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Numero do processo: 10783.900166/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 00 16 6/ 20 06 -1 5 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Resolução nº 1802000.205 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação – DCOMP apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1221.976, às fls. 38 a 40: A empresa em epígrafe apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02), acompanhada de documentos (fls. 03/13), contra o Despacho Decisório Eletrônico de fls. 01, da DRF Vitória/ES, que não homologou a compensação pleiteada, em razão de inexistir crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP, já que o DARF utilizado como instrumento creditório havia sido utilizado em outro débito (código 6106, PA 01/11/2002). A interessada em sua defesa alega que: a) Em agosto de 2003 recebeu o Ato Declaratório Executivo DRF/VITÓRIA, comunicando a exclusão da empresa do Simples a partir de 01/01/2002; b) Providenciou a apuração dos impostos a partir da data da exclusão (01/01/2002) pelo regime de apuração do Lucro Presumido; c) Utilizou os recolhimentos efetuados com o código 6106 para compensação dos impostos apurados de conformidade com a apuração pelo regime do Lucro Presumido; d) O DARF em questão, originalmente utilizado para pagamento do Simples, com a exclusão da empresa do regime, ficou como pagamento indevido, utilizando, portanto, estes recolhimentos para compensar os impostos devidos pelo novo regime de tributação, vez que não existe mais débito de imposto para o código 6106 utilizado no DARF pago. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJ I manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA QUANTO AO CRÉDITO. O ônus da prova do indébito tributário é do sujeito passivo, mormente quando em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal não há como se constatar que realmente para os fatos geradores em que a interessada fora excluída do Simples havia duplicidade de Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Resolução nº 1802000.205 S1TE02 Fl. 4 3 recolhimento efetuado, para o mesmo período, com base no Lucro Presumido. Rest/Ress: indeferido Comp. não homologada Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 30/04/2009 (quinta feira), conforme AR às fls. 47, a Contribuinte apresentou em 02/06/2009 o recurso voluntário de fls. 48 a 51, onde basicamente reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Resolução nº 1802000.205 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 30/04/2009, uma quinta feira. Como o dia 1º de maio é feriado nacional, a contagem do prazo para apresentação de recurso só foi iniciada em 04/05/2009 (segundafeira). O recurso foi apresentado em 02/06/2009 e é, portanto, tempestivo. Também está dotado dos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de declaração de compensação por ela apresentada. O PER/DCOMP nº 26865.15153.190903.1.3.041182 (fls. 08 a 12) foi transmitido em 19/09/2003. A Contribuinte utilizou crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de SIMPLES, referente ao período de apuração PA novembro/2002, para quitar, por compensação, débitos de Cofinsnovembro/2002, IRPJ 4º trim/2002 e Pisdezembro/2002. A Delegacia de origem, por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 01, não homologou a compensação pleiteada, em razão de inexistir crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP, já que o DARF utilizado como instrumento creditório havia sido utilizado em outro débito (código 6106, PA 01/11/2002). Desde o início, a Contribuinte vem alegando que foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/VIT nº 421.283, de 07 de agosto de 2003 (fls. 03), e que, em razão disso, utilizou os recolhimentos efetuados com o código 6106 para compensação dos impostos apurados de acordo com o regime do Lucro Presumido. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação à compensação, porque não foi teria sido possível constatar, pelos sistemas da Receita Federal, “que realmente para os fatos geradores em que a interessada fora excluída do Simples havia duplicidade de recolhimento efetuado, para o mesmo período, com base no Lucro Presumido”. Transcrevo a seguir o conteúdo do voto que orientou a decisão em primeira instância administrativa: Quanto à razão do indeferimento do seu pedido, a interessada alega que efetuou já para o anocalendário de 2002 recolhimentos com base no Lucro Presumido. Entretanto, em consulta ao Sistema SIEF — PAGAMENTOS — CONSULTA, foi verificado que entre o período de 2002 e 2004 foram efetuados recolhimentos tanto de Simples como de Lucro Presumido a partir de 2003. Ocorre que a interessada, cujo ônus lhe pertencia, deveria ter demonstrado de que forma este pagamento de Simples teria sido Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Resolução nº 1802000.205 S1TE02 Fl. 6 5 indevido, já que não o sistema aloca o respectivo DARF para recolhimento também de Simples do período anterior (sic). Portanto, como seria ônus da interessada a comprovação de que realmente tais pagamentos de Simples foram indevidos, entendo que não há liquidez e certeza nos créditos pleiteados, bem como insuficiência do mesmo para quitar os débitos declarados na PER/DCOMP. Dessa forma, como os alegados créditos não gozam dos pressupostos de liquidez e certeza previstos no art. 170 do CTN, visto não ter o contribuinte trazido aos autos as provas a seu favor, INDEFIRO a solicitação e NÃO HOMOLOGO A COMPENSAÇÃO. O pleito da interessada não está fundado em alegação de duplicidade de pagamento. O que ela busca é o aproveitamento de pagamento realizado com o código 6106 (Simples), relativo a período para o qual ela fora excluída do Simples, visando a quitação, mediante compensação, de tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime que teria passado a adotar justamente em razão de sua exclusão do Simples. A decisão de primeira instância administrativa produz uma contradição. Por meio da declaração de compensação, a Contribuinte reconheceu débitos no regime do lucro presumido, justamente porque havia sido excluída do regime de tributação simplificada. Tudo indica que a Contribuinte, conformada com sua exclusão do Simples, pretendeu apenas utilizar pagamento que não mais poderia ficar vinculado a débito do regime simplificado para quitar tributos apurados com as regras do lucro presumido, alguns deles relativos ao mesmo período de apuração do mencionado pagamento. Mas ao manter a vinculação do pagamento ao débito no código 6106, a DRJ acabou mantendo o débito do Simples, conforme originalmente apurado pela Contribuinte. Restou então, para um mesmo período, uma incorreta cumulação de débitos, ou seja, débito de Simples e débitos apurados de acordo com o regime do Lucro Presumido. É oportuno registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado costuma se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. E quando isto não é feito de ofício, esta instância administrativa manda fazêlo. A matéria já está inclusive sumulada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Resolução nº 1802000.205 S1TE02 Fl. 7 6 O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. É por isso que em muitos casos o aproveitamento de pagamento feito sob o regime simplificado (para quitação de débitos decorrentes do regime de tributação adotado em substituição àquele) nem mesmo exige compensação via PER/DCOMP, quando o pagamento referese aos mesmos tributos e períodos dos “novos” débitos. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples do PA novembro/2002 para quitar débitos de Cofinsnovembro/2002, IRPJ 4º trim/2002 e Pisdezembro/2002, apurados, segundo ela, de acordo com o regime do lucro presumido. A decisão sobre este encontro de contas não pode estar fundamentada na convalidação do débito apurado e declarado no código 6106, relativo ao Simples. Se foi o próprio Fisco que excluiu a Contribuinte do Simples, e com efeitos a partir de 01/01/2002 (fls. 3), este não pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão. Também não serve a esse fim o argumento de que não houve comprovação de duplicidade no pagamento, até porque não é esta a alegação da Contribuinte. A solução do presente processo depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela Delegacia de origem. O exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; e 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (que a contribuinte alega ser o Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.900166/200615 Resolução nº 1802000.205 S1TE02 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Vitória/ES atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.005186/2005-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ITR. PERDA DA POSSE DO IMÓVEL. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO QUE FOI DESPOJADO DA POSSE EM RAZÃO DE INVASÃO.
Entre o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil e o seu possuidor a qualquer titulo, a eleição do contribuinte não é um ato discricionário da Fazenda Nacional, ela deve necessariamente recair sobre aquele com relação pessoal e direta mais robusta com o imóvel rural. Com a invasão, o direito da recorrida ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse e nem possibilidade de uso ou fruição do bem; conseqüentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de beneficios para a proprietária. Assim, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade (Precedente do STJ. RESP RESP n° 1.144.982- T T. - Rel. Min. Mauro Campbell Marques- DIU 15.10.2009).
Recurso de ofício negado.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negou provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann..
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 ITR. PERDA DA POSSE DO IMÓVEL. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO QUE FOI DESPOJADO DA POSSE EM RAZÃO DE INVASÃO. Entre o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil e o seu possuidor a qualquer titulo, a eleição do contribuinte não é um ato discricionário da Fazenda Nacional, ela deve necessariamente recair sobre aquele com relação pessoal e direta mais robusta com o imóvel rural. Com a invasão, o direito da recorrida ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse e nem possibilidade de uso ou fruição do bem; conseqüentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de beneficios para a proprietária. Assim, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade (Precedente do STJ. RESP RESP n° 1.144.982- T T. - Rel. Min. Mauro Campbell Marques- DIU 15.10.2009). Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann..
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. PERDA DA POSSE DO IMÓVEL. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO PROPRIETÁRIO QUE FOI DESPOJADO DA POSSE EM RAZÃO DE INVASÃO. Entre o proprietário do imóvel rural, o titular do seu domínio útil e o seu possuidor a qualquer titulo, a eleição do contribuinte não é um ato discricionário da Fazenda Nacional, ela deve necessariamente recair sobre aquele com relação pessoal e direta mais robusta com o imóvel rural. Com a invasão, o direito da recorrida ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse e nem possibilidade de uso ou fruição do bem; conseqüentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de beneficios para a proprietária. Assim, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade (Precedente do STJ. RESP RESP n° 1.144.982 T T. Rel. Min. Mauro Campbell Marques DIU 15.10.2009). Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que negou provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 51 86 /2 00 5- 69 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann.. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005186/200569 Acórdão n.º 2202002.218 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/ MS DRJ/CGE, através do Acórdão n° 04 10. 210, de 25 de agosto de 2006. Trata o presente processo do auto de infração e documentos correlatos de fls.fls. 02 a 09, através do qual se exige o Imposto Territorial Rural — ITR, no valor original de R$ 1.951.121,01, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, decorrentes de alteração da área total do imóvel e glosa das áreas de utilização limitada, informadas na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial — DITR (DIAC/DIAT), do exercício de 2000, referente ao imóvel rural denominado "Gleba Colniza", com área total originalmente declarada de 64.476,6 ha, Número do Imóvel — NIRF 1.595.6571, localizado no município de Colniza /MT. No lançamento de oficio foi também efetuada avaliação da terra nua conforme o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT. As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas à fls 02. A alteração da área total do imóvel, bem como a glosa efetuada causaram aumento da área tributável de 12.895,6 ha para 131.473,7 ha, O valor da terra nua tributável, que lhe é proporcional, aumentou para R$ 9.768.500,36, montante este alcançado também em decorrência de avaliação conforme o SIPT. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 06 e 07, a alteração da área total se deu em razão da análise das matriculas do imóvel, ocasião em que se constatou que averbação de transferência de propriedade de determinadas parcelas somente em 2003; a glosa das áreas utilização limitada foi efetuada em virtude de ter sido cancelada a averbação da área de reserva legal, bem como por não ter sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental. A valoração pelo SIPT se realizou em virtude de o laudo técnico de avaliação não satisfazer aos requisitos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. A interessada apresentou impugnação tempestivamente, fls. 183 a 196, onde apresenta ampla defesa, alegando diversos pontos, especialmente de que o lançamento foi realizado em áreas não contínuas e que o terreno já se encontrava invadido. A seguir são apresentados os principais argumento da recorrente: • A área declarada de 64.476,6 ha. é o remanescente da matricula e está correta, devendo ser excluída as áreas acrescentadas na autuação, pois a área de 19.572,0 ha. corresponde a 329 lotes do projeto aprovado pelo Incra, inscrito no Cartório de Registro de Imóveis, ainda não transferidos, que possui diversos cadastros próprios junto ao INCRA e Secretaria da Receita Federal e recolhe o ITR individualmente, e as áreas de 3.400,6 ha., de expansão do núcleo urbano, e de 44.023,7 ha. foram desapropriadas pelo INCRA e esse foi imitido na posse em 28/01/1999, conforme comprovantes que apresenta; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 • 0 conceito de reserva legal está no Código Florestal, art. 1 0, §2°. III, inserido peça MP n.° 2.16667, de 2001, e, como limitação administrativa à propriedade, independe de averbação no Registro de Imóveis, pois sua publicidade é conferida pela Lei; a necessidade de averbação no Registro de Imóveis surge quando seu proprietário tem a pretensão de explorar o imóvel suprimindo a vegetação nativa ou florestas já existentes; a emissão do Termo de Preservação de Florestas não dá eficácia à reserva legal, o que decorre de lei, e sua averbação tem a (mica finalidade de autorizar o interessado a desmatar o imóvel, para se determinar onde será realizada a exploração; sem averbação não poderá haver exploração alguma e, com ela, não se pode exceder aos 20% da propriedade, como permitido por lei; assim, averbada ou não, a área de reserva legal do imóvel é de 80% e deve ser considerada para cálculo do ITR; • Para o Estado de Mato Grosso, em decorrência de decisão judicial concessiva de liminar no processo 1998.36.00.0040920, Mandado de Segurança, a Delegacia da Receita Federal foi notificada a se abster de exigir o Ato Declaratório Ambiental dos contribuintes do ITR no Estado, bem como de emitir lançamento suplementar em face da ausência do referido documento; • 0 laudo apresentado atende à NBR n.° 8799, foi elaborado por profissional legalmente habilitado, que desenvolveu seu trabalho observando as peculiaridades da região do imóvel, inclusive com as dificuldades de coleta de informações, mormente por se tratar de dados relativos ao ano 2000 e de área completamente invadida; a norma citada prevê três níveis de precisão, podendo ser escolhido pelo profissional o método e nível mais condizente com a regido do imóvel; foi escolhido o nível de avaliação expedita com utilização do método direto de custo, sendo que a NBR n.° 14.653/1, em seu item 8.1.2, faculta ao profissional a escolha de outros procedimentos; • A área está invadida e seu proprietário, por força de atuação do Incra, está impedido de retomar sua posse, e, assim, não existe um valor de mercado para esse imóvel; • Quanto ao VTN atribuído pela Receita Federal, não são válidas as tabelas de terra nua utilizadas porque os pregos para o Estado de Mato Grosso não foram levantados conforme determinam os dispositivos legais e normativos; a Receita Federal não observou o disposto no art. 3', parágrafo 2' da Lei n.° 8.847/1994 para definir o VTN minlimo por hectare de cada município; sabese que a Fundação Getúlio Vargas informou à Receita Federal os valores da terra nua de vários municípios do Estado, mas não fez qualquer levantamento para concluir o valor da terra nua no mês de dezembro do exercício anterior ao do lançamento de cobrança do ITR; através do OF/PF/867/93, de 18/junho/1993, essa Fundação respondeu formulação feita pelo Governador do Estado de Mato Grosso; a Empaer/MT, no Oficio n." 1.718/93, afirmou que jamais fez levantamento de preços de terra com objetivo de embasar cobrança do ITR, e que fez os levantamentos, mas com outro objetivo; • A Lei n.° 9.393/1996 dispõe em seu artigo 14 que, no caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de Fl. 502DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005186/200569 Acórdão n.º 2202002.218 S2C2T2 Fl. 4 5 subavaliação ou de prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre pregos de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de Lea total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização, e estabelece em seu parágrafo 1 0 . que as informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, §1", inciso II, da Lei n.° 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios; e que, para atender a Portaria SRF n.° 447, de 2002, que aprovou o Sistema de Pregos de Terras, a SRF teria que providenciar o levantamento de pregos de terras; A DRJ ao apreciar os argumentos do recorrente julga o lançamento procedente em parte, excluindo parte da área incorretamente lançada nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ANALISE DO MÉRITO. Procedese à nova análise do mérito da impugnação, cumprindo determinação do órgão julgador de segunda instância nesse sentido, que entendeu ter ocorrido preterição do direito de defesa do contribuinte no julgamento proferido anteriormente pela primeira instância administrativa. AREA CONTINUA. Para fins de tributação pelo ITR, as Areas continuas de um mesmo proprietário formam um único imóvel rural. AREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação sobre Areas de preservação permanente e/ou de utilização limitada, além de comprovação efetiva da existência dessas Áreas, é necessário comprovação de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao 1BAMA, no prazo previsto na legislação tributária. Considerase de reserva legal apenas a Área devidamente averbada como tal â margem da matricula do imóvel, â. época do respectivo fato gerador. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Lançamento Procedente em Parte Fl. 503DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Concluise que deve ser alterado o crédito tributário,constituído através do lançamento impugnado, para se manter a exigência do imposto a seguir demonstrado, fazendo se as alterações devidas nos itens 02, 04, 06, 12, 13, e 17 a 19, apurados do demonstrativo de fl. 02, conforme segue: linha 02, área total do imóvel, de 131.473,7 há para 84.048,6 ha; linha 04, área tributável, de 131.473,7 ha para 84.048,6 ha; linha 13, valor total do imóvel, de R$ 9.768.500,36 para R$ 6.244.810,99; linha 16, valor da terra nua, de RS 9.768.500,36 para R$ 6.244.810,99; linha 17, valor da terra nua tributável, de RS 9.768.500,36 para RS 6.244.810,99; linha 19, imposto devido, de R$ 1.953.700,07 para R$ 1.248.962,19; e diferença de imposto apurada, de R$ 1.951.121,01 para RS 1.246.383,13. Em função do valor excluído recorre de ofício. A recorrente interpõe recurso voluntário, reiterando as mesmas razões da impugnação. Por meio da Resolução n° 220200.073, os membros da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteram o julgamento em diligência para: 1 Que a repartição de origem determine que a recorrente apresente as provas mais completas possíveis que demonstrem que o terreno objeto do lançamento encontravase invadido e que representam terrenos não contíguos. 2 Que a autoridade fiscal se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista a recorrente, com prazo de 20 dias para se pronunciar, querendo. Após a juntada aos autos do processo das provas, em cumprimento da diligência acima referida, que demonstram a situação concernente A invasão e aos remanescentes da área original, informamos: Às Fls 441 dos autos do presente processo constatase que em 01/08/1996 foi ajuizada uma ação de reintegração de posse e que as invasões ocorreram e continuaram a ocorrer após a oitiva das testemunhas em 24/11/1997. Em 25/02/1998 foi deferida a Reintegração de Posse a recorrente. Esta reintegração de posse não foi cumprida quando da ocorrência do fato gerador do ITR, exercício 2000. Diante dos fatos constantes da decisão/liminar do processo n° 389/96 proferida pela juíza substituta da Comarca de Juina, Maria Aparecida Vitório, concluise que a área estava na posse dos invasores. Às fls. 485 dos autos do presente processo foi juntada uma imagem satélite da area do imóvel. Nesta imagem constatase que as áreas remanescentes, colniza 1, colniza 2, colniza3, colniza 4, colniza 5, colniza 6, colniza 7 não são contíguas por terem sido separadas pelas áreas de assentamento promovidas pelo INCRA, INTERMAT, COLNIZA. É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005186/200569 Acórdão n.º 2202002.218 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Do Recurso de Ofício A DRJ ao apreciar os argumentos do recorrente resolveu reduzir a área de total do imóvel de 131.473,7 ha para 84.048,6 ha. A contribuinte negou que as áreas tratadas são continuas, apresentando como justificativa a alegação de que apenas a área declarada de 64.476,6 ha. é a remanescente da matricula e que possui diversos cadastros próprios junto ao Incra e à Receita Federal, que recolhem o ITR individualmente. 0 fiscal autuante demonstrou de forma clara que a área tributada é remanescente do imóvel com área de 180.000,0 ha., matriculado junto ao Registro de Imóveis sob o n.° 30.722, e que, apesar dos desmembramentos para outras matriculas, a interessada continuou com a propriedade de área superior a declarada. A contribuinte não apresentou comprovação de que as Áreas acrescidas pela fiscalização, oriundas da mesma matricula 30.722, não são continuas com as áreas declaradas sob o NIRF 15955671. 0 fato de a contribuinte ter tributado pelo ITR, separadamente, parte das Áreas desmembradas do imóvel original, não afasta a obrigação de cumprimento da legislação tributária que prevê que as áreas continuas devem ser consideradas como um só imóvel e devem assim ser tributadas. Com isso, resta apenas reconhecer que eventual pagamento do ITR/2000 já efetuado pela contribuinte para áreas relativas ao mesmo imóvel, ainda que com outros NIRFs, devem ser compensados com o imposto apurado no Auto de Infração, afastandose a cobrança de multa de oficio e juros de mora sobre valores pagos anteriormente. Para tanto, a contribuinte deve apresentar os comprovantes de pagamento ao órgão local para que os valores pagos sejam afastados da cobrança. No lançamento de oficio foram acrescidas ao imóvel declarado as seguintes áreas: de 19.572,0 ha., 3.400,0 ha. e 44.023,7 ha., correspondentes, respectivamente, às matriculas 31.904, 58.520 e 58.491, todas desmembradas da matricula 30.722. Da análise dos documentos juntado aos autos e verificação dos dados de áreas indicados nas matriculas, observei que a área que permaneceu como propriedade da interessada na matricula 31.904 é até um pouco superior a de 19.572,0 ha., mas que não ha justificativa para sua alteração, visto ser vedado ao órgão julgador alterar o lançamento em prejuízo do contribuinte. Quanto às áreas de 3.400,0 ha. e 44.023,7 ha., apesar de não ter sido juntada aos autos a matricula 58.520 e não constar da matricula 58.491 (fls. 146) informação sobre imissão prévia do mera na posse do imóvel em data anterior ao do fato gerador do Fl. 505DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 presente lançamento, o contribuinte logrou comprovar que o mera foi imitido na posse desses imóveis, por ordem judicial, em janeiro de 1999, conforme documentos de fls. 225 a 239, e, portanto, essas duas Áreas devem ser excluídas da Area do imóvel tributado. Uma vez que não encontro reparos no arrazoado da autoridade recorrida, acompanha a sua posição a luz da provas presentes nos autos. Deste modo, nego provimento ao recurso de ofício. Do Recurso Voluntário O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 496 e 497 Às Fls 441 dos autos do presente processo constatase que em 01/08/1996 foi ajuizada uma ação de reintegração de posse e que as invasões ocorreram e continuaram a ocorrer após a oitiva das testemunhas em 24/11/1997. Em 25/02/1998 foi deferida a Reintegração de Posse a recorrente. Esta reintegração de posse não foi cumprida quando da ocorrência do fato gerador do ITR, exercício 2000. Diante dos fatos constantes da decisão/liminar do processo n° 389/96 proferida pela juíza substituta da Comarca de Juina, Maria Aparecida Vitório, concluise que a área estava na posse dos invasores. Às fls. 485 dos autos do presente processo foi juntada uma imagem satélite da area do imóvel. Nesta imagem constatase que as áreas remanescentes, colniza 1, colniza 2, colniza3, colniza 4, colniza 5, colniza 6, colniza 7 não são contíguas por terem sido separadas pelas áreas de assentamento promovidas pelo INCRA, INTERMAT, COLNIZA. Neste contexto entendo que propriedade plena pressupõe o domínio, que se subdivide nos poderes de usar, gozar, dispor e reinvidicar a coisa. Em que pese ser a propriedade um dos fatos geradores do ITR, essa propriedade não é plena quando o imóvel encontrase invadido, pois o proprietário é tolhido das faculdades inerentes ao domínio sobre o imóvel. Com a invasão, o direito da recorrida ficou tolhido de praticamente todos seus elementos: não há mais posse , possibilidade de uso ou fruição do bem; consequentemente, não havendo a exploração do imóvel, não há, a partir dele, qualquer tipo de geração de renda ou de benefícios para a proprietária. Ocorre que a função social da propriedade se caracteriza pelo fato do proprietário condicionar o uso e a exploração do imóvel não só de acordo com os seus interesses particulares e egoísticos, mas pressupõe o condicionamento do direito de propriedade à satisfação de objetivos para com a sociedade, tais como a obtenção de um grau de produtividade, o respeito ao meio ambiente, o pagamento de impostos etc. Sobreleva nesse ponto, desde o advento da Emenda Constitucional n. 42/2003, o pagamento do ITR como questão inerente à função social da propriedade. O Fl. 506DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10183.005186/200569 Acórdão n.º 2202002.218 S2C2T2 Fl. 6 9 proprietário, por possuir o domínio sobre o imóvel, deve atender aos objetivos da função social da propriedade; por conseguinte, se não há um efetivo exercício de domínio, não seria razoável exigir desse proprietário o cumprimento da sua função social, o que se inclui aí a exigência de pagamento dos impostos reais. Na peculiar situação dos autos, ao considerarse a privação antecipada da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade sem o devido êxito do processo de desapropriação, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos referidos princípios da propriedade, da função social e da proporcionalidade. (Precedente do STJ. RESP RESP n° 1.144.982 T T. Rel. Min. Mauro Campbell Marques DIU 15.10.2009). Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 507DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/05/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10680.935173/2009-39
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Indébito de Estimativa.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84)
Numero da decisão: 1801-001.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Restituição. Compensação. Indébito de Estimativa. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.935173/200939 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.441 – 1ª Turma Especial Sessão de 8 de maio de 2013 Matéria Restituição / Compensação Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS CEMIG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DE ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF n º 84) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente, para analise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes Relatório A interessada acima epigrafada recorre a este colegiado, de acórdão proferido pela 3a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 51 73 /2 00 9- 39 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 inconformidade apresentada contra despacho decisório que não reconheceu direito creditório e não homologou as compensações declaradas. Em PERDCOMP transmitido em 18/03/2008 a recorrente pleiteou o reconhecimento do direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de fevereiro de 2005, no valor de R$ 4.473.900,00, para utilização da parcela de R$ 73.513,94 na compensação de outros débitos de tributos federais sob sua responsabilidade. A DRF em Belo Horizonte/MG, em despacho decisório, indeferiu o pleito sob o argumento de que pagamentos a título de estimativa mensal, ainda que feitos indevidamente ou em valores maiores que os devidos, somente podem ser utilizados como dedução do imposto ou da contribuição social devidos ao final do período ou para compor o saldo negativo apurado. Inconformada, manifestouse a interessada. Em sua defesa alegou que efetuou o cálculo da estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005, apurou e pagou o valor de R$ 4.473.900,00 Posteriormente, ao conferir os cálculos, observou que não teria havido estimativa efetivamente devida para o referido mês, inclusive quando comparado com as informações prestadas na DIPJ respectiva. Providenciou a retificação da DCTF do período o que teria gerado um recolhimento a maior de R$ 4.473.900,00, e apresentou PERDCOMP para se aproveitar do crédito na compensação de outros débitos. Afirmou não haver impedimento legal a compensação e que a única restrição existente estaria prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, mas a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005, teria revogado a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano. Requereu, alternativamente, que seja preservado o direito à restituição do indébito, uma vez que cumprido o prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN. A Turma Julgadora de 1a. instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao sob o fundamento de que não haveria possibilidade de aproveitamento de estimativas em compensações, mas somente na apuração final do tributo. Notificada da decisão, em 10/05/2010 (AR fl. 84), apresentou a interessada, em 09/06/2010, recurso voluntário no qual aponta, inicialmente, contradições na decisão exarada pela 3a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG. No mérito reafirma não haver impedimento legal à compensação pleiteada, mormente após o advento da IN SRF n º 900, de 2008. Reproduz os demais argumentos de defesa deduzidos na manifestação de inconformidade e colaciona estudos doutrinários e julgados administrativos para ilustrar sua tese. Ao final pugna pelo acolhimento do recurso para que seja reformada a decisão da DRJ em Belo Horizonte com o reconhecimento o direito creditório e homologação da compensação declarada. É o relatório. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Rafhael Frattari, OAB/MG 75.125. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935173/200939 Acórdão n.º 1801001.441 S1TE01 Fl. 3 3 Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente A recorrente pleiteia o reconhecimento de indébito, no valor de R$ 4.473.900,00, pelo recolhimento indevido de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2005 e o aproveitamento de parte desse crédito nas compensações declaradas nos autos. O direito creditório pleiteado nestes autos também é pleiteado e encontrase em litígio no processo n º 10680.935172/200994, igualmente distribuído a esta Relatora. Neste último processo as peças e argumentos de defesa apresentados pela interessada são idênticos, assim como são idênticas as decisões proferidas pela Turma Julgadora de 1a. instância. A Portaria RFB n º 666, de 24/04/2008, assim dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo:... IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; ... Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. ... Assim, em atendimento ao disposto na regra acima, deverá a unidade de jurisdição da recorrente providenciar a juntada do presente processo aos autos de n º 10680.935172/200994, assim como de quaisquer outros processos que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada – estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005 no valor de R$ 4.473.900,00. 2 Mérito No mérito observase que a DRF em Belo Horizonte e a Turma Julgadora de 1a. instância indeferiram o pleito da recorrente sob o fundamento de que não poderia haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário a gerar um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Tal questão já foi superada neste órgão de julgamento como se verifica da seguinte Súmula: Súmula CARF n º 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2005, indevidamente. Imperioso, entretanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a sua Unidade de Jurisdição e perante a Turma Julgadora de 1a. instância, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito pleiteado e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em virtude do mérito da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa e a turma julgadora da DRJ centraram suas decisões na possibilidade do pedido, e, assim, não analisaram a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela Unidade de Jurisdição da recorrente e pela Turma Julgadora de 1a. instância, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oportunidade de aditar suas razões recursais, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação na instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, e: 1) determinar que a unidade de jurisdição da recorrente providencie a juntada do presente processo aos autos de n º 10680.935172/200994, assim como de quaisquer outros processos que estejam em andamento neste CARF ou em qualquer outra unidade da RFB que tratem do mesmo direito creditório pleiteado nestes autos pela mesma interessada – estimativa de IRPJ de fevereiro de 2005 no valor de R$ 4.473.900,00; 2) reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela Unidade de Jurisdição e pela Turma Julgadora de 1a. instância, com o conseqüente retorno dos autos Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.935173/200939 Acórdão n.º 1801001.441 S1TE01 Fl. 4 5 para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.910869/2009-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS.
A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
Numero da decisão: 3403-002.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação, prescindindo, nesse caso, de prévia retificação da DCTF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 69 /2 00 9- 75 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório INDUSTRIAL REX LTDA. formulou o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação, por meio do qual pretendeu restituirse de indébito de Cofins (Cód. 5856), por pagamento efetuado em 13/10/2006, e compensar o direito creditório com débitos de IPI. Por Despacho Decisório Eletrônico, a DRF/BlumenauSC indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio reclamação, por meio da qual o contribuinte alega que o despacho decisório contestado não adentrou no mérito do crédito postulado . Pleiteia a declaração de nulidade do ato administrativo, em razão de faltarlhe motivação, fundamentação, o que feriria o direito ao contraditório e à ampla defesa. Argúi também a ausência de fundamentação , desvio de finalidade e prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal . E argumenta no sentido da necessidade da busca pela verdade material, princípio reitor da atuação administrativa. Complementarmente, pugna pela não exigência da multa de mora em razão da necessária subordinação aos princípios da vedação ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. E contesta, por fim, a imposição dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, chamando à colação à limitação dos juros de mora pretensamente posta no Código Tributário Nacional. Pleiteia, por fim, a decretação da nulidade do despacho decisório e a obstaculização de qualquer cobrança de valores resultantes do referido ato administrativo. A DRJ/FNS4ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 07029.065, de 25 de maio de 2012, fls. 59 a 63, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910869/200975 Acórdão n.º 3403002.101 S3C4T3 Fl. 105 3 Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/FNS4ª Turma. O arrazoado de fls. 67 a 89, após síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as arguições de nulidade já cogitadas na manifestação de continuidade. Invoca o princípio da verdade material para protestar por seu direito de provar o crédito mesmo na fase recursal. Tacha de nula a aplicação da multa de mora de 20% sobre os valores que diz serem indevidamente compensados. Da mesma forma, rechaça a incidência de juros Selic sobre o débito emergente da não homologação da compensação. Conclui, requerendo integral provimento ao Recurso Voluntário, a fim de que sejam homologadas as compensações declaradas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 67 a 89 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07029.065, de 25 de maio de 2012. Matéria controvertida A decisão recorrida não conheceu da reclamação quanto aos acréscimos legais incidentes sobre o valor do débito que emergiu inadimplido pela não homologação da compensação declarada. Fêlo bem. Tratandose de cobrança propriamente dita, a matéria escapa do rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Incidentalmente, saiba a recorrente que os acréscimos legais sobre os débitos não pagos na data de seu vencimento estão expressamente previstos no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não cabendo aos agentes da Administração deixar de aplicálos em face de argumentos de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Preliminares de nulidade do Despacho Decisório Nesse ponto, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. O despacho decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, devendo ser refutada a argüição. Ainda que de forma sintética, o despacho decisório contém motivação, base legal e permitiu ao contribuinte total conhecimento das irregularidades imputadas a seu pleito, habilitandolhe o exercício pleno do seu direito de defesa. Também não há que se falar em desvio de finalidade do ato administrativo, até mesmo porque este está corretamente fundamentado. Mérito Afastadas as preliminares argüidas e não conhecida a insurgência contra procedimentos de cobrança, a inconformidade manifestada na reclamação ficou vazia. Nada obstante, a decisão recorrida, assentandose sobre a premissa de que a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação reclama a prévia retificação do valor do débito pretensamente confessado em erro em DCTF, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sumariamente, sem qualquer menção ao “deserto” em que se transformou o presente processo no que diz respeito à prova do direito creditório aventado. Já é entendimento assentado nesta Turma o de que tal óbice deve ser afastado, em face do contido no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), reproduzido no art. 57 do Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, aprovado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, norma com aplicação autorizada aos processos da espécie pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. Na verdade, a prévia retificação da DCTF apenas viabiliza o processamento automático dos PER/Dcomp, mas jamais poderia ser tida como requisito para a verificação da liquidez e certeza de direito creditório. Se é certo que a espontaneidade da confissão do débito implica a sua irretratabilidade, também o é que o art. 214 do Código Civil – CC Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, admite sua revogação quando produzida em erro de fato. E, conforme visto, mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, pode (e deve) produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, entre elas, a do erro no preenchimento de declaração. Tecidas essas considerações preambulares, por meio das quais se refuta a necessidade de prévia retificação da DCTF e se reafirma o direito de produção probatório do crédito postulado até o momento processual da reclamação, não se pode deixar de reconhecer que não há o menor início de prova do indébito. O recorrente, a certa altura de sua peça recursal, protestou por seu direito de provar o direito creditório. Mas a insurgência limitouse a isso. O recorrente não alega erro na declaração, não questiona legalidade ou inconstitucionalidade da norma de incidência tributária, nem qualquer outra das fantasiosas construções de indébitos freqüentes depois da edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002. Nada. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910869/200975 Acórdão n.º 3403002.101 S3C4T3 Fl. 106 5 Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito; sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. É certo que as normas acima transcritas prevêem a realização de diligências, por parte da autoridade fiscal, destinadas à verificação da exatidão das informações trazidas pelos contribuintes, mas é preciso ter em conta que tal previsão não existe com o fim de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante; em outras palavras, as diligências servem para esclarecer pontos duvidosos específicos, e não para que a autoridade fiscal, diante da falta de comprovação da existência do crédito, supra tal omissão do contribuinte. No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910869/200975 Acórdão n.º 3403002.101 S3C4T3 Fl. 107 7 questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 8 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910869/200975 Acórdão n.º 3403002.101 S3C4T3 Fl. 108 9 Conclusão Nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10970.720050/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2010
VENDA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DESTINADA À REPRODUÇÃO. ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO REVOGADA. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
A partir da alteração do § 3.º do art. 25 da Lei n.º 8.870/1994, pela Lei n.º 9.528/1997, foi extinta a isenção de contribuições previdenciárias sobre a comercialização de produtos rurais destinados à reprodução, sendo legítima a exação sobre tais parcelas, a partir da vigência da referida alteração legislativa.
SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS
FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF.
IMPROCEDÊNCIA
Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogado.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento
administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da
constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA APLICADA COM BASE EM CRITÉRIO
INADEQUADO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Deve-se declarar nulo, por vício material, o auto de infração, cuja multa tenha sido fundamentada em dispositivo legal inaplicável à espécie.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.473
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso, para excluir o levantamento AP, relativo às aquisições de produto rural de pessoa física, do AI n.º 37.322.7973 (contribuições para a Seguridade Social) e do AI n.º 37.322.7973( contribuição para o SENAR) e que seja cancelada a multa aplicada no AI n.º 37.322.7990. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir o levantamento AP, relativo às aquisições de produto rural de pessoa física, do AI n.º 37.322.7973 (contribuições para a Seguridade Social) e do AI n.º 37.322.7973( contribuição
para o SENAR).
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2262; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 427 1 426 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10970.720050/201154 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2401002.473 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL Recorrente GRANJA PLANALTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2010 VENDA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DESTINADA À REPRODUÇÃO. ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO REVOGADA. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A partir da alteração do § 3.º do art. 25 da Lei n.º 8.870/1994, pela Lei n.º 9.528/1997, foi extinta a isenção de contribuições previdenciárias sobre a comercialização de produtos rurais destinados à reprodução, sendo legítima a exação sobre tais parcelas, a partir da vigência da referida alteração legislativa. SUBROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL POR PESSOAS FÍSICAS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. IMPROCEDÊNCIA Declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão plenária (RE n.º 363.852/MG), a inconstitucionalidade do art. 1.º da Lei n. 8.540/1992 e as atualizações posteriores até a Lei n. 9.528/1997, as quais, dentre outras, deram redação ao art. 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, são improcedentes as contribuições sociais exigidas dos adquirentes da produção rural da pessoa física na condição de subrogado. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA APLICADA COM BASE EM CRITÉRIO INADEQUADO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Devese declarar nulo, por vício material, o auto de infração, cuja multa tenha sido fundamentada em dispositivo legal inaplicável à espécie. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial do recurso, para excluir o levantamento AP, relativo às aquisições de produto rural de pessoa física, do AI n.º 37.322.7973 (contribuições para a Seguridade Social) e do AI n.º 37.322.7973(contribuição para o SENAR) e que seja cancelada a multa aplicada no AI n.º 37.322.7990. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento parcial em menor extensão, para excluir o levantamento AP, relativo às aquisições de produto rural de pessoa física, do AI n.º 37.322.7973 (contribuições para a Seguridade Social) e do AI n.º 37.322.7973(contribuição para o SENAR). Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 2401002.473 S2C4T1 Fl. 428 3 Relatório Trata o presente processo dos seguintes lançamentos: a) Auto de Infração – AI n.º 37.322.7973, o qual diz respeito à exigência das contribuições para a Seguridade Social, incluindo aquela destinada ao custeio dos benefícios acidentários e da aposentadoria especial, incidentes sobre a receita bruta da comercialização rural própria e adquirida de terceiros (subrogação); b) AI n.º 37.322.7981, o qual diz respeito à exigência das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as mesmas bases de cálculo do item precedente; c) AI n.º 37.322.7990, o qual referese à aplicação de penalidade pelo fato da empresa haver deixado de declarar integralmente na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP a receita bruta da comercialização rural. Nos termos do relato do fisco, a empresa, em conformidade com seu Contrato Social, dedicase à criação e comercialização de aves, ovos e pintos de um dia e à produção, para consumo próprio, de rações balanceadas e concentrados para uso animal, enquadrandose no FPAS 604. Para apuração fiscal foram considerados os seguintes levantamentos: a) PR – COMERC. PRODUÇÃO RURAL PRPJ: receita da comercialização da produção rural própria, que, segundo o fisco, não foi informada integralmente na GFIP, uma vez que a empresa excluiu indevidamente os valores decorrentes da venda de ovos para reprodução de pintos de um dia, todavia, essas operações deixaram de gozar da isenção tributária, por força da revogação do § 3.º do art. 25 da Lei n.º 8.870/1994 pela Lei n.º 9.528/1997. A auditoria informou ainda que foram excluídas da base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social os valores relativos à exportação direta de produtos e à devolução de vendas; b) RE – EXPORTAÇÃO PROD RURAL PRPJ: receitas de exportação, unicamente para incidência da contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – SENAR; c) AP – AQUISIÇÃO PROD RURAL PRPF: aquisição de produtos rurais de pessoa física, cuja empresa autuada teria responsabilidade pelo recolhimento na condição de subrogada, inclusive aquela decorrente de parceria de produção rural integrada. Afirmase ainda que as bases de cálculo foram extraídas de mapas financeiros fornecidos pela empresa e que foram aproveitadas as guias de recolhimento apresentadas. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), foi aplicada, apenas para a competência 11/2008, com esteio no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991 c/c o inciso II do § 3.º do mesmo artigo. A empresa apresentou impugnação, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que declarou procedente os lançamentos e indeferiu o requerimento para a realização de perícia técnica. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual pugna pelo reconhecimento da tempestividade do mesmo e, após breve narrativa dos fatos processuais, passou às alegações, conforme veremos. Afirma que o fato do órgão recorrido haver deixado de apreciar seus argumentos relativos à desconformidade da legislação que deu suporte aos lançamentos com a Constituição Federal fere os princípios da proporcionalidade a da razoabilidade. Sustenta que a falta de enfrentamento do argumento de que a incidência de contribuição sobre a venda de pintos de um dia e de ovos férteis é inconstitucional, por afrontar os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da bitributação, leva inexoravelmente à necessidade de reforma da decisão a quo. Especificamente em relação aos AI n.º 37.322.7972 e n.º 37.322.7981, argumentou: a) a legislação que incluiu na base de cálculo das contribuições previdenciárias as receitas de comercialização de pintos de um dia e de ovos férteis criou grave distorção no setor avícola, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva; b) a revogação do § 4.º do art. 25 da Lei n. 8.212/1991 onerou sobremaneira os pequenos e médios produtores, os quais, ao contrário das agroindústrias, não autuam em todo o ciclo produtivo da avicultura; c) a tributação do ovo fértil, do pinto de um dia e, posteriormente, do frango para abate causa uma inconcebível cumulatividade das contribuições para a Seguridade Social, sendo inconstitucional essa sistemática fiscal; d) assim, sendo inconstitucional a legislação em que se escora o lançamento, o mesmo deve ser declarado improcedente; e) a identidade ente a base de cálculo utilizada no presente lançamento e a da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS representa clara bitributação, numa agressão à Carta Magna; f) a aplicação da taxa de juros SELIC para fins tributários é ilegal e inconstitucional; g) a multa isolada e a multa moratória, da forma como aplicadas no lançamento, representam agressão ao patrimônio do contribuinte, devendo serem reduzidas os seus valores para 10% e 20%, respectivamente. Quanto ao AI n.º 37.322.7990, argumentou a recorrente que: a) inexistiu a infração, uma vez que as informações constam na documentação apresentada, apenas divergindo o fisco e o contribuinte quanto à inclusão de determinados valores na base de cálculo das contribuições; Fl. 430DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 2401002.473 S2C4T1 Fl. 429 5 b) não havendo incidência de contribuições, não há o que se falar em obrigação de declarar os valores em GFIP; c) inexistiu prejuízo para o fisco, uma vez que os valores supostamente não declarados em GFIP encontramse regularmente escriturados, portanto, com base em jurisprudência acostada, o AI não deve prosperar Ao final pede o cancelamento dos AI ou a redução dos juros e das multas aplicadas. É o relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da impossibilidade de reconhecimento pelas instâncias de julgamento administrativo de inconstitucionalidade de lei Para enfrentar a maioria das questões apresentadas é necessária uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 432DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 2401002.473 S2C4T1 Fl. 430 7 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Diante do exposto, não hei de acatar que a falta de apreciações das teses de inconstitucionalidade pela DRJ seria motivo para a nulificação da decisão guerreada. Da inconstitucionalidade da exigência de contribuições por subrogação – aplicação do RE n.º 363.852/MG Embora não alegada pelo sujeito passivo, a declaração, pelo STF, da inconstitucionalidade da exigência da empresa adquirente, na condição de subrogado, das contribuições sociais sobre a aquisição da produção rural de pessoa física, deve ser conhecida de ofício por se tratar de questão de ordem pública. É que a inconstitucionalidade declarada afeta a própria possibilidade jurídica de se constituir o crédito tributário, descabendo alegação de preclusão. Assim, devo me pronunciar sobre as questões decididas no mencionado RE. A aplicação do entendimento do STF exarado no RE n.º 363.852/MG ao presente caso é uma exigência do inciso I do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 433DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou (...) O RE transitou em julgado em 06/05/2011 e, tendo o mesmo contado com a manifestação do Plenário da Corte, deve a referida decisão ser observada nos julgamentos do CARF. Assim a solução da presente lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8. , 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal. O Pretório Excelso deu provimento ao RE, conforme abaixo: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Contra essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Analisando a ementa do acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que o mesmo é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física, e vai além, também Fl. 434DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 2401002.473 S2C4T1 Fl. 431 9 afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Percebese, então, que a decisão da Corte Maior atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampado no inciso IV do art. 30 da mesma Lei. O Pretório Excelso, todavia, reconheceu que nova legislação, compatível com a Emenda Constitucional n.º 20/1998, poderia vir a ser editada, eliminando, assim, a inconstitucionalidade formal declarada no RE n.º 363.852. É que a EC n.º 20/1998 inseriu a possibilidade da União instituir contribuição para a Seguridade Social incidente sobre a receita do empregador, eliminando assim a necessidade de que a contribuição fosse instituída por lei complementar, como mandam o § 4.º do art. 195 combinado com o art. 146, I, ambos da Carta Magna. Ocorre que a lei compatível com a referida Emenda Constitucional já houvera sido editada em 09/07/2011. Tratase da Lei n.º 10.256, que deu nova redação ao art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, nos seguintes termos: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) Respeitada a anterioridade nonagesimal, as contribuições incidentes sobre a receita da comercialização efetuada pelo produtor pessoa natural passaram, então, a ser exigíveis a partir de 09/10/2001. Assim, a decisão do STF não atinge período relativo ao presente lançamento (11/2008 a 12/2010), posto que a norma que dá guarida à exação, art. 25 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 10.256/2001, não sofreu declaração de inconstitucionalidade. O mesmo não se pode falar acerca da subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, posto que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Fl. 435DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Eis os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Percebase que quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. E nem se fale que a decisão do supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo a regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher as contribuições sociais, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. O mesmo se pode dizer da contribuição destinada ao SENAR, posto que a sua exigência por subrogação tem esteio no mesmo dispositivo, qual seja o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Assim há de se excluir o levantamento AP, relativo às aquisições de produto rural de pessoa física, para o AI n.º 37.322.7973 (contribuições para a Seguridade Social) e para o AI n.º 37.322.7973(contribuição para o SENAR). Fl. 436DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 2401002.473 S2C4T1 Fl. 432 11 Da composição da base de cálculo Para compreensão da principal matéria tratada na lide, façamos uma retrospectiva da legislação relativa ao custeio da Seguridade Social pelos produtores rurais. Para os produtores rurais pessoa jurídica, com o advento da Lei n.º 8.870/1994, a contribuição previdenciária, que era calculada sobre a folha de salários, passou a ter como base de cálculo o valor da comercialização da produção rural, nos seguintes termos: Art. 25. A contribuição prevista no art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, passa a ser a seguinte: I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. (...) No mesmo artigo havia a previsão, § 3.º, de que na exigência dos tributos seria observado o disposto nos §§ 3.º e 4.º da Lei n. 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 8.540/1992. Eis os termos adotados pelo legislador: § 3º. Para os efeitos deste artigo, será observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992. Pois bem, os dispositivos da Lei n. 8.212/1991 mencionados acima, assim dispunham: Art. 25 (...) § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (Parágrafo acrescentado pela Lei n º 8.540, de 22.12.92) § 4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorestamento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Fl. 437DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. (Parágrafo acrescentado pela Lei n º 8.540, de 22.12.92) Verificase, no § 4.º do art. 25 da Lei n. 8.212/1991, a previsão de isenção do recolhimento das contribuições sobre a produção rural destinada à reprodução, o que é o caso dos ovos férteis e dos pintos de um dia. Tal benesse fiscal vigorou até a alteração do § 3.º da Lei n.º 8.870/1994 pela Lei n.º 9.598/1997. Com a referida mudança não mais se aplicaria o § 4.º do art. 25 da Lei n.º 8.212/1991 à contribuição paga pelos empregadores pessoa jurídica, como se pode notar do texto legal: § 3º Para os efeitos deste artigo, será observado o disposto no § 3º do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997). Com esse dispositivo, a isenção pretendida pelo sujeito passivo, que abrangia tanto os produtores rurais pessoa física como as empresas produtoras, ficou restrito apenas aos primeiros, passando os produtores pessoas jurídicas a se sujeitarem à incidência de contribuições sobre as operações listadas o § 4.º do art. 25 da Lei n. 8.212/1991. Assim, a partir de 1997, ano da edição da Lei n.º 9.528, respeitandose, lógico, a anterioridade nonagesimal, as empresas rurais passaram a recolher contribuições sobre os produtos destinados à reprodução granjeira, o que é o caso da recorrente. Considerandose que os fatos geradores do presente lançamento ocorreram no período de 11/2008 a 12/2010, inexistia a isenção que a recorrente pleiteia. Portanto, é legítima a incidência de contribuições sobre as vendas de ovos férteis e pintos de um dia, não merecendo sucesso a tese da empresa. Sobre a inconstitucionalidade, em razão da distorção causada no setor pelo atropelo aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, já nos manifestamos de que não é dado a órgão de julgamento administrativo afastar a aplicação de lei vigente por possível desconformidade com o Texto Constitucional. A tese da inconstitucionalidade por ocorrência de bis in idem entre as bases de cálculo das contribuições lançadas e da COFINS também deve ser repelida. É que, na verdade, as contribuições previdenciárias são calculadas sobre a receita da comercialização rural em substituição as contribuições sobre a folha de pagamento, sistemática esta prevista em lei vigente, recaindose, portanto, na impossibilidade de órgão administrativo, pelos motivos acima expostos, declarar a sua inconstitucionalidade. Da aplicação das multas Insurgese a recorrente contra a aplicação cumulativa da multa de mora e multa de ofício, alegando que as mesmas possuem caráter de confisco. A princípio não devo acolher a tese do caráter confiscatório da multa. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento de multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo ou de cumprir os deveres previstos na legislação tributária é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 2401002.473 S2C4T1 Fl. 433 13 Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo e do descumprimento de obrigação acessória aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado nos discriminativos que acompanham os lançamentos. Conforme já ponderamos não é dado a esse órgão de julgamento afastar a aplicação de Lei por inconstitucionalidade, por esse motivo fica afastada essa alegação recursal. Tenho, todavia, que me debruçar sobre os critérios adotados pela Autoridade Fiscal para a quantificação das multas, de modo a verificar se a legalidade foi respeitada. Analisando os três lançamentos conjuntamente, percebo que, quanto à aplicação da multa, no período de 12/2008 a 12/2010 foi imposta unicamente a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996. Para a competência 11/2008, ocorreu a imposição da multa prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/1991, para os lançamentos para exigência da obrigação principal, cumulada com a multa prevista no art. 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, pelo descumprimento da obrigação de informar a totalidade dos fatos geradores na GFIP. Feita a contextualização é necessário agora traçar a sistemática de aplicação de multas por descumprimento das obrigações relativas à GFIP com a multa decorrente da falta de pagamento do tributo. Com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quando havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa pelo não pagamento dos tributos, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 439DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n.º 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa pelo descumprimento de obrigação acessória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19962 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Na situação sob enfoque, observo que para o período de 12/2008 a 12/2010 a multa foi aplicada com acerto, posto que, com esteio na legislação vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, qual seja o art. 35A da Lei n. 8.212/1991, não tendo sido imposta penalidade isolada pelo descumprimento da obrigação acessória. Todavia, para a competência 11/2008, única do AI n.º 37.322.7990, por força da alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN3, deverseia ter feito um comparativo entre a multa aplicada com base na legislação revogada com aquela prevista na sistemática atual, de modo a definir qual seria a mais benéfica ao sujeito passivo. Vejo que a auditoria adotou um mix legislativo, aplicando conjuntamente o art. 35 da Lei n. 8.212/1991, vigente quando da ocorrência dos fatos geradores, com o art. 32 A, I, da mesma Lei, este editado posteriormente a ocorrência da infração. A meu sentir não é esse o procedimento mais acertado. Ou se aplica a legislação de regência na época dos fatos geradores ou a legislação nova de forma retroativa, se esta é mais favorável. Nesse sentido, tendo havido lançamento da obrigação principal não caberia a utilização do art. 32A da Lei n. 8.212/1991, mas o art. 35A, verificandose qual seria a sistemática mais benéfica, a multa de 24% (art. 35) mais a multa de 100% da contribuição não recolhida limitada ao teto legal, ou a multa de 75% da contribuição devida (art. 35A), prevalecendo a que fosse menos gravosa. Por esse motivo, entendo que a multa foi aplicada com base em critério incorreto, devendo ao AI n.º 37.322.7990 ser anulado, por vício material, uma vez que a 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 2401002.473 S2C4T1 Fl. 434 15 incorreção recaiu sobre um dos elementos essenciais da lavratura, qual seja a base legal que justificou a aplicação da multa. Embora sejam devidas as contribuições e, por conseguinte, tenha ocorrido a infração, consistente na falta de declaração em GFIP dos valores envolvidos, não deve subsistir a multa por descumprimento de obrigação acessória, posto que aplicada erroneamente. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 441DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) . Conclusão Diante de todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir o levantamento AP, relativo às aquisições de produto rural de pessoa física, do AI n.º 37.322.7973 (contribuições para a Seguridade Social) e do AI n.º 37.322.7973(contribuição para o SENAR) e que seja cancelada a multa aplicada no AI n.º 37.322.7990. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 442DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10840.000145/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3201-000.320
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter os autos em resolução.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter os autos em resolução. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño. RELATÓRIO Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10840.000145/200676 Resolução n.º 3201000.320 S3C2T1 Fl. 2 2 Consta a informação que a empresa ofereceu bens para arrolamento. No entanto, a autoridade preparadora observou que os mesmos estavam em desacordo com o disposto no art. 32, § 2° da Lei de n° 10.552, de 2002, pois o valor dos bens era inferior ao limite de 30% do crédito tributário. Logo, foi negado seguimento do recurso voluntário. O crédito tributário foi encaminhado à PFN, para inscrição em dívida ativa. Em contrapartida, a empresa impetrou mandado de Segurança n° 2006.61.02.0004038. A Liminar foi indeferida. O impetrante apelou da decisão e o Tribunal Regional Federal –3ª Região proferiu sentença, reformando a decisão de primeira instância. A decisão transitou em julgado, restando necessária a observância do comando judicial no sentido de seguimento do recurso voluntário administrativo. Reza o despacho, à fl.146: Tendo em vista a informação referente ao trânsito em julgado do Mandado de Segurança 2006.61.02.00004038 da 7° Vara Federal de Ribeirão Preto, resta necessária a observância do comando judicial no sentido do seguimento dos recursos administrativos referente aos PA 10880.013347/200105 e 10880.013348/200141. Assim sendo, juntemse cópias dessa decisão nos PA n° 10880.013347/200105 e 10880.013348/200141, juntamente como documentos necessários (fls. 146 e seguintes), remetendoos a esse subscritor para fins de encaminhamento dos mesmos ao CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), nos termos da decisão judicial supra mencionada. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designada como relatora, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o relatório. VOTO Inicialmente registro que este processo de n° 10840.000145/200676, o que me foi distribuído, foi criado para acompanhamento do Mandado de Segurança descrito no relatório. Os Processos administrativos: 10880.013347/200105 e 10880.013348/2001 41, em pesquisa ao histórico do sítio do eprocesso, ambos estão no CARF, inclusive tendo o segundo (final 13348) sido julgado, conforme o acórdão 380301.734, de 1/06/2011 da 3ª Turma Especial da Terceira Seção. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10840.000145/200676 Resolução n.º 3201000.320 S3C2T1 Fl. 3 3 De qualquer sorte, dispõem os incisos I e o II do art. 25 do Dec. 70.235/72, verbis: “Art. 25 – O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) I – em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal (redação da MP nº 2.15835/01); (Destaquei). II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009); (Destaquei). Nesse passo, o art. 1º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, Anexo I, estabelece que “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância ,bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” Logo, a inexistência de julgamento de primeira instância impede Este Conselho de se pronunciar a respeito da matéria, inteligência do art. 25, I e II, do Dec. 70.235/72 e do art. 1º do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, inclusive em homenagem ao princípio da supressão de instância, logo, não há como a autoridade julgadora adentre no mérito, tampouco a nenhum tipo de seguimento. Em sendo assim, retornem os autos à unidade preparadora para arquivamento deste, tendo em vista que os processos administrativos vinculados a este estão em prosseguimento no CARF. Mércia Helena Trajano D’AmorimRelator Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/04/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10880.979243/2009-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2001
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 43 /2 00 9- 12 Fl. 28DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 04980.28741.221105.1.3.04 3306 (fls. 01 e 02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 38,60, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 22,77, código – 2372; Período de Apuração: 30/09/2001; Data de Arrecadação: 27/12/2001. O PER/DCOMP em tela, foi analisado de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Por considerar economia processual e considerar pertinente adoto a parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: ... Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade As fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargos e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o § único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Fl. 29DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979243/200912 Acórdão n.º 1802001.625 S1TE02 Fl. 3 3 Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n°30027.10215.141105.1.2.046587, relativo ao período de apuração set/2001. Nesse período, conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a RS 2.107,90, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SP1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.291, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 15/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/06/2002 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação Fl. 30DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. De início verifico que apesar de o presente processo está cadastrado com o nº 10880 979.243./200912 consta do despacho decisório, fl.03, o nº 10880979.324/200912. Assim, reconheço o fato como lapso manifesto sem qualquer prejuízo ao sujeito passivo e sem influência na solução do litígio. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 04980.28741.221105.1.3.04 3306 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 38,60, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 22,77, código – 2372; Período de Apuração: 30/09/2001; Data de Arrecadação: 27/12/2001. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando disponível o crédito original reconhecido: R$ 0,01, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fls.07/08), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl. 08), relação dos conhecimentos de transporte relativo ao período de apuração set/2001e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 2.107,90. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (IRPJ, código 2372) foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de set/2001, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... Fl. 31DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979243/200912 Acórdão n.º 1802001.625 S1TE02 Fl. 4 5 De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de set/2001, visto que, está desacompanhada de cópia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade mas apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo do IRPJ do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2002 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação de conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de set/2001. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979243/200912 Acórdão n.º 1802001.625 S1TE02 Fl. 5 7 É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10650.902397/2011-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL.
Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO.
Mantém-se o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 ISENÇÃO. RECEITA DE VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS REALIZADAS ATÉ 14 DE DEZEMBRO DE 2000. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal, até 14 de dezembro de 2000, a isenção da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas das operações de exportação para o exterior não era extensível às receitas das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO. Mantémse o indeferimento do pedido de restituição quando não comprovada a existência do crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Solon Sehn acompanhou o voto do Relator quanto ao fundamento da inexistência de prova do direito creditório. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 23 97 /2 01 1- 36 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), transmitido em 29/3/2004, no valor de R$ 146,93, relativo ao pagamento a maior que o devido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de dezembro de 1999, referente a vendas de mercadorias a clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus (ZFM). Por meio do Despacho Decisório (eletrônico) de fl. 5, o pedido foi indeferido, por inexistência de crédito, com base no argumento de que o pagamento indicado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não existindo crédito disponível para restituição. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou, em preliminar, nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que não tinha certeza quanto ao motivo do indeferimento nem informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas pelo contribuinte. No mérito, alegou que tinha direito à restituição do crédito pleiteado, com base nos seguintes argumentos: a) as vendas para clientes situados na ZFM eram equiparadas à uma exportação para o estrangeiro, logo, todas as vantagens fiscais que a legislação tributária estabelecesse para as operações de exportação, seja por meio de imunidade, seja por meio de isenção, seriam extensíveis à Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a Medida Provisória nº 18586 determinara que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, as receitas de exportação de mercadorias para o exterior eram isentas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no entanto vedara a isenção das vendas para a ZFM; c) a limitação constante da referida Medida Provisória fora contestada perante o Supremo Tribunal Federal (STF), por intermédio da Medida Cautelar nº 2.2161; d) o STF havia decidido que não era permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes; e e) o suposto erro formal contido na DCTF, não era capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior, sob pena de agressão aos princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Para fim de comprovação da existência do crédito pleiteado, solicitou realização de diligência e apresentou quesitos. Sobreveio o acórdão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com base nas seguintes razões: a) a motivação do Despacho Decisório era perfeitamente clara e adequada ao descrever o motivo da inexistência do crédito solicitado, logo, não era cabível a sua nulidade; b) a realização da diligência proposta era desnecessária, uma vez que os quesitos formulados eram do conhecimento do Colegiado e as questões de fato eram irrelevantes para a solução do litígio, ademais, os elementos coligidos aos autos eram suficientes para o julgamento da lide; c) no mérito, com respaldo no entendimento exarado na Solução de Divergência Cosit nº 22, de 2002, não acolheu o pedido de restituição formulado, com base nos argumentos, explicitados na ementa do acórdão recorrido, a seguir transcritos: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902397/201136 Acórdão n.º 3802001.653 S3TE02 Fl. 21 3 A isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições. Em 24/5/2012, a Recorrente foi cientificada da decisão primeira instância. Em 21/6/2012, protocolou o Recurso Voluntário de fls. 79/94, em que, apenas em relação ao mérito, reafirmou os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) os efeitos fiscais da equiparação das vendas para a ZFM a uma operação de exportação para o exterior também valeriam para a Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, instituídas após a vigência do Decretolei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, pois, a expressão “constantes da legislação em vigor” do artigo 4º do citado Decretolei, não tinha o condão de conferir interpretação estática à isenção das vendas para a ZFM, de modo a alcançar apenas os tributos vigentes ao tempo em que o referido diploma entrou em vigor, nem tampouco mitigara a equiparação entre as exportações para o exterior e as exportações para a ZFM; b) a Contribuição para o PIS/Pasep não incidiria para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, o que abrange a competência reclamada pela recorrente, haja vista (i) a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, § 2°, do artigo 14 da MP nº 2.03725, de 2000, e sucessivas reedições, e (ii) a equiparação dos efeitos fiscais das exportações para o exterior às exportações para a ZFM, contemplada no artigo 14, II, da referida MP e sucessivas reedições, conforme prevê o artigo 4º do Decretolei nº 288, de 1967, e a jurisprudência dos tribunais superiores; e c) a restituição do indébito era sempre devida, sendo irrelevante a retificação ou não da DCTF, o que pode ser feita em qualquer momento no curso da homologação do crédito pleiteado, a menos que haja procedimento fiscal instaurado de ofício, o que não é o caso. Ademais, o direito da recorrente não poderia ser mitigado por eventual erro ou falha no preenchimento da DCTF, haja vista que o processo administrativo fiscal era informado pelos princípios da verdade material, prejuízo ou insignificância, razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Duas questões de mérito são relevantes no caso em tela. A primeira, diz respeito à isenção das receitas de venda para a ZFM da cobrança da Contribuição para o Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 PIS/Pasep, origem do suposto crédito pleiteado pela recorrente. A segunda, referese à necessidade de retificação prévia da DCTF, para fim de reconhecimento do direito à restituição da parcela do valor crédito pleiteada e computada no valor total do débito declarado na DCTF. O deslinde da primeira questão prescinde da análise e decisão quanto a existência jurídica do alegado direito à isenção, que, caso não seja reconhecido, obviamente, torna desnecessária a análise da segunda questão. E a razão é evidente, se não há suporte legal para a alegada isenção, consequentemente, inexiste o alegado indébito, logo o valor total do débito declarado na DCTF está correto e é devido, não havendo motivo para a retificação da citada Declaração. Da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas de venda para a ZFM. Em relação a esse ponto, a controvérsia gira em torno da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas de vendas realizadas às pessoas jurídicas situadas na ZFM. A Turma de Julgamento a quo entendeu que não existia previsão legal para a referida isenção, com base no argumento de que a equiparação, para efeitos fiscais, das vendas para ZFM às operações de exportação para o exterior, prevista no art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, aplicavase apenas aos benefícios fiscais em vigor na data da edição do referido Decretolei. Por outro lado, a recorrente alegou que a citada isenção existia desde 1º de fevereiro de 1999, por força do inciso II do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, que teve sucessivas reedições, até a redação definitiva da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que tem a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. [...] Segundo a recorrente, como as receitas de venda para a ZFM foram excluídas da vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, tais receitas passaram ser isentas, desde 1º de fevereiro de 1999, nos termos do inciso II do art. 14 anteriormente transcrito, pois, para efeitos fiscais, as operações de venda para ZFM eram equiparadas às operações de exportação para o exterior, conforme estabelecido no art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967, a seguir reproduzido: Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902397/201136 Acórdão n.º 3802001.653 S3TE02 Fl. 22 5 De fato, antes da edição da Medida Provisória nº 1.95231, de 14 de dezembro de 2000, o inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, tinha a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [...] (grifos não originais) Após a edição da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000, a expressão “na Zona Franca Manaus”, constante do inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.037 24, de 2000, foi excluída, conforme exposto no art. 11 da referida MP, a seguir reproduzido: Art. 11. O inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR) Em face dessa alteração, a partir da edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, a expressão “na Zona Franca de Manaus” foi suprimida do inciso I do § 2º do art. 14, passando a ter a seguinte redação: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: [...] II da exportação de mercadorias para o exterior; [...] § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [...] Após sucessivas reedições, essa nova redação foi mantida até a edição da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e permanece em vigor até a presente data. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Com a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do referido preceito legal, a partir 15/12/2000, data da vigência da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000, às receitas das vendas para a ZFM foram excluídas da restrição legal quanto à extensão do benefício da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidente sobre as receitas de exportação, prevista no inciso II do caput do art. 14 das citadas Medidas Provisórias. Em consequência dessa alteração, a partir de 15/12/2000, para fim de isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, foi restabelecida a equiparação das vendas para ZFM às operações de exportação para o exterior, nos termos do art. 4º do Decretolei nº 288, de 1967. Da mesma forma, a isenção das receitas de exportação foi estendida às receias das vendas de mercadorias para ZFM, conforme estabelecido no inciso II do caput do art. 14 das citadas Medidas Provisórias. O entendimento aqui esposado, está em consonância com decisão liminar unânime do pleno do C. Supremo Tribunal Federal (STF), proferida em 07/12/2000, nos autos da ADI nº 2.3489, em que deferida medida cautelar, com efeito ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, § 2º, I, da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Essa decisão liminar foi mantida até 10/2/2005, quando foi revogada, por meio de decisão que, em face da ausência de aditamento da inicial, declarou prejudicado o pedido por perda de objeto. A proximidade das datas evidencia que a finalidade da novel redação do inciso I do § 2º do art. 14 fora adequar o texto normativo ao conteúdo da referida decisão liminar. Assim, em conformidade com teor da referida decisão, no período em que vigeu a vedação ao direito da isenção em apreço, este Colegiado, por expressa vedação legal, determinada no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), em relação às receitas de vendas para a ZFM, não tem competência para afastar a aplicação da vedação estabelecida no artigo 14, § 2º, I, vigente até o advento da Medida Provisória nº 1.95231, de 2000. No caso em tela, o crédito pleiteado referese a receitas de vendas para a ZFM do mês de dezembro de 1999, período em que tais receitas estavam sujeitas à cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep. Logo, se não havia isenção, não houve alegado pagamento indevido, portanto, inexistente o direito creditório pleiteado. Demonstrada a inexistência do direito material, fica prejudicada a análise da questão formal concernente à necessidade de retificação da DCTF previamente ao pedido de restituição em apreço. No caso em tela, embora não exista fundamento jurídico para o direito creditório pleiteado, entendo oportuno analisar a questão probatória, o que será feito no tópico a seguir. Da inexistência de prova do direito creditório. Com o fim de provar a existência do direito ao crédito pleiteado, a recorrente trouxe à colação dos autos, instruindo a Manifestação de Inconformidade, apenas as notas fiscais de vendas do mês de dezembro de 1999 (fls. 54/64), realizadas para os clientes situados na ZFM. As referidas notas fiscais, embora necessárias para comprovar as receitas das vendas para a ZFM, são insuficientes para comprovar a parcela do pagamento maior que o devido da Contribuição para PIS/Pasep do mês de outubro de 1999. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10650.902397/201136 Acórdão n.º 3802001.653 S3TE02 Fl. 23 7 Na fase de manifestação de inconformidade, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), a recorrente tinha o ônus de acostar aos autos a prova inequívoca do crédito requerido. Para tal finalidade, são considerados adequados, dentre outros, os seguintes documentos: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição e as cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado. Assim, fica demonstrado que a recorrente não se desincumbiu adequadamente do ônus probatório determinado no inciso III do artigo 16 do PAF, logo, também em razão da ausência de comprovação do crédito pleiteado, deve ser mantido o indeferimento do pedido de restituição em apreço. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 06 /04/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por REGIS XAVIER HOLA NDA
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Numero do processo: 10580.720605/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS COMPROVADAS. LANÇAMENTO. A comprovação das origens dos depósitos bancários, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, § 2º, somente ensejam o lançamento se, com base nas normas de tributação específicas, forem considerados rendimentos tributáveis e não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos.
IRPF. LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. Somente estão isentos do imposto os lucros e dividendos pagos a sócios, acionistas e titular, regularmente apurados e até o limite da base de cálculo do imposto, subtraída de todos os impostos e contribuições que estiver sujeita a pessoa jurídica.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida pelo Recorrente. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do item 3 do Auto de Infração o valor de R$ 84.227,02 e subtrair do valor do total do imposto apurado a quantia de R$ 129.558,70. Vencidos os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle e Gustavo Lian Haddad, que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do item 3 do Auto de Infração o valor de R$ 948.038,02. Fez sustentação oral a Dra. Suzana Soares Melo, OAB/SP 198.074-B.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 25 de março de 2013.
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, , Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS COMPROVADAS. LANÇAMENTO. A comprovação das origens dos depósitos bancários, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, § 2º, somente ensejam o lançamento se, com base nas normas de tributação específicas, forem considerados rendimentos tributáveis e não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos. IRPF. LUCROS DISTRIBUÍDOS. ISENÇÃO. Somente estão isentos do imposto os lucros e dividendos pagos a sócios, acionistas e titular, regularmente apurados e até o limite da base de cálculo do imposto, subtraída de todos os impostos e contribuições que estiver sujeita a pessoa jurídica. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida pelo Recorrente. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do item 3 do Auto de Infração o valor de R$ 84.227,02 e subtrair do valor do total do imposto apurado a quantia de R$ 129.558,70. Vencidos os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Ricardo Anderle e Gustavo Lian Haddad, que davam provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do item 3 do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 05 /2 00 9- 37 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Auto de Infração o valor de R$ 948.038,02. Fez sustentação oral a Dra. Suzana Soares Melo, OAB/SP 198.074B. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 25 de março de 2013. Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, , Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório EDUARDO BRIM FIALHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA (fls. 685) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/11, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 679.266,54, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.419.870,84. As infrações que ensejaram o lançamento estão assim descritas no auto de infração: 1) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA – Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos nº 70393609, agência Salvador, no Banco Boston, mantidos na referida Instituiçao Financeira, no anocalendário de 2005, cuja origem dos recursos utilizados nessas operaçoes, o Contribuinte acima identificado, embora regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, conforme Termo de Constatação Fiscal nº 0109, anexo. Os referidos rendimentos estão sujeitos à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física, por se constituírem em infração à legislação de tributo, haja vista que não foram incluídos na declaração de ajuste anual do referido exercício. 2) CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF – O sujeito passivo classificou indevidamente na Declaração de Ajuste Anual, no anocalendário de 2005, os Fl. 797DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720605/200937 Acórdão n.º 2201002.014 S2C2T1 Fl. 3 3 rendimentos recebidos da pessoa jurídica CONSTRUTORA GAUTAMA LTDA, decorrentes do reconhecimento da participação societária de 10% na empresa, calculado mediante percentuais sobre o faturamento bruto, independentemente de lucro ou prejuízo, com base num documento amigável, denominado “INSTRUMENTO DE TRANSAÇÃO”, firmado entre o contribuinte, a ADVANCE PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual é sócio, a CONSTRUTORA GAUTAMA LTDA e a SILTE PARTICIPAÇÕES S.A. e pelo sócio destas duas empresas, o Sr. ZULEIRO SOARES VERAS, tendo as quantias recebidas sido classificadas como recebimento de “dividendos” e declaradas como rendimentos isentos e não tributáveis. Não obstante haver sido intimado, o contribuinte não comprovou o lucro. Face ao exposto, reclassificamos os rendimentos como tributáveis e elaboramos dois demonstrativos dos valores recebidos, anexo II e anexo III, e descrevemos os fatos no Termo de Constatação Fiscal nº 0109; que fazem parte integrante deste Auto de Infração. 3) OMISSÃO DE RENDIMENTOS – Omissão de rendimentos apurados conforme parcelas pagas ao contribuinte de conformidade com as disposições de “INSTRUMENTO DE TRANSAÇÃO”, documento firmado pelo contribuinte, pelaa ADVANCE PARTICIPAÇÕES LTDA, da qual é sócio, pela CONSTRUTORA GAUTAMA LTDA e SILTE PARTICIPAÇÕES S.A e pelo sócio destas duas empresas, o Sr. ZULEIRO SOARES VERAS, em caráter amigável, no qual é reconhecida a participação societária de 10% na empresa GAUTAMA. As quantias foram pagas em 08/03/2005 em parcelas, abaixo discriminadas: R$ 300.000,00 a título de “reembolso de despesas em geral”, sem nenhuma comprovação das referidas despesas e a origem das mesmas; R$ 200.000,00 sem comprovação da origem; R$ 194.400,00 sem comprovação da origem; R$ 169.411,11 sem comprovação da origem; Total do pagamento: R$ 863.811,00. O fato se acha descrito no Termo de Constatação Fiscal nº 0109 que faz parte integrante deste auto de infração. 2. Omissão de rendimentos apurada em virtude do sujeito passivo haver sido intimado a comprovar a origem de depósitos bancários realizados em suas contas, no anocalendário de 2005 e informado que: a) alguns depósitos são “dinheiro em mãos”, porem não esc.larece a origem dos recursos e nem foram declarados; Fl. 798DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 b) alguns valores recebidos são devoluções de empréstimos feitos a empresas e a sua dependente, porém não foram declarados e nem foram apresentados documentos da formalização destes empréstimos, tais como contratos de mútuo e outros documentos que pudessem esclarecer a operação; c) alguns valores recebidos foram a título de aluguel, que não foram declarados e nem tributados. Foi elaborado demonstrativo discriminando todos os valores, anexo I, no total de R$ 92.722,02. Conforme referido na citação acima, além desta descrição dos fatos integra o auto de infração Termo de Constatação Fiscal (fls. 15/17) e planilhas anexas (fls. 12/14) que complementam a descrição dos fatos. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o lançamento seria nulo porque o outro titular da conta bancária, o seu cônjuge, não havia sido intimado para comprovar a origem dos depósitos, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa; que o depósito de R$ 20.000,00, em 03/09/2005, é inexistente; que neste valor há somente um depósito em 03/10/2005, que seria uma devolução de empréstimo da empresa Ballylog Logística e que apresenta extrato da conta da empresa atestando a saída deste valor bem como cópia de cheque com que fora efetuado o depósito para a empresa (fls. 655/656); que o depósito de R$ 23.000,00, em 21/12/2005, é devolução de um empréstimo que concedera por contrato verbal ao Sr. Arlindo Guedes, conforme cópia de cheque nominal em favor deste último, de 11/11/2005, e extrato de depósito em anexo; que relaciona diversos depósitos que seriam empréstimos de empresas das quais são sócios ele e o seu cônjuge, e para comprovar, apresenta cópia dos registros contábeis; que não poderia comprovar as contrapartidas dos recursos que saíram da sua conta para a conta das empresas porque estas transferências se deram de forma gradativa e em parcelas que se distribuíram por todo o ano de 2005; que o depósito de R$ 5.000,00, em 05/12/2005, é distribuição de lucro da empresa Ballylog Logística a seu cônjuge, conforme documento da empresa; que com os elementos apresentados, restam apenas pequenos valores a comprovar, que somam R$ 16.900,00 e que são de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 não ultrapassou no ano de 2005 o limite legal de R$ 80.000,00. Sobre os valores recebidos da empresa Gautama, diz o Impugnante que havia ingressado na justiça para obter o reconhecimento da sua participação na Construtora Gautama e que, para solucionar a lide, firmara acordo, regularmente submetido à apreciação judicial, em que lhe fora garantido o direito à sua participação no capital e nos lucros da empresa, a ser calculado sobre o valor bruto faturado pela Gautama em obras entre 2003 e 2005; que o percentual da sua participação nestas obras variara de acordo com a lucratividade estimada de cada empreendimento; que se trata, portanto, de rendimentos isentos, seja porque pagos a título de dividendos, seja porque têm natureza indenizatória, como recomposição patrimonial pelo dano material causado pela falta da distribuição dos dividendos; que em último caso, se não fossem admitidas estas razões, deveriam ser considerados ganhos de capital, sujeitos à alíquota de 15% e não de 27,5%, por se tratar da alienação da sua participação de fato na empresa; que isto vale especialmente com relação aos depósitos que somaram R$ 863.811,00, que não integraram os lucros distribuídos informados em sua declaração e que se referem especificamente à alienação da sua participação societária estabelecida no acordo; que sobre estes valores já havia inclusive recolhido o imposto de 15% sobre o ganho de capital, conforme DARF (fls. 645/646), o que foi desconsiderado pelo Autuante; que o Autuante erra ao afirmar que a Gautama, como sociedade por quotas de responsabilidade limitada, não poderia distribuir dividendos; que o Autuante confunde duas regulamentações legais distintas, a das sociedades Fl. 799DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720605/200937 Acórdão n.º 2201002.014 S2C2T1 Fl. 4 5 anônimas e das limitadas; que o fato é que as sociedades por quotas podem, sim, e devem pagar lucros; que toda e qualquer forma pela qual entendam os sócios por bem apurar e repartir os lucros é válida e legítima, desde que mantenham íntegro o capital social; que não formalizadas, as sociedades de fato têm personalidade jurídica; que no presente caso, tendo sido reconhecida pelos sócios a existência de fato da sociedade, os valores que deliberaram distribuir a título de lucro são rendimentos isentos do imposto de renda; que não se trata, portanto, de uma interpretação extensiva da lei de isenção, o que é vedado pelo art. 111 do Código Tributário Nacional, mas sim de distribuição efetiva de lucro, reconhecida em acordo judicial, e que se enquadra literalmente na hipótese de isenção; que a própria exposição de motivos da Lei nº 9.249/1995, que trata desta isenção, reconhece que, tributandose os lucros exclusivamente nas empresas e isentados quando recebidos pelos sócios beneficiários, além de simplificar o controle e inibir a evasão fiscal, estimula os investimentos; que não pode prosperar a hipótese de que tenha recebido da pessoa jurídica rendimentos que não sejam lucros isentos do imposto de renda, porque nesta hipótese, como era sócio de fato da empresa, se trataria do caso de distribuição disfarçada de lucros, que, como se sabe, somente pode ser tributada contra a própria pessoa jurídica. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente em parte o lançamento para reduzir o valor do imposto lançado de R$ 679.266,54 para R$ 667.441,54, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJSALVADOR/BA rejeitou a argüição de nulidade por cerceamento de direito de defesa. Observa que, ao declarar o cônjuge como dependente o Contribuinte se qualifica como parte legítima para prestar esclarecimento sobre as atividades econômicas e rendimentos deste dependente; que, portanto, a ausência de intimação do cônjuge para prestar esclarecimentos sobre as origens dos depósitos bancários não caracterizaria cerceamento de direito de defesa. Sobre os valores recebidos pelo Contribuinte em decorrência de acordo particular com terceiros, conforme relatório fiscal, a DRJSALVADOR/BA registra que os acordos particulares, por si só não fazem prova, devendo ser comprovada a sua veracidade, e cita o art. 368 do Código de Processo Civil. Rechaça também a alegação de que a homologação judicial tem o efeito de confirmar a ocorrência dos fatos sobre os quais as partes entraram em acordo ou fazer coisa julgada sobre o mérito discutido na lide. Diz que o seu efeito é unicamente o de vincular as partes à solução convencionada, sem efeitos oponíveis contra terceiros. Quanto à isenção dos lucros distribuídos, a DRJ observa que somente são isentos os lucros regularmente informados e eventualmente tributados na pessoa jurídica. Que, portanto, É indispensável para a isenção tributária a prova de que efetivamente tais lucros foram auferidos e tributados na pessoa jurídica, dentro das formas e regras normativas que regem a matéria. Sobre o argumento de que, por não ter acesso à contabilidade da empresa, não poderia produzir a prova da efetividade dos lucros distribuídos, observa que os próprios termos do acordo determinavam que o valor pago seria calculado com base no faturamento bruto da empresa em obras, o que, afasta a possibilidade do valor ser calculado com base no lucro. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Quanto ao alegado caráter indenizatório da verba em questão, a DRJ a rejeita de plano, porque o Contribuinte não teria logrado demonstrar ter feito qualquer aplicação de capital nos empreendimentos que pudesse estar sendo devolvido e,m caráter indenizatório. A DRJ observa ainda que o ganho de capital pago no percentual de 15% não se confunde com o imposto objeto da autuação e, portanto, não se cogita de denúncia espontânea; que o Contribuinte não alega erro no recolhimento do imposto o que corrobora a ausência de identidade entre os fatos que ensejaram a autuação. Também rebate a alegação de que o ganho de capital em questão seria decorrente da alienação da participação societária, pois na apuração desse ganho o contribuinte teria informado custo zero, não sendo possível a aplicação de capital sem custo. Relativamente aos depósitos bancários sem comprovação de origem, a DRJ acolhe a alegação da defesa quanto aos valores lançadora com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1994. Quanto aos demais valores, registra que o lançamento se deu a partir das informações prestadas pelo próprio contribuinte e que demonstram tratarse de rendimentos tributáveis que não foram oferecidos à tributação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 23/02/2012 (fls. 697) e, em 14/03/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 699/738, que ora se examina e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, a DRJSALVADOR/BA afastou a exigência relativamente ao item 01 da autuação, omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. Resta em discussão, pois, o imposto calculados sobre os valores recebidos alegadamente como lucros distribuídos e declarados como isentos e aqueles correspondentes a omissão de rendimentos, que inclui o valor correspondente à alienação da participação societária alegadamente recebida. Antes de examinar essas questões, cumpre apreciar a argüição de nulidade do lançamento. Sustenta o Recorrente que a Fiscalização procedeu à autuação sem observar o que determina o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Esta questão se confunde com o mérito e será examinada oportunamente. E não vislumbro outros elementos que pudessem ensejar a nulidade do lançamento, razão pela qual rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, sobre o primeiro ponto, o cerne da questão está no reconhecimento ou não da isenção pretendida pelo Recorrente, que sustenta que se trata de Fl. 801DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720605/200937 Acórdão n.º 2201002.014 S2C2T1 Fl. 5 7 lucros distribuídos e estes são isentos do imposto. Vejamos, portanto, o que reza a legislação a respeito. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXVIII os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, que não ultrapassem o valor que serviu de base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, deduzido do imposto correspondente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 46); XXIX os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 10); (Os destaques não estão no original ) [...] Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIX os lucros e dividendos efetivamente pagos a sócios ou titular de empresa individual, escriturados no Livro Caixa ou nos livros de escrituração contábil, que ultrapassarem o valor do lucro presumido de que tratam os incisos XXVII e XXVIII do art. 39, deduzido do imposto sobre a renda correspondente (Lei nº 8.541, de 1992, art. 20, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 46). (Os destaques não estão no original). São isentos do imposto de renda, portanto, os lucros regularmente distribuídos aos sócios e acionistas, até o valor dos lucros tributados pela pessoa jurídica, deduzido do imposto por ela pago. Não se trata, portanto, de uma isenção genérica, para todos os valores pagos pela pessoa jurídica a seus sócios, mas apenas daqueles valores que já sofreram tributação pela pessoa jurídica, líquido dessa mesma tributação. Neste caso, ainda que se considerasse, o que se admite aqui apenas para reflexão, que os valores em questão recebidos pelo Contribuinte pudessem ser considerados lucros distribuídos pela empresa Gautama, era indispensável que se demonstrasse que tais valores somados aos lucros regularmente distribuídos pelas empresas aos seus sócios formais, não ultrapassaria o lucro tributado pela pessoa jurídica. E o Contribuinte não traz aos autos nada que demonstre esta condição. Ao contrário, o que está claro dos autos é que os valores em questão, que o Contribuinte insiste em chamar de lucros distribuídos, foram calculados com base em receita bruta, e não como parte dos lucros apurados. Ademais, o próprio Contribuinte reconhece que sua relação com a empresa era de uma sociedade de fato. E, realmente, é o que consta do Instrumento de Transação, às fls. 426/441: no item “A’ das considerações iniciais, onde está dito expressamente que a pretensão do ora Recorrente era o de ser sócio “de fato” da GAUTAMA. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Ora, se se trata de uma sociedade de fato, não se cogita de distribuição regular de lucros a sócios ou acionistas. Não há como se entender que a lei que trata da tributação das pessoas jurídicas e da isenção dos lucros distribuídos aos sócios possa se estender a eventuais pagamentos feitos a sócios “de fato”. Até porque, se as sociedades regularmente constituídas somente podem ter objetos lícitos, o mesmo não se pode dizer das sociedades “de fato”. Se existia uma sociedade de fato, esta não se confunde com a sociedade regularmente constituída. Assim, os valores recebidos pelo Contribuinte da empresa GAUTAMA não podem, para fins de isenção do imposto de renda, serem considerados lucros regularmente distribuídos por uma sociedade. É que não se trata de distribuição de lucros a sócios de sociedade regularmente constituída, no sentido de que, se relação societária havia entre o ora recorrente e a GAUTAMA ou entre os primeiro e os demais sócios desta, tal sociedade não se confunde com a sociedade que constituía a empresa, e, portanto, eventuais pagamentos feitos pela sociedade ao ora recorrente, ainda que declaradamente a título de resultados dessa associação, não são abrangidos pelo benefício da isenção a que se refere o art. 39, inciso XVIII ou XIX do RIR/99. Mas, ainda que assim não fosse, não se demonstrou, como seria exigível, que os valores distribuídos estavam contidos e dentro do limite dos lucros tributados pela pessoa jurídica. Aliás, a se tomar pelos termos do próprio acordo, tal pagamento seria feito independentemente de a empresa ter apurado lucro ou prejuízo, conforme se verifica dos subitens 1.1.2.a1, 1.1.2.a2, 1.1.2.a3 e 1.1.2.a4 do Instrumento de Transação. Por todas essas razões, penso não haver base legal ou fática para a pretensão do Contribuinte, e como não há controvérsia sobre o recebimento dos valores pelo Contribuinte e quanto aos montantes recebidos, deve ser mantida a exigência exatamente como formulada. Sobre a omissão de rendimentos, item 03 da autuação, há dois tipos de fatos ali envolvidos; o recebimento de valores pela alienação da alegada participação societária, e valores referentes a depósitos bancários que, baseado nas declarações feitas pelo Contribuinte quanto a suas origens, foram considerados pela fiscalização como rendimentos tributáveis. Passo a analisar o primeiro caso. Como relatado, além dos valores relativos a supostos lucros, o Contribuinte recebeu, pela venda da participação societária reconhecida, em março de 2005, o valor de R$ 863.811,11. A pretensão do Contribuinte é que tal valor seja considerado como alienação de participação societária e, como tal, sujeito ao imposto sobre o ganho de capital, na alíquota de 15%, cujo pagamento diz já ter feito. A questão aqui se confunde em parte com aquela tratada no item anterior. O cerne da questão é se se poderia considerar o valor recebido como sendo alienação de uma participação societária que não existia anteriormente. O ganho de capital incide sobre o lucro na alienação de um bem ou direito. Neste caso a aquisição e a alienação do direito ocorreram simultaneamente e pelo mesmo valor. Embora haja referência no acordo a períodos anteriores e à retroatividade do direito, o fato é que o reconhecimento desse direito somente se deu em março de 2005. Também não há nos autos nenhuma referência à base do direito reconhecido ao ora Recorrente, da razão pela qual ele teria tal direito: se porque fez investimentos, se porque contribuiu de alguma forma para o resultado da empresa, etc. enfim, em que se funda o tal direito à participação societária “de fato”. Dependendo da resposta a esta questão, Fl. 803DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720605/200937 Acórdão n.º 2201002.014 S2C2T1 Fl. 6 9 independentemente de qualquer outra consideração, os rendimentos seriam tributáveis. E como não há nos autos nenhuma evidência de que o Contribuinte tenha feito qualquer aplicação de capital anterior e que os valores recebidos corresponderiam à devolução dessa aplicação, estes valores configuram renda nova e não a alienação de um patrimônio anteriormente adquirido. Também não é o caso de se considerar os valores recebidos como tendo natureza indenizatória. Não há nada nos autos que demonstrem um prejuízo que estaria sendo reparado. O que ali consta é que o Contribuinte teria direito, por uma razão não revelada, a uma participação societária e a um determinado percentual do faturamento da empresa, o que de modo algum configura indenização. Assim, considerado os fatos revelados pelos elementos carreados aos autos, os valores recebidos pelo ora Recorrente em decorrência do referido Instrumento de Transação configura renda nova sujeita à incidência do imposto de renda no ajuste anual. Relacionada a esta conclusão, há o fato alegado pelo Contribuinte de que já realizou o pagamento do imposto sobre o ganho de capital, conforme Demonstrativo e DARF de fls. 643/646. A Turma Julgadora de primeira instância não considerou estes pagamentos, afirmando que o mesmo não guarda relação com a presente autuação. Não concordo com esta posição. O demonstrativo de apuração do ganho de capital é claro ao se referir à venda de uma suposta alienação de participação societária da GAUTAMA, no mesmo período dos fatos objeto deste lançamento e pelo mesmo valor Portanto, é forçoso concluir que se trata , como alegado, de pagamento do imposto sobre o ganho de capital, conforme pretendia a defesa que fosse o rendimento tributado. Assim, penso que procede a pretensão do Contribuinte de que seja reconhecido este pagamento. Mas, como se concluiu acima que, no caso, não se cuida de incidência de ganho de capital, mas da tributação de rendimento sujeito ao ajuste anual, e como os fatos estão diretamente relacionados, deve ser subtraído do valor objeto da autuação o imposto já pago, sujeito, evidentemente, à verificação, por parte da autoridade preparadora, da da autenticidade dos DARF e da efetividade dos recolhimentos. Sobre a outra parte da omissão de rendimentos, correspondente a valores declarados como origens dos depósitos por parte do contribuinte, tais valores estão relacionados no Termo anexo ao auto de infração às fls. 12. Ali se vê que tais valores correspondem, segundo as declarações do próprio contribuinte, a alugueis, devolução de empréstimos e a dinheiro em caixa. Destes, contudo, somente os alugueis podem ser considerados diretamente como rendimentos. A devolução de empréstimo e o dinheiro em caixa não podem ser considerados por si sós rendimentos omitidos. Poderia a Fiscalização, pela falta de comprovação da efetividade da origem, se fosse esse o caso, considerar tais rendimentos como depósitos não comprovados, ou, por outros meios ter comprovado tratarse de rendimentos tributáveis. O que não poderia era simplesmente considerar tais rubricas como rendimentos tributáveis, porque não são. Assim, devem ser excluídos os seguintes valores: Dinheiro em mãos: R$ 1.500,00, em 12/01; 2.000,00 em 15/09; 5.000,00, 04/10. Devolução de empréstimos: R$ 15.000,00, em 01/02; R$ 10.000,00, em 10/05; R$ 5.500,00, em 18/05; R$ 7.000,00, em 18/06; R$ 10.000,00, em 10/06; R$ 3.322,02, em 21/06; R$ 20.000,00, 15/08; R$ 5.000,00, em 05/12. Somando estes valores chegase a R$ 84.227,02. Conclusão Fl. 804DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeita a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito dar provimento parcial para excluir da base de cálculo em relação ao item 03 da autuação o valor de R$ 84.227,02 e subtrair do valor total do imposto apurado na autuação o valor pago pelo contribuinte a título de imposto sobre ganho de capital, constante do DARF de fls. 645 (R$ 129.558,70). Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 805DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720605/200937 Acórdão n.º 2201002.014 S2C2T1 Fl. 7 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.720605/200937 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201002.014. Brasília/DF, 25 de março de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 806DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/ 05/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10166.002586/2008-73
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE -
ISENÇÃO.
Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial.
Não atendidos os requisitos legais é de se indeferir o pedido de isenção.
Numero da decisão: 2802-001.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 18/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci De Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canario Da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 Ementa: PROVENTOS DE APOSENTADORIA POR MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO. Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Não atendidos os requisitos legais é de se indeferir o pedido de isenção.
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Para ser beneficiado com o Instituto da Isenção, os rendimentos devem atender a dois prérequisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecido por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial. Não atendidos os requisitos legais é de se indeferir o pedido de isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 18/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci De Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Eivanice Canario Da Silva (Suplente Convocada), Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 25 86 /2 00 8- 73 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício 2004, anocalendário 2003, em virtude de apuração de da omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício, no valor de R$ 86.959,31 (Fundação UNB e UBEC), conforme enquadramento legal e descrição dos fatos A fl. 21. Em sua impugnação o contribuinte alegou, consoante o relatório da decisão de primeira instância que “retificou a declaração primitiva para considerar isentos por moléstia grave os rendimentos de aposentadoria recebidos da Fundação Universidade de Brasília; relativos aos meses de abril a dezembro do anocalendário 2003. Afirma que realmente são tributáveis os rendimentos oriundos da União Brasiliense de Educação e Cultura, cuja infração importou em R$ 49.981,94. Menciona a Lei n° 7.713, de 1988, para firmar entendimento de que os documentos apresentados conferem A impugnante direito A isenção sobre os rendimentos recebidos da Fundação Universidade de Brasília, no período de abril a dezembro do ano calendário 2003, visto que a moléstia grave foi diagnosticada em abril do mesmo ano. Acrescenta que é de bom alvitre alertar a autoridade lançadora que se abstenha de lançar cobrança de imposto sobre rendimento declarado como isento nos anos calendário 2004, 2005, 2006 e 2007. Para comprovar o alegado, juntou aos autos os documentos de fls. 10/18.” A Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília(DF), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 0332.872, de 26 de agosto de 2009, que se encontra às fls. 40/44, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS (PARCIAL). Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.002586/200873 Acórdão n.º 2802001.799 S2TE02 Fl. 60 3 pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 09/11/2009, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 04/12/2009, argüindo como preliminar o cancelamento da exigência face a apresentação de laudo médico oficial especificando a moléstia grave que é portador.. Transcreve ementas de acórdãos da DRJ Brasília, para fundamentar suas alegações. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A matéria ora em litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O contribuinte afirma que é portador de moléstia grave. Ocorre que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de reconhecer a isenção de tais rendimentos, em razão dos seguintes fatos: “A contribuinte alega que os rendimentos objeto da infração, oriundos da Fundação Universidade de Brasília, foram percebidos a titulo de aposentadoria. Contudo, não foi trazido qualquer documento expedido pela referida instituição no sentido de comprovar a data em que a impugnante adquiriu aposentadoria. 0 laudo emitido em 22/10/2007 pela Junta Médica da Fundação Universidade de Brasília, fl. 18, conclui que a impugnante e portadora de "doença de chagas crônica com comprometimento cardíaco" e "flutter e fibrilação ventricular", CID10 B 57.2 e I 49.0, respectivamente. Todavia, as doenças assentadas no mencionado laudo médico não estão expressamente previstas em lei para fins de isenção do imposto de renda. 0 documento trazido A fl. 18 em nenhum momento fez referência conclusiva e inequívoca de que a patologia apresentada pela contribuinte se enquadra em uma das moléstias graves relacionadas no inciso XXXIII do art. 39 do Decreto n° 3.000, de 1999. Portanto, extraise que não foram preenchidos, cumulativamente, os requisitos legais necessários e Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 imprescindíveis para o exercício do direito A isenção por moléstia grave prevista em lei.” Em face dessa pretensão suscitada pelo interessado, convém transcrever o que se encontra regulamentado pela Lei n° 7.713, de 1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004). [...] XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995)" Depreendese, pois, que há dois requisitos cumulativos indispensáveis para que o rendimento percebido seja considerado isento. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Ás fls. 55 o requerente anexou o documento emitido pela Fundação Universidade de Brasília Decanato De Assuntos Comunitários Junta Medica Oficial, comprovando ser portadora de DOENÇA ESPECIFICADA EM LEI CID10 — B 57.2 (doença de chagas crônica com comprometimento cardíaco) e I 49.0 (Flutter e fibrilação ventricular), cardiopatia grave, diagnosticada em 28 de abril de 2003). Entretanto, o fato de ser portador de moléstia tipificada no texto legal não significa que todos os rendimentos recebidos pelo contribuinte nessa condição sejam isentos do imposto de renda. Indispensável, para tanto, a comprovação de que estes rendimentos são provenientes de proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, o que não ocorreu no presente caso. Não há, pois, com acatar a pretensão da recorrente Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10166.002586/200873 Acórdão n.º 2802001.799 S2TE02 Fl. 61 5 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/04/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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