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Numero do processo: 13909.000089/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU).
ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de
2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de
produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo
caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no
código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar,
beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor
(blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos
determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº
11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-00.936
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábio Luiz Nogueira e
Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor
o Conselheiro Maurício Taveira e Silva.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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PRODUTOS IN NATURA (CAFÉ CRU). ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de 2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria); sendo caracterizada como “produção”, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, a partir da edição da Lei nº 11.051/04, com vigência a partir de 01/08/2004. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Maurício Taveira e Silva. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS, 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Redator designado. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls. 95/96), que não reconheceu o direito de crédito relativo à Cofins nãocumulativa do período de apuração de 01/04/004 a 30/06/2004 (2º trimestre de 2004), decorrente da aquisição de café em grãos de produtores rurais pessoas físicas, conforme depreendese da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS 'IN NATURA' (CAFÉ CRU). ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Somente faz jus ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 10.833, de 2003, § 5º do art. 3º, a pessoa jurídica que se enquadre na condição de produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal (agroindústria);sendo caracterizada como 'produção', em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação , oficial, a partir da edição da Lei nº 11.051, de 2004, com vigência a partir de 01/08/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Ressalta a decisão recorrida, consta do Contrato Social da empresa e Alterações (fls.), a interessada tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, benefício e rebeneficio de café (classificação fiscal 09.01) adquiridos de terceiros. Constando ainda a informação no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon (fl. 28) que a atividade econômica da empresa (CNAEFiscal) é o "Comércio atacadista de outros produtos alimentícios" Entretanto, apenas com a edição da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que incluiu o § 6° ao art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (que substituiu de forma similar o Fl. 138DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS, 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13909.000089/200715 Acórdão n.º 330100.936 S3C3T1 Fl. 3.16 3 então art. 3º, § 5º, da Lei n° 10.833, de 2003), posteriormente regulamentada pela IN SRF 660, de 17 de julho de 2006, com efeito retroativo a partir de 01/08/2004, ao definir o conceito de produção, acolheu a atividade exercida pela interessada como passível de aproveitamento do crédito presumido, quando da aquisição de pessoas físicas, in verbis: "Art. 29. Os arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: 6º Para os efeitos do capta deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCAL o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blench ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial." (Grifouse). Logo, correto o entendimento da unidade de origem, no sentido de que a contribuinte não poderia calcular créditos presumidos, nos períodos de fevereiro e março de 2004, vinculados à aquisição de café cru de produtores rurais, pessoas físicas, ainda que os tenha processado, mediante classificação, limpeza, secagem, padronização, beneficiamento e armazenagem para comercialização, pois não havia base legal que sustentasse a utilização desses créditos, a não ser que a contribuinte se enquadrasse na atividade de agroindústria que produzisse mercadorias de origem animal ou vegetal, nos termos da Lei nº 10.833, de 2003. Cientificada em 09/06/2010 (AR, fl. 98), a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 99/115, em 16/06/2010, alegando, em síntese, que a não cumulatividade como princípio constitucional tem: por objetivo garantir ao contribuinte o direito de compensar o montante pago a titulo de impostos ou contribuições relativo às operações anteriores e, por fonte, a ciência econômica, sendo vedado à lei ordinária alterálo, sem permissão da própria Constituição Federal. Ademais, o § 5°. do art. 3º da Lei no. 10.833/03, expressamente permite o aproveitamento do crédito presumido na hipótese, vejamos: "Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05,0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." Fl. 139DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS, 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Conforme consta em seu art. 93, seus efeitos são a partir de 01/fevereiro/04. Portanto, ficou expressa a possibilidade da Recorrente em deduzir da COFINS o crédito presumido, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas. A Lei 11.051/04 no § 6° do art. 8° apenas definiu e frisou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.833/03. Assim, na verdade, houve apenas, uma adequação aos mandamentos constitucionais, vez que, o objetivo constitucional é a desoneração tributária. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e revestido das demais condições necessárias à sua admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O cerne da questão diz respeito ao disposto no art. 8º da Lei nº 11.051, de 2004, apenas esclareceu a situação sobre o direito de crédito da recorrente, ou, de fato, somente a partir de sua edição é que a recorrente poderia aproveitar os créditos decorrentes de sua atividade, vejamos, o que dispõe a aludida lei: "Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 6° Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial.” De fato, estou convencido de que a Lei 11.051/04, apenas esclareceu que a atividade da Recorrente também é considerada como "produção", com direito ao creditamento da Cofins não cumulativa, nos termos do § 5°. do art. 3º da Lei no. 10.833/03, que expressamente permite o aproveitamento do crédito presumido na hipótese, vejamos: "Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 140DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS, 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13909.000089/200715 Acórdão n.º 330100.936 S3C3T1 Fl. 4.16 5 § 5º Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05,0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País." Portanto, o direito já existia, visto que a Recorrente exerce as atividades de padronização, beneficiamento, preparação e mistura de tipos de café, posto que a Lei 11.051/04 no § 6° do art. 8° apenas definiu e frisou o que a legislação já havia feito com a edição da Lei 10.833/03. Assim, na verdade, houve apenas, uma adequação aos mandamentos constitucionais, vez que, o objetivo constitucional é a desoneração tributária. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS, 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Voto Vencedor Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA – redator designado Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, de quem ouso divergir da tese que sustenta, em relação à questão abaixo relacionada. O art. 29 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004 alterou a redação do art. 8º da Lei nº 10.925/04, nos seguintes termos: LEI No 10.925, DE 23 DE JULHO DE 2004. [...] Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 17. Produz efeitos: [...] III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei; Portanto, há determinação expressa na lei prevendo que o disposto no art. 8º produza efeitos somente a partir de 01/08/2004. Tendo em vista que o pleito da recorrente Fl. 142DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS, 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13909.000089/200715 Acórdão n.º 330100.936 S3C3T1 Fl. 5.16 7 referese ao período anterior ao precitado, não há reparos a fazer à decisão recorrida, negando se provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA Fl. 143DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, 08/06/2011 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS, 05/08/2011 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 13362.000160/2004-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES COM OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APURADOS DE OFÍCIO. Estando provado nos autos o recolhimento do tributo na modalidade SIMPLES, relativo aos
mesmos períodos fiscalizados, sobre os quais justamente nega-se
a possibilidade da referida modalidade de apuração, deve o Fisco levar em conta os valores recolhidos em tal sistemática, deduzindo do crédito tributário a ser exigido do contribuinte, conforme nova apuração, considerando para tanto as regras de repartição fixadas na Lei do SIMPLES. Trata-se de abatimento do valor pago sob o Simples do crédito tributário constituído. A imputação/dedução não se confunde com compensação.
Numero da decisão: 9101-001.290
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Estando provado nos autos o recolhimento do tributo na modalidade SIMPLES, relativo aos mesmos períodos fiscalizados, sobre os quais justamente negase a possibilidade da referida modalidade de apuração, deve o Fisco levar em conta os valores recolhidos em tal sistemática, deduzindo do crédito tributário a ser exigido do contribuinte, conforme nova apuração, considerando para tanto as regras de repartição fixadas na Lei do SIMPLES. Tratase de abatimento do valor pago sob o Simples do crédito tributário constituído. A imputação/dedução não se confunde com compensação. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, José Ricardo da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Alberto Pinto Souza Júnior, Valmar Fonsêca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Claudemir Rodrigues Malaquias. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão n° 10516.665, proferido pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O auto de infração exige CSLL, relativa aos anoscalendário de 2002 e 2003, decorrente da exclusão do contribuinte do SIMPLES. Impugnado o lançamento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento procedente. Interposto Recurso Voluntário, o Acórdão nº 10516.665, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito de compensar os valores recolhidos pelo SIMPLES, nos termos da seguinte ementa: SIMPLES EXCLUSÃO DE OFÍCIO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do SIMPLES não possui efeito suspensivo. COMPENSAÇÃO DARF/SIMPLES Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Recurso provido parcialmente. Em face do acórdão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência, argumentando que “os pagamentos indevidos efetuados pelo contribuinte na sistemática do SIMPLES não podem ser utilizados para reduzir o crédito tributário exigido através de auto de infração, pois tal pretensão: a) ofende os arts. 50, II e 37, caput, da CF, que determinam a obediência, pelo agente público, aos ditames da lei e do direito; b) implica extinção do crédito tributário em desacordo com o disposto no art. 170, caput, do CTN, o que não pode ser admitido; e c) não se enquadra em quaisquer das formas de compensação previstas no ordenamento jurídico (arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, com as alterações posteriores, e demais atos normativos atinentes à matéria). Aduz, ainda que a impossibilidade de compensação da forma pretendida pelo sujeito passivo no caso não implica o não reconhecimento de eventual direito de crédito de que seja titular, uma vez que on contribuinte permanece com a faculdade de requerer a compensação, nos moldes da legislação aplicável no momento em que fizer o requerimento, ou mesmo a restituição de eventuais valores a que tenha direito, desde que observado o prazo previsto no art. 168 do CTN. O despacho de fls. 125/126 deu seguimento ao Recurso Especial. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 131/134. É o relatório. Voto Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13362.000160/200423 Acórdão n.º 910101.290 CSRFT1 Fl. 2 3 Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo e, demonstrada a divergência, foi dado seguimento em despacho de admissibilidade. No tocante ao conhecimento do Recurso Especial, o despacho de admissibilidade bem demonstra a divergência: “A decisão recorrida entendeu que, no caso de exclusão do SIMPLES, a fiscalização deve ao lavrar o auto de infração por outra modalidade de tributação, definido o valor de cada tributo, deve diminuir o valor correspondente a esse mesmo tributo recolhido pelo sistema SIMPLES. Já a o acórdão paradigma entendeu de forma diametralmente oposta, ou seja que o valor recolhido pela modalidade do SIMPLES, por ser indevido visto a exclusão daquela forma de tributação, não pode ser deferida pela autoridade julgadora em processos de exigência de crédito tributário, mas somente através de declaração de compensação DECOMP”. Portanto, conforme se verifica do despacho de admissibilidade, cingese a lide em saber se os valores recolhidos pelo contribuinte no SIMPLES devem ser imputados de ofício pela autoridade fiscal na apuração da CSLL, cujo lançamento foi efetuado após a exclusão do contribuinte. Esclareço que não se discute nos autos a prova dos recolhimentos efetuados na sistemática do SIMPLES, mas tão somente a (des)necessidade de que tais valores sejam considerados na apuração da CSLL quando do lançamento de ofício. Conforme bem elucidou o voto condutor do acórdão recorrido, o SIMPLES implica no pagamento unificado de diversos tributos especificados, dentre os quais está a CSLL. A própria legislação do SIMPLES, vigente à época, Lei nº 9.317/96, em seu artigo 23, estabelecia qual o percentual dos pagamentos a que correspondia cada tributo. Do mesmo modo, a legislação atualmente vigente (Lei Complementar nº 123/2006) traz anexos com os referidos percentuais. Não resta dúvidas, portanto, que os pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES devem ser considerados para fins de apuração de tributos quando o contribuinte é excluído de tal sistemática. Tratase de dever da autoridade fiscal realizar a imputação dos pagamentos efetuados no SIMPLES, sob pena de erro na apuração do crédito tributário constituído de ofício. Não se trata, portanto, de compensação a ser realizada nos moldes do artigo 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, mas de mero abatimento dos valores já recolhidos, razão pela qual não procede à alegação da Recorrente de violação do princípio da legalidade por ausência de previsão legal. Para que não fosse efetuado a imputação dos valores recolhidos pela sistemática do SIMPLES na nova apuração da CSLL, seria necessário que a lei expressamente vedasse e estabelecesse exceção à própria sistemática de apuração do crédito tributário lançado de ofício. Nada obstante, não seria, no mínimo razoável, se assim o fizesse. Na realização do lançamento, como consequência da exclusão do contribuinte do SIMPLES, cabe à autoridade fiscal verificar se é possível efetuar a imputação Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS 4 ao sujeito passivo relativamente ao qual foi negada a relação jurídica anterior. A desconstituição jurídica da obrigação anterior (pagamento pela sistemática do SIMPLES) é implicação lógica da própria negação do fato e da relação jurídica (possibilidade de apuração pelo SIMPLES), sempre que se tratar de mesmo ente tributante. Em acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que tratou dos efeitos da reclassificação fiscal, decidiuse que o fato que se reporta a um determinado evento e nega, por implicação lógica, o fato jurídico tributário anteriormente apresentado deve, por decorrência lógica, imputar os efeitos da nova realidade jurídica ao contribuinte envolvido nas relações jurídicas, negada e constituída. Vale transcrever trecho de acórdão que, apesar de tratar de situação fática distinta, bem assevera a necessidade de imputação de ofício quando se altera a realidade jurídica, e brilhantemente segrega a natureza da imputação daquela relatva à compensação: “se afastados os efeitos do suposto pagamento de prêmio na subscrição de debêntures e tributados pelo fisco os valores registrados como atribuídos à controladora a título de participação, os valores assim registrados pela beneficiária devem nela ser tratados como lucros recebidos da investida, sem tributação. Se referidos valores foram oferecidos à tributação na beneficiária, porque titulados como rendimentos, devem ser agora deduzidos do valor tributável decorrente da glosa das amortizações do prêmio, independentemente de formalidades, pois não se trata de repetição de indébito ou de compensação de créditos, mas sim de reclassificação dos fatos” 1. A imputação de ofício não causa prejuízo ao fisco, ao contrário, efetuála é dever da Administração Tributária ou tarefa jurisdicional, dos poderes típicos e atípicos, no controle de legalidade dos atos públicos. A imputação é uma função administrativa. Não devem ser tomados os atos administrativos de forma isolada, posto que é juridicamente relevante o conjunto de atos que implicam no poder e no dever outorgado pelo ordenamento jurídico, visando a um determinado fim. A Administração Pública só se vale do poder em vista da obtenção do fim, na medida e no limite que o ordenamento jurídico lhe impõe. Tem a Administração, assim, o poder de cobrar e o dever de imputar para que alcance a finalidade da exação sem o locupletamento ilícito. No presente caso, se ocorreu a negativa de apuração pela sistemática do SIMPLES, é dever da autoridade fiscal, quando da constituição do novo fato jurídico tributário, considerála para efeito de imputação dos valore já recolhidos na quantificação do crédito tributário já constituído. Por fim, no sentido do quanto apontado é a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Acórdão nº 180300.311: “(...) COMPENSAÇÃO (SIC) DE VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES COM OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS APURADOS DE OFÍCIO. Estando provado nos autos o recolhimento do tributo na modalidade SIMPLES , relativo aos mesmos períodos fiscalizados, é certo que a legislação de regência confere ao contribuinte o direito de compensar os valores assim determinados, até o mês de sua 1 Trecho do voto do Conselheiro Luiz Martins Valero, prolatado no acórdão nº 10709587, sessão de 17 /12/2008, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13362.000160/200423 Acórdão n.º 910101.290 CSRFT1 Fl. 3 5 exclusão de oficio, com débitos fiscais inclusive os constituídos em lançamento de oficio. Assim deve o Fisco levar em conta tal direito, deduzindo do crédito tributário a ser exigido os valores recolhidos pelo contribuinte de forma unificado, observando as regras de partição fixadas no art. 23 da Lei n° 9.317/96. (...)” Acórdão 1103.00.229: “(...) DEDUÇÃO DO RECOLHIMENTO SOB O REGIME DO SIMPLES O caso é de mero abatimento do valor pago sob o Simples do valor das autuações, e que não se confunde com compensação . O abatimento é de rigor. (...)” Acórdão 180100.064: RECOLHIMENTO INDEVIDO, COMPENSAÇÃO (SIC). Por se tratar o Simples de uma forma simplificada e unificado de pagamento de impostos e contribuições, que mantêm identidade com os tributos correspondentes, deve ser reconhecido o direito à contribuinte, em face da exclusão do Simples , de compensar, no presente lançamento, os valores já recolhidos sob aquela sistemática. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 20/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10314.012230/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 31/12/2007
LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Na relação jurídicotributária
o ônus probandi incumbi ei qui decit (a quem
afirma). Cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato jurídico tributário
imputado ao contribuinte. À mingua de prova de sua ocorrência, não há como
prosperar a exigência tributária. No caso, a multa regulamentar.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-001.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 31/12/2007 LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbi ei qui decit (a quem afirma). Cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato jurídico tributário imputado ao contribuinte. À mingua de prova de sua ocorrência, não há como prosperar a exigência tributária. No caso, a multa regulamentar. Recurso de Ofício Negado.
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ÔNUS DA PROVA. Na relação jurídicotributária o ônus probandi incumbi ei qui decit (a quem afirma). Cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato jurídico tributário imputado ao contribuinte. À mingua de prova de sua ocorrência, não há como prosperar a exigência tributária. No caso, a multa regulamentar. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente de auto de infração (multa regulamentar) lavrado em razão da prática, pela recorrente, de interposição fraudulenta na importação. Ciente do lançamento, a empresa recorrente impugnou o lançamento, cujas razões de defesa estão consignadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRJ em São Paulo II SP julgou improcedente o lançamento, recorrendo de ofício a este CARF, nos termos do Acórdão nº 1747.796, de 26/01/2011, cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALTA DE PROVAS. O Decreto 70.235/72 dispõe que o auto de infração deve conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal (artigo 10, incisos III e IV), bem como ser instruído com todos os “termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito” (artigo 9º, caput). É ônus da autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Houve omissão da autoridade autuante, o que fulmina o lançamento. O processo foi remetido ao CARF para julgamento do recurso de ofício e, na forma regimental, foi distribuído para relatar. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso de ofício atende às disposições legais e dele conheço. Como relatado, trata o presente de auto de infração de multa regulamentar lavrado contra a empresa MEGADATA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA em razão da importação de produtos da marca MIRAGE, cuja distribuição é de exclusividade da empresa SOSECAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Em sua defesa, a empresa autuada alega que à época das importações a empresa SOSECAL ainda não possuia o registrodefinitivo da marca MIRAGE e, portanto, antes do registroqualquer empresa poderia importar produtos da marca MIRAGE e, ainda, que foi feito contrato com a SOSECAL permitindo o uso da marca MIRAGE pela autuada. Faz, ainda, prova dos recursos financeiros utilizados na importação (extratos bancários). A decisão recorrida, após fazer um resumo das disposições legais aplicáveis à matéria, conclui que os elementos essenciais para caracterizar a interposição alegada no auto de infração são os seguintes personagens: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10314.012230/201011 Acórdão n.º 330201.407 S3C3T2 Fl. 105 3 A presença de um adquirente oculto, que negocia com o exportador, determina o que será comprado, a quantidade, preço, etc... e que arca com o ônus financeiro da operação. A presença do importador interposto, que realiza os trâmites do despacho de importação como se estivesse importando por conta própria. Nas razões de decidir, a Turma de Julgamento argumenta: Assim, para a caracterização da interposição, deve haver provas da existências dessas duas pessoas nas respectivas condições ou, alternativamente, ser aplicada a presunção do art. 23, V, § 2º do DecretoLei nº 1.455/76. [...] Cabe esclarecer aqui que, salvo hipótese de importação de produtos contrafeitos do art. 544 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/02), qualquer empresa pode importar produtos de marca registrada, originais, sem que isso se caracteriza como um ilícito aduaneiro. Não há qualquer norma tributária que impeça que uma empresa importe produtos da marca MIRAGE ou qualquer outra marca e os comercialize no mercado nacional. O que há de fato, na esfera do direito privado, é a possibilidade do detentor da marca acionar na justiça tal importador por violação ao direito de propriedade. Importante destacar que tal iniciativa é privativa do detentor da marca nos termos do art. 199 da Lei nº 9.279/96 (Lei de Marcas e Patentes), e não resulta em qualquer interferência na esfera de atuação da Aduana brasileira. (grifos do original) [...] Compulsando os autos, não há qualquer elementos de prova que comprove a infração imputada. Não há provas de que o real adquirente na importação tenha sido a SOSECAL. Não há provas de que a SOSECAL tenha arcado com os custos financeiros da operação. Não há provas da transferência financeira da SOSECAL para a MEGADATA realizar as importações. Não há provas da relação negocial direta entre SOSECAL e o exportador estrangeiro. Enfim, não há nada que comprove ser a SOSECAL a real adquirente. Também não há provas de que a MEGADATA operou como importadora de fachada. A fiscalização apresenta em síntese a pesquisa no site do INPI. Os fatos e as razões de direito narrados na decisão recorrida são absolutamente fiéis e, portanto, não há reparos a fazer. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 108DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/01/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.906955/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
ALEGAÇÃO GENÉRICA E IMPERTINENTE.
O Processo Administrativo Fiscal não se presta a discussão de tema “em tese”, cuja ocorrência não tenha sido demonstrada.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO STJ.
Com a edição do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ submetidas ao rito do art. 543C
do CPC devem ser seguidas pelo CARF.
Assim, o crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96 não apresenta a restrição contida na IN SRF nº 23/97.
Destarte, o condicionamento do incentivo fiscal aos nsumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação
pelo PIS e pela Cofins, exorbita dos limites impostos pela lei ordinária.
TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. APLICABILIDADE AOS CRÉDITOS LEGÍTIMOS RESISTIDOS PELO FISCO.
Deverão ser corrigidos pela taxa Selic os valores devidos e resistidos pelo fisco, desde a formulação do pedido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-000.825
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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IMPOSSIBILIDADE. O Processo Administrativo Fiscal não se presta a discussão de tema “em tese”, cuja ocorrência não tenha sido demonstrada. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA E COOPERATIVAS. RECURSO REPETITIVO STJ. Com a edição do art. 62A do RICARF, as decisões proferidas pelo STJ submetidas ao rito do art. 543C do CPC devem ser seguidas pelo CARF. Assim, o crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96 não apresenta a restrição contida na IN SRF nº 23/97. Destarte, o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela Cofins, exorbita dos limites impostos pela lei ordinária. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. APLICABILIDADE AOS CRÉDITOS LEGÍTIMOS RESISTIDOS PELO FISCO. Deverão ser corrigidos pela taxa Selic os valores devidos e resistidos pelo fisco, desde a formulação do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 193 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Rodrigo Pereira de Mello e Maria Teresa Martínez López. Sustentou pela parte o Advogado Hexandro Barreto Borges OAB nº. 196401 SP Relatório MARFRIG FRIGORÍFICOS E COMÉRCIO DE ALIMENTOS S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 151/171, contra o acórdão nº 1427.249, de 21/01/2010, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, fls. 144/149v, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade, relativa à solicitação de ressarcimento do crédito presumido de IPI, conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos (fls. 144v/145): Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do créditopresumido do IPI e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito deferido. A Contribuinte apresentou diversas Dcomp pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei nº 10.276/2001, cálculo alternativo, referente ao 3º Trimestre do ano de 2003, no montante de R$ 20.348.540,94, sendo R$ 14.588.777,00 de crédito presumido e R$ 5.759.763,94 de correção monetária. A DRF de origem deferiu parcialmente o crédito e, conseqüentemente, homologou as compensações até o limite do crédito concedido, no montante de R$ 11.873.380,82 (glosa de R$ 8.475.160,12), pelos motivos abaixo expostos: a) Aquisições de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins (R$ 2.715.396,18); b) Atualização monetária do crédito, no valor de R$ 5.759.763,94 (demonstrada na planilha, anexo I, fls. 61/62). Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em resumo, o seguinte: Considerando a data em que as Dcomp foram apresentadas (de 30/03/2004 a 30/06/2004) e tendo em vista que o despacho decisório que não homologou parte destas compensações foi proferido em 30/06/2009, sendo a ciência dada em 31/07/2009, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 194 3 resta evidente que os “débitos glosados foram atingidos pela decadência”, determinada pelo artigo 150, § 4º do CTN; Assim, considerando que se tratam de Per/Dcomp transmitida em 2003, verificase que decaiu o direito do Fisco de proceder o lançamento dos débitos objeto da compensação em comento, vez que ultrapassou os cinco anos do prazo estabelecido no artigo 150, § 4º do CTN; O incentivo fiscal estipulado pela lei visou incentivar as exportações com desoneração da tributação e via de conseqüência, do custo dos produtos brasileiros exportados, devolvendo às empresas produtoras/exportadoras os valores que foram recolhidos à título de contribuições sociais – PIS e Cofins; Independente da ocorrência ou não de incidência das contribuições na etapa anterior, as aquisições de matérias primas produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. A Instrução Normativa SRF nº 23/97 restringe claramente o incentivo fiscal criado pela Lei nº 9.363/96, ferindo os princípios basilares insculpidos na Constituição Federal e agindo em flagrante e absoluta ilegalidade . A lei estabelece que a base de cálculo é o valor total das aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, sem exclusões. A jurisprudência administrativa emanada pela Câmara Superior confirmam a ilegalidade da IN SRF 23/97; Em situação análoga ao presente caso, houve reparação normativa do equivoco adotado para o PIS nãocumulativo previsto na Lei 10.637/2002, que teria onerado demasiadamente o adquirente de produtos de pessoas físicas. Ainda que o artigo 1º da citada lei tenha a princípio restringido a possibilidade de crédito aos bens e serviços adquiridos de pessoas físicas, mereceu reparo, por meio da MP nº 107/2003, que expressamente incluiu tais créditos da vedação; A aplicação de fator de atualização monetária configura medida de irrefutável obediência aos princípios gerais do direito, em especial ao princípio da isonomia., sendo cabível a analogia com o disposto no artigo 66, 3º, da Lei nº 8.383/1991, dispensados aos institutos da restituição ou compensação. Por fim, solicitou a reforma da decisão para se reconhecer aq decadência da exigência constante dos Per/Dcomp apresentados até 30/06/2004 e o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas bem como a atualização monetária deste crédito pela aplicação da taxa Selic, convalidando totalmente as compensações realizadas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 195 4 O acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/PASEP e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Incabível a concessão do crédito presumido acrescido de juros de mora pela taxa SELIC. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Tempestivamente, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 151/171, repisando seus argumentos de defesa anteriormente apresentados em relação à: a) ocorrência de decadência visto que as Dcomp foram transmitidas até 30/06/2004, tendo sido a empresa intimada do Despacho Decisório da DRF em 31/07/2009; b) necessidade de apreciação de inconstitucionalidade de norma; c) reconhecimento do direito ao crédito decorrente de aquisições de pessoas físicas e cooperativas, visto que a restrição ao benefício decorre apenas da IN SRF nº 23/97, sendo irrelevante a incidência em etapa anterior e, d) por fim, requer a atualização monetária do crédito. Seu pedido encontrase registrado nos seguintes termos: DO PEDIDO Face ao exposto, requer seja recebido e processado o presente recurso, acatando os argumentos consignados para que seja DADO PROVIMENTO, a fim de: i) suspender a exigibilidade do crédito tributário, consoante disposição do artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; ii) reformar a r. decisão no que tange aos débitos glosados, a fim de reconhecer o direito de crédito presumido de IPI das aquisições realizadas de pessoas físicas e cooperativas, bem como a atualização monetária do crédito e taxa selic, homologando totalmente as compensações realizadas pela empresa. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 196 5 Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Inicialmente, conforme registra a interessada em seu pedido, o presente processo encontrase com a exigibilidade suspensa com supedâneo no art. 151, III, do CTN, c/c o art. 33 do Decreto nº 70.235/72, em decorrência do recurso apresentado. Conforme mencionado anteriormente, a contribuinte pleiteou crédito presumido de IPI, com fulcro na Lei nº 10.276/01, modalidade alternativa ao previsto na Lei nº 9.363/96, referente ao 3º trimestre de 2003, no valor de R$20.348.540,94. A DRF de origem reconheceu o valor de R$11.873.380,82, efetuando a glosa de R$8.475.160,12, sendo: R$2.715.396,18 por se tratar de aquisições de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins e R$5.759.763,94 por se referir a atualização monetária do crédito pleiteado. A interessada aduz a ocorrência de decadência, visto que as Dcomp foram transmitidas até 30/06/2004 (fl. 84 e 154), tendo sido a empresa intimada do Despacho Decisório da DRF em 31/07/2009 (fl. 87v). A recorrente transcreve as considerações do relator do voto condutor do acórdão, o qual registra: ‘No entanto, em que pesem os argumentos levantados acima, cabe esclarecer que os débitos informados nas DCOMP, pela contribuinte, foram totalmente compensados com o crédito deferido no presente processo, conforme documentos de fls. 87, 88 a 98 e 100, fato que torna inútil a discussão.’ Na sequencia, a recorrente argumenta que: Contudo, verificase, que na hipótese de restarem débitos nas DCOMP's, objeto do presente processo administrativo, os mesmos encontramse fulminados pela decadência, uma vez que conforme apontado pelo I. Julgador, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, será de 5 (cinco) anos, contados da data de entrega da declaração de compensação. [...] Pois bem, considerando que se tratam de Per/dcomp's transmitidas em 2003, verificase que decaiu o direito do Fisco de proceder o lançamento dos débitos objeto da compensação em comento, vez que ultrapassou os cinco anos de prazo estabelecido pelo § 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Conforme mencionou o acórdão recorrido, de se registrar tratarse de débitos declarados, não havendo que se cogitar de se proceder ao lançamento ou de contagem de prazo decadencial para a constituição de crédito tributário. Nesses casos ocorre a homologação tácita Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 197 6 da compensação declarada, consoante o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, que assim dispõe: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Todavia, a interessada somente argumenta, em tese, sem apresentar quaisquer elementos que possam demonstrar algum prejuízo, ratificando, assim, a conclusão da instância a quo, sobre a matéria, a qual encontrase consignada nos seguintes termos (fl. 145v): No entanto, em que pesem os argumentos levantados acima, cabe esclarecer que os débitos informados nas DCOMP, pela contribuinte, (exceto a dcomp 07768.85211.041104.1.3.015667, que foi transferida para outro processo, por referirse a crédito apurado em outro período), foram totalmente compensados com o crédito deferido no presente processo, conforme documentos de fls. 87; 88 a 98 e 100, fato que torna inútil a discussão. Assim sendo, visto que o Processo Administrativo Fiscal não se presta a discussão de temas “em tese”, passase à analise do próximo item. A interessada insurgese contra a não apreciação das alegações de inconstitucionalidades. Em relação à necessidade de apreciação de inconstitucionalidade de norma, este Conselho já se manifestou por meio da Súmula CARF nº 2, no seguinte sentido: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, em relação a este tema, este Conselho não está autorizado a se manifestar. Quanto às glosas decorrentes das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins, tenho me manifestado no sentido de que a lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao Pis e à Cofins no fornecimento ao produtor exportador. O crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior. Nesse diapasão, verificase que o artigo 1º da Lei nº 9.363/96, restringe o benefício ao “ressarcimento de contribuições ... incidentes nas respectivas aquisições”. O estímulo concedido foi materializado como crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de insumos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. Esse entendimento é reforçado através do que dispõe o art. 5º da Lei nº 9.363/96, abaixo transcrito, o qual prevê o imediato estorno a ser promovido pelo produtor Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 198 7 exportador, quando o seu fornecedor se beneficiar, através de restituição ou compensação, da contribuição que havia sido paga. Art.5oA eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1o, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. Portanto, não foi a IN SRF nº 23/97 que limitou a utilização dos créditos, e sim a própria Lei nº 9.363/96 instituidora do benefício. Na mesma toada, entendo indevida a aplicação da taxa Selic ao ressarcimento de créditos de IPI, pois, a uma, pela inexistência de previsão legal; a duas, pela impropriedade de se aplicar, por analogia, a taxa Selic prevista no art. 39, § 4o, da Lei 9.250/95, aos casos de restituição, ou seja, decorrentes de pagamento de tributo, indevido ou a maior, dada a natureza distinta dos institutos; a três, por se tratar de um instrumento inadequado no caso de uma economia estabilizada e desindexada inaugurada pós Plano Real. Contudo, por meio do REsp 993.164MG, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em 13/12/2010, o STJ pronunciouse de outro modo, conforme registram as razões de decidir postas nos seguintes termos: 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. [...] 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 199 8 atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). [...] Em relação a aplicação da taxa Selic a mesma decisão consigna: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). [...] Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 200 9 Por fim, o referido acórdão registra: 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O acórdão restou assim ementado: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. Ademais, neste sentido já havia se pronunciado o Superior Tribunal de Justiça, por meio da Súmula STJ nº 411, de 25/11/2009, que assim dispõe: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Por outro lado, a Portaria MF nº 256/09, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nos 446/09 e 586/10, que aprova o Regimento Interno do CARF, passou a dispor do seguinte modo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, vez que a decisão citada fora proferida em conformidade com o rito previsto no art. 543C, deverá ser seguida por este colegiado. Ressaltese que a correção dos valores pleiteados somente se aplica à pretensão legítima quando resistida pelo fisco. Neste passo, somente créditos remanescentes da compensação declarada, são passíveis de correção em relação aos valores oriundos de aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Isto posto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente ao crédito oriundo de aquisições de pessoas físicas e cooperativas, bem assim, da aplicação da taxa Selic, somente sobre estes valores (créditos de pessoas físicas e Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.906955/200823 Acórdão n.º 3301000.825 S3C3T1 Fl. 201 10 cooperativas), desde o pedido efetuado pela contribuinte, em relação aos crédito remanescentes das compensações declaradas. (ASSINADO DIGITALMENTE) MAURICIO TAVEIRA E SILVA Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/04/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/04/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001721/2003-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO — CONTAGEM DO PRAZO PARA EXTINÇÃO DO DIREITO — INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN - O prazo de cinco anos para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Esse termo não se altera em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, eis que, nesse caso, o pagamento extingue o crédito sob condição resolutória.
Numero da decisão: 1102-000.161
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgamento. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior, que consideram não extinto o direito do contribuinte.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: SANDRA FARONI
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Esse termo não se altera em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, eis que, nesse caso, o pagamento extingue o crédito sob condição resolutória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgamento. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e João Carlos de Lima Júnior, que consideram não extinto o direito do contribuinte. --- SANDRA FARONI — Presidente e Relatora EDITADO EM: o 7 j u 2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, José Carlos Passuello, Marcelo Cuba Neto (suplente convocado) e Valmir Sandri (Conselheiro Substituto). Processo n° 13851.001721/2003-19 S1-C1T3 Acórdão n.° 1102-00.161 Fl. 2 Relatório A interessada, em 15 de outubro de 2003, apresentou declaração de compensação de créditos de saldo negativo de contribuição social sobre o lucro líquido — CSLL do ano-calendário de 1995 com débitos de outros tributos vencíveis em 10 e 15 de outubro de 2003. A Delegacia da Receita Federal em Araraquara, SP, por meio do despacho decisório de fls. 75/80, não homologou a compensação declarada pela contribuinte em razão da decadência do direito de pleitear a restituição. Em manifestação de inconformidade dirigida à DRJ de Ribeirão Preto, a interessada alegou ter apresentado a declaração de compensação bem antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118, de 2005, e que a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou, em definitivo, o entendimento de que, nos casos de homologação tácita de (indevido) pagamento antecipado de tributo, a contagem do prazo previsto no inciso I do art. 168 do Código Tributário Nacional (CTN) somente se inicia com a efetiva extinção do (preteriso) crédito tributário, que se dá com o decurso do qüinqüênio estabelecido no art. 150, §1°, daquele "Codex". Acrescentou que se a fiscalização utiliza as regras de decadência e prescrição disciplinadas na Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 para o lançamento das contribuições, deve ser reconhecido idêntico prazo para o contribuinte pleitear o que recolheu indevidamente ou a maior. A Turma de Julgamento indeferiu a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório da DRF. Ciente da decisão em 30 de janeiro de 2008, a interessada ingressou com recurso em 14 de fevereiro alegando, em síntese, impossibilidade jurídica de aplicar de forma retroativa a Lei Complementar 118/2005, e reiterando as alegações declinadas perante a DRJ. É o relatório. •• 2 Processo n° 13851.001721/2003-19 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.161 Fl. 3 Voto Conselheira Sandra Faroni, Relatora Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Cuida-se de pedido de restituição, cumulado com declaração de compensação, indeferido por estar extinto o direito de pleitear a restituição. A compensação pressupõe a existência de um direito creditório a ser utilizado para extinguir os débitos. E o reconhecimento desse direito creditório tem um prazo para pleiteado. O Código Tributário Nacional assim trata desse direito creditório: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 111 - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 3 Processo n° 13851.001721/2003-19 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.161 Fl. 4 1 - nas hipótese dos incisos 1 e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenató ria. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo inicio da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Independentemente de qualquer consideração em torno da Lei Complementar n° 118, o CTN prevê, como rega geral, em casos de pagamento indevido ou a maior, que o direito de pleitear a restituição se extingue com o prazo de cinco anos contados da data da extinção do crédito. Em se tratando de tributos sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo extingue o crédito sob condição resolutória , o que significa dizer que, feito o pagamento, os efeitos da extinção do crédito se operam desde logo, estando sujeitos a serem resolvidos se não homologado o procedimento do contribuinte, expressa ou tacitamente. Não se desconhecem as manifestações do STJ no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos é a data em que se considera homologado o lançamento (tese dos "cinco mais cinco" que predomina no STJ). Essa tese, todavia, peca pela falha de dar à condição resolutória efeitos de condição suspensiva, elevando o prazo para até 10 anos. O pleito no sentido de acatar o prazo de 10 anos previsto nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, não pode ser considerado, por falta de previsão legal. Além disso, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da referida norma. Nego provimento ao recurso. Sandra Faroni 4
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000287/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/01/2003 a 30/09/2003
BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES.
Descabida a pretensão da Recorrente de suscitar a não observância ao conceito legal de faturamento para fins de determinação da base de cálculo utilizada, quando o lançamento se baseou exclusivamente em informações fornecidas pela própria autuada em sua DIPJ, referindo-se apenas a Receitas de Prestação de Serviços, e, ainda, estando zerados todos os campos
correspondentes às demais receitas bem como às exclusões e deduções legais.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/01/2003 a 30/09/2003
DECADÊNCIA. PIS/PASEP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. TERMO DE INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DE CINCO ANOS. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, deve ser aplicado o disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que estabelece como termo inicial de contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Esse entendimento é
o que restou pacificado no STJ em sede, inclusive, de recurso repetitivo, o que obriga sua adoção pelos membros do Carf, na forma do artigo 62-A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
No caso, nenhum lançamento foi atingido pela decadência.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/01/2003 a 30/09/2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA.
Não presentes os pressupostos de nulidade listados no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, bem como tendo sido o auto de infração fundamentado, dentre outros, em dispositivos do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, os quais fazem menção às leis nos quais se baseiam, de se afastar a nulidade arguida.
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR TER SIDO NEGADA PERÍCIA. IMPROCEDÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa quando se nega o pedido de perícia sob a argumentação de necessidade de produção de provas e respostas a quesitos formulados sem que se tenha verificado sua completa desnecessidade. No caso, o auto de infração está lastreado única e exclusivamente em informações fornecidas pelo próprio autuado.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
De acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 2, o CARF não é
competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No caso, a Recorrente pretendeu, primeiro, debater questões envolvendo o alargamento da base de cálculo do contribuinte em clara discrepância com a motivação do lançamento, que, em momento algum, alcançou outras receitas que não apenas as decorrentes da prestação de serviços, consoante constou da
DIPJ. Em seguida, arguiu a inconstitucionalidade do percentual de 75% da multa de mora por suposta violação ao princípio do não confisco.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-001.722
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso por
unanimidade de votos.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2003 a 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES. Descabida a pretensão da Recorrente de suscitar a não observância ao conceito legal de faturamento para fins de determinação da base de cálculo utilizada, quando o lançamento se baseou exclusivamente em informações fornecidas pela própria autuada em sua DIPJ, referindose apenas a Receitas de Prestação de Serviços, e, ainda, estando zerados todos os campos correspondentes às demais receitas bem como às exclusões e deduções legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2003 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. PIS/PASEP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS. TERMO DE INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO DE CINCO ANOS. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, deve ser aplicado o disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que estabelece como termo inicial de contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Esse entendimento é o que restou pacificado no STJ em sede, inclusive, de recurso repetitivo, o que obriga sua adoção pelos membros do Carf, na forma do artigo 62A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. No caso, nenhum lançamento foi atingido pela decadência. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2003 a 30/09/2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. IMPROCEDÊNCIA. Não presentes os pressupostos de nulidade listados no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, bem como tendo sido o auto de infração fundamentado, dentre outros, em dispositivos do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, os quais fazem menção às leis nos quais se baseiam, de se afastar a nulidade arguida. NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR TER SIDO NEGADA PERÍCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa quando se nega o pedido de perícia sob a argumentação de necessidade de produção de provas e respostas a quesitos formulados sem que se tenha verificado sua completa desnecessidade. No caso, o auto de infração está lastreado única e exclusivamente em informações fornecidas pelo próprio autuado. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. De acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No caso, a Recorrente pretendeu, primeiro, debater questões envolvendo o alargamento da base de cálculo do contribuinte em clara discrepância com a motivação do lançamento, que, em momento algum, alcançou outras receitas que não apenas as decorrentes da prestação de serviços, consoante constou da DIPJ. Em seguida, arguiu a inconstitucionalidade do percentual de 75% da multa de mora por suposta violação ao princípio do não confisco. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso por unanimidade de votos. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira e Ribeiro, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14120.000287/200881 Acórdão n.º 340101.722 S3C4T1 Fl. 191 3 Relatório Tratase de Auto de Infração cientificado a um dos sócios da autuada em 7/08/2008 pela via dos Correios, para a exigência de PIS/Pasep [regime da não cumulatividade] relacionado aos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2003. Segundo o autor do procedimento, os valores do PIS/Pasep devido nos referidos meses não teriam sido recolhidos e nem declarados em DCTF, não obstante constassem da DIPJ entregue pela autuada em 27/07/2004. Alegou ainda que, malgrado suas tentativas de intimação para prestar esclarecimentos quanto a esse fato, o contribuinte não teria sido localizado, mesmo no endereço informado nos cadastros da Receita Federal do Brasil, de sorte que todo o lançamento está calcado nas informações constantes da DIPJ, mais especificamente, da “Ficha 21, Cálculo da Contribuição p/ PIS/Pasep”. Na sua Impugnação, em apertada síntese, a autuada, preliminarmente, suscitou a nulidade do procedimento fiscal, sob a alegação de que o mesmo padeceria dos requisitos de validade, notadamente por conta de a fundamentação ter sido genérica [os artigos mencionados teriam sido citados de maneira vaga], e pelo fato de não ter restado comprovada falta de recolhimento imputada. Além disso, o Fisco não teria demonstrado as deduções cabíveis, de modo que pudesse aferir a legalidade da base de cálculo utilizada. Contestou ainda a menção pelo Fisco às infrações ao Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, quando, a se ver, deveria haver menção à lei. Deu pela falta também, de menção à legislação do Pasep, o que caracterizaria a imprecisão da fundamentação utilizada. Por conta desses argumentos, teria havido violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, vez que, conclui, ficou a mercê de hipóteses sobre a real pretensão do Fisco, de modo que não tem segurança sobre o que exatamente lhe está sendo exigido. Em seguida, reclamou a aplicação da regra prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, segundo a qual o prazo de que dispõe a Fazenda Pública para constituir de oficio o crédito tributário relacionado a contribuições sujeitas ao lançamento por homologação é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, o que implicaria em ter se como atingidos pela decadência os lançamentos dos períodos de apuração de janeiro a agosto de 2003. Quanto ao mérito propriamente dito, a Impugnante, após tracejar um breve histórico da contribuição ao PIS/Pasep, adentrar na temática que trata das limitações constitucionais do poder de tributar, invocar o respeito ao princípio da capacidade contributiva, concluiu que, verbis, “não se pode incluir na base de cálculo do Pis, valores que não demonstrem correlação com seu critério material, o que não fora demonstrado no presente caso, em razão de o Agente Fiscal não buscar elementos concretos, por meio de documentos que revelem o faturamento e a receita da empresa Impugnante, mas por pautarse apenas em meras declarações (sic), sem nenhuma verificação de sua veracidade.” Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Contestou ainda a utilização do percentual de 75% utilizado para a aplicação da multa de oficio, sob o argumento de que o mesmo revela caráter confiscatório, pugnando, ad argumentandum, pela sua redução ao patamar de 10%, por ela considerado como razoável. Referindose à intimação do auto de infração, mais especificamente à redução da multa de oficio nos percentuais de 50% [no caso do pagamento do débito até o vencimento da intimação] e de 40% [no caso de parcelamento do débito requerido no prazo legal da intimação], a Impugnante vislumbrou uma clara violação ao princípio da igualdade e a volta do “solve et repete”, por conta do que considera um “tratamento diferenciado ou privilegiado” àquele contribuinte que deixa de impugnar um lançamento de oficio. Insurgiuse também contra a utilização da taxa Selic como fator de atualização do débito, por falta de amparo legal, postulando, ad argumentandum, que os juros moratórios sejam calculados à razão de 1% ao mês. Por fim e alegando ter sua defesa cerceada, repete o pedido de realização de uma perícia contábil para que se verifique se houve de fato a realização do fato gerador da autuação e se os valores declarados na DIPJ por ela própria, Impugnante, estão mesmo corretos. Indicou o perito e formulou quesitos. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, manteve integralmente o lançamento em decisão assim ementada: “PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. PIS. DECADÊNCIA. Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante n° 8, o direito de constituição do crédito . tributário.relativo as contribuições sociais decai em 5 anos contados do. .primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido . constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Arguições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO A MENOR. Cabível lançamento de oficio do tributo quando o sujeito passivo não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do tributo devido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido “ No Recurso Voluntário a Recorrente, em relação à matéria “Nulidade”, observou que a instância recorrida não teria levado em conta para decidir o disposto nos artigos 10 e 11 (sic) do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, notadamente o inciso IV, que trata da obrigatoriedade do auto de infração conter “a disposição legal infringida”. No mais, repetiu os termos de sua impugnação. Em relação aos temas “ilegalidades e inconstitucionalidades”, que não foram conhecidos pela instância ora recorrida, a Recorrente entende que o julgador não pode Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14120.000287/200881 Acórdão n.º 340101.722 S3C4T1 Fl. 192 5 menosprezar o texto constitucional e que, portanto, deveria analisar o caso concreto e deixar de aplicar determinada norma ao verificar que a mesma é inconstitucional. Quanto à decadência, repetiu, com mais ênfase, os argumentos de que a regra a ser utilizada no presente caso seria a do § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, e não a do inciso I, do artigo 173. No mérito, repetiu a argumentação de que o Fisco, observando, verbis, “EM MOMENTO ALGUM VERIFICASE NO AUTO DE INFRAÇÃO DE LANÇAMENTO DE PIS QUE A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA TENHA PROVADO A INVERACIDADE DOS REGISTROS ESCRITURAIS DA EMPRESA Recorrente” [destaques do original], para reclamar pela aplicação da regra do § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598/77. Por fim, repetiu os mesmos argumentos da impugnação em relação à multa de oficio, aos juros de mora, não mais reclamando, todavia, pela suposta violação ao principio da igualdade e da volta ao “solve et repete” em relação às reduções oferecidas pelo Fisco no caso de pagamento do débito no prazo de trinta dias da ciência do auto de infração. No essencial, é o Relatório. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 26/07/2010, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 24/08/2010. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Preliminares Nulidade Basicamente, o argumento da Recorrente para que seja decretada a nulidade do auto de infração está na forma com que foi fundamentada a infração, qual seja, de modo vago e impreciso, o que não lhe permitiria saber exatamente o quê lhe está sendo exigido. A Recorrente não tem razão. Primeiro, porque não se concebe que da motivação dada pelo Fisco e constante do auto de infração não se consiga captar com clareza o que realmente deu origem ao lançamento, senão vejamos [fl. 4]: “ [...] Os valores cobrados através do presente auto de infração foram apurados pela empresa e constam da DIPJ da empresa, na ficha "21 Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP Regime NãoCumulativo", linha "44 _ CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP A PAGAR". Os referidos valores não foram recolhidos ou declarados em DCTF. [...]” Com outras palavras, e numa linguagem mais simples, de modo que a Recorrente possa compreender, a autoridade fiscal quis dizer que o auto de infração foi lavrado para exigir, cobrar o valor do PIS/Pasep que ele próprio, contribuinte, indicou ser devido na sua DIPJ. Ou, ainda, tratase do PIS/Pasep que, mesmo declarado como sendo o devido pelo contribuinte, não foi por este recolhido aos cofres públicos. E, segundo, que, não obstante fossem citados pelo Fisco dispositivos do Decreto nº 4.544, de 2002, como infringidos/base legal, que não a lei, isso não tem o condão de invalidar o lançamento, porquanto da leitura de cada um deles é perfeitamente possível se compreender os motivos da autuação, e propiciar a defesa, senão vejamos. No artigo 2º, identificase o fato gerador da contribuição, no caso, o auferimento de receita; no artigo 3º, identificamse os contribuintes sujeitos à incidência; no artigo 10 a indicação de que a base de cálculo corresponde ao faturamento da empresa [receita bruta], no artigo 22, são demonstradas as exclusões e deduções gerais da base de cálculo; e, por fim, no artigo 51, fixamse as alíquotas para a apuração do valor devido. Além disso, e por conta de não ter conseguido intimar o contribuinte a esclarecer as razões do não recolhimento do PIS/Pasep, valeuse da regra do art. 835 do Decreto nº 3.000, de 1999 [Regulamento do Imposto de Renda], a seguir transcrito: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14120.000287/200881 Acórdão n.º 340101.722 S3C4T1 Fl. 193 7 “Art.835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74). §1º A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. §2º A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §1º). §3º Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 19). §4º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício de que trata o art. 841 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74, §3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)” Neste ponto, faço uma ressalva no sentido de que o AuditorFiscal poderia ter se dado ao trabalho de empreender esforços para ir além de simples intimações enviadas pelos Correios e por Edital, de modo se ver diante de alternativa outra que não a de apegarse à regra do § 4º acima transcrito e fazer a autuação com base na DIPJ tão somente. Poderia, por exemplo, ter ido ao local que consta como sendo o endereço da empresa nos cadastros da Receita Federal; poderia tentar o contato telefônico junto ao número que consta da Ficha 02 da DIPJ [fl. 18], bem como junto aos sócios da empresa que estão listados na Ficha 49 da DIPJ [fl. 22]. Mas, ainda que o procedimento do Fisco mereça essa ressalva, isso, por si só, não tem o condão, como dito, de tornar nulo o lançamento, vez que claramente identificada a sua motivação, bem como os dispositivos que tratam da obrigação de recolher a contribuição em comento. Quanto à utilização de um decreto e não de uma lei, vale observar que em todos os dispositivos do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, citados pelo Fisco há a menção expressa de onde foram retirados, ou seja, qual a Lei que lhes dá sustentação. De se afastar, portanto, a nulidade arguida pela Recorrente. Cerceamento do direito de defesa – pedido de perícia No último tópico de seu Recurso Voluntário a Recorrente alega que a negativa da DRJ ao seu pedido de perícia para a produção de provas implica em cerceamento à sua defesa. Seu argumento é o de que o auto de infração teria sido calculado por “presunção, não passando de cifras ilusórias que não refletem a realidade”. Vejamos os quesitos que ela formulou: “1) Consta no auto de infração os requisitos exigidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional? 2 No auto de infração consta à natureza do débito tributário ora cobrado? Em caso positivo, quais são os tributos efetivamente cobrados? 3) Qual foi 6. base de cálculo eleita? E a alíquota aplicada? 4) Como o Fisco chegou ao valor Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 apurado? 5) Os valores cobrados pelo agente fiscal servem como parâmetro para a tributação da empresa via PIS/PASEP? Ou seja, demonstra efetivamente receitas e faturamentos ou não? 6) O agente fiscal realizou a redução das despesas legalmente dedutíveis? 7) Quais os encargos financeiros incidentes sobre o suposto crédito tributário? 8) Qual (is) é (são) a (s) contribuição (ões) que está (do) sendo cobrada (s)?” Primeiramente, de se esclarecer, ou repetir, que, se houve “presunção” no lançamento, a mesma se deu quando o Fisco “presumiu” como verdadeiras as informações prestadas pelo contribuinte na sua DIPJ, pois, à mingua de outros dados, é de lá que se origina o lançamento, ou seja, é na DIPJ que consta a base de cálculo [Receitas de Prestação de Serviços] e o valor da contribuição devida [calculada pelo contribuinte]. Então, a não ser que a Recorrente disponha de documentos realmente capazes de reformar ou retificar o que ela própria fez constar da DIPJ, o que, fosse o caso, já deveria ter sido objeto de uma declaração retificadora, ou mesmo, de se trazer por ocasião do Recurso Voluntário um fiapo dessas “provas”, observase que não há necessidade alguma de se recorrer a um expert para obter as respostas aos quesitos formulados, vez que, às escâncaras, estão elas nos documentos trazidos ao processo pela autoridade fiscal. Tratase o pedido de perícia, portanto, de uma pretensão completamente descabida e que deve ser rechaçada. Questões de mérito Inconstitucionalidade de leis O entendimento da Recorrente e o julgado por ela colacionado, de que deveriam, sim, as autoridades de julgamento enfrentar as imputações de inconstitucionalidade de leis, restam superados em face do enunciado da Súmula CARF nº 2, consolidada no Anexo III da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, segundo a qual "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Aliás, e apenas à guisa de argumentação, e sem bem compreendi a motivação da Recorrente quando discorreu sobre esse tema, pretendeu ela trazer para o debate a questão do “alargamento da base de cálculo” considerada inconstitucional pelo STF. Ora, consoante veremos mais adiante, no tópico específico, o valor da contribuição que está sendo exigida teve como base de cálculo apenas e tão somente as receitas de prestação de serviços; nenhuma outra além delas, o que torna estéril qualquer enfrentamento sobre tal matéria. De se negar provimento, pois, à pretensão da Recorrente quanto a este tema. Decadência De se repetir aqui que estamos diante de uma situação em que o contribuinte foi flagrado pelo Fisco numa situação de inadimplência em relação ao PIS/Pasep dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2003. De fato, como visto e revisto acima, informou dever o PIS/Pasep sem que o tivesse recolhido aos cofres públicos e sem que tivesse confessado tais débitos em suas DCTF. Em outras palavras, e, em resumo: o contribuinte não fez nenhum pagamento do PIS/Pasep para os períodos de apuração em questão. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14120.000287/200881 Acórdão n.º 340101.722 S3C4T1 Fl. 194 9 Ora, já restou pacificado no âmbito do Carf, até por conta do entendimento do STJ manifestado em sede de apreciação de recursos repetitivos, o que, na forma do novo regimento do Carf, nos obriga a seguilo, que, diante da ausência de pagamento antecipado, a regra para a contagem do prazo decadencial para os tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação deve ser a do inciso I, do art. 173, do Código Tributário Nacional, em detrimento daquela constante do § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Aliás, nem mesmo a Recorrente se apercebeu disso, vez que os dois julgados do STJ que colacionou, supondoos em seu favor, apontam para isso, senão vejamos a reprodução abaixo das ementas constantes da peça recursal à fl. 163: “TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 40 E 173 DO CTN) 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150 § 4°, do CTN). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN 3. Em normais circunstancias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Recurso especial provido. (STJ RESP 279.473 SP 2. T. Rel. Min. Eliana Calmon DJU 8.4.2002) TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, de modo que o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador (a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo). Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será caso de lançamento por homologação, situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Recurso especial conhecido e improvido. (RESP 199.560/pargendler) (STJ RESP 172.997 SP la. T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros DJU 1.7.1999 p. 125)” (grifei) E tal regra, a do inciso I, do art. 173, dispõe que o prazo decadencial de cinco anos se inicia somente no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ser constituído. Adaptandoo ao presente caso, temos que o primeiro dia do prazo decadencial seria em 1º de janeiro de 2004 e o último dia seria em 31 de dezembro de 2008. Assim, tendo o auto de infração cientificado ao contribuinte em agosto de 2008, não há que se falar em decadência para nenhum período de apuração. Base de cálculo – “outras receitas” (?) A Recorrente traz para o debate o conteúdo e o alcance da expressão “faturamento”, como se tivesse o Fisco levado em conta na apuração do PIS/Pasep devido a existência de outras receitas que não apenas aquelas decorrentes do faturamento da empresa. Não foi isso o que ocorreu. O único item do faturamento da empresa, consoante ela própria indicou em sua DIPJ é a Receita de Prestação de Serviços, encontrandose zerados todos os campos das demais receitas e das deduções ou exclusões, o que poderia justificar o “inconformismo” da Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Recorrente quanto à utilização dos conceitos legais de faturamento e quanto a um não aproveitamento das deduções ou exclusões legais. Envereda pelo cipoal doutrinário que trata da delimitação do poder de tributar, dentre outros, para, aos grifos e em letras maiúsculas registrar, verbis: “EM MOMENTO ALGUM VERIFICASE NO AUTO DE INFRAÇÃO DE LANÇAMENTO DE PIS QUE A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA TENHA PROVADO A INVERACIDADE DOS REGISTROS ESCRITURAIS DA EMPRESA.” A Recorrente está cobertíssima de razão neste ponto, vez que a autuação está toda ela calcada nas informações prestadas pela autuada na sua DIPJ, o que, de forma diferente à compreensão da Recorrente, justifica o argumento da DRJ de que a autoridade fiscal nada mais fez que prestigiar/observar a regra do § 1º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598/77, segundo o qual “A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Ora, pergunto eu, o que está insinuando a Recorrente? Que suas próprias informações constantes da DIPJ não merecem crédito? Que estão erradas? Que dentre as “Receitas de Prestação de Serviços” existem outras receitas que não podem ser consideradas como faturamento? Que deduções e exclusões legais não foram consideradas? Mas, se forem afirmativas as respostas a todas essas perguntas, por que não carrear para o processo um fiapo de prova que seja para demonstrar o que está pretendendo dizer? Não! Optou por discorrer sobre temática [conceito de faturamento, presunções, arbitramento etc.] que não corresponde ou que não justifica ser debatida no âmbito deste processo, porque, como dito e repetido alhures, a autuação se baseou única e exclusivamente em informações fornecidas pelo próprio contribuinte. Salta aos olhos a obstinação da Recorrente em pretender confundir os membros deste colegiado quando afirma, à fl. 170, verbis, que “O lançamento do PIS efetivado pelo AuditorFiscal da receita federal e que ora se impugna, leva em consideração os valores declarados ao Fisco com base nos valores declarados na DIPJ e efetivamente pagos”. (sic) (grifei) Como assim, “efetivamente pagos”? Quer dizer que o AuditorFiscal sequer verificou nos controles internos da Receita Federal a existência de tais pagamentos, e, desta forma, incorreu em gravíssimo erro ao afirmar ter ocorrido o contrário? Com efeito! Disparate maior, o que confirma a minha suposição de que a Recorrente defendeuse imaginando outro tipo de situação ou de outro auto de infração, visto que em completa dissintonia com o teor deste lançamento, é o que consta nas considerações finais de mérito do Recurso Voluntário, à fl. 172, verbis: “[...] Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 14120.000287/200881 Acórdão n.º 340101.722 S3C4T1 Fl. 195 11 Diante do exposto, o presente Auto de Infração não deve prevalecer, tendo em vista que se baseia em presunção, ou seja, apurado um suposto faturamento com base na movimentação de caixa, presumiuse omissão de receita operacional e lançaramse os tributos incidentes sobre estas receitas, bem como as multas sancionatórias.”(grifei)”. Ora, como visto alhures, o faturamento no qual se baseou a autuação é o que consta da rubrica “Receita de Prestação de Serviços” e não há qualquer menção nos autos de que o mesmo tenha sido baseado em “movimentação de caixa”, de sorte que, muito menos ainda, há que se dar crédito à afirmação da Recorrente de que estamos diante de uma “omissão de receitas”. Em face do exposto, de se negar provimento quanto à questões de mérito. Multa de oficio de 75% De se repetir aqui que este Colegiado está impedido de pronunciarse a respeito de inconstitucionalidade de dispositivos legais utilizados pelo Fisco, no caso, por conta de alegada violação ao principio constitucional que veda o confisco em face do percentual de 75% da multa de oficio, a teor do enunciado da Súmula CARF nº 2, consolidada no Anexo III da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, segundo a qual "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". De não se conhecer, portanto, o Recurso Voluntário quanto a esta matéria. Utilização da taxa Selic Outra súmula que deve aqui ser invocada é Súmula CARF nº 4, consolidada no Anexo III da Portaria CARF nº 106, de 21 de dezembro de 2009, segundo a qual "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais". De se manter intacta, pois, a utilização da taxa Selic como forma de atualização do débito constituído de oficio. Conclusão Em face de todo o exposto, de se negar provimento ao recurso. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000572/2003-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF.
APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N. 10.174, DE 2001.SÚMULA CARF Nº 35.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº
10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a
preliminar de sobrestamento. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Gonçalo Bonet Allage. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar de sobrestamento o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Anocalendário: 1999 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N. 10.174, DE 2001.SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a preliminar de sobrestamento. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Gonçalo Bonet Allage. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor em relação à preliminar de sobrestamento o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – RedatorDesignado. EDITADO EM: 29/02/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte [fls. 420/471], com fundamento nos artigos 7º, inciso II e §1º, e 15, do Regimento Interno a CSRF, aprovado pela Portaria MF n. 147/2007. A fiscalização constatou a ocorrência das seguintes irregularidades: Omissão de rendimentos caracterizada valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. O enquadramento legal da infração consta do art. 42, da Lei n. 9.430/96, art. 4º da Lei n. 9.481/97 e art. 21, da Lei n. 9.532/97. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 271/311). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa [fls. 314/328]: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Exercício: 1999 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO Inexistindo atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000572/200313 Acórdão n.º 920201.941 CSRFT2 Fl. 2 3 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Exercício: 1999 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOSBANCÁRIOS DE ORIGEMNÃOCOMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LEGISLAÇÃOQUEAMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, sendo incabível falarse em irretroatividade de lei que amplia os meios de fiscalização. JUROS DE MORA TAXA SELIC. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Lançamento Procedente." (fls. 314/315). O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 342/396). A antiga Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou provimento ao recurso do contribuinte (fls. 402/414). Eis a ementa: NULIDADE NORMASPROCESSUAIS Não se cogita de nulidade processual, tampouco de nulidade do lançamento, ausentes as causas delineadas no Decreto n°.70.235, de 1972. QUEBRA DE SIGILOBANCÁRIO Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal podesolicitarinformaçõessobreoperaçõesrealizadaspelocontribui nteeminstituiçõesfinanceiras, independente de autorização judicial, nos termos assentados na legislação tributária. LANÇAMENTO NORMAS DE APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO A lei editada posteriormente à ocorrência do fato gerador aplicase quando instituir novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, nos termos do § 1° do art. 144 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOSBANCÁRIOS Caracteriza se como renda presumida a existência de depósitos e créditos bancários, de origem não comprovada pelo contribuinte, na forma do artigo 42 da Lei de n°. 9.430, de 1996. PROVA Compete ao contribuinte comprovar, de forma inequívoca, a natureza dos rendimentos percebidos. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 JUROS DE MORA TAXA SELIC A cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC tem previsão em lei, não estando, portanto, em desacordo com a legislação posta. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. O contribuinte, então, interpôs o presente recurso especial de divergência [fls. 420/471], tendo abordados os seguintes pontos: nulidade do lançamento pela aplicação retroativa da Lei n. 10.174, de 2001; e omissão de rendimentos com base exclusivamente em depósitos bancários. Relativamente à matéria constante da alínea “a”, o contribuinte indica como paradigma o Acórdão 10615.535 [fls. 432/469]: IRPF — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOSBANCÁRIOS — LANÇAMENTOCONSTITUÍDOEMRAZÃO DA LEI N° 10.174/2001 — IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃORETROATIVA. A regra do artigo 11, § 3°, da Lei 9.311/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.174, de 09 de janeiro de 2001, não pode ser aplicada de forma retroativa. Estava expressamente vedada a utilização pela SRF das informações referentes à CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, no que se refere aos fatos geradores do imposto sobre a renda pessoa física ocorridos até a data de publicação da referida Lei n° 10.174. Recurso provido. No que tange à matéria constante do item “b” omissão de rendimentos com base exclusivamente em depósitos bancários – o contribuinte indica como paradigma os Acórdãos CSRF/0104.198 e 10614.035 [fls. 433/434 e 470/471]: CSRF/0104.198 OMISSÃO DE RECEITA — DEPÓSITO BANCÁRIO – Não merece prosperar o lançamento calcado em depósitos exclusivamente bancários em face da jurisprudência assente no Colegiado. Ac. 10614.035 IRPF – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA A tributação com base em extratos bancários, por sinais exteriores de riqueza, somente é cabível com a efetiva comprovação da renda consumida através da realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. Recurso de ofício negado. Conforme o despacho de fls. 474/477, deuse seguimento apenas a primeira matéria [nulidade do lançamento pela aplicação retroativa da Lei n. 10.174, de 2001]. Ato contínuo, a Fazenda Nacional apresentou contrarazões que repisa os argumentos constantes do decisum recorrido [fls. 479/490]. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000572/200313 Acórdão n.º 920201.941 CSRFT2 Fl. 3 5 O sujeito passivo foi intimado do despacho que deu parcial seguimento ao especial interposto, fl. 494, entretanto, mantevese silente. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. A divergência jurisprudencial que deve aqui ser analisada referese à nulidade do lançamento pela aplicação retroativa da Lei n. 10.174, de 2001. Peço vênia para utilizar os argumentos apresentados pela i. Conselheira Suzy Hoffmann quando do julgamento do Especial interposto no processo n. 10830.003826/2001 09. Nesse sentido, fixo a análise quanto à aplicabilidade retroativa da lei n° 10.174/2001, que veio conferir redação ao artigo 11, §3°, da Lei n° 9.311/96, para dispor no seguinte sentido.: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação § 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) Em recente julgado, o Supremo Tribunal Federal enfrentou a questão da possibilidade de utilização, pelo fisco, de dados sigilos dos contribuintes, para a constituição de créditos tributários, independentemente de prévia autorização judicial. No acordo, procedeuse à interpretação conforme a Constituição, nos termos do voto do relator, Ministro Marco Aurélio: “Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários da recorrente. Com isso, confiro à legislação de regência lei n° 9.311/96, Lei Complementar n° 105/01 e Decreto n° 3.724/01 interpretação conforme à Carta Federal, tendo como conflitante com esta a que implique afastamento do sigilo bancário do cidadão, da pessoa natural ou da jurídica, sem ordem emanada do judiciário”. A ementa do julgado, proferido no Recurso Extraordinário n° 389.808, é a seguinte: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 “SIGILO DE DADOS AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5° da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção a quebra do sigilo submetida ao crivo de órgão eqüidistante o Judiciário e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal parte na relação jurídico tributária o afastamento de sigilo de dados relativos ao contribuinte”. No presente caso, temse que a fiscalização baseouse em dois métodos de investigação para a apuração da omissão de receitas: “ACRÉSCIMO (VARIAÇÃO) PATRIMONIAL A DESCOBERTO Neste método, onde são elaborados os demonstrativos mensais de evolução patrimonial, procurase verificar se os dispêndios são justificados pelos rendimentos declarados pelo contribuinte. Se os dispêndios superam as origens declaradas (rendimentos tributáveis já oferecidos à tributação, isentos e não tributáveis), fica caracterizada a omissão de receitas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM A partir de 01/01/1997 o art. 42 da Lei 9.430/96 considera como omissão de receita os valores creditados em contascorrentes sem comprovação da origem, como segue: “Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Destarte, temse que a autoridade fiscal valeuse da faculdade conferida pelo artigo 11, §3°, da Lei n° 9.311/96, sem, contudo, prévia autorização judicial, em choque, portanto, com a decisão do STF. Pois bem, como se sabe, o regimento interno do CARF prevê, em seu artigo 62A, que: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} No âmbito do STF, há, ainda, contudo, à espera de julgamento, com repercussão geral já reconhecida, recurso extraordinário (RE n° 601.314) que trata especificamente da matéria versada no presente recurso especial. Veja a ementa resultante da análise da repercussão geral pelo STF: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000572/200313 Acórdão n.º 920201.941 CSRFT2 Fl. 4 7 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Por outro lado, temse, também, recurso especial (Resp n° 1.134.665 SP), tramitado sob o procedimentos dos recursos repetitivos, em que se decidiu no seguinte sentido: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 10. Conseqüentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000572/200313 Acórdão n.º 920201.941 CSRFT2 Fl. 5 9 (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum, configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1134665/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Diante desse panorama, impende definirse, aqui, se é de se sobrestar o processo em tela, até que seja julgado o recurso extraordinário acima, aplicandose o artigo 62 A, §1°, do Regimento Interno do CARF. Ou se, por outro lado, em face da decisão do STF que deu interpretação conforme a Constituição à Lei n° 10.174/2001, demandando autorização judicial para a quebra do sigilo bancário pelo Fisco, é de se aplicar o caput do artigo 62A, dandose provimento ao recurso especial do contribuinte. Ou, ainda, se a aplicação do artigo 62A deve resultar no não provimento do recurso do contribuinte, em razão da decisão do STJ. A saída que pode figurar como a mais correta é o sobrestamento do feito, uma vez que o tema específico em questão se encontra pendente de julgamento perante o STF, ainda que em face do julgamento do STJ, nos termos do artigo 62A, §1°, do Regimento Interno do CARF. Entretanto, restei vencido em relação à preliminar de sobrestamento suscitada, em que, o colegiado por maioria de votos afastou. Portanto, passo ao exame do mérito da matéria posta a julgamento [retroativa da Lei n. 10.174, de 2001]. Preclaros Conselheiros, quanto análise do mérito da matéria acima apontada, curvome ao entendimento consignado no enunciado da Súmula CARF n. 35, que assim dispõe: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de Fl. 10DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000572/200313 Acórdão n.º 920201.941 CSRFT2 Fl. 6 11 informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Diante do exposto, vencido quanto à preliminar de sobrestamento do feito, por entender subsumir a situação em análise ao disposto no art. 62A do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n. 259/2009, no mérito, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 11DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Designado Peço venia para discordar do ilustre relator quanto ao entendimento de que o processo deva ser sobrestado, nos termos do art. 62A, § 1o do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo fato de o tema específico estar pendente e julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. Esclareçase que a referida discordância se resume à preliminar de sobrestamento, pois, no mérito, acompanho o relator. Com efeito, o Regimento Interno do CARF possui dispositivo que determina que, caso o STF sobreste o julgamento dos recursos extraordinários sobre uma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil, o CARF também o faça com relação a recursos voluntários, de ofício, especiais ou extraordinários sobre a mesma matéria. Nesse sentido, cabe referência ao § 1º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos na transcrição). Ocorre que, no caso dos autos em questão, a matéria discutida é relativa à possibilidade de acesso, pela fiscalização, à informação de contacorrente bancária de contribuinte. Vejamos, então, a situação do julgamento dessa questão junto ao Supremo Tribunal Federal: (a) Há decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário n° 389.808 considerando que o acesso da Receita Federal a dados bancários conflita com a Carta da República, que considera a proteção do sigilo e da privacidade como regra, sendo a quebra do sigilo uma exceção a cargo exclusivo do Poder Judiciário. (b) Tal decisão (i) não foi exarada na sistemática prevista no art. 543B, da repercussão geral, e (ii) até o momento desta sessão de julgamento não havia transitado em julgado. (c) Não foi trazida ao processo prova no sentido de que o Supremo Tribunal Federal tenha sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11080.000572/200313 Acórdão n.º 920201.941 CSRFT2 Fl. 7 13 (d) Há, sobre o tema, ainda à espera de julgamento, o Recurso Extraordinário RE n° 601.314, com repercussão geral reconhecida, porém sem decisão colegiada, nem determinação de sobrestamento. Assim, não havendo decisão definitiva em Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, que defina como inconstitucional o acesso à informação bancária pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, deve ser considerada presumidamente constitucional a legislação que permite esse acesso. Adicionalmente, não tendo sido comprovado o sobrestamento pelo STF do julgamento dos recursos sobre o tema, não cabe o sobrestamento pelo CARF. Pelos motivos acima, voto no sentido de afastar a preliminar de sobrestamento suscitada. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 13/04/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR , Assinado digitalmente em 13/04/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10640.003335/2010-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006, 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, procedimentos e critérios legal e normativo adequados na apuração do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças
impugnatória e recursal.
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS.
FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
SÚMULA CARF Nº 40
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.906
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não pode ser acolhida a argüição de nulidade por cerceamento do direito de defesa se foi adotado, pelo Fisco, procedimentos e critérios legal e normativo adequados na apuração do tributo os quais foram descritos na autuação permitindo ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. IRPF. DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. SÚMULA CARF Nº 40 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003335/201088 Acórdão n.º 210201.906 S2C1T2 Fl. 99 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 63 a 66: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.01/08, lavrado pela Fiscalização em 04/11/2010, contra o contribuinte retro identificado, que resultou na cobrança do crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, referente aos exercícios financeiros de 2006 e 2007, no montante de R$19.571,37, sendo R$7.757,27 de imposto de renda, R$8.283,76 de multa proporcional (passível de redução), e R$3.530,34 de juros de mora calculados até 29/10/2010. O lançamento efetuado decorreu da apuração, pela autoridade revisora, da infração “dedução indevida de despesas médicas”, ocorrida durante os anos calendário de 2005 e 2006, nos valores de R$ 20.131,92 e R$ 8.120,98, respectivamente, tudo conforme expresso no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls.07/08 – parte integrante do Auto de Infração contestado – e Relatório Fiscal de fls.09/12. Foi aplicada a multa proporcional agravada para 150 % (cento e cinqüenta por cento) sobre a fração do imposto de renda incidente sobre a “dedução indevida de despesas médicas” relativa à profissional liberal Dra. Valéria Fátima Fonseca, por ter concluído a fiscal autuante que se encontra configurado, em tese, nessa parcela da infração, a ocorrência de crime contra a Ordem Tributária, conforme expresso no Relatório Fiscal acima mencionado. À fração restante do imposto de renda foi aplicada a multa proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Em sua peça impugnatória de fls.46, instruída com os elementos de fls.47/60, o contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: 1) “O Auto de Infração se baseia na nãoentrega dos documentos solicitados ao contribuinte: comprovação de despesas como exames e outros, além de identificação das pessoas que foram submetidas ao tratamento”, conforme Termo Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003335/201088 Acórdão n.º 210201.906 S2C1T2 Fl. 100 3 de Intimação Fiscal Nº 02; 2) Solicitações estas feitas ao contribuinte após lavratura do Auto de Infração e, portanto, “não teve tempo legal após o recebimento do referido termo”; 3) Inadmissível e inaceitável um Auto de Infração que seja emitido antes de o contribuinte receber as solicitações feitas pela Receita Federal e assim não permitir ao autuado prestar os esclarecimentos no prazo previsto em lei. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços e pagamento das despesas médicas declaradas, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, somente há justificativa para seu restabelecimento com a confirmação do efetivo desembolso. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fl. 89, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume no seguinte: I. Que não foram acatadas as provas apresentadas; II. Que não teve tempo legal para apresentar provas e III. Pede que a União solicite e marque um período para apresentação das provas. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR Tanto na Impugnação como no Recurso, o contribuinte concentra suas razões apenas nos fatos que houve cerceamento do seu direito de defesa pela autuação ter sido lavrada antes de ter recebido uma intimação complementar da fiscalização, que não teve oportunidade hábil para apresentação de provas e pede que lhe seja dada essa oportunidade. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003335/201088 Acórdão n.º 210201.906 S2C1T2 Fl. 101 4 Da análise dos autos, verificase que o interessado foi intimado via Termo de Intimação Fiscal Nº 01 de 24/08/2010, cópia apensada às fls.22/23, por ele recebido em 09/09/2010, segundo ARAviso de Recebimento anexado a fls.24 e com base nos documentos e provas trazidos aos autos fezse o lançamento. O fato de uma intimação complementar, em razão de tentativas frustradas de se encontrar o contribuinte, ter sido entregue após lavratura do auto, em nada prejudica a sua defesa, fundamentalmente, pela fato que ao contribuinte foram dadas oportunidades em todas as fases processuais do julgamento administrativo, de primeira e segunda instâncias, as condições necessárias para apresentação de provas das suas alegações, contudo, preferiu apenas repetir as mesmas razões protelatórias sem juntar documentos comprobatórios ou qualquer fundamento que pudesse desconstituir o mérito do lançamento ou do acórdão recorrido. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento do pedido de juntada de provas pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Sendo assim, tendo sido facultado ao interessado o pleno exercício do contraditório e ampla defesa, que lhes são assegurados pelo art. 5.º, inciso LVI, da Constituição, inexiste o alegado cerceamento, muito menos de se requerer qualquer nulidade por essa razão. Para o exame da questão de mérito transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003335/201088 Acórdão n.º 210201.906 S2C1T2 Fl. 102 5 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Neste processo, discutese as seguintes glosas: a) Valéria Fátima Fonseca, psicóloga: R$6.000,00 (anocalendário 2005) e R$6.000,00 (anocalendário 2006). Recibos Sumulados, fl. 20/21 e 29 a 31 e 36 a 39. b) PLASC (Santa Casa da Misericórdia de Juiz de Fora), nos valores de R$1.131,82 (anocalendário 2005), fl. 34, R$1.261,01 (anocalendário 2006), fl. 41, Achiles de Almeida Cruz Filho, médico, R$ 220,00 (ano calendário 2006), fl. 40 e ao Hospital Santa Isabel, R$ 639,97 (ano calendário 2006), fl. 40. Tratase de despesas com beneficiário, Sra. Rosana Vidigal Santiago Cappelle, não dependente das respectivas DIRPF. c) Sarah Gonçalves Calçado, fisioterapia, R$6.000,00 (anocalendário 2006), fls. 32 a 33 e Alessandra Carvalho, médica, R$7.000,00 (ano calendário 2006), fl. 35. Itens onde faltam provas da efetividade da prestação do serviços, ausência da comprovação dos desembolsos e recibos sem identificação dos beneficiários dos serviços. Em relação ao item b), não há o que se discutir sobre as glosas, pela falta de previsão legal, uma vez que, somente são dedutíveis despesas do próprio declarante e seus dependentes, conforme artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). O contribuinte, desde o início dessa fiscalização, para comprovar a efetividade das despesas juntou apenas os recibos indicados. Ora, somente a apresentação destes recibos não solidificam uma contraposição minimamente suficiente para rebater as provas e razões que embasaram o lançamento, não reforçando em matéria de prova a substância que se procura. A opção não usual pelo pagamento em espécie, de todas as despesas glosadas, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade do contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Como bem salientou, o julgador recorrido: Dadas as quantias envolvidas, é pouco provável que os pagamentos tenham sido realizados todos em moeda corrente. E se o Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003335/201088 Acórdão n.º 210201.906 S2C1T2 Fl. 103 6 foram, em remota possibilidade, é certo que os saques correspondentes seriam de fácil identificação em extratos bancários, haja vista que o impugnante informou em suas DIRPF/2006 e DIRPF/2007 “rendimentos tributáveis” recebidos exclusivamente de pessoas jurídicas, as quais, s.m.j., fazem os pagamentos dos vencimentos de seus funcionários e aos prestadores de serviços por meio de créditos em contas/correntes dos beneficiários. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado, o que até este ponto do processo não foi feito. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. Mais uma vez, é oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1o CC 104 – 16647/1998) Desta forma, permanecem não comprovadas as despesas médicas e, por conseguinte, não merece reparos a decisão de primeira instância. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.003335/201088 Acórdão n.º 210201.906 S2C1T2 Fl. 104 7 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000098/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/07/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA
PROCESSUAL.
De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Auxílio Alimentação in natura, in casu, Cestas Básicas, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em
razão de sua natureza indenizatória, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.
VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA VALE/
TIQUETE REFEIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA PREVISÃO LEGAL.
Com fulcro no artigo 28, § 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, as verbas pagas aos segurados empregados a título de auxílio alimentação somente não integrarão a base de cálculo das contribuições previdenciárias quando concedidas in natura, não alcançando, portanto, aquelas fornecidas em pecúnia vale/
tíquete refeição.
LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE.
Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF,
não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação
vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.270
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do levantamento as contribuições incidentes sobre as cestas básicas.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Auxílio Alimentação in natura, in casu, Cestas Básicas, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA VALE/ TIQUETE REFEIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA PREVISÃO LEGAL. Com fulcro no artigo 28, § 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, as verbas pagas aos segurados empregados a título de auxílio alimentação somente não integrarão a base de cálculo das contribuições previdenciárias quando concedidas in natura, não alcançando, portanto, aquelas fornecidas em pecúnia vale/ tíquete refeição. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STJ. PARECER E ATO DECLARATÓRIO PROCURADORIA. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça, corroborada pelo Parecer PGFN/CRJ n° 2117/2011 e Ato Declaratório PGFN n° 03/2011, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Auxílio Alimentação in natura, in casu, Cestas Básicas, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. VALORES CONCEDIDOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA VALE/TIQUETE REFEIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA PREVISÃO LEGAL. Com fulcro no artigo 28, § 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, as verbas pagas aos segurados empregados a título de auxílio alimentação somente não integrarão a base de cálculo das contribuições previdenciárias quando concedidas in natura, não alcançando, portanto, aquelas fornecidas em pecúnia vale/tíquete refeição. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir do levantamento as contribuições incidentes sobre as cestas básicas. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10970.000098/201061 Acórdão n.º 2401002.270 S2C4T1 Fl. 255 3 Relatório AUTO VIAÇÃO TRIÂNGULO LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão n° 09 31.227/2010, às fls. 189/200, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela notificada, correspondentes a parte destinada a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, assim considerado o auxílio alimentação (Tíquete Refeição/Alimentação e Cesta Básica) concedido sem a devida inscrição/convênio no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, infringindo o disposto no artigo 214, inciso III, parágrafo 9o, do RPS, em relação ao período de 11/2008 a 07/2009, conforme Relatório Fiscal, às fls. 25/27. Tratase de Auto de Infração (Antiga NFLD), lavrado em 03/03/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 143.768,24 (Cento e quarenta e três mil, setecentos e sessenta e oito reais e vinte e quatro centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, o presente crédito previdenciário fora constituído adotandose os valores constantes das Notas Fiscais de aquisição de cestas básicas e de repasse de vale tíquete alimentação/refeição. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 207/247, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade do feito, em razão de vícios no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, o qual não trouxe em seu bojo a indicação precisa do tributo a ser fiscalizado, na forma que exige o artigo 7°, § 1°, da Portaria RFB n° 11.371/2007, além de ter sido prorrogado indevidamente, sem a observância aos prazos constantes da legislação de regência. Em defesa de sua pretensão colaciona doutrina e jurisprudência reforçando a nulidade do lançamento. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, repisa os argumentos lançados em sua defesa inaugural, a propósito do seu inconformismo quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação fornecido aos seus segurados empregados. Insurgese contra o presente lançamento, com arrimo no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, por entender que o auxílio alimentação concedido pela empresa aos segurados empregados não se equipara à remuneração, de maneira a compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de salário. Opõese à caracterização dos valores pagos aos segurados empregados a título de ValeRefeição e Cesta Básica como salário de contribuição, aduzindo para tanto que Fl. 256DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 aludida verba não possui natureza salarial, não podendo mero ato administrativo formal (inscrição no PAT) suprimir seu cunho indenizatório, consoante se positiva da jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, impondo seja decretada a improcedência da pretensão fiscal. A fazer prevalecer seu entendimento, transcreve no bojo da peça recursal jurisprudência judicial a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da empresa, especialmente julgados do Superior Tribunal de Justiça, reafirmando o caráter indenizatório da verba em comento, mormente quando concedido in natura em observância a Convenções Coletivas de Trabalho, consignando não possuírem natureza remuneratória. Contrapõese à multa aplicada, por considerála confiscatória e abusiva, sendo, por conseguinte, ilegal e/ou inconstitucional, devendo ser excluída do crédito em questão. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10970.000098/201061 Acórdão n.º 2401002.270 S2C4T1 Fl. 256 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR NULIDADE MPF Em sede de preliminar, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do lançamento, por entender haver vícios no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, o qual não trouxe em seu bojo a indicação precisa do tributo a ser fiscalizado, na forma que exige o artigo 7°, § 1°, da Portaria RFB n° 11.371/2007, além de ter sido prorrogado indevidamente, sem a observância aos prazos constantes da legislação de regência. A fazer prevalecer seu entendimento, traz à colação doutrina e jurisprudência reforçando a nulidade do lançamento. Não obstante compartilhar com o entendimento da recorrente, no sentido de que eventual vício no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF enseja a nulidade do feito, conforme já manifestamos em inúmeras oportunidades, o certo é que a jurisprudência atual deste Colegiado e, principalmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, afasta a mácula no lançamento decorrente de pretensas irregularidades naquele ato, consoante se infere do julgado com sua ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso voluntário negado.” (2ª Turma da CSRF, Processo nº 10280.001818/200355 – Acórdão nº 920201.757 – Sessão de 27/09/2011) Assim, em homenagem à economia processual, nos quedamos ao posicionamento majoritário deste Egrégio Conselho, o qual não acolhe a nulidade do lançamento decorrente de eventuais irregularidades na emissão do MPF, razão pela qual deixaremos de analisar pontualmente os vícios suscitados pela recorrente, uma vez restar Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 totalmente infrutífero o exame destas questões, o que impõe seja rejeitada a preliminar de nulidade argüida. MÉRITO Consoante se positiva dos autos, mais precisamente do Relatório Fiscal, às fls. 25/27, o crédito tributário objeto da presente Autuação fora constituído com base nas remunerações dos segurados empregados, assim considerado o auxílio alimentação concedido in natura (cestas básica) e a partir de tíquetes/vales, aos funcionários da contribuinte, em razão da não comprovação da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, infringindo o disposto no artigo 214, inciso III, parágrafo 9o, do RPS. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, aduzindo para tanto que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, auxílio alimentação, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de saláriodecontribuição. A corroborar sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade o auxílio alimentação, trazendo à colação as normas de regência, doutrina e jurisprudência em defesa de seu entendimento, concluindo estar fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, sobretudo quando concedido in natura, a partir de determinações contidas em Convenções Coletivas de Trabalho, onde restou consignada a natureza indenizatória de tais verbas. Em face da jurisprudência dos Tribunais Superiores e, recentemente adotada pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional, como restará demonstrado adiante, impõese a análise da presente demanda apartando as formas de fornecimento do auxílio alimentação: 1) Cestas Básicas; e 2) Vale/Tíquete Refeição, senão vejamos: 1) FORNECIMENTO ALIMENTAÇÃO IN NATURA – CESTAS BÁSICAS Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça vem, reiteradamente, afastando qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, conquanto que concedido in natura, independentemente da inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, na linha da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. Aliás, acolhendo a jurisprudência uníssona no âmbito do STJ, a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou no sentido da não incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação fornecido in natura, ainda que não comprovada a inscrição no PAT, em vista da evidente natureza indenizatória de referida verba, pacificada no âmbito do Judiciário. É o que se extrai do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, com vistas a subsidiar emissão de Ato Declaratório da PGFN, assim ementado: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos.” Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10970.000098/201061 Acórdão n.º 2401002.270 S2C4T1 Fl. 257 7 Na mesma linha de raciocínio, acolhendo o Parecer encimado, fora publicado Ato Declaratório n° 03/2011, da lavra da ilustre Procuradora Geral da Fazenda Nacional, dispensando a apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, contemplando a discussão quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação concedido in natura, senão vejamos: “ ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO” Na esteira da jurisprudência uníssona dos Tribunais Superiores, uma vez reconhecida a natureza indenizatória do Auxílio Alimentação concedido in natura, inclusive com reconhecimento formal da falta de interesse de agir da Procuradoria da Fazenda Nacional (sujeito ativo da relação tributária) nos casos que contemplem referida questão, não se pode cogitar na incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, independentemente da inscrição no PAT, o que se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja julgado improcedente em parte a exigência fiscal em comento, em relação a alimentação fornecida a partir de Cestas Básicas. 2) FORNECIMENTO ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA, VALES E/OU TÍQUETES Por outro lado, relativamente ao auxílio alimentação em pecúnia e/ou concedido a partir de Tíquetes/Vales, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores e, bem assim, deste Colegiado, não reconhece a natureza indenizatória, mormente por não encontrar amparo na legislação de regência, a qual prescreve as hipóteses de não incidência de contribuições previdenciárias. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis: Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer a contribuinte. Por sua vez, as importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário decontribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; (Atualmente Ministério do Trabalho e Emprego MTE, conforme a MP nº 103, de 01/01/03, convertida na Lei n 10.683, de 28/05/03) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 do Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação alterada pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Redação alterada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97. Ver alínea “f”, V, § 9º do art. 214 do Regulamento, Dec. nº 3.048/99 e a Lei nº 10.218/01) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (Acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; (Acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10970.000098/201061 Acórdão n.º 2401002.270 S2C4T1 Fl. 258 9 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; (Acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (Acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 5. recebidas a título de incentivo à demissão; (Acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Acrescentado pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Acrescentado pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Acrescentado pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984. [...]” De fato, observados os requisitos legais, as parcelas concedidas aos segurados empregados a título de alimentação não integram o salário de contribuição. Entrementes, restando afastada a necessidade de inscrição no PAT, consoante demonstrado alhures, o pressuposto essencial à referida não incidência é que seja concedido in natura, como se extrai do artigo 28, § 9º, alínea “c” encimado, bem como dos dispositivos legais abaixo transcritos: “ Lei 6.321/76 Art.1º As pessoas jurídicas poderão deduzir, do lucro tributável para fins do Imposto sobre a Renda, o dobro das despesas comprovadamente realizadas nos períodos base, em programas de alimentação do trabalho, previamente de alimentação do trabalhador, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho na forma em que dispuser o Regulamento desta Lei. [...] Art. 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do trabalho.” (grifamos) Na hipótese dos autos, a contribuinte forneceu parte do auxílio alimentação em pecúnia, por meio de Vales e/ou Tíquetes Refeição, não se enquadrando no permissivo legal acima transcrito, o qual contempla o benefício da não incidência de contribuições previdenciárias somente quando concedida in natura. Diante de tais considerações, em que pese o esforço da contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal em comento, no que tange a alimentação concedida mediante Vales ou Tíquetes, tendo a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agido da melhor forma, com estrita observância da legislação Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 de regência, não se cogitando na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Com efeito, ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas retro, pagas aos segurados empregados em total afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados Vale/Tíquete Alimentação/Refeição sem levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Mais a mais, relativamente às questões de inconstitucionalidades arguidas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa ora exigida encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 10970.000098/201061 Acórdão n.º 2401002.270 S2C4T1 Fl. 259 11 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 72, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas pelo julgador de primeira instância. Assim, em relação ao auxílio alimentação fornecido a partir de Vales ou Tíquetes, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 12 Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, excluindo o auxílio alimentação fornecido a partir de Cestas Básicas (in natura), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/03/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 16/02/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10120.002408/2010-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE
DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO.
O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PERDA DO DIREITO À ISENÇÃO.
A percepção direta ou indireta de remuneração, vantagens ou benefícios, sob qualquer forma ou título, pelos diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, de Entidade Beneficente de Assistência Social,
implica a suspensão automática do direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 da Lei nº 12.101/2009, durante o período em que se constatar o descumprimento do requisito essencial em apreço, devendo a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrar o auto de infração relativo ao período correspondente.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.597
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
quanto à preliminar de nulidade do procedimento, por maioria, que não houve o reconhecimento da mesma, nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Foram vencidos, na preliminar, os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior. Quanto ao mérito, por unanimidade, foi conhecido parcialmente e, na parte conhecida, foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO. O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PERDA DO DIREITO À ISENÇÃO. A percepção direta ou indireta de remuneração, vantagens ou benefícios, sob qualquer forma ou título, pelos diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, de Entidade Beneficente de Assistência Social, implica a suspensão automática do direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 da Lei nº 12.101/2009, durante o período em que se constatar o descumprimento do requisito essencial em apreço, devendo a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrar o auto de infração relativo ao período correspondente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Recurso Voluntário Negado.
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ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REGIME JURÍDICO. O direito à isenção de contribuições previdenciárias de que trata o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme sacramentado pelo Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. PERDA DO DIREITO À ISENÇÃO. A percepção direta ou indireta de remuneração, vantagens ou benefícios, sob qualquer forma ou título, pelos diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, de Entidade Beneficente de Assistência Social, implica a suspensão automática do direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 da Lei nº 12.101/2009, durante o período em que se constatar o descumprimento do requisito essencial em apreço, devendo a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrar o auto de infração relativo ao período correspondente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Recurso Voluntário Negado Fl. 963DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, quanto à preliminar de nulidade do procedimento, por maioria, que não houve o reconhecimento da mesma, nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Foram vencidos, na preliminar, os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Manoel Coelho Arruda Júnior. Quanto ao mérito, por unanimidade, foi conhecido parcialmente e, na parte conhecida, foi negado provimento ao recurso, nos termos do voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Relatório Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008. Data da lavratura do AIOP: 19/03/2010. Data da Ciência do AIOP: 08/04/2010. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços durante o período de apuração, apuradas com base nas folhas de pagamento e na contabilidade, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 288/291. Informa a fiscalização tratarse de instituição de natureza filantrópica, beneficente de assistência social, em gozo de isenção das contribuições patronais de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/91. Relata a Autoridade Lançadora que, da análise da contabilidade, contas 311020034 e 321020022, houvese por constatado que, no período de março/2007 a dezembro/2008, a entidade recorrente efetuou pagamento de honorários em contraprestação às atividades exercidas pelos seus diretores, pagos através de Recibos de Pagamento ao Contribuinte Individual – RPCI. Concluiu a fiscalização que a entidade recorrente infringiu a Fl. 964DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 576 3 legislação de regência, razão pela qual desconsiderou sua condição de entidade isenta de contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, promovendo o lançamento das contribuições objeto do presente Auto de Infração de Obrigação Principal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 509/521. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou decisão administrativa aviada no Acórdão a fls. 545/552, julgando procedente o lançamento tributário e mantendo o crédito assim lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 12/04/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 554. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 923/939, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Inconstitucionalidade formal do art. 55 da Lei nº 8.212/91, atual art. 29 da Lei nº 12.101/2009; • Não ocorrência da hipótese prevista no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91; • Que sobre o valor da multa de ofício não pode incidir juros SELIC; Ao fim, requer a improcedência do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE Fl. 965DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/04/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Argumenta o Recorrente que sobre o valor da multa de ofício não pode incidir juros SELIC. Tal alegação, todavia, não poderá ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que a matéria nela aventada não foi oferecida à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de impugnação administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 966DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 577 5 As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, Fl. 967DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Assim, não havendo a decisão guerreada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do plenário do Poder Judiciário. Por tais razões, a matéria abordada no primeiro parágrafo deste tópico não poderá ser conhecida por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES. 2.1. DA LEGALIDADE DO LANÇAMENTO Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à legalidade do lançamento que ora se opera. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Fl. 968DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 578 7 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se se aplicar a novel legislação, prevalecendo a ultratividade da lei tributária no tempo. O principio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na hipótese sub examine, a empresa recorrente foi autuada aos 19 dias do mês de março de 2010, em virtude de a fiscalização ter constatado, no curso da ação fiscal, pelo exame da contabilidade, que a entidade em tela houvera efetuado pagamento de honorários em contraprestação às atividades exercidas pelos seus diretores, no período de março/2007 a dezembro/2008, pagos através de Recibos de Pagamento ao Contribuinte Individual – RPCI. Nesse contexto, com espeque no art. 32 da Lei nº 12.101/2009, a fiscalização, constatando o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados no art. 29 deste mesmo Diploma Legal, lavrou o competente Auto de Infração de Obrigação Principal relativo ao período de apuração indicado no parágrafo precedente. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Ocorre que, conforme salientado alhures, o art. 144 do CTN estatui que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Nessa perspectiva, tendo os fatos geradores em questão ocorridos no período compreendido entre março/2007 e dezembro/2008, inclusive, impõese que o lançamento seja regido pela legislação então vigente, digase, art. 55 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 206 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, os quais preveem um procedimento totalmente diverso daquele conduzido pela autoridade fiscal. Explico e demonstro: Como é cediço, a atividade administrativa tributária encontrase engessada pelo principio da legalidade restritiva. Anotese que o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da Constituição Federal, aplicase normalmente na Administração tributária, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá executar as atividades que se encontrarem expressamente previstas e autorizadas em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, a incidência da liberdade tampouco da vontade subjetiva da autoridade fazendária, eis que, na Administração Pública, só se é permitido fazer o que a lei autoriza, diferentemente da esfera particular, onde será permitida a realização de tudo o quanto a lei taxativamente não proíba. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, a matéria condizente à isenção encontrase jungida à reserva legal, somente podendo ser concedida ou excluída por lei formal, castrandose, assim, a competência de todos os demais diplomas normativos que lhe forem juridicamente subalternos. Nesse panorama, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 579 9 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975) (grifos nossos) Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos nossos) §1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Diante desse quadro, o art. 55 da Lei nº 8.212/91, ao instituir a isenção de contribuições previdenciárias patronais, fêla nos termos do art. 179 do CTN, mediante a concessão por despacho da autoridade administrativa às entidades beneficentes de assistência social que houvessem feito prova do preenchimento das condições e cumprimento dos requisitos encartados nos incisos I a V do art. 55 acima mencionado. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Fl. 971DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996). IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). Falhou a lei, no entanto, ao não prever hipóteses imediatas de revogação da isenção em tela, excluindo da autoridade fiscal e atribuindo à autarquia previdenciária a competência para fazêla, constatado o não cumprimento das condições e requisitos para a sua manutenção. Nesse mister, os parágrafos 7º, 8º e 9º do art. 206 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, desenharam o caminho a ser trilhado pela administração fazendária para a concretização da revogação em pauta. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito Fl. 972DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 580 11 privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) §7º O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. §8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendê los, observado o seguinte procedimento: I se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) §9º Não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social da decisão que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput. §10. O Instituto Nacional do Seguro Social comunicará à Secretaria de Estado de Assistência Social, à Secretaria Nacional de Justiça, à Secretaria da Receita Federal e ao Conselho Nacional de Assistência Social o cancelamento de que trata o §8º. Diante desse cenário normativo, constatando a fiscalização que a Entidade Beneficente de Assistência Social deixou de cumprir os requisitos previstos Fl. 973DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 em lei para a fruição da isenção em apreço, deve emitir Informação Fiscal na qual promoverá o relato dos fatos determinantes da perda da isenção, oportunizando ao beneficiário o exercício do contraditório e da ampla defesa, não permitindo a lei que o agente fiscal promova de plano o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias que julgar devidas. Isto porque até que a autarquia previdenciária, à época, venha a promover formalmente a revogação da isenção em foco, mediante o competente Ato Cancelatório, imune estará a entidade, mesmo que precariamente, das garras afiadas do fisco, não podendo os seus auditores efetuarem o lançamento tributário correspondente. A lei nº 12.101/99 modificou radicalmente tal cenário, elevando drasticamente o poder de controle das autoridades fiscais, mediante a suspensão automática do direito à isenção ora em debate, atribuindo à fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para lavrar de ofício o auto de infração relativo ao período correspondente, ante a verificação de fatos que demonstrem o não atendimento dos requisitos e condições exigíveis para o gozo da isenção em foco, os quais deverão ser formalmente relatados à administração fazendária. Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. (grifos nossos) §1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. §2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Todavia, dada à imperiosa observância do princípio tempus regit actum, tal atribuição do auditor fiscal somente poderá ser legitimamente reconhecida para os fatos geradores ocorridos após a vigência da lei nº 12.101/99. Em relação àqueles ocorridos anteriormente a tal horizonte temporal, como é o caso dos autos, havemos de reconhecer a falência de competência para a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo o agente do fisco, ao invés, emitir a devida Informação Fiscal para o órgão competente, o qual, vencida a fase do contraditório e da ampla defesa, decidirá pela revogação ou não da isenção em ribalta. Ocorre, todavia, que o Colegiado que ora se reúne entendeu por maioria que a lei nº 12.101/2009 apenas instituiu novo processo de fiscalização, o qual ampliou os poderes de investigação da autoridade administrativa fazendária, Fl. 974DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 581 13 sendo, por tal motivo, aplicável a fatos pretéritos, não definitivamente julgados, com fulcro no §1º do art. 144 do CTN. Assim, ultrapassados estes prolegômenos, adentremos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. O Recorrente concentra seu inconformismo na alegação de inconstitucionalidade formal do art. 55 da Lei nº 8.212/91, atual art. 29 da Lei nº 12.101/2009. Aduz, igualmente, não ter ocorrido a hipótese prevista no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Improcedente. Reza o parágrafo 7º do art. 195 da CF/88, em sua literalidade, serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atenderem às exigências estabelecidas em lei. Cabe inicialmente trazer à tona que a matéria relativa ao estabelecimento de parâmetros e condições para concessão de isenção de contribuições previdenciárias às entidades beneficentes de assistência social não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o documento legislativo com vocação para o atendimento de tais afazeres é a lei ordinária federal. A questão ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Fl. 975DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Sintonizado na mesma frequência da Suprema Corte, o Senado Federal entrou com cerol fino na questão em relevo, fazendo expedir o Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, o qual cortou na mão qualquer dúvida ainda renitente a respeito do Instrumento Normativo com aptidão para a delimitação das condições de contorno da hipótese de não incidência em debate, ad litteris et verbis: SENADO FEDERAL – SM nº 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro. Com referência ao oficio n° 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Senador MAURO BENEVIDES Presidente Diante desse cenário, não restam mais dúvidas de que a matéria atinente à isenção ora em abordagem houve por confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu expressamente serem isentas de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 976DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 582 15 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998. §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). Fl. 977DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Neste e só neste. Nesse terreiro, não canta de galo o art. 14 do CTN. Não procede, portanto, o argumento recursal de que, para regulamentar a hipótese de não incidência tributária prevista no §7º do art. 195 da CF/88, seria necessária a promulgação de Lei Complementar. Nessa perspectiva, tendo a fiscalização constatado o descumprimento, pelo Recorrente, do requisito essencial arrolado no inciso V do art. 31 da Lei nº 12.101/2009, promoveuse o relato dos fatos que demonstraram o não atendimento dos requisitos necessários para o gozo da isenção em voga e houvese por lavrado o lançamento das contribuições devidas, tudo em consonância com o estatuído no art. 32, caput e §1º da Lei nº 12.101/2009. Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. §1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. §2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. No caso em debate, a fiscalização apurou, pelo exame da escrituração contábil, que a entidade recorrente houvera efetuado pagamento de honorários em contraprestação às atividades exercidas pelos seus diretores, no período de março/2007 a dezembro/2008, pagos através de Recibos de Pagamento ao Contribuinte Individual – RPCI, conforme consignado no item 06 do Relatório Fiscal a fl. 297. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 583 17 Mediante Termo de Intimação Fiscal, a fiscalização solicitou esclarecimentos a respeito de tais pagamentos, concluindo que os valores contabilizados na conta Honorários de Diretores representam pagamentos efetuados em contraprestação às atividades exercidas pelos diretores em cargos auxiliares da Administração da Santa Casa, conforme previsto nos artigos 48, 52, 53 e 54 do seu Estatuto Social. Conforme consignado no item 9 do Relatório Fiscal, a fl. 298, a Entidade informou que “Cada Auxiliar da Administração executa ou delega tarefas emanadas pelo Presidente da Instituição, as quais estão relacionadas no Estatuto. Estas tarefas consistem em realizar ações concretas e específicas, isoladamente ou através de outros escalões de hierarquia, respeitando a missão da Entidade, seus princípios e objetivos”. Acrescenta que “Na conta HONORÁRIOS DE DIRETORES estão contabilizados, somente, os valores estabelecidos para os cargos de Órgãos Auxiliares da Administração, descritos acima” Não ressobram dúvidas de que os valores pagos aos diretores da entidade ora recorrente ostentam inegável natureza remuneratória, sendo por estes auferidos em razão do trabalho, e não para o trabalho, circunstância que representa violação à vedação assentada no inciso IV do art. 55 da Lei nº 8.212/91, c.c. inciso I do art. 29 da Lei nº 12.101/2009. Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; (grifos nossos) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância Fl. 979DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Não procede, de outro eito, a alegação desfiada pela Santa Casa de que os beneficiários de tais pagamentos, embora denominados como DIRETORES, seriam, em verdade, meros empregados ou prepostos. A própria instituição esclareceu que “todos os nomes relacionados no anexo II da referida intimação (TIF), exercem ou exerciam cargos auxiliares da Administração previstos nos artigos 48, 52, 53 e 54 do Estatuto da Santa Casa de Misericórdia de Goiânia”. Ocorre que os citados artigos estatutários estabelecem as várias atribuições inerentes a cada diretoria da Santa Casa. Além disso, todos os beneficiários possuíam vínculo com outras instituições e estavam cedidos ao Recorrente de forma expressa ou verbal. Nesse particular, o inciso I do art. 29 da Lei nº 12.101/2009 é claro ao dispor que nenhum diretor, conselheiro, sócio, instituidor ou benfeitor, pode receber remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos. Diante de tal panorama fático/jurídico, outra porta não se abriu à fiscalização que não aquela que conduziu à suspensão da isenção de contribuições previdenciárias e à imediata lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal referente às contribuições previdenciárias devidas relativas ao período em que se houve por constado o descumprimento ora em debate. 4. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10120.002408/201093 Acórdão n.º 230201.597 S2‐C3T2 Fl. 584 19 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Voto Vencedor Diferentemente do Conselheiro Relator, entendo que no caso concreto não há que se aplicar o caput do art. 144, mas sim o parágrafo 1º desse mesmo artigo. Há que se diferenciar na aplicação da legislação tributária no tempo, as normas materiais das normas formais. As normas materiais dizem respeito efetivamente ao fato gerador tributário, à determinação do quantum devido, ou aos requisitos necessários para usufruir um benefício fiscal. Desse modo, estão ligadas a esse conceito a base de cálculo, as alíquotas, e o sujeito passivo. Por sua vez as normas formais ou procedimentais dizem respeito ao procedimento para apuração dos valores devidos, ou para o cancelamento ou revisão de um benefício fiscal. Nesse sentido dispõe o art. 144, parágrafo 1º do CTN, Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. No presente caso, a nova legislação não alterou o valor devido pela entidade, nem foi aplicada para alterar os requisitos necessários para usufruir o benefício fiscal; apenas aplicouse relativamente aos novos processos de fiscalização. O valor apurado pela fiscalização ocorreu em conformidade com a lei vigente à época do fato gerador, aplicandose o art. 144 do CTN, os requisitos para ter ou não direito ao benefício, foram os vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores. Agora, para realizar o lançamento, que é um ato administrativo, o procedimento foi guiado pela nova legislação, na forma do art. 144, parágrafo 1º do CTN. A prática de qualquer ato processual é guiada pela data da sua realização aplicandose o princípio do tempus regit actum, de amplo conhecimento do direito processual civil, isto é, o ato praticado é regido pela lei vigente no dia da sua realização. O conteúdo desse ato é que deve ser guiado pela lei vigente ao dia da ocorrência dos fatos geradores. No dia em que foi realizado o procedimento fiscal (atos procedimentais) estava em vigor a Lei n 12.101 de 2009. Como bem indicado pelo Conselheiro Relator o art. 55 da Lei n 8.212 de 1991, regulamentado pelo art. 206 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999, previa um procedimento distinto para cancelamento da isenção. Ora, o que mudou de uma lei para a outra, da 8.212 para a 12.101, não foi o quanto a entidade deve, mas sim o procedimento para cancelamento; e procedimento são atos formais. A criação, a extinção e a modificação de um direito deve ser ditada pela lei vigente à época desses eventos. Por sua vez, a forma, ou o modo, para verificar e demonstrar Fl. 981DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 que tais direitos existem ou não mais subsistem se materializam por atos processuais, que são regidos pela data da confecção dos mesmos. Na legislação revogada, havia previsão de um procedimento distinto para cancelamento da isenção, por meio da expedição de Ato Cancelatório. Atualmente, não há mais tal procedimento em separado, os fundamentos para cancelamento do benefício fiscal são indicados no mesmo documento em que se constitui o crédito tributário, sendo prestadas as informações no corpo do relatório fiscal. Tal procedimento está expressamente previsto no art. 32 da Lei n 12.101 de 2009. Pelo exposto não reconheço a nulidade do procedimento fiscal, estando devidamente compatível com o ordenamento jurídico, no caso o art. 144, parágrafo 1º do CTN, bem como no art. 32 da Lei n 12.101 de 2009. Voto por rejeitar a preliminar de nulidade do procedimento fiscal. Marco André Ramos Vieira Conselheiro Fl. 982DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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