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Numero do processo: 19515.000748/2002-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
RECURSO ESPECIAL AGRAVADO. NÃO CONHECIMENTO.
Pode deixar de ser conhecido pela Turma da CSRF o Recurso Especial que, por meio do Agravo de que trata o art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RI-CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, teve os pressupostos de admissibilidade declarados atendidos. O Recurso Especial na condição do § 7º do art. 17 do RI-CSRF submete-se a mesma tramitação caso o recurso tivesse sido inicialmente admitido (tramitação normal), estando vedado o reexame de admissibilidade pelo Presidente da Câmara recorrida e pelo Presidente da CSRF, o que não impede a Turma da CSRF de não conhecer do Recurso Especial, em sede de deliberação coletiva.
Não se conhece de Recurso Especial quando houver erro na identificação do dispositivo legal tido por contrariado na decisão não-unânime de Câmara. Não se conhece de Recurso Especial quando houver apenas alegações genéricas de contrariedade, na decisão não-unânime de Câmara, à evidência de prova.
Numero da decisão: 9101-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 RECURSO ESPECIAL AGRAVADO. NÃO CONHECIMENTO. Pode deixar de ser conhecido pela Turma da CSRF o Recurso Especial que, por meio do Agravo de que trata o art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RI-CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, teve os pressupostos de admissibilidade declarados atendidos. O Recurso Especial na condição do § 7º do art. 17 do RI-CSRF submete-se a mesma tramitação caso o recurso tivesse sido inicialmente admitido (tramitação normal), estando vedado o reexame de admissibilidade pelo Presidente da Câmara recorrida e pelo Presidente da CSRF, o que não impede a Turma da CSRF de não conhecer do Recurso Especial, em sede de deliberação coletiva. Não se conhece de Recurso Especial quando houver erro na identificação do dispositivo legal tido por contrariado na decisão não-unânime de Câmara. Não se conhece de Recurso Especial quando houver apenas alegações genéricas de contrariedade, na decisão não-unânime de Câmara, à evidência de prova.
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NÃO CONHECIMENTO. Pode deixar de ser conhecido pela Turma da CSRF o Recurso Especial que, por meio do Agravo de que trata o art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, teve os pressupostos de admissibilidade declarados atendidos. O Recurso Especial na condição do § 7º do art. 17 do RICSRF submetese a mesma tramitação caso o recurso tivesse sido inicialmente admitido (tramitação normal), estando vedado o reexame de admissibilidade pelo Presidente da Câmara recorrida e pelo Presidente da CSRF, o que não impede a Turma da CSRF de não conhecer do Recurso Especial, em sede de deliberação coletiva. Não se conhece de Recurso Especial quando houver erro na identificação do dispositivo legal tido por contrariado na decisão nãounânime de Câmara. Não se conhece de Recurso Especial quando houver apenas alegações genéricas de contrariedade, na decisão nãounânime de Câmara, à evidência de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 48 /2 00 2- 19 Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado). Relatório A Fazenda Nacional, utilizando a faculdade contida no art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55/98, interpôs, em 11/01/2007, Recurso Especial (fls.1361/1372), por contrariedade à lei ou à evidência de prova, contra decisão nãounânime que afastou a glosa de despesas e desqualificou a multa de ofício. 2. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10515.032, de 14/04/2005, por meio do qual a 5a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a tributação relativa à glosa de despesa relativa a aquisição de bens e serviços das empresas A&Nutri Assessoria para Restaurantes Ltda, Vipa Intermediações e Negócios S/C Ltda, Gold Meat Mercantil Importadora Ltda, Triax Informática e Tecnologia Ltda e Translocar Empresa de Transportes Ltda; e, pelo voto de qualidade, manter a multa qualificada em relação à parte remanescente. 3. Por meio do Despacho PRESI105171/2007 (fls.1374/1375), de 09/05/2007, o Presidente da 5a Câmara do 1ºCC reconheceu a tempestividade, mas negou seguimento ao Recurso Especial, por "não preencher os requisitos regimentais para o seu seguimento", ao verificar que o recorrente não cumpriu o disposto no §1º do art. 33 do RICC, visto que "não enfrentou os argumentos que levavam a Câmara a prover parcialmente o recurso". 4. Inconformada, a Fazenda Nacional, por intermédio de seu representante legal, apresentou, em 03/12/2007, AGRAVO (fls.1376/1379) do Despacho PRESI105171/2007 (do qual tomou ciência em 28/11/2007), com fulcro no art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. 5. O Despacho Pres nº 1050.402/2007 (fl.1381), de 04/12/2007, declarou a tempestividade do Agravo, nos termos do §1º do art. 17 do RICSRF e encaminhou os autos à CSRF. Em sessão realizada em 14/04/2008, os autos foram distribuídos ao Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima para, em despacho fundamentado, examinar o agravo à luz do art. 17, §5º, do RICSRF. 6. Em 06/11/2008, o Despacho do relator IAG105137887 (fls.1384/1388), entendeu que foram atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do Agravo e ACEITOU O PEDIDO DE REEXAME, requerido pelo procurador da Fazenda Nacional, conforme a prerrogativa contida no §5º do art. 17 do RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, ao entender que "a agravante indica as provas e a lei que entende contrariada, portanto, atende aos requisitos para sua admissibilidade, justificando a sua apreciação pela CSRF". O Presidente da CSRF, em 30/12/2008, aprovou o despacho do relator, nos termos do §6º do mesmo art. 17. 7. O contribuinte interpôs, em 04/06/2009, Recurso Especial de Divergência (fls.1432/1439) e Contrarazões (fls.1425/1431) ao Recurso Especial e Agravo da Fazenda Nacional, tendo em vista sua intimação em 29/05/2009. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000748/200219 Acórdão n.º 9101002.017 CSRFT1 Fl. 1.473 3 8. Através do Despacho nº 052/2010 (fls.1441/1444), de 16/03/2010, da 3a Câmara da Primeira Seção de Julgamento (SeJul) do CARF, o Recurso Especial do Contribuinte teve negado seu seguimento. 9. Com base no art. 71 do Regimento Interno do CARF (RICARF), o Presidente do CARF recepcionou, em 16/03/2010, o Recurso Especial de Divergência para Reexame e passou a examinálo, juntamente com o despacho que lhe negou seguimento. Na ocasião, entendeu que o Recurso Especial não mereceu acolhida por não ter atendido aos §4º e §6º do art. 67 do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, e decidiu (fl.1445) por manter totalmente o citado despacho do Presidente da 3a Câmara da 1a SeJul, ressaltando que dessa decisão não cabe recurso, nos termos do §3º do mesmo art. 71. 10. Assim, os autos foram encaminhados à 1a Turma da CSRF, para apreciação do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls.1361/1372), admitido através do Despacho IAG105137887 (fls.1384/1388), e sorteados a este relator. 11. Por bem descrever os fatos, adoto, com algumas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: A empresa LC ADMINISTRAÇÃO DE RESTAURANTES LTDA., teve lavrado contra si autos de infração (fls. 513/514 e 518/521), através dos quais se lhe exige o recolhimento de créditos tributários relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos anoscalendários de 1998, 1999, 2000 e 2001, num total de R$ 549.082,66, incluindose neste valor a multa de ofício agravada e juros de mora, tudo em razão dos seguintes fatos narrados no Termo de Constatação Fiscal: 1 O contribuinte, atendendo a intimação fiscal de 25/07/2002, reuniu para auditoria fiscal, tão somente contratos de prestação de serviços firmados com empresas contratadas e as respectivas notas fiscais por elas emitidas. 2 Segundo o disposto nas normas que regem a dedutibilidade de custos e despesas, expressas no RIR/99, somente podem ser admitidos como operacionais, aqueles gastos que atendem os requisitos legais de normalidade, usualidade e necessidade, acompanhadas das devidas provas de sua realização. 3 O documento disponibilizado pelo contribuinte, por si só, não se constitui em prova suficiente dos serviços prestados e bens fornecidos, até por que, alguns fornecedores, como adiante se verá, não dispunham sequer de condições técnicas e operacionais para prestar os serviços ou fornecer os bens. 4 O que a legislação fiscal impõe, além de toda documentação hábil e idônea relativa ao dispêndio, é a comprovação da natureza e execução efetiva dos serviços e bens fornecidos aludidos nos documentos emitidos, evidenciando de maneira clara e detalhada, que a despesa correspondeu à contrapartida de um trabalho ou bem executado ou posto à disposição, que tornou o pagamento devido. 5 Ao revés, os papéis franqueados à fiscalização, os dados cadastrais dos fornecedores, a circularização e demais elementos coligidos permitiram extrair as seguintes conclusões: A&NUTRI ASSESSORIA PARA RESTAURANTES LTDA. CNPJ: 38.854.139/000175 End: Rua Santa Catarina, 214, Jardim Silvia Embu São Paulo Sem provas materiais ou documentais acerca da prestação dos serviços mencionados nas respectivas notas fiscais. Relação nº 01 anexa; INEL INFORMÁTICA E ELETRÔNICA LTDA. CNPJ: 96.296.959/000195 End: Rua Bernardo Magalhães, 108 Tatuapé São Paulo Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Sumulada por irregularidades junto à Secretaria da Receita Federal e com situação cadastral declarada INAPTA desde 14/09/1999, as notas fiscais emitidas a partir dessa data são tidas como inidôneas. Relação nº 02 anexa; VIPA INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS S/C LTDA. CNPJ: 01.369.829/000129 End: Rua Maranhão, 42, Embú São Paulo Sem provas materiais ou documentais acerca da prestação dos serviços mencionadas nas respectivas notas fiscais. Relação nº 03 anexa; GOLD MEAT MERCANTIL IMPORTADORA LTDA. CNPJ: 02.853.720/000125 End: Rua Ibitirama, 216 Vila Prudente São Paulo Não localizada no endereço declarado à Secretaria da Receita Federal, estando inoperante no anocalendário de 2000 e com declaração de rendimentos p. jurídica entregue na condição de inativa. As notas fiscais apropriadas pela diligência no período, são tidas como irregulares. Relação nº 04 anexa; TRIAX INFORMÁTICA E TECNOLOGIA LTDA. CNPJ: 64.576.325/00108 End: Av. Pres. Altino, 2939, sala 02 Jaguaré São Paulo Não localizada no endereço declarado à Secretaria da Receita Federal, estando inoperante desde o ano de 1997 e com apresentação da declaração de rendimentos p. jurídica na condição de inativa. As notas fiscais apropriadas pela diligenciada são tidas como irregulares. Relação nº 05 anexa. TRANSLOCAR EMPRESA DE TRANSPORTES LTDA. CNPJ: End: Rua Afonso Bras, 473 Vila Nova Conceição São Paulo Não localizada no endereço indicado nas notas fiscais. Os dados cadastrais relativos ao CNPJ 00.011.843/000193 pertencem à atual EMPRESA DE TRANSPORTES TRANSCONZ LTDA, com endereço à Rua Jussara, 600, Jardim Mutinga Barueri São Paulo, inexistindo, todavia, documentos de prova dos serviços de frete ditos realizados. Relação de notas nº 06 anexa. ... Cientificada do lançamento, a interessada, através de procurador regularmente constituído, formulou a impugnação de fls. 530/545, dizendo em síntese o que segue: ... Quanto ao mérito sustenta a existência de provas documentais suficientes para demonstrar a efetividade de serviços prestados pelas empresas VIPA INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS S/C LTDA. e A&NUTRI ASSESSORIA PARA RESTAURANTES LTDA. Os documentos seriam notas fiscais, contratos firmados entre as partes e comprovantes de pagamentos, que teriam sido rechaçados equivocadamente pelo autuante. ... ... Quanto aos demais fornecedores, invoca o artigo 82 da Lei n° 9.430/1996 para dizer que tendo agido de boafé e havendo a comprovação dos serviços prestados a glosa promovida pelo autuante é improcedente. No mesmo tópico da peça de defesa ainda menciona o serviço prestado pela TRANSLOCAR sustentando que diante das notas fiscais e recibos fica claro que houve a efetiva prestação dos serviços. Aduz que não possuindo a autuada poder de polícia, não se pode admitir que venha a responder pela irregularidade dos documentos emitidos por terceiros. Diz também que o autuante, ao proceder ao lançamento, deixou de considerar os prejuízos fiscais acumulados até 1997 bem como as bases de cálculo negativas da CSLL. Havendo previsão legal para a compensação de tais valores e tendo a SRF conhecimento dos Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000748/200219 Acórdão n.º 9101002.017 CSRFT1 Fl. 1.474 5 respectivos montantes e uma vez que foram informados, é direito da impugnante abater da base tributável os prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. Contesta a multa agravada por entender que não restou demonstrado evidente intuito de fraude, particularmente se considerados os documentos acostados aos autos juntamente com a impugnação. Transcreve alguns acórdãos do Conselho de Contribuintes para corroborar sua afirmação. ... Em vista dos fatos apurados, a fiscalização efetuou a representação fiscal para fins penais, conforme consta do processo n° 19515.000749/200255, apensado a este. A 7a Turma da DRJ/SÃO PAULO, através do acórdão DRJ/SPOI nº 02.589 (fls.1061/1081) julgou procedente em parte o lançamento, apresentandose o mesmo assim ementado no que interessa: "IRPJ GLOSA DE DESPESA As despesas que reduzem o resultado fiscal da empresa devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos e devem revelarse necessárias à manutenção da fonte produtora. COMPENSAÇÃO Havendo prejuízos fiscais acumulados e base de cálculo negativa da contribuição social é direito do contribuinte a compensação desses valores com outros apurados em procedimento de ofício. MULTA AGRAVADA Correta a exigência de multa agravada nas hipóteses em que a fiscalização aponta a ocorrência, em tese, de crime definido em lei. ..." Cientificada da decisão (fls.1092v°), tempestivamente a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 1087/1099, alegando que "todos os pagamentos encontramse devidamente assentados na escrituração e documentados, inclusive, através de comprovantes bancários". ... Quanto ao mérito, tornou a invocar os argumentos expendidos na impugnação, pedindo a reforma da decisão recorrida. Na seqüência (fls. 1149/1150), requereu a juntada de diversos documentos (fls.1151/1273), representativos das cópias dos livros diário e das DIRPJ das empresas A&Nutri Assessoria para Restaurante Ltda. e Vipa Intermediação de Negócios S/C Ltda., além de outros relacionados com as demais empresas. 12. O Acórdão Recorrido foi assim ementado, na parte pertinente: "... NOTAS FISCAIS INIDONEAS A simples constatação de que os emitentes de notas fiscais estava com o CGC suspenso, sem a comprovação das providências previstas na IN 66/97, não pode ensejar a glosa dos correspondentes custos GLOSAS NOTAS FISCAIS INIDONEAS DESPESAS COMPROVADAS Só se consideram inidôneas as notas fiscais emitidas por empresa declarada inapta, desde que obedecidas as providências previstas na IN SRF n° 105/99. Comprovada a realização dos serviços através de notas fiscais, desnecessária se torna a utilização do cupom fiscal. CSLL LANÇAMENTO REFLEXO Dada à intima relação de causa e efeito, adotase para o lançamento reflexo o que restou decidido quanto à exigência principal. MULTA AGRAVADA Correta a aplicação da multa agravada quando a fornecedora de bens ou serviços foi declarada inapta em data anterior à emissão do documento, e a empresa não comprova a efetivação do pagamento do preço e o recebimento dos bens, direitos e mercadoria ou a utilização dos serviços. (Lei 9.430/96 arts. 44II e 82, IN SRF 66/97). ..." 13. Extraise do voto vencido, na parte em que vencedor, os seguintes trechos: Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 "... Passo a analisar a glosa de despesas de acordo com a imputação oferecida a cada uma das empresas fornecedoras. GOLD MEAT MERCANTIL IMPORTADORA LTDA. ... TRIAX INFORMÁTICA E TECNOLOGIA LTDA. ... A Instrução Normativa SRF nº 66/97, alterada pela IN SRF nº 105/99, estabelecia, até 31/12/2000, as normas para a declaração de inaptidão de inscrições de pessoas jurídicas no C.G.C., prevendo o seu art. 2º, três (3) hipóteses distintas... [Reproduz o art. 2º] É induvidoso que a segunda hipótese acima é a que se enquadra no caso em exame, situação em que, a citada IN prevê os seguintes passos preliminares: [Reproduz os arts. 6º a 10] Dos autos não emergem quaisquer informações acerca da implementação das providencias elencadas, de modo que, oficialmente, ditas empresas, ao menos ao tempo em que emitiram documentos fiscais, estavam aptas a fazêlo. Frente a isto, afasto a exigência fiscal. TRANSLOCAR EMPRESA DE TRANSPORTES LTDA. ... Para a decisão recorrida, o primeiro motivo não se mostra suficiente para a glosa. Diante das provas produzidas pela recorrente, a Turma Julgadora entendeu que as mesmas se mostraram insuficientes, uma vez que pela descrição constante das mesmas serviços prestados de fretes serviços de transportes de refeições prestados às filiais no período fretes ocorridos no mês não é possível saber o número de fretes, e nem a origem e o destino das mercadorias. E, para manter glosa, foi invocado o disposto no art. 61 da Lei n° 9.532, ... [E reproduz o citado dispositivo] Ora, s.m.j., o dispositivo legal não se ajusta ao caso concreto, uma vez que a adoção do Cupom Fiscal no âmbito da Receita Federal ainda não foi implementada. Assim, se a acusação fiscal residia na inexistência de documentos de prova da realização dos serviços de frete e tendo a recorrente demonstrado a realização destes através das notas fiscais, entendo que a exigência não se mantém, uma vez que decorre de imputação inexistente na peça inaugural. Em reforço, a este entendimento, destaco que a recorrente trouxe com o recurso o contrato de prestação de serviço de fls. 1292/1294, além dos recibos de fls. 1295/1313 reportandose a cada uma das notas fiscais glosadas, com a especificação do serviço realizado, sendo que as notas fiscais achamse acostadas às fls. 27/39 e 222/282. Deste modo, entendo indevida a exigência. VIPA INTERMEDIAÇÕES DE NEGÓCIOS S/C LTDA. A&NUTRI ASSESSORIA PARA RESTAURANTES LTDA. ... A atividade da recorrente achase prevista na cláusula segunda de seu contrato social (fls. 554), assim detalhada: [E reproduz a cláusula do contrato social] Destacase que a recorrente conta com vinte e três (23) filiais localizadas em São Paulo, capital e interior, Rio de Janeiro e Fortaleza. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000748/200219 Acórdão n.º 9101002.017 CSRFT1 Fl. 1.475 7 Com as empresas em destaque, a recorrente firmou contrato de prestação de serviços, consoante se vê dos documentos de fls. 8/9 em relação à empresa Nutri e 10/11, em relação à empresa Vipa, sendo que ambos têm como objeto o assessoramento técnico e a indicação de metas de trabalho e gerenciamento na área de nutrição. As notas fiscais emitidas pela empresa Nutri achamse acostadas às fls. 42/97 sendo que da discriminação consta "PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS", detacandose que algumas delas não contém qualquer discriminação. As notas fiscais emitidas pela empresa Vipa achamse acostadas às fls. 101/214 e também referemse apenas à prestação de serviços. Em complemento, às fls. 559/619 foram juntadas correspondências trocadas entre a recorrente e a empresa Vipa, todas relacionadas, de uma forma ou de outra, aos objetivos sociais da primeira. Também às fls. 620/662 e 705/721, diversas lâminas que supostamente fazem parte de algum áudiovisual, igualmente tratando de assuntos relacionados com os objetivos sociais da recorrente. Às fls. 663/704, um manual de instruções relativo ao gerenciamento de pessoal. Às fls. 722/819, foram acostados demonstrativo dos trabalhos executados no respectivo mês. Da mesma forma, em relação à empresa Nutri, às fls. 820/1018 foram juntadas correspondências, relatórios de serviços prestados em cada mês. ... Os contratos de prestação de serviços secundados pelas notas fiscais e demonstrativos dos serviços realizados se completam na demonstração de que os serviços foram prestados. Diante da farta documentação trazida pela recorrente, entendo que cabia à fiscalização, não se convencendo do que neles se afirma, aprofundar a investigação, inclusive junto às empresas prestadoras de serviços, com o intuito de aquilatar não só a capacidade técnica para cumprir o avençado mas também a efetiva prestação dos serviços. Dou provimento ao recurso quanto a este item. INEL INFORMÁTICA E ELETRÔNICA LTDA. ... Mesmo para os casos em que a empresa fornecedora tenha sido sumulada junto à SRF, como é o caso presente, a glosa não se dá de forma automática, posto que ao tomador dos serviços é dada a oportunidade de comprovar a lisura da sua atitude, segundo o que dispõe o art. 82 da Lei n° 9.430/96, ... [Reproduz o art. 82] Então, resta saber se a recorrente comprovou à saciedade que os valores pagos à INEL correspondem à efetiva aquisição de bens e serviços. As notas fiscais a prazo achamse acostadas às fls. 98/100, nos valores de R$ 501,00, R$ 1.354,00 e R$ 522,00, e tratamse de componentes para informática. Não restou comprovado o pagamento das mesmas através de duplicata, recibo, boleto bancário ou equivalente. Assim, desatendido o disposto no art. 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, é de ser mantida a exigência. ... Multa agravada No que diz respeito à aplicação da multa agravada, têmse que nenhuma atitude dolosa restou demonstrada no proceder da recorrente, razão pela qual deve a mesma ser afastada. ..." Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 14. Apenas para esclarecer, extraise do voto vencedor, os seguintes trechos: " Acompanhei o relator do voto vencido em relação ao mérito, tanto o afastamento das exigências como a manutenção da glosa na INEL INFORMÁTICA E ELETRÔNICA LTDA exceto quanto à redução da multa agravada. ... Pelo exposto, retratando a posição da Câmara em voto de qualidade, mantenho a multa qualificada aplicada em relação à glosa das compras registradas como feitas da Inel Informática e Eletrônica Ltda." 15. A Recorrente apresenta as seguintes razões recursais para reforma do acórdão recorrido: "... Do direito. 1) Comprovação do serviço e entrega da mercadoria. O RIR/99, art. 299, autoriza a dedução da base de cálculo do Imposto de Renda das despesas "necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora". Assim, somente o bem ou serviço incorporado ao processo produtivo ou ao patrimônio da empresa são passíveis de dedutibilidade como despesa necessária. [Cita precedente do Tribunal Federal de Recursos] Esta Colenda Corte não apenas desposa de idêntico entendimento, como, também, enfatiza que o ônus da prova da entrega do bem ou realização do serviço é da empresa favorecida, ou seja, aquela que tenha se utilizado da despesa para reduzir a base de cálculo do tributo, ... [E transcreve inúmeros julgados do 1ºCC] No caso dos autos a Recorrida nunca adimpliu com o ônus da prova da efetiva entrega das mercadorias e serviços pretensamente fornecidos. Tanto em sede de impugnação, quanto do recurso voluntário, a Recorrida tãosomente argumentou sobre os fundamentos legais daquelas despesas, no entanto, nunca trouxe aos autos qualquer prova da idoneidade da despesa, bem como sua usualidade e necessidade. De outra feita, em consonância com o disposto no RIR/99, art. 299, o Fisco orientou a fiscalização no sentido de perquirir sobre a pretensa entrega da mercadoria. Concluindo, por fim, que a documentação contábil não demonstrava a idoneidade da despesa. ... ... O r. acórdão, porém, optou por se apegar aos aspectos formais da escrituração contábil, quando, em verdade, o cerne da questão a efetividade da despesa foi deixada de lado. Outrossim, em manifesta contradição com a lei, o r. acórdão inverteu o ônus da prova, impondo ao Fisco e não da Recorrida a comprovação da efetividade da despesa. 2) Multa qualificada O r. acórdão afastou a qualificação da multa com supedâneo em alegada ausência de demonstração do comportamento doloso da Recorrida pelo Fisco. Data venia, conforme a remansosa jurisprudência desta Colenda Corte, o reconhecimento de despesas lastreadas em documentos inidôneos é prova mais do que suficiente para configurar o intuito de fraude, ... [E cita julgados do 1ºCC] Desse modo, restando demonstrado nos autos a inidoneidade das despesas, a que se reconhecer o intuito fraudulento da Recorrida. ..." Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000748/200219 Acórdão n.º 9101002.017 CSRFT1 Fl. 1.476 9 16. No Agravo, a Fazenda Nacional expressouse da seguinte forma: "... 2. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ataca o afastamento da glosa de despesas, realizada pela fiscalização, referente à suposta aquisição de bens e serviços das seguintes empresas: Gold Meat Mercantil Importadora Ltda. Translocar Empresa de Transportes Ltda. e Triax Informática e Tecnologia Ltda. ... 3. Contudo, a análise dos autos demonstra perfeitamente a disparidade entre as provas constantes dos autos, pertinentes às empresas acima mencionadas, e aquilo que foi decidido pela Câmara a quo, sem deixar de mencionar a afronta entre o ato decisório e o Art. 299 do RIR/99, o que se coaduna, perfeitamente, com a exigência feita pelo atual art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da CSRF. ... 5. Entretanto, o que a Fazenda Nacional pretende demonstrar em seu Recurso Especial é justamente a discrepância entre as provas dos autos, bem como entre da legislação em vigor, e a decisão proferida pela ilustre maioria. 6. Não é outra, portanto, a argumentação da Fazenda Nacional às folhas 1364 à 1369, onde se demonstra a disparidade da decisão da Câmara a quo frente ao artigo 299 do RIR/99 e à jurisprudência deste Conselho de Contribuintes. 7. Dessa forma a contrariedade à prova dos autos e à legislação em vigor restaram caracterizadas, merecendo, por isso, reforma o r. despacho proferido nos autos. ..." 17. Nas Contrarazões ao Recurso Especial (e Agravo) da Fazenda Nacional, o contribuinte defende: I preliminarmente: ausência de recurso em relação aos documentos emitidos pelas empresas Vipa Intermediações de Negócios S/C Ltda, inscrita no CNPJ 01.369.829/000129 e a A&Nutri Assessoria para Restaurantes Ltda, inscrita no CNPJ 38.854.139/000175; Inicialmente, cumpre destacar que não houve interposição de recuro em relação documentos emitidos pelas pelas empresas Vipa Intermediações de Negócios S/C Ltda., inscrita no CNPJ 01.369.829/000129 e A&Nutri Assessoria para Restaurantes Ltda., inscrita no CNPJ 38.854.139/0001 75. Portanto, em relação a tais documentos o v. acórdão restou definitivamente julgado, não havendo mais questionamento, sendo de rigor o cancelamento definitivo do auto de infração neste aspecto. II o não seguimento do recurso especial ausência dos requisitos regimentais; ... 6. ... a Agravante/Recorrente apresentou recurso com argumentos genéricos e hipotéticos, sem enfrentar os argumentos ventilados pelo v. acórdão proferido pela E. Quinta Câmara, que enfrentou cada uma das questões deduzidas em Recurso Voluntário da Recorrida/Agravada. 7. Com efeito, a Agravante/Recorrente genericamente alega ofensa ao art. 299 do RIR/99. No entanto, não enfrenta os argumentos constantes do v. acórdão, quais sejam: (i) os documentos fiscais das empresas GOLD MEAT e TRIAX, por ocasião de sua emissão, eram APTOS, pois não foram observados os procedimentos descritos na Instrução Normativa n° 66/97, alterada pela IN 105/99. Com efeito, o v. acórdão afirma que não foram adotadas as providências elencadas nos artigos 2º, II e 6º a 9º da referida IN e, portanto, "DITAS EMPRESAS, AO MENOS AO TEMPO EM QUE EMITIRAM DOCUMENTOS FISCAIS, ESTAVAM APTAS A FAZÊLO." Destaquese o Sr. Auditor Fiscal em momento algum contestou a efetiva prestação dos serviços e/ou aquisição de mercadorias. ... Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 10. Ora, Nobres Julgadores, tais fundamentos e argumentos não foram enfrentados pela Fazenda Nacional em seu recurso, o que impede seu seguimento, nos termos do regimento interno. 11. Mas não é só. (ii) os serviços prestados pela empresa Translocar restaram comprovados pelas notas fiscais e respectivos recibos de pagamentos. Aliás, os serviços de transporte desenvolvidos pela referida empresa são normais, usuais e indispensáveis ao cotidiano da Agravada/Recorrida. ... 13. Mais uma vez, Nobres Julgadores, cumpre repisar que tais fundamentos e argumentos não foram enfrentados pela Fazenda Nacional em seu recurso, o que impede seu seguimento, nos termos regimentais. 14. Já para a segunda hipótese recursal decisão que der à lei tributária interpretação divergente o Regimento Interno estabelece a obrigatoriedade da Recorrente apresentar a cópia do inteiro teor do acórdão paradigma ou a cópia de sua respectiva publicação. 15. Ora, a FAZENDA NACIONAL não observou tais pressupostos, pois limitouse a reproduzir no corpo da peça algumas ementas que entendia aplicáveis ao caso concreto, sem sequer realizar um cotejo analítico entre o v. acórdão recorrido e os paradigmas apontados. 16. Portanto, também sob tal aspecto não pode ser conhecido o recurso da Fazenda Nacional. III o não cabimento do recurso em relação à multa qualificada manutenção da autuação nesse quesito 17. Em relação à multa qualificada, o v. acórdão manteve tal exigência, sendo negado o recurso da Agravada/Recorrida neste aspecto, razão pela qual a Fazenda não tem sequer interesse recursal. 18. Com efeito, em que pese o entendimento contrário da Recorrida/Agravada, a ementa do v. acórdão é clara ao entender "correta a aplicação da multa agravada quando a fornecedora de bens ou serviços foi declarada inapta(...), e a empresa não comprova a efetivação do pagamento do preço e o recebimento dos bens(...)". 19. Logo, a Fazenda Nacional não possui interesse recursal, pois a autuação nesta parte foi mantida pelo v. acórdão. 18. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Inicio o voto transcrevendo trechos do art. 17 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, em razão da necessidade de observação do rito estabelecido neste artigo, por força do art. 5º da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009: Art. 17. Cabe agravo do despacho que negar seguimento ao recurso especial. § 1º O reexame de admissibilidade de recurso especial será requerido em petição dirigida ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de cinco dias contado da ciência do despacho que lhe negou seguimento. ... § 4º No agravo não será admitida a produção de novas provas da divergência. § 5º O Presidente distribuirá os autos a um dos membros da Turma que, em despacho fundamentado, acolherá ou rejeitará o pedido de reexame. Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000748/200219 Acórdão n.º 9101002.017 CSRFT1 Fl. 1.477 11 § 6º Será definitivo o despacho do relator, após aprovado pelo Presidente e se este discordar, a admissibilidade do recurso será apreciada pelo colegiado, que decidirá como matéria de expediente, não sujeita à prévia publicação. § 7º Se, no despacho de que trata o § 5º ou na decisão a que se refere o § 6º forem declarados atendidos os pressupostos de admissibilidade, os autos terão a tramitação normal, como se o recurso tivesse sido admitido pelo Presidente da Câmara recorrida, vedado o reexame de admissibilidade, intimandose o sujeito passivo ou o Procurador da Fazenda Nacional, este pessoalmente, para apresentar contrarazões no prazo de quinze dias. 3. No presente caso, em julgamento Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão nãounânime de Câmara, por contrariedade à lei ou à evidência da prova, que teve seguimento negado pelo Presidente da Câmara, mas que foi admitido por meio de Agravo que atendeu ao rito estabelecido no art. 17 do RICSRF. 3.1. Os autos foram distribuídos a relator de Turma da CSRF, que emitiu despacho acolhendo o pedido de reexame, na forma do §5º do transcrito art. 17, e contou com aprovação do Presidente da CSRF, nos termos do §6º do mesmo art. 17. 3.2. Assim, é caso de aplicação do §7º do art. 17 do RICSRF, ou seja, tendo sido declarados atendidos os pressupostos de admissibilidade, os autos terão a tramitação normal, como se o recurso tivesse sido admitido pelo Presidente da Câmara recorrida, vedado o reexame de admissibilidade. 3.3. Entendo que a tramitação normal significa que o Recurso Especial será submetido a julgamento pela Turma da CSRF da mesma forma que um Recurso Especial que tenha sido admitido inicialmente pela autoridade da Câmara do acórdão recorrido. E que a vedação de reexame significa que, sendo assim admitido através de Agravo, não pode o Presidente da Câmara recorrida nem tampouco o Presidente da CSRF (ainda que sejam outros ou que restem vencidos) posteriormente negar seguimento ao Recurso Especial (e ao Agravo), que deverá ir a julgamento da Turma CSRF. 3.4. Não obstante, por estar submetida a tramitação normal, o Recurso Especial (e Agravo), desse modo admitido, poderá deixar1 de ser conhecido ou ser apenas parcialmente conhecido segundo decisão de Turma da CSRF, da mesma forma que ocorre com um Recurso Especial inicialmente admitido pelo Presidente da Câmara do acórdão recorrido. Até mesmo porque, no caso concreto, há que se reconhecer o primado de uma decisão colegiada frente a uma decisão monocrática. 3.5. Pelo exposto, entendo que o Regimento Interno da CSRF não veda o não conhecimento do Recurso Especial (e Agravo) da Fazenda Nacional ora em julgamento. 4. Enfrento a primeira preliminar levantada pela Recorrida/Agravada em suas Contrarrazões: a de que não houve interposição de recurso em relação aos documentos emitidos pelas empresas Vipa Intermediações de Negócios S/C Ltda e A & Nutri Assessoria para Restaurantes Ltda. 1 Entender diferentemente equivaleria a constituir uma decisão não embargável na questão do conhecimento. Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 4.1. O Recurso Especial da Fazenda Nacional dividiu sua exposição por empresas e, à fl. 1363, quarto parágrafo, expôs que: "De igual sorte, o r. acórdão afastou a glosa em relação as despesas com as empresas VIPA e NUTRI. Assevera o v. voto condutor do r. acórdão sobre a questão, verbis: ...". Assim, não procede a alegação que não houve recurso quanto a essas duas empresas. 4.2. O Despacho PRESI105171/2007 negou seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implicou no não seguimento em relação às empresas Vipa Intermediações de Negócios S/C Ltda e A&Nutri Assessoria para Restaurantes Ltda, apesar de não ter fundamentado quanto a estas. 4.3. O Agravo da Fazenda Nacional assim se pronunciou: "2. O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional ataca o afastamento da glosa de despesas, realizada pela fiscalização, referente à suposta aquisição de bens e serviços das seguintes empresas: Gold Meat Mercantil Importadora Ltda. Translocar Empresa de Transportes Ltda. e Triax Informática e Tecnologia Ltda. ... 3. Contudo, a análise dos autos demonstra perfeitamente a disparidade entre as provas constantes dos autos, pertinentes às empresas acima mencionadas, e aquilo que foi decidido pela Câmara a quo, sem deixar de mencionar a afronta entre o ato decisório e o Art. 299 do RIR/99, o que se coaduna, perfeitamente, com a exigência feita pelo atual art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da CSRF." 4.4. Constatase que a Fazenda Nacional, em relação às empresas Vipa Intermediações de Negócios S/C Ltda e A&Nutri Assessoria para Restaurantes Ltda, não agravou o Despacho do Presidente da Câmara recorrida que negou seguimento a seu Recurso Especial. Portanto, quanto a essas duas empresas, prevalece a negativa de seguimento do Despacho PRESI105171/2007, por ausência de acolhimento de pedido de reexame, já que não solicitado. 4.5. Assim, em se tratando das empresas Vipa Intermediações de Negócios S/C Ltda e A&Nutri Assessoria para Restaurantes Ltda, o Acórdão nº 10515.032, de 14/04/2005, restou definitivamente julgado, não havendo mais questionamento nesse ponto, sendo de rigor o cancelamento do auto de infração quanto às glosas de despesas oriundas dessas duas empresas. 5. Passo agora à alegação da Recorrida/Agravada quanto ao não seguimento do Recuso Especial (e Agravo) da Fazenda Nacional por ausência dos requisitos regimentais. Dois principais motivos foram apontados: 1º) a Fazenda Nacional não indicou decisão que deu à lei tributária interpretação divergente comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada; 2º) a Fazenda Nacional não enfrentou em seu recurso os fundamentos/argumentos do acórdão recorrido, que apreciou cada uma das questões deduzidas no Recurso Voluntário. 5.1. Aprecio o primeiro motivo: a necessidade de indicação de decisão divergente comprovandoa mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada. 5.1.1. Ora, esse requisito para seguimento do Recurso Especial só é necessário para o recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Recurso Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000748/200219 Acórdão n.º 9101002.017 CSRFT1 Fl. 1.478 13 Especial em julgamento não foi interposto com essa base, mas sim contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova. 5.1.2. O fato da Recorrente/Agravante ter reproduzido no corpo da peça algumas ementas da jurisprudência administrativa que entendeu aplicáveis ao caso concreto não tem o condão de modificar a natureza do Recurso Especial, serve apenas como argumento ou proposta de razão de decidir em seu favor, com vistas a influenciar a convicção do julgador. 5.1.3. Em vista disso, afasto o primeiro motivo para o não conhecimento do Recurso Especial (e Agravo) da Fazenda Nacional. 5.2. Examino agora o segundo motivo, qual seja: o não enfrentamento pela Fazenda Nacional da interpretação, pelo acórdão recorrido, dos fatos e da lei. Embora a Recorrida/Agravada tenha delimitado genericamente este motivo, há que se ressaltar que ele só é oponível quanto às glosas de despesas relativas às empresas Gold Meat Mercantil Importadora Ltda e Triax Informática e Tecnologia Ltda. 5.2.1. Pois bem, entendeu o acórdão recorrido que "dos autos não emergem quaisquer informações acerca da implementação das providências elencadas" na Instrução Normativa (IN) SRF nº 66/97, alterada pela IN SRF nº 105/99, que trata das normas para a declaração de inaptidão de inscrições de pessoas jurídicas no C.G.C, "de modo que, oficialmente, ditas empresas, ao menos ao tempo em que emitiram documentos fiscais, estavam aptas a fazêlo". 5.2.2 A acusação fiscal, conforme visto no item 11 do relatório que transcreveu o item 5 do Termo de Constatação Fiscal, para as empresas Gold Meat Mercantil Importadora Ltda e Triax Informática e Tecnologia Ltda, não foi por ausência2 da comprovação da efetiva entrega do bem ou da efetiva realização do serviço, mas sim em virtude das notas fiscais serem tidas por irregulares, já que emitidas por fornecedores pessoas jurídicas inoperantes e que apresentaram declaração de rendimentos na condição de inativas. 5.2.3. Independentemente de procederem, ou não, as razões de decidir do acórdão recorrido neste ponto, o que fica evidente é que a contrariedade à lei apontada pela Fazenda Nacional não pode estar alicerçada apenas no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), de 26/03/1999, como esteve, tendo em vista que este não foi, para as empresas Gold Meat Mercantil Importadora Ltda e Triax Informática e Tecnologia Ltda, com base nos fatos, o dispositivo legal aplicado3 pela decisão do acórdão recorrido para exonerar o crédito tributário. 5.2.4. Logo, como conseqüência da possibilidade que defendi existir nos itens 3.4 e 3.5, entendo que não deve se conhecido o Recurso Especial (e Agravo) da Fazenda Nacional quanto às empresas Gold Meat Mercantil Importadora Ltda e Triax Informática e Tecnologia Ltda, por erro na identificação do dispositivo legal tido por contrariado na decisão não unânime da Câmara, que deveriam ter sido os arts. 216 e 217 do RIR/1999, ou os arts. 80 a 82 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. 6. Resta ainda analisar o Recurso Especial e Agravo da Fazenda Nacional em relação às glosas de despesas da pessoa jurídica Translocar Empresa de Transportes Ltda. 2 Nos Autos de Infração houve indicação da infração: 001 Custo dos Bens ou Serviços Vendidos, Glosa de Custos. A infração relativa a glosa de despesas, embora semelhante, não é igual a glosa de custos, pois as verificações conservam suas particularidades. Não há também o enquadramento legal no art. 299 do RIR/99. 3 Nem da imputação fiscal. Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 6.1. A acusação fiscal para a Translocar Empresa de Transportes Ltda, conforme visto no item 11 do relatório que transcreveu o item 5 do Termo de Constatação Fiscal, foi a mudança do nome da empresa relacionado ao CNPJ constante nas notas fiscais e a inexistência de documentos de prova dos serviços de frete ditos realizados. 6.2. A decisão de primeira instância assim julgou este ponto: 24 No caso das notas fiscais emitidas pela EMPRESA DE TRANSPORTES TRANSLOCAR LTDA., houve certo equívoco do autuante, pois embora os sistemas da Secretaria da Receita Federal apontem o CNPJ 00.011.843/000193 como sendo da EMPRESA DE TRANSPORTES TRANSCONZ LTDA., existe um histórico que indica que em 02/09/1999 foi reconhecida a alteração de nome ocorrida em 14/05/1999, ou seja, o uso da nota fiscal desatualizada não deveria, em princípio, gerar penalidade para o tomador do serviço. 25 Contudo, num segundo momento, considerando a existência da nota fiscal como um fato, há de analisar se nela estão presentes os requisitos apontados pela já mencionada Lei nº 9.532/1997 (artigo 61, parágrafo 1º). Diante do que ficou discriminado como serviço prestado não se poder dizer que houve descrição pormenorizada, pois as notas trazem o seguinte: fls.27/31, 221/227, 234/243, 250 e 253/282 "Fretes realizados no mês"; fls.32/35; "Serviços prestados de fretes"; fls.36/40 e 283/284 "Serviços de transportes de refeições prestados às filiais no período..."; fls. 228/233 e 244/249 "Fretes ocorridos no mês...". 26 Como se vê, sequer foi indicado, muitas vezes, o que foi transportado. Quando se discrimina o que foi transportado, não é possível saber o número de fretes, ou a origem e destino das mercadorias. Caso as notas estivessem respaldadas em contratos, dos quais se pudesse extrair com precisão o valor dos serviços, restaria à defesa demonstrar apenas os pagamentos correspondentes às notas fiscais. 27 Tendo em vista que as notas fiscais não atendem o que prescreve o artigo 61 da Lei nº 9.532/1997, correto o procedimento do autuante que glosou as despesas que a LC não logrou comprovar a efetividade. 6.3. O acórdão recorrido foi no seguinte sentido: "Ora, s.m.j., o dispositivo legal [art. 61 da Lei nº 9.532/1997] não se ajusta ao caso concreto, uma vez que a adoção do Cupom Fiscal no âmbito da Receita Federal ainda não foi implementada. Assim, se a acusação fiscal residia na inexistência de documentos de prova da realização dos serviços de frete e tendo a recorrente demonstrado a realização destes através das notas fiscais, entendo que a exigência não se mantém, uma vez que decorre de imputação inexistente na peça inaugural. Em reforço, a este entendimento, destaco que a recorrente trouxe com o recurso o contrato de prestação de serviço de fls. 1292/1294, além dos recibos de fls. 1295/1313 reportandose a cada uma das notas fiscais glosadas, com a especificação do serviço realizado, sendo que as notas fiscais achamse acostadas às fls. 27/39 e 222/282. Deste modo, entendo indevida a exigência." 6.4. O Despacho PRESI105171/2007, que negou seguimento ao Recurso Especial assim se pronunciou: Quanto à empresa Translocar dois foram os motivos para o afastamento da glosa da despesa, primeiro a mudança de fundamentação por parte da DRJ, segundo porque a empresa apresentou as notas fiscais que no momento da fiscalização estavam ausentes e foi esse o motivo da autuação. Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000748/200219 Acórdão n.º 9101002.017 CSRFT1 Fl. 1.479 15 O recorrente também não ataca os argumentos decisórios, logo não há possibilidade de se admitir o seguimento do recurso. 6.5. Conforme se verifica dos subitens anteriores, a decisão recorrida exonerou o crédito tributário em razão da apresentação de documentos trazidos junto com o recurso (ou seja, documentos apresentados após a impugnação). Esses documentos, em tese, vieram no sentido de suprir o que deixou de ser atendido para enquadramento no art. 299 do RIR/99, ou seja, tiveram por fim comprovar a efetividade das despesas. 6.6. Ocorre que a douta procuradoria deixou de indicar, como dispositivo legal contrariado, o §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, e indicou tão somente o mesmo art. 299 do RIR/99, para o qual a nova documentação esteve direcionada a atender. Segue trechos do referido art. 16: "Art. 16. ... ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) ..." 6.7. Se o correto dispositivo legal contrariado tivesse sido indicado, seria superado a preliminar de conhecimento e a Turma da CSRF julgaria esse dispositivo; bem como, se fosse o caso, passaria ao exame dos mencionados documentos, para verificação se estes se prestam aos fins a que se destinaram. Não obstante, esse não foi o pleito do Recurso Especial da Fazenda Nacional e não pode o julgador suprir requisito essencial de interposição do recurso. 6.8. Logo, também como conseqüência da possibilidade que defendi existir nos itens 3.4 e 3.5, entendo que não deve se conhecido o Recurso Especial e Agravo da Fazenda Nacional quanto a pessoa jurídica Translocar Empresa de Transportes Ltda, por erro na identificação do dispositivo legal tido por contrariado na decisão nãounânime da Câmara, que deveria ter sido o §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 16 6.9. A título de esclarecimento, a questão da mudança de fundamentação jurídica por parte da DRJ não é relevante neste momento, pois a decisão recorrida não concordou com essa inovação, ou seja, deixou de aplicar o art. 61 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, que trata de Cupom Fiscal. Assim, essa questão não foi e nem precisava ter sido apreciada pelo Recurso Especial e não é motivo para negativa de seguimento, como equivocamente entendeu o Despacho da autoridade. 7. Superada as alegações de contrariedade à lei, há que apreciar as alegações de contrariedade à evidência de prova. No Recurso Especial da Fazenda Nacional, bem com em seu Agravo, não há, em nenhum momento, especificação de quais provas dos autos foram contrariadas pela Câmara a quo, com indicação das respectivas páginas e em que foram contrariadas (exceto, claro, quanto à alegação de contrariedade à lei, já devidamente rechaçada). 7.1. Existem apenas alegações genéricas de contrariedade à evidência de prova, com utilização de expressões: "a análise dos autos demonstra perfeitamente a disparidade entre as provas constantes dos autos", "a Fazenda Nacional pretende demonstrar em seu Recurso Especial é justamente a discrepância entre as provas dos autos", "No caso dos autos a Recorrida nunca adimpliu com o ônus da prova", "nunca trouxe aos autos qualquer prova". Não há, inclusive, indicação das provas pretensamente contrariadas empresa por empresa, tendo em vista que as provas colacionadas aos autos são diferentes para cada uma das empresas. 7.2. Portanto, não se pode esperar do julgador aceitar essas alegações genéricas, nem tampouco examinar as milhares de páginas de documentos dos autos a fim de encontrar eventual prova que a Recorrente/Agravante diz ter sido contrariada. 8. Quanto à multa qualificada, adoto, mutatis mutandis, as palavras do Presidente da 5a Câmara do 1ºCC no Despacho PRESI105171/2007: "não tendo havido conhecimento quanto à glosa das despesas das empresas Gold Meat Mercantil Importadora Ltda, Triax Informática e Tecnologia Ltda e Translocar Empresa de Transportes Ltda, prejudicada fica a análise em relação à qualificação da multa que só teria lugar em relação às despesas que eventualmente tivessem sido conhecidas e providas no sentido de manutenção da autuação". 8.1. Ressalto que, além de mantida a glosa das despesas relativas às compras registradas como feitas da Inel Informática e Eletrônica Ltda já pelo voto condutor do Acórdão nº 10515.032, de 2005, também foi mantida pelo voto vencedor, por voto de qualidade, a multa qualificada em relação a essas glosas. Como descrito no relatório, tal ponto foi objeto de Recurso Especial do Contribuinte, que teve seu seguimento negado em sede de exame e de reexame de admissibilidade, permanecendo, portanto, inalterado. 8.2. Assim, o motivo de não conhecimento quanto à qualificação da multa não é porque a Fazenda Nacional não tenha interesse recursal (o fato de ter sido mantida a multa qualificada em relação à empresa Inel Informática e Eletrônica Ltda não implica em perda de interesse de agir da recorrente em relação a desqualificação da multa em relação às outras empresas), como defendeu a Recorrida/Agravada em suas contrarrazões, mas sim porque, sendo mantida a exoneração do tributo da decisão recorrida, não há que se falar da multa vinculada, qualificada ou não. 9. Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial (e Agravo) da Fazenda Nacional; mantendo, portanto, a decisão recorrida. Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 19515.000748/200219 Acórdão n.º 9101002.017 CSRFT1 Fl. 1.480 17 10. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/20 14 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906423/2012-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/04/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/04/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 23/04/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/04/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 23 /2 01 2- 90 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.871, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 37537.78873.181010.1.2.046940, rastreamento nº 041907585, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 6.238,82, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/03/2010, efetuado em 23/04/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906423/201290 Acórdão n.º 3802002.721 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 23/04/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906423/201290 Acórdão n.º 3802002.721 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906423/201290 Acórdão n.º 3802002.721 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906423/201290 Acórdão n.º 3802002.721 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13888.917215/2011-36
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido
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BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário no sentido de se reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 72 15 /2 01 1- 36 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917215/201136 Acórdão n.º 3801003.951 S3TE01 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917215/201136 Acórdão n.º 3801003.951 S3TE01 Fl. 70 3 Relatório Por bem relatar os fatos transcrevo o relatório da DRJ de Ribeirão Preto, assim expresso: Trata o presente de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins referente ao fato gerador de... A DRF/Piracicaba, por meio do despacho decisório (eletrônico) de fl., indeferiu o pedido de restituição, porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir a própria contribuição, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 2/8, alegando, em resumo, que a ampliação da base de cálculo da contribuição, prevista no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) no 346.084/PR. Assim, somente seriam tributáveis as receitas provenientes da venda de bens e serviços, o faturamento propriamente dito, sendo excluídos os valores recebidos a título de receitas financeiras e outras receitas. Tanto é assim que o referido § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, foi revogado pelo art. 79 da Lei n.º 11.941, de 2009. Argumenta também que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme julgados cujas ementas transcreve. Conclui requerendo a reforma da decisão combatida com o conseqüente deferimento do pedido de restituição da parcela da contribuição indevidamente paga. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917215/201136 Acórdão n.º 3801003.951 S3TE01 Fl. 71 4 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido A Recorrente apresenta o presente Recurso Voluntário se valendo dos mesmo argumentos apontados na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917215/201136 Acórdão n.º 3801003.951 S3TE01 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. Conforme apontado tratamse de pedidos de Restituição/Compensação de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917215/201136 Acórdão n.º 3801003.951 S3TE01 Fl. 73 6 Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13888.917215/201136 Acórdão n.º 3801003.951 S3TE01 Fl. 74 7 Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10882.002149/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA.
Aplica-se o artigo 173, I, do CTN quando houver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ainda, seguindo a jurisprudência do STJ, quando não houver pagamento. .
OMISSÃO DE RECEITAS. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. VALOR TRIBUTÁVEL
A receita de locação de mão de obra inclui todos os custos com a contratação de pessoal para a realização dos serviços de locação de mão de obra, bem como todas as obrigações decorrentes dessa folha de pagamento.
DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS/DESPESAS DE SALÁRIO. Se não comprovado os custos/despesas, mediante documentação hábil e idônea, não há como deduzi-los para efeito de apuração do IRPJ.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, aplica-se a mesma decisão de mérito por decorrência.
Numero da decisão: 1202-001.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, e, por marioria de voto em afastar a apreciação ex officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída essa matéria pela Recorrente..
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Alexei Macorin Vivan e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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Aplicase o artigo 173, I, do CTN quando houver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ou ainda, seguindo a jurisprudência do STJ, quando não houver pagamento. . OMISSÃO DE RECEITAS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. VALOR TRIBUTÁVEL A receita de locação de mão de obra inclui todos os custos com a contratação de pessoal para a realização dos serviços de locação de mão de obra, bem como todas as obrigações decorrentes dessa folha de pagamento. DEDUTIBILIDADE DE CUSTOS/DESPESAS DE SALÁRIO. Se não comprovado os custos/despesas, mediante documentação hábil e idônea, não há como deduzilos para efeito de apuração do IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, aplicase a mesma decisão de mérito por decorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, e, por marioria de voto em afastar a apreciação ex officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída essa matéria pela Recorrente.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 21 49 /2 00 6- 01 Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 2 Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Alexei Macorin Vivan e Geraldo Valentim Neto. Relatório Tratamse os Autos de Infração de cobrança de: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (fl.164/167) no montante de R$ 93.908,51, tendo como fundamento legal os artigos 249, I combinado com o artigo 290, II, 251, parágrafo único, 278, 279 e 280 c/c 249, II e 288 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/1999 – RIR/99. Contribuição para o PIS/Pasep (fls 168/171) – PIS no montante de R$ 93.908,51, tendo como fundamento legal os artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; artigo 24, § 2º , da Lei nº 9.249/95; artigos 2º, I, 8º, I, e 9º da Lei nº 9.715/98; artigos 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fl. 172/ 175) no montante de R$ 433.423,96, tendo como fundamento legal o artigo 1º da Lei Complementar nº 70/91; artigo 24, § 2º , da Lei n. 9.249/95; artigos 2º,3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória nº 1807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas reedições. Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (fl.176/177) – CSLL – no montante de R$ 1.431.963,65, tendo como fundamento legal o artigo 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 1º da Lei nº 9.316/96 e artigo 28 da Lei nº 9.430/96; artigo 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições; artigos 19 e 24 da Lei nº 9.249/95. Nos valores acima indicados estão incluídos multa de 150%, por ter sido considerado que a contribuinte tentou impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, e juros moratórios calculados com base na taxa SELIC. Nos termos do Termo de Verificação Fiscal (fl. 130/134), verificase que a contribuinte apresentou, no anocalendário de 2001, sua Declaração Anual Simplificada de INATIVA. Todavia, a autoridade lançadora verificou que diversas empresas declararam em Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10882.002149/200601 Acórdão n.º 1202001.032 S1C2T2 Fl. 3 3 suas DIRF – Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte, relativas ao anocalendário de 2001, pagamentos efetuados com retenção de imposto de renda na fonte à contribuinte sob o código 1708, referentes a pagamentos por prestação de serviços. Com base nessas evidências e diferenças, a autoridade fiscalizadora requereu a comprovação da inatividade da contribuinte. Em resposta, a contribuinte esclareceu que emitiu algumas notas fiscais de valores pequenos durante o anocalendário de 2001 e não tinha como apresentar tais notas fiscais por não possuir cópia de nenhuma delas, nem seus valores. Ainda, esclareceu que, equivocadamente, apresentou Declaração Anual Simplificada de INATIVA. Com isso, a autoridade fiscalizadora realizou diligências junto às empresas que enviaram as DIRFs com pagamentos efetuados à contribuinte, solicitando cópia das notas fiscais de serviços respectivas, bem como a comprovação dos pagamentos efetuados. Por meio dessas diligências, a autoridade fiscal apurou os seguintes montantes, conforme demonstrativo anexo ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 10/08/2006: Receita Bruta R$ 7.548.904,62 ()Abatimentos R$1.334.799,39 R$ 6.214.125,23 () IRRF R$ 62.731,08 Constatado esse total de receitas, a autoridade fiscal solicitou à contribuinte, em 22/8/2005 e em 16/9/2005, que apresentasse seus livros contábeis obrigatórios e que, caso não fizesse, alertoua que a falta de apresentação, ou a não elaboração das demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, implicaria no arbitramento do lucro tributável. Em 19/10/2005, após várias prorrogações, a contribuinte apresentou o Livro Diário n° 15, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo, em 19/10/2005 sob n°183660, com os seguintes valores: Receita Bruta R$ 2.241.465,44 ()Abatimentos R$ 377.545,31 R$ 1.863.920,13 () IRRF R$ 22. 362, 13 Em 13/1/2006, a autoridade fiscal, então, solicitou a documentação comprobatória dos valores: em relação aos salários, contribuições à Previdência Social e ao FGTS: a contribuinte apresentou a documentação relativa às folhas de pagamento de janeiro a dezembro de 2001; em relação às receitas de vendas de serviços, todavia, o valor apresentado nas DIRFs das empresas era superior ao total das notas fiscais entregues à fiscalização; além do que a autoridade fiscal não conseguiu correlacionar as notas fiscais com os registros feitos pela contribuinte, tendo em vista que não havia histórico do número do documento. Por todo o exposto, a autoridade fiscal permaneceu com as seguintes diferenças: Receita Bruta R$ 1.995.259,98 () Abatimentos R$ 446.493,63 Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 4 R$ 1.528.766,35 () IRRF R$ 17.318,32 Essas diferenças foram novamente questionadas à contribuinte, foram solicitadas as respectivas notas fiscais e explicação dessas diferenças. A contribuinte continuou a não apresentar explicações sobre as diferenças. Apresentou apenas, mesmo após a prorrogação dos prazos, a comprovação dos pagamentos de despesas que foram considerados normais e usuais à atividade empresarial. Diante de todas essas constatações, a autoridade lançadora apurou o total de R$ 4.790.794,61, adicionando o prejuízo contábil apurado pela contribuinte, os custos deduzidos e não comprovados (quais sejam: contribuição à Previdência Social e FGTS), bem como a diferença de receitas não comprovadas consideradas como omitidas no valor, com dedução do IRRF comprovado pelas DIRFs. Houve também representação fiscal para fins penais. Cientificada sobre o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fl.193/196), onde em apertada síntese, traz os seguintes argumentos: invoca a extinção do crédito tributário, ante o transcurso do prazo decadencial, nos termos do artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional – CTN, eis que a lavratura do auto de infração ocorreu somente em 30 de novembro de 2006, em relação aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 2001; considera que o montante de receita apurado é irreal e ilusório, por não contemplar a realidade dos fatos ao não deduzir os valores relativos aos salários dos empregados e encargos do pessoal utilizado na prestação de serviços de colocação de mão de obra temporária; afasta a ocorrência de omissão de receitas, ante ao fato de que a fiscalização considerou como receita um valor que, na verdade, é despesa; concluindo que sua única receita tributável é a taxa de agenciamento cobrada; o mesmo entendimento deve ser aplicado à apuração da contribuição ao PIS e da Cofins, inexistindo a base de cálculo apurada pela fiscalização; ao final, requer que os cálculos sejam refeitos, com a anulação do Auto de Infração impugnado e que seja lavrado um novo Auto. A DRJ, em seu Acórdão nº 0516.580(fl. 250/262), concluiu pela procedência do lançamento, nos seguintes termos: destaca que, embora haja informação de encerramento da empresa, não houve sua extinção formal, eis que a petição foi subscrita por advogado constituído pelo sócio; em análise da preliminar de decadência, esclarece que o artigo 150 do CTN não é aplicável ao caso, tendo em vista que o parágrafo 4º do mencionado dispositivo, ao tratar do lançamento por homologação, elegeu como condição para sua ocorrência a antecipação do pagamento pelo sujeito passivo, o que não se verificou na declaração de inatividade, bem como a existência de boa fé, por não apresentar a verdade real dos fatos. Conclui, ao final, que se aplica o artigo 173, I, do CTN, e, para as contribuições sociais, não reconheceu a decadência por ser este prazo de 10 anos. Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10882.002149/200601 Acórdão n.º 1202001.032 S1C2T2 Fl. 4 5 no mérito, explica que o objeto social da empresa, conforme consta do contrato social (com alteração em 2 de junho de 1987) é a “colocação de pessoal temporário” (fl. 54/55), sendo que nas Notas Fiscais constantes dos autos, observase que o faturamento global da contribuinte é composto por duas parcelas, referentes à (i) taxa de administração cobrada da empresa tomadora de serviço (referente ao agenciamento dos trabalhadores temporários) e (ii) os valores recebidos da tomadora para pagamento de salários e encargos sociais da mãodeobra alocada. Continuando, aponta que o trabalho temporário possui aspectos regidos pela Lei nº 6.019/74, que, no artigo 4º, traz a definição de empresa de trabalho temporário, como a “pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos”. No artigo 11 da mesma lei, temse a indicação de que “contrato de trabalho celebrado entre empresa de trabalho temporário e cada um dos assalariados colocados à disposição de uma empresa tomadora ou cliente será obrigatoriamente escrito e dele deverão constar, expressamente, os direitos conferidos aos trabalhadores por aquela Lei”. Assim sendo, conclui que a impugnante não é mera agenciadora, mas sim responsável pelo vínculo empregatício com o empregado que tem sua mãodeobra locada, afastandose a alegação de que somente a taxa de agenciamento seria tributável, o que, se fosse verdade, levaria a conclusão indevida de que o faturamento da empresa seria tão somente a taxa de administração. Cita o Parecer Cosit nº 69 de 10 de novembro de 1999, que reitera suas posições trazidas. Como a autuada é responsável pelo vinculo empregatício dos trabalhadores cuja mãodeobra é locada, a totalidade dos valores recebidos para a satisfação das obrigações decorrentes de contratação de pessoal devem ser consideradas como receita bruta tributável. Como não restaram comprovados os custos relativos às contribuições à Previdência Social e ao FGTS, esses devem ser glosados e também devem ser acrescidas as receitas omitidas por não apresentação de notas fiscais de serviços faltantes. Destaca ainda que, embora a impugnante questione os valores exigidos, não trouxe, mesmo em sede de Impugnação, a demonstração de quais despesas/custos foram deduzidas na apuração dos tributos exigidos. Ao final, esclarece que a decisão de mérito proferida para o IRPJ deve ser considerada como prejulgado na decisão de exigências referentes à Contribuição Social sobre o Lucro, contribuição ao PIS e COFINS, por serem exigências reflexas àquele tributo. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos apresentados na Impugnação, acrescentando apenas argumentos relativos ao prazo decadencial de 10 anos para as contribuições sociais e a existência de máfé por não apresentar declarações obrigatórias. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratamse os autos de exigência de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e COFINS, por constatação de omissão de receitas e também da indedutibilidade de custos com contribuição previdênciárias e FGTS. Como disposto no relatório, a recorrente apresentou Declaração Anual Simplificada, relativa ao anocalendário de 2001, indicando que era inativa. Todavia, a autoridade lançadora verificou que diversas empresas registraram em suas DIRF que efetuaram pagamentos por serviços prestados, com a respectiva retenção de fonte, à recorrente. Diante dessas divergências, a autoridade fiscal solicitou esclarecimentos à contribuinte sobre sua declaração de inatividade, bem como comprovação dos valores recebidos e custos incorridos. A recorrente, por sua vez, apresentou documentos esclarecendo somente parte das receitas de prestação de serviços, bem como dos custos incorridos. A autoridade fiscal solicitou mais vezes esclarecimentos das diferenças apuradas, concedendo sempre prorrogações de prazos, mas a Recorrente, em momento algum, logrou esclarecer ou justificar as diferenças apuradas entre os valores enviados à Secretaria da Receita Federal e os montantes constantes das DIRFs. Não esclareceu nem em sede de Impugnação ou mesmo de Recurso Voluntário. Decadência Preliminarmente, a recorrente invoca a decadência com base no artigo 150, §4º, do CTN, o qual dispõe que ocorre a decadência, para os lançamentos por homologação, em 5 anos contados da data da ocorrência do fato gerador. No caso em referência, como já relatado, a empresa apresentou Declaração Anual Simplificada indicando que estava inativa, portanto, não efetuou quaisquer pagamentos dos tributos incidentes sobre lucro ou receitas durante o anocalendário de 2001. Além do que, não logrou esclarecer ou justificar as diferenças apuradas entre os pagamentos feitos e declarados em DIRS por diversas empresas, e os registros de receitas apontados durante o procedimento de fiscalização. Com base nesses fatos e também seguindo a jurisprudência do STJ – Superior Tribunal de Justiça esposado no âmbito do Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado sob o rito do artigo 543C do Código de Processo Civil, o prazo decadencial para a autoridade lançadora constituir o crédito é qüinqüenal, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito, quando não houver pagamento, consoante artigo 173, I, do CTN. Ademais, a aplicação da multa agravada em decorrência de intenção de retardar ou omitir a ocorrência do fato gerador demonstra que houve ocorrência de dolo, fraude ou simulação, confirmando novamente que a contagem do prazo decadencial, para o caso, é com base no artigo 173, I, do CTN. Dessa forma, não há o que se falar em decadência do direito da autoridade fiscal lançar, tendo em vista que o prazo se findou somente em 2008, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito, prazo esse posterior ao lançamento que foi cientificado em 30 de novembro de 2006. Em relação às contribuições sociais, mister esclarecer que, com base na Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal STF, as normas relativas à decadência Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10882.002149/200601 Acórdão n.º 1202001.032 S1C2T2 Fl. 5 7 em matéria tributária se aplicam também às contribuições federais, ou seja, o prazo é de 5 anos. Apesar de o prazo ser qüinqüenal e, não, decendial como entendeu a DRJ, não ocorreu a decadência para lançar também tais contribuições sociais pelo mesmo motivo acima tratado de contagem do prazo do IRPJ. Por todo exposto, o voto é no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. Omissão de Receitas e Despesas indedutíveis Em relação ao mérito, ficou constatado que a contribuinte indicou que estava inativa em sua Declaração Anual Simplificada e não comprovou tal informação, pelo contrário confirmou que estava ativa e prestou serviços durante o anocalendário de 2001, quando da apresentação do Livro Diário, bem como de algumas Notas Fiscais suas. Ainda, as divergências encontradas pela fiscalização no cruzamento com as DIRFs de diversos clientes da recorrente e sua escrituração, também não foram comprovadas, o que levou à fiscalização a acrescentar o valor da receita não comprovada, portanto, omitida na determinação da base de cálculo do IRPJ, nos termos do artigo 288 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/1999 – RIR/99, combinado com os seus artigos 249, II, 278, 279 e 280. Os custos decorrentes de contribuições previdenciárias e contribuições ao FGTS foram desconsiderados por falta de apresentação de documentação hábil e idônea, ou mesmo de algum outro documento que comprovasse sua quitação, logo, foram adicionados ao lucro líquido para a determinação do cálculo nos termos dos artigos 249, I, 251, parágrafo único, e 290 do RIR/99. Ora, a autoridade julgadora muito bem explanou sobre a atividade da recorrente que é a locação de mãodeobra. Na locação de mão de obra, a relação de trabalho é entre o locador e os seus funcionários, sendo o prestador de serviços mero beneficiário dos serviços que o locador da mão de obra se propõe a prestar. Nesse sentido, cabe à recorrente incorrer nos custos decorrentes da folha de pagamento da mão de obra, o qual é de sua responsabilidade na relação de trabalho, todavia, não se comprovou os custos decorrentes de contribuições previdenciárias e contribuições ao FGTS, logo, não resta alternativa à autoridade lançadora que não desconsiderálos para a determinação do cálculo do IRPJ. Da mesma forma, a autoridade lançadora efetuou diligências nos clientes os quais apresentaram as notas fiscais comprovadoras dos serviços prestados que estavam de acordo com o registrado na DIRF. A recorrente alega que suas receitas são apenas a taxa de administração e, não, também o valor relativo à folha de pagamento da mão de obra. Mais uma vez, a recorrente é locadora de mão de obra e os custos derivados da folha de pagamento são seus, de sua responsabilidade na relação de trabalho da locação da mão de obra, portanto, a receita é o valor total constante da nota fiscal. O valor total da receita foi comprovado pela autoridade fiscal na realização de seus trabalhos de forma correta, bem como a demonstração de que a escrituração da recorrente não estava completa. Portanto, verificouse que há a divergência da receita escriturada e a apresentada nas notas fiscais pela Recorrente, com as declaradas nas DIRFs dos seus clientes. Nesse sentido, não há reparos a ser feito no lançamento em acrescer a receita não escriturada pela contribuinte consoante legislação correspondente acima descrita. A autoridade fiscal constatou, por diversas vezes solicitou esclarecimento para a recorrente, e, sem esclarecimentos, ficou comprovado que houve omissão de receitas, consoante o artigo 288 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/1999 – RIR/99. Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 8 Da mesma forma, a autoridade fiscal solicitou, por diversas vezes também, que a Recorrente esclarecesse e comprovasse os custos incorridos com contribuições previdenciárias e contribuições ao FGTS, o que não restou comprovado em momento algum. Logo, também aqui não há como não adicionálas ao lucro líquido para a determinação do cálculo do IRPJ, segundo os artigos 249, I combinado com o artigo 290, II, 251, parágrafo único, 278, 279 e 280 c/c 249, II e 288 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/1999 – RIR/99. Diante do acima disposto, é de se manter o lançamento em relação ao acréscimo da receita omitida e da não dedução dos custos não comprovados. Multa agravada Finalmente, com referência à aplicação da multa qualificada de 150%, é de se manter também esse lançamento, uma vez que a recorrente indicou estar em situação inativa, o que não se comprovou, muito pelo contrário. Nessa situação deixou de declarar as receitas obtidas nas suas prestações de serviços durante o anocalendário, o que só ocorreu através da fiscalização. Assim, a recorrente agiu de forma a omitir ou retardar o fato gerador dos tributos em comento, portanto, evidente intuito de fraudar o Erário Público. Parecenos, portanto, que se aplica o disposto no artigo 957, II, do RIR/99, in verbis: "Art. 957 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou difèrença de imposto (Lei n2 9.430, de 1996, art. 44): ...... II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão exigidas (Lei n2 9.430, de 1996, art. 44, §1º: I juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago;” Lançamentos Reflexos A decisão de mérito proferida para o IRPJ deve também ser considerada para os demais tributos incidentes sobre receita e lucro, por serem exigências reflexas àqueles tributos. Logo, aplicamse os mesmos entendimentos à Contribuição Social sobre o Lucro, à contribuição ao PIS e à COFINS, por serem os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ e com os mesmos efeitos. Juros sobre multa de ofício A Recorrente não trouxe alegações em relação aos juros incidentes sobre multa de ofício, segundo o artigo 61 da Lei nº 9430/1997. Nesse sentido, entendemos que não há motivo para apreciarmos ex officio essa incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Por todo o exposto, o voto é no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10882.002149/200601 Acórdão n.º 1202001.032 S1C2T2 Fl. 6 9 Nereida de Miranda Finamore Horta, relatora (assinado digitalmente) Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA
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Numero do processo: 10935.902468/2012-95
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/02/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/02/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 68 /2 01 2- 95 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.773, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 30301.77945.201107.1.2.040786, rastreamento nº 029225138, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 219,83, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 8109), do período de 31/01/2003, efetuado em 14/02/2003, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902468/201295 Acórdão n.º 3802002.623 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 14/02/2003 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902468/201295 Acórdão n.º 3802002.623 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902468/201295 Acórdão n.º 3802002.623 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902468/201295 Acórdão n.º 3802002.623 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912949/2012-84
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 29 49 /2 01 2- 84 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912949/201284 Acórdão n.º 3801004.202 S3TE01 Fl. 11 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912949/201284 Acórdão n.º 3801004.202 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto mos autos do processo nº 11020.911453/201293, contra o acórdão nº 0250.260, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 29 de outubro de 2013, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$3.677,23, decorrente de recolhimento com DARF efetuado em 20/03/08. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: Preliminarmente, defende a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e motivação e porque não foi intimado a esclarecer os motivos que o levaram a postular a compensação de débitos com os créditos dos pagamentos que considerou indevidos. Afirma que o procedimento foi eletrônico e que houve preterição do direito de defesa. Acrescenta que o despacho decisório não se presta a instaurar de forma legítima o contraditório administrativo, que não houve Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912949/201284 Acórdão n.º 3801004.202 S3TE01 Fl. 13 4 diligência por parte da fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado e que isso prejudica a ampla defesa. Solicita a posterior juntada de documentos que comprovem suas alegações em respeito ao princípio da verdade material. Defende a ilegalidade e a inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante do tributo supostamente devido que fere os princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer a nulidade do despacho decisório e a procedência da manifestação de inconformidade.. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, dizendo ainda que foi prejudicado o contraditório e ampla defesa, alegando também a aplicabilidade da verdade material e, por fim, a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912949/201284 Acórdão n.º 3801004.202 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado determina, a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no tópico “DÉBITO CONFESSADO”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando com a manifestação de inconformidade documentos idôneos e suficientes para comprovação de crédito líquido e certo como escrituração contábil e fiscal do período, para fins de confrontar possível erro no sistema da RFB em compensar o crédito com débito confessado em DCTF. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912949/201284 Acórdão n.º 3801004.202 S3TE01 Fl. 15 6 pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto a necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912949/201284 Acórdão n.º 3801004.202 S3TE01 Fl. 16 7 legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.912949/201284 Acórdão n.º 3801004.202 S3TE01 Fl. 17 8 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10640.000664/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA -
Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Uma vez que o contribuinte declara outros rendimentos, além daqueles provenientes da atividade rural, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação favorecida.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26).
Rejeitar as preliminares
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS - ATIVIDADE RURAL - COMPROVAÇÃO DA RECEITA - Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Uma vez que o contribuinte declara outros rendimentos, além daqueles provenientes da atividade rural, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação favorecida. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 06 64 /2 00 9- 33 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRIBUINTE COM ÚNICA FONTE DE RENDIMENTOS ATIVIDADE RURAL COMPROVAÇÃO DA RECEITA Pelas suas peculiaridades, os rendimentos da atividade rural gozam de tributação mais favorecida, devendo, a princípio, ser comprovados por nota fiscal de produtor. Uma vez que o contribuinte declara outros rendimentos, além daqueles provenientes da atividade rural, não procede a pretensão de deslocar o rendimento apurado para a tributação favorecida. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF no.26). Rejeitar as preliminares Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000664/200933 Acórdão n.º 2202002.741 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, MARCELO PEÇANHA VIEIRA, foi lavrado o Auto de Infração — IRPF de fls. 2/7, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, referente ao ano calendário de 2005, no montante de R$914.598,22, sendo: R$437.544,00 de imposto, R$328.158,00 de multa proporcional (passível de redução), aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e R$148.896,22 de juros de mora, calculados até 11/2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 4/5, lançamento efetuado teve origem na apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Relatório do Trabalho Fiscal. Segundo o Termo de Verificação Fiscal: 1) a ação fiscal deveuse em razão do contribuinte ter movimentado, no ano calendário de 2005, recursos na Cooperativa de Crédito Rural de Muriaé Ltda. e no Banco do Brasil S/A em valores incompatíveis aos declarados, respectivamente, R$1.593.458,38 (fl. 6) e R$28.319,50 (fl. 127); 2) para o período, então, por meio do Termo de Inicio de Ação Fiscal de fls. 14/15, lhe foi solicitado, entre outros, apresentar os extratos bancários de suas contas correntes mantidas em instituições financeiras e documentação referente à atividade rural desenvolvida; 3) vencido o prazo para atendimento sem que fossem apresentados quaisquer documentos, foram emitidas as RMF (fls. 17/18 e 55/56) solicitando diretamente das instituições financeiras os referidos extratos bancários, documentos cadastrais e procurações para terceiros movimentarem a conta corrente; tudo consoante determinações legais; 4) de posse dos extratos (fls. 23/54 e 60/96), foram elaboradas planilhas (fls. 102/120) discriminando todos os valores creditados/depositados no período, nas contas referenciadas; estas foram encaminhadas ao contribuinte juntamente com o Termo de Intimação 001 (fl. 101) exigindo dele a comprovação da origem dos créditos discriminados na citadas planilhas; relata que o fiscalizado atendeu — fls. 122/124 — alegando que: a) "Durante o ano de 2005 me dediquei a compra e venda de gado, frequentando leilões e diversas propriedades rurais"; b) "Com o transcorrer desses anos e diante dos prejuízos sofridos que tornaram inviável a continuidade dos negócios não me permitindo, muitas vezes, guitar com minhas obrigações, não me restou alternativa a não ser abandonar aquela atividade, não tendo o cuidado necessário de manter em meu poder toda documentação que me é exigida"; e Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 c) "Foi exatamente a impossibilidade de auferir qualquer lucro com aquelas transações, auferindo sim prejuízos com a manutenção do gado em meu poder até o surgimento de interessados na sua aquisição, que me levaram ir inadimplência para com meus compromissos"; 5) assim, com a justificativa fiscal de que "...a aparente informalidade no controle dos negócios efetuados pelas pessoas fisicas não pode eximir o fiscalizado de apresentar prova da efetividade das transações, porquanto a relação entre o Fisco e contribuinte é formal e vinculada a lei, sem exceção...", foi efetuado o lançamento de oficio baseado na presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, origem dos recursos utilizados nessas operações. Cientificado do lançamento, em 19/03/2009, conforme AR — Aviso de Recebimento de fl. 131, o autuado ofereceu, em 17/04/2009 — fl. 294, a impugnação de fls. 135/154, instruída com os documentos de fls. 155/293. Nessa oportunidade, após transcrever toda a ação fiscal, desde seu inicio, inclusive, mencionando o arrolamento de seus bens, contesta o feito fiscal argumentando que: 1) não lhe é permitido questionar a legalidade da quebra de seu sigilo bancário, mas lhe cabe discutir a busca da verdade, da realidade dos fatos; embora a RF possa alegar que deu a oportunidade de se defender, levou em conta apenas os créditos lançados em suas contas correntes, quando deveria ter considerado também os débitos referentes aos pagamentos feitos nas negociações de gado durante o ano de 2005; tem a certeza de que os valores depositados não foram lucros pessoais sujeitos à tributação; 2) reclama que a RF, com a mesma facilidade que buscou sua movimentação bancária, poderia levantar junto a Receita Estadual todas as notas fiscais emitidas naquele período para fins de demonstrar suas operações de compra e venda de gado no ano fiscalizado; foram poucas as notas fiscais conseguidas, mas elas traduzem uma amostragem de que obteve lucro mínimo nas operações realizadas, conforme se pode observar dos valores nelas constantes, cujos somatórios mensais relaciona a fls. 149/150; portanto, injusto o lançamento apenas sobre os créditos levantados, afrontando toda e qualquer legislação, notadamente a Constituição Federal; "...a desigualdade processual que existe entre a Receita Federal que ...obtém todas as informações..., e o contribuinte que não tem acesso as informações imediatas e urgentes para elaboração de sua defesa,.., torna injusto o procedimento fiscal, o que implica em sua nulidade"; "se vendeu o gado é porque adquiriu gado"; "...a grande disparidade de atuação entre as partes pode até não trazera tona a ilegalidade de um ato, no entanto, trará uma decisão injusta... "; reclama da". ..facilidade com que o órgão fiscalizador faz o levantamento de toda a vida privada do fiscalizado e este não consegue, pelo menos em tempo hábil para a defesa, arrecadar junto aos mesmos órgãos os documentos que são de seu interesse "; 3) traz um caso hipotético de um depósito no inicio do mês de R$50.000,00, em espécie, sacado na manhã do dia seguinte e depositado no fim da tarde, repetindose tais operações até ao Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000664/200933 Acórdão n.º 2202002.741 S2C2T2 Fl. 4 5 final do mês, alcançaria uma movimentação na quantia de R$1.100.000,00; afirma que esse foi o caso presente, logo o justo seria tributar o lucro, com base nas notas fiscais oferecidas; aquelas referentes as vendas somaram R$359.943,50, enquanto que as de compra R$337.685,50; 4) reforça seu argumento, querendo fazer crer que na sua propriedade rural seria impossível manter inúmeras cabeças de gado correspondentes ao montante de rendimentos lançados como omitidos; pela Área de suas terras implica reconhecer seu comércio de gado, com aquisições e vendas quase que diárias; portanto, havendo nos extratos bancários não apenas os créditos, mas também os débitos, deveria a RF tributar apenas a diferença positiva entre os respectivos valores; 5) por fim, discorre sobre suas dificuldades financeiras no período e solicita a improcedência do feito fiscal. A DRJ julgou o impugnação improcedente, nos termo da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ONUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações, na espécie, de que a RFB a obteria com mais facilidade. GUARDA DE DOCUMENTOS. 0 contribuinte é obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, toda a documentação que embasou, ou deveria embasar, o preenchimento de sua declaração de rendimentos. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ATIVIDADE RURAL. Demonstrada a efetividade de operações de venda de gado, por meio de notas fiscais cuja idoneidade foi acatada nos autos e dadas as circunstâncias próprias do exercício de tal atividade é de se considerar comprovada a origem dos depósitos no total demonstrado pelas referidas nota fiscais, submetendoo, contudo, à tributação especifica, ou seja, na atividade rural, já que constatada sua omissão nessa atividade. ATIVIDADE RURAL. RESULTADO TRIBUTÁVEL. A falta da escrituração do Livro Caixa, quando obrigado o contribuinte, implicará no arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano calendário, levando em consideração como resultado tributável o total das receitas devidamente comprovadas e não escrituradas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade julgadora entendeu tributação dos depósitos bancários cuja origem foi reconhecida como sendo das operações de compra e venda de gado deverá ser efetuada nos termos do art. 18, §2°, da Lei n° 9.250/1995, ou seja, pelo arbitramento à razão de 20% (vinte por cento) da receita bruta comprovada para o ano calendário de 2005, desconsiderandose, portanto, as despesas declaradas. A comprovação do contribuinte de que parte dos depósitos se referiram a rendimentos da atividade rural (R$ 330.444,00), não afasta a presunção formulada no lançamento quanto ao restante dos depósitos, R$1.293,014,38 (R$1.593.458,38 — R$300.444,00), pois permanece sem comprovação das respectivas origens, devendo ser mantida a tributação como rendimento omitido na forma da autuação. Cientificado, o contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação: Indicando que a autoridade julgadora não apreciou com as necessárias cautelas as razões de movimentação financeira tratada especificamente como mérito da defesa; Que a simples movimentação financeira não pode caracterizar rendimento omitido; Que se deve buscar a verdade material. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000664/200933 Acórdão n.º 2202002.741 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 346DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000664/200933 Acórdão n.º 2202002.741 S2C2T2 Fl. 6 9 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da presunção de omissão baseada em depósitos bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). Fl. 347DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Apreciando as razões de votar da autoridade recorrida às fls. 311 (do e processo), não encontro qualquer reparo a ser realizado, de modo que o acompanho na integra: Na fase impugnatória, o autuado apresenta, a fls. 155/293, notas fiscais de produtor e avulsas de produtor, além de notas fiscais de entrada, com intuito de demonstrar suas operações de compra e venda de gado; diz que são poucas, pois não tem a mesma facilidade da RF em obter as informações de que necessita e de forma rápida, porém, a quantidade conseguida serve como amostragem de que obteve lucro mínimo nas operações realizadas no período fiscalizado, sendo, portanto, injusta a tributação na forma como efetuada, baseada apenas nos créditos, sem considerar as operações de débitos, levando ainda em conta que todas essas informações constam do documento base da autuação. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000664/200933 Acórdão n.º 2202002.741 S2C2T2 Fl. 7 11 Inicialmente, sobre o confronto arguido, cabe esclarecer ao contribuinte que o citado artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, que fundamentou a exigência tributária em foco, estabeleceu, a partir de sua vigência, uma presunção legal de omissão de rendimentos, qual seja: não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Tratase, entretanto, de presunção relativa, passível de prova em contrário pelo sujeito passivo. a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Portanto, não há, nessa situação, que se considerar o confronto de "créditos x débitos" e tributar, se for o caso, a diferença positiva, isto 6, o lucro. Basta, para a ocorrência do fato gerador, a existência de depósitos de origem não comprovadas nos limites previstos em lei, tributandose o montante desses depósitos. E continua a seguir: A respeito da alegação de que poderia a RF, com a mesma facilidade com que buscou sua movimentação bancária, levantar junto a Receita Estadual os documentos das operações de compra e venda de gado por ele realizadas no período investigado para confrontálas com os depósitos questionados, essa é completamente descabida; A. autoridade fiscal incumbe demonstrar o fato gerador do imposto nos termos da legislação tributária, restando ao contribuinte o ônus de refutar a infração estabelecida contra ele, ou seja, provar, por meio de documentação hábil e idônea, a sua inocorrência; na situação da presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, deve o sujeito passivo comprovar que os valores depositados tiveram origem em rendimentos declarados; tributáveis, não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva e/ou já tributados exclusivamente na fonte. Salientese que, conforme já relatado, o contribuinte informou no anexo da atividade rural receitas dessa atividade na monta de R$152.038,90 e foi autuado no valor tributável, considerado omitido, de R$1.593.458,38. Na impugnação ofereceu notas fiscais de produtor, avulsas de produtor e de entrada, mostrando ter auferido receitas da venda de gado na monta de R$359.943,50 — fl.150, e, pasmem, afirma tratarse estas apenas de uma amostragem. Portanto, não pode haver dúvidas da ocorrência de omissão de rendimentos, o próprio impugnante confirma isso. Outro fato que caracteriza tal conclusão é que, embora tenha sido informado no anexo da atividade rural de fl. 130 a propriedade de apenas um imóvel rural — Fazenda Ventania/Eugenópolis, de cuja Area se valeu para alegar — fl. 152 que seria impossível manter nela inúmeras cabeças de gado que pudessem corresponder ao montante lançado como rendimentos omitidos, podese verificar das notas fiscais de fls. 155/293 ter ele vendido cabeças de gado, em seu nome, da Fl. 349DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Fazenda Campo Formoso/Muriaé — MG, inscrição estadual 439/4129, e transferido rebanho de uma para a outra propriedade; disso se infere terse utilizado também da área dessa segunda fazenda citada. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Dos Rendimentos da Atividade Rural Urge registrar que não me parece correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de uma outra atividade qualquer, quando o contribuinte, tem rendimentos tributáveis originados, exclusivamente, da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Aliás, digase de passagem, é o que rege o § 2o do artigo 42 da Lei n 9.430, de 1996: “Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.”. Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n.º 8.023, 1990, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.º 7.713, 1988, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação específica. Nunca é demais ressaltar, que quando se tratar de rendimentos cuja origem é exclusiva da atividade rural, apuração de omissão de rendimentos deve ser de forma anual, como atividade rural. Esta forma de apuração, constitui, no ponto de vista deste relator, a metodologia mais apropriada a fim de ser apurada a omissão de rendimentos real, com devido amparo legal na legislação em vigor. É, sem sobra de dúvidas, aquela mais próxima da realidade dos fatos porquanto se apura, quando for o caso, a evasão do tributo na própria atividade exercida pelo contribuinte. Tratase, pois, de procedimento admitido pela legislação tributária. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10640.000664/200933 Acórdão n.º 2202002.741 S2C2T2 Fl. 8 13 Outrossim, a verificação da ocorrência do fato gerador pressupõe a observância da legislação de regência do tributo. Dessa forma, a vinculação é uma das características essenciais do lançamento tributário, que só é eficaz se realizado nos estritos termos que a lei o admite, presidido pelo princípio da legalidade e pela situação de fato preexistente. Na esteira destas considerações a exigência de crédito tributário, mediante lançamento regularmente constituído por servidor competente da administração tributária, deve estar subordinada ao princípio da legalidade. A obediência a esse princípio é expresso nos arts. 37, caput e 150, I, da Constituição Federal. Neste contexto, a omissão de receita/rendimentos verificada através de depósitos não comprovados em contribuintes que se dedicam, exclusiva e comprovadamente, a exploração de atividade rural, o levantamento do valor tributável deve ser realizado de forma anual e tributado como se atividade rural fosse, em obediência ao disposto nas normas legais que regem o assunto, quais sejam, Lei nº 7.713, de 1988, art. 49; e Lei nº 8.023, de 1990, com as devidas alterações posteriores. Ocorre que não é esse o caso dos autos, haja vista que nada impede que as contas correntes auditadas tenham recebido depósitos de naturezas diversas, inclusive decorrentes de fontes desconhecidas pelo Fisco. Oportuno dizer que, no caso dos autos, a atividade rural não era a única fonte de rendimentos do interessado. Conforme DIRPF/2006 as fls. 127/130 o interessado declarou recebimento de rendimentos tributáveis de pessoas fisicas na monta de R$3.140,60. Das Provas nos Autos É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 O recorrente questiona o entendimento exarado pela autoridade fiscal. Entretanto, embora tenha se transcorrido um longo período desde que tomou conhecimento do relatório não demonstrou os seus argumentos. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 352DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915890/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2002
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 90 /2 00 8- 15 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 31/12/2002). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 20.654,96 (fl 10). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 11 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 13 4 a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915890/200815 Acórdão n.º 3801003.839 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722440/2008-57
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Manoel Pinto, OAB/BA 11.024.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (Suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Fez sustentação oral o Dr. Manoel Pinto, OAB/BA 11.024. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (Suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. RELATÓRIO Contra o contribuinte ADALBERTO DA COSTA DOREA, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$173.007,00, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, originado da constatação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos tributáveis recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, na qual o autuante esclarece que a contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 22 44 0/ 20 08 -5 7 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722440/200857 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201 000.144 S2C2T1 Fl. 252 2 pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20 de 08 de setembro de 2003. Cientificado do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membros do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Antes do julgamento, foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento, nos termos da ementa a seguir: “DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Fl. 254DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722440/200857 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201 000.144 S2C2T1 Fl. 253 3 Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte ” Cientificado da decisão de primeira instância em 06/04/2011 (“AR” fls. 147), a contribuinte interpôs, em 18/04/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 148/236, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. VOTO O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Antes da apreciação do presente recurso, é cediço que se registre que a exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa física, em períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Essa é matéria reconhecida de repercussão geral, que aguarda julgamento dos Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722440/200857 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201 000.144 S2C2T1 Fl. 254 4 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários sobre a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722440/200857 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201 000.144 S2C2T1 Fl. 255 5 Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil, ou que haja alteração na legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.722440/200857 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201 000.144 S2C2T1 Fl. 256 6 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10120.014658/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.192
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Antonio Luis dos Santos Barros, inscrito na OAB/GO sob o nº 22.788
Nome do relator: MARIA LÚCIA MONIZ DE ARAGÃ0 CALOMINO ASTORGA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-09T16:45:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - APV2202_10120014658200851_JoseCesarCascao.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: 80298141787; dcterms:created: 2012-03-27T14:48:13Z; Last-Modified: 2020-03-09T16:45:31Z; dcterms:modified: 2020-03-09T16:45:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - APV2202_10120014658200851_JoseCesarCascao.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:b9ad84fb-0ee3-4cf0-8284-c1beb999dae4; Last-Save-Date: 2020-03-09T16:45:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-09T16:45:31Z; meta:save-date: 2020-03-09T16:45:31Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - APV2202_10120014658200851_JoseCesarCascao.doc; modified: 2020-03-09T16:45:31Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 80298141787; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 80298141787; meta:author: 80298141787; meta:creation-date: 2012-03-27T14:48:13Z; created: 2012-03-27T14:48:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2012-03-27T14:48:13Z; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: 80298141787; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2012-03-27T14:48:13Z | Conteúdo => S2-C2T2 Fl. 1 1 S2-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.014658/2008-51 Recurso nº 905.839 Resolução nº 2202-00.192 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de março de 2012 Assunto Sobrestamento de Julgamento Recorrente JOSÉ CESAR CASCÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Fez sustentação oral, seu representante legal, Dr. Antonio Luis dos Santos Barros, inscrito na OAB/GO sob o nº 22.788. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10120.014658/2008-51 Resolução n.º 2202-00.192 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 506 a 511, integrado pelos demonstrativos de fls. 512 a 513, pelo qual se exige a importância de R$751.762,88, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, ano-calendário 2004. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 521 a 543, instruída com os documentos de fls. 544 a 553, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 608 e 610): Inconformado, o contribuinte apresentou, em 25 de novembro de 2008, impugnação ao lançamento, às fls.521/543, mediante as alegações relatadas, resumidamente, a seguir: Da Nulidade por Erro de Direito. Alega ter prestado todas as informações solicitadas pela Fiscalização, que teria desconsiderado os documentos apresentados sem qualquer motivação, o que tornaria o lançamento nulo. Alega que o autuante não teria atendido a requisito essencial do Auto de Infração que seria a descrição dos fatos que motivaram a autuação, uma vez que deveria motivar, de forma individualizada as razões que o teriam levado a não aceitar os documentos probatórios apresentados pela defesa. Entende que a descrição dos fatos é vaga, genérica, incompleta e ininteligível, não havendo clareza suficiente para demonstrar o porquê da autuação, nem o que estaria em desacordo com as normas legais apontadas, caracterizando o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Recursos Fiscais que acredita corroborarem seu entendimento. Da Validade dos Documentos Apresentados. Acrescenta que os documentos apresentados não foram objeto de verificação junto aos contribuintes para que ficasse comprovada sua veracidade, com o intuito de verificar se as operações declaradas teriam ou não ocorrido. Argumenta que todos os depósitos bancários levados a tributação teriam origem lícita conforme pretende justificar, individualizadamente, em sessenta e um itens, nos quais enumera as provas e justificativas para os depósitos tributados. Caso restem dúvidas com relação à veracidade das operações que justificariam os depósitos, requer que o processo seja baixado em diligência afim de que, intimados os contribuintes envolvidos, a Fiscalização responda os seguintes itens: a) Informe o Sr. Fiscal se as partes envolvidas confirmam a autenticidade das declarações por elas assinadas; b) Informe o Sr. Fiscal se as partes confirmam a efetividade das transações. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10120.014658/2008-51 Resolução n.º 2202-00.192 S2-C2T2 Fl. 3 3 Da Receita da Atividade Rural como Única Atividade. Afirma que, da análise das Declarações de Ajuste do contribuinte, conclui-se que exerce, unicamente, a atividade rural, o que levaria à presunção e que, eventuais omissões de rendimentos, certamente, seriam advindas dessa atividade e, como tal, deveria ser tributada, ou seja, pela aplicação do percentual máximo de 20% sobre a receita bruta omitida. Acrescenta que os autuantes teriam deixado de examinar documentos acostados aos autos e que teria deixado de considerar como origem dos depósitos o valor das receitas declaradas, as notas fiscais apresentadas e, sobretudo o fato de o impugnante exercer unicamente a atividade rural. Da Proteção Constitucional do Sigilo Bancário. Acredita que o sigilo bancário dos contribuintes somente poderia ser quebrado por meio de autorização judicial e, ainda que se admitisse a possibilidade da quebra do sigilo por parte da administração, a partir do artigo 6°, da Lei Complementar n° 105/2001, sem autorização judicial, os agentes fiscais deveriam, necessariamente, ter observado o disposto no Decreto n° 3.724/2001. O rito previsto na legislação não teria sido seguido pelos autuantes, uma vez que não teria sido elaborado "relatório circunstanciado" contendo a motivação da proposta de expedição da RMF, onde restasse demonstrado que se trata de situação enquadrada nas hipóteses de indispensabilidade entabuladas no art. 3o do Decreto mencionado no parágrafo anterior. Por esse motivo, as provas teriam sido obtidas em desacordo com a lei, e seriam ilícitas, implicando nulidade do Auto de Infração. Nulidade por Erro na Identificação Temporal do Fato Gerador. Observa que embora a norma prevista no artigo 42, da Lei 9.430/96 determine que os rendimentos omitidos devam ser tributados mensalmente, conforme tabela progressiva mensal vigente à época, o lançamento foi efetuado considerando o fato gerador como ocorrido em 31 de dezembro de cada ano, acarretando nulidade do lançamento. Falta do Nexo Causal entre Depósitos Bancários e Omissão de Rendimentos. Pondera que o aplicador da lei deve proceder a uma interpretação sistemática entre o artigo 42, da Lei no 9.430/96 e o artigo 3o, da lei no 7.713/88, de forma que, ao final, se verifique que os créditos bancários, por si só, não representam omissão de rendimentos, mas simples indício de omissão, cabendo ao fisco, no caso, identificar o nexo de causalidade entre os depósitos bancários e os rendimentos supostamente emitidos. Em isto não ocorrendo, isto é, não tendo o fisco produzido tais provas, obviamente que o lançamento não pode vingar, sob pena simples indícios transmutarem-se em fatos geradores de tributos, o que é inadmissível no sistema jurídico pátrio. Sobre a impropriedade do lançamento lastreado apenas em extrato bancário, sem a devida prova do acréscimo patrimonial advindo de tais recursos, tem-se a judiciosa Súmula do extinto TFR, que diz ser "ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extrato bancário ou depósitos bancários" (Súmula 182). Fl. 990DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10120.014658/2008-51 Resolução n.º 2202-00.192 S2-C2T2 Fl. 4 4 Assim, resta demonstrado que o presente lançamento não deve subsistir, haja vista inexistir qualquer nexo de causalidade entre os depósitos bancários e eventual fato que represente a omissão de rendimento. Dos Pedidos: REQUER, seja recebida, conhecida e julgada a presente Impugnação, de forma que, ao final seja julgado nulo e/ou improcedente o presente lançamento, pelas razões acima demonstradas. Caso a documentação colacionada aos autos não seja, por si só, considerada suficiente, requer a realização de diligência, a fim de que sejam respondidos os quesitos formulados na impugnação, bem como outros que essa Turma reputar necessário; Não sendo cancelado integralmente o lançamento, sejam os depósitos bancários, tidos como não comprovados, considerados como omissão de rendimentos da atividade rural, submetendo-se a tributação na forma preconizada na Lei n° 8.023/90; Que as intimações sejam encaminhadas para o endereço do procurador, impresso no rodapé do formulário. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Diante das alegações do contribuinte, a autoridade julgadora de primeiro grau solicitou a unidade de origem a realização de diligência “para que seja esclarecido ao contribuinte os motivos pelos quais suas justificativas não foram acatadas, reabrindo prazo para que apresente razões adicionais à impugnação.” (fls. 558 e 559). Cientificado do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 571 a 586, o contribuinte aditou sua impugnação com a petição de fls. 592 a 601, que se encontra assim sintetizada na decisão recorrida (fls. 610 e 611): Reaberto o prazo de impugnação, o interessado apresenta razões adicionais às fls.592/601, alegando em suma: Da Nulidade por Carência de Motivação: Argumenta que para a formação do ato administrativo, são necessários cinco requisitos, quais sejam: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. Assim, é de se concluir que uma vez expresso em lei. o motivo é elemento vinculado, sendo necessário, para a validade do ato, a sua demonstração por escrito. Repele os argumentos apresentados na impugnação acerca da necessidade de se motivar/fundamentar o lançamento, alegando que faltaria esse requisito o que acarretaria nulidade do procedimento. Acrescenta que o auto de infração não possuía, de fato, qualquer fundamentação/motivação, e a prova seria o fato de que a DRJ baixou o processo em diligência justamente com a finalidade de que fosse "esclarecido ao contribuinte os motivos pelos quais suas justificativas não foram acatadas", todavia tal providência não possuiria o condão de convalidar o ato, que se encontra tisnado da mais absoluta nulidade. Validade dos Documentos Apresentado. Fl. 991DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10120.014658/2008-51 Resolução n.º 2202-00.192 S2-C2T2 Fl. 5 5 Afirma que não se aplica ao caso a regra invocada pelo Fiscal Autuante no Termo de Encerramento de Diligência, no sentido de que as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Nacional. Conclui que os documentos colacionados aos autos são hábeis e idôneos para comprovar a origem dos valores indicados, a não ser que se prove de forma cabal sua inidoneidade. Reitera os argumentos apresentados na impugnação para justificar 61 depósitos bancários levados a tributação. Reitera os argumentos contidos na peça impugnatória inicial, requerendo que seja julgado nulo e/ou improcedente o lançamento. Apreciando os argumentos do contribuinte, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília (DF) manteve parcialmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 03-40.922 (fls. 606 a 630), de 10/12/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício:2005 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa abrangendo, não só outras questões preliminares, como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. FATO GERADOR ANUAL. APURAÇÃO MENSAL. SIMPLES METODOLOGIA. RENDIMENTOS PRESUMIVELMENTE AUFERIDOS POR DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O art. 83, inciso I, do RIR/1999 fixou uma regra geral, no sentido de que todos os rendimentos percebidos durante o ano compõem a base de cálculo do imposto devido no ano-calendário, exceto os rendimentos isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva. Como os rendimentos presumivelmente auferidos por depósitos bancários sem origem comprovada não se situam entre as exceções acima apontadas, estão sujeitos à apuração anual do IRPF. Os §§ 1° e 4º do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, visam apenas detalhar a metodologia utilizada, de modo a facilitar o direito de defesa do sujeito passivo, sem mexer na periodicidade do IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR N° 105/2001. REGULARIDADE. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10120.014658/2008-51 Resolução n.º 2202-00.192 S2-C2T2 Fl. 6 6 É legal o procedimento fiscal embasado em documentação obtida mediante quebra do sigilo bancário, quando efetuada esta com base e estrita obediência ao disposto na LC nº 105 e Decreto n° 3.724, ambos de 2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. CONDIÇÕES PARA O ARBITRAMENTO. Para que se desconsidere os valores de despesas da atividade rural informados no Anexo da Atividade Rural, bem como os prejuízos de exercícios anteriores, é indispensável que esteja demonstrado nos autos que o contribuinte deixou de manter escrituração de livro caixa, estando obrigado a isso pela legislação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A decisão a quo exclui da base de cálculo do imposto de renda depósitos cuja origem foi comprovada pelo contribuinte, no montante de R$304.000,00 (fls. 620 a 630). DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 27/01/2011 (vide AR de fl. 635), o contribuinte interpôs, em 23/02/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 636 a 668, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 588), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 25/07/2011, veio numerado até à fl. 669 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10120.014658/2008-51 Resolução n.º 2202-00.192 S2-C2T2 Fl. 7 7 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento relativo ao ano-calendário 2004 decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Numa análise preliminar dos autos, observa-se que os extratos bancários que compõe o presente foram entregues diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, sem prévia autorização judicial, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 506 a 511. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a Fl. 994DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10120.014658/2008-51 Resolução n.º 2202-00.192 S2-C2T2 Fl. 8 8 aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram-se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, por força do disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 995DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 28/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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