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Numero do processo: 10820.002284/2004-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL FISCAL. OMISSÃO. ART.
65 DO RICARF.
A decisão embargada, que não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador, é omissa.
Numero da decisão: 3302-003.348
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para conceder-lhes efeitos infringentes e anular a decisão de primeira instância. Ausentes justificadamente os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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OMISSÃO. ART. 65 DO RICARF. A decisão embargada, que não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador, é omissa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para conceder-lhes efeitos infringentes e anular a decisão de primeira instância. Ausentes justificadamente os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Walker Araújo. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa- Presidente (assinado digitalmente) Lenisa Prado - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Paulo Guilherme Dérouledé, Domingos de Sá, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Lenisa Prado. Fl. 272DF CARF MF 2 Relatório Tratam-se de embargos de declaração opostos por Editora Folha da Região de Araçatuba Ltda (fls. 261/262), com arrimo no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, com a redação aprovada pela Portaria MF n. 343, de 9/06/2015, contra o Acórdão n. 3801-004.642, proferido na sessão de julgamentos do dia 12/11/2014 pela 1ª Turma Especial desta 3ª Seção. Esse julgado recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA. Não constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, devem ser rejeitados os embargos de declaração, pois não há incorreções a serem sanadas. Embargos Rejeitados. Em 08/06/2015 foi proferido o juízo de admissibilidade, momento no qual o recurso foi considerado tempestivo e remetido à este Colegiado por que concluiu-se que: "Em um exame superficial, verifica-se que no acórdão embargado há supostas omissões sobre os pedidos citados. Diante do exposto acima resta caracterizada, em tese, no acórdão embargado, a omissão e a falta de pronunciamento, pela turma julgadora, sobre os fatos acima expostos, razão pela qual, nos termos do art. 65 e parágrafos do Regimento Interno do CARF, ADMITO os embargos de declaração". (fls. 269/270). É o relatório. Voto Conselheira Lenisa Prado A questão tem início em pedido de restituição de crédito de IPI formulada pela contribuinte ora embargante com arrimo no artigo 11 da Lei n. 9.779/1999. A origem dos créditos reclamados ocorreu em aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na produção de produtos listados no item 4902.10.00 na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados ("jornais e publicações periódicas, impressos, mesmo ilustrados ou contendo publicidade, que se publiquem pelo menos quatro vezes por semana"). O pedido de restituição dos créditos foi indeferido pela autoridade competente, ante o argumento que os produtos produzidos pela contribuinte são jornais classificados como "não tributados" (NT) o que, a princípio, não geraria o crédito requerido. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 122/147), oportunidade na qual sustenta, em síntese, que (i) houve a homologação tácita do pedido, uma vez que ultrapassado o prazo de 5 anos contados a partir da data de entrega da Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10820.002284/2004-19 Acórdão n.º 3302-003.348 S3-C3T2 Fl. 273 3 declaração (§ 5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996); (ii) o jornal que produz está sujeito à alíquota zero do IPI (acosta Parecer SAORT n. 10820/52/2009 que respalda esse entendimento); (iii) houve superveniente alteração do critério jurídico adotado pelas autoridades administrativas 1 , o que impõe a observância ao teor do art. 146 do CTN, e; (iv) a possibilidade de creditamento encontra respaldo ao se interpretar sistematicamente o ordenamento jurídico em vigor. Os argumentos elencados pela contribuinte foram rejeitados pela instância de origem, em acórdão que resultou na seguinte ementa (fls. 184/191): RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n. 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou não tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias não tributadas(NT) pelo imposto. Para chegar à esta conclusão, a Delegacia de Julgamentos da Receita Federal em Ribeirão Preto acolheu o voto do relator, no qual ajustou-se que: (i) não compete à autoridade administrativa manifestar-se sobre inconstitucionalidade de leis; (ii) "(...) tanto a Lei n. 9.779, de 1999, em seu artigo 11, como a IN/SRF n. 33, de 1999, em momento algum autorizam o crédito em relação às entradas de insumos aplicados na industrialização de produtos não-tributados pelo IPI. Se o produto é não tributado ele está fora do campo de incidência do imposto, não havendo de se cogitar da atuação do princípio da não-cumulatividade e do regulamento do IPI, pois neste caso o IPI destacado das notas fiscais de entrada de insumos deve ser contabilizado como custo"; (iii) A IN/SRF n. 33/1999 disciplinou o art. 11 da Lei n. 9.779/1999, e com a edição da indigitada instrução normativa tornou-se admissível aproveitar o saldo credor do IPI oriundos das entradas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem via ressarcimento. Porém tal direito não se concede à contribuinte uma vez que "já foram aplicados em produtos não tributados pelo imposto".Tal entendimento encontra amparo no texto da IN/SRF n. 5 de 2006. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 204/220), no qual repisa os argumentos já defendidos e inaugura o argumento sobre a ausência de motivação da decisão recorrida, já que deixou de discutir o argumento sobre a possibilidade de afastamento de normas inconstitucionais na seara administrativa, bem como a intempestividade da homologação da compensação. Também quedou-se silente sobre o fato que a contribuinte é tributada a alíquota zero, e sobre a regra contida no artigo 146 do CTN. Apesar de apresentar seus argumentos com vasto escopo doutrinário, o recurso voluntário foi julgado improcedente (fls. 223/230). Naquela assentada, a turma julgadora em sua maioria discordou do voto apresentada pela relatora - Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, adotando o raciocínio exposto pelo Conselheiro Paulo 1 Consubstanciado no Ato Declaratório Interpretativo SRF n. 5, de 17/04/2006. Antes da edição deste ato, a RFB entendia que era possível a compensação pretendida. Fl. 274DF CARF MF 4 Antônio Caliendo Velloso da Silveira que abordou, sinteticamente, os precedentes lavrados pela Suprema Corte (RE 475.551/PR) e pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP n. 1.015.855/SP). Este acórdão foi assim sumariado: Assunto: Imposto sobre Produto Industrializado - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO. PRODUTO FINAL IMUNE OU NT. INSUMOS TRIBUTADOS. ESTORNO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. Nos termos do art. 11 da Lei n. 9.779/1999, é facultada a manutenção e a utilização, inclusive mediante ressarcimento, dos créditos decorrentes do IPI pago por insumos entrados a partir de 1º de janeiro de 1999 no estabelecimento industrial ou equiparado, quando destinados à industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos à alíquota zero, bem como os imunes se a imunidade decorrer de exportação. Todavia, tal regra não se aplica aos produtos finais NT, tampouco aos imunes, em função do art. 150, VI, alínea 'd', da Constituição Federal, que trata de imunidade objetiva, aplicável aos contribuintes que comercializam livros, jornais e periódicos (RE 561.676/SC e RESP 1.015.855/SP). IN SRF N. 33 DE 1999. IMUNIDADE. ALCANCE. A imunidade prevista no art. 4º da Instrução Normativa n. 33, de 1999 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência de IPI que, por estarem destinados à exportação, se submetem à imunidade tributária indicada no inciso III, § 3º do art. 153 da Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado. A contribuinte opôs os primeiros embargos de declaração (fls. 239/244), onde aponta que o mencionado acórdão padece dos vícios de omissão (sobre os argumentos acerca da ausência de motivação, a intempestividade da homologação da compensação, e a aplicação do art. 146 do CTN ao caso concreto) e contradição, já que o voto que prevaleceu deixou de analisar o argumento sobre a tributação a alíquota zero e, por conseqüência, não aplicou o verbete n. 21 da Súmula CARF. Os aclaratórios foram rejeitados, uma vez que o colegiado não constatou a ocorrência de quaisquer dos vícios aptos a ensejar o acolhimento dos mesmos.Trago a conhecimento os dois argumentos acolhidos pela turma julgadora que resultaram no indeferimento do recurso: 1."Diante da alegação da embargante de que a decisão foi omissa quanto ao seu jornal ser ou não sujeito de alíquota zero carece de razão o embargante. O acórdão desde seu início aborda que o jornal seria produto que possui imunidade tributária pelo art. 150, VI, 'd' da CF, ou seja, não é tributado. No caso dos autos, o que teria ocorrido seria a compra de insumos tributados em que cominarão em produto final não tributado, diferente das hipóteses de creditamento, quando o produto final é alíquota zero, isento de tributação ou ainda quando o produto é destinado à exportação"; Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10820.002284/2004-19 Acórdão n.º 3302-003.348 S3-C3T2 Fl. 274 5 2. Incidência a hipótese dos autos do enunciado n. 20 da Súmula CARF 2 . Diante desse cenário fático processual, o contribuinte opôs novos embargos de declaração (fls. 261/262), os quais se encontram sob julgamento. Nos presentes aclaratórios o contribuinte reitera a reclamação sobre a omissão a respeito da nulidade do acórdão por ausência de motivação, a intempestividade da homologação da compensação e também aponta a inércia dos julgadores quanto a aplicabilidade do art. 146 do Código Tributário Nacional. Não há como se olvidar que o contribuinte replica seus argumentos desde a primeira oportunidade processual. Objetivamente, as considerações sobre os argumentos da intempestividade da homologação da compensação e a incidência da regra do art. 146 do CTN são inauguradas na impugnação, mais especificamente às folhas 123, 124 e 125 do 1º volume dos autos. Por sua vez é de rigor atentar que a Delegacia de Julgamentos da Receita Federal de Ribeirão Preto - primeira instância - efetivamente quedou-se silente quanto aos mencionados argumentos de defesa do contribuinte. Tal omissão foi perpetrada até a presente data, uma vez que não existe nos autos qualquer decisão que aborde os temas propostos pelo contribuinte embargante, em evidente afronta ao primado da dialética e ao artigo 31 do Decreto n. 70.235/1972. O novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015) - que aqui se menciona por empréstimo da seara civilista - é concludente ao definir os elementos que devem estar presentes em uma decisão, sendo esta o pronunciamento que contém análise de todos os argumentos deduzidos no processo, capazes de infirmar a decisão recorrida. A propósito: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: (...) II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito. § 1º. Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Considerando o texto expresso no art. 65 do RICARF, que enumera os vícios que devem ser sanados através do acolhimento dos embargos de declaração, entendo que a situação dos autos é, sem dúvida, omissão no que concerne os argumentos sobre a intempestividade da homologação da compensação e também sobre a aplicabilidade do art. 146 do Código Tributário Nacional. 2 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 276DF CARF MF 6 É, portanto, indiscutível o cabimento e necessário acolhimento dos presentes embargos, por ser o instrumento processual adequado para sanar a ausência da devida prestação jurisdicional. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração para conferir- lhes efeitos infringentes, determinando a devolução dos autos à instância de origem para que lá seja conduzido julgamento válido sobre os argumentos defendidos pela embargante, especificamente sobre a homologação tácita e a aplicação do art. 146 do CTN. Lenisa Prado - Relatora Fl. 277DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.721159/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Declarou-se impedido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fez sustentação pela Recorrente Sertrading, o Advogado Enrique de Goeye Neto, OAB nº 51205/SP e pela Recorrente West Glass, a Advogada Rita de Cássia Correard Teixeira, OAB nº 111992/SP.
Winderley Morais Pereira- Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.721159/201334 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.836 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de fevereiro de 2017 Assunto INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA Recorrente SER TRADING Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Declarouse impedido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fez sustentação pela Recorrente Sertrading, o Advogado Enrique de Goeye Neto, OAB nº 51205/SP e pela Recorrente West Glass, a Advogada Rita de Cássia Correard Teixeira, OAB nº 111992/SP. Winderley Morais Pereira Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatora. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança da multa prevista no artigo 23, §3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 07 .7 21 15 9/ 20 13 -3 4 Fl. 9291DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 94 2 Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 13/06/2013 para constituição de crédito tributário no valor de R$ 21.901.137,96 (vinte e um milhões novecentos e um mil cento e trinta e sete reais e noventa e seis centavos), referente à multa prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 combinado com o art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03 (fls.10): Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). .......................................... Consta no Relatório Fiscal, parte integrante do auto de infração que a pessoa jurídica SERTRADING S/A, formalmente constituída em 06/04/2000, apresenta três estabelecimentos que atuam/atuaram no comércio exterior como importadores, sendo um deles o matriz (03.748.067/000105),localizado cadastralmente na cidade de Vitória, Espírito Santo,o outro (03.748.067/000288) na capital do Estado de São Paulo, e o terceiro (03.748.067/000440) localizado na cidade de Paranaguá, Paraná. Além desses, o cadastro aponta ainda a existência de dois outros estabelecimentos (03.748.067/000369 e 03.748.067/000520), na capital do Rio de Janeiro e em Cariacica, ES, respectivamente, que não realizaram qualquer operação de comércio exterior (vide telas as fls. 15/17). Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração e do relatório de ação fiscal, que a autuada promoveu importações (volume expressivo de produtos, praticamente todos do CAPÍTULO 70 – VIDROS E SUAS OBRAS da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)) no período de 30/10/2008 a 07/04/2011, sendo selecionada para procedimentos especiais de combate à interposição fraudulenta de pessoas no comércio exterior. Findos os procedimentos, segundo a fiscalização, ficou caracterizada a ocorrência da ocultação dos reais compradores e responsáveis mediante simulação. Fl. 9292DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 95 3 A fiscalização baseou suas conclusões em razão das seguintes constatações que transcrevo (fls. 71/72): I. o local físico do estabelecimento filial da empresa SERTRADING S/A é empregado única e exclusivamente como simples base administrativa (controle primário e impressão de documentos) das operações logísticas das mercadorias importadas em seu nome através do Porto de Paranaguá; ali, por óbvio, não se opera/operou qualquer movimentação/armazenagem de tais mercadorias, tarefa a cargo de armazéns de terceiros cuja relação formal com a empresa (contratos/acordos de prestação de serviços) não foi encontrada/apresentada naquele momento e local; II. as pessoas físicas que efetivamente tem interesse, controle e mando sobre as operações de importação registradas como por conta própria da SERTRADING S/A não apresentam qualquer vínculo formal com a empresa: o fato de algumas delas (aquelas ligadas mais diretamente ao trato logístico e de acompanhamento administrativo) serem vinculadas a empresas relacionadas (referida relação será detalhada na sequência) de modo algum afasta tal conclusão, tendo em vista que se tratam, para todo e qualquer fim, em especial o tributário e aduaneiro, de entidades distintas; III A filial da empresa SERTRADING S/A localizada na cidade de Paranaguá foi literal e simplesmente substituída, a partir de 04/2011 e não obstante a regularidade de embarques em seu nome até então, pela filial da empresa SERGLOBAL IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. localizada em São José dos Pinhais, CNPJ 08.744.945/000391, na tarefa de constar como importadora por conta própria das mesmas mercadorias até então importadas por aquela; tal substituição, retratada e conduzida como mera formalidade pelas mesmas pessoas acima citadas, não deixa dúvidas que se tratou de continuidade de negócios de grupo informal e não exatamente identificado que, por motivos também não esclarecidos, demandou tal irrelevante (para eles) “troca de atores” ostensivos; e IV. As pessoas que, pela sequência e conteúdo das trocas de mensagens impressas, foram identificadas como verdadeiros responsáveis e interessados pelas operações de importação (VERA LUCIA DE ABREU, CPF nº 008.142.93808,e MARCOS TOBLER BRANT DE CARVALHO, CPF nº 264.371.13863) apresentam como ponto comum e evidente o envolvimento, atual e/ou passado, com empresas ligadas ao ramo de comércio/indústria da mesma espécie de mercadorias importadas por conta própria pela SERTRADING S/A (até 04/2011) e pela SERGLOBAL IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. a partir de então; todavia, as mesmas, como já antes esclarecido, não apresentam qualquer vínculo formal com estas últimas, sendo atualmente SóciosAdministradores das pessoas jurídicas VLA COMERCIAL DE VIDROS LTDA. ME, CNPJ 08.062.983/000100 (VERA LÚCIA) e WEST GLASS LTDA – ME17, CNPJ 08.784.491/000110 (MARCOS BRANT). Assim, concluiu a fiscalização que, os fatos e condutas retratados no Auto de Infração, praticados com o fim de dar aparência de regulares as operações que foram efetivadas mediante uso de entidade que serviu Fl. 9293DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 96 4 de simples anteparo para o fim de manter ocultas as empresas SERTRADING (BR) LTDA., SERGLOBAL IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., WEST GLASS LTDA. ME e VLA COMERCIAL DE VIDROS LTDA. ME, reais responsáveis e/ou beneficiárias das operações sob análise, fez com que a fiscalização incluísse pessoas jurídicas na qualidade de responsáveis solidárias do crédito tributário ora constituído. Todos os interessados ficaram cientes do Auto de Infração, conforme despacho de fls. 6087. Da Impugnação da SERTRADING S/A Em 19/07/2013 a interessada SERTRADING S/A apresentou a impugnação de fls. 5215/5246, onde em síntese do necessário alegou: das conclusões deduzidas à fl. 90 do relatório, a autoridade fiscal afirma ter havido a prática da ocultação de terceiros. Esta, diversamente da figura presuntiva, pressupõe prova, produzida pela fiscalização, da ocorrência da ocultação do verdadeiro sujeito passivo da operação em razão da prática de fraude ou simulação; os elementos probatórios apresentados pela autoridade fiscal não só não comprovam as denúncias deduzidas, como, nem mesmo se considerados indiciários, conformam a figura legal da prática efetiva da interposição fraudulenta imputada à Impugnante; sem prejuízo pela diversificação, um grupo econômico efetivamente se caracteriza pela existência de diversas sociedades juridicamente independentes, com personalidade jurídica e patrimônio próprios contudo economicamente unidas, mediante controle ou direção unitários, provenientes da empresamãe, ou simplesmente controladora; é nesse cenário societário que a Impugnante se encontra. Juntamente com as empresas Sertrading (BR), Serglobal e Sermáquinas, ela compõe o GRUPO SERTRADING organização empresarial lícita que congrega empresas independentes, com personalidade jurídica e patrimônio próprios; o GRUPO SERTRADING, iniciado há mais de uma década, pelo empreendedorismo e larga experiência de seus profissionais no mercado de comércio exterior,se consolidou como uma das maiores e mais especializada trading do País; em meados do primeiro semestre de 2008, como resultado do processo de global market desenvolvido pelo back office compartilhado, o GRUPO SERTRADING identificou um novo nicho de negócios a explorar: a importação de vidros fabricados por empresas chinesas e árabes para distribuição no mercado industrial nacional; a Impugnante consolidou sua capacidade financeira por meio de financiamentos bancários tomados com respeitáveis instituições de crédito, que lhe garantiram solidez e plenitude para a operação de distribuição realizada (anexo 3); em paralelo, pactuou junto à Sertrading (BR) empresa a qual está vinculado o back office do grupo, a alocação do trabalho de profissionais do staff para a operacionalização desse novo negócio, com vistas a, já de plano, contar com a expertise e qualidade conhecidas para as atividades de coordenação logística dos processos Fl. 9294DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 97 5 aduaneiro e de distribuição propriamente dito.A contrapartida ajustada se deu por meio de rateio das respectivas despesas, contabilizadas nas contas 1.1.0.50.300002 e 1.1.0.50.300003; para a venda dos vidros importados e melhor exploração do setor objetivado, a Impugnante contratou os serviços de intermediação, assessoria e apoio comercia para identificação de clientes, prestados por profissionais externos ao back Office do GRUPO (Anexo 04), conhecedores do produto e do mercado e com forte atuação no setor; ainda em relação à estrutura préoperacional, após a avaliação do custobenefício da manutenção de um armazém próprio, a Impugnante decidiu também terceirizar a armazenagem de seu estoque. No período atuado contou com os serviços dos armazéns Compacta Serviço Intermodal e Armazéns Gerais Ltda e CSI Cargo Logística Integral S/A (anexo 05); assim, de posse da organização citada, com plena capacidade financeira e operacional, a Impugnante iniciou seus negócios, e nesse status de manteve durante todo o período autuado, como claramente pode ser visualizado pela planilha constante do Anexo 08,elaborada com identidade de dados extraídos do Kardex (anexo 09); não se esta aqui a se falar de mera aparência. A Impugnante efetivamente realizou as operações autuadas, e o fez por conta própria, todas foram executadas e custeadas às suas expensas, em seu benefício e prejuízo; muito embora a atividade de distribuição tenha alcançado excelentes margens, como narrado acima e verificado pelo Anexo 08, a Impugnante também incorreu em perdas consideráveis, decorrentes de eventos como sinistros, inadimplência de clientes, quebras de estoque e etc; as quais, muito embora não sejam desejáveis, é sabido trataremse de mazelas que envolvem o negócio próprio; por isso, ou seja, diante de todo este contexto, é que a Impugnante não se conforme a com a autuação sofrida. Não há um detalhe sequer das operações autuadas que não encontra substrato fático e jurídico que as legitimem; todos os pressupostos legais, relacionados à atividade de importação por conta própria seguida de distribuição, como se infere da Solução de Consulta nº 117/07, foram atendidos e comprovados (descreve a Solução de Consulta as fls. 5228/5229 da impugnação); a Impugnante efetivamente realizou operações por conta própria: os recursos eram próprios, os riscos e prejuízos foram por ela incorridos e o resultado foi nela incorporado (nexo 14); Daí a Imprestabilidade do AIIMM impugnado; no mérito, a infração da prática efetiva de interposição fraudulenta imputada à Impugnante no AIIM ora combatido, como demonstrado no item II da presente impugnação, demanda a comprovação, por parte da fiscalização da ocorrência de ocultação do sujeito passivo ou do responsável pela importação, através de fraude ou simulação; o fato de a Impugnante estar sediada em uma sala comercial (a.1 ). E ter apenas um funcionário vinculado à sua folha de salários (a. 2) em nada desmerece ou põe em xeque a operação por ela realizadas; diferentemente da premissa adotada pela autoridade fiscal, a capacidade operacional necessária à realização de uma importação por conta própria seguida de distribuição, NÃO DEMANDA Fl. 9295DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 98 6 INTERNALIZAÇÃO de tais recursos humanos e logísticos;mas sim a execução pelo responsável e às custas desse (Solução de Consulta nº 119/07); não há no ordenamento jurídico norma que exija que as atividades de uma empresa somente possam ser realizadas por funcionário junto a ela, vinculado por meio de contrato de trabalho; de fato os funcionários destacados pela autoridade fiscal aparecem como vinculados contratualmente à empresa Sertrading (BR). Mas isto se dá, como já demonstrado, por uma questão de organização societária: o back office do Grupo Sertrading está consolidado em um único núcleo, a Sertrading (BR). Nesse formato de gestão, o Grupo cede a mãose obra especializada, realocandoa funcional e financeiramente para o atendimento e desenvolvimento dos negócios operados por outra empresa do grupo, e contabiliza essa realocação por meio do rateio das despesas respectivas; ou seja, quando da alocação do trabalho dos profissionais julgados necessários pela Impugnante para operacionalizar a logística aduaneira e de distribuição das operações autuadas, eles não mais estavam sob a responsabilidade cível da empresa Sertrading (BR), mas sim sob a responsabilidade e às expensas da Impugnante; não há ilicitude alguma na prestação de serviço via back office ou por terceirização; como julgar inexistente a capacidade operacional da Impugnante diante das notas fiscais de armazenagem (Anexo 05); das notas fiscais de serviços referentes aos serviços de intermediação (Anexo 04) e do rateio contábil das despesas decorrentes da utilização do back office do Grupo Sertrading? Como julgar inexistente a capacidade operacional diante das provas de que os serviços sempre estiveram disponíveis? Pela falta de contrato escrito de armazenagem (a.5)? diferentemente da esvaziada alegação da autoridade fiscal, a ImpugnantePROVA que legal e efetivamente tomou os serviços que terceirizou/os recebeu e por eles pagou; em contrariedade aos princípios contábeis e ao método das partidas dobradas, que determinam que para todo lançamento a débito exista um lançamento a crédito, a autoridade fiscal duplicou no seu demonstrativo (Anexo 6) os lançamentos a débito nas contas de passivo (listadas abaixo e que demonstram ter havido baixa e/ou pagamento dos títulos a pagar para as empresas VLA e West Invest), na medida em que considerou ao mesmo tempo o valor lançado a crédito na conta de passivo para "do contas a pagar"; para fins da apuração pretendida, deveria a autoridade fiscal ter considerado somente os débitos, lançados nas contas de custos e de importação em andamento,excluindo as contas 21050100005 (Contas a pagar); 21010400004 (Leasing a pagar); 21050100006 (Provisão de contas a pagar); 21020100001 (Fornecedores nacionais), porque'contrárias à aplicação do método das partidas dobradas; ou seja, além de Incorretas as considerações do AIIM * lavrado neste "aspecto, são também impertinentes para comprovar a ocultação denunciada. E tudo por uma simples razão: os profissionais contratados para fomentar a venda das operações Fl. 9296DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 99 7 autuadas somente realizaram o trabalho que lhes foi proposto: intermediar e assessorar comercialmente, única e tãosomente! por fim, relativamente às ilações reproduzidas nos itens (a.4), (a.6), (a.7) e (a.8), podese dizer que decorrem da versão distorcida dos fatos narrados pretendida pela autoridade fiscal; relativamente a assertiva de que o nicho de negócio explorado pelo Grupo Sertradinq, inferido pelos sites eletrônicos das empresas, é o de prestação de serviços e não o de compra de mercadorias (a. 4)," e que isto comprova ter havido uma importação por conta e ordem dissimulada por interesse da empresa Sertrading (BR); data máxima vénia, revelase de uma leviandade incabível, especialmente para a pretensão infratora combatida; quanto ao festejado Contrato de Sublocação (a.6) firmado pela empresa Serglobal, e referido pela autoridade fiscal como a prova de que a armazenagem realizada por ocasião das operações autuadas era controlada por àquela empresa e não pela Impugnante;cumpre esclarecer que além de ter sido juntado por engano (vejase o contrato de locação correto Anexo 17), a data de sua celebração 24/10/2010, já demonstra a falta de relação coma incapacidade operacional denunciada, pois esta, se inexistente, inexiste desde outubro de 2008; a Impugnante pertence a um Grupo Econômico e a sigla GBM é um padrão do Grupo, indicativa do tipo de negócio explorado: "global market”. Nisso não há ilicitude alguma, não afasta a responsabilidade da Impugnante pelo negócio operado, e tampouco inclui a responsabilidade de outrem! a alegada inexistência de capacidade financeira não passa de mera alegação, tendenciosa e vazia, o que é lamentável; igualmente aqui repetese: a fiscalização , não se desincumbiu do dever de prova que lhe competia. Entretanto, diante das irrefutáveis provas apresentadas pela Impugnante, efetivamente há de se reconhecer a sua plena e incontestável capacidade financeira, assim como a regularidade e legalidade das operações que realizou por conta própria, uma vez que plenamente demonstrado o uso de recursos próprios, os riscos e prejuízos por ela incorridos e lucro percebido e nela devidamente contabilizado; além desta, cumulativamente, a autoridade fiscal, com base no mesmo relatório anexo ao ÀIIM lavrado, e por meio do PAF n° 10907.721161/2013i 11, aplica a pena prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, que imputa multa no valor de 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas pela Impugnante, pela suposta cessão de nome em operações de comércio exterior visando o acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários; no entanto, caso sejam superadas as argumentações da Impugnante com relação à ocultação cuja prática lhe é imputada, mantendose o presente AIIM (o que se admite apenas por hipótese, em razão do princípio da eventualidade), requer lhe seja aplicada, com fundamento no artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional (CTN), somente a nova penalidade (10% do valor aduaneiro) prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, pois tratase de pena menos severa e que deve ter.aplicação retroativa. Fl. 9297DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 100 8 Da impugnação da SERTRADING BR LTDA e SERGLOBAL IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Já as interessadas SERTRADING (BR) LTDA, fls. 4988 a 5005 e SERGLOBAL IMPORTAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA ( fls. 5023 a 5042) apresentaram suas impugnações e documentos seguintes, com os mesmos argumentos (mutatis mutandis): pelo contexto "probatório" apresentado pela autoridade fiscal, nem mesmo se considerado indiciário, pode se falar em prova da prática de ocultação; quanto mais, da participação e/ou beneficiamento da Impugnante; dos elementos probatórios apresentados pela fiscalização, não há uma prova sequer, como se verá, acerca da prática da interposição fraudulenta denunciada, tampouco elemento que ilustre, específica e conclusivamente como se deu a suposta participação da Impugnante para a prática daquela infração, e/ou o seu beneficiamento com o resultado tido por ilícito; em se tratando de responsabilidade atribuída pela concorrência ou beneficiamento da prática efetiva da interposição fraudulenta, o ônus da prova competia à fiscalização, e deste ela não se desincumbiu; a autoridade administrativa indica a Impugnante como real responsável pelas operações autuadas porque o grupo societário SERTRADING atuou operacionalmente e foi ocultado pela empresa Sertrading S/A: para o agente fiscal a Impugnante É o Grupo Sertrading (!?); daí a responsabilidade que lhe foi atribuída ; a solidariedade pretendida é manifestamente improcedente, porquanto,além de não provada, distorce critérios jurídicos elementares; no contexto empresarial moderno a tradicional estrutura da sociedade comercial monolítica não é mais o caminho perseguido pelos detentores do capital. A empresa unitária tem dado lugar à empresa de grupo ou plurissocíetária, que acabam constituindo organismos mais fortes e com maiores chances de sobreviver no capitalismo globalizado; o GRUPO também prima pela qualidade, dos profissionais que movimentam os seus processos comerciais, de importação e exportação, e para tanto reúne um time de experts em um back office único, que é compartilhado conforme as necessidades dos negócios desenvolvidos; este back office está vinculado à Impugnante, e a alocação do trabalho dos profissionais do staff para a operacionalização dos negócios desenvolvidos por cada empresa se dá por meio do rateio das respectivas despesas, devidamente contabilizadas;. a evidência de que há responsabilidade da Impugnante pela prática da suposta ocultação efetuada pela Sertrading S/A apontada pela autoridade fiscal, decorre do fato de esta se utilizar do back office comum do Grupo Sertrading; Fl. 9298DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 101 9 a Impugnante integra sim um grupo econômico, cuja, organização empresarial definiu um núcleo único para estabelecer o seu back office, e que ficou a ela vinculado. Nisso não há irregularidade alguma; contudo,pela narrativa tendenciosa da autoridade fiscal, percebese claramente que a denúncia de incapacidade operacional da empresa Sertrading S/A é motivada na não internalização, via contrato de trabalho, dos recursos humanos que fomentaram as operações autuadas; como e a título de que QUATRO pessoas jurídicas foram OCULTADAS pela Sertrading S/A? .Quais os atos praticados por cada uma e quais os benefícios auferidos por elas? Todas as empresas deveriam e poderiam figurar nas Dls das operações autuadas? Se a Impugnante era quem tinha a capacidade, operacional, qual a participação e responsabilidade das demais? diante do exposto, ínclito julgador, não há se falar em ato praticado ou responsabilidade da Impugnante para com a infração de ocultação denunciada à empresa Sertrading S/A, razão pela qual, requer se digne V. Sa. De EXCLUÍ=A do rol de responsáveis do presente AIIM lavrado; julgandose extinta a responsabilidade que se pretendeu a ela imputar. Da Impugnação da WEST GLASS LTDA A empresa WEST GLASS LTDA alegou em sua impugnação apresentada em 19/07/2013, fls. 5058 a 5078: no exercício regular de suas atividades a Impugnante procede apenas a intermediação de negócios, representação comercial, agenciamentos e prestação de serviços deforma geral; nestecontexto, devido ao grande conhecimento e experiência de algunsde seus cotistas no mercado de vidros planos do Brasil e do exterior, de Agosto de 2008 a Julhode 2011, manteve um acordo de assessoramento comercial com a empresa SERTRADING,importadora e distribuidora desse tipo vidros, entre outras mercadorias, com o exclusivoobjetivo de apoiar o desenvolvimento dos negócios da SERTRADING naquele setor; por tal acordo a impugnante recebeu a título de prestação de serviços,comissões pela realização de negócios bem sucedidos pela SERTRADING; paracomprovar o alegado, demonstrando desde já a transparência donegócio, ou seja, a prestação de serviços, a Impugnante junta Todas as Notas Fiscais deSERVIÇOS emitidas contra a Sertrading S.A. ao longo dos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011; Balanço Patrimonial; émuito importante destacar que o valor total das notas ficais de serviçoemitidas ao longo destes quatro anos de serviços prestados totalizam o montante de R$1.288.285,92, valor significativamente inferior ao apontado pelo D. fiscal (fl. 117 do AI); este valor significa menos de 3% do faturamento da SERTRADING coma distribuição de vidros, durante os anos de 2008, 2009, 2010, até março de 2011, conforme se pode constatar em relatório interno da SERTRADING, que aponta o valor de R$43.840.210,00, incluído no AUTO DE INFRAÇÃO (fl. 70 do AI); a Impugnante esclarece que jamais importou um m2 de vidro sequer oumesmo comprou no mercado interno, jamais investiu sequer R$ 1,00 Fl. 9299DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 102 10 nesta operação, direta ou indiretamente, tampouco assumiu qualquer tipo de risco inerente a ela, portanto não faz parte da cadeia da importação. Tal fato pode ser comporvado por todos os documentos juntados,além das diversas notas de prestação de serviços apresentadas em conjunto com esta impugnação; todas as importações ocorreram na modalidade por conta própria da SERTRADING. Tal fato deve ser comprovado, pelos seguintes documentos acostados na impugnação; a SERTRADING atuou exclusivamente como única importadora evendedora dos vidros no mercado brasileiro. Neste contexto, a mesma importou, assumiu todos os riscos financeiros, fechou os câmbios, registrou as DIs, pagou os tributos e vendeu os vidrosno mercado interno para mais de 100 processadores e revendedores espalhados pelo Brasil; nos autos não há nada que desabone a conduta a Impugnante, sendo que nas folhas do Auto de Infração lavrado contra a Sertrading, nas quais foi citado o nome da Impugnante e seus quotistas, inclusive referente a alguns emails,por óbvio, por conta docomissionamento que possuía interesse em receber; portanto,a Impugnante foi exclusivamente interessada noCOMISSIONAMENTO dos negócios efetivamente fechados, jamais possuindo qualquer poderde mando na SERTRADING, como alega o D. fiscal autuante; todasas vendas no mercado interno foram dentro do que é permitido nastransações comerciais, não houve dano ao erário e em momento algum houve máféna condutada Impugnante, pois houve o pagamento de todos dos tributos, e o sujeito passivo, é aimportadora; opresente Auto de Infração não é claro, preciso e induvidoso quanto àdescrição dos fatos e a capitulação 'legal da infração cometida por todas as pessoasarroladas, todos sendo responsáveis pela mesma multa de 100%. Ao contrário, nãoindividualizou e nem indicou os sujeitos passivos e os fatos e as infrações que cada uma daspessoas que foram arroladas como infratoras cometeram. emse tratando de importação por conta própria da Sertrading, o riscofinanceiro da operação é toda da importadora, tendo em vista que fica sob sua responsabilidadeo fechamento do câmbio, com recursos próprios, registro da DI com pagamento dos tributos,além da venda no mercado interno, para diversos compradores, com emissão de NF de vendano merr^do interno, como ocorreu no presente caso; a falsificação ideológica deve ser comprovada, não bastam meros indícios, desprovidos de provas concretas. Ao que tudo indica o BL, Invoice e DI não sãofalsos e representam as operações de importações pela real importadora SERTRADING. E as vendas no mercado interno, devidamente documentada mediante as NF de venda; nopresente caso, não há que se falar em certeza pronta e definitiva damáféda Impugnante, vez que conforme documentação anexa comprovouse o contrário, ouseja, a boafédas ações aqui discutidas. A Impugnante cumpriu todas as exigências do fiscalautuante, reconhecendo o mesmo que houve boa fé não havendo que se falar em interposiçãofraudulenta por ocultação do real Fl. 9300DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 103 11 adquirente; resta mais do que evidente que a Impugnante NÃO TENTOU DENENHUMA FORMA ENGANAR O FISCO, fazendo com que o Auto de Infração oradebatido se torne inócuo. (Cita Acórdãos do CARF as fls. 5067); qual é o dano ao erário se todos os tributos incidentes na operação de importação e da venda no mercado interno foram pagos? Qual a responsabilidade solidária se houvesse? Apresentar compradores e receber uma comissão mediante emissão de NF de serviços é crime? Qual a infração cometida? Por certo que solidariedade em pena de perdimento não seria a penalidade aplicável. o princípio da proporcionalidade consubstanciase na necessidade e adequação dos meios empregados para que se atinjam os desideratos que a lei almeja. Neste contexto, é totalmente desproporcional a aplicação de solidariedade à Impugnante em um Auto de Infração, no valor de mais de 22 milhões por ter recebido comissionamento, com devida emissão de NF no valor de R$ 1.288.285,92! certamente o ato sindicado não se encontra norteado pela proporcionalidade e razoabilidade; requer seja dado provimento à presente impugnação a fim de que seja JULGADO IMPROCEDENTE o presente Auto de Infração, anulandose a multa aplicada. Da impugnação da empresa VLA COMERCIAL DE VIDROS LTDAME A VLA COMERCIAL DE VIDROS LTDA ME, apresentou a impugnação de fls. 5136 a 5144, onde em síntese do necessário alegou: a sociedade tem como objetivo comércio, transporte rodoviário,manutenção e instalação de vidro, bem como agenciamento e intermediação do mesmo" cláusula terceira do Contrato Social doc.01; a impugnante demonstrará através da farta prova documental que instruia presente impugnação, que os fatos descritos no retro aludido auto de infração não corresponde a realidade; ao ra impugnante, VLA COMERCIAL DE VIDROS LTDA ME não é parte legítima para configurar no polo passivo deste processo administrativo, mesmo que solidariamente; somente indicou clientes, reais interessados na compra de vidro,recebendo por isto uma comissão, conforme ampla documentação juntada aos autos, inclusive as NFs de serviços; o presente Auto de Infração não é claro, preciso e induvidoso quanto àdescrição dos fatos e a capitulação legal da infração cometida por todas as pessoas arroladas,não constando a individualização e nem indicou os sujeitos passivos e os fatos e as infrações que cada uma das pessoas que foram arroladas como infratoras cometeram.; o auto de Infração que aqui se impugna, apenas presumiu que a Impugnante, participou da importação ao receber comissão por apresentar possíveis compradores e receber uma comissão por isto; a empresa Sertrading S.A., real importadora e vendedora, importa e vende os vidros no mercado interno, alguma vezes para clientes indicados pela ora Impugnante; a impugnante tão somente recebeu comissão por tal indicação, paga pela SERTRADING S.A. após a realização da venda e, o pagamento da comissão era efetiva do Fl. 9301DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 104 12 mensalmente, sendo o valor pago correspondente à soma de todas as comissões devidas pelas indicações realizadas no mês imediatamente anterior; como fica claramente demonstrado através das referidas notas, a Impugnante recebeu o montante de R$ 381.030,82 (trezentos e oitenta e u m mil e trinta reais e oitenta e dois centavos) a título de COMISSÃO não de Benefício, cf. alegado no auto de infração valor esse correspondente à totalidade das notas emitidas desde dezembro de 2008 à julho de 2011; (doc.6) esse total representa percentual ínfimo do totalo das operações de importação da Sertrading S.A. S.A. (R$ 21.901.137,96 vinte e um milhões novecentos e um mil cento e trinta e sete reais e noventa e seis centavos, cf. auto de infração n°0917800/00136/11) o que não pode, portanto ser considerado como faturamento da impugnante, tampouco lucro; a ora impugnante não possui poder econômico para realizar tamanha operação, o que pode ser verificado através de seus balanços dos anos de 2008 a 2012, em anexo (docs. 07); a VLA não teve atuação (nem mesmo condição!!!) efetiva na importação,a não ser seu comissionamento, isso porque, exercia como efetivamente ainda exerce atividade de vidraçaria, para consumidor finaI e não distribuição de vidros; a SERTRADING S.A. realizou importações por conta PRÓPRIA e foi a importadora da mercadoria, pagou devidamente os tributos, bem como fechou o câmbio, não havendo dano ao erário, além de ter submetido a mercadoria ao despacho aduaneiro apresentando corretamente todos os documentos necessários a sua instrução; diante de tudo o aqui exposto e da abundante prova documental acostada a está impugnação, requer a Vossa Senhoria, seja este processo administrativo julgado improcedente, sendo cancelado o lançamento consubstanciado no auto de infração, com a consequente anulação da multa aplicada à impugnante. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 30/10/2008 a 07/04/2011 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, DO REAL VENDEDOR, COMPRADOR OU DE RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O Dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta nos documentos de habilitação para operar no comércio exterior, bem assim na declaração de importação e nos documentos de instrução do despacho, a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário ou cambial perpetrado. Fl. 9302DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 105 13 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA.HIPÓTESES. A conversão da Pena de Perdimento em multa poderá ser levada a efeito sempre que as mercadorias sujeitas àquela penalidade tiverem sido dadas a consumo, por meio da sua comercialização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido As empresas indicadas no polo passivo da presente autuação, SERTRADING S/A, SERTRADING BR LTDA, SERGLOBAL IMP. E TRANSP. LTDA, WEST GLASS LTDA, VLA COML. DE VIDROS LTDA, foram cientificadas do Acórdão proferido pela DRJ – São Paulo e apresentaram tempestivamente os respectivos Recursos Voluntários, onde repisam os argumentos já trazidos nas impugnações: Encaminhado o processo ao CARF, a turma julgadora houve por bem converter o julgamento em diligência, por entender que haveria questões fáticas a serem esclarecidas, consubstanciadas nos seguintes termos, que transcrevemos da respectiva resolução: Fl. 9303DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 106 14 Em resposta à diligência, foram juntados extratos bancários, documentos societários e contábeis, contratos de empréstimos bancários, planilhas de movimentação financeira, dentre outros documentos, inclusive laudo pericial contábil, demonstrativo da origem dos recursos das operações da Recorrente "com vidros". É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Os presentes recursos preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Como se depreende, o presente processo tem como escopo diversas declarações de importação, que estribaram operações de importação de vidros, nas quais, embora tenham sido declaradas à fiscalização como "por conta própria", foram requalificadas como "importações por conta e ordem de terceiros", tipificandose a hipótese de interposição fraudulenta. Fl. 9304DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 107 15 Não obstante, um primeiro ponto chama a atenção quando se analisa o auto de infração: não se pode verificar com clareza qual o fundamento legal da autuação. Destarte, verificandose o auto de infração, às fls.5, depreendese que o auto lastreouse nos seguintes dispositivos legais: Ora, os mencionados dispositivos da Lei n.10/833/03 dispõem sobre a possibilidade da conversão de pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro, o Decreto n. 4543/02 foi revogado pelo Decreto n. 6759/09, atual Regulamento Aduaneiro, e quanto a esse último, o dispositivos mencionados apenas reproduzem as disposições da Lei n. 10.833/03, sobre a multa equivalente ao valor aduaneiro. Tal referência é relevante, pois há duas possibilidades de fundamentação legal do tipo "interposição fraudulenta" na atual legislação aduaneira. Antes de mais nada, deve ser frisado que a interposição nas operações de importação, por si só, não é evento vedado pela legislação; ao contrário, a legislação, especialmente por questões de logística, erigiuse no sentido de disciplinar as formas legítimas de interposição no comércio exterior. A interposição associada ao predicado de “fraudulenta”, coibida pelo ordenamento jurídico, é aquela prescrita no Decretolei n. 1455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...]V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...]§ 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) §2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3 As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos noDecreto no70.235, de 6 de março de 1972.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 9305DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 108 16 A Lei n. 10.637/2002, por sua vez, estabelece que: art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001. De acordo com o tipo legal da "interposição fraudulenta", ocultase o sujeito que adquiriu ou vendeu a mercadoria, figurando em seu lugar, outro sujeito, que se utiliza de recursos financeiros do primeiro, simulandose ser este parte contratante na compra e venda. Com esse artifício, é possível tornarem opacas ao Fisco e das autoridades públicas em geral, situações em que os recursos financeiros tenham origem em ilícitos e que não tenham sido oferecidos à tributação, operações com empresas vinculadas, a quebra da cadeia do IPI, dentre outras situações. O ordenamento jurídico brasileiro erigiu o tipo legal da interposição fraudulenta de forma que pode se configurar nos casos concretos a partir: i. da presunção do §2º do art.23 do Decretolei n. 1455/76; ii. ou pela comprovação da existência de fraude ou simulação, em conformidade com o disposto no inciso V, do mesmo dispositivo. A interposição fraudulenta fundada na presunção é relativa, isto é, é ônus do contribuinte fazer prova em contrário, demonstrando a capacidade econômica para fazer frente às operações de importação. Por outro lado, nas hipóteses de interposição fraudulenta que não se assentam em tal presunção, deve a fiscalização comprovar a existência de fraude ou simulação, conforme determina o tipo legal e nos limites traçados pela legislação, para "fraude" e "simulação". Portanto, traçadas as linhas gerais das normas jurídicas que gravitam em torno do caso concreto, como última observação, deve se ter em conta que o tipo legal da "interposição fraudulenta" pressupõe a análise profunda do acervo probatório de cada situação descortinada. No caso em apreço, verificase que não ficou clara, de início em qual das modalidades de interposição fraudulenta foi enquadrado o caso concreto, pois o campo "enquadramento legal" do auto de infração nada dispõe, ao passo que o relatório da fiscalização é extenso e confuso, trazendo diversas questões teóricas sobre modalidades de importação, das formas de interposição fraudulenta, de forma abstrata, não estando claro, em diversas passagens quando está fazendo referência ao caso concreto que se apresenta. Tanto é que a diligência realizadas nos autos, requereu a providência de uma série de informações, que ficaram obscuras para o relator originário, impedindoo de proceder ao julgamento da lide. É de se observar que, ainda assim, não há que se falar em hipótese de nulidade, pois esses fatos não impediram que a Recorrente adequadamente se defendesse, não havendo, pois, o cerceamento de seu direito de defesa. Analisandose o extenso relatório de fiscalização, pode se depreender que a hipótese dos autos é de interposição fraudulenta mediante fraude ou simulação, o que é corroborado na decisão de primeira instância. Fl. 9306DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 109 17 E nesse sentido, entendeuse que ocorreu a interposição fraudulenta, por força de uma série de indícios encontrados pela fiscalização, dentre outros (reproduzse os termos do termo de verificação fiscal): “(1) O responsável efetivo pelas operações de importação sob análise, registradas em nome próprio pela pessoa jurídica SERTRADING S/A, CNPJ 03.748.067, é a pessoa jurídica SERTRADING (BR) LTDA., CNPJ 04.626.426, entidade que efetivamente detinha a disponibilidade da capacidade operacional utilizada para tal fim; a única funcionária formalmente vinculada àquela (SERTRADING S/A, CNPJ 03.748.067) não exerceu qualquer papel no processo de importação, atuando única e exclusivamente na emissão de documentos fiscais e controle da expedição de mercadorias já nacionalizadas a mando e sob ordem de pessoas vinculadas a esta (SERTRADING (BR) LTDA., CNPJ 04.626.426); (2) O comportamento verificado nas operações ora analisadas de indicação, nas declarações de importação (DI), de pessoa jurídica que não foi a real responsável pelas mesmas, no papel de importador e/ou adquirente seguramente ocorreu em outras situações nas quais outras entidades integrantes do grupo informal, genérica e ostensivamente denominado de GRUPO SERTRADING, atuaram na importação (vide, em especial, o que consta das tabelas C.1, C.4 e C.5 anteriores); (3) Referido grupo informal, dada a forma de atuação visualizada nos elementos obtidos em Diligência, bem como o que de forma mais explícita consta nas informações públicas apresentadas em seus sites institucionais, tem como negócio principal a prestação de serviços na área de comércio exterior, não sendo, portanto, o de comércio de mercadorias e não obstante as mesmas informações públicas, em determinadas situações, e o próprio documentário fiscal (declarações de importação, notas fiscais de venda) produzido e apresentado, queiram induzir pensamento contrário; e (4) Já a existência de pessoas físicas estranhas até mesmo aos quadros daquelas vinculadas ao GRUPO SERTRADING, inegavelmente exercendo funções gerenciais e de controle efetivo das operações, conforme verificado nas mensagens obtidas em Diligência (MARCOS TOBLER BRANT DE CARVALHO, CPF 264.371.13863, e VERA LÚCIA DE ABREU, CPF 008.142.93808, por sua vez vinculados, aí sim, a empresas do ramo de comércio de vidros) seguramente identifica a existência de outro grupo/conjunto de responsáveis ou interessados na prestação dos serviços especializados realizados pelo grupo principal em tais operações.” Ademais, afirmou a fiscalização que o elevado volume físico de cargas objeto das primeiras DI registradas pelo estabelecimento localizado em Paranaguá já representava incompatibilidade com sua estrutura operacional aparente, considerandose apenas o fato de que seu endereço claramente indica que se trata de sala localizada em prédio comercial, seguramente incapaz de armazenar tamanha quantidade de produto, que por sua natural fragilidade também requeria manuseio e estocagem diferenciados. Afirmase ainda que se as mercadorias tivessem sido de fato revendidas/negociadas no mercado interno apenas após a sua nacionalização, teria que se Fl. 9307DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 110 18 admitir a existência de uma equipe especializada e numerosa para conduzir e tratar apenas das questões de vendas e logística de produto tão específico. O que se verificou preliminarmente, entretanto, é que, ao menos de maneira formal e com vínculo empregatício declarado, o estabelecimento filial, durante todo o período considerado, contou com apenas uma funcionária administrativa. Fezse, ainda, alusão ao processo administrativo n. 10.726.000129/200690, afirmandose que os fatos levantados e explicitados naquela autuação, ainda que relativamente distantes no tempo e ainda considerando seu resultado final ainda pendente na via administrativa, deixam, no mínimo, dúvidas sobre a regularidade da conduta da empresa nas suas operações de importação mais recentes. Em face desse contexto, novo freio de arrumação deve ser estabelecido. Delimitado que a autuação não se baseou na presunção determinada pela ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, com a devida vênia, a resolução que converteu o processo em diligência para a comprovação de origem de recursos nas importações, seria despicienda, sob pena de alteração de critério jurídico do lançamento, ainda que aparentemente seu escopo tenha sido cumprido pela Recorrente, que até mesmo trouxe laudo pericial contábil com a origem dos recursos empregados nas operações. Da mesma forma, a existência do grupo econômico SERTRADING não foi posto em dúvidas, já tendo sido apurado ainda em fase de fiscalização, especialmente por força da composição societária das empresas envolvidas. O que foi posto em dúvida, foram os seus efeitos jurídicos, especialmente as repercussões da atuação em conjunto, em operações de importação. O cerne da questão está em outro ponto. Com efeito, ao se analisar o tipo legal "interposição fraudulenta" na importação, já transcrito, temse como a "hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros". Assim, o tipo legal requer a ocultação daquele que importa a mercadoria, por meio de outro sujeito, que se apresenta perante o Fisco como o importador. No caso em tela, se a SERTRADING S/A foi colocada na posição de empresa de fachada, as demais empresas do grupo SERTRADING, SERTRADING BR LTDA, SERGLOBAL IMP. E TRANSP. LTDA, bem como a WEST GLASS LTDA, VLA COML. DE VIDROS LTDA, colocados na condição de solidários, deveriam ser reputados como as reais importadoras, para se tipificar a conduta apontada. Nesse contexto, a prova de conduta de interposição, deveria passar pela demonstração de que essas pessoas jurídicas teriam sido as efetivas importadoras ou as compradoras desses vidros, o que não está claramente definido nos autos. Ao contrário, a alegação das Recorrentes é no sentido de que o grupo SERTRADING arquitetou uma operação para compra de vidros de fornecedores do Oriente Médio e da China, vislumbrando as oportunidades no mercado doméstico. As empresas do grupo teriam se estruturado para viabilizar a logística das operações. Fl. 9308DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 111 19 Para alcançar os consumidores finais, teriam contratado as empresas VLA e WEST GLASS, cujos sócios seriam profundos conhecedores do mercado nacional de vidros, para alcançar esses clientes, fazendo jus a comissões por essa intermediação. É de se observar que a função alegada como exercida pela VLA e WEST GLASS, já seria um indício importante de que a importações não teriam sido feitas a importadores predeterminados, por encomenda. Corrobora a alegação de que o Grupo SERTRADING vislumbrou a oportunidade empresarial no mercado de vidros e assumiu o risco de promover essas importações. Ora, essa estrutura de negócios não se demonstra ilícita ou fraudulenta, em princípio. Para estribar o argumento, a SERTRADING S/A trouxe diversos documentos, no advento da impugnação, que sequer foram apreciados pela decisão de primeira instância, quais sejam, dentre outros: lista de cliente, que seriam os adquirentes dos vidros importados (anexo7); relatório de movimentação (anexo 8); relatórios do Kardex (anexo 9); notas fiscais de saída, no mercado interno, dos vidros importados (anexo10); lançamentos no Razão dos clientes inadimplentes(anexo12; planilhas demonstrativas das margens de lucro com as operações com vidro (anexo14); Ademais, tanto as empresas VLA, como WEST GLASS, trouxeram diversas notas fiscais de prestação de serviços de intermediação de negócios, para a SERTRADING S/A, que sequer foram mencionados, ainda que fosse para desconsiderálas. Em face de todo o exposto, entendo ser fundamental para o deslinde do presente caso, que novamente haja a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora analise todos os documentos juntados pela recorrente SERTRADING S/A por ocasião da impugnação, bem como outros que reputar necessários, para elaboração de demonstrativo que vincule as mercadorias de cada uma das declarações de importação abrangidas na autuação e contratos de câmbio, com os documentos contábeis da empresa (livro de entrada, estoque e saída), notas fiscais de saída do armazém e retorno simbólico, nota fiscal de vendas aos clientes referidos nos mesmos documentos, margem de lucro das operações ou perda, contratos de câmbio. Ademais, em relação às empresas VLA e WEST GLASS, que sejam apreciados os documentos juntados, tais como as notas fiscais de prestação de serviços, e outros documentos contábeis correlatos, para que seja apurado a sua legitimidade ou, para que sejam desconsiderados, se for o caso. Fl. 9309DF CARF MF Processo nº 10907.721159/201334 Resolução nº 3201000.836 S3C2T1 Fl. 112 20 Após, deve ser dada oportunidade para cada um dos Recorrentes manifestarem se no prazo de 30 dias, prorrogáveis uma vez, devendo os autos retornarem para prosseguimento do julgamento. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (assinado digitalmente) Fl. 9310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000902/2002-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000902/200244 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.644 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2017 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente DERMEVAL GONÇALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 02 /2 00 2- 44 Fl. 233DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 19515.000902/200244 Acórdão n.º 2402005.644 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado, em 07/11/2002, o Auto de Infração de fls. 132/134, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física incidente sobre os rendimentos auferidos no anocalendário de 1998, por meio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$ 149.633,12, correspondente ao imposto (R$ 63.828,49), multa proporcional (R$ 47.871,36) e juros de mora (R$ 37.933,27), calculados até 31/10/2002. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 133/134), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações: 1 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 124/129. O fato gerador, valor tributável e percentual de multa de ofício estão especificados à fl. 133. Enquadramento legal: F1. 133 2 OMISSAO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCARIOS COM ORIGEM NAO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em. conta de depósito ou investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil idônea, a origem dos recursos utilizados. nessas operações. Os fatos geradores, valores tributáveis e percentuais de multa de ofício estão especificados à fl. 133. Enquadramento legal: Fl. 133 Cientificado do Auto de Infração, em 11/11/2002 (fl. 138), o contribuinte apresentou, em 05/12/2003, a impugnação de fls. 139/143, aduzindo, em resumo, o seguinte: 1 que diferentemente do alegado pela fiscalização, o declarante apresentou à repartição fiscal de jurisdição, a sua declaração do imposto de renda de ajuste do exercício de 1999, no ano Fl. 235DF CARF MF 4 calendário de 1998, tendo o imposto de renda devido, sido retido na fonte pagadora ( cópia anexadadoc.06); 2 que no mesmo exercício de 1999, ano calendário de 1998, o contribuinte teve rendimento sujeito a tributação exclusiva, mencionada na declaração, no valor de R$ 372.250,51; 3 que contrariamente ao alegado pela fiscalização, que levantou a importância de R$ 240.000,00, pela análise da sua conta corrente bancária, como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados, o contribuinte juntou documentos insofismáveis de receitas legalmente obtidas; 4 que atendendo intimação da fiscalização, em 06 de novembro de 2002, o contribuinte entregou o contrato de compromisso de compra e venda de um imóvel no Condomínio Horizontal Aldeã Maré, município de BertiogaSão Paulo, módulo 19, bloco “B” unidade 1venda por R$ l00.000,00( Doc.07, em anexo); 5 que juntou documento relacionado com a venda de um apartamento no Bosque do Capivari, em Campos do Jordão, escritura lavrada no 2° Tabelião de Notas de Caçapava, no valor de R$ 90.000,00(Doc. 08,em anexo); 6 que efetuou a venda de dois veículos, sendo um Passat por R$ 20.000,00 e um Santana por R$ 7.000,00, sendo que tanto os imóveis, como os veículos, estavam registrados em sua declaração de bens nos exercícios correspondentes, inclusive as baixas no exercício em exame; 7 que, recebeu ainda do grupo Sílvio Santos, gratificações, quando de rescisão de contrato, no valor de R$74.181,00, além de 19 salários no valor de R$ 23.000,00, perfazendo assim um total de R$ 314.181,00; 8 que o crédito tributário pretendido pela fiscalização, no valor de R$63.829,49, não tem nenhum amparo legal, nem tampouco comprovação inequívoca, constituindose, portanto, em mera suposição de ilícito fiscal, uma vez que o contribuinte sempre teve seu imposto retido na fonte pagadora; 9 que, por derradeiro, entendeu ser prudente guardar parte dos valores das vendas e recebimentos mencionados, em moeda, não resultando o depósito em conta corrente, no montante de R$ 240.000,00, em omissão de receita como lhe pretende imputar o órgão fiscalizador, o que resta demonstrado diante dos diversos documentos ora trazidos a colação. Em sessão realizada em 22 de janeiro de 2009, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O contribuinte deve incluir, na declaração de ajuste anual correspondente, todos os rendimentos comprovadamente auferidos no anocalendário e o respectivo imposto de renda retido na fonte. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19515.000902/200244 Acórdão n.º 2402005.644 S2C4T2 Fl. 4 5 A entrega da declaração de ajuste anual, depois de iniciado o procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, implica a perda da espontaneidade, para os efeitos previstos no artigo 138 do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art.. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS AUFERIDOS ANTERIORMENTE. Não configuram origem de recursos os valores percebidos em exercícios anteriores, a menos que se comprove que os mesmos apareceram como depósitos incluídos entre aqueles que motivaram a tributação. O recorrente foi intimado da decisão em 09/10/2009 (fl. 215) e interpôs recurso voluntário em 22/10/2014 (fls. 218 e seguintes e fl. 227), deduzindo as seguintes teses de defesa: 1. a multa aplicada deveria ser de R$ 165,74, por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual DAA; 2. o lançamento constituído padece dos princípios de segurança e certeza. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 237DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. 2 Da multa de ofício Segundo o recorrente, a única multa a ser aplicada deveria ser de R$ 165,74, por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual DAA. Essa tese, contudo, não foi ventilada na impugnação, sendo insuscetível, pois, de conhecimento em grau recursal. Com efeito, a impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. .................................................................................................. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. .................................................................................................. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] .................................................................................................. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19515.000902/200244 Acórdão n.º 2402005.644 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (destacouse) ......................................................................................... Justamente em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou a matéria ora suscitada, de forma o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Destarte, não se conhece do recurso neste ponto. 3 Da omissão de receitas ou rendimentos O recorrente afirma que o lançamento padece dos princípios de segurança e certeza, não havendo como se constituir crédito tributário apenas com base em presunção. Diz, ainda, que é necessário que se comprove que os valores depositados foram consumidos. Ocorre que o art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter Fl. 239DF CARF MF 8 seão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizandoos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19515.000902/200244 Acórdão n.º 2402005.644 S2C4T2 Fl. 6 9 Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar, exemplificativamente, que o recurso é atinente a uma doação ou a um empréstimo, ou mesmo que são aplicáveis as hipóteses dos incs. I e II do § 3º retro mencionado. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. Mutatis mutandis, o verbete sumular CARF nº 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Nessa toada, deve ser negado provimento ao recurso. Fl. 241DF CARF MF 10 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 242DF CARF MF
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Numero do processo: 10921.000338/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 02/02/2005 a 04/01/2006
PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO CARACTERIZADA.
A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003.
ATIPICIDADE DA CONDUTA. INOCORRÊNCIA.
A infração cometida no caso concreto está prevista nos artigos 37 e 107, IV, "e", ambos do Decreto-Lei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/04 c/c art. 44 da IN/SRF 28/94, com a redação dada pela IN/SRF 510/05.
AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA.
Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática.
FALTA DE ELEMENTO ESSENCIAL. INOCORRÊNCIA.
A ausência de informações ou informações prestadas a destempo prejudicam o controle aduaneiro, e de modo finalístico, o Erário, nos termos do artigo 237 da Constituição Federal de 1988, de modo que no caso concreto não há violação ao artigo 113, § 2o do CTN.
Numero da decisão: 3401-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro André Henrique Lemos (relator), sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. O Conselheiro Hélcio Lafetá Reis acompanhou a divergência pelas conclusões.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Hélcio Lafetá Reis (suplente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 02/02/2005 a 04/01/2006 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decreto-Lei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. ATIPICIDADE DA CONDUTA. INOCORRÊNCIA. A infração cometida no caso concreto está prevista nos artigos 37 e 107, IV, "e", ambos do Decreto-Lei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/04 c/c art. 44 da IN/SRF 28/94, com a redação dada pela IN/SRF 510/05. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. FALTA DE ELEMENTO ESSENCIAL. INOCORRÊNCIA. A ausência de informações ou informações prestadas a destempo prejudicam o controle aduaneiro, e de modo finalístico, o Erário, nos termos do artigo 237 da Constituição Federal de 1988, de modo que no caso concreto não há violação ao artigo 113, § 2o do CTN.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/02/2005 a 04/01/2006 PRESTAÇÃO DE DADOS DE EMBARQUE DE FORMA INTEMPESTIVA. INFRAÇÃO CARACTERIZADA. A prestação de informação de dados de embarque, de forma intempestiva, por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP 135/2003, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/2003. ATIPICIDADE DA CONDUTA. INOCORRÊNCIA. A infração cometida no caso concreto está prevista nos artigos 37 e 107, IV, "e", ambos do DecretoLei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/04 c/c art. 44 da IN/SRF 28/94, com a redação dada pela IN/SRF 510/05. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração à legislação aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática. FALTA DE ELEMENTO ESSENCIAL. INOCORRÊNCIA. A ausência de informações ou informações prestadas a destempo prejudicam o controle aduaneiro, e de modo finalístico, o Erário, nos termos do artigo 237 da Constituição Federal de 1988, de modo que no caso concreto não há violação ao artigo 113, § 2o do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 38 /2 00 9- 70 Fl. 182DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencido o Conselheiro André Henrique Lemos (relator), sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. O Conselheiro Hélcio Lafetá Reis acompanhou a divergência pelas conclusões. ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Hélcio Lafetá Reis (suplente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário, cujo nascedouro se deu por meio de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a referida multa, referente a apuração de 19 (dezenove) atracações de navios com registros intempestivos dos dados de embarque, ou seja, informadas após 7 (sete) dias da data de embarque, conforme noticia o Auto de Infração, fl. 07, do presente PAF e a lista das 19 (dezenove) Declarações de Despachos de Exportações DDE's(fl. 10), as quais correspondem aos fatos geradores de 02/02/2005 a 04/01/2006. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação, tecendo os seguintes argumentos: a) ausência de tipicidade, vez que não deixou de prestar informações, bem como não é uma empresa de transporte internacional, tampouco um agente de carga, não havendo hipótese para seu enquadramento e não se prestando o art. 107, IV, "e" do DL 37/66 para este desiderato. b) ilegitimidade passiva, não podendo figurar no pólo passivo da autuação, posto que é mera agência de navegação marítima, age em nome do Armador e com este não se confunde, logo, não pode responder pessoalmente por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos com base no DL 37/66. Colacionou jurisprudência do E. STF (RE 87.138, de 1979); Súmula 192, do extinto TFR e também precedentes do STJ (AGREsp. 2003/01586385/PE, de 2004, REsp. 223836/RS, de 2005, REsp. 148683/SP, de 1998, REsp. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 3401003.461 S3C4T1 Fl. 183 3 132.624/SP, de 2000, REsp. 724.295/PE, de 2005, REsp. 170997/SP, de 2005 e REsp. 640.895/PR, de 2004). c) desconstituição do auto de infração, pois é nítido que o método em que a Receita Federal agiu, dá ensejo, sem dúvidas, a declaração de nulidade. Disse ainda que o auto de infração apresenta irregularidades que levam à nulidade absoluta e que tais vícios cerceiam diretamente o direito ao contraditório e a ampla defesa. d) desobediência aos princípios da legalidade e da motivação, contrariando o art. 37, da CF/88, já que a Administração só respeitou o princípio da legalidade no atinente à impossibilidade de observância de disposição legal por parte da recorrente, mas no respeitante é (sic) sua conduta comissiva, quando devia ficar inerte foi ignorada. E ai (sic) reside a prova de que o fato que gerou o auto de infração não trouxe prejuízo algum, bem como qualquer dificuldade para os tramites (sic) normais da movimentação de carga no navio e, portanto, a multa é desnecessária e até abusiva. e) denúncia espontânea, sendo descabida a multa, pois as informações foram prestadas antes que o procedimento fiscal fosse instaurado, e por corolário, incidindo o art. 138 do CTN c/c art. 102 do DL 37/66. A DRJ/FLN apreciando todos os argumentos da contribuinte, manteve a autuação. Irresignada com a referida decisão, interpôs a contribuinte, recurso voluntário, basicamente repisando os argumentos asseverados em sua impugnação. Julgando o feito, a E. Turma deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte não apresentou contrarrazões. A matéria submetida à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF restringiuse, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Em sede do recurso excepcional, aplicouse a sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos), dandose provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, por voto de qualidade, para considerar inaplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea ao caso concreto (art. 138 do CTN e art. 102 do DL 37/66), pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Fl. 184DF CARF MF 4 Citou o voto do relatorpresidente, precedente da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção, acórdão 310200.988, bem como o proferido no acórdão 3802002.314, e ainda, nos autos da AC 500599981.2012.404.7208/SC, da 2a Turma do TRF da 4a Região. Ato contínuo, decidiu que a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impedindo o julgamento das demais questões, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação da E. CSRF. Os autos retornaram à origem, sendo que à fl. 169 houve despacho de saneamento, com o seguinte teor: Em julgamento do Recurso Especial, a CSRF considerou inaplicável ao caso a denúncia espontânea, e determinou o retorno do processo ao CARF para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. O sistema SIEF/Processo não permite informar um segundo julgamento no CARF. Por esta razão, foram desfeitos os eventos até a situação de julgamento de recurso voluntário, o que possibilitará registrar o novo julgamento do recurso voluntário Em razão disso, deuse ciência da decisão ao contribuinte, e após, ascenderam os autos para manifestação do Colegiado desta 3a Seção quanto aos demais argumentos expendidos pelo contribuinte em seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos, relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se restringe na autuação fiscal, por ter a Recorrente, supostamente, infringido o art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010, ou seja, tivera a Recorrente prestado informações no Siscomex, referente ao embarque no prazo superior a 7 (sete) dias como exige o ordenamento. Como se viu, o argumento da denúncia espontânea foi enfrentado e julgado em desfavor do contribuinterecorrente por decisão da E. CSRF, restando a análise dos demais temas, quais sejam: 1) Ilegitimidade passiva (já relatado). 2) Do não enquadramento da multa prevista na alínea "e", IV, art. 107, do DL 37/66 (ausência de tipicidade), também já relatado. 3) falta de elemento essencial para a validade da autuação disse o Recorrente que não há no caso concreto um fim específico e próprio que justificasse a Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 3401003.461 S3C4T1 Fl. 184 5 penalidade, a teor do art. 113, § 2° do CTN, sendo faltante o elemento essencial da finalidade "no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos", não restando qualquer prejuízo arrecadatário ou fiscalizatório. O recurso voluntário merece prosperar em parte, somente no tocante à aplicação da multa no tempo, respeitando a vigência da Instrução Normativa 510, de 15/02/2005, como se perceberá a seguir. Quanto à legitimidade, entendo que os artigos 95, I do DL 37/66 c/c o artigo 135, II, do CTN, resolvem a questão, respectivamente: "Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;(...)" "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados;(...)" Deste modo, na condição de agência marítima e mandatário do transportador estrangeiro, a Recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex, e assim não procedendo, cometeu a infração contida na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do DL 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, respondendo, pessoalmente pela infração em comento. A Recorrente cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos: "O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966." Esta Súmula restou superada ao longo do tempo, mormente pela redação do artigo 32, I do DL 37/66, dada pelo DL 2.472/1988 e do inciso II, do parágrafo único do mesmo artigo, dada pela MP 215835/2001: "Art . 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 186DF CARF MF 6 Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)" Demais disso, a solidariedade tributária passiva está contida nos artigos 121, parágrafo único, II, 124, I e II e 128, todos do CTN, respectivamente, a saber: "Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação." (grifei). A referida Súmula 192 do TFR também restou superada pela decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJE de 14/12/2010, julgado em sede de recurso repetitivo, o qual assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Todavia, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.2472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário. Ademais, para os 2 (dois) primeiros argumentos tecidos pela Recorrente em seu voluntário, este E. Tribunal em inúmeros precedentes idênticos ao caso concreto já teve a oportunidade de se manifestar, mantendo as autuações, dentre outros, os acórdãos 3302 002.733, 3802003.962, 3403003.252, 3802001.127 e 3302002.732. Por economia, cito apenas a ementa do acórdão 3301002.972 (17/06/2016): "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 3401003.461 S3C4T1 Fl. 185 7 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para o transporte marítimo, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado." Demais disso, impende consignar que a Recorrente, sendo parte em outros Processos Administrativos Fiscais PAF em casos de prestação de informações referente aos embarques, portanto, idênticos ao contido no presente feito , já obteve manifestação deste E. Tribunal, como são os processos resultantes dos acórdãos 3102002.072, 3102002.073, 3102 002.075 e 3102002.077, cuja ementa abaixo se refere ao primeiro acórdão (sendo as demais no mesmo sentido): "Assunto: Obrigações Acessória. Data do fato gerador: 11/06/2008. Multa pela Prestação de Informações em Desacordo com a Legislação. Agente Marítimo. Responsabilidade. Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Denúncia Espontânea. Obrigações Acessórias. Descabimento. As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN. Cobrança de Multa Isolada. Legalidade. A incidência de multa isolada, escora (sic) Insurgese (sic) ainda a recorrente contra a aplicabilidade, em abstrato, das multas que formam a exigência fiscal. Recurso Voluntário Negado." Portanto, no tocante às arguições de ilegitimidade passiva e atipicidade da conduta não tem razão a Recorrente. O terceiro argumento articulado pela Recorrente diz respeito a falta de elemento essencial, defendendo que o descumprimento do prazo não representaria qualquer prejuízo à arrecadação ou fiscalização dos tributos. O artigo 237 da Constituição Federal de 1988, dispõe: "Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda." Vêse que a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior são essenciais à defesa dos interesses do Erário nacional, Fl. 188DF CARF MF 8 portanto, este os bens jurídicos tutelados, não podendo o descumprimento da obrigação acessória, nesta hipótese, se sobrepor àqueles. Neste particular fora o voto proferido no acórdão 3102002.073. Por estas razões, não há violação ao artigo 113, § 2o do CTN, como afirma a Recorrente. Por fim, entendo que a autuação deve ser cancelada com relação aos fatos geradores até o dia 15/02/2005, dia em que entrou em vigor a Instrução Normativa SRF 510/2005, vez que até esta data não existia no ordenamento ato regulamentar fixando prazo para prestar informações acerca dos embargos, ou seja, dar eficácia ao at. 37 do DL 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/2003. O artigo 37 da IN/SRF 28, de 27/04/1994 (DOU de 28/04/1994, seção 1, pág. 6167), não precisava o prazo para prestar as informações: "Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos." (grifei). A precisão sobreveio com a alteração do mencionado texto normativo por meio da redação do artigo 1º da IN/SRF nº 510, de 14/02/2005 (Diário Oficial da União, Seção 1, 15/02/2005. p. 21): "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque." Vêse, portanto, que somente a partir de 15/02/2005 é que se fixou prazo para prestar as informações, logo, até esta data não se deve penalizar o contribuinte. Neste sentido são os votoscondutores dos acórdãos 3202.000.341 e 3102 002.073, este tendo como parte a própria Recorrente, a qual teve seu recurso voluntário provido em parte para afastar a exigência aos embarques anteriores a 15/02/2005, cuja ementa possui o seguinte teor: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 03/11/2009 Multa pela Prestação de Informações em Desacordo com a Legislação. Agente Marítimo. Responsabilidade. Agente Marítimo que, em nome próprio, presta informações relativas ao embarque da mercadoria em desacordo com o estabelecido na legislação de regência, responde pela multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Denúncia Espontânea. Obrigações Acessórias. Descabimento As penalidades decorrentes do descumprimento de obrigação acessória não se beneficiam da excludente de responsabilidade fixada no art. 138 do CTN. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 3401003.461 S3C4T1 Fl. 186 9 Cobrança de Multa Isolada. Legalidade A incidência de multa isolada, decorrente do descumprimento de obrigação acessória, encontrase plenamente amparada pela legislação que disciplina o Controle Aduaneiro. Registro Extemporâneo dos Dados de Embarque na Exportação. Multa do Art. 107, IV, “e” do DL 37/1966 (INsSrf 28/1994 e 510/2005). Vigência e Aplicabilidade. A expressão “imediatamente após, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro do prazo de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido em Parte." À mão de ilustrar, atualmente o prazo é de 7 (sete) dias para se prestar as informações pertinentes ao embarque, a teor da IN/SRF 1.096/2010, que deu nova redação ao multicitado art. 37. No caso concreto os fatos geradores são de 02/02/2005 a 04/01/2006 (fls. 07 e 08), sendo o segundo fato gerador o dia 16/02/2005, devendo ser cancelado apenas o fato gerador de 02/02/2005. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a multa referente aos fatos geradores (embarques) anteriores a 15/02/2005 que, no caso concreto abrange apenas o fato gerador de 02/02/2005. André Henrique Lemos Fl. 190DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, redator designado Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido da exclusão do auto de infração dos fatos geradores anteriores à IN/SRF nº 510, de 15/02/2005. Entendeu o Relator que a autuação deve ser cancelada com relação aos fatos geradores até o dia 15/02/2005, posto que, antes desta data, não existia regra fixadora de prazo para se implementar a eficácia do art. 37, do DL nº 37/66, na redação dada pelo art. 77, da Lei nº 10.833/03. Argúi a relatoria que o art. 37, da IN/SRF no 28, de 27/04/1994, ao estabelecer que as informações deveriam ser prestadas: "Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria..", não precisava o prazo para prestar as informações e que a precisão somente sobreveio com a alteração do mencionado texto normativo por meio da redação do art. 1o, da IN/SRF no 510, de 14/02/2005. Com essas razões, propôs ao Colegiado fosse dado provimento parcial ao recurso voluntário. Entretanto, foi correta a fiscalização ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, considerando intempestivos os registros dos dados informadas após 7 (sete) dias da data de embarque. O caput do art. 37, da IN/SRF no 28, de 27/04/1994 determina que "imediatamente" após realizado o embarque da mercadoria, o transportador deve registrar os dados pertinentes, no Sistema Siscomex, com base nos documentos por ele emitidos. Por sua vez, a Noticia Siscomex no 105, de 27/07/1994, esclareceu que o termo "imediatamente" deveria ser interpretado como em até 24 (vinte e quatro) horas. Posteriormente, de acordo com a Noticia Siscomex no 2, de 07/01/2005, o prazo passou a ser de 7(sete) dias para embarques por via marítima. Entendeu a divergência não ser adequado o entendimento de que antes da IN/SRF no 510, de 15/02/2005, não existia regra fixadora de prazo para se implementar a eficácia do art. 37, do DL no 37/66. A norma do art. 37, do DL no 37/66, possui plena eficácia para determinar a imediata prestação de informações. Ocorreu que, as Notícias Siscomex supracitadas, apenas, permitiram que os dados exigidos fossem fornecidos com menor antecedência, nos casos, 48 (quarenta e oito) horas [Noticia Siscomex no 105/94] e 7 (sete) dias [Noticia Siscomex no 2/05], após realizados os embarques, portanto, interpretando a lei tributária que define infrações de maneira mais favorável ao acusado, na linha do que determina o art. 112, do CTN. Tendo em vista que a Recorrente não forneceu as informações imediatamente após realizados os embarques, tampouco, com a menor antecedência permitida, nos casos, 48 (quarenta e oito) horas [Noticia Siscomex no 105/94] e 7 (sete) dias [Noticia Siscomex no Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10921.000338/200970 Acórdão n.º 3401003.461 S3C4T1 Fl. 187 11 2/05], não houve respeito aos prazos de antecedência previstos na legislação de regência em questão. Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, não há como afastar a multa aplicada, pois, decorre de lei específica, na forma do art. 37, do DL no 37/66, na redação dada pelo art. 77, da Lei no 10.833/03, não havendo motivos, no caso, para afastar a aplicação ou deixar de observar lei válida. Assim, penso que a presente exigência fiscal, cujo objetivo é desestimular o descumprimento das obrigações aduaneiras, resulta de adequada subsunção dos fatos às normas que regem a matéria, de modo que não vislumbro argumentos capazes de invalidar o presente auto de infração. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a exigência fiscal. Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.908422/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.347
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 22 /2 01 1- 61 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/07/2008 a 30/09/2008. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.003, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10882.908422/201161 Acórdão n.º 3401003.347 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003013/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES E CONTRADIÇÕES ACOLHIDAS. EFEITOS INFRINGENTES.
Havendo omissões e contradições entre os fundamentos e a conclusão do voto, essas precisam ser sanadas podendo levar a mudança da conclusão do voto, com efeitos infringentes, como foi o caso. Por lapso manifesto na distinção das provas, a mesma prova que serviu para cancelar determinada infração (infração 1) foi utilizada para a manter a outra infração (infração 2). Além disso, a nova narrativa dos fatos trazida pelo fiscal no retorno de diligência traz uma nova premissa que contraria frontalmente as premissas do Acórdão embargado e os fundamentos da autuação fiscal original
Numero da decisão: 1401-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, Por unanimidade de votos, ACOLHER integralmente os embargos com efeitos infringentes para cancelar a infração 2 do auto de infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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OMISSÕES E CONTRADIÇÕES ACOLHIDAS. EFEITOS INFRINGENTES. Havendo omissões e contradições entre os fundamentos e a conclusão do voto, essas precisam ser sanadas podendo levar a mudança da conclusão do voto, com efeitos infringentes, como foi o caso. Por lapso manifesto na distinção das provas, a mesma prova que serviu para cancelar determinada infração (infração 1) foi utilizada para a manter a outra infração (infração 2). Além disso, a nova narrativa dos fatos trazida pelo fiscal no retorno de diligência traz uma nova premissa que contraria frontalmente as premissas do Acórdão embargado e os fundamentos da autuação fiscal original Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, Por unanimidade de votos, ACOLHER integralmente os embargos com efeitos infringentes para cancelar a infração 2 do auto de infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, José Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 13 /2 00 5- 81 Fl. 3170DF CARF MF 2 Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401001.758 S1C4T1 Fl. 426 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela empresa IOCHPE MAXION S/A na decisão proferida no Acórdão n° 1401000.583 , que restou assim ementado e decidido: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2002 Ementa: SIMULAÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em ma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Quando não convergentes como a infração relativa ao ano 2000 cancelase o lançamento, caso contrário, mantémse o lançamento como ocorreu na infração relativa à 2002. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A simulação absoluta presente no caso concreto diferenciase da simulação relativa na medida em que cria apenas uma aparência que não se destina a ocultar por baixo dela um outro negócio dissimulado, diferentemente, portanto, da outra (simulação relativa) em que e há necessidade da existência de um negócio jurídico oculto, aquele realmente intencionado. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. PROVAS. É simulação quanto à pessoa o negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem (art. 102 inciso I do Código Civil), que no caso concreto se configura em simulação absoluta quanto à pessoa. A “especial concessão do credor” no caso concreto redunda em perdão da dívida e baixa do passivo sem reflexo correspondente no ativo representando omissão de receitas. A simulação no caso ocorreu no bojo da tentativa de justificar a quitação de dívida de eurobonds emitidos em 1994 não mais através do instituto do perdão da dívida, conforme informado originalmente ao banco central, mas através de complexas operações envolvendo a criação de empresa de fachada no exterior onde após sucessivas transferências de créditos entre empresas no exterior culminou com a quitação daquela dívida assumida em 1994 e que se vencia em 2002, através de operação de dação em pagamento contaminada por negócio jurídico de transferência de crédito considerado simulado quanto à pessoa. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. Estando devidamente caracterizado a simulação em que o dolo e o evidente intuito de fraude fazem parte de sua própria natureza, justificase a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3172DF CARF MF 4 A ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas referente ao anocalendário 2000, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à omissão de receitas referente ao anocalendário de 2002, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Em seu arrazoado, alega contradições, obscuridades e omissões no Acórdão embargado. A principal delas seria a contradição nas provas utilizadas para cancelar a infração de 2000 e manter a infração de 2002. Conclui assim o apontamento da contradição: "Ocorre que esses documentos foram apresentados pela ora Embargante com objetivo de comprovar a existência e fidedignidade dos títulos emitidos em 1994 e a efetiva existência da dívida, que foi quitada mediante dação em pagamento em 2002, e não dos títulos emitidos em 2000 na operação de day trade, objeto do lançamento deste mesmo ano, já cancelado" (...) Realmente, de acordo com a conclusão do próprio acórdão: "Imaginar uma simulação nesse caso específico seria superestimar a capacidade de invenção e engenhosidade da Recorrente diante de tantos elementos de prova assim." Contudo, não foi essa a conclusão do r. acórdão ao manter a exigência relativa ao períodobase de 2002. Resumidamente, o r. acórdão entendeu que teria havido simulação, pois a dívida paga em 2002 teria sido quitada em 1999. Ora, o r. acórdão é muito claro ao afirmar que o vasto conjunto de provas apresentado pela ora Embargante não deixava dúvidas em relação à efetiva existência dos títulos emitidos em 1994 e, consequentemente, da respectiva dívida, também existente em 2002! De fato, essa avaliação cuidadosa feita pelo r. voto vencedor não pode deixar de ser considerada como uma contradição entre os fundamentos do acórdão e a sua própria conclusão, tal como previsto no art. 65 do Regimento Interno deste E. CARF. A afirmação feita pelo r. acórdão é tão contundente, que a contradição que dela emerge não pode levar a outro desfecho que não o acolhimento dos presente Embargos com efeitos modificativos em relação ao lançamento referente ao período base de 2002, na medida em que não se pode admitir que tantos elementos de prova a favor do contribuinte possam ser desconsiderados ou mesmo utilizados contra ele" Passa então a apontar outros vícios (omissões e obscuridades), mas como se verá mais adiante que serão mencionadas ao longo do voto, pois na verdade, tratase de questões periféricas à essa questão da contradição existente entre provas. Uma vez atendidos os requisitos de admissibilidade, submetese à deliberação da Turma, conforme proposto, nos termos do art. 65, § 7º do Anexo II do RICARF. Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401001.758 S1C4T1 Fl. 427 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os embargos são tempestivos, mas para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência dos vícios apontados. Cabe inicialmente esclarecer que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Passemos a analisar agora as omissões/contradições mais relevantes apontadas: A embargante aponta suposta contradição na análise das provas (existência ou não do eurobônus emitidos em 1994) que segundo ela teria sido valorada de uma forma para o cancelamento da infração de 2000 e de outra forma para a manutenção da infração de 2002. Isso porque, segundo ela, saber a existência ou não dos referidos eurobônus é essencial na versão dela que sustenta que não teria havido remissão da dívida, mas sim dação em pagamento e segundo ela os eurobônus emitidos em 1994 teria papel relevante em todo esse processo, mas foram utilizados como prova de forma contraditória O feito foi baixado em diligência para averiguar a real existência e custódia dos diversos títulos envolvidos. Bem se vê abaixo, pelos termos da diligência a variedade dos títulos envolvidos, uns no ano de 1994, outros em 2000.: (...) 3 os registros da movimentação dos eurobônus emitidos em 1994 no valor de US$ 50.000.000,00, junto ao Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão; 4 a aquisição de eurobônus: em 14/08/2000, no valor nominal de US$ 2.900.000,00, e comprado por US$ 3.000.000,00; em 16/08/2000, no valor nominal de US$ 3.850.000,00 e comprado por US$ 4.000.000,00; em 29/08/2000, no valor nominal de US$ 3.550.000,00 e comprado por US$ 3.770.000,00; em 06/09/2000, no valor nominal de US$ 1.200.000,00 e comprado por US$ 1.294.924,44; ; em 03/10/2000, no valor nominal de US$ 680.000,00 e comprado por US$ 730.154,82, totalizando: em valores nominais US$ 12.180.000,00 e em compras US$ 12.795.079,26; 5 o registro das aquisições dos eurobônus no valor de US$ 38.270.000,00, feitas pela TUGASKE INVESTMENTS, LLC, , junto ao Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão.(...) Fl. 3174DF CARF MF 6 Na infração 1, relativa ao Anocalendário de 2.000, a premissa principal da qual partiu o Voto foi a existência dos Euronotes referente ao ano de 2000, conforme excerto abaixo extraído do tópico que enfrentou a primeira infração Ano 2000 (infração 1) O fiscal agrega a impossibilidade apontada acima a existência de representações contra à Valiant feitas pelo Banco Central referente a transferências internacionais. Porém a premissa maior a qual se lastreou o autuante foi colocar em dúvida a credibilidade dos Títulos (Euro Notes) que lastreariam essa operação. (...) Embora não tenha logrado sucesso nessa tentativa em função quiçá da questão temporal, a Recorrente ainda envidou esforços no sentido de demonstrar a existência e fidedignidade dos Euro Notes emitidos em 2000. Anexa aos autos (Doc. 10, fls. 2571/2572), o qual foi obtido mediante consulta à base de dados da empresa "Bloomberg", segundo ela “mediante simples inserção do código correspondente ao ISIN dos títulos em questão, qual seja, ISIN XS0112928790, código este que é o mesmo que consta nas confirmações de venda desses títulos pela Eurovest Securities Inc., na condição de agente intermediador e respectivas traduções juramentadas, constante às fls. 1385 a 1588. Tal fato não foi desconstituído pelo fiscal diligenciante. Esclarece ainda a Recorrente “que a Bloomberg, como é de conhecimento público e notório, alimenta, administra e disponibiliza ao público em geral uma das maiores bases de dados do mundo sobre informações econômicofinanceiras, sendo tais informações dotadas de credibilidade e confiança amplamente reconhecidas.” Afora isso, considero muito relevante destacar outros indícios convergentes de forma a amparar a existência dos referidos bonds: consta dos autos além dos prospectos de emissão desses títulos, por ocasião da diligência, cópia do documento que comprova a entrega dos títulos pela Recorrente ao "Chase" (fls. 2.879 a 2.882), conforme previsto no contrato de custódia, bem assim cópia do documento que comprova o recebimento dos títulos pelo "Chase" em custódia (fls. 2.885 a 2.886). Em relação à outra infração, relativa ao anocalendário de 2002, que é uma infração distinta, o que prevaleceu na valoração das provas não foi uma única premissa principal como no caso da infração anterior (a existência dos títulos Eurobonds emitidos em 1994), mas sim todo o conjunto probatório, que foi dividido e enfrentando em 5(cinco) tópicos apartados. Porém, há que se reconhecer que de fato a premissa principal é mesmo a existência ou não da emissão desses eurbonds em 1994, uma vez que eles é que são à razão de ser do passivo que foi considerado perdoado em 2002: Portanto, reconheço que por lapso manifesto na distinção das provas, a mesma prova que serviu para cancelar determinada infração (infração 1) foi utilizada e valorada contraditoriamente para manter a outra infração (infração 2). ANO 2002 (infração 2) Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401001.758 S1C4T1 Fl. 428 7 (...) 1) Falta de Justificativa jurídicoeconômica para as cessões de crédito (...) 2) Falta de comunicação para o Banco Central da Dação em Pagamento (...) 3) Operação de Dação em pagamento também contaminada pela não comprovação da existência dos eurobonds emitidos em 1994 (...) Cabe aqui reproduzir o resultado de diligência especificamente para a existência dos eurobonds emitidos em 1994: (...) A empresa não possui documentação dos adquirentes dos eurobônus e manifesta que não tinha acesso ao registro e a movimentação daqueles títulos junto a instituição financeira custodiante (Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão), é inconcebível por ferir as práticas financeiras usuais e as clausuras do ' contrato firmado quando da emissão dos eurobônus, vide tradução n° I24175, Livro nº 284; folhas 89 e 90, de fls. 2679 e 2680, volume 14. (...) 4) Grandes coincidências (...) 5) Antecipação da Dívida constituída em 1994, no ano de 1999 (...) Como se vê, dentro desse conjunto probatório, encontrase a questão relacionada, mas relevante da emissão dos Eurobonds em 1994. A esse respeito, a Embargante levanta um primeiro ponto. Que seria omissão quanto à comprovação das transferências em custódia dos referidos títulos para o banco "CHASE". Muito embora tenha sido anexado aos autos quando da diligênca cópia de documento que comprova a entrega dos títulos ao "Chase", conforme previsto no contrato de custódia (fls. 2.879 a 2882) , bem assim cópia dos documentos que comprovaria o recebimento dos títulos pelo"Chase" em Custódia (fls. 2.885 a 2.886), o resultado de diligência ressaltou apenas o seguinte: (...) A empresa não possui documentação dos adquirentes dos eurobônus e manifesta que não tinha acesso ao registro e a movimentação daqueles títulos junto a instituição financeira custodiante (Chase Manhattan Trust and Banking Co., Japão), é inconcebível por ferir as práticas financeiras usuais e as clausuras do ' contrato firmado quando da emissão dos eurobônus, vide tradução n° I24175, Livro nº 284; folhas 89 e 90, de fls. 2679 e 2680, volume 14. (...) Fl. 3176DF CARF MF 8 Também assevera que o Acórdão foi omisso quanto a documento obtida junto ao "Comitê para Uniformização de Procedimentos e Identificação dos Valores Imobiliários" CUSIP> Identificação do código ISIN associado aos Eurobônus (1994) quitados em 2002 > usp58b749ab12" (FLS 2.594 a 2.595), bem como das principais características do título (nome do emissor, taxa de juros, data do vencimento etc). A embargante assim se expressa a esse respeito: (....) Entretanto, contrariamente ao peso que esta prova teve para formar a convicção do voto vencedor em relação ao ano de 2000, o r. acórdão não fez qualquer referência a esse documento quando da análise dos fatos que repercutem no lançamento referente ao períodobase de 2002. Ora, se um dos objetivos da diligência era justamente comprovar a existência dos títulos através da apresentação do CUSIP, era de se esperar que essa comprovação fosse analisada pelo r. acórdão e que, pelo menos, fossem declinadas as razões pelas quais tal documento não seria capaz de comprovar a existência dos títulos. Bem se vê que essas omissões conduziram a uma valoração equivocada da prova da existência dos eurobonds emitidos em 1994, motivo pelo qual acolho os embargos nessa parte e passando a considerálas relevante na formação de convicção da existência dos desses títulos. Outrossim, dou razão à embargante em relação a um outro ponto mais relevante ainda envolvendo a valoração dessa mesma prova, em que se verifica que de fato o voto inovou configurando uma outra situação fática e nesse ponto considero que houve mesmo uma contradição entre os fundamentos e a conclusão do voto embargado que precisa ser sanada. É a apontada contradição quanto ao elemento de conexão entre o ato dissimulado (prépagamento da dívida de 19999) e a acusação fiscal de omissão de receitas. De fato, o voto apontou a partir do retorno de diligência e em complemento auxiliar uma outra possibilidade de ocorrência dos fatos, ou seja, uma outra narrativa feita pelo fiscal quando da diligência depois que se aprofundou mais em relação à existência dos referidos títulos. Em análise de referida diligência, o voto vencedor assim se posicionou: De fato, consta dos autos, conforme A tradução n° J24442. Livro n° 287, folhas 98. pagina 1, às fls.2706, volume 14, a informação da possibilidade da Iochpe Maxion S/A. de fazer o pagamento em 08 de novembro de 1999, do principal, no total, mas não de forma pacial, a 100% do valor principal com juros incidentes até a data fixada para o resgate, cuja tradução se transcreve abaixo: Os Títulos Especificados estão sujeitos a resgate, por opção do detentor de qualquer Título, em 08 de novembro de 1999 (a "Data de Resgate Opcional"), por um preço de resgate a 100% do valor principal dos Títulos Especificados, com juros incidentes. (destaquei) Como se vê, tal indício guarda relação com a presente infração, pois independentemente da sustentabilidade da credibilidade dos Eurobônus que ficaram em “xeque” no tópico anterior, a possibilidade de quitação antecipada e todos os outros indícios que o acompanham expostos de forma bastante detalhada, razoável e convincente por ocasião do resultado de diligência, têm o condão de reforçar mais ainda que o passivo mantido pela Recorrente ou não existia em 2002 ou foi baixado Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 19515.003013/200581 Acórdão n.º 1401001.758 S1C4T1 Fl. 429 9 de forma simulada através de uma série de operações complexas e artificiosas de forma a esconder omissões de receitas De fato há aqui uma contradição, se dúvida não existia, a consequência lógica é que ela jamais poderia ter sido quitada em 1999. E se a dívida existia, é porque os Eurobonds de 1994 também existiram, premissa essa que vai contra a premissa traçada pelo fiscal no auto de infração e também contra a premissa traçada no próprio voto ora embargado. Nesse sentido, a declaração de voto feita pelo Conselheiro Alkmim que restou vencido foi muito feliz em elucidar essa contradição, motivo pelo qual adoto aqui parte do seu voto para complementar os fundamentos do presente voto: (...)Diante disso, os fundamentos do fato jurídico descrito no lançamento não podem ser alterados, assim como não pode ser alterado o próprio fato jurídico ensejador da tributação. E, no presente caso, verifico que a Autoridade Fiscal diligenciante, em relatório conclusivo, passou a reconhecer a existência dos eurobônus de 1994, contrariamente ao que havia sido o fundamento do auto de infração, para entender que os referidos títulos haviam sido totalmente resgatados e pagos em 1999, antes da liberação da âncora cambial. Assim, toda a operação que se seguiu teria sido um subterfúgio para dar baixa na dívida registrada em sua contabilidade. Vejamse os termos da diligência fiscal, in verbis: (..) Permissa venia, não existe espaço para essas dúvidas em um auto de infração fiscal. Não se pode manter uma acusação fiscal que se funda em um, ou em outro fundamento antagônicos, mediante um, ou outro enquadramento de fato incompatíveis entre si. Vejamos: A versão constante do auto de infração é a de que (i) os eurobônus não existem; (ii) a Recorrente realizou um empréstimo de US$30.000.000,00 para sua subsidiária IochpeMaxion USA, no exterior; (iii) a Recorrente perdoou o referido empréstimo; e (iv) realizou negócios simulados (transferência do crédito da Iochpe Maxion USA para a Newbrige, e dação em pagamento pela Recorrente à Tugaske com quitação dos eurobônus) objetivando ocultar a remissão da dívida. Como conseqüência desses fatos, tributouse a omissão de receita decorrente do perdão da dívida da Recorrente, na condição de credora, com a IochpeMaxion USA (ou Newbridge), como devedora. Na nova versão apresentada pela conclusão do relatório de diligência, teria ocorrido o seguinte: (i) a Recorrente emitiu eurobônus em 1994; (ii) em 1999, temendo a liberação da âncora cambial, mormente pelo cenário econômico mundial, a Recorrente resolveu antecipar o pagamento de referidos eurobônus; (iii) para tanto, a Recorrente simulou um empréstimo com a sua subsidiária IochpeMaxion USA, remetendolhe US$30.000.000,00, captados internamente mediante a emissão de debêntures, para amortização parcial dos eurobônus; (iv) em 1999, a IochpeMaxion USA resgatou os eurobônus emitidos pela Recorrente; e (v) a Recorrente, em 2002, simulou a dação em pagamento com a Tugaske para justificar a liquidação do falso empréstimo entre a Recorrente e a IochpeMaxion USA e evitar que o mesmo fosse enquadrado como perdão da dívida. Fl. 3178DF CARF MF 10 As versão são completamente antagônicas. E pior: o efeito fiscal decorrente de cada uma das versões também é diverso. Na versão do auto de infração, ocorreu efetivamente um perdão da dívida da IochpeMaxion USA perante a Recorrente. E este é o fundamento da omissão de receita tributada no auto de infração. Na versão do relatório conclusivo da diligência, o empréstimo da Recorrente com a IochpeMaxion USA seria uma simulação, objetivando ocultar o pagamento antecipado dos eurobônus. Se o empréstimo não existiu, e a Recorrente não era credora da sua subsidiária, então não pode ser havido o perdão da dívida, e por consequência, não há que se falar em omissão de receita pelo perdão da dívida que não existia. Dessa conclusão de diligência fiscal, extraio o seguinte: (i) a afirmativa da existência da ocorrência da remissão da dívida não está pautada em indícios convergentes da forma como descrita no auto de infração; e (ii) a nova acusação fiscal feita no relatório conclusivo da diligência é imprópria para reforçar o auto de infração, e infirma os fundamentos da autuação fiscal original. Diante do exposto, não vejo outra solução senão votar pelo cancelamento do auto de infração. E o faço não na convicção de que o contribuinte possui razão quanto o mérito das operações realizadas, mas sim pela inconsistência da versão fática apresentada pela Autoridade Fiscal, mormente diante das contradições supra apresentadas. Por todo o exposto, acolho integralmente os embargos com efeitos infringentes para cancelar a infração 2 (remanescente) do auto de infração. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 3179DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.903402/2006-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Não se homologa compensação formalizada por meio de declaração que indique cr édito inexistente.
Numero da decisão: 1301-002.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram no sentido de conversão em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se homologa compensação formalizada por meio de declaração que indique cr édito inexistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Amélia Wakako Morishita Yamamoto, que votaram no sentido de conversão em diligência. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 34 02 /2 00 6- 29 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10980.903402/200629 Acórdão n.º 1301002.194 S1C3T1 Fl. 193 2 Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Marcelo Malagoli da Silva e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0634.623, proferido pela 3ª Turma da DRJ/CTA, na sessão de 30 de novembro de 2011, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório por ausência de confirmação da existência do pagamento referente à contribuição para o PIS informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo da Declaração de Compensação – DCOMP nº 03581.32963.221004.1.7.043530 (retificadora da DCOMP 08899.18809.150803.1.3.044874), por meio da qual a contribuinte em epígrafe valendose do crédito de R$ 1.800,77, relativo ao DARF de PIS cumulativa (código 8109), recolhido em 15/04/2003, no valor total de R$ 78.735,96, extinguiu um débito da mesma exação, do período de apuração de julho de 2003, com vencimento em 15/08/2003, no valor principal de R$ 1.800,77. Em 11/08/2009 foi emitido despacho decisório (nº de rastreamento 844653802) de nãohomologação da compensação pelo fato de não ter sido localizado nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil o DARF indicado como origem do crédito. Cientificada do despacho decisório em 19/08/09 a interessada apresentou, em 17/09/09, a manifestação de inconformidade esclarecendo que: “Tal valor, na realidade, representava o valor do PIS, do período de apuração mar/03, calculado, exclusivamente, com base na sistemática não cumulativa (doc. 04). Para quitar tal obrigação, a Recorrente se valeu de um DARF no valor de R$ 20.369,54 (doc. 05) e de um crédito oriundo de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2002, no valor originário de R$ 56.693,35 (e de R$ 58.366,42, na data da compensação), regularmente informado em sua DIPJ (doc. 06), formalizando a compensação por meio do PAF nº 10980.003761/200331. No entanto, após recalcular o tributo devido considerando a sistemática mista a que se submete a sua atividade (Lei nº 10.637/02, artigo 8º, inciso XI), a Recorrente constatou que o valor devido era de R$ 39.352,32, sendo todo ele relativo ao sistema cumulativo (doc. 07). Houve, assim, um excesso de pagamento da ordem de R$ 39.383,64, o qual foi, então, utilizado para a quitação de PIS, da seguinte forma: Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10980.903402/200629 Acórdão n.º 1301002.194 S1C3T1 Fl. 194 3 PA maio/03, no valor de R$ 2.138,18, PER/DCOMP 04306.10027.180603.1.3.040962 (doc. 08). Esta compensação também não foi homologada, dando origem ao PAF nº 10980.903396/200618; PA jun/03, no valor de R$ 35.444,69, PER/DCOMP 06433.29624.1207.03.1.3.043974 (doc. 09). Esta compensação também não foi homologada, dando origem ao PAF nº 10980.903400/200630; PA jul/03, no valor de R$ 1.800,77, PER/DCOMP 08899.18809.150803.1.3.044874 (doc. 02), objeto do presente processo. Daí porque tem constado na PER/DCOMP aqui em análise (doc. 02) como pagamento indevido ou a maior o valor de R$ 78.735,96 e como valor do crédito original R$ 1.800,77. (Grifos no original) Diz, ainda, que embora sob outra perspectiva, o direito à compensação também subsiste em face da existência de crédito representado pelo saldo credor de R$ 39.035,10, oriundo do processo nº 10980.003761/200331. A DRJ Curitiba/PR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por ausência de comprovação do direito creditório. Analisandose a DIPJ e a DCTF originais e as várias retificadoras que as sucederam, o julgador de piso concluiu pela inexistência de indébito, tendo em vista que todos os pagamentos efetuados pelo contribuinte teriam sido utilizados na quitação da contribuição no âmbito de outros processos administrativos. Quanto ao alegado crédito decorrente de saldo negativo da CSLL, argüiu o relator a quo que ele não teria qualquer relação com o pedido analisado nestes autos, pois o que aqui se informou em PER/DCOMP foi a existência de pagamento indevido ou maior que o devido a título de PIS; por essa razão, a existência de eventual crédito de outra natureza não implicaria, necessariamente, na obrigação de sua utilização neste procedimento de compensação, cujos contornos foram definidos no próprio pedido efetuado pelo interessado. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho e reitera seu pedido de homologação da compensação, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescido o seguinte: a) requer o julgamento deste processo em conjunto com os de nº 10980.903396/200618 e 10980.903400/200630, que têm por objeto o mesmo direito creditório, com amparo no art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF; b) o simples erro material no preenchimento do PER/DCOMP não pode prejudicar a compensação efetuada, devendo prevalecer a verdade dos fatos sobre os requisitos formais. Recebidos os autos pelo CARF, foi inicialmente encaminhado para a Terceira Seção de Julgamento e sorteado ao i. Conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Mediante acórdão 3803 003.845, a 3ª Turma Especial daquela seção, por unanimidade de votos, nãoconheceu do recurso voluntário, declinandose da competência para seu julgamento e determinando seu encaminhamento à 1ª Seção deste Conselho para prosseguimento. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10980.903402/200629 Acórdão n.º 1301002.194 S1C3T1 Fl. 195 4 Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Conforme acima relatado, controvertese nos autos o Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento não localizado nos sistemas da Receita Federal. O crédito mencionado pelo Contribuinte, em sua Per/Dcomp é de PIS, porém, desde o primeiro momento em que se pronunciou acerca da matéria versada nos autos, inclusive antes de proferido o despacho decisório, o contribuinte afirmou que teria havido erro no preenchimento desse documento, noticiando que o valor do crédito pleiteado decorrente do somatório de um pagamento de R$ 20.369,54 e do saldo negativo de CSLL, este assegurado no âmbito do processo administrativo nº 10980.003761/200331 (fls. 37 a 44). De acordo com as provas constantes nos autos, em especial as constantes nas fls. 128 a 152, que se referem a cópia parcial do processo administrativo nº 10980.003761/200331, constatase que a autoridade administrativa de origem, reconheceu o direito creditório pleiteado relativo a saldos negativos de IRPJ e de CSLL e homologou a compensação lá pleiteada, tendo havido sobra do saldo credor no montante de R$ 39.035,10, conforme se verifica do extrato de encerramento do processo à fl. 148. É esse saldo creditório remanescente do processo administrativo nº10980.003761/200331 que o recorrente pretende quitar o débito deste processo no montante de R$ 1.800,77, assim como os débitos discutidos nos processos administrativos nº 10980.903396/200618 (R$ 2.138,18) e nº 10980.903400/200630 (R$ 35.444,69), processos esses que o recorrente pretende sejam julgados conjuntamente, em razão do crédito ter origem no mesmo fato. Por outro lado, é de se reconhecer inexistir lide sobre crédito de PIS, vez que a DRJ consignou nestes autos de que o excesso de pagamento de PIS já foi integralmente utilizado na compensação declarada pela Dcomp nº 04306.10027.180603.1.3.040962 no âmbito do processo administrativo nº 10980.903396/200618. A propósito, foi exatamente a ausência de crédito de PIS e a constatação de que o único crédito que se mostra passível de utilização é o relativo ao saldo negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurado no âmbito do processo administrativo nº 10980.003761/200331, que a 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento declinou sua competência. Então, no meu humilde entendimento, para que este Colegiado tenha competência para processar e julgar a lide, deve antes reconhecer ter ocorrido mero erro de forma, no Per/Dcomp aqui em discussão, para que, a partir daí, possa apurar eventual crédito de saldo negativo no âmbito do processo administrativo nº 10980.003761/200331. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10980.903402/200629 Acórdão n.º 1301002.194 S1C3T1 Fl. 196 5 Entendo que vai de encontro ao regimento interno do CARF, sem que seja fincada a premissa anterior. Nestes termos, penso ter havido no caso mero erro formal, pois encontrase provado que antes de proferido o despacho decisório, o contribuinte afirmou que teria havido erro no preenchimento do Per/Dcomp, noticiando que o valor do crédito pleiteado decorreria do somatório de pagamento PIS e do saldo negativo de CSLL. Estas informações, prestadas tempestivamente pelo contribuinte, foram desprezadas pela autoridade administrativa prolatora do despacho decisório, pois não fez referência a elas, negando o pedido formulado (fls 3839), sem a devida motivação. Cabe registrar que o fato de a recorrente ter indicado na Declaração de Compensação uma origem diversa do crédito, e não o saldo negativo de determinado período, não prejudica o seu pleito, porque o art. 165 do Código Tributário Nacional CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. Confirase o dispositivo: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Entendo que o que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração, deixando de lado, nesse âmbito, questões eminentemente formais. No caso vertente, entendo que a fiscalização deveria ter aprofundado sua investigação acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado, quanto teve em suas mãos as informações necessárias a respeito da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte. Ora, a Administração Tributária não pode limitar, em sua análise, apenas às informações prestadas em Dcomp, já que existiam informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitiam a análise quanto ao crédito pleiteado, além das informações prestadas pelo próprio contribuinte repitase, antes de ser proferido o despacho decisório. Assim, existindo provas nos autos de que o contribuinte não se quedou inerte, em face de intimação de irregularidade de preenchimento do Per/Dcomp (fls 3739), bem como provas de existir, em tese, sobra de saldo credor (fl. 148), penso que o processo deve ser convertido em diligência, em conformidade com a proposição a ser formulada abaixo. Com referência ao pedido da recorrente para que sejam julgados conjuntamente os processos administrativos nº 10980.903396/200618, nº 10980.903400/2006 30 e o presente processo, por se referirem ao mesmo fato que remanesce controvertido, qual Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10980.903402/200629 Acórdão n.º 1301002.194 S1C3T1 Fl. 197 6 seja, a origem do saldo credor utilizado nas compensações, entendo que deve ser acolhido este pleito, de forma a evitar eventuais decisões dissonantes sobre a mesma questão. Consultando o sitio do CARF (17/10/2016), verifico que em ambos processos não há relator sorteado, encontrandose na seguinte fase processual: 10980.903400/200630 29/01/2016: DISTRIBUIR/SORTEAR MOVEPSECOJCARF CA61PIS/PASEP E COFINS 10980.903396/200618 16/11/2011: EM TRAMITAÇÃO Tipo de Recurso: RECURSO VOLUNTÁRIO Data de Entrada: 16/11/2011 Unidade: SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF Nessas circunstâncias, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, no sentido de solicitar aos doutos agentes da fiscalização fazendária verificarem a existência de saldo credor de Saldo Negativo de CSLL apurado no âmbito do processo administrativo nº 10980.003761/200331, e se o valor que ainda se encontra passível de aproveitamento, fazendo acostar ainda cópia da decisão administrativa que reconheceu definitivamente o crédito lá apurado. Concluída a diligência, deve ser dada ciência ao recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo de 30 dias para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. Considerando o disposto no art. 6, § 1º, I, cumulado com os § 2º e 3º deste mesmo artigo, todos do Anexo II do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, solicito tãologo o retorno do autos ao CARF, a distribuição dos dois processos acima indicados, por conexão, para minha relatoria, de modo que os recursos possam ser analisados conjuntamente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado Não obstante o voto do ilustre Conselheiro relator, peço licença para divergir. Preliminarmente, deve ser indeferido o pedido de julgamento conjunto com outros processos, porquanto não ficou demonstrada a relação de prejudicialidade entre as respectivas matérias. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10980.903402/200629 Acórdão n.º 1301002.194 S1C3T1 Fl. 198 7 No caso em exame, a compensação formalizada em Dcomp não foi homologada porque indicava como crédito contra a Fazenda um valor que efetivamente não revestia essa condição. O pagamento apontado como indevido, na verdade, não o era. Não havia indébito. O direito creditório não existia. A recorrente argumentou, afirmando ter cometido erro ao identificar o crédito, que não consistia em pagamento indevido de PIS, mas, sim, no saldo negativo de CSLL. Nessa linha de argumentação, conclui tratarse de simples erro de preenchimento da declaração de compensação. As circunstâncias do fato e, principalmente, os dados inseridos na Dcomp revelam que o problema não se resume a mero erro de preenchimento. A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria Dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova Dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgamento, nem à própria DRF, que primeiramente analisou a questão. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, ao contrário do que ela sustenta, não se trata de simples erro de preenchimento, de erro de forma ou de imprecisão material. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na Dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao crédito de PIS não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo de CSLL para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro de preenchimento da declaração, e, assim, vincular a ela supostos créditos do contribuinte contra a Fazenda, é fazer da Dcomp um "cheque em branco", que depois de apresentado pode ser preenchida conforme convenha aos interesses do contribuinte. Importa ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, pois o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte, e somente a ele, decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está toda ela na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir em nenhum desses três aspectos. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (Dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que tanto a compensação, quanto a extinção do crédito tributário se tornam definitivas. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10980.903402/200629 Acórdão n.º 1301002.194 S1C3T1 Fl. 199 8 A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário, diante da falta de amparo legal, deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado. Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900031/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/03/2003
BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, inclui-se na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.571
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BEBIDAS NOVA GERAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/03/2003 BASE DE CÁLCULO PIS/PASEP E COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS SOBRE VENDAS DEVIDO NA CONDIÇÃO DE CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS, devido sobre operações de venda na condição de contribuinte, incluise na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, que dava provimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de Pedido de Restituição cujo direito creditório é oriundo de recolhimento informado como indevido ou a maior que o devido a título de PIS, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 00 31 /2 01 2- 71 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.900031/201271 Acórdão n.º 3302003.571 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico indeferindo a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Após ser intimada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente por intermédio do Acórdão 06045.797. Em síntese, entendeu a DRJ que não existe previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições, do que resultou mantido o indeferimento do pleito de restituição. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento de seu direito creditório. O principal argumento da defesa é o de que o ICMS não pode ser considerado como faturamento da empresa, não podendo, desta forma, compor a base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.520, de 26 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10875.906543/201249, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, na parte aplicável ao presente caso (Acórdão 3302003.520): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à exclusão do ICMS devido nas operações de venda, na condição de contribuinte, o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 estabeleceu as hipóteses de exclusão da base de cálculo das contribuições, à época dos fatos: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.900031/201271 Acórdão n.º 3302003.571 S3C3T2 Fl. 4 3 que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Verificase no inciso I, que o ICMS incidente nas operações na condição de contribuinte (próprio) não foi elencado como parcela a ser excluída da base de cálculo. Juridicamente e contabilmente, o ICMS compõe a receita de venda e consiste em redutor da receita bruta. A legislação, ao longo do tempo, dispôs sobre a receita bruta, sempre indicando que os impostos incidentes sobre a venda a compunham. Assim, citamse o artigo 12 do Decretolei nº 1.598/1977, o artigo 187 da Lei nº 6.404, o artigo 31 da Lei nº 8.981/1995, bem como a IN SRF nº 51/1978: Decretolei nº 1.598/1977: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.900031/201271 Acórdão n.º 3302003.571 S3C3T2 Fl. 5 4 II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; IN SRF nº 51/1978: 1. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens, nas operações de conta própria, e o preço dos serviços prestados (artigo 12 do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). 2. Na receita bruta não se incluem os impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante impostos nãocumulativos cobrados do comprador ou contratante (imposto sobre produtos industrializados e imposto único sobre minerais do País) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Imposto não cumulativo é aquele em que se abate, em cada operação, o montante de imposto cobrado nas anteriores. 3. Igualmente não se computam no custo de aquisição das mercadorias para revenda e das matériasprimas os impostos mencionados no item anterior, que devam ser recuperados. 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. Neste sentido o STJ publicou as súmulas 69 e 94, cujos enunciados dispõem: Súmula n. 68 : "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". É de se concluir que a legislação inclui o ICMS incidente sobre as vendas no conceito de receita bruta, excluindoo apenas do conceito de receita líquida. Sobre o tema, há decisões recentes do STJ entendendo pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, como o AgRg no REsp 1576424 / RS, de 10/03/2016, cuja ementa transcrevese: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA. ARTS. 7º e 8º DA LEI Nº 12.546/2011. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO, MUTATIS Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.900031/201271 Acórdão n.º 3302003.571 S3C3T2 Fl. 6 5 MUTANDIS, DA ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP Nº 1.330.737/SP, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RELATIVA À INCLUSÃO DO ISSQN NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEP E DA COFINS NA SISTEMÁTICA NÃOCUMULATIVA. 1. A possibilidade de inclusão, na receita bruta, de parcela relativa a tributo recolhido a título próprio foi pacificada, por maioria, pela Primeira Seção desta Corte em 10.6.2015, quando da conclusão do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp nº 1.330.737/SP, de relatoria do Ministro Og Fernandes, ocasião em que se concluiu que o ISSQN integra o conceito maior de receita bruta, base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. 2. As razões que fundamentam o supracitado recurso especial representativo de controvérsia se aplicam, mutatis mutandis, à inclusão das parcelas relativas ao ICMS na base de cálculo da contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011. Precedente: REsp nº 1.528.604, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.9.2015. 3. A contribuição substitutiva prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546/2011, da mesma forma que as contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS na sistemática não cumulativa previstas nas Leis n.s 10.637/2002 e 10.833/2003, adotou conceito amplo de receita bruta, o que afasta a aplicação ao caso em tela do precedente firmado no RE n. 240.785/MG (STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08.10.2014), eis que o referido julgado da Suprema Corte tratou das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS regidas pela Lei n. 9.718/98, sob a sistemática cumulativa que adotou, à época, um conceito restrito de faturamento. Precedente. 4. Agravo regimental não provido. Ressaltase que a inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições foi considerada legítima e julgada sob a sistemática de recursos repetitivos no REsp 1.330.737/SP, em 10/06/2015, que possuiu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. PRESTADOR DE SERVIÇO. PIS E COFINS. INCLUSÃO DO ISSQN NO CONCEITO DE RECEITA OU FATURAMENTO. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 DO CTN. 1. Para efeitos de aplicação do disposto no art. 543C do CPC, e levando em consideração o entendimento consolidado por esta Corte Superior de Justiça, firmase compreensão no sentido de que o valor suportado pelo beneficiário do serviço, nele incluindo a quantia referente ao ISSQN, compõe o conceito de receita ou faturamento para fins de adequação à hipótese de incidência do PIS e da COFINS. 2. A orientação das Turmas que compõem a Primeira Seção deste Tribunal Superior consolidouse no sentido de que "o valor do ISSQN integra o conceito de receita bruta, assim entendida como a totalidade das receitas auferidas com o exercício da atividade econômica, de modo que não pode ser dedutível da base de cálculo do PIS e da COFINS" (REsp 1.145.611/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 8/9/2010; AgRg no REsp 1.197.712/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 9/6/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1.218.448/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 24/8/2011; AgRg no AREsp 157.345/SE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 2/8/2012; AgRg no AREsp 166.149/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 28/08/2012, DJe 4/9/2012; EDcl no AgRg no Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.900031/201271 Acórdão n.º 3302003.571 S3C3T2 Fl. 7 6 REsp 1.233.741/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 7/3/2013, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp 75.356/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 15/10/2013, DJe 21/10/2013). 3. Nas atividades de prestação de serviço, o conceito de receita e faturamento para fins de incidência do PIS e da COFINS deve levar em consideração o valor auferido pelo prestador do serviço, ou seja, valor desembolsado pelo beneficiário da prestação; e não o fato de o prestador do serviço utilizar parte do valor recebido pela prestação do serviço para pagar o ISSQN Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza. Isso por uma razão muito simples: o consumidor (beneficiário do serviço) não é contribuinte do ISSQN. 4. O fato de constar em nota fiscal informação no sentido de que o valor com o qual arcará o destinatário do serviço compreende quantia correspondente ao valor do ISSQN não torna o consumidor contribuinte desse tributo a ponto de se acolher a principal alegação das recorrentes, qual seja, de que o ISSQN não constituiu receita porque, em tese, diz respeito apenas a uma importância que não lhe pertence (e sim ao município competente), mas que transita em sua contabilidade sem representar, entretanto, acréscimo patrimonial. 5. Admitir essa tese seria o mesmo que considerar o consumidor como sujeito passivo de direito do tributo (contribuinte de direito) e a sociedade empresária, por sua vez, apenas uma simples espécie de "substituto tributário", cuja responsabilidade consistiria unicamente em recolher aos cofres públicos a exação devida por terceiro, no caso o consumidor. Não é isso que se tem sob o ponto de vista jurídico, pois o consumidor não é contribuinte (sujeito passivo de direito da relação jurídicotributária). 6. O consumidor acaba suportando o valor do tributo em razão de uma política do sistema tributário nacional que permite a repercussão do ônus tributário ao beneficiário do serviço, e não porque aquele (consumidor) figura no polo passivo da relação jurídicotributária como sujeito passivo de direito. 7. A hipótese dos autos não se confunde com aquela em que se tem a chamada responsabilidade tributária por substituição, em que determinada entidade, por força de lei, figura no polo passivo de uma relação jurídico tributária obrigacional, cuja prestação (o dever) consiste em reter o tributo devido pelo substituído para, posteriormente, repassar a quantia correspondente aos cofres públicos. Se fosse essa a hipótese (substituição tributária), é certo que a quantia recebida pelo contribuinte do PIS e da COFINS a título de ISSQN não integraria o conceito de faturamento. No mesmo sentido se o ônus referente ao ISSQN não fosse transferido ao consumidor do serviço. Nesse caso, não haveria dúvida de que o valor referente ao ISSQN não corresponderia a receita ou faturamento, já que faticamente suportado pelo contribuinte de direito, qual seja, o prestador do serviço. 8. Inexistência, portanto, de ofensa aos arts. 109 e 110 do CTN, na medida em que a consideração do valor correspondente ao ISSQN na base de cálculo do PIS e da COFINS não desnatura a definição de receita ou faturamento para fins de incidência de referidas contribuições. 9. Recurso especial a que se nega provimento. De fato, as mesmas razões utilizadas no repetitivo acima são aplicáveis na análise da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, o que restou Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.900031/201271 Acórdão n.º 3302003.571 S3C3T2 Fl. 8 7 configurado no julgamento do REsp nº 1.144.469, em 10/08/2016, sob a sistemática de recursos repetitivos, embora não possa ser aplicado pelo artigo 62 do RICARF, pois que ainda não transitado em julgado. A certidão deste julgamento constante no site do Superior Tribunal de Justiça traz o seguinte teor: AUTUAÇÃO RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRENTE: HUBNER COMPONENTES E SISTEMAS AUTOMOTIVOS LTDA ADVOGADOS: ANETE MAIR MACIEL MEDEIROS HENRIQUE GAEDE E OUTRO(S) RECORRIDO : OS MESMOS ASSUNTO: DIREITO TRIBUTÁRIO Crédito Tributário Base de Cálculo CERTIDÃO Certifico que a egrégia PRIMEIRA SEÇÃO, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: "Prosseguindo no julgamento, a Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Relator e Regina Helena Costa, negou provimento ao recurso especial da empresa recorrente, nos termos do voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, que lavrará o acórdão." Votaram com o Sr. Ministro Mauro Campbell Marques os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins. Quanto à jurisprudência do STF, não obstante o RE 240.785 ter sido julgado favorável à tese defendida pela recorrente, não há, ainda, posicionamento definitivo no STF, uma vez que o RE 574.906 RG/PR, sob repercussão geral, ainda não foi julgado. Assim, enquanto não julgado o recurso extraordinário sob repercussão geral, devese prestigiar a legislação vigente que considera o ICMS das operações próprias como componente do preço de venda. Neste mesmo sentido, é a posição pacífica deste Conselho, como decidido no Acórdão nº 9303003549, de 17/03/2016, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Cofins. Base de Cálculo. Exclusão ICMS. Por se tratar de imposto próprio, que não comporta a transferência do encargo, a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS. Precedentes do STJ (Súmulas n°s 68 e 94). Às autoridades administrativas e tribunais que não dispõem de função legislativa não podem conceder, ainda que sob fundamento de isonomia, benefícios de exclusão da base de cálculo do crédito tributário em favor daqueles a quem o legislador não contemplou com a vantagem A mesma conclusão se estende à Contribuição ao PIS. (...) Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.900031/201271 Acórdão n.º 3302003.571 S3C3T2 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.720157/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. INEXIGIBILIDADE DE MULTA E JUROS.
Os valores mensalmente apurados por estimativa a título de antecipação IRPJ e de CSLL, e não pagos, ou recolhidos a menor, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Inteligência dos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014.
Após o encerramento do período de apuração, não há como se cobrar estimativas não pagas, ou recolhidas a menor, sendo devido somente o imposto apurado no ajuste anual.
Desse modo, não é cabível a cobrança de multa moratória e juros de mora sobre as estimativas não recolhidas ou recolhidas a menor, cabendo tão somente a cominação da multa isolada de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1402-002.384
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, admitir parcialmente os embargos de declaração para reconhecer a omissão quanto à análise da possibilidade da cobrança de multa e juros de mora sobre débitos de estimativa do IRPJ, objeto da compensação pretendida. Vencido em primeira votação o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou por não admitir os embargos.Vencidos, em segunda votação, os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei que votaram por admitir integralmente os embargos de declaração. No mérito, por maioria de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para cancelar a cobrança da multa e dos juros de mora sobre os débitos de estimativa do IRPJ compensados. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto que votaram pela incidência desses consectários. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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OMISSÃO. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. ACRÉSCIMOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. INEXIGIBILIDADE DE MULTA E JUROS. Os valores mensalmente apurados por estimativa a título de antecipação IRPJ e de CSLL, e não pagos, ou recolhidos a menor, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Inteligência dos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Após o encerramento do período de apuração, não há como se cobrar estimativas não pagas, ou recolhidas a menor, sendo devido somente o imposto apurado no ajuste anual. Desse modo, não é cabível a cobrança de multa moratória e juros de mora sobre as estimativas não recolhidas ou recolhidas a menor, cabendo tão somente a cominação da multa isolada de que trata o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, admitir parcialmente os embargos de declaração para reconhecer a omissão quanto à análise da possibilidade da cobrança de multa e juros de mora sobre débitos de estimativa do IRPJ, objeto da compensação pretendida. Vencido em primeira votação o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto que votou por não admitir os embargos.Vencidos, em segunda votação, os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone e Demetrius Nichele Macei que votaram por admitir integralmente os embargos de declaração. No mérito, por maioria de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 01 57 /2 00 6- 14 Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 354 2 votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para cancelar a cobrança da multa e dos juros de mora sobre os débitos de estimativa do IRPJ compensados. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Leonardo de Andrade Couto que votaram pela incidência desses consectários. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 355 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por PIRELLI PNEUS LTDA em face do Acórdão nº 1402000.933, proferido em 16/03/2012. O acórdão embargado negou provimento ao recurso voluntário. Referido Acórdão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001 HOMOLOGAÇÃO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Se o valor do crédito homologado não abrange o pagamento dos acréscimos moratórios devidos pela intempestividade do pagamento, a diferença poderá ser exigida pela sistemática da imputação proporcional. Recurso Voluntário desprovido. Segundo a recorrente teria havido omissão do julgado ao não analisar os seguintes tópicos de seu recurso voluntário: a) da impossibilidade de cobrança de multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ objetos de compensação; b) da correta atualização do saldo da recorrente passível de compensação; c) da denúncia espontânea do débito compensado. Pois bem, dispõe o art. 65 do RICARF que “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Da leitura do Acórdão nº 1402000.933, verificamos que as matérias relativas às alíneas "a" e "b" acima destacadas não foram objeto de análise por parte da Turma Julgadora. Desse modo, constatada a existência da omissão alegada, parcialmente, foram os embargos admitidos apenas em relação à impossibilidade de cobrança de multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ, objetos de compensação, e à correta atualização do saldo passível de compensação. Com relação à matéria que trata da denúncia espontânea (alínea "c"), como não foi aventada no recurso voluntário, não poderia ter sido objeto do julgamento a quo, razão pela qual sua apreciação foi considerada incabível em sede de embargos, por conta da preclusão. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 356 4 Os autos foram encaminhados ao Presidente desta Turma, que admitiu os embargos, devolvendome para relato. Em apertada síntese, é esse o relatório. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 357 5 Voto Vencido Conselheiro LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES, Relator. Os embargos são tempestivos, já que opostos dentro do prazo regimental. As matérias objeto de análise resumemse, então, ao seguinte: a) da impossibilidade de cobrança de multa de mora sobre débitos de estimativa do IRPJ, objeto da compensação pretendida; b) da correta atualização do saldo credor da recorrente, passível de compensação; Tratemos, pois de cada um dos tópicos isoladamente. 1) da impossibilidade de cobrança de multa de mora sobre débitos de estimativa do IRPJ, objeto da compensação pretendida. Trata o presente processo de PER/DCOMP enviada pela contribuinte para compensação de saldo negativo de IRPJ relativo ao 1º trimestre de 2001 com débitos de estimativa mensal do IRPJ relativos aos períodos de apuração de setembro de 2002 (R$ 798.226,51), outubro de 2002 (R$ 126.327,77) e novembro de 2002 (R$ 533.493,57). A PER/DCOMP foi enviada em 21/08/2003 (v. efls 02/09). O acórdão recorrido (v. efls. 201/204), juntamente com o Acórdão de Embargos que o integrou (v. efls. 211/218), proferidos pela DRJ/Salvador, reconheceu a integralidade do crédito pedido pela recorrente, relativo ao saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 2001, no valor de R$ 2.406.686,00, bem assim homologou a compensação, sem processo, realizada em DCTF, referente a débito de estimativa de IRPJ de maio/2002 (v. efls. 136). Assim, a DRJ/Salvador reconheceu que, do crédito pleiteado pela contribuinte, no importe de R$ 2.406.686,00, deduzida a compensação realizada via DCTF na quantia de R$ 1.204.321,73, restaria um saldo passível de compensação no valor histórico de R$ 1.202.364,27 para alocação aos débitos lançados no PER/DCOMP objeto deste processo. O valor reconhecido é incontroverso, não sendo objeto de impugnação por parte da recorrente. Sua irresignação é de outra natureza. Em seu recurso voluntário, a contribuinte alega que a DRJ/Salvador teria efetuado a compensação do crédito por ela reconhecido, não só com os valores originários dos débitos indicados na DCOMP, mas também com os juros e a multa de mora incidentes sobre tais tributos. Ou seja, na verdade, insurgese contra a forma, o procedimento de homologação das compensações declaradas. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 358 6 Segundo a recorrente, a homologação da compensação deveria se dar apenas em relação ao principal (valor originário) dos débitos objeto da DCOMP, não incluindo neste montante os acréscimos legais sobre eles incidentes. Fundamenta sua arguição na impossibilidade da cobrança de multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ. Invoca o art. 74, § 1º, da Lei nº 9.430/96, para justificar o equívoco no procedimento de compensação que acabou por exigir, sem base legal, multa de mora sobre "débitos de estimativa de IRPJ", em afronta, segundo ela, aos princípios mais comezinhos de direito. Já o acórdão de recurso voluntário nº 1402000.933, v. efls. 295/298, reconheceu a higidez do procedimento realizado pela autoridade administrativa executora da decisão emanada pela DRJ/Salvador, que adotou a sistemática da imputação proporcional à compensação dos débitos declarados no PER/DCOMP, conforme o rito estabelecido na Instrução Normativa nº 900/2008 (§ 1º do art. 36 e parágrafo único do art. 53), com fulcro no art. 163 do CTN. No meu entendimento, a manifestação acima seria absolutamente dispensável, haja vista que tal matéria refoge à competência do CARF, pois que atinente aos procedimentos de execução da decisão recorrida pela autoridade preparadora. Aliás, a recorrente, de forma reiterada em seu recurso voluntário, atribuiu à DRJ/Salvador a execução de sua própria decisão, o que não aconteceu. A DRJ/Salvador limitouse a reconhecer o direito creditório, homologando a compensação até o limite do valor reconhecido, sem entrar no mérito de como deveria se dar o procedimento para que tal crédito fosse compensado com os débitos informados na DCOMP. Tal atribuição é privativa da autoridade executora da decisão; em outras palavras, à autoridade administrativa que jurisdiciona o estabelecimento da contribuinte, conforme disposição regimental da Secretaria da Receita Federal. A alegação de que a multa de mora não é cabível no caso de estimativas pagas em atraso também é improcedente. A sistemática do pagamento por estimativas foi instituída pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º: Art. 2o A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) A estimativa mensal é uma antecipação obrigatória, sendo devida ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Tanto é assim, que existe previsão de multa específica (de ofício) pelo seu não recolhimento, conforme o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/96: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 359 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Já no caso de pagamento efetuado fora do prazo (aí incluídos os débitos objeto de compensação), incide a regra geral aplicável a todos os tributos, também constante da Lei nº 9.430/96, em seu art 61: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Por todo o exposto, incabível dar provimento aos embargos neste ponto, eis que inexistente a omissão alegada. 2) da atualização monetária do crédito reconhecido. Neste ponto, a recorrente alega que, como o crédito (oriundo de saldo negativo de IRPJ) foi apurado em setembro/2001 e o PER/DCOMP foi enviado em agosto de Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 360 8 2003, a atualização monetária do indébito deveria ser realizada pela SELIC acumulada correspondente ao período de outubro/2001 até julho /2003, acrescido de 1% (correspondente ao mês de agosto/2003), perfazendo um total de 36,33%. Novamente imputa à DRJ/Salvador o erro na implementação de sua própria decisão, que reconheceu a existência de saldo a ser utilizado para compensação no importe de R$1.202.364,27. Segundo a recorrente, a DRJ/Salvador teria calculado um saldo credor, já corrigido, de R$1.555.045,40, quando o correto seria de R$1.639.183,20 (resultado de R$1.202.364,27 X 36,33%). Como já afirmamos acima, os procedimentos relativos à implementação da decisão emanada da DRJ/Salvador são de competência da autoridade preparadora (que jurisdiciona o estabelecimento da contribuinte) e não da autoridade julgadora. Se houve algum erro na implementação da decisão, deve a contribuinte se reportar à autoridade administrativa utilizandose dos meios que a legislação lhe disponibiliza. Também neste ponto não vislumbro razão à recorrente, haja vista que a omissão por ela propalada não ocorreu por parte do acórdão recorrido. Por todo o exposto, voto por conhecer dos embargos de declaração para negarlhe provimento. Em 14 de fevereiro de 2016. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 361 9 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Inicialmente, para não deixar dúvidas em relação ao que foi decidido por esta C. Segunda Turma Ordinária no julgamento dos Embargos de Declaração, opostos sobre o v. acórdão nº 1402000.933, proferido por este Colegiado no processo em epígrafe, insta pontuar que, apenas admitiuse parcialmente do recurso, para reconhecer apenas a omissão quanto à análise da possibilidade da cobrança de multa e juros de mora, sobre débitos de estimativa do IRPJ, que foram objeto da compensação. Em relação a matéria relativa a atualização monetária do crédito reconhecido, item 2 do voto do D. Relator, a C. Turma decidiu pela inadmissão dos Embargos. Após longo debate em relação ao mérito da parte admitida dos Embargos de Declaração, restou vencido o seguinte entendimento. Pois bem. Em que pesem os valorosos argumentos do D. Conselheiro Relator, ouso divergir de seu entendimento. Discordo da possibilidade de cobrança de multa moratória e juros de mora em caso de recolhimento a menor de estimativas. Isso porque, após o encerramento do período de apuração não há mais que se cobrar estimativas, e, até mesmo, pode até não haver sequer imposto a se cobrar no ajuste, quer pela apuração de prejuízo fiscal, quer pela apuração de valor de imposto de renda na fonte superior ao montante de imposto devido. Tal entendimento, é corroborado pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Em relação a esse último Parecer nº 88/2014, assim conclui o órgão responsável pela possível cobrança judicial dos tributos federais: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 362 10 34. Conclusivamente, os valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Em tais pronunciamentos, a PGFN chega a afirmar que eventuais parcelamentos de estimativas deveriam ser cancelados se, ao final do exercício, restasse demonstrado que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais. Conclui ainda a PGFN, que não é possível a cobrança de estimativas após o encerramento do período de apuração. Se for o caso, devese proceder a cobrança de eventual saldo de imposto a recolher. Assim, inexistindo saldo de imposto a recolher, as estimativas declaradas e não extintas, quer por pagamento, quer por compensação, jamais serão alvo de cobrança. Ora, se a própria PGFN não permite que as estimativas sejam inscritas em Dívida Ativa, como seria possível a cobrança de multa moratória e juros de mora sobre estimativas não recolhidas, uma vez que tais débitos não serão alvo de cobrança por parte da União? Aliás, o próprio CARF já sedimentou não ser possível a cobrança de estimativas após o encerramento do período de apuração, conforme se pode observar no enunciado de sua Súmula nº 82, abaixo colacionado. Súmula nº 82 “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. Tal entendimento, possui total compatibilidade com o mecanismo trazido pela legislação: se estimativas não foram recolhidas, a penalidade cabível é a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de que trata o art. 44, inciso I, alínea “b”, da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – [...] Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10530.720157/200614 Acórdão n.º 1402002.384 S1C4T2 Fl. 363 11 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] Por fim, entendo importante esclarecer, que não se trata aqui de analise de concomitância de penalidades ( aplicação conjunta de multa isolada e de multa de ofício). No julgamento destes Embargos de Declaração, a matéria admitida trata apenas da análise da possibilidade de cobrança de multa moratória e juros de mora em caso de recolhimento a menor de estimativas do IRPJ, objeto da compensação, após o encerramento do período de apuração. No lançamento em epígrafe, não foi aplicado a exigência de multa isolada, nos termos do dispositivo acima colacionado. Por essas razões, voto por acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para cancelar a cobrança da multa e dos juros de mora sobre os débitos de estimativa do IRPJ compensados. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Redator designado. Fl. 363DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.724588/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. MULTA POR ATRASO.
A apresentação da declaração de rendimentos da pessoa física fora do prazo fixado impõe a aplicação de multa pelo atraso, que não pode ser relevada ou reduzida pelo julgador administrativo.
LEI TRIBUTÁRIA. VALOR DA MULTA. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE DA PENALIDADE ESTABELECIDA EM LEI. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que estabelece penalidade pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos.
(Súmula Carf nº 2)
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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MULTA POR ATRASO. A apresentação da declaração de rendimentos da pessoa física fora do prazo fixado impõe a aplicação de multa pelo atraso, que não pode ser relevada ou reduzida pelo julgador administrativo. LEI TRIBUTÁRIA. VALOR DA MULTA. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE DA PENALIDADE ESTABELECIDA EM LEI. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária que estabelece penalidade pelo atraso na entrega da declaração de rendimentos. (Súmula Carf nº 2) Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 45 88 /2 01 3- 43 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 12448.724588/201343 Acórdão n.º 2401004.660 S2C4T1 Fl. 45 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 45DF CARF MF Processo nº 12448.724588/201343 Acórdão n.º 2401004.660 S2C4T1 Fl. 46 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1257.876 (fls. 18/21): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2011 DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. OBRIGATORIEDADE. Estando o contribuinte obrigado a efetuar a entrega da declaração do imposto de renda pessoa física, e tendoa feito após o prazo estabelecido na legislação, é devida a multa pelo atraso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Em face da contribuinte foi emitida Notificação de Lançamento da Multa por Atraso na Entrega na Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativa ao anocalendário 2010, exercício 2011. A respectiva declaração de ajuste foi enviada em atraso no dia 20/4/2013 (fls. 4). 3. Cientificada da notificação eletronicamente na data da transmissão da declaração, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/3). 4. Intimada em 14/11/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 27/28, a recorrente, por meio de procurador, interpôs recurso voluntário no dia 10/12/2014, com os seguintes argumentos de defesa (fls. 31/36): (i) a contribuinte pessoa com idade quase centenária incumbiu a elaboração da Declaração de Ajuste Anual a seu filho mais velho, o qual acabou tendo problemas de saúde e não enviou a declaração no prazo legal; (ii) a penalidade imposta é injusta e desproporcional, visto que a falta de entrega não causou qualquer prejuízo ou dano ao erário público. Inclusive, a recorrente tem direito a receber restituição do imposto de renda pago a maior no respectivo anocalendário da declaração de rendimentos; (iii) na ausência de dolo ou máfé, porque desconhecia que a declaração de ajuste não havia sido enviada, o valor da multa aplicada, correspondente a 20% (vinte por cento) do imposto devido, foge ao espírito da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de Fl. 46DF CARF MF Processo nº 12448.724588/201343 Acórdão n.º 2401004.660 S2C4T1 Fl. 47 4 1995, devendo, no caso, ser atribuída a penalidade no percentual mínimo; (iv) na fixação do valor da penalidade, devese levar em conta a situação dos idosos, que dependem de terceiros para a elaboração de suas declarações, os quais, por força da idade avançada, estão praticamente impedidos de exercerem, livremente, as suas vontades; (v) não só pela idade, mas também pelo fato de a contribuinte sempre cumprir à risca o prazo de entrega da declaração de ajuste, uma única falha, por motivos alheios à sua vontade, não pode resultar na aplicação de multa em valor exagerado, comprometendo os seus proventos de aposentadoria; e (vi) situações especiais, como ora se cuida, devem receber uma tratamento excepcional, e não simplesmente a aplicação da letra fria da lei. É o relatório. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 12448.724588/201343 Acórdão n.º 2401004.660 S2C4T1 Fl. 48 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Quanto à aplicação da multa pela falta de entrega da declaração no prazo estabelecido na legislação, não há reparos a fazer no trabalho fiscal. 7. De forma correta, a penalidade pecuniária observou o contido no inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, c/c art. 27 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, abaixo reproduzidos: Lei nº 8.981, de 1995 Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1º O valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas Ufirs, para as pessoas físicas; b) de quinhentas Ufirs, para as pessoas jurídicas. (...) Lei nº 9.532, de 1997 Art. 27. A multa a que se refere o inciso I do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, é limitada a vinte por cento do imposto de renda devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 1º do referido art. 88, convertido em reais de acordo com o disposto no art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 12448.724588/201343 Acórdão n.º 2401004.660 S2C4T1 Fl. 49 6 Parágrafo único. A multa a que se refere o art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, será: a) deduzida do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; b) exigida por meio de lançamento efetuado pela Secretaria da Receita Federal, notificado ao contribuinte. [GRIFOUSE] 8. Na petição recursal, há o reconhecimento que a declaração de rendimentos foi apresentada fora do prazo fixado, tendo sido aplicada pelo órgão de fiscalização a multa prevista na legislação tributária. O que solicita a recorrente é um tratamento diferenciado, em virtude das suas condições pessoais, com apelo a argumentos principiológicos e de justiça fiscal. 9. Via de regra, alegações desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa, pois a análise permitida ao julgador administrativo encontra forte limitação no conteúdo do texto da lei tributária. 9.1 No caso da multa imposta à recorrente, o legislador ordinário não delegou a autoridade fiscal ou ao julgador administrativo qualquer margem de dosimetria da penalidade, entre limites mínimo e máximo. O critério é integralmente objetivo. Não há autorização em lei para a gradação da sanção pecuniária diante das particularidades de cada caso, tampouco está prevista a relevação da penalidade. 9.2 Tornase inviável o cancelamento da multa ou mesmo a sua redução para um patamar menos gravoso, conforme prevê, por exemplo, o inciso II do art. 88 da Lei nº 8.981, de 1995, na medida em que a conduta da autoridade administrativa extrapolaria as suas competências funcionais, submetendose, ao fim e ao cabo, às sanções cíveis e penais descritas no ordenamento jurídico pátrio. 10. Um tratamento diferenciado para os idosos com idade avançada, inclusive com previsão de entrega facultativa da declaração de rendimentos, como sugere a recorrente, exige prévia alteração da lei tributária, de maneira a prescreverse em norma geral e abstrata os critérios válidos de distinção entre os contribuintes. 10.1 Em última análise, tendo em consideração o preceito da legalidade, compete ao legislador federal avaliar a pertinência de se estabelecer as discriminações de obrigações tributárias entre contribuintes do imposto sobre a renda. 11. Quanto à responsabilidade por infrações, na hipótese de descumprimento de deveres instrumentais tributários, a multa independente da intenção do agente. Eis o que diz o art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. [GRIFOUSE] Fl. 49DF CARF MF Processo nº 12448.724588/201343 Acórdão n.º 2401004.660 S2C4T1 Fl. 50 7 12. Por fim, no que tange à razoabilidade e proporcionalidade da penalidade, o juízo de valor pressupõe análise de compatibilidade dos dispositivos de lei com os princípios constitucionais. 13. Tal exame de princípios encontra óbice não só no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 14. Logo, não merece reforma o acórdão de primeira instância. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 50DF CARF MF
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