] forma de apuração do seu valor foi estabelecida no § 11. Tais preceitos legais tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (grifos não originais) §11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) (...). Em seguida, as formas de utilização e de cálculo do citado crédito presumido, inclusive da Cofins, passaram a ser integralmente disciplinadas no caput e nos §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações posteriores, que têm o seguinte teor, ipsis litteris: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000223/200530 Acórdão n.º 3301002.706 S3C3T1 Fl. 152 5 § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (...). Compulsando os preceitos legais transcritos, observase que, desde a sua instituição, o valor do referido crédito presumido somente poderia ser utilizado para fim de dedução ou abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep devido em cada período de apuração. Não consta nos referidos dispositivos legais, nem em qualquer outro diploma legal, referência a alguma outra forma distinta de utilização do referido crédito presumido que não seja, exclusivamente, mediante a dedução da contribuição devida, apurada no respectivo período. Nesse sentido, é elucidativa a parte inicial do texto do § 10 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, ao ressaltar que, “sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma” do regime não cumulativo, as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, o valor do crédito presumido, calculado sobre o valor dos insumos adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País, e empregados na fabricação dos produtos destinados à alimentação humana ou animal. [...] Na verdade, [...] tanto os preceitos legais revogados como os revogadores dispuseram sobre as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme dispõem, respectivamente, os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o caput e os §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Tratase, evidentemente, de disciplinamento legal expresso que, em face da clareza e precisão dos termos empregados, não apresenta qualquer incongruência, omissão ou ambiguidade que, ao meu ver, pudesse ensejar qualquer dúvida a respeito do conteúdo, significado e alcance jurídicos dos comandos normativos que instituíram o benefício fiscal em comento. Não se pode olvidar que, em se tratando de benefício fiscal, o texto veiculado no referido preceito legal deve ser interpretado de forma literal ou restritiva, conforme determinação contida no art. 1111 do CTN. 1 "Art. 111 Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 Além disso, por força do disposto no inciso II do art. 97 do CTN, a concessão de qualquer benefício fiscal que implique redução de tributo somente pode ser concedida por lei. Neste sentido, o legislador ordinário goza de plenas prerrogativas para delimitar a extensão e a forma de utilização do benefício concedido. [...] Assim, por contrariar frontalmente tais determinações legais, não tem cabimento a pretensão da Recorrente no sentido de atribuir interpretação extensiva ao disposto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 [...]. Principalmente, tendo em conta que a interpretação sistemática dos comandos legais que tratam da forma de utilização do mencionado crédito presumido [...] conduz a conclusão inarredável de que o entendimento exarado no Acórdão recorrido, com suporte no ADI SRF nº 15, de 2005, está em perfeita consonância com o tratamento legal conferido a matéria em apreço, conforme se demonstrará a seguir. Também não procede a alegação da Recorrente de que o novel disciplinamento legal, instituído pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, visou apenas alterar a forma de apuração do valor do referido crédito, reduzindo as alíquotas aplicáveis aos valores dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Na verdade, contrariando tal afirmação, verificase que os preceitos legais revogados, assim como os revogadores, disciplinaram e continuam disciplinando as formas de utilização e de apuração do mencionado crédito presumido, conforme estabelecido, respectivamente, nos §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput e §§ 2º e 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Alegou ainda a Recorrente que o direito a compensação/ ressarcimento dos créditos ordinários e presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep, acumulados em face da imunidade e da nãocumulatividade, continuaria em pleno vigor. A alegação da Recorrente é verdadeira apenas em relação aos créditos ordinários, ou seja, aqueles apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, que, apesar se referir à Cofins, também se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 2002, conforme disposto no inciso III do art. 152 da Lei nº 10.833, de 2003. Em face da importância que representa para o esclarecimento da presente controvérsia, transcrevo a seguir o inteiro teor do § 3º do referido art. 6º: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias". 2 "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...)". Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000223/200530 Acórdão n.º 3301002.706 S3C3T1 Fl. 153 7 Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (...). (grifos não originais). É oportuno esclarecer ainda que, somente dão direito ao crédito ordinário ou normal (i) os bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e (ii) os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Da mesma forma, também não dão direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da citada Contribuição. Neste sentido dispõem o inciso II do § 2º e os incisos I e II do § 3º, ambos do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 , a seguir reproduzidos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 (...) (grifos não originais) A contrário sensu, não dão direito ao crédito normal ou ordinário os bens adquiridos de pessoas físicas, bem como o valor das aquisições de bens não sujeitos ao pagamento da respectiva Contribuição, inclusive no caso isenção. Assim, interpretados de forma sistemática o conjunto de preceitos que trata da matéria, resta indubitável que as formas de compensação e de ressarcimento, admitidas nos §§ 1º e 2º do art. 5º3 da Lei nº 10.637, de 2002, aplicamse exclusivamente aos créditos ordinários ou normais vinculados à receita de exportação, apurados segundo o regime da nãocumulativida da Contribuição para o PIS/Pasep. Por outro lado, em consonância com o disposto no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, é forçoso concluir que os créditos presumidos em apreço não podem ser utilizados para fim de compensação ou de ressarcimento em dinheiro, conforme pretendido pela Recorrente. Dessa forma, fica devidamente esclarecido que a única forma de utilização do valor do crédito presumido em apreço é apenas aquela autorizada no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, exclusivamente mediante dedução do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre valor das receitas tributáveis decorrentes das vendas realizadas no mercado interno do respectivo período de apuração. (os destaques em sublinhado não constam do original) Vale lembrar que exegese acima é plenamente aplicável à COFINS, a qual, juntamente com o PIS, é objeto de tratamento no caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04. Chamo atenção para a parte em que o nobre relator destacou a possibilidade de utilização de compensação e ressarcimento mas unicamente em relação aos créditos “apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade, instituído no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e desde que tais créditos estejam vinculados exclusivamente à receita de exportação de mercadorias ou da prestação de serviços para o exterior, conforme expressamente determina o § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003 [...]”. Portanto, aduzido direito de compensação ou ressarcimento não alcança os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, que, conforme ressaltado, são passíveis de utilização unicamente para a dedução da correspondente contribuição devida. 3 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria". Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000223/200530 Acórdão n.º 3301002.706 S3C3T1 Fl. 154 9 Quanto ao disposto no § 2o do artigo 5o da IN 660/064, segundo o qual “é vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo”, importa destacar que referida instrução normativa não inovou quando tratou da impossibilidade de utilização dos créditos presumidos da recorrente para fins de ressarcimento ou de compensação com outros tributos. Como visto, o caput do artigo 8o da Lei no 10.925/04 restringe o emprego dos referenciados créditos à dedução da contribuição correspondente, de sorte que nada há na instrução normativa em comento que extrapole o ditame legal reportado. Em outras palavras, a vedação contida na IN encontrase em conformidade com os limites para a utilização do crédito presumido definidos pelo legislador. O mesmo se diga em relação ao disposto no § 3o, inciso II, do artigo 8o da IN 660/06, que expressamente veda a utilização dos créditos presumidos para fins de compensação. Toda essa exegese é corroborada pelo novo tratamento dado à matéria a partir da edição da Lei nº 12.350, de 20/12/2010. Os artigos 56A e 56B da norma em evidência passaram a autorizar a compensação ou o ressarcimento dos créditos presumidos nas condições específicas traçadas pelo legislador, conforme se observa abaixo: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1º O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1º de janeiro de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). 4 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: [...] § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). O artigo 56A da Lei nº 12.350/2010 corrobora tudo o que aqui já foi dito no sentido de que o direito de compensação ou de ressarcimento não alcançava os créditos presumidos de que trata a Lei no 10.925/04, sendo os mesmos passíveis unicamente de utilização para a dedução da correspondente contribuição devida. Com efeito, não faria sentido o legislador editar norma permissiva de hipótese de compensação e de ressarcimento se a legislação outrora vigente já contemplasse tal possibilidade. Quanto ao artigo 56B da Lei nº 12.350/2010, a exceção criada pelo legislador que fortalece o entendimento aqui adotado também não socorre o sujeito passivo, já que restrita aos produtores de farelo de soja. Com efeito, conforme a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito pleiteado pela interessada, a mesma tem como atividade a "exportação, importação, comércio e benefício de café". No tocante ao disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, o qual veda expressamente a utilização do crédito presumido para fins de compensação ou ressarcimento, tal dispositivo infralegal veio somente esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu bojo. Assim, tal norma complementar de direito tributário não desbordou de seu cunho meramente interpretativo, posto que restringiuse unicamente à sua função complementar de esclarecer e uniformizar a aplicação da norma tributária stricto senso. Para terminar, importa ressaltar que o entendimento acima está em perfeita sintonia com o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça, que, ao examinar o Recurso Especial no 200900758996, assim se manifestou: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DECORRENTES DA LEI 10.925/04 COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. CRÉDITOS NÃO PREVISTOS NA NORMA LEGAL AUTORIZADORA. ART. 11 DA LEI 11.116/05. DIREITO LÍQUIDO E CERTO NÃO EVIDENCIADO. 1. Recurso especial interposto nos autos de mandado de segurança, impetrado pela contribuinte com objetivo de ver reconhecido o direito de compensar seus créditos presumidos de PIS e de COFINS, oriundos da Lei 10.925/04, com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei 11.116/05. Aduz que são ilegais os atos regulamentares do Poder Executivo Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13841.000223/200530 Acórdão n.º 3301002.706 S3C3T1 Fl. 155 11 (Ato Interpretativo Declaratório 15/2005 e a Instrução Normativa SRF 660/2006) que se contrapõem a essa pretensão. 2. O direito à compensação tributária deve ser analisado à luz do princípio da legalidade estrita, em conformidade com o que dispõe o art. 170 do CTN: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública". Precedentes: AgRg no Ag 1.207.543/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, DJe 17/06/2010; AgRg no AgRg no REsp 1012172/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 11/5/2010; AgRg no REsp 965.419/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 5/3/2008. 3. Dispõe o art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05: "O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria". 4. A compensação autorizada pelo art. 16 da Lei 11.116/05 não contempla a utilização dos créditos presumidos disciplinados na Lei 10.925/04, o que, por si só, à luz do art. 170 do CTN, afasta o direito líquido e certo vindicado nesta impetração. 5. Além disso, a concessão de créditos presumidos pela Lei 10.925/04 tem por escopo a redução da carga tributária incidente na cadeia produtiva dos alimentos, na medida em que a venda de bens por pessoa física ou por cooperado pessoa física para a impetrante (cerealista) não sofre a tributação do PIS e da COFINS, ou seja, dessa operação, pela sistemática da não cumulatividade, não há, efetivamente, tributo devido para a adquirente se creditar. 6. Essa finalidade é suficiente para diferenciar esses créditos presumidos daqueles expressamente admitidos pela Lei 11.116/05, os quais são efetivamente existentes, por decorrerem da sistemática da não cumulatividade prevista nas Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04. Aliás, a Lei 10.637/02 (com redação incluída pela Lei 10.865/04), em seu art. 3º, § 2º, inciso II, exclui de sua sistemática o crédito derivado "da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição". 7. Ademais, a própria Lei 10.925/04, em seus arts. 8º e 15, só prevê a utilização desses créditos presumidos para o desconto daquilo que for devido de PIS e de COFINS. 8. Portanto, os atos regulamentares expedidos pelo Poder Executivo ora impugnados pela recorrente, ao impedirem a compensação ora postulada, não inovaram no plano normativo nem contrariaram o disposto no art. 16 da Lei 11.116/05, mas, apenas explicitaram vedação que, como visto, já estava contida na legislação tributária vigente. 9. Recurso especial não provido. (STJ. Primeira Turma. Recurso Especial no 200900758996. Relator: Min Benedito Gonçalves. Data da decisão: 24/08/2010. Publicado em 31/08/2010. Decisão unânime) (grifos nossos) Da conclusão Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 Diante das considerações acima expostas, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela recorrente. Sala de Sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 16641.000196/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA NÃO COMPROVADO.
Presumem-se decorrentes de omissão de receita os valores aportadas pelos sócios à pessoa jurídica quando não demonstrada a efetividade da operação.
AUSÊNCIA DO REGISTRO DA OPERAÇÕES MERCANTIS. LUCRO ARBITRADO.
A não escrituração em volume significativo dos boletos bancários referentes ao pagamento de mensalidades escolares impede o conhecimento da efetiva movimentação financeira do sujeito passivo e justifica a apuração do resultado pelo lucro arbitrado.
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXISTÊNCIA DE FATO DA PESSOA JURÍDICA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.
Com o advento de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de fato da pessoa jurídica tida como inexistente pela Fiscalização; e tendo sido esse o motivo que levou à transferência para a autuada das receitas originalmente auferidas por aquela, não prospera o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo.
MULTA QUALIFICADA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FALSAS. CABIMENTO.
Demonstrado nos autos que o sujeito passivo conscientemente prestou informações falsas à Fiscalização diretamente relacionadas à ocorrência do fato gerador da obrigação, correta a imputação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1402-002.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário dos coobrigados e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para excluir da base tributável os valores originalmente reconhecidos como pertencentes à Sociedade Educacional Três Vendas e imputados à Sociedade Educacional Mario Quintana; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA NÃO COMPROVADO. Presumem-se decorrentes de omissão de receita os valores aportadas pelos sócios à pessoa jurídica quando não demonstrada a efetividade da operação. AUSÊNCIA DO REGISTRO DA OPERAÇÕES MERCANTIS. LUCRO ARBITRADO. A não escrituração em volume significativo dos boletos bancários referentes ao pagamento de mensalidades escolares impede o conhecimento da efetiva movimentação financeira do sujeito passivo e justifica a apuração do resultado pelo lucro arbitrado. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXISTÊNCIA DE FATO DA PESSOA JURÍDICA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Com o advento de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de fato da pessoa jurídica tida como inexistente pela Fiscalização; e tendo sido esse o motivo que levou à transferência para a autuada das receitas originalmente auferidas por aquela, não prospera o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FALSAS. CABIMENTO. Demonstrado nos autos que o sujeito passivo conscientemente prestou informações falsas à Fiscalização diretamente relacionadas à ocorrência do fato gerador da obrigação, correta a imputação da multa qualificada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário dos coobrigados e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para excluir da base tributável os valores originalmente reconhecidos como pertencentes à Sociedade Educacional Três Vendas e imputados à Sociedade Educacional Mario Quintana; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO.NÃO CONHECIDA. PRECLUSÃO. A impugnação invalidada não produz efeitos e implica na preclusão ao direito de recorrer em segunda instância em relação à matéria não impugnada. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEGALIDADE. UTILIZAÇÃO NO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Por sua vez, a utilização de informações bancárias no procedimento fiscal, com vistas à apuração do crédito tributário relativo a tributos e contribuições, tem respaldo no artigo 1º da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que deu nova redação ao § 3º, do artigo 11 da Lei nº 9.611, de 24 de outubro de 1996. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. EXISTÊNCIA DE FATO DA PESSOA JURÍDICA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Com o advento de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de fato da pessoa jurídica tida como inexistente pela Fiscalização; e tendo sido esse o motivo que levou à transferência para a autuada das receitas originalmente auferidas por aquela, não prospera o lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FALSAS. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 96 /2 01 0- 15 Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Demonstrado nos autos que o sujeito passivo conscientemente prestou informações falsas à Fiscalização diretamente relacionadas à ocorrência do fato gerador da obrigação, correta a imputação da multa qualificada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA NÃO COMPROVADO. Presumemse decorrentes de omissão de receita os valores aportadas pelos sócios à pessoa jurídica quando não demonstrada a efetividade da operação. AUSÊNCIA DO REGISTRO DA OPERAÇÕES MERCANTIS. LUCRO ARBITRADO. A não escrituração em volume significativo dos boletos bancários referentes ao pagamento de mensalidades escolares impede o conhecimento da efetiva movimentação financeira do sujeito passivo e justifica a apuração do resultado pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário dos coobrigados e dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para excluir da base tributável os valores originalmente reconhecidos como pertencentes à Sociedade Educacional Três Vendas e imputados à Sociedade Educacional Mario Quintana; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Fl. 4062DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16641.000196/201015 Acórdão n.º 1402002.081 S1C4T2 Fl. 4.061 3 Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Tratase de autos de infração lavrados para constituir créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins dos anos de 2006 a 2008. 1. Autuação Segundo a fiscalização, a autuada, optante da tributação com base no lucro presumido, omitiu receitas, omissão essa caracterizada por quatro fatos distintos. O primeiro é a contabilização de receitas próprias como se fossem receitas de outra entidade, a ela ligada e existente de modo tãosomente formal. O segundo é a falta de contabilização de compras de material didático. O terceiro é a omissão de receitas de mensalidades escolares, apurada mediante análise dos boletos bancários de cobrança. O quarto é a falta de comprovação da efetividade de suprimentos de caixa efetuados pelos sócios. 1.1. Omissão de receitas 1.2. 1.1.1. Receitas contabilizadas em outra entidade De acordo com a fiscalização, existe outra instituição de ensino –Sociedade Educacional Três Vendas Ltda., optante do Simples – que formalmente funcionaria no mesmo estabelecimento da autuada, estabelecimento que adota o nome de Escola Mário Quintana. Os sócios de ambas as empresas têm laços familiares entre si, o mesmo acontecendo com seus administradores. Os imóveis que ocupam são de propriedade de uma sócia e do diretor geral, neles não havendo “sinal de existência física da Sociedade Educacional Três Vendas”. As despesas da Sociedade Educacional Três Vendas Ltda. são contraídas em nome da Sociedade Educacional Mário Quintana Ltda., por serem despesas comuns à Escola Mário Quintana. Todas as aquisições de materiais escolares também são feitas pela Sociedade Educacional Mário Quintana Ltda. Esses fatos levaram a fiscalização a concluir que a Sociedade Educacional Três Vendas Ltda. não opera de fato, tendo existência meramente formal, caracterizando simulação. Por esse motivo, desconsiderou sua existência a atribuiu à autuada as receitas que a Sociedade Educacional Três Vendas Ltda. formalmente registrou, tendo sido lançada multa de 150%. 1.1.2. Pagamentos não escriturados Tratase de omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração por parte da autuada de pagamentos de compras de material didático, conforme previsto no art. 281, II, do RIR. As compras foram apuradas mediante circularização junto aos fornecedores. Sobre os créditos tributários incidentes sobre essas receitas foi lançada de 150%. 1.1.3. Omissão de receitas de mensalidades escolares e de atividades extracurriculares Intimada, a autuada informou não ter documentos que pudessem esclarecer a origem dessas receitas. Por isso, os valores foram levantados mediante dados constantes de boletos de cobrança, obtidos junto à instituição financeira que os emitiu, abrangendo tanto os emitidos em nome da autuada como aqueles emitidos em nome da Sociedade Educacional Três Vendas Ltda. A multa de ofício foi de Fl. 4063DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 150% no caso das mensalidades escolares e de 75% no tocante às receitas de atividades extracurriculares. 1.1.4. Suprimentos de caixa cuja efetividade não foi comprovada Tratase de quinze registros contábeis de tomada de empréstimos junto a sócios. Intimada a comprovar a efetividade da entrega dos recursos, foram apresentados para extratos de contascorrentes bancárias dos mutuantes em que constavam débitos por cheques compensados, coincidentes em datas e valores com três dos suprimentos. No entanto, não restou comprovado que a compensação se deu a crédito de contacorrente da mutuária. Pela falta de comprovação, os alegados suprimentos foram considerados como receita omitida (art. 282, do RIR), sendo lançada ainda a multa de ofício de 75%. 1.2. Arbitramento O lucro foi arbitrado com base no art. 530, do RIR, incisos II, “a” (escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária) e III (deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial, ou o livrocaixa). 1.3. Sujeição passiva solidária A fiscalização indicou Carlos dos Santos Valério e Márcia Katz Valério como sujeitos passivos solidários. 2. Impugnação Em impugnação assinada por seu advogado, com procuração presente nos autos, a autuada aborda as seguintes matérias: a inocorrência de simulação na existência das duas sociedades; ilicitude, por falta de autorização judicial, da obtenção de informações junto a instituição financeira; a presunção a omissão de receita caracterizada pelo falta de comprovação da efetividade de suprimentos de caixa por parte de sócios; a omissão de receita de venda de material escolar; o arbitramento do lucro; a sujeição passiva solidária. Num segundo momento, foi juntada petição dando conta de ações judiciais relacionadas com a existência de fato da Sociedade Educacional Três Vendas Ltda. 1.1. Receitas contabilizadas em nome da Sociedade Educacional Três Vendas Ltda. A autuada alega que foi constituída para desenvolver atividades de ensino médio, enquanto que a Sociedade Educacional Três Vendas Ltda. foi criada para atuar no ensino médio e infantil, e que elas utilizam áreas diferentes dentro mesmo complexo físico, com entradas separadas e com horários, direção, coordenação e corpo docente totalmente distintos, embora atuem sob ambas com a marca “Escola Mário Quintana”. Entende que esses fatos são suficientes para afastar a acusação de simulação e que o caso se enquadraria no chamado “planejamento tributário”. A autuada informa ainda que a RFB baixou a inscrição no CNPJ da Sociedade Educacional Três Vendas Ltda., que ingressou com ações judiciais – ação cautelar inominada e ação ordinária desconstitutiva de ato administrativo – contra tal baixa, sendo que na cautelar obteve liminar para que seu CNPJ seja restabelecido. Com Fl. 4064DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16641.000196/201015 Acórdão n.º 1402002.081 S1C4T2 Fl. 4.062 5 base nisso, entende a autuada que as receitas contabilizadas em nome da Sociedade Educacional Três Vendas Ltda. devem ser retiradas da apuração dos créditos tributários. 1.2. Informações de instituição financeira A autuada afirma que para a obtenção de informações junto a instituições financeiras seria necessária autorização judicial, sob pena de inconstitucionalidade. 1.3. Suprimentos de caixa A autuada junta documentos com que pretende provar a efetividade de dois dos suprimentos de caixa. Alega ainda que o valor das omissões presumidas estaria absorvido pelas demais receitas omitidas. 1.4. Venda de material escolar A autuada informa que pedirá parcelamento dos respectivos créditos tributários, calculados com base no lucro presumido e com redução de multa. 1.5. Arbitramento do lucro Entende a autuada que não se justificaria o arbitramento do lucro, uma vez que seria possível a apuração do lucro presumido, bastando para tal adicionar as receitas omitidas às receitas declaradas. 1.6. Sujeição passiva solidária Na impugnação apresentada pela autuada há contestação à responsabilização passiva de Carlos Santos Valério e Márcia Katz Valério. Todavia não constam nos autos procurações dos responsabilizados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS, prolatou o Acórdão 1038.322 considerando improcedente a impugnação apresentada pela pessoa jurídica no que se refere à autuação e não conhecendo das razões de defesa contra a responsabilização dos coobrigados, por ilegitimidade passiva. Devidamente cientificados, o sujeito passivo e os coobrigados apresentaram recurso a este colegiado, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 4065DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso da pessoa jurídica autuada é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. Por outro lado, os recursos dos coobrigados concernentes às razões da responsabilização não merecem ser conhecidos, pois não houve apresentação de impugnação válida conforme esclarecido pela decisão recorrida. A conseqüência direta do não conhecimento das razões de defesa dos coobrigados, pela ausência de legitimidade do signatário do recurso em relação a eles, é a inépcia da defesa e a preclusão do direito de insurgência contra a responsabilização que lhes foi imputada. Em relação ao recurso conhecido, o sujeito passivo questiona em preliminar a legalidade do procedimento de obtenção de informações bancárias junto às instituições financeiras. De imediato, registrese que as informações em questão não se referem aos extratos bancários da interessada, mas sim ao cadastro de alunos e/ou pais de alunos para verificação dos valores das mensalidade pagas. Tanto é assim que autuação não teve por base a presunção legal estabelecida pelo art. 42, da Lei nº 9.430/96. Mesmo que os elementos sob exame se referissem à movimentação bancária propriamente dita, o fornecimento desses dados pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Fl. 4066DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16641.000196/201015 Acórdão n.º 1402002.081 S1C4T2 Fl. 4.063 7 Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) A aplicabilidade dos dispositivos legais em comento só poderia ser afastada por decisão judicial nesse sentido específica para o sujeito passivo ou Acórdão do STF proferido em caráter definitivo com eficácia universal. No mérito, a interessada contesta a omissão de receita por suprimento de sócios sob o argumento de que estaria absorvido pela omissão de receitas apurada através de informações bancárias. Ressaltando mais uma vez que o lançamento não envolve extratos bancários,ainda que se refira à movimentação financeira, entendo que o ônus da prova do alegado pertence ao sujeito passivo. Caberia, por exemplo, demonstrar que os boletos analisados conteriam toda a receita auferida pela pessoa jurídica no período sob exame. A alegação desprovida de qualquer elemento de prova que a robusteça impede que lhe seja dada guarida. A questão do arbitramento foi bem enfrentada pela decisão recorrida. O conhecimento da receita serve para definir a base de cálculo mas não para elidir a necessidade de apuração do resultado pelo lucro arbitrado. O Fisco decidiu por essa sistemática por entender que a ausência do registro das operações mercantis impediu a identificação da efetiva movimentação financeira, nos termos da alínea “a”, do inciso II, do art. 530, do RIR/99. Em relação à desconsideração da existência de fato da Sociedade Educacional Três Vendas, não concordo com a decisão recorrida quando afirma que o fato relevante para fins de lançamento não seria a existência de fato dessa sociedade mas sim a circunstância de que as receitas por ela apropriadas pertenceriam à autuada. Isso porque a Fiscalização considerou que as receitas originariamente pertencentes à Sociedade Educacional Três Vendas deveriam ser apropriadas na Sociedade Educacional Mário Quintana justamente por concluir pela inexistência de fato daquela. Assim se manifestou a autoridade lançadora (destaques acrescidos): [...] Dessa forma, não há como deixarmos de concluir que a Sociedade Educacional Tres Vendas é um ente que inexiste de fato. Fl. 4067DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 Sua existência é meramente formal e com o único objetivo de pagar menos tributos e contribuições federais. Não possui objetivo comercial, empresarial e negocial. Assim, com base em todo o exposto neste tópico de n° 2, para fins de apuração dos tributos e contribuições federais devidos relativos aos anoscalendários de 2006, 2007 e 2008, desconsideramos a existência da Sociedade Educacional Três Vendas, sendo suas receitas e seu faturamento bruto informado nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e o apurado neste procedimento fiscal, 110 conforme será descrito nos próximos tópicos, considerados como receitas/faturamento da Sociedade Educacional Mário Quintana. [..] Sob esse prisma, o advento da decisão judicial transitada em julgado (documento juntado aos autos) pela qual foi reconhecida a existência de fato da Sociedade Educacional Três Vendas enfraquece as conclusões da Fiscalização, sem embargo do detalhado e elogiável trabalho da autoridade lançadora. Saliento que a meu ver, em tese, a existência de fato da Sociedade Educacional Três Vendas não seria de per si motivo suficiente para entendêla como efetiva prestadora dos serviços educacionais suscitados. Entretanto, no momento em que o procedimento fiscal faz essa vinculação (se não existe de fato, não prestou o serviço) a recíproca deve ser aplicada e a decisão judicial impacta diretamente as conclusões do Fisco. Para subsidiar o entendimento do Juízo, foram utilizados os mesmos fatos argüidos nestes autos, inclusive a divisão das instalações físicas, os distintos quadros funcionais e o público alvo específico de cada uma das instituições. Do exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável por erro na identificação do sujeito passivo os valores originalmente reconhecidos como pertencentes à Sociedade Educacional Três Vendas e imputados à autuada, sejam declarados ou omitidos, nos seguintes moldes: No item 001 do Auto de Infração (Receitas Operacionais Omitidas Atividade Não Imobiliária – Prestação de Serviços Gerais) devem ser excluídos os valores correspondente à “Omissão 3V” indicados na última coluna da Planilha 1 (fl. 2695). Como exemplo, no mês de janeiro de 2006 o valor originalmente tributado de R$ 72.727,98 deve ser reduzido em R$ 67.453,91; remanescendo na base tributável o montante de R$ 5.274,07; No item 003 do Auto de Infração (Receitas Operacionais Omitidas Atividade Não Imobiliária – Omissão de Receita por Suprimento de Numerário pelos Sócios e diretores) remanescem na base tributável apenas os valores de R$ 150.000,00 (3º trimestre/2007) e R$ 19.000,00 (2º trimestre/2008, incluído no valor de R$ 56.000,00) correspondentes a suprimentos feitos na autuada; No item 004 do Auto de Infração (Receitas Operacionais Atividade Não Imobiliária – Prestação de Serviços Gerais) devem ser excluídos da base tributável os valore apenados com multa de 150% e mantidos os demais. Em relação à multa qualificada, remanesceria na exigência apenas aquela imputada à irregularidade a que se refere o item 001 do Auto de Infração expurgado, como acima explicitado, dos valores imputados à Sociedade Educacional Três Vendas. Fl. 4068DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16641.000196/201015 Acórdão n.º 1402002.081 S1C4T2 Fl. 4.064 9 A Fiscalização justificou a exasperação da multa nesse item nos seguintes termos: [...] A esta infração foi aplicada a multa de 150%, prevista no inciso II do artigo 957 do Decreto n° 3.000/99, RIR199, devido ao fato de o contribuinte, por duas vezes, ter apresentado relações de responsáveis pelos pagamentos de mensalidades escolares não condizentes com a realidade. [...] A prestação das informações incorretas poderia, isoladamente observada, ser apenas resultado de desorganização da escrituração induzindo o sujeito passivo a erro. Entretanto, no presente caso, quando da prestação das informações à instituição financeira esse equívoco não ocorreu, até porque seria de interesse da empresa informar corretamente o nome dos pagadores para que o Banco efetuasse a cobrança. Vêse, portanto, que a conduta do sujeito passivo revela a intenção clara de omitir da Fiscalização a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária justificando a imputação da qualificadora. Sendo assim, voto por manter o percentual de 150% da multa de ofício para a infração (remanescente) indicada no item 001 do Auto de Infração. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 4069DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/02 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13005.001356/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação
de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com
fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade
negocial ou societária, especialmente quando não houve a efetiva aquisição
de negócio jurídico.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE
A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430 representa uma sanção
pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou
recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou declaração
inexata. No caso em análise, dado que não houve pagamento ou recolhimento
de tributo devido, afigura-se correta a exigência da multa de ofício.
Numero da decisão: 1401-001.159
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto nos termos do voto vencido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando não houve a efetiva aquisição de negócio jurídico. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430 representa uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou declaração inexata. No caso em análise, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, afigura-se correta a exigência da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto nos termos do voto vencido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.192 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Voto Vencedor (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator. Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF (Regimento Interno do CARF), a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura em 14/09/2015. Da mesma maneira, tendo em vista que a redatora designada Karem Jureidini Dias não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto vencedor. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente à Época do Julgamento), Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Karen Jureidini Dias e Maurício Pereira Faro. Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.193 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 895-898): A DRF Santa Cruz do Sul lavrou autos de infração contra a interessada com o objetivo de formalizar créditos tributários no montante de R$ 39.093.079,71, relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e respectivos consectários legais (fls. 01/26). A receita bruta total da autuada determina que a tributação de sua renda ocorra com base no lucro real (art. 14, I, da Lei 9.718/98). O cálculo do IRPJ e da CSLL foi realizado anualmente, com base em estimativas mensais. A fiscalização atribui à contribuinte a redução indevida do lucro líquido antes do IRPJ em virtude de apropriação não permitida pela legislação de despesas com amortização de ágio. Por decorrência, glosou as despesas respectivas e as compensações de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de períodos anteriores geradas pelo suposto procedimento contábil irregular. Segundo o relatório fiscal (fls. 37/71), o capital social da CVI Refrigerantes, com valor nominal de R$ 15.519.276,52, foi valorizado em 25/9/04 pela quantia de R$ 82.792.723,48, tendo como base laudo elaborado em 15/8/04 por empresa de auditoria, cujo escopo seria o de apurar o valor presente da autuada em cima da expectativa de rentabilidade futura e valendo-se do método de fluxo de caixa futuro descontado. As duas sociedades empresárias detentoras do capital da CVI Refrigerantes utilizaram o montante das quotas nesta empresa, já atualizadas, para integralizar aumento de apital na Companhia Fonte Ijuí (CFI) – sociedade de participações pertencente ao mesmo grupo emresarial, criada em 2000, com existência não operacional, sem empregados ou estrutura administrativa, cuja função era controlar a Empresa Mineradora Ijuí (operacional de água mineral). A transação se processou mediante conferência (integralização de capital subscrito mediante dação de participação acionária) da totalidade das participações da CVI Refrigerantes, pelo valor de R$ 98.312.000,00. Com a transferência da totalidade das quotas, o controle integral da CVI Refrigerantes foi repassado à CFI. A CFI registrou em sua contabilidade R$ 82.792.723,48 em conta de ágio em investimento e R$ 54.643.197,50 como provisão para manutenção do patrimônio líquido, equivalente à Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.194 4 diferença entre o valor do ágio e o do benefício fiscal decorrente da sua amortização (R$ 82.792.723,48 – 34%, percentual correspondente à soma das alíquotas de IRPJ e CSLL). Essa provisão implica redução da conta de registro do ágio. Os créditos relativos à reversão da provisão ocorrem na proporção dos débitos de amortização do ágio, conforme estabelece o art. 6º da Instrução CVM 319/99. Em 1/12/04, a CVI Refrigerantes incorpora sua controladora CFI, que se extingue. A CVI Refrigerantes volta a ter como sócias as mesmas sociedades empresárias de antes e com os mesmos percentuais de participação. A diferença é que, com base no ato de incorporação, a CVI Refrigerantes registra na sua contabilidade a totalidade do ágio e da provisão para manutenção do patrimômio líquido existentes na incorporada, passando a reconhecê-los mensalmente, à taxa de 1/60. O impacto fiscal da provisão é anulado por crédito do mesmo valor anotado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). Assim, a contribuinte obtém uma economia tributária mensal de R$ 1.379.878,72, tanto nas bases de cálculo de IRPJ como nas de CSLL. As alterações societárias resumidas acima foram entendidas pela fiscalização como meras formalidades com interesses diferentes dos negociais, visando sobretudo à economia de tributos. O ágio teria sido criado de forma artifical, sem a existência do dispêndio para obter algo de terceiros. Não foi criado pela vontade de partes independentes, mas, como não poderia acontecer, surgiu dentro do mesmo grupo econômico. Os autos de infração foram cientificados à autuada em 25/11/10 (fls. 04 e 21) e a impugnação foi apresentada na repartição fiscal em 23/12/10 (fls. 320/381). A interessada requer o provimento da impugnação para fins de desconstituição do lançamento do crédito tributário. Alega, em síntese: 1. o crédito tributário é nulo em virtude da decadência, operada nos termos do art. 150, § 4º, do CTN: o lançamento se funda em atos jurídicos – constituição e contabilização do ágio – ocorridos há mais de cinco anos quando da lavratura do auto de infração; 2. as alterações de controle societários objetivaram viabilizar econômica e financeiramente o sucesso de projeto de desenvolvimento empresarial apresentado à Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul em 15/10/04 (fls. 384/524); 3. o ágio da CVI Refrigerantes foi resultante de laudo de avaliação econômico-financeira (fls. 161/96) realizado mediante critérios universais, centificamente comprovados, que de há muito são aplicados nas avaliações do gênero; Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.195 5 4. o laudo de avaliação foi aceito publicamente pela junta comercial, pelos órgãos de fiscalização da atividade contábil e pelas instituições financeiras, inclusive governamentais, que intervieram no financiamento fabril; 5. o valor do ágio foi diferido nos termos do art. 36 da Lei 10.637/02, o que implica dizer que o imposto resultante será integralmente devido e pago no momento da futura realização, como, por exemplo, no caso da venda da participação societária conferida em aumento do capital social; 6. o direito previsto no art. 36 da Lei 10.637/02 adiantou em anos a aplicação do princípio fundamental do valor justo que as normas internacionais contábeis introduziram; 7. a impugnante não pode ser penalizada por usufruir o incentivo fiscal instituído pelo art. 36 da Lei 10.637/02, cujo caráter de parafiscalidade proporciona às empresas a atualização de sua contabilidade e o diferimento da tributação sobre o ganho do capital; 8. a dedutibilidade da amortização do ágio não merece discussão: é norma posta no RIR, cabendo avaliar apenas o cumprimento das formalidades legais, registrais, fiscais e contábeis – todas seguidas à exaustão pela impugnante, avaliadas e aceitas pelo fisco; 9. todas as regras jurídicas cogentes foram respeitadas: o negócio jurídico existe, é válido e eficaz, traduzindo todos os seus efeitos, inclusive perante terceiros; 10. não há respaldo jurídico para a suposição da autoridade fiscal que retira os efeitos do diferimento da tributação do art. 36 da Lei 10.637/02 em razão de operações societárias realizadas entre empresas de mesmo grupo econômico; 11. a alegação de que a amortização de ágio só é possível entre empresas que não integram um mesmo grupo não tem o condão de anular os efeitos de um negócio jurídico perfeito, quais sejam: o pagamento de IRPJ/CSLL sobre o ganho de capital quando da realização do investimento e a amortização do ágio contabilizado em virtude da incorporação; e não existtindo lei que estipule tal exigência, a glosa da despesa é ilegal e inconstitucional, em face do princípio da legalidade, consagrado na Constituição Federal; 12. a regra do art. 36 da Lei 10.637/02 trata exatamente de operações entre partes relacionadas; 13. o art. 36 da Lei 10.637/02 foi revogado pela Lei 11.196/05, mas foi no seu período de vigência que ocorreram as operações de reorganização societária no Grupo CVI, Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.196 6 descritas no relatório fiscal, e, portanto, a autuada podia usufruir o benefício; 14. a interdependência de investimento entre empresas, que se recompõem societariamente, não possui qualquer restrição, principalmente legal, capaz de excluir a possibilidade de utilização de ágio entre operações internas de um mesmo grupo empresarial – não há como presumir fraude tão somente porque as empresas estão interligadas; 15. é insubsistente o raciocínio jurídico apresentado pelos fiscais, baseado no entendimento de que o ágio é somente compatível quando criado entre partes independentes não relacionadas, tese defendida por Jorge Vieira da Costa Jr. e Eliseu Martins, pois isso implicaria dizer que as empresas interdependentes não possuem plenas capacidades de autonomia nos negócios que fazem entre si; 16. apesar de a Fipecafi ser um instituto que sequer tem aceitabilidade plena entre os seus pares, como qualquer outro que busca ver reconhecidas suas teses contábeis, o relatório fiscal valoriza os seus comentários como superiores à lei; 17. a fiscalização afirma a invalidade de um ato jurídico perfeito, trazendo como justificativas normas postas em ofícios ou regulamentos administrativos que contrariam frontalmente a lei; 18. o Ofício-Circular CVM/SNC/SEP nº 1, de 14 de fevereiro de 2007, trazido pela fiscalização para amparar a autuação, é inaplicável a companhias fechdas e inaplicável a todas as companhias à época dos fatos (2004), eis que prolatado somente em 2007; 19. o Ofício-Circular CVM/SNC/SEP 1/07 somente foi editado após a revogação expressa do art. 36 da Lei 10.637/02 – se fosse editado durante a sua vigência, seria ilegal; 20. a impossibilidade de empresas interdependentes amortizarem ágio implicaria violação do princípio da isonomia: a vedação das mesmas oportunidades de mercado conferido às demais empresas não encontra respaldo legal; 21. caberia ao fisco, ao glosar a amortização do ágio, demonstrar que o laudo de avaliação não atendeu aos parâmetros legalmente previstos, já que terceiros (peritos externos) estão envolvidos em sua confecção; 22. o lançamento foi efetuado sem qualquer respaldo, pois em momento algum questionou o laudo, mas somente houve alegação, sem prova, de fraude na relação megocial; Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.197 7 23. qualquer indício de fraude deveria ter sido apontado por via contrária ao laudo apresentado pela empresa e a multa lançada deveria ser de 150%, o que não foi feito; 24. a Lei 6.404/76 (arts. 226 e 227) adota os laudos como forma de conferência de capital; 25. a lei confere aos peritos poderes de avaliação que passam a valer enquanto o laudo não for contestado; 26. o art. 1.055 do Código Civil prescreve que os bens conferidos ao capital social deverão ser objeto de exata estimação, respondendo o administrador por esta avaliação de forma solidária; 27. um auto de infração não pode ser lavrado com base em mera presunção e fraude não se presume; 28. a cisão da holding CVI Investimentos teve por objetivo separar os riscos e suas atividades das demais empresas do grupo, em especial as da Aeromed dos negócios de fabricação e distribuição de bebidas – tal empresa sofreu acidente em uma de suas aeronaves, vitimando tripulantes e passageiros e é ré um processos judiciais movidos pelas famílias vitimadas (fls. 539/544); 29. a CFI foi criada antes da Lei 10.637/02, que institutiu o diferimento do pagamento de IRPJ/CSLL sobre o ganho de capital na conferência de participações societárias; 30. a CFI tinha por objetivo viabilizar juridicamente a venda do negócio de água mineral desenvolvido pela Empresa Mineradora Ijuí Ltda. (Emil) para empresas estrangeiras – negócio que foi tentado por duas vezes, mas sem êxito (fls. 525/538); 31. a existência de operações passadas demonstra que a CFI não foi mera “empresa de passagem” para que logo fosse desconstituída; 32. a Companhia Vontobel de Investimentos (CVI Investimentos) não realizou assembleia geral extraordinária para deliberar a capitalização da CFI porque seu estatuto social autoriza a administração a praticar atos desta natureza e as contas da administração de 2004 foram aprovadas pela assembleia geral sem qualquer ressalva (fls. 645/646); 33. o controle das atividades da Emil era um dos passos da estratégia para dotar a impugnante de conteúdo econômico e patrimonial capaz de fazer frente às negociações em busca de recursos financeiros para seus investimentos, além de fazer com que a contabilidade refletisse o valor econômico do negócio; Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.198 8 34. a nova representação da realidade patrimonial resultante dos atos societários que fundamentam a autuação, devidamente registrada na contabildiade, corrigiu a qualidade da representação patrimonial, permitindo o ingresso de novos recursos financeiros para impulsionar o crescimento da empresa, sobretudo com a retomada de financiamentos para investimentos; 35. o realinhamento em um núcleo administrativo formal único dos dois negócios em evolução e com perspectiva razoável (produção/distribuição de bebidas e exploração e venda de água mineral) era importante para demonstrar ao mercado a real potencialidade dos negócios e possibilitar a captação de recursos necessários à expansão; 36. a simples concessão de empréstimos no valor de aproximadamente R$ 50.000.000,00 implica confirmar que o laudo que sustenta toda a nova expressão numérica patrimonial está consolidado pela aceitação pública em face da expressão de uma realidade concreta; 37. o comparativo entre os números de faturamento e a margem de contribuição de 2007 e 2010 evidenciam que não haveria o incremento dos negócios não fossem os novos investimentos obtidos com a tomada de empréstimos; 38. o cumprimento das metas de desenvolvimento e incremento negocial, por via da gregação de novas linhas de produção, demonstram que os propósitos negociais estavam elevados a um primeiro plano concreto e que a vantagem tributária implica mero elemento secundário; 39. o fisco pratica fraude à lei ao impor um auto de infração baseado em fatos inexistentes, com verdades que não estão sujeitas à lei; 40. o fisco teria que ter comprovado substancialmente o abuso de direito, fraude à lei, negócios indiretos, que estariam caracterizados com artificialidade (sem substância econômica) e com o fim específico de usufruir um benefício fiscal; 41. o fisco não traz prova de qualquer ilícito cometido pela autuada, inclusive atesta que foram feitos os registros adequados de toda a operação, refletindo corretamente os efeitos do laudo de avaliação; 42. os atos societários podem ser opostos contra terceiros após serem registrados na junta comercial), conforme o art. 1.154 do Código Civil; 43. os atos praticados não tiveram como propósito único a redução de IRPJ/CSLL; Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.199 9 44. a alegação de ausência de suporte econômico não é comprovada sequer por indício; 45. o ato de não aceitar os reflexos jurídicos da incorporação sem apontar as eventuais inconsistências – apenas para justificar o lançamento – ofende o ato jurídico perfeito e os princípios da moralidade e da ética, que devem estar presentes em todo ato administrativo; 46. tanto a empresa que incorporou, como a empresa que foi incorporada, representadas por seus administradores, são pessoas jurídicas independentes até o momento da aprovação do respectivo registro do ato de incorporação na junta comercial; 47. não se pode alegar que o controle, por via de uma mesma administração, de diversas sociedades submetidas a um mesmo controle pode ser simplesmente posto sob suspeita como apontado pelo auto: as empresas continuam a manter sua personalidade, sua administração e suas contas patrimoniais de forma independente; 48. a integralização de bens é forma de alienação, no mesmo nível que a compra e venda, a doação etc.; 49. os dados contábeis não estão distorcidos, uma vez que a utilização do ágio decorre da fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 10.637/02; 50. o fiscal deveria ter previamente comprovado que os benefícios não poderiam ter sido usufruídos; e 51. fere os princípios da legalidade, da ampla defesa e do contraditório o fato de a autuada não ser informada do fato concreto que fundamentou a penalização. A 5ª Turma da DRJ Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 895): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O reconhecimento contábil do ágio não representa manifestação de fato tributário imponível. O prazo decadencial para a constituição de crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício inicia-se ao final de cada período de apuração, em razão da dedução das despesas com amortizações. ÁGIO INTERNO. INDEDUTIBILIDADE. Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.200 10 O ágio somente pode ser admitido quando decorrente de transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. Nessa situação, a despesa com a amortização do ágio é indedutível. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO NEGOCIAL. O princípio da liberdade de auto-organização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. LANÇAMENTO DECORRENTE: CSLL. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL. O decidido para o lançamento principal aplica-se ao decorrente por terem fundamentos idênticos. Cientificada do Acórdão em 25/07/2011 (fls. 909), a contribuinte interpôs em 24/08/2011 o recurso voluntário de fls. 912-1008, basicamente reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. O recurso foi acompanhado pelos seguintes documentos: a) laudo pericial contábil, fls. 1010-1023, elaborado pelo perito João Francisco Queiróz (CRC/RS 51.822); b) parecer, fls. 1031-1078, elaborado por Humberto Ávila. Em apertada síntese, o recurso voluntário, em conjunto com o laudo pericial e parecer que o acompanham, baseia-se nos seguintes argumentos de defesa: a) arguição de decadência (art. 150, § 4ª do CTN), uma vez que os presentes lançamentos reportam-se a atos societários ocorridos e contabilizados em 2004, sendo que os presentes lançamentos somente foram lavrados em 2010. No entender da recorrente, considerando que ágio originou-se em 25/09/2004 e a incorpopração reversa ocorreu em 01/12/2004, esta última data deveria ser tomada como termo inicial do prazo decadencial; b) arguição de nulidade dos lançamento, por suposto erro na sujeição passiva (art. 137 do CTN), uma vez que a pessoa jurídica autuada não foi a autora das infrações tributárias apuradas pelo Fisco. No entender da recorrente, as operações societárias sob análise foram realizadas pela Holding CVI Investimentos (sucedida), não podendo a multa originária desta suposta infração ser imputada à recorrente (sucessora), conforme art. 132 do CTN, que regula a responsabilidade por sucessão; d) arguição de nulidade da decisão recorrida, por ausência de motivação e fundamentação (arts. 142 e 116 do CTN). No entender da recorrente, o colegiado julgador a quo desconsiderou atos societários sem comprovar a ocorrência de dissimulação, de abuso de direito ou simulação com prática de fraude. Além disso, a decisão recorrida teria deixado de apreciar diversos argumentos de defesa constantes da peça impugnatória, os quais, na sua visão, demonstrariam a plena regularidade dos atos societários indevidamente questionados pelo Fisco; Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.201 11 e) no mérito, defendeu a plena legalidade e legitimidade da reorganização societária, com transferência de participação societária com ágio (fundado em laudo de avaliação de rentabilidade futura) e a sua adequada dedução, em razão de incorporação, entre empresas do mesmo grupo. No entender da recorrente, tal estratégia de planejamento tributário somente poderia ser recusada pelo Fisco em casos de simulação, dissimulação, abuso de forma, fraude à lei ou abuso de direito, fatos não comprovados nos autos. Alegou, outrossim, que todos os atos societários e procedimentos contábeis foram realizados em estrita conformidade com a legislação de regência, com destaque para os arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 (alterada pela Lei 9.718/98) e art. 36 da Lei 10.637/02; f) defendeu a existência de propósito negocial e substrato econômico para todos os atos societários ocorridos. Dentre outros motivos, elencou a intenção de demonstrar ao mercado a real potencialidade dos negócios e a possibilidade de captação de novos financiamentos e empréstimos e a intenção de segmentar as diversas atividades econômicas desenvolvidas pelo grupo econômico; g) questionou a incidência da multa de ofício, por considerar não caracterizada nenhuma das hipóteses previstas no art. 44, I da Lei 9.430/96. Com fundamento do art. 48, § 2ª do Regimento do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, fls. 2.137-2.188, requerendo a manutenção da decisão de piso. É o relatório. Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.202 12 Voto Vencido Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Argüição de decadência A recorrente arguiu a decadência do direito de o Fisco constituir os presente lançamentos, tendo em vista que os atos societários que originaram o presente ágio ocorreram em 25/09/2004 e a incorporação reversa ocorreu em 01/12/2004. Assim sendo, considerou que a decadência teria se consumado em 01/12/2009, enquanto que os presentes lançamentos somente foram constituídos em 25/11/2010. Alegação desprovida de sentido. Os presentes autos de infração referem-se aos anos-calendário de 2005 a 2009 e a ciência do lançamento foi efetuada em 25/11/2010. Como facilmente se percebe, na data de constituição dos presentes lançamentos ainda não havia transcorrido o prazo decadencial. Importante destacar que o mero registro do ágio na contabilidade não implica em fato gerador ou em alteração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O citado efeito somente se verifica por ocasião da utilização desses valores como benefício fiscal, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Sobre o assunto, pronunciou-se com grande propriedade a douta Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 2.147-2.151 (grifado no original): Somente quando o contribuinte efetivamente deduz o ágio na apuração do IRPJ e da CSLL a serem recolhidos, o Fisco tem algo a homologar (no presente caso, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas pelo sujeito passivo nos anos de 2005 a 2009). Antes disso, o Estado não tem qualquer fato tributário que envolva o ágio registrado pela empresa. [...] Portanto, o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado em si. O prazo decadencial corre em face do fato gerador apurado, não do ágio contabilizado. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos dados que dão origem aos créditos que serão constituídos. Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.203 13 Este entendimento encontra-se pacificado no âmbito deste CARF, conforme demonstra o seguinte julgado (grifos acrescidos): DECADÊNCIA — OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL ‑ GLOSA DE ÁGIO. O fisco pode questionar fatos ocorridos no passado cujos efeitos fiscais se dão no futuro, pois o tempo não pode transformar em verdadeiro o que não era real, nem tampouco desfazer o que consolidou, desde que a readequação dos fatos situados em períodos já decaídos não decorra de juízo de valor. É o caso da formação de ágio maior por erro de cálculo, cujos efeitos fiscais somente se verifiquem no futuro, na sua amortização ou na utilização como custo na baixa. (Acórdão 107-09.545, Relatora Albertina Silva Santos de Lima). Nestes termos, rejeito a arguição de decadência formulada pela recorrente. Preliminares de nulidade A contribuinte arguiu a nulidade dos lançamento, por suposto erro na sujeição passiva (art. 137 do CTN), sob a alegação de que a recorrente (sucessora) é pessoa jurídica diversa da sucedida, que efetivamente realizou os atos societários que deram origem ao presente lançamento. Alegação desprovida de sentido. A pessoa jurídica autuada, CVI REFRIGERANTES LTDA foi quem infringiu a legislação tributária, reduzindo indevidamente as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Consequentemente, a aludida pessoa jurídica reveste-se da condição de sujeito passivo (contribuinte), razão pela qual efetivamente deve figurar no polo passivo dos presentes lançamentos, nos termos do art. 121, I do CTN. Sobre o tema, também se manifestou com muita propriedade a douta Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 2144 (grifado no original): O sujeito passivo, como contribuinte, é a CVI REFRIGERANTES LTDA, por ter sido esta quem obteve o proveito tributário da amortização do ágio, ou seja, praticou a situação disposta na lei como fato gerador (hipótese de incidência), razão pela qual o auto de infração não contém vício. A recorrente também arguiu a nulidade da decisão recorrida, por suposta ausência de motivação e fundamentação (arts. 142 e 116 do CTN). No entender da recorrente, o colegiado julgador a quo desconsiderou atos societários sem comprovar a ocorrência de dissimulação, de abuso de direito ou simulação com prática de fraude. Além disso, o colegiado julgador a quo teria ignorado diversos argumentos importantes da defesa. Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.204 14 Mais uma vez não assiste razão à recorrente. Ab initio, esclareça-se que no presente caso não houve desconsideração de negócio jurídico, ao contrário do que afirmou a recorrente. O Fisco não questionou a legalidade das operações de reestruturação societária, mas apenas evidenciou que a despesa gerada com o ágio não poderia ser deduzida para fins fiscais, pelo fato de o citado ágio não possuir consistência econômica ou contábil, posto que originado no contexto de transações entre entidades vinculadas. Vale dizer que tanto os autos de infração quanto a decisão recorrida apontaram com clareza a fundamentação legal, doutrinária e jurisprudencial desse entendimento, conforme exaustivamente relatado. Assim sendo, não é correto afirmar que a decisão de piso esteja pautada em “meras presunções ou provas indiciárias”. A fiscalização analisou detalhadamente a origem do ágio (operações societárias realizadas entre partes relacionadas) e entendeu que o citado ágio não atendia aos pressupostos admitidos pela legislação tributária (art. 385 do RIR/1999 e art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598/1977). Tal fato motivou a glosa da despesa indevidamente deduzida e a consequente exigência dos tributos não recolhidos. Todo este raciocínio foi claramente evidenciado nos autos de infração e também na decisão recorrida, possibilitando que a contribuinte exercesse amplamente o seu direito de defesa, tanto na fase impugnatória quanto na fase recursal. Também não julgo correta a afirmação de que o acórdão recorrido teria deixado de analisar argumentos importantes levantados pela defesa. Analisando com atenção o relatório e voto da decisão recorrida, constato que o relator considerou, sim, todas as razões relevantes constantes da peça impugnatória, adotando fundamentação suficiente para decidir as questões controversas Sobre o tema, enfatizo que o o STJ já firmou entendimento no sentido da desnecessidade de a decisão conter referência expressa a cada um dos argumentos relacionados pela interessada, desde que adotada fundamentação suficiente para decidir plenamente a controvérsia, como se evidencia por meio do seguinte julgado: Não viola os artigos 165, 458, II, e 535, II, do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. (Recurso Especial n° 687.417 — RS, Recurso Especial 2005/0011982-9, Relator: Ministro Teori Albino Zavaski) Tal entendimento também encontra eco no STF, conforme demonstra o seguinte voto, da lavra da Exma. Ministra Eliana Calmon: O Tribunal não está obrigado a responder questionários formulados pelas partes, tendo por finalidade os declaratórios dirimir dúvidas, obscuridades, contradições ou omissões Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.205 15 realmente existentes, pois existindo fundamentação suficiente para a composição do litígio, dispensa-se a análise de todas as razões adstritas ao mesmo fim, uma vez que o objetivo da jurisdição é compor a lide e não discutir as teses jurídicas nos moldes expostos pelas partes. (EDcl na Ação Rescisória n°770 - DF (1998/0035423-9)) Concluo, portanto, pela absoluta inexistência dos vícios apontados pela recorrente, devendo ser reconhecida a plena legalidade da decisão de piso. Diante de todo o exposto, voto pela rejeição das preliminares de nulidade arguidas pela recorrente. Indedutibilidade do ágio A presente controvérsia resume-se à análise da oponibilidade ou não, ao Fisco, de sucessivas operações de planejamento tributário, resumidas no quadro abaixo (segundo a visão das autoridades autuantes): Data / Evento Situação / Operação Societária 24/09/2004 Início a) CVI Refrigerantes (recorrente) - sociedade limitada com dois sócios: CVI Investimentos (99,98% das cotas) e OV Participações (0,02% das cotas). b) CFI – sociedade anônima de capital fechado, sem empregados e sem estrutura administrativa, com a seguinte composição acionária: CVI Investimentos (com 4.785.997 ações, representando 99,999937% do capital), Ottomar Vontobel (com 1 ação, representando 0,000001% do capital), Frederico Vontobel (com 1 ação, representando 0,000001% do capital) e Valter Engleitner (com 1 ação, representando 0,000001% do capital). c) CVI Investimentos (holding) que tinha como sócios algumas pessoas físicas e duas pessoas jurídicas, OV Participações e Valvi Participações. 25/09/2004 Origem do ágio e Utilização da CFI como “empresa veículo” a) CVI Investimentos (holding) e OV Participações subscrevem aumento de capital em CFI (empresa veículo), sem realizar qualquer pagamento em dinheiro. O capital subscrito foi integralizado por meio da entrega de 100% das cotas que estas empresas detinham junto à empresa CVI Refrigerantes (recorrente). b) A CVI Refrigerantes (recorrente), nesta data, tinha um valor patrimonial de R$ 15.519.276,52, mas suas cotas foram valoradas em R$ 98.312.000,00, conforme laudo de avaliação datado de 15/08/2004. c) A CFI (empresa veículo), que sofreu aumento de capital no valor de R$ 98.312.000,00, contabilizou o ágio “CVI Refrigerantes”, no valor de R$ 82.792.723,48 (diferença entre valor do laudo de avaliação e o valor patrimonial da citada empresa). Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.206 16 d) Como resultado dessa operação, a CVI Refrigerantes (recorrente) passa a ser uma controlada integral da CFI (empresa veículo, que passa a deter 100% das cotas da CVI Refrigerantes). 01/12/2004 “Incorporação reversa’ e Formação do “ágio de si mesmo” a) CVI Refrigerantes (recorrente) incorpora sua controladora integral CFI (empresa veículo), que desaparece. Esse fenômeno societário é doutrinariamente conhecido como “incorporação reversa”. b) CVI Refrigerantes (recorrente) retorna ao seu status quo inicial, ou seja, uma sociedade limitada com dois sócios: CVI Investimentos (99,98% das cotas) e OV Participações (0,02% das cotas). Situação absolutamente idêntica à inicial. c) CVI Refrigerantes (recorrente) passa a registrar em sua contabilidade o “ágio de si mesma”, no montante de R$ 82.792.723,48, cuja amortização deu origem ao presente processo. Com base nestes fatos, os autuantes concluíram que: a) CFI era uma pessoa jurídica de existência meramente formal, sem empregados e sem estrutura administrativa. A citada pessoa jurídica foi utilizada como “empresa veículo” no presente processo de planejamento tributário; b) No exíguo prazo de 67 dias, uma sucessão de operações societárias meramente escriturais (sem fluxo financeiro) criou um expressivo ágio no valor de R$ 82.792.723,48 que após uma operação de “incorporação reversa” acabou sendo transferido à própria pesssoa jurídica que fora objeto de reavaliação (CVI Refrigerantes, ora recorrente), caracterizando a hipótese de “ágio de si mesma”; c) O ágio, supra referido, não foi criado em conformidade com a legislação tributária, posto que não houve aquisição onerosa de participação acionária, não houve participação de partes independentes, não houve fundamento econômico e não houve propósito negocial; Em sua defesa, a recorrente sustentou que o planejamento tributário realizado encontra amparo no ordenamento jurídico. Apresentou, ainda, extensa argumentação visando demonstrar que os atos e negócios jurídicos somente poderiam ser desconsiderados caso resultasse demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação entre as partes, o que não teris sido feito pelas autoridades autuantes. De plano, cumpre esclarecer que o Fisco não desconsiderou nenhuma das operações societárias promovidas pela recorrente ou pelas demais empresas relacionadas. O Fisco simplesmente analisou as consequências tributárias das aludidas operações, tendo chegado à conclusão de que o aludido ágio não atendia aos requisitos da legislação de regência, não podendo ser deduzido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da recorrente. Consequentemente, torna-se desnecessário apreciar os inúmeros argumentos da recorrente, que se contrapõem a suposta “desconsiderações de negócios jurídicos” pelo Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.207 17 Fisco. Uma vez que não houve nenhuma desconsideração de negócios jurídicos, todas as alegações da recorrente neste sentido constituem matérias estranhas à presente lide. Assim sendo, a resolução da presente lide resume-se a analisar se o presente ágio, criado em sucessivas e rápidas operações societárias, atendeu aos pressupostos legais de sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da CVI Refrigerantes. Ao se proceder esta análise, deve-se levar em conta que a pessoa jurídica objeto de reavaliação (CVI Refrigerantes) foi, exatamente, a mesma pessoa jurídica que posteriormente pretendeu deduzir o ágio na apuração da base de cálculo dos tributos devidos (“ágio de si mesma”). A situação sob análise não é nova para este colegiado. Na verdade, o julgamento de situações desta natureza é fenômeno relativamente antigo e bastante frequente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscas, que já produziu caudalosa e consistente jurisprudência sobre o tema. Antes, contudo, de partir para a análise da jurisprudência, visando sua aplicação analógica ao presente caso, julgo conveniente proceder um breve resumo das opiniões doutrinárias prevalecentes sobre a matéria. Por se tratar de uma análise resumida, vou me limitar a analisar o magistério de Marco Aurélio Greco, reconhecido como uma das maiores autoridades neste assunto. Em sua magistral obra Planejamento Tributário (São Paulo, Dialética, 2004), o festejado doutrinador apresenta um conjunto de situações ou operações que, segundo ele, merecem uma atenção particular do intérprete, antes que se possa considerá-las como procedimentos autênticos de planejamento tributário. A título meramente ilustrativo, sintetizo as aludidas operações: (a) Operações estruturadas em seqüência (step transactions), (b) Operações invertidas, (c) Operações entre partes relacionadas; (d) Uso de sociedades-veículo (conduit companies, sociedades aparentes; sociedades fictícias; sociedades efêmeras; interpostas pessoas); (e) Deslocamento da base tributável; (f) Substituições jurídicas; (g) Neutralização de efeitos indesejáveis; (h) Ingresso de sócio seguido de cisão seletiva; (i) Ágio de si mesmo; (j) Empréstimo ao invés de investimento; (k) Operações interestaduais de ICMS sem trânsito; (1) Criação de distribuidoras e base de cálculo do IPI; (m) Autonomização de operações; (n) Outras (ato normal de gestão, negócios indiretos ou fiduciários, redesenhos societários sucessivos, operações recíprocas). Não é preciso muito esforço para verificar que, no presente caso, claramente ocorreram pelo menos cinco dessas situações nebulosas, quais sejam: (1) Operações estruturadas em seqüência (step transactions), (2) Operações invertidas, (3) Operações entre partes relacionadas; (4) Uso de sociedades-veículo (conduit companies); (5) Ágio de si mesmo. Passo a analisar brevemente cada uma destas ocorrências. Operações estruturadas em sequência (step transactions) Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.208 18 As operações ocorridas no presente caso claramente constituem operações estruturadas em seqüência, ou seja, uma seqüência de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com a etapa subsequente, com o único objetivo de buscar um efeito fiscal mais favorável, em desconformidade com a lei. Cada etapa dessa cadeia de operações estruturadas só faz sentido caso exista a etapa anterior e caso seja também deflagrada a operação posterior. Uma operação estruturada como a que ora está sendo examinada indica a existência de uni objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto, indicando, também, uma causa jurídica única. Nesta hipótese, cumpre examinar se há motivos autônomos ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. No caso examinado, nenhum motivo autônomo se apresenta nos autos que venha a justificar a realização de cada uma das etapas da operação. Isto é, não existia uma finalidade diferente para cada etapa das operações. A finalidade era uma única e somente seria obtida ao término de todas as etapas. Tais circunstâncias exigem que a operação seja apreciada como um todo sem que se perca de vista, no entanto, as peculiaridades de cada etapa que integra a operação global. Segundo as sábias palavras de Marco Aurélio Greco, “ [...] ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto)." No caso em análise, o conjunto dessas etapas (aumento de capital acionário sem fluxo financeiro, criação de ágio em operação envolvendo empresas relacionadas, utilização de empresa veículo e posterior incorporação reversa) corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim: a dedutibilidade do ágio pela própria pessoa jurídica que foi reavaliada (no caso a CVI refrigerantes, ora recorrente). Diante deste quadro, é preciso analisar também qual a situação existente antes da deflagração da seqüência de etapas e qual a situação final resultante da última das etapas. Desse modo, só assim será assegurado um exame abrangente de uma operação complexa, subdividida em múltiplas etapas que são meros segmentos de uma operação maior, de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco (a complexa ou cada parte da operação). No caso concreto, vale ressaltar que não houve qualquer mudança na composição acionária da recorrente. A situação reinante antes do início da operação permaneceu inalterada após o seu término. Outro elemento importante nestas operações em etapas diz respeito ao tempo decorrido entre cada uma delas. Vale dizer, quanto tempo deve transcorrer entre as etapas para que seja possível considerar cada uma delas separadamente como operações autônomas e, portanto, com efeitos próprios em relação ao Fisco? Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.209 19 Não há uma resposta objetiva predeterminada. Serão as circunstâncias fáticas de cada caso concreto que indicarão se um negócio jurídico celebrado ou uma alteração societária implementado será ou não considerada etapa de operação mais ampla ou se terá a feição de operação isolada. Na situação sob análise, nenhum evento externo ocorreu que justificasse a seqüência de operações societárias em espaço de tempo tão exíguo (67 dias). A premência com que as operações foram realizadas denotam, claramente, que elas faziam parte de uma seqüência de etapas, encadeadas com as anteriores e a depender das posteriores, visando a busca de um fim determinado, sem nenhum evento externo que justificasse a altíssima velocidade com que as operações foram realizadas. Operações invertidas Outra operação considerada nebulosa pelo Professor Greco é aquela que ocorre de maneira inversa à habitual, tal como a que ora se apresenta nos autos (incorporação da controladora pela controlada). Segundo a visão do Professor Greco, os institutos jurídicos são desenhados para regular situações que, na vida comum em sociedade, se apresentam como o que freqüentemente ocorre, levando em consideração as características e qualidades dos respectivos participantes. Num grupo societário em que uma pessoa jurídica controla outra, caso haja necessidade de reunião de ambas num único empreendimento, o caminho que a experiência aponta corno natural é a controladora incorporar sua controlada e não o inverso (incorporação às avessas ou incorporação reeversa). A legislação reconhece esta figura de caráter inverso (controlada incorporando a controladora), como o artigo 264 da Lei das Sociedades Anônimas que apresenta regras de avaliação para essa hipótese, mas tal fato não afasta a relevância das circunstâncias que podem cercar o caso concreto. Afinal, esta operação inversa pode, eventualmente, estar sendo realizada abusivamente ou como negócio indireto em fraude à lei (salva não à lei societária que regula a incorporação, mas à lei tributária ou outra lei relevante aplicável ao caso concreto). A incorporação às avessas apresenta-se como hipótese fora do perfil objetivo do instituto jurídico e, por isso, demanda uma razão específica relevante que afaste a estranheza da operação e que mostre sua perfeita adequação à realidade fálica do caso. No caso em análise, em etapa anterior à "incorporação reversa" as pessoas jurídicas CVI Investimentos e OV Participações subscreveram aumento de capital na CFI (empresa veículo), sem realizar qualquer pagamento em dinheiro, conferindo-lhe 100% das cotas que estas empresas detinham junto à empresa CVI Refrigerantes. Nesta ocasião, a CVI Refrigerantes foi reavaliada, gerando um ágio no expressivo valor de R$ 82.792.723,48 (diferença entre valor do laudo de avaliação e o valor patrimonial da citada empresa). Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.210 20 Ato contínuo, a CVI Refrigerantes (controlada integral) absorveu sua controladora (CFI), que desapareceu do mundo jurídico, deixando como única “herança” para a CVI Refrigerantes (ora recorrente) o expressivo valor de R$ 82.792.723,48, contabilizados a título de ágio (“ágio de si mesma”). Em sede de memorial, a recorrente alegou que esta estranha operação de "incorporação reversa" teria possibilitado a obtenção de vultosos financiamentos bancários, necessários para a ampliação do seu parque fabril. Convém frisar que todo este amplo conjunto de dados ora apresentado pela recorrente carece de comprovação documental. Além disso, deve-se ter em conta que este amplo conjunto de dados, mesmo que resultasse comprovado, seria totalmente inútil para o fim desejado pela recorrente. A eventual obtenção posterior de financiamentos bancários, com base no novo valor patrimonial da companhia (artificialmente elevado por este conjunto de operações societárias realizadas em cadeia e de existência meramente documental) não se mostraria eficaz para infirmar a conclusão de que todo este conjunto de operações societárias visou unicamente gerar efeitos tributários intragrupo, sem ostentar uma razão econômica efetiva de mercado. Afinal, deve-se ter em conta que a CFI sempre foi uma sociedade anônima de capital fechado, com existência meramente formal, posto quer nunca teve empregados nem estrutura administrativa . Ao término das estranhas operações societárias, a CFI (empresa veículo) foi extinta por incorporação, deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da CFI foi a de viabilizar a criação e transferência do ágio para a CVI Refrigerantes. Tal fato será melhor analisado em tópico específico do presente voto, intitulado “uso de sociedades veículo”. Operações entre partes relacionadas As operações entre partes relacionadas, segundo o magistério de Marco Aurélio Greco, merecem cuidadosa análise, tendo em vista a real possibilidade de que a causa da operação vise unicamente obter algum efeito tributário intragrupo e não uma razão econômica efetiva de mercado. Segundo Greco, quando se está analisando operações entre pessoas jurídicas de um mesmo grupo societário, não se pode ignorar que esta simples circunstância faz com que existam interesses comuns no relacionamento entre seus membros. Neste sentido, o festejado Professor Greco alerta que merece atenção a ocorrência de alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição de direitos e deveres, mas que, em última análise, por ser o mesmo grupo não causam alterações substanciais. Isto é, operações mediante as quais jurídica e patrimoniahnente o grupo permanece inalterado, tal como no caso presente; a única conseqüência relevante é que o Fisco deixa de receber determinado tributo. Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.211 21 Da análise de todos os fatos e documentos trazidos aos autos, constata-se que cada etapa que compôs a operação completa de planejamento tributário, se examinada individualmente, observou a legislação societária que rege a matéria. No entanto, se as sucessivas operações forem analisadas como um todo, facilmente se constata que em cada etapa houve mera transferência escritural de ações, visando o objetivo final de dedução da amortização do ágio, sem que o ágio embutido nessas ações em nenhum momento tenha sido pago. Ao término de toda a cadeia de operações societárias, o ágio refletido no valor nominal das cotas da CVI Refrigerantes (ora recorrente) retornou a ela. A contínua – quase frenética - transferência de participações societárias chegou ao seu final sem que em nenhuma etapa tivesse havido pagamento efetivo do ágio agregado ao valor das ações. Ao final de toda essa cadeia de operações, tudo resultou inalterado, no que tange à composição societária da CVI Refrigerantes. O único efeito concreto e relevante é que o Fisco deixaria de receber determinados tributos. Tal fato ilícito somente foi evitado mediante a pronta atuação das autoridades fiscais, que desvendaram o propósito destas operações encadeadas e, ao final, lavraram os presentes autos de infração, para exigir o valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos. Em resumo: do exame do conjunto das diversas etapas da operação, constato que a finalidade econômica da incorporação realizada pela interessada restou desfigurada, distorcida, ainda que tenha sido observada a legislação societária. Isto porque, sob o ponto de vista econômico, em decorrência da amortização do ágio registrado pela interessada, o único efeito prático das operações realizadas foi a redução - ilegal - da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Por todas as razões expostas, é forçoso concluir que a situação descrita é totalmente atípica, contrariando totalmente a “ordem natural das coisas”. Uso de sociedades-veículo (conduit companies) Segundo a doutrina de Marco Aurélio Greco, empresa de passagem é uma pessoa jurídica utilizada apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro, sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. Trata-se de uma operação que serve apenas para transitar um patrimônio ou um determinado recurso. No presente caso, a única função da CFI no conjunto de operações realizadas foi servir de veículo para a criação do ágio e sua quase imediata transferência à própria pessoa jurídica reavaliada (CVI Refrigerantes, ora recorrente). Ressalte-se, por oportuno, que no exíguo prazo de 67 dias a CFI teve seu capital social aumentado, sem qualquer fluxo financeiro, posto que a totalidade do capital subscrito foi integralizado por meio da entrega de 100% das cotas da CVI Refrigerantes (recorrente). Esta operação societária resultou na formação de ágio no valor de R$ 82.792.723,48 (diferença entre valor do laudo de avaliação e o valor patrimonial da citada Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.212 22 empresa), que quase imediatamente foi transferido à própria CVI Refrigerantes, mediante incorporação reversa. Vale dizer que a pessoa jurídica CFI era uma sociedade anônima de capital fechado, com existência meramente formal, posto quer nunca teve empregados nem estrutura administrativa , Ao término destas operações, a CFI (empresa veículo) foi extinta por incorporação, deixando de existir no mundo jurídico. Este fato, por si só, reforça a convicção que, no contexto das operações sob análise, a única função da CFI foi a de viabilizar a criação e transferência do ágio para a CVI Refrigerantes. Ágio de si mesmo Segundo o Professor Greco, por vezes, quando uma pessoa jurídica adquire determinada participação societária o faz com ágio, pois o valor da aquisição é superior ao respectivo valor de patrimônio liquido. Ocorre que, em um momento posterior à aquisição é feita uma incorporação às avessas que gera uma situação curiosa em relação ao ágio na aquisição da participação societária. O ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa fração do capital da pessoa jurídica controlada à qual ele se reporta. Na medida em que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga controlada), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um "ágio de si mesmo", o que sugere uma preocupação quando se analisa caso concreto que apresente este feitio. De fato, anteriormente à incorporação reversa, a CFI (empresa-veículo) era o sujeito jurídico titular da participação societária na CVI Refrigerantes (empresa controlada, ora recorrente), bem como do ágio decorrente da reavaliação desta última. No entanto, por meio da operação de incorporação reversa, a CVI Refrigerantes (antiga controlada) fez desaparecer a CFI (antiga controladora), transferindo para dentro de si mesma o montante do ágio, cuja origem seria a sua própria reavaliação. Tal fato, por si só, demonstra a patente irregularidade destas operações societárias, quando analisada em conjunto (não obstante sua aparente regularidade, quando analisadas individualmente). Considerações finais Importante observar que nunca houve efetivo pagamento de ágio, em nenhuma etapa deste pretenso procedimento de planejamento tributário. Houve apenas uma reavaliação da CVI Refrigerantes, seguida de uma frenética “troca de ações”, cujo valor nominal refletiu o ágio correspondente à reavaliação da empresa. Desse modo, a participação societária sempre permaneceu a mesma, mudando apenas de "aparência". O investimento e o ágio refletido no valor nominal das ações retornaram à pessoa jurídica original — a CVI Refrigerantes, ora recorrente - e a contínua Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.213 23 transferência e troca de ações teve como único efeito o não pagamento efetivo dos tributos sobre o ágio agregado ao valor das ações. Em suma, do exame do conjunto das diversas etapas da operação, salta aos olhos que a finalidade econômica da incorporação realizada pela interessada restou desfigurada, distorcida, ainda que tenha sido formalmente observada a legislação societária. Não obstante a possibilidade de amortização do ágio antes que ocorra a alienação ou liquidação do investimento se caracterize como beneficio fiscal outorgado pela lei, é óbvio que o beneficio se aplica às reais hipóteses de aquisição de investimento com ágio, não àquelas em que tenha havido uma artificial estruturação para possibilitar o aparecimento do ágio a ser amortizado em futura incorporação, com o único objetivo de criar despesas dedutiveis. A reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Há que se perquirir se os atos praticados são reais, e não artificalmente criados. Essa análise não há que ser feita para cada negócio isoladamente, mas em relação ao conjunto de negócios encadeados, como um todo. Para distinguir a elisão da evasão, em trabalho publicado em 1977, Ricardo Mariz de Oliveira (in Fundamentos do Imposto de Renda", Ed. Revista dos Tribunais, p. 303) ressaltou que a elisão deve decorrer de atos ou omissões que não contrariem a lei, e de atos ou omissões efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Essa lição foi repetida em publicação mais recente ("Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda", Anais do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, IOB, 2004) nos seguintes termos (grifado): A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferencia-se da evasão .fiscal ilícita por três - e apenas três - elementos: (I) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência dofato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões confirmes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados. No mesmo trabalho, comentou Mariz: A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida [...] se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do período-base de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, com a transferência incabível e inexplicável de lucro de uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.214 24 ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos. É de todo evidente que o conjunto de operações descritas no presente processo foi articulada pelas pessoas físicas que, direta ou indiretamente, controlam o capital das empresas envolvidas, para criar, formalmente, uma situação que se enquadrasse na possibilidade de deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a publicação da Lei n° 10.637/02. A sucessão dos atos, a inexistência de fluxo financeiro, a proximidade temporal entre eles e a extinção da empresa CFI por incorporação reversa revelam que nunca houve a intenção real de aumentar o capital social da CFI (que foi extinta apenas 67 dias após a suposta elevação do capital social) para efetivamente operar segundo seu objetivo social, mas sim de criar uma situação efêmera, de passagem, que possibilitasse um registro de ágio a ser amortizado por empresa do grupo (no caso, a CVI Refrigerantes, ora recorrente). Em sua peça recursal, a contribuinte alegou que as operações societárias em tela tiveram finalidades negociais, além da mera redução da incidência tributária. Dentre tais finalidades negociais, citou a intenção de demonstrar ao mercado a real potencialidade dos negócios, a possibilidade de captação de novos financiamentos e empréstimos e a intenção de segmentar as diversas atividades econômmicas desenvolvidas pelo grupo econômico. No entanto, no curtíssimo período de 67 dias antes de a CFI ter sido extinta por incorporação reversa, é fácil verificar que a citada pessoa jurídica não praticou nenhum ato empresarial alinhado a estes supostos objetivos. Mais do que isso, a citada pessoa jurídica não praticou nenhum ato vinculado com seu objetivo social. A inquestionável realidade é que antes da elevação do capital da CFI não havia contabilização de investimento adquirido com ágio, a ser amortizado em uma das alternativas mencionadas. O surgimento do ágio foi possibilitado com a elevação (meramente formal) do capital social da CFI, sem nenhum fluxo financeiro. E, apenas 67 dias depois desse ato, a CFI sofreu incorporação reversa, por parte de sua controlada CVI Refrigerantes. Por todas as razões expostas, nada do que foi trazido no recurso sensibiliza meu espírito a ponto de produzir dúvida quanto à inexistência de fato da elevação do capital da CFI. Tal operação foi constituída exclusivamente para possibilitar a formação de um ágio, passível de gerar despesa de amortização. E a referida operação foi rapidamente seguida de uma incorporação reversa, visando a transferência do aludido ágio para a própria pessoa jurídica reavaliada, que foi a CVI Refrigerantes (ora recorrente). Sobre o tema, a Procuradoria da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, expôs de maneira muito objetiva o desvirtamento ocorrido no processo de criação do presente ágio (fls. 17 a 19 de sua manifestação): É evidente o desvirtuamento das operações que normalmente conduzem a um custo amortizável. Não se concebe que o próprio titular de um bem possa lhe atribuir o valor superior ao de aquisição/constituição e com isto acabar por originar uma despesa que afete o lucro tributável. Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.215 25 Porém, foi exatamente este o resultado obtido pela recorrente após a suposta reorganização societária. Conseguiu converter a própria rentabilidade futura em custo para deduzir em sua base tributável. Para tanto, as operações foram realizadas dentro de um grupo econômico, por pessoas submetidas a um mesmo controle, em desacordo com mais um requisito: da autonomia entre as partes envolvidas. A operação societária que deu origem ao ágio amortizado pelo contribuinte não foi realizada em um ambiente de livre iniciativa ou no mercado livre e aberto (mas sim dentro do mesmo grupo econômico); tendo o grupo inúmeros interesses especiais na realização do negócio (criação do ágio, manutenção da titularidade das quotas, ausência de desembolso, etc). Ao final, o ágio foi gerado sem que houvesse o dispêndio de qualquer espécie de recurso. Apesar de ter ocorrido no papel a aquisição do investimento que deu origem ao ágio, não houve circulação de nenhuma espécie de riqueza que justificasse a sua existência. Da análise global da reorganização societária realizada, nota-se que o único substrato econômico existente é aquele oriundo da amortização do ágio na conta de resultado da CVI REFRIGERANTES após a incorporação. Em outros termos, após a incorporação, a única transferência de riquezas é aquela que se dá do Estado, o qual concede um benefício indevido, para a recorrente, que reduz sua tributação. Sendo assim, ante o até aqui exposto, demonstra-se que o ágio originado pela engenharia societária capitaneada pela CVI REFRIGERANTES não apresenta qualquer propósito negocial e substrato econômico a justificar o seu surgimento. O ágio ora em discussão na existiu na realidade, mas apenas no papel. Não existindo de fato, tal ágio, portanto, não é válido e nem eficaz para ser amortizado na conta de resultado da recorrente, seja pelos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (385 e 386 do RIR/99), seja por qualquer outra norma que autoriza tal dedutibilidade. Nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, somente é amortizável na apuração da conta de resultado de uma empresa o ágio efetivamente decorrente da aquisição de uma pessoa jurídica por outra, por incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio. O caso dos presentes autos não se submete a essa norma supracitada uma vez que o ágio absorvido pela incorporadora não existiu, pois fora criado somente de forma artificial . Materialmente ele nunca ocorreu. Ora, se nunca houve ágio decorrente da aquisição de investimento (segundo o artigo 385 do RIR/99), não há que se falar em sua amortização no resultado Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.216 26 da empresa que o absorveu por incorporação. Se ele nunca existiu, ele não pode ser utilizado. Jurisprudência do CARF A situação sob análise já foi objeto de inúmeros pronunciamentos por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que sistematicamente tem repelido a utilização de atos societários desprovidos de finalidade negocial, com única finalidade de reduzir o recolhimento de tributos. A título meramente exemplificativo, menciono a ementa de alguns julgados relevantes sobre a matéria (grifado): Acórdão 101-96.724 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Anos-calendário: 2001 e 2002 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SIMULAÇÃO. A reorganização societária, para ser legitima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A caracterização dos atos como simulados, e não reais, autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado. Acórdão 103-23290 INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE “EMPRESA VEÍCULO” Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera “empresa veículo”para transferência do ágio à incorporadora. Acórdão 108-09.793 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2001 Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.217 27 OPERAÇÃO ÁGIO - SUBSCRIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQÜENTE CISÃO – VERDADEIRA ALIENÇÃO DE PARTICIPAÇÃO. Se os atos formalmente praticados, analisados pelo seu todo, demonstram não terem as partes outro objetivo que não se livrar de uma tributação específica, e seus substratos estão alheios às finalidades dos institutos utilizados ou não correspondem a uma verdadeira vivência dos riscos envolvidos no negócio escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer o tratamento tributário que o verdadeiro ato produz. Subscrição de participação com ágio, seguida de imediata cisão e entrega dos valores monetários referentes ao ágio, traduz verdadeira alienação de participação societária. Incidência da multa de ofício Na parte final de sua peça recursal, a contribuinte questionou a incidência da multa de ofício, por considerar não caracterizada nenhuma das hipóteses previstas no art. 44, I da Lei 9.430/96. Alegação desprovida de sentido. O retrocitado art. 44, I da Lei 9.430/96 apresenta a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. No presente caso, resultou claramente demonstrado que a contribuinte efetuou dedução indevida de despesa na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, o que redundou em falta de declaração e de recolhimento dos aludidos tributos. A falta de declaração e de pagamento dos tributos autorizou o lançamento de ofício, acrescido da multa de ofício de 75%, conforme previsto na legislação de regência, acima transcrita. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de afastar a decadência, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.218 28 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que a redatora designada Karem Jureidini Dias não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontro-me na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindo-se a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a reprodução do voto. Conforme Ata do Julgamento, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de decadência, negar a preliminar de nulidade e negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Necessário se faz a transcrição da Ata para fazermos alguns esclarecimentos quanto ao presente voto: “ ATA DA REUNIÃO DE JULGAMENTO PERÍODO 08/04 a 10/04/2014 (...) Relator(a): FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo: 13005.001356/2010-42 Recorrente: CVI REFRIGERANTES LTDA. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1401001.159 Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTARAM a decadência, REJEITARAM a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGARAM provimento nos termos do voto condutor da Conselheira Karem Jureidini Dias. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos (Relator) e Antonio Bezerra Neto nos termos do voto vencido. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Karem Jureidini Dias. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Renato Romeu Renck OAB/RS nº 10.206. O Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta substitiui o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Votação: Outros Vencido(s) na votação: ANTONIO BEZERRA NETO FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.219 29 Redator designado: KAREM JUREIDINI DIAS Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Negado” (destaques acrescidos) Conforme a Ata reproduzida acima, de fato o resultado de julgamento foi proferido “por unanimidade dos votos”. Não há, portanto, que se ter qualquer voto vencedor. A bem da verdade, foi determinada a elaboração de voto condutor apenas para que a maioria, a despeito de concordar integralmente com o Relator no que tange a parte dispositiva, achou por bem esclarecer que não concorda integralmente com os fundamentos do voto. Feitos esses esclarecimentos, passa-se a expor as razões pelas quais a maioria do Colegiado concluiu por negar provimento ao Recurso, nos termos da Ata de Julgamento, acompanhando pelas conclusões o Relator. A questão controversa está relacionada à reorganização societária com aproveitamento de ágio dentro do mesmo grupo econômico, utilizando-se de “empresa- veículo”. O Conselheiro relator entendeu, em breve síntese, que o ágio não poderia ser amortizado porque: (i) houve a estruturação de step transactions pelo contribuinte sem que houvesse uma justificação, tendo, inclusive, um espaço de tempo muito curto entre as operações (67 dias); (ii) houve a utilização de estrutura invertida (“incorporação reversa”), sem qualquer pagamento em dinheiro, e não havia “propósito negocial” na empresa veículo, cuja única finalidade era a de viabilizar a transferência do ágio; (iii) as operações ocorreram entre partes relacionadas, o que evidencia a existência de um interesse em comum, qual seja, a criação de um “ágio de si mesmo” que, em nenhum momento, foi pago. A Turma entendeu que tais razões per si não justificam a glosa da despesa com ágio do contribuinte, uma vez que a legislação tributária não traz tais requisitos como impeditivos para a amortização de ágio e, como sabemos, a legalidade sempre foi apontada como princípio norteador da concretização das exações fiscais. Entretanto, o que saltou aos olhos da Turma no julgamento foi que, conforme descrito pelo relatório, a fiscalização comprovou que não houve a efetiva aquisição de participação societária, requisito este expresso na legislação tributária para assegurar o direito a amortização do ágio (artigo 20, do Decreto-Lei nº 1.598/77 e artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97). Vale dizer, o fato de determinada operação ter sido realizada entre partes vinculadas (ágio interno) não é, por si só, à época dos fatos, determinante para a glosa da despesa de ágio. Contudo, necessário comprovar a efetiva aquisição de participação societária, bem como a prova do negócio jurídico. Assim, tendo em vista que a fiscalização comprovou não haver a efetiva aquisição de participação societária, evidenciada pela ausência de troca do controle acionário da empresa incorporadora, de se concluir pela impossibilidade da amortização do ágio. Tais fatos estão consubstanciados no relatório deste acórdão, que reproduziu o relatório do acórdão recorrido, confira-se: Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13005.001356/2010-42 Acórdão n.º 1401-001.159 S1-C4T1 Fl. 2.220 30 “Em 1/12/04, a CVI Refrigerantes incorpora sua controladora CFI, que se extingue. A CVI Refrigerantes volta a ter como sócias as mesmas sociedades empresárias de antes e com os mesmos percentuais de participação.” Com efeito, esta Turma entendeu que, se não houve transferência de titularidade na reorganização societária, não se cumpriu requisito expresso na legislação para a amortização do ágio. Por tais razões, a Turma, no mérito, negou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. André Mendes de Moura - Redator para Formalização do Voto Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13878.000209/2004-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com embalagens de transporte - pallet, papelão e os filmes strech, integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização.
NaapuraçãodePIS/Cofinsnão cumulativo,aprovadaexistênciadodireito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamentocomosdadosqueseencontramaoseualcance.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas dos créditos tomados sobre: (i) gastos com embalagens de transporte - pallet, papelão e os filmes strech; e (ii) água e seu tratamento - 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra quanto ao item (ii). Vencida Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz quanto aos produtos químicos e energia térmica. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que deu provimento integral. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto quanto a energia térmica. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim quanto aos produtos químicos. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Designado como Redator do voto vencedor referente ao item (5c) da conclusão, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech, integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 8. 00 02 09 /2 00 4- 38 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NaapuraçãodePIS/Cofinsnão cumulativo,aprovadaexistênciadodireito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamentocomosdadosqueseencontramaoseualcance. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as seguintes glosas dos créditos tomados sobre: (i) gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech; e (ii) água e seu tratamento 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra quanto ao item (ii). Vencida Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz quanto aos produtos químicos e energia térmica. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que deu provimento integral. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto quanto a energia térmica. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim quanto aos produtos químicos. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Designado como Redator do voto vencedor referente ao item (5c) da conclusão, o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Fl. 355DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 355 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 287/292 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que homologou parcialmente o formulário de Pedido de Ressarcimento de Crédito (fls. 182/185), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição do PIS não cumulativos, relativo a receitas de exportação (§ 1º do art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002), apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao 3º trimestre de 2004. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), às fl. 182/185, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao terceiro trimestre de 2004, no valor total de R$ 191.924,21. Posteriormente, foi apresentada Declaração de Compensação (DComp)aproveitando o crédito acima, em processo apenso. A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório de fls. 237/243, reconheceu parte do direito creditório postulado, no valor de R$ 182.390,34, e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. De acordo com o Termo de Informação Fiscal, de fls. 205/213, a fiscalização, por adotar a definição de insumo contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 358, de 2003, ou seja, aquela que considera insumo apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, glosou os seguintes créditos (extraído do despacho de fls. 237/243): “EMBALAGENS DE TRANSPORTE — não se integram aos produtos fabricados, destinamse somente ao transporte deles, assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos. GASTOS COM PRODUTOS QUÍMICOS RELACIONADOS À GERAÇÃO DE VAPOR uma vez que a alteração sofrida pela água do estado liquido para o gasoso não se dá por causa da ação exercida diretamente sobre os produtos em fabricação, haja vista que esta transformação acontece em etapa anterior não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumo, portanto, não podem compor a base cálculo dos créditos do PIS. ÁGUA E SEU TRATAMENTO — 40% dos gastos com a água, porque não foram incorporados ao produto, nem sofreram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desqualificamse como insumos Fl. 356DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 GASTOS COM AQUISIÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA DE ALTA PRESSÃO —Somente permitido calcular créditos sobre tais gastos a partir de 15/06/2007, com a nova redação dada pelo art. 18 da Lei no 11.488 de 15 de junho de 2007 ao inciso III do art. 3° da Lei 10.833/2003.” Cientificada do despacho e inconformada com o deferimento parcial do crédito requerido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 252 a 265, alegando, quanto às embalagens de transporte, que “por mais que não façam parte da composição do produto fabricado, o que realmente seria impossível, haja vista que os produtos em questão são do gênero de alimentos, sem as embalagens que transportam, tornariam estes produtos, IMPOSSÍVEIS de serem deslocados de onde foram produzidos para o local de venda, inviabilizando totalmente o processo mercantil.” Alega que “insumo é todo o bem utilizado na produção de outro bem. As embalagens são bens utilizados na produção de outro bem que são os alimentos, e a produção engloba uma série de atos e operações até que se chegue ao processo final, que é o produto pronto posto à venda.” E ainda que significa “a combinação de fatores de produção, diretos (matériasprimas) e indiretos (mão de obra, energia, tributos), que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços.”, ou seja: “tudo aquilo que entra no processo ('input'), em contraposição ao produto ('output'), que é o que sai.” Prossegue: “O termo insumo possui conceito amplo e não pode o Fisco, por meio de despacho decisório, modificar este conceito para glosar créditos legítimos pertencente ao contribuinte em questão, sob pena de desrespeito dos princípios constitucionais da estrita legalidade, segurança jurídica e capacidade contributiva, bem como ao artigo 110, do Código Tributário Nacional.” Assim, “o produto pronto e acabado, só conseguirá ser posto à venda, se chegar ao local de destino. Para que isso ocorra, se faz necessário que ele (produto) seja colocado dentro de embalagens para transportes.” Em linhas gerais, repete essas mesmas alegações para as glosas dos produtos químicos relacionados à geração de vapor e da água não incorporada aos produtos, no sentido de que tais itens são essenciais à fabricação dos bens por ela produzidos, assim deveriam ser considerados insumos no processo produtivo. Com relação à glosa de energia térmica, alega que mesmo antes da alteração da legislação já havia implicitamente o direito ao crédito de qualquer espécie de energia, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), de acordo com Solução de Consulta que cita. Argumenta ainda que esse crédito poderia ser utilizado por analogia com a energia elétrica, pois se esta dá direito ao crédito, energia térmica ou qualquer outro tipo de energia que Fl. 357DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 356 5 venha a substituíla também dará, e que a interpretação por analogia está prevista no Código Tributário Nacional (CTN), art. 108. Por fim, requer a suspensão dos débitos objeto de compensação. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito ao crédito do PIS, no regime de incidência não cumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. PIS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito da contribuição ao PIS, no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 20/08/2013 (data da abertura Portal e CAC, fl. 297), a interessada, em 18/09/2013 (fl. 319), apresentou o recurso voluntário de fls. 319/347, com as alegações resumidas abaixo: (i) que a DRF/Piracicaba entendeu por bem reconhecer apenas parte do direito creditório, glosando créditos que seriam correspondentes a gastos com: a) Embalagens de transportes (pallets, papelão e filmes de stretch); b) Produtos químicos relacionados a geração de vapor; c) Água e seu tratamento dos quais 40% foram glosados; d) Com energia térmica de alta pressão. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 (ii) quanto ao Direito, faz considerações sobre a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, cita a legislação pertinente, salientando que não se nota no texto constitucional qualquer limitação à não cumulatividade, mas apenas a afirmação de que a Lei definirá os setores de atividade em que serão incidentes a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Assim, pretender limitar as hipóteses de creditamento na incidência não cumulativa do PIS e da CONFINS implica em tributar fato outro que não a receita, ferindo um dos princípios basilares do nosso ordenamento jurídico tributário, o da capacidade contributiva; (iii) alude considerações sobre o conceito de INSUMOS e que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 não trazem qual é a definição de "insumo", mas apenas autorizam o desconto dos créditos decorrentes da sua aquisição. Assim, ao adotar conceito equivocado de insumo, o Órgão julgador acaba por glosar erroneamente parcela legítima de crédito da ora recorrente, já que, conforme demonstrado, qualquer despesa necessária para o processo de geração de receita tributável deve ser admitido como insumo. Cita várias decisões sobre a matéria proferidas por este CARF e de juristas. Em seu recursos a Recorrente elabora as seguintes considerações sobre o seu direito ao aproveitamentos dos créditos: a) as embalagens de transporte Alega que o Fisco está equivocado em tentar sustentar o entendimento da glosa, na medida em que, as Leis n° 10.833/2003 e n° 10.637/02, autorizam a pessoa jurídica aproveitar os créditos referentes a esta fase específica da cadeia produtiva, posto que, tal fase é parte integrante a qual compõe o processo de produção do produto como etapa secundária mais necessária, pois o produto somente considerase totalmente acabado quando este se encontrar em posse do varejista/revendedor final. Resta claro que, não assiste razão o Fisco ao alegar que as embalagens de transportes não fazem parte do processo produtivo, posto que, tornase óbvio, por mais que não façam parte da composição do produto fabricado, o que realmente seria impossível, haja vista que os produtos em questão são do gênero de alimentos, sem as embalagens que transportam, tornariam estes produtos, impossíveis de serem deslocados de onde foram produzidos para o local de venda, inviabilizando totalmente o processo mercantil. Ressalta que o produto pronto e acabado, só conseguirá ser posto à venda, se chegar ao local de destino. Para que isso ocorra, se faz necessário que ele (produto) seja colocado dentro de embalagens para transportes. b) dos gastos com produtos químicos relacionados à geração de vapor Alega que os produtos químicos utilizados para a transformação da água em vapor, visam à utilização deste vapor nas etapas posteriores de fermentação, isolação e purificação, conforme constatado pelo próprio Fisco. Dessa forma, o processo de produção do produto se inicia quando ocorre o primeiro ato necessário na parte de fabricação da empresa com o fim de industrializar o produto. Portanto, considerando que a transformação da água em vapor, visa a utilização deste vapor nas etapas posteriores de fermentação, isolação e purificação, devese concluir que, esta etapa, faz parte necessária da etapa de industrialização. Conforme constatação da própria fiscalização, considerando o denominador utilidade e necessidade, a necessidade ressaltase em escala absoluta pois, sem o vapor é Fl. 359DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 357 7 impossível a industrialização dos produtos, posto que, não seria possível a fermentação, isolação e purificação. Portanto, para que os produtos sejam adequadamente industrializados é necessário o vapor, utilizandose para isso de produtos químicos relacionados a geração deste vapor. Ressaltese ainda que, estes produtos químicos são adquiridos exclusivamente para ajudar no processo de produção do produto que irá ser vendido. c) Da água e seu tratamento Conforme especificado no despacho decisório, 40% (quarenta por cento) dos gastos com água, porque não foram incorporados ao produto, nem sofreram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desqualificamse como insumos. Pelos mesmos motivos já expostos, aqui também cabe o aproveitamento do crédito de PIS/COFINS, pois, independente da água ter ou não sigo incorporada ao produto, a sua utilização foi necessária exatamente no processo produtivo, o que a qualifica como insumo. Em todo e qualquer processo produtivo, onde são relacionados produtos do gênero alimentício ou produtos químicos para futura produção de alimentação, utilizase água, e esta água, possui um custo, especialmente com o seu tratamento. Tornase absolutamente cristalino que: "(...) NENHUMA EMPRESA TRATARIA A ÁGUA, TENDO ENORME CUSTO COM ESTE PROCEDIMENTO, SE NÃO FOSSE NECESSÁRIO NO PROCESSO PRODUTIVO". d) Gastos com aquisição de energia térmica de alta pressão O Fisco considera que, somente é permitido calcular créditos sobre tais gastos com energia térmica a partir de 15/06/2007, com a nova redação dada ao artigo 18 da Lei n° 11.488/2007, ao inciso III do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003. A recorrente entende que o direito ao crédito decorre das despesas com energia utilizada pela empresa, independente de qual a espécie da energia A alteração da legislação pela Lei n° 11.488/07, possui o intuito apenas de chancelar este entendimento acerca do direito líquido e certo ao crédito. Mesmo se considerarmos a legislação antes da inclusão do termo energia térmica, esta, já possuía implicitamente o direito ao crédito de qualquer espécie de energia. Deve ser aplicado o princípio da analogia (art. 108 do CTN), pois se energia elétrica dá direito ao crédito, energia térmica ou qualquer outro tipo de energia que venha a substituir a energia elétrica, também gera direito ao crédito. Pedido De todo o exposto, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 151 do CTN e a revisão do acórdão recorrido e do despacho decisório que glosou parte do crédito pretendido pela recorrente, concedendolhe direito integral ao crédito alegado. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1) Admissibilidade do recurso Como visto, em 20/08/2013, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (data da abertura Portal eCAC, fl. 297), a Recorrente, em 18/09/2013 (fl. 319), apresentou o recurso voluntário de fls. 319/347. Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. 2) Da anexação de processo Ressaltese que foi apensado a este o PAF nº 13878.000216/200430, referente ao mesmo período, A DRF/PiracicabaSP, analisou ambos os pedidos por meio do despacho decisório, reconhecendo parte do direito creditório. 3) Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa do PIS de competência do terceiro trimestre de 2004, referente aos insumos mencionados. A recorrente, cuja denominação é Ajinomoto do Brasil, tem por objeto social (estatuto social apenso aos autos), a indústria, comércio, importação, exportação, representação e distribuição de produtos e ingredientes alimentícios e bebidas, produtos químicos em geral, para agricultura, produtos e insumos farmacêuticos e cosméticos. Consta dos autos que no anocalendário 2005, a empresa enquadravase no regime não cumulativo do PIS para as receitas decorrentes de sua produção. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 358 9 Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento do PIS nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei no 10.637 de 2002 e Lei nº 10.833/03, revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: Fl. 363DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 359 11 “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 5) Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados pelo Fisco nos demonstrativos de fls. 205/213 – Termo de Informação Fiscal, em que parte foram objeto de glosa e que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito do PIS. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 A recorrente ressalta em seu recurso que tais custos visa um só e único fim: o produto final industrializado, conforme trecho abaixo transcrito de seu recurso: Já o Fisco por sua vez, de acordo com o Termo de Informação Fiscal de fls. 205/213, informa que deferimento parcial do pleito decorreu, em parte, do entendimento de que insumo, no âmbito da não cumulatividade, seria apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Como se vê, a discussão trata de uma questão de interpretação da legislação e de provas. Observese que a Recorrente não acostou aos autos, como exemplo, uma descrição do processo produtivo da empresa (Etapas do Processo Industrial e Fluxogramas) para facilitar o entendimento, uma vez que por si só não permite ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no referido processo produtivo. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. E foi nesse contexto que foram apuradas glosas referentes a vários itens que a Recorrente considerou como créditos, que passamos a analisar cada um deles na sequência. 5a) Das Embalagens de transporte pallet, chapa de papelão e os filmes strech. Alega a Recorrente que os custos glosados foram efetuados de forma equivocada, pois as embalagens de transportes são bens utilizados para o acondicionamento do produto com o objetivo de fazer chegar ao consumidor final, caracterizadas, portanto, como INSUMO da produção ou fabricação de produtos destinados a venda, estando, por conseguinte totalmente dentro do requisito ensejador do direito ao crédito do PIS. Vejase trecho de seu recurso abaixo transcrito: “(...) Portanto, fica claro que, não assiste razão o FISCO ao alegar que as embalagens de transportes não fazem parte do processo produtivo, posto que, tornase óbvio, por mais que não façam parte da composição do produto fabricado, o que realmente seria impossível, haja vista que os produtos em questão são do gênero de alimentos, sem as embalagens que transportam, tornariam estes produtos, IMPOSSÍVEIS de serem deslocados de onde foram produzidos para o local de venda, inviabilizando totalmente o processo mercantil. (...) Posto que, insumo é todo o bem utilizado na produção de outro bem. As embalagens são bens utilizados na produção de outro bem que são os alimentos, e a produção engloba uma série de atos e operações até que se chegue ao processo final, que é o produto pronto posto à venda. Pois bem, o produto pronto e acabado, só conseguirá ser posto à venda, se chegar ao local de destino. Para que isso ocorra, se faz necessário que ele (produto) seja colocado dentro de embalagens para transportes”. Por outro lado, a fiscalização em sua análise contida no item 16 do Termo de Informação Fiscal (fl. 208), descreve a motivação da glosa, informando que se trata de gastos Fl. 365DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 360 13 com embalagens de transporte, pois considera como insumo somente as embalagens de apresentação. Vejase: (...) Neste sentido, verificamos que os materiais de embalagem a seguir identificados enquadramse no conceito de embalagens de transporte, como já discorrido no item 12, visto que não se integram aos produtos fabricados, mas se destinam tãosomente ao transporte destes, como informado às fls. 194 (item 2), e por isso não podem compor a base de cálculo dos créditos. No mesmo sentido, decidiuse no Acórdão recorrido (fl. 291): (...) Destarte, na espécie em julgamento o mister desta autoridade julgadora resumese a analisar a eventual procedência da matéria expressamente impugnada ante às prescrições normativas editadas pela Receita Federal que regulamentaram o direito litigado.Especificamente, analisar as glosas procedidas pela fiscalização, expressamente contestadas pela recorrente, ante às disposições contidas nas IN SRF nºs 247/2002 e 358/2003. Portanto, corretas as glosas efetuadas pela DRF, em relação às embalagens de transporte, aos produtos químicos relacionados à geração de vapor e à água não incorporada aos produtos, pois tais itens não são insumos aplicados diretamente ao bens produzidos, a despeito de serem alegadamente imprescindíveis ao processo produtivo (grifouse). Observase ainda que no referido Termo de Constatação Fiscal lavrado pelo Fisco, a Recorrente, em resposta ao Termo de Intimação, informou o que segue sobre os gastos com embalagens de transporte (fl. 196): (...) 2) Sobre os materiais de embalagem: Resposta Os materiais que não se incorporam aos produtos finais durante o processo de fabricação, que não contêm indicações promocionais destinadas à valorização dos produtos, mas que se destinam ao transporte destes são: Chapa Papelão Ondul 1,1x1,1m Ref.10942, Chapa Papelão Ondul 1,2x1,Om Ref.onda 2, Chapa Papelão 1,20x2,20m, Filme Cobertura para Paletiz 1600x80m, Filme Strech para Paletizacao 500x25 HLm, Filme Strech para Paletizacao 50x30 HLm, Filme Strech para Paletizacao 50x40 HLm, Pallet madeira 1,0x1,2x0,12m Dpi Face, Pallet madeira 1,1x1,1xO,10m Dpi Face, Pallet Madeira 1,20x1,00x0,13m Dupla Face, Pallet Pinus 1,0x1,0m (tábuas 08+03), Pallet Pinus 1,0x1,2 Dupla Face 9 tábuas, Pallet Pinus 1,0x1,2m 4 Entr Dpi Face, Pallet Pinus 1,1x1,1m Exportação 1 Face, Pallet Pinus 1,1x1,2 Dupla Face, Pallet Pinus 1,1x1,2 Dupla Face 9 tábuas. Com efeito, revendo os termos do Relatório do Fisco, verifico que, concernente aos materiais de embalagens de transporte (pallet, papelão e os filmes strech), a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos por se tratarem de embalagens de transporte e não de apresentação, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. No entanto, a recorrente alega que a glosa, atingiu os créditos oriundos da aquisição de desses produtos por possuírem requisitos para o transporte sem contaminação e/ou alteração das características dos produtos e obrigatórios para o processo de exportação, sendo Fl. 366DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 descartáveis, ou seja, do tipo “one way” (conforme informações em outros processos ora sob exame), evidente que sua utilização é imprescindível para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, enquadrandose no conceito de insumo e devendo dar direito ao crédito pretendido. Neste caso, entendo que assiste razão a recorrente, senão vejamos: O acondicionamento dos produtos a serem exportados constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Pois conforme informado pela recorrente, os pallets, filmes de stretch e chapas de papelão, são requisitos para o transporte sem contaminação e/ou alteração das características dos produtos e obrigatórios para o processo de exportação, sendo descartáveis, ou seja, do tipo one way. Como já frisado anteriormente sobre o conceito de insumos, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do IRPJ, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, verificase que a fiscalização, consoante já destacado, não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de embalagens de transportes (no caso pallet, papelão e os filmes strech), assentado nos fundamentos por se tratarem de embalagens para o transporte e não de apresentação dos produtos. A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 367DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 361 15 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326, de 1997. Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Foi informado ainda pela recorrente e pelo que consta dos autos que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. Para quem entende que elas não integram o custo de produção, pode se adicionar que a lei prevê créditos com despesas de armazenagem (art. 3º, inc. IX da Lei nº 10.833/2003). A Recorrente, portanto, considerando conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, tem direito ao crédito relativo às aquisições de embalagens de transportes: pallets de madeira não retornáveis (one way), chapas de papelão e os filmes strech. Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de embalagens com o produto ao consumidor final. 5b) Dos gastos com produtos químicos relacionados à geração de vapor Sobre esse tópico, aduz a recorrente em seu recurso que: “(...) o FISCO alega que, uma vez que a alteração sofrida pela água do estado líquido para o estado gasoso não se dá por causa da ação exercida diretamente sobre os produtos em fabricação, haja vista que, esta transformação acontece em etapa anterior, os produtos químicos relacionados à geração de vapor, não se enquadram no conceito de bens utilizados como insumo, portanto, não podem compor a base de cálculo dos créditos do PIS/COFINS. Mais uma vez, equivocase o FISCO nesta alegação, posto que, fazendo uma análise extremamente simplista à sua concepção a cerca do que seja a palavra INSUMO e tudo o que ela engloba dentro do processo produtivo de um produto. Como se trata de produtos alimentos, fazse necessário todo um encadeamento de atos que antecedem a simples produção do alimento, em si. No caso em tela, os produtos utilizados para a transformação da água em vapor, visam à utilização deste vapor nas etapas posteriores de fermentação, isolação e purificação, conforme constatado pelo próprio Sr. Agente Fiscal” (...). A fiscalização, em seu item 17 do Termo de Informação Fiscal, argumenta que (fl. 209): 17. (...) Os gastos com os produtos químicos acrescentados à água para a geração de vapor não se subsumem ao conceito de bens utilizados como insumos, porque a alteração sofrida pela água do estado líquido para o gasoso não se dá por causa da ação exercida diretamente sobre os produtos em fabricação, mas em etapa anterior, ou seja, é transformada em vapor para ser utilizada nos processos de aquecimento nas etapas de fermentação, isolação e purificação. Assim, os gastos com os produtos químicos relacionados à geração de vapor, a seguir listados, não podem compor a base de cálculo do crédito do PIS/Pasep (...). A DRJ, em seu Acórdão decidiu da seguinte forma: Fl. 369DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 362 17 (...) Portanto, corretas as glosas efetuadas pela DRF, em relação às embalagens de transporte, aos produtos químicos relacionados à geração de vapor e à água não incorporada aos produtos, pois tais itens não são insumos aplicados diretamente ao bens produzidos, a despeito de serem alegadamente imprescindíveis ao processo produtivo. Conforme se observa na resposta (item 17 do Termo de Intimação Fiscal), apresentada pela empresa, informa que parte da água também é utilizada nas caldeiras para produção de vapor (alteração sofrida pela água do estado liquido para o gasoso), utilizados nos processos de aquecimento nas etapas de fermentação, isolação e purificação. Portanto, a produção do vapor, considerado um tipo de energia, é utilizado na secagem e finalização dos produtos. Conforme o dicionário eletrônico Wikipédia, temos que um gerador de vapor, conhecido também como caldeira, é um dispositivo usado para produzir vapor aplicando energia térmica a água. Tratase de uma máquina ou dispositivo de engenharia onde a energia química transformase em energia térmica. Geralmente é utilizado nas turbinas de vapor para gerar vapor, habitualmente vapor de água, com energia suficiente como para fazer funcionar uma turbina em um ciclo modificado. Neste caso não assiste razão a recorrente. Explico. Ocorre que sobre esse tipo de gastos, somente a partir de 15/06/2007, com a nova redação do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/2002, dada pela Lei nº 11.488, de 2007, é que se permitiu calcular créditos de PIS sobre o consumo com energia sob a forma de vapor. Por isso, entendo estar correto os valores identificados e que foram excluídos da base de cálculo do crédito do PIS. Vejase texto da Lei: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)grifamos. Como é cediço, a Lei nº 10.637/2002 permitia, em seu artigo 3º, inciso IX, a somente a apropriação de créditos referentes a despesas com a energia elétrica consumida pelos contribuintes, nestes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (redação vigente à época dos fatos geradores terceiro trimestre de 2004). Fl. 370DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Dessa forma, repisandose, a redação original desse inciso somente previa o crédito relativo à energia elétrica. A possibilidade do aproveitamento do crédito referente à energia sob a forma de vapor somente foi incluída com a Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação a esse inciso, e que entrou em vigor em 15/06/2007, portanto não atinge o período aqui analisado, que se refere ao terceiro trimestre de 2004. O argumenta de que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar a analogia com a energia elétrica (art. 108, do CTN), não deve prosperar, pois na sistemática da nãocumulatividade os créditos passíveis de desconto estão discriminados expressamente na legislação de regência, sendo vedado o desconto de créditos não previstos em lei. O art. 111 do CTN, ao determinar a interpretação literal da legislação que disponha sobre a exclusão de crédito tributário desautoriza uma interpretação mais “ampla” da lei para permitir a utilização de créditos não previstos, tampouco permite a aplicação da analogia para reduzir tributo ou contribuição. Digase ainda que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode reduzir tributos e definir as hipóteses de exclusão e extinção do crédito tributário. Ademais, não teria sentido incluir expressamente na legislação de regência o direito ao crédito com gastos da energia sob a forma de vapor em uma Lei publicada em 2007 e sem previsão de aplicação retroativa se esse tipo de energia já estivesse implícita na legislação anterior. Em relação à alegação de que tal energia tratarseia de mais um insumo e desta forma daria direito a crédito, vale esclarecer que, conforme explanação acima, restou demonstrado que a energia utilizada pelas máquinas e equipamentos não se enquadra no conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Portanto, o dispositivo mencionado que daria guarida a desconto dos créditos, não atinge os gastos com produtos químicos utilizados para produzir energia sob a forma de vapor para o período aqui analisado, que se refere ao terceiro trimestre de 2004. Desta forma, totalmente justificada a glosa desse tipo de energia nos créditos da recorrente. 5c) Da água e seu tratamento 40% foram glosados Sobre esse tópico, alega a recorrente em seu recurso que: (...) Conforme especificado no despacho decisório ora impugnado, 40% (quarenta por cento) dos gastos com água, porque não foram incorporados ao produto, nem sofreram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, desqualificamse como insumos. Pelos mesmos motivos expostos no item 2.2, aqui também cabe o aproveitamento do crédito de PIS/COFINS, pois, independente da água ter ou não sigo incorporada ao produto, a sua utilização foi necessária exatamente no processo produtivo, o que a qualifica como insumo. Em todo e qualquer processo produtivo, onde são relacionados produtos do gênero alimentício ou produtos químicos para futura produção de alimentação, utilizase água, e esta água, possui um custo, especialmente com o seu tratamento. Tornase absolutamente cristalino que: NENHUMA EMPRESA TRATARIA A ÁGUA, TENDO ENORME CUSTO COM ESTE PROCEDIMENTO, SE NÃO FOSSE NECESSÁRIO NO PROCESSO PRODUTIVO” (...). Fl. 371DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 363 19 A fiscalização, no Termo de Constatação Fiscal (fl. 196) e no itens 18 do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Fisco (fl. 210), informa que: 18. Por sua vez, dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado, mas os outros 40% não, pois não foram incorporados e nem sofreram o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, para poderem ser considerados como insumos. Desta forma, as bases de cálculo relacionadas a esses gastos serão reduzidas em 40%, como demonstrado abaixo (...): A DRJ, em seu Acórdão, conclui que: (...) Portanto, corretas as glosas efetuadas pela DRF, em relação às embalagens de transporte, aos produtos químicos relacionados à geração de vapor e à água não incorporada aos produtos, pois tais itens não são insumos aplicados diretamente ao bens produzidos, a despeito de serem alegadamente imprescindíveis ao processo produtivo. Vejase que o Fisco não reconheceu o direito de crédito relativo a parte da água consumida e seu tratamento (as bases de cálculo relacionadas a esses gastos foram reduzidas em 40%). Consta que parte dessa água é utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra parte nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. A recorrente, em documento elaborado em resposta ao item 4 do Termo de Intimação Fiscal, informa que (fl. 191): ITEM 4 ) A água é utilizada para ajuste de concentração na preparação do meio de fermentação no processo fermentativo, como líquido para lavagem do ácido glutâmico no processo de purificação e no ajuste de concentração do Hidróxido de Sódio para formação do Glutamato Monossódico. A água também é utilizada nas caldeiras para produção de vapor utilizado nos processos de aquecimento, sendo que, são utilizados produtos químicos nesta água de alimentação das caldeiras para garantir sua qualidade. Como pode ser visto no Termo de Constatação Fiscal, após estes processos, a empresa em sua resposta informa que 40% da água é descartada e retorna aos rios (meio ambiente) e portanto, não se trata de bens empregados na produção. Diferente dos 60% de água que é utilizada na produção e recebe os produtos químicos, que será utilizada no processo produtivo da empresa (fertilizantes nitrogenado). A recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições foram objeto de aplicação no processo produtivo.O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Como se trata de um pedido de interesse exclusivo da requerente, ressarcimento de contribuições sociais recolhidas, que implica renúncia por parte do ente Fl. 372DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 tributante, o ônus da comprovação dos valores que compõem o crédito postulado é todo da requerente. Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido, deve ser devidamente comprovada e explicitada, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Assim, não podem descontar da contribuição para o PIS apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo no caso água utilizada 40% foram glosados, por absoluta falta de amparo legal, uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. A fiscalização promoveu o levantamento detalhado da apuração da contribuição, segregando as hipóteses de creditamento. Cumpria ao contribuinte apresentar as alegações de direito e a demonstração pontual em relação a cada uma destas hipóteses, o que não aconteceu. Portanto, não tendo o contribuinte se observado do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, correto as glosas de parte dos Produtos Químicos adquiridos pela Recorrente, conforme consta dos demonstrativos de fl. 210. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às glosas referente aos 40% de gastos com água e seu tratamento, que não foram comprovadamente empregados no processo produtivo. 5d) Dos gastos com energia térmica de alta pressão Aduz a recorrente em seu recurso que: (...) o FISCO considera que, somente é permitido calcular créditos sobre tais gastos com energia térmica a partir de 15/06/2007, com a nova redação dada ao artigo 18 da Lei n° 11.488/2007, ao inciso III do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003. Sendo assim, o FISCO admite o crédito, porém somente a partir de 15/06/2007. O direito ao crédito decorre das despesas com energia utilizada pela empresa, independente de qual a espécie da energia. A alteração da legislação pela Lei n° 11.488/07, possui o intuito apenas de chancelar este entendimento acerca do direito líquido e certo ao crédito. Em relação à energia térmica utilizada, a Recorrente alega que sem ela, o maquinário não funcionaria, impedindo a produção. Logo, estaria perfeitamente enquadrada no conceito de insumo, devendo também gerar direito ao crédito. Que os respectivos créditos estão previstos no citado art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e que foi inteiramente consumida no processo produtivo. Aduz ainda que, “Revelase notório que, por analogia, se energia elétrica dá direito ao crédito, energia térmica ou qualquer outro tipo de energia que venha a substituir a energia elétrica, também gera direito ao crédito”. Já a fiscalização alega no item 19 de seu Relatório Fiscal (fl. 210), que os gastos com energia térmica foram glosados por falta de previsão legal: 19. A empresa calculou créditos do PIS/Pasep sobre os gastos efetuados com a aquisição de energia térmica, na forma de vapor de alta pressão, neste trimestre, mas até 14/06/2007 somente permitiase calcular créditos sobre os gastos com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa, Fl. 373DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 364 21 conforme inciso III do art. 3° da Lei 10.833, de 2003. Somente a partir de 15/06/2007, com a nova redação do inciso III dada pela Lei 11.488, de 2007, é que se permitiu calcular créditos também sobre os gastos com energia térmica, inclusive sobre a forma de vapor (...). No acórdão recorrido, temos que: (...) Quanto à energia térmica, a postulante argumenta que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar a analogia com a energia elétrica. Entretanto, na sistemática da nãocumulatividade os créditos passíveis de desconto estão discriminados expressamente na legislação de regência, sendo vedado o desconto de créditos não previstos em lei. Quanto ao tema, a Lei nº 10.637/2002 permite, em seu artigo 3º, inciso IX, a apropriação de créditos referentes a despesas com a energia elétrica consumida pelos contribuintes, nestes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (redação vigente à época dos fatos geradores terceiro trimestre de 2004). Como se vê, a redação original desse inciso somente previa o crédito relativo à energia elétrica. A possibilidade do aproveitamento do crédito referente à energia térmica somente foi incluída com a Lei nº 11.488, de 2007, que deu nova redação a esse inciso, e que entrou em vigor em 15/06/2007, portanto não atinge o período aqui analisado, que se refere ao terceiro trimestre de 2004. Vejase abaixo: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)grifamos. O argumenta de que a utilização de tais créditos já estaria implícita na legislação antes de sua autorização explícita pela Lei nº 11.488, de 2007, e que se deveria usar a analogia com a energia elétrica (art. 108, do CTN), não deve prosperar, pois na sistemática da nãocumulatividade os créditos passíveis de desconto estão discriminados expressamente na legislação de regência, sendo vedado o desconto de créditos não previstos em lei. O art. 111 do CTN, ao determinar a interpretação literal da legislação que disponha sobre a exclusão de crédito tributário desautoriza uma interpretação mais “ampla” da lei para permitir a utilização de créditos não previstos, tampouco permite a aplicação da analogia para reduzir tributo ou contribuição. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 Digase ainda que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode reduzir tributos e definir as hipóteses de exclusão e extinção do crédito tributário. Ademais, não teria sentido incluir expressamente na legislação de regência o direito ao crédito da energia térmica em uma lei publicada em 2007 e sem previsão de aplicação retroativa se esse tipo de energia já estivesse implícita na legislação anterior. Em relação à alegação de que a energia térmica tratarseia de mais um insumo e desta forma daria direito a crédito, vale esclarecer que, conforme explanação acima, restou demonstrado que a energia utilizada pelas máquinas e equipamentos não se enquadra no conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Portanto, o dispositivo mencionado que daria guarida a desconto dos créditos, não atinge os custos com energia térmica do período aqui analisado, que se refere ao terceiro trimestre de 2004. Desta forma, totalmente justificada a glosa desse tipo de energia nos créditos da recorrente. 6) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, com exceção relativo às embalagens, não deixou claro nos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos outros itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art.333.O ônus da prova incumbe: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 365 23 I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 7) Da apresentação das provas O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 8) Princípio da verdade material O princípio da verdade material foi preservado nesse julgamento, de forma que foi deferido parte da crédito pleiteado. As provas trazidas pelo contribuinte foram analisadas, porém, o princípio da verdade material não supre a inércia do interessado. Nesse sentido, apenas foram admitidos os créditos devidamente comprovados, uma vez que lhe competia o ônus da prova. 9) Da suspensão da exigibilidade do débito Em relação à suspensão da exigibilidade dos débitos objeto de compensação, cumpre lembrar que a apresentação do Recurso Voluntário suspende sua exigibilidade, a teor do § 11, do art. 74 da Lei nº 9.430/96. 10) Conclusão Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto por conhecer do recurso voluntário, para: a) dar provimento parcial, para reconhecer o direito do crédito do PIS/Pasep nãocumulativo, respaldado pelos documentos acostados aos autos, inerente ao item 5a) gastos com embalagens de transporte pallet, papelão e os filmes strech, conforme o voto, e b) negar provimento em relação aos seguintes itens: 5b) gastos com produtos químicos aplicados à água para geração de vapor; 5c) água e seu tratamento 40% que foram glosados por não ser utilizada no processo produtivo; e 5d) gastos com aquisição energia térmica de alta pressão, conforme contido no voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 366 25 Voto Vencedor Acerca da glosa de 40% sobre o total de água consumida, entendo que tal vedação de creditamento não deva prosperar, sobretudo diante do minucioso trabalho do fiscal durante a o procedimento de fiscalização, como se vê no item 16 do Termo de Informação Fiscal elaborado pelo Fisco, argumenta que: (...) A água que é utilizada nos processos produtivos da empresa, unidades matriz e filial, recebe inúmeros produtos químicos para garantir sua qualidade (ver fls 464 item 1). Inicialmente parte da água será utilizada nas caldeiras para produção de vapor, e a outra nos processos de fermentação, isolação e purificação. Ao final, 40% (quarenta por cento) da água será descartada, retornando ao rio, e os outros 60% (sessenta por cento) irão compor o fertilizante nitrogenado. Dos gastos tidos com a água e seu tratamento, 60% geram direito a crédito, pois irão compor o fertilizante nitrogenado, mas os outros 40% não, pois não foram incorporados e nem sofreram o desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, para poderem ser considerados como insumos. Desta forma, as bases de cálculo relacionadas a esses gastos serão reduzidas em 40%, como demonstrado abaixo: Como se interpreta claramente da descrição acima dada, 100% da água é utilizada no processo produtivo, de diversas formas (produção de vapor, processos de fermentação, isolação e purificação, e composição do fertilizante nitrogenado), apesar de que apenas 60% dele será incorporado efetivamente ao produto final, restando 40% descartado após tratamento químico. Caso essa turma adotasse o vetusto conceito de insumo de IPI para os casos de PIS e Cofins, faria sentido a glosa de parcela da água que não fora incorporada ao produto. Todavia, temos firme entendimento de que a noção de insumo está relacionada ao processo produtivo como um todo e as despesas necessárias para sua ocorrência, ainda que não haja a incorporação física ao produto. Tal entendimento está consubstanciado nesse trecho da lavra do Ilustre Conselheiro Antônio Carlos Atulim: Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados, a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido naqueles atos administrativos, os quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matériaprima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 13878.000209/200438 Acórdão n.º 3402002.823 S3C4T2 Fl. 367 27 no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03, pois esse dispositivo legal teria encampado o entendimento da recorrente 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida no dispositivo legal, alude aos gastos incorridos no auferimento das receitas especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em outras palavras: o direito à tríplice forma e aproveitamento dos créditos gerados por operações de exportação referese unicamente aos créditos apurados com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03. E como já se viu alhures, este dispositivo legal não instituiu o direito à tomada do crédito sobre todos os custos e despesas necessários à manutenção da atividade da empresa. Dessa forma, resta claro nos autos que os 40% de descarte de água participaram, sim, do processo produtivo, razão pela qual deve ser revertida a glosa de crédito. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 15/02/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, As sinado digitalmente em 11/02/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 19647.019628/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento a que se refere o presente Processo Administrativo Fiscal no dia 13/11/2008, os efeitos do lançamento alcançam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos desde a competência dezembro/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN, adotado no presente caso em razão da ausência de comprovação, nos autos, de recolhimento antecipado das Contribuições Sociais ora lançadas.
Nessa prumada, sendo de 01/01/2004 a 31/12/2004 o período de apuração do crédito tributário, conclui-se que todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento ocorreram em competências ainda não vitimadas pelo instituto da decadência tributária.
Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 2401-004.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento a que se refere o presente Processo Administrativo Fiscal no dia 13/11/2008, os efeitos do lançamento alcançam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos desde a competência dezembro/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN, adotado no presente caso em razão da ausência de comprovação, nos autos, de recolhimento antecipado das Contribuições Sociais ora lançadas. Nessa prumada, sendo de 01/01/2004 a 31/12/2004 o período de apuração do crédito tributário, conclui-se que todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento ocorreram em competências ainda não vitimadas pelo instituto da decadência tributária. Recurso de Ofício Provido
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AUTO DE INFRAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Autuado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento a que se refere o presente Processo Administrativo Fiscal no dia 13/11/2008, os efeitos do lançamento alcançam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos desde a competência dezembro/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN, adotado no presente caso em razão da ausência de comprovação, nos autos, de recolhimento antecipado das Contribuições Sociais ora lançadas. Nessa prumada, sendo de 01/01/2004 a 31/12/2004 o período de apuração do crédito tributário, concluise que todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento ocorreram em competências ainda não vitimadas pelo instituto da decadência tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 96 28 /2 00 8- 77 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER do Recurso de Ofício para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidentesubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19647.019628/200877 Acórdão n.º 2401004.038 S2C4T1 Fl. 160 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Data da lavratura do AIOP: 10/11/2008. Data da Ciência do AIOP: 13/11/2008. Temse em pauta Recurso de Ofício interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância que julgou procedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo acima identificado para exonerar em sua integralidade o crédito tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.188.7828, consistente em contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços em cada mês, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 33/39. Informa a Autoridade Lançadora que o crédito tributário ora lançado tem por objeto contribuições sociais a cargo a empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, constituído nos termos do levantamento “PIC – PRO LABORE IND CONTABILIDADE”, aferido de forma indireta, em virtude do lançamento de R$ 7.974.577,28 efetuado em 31/12/2004 na conta contábil 110101001 Caixa. Tal lançamento não foi demonstrado pelo contribuinte, ainda que intimado a fazêlo pela auditoria fiscal. Esta conduta do contribuinte foi utilizada como motivo para aplicação do disposto no parágrafo 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, que autoriza a quantificação do tributo devido mediante a apuração de sua base de cálculo por aferição indireta. Deste modo, ainda como descrito no relato fiscal, a auditoria lançou o valor total como pagamento a sócio, dividindo o valor total por 12 (meses). Em cada competência foi lançado o valor de R$ 664.548,10 como base de cálculo relativa ao pro labore aferido indiretamente. A empresa foi cientificada do lançamento em 13/11/2008, conforme documentos a fls. 42/43. Sob a alegação de que, na remessa postal não estavam incluídos os autos do vertente processo, estes foram reenviados ao Contribuinte e reaberto o prazo de trinta dias para o oferecimento de impugnação ao lançamento, nos termos da Intimação nº 301/2011 e Aviso de Recebimento a fls. 68/69. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 74/80. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife/PE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1139.762 7ª Turma da DRJ/REC, a fls. 132/136, julgando procedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo para, reconhecendo a fluência integral do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento ora em litígio, exonerar integralmente o crédito tributário assim constituído, e recorrendo de ofício de sua decisão. Devidamente intimada, em 10/03/2015, a tomar ciência do Acórdão nº 11 39.762 7ª Turma da DRJ/REC, nos termos da Comunicação 91/2015, a fl. 153, e do Termo de Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo, a fl. 155, a Autuado deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora concedido pela Legislação Tributária, sem se manifestar nos autos do processo, conforme Despacho a fl. 157. Relatados sumariamente os fatos de maior relevo. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19647.019628/200877 Acórdão n.º 2401004.038 S2C4T1 Fl. 161 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DO CONHECIMENTO DO RECURSO A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife/PE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1139.762 7ª Turma da DRJ/REC, a fls. 132/136, julgando procedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo para, reconhecendo a fluência integral do prazo decadencial do direito da Fazenda Pública de proceder ao lançamento ora em litígio, exonerar integralmente o crédito tributário assim constituído, e recorrendo de ofício de sua decisão. Dessarte, presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, dele conheço. 2. DO RECURSO DE OFICIO Logo de plano mostrase relevante iluminar que os atos administrativos, assim como seu conteúdo, gozam de presunção legal iuris tantum de legalidade, legitimidade e veracidade. Diferentemente do que ocorre com as pessoas jurídicas de direito privado, que se formam a partir da vontade humana, as pessoas jurídicas de direito público tem sua existência legal em razão de fatos históricos, da Constituição do país, de leis ou tratados internacionais, visando ao atingimento de certos fins de interesse da coletividade, estruturando se juridicamente, ao influxo de uma finalidade cogente, eis que vinculada ao princípio da constitucional da finalidade. Muito embora a Administração Pública se submeta primordialmente ao regime jurídico de direito público, nas ocasiões em que sua subsunção ao regime de direito privado se revela preponderante, a sua submissão não é absoluta, uma vez que a necessidade de satisfação dos interesses coletivos exige a outorga de prerrogativas e privilégios para a Administração pública, tanto para limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do bem estar coletivo como para a própria e eficaz prestação de serviços públicos. Tais prerrogativas e privilégios existem e subsistem mesmo quando o Ente Público se equipara ao privado, eis que inerentes à ideia de dever irremissível do Estado, bem como à supremacia dos interesses coletivos que representa em contraposição aos interesses individuais de natureza privada. Justificamse as prerrogativas e privilégios da Administração Pública pela circunstância de serem os atos administrativos emanações diretas do Poder Público em favor da Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 coletividade, impondoselhes a premência de serem ornados de determinados atributos que os distingam dos atos jurídicos de direito privado, o que lhes confere características intrínsecas próprias e condições peculiares de atuação na sociedade, como nessa qualidade se apresentam a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade. Relembrando o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Nessa vertente, a presunção de legitimidade do ato administrativo relaciona se aos seus aspectos jurídicos. Em consequência, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade dos atos administrativos”, do qual decorre a circunstância de serem presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração, até a prova em sentido diverso. Na arguta visão de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, a presunção de veracidade e legitimidade consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil. Nessa toada, por serem dotados os atos administrativos de prerrogativas que derrogam o direito comum perante a administração, urge serem analisados sob a luz que dimana do regime jurídico de direito público que os rege. Em curta e superficial digressão acerca dos meios de prova admissíveis em direito, verificamos que o art. 332 do Código de Processo Civil considera como hábeis a provar a verdade dos fatos todos os meios legais, assim como aqueles moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código. A partir da interpretação sistemática do ora revisitado dispositivo legal, perante o dogma do contraditório e da ampla defesa encartado nos incisos LV e LVI do art. 5º da Carta de 1988, concluise ser aceitável a utilização no processo administrativo ou judicial de todos os meios de prova, desde que moralmente legítimos e colhidos, direta ou indiretamente, sem infringência às normas de direito material. Visitando as páginas do CPC, nos deparamos com o preceito inscrito no inciso IV do art. 334, que assenta de forma expressa não depender de prova no processo os fatos em cujo favor militar presunção legal de existência ou de veracidade. Código de Processo Civil Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19647.019628/200877 Acórdão n.º 2401004.038 S2C4T1 Fl. 162 7 Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Vale lembrar que as presunções, assim como os indícios, são também conhecidas como prova indireta. Nessa perspectiva, enquanto os meios ordinários de prova fornecem ao julgador a ideia objetiva do fato que se almeja provar, na presunção, os fatos afirmados não se referem ao meio de prova apresentado, mas a um outro fato ordinário não comprovado nos autos mas conexo ao fato probante, que com ele se relaciona, e de cujo conhecimento, através de um raciocínio lógico, atrai a conclusão de ocorrência do primeiro. A estrutura do raciocínio empregado é a do silogismo, figurando como premissa menor um fato conhecido e provado nos autos e como premissa maior a verdade contida nesse fato auxiliar, cuja ocorrência se deduz pela experiência do que ordinariamente acontece. Colhemos da melhor doutrina que, “nesse caso, o juiz conhecerá o fato probando indiretamente. Tendo como ponto de partida o fato conhecido, caminha o juiz, por via do raciocínio e guiado pela experiência, ao fato por provar” (Moacyr Amaral dos Santos, Primeiras Linhas de Direito Processual Civil 2º Volume, São Paulo: Saraiva, 1995). Consoante tal estrutura, se um determinado fato jurídico realmente vem a ocorrer, dele sucederá o fato que se deseja provar, em razão do que comumente acontece. Em hipóteses tais, quando na base do silogismo se chega a um fato que ordinariamente acontece, da conclusão se autoriza que se extraia uma presunção, eis que o fato presumido é uma consequência verossímil do fato conhecido. Assim, as presunções legais decorrem de um raciocínio sugerido pelo ordenamento legal, devendo tal situação restar expressamente consignada na lei. Sua eficácia probatória, todavia, pode admitir ou não de prova em sentido contrário. Nesse contexto, na presunção absoluta a parte invocadora da presunção não está obrigada a provar o fato presumido, mas sim, o fato no qual a lei se assenta, não admitindo qualquer prova em contrário. De modo diverso, na presunção relativa, a lei estabelece que o fato presumido é havido como verdadeiro até que a ele se oponha prova em contrário. No caso sub examine, a presunção de veracidade dos atos administrativos decorre do princípio da legalidade estatuído no caput do art. 37 da Lex Excelsior, sendo considerada, para efeitos processuais, uma presunção legal iuris tantum e, dessarte, um meio de prova válido no processo. Deflui da interpretação sistemática dos dispositivos encartados nos artigos 19, II da CF/88 e 364 do CPC que os fatos consignados em documentos públicos carregam consigo a presunção de veracidade atávica aos atos administrativos, ostentando estes fé pública, a qual não pode ser recusada pela Administração Pública, devendo ser admitidos como verdadeiros até que se produza prova válida em contrário. Constituição Federal de 1988 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) II recusar fé aos documentos públicos; (...) Código de Processo Civil Art. 364. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. A Suprema Corte de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, sendo extremamente convergente a jurisprudência dela promanada, como se pode verificar nos julgados a seguir alinhados, cujas ementas rogamos vênia para transcrevêlas. AgRg no RMS 19918 / SP Relator(a) Ministro OG FERNANDES Órgão Julgador T6 SEXTA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 31/08/2009 MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO CASSATÓRIO DE APOSENTADORIA. CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO SOBRE A QUAL PENDE INCERTEZA NÃO RECEPCIONADA PELO TRIBUNAL DE CONTAS DO MUNICÍPIO. EXTINÇÃO DO MANDAMUS DECRETADO POR MAIORIA. VÍNCULO FUNCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO ATRAVÉS DOS ARQUIVOS DA PREFEITURA. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. INCÊNDIO. EXISTÊNCIA DE CERTIDÃO DE TEMPO DE SERVIÇO EXPEDIDA PELA PREFEITURA ANTES DO SINISTRO. DOCUMENTO PÚBLICO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. 1. Esta Corte Superior de Justiça possui entendimento firmado no sentido de que o documento público merece fé até prova em contrário. No caso, o recorrente apresentou certidão de tempo de serviço expedida pela Prefeitura do Município de Itobi/SP a qual comprova o trecho temporal de 12 anos, 3 meses e 25 dias relativos ao serviço público prestado à referida Prefeitura entre 10/3/66 a 10/2/78 que teve firma do então Prefeito e Chefe do Departamento Pessoal e foi reconhecida pelo tabelião local. 2. Ademais, é incontroverso que ocorreu um incêndio na Prefeitura Municipal Itobi/SP em dezembro de 1992. 3. Desse modo, a certidão expedida pela Prefeitura de Itobi, antes do incêndio, deve ser considerada como documento hábil a comprovar o tempo de serviço prestado pelo recorrente no período de 10/3/66 a 10/2/78, seja por possuir fé pública uma vez que não foi apurada qualquer falsidade na referida certidão , seja porque, em virtude do motivo de força maior acima mencionado, não há como saber se os registros do recorrente foram realmente destruídos no referido sinistro. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19647.019628/200877 Acórdão n.º 2401004.038 S2C4T1 Fl. 163 9 EREsp 123930 / SP Relator(a) Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS Órgão Julgador CE CORTE ESPECIAL Data da Publicação/Fonte: DJ 15/06/1998 p. 2 PROCESSUAL PROVA COPIA XEROGRAFICA AUTENTICAÇÃO POR FUNCIONARIO DE AUTARQUIA EFICACIA PROBATORIA. Autenticada por servidor publico que tem a guarda do original, a reprografia de documento publico merece fé, ate demonstração em contrario. Em não sendo impugnada, tal reprografia faz prova das coisas e dos fatos nelas representadas (CPC, art. 383). EREsp 265552 / RN Relator(a) Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA Órgão Julgador S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJ 18/06/2001 p. 113 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. LIQUIDAÇÃO DA SENTENÇA. PLANILHA APRESENTADA PELO INSS EM QUE CONSTA PAGAMENTO ADMINISTRATIVO DAS DIFERENÇAS RECLAMADAS. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. "As planilhas de pagamento da DATAPREV assinadas por funcionário autárquico constituem documento público, cuja veracidade é presumida." (REsp 183.669) O documento público merece fé até prova em contrário. Recurso que merece ser conhecido e provido para excluir da liquidação as parcelas constantes da planilha, apresentada pelo INSS e não impugnada eficazmente pela parte exadversa, prosseguindo a execução por eventual saldo remanescente. Embargos conhecidos e acolhidos. Nessa prumada, existindo no mundo jurídico um ato administrativo comprovado por documento público, passa a militar em favor do ente público a presunção de legitimidade e veracidade das informações nele assentadas. Como prerrogativa inerente ao Poder Público, presente em todos os atos de Estado, a presunção de veracidade subsistirá no processo administrativo fiscal como meio de prova hábil a comprovar as alegações do órgão tributário, cabendo à parte adversa demonstrar, ante a sua natureza relativa, por meio de documentos idôneos, a não fidedignidade dos assentamentos em realce. Tais conclusões não discrepam do entendimento esposado pelo Mestre Hely Lopes Meirelles (in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995), ad litteris et verbis: Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 “Os atos administrativos (...) nascem com a presunção de legitimidade (...). A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidação. Enquanto, porém, não sobrevier o pronunciamento de nulidade, os atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a Administração, quer para os particulares sujeitos ou beneficiários de seus efeitos (...). Outra consequência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus da prova de invalidade do ato administrativo para quem a invoca. Cuide se de arguição de nulidade do ato, por vício formal, ou ideológico, a prova do defeito apontado ficará sempre a cargo do impugnante e, até sua anulação, o ato terá plena eficácia”. Diante desse quadro, tratandose o Auto de Infração de Obrigação Principal de documento público representativo de Ato Administrativo formado a partir da manifestação da Administração Tributária, levada a efeito através de agentes públicos, não há como se negar a veracidade do conteúdo, fulgurando as informações nele contidas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado, a teor da debatida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. Ostentando, todavia, tal presunção eficácia relativa, esta admite prova em contrário a ônus da parte interessada, encargo que deve ser adimplido pelo Administrado mediante documentos idôneos com aptidão para contrapor a presumida fidedignidade do conteúdo do Auto de Infração. Caso contrário, havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. Nesse sentido remansa a Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: MS 12756 / DF Relator(a) Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA S3 TERCEIRA SEÇÃO Data da Publicação/Fonte: DJe 08/05/2008 MANDADO DE SEGURANÇA. ADMINISTRATIVO. PROCURADOR FEDERAL. PROMOÇÃO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DOS CONTRACHEQUES E FOLHA DO SISTEMA SIAPE. RETIFICAÇÃO DOS ATOS DE PROMOÇÃO DO IMPETRANTE. EFEITOS RETROATIVOS DESDE A DATA EM QUE DEVERIA SER PROMOVIDO NAS CATEGORIAS APROPRIADAS. 1. Têm presunção de veracidade contracheques e folha do Sistema SIAPE apresentados por procurador federal que pretende ser promovido com base no enquadramento funcional previsto naqueles documentos públicos. Ausência de apresentação de prova, pelo impetrado, que afastasse a fé pública dos referidos documentos. 2. Segurança concedida. Retroativos a partir da data em que deveriam ter ocorrido as promoções do impetrante. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19647.019628/200877 Acórdão n.º 2401004.038 S2C4T1 Fl. 164 11 REsp 1059007 / SC Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data da Publicação/Fonte: DJe 20/10/2008 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ARTIGO 258 DA LEI Nº 8.069/90. AUTO INFRACIONAL LAVRADO POR COMISSÁRIO DE INFÂNCIA. DOCUMENTO PÚBLICO. FÉ PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM. ÔNUS DA PROVA DO ADMINISTRADO. I O auto de infração lavrado por Comissário da Infância, em decorrência do descumprimento do artigo 258 da Lei nº 8.069/90, constituise em documento público, merecendo fé pública até prova em contrário. II O ato administrativo goza de presunção iuris tantum, cabendo ao administrado o ônus de provar a maioridade da pessoa que se encontrava no estabelecimento comercial recorrido, haja vista a legitimidade do auto infracional. III Recurso especial provido. No caso em apreço, documentos a fls. 42 e 43 dos autos registram que o Auto de Infração ora em pauta houvese por entregue ao Sujeito Passivo no dia 13/11/2008, nos termos do AR SQ245295420BR, a fl. 42. Tal informação é corroborada pelo Despacho da Autoridade Lançadora, a fl. 43, que atesta que o presente Auto de Infração foi enviado ao Sujeito Passivo em 12/11/2008, sendo recebido pelo Contribuinte no dia 13/11/2008. Reforça a convicção de que o Contribuinte houvese por cientificado em 13/11/2008, a informação manuscrita ao pé da Folha de Rosto do Auto de Infração nº 37.188.7828, a fl. 05, que consigna “Enviado através do AR nº SQ 245295420 BR”, o qual, de acordo com o documento a fl. 42, houvese por entregue em 13/11/2008. Registrese, por relevante, que o Despacho a fl. 43 atesta que a correspondência contendo a 2ª Via do Auto de Infração nº 37.188.7828, objeto do PAF nº 19647.019628/200877, e do TEAF Termo de Encerramento de Ação Fiscal foi recebida pelo Contribuinte em 13/11/2008. Notese que na própria petição a fls. 48/48, o Autuada declara ter tomado ciência da lavratura do Auto de Infração nº 37.188.7828, objeto do PAF nº 19647019628/200877, por intermédio do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, o qual, expressamente, contempla a lavratura do Auto de Infração nº 37.188.7828, de 05/11/2008. Citese que a relação dos autos de infração lavrados em desfavor do Contribuinte em tela encontrase expressamente exposta no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal, a fl. 31, dentre os quais o vertente Auto de Infração. O citado Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal chegou ao conhecimento do Autuado, conforme se depreende da petição a fls. 48/49, de 12 de dezembro de 2008, na qual o Autuado relata, in verbis: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 12 “Senhor (a) Delegado (a), a empresa alhures mencionada foi alvo de fiscalização para apuração dos fatos elencados no MPF acima epigrafado, onde segundo informação coletada no TEPF teriam sido elaborados 09 (nove) Autos de Infração: 37.188.7860, 37.188.7801, 37.188.7828, 37.188.7836, 37.188.7844, 37204.9133, 37.204.9141, 37.204.9150 e 37.188.7852 (nesta ordem). No exercício de sua defesa realizou as IMPUGNAÇÕES devidas em TODO O AI’s, EXCETO nº 37.188.7828 que, para sua surpresa, NÃO LHE FOI APRESENTADO junto com os demais que foram postados através de SEDEX SQ 245295420BR. Tal situação se mostra desfavorável à contribuinte, haja vista que tem CERCEADO seus DIREITOS DE DEFESA e do CONTRADITÓRIO que lhe são garantidos constitucionalmente”. Tal documento demonstra que o Sujeito Passivo, em 13/11/2008, tomou ciência da lavratura do Auto de Infração nº 37.188.7828. Nessa prumada, de acordo com os documentos anexados aos autos, o Autuado tomou ciência do lançamento formalizado pelo Auto de Infração nº 37.188.7828 no dia 13/11/2008. Se revela inverossímil por demais a alegação de que os autos do Auto de Infração de maior magnitude, representativo de 84% do débito lavrado na ação fiscal, ou seja, o carro chefe de todo o procedimento administrativo desenvolvido nas dependências da Empresa Autuada, não tenha sido incluído na remessa postal, como assim alega o Contribuinte. Ademais, a mera alegação de que os documentos referentes ao Auto de Infração nº 37.188.7828 não tenham sido enviados ao Autuado, desacompanhada de qualquer outro elemento de convicção, esbarra no óbice da presunção de veracidade dos Atos Administrativos, os quais convergem no sentido de que os autos do processo nº 19647.019628/200877 foram, de fato, encaminhados ao Sujeito Passivo, por via postal, com aviso de recebimento AR nº SQ 245295420 BR, recebido em 13/11/2008. A se adotar a tese da Autuada, para se livrar de qualquer lançamento fiscal bastaria ao Fiscalizado não receber, pessoalmente, a ciência de qualquer autuação, forçando assim a remessa dos autos via postal, para, posteriormente, em sede de defesa, após a decadência das obrigações lançadas, meramente alegar que não recebera os autos do processo. Não de deslembre que a função processual da Intimação do Contribuinte é dar a este a devida ciência do lançamento tributário para que este, desejando, possa exercer o seu direito de defesa. E nem se alegue que tal episódio, mesmo que eventualmente verídico, porém de todo improvável, conforme demonstrado, tenha resultado em prejuízo à defesa do Contribuinte, haja vista que a administração tributária honrou determinar o reenvio dos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 19647.019628/200877 ao Sujeito Passivo, sendolhe reaberto o prazo normativo para o oferecimento de defesa em face do lançamento, faculdade essa que foi exercida, em sua plenitude, em 15 de março de 2011, pela apresentação de Impugnação a fls. 74/80, restando dessarte, assegurado o contraditório e ampla defesa. De todo o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora esplanadas, das provas dos autos e das circunstâncias do caso concreto avulta que o Sujeito Passivo se houve, de fato, cientificado do lançamento a que se refere o presente Processo Administrativo Fiscal Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 19647.019628/200877 Acórdão n.º 2401004.038 S2C4T1 Fl. 165 13 no dia 13 de novembro de 2008. Nesse contexto, os efeitos do lançamento alcançam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos desde a competência dezembro/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN, adotado no presente caso em razão da ausência de comprovação, nos autos, de recolhimento antecipado das Contribuições Sociais ora lançadas. Nessa prumada, sendo de 01/01/2004 a 31/12/2004 o período de apuração do crédito tributário, concluise que todas as obrigações tributárias objeto do presente lançamento ocorreram em competências ainda não vitimadas pelo instituto da decadência tributária. Anotese que, mesmo que se adotasse o regime fixado no §4º do art. 150 do CTN, o que não seria correto, ainda assim nenhuma das competências objeto do vertente Auto de Infração restaria fulminada pela decadência, haja vista que os efeitos o lançamento em questão alcançariam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência novembro/2003, inclusive. Não procede a alegação da DRJ/REC de que a ciência do Sujeito Passivo por edital tenha sido imotivada. O §1º do art. 23 do Dec. nº 70.235/72 estatui que “Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado”. Os grifos são nossos. No caso em tela, o envelope a fl. 64 dá conta que, em 11/01/2010, o Contribuinte já não mais se encontrava sediado na rua Carlos Porto Carreiro, 190 – Boa Vista – Recife/PE. Tal circunstância encontrase espelhada logo no primeiro parágrafo do Edital nº 12/2010, a fl. 60: “Pelo presente EDITAL, por se encontrar em local incerto e ignorado, não tendo sido possível a ciência pessoal ou por intermédio dos Correios, fica o contribuinte referente ao Processo Administrativo 19647.019628/20087741 abaixo identificado CIENTIFICADO de Termo de Intimação Fiscal que se encontra neste órgão no Serviço de Fiscalização”. (grifos nossos) Além disso, tal edital não objetivou a dar ao Contribuinte a ciência do lançamento. Esta se deu por intermédio do AR nº SQ 245295420 BR, recebido em 13/11/2008, conforme Despacho nº 527 – 6ª Turma da DRJ/REC, a fl. 59, o qual determinou o reenvio de cópia do processo ao Contribuinte, e que lhe fosse reaberto o para o oferecimento de impugnação. Tal edital apenas intimou o Autuado acerca de Termo de Intimação Fiscal que se encontrava no Órgão do Serviço de Fiscalização, TIF esse que se referia, meramente, ao reenvio de cópia autenticada do Auto de Infração n° 37.188.7828, bem como do Termo de Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 14 Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, de maneira que o Autuado não viesse a alegar, posteriormente, que tivesse sofrido cerceamento em seu direito de defesa. Por tais razões, pugnamos pelo provimento in totum ao Recurso de Ofício. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, restabelecendo o Auto de Infração nº 37.188.7828 em sua integralidade. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 10305.001607/97-88
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado.
Recurso Extraordinário Negado
Numero da decisão: 9900-000.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Recurso Extraordinário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão Antônio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Júnior, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 30 5. 00 16 07 /9 7- 88 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10305.001607/9788 Acórdão n.º 9900000.877 CSRFPL Fl. 447 2 Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Júnior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Joel Miyasaki, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Júlio César Alves Ramos e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Antônio Lisboa Cardoso e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, Jorge Celso Freire da Silva, deixou de ser conselheiro antes da formalização do acórdão. Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão CSRF/0306.021, proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que afastou a decadência do pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a título de Finsocial, referente ao período de apuração compreendido entre setembro de 1989 e março de 1992, sob o argumento de que o prazo para o pedido de restituição deve ser computado em cinco anos a contar da publicação da Medida Provisória nº 1.110, ocorrida em 31 de agosto de 1995, vencendo o prazo em 31 de agosto de 2000. O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho de fls. 435/436. Regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões ao recurso extraordinário. É o relatório. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Voto Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10305.001607/9788 Acórdão n.º 9900000.877 CSRFPL Fl. 448 3 Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisão de outra turma da CSRF, que decidiu a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. O Colegiado recorrido entendeu que o termo inicial para restituição do Finsocial objeto destes autos seria da edição da Medida Provisória 1.110/95, e o final seria 30/08/2000. A seu turno, a Fazenda Nacional em seu extraordinário defende que o dies a quo seria a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento, em atenção ao disposto no art. 168, I, do CTN c/c os arts. 3º e 4º da LC 118/2005. Analisando os autos, verificase que o crédito pleiteado referese a períodos de apuração compreendidos entre setembro de 1989 e março de 1992, enquanto que o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 17 de novembro de 1997. Feito esse esclarecimento, passemos, de imediato, ao enfrentamento da questão. Nesta matéria, já me pronunciei inúmeras vezes, entendendo que o termo inicial para repetir indébito é o previsto no artigo 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar 118/2005, ou seja, o da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Esse entendimento vinha prevalecendo neste Colegiado, quando se resolveu sobrestar a matéria até que o Supremo Tribunal Federal se pronunciasse sobre a constitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar suso mencionada, que determinava a aplicação retroativa da interpretação autêntica dada pelo citado artigo 3º. A decisão do STF foi no sentido de que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para as ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza do aqui exposto, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 RIO GRANDE DO SUL. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10305.001607/9788 Acórdão n.º 9900000.877 CSRFPL Fl. 449 4 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10305.001607/9788 Acórdão n.º 9900000.877 CSRFPL Fl. 450 5 Essa decisão não deixa margem a dúvida de que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziram efeitos a partir de 9 de junho de 2005. Com isso, quem ajuizou ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozava do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Ademais, não se pode olvidar que a Constituição é aquilo que o Supremo Tribunal Federal diz que ela é. Com isso, em matéria de controle de constitucionalidade, a última palavra é do STF. Por conseguinte, devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar suas decisões. D outro lado, não se alegue que predita decisão seria inaplicável ao CARF já que o acórdão do STF teria vedado a aplicação retroativa da lei aos casos de ação judicial impetradas até o início da vigência da lei interpretativa, pois o fundamento para declarar a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º acima citado, foi justamente a ofensa ao princípio da segurança jurídica e da confiança, o que se aplica, de igual modo, aos pedidos administrativos, não havendo qualquer motivo, nesse quesito – segurança jurídica – para diferenciálos dos pedidos judiciais. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob exame, na data em que protocolado o pedido de repetição (17/11/1997), os créditos a ele pertinentes não haviam sido alcançados pela prescrição. Com base nesses fundamentos, o Colegiado negou provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Este o voto que me coube redigir. Henrique Pinheiro Torres Fl. 450DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16682.720051/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543-B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015.
EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
O art. 28 § 9o, t da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade.
INDENIZAÇÃO PAGA NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO EM DECORRÊNCIA DE CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. GANHO NÃO EVENTUAL.
Possui caráter remuneratório a parcela paga ao trabalhador na rescisão do contrato de trabalho, em decorrência de Convenção Coletiva de Trabalho, que não visa a reparar ato ilícito ou a ressarcir dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço.
A Convenção Coletiva de Trabalho não é instrumento apto para conceder isenção, que só pode ser manejada por lei em sentido formal, nos termos do § 6º do art. 156 da Constituição Federal.
É não eventual o pagamento devido no término do contrato de trabalho, que é evento certo e previsível.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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SALÁRIO INDIRETO: AUXÍLIO EDUCAÇÃO. VERBA PAGA NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. Recorrente SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9o, “t” da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. INDENIZAÇÃO PAGA NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO EM DECORRÊNCIA DE CLÁUSULA DE CONVENÇÃO COLETIVA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. GANHO NÃO EVENTUAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 51 /2 01 2- 10 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 2 Possui caráter remuneratório a parcela paga ao trabalhador na rescisão do contrato de trabalho, em decorrência de Convenção Coletiva de Trabalho, que não visa a reparar ato ilícito ou a ressarcir dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço. A Convenção Coletiva de Trabalho não é instrumento apto para conceder isenção, que só pode ser manejada por lei em sentido formal, nos termos do § 6º do art. 156 da Constituição Federal. É não eventual o pagamento devido no término do contrato de trabalho, que é evento certo e previsível. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 317 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 1253.642 da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Rio de Janeiro 1 (RJ1), f. 276284, com ciência da interessada em 02/04/2013, fls. 287, que julgou improcedente a impugnação aos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) abaixo relacionados, dos quais o sujeito passivo teve ciência pessoal em 27/01/2012: 1) AIOP DEBCAD Nº 37.327.2880, referente à exigência das contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT). 2) AIOP DEBCAD Nº 37.327.2898, referente à exigência das contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição social do salário educação e a destinada ao INCRA. De acordo com o relatório fiscal de fls. 1125, constituem fatos geradores das contribuições lançadas: a) valores pagos a cooperativas de trabalho no período de 01/2007 a 12/2008; b) parcela de remuneração paga a empregados dispensados sem justa causa, prevista na cláusula 28 da Convenção Coletiva de Trabalho, identificada na folha de pagamento como “Indenização Adicional CCT”, no período de 02/2007 a 06/2008; c) pagamentos em utilidades feitos a empregados, correspondentes ao custeio de cursos de pósgraduação (MBA e mestrado), no período de 04/2008 a 12/2008. A interessada apresentou impugnação, fls. 187203, solicitando o cancelamento dos autos de infração, alegando, em síntese: a) com relação à parcela identificada na rubrica “indenização adicional”, argumentou que tem natureza indenizatória, conforme previsto na norma coletiva da categoria profissional dos empregados, sendo que o caráter normativo da convenção coletiva de trabalho é reconhecido na Constituição Federal. Além disso, o pagamento é eventual e não tem caráter contraprestativo, pois devido somente na rescisão do contrato de trabalho; b) não há incidência sobre os valores pagos a título de cursos de educação em nível superior, pois atende as condições de isenção previstas na Lei 8.212/91, além de o art. 458, § 2º da CLT ter excluído essa verba do conceito de salário; c) é inconstitucional a exigência da contribuição previdenciária sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho, e, não obstante isso, houve pagamento da contribuição incidente sobre os serviços prestados por cooperativas de transporte. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário, com base nos seguintes fundamentos: a) não tem competência para negar vigência à lei que instituiu a contribuição sobre os serviços prestados por intermédio de cooperativa de trabalho; b) o custeio de cursos de nível superior não está previsto na regra de não incidência contida no art. 28, § 9º, da Lei 8.212/1991, já que a educação superior não é educação básica, nos termos da Lei 9.394/1996; c) a parcela da remuneração paga na rescisão do contrato de trabalho não está contemplada pela regra de não incidência de contribuição previdenciária (art. 28, § 9º, da Lei 8.212/1991). Fl. 318DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 4 Em 16/04/2013, a interessada interpôs recurso, fls. 289306, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Alega que é inconstitucional a contribuição incidente sobre a remuneração dos trabalhadores contratados por meio de cooperativa de trabalho. Com relação à rubrica "indenização adicional", sustenta que ela não tem natureza salarial, conforme previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, pois não se destina a retribuir o trabalho, sendo devida na rescisão do contrato; além disso, o pagamento é eventual, feito somente uma vez durante todo o contrato de trabalho. Alega que não há incidência das contribuições sobre os pagamentos feitos aos empregados a título de pósgraduação e técnico de aperfeiçoamento, pois se trata de verba indenizatória, destinada ao aperfeiçoamento dos serviços por eles prestados à recorrente. Argumenta que as verbas destinadas aos cursos estão disponíveis para a totalidade dos empregados que atendam às condições de elegibilidade previstas na Convenção Coletiva de Trabalho, o que se justifica pelo elevado custo do benefício, sendo que as regras previstas beneficiam a todos igualmente e não a certos empregados ou grupos de empregados. Pede o cancelamento do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 318 5 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Contribuição da Empresa sobre Serviços Prestados por Cooperados por Intermédio de Cooperativa de Trabalho. Inconstitucionalidade Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal As contribuições exigidas neste lançamento têm por base o art. 22, IV, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99, o qual foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC. Segue ementa do acórdão: RE 595.838 RECURSO EXTRAORDINÁRIO EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da Fl. 320DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 6 cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Assim, reconheço a ausência de amparo legal para se exigir as contribuições lançadas a este título, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 20151, que determina, no âmbito deste Conselho, a reprodução das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo art. 543B do CPC. Auxílio Educação. Curso de PósGraduação O fundamento fáticojurídico do lançamento é o salário utilidade pago aos empregados da recorrente, relativo ao custeio de cursos de pós graduação a eles destinados (MBA e mestrado), pois, segundo a fiscalização, apenas o custeio da educação escolar básica está excluído da incidência de contribuições previdenciárias, nos termos da alínea “t” do § 9o da Lei 8.212/91. De acordo com artigo 22, I, e art. 28, ambos da Lei 8.212/91, os ganhos habituais em forma de utilidades, em regra, integram o salário de contribuição do segurado empregado. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(g.n.) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que 1 art. 62... ... § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 319 7 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (g.n.) A exceção ocorre quando o salárioutilidade não possui caráter contraprestativo, notadamente quando bens ou serviços são fornecidos como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laborativa. Esse conceito é conhecido pela clássica fórmula de que somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. No caso do auxilio educação, o legislador optou por criar regra expressa de não incidência, condicionada ao atendimento de certos requisitos previstos no art. 28 § 9o, “t” da Lei 8.212/91. Vigorava, à época dos fatos geradores, a redação dada a esse dispositivo pela Lei 9.711/98, a qual isentava das contribuições aqui tratadas os valores pagos aos empregados a título de cursos de educação básica e de capacitação e qualificação profissionais, vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não constituíssem substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tivessem acesso ao plano educacional: Lei 8212/91: Art. 28. ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Posteriormente, a Lei 12.513, de 16/10/2012, promoveu alterações nesse dispositivo, passando a exigir o cumprimento de outros requisitos para a não incidência dessa verba. As novas regras, entretanto, não se aplicam ao caso, que trata de fatos geradores ocorridos antes da sua edição. É na Lei 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que estão os conceitos de educação básica, capacitação e qualificação profissionais, bem como os princípios da educação profissional e tecnológica, a qual é concebida como educação continuada e integrada aos diferentes níveis e modalidades de educação e dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia: LDB: Fl. 322DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 8 Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) O Decreto 5.154, de 23 de julho de 2004, que regulamenta a LDB, estabelece que a formação inicial e continuada de trabalhadores (dimensões que, com o Decreto 8.268/2014, foram abarcadas pela expressão “qualificação profissional” 2), incluem a capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização, em todos os níveis de escolaridade: Decreto 5.154/2004: Art. 1º A educação profissional, prevista no art. 39 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), observadas as diretrizes curriculares nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação, será desenvolvida por meio de cursos e programas de: I qualificação profissional, inclusive formação inicial e continuada de trabalhadores; (Redação dada pelo Decreto nº 8.268, de 2014) II educação profissional técnica de nível médio; e III educação profissional tecnológica de graduação e de pós graduação. ... Art. 3º Os cursos e programas de formação inicial e continuada de trabalhadores, referidos no inciso I do art. 1o, incluídos a capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização, em todos os níveis de escolaridade, poderão ser ofertados segundo itinerários formativos, objetivando o desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva e social. (grifei). Em suma, a qualificação profissional engloba a formação inicial e a aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade, e constitui objetivo da educação profissional, de acordo com a Lei 9.394/96. 2 A expressão "formação inicial e continuada de trabalhadores", prevista na redãção original do inciso I do art. 1o do Decreto 5.154, de 23 de julho de 2004, foi alterada para "qualificação profissional", pelo Decreto 8.268, de 2014: Art. 1o A educação profissional, prevista no art. 39 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), observadas as diretrizes curriculares nacionais definidas pelo Conselho Nacional de Educação, será desenvolvida por meio de cursos e programas de: I qualificação profissional, inclusive formação inicial e continuada de trabalhadores; (Redação dada pelo Decreto nº 8.268, de 2014) Fl. 323DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 320 9 Por sua vez, observados os critérios legais, o art. 28 § 9o, “t” da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, exclui da tributação o valor relativo a cursos de capacitação e qualificação profissionais, a qual, conforme disposto nos arts. 1º e 3º do Decreto 5.154/2004, engloba a educação profissional em todos os níveis de escolaridade. Logo, não há respaldo, na legislação, para se excluir os cursos de pósgraduação da hipótese de isenção. No sentido de que não incide contribuição previdenciária sobre o salário indireto recebido por empregado a título de custeio de curso de graduação e de pós graduação, cito os seguintes precedentes do CARF: Ac. 2403002.7343, 4a Câmara/3a Turma Ordinária/2a Seção, rel. Cons. Carlos Alberto Mees Stringari, sessão de 11/09/2014, Ac. 2402004.1674, 4a Câmara/2a Turma Ordinária/2a Seção, rel. Cons. Ronaldo de Lima Macedo, sessão de 16/07/2014; Ac. 2301003.9965 – 3a Câmara/1a Turma Ordinária/ 2a. Seção, rel Cons. Mauro José Silva, sessão de 15/04/2014. Entretanto, para que não ocorra incidência de contribuição previdenciária, o curso de pós graduação deve estar vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa e todos os empregados e dirigentes devem ter acesso a ele. A fiscalização deixou de demonstrar o desatendimento dessas condições. Quanto à pertinência dos cursos, limitouse a listar os cursos custeados pela Recorrente no anexo 3, fls. 43, os quais pertencem às áreas de administração, contabilidade e economia. Quanto à disponibilização dos cursos a todos os funcionários e dirigentes, a fiscalização apenas transcreveu a resposta dada pela Recorrente quando questionada a este respeito, a qual afirmou que as bolsas estavam disponíveis a todos os empregados e dirigentes, desde que observadas as condições previstas em Convenção Coletiva, deixando, todavia, de especificar essas condições. Em suma, a fiscalização deixou de demonstrar os requisitos necessários para afastar a isenção das contribuições aqui tratadas, em relação aos pagamentos feitos pela Recorrente aos seus empregados, na forma de utilidades, mediante custeio de cursos de pós graduação, de modo que não há respaldo legal para se exigir o crédito tributário incidente sobre esses pagamentos. 3 BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. 4 BOLSA DE ESTUDOS. CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO COM EXTENSÃO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS DA RECORRENTE. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bolsas de estudos a empregados, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, desde que extensivo a todos, insere se na norma de não incidência. Não houve a caracterização do fato gerador sobre a verba paga a título de auxílio educação (bolsa de estudos) aos segurados empregados. 5 ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO RELACIONADOS COM AS ATIVIDADES DA EMPRESA ENTENDIDOS COMO CURSOS DE CAPACITAÇÃO. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Os cursos de graduação e pósgraduação podem ser considerados cursos de capacitação e estão abrangidos pelo benefício desde que estejam relacionados com as atividades da empresa. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 10 Indenização Adicional Convenção Coletiva de Trabalho. Tributação A Recorrente pagou, na rescisão contratual, o valor correspondente a 0,5 salário, 1 salário ou 1,5 salário, aos empregados dispensados por iniciativa do empregador e sem justa causa, com mais de 10, 20 e 30 anos de serviço na empresa, respectivamente, conforme previsto em Convenção Coletiva de Trabalho. A base de cálculo da contribuição previdenciária prevista constitucionalmente é composta pela folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física, em retribuição ao trabalho (art. 195, I, “a”, CF). Portanto, não estão incluídas no âmbito da incidência, as parcelas de caráter indenizatório, quais sejam, os valores pagos pelo empregador, ao empregado, a título de reparação de ato ilícito ou ressarcimento de dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço. Na espécie, não se constata eventual dano ou prejuízo sofrido pelo empregado em razão da prestação do serviço, pois a rescisão do contrato de trabalho, por si só, ainda que sem justa causa, não gera obrigação de indenizar o empregado além do previsto em lei. Inexistindo a causa jurídica geradora de indenização, concluise que as verbas em questão foram pagas em retribuição ao trabalho do empregado dispensado, de modo que possuem natureza remuneratória, e não indenizatória, notadamente por se tratar de pagamento feito por liberalidade do empregador, uma vez que a lei não prevê o pagamento desse tipo de verba, sendo que a previsão em Convenção Coletiva de Trabalho não altera a sua natureza jurídica. A Convenção Coletiva de Trabalho não é instrumento eficaz para conceder isenção tributária, que é matéria privativa de lei, nos termos do § 6º do art. 156 da Constituição Federal, 6 lei esta em sentido formal, conforme doutrina de Leandro Paulsen7: A exigência de lei formal em matéria tributária dáse tanto para a instituição ou majoração de tributos (a legalidade estrita do art. 150, I, da CF) como para a concessão de isenções e de quaisquer outras diminuições ou dispensas da carga tributária (art. 150, § 6º, da CF). Outra tese aventada no recurso é no sentido de que os pagamentos são eventuais, tendo ocorrido apenas ao final do contrato de trabalho, e, por conseguinte, estariam abarcados pela isenção prevista no art. 28, § 9o, “e”, 7, da Lei 8.212/91: Art. 28 ... 6 Art. 156... § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 7 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Ed. Livraria do Advogado, 2014. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 16682.720051/201210 Acórdão n.º 2301004.390 S2C3T1 Fl. 321 11 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 ... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Entretanto, a ausência de continuidade não significa que o ganho seja eventual, já que este último está associado a um acontecimento incerto, casual, fortuito e não a um acontecimento descontínuo8. O pagamento das verbas em análise não é eventual, pois é devido na rescisão do contrato de trabalho quando atendidos os requisitos préestabelecidos, de modo que está atrelado a evento certo e com previsibilidade da sua ocorrência. Por fim, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao analisar a incidência de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sobre verba paga na rescisão do contrato de trabalho, a título de indenização por liberalidade do empregador, concluiu que a verdadeira natureza dessa verba é remuneratória: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 458 E 535, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. TRIBUTÁRIO. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. INDENIZAÇÃO POR LIBERALIDADE DO EMPREGADOR. NATUREZA REMUNERATÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. 1. O acórdão suficientemente fundamentado que não aborda todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pela parte não viola o disposto nos artigos 458 e 535, do CPC. 2. As verbas concedidas ao empregado por mera liberalidade do empregador quando da rescisão unilateral de seu contrato de trabalho implicam acréscimo patrimonial por não possuírem caráter indenizatório, sujeitandose, assim, à incidência do imposto de renda. Precedentes: EAg Embargos de Divergência em Agravo 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, DJ 12.06.2006; EREsp 769.118 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJ de 15.10.2007, p. 221; REsp n.º 706.817/RJ, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 28/11/2005; EAg 586.583/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, v.u., julgado em 24.5.2006, DJ 12.6.2006 p. 421; EREsp 775.701/SP, Relator Ministro Castro Meira, Relator p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 26/4/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 1.8.2006 p. 364; EREsp 515.148/RS, 8 As diferenças conceituais dos temas aqui abordados – eventualidade e não habitualidade, são tratadas no Ac. 9202003.044, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscal, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire, Sessão de 12 de fevereiro de 2014. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR 12 Relator Ministro Luiz Fux, Data do Julgamento 8/2/2006, Data da Publicação/Fonte DJ 20.2.2006 p. 190 RET vol. 48 p. 28; AgRg nos EREsp. Nº 860.888 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 26.11.2008, entre outros. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (RE nº 1.102.575 MG, rel. Min. Mauro Campbell Marques) Em suma, a verba paga pela recorrente a título de “indenização condicional Convenção Coletiva de Trabalho” possui caráter remuneratório e não está excluída do campo de incidência pela lei, notadamente pelo parágrafo 9º do art. 28 da Lei 8.212, de modo que sobre ela incidem as contribuições aqui tratadas. Conclusão Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir as contribuintes incidentes sobre: a) valores pagos a cooperativas de trabalho no período de 01/2007 a 12/2008; b) pagamentos em utilidades feitos a empregados, correspondentes ao custeio de cursos de pósgraduação (MBA e mestrado), no período de 04/2008 a 12/2008. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
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Numero do processo: 10530.000664/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2802-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o julgamento, com fundamento no ART. 62-a, § 1º do Regimento Interno do CARF.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (presidente).
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, sobrestar o julgamento, com fundamento no ART. 62a, § 1º do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (presidente). Inicialmente, tomo de empréstimo o relatório elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o qual reflete de forma precisa a hipótese dos autos até o momento do julgamento da impugnação: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 147.407,10, incluída a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .0 00 66 4/ 20 09 -8 1 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10530.000664/200981 Resolução nº 2802000.022 S2TE02 Fl. 190 2 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a titulo de "Valores Indenizatórios de URV", em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. 0 contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: (a)não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a titulo de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; (b)segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia a fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este Ultimo qualquer responsabilidade pela infração; (c)mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de oficio, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; (d)o Ministério da Fazenda, em resposta A Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de oficio, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da Unido, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante a PGFN e a RFB; (e)o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; (f)ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; (g)em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a titulo de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a titulo de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10530.000664/200981 Resolução nº 2802000.022 S2TE02 Fl. 191 3 tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; (h)é pacifico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; (i)independentemente da controvérsia quanto A competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada a Lei Federal, o valor recebido a titulo de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; (j)o STF, através da Resolução n° 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizat6ria, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao principio constitucional da isonomia. Em 13 de maio de 2009, foi publicado o Despacho do Ministério da Fazenda S/N, de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação As ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Diante do exposto, foi determinada diligencia fiscal para que o processo retornasse ao órgão de origem para que este adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal em questão ao disposto no Parecer PGFN/CRJ/N° 287/2009. Em resposta, foi elaborado o demonstrativo e relatório, as fls. 89. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência fiscal e manifestouse contrario ao referido procedimento, alegando, em síntese, que o lançamento fiscal não poderia ser revisto sem que antes fosse declarado nulo. Teria havido uma clara mudança de critério jurídico na apuração da base de cálculo, bem como, a utilização de outras tabelas e alíquotas, violando o Artigo 146 do CTN. Ao menos, deveria ser declarada a decadência parcial do lançamento referido ao ano de 2004, nos termo do art. 150, § 4º, do CTN, pois o novo lançamento somente foi realizado em 2010.” Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10530.000664/200981 Resolução nº 2802000.022 S2TE02 Fl. 192 4 Ato contínuo, em sessão de 04/08/2010, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SDR, no Acórdão 1524.484, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei Estadual da Bahia n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei Estadual da Bahia n.º 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; (i)a manifestação do Ministério da Fazenda não seguiu o rito do Artigo 48 da Lei n.º 9.430/1996, razão pela qual teve caráter meramente informativo e não vinculativo, o mesmo acontecendo com a Nota Técnica Cosit n.º 4/2009 esta por não se tratar de norma complementar, nos termos do Artigo 100 do CTN; (j)a Turma Julgadora não está vinculada ao teor da Nota Técnica AGU/AV12/2007, mencionada no Parecer PGFN/CAT/n.º 179/2009, em virtude de sua abrangência restrita; (l)é cabível a revisão do lançamento fiscal para ajustálo ao Parecer PGFN/CRJ n.º 287/2009, aprovado pelo Despacho do Ministério da Fazenda S/N, a fim de conceder o mesmo tratamento da jurisprudência pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça; (m)os novos cálculos apresentados coadunamse com o § 5º do Artigo 19 da Lei n.º 10.522/2002, o qual determina a revisão de ofício mesmo para os créditos tributários já constituídos, razão pela qual estarseia afastada a alegação de decadência referente ao ano de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10530.000664/200981 Resolução nº 2802000.022 S2TE02 Fl. 193 5 2004; e (n)entendeu aplicável as tributações das diferenças realizadas a título de URV, pois nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à alíquota máxima do imposto de renda e que as parcelas a deduzir foram aproveitadas na tabela progressiva; Regularmente intimado (fl. 145), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 146/184), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal, a fim de ser julgado nulo ou improcedente o Auto de Infração, ou, ainda, na hipótese de manutenção do lançamento, que seja excluída a incidência da multa de ofício e a incidência do imposto de renda que recaiu sobre os juros de mora do período. Todavia, tendo em vista tratarse a hipótese de lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento no STF ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Desta forma, voto no sentido de sobrestar o julgamento, com fundamento no ART. 62a, § 1º do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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