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Numero do processo: 10830.003902/2003-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/06/1998, 30/09/1998, 31/12/1998
COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIREITO CREDITÓRIO
POSTERIORMENTE RECONHECIDO. Constatado em diligência fiscal que
o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, mediante pedido de restituição/compensação, cuja o indeferimento ensejou a lavratura do auto de infração, foi posteriormente reconhecido, em montante suficiente para extinção deste débito, cancela-se a exigência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIREITO CREDITÓRIO POSTERIORMENTE RECONHECIDO. Constatado em diligência fiscal que o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, mediante pedido de restituição/compensação, cuja o indeferimento ensejou a lavratura do auto de infração, foi posteriormente reconhecido, em montante suficiente para extinção deste débito, cancelase a exigência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003902/200330 Acórdão n.º 140200.524 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório SUPERMERCADO PAULINIA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase do Auto de Infração, lavrado em 11/06/2003, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente ao 2º, 3º e 4º trimestres de 1998. O crédito tributário resultante é de R$ 17.970,83, abrangendo principal, multa de ofício e juros de mora. Conforme a descrição dos fatos à fls. 03, o crédito tributário foi lançado para formalizar o direito da Fazenda Nacional e corresponde aos débitos informados nos pedidos de compensação de fls. 12/15, cujo pedido de restituição vinculado (processo n.º 10830.004381/9809) foi indeferido pela DRF jurisdicionante, nos termos do despacho de fls. 12/14. Conforme a decisão proferida pelo Setor de Orientação e Análise Tributária – Seort , a pretensão da requerente de determinar a base de cálculo do PIS relativo ao período em questão com base no faturamento do 6º mês anterior ao do mês de competência não encontra amparo no entendimento da SRF, nos termos do Parecer PGFN n.º 437, de 1998. Além disso, assevera a referida autoridade, que já teria se esgotado o prazo para a contribuinte pleitear a restituição do supostos recolhimentos de PIS efetuados antes de 21/07/1993. Inconformada com a autuação, cuja ciência ocorreu em 23/06/2003, a contribuinte protocolizou, por intermédio de seu advogado e bastante procurador, impugnação de fl. 21/45, em 21/07/2003. Aduz em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito: Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, que sejam instaurados a descoberto do competente MPF, são inválidos e maculam as providências fiscais eventualmente adotadas contra a contribuinte. No presente caso, o auto de infração foi lavrado sem que houvesse um mandado válido vigorando, pois sequer foi expedido um mandado de início de fiscalização, sendo o auto lavrado na DRF e enviado por correio, sem qualquer intimação prévia solicitando esclarecimentos. Nesse aspecto, o auditor fiscal, que deveria seguir todo o procedimento previsto no Decreto n.º 70.235, de 1972, ao encaminhar pelo correio a autuação desrespeitou o princípio da legalidade, a ampla defesa e o contraditório, restando configurado o cerceamento à defesa. Diante do exposto, e conforme jurisprudência citada, é nulo o auto de infração e inexiste relação jurídica obrigacional; O processo n.º 10830.004381/9809, no qual são discutidos os pedidos de restituição e compensação dos supostos indébitos de PIS, ainda se encontra pendente de apreciação administrativa, fato que mantém suspensa a exigibilidade dos créditos em questão. Tal situação, entretanto, não se encontra devidamente descrita, motivando o cancelamento do lançamento por não conter um de seus requisitos obrigatórios (a perfeita descrição dos fatos); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003902/200330 Acórdão n.º 140200.524 S1C4T2 Fl. 3 3 Tendo em vista a compensação pleiteada e por não existir comprovação da alegada falta de pagamento de tributos e contribuições, o auto de infração deve ser anulado, com base no artigo 5º LIV e LV da Constituição Federal; A autoridade fiscal pode até lançar o tributo, mas jamais exigir multa, haja vista que os referidos débitos estão com a exigibilidade suspensa, ou melhor, já estão constituídos. Em outras palavras, o presente auto de infração, além de padecer de alguns vícios de nulidade, é totalmente desnecessário; A multa aplicada é confiscatória e seu lançamento não observou a legislação tributária, mormente o art. 63 da Lei n.º 9.430, de 1996. Diante do exposto, requerse que seja anulado o auto de infração. A decisão recorrida está assim ementada: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS. Não há que se falar em afronta à legalidade do ato administrativo, nem em cerceamento do direito de defesa, quando a motivação do lançamento encontrase devidamente consignada, tendo sido os fatos corretamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando de lançamento de ofício para a formalização de crédito tributário já informado em declaração capaz de configurar a confissão da dívida, deve ser excluída a multa de ofício, face ao instituto da retroatividade benigna, sempre que não tenha sido verificada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO NÃO RECONHECIDO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Indeferido o pedido de restituição e, por conseqüência, a compensação pleiteada, é cabível o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário indevidamente compensado. Lançamento Procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003902/200330 Acórdão n.º 140200.524 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Compulsando os autos, verificase que o julgamento deste processo está vinculado ao de n° 10830.004381/9809, tal qual o de nº 10830.0003900/200341, que foi objeto da Resolução N. 19700002, de 15/09/2008, cujo voto condutor, da lavra da ilustre conselheira Selene Ferreira de Moraes, assim dispôs: A legalidade da presente autuação está diretamente vinculada à decisão administrativa definitiva exarada no processo n° 10830.004381/9809. O seu mérito envolve a análise do direito creditório de PIS, que compete ao Segundo Conselho de Contribuintes. A Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, proferiu a seguinte decisão: "PIS. TERMO INICIAL DA CONTAGEM DO PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Nos pedidos de restituição de PIS, recolhido com base nos DecretosLeis es 2.445/88 e 2.449/88 em valores maiores do que os devidos com base na Lei Complementar no. 07/70, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos contase a partir da data do ato que concedeu ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição, assim entendida a data da publicação da Resolução n° 49/95, do Senado Federal, de 09.10.95; ou seja, 10.10.95. SEMESTRALIDADE. IMPLEMENTAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA N°1.212/95 EM DETRIMENTO DA LEI COMPLEMENTAR N°07/70. Com a retirada do mundo jurídico dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, por meio da Resolução n° 49/95, do Senado Federal, prevalecem, em relação ao PIS, as regras da Lei Complementar n° 07/70. A regra estabelecida no parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar n° 07/70 diz respeito à base de cálculo e não ao prazo de recolhimento, razão pela qual o PIS correspondente a um mês tem por base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior. Tal regra mantevese incólume até a edição da Medida Provisória n° 1.212/95, de 28.11.95, a partir da qual a base de cálculo do PIS passou a ser o faturamento do mês, produzindo seus efeitos somente a partir de 01.03.96. Recurso provido em parte." A decisão do Segunda Conselho de Contribuintes afastou a preliminar de decadência, mas deu provimento parcial ao recurso, sendo necessário para a análise da procedência do presente lançamento, a verificação da liquidez e certeza do crédito pleiteado e sua suficiência para compensar os débitos objeto da presente autuação. Por conseguinte, considero necessária a realização de diligência, para as providências e verificações a seguir relacionadas: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003902/200330 Acórdão n.º 140200.524 S1C4T2 Fl. 5 5 a) dar ciência desta resolução à autuada, entregandolhe cópia; b) verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pela recorrente no processo n° 10830.004381/9809; c) analisar a suficiência do crédito para compensar todos os débitos pretendidos pela recorrente. A autoridade administrativa encarregada do procedimento deverá elaborar relatório conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia a recorrente e concederlhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que o processo deverá retomar a este Conselho. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos.” Aludido processo retornou de diligência, sendo que as conclusões a seguir transcritas, que se encontram às fls. 273 daquele processo, aplicamse também ao presente:. PROCESSO: 10830.003900/200341 INTERESSADO: SUPERMERCADO PAULINIA LTDA. CNPJ: 53.942.913/000180 INFORMAÇÃO FISCAL Em atenção à requisição de diligência advinda do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (fls. 194/197) informo haver efetuado os cálculos solicitados, considerando: 1. o critério da semestralidade adotada pelo E. Conselho de Contribuintes — MF; 2. no que se refere aos períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1989 e junho 1992, os valores de base de cálculo constantes das tabelas de fls. 03/05 do processo administrativo originário (10830.004381/9809) — fls. 217/219; 3. relativamente aos períodos de apuração posteriores a junho de 1992, os valores de base de cálculo declarados nas respectivas DIRPJ — fls. 220/222. Isto posto, tendo em vista as pesquisas efetuadas durante o presente procedimento, concluo que o montante creditório passível de utilização nas compensações em estudo, conforme cálculos efetuados com o uso do aplicativo SAPO, não suporta a totalidade da compensação declarada, restando não satisfeita a quantia absoluta de R$ 26.305,21 (fls. 223/272). Nas planilhas do citado demonstrativo que se encontram fls. 246, 254 e 265 do processo 10830.003900/200341, a seguir reproduzidas, constatase que os débitos em cobrança no presente processo foram extintos quitados: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003902/200330 Acórdão n.º 140200.524 S1C4T2 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003902/200330 Acórdão n.º 140200.524 S1C4T2 Fl. 7 7 Portanto, apesar de o direito creditório reconhecido ser insuficiente para quitar todos os débitos que o contribuinte pleiteava compensar, os débitos lançados neste processo devem mesmo ser cancelados, haja vista que foram extintos pela compensação. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10830.003902/200330 Acórdão n.º 140200.524 S1C4T2 Fl. 8 8 Fica a cargo da Unidade de origem implementar a aludida compensação, juntandose cópia deste acórdão no processo 10830.004381/9809, e demais procedimento de sua alçada. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar as exigências da CSLL de que tratam o presente processo em face da suficiência do direito creditório reconhecido no processo 10830.004381/9809. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/04/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 14/04/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 13/04/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 16349.000411/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Descabe ao Carf manifestarse,
originalmente, em relação à matéria
constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA.
PRODUTOS.
A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa,
que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes
de entradas sujeitas à primeira.
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS.
MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de
cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese
às hipóteses
desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação
monofásico previsto em legislação anterior.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.950
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez
sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no
203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa,
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao Carf manifestarse, originalmente, em relação à matéria constitucional, como pressuposto a afastar a aplicação da lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é específica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Os conselheiros Fl. 123DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto apresentaram declaração de voto. Fez sustentação oral em abril de 2011, pela recorrente, o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203.988. Esteve presente ao julgamento em maio de 2011 o Dr. Rodrigo da Rocha Costa, OAB/SP no 203988. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 57 a 77) apresentado em 26 de março de 20100 contra o Acórdão no 1624.277, de 11 de fevereiro de 2010, da 6ª Turma da DRJ / SP1 (fls. 45 a 55), cientificado em 17 de março de 2010, que, relativamente a Declaração de Compensação sobre créditos de Cofins do segundo trimestre de 2007, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. A aquisição de produtos monofásicos para revenda constitui exceção à regra geral da não cumulatividade, não gerando créditos por força da vedação contida no art. 3 , I, da lei nº 10.833/2003. Em razão disso, não se aplica a esses produtos — notadamente aos veículos automotores e autopeças comercializados pela recorrente — o art. 17 da lei nº 11.033/2004. DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não Fl. 124DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000411/200941 Acórdão n.º 330200.950 S3C3T2 Fl. 0 3 compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. ANTINOMIA JURÍDICA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE SOBRE O CRITÉRIO CRONOLÓGICO. Segundo a regra de interpretação contida no brocardo latino lex posterior generalis non derogat legi priori speciali, o princípio da especialidade sempre prevalece sobre o critério cronológico. Manifestação de Inconformidade Improcedente A Primeira Instância assim resumiu o litígio: 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento formulado nas fls. 1/2, relativo a supostos créditos de Cofins apurados no 2o trimestre de 2007. 5. Em despacho decisório de 26/05/2009 (fls. 6/8), a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pleito, o que levou a recorrente a apresentar a manifestação de inconformidade anexa às fls. 13/33, cujo teor resumo a seguir. 5.1) Observa inicialmente que, com o advento da lei nº 10.485/2002, a receita proveniente da venda de veículos automotores passou a sujeitarse à incidência monofásica do Pis e da Cofins, recaindo sobre o montador ou importador a responsabilidade pelo recolhimento dessas contribuições. 5.2) Afirma que a lei nº 10.865/2004, ao alterar a lei nº 10.485/2002 — com reflexos nas leis nº 10.637/2002 (Pis) e nº 10.833/2003 (Cofins) — se por um lado reduziu a zero a alíquota de ambas as contribuições relativamente às receitas auferidas pelas concessionárias com a comercialização dos produtos sujeitos ao regime monofásico, por outro lado vetou o aproveitamento dos créditos correspondentes a essas operações. 5.3) Depreende daí que as alterações introduzidas pelas leis nº 10.485/2002 e nº 10.865/2004, a par de criar “exação muito superior ao usual” e vetar a não cumulatividade (regime a que faz jus), criaram “carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional”(fl. 16). 5.4) Ressalta que, procurando corrigir a distorção, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, oriunda da MP nº 206/2004, autorizou de forma expressa o aproveitamento dos créditos vinculados a operações comerciais de venda realizadas com alíquota zero. 5.5) Alega que a Fazenda Pública, ao indeferir o pedido de ressarcimento, negou vigência ao referido dispositivo legal, “que alterou a Legislação atinente a espécie, negando coercitivamente o DIREITO do recorrente de utilizar seus créditos vinculados a suas vendas com alíquota ‘ZERO’, razão Fl. 125DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 do inconformismo que traz o recorrente a esta Delegacia de Julgamento” (fl. 17). 5.6) Passando a discorrer sobre o princípio da não cumulatividade, reafirma que o entendimento da DIORT a impede de exercer “DIREITO LÍQUIDO E CERTO de creditar se dos valores recolhidos nas fases anteriores, sob pena de ver se autuado e cobrado judicialmente” (fl. 20). 5.7) Invocando o art. 195 da Constituição Federal e alegando que o sistema monofásico de tributação teria instituído novo imposto sem amparo legal, assevera que a lei nº 10.865/2004, embora determine que a recorrente promova os fatos geradores relativos ao Pis e à Cofins, não lhe permite aproveitar os créditos advindos dos produtos a serem vendidos com alíquota zero. Acrescenta que tal vedação — sobre ser ilegal e inconstitucional — constitui grave ofensa aos ditames da lei nº 11.033/2004. 5.8) Afirmando que a exclusão das operações de venda com alíquota zero do regime não cumulativo implica tributação excessiva ou confisco e que o art. 17 da lei nº 11.033/2004 teria por objetivo precisamente afastar a ilegalidade e a inconstitucionalidade ínsitas a essa sistemática, declara que o indeferimento do pedido de ressarcimento representa “flagrante afronta ao princípio da capacidade contributiva, da isonomia, da estrita legalidade e o desrespeito a vinculação dos atos públicos” (fl. 29). 5.9) Assinala ainda que, em face da recusa do recorrido em atender à determinação legal, não lhe restou alternativa senão recorrer ao Poder Judiciário para que este determine que a Delegacia de Arrecadação de São Paulo respeite a lei, vale dizer, o art. 17 da lei nº 11.033/2004, reconhecendolhe o direito líquido e certo ao crédito vinculado. 5.10) Discorrendo ligeiramente acerca dos princípios da capacidade contributiva, da isonomia e da legalidade, afirma ser “ilegal e nula a exigência” (fl. 31), uma vez que a autoridade administrativa age em desacordo com a lei, que permite à recorrente aproveitar integralmente seu crédito vinculado, inclusive os créditos vinculados a vendas com alíquota zero. 5.11) Acrescenta que, ao afirmar que o pedido da requerente, fundado no art. 17 da lei nº 11.033/2004, não se aplica, excepcionalmente, à revenda de veículos e peças, o chefe da DIORT pretende “fazer legislação anterior modificar a posterior em absoluto descompasso com a Lei natural”(fl. 32). 5.12) Rematando o arrazoado, requer que este órgão julgador lhe assegure o direito de apurar os débitos de Pis e Cofins vincendos mercê do aproveitamento dos créditos vinculados à compra de veículos “zero”, peças e acessórios, nos moldes do art. 17 da lei nº 11.033/2004, bem como a autorize, para determinar tais créditos, a aplicar as alíquotas de 1,65% para o Pis e 7,60% para a Cofins, segundo prevêem respectivamente as leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Requer, em suma, a reforma do despacho decisório impugnado, bem como o Fl. 126DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000411/200941 Acórdão n.º 330200.950 S3C3T2 Fl. 0 5 ressarcimento “dos valores relativos ao crédito vinculado de PIS e COFINS nos termos do art. 17 da Lei 11.033” (fl. 33). No recurso, a Interessada alegou que “vedação ao aproveitamento do crédito vinculado ao faturamento relativo aos bens vendidos com alíquota zero fere a o art. 17 da Lei 11.033/2004 além do principio da igualdade tributária.” Após esclarecer que, “Anteriormente já havia previsão legal, Lei 10.485/2002, que determinava que a exigências, relativas ao PIS e a Cofins, fossem recolhidas por expressa responsabilidade do montador ou importador, ao que se denominou recolhimento por substituição tributária, monofásico, no entendimento do Fisco”, acrescentou que, “Com a transformação das exações, razão do inconformismo, em tributos não cumulativos, a Lei 10.865/04, inovou, determinando que o recorrente (concessionário de veículos) promovesse o fato gerador das contribuições, contudo, determinou que o PIS e a Cofins fossem tributados a alíquota ‘0’, uma vez recolhidos, em porcentagem superior a usual, pelo importador ou montador.” De acordo com a Interessada, “[...] hodiernamente, de forma geral, a exigência quanto ao recolhimento das exações ao PIS e a COFINS é calculada pelo resultado dos custos e despesas subtraídos da receita a que deu origem [...]”. Na sequência, aborda a questão principal do litígio, esclarecendo o seguinte: Ocorre que a mesma Lei 10.865/04, alterou a Lei 10.485/02 com reflexo nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a alíquota zero para a venda de carros zero e vetando o aproveitamento do crédito vinculado, o que leva ao recorrente sofrer tratamento desigual. Tal tratamento desigual ocorreria, no entendimento da Recorrente, pelo fato de não poder utilizar o crédito em relação ao que dispôs as Leis nos 10.865, de 2004, e 10.485, de 2002, que “vetou a não cumulatividade, ainda que determinando o calculo da alíquota do PIS e da COFINS em ‘zero’ criando carga tributária além da capacidade contributiva do recorrente, em verdadeiro confisco tributário, exigência portanto inconstitucional.” Entretanto, segundo a Interessada, somente a partir de agosto de 2004, com a Medida Provisória no 206, foi autorizado o aproveitamento dos créditos vinculados a operações de alíquota zero. A seguir, analisou o princípio da não cumulatividade, citando doutrina e jurisprudência, que lhe daria o direito de “de somar todas os custos e despesas, quaisquer que seja[m], desde que vinculados ao seu faturamento, e diminuir de seu faturamento ou receita, o resultado apurado é a base de cálculo dessas exações incluindo nos valores agregados como despesas vinculadas ao faturamento, aquelas relativas às vendas com alíquota ‘zero’, assim determina a Lei [no 11.033, de 2004]”. Defendeu a tese de que a tributação monofásica seria uma substituição tributária disfarçada e que, continuando a ser tributada sobre o faturamento por determinação constitucional “e ainda em parte pelo valor de venda do veículo ao concessionário”, haveria a “inegável instituição de novo imposto, sem amparo legal.” Analisou, então, a legislação e reafirmou que o entendimento da primeira instância afrontaria vários princípios constitucionais. Fl. 127DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A Interessada não repetiu no recurso as alegações sobre nulidade do despacho decisório, cabendo, portanto, apenas a análise do mérito da matéria. Pretende excluir da base de cálculo da contribuição não cumulativa os custos decorrentes de aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero em face de sujeitaremse ao regime monofásico. Primeiramente, há que se esclarecer que a não cumulatividade não é uma regra geral constitucional. A simples consulta ao texto constitucional e suas alterações permite concluir que a não cumulatividade aplicarseia irrestritamente apenas aos tributos criados na competência residual da União (art. 154, I). Em relação aos tributos originalmente previstos na Constituição, apenas o ICMS e o IPI eram sujeitos à não cumulatividade, que, segundo José Souto Maior Borges, seria uma “simples regra” e não um princípio como pretendido pela maioria da doutrina (Teoria Geral da Isenção Tributária. 3ª ed. São Paulo: Editora Malheiro, 2001, ps. 3412). Portanto, a regra (ou, se se preferir, o princípio) constitucional da não cumulatividade simplesmente não se aplicava às contribuições sociais no texto original da Constituição. Com a Emenda Constitucional no 47, de 2005, a Constituição passou a prever, no art. 195, § 9º, a possibilidade de diferenciação de alíquota e base de cálculo. Entretanto, à vista de matéria constitucional, o Carf não pode deixar de afastar a aplicação de lei, conforme sua Súmula no 2 (Portaria Carf no 106, de 2009): Súmula Carf nº 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, tal impossibilidade é reforçada pelas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (Portaria MF no 256, de 2009). Dessa forma, somente é possível, em sede do presente recurso voluntário, apreciar as alegações da Interessada em relação ao que determina a lei, uma vez que sua aplicação não pode ser afastada. Entretanto, antes cabe esclarecer que, em alguns pontos, as alegações da Interessada são contraditórias, como nos exemplos a seguir. 1. Violação à não cumulatividade Fl. 128DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000411/200941 Acórdão n.º 330200.950 S3C3T2 Fl. 0 7 Parte dos produtos vendidos pela Interessada sujeitase ao regime monofásico, que, pelas próprias disposições legais, como se verá adiante, é um regime distinto do não cumulativo. Dessa forma, tratandose de um regime diverso, paralelo e específico de incidência da contribuição, não há como haver violação de regra aplicável a outro regime. 2. Violação ao princípio da isonomia Isonomia implica tratamento igual aos que estejam em igual situação. Portanto, não faz sentido argumentar violação à isonomia se a regra é aplicável não só à Recorrente como a todos os contribuintes que se encontram na mesma situação. 3. Violação à capacidade contributiva No caso em questão, não é possível violação à capacidade contributiva, uma vez que os produtos vendidos sujeitos à alíquota zero já foram tributados pelo regime monofásico anteriormente. Dessa forma, o valor da contribuição devida pela Recorrente, em relação a tais produtos, é zero. O que a Interessada pretende é, na realidade, ao incluir na dedução da base de cálculo da contribuição devida em relação aos demais produtos, reduzir a base de cálculo destes últimos, cuja contribuição devida nada tem a ver com daqueles. 4. Sugestão de bitributação Em suas alegações, a Interessada sugere aparentemente que estaria sujeita a duas tributações. De fato, está, mas, além de os produtos sujeitos à incidência monofásica não estarem sujeitos à incidência não cumulativa (inexiste bitributação), tais produtos sujeitamse à alíquota zero. De fato, para concluir que a forma de tributação por incidência monofásica seria tão injusta a ponto de exigir deduções das bases de cálculo do revendor, seria preciso demonstrar que o resultado dessa tributação, no geral, seria injustificadamente maior do que a dos demais produtos sujeitos à não cumulatividade, o que sequer foi abordado adequadamente pela Interessada. Feitas as observações acima, passase à análise da legislação. Conforme bem observado pela primeira instância, as leis que instituíram as contribuições não cumulativas previram expressamente que suas disposições não se aplicariam às receitas “decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero” e ainda aos casos de substituição tributária. Vale dizer, o regime de não cumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação concentrada ou monofásico é específico e apurado paralelamente àquele. O que se discute, a seguir, é a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033, de 2004, ao caso dos autos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota ‘0’ (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal dispositivo deve ser lido atentamente. Fl. 129DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Em primeiro lugar, por que não é uma disposição legal generalista como pretende a Interessada. Vale dizer, não se aplica à toda a legislação de PIS/Pasep e Cofins, por dizer respeito somente às hipóteses previstas na própria lei, que trata do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”. Nesse contexto, a própria lei prevê a incidência de “suspensão”, “isenção”, “não incidência” e especificamente de alíquota zero no art. 14, § 2º. Por isso, no art. 17, prevê a manutenção de créditos. Aí reside a segunda atenção que se deve ter ao ler o dispositivo, uma vez que, especificamente, prevê a “manutenção” dos créditos vinculados às vendas de produtos de alíquota zero. Vale dizer, não trata de exclusões de base de cálculo, mas de créditos que tenham sido escriturados e que, em função da incidência de alíquota zero e das demais hipóteses previstas na própria lei, poderiam ser objeto de uma eventual interpretação restritiva, como a que ocorre no IPI, quanto a seu aproveitamento. Então, a própria lei já previu, para que não houvesse dúvidas sobre a matéria, que a incidência das hipóteses desonerativas não implicaria glosa de créditos. Portanto, as alegações da Interessada fundamse em equívocos de interpretação da legislação, uma vez que as duas modalidades de apuração da contribuição coexistem mas não se comunicam. Por fim, observese que as referências posteriores da legislação ao referido dispositivo legal não têm o condão de estender sua abrangência. Na realidade, limitamse a regular o crédito do “Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária”, conforme esclarecido acima. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto Da atual possibilidade de tomada de créditos – Lei nº 11.727/08 Primeiramente, cabe relembrar que foi com o advento das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (conversões das MP’s nº 66/02 e nº 135/03) que as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS passaram a ter como regime geral o sistema de nãocumulatividade, entretanto, esse dispositivo foi além da aplicação desse regime e também admitiu o direito de Fl. 130DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000411/200941 Acórdão n.º 330200.950 S3C3T2 Fl. 0 9 descontar créditos calculados a partir das etapas anteriores de bens adquiridos para revenda, a saber, independentemente do sujeito detentor do crédito: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em ralação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) – nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei (...) (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação do § 2º dada pela Lei nº 10.865/04)(...) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal.(...)” “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos art. 1 a 8. VII – as receitas decorrentes das operações: Fl. 131DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1. b) sujeitas à substituição tributária da COFINS”. Tais dispositivos legais vedavam, entretanto, a tomada de crédito de PIS e COFINS pelas pessoas jurídicas revendedoras, nas operações de revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição fosse exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e também em relação à venda de álcool para fins carburantes. No entanto, essa situação perdurou até a edição da Lei nº 10.865/04 que alterou consideravelmente as Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Aquela lei, dentre outras alterações, ampliou o regime não cumulativo para que esse alcançasse também as receitas sujeitas à incidência monofásica do PIS e da COFINS, manteve as alíquotas diferenciadas dispersas na legislação do PIS/COFINS, inseriu as alíneas a e b nos incisos I dos arts. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 e por fim, alterou os parágrafos 2º dos arts. 3º das mencionadas leis, no sentido de indicar a impossibilidade da tomada de crédito relativamente a bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Posteriormente, em 2004 ainda, foi adicionado à MP nº 206/04, posteriormente convertida na Lei nº 11.033, o art. 16 (quando da conversão passou a ser o art. 17) que tratava sobre a manutenção de créditos nas vendas efetuadas com isenção, alíquota zero, suspensão e nãoincidência do PIS e COFINS. Esse dispositivo veio assim redigido: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.(...)” Importantíssimo ressaltar que a partir desse momento, duas normas aparentemente contraditórias passaram a vigorar no ordenamento jurídico relativo às contribuições mencionadas. Porém, por regra geral de hermenêutica, norma específica sobrepõese à norma geral, e assim esses dispositivos deverão ser interpretados a partir da inserção do fato concreto à norma, dentro de suas especificidades. O dispositivo retro estendeu o alcance do direito de manutenção de crédito de PIS e COFINS, alcançando o vendedor, atacadista ou até mesmo varejista, que viesse a efetuar vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS como regra geral, exceto quanto a operação porventura estiver sob a égide de norma específica que disponha em contrário. Posteriormente, em janeiro de 2008, foi editada a MP nº 413, que resultou em sua conversão na Lei nº 11.727/08, cujo objetivo precípuo fora adotar medidas de natureza tributária destinadas a estimular os investimentos e a modernização do setor de turismo, reforçar o sistema de proteção tarifária brasileiro e estabelecer a incidência de forma concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS na produção e comercialização de álcool. Por meio dessa Medida Provisória, o Poder Executivo tentou inserir dispositivo alheio às operações inicialmente objeto da Medida, para obstar a tomada de créditos relativa às operações ora em comento, ao literalmente tentar aprovar o texto dos artigos 14 e 15 em que vedava a apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre os custos, encargos e despesas relativos às vendas de produtos onde incidiam o regime monofásico, apropriação antes Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000411/200941 Acórdão n.º 330200.950 S3C3T2 Fl. 0 11 permitida, por meio da inserção do § 14 ao art. 3º das Leis nº 10.637 e § 15 ao art. 3º da Lei nº 10.833/03: “Art. 14. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam avigorar com a seguinte redação: .................................................................................... § 14. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR) Art. 15. Os arts. 2o e 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam avigorar com a seguinte redação: “Art. 2o .................................................................... (...).................................................................................. § 22. Excetuamse do disposto neste artigo os distribuidores e os comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos referidos no § 1o do art. 2o desta Lei, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas, não se aplicando a manutenção de créditos de que trata o art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004.” (NR)” Tal pretensa vedação simplesmente foi retirada da MP nº 413 durante seu tramite legislativo, ao qual foram interpostas 185 emendas, de modo que sua conversão em lei (Lei nº 11.727/08) não contém tal vedação. Importante observar o reconhecimento pleno do direito ao crédito pela aplicação do art. 17 da lei nº 11.033/04. Outrossim, consideramos que a pretensa vedação à tomada dos créditos ora em discussão, prevista nos art. 3º, I, b, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 restou totalmente superada com a nova redação conferida ao art. 24 da mencionada Lei nº 11.727/08. Previu esse dispositivo a possibilidade de os revendedores de produtos monofásicos tomarem créditos sobre a aquisição de produtos sujeitos à alíquota monofásica, pelos mesmos valores aos quais elas foram destacadas na etapa anterior, litteris: “Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Ademais, corrobora com todo esse entendimento o disposto no art. 16 da Lei nº 11.116/05, ao disciplinar a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS e COFINS, referindose expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, sendo oportuna sua transcrição: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Nesse sentido, o entendimento atual é de que há o direito de crédito para as pessoas jurídicas que auferem receitas de vendas de produtos sobre os quais incide a alíquota zero, em sendo intrínseca ao regime de nãocumulatividade o direito desse. Ademais, inexiste qualquer vedação legal, prevalecendo o direito subjetivo das pessoas jurídicas à compensação ou recuperação dos créditos, mediante a aplicação das alíquotas pertinentes ao regime não cumulativo, previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Cabe ressaltar que em 15 de dezembro de 2008 foi publicada a Medida Provisória nº 451, tratandose de mais uma tentativa do Governo em restringir os créditos de PIS e COFINS das distribuidoras e varejistas que comercializam produtos monofásicos. Tal MP em seus artigos 8 e 9 retirava a possibilidade de descontar créditos de PIS e COFINS dos distribuidores, dos comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias e produtos (produzidos e importados), quanto aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas com a venda destes produtos. Dentre as 64 emendas apresentadas ressaltase a emenda supressiva número 09, apresentada pelo Deputado Eduardo Gomes, cuja justificativa: “Os artigos 8º e 9º da supracitada Medida Provisória inseriram novos parágrafos aos artigos 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, vedando aos distribuidores e aos comerciantes varejistas e atacadistas de produtos sujeitos às alíquotas monofásicas o reconhecimento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes, armazenagem, aluguéis, energia elétrica, dentre outros. Frisese que dispositivos semelhantes haviam sido também incluídos quando da edição da Medida Provisória nº 413, de 03 de janeiro de 2008, tendo sido Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16349.000411/200941 Acórdão n.º 330200.950 S3C3T2 Fl. 0 13 suprimidos pelo Legislativo Federal quando de sua votação para conversão da MP na Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. As alterações previstas na MP 451 resultariam em injustificado aumento da PIS/COFINS incidente na gasolina, diesel e querosene de aviação, que tem toda a carga tributária concentrada de forma monofásica na refinaria. A vedação dos créditos de PIS/COFINS incidente sobre esses custos inerentes a comercialização destes combustíveis, caracterizase como aumento da carga tributária, com impactos nos preços, e prejuízos para os consumidores finais.” Em parecer proferido em plenário, o Deputadorelator Sr. João Leão votou pela admissibilidade da MP nº 451, acolhendo a emenda nº 09. Por conseguinte, apresentou o Projeto de Lei de Conversão nº 04/2009 como substitutivo à Medida Provisória nº 451/08, que altera a legislação tributária federal, e dá outras providências. Esse Projeto foi aprovado pelo Plenário da Câmara dos Deputados em 07/04/2009 e convertida na Lei nº 11.945 em 05 de junho de 2009. Até que ocorra alguma alteração nos dispositivos retromencionados, entendemos que permanece o direito ao crédito sobre o qual discorremos. Nesse sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 27/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/07/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10730.004319/2003-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
COMPENSAÇÃO DE IRRF. SÓCIO.
Sendo o beneficiário dos rendimentos sócio de sociedade civil a qual é a fonte pagadora, a compensação do imposto retido na fonte pelo sócio fica condicionada à comprovação do pagamento pela empresa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.004
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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SÓCIO. Sendo o beneficiário dos rendimentos sócio de sociedade civil a qual é a fonte pagadora, a compensação do imposto retido na fonte pelo sócio fica condicionada à comprovação do pagamento pela empresa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 07/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 2 Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls. 37/38), para exigir crédito tributário de IRPF, exercício 2000, referente a imposto suplementar de R$11.005,42, acompanhado de multa de oficio de 75% e juros de mora calculado até 08/2003, originado dedução indevida de imposto de renda retido na fonte na declaração de ajuste anual, tendo sido reduzido o valor do IRRF de R$ 29.940,00 para R$ 18.934,56. Através de dados do Sistema da Receita Federal e da Declaração de Rendimentos do contribuinte (fls.16), constatouse que o valor efetivamente retido na fonte foi de R$ 18.934,56, e não R$ 29.940,00, conforme apresentado na sua declaração de ajuste anual (fl. 06), assim discriminado. Fonte Pagadora IRRF Fls. Viação União Ltda R$ 12.180,00 25 Posto Fagundão Ltda R$ 5.580,00 26 Lanchonete Sr. Patriota Ltda R$ 1.174,56 27 TOTAL R$ 18.934,56 Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls.01), cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: 1) pede concessão de prazo para demonstração dos itens 2 e 3 de sua peça defensória; 2) por meio dos DARF's, em anexo, comprovaria a retenção de R$ 24.360,00 sobre o prólabore; 3) o valor de ajuste em sua declaração correspondente a R$ 7.466,81 teria sido extraviado, porém devidamente pago conforme extrato da conta corrente; 4) a diferença de IRPF no valor de R$ 5.580,00 de sua aposentadoria, também estaria extraviada. Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ II, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/RJO II n° 1317.254, de 27 de setembro de 2007. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 30/01/2008, (fl. 66) e, com ela não se conformando, interpôs, na data de 25/02/2006, o Recurso Voluntário de fls.69, informando que solicitou 2ª via do documento comprovante de IRRF, referente a sua aposentadoria do INSS e acostou os documentos abaixo relacionados: 1. Recibos de prólabore emitido pela Viação União, no valor mensal de prólabore de R$10.000,00 e IRRF de R$2.030,00 (fls.70/81), totalizando um rendimento anual de R$120.000,00 e IRRF de R$24.360,00; 2. Microfilmagem do cheque enviado pelo Banco ITAÚ frente e verso, no valor de R$ 7.466,81; 3. Declaração de Rendimento do Posto Fagundão, cujo valor do IRRF é de R$ 5.580,00, que se refere ao IRRF, 4. Comprovante de rendimento da sua aposentadoria, no qual não consta IRRF. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 88 (última). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 10730.004319/200374 Acórdão n.º 220101.004 S2C2T1 Fl. 2 3 É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. A questão em análise versa sobre a comprovação do IRRF declarado pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2000. Passemos a análise da documentação trazida aos autos pelo contribuinte no seu Recurso Voluntário: Item 2 O cheque apresentado não comprova qualquer retenção apenas supostamente o pagamento do imposto devido na sua declaração. Item 3 O valor retido pelo Posto Fagundão já havia sido considerado, inclusive a decisão de primeira instância expressamente dispôs: “Analisandose o comprovante de rendimentos de fl. 16 e as DIRF's de fls. 25, 26 e 27, constatase que a Viação União Ltda., o Posto Fagundão Ltda. e a Lanchonete Sir Patriota Ltda. retiveram do interessado o imposto de renda na fonte nos valores de R$ 12.180,00, R$ 5.580,00 e R$ 1.174,56, respectivamente.” Item 4 Não há retenção na fonte sobre o valor recebido a título de aposentadoria. Por último, analisemos o primeiro item que possivelmente guarda a divergência apresentada. O contribuinte apresentou comprovante de prólabore pago pela Viação União Ltda no valor mensal de rendimento de R$10.000,00 e IRRF de R$2.030,00, totalizando um rendimento anual de R$120.000,00 e IRRF de R$24.360,00. Ocorre que o valor considerado pela fiscalização como retido pela Viação União Ltda., foi o valor constante do comprovante de rendimentos, no montante de R$ 12.180,00. A diferença é exatamente o valor glosado na dedução (R$24.360,00 R$ 12.180,00 = R$11.005,42) Assim, não há como acolher a pretensão do recorrente para que o valor R$24.360,00 seja considerado como retido, pois apenas ficou comprovado a retenção de parte desse valor, no montante de R$12.180,00. Mesmo que venha a ser alegado que efetivamente o valor retido no ano calendário de 1999 foi de R$24.360,00, conforme demonstrado nos recibos de prólabore, é entendimento pacífico nesse colegiado que o contribuinte, como sócio, beneficiário de pró labore, não pode deduzir o valor não recolhido, mesmo que efetivamente retido. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC 4 Isto posto, a possibilidade da compensação do Imposto de Renda na Fonte, com o devido na Declaração Anual de Ajuste, está condicionada a efetiva comprovação do recolhimento do valor retido, conforme dispõe a Instrução Normativa SRF nº 28, de 22 de março de 1984: “1. Fica suspensa a eventual restituição de imposto de renda, atribuída a diretores de pessoas jurídicas, sociedades de economia mista e empresas públicas, quando essas pessoas jurídicas não tenham recolhido à Fazenda Nacional imposto de renda que retiveram na fonte. 2. O disposto no item anterior se estende a titular de firma individual e a sóciosgerentes de sociedades. 3. Cessará a suspensão da restituição uma vez regularizada a situação fiscal da pessoa jurídica”. Diante do exposto, fica patente que a lei estende a responsabilidade de recolher a uma terceira pessoa (responsabilidade de terceiros): sócio, diretor, gerente ou representante legal da pessoa jurídica de direito privado, pelos débitos decorrentes do não recolhimento do Imposto de Renda descontado na fonte. Inclusive, a jurisprudência administrativa encampa unanimemente o entendimento da impossibilidade de compensação do imposto retido na fonte pelo sócio, quando não efetivado o recolhimento do tributo retido, senão vejamos: “IRPF SÓCIO GLOSA DE FONTE RESPONSABILIDADE Por força do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o contribuinte sócio da empresa (fonte pagadora), incabível a compensação do I.R. Fonte quando comprovada a inexistência do recolhimento do tributo retido. Recurso negado.” (4ª Câmara, Ac. 10420394, Rel. Remis Almeida Estol, em 02/12/2004) “FALTA DE RECOLHIMENTO PELA FONTE PAGADORA CONTRIBUINTE DIRETOR DA PESSOA JURÍDICA QUE EFETUOU OS PAGAMENTOS RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Não tendo a pessoa jurídica fonte pagadora efetuada a retenção do imposto na fonte e nem o recolhimento correspondente, deve o seu sócio diretor responder solidariamente pelo pagamento do tributo não retido. Recurso negado.” (4ª Câmara, Ac. 10420955, Rel.Oscar Luiz Mendonça de Aguiar, em 11/08/2005) “IRPF SÓCIOS DE SOCIEDADE CIVIL COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL Sendo o beneficiário dos rendimentos sócio de sociedade civil a qual é a fonte pagadora, a compensação do imposto retido na fonte pelo sócio fica condicionada à comprovação do pagamento pela empresa. Recurso negado.” (4ª Câmara, Ac. 10419989, Rel. Pedro Paulo Pereira Barbosa, em 13/05/2004) Diante das provas apresentadas pelo contribuinte, sendo o mesmo beneficiário de prólabore e, por conseguinte sócio da fonte pagadora, diante da não comprovação do recolhimento da totalidade do imposto retido indicado nos recibos, não há direito a compensação pelo recorrente na Declaração de Ajuste Anual. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Processo nº 10730.004319/200374 Acórdão n.º 220101.004 S2C2T1 Fl. 3 5 Portanto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC Assinado digitalmente em 09/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 07/06/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANC
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Numero do processo: 16366.003274/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS.Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento em espécie de Cofins não cumulativa. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) Mercado Externo, transmitido no dia 03/10/2007, relativo ao 2º trimestre de 2007, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.833/2003. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 385, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços e produtos relacionados às fls. 373/374 e considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, outras receitas operacionais (Grupo 81) não computadas pela recorrente. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 412/423, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR deferiu em parte a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0621.051, de 18/02/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do COFINS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. ERRO NA APURAÇÃO DO CRÉDITO. PIS NÃO CUMULATIVO. Constatado que a autoridade fiscal deixou de computar créditos, por ela reconhecidos de COFINS nãocumulativo, conforme prevê a legislação aplicável à época, deve ser deferido o ressarcimento da parcela complementar do correspondente crédito. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à COFINS, por falta de previsão legal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16366.003274/200726 Acórdão n.º 330200.874 S3C3T2 Fl. 475 3 A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 13/03/2010, conforme AR de fl. 446, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 13/04/2010, com o recurso voluntário de fls. 447/458, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Outros Materiais de Consumo; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da COFINS sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: Materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes (Processo nº 16366.000113/200861); 4 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de COFINS não cumulativa, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: 1. Alimentação; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Materiais químicos e de laboratórios; 8. Materiais de limpeza; 9. Materiais de expediente; 10. Outros materiais de consumo; 11. Serviços de segurança e vigilância; 12. Serviços de conservação e limpeza; 13. Outros serviços de terceiros; 14. Exportação 15. Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16366.003274/200726 Acórdão n.º 330200.874 S3C3T2 Fl. 476 5 Pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, há proibição legal para a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de Cofins nãocumulativa. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10140.002425/2004-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO, DIREITOS CREDITÓRIOS PLEITEADOS NA
JUSTIÇA. AÇÃO PROPOSTA APÓS A LC 104/01. COMPENSAÇÃO
DECLARADA ANTES DO TRANSITO EM JULGADO DA MEDIDA
JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. E' vedada a compensação mediante o
aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial apresentada pelo
sujeito passivo após a edição da Lei Complementar n° 104/01, antes do
trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Somente com o trânsito em
julgado os créditos pleiteados se revestem da certeza e liquidez
indispensáveis à compensação tributária. Inteligência do art. 170-A do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.912
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO, DIREITOS CREDITÓRIOS PLEITEADOS NA JUSTIÇA. AÇÃO PROPOSTA APÓS A LC 104/01. COMPENSAÇÃO DECLARADA ANTES DO TRANSITO EM JULGADO DA MEDIDA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. E' vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial apresentada pelo sujeito passivo após a edição da Lei Complementar n° 104/01, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Somente com o trânsito em julgado os créditos pleiteados se revestem da certeza e liquidez indispensáveis à compensação tributária. Inteligência do art. 170-A do CTN. Recurso Voluntário Negado
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AÇÃO PROPOSTA APÓS A LC 104/01. COMPENSAÇÃO DECLARADA ANTES DO TRANSITO EM JULGADO DA MEDIDA JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. E' vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial apresentada pelo sujeito passivo após a edição da Lei Complementar n° 104/01, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Somente com o trânsito em julgado os créditos pleiteados se revestem da certeza e liquidez indispensáveis à compensação tributária. Inteligência do art. 170-A do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. .2)1 Autentiindo 20/r.*:(.3i E.tnIcio em 1710812011 1 2107120rI c - ANO K1 2 11A01 ' SILVA EDITADO EM: 20/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjdo Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Relatório Trata os autos de Declarações de Compensação (fls. 02/37) de PIS e COFINS devidos nas competências 01/2003 a 03/2004. A origem indicada para o crédito foi a ação judicial de repetição de indébito n° 2003.60.03.000486-0 (tramitação na la Vara Federal de Três Lagoas/MS), que teria transitado em julgado em 14/04/2003 — conforme indicação nas PER/DCOMP. 0 valor total do crédito indicado foi de R$ 878.919,49. A Recorrente apresentou copias da medida judicial (petição inicial, despacho indeferindo a tutela antecipada, contestação e réplica), as quais foram juntadas As fls. 46/130. ao analisar os documentos trazidos A colação constata-se que a data indicada nas PER/DCOMP como sendo a do trânsito em iulgado da medida 6, em verdade, a data do ajuizamento da ação de repetição de indébito. A tutela antecipada requerida, para promover a compensação imediata dos créditos foi indeferida (fls. 65), com base em jurisprudência e Súmula do STJ que veda a autorização de compensação de créditos tributários por meio de medida liminar. 0 Despacho Decisório da DRF (fls. 137/146) não homologou as compensações pretendidas por entender que não podem ser compensados créditos oriundos de medida judicial antes do transito em julgado favorável ao contribuinte. Propôs, ainda, o encaminhamento para órgão competente para promover o lançamento de multa isolada, com base no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96, consoante previsão contida no art. 18 e seu § 2° da Lei n° 10.833/03, c/c o artigo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17/02. A Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 158/170), alegando em síntese que o direito à compensação é um direito potestativo e não poderia ser limitado por necessidade de prévio requerimento e/ou autorização perante a autoridade fiscal, ou perante a autoridade judicial. Requereu a homologação das compensações, alternativamente a determinação de suspensão dos autos até decisão definitiva na ação ordinária ou, ao menos, o cancelamento da multa isolada. A DRJ manteve a decisão de não homologar as compensações, em Acórdão assim ementado, verbis: 171C.:;, 1 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2004 IPI CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. COMPENSACJO COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS. É vedada a compensação de crédito, objeto de discussão judicial, antes do trcinsito em julgado da decisão que o reconhecer. Solicitação Indeferida." 1, '.Y2-' 1 1 PO' VVALLE;':: Vi„ ;,3G.' .ABIOLA CAF.SiAr 530...,‘"/"' 2 369 DF CARE- MF :-.AP.F 1. 370 Processo n° 10140.002425/2004-44 Acórdão n.° 3302-00.912 S3-C3T2 Fl. 2 Em relação ao pedido de cancelamento da multa—isolada, asseverou a Delegacia que é matéria estranha a estes autos, razão pela qual não conheceu do recurso nesta parte. Intimada da decisão proferida pela DRJ a Recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário (fls.301/345), que traz as mesmas alegações apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade, juntando novamente peças da ação judicial que pretende repetir o indébito utilizado para as compensações objeto do presente. o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, em parte, exceto no que tange à discussão da aplicabilidade da multa isolada (prevista no com base no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96), pois esta não é matéria dos autos, que não contempla eventual formalização da cobrança da penalidade. Na parte conhecida, o Recurso Voluntário apresentado trata de decisão que não homologou compensações declaradas pela Recorrente, sob o fundamento de que os créditos estariam, na data da apresentação das PER/DCOMP ainda sob discussão judicial. Ou seja, segundo a DRJ, a compensação não foi homologada porque ainda não ocorrera o trânsito em julgado da ação judicial na qual discutia-se a existência dos créditos utilizados, o que ofenderia o artigo 170-A do CTN. Constata-se da análise dos autos que a medida judicial que visa a repetição do indébito tributário foi ajuizada em 14/08/2003. Portanto, após a edição da Lei Complementar no 104/01, que inseriu o artigo 170-A no texto do Código Tributário Nacional. Referido dispositivo legal tem a seguinte redação, verbis: "Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." Considerando que o ajuizamento da medida judicial se deu após a entrada em vigor da disposição em tela, é de se concluir que a limitação imposta se aplica aos créditos objeto da discussão levada ao Judiciário. Ou seja, de fato, antes do trânsito em julgado da ação judicial de repetição de indébito os créditos dela oriundos não poderiam ser utilizados em procedimento administrativo de compensação. Todavia, a Recorrente não observou tal disposição, apresentando diversas PER/DCOMP's ao longo dos anos de 2003 e 2004. Importa observar, ainda, que foi negada a tutela antecipada requerida pela contribuinte em sua medida judicial, visando autorização para compensar imediatamente os valores discutidos na ação (fls. 65). A negativa se deu justamente porque a jurisprudência (inclusive com edição de súmula pelo STJ) se mostrou contrária autorização liminar para compensação de tributos. em 2. ,),"2011 or DA S;LVA, 1210712011 par i'AF<IOLA CASIANO KERAA DAS 3 Auto€ãicacio digin(:nte E.:1'120:00 I p::r WALLET,: 3050 DA f.j!..VA E:nutdo f.;m W0812011 da Fdm 1 : 1 Impera registrar que, ante a vigência e plena validade da LC 104/01 no momento do ajuizamento da ação judicial, apenas uma determinação judicial que afastasse a aplicação da norma viabilizaria à Recorrente proceder a compensação de seus créditos, o que não ocorreu in cant.' Contata-se, portanto, que as compensações foram efetuadas pela Recorrente mesmo tendo sido negado seu pedido de tutela antecipada, que visava justamente a autorização judicial para realizar tais compensações, ainda no curso da ação. Assim, não só ao arrepio da Lei, mas também sem qualquer supedâneo jurisdicional, foram efetuadas as compensações ora sob análise. De se destacar que a medida judicial ainda não transitou em julgado, conforme consulta ao andamento processual, no site do Tribunal Regional Federal da 3a Região (os autos aguardam remessa aos tribunais superiores, para análise de Recursos interpostos pelas partes). Não pode, evidentemente, prosperar a indignação da Recorrente. Assim como não prosperam seus argumentos, pois o CTN é claro e a jurisprudência mansa, a respeito da impossibilidade de aproveitamento de créditos tributários, para fins de compensação, quando tais créditos são oriundos de ação judicial interposta após a LC 104/01 e ainda não transitada em julgado. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos expostos. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora ' Somente nos casos em qua a ação judicial foi proposta anteriormente à publicação da LC n° 104/01 é que se permite a compensação independentemente de autorização legal, verbis: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS. INAPLICABILIDADE DO DIREITOSUPERVENIENTE. ART. 170-A DO CTN, ACRESCENTADO PELA LC N° 104/2001.COMPENSAÇÃO ANTES DO TRANSITO EM JULGADO. POSSIBILIDADE.I - A Egrégia Primeira Seção consolidou o entendimento de que, emmatéria de compensação tributária, deve ser observada a legislaçãovigente à época do ajuizamento da ação, não podendo ser julgada acausa à luz do direito superveniente.II - Nesse contexto, tendo a demanda sido ajuizada em 03/02/99, n5ohá como se aplicar o teor do art. 170-A do CTN, acrescido pela LeiComplementar n° 104/2001, inexistindo vedação legal à compensaçãoantes do transit o em julgado. Precedentes: REsp n° 694.211/PR, Rel.Min. DENISE ARRUDA,- DJ de 02/10/2006; AgRg no REsp n° 770.939/SP,Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 19/12/2005 e REsp n° 611.099/SC,Rel. Min. FRANCISCO PECANFIA MARTINS, DJ de 13/02/2006.111 - Agravo regimental improvido." AgRg no REsp 872972 / SP ; Agravo Regimental no Recurso Especial 2006/0169753-0, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 01.02.2007 p. 441. - por JOS.".F DA L VA '3 da 4 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção - Terceira Camara \ CARF-MF ) FL Fl. ,41 Processo n° : 10140.002425/200444 Recorrente : MALULE ALIMENTOS E BEBIDAS LTDA. TERMO DE ENCAMINHAMENTO Encaminhem-se, de ordem, os presentes autos a unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão n 2 3302-00.912, demais providencias. Brasilia, 17 de agosto de 2011. Levi nio da Silva Mat. 0105212-8 O •
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Numero do processo: 10240.000954/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Não basta a apresentação de vasta documentação se esta não demonstrar ou comprovar a situação fática alegada pelo contribuinte, informando, por conseguinte, as constatações apontadas pelo Fisco. Ademais, a autuação fiscal com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 24 de dezembro de 1996, autoriza o lançamento
com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
Aplicação da Sumula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada somente tem aplicação
quando plenamente caracterizada a fraude, dolo ou simulação por parte do contribuinte, de forma que a simples omissão de rendimentos não caracteriza nenhuma destas condições, sobretudo na ausência de prática reiterada do ato.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.296
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Não basta a apresentação de vasta documentação se esta não demonstrar ou comprovar a situação fatica alegada pelo contribuinte, infirmando, por conseguinte, as constatações apontadas pelo Fisco. Ademais, a autuação fiscal com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 24 de dezembro de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Aplicação da Sumula CARF n° 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada somente tem aplicação quando plenamente caracterizada a fraude, dolo ou simulação por parte do contribuinte, de forma que a simples omissão de rendimentos não caracteriza nenhuma destas condições, sobretudo na ausência de prática reiterada do ato. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, nos termos do voto da Relatora. - Presidente sugi - latora EDITA 0 E :28/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra o contribuinte JOÃO CLOSS JUNIOR, CPF/MF n° 119.954.089-72, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 27/01/2009, auto de infração (fls. 01 a 24), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual, referente ao ano-calendário 2005, exercício 2006, havendo a ciência do lançamento em 03/06/2009 (fls.25), com o lançamento do imposto de renda pessoa fisica no valor de R$ 1.839.040,15. 0 valor do crédito tributário apurado está assim constituído: i. Imposto R$ 643.380,97; ii. Juros de Mora (cálculo até 30/04/2009) R$ 230.587,73 iii. Multa Proporcional (passível de redução) R$ 965.071,45 iv. Total do Crédito Tributário R$ 1.839.040,15 A multa foi agravada em para 150% porque, segundo o relatório do auto de infração, o contribuinte adotou uma conduta reiterada de jamais prestar qualquer declaração de bens/rendimentos ao Fisco, mediante pedidos reiterados de dilação de prazo (fls. 06 a 07). Nos termos do Auto de Infração (fls.15 a19), e Termo de Verificação Fiscal (fls.02 a 014), os motivos da autuação foram: • Omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregaticio recebidos de pessoa jurídica; • Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. 0 contribuinte fez esclarecimentos (fls. 47 a 49), aduzindo, em síntese, que o lapso temporal para o cumprimento da entrega de documentos solicitados pelo fisco, deu-se em face da demora da entrega pelas instituições bancárias, dos extratos requeridos. 0 ora recorrente, manifestou-se inúmeras vezes juntando documentos (fls. 135 a 322), alegado que os valores depositados em suas contas-correntes tratavam-se de valores a serem repassados a clientes e peritos, em face de acordos em processos judiciais. 0 contribuinte fez a juntada de cópia de processos, contratos de honorários e acordos firmados com o IPERON-Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Rondônia. Inconformado contribuinte apresenta impugnação 6. exigência tributária em 21/07/2009, as fls. 329/333, de onde se extrai os seguintes argumentos: 2 Processo n° 10240.000954/2009-90 S2-C I T2 Acórchrio n.° 2102-01.296 Fl. 441 a) Que os valores depositados em suas contas-correntes tratavam- se de valores a serem repassados a clientes e peritos, em face de acordos em processos judiciais, logo não poderiam constituir como base de cálculo de imposto. b) Aduz ainda que os pagamentos, foram feitos em duas parcelas pela autarquia IPERON (em jan/2005 e dez/2005); e; c) Que o contribuinte recebeu honorários sucumbência por via bancária, não existindo omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; d) ) 0 contribuinte não se insurge sobre a multa de aplicada ao processo em tela de 150%, mas pede a improcedência do lançamento. A 2 Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido., em decisão consubstanciada no Acórdão n° 01-15.415,15 de outubro de 2009 (fls. 343 a 350), que foi assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - 1RPF Exercício: 2006 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu tuna presunção legal de omissão de rendimentos que lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados ern sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Pede-se vênia para transcrever o bem fundamentado Voto do Relator da DRJ: "ITENS 3.24 e 3.26: O contribuinte alega que "os documentos n°3 e 8, comprovam a existência clos processos 001.1998.017991-3 (número correto) e 001.1999.000731-7", mas verificando no próprio documento número 3 citado, 11.336, nota-se que o campo "advogado", está vazio, não sendo possível correlacionar com o impugnante. E mesmo que constasse o nome do impugnante, não é possível evidenciar qual seria a funccio de tal documento, pois não demonstra sequer valores em seu conteúdo. Está claro no Oficio n. 230/2009, f1.21=1, emitido pela 2" Vara da Fazenda Pública do Estado de Rondónia, Comarca de Porto Velho, que o processo n.001.1998.071991-3, não consta nos registros, e que o processo n.001.1999.000731-7 ainda não retornou do arquivo geral. Neste caso contribuinte deveria apresentar ao processo os documenlOS que contrarian, esta constatação do Oficio citado. Limitou-se a dizer que o número está incorreto, sendo no de n.001.1998.017991- 3, o certo, mas sem apresentar qual a repercussão desta prova no processo, dizendo qual seria o depósito bancário ou omissão de rendimento a ser exonerado. Idem quanto ao processo que ainda não retornou do arquivo geral, de n.001.1999.000731-7, o qual o contribuinte apenas diz que o documento número 8 comprova sua existência. Analisando o documento de número 8, fl.341, verifica- se que não está assinado e que não apresenta o número do processo mencionado pelo impugnante. Deveria o contribuinte ser mais especifico em sua alegação, enumerando os pontos que tornam o documento válido a exonerar algum valor que compõe sua autuação, seja de depósito bancário ou de omissão de rendimentos. Em razão da reduzida apresentação de documentos que visem comprovar suas razões, e da falta de informações contidas nos mesmos, mantemos a autuação no que se refere aos itens 3.24 e 3.26. DO REGIME DE CAIXA Alega o contribuinte que "a segunda parcela de pagamento aos autores, se deu ern 29/12/2005, impedindo as individualizações naquele exercício, que somente ocorreram em 2006, não podendo figurar como base de cálculo para o exercício de 2005". Note-se que o próprio contribuinte confirma que o pagamento se deu em 2005, fato este que o obriga a incluir tais recebimentos em sua Declaração de Ajuste Anual correspondente a este ano-calendário. Se ocorreram problemas de ordem pessoal do contribuinte, que impediram a contabilização destes valores no ano-calendário 2005, este não podem ser opostos el Fazenda Pública como justificativa para elidir o crédito tributário. Vejamos o que diz o art.38 do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda, sobre o tema: Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo (Lei n°7.713, de 1988, art. 3", § 4°). RIR/94: Art. 38. Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. (grifei) E sobre as convenções particulares, assim se expressa o Código Tributário Nacional - Lei 5.172 de 25 de Outubro de 1966: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas a responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas a Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Concluindo, se o contribuinte recebeu rendimentos no ano-calendário 2005, mesmo que seja no dia 31/12/2005, em um domingo, ainda assim deverá oferecer a tributação estes valores em sua Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário 2005, descabendo a alegação de que não pôde realizar as individualizações neste exercício. DO VALOR DE R.S513.591,44 Quanto ao valor de R$513.591,44, fl.14, correspondente a um depósito bancário não comprovado, datado de 14/01/2005, alega o contribuinte que é o mesmo apontado como base de cálculo no item 4.1, que trata dos valores recebidos a titulo de honorários de sucumbência, f1.11, e portanto estaria ocorrendo bis in idem ao cobrar-se novamente ern relação a infração de depósitos bancários. É certo que o valor de R$513.591,44, está perfeitamente discriminando pela autuação a .11.14, no Demonstrativo de Depósitos Bancários Não Comprovados. Mas se fôssemos admitir a curta alegação do impugnante, concordaríamos que 4 Processo n° 10240.000954/2009-90 S2-C1T2 11. 442 Acórdão n.° 2102-01.296 este exato valor também se encontra listado nos valores que CO1711)5011 a autuação por omissão de rendimentos, relacionados kf7.1 1, o que de fato não ocorre. Conclui-se que o contribuinte foi incompleto em sua alegação, pois o valor que mencionou como sendo coincidente em duos infrações distintas, de lino só aparece discriminado em urna, a de Depósitos Bancários. Deveria o contribuinte ser mais preciso em discriminar em que processo teria recebido o honorário de sucumbéncia de RS513.591,44, pois é deste tema que trata a infração de omissão de rendimentos da f1.11, onde é visível que tal valor não está relacionado. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Alega o contribuinte que "Não existe omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, visto que somente recebeu honorários de sucumbência por via bancária", é bom frisar que os rendimentos identificados no Auto de lnfração, como sendo de pessoa jurídica, referem-se aos honorários de sucumbência, fls.10/11, que recebeu o contribuinte em razão de causas judiciais em que advogou contra o IPERON — Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Estado de Rondónia. Esclarecendo-se então que não origem controvérsia quanto et origem destes valores tributados, pois é do conhecimento da fiscalização que realizou a autuação, que os valores relacionados referem-se a honorários de sucumbência, e não de algum trabalho realizado pelo contribuinte no IPERON. DA CONTA BANCÁRIA DO BANCO DO BRASIL Sobre esta conta bancária, alega o imp ugnante que 'foi utilizada para depósito dos créditos de seus clientes como a única alternativa que o !PERON teria para individualiza-los no cumprimento dos acordos judiciais firmados" Porém, filha o contribuinte em discriminar a quais depósitos está se referindo, lembrando quem em uma autuação por depósitos bancários não basta apenas mencionar fatos que traduzem a versão do reclamante, é preciso que se apresente cada documento que comprova a origem dos depósitos bancários questionados. A partir da compreensão do que ordena a lei que rege esta autuação, o que se espera do impugnante que deseja comprovar a origem de CADA DEPÓSITO arguido pela fiscalização, é que este obedeça ao critério de fazê-lo de farina INDIVIDUALIZADA. Ou seja, apresentando a documentação hábil e idônea que ampare a alegação da origem de CADA DEPÓSITO apontado no Auto de Infra cão. Outra alegação incompleta é a de que "Na segunda parcela, os honorários de sucumbência foram incluídos e pagos via depósitos nos créditos dos clientes do contribuinte, bastando para sua comprovação o cotejamento dos documentos já apresentados". Ora, se a autuação é por depósitos bancários de origem não comprovada, identificados em conta de titularidade do imp ugnante, descabe a menção de depósitos creditados diretamente para seus clientes, o que pode até ter ocorrido, mas não tem o condão de justificar as origens identificadas na conks corrente em nome do impugnante, ou mesmo de isentá-lo da omissão de rendimentos decorrente dos valores percebidos a titulo de honorários de sucumbência. Certamente que, neste item, se o contribuinte desejava comprovar qualquer outra versão, faltou-lhe coletar dados e apresentá-los de,fi)rma objetiva e especifica, de modo a poder exonerar alguns dos valores que estão perfeitamente discriminados 611.14 do Termo de Verificação de Infração Fiscal. DOS ESTORNOS Alega o contribuinte que "os valores de R533.527,28 e RSI 1.892,43, lançados no dia 25/01 e 31/0112005, respectivamente, constituíram estornos de créditos lançados em favor dos clientes do contribuinte por incorreção no número de suas contas-correntes", apresenta ainda as fts.334/335, que embasam sua tese. Ocorre que analisando os documentos apresentados, verifica-se que existe a coincidência com os valores citados pelo impugnante, mas não e possível identificar onde estaria incluso o nome do autuado nos documentos, ou mesmo sua coiner corrente, como está definido a f1.14, em que relaciona-se os depósitos de origem não comprovada. Neste diapasão não é possível acatar a documentação apresentada, fis.334/335, como suficiente a comprovar a origem dos depósitos argüidos pela fiscalização nos dias 25/01/2005 e 31/01/2005, dada a ausência de informações que identifiquem claramente o ocorrido. DOS VALORES DO DIA 14/01/2005 Alega o impugnante que "os lançamentos dos valores no dia 14/01/2005, tratam dos créditos dos clientes do contribuinte já informados â Receita Federal" e a seguir discrimina a quais créditos se refere: 001.1999.000731-7 R$64.768,20 001.1998.017991-3 R$215.53 7,09 Verifica-se que ambos os valores constam do Demonstrativo de Depósitos Bancários Não Comprovados, f1.14, e que ocorreram no dia 14/01/2005, mas se averiguarmos a informação de que tais valores já foram informados à Receita Federal, verifica-se que ambos não constam nem da planilha de depósitos comprovados, f1.10, na qual constam vários depósitos ocorridos no dia 14/01/2005; assim como também não constam da relação de valores identificados como omissão de rendimentos provenientes de honorários e sucumbência recebidos, f1.11. Neste entendimento, e considerada a ausência. De outros elementos de prova, mantemos como não comprovados os valores em questão. DOS VALORES DO DIA 29/12/2005 Alega o impugnante que "Os lançamentos dos valores no dia 29/12/2005, tratam dos créditos dos clientes do contriruinte já informados à Receita Federal, e não podem servir de base de cálculo o tributo lançado", e a seguir discrimina a quais créditos se refere: 001.1999.000731-7 R$131.227,01 001.1998.017991-3 R$215.522,40 Assim como nos valores do dia 14/01/2005, verifica-se que ambos os valores constam do Demonstrativo de Depósitos Bancários Não Comprovados, 11.14, e que ocorreram no dia 29/12/2005, mas se averiguarmos a informação de que tais valores já foram informados à Receita Federal, verifica-se que ambos não constam nem da planilha de depósitos comprovados, f1.10, na qual constam vários depósitos ocorridos no dia 29/12/2005; assim como também não constam da relação de valores identificados como omissão de rendimentos provenientes de honorários de sucumbência recebidos, 11.11. Neste entendimento, e considerada a ausência de outros elementos de prova, também mantemos como não comprovados os valores em questão. Em ambos os casos, tanto dos valores do dia 14/01/2005, como de 29/12/2005, o contribuinte menciona que já informou a Receita Federal sobre os mesmos, mas como foi verificado acima, não consta dos valores apurados como depósitos comprovados, fls.10, ou como de omissão de rendimentos referentes à honorários de sucumbência, f1.11. Não se vislumbra em que outro momento tais valores podem ter sido informados à fiscalização, visto que o contribuinte não apresentou sequer sua Declaração de Ajuste Anual durante dez anos, como assevera o Termo de Verificação de Infração Fiscal, f1.13. DA BASE DE CÁLCULO OFERECIDA 43. 0 contribuinte concorda que "podem fazer parte da base cálculo para o lançamento do tributo o valor de R$513.591,44, excluído os honorários de sucumbência no valor de R$ 8.340,65; e os valores de menor importância lançados nos meses de janeiro à dezembro de 2005, excluindo-se os valores referentes aos créditos dos clientes do contribuinte referentes aos processos apontados em anexo, bem como aos avisos de crédito que caracterizam-se em • estornos (docs.1 e 2)". Sobre tal assertiva é preciso destacar que não é possível sequer apartar o valor de R$513.591,44, para cobrança imediata, visto que o contribuinte pede exclusão do valor R$8.340,65, mas não apresenta a prova de que o valor de 6 Processo n° 10240.000954/2009-90 S2-C I T2 H. 443 Acórdão n.° 2102-01.296 RS513.591,44, tenha se dado em razão de alguma causa que ganhou como parte, e que então deveria ser deduzido de seus rendimentos, o valor de R $8.340,65, que teria pago ao advogado. Além disso, o contribuinte não é especifico quando menciona valores de menor importância lançados nos meses de janeiro a dezembro de 2005, sendo impossivel saber a que valores se refere. E ainda, referente aos estornos que afirma terem ocorrido, já analisamos a questão acima, concluindo que os documentos apresentados, fis.334/335, são insuficiente para comprovar que de fato, se referem aos depósitos bancários questionados do contribuinte, f1.14. 0 contribuinte foi intimado da decisão a quo em 30/11/2009 (fls. 354), cujo qual interpôs recurso voluntário em 23/12/2009 (fls. 357 a 363), repisando os termos da impugnação, a aduzindo ainda que: i. 0 recorrente atuou em vários processos, sendo que todos os seus clientes eram servidores públicos, os quais foram bene ficiados pelas demandas judiciais; Houve a necessidade de centralizar em uma única conta o pagamentos dos créditos, sendo que a alternativa encontrada foi a utilização de um conta-poupança em nome do contribuinte junto ao Banco do Brasil, constituindo em depósito realizados pelo IPERON; Requereu que fosse levando à tributação o montante de R$ 627.054,70 iv. 0 recorrente não se manifesta sobre a multa de 150% aplicada pela fiscalização. Juntou mais documentos (fls. 364 a 438). o Relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima c está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. O lançamento efetuado pelo Fisco com base em informações obtidas a part . de extratos bancários está totalmente amparado pela legislação tributária aplicável ao caso. 1st\ porque, a legislação tributária permite a presunção de omissão de rendimentos nos casos em que se verificam depósitos bancários sem que a respectiva comprovação da origem dos recursos por parte do contribuinte, que deverá fazê-lo sempre por meio de documentação hábil e idônea. Nesse sentido, assim já dispunha o artigo 889, inciso II, do RIR/94 (Decreto n° 1.042/94), determinando que o contribuinte devesse atender a contento às solicitações de esclarecimentos por parte do Fisco, do contrário, ensejando ao Fisco a possibilidade de efetuar o lançamento de oficio, conforme segue: "Art. 889 - O lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: (.) II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; " Nesta mesma esteira, o atual Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99 — Decreto n° 3.000/99) concede igualmente ao Fisco a possibilidade de efetuar o lançamento de oficio em casos de não atendimento às solicitações fiscais a contento, de acordo com a redação do artigo 841 deste diploma normativo, a seguir reproduzido: Art. 841. 0 lançamento será efetuado de oficio quando o sujeito passivo: I - não apresentar declaração de rendimentos; II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; Ill - fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV - não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V - estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; Vi- omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo Aplicar-se-6 o lançamento de oficio, além dos casos enumerados neste artigo, àqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. (grifo nosso) Não obstante, as disposições normativas acima mencionadas encontram seu fundamento de validade no artigo 149, III, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: 111 - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, Processo n° 10240.000954 12009-90 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.296 1 • 1. 444 recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade," Portanto, conforme se depreende da leitura dos dispositivos legais anteriormente mencionados, somente o atendimento, a contento, do pedido de esclarecimentos, tem o condão de eximir o sujeito passivo (contribuinte) do lançamento de oficio. Sendo assim, não basta a apresentação de vasta documentação se esta não demonstrar ou comprovar a situação Mica alegada pelo contribuinte, infirmando, por conseguinte, as constatações apontadas pelo Fisco. Ademais, a autuação fiscal com base na presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 24 de dezembro de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Assim dispõe o referido comando normativo: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hail e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-do às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente a época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica, II - no caso de pessoa fisica„sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira §5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Com efeito, as presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Isto porque, o ônus da prova, neste caso, cabe ao interessado, no caso o contribuinte. Inclusive, nesse sentido, a fim de pacificar a matéria, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF editou a Súmula CARF n° 26, que traz a seguinte redação: Súmula CARF n°26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Importa ainda asseverar que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Logo, de acordo com os normativos retro mencionados, em casos de omissão de rendimentos, cabe apenas ao sujeito passivo, e não ao Fisco, trazer os elementos de prova de forma a comprovar a origem dos recursos que ingressaram em sua conta corrente ao longo dos períodos base analisados. Observe-se que o artigo 332 da Lei n°• 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil Brasileiro, estabelece que "todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação ou defesa". A depois, o mesmo Diploma Legal indica em seu artigo 334, inciso IV que "não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade". Desse modo, não havendo hierarquia do valor probante dos meios de prova, excetuado o uso de provas ilícitas (art. 5°, inciso LVI da Constituição Federal de 1988), pode- se provar qualquer situação de fato por qualquer via, o que confere ao contribuinte ampla liberdade na produção de provas para a comprovação dos fatos alegados em sua defesa. Com efeito, diante do exposto, verifica-se que para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n°. 9.430, de 1996, em seu artigo 42, já mencionado, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, o fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte. A presunção de omissão de rendimentos se caracteriza, sobretudo, ante a falta de esclarecimentos da origem dos valores creditados junto ao sistema financeiro. Portanto, o fato gerador decorre da circunstância de tratar-se de dinheiro novo no patrimônio do contribuinte sem que este, regularmente intimado para prestar esclarecimentos, não prove sua origem por meio de documentação hábil e idônea. Deste modo, com tais considerações em foco, nota-se que as alegações do contribuinte são infundadas, pois inexiste comprovação feitas de modo satisfatoriamente, da origem dos depósitos bancários, bastando para o Fisco demonstrar a ocorrência dos depósitos 1 0 Processo no 10240.000954/2009-90 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.296 H. 445 de origem não comprovada. De outra banda o contribuinte se contradiz e não justifica suas alegações trazidas em sede recursal, haja vista que alega que os depósitos bancários são oriundos de 'depósitos online', mas traz no bojo de seu Recurso Voluntário (fls. 359) duas planilhas na quais se constata a existencia de dois tipo de depósitos — em dinheiro e deposito online —, havendo um silencio por parte do contribuinte sobre a origem (e conseqüente comprovação) dos depósitos em dinheiro. Outrossim, é estranho considerar que um causídico que percebe em sua conta-corrente (seja do escritório em que milite ou eu sua conta-pessoal), valores tão vultosos e que, nem ao menos tenha juntado aos autos o comprovante de deposito aos seus clientes ou ainda, copia das notas fiscais e ou recibos assinados pelos seus patrocinados quanto a comprovação dos valores percebidos por estes. Isto sem mencionar que poderia ter juntado o seu fluxo de caixa e/ou outro documento contábil que comprovasse as entradas e, respectivas, saídas. Outra sorte não merece a alegação em sede de impugnação, muito bem analisada pelo Relator da DRJ que menciona que: "podem fazer parte da base cálculo paru o lançamento do tributo o valor de R$513.591,44, excluído os honorários de sucumbéncia no valor de R$ 8.340,65; e os valores de menor importância lançados nos meses de janeiro a dezembro de 2005, excluindo-se os valores referentes aos créditos dos clientes do contribuinte referentes aos processos apontados em anexo, bem como aos avisos de crédito que caracterizam-se em estornos (does. 1 e 2)". Sobre tal assertiva é preciso destacar que não é possível sequer apartar o valor de R$513.591,44, para cobrança imediata, visto que o contribuinte pede a exclusão do valor R$8.340,65, mas não apresenta a prova de que o valor de R$ 513.591,44, tenha se dado em razão de alguma causa que ganhou como parte, e que então deveria ser dechcido de seus rendimentos, o valor de R$8.340,65, que feria pago ao advogado. Além disso, o contribuinte não é específico quando menciona valores de menor importância lançados nos meses de janeiro a dezembro de 2005, sendo impossível saber a que valores se refere. E ainda, referente aos estornos que afirma terem ocorrido, já analisamos a questão acima, concluindo que os documentos apresentados, fls.334/335„são insuficiente para comprovar que de fato, se referem aos depósitos bancários questionados do contribuinte,f1.14". Deste modo, diante da total ausência da comprovação das origens dos recursos questionados pelo Fisco, é de rigor a manutenção dos valores que embasaram o lançamento nos termos em que efetuado, já que o contribuinte não logrou êxito em afastar as acusações apresentadas pela fiscalização. Contudo, ainda que não tenha sido objeto tem de impugnação ou de recurso a aplicação de do agravamento da multa para 150%, equivocada foi a aplicação da multa qualificada pela autoridade fiscal, pois ainda a multa qualificada somente tem aplicação quando plenamente caracterizada a fraude, dolo ou simulação por parte do contribuinte, de forma que a simples omissão de rendimentos não caracteriza nenhuma destas condições. de maio de 2011. akasugi - Relatora E cediço que a legislação tributária sempre previu sanções ao descumprimento das obrigações fiscais, graduando as multas de acordo com a conduta do cidadão-contribuinte. Atualmente, a Lei n° 9.430/96 é a principal norma disciplinadora das multas punitivas a serem aplicadas no descumprimento das obrigações tributárias federais, nos casos de lançamento de oficio, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo. Prevê multa de 75%, nos casos de falta de pagamento, recolhimento após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do art. 44, I. Já o inciso II, deste mesmo artigo ainda impõe a aplicação de multa equivalente a 150% do valor do tributo devido, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da norma n°4.502/1964. Outrossim, cabe sinalar que multa é pena. E sanção imposta ao autor de um ato ilícito, consistente na agressão a um bem jurídico tutelado pelo Estado. Deste modo, tem-se que as multas fiscais, a despeito sanções, medidas repressivas a uma conduta reprovável, isto 6, o não recolhimento de tributos. Tais multas, têm nítido escopo de impor castigo e repreensão ao devedor e, também, um evidente caráter pedagógico e inibitório do não pagamento dos tributos. Nesta medida, a qualificação de multas, por representar não s6 uma sanção ao descumprimento do dever de pagar o tributo, mas também uma repressão a uma conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada ao alvedrio do fisco, este deverá motivar a efetiva e clara conduta reiterada do Contribuinte. Mister, ainda, ter-se em vista que o CTN, em seu artigo 112, dispõe que a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao contribuinte. Assim, a aplicação de sanções qualificadas não poderá jamais, ser tida como regra, sob pena de completa subversão aos direitos encravados na Lei das Leis como cláusulas pétreas, devendo mais haver comprovação cabal da prática reiterada do agente (no caso em tela, do contribuinte). Isto posto, pode-se se depreender dos autos, não se trata de prática reiterada, visto se tratar de fraude, bem como tem-se apenas a omissão comprovada em um exercício, mote do auto infracional ora julgado. Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso do contribuinte, para fim de afastar -a-aplicação da multa qualificada, reduzindo a multa de 150% para 75%. 12
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001692/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2006
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputase
não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha
sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o
pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito
fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem
pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIOEDUCAÇÃO.
SAT. INCRA. SEBRAE.
A compensação não pode ser realizada em razão de suposta
inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário de forma
definitiva.
CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS.
Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à
constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder
Judiciário.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE
TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a
cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos
e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com
base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As
contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova
redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei
nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.188
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente BL BITTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2006 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SAT. INCRA. SEBRAE. A compensação não pode ser realizada em razão de suposta inconstitucionalidade, que ainda não foi declarada pelo Judiciário de forma definitiva. CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 145 2 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votam em manter a multa aplicada; e II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes e Damiao Cordeiro de Moraes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 08/12/2006, em desfavor de BL BITTAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PAPEL LTDA., correspondente às contribuições devidas à Seguridade Social pelos segurados, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados. Relata o AFRFB, em seu Relatório Fiscal de fls. 42/44, que os fatos geradores das contribuições apuradas no presente lançamento ocorreram com o pagamento das remunerações aos segurados empregados, que constavam nas fichas de registro de empregados, sendo os descontos verificados pela fiscalização através das folhas de pagamento de salários, termos de rescisão de contrato de trabalho, recibos de ferias e GFIP's Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social fornecidos à fiscalização pela própria empresa. Outrossim, as contribuições incluídas nesta Notificação Fiscal de Lançamento de Debito – NFLD, declaradas em GFIP's, beneficiam o contribuinte com a redução da multa de mora de que trata o §4° do art. 35 da Lei 8.212/91. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fls. 47/76, tendo sido proferido acórdão de fls. 86/92, que julgou procedente o lançamento, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 146 3 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. JUROS E ACRÉSCIMOS LEGAIS. COMPENSAÇÃO. Ocorrido o fato gerador das contribuições previdenciárias, exsurge o dever de recolher as respectivas contribuições previdenciárias, descontandoas dos segurados empregados a seu serviço e repassandoas aos cofres públicos. Aplicabilidade dos percentuais de multa e juros de mora, de acordo com a legislação de regência, às contribuições sociais em atraso. Não cabe à instância administrativa manifestarse acerca de inconstitucionalidade de Lei, cujo julgamento é prerrogativa dos Tribunais Federais. O exercício do direito de compensação depende da existência do crédito titularizado pelo sujeito passivo, não podendo este, sponte própria, inferilo e proceder à autocompensação. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 96/126, alegando, em síntese: a) Que a multa imposta tem caráter indevido, haja vista a declaração do débito, a denúncia espontânea e, ainda, a compensação do crédito cobrado consoante autoriza a Lei 8.383/91; b) Que é credor dos valores recolhidos indevidamente a título de contribuição salário — educação, SAT, SEBRAE e INCRA, e que para o aproveitamento dos referidos valores independe de autorização administrativa; c) Que a multa deve ser certa e líquida para que goze de presunção de validade, pois a sua progressividade leva a majoração da alíquota somente permitida naqueles impostos previstos como progressivos; d) Que somente seria possível a aplicação da Taxa SELIC se seus juros correspondessem a 1% (um por cento), conforme dispõe o §1° do art. 161 do CTN; Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 147 4 Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preclusão sobre matérias não impugnadas Os lançamentos da presente NFLD referemse às contribuições devidas à Seguridade Social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados, infringindo dessa maneira o art. 168A, §1°, inciso I, do Decreto Lei n° 2.848/40, Código Penal, com a redação dada pelo art. 1°, da Lei n° 9.983/00 – Crime contra a Seguridade Social. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do nãoatendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 148 5 Da impossibilidade de analisar inconstitucionalidade de contribuições previdenciárias do salárioeducação, SAT, INCRA e SEBRAE e correspondente compensação O contribuinte alega que procedeu à compensação de contribuições recolhidas indevidamente a título de salárioeducação, SAT e das contribuições destinadas aos terceiros INCRA e SEBRAE, contudo, tal argumento não encontra fundamento na legislação vigente à época do fato gerador, in verbis: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. O Regulamento da Previdência Social também dispõe sobre a compensação de contribuições previdenciárias nos seguintes termos: Art. 247. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social, arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. No caso dos autos, não restou comprovado que o contribuinte tivesse recolhido valores indevidamente que suscitassem compensação. Isto porque a cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, tendo o STF publicado a Súmula de n ° 732, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIO EDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. Portanto, totalmente inócua a alegação da ora recorrente de que procedeu a compensações por valores recolhidos indevidamente a título de salárioeducação. Quanto ao argumento da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, verifico que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 149 6 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto enquadramento em qualquer tempo. (...) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 150 7 Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementam passo a transcrever: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei. O Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que esta contribuição tem natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 151 8 Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Il O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócio econômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; A contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 152 9 Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art. 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). Fl. 156DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 153 10 Ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. Em relação à contribuição destinada ao SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4ª Região: Tributário – Contribuição ao Sebrae – Exigibilidade. 1. O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente da 1ª Seção desta Corte (EIAC n 2000.04.01.1069909). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4ª R – 2ª T – Ac. nº 2001.70.07.0020183 – Rel. Dirceu de Almeida Soares – DJ 9.7.2003 – p. 274) No mesmo sentido se consolidou a jurisprudência no STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n ° 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO – PRECEDENTES. 1. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3. Agravo regimental improvido. Assim também vem entendendo o Supremo Tribunal Federal, conforme julgamento dos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 154 11 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse. Outrossim, cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo Fl. 158DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 155 12 declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Neste diapasão, não sendo possível aos órgãos administrativos reconhecer inconstitucionalidade de norma, qualquer compensação considerando como crédito os valores supostamente inconstitucionais é indevida, já que sem qualquer respaldo para afastar a incidência das contribuições. Ocorrendo essa hipótese, os valores compensados serão glosados pelo Fisco, tendo em vista a presunção de legalidade da lei, cuja aplicação somente pode ser afastada quando for declarada sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta; quando for publicada resolução do Senado Federal que suspensa a sua execução; ou ainda quando for proferida decisão no caso concreto, afastando a aplicação da norma por inconstitucionalidade ou ilegalidade, e a extensão dos efeitos da decisão seja autorizada pelo Presidente da República. Por outro lado, ainda que fossem inconstitucionais as contribuições apontadas, não poderia haver a compensação, tendo em vista que, em se tratando de contribuições destinadas a terceiros, o INSS e, atualmente a Receita Federal, apenas é responsável pelo recolhimento, sendo os valores transferidos aos órgãos correspondentes, não sendo possível a devolução pelo Fisco de montante do qual não mais dispõe. Não é por outra razão que o art. 249, do RPS dispõe que “somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, valor decorrente das parcelas referidas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 195”, não englobando as contribuições destinadas a Terceiros. A Instrução Normativa nº 3/2005 também dispunha, no art. 193, I, que a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos, vedando expressamente a possibilidade de compensar as contribuições previdenciárias devidas com valores destinados a outros fundos. Por todo o exposto, não há que se falar em inconstitucionalidade, menos ainda em compensação de contribuições recolhidas indevidamente. Da alegação de inconstitucionalidade da progressividade da multa Fl. 159DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 156 13 O contribuinte insurgese contra a progressividade da multa, sob o fundamento de que representa uma majoração do tributo, permitida apenas naqueles tributos previstos na CF/88, que são postos de maneira taxativa. Conforme já demonstrado no item supra, a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Portanto, não merece guarida o argumento exposto pela recorrente. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Da multa aplicada No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 157 14 Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, 28 de julho de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10865.001692/200771 Acórdão n.º 2301002.188 S2C3T1 Fl. 158 15 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/08/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 10183.004383/2006-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF. ISENÇÃO. AUXÍLIOMORADIA.
A isenção do auxíliomoradia
pago por pessoas jurídicas de direito público é
restrita aos valores que não integram a remuneração do beneficiário e que são
pagos em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, quando não
existente imóvel funcional na localidade, não se estendendo a valores pagos a
aposentados e a título de 13º salário, ainda que denominados de auxíliomoradia.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.614
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao recurso interposto, para excluir da tributação a importância de R$29.353,89
(vinte e nove mil, trezentos e cinqüenta e três reais e oitenta e nove centavos.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPF. ISENÇÃO. AUXÍLIOMORADIA. A isenção do auxíliomoradia pago por pessoas jurídicas de direito público é restrita aos valores que não integram a remuneração do beneficiário e que são pagos em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, quando não existente imóvel funcional na localidade, não se estendendo a valores pagos a aposentados e a título de 13º salário, ainda que denominados de auxíliomoradia. Recurso provido.
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ISENÇÃO. AUXÍLIOMORADIA. A isenção do auxíliomoradia pago por pessoas jurídicas de direito público é restrita aos valores que não integram a remuneração do beneficiário e que são pagos em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, quando não existente imóvel funcional na localidade, não se estendendo a valores pagos a aposentados e a título de 13º salário, ainda que denominados de auxílio moradia. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso interposto, para excluir da tributação a importância de R$29.353,89 (vinte e nove mil, trezentos e cinqüenta e três reais e oitenta e nove centavos). (Assinado digitalmente) Valéria Pestana Marques Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Relator. EDITADO EM: 22/02/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valéria Pestana Marques (Presidente da turma), Carlos Nogueira Nicácio, Jorge Claudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen, Lúcia Reiko Sakae e Sidney Ferro Barros. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas, referente ao anocalendário 2002, exercício 2003, decorrente de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Tribunal Superior Eleitoral TSE, CNN 00.509.018/001004 e Estado de Mato Grosso Tribunal de Justiça, CNPJ 03.535.606/0001 10, no valor total de R$ 199.058,44, tendo sido informado na declaração de ajuste anual o valor de R$ 172.090,48. O lançamento foi julgado procedente em primeira instância e declarada não impugnada a omissão de rendimentos pagos pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE. Ciente da decisão de primeira instância em 16012009 (fls. 53), o requerente apresentou recurso voluntário em 16022009 (fls. 55), no qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: 1. é magistrado em atividade em Mato Grosso; 2. a diferença decorre da cobrança de imposto de renda sobre o auxílio moradia que não está sujeito ao imposto, por força do art. 25 da Medida Provisória 2.03724/00, sucessivamente reeditada até a Medida Provisória nº 2.15835/01, que não impõe qualquer condição à fruição desse direito, nem confere à Receita Federal poder regulamentar sobre esse benefício; 3. em razão da citada Medida Provisória, o TJ/MT retificou a DIRF do exercício 2003, anocalendário 2002, excluindo o auxílio moradia dos rendimentos tributáveis; 4. o Estado de Mato Grosso não disponibiliza aos magistrados moradias oficiais, o que torna legítimo o auxílio moradia a título de indenização, o que foi informado pelo próprio TJ; 5. o Ato Declaratório SRF nº 87/99 não têm o condão de limitar o direito à isenção e afronta o princípio da reserva legal; 6. decisões em processos administrativos da DRF Cuiabá reconhecem o entendimento ora defendido, bem como decisão do STJ cuja ementa é transcrita (fls. 58/59); e 7. elabora recálculo do imposto no qual exclui o valor de R$29.353,89 de auxílio moradia, para justificar o pleito de restituição no valor de R$1.168,19. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.004383/200641 Acórdão n.º 280200.614 S2TE02 Fl. 75 3 8. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Embora o lançamento tenha se reportado à omissão de rendimentos de duas fontes pagadoras, a impugnação foi parcial pois não foi impugnada a omissão de rendimentos do TSE, de forma que a insurgência restringiuse à tributação sobre a verba de R$29.353,90 recebida a título de auxílio moradia de magistrado. O litígio em segunda instância de julgamento está limitado a essa mesma questão. Foram acostados aos autos a DIRF do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (fls. 14) e o Atestado 0233/2006/PAGTO.MAG emitido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (fls. 13). Nesse último documento é informado que o valor informado na DIRF como rendimento tributável (R$164.032,26), inclui o auxílio moradia no valor de R$29.353,89. Às fls. 15/16 comprovase a situação de magistrado em atividade. A autuação tomou por base a DIRF do Tribunal cujo valor tributável era de R$164.032,26, portanto, não há dúvida de que parte do valor objeto da autuação (R$29.353,89) referese ao auxílio moradia de magistrado em atividade. O direito à percepção de auxíliomoradia é estabelecido pelo inciso II do art. 65 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman). Art. 65. Além dos vencimentos, poderão ser outorgadas aos magistrados, nos termos da lei, as seguintes vantagens: ... II ajuda de custo, para moradia, nas localidades em que não houver residência oficial à disposição do magistrado. No caso dos magistrados do Estado de Mato Grosso, essa lei é a Lei Estadual MT nº 4.964, de 26 de dezembro de 1985, o Código de Organização e Divisão Judiciária do Estado de Mato Grosso (Coje), que assim dispõe: Art 215. Nas Comarcas em que não houver residência oficial para Juiz é concedida ajuda de custo para moradia de trinta por cento dos vencimentos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em havendo o pagamento pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, somente podese presumir que não há residência oficial à disposição do magistrado na localidade, do contrário seria presumir um pagamento indevido. Ademais, das decisões proferidas pelo STF em diversos mandados de segurança impetrados contra decisões do Conselho Nacional de Justiça CNJ (MS 26.794, 27.460, 27514, 27665, 26550 e 27514) colhese a informação de que o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso reconheceu a legalidade do pagamento em questão. Outrossim, em razão do julgamento do recurso voluntário constante do processo 10183.004155/200671 neste Colegiado (sessão de 22 de setembro de 2010), em recurso de minha relatoria, foi possível constatar em despachos decisórios proferidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Cuiabá que aquela Unidade oficiou ao Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso no intuito de esclarecer se é disponibilizada residência oficial aos magistrados, respondendo o desembargador José Jurandir de Lima que não há imóveis que sirvam de residência oficial aos magistrados. Refirome aos despachos decisórios 304/2006, referente ao processo 10183.1502877/200420 (item 17) e 122/2006, relativo ao processo 10183.004693/200585 (item 18). A comprovação de que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso não disponibiliza aos magistrados residência oficial atrai a aplicação do art. 215 do Coje daquele Estado. Sob o aspecto tributário, o art. 25 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, publicada no Diário Oficial da União em 27 de agosto de 2001, estabelece que o auxílio moradia em substituição ao direito de uso de imóvel não está sujeito ao imposto de renda. Art.25.O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxíliomoradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza deste direito, não se sujeitando à incidência do imposto de renda, na fonte ou na declaração de ajuste. Tratase de hipótese de isenção tributária condicionada aos seguintes requisitos: 1. valor recebido de pessoa jurídica de direito público; 2. valor não integrante da remuneração do beneficiário; 3. valor pago em substituição ao direito de uso de imóvel funcional. Entendo que não há espaço ao Poder Executivo de estabelecer outros requisitos, mas tão somente regulamentar os requisitos legais. Não há fundamento legal, portanto, em exigir a comprovação de pagamento de aluguel, como foi feito com base no Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal nº 87, de 22 de novembro de 1999. Neste ponto, frisese que o Ato Declaratório mencionado não se encontra mais divulgado no sítio da Receita Federal na internet. Porém a questão não se encerra por aqui. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.004383/200641 Acórdão n.º 280200.614 S2TE02 Fl. 76 5 A solução deste litígio exige confrontar o caso concreto e cotejar a existência ou não dos requisitos legais para que não haja a incidência do imposto de renda sobre os valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso a título de auxílio moradia. Ressalto, desde já, a importância de uma interpretação acurada do dispositivo legal de modo que não seja ignorada a menção do texto à exigência de que o auxíliomoradia isento é aquele não integrante da remuneração e que representa uma substituição ao direito de uso de imóvel funcional. São requisitos cumulativos. Do contrário, chegarseá a uma conclusão equivocada de que todo valor pago sob a denominação de auxíliomoradia é isento. Vamos ao caso concreto. O recorrente é magistrado do Estado do Mato Grosso em atividade (ao menos no exercício objeto da autuação), recebendo valores de auxílio moradia, mensalmente e a título de 13º salário (fls. 11). Importante verificar se o pagamento do auxíliomoradia de fato não integra a remuneração do beneficiário, uma vez que tornouse público que o referido Tribunal de Justiça paga a verba a aposentados, pensionistas e no 13º salário. Importante mencionar que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou Procedimento de Controle Administrativo (PCA) 440/2006 com o objetivo de suspender o pagamento de auxíliomoradia aos magistrados aposentados e pensionistas daquele Estado. Por meio da decisão monocrática proferida pelo Ministro Ricardo Lewandowski no Mandado de Segurança 26.550MCDF, temse notícia que o Relator do PCA 440, Conselheiro Alexandre de Moraes, consignou em seu voto condutor que "o pagamento indiscriminado do auxílio moradia a todos os membros do Poder Judiciário transforma essa verba indenizatória de natureza transitória em clara verba salarial, de natureza permanente, ferindo a razoabilidade, pois acaba por desconsiderar sua natureza jurídica e sua natureza legal. A assertiva de que o auxíliomoradia naquele Estado é pago como integrante da remuneração e não como substituição ao direito de uso de imóvel funcional é corroborada por argumentos discutidos nas ações judiciais impetradas pela Associação MatoGrossense de Magistrados – AMAM contra as decisões do CNJ. Nas referidas ações, a AMAM trata a verba como um direito adquirido do magistrado aposentado, como um valor incorporado à aposentadoria. Igualmente, o Tribunal de Justiça trata da verba como de natureza salarial, quando faz o desembolso como integrante do13º salário, como ocorre nestes autos. Peço vênia para transcrever as expressões usadas pela AMAM na Medida Cautelar no Mandado de Segurança 27.511/MT (Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 26/08/2008) e no MS 27.511/MT (Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 04/02/2010): “a manutenção do auxíliomoradia incorporado à aposentadoria ou à pensão consiste em direito adquirido dos magistrados”. Registrese que as decisões proferidas pelo STF contra os atos do CNJ não enfrentaram o mérito do direito à percepção do auxíliomoradia ou sua natureza tributária, mas apenas a competência do CNJ para manifestarse sobre atos administrativos do Tribunal de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Justiça já submetidos ao julgamento da Corte de Contas, sem prejuízo de o Tribunal de Contas rever sua decisão. Sob o aspecto tributário, preocupame, especialmente, a aferição de um dos requisitos legais, qual seja: que o valor não seja integrante da remuneração do beneficiário. Quando pago a magistrado aposentado e como 13º salário possui natureza remuneratória, pois está integrando a remuneração ou os proventos, e não está alcançado pela isenção em comento, pois não se mora 13 meses no ano, nem se usa imóvel funcional na aposentadoria, portanto, nessas hipóteses, não há que se tratar de direito substitutivo ao direito de usar residência oficial. Uma distorção desses pagamentos é problema a ser solucionado em outras instâncias, porém não afasta, por si só, a validade dos pagamentos mensais de auxílio moradia aos servidores em atividade que possuem direito previsto em lei de uso de residência funcional nem modificalhes a natureza, posto que, quando se trata de pagamento a magistrado em atividade, o fato de ser pago a todos mensalmente decorre de uma decisão do Tribunal Local – não disponibilizar imóvel funcional , porém isso não afasta, e sim, justifica, o direito previsto na Lei Estadual e na LOMAN de conceder auxíliomoradia em caráter substitutivo desse direito. Se há alguma falha nessa sistemática está na lei, tanto na concessiva do direito quanto na que outorga a isenção em comento, nesse último caso, se há algum defeito, estaria na redação do art. 25 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Nas sessões de julgamento do Mandado de Segurança nº 26.794/MS pelo STF, o Ministro Marco Aurélio (Informativo STF nº 588) contrapôsse ao entendimento do CNJ de que o auxílio moradia não é devido aos aposentados e pensionistas e aos que possuem imóvel próprio , por entender legítimo o auxílio moradia independente de o magistrado possuir imóvel próprio, considerando que “se constataria não estar o valor pago ligado ao fato de o magistrado possuir, ou não, residência própria, cabendo a satisfação, conforme disciplinado em lei, desde que não se colocasse à disposição do magistrado residência oficial”, e enfatizou que acrescentar outros requisitos “seria distinguir situações onde o texto não o fez”. Importa, ainda, salientar que a interpretação dada pelo CNJ ao inciso II do art. 65 da LOMAN, no sentido de que a ajuda de custo para moradia somente é aplicável a quem não possui imóvel próprio, está fundamentada nos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade e da não criação de despesas desnecessárias para o Estado, aplicando uma interpretação conforme a Constituição. Entretanto, conforme reconhecido pelo STF (Representação 1.4177 DF, de 9 de dezembro de 1987, Relator Ministro Moreira Alves), a interpretação conforme a Constituição é mais que uma regra de interpretação, é um procedimento próprio do controle de constitucionalidade. Como não cabe a esse Conselho manifestarse sobre a constitucionalidade de lei, resta presumir sua constitucionalidade e exigir tão somente os requisitos expressos no texto legal. São questões delicadas, de um lado há uma questão de direito administrativo e moralidade pública, outra de natureza tributária, cabendo a esse Conselho manifestarse unicamente sobre essa última, sob a ótica de um ato vinculado aos ditames do art. 25 da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.004383/200641 Acórdão n.º 280200.614 S2TE02 Fl. 77 7 Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que veio a substituir a medida provisória 1.8588/1999 (e diversas reedições). Com isso, considero oportuno a Exposição de motivos 746/MF, que acompanhou a proposta de alteração da Medida Provisória nº 1.8588/1999, para darlhe a redação da Medida Provisória nº 1.8589/1999, a qual, depois de sucessivas reedições, foi substituída pela MP 2.15835/2001, atualmente em vigor por força da Emenda Constitucional 32/2001, conforme extraído do voto condutor do acórdão proferido no REsp 615.625/MT, Relatora Ministra Denise Arruda, 17 de outubro de 2006: "Quanto ao artigo 25, tratase de norma que reconhece a identidade de natureza entre o direito ao uso de imóvel funcional e os valores pagos a título de auxíliomoradia, em substituição àquele direito, esclarecendo que o tratamento tributário aplicável, corresponde à não incidência do imposto de renda, diverge do estabelecido para situações semelhantes, ocorridas na iniciativa privada, pelo fato de que, neste caso,tal direito tem a natureza de remuneração, o que não ocorre quando se trata de pessoa jurídica de direito público." Em face das disposições do inciso II do art. 65 da LOMAN c/c art. 215 do COJE/MT e no texto do art. 25 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, corroboradas pelas razões que levaram à edição do art. 25 da referida Medida Provisória, estou convencido da isenção do imposto de renda sobre o auxíliomoradia pago a servidores públicos em atividade em substituição ao direito previsto em lei de uso de imóvel funcional. Quanto aos despachos decisórios citados pelo recorrente, esclareçase que não foram trazidos aos autos. Ademais, ainda que juntados aos autos, não condicionam esse julgamento, que deve ser vinculado à legalidade. No tocante ao pleito de restituição, esclareço que caberá à Unidade preparadora encarregada de cumprir esse acórdão. Com esses fundamentos, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para excluir da tributação o valor de R$29.353,89 (vinte e nove mil, trezentos e cinqüenta e três reais e oitenta e nove centavos). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES, 22/02/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000381/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2007 a 30/09/2007
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS.
O “crédito presumido do ICMS”, mero incentivo fiscal, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, está fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídico-tributária / obrigação tributária).
DESPESAS DE FRETES NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. NÃO DÁ DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO.
Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins, não-cumulativos, sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer
princípio constitucional de natureza tributária.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
Súmula CARF No. 02.
Numero da decisão: 3201-000.754
Decisão: Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos:
1. Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário
no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS;
2. Por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário
quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte inter company).
Vencidos os conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 118 1 117 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11686.000381/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201000.754 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de agosto de 2011 Matéria COFINS Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2007 a 30/09/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito presumido do ICMS”, mero incentivo fiscal, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, está fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor a sua base de cálculo. Não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). DESPESAS DE FRETES NO TRANSPORTE DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. NÃO DÁ DIREITO AO CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins, nãocumulativos, sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF No. 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 2 Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: 1. Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS; 2. Por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany). Vencidos os conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 12/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação da COFINS – Não Cumulativa (fls. 1/4), em relação a créditos da Contribuição referentes ao 3º trimestre de 2007, em decorrência da venda no mercado interno com alíquota zero, com base no disposto no artigo 16 da Lei n° 11.116/2005, no valor de R$ 6.534.756,94. A DRF – Porto Alegre, por meio do Despacho Decisório No. 195/2009 (fls 94), reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 5.299.506,55, restando indeferido um saldo no valor de R$ 1.235.250,39. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis : Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa. O interessado discorda da glosa parcial, alegando não ter realizado alienação onerosa de créditos de ICMS a terceiros, conforme afirma a fiscalização, a quem incumbiria o ônus de provar tal alegação. Considera que exigir de sua parte prova em contrário seria inviável, pois se trataria de prova negativa. Esclarece que a empresa seria titular de incentivo fiscal, outorgado pelo estado do Rio Grande do Sul, que consistiria em um desconto dos valores devidos a titulo de crédito presumido de ICMS na ordem de 75% sobre o valor incidente nas saídas Fl. 206DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11686.000381/200847 Acórdão n.º 3201000.754 S3C2T1 Fl. 119 3 interestaduais de fertilizantes, conforme documento que anexou a sua manifestação. Conclui, então, que a questão aqui seria diferente da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Afirma, ao final, que tal crédito presumido não seria um ativo e nem constituiria receita, renda ou faturamento a ensejar a incidência das contribuições. Não se conforma, também, com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência entre matriz e filiais ou entre filiais, pois entende tratarse de etapa essencial â atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do pais. Para embasar seus argumentos, o manifestante discorre sobre as dimensões continentais do Brasil, cita diversos municípios nos quais possui filiais e comenta sobre a importância que o agronegócio teria para o país, além disso, considera que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes conforme calculado e pensamento diverso esbarraria em inconstitucionalidade. Cita e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRFB que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 30 da Lei 10.833/03. Isso posto, requer que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito a constituir e descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de fretes de transferência de mercadorias entre seus estabelecimentos, bem como sejam excluídos os créditos de ICMS da base de cálculo destas contribuições. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre RS, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da empresa, proferindo o Acórdão nº 1025.016 (fls. 135/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. FRETES Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar do PIS e da Cofins nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. A Recorrente, inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário (fls. 144/ss), por meio do qual reitera os argumentos já trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos, em apertada síntese: (i) Receitas não incluídas na base de cálculo da COFINS – crédito presumido do ICMS. Alega que não realizou qualquer alienação onerosa de créditos de ICMS, embora tal seja o pretenso fato constitutivo da imposição tributária. A fiscalização enganouse Fl. 207DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 4 ao visualizar o crédito de ICMS decorrente de benefício fiscal concedido pelo Estado do Rio Grande do Sul; Tratase de benefício em decorrência de termo de concessão firmado junto ao Governo do Estado, com o seguinte objeto: para cada saída tributada pelo ICMS sobre fertilizantes vendidos para fora do Estado, fica a Recorrente autorizada a se creditar de 75% do ICMS destacado na nota fiscal; As notas fiscais de saída são emitidas com o ICMS integral, posteriormente, a Recorrente lança um crédito equivalente ao benefício que é de 75% sobre a saída, sendo que este foi o crédito glosado pela fiscalização; Este é o motivo de a fiscalização ter encontrado créditos de ICMS contabilizados. Mas essa mera contabilização de créditos de ICMS não tem o condão de autorizar concluirse que esses créditos decorreram de alienação a terceiros. Se houvesse alienação de créditos de ICMS a terceiros, haveria a recorrente de lançar redução do seu saldo de ICMS mediante o recebimento de um valor correspondente, situação não encontrada pelo Sr. Fiscal; O fato da contratação do beneficio fiscal ficou comprovado por meio da juntada do "Termo de Acordo" firmado entre a empresa e o Estado do Rio Grande do Sul, na data de 10 de julho de 2006; Afirma que isso não é um crédito, não é receita nem faturamento, correspondendo apenas à anulação de 75% do débito de ICMS relativo às saídas tributadas da empresa; Por fim, aduz que se assim não for da compreensão deste Órgão julgador, se considerarse que houve alienação de créditos de ICMS a terceiros, impõese destacar o seguinte: a Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008, em seus artigos 7°, 8° e 9° desonera da incidência do PIS e da COFINS as transferências onerosas de ICMS, devendo ser aplicada retroativamente nos termos do artigo 106 do CTN. Requer, assim, seja provido o Recurso para excluir os créditos de ICMS referidos da base de cálculo das contribuições. (ii) Créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte intercompany de mercadoria Entende que as hipóteses de "insumos" passíveis de constituição de crédito de PIS e COFINS, prescritas nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 não são taxativas, pois sua própria redação segue um padrão exemplificativo e porque deixam de prever notórias despesas inerentes e necessárias à atividade empresarial; Por estas razões é que a interpretação da nãocumulatividade, conforme a Constituição, leva ao reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico, inclusive as referentes ao frete de mercadorias intercompany; A despesa de frete de produto acabado intercompany equivale a parte do transporte se a mercadoria fosse vendida diretamente pela unidade remetente ao comprador, hipótese em que a despesa total desse frete poderia ser computada para a constituição do crédito relativo a PIS e COFINS. Diante dessas circunstâncias, considerando que o frete da venda direta, pela matriz ao cliente (localizado muitas vezes em outra extremidade do pais) Fl. 208DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11686.000381/200847 Acórdão n.º 3201000.754 S3C2T1 Fl. 120 5 geraria direito à constituição do crédito de PIS e COFINS, inevitável é concluir que o frete parcial à unidade em outro estado deva gerar o mesmo direito, se a mercadoria acaba sendo vendida pela unidade destino; Requer, por fim, que seja provido o Recurso para reconhecer o direito da Recorrente de constituir e descontar crédito de PIS e COFINS referente aos fretes de transferência de mercadorias entre suas unidades, seja produto acabado seja matéria prima. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente requereu o ressarcimento e compensação de créditos da COFINS não cumulativa, com base no art. 16 da Lei n° 11.116/2005, que abaixo transcrevo: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Conforme consta do Relatório supramencionado, as duas questões a serem enfrentadas referemse: (i) à inclusão, ou não, na base de cálculo da COFINS de receitas decorrentes do crédito presumido do ICMS; Fl. 209DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 6 (ii) à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte intercompany de mercadoria. Passemos à análise da primeira questão arguida. A priori, devemos entender qual é a natureza jurídica do crédito presumido do ICMS. O Fisco Estadual concede o crédito presumido sobre operações de comercialização interestadual de produtos (fertilizantes), na forma de um incentivo fiscal, para estimular o setor (vide Termo de Acordo – fls. 128/ss – cláusula primeira: concessão de crédito presumido no montante de 75% o do ICMS sobre o valor do imposto incidente sobre as saídas interestaduais de fertilizantes de produção própria). Este crédito presumido será lançado na escrituração fiscal da empresa para ser compensado com ICMS devido pela empresa. Portanto, neste caso pareceme claro que não há ingresso novo de receita, mas mera redução de custo no pagamento do ICMS devido. Assim, é inequívoco que “incentivo fiscal” não pode ser confundido com ingresso de receita. Destaquese que, efetivamente, não restou comprovado nos autos a transferência dos citados créditos de ICMS à terceiros, como argumentou a Recorrente. A fiscalização afirma que “o contribuinte efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros”(fls. 17) sem, entretanto, apresentar qualquer elemento probante que comprovasse esta afirmação. O ônus da prova cabe às partes, nos termos do que dispõe o artigo 333 do CPC, verbis: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. As partes devem desincumbirse de provar os fatos que alegam. Ao autor cabe provar os fatos constitutivos de seu direito, no caso, o Fisco alegou que o crédito presumido foi transferido à terceiro, mas não provou; ao réu, cabe provar os fatos modificativos, extintivos e impeditivos do direito que o autor assevera ter, entretanto, não cabe à Recorrente, por sua vez, fazer prova de fato que alega não existir, uma vez que não há como fazer prova de fato inexistente (prova negativa). Contudo, mesmo se a Recorrente houvesse transferido os créditos de ICMS à terceiros, entendo que também não haveria a incidência da COFINS. A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. Portanto, mesmo no caso de cessão de créditos à terceiros não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizase dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento para com seus fornecedores, por exemplo. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. A nãocumulatividade é uma técnica que tem por objeto evitar o "efeito cascata" da incidência de alguns tributos (como é o caso do ICMS), permitindose, em cada Fl. 210DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11686.000381/200847 Acórdão n.º 3201000.754 S3C2T1 Fl. 121 7 uma das etapas do processo produtivo, a dedução do imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias e/ou matériasprimas necessárias a sua industrialização. O princípio da nãocumulatividade encontrase insculpido no próprio texto constitucional (artigo 155, § 2º , inciso I, alínea "a"), que assim dispõe: “§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose a que foi devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de .serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...) A Lei 10.833/2003 dispõe que a COFINS, nãocumulativa, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida com a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Entendo que os “créditos presumidos do ICMS”, por se tratarem de mero incentivo fiscal que servirão de meio de pagamento de ICMS a recolher, não se tratam de receitas auferidas pela empresa, portanto, estão fora do campo de incidência da COFINS, não devendo compor, assim, a sua base de cálculo. Veja que não há a subsunção do fato concreto (“crédito presumido do ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Houve, uma economia no pagamento de ICMS, uma mera redução de custos de impostos a pagar pela compensação do crédito presumido, e não o auferimento de receitas. Neste sentido, transcrevo ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuinte e do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Recurso No. 262.320– Acórdão No. 340100.774, sessão de 26/05/2010: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2005 COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO 'PI, NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 8 RESSARCIMENTO. REGIME NÃO CUMULATIVO, ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso No. 130.419 – Acórdão No. 20179.967, sessão de 24/01/2007: PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A receita relativa ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação e contabilizada como receita operacional, deverá ser oferecida à tributação do PIS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária e/ou juros sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa. Recurso provido em parte. E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementas de decisões do STJ: AgRg No. REsp 1229134 / SC, de 26/04/2011: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Fl. 212DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11686.000381/200847 Acórdão n.º 3201000.754 S3C2T1 Fl. 122 9 Agravo regimental improvido Recurso Especial No. 1.025.833 – RS: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. Em conclusão, no meu entendimento não devem ser incluídas na base de cálculo da COFINS os valores decorrentes de crédito presumido do ICMS. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 10 *** A segunda questão a ser enfrentadas referese (ii) à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte intercompany de mercadoria. Entendo que a razão, neste caso, está com o Fisco. Vejamos. Como bem destacou o voto condutor do Acórdão da DRJ – Porto Alegre, restou evidente que se tratam de fretes não vinculados à operações de venda, uma vez que a própria Recorrente confirma que calculou créditos sobre fretes entre seus próprios estabelecimentos (“transporte intercompany de mercadoria”). Nos termos da norma que rege a matéria, nem todo o custo de produção pode ser utilizado para cálculo de créditos da Contribuição, mas apenas aqueles expressamente prescritos no art. 3º. da Lei 10.833/2003, dentre os quais não se encontram as despesas de transporte entre estabelecimentos da mesma empresa. A hipótese tratada nos autos não pode ser confundida com aquela hipótese prevista no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/2003, o qual prevê o cálculo de créditos sobre valores de frete nas operações de venda, verbis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A redação da lei é extremamente clara, e não comporta interpretações extensivas: somente dará direito ao crédito o custo do frete na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. No caso, a própria Recorrente informa que não se trata de operação de venda, mas sim meras transferências entre estabelecimentos de sua propriedade. Portanto, não há base legal para a pretensão da Recorrente. Neste sentido, transcrevo ementa de decisão do STJ: REsp 1147902 / RS de 18/03/2010: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS DE FRETE RELACIONADAS À TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Controvertese sobre a possibilidade de utilização das despesas de frete, relacionadas à transferência de mercadorias entre estabelecimentos componentes da mesma empresa, como crédito dedutível na apuração da base de cálculo das contribuições à Cofins e ao PIS, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. 2. A legislação tributária em comento instituiu o regime da não cumulatividade nas aludidas contribuições da seguridade social, devidas pelas empresas optantes pela tributação pelo lucro real, autorizando a dedução, entre outros, dos créditos referentes a Fl. 214DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11686.000381/200847 Acórdão n.º 3201000.754 S3C2T1 Fl. 123 11 bens ou serviços utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 3. O direito ao crédito decorre da utilização de insumo que esteja vinculado ao desempenho da atividade empresarial. As despesas de frete somente geram crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que sejam suportadas pelo contribuinte vendedor. 4. Inexiste, portanto, direito ao creditamento de despesas concernentes às operações de transferência interna das mercadorias entre estabelecimentos de uma única sociedade empresarial. 5. Recurso Especial não provido No tocante às alegações de inconstitucionalidade das Leis 10.637/02 e 10.833/03, por suposta violação das matrizes constitucionais de competência tributária, extraída dos artigos 195, I, b e 239, da nãocumulatividade aplicável às referidas contribuições (art. 195, § 12), e dos princípios da isonomia tributária e do nãoconfisco, consagrados no artigo 150, II e IV, todos da Constituição Federal, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão destas matérias. Na esfera administrativa se faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária nos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas no termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. *** Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos objetivos de admissibilidade para o fim, no mérito, de DAR PROVIMENTO PARCIAL nos seguintes termos: 1. Dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de crédito presumido do ICMS 2. Negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de obtenção de créditos da COFINS decorrentes do custo do transporte de mercadoria entre estabelecimentos da empresa (transporte intercompany). É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 215DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 12 Fl. 216DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE
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Numero do processo: 10940.000979/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário:
2002, 2003
INDEFERIMENTO DE RETIFICAÇÃO OU CANCELAMENTO DE
DCOMP. DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Embora as
Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tenham
competência para apreciar recurso contra atos de indeferimento de retificação
ou cancelamento de DCOMP, na medida em que este afeta o objeto do ato de
nãohomologação
da compensação, os argumentos da recorrente apenas
poderiam ensejar representação à autoridade competente para revisão de
ofício do ato questionado. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PARA
RETIFICAÇÃO OU CANCELAMENTO. LEGALIDADE. RECURSO
NÃO CONHECIDO. Verificandose
que o ato administrativo foi editado por
servidor competente, fundouse
em motivos evidenciados nos autos e
previstos como impedimentos à retificação ou cancelamento de DCOMP,
nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência à interessada.
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECEITAS FINANCEIRAS NÃO
INCLUÍDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. ACUSAÇÃO NÃO
DESCONSTITUÍDA. Mantémse
o reconhecimento parcial do direito
creditório se a recorrente não logra desconstituir as constatações fiscais de
que receitas financeiras deixaram de ser incluídas na apuração do lucro
tributável, mas ensejaram a dedução do correspondente imposto de renda
retido na fonte.
IMPUTAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO AOS
DÉBITOS COMPENSADOS EM ATRASO. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA
ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não
há pagamento, mormente se as compensações promovidas em atraso, em sua
maioria, não foram acompanhadas dos juros de mora devidos, referiamse
a
tributos já reconhecidos como saldos a pagar na DIPJ, ou foram declaradas já
com o cômputo da multa de mora.
Numero da decisão: 1101-000.476
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso relativo ao indeferimento de retificação/cancelamento de DCOMP e
NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o
presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Embora as Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tenham competência para apreciar recurso contra atos de indeferimento de retificação ou cancelamento de DCOMP, na medida em que este afeta o objeto do ato de nãohomologação da compensação, os argumentos da recorrente apenas poderiam ensejar representação à autoridade competente para revisão de ofício do ato questionado. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS PARA RETIFICAÇÃO OU CANCELAMENTO. LEGALIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. Verificandose que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundouse em motivos evidenciados nos autos e previstos como impedimentos à retificação ou cancelamento de DCOMP, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência à interessada. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECEITAS FINANCEIRAS NÃO INCLUÍDAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. ACUSAÇÃO NÃO DESCONSTITUÍDA. Mantémse o reconhecimento parcial do direito creditório se a recorrente não logra desconstituir as constatações fiscais de que receitas financeiras deixaram de ser incluídas na apuração do lucro tributável, mas ensejaram a dedução do correspondente imposto de renda retido na fonte. IMPUTAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO AOS DÉBITOS COMPENSADOS EM ATRASO. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento, mormente se as compensações promovidas em atraso, em sua maioria, não foram acompanhadas dos juros de mora devidos, referiamse a tributos já reconhecidos como saldos a pagar na DIPJ, ou foram declaradas já com o cômputo da multa de mora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 660 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso relativo ao indeferimento de retificação/cancelamento de DCOMP e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, Marcos Shigueo Takata e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 661 3 Relatório NORSKE SKOG PISA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, HOMOLOGOU PARCIALMENTE a compensação de créditos relativos a saldo negativo de IRPJ apurado nos anoscalendário 2002 e 2003. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo das declarações de compensação a seguir elencadas, relativas à compensação de débitos de IRRF e IRPJ com utilização de direito creditório oriundo do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004 – anocalendário de 2003: [PER/DCOMP nº 19382.87103.120104.1.3.020505 e PER/DCOMP nº 25357.87080.270204.1.3.022046] 2. Tendo em vista a relação existente com a matéria, haja vista parte do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004 decorrer de valores devidos por estimativa do anocalendário de 2003 cuja quitação se deu mediante compensação com o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2003, anocalendário de 2002, conforme declaração prestada pela interessada (fl. 132), foram juntados aos autos, para análise em conjunto, os PER/DCOMP abaixo relacionados: [...] 3. O Serviço de Orientação e Análise TributáriaSeort da DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório proferido em 21/12/2005 (fls. 485497), após recalcular o saldo do IRPJ a pagar/restituir dos exercícios de 2002 (R$ 335.523,79 de IRPJ a pagar), 2003 (R$ 1.826.258,15 de saldo negativo de IRPJ) e 2004 (R$ 1.113.196,10 de saldo a pagar), deferiu apenas o direito creditório de R$ 377.538,26, acrescidos de juros com base na taxa Selic, e homologou a compensação declarada na PER/DCOMP nº 19382.87103.120104.1.3.020505 (IRRF incidente sobre Juros Sobre Capital PróprioResidentes no Exterior) até o limite do direito creditório reconhecido. 4. Tendo esse direito creditório sido suficiente apenas para extinguir a parcela de R$ 514.296,39 (valor original) do débito de IRRF com código de receita 94531 do período de apuração 31/12/2003 (vencimento em 02/01/2004), foi emitida carta cobrança (fls. 506507) exigindo o pagamento do saldo de R$ 1.757.985,16 desse débito de IRRF (fl. 504), além do valor integral dos débitos de IRPJ devidos por estimativa dos meses de janeiro a maio/2003 e janeiro/2004, no valor original total de R$ 3.390.703,35 (fl. 505). 5. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal (AR recebido em 11/01/2006, à fl. 508), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 529), apresentou, em 10/02/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 509520, instruída com os documentos de fls. 521525, cujo teor é sintetizado a seguir. 5.1. Aduz que os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 tiveram origem em retenções de IRRF incidentes, em quase sua totalidade, sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, juros sobre o capital próprio e dividendos auferidos; que a autoridade fiscal equivocadamente concluiu Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 662 4 que os rendimentos relativos a dividendos recebidos da Pisa Papel de Imprensa S/A sobre lucros apurados em 1995 deveriam ter sido oferecidos à tributação do IRPJ no anocalendário de 2001. 5.2. Alega que a Pisa Papel de Imprensa S/A recolheu R$ 663.545,23 a título de IRRF sobre dividendos pagos à interessada, que utilizou a prerrogativa prevista no art. 2º, § 1º, alínea “b”, da Lei nº 8.849, de 1994, alterado pela Lei nº 9.064, de 1995, para compensálos com o IRRF devido sobre os juros sobre o capital próprio creditados aos seus sócios no exterior, procedimento este expressamente permitido pelo art. 2º da IN SRF nº 12, de 1999. 5.3. Contesta a tributação pelo IRPJ dos dividendos auferidos em 2001, no montante de R$ 8.412.397,00, porquanto a hipótese de incidência prevista no art. 2º da Lei nº 8.849, de 1994, trata exclusivamente do IRRF, razão pela qual não poderia ser estendida como fundamento para cômputo de tais rendimentos na base de cálculo do IRPJ. 5.4. Argúi que os dividendos foram efetivamente pagos (regime de caixa) à interessada em 2001, mas já haviam sido propostos pela Pisa Papel de Imprensa em exercícios anteriores; que, de acordo com os princípios que regem a melhor prática contábil, os dividendos auferidos já estavam registrados contabilmente como saldos a receber nas suas demonstrações contábeis (regime de competência); que caso os juros sobre os dividendos fossem contabilizados e tributados somente em 2001, haveria inobservância do período de apuração e conseqüente postergação dos tributos devidos. 5.5. Assevera que, no que tange à incidência do IRPJ sobre os dividendos recebidos pela pessoa jurídica, o fundamento legal não é o mesmo que rege a incidência do IRRF; que se deve observar o disposto no art. 43, § 2º, do Decretolei nº 5.833, de 1943, e art. 70 da Lei nº 3.470, de 1958, os quais constituem a base legal do art. 379 do RIR de 1999; que, portanto, não há que se cogitar a incidência do IRPJ sobre os lucros recebidos na forma de dividendos, quando oriundos de sociedade que já os tenha tributado. 5.6. Relata que a diferença de IRPJ do anocalendário de 2001 foi compensada de ofício no Despacho Decisório com os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendário de 2002 e 2003; que em razão da compensação de ofício realizada e conseqüente desconsideração dos PER/DCOMP, os débitos cuja compensação havia sido por ela declarada estão sendo exigidos equivocadamente. 5.7. Ao final, requer a desconsideração da cobrança do saldo de IRRF sobre juros sobre o capital próprio e dos valores de IRPJ devidos por estimativa, ante sua flagrante ilegalidade; protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, em especial a produção de perícia contábil para demonstrar que os procedimentos por ela adotados estão adequados à legislação tributária, homologandose assim a compensação declarada nos autos. 6. Em 28 e 29/12/2005 a interessada apresentou as seguintes declarações de compensação retificadoras e os pedidos de cancelamento: [...] 7. Considerando que essas declarações de compensação e pedidos de cancelamento não haviam sido analisados no Despacho Decisório proferido em 21/12/2005 (fls. 485497), a DRFPonta Grossa emitiu o Despacho Decisório nº 193/2007, em 17/04/2007 (fls. 563567), cientificado por via postal em 20/04/2007 (AR à fl. 568), por meio do qual não admitiu tais PER/DCOMP com fundamento nos arts. 58 e 62 da IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, haja vista ter havido aumento do valor dos débitos informados nas declarações retificadoras e não se enquadrar nas hipóteses para cancelamento pelo sujeito passivo de declaração de compensação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 663 5 8. Foi concedido prazo de dez dias para apresentação de reclamação quanto à legalidade ou mérito da decisão, conforme previsto no art. 59 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, porquanto entendeu não caber discussão administrativa pelo rito do Decreto nº 70.235, de 1972. 8. Em 03/05/2007 foi protocolado ofício, datado de 02/05/2007, encaminhado pela interessada, que ressalta que a apresentação de petição por via postal é aceita no âmbito do processo administrativo fiscal e que deve ser considerada como data de protocolo a de postagem no correio (Ato Declaratório Normativo nº 19/1997), e apresenta requerimento para prorrogação do prazo para interposição do recurso por mais dez dias (fls. 569570). 9. Tendo esse pedido de prorrogação do prazo sido indeferido pela DRFPonta Grossa, conforme Comunicado Sacat/Saort nº 318/2007 (cientificado por via postal em 08/05/2007, à fl. 571), em face da inexistência de previsão legal autorizadora, a contribuinte apresentou, em 16/05/2007, recurso administrativo (datado de 14/05/2007, às fls. 572577) ao Despacho Decisório nº 193/2007, cujas alegações são sintetizadas a seguir. 9.1. Argúi que o recurso está sendo apresentado considerando a prorrogação de prazo requerido na forma prevista no art. 59, § 2º, da Lei nº 9.784, de 1999; que a decisão recorrida seria flagrantemente ilegal em face de cerceamento de defesa e que o recurso aplicável seria a manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão, com efeito suspensivo; que o procedimento indicado na decisão recorrida seria absolutamente ilegal, pretendendo deturpar o procedimento administrativo e dificultar a defesa; que é evidente a falácia da motivação ao se pretender afirmar que como houve o reconhecimento do crédito em oportunidade anterior, não se estaria perante situação de negativa de homologação de pedido de compensação. 9.2. Aduz que a compensação nada mais é do que o encontro entre um crédito e um débito, sendo instituto jurídico que se caracteriza por esses dois elementos e pelos aspectos temporais; que, ao afirmar que um débito não pode ser quitado, na prática indeferiu a homologação de compensação, decisão de natureza jurídica distinta da que a r. decisão recorrida pretendeu invocar; assim, em caráter preliminar, requer o reconhecimento da natureza da r. decisão ora recorrida, com a reabertura do prazo para interposição da manifestação de inconformidade e submissão do presente procedimento ao devido processo legal tributário. 9.3. Acrescenta que a IN SRF nº 460, de 2004, veda a inclusão ou aumento do débito nas retificações de Declarações de Compensação; que, no caso concreto, o que se percebe é que os débitos compensados permaneceram exatamente com os mesmos valores; que a finalidade da norma em questão é proibir a inclusão de novos débitos ou o aumento de seus valores, buscando garantir a segurança jurídica do sistema tributário, evitando que pedidos de compensações sejam alterados posteriormente para inclusão de débitos não levados até então ao conhecimento da Receita Federal; que definitivamente não é o que acontece nos autos, pois o que houve foi apenas dificuldade da composição dos débitos, mas seu montante não foi alterado em nenhum dos exercícios considerados. 9.4. Conclui que, ainda que a conclusão da r. decisão recorrida fosse correta, seria o caso de se reconhecer os pedidos de retificação como novas DCOMP, o que não aconteceu; que, como não houve autuação fiscal, existiria denúncia espontânea relativamente aos débitos, sobre os quais incidiria apenas juros de mora calculados pela taxa Selic; que, como esse é o mesmo índice de correção dos créditos, não haveria nenhuma diferença para a homologação das compensações. 10. A DRF/Ponta Grossa expediu o Comunicado Sacat/Saort nº 359/2007 (fl. 578), cientificado por via postal em 22/05/2007 (fl. 579), por meio do qual, com base no Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 664 6 ADN Cosit nº 15, de 1996, indeferiu o seguimento da reclamação apresentada em face dela não caracterizar impugnação. 11. Em 26/06/2007, a interessada apresenta recurso conta o Despacho Decisório nº 193/2007e ao Comunicado Sacat/Saort nº 359/2007, no qual reitera as alegações apresentadas em 16/05/2007 e acrescenta as a seguir sintetizadas (fls. 582593). 11.1. Requer reconsideração da r. decisão recorrida e o conhecimento do recurso administrativo de 14/05/2007 como manifestação de inconformidade; discorre acerca da tempestividade do recurso, da inexigibilidade de depósito prévio e da possibilidade de posterior juntada da procuração do representante legal. 11.2. Argúi que ainda que a definição do prazo de 10 dias fosse válida, também seria regular e tempestivo o recurso ora apresentado, posto ter protocolado, em 02/05/2007, pedido de prorrogação do prazo; que, é flagrante a ilegalidade da decisão administrativa que negou a prorrogação do prazo, pois, considerando a teoria dos motivos determinantes, o motivo que fundamentou o indeferimento não é legalmente legítimo; que ainda que fosse admitida a fixação do prazo inicial para recurso em 10 dias, impunhase o deferimento do pedido de prorrogação, de maneira que o presente recurso seria tempestivo. 11.2. Acrescenta que a própria autoridade administrativo comete ato falho ao indeferir o recurso apresentado em 14/05/2007, porquanto o Despacho Decisório 193/2007 consignou não ter havido decisão de nãohomologação de compensação, mas de decisão de nãoadmissão da compensação; que a nãohomologação, por expressa previsão legal (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) é passível de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias, enquanto a nãoadmissão seria passível de recursos simples, a ser interposto no prazo de 10 dias (Lei nº 9.784, de 1999); que o Comunicado Sacat/Saort nº 359/2007 considera intempestivo o recurso administrativo, porquanto interposto em 20 dias, mas expressamente reconhece que se trata de manifestação de inconformidade; requer que a manifestação de inconformidade (ou recurso administrativo) seja apreciada por esta DRJ; que, não sendo esse o entendimento, requer o recebimento da presente petição como recurso voluntário e sua remessa ao Primeiro Conselho de Contribuintes. 12. É o relatório. A Turma julgadora acolheu parcialmente argumentos da manifestação de inconformidade, aduzindo que: • Inicialmente assim demonstrou o direito creditório de R$ 377.538,26, reconhecido à contribuinte ao final do anocalendário 2003: Exercício de 2002, anocalendário 2001: (+) IRPJ alíquota 15% + adicional R$ 5.379.756,21 ( ) imposto de renda retido na fonte R$ 2.490.007,72 ( )imposto de renda mensal pago por estimativa R$ 2.554.224,70 (=) imposto de renda a pagar R$ 335.523,79. Exercício de 2003, anocalendário 2002: (+) IRPJ alíquota 15% + adicional R$ 0,00 ( ) imposto de renda retido na fonte R$ 518.346,55 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 665 7 ( ) imposto de renda mensal pago por estimativa R$ 1.307.911,60 (=) imposto de renda a restituir R$ 1.826.258,15. Exercício de 2004, anocalendário 2003: (+) IRPJ alíquota 15% + adicional R$ 1.740.901,76 ( ) imposto de renda retido na fonte R$ 139.466,62 ( ) imposto de renda mensal pago por estimativa R$ 488.239,04 (=) imposto de renda a pagar R$ 1.113.196,10 =============== .Direito creditório deferido R$ 377.538,26 • Relatando os débitos compensados com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, bem como aqueles vinculados ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, a autoridade julgadora descreveu as alterações promovidas neste segundo grupo de compensações, em razão das retificações e cancelamentos de DCOMP promovidos duas semanas antes de a interessada ser cientificada, por via postal, em 11/01/2006 (AR à fl. 508), do despacho decisório que resultou na homologação parcial daquelas compensações. • E, circunstanciando novamente a nãoadmissão dos PER/DCOMP retificadores e dos pedidos de cancelamento, bem como as petições apresentadas pela contribuinte contra esta decisão, declarou sua incompetência para apreciálos, em face de o art. 174, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, dispor que somente compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de JulgamentoDRJ o exame de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições. Por sua vez, a referida manifestação de inconformidade somente está prevista contra atos de indeferimento de direito creditório ou de nãohomologação de compensação. • Acrescentou, ainda, que tais questionamentos deveriam seguir do rito da Lei nº 9.784/99, tendo a DRF/Ponta Grossa, corretamente, não tomado conhecimento dos recursos apresentados intempestivamente, até porque inexistia base legal para o pedido de prorrogação de prazo apresentado pela contribuinte. • Apreciando, assim, a manifestação de inconformidade em face da análise dos documentos de compensação antes de sua retificação/cancelamento, retificou a decisão proferida pela DRF/Ponta Grossa, ante a inclusão indevida das apurações do anocalendário 2001, que não foi informado como crédito em nenhum dos PER/DCOMP em análise, razão pela qual o saldo de imposto a pagar ali apurado deveria ser exigido mediante lavratura de competente auto de infração. De toda sorte, ressaltou o fato de os lucros ou dividendos apurados pela empresa controlada Pisa Papel de Imprensa S/A Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 666 8 no anocalendário de 1995 e distribuídos no de 2001 não estarem sujeitos à incidência do IRPJ pela interessada, conforme disposto no § 1º do art. 388 do RIR de 1999. • Em conseqüência, promoveu a imputação do saldo negativo apurado no ano calendário 2002 (R$ 1.826.258,15, ressaltando a redução de prejuízo fiscal neste período, em razão da apuração de falta de tributação de rendimentos financeiros no montante de R$ 151.344,42) às estimativas do anocalendário 2003 com ele compensadas por meio das DCOMP originalmente apresentadas em 12/08/2005, acrescidas de multa e juros de mora até esta data, apurando o que demonstrado abaixo, na “Tabela 4”: Discrim. ESTIMATIVAS IRPJ COMPENSADAS C/ SALDO NEGATIVO IRPJ EXERC.2003 Vencimento Selic.Acum. até ago/2005 Débito Atualizado até 12/08/2005 Imposto Multa Juros Total Compens: . janeiro 28/02/2003 43,64% 1.229.593,04 245.918,61 536.594,40 2.012.106,05 . fevereiro 31/03/2003 41,86% 420.442,93 84.088,58 175.997,41 680.528,92 1.650.035,97 330.007,19 712.591,81 2.692.634,97 Insuf.saldo : . fevereiro 31/03/2003 41,86% 187.141,91 37.428,38 78.337,61 302.907,90 . março 30/04/2003 39,99% 833.531,47 166.706,29 333.329,23 1.333.566,99 . abril 31/05/2003 38,02% 201.848,41 40.369,68 76.742,77 318.960,86 . maio 30/06/2003 36,16% 499.769,05 99.953,81 180.716,49 780.439,35 1.722.290,84 344.458,16 669.126,10 2.735.875,10 3.372.326,81 674.465,35 1.381.717,91 5.428.510,07 • Concluiu que as estimativas não cobertas por tal compensação deveriam ser cobradas com base nas declarações de compensação apresentadas em 12/08/2005, que constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, mediante emissão de carta cobrança, conforme dispõem os §§ 6º a 8º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 2003, razão pela qual não caberia a glosa do montante de R$ 1.722.290,84, na apuração do saldo negativo do IRPJ do exercício de 2004, anocalendário de 2003, conforme Solução de Consulta Interna nº 18, de 13/10/2006. • Passando à apuração do saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, a autoridade julgadora destacou a constatação de falta de tributação de rendimentos financeiros no montante de R$ 232.086,26, com conseqüente majoração do IRPJ devido (alíquota de 15% + adicional) no exercício de 2004 de R$ 1.733.946,21 para R$ 1.740.901,76, e, confrontando este débito com as estimativas recolhidas (R$ 488.239,04) e compensadas (R$ 3.372.326,81), bem como com o IRRF (R$ 139.466,62), reconheceu à contribuinte direito creditório de R$ 2.259.130,71 naquele período, imputado ao débito de IRRF de juros sobre capital próprio apurado em 31/12/2003, e compensado com aquele crédito. • Manifestouse contrariamente ao pedido genérico de produção de provas, ressaltando o fato de os elementos dos autos serem suficientes para a formação de convicção sobre a matéria e considerando não formulado o pedido de perícia. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 667 9 Cientificada da decisão de primeira instância em 22/08/2008 (fl. 631), a contribuinte postou recurso voluntário, tempestivamente, em 23/09/2008 (fls. 638/657). Relata que, estando no rol das empresas que desfrutam de longa tradição no cenário econômico nacional, a Recorrente sempre diligenciou no sentido de cumprir suas obrigações perante o Poder Público, notadamente no tocante ao cumprimento das suas obrigações tributárias, com a máxima lisura, menciona que os saldos negativos de IRPJ tiveram origem em retenções de IRRF, em sua quase totalidade incidente sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, juros sobre o capital próprio e dividendos auferidos nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, e que na auditoria destes valores pelo AFRF, não foram identificadas irregularidades nesses saldos de negativos de IRPJ. Mas, na análise dos créditos de IRRF, o respeitável AFRF concluiu equivocadamente que os rendimentos auferidos pela NSPISA, relativos a dividendos sobre lucros de 1995 oriundos da Pisa Papel de Imprensa S/A (CNPJ n.° 79.229.309/000145), deveriam ter sido tributados pelo IRPJ. Entende que esta foi a razão de ter sido lavrado Despacho Decisório, em face do qual foi apresentado Manifestação de Inconformidade. Passa, então, a abordar a nãoadmissão de retificações das Declarações de Compensação, afirmando que procedeu às retificações em atendimento a intimação da própria Receita Federal do Brasil, sem alteração dos créditos, mas apenas com sua realocação. Destaca, também, as conclusões da autoridade preparadora de que parte dos débitos compensados passou a ser vinculada a créditos de contribuições sociais, tratados no processo administrativo nº 10940.003033/200568. Questiona, então, os fundamentos da decisão que indeferiu as retificações e cancelamentos de DCOMP assim procedidos, bem como discute o prazo para apresentação do recurso contra tal decisão, e reportase aos fundamentos da decisão recorrida para argüir que houve cerceamento ao seu direito de defesa, na medida em que o indeferimento de DCOMP lhe confere direito à manifestação de inconformidade, a qual, se indeferida, enseja recurso voluntário. Entende falaciosa a afirmação de que, como houve o reconhecimento do crédito em oportunidade anterior, não se estaria perante situação de negativa de homologação de pedido de compensação. Em seu entendimento, ao afirmar que um débito não pode ser quitado, a r. decisão, na prática, indeferiu a homologação da compensação, decisão de natureza jurídica bem diferente daquela que a r. decisão recorrida pretendeu invocar. Acrescenta que o recurso administrativo protocolado em 14/05/2007 deveria ser recebido como manifestação de inconformidade, e que sua apresentação se deu em vinte dias da ciência da decisão recorrida. Ressalta o ato falho da autoridade administrativa ao indeferir o recurso da Recorrente, supostamente por ser intempestivo, e acrescenta que nesta decisão é reconhecido expressamente que a petição da recorrente se trata de manifestação de inconformidade. Defende que não incorreu nas vedações impostas à retificação de DCOMP, pois o valor total do débito permaneceu igual. Aduz que o crédito utilizado de janeiro a março de 2003 também permaneceu o mesmo, e que somente houve alteração do crédito em abril e maio/2003, circunstância que não é vedada pela IN 460/2004. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 668 10 Alternativamente ao indeferimento das retificações, os pedidos deveriam ter sido recebidos como novas DCOMP, com conseqüente denúncia espontânea dos débitos, sujeitos apenas a aplicação de juros com base na taxa SELIC, sem qualquer outro efeito prático, pois os créditos também seriam atualizados por este índice. Reconhece que a decisão original foi realmente proferida antes das retificações, mas aduz que a própria homologação parcial da compensação declarada já seria suficiente para a reanálise da questão como um todo. Se houve erro na apropriação dos créditos aos débitos, a análise inicial deveria ser anulada, até porque parte dos débitos compensados com os créditos não existe, de modo que a própria apropriação como realizada foi indevida. Reconhece que parte da ilegalidade na apreciação da compensação foi corrigida pela DRJ/Curitiba, com a desconstituição da compensação de ofício e da revisão do saldo negativo do anocalendário 2001. Todavia, a tributação dos rendimentos financeiros em 2002 e 2003 subsiste ilegal, por absoluta falta de motivação, além de o crédito reconhecido ter sido imputado a débitos incorretos, em razão da retificação da composição dos débitos, inclusive com a alteração do crédito utilizado para quitação. Assevera que considerados os débitos efetivamente compensados, a compensação seria totalmente homologada, até porque houve denúncia espontânea, de modo que somente os valores principais dos débitos, acrescidos da Taxa SELIC, poderiam ser considerados para a compensação e não a multa moratória. Requer, assim, a anulação da r. decisão recorrida, para que seja reconhecida a necessidade de revisão integral dos procedimentos de compensação tributária. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 669 11 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre apreciar a pretensão da contribuinte de, em sede de manifestação de inconformidade e recurso voluntário, discutir a admissibilidade das retificações e cancelamentos de DCOMP por ela promovidos. A referida conduta se deu em 28/12/2005, entre a conclusão da análise das compensações pela autoridade preparadora (21/12/2005) e sua ciência à contribuinte (11/01/2006), e resultou na apresentação dos documentos juntados às fls. 534/562, apreciados e rejeitados por meio do despacho de fls. 563/567 com fundamento na Instrução Normativa SRF nº 460/2004, que assim dispõe: Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no capta, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. [...] Art. 62. O cancelamento pelo sujeito passivo da Declaração de Compensação apresentada à SRF, seja ela gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel), somente será admitido na hipótese de total inexistência do crédito ou dos débitos informados na Declaração de Compensação. Parágrafo único. Na hipótese de deferimento do Pedido de Cancelamento da Declaração de Compensação por total inexistência do crédito, deverá ser promovido o lançamento de oficio dos créditos tributários não lançados de oficio nem confessados. A contribuinte foi cientificada que deste despacho decisório não cabe discussão administrativa pelo rito do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, por falta de previsão legal. Havendo reclamação quanto à legalidade ou mérito da decisão, dentro do prazo de 10 (dez) dias contados da data em que dela for cientificado, a reclamação será recepcionada e analisada à luz da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Após pleitear, e ver indeferido pedido de prorrogação de prazo, a contribuinte apresentou nova petição que foi declarada intempestiva (fls. 568/578). Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 670 12 A autoridade julgadora recorrida apontou dispositivos regimentais e normativos para declarar sua incompetência para apreciar atos de nãoadmissão dos PER/DCOMP retificadores e dos pedidos de cancelamento. Contudo, a própria lei apresenta obstáculos à discussão destas decisões administrativas no âmbito do contencioso administrativo especializado, instituído pelo Decreto nº 70.235/72. Isto porque, com a edição da Lei nº 9.784/99, o contencioso administrativo passou a observar suas regras, exceto quando disciplinados por lei própria: Art. 1o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. [...] Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. E, até então, o Decreto nº 70.235/72 tratava, apenas, da discussão dos lançamentos tributários no âmbito das instâncias administrativas especializadas (DRJ, Conselhos de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais): Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância: a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. II Em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com a ressalva prevista no inciso III do § 1º. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 671 13 § 1° Os Conselhos de Contribuintes julgarão os recursos, de ofício e voluntário, de decisão de primeira instância, observada a seguinte competência por matéria: [...] III 3° Conselho de Contribuintes: tributos estaduais e municipais que competem à União nos Territórios e demais tributos federais, salvo os incluídos na competência julgadora de outro órgão da administração federal; [...] § 4º O recurso voluntário interposto de decisão das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes no julgamento de recurso de ofício será decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Com a alteração da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, passou a existir previsão legal expressa no sentido de que a nãohomologação de compensações também seria objeto de apreciação no contencioso administrativo especializado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] O ato de nãohomologação, porém, é formalizado em face de uma determinada DCOMP considerada sujeita à apreciação da autoridade administrativa competente. O ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos de DCOMP é anterior a esta apreciação, e prestase, justamente, a impedila em relação às novas informações ali veiculadas, fazendo prevalecer a declaração anterior. Assim, o ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos não integra o ato de nãohomologação passível de discussão no contencioso administrativo especializado. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 672 14 Tratase de providência paralela, que pode até repercutir no ato de nãohomologação da DCOMP, mas que se sujeita à discussão administrativa no âmbito do contencioso administrativo geral. Caso houvesse recurso pendente de apreciação pelas autoridades administrativas definidas na Lei nº 9.784/99, poderia até se cogitar de sobrestar o presente julgamento, para se aguardar a definição acerca de qual DCOMP deveria prevalecer como veículo da compensação promovida pela contribuinte. Todavia, como visto, a contribuinte não apresentou tempestivamente seu questionamento, razão pela qual o indeferimento tornouse definitivo. Todavia, registrese que, caso presente causa de nulidade absoluta, sua declaração se imporia independentemente de recurso do interessado. De fato, neste sentido é a Lei nº 9.784/99: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. No presente caso, porém, não se vislumbra qualquer defeito insanável que pudesse ensejar a ilegalidade do ato de indeferimento de retificação/cancelamento das DCOMP, dado que este: • foi praticado por autoridade competente (Auditor Fiscal da Receita Federal da DRF Ponta Grossa, com competência delegada por meio da Portaria nº DRF/PTG nº 119/2006); • enuncia motivos que se confirmam no detalhamento das situações de fato expostas nas DCOMP originais e retificadas (embora o contribuinte não tenha, em principio, aumentado o montante global de débitos a serem compensados com os créditos a que se refere este processo, considerando individualmente cada declaração retificadora em relação à sua respectiva DComp retificada, o aumento do débito compensado, ou a inclusão de débito novo se verifica), assim como os pedidos de cancelamento não evidenciam a total inexistência do crédito ou dos débitos informados na Declaração de Compensação, na medida em que veicularam compensação de débitos que passaram a constar das DCOMP retificadoras; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 673 15 • reportase a retificações e cancelamentos promovidos após a elaboração do despacho decisório, condutas que não se confundem com as retificações sugeridas durante o procedimento de análise das compensações (fls. 394/395 e 419/420) e expressamente rechaçadas pela contribuinte naquele mesmo momento (fl. 397/398), ou acolhidas, inclusive resultando no cancelamento regular da DCOMP nº 04500.22035.120805.1.7.024550, excluída das análises que serão aqui debatidas (fls. 428/429). • foi regularmente cientificado ao interessado. Portanto, mesmo para além das atribuições legalmente previstas, não há motivos para se representar à autoridade competente para revisão de ofício do ato de indeferimento das retificações/cancelamentos, porque nenhum vício nele se verifica. Esclareçase, ainda, que: • ao contrário do que afirma a recorrente, o fato de a autoridade administrativa ter denominado de manifestação de inconformidade o recurso interposto contra o indeferimento das retificações e cancelamentos, não impõe a sua apreciação no contencioso administrativo especializado, pois a competência deste é definida por lei, e tendo por referência o ato questionado, e não a denominação dada ao recurso contra ele interposto; • admitir os pedidos de retificação como novas DCOMP, como sugere a recorrente, acabaria por duplicar os débitos indicados em ambos os documentos, e a consequente exigência daqueles que restassem descobertos depois da imputação do crédito, que não poderia ser reconhecido em duplicidade; • a alegação de denúncia espontânea na compensação dos débitos apresentada sob a hipótese de se admitir os pedidos de retificação como novas DCOMP é reafirmada na abordagem relativa à execução da compensação parcialmente homologada pela autoridade administrativa, e assim será objeto de análise neste voto, mais à frente. Por estas razões, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, na parte em que questiona o indeferimento das retificações e pedidos de cancelamento de DCOMP. Passando ao mérito, importa esclarecer, inicialmente, que considerando a reconstituição promovida na decisão recorrida, somente subsiste divergência relativamente ao IRPJ apurado no anocalendário 2003, que a contribuinte considerou ser, em sua DIPJ, R$ 1.733.946,20, ao passo que a autoridade administrativa o recalculou para R$ 1.740.901,76, como abaixo demonstrado: Fl. 15DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 674 16 Período Apuração Pleiteado DRF DRJ 2001 IRPJ Apurado 5.379.756,21 IRRF (2.490.007,72) Recolhimentos (2.554.224,70) Saldo Negativo 335.523,79 2002 IRPJ Apurado IRRF (518.346,55) (518.346,55) (518.346,55) Recolhimentos (1.307.911,60) (1.307.911,60) (1.307.911,60) Saldo Negativo (1.826.258,15) (1.826.258,15) (1.826.258,15) 2003 IRPJ Apurado 1.733.946,20 1.740.901,76 1.740.901,76 IRRF (139.466,62) (139.466,62) (139.466,62) Estimativas Comp. (3.372.598,50) (3.372.598,50) Recolhimentos (488.239,04) (488.239,04) (488.239,04) Saldo Negativo (2.266.357,96) 1.113.196,10 (2.259.402,40) Total (4.092.616,11) (377.538,26) (4.085.660,55) A decisão recorrida já havia cuidado de excluir os efeitos dos resultados do anocalendário 2001 na apuração dos saldos negativos dos períodos subseqüentes, bem como de admitir na apuração do anocalendário 2003 as estimativas compensadas, ainda que pendentes de homologação definitiva. Em verdade, divergências semelhantes foram constatadas na apuração do IRPJ nos anoscalendário 2002 e 2003, as quais foram assim descritas pela autoridade administrativa no despacho decisório de fls. 493/494: Em relação ao anocalendário 2002, o valor de R$ 151.344,42 referente a aplicações financeiras de renda fixa junto à Norske Skog do Brasil Ltda e à Norske Skog Florestal Ltda (fl. 456) não consta do detalhamento das receitas financeiras da fl. 93. O interessado argumenta, conforme item 2.2 b, que este valor foi contabilizado como receita financeira, estando integralmente computado na ficha 06A, linha 24, da DIPJ 2003. Contudo, conforme cópia desta ficha apresentada pelo próprio interessado à fl. 469, o valor constante nesta linha é de R$ 7.415.746,58. Este valor foi desdobrado pelo próprio postulante à fl. 92, sendo as receitas de aplicações financeiras desta tabela novamente desdobradas à fl. 93. Não há nestas tabelas nenhum valor de rendimento auferido junto a estas empresas. Além disso, o próprio interessado informa à fl. 402 que este valor não está computado no valor de R$ 3.977.195,84. Desta forma, a DIPJ 2003 deveria ser retificada de oficio, tributandose este valor. Ocorre que, neste anocalendário de 2002, o interessado apresentou lucro real negativo (fl. 36), que, mesmo acrescentadose o valor de R$ 151.344,42, permanecerá negativo. Assim, não afetará o valor de saldo negativo de IRPJ para este ano. No que se refere ao anocalendário 2003, ocorreu um problema semelhante ao descrito no parágrafo anterior. O contribuinte não tributou o valor de R$ 232.086,26, que é referente a rendimentos financeiros obtidos junto à Norke Skog Florestal Ltda. Como pode ser visto, comparandose a tabela da fl. 473 com as de fls. 92 e 93, estes rendimentos não compõe a linha 24 da ficha 6A da DIPJ2004 (11. 478), ao contrário do que alega o interessado. Além disso, este informa à fl. 402 que este valor de R$ 232.086,26 não está contido dentro do valor de R$ 375.482,75. Desta forma, a DIPJ 2004 deve ser retificada de oficio, tributandose este valor. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 675 17 Com o auxílio da tabela abaixo, fez o recalculo do IRPJ, que foi majorado de R$ 1.733.946,21 para R$ 1.740.901,76. Contudo, a recorrente nada opõe, objetivamente, contra estas divergências. O único aspecto material por ela abordado referese à tributação de dividendos pagos sobre lucros de 1995 oriundos de Pisa Papel de Imprensa S/A, reprisando argumento deduzido em 1a instância e assim apreciado, mesmo depois de se declarar a impossibilidade de revisão da apuração do anocalendário 2001 nestes autos: De qualquer forma, cabe observar que não haveria como se alterar o resultado tributável do exercício de 2002, anocalendário de 2001, em face de os lucros ou dividendos apurados pela empresa controlada Pisa Papel de Imprensa S/A no ano calendário de 1995 e distribuídos no de 2001 não estarem sujeitos à incidência do IRPJ pela interessada, conforme disposto no § 1º do art. 388 do RIR de 1999, haja vista deverem ser registrados como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, ou seja, sem influenciar as contas de resultado. Em verdade, a interessada apenas se reporta à tributação dos rendimentos financeiros, efetivamente questionados em 2002 e 2003, para afirmar que houve absoluta falta de motivação que torna a r. decisão insustentável, argumento que não subsiste frente à descrição da irregularidade acima reproduzida. Frente ao procedimento fiscal desenvolvido e às provas reunidas para inclusão daqueles rendimentos na base de cálculo dos períodos analisados, cumpria à interessada trazer provas que desconstituíssem a conclusão fiscal, subsistindo esta na ausência daquelas. No mais, a recorrente apenas volta a mencionar que os débitos quitados via compensação são indevidos, dada a retificação rejeitada pela autoridade administrativa, que esta Relatora entende excluída da competência deste órgão julgador. Por fim, alega que houve denúncia espontânea, de modo que somente os valores principais dos débitos, acrescidos da Taxa SELIC, poderiam ser considerados para a compensação e não a multa moratória. Pretende a interessada, portanto, ver aplicado o disposto no art. 138 do CTN à sua conduta. Porém, está ali disposto: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. E, no presente caso, não se verificam várias das premissas assim estabelecidas: • não houve pagamento, modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, I do CTN, distinta da compensação, prevista no inciso II do mesmo artigo; Fl. 17DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 676 18 • boa parte das compensações não foram acompanhadas dos juros de mora: o por meio da DCOMP nº 27620.01984.120805.1.3.021977, em 12/08/2005 foi compensado apenas o valor principal do débito de R$ 1.229.593,04, vencido em 28/02/2003; o por meio da DCOMP nº 32453.23225.120805.1.3.023020, em 12/08/2005 foi compensado apenas o valor principal do débito de R$ 478.312,66, vencido em 31/03/2003; o por meio da DCOMP nº 33898.76129.120805.1.3.023614, em 12/08/2005 foi compensado apenas o valor principal do débito de R$ 3.165,98, vencido em 31/03/2003; o por meio da DCOMP nº 04310.83420.120805.1.3.023855, em 12/08/2005 foi compensado apenas o valor principal do débito de R$ 115.010,94, vencido em 31/03/2003; o por meio da DCOMP nº 38766.13492.120805.1.3.026210, em 12/08/2005 foi compensado apenas o valor principal do débito de R$ 11.095,26, vencido em 31/03/2003; o por meio da DCOMP nº 15404.75791.120805.1.3.027505, em 12/08/2005 foi compensado apenas o valor principal do débito de R$ 833.831,47, vencido em 30/04/2003. • na DCOMP nº 19392.87103.120104.1.3.020505, a multa de mora foi computada pela própria contribuinte, que acrescentou a parcela de R$ 59.988,23 ao valor principal de R$ 2.272.281,55, relativo a IRRF (código 9453) vencido em 02/01/2004 e compensado em 12/01/2004 (fl. 09); • os débitos de estimativas de IRPJ vencidos de 31/03/2003 a 30/06/2003, e compensados apenas em 12/08/2005, já haviam sido informados como saldos a pagar na DIPJ original apresentada para o anocalendário 2003 (fls. 50/51), a ensejar circunstância semelhante à tratada na Súmula 360 do STJ (O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo). • excluídos os débitos referidos nos dois itens acima, resta apenas a compensação do débito de R$ 18.079,54, formalizada na mesma data do vencimento (27/02/2004). Portanto, ainda que superado o fato de não se tratar, aqui, de pagamento, mas sim de compensação, o fato é que nenhum dos débitos compensados em atraso reúne os requisitos previstos no art. 138 do CTN, para se cogitar de sua aplicação. Em conseqüência, é desnecessário discutir se esta aplicação permitiria, ou não, a exclusão da multa moratória. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 677 19 Por oportuno consignese que os casos nos quais o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou favoravelmente à exclusão da multa moratória, no rito do art. 543C do Código de Processo Civil, tratavam apenas de pagamento, como se constata das ementas a seguir transcritas: • Resp nº 1.149.022 – SP (Questão relativa à configuração de denúncia espontânea – artigo 138, do CTN – na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa – antes de qualquer procedimento do fisco –, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente), transitado em julgado em 01/09/2010: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e Resp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a Fl. 19DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 678 20 denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. • RESp nº 962.379 (Configuração ou não de denúncia espontânea relativamente a tributo federal sujeito a lançamento por homologação – PIS/COFINS –, regularmente declarado pelo contribuinte – DCTF, mas pago com atraso), transitado em julgado em 30/04/2009: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Recordese, também, que sob o mesmo rito, a aplicação do art. 138 do CTN foi afastada pelo Superior Tribunal de Justiça em caso de parcelamento, consoante ementa do acórdão proferido no REsp nº 1.102.577, transitado em julgado em 26/06/2009: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. 1. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de parcelamento de débito tributário. 2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso na parte em que questiona o indeferimento das retificações e cancelamento de DCOMP, e, no mais NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 20DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA Processo nº 10940.000979/200491 Acórdão n.º 110100.476 S1C1T1 Fl. 679 21 Fl. 21DF CARF MF Emitido em 20/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por EDELI PEREIRA BESSA Assinado digitalmente em 04/07/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, 07/06/2011 por EDELI PEREI RA BESSA
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