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Numero do processo: 10670.720010/2004-68
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IPI. COMPENSAÇÃO. As normas que regem a compensação são aquelas vigentes à data na qual o sujeito passivo a efetuou, informando ao Fisco por meio de DCOMP, e não aquele vigente à data de ocorrência dos fatos geradores dos quais originou-se o credito usado na compensação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-00.797
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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Segundo Conselho de Contribuintes hW-Segundo Conselho tle Contribuinte' n --11---1 Jur DIAIrlo MI da Mo Processo n2 : 10670.720010/2004-68 Recurso n2 : 129.516 Rubote Acórdão n2 : 204-00.797 Recorrente : COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS - COTEMINAS Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG IPI. COMPENSAÇÃO. As normas que regem a compensação 1 MIN. 011 FAZEMJA - 2° CC ,,, BRAS1L1A :d--jj I tr3 _i 06 são aquelas vigentes à data na qual o sujeito passivo a efetuou, CONFEREAgIVI 0 ÇR!SINAL informando ao Fisco por meio de DCOMP, e não aquele vigente à data de ocorrência dos fatos geradores dos quais originou-se o credito usado na compensação. -----~isro Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS — COTEMINAS. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2005. 4 7.4~ • .;",-,-4._ (2_4-.....,,,p. -...---...,-.,, enrique Pinheiro Torres Presidente I\I al- :SctilcrMnaá t! Rel ora • ' Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. 1 4 RN. DA FAZENDA - 2° CC 29 CC-MF-jtEir Ministério da Fazenda t"P ":; ••n;'Ç Segundo Conselho de Contribuintes CONFEREffip MUGIRA n. BRASÍLIA S/• Processo n2 : 10670.720010/2004-68 Recurso n2 : 129.516 ISTO Acórdão n2 : 204-00.797 Recorrente : COMPANHIA DE TECIDOS NORTE DE MINAS - COTEMINAS RELATÓRIO • Trata-se de DCOMP eletrônica, formalizada em 27/05/2004, cujos creditos utilizados na compensação são oriundos do pedido de ressarcimento formalizado no Processo n° 10670.000036/2003-13. O direito creditório foi reconhecido no montante solicitado pela empresa, todavia ao analisar a compensação efetuada a DRF em Montes Claros - MG computou os acréscimos legais aos tributos vencidos até a data da DCOMP apresentada, o que resultou em debitos não quitados por meio da citada compensação. Inconformada a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade alegando em sua defesa, em síntese: 1. a autoridade fiscal corrigiu os debitos da empresa nos termos da IN SRF n° 323/03, embora os fatos geradores da obrigação tributaria tenham ocorrido anteriormente à vigência desta instrução normativa; 2. na forma do disposto no art. 170 do CTN no caso de compensação somente pode ser reduzido o credito do sujeito passivo, na hipótese de credito tributário vincendo, não podendo tal redução ser maior que a correspondente a 1% ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento do tributo; e 3. pede a reforma do despacho decisório recorrido. A DRJ em Juiz de Fora - MG manifestou-se no sentido de indeferir a solicitação da recorrente, não homologando a compensação pleiteada. Cientificada em 22/02/05 a contribuinte interpôs recurso voluntário em 17/03/05, alegando em sua defesa: 1. protocolou pedidos de ressarcimentos de creditos oriundos do IPI e do IRPI, os quais foram julgados favoráveis à recorrente, e após a decisão acerca dos seus creditos protocolou DCOMP, efetuando a compensação de seus debitos com os creditos reconhecidos pela autoridade fazendária em processos próprios; 2. a autoridade fazendária, todavia, fez incidir no calculo relativo à compensação, juros moratórios sobre o tributo vencido até a data do protocolo da compensação, nos termos da IN SRF n° 323/03; 3. a IN SRF n° 323/03 não pode retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos; 4. até a edição da IN SRF 323/03 não havia previsão legal para incidência de juros e multa sobre os debitos a serem compensados, quando a compensação houver sido protocolada após o vencimento do tributo devido a ser compensado; e 2 Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 2Q CC 22 CC-MF -1:,,•2:-4 Fl. Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE.SOIM EIRASILIA °c/' l_ Processo : 10670.72001012004-68 Recurso ng : 129.516 VISTO Acórdão n2 : 204-00.797 5. na forma do disposto no art. 170 do CTN no caso de compensação somente pode ser reduzido o credito do sujeito passivo, na hipótese de credito tributário vincendo, não podendo tal redução ser maior que a correspondente a 1% ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento do tributo. É o relatório. 3 DA FAZENQA • Ce 22 CC-MF- Mstério da Fazenda af Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE IS. OM O Af1101,_ Fl. BRAS LIA ... Processo n2 : 10670.720010/2004-68 Recurso n2 : 129.516 vi to Acórdão n2 : 204-00.797 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANNITA - O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. A questão a ser tratada nestes autos diz respeito unicamente à correção dos débitos da recorrente até a data do protocolo da compensação, nos termos da IN SRF n° 323/03. Observe-se, primeiramente, que a DCOMP foi protocolada pela recorrente em 27/05/2004 quando já estava em vigor a IN SRF 323/03. No caso de compensação é de se observar que o procedimento adotado há de ser disciplinado pelos dispositivos legais vigentes à época do pedido e não à época de ocorrência dos fatos geradores. Difere, portanto, a compensação do nascimento da obrigação tributaria. A primeira refere-se a um direito, uma opção do sujeito passivo que pode exerce-la quando bem lhe aprouver desde que respeitados os prazos decadenciais e prescricionais em relação aos créditos a serem utilizados na compensação, e a segunda, é um dever, nasce independentemente da vontade do sujeito passivo. Daí o porque de a primeira ser regida pelas normas vigentes na data do protocolo da compensação (momento no qual a contribuinte exerce seu direito) e a segunda, pelas normas vigentes à data da ocorrência do fato gerador do tributo. Assim sendo, dúvida não há de que a legislação aplicável à matéria versando sobre compensação é aquela vigente à data do protocolo do pedido de compensação, que é quando o sujeito passivo exerce seus direito compensatório No caso em análise a compensação informada pela recorrente por meio de DCOMP há de ser regida pelas normas vigentes na data do protocolo, ou seja a IN SRF 323/03. A referida IN SRF n°323/03, que deu nova redação ao art. 28 da IJNI SRF 210/02, é expressa ao determinar que incidirão sobre os créditos juros compensatórios e sobre os débitos os acréscimos legais previstos nos arts. 38 e 39 da IN SRF n° 210/02, até a data da entrega da DCOMP. An. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórias, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Parágrafo único. Na compensação de oficio, os juros compensatórios e acréscimos moratórios de que trata o caput serão calculados considerando-se as seguintes datas: 1— do consentimento, expresso ou tácito, da compensação; ou — da efetivação da compensação, quando se tratar de débito inscrito em Dívida Ativa da União. Observe-se que no caso em questão o débito para com a Fazenda Nacional já havia nascido anteriormente e não foi extinto por nenhumas das formas previstas no CTN, ou 4 , • 2 •••• r. Ministério da Fazenda MIN. DA FAZEr 2 CC-MFP• • 2" CC t n.tk` p A" Segundo Conselho de Contribuintes CONFEREAOM o ORIGINA BRASILIA n••./...4/, Processo n2 : 10670.720010/2004-68 Recurso n2 : 129516 vis-ro Acórdão n2 : 204-00.797 seja, desde o nascimento da obrigação tributaria existia débito a ser pago e não o foi. Posteriormente a contribuinte ingressa com declaração de compensação, o que implica que entre a ocorrência do fato gerador do tributo e a compensação efetivada pelo sujeito passivo a Fazenda Nacional possuía crédito a seu favor que não foi quitado sobre qualquer forma de extinção. Daí o porquê de se incidir sobre tais débitos os acréscimos legais previstos em lei. Quanto ao disposto no art. 170 do CTN é de se observar, como bem frisou a decisão recorrida, que tal norma não se aplica ao caso concreto em análise. Primeiro porque não se trata de crédito vincendo, mas sim de crédito vencido, pois que o pedido de ressarcimento só ocorre após o nascimento do crédito a favor da contribuinte e, segundo, porque não se trata de redução do crédito, mas sim de acréscimos legais computados aos débitos, exatamente na forma estabelecida na norma disciplinadora da compensação. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob ar garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao luro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. (grifo nosso). Entendo, pois, plenamente aplicável ao caso em concreto o disposto na IN SRF 323/03 por ser esta a norma que regia a compensação na época em que foi apresentada a DCOMP pela recorrente. Assim sendo, nego provimento ao recurso interposto nos termos do voto. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2005. NAY BAfSTOS MANATTA 5 Page 1 _0057900.PDF Page 1 _0058000.PDF Page 1 _0058100.PDF Page 1 _0058200.PDF Page 1
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Numero do processo: 11516.002712/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 30/04/2001
COFINS. ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE
CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA.
Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-001.768
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento ao recurso por
unanimidade de votos.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ART. 3º, § 1º DA LEI 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em dar provimento ao recurso por unanimidade de votos. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira e Ribeiro, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Este processo retorna a este Colegiado em face da conclusão da diligência que determináramos por meio da Resolução nº 340100.057, de 30/09/2010. Para melhor compreensão da matéria em julgamento reproduzo o relato que fiz quando da primeira vez em que o processo aqui aportou: “Relatório Tratase de PER/Dcomp entregue em 14/02/2006 na qual foi indicada a existência de um crédito no valor original de R$ 311.409,82, originado de Pagamento Indevido ou a Maior Cofins, relacionado ao DARF recolhido em 15/05/2001 e referente à Cofins do período de apuração de abril de 2001. A DRF/Florianópolis, do confronto que efetuou entre o valor recolhido e o indicado na DCTF correspondente, atestou a existência de uma diferença de R$ 443.105,89 em favor da interessada, porém, informou que tal valor, ou que tal crédito já havia sido aproveitado pela interessada por ocasião de outro procedimento de ofício, ocasião em que o Fisco utilizou referida importância para abater outros débitos então apurados. Assim, não reconheceu a existência de crédito algum e não homologou a compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade a interessada trouxe argumentos segundo os quais depreendese que o seu crédito tinha origem, na verdade, não numa simples diferença de recolhimento, mas, sim, no fato de ter incluído na formação da base de cálculo da Cofins de abril de 2001 valores correspondentes outras receitas que não as decorrente de seu faturamento, quais sejam, receitas financeiras e receitas não operacionais, procedimento este com o qual não concorda, em face do pronunciamento do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Juntou à fl. 60 demonstrativo de cálculo apontando que o crédito constante da PER/Dcomp, de R$ 311.409,82, decorria da aplicação do percentual de 3% sobre a soma das Receitas Não Operacionais, da ordem de R$ 10.380.327,44. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, todavia, manteve integralmente os termos do despacho decisório sob o argumento de que “As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados” No Recurso Voluntário, a interessada repetiu os argumentos em defesa de seu alegado crédito (inclusão indevida na base de cálculo da Cofins do valor das receitas financeiras e das receitas não operacionais), de seu procedimento de compensação, e, para pedir a reforma da decisão recorrida, invocou o parágrafo 6º, do art. 26A, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela 11.941, de 27/05/2009, cuja aplicação teria cabimento em face do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, já ter sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF. Assim, para a Recorrente, não se trataria de permitir ao órgão administrativo declarar a inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo, mas, sim, da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar uma norma inconstitucional. [...]” Fl. 301DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11516.002712/200754 Acórdão n.º 340101.768 S3C4T1 Fl. 151 3 Dos fundamentos de que me vali na ocasião para propor a diligência ao final aprovada, reproduzo os seguinte excerto: “Inicialmente, de se registrar que os contornos da lide delimitados pela Recorrente prendemse unicamente à questão de direito que envolve a formação da base de cálculo da Cofins, ou seja, se as receitas financeiras e as receitas não operacionais, por terem sido consideradas por ela para fins de recolhimento da contribuição do mês de abril de 2001, e, em face da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, gerariam mesmo o direito ao reconhecimento de uma parcela paga indevidamente. De outra parte, e como visto acima, a DRF não tratou do crédito como se ele tivesse origem na questão do “alargamento da base de cálculo”, mas, sim, como se fosse decorrente de um mero recolhimento a maior. Não estou aqui a dizer que a DRF deveria ter tratado do tema “alargamento da base de cálculo”, até porque os campos disponíveis para preenchimento nas Dcomp não chegam a tal nível de detalhamento, mas o fato é que formou sua convicção tendo em vista apenas o confronto que fizera entre o valor indicado na DCTF e o valor recolhido constante do Darf. Porém, o valor indicado como crédito na PER/Dcomp nada mais é do que a diferença que a interessada entende ter direito a ser reavido por conta de ter incluído na base de cálculo da Cofins de abril de 2001 a soma de R$ 10.380.327,44, correspondente às receitas financeiras e receitas não operacionais” (fl. 60), ou seja, aplicandose sobre ela a alíquota de 3% da Cofins, obtémse aqueles R$ 311.409,82, ora em discussão. E essa matéria – alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – embora venha recebendo da parte deste Colegiado o mesmo tratamento reclamado pela ora Recorrente, não pode ser ainda julgada haja vista que, no presente caso, não foram carreados ao processo elementos capazes de elidir quaisquer dúvidas quanto à formação dos valores daquelas receitas, ou seja, não se tem a certeza de que nelas não estejam outros valores que não apenas os decorrentes do faturamento da empresa.” O resultado da diligência confirmou que no valor das rubricas “Receitas Financeiras” e “Receitas Não Operacionais” dos períodos de apuração de abril de 2001 não existe nada relacionado ao faturamento da empresa, por este entendido o produto da venda de mercadorias e serviços. Instada a se manifestar quanto aos termos da diligência a Recorrente apenas repetiu o pedido para provimento de seu recurso. No essencial, é o Relatório. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Como visto acima, a matéria de fundo deste julgamento está afeita à questão do alargamento da base de cálculo trazida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, isto é, tendo, à época do recolhimento da Cofins de abril de 2001, incluído na base de cálculo valores outros que não apenas aqueles decorrentes de seu faturamento, deseja agora a Recorrente reaver o valor pago a maior em face, justamente, do entendimento manifestado pelo STF quanto à inconstitucionalidade daquele dispositivo. De fato, o entendimento pacificado no STF é o de que, na vigência da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, o PIS/Pasep e a Cofins só podem se fazer incidir sobre o montante do faturamento, assim considerado apenas o produto da venda de mercadorias de bens e/ou serviços; nada além disso. Senão, vejamos o julgado no Recurso Extraordinário 346.084 – Paraná, Relatoria Ministro Ilmar Galvão: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – Pis – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98/98. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindose à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº Lei nº 9.718/98/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” A par disso, de se considerar que partir da Portaria MF nº 586, de 2010, que introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, de se dar provimento ao recurso no sentido de se reconhecer o direito ao crédito, no valor original de R$ 311.409,82, correspondente ao pagamento a maior da Cofins havido em 15/05/2001, referente ao período de apuração de abril de 2001. Odassi Guerzoni Filho Fl. 303DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10803.000059/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co-titulares (Súmula CARF nº 29).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A Receita Federal, por intermédio de seus agentes fiscais, pode solicitar diretamente das instituições financeiras os extratos bancários do sujeito passivo independentemente de autorização judicial, sem que isso caracterize quebra do sigilo bancário.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023.
Numero da decisão: 2201-011.792
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo do imposto os valores dos créditos relativos à conta corrente conjunta nº 01862-1.
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL
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CONTA CONJUNTA. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co-titulares (Súmula CARF nº 29). DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A Receita Federal, por intermédio de seus agentes fiscais, pode solicitar diretamente das instituições financeiras os extratos bancários do sujeito passivo independentemente de autorização judicial, sem que isso caracterize quebra do sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Fl. 753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.792 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.000059/2010-96 2 Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da base de cálculo do imposto os valores dos créditos relativos à conta corrente conjunta nº 01862-1. Assinado Digitalmente Thiago Álvares Feital – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva,Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Do lançamento A autuação (fls.617/627) versa sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativa aos exercícios de 2007 e 2008, motivando a exigência de crédito tributário no valor de R$ 236.700,12. Da Impugnação Inconformado com o lançamento, a recorrente apresentou Impugnação (fl. 634/654), argumentando em apertada síntese que: a) o lançamento é nulo, pois as conclusões dispostas no auto de infração são contraditórias acerca dos valores consolidados nos anexos elaborados pela autoridade fiscal o que acarretou cerceamento de seu direito de defesa e conseqüentemente causou a sua nulidade do lançamento, nos termos do art. Fl. 754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.792 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.000059/2010-96 3 59 do Decreto nº 70.235/72. Além disso, a conta corrente objeto da autuação (01862-1, Banco Itaú), era conta conjunta com sua mãe Maria Inês Marotta Starek, o que não foi observado pela autoridade fiscal que conseqüentemente não a intimou, invalidando a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, vício que contamina todo o auto de infração. Deste modo, inexiste certeza e liquidez no presente caso, uma vez que tendo em vista que foram incluídos na qualidade de rendimentos omitidos valores de origem efetivamente comprovada e que foram inclusive informados na declaração de ajuste. que a incerteza e iliquidez ficam mais patente com a inclusão do depósito de R$ 3.000,00, de 14/07/2006, uma vez que é oriundo de uma transferência da conta corrente nº 23418-7 do Banco Itaú S/A de titularidade da própria impugnante. b) O auto de infração lavrado para exigir do impugnante imposto sobre a renda deixou de observar a reserva de jurisdição sobre o sigilo bancário, motivo pelo qual deve ser declarado imprestável. c) Em relação ao mérito, afirma que foram incluídos nas planilhas elaboradas pelo Fisco o valor de R$ 28.890,24, no mês de junho de 2006 que se refere a uma parcela do valor da venda de um fundo de comércio e o valor de R$ 350.000,00 recebido em diversas prestações pela venda do fundo de comércio do Auto Posto Amanda Ltda. d) no que se refere às contas correntes mantidas em conjunto com o cônjuge Antônio Piva no Banco Santader Banespa (nº 01-006078-9) e no Banco ABN Amro Real (nº 0.000605-4), diz que os valores ali relacionados têm origem, na sua quase totalidade, em transferências da pessoa jurídica Stepan Indústria de Máquinas e Motores, da qual é sócia. Seu cônjuge, que é Delegado de Polícia no Estado de São Paulo, não tem e nem pode ter outra atividade ou fonte de remuneração. Para demonstrar essa realidade, traz aos autos, por amostragem, cópias de alguns cheques depositados nessas contas correntes que foram emitidos pela pessoa jurídica Stepan Máquinas e Motores Ltda. e) Os valores remanescente nas contas bancárias movimentadas isoladamente estão muito abaixo dos limites estabelecidos nos inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, estando dispensados de comprovação. f) Estão indevidamente somados na base de cálculo do imposto valores recebidos pela impugnante na condição de simples representante de sua irmã Valéria Marotta Starek Achôa, residente no exterior, relativos à locação de imóvel de propriedade da irmã. Embora no contrato padrão a imobiliária que administra o bem tenha feito constar indevidamente seu nome como locadora/proprietária, a verdade dos fatos é que assinou o referido contrato Fl. 755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.792 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.000059/2010-96 4 na condição de representante da sua irmã, que era a real proprietária do imóvel, conforme atesta o formal de partilha. Relaciona os valores que, por serem de titularidade de terceiros, devem ser excluídos da exigência contida no auto de infração. g) Os valores tempestivamente declarados ao Fisco devem ser deduzidos do montante apurado como rendimentos omitidos. h) Os depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos. Cita Súmula 182 do extinto TFR e jurisprudência administrativa para defender o entendimento de que, ao tratarmos de pessoa física, a presunção legal estribada nos depósitos bancários é impossível, já que não está calcada em experiência anterior, não possibilita a correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos e, ainda, transfere o encargo probatório para o contribuinte que, como pessoa física, não estava obrigado a manter registro individualizado de suas operações, tampouco guardar comprovantes de seus depósitos. i) A aplicação da taxa SELIC sobre a multa de ofício, procedimento este que, muito embora não encontre qualquer respaldo no ordenamento jurídico, vem sendo teimosamente adotado pelas autoridades administrativas. Da decisão em Primeira Instância A DRJ deliberou pela improcedência da Impugnação (fls. 689-702), mantendo o crédito tributário em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2007, 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo o auto de infração sido lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e existentes no instrumento todas as formalidades necessárias para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira em relação aos quais os titulares, apesar de instados a fazê-lo, não comprovam, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IDENTIFICAÇÃO DA ORIGEM. Fl. 756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.792 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.000059/2010-96 5 Para comprovação da origem, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário que se possa determinar a natureza e titularidade dos rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Quando se tratar de conta conjunta, para fins de verificação dos limites legais, devem ser considerados os valores integrais dos créditos e, depois, se caracterizada a omissão de rendimentos, deve-se dividir os rendimentos apurados pelo total dos titulares de cada conta. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O contribuinte recorreu da decisão de primeira instância (fls. 723-744), reiterando os argumentos formulados em sede de impugnação. VOTO Conselheiro Thiago Álvares Feital, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A autuação recai sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativa aos exercícios de 2007 e 2008, motivando a exigência de um crédito tributário no valor de R$ 236.700,12. Das preliminares Cerceamento de direito de defesa Em relação à existência de contradições no auto de infração, as quais conduziriam ao cerceamento do direito de defesa do recorrente, adoto as razões da decisão de primeira instância, abaixo transcritas (fls. 692-693), para afastar a preliminar: Em relação ao alegado cerceamento de defesa, observa-se que a contribuinte parece ter confundido as planilhas encaminhadas junto com o Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 09/05/2011, durante a ação fiscal, intituladas Anexo 1 (depósitos de origem comprovada), Anexo 2 (depósitos de origem não comprovada em contas individuais) e Anexo 3 Fl. 757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.792 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.000059/2010-96 6 (depósitos de origem não comprovada em contas conjuntas) com as planilhas finais que constam do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal e que relacionam apenas os créditos de origem não comprovada que embasaram o lançamento, intituladas Anexo 1 (depósitos de origem não comprovada em contas individuais) e Anexo 2 (depósitos de origem não comprovada em contas conjuntas). De uma leitura atenta do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, verifica-se que nos itens “x” e “aa” das Irregularidades Constatadas (fl. 732) estão claramente explicados quais os valores estão sendo tributados, inclusive com a indicação da mudança de nomenclatura dos Anexos, portanto não vislumbro qualquer contradição na demonstração dos valores submetidos à tributação como alegado pela contribuinte. No mais, o lançamento atende integralmente aos preceitos legais e o auto de infração foi emitido por autoridade competente, apresentando todos os seus requisitos essenciais, especialmente o enquadramento legal da infração e a descrição dos fatos expressos de modo claro, permitindo à contribuinte conhecer perfeitamente os fatos a ela atribuídos. Tanto é que ela apresentou impugnação na qual demonstrou ter o pleno conhecimento dos fatos, embasada por documentos que amparam sua defesa e que serão apreciados por esta instância de julgamento. Quebra de sigilo bancário Acerca da cláusula de reserva de jurisdição apontada para se contrapor à alegada quebra de sigilo bancário, sem razão o recorrente. É prerrogativa da RFB requisitar às instituições bancárias informações, nos termos do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, desde que observados os requisitos dispostos na legislação tributária: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (Lei Complementar nº 105/01) A matéria encontra-se pacificada no STF que fixou a seguinte tese (Tema 225): I - O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; II - A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN. Deste modo, deve-se rejeitar a preliminar arguida. Fl. 758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.792 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.000059/2010-96 7 Ausência de intimação de co-titulares de contas bancárias conjuntas Argumenta o recorrente que a ausência de intimação de co-titular da conta 01862-1, torna o auto de infração nulo. A este respeito, assim argumentou a decisão da DRJ: Da redação constante do caput do art. 42 da Lei 9.430/96 resta claro que a omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada recai sobre o titular, pessoa física ou jurídica, que, regularmente intimado, não comprove, por documentação hábil e idônea, a procedência dos recursos utilizados nessas operações. Assim, no caso de conta conjunta, como cada um dos titulares pode movimentá-la sem a anuência e conhecimento dos demais, todos devem ser chamados a comprovar a origem dos depósitos efetuados. Se o ônus da prova, por presunção legal, é de todos os titulares da conta, cabe a cada um a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, não podendo ser este ônus transferido aos demais titulares. Trata-se de requisito indispensável ao exercício do direito à ampla defesa e à própria aplicação da presunção legal de omissão de rendimentos de que trata art. 42 da Lei 9.430/96. Compulsando os autos, verifica-se que a contribuinte não informou à fiscalização, durante toda a ação fiscal, sobre co-titularidade na conta 01862-1 e nos extratos bancários por ela apresentados à fiscalização (fls. 85/88, 90, e 499/511) aparece tão somente o nome da contribuinte. Também o elemento de prova trazido na impugnação com esse intuito (fls. 655) não logra demonstrar que Maria Inês Marotta Starek era co-titular daquela conta nos anos calendário 2006 e 2007, o que importaria para a autuação. Para demonstrar que a conta investigada possuía outro co-titular no período fiscalizado deveria a contribuinte ter juntado a ficha cadastral da conta que comprovaria a data em que a pessoa indicada pela contribuinte se tornou co-titular dessa conta. Não estando cabalmente demonstrado que havia co-titularidade na conta no ano objeto de fiscalização não se pode dizer que houve afronta ao disposto no §6º do art. 42 da Lei 9.430/1996. Assim, deve-se manter a tributação integral dos rendimentos apurados na contribuinte. Analisando, contudo, a documentação juntada aos autos pela recorrente, verifica-se cópia reprográfica dois cheques (fl. 655), um deles relativo à conta corrente 23-677-7 (que não foi objeto da autuação) e o outro à conta corrente 01862-1 (objeto da autuação), nos quais se verifica a titularidade conjunta no campo destinado à assinatura nos seguintes termos: “CECILIA MAROTTA STAREK PIVA OU MARIA INES MAROTTA STAREK”. A necessidade de intimação dos co-titulares das contas bancárias é matéria sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Fl. 759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.792 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.000059/2010-96 8 Concluindo-se que há comprovação nos autos de que conta em questão era, de fato, conjunta, impõe-se verificar se houve intimação da co-titular, no curso da fiscalização, para prestar esclarecimentos. Estão autuados os seguintes termos de intimação: INTIMADO FLS. CECILIA MAROTTA STAREK 29, 111, 126, 144 TEPAN INDUSTRIA DE MAQUINAS E MOTORES LTDA. 118, 141, 148 ROGER FRANCIS MARMORES E GRANITOS LTDA 151 CONCREPAV S/A PART E ADMINISTRAÇÃO 153 NEIVA MARIA DA SILVA ME 155 SAINT GOBAIN DISTRIBUIÇÃO DO BRASIL LTDA 157 JUVERCINA DOS SANTOS CAMPOS-ME 159 VITRAIS TON GEUER LTDA-ME 161 FELGUEIRAS CAMPINAS COM. DE MADEIRAS LTDA. 163 C&C CASA E CONSTRUÇÃO LTDA 165 DIAMANTE COMÉRCIO DE TINTAS LTDA 167 PAV-MIX INDUST E COM DE ARGAMASSA LTDA 169 Como se verifica dos autos, não houve intimação direcionada a Maria Ines Marotta Starek, co-titular da conta corrente 01862-1. Por esta razão, conclui-se que a omissão dos depósitos sem origem comprovada na referida conta foi imputada unicamente à recorrente, o que não é admitido pela legislação em vigor. Impõe-se, portanto, o cancelamento integral do lançamento fiscal em relação à conta corrente 01862-1, por força da Súmula CARF nº 29. Demais alegações Em relação às demais matérias objeto do recurso voluntário, considerando que estas em nada diferem daquelas apresentadas em sede de impugnação, estando as conclusões alcançadas pelo órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento perfilhado por este Relator, em vista do disposto no artigo 114, §12, I, da Portaria MF n.º 1.634/2023, adoto os fundamentos do acórdão de impugnação como razão de decidir. Conclusão Fl. 760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.792 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10803.000059/2010-96 9 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e dou-lhe parcial provimento para cancelar o lançamento fiscal em relação à conta corrente 01862-1, nos termos da Súmula CARF nº 29. Assinado Digitalmente Thiago Álvares Feital Relator Fl. 761DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11065.000570/2005-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002
DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE INDIVIDUALIZADA DE TODOS OS ARGUMENTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO.
Em decisão administrativa não se requer abordagem expressa de todos os pontos levantados pelas partes, podendo o julgador decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção.
MULTA DE OFÍCIO. SUPOSTO CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como o de suposta ofensa ao princípio da isonomia.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PAPEL AUTOCOPIATIVO EM FORMA DE BOBINA, COM LARGURA INFERIOR A 36 CM, PRÓPRIO PARA MÁQUINA REGISTRADORA DE
EMISSÃO DE CUPOM FISCAL. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO.
O papel autocopiativo, apresentado em forma de bobina, com largura inferior a 36 cm, próprio para máquina registradora, denominado comercialmente “bobina de papel para Emissor de Cupom Fiscal (EFC)”, classifica-se no 4816.20.00 da NCM.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI
Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002
MULTAS DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. APLICAÇÃO CUMULATIVA. POSSIBILIDADE.
Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações distintas, aplicam-se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-001.793
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002 DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE INDIVIDUALIZADA DE TODOS OS ARGUMENTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Em decisão administrativa não se requer abordagem expressa de todos os pontos levantados pelas partes, podendo o julgador decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção. MULTA DE OFÍCIO. SUPOSTO CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como o de suposta ofensa ao princípio da isonomia. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PAPEL AUTOCOPIATIVO EM FORMA DE BOBINA, COM LARGURA INFERIOR A 36 CM, PRÓPRIO PARA MÁQUINA REGISTRADORA DE EMISSÃO DE CUPOM FISCAL. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O papel autocopiativo, apresentado em forma de bobina, com largura inferior a 36 cm, próprio para máquina registradora, denominado comercialmente “bobina de papel para Emissor de Cupom Fiscal (EFC)”, classifica-se no 4816.20.00 da NCM. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002 MULTAS DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. APLICAÇÃO CUMULATIVA. POSSIBILIDADE. Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações distintas, aplicam-se cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas. Recurso Voluntário Negado.
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PAPEL AUTOCOPIATIVO EM BOBINA DE PAPEL PARA MÁQUINA REGISTRADORA DE EMISSÃO DE CUPOM FISCAL Recorrente AUTOMAÇÃO COM E IND DE IMPRESSOS LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRERS Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002 DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE INDIVIDUALIZADA DE TODOS OS ARGUMENTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. Em decisão administrativa não se requer abordagem expressa de todos os pontos levantados pelas partes, podendo o julgador decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção. MULTA DE OFÍCIO. SUPOSTO CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como o de suposta ofensa ao princípio da isonomia. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PAPEL AUTOCOPIATIVO EM FORMA DE BOBINA, COM LARGURA INFERIOR A 36 CM, PRÓPRIO PARA MÁQUINA REGISTRADORA DE EMISSÃO DE CUPOM FISCAL. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O papel autocopiativo, apresentado em forma de bobina, com largura inferior a 36 cm, próprio para máquina registradora, denominado comercialmente “bobina de papel para Emissor de Cupom Fiscal (EFC)”, classificase no 4816.20.00 da NCM. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 175DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 168 2 Período de apuração: 10/03/2000 a 30/06/2002 MULTAS DE OFÍCIO. INFRAÇÕES DISTINTAS. APLICAÇÃO CUMULATIVA. POSSIBILIDADE. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações distintas, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata de Auto de Infração do IPI, mantido integralmente pela 3ª Turma da DRJ. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância, com referências à Tabela do IPI aprovada pelo Decreto nº 2.092/96: Conforme Relatório de Verificação Fiscal, a autuação se deu com base nas infrações que seguem: a) saídas de bobinas de papel para máquinas registradoras/emissoras de cupom fiscal com classificação fiscal incorreta no código 4821.90.00 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) — ao qual corresponde aliquota zero para o IPI. A fiscalização adotou a classificação fiscal para o produto mencionado, com as devidas repercussões na apuração do IPI não lançado pelo estabelecimento, no código 4816.20.00 da TIPI, tributado à aliquota de 15%; b) ressarcimento indevido de IPI nos processos n° 11065.001068/0088, 11065.001419/0051 e 11065.000726/200284, referentes ao primeiro e segundo trimestres de 2000 e ao quarto trimestre de 2001. Tais créditos Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 169 3 indevidos são decorrentes da saída dos produtos mencionados no item anterior com a classificação fiscal incorreta. Constatadas as irregularidades acima a fiscalização reconstituiu a escrita do contribuinte, fls. 62/65, e lançou o valor do IPI resultante. Regularmente cientificado, em 18/03/2005, conforme consta do auto de infração, fl. 06, o autuado apresentou impugnação tempestiva (...) na qual, após breve relato dos fatos, alega, resumidamente, que é incorreta a classificação adotada pela fiscalização, pois não atende à especificidade e a essencialidade do produto, faz resumo do processo de fabricação das bobinas de cupom fiscal PDV, que diz ser o nome técnico do produto, para argumentar a correção da classificação adotada. Na seqüência contesta a aplicação da multa, alegando duplicidade de incidência e nítido caráter confiscatório. O Colegiado da DRJ manteve a classificação fiscal adotada pela fiscalização (código 4816.20.00 da NCM), levando em conta a Solução de Consulta n° 1, de 14 de março de 2003, da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira, e o que dispõe sobre a posição 4820 as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), aprovadas pelo Decreto n.° 435, de 27 de janeiro de 1992, e alteradas pela Instrução Normativa SRF n.° 123/98, de 22 de outubro de 1998. Observou que, diferentemente do disposto nas Notas Explicativas, “A mercadoria em questão "papel autocopiativo em bobina de papel para máquina registradora/emissora de cupom fiscal" não possui campos impressos a serem preenchidos com informações adicionais. Portanto, é incabível classificar essas bobinas na posição 4820 da NCM.” Quanto à posição 4816, asseverou que “compreende o papelcarbono (papel químico*), o papel autocopiativo e outros papéis para cópia ou duplicação (exceto os da posição 48.09), estênceis completos e chapas ofsete, de papel, mesmo acondicionados em caixas.” E arrematou, após transcrever o que contém as NESH sobre a posição 4816: Assim, tendo em vista o texto e as NESH da posição 4816, torna se claro que os papéis autocopiativos simplesmente cortados e que se apresentem em rolos não superior a 36 cm, como é o caso da mercadoria do autuado, se classificam na posição 4816 da TIPI, de acordo com a 1' Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI 1'). No âmbito da posição 4816, estes produtos classificamse na subposição 4816.20, de acordo com a RGI 6ª. Desse modo, pelas RGI 1ª, RGI 6ª e Regra Geral Complementar 1 (RGC1), a classificação o produto em questão é no código 4816.20.00 da TIPI. Em relação às multas aplicadas, no percentual de 75%, rejeitou a alegação de duplicidade consignando serem decorrentes de infrações distintas: uma, pela falta de Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 170 4 lançamento do IPI nas notas fiscais, ensejando a penalidade sobre o valor o valor do imposto que deixou de ser lançado independentemente de saldos devedores na escrita, por força do art. 80, I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96, e a outra, pelo ressarcimento indevido, nos termos do art. 44, I e § 4°, da Lei n° 9.430,96. Por fim, ressaltou não ter competência para apreciar questões de ilegalidade ou inconstitucionalidade, por constituírem matéria reservada ao Judiciário, e considerou que o princípio da nãoconfisco somente se aplica a tributos, não ser estendendo a penalidades. No Recurso Voluntário, tempestivo, a empresa alega inicialmente a nulidade do Acórdão recorrido, por não ter apreciado argumento relevante. Assegura ter demonstrado na Impugnação (menciona os itens II.3.1 e II.3.2) que a RFB manifestou o entendimento de que a bobina de papel, com dimensão máxima de 15 cm de largura, utilizada para suprir impressora de cupom fiscal, classificase na posição 4823.51.00 da TIPI/96, mas a DRJ não analisou tal argumento e, por isso, incorreu em flagrante cerceamento do direito de defesa. Em seguida invoca os princípios da seletividade e da especificidade/especialidade, bem como as RGI empregadas na classificação fiscal, delimitando as classificações possíveis dentre as seguintes: 4821.90.00, adotada inicialmente pela Recorrente, com alíquota zero do IPI; 4816.20.00, adotada na autuação, com alíquota de 15%; 4820.40.00 ou 4820.90.00, com alíquota zero; 4823.51.00, com alíquota de 12%. Afirma que “não produz o papel autocopiativo, mas utilizao no processo de produção das bobinas, criando um modelo exclusivo caracterizado pela inscrição de logomarca e número de CNPJ do encomendante, dentre outros dados exigidos pela legislação fiscal” (fl. 148), rejeitando a classificação dada pela Solução de Consulta empregada pela DRJ e pugnando pela classificação no código 4820.90.00, “posto a atender a regra da prevalência da especificidade da posição”. Caso não admitida a classificação no código 4820.90.00, entende que outra possibilidade é o código 4823.51.00, por já ter sido este reconhecido pela RFB. Também combate as multas aplicadas, reputadas exacerbadas por caracterizarem confisco e verdadeiro bis in idem, já que somam R$ 95.958,85 contra um imposto de R$ 27.590,77 (principal), requerendo ao final e preliminarmente a nulidade do Acórdão da DRJ ou, caso isso não ocorra, o cancelamento da autuação. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 171 5 I DA PRELIMINAR Em preliminar, alegou a Recorrente nulidade da decisão recorrida, com base no argumento que o referido julgamento incorreu em flagrante cerceamento do direito defesa, posto que não analisou o argumento aduzido na peça impugnatória, referente à classificação do produto no código 4823.51.00 da TIPI/96, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Com a devida vênia, não procede a presente alegação, pois, como de sabença, inexiste ofensa ao direito quando o Órgão de Julgamento de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, especialmente, quando o decisum revelase devidamente fundamentado, como no caso em tela. De fato, analisando o teor da decisão de primeiro grau, verificase que a questão objeto da controvérsia, ou seja, o enquadramento tarifário do produto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), foi exaustivamente analisada no voto condutor do julgado recorrido e devidamente fundamentada nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH), na Regra Geral Complementar (RGC) e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), que são os instrumentos indicados para fim de classificação fiscal dos produtos na TIPI/NCM, conforme explicitado nos arts. 16 e 17 do RIPI/2002. Ainda alegou a Recorrente que a classificação fiscal do produto no código NCM 4823.51.00 era uma questão relevante para o deslinde da presente controvérsia, portanto, a Turma de Julgamento a quo havia incorrido em grave equívoco ao deixar de analisar e se reportar a esse ponto que fora suscitada na impugnação. Discordo. Na verdade, no presente caso, a questão relevante diz respeito ao correto enquadramento do produto no código da TIPI/NCM, vigente na data dos fatos geradores, questão que foi exaustivamente abordada no julgado em questão, conforme anteriormente explicitado. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 311 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), o órgão de julgamento de primeira instância tem obrigação de abordar as razões de defesa suscitados pelo impugnante, porém, sem a obrigatoriedade de rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pela parte, em relação a uma mesma questão de defesa. No caso em tela, a razão de defesa suscitada pela Recorrente diz respeito ao correto enquadramento tarifário do produto na TIPI/1996. Neste sentido, alegou que o produto poderia ser classificado em quatro códigos distintos, a saber: os códigos 4809.90.00, 4820.90.00, 4821.90.00 (utilizado na escrituração fiscal) e 4823.51.00. Especificamente, em relação ao código NCM 4823.51.00, objeto da presente análise, assim se manifestou a Recorrente, na peça impugnatória, in verbis: 1 "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências". (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 172 6 Apenas pelo prazer de argumentar, se a autuada fosse adotar uma classificação com base em soluções de consulta desse Órgão Fazendário, poderia ela valerse do código 4823.51.00: [...] Portanto, fica evidenciado que essa não foi uma alegação relevante, já que apenas para fins de argumentação defendeu a Autuada a inclusão do produto do código em destaque. Na verdade, em termos de classificação fiscal do produto, a alegação relevante suscitada na peça impugnatória (fls. 91/93) referese à defesa da classificação do produto no código NCM 4820.90.00, ponto em que o voto condutor do Acórdão recorrido expressamente consignou as razões pelas quais o produto nele não se enquadrava. Por outro lado, no referido voto, o Relator apresentou as razões e os fundamentos para o correto enquadramento do produto no código NCM 4816.20.00, adotado pela Fiscalização. Dessa forma, uma vez devidamente fundamentado que o código tarifário correto do produto era o indicado pela Fiscalização (4816.20.00), tornouse despicienda qualquer explanação no sentido de demonstrar que o produto não se incluiria nos demais códigos tarifários defendidos pela Recorrente, principalmente, tendo em conta que cada produto pertence a único código da referida Nomenclatura. Por oportuno, saliento que de todo modo o julgador não está obrigado a tratar de todos os argumentos constantes de impugnação ou recurso. Afinal, decisão administrativa não se confunde com trabalho acadêmico, a demandar a abordagem expressa de todos os pontos levantados pelas partes. Num processo o julgador pode decidir com base em um ou mais elementos apresentados, contanto que suficientes à formação de sua convicção, sendo desnecessário o trato, um a um, de todos os argumentos expendidos. Neste sentido o pronunciamento do Min. Francisco Galvão, no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 792.497RJ (STJ, 1ª Turma, unânime, julgamento em 04/04/2003, unânime): Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Com base nessas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. II DO MÉRITO Suposto caráter confiscatório das multas aplicadas Adentrando no mérito, inicialmente ressalto que a alegação de que as multas em apreço são confiscatórias e ferem o princípio da capacidade contributiva, por falta de competência deste Colegiado, não deve ser conhecida. Como sabido, à instância administrativa Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 173 7 de julgamento é vedado apreciar a legalidade e/ou constitucionalidade de norma legal vigente, conforme expressamente determinado no art. 26A2 do Decreto nº 70.235, 06 de março de 1972 (PAF), com redação dada Lei nº 11.941, de 2008. Tal atribuição é reservada ao Poder Judiciário. No âmbito deste Conselho, tal vedação encontrase determinada no art. 623 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e consolidada na sua jurisprudência, conforme disposto no enunciado da Súmula CARF nº 2, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Das regras de classificação fiscal. No cerne do litígio, a controvérsia gira em torno da correta classificação fiscal do produto no código NCM e da legalidade da aplicação das multas, reputadas exacerbadas pela Recorrente, por caracterizarem confisco e verdadeiro bis in idem. É pertinente destacar que, para fim de classificação fiscal do produto na NCM, o princípio da seletividade não tem relevância. De fato, esse princípio serve de fundamento apenas para fins graduação das alíquotas do IPI, em função da essencialidade do produto, segundo o qual os produtos essenciais são submetidos à alíquota zero ou a alíquota positiva bem menor do que aquela atribuída aos produtos considerados supérfluos. Também não tem importância, para o fim de enquadramento tarifário do produto na NCM, o princípio da isonomia (art. 150, II, da Constituição Federal), que diz respeito à vedação de tratamento desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalentes. 2 "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)" 3 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993". Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 174 8 Com efeito, o correto enquadramento do produto em um único dos diversos códigos da NCM regese por critérios claros e objetivos estabelecidos nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH), Regras Gerais Complementares (RGC) da NCM e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), conforme expressamente determina os arts. 16 e 17 do RIPI/2002. Entretanto, antes de analisar a classificação fiscal, entendo oportuno apresentar a identificação do produto objeto da presente autuação. Do aspecto técnico: identificação do produto. O produto produzido e comercializado pela Recorrente, objeto da presente autuação, tratase de papel autocopiativo, apresentado em forma bobina, próprio para máquinas registradoras/emissoras de cupom fiscal (EFC), denominadas comercialmente de “bobina de papel para Emissor de Cupom Fiscal (EFC)”. Segundo a Recorrente, o produto é resultado de “um processo mecânico de personalização da impressão e posterior rebobinagem das bobinas, que modela o produto, criando produtos propícios a serem utilizados com a finalidade única de suprir máquinas emissoras de cupom fiscal”. Inexiste controvérsia acerca da identificação do produto, mas apenas em relação ao enquadramento tarifário, assunto abordado a seguir. Do aspecto jurídico: correta classificação fiscal do produto. No presente Recurso, asseverou a Recorrente que o código 4820.90.00 da NCM, por ela utilizado na escrituração fiscal, não era o mais correto. Ora, se cada produto tem um único código NCM, obviamente, só existe um código correto, inexistindo código NCM mais ou menos correto. Com base nessa premissa, passo a análise da presente contenda. Previamente cabe ressaltar que, no presente caso, está em discussão a classificação fiscal do produto em cinco códigos distintos. De fato, enquanto a Fiscalização defende o enquadramento do produto no código NCM 4816.20.00, com a anuência do Órgão de julgamento de primeira instância, a Recorrente reivindica a inclusão do produto nos códigos NCM: 4809.90.00, 4820.90.00, 4821.90.00 e 4823.51.00, com a ressalva de que apenas o código NCM 4821.90.00 foi utilizado na emissão dos documentos fiscais. Analisando o referidos códigos, verificase que inexiste controvérsia quanto ao capítulo em que se inclui o produto. Com efeito, a controvérsia limitase em nível de posição dentro do Capítulo 48, que compreende “PAPEL E CARTÃO; OBRAS DE PASTA DE CELULOSE, DE PAPEL OU DE CARTÃO”. No âmbito do referido Capítulo, estão em discussão cinco posições distintas para o produto: 48.09, 48.16, 48.20, 48.21 e 48.23, cujos textos seguem transcritos: 48.09 PAPELCARBONO (PAPEL QUÍMICO*), PAPEL AUTOCOPIATIVO E OUTROS PAPÉIS PARA CÓPIA OU DUPLICAÇÃO (INCLUÍDOS OS PAPÉIS REVESTIDOS OU IMPREGNADOS, PARA ESTÊNCEIS OU PARA CHAPAS OFSETE), MESMO IMPRESSOS, EM ROLOS OU EM FOLHAS Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 175 9 48.16 PAPELCARBONO (PAPEL QUÍMICO*), PAPEL AUTOCOPIATIVO E OUTROS PAPÉIS PARA CÓPIA OU DUPLICAÇÃO (EXCETO OS DA POSIÇÃO 48.09), ESTÊNCEIS COMPLETOS E CHAPAS OFSET, DE PAPEL, MESMO ACONDICIONADOS EM CAIXAS 48.20 LIVROS DE REGISTRO E DE CONTABILIDADE, BLOCOS DE NOTAS, DE ENCOMENDAS, DE RECIBOS, DE APONTAMENTOS, DE PAPEL PARA CARTAS, AGENDAS E ARTIGOS SEMELHANTES, CADERNOS, PASTAS PARA DOCUMENTOS, CLASSIFICADORES, CAPAS PARA ENCADERNAÇÃO (DE FOLHAS SOLTAS OU OUTRAS), CAPAS DE PROCESSOS E OUTROS ARTIGOS ESCOLARES, DE ESCRITÓRIO OU DE PAPELARIA, INCLUÍDOS OS FORMULÁRIOS EM BLOCOS TIPO "MANIFOLD", MESMO COM FOLHAS INTERCALADAS DE PAPELCARBONO (PAPEL QUÍMICO*), DE PAPEL OU CARTÃO; ÁLBUNS PARA AMOSTRAS OU PARA COLEÇÕES E CAPAS PARA LIVROS, DE PAPEL OU CARTÃO 48.21 ETIQUETAS DE QUALQUER ESPÉCIE, DE PAPEL OU CARTÃO, IMPRESSAS OU NÃO 48.23 OUTROS PAPÉIS, CARTÕES, PASTA ("OUATE") DE CELULOSE E MANTAS DE FIBRAS DE CELULOSE, CORTADOS EM FORMA PRÓPRIA; OUTRAS OBRAS DE PASTA DE PAPEL, PAPEL, CARTÃO, PASTA ("OUATE") DE CELULOSE OU DE MANTAS DE FIBRAS DE CELULOSE Em nível de posição, a RGISH nº 1 determina que “a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes”. Assim, para definição da posição do produto na NCM, as demais Regras do Sistema Harmonizado (RGI/SH nºs 2 a 6) somente serão utilizadas se não contrariarem os textos das posições e das notas de seção, capítulo e posição. Em outras palavras, o textos das posições e das notas de seção, capítulo e posição prevalecem sobre as demais regras do SH. Com base apenas nos textos das posições acima transcritos, é possível concluir que o produto em tela não se enquadra nas posições 48.20, 48.21 e 48.23. Em relação às duas posições remanescentes, a Nota 8 do Capítulo, esclarece o alcance da posição 48.09, in verbis: [...] 8. Só se classificam nas posições 48.01 e 48.03 a 48.09 o papel, o cartão, a pasta ("ouate") de celulose e as mantas de fibras de celulose que se apresentem em uma das seguintes formas: a) em tiras ou rolos cuja largura ultrapasse 36cm; ou b) em folhas de forma quadrada ou retangular em que pelo menos um lado exceda 36cm e o outro 15cm, quando não dobradas. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 176 10 [...] (grifos não originais) As notas fiscais de saídas colacionadas aos autos (fls. 68/77) confirmam que as bobinas fabricadas e comercializadas pela Recorrente têm largura bem inferior a 36cm, portanto, estão expressamente excluídas da posição 48.09. Dessa forma, fica demonstrado que o produto em destaque pertence à posição 48.16 da NCM. Confirma o asseverado o disposto nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH)4 dessa posição, a seguir transcritas: Esta posição compreende os papéis revestidos ou, às vezes, impregnados, que permitem reproduzir por pressão (por exemplo, utilizando os caracteres da máquina de escrever), por umidificação, aplicação de tinta, etc., um documento original num número variável de exemplares. Os papéis desta espécie apenas se incluem aqui se apresentados em rolos de largura não superior a 36 cm ou em folhas de forma quadrada ou retangular em que nenhum dos lados ultrapasse 36 cm, quando não dobrados, ou cortados em formas diferentes da quadrada ou retangular; quando se apresentarem de outro modo classificamse na posição 48.09. Os estênceis completos e as chapas ofsete não estão subordinadas a qualquer condição de dimensão. O papel compreendido nesta posição apresentase, geralmente, acondicionado em caixas. Podem, segundo o processo de reprodução que utilizam, agruparse em duas categorias: A. PAPÉIS QUE REPRODUZEM O DOCUMENTO ORIGINAL TRANSFERINDO UMA PARTE OU A TOTALIDADE DA SUBSTÂNCIA QUE OS REVESTE OU DA MATÉRIA QUE OS IMPREGNA PARA OUTRA SUPERFÍCIE Pertencem em especial a esta categoria: [...] 2) Os papéis autocopiativos. Os papéis deste tipo, também chamados papéis sem carbono, apresentamse, em geral, em maços. A impressão resulta da reação entre dois ingredientes diferentes, normalmente separados um do outro, quer numa mesma folha, quer em folhas contíguas do maço, sendo esses ingredientes postos em contato pela pressão exercida por um estilete ou pelos caracteres de uma máquina de escritório. [...] (os sublinhados não constam dos originais) Com base nas referidas Notas fica devidamente esclarecido que, para fins de determinação do código da posição na NCM do papel autocopiativo em questão, o relevante é a largura do rolo ou da folha quadrada ou retangular, forma em que se apresenta o produto. 4 Publicanas no Anexo Único da Instrução Normativa SRF nº 157, de 2002. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 177 11 Para fins de classificação fiscal, o papel autocopiativo, ou seja, aquele revestido ou, às vezes, impregnado, que permite reproduzir o original por pressão, é um só produto, variando apenas a sua forma de apresentação, que pode ser em forma de rolo (ou bobina) ou em folha quadrada ou retangular. No âmbito da NCM, definida a posição do produto em destaque, passo analisar as subposições e os itens e subitens em que ela se desdobra, para localizar, dentre eles, aquele que melhor descreve o produto em destaque. Para essa finalidade, transcrevo a seguir os desdobramentos da posição 48.16, que seguem transcritos: 48.16 PAPELCARBONO (PAPEL QUÍMICO*), PAPEL AUTOCOPIATIVO E OUTROS PAPÉIS PARA CÓPIA OU DUPLICAÇÃO (EXCETO OS DA POSIÇÃO 48.09), ESTÊNCEIS COMPLETOS E CHAPAS OFSET, DE PAPEL, MESMO ACONDICIONADOS EM CAIXAS 4816.10.00 Papelcarbono (papel químico*) e semelhantes 4816.20.00 Papel autocopiativo 4816.30.00 Estênceis completos 4816.90.00 Outros (grifos não originais). Aplicando, ao caso em tela, o disposto na RGI/SH5 nº 6 e RGC nº 1, induvidosamente, o código 4816.20.00 Papel autocopiativo é o que melhor descreve o 5 REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 178 12 produto papel autocopiativo, apresentado em forma de bobina, com espessura não superior a 36 cm, próprio para máquina registradora. É oportuno esclarecer que, no caso em tela, como os textos das posição, subposição, item, subitem e nota de Capítulo, complementados pelos esclarecimento da NESH, foram suficientes para o adequado enquadramento do produto no código NCM 4816.20.00, o recurso às RGI/SH nº 3 e 4, conforme pretendido pela Interessada, revelase de todo indevido, haja vista que em relação a tal pretensão há expressa proibição determinada na RGI/SH nº 1. Dessa forma, como as bobinas de papel autocopiativo, utilizadas em máquinas registradoras (EFC), fabricadas e comercializadas pela Recorrente, têm espessura inferior a 36cm, em conformidade com o disposto nas RGI/SH nºs 1 e 6 e na RGC nº 1, elas b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificam se na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. REGRA GERAL COMPLEMENTAR (RGC) 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. 2. (RGC2) As embalagens contendo mercadorias e que sejam claramente suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Regra 5 b), seguirão seu próprio regime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 179 13 classificamse no código NCM 4816.20.00, conforme entendimento da Fiscalização, ratificado pela Turma de Julgamento de primeira instância. Das multas aplicadas. Foram aplicadas duas multas (fls. 05/33), em decorrência da prática das seguintes infrações: (i) falta de lançamento do imposto; e (ii) ressarcimento indevido do IPI. A primeira, na data do lançamento, encontravase prevista no art. 806, I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Lei nº 11.488, de 2007, deu nova redação ao referido art. 80, mantendo a mesma redação para referida infração e respectiva penalidade, que ficou assim redigido, in verbis: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] A segunda infração está prevista no inciso I, combinado com o § 4º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. [...]. (grifos não originais) As duas multas questionadas destinamse a sancionar infrações distintas e que têm base de cálculo também diferentes. Uma é calculada com base no valor do IPI que 6 Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: (Revogado pela Lei nº 11.488, de 2007) "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: Isetenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; [...].” Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.000570/200584 Acórdão n.º 3401001.793 S3C4T1 Fl. 180 14 deixou de ser lançado, enquanto que a outra é dimensionada com base no valor do IPI que foi efetivamente ressarcido indevidamente. Em consequência, inexiste o bis in idem alegado pela Recorrente, haja vista que as duas multas aplicadas referemse a infrações diferentes. Sendo distintas as infrações, é cabível a aplicação cumulativa das duas penalidades conforme previsto no caput do art. 74 da Lei nº 4.502, de 1964, a seguir transcrito (negrito acrescentado): Art. 74. Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas ou quando ocorrerem as hipóteses previstas no art. 85 e em seu parágrafo. III DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 15504.007801/2010-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA EM SUA ESSÊNCIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA.
Cabível a aplicação do artigo 114, §12, inciso I, do RICARF - faculdade do relator de adotar os mesmos fundamentos da decisão recorrida.
DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO.
A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal (Súmula CARF nº 180).
Numero da decisão: 2001-006.856
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, Andressa Pegoraro Tomazela e Wilderson Botto que lhe davam provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilsom de Moraes Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Andressa Pegoraro Tomazela, Cleber Ferreira Nunes Leite (suplente convocado), Wilderson Botto, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO
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REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA EM SUA ESSÊNCIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA. Cabível a aplicação do artigo 114, §12, inciso I, do RICARF - faculdade do relator de adotar os mesmos fundamentos da decisão recorrida. DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO. A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal (Súmula CARF nº 180). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso, Andressa Pegoraro Tomazela e Wilderson Botto que lhe davam provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wilsom de Moraes Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Andressa Pegoraro Tomazela, Cleber Ferreira Nunes Leite (suplente convocado), Wilderson Botto, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 78 01 /2 01 0- 82 Fl. 176DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 Relatório A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 02-37.741 da 9ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG (fls. 99 e segs.). Trata-se de Notificação de Lançamento lavrada contra a contribuinte acima identificada relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, ano-calendário 2007, formalizando um saldo de imposto a restituir de R$288,31. Na declaração original, a contribuinte havia apurado um valor de imposto a restituir de R$15.247,76. O lançamento reporta-se aos dados informados na declaração de ajuste anual da interessada, fls. 85 a 90, entre os quais foi glosado o valor de R$54.398,00, indevidamente deduzido a titulo de despesas médicas. No campo complementação da descrição dos fatos, a autoridade lançadora esclarece que, depois de intimada a apresentar os comprovantes originais e cópias das despesas médicas, a contribuinte apresentou o informativo da Unimed BH com os valores pagos de plano de saúde comprovando como dedutível em seu nome a importância de R$3.835,78. Apresentou ainda vários recibos relacionados na fl. 70. Analisando a documentação relacionada, a autoridade lançadora intimou novamente a contribuinte a comprovar o efetivo pagamento dos valores declarados aos profissionais Jupiara Tomé de Oliveira Palermo, CPF 497.940.516-91, Tatiana Penido Figueiredo, CPF 013.281.716-04, Aline Rosa Lazzarotti, CPF 012.104.606-02, Renata Lemos Ferrari, CPF 902.280.066-00 e Joy Vieira Suman, CPF 155.019.576-04, com documentos tais como microfilmagens dos cheques utilizados para os pagamentos ou cópias dos extratos bancários em que constassem saques /compensações de cheques com compatibilidade de datas e valores em relação aos recibos por eles emitidos. Em resposta, a contribuinte apresentou o extrato bancário do Banco do Brasil, referente a conta corrente nº 5.537-9. Primeiramente, com referência aos pagamentos informados como pagos em cheques nos recibos emitidos por Renata Lemos Ferrari, não consta no extrato apresentado nenhum cheque compensado nos valores especificados nos recibos emitidos pela profissional citada. Não foram apresentadas as cópias microfilmadas dos cheques, cujos valores foram relacionados nos dois recibos emitidos por Renata Lemos Ferrari, o que de fato comprovaria o efetivo pagamento nos termos da intimação expedida. Com referência aos outros profissionais relacionados na intimação fiscal, confrontando- se os saques e cheques assinalados com os valores dos recibos, verifica-se divergências de toda ordem como insuficiência de valor tanto dos saques como dos cheques compensados em relação aos recibos, saques ocorridos em datas muito anteriores ou muito posteriores as datas de emissão dos recibos. Assim, não há como ficar comprovada de alguma forma a transferência dos valores constantes de cada recibo para o profissional emitente do mesmo, restando incomprovado o efetivo pagamento dos valores declarados aos profissionais citados na intimação fiscal. Assim, deixou-se de acatar os seguintes pagamentos pleiteados como dedução a titulo de despesas médicas, relacionadas na DIRPF/08: - R$ 8.400,00 Jupiara Tomé de Oliveira Palermo - CPF 497.940.516-91; - R$ 5.500,00 Tatiana Penido Figueiredo - CPF 013.281.716-04; - R$ 6.000,00 Aline Rosa Lazzarotti - CPF 012.104.606-02; - R$ 7.100,00 Ana Cristina Moreira Silva Araújo - CPF 903.275.606-06; - R$12.900,00 Renata Lemos Ferrari - CPF 902.280.066-00; - R$14.498,00 Joy Vieira Suman - CPF 155.019.576-04. Fl. 177DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 A contribuinte tomou ciência da notificação, pela via postal, em 12/04/2010 e apresentou a impugnação de fls. 02/49, em 06/05/2010, instruída com as cópias de documentos de fls. 50/74, onde alega, em síntese, o que se segue. Informa que foi acometida nos últimos anos de graves problemas de saúde decorrentes principalmente de um derrame na cabeça do fêmur, o que desencadeou perda óssea, artrite reumatóide, artrose e osteoporose. Além disso, sofre de fibromialgia. Teve um problema dentário gravíssimo decorrente da perda óssea no corpo, que a levou a fazer quatorze cirurgias na boca e vários tratamentos dentários. Em face disso teve dispêndios médicos que podem ser abatidas da base de cálculo do imposto de renda pessoa física. Afirma que as despesas foram pagas pela própria impugnante e os serviços efetivamente prestados a ela. Diz que tudo está indicado nos recibos apresentados e nas declarações juntadas. Ressalta que as declarações emitidas pela psicóloga Jupiara Tomé de Oliveira Palermo, pela fisioterapeuta Aline Rosa Lazzarotti e pelos dentistas Tatiana Penido Figueiredo, Ana Cristina Moreira Silva Araújo, Renata Lemos Ferrari e Joy Suman Vieira comprovam que os tratamentos foram realizados pela própria contribuinte, sendo que ainda está descrito quais os tratamentos clínicos a que se submeteu e o porquê de tais tratamentos. E foi especificado inclusive o diagnóstico da impugnante e seu quadro clinico físico-psicológico. Afirma que a dedução das despesas médicas é um direito insofismável determinado pela legislação pertinente, que deve ser aceito pelo fisco, uma vez que a impugnante preencheu os requisitos exigidos pela legislação de regência. Colaciona julgados administrativos. Aduz que os pagamentos foram realizados em espécie e os saques não ocorriam exatamente no dia e hora da assinatura do recibo. Para pagamentos em espécie a legislação não exige que o contribuinte comprove que o saque em sua conta corrente ocorra no dia exato da assinatura do recibo e pelo valor exato pago ao prestador de serviço. Mas é isso que o Fisco exige como condição para o abatimento da despesa médica. Junta doutrina sobre o assunto e afirma que a vedação à dedutibilidade integral das despesas médicas efetivamente realizadas implica a tributação dos valores que excedem o limite permitido. Com efeito, se a contribuinte gastou R$63.686,46 e o Fisco só permite a dedução de R$9.288,46, a diferença (54.398,00), da qual ele se viu despojado para custear suas despesas médicas, compõem a base imponível do tributo. Este incide, portanto, sobre aquilo que se encontra fora de seu patrimônio. Tem-se, em tal hipótese, não a tributação da renda, mas sim a incidência sobre a receita. Traça extenso arrazoado sobre o lançamento de tributos por presunção. Destaca que é inadmissível concluir que todos os recibos são inidôneos porque não ocorreu saque nos exatos dias dos recibos, mas em dias anteriores ou posteriores a estes. E mais, porque no recibo não consta o nome completo da Impugnante. Requer que seja-lhe dispensado julgamento condigno com os ditames legais e morais que devem nortear a Administração Pública, para que, ao final seja mantido o abatimento das despesas médicas, julgando improcedente o lançamento fiscal e determinando a restituição integral do imposto de renda pessoa física após a recomposição da base de cálculo. Após análise, a DRJ não acatou os argumentos da contribuinte. Do voto do acórdão recorrido: Fl. 178DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 Na peça impugnatória, a contribuinte alega que apresentou os recibos comprovando as despesas médicas realizadas, que são suficientes para demonstrar a efetividade do pagamento. Junta à impugnação declarações de duas profissionais. Inicialmente, quanto à glosa efetuada do valor declarado como pago ao plano de saúde Unimed BH, observo que a contribuinte nada alegou a respeito na impugnação apresentada. Desta forma, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considera-se não impugnada a matéria que não foi expressamente contestada, razão pela qual mantém-se o Imposto incidente sobre a mesma, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autoridade fiscal, em seu relatório, informa que relativamente às despesas médicas, a contribuinte foi intimada a, além de apresentar os recibos, comprovar seu efetivo pagamento. Na DIRPF ora em análise, verifica-se que as deduções pleiteadas são expressivas, totalizando o montante de R$58.233,78. Veja que ante ao valor das deduções pleiteadas, cabe à autoridade fiscal, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias para preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do §1º do artigo 73 do RIR/99. De acordo com o art. 8º, inc. II, alínea “a” da Lei nº 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, para apuração da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, restringindo-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. De acordo com o § 2º, III do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Por sua vez, o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: “Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para a impugnante o ônus de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, deve assumir as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Não cabe ao fisco, neste caso, obter provas da inidoneidade do recibo, mas, sim, à impugnante apresentar elementos que dirimam qualquer dúvida que paire a esse respeito sobre o documento. Nesta seara, saliente-se que, em princípio, admitem-se como provas de pagamentos os recibos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços. Entretanto, como destacado na notificação de lançamento, pode a autoridade fiscal, a seu juízo, com base no citado art. 73 do RIR/1999, quando as deduções forem exageradas, exigir outros meios complementares de provas em relação a todas ou a algumas despesas declaradas, o que, ressalte-se, foi feito já no início do procedimento fiscal efetuado, no qual, além dos comprovantes das despesas médicas, foram exigidos também documentos que evidenciassem a efetiva realização dos pagamentos correspondentes. Exige-se nesses casos, a comprovação da prestação dos serviços e, principalmente, da efetiva realização dos pagamentos correspondentes. Para a comprovação da efetividade dos pagamentos sugere-se: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de Fl. 179DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também a interessada apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais. Com efeito, inexiste obrigação legal de que a contribuinte efetue os pagamentos com cheque cruzado e nominal, mas deve ter em conta que, caso tenha intenção de beneficiar-se de dedução de despesa médica, a questão passa a envolver não apenas ela e o profissional de saúde, mas também o Fisco. Nesse sentido, deve acautelar-se, mantendo sob sua guarda os elementos de prova da efetividade do serviço e do pagamento, pois à contribuinte incumbe o ônus da prova da regularidade da dedução pleiteada, ao contrário do que alega a impugnante. Junto a impugnação a contribuinte anexou novamente os recibos das despesas médicas e duas declarações das profissionais informando que receberam os valores ali descritos. Nada foi juntado para demonstrar o efetivo pagamento dessas despesas. No presente caso, poderiam ter sido juntados aos autos como prova do pagamento, cópias de cheques nominais às prestadoras dos serviços, devidamente compensados, cópia de exames médicos realizados em função do tratamento que se declara ter sido pago, comprovantes de transferências bancárias, ou quaisquer outros documentos que, de forma inconteste, se prestassem a provar o alegado, o que não ocorreu. Registre-se que, em defesa do interesse público, para gozar as deduções com despesas médicas, não basta ao contribuinte a disponibilidade de simples recibos e declarações, cabendo a esse, se questionado pela autoridade administrativa, comprovar, de forma objetiva a efetiva prestação do serviço médico e o pagamento realizado. No caso, não há indicação nos autos da comprovação do efetivo pagamento dessas duas despesas médicas. Os recibos oferecidos, por si sós, são considerados insuficientes para a aceitação da referida dedução no montante declarado, levando em conta o valor envolvido, pois, na verdade, fazem prova tão somente das declarações neles contidas, não dos fatos declarados. As declarações constantes de documentos particulares presumem-se verdadeiras apenas em relação às partes que participaram do ato, como dispunha o art. 131, caput, do Código Civil de 1916, o parágrafo único do art. 219 do Código Civil atual e, ainda, o art. 368 do Código de Processo Civil. Desta feita, verifico que os elementos trazidos pela contribuinte ao processo não são suficientes para formar a convicção de que esses valores informados foram, de fato, transferidos para os profissionais de saúde indicados, razão pela qual a glosa desses pagamentos deve ser mantida. Ante o exposto, voto por considerar improcedente a impugnação ao lançamento consubstanciado na presente Notificação de Lançamento, exercício 2009, ano calendário 2008 para manter o valor de imposto a restituir no montante de R$288,31. Cientificado da decisão de primeira instância em 20/03/2012, o sujeito passivo interpôs, em 13/04/2012, Recurso Voluntário, fl. 112, por meio do qual, em apertada síntese, sustenta que as despesas médicas deduzidas estão comprovadas nos autos por meio dos recibos e declarações apresentados. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. Despesas médicas REGIMENTO INTERNO DO CARF – APLICAÇÃO do art. 114, § 12, inciso I Da análise do recurso voluntário impetrado, tem-se que por meio do mesmo a contribuinte não apresenta, em sua essência, novas razões de defesa além das já trazidas em sede de impugnação na primeira instância julgadora administrativa. Os argumentos nesse sentido que sobem a este CARF em sede de recurso voluntário já foram objeto de minuciosa apreciação pela turma julgadora da DRJ, cujas análises e conclusões estão discorridas com clareza no voto posto no Acórdão recorrido, conforme transcrito acima na parte “Relatório” do presente acórdão. Do Regimento Interno do CARF, art. 114 : (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; e (...) Desta forma, confirmo e adoto integralmente a decisão da primeira instância julgadora administrativa, pelos seus próprios fundamentos, e acrescento como segue. É lícito ao Fisco exigir, a seu critério, elementos comprobatórios das despesas, caso haja indícios que levem a questionamentos da efetividade da prestação dos serviços, de a quem foram prestados ou sobre quem assumiu seu ônus. A não apresentação dos elementos solicitados, ou sua não aceitação como hábeis e idôneos, pode ensejar a glosa dos valores deduzidos. Nesse sentido a Súmula CARF nº 180: Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. Trata-se o IRPF apurado na declaração de ajuste anual de um dos tributos para os quais ocorre o denominado lançamento por homologação, vale dizer, aquele em que o sujeito passivo tem o dever de apurar, declarar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. O pagamento assim antecipado extingue o crédito sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Cabe nesse caso ao contribuinte apurar os rendimentos tributáveis e, caso queira, deduzir as despesas da natureza e nos limites que a lei lhe faculta, para então estabelecer a base de cálculo do imposto. Fl. 181DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 Como regra, não são dedutíveis da base de cálculo do IRPF as despesas gerais do contribuinte, quer sejam necessárias, indispensáveis ou meramente úteis, como aluguel do imóvel em que reside, alimentação, lazer, pagamento de aulas de idiomas estrangeiros, e uma infinidade de outras. As despesas dedutíveis são, em verdade, exceções que o legislador entendeu por conceder, atendidas determinados limites e condições. Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. No curso da ação fiscal, deve o auditor responsável intimar com clareza o contribuinte fiscalizado sobre que elementos devem ser apresentados para análise dos fatos a serem apurados, descrevendo-os de forma a perfeitamente identificá-los. Posteriormente, caso a autoridade fiscal conclua pelo lançamento do crédito tributário, deve apresentar a descrição clara e objetiva dos fatos e das infrações cometidas que ensejaram a apuração do mesmo. Isso para que o contribuinte possa, caso queira, exercer plenamente seu direito de defesa. No caso em comento, é de se considerar bastante plausível a exigência de elementos adicionais de provas , pois tem-se que o valor deduzido a título de despesas médicas é sem dúvida significativo. É de se esperar que em tratamentos que resultaram em tal monta de despesas seja possível a apresentação de elementos que comprovem a efetiva transferência de pagamentos, o que não foi feito no caso das supostas despesas glosadas pela Fiscalização. Uma vez que não foi apresentada a comprovação exigida, devem ser mantidas as glosas das deduções das despesas médicas. Pelas mesmas razões já discorridas no voto da DRJ, os argumentos trazidos pela contribuinte em seu Recurso Voluntário são improcedentes, e portanto deve ser mantida a decisão da turma julgadora de primeira instância administrativa. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 182DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso 01 – Pedi vista de mesa dos autos para melhor análise do ponto relativo aos seguintes profissionais em vista da grande dúvida a respeito do assunto ser muitas vezes casuístico e dependente de melhor análise do conjunto probatório. 02 – Abaixo segue as glosas das despesas médicas indicadas pela decisão de piso, verbis: “Assim, deixou-se de acatar os seguintes pagamentos pleiteados como dedução a titulo de despesas médicas, relacionadas na DIRPF/08: - R$ 8.400,00 Jupiara Tomé de Oliveira Palermo - CPF 497.940.516-91; - R$ 5.500,00 Tatiana Penido Figueiredo - CPF 013.281.716-04; - R$ 6.000,00 Aline Rosa Lazzarotti - CPF 012.104.606-02; - R$ 7.100,00 Ana Cristina Moreira Silva Araújo - CPF 903.275.606-06; - R$12.900,00 Renata Lemos Ferrari - CPF 902.280.066-00; - R$14.498,00 Joy Vieira Suman - CPF 155.019.576-04. 03- Inclusive a decisão de piso diz sobre a glosa e pagamentos relativos a despesas médicas, nesse caso vou traçar alguns detalhes a respeito da decisão de piso que está sendo revisada, verbis: “Por sua vez, o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: “Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.” (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (...) omissis Exige-se nesses casos, a comprovação da prestação dos serviços e, principalmente, da efetiva realização dos pagamentos correspondentes. Para a comprovação da efetividade dos pagamentos sugere-se: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também a Fl. 183DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 interessada apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais.” Grifei 04 – Diz em síntese a decisão de piso que a comprovação ou justificação está à juízo da autoridade lançadora, logo entendo que apesar dos Conselheiros do CARF não terem a atividade lançadora, mas fazem sua revisão administrativa dentro de suas competências estabelecidas em Lei. 05- Logo em seguida a decisão sugere alguns documentos relativos à forma de comprovação do efetivo pagamento tal como cópias de cheque (que sequer existe mais seu uso diga-se de passagem), mas no caso podemos considerar na minha visão como meros exemplos de meios de pagamento e não um rol restrito a ser seguido pelo contribuinte, ficando também, da mesma forma a critério do órgão julgador a análise das despesas de acordo com o conjunto probatório para entender como comprovado ou justificado tal despesa. 06 – Vamos aos profissionais indicados na decisão de piso e que foram glosados, o serviço declarado realizado às e-fls. 69 da dentista Tatiana Penido Ferreira CPF 013.281.716- 04 CRO/MG 29804 encontra-se os recibos e declaração do serviço prestado e o tratamento identificado, não havendo nesse caso avaliando assinaturas e diversos outros elementos que contrariem a despesa realizada. 07 – A profissional Aline Rosa Lazzarotti CPF 012.104.606-02 CREFITO 4/80136 F de e-fls. 65 indica o tratamento realizado: 08 – Entendo que pelos documentos de e-fls. 61 (relatório de atendimento odontológico (ortodôntico, aparelho) quanto a profissional Ana Cristina Moreira Silva Araújo CPF 903.275.606-06 CRO/MG 19924 em e-fls. 61 indicam inclusive o tratamento elaborado na paciente: Fl. 184DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 09 – Do mesmo modo que o trabalho acima da profissional dentista desenvolvido pela dentista Renata Lemos Ferrari CPF 902.280.066-00 CRO/MG 24703 e-fls. 58 em que diz em sua declaração da prestação de serviço aplico a mesma razão de decidir, havendo no mínimo o nome, cadastro do profissional assinatura e serviço realizado entendo por ser afastada a aplicação por exemplo da súmula Carf nº 180 que não foi fundamento do voto do I. Relator mas apenas para fins didáticos estou incluindo: 10– A dentista Joy Vieira Suman, CPF 155.019.576-04 CRO/MG 4425 entendo que pelos documentos de e-fls. 52 (indicam inclusive o tratamento elaborado na paciente relatório de atendimento odontológico) óbvio que havendo fotos do tratamento por exemplo do tratamento auxilia mais ainda na convicção do julgador mas diante do temo decorrido nem se espera que o profissional os tenha ou o contribuinte guarde por 5 (cinco) anos: 11 – Entendo que por essas declarações são meios de prova da realização do trabalho efetuado que foi remunerado pelo contribuinte de alguma forma, veja que em todos existe inscrição do cadastro profissional podendo o Fisco efetuar diligência nesses locais e até mesmo cruzar informações para saber sobre a realidade fática. 12 – Portanto, na minha opinião contendo ao menos o trabalho exercido, nome cadastro profissional é um elemento forte e robusto no conjunto probatório, mas não como prova única, havendo prognóstico e exames são elementos adicionais que afastam a aplicação da súmula CARF nº 180 que diz: Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais, a Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2001-006.856 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.007801/2010-82 apenas os meros recibos de e-fls 52/57, apesar de não ter sido o fundamento do voto do I. Relator foi apenas indicada a título didático. 12 – Portanto com base nesses meios de prova divirjo do sempre bem fundamentado voto do ilustre Relator e nesse caso com a devida vênia entendo por dar provimento ao recurso da contribuinte. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 186DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13671.000131/2003-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/01/1998 a 31/05/1998
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF FUNDAMENTADO EM ALEGAÇÃO QUE NÃO SE CONFIRMOU (Proc. inexistente no Profisc). NULIDADE.
De se cancelar o lançamento motivado unicamente em alegação que não se confirmou, qual seja, que não existiria no “Profisc” o processo administrativo indicado pela autuada em sua DCTF para comprovar a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados. Na verdade, o processo indicado na DCTF, ao menos na época em que essa fora entregue, existia, tendo sido levado para o arquivo, e, portanto, não mais constando do “Profisc” somente anos depois, o que não poderia invalidar a informação prestada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3401-001.815
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado,
Nome do relator: ODASSI GUEZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1998 a 31/05/1998 AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE AUDITORIA ELETRÔNICA DE DCTF FUNDAMENTADO EM ALEGAÇÃO QUE NÃO SE CONFIRMOU (Proc. inexistente no Profisc). NULIDADE. De se cancelar o lançamento motivado unicamente em alegação que não se confirmou, qual seja, que não existiria no “Profisc” o processo administrativo indicado pela autuada em sua DCTF para comprovar a suspensão da exigibilidade dos débitos declarados. Na verdade, o processo indicado na DCTF, ao menos na época em que essa fora entregue, existia, tendo sido levado para o arquivo, e, portanto, não mais constando do “Profisc” somente anos depois, o que não poderia invalidar a informação prestada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, [Tabela de Resultados] Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O presente processo retorna a esta Turma com a determinação da Câmara Superior de Recursos Fiscais para que o mérito seja apreciado. Ocorreu que, por conta de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o nosso Acórdão nº 340100.515, de 3 de dezembro de 2009, em que, de ofício, reconhecêramos a decadência de todo o lançamento pela aplicação da regra do § 4º do art. 150, do Código Tributário Nacional, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no seu Acórdão nº 930301.532, de 5 de julho de 2011, entendeu que, no caso, o dispositivo a ser aplicado seria o inciso I do artigo 173, do mesmo CTN, porquanto considerou inexistir “pagamento antecipado”, não podendo ser consideradas para esse fim as compensações existentes. Assim, todas as demais questões foram devolvidas a esta Turma para novo julgamento, motivo pelo qual faço abaixo um breve apanhado de seu teor. Breve histórico Tratase de auto de infração decorrente de auditoria eletrônica em DCTF cientificado ao sujeito passivo em 02/07/2003 para a exigência de Pis/Pasep dos períodos de apuração de janeiro a maio de 1998. O fundamento para a autuação foi de que o processo administrativo indicado pela autuada na DCTF para justificar a compensação não teria sido encontrado no “Profisc” [Proc. Inexistente no Profisc]. Na impugnação entregue em agosto de 2003 a autuada alegou que efetuara a compensação de tais débitos do Pis/Pasep em outro processo administrativo, o de nº 13671.000009/9865, mediante o aproveitamento de créditos do Finsocial pago a maior, crédito esse que teria sido, inclusive, reconhecido judicialmente, com decisão transitada em julgado em 19/11/2002, antes, portanto, da presente autuação fiscal, nos autos do processo nº 2000.01.00.0695219/MG. E que, desconsiderando tal direito, especialmente o contido no art. 66, da Lei nº 8.383/91, o fisco teria incorrido em uma arbitrariedade em em violação ao princípio da moralidade. À impugnação anexou a cópia de um documento de sua lavra, datado de 23/10/2002, dando conta à Administração Tributária da existência de uma decisão judicial datada de 11/09/2002 garantindolhe o direito ao aproveitamento de créditos de Finsocial para a compensação de débitos fiscais, dentre os quais os objetos do presente lançamento. Fez menção a que referida decisão se dera em sentido contrário ao que decidido no citado processo administrativo nº 13671.000009/9865, e relacionando os débitos, inseriu no item 5 do referido documento: “05 Para efeitos administrativos e, ainda, ern atendimento ao disposto no §. 1º, do art. 21, da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30.09.2002, anexado é à presente DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, bem como planilha demonstrativa bastante à indicação da respectiva base de cálculo, valor pago, valor devido, diferença ehtre o valor pago e o valor devido, índice de atualização, expurgos inflacionários, variação da selic, crédito mensal e acumulado” (destaque do original) Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13671.000131/200397 Acórdão n.º 340101.815 S3C4T1 Fl. 203 3 Observo, todavia, que neste processo não consta a tal “Declaração de Compensação” a que se referira a impugnante e que estaria a esta anexada. Encontrase às fls. 70/72 deste processo, cópia da Decisão da Seção de Tributação da DRF/DivinópolisMG, datada de 16/10/2000, e proferida nos autos do citado processo nº 13671.000009/9865, indeferindo os pedidos de restituição e de compensação sob os argumentos de que, primeiro, não havia ainda decisão judicial com trânsito em julgado e o direito de repetir os indébitos estaria prescrito. Deixou, todavia a ressalva na parte final do voto: “Confirmada a decisão judicial, nos termos em que proferida, o interessado poderá compensar os seus débitos, cabendo à SRF a verificação quanto ao acerto dos cálculos.” A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteBH, com base na conclusão da diligência fiscal por ela própria determinada, considerou ser correta a autuação porquanto, na apreciação do direito de crédito constante do processo administrativo nº 13671.000009/9865, a DRF/DivinópolisMG indeferira o pleito, sendo que não houve a apresentação de contestação por parte da interessada. Além disso, que os procedimentos de compensação somente podem ser realizados mediante condições e sob garantias previstas em lei, a teor do disposto no art. 170 do CTN. No Recurso Voluntário a recorrente, inicialmente, alegou malferimento ao diposto no artigo 93 da Constituição Federal por conta de, a seu ver, a decisão da DRJ não ter motivação e de não ter feito considerações quanto à prescrição ou não do direito à restituição do crédito de Finsocial, omissão essa que implicaria em nulidade do Acórdão. Argumentou ainda que não se levou em conta ao decidir o entendimento que se extrai da leitura conjunta do caput e dos seus parágrafos segundo e terceiro do art. 150 do CTN, ou seja, que compensara os débitos ora lançados com créditos do Finsocial. No mais, repetiu os argumentos já postos em sua Manifestação de Inconformidade. Observações adicionais Antes de passar ao voto, peço vênia aos demais Conselheiros para tecer algumas considerações acerca de minha divergência quanto a alguns aspectos que envolveram a admissibilidade do Recurso Especial e o novo julgamento da CSRF. A “nítida divergência” apontada pela Procuradoria da Fazenda Nacional no seu Recurso Especial, à fl. 189, entre o acórdão recorrido e o acórdão por ela adotado como paradigma, com o devido acatamento, não existe. E por quê não existe? Porque em nenhuma parte do Acórdão recorrido será encontrada qualquer referência à existência, ou não, de pagamento antecipado. Ele simplesmente omite essa informação, embora, eu, na condição de Relator, tivesse levado em conta que as compensações caracterizariamse, sim, ou melhor, teriam os mesmos efeitos que o de um “pagamento antecipado” para fins de definição do dispositivo legal a ser invocado; mas isso não foi transposto para o Voto. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 É que, na época em que proferido o Acórdão, a minha opinião era vencida pela maioria quanto a esse aspecto, ou seja, enquanto eu me perfilava ao lado da tese do STJ que acabou por prevalecer e ser acatada por todos, inclusive, por força das disposições regimentais do CARF, os demais pares não condicionavam a utilização da regra do § 4º do art. 150 do CTN à existência ou não de pagamento antecipado. E, em assim o sendo, não havia o cuidado de se explicitar a motivação a utilização do artigo 150 pela caracterização da existência de pagamento antecipado. Então, à rigor, o Acórdão padecia de uma “omissão” e/ou de uma “obscuridade”, vícios esses ensejadores, data vênia, de Embargos de Declaração e não de Recurso Especial, tanto assim, que, em situações quetais, em outros processos, eu recebera embargos dessa natureza por parte da PFN no sentido justamente de apontar, no processo, onde estaria a evidência da existência de pagamento antecipado. Repito: não procede a afirmação da Procuradoria da Fazenda Nacional de que o Acórdão teria considerado que o termo inicial de contagem do prazo decadencial se daria segundo o art. 150, § 4º, do CTN, verbis, “[...] sendo irrelevante o fato de haver ou não pagamento”. Isso, a menção ou não da existência de pagamento, não constou sequer do Relatório. De outra parte, tampouco se encontra nos Acórdãos ditos paragmáticos contrapostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, nem mesmo no Acórdão desta Câmara contra o qual fora interposto o Recurso Especial de “Divergência” (!!) qualquer menção a uma discussão ou entendimento de que uma “compensação” equivaleria a um “pagamento antecipado”. Isso veio à tona no voto da CSRF por conta, certamente, desse argumento ter sido inserido no processo por meio das Contrarrazões da interessada. Essas, portanto, as razões de minha divergência. Não obstante, curvome à determinação exarada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais para que sejam tratadas as demais questões de mérito do processo. No essencial, é o relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13671.000131/200397 Acórdão n.º 340101.815 S3C4T1 Fl. 204 5 Voto Conselheiro Relator Odassi Guerzoni Filho Nulidades A prejudicial de nulidade apontada pela recorrente deve ser afastada porquanto a DRJ não haveria mesmo que se referir a aspectos relacionados a outro processo administrativo que não o presente, ou seja, a questão da prescrição e da motivação para o indeferimento do pedido contido no processo administrativo nº 13671.000009/9865, muito embora com este guarde relação. Além disso, de se ressaltar, a interessada sequer manifestou inconformismo com a decisão que lhe fora contrária no citado processo. Por outro lado, mesmo não tendo a Recorrente se insurgido contra a não comprovação da única motivação de que se valeu a autuação, qual seja, a de que o processo administrativo indicado na DCTF não existiria no “Profisc”, levanto eu, de ofício, a nulidade do auto de infração e o faço por ser a nulidade matéria de ordem pública. Como procurei demonstrar acima, o auto de infração teve como motivação a inexistência do processo administrativo nº 13671.000009/9865 no “Profisc”, ou seja, tendo, de um lado, a autuada indicado em suas DCTF que os débitos do Pis/Pasep ali confessados haviam sido quitados mediante compensação postulada no referido processo e, de outro, os sistemas eletrônicos da Receita Federal não localizado a existência do mesmo, considerouse que tais débitos estavam mesmo desvinculados de qualquer crédito, daí a sua constituição de ofício. Neste ponto, considero importante reproduzir excertos da diligência realizada pela autoridade fiscal determinada que fora pela instância de píso, porquanto trazem mais detalhes sobre o caso: “1 Em 26/01/98 a impugnante protocolou Pedido de Restituição de valores supostamente recolhidos a maior em função da majoração das aliquotas do Finsocial, nos períodos de 01/88 a 03/92, autuado no processo administrativo n° 13671.000009/9865. 2 Concomitantemente ao pedido de restituição ou protocoladas em data posterior, foram juntadas ao processo diversos Pedidos de Compensação contendo, entre outros, os débitos exigidos no presente Auto de Infração. 3 Antes de qualquer decisão administrativa relativa ao pleito a autuada efetivou as compensações, informandoas nas DCTF do 1° ao 4° trimestre de 1998, vinculadas ao processo administrativo 13671.000009/9865. 4 Em 15/06/98, a antiga Seção de Arrecadação — SASAR, analisou o pedido de compensação, relativa aos débitos de Cofins, sob a ótica da IN 032/97, concluindo que o pedido não preenchia os requisitos necessários para convalidação. Desta decisão foi dado ciência à autuada em 15/07/98. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 5 Em 16/10/2000, a antiga Seção de Tributação da DRF/Divinópolis concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. 6 Em 17/12/98, antes, portanto, da decisão administrativa, a autuada ajuizou ação ordinária em face da União com o mesmo objeto do pedido administrativo, cuja identidade de causa de pedir pode ser demonstrada pelos documentos de fls. 104/116 (cópias do pedido administrativo e da sentença de primeira instância). 7 Assim, temse que ao intentar medida judicial discutindo o mesmo objeto daquele debatido no processo administrativo, a autuada renunciou à esfera administrativa o deslinde de seu pleito. Portanto, a decisão administrativa proferida em 16/10/2000 não tem valor jurídico posto que, além de já caracterizada a renúncia, foi proferida após a decisão judicial de primeira instância. 8 Isso posto, a análise se restringe ao que foi decidido nos autos da ação n° 1998.38.00.0461826, o que se passa a fazer a seguir. 9 A ação, de rito ordinário, foi ajuizada em 17/12/98, com pedido de tutela antecipada indeferido em 01/06/99 (fls. 114 consulta processual). 10. Em 13/12/99 a decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente o pedido para declarar compensáveis os valores efetivamente recolhidos acima da aliquota de 0,5%, nos dez anos imediatamente anteriores ao ajuizamento da ação, com correção monetária pelo IPC e seus sucedâneos, no período anterior à UFIR, e juros de mora de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado; a partir de janeiro/96, com correção monetária e juros pela Selic. (fls. 111). A publicação da sentença se deu em 17/01/00 (fls. 113consulta processual). 11. Em 11/09/02, o TRF da 1ª Regido, negou provimento as apelações e deu parcial provimento à remessa para ajustar os critérios de correção do indébito, determinando que a correção monetária seja feita até 31/12/95 com a aplicação dos expurgos inflacionários, nos termos da Súmula 252 — STJ, e a partir de janeiro de 1996, pela taxa SELIC, afastada qualquer outra forma de correção ou remuneração. 12. 0 Acórdão transitou em julgado em 19/11/2002. 13. Considerando que o pedido de antecipação de tutela foi indeferido e que o recurso da Fazenda Nacional (Unido) foi recebido no efeito suspensivo (fls. 113 consulta processual), temse que a autuada somente teria direito à utilização do crédito para efetuar compensações após 19/11/2002, data em que houve o trânsito em julgado do acórdão. É de relevância observar que nesta data já se encontrava em vigor a "Declaração de Compensação", instituída pelo artigo 74 da lei 9.430/96, dada pelo art. 49 da MP n° 66/02, e IN SRF n° 210/202. Contudo, não há registro nos sistemas da RFB da entrada de Declaração de Compensação da autuada para utilização do referido crédito, e tampouco houve retificações das DCTF que vincularam as compensações ao PAF 13671.000009/9865. 14. Por tudo que foi exposto, respondese o que foi solicitado no pedido de diligência da seguinte forma: 14.1 as compensações efetuadas unilateralmente pela autuada e informadas nas DCTF do 1° ao 4° trimestre de 1998, não têm amparo na decisão judicial n° 2000.01.00.0695219 (Apelação Cível), posto que efetuadas no período de fevereiro/98 a junho/98, enquanto que a ação somente foi ajuizada em 17/12/98.” 14.2 no mesmo sentido, o processo administrativo n° 13671.000009/98 65 ao qual foram vinculadas as compensações nas DCTF não lhes dá respaldo Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13671.000131/200397 Acórdão n.º 340101.815 S3C4T1 Fl. 205 7 posto que a autuada renunciou o seu deslinde no âmbito administrativo com a propositura da ação judicial sobre a mesma matéria.” Vêse, portanto, que à época do lançamento, julho de 2003, o tal processo administrativo nº 13671.000009/9865 não mais existia mesmo nos sistemas de controle da Receita Federal e isso por uma razão muito singela: a de que a interessada deixara de apresentar Manifestação de Inconformidade contra a decisão administrativa de outubro de 2010 indeferindo os pedidos de restituição e de compensação lá contidos, o que provocou a sua extinção [arquivamento]. Poderseia dizer, então, que a motivação utilizada pela Fazenda para lavrar o presente auto de infração: “Processo inexistente no Profisc” estaria adequada aos fatos. Penso que não. Desde que aportei como Conselheiro do CARF eu venho defendendo a manutenção de lançamentos semelhantes ao do presente processo, como, por exemplo, naqueles cuja fundamentação utilizada seja “Proc. Jud. não comprovad.” e em que, não obstante tal imputação não se confirme (como ocorre neste processo), o contribuinte compreende a acusação que lhe está sendo feita e se defende quanto ao seu mérito, isto é, apresenta argumentação na linha de mostrar o seu direito ao crédito vergastado pelo Fisco. Assim, aparentemente, sua defesa não estaria sendo cerceada. Via de regra, nesses casos ocorre que, na verdade, o que não se confirma é a existência do crédito utilizado para a quitação (mediante compensação) dos débitos indicados em compensação mediante a indicação na DCTF de números de processos, administrativos ou judiciais, débitos esses que acabam sendo lançados de oficio por meio desses autos eletrônicos. E ao “conseguir” se defender (porque ela sabe que, na verdade, a causa da autuação foi o indeferimento de um pedido de reconhecimento de crédito) a autuada fornece munição para que a primeira instância de julgamento possa, aproveitando os argumentos postos na impugnação, “consertar”, “aperfeiçoar” os fundamentos do auto de infração eletrônico, motivando o seu indeferimento, agora sim, na falta da comprovação daquele crédito indicado na DCTF. É nesse ponto, portanto, que se constata uma nova motivação para o lançamento, ou seja, deixa ele de estar fundamentado, digamos, no “processo inexistente” ou no “processo não comprovado”, para ser fundamentado na “falta de crédito” capaz de suportar as compensações declaradas em DCTF. Mas, isso, agora admito, após reflexão sobre o tema, mostrase, à evidência, uma ilegalidade, visto que não é tarefa da DRJ aperfeiçoar ou modificar fundamentos da autuação, sob pena de incorrer em cerceamento de defesa do contribuinte. Nessa linha, reproduzo ementa do Acórdão nº 930301.508, de 31/05/2011, votação unânime, de Relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF quando do julgamento do Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional: “AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE – ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA Fl. 230DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 INSTÂNCIA Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, limitandose a indicar como dado concreto "PROC JUD DE OUTRO CNPJ", ou "PROC JUD NÃO COMPROVAD" e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fálico. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes.” Igualmente, o voto vencedor do acórdão nº 340300249, da lavra do conselheiro Ivan Allegretti, verbis: “Se a autuação tomou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstrou a existência da ação em seu nome, resta patente que o lançamento não tem suporte, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. Errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado como fundamento no momento da lavratura do auto de infração. Devese, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático.” No presente caso, temos que, na época em que a autuada entregou sua DCTF indicando as compensações, fez referência ao processo nº 13671.000009/9865, no qual existiria o crédito que as lastreavam (Pedido de Restituição de Finsocial entregue em janeiro de 1998), de modo que, ainda que sem decisão quanto à procedência ou não do referido crédito, o fato é que o tal processo existia, sim, no Profisc, de lá tendo saído para o arquivo alguns anos depois. Então, à época do auto de infração, em que a Administração Tributária não logrou encontrar o tal processo nos seus controles, a motivação do lançamento deveria ter sido “Falta de comprovação de crédito utilizado para compensar débitos” e não a utilizada, porque, repitase, quando a autuada preencheu a DCTF (em 1998) o processo nela indicado ainda existia no Profisc. Em face do exposto, reconheço, de ofício, a nulidade da autuação, por falta de motivação, deixando consignado esse meu novo posicionamento se deveu a uma melhor reflexão sobre o tema. É como voto. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13671.000131/200397 Acórdão n.º 340101.815 S3C4T1 Fl. 206 9 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15555.000017/2006-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999
Ementa:
PIS E CSLL. BENEFÍCIOS DO SIMPLES. NECESSIDADE DE OPÇÃO EXPRESSA.
Ainda que esteja enquadrada nas normas do SIMPLES, o contribuinte fará jus aos benefícios do sistema somente se fizer opção expressa, caso contrário deverá recolher COFINS e CSLL com base de cálculo e alíquotas previstas na legislação específicas de cada tributo.
Numero da decisão: 3401-001.806
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMÕES DE MENDONÇA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 115 1 114 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15555.000017/200661 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401001.806 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2012 Matéria COFINS Recorrente MACIFERRO MAT. DE CONST. IND. E COM. LTDA Recorrida DRJ RIO DE JANEIRO II/ RJ Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 Ementa: PIS E CSLL. BENEFÍCIOS DO SIMPLES. NECESSIDADE DE OPÇÃO EXPRESSA. Ainda que esteja enquadrada nas normas do SIMPLES, o contribuinte fará jus aos benefícios do sistema somente se fizer opção expressa, caso contrário deverá recolher COFINS e CSLL com base de cálculo e alíquotas previstas na legislação específicas de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator Fl. 116DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13185.QBXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 117DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13185.QBXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15555.000017/200661 Acórdão n.º 3401001.806 S3C4T1 Fl. 116 3 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação de débito do SIMPLES com crédito do período de janeiro de 1997 a dezembro de 1999, protocolizado em 05/12/2001 (fls. 02/05), com crédito de suposto recolhimento a maior da COFINS e da CSLL do mesmo período, conforme DARF’s de fls. 11 a 40, em razão de a empresa estar enquadrada no SIMPLES, mas ter recolhido as contribuições pelo modo convencional A Delegacia de origem indeferiu o pedido, sob fundamento de que, na época do recolhimento da COFINS e da CSLL, a Contribuinte não era optante do SIMPLES (fls.77/80). Após Manifestação de Inconformidade a DRJ no Rio de Janeiro manteve o indeferimento com o mesmo fundamento (falta de opção pelo simples) (fls.101/103). A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ em 20/12/2007 (fl.106) e interpôs Recurso Voluntário em 10/01/2008 (fl.107), apenas ratificando as razões da Manifestação de Inconformidade, quais sejam: que não sabia da necessidade de ter que optar expressamente pelo SIMPLES, e que recolheu a COFINS e a CSLL a maior por ser vítima da má orientação prestada na delegacia da receita federal de origem. É o Relatório. Voto Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende ser ressarcida sob argumento de ter recolhido a COFINS e a CSLL com a base de cálculo normal, quando deveria recolher pela sistemática do simples. Ocorre que a própria Recorrente reconhece que no período em questão (janeiro de 1997 a dezembro de 1999), apesar de se enquadrar no simples, não tinha feito a opção. Conforme informado em sua Manifestação Inconformidade (fl.113), a opção pelo SIMPLES foi feita somente em 2001. A norma que regulava o SIMPLES na data dos fatos geradoras era a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que assim dispunha: “Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Fl. 118DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13185.QBXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 (...) § 4° A inscrição no SIMPLES dispensa a pessoa jurídica do pagamento das demais contribuições instituídas pela União. (..) Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2° A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. (grifo nosso) Pelas disposições transcritas acima, temse que ser microempresa é apenas um dos requisitos para a inscrição no SIMPLES. Para que a inscrição seja efetivada, na forma da Lei nº 9.317/96, era necessário que o contribuinte fizesse a opção expressamente, mediante a alteração do seu CGC/MF e, após o cadastro, a sistemática do SIMPLES passava a valer somente a partir do período subseqüente. No caso em tela, a Recorrente fez a opção somente em 2001, de modo que nos anos de 1997 a 1999 a incidência dos tributos se dava pelo modo convencional, sem aplicação das normas do SIMPLES. Portanto, não há que se falar em recolhimento a maior, pois, em que pese estar enquadrada nas empresas que poderiam aderir ao SIMPLES, a Recorrente ainda não era optante na época dos fatos geradores. No que se refere ao argumento de que a Recorrente teria sido mal orientada, além de se tratar e mera alegação sem provas, esse fato não tem força para afastar a incidência legal de tributos. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de maio 2012. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Fl. 119DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13185.QBXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15555.000017/200661 Acórdão n.º 3401001.806 S3C4T1 Fl. 117 5 Fl. 120DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0120.13185.QBXM. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 19/06/2012 18:20:38. Documento autenticado digitalmente por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 19/06/2012. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 21/06/2012 e JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 19/06/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/01/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0120.13185.QBXM Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: DF0887424F70E2F17A1CE5BD3EC517B70420AD48 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15555.000017/2006-61. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10660.721852/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, as despesas médicas pagas em benefício do contribuinte titular ou de seus dependentes, quando comprovadas mediante documentação hábil e idônea na forma da legislação de regência.
Numero da decisão: 2102-003.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Jose Marcio Bittes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado(a)), Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Jose Marcio Bittes (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Jose Marcio Bittes - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado(a)), Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Jose Marcio Bittes (Presidente).
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São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, as despesas médicas pagas em benefício do contribuinte titular ou de seus dependentes, quando comprovadas mediante documentação hábil e idônea na forma da legislação de regência. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Jose Marcio Bittes - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado(a)), Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Jose Marcio Bittes (Presidente). Fl. 86DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.373 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.721852/2011-85 2 RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Para o(a) contribuinte acima identificado(a), foi lavrada a Notificação de Lançamento, relativa ao Exercício 2008, exigindo o crédito tributário de R$ 8.452,95, atualizado até 31/03/2011, tendo em vista a constatação de: • Dedução Indevida de Despesas Médicas: “Glosa do valor de R$ 15.000,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, (...) GLOSAM-SE os seguintes valores declarados a título de despesas médicas, por falta de comprovação: R$ 3.000,00 = Mariana Maciel Dinanno; R$ 6.000,00 = Liliane Mara dos Reis Silva Magalhães; R$ 3.000,00 = Fabrício Andrade Bertoldo; R$ 3.000,00 = Gabriela de Oliveira Moura.” Cientificado(a) do lançamento, o(a) interessado(a) apresentou a impugnação, na qual argumentou que: 1 Os documentos ora juntados demonstram que as despesas médicas declaradas referem-se a serviços odontológicos e de tratamento fisioterápico, prestados pessoalmente por profissional devidamente habilitado, diretamente ao declarante. Assim, todas as despesas médicas declaradas pelo impugnante têm previsão legal para sua dedução e não poderiam ser glosadas pela fiscalização; 2 Os beneficiários incluíram os valores recebidos nas suas respectivas declarações de ajuste anual; 3 Os serviços prestados referem-se a tratamentos de longo prazo, com a realização de sessões semanais de atendimento, pagas parceladamente, com o fornecimento de recibos mensais ou de um único recibo anual, por uma questão de praticidade, o que já se tornou uma prática usual, geralmente conhecida e aceita; 4 É perfeitamente plausível que os pagamentos tenham sido registrados como efetuados em dinheiro, uma vez que passou a ser prática reiterada receber e pagar em espécie, inclusive usando-se os cheques eventualmente recebidos como moeda, ao invés de depositá-los em banco; 5 Da leitura do “auto de infração e seus anexos” se conclui que as glosas de despesas médicas fundamentou-se exclusivamente na exigência de comprovação dos pagamentos através de cópias de cheques, ordens de pagamento, transferências, extratos bancários e/ou outras provas do seu efetivo desembolso. Todavia, a apresentação dos recibos faz prova efetiva de que os serviços foram prestados, ou seja, todos os itens exigidos pela legislação foram cumpridos e nada mais pode ser exigido do contribuinte. Portanto, se o Fl. 87DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.373 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.721852/2011-85 3 contribuinte apresentou os recibos de serviços atendendo os requisitos estabelecidos no art. 80 do RIR/99, sendo os profissionais habilitados e qualificados e estando em atividade na época da emissão dos documentos, nada mais pode ser exigido, por afronta dos princípios legais que regem o assunto, invertendo-se o ônus da prova, cabendo a fiscalização comprovar sua inidoneidade. 6 O entendimento predominante no Primeiro Conselho de Contribuintes, com competência para julgar a matéria, é de que os recibos são suficientes para restabelecer a dedução das mencionadas despesas, consoante ementas de decisões ora transcritas. Os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada contra a Notificação de Lançamento em apreço (acórdão 0947.821) para exigir do contribuinte o crédito tributário nela especificado, devidamente atualizado. Cientificado da decisão de primeira instância em 27/11/2013, o sujeito passivo interpôs, em 23/12/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, o recorrente apresentou todos os documentos necessários para comprovar suas despesas médicas, que são suficientes para respaldar suas deduções legais conforme previsto na legislação tributária. É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a ausência dos requisitos para fruição da dedução de despesas médicas pelos recibos apresentados nos autos. Importante ressaltar que, ao contrário do alegado pela DRJ, a intimação para fiscalização não requisitou a prova do efetivo pagamento. Tal exigência ocorreu em diligência realizada posteriormente. Assim, tenho, para mim, que tal exigência não pode ser vinculada à recorrente, sob pena de inovar na fundamentação da autuação, competência que é defesa à autoridade julgadora. Portanto, tenho que a análise recursal deve se reservar à regularidade dos recibos apresentados pela recorrente. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. Fl. 88DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.373 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.721852/2011-85 4 No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). No caso das deduções do Imposto de Renda Pessoa Física, o ônus da prova é do contribuinte, que é quem se beneficia da redução da base de cálculo do imposto, e, não o fazendo, deve este assumir as consequências legais, resultando no não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas. Ou seja, com isso o legislador deslocou para o contribuinte o ônus probatório, uma vez que ele pode ser instado a comprovar ou justificar suas deduções. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. O fato é que, apesar de reafirmar seu inconformismo por meio de recurso voluntário, remanesce a falta de atendimento aos requisitos legais para aceite dos recibos, como já indicado corretamente pela DRJ. O recorrente poderia ter diligenciado aos profissionais da saúde para obter o recibo com as informações complementares solicitadas pela legislação, saneando a inconsistência inquinada no lançamento fiscal. Mantém-se assim integralmente a glosa a título de despesas médica em questão. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 89DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10166.726830/2011-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 144, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHO MAIOR DE 24 ANOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. DEDUÇÃO DO IRPF. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 35, § 1º da Lei 9.250/95, apenas filhos de até 24 anos são considerados dependentes para fins tributários, de forma que, para que se proceda à dedução de pensão alimentícia paga a beneficiário de idade superior a esta, faz-se necessário não apenas demonstrar que existe decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública determinando o pagamento da pensão (art. 8º, Lei 9.250/95), como também comprovar que o beneficiário depende dos valores auferidos para sua sobrevivência. Do contrário, considera-se o montante pago como mera doação, sujeito, portanto, à incidência do IRPF.
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE.
Para a dedução na declaração de ajuste anual, é imprescindível que haja provas de que os pagamentos pleiteados correspondem a plano de saúde e foram suportados pelo próprio interessado.
Numero da decisão: 2202-010.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sônia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente)
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 144, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHO MAIOR DE 24 ANOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. DEDUÇÃO DO IRPF. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 35, § 1º da Lei 9.250/95, apenas filhos de até 24 anos são considerados dependentes para fins tributários, de forma que, para que se proceda à dedução de pensão alimentícia paga a beneficiário de idade superior a esta, faz-se necessário não apenas demonstrar que existe decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública determinando o pagamento da pensão (art. 8º, Lei 9.250/95), como também comprovar que o beneficiário depende dos valores auferidos para sua sobrevivência. Do contrário, considera-se o montante pago como mera doação, sujeito, portanto, à incidência do IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Para a dedução na declaração de ajuste anual, é imprescindível que haja provas de que os pagamentos pleiteados correspondem a plano de saúde e foram suportados pelo próprio interessado.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. ADESÃO ÀS RAZÕES COLIGIDAS PELO ÓRGÃO DE ORIGEM. FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 144, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão- recorrido. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHO MAIOR DE 24 ANOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. DEDUÇÃO DO IRPF. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 35, § 1º da Lei 9.250/95, apenas filhos de até 24 anos são considerados dependentes para fins tributários, de forma que, para que se proceda à dedução de pensão alimentícia paga a beneficiário de idade superior a esta, faz-se necessário não apenas demonstrar que existe decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública determinando o pagamento da pensão (art. 8º, Lei 9.250/95), como também comprovar que o beneficiário depende dos valores auferidos para sua sobrevivência. Do contrário, considera-se o montante pago como mera doação, sujeito, portanto, à incidência do IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Para a dedução na declaração de ajuste anual, é imprescindível que haja provas de que os pagamentos pleiteados correspondem a plano de saúde e foram suportados pelo próprio interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 68 30 /2 01 1- 92 Fl. 82DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.726830/2011-92 Sônia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário, interposto do Acórdão 12-75.578, prolatado pela 18ª Turma da DRJ/RJO, com o qual se manteve o crédito tributário impugnado. Referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS COM DEPENDENTES E INSTRUÇÃO. Considera-se como não-impugnada a parte do lançamento contra a qual o Contribuinte não apresenta óbice. DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. EX-ESPOSA. Devem ser aceitos como dedução os depósitos devidamente identificados efetuados pelo Interessado em favor de sua ex-esposa no ano-calendário de 2007, a título de pensão alimentícia judicial. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. Para a dedução na declaração de ajuste anual, é imprescindível que haja provas de que os pagamentos pleiteados correspondem a plano de saúde e foram suportados pelo próprio Interessado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por bem representar o quadro fático, transcrevo o relatório adotado pelo órgão julgador de origem: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao ano-calendário de 2007, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 44 a 52, em que foram apuradas as seguintes infrações: 1) dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 3.169,20; 2) dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 2.480,66; 3) dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$ 12.051,07; 4) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 2.719,05. Fl. 83DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.726830/2011-92 Em virtude dessas infrações, foi apurado imposto de renda suplementar de R$ 5.615,49, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 11.770,05. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 44 a 52 em 12/09/2011 (fl. 54), o Contribuinte apresentou em 29/09/20111 a impugnação parcial de fls. 3 e 4, não se insurgindo contra as deduções indevidas de dependentes (R$ 3.169,20) e de despesas com instrução (R$ 2.480,66). De acordo com o Impugnante, o pagamento de pensão alimentícia a sua ex-esposa Maria das Graças Silva é devido em virtude de acordo homologado judicialmente, não sendo descontado em folha de pagamento, mas depositado em conta bancária da pensionista, conforme comprovantes apresentados. Ainda segundo o Impugnante, as despesas médicas glosadas correspondem a despesas próprias do Contribuinte (R$ 2.486,94) e de seus filhos Luis Otávio Gomes Pereira (R$ 141,43) e Isabela Gomes Pereira (R$ 90,67), pagos em cumprimento a acordo homologado judicialmente. A parcela não impugnada do crédito lançado foi apartada para outro processo para cobrança imediata, conforme se observa às fls. 55 a 60. Em 23/12/2014, o presente processo foi encaminhado a DRJ/RJO (fl. 61). Cientificado do julgamento em 25/05/2015 (fls. 70), o recorrente interpôs o presente recurso voluntário em 10/06/2015 (fls. 72), cujas razões podem assim ser sintetizadas (fls. 74): Os documentos comprobatórios de depósito bancário, como os apresentados pelo requerente, são regulamentados pelas autoridades financeiras do país, não estando ao alcance do depositante determinar a forma em que se apresentam, sendo portanto os únicos de que dispor. Acresce, ainda, que o pagamento poderia ter sido feito diretamente em espécie à pensionada, cabendo apenas a ela reclamar a falta do mesmo. Não pode portanto a autoridade arrecadadora presumir o seu não pagamento, ao pôr em dúvida a autenticidade de documentos oficiais, comprovantes do depósito bancário. Como o processo administrativo não prevê o depoimento da pensionista, tal procedimento poderá ser realizado judicialmente. Ante o exposto, pede-se a desconstituição do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino , Relator. Conheço do recurso voluntário, porquanto tempestivo e aderente aos demais requisitos necessários para exame e julgamento das questões postas pelo recorrente. Nos termos do art. 144, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), se não houver inovação nas razões recursais, nem no quadro fático-jurídico, o relator pode aderir à fundamentação coligida no acórdão-recorrido. Assim, registro o seguinte trecho do acórdão-recorrido (fls. 65-66): Fl. 84DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.726830/2011-92 O Impugnante alega que, por um lapso, não constaria o nome de sua exesposa, Maria das Graças Silva, na sentença judicial da ação de alimentos, mas apenas dos filhos do casal, Rodrigo Otávio Silva Pereira e Bruno Luis Silva Pereira, que não recebem mais pensão e eram representados por sua mãe. Às fls. 14 a 20, constam os termos da separação judicial por mútuo consentimento entre o Interessado e Maria das Graças Silva, restando acordado que o Contribuinte pagaria pensão a seus dois filhos e a sua ex-esposa. Em 14/12/1982, foi homologada pela Justiça a separação consensual do Interessado com Maria das Graças Silva (fl. 22). Às fls. 24 e 25, consta a ata de audiência ocorrida em 13/04/1989, relativa a ação de execução de alimentos movida por Rodrigo Otávio Silva Pereira e outros contra o Interessado. Da leitura dos documentos carreados aos autos, conclui-se que o Interessado encontrava-se obrigado a pagar pensão a seus filhos e ex-esposa a partir de 1982, em virtude da separação consensual do casal. Contudo, no ano-calendário de 2007, Rodrigo Otávio Silva Pereira e Bruno Luis Silva Pereira, nascidos, respectivamente, em 16/10/1976 e 07/03/1978, já tinham mais de 24 anos de idade e condições de prover seu sustento próprio, inclusive, o Impugnante admite que não paga mais pensão a seus dois filhos. Porém, a obrigação judicial de pagar pensão alimentícia a ex-esposa do Contribuinte, Maria das Graças Silva, permanecia vigente no ano-calendário de 2007. Porém, dos R$ 12.051,07 pagos a Maria das Graças Silva, foram comprovados documentalmente apenas R$ 476,73, depositados pelo Interessado em 02/10/2007 (fl. 7). Os demais documentos de fls. 6 a 11 se referem a depósitos em dinheiro (sem identificação do depositante) ou a depósitos que foram efetuados em 2006, que não servem para comprovar pagamentos de pensão efetuados pelo Interessado em 2007. Mantém-se, desse modo, a glosa de pensão alimentícia judicial de R$ 11.574,34 (R$ 12.051,07 – R$ 476,73). A Fiscalização glosou despesas médicas de R$ 2.719,05 com plano de saúde “programa de assistência à saúde dos servidores da câmara dos deputados” por falta de comprovação da contratação e das despesas declaradas. O Interessado trouxe aos autos os documentos de fls. 12 e 13 para comprovar a dedução de despesas médicas. A declaração de fl. 13, emitida em 2011, não esclarece se o Pró- Saúde configura um plano de saúde nem quem seriam os beneficiários desse alegado programa em 2007. Ademais, além de não estar demonstrado que se tratava de plano de saúde, não há nenhuma prova de que o Interessado arcava com pagamentos relativos a esse programa de assistência à saúde, promovido pela Câmara dos Deputados. Por sua vez o documento de fl. 12, cuja assinatura não está legível, aponta valores relativos ao Pró-Saúde da Câmara dos Deputados em favor do Interessado e de Luis Otavio Gomes Pereira e Isabela Gomes Pereira. Porém, assim, como o documento de fl. 13, o documento de fl. 12 não esclarece a natureza desse programa, nem se foi o Contribuinte quem arcou com esse ônus. É curial ressaltar que apenas pagamentos de plano de saúde suportados pelo próprio Interessado podem ser deduzidos como despesas médicas. Sem a prova de que se trava de plano de saúde e de que o ônus dos valores apontados à fl. 12 foi do Contribuinte, não há como acolher nenhuma despesa médica a título de Pró-Saúde – Programa de Assistência à Saúde da Câmara dos Deputados. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 85DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.616 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.726830/2011-92 (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 86DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10183.001906/2002-74
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2005
Ementa: COFINS. COMPENSAÇÃO EM DCTF. Se o contribuinte se compensou valores provenientes do Finsocial recolhido a maior com o COFINS, no entanto, com base em ação judicial sem trânsito em julgado na data em que declarados em DCTF como compensação sem DARF, correto o lançamento desses valores, eis que a compensação pressupunha o trânsito em julgado, a liquidez dos créditos a serem compensados, assim como a desistência da execução do julgado judicial.
SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-00.790
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: SANDRA BARBON LEWIS
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ementa_s : COFINS. COMPENSAÇÃO EM DCTF. Se o contribuinte se compensou valores provenientes do Finsocial recolhido a maior com o COFINS, no entanto, com base em ação judicial sem trânsito em julgado na data em que declarados em DCTF como compensação sem DARF, correto o lançamento desses valores, eis que a compensação pressupunha o trânsito em julgado, a liquidez dos créditos a serem compensados, assim como a desistência da execução do julgado judicial. SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na taxa Selic. Recurso negado.
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Ia ^, 2,CC-MF, -n a.- r... Ministério da Fazenda n.Segundo Conselho de Contribuintes -rof...._ ... wagundo Comegho a " . Processo n2 : 10183.001906/2002-74 Recurso n2 : 128.999 depubc_stnoio4r2drai_ctr_da unia RS 44 -se Acórdão n2 : 204-00.790 Recorrente : REFRIGERANTES DO NOROESTE S.A. Recorrida : DRJ em Campo Grande — MS. COFINS. COMPENSAÇÃO EM DCTF. Se o contribuinte se .........nnn••••••".~1~~Slila MIN. DA FAZENDA - 2?.„DD.... 3) CONFERE 90M giORIGINS, 1 LIA ic....n.1 .1......e.t.t_ ; --— v "e . compensou valores provenientes do Finsocial recolhido a maior com o COFINS, no entanto, com base em ação judicial sem trânsito em julgado na data em que declarados em DCTF como ERASi compensação sem DARF, correto o lançamento desses valores, eis que a compensação pressupunha o trânsito em julgado, a liquidez dos créditos a serem compensados, assim como a desistência da execução do julgado judicial. 1‘ SELIC. É legítima a cobrança de juros de mora com base na 4 taxa Selic. Recurso negado. st e s, latados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REFRIGERA I, O OROESTE S.A. Contribuintes, : e II, • Mn ‘. Aii m i . i z:s Md e dee vmobt \\ii., -...• g - - _ .. oross da, emneQartgaurparovCâmmenartao adoorecSuervono Conselho de.d Sala' . ess; , em 09 de novembro de 2005. ' te.nriqu; eirt Torre- Presiden n n 'ik‘ aNNSandr ': ar t $44., L - WiS Relatora AL\ 4\ ... _ Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorrge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos e Adriene Maria de Miranda. 1 r CC-MF Ministério da Fazenda -arrg-"A-74-75tr---------s • - 2° CC • n. Segundo Conselho de Contribuintes Tc com-Etpm os, QMG:P: ERASiLIA Processo n9 : 10183.001906/2002-74 _ Recurso : 128.999 Acórdão n2 : 204-00.790 Recorrente : REFRIGERANTES DO NOROESTE SÃ. RELATÓRIO O Contribuinte foi intimado às fls. 32/33 a recolher ou impugnar o Auto de Infração lavrado em 22/02/2002, no valor de R$ 101.374,72, apurado em auditoria interna de DCTF, que concluiu pela falta ou insuficiência de recolhimento da Cotins relativamente ao segundo trimestre-calendário de 1997. Houve Impugnação às fls. 01/29, onde o Contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do Auto de infração ocasionada pela ausência do Mandado de Procedimento Fiscal, em total desconformidade com a previsão da portaria SRF n° 1.265/1999; a imediata suspensão do processo administrativo em face da decisão judicial proferida nos autos de n° 1997.34.00.017699-9 em tramite perante a 17' Vara Federal de Brasília; que a concomitância entre ação judicial e processo administrativo não implica em renúncia à esfera administrativa, sob pena se cerceamento de defesa. No mérito, alega ter direito a compensar créditos provenientes do Finsocial, recolhido a maior, com débitos da Cofins, em vista do que foi decidido na ação judicial autuada no STJ sob o n° 2001/0159930-5 e na 17' Vara Federal de Brasília sob o n° 1997.34.00.017699- 9; alegou que os juros moratórios que devem ser aplicados no presente caso são os previstos pelo artigo 161 do CTN, sob pena de prática de ato ilícito pelo caráter punitivo da penalidade, já que não incorreu em dolo ou agiu de má-fé; argumentou, ainda, a inaplicabilidade da taxa Selic e, finalmente, requereu o arquivamento do Auto de Infração e do processo administrativo enquanto perdurar a decisão judicial que autoriza a compensação. A decisão de fls. 83/92 foi pela procedência do lançamento. Alegou a DRJ em Campo Grande — MS que a análise das argüições de inconstitucionalidade são defesas à esfera administrativa, razão pela qual deixou de analisá-las; que no procedimento fiscal de revisão de declaração o M.PF é dispensável e sua ausência não tem o condão de anular o Auto de Infração; decidiu que a ação judicial interposta não tem o condão de garantir a liquidez e a certeza do pagamento a maior bem como não garante a compensação; negou a realização de perícia e, por fim, considerou correto o lançamento. Insatisfeito com a decisão, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 113/140. Alega, prelitninarmente, que o julgador de primeira instância deixou de analisar o pleito de suspensão da cobrança em face das decisões favoráveis proferidas em medida ajuizada perante a 17' Vara Federal de Brasília sob o n° 199734.00.017699-9, onde foi autorizada a compensação dos créditos do Finsocial com as parcelas vencidas e vincendas da Cofins, pelo que reitera o pleito de imediata suspensão da exigibilidade do tributo, até o trânsito em julgado da ação ordinária. Entende que a alegação do FISCO de que não há hipótese para a suspensão da exigibilidade, com base no artigo 151 do CIN não deve prosperar e para tanto alega que o artigo reto citado deve ser interpretado de forma extensiva para considerar o acórdão proferido que prevê tal suspensão. Alega inexistência de desistência do processo administrilivo em razão da concomitância com o processo judicial. 2 CC-MF•-• Ministério da Fazenda MiN. DA FAZENDA - Ce Segundo Conselho de Contribuintes CONEER9OM rORIGINAL> 41. BRASILIA €5.1 ./ P61 Processo n2 : 10183.001906/2002-74 Recurso n2 : 128.999 ViSTO Acórdão n2 : 204-00.790 Reafirma a origem dos supostos créditos em favor da Fazenda Nacional, que provêm da compensação realizada entre o devido a título de Cofias e o crédito proveniente do Finsocial recolhido a maior. Contesta as multas aplicadas, alegando que da forma em que foram aplicadas possuem caráter punitivo, sobretudo quando versa sobre denúncia espontânea. Reitera que não agiu de má-fé e que por esta razão a multa deve ser retirada do Auto de Infração. Requer, ainda, a exclusão da multa de ofício com base no artigo 63 da Lei n° 9.430/96. Sustenta a ilegalidade da cobrança da taxa Selic por entender que a Lei n° 9.430/96 em seu artigo 61, parágrafo terceiro contraria o principio constitucional da legalidade e afronta o artigo 161, parágrafo 1° do CTN. Reiterou o pedido de realização de perícia, apresentando perito e quesitos para a . realização da perícia. Finalmente, requereu o provimento do Recurso Voluntário, a reforma da decisão recorrida e a suspensão do processo administrativo até o transito em julgado do Mandado de Segurança ou, seja cancelado o Auto de Infração e arquivado o Processo Administrativo. O presente Recurso Voluntário está garantido pelo arrolamento de bens de fls. 141/143. É o relatório. . - — 3 2* CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes MIN. DA FAZENDA • 29 CC 4 , c. CONFEREir jO ORIGINAL Processo : 10183.00190612002-74 8RASILIA Recurso nt : 128.999 Acórdão nit : 204-00.790 vis-c VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA SANDRA BARBON LEWIS 1. Compensação de tributos. O lançamento funda-se no fato de o Contribuinte ter informado na DCTF que teria crédito decorrente de ação judicial, sem identificar a mesma, daí decorrendo o lançamento por declaração inexata. O que temos, então, é que na data do preenchimento da DCTF, bem como quando de sua entrega, o contribuinte tinha mera expectativa de direito acerca de eventuais créditos decorrentes do pagamento a maior do Finsocial, não havendo liquidez alguma quanto aos pugnados créditos para haver compensação com débitos vencidos e vincendos do Cofias. Ou seja, extinguiu débitos com a Fazenda sem qualquer título que assim o permitisse e sem, portanto, liquidez e certeza dos valores que foram compensados. Enquanto isso, a União deixa de arrecadar crédito tributário líquido e certo, conforme declarado em DCTF, com base nesses créditos do contribuinte, ainda incertos e não titulados. Foi justamente para evitar tais artifícios é que o legislador acresceu ao artigo 170 do CTN o art. 170 — A, que vedou a compensação antes do trânsito em julgado do tributo sob discussão. Demais disso, quando da entrega das DCTF, vigia a IN SRF 21/97, cujo artigo 17, com a redação dada pela IN SRF 73/97, assim dispunha: Art. 11 Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação". § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a degrtência. perante o Poder Judicidrio. da execucilo do título judicial custas • . § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais jd executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Sublinhei) Assim, não tinha o contribuinte direito de se compensar quando o fez, pelo que andou bem o Fisco ao exigir tais créditos tributários compensados indevidamente. Também entendo que o posterior trânsito em julgado da ação judicial não convalida a compensação anteriomente feita, mas indevida e ilegítima quando de sua efetivação, eis que, então, sem título judicial a respaldá-la e,' absolutamente, ilíquida. Nada -obstante, não se tem nos autos a comprovação do trânsito em julgado da referida ação judicial, como pugnado pela recorrente. 2. Taxa Selic Quanto à multa, não há que se falar no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, pois essa norma não incide sobre a hipótese versada nestes autos, eis que não havia qualquer suspensão da exigibilidade do crédito sob exação, pelo que legítima sua aplicação. E em - sendo pertinente o lançamento de ofício, deve esse ser constituído com a multa de ofício e os consectários legais da mora. Assim, nada há que se falar em denúncia espontânea, como articulado na peça recursal. „k 4 ea Ministério da Fazenda MIN. DA FAZEMDA 2 .1 OC 22 CC-MF ''• Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE)OM O ORIGINAL a BRASiLIA Processo re : 10183.001906/2002-74 Recurso n2 : 128.999 VISTO Acórdão n2 : 204-00.790 Por fim, improcede à argüição da ilegalidade da utilização da taxa SELIC como juros moratórios. A Administração em sua faceta autocontroladora da legalidade dos atos por si emanados os confronta unicamente com a lei, caso contrário estaria imiscuindo-se em área de competência do Poder Legislativo, o que é até mesmo despropositado com o sistema de independência dos poderes. Portanto', ao Fisco, no exercício de suas competências institucionais, é vedado perquerir se determinada lei padece de algum vício formal ou mesmo material. Sua obrigação é aplicar a lei vigente. E a taxa de juros remuneratórios de créditos tributários pagos fora dos prazos legais de vencimento foi determinada pelo artigo 13 da Lei n° 9.065/95. Sendo assim, é transparente ao Fisco a forma de cálculo da taxa que o legislador, no pleno exercício de sua competência, determinou que fosse utilizada como juros de mora em relação aos créditos tributários da União. art a aplicação da taxa Selic com base no citado diploma legal, combinado com o art. 161, 1° is Código Tributário Nacional, não padece de qualquer colina de ilegalidade. . Co sões. te • posto voto no sentido de negar provimento ao recurso, para: i) considerar válid. o 1. . • ento fetuado em face do Contribuinte; e ii) validar a aplicação da taxa Selic. É CO • vo Sala das ess s, em de no mbro de 2005. SANDRA B • 4: k WIS A . . 5 Page 1 _0053800.PDF Page 1 _0053900.PDF Page 1 _0054000.PDF Page 1 _0054100.PDF Page 1
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