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Numero do processo: 10293.720013/2004-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.202
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, converter julgamento em diligência para que o processo nº 11522.000311/200357, seja distribuído ao relator deste processo visando ao julgamento
conjunto.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, converter julgamento em diligência para que o processo nº 11522.000311/200357, seja distribuído ao relator deste processo visando ao julgamento conjunto. (Documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (em exercício) e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Roberto Cortez, Diniz Raposo e Silva, Andrada Marcio Canuto Natal, Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 93 .7 20 01 3/ 20 04 -4 6 Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10293.720013/200446 Resolução nº 1302000.202 S1C3T2 Fl. 1.490 2 Relatório CENTRO DE ESTUDOS DOM PEDRO II LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA., que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Rio Branco/AC.. Trata a lide pedido de compensação débitos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário 2003 e 2004, com supostos créditos de saldo negativo dos mesmos tributos no anocalendário 2002. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em Rio Branco/Ac.) decidiu não reconhecer os créditos informados nas Declarações de Compensação e, por conseqüência não homologar as respectivas homologações com base nas conclusões do Parecer SEORT nº 035/97 (fls. 1135 1142), que efetuou a recomposição das bases de cálculo informadas na DIPJ, mediante a glosa de valores de custos de bens e serviços vendidos e de despesas operacionais, além da desconsideração da dedução de parte das estimativas mensais que foram quitadas mediante a compensação com créditos oriundos de saldos negativos do IRPJ e CSLL nos anoscalendário 2000 e 2001. Os referidos créditos foram objeto de análise no processo nº 11522.000311/2003 57, não tendo sido reconhecida a sua procedência. Diante da recomposição efetuada a autoridade administrativa apurou saldo de IRPJ e de CSLL a pagar, concluindo pela inexistência de crédito a homologar. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. (fls. 1146/1152), trazendo, os argumentos sintetizados no acórdão recorrido, in verbis: O contribuinte apresentou, em 21/09/2007, sua manifestação de inconformidade contra a decisão, alegando em síntese que: Das despesas com brinde 1. A despesa de fl. 1003, no valor de R$ 717,95, atendeu as normas previstas. Pois, a fiscalização se ateve ao nome comercial do emitente da NF para classificála como brinde; Da falta de apresentação de documentos 2. Mantém sua documentação contábil em perfeita ordem e a disposição da fiscalização, por isso requer apresentar os documentos que a fiscalização reporta as fls. 980/1.011 como não apresentados; Dos encargos de depreciação e amortização 3. A fiscalização requereu documentos do anocalendário 2002/2003, porém as despesas com amortização provêm de imobilizados adquiridos de anos anteriores; Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10293.720013/200446 Resolução nº 1302000.202 S1C3T2 Fl. 1.491 3 Do regime de competência 4. Em relação aos itens 23/24 do Parecer (despesa do dia 22/01/2002, referente a pagamento realizado à Radio TV Amazonas, no valor de R$ 2.892,00, citado à fl. 999), o princípio de competência foi observado, vez que o lançamento ocorreu na data em que foi efetivado o pagamento; Das despesas com alimentação 5. Os documentos juntados ao processo comprovam as despesas; Das despesas da atividade fim 6. As despesas dos itens 28 a 29 do relatório da fiscalização tratam de despesas com a manutenção e a conservação de bens de natureza permanente, relacionadas à atividade fim da empresa, cujo valor unitário não é superior a R$ 326,71, devendo, portanto, ser dedutível na foram do art. 299 do RIR/99; Das obscuridades e omissões do relatório 7. Os itens 30 a 43 do Parecer são obscuros e duvidosos, deixando o relator na confortável posição de simplesmente dizer que todos os documentos entregues pelo contribuinte foram considerados improcedentes, sem contudo fundamentar qual a improcedência encontrada e em qual documento, especificamente, se deu a improcedência; Da litispendência da compensação dos débitos de estimativas do anocalendário 2002 8. A decisão proferida pela unidade de origem no processo nº 11522.000.311/200357, que trata da compensação dos débitos de estimativas mensais do anocalendário 2002, está pendente de julgamento no Primeiro Conselho de Contribuintes. Pelo que, pede a litispendência; Da remuneração dos dirigentes 9. Os documentos de fls. 154/164 comprovam o prólabore no valor bruto de R$ 44.000,00. Porém, a fiscalização considerou somente o valor líquido pago; 10. Ficou pendente de entrega os recibos do mês de out/2002, a que se requer a juntada; Dos ordenados e salários 11. O valor improcedente de ordenados e salários, no total de R$ 187.781,28, se refere às autorizações para liberação de créditos em favor dos funcionários; 12. Os documentos que comprovam essas liberações de crédito, acostados às fls. 165413, foram parcialmente aceitos pela unidade de origem. Por isso, requer que sejam aceitos em sua totalidade. Dos aluguéis 13. As notas ficais emitidas pela Xerox Com. e Ind. Ltda, juntadas ao processo, comprovam as despesas com aluguel; Das despesas com veículos e conservação de bens e instalações Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10293.720013/200446 Resolução nº 1302000.202 S1C3T2 Fl. 1.492 4 14. A atividade de prestação de serviço estudantil para crianças e adolescentes requer constantes reparos e reformas para manutenção, conforme art. 299 do RIR/99, não havendo que se falar em incorporação ao patrimônio e depreciação; 15. Os documentos emitidos por diversas empresas, a que pede justada aos autos, servirão para comprovar a divergência apurada; Das outras despesas operacionais 16. Requer a juntada da documentação comprobatória de outras despesas operacionais. Para tanto, a recorrente anexou os documentos às fls. 11531456. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0110.538, de 29/02/2008 (fls. 1463/1469), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002 Ementa: LITISPENDÊNCIA. A litispendência entre processos, na forma preconizada pelo CPC, é verificada a partir da igualdade das partes, do pedido e da causa de pedir. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2002 Ementa: DEDUÇÕES. NOTAL (sic) FISCAL SIMPLIFICADA. CUMPOM (sic) FISCAL. A nota fiscal de venda a consumidor ou cupom fiscal, que não contenha o nome do adquirente, a data de emissão e a correta descrição do bem ou serviço correspondente não se presta à comprovação de despesas da pessoa jurídica. DEDUÇÕES. BRINDES. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, é vedada a dedução de despesas com brindes. DEDUÇÕES. DEPRECIAÇÃO. Há que se reconhecer a glosa dos valores deduzidos a título de depreciação se o sujeito passivo não mantém documentação hábil a amparar os bens depreciados. DEDUÇÕES. REGIME DE COMPETÊCIA. (sic) No regime de competência, as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, independentemente de recebimento ou pagamento. Glosa procedente. DEDUÇÕES. DESPESA COM ALIMENTAÇÃO. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10293.720013/200446 Resolução nº 1302000.202 S1C3T2 Fl. 1.493 5 Há que se reconhecer a improcedência da recusa das despesas com alimentação do trabalhador quando o sujeito passivo as comprova. DEDUÇÕES. DESPESAS DA ATIVIDADE; Na apuração do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, não são passíveis de dedução as despesas não afeitas à atividade de empresa. DEDUÇÕES. SALÁRIOS E PRÓLABORE. Mister o reconhecimento da procedência da dedução de valores referentes a salários e prólabore quando parte dos valores recusados foi materializada sem motivação. DEDUÇÕES. ALUGUEL. Não são dedutíveis os dispêndios com aluguel se o contribuinte não os comprova mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. É legítima a recusa de despesas operacionais se a fiscalização apura que se tratam de valores que deveriam ter sido adicionados ao ativo permanente para posterior dedução como encargo de depreciação. Solicitação Indeferida O acórdão recorrido acolheu parcialmente as comprovações de custos e despesas trazidas na manifestação de inconformidade, mantendo no entanto a glosa das estimativas mensais de IRPJ e CSLL efetuadas pela autoridade administrativa que expediu o despacho decisório. Com isto, mantevese a apuração de saldo de IRPJ e CSLL a pagar, não havendo, portanto, direito creditório a ser reconhecido, conforme demonstrado na planilha constante do subitem 2.4 do voto condutor do acórdão recorrido, abaixo transcrita: 2.4 DA APURAÇÃO DO CRÉDITO Face o que foi decidido, passo a elaborar o novo demonstrativo para aferição da existência de saldo negativo do IRPJ e da CSLL no período. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10293.720013/200446 Resolução nº 1302000.202 S1C3T2 Fl. 1.494 6 Item DIPJ/2003 Valor aceito pela Unidade de Origem Valor mantido no julgamento Alimentação do Trabalhador R$ 35.842,85 R$ R$ 36.784,40 Remuneração a Dirigentes R$ 48.000,00 R$ 26.770,40 R$ 48.000,00 Ordenados e Salários de Empregados R$ 647.417,65 R$ 459.636,37 R$ 484.297,37 Aluguéis R$ 78.080,55 R$ 64.829,23 R$ 64.829,23 Propaganda e publicidade R$ 32.240,32 R$ R$ Despesas c/ veículos e conservação R$ 123.035,60 R$ 67.509,28 R$ 72.803,72 Encargos de depreciação e amortização R$ 33.053,54 R$ R$ 1.858,23 Outras despesas operacionais R$ 162.113,28 R$ 139.834,36 R$ 152.794,29 TOTAL R$ 1.159.783,79 R$ 758.579,64 R$ 861.367,24 Resultado do periodo de apuração R$ 189.180,68 R$ 593.175,07 R$ 490.387,47 CSLL apurada no período R$ 17.026,26 R$ 53.385,76 R$ 44.134,87 CSLL paga por estimativa R$ 19.346,54 R$ 11.581,88 R$ 11.581,88 CSLL devida R$ (2.320,28) R$ 41.803,88 R$ 32.552,99 Lucro real R$ 191.874,68 R$ 596.022,07 R$ 493.081,47 IRPJ à aliquota de 15% R$ 28.781,20 R$ 89.403,31 R$ 73.962,22 Adicional R$ R$ 35.602,21 R$ 25.308,15 IPRJ apurado para o período R$ 28.781,20 R$ 125.005,52 R$ 99.270,37 IPRJ pago por estimativa R$ 120.742,22 R$ 38.571,12 R$ 38.571,12 Saldo de IPRJ a pagar R$ (91.961,02) R$ 86.434,40 R$ 60.699,25 Da apuração, vêse que o contribuinte não apresentou saldo negativo de CSLL e IRPJ no anocalendário 2002. Ciente da decisão de primeira instância em 24/03/2008, conforme documento de fl. 1470, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 23/04/2008 (registro de recepção à fl. 1471, razões de recurso às fls. 1471/1475), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: 1. Que existe conexão e litispendência deste processo com o processo nº 11522.000311/200357, visto que naquele o objeto é a compensação de estimativas mensais do anocalendário de 2002, que deixaram de ser reconhecidas o que se reflete na apuração do saldo de IRPJ e CSLL objeto destes autos; 2. Que nos valores reconhecidos como dedutíveis a título de Ordenados e Salários no acórdão recorrido (subitem 2.3.7) foram considerados os valores líquidos pagos, quando o correto seria considerar os valores brutos, no montante de R$ 647.417,65; 3. Que as despesas com veículos e conservação de bens e instalações, analisadas no subitem 2.3.9 do acórdão recorrido, foram objeto de glosa de forma geral pelo relator, mediante uma única situação tomada como exemplo; 4. Que, com relação às verbas glosadas nos itens 2.3.10 e 2.3.11 do acórdão recorrido estas não merecem prosperar pelas mesmas razões trazidas no item....( ver itens 3 e 4 do RV – pág. 1473 faltante); 5. Que a conclusão do acórdão recorrido é divergente uma vez que reconheceu determinados lançamentos, deveria ser reconhecido a homologação parcial dos valores pacificados. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10293.720013/200446 Resolução nº 1302000.202 S1C3T2 Fl. 1.495 7 Em 06/04/2010 a interessada protocolizou junto ao CARF o documento denominado de Razões Aditivas ao Recurso Voluntário, na qual tece novas considerações quanto às razões do recurso interposto. É o Relatório. Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10293.720013/200446 Resolução nº 1302000.202 S1C3T2 Fl. 1.496 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Impõese analisar a alegação da recorrente quanto à existência de e existe conexão e litispendência deste processo com o processo nº 11522.000311/200357. Argumenta a recorrente que naquele processo o objeto é a compensação de estimativas mensais do anocalendário de 2002, que deixaram de ser reconhecidas o que se reflete na apuração do saldo de IRPJ e CSLL objeto destes autos. Verifico que, de fato, parcela significativa do crédito alegado nas DCOMP deste processo decorrem de estimativas que foram quitadas mediante compensações pleiteadas e analisadas no processo nº 11522.000311/200357, que restaram não homologadas . É o que se extrai dos subitens 42 a 44 do Parecer SAORT nº 035/2007 (fls. 1142), in verbis: Em consulta ao sistema de acompanhamento processual no sítio do Conselho Administrativo Fiscal na rede mundial de computadores, verificase que, o Processo Administrativo Fiscal n° 11522.000311/200357 encontrase em situação pendente de apreciação de recurso voluntário interposto pela recorrente, não tendo ainda sido distribuído a nenhum relator da Primeira Seção de Julgamento. Não obstante não estar caracterizada a litispendência como bem analisado no acórdão recorrido, é forçoso reconhecer a evidente conexão entre os processos, na medida em que a solução do presente processo está em grande parte relacionada com a discussão travada no âmbito do processo administrativo nº 11522.000311/200357, pois parte dos créditos alegados nestes autos são oriundos de compensações analisadas naquele outro. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 10293.720013/200446 Resolução nº 1302000.202 S1C3T2 Fl. 1.497 9 Destarte, como a solução daquele litígio interfere diretamente no deslinde do presente processo, impõese o julgamento conjunto dos processos. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. Nº 256/2009, prevê o julgamento conjunto de processos conexos e a sua distribuição ao mesmo relator, conforme dispositivos abaixo transcritos: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) (grifei) Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o processo nº 11522.000311/200357, seja distribuído ao relator deste processo visando ao julgamento conjunto. Sala das Sessões, em 03 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10 /10/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 37307.001715/2007-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, §§ 2o 3o, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 283, J, DECRETO N° 3.048/99 -APRESENTAR DOCUMENTO OU LIVRO QUE NÃO ATENDA ÀS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS, QUE CONTENHA INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITA A INFORMAÇÃO VERDADEIRA
Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.290
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, §§ 2o 3o, LEI N° 8.212/91 C/C ART. 283, J, DECRETO N° 3.048/99 -APRESENTAR DOCUMENTO OU LIVRO QUE NÃO ATENDA ÀS FORMALIDADES LEGAIS EXIGIDAS, QUE CONTENHA INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE OU QUE OMITA A INFORMAÇÃO VERDADEIRA Constitui infração, punível na forma da Lei, a empresa apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Negado
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Numero do processo: 14474.000342/2007-42
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PAGAMENTO A SEGURADOS COM CARTÕES DE PREMIAÇÃO. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91.
OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Na presente NFLD, foi verificado que ocorreu o pagamento aos segurados da empresa através de cartões de premiação com habitualidade, revestindo-se tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do
CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.349
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PAGAMENTO A SEGURADOS COM CARTÕES DE PREMIAÇÃO. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente NFLD, foi verificado que ocorreu o pagamento aos segurados da empresa através de cartões de premiação com habitualidade, revestindo-se tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PAGAMENTO A SEGURADOS COM CARTÕES DE PREMIAÇÃO. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente NFLD, foi verificado que ocorreu o pagamento aos segurados da empresa através de cartões de premiação com habitualidade, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o Art. 35, caput, da Lei 8.212/91 na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevalecendo o mais benéfico ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Cid Marconi Gurgel de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14474.000342/200742 Acórdão n.º 240300.349 S2C4T3 Fl. 214 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.465 a 492 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (fls.451 a 461) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.040.1425, no valor consolidado de R$ 205.817,73 (duzentos e cinco mil, oitocentos e dezessete reais e setenta e três centavos), referente às contribuições previdenciárias dos segurados e patronais. Segundo o relatório fiscal às fls.33 a 35, a fiscalização identificou que a recorrente possuía empregados que recebiam bônus/prêmios/incentivos quando da venda de eletrodomésticos fabricados pela empresa Britânia. Esses valores pagos aos segurados da recorrente eram intermediados pela Incentive House no período de 06/2003 a 01/2005, e deveriam ser declarados em GFIP’s para fins de composição da base de cálculo da contribuição social previdenciária, o que não foi feito. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 05/12/2006 e apresentou impugnação às fls. 210 a 227 alegando em síntese que: A NFLD deveria ser nula por não conter os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, conforme previsto no art. 9° do Decreto 70.235, de 1972, ferindo o direito constitucional do contraditório e da ampla defesa. Além disto, não teriam sido referidos todos os dispositivos legais pertinentes ao fato narrado pelo Auditor Fiscal ou teria referido fundamentos que não diriam respeito à situação, tumultuando o processo; As contribuições não seriam devidas tendo em vista serem pagas por fornecedor a terceiros empregados de lojistas e em virtude de eventualidade do pagamento e da desvinculação do salário; Os pagamentos apurados pela Auditoria Fiscal seriam eventuais. Na forma do art. 29, parágrafo 9', letra "c", 7, da Lei 8.212, de 1991, os ganhos eventuais e expressamente desvinculados do salário não integram o salário de contribuição; Esses pagamentos se tratam de "gueltas", que não se integram ao salário dos empregados; Nos Fundamentos Legais das Rubricas não há menção aos dispositivos legais que se apliquem ao presente caso, o que impediria a ampla defesa e o exercício do contraditório por parte da impugnante, acarretando a nulidade da NFLD; Os beneficiários dos ganhos eventuais não são empregados da impugnante e nem prestadores de serviços. Eram apenas beneficiados com as vantagens ofertadas por esta. Quem intermediava as relações era a empresa Incentive Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 House S/A, sendo essa que entregava os ganhos mediante fornecimento de uma espécie de cartão de crédito com o valor pago eventualmente pela impugnante, não havendo nenhum contato desta com os empregados dos lojistas e nem interferência desses na referida relação. Não havendo remuneração conforme previsão legal, não há obrigação a cumprir, razão porque não haveria que se falar em retenção de 11% a título de contribuição previdenciária; Ainda que se entenda que a Incentive House S/A deveria ter destacado e a impugnante retido 11%, esse valor deve incidir somente sobre o valor da nota fiscal referente à prestação de serviços feita pela Incentive House. As vantagens concedidas eventualmente e desvinculadas do salário dos empregados das lojas de eletrodomésticos, não empregados da impugnante, devem ser excluídos da base de cálculo da retenção, pois não integram a remuneração; Como diligência, a impugnante requer que o Sr. Auditor Fiscal junte aos autos o DAD, DSD, TIAD, REFISC e demais documentos que eventualmente provem a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos sem habitualidade a terceiros, empregados de lojistas a título de gueltas. Por fim, requereu que fosse produzida prova pericial no intuito de mostrar que os valores foram pagos com eventualidade e desvinculados do salário, bem como pretendeu provar que a impugnante não era empregadora dos beneficiários das gueltas. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba/PR proferiu acórdão (n° 0617.116), às fls. 451 a 461, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/01/2005 NFLD 37.040.1425 Ementa: LANÇAMENTO. FORMALIDADES. O lançamento é um ato administrativo que, uma vez cumpridas as formalidades essenciais para a sua lavratura, estando motivado com a descrição das razões de fato c de direito em relatórios específicos, em especial com a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, dos documentos que lhe dão suporte, das contribuições devidas do período a que se refere, e da correspondente fundamentação legal, bem como cientificado o sujeito passivo e oferecida oportunidade para pronunciarse c produzir provas, implica na inexistência de violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório ou do devido processo legal. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL É contribuinte individual da previdência social quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14474.000342/200742 Acórdão n.º 240300.349 S2C4T3 Fl. 215 5 GANHOS EVENTUAIS DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. GUELTA. Incide contribuição providenciaria sobre as gueltas, valores pagos pela indústria a funcionários do setor terciário a fim de incrementar suas vendas. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.465 a 492, alegando: vícios formais e nulidades; relatório complementar aditamento – convalidação, salientando que a convalidação é uma prerrogativa da Administração Pública, onde essa está obrigada a observar a lesão ao interesse público e a possibilidade de prejuízo a terceiros, bem como ser norteada pelos princípios da moralidade, boafé, proporcionalidade, razoabilidade e legalidade, ponderando todos esses elementos anteriormente à decisão da convalidação do ato, bem como aos princípios específicos do Direito Tributário; Remuneração e Salário de Contribuição Base de Cálculo – Exclusão; As gueltas não sofrem incidência da contribuição previdenciária, pois, por definição, podem ser consideradas a gratificação, abono, bonificação, paga a pessoa que indica determinado produto a clientes. O pagamento da Guelta pode ser efetuado pelo empregador ou pelo fornecedor do empregador, sem nenhum conhecimento desse último; Os abonos são desvinculados do salário; É necessária a realização de perícia – prova, oitiva de testemunhas; Ademais, requereu a procedência do presente recurso, bem como a reforma da decisão de primeiro grau a fim de julgar IMPROCEDENTE o lançamento do débito, em virtude da eventualidade do pagamento das verbas, bem como sua desvinculação com o salário em virtude de exclusão da base de cálculo, e, em não sendo esse o entendimento, que seja reformada a decisão de primeiro grau para reconhecer as nulidades absolutas constantes do procedimento de lançamento e dos atos posteriores, e, ainda assim não sendo acatado, que seja reconhecido o cerceamento de defesa em virtude do indeferimento das provas na Impugnação. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO: I – DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE OS VALORES RECEBIDOS PELOS SEGURADOS A TÍTULO DE PREMIAÇÃO: Segundo o relatório fiscal da NFLD nº 37.040.1425, o fato gerador da contribuição social previdenciária a cargo da empresa prevista no art.22, I, da Lei n 8.212/91, ocorreu com o pagamento das premiações/remunerações aos segurados empregados da recorrente pela empresa Incentive House através dos cartões FLEXCARD, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Desse modo, o trabalho dos segurados empregados será remunerado por verbas de qualquer título. No caso em tela, além do salário base, há certos valores que são pagos aos segurados como forma de incentivo profissional, focado em metas que devam ser atingidas, razão pela qual só ocorrem esses pagamentos quando há aumento de produtividade por esses trabalhadores. Assim, o pagamento dessas premiações é feito a quem atingir as metas previstas contratualmente, devendose analisar a frequência com a qual esses beneficiados são pagos, tendo em vista que esse pagamento só fará parte da base de cálculo do tributo em comento se estiver caracterizada a habitualidade. Diante da documentação analisada (fls.67 a 204), percebo que há a presença da habitualidade, tendo em vista que desde a competência 06/2003 até a de 01/2005, mês a mês, não sendo relevante esse creditamento ser a um empregado em um mês e depois a outro em outro mês. A habitualidade do pagamento de prêmios, através dos créditos conferidos pelos cartões FLEXCARD, também se confirma na atitude do empregador pagar ao seu quadro de pessoal com frequência. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14474.000342/200742 Acórdão n.º 240300.349 S2C4T3 Fl. 216 7 Foi verificada ainda a existência de pagamento a pessoas sem relação empregatícia com a empresa, não sendo justificativa, portanto, para a exclusão da base de cálculo do tributo dessas verbas pagas a esses não empregados, tendo em vista que a Lei 8.212/91 previu que certos profissionais, mesmo que não considerados empregados, enquadramse no conceito de contribuintes individuais, preenchidos alguns requisitos, de acordo com o art.12, V, alínea g da Lei n 8.212/91, pela prestação de serviços a empresa recorrente. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual; (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; Assim, haverá incidência da exação tanto sobre a remuneração dos empregados como sobre a dos contribuintes individuais, vejamos: LEI N 8.212/91 Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição: (...) § 2o É de 11% (onze por cento) sobre o valor correspondente ao limite mínimo mensal do saláriodecontribuição a alíquota de contribuição do segurado contribuinte individual que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo que optarem pela exclusão do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Desse modo, o trabalho dos segurados empregados e contribuintes individuais será remunerado por verbas de qualquer título. No caso em tela, além do salário base, há certos valores que são pagos aos segurados como forma de incentivo profissional, focado em metas que devam ser atingidas, razão pela qual só ocorrem esses pagamentos quando há aumento de produtividade por esses trabalhadores. Assim, o pagamento dessas premiações é feito a quem atingir as metas previstas contratualmente, devendose analisar a frequência com a qual esses benefícios são pagos, tendo em vista que esse pagamento só fará parte da base de cálculo do tributo em comento se estiver caracterizada a habitualidade. A habitualidade do pagamento de prêmios, através dos créditos conferidos pelos cartões FLEXCARD, também se confirma na atitude do empregador pagar ao seu quadro de pessoal com frequência e gerar no ambiente profissional uma expectativa de sempre receber um bônus. Sobre esse requisito ser essencial para caracterizar a natureza dos valores recebidos pelos empregados, o Supremo Tribunal Federal manifestou seu entendimento, através da Súmula nº 209: Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade. Portanto, considerando que a Lei n° 8.212/91 determinou que sobre todos os créditos e rendimentos recebidos pelos empregados, inclusive prêmios, pagos com habitualidade, com a finalidade de remunerar o trabalho prestado, deva incidir contribuição social previdenciária, entendo que no caso em tela a incidência deve ser mantida de modo integral, não podendo prevalecer as alegações da nobre recorrente. Ademais, afasto o pedido de perícia postulado pela recorrente, tendo em vista que todos os documentos encontramse nos autos e foram devidamente analisados tanto por este Conselho como pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (1 instância). II – DA MULTA MORATÓRIA E DOS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando a manutenção da cobrança com relação às competências (06/2003 a 01/2005), cabe destacar que esta será acrescida de multa moratória e juros na forma do art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14474.000342/200742 Acórdão n.º 240300.349 S2C4T3 Fl. 217 9 nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 4 – CARF: A partir de 1º de abril de 1995,os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observarem alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei nº 11.941/2009. Desse modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei nº 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 14474.000342/200742 Acórdão n.º 240300.349 S2C4T3 Fl. 218 11 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança da NFLD n 37.040.1425, devendo a contribuição social previdenciária incidir sobre os valores recebidos pelos segurados (empregados e contribuintes individuais) da recorrente, procedendose ao recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010748/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1302-000.077
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARÃES
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Roberto Armond Ferreira da Silva, Irineu Bianchi, Eduardo de Andrade e Sandra Maria Dias Nunes. Fl. 1387DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.010748/200786 Resolução n.º 1302000.077 S1C3T2 Fl. 1.381 2 Relatório SANMINA SCI DO BRASIL INTEGRATION LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de MULTAS ISOLADAS, relativas aos anos calendário de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, formalizadas a partir da imputação de falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devidos a título de antecipação obrigatória (ESTIMATIVAS). Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação ao feito fiscal (fls. 250/269), por meio da qual ofereceu, em síntese, os seguintes argumentos: que, antes da ação fiscal, apenas não havia providenciado a impressão da escrituração contábil das demonstrações financeiras e da escrituração do LALUR que lhe permitisse suspender ou reduzir os recolhimentos de IRPJ e CSLL, mas jamais poderia a Fiscalização sustentar que a escrituração contábil foi produzida no decorrer da ação fiscal; que embora a via impressa da escrituração tenha sido disponibilizada à Fiscalização após o prazo para pagamento do tributo, não haveria que se falar que ela tinha produzido toda a sua escrituração dos anos de 2002 a 2006 no curto espaço entre o início da procedimento e a entrega dos documentos ao auditor; que a própria Fiscalização teria consignado em seu Termo a tempestiva entrega das Declarações relativas a tais períodos e, se as DIPJ já haviam sido elaboradas e entregues, por óbvio que a escrituração contábil das demonstrações financeiras da empresa essencial para a correta elaboração das declarações já havia sido elaborada, apesar de não disponível de forma impressa no início do procedimento fiscal; que, ainda que não tivesse providenciado a impressão dos balancetes de suspensão antes do início da ação fiscal, tais documentos foram tempestivamente produzidos até a data de recolhimento dos tributos, ainda que por meio de sistema eletrônico de processamento, o qual é admitido no art. 255 do RIR/99; que, para comprovar que a escrituração contábil, desde o ano de 2002, já havia sido elaborada quando da lavratura do Termo de Início em 06/03/2007, teria obtido perante as empresas administradoras de seus serviços de tecnologia e informática (ORACLE e DATASUL), responsáveis pela criação e manutenção dos programas utilizados para a contabilização fiscal da empresa, o "print" das telas que contém o "LOG" dos lançamentos contábeis (doc. 05 a 26, fls. 286 a 307) – documentos anexados por amostragem em vista da sua grande quantidade – comprometendose a providenciar a íntegra dos documentos para posterior juntada aos autos; que referido "LOG" revela inequivocamente as datas nas quais teria efetuado seus lançamentos contábeis desde 28/03/2002 assim como todas as atualizações efetuadas no referido programa; Fl. 1388DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.010748/200786 Resolução n.º 1302000.077 S1C3T2 Fl. 1.382 3 que os programas utilizados para sua contabilidade registram e armazenam todas as informações referentes a todo o lançamento contábil efetuado por seus usuários, inclusive as datas dos registros; que, para reforçar o exposto, teria juntado cópias exemplificativas de seus balancetes mensais preliminares (docs. 27 a 42, fls. 308 a 430) levantados à época dos supostos fatos geradores objeto da autuação; que a falta de transcrição dos balancetes de suspensão no Livro Diário e no LALUR, por si só, não justificaria a sua desconsideração e não afetaria a validade e eficácia da escrituração; que a necessidade de efetiva impressão gráfica dos balancetes de suspensão até a data de recolhimento do tributo jamais teria sido estabelecida em lei, como se poderia ver do art. 35 da Lei 8.981/95; que a interpretação feita pela Fiscalização com base no art. 15, § 3°, da IN SRF 93/97, afrontaria o principio da legalidade tributária; que os arts. 10 e 15 da mencionada IN teriam inovado no ordenamento jurídico, sendo manifestamente ilegítimas as penalidades impostas na autuação; que o art. 138 do CTN não faz distinção entre obrigação principal ou acessória, aplicandose a ambos os casos, conforme doutrina e ementa de decisão judicial que transcreveu; que, para os anoscalendário de 2004 a 2006, a escrituração em via impressa dos balanços de suspensão e redução deuse antes do início da ação fiscal, aplicandose a denúncia espontânea em relação a tal período. A 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0521.391, de 07 de março de 2008, pela procedência dos lançamentos, conforme ementa que ora transcrevemos. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. É condição para o não recolhimento de IRPJ e CSLL calculados por estimativa o levantamento de balanço ou balancete de suspensão ou redução, o que compreende a escrituração do Livro Diário com observância das formalidades a ele inerentes. Se a implementação de tal condição ocorre após o vencimento dos tributos, forçoso é concluir que o contribuinte não cumpriu os requisitos para eximirse dos recolhimentos por estimativa. E, na falta destes, cabível é a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 1389DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.010748/200786 Resolução n.º 1302000.077 S1C3T2 Fl. 1.383 4 Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 1.352/1370, por meio do qual, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, adita: que a legislação tributária admite expressamente que a escrituração contábil se efetive por meio de sistema eletrônico de processamento de dados; que seria simplesmente impossível efetivar toda a sua escrituração contábil dos anoscalendário de 2002 a 2006 no curto espaço de tempo entre o início da fiscalização e a efetiva entrega dos documentos ao Auditor Fiscal. Ao final, a Recorrente, explicitando o pedido pelo provimento do recurso, assinala: ... Especificamente no que se refere à suposta omissão de receitas de prestação de serviços, caso esse Egrégio Conselho de Contribuintes entenda que os documentos probatórios apresentados na Impugnação sejam insuficientes à prova dos fatos narrados ao longo do presente Recurso, requerse a conversão do julgamento em diligência, a fim de que as autoridades competentes verifiquem na escrituração contábil da Recorrente se as receitas ora controvertidas foram de fato oferecidas à tributação. É o Relatório. Fl. 1390DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.010748/200786 Resolução n.º 1302000.077 S1C3T2 Fl. 1.384 5 VOTO Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de exigências de MULTAS ISOLADAS, relativas aos anos calendário de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, formalizadas a partir da imputação de falta de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devidos a título de antecipação obrigatória (ESTIMATIVAS). Mantidas as exigências pela autoridade julgadora de primeira instância, a contribuinte impetra recurso, por meio do qual procura demonstrar que não deixou de atender às prescrições da legislação tributária, relativamente às antecipações obrigatórias em referência. A argumentação trazida na peça recursal é dirigida, fundamentalmente, no sentido de demonstrar que o não recolhimento das antecipações estava amparado em escrituração contábil de suporte, tempestivamente elaborada. Salvo melhor juízo, a documentação juntada aos autos não permite verificar se os valores consignados nas declarações de informação (DIPJ) apresentadas derivaram da escrituração tida como intempestivamente elaborada. Nessas circunstâncias, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de jurisdição da Recorrente promova as seguintes averiguações: a) certifique que as bases de cálculo demonstradas nas declarações de informação (DIPJ) relativas aos exercícios de 2003 a 2007 anexas ao presente foram apuradas com base em valores devidamente escriturados pela contribuinte; b) informe se, desconsiderados aspectos relacionados à data de impressão, os registros contábeis da contribuinte possibilitam aferir os resultados fiscais mencionados na letra anterior, em especial no que tange ao suporte documental (amostragem) e à eventual transcrição da demonstração dos resultados dos exercícios; c) intime a contribuinte a apresentar comprovação do recolhimento das estimativas devidas, conforme discriminação abaixo. DIPJ/2004 (fls. 198/211) FEVEREIRO DE 2003 IRPJ A PAGAR...R$ 718.465,05 CSLL A PAGAR...R$ 260.087,42 MARÇO DE 2003 IRPJ A PAGAR...R$ 194.849,06 CSLL A PAGAR...R$ 70.865,66 ABRIL DE 2003 Fl. 1391DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.010748/200786 Resolução n.º 1302000.077 S1C3T2 Fl. 1.385 6 IRPJ A PAGAR...R$ 134.350,43 CSLL A PAGAR...R$ 49.086,15 MAIO DE 2003 IRPJ A PAGAR...R$ 889.577,36 CSLL A PAGAR...R$ 320.967,85 OUTUBRO DE 2003 IRPJ A PAGAR...R$ 411.622,41 CSLL A PAGAR...R$ 151.784,07 NOVEMBRO DE 2003 IRPJ A PAGAR...R$ 637.444,62 CSLL A PAGAR...R$ 230.200,06 DEZEMBRO DE 2003 IRPJ A PAGAR...R$ 544.253,04 CSLL A PAGAR...R$ 196.651,10 DIPJ/2006 (fls. 224/234) MAIO DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 232.446,89 CSLL A PAGAR...R$ 87.280,88 JULHO DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 444.171,61 CSLL A PAGAR...R$ 161.341,78 SETEMBRO DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 7.335,38 CSLL A PAGAR...R$ 4.080,74 OUTUBRO DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 377.909,37 CSLL A PAGAR...R$ 136.767,37 NOVEMBRO DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 241.933,32 Fl. 1392DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10830.010748/200786 Resolução n.º 1302000.077 S1C3T2 Fl. 1.386 7 CSLL A PAGAR...R$ 87.815,99 DEZEMBRO DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 123.441,03 CSLL A PAGAR...R$ 58.695,11 DIPJ/2007 (FLS. 235/245) JANEIRO DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 568.610,73 CSLL A PAGAR...R$ 205.419,86 MARÇO DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 753.836,82 CSLL A PAGAR...R$ 272.821,26 ABRIL DE 2005 IRPJ A PAGAR...R$ 420.393,50 CSLL A PAGAR...R$ 152.061,66 Solicitase que o resultado das averiguações ora requeridas sejam apresentadas em relatório conclusivo, oportunizandose à contribuinte prazo para, se assim desejar, aditar razões. Sala das Sessões, em 30 de março de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 1393DF CARF MF Emitido em 06/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 04/04/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 06/04/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10715.001581/93-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.023
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO BAPTISTA MOREIRA
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Brasília-DF, em 24 de abril de 1996 J Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, ISALBERTO ZAVÃO LIMA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, LEDA RUIZ DAMASCENO E LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. AUSENTE A CONSELHEIRA MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO. mfc/açl16949 .~ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA , I "t RECURSO N°RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 116.949 301-1023 SOUZA CRUZ SIA IRF - RIO DE JANEIRO - RJ JOÃO BAPTISTA MOREIRA RELATÓRIO • • Adoto o Relatório integrante da Decisão Recorrida, de fls. 81 et seqs, ut infra: Trata-se de pedido de restituição de tributos formulado inicialmente pela interessada, pelas razões apresentadas no requerimento de fls. 01. Todavia, de acordo com as informações constantes do processo a respeito da situação fiscla da requerente, verifica-se que constam débitos pendentes . com a Fazenda Nacional, razão pela qual, no uso da delegação de competência conferida pela Instrução Normativa nO 096/85, do Sr. Secretário da Receita Federal, INDEFIRO O pedido de restituição de tributos de que trata este processo, formulado pela interessada acima qualificada, em face do que dispõem o Ofício Circular GB-316-G, datado de 08/09/67, da Direção Geral da Fazenda Nacional, e a Orientação Normativa Interna CST-SRF nO 024, de 30106/78. A Autoridade a quo, às fls. 81, assim decidiu: RESTITUIÇÃO - situação fiscal da requerente pendente de solução, em razão de débito junto à Fazenda Nacional. PEDIDO INDEFERIDO. Com tempestividade, foi interposto o recurso de fls. 85 et seqs, que leio para meus pares. É o relatório . 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA , RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 116.949 301-1023 VOTO • ." • • O que recusa especle, no presente processo, é que a Recorrente, embora alegue já ter recolhido aos cofres públicos os débitos com a Fazenda Nacional apontados pela Decisão de fls. 97, não tenha apresentado a Certidão Negativa pertinente por ocasião da impugnação, que não produziu, despacho de fls. 96. Assim sendo, por ocasião da decisão era revel, nos termos do art. 21 do Decreto 70.235/72: "não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de 30 dias, para cobrança amigável" . Ora, a Empresa foi intimada em 06/01/94 e a revelia foi declarada em 01/03/94, pelo despacho de fls. 96. Por outro lado, foi apresentada, pelo recurso voluntário, certidão negativa de débitos de 20/05/94. Porém, como se trata de pedido de restituição, julgo que cabe a produção de provas apresentada, a qualquer. momento. O pedido original fala em compensação de débitos futuras, como isso não é possível, cabe a restituição. Voto no sentido de transformar o julgamento em diligência, junto à repartição de origem, para que seja informado se ocorreram débitos para com a Fazenda Nacional entre a data de Certidão Negativa e a prolação da Decisão" de Primeira Instância . Sala das Sessões, em 24 de abril de 1996 • 3 00000001 00000002 00000003
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Numero do processo: 10552.000525/2007-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE PATRONAL E TERCEIROS CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADO EMPREGADO. ASSOCIADOS ELEITOS PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA.
A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a seu cargo e as destinadas aos terceiros e recolher o produto arrecadado dentro do prazo estipulado pela legislação previdenciária.
Se o Auditor Fiscal constatar que o segurado, qualquer que seja a
denominação que lhe for dada, preenche as condições que configuram a relação de emprego (pessoa física, pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade), deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
São segurados contribuintes individuais empresários os associados eleitos para cargo de direção em cooperativa,
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.068
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, nas preliminares por unanimidade de votos em rejeitar a decadência. No mérito por maioria dos votos em dar provimento parcial ao recurso e determinar o recalculo da
multa de mora com base Art. 32-A da Lei 8,212/91 na redação dada pela Lei 11941/2009 e prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Cleusa Vieira de Souza (convocados) que votaram por negar provimento.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10552.000525/2007-37 Recurso n° 158,460 Voluntário Acórdão no 2403-00.068 — 4° Câmara / 3" Turma Ordinária Sessão de 8 de julho de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIEENCIÁRIA Recorrente COOPERATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NAS ÁREAS DE SAÚDE LTDA Recorrida DRJ-BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/11/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTE PATRONAL E TERCEIROS CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO. SEGURADO EMPREGADO. ASSOCIADOS ELEITOS PARA CARGO DE DIREÇÃO EM COOPERATIVA. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições a seu cargo e as destinadas aos terceiros e recolher o produto arrecadado dentro do prazo estipulado pela legislação previdenciária, 1 ' Se o Auditor Fiscal constatar que o segurado, qualquer que seja a denominação que lhe for dada, preenche as condições que configuram a relação de emprego (pessoa física, pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade), deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. São segurados contribuintes individuais empresários os associados eleitos para cargo de direção em cooperativa, RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4° Câmara / 3' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, nas preliminares por unanimidade de votos em rejeitar a decadência. No mérito por maioria dos votos em dar provimento parcial ao recurso e determinar o recalculo da multa de mora com base Art. .32-A da Lei 8,212/91 na redação dada pela Lei 1L941/2009 e prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Rycardo 1 Henrique Magalhães de Oliveira e Cleusa Vieira de Souza(convocados) que votaram por negar provimento. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado), Cleusa Vieira de Souza (Convocada) e Ewan Teles Aguiar (Convocado) 2 Processo n" 10552 000525/2007-37 S2-C4T3 Acórdão n 2403-00,068 Fl 311 Relatório Trata-se de crédito lançado em 19/03/2007, contra a recorrente, no valor de R$ 260.600,16, apurado no período de 09/2002 a 11/2006, e se refere às contribuições devidas pela empresa sobre o total das remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, e aos trabalhadores enquadrados pela Auditoria na categoria de empregado de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 58 a 69 e anexos de fls. 70 a 110, A Auditoria discriminou, de forma pormenorizada conforme o anexo III, as funções de secretária, motorista, higienizadora, coordenadora, auxiliar de escritório, recepcionista, e outras que comprovam a constatação dos elementos caracterizadores da relação de emprego entre aqueles e a cooperativa. Foram apuradas, também, as contribuições devidas às outras entidades. Às fls 33 a 45 e 163 a 237 reproduzem as provas materiais que serviram de base de cálculo para o levantamento bem como para caracterizar a condição de empregados e foram obtidos através de: - folhas de pagamentos e recibos; - lançamentos contábeis (Diário e Razão até a competência 11/2006); (\/:- - Guias de Recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social_ GFIP e retificações; e reclamatórias trabalhistas, os quais foram detalhados no Relatório de lançamentos anexo da NFLD de fls.33 a45. - Resumidamente, tais aludidas provas referem-se aos, recibos de pro labore, vale transporte com o desconto de 6% na remuneração do segurado a título de reembolso de auxilio de locomoção, relatórios de carga horária, fichas de matrícula onde constam a data de admissão, função, pedidos de folga para resolver assuntos particulares formulados à coordenadora de administração a serem compensados com as horas trabalhadas a mais e outras informações. De posse das provas, foram efetuados os seguintes levantamentos (item 5 do Relatório Fiscal): 1, DL 1 - Associado em Cargo de Direção — Não declarado em GFIP período de 09/2002 a 07/2004; 2, DL 2 - Associado em Cargo de Direção — declarado em GFIP- no período de 04/2004 a 11/2006; 3. CSE - Caracterização de Segurado Empregado- declarado em GFIP – no período de 01/2002 a 11/2006, 3 A Auditoria esclareceu no item 6 de seu Relatório, que não foram lançados valores relativos a contribuição de segurado no levantamento DL 2 - Associado em Cargo de Direção, nem no CSE - Caracterização de Segurado Empregado- declarado em GFIP • por já haverem contribuído na alíquota de 11% conforme folha de pagamento elaborada pela Cooperativa. Conforme assinatura aposta às folhas 01, a recorrente tomou ciência da presente NFLD em 19/03/2007, através de sua Presidente. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação sofrida, apresentou defesa na condição de irnpugnante alegando em síntese ser uma sociedade cooperativa constituída nos termos disposto pela Lei n'5,764, de 16/12/71. Negou a existência de vínculo empregatício entre ela e os associados e entre ela e aqueles que prestam serviços em suas dependências. Afirmou que as atividades dos associados motivo da NLD em tela estão vinculadas ao objeto social da cooperativa e são indispensáveis para que os outros associados possam cumprir com os contratos de prestação de serviços a terceiros contratantes. Colacionou o contido no parágrafo Único do art. 442 da CLT que dispõe qu não existe vínculo empregaticio entre a cooperativa e seus associados e nem entre estes e o tomadores de serviços daquela e transcreveu jurisprudências emanadas do TRT - 4 a TURMA. Transcreveu, também, dispositivos da legislação previdenciária e da Lei n° 5764/71 que institui o regime jurídico das cooperativas. Afirmou ser incorreto o enquadramento do dirigente contribuinte individual, categoria 11, na qualidade de contribuinte individual empresário, por não pertencer a uma sociedade empresária, e sim a urna sociedade simples, sem fins lucrativos, discordando, ainda, do enquadramento de associados como segurados empregados, vez que, segundo a recorrente, não possuem vínculo empregatício com a cooperativa. DO ACÓRDÃO DA DRJ/BHE Após analisar as alegações da impugnante, a 7 . Turma da DRJ/BHE considerou que foram atendidas as normas que disciplinam a matéria e, considerou, também, que não constavam nos autos fatos ou documentos da impugnante que importassem na alteração ou invalidação do lançamento, decidindo assim pela sua procedência. DO RECURSO Irresignada com a decisão da DRJ/BHE, a empresa interpôs recurso de fls. 285, onde não trouxe fatos e nem documentos novos, reiterando as alegações que fizera junto aquela DM, conforme sua declaração de folhas 301 a recorrente repri.sa todos os argumentos contidos na Impugnação ao Auto de Inflação ". ( grifei) É o relatório, 4 Processo o' 10552.000525/2007-37 S2-C411-3 Acórdão o." 2403-00,068 Fl. 312 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 307. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em preliminar, quedo-me a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal — STF. SÚMULA VINCULANTE DO STF N°8 "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" O texto constitucional em seu art, 10.3-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103-A.. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas .federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei, O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art, 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados' 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado,' II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuada 5 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, como no caso das contribuições previdenciárias, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4P, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art. 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa § 4" - Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco ! anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, (grifo nosso) O acima disposto pretendeu caracterizar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, identificando a natureza do tributo, no caso por homologação) para em seguida declarar da maneira devida a decadência das contribuições previdenciárias, Em face do até aqui exposto, a aplicação do art. 150, § 4 0, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Desse modo, entendo que qualquer eventual recolhimento, sobre uma ou mais rubricas, caracteriza antecipação. Aduz que ao efetuar os recolhimentos, na forma do leiaute da guia de recolhimento - GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra de imediato de modo claro e efetivo quais fatos geradores estão sendo contemplados com tal pagamento, razão das auditorias fiscais. Entendo que, mesmo a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, 6 Processo n*10552 000525/2007-37 S2-C4T3 Acárao ii " 2403-00A68 Fl 313 Assim, em ocorrendo a circunstância supra, e ainda em razão da natureza do tributo ser por homologação, vejo no caso presente tipificada aplicação do § 4° do art. 150 do CTN„ O crédito foi constituído, efetivamente, com o recebimento da notificação, conforme assinatura do Termo de Encerramento da Ação Fiscal - TEAF, 11.53, em 19/0.3/2007. Assim, efetuadas as contas qüinqüenais na forma do § 4° do art 150 do CTN, concluo que os créditos relativos a todo o período da ação fiscal compreendido entre 09/2002 a 11/06, em síntese, todo o período da ação fiscal não foi alcançado pelo instituto da decadência„ DESCARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE ASSOCIADO O auto refere-se a descaracterização dos associados para classificá-los como empregados. Assim, convém conhecer o definido no Estatuto Social da Recorrente, às folhas 122: ) Art10° - O associado que aceitar estabelecer relação empregatícia com a Cooperativa, perde o direito de votar e ser votado até que sejam aprovadas as contas exercício em que se desvinculou. ) Art44° - Compete ao Conselho de Administração, entre outras atribuições: c) Determinar, se entender necessário, a contratação de executivos, fixando os valores de suas remunerações, d) Estabelecer normas para admissão e demissão, e normas disciplinares de empregados. Do exposto resta claro a existência de previsão para contratação de empregados naturalmente para exercer as atividades meio. Os documentos que serviram de base para o lançamento demonstram com clareza a não eventualidade, subordinação, pessoalidade e onerosidade na prestação de serviços daqueles associados relatados o que descaracteriza a condição de associado para efetivar uma relação de emprego na forma do previsto no art, 3' da CLT, que dispõe: "Considera-se empregado toda pessodfisica que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.. ." Para atender essa conceituação são necessários que a relação laborai apresente as seguintes características: A- Pessoaliclade; B- Subordinação; • C- Ingerência; 7 D- Habitualidade; E- Dependência Econômica; F- Patrão; G- Empregado; H- Salário. Relevante citar que a NF'LD em comento não teve como foco descaracterizar ou descredenciar a cooperativa. Pretendendo provar a não existência do vínculo, a empresa perdeu o foco generalizou na medida em que deixou de enfrentar o motivo da autuação e apresentou argumentos sobre o que seria urna cooperativa estabelecida na forma legal. Nesse diapasão, colacionou argumentos tais como os das folhas 245/246: Nos termos do art 90 da Lei ,i°5 764/71 e do art. 442, parágrafo único da L'VT, inexiste vinculo empregando entre associados e a sociedade cooperativa de qualquer natureza, entretanto, as cooperativas igualam-se às demais empresas em relação aos seus empregados para os fins da legislação trabalhista e previdenciária Exerce atividade autônoma o trabalhador cooperativa que É <associado à, nessa qualidade, presta serviços a terceiros,entretanto, é possível que o associado seja contratado como empregado pela cooperativa, hipótese em que perderá o direito de voto e o de ser votado até que sejam apreciadas as contas do exercício em que foi desfeita a relação empregai-kin Então, com base em tais argumentos entendeu ter sido suficientemente persuasiva para concluir pela não existência do vínculo empregatício concluindo conforme texto abaixo : Face as razões expostas podemos concluir com meridiana clareza que inexiste relação de emprego entre a cooperativa CRE-SER e seus associados, inclusive entre esta e aqueles que prestam serviços na própria cooperativa, vez que sua atividade esta diametralmente vinculada ao objeto social da cooperativa e indispensável para que os outros associados possa cumprir com os contratos de prestação de serviços a terceiros contratantes. Não há relação de emprego havida entre os cooperados e a cooperativa, unia vez que jamais estiveram presentes os requisitos entabulados no art. 3 0 da CLT, Ao contrário, a Auditoria de forma tática, fez restar provado no Relatório Fiscal e seus anexos que os associados ali relacionados desenvolviam relação de emprego e não de associados como , por exemplo é o que acontece com a secretária que presta serviço a administração da cooperativa estando sujeita a horário pré-fixado e demais regras elaboradas e cobradas, não tendo nenhuma identidade com o trabalho dos demais cooperados. Às fls,163 a 237, como já comentado, revelam: 8 Processo n° 10552 000525/2007-37 S2-C413 Acórdão n.° 2403-00,068 Fl 314 - relatórios de carga horária contendo o registro de entrada e saída do trabalho; 'fichas de matrícula onde constam a data de admissão, função; - pedidos de folga para resolver assuntos particulares trabalhadas a mais; e - a constatação de que a Cooperativa contratava serviços de segurados enquadrados na categoria de empregados sem reconhecê-los como tal, Por outro lado, a Auditoria Fiscal discrimina, no anexo III do Relatório Fiscal, nominalmente, os segurados considerados empregados, a respectiva função que executam e a remuneração recebida (denominada pela empresa de pró-labore), para os efeitos da legislação previdenciária, juntando aos autos as provas que motivaram o enquadramento. Diante dos fatos a Auditoria procedeu ao correto enquadramento conforme lhe obriga a legislação a qual se submete (parágrafo 2° do artigo 229 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto n° 3048 de 07 de maio de 1999 e art. 118 do CTN), pois restou comprovado para a auditoria a presença dos pressupostos caracterizadores relação de emprego, conforme art. 3° da CLT e art. 12, I, "a" da Lei n°8,212 de 24 de julho de 1991, dispositivos abaixo transcritos: "Decreto 3048/99 art. 229, o § 2° " Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do capta' do art. 92, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, /Redação dada pelo Decreto n°3,265. de 1999) Código Tributário Nacional-CTN art.118 "A definição legal de/ato gerador é interpretada abstraindo-se: - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos,' - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos" Consolidação da Legislação Trabalhista- CLT art .3' "Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência e mediante salário". 9 Lei n°8.212/91 Ari, 12 "São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: 1- como empregado• a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa,em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado". A lei 5,764/71, em seu art. 91, iguala a cooperativa à empresa em relação aos seus empregados para fins da legislação trabalhista e previdenciária. Restou verificado que as cooperadas, eleitas para o cargo de Direção da Cooperativa prestaram serviços remunerados na sede da mesma tendo com tomadora a própria Cooperativa, Estas cooperadas foram enquadradas pela cooperativa como contribuintes individuais na categoria cooperados que prestam serviços a empresas contratantes da cooperativa de trabalho, que corresponde ao código 17 da GFIV. Considerando que são dirigentes e prestam serviços para a própria cooperativa o enquadramento correto é o da categoria 11 - contribuinte individual empresário conforme efetuado pela Auditoria, por estar em conformidade com o que determina o art, 12 inciso V alínea "f da Lei n° 8.212/91,in verbis L Lei n° 8.212/91 Art.12, São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas.. ) V- como contribuinte individual; .1) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o rnembro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei n" 9,876, de 1999)." Face a todo o exposto, se conclui que foram atendidas as normas que disciplinam a matéria, e, ainda, que não constam nos autos fatos ou documentos da recorrente que importem na alteração da capitulação do lançamento. Assim, não se vislumbrou procedentes os argumentos da recorrente para provar a inexistência do vinculo empregaticio caracterizado pela auditoria, bem como no que tange ao enquadramento das cooperadas, dirigentes, na categoria 11. lo Processo n° 10552.000525/2007-37 82-C413 Acórdão n ° 2403-00.068 H 315 Desse modo, voto pelo conhecimento do recurso para, no mérito, negar-lhe provimento e que se proceda o recálculo da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo. 32 — A, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei 11,941/2009. Sala da :e: ões, n 8 de julho de 2010 CIR JÚLIO DE SOUZA — Relator 11 •- NA MINISTÉRIO DA FAZENDA fm CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n': 10552.000525/2007-37 Recurso n°: 158.460 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 30 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial no 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 403-00.068 Bras lia, 2 de agosto de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10480.000535/2002-59
Data da sessão: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Operação de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - 10F
Ano calendário: 1997
MULTA DE OFÍCIO EXIGIDO ISOLADAMENTE.
A acusação fiscal de falta de pagamento ou pagamento a menor de multa e ou juros de fls. 26 deixou de existir, quando o erro no preenchimento da DCTF de 1997, declarou a partir da 5° semana de janeiro valores devidos de I0F apenas ocorridos a partir da 1° semana de fevereiro até a 5ª semana de março do mesmo ano
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-000.213
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, cm dar
provimento ao recurso.
Matéria: DCTF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada(TODOS)
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Imposto sobre Operação de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - 10F Ano calendário: 1997 MULTA DE OFÍCIO EXIGIDO ISOLADAMENTE. A acusação fiscal de falta de pagamento ou pagamento a menor de multa e ou juros de fls. 26 deixou de existir, quando o erro no preenchimento da DCTF de 1997, declarou a partir da 5° semana de janeiro valores devidos de I0F apenas ocorridos a partir da 1° semana de fevereiro até a 5ª semana de março do mesmo ano Recurso Voluntário Provido.
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A acusação fiscal de falta de pagamento ou pagamento a menor de multa e ou juros de fls. 26 deixou de existir, quando o erro no preenchimento da DCTF de 1997, declarou a partir da 5° semana de janeiro valores devidos de 10F apenas ocorridos a partir da 1° semana de fevereiro até a 5' semana de março do mesmo ano Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, cm dar provimento ao recurso. •••••( .1(e-0.°e" .) Henrique Pinheiro Torres - Presidente Valdete Aparecida' Marin leiro - Relatora EDITADO EM: 05/08/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Corintho Oliveira Machado, Tardsio Campelo Borges, Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Adota-se o Relatório de fls. 68 e 69 dos autos emanados da decisão da DRJ/REC — 2° Turma, por meio do voto do relator Lúcio Flavio Pessoa Coutinho, nos seguintes termos: 'Contra a pessoa jurídica já qualificada foi lavrado o Auto de Infração a seguir especificado (fls. 14/15), para exigência do Imposto Sobre Operações de Crédito, Cámbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários — IOF referentes aos períodos de apuração enumerados nos "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) .17. 25 e no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar — Não Pagos a Menor" (Anexo IV), fls. 26: Crédito Tributário Valor (RS) Contribuição 10.673,06 Multa de Oficio 8.004,80 Juros de Mora 10.478,80 Juros Pagos a menor ou não pagos 179,13 Multa de Oficio Exigida Isoladamente 108.710,48 Total do Crédito Tributário 138.046,27 2. De acordo com o que se encontra descrito a fl.15, o lançamento foi efetuado por falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata e falta ou insuficiência de pagamento dos acrescimos legais, conforme demonstrativos, de fls. 16/26. 3. Inconformada, a contribuinte, por seus diretores, apresentou a peça impugnatória de fls. 01/11, alegando, eat síntese, que: 3.1 — o lançamento correspondente ao presente auto de infração tem origem em duas supostas alegações: a primeira de que o imposto em questão não foi pago, por não terem os agentes fiscalizadores localizados os respectivos comprovantes de pagamento do tributo; a segunda, de que os possíveis valores pagos assim o foram a destempo ou a menor, de tal sorte que lhe estão sendo imputados os encargos morató rios correspondentes; 3.2 — quanto à primeira si/posição, esclarece a Impugnante que os valores foram quitados em 29/01/97 nas quantias de R$ 14,14 (código 3467) e R$ 10.658,92 (código 1150), conforme cópias dos DARE anexas; 3.3 — quanto (1 segunda, de fato, na DCTF do primeiro trimestre de 1997, por um equivoco, a impugnante informou, em determinada página, que o débito ali informado correspondia ao período de apuração da 5" semana de janeiro, quando correspondente, na verdade, a 1" semana de fevereiro. Tal equivoco ocasionou, consequentemente, o preenchimento Processo n° 10480.000535/2002-59 S3-C IT I Acórcliio 0. 0 3101-00.213 Fl. 202 incorreto de todo o restante da declaração, já que os período c/c apuração subsequente fotyun também equivocadamente informados, como restará demonstrado; 3.4 — o erro no preenchimento du declaração não conduziu a apuração de débito diverso, posto que as alterações ocorridas seriam sanadas com tuna simples reclassificacdo na própria DCTF, remanescendo, assim, idêntico saldo de 10F; 3.5 — ao tomar ciência do presente auto de infração, a Impugnante procedeu à retificação da declaração de contribuições e tributos federais ent questão, aonde .falcilmente se comprova que o equivoco cometido não afetou o montante do débito daquele período, razão pela qual a autuação em referência revela-se inócua, também sob esse segundo fundamento, diante c/a inexistência de débito tributário para com ci Fazenda Pública Nacional; 3.6 — cumpre à impugnante arguir a nulidade do presente auto de infração, em decorrência do vicio formal do qual padece. É que, C01110 enquadramento legal, a justificar a imposição dos juros e (la multa lançados contra a Impugnante, .foi capitulado 110 auto de infração o art. 160 da Lei n" 5.172/66 (CTN), que prescreve norma estranha á presente autuação; 3.7 — inexiste crédito tributário remanescente em desfavor da Impugnante, posto que o equivoco cometido quando do preenchimento da DCTF do primeiro trimestre de 1997 não implicou alteração dos débitos e, consequentemente, não afetou o 10F incidente naquele período, indevida se torna a penalidade apontada no presente auto de infração, tornando-se igualmente indevidos e despropositados os juros de mora aplicados e a multa; 3.8 — caso se ententia pela validade do presente auto c/c infração apenas para a aplicação da multa de oficio, em decorrência do preenchimento incorreto da declaração, há que ser destacada a desproporcionalidade do quantum aplicado, o que também há de ensejar a de.sconstituição do presente auto; 3.9 — com relação à multa de 75% vale dizer que além die violar os princípios do direito, revela-se manifestamente confiscatória. 0 percentual de 75% aplicado sobre o suposto débito apurado pela agente fiscalizadom revela verdadeiro confisco do patrimônio da Impugnante; 3.10 — as taxas selic não podem ser utilizadas como critério de correção monetária muito menos como juros moratórios, em face do seu caráter remuneratório. O DRF/Recife/PE, f1.64, após a revisão do lançamento, emite o seguinte despacho: "0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não aprovado por ocasião do lançamento anterior (art. 149, VIII, CTN). Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de falta de recolhimento do IOF I" trimestre/1997 e/ou atraso destes sem os devidos acréscimos legais (doc. fls. 12 a 29) Cientificado do lançamento em data indeterminada pela ausência de registro do AR e não concordando com a exigência o contribuinte apresentou, em 09/01/2002, a impugnação de fis. 01 a 56, alegando pagamento tempestivo dos débitos, admitindo erro de preenchimento de DCTF e questionando o mérito do lançamento. Os demonstrativos de consolidação e recalculo de fls. 58 a 62 apresentam o resultado do Recalculo Automático feito no SIEF, que extinguiu parcialmente e manteve devedores os débitos remanescentes constantes do demonstrativo clef/s. 59 e 61. Diante a impossibilidade de determinar a tempestividade da impugnação pela falta de registros do AR de ciência hem como da contestação do mérito do lançamento, proponho que o presente processo seja encaminhado ao SECO/DR.I/RECIFE para julgamento"." A decisão recorrida emanada do Acórdão n° 11 - 16.081 de fls. 67 diz o seguinte: "Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito Cambio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários — IOF Ano-calendário: 1997 Ementa: EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTA'RIO 0 pagamento de imposto ou contribuição é modalidade de extinção do crédito tributário devendo ser excluído do lançamento. MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA ISOLADAMENTE A multa de oficio deve ser exigida isoladamente quando não houver sido acrescida multa de mora ao tributo ou contribuição recolhido após o prazo legal de vencimento. Lançamento Procedente em Parte." Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário a este Egrégio Conselho de Contribuintes (fls. 81 a 93) através de procurador, onde alega, em suma: DOS FATOS — repete o já relatado. DA PRELIMINAR DE NULIDADE — Lançamento eletrônico, é ab initio, nulo, pois padece de vicio formal, pois, não atende os requisitos impostos pelo CTN e pelo Decreto n° 70.235/72 para a regular constituição do crédito tributário, urna vez que apontou corno enquadramento legal o art. 160 do CTN que prescreve no seu entender norma estranha a presente autuação, portanto, contem vicio formal irreparável o que torna o crédito tributário inexigível. Processo n° 10480.000535/2002-59 S3-CIT1 AcOrcklo n.° 3101-00.213 Fl. 203 NO MÉRITO — Resumidamente esclarece que ocorreu mero erro no preenchimento da DCTF da Recorrente (1" semana de fevereiro corn a 5" semana de janeiro do ano-calendário de 1997.) Fato que não trouxe nenhum prejuízo de arrecadação para o Fisco, conforme alega comprovar pela apuração contábil de 'OF, as DARF's dos períodos autuados e a Agenda Tributária dos meses de fevereiro e março de 1997, juntando os documentos correspondentes. Que tentou proceder a. retificação de sua DCTF, mas foi obstado pela SRF pela ciência da referida autuação. Em fls. 88 a Recorrente apresenta urn quadro referente os documentos anexados no intuito de comprovar as alegações da mesma, rechaçando o entendimento da decisão recorrida de que precluiu o direito de apresentar provas que invalidam a autuação. Nesse sentido em nome da verdade material e da legalidade traz lição de Alberto Xavier. Ainda nesse mesmo último sentido a Recorrente traz jurisprudência do Conselho de Contribuintes que lhe favorece em fls. 90. A Recorrente, também, entendendo que de fato apenas cometeu mero erro no preenchimento das declarações dos períodos autuados, traz o acórdão n° 102-47705 desse Conselho cujo relator do caso foi o ilustre Dr. Antonio José Praga de Souza em situação semelhante que lhe favorece. E em situação identica trouxe o entendimento exarado nos autos do PTA 10480.009754/2002-01 proferido pela Delegacia Federal de Julgamento em Recife, ao analisar a autuação sofrida pela mesma Recorrente referente ao 4" trimestre de 1997. Finalmente, a Recorrente, ao tratar do pedido final, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário para cancelar a integralidade da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora 0 Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. A Recorrente efetivamente cometeu o erro de fato no preenchimento da DCTF, conforme comprova seus documentos juntados aos autos. Portanto, a acusação fiscal de falta de pagamento ou pagamento a menor de multa e ou juros de fls. 26, deixou de existir, quando o erro do preenchimento da DCTF dc 1997, declarou a partir da 5" semana de janeiro valores devidos de IOF apenas ocorridos a partir da 1" semana de fevereiro até a 5' semana de março do mesmo ano. A admissão de provas, ou no caso, a clareza das provas, nesse grau de Recurso Voluntário, entendo indispensável ao julgamento do processo, pois, não podemos esconder a verdade material, essência do processo administrativo, ainda, que excepcionalmente, para não prevalecer qualquer formalismo processual. Assim, no tocante a essa questão discordo da decisão recorrida, para admitir as provas apresentadas. Quanto a preliminar arguida pela Recorrente, até pela decisão recorrida que lhe foi parcialmente favorável, afasto-a para no mérito dar integral PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. como voto. Valdete Apayecida arinheiro 6
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Numero do processo: 13808.002716/2001-97
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1401-000.009
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Resolvem os membri do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em dilig = ne'a, os termos do voto do relatar, VkQ MARCOS ' Ci US NEDER DE LIMA — Presidente M*R S DE NEZES Relator EDITADO EM: 0 9 JUL 2010 Participaram, da presente sessão de julgamento os Conselheiros: Marcos Vinicius Neder de Lima, Albertina Silva Santos de Lima, Marcos Shigueo Takata, Hugo Correia Sotero, Valmar Fonseca de Menezes, Silvia Bessa Ribeiro Biar e Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Processo n° 13808.002716/2001-97 S1 -C412 Resoluçào n " 1401-00A09 Fl 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir. "Trata o presente processo de auto de infração referente à multa regulamentar, no valor de R$ 988,042,17, exigida em face da falta de apresentação de arquivos magnéticos relativos a operações da contribuinte, nos termos do art, 265 do Decreto ri° 3.000, de 29/03/1999 (RIR/1999) e IN SRF n° 68, de 27/12/1995. 2 No "Termo de retificação e ratificação", lavrado em 21/06/2001 e cientificado em 29/06/2001 (fls. 43 a 45), o autor do procedimento fiscal relata: 2,1 Da análise dos livros e documentos apresentados pela contribuinte foi observado que: a) a empresa apurou no ano-calendário de 1997 lucro real anual e apresenta valores elevados na conta outras despesas; b) no período imediatamente anterior possuía patrimônio liquido superior a R$ 1,633,072,44, conforme disposto no art. 265 do Decreto n° 3,000, de 1999, 2,2 Intimou-se a empresa, em 07/11/2000, a apresentar as notas fiscais relativas às despesas e, posteriorrnente, a apresentar os arquivos magnéticos relativamente às operações de compra, venda e controle de estoques da matriz e das filiais. 2.3 Em 24/01/2001 a empresa apresentou, por carta, os motivos do não fornecimento dos arquivos magnéticos, e não utilizou a faculdade prevista no parágrafo único do art. 266, relativamente à prorrogação do prazo para apresentação de tais arquivos. 2,4 Diante do exposto, lavrou o auto de infração para constituição do crédito tributário, de acordo com o art. 980, inciso II, do R1R/1999, como demonstra: Vendas R$ 11.692.479,64 Compras (+) R$ 8.068.363,88 Total R$ 19.760.843,52 5% Multa R$ 988.042,17 2.5 Ressalta que procedeu "a juntada da impugnação apresentada em 29/05/2001, bem como a ratificação desta ao processo n o 13808,001937/2001-48, e que em face da formalização do processo n 13808.002716/2001-97, para exigência da multa prevista no RIR/99 acima descrita o contribuinte devera apresentar no prazo legal nova impugnação que, a seu critério, poderá ser cópia da primeira apresentada", 3 Cientificada do auto de infração em 29/06/2001 (fl. 45), a contribuinte apresentou, em 26/07/2001, por meio de seu procurador (fls. 94 a 104), a impugnação de fls. 52 a 56, aduzindo, no que tange à matéria tratada neste processo, o que segue. 3.1 Tendo sido autuada em 27/04/2001, conforme autos de infração de IRPI e CSLL, em 29/05/2001 protocolou uma impugnação, e no dia 13/06/2001 pediu apensamento ao es <Auto em virtude de ter recebido, via correio, um Mandado de Procedirn to Fiscal .- , 2 Processo n° 13808 002716/2001-97 SI-C41-2 Resolução a° 1401-00n009 Fl. 3 MPF de no 0813100,2001 .00465-2, datado de 1.3/0612001, com validade até 10/1012001, juntamente com um Termo de Retificação e Ratificação, de 21/06/2001, 12 Requer o apensamento do Auto Complementar Retificado e Ratificado ao principal, bem como ratifica a impugnação ao lançamento já apresentado no prazo legal. 3,.3 Estranha o recebimento via correio de MPF para ser executado até 10/10/2001, já acompanhado de um Termo de Encerramento datado de 20/06/2001, 3.4 Se existe fundamento legal para este tipo de procedimento, há uma falha muito grande no seu conteúdo, visto que o Auditor não compareceu na sede da fiscalizada para lavrar o Termo e colher assinatura do representante conforme nele consta, 3,5 Outro fato estranho é a devolução, em 27/04/2001, de toda a documentação exigida desde o início da fiscalização, em 12/09/2000, juntamente com o Termo de Encerramento assinado pelo representante da fiscalizada. .3.6 A impugnação objetiva contestar a multa no valor de R$ 988.042,17, cuja exigência baseou-se na declaração da própria impugnante, em atendimento a solicitação verbal do sr. Agente autuante, de que não possui sistema eletrônico de processamento de dados nas filiais, sendo a matriz a responsável pela digitação dos lançamentos contábeis. No mesmo documento informou que tanto o "backup" quanto o sistema em si estavam à disposição do fisco para verificação dos seus arquivos. 3.7 O sr. Auditor-Fiscal recebeu a declaração sem ressalvas ou comentários, levando ao entendimento, por parte da impugnante, de que a solicitação tinha sido atendida, 3,8 Inexistindo intimação formal, por escrito, em que ficasse claro o que estava sendo pedido pela fiscalização, não cabe a ela o direito de alegar que da resposta tenha ficado caracterizado o não atendimento da íntegra do solicitado. Caso o autuante tivesse se pronunciado a respeito da irregularidade que julgou existir, a autuada teria envidado todos os esforços para cumprimento da exigência fiscal, inclusive pedindo prorrogação do prazo, .3.9 O parágrafo 2° do art. 928 esclarece que, se as exigências não forem atendidas, a autoridade fiscal cientificará o infrator da multa que lhe foi imposta, fixando novo prazo para o cumprimento da exigência, se for o caso, mas não foi o que aconteceu, e tornada de surpresa, recebeu a notificação do lançamento da multa, 3.10 Deve ser destacado que, caso a impugnante, em suas filiais, escriturasse seus livros fiscais através de meios magnéticos, e possuindo patrimônio líquido superior a R$ 1.800,000,00 (e não R$ 1.633.072,44, como erroneamente consta do Termo de Constatação Fiscal) em 31 de dezembro do ano-calendário imediatamente anterior, aí sim estaria sujeita a atender ao estabelecido na IN SRF 68, de 1995. 3.11 A requerente, em nenhum momento, omitiu ou prestou incorretamente as informações solicitadas. 3,12 Outro fato não compreendido é a absurda base de cálculo utilizada para a cobrança da multa, ou seja, os cinco por cento foram aplicados sobre a somatória das compras e vendas realizadas no ano de 1997. 3,13 O respeito ao preconizado na IN SRF 68, de 1995, deve ser observado apenas quanto às operações realizadas por meios magnéticos, sendo essa utilização uma opção da empresa e não uma obrigatoriedade. Assim, se os registros são manuais (como é o caso das filiais), não há como se falar em multa pel/ não apresentação dos meios magnéticos. , 3 Processo o 13808.002716/2001-97 S1-C412 Resolução in 1401-40.1109 F I 4 3.14 Caso a empresa estivesse obrigada a cumprir os ditames da IN em tela, e não o fizesse, ficaria sujeita somente à multa prevista no inciso I do art, 1014 do RIR/1994, combinado com o inciso I do art, 980 do RIR/1999, ou seja, meio por cento do valor da receita bruta do período, por não atender à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos. A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1997 Ementa: MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS - A pessoa jurídica que utilize sistema de processamento eletrônico de dados para a escrituração, e cujo patrimônio líquido no período de apuração imediatamente anterior seja superior ao limite estabelecido em legislação vigente à época, deve manter os arquivos em meio magnético, à disposição da Secretaria da Receita Federal. A omissão na apresentação dos arquivos implica exigência de multa regulamentar, de cinco por cento sobre o valor das operações correspondentes, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. Lançamento procedente em parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fl. xx, inclusive repisando argumentos. É o relatório. Voto Conselheira VALMAR FONSECA DE MENEZES, Relator Preliminarmente, verifico que o presente processo trata de ratificação e retificação de um auto de infração anteriormente lavrado, conforme fls. 43, 88 e 160, tendo, inclusive, a recorrente afirmado que houve interrupção do fase impugnatória (quando o processo já estava sob a alçada da DRJ) para retificação e para efetivação de novo lançamento. Ocorre que não consta dos autos, o auto de infração que teria sido ratificado e retificado. Por uma inferência lógica, não há como se proceder ao julgamento sem que tenhamos tal elemento processual. • 4 Processo tf 13808 002716/2001-97 S1-011.2 Resolução o.° 1401-00.009 Fl 5 Sendo assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que seja suprida a falha de preparo do presente processo. È como voto, 41-10 VALMAR FON-- :CA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.908063/2016-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013
CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE.
São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica.
Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade,
Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF.
AQUISIÇÃO DE INSUMOS GRAVADOS COM ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES - CREDITAMENTO . VEDAÇÃO LEGAL.
Por estrita vedação legal, contida na Lei nº 10.637/2002, artigo 3º, § 2º, II, não geram créditos da Contribuição ao PIS-PASEP/COFINS, no regime da não cumulatividade, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VALE PEDÁGIO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE
As despesas com vale pedágio pagas pelo contratante do serviço de transporte rodoviário de carga não integram o valor do frete, portanto não podem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições.
O art. 2º da Lei nº 10.209/2001 dispõe expressamente que o vale pedágio não integra o valor do frete e determina que o vale pedágio não constitui base de incidência de contribuições sociais, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.
PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA. SUSPENSÃO. REQUISITOS.
A realização de vendas com a suspensão da incidência das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 somente tem sua autorização legal quando o adquirente preenche certos requisitos, sendo que principal destes requisitos é de que o produto adquirido seja utilizado no seu processo industrial como insumo na fabricação das mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal mencionadas no caput do art. 8º do referido dispositivo legal.
Em caso de tais produtos serem adquiridos para revenda, pelo comprador, o valor da venda deve compor a base de cálculo das contribuições do vendedor.
Numero da decisão: 3301-011.534
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.527, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10930.908079/2016-47, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada), Marcelo Costa Marques DOliveira (Suplente Convocado) e Ari Vendramini.
Nome do relator: Salvador Cândido Brandão Junior
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 CONCEITO DE INSUMOS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. AQUISIÇÃO DE INSUMOS GRAVADOS COM ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES - CREDITAMENTO . VEDAÇÃO LEGAL. Por estrita vedação legal, contida na Lei nº 10.637/2002, artigo 3º, § 2º, II, não geram créditos da Contribuição ao PIS-PASEP/COFINS, no regime da não cumulatividade, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VALE PEDÁGIO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE As despesas com vale pedágio pagas pelo contratante do serviço de transporte rodoviário de carga não integram o valor do frete, portanto não podem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. O art. 2º da Lei nº 10.209/2001 dispõe expressamente que o vale pedágio não integra o valor do frete e determina que o vale pedágio não constitui base de incidência de contribuições sociais, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA. SUSPENSÃO. REQUISITOS. A realização de vendas com a suspensão da incidência das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 somente tem sua autorização legal quando o adquirente preenche certos requisitos, sendo que principal destes requisitos é de que o produto adquirido seja utilizado no seu processo industrial como insumo na fabricação das mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal mencionadas no caput do art. 8º do referido dispositivo legal. Em caso de tais produtos serem adquiridos para revenda, pelo comprador, o valor da venda deve compor a base de cálculo das contribuições do vendedor.
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REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. São insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com o objeto social da empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade, Sendo esta a posição do STJ, externada no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ao julgar o RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF. AQUISIÇÃO DE INSUMOS GRAVADOS COM ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES - CREDITAMENTO . VEDAÇÃO LEGAL. Por estrita vedação legal, contida na Lei nº 10.637/2002, artigo 3º, § 2º, II, não geram créditos da Contribuição ao PIS-PASEP/COFINS, no regime da não cumulatividade, a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. VALE PEDÁGIO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE As despesas com vale pedágio pagas pelo contratante do serviço de transporte rodoviário de carga não integram o valor do frete, portanto não podem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições. O art. 2º da Lei nº 10.209/2001 dispõe expressamente que o vale pedágio não integra o valor do frete e determina que o vale pedágio não constitui base de incidência de contribuições sociais, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 80 63 /2 01 6- 34 Fl. 546DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA. SUSPENSÃO. REQUISITOS. A realização de vendas com a suspensão da incidência das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 somente tem sua autorização legal quando o adquirente preenche certos requisitos, sendo que principal destes requisitos é de que o produto adquirido seja utilizado no seu processo industrial como insumo na fabricação das mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal mencionadas no caput do art. 8º do referido dispositivo legal. Em caso de tais produtos serem adquiridos para revenda, pelo comprador, o valor da venda deve compor a base de cálculo das contribuições do vendedor. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.527, de 24 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10930.908079/2016-47, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Juciléia de Souza Lima, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente Convocada), Marcelo Costa Marques D’Oliveira (Suplente Convocado) e Ari Vendramini. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo sobre manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado contra o indeferimento/indeferimento parcial do direito creditório solicitado em Pedido de Ressarcimento. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório e apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: - Afirma que é contribuinte do PIS e da COFINS incidentes sobre o valor do faturamento mensal, tendo, nos termos da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, o direito de tomar crédito das referidas contribuições, de forma direta, em relação às aquisições de insumos e outros produtos correlatos à sua atividade fim, independentemente de estes serem Fl. 547DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação ou destinados ao mercado interno. Salienta que em virtude da existência de receitas de exportação, sobre as quais não há incidência das contribuições, e também de saídas no mercado interno isentas, sujeitas à alíquota zero ou não alcançadas pela incidência das contribuições, a manifestante se torna uma grande acumuladora de créditos, devendo o saldo remanescente ser ressarcido na forma aqui pretendida. - Questiona a glosa dos créditos referentes à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero destinados à revenda para seus associados. Nesse ponto, destaca que a finalidade técnica do regime não cumulativo do PIS e da COFINS é diminuir a carga tributária ao longo do processo produtivo industrial e afirma que a interpretação literal no sentido de ser vedado o desconto/abatimento de créditos na aquisição de insumos tributados à alíquota zero vai de encontro a esse objetivo finalístico, pois anula o efeito da alíquota zero. Argumenta que a vedação ao desconto/abatimento de créditos implica violação ao princípio da não cumulatividade, previsto sem qualquer limitação no § 12 do art. 195 da Constituição Federal. Assevera que a Receita Federal interpreta de forma literal o inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, considerando que os insumos adquiridos sem tributação não conferem direito ao crédito, exceto nos casos em que a aquisição ocorrer com isenção e que os bens e serviços decorrentes destes constituam insumos utilizados na produção de bens ou serviços tributados. Refuta essa interpretação literal e alega ser necessário equiparar os conceitos de isenção e alíquota zero, em face do princípio da isonomia, pois tais institutos têm efeitos práticos absolutamente iguais em relação ao PIS e à COFINS. Assim, defende que a exceção prevista no inciso II, § 2º, do art. 3º, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, abrange tanto as hipóteses de aquisição de insumos isentos quanto a aquisição de insumos adquiridos com alíquota zero utilizado pela manifestante na sua atividade, ainda que na revenda (mercado interno tributado). - Contesta a glosa dos créditos relativos aos custos com vale pedágio, afirmando que o princípio da não cumulatividade deve ser observado em todo o ciclo operacional e não pode sofrer supressão parcial, face aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Afirma que se houver proibição, ainda que parcial, do direito do contribuinte de abater o ônus tributário das operações e prestações anteriores, ocorrerá o efeito cumulativo. Assevera que não cumulatividade qualifica-se como um princípio constitucional, não se tratando de simples técnica de apuração de tributos ou mera proposta didática. Alega que tanto a Lei nº 10.637/2002 como a Lei nº 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos de PIS e COFINS relativos a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Aduz que o conceito de insumo corresponde a todos os custos e despesas que, direta ou indiretamente, são utilizados nas atividades da empresa, ou seja, refere-se a todos os gastos e despesas essenciais à atividade principal do contribuinte. Argumenta que se o PIS e a COFINS incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, os créditos devem ser calculados sobre a totalidade dos custos e despesas inerentes à atividade da pessoa jurídica, sob pena de aumento excessivo da carga tributária, de ineficiência da pretensão do legislador ordinário e de afronta aos ditames constitucionais vigentes. Cita manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF/7ª Região Fiscal no sentido favorável à caracterização como insumo dos valores pagos a título de vale pedágio. Menciona também julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de que o conceito de insumo para fins de PIS e COFINS compreende os custos e despesas operacionais dedutíveis na forma da legislação referente ao IRPJ. Fl. 548DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 - Quanto às vendas efetuadas para a empresa Seara, destaca que a fiscalização entendeu que não poderia haver suspensão do PIS e da COFINS porque a legislação estabelece que a suspensão se aplica apenas quando o adquirente utiliza o produto como insumo na industrialização de produtos destinados à alimentação humana ou animal, sendo que, no caso, o CNPJ destinatário da mercadoria teria como atividade principal o comércio varejista. Refuta esse entendimento, alegando que a legislação de regência não vincula a suspensão ao CNAE consignado no cartão do CNPJ do destinatário. Afirma ser de notório conhecimento que que a empresa destinatária tem como atividade preponderante a industrialização de inúmeros produtos e, por questão de logística, mantém “entrepostos” para melhor receber os insumos adquiridos. Aduz que a partir dessa fase, a destinatária encaminha os insumos para seus estabelecimentos industriais, que certamente irão processar e transformar o produto adquirido em produto para alimentação. Assevera que não cabe à manifestante analisar o CNAE da empresa destinatária e que é impossível provar que os grãos vendidos foram destinados exclusivamente à produção de alimentos, pois a Seara é empresa de grande porte industrial que adquire os produtos para industrialização e para revenda, mantendo uma “reserva de mercado”. Alega que no caso da Seara, no mínimo, deve se presumir que os produtos adquiridos foram utilizados na industrialização de alimentos, haja vista tratar-se de uma empresa reconhecidamente industrial. - Defende o direito à incidência de juros compensatórios de 1% e correção monetária, por meio da Taxa Selic, sobre o crédito reconhecido em seu favor. Argumenta que a negação desse direito acarretaria perdas imensuráveis à manifestante e enriquecimento sem causa do Estado. Enfatiza que os débitos cobrados pelo Estado sempre são acrescidos de correção monetária, não sendo justa a aplicação de regra inversa quando é o Estado que se encontra na obrigação de restituir. Cita julgado do CARF em favor da incidência da Taxa Selic sobre o saldo credor objeto de ressarcimento. Ao final, com base nesses argumentos, o contribuinte requereu a reforma do Despacho Decisório e o reconhecimento do direito ao ressarcimento integral do valor solicitado, com incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária por meio da Taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerando improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório pretendido, assim ementando seu Acórdão : PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, aplica-se o conceito de insumo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, o qual tem efeito vinculante para a Receita Federal do Brasil - RFB (§§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002; art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014; Nota Explicativa PGFN nº 63/2018; e Parecer Normativo COSIT nº 05/2018). No referido julgado, restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte. Fl. 549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 O critério da essencialidade refere-se ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva, seja por imposição legal. PIS/PASEP E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. VALE PEDÁGIO. CRÉDITOS. As despesas com vale pedágio pagas pelo contratante do serviço de transporte rodoviário de carga não integram o valor do frete, portanto não podem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições, seja a título de despesas com armazenagem e frete na operação de venda, seja a título de despesas com aquisição de bens para revenda ou de insumos da produção. PIS/PASEP E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO. VEDAÇÃO À APURAÇÃO DE CRÉDITOS. É vedada a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos bens e serviços adquiridos em operações beneficiadas com não incidência, incidência com alíquota zero ou com suspensão das contribuições. O mesmo ocorre em relação aos bens adquiridos em operações beneficiadas com isenção das contribuições e posteriormente revendidos ou utilizados como insumo na elaboração de produtos vendidos em operações não sujeitas ao pagamento das contribuições. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA. SUSPENSÃO. REQUISITOS. A realização de vendas com a suspensão da incidência das contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 ocorre quando o adquirente: a) exerça atividade agroindustrial; b) apure o imposto de renda com base no lucro real; c) utilize o produto adquirido como insumo na fabricação das mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal mencionadas no caput do art. 8º da referida lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ainda inconformada, a requerente apresentou Recurso Voluntário dirigido a este CARF, onde repisa os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS. Fl. 550DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 Pondo um fim á controvérsia que se estendia em torno da definição de insumo para o regime da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a posição refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Neste contexto, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. No âmbito deste colegiado, aplica-se ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Fl. 551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 Artigo 62 - (…...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, são insumos, para efeitos do inciso II dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS. 14. Do Estatuto Social da recorrente extraímos o seu objeto social : Fl. 552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 Fl. 553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 A autoridade fiscal, após analisar os demonstrativos contábeis, documentos e a contabilidade digital da ora recorrente, resolveu por glosar os seguintes créditos, e a DRJ/CURITIBA, após analisar as razões de defesa apresentadas, decidiu por manter tais glosas, contra a s quais a ora recorrente se insurge : - aquisição de insumos gravados com alíquota zero das contribuições - creditamento - despesas com vale pedágio – créditos - venda de insumos para agroindústria – suspensão – apuração de créditos. Analisemos tais glosas : - AQUISIÇÃO DE INSUMOS GRAVADOS COM ALÍQUOTA ZERO DAS CONTRIBUIÇÕES – CREDITAMENTO Fl. 554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 A autoridade fiscal verificou que houve apuração indevida de créditos a título de aquisição de mercadorias para revenda, em relação às aquisições de calcário (NCM 25309090). De acordo com a autoridade fiscal, esses produtos estão sujeitos a alíquota zero conforme disposto no art. 1º, IV, da Lei nº 10.925/2004, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A própria Recorrente, em suas razões recursais, reconhece tal fato, como se verifica do trecho extraído do Recurso Voluntário apresentado : Ademais, essa matéria prima está sob a incidência do PIS e da COFINS, uma vez que o contribuinte mesmo quando adquire tributo a alíquota zero, paga embutido no preço o tributo indiretamente para empregar no respectivo processo produtivo. Por esta razão, a Recorrente tem direito ao creditamento de PIS e de Cofins sujeitos a alíquota zero, uma vez que estes foram sujeitos a incidência em cascata nas etapas anteriores a circulação. Desta forma, a operação - ora em discussão- não se trata de operação não sujeita ao pagamento das contribuições, pois são sujeitas ao pagamento, mas à alíquota zero, e por esta razão não se alinham a vedação mencionada. Por todo o exposto, resta claro o direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as aquisições de insumos sujeitos a alíquota zero e em relação as despesas relativas aos produtos Calcário e Defensivo Agrícola, equivocadamente enquadradas como produto para revenda, merecendo reforma o despacho decisório ora em debate. Com razão autoridade fiscal, vejamos a redação do texto legal citado : Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2 o Não dará direito a crédito o valor. I - (omissis) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Não há outra interpretação a ser dada ao dispositivo legal, por sua clareza, não haverá crédito na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das Contribuição ao PIS/PASEP e á COFINS. Assim a glosa deve ser mantida e negado provimento ao recurso voluntário neste tópico. - DESPESAS COM VALE-PEDÁGIO – CRÉDITOS A autoridade fiscal verificou que houve apuração indevida de créditos a título de fretes nas operações de venda, concernentes a despesas com vale pedágio. A autoridade fiscal considerou que essa despesa não pode ser Fl. 555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 classificada como frete na operação de venda para fins do disposto no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, pois o art. 2º da Lei nº 10.209/2001 dispõe expressamente que o vale pedágio não integra o valor do frete. Outro argumento apresentado pela autoridade fiscal para não acatar os referidos créditos é o fato de o art. 2º da Lei nº 10.209/2001 determinar que o vale pedágio não constitui base de incidência de contribuições sociais, o que implica vedação à apuração de créditos, nos termos do art. 3º, § 2º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Com razão a autoridade fiscal. A Lei nº 10.209, de 2001, que instituiu o vale-pedágio, previu expressamente, em seu art. 2º, que seu valor não integra o do frete e não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de cálculo de contribuições sociais, in verbis : Art. 2º O valor do Vale-Pedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Parágrafo único. O valor do Vale-Pedágio obrigatório e os dados do modelo próprio, necessários à sua identificação, deverão ser destacados em campo específico no Documento Eletrônico de Transporte (DT-e). Não havendo incidência das contribuições sociais não cumulativas sobre o valor da vale-pedágio, não há autorização para a tomada de crédito sobre os dispêndios relacionados, a teor do inc. II do § 2° do art. 3° das leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. A glosa deve ser mantida e negado provimento ao recurso neste tópico. - VENDA DE INSUMOS PARA AGROINDÚSTRIA – SUSPENSÃO – APURAÇÃO DE CRÉDITOS . Alega a autoridade fiscal que verificou deixou de incluir na base de cálculo alguns valores referentes a vendas de milho em grãos para a Universidade Estadual de Londrina, pois considerou que se tratava de operações com suspensão do PIS e da COFINS. Assevera a autoridade fiscal que, de acordo com o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 e com a Instrução Normativa SRF nº 660/2006, a venda com suspensão só pode ser feita quando a empresa adquirente cumprir algumas condições, sendo a principal delas que o produto adquirido seja utilizado em seu processo industrial. No caso das vendas efetuadas para a Universidade Estadual de Londrina, foi constatado que a mercadoria adquirida não foi aproveitada como insumo pelo adquirente, motivo pelo qual a autoridade fiscal acresceu o valor dessas vendas à base de cálculo do PIS e da COFINS. A recorrente contesta tal procedimento. Fl. 556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 Com razão a autoridade fiscal. Adoto, como razões de decidir, trecho do voto do I. Julgador da DRJ/CURITIBA, Herus de Souza Misquevis, por sua clareza no trato do tema : Para analisar a possibilidade de aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS nas vendas efetuadas pelo contribuinte para Nidera Sementes Ltda, CNPJ nº 07.053.693/0007-15, convém, inicialmente, transcrever as disposições legais pertinentes ao caso, constantes dos artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com as alterações que estavam vigentes no ano-calendário de 2012: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: (...) III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II - não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Como se vê, o art. 8º, § 1º, III, estabelece a possibilidade de as pessoas jurídicas que produzem determinadas mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal apurarem crédito presumido de PIS e COFINS sobre o valor das aquisições feitas junto a cooperativas de produção agropecuária. Já o artigo 9º, inciso III, estabelece que a incidência do PIS e da COFINS fica suspensa no caso de venda, por cooperativa de produção agropecuária, de insumos destinados à produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O § 1º desse artigo restringe a suspensão apenas às vendas efetuadas a pessoa jurídica tributada pelo lucro real e, por fim, o § 2º dispõe que a Secretaria da Receita Federal estabelecerá termos e condições para aplicação dessa suspensão. Com base nessa última disposição (§ 2º), foi editada a Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, dispondo “sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o Fl. 557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre o crédito presumido decorrente da aquisição desses produtos, na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004”. Esse ato sofreu algumas alterações posteriormente, de forma que na época dos fatos que interessam ao presente processo estavam em vigor as seguintes disposições: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I - de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; (...) § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. (...) Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: (...) III - que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. (...) Art. 4º Aplica-se a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I - apurar o imposto de renda com base no lucro real; II - exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III - utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Os textos normativos acima citados não deixam qualquer dúvida sobre o assunto, pois dispõem expressamente que a suspensão das contribuições aplica-se apenas na hipótese de o adquirente utilizar o produto adquirido como insumo na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, sendo vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. Nesse contexto, agiu bem a autoridade fiscal, ao incluir o valor das vendas de milho em grãos efetuadas pelo contribuinte para a Universidade Estadual de Londrina na base de cálculo das contribuições, uma vez que as circunstâncias fáticas dessas vendas indicam que as mesmas não atendiam às condições exigidas pela legislação para que ocorra a suspensão da incidência. As alegações apresentadas pelo contribuinte para refutar esse item do Despacho Decisório são totalmente impertinentes, pois toda a argumentação por ela desenvolvida refere-se a vendas efetuadas para a empresa Seara Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda, enquanto as vendas que foram incluídas pela autoridade fiscal na base de cálculo das contribuições foram feitas à Universidade Estadual de Londrina. Portanto, não há razões para alterar o entendimento adotado pela autoridade fiscal. As vendas efetuadas para a Universidade Estadual de Londrina devem ser mantidas na base de cálculo das contribuições devidas pelo contribuinte. . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário . Fl. 558DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.534 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.908063/2016-34 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 559DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.724501/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, tendo em vista o que determina o art. 62-a do RICARF.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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MACEDO S. A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, tendo em vista o que determina o art. 62a do RICARF. Marcos Rodrigues de Mello – relator e presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Marcio Rodrigo Frizzo e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório. O processo versa sobre lançamento tributário consubstanciado em auto de infração de CSLL (fls. 02/12), no valor global de R$8.436.367,24. A infração designada pelo auditor fiscal foi de exclusão indevida ao lucro líquido antes da CSLL sobre o lucro, nas seguintes modalidades: (i) exclusão indevida de provisões não dedutíveis; (ii) exclusão indevida de pagamento do PAES; (iii) inobservância do limite de 30% na compensação de prejuízos; e (iv) insuficiência de saldo de bases negativas. Segundo a autoridade fiscal: Com efeito, a empresa que protagonizou as exclusões, em 31/12/2006, foi J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100, localizada na Rua Benedito Macêdo, n° 79, Cais do Porto, CEP 60.180000, na cidade de FortalezaCe, incorporada, naquele mesmo dia, por ÁGUIA S/A, CNPJ 14.998.371/000119, com sede social na Via Centro, n° 374, BR 324, Km 20, Centro Industrial de Aratu, na cidade de Simões Filho, Estado da Bahia, que, digase de passagem, é pertencente ao mesmo grupo econômico e tem patrimônio liquido menor do que o da incorporada (a menor incorporou a maior) e vultosos prejuízo fiscal (da ordem de R$ 100.000.000.00) e base de cálculo negativa de contribuição social (cerca de R$ 83.000.000.00). Por relevante, notese que a incorporadora, Águia S/A, CNPJ 14.998.371/0001 19, no evento da incorporação, assumiu o nome empresarial e o endereço social de J MACÊDO S/A, CNPJ 72.027.014/000100. Assim, agora, temos duas J MACÊDO, uma, a incorporadora (antiga Águia S/A, CNPJ 14.998.771/000119), e a outra, a incorporada, de CNPJ 72.027.014/000100, que fez a exclusão indevida na DIPJ apresentada por motivo da incorporação, na data já citada. Por essa razão, o lançamento está sendo efetuado contra a sucessora, J MACÊDO S/A, CNPJ 14.998.371/000119. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 328/355) contra o lançamento, em 23/11/2010, com as seguintes alegações: ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DE PROVISÕES Caso, porém, o evento que a provisão garantia não venha ou não mais possa se concretizar, a provisão deverá ser revertida, sendo excluído o valor provisionado na apuração do lucro real e, simultaneamente, reconhecido no resultado do exercício. Nesse exato sentido é a didática lição da Conselheira SANDRA MARIA FARONI no voto proferido no Acórdão n.° 10195.899, de 6 de dezembro de 2006: ‘É inquestionável que a pessoa jurídica pode constituir as provisões consideradas necessárias para refletir sua real situação econômicofinanceira, devendo, todavia, adicionar ao lucro líquido as provisões consideradas indedutíveis, para efeito de apuração do Lucro Real. Nesse caso, no período em que ocorrer a reversão contábil da provisão previamente adicionada, o valor revertido pode ser excluído do lucro líquido para apuração do lucro real. Para justificar a exclusão são necessários dois pressupostos: (1) que quando da constituição da provisão o respectivo valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; (2) que tenha ocorrido a reversão contábil da parcela excluída, isto é, Fl. 868DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 3 3 que o referido valor tenha sido contabilizado como receita do exercício, o que justifica a exclusão, dado que já ocorrera a tributação quando da constituição da provisão’. Os procedimentos acima indicados, quais sejam, adição das provisões não dedutíveis no momento da sua constituição e a sua exclusão, seja por ocasião do pagamento da obrigação provisionada, seja em razão de sua reversão (motivada pela não verificação do evento), com a contabilização do valor provisionado como receita do exercício, foram rigorosamente observados pela IMPUGNANTE. Sucede, no entanto, que a produção da prova documental de todos os eventos em questão é um processo complexo, que demanda uma verificação analítica de todos e cada um dos lançamentos contábeis dos valores provisionados de modo a poder identificar com precisão a sua respectiva adição na apuração do lucro real no ano de formação da provisão. Ocorre que para comprovar a adição de cada um dos valores referentes às provisões excluídas, a IMPUGNANTE necessitava fazer um levantamento dos registros contábeis dos anos anteriores, de modo a identificar com precisão e clareza o ano em que as provisões a que respeitam foram constituídas. E, nesse particular, enquanto foi mais simples comprovar provisões individuais de valores relevantes, como, por exemplo, a provisão "Vr. Ref IPI Dinel incorporado no PAEX" no valor de R$ 4.797.838,63, adicionada ao lucro real no ano de 2003 (doc. n.° 2), já não é tão fácil vincular as provisões de obrigações trabalhistas, eis que o valor adicionado por ocasião da constituição das provisões corresponde ao somatório dos valores estimados dos pedidos formulados em todas as reclamações trabalhistas ajuizadas contra a IMPUGNANTE, ao passo que os valores efetivamente pagos são, na maioria das vezes, distintos por refletirem os termos de acordos entabulados entre as partes. Essa peculiaridade faz com que as provisões para reclamações trabalhistas acabem tendo um caráter global e genérico, sendo adicionados os valores das contingências estimados com base nos pedidos formulados nas ações numa única conta que constitui um conjunto uno e indivisível, por outro lado, as exclusões, quando realizadas, observam rigorosamente os termos dos acordos celebrados, em valores, via de regra, inferiores aos inicialmente pedidos pelos reclamantes, o que, aliás, aponta para a adição de uma provisão maior do que a obrigação efetivamente materializada. Todas essas considerações servem para justificar as razões pelas quais a IMPUGNANTE não conseguiu, no prazo assinalado pela Fiscalização, realizar a vinculação entre a prévia adição dos valores provisionados e sua posterior exclusão. Na verdade este trabalho vinha sendo realizado pela IMPUGNANTE quando foi surpreendida com a notificação da lavratura dos autos de infração. A parte do trabalho que já se encontra concluída comprova, como se pode ver da documentação anexada (doc. n.° 3), que valores provisionados, excluídos em 2006, foram adicionados em períodos anteriores, ou mesmo no próprio anobase de 2006, e correspondem a obrigações pagas naquele mesmo ano. No que concerne às provisões objeto de reversão em 2006, a IMPUGNANTE esclarece que os lançamentos contábeis que comprovam referida reversão, cuja localização os autos de infração alegam não ter sido possível efetuar, foram devidamente apresentados à fiscalização, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, em meio magnético, Fl. 869DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 4 4 como determina o Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15, de 23 de outubro de 2001. Em relação às mesmas, a IMPUGNANTE também comprova através da documentação anexa (doc. n.°4) os anos de sua formação, bem como o lançamento a crédito de resultado do exercício do seu respectivo valor. No que respeita aos demais itens, notadamente as provisões trabalhistas, a IMPUGNANTE considera imprescindível a realização ou de diligência ou de perícia contábil para que seja esclarecido se as exclusões de provisões não dedutíveis levadas a cabo no exercício de 2006 e glosadas pelos autos de infração, teriam sido objeto de adição na apuração do lucro real em exercícios anteriores, em valor compatível com o de sua posterior exclusão. Assim, em obediência ao disposto no art. 16, IV, do Decreto n.° 70.235/72, a IMPUGNANTE requer, desde já, a realização das providências em questão e indica em separado, em documento anexo à presente impugnação (doc. n.° 5), para facilidade de identificação, o perito e respectiva qualificação, bem como formula os quesitos que deverão ser respondidos pela perícia contábil, norteando os respectivos trabalhos. ILEGALIDADE DA GLOSA DA EXCLUSÃO DO PAES No que respeita à glosa da exclusão no valor de R$ 4.169.101,14, referente a pagamentos ao parcelamento especial instituído pela Lei n.° 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), a IMPUGNANTE esclarece que se trata de valores correspondentes a créditos de IPI sobre operações não tributadas, apropriados no passado pela IMPUGNANTE e tratados como créditos a compensar. Com a glosa pelo Fisco das compensações levadas a efeito com utilização de referidos créditos de IPI pela IMPUGNANTE, esta procedeu à provisão dos respectivos valores (R$ 17.895.063,92), adicionandoos ao lucro real, como determina a legislação fiscal, como se verifica da documentação anexa (lançamentos contábeis e Lalur doc. n.° 6). Com a criação do PAES, a IMPUGANTE optou, em 2005, pela inclusão do valor da dívida em referido programa (cfr. doc. n.° 7), dando baixa na provisão anteriormente constituída, e registrando os valores no "contas a pagar". Muito embora pelo regime de competência já pudesse a IMPUGNANTE ter procedido à exclusão do valor da provisão anteriormente constituída e adicionada ao lucro real a esse título, atendendo a orientação de seus auditores fiscais optou por somente proceder a referida exclusão pelo regime de caixa, por ocasião do efetivo pagamento das parcelas em que a dívida havia sido dividida no PAES, o que somente veio a ocorrer em 2006 (doc. n.° 8). ILEGALIDADE DA GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS Com efeito, no ano de 1999, no contexto de um amplo processo de reestruturação de negócios das empresas relacionadas (doc. n.° 9), os ativos operacionais da Águia S/A foram integralmente transferidos para a empresa J. Macedo Alimentos do Nordeste S/A, empresa que passou a concentrar as operações de alimentos. A partir daquela data, a Águia assumiu funções de holding pura, detentora de participações nas sociedades relacionadas. O novo modelo de negócios do Grupo exigiu a adoção de uma série de medidas visando melhorar as sinergias operacionais com (i) organização e concentração das atividades de produção e comercialização de farinhas de trigo, massas, biscoitos, misturas para Fl. 870DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 5 5 bolos, etc; (ii) segregação das atividades que não se referiam a estes negócios; (iii) enxugamento de estruturas ociosas; (iv) eliminação de estruturas duplicadas; e (v) priorização da manutenção de empresas localizadas em regiões incentivadas. Foi precisamente no contexto de tal reestruturação que a IMPUGNANTE incorporou a J. Macedo S/A (CNPJ 72.027.014/000100), assim como também no mesmo período outras empresas relacionadas foram extintas. O fato de a IMPUGNANTE ter passado a adotar a denominação da incorporada, aliás, a sua denominação tradicional e pela qual é nacionalmente reconhecida não é suficiente para desqualificar a operação, acoimandoa de artificial e com intuito puramente fiscal. Há muito se pacificou o entendimento de que, deparandose o administrador com dois caminhos igualmente legítimos para atingir um mesmo fim, um dos quais também apresenta um melhor resultado do ponto de vista econômicofiscal em comparação ao outro, não lhe é exigível optar pelo mais oneroso. O que importa ter presente é que a operação de incorporação seria realizada de qualquer forma e que a escolha do modelo levou em consideração, entre outros fatores, é inegável, a intenção de preservar o estoque de prejuízos fiscais legitimamente registrados pela Águia S/A no período em que exercia atividade industrial. Calça, aliás, como uma luva lição de MARIAM SEIF, Relatora de acórdão doutrinário sobre a matéria quando Presidente do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O direito à compensação dos prejuízos apurados em exercícios anteriores com o lucro do exercício está na base da própria sistemática da legislação do imposto de renda que incide sobre o somatório dos ganhos e perdas apurados pelas pessoas jurídicas. A ratio legis por trás desta nova sistemática estava em limitar o montante da compensação anual, assegurando ao Fisco uma tributação mínima, mas, por outro lado, reconhecendo o direito do contribuinte à compensação do montante integral dos prejuízos, conquanto diferida no tempo, como revela EDSON VIANNA DE BRITO, tido como mentor intelectual da norma. Como se vê tal norma jamais teve por intuito que a limitação de 30% fosse uma restrição definitiva ao direito do contribuinte à compensação de seus prejuízos fiscais. Pelo contrário, veio ela permitir a utilização dos prejuízos remanescentes em períodos posteriores por prazo indeterminado. É isso, aliás, o que se infere da exposição de motivos da Medida Provisória n.° 998/95, reedição das Medidas Provisórias n° 947/95 e 972/95, que deu origem, por conversão, à Lei n.° 9.065/95. Esse elemento histórico e finalístico da norma, por si só, já é suficiente para demonstrar que, na sistemática adotada pela lei, só há sentido em se aplicar o limite de 30% se os prejuízos fiscais puderem ser compensados por prazo indeterminado. A tais elementos somase ainda a interpretação dada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que apenas considera válido o limite de 30% estabelecido inicialmente na Lei n.° 8.981/95, e tornado permanente pela Lei n.° 9.065/95, em razão de ter tornado possível a compensação integral dos prejuízos, em vista da abolição do prazo prescricional. É o que se conclui do acórdão relativo ao REsp n.° 183.155, assim ementado (no Fl. 871DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 6 6 mesmo sentido, confirase os acórdãos relativos aos julgamentos do AgRg no REsp 499.175/SP; e REsp n.° 168.379/PR). . A lógica do sistema pretendido pelo legislador quando da instituição da limitação de 30%, que assegurou a compensação do montante integral dos prejuízos fiscais, deixa de existir quando ocorre a extinção da pessoa jurídica, tendo em vista incidir nesta hipótese a limitação especial prevista no art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87. A derrogação excepcional ao princípio da sucessão universal importa, nestes casos, na perda integral dos prejuízos acumulados, uma vez que não há a possibilidade jurídica de uma compensação futura devido à intransmissibilidade do direito, que se extingue, definitivamente e em sua totalidade, com a incorporação. Ora, quando a pessoa jurídica extinta não possui lucros do exercício compensáveis com seus prejuízos fiscais não se pode falar em conflito entre os limites previstos no DecretoLei n.° 2.341/87 e na Lei n.° 9.065/95. Mas o mesmo já não ocorre quando a pessoa jurídica a ser extinta tem resultados positivos, capazes de isoladamente absorver seus prejuízos pela compensação. A aplicação cumulativa do limite de 30% nestes casos corresponde a uma desconsideração definitiva e já não mais temporária dos prejuízos, resultando em um decréscimo patrimonial. O pressuposto de aplicação do limite de 30%, consistente em reconhecerlhe a natureza de mero diferimento do direito à compensação dos prejuízos, deixa de existir neste caso. Nesta circunstância, a limitação quantitativa não mais representa a postergação do direito à compensação dos prejuízos fiscais, como pretendeu o legislador, mas a sua efetiva perda. Por tal razão é que, na hipótese de extinção da pessoa jurídica, falta o pressuposto lógico e intrínseco do art. 15 da Lei n.° 9.065/95, consistente na garantia de compensação futura dos prejuízos, por prazo indeterminado, pressuposto este que torna incompatível a aplicação de tal limite com o preceito do art. 33 do DecretoLei n° 2.341/87, que impede a sua transmissão para a sucessora. E mais, ao se admitir a hipótese de que ambas as limitações pudessem conviver, se estaria permitindo a tributação do patrimônio do contribuinte em violação ao art. 43 do CTN e em contrariedade com o espírito da Lei n.° 9.065/95. Daí é que a única interpretação conforme a finalidade da norma e que permite validamente harmonizar tais limites com o nosso sistema tributário é a de que o limite de 30% fica afastado naqueles casos em que seja aplicável a limitação contida no art. 33 do Decreto Lei n.° 2.341/87. Isto se dá porque a regra especial do art. 33 do DecretoLei n.° 2.341/87 prevalece sobre a limitação geral estabelecida pela Lei n.° 9.065/95, quando houver a extinção da pessoa jurídica em razão de fusão, cisão ou incorporação. Em matéria tributária, aplicamse, em especial, as regras de interpretação previstas nos arts. 107 e 108 do CTN. Ora, a interpretação segundo os princípios gerais de direito tributário e de direito público conduzem à conclusão inequívoca de que o limite de 30% à compensação dos prejuízos não pode se aplicar cumulativamente com a perda do direito, pois Fl. 872DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 7 7 interpretação contrária conduziria à ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do não confisco e da vedação à tributação do patrimônio. [Aduziu decisões administrativas] OS ERROS COMETIDOS PELO AUTO DE INFRAÇÃO Para além das razões atrás desenvolvidas, que conduzem à total invalidade das exigências formuladas pelos autos de infração contra a IMPUGNANTE, passase de seguida a demonstrar os erros incorridos pela fiscalização na apuração do montante de tais exigências, pelo que, ainda que as mesmas viessem a ser mantidas por este órgão julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, deverá, o seu valor, ser necessariamente recalculado, computandose as despesas com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e a redução de imposto devido à incidência do lucro da exploração. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA DE SUCESSOR Por fim, a IMPUGNANTE se insurge contra a cobrança da multa de ofício formulada pelos autos de infração, tendo em vista que a mesma tem natureza punitiva, e, como tal, caráter personalíssimo, não podendo transbordar da pessoa do infrator, não sendo, assim, aplicável a eventuais sucessores, como é o caso da IMPUGNANTE em relação à J. Macedo S/A. Isso mesmo já restou pacificado na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos extintos Primeiro e Segundo Conselhos de Contribuintes, como se depreende das seguintes ementas de acórdãos proferidos por aqueles órgãos. O sujeito passivo também anexou os documentos de fls. 356/501, 505/583 e 585/683. Anexei as fls. 779/780. A DRJ decidiu: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006 PROVISÃO INDEDUTÍVEL. EXCLUSÃO. PRESSUPOSTOS. LALUR. ADIÇÃO NO PERÍODO DE SUA CONSTITUIÇÃO. CONTROLE NA PARTE B. COMPROVAÇÃO. Para justificar a exclusão de provisão indedutível, tornase necessário ao contribuinte comprovar: que, no período de formação da provisão, o referido valor tenha sido adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real; a demonstração de controle efetivo da provisão na parte B do LALUR (ou de livro específico para fins de apuração do resultado ajustado da CSLL). COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE TRINTA POR CENTO. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 8 8 Inexiste previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima do limite máximo de trinta por cento do lucro real, ainda que seja na época da incorporação da sociedade empresária. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 PERÍCIA. ENCARGO PROBATÓRIO. A realização de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo, juntamente com a impugnação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE SOB CONTROLE COMUM. Podese responsabilizar o sucessor pelas infrações anteriormente cometidas pela sociedade incorporada, quando provado nos autos do processo que as sociedades, incorporadoras e incorporadas, estavam sob controle comum. A recorrente tomou ciência em 11/08/2011 e apresentou recurso em 12/09/2011. Em seu recurso alega: Fl. 874DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 9 9 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 10 10 Fl. 876DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 11 11 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 12 12 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 13 13 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 14 14 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10380.724501/201091 Resolução n.º 1302000.172 S1C3T2 Fl. 15 15 Voto O recurso é tempestivo e deve ser conhecido, mas os autos não se encontram em condições para permitir o julgamento por este colegiado. Dispõe o RICARF: Um dos temas que levou à interposição do recurso foi a possibilidade de compensação integral de prejuízos, matéria declarada sob repercussão geral pelo STF no RE 591.340. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para aguardo do que for decidido no citado RE. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 881DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/06 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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