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Numero do processo: 13975.000469/2002-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1997
DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS.
O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-003.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1997 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados - recorrido e paradigmas - não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello.
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TOMIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1997 DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. CARACTERIZAÇÃO. REQUISITOS. O dissídio jurisprudencial apto a ensejar a abertura da via recursal especial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Henrique Pinheiro Torres Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Possas e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 04 69 /2 00 2- 43 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Tratase de recurso especial de interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 380302.011, de 5 de outubro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1997 AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. A não confirmação das compensações informadas em Declaração de Contribuições e Tributos Federais enseja a lavratura de auto de infração para formalização da exigência dos débitos inadimplidos. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF devem ser cobrados com multa de mora, ainda que objeto de lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/1997 AÇÃO JUDICIAL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste possibilidade de efetuar a compensação de débitos da contribuição com direito creditório emanado de ação judicial antes do trânsito em julgado da decisão que os reconheceu. O recurso teve seguimento, nos termos do Despacho nº 330000.514, fls. 276 a 279, quanto à possibilidade da compensação e créditos com origem em decisão judicial, antes do trânsito em julgado destas decisões. Em sua peça recursal, o contribuinte reclama contra a aplicação retroativa do art. 170A da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional CTN, insistindo em que seu procedimento foi compatível com a situação, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso às fls. 281 a 287. Em face da renúncia ao mandato do Conselheiro Joel Miyazaki, os autos foram redistribuídos no âmbito da 3ª Turma da CSRF. É o relatório. Voto Fl. 292DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13975.000469/200243 Acórdão n.º 9303003.893 CSRFT3 Fl. 200 3 Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Compulsando o voto condutor da decisão recorrida, constatase o recurso voluntário não mereceu provimento sob a consideração de que os créditos judicialmente reconhecidos não se revestiam dos atributos de liquidez e certeza, posto que opostos em compensação antes do trânsito em julgado da respectiva sentença. Confirase, fls. 227, com grifos na transcrição: [...] Na ação judicial n° 99.20.070955, verifiquei que a parte interessada figurando como litisconsorte, buscou o reconhecimento da inconstitucionalidade da exigência do FINSOCIAL às alíquotas superiores a 0,5%. Nada obstante, a referida ação só foi ajuizada em 19/10/1999, após o vencimento dos débitos lançados, em 15/08/1997, 15/09/1997, 15/10/1997, 14/11/1997. A compensação tributária, não se olvide, está sujeita aos princípios de liquidez e certeza a serem aferidos pelo ente tributante. Impossível, destarte, em virtude de óbice legal, o uso de compensação mediante o aproveitamento de valores, objeto de cotejo judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão, como forma de extinção do crédito tributário. Com a discussão submetida ao exame do Poder Judiciário, veiculada pela ação ordinária trazida na peça de impugnação, somente terseá créditos líquidos e certos, passíveis de compensação pela parte interessada, quando a sentença que resolver o mérito da lide adquirir contornos de definitividade. Ressaltase que não se está aqui a negar o direito reconhecido pelo Judiciário em ação própria mas sim a questionar o momento do exercício deste direito. O fato de a ação vir a transitar em julgado posteriormente em absoluto altera a constatação de que o contribuinte realizou indevidamente compensações anteriores a esta data (trânsito em julgado da ação), ferindo o disposto na legislação de regência da matéria. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou dois acórdãos paradigmas: Acórdão nº 180200.053 e Acórdão nº 20219.567. Transcrevo as respectivas ementas: Acórdão nº 180200.053 Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Ementa: FINSOCIAL Utilização de Crédito Art. 170A do CTN Inaplicabilidade Confronto com o princípio constitucional da irretroatividade. Plenária do STF, no julgamento do RE n° 150.764/PE declarou a inconstitucionalidade do art. 9° da Lei 7.689, de 15.12.88, do art. 7° da Lei 7.787,de 30.06.89, do art. 1. da Lei 7.894, de 24.11.89 e do art. 1. da Lei 8.147, de 28.12.90 Efeitos erga omnes e vinculantes a decisão do STF edição das Medidas Provisórias n° 1.175/95 e n° 1.973/99 existência de decisão judicial transitada em julgado. ADI n° 1.9767/ DF, o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 32 da Lei n° 10.522/2002, que alterou o § 2° do art. 33 do Decreto 70.235/72 exigência de depósito de 30% ou arrolamentos de bens. Recurso Provido." Acórdão nº 20219.567 "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 21/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO COM BASE EM PROVIMENTO JUDICIAL, ART. 170A. O disposto no 170A do CTN, acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, que veda a compensação de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da sentença, somente é aplicável a pagamentos indevidos realizados após a vigência desse dispositivo, em face das regras do direito intertemporal. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. Não se conhece de matéria estranha ao objeto do litígio. RENÚNCIA ADMINISTRATIVA. Não se conhece da matéria concomitantemente discutida na via judicial. Súmula n° 1 do Segundo Conselho de Contribuintes. CONSECTÁRIOS LEGAIS: MULTA DE MORA. Devida quando presentes as condições de sua exigibilidade. Art. 61 da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3, DO 2° CC. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Recurso Negado" Fl. 294DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13975.000469/200243 Acórdão n.º 9303003.893 CSRFT3 Fl. 201 5 Os acórdãos indicados como paradigma da divergência decidiram ambos pela inaplicabilidade retroativa da norma do art. 170A, inserta no CTN pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001. A argüição da divergências, conforme fundamentada pelo sujeito passivo, requer algumas observações. Primeiro, há que se considerar que o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de entendimento conflitante para as mesmas regras de direito aplicadas a espécies semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica posta em debate. Não haverá, portanto, caracterização de divergência se os acórdãos paragonados recorrido e paradigmas não tiverem apreciado a mesma questão objeto do recurso especial interposto. Conforme visto, a decisão recorrida jamais cogitou da aplicação retroativa da norma do art. 170A do CTN. Como o próprio recorrente reconheceu em sua peça recursal (fls. 245), o voto condutor da decisão recorrida asseverou que a exigência de liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação prescinde dos ditames do art. 170A, pois é a eles anterior. Deste modo, não se pode, pois, alegar interpretação divergente na aplicação do art. 170A do CTN, quando o aresto recorrido efetivamente não o aplicou. Logo, em se tratando de recurso que não se reveste de condição essencial à caracterização da divergência nos termos em que conceituada, não se justifica a abertura da via especial à recorrente. Com essas considerações, não conheço do recurso especial do contribuinte em razão da não comprovação da divergência jurisprudencial. Sala de sessões, em 19 de maio de 2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.722865/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2008
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. LAUDO MÉDICO. INDÍCIO DE FALSIDADE SUPERADO.
Tendo sido superada a suspeita de falsidade de laudo médico apresentado pelo contribuinte para fazer jus à isenção do IPI sobre veículo automotivo, resta cumprido o requisito estabelecido pela legislação para fruição do benefício fiscal.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3402-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, em virtude de convocação para participar de julgamento na CSRF.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/04/2008 IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. LAUDO MÉDICO. INDÍCIO DE FALSIDADE SUPERADO. Tendo sido superada a suspeita de falsidade de laudo médico apresentado pelo contribuinte para fazer jus à isenção do IPI sobre veículo automotivo, resta cumprido o requisito estabelecido pela legislação para fruição do benefício fiscal. Recurso Voluntário provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, em virtude de convocação para participar de julgamento na CSRF. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. LAUDO MÉDICO. INDÍCIO DE FALSIDADE SUPERADO. Tendo sido superada a suspeita de falsidade de laudo médico apresentado pelo contribuinte para fazer jus à isenção do IPI sobre veículo automotivo, resta cumprido o requisito estabelecido pela legislação para fruição do benefício fiscal. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, em virtude de convocação para participar de julgamento na CSRF. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 28 65 /2 01 3- 41 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre a falta de comprovação dos requisitos necessários para isenção do imposto a deficiente físico, no importe de R$ 4.323,94 a título de imposto, R$ 2.059,93 de juros de mora calculados até 31/03/2013 e R$ 6.485,91 como multa de ofício qualificada em 150%, perfazendo o total de R$ 12.869,78. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: Consoante a descrição dos fatos às fls. 43/45, o contribuinte em epígrafe obteve da SRF, na qualidade de portador de deficiência física, a autorização para aquisição de veículo com isenção do IPI (cópia à fl. 30). Nos termos da legislação aplicável, Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, com a redação alterada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003, um dos requisitos indispensáveis para a fruição da isenção de IPI é a apresentação de Laudo de Avaliação de Deficiência Física e/ou Visual emitido por prestador de serviço público de saúde ou serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS) assinado por médicos credenciados, ou então mediante laudo de avaliação obtido no Departamento de Trânsito (Detran) ou em suas clínicas credenciadas, desde que contenha todas as informações constantes dos Anexos IX , X ou XI da Instrução Normativa SRF nº 607, de 5 de janeiro de 2006. Todavia, conforme inquérito policial (IPL SR/DPFGO nº 236/2011), em fase de análise pelo Ministério Público Federal, há indícios de falsidade no Laudo Médico de Avaliação de Deficiência Física e/ou Visual apresentado (fl. 15): a) discrepância de datas: paciente examinado em 08/09/2005 e não em 12/03/2007 como consta do documento; b) os médicos cujas assinaturas constam do laudo não reconheceram as assinaturas e os respectivos carimbos apostos no documento em tela. A base de cálculo do imposto é o valor do veículo (VW/POLO Sedan 1.6), R$ 33.261,09, que consta da nota fiscal nº 653.601, emitida em 25/04/2008 pela Volkswagen do Brasil. O imposto foi calculado com a alíquota de 13%, referente à classificação fiscal 8703.23.10. Em virtude da caracterização de circunstância qualificativa, a multa de ofício foi submetida a duplicação (150%) e foi formalizada representação fiscal para fins penais em virtude da existência, em tese, de crime contra a ordem tributária. O sujeito passivo se revelou esquivo para receber o termo de ciência (fl. 54), tendo sido lavrado o Termo de Revelia à fl. 91. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10120.722865/201341 Acórdão n.º 3402003.030 S3C4T2 Fl. 112 3 Contudo, o contribuinte apresentou uma contestação (solicitação de revisão) às fls. 97/99, recebida e admitida pelo órgão preparador, em que aduz que havia comprado o veículo, com desconto de IPI, em 2008, sendo que um inquérito policial se arrasta há 5 anos por causa da alegada inconsistência das assinaturas de dois médicos que constam do laudo; a cobrança do imposto, antes da conclusão do inquérito é ilegal e representa dano moral e ofensa grave à honra da pessoa física; a cobrança é baseada em mera suspeita, sendo todo cidadão inocente até prova em contrário. Pede, por derradeiro, a extinção da cobrança intempestiva, ilegal e inconstitucional até o desfecho do inquérito policial, com a devida apuração das responsabilidades e dos culpados, sendo anexada uma certidão (fl. 100) pela qual é informada a tramitação de Ação de Produção Antecipada de Prova (processo nº 2007.35.00.013730 1) para comprovação de existência de doença degenerativa de etiologia congênita. Sobreveio então o Acórdão 1444.624, da 12ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2008 ISENÇÃO PARA VEÍCULO. DEFICIENTE FÍSICO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovado nos autos, que o interessado é portador de deficiência física arrolada na legislação de regência, em virtude da apresentação de laudo médico de avaliação com indícios de eiva de falsidade, é cabível a exigência do tributo (e respectivos acessórios) que deixou de ser pago na aquisição do veículo Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls 119 e 120) a este Conselho, repisando os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 10/10/2013, conforme AR de fls. 117, e apresentou em 29/10/2013 o recurso voluntário de fls. 119/120, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. É fato incontroverso que para a fruição das isenções estabelecidas pela legislação tributária os contribuintes devem cumprir os requisitos ali estabelecidos. Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF nº 607, de 2006 determinou os requisitos para habilitação Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 ao benefício em relação ao IPI das pessoas portadoras de deficiência física. Dentre tais requisitos, encontrase a apresentação de laudo médico. Vejase: Requisitos para Habilitação ao Benefício Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, requerimento conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat), competente para deferir o pleito: I – Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de: a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS). (...) § 6º Para efeito do disposto no inciso I do caput, poderá ser considerado, para fins de comprovação da deficiência, laudo de avaliação obtido: I – no Departamento de Trânsito (Detran) ou em suas clínicas credenciadas, desde que contenha todas as informações constantes dos Anexos IX, X ou XI desta Instrução Normativa. II – por intermédio de Serviço Social Autônomo, sem fins lucrativos, criado por lei, fiscalizado por órgão do Poderes Executivo ou Legislativo da União, observados os modelos de laudo constantes dos Anexos IX, X ou XI desta Instrução Normativa. No presente caso, o lançamento de ofício não ocorreu por falta do laudo, que existia e cumpria os requisitos legais para o direito à isenção do IPI. Na realidade, segundo o Auto de Infração, o motivo para a cobrança é a suspeita de falsidade do documento em questão, haja vista a notícia de que o Ministério Público Federal apresentou manifestação à Receita Federal nesse sentido. Destaco abaixo o trecho do auto de infração a que me refiro (fls 44 e 45): Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10120.722865/201341 Acórdão n.º 3402003.030 S3C4T2 Fl. 113 5 Contudo, pela leitura do referido documento enviado pelo Ministério Público Federal (fls 36 a 38), cujo objetivo era que a Secretaria da Receita Federal liberasse o Laudo de Avaliação de Deficiência Física e/ou Visual original (fls 37), constato que as informações postas no auto de infração foram selecionadas, dentre outras que contradiziam os indícios de fraude. Vejase: (...) Ou seja, muito embora dois médicos não tenham reconhecidos suas assinaturas nos laudos sob análise, um terceiro médico reconheceu. Ademais, a perícia técnica dos materiais gráficos, mecanográficos e documentais analisados restou inconclusiva até aquele momento. Foi justamente por isso que o MPF requisitou o laudo original, o que foi deferido e encaminhado pela Receita Federal. Pois bem. A referida investigação tramitou perante a 11ª Vara da Justiça Federal de Goiás sob o Processo n. 003645297.2012.4.01.3500 (INQUÉRITO POLICIAL n. 2362011). Em consulta a este processo no sítio eletrônico da Justiça Federal, constatase que o Processo foi arquivado em 16/05/2014, mediante decisão do juízo competente para tanto, sem o respectivo oferecimento de denúncia por parte do MPF. Disto, a conclusão que se chega é uma só: apesar dos indícios de fraude, o MPF entendeu que não haveria material probatório suficiente para a apresentação de denúncia e prosseguimento do feito criminal. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 Isto já é o bastante para que este Conselho reveja o entendimento da autoridade fiscal ao efetivar o lançamento tributário. Porém, ainda existe documento neste autos capaz de dar ainda maior certeza aos julgadores: a certidão de fls 100, com o seguinte conteúdo: Vêse que o perito judicial, em outro Processo em que a Recorrente é parte (Ação de Produção Antecipada de Prova n. 2007.35.00.0137301) confirmou a situação de saúde da Recorrente, que, no caso sub judice, é capaz de lhe conferir o direito à isenção do IPI, nos termos do laudo médico apresentado para tanto. Em consulta ao processo no sítio eletrônico da Justiça Federal de Goiás sobre essa Ação de Produção Antecipada de Prova n. 2007.35.00.0137301, verifico que o processo transitou em julgado em 31/07/2008. Todavia, antes disso, foram proferidos os seguintes despacho (de 27/11/2007) e sentença (de 08/05/2008) a respeito da perícia em apreço, declarandoa idônea e capaz de por si só atestar a condição da Contribuinte, respectivamente colacionada abaixo: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10120.722865/201341 Acórdão n.º 3402003.030 S3C4T2 Fl. 114 7 DESPACHO: ANTE A INFORMAÇÃO DO SR PERITO DE QUE POSSUI CAPACIDADE SUFICIENTE PARA RESPONDER TODOS OS QUESITOS JUDICIAIS DAS PARTES, INDEFIRO POR ORA O PEDIDO DO INSS FLS 6567 DE NOMEAÇÃO DE MAIS UM PERITO MÉDICO. CONSIDERANDO AINDA OS VALORES QUE VENHO ARBITRANDO EM FEITOS DESTA NATUREZA BEM COMO OS PARÂMETROS ESTABELECIDOS PELO ARTIGO 10 DA LEI 928996 OU SEJA O LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO A NATUREZA A COMPLEXIDADE E O TEMPO ESTIMADO PARA REALIZAÇÃO DO TRABALHO, FIXO OS HONORÁRIOS PERICIAIS EM R$ 100000 UM MIL REAIS. A AUTORA DEVERÁ DEPOSITAR O VALOR EM DEZ DIAS JUNTANDO O RESPECTIVO COMPROVANTE DESIGNO O DIA 12122007 ÀS 09H NO CONSULTÓRIO DO DR MARCO TÚLIO CAMPOS TAHAM NO HOSPITAL SANTA HELENA PARA O INÍCIO DOS TRABALHOS PERICIAIS COM A ENTREGA DO LAUDO QUARENTA E CINCO DIAS APÓS A DATA ORA APRAZADA. INTIMEMSE O PERITO E AS PARTES E O MPF QUE DEVERÃO COMUNICAR AOS SEUS RESPECTIVOS ASSISTENTES TÉCNICOS A DATA DE INÍCIO DA PERÍCIA. SENTENÇA: HOMOLOGO A PROVA PERICIAL PRODUZIDA HAJA VISTA A REGULARIDADE FORMAL NA ASSINALAÇÃO E REALIZAÇÃO DA PROVA TÉCNICA. PORQUANTO DESCABIDA A ANÁLISE DE FUNDO DA PROVA EFETIVADA. PERMANEÇAM OS AUTOS EM CARTÓRIO ATÉ O TRÂNSITO EM JULGADO QUANDO ENTÃO DEVERÃO SER ENTREGUES AO PÓLO REQUERENTE PARA QUE ESTE EM QUERENDO APENSEOS À AÇÃO PRINCIPAL JÁ EM TRÂMITE PERANTE A 1ª VARA DA JFGO PROCESSO Nº 200875100. SEM CUSTAS. REGISTRESE. PUBLIQUESE. INTIMEMSE. Disto, concluo que, apesar de terem existido indícios da fraude do laudo médico (crime de falsidade de documento), especialmente em razão das incoerências apontadas pelo MPF, não restou provada a fraude em questão. Por essa razão, e em virtude do princípio constitucional do in dubio pro reo, especialmente encampado pelo direito tributário no artigo 112 do CTN, que, em seu inciso II determina a aplicação mais favorável ao acusado quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, entendo pela necessidade de cancelamento da autuação fiscal. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao presente recurso voluntário Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
score : 1.0
Numero do processo: 19679.018021/2004-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996
RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ. DECADÊNCIA. ANOS-CALENDÁRIO DE 1989 E 1990. Com a entrega da DIPJ, exterioriza-se o direito do contribuinte à devolução dos saldos negativos apurados, por se tratar de hipótese de restituição automática.
RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ. DECADÊNCIA. ANOS-CALENDÁRIO DE 1992 E 1993. Desde o ano-calendário de 1992, não há mais restituição automática do saldo negativo de IRPJ apurado, devendo o contribuinte ingressar com o pedido de restituição dentro do prazo previsto no art. 168 do CTN.
RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ. DECADÊNCIA. ANO CALENDÁRIO DE 1996. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91)
Numero da decisão: 1301-002.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO - Relator
EDITADO EM: 27/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1996 RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ. DECADÊNCIA. ANOSCALENDÁRIO DE 1989 E 1990. Com a entrega da DIPJ, exteriorizase o direito do contribuinte à devolução dos saldos negativos apurados, por se tratar de hipótese de restituição automática. RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ. DECADÊNCIA. ANOSCALENDÁRIO DE 1992 E 1993. Desde o anocalendário de 1992, não há mais restituição automática do saldo negativo de IRPJ apurado, devendo o contribuinte ingressar com o pedido de restituição dentro do prazo previsto no art. 168 do CTN. RESTITUIÇÃO. SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ. DECADÊNCIA. ANO CALENDÁRIO DE 1996. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador (Súmula CARF nº 91) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 80 21 /2 00 4- 79 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 EDITADO EM: 27/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente), Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, José Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Correa e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relatório Tratase de pedido de restituição, protocolado em 30/12/2004, que visa o reconhecimento do direito creditório oriundo de saldos negativos de IRPJ apurados nos anos calendário de 1989, 1990, 1991, 1992, 1993 e 1996. Apenso aos autos, encontrase o processo n° 13805.000397/9702 que versa sobre a restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1991 apurado pela empresa Autolatina Comércio Negócios e Participações Ltda, pessoa jurídica sucedida pela Recorrente. Nos termos do Despacho Decisório de fls. 279 a 289, o pedido de restituição foi integralmente indeferido por não ter sido observado o prazo de 5 (cinco) anos previsto pelo artigo 168 do CTN em relação aos anosbase de 1992, 1993 e 1996 e por já ter fluido o prazo para promover qualquer cobrança de valor a restituir ou pedido de restituição junto à Fazenda Nacional, nos termos do art. 1° do Decreto n° 2.910/1932, em relação aos anosbase de 1989, 1990 e 1991. Contra essa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada parcialmente procedente pela 4° Turma da DRJ/CPS, reconhecendose o direito creditório em litígio, na importância de R$ 534.105,12 UFIR, em face do quanto decidido nos autos do processo n° 13805000397/9702 às fls. 52. Em relação aos anoscalendário de 1989 e 1990, a decisão de 1° instância indeferiu o pedido do contribuinte nos seguintes termos: 11. Com a edição da Lei n.° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, a restituição do IRPJ, informado na declaração, passou a ser automática e, a partir da edição da Lei n° 7.799, de 10 de julho de 1989, efetuada por intermédio do sistema bancário nacional;conforme regulamentado na Instrução Normativa SRF n.° 73, de 19 de julho de 1989, situação que perdurou até a entrada em vigor da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a qual instituiu novas regras para a restituição. 12. Por conseguinte, para utilização do saldo credor constante das declarações com fatos geradores ocorridos até 31/12/1991, os contribuintes deveriam aguardar a restituição efetuada por processamento eletrônico, sendo desnecessária a apresentação de pedido de restituição. (grifei) 13. No entanto, se quando do processamento da declaração resultasse na notificação de lançamento de valores a restituir em montantes menores que os informados pela pessoa jurídica, ou quando a própria interessada apresentasse declaração retificadora, a qual ensejasse a retificação da Ordem de Crédito OC eventualmente expedida, situações reguladas pela Instrução Normativa SRF n.° 51, de 1985, impunhase à contribuinte reclamar a diferença, mediante solicitação de retificação e apresentação do formulário “Pedido de Restituição” PR, na forma prevista na Instrução Normativa SRF n.° 40, de 1983. ` Fl. 377DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.018021/200479 Acórdão n.º 1301002.028 S1C3T1 Fl. 365 3 14. Assim, em mencionadas hipóteses, a apresentação da declaração por si só, não formalizava a pretensão da contribuinte em ver restituído o indébito declarado. 15. No caso dos saldos negativos dos anoscalendário de 1989 e 1990, a reclamação de restituição automática, formalizada por meio do Pedido de fl. 01, em 30/12/2004, é um indicativo da ocorrência de duas situações possíveis: que do processamento da declaração e de sua notificação à contribuinte resultou valor inferior ao informado; ou que a interessada não resgatou o valor disponibilizado na instituição bancária pela RFB. 16. Ressaltese que, para os anoscalendário de 1989 e 1990, não há noticia nos autos de que a contribuinte tenha sido cientificada do resultado do processamento de sua Declaração de Ajuste, nem que ela tenha adotado quaisquer providências visando resguardar seu direito. 17. Esclareçase que, ainda que se considerasse a situação mais extrema, qual seja, que as notificações de lançamento, referentes aos anoscalendário de 1989 e 1990, terem sido entregues no limite do prazo legal (cinco anos a partir da data das respectivas declarações de rendimentos), terseia a formalização do crédito tributário em favor da contribuinte cinco anos também neste mesmo prazo, a partir do qual a interessada disporia do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir de tal data para impugnar tais notificações, em razão de eventual modificação pela autoridade administrativa; bem como o período de 180 (cento e oitenta) dias para resgatar o valor disponibilizado na instituição financeira, impondose reconhecer o transcurso do prazo qüinqüenal, ante o Pleito de Restituição formalizado em 30 de dezembro de 2004. (...) 19. Esse prazo regese por regras especiais, as quais, por se reportarem a matéria tributária, estão expressamente determinadas no artigo 168 do Código Tributário Nacional, e não poderia ser outro o entendimento, em prestígio â legalidade, ã isonomia e na busca do equilíbrio da relação jurídica entre o Fisco e contribuinte, em que ê previsto prazo qüinqüenal de decadência para o direito de lançar, igualmente deverá ser considerado idêntico prazo para o sujeito passivo exercer o seu direito de pedir repetição de indébito. (...) 21. Portanto, se do processamento da declaração e de sua notificação à contribuinte resultou valor inferior ao informado, ou se não houvesse o resgate do valor disponibilizado na instituição bancária pela RFB, a interessada deveria, tempestivamente, ter adotado providências junto à Administração Tributária no sentido de resguardar seus direitos. 22. Ambas as hipóteses ensejavam ação por parte da pessoa jurídica, seja para reclamar a diferença mediante solicitação e apresentação do formulário Pedido de Restituição PR, seja para solicitar o pagamento do valor antes disponibilizado pela Administração Tributária e não resgatado na instituição financeira. 23. Concluindo, diante da inércia da interessada, e porque já transcorrido o prazo qüinqüenal previsto pelo Código Tributário Nacional, indeferese o pleito formalizado, relativo aos anoscalendário de 1989 e 1990. Por sua vez, no que se refere aos anoscalendário de 1992, 1993 e 1996, restou assim decidido: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 35. Dessa forma, a partir do anocalendário de 1992, exercício 1993, com a vigência da Lei n.° 8.383, poderia a empresa interessada efetuar a compensação entre tributos da mesma destinação constitucional independente de requerimento, ou seja, independentemente de autorização da repartição fiscal, desde que efetuasse em sua escrituração contábil e fiscal os lançamentos necessários e observadas as vedações previstas. 36. Por sua vez, o mesmo diploma legal facultava às pessoas jurídicas a possibilidade de se optar pela formulação de pedido de restituição em processo específico, nos termos do art. 1°, da Instrução Normativa SRF n.° 67, de 26 de maio de 1992: (...) 48. Assim, a partir do anocalendário de 1992, exercício 1993, as restituições dos valores consignados na DIRPJ deixaram de ser automáticas, sujeitandose a requerimento e, portanto, desta forma, à observância do prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. 49. Nesse contexto, no que se refere ao direito de o sujeito passivo requerer o reconhecimento administrativo do indébito tributário e, conseqüentemente, do direito de restituição/compensação, prendese este órgão administrativo de julgamento às literais disposições do art. 168, c/c art. 165, ambos do Código Tributário Nacional CTN, tal qual reproduzido a seguir: (...) Portanto, considerandose a data de protocolo do presente pedido, ocorrido em 30 de dezembro de 2004, impõese reconhecer o decurso do prazo fatal, de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, para a repetição do indébito com origem em saldo negativo do IRPJ dos anoscalendário de 1992, 1993 e 1996. Inconformada, o contribuinte interpôs recurso voluntário contra o Acórdão n° 0531.645 da 4° 'Turma da DRJ/CPS, alegando, em síntese: a) a vedação de proceder a compensação do saldo negativo apurado no período base anterior com o valor vincendo em período subsequente, ao contrário do que afirma a decisão recorrida, vigorou por todas as edições dos Regulamentos do Imposto sobre a Renda editados até o ano de 2000. Por essa razão, é equivocada a interpretação dada pela decisão recorrida aos dispositivos da Lei n.° 8.383/91, em especial aos seus artigos 2° e 66; b) não havia a possibilidade de proceder à restituição e/ ou compensação dos créditos decorrentes do saldo negativo do IRPJ apurados em restituição automática, o que somente passou a ser possível a partir da edição do Ato Declaratório n° 3, de 11/01/2000; c) o prazo para pleitear a compensação ora requerida não teria decaído, pois o requerimento de restituição foi formulado conforme as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal à época e era procedido mediante a entrega da declaração de ajuste do exercício; d) caso estes argumentos não sejam acatados, sustenta a Recorrente que a interpretação correta do disposto no artigo 168, inciso I, c/ c o artigo 150 § 4°, do Código Tributário Nacional, leva à conclusão de que esse prazo é de 10 (dez) anos, e não 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador. O contribuinte não recorreu ao quanto decidido em relação ao saldo negativo do anocalendário de 1991. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.018021/200479 Acórdão n.º 1301002.028 S1C3T1 Fl. 366 5 É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator Primeiramente, impende registrar que o Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. Entendo não proceder a alegação do contribuinte de que, somente com a edição do Ato Declaratório 3/2000, tornouse possível proceder à restituição ou compensação dos créditos decorrentes do saldo negativo do IRPJ. Isso porque, nos termos do artigo 39, § 5°, da Lei n° 8.383/91, essa possibilidade existe desde sua entrada em vigor, ou seja, desde 1°.01.1992. Vejamos: Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 5° A diferença entre o imposto devido, apurado na declaração de ajuste anual (art. 43), e a importância paga nos termos deste artigo será: a) paga em quota única, até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, se positiva; b) compensada, corrigida monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, se negativa, assegurada a alternativa de requerer a restituição do montante pago indevidamente. Dessa forma, as restituições dos saldos negativos de IRPJ deixaram de ser automáticas a partir do anocalendário de 1992, sujeitandose a requerimento e, portanto, desta forma, à observância do prazo previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional. Corroborando essa posição, transcrevese o seguinte julgado do, então, Conselho de Contribuintes: IRPJ SALDO NEGATIVO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO Desde o anocalendário de 1992, a utilização do saldo negativo de imposto apurado por ocasião do ajuste anual, a ser demonstrado na Declaração de Rendimentos, depende de iniciativa do contribuinte. Desde aquele ano, não há mais restituição automática de saldo negativo de imposto apurado. (ACÓRDÃO 10709.264) Fl. 380DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 Esse entendimento está em consonância com a posição da 1ª Seção do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EMENTA Anocalendário: 1992 SALDO CREDOR DE IRPJ. PERÍODOS POSTERIORES A VIGÊNCIA DA LEI N° 8.383/91. RESTITUIÇÃO AUTOMÁTICA. INEXISTÊNCIA. A partir da vigência da Lei n° 8.383/91, a restituição automática do IRPJ informado na DIRPJ foi revogada. Logo, para o exercício do direito à restituição tornouse necessária a formulação do pleito nos termos da legislação em vigor. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (apuração anual), o direito de compensar ou restituir iniciase após o prazo para entrega da declaração de rendimentos, até 1.999, e em janeiro a partir de 2.000 (Lei 9.430/96, art. 6º/AD SRF 03/2000). (ACÓRDÃO 180300.702) Frisese que o Ato Declaratório n° 3/2000 veio, tão somente, esclarecer que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL podem ser restituídos já no mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC. Ademais, o quanto disposto no art. 890, § 5º, do RIR/99, é aplicável somente aos créditos relativos ao imposto apurado na declaração e objeto de restituição automática por processamento eletrônico, ou seja, somente aos créditos apurados nas declarações relativas até o anocalendário de 1991. Por tais razões, entendo ser irretocável a decisão da DRJ no que tange à impossibilidade de requerer, em 30.12.2004, a restituição dos saldos negativos apurados nos anosbase de 1992 e 1993, porém com apresento argumentos distintos. Isso porque, no meu entendimento mesmo que seja aplicada a possibilidade de restituição pelo prazo de 10 anos a decadência já se operou, vez que o pedido foi realizado somente em 2004. O mesmo não ocorre em relação aos saldos negativos dos anoscalendário de 1989 e 1990, para os quais entendo não ter se operado a decadência do direito de requerer a restituição dos referidos tributos. Explico. Considerandose que, nessa época, a simples entrega da Declaração de Ajuste era suficiente para que o fisco procedesse à eventual restituição de IRPJ, podese afirmar que, ao apresentar sua declaração ao fisco, o contribuinte automaticamente exercia seu direito de ter restituído o saldo negativo apurado. Portanto, não havendo inação do contribuinte, não se pode operar o prazo decadencial pelo decurso do prazo previsto no art. 168 do CTN. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.018021/200479 Acórdão n.º 1301002.028 S1C3T1 Fl. 367 7 Logo, apesar de transcorridos mais de 10 anos entre a entrega da Declaração de Ajuste e o protocolo do pedido de restituição, sem que a Recorrente tenha tomado qualquer providência para reaver os saldos negativos dos anoscalendário de 1989 e 1990, entendo não ter se operado a decadência, uma vez que ainda vigoravam as disposições que permitiam o procedimento de restituição automática. Corroborando este entendimento, trago à baila trecho do Acórdão CSRF/01 05.783, da sessão de 04 de dezembro de 2007: Depreendese do relatado que a interessada ingressou com recurso especial a esta Colenda Câmara, alegando haver dissídio jurisprudencial no tocante à decadência. O alheamento ou negligência do titular do direito é que enseja a decadência. Nos autos vejo a declaração de rendimento da contribuinte fl 12/64, e fl. 63 os pagamentos referentes ao código 0262 efetuados no anobase 1990, estes pagamentos (antecipações) não foram negados e nem restituídos pela DRF de Camaçari/BA. Na época, o IRPJ era tributo por declaração e a restituição era automática desde que a contribuinte apresentasse declaração de rendimentos. O Regulamento do Imposto de Renda de 1991 inciso VI do parágrafo 20 do art. 716, afirma que a restituição do Imposto de Renda pago a maior, apurado em declaração de rendimentos, deverá ser efetuada através da rede arrecadadora de receitas federais. O art. 3° do Decreto — Lei n° 2.182/84, dispõe que esta restituição automática (de pessoa Jurídica) deveria ser parcelada em seis parcelas iguais. (grifei) Assim, apenas quando da entrega da DIRPJ/91, anobase 1990, é que ficaria exteriorizado o direito a eventual restituição, pois, os duodécimos recolhidos representavam antecipação do IRPJ apurado na declaração Dessa forma, não se pode alegar omissão do titular do direito à restituição enquanto esse direito não estivesse materializado pela entrega da declaração de rendimentos do exercício 91. (grifei) Tendo o contribuinte realizado os procedimentos competentes para reaver o excedente dos tributos recolhidos antecipadamente em relação ao "quantum" devido para habilitarse à restituição automática, não poderá ele ser taxado de omisso. Por último, no que tange à tese dos “cinco mais cinco”, há de se reconhecer o direito do contribuinte de ingressar, em 30.12.2004, com pedido de restituição do saldo negativo relativo ao anocalendário de 1996, pois ainda não haviam decorrido 10 (dez) anos contados da data do fato gerador do tributo. Nos termos do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 8 543B e 543C da do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim sendo, não poderia deixar de adotar, no presente caso, o quanto decidido pelo STF, no RE 566.621/RS, em sede de repercussão geral, e pelo STJ, no Resp 1.269.570/MG, sob o rito do recurso repetitivo. Em síntese, os citados precedentes consolidam o entendimento no sentido de que o prazo para a repetição do indébito de cinco anos começa a contar da data do pagamento e não se aplica às ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, anteriores a 9 de junho de 2005. Nessas hipóteses, permanece aplicável a tese dos “cinco mais cinco”, ou seja, aplicase o prazo de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador para repetição ou compensação de indébito, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Nesse ponto, considero importante reproduzir o quanto decidido pelos tribunais superiores, aludir as ementas dos referidos julgados: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a Fl. 383DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 19679.018021/200479 Acórdão n.º 1301002.028 S1C3T1 Fl. 368 9 lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.269.570/MG) DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio Fl. 384DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES 10 legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621/RS) Importante destacar que se trata de entendimento já consolidado por este Colegiado, nos termos da Súmula CARF nº 91, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Notese que esse entendimento não deve ser aplicado em relação aos anos de 1991 e 1993, uma vez que decorreram mais de 10 (dez) anos entre a data da ocorrência do fato gerador e do pedido de restituição. Portanto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, reconhecendo o direito creditório do contribuinte de pleitear, em 30.12.2004, a restituição dos saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1989, 1990 e 1996, mantendose o quanto decidido pela DRJ em relação aos demais anosbase. Determino a remessa dos autos à DRF a fim de que sejam apuradas as origens e a certeza e liquidez do crédito tributário, tendo em vista que esses fatores não foram apurados pelas decisões anteriores. Não há que se alterar o quanto decidido pela DRJ em relação ao processo apenso de n° 13805.000397/9702, vez que este versa sobre a restituição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1991, o qual não foi objeto de indignação do contribuinte no Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 27/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10882.721904/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
Ementa:
ÔNUS DA PROVA.
No processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos imputados ao contribuinte e cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os bens e serviços que integram o custo de produção.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do auto de infração o crédito tributário resultante da reversão das glosas com gastos de material de consumo e gastos com manutenção de equipamentos, em face de carência probatória da fiscalização. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento na integra. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Oliveira Godoi, OAB/SP 143.250.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 Ementa: ÔNUS DA PROVA. No processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos imputados ao contribuinte e cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os bens e serviços que integram o custo de produção. Recurso voluntário provido em parte.
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No processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos imputados ao contribuinte e cabe à defesa o ônus da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do auto de infração o crédito tributário resultante da reversão das glosas com gastos de material de consumo e gastos com manutenção de equipamentos, em face de carência probatória da fiscalização. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Maria Aparecida Martins de Paula, que negaram provimento na integra. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Oliveira Godoi, OAB/SP 143.250. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 19 04 /2 01 4- 51 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de autos de infração com ciência do contribuinte por via eletrônica em 03/09/2014 (fl. 138), lavrados para exigir o crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2011, em face de falta de recolhimento das contribuições, decorrente de glosas efetuadas nos créditos tomados pelo contribuinte ao longo do ano calendário. Segundo o termo de verificação fiscal de fls. 105/119, a fiscalização analisou as contas dos grupos contábeis 310, que engloba "custos diretos" (linhas 02 a 10 do DACON) e as contas do grupo 320, que reúne os "gastos diretos" (linha 13 do DACON), efetuando as glosas dos créditos em relação aos gastos que não guardavam relação de pertinência direta com os serviços prestados, conforme discriminado nas fls. 106/114. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que todos os valores glosados pela fiscalização se enquadram como insumos intrínsecos aos serviços prestados. Disse que desenvolve atividades de limpeza e conservação em bens públicos e privados; ajardinamento e paisagismo; controle de pragas e desinfecção; e que oferece mãode obra especializada para uma série de serviços. Para executar sua prestação de serviços, valese principalmente da força de trabalho humana e de materiais de consumo e equipamentos utilizados por seus funcionários. Sustentou que todos os custos e despesas incorridos pela empresa na manutenção de suas atividades devem gerar créditos das contribuições. Impugnou as glosas efetuadas, procurando demonstrar a relação de pertinência e de essencialidade dos itens glosados com o objeto social da empresa. Por meio do Acórdão nº 55.370, de 25 de junho de 2015, a 2ª Turma da DRJ Porto Alegre julgou a impugnação improcedente. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe à impugnante o ônus probatório daquilo que alega. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10882.721904/201451 Acórdão n.º 3402003.169 S3C4T2 Fl. 3 3 Existe vedação legal para creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro do regime de apuração de créditos pela nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro do regime de apuração de créditos pela nãocumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO. A redução da multa de ofício é aplicada nos casos previstos em lei, de acordo com o momento em que se dá o pagamento ou pedido de parcelamento. ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou judicial, bem como a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COBRANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O tempestivo protocolo de peça reclamatória suspende a exigibilidade do crédito tributário eventualmente lançado/cobrado, até o desfecho do processo administrativo. Impugnação Improcedente" Regularmente notificado em 12/08/2015 (fl. 289), o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 291/314 em 18/08/2015 (fl. 292), no qual reeditou parcialmente as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. Mais uma vez deparase o colegiado com a glosa de créditos no regime não cumulativo das contribuições, efetuada a partir do cotejo entre as atividades da empresa e os nomes das contas de custos e despesas, tendo como parâmetro normativo os atos infralegais que fixaram o conceito de insumo e algumas soluções de consulta. A defesa adotou o procedimento de praxe nos recursos voluntários: sustentou que todas as despesas necessárias à manutenção das atividades da empresa estão aptas a gerarem os créditos das contribuições e discorreu sobre cada glosa procurando demonstrar que todos os valores correspondem a créditos admitidos pela legislação. As partes não apresentaram nenhum laudo e nenhuma explicação acerca de quando, como e onde os itens glosados são empregados nas atividades empresariais. No que concerne ao alcance do termo "insumo" utilizado nas leis que instituíram o regime não cumulativo da contribuições ao PIS e à COFINS, a Administração Tributária adota o conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os itens glosados são indispensáveis ao seu processo produtivo, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10882.721904/201451 Acórdão n.º 3402003.169 S3C4T2 Fl. 4 5 I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade de o produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de Fl. 324DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos das contribuições não cumulativas, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Adotando como parâmetro que apenas os gastos classificáveis como custo para de produção do bem ou para a prestação do serviço geram créditos das contribuições, passase à análise das glosas em espécie na ordem em que foram contestadas no recurso voluntário. GGAASSTTOOSS CCOOMM MMAATTEERRIIAALL DDEE CCOONNSSUUMMOO ((HHIIGGIIEENNEE,, IIMMPPEERRMMEEAABBIILLIIZZAANNTTEE,, JJAARRDDIINNAAGGEEMM,, EETTCC)) Conforme se lê na fl. 106, a fiscalização efetuou a glosa de serviços contratados junto a terceiros, sob a justificativa de que não geram créditos das contribuições, por se destinarem às atividades meio da pessoa jurídica contratante, in verbis: . A partir da fl. 308 do recurso voluntário, a defesa contestou a glosa de materiais de consumo, basicamente porque os materiais de higiene, impermeabilizantes, acessórios, jardinagem, etc, seriam insumos diretamente empregados na prestação de serviços. Assim, estamos em que a justificativa apresentada pela fiscalização para a glosa dessa diferença na conta "material de consumo" foi que serviços contratados junto a terceiros , não dão direito a crédito porque foram aplicados nas atividades meio do contribuinte; enquanto que a defesa contesta a glosa como se elas se referissem a insumos e não a serviços. 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10882.721904/201451 Acórdão n.º 3402003.169 S3C4T2 Fl. 5 7 Compulsando os autos, verificase que não existe nenhum documento que permita ao julgador verificar se a glosa se refere a serviços contratados junto a terceiros ou a insumos; não existe nenhum documento que permita verificar qual foi o serviço contratado perante terceiros; e nem qual foi a atividade meio em que o suposto serviço teria sido aplicado. O art. 9º do Decreto nº 70.235/72 estabelece o seguinte: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito Considerando que a teor do art. 9º do Decreto nº 70.235/72, nos processos de determinação e exigência de créditos tributários, o ônus da prova dos fatos imputados ao contribuinte é da fiscalização, só resta a este colegiado reverter a glosa efetuada sob esta rubrica, pois não se sabe com segurança se a fiscalização glosou serviços ou insumos. E admitindose que tenha glosado serviços nesta rubrica, não se sabe qual foi a atividade meio que os supostos serviços teriam sido utilizados, pois o termo de verificação não dedicou uma só linha à descrição das atividades desenvolvidas pelo contribuinte. GGAASSTTOOSS CCOOMM MMAANNUUTTEENNÇÇÃÃOO DDEE EEQQUUIIPPAAMMEENNTTOOSS Relativamente à conta Manutenção do Ativo, verificase que a fiscalização glosou créditos tomados sobre gastos com serviços contratados junto a terceiros, que se destinavam às atividades meio da pessoa jurídica, conforme discriminado na fl. 112: Na fl. 310 de seu recurso voluntário, a defesa contestou essa glosa, sob o argumento de que a Solução de Consulta nº 190, de 18 de outubro de 2012 reconheceu o direito aos créditos sobre valores de aquisição de partes, peças e serviços de manutenção realizados em máquinas e equipamentos. No caso destes gastos, é incontroverso que o gasto se refere a serviços, pois a defesa ao transcrever a ementa da referida solução de consulta destacou com negritos a parte relativa a serviços, conforme excerto de fls. 311: Fl. 326DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Portanto, neste item a controvérsia gira em torno da natureza do serviço: o fisco alega que se trata de serviço empregado na atividade meio da empresa; enquanto que o contribuinte alega que se trata de serviço empregado na manutenção de equipamentos empregados diretamente na prestação de serviço. Mais uma vez não é possível encontrar nos autos nenhum elemento que permita ao julgador aferir a procedência ou a improcedência das alegações das partes. A fiscalização não descreveu e nem juntou nada que permita identificar qual foi a atividade meio beneficiada pelo serviço e a defesa não trouxe aos autos nenhuma prova de que tais serviços foram aplicados em equipamentos empregados diretamente na prestação dos serviços descritos em seu objeto social. Em síntese, não se sabe nada sobre quais são os equipamentos que receberam os serviços e nem onde e como são empregados. Considerando que a teor do art. 9º do Decreto nº 70.235/72, nos processos de determinação e exigência de créditos tributários, o ônus da prova dos fatos imputados ao contribuinte é da fiscalização, só resta a este colegiado reverter a glosa efetuada sob esta rubrica, pois não se sabe com segurança qual ou quais foram os equipamentos que receberam o serviço e nem qual a atividade meio em que teriam sido utilizados. GGAASSTTOOSS IINNEERREENNTTEESS ÀÀ FFOORRÇÇAA HHUUMMAANNAA EEMMPPRREEGGAADDAA NNAA PPRREESSTTAAÇÇÃÃOO DDEE SSEERRVVIIÇÇOOSS A fiscalização glosou gastos com "perícias médicas", sob o argumento de que tal serviço não se enquadra como insumo e também com "assistência médica", sob o argumento de que é um serviço que se destina a atividade meio da pessoa jurídica. Na fl. 311/312 a defesa alega que esses gastos são incorridos com a força de trabalho e, portanto, devem gerar o crédito das contribuições. Conforme se viu alhures, somente os gastos enquadráveis como custo para a produção de bens e serviços estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Sendo incontroversa no processo a natureza desses gastos, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização, pois ainda que tais gastos sejam incorridos com os profissionais que prestam os serviços executados sob responsabilidade da recorrente, tais gastos se enquadram como despesas operacionais e não como custo de produção dos serviços prestados. GGAASSTTOOSS CCOOMM RREEFFEEIIÇÇÕÕEESS EE CCOOPPAA A fiscalização glosou créditos tomados sobre gastos com "refeições e copa", sob o argumento de que a alimentação fornecida pela própria empresa não se enquadra no conceito de insumo aplicado na prestação de serviços. A defesa contestou a glosa alegando que se os arts. 3º, X, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 autorizam o crédito sobre o auxílio alimentação, os gastos com a alimentação fornecida diretamente pela empresa também devem ser considerados insumos na prestação de serviço. Não tem razão a recorrente. Os gastos com auxílio alimentação estão contemplados com o direito de crédito, em virtude de previsão legal específica e casuística, nos termos dos dispositivos legais citados pela defesa. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10882.721904/201451 Acórdão n.º 3402003.169 S3C4T2 Fl. 6 9 Já os gastos com a alimentação fornecida pela Brasanitas não estão contemplados no referido dispositivo e nem se enquadram como custo da prestação dos serviços. Tal conclusão é retirada da própria descrição dos serviços efetuada pela defesa em seu recurso, pois se tais serviços consistem na colocação de pessoas físicas para executarem trabalhos em outras empresas clientes da Brasanitas, é óbvio que a alimentação fornecida e consumida na própria Brasanitas não pode ser considerada custo de produção, pois os serviços são prestados fora da Brasanitas. Desse modo, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização relativamente a esta rubrica. DDEEMMAAIISS GGAASSTTOOSS EE DDEESSPPEESSAASS IINNDDEEVVIIDDAAMMEENNTTEE GGLLOOSSAADDOOSS PPEELLOO DD.. AAGGEENNTTEE FFIISSCCAALL EE CCOONNFFIIRRMMAADDOOSS PPEELLAA CC.. TTUURRMMAA JJUULLGGAADDOORRAA DDEE PPRRIIMMEEIIRRAA IINNSSTTÂÂNNCCIIAA Quanto aos demais gastos, a defesa alegou genericamente que se referem a insumos diretamente aplicados na prestação dos serviços. Tal entendimento não prospera, pois a defesa entende que qualquer gasto necessário à manutenção da atividade da empresa é hábil a gerar créditos, o que não se coaduna com o entendimento majoritário do CARF. Sendo assim, não há como reverter as demais glosas sob o singelo argumento de que "se referem a insumos diretamente aplicados na prestação dos serviços". Especificamente quanto aos gastos com viagens e estadias, verificase que eles não guardam nenhuma identidade com os gastos incorridos pela execução do objeto social da recorrente, razão pela qual a glosa deve ser mantida com o mesmo fundamento adotado pelo fisco: não se enquadra como insumo utilizado na prestação dos serviços. Relativamente ao gasto com combustível empregado no transporte dos empregados, a glosa efetuada pela fiscalização sob a rubrica "condução e transporte" abrangeu gastos com passagens, transporte e hospedagem, conforme fls. 112. A fiscalização não afirmou que glosou o combustível empregado no transporte de funcionários. Se a defesa alegou que tal glosa ocorreu, deveria ter se desincumbido do ônus da prova do fato modificativo da pretensão fiscal, a teor do que estabelece o art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Não tendo se desincumbido do ônus da prova de sua alegação, deve ser mantida integralmente a glosa efetuada sob a rubrica "condução e transporte", assim como todas as demais glosas efetuadas pela fiscalização que foram contestadas de forma genérica pelo contribuinte. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir do auto de infração o crédito tributário resultante da reversão das glosas Fl. 328DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 com gastos de material de consumo e gastos com manutenção de equipamentos, em face de carência probatória da fiscalização. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 329DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724220/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA.OPERADORAS DE
PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. CONCOMITÂNCIA.
Conforme determina o enunciado nº 1 da Súmula CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria
distinta da constante do processo judicial.
BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS.
É de responsabilidade do contribuinte apresentar as provas necessárias para garantir o direito a exclusão de que trata o inciso I, § 2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. Obrigatoriedade prevista no art. 16, § 4º do Decreto n. 70.235/1971.
Numero da decisão: 3302-003.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo das Contribuições o valor das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, incluindo-se neste total os valores correspondentes aos beneficiários da própria operadora e aos beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferências assumidas
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA.OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. CONCOMITÂNCIA. Conforme determina o enunciado nº 1 da Súmula CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. BASE DE CÁLCULO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. É de responsabilidade do contribuinte apresentar as provas necessárias para garantir o direito a exclusão de que trata o inciso I, § 2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. Obrigatoriedade prevista no art. 16, § 4º do Decreto n. 70.235/1971. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo das Contribuições o valor das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades, incluindo-se neste total os valores correspondentes aos beneficiários da própria operadora e aos beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferências assumidas. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 10 65 .7 24 22 0/ 20 12 -3 6 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária março de 2016 março de 2016 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins UNIMED VALE DOS SINOS SOCIEDADE COOPERATIVA DE UNIMED VALE DOS SINOS SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. TRABALHO MÉDICO LTDA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Fl. 874DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 RICARDO PAULO ROSA - Presidente. LENISA PRADO - Relatora. EDITADO EM: 30/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araújo. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela UNIMED Vale dos Sinos Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Ltda contra acórdão proferido pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia Regional da Receita Federal em Porto Alegre (DRJ/POA), oportunidade em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. A questão tem início nas exigências de PIS (R$ 1.144.852,99) e COFINS (R$ 5.283.936, 83) lavrados em autos de infrações referente a fatos geradores ocorridos entre 31/01/2008 e 31/12/2009, acrescidos a esses valores multa de ofício (de 75%) e juros de mora. A contribuinte apresentou impugnação a exigência de COFINS (fls. 367/389) e outra contra a exigência de PIS (fls. 524/549). A instância de origem julgou improcedente os argumentos lançados nas impugnações em um único acórdão, que foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Considera-se não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto da discordância. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.724220/2012-36 Acórdão n.º 3302-003.134 S3-C3T2 Fl. 875 3 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base de cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. As exclusões e deduções específicas da receita bruta, legalmente previstas, para fins de determinação da base de cálculo da COFINS devida por operadora de plano de assistência à saúde não implicam que sejam excluídos ou deduzidos os custos relativos aos eventos ocorridos, sem que esses estejam atrelados a associados de outras operadoras. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO INCONDICIONAL. Descontos incondicionais concedidos são redutores do preço de venda e devem constar na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura dos serviços, independendo do evento posterior à emissão desses documentos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009. BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base de cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. As exclusões e deduções específicas da receita bruta, legalmente previstas, para fins de determinação da base de cálculo da COFINS devida por operadora de plano de assistência à saúde não implicam que sejam excluídos ou deduzidos os custos relativos aos eventos ocorridos, sem que esses estejam atrelados a associados de outras operadoras. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO INCONDICIONAL. Descontos incondicionais concedidos são redutores do preço de venda e devem constar na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura dos serviços, independendo do evento posterior à emissão desses documentos". Nas razões do recurso voluntário a contribuinte defende a ocorrência do cerceamento ao direito a defesa, já que o "relatório em que consistiria a autuação não foi preciso". A recorrente esclarece que "não sabe se, de fato, houve a inclusão da totalidade dos Fl. 876DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 ingressos da recorrente na base de cálculo das contribuições, sem considerar as ações judiciais e os próprios atos cooperativos" (fl. 722). Ainda sobre a alegada nulidade dos autos de infração, a contribuinte informa que o fiscal considera que as deduções de usuários próprios não podem ser realizadas com base na Lei n. 9.718/98 (art. 3º, § 9º), que somente os custos dos atendimentos feitos por outras operadoras na modalidade intercâmbio poderiam ser abatidos, mas não informa qual a "restrição do ponto de vista legal" (fl. 723). Quanto ao mérito a contribuinte defende, em síntese: A) considerando os termo da IN 635/2006 a arrecadação e o repasse de honorários médicos são considerados como ato cooperativo e também evento e, diante dessa dupla condição, é possível deduzi-los da base de cálculo do PIS e da COFINS (fls. 724/725); B) que a Resolução Normativa n. 290/2012 da Agência Nacional de Saúde define que "pagamento de despesas com prestadores credenciados, como hospitais e laboratórios e com médicos cooperados, todas as despesas com o atendimento de cobertura contratual prevista, são indenizações de eventos" e, por esse motivo, são despesas que podem ser abatidas da base de cálculo do PIS e da COFINS (fl. 732); C) diante do pronunciamento do Supremo Tribunal Federal1, todas as receitas que não sejam de prestação de serviços devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS. O art. 2º da LC n. 70/1991 restringe a receita de prestação de serviços - administração dos planos de saúde - como a base de cálculo das contribuições objeto da autuação fiscal (fl. 734); D) que "devem ser excluídas da base de cálculo tudo o que não for receita da prestação de serviço, que aqui é considerada apenas a taxa de administração ou o resultado deixado nos contratos" (fl. 740); E) no que concerne a cobrança da COFINS a recorrente entende que essa ocorre diante da revogação da isenção contida no inciso I, do art. 6º da LC n. 70/1991. Porém, em relação ao PIS não existe norma que determine a incidência da contribuição sobre a receita bruta (fls. 741/742); F) a recorrente discute judicialmente a incidência do PIS sobre os atos cooperativos nos autos da Ação Declaratória n. 2001.71.00.016903-9, e sobre a COFINS na Ação Declaratória n. 2001.71.00.006744-9. Afirma que "não há concomitância entre esse expediente e as ações, dado que nelas não se debateu a questão sob o aspecto legal das deduções dos eventos, mas o resultado daquelas ações implicará no deslinde deste contencioso, já que a autuação albergou a receita bruta da autuada" (fl. 742); G) defende não ser possível tributar os descontos incondicionados2, já que não se trata de prestação de serviço, na forma do art. 2º da LC n. 70/1991. A contribuinte solicita a realização de diligência, "em face da dificuldade de se saber o que foi autuado". Entende "ser necessário que o fiscal esclareça quais repasses não poderiam ser realizados, e para quem, na medida em que, se os destinatários forem os médicos sócios da recorrente, ato cooperativo principal será (como também são eventos); se forem os 1 Recursos Extraordinários n. 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, onde foi julgada inconstitucional o art. 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998. 2 Os descontos financeiros incondicionados são decorrentes de contrato com a Câmara de Dirigentes Logistas, motivo pelo qual concedia descontos financeiros ao contratante, devolvendo-lhe valores e não lhe remunerando serviços. (fls. 742/743). Fl. 877DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.724220/2012-36 Acórdão n.º 3302-003.134 S3-C3T2 Fl. 876 5 prestadores de serviços credenciados (hospitais, laboratórios, clínicas, etc), eventos serão" (fl. 743). Requer, ao final, a reforma da decisão recorrida,com o cancelamento da exigência fiscal em sua totalidade, em face da legalidade das exclusões verificadas. Em 26/03/2014 esta Turma de julgamentos converteu o julgamento em diligência ao acolher a proposta feita pelo então relator que esclareceu que "não restou claro quais seriam os custos que a recorrente pretende sejam deduzidos, à luz da nova legislação (art. 9º-A da Lei n. 9.718/1998) (fl. 788). Em resposta a diligência determinada, a contribuinte acosta aos autos (fls. 795/798) os seguintes esclarecimentos: As despesas excluídas da base de cálculo das contribuições são aquelas previstas na Lei n. 9.718/1998, art. 3º, § 9º, com a redação do § 9º-A. As deduções foram relacionadas com os custos de assistência de beneficiários da própria Unimed ou com atendimentos de beneficiários de outras operadoras de planos. Sobre a conta 1.a) Eventos Indenizáveis - Serviços Médicos, afirma que essa corresponde às indenizações correspondentes aos eventos/sinistros ocorridos, efetivamente pagos previstos nas coberturas assistenciais contratadas pela operadora. Referem-se aos gastos com beneficiários pagos aos médicos cooperados. As receitas de pré-pagamento são as mensalidades (fl. 796). A conta 1.b) Eventos Indenizáveis - Serviços de Auxílio ao Diagnóstico e Terapia (SADT) corresponde, nas palavras da contribuinte, ao "montante de gastos destinados ao custeio dos exames, internações, enfim, todo os serviços de auxílio ao diagnóstico e terapia, necessários ao restabelecimento da saúde, conforme a cobertura do plano contratado" (fl.796) Sobre a conta 1.c) Despesas com Prestação de Serviços - Custo Operacional, esclarece que são os "pagamentos aos prestadores cooperados (médicos) pela assistência médica contratada na modalidade de Custo Operacional (preço pós-estabelecido) e dos atendimentos aos beneficiários de outras Operadoras". Já a conta 1.d) Despesa com Prestação de Serviços - Credenciados (SADT) são "os pagamentos aos prestadores credenciados pela assistência médica contratada na modalidade contratual de Custo Operacional (preço pós- estabelecido) e dos atendimentos aos beneficiários de outras operadoras de planos" (fls. 796/797). A conta 1.e) Contraprestações Canceladas corresponde a um conta retificadora de receita, onde são cancelados os eventos por erro de cobrança cuja contabilização já tenha ocorrido na conta de contraprestação pela emissão de documentos e apropriação por competência (fl. 797). A conta 1.f) Recuperação de Despesas c/ Eventos Indenizáveis correspondem, nas palavras da contribuinte, "às glosas, co-participações e deduções aplicadas nas cobranças dos cooperados relativamente aos eventos/sinistros ocorridos de assistência médico-hospitalar da operadora e dos transferidos em co-responsabilidade de assistência médico-hospitalar e de outras recuperações/ressarcimentos/deduções de eventos/sinistros de assistência médico hospitalar" (fl. 797). Fl. 878DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Por fim, a conta 1.g) Contraprestações Canceladas corresponde aos "cancelamentos de contraprestações emitidas de planos de assistência médico-hospitalar com cobertura a preço preestabelecido e pós-estabelecido, cancelados por erro de cobrança cuja contabilização já tenha ocorrido na conta de contraprestação pela emissão dos documentos e apropriação por competência". De acordo com a contribuinte, essa conta equivale a uma retificadora de receitas (fl. 797). Afirma que "não há processos diversos do que já se tem nos autos, lembrando o que o mesmo se refere apenas às deduções previstas no art. 3º, § 9º da Lei n. 9.718/1998). Esclarece que a "concessão de descontos incondicionais corresponde aos lançamentos contábeis das contas do grupo 3119 que são referentes às exclusões do faturamento (desconto incondicionado)" e que esse desconto é concedido às Câmara de Dirigentes Logistas (fl. 798). É o relatório. Voto Conselheira Lenisa Prado A contribuinte foi intimada sobre os termos do acórdão proferido pela DRJ/POA em 26/12/2012, quarta-feira (fl. 715). O recurso voluntário foi interposto em 22/01/2013, terça-feira, conforme comprova o carimbo acostado à folha 717. Diante da tempestividade do recurso voluntário (fls. 717/775), os autos do processo administrativo em tela ascenderam a este Conselho. Presentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade, é de rigor o seu conhecimento. 1. PRELIMINARES A) CERCEAMENTO DO DIREITO A AMPLA DEFESA A contribuinte alega a ocorrência do cerceamento ao direito a defesa, já que o "relatório em que consistiria a autuação não foi preciso". A recorrente esclarece que "não sabe se, de fato, houve a inclusão da totalidade dos ingressos da recorrente na base de cálculo das contribuições, sem considerar as ações judiciais e os próprios atos cooperativos" (fl. 722). Tal argumento não merece prevalência, uma vez que a contribuinte não identifica precisamente quais informações lançadas nos autos de infração não são precisas o suficiente para inviabilizar o direito a ampla defesa. Ademais, a contribuinte foi intimada a apresentar seus documentos em decorrência da diligência determinada, e também não apresentou qualquer prova que subsidiasse a suposta ocorrência do cerceamento de seu direito. 2. MÉRITO 2.1. SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.724220/2012-36 Acórdão n.º 3302-003.134 S3-C3T2 Fl. 877 7 O objeto da autuação de onde se origina o recurso voluntário sob análise, segundo o relatório fiscal que o identifica, é o que segue (fls. 368/369 referente a cobrança do COFINS e sobre a exigência do PIS está às fls.525/526): "3. DAS INFRAÇÕES APURADAS 3.1. Falta de Recolhimento das Contribuições A contribuinte deduziu da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS devidas nos anos-calendário de 2008 a 2009 todos os custos relativos aos atendimentos de seus segurados e não somente os custos com outras operadoras de planos de saúde referentes a transferência de responsabilidade, conforme demonstração legal que passamos a citar. A Lei n. 9.718/1998, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001, disciplina a sistemática de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, daí enquadradas as operadoras de planos de saúde e as sociedades cooperativas médicas (art. 8º, inciso I, da Lei n. 10.637/2002 e art. 10, inciso I, da Lei n. 10.833/2003). Em seus arts. 2º e 3º, §§ 1º e 2º, assim dispõe: (...) O disposto no mencionado inciso III do § 9º do art. 3º da referida Lei n. 9.718/98 não autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo das citadas contribuições todos os valores dos custos operacionais incorridos (depois de abatidos dos valores das transferências de responsabilidade recebidas) que são próprios do exercício da atividade de prestação de serviços de assistência à saúde aos beneficiários (clientes) dos respectivos planos de saúde (...). Pela exclusão indevida de tais custos de sua base de cálculo a fiscalizada apurou valores devidos para as contribuições a menor, mensalmente, nos meses sob fiscalização de janeiro de 2008 a dezembro de 2009" (grifos nossos). O Plano de Contas Padrão da ANS3 determina que os eventos ocorridos devem ser lançados na conta contábil 4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS/SINISTROS RETIDOS. A Agência Reguladora esclarece que nesta rubrica devem constar: "7.2.5. Os Eventos Indenizáveis/ Sinistros Indenizáveis devem ser apropriados à despesa, considerando-se a data de apresentação da conta médica ou do aviso pelos prestadores, correspondente aos eventos/sinistros ocorridos. É importante observar que o fato gerador da despesa é o atendimento ao beneficiário. Naqueles casos em que esse atendimento ocorre sem o conhecimento da Operação a reconhecimento da despesa se dá com a constituição da Provisão Técnica específica (PEONA), nos moldes da regulação em vigor".(grifos nossos). 3 Disponível em http://www.ans.gov.br/images/stories/Legislacao/in/anexo_in24_diope.pdfhttp://www.ans.gov.br/images/stories/L egislacao/in/anexo_in24_diope.pdf Fl. 880DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 A ANS inseriu no Plano de Contas Contábil das Operadoras a rubrica dos Custos Incorridos com Outras Operadoras (Congêneres) no mesmo Grupo de Contas de Faturamento/Receita das Operações e alocou as rubricas de Faturamento Contra outras Operadoras (Congêneres) no mesmo Grupo de Contas de Custo/Despesa. É o caso, respectivamente: a) dos CUSTOS INCORRIDOS COM OUTRAS OPERADORAS (CONGÊNERES) que são contabilizados no Grupo 3 - RECEITAS - (conta 3117 e 3118) reduzindo o montante do Faturamento/Receitas Operacionais da Operadora (conta redutora); e b) das receitas advindas do FATURAMENTO CONTRA OUTRAS OPERADORAS (CONGÊNERES) que são classificadas no Grupo 4 - DESPESAS - (conta 4123 e 4124) reduzindo o montante dos Custos e Despesas dos eventos assistenciais (conta redutora). Desta forma, o faturamento das Operadoras de Plano de Saúde não é encontrado apenas nas rubricas contábeis do Grupo 3 - Contas de Receitas. Por sua vez a legislação geral sobre PIS e COFINS - Lei n. 9.718/1998- assim dispõe: Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 9º. Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I . co-responsabilidades cedidas; II . a parcela de contraprestação pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III . o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. A nomenclatura adotada pelo legislador, no que concerne as deduções passíveis da base de cálculo do PIS e da COFINS foram tomadas das definições encontradas nos contratos de seguro4 e, por esse motivo, deve ser interpretada em conformidade. Assim, é possível afirmar que: 1) Sobre o inciso I - Co-responsabilidade cedida é o repasse total ou parcial do risco contratado e da mensalidade do contrato respectivo de uma operadora para outra (na modalidade conhecida como intercâmbio). São consideradas congêneres Operadoras de Plano de Saúde credenciadas contratadas de forma indireta, mas que são do mesmo gênero que a OPS contratante. As congêneres são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de 4 Art. 757 do Código Civil de 2002. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.724220/2012-36 Acórdão n.º 3302-003.134 S3-C3T2 Fl. 878 9 assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários do plano de saúde contratante O dispositivo legal permite que sejam excluídos da base de cálculo os valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários das Operadoras de Plano de Saúde contratante, do que se conclui, por óbvio, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram na hipótese de isenção do inciso I. Vale destacar que o pagamento aos credenciados é feito mensalmente pelos eventos ocorridos, enquanto o pagamento aos congêneres é feito mensalmente mas apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congênere. 2) Sobre o inciso II - auto explicativo. 3) Sobre o inciso III - indenização deve ser compreendida como o pagamento das despesas decorrentes dos eventos/sinistros ocorridos e contratualmente previstos. Assim, o montante pago em decorrência da utilização do plano de saúde pelo usuário poderá ser abatido da base de cálculo das referidas contribuições, deduzido do valor eventualmente recebido pelo atendimento do beneficiário. Sobre essa questão, trago a conhecimento trecho do voto condutor proferido no julgamento do Processo Administrativo n. 13971.002373/2004-11, de onde foi lavrado o Acórdão n. 3302-001.765, oportunidade na qual a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas leciona: "Em termos técnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espécie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque a redação do 'inciso I' do citado § 9º, menciona que serão excluídos da base os valores referentes à 'co-responsabilidade cedida'. Trata, portanto, de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite que sejam excluídos da base de cálculo dos valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários da OPS contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram neste 'inciso 1'. No Plano de Contas adotado pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente - e por isso mesmo não costuma gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3.1.1.7 e 3.1.1.8. São os CUSTOS COM CONGÊNERES e estão classificados no Grupo 3, relativo às contas de RECEITAS. A mera análise do Plano Contábil é suficiente para constatar-se que, na prática, este valor seria naturalmente deduzido do montante das Receitas, uma vez que se trata de uma 'conta redutora' de receita, com a necessária aposição do sinal negativo, melhor dizendo, valor inverso ao das contas de receitas, verbis: Fl. 882DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 CONTA: 3.1.1.7 (-) CONTRAPRESTAÇÃO DE CORRESPONSABILIDADE TRANSFERIDA DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR. A providência legislativa, portanto, ao definir a exclusão da conta 3.1.1.7, responsável pelo registro do 'custo' com a contratação de congêneres como prestadores de serviços, ajustou o valor da base de cálculo do PIS e da COFINS das OPS, retirando do total faturado o montante 'repassado' (pago ou prometido pagar) aos terceiros que 'assumiram' a assistência de determinados beneficiários" (grifos nossos). Essa interpretação foi patenteada com a edição da Lei n. 12.873, de 24 de outubro de 20135, que assim dispõe: Art. 19. A Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com as seguintes alterações: Art. 3º (...) § 9º - A. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9º entende-se o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida (grifos nossos). Inconteste, portanto, que os valores que podem ser deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS são os decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindo-se neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora. Não deve prevalecer a interpretação restritiva adotada pelo agente fiscal. 2. 2. DESCONTOS INCONDICIONAIS Sobre as deduções realizadas pela contribuinte da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que defendem serem descontos incondicionais, assim se pronunciou a autoridade fiscal (fls. 339/340): "Adicionalmente, em atendimento ao Termo de Reintimação Fiscal (fls. 263 e 264), a fiscalizada anexa documentos para comprovar supostos descontos incondicionados concedidos pela mesma, conforme alegou em atendimento ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 265 a 327), com resposta protocolada em 06/08/2012, onde argumenta que os valores constantes dos lançamentos contábeis efetuados nas contas contábeis do grupo 3119 referem-se a descontos incondicionados. A verificar os históricos dos respectivos lançamentos 5 Resultado da conversão da Medida Provisória n. 619/2013 em lei. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.724220/2012-36 Acórdão n.º 3302-003.134 S3-C3T2 Fl. 879 11 contábeis e os documentos apresentados constata-se que tais valores referem-se a comissões pagas e não a descontos incondicionais. Conforme cópia do Termo de acordo anexa a resposta protocolada em 27/08/2012 (fls. 265 a 327), bem como os demais documentos juntados não conferem com as manifestações da contribuinte. Os valores lançados na escrituração contábil nas contas contábeis do grupo 3119 (razão fls. 240 a 250) e deduzidos da receita auferida pela contribuinte nas planilhas, apresentadas à fiscalização como 'outras deduções das Contraprestações - AP', referem-se, em realidade, a comissões pagas aos clubes de diretores lojistas ou sindicatos conforme os próprios históricos contábeis registram. (...) Em sua resposta protocolada em 27/08/2012, a contribuinte somente apresentou cópia do Termo de Acordo firmado com a CÂMARA DE DIRIGENTES ASSOCIADOS DE NOVO HAMBURGO e demonstrativos correspondentes aos períodos solicitados. Afirmou que 'este desconto é concedido às CDLs (Câmaras de Dirigentes Lojistas), referente prestação de serviços de orientação, assessoramento e informações aos clientes do plano de saúde, conforme Termo de Acordo. Conforme consta no Termo de Acordo anexado a resposta protocolada em 27/08/2012 (fls. 267), CDL e Unimed firmaram contrato para oferecimento de planos de saúde aos associados da primeira. Para tanto, eram emitidos boletos em nome de cada associado, tendo como cedente a CDL, ou seja, o valor efetivamente desembolsado por seus associados a título de plano de saúde eram por ela mesmo percebidos. Concomitantemente, a Unimed emitia, como cedente, bloqueto único para que a CDL arcasse com o montante dos valores devidos por seus associados. Sobre tal valor era concedido um desconto financeiro de 10%, sendo que CDL arcaria com a eventual inadimplência de seus associados. Em resumo, não se tratam de descontos incondicionados cedidos, mas simples comissões por 'prestações de serviços de orientação, assessoramento e informações', conforme resposta da própria fiscalizada. Percebe-se que CDL recebe comissão de 10% ao intermediar os contratos de planos de saúde entre seus associados e Unimed. Os reais tomadores dos serviços de saúde, os associados da CDL, pagam faturam individual com valor integral da mensalidade à CDL, pois para estes a contratada (UNIMED) emitiu cobrança individual, sem qualquer desconto" (grifos no original). Nas razões de defesa oferecidas pela contribuinte em suas impugnações, defende que "por conta do contrato, concedia desconto financeiro ao contratante, devolvendo- lhe valores e não lhe remunerando serviços" (fl. 381) e, por esse motivo, as glosas incidentes sobre os descontos incondicionados seriam indevidas. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 A instância de origem, ao apreciar os argumentos defendidos pela contribuinte, decidiu por manter o entendimento da autoridade fiscalizadora, já que (fl.709): "Intimada a apresentar notas fiscais/faturas que comprovassem a concessão dos descontos incondicionais, a cooperativa não o fez. Atente-se que existe dispositivo normativo (IN SRF n. 51, de 1978) que regula a questão, constatando que tais descontos são parcelas redutoras do preço de venda, devendo, dessa forma, constar da nota fiscal de venda dos bens ou na fatura de serviços, não dependendo de evento posterior. (...) Não bastasse isso, a própria cooperativa, atendendo intimação do Fisco, afirmou que este desconto é concedido às CDLs (Câmaras de Dirigentes Lojistas), referente prestação de serviços de orientação, assessoramento e informações aos clientes do plano de saúde, conforme Termo de Acordo. Observa-se que previsões contratuais entre as partes não tem o condão de contrariar as normas tributárias vigentes, seja para alterar a responsabilidade pelo pagamento de tributos, seja para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes, consoante o art. 123 do CTN". A contribuinte reitera seu posicionamento no recurso voluntário, oportunidade em que sustenta que "por conta do contrato, concedia desconto financeiro ao contratante, devolvendo-lhe valores e não lhe remunerando serviços. Em vista disto, não comparece receita operacional na autuada, para fins tributários, já que não decorre de prestação de serviços da própria autuada" (fl. 743). No entanto, a recorrente não colaciona documentos aptos a ensejar a alteração do entendimento consignado no acórdão recorrido. Sobre o assunto, é certo que os descontos incondicionais são excluídos da receita bruta - montante sobre o qual é exigido o PIS e a COFINS - diante da disposição expressa no inciso I, § 2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, a qual transcrevo: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, § 1º Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º. excluem-se da receita bruta: I. as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados -IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.(grifos nossos) Fl. 885DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.724220/2012-36 Acórdão n.º 3302-003.134 S3-C3T2 Fl. 880 13 Logo, para ter direito à exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores descontados incondicionalmente, a recorrente deveria comprovar que estes valores se enquadram no permissivo acima transcrito. O art. 16, § 4º do Decreto n. 70.235/1972 determina que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito da impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. No entanto, apesar de intimada a apresentar a documentação que entendesse relevante para a defesa de seus argumentos em decorrência da diligência ordenada, a contribuinte quedou-se inerte. Tendo em vista que a recorrente não apresentou provas ou fundamentos que comprovassem terem sido concedidos descontos incondicionados, entendo deve ser mantida a autuação fiscal nessa parte. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo das contribuições o valor das indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, incluindo-se neste total os valores correspondentes aos beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência assumida. Lenisa Prado - Relatora Fl. 886DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 30/06/20 16 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 16832.000176/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS DE INTERESSE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A não apresentação de documentos de interesse para o lançamento ou sua apresentação deficiente constitui infração e justifica o arbitramento de contribuições previdenciárias, assumindo o contribuinte o ônus da prova.
Numero da decisão: 2301-004.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS DE INTERESSE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A não apresentação de documentos de interesse para o lançamento ou sua apresentação deficiente constitui infração e justifica o arbitramento de contribuições previdenciárias, assumindo o contribuinte o ônus da prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
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INFRAÇÃO. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A não apresentação de documentos de interesse para o lançamento ou sua apresentação deficiente constitui infração e justifica o arbitramento de contribuições previdenciárias, assumindo o contribuinte o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente a Conselheira Nathália Correia Pompeu. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 76 /2 00 8- 74 Fl. 959DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal realizado em 23/12/2008 para constituição de crédito sobre abono e comissões pagas a segurados empregados. Restou no lançamento apenas a contribuição sobre as comissões pagas em 12/2003. Como a recorrente não apresentou os documentos necessários para que a fiscalização verificasse a natureza jurídica das parcelas e a base de cálculo correspondente aos fatos geradores, foi utilizada a técnica de arbitramento de valores. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA ONUS DA PROVA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, o que se constitui em presunção legal relativa, cumpre ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 30, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 148 do CTN. CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. É devida a contribuição à Seguridade Social incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados (art.22, I e II da Lei 8.212/91). Entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades (art. 28, inciso I, da Lei n. 8.212/91). ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: 7.2. O auditor fiscal considerou a política de remuneração aplicada em 2008 para arbitrar as comissões em 2003, desconsiderando os valores informados nas folhas de pagamento, por entendêlos "irrelevantes". Não ha fundamento jurídico para a utilização deste instituto. O arbitramento é uma exceção A regra da apuração efetiva da base de calculo. O art.148 do CTN bem como o art. 33 da lei 8.212/91 determinam que a aferição indireta será utilizada quando os esclarecimentos prestados pelo contribuinte ou quando os documentos não merecerem fé. 7.3. As contribuições incidentes sobre os valores pagos a titulo de comissão do período de 2001 a 2004 já foram objeto do Lançamento de Débito Confessado n° 37.005.4717 Fl. 960DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16832.000176/200874 Acórdão n.º 2301004.466 S2C3T1 Fl. 960 3 7.4. Os pagamentos supostamente omitidos pela impugnante a titulo de Abono de Sindicato e Abono Salarial não se configuram como fatos geradores da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28 § 90, alínea e, item 7° da Lei 8.212/91. Ademais não são habituais. É o Relatório. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 962DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16832.000176/200874 Acórdão n.º 2301004.466 S2C3T1 Fl. 961 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto ao processo de parcelamento alegado, até a presente peça recursal o recorrente não apresentou provas de que se tratavam das mesmas parcelas salariais. Não há como confirmar se os prêmios mediante cartões coincidem com as comissões de venda objeto do lançamento de ofício. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 16832.000176/200874 Acórdão n.º 2301004.466 S2C3T1 Fl. 962 7 No mérito Como já ressaltado no relatório, somente restou o exame da parcela correspondente às comissões de venda, pois não foi lançado o abono para o mês de 12/2003. Quanto à infração, ficou suficientemente demonstrado nos autos do processo que a recorrente deixou de exibir os documentos solicitados através de intimação e não trouxe qualquer contraprova que demonstrasse a não incidência. Ressaltase que a fiscalização fez incidir a contribuição sobre uma parcela cujo título atribuído pelo recorrente, “comissões”, denota sua natureza salarial; portanto, não houve qualquer arbitrariedade. Outro ponto é que o próprio recorrente alega, embora não demonstre, que se trata da mesma parcela que ele anteriormente teria confessado como sujeito à incidência da contribuição previdenciária. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 965DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/03/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11065.722339/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012
AS FALTAS QUE JUSTIFICAM A INFRAÇÃO E A APLICAÇÃO DAS MULTAS. VÃO ALÉM DAS FALTAS QUE A RECORRENTE DIZ SEREM INEXISTENTES. O AGENTE LANÇADOR DEMONSTROU EM SEU RELATÓRIO FISCAL UM ROL DE FALTAS PARA CADA UMA DAS INFRAÇÕES, SUBSISTINDO ASSIM A APLICAÇÃO DA MULTA. AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO É VEDADO APRECIAR A INCONSTITUCIONALIDADE. A SELIC E ADMITIDA NA SEARA TRIBUTÁRIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012 AS FALTAS QUE JUSTIFICAM A INFRAÇÃO E A APLICAÇÃO DAS MULTAS. VÃO ALÉM DAS FALTAS QUE A RECORRENTE DIZ SEREM INEXISTENTES. O AGENTE LANÇADOR DEMONSTROU EM SEU RELATÓRIO FISCAL UM ROL DE FALTAS PARA CADA UMA DAS INFRAÇÕES, SUBSISTINDO ASSIM A APLICAÇÃO DA MULTA. AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO É VEDADO APRECIAR A INCONSTITUCIONALIDADE. A SELIC E ADMITIDA NA SEARA TRIBUTÁRIA. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
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Recorrente MAICON RAFAEL DE VARGAS EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2012 AS FALTAS QUE JUSTIFICAM A INFRAÇÃO E A APLICAÇÃO DAS MULTAS. VÃO ALÉM DAS FALTAS QUE A RECORRENTE DIZ SEREM INEXISTENTES. O AGENTE LANÇADOR DEMONSTROU EM SEU RELATÓRIO FISCAL UM ROL DE FALTAS PARA CADA UMA DAS INFRAÇÕES, SUBSISTINDO ASSIM A APLICAÇÃO DA MULTA. AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO É VEDADO APRECIAR A INCONSTITUCIONALIDADE. A SELIC E ADMITIDA NA SEARA TRIBUTÁRIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 23 39 /2 01 2- 74 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 289 2 Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 290 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 51.015.3496, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, destinadas a outras entidades e fundos terceiros, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.015.3500 – CFL.30, deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Para órgão gestor de mãodeobra, referente ao trabalhador portuário avulso: Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafos 10, 11 e 12, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, como também o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.015.3518 CFL.56, deixar a empresa de inscrever segurado empregado conforme previsto na Lei 8.213, de 24.07.1991, art. 17, combinado com o art. 18, I e parágrafo 1, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, assim como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.015.3526 CFL.38, deixar a empresa, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, com a redação da MP 449, de 03.12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, 27.05.2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, e, ainda, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 51.015.3534 CFL.35, deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, e parágrafo 11, com redação da MP nº 449, de 03.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99., conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 16 a 20, com período de apuração de 01/2009 a 12/2011, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 26 e 27. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 06/06/2012, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 03, bem como, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 12 a 15. Consta, as fls. 58, Termo de Apensação (2), o qual informa que este processo foi juntado por apensação ao processo 11065.722338/201220, ocorrida, em 11/06/2012. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 291 4 O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 60 a 90, recebida, em 06/07/2012, conforme carimbo de recepção, de fls. 60, estando acompanhada dos documentos, de fls. 91 a 221. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0830.503 6ª, Turma DRJ/FOR, em 28/07/2014, fls. 229 a 235. A impugnação foi considerada procedente em parte e os créditos DEBCAD'S 51.015.3496; 51.015.3500 e 51.015.3518 foram exonerados. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 21/08/2014, conforme AR, de fls. 245. Consta, as folhas, 246, Termo de Desapensação (2), o qual informa que esse processo foi desapensado do processo nº 11065.722338/201220, em 23/09/2014. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, recebido, em 26/09/2014, com razões recursais, as fls. 250 a 265, desacompanhado de qualquer documento. Ressalto, que a peça recursal se encontra apresentada de forma duplicada, constando uma segunda peça com o mesmo teor juntada, as fls. 266 a 281. As teses recursais que comportam julgamento nesses autos estão a seguir declinadas, as que não comportam julgamento se esclarecerá no voto. Mérito. · que as despesas de energia elétrica estão englobadas no aluguel do imóvel, bem como tais contas foram devidamente apresentadas, sendo que o artigo 7º, da Lei 9.317/96 dispensa a recorrente de manter livros contábeis; · que relativa a despesa de água a fiscalizada é abastecida por poço artesiano, devendo ser afastada a multa do DEBCAD 51.015.3534; · Dos pedidos e requerimentos: a) que sejam as irresignações aceitas, bem como a decisão a quo seja reformada, visando o afastamento das autuações fiscais 51.015.3526 e 51.015.3534; b) exclusão da autuação da taxa SELIC devido a inconstitucionalidade; c) que seja excluída da atuação a aplicação da multa no percentual de 112,5%, uma vez que confiscatória, desproporcional e irrazoável, sendo reduzido a valor aceitável. A autoridade preparadora não se manifestou quanto a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 284 e 285. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 22/02/2015, Lote 01, fls. 286. É o Relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 292 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando que os demais requisitos de admissibilidade foram atendidos ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. Nos presentes autos discutisse apenas dois Autos de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD's 51.015.3526 e 51.015.3534, uma vez que os outros três foram exonerados quando do julgamento de primeiro grau. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 343/2015 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 293 6 Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Por fim, apenas para sedimentar de vez a impossibilidade do reconhecimento de inconstitucionalidade por órgão administrativo, basta ler o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF ao tratar da competência do Conselho Nacional de Justiça – CNJ que apesar de órgão da estrutura do judiciária exerce competência administrativa e não judicial, artigo 103B, parágrafo 4º, da CRFB/88. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. INADMISSIBILIDADE. ATRIBUIÇÃO ESTRANHA À ESFERA DE COMPETÊNCIA DESSE ÓRGÃO DE PERFIL ESTRITAMENTE ADMINISTRATIVO. ATUAÇÃO ULTRA VIRES. LEGITIMIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL.PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (PLENO). AUTOGOVERNO DA MAGISTRATURA, PRERROGATIVA INSTITUCIONAL DOS TRIBUNAIS JUDICIÁRIOS E AUTONOMIA DOS ESTADOSMEMBROS: LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS QUE NÃO PODEM SER DESCONSIDERADAS PELO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. LIMINAR MANDAMENTAL E A QUESTÃO DA INVESTIDURA APARENTE. PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA JURÍDICA, DA PROTEÇÃO DA CONFIANÇA E DA BOAFÉ OBJETIVA. CONSEQUENTE SUBSISTÊNCIA DOS ATOS ADMINISTRATIVOS E/OU JURISDICIONAIS PRATICADOS EM DECORRÊNCIA DO PROVIMENTO CAUTELAR, AINDA QUE EVENTUALMENTE DENEGADO O MANDADO DE SEGURANÇA. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. MEDIDA CAUTELAR DEFERIDA. D.2. Indevido exercício da atividade de controle de constitucionalidade e descumprimento do dever de zelar pelo cumprimento da LOMAN. Essa Suprema Corte, por diversas vezes, já declarou ser vedado ao CNJ o exercício de atividade de controle de constitucionalidade, por tratarse o Conselho de órgão com natureza administrativa. Nesse sentido, em recente decisão, proferida nos autos da medida cautelar no MS 32582, deixou claro o Ministro Celso de Mello que o CNJ não dispõe de competência para exercer o controle incidental ou concreto de constitucionalidade (muito menos o controle preventivo Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 294 7 abstrato de constitucionalidade) dos atos do Poder Legislativo. Inobstante, na hipótese presente, como já referido, para a prolação da decisão aqui combatida, o CNJ afastou do ordenamento jurídico pátrio o disposto no artigo 99 da LOMAN que, conforme esclarecido adiante, chancela de forma explícita a correção da atuação do primeiro impetrante , declarando uma suposta inconstitucionalidade do mesmo dispositivo e negando efeitos à sua vigência. Ademais, além do exercício indevido de atividade de controle de constitucionalidade, ao negar vigência a dispositivo da LOMAN, deixou o CNJ, ainda, de exercer competência indelével de zelar pelo cumprimento daquele estatuto, competência esta que lhe é conferida, também de forma explícita, pelo disposto no artigo 103B, § 4, inciso I, da Constituição: (STF MS: 32865 DF , Relator: Min. CELSO DE MELLO, Data de Julgamento: 02/06/2014, Data de Publicação: DJe108 DIVULG 04/06/2014 PUBLIC 05/06/2014) (promovi todos os destaques). Evidente, assim, que o CARF apesar de órgão judicante, mas por exercer essa competência apenas na função administrativa e não judicial não detém competência para o controle de constitucionalidade seja ele difuso ou concentrado. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de inconstitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Preliminar. Todavia, a constitucionalidade das normas pode e deve ser demonstrada. Inicialmente, todo projeto de lei que passou pelo processo legislativo constitucional e obteve aprovação no Congresso nacional, bem como sanção e promulgação, do Chefe do Executivo Federal, goza da presunção de constitucionalidade. A proporcionalidade e razoabilidade por certo foram examinados pelos membros do Congresso Nacional, os quais entenderam que o patamar de multa constante da norma era o adequado para punir a infração. Por fim, as duas multas remanescentes não estão tarifadas em função de percentual, mas sim em valor fixo determinado por lei anualmente, sendo que para os dois autos sobejantes cada um deles apresenta o valor de R$ 16.170,98, como se verifica nas Folhas de Rosto dos Autos de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 14 e 15. Mérito. DEBCAB 51.015.3526 A recorrente enganase ela não foi autuada só por deixar de apresentar livros contábeis. A não apresentação de livros contábeis é apenas parte da descrição da infração, mas essa descrição vai muito mais além, pois diz de forma clara, o que abaixo se transcreve. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 295 8 deixar a empresa de exibir livros e/ou documentos relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91.(grifei). No intuito de esclarecer de vez o contribuinte e descrever de forma clara a infração o agente lançador em seu REFISC, de fls. 16 a 20, no item 4.3, colacionado a seguir descreve quais os documentos não foram apresentados, basta uma simples leitura. 4.3 AI DEBCAD 51.015.3526: a empresa infringiu o disposto no artigo 33, parágrafos 2 e 3, da Lei 8.212/91, com redação da Medida Provisória 449/08, convertida na Lei 11.941/09, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por deixar de apresentar os seus Programas de Prevenção de Riscos Ambientais e de Controle Médico de Saúde Ocupacional, PPRA e PCMSO, respectivamente, dos anos de 2010 e 2011, os quais foram solicitados através do Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 1, datado de 27/03/12, bem como dos registros de empregados, contratos de trabalho, rescisões e controle de entrega de EPI dos segurados relacionados no relatório intitulado "AMOSTRAGEM RH", identificados como "NÃO" na coluna "Solicitação atendida", em anexo, solicitados através do TIF nº 1, datado de 27/03/12. (destaquei). Assim sendo, não há razão para acatar as teses e pedidos da recorrente nesse ponto. DEBCAB 51.015.3534 A falta de apresentação das faturas de energia elétrica, por estarem supostamente englobadas no custo do aluguel, bem como a ausência da apresentação das faturas de água, pois segundo diz a recorrente, ela possui poço artesiano dele fazendo uso, em nada altera a autuação, pois a não apresentação desses documentos não foram os únicos motivos para a aplicação e manutenção da multa, basta ver o que o agente lançador diz em seu REFISC, de fls. 16 a 20, item 4.4, que abaixo apresento. 4.4 AI DEBCAD 51.015.3534: a empresa infringiu o disposto na Lei 8.212/91, artigo 32, inciso III, com redação da Medida Provisória 449/08, convertida na Lei 11.941/09, combinado com o artigo 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por deixar de prestar as informações em relação aos documentos que originaram os lançamentos contábeis discriminados no relatório intitulado "AMOSTRAGEM 1", identificado como "NÃO" na coluna "Solicitação atendida", em anexo, solicitados através do TIF nº 1, de 27/03/12, bem como dos recibos, faturas ou notas fiscais de pagamento de água, energia elétrica e telefone efetuados pela empresa durante o período de apuração em exame, solicitados através do TIF nº 2, datado de 16/05/12. (negritei). Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 296 9 Ao se observar a planilha "Amostragem 1", de fls. 57, verificase que a aplicação da multa decorre de pelo menos dez infrações, como demonstra a planilha. Dessa forma, não há motivos para acatar as teses e pedidos da recorrente. No que tange a aplicação da taxa SELIC, embora a empresa peça sua exclusão sobre justificação de inconstitucionalidade essa impossibilidade foi registrada linhas atrás. Porém, independentemente, disso a Súmula 45, do extinto TFR admite a correção da multas. Súmula 45/TFR. Tributário. Multa fiscal. Sujeição à correção monetária. «As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária.» Além disso, a utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 297 10 O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 298 11 Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) Assim sendo, é improcedente e rejeito o pedido da recorrente. As multas remanescentes nesse lançamento como demonstrado acima são de valores fixos determinados pela legislação, não havendo no presente crédito a aplicação de multa no percentual de 112,5% como suscitado de forma equivocada pela recorrente, assim, aplicase a tese do divórcio ideológico do STF, como a seguir exposto. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11065.722339/201274 Acórdão n.º 2202003.275 S2C2T2 Fl. 299 12 Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) (fiz o destaque). O pedido deve ser rejeitado por impertinente, pois a matéria não é ventilada nesses autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000029/00-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. não abrangendo os gastos gerais de produção.
EMBARGOS. ACOLHIMENTO.
Demonstradas a omissão e a contradição da Resolução embargada, a desnecessidade do seu propósito e as condições para prosseguimento do julgamento, devem ser acolhidos os embargos e apreciado o recurso voluntário.
Numero da decisão: 3401-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reverter a conversão do julgamento em diligência, e, prosseguindo no julgamento, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: Relator Damião Cordeiro de Moraes
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INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. não abrangendo os gastos gerais de produção. EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Demonstradas a omissão e a contradição da Resolução embargada, a desnecessidade do seu propósito e as condições para prosseguimento do julgamento, devem ser acolhidos os embargos e apreciado o recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reverter a conversão do julgamento em diligência, e, prosseguindo no julgamento, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 29 /0 0- 20 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos por Conselheiro do CARF ao amparo do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face da Resolução nº 3401000.086, da sessão de 24 de abril de 2015 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ªSeção do CARF, que possui o seguinte dispositivo de conclusão: Resolução CARF 3401000.086 ...... A controvérsia gira em torno da definição dos critérios de enquadramento nos conceitos de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, com base nos artigo 1º e 3º da Lei n. 9.363/1996, e na verificação se os bens glosados pelos julgadores de 1º piso atendem ou não a esses critérios. Como se pode inferir, há necessidade de informações detalhadas de como esses bens e insumos glosados se integram e são aplicados e participam do processo de produção da contribuinte. Sendo assim, o colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a realização de perícia para obter essas informações, de modo que elas possam servir de subsídio para a apreciação do mérito e da controvérsia. Sublinho que se deve observar o que dispõe o Decreto n. 70.235, de 1972, para a realização de diligência e perícia. Sejam os autos remetidos à unidade administrativo fiscal de jurisdição para atendimento. Acordam os membros do colegiado, por maioria, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Robson José Bayerl. Entende o Embargante que a decisão embargada contém omissão e contradição verificados em seu conteúdo, pois: ela deixou de reconhecer que os Julgadores do 1ºpiso, em 19/03/2004, Acórdão 07.621 (fls. 293) anularam decisão administrativa anterior, por entenderam que houve afronta ao contraditório e à ampla defesa, e encaminharam o processo de volta, para nova decisão; e que a autoridade administrativa, antes de proferir nova decisão, determinou nova e detalhada diligência fiscal nos registros da contribuinte; e que o resultado dessa diligência consta dos autos e supre o propósito da Resolução do CARF embargada. Em face destes elementos, a Embargante requer que seja conhecido e providos os Embargos, para o fim de que sejam sanadas a contradição e omissão apontados neste recurso. É, em apertada síntese, o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13204.000029/0020 Acórdão n.º 3401003.155 S3C4T1 Fl. 3 3 DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. A matéria objeto desses autos restringese ao enquadramento nos termos dos artigos 1º a 3º da Lei n. 9.363, de 1996, para fins de apuração de crédito presumido de IPI de bens usados no processo de fabricação da contribuinte. O colegiado de 2ª instância, na sessão de 23 de abril de 2014, em seu relatório, informou que a decisão da autoridade de jurisdição teria sido a proferida às fls. 60/62, com os seus fundamentos, conforme se pode ver nos seguintes trechos da Resolução embargada: Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT emitiu Parecer folhas 60/62 pugnando pelo indeferimento do pedido, com base na seguinte fundamentação: (i) que a requerente não instruiu seu pedido de ressarcimento com os tipos e valores dos insumos adquiridos; (ii) não foi juntada ao processo lista das notas fiscais de aquisição de insumos, nem indicação e comprovação dos produtos exportados; (iii) o pedido não atende ao requisito do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 69/2001; e, (iv) os débitos compensados indevidamente devem ser objeto de lançamento de ofício, conforme estabelece a legislação de regência. [...] A priori, a autoridade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido de ressarcimento por que a contribuinte teria deixado de lhe prover com informações detalhadas e com documentos comprobatórios. Indeferiu também por que o pedido conflitava com a IN SRF n. 69/2001. Ocorre que esta Resolução deixa de reconhecer que esta decisão da autoridade administrativa foi anulada pelos Julgadores de 1º piso e que foi realizada diligência fiscal, e os fundamentos do indeferimento original seriam outros, conforme se pode verificar nos autos e no relatório da própria decisão desses Julgadores de 1ª instância, in verbis: Em 19 03 2004, a 5ª Turma/DRJ/Recife, por meio do Acórdão n° 7.621 (fls. 289 294) anulou a Decisão de fl. 63, devido a cerceamento do direito de defesa, remetendose o processo à Delegacia da Receita Federal em Belém, para que fosse prolatada nova decisão e reaberto o prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Em nova diligência fiscal, com termo inicio em 07.07.2004, as autoridades tributárias emitiram parecer (fls 327331), demonstrativo de notas fiscais de insumos glosados (fls. 319321), demonstrativo de insumos glosados (fl. 322) e demonstrativo de notas fiscais de óleo combustível (fl. 323). Mormente com base em tais documentos, a Delegada da Receita Federal do Brasil em Belém proferiu novo despacho decisório (fls. 347352, frente e verso), no qual deferiu parcialmente o direito creditório de RS 1.127.435,43 e homologou tacitamente as compensações pleiteadas, na forma do artigo 29 da IN SRF n° 600/2005. O Colegiado de 2ª instância, na decisão embargada, entendeu pela necessidade de diligência e perícia para a obtenção de informações sobre como e em que extensão os bens glosados pelos julgadores a quo participam do processo de produção e em que extensão eles sofrem por causa disso. Mas essa Resolução deixou de explicitar que os Julgadores de 1º piso haviam negado nova perícia por que já havia sido realizada diligência Fl. 546DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 fiscal da qual resultaram as informações suficientes para o deslinde do contraditório. Vejamos o acórdão da DRJ a esse respeito: Do pedido de perícia 43. No que diz respeito a pedidos de perícia, cumpre esclarecer que a sua realização poderá ser indeferida quando prescindível ou impraticável, nos termos do art. 18, caput, do Decreto n°70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993. 44. Em relação ao ponto para o qual se projeta a perícia requerida, tenho que já constam dos autos todas as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão, razão pela qual, em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972, indefiro o pedido de perícia, por considerála prescindível para o julgamento da presente lide. Pareceme que os autos demonstram que os Julgadores do 1ºpiso, em 19/03/2004, Acórdão 07.621 (fls. 293) anularam o primeiro Despacho Decisório, por entender que houve afronta ao contraditório e à ampla defesa, e encaminharam o processo de volta, para nova decisão; e que a autoridade administrativa, antes de proferir nova decisão, determinou nova e detalhada diligência fiscal nos registros da contribuinte (fls. 306308). A autoridade fiscal abriu diligência e intimou a contribuinte a prestar informações (fls. 310), das quais destacamos: "para cada produto, responder se o insumo é matéria prima, produto intermediário ou material embalagem? informar detalhadamente em que fase do processo de fabricação dos produtos o insumo é utilizado. Informar se o insumo sofre desgaste ou alteração em função da ação direta exercida sobre os produtos em fabricação ou vice versa, oriunda de ação exercida diretamente pelo produto em fabricação. Descrição detalhada do processo produtivo com ênfase nas matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem na fabricação do produto final exportado." No autos consta que a autoridade fiscal colheu depoimento (fls. 314) do engenheiro de processos da empresa contribuinte detalhando o modo como os bens glosados participam do processo de produção. Portanto, há informações prestadas pelo engenheiro de processos da contribuinte que detalham como cada um dos bens usados como insumo, mas glosados pela autoridade fiscal, participam do processo de produção da contribuinte. A meu ver, a Resolução embargada foi omissa quanto a essas informações, conforme brevemente aqui demonstrado, e foi contraditória ao determinar a realização de diligência para a obtenção de informações que, s.m.j., já constam dos autos. Por isso, proponho a este Colegiado que essa omissão e essa contradição sejam conhecidas e superadas através da revisão da decisão embargada, para se concluir pela desnecessidade da realização de nova diligência e para se concluir pela possibilidade do prosseguimento do julgamento e apreciação do seu mérito. Prosseguimento do Julgamento e apreciação do mérito: A contribuinte ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A havia interposto recurso voluntário em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação constante da manifestação de inconformidade, referente a ressarcimento de créditos Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13204.000029/0020 Acórdão n.º 3401003.155 S3C4T1 Fl. 4 5 do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, bem como não homologou a compensação implementada pelo contribuinte. O pedido da contribuinte referese ao crédito instituído pela Lei nº 9.363/1996. De acordo com o Termo de Encerramento de Diligência folhas 58/59 a fiscalização informou que a contribuinte apresentou todos os livros e documentos necessários à realização dos trabalhos e concluiu que o valor constante do pedido de ressarcimento estaria correto. Mas, em posterior diligência, e baseado em informações técnicas prestadas pela contribuinte glosou parte dos créditos pretendidos por não terem os respectivos gastos se referirem a insumos, matérias primas ou embalagens que atendessem aos critérios da legislação do crédito presumido de IPI, quais sejam: Ácido Sulfúrico KMN4, Inibidor de corrosão / DEABORN e BETZDEARBORN, frete, óleo Diesel / Marítima e Óleo Combustível 1 A BPF. A contribuinte manifestara sua inconformidade, mas os julgadores a quo não acolheram suas alegações e mantiveram as glosas. O acórdão da decisão de primeira instância, que julgou a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa (fls. 448/449): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de sumula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ENTENDIMENTO DOMINANTE, DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, desde que não tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PRODUTO EM FABRICAÇÃO. AÇÃO DIRETA. O ressarcimento autorizado pelo artigo 1° da Lei n° 9.363/1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Entendese como insumos utilizados na fabricação de bens a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Solicitação Indeferida” Em seu recurso, a contribuinte discorre acerca da necessidade de reforma da decisão de primeira instância para reconhecer seu direito. Informa que não há qualquer omissão Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 por parte da recorrente relativa aos dados numéricos que se impõem para confronto dos débitos fiscais ressarcíveis. Tais informações são periodicamente fiscalizadas pelo próprio órgão Fazendário, ocasião em que são perscrutados os assentos contábeis, especialmente o Livro de Registro de Entradas e Saída de Mercadorias, Livro de Apuração de ICMS, em que são dispostos matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos e empregados pela recorrente, com base nas respectivas notas fiscais comprobatórias das correlatas operações de entrada e saída de produtos. Segue aduzindo que todos os elementos fiscocontábeis, ou seja, as notas fiscais de compra dos aludidos produtos, que consoante a legislação aplicável geram o crédito — presumido de IPI são e foram cotejados pela autoridade fazendária com a escrituração contábil mantida pela postulante de modo que quaisquer indícios de lançamento contábil inverídico, ou pedido de ressarcimento a maior, foram oportunamente aferidos. No que concerne à certeza e à liquidez dos créditos, a contribuinte enfatiza que todos os insumos glosados – quais sejam, Ácido Sulfúrico KMN4, Inibidor de corrosão / DEABORN e BETZDEARBORN, frete, óleo Diesel / Marítima e Óleo Combustível 1 A BPF – são essenciais à produção da alumina, não gozando de relevância alguma o fato de haver ou não contato físico deles, especialmente porque a legislação em instante algum o menciona como fator de exclusão ou inclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI. Ao final, requer a realização de perícia e que seja integralmente provido seu recurso. Não tendo havido contrarazões por parte da Fazenda Nacional, os autos haviam sido remetidos a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. DO DIREITO AO CRÉDITO PLEITEADO A Lei nº 9.363/1996 instituiu em nosso ordenamento jurídico o benefício fiscal de crédito presumido do IPI incidente sobre as aquisições no mercado interno de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) empregados na fabricação de produtos a serem exportados, como forma de ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins. Verificamos que os julgadores de 1º piso, no mérito, em 26/09/2007, Acórdão 019346 (fls. 468 e ss) indeferiram a solicitação da contribuinte de perícia (pois já havia sido realizada diligência fiscal e as informações obtidas já seriam suficientes ao julgamento) e indeferiram o pedido de ressarcimento. Eles mantiveram as glosas da autoridade fiscal, pois elas se referiam a gastos com bens que, em seu entendimento, não sofrem alterações, desgastes, danos ou perdas de propriedades em função de ação direta com relação ao produto em fabricação. Ao retroagirmos neste processo, vemos que o pedido de ressarcimento é de reconhecimento de crédito presumido de IPI (cita a Portaria MF n. 38/1997) e que ele foi entregue em 23/08/2000. Vemos ainda que a autoridade fiscal, em sua diligência, informou (Termo às fls. 6768, de 28/06/2001) ter verificado os registros da contribuinte e ter concluído pela correção do valor do pedido da contribuinte. Mas a autoridade administrativa de jurisdição indeferiu o pedido (Parecer 46/2003, de fls. 6467, de 17/02/2003) por que lhe faltava instrução de documentos comprobatórios e por que não atendia o prescrito no art. 5º da IN SRF n. 69/2001. Os Julgadores do 1ºpiso, em 19/03/2004, Acórdão 07.621 (fls. 293) anularam esse Despacho Decisório, por entender que houve afronta ao contraditório e à ampla defesa, e encaminharam o processo de volta, para nova decisão. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13204.000029/0020 Acórdão n.º 3401003.155 S3C4T1 Fl. 5 7 A autoridade administrativa, antes de proferir sua decisão, determinou nova e detalhada diligência fiscal nos registros da contribuinte (fls. 306308). A autoridade fiscal abriu diligência e intimou a contribuinte a prestar informações (fls. 310), das quais destacamos: "para cada produto, responder se o insumo é matéria prima, produto intermediário ou material embalagem? informar detalhadamente em que fase do processo de fabricação dos produtos o insumo é utilizado. Informar se o insumo sofre desgaste ou alteração em função da ação direta exercida sobre os produtos em fabricação ou vice versa, oriunda de ação exercida diretamente pelo produto em fabricação. Descrição detalhada do processo produtivo com ênfase nas matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem na fabricação do produto final exportado." A autoridade fiscal colheu depoimento (fls. 314) do engenheiro de processos da empresa contribuinte detalhando o modo como os bens glosados participam do processo de produção. Portanto, a meu ver, não há necessidade de novas diligências ou perícias. Há, neste processo, informações prestadas pelo engenheiro de processos da contribuinte que detalham como cada um dos bens usados como insumo, mas glosados pela autoridade fiscal, participam do processo de produção da contribuinte. Por isso proponho não seja dado acolhimento aos pedidos de realização de nova diligência e perícia, considerando as informações que constam dos autos. A autoridade fiscal indicou, com precisão, cada um dos gastos glosados e os motivos para essa sua decisão. Vejamos: 8) Em consonância com os itens 05 a 07 deste Termo, apresentamos a seguir a justificativa da glosa de cada produto, tendo em vista a realidade fática de aplicação e utilização de cada umj, com fulcro nas informações do processo produtivo apresentadas pelo contribuinte em sua resposta, fls. 76 a 83 e 87 a 96 e o Termo de Depoimento n.° 001/2004, fls. 84 a 86: a. Ácido Sulfúrico KMN4 serve para neutralizar os efluentes {resíduos líquidos) e limpeza dos trocadores de calor, não se incorpora e nem entra em contato com a alumina calcinada; b. Inibidor de Corrosão / DEABORN A 23, A, 35, B 85, U 10, U12, U 74, B 93, W 240 B, K 17, K 25, L 65 B, M 21 B, M 50, T 16, 2 25 Inibidor de Corrosão / BETZDEARBORN Y 100, M 23 B, L 22, L 23, L24, F 47, W 17 e W 15 são utilizados para tratamento da água a ser utilizada nas caldeiras e torres de resfriamento. Não entra em contato direto com a alumina; c. Óleo Diesel/Marítimo utilizado para préaquecimento das caldeiras e calcinadores, não entrando em contato direto com a alumina; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 9) ÓLEO COMBUSTÍVEL 1A BPF Este óleo é utilizado nas caldeiras para aquecer a água e gerar vapor, nesta utilidade não entra em contato com o produto alumina. É também utilizado como combustível na calcinação da alumina, sendo que nesta etapa do processo produtivo entra em contato com o produto em fabricação. 10) Em resposta à intimação constante das fls. 313 e 314, sobre a apresentação de registros contábeis e ficais que comprovem qual o percentual de utilização do óleo combustível em cada uma das etapas, o contribuinte sob diligência informou que o percentual de utilização do óleo combustível 1A BPF, para o 2.° trimestre de 2000, nas caldeiras é de 60% e na calcinação é de 40%. 11) Com base no exposto nos itens 09 e 10 acima e por se tratar de incentivo fiscal, com interpretação restrita, glosamos os valores requeridos em 60% referentes ao óleo combustível 1A BPF utilizado nas caldeiras e concedemos o restante conforme Demonstrativo de Notas Fiscais de Óleo Combustível, fls. 323. 12) Todas as referência a folhas contidas neste termo são relativas ao processo número Para a autoridade fiscal de jurisdição e para os julgadores a quo, nem todos os insumos consumidos ou utilizados na produção são matériasprimas ou produtos intermediários, de acordo com a legislação do IPI. Para tanto, é necessário que se consumam por decorrência de um contato físico, que , em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, esses insumos sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Contrariando as alegações da contribuinte, para a autoridade fiscal de jurisdição e para os julgadores a quo, os insumos Ácido Sulfúrico KMN4, Inibidor de corrosão / DEABORN e BETZDEARBORN, frete, óleo Diesel / Marítima e Óleo Combustível 1 A BPF, não têm uma relação direta sobre o produto em fabricação, mas, apenas, um contato indireto. Assim, eles os consideraram definitivamente excluídos. A contribuinte expõe seu entendimento contrário, de que a legislação base do crédito presumido não traz a limitação e a condição imposta pela autoridade fiscal. Em suas palavras, afirma a contribuinte: Entretanto, como já minuciosamente demonstrado supra, todos os insumos glosados, quais sejam, Ácido Sulfúrico KMN4, lnibidor de corrosão 1 DEABORN e BETZDEARBORN, frete, óleo Diesel / Marítima e óleo Combustível 1 A BPF, participam e são essenciais à produção da alumina, não gozando de relevância alguma o fato de que haja ou não contato físico dos mesmos, especialmente porque a legislação em instante algum o menciona como fator de exclusão ou inclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI. (...) Fl. 551DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13204.000029/0020 Acórdão n.º 3401003.155 S3C4T1 Fl. 6 9 Ora, à vista do arquétipo legal [art. 4º do RIPI], a primeira premissa irrefugivel é a de que a postulante desempenha processo industrial, em que a participação dos insumos como o inibidor de corrosão, o frete, e afins, é verdadeiramente imprescindível à produção da alumina. (...) "...os insumos glosados constituem um universo de elementos sem os quais não se chega à ultimação da alumina, pelo que fazem parte, integram, atrelamse e imbricados estão ao processo de industrialização daquele produto. (...) "... a previsão contida no regulamento do IPI o Decreto n.° 83.263/1979 em seu artigo 66, aponta precisamente na direção que a subsistência de crédito decorrerá da circunstância de que os produtos intermediários — e não os insumos em contato direto com o produto final — matéria prima e material de embalagem, sejam consumidos no processo de industrialização, ainda que não incorporados ao novo produto. (...) Exatamente por isso, inclusive o serviço de transporte dos produtos, por se tratar de operação voltada a viabilização da operação de industrialização e ulterior exportação do alumínio, portanto imprescindível à ultimação do processo industrial, revelase igualmente idônea a gera: créditos presumidos de IPI, gerando 'o abatimento do PIS/PASEP e COFINS incidentes nas aquisições destes mesmos produtos. A finalidade maior de dispositivo constitucional em teor é de exportar produtos, e não tributos. (...) A energia elétrica e os combustíveis, embora não integrem o produto final, são produtos intermediários consumidos durante a produção e indispensáveis à mesma. Sendo assim, devem integrar a base de cálculo a que se ,. refere o art. 2° da Lei n.° 9.363/96. O RIPI é claro ao estabelecer que está abrangido dentro do conceito de matériaprima e de produto intermediário os produtos que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". De fato, é a legislação do IPI que oferece as fontes para os conceitos chave para a disciplina e aplicação do crédito presumido estatuído pela Lei n. 9.363/1996. (parágrafo único do art. 3º da Lei n. 9.363/1996) O entendimento atualmente consolidado neste Tribunal esposa o critério de que deve haver o contato direto da matéria prima ou do produto intermediário com o produto em fabricação para que faça jus ao crédito presumido. Assim podemos ver esse entendimento compondo a Súmula CARF 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n.º 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Sublinho minha interpretação que a exigência posta pela Lei não restringe que esse requisito seja cumprido no contato direto somente com o produto final, mas também com o produto em fabricação. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 Após ler as informações técnicas prestadas pela contribuinte, não encontrei dado que pudesse indicar que os elementos glosados tivesse contato direto com o produto em fabricação, desde a bauxita (como matéria prima), até sua transformação como alumina. E essas minhas considerações abrangem os serviços de frete e os combustíveis, além dos nominados Ácido Sulfúrico KMN4, Inibidor de corrosão / DEABORN e BETZDEARBORN, óleo Diesel / Marítima e Óleo Combustível 1 A BPF (60% referentes ao óleo combustível 1A BPF utilizado nas caldeiras). Assim, somente posso concluir que as glosas estão corretas e devem ser mantidas. Ademais, a recorrente não logrou demonstrar sua integração e contato direto com o produto em fabricação, razão por que proponho, além do acolhimento dos Embargos, o não provimento do recurso voluntário. (assinatura digital) Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira – Relator Fl. 553DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Numero do processo: 11968.000848/2009-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 25/02/2009 a 15/05/2009
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.718
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 25/02/2009 a 15/05/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 25/02/2009 a 15/05/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 48 /2 00 9- 73 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 502 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.846. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 502DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 503 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 503DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 504 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 505 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 505DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 506 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 506DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 507 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 508 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 508DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 509 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 510 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 510DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 511 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 511DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11968.000848/200973 Acórdão n.º 9303003.718 CSRF‐T3 Fl. 512 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 512DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10380.724825/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010
RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA.
O pedido de restituição não é o procedimento previsto em lei para a revisão de crédito tributário lançado de ofício e quitado por pagamento. Somente há crédito passível de restituição se configurado o pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 1401-001.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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PAGAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. O pedido de restituição não é o procedimento previsto em lei para a revisão de crédito tributário lançado de ofício e quitado por pagamento. Somente há crédito passível de restituição se configurado o pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 48 25 /2 01 0- 20 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.724825/201020 Acórdão n.º 1401001.467 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 381385: Trata o presente processo do Pedido de Restituição protocolizado sob o nº 00860.38518.090710.1.2.049056, de fls. 02/04, apresentada por meio eletrônico em 09/07/2010, através da qual a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública no valor original total de R$8.436.420,83, decorrente de pagamento a maior ou indevido de parte do valor de um Darf recolhido em 11/08/2005, sob o código 2973, o qual estaria relacionado a crédito tributário constituído através de lançamento de ofício. 2. A interessada juntou aos autos a petição de fls. 31/58, na qual esclarece os fundamentos de fato e de direito relacionados ao seu pedido de restituição. 3. Com base na Informação Fiscal de fls. 166/167 a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza proferiu o Despacho Decisório de fl. 169, o qual indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações porventura a ele vinculadas. Os fundamentos citados na mencionada Informação Fiscal são os seguintes: 3.1. Que a restituição pleiteada alberga sua origem em suposto pagamento a maior ou indevido relacionado a auto de infração lavrado em seu desfavor e já quitado com as reduções legais pertinentes e, por conseqüência, não contestado em momento oportuno. Portanto, após a quitação com as reduções previstas em lei, o crédito tributário tornase definitivamente extinto, não podendo a contribuinte, a posteriori, usar pedido de restituição para demonstrar suposto indébito daquela natureza, transformando a restituição como sucedâneo da impugnação administrativa, na forma prevista nas leis instituidoras do processo administrativo tributário; 3.2. Que o DARF inserido no documento encontrase totalmente utilizado, não restando saldo credor passível de restituição; 3.3. Que o fundamento apresentado pela requerente não se encaixa em nenhuma das hipóteses positivadas pelo art. 165 do CTN, porquanto o pagamento do auto de infração não foi realizado de forma espontânea, não houve erro de identificação do sujeito passivo, tampouco dos elementos que compõe o lançamento e não houve reforma, anulação de decisão condenatória. O CTN autoriza, tão somente, o sujeito passivo receber o que foi pago indevidamente nas situações por ele normatizadas; 3.4. Que o PAF nº 10380.000146/200502, assentado em seu requerimento, foi impugnado pelo requerente e julgado Fl. 609DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.724825/201020 Acórdão n.º 1401001.467 S1C4T1 Fl. 4 3 parcialmente procedente. No entanto, somente no que se refere à multa de ofício em relação às diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrente de compensação indevida ou não comprovada. O fato em si não tem qualquer relação com o pedido de restituição em exame, o qual se refere ao PAF nº 10380.005783/200567, e, mesmo que tivesse, não se aplicaria ao presente caso, já que a requerente não o impugnou, como já exposto, no prazo legal estabelecido; 3.5. Que quando da lavratura daquela peça (AI), a interessada foi intimada a recolher os tributos e multas ou a impugnar, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência, nos termos dos arts. 5º, 15, 16 e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, usando da faculdade permitida pela lei, a interessada optou pelo pagamento do tributo e das multas com as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 1991 e art. 44, §3º da Lei nº 9.430, de 1996 e, conseqüentemente, foi extinto o crédito tributário, ao teor do que dispõe o art. 156, inciso I, do CTN; 3.6. Que as razões apresentadas neste processo não têm o condão de demonstrar indébito tributário oriundo de pagamento vinculado à quitação do auto de infração regularmente notificado. Essas razões deveriam ter sido apresentadas como impugnação no prazo legal estabelecido. Não tendo sido feito, precluiu o direito de a impugnante fazêlo utilizando, para isso, pedido de restituição. Ademais, a quitação do AI ocorreu em 11/08/2005, no entanto, somente em 09/07/2010 a contribuinte entendeu ser indevido o referido pagamento. Portanto, como já mencionado linhas atrás, o pedido de restituição em comento não pode ser utilizado para contrapor a um lançamento através de auto de infração já quitado sob alegação de que a multa proporcional aplicada sobre o tributo teria sido indevida. 4. Inconformada, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 180/212, na qual alega, em síntese, o seguinte: 4.1. Que é tempestiva a manifestação de inconformidade, haja vista que foi intimada em 04/01/2011 e a mesma foi protocolada em 31/01/2011; 4.2. Que busca o recebimento de valores pagos a título de multa proporcional aplicada sobre a totalidade do tributo, multas isoladas sobre estimativas não pagas e multas isoladas pela falta de recolhimento da multa de mora, todas relacionadas ao Auto de Infração de 12.07.2005, o qual exige, entre outros, crédito tributário da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; 4.3. Que apesar do teor da Informação Fiscal exarada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort), segundo a qual "constatase que o fundamento apresentado pela requerente não se encaixa em nenhuma das hipóteses positivadas pelo CTN, porquanto o pagamento do auto de infração não foi realizado de forma espontânea (...)", não é esse entendimento que deve prevalecer porque o que, em qualquer situação, é necessário é o Fl. 610DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.724825/201020 Acórdão n.º 1401001.467 S1C4T1 Fl. 5 4 pagamento, sendo indiferente que este tenha sido efetuado porque houve cobrança ou porque alguém, sem nenhuma ação do fisco, procedeu ao recolhimento indevido a título de tributo; 4.4. Que não prospera o argumento do ente fazendário de que não houve contestação em momento oportuno, uma vez que o fato de ter quitado a dívida por completo não significa confissão de débito ou renúncia ao direito de irresignaçao posterior. Alega que pagou os referidos valores em demonstração ostensiva de conduta de boafé objetiva, tendo, portanto, direito de receber a importância paga indevidamente ou a maior, manifestando inconformismo posterior, seja na via administrativa ou judicial. Diz ainda que o crédito tributário pago indevidamente só se torna definitivamente irrestituível decorrido o prazo de cinco anos após o pagamento sem que o contribuinte exerça seu direito de restituição. Temse, portanto, que o pagamento indevido não encerra o direito à contestação, mas inicia o prazo para reclamálo, nos moldes do artigo 168 do CTN; 4.5. Que já teria se verificado a decadência do direito do Fisco apurar e lançar as multas isoladas sobre estimativas não pagas, tendo em vista que o lançamento somente se deu em 12/07/2005 e os fatos geradores da multa isolada das estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2000 ocorreram quando da apuração da estimativa mensal da CSLL, ou seja, no último dia do correspondente mês, e não quando do término do ano calendário. Assim, já teriam passados mais de 05 (cinco) anos da data dos correspondentes fatos geradores. Entende a interessada que não há como se pretender adotar para a multa isolada sobre as estimativas, prazo de decadência distinto do prazo do tributo ao qual está vinculada; 4.6. Que, não obstante sua atuação no sentido de invalidar a multa ilegal, é dever da própria administração pública anular seus atos que sejam eivados de ilegalidade. Esse é o comando geral emitido pelo princípio da autotutela, que estabelece no âmbito da administração pública o poderdever de controlar seus próprios atos, seja por provocação do particular ou de ofício, revendoos e anulandoos quando houverem sido praticados com alguma ilegalidade; 4.7. Que não há previsão legal para exigir a multa isolada sobre estimativas. Aduz que o art 44, § 1º, IV, da Lei n° 9.430/96 (que embasou a cobrança da multa no Auto de Infração) prevê o lançamento de ofício quando da falta de pagamento ou recolhimento de tributo. Entretanto, no caso em questão não houve falta de pagamento ou recolhimento do tributo na estimativa, mas sim compensação não homologada pelo Fisco. Entende que, encerrado o período de apuração do Imposto de Renda, cessa a eficácia da exigência de recolhimentos por estimativa, porquanto prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado com base no lucro real, restando, nesta situação, improcedente a cominação de multa isolada sobre a estimativa; Fl. 611DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.724825/201020 Acórdão n.º 1401001.467 S1C4T1 Fl. 6 5 4.8. Que de acordo com o art 18 da Lei n° 10.833/03, no âmbito dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, caso o Fisco constatasse que determinada compensação foi indevida ou desprovida de prova, poderia, com o conseqüente lançamento de ofício, impor a multa punitiva prevista no art. 44, da lei n° 9.430/96, somente nas hipóteses indicadas no art. 18, quais sejam: a) o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal; b) o crédito ser de natureza não tributária; ou c) ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio, definidas nos arts. 71 a 73, da Lei n° 4.502/64, respectivamente. Porém, alega que não se vislumbra na autuação combatida a indicação de qualquer das hipóteses legais constantes do art. 18, da Lei n° 10.833/03, que permitisse aplicar a multa isolada na estimativa. Argumenta ainda que o aludido dispositivo, que restringe a aplicação da multa punitiva, aplicase também aos atos ou fatos pretéritos, já que mais benéfico ao contribuinte, nos termos do art. 106, II, "a", do CTN; 4.9. Que o mencionado art. 18 da Lei n° 10.833/03 teve sua redação alterada pela Lei n° 11.051/04 posteriormente ao lançamento da multa ora combatida. Com a nova redação, constatando o Fisco que a compensação feita pelo contribuinte foi indevida ou desprovida de prova, somente poderia aplicar a multa isolada nos casos de prática de sonegação, fraude ou conluio, definidas nos arts. 71 a 73, da Lei n° 4.502/64, e nos casos de compensação considerada não declarada. Assim, mesmo considerandose a redação do art. 18 da Lei n° 10.833/03 dada pela Lei n° 11.051/04, não se enquadraria em qualquer das hipóteses mencionadas, conforme reconhecido pelo Acórdão de n° 8.906 exarado em 10.08.2006 pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), referente processo n° 10.380.000146/200502, em situação de todo assemelhada ao presente caso, no qual decidiuse em primeira instância pela exoneração da multa de 75% aplicada sobre a totalidade do imposto recorrido; 4.10. Que requer a reforma do Acórdão recorrido para reconhecer a inexistência de fundamento legal para a aplicação da multa isolada na estimativa, e, no tocante às multas punitivas, já que viciado por desvio de finalidade, por ter aplicado multas com efeito confiscatório, atitude que demonstra o patente interesse do Fisco em arrecadar, e não em coibir supostas condutas tidas como infrações tributárias; 4.11. Que caso o Acórdão recorrido não seja reformado à luz do requerimento acima, mister a redução do percentual da multa aplicada para, no máximo, 20% (vinte por cento) sobre o valor do CSLL (Estimativa e ajuste anual de 2000, 2002 e 2003), por ser este o limite máximo permitido pela doutrina e pela jurisprudência, já que, no percentual aplicado (75% sobre o valor do CSLL apurado), repitase, é confiscatória, violando ao art 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.724825/201020 Acórdão n.º 1401001.467 S1C4T1 Fl. 7 6 A 6ª Turma da DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade e, consequentemente, indeferiu a restituição pleiteada, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 380: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO E DEFINITIVAMENTE CONSITUTUÍDO ADMINISTRATIVAMENTE. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO A MAIOR. O pedido de restituição não é o procedimento previsto em lei para a revisão de crédito tributário lançado de ofício e quitado por pagamento. Somente há crédito passível de restituição se configurado o pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 21/03/2014, conforme AR de fls. 594 e apresentou em 15/04/2014 o recurso voluntário de fls. 389413), reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.724825/201020 Acórdão n.º 1401001.467 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, trata o presente processo de pedido de restituição de parte de pagamento relacionado ao auto de infração objeto do processo administrativo fiscal nº 10380.005783/200567, o qual versava sobre exigência de CSLL e acréscimos legais, além de multa isolada. Importante frisar que o lançamento objeto do processo administrativo fiscal nº 10380.005783/200567 não foi impugnado pela contribuinte, que optou por quitar o crédito tributário lançado com as reduções previstas na legislação de regência. Ao apreciar esta questão, manifestouse com muita propriedade a decisão de piso, fls. 386: 8. Sobre a constituição do crédito e sua alteração, convém citar o art. 145 do CTN, o qual determina que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de impugnação, recurso de ofício ou iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. 9. Não tendo sido impugnado o lançamento, não há que se falar em recurso de ofício. Além disso, não se vislumbra qualquer iniciativa de ofício visando a alterar o lançamento efetuado, visto que não estão presentes quaisquer das hipóteses do art. 149 do CTN. Portanto, sobre aquele crédito tributário definitivamente constituído de ofício não se vislumbra mais qualquer tipo de alteração, seja em virtude de não se enquadrar em qualquer das hipóteses de revisão de ofício relacionadas nos art. 149 do CTN, ou porque a interessada não suscitou à época própria, mediante apresentação de impugnação ao lançamento, as discussões que agora procura restabelecer. 10. Assim, não cabendo mais alteração do valor lançado de ofício no auto de infração tratado no processo administrativo fiscal nº 10380.005783/200567, temse que o pagamento de que trata o Darf listado no Pedido de Restituição protocolizado sob o nº 00860.38518.090710.1.2.049056 não se configura como sendo pagamento a maior, inexistindo qualquer situação de fato ou de direito a ensejar restituição à interessada, que por isso deve ter o seu pedido indeferido. Em sua peça recursal, a contribuinte limitouse a repetir os argumentos anteriormente apresentados em sua manifestação de inconformidade. Seus argumentos, contudo, são insuficientes para se contrapor ao fato inquestionável de que o crédito tributário Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10380.724825/201020 Acórdão n.º 1401001.467 S1C4T1 Fl. 9 8 objeto do processo nº 10380.005783/200567 encontravase definitivamente constituído, razão pela qual não há que se cogitar da existência de algum indébito passível de restituição. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 1/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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