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Numero do processo: 16349.000222/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2007 A 31/03/2007 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 22 /2 00 8- 97 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 16349.000222/200897 Acórdão n.º 3201003.364 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.903, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 16349.000222/200897 Acórdão n.º 3201003.364 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001436/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício:2008
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
ALCANCE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício:2008 DACON. MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001436/201021 Acórdão n.º 140200.641 S1C4T2 Fl. 53 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001436/201021 Acórdão n.º 140200.641 S1C4T2 Fl. 54 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a maio de 2008, no valor de R$ 20.073,19, com redução para R$ 10.036,59 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 19.328 (fls. 2426) de 28/09/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 59DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001436/201021 Acórdão n.º 140200.641 S1C4T2 Fl. 55 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/01/2011 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/02/2011 (fls. 3040) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 60DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001436/201021 Acórdão n.º 140200.641 S1C4T2 Fl. 56 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 61DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001436/201021 Acórdão n.º 140200.641 S1C4T2 Fl. 57 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001436/201021 Acórdão n.º 140200.641 S1C4T2 Fl. 58 7 Fl. 63DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10680.901865/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA.
Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo.
Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis.
Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-003.321
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pela ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório e do devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins referese aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 65 /2 01 2- 89 Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao aluguel de veículos leves e caminhão munck 10 ton. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação relativos a crédito da contribuição (PIS/Cofins) não cumulativa. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório reconhecendo em parte o direito creditório e, por conseguinte, homologando parcialmente a compensação, em razão de glosas de créditos que não se encontravam em consonância com a legislação de regência. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente reconheceu o creditamento indevido em relação aos insumos adquiridos com alíquota zero, sendo alegado, em relação às demais matérias, que a fiscalização não detalhara os produtos e serviços glosados, nem motivara suas glosas, ferindo o seu direito de defesa, sendo ora destacados os seguintes argumentos: a) nulidade da ação fiscal em razão da ausência de diligência in loco, por falta de motivação e pela ausência de provas; b) a fiscalização demonstrou contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social1 da empresa, posto que diversos créditos glosados eram oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; c) a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; d) direito a crédito sobre os dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, e não apenas sobre a compra de energia, já que não se pode dissociar uma coisa da outra, havendo dispositivo expresso autorizando o creditamento sobre o custo de tal energia, por se tratar de insumo essencial ao seu processo produtivo; 1 pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 4 3 e) a sistemática da não cumulatividade autoriza o creditamento em relação a (i) insumos e serviços utilizados no mineroduto, (ii) aluguel de veículos, máquinas e equipamentos utilizados na produção, (iii) locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas, (vi) serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias e em obras de manutenção de barragens, (vii) gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na mina; f) falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado; g) necessidade de realização de perícia, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Posteriormente, o contribuinte trouxe novos documentos aos autos, solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente, repisando alguns dos argumentos encetados na manifestação de inconformidade e se insurgindo, especificamente, contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. A par da manifestação de inconformidade, a Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados e a consequente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Na realização da diligência, a repartição de origem analisou a documentação então apresentada pelo contribuinte, concluindo o seguinte: a) as máquinas e equipamentos haviam sido adquiridos de pessoas jurídicas e utilizados na produção de bens destinados à venda e/ou à prestação de serviços, em conformidade com a legislação de regência; b) ratificouse a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que haviam sido objeto de glosas, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Cientificado do Relatório Fiscal resultante da diligência, o contribuinte não apresentou, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. Nos termos do Acórdão nº 02046.017, a Manifestação de Inconformidade foi julgada parcialmente procedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) reconhecido o direito a créditos em relação aos (i) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda, bem como a Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 5 4 créditos relativos a (ii) despesas e custos relacionados à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros e a (iii) combustível consumido nos fornos no processo produtivo (excetuandose o combustível consumido nos veículos utilizados na mina). A DRJ não reconheceu como insumos geradores de créditos os demais produtos e serviços pleiteados pelo contribuinte, por ausência de prova de sua aplicação direta no processo produtivo. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisou os pedidos e os argumentos de defesa anteriormente apresentados, aqueles não acolhidos pela DRJ, e requereu o reconhecimento de conexão entre os 24 (vinte e quatro) recursos voluntários ali identificados, sendo arguido, ainda, o seguinte: a) necessidade de baixa dos autos à origem para que se comprovasse a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento; b) nulidade da recomposição dos créditos eis que não foi observado o acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados no processo produtivo; c) a decisão recorrida está em confronto com o consolidado entendimento do CARF quanto aos insumos geradores de créditos das contribuições e cita precedentes jurisprudenciais do Poder Judiciário e deste Colegiado Administrativo; d) indevida a glosa sobre serviços utilizados como insumos consistentes em: 1) serviços prestados no mineroduto; 2) aluguel de veículos; 3) locação de dragas, de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; 4) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; 5) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; 6) consórcio UHE GuilmanAmorim, operação, manutenção e conservação UHE Muniz Freire; 7) obras de construção civil. Por fim, pleiteou a produção de prova pericial, ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência. O processo foi distribuído à 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF tendo sido deliberado pela conversão do feito em diligência para que a unidade de origem tomasse as seguintes providências: ● Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 6 5 produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: ○ demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; ○ esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. ● Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; ●·Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; ● Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento." Conforme consta do Relatório Fiscal produzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, a diligência foi devidamente cumprida, tendo a autoridade administrativa consignado que o contribuinte apresentara dois laudos técnicos, confeccionados por MiningMath Associates e Ernest & Young (EY), contendo o primeiro a descrição do processo produtivo da Samarco, com identificação dos insumos utilizados nas várias etapas da produção, e o segundo a descrição e função dos materiais e serviços empregados como insumos, laudos esses que embasaram os novos cálculos realizados pela fiscalização. Após, o recorrente manifestouse aduzindo: (i) a Fiscalização tão somente reafirma os pressupostos jurídicos que ensejaram a glosa fiscal; (ii) tece comentários sobre os dois laudos técnicos produzidos; (iii) que a Fiscalização não contestou a idoneidade ou materialidade do trabalho realizado, e (iv) reitera os fundamentos dos 24 recursos voluntários interpostos e reafirma a procedência dos seus créditos dada a essencialidade dos insumos glosados para o seu processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 7 6 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.316, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.316): Das preliminares arguidas Com relação as nulidades arguidas pela recorrente entendo que não procedem. O fato de o lançamento fiscal ter sido efetivado sem as diligências in loco conforme aduzido pela recorrente não conduzem à nulidade da autuação, pois teve a recorrente o amplo direito de defesa e contraditório respeitados, inclusive com a produção de provas e realização de diligência determinada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. O conjunto probatório formado no caderno processual não conduz à nulidade do processo. No caso em apreço, não há que se cogitar de nulidade pelo fato de o lançamento fiscal preencher os requisitos legais, o processo administrativo fiscal proporcionar plenas condições à empresa de contestar o lançamento e inexistir qualquer indício de violação às determinações contidas no Código Tributário Nacional CTN ou Decreto 70.235, de 1972. Desta forma, por inexistir o vício alegado pela recorrente, inacolho a preliminar. Com relação aos argumentos de que (i) os autos devem retornar à origem para que a DRF comprove junto a recorrente a recomposição dos cálculos determinada pela Delegacia de Julgamento e (ii) que há nulidade da recomposição dos créditos, por não observância ao acórdão da DRJ quanto aos combustíveis utilizados, entendo, também, que não são causas de nulidade do processo e que tais circunstâncias devem ser apreciadas após a decisão de mérito e definitiva do processo, quando do retorno dos autos à instância de origem para o cumprimento do julgado. Salientese que, em relação aos créditos sobre combustíveis em sua totalidade, conforme argumentado pela recorrente, tal circunstância será apreciada em tópico específico, no mérito da presente decisão. Diante do exposto, inacolho estas preliminares levantadas pela recorrente. Do mérito recursal Em relação ao mérito do recurso algumas considerações introdutórias se fazem necessárias. Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 8 7 Marco Aurélio Greco (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. O escólio de Aliomar Baleeiro é elucidativo para a questão posta em debate: "É uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa "input", isto é, o conjunto dos fatores produtivos, tais como matérias primas, energia, trabalho, amortização de capital, etc, empregados pelo empresário para produzir o "output" ou o produto final (...)" (Direito Tributário Brasileiro, Forense Rio de Janeiro, 1980, 9ª edição, pág.214) Equivocadamente, a decisão recorrida utilizou para o caso concreto o conceito de insumos da legislação do IPI, conforme consignado no voto nos seguintes termos: "Em resumo, concluise que, para fins de apuração de créditos do IPI, somente podem ser considerados insumos os bens que se incorporem ao produto industrializado ou que nele se consumam, mediante contato físico direto, razão pela qual, neste arcabouço, não podem ser considerados insumos combustíveis, lubrificantes e energia elétrica, bem como outras despesas e custos que, embora necessárias à atividade da contribuinte, não se encaixem nos mencionados requisitos. Agora, analisase o que se extrai do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 sobre a noção do termo “insumos”, para comparála à concepção deste mesmo termo no âmbito do IPI e ao conceito de custos de produção e de despesas operacionais para o IRPJ. No texto do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, verificase que nem todos os bens e serviços podem, com vistas ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e da Cofins, ser considerados insumos, mas, apenas e tãosomente, aqueles “bens e serviços, utilizados (...) na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (grifo nosso). Como visto, de modo semelhante para o IPI, somente é possível, nos termos do Regulamento do imposto, a apuração de crédito “ ... do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização ...” (grifo nosso). E, igualmente, a noção de custos de produção e de despesas operacionais do imposto de renda se restringe às atividades da empresa." Ainda, adotou como fundamento decisório, as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, conforme segue: "Nesta linha de pensamento, a Receita Federal, no uso do poder regulamentar que lhe foi conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003, expediu a IN nº 247, de 21.11.2002 (relativamente à contribuição para o PIS) e a IN SRF nº 404, de 12.03.2004 (no tocante à Cofins), que identicamente conceituam insumos, com adoção da mesma noção do IPI, em seus correspondentes art. 66 Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 9 8 (com as alterações da IN SRF nº 358, de 09.09.2003) e 8º, a seguir vazados:" E prossegue: "Portanto, em que pese todos os julgados, tanto na esfera administrativa quanto na judicial, citados pela reclamante, em que se prima pelos critérios da essencialidade, especialmente do que diz respeito ao ICMS, destacase que o conceito de insumos dados pelas instruções normativas acima, além de se adequar aos contornos legais, não poderia, se assim não fosse, ser afastado pela autoridade administrativa julgadora de primeira instância, vinculada aos ditames legais e regulamentares (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990). É que as instruções normativas são atos normativos expedidos por autoridade administrativa competente e que visam regulamentar ou implementar a lei – e, no caso analisado, as IN SRF nºs 247/2002 e 404/2004 foram editadas com fundamento no poder regulamentar expressamente conferido pelo art. 66 da Lei nº 10.637/2002, e pelo art. 92 da Lei nº 10.833/2003. Por decorrência, compõem a legislação tributária (art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN) e são de observância obrigatória pela autoridade administrativa." O Superior Tribunal de Justiça entende que são ilegais as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que embasaram a decisão recorrida, conforme a seguir: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 10 9 Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido." (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Excerto do voto proferido pelo Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, no processo 10247.000002/200663 é elucidativo para o caso em debate: "Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo." Ainda, de processo relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 11 10 produzidos, atendidas as demais exigências legais." (Processo 11065.101167/200652; Acórdão 9303005.612; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Sessão de 19/09/2017). Imperioso,também, nesta parte inicial, citar também, parte do laudo pericial produzido, em que se tem, em breve síntese, resumo do ciclo de operações de recorrente: Dentro do ciclo de operações podemos distinguir três principais: • Remoção de estéril Este processo envolve a movimentação de material para exposição do corpo mineralizado, bem como de material com teores abaixo do teor econômico (teor de corte). As operações unitárias envolvem perfuração e desmonte mecânico e por explosivos, escavação e carregamento. • Lavra do minério O ciclo desta operação é muito semelhante ao empregado na remoção de estéril. Quanto mais semelhante for a rocha estéril, da rocha hospedeira da mineralização, maior será a similaridade das operações de remoção de estéril e lavra de minério, de maneira que possa ser empregada a mesma frota de equipamentos e técnicas de desmonte, escavação e transporte para ambos. • Operações auxiliares Nestas estão envolvidas uma extensa gama de áreas, sendo: Saúde e segurança. Controle e monitoramento do meio ambiente. Abastecimento de energia e água. Gerenciamento de águas superficiais e subterrâneas. Disposição de estéril; Suprimento de material de operação. Manutenção e reparo. Iluminação. Sistema de comunicação e despacho. Construção e manutenção de acessos e estradas. Transporte de pessoal. O processo produtivo da recorrente, conforme alegado, se divide, portanto, nas seguintes etapas, a saber: (i) processo de tratamento do minério bruto (objeto da lavra); (ii) processo de concentração do teor do minério de ferro; (iii) processo de bombeamento do concentrado para a usina; (iv) processo de preparação do minério concentrado; (v) processo de adição de insumos e formação das pelotas; e (vi) processo de separação das pelotas e embarque para exportação. Como visto, pela complexidade da atividade produtiva da recorrente é de fácil percepção que são utilizadas diversas máquinas e equipamentos, tais como, tratores; carregadeiras; caminhões forade estrada; perfuratrizes; escavadeiras; motoniveladoras; lokotrack/lololink e transportador de correia. No laudo confeccionado pela empresa MiningMath Associates estão descritas as funções e atividades exercidas por cada máquina e equipamento. Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 12 11 Exemplificativamente, temse: (i) Escavadeira Utilizada, principalmente, na lavra, na escavação de rochas e carregamento de caminhões, alimentando lokotrackers (Figura 9) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) ou correias transportadoras de bancada. Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: (ii) Trator O trator é utilizado na lavra, no desmonte mecânico das rochas e, na pilha de estéril, na disposição do estéril (Figura 4) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Pode ser utilizado, também, em operações auxiliares de lavra. Os insumos consumidos nesse equipamento são: O laudo descreve, ainda, quais insumos e serviços são utilizados em cada máquina e equipamento, dispondo, de forma expressa, os serviços de manutenção. O conserto, manutenção e a reposição de peças são considerados como insumos indispensáveis ao processo produtivo, devido ao fato de que sem o maquinário e o ferramental adequado e em condições de uso e produtividade não há como se produzir um bem. Vejamos o que tem decidido o CARF sobre a matéria: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2008 a 30/09/2009 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. USINA DE AÇUCAR E ÁLCOOL. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMO. Em relação à atividade agroindustrial de usina de açúcar e álcool, configuram insumos as aquisições de serviços de análise de calcário e fertilizantes, serviços de carregamento, análise de solo e adubos, transportes de adubo/gesso, transportes de bagaço, transportes de barro/argila, transportes de calcário/fertilizante, transportes de combustível, transportes de sementes, transportes de equipamentos/materiais agrícola e industrial, transporte de fuligem,/cascalho/pedras/terra/tocos, transporte de materiais diversos, transporte de mudas de cana, transporte de resíduos industriais, transporte de torta de filtro, transporte de vinhaças, serviços de Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 13 12 carregamento e serviços de movimentação de mercadoria, bem como os serviços de manutenção em roçadeiras, manutenção em ferramentas e manutenção de rádiosamadores, e a aquisição de graxas e de materiais de limpeza de equipamentos e máquinas." (grifo nosso) (Processo 10410.723727/201151; Acórdão 9303004.918; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 10/04/2017) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Por decisão plenária do STF, não incide as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. CRÉDITO. DESPESA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Atendidas as demais condições, as despesas realizadas com manutenção de máquinas e equipamentos, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, geram direito a crédito do PIS nãocumulativo. RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR NEGADO." (Processo 13052.000441/200307; Acórdão 9303002.801; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 23/01/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 14 13 São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10247.000002/2006 23; Acórdão 9303003.069; Relator Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda; sessão de 13/08/2014) (destaque nosso) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. DEDUÇÃO DE CRÉDITO. DEFINIÇÃO DE INSUMO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 15 14 produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. INSUMOS DE PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO APLICADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE PRODUÇÃO. MOMENTO DE REGISTRO DO CRÉDITO. As partes e peças de reposição empregadas na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda são consideradas insumos para fins de desconto de créditos da Cofins e o registro/apuração do crédito deve ser feito no mês da aquisição dos bens." (Processo 13656.721196/201259; Acórdão 3302004.156; Relator Conselheiro Domingos de Sá Filho; sessão de 22/05/2017) (destaque nosso) Tecidas tais considerações, para melhor compreensão das matérias recursais, passasse a tratálas de modo individualizado e alegado em sede recursal, conforme a seguir: Serviços prestados no mineroduto Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados ao mineroduto, por se classificarem como insumos na produção de minério. A decisão recorrida adota como fundamento decisório para negar o direito ao crédito da recorrente o seguinte: "Ao contrário desse entendimento, podemos afirmar que o processo produtivo da recorrente possui duas etapas distintas: a extração do minério e a industrialização (no caso, a transformação em pelotas). Dentro desse entendimento, o mineroduto não se vincula a nenhuma das duas etapas, em que pese sua importância na atividade da empresa, mas apenas a uma etapa intermediária, que, nas palavras da contribuinte, se caracteriza como “ponto de ligação de sua peculiar planta industrial”. Nesse sentido, nenhum serviço nele empregado se enquadra no conceito de insumo, por não ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto." Com o devido respeito, mas tal assertiva é desprovida de embasamento técnico apto a lhe dar sustentabilidade. Do laudo produzido pela empresa MiningMath Associates temse que: Mineração é um termo que abrange os processos, atividades e indústrias cujo objetivo é a extração de substâncias minerais a partir de depósitos ou massas minerais e o seu tratamento ou processamento para o seu mercado consumidor. Ainda: As operações estão nas minas da unidade de Germano, nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG), onde extrai o minério de ferro e o beneficia em Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 16 15 três usinas de tratamento de minérios, e em Ubu, na cidade de Anchieta (ES), onde possui quatro usinas de pelotização e um terminal marítimo próprio. Atualmente, tem capacidade para produzir 30 milhões de toneladas. As unidades são conectadas por três minerodutos de aproximadamente 400 quilômetros de extensão cada um, que transportam a polpa de minério de ferro ao longo de 25 municípios. Prossegue o laudo: A tecnologia do mineroduto, sistema de tubulações por onde se transporta minérios a longas distâncias, foi implantada no país pela Samarco, de forma pioneira, e evita o uso de outros modais viários, o que reduz o número de veículos nas estradas e minimiza as emissões de particulados e gases de efeito estufa. Além disso, por meio de sistemas de recirculação, cerca de 90% da água utilizada no sistema é reaproveitada nas operações. As tubulações passam por uma faixa de servidão uma pista com 35 metros de largura e atravessam 25 municípios. Em sua quase totalidade estão enterradas a uma profundidade média de l,30m, o que facilita a movimentação da fauna e dos seres humanos, causa pouca interferência no uso e ocupação do solo, diminui a exposição e suscetibilidade a acidentes. Somente em alguns pequenos trechos, não totalizando 200m, a tubulação se encontra elevada. A polpa de concentrado é inicialmente bombeada na unidade de Germano e no caminho estações de bombeamento e sistemas de válvulas (item 3, subitens 3.1, 3.2, 3.3 e 3.4, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco)controlam o fluxo da polpa, que viaja a uma velocidade média de 6 km/h, levando em torno de 66 horas para percorrer todo o trajeto. Estas unidades possuem funções diferenciadas, sendo as estações de bombas utilizadas para impulsionar a polpa de concentrado no seu percurso ao longo da tubulação e vencer as elevações que chegam a 1.180 metros e as estações de válvulas a de minimizar os esforços bruscos ou permanentes, de pressão dinâmica e estática, a que a tubulação está submetida durante variações de fluxo, ou seja, alivia a pressão na tubulação causada pela diminuição de elevação até Ubu, que fica no nível do mar, garantindo total segurança à operação e as pessoas. Conclui o laudo técnico: Os minerodutos são essenciais no processo de produção das pelotas, assim, a Samarco realiza manutenção corretiva, preventiva e preditiva nos elementos que os compõem e desenvolve programas de monitoramento de processos erosivos. Essas manutenções podem ser próprias ou de empresas contratadas. Para o correto funcionamento e bom desempenho dos minerodutos são consumidos, ainda, insumos como elementos mecânicos, elétricos e hidráulicos, de instrumentação, cal, serviços de limpeza nas instalações e faixa de servidão, elementos das bombas como camisas, pistões, anéis, válvulas, etc. Por sua vez, no laudo produzido pela empresa EY consta que os minerodutos são utilizados no transporte da polpa do minério resultante do processo de concentração até a área de pelotização. É de se observar, ainda, que no laudo da empresa EY há descrição pormenorizada dos créditos relacionados aos serviços aplicados ao mineroduto que liga os complexos operacionais da recorrente e com a indicação se é ou não um dispêndio vinculado ao processo produtivo e à geração de receita. Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 17 16 Não logrou êxito a Fiscalização em sua manifestação sobre os aludidos laudos técnicos (Relatório Fiscal) derruir a prova técnica produzida. Aduz a Fiscalização: Da análise dos laudos em questão, verificamos que os mesmos se fundamentaram em conceitos de insumos mais elásticos que aqueles definidos na legislação pertinente, ou seja no artigo 3o das leis n°s 10.637, de 30/12/2002 (PIS) e 10.833, de 29/12/2003 (Cofins), combinados com os artigos 66 e 8o das Instruções Normativas SRF n°s 247, de 21/11/2002 (PIS) e 404, de 12/03/2004 (Cofins). Sendo assim, fazse necessário esclarecermos mais uma vez que o termo "insumo", para fins de creditamento de PIS e Cofins, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera custo/despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados ã venda ou na prestação do serviço da atividade. Percebese, então, que a Fiscalização limitouse a reiterar que a glosa teve por base o conceito restritivo das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, as quais, como já dito, são consideradas ilegais pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. É clara, portanto, a essencialidade do mineroduto na atividade produtiva da recorrente, consistindo em instrumento necessário e indispensável para a produção do minério. Neste sentido, assim deliberou o CARF: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa." (Processo 10280.003607/200608; Acórdão 3302002.308; Relator Conselheiro Walber José da Silva; sessão de 25/09/2013). Do voto do relator sobre o direito ao crédito pelos serviços prestados em mineroduto, destaco o seguinte excerto: "Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 18 17 Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarema, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma." Podese, também, por analogia, por ser o mineroduto um equipamento de transporte, adotar o entendimento de que o transporte (frete) de um produto não acabado como um insumo. Neste sentido, são os precedentes jurisprudenciais a seguir colacionados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de COFINS não cumulativa sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a unidade fabril por Tubovia, e despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. (...) (Processo 11080.722778/200993; Acórdão 9303005.939; Relator Conselheiro Demes Brito; Sessão de 28/11/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. (...)." (Processo 10925.002182/200921; Acórdão 3302 004.883; Relator Conselheiro José Renato Pereira de Deus; Sessão de 25/10/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 31/07/2006 CRÉDITOS. GASTOS FASES PREPARATÓRIAS DA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. As etapas de preparação material da planta para acesso, extração e obtenção dos recursos e insumos minerais, bem como as atividades de acesso, extração, movimentação e tratamento dos minerais assim obtidos, constituem parte do processo de produção para fins de apuração dos créditos dessas contribuições sociais." (Processo 13116.000674/20073; Acórdão 3401003.434; Relator Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; sessão de 28/03/2017) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados aos insumos e serviços utilizados no mineroduto por ser este um elemento essencial na atividade produtiva da recorrente, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Aluguel de veículos, máquinas e equipamentos. Com razão a recorrente. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, bem como, os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que são empregados na produção de minério. Anota a decisão recorrida para negar o direito ao crédito: "Assim, ratificando o entendimento da fiscalização, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos a aluguel de veículos. E, quanto ao argumento de que a locação em questão seria, em parte, de máquinas e equipamentos, e, portanto, não poderiam ser glosados os créditos relacionados às respectivas faturas, é preciso esclarecer que o simples fato de se tratarem de máquinas e equipamentos os objetos da locação não implica necessariamente no direito ao crédito relativo a essas despesas. (...) Sobre a utilização dos equipamentos locados, a reclamante apenas alega que se tratam de caminhões, tratores, etc, sem especificar exatamente qual a sua utilização. Do contrato apresentado, também não se extrai Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 20 19 elementos capazes de esclarecer acerca do emprego de tais equipamentos, e nem tampouco foi juntado aos autos qualquer outro elemento que pudesse fazer prova de que tais equipamentos são, de fato, empregados diretamente em seu processo de extração ou pelotização do minério, em contraponto ao entendimento firmado no procedimento fiscal. Portanto, devem ser mantidas as glosas efetuadas neste item, inclusive as relativas aos serviços de locação de máquina." Os veículos, máquinas e equipamentos locados mostramse como imprescindíveis na atividade produtiva da recorrente sendo utilizados em diversas etapas de seu processo produtivo. Novamente, para o correto deslinde da questão é importante se reportar ao laudo produzido pela empresa. Sirvome do laudo elaborado pela empresa MiningMath Associates: (i) Cava No processo de lavra em cava ou de encosta, praticada pela Samarco (Figura 13) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), a remoção do estéril e minério é conduzida na forma de bancadas (...) Pela sua própria natureza, a operação envolve o transporte de quantidades moderadas a grandes de material estéril e minério para fora da cava, à distâncias relativamente longas e à declividades elevadas. Para complementação das operações de lavra propriamente ditas, são necessárias operações auxiliares que envolvem uma extensa gama de atividades que interagem com diversas áreas da empresa. Essas operações auxiliares, apesar do nome, desempenham papéis fundamentais e são essenciais na lavra dos materiais. Algumas delas ocorrem paralelamente à lavra e outras são preliminares à lavra, ou seja, se algumas dessas operações auxiliares não ocorrerem, não é possível à lavra, por exemplo, a construção e manutenção dos acessos e estradas. Por consequência, sem eles não é possível se chegar à frente de lavra. Na Samarco, muitas dessas operações auxiliares são executadas por empresas contratadas, sendo os principais serviços prestados relacionados a: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.) para a mina. (ii) Pilha de estéril Fisicamente o planejamento de lavra objetiva extrair a maior quantidade de minério e a menor quantidade de estéril (material que não é minério e nem possui qualquer interesse econômico, mas que cobre ou não permite a lavra direta do minério e, portanto, necessita ser removido). Entretanto, muitas vezes a extração do minério ou a sua liberação (minério pronto para extração, livre de estéril, mas que não foi ainda extraído) só é possível quando o estéril é retirado dentro de um cronograma planejado economicamente. O estéril é descartado em pilhas na sua condição natural. A disposição desse material se dá de forma contínua durante toda a etapa de extração do Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 21 20 minério, depende das áreas disponíveis nas proximidades do empreendimento e deve respeitar normas de segurança e proteção ambiental (Figura 14) (item 1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Na Samarco, as diversas atividades que envolvem a construção e operação da pilha de estéril são realizadas por empresas contratadas. Os principais serviços consumidos são: (...) . Locação de equipamentos (trator, carregadeira, escavadeira, etc.). (iii) Britador A fragmentação ou cominuição é a operação, ou conjunto de operações, que se caracteriza pela redução das dimensões físicas de um dado conjunto de blocos ou partículas. Os principais mecanismos para a quebra são compressão, impacto e cisalhamento. Genericamente, britagem pode ser definida como conjunto de operações que objetiva a fragmentação de blocos de minérios vindos da mina, levandoos a uma granulometria final ou compatível para posterior processamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (iv) Peneira e grelha O objetivo do peneiramento é a separação do material em duas ou mais frações, com partículas de tamanhos distintos, levandose em conta o tamanho geométrico das partículas em relação às aberturas geométricas existentes no equipamento. Na Samarco essa operação é realizada a seco. Na Figura 17 (item 2, subitem 2.1, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é possível ver um conjunto de peneiras. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (v) Moinho A moagem é o último estágio da fragmentação. Opera, normalmente, na faixa do centímetro ao micrômetro. Constituise de cilindros rotativos onde a fragmentação dos materiais se dá através da movimentação da carga interna, minério e corpos moedores (bolas de aço). Em Germano são utilizados diversos tipos de moinhos de bolas (Figura 18) (item 2, subitem 2.3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) e em duas etapas. É na moagem que é adicionado água ao minério e a essa mistura, água mais minério, dáse o nome de polpa. Os insumos consumidos nesse tipo de equipamento são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento) (vi) Flotação A flotação é um processo de separação aplicado a partículas minerais que explora diferenças nas características de superfície entre as várias espécies presentes numa suspensão aquosa (polpa). Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 22 21 A utilização de reagentes específicos, denominados coletores, depressores e modificadores, permite a recuperação seletiva dos minerais por adsorção em bolhas de ar. As operações de flotação da Samarco se dão em várias etapas e em equipamentos diferentes, mas o processo é o mesmo. As bolhas de ar sobem à superfície líquida carregando os minerais sem interesse, os quais são removidos numa espuma, enquanto os de interesse econômico são retirados pela parte inferior do equipamento. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (vii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte (Figura 22) (item 2, subitens 2.6 e 2.12, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (viii) Bombas, tanques e tubulações A partir do momento que é adicionado água ao processo, temse o que é chamado de polpa (minério mais água). A partir de então, todo o transporte de polpa e alimentação dos equipamentos seguintes são realizados por conjuntos de bombas, tanques e tubulações (item 2, subitens 2.10 e 2.13, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Assim, nos circuitos e processos de moagem, ciclonagem, flotação e espessamento temse conjuntos de bombas, tanques e tubulações necessários para que essas operações possam ocorrer. Os insumos consumidos nesses equipamentos são: Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (ix) Barragem de rejeito Inerente à atividade de mineração, está a geração de enorme quantidade de rejeitos, resíduos dos processos de beneficiamento e que apresentam na sua composição partículas de rocha, água e as substâncias químicas envolvidas no processo de beneficiamento. Realizar a disposição desses rejeitos de forma segura e econômica, levando em consideração as melhores técnicas e tecnologias disponíveis, é primordial para as mineradoras. Além disso, devido a sua importância e essencialidade no empreendimento mineiro, o plano para a disposição desses rejeitos (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) é uma requisito legal, está previsto nas normas reguladoras de mineração (NRM19), deve fazer parte do plano de lavra junto aos requerimentos de registro de extração, licença e concessão de lavra, do plano de aproveitamento econômico (PAE), para obtenção de guia de utilização e quando exigido pelo DNPM. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 23 22 (x) Barragem captação de água As águas das minas, dos concentradores, de drenagem e das barragens de rejeito são direcionadas para uma barragem de água, conhecida como barragem Santarém (item 2, subitem 2.11, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), e dessa é feita a captação de água que retorna para o processo. A recirculação de águas dentro de um projeto mineiro é uma requisição legal e está prevista nas normas reguladoras de mineração (NRM19). Assim, essa barragem é de fundamental importância para as operações da empresa. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xi) Barragem No município de Matipó, na estação de bombas, existe uma barragem de segurança (item 3, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) para atender emergência. Ela pode ser utilizada em casos de ruptura ou entupimento da tubulação, manutenção na tubulação ou estação de bombas ou quando necessário. Nesses casos a polpa pode ser direcionada para essa barragem para posterior recuperação e bombeamento. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Locação de equipamentos (escavadeiras, carregadeiras e caminhões) para barragem. (xii) Espessador A operação de espessamento faz a separação sólidolíquido (minério mais água). Pode ter como objetivos a recuperação/recirculação de água, a preparação de polpas com porcentagem de sólidos adequada a etapas subsequentes, desaguamento final de concentrados e preparação de rejeitos para o descarte. Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiii) Preparação de matériasprimas Para que as pelotas adquiram características físicas, químicas e metalúrgicas específicas para utilização em reatores de redução, insumos essenciais são acrescentados, tais como calcário, bentonita ou aglomerante orgânico e carvão. Esses insumos são recebidos e passam por processos de preparação, específico para cada insumo (item 4, subitens 4.6, 4.11, 4.12 e 4.13, mostrados na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Dentre os insumos consumidos neste tipo de equipamento temse a locação de andaimes (equipamento). (xiv) Píer É toda estrutura que avança sobre o mar (Figura 43) (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco). Essa estrutura suporta o transportador de correia, o carregador de navio e é onde ocorre toda a operação de carregamento de navios. Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 24 23 O píer faz parte do processo dinâmico e integrado de produção, tem capacidade para receber e atracar dois navios a mesmo tempo, visando dar flexibilidade às etapas de carregamento de navios, que podem ocorrer a qualquer momento fora do horário comercial, em finais de semana e feriados e está sujeito a condições do tempo, de maré e características próprias dos navios. Dentre os principais serviços consumidos temse: . Contratação de serviços e aluguel de equipamentos Para algumas operações no píer, pode ocorrer que equipamentos da Samarco estejam indisponíveis ou sejam inadequados ou, ainda, que ela não possua os equipamentos necessários. Assim, para esses casos, se faz necessária à contratação de serviços e/ou aluguel de equipamentos, como exemplos, serviços de rebocador e portuários para atracagem de navios e/ou locação de rebocadores, locação de dragas para serviços de manutenção do píer, etc. Todos esses serviços são essenciais para as operações de carregamento, pois visam otimizar o tempo dos carregamentos e, por consequência, todo o processo produtivo da Samarco, garantindo a segurança das embarcações, tripulantes e trabalhadores, de toda estrutura e operação do píer e permitindo que a Samarco possa exportar seus produtos. Como visto, a locação de máquinas, equipamentos e veículos é imprescindível para a atividade produtiva de recorrente, sendo lícito o crédito. A própria legislação permite tal creditamento, conforme expressamente disposto nas Leis 10637/2002 e 10833/03): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;" Da Câmara Superior de Recursos Fiscais, destaco os seguintes precedentes que vão ao encontro da tese da recorrente: "Asunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.No caso julgado, são exemplos de insumos: serviços de decapeamento, de lavra, de locação, serviços de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim), óleo diesel e o óleo combustível tipo ABPF. (Processo 13204.000114/200447; Acórdão Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 25 24 9303005.629; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 19/09/2017) (destaque nosso) Do voto condutor, ressalto: "Sobre os dispêndios com a locação de equipamentos empregados na produção (extração do minério), a própria RFB já a entende cabível o creditamento, conforme dispôs na Solução de Consulta Cosit nº 2, de 14 de janeiro de 2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. UTILIZAÇÃO NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. IMÓVEL LOCADO PARA ALOJAMENTO DE TRABALHADORES EM LOCALIDADE ONDE A PESSOA JURÍDICA NÃO POSSUI SEDE OU FILIAL. As despesas relativas a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos admitem a apuração de créditos para os fins previstos no art. 3o , IV da Lei nº 10.833, de 2003, desde que atendidos todos os requisitos normativos e legais, entre eles, o de serem efetivamente utilizados nas atividades da empresa. Para tanto, é irrelevante se a locação e a utilização dos bens se dão em localidade onde a pessoa jurídica possua sede ou filial." (destaque do original) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. INSUMOS. GASTOS COM COMBUSTÍVEIS .Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. REMOÇÃO DE REJEITOS / RESÍDUOS NA MINERAÇÃO. ATIVIDADE DA EMPRESA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Cabe a constituição de crédito da COFINS nãocumulativa sobre os valores relativos as despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, utilizados na atividade da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, por força do art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/03." (Processo 10680.724278/200964. Acórdão 9303005.288; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; sessão de 22/06/2017) Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 26 25 Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito aos créditos relacionados às locações de veículos, máquinas e equipamentos. Locação de Dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários Novamente, possui razão a recorrente em seu pleito. A decisão recorrida assim anota: "Como já explicitado no item anterior (sobre aluguel de veículos), os créditos relacionados a despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, não podem ser entendidos de forma ampla e irrestrita. Tais equipamentos precisam ser utilizados nas atividades da empresa, no caso, de mineração. Assim, no que diz respeito às despesas de locação ou afretamento aqui tratadas, tiveram como objeto embarcação, dragas, e reboques, o que, por si só, já implica em outro tipo de utilidade, que não a de servir à extração ou industrialização do minério, mas de seu transporte. Desta forma, não poderiam tais despesas terem seus créditos descontados, nos termos no referido dispositivo legal. (...) Somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as essas despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Desta forma, seria preciso ficar caracterizado que a contribuinte exerceu atividade de transporte e navegação, inclusive auferindo receitas na prestação desses serviços, de forma que pudesse aproveitar os créditos relativos aos serviços constantes nas planilhas 20, 21 e 22 , que fossem essenciais ao exercício dessa atividade. Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de atestar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou se nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa. Para tanto, necessário se faz que a interessada mantenha escrituração efetuada de forma individualizada, acompanhada dos documentos que lhe dêem suporte, que permitam a correta distinção entre as despesas vinculadas à exportação de minério e as despesas vinculadas aos serviços de transporte e navegação prestados a terceiros, inclusive com a comprovação das receitas auferidas em função da atividade portuária mencionada. Por fim, há ainda a alegação da empresa de que as dragas locadas não foram utilizadas somente nas atividades do porto, mas também na própria mineração, em Mariana/MG. Nas notas fiscais apontadas pela reclamante, os serviços discriminados se referem a drenagem e bombeamento de águas da barragem de Fundão. Ora, a barragem é o local onde são depositados e tratados os rejeitos industriais e, portanto, embora imprescindível para a atividade de produção do minério, não se confunde com a atividade de produção, não podendo os serviços nela empregados serem considerados como “insumos” para a produção de minério." Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 27 26 A decisão merece ser reformada. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações de dragas e reboques. Também, dão direito ao crédito os serviços relacionados ao porto, por serem essenciais a atividade da recorrente O laudo da empresa MiningMath Associates pontua a essencialidade de tais serviços para a consecução das atividades da recorrente. As dragas locadas foram utilizadas na atividade denominada no laudo como "bacias de polpa" assim descrita: Bacias de polpa (item 4, subitem 4.7, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco) são bacias existentes, dentro da unidade de Ubu, para recebimento de polpa. Tem também a função de proteger a operação em casos de emergência, como exemplos, queda de energia elétrica, paradas nas usinas, quebra de equipamentos que causem parada de produção, etc. Em tal atividade é insumido o serviço de locação de dragas. Já em relação às locações de reboque, serviços portuários e de rebocador, também é de se prover o recurso. Consta do laudo referido: Dos pátios de estocagem as pelotas são retiradas por retomadoras de roda de caçambas e enviadas por transportadores de correia até o terminal marítimo próprio, para clientes em todo o mundo. No porto (item 6, mostrado na figura 1 ilustração do processo produtivo da Samarco), localizado em Ponta Ubu, em Anchieta (ES), a Samarco possui um píer com 313 metros de comprimento, dois berços de atracação e profundidade de até 18,7 metros, com capacidade para receber embarcações de até 308 metros de comprimento e cargas de até 210 mil toneladas. Denotase, então, preenchido o requisito da essencialidade para que faça jus a recorrente ao seu pleito. Desta forma, dou provimento ao recurso. Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. Os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos estão vinculados ao processo produtivo da recorrente e por isso lhe dão o direito ao creditamento. No caso específico, nas atividades produtivas desenvolvidas pela recorrente, a necessidade de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos são indissociáveis do seu processo produtivo, ou seja, são intrínsecos à atividade produtiva, a limpeza, recolhimento e transporte de Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 28 27 rejeitos, pois sem isso, inclusive prejuízos de orcem ambiental podem ser gerados. Dos argumentos da recorrente, destaco: Como já foi visto, o minério de ferro passa por diversos subprocessos durante a sua produção. Tais mecanismos possuem sistemas de perdas indesejadas, contudo não são 100% eficazes ao ponto de evitar o escape de material. Estas perdas acabam ficando acumuladas no chão ou depositadas nos equipamentos e, com o passar do tempo, passam a atrapalhar o próprio funcionamento do maquinário. Dessa feira, a limpeza industrial ganha vital importância na medida em que evita o acúmulo desses resíduos e possibilita a sua reutilização no processo produtivo. Aqui é preciso deixar claro que o resíduo não é descartado após a limpeza, mas sim é reinserido no processo produtivo da Recorrente. Foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como indispensáveis ao processo produtivo os serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais acolhe a tese da recorrente, conforme decisão a seguir reproduzida: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e serviços de remoção de rejeitos industriais. Recurso Especial do Procurador negado" (Processo 10280.722549/2011 74; Acórdão 9303004.657; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; Sessão de 15/02/2017) (destaque nosso) Em recente julgado proferido no processo 15504.724365/201271, que tratava da atividade de mineração, por maioria de votos, foi dado provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vejamos: "Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para reverter a glosa em relação aos serviços de tratamento de resíduos industriais e serviços de transporte de resíduos industriais. Vencido o Conselheiro Jorge Freire. Designada redatora a Conselheira Thais de Laurentiis para o voto vencedor." Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 29 28 Outras decisões do CARF são favoráveis à recorrente: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. (...)" (Processo 10280.722549/201174; Acórdão 3403002.765; Relator Conselheiro IVAN ALLEGRETTI; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITOS DE ICMS CEDIDOS A TERCEIROS. NÃO INCIDÊNCIA. RE 606.107/RSRG. Não incidem a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS sobre créditos de ICMS cedidos a terceiros, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 606.107/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais. (...)." (Processo 11065.001083/2009 62; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (nosso destaque) Assim, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos. Fl. 1884DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 30 29 Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços empregados na produção de minério. A decisão recorrida afirma: "Nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, constantes na(s) Nota(s) Fiscal(ais) apresentada(s), são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade. Portanto, estão corretos os fundamentos utilizados pela fiscalização para glosar esses créditos." O decisum merece reforma. Tais serviços são necessários e indispensáveis na atividade da recorrente, o que lhe garante o direito ao creditamento. Na atividade desenvolvida pela recorrente não há como se processar a extração de minério sem a realização dos serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Novamente, importante repisar os argumentos da recorrente: Novo engano: no processo integrado, as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estará comprometido. A nota fiscal em anexo expedida pela empresa PCM Processamento e Caracterização Mineral Ltda, localizada no município de Ouro Preto/MG, traz em seu corpo todos os serviços prestados, o que comprova a irregularidade da autuação (...). (...) Quanto ao tratamento de efluentes, temos exigência legal que não pode ser ignorada. De um lado, a legislação ambiental diz que isso é essencial e obrigatório e a legislação tributária diz que não é essencial e sim dispensável? Está claro que serviços de topografia, operação de efluentes,serviços de drenagem, análises físicas e químicas são essenciais à atividade de recorrente. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, em relação ao tema e envolvendo empresa mineradora, assim tem decidido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 31 30 passivo. No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos. (...)" (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira TATIANA MIDORI MIGIYAMA; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) No mesmo sentido: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, que sejam neles empregados direta ou indiretamente. Os gastos com a contratação de serviços de prospecção, sondagens e de geologia guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra de minérios e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados." (Processo 16682.720441/201281; Acórdão 3402002.669; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 24/02/2015) (nosso destaque) Assim, considerando a atividade da recorrente, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário no que diz respeito ao item serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias Mais uma vez, com razão a recorrente. Para evitar o enfado, adoto como fundamento decisório, a jurisprudência do CARF que se amolda ao caso. Cito os seguintes precedentes: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 (...) NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros." (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302004.821; Fl. 1886DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 32 31 Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; Sessão de 24/10/2017). "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 30/06/2010 .NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins nãocumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. (...)" (Processo 19515.720304/201267; Acórdão 3302 004.821; Relatora Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar; sessão de 24/10/2017) Importante, também, o consignado pelo Conselheiro Valcir Gassen no processo 10972.000033/200962: "Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no Laudo de Funcionalidade elaborado pela requerente (fls. 445 a 586 processo n° 13.646.000183/200451) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.833/03, que assim dispõe: 'Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;' Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema." Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 33 32 Ora, se o entendimento perfilhado nos acórdãos referidos admitem os créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros, nada mais justo que, de igual modo, seja reconhecido o direito pelo serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias que geram a energia elétrica indispensável à recorrente. Assim, dou provimento ao recurso neste tópico. Serviços relacionados à manutenção civil Em relação a tal tópico comungo com o entendimento da recorrente. As barragens da recorrente são indissociáveis do seu processo produtivo de mineração, pois sem elas é impossível efetuar o beneficiamento do minério de ferro. O mesmo se aplica aos demais itens deste tópico, como por exemplo, desassoreamento, manutenção mecânica e paradas técnicas. Como alegado pela recorrente as benfeitorias foram realizadas em imóvel de sua propriedade e essencial à sua atividade produtiva. Não há como a empresa operar se não efetuar serviços de construção civil, como por exemplo, na barragem de rejeitos, barragem da captação de água, barragem, Assim, considerando a complexidade das atividades da empresa e por todo o exposto na presente decisão é de se prover o recurso neste tópico, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Combustíveis Mais uma vez, com razão a recorrente. A decisão recorrida, data venia, de modo equivocado, limitou a apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, afirmando ser possível ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Considerando a atividade produtiva de recorrente os combustíveis consumidos nos veículos utilizados na mina geram crédito em seu favor. O CARF assim tem decidido de modo reiterado, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 34 33 O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos os combustíveis utilizados em caminhões da empresa para transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos, e as despesas de remoção de resíduos industriais." (Processo 11065.001083/200962; Acórdão 3403002.783; Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan; Sessão de 25/02/2014) (destaque nosso). "COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NOS SETORES PRODUTIVOS Constatado que os combustíveis e lubrificantes são utilizados no processo fabril, eis que direcionados aos equipamentos de fabricação das rações balanceadas para as aves, ao sistema de comedouros, às campânulas de aquecimento ou às máquinas de aquecimento, aos motores de ventilação, dentre outros, é de se impor a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com os referidos combustíveis e lubrificantes. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de conserto de motores elétricos, de aferição de balanças, de lavagem de veículos, de pá carregadeira, de retroescavadeira, mecânicos, de recapagem de pneus, de assistência técnica em veículos, de aferição elétrica de troca de rolamentos e de conserto de motor utilizados diretamente no processo produtivo devem ser considerados serviços essenciais à atividade do sujeito passivo, gerando direito a constituição de crédito das contribuições ao PIS e à Cofins." (Processo 10935.004861/201050; Acórdão 9303005.679; Relator Conselheiro Demes Brito, sessão de 19/09/2017) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. MINERAÇÃO. INSUMOS. Cabe a constituição de crédito do PIS/Pasep nãocumulativo sobre os valores relativos as despesas com bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na produção da empresa atividade de extração mineral, incluindo a etapa de remoção de rejeitos / resíduos, em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo.No caso vertente, é de se constituir, por conseguinte, o r. crédito sobre os serviços de remoção de camada vegetal, trator de esteira para depósito de estéril, análise e testes em laboratório, escavação de estéril, remoção de rejeito, escavação e carga, serviços auxiliares de deslocamento, raspagem e transporte do solo, transporte de estéril, serviços auxiliares de desmatamento e desmatamento/destocamento, bem assim os gastos com óleo diesel consumido na escavação de estéril, transporte de estéril e escavação e carga de rejeitos." (Processo 10680.724275/200921; Acórdão 9303005.287; Relatora Conselheira Tatiana Midori Migiyama; Sessão de 22/06/2017) (destaque nosso) Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 35 34 "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA.CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO. COMBUSTÍVEIS E SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição não cumulativa em relação às aquisições de insumos como por exemplo óleo BPF, o carvão energético, o ácido sulfúrico, o inibidor de corrosão e os serviços de transporte de rejeitos industriais por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina)." (Processo 10280.004605/200628; Acórdão 3301003.654; Relator Conselheiro Valcir Gassen; sessão de 24/05/2017) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo 12893.000363/200882; Acórdão 3302004.628; Conselheiro Relator Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 27/07/2017) Assim, dou provimento ao recurso neste tópico, ressaltando, ainda, que deve a unidade de origem proceder à correta recomposição do crédito. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Por fim, esclareço no que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10680.901865/201289 Acórdão n.º 3201003.321 S3C2T1 Fl. 36 35 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, a turma decidiu por dar provimento parcial ao recurso para manter o direito ao creditamento da recorrente em relação ao PIS, referente a (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. No que tange aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos, devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1891DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.006434/2009-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005
INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ANTINOMIA.
A denúncia espontânea da infração não exclui a responsabilidade quando a penalidade tem por objeto a própria conduta extemporânea do administrado, materializada no cumprimento a destempo da obrigação de fazer.
Aplica-se a multa prevista em lei à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga, quando deixarem de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a informação tenha sido prestada antes do início de qualquer procedimento fiscal.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. PRAZO. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
Em se tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/10 para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008.
Numero da decisão: 9303-006.336
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos, que conheceram parcialmente do recurso, apenas em relação à retroatividade benigna quanto ao prazo para apresentação das informações. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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PRAZO. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO. TIPIFICAÇÃO LEGAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ANTINOMIA. A denúncia espontânea da infração não exclui a responsabilidade quando a penalidade tem por objeto a própria conduta extemporânea do administrado, materializada no cumprimento a destempo da obrigação de fazer. Aplicase a multa prevista em lei à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga, quando deixarem de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a informação tenha sido prestada antes do início de qualquer procedimento fiscal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. PRAZO. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Em se tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/10 para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora) e Érika Costa Camargos, que conheceram parcialmente do recurso, apenas em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 64 34 /2 00 9- 67 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 3 2 relação à retroatividade benigna quanto ao prazo para apresentação das informações. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3801005.338, da 1ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário reconhecendose o instituto da denúncia espontânea, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do DecretoLei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. ” Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 4 3 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Como não houve expressa disposição de lei, nem lei expressamente interpretativa, nem regulação de penalidades, então não há retroatividade; · Houve tão somente alteração de prazo para o cumprimento de obrigação acessória, cuja inobservância continua sendo punida com a mesma pena; · Foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”; · O descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, a informação sobre as cargas transportadas passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei no 37/1966. Em Despacho às fls. 141 a 145, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação às seguintes discussões: · Retroatividade benigna quanto ao prazo para apresentação das informações; · Da denúncia espontânea. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido, pois não aborda o cerne de forma objetiva e não indica os paradigmas sobre a matéria em debate; · A denúncia espontânea passou a ter previsão expressa no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, mesmo diploma legal em que previstas as multas administrativas aduaneiras, sendo esta denúncia espontânea administrativa totalmente independente do art. 138 do CTN. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que o recurso deve ser conhecido parcialmente, vez que não atende aos pressupostos de admissibilidade em relação à discussão acerca do instituto da denúncia espontânea. O que somente conheço do recurso na parte que traz a discussão acerca da retroatividade benigna quanto ao prazo para apresentação das informações. Para melhor elucidar meu entendimento, tenho que, no que tange à discussão acerca da aplicação ou não do instituto da denúncia espontânea ao presente caso, os acórdãos indicados como paradigma não serviram para comprovar a divergência prevista no art. 67 do RICARF/2015. Vêse que, quanto ao primeiro acórdão indicado como paradigma – a de nº 0305.339, esse já havia sido objeto de apreciação em Despacho de Admissibilidade de Recurso constante do processo 10715.008227/200947, não tendo sido admitido, por correto, considerando se tratar de outra situação fática, bem como discussão de outra fundamentação. Peço vênia para transcrever a parte que concordo do r. Despacho: “[...] O primeiro acórdão não serve como paradigma, porque trata de aplicação de penalidade por infração ao controle administrativo das importações (falta de Guia de Importação GI) e se refere a julgamento realizado antes da vigência da nova redação dada ao no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, pela Lei 12.350/2010. Portanto, como diz respeito à legislação e circunstâncias fáticas diferentes das do acórdão recorrido, o acórdão nº CSRF/0305.339 não atende as condições exigidas no art. 67 do Anexo II do RICARF para fim de comprovação do alegado dissenso jurisprudencial. [...]” Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 6 5 Tal como dito em Despacho, o primeiro acórdão indicado como paradigma – de nº 0305.339 trata de situação diversa da tratada nos autos. O que podemos inferir tal entendimento considerando apenas a ementa desse acórdão: “Acórdão 0305.339 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E MULTA DE OFÍCIO. O lançamento dos tributos e da correspondente multa de ofício, com base na falta de guia de importação, não pode prosperar, já que neste caso a legislação prevê a imputação da multa administrativa do artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91.030/1985). MULTA POR FALTA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea se após o início do despacho aduaneiro e em caso de multa por descumprimento de obrigação formal.” Proveitoso trazer também parte relatada no acórdão indicado como paradigma: “[...] A empresa foi autuada em virtude de infração verificada na operação de importação lastreada na Dl n2 003868/96 (GI n2 001096/0161942). Segundo o auto de infração, a recorrente solicitou o desembaraço da mercadoria "formulário em bloco tipo `Manifold', formulário continuo de papel com dizeres impressos 240mm x 11 polegadas em caixas com 3.000 folhas", classificando a no código NCM/SH 4820.40.00", pleiteando a aplicação de aliquota zero para o imposto de importação, com base no Decreto n2 550/92 MERCOSUL. A fiscalização, entendendo que a mercadoria importada era "formulário contínuo (folha simples) para impressora de micro", classificoua no código NCWSH 4820.90.00 e efetuou o lançamento para cobrança do II à aliquota normal, acrescido da multa de 100% de que trata o artigo 42, inciso I, da Lei n 2 8.218/91, por declaração inexata, da multa de Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 7 6 30% sobre o valor da mercadoria, prevista no artigo 526, inciso II, do RA, bem como juros de mora.[...]” Sendo assim, resta claro que o primeiro acórdão não serve como paradigma, por tratar de situações diferentes, eis que se refere a aplicação de penalidade por infração ao controle administrativo das importações – falta de GI. Quanto ao segundo acórdão indicado como paradigma – a de nº 3802001.129, vêse que EM NENHUM MOMENTO NAQUELE ACÓRDÃO FOI DISCUTIDO O ART. 102, §2º do DECRETOLEI 37/66 E TAMPOUCO A APLICAÇÃO RETROATIVA DESSE DISPOSITIVO. Apenas foi trazido como fundamento o art. 138 do CTN – outro dispositivo legal – diferente do dispositivo tratado nos autos desse processo. Nos termos do art. 67, do RICARF/2015, temos (Grifos meus): “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. [...]” Considerando que o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66 nem foi aventada no acórdão indicado como paradigma, não há como se conhecer o recurso especial, eis que não houve demonstração de interpretação divergente frente ao mesmo dispositivo. Diante do exposto, não conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional nessa parte. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 8 7 Relativamente à outra discussão trazida em Recurso – qual seja, retroatividade benigna quanto ao prazo para apresentação das informações, importante recordar parte do voto vencedor do acórdão recorrido: “[...] Revendo o texto dos dispositivos legais mencionados, a redação do art. 37 da IN SRF 28/1994 dizia que o transportador deveria cumprir com suas obrigações acessórias “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”; com o advento da IN SRF nº 510/2005, passou de imediatamente após para “no prazo de dois dias”; e através da IN SRF nº 1.096/2010 passou para “no prazo de 7 (sete) dias”. Portanto, para todos os casos em que o registro no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria se deu no prazo de 7 (sete) dias contados da data de realização do embarque, por unanimidade dos Conselheiros foi aceita a retroatividade benigna com base no art. 106, inciso II, “b”, do CTN, cancelando a penalidade imposta. Por outro lado restaram os casos em que as informações sobre o embarque da mercadoria, ultrapassaram o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes de qualquer iniciativa do fisco para a lavratura do auto de infração. [...] Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. [...] Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo que deva ser cancelada toda a parte remanescente do ato fiscal, correspondente aos casos em que foi ultrapassado o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes da lavratura do presente auto de infração.” Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 9 8 Sendo assim, vêse que a decisão recorrida contemplou a aplicação do instituto da retroatividade benigna para adotar como prazo de 7 dias para informações sobre o embarque de mercadoria – observandose para o presente caso retroativamente a IN 1096/2010. O acórdão nº 3202000.544 indicado como paradigma entendeu de forma divergente, conforme claramente consignado em ementa: “[...] LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INAPLICABILIDADE DO PRAZO PREVISTO NA IN/RFB Nº 1.096/2010 POR FORÇA DA RETROATIVIDADE BENIGNA PREVISTA NO ART 106, II, DO CTN. Para registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria, é incabível a aplicação retroativa do novo prazo estabelecido na IN/RFB nº 1.096/10, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, do CTN, visto que a nova normativa não deixou de tratar como infração o registro extemporâneo dos dados, não cominou à conduta infracional penalidade menos severa, nem deixou de tratar a conduta do transportador como contrária a qualquer exigência.” Sendo assim, quanto à essa discussão entendo que o recurso deva ser conhecido. Considerando que essa conselheira restou vencida em relação à proposta de conhecimento parcial do recurso, tendo a maioria do colegiado manifestado entendimento pelo conhecimento integral do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, passo a discorrer sobre a lide principal – qual seja, aplicação ou não da denúncia espontânea com o intuito de se afastar a multa por falta de cumprimento de obrigação acessória, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 10 9 Eis que a denúncia espontânea em matéria aduaneira se encontra positivada no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683 § 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6759/2009). Para melhor elucidar, trago síntese cronológica do art. 102 do DecretoLei 37/66 – que trata da denúncia espontânea no âmbito aduaneiro. Antes do advento da MP 497/10, vêse que o § 2º do art. 102 era taxativo ao prescrever que a denúncia espontânea excluía apenas as penalidades de natureza tributária (Grifos meus): “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui somente as penalidades de natureza tributária. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” Com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária, in verbis (Grifos meus): “Art.102 – A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 11 10 DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Com tal dispositivo, a denúncia espontânea passou a ser aplicada para as penalidades de natureza administrativa, salvo as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. Ademais, quanto à intenção do legislador ao trazer a menção à penalidade administrativa quando da aplicação da denúncia espontânea, importante reproduzir a Exposição de Motivos daquela MP 497/10 (Grifos meus): “[...] 40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. (…) 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” Nesse ínterim, cumpre destacar ainda que para que a exclusão da responsabilidade ocorra devese observar se não houve início de procedimento fiscal, mediante ato de ofício, tendente a apurar a infração ou o cumprimento da obrigação acessória aduaneira. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 12 11 Sendo assim, considerando o caso vertente, em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali é de se aplicar o art. 102, §2º, do DecretoLei 37/66 com a redação dada pela MP 497/10 (convertida na Lei 12.350/10 – que manteve a mesma redação) para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Ademais, cabe trazer que o Direito aduaneiro é considerado autônomo, inclusive porque se originam de fontes peculiares – tais como, acordos e tratados internacionais, códigos e regulamentos aduaneiros, ainda que tenha dependência com outros ramos de direito. As relações jurídicas observam as peculiaridades de regimes próprios, ainda que envolva outros ramos científicos. Sendo assim, podese considerar que deve observar um regramento especial – tal como o que preceitua o art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66. Não há como ignorar a redação do art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010, que exclui “expressamente” a penalidade da multa administrativa pelos efeitos da denúncia espontânea. Digo “expressamente”, pois, ao meu sentir, não há como “interpretála” ou “interpretála restritivamente”, vez trazer claramente que o instituto da denúncia espontânea afasta toda a penalidade pecuniária de natureza administrativa sem ao menos ressalvar hipóteses excludentes. Nos termos do art. 5º, inciso II, da CF/88, temos que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei – ou seja, somente a lei poderá criar, entre outros, vedações. O que, por conseguinte, entender que a norma em questão seria “expressa” reflete o respeito ao Princípio da Legalidade. Caso o legislador da Lei 12.350/2010, que alterou o art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66, incluindo no campo de alcance da aplicação do instituto da denúncia espontânea, tivesse a pretensão de se excluir as hipóteses de entrega de obrigações acessórias aduaneiras a destempo, deveria ter trazido tal vedação de forma expressa, promovendo ao sujeito passivo a segurança jurídica que tanto merece. Não obstante a isso, vêse que apenas incluiu o termo penalidade de natureza Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 13 12 administrativa e ainda esclareceu na exposição de motivos que o instituto da denúncia espontânea alcança “toda” penalidade pecuniária. Ademais, ignorar o dispositivo de lei, sem ao menos, ter sido declarado inconstitucional, traria insegurança jurídica aos sujeitos passivos que observam o disposto na lei, além de ferir a regra trazida pelo art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, in verbis (Grifos meus): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...]” Quanto à aplicação do disposto no art. 102, § 2º do DecretoLei 37/66 aos períodos anteriores à sua vinda no ordenamento jurídico, entendo ser plenamente aplicável o instituto da retroatividade benigna – tal como estabelece o art. 106 do Código Tributário Nacional: "Art. 106 . A lei aplica se a ato o u fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática ". Sendo assim, verificase a subsunção do caso concreto à norma referendada. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 14 13 Ora, com a aplicação do instituto da retroatividade benigna, no caso vertente, há de ser afastada a aplicação da multa pela entrega a destempo da obrigação acessória aduaneira. Ainda em respeito ao princípio da especialidade – lex specialis derogat legi generali, não mais aplico, por analogia, a Súmula CARF 49, eis que, ainda que tenha como fundamento original o art. 138 do CTN, trata especificamente da entrega a destempo de DCTF, e não da obrigação acessória aduaneira. Essa última possui regra especial tratada expressamente no art. 102, §2º do Decretolei nº 37/66, conferida pela Lei 12.350/2010. Ademais, quanto à Súmula CARF nº 49 que traz que "a denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração", entendo que deva ainda sua aplicabilidade ser afastada no presente caso (obrigação acessória aduaneira), pois as decisões reiteradas e uniformes que consubstanciaram a referida súmula se deu anteriormente à edição da MP 497/2010. O que, por conseguinte, não há que se falar em obrigatoriedade de os conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais observarem a referida súmula no presente caso, invocando equivocadamente o caput do art. 72, Anexo II, do RICARF/2015 (Portaria MF 343/2015). Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional nessa parte. Quanto à outra discussão, ainda que tenha considerada a aplicação da denúncia espontânea, o que restaria prejudicada a segunda questão – qual seja, adoção ou não da retroatividade benigna da IN 1096/2010 para aplicação do prazo de 7 dias para o cumprimento da obrigação acessória ora discutida, conforme reza o art. 106, inciso II, “b”, do CTN, entendo ser viável refletir o entendimento, vez que a matéria foi conhecida e, em votação, o Colegiado poderia avançar para essa discussão, caso entenda pela não adoção da denúncia espontânea. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 15 14 Assim, passo a segunda discussão. Como consta dos autos, o presente caso trata da exigência da multa disposta no art. 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei 37/66 – com as alterações da Lei 10.833/03, in verbis: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e [...]” Vêse que o art. 107, inciso IV, alínea “e” promoveu à Receita Federal do Brasil a especificação da forma e prazo que os sujeitos passivos deveriam observar para o fornecimento de informações sobre veículo e carga transportada. Temse, então, que a Receita Federal publicou a IN 28/94 – que disciplinou o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação. Tal IN trouxe, entre outros, o art. 37 (Grifos meus): “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos.” Esse dispositivo contemplando como prazo o termo “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria” ressurgiu com a discussão sobre o prazo que estaria abrangido pelo termo “imediatamente”, trazendo insegurança e subjetividade na aplicação desse dispositivo. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 16 15 Considerando tal subjetividade, houve várias discussões em torno desse termo, tendo sido definido pela antiga 2ª turma ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção a tese encartada pela ilustre ex conselheira Irene Souza da Trindade de que a “expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF no 28/1994, traduz subjetividade e não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser passível de aplicação somente em relação a fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.” Nesse ínterim, compartilho desse entendimento. Ou seja, até 15.2.05, data em que a IN SRF 510/05 entrou em vigor, não haveria como se aplicar qualquer prazo para o sujeito passivo observar para o cumprimento da obrigação acessória, eis que o termo “imediatamente após o embarque” está eivado de subjetividade, não podendo impor ao sujeito passivo interpretações abstratas para se exigir a multa em discussão. Não obstante, quanto ao prazo a ser observado em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 15.2.05, entendo que não se deve aplicar o prazo que essa IN definiu (dois dias), mas sim a mais benéfica que veio posteriormente com a IN SRF 1.086/10, in verbis: “Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque.” Cabe a aplicação retroativa do prazo de 7 dias trazida pela IN SRF 1.086/2010, alcançando os fatos geradores ocorridos a partir de 15.2.05, pela aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 17 16 II – tratandose de ato não definitivamente julgado; [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.” Considerando que o prazo se dilatou por conta das instruções normativas, é de se aplicar o prazo de 7 dias para o cumprimento da obrigação acessória a partir de 15.2.05. Sendo assim, tendo em vista somente as questões de direito postas no recurso, voto por negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda nessa parte. Restaria, assim, somente aplicar esse entendimento, considerando as datas de embarque e o prazo que foi considerado em cada evento. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Conhecimento do Recurso Especial Embora as pertinentes considerações feitas pela i. Relatora do processo, me permito dela divergir em relação ao conhecimento do recurso na parte em que trata da denúncia espontânea da infração. É que, ainda que certas particularidades dos casos retratados no recorrido e nos paradigma não sejam idênticas, não tenho dúvidas de que o acórdão paradigma nº 3802001.128 enfrentou explicitamente a questão da aplicação do instituto da espontaneidade nos casos de infrações por descumprimento de prazo e chegou a conclusão que a iniciativa do contribuinte, nesses casos, não afastava a responsabilidade pela infração, se não vejamos. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 18 17 No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação do registro de embarque. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada. Admitir a denúncia espontânea no caso em tela seria transformar esse instituto em instrumento de permissibilidade para infrações referentes a obrigações acessórias, já que o simples cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização), não o levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do sujeito passivo em reconhecer seu erro e buscar retificálo, incentivaria o atraso no cumprimento das obrigações acessórias. Por esse motivo, conheço do recurso também nesse particular. Mérito A matéria objeto dos autos é de amplo conhecimento deste Colegiado. Como já me manifestei em outras ocasiões, trilhando o mesmo caminho escolhido nos autos do processo nº 10283.002493/200993, acórdão nº 9303003.559, da relatoria do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho, pela maestria como aborda a matéria, adoto, mais uma vez, os fundamentos declinados no voto do i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, em decisão tomada no processo nº processo 11128.002765/200749, acórdão 380200.568, datado de 05 de julho de 2011, a seguir reproduzido. Do instituto da denúncia espontânea no âmbito da legislação aduaneira: condição necessária. É de fácil ilação que o objetivo da norma em destaque é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações relativas ao descumprimento das obrigações de natureza tributária e administrativa. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 19 18 operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Nesse sentido, resta evidente que é condição necessária para a aplicação do instituto da denúncia espontânea que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator, em outros termos, é elemento essencial da presente excludente de responsabilidade que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, com base no teor do art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações, está claro que as impossibilidades de aplicação do referido instituto podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. São dessa última modalidade todas as infrações que têm, no núcleo do tipo, o atraso no cumprimento da conduta imposta como sendo o elemento determinante da materialização da infração. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 20 19 dados do embarque da carga transportado em veículo de transporte internacional de carga. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar a informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação da informação intempestivamente materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a prestação da informação fora do prazo estabelecido, porém antes do início do procedimento fiscal, realizando o cumprimento da obrigação, mediante a denúncia espontânea, com exclusão da responsabilidade pela infração. (...) Logo, no caso em destaque, se o registro da informação a destempo materializou a infração tipificada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, não pode ser considerada, simultaneamente, como uma conduta realizadora da denunciação espontânea da mesma infração. De fato, se a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque materializa a conduta típica da infração sancionada com a penalidade pecuniária objeto da presente autuação, em consequência, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que a conduta que materializasse a infração fosse, ao mesmo tempo, a conduta que concretizasse a denúncia espontânea da mesma infração. No caso em apreço, se admitida pretensão da Recorrente, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da mencionada infração nunca resultaria na cobrança da referida multa, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, simultaneamente, a conduta que representativa da denúncia espontânea. Em consequência, tornarseia impossível a imposição da multa sancionadora da dita conduta, ou seja, Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 21 20 existiria a infração, mas a multa fixada para sancionála não poderia ser cobrada por força da exclusão da responsabilidade do infrator. Tal hipótese, ao meu ver, representaria um contra senso do ponto de vista jurídico, retirando da prática da dita infração qualquer efeito punitivo. Nesse sentido, porém com base em fundamentos distintos, tem trilhado a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). II Agravo regimental improvido.(STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Os fundamentos da decisão apresentados pela E. Corte, foram basicamente os seguintes: (i) a inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária; e (ii) o descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com a devida vênia, tais argumentos não representam o melhor fundamento para a conclusão esposada pela E. Corte no referido julgado. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 22 21 No meu entendimento, para fim de definição dos efeitos do instituto da denúncia espontânea, é irrelevante a questão atinente à natureza intrínseca da multa tributária ou administrativa, isto é, se punitiva (ou sancionatória) ou indenizatória1 (ou ressarcitória), uma vez que toda penalidade pecuniária tem, necessariamente, natureza punitiva, pois decorre sempre da prática de um ato ilícito, consistente no descumprimento de um dever legal, enquanto que a indenização tem como pressuposto um dano causado ao patrimônio alheio, com ou sem culpa do agente. Essa questão, no meu entendimento, é irrelevante para definição do significado e alcance jurídicos da excludente da responsabilidade por denunciação espontânea em análise, seja no âmbito das penalidades tributárias ou administrativas. É consabido que todo ato ilícito previsto na legislação tributária e aduaneira configura, respectivamente, infração de natureza tributária ou aduaneira, independentemente dela decorrer do descumprimento de um dever de caráter formal (obrigação acessória) ou material (obrigação principal). Ademais, toda obrigação acessória tem vínculo indireto com o fato gerador da obrigação principal, instrumentalizandoo e, dessa forma, servindo de suporte para as atividades de controle da arrecadação e fiscalização dos tributos, conforme delineado no § 2º do art. 113 do CTN. No mesmo diapasão, destacase que a aplicação da retroatividade benigna do prazo estabelecido pela IN 1.096/2010 também já é matéria pacificada neste Colegiado. A despeito das opiniões particulares que se tenha acerca da aplicação a fatos pretéritos das dilações de prazo introduzidas pelas instruções normativas que alteraram a IN SRF 28/94, o fato é que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/082, admitiu tal possibilidade. Assim, não me parece que seja 1 A origem dessa discussão está na jurisprudência do C. STF (RE nº 79.625/SP) que tratou da natureza jurídica da multa moratória (se punitiva ou ressarcitória), quando julgou questões acerca da aplicação do art. 184 do CTN, que trata dos privilégios do crédito fiscal, no âmbito do processo de falência. Segundo o referido julgado, entendeu a Corte Suprema que a dita multa tinha natureza punitiva. 2 SCI COSIT nº 8, de 14/02/2008, verbis: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 23 22 razoável que este Conselho ignore a interpretação que o próprio Órgão autuante deu ao assunto, flagrantemente favorável ao administrado, ainda que, para uns ou outros, a retroação de prazos legais possa parecer indevida. E, de fato, uma vez que a Solução de Consulta tratase de um Ato Administrativo que vincula o quadro de servidores da RFB, deverá ser obrigatoriamente observada já na constituição do crédito tributário, ou, então, nos casos em que o crédito tenha sido constituído antes da edição da mesma, o auto de infração estará sempre sujeito a revisão. Isto posto, necessário acrescentar que, no caso concreto, a retroação dos prazos não tem qualquer efeito prático, pois todas as informações foram prestadas depois dos sete dias estabelecidos na IN 1.096/2010, ex vi tabela de efolha 11. O fato, aliás, já havia sido observado pelo i. Relator da decisão recorrida. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, sendo exoneradas as penalidades em que a prestação de informações ocorreu em prazo inferior, o que não se verifica no presente caso. “9. Observase que o art. 37, com a redação dada pela IN SRF no 510, de 2005, é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. O aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, excluiu de sanções os registros feitos depois de 24 horas e antes de dois dias, bem como os registros feitos depois das 24 horas e antes de 7 dias, na hipótese de embarque marítimo. A legislação tributária deixou de definir, como infração, o registro dos dados nesses intervalos de tempo, o que tornou a nova situação jurídica mais benéfica ao transportador, devendo, portanto, ser aplicada a retroatividade benigna disposta na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pois deixou de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10715.006434/200967 Acórdão n.º 9303006.336 CSRFT3 Fl. 24 23 Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e darlhe provimento, para afastar a aplicação da denúncia espontânea no caso concreto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001677/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Por tratar-se de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTOS SEM CAUSA. PRESUNÇÃO LEGAL. De acordo com o art. 61 da Lei 8.981/95, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for identificada a operação ou a causa, está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Trata-se de uma presunção legal, em que o ônus da prova é do sujeito passivo. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. O conjunto dos fatos constantes dos autos, levam à conclusão de que a fiscalização tem razão, em atribuir a responsabilidade solidária, de que trata o art. 124, I, do CTN ao responsável indicado, pois evidenciam que ele teve participação decisiva nos atos de gestão da Construtelmo.
Numero da decisão: 1402-000.853
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos, mantendo a atribuição da responsabilidade solidária ao Sr. Roberto Tessmann.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2076; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.001677/200621 Recurso nº 156.486 Voluntário Acórdão nº 140200.853 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ e outros Recorrente COMERCIAL E EMPREITEIRA CONSTRUTELMO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. Por tratarse de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo. IRRF. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PAGAMENTOS SEM CAUSA. PRESUNÇÃO LEGAL. De acordo com o art. 61 da Lei 8.981/95, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for identificada a operação ou a causa, está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Tratase de uma presunção legal, em que o ônus da prova é do sujeito passivo. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. O conjunto dos fatos constantes dos autos, levam à conclusão de que a fiscalização tem razão, em atribuir a responsabilidade solidária, de que trata o art. 124, I, do CTN ao responsável indicado, pois evidenciam que ele teve participação decisiva nos atos de gestão da Construtelmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 2 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos, mantendo a atribuição da responsabilidade solidária ao Sr. Roberto Tessmann. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório I – DA AUTUAÇÃO Tratase de lançamentos dos anoscalendário de 2001 a 2004 (Lucro Presumido) em razão das seguintes infrações: a) IRPJ, CSLL, PIS e COFINS: Omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários em conta mantida no Banrisul, cuja origem não corresponde ao que foi informado nos livros contábeis e em informações prestadas pela interessada (art. 25 e 42 da lei 9.430/96); aplicouse a multa de ofício de 75%, exceto em relação aos valores recebidos pela fiscalizada que comprovadamente tiveram como origem os cheques emitidos por empresas prestadoras de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo, e respectivos sócios (itens 5.4 e 5.5) em que foi aplicada a multa de 150%, por restar caracterizado o evidente intuito de fraude. b) IRRF: Existência de pagamentos sem causa a beneficiários não identificados ou cuja operação/causa não tenha sido comprovada, mediante o levantamento de cheques que não foram utilizados para suprir a conta caixa, pois foram compensados em contas de terceiros; sem qualquer justificativa ou comprovação; aplicouse a multa de ofício de 75%. Foi nomeado responsável solidário pelo crédito tributário, o Sr. Roberto Tessmann, com base no art. 124 do CTN, cujo AR com a comprovação da ciência não foi juntado aos autos. Consta no relatório da ação fiscal que a mesma foi iniciada em razão de requisição da Procuradoria da República no Rio Grande do Sul, tendo em vista a possível ocorrência de delitos contra a ordem tributária, envolvendo o Sr. Roberto Tessmann, ex Secretário de Planejamento da Prefeitura de Novo Hamburgo no período de 1997 a 2004, em investigação realizada pelo Ministério Público Estadual. Os trabalhos fiscais consistiram na verificação e análise, por amostragem, dos seguintes itens: origem e contabilização dos cheques depositados em conta corrente da fiscalizada, contabilização e destino dos cheques emitidos, verificação dos contratos de empreitada, custos, gastos e despesas efetuadas no decorrer dos anoscalendário. Consignou a fiscalização que o objetivo da sociedade conforme contrato social é o de indústria, comércio de artefatos de cimento, mão de obra em empreitada ou sub empreitada, em construção civil e calçamento de ruas. No endereço cadastral fornecido pela Construtelmo foi encontrada a sede do Supermercado Minuano, nome de fantasia da firma individual Nelci Oliveira de Moura. O local das atividades da Construtelmo é uma sala, dentro do referido supermercado, onde foram encontradas uma mesa e uma cadeira. Os bens dos sócios (Sr. Telmo e esposa) conforme DIRPF do anocalendário de 2000, consistiam, além da cota de capital na Construtelmo, uma chácara, um automóvel e uma motocicleta, cujo montante era de R$ 23.900,00.Após cinco anos, a DIRPF do ano Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 4 4 calendário de 2004 consigna a diminuição do patrimônio para R$ 20.586,75, o que denotaria seu modesto padrão de vida (fls. 13/25). A Construtelmo, segundo suas notas fiscais emitidas, teria prestado serviços, nos anos de 2001 a 2004, a diversas empresas privadas, tendo adotado o regime de tributação do lucro presumido. Até dezembro de 2001 era fornecedora de bens e serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo. Sua receita bruta informada e a movimentação financeira nesses anos estão inseridas na tabela abaixo: Anocalendário Receita Bruta nas DIPJ – R$ Movimentação financeira – R$ Omissão de receitas base de cálculo do lucro presumido – R$ 2001 591.416,11 1.244.045,18 293.707,93 (2º a 4º tri) 2002 309.955,88 978.111,89 460.659,64 2003 369.916,26 1.366.543,32 372.906,40 2004 77.325,25 503.362,01 244.783,87 A fiscalização verificou que grande parte dos depósitos bancários eram escriturados em seu livro Diário a débito da conta “Banrisul S/A” e a crédito da conta caixa, o que pressupõe que os valores depositados em cheque e/ou dinheiro em sua contacorrente, tiveram origem no próprio caixa da empresa, o que, não corresponde à verdade dos fatos. Por essa razão a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem de diversos depósitos bancários em cheque, efetuados em sua conta corrente no Banrisul. Informou a empresa, que os cheques se referiam a pagamentos efetuados por clientes, os quais efetuavam os pagamentos com cheques de terceiros. Assinalou a fiscalização que junto com os documentos que respaldam a contabilidade dessa empresa foi verificado a existência de várias guias de depósitos bancários, em que constava a inscrição a lápis: “Beto”, “Beto fez direto”, “Beto/Ribas”. Tendo em vista que a fiscalização identificou alguns dos emitentes dos cheques depositados na conta bancária da fiscalizada, a Construtelmo foi intimada, em 14.09.2005, a comprovar a origem dos cheques já elencados e depositados em sua conta corrente no Banrisul. Informou que a origem dos cheques se referem a serviços prestados para posterior ajuste e que, quando do ajuste foi omitida a emissão das notas fiscais de serviço. Por meio da quebra do sigilo bancário, a fiscalização obteve cópias de alguns cheques. Assim foi identificado que os cheques foram emitidos pelas empresas Ribas Construtuora, CC Pavimentadora Ltda, Construtora e Pavimentadora Pavicon Ltda e Comercial Empreiteira Fagundes Ltda, todas prestadoras de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo. Também foram identificados cheques emitidos pelo Sr. Jandir dos Santos Ribas e Cláudio de Moraes, sócios das empresas Ribas Construtora Ltda e CC Pavimentadora Ltda, respectivamente (os cheques estão relatados no item 5.4 do Termo). A empresa foi intimada a comprovar a origem de todos os depósitos efetuados e contabilizados a crédito da conta caixa, inclusive os já solicitados anteriormente. Informou a empresa que são depósitos referentes a receitas recebidas, de empréstimos efetuados junto a amigos para suprimento de caixa. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 5 5 Destacou a fiscalização que a contribuinte apresentou três versões diferentes para tentar justificar a origem dos depósitos. O que de fato teria ocorrido é que a fiscalizada, num momento anterior, debitava a conta caixa quando seus cheques eram emitidos, conforme item 3.3 do relatório. Ao mesmo tempo em que recebia recursos sem origem em sua conta bancária, entre eles muitos de fornecedores da Prefeitura de Novo Hamburgo, ela se desfazia destes recursos, por meio da emissão de cheques, os quais também não interessava identificar o beneficiário. Assim, para encobrir o que de fato ocorria, utilizava o expediente de debitar e creditar a conta caixa, de forma que a contabilidade fechasse pela soma de débitos e créditos. Exemplifica; (i) momento i: a fiscalizada emite nota fiscal de serviços e recebe os recursos. Contabilidade: credita a conta clientes e debita a conta banco (Banrisul); (ii) momento 2: A fiscalizada emite um cheque (para terceiros), contabilidade: credita a conta Banrisul e debita a conta caixa; (iii) momento 3: A fiscalizada recebe recurso depositado no banco, sem origem comprovada, contabilidade: debita a conta Banrisul e credita a conta caixa. Afirma a fiscalização que embora a empresa recebesse inúmeros recursos sem origem ao longo dos anos fiscalizados, estes recursos não permaneceram na empresa, nem beneficiaram seus sócios ou seu procurador, mas sim uma terceira pessoa que, sem aparecer, utilizou os recursos depositados na conta bancária da fiscalizada para construção de imóveis de contratos de empreitada. Ressaltou que a sistemática contábil praticada pela fiscalizada, particularmente no momento 2 (quando emite o cheque e debita a conta caixa), inflava artificialmente sua conta caixa, visto que a mesma mantinhase alta, conforme Razão, de fls. 447 a 484. Se a conta da fiscalizada fosse a constante do Razão, por quê pagaria juros por saldos bancários devedores no Banrisul, conforme provam seus extratos bancários e a contabilização da conta despesas bancárias de fls. 485/518?. Acrescenta que sempre que há recursos de sobra em sua conta bancária, aplicaos no mercado financeiro, conforme fazem prova os extratos de aplicações de fls. 519/527. Pergunta: Por quê não teria aplicado os valores que constaram na conta caixa? Diz que a resposta é simples: a empresa não possuía estes recursos em caixa. A verdadeira conta caixa ou seu saldo disponível era o saldo constante de sua conta bancária no Banrisul. Em razão dessas considerações e tendo em vista que a fiscalizada não conseguiu comprovar a efetiva origem dos depósitos bancários depositados em sua conta corrente no Banrisul, considerou os mesmos como omissão de receitas. Os lançamentos contábeis efetuados nos Livros Diário (cópia) constituem as fls. 189/446. Pagamentos sem causa a beneficiários não identificados A fiscalização afirma que no Livro Diário, grande parte dos cheques, emitidos por meio de sua contacorrente (20.000537.02) mantida no Banrisul, não identificava o efetivo beneficiário dos cheques, tendo o seguinte lançamento contábil: crédito da “conta Banrisul S/A e débito da “conta caixa”. Tal lançamento, sem identificação dos beneficiários, pressupõe que os cheques emitidos pela fiscalizada tiveram como destino o próprio caixa da empresa, porém todos os cheques foram compensados em conta de terceiros, o que impossibilita afirmar que tiveram como destino a conta “caixa”. A contribuinte foi intimada a apresentar cópia microfilmada dos cheques mais representativos, emitidos de sua conta corrente do Banrisul e identificar os beneficiários dos cheques compensados, tendo em vista que foram contabilizados a débito da conta caixa. A Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 6 6 empresa informou que apresentava em parte, as cópias microfilmadas dos cheques solicitados. Acrescentou na correspondência que “os referidos cheques foram utilizados para pagamento de fornecedores e outras operações financeiras realizadas pela empresa”. Depois apresentou novas cópias microfilmadas, onde mais uma vez informa o mesmo. Posteriormente, a empresa foi intimada a se pronunciar sobre outros cheques. A empresa informou que tratamse de cheques emitidos para pagamento de salários, fornecedores, prólabore, de despesas diversas e que não era possível lembrar o nome dos favorecidos. Tendo em vista que a fiscalizada, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a operação ou causa dos cheques emitidos da sua conta corrente, que comprovadamente não foram para a conta caixa da empresa, como quer fazer crer sua contabilidade, mas depositados em conta de terceiros, sendo compensados e identificados em planilha, considerou os mesmos como pagamentos sem causa a beneficiários não identificados. Anexo ao relatório, às fls. 1295 a 1305, consta demonstrativo contendo a identificação dos beneficiários dos recursos, obtidos mediante exame bancário. Cópia dos cheques emitidos integram as fls. 658/912 e cópias dos Livros Diário constituem as fls. 189/446. No item V do relatório de ação fiscal, são abordadas as relações da fiscalizada com a Termann Assessoria Empresarial Ltda e seu sócio majoritário, o sr. Roberto Tessmann. A fiscalização constatou que grande parte dos depósitos efetuados em sua conta bancária não eram decorrentes de serviços prestados, assim como, nem todos os cheques por ela emitidos se destinavam a pagamentos de fornecedores. O que teria ocorrido de fato, foram ingressos de recursos, normalmente em cheques, que a fiscalização identificou serem, em parte, de empresas prestadoras de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo, que beneficiaram o Sr Roberto Tessmann, que à época dos fatos eram Secretário de Planejamento daquela municipalidade. De acordo com a fiscalização, essa pessoa física é sócia majoritária da empresa Termann Assessoria Empresarial Ltda, empresa que nos anos de 2001 a 2004, adquiriu veículos, imóveis, contratou empresas, entre as quais a Construtelmo e a Construlest (outra empresa que também serviu aos propósitos do Sr. Tessmann), para edificar construções nos mesmos; e por fim, prestou serviços de assessoria a terceiros, inclusive e novamente a Construtelmo. No entanto, a Termann não tinha recursos para aquisição dos bens, não prestou serviços à Construtelmo ou a terceiros e tampouco efetuou ou recebeu qualquer pagamento. Nos contratos de empreitada não houve qualquer benefício relevante para as contratadas, somente para o contratante. Acrescentou que, a finalidade de forjar receitas na empresa da qual o sr. Roberto Tessmann é sócio majoritário, foi a de usar esta “renda” para dar origem a recursos utilizados na aquisição de diversos imóveis. Estando esses imóveis em nome da empresa, livrarseia de uma possível vinculação de suas atividades como Secretário de Planejamento da Prefeitura de Novo Hamburgo e o aumento incompatível de seu patrimônio. Salientou que, esse senhor utilizou as empresas mencionadas para obtenção de benefícios próprios, que vão além de sua renda declarada. Na verdade, a sua renda declarada não precisou ser usada para adquirir seu patrimônio, haja vista a ausência de saques de suas contas bancárias no período Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 7 7 fiscalizado. Além disso, em nome da sua empresa Termann Assessoria Empresarial Ltda foram adquiridos inúmeros imóveis e veículos que sequer foram registrados nos Livros Caixa da empresa. A fiscalização concluiu que o Sr. Roberto Tessmann teve participação decisiva nos atos de gestão da Construtelmo, razão pela qual caracterizou o mesmo como responsável solidário do crédito tributário apurado. Transcreveu parte do relatório de ação fiscal empreendida na pessoa física Roberto Tessmann, relativo às atividades de sua empresa Termann Assessoria Empresarial Ltda. Na mesma data foi lavrado auto de infração contra a mencionada pessoa. a) Nos anos de 2001 a 2004, essa empresa registrou em sua contabilidade, as seguintes receitas reconhecidas pelo regime de caixa: R$ 86.090,67, R$ 136.085,01, R$ 130.020,00 e R$ 630.377,59, respectivamente, no entanto, por meio de diligências nas empresas, que em tese seriam beneficiárias desses serviços, tinham como objetivo único e exclusivo, aparentar a existência da conta caixa da Termann, de tal modo que pudesse justificar na origem dos recursos utilizados na aquisição de imóveis e demais gastos; b) A seguir, a fiscalização relaciona as notas fiscais emitidas pela Termann e relata as diligências realizadas nas empresas beneficiárias para verificar a efetiva prestação de serviço e o pagamento; c) Em diligência na empresa Máquinas Seiko Ltda, foi informado que mantinha contrato tácito com a Termann para a realização da prestação de serviços de assessoria comercial, intermediação de negócios, assessoria de vendas e exportação de produtos, e que os pagamentos eram feitos, por caixa, em espécie; algumas das notas fiscais não estavam registradas na contabilidade da empresa Seiko; d) A Termann informou que os contratos com a empresa Seiko eram verbais e representados por notas fiscais; assinalou a fiscalização que a Termann nada apresentou de documentos materiais, relatórios, mapas, horas trabalhadas, controles; em relação às notas fiscais contabilizadas e ditas pagas pela Seiko, foram em datas posteriores à emissão das mesmas, enquanto que a Termann contabiliza a entrada de recursos no mesmo dia da emissão das notas fiscais, enquanto que a Seiko, que também contabiliza as notas pelo regime de caixa, informa datas completamente diferentes da Termann; e) Em diligência na empresa Italiana Importação e Exportação Ltda (foram relacionadas as notas fiscais de prestação de serviços, emitidas pela Termann) constatouse que o contrato era verbal; em relação aos pagamentos, datas e contabilização, informou que, no decorrer dos anos em que a empresa esteve em atividade, sofreu diversos assaltos e invasões, conforme boletins de ocorrência, e a cada sinistro ocorrido acarretava desordem e tumulto, ocasionando confusão nos arquivos, assim o responsável pelo registro no momento do registro do ocorrido não tinha conta quanto a falta de alguns documentos não usuais, não tendo sido localizados os registros fiscais e contábeis relativos, não se podendo apontar a forma dos pagamentos; quanto à ocorrência de sinistros, registrados em ocorrência policial, não há qualquer menção à perda ou extravio de documentos e livros fiscais; f) Intimada a empresa Termann, informou que os contratos eram verbais e representados por notas fiscais, e que assessorava a empresa Italiana na administração financeira e gestão administrativa, nos anos de 2001 e 2002, com reuniões no mínimo semanais Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 8 8 com os sócios, baseados em sua experiência de 20 anos da Termann; também não foram apresentados qualquer registro material que pudessse confirmar as alegações dos intimados; g) A fiscalização relatou ainda fato ocorrido no Posto Bancário do Banrisul, nas dependências da Prefeitura de Novo Hamburgo, e onde a Termann costumeiramente efetua recolhimentos de impostos e contribuições federais: no dia 27.06.2002 foram efetuados em nome da Italiana pagamentos de 12 DARFs de imposto retido na fonte (1,5%) sobre serviços prestados por pessoa jurídica (código 1708), no valor de R$ 611,14, sendo que no mesmo dia houve recolhimento de DARF da Cofins (código 2172), no valor de R$ 342,24, em nome da Termann; os recolhimentos foram efetuados na mesma máquina autenticadora e sequencialmente; a fita detalhe revela que as importâncias foram somadas, conforme utilização da calculadora na fita, totalizando R$ 953,38, e os valores foram pagos em dinheiro; destacou ainda a fiscalização que o endereço da sócia da empresa Italiana e do Sr. Roberto Termann, é idêntico, com a diferença do número da rua, 10 e 26, sendo vizinhos; h) Nos anos de 2001 e 2002, a Termann emitiu, diversas notas fiscais de serviços descritos como serviços de assessoria para a Comercial e Empreiteira Construtelmo Ltda. Informou a Construtelmo que mantinha contrato verbal com a Termann, que os serviços prestados eram de assessoria na gestão administrativa e financeira, e que os pagamentos eram efetuados mensalmente, em moeda corrente, sem data aprazada e não era emitido recibo, e sim nota fiscal de serviço; i) Intimada a Termann, informou que assessorou a Construtelmo durante um ano, que os serviços eram prestados, na maior parte nas sedes das empresas, em seus escritórios, em reuniões, jantares, viagens, feiras e exposições, na sua residência e por telefone e nessa empresa não teve ajuda de terceiros (somente teria tido ajuda em duas outras empresas); j) A empresa Construtelmo foi contratada pela Termann para a realização de dois empreendimentos imobiliários em 2001 e 2002 . Um dos empreendimentos consistia na construção de um prédio comercial, de 474 m2, com preço de R$ 100 mil reais, em 20 parcelas mensais e consecutivas. No livro caixa da empresa Termann constava diversos pagamentos à Construtelmo, não espelhados em cheques ou transferências bancárias. A contabilidade da Construtelmo é silente, quanto ao registro de tais recebimentos, firmando a convicção de que os pagamentos jamais foram realizados, sendo que não houve emissão de notas fiscais à Termann; em 2002, a Construtelmo foi contratada para a construção de dois pavilhões geminados de 671m2, por R$ 96 mil para pagamento em 24 meses. Diligência na Termann revelou que não houve qualquer pagamento à Construtelmo até os dias então atuais, embora o prédio estivesse pronto, e não houve emissão de notas fiscais à Termann; k) Observou a fiscalização que considerando que os negócios mais importantes entre as duas empresas se referiam à construção de imóveis, neste período, sendo que para atingir esse objetivo a Termann contratou a Construtelmo, confiando na capacidade administrativa dessa empresa, não haveria justificativa para que a contratante (Termann) prestasse serviços de assessoria à contratada (Construtelmo) na parte financeira e administrativa; registrou ainda que não há qualquer registro nessas empresas de que a prestação de serviços de assessoria tenha ocorrido, sendo que não existem registros de empregados ou prestadores de serviços em sua contabilidade; l) também foram efetuadas diligências nas seguintes empresas: Comercial e Empreiteira Construlest Ltda, Milenium Bazar e Bebidas Ltda, Killing S/A Tintas e Solventes, Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 9 9 Star Assessoria e Exportação Ltda, Bison Indústria de Calçados Ltda, Comercial Pneumática Clason Ltda: (respostas semelhantes) A seguir, no item 5.2, a fiscalização aborda a não comprovação da prestação de serviços de assessoria à Construtelmo, indicados nas notas fiscais emitidas pela Termann. Analisando o Livro Diário e Razão da Construtelmo, nos anos de 2001 e 2002, foram verificados o lançamento contábil a débito da conta de resultado (serviços de terceiros) das notas fiscais emitidas pela empresa Termann, as quais especifica. Salienta que em todas as notas fiscais emitidas à Construtelmo, descrevese a operação realizada como “serviços de assessoria”. Foi observada a existência da nota fiscal 128, emitida pela Termann em 30.11.2001, no valor de R$ 3 mil, que não constou da contabilidade da Construtelmo. A Construtelmo foi intimada a apresentar cópia do contrato de prestação de serviços com a Termann Assessoria Empresarial Ltda, a informar, que tipos de serviços foram prestados, e a informar, a data e a forma que os pagamentos foram efetuados à Termann. A Construtelmo respondeu que “deixamos de apresentar cópia do contrato de prestação de serviços, uma vez que o contrato era verbal”, “os serviços prestados pela Termann era de assessoria na gestão administrativa e financeira” e “os pagamentos eram efetuados mensalmente, normalmente em moeda corrente, sem data aprazada e não era emitido recibo, mas sim, a nota fiscal de serviço”. A Termann também foi intimada a comprovar a efetiva prestação dos serviços, uma vez que nas notas emitidas constava somente a indicação de serviços de assessoria, sendo solicitado que informasse o tipo de trabalho e atividades que foram desenvolvidas a diversas empresas, dentre as quais, a Construtelmo, além de informar, o local e período que foram desenvolvidos os trabalhos/atividades e forma de pagamento. Em resposta, de fls. 939, a Termann informou que “Assessoramos a Empresa durante um período de 01 (um) ano na parte financeira e administrativa mostrando experiências bem sucedidas de outras empresas e também experiências por nós aplicadas nas empresas que ajudamos na administração já citadas anteriormente” (Nota: referese à Prefeitura de Novo Hamburgo, COMUSA, COMUR e FENAC). Acrescentou a resposta que: “Os serviços eram prestados, na maior parte nas sedes das empresas, em nossos escritórios, em reuniões, jantares, viagens, feiras e exposições, em nossa residência e por telefone. O período coincide com as notas fiscais emitidas”. Consigna a fiscalização, que quanto ao pagamento, inferese que seria em dinheiro, porque somente os valores recebidos de duas outras empresas foi em cheque. Afirma ainda, que somente nas empresas Killing S/A e Star Ass. E Exp. Ltda, o Sr. Roberto Termann teria tido ajuda de terceiros. A empresa Construtelmo foi contratada pela Termann para a realização de dois empreendimentos imobiliários em 2001 e 2002. O primeiro consistia na construção de prédio comercial e residencial na Rua Jerônimo, de 474m2, em Novo Hamburgo. O contrato previa o preço de R$ 100 mil, em 20 parcelas mensais e consecutivas, no entanto, diligências efetuadas na Termann, revelaram que constavam em seu livro Caixa diversos pagamentos à Construtelmo, porém não espelhados em cheques ou transferências bancárias; já a contabilidade da Construtelmo seria totalmente silente quanto ao registro de tais recebimentos, formando a convicção de que os pagamentos jamais foram realizados; não houve emissão de notas fiscais à Termann. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 10 10 Em relação ao empreendimento de 2002, que se refere à contratação junto a Construtelmo para construção de dois pavilhões geminados, com área de 671 m2, localizado na Rua Osvaldo Arthur Hartz, em Novo Hamburgo com preço de R$ 96 mil, para pagamento em 24 meses; diligência na Termann revelou que não houve sequer o registro de qualquer pagamento à Construtelmo até os dias atuais, embora o prédio estivesse pronto. Não houve emissão de notas fiscais àTermann. Ressalta a fiscalização que considerando que os negócios mais importantes entre as duas empresas se referiam à construção de imóveis, neste período, sendo que para atingir este objetivo a Termann contratou a Construtelmo, confiando na capacidade administrativa dessa empresa, não haveria justificativa para que a Termann prestasse serviços de assessoria à contratada, na parte financeira e administrativa. A empresa Termann, por meio de seu sócio Roberto Tessmann respondeu que os serviços eram prestados nas “sedes das empresas, nos nossos escritórios, em reuniões, jantares, viagens, feiras e exposições”. Afirma a fiscalização que não há qualquer registro nas empresas intimadas de que ocorreram tais acontecimentos. Também diz que para se referir à prestação de serviço utiliza o plural “nós”, quando não existem empregados ou prestadores de serviço registrados em sua contabilidade. Concluiu a fiscalização que não houve a comprovação da efetiva prestação de serviços da Termann à Construtelmo, tampouco o pagamento desta à Termann, e que tais notas, serviram para aparentar recursos na conta caixa de Termann, de tal modo que pudesse justificar a aquisição de bens. Dos contratos de empreitada entre a Construtelmo e a Termann (item 5.3 do relatório) Em relação à edificação de 2001 acima mencionada, segundo a fiscalização, por meio de fotografias no local, se constatou que houve a edificação, tendo a Termann alugado os apartamentos no mês de janeiro de 2002, tendo o aluguel recebido constado do livro caixa da Termann. Nos livros caixa dos anoscalendário de 2001 a 2003, observou a fiscalização não haver registro dos pagamentos das parcelas 12, 13 e 14, vencidas de julho a setembro de 2002. A Termann foi intimada a prestar esclarecimentos e informou que estavam pendentes de acerto, esperandose abatimentos por defeitos da obra. Observou a fiscalização que o contrato entre a Termann e a Construtelmo não estava revestido de formalidades legais para fins de comprovação junto ao fisco e terceiros, e que tendo em vista que a obra foi executada, comprovase que a grande beneficiária foi a Termann, que não comprovou a efetiva transferência de recursos à Construtelmo e ainda locou o imóvel a terceiros para proveito próprio. Quanto à obra de 2002, também acima mencionada, por meio de fotografias constatouse que houve a edificação tendo a Termann alugado parte do imóvel já em julho de 2002. A Termann foi intimada a informar quais valores foram pagos à Construtelmo, identificando as datas e forma, bem como, a apresentar os documentos comprobatórios. Informou em 16.11.2005, que até aquele momento não haviam efetuado pagamentos. O contrato não foi registrado no órgão competente, não estando revestido das formalidades legais para fins de comprovação junto ao fisco e a terceiros, suscitando dúvidas quanto à data de assinatura do mesmo. Conclui que tendo em vista que a obra foi executada, a grande beneficiária do contrato foi a Termann, que até aquele momento, 4 anos da celebração do Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 11 11 contrato, não efetuou pagamentos à Construtelmo e ainda locou o imóvel a terceiros em proveito próprio. Dos cheques emitidos por empresas prestadoras de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo e depositados na conta bancária da Construtelmo A contabilidade da Construtelmo não identifica, em sua grande maioria, a origem dos recursos, em cheque ou dinheiro, que foram depositados no período de 2001 a 2004, em sua conta corrente mantida no Banrisul, em Novo Hanburgo; para estes depósitos efetua lançamento contábil a débito da conta Banrisul, e a crédito da conta caixa e esse procedimento incorreto serviu para acobertar a verdadeira origem dos recursos e sua natureza. A Construtelmo mantém em seu poder junto com os documentos que dão suporte à contabilidade, diversos recibos de depósitos bancários efetuados em sua conta corrente, onde estão descritas as características dos cheques depositados; em alguns deles consta a inscrição “Beto”, “Beto fez direto”, “Beto/Ribas” em uma clara alusão ao Sr. Roberto Tessmann, cujo apelido é “Beto”. São vários cheques dos anos de 2001 a 2004. Em razão de diversas denúncias anônimas, a suspeita da origem dos cheques depositados recaiu sobre as empresas que prestaram serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo. Dentre as diversas empresas envolvidas, constatouse pagamentos direcionados à Construtelmo provenientes de Ribas Construtora Ltda, CC Pavimentadora Ltda, Construtora e Pavimentadora Pavicon Ltda e Comercial e Empreiteira Fagundes Ltda. A fiscalização observou no Livro Diário dessas empresas, que os cheques emitidos e depositados na conta bancária da Construtelmo foram contabilizados a débito da conta caixa. Se as referidas empresas soubessem que os cheques seriam depositados nas contas da Construtelmo, para que posteriormente fossem executados serviços por esta, teriam contabilizado os mesmos em uma conta denominada “adiantamento de fornecedores” que mais tarde, quando da emissão das notas, poderiam ser contabilizadas como despesas. Destacou a fiscalização que o procedimento adotado por todas as empresas envolvidas levam à conclusão de que elas desconheciam o destino dos cheques. A seguir, a fiscalização relata as diligências realizadas nessas empresas. a) Ribas Construtora Ltda. Verificouse vários cheques emitidos por Ribas (contabilizados a crédito da conta banco e a débito da conta caixa impropriedade), que foram depositados na conta bancária da Construtelmo. Em algumas guias de depósitos bancários consta a inscrição a lápis “Beto” e “Tessmann”, evidenciando tratarse de Roberto Tessmann. Esses fatos e ainda o fato de a empresa Ribas ser prestadora de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo, levaram a fiscalização a concluir pelo envolvimento do sr. Roberto Tessmann com a fiscalizada (cheques de fls. 1027 a 1094). b) CC Pavimentadora Ltda. O fato de haver depósitos à Construtelmo com indicação nas guias de depósito “Beto”, o fato da empresa emitente dos cheques contabilizálos a débito da conta caixa, o fato de ser uma empresa prestadora de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo, Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 12 12 levaram a fiscalização a concluir pelo envolvimento do Sr. Roberto Tessmann com a fiscalizada (cheques de fls. 1096 a 1139). c) Construtora e Pavimentadora Pavicon Ltda Igualmente, o fato de haver depósitos à Construtelmo com indicação nas guias de depósito “Beto”, o fato da empresa emitente dos cheques (Construtora e Pavimentadora Pavicon Ltda e SCP) contabilizálos a débito da conta caixa, o fato dessa empresa ser uma prestadora de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo, local de trabalho do Sr. Roberto Tessmann, levaram a fiscalização a concluir pelo envolvimento do mesmo com a fiscalizada (cheques de fls. 1140 a 1155). d) Comercial e Empreiteira Fagundes Ltda. O fato de que algumas guias de depósitos trazerem a anotação "Beto", apelido do Sr. Roberto Tessmann; o fato de os cheques terem sido depositados na conta bancária da Construtelmo, embora a empresa emitente tenha informado que não efetuou nenhum pagamento à mesma; o fato de que a empresa emitente dos cheques ser uma prestadora de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo; o fato da empresa emitente dos cheques contabilizálos como a débito da conta caixa; o fato de haver, para a mesma origem de depósitos (cheque Fagundes), contabilização diferente; levaram a fiscalização a concluir no envolvimento do Sr. Roberto Tessmann com a fiscalizada (cheques às fls. 1156/1174). Dos cheques emitidos pelos sócios das empresas prestadoras de serviço à Prefeitura de Novo Hamburgo a) Jandir dos Santos Ribas (Ribas Construtora Ltda) O fato de haver depósitos à Construtelmo com indicação nas guias de deposito "Beto" e "Beto/Ribas; o fato de haver depósitos em cheque à Construtelmo, cuja origem é do sócio proprietário da Ribas Construtora Ltda, empresa que presta serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo; o fato de estes depósitos terem sido efetuados no posto bancário do Banrisul, localizado nas dependências da Prefeitura de Novo Hamburgo, local de trabalho do Secretário de Planejamento; o fato de que no mesmo dia, mesmo posto bancário, mesma máquina autenticadora de caixa e com número de autenticação seqüencial de documento, a Termann ter efetuado pagamentos de IRPJ e CSLL; levaram a fiscalização a concluir pelo envolvimento do Sr. Roberto Tessmann com a fiscalizada (cheques de fls. 1175/1188). b) Cláudio de Moraes (sócio da CC Pavimentadora Ltda) Foram encontrados dois cheques emitidos pelo Sr. Cláudio de Moraes que foram depositados na conta da Construtelmo, Banrisul, Ag. 0607. A contabilidade da Construtelmo não identifica a origem dos cheques, contabilizandoos como a débito da conta Banrisul e a crédito da conta caixa. Pergunta a fiscalização: Por que um cheque emitido pelo sócio de uma empresa com sede na cidade de Porto Alegre e que presta serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo foi depositado na conta bancária da Construtelmo? Que relação poderia ter este sócio com a Construtelmo já que esta nunca emitiu qualquer nota fiscal a ele ou à CC Pavimentadora Ltda? Dos cheques emitidos por terceiros e depositados na conta bancária da Construtelmo Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 13 13 a) Dos depósitos efetuados pelo Sr. Roberto Tessmann à Construtelmo Em 09/11/2003 e 21/01/2004, o Sr. Roberto Tessmann efetuou depósitos em cheque na conta bancária da fiscalizada, nos valores de R$ 1.475,00 e R$ 2.000,00, respectivamente. O primeiro é um cheque do Unibanco, emitido pela COMUSA, destinado ao Sr. Roberto Tessmann, em razão de sua remuneração mensal como membro do Conselho de Administração, e o segundo, é de sua própria conta bancária mantida no Banco do Brasil. Os lançamentos contábeis no Livro Diário da fiscalizada fazem crer que os recursos depositados foram originários de sua própria conta caixa, o que comprovadamente não é verdadeiro. Mais do que simples depósitos, esses valores representam o grau de informalidade existente entre ambos; não há preocupação para registrar adequadamente essas operações, como seriam feitos em negócios comerciais, entre terceiros envolvidos (cheques e outros de fls. 1192/1198). b) Cheque emitido pela FENAC S/A Feiras e Empreendimentos a um de seus fornecedores e depositados na conta bancária da Construtelmo: O fato de haver depósito à Construtelmo, cuja origem é um cheque emitido pela Fenac, destinado a seu fornecedor Ullmann; o fato de a guia de depósito na Construtelmo constar "Beto fez direto"; o fato deste depósito ter sido efetuado no posto bancário do Banrisul, localizado nas dependências da Prefeitura de Novo Hamburgo; levaram a fiscalização a concluir, novamente, pelo envolvimento do Sr. Roberto Tessmann junto à fiscalizada. Lembramos, ainda, que o Sr. Roberto Tessmann ocupou os cargos de Presidente do Conselho de Administração e Diretor Executivo na Fenac. Dos cheques emitidos pela Construtelmo para pagamento de despesas da Termann Assessoria Empresarial Ltda. a) Do cheque emitido pela Construtelmo para a Empreiteira Apolo Ltda (fornecedora da Termann). Constatouse que foi contabilizado no Livro Caixa da empresa Termann uma nota fiscal emitida pela Empreiteira Apolo Ltda, no valor de R$ 2.000,00. O pagamento teria sido efetuado em dinheiro, no mesmo dia de emissão da nota fiscal. Na referida nota fiscal consta a informação do cheque 803181 (1209), deixando uma pista de que este cheque efetuou o pagamento ao fornecedor. O cheque foi emitido pela Construtelmo, e em sua contabilidade, o beneficiário do cheque não estava identificado, sendo contabilizado a débito da conta caixa (Diário às fls. 374/375). A fiscalizada efetuou pagamento de débito que era, em tese, da Termann; não havendo razão para que esta pagasse despesa de terceiros sem registrar o fato adequadamente em sua contabilidade, concluiuse que o fato denota haver uma informalidade vinculante entre as empresas (cheque de fls. 1210). b)Do cheque emitido pela Construtelmo para o Ofício de Registro de Imóveis de Novo Hamburgo. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 14 14 Tratase de cheque utilizado para pagamento de custas referentes à incorporação do Conj.Residencial Termann, em nome de Termann Assessoria Empresarial Ltda, contabilizado, como a crédito da conta Banrisul e a débito da conta caixa. Assim, foi constatado, mais uma vez, que a fiscalizada efetuou pagamentos de débitos que eram, em tese, da Termann; não havendo razão para que esta pagasse despesas de terceiros, sem registrar o fato adequadamente. Como já relatado no item anterior, entendemos que tal fato mostra existir uma informalidade entre as empresas. c) Do cheque emitido pela Construtelmo para o 1º Tabelionato de Novo Hamburgo Também foi emitido outro cheque para pagamento de Nota de Emolumentos, despesas essas que foram contraídas pela Termann. Dos cheques emitidos pela Construtelmo e depositados na conta bancária da esposa do Secretário de Fazenda de Novo Hamburgo Dois cheques no valor de R$ 10.000,00 e R$ 5.000,00 tiveram como beneficiária a Sra. Heloísa Marli Zorn que os depositou em sua conta bancária no Banespa. Intimada a Construtelmo a informar qual a operação que deu causa para emissão dos referidos cheques, informou que os cheques foram dados em garantia de empréstimo por 5 dias, contraído com o Sr. Luiz Percy Denardin Filho. Não foi localizado qualquer registro no livro Razão ou Diário que identificasse tal operação com a citada pessoa ou com terceiros. Constatouse que nos dias anteriores à emissão dos cheques dados “em garantia de empréstimo” sua conta “banrisul” estava elevada, não necessitando qualquer suporte de numerário. Por meio de exame minucioso dos extratos bancários constatouse que seu saldo bancário elevado era decorrente de depósitos em cheques efetuados em sua conta nos dois e quatro dias anteriores à emissão dos cheques a Heloísa Marli Zorn. Tais depósitos foram registrados em sua contabilidade como a débito da conta banrisul e a crédito da conta caixa, no entanto, constatouse a impropriedade dos registros contábeis, uma vez que os cheques, perfeitamente identificados, foram provenientes da empresa Ribas Construtora Ltda, prestadora de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo. Concluiu a fiscalização que a causa para emissão dos cheques à Sra. Heloísa, esposa do Sr. Luiz Percy (que à época dos fatos era Secretário da Fazenda dessa Prefeitura) não foi devidamente comprovada. Da responsabilidade solidária do Sr. Roberto Tessmann A fiscalização salientou que ante os fatos relatados no capítulo V, particularmente, pelo fato do Sr. Roberto Tessmann e sua empresa, a Termann Assessoria Empresarial Ltda, transitarem com liberdade e desenvoltura pelos principais negócios da fiscalizada; bem como, pelo fato da fiscalizada permitir o recebimento e pagamento de recursos que dizem respeito tão somente ao Sr. Roberto Tessmann e sua empresa; e ainda pelo fato da Termann realizar contratos de empreitada cujos benefícios recaem na pessoa do Sr. Roberto Tessmann; e por ter sido constatado o padrão de vida modesto dos sócios da fiscalizada, em visível contraste com o Sr. Roberto Tessmann e sua empresa, caracterizou a responsabilidade solidária do Sr. Roberto Tessmann, com fundamento no art. 124, I, do CTN, por ser ele de fato, o real beneficiário dos negócios realizados pela fiscalizada. Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 15 15 II DA IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA E DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO E DECISÃO DA TURMA JULGADORA Em 13.07.2006, a interessada apresentou impugnação. Em 31.07.2006 o Sr. Roberto Tessmann apresentou impugnação, onde discute a responsabilização. O lançamento foi considerado procedente em parte. Foram excluídos 7 cheques, cujo valor total monta em R$ 22.101,20 nos diversos anos. As ementas proferidas são as seguintes: RESPONSABILIDADE. APURAÇÃO DENTRO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não há que se discutir a responsabilidade no processo administrativo fiscal, por falta de previsão legal e em face da interpretação literal de medidas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e ainda da sua indisponibilidade, não se tomando conhecimento de petição interposta em nome de pessoa física indicada como responsável pelo crédito tributário exigido no presente processo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Considerase omissão de receitas a existência de depósitos efetuados em conta bancária da empresa autuada, sem que esta conseguisse comprovar documentalmente a origem de tais ingressos. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE PAGAMENTO. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. OPERAÇÃO SEM CAUSA COMPROVADA. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem comprovação da sua causa. Uma vez identificados os pagamentos pela fiscalização, cumpre empresa autuada regularmente intimada comprovar A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente em parte. Quanto à infração de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, consta no voto condutor do acórdão entre outros argumentos, que: As alegações de que os clientes efetuavam pagamentos com cheques de terceiros, impossibilitando sua identificação na contabilidade, bem como a existência de cheques prédatados ou pagamentos parcelados, impossibilitando a comprovação, soa absurda frente aos deveres de que tem o dever de escriturar sua escrita para suportar a opção pelo lucro real, ou mesmo para a opção pelo presumido respaldada pela escrituração contábil na declaração. Das notas apresentadas, nenhuma apresentou coincidência em data e valor com os depósitos referidos. Nessa parte, manteve o lançamento. Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 16 16 Quanto ao lançamento do IRRF relativo a pagamentos sem causa a beneficiários não identificados ou operação/causa/não comprovada excluiu alguns valores discriminados na planilha contida na decisão, de pequena monta. III DO RECURSO VOLUNTÁRIO A decisão da Turma Julgadora foi cientificada à autuada em 03.01.2007 e o recurso da mesma foi apresentado em 01.02.2007. Não consta nos autos que a decisão tenha sido cientificada ao Sr. Roberto Tessmann, cuja responsabilidade solidária lhe foi atribuída. Também não consta nos autos que essa pessoa tenha apresentado recurso voluntário. No recurso, a autuada argumenta que o auditor pretendia que a recorrente comprovasse cada serviço prestado pela empresa Termann à recorrente. Esta justificou que os serviços eram de assessoria na gestão administrativa e financeira e que o auditor e os julgadores inovaram na interpretação do disposto no art. 249, I, e 251, § único do Regulamento do Imposto de Renda. Diz que ao arrepio da lei, os julgadores pretendem que a recorrente comprove a realização de um serviço de assessoria que é praticado por meio de pareceres verbais, ou na elaboração de orçamentos de obras, os quais, embora executados pela empresa assessora, são assinados pelos representantes legais da recorrente. Entende que tal procedimento é pretender a intolerada bitributação, partindose do princípio de que a empresa de assessoria recolheu o imposto incidente sobre os serviços cobrados da recorrente. Destaca que se a empresa de assessoria não recolheu o imposto, deverá ela ser autuada, mas que, na verdade, a empresa de assessoria já recolheu o imposto incidente sobre o serviço prestado, razão pela qual a pretensão do auditor não passa de pretender a bitributação. Salienta que o exemplo de que não era possível comprovar a exteriorização do trabalho desenvolvido é a própria impugnação e o recurso, os quais foram desenvolvidos pela empresa de assessoria, porém firmado pelo representante legal da recorrente. Destaca que é impossível nos dias de hoje pretender que o contribuinte comprove a origem de cada cheque que é depositado em sua contacorrente bancária e que não há previsão legal para tanto. Aduz que a contabilidade da empresa demonstrou cada nota fiscal de serviços prestados a seus clientes e que em cada nota fiscal estava descrito o serviço prestado, bem como o endereço em que a obra foi edificada. Acrescenta que grande parte dos serviços foram comprovados, inclusive, com o contrato de prestação de serviços. Se o montante dos depósitos fosse superior ao faturamento demonstrado na contabilidade, aí sim, poderia ser considerado a existência de depósitos bancários sem comprovação. Entretanto, se os depósitos não ultrapassaram o faturamento demonstrado na contabilidade, não há previsão legal para serem considerados não comprovados. Sobre os pagamentos sem causa a beneficiários não identificados, argumenta que os julgadores justificaram a procedência do lançamento com fundamento no art. 674 do RIR/99. Sustentaram que a recorrente não comprovou nos autos quem foram os beneficiários dos cheques. Alega que as provas estão com o próprio auditor que teria confiscado todos os documentos e livros contábeis da recorrente. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 17 17 Afirma que é público e notório que uma empresa tem custos e despesas. Diz ser absurdo que uma empresa tenha que emitir cheque para pagamento de cada despesa que efetuar e que seja proibida de emitir um só cheque para pagar todos os títulos de créditos que vencem num mesmo dia. Apenas se os pagamentos não estivessem contabilizados, não estariam identificados os beneficiários. Salienta que com a impugnação foram demonstrados alguns exemplos, pois seria impossível juntar toda a documentação contábil. Aduz que a maldade foi tanta que até mesmo os cheques emitidos para pagamento de adiantamentos de salários dos empregados da recorrente foram considerados como beneficiários não identificados. Pede a aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que se a recorrente teve depósitos bancários em valor não superior ao seu faturamento, se contratou serviços de assessoria comprovando o pagamento pelos serviços prestados com a respectiva nota fiscal, se emitiu cheques em valores não superiores às suas despesas e custos, não poderia ser penalizada por tais fatos. Também argumenta que nos dias de hoje, com a difusão dos cheques pré datados é comum os empresários pagarem suas despesas e custos com cheque que recebeu de seus clientes e afirma não existir vedação legal que o proíba. IV DO ACÓRDÃO DA 3ª TURMA ORDINÁRIA DA 1ª CÂMARA DA 1ª SEÇÃO DO CARF, DO NOVO ACÓRDÃO DA TURMA JULGADORA E DOS RECURSOS DA AUTUADA E DO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Em 01.10.2009, pelo acórdão 110300.043, determinouse o retorno dos autos à DRJ para prosseguimento do julgamento em relação à impugnação do responsável solidário. A Turma Julgadora manteve o já decidido em relação ao recurso da autuada. Quanto à responsabilidade solidária, entendeu que o elenco probatório permite concluir que o Sr. Roberto Tessmann tinha interesse na situação que constituiu os fatos geradores, nos termos do art. 124, I, do CTN. A ciência da decisão de primeira instância à autuada foi dada em 11.08.2010 e novo recurso foi apresentado em 03.09.2010. Inicialmente transcrevo o recurso interposto pela autuada: A recorrente foi autuada em razão de depósitos efetuados em sua conta bancária supostamente sem origem comprovada. Mesmo a recorrente tendo demonstrado, por amostragem, tratarse de cheques recebidos em pagamento de serviços prestados, comprovados com as respectivas notas fiscais, entenderam os ilustres julgadores monocráticos que a origem não foi comprovada uma vez que muitos cheques não correspondiam ao valor da nota fiscal de prestação de serviço lançada na contabilidade. Tal fato ocorria em função de que nem sempre o tomador do serviço pagava com cheque seu, mas sim com cheques emitidos por terceiros. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 18 18 A verdade é que a recorrente é uma empreiteira de pequeno porte (empresa familiar), que emitiu notas fiscais de todos os serviços prestados. Ora, se prestou os serviços certamente recebeu pelos serviços prestados, só que, após anos, não há como identificar quais os cheques referiamse ao pagamento de determinada nota fiscal de serviço, pois recebia parte em cheques de terceiros, partes em dinheiro e, em algumas vezes cheques do próprio beneficiário do serviço. Assim, em mantido o auto de lançamento, estará se consagrando o condenado bis em idem, ou seja, tributando pela receita comprovada com a nota fiscal de serviço emitida e bi tributando os cheques que pagaram os serviços prestados. Da mesma forma, não pode aceitar a tributação de denunciados pagamentos a beneficiários não identificados. Quando solicitada a demonstrar os referidos pagamentos, também os fez por amostragem, urna vez que em diversas oportunidades emitiu cheques para pagar todas as despesas e custos vencidos em determinado dia, em especial em dia de pagamento de salários, pois efetuava os pagamentos em dinheiro, sacando a importância suficiente para pagamentos vencidos no mesmo dia do pagamento dos salários. E não se diga que este procedimento implica em sonegação de tributos. Assim, concluise que a legislação aplicada é inconstitucional pois fere o principio do art. 150 c/c 154 da Constituição Federal que dispõem: (...) 0 Auto de Lançamento ora hostilizado fundamentase em legislação ordinária que cria, por meio de artifício jurídico, um novo tributo tendo como base de incidências cheques ou pagamentos efetuados a terceiros, a qualquer titulo. Não é necessário ser advogado para saber que o artificio jurídico utilizado para lavrar o Auto de Infração é totalmente inconstitucional, razão pela qual deve ser decretada a sua insubsistência. Diante do exposto requer se dignem V.Exas. dar provimento ao presente recurso para decretar a insubsistência do Auto de Lançamento ora hostilizado. A ciência da decisão de primeira instância foi dada ao Sr. Roberto Tessmann em 06.09.2010 e o recurso voluntário foi apresentado em 07.10.2010. Após relatar os fatos, aborda uma preliminar, por ter pago o crédito tributário de outro processo, e no mérito, aborda a inconsistência dos argumentos do relatório, falta de prova, presunção relativa, afastamento, termo de sujeição passiva solidária e anulação. Em relação à preliminar, afirma que a base do argumento em seu desfavor nasceu a partir do proc. 11065.001577/200602 e que desistiu do recurso, aderiu às normas da Lei 11.941/2009 e pagou a dívida à vista. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 19 19 Aduz que os eventuais efeitos dos percalços contábeis levantados em seu desfavor foram resolvidos não se podendo trazêlos de volta ou fazer uso deles no atual processo, isto é, estando a dívida extinta pelo pagamento, não poderia o mesmo argumento servir para condenar em outro processo administrativo. Acrescenta que sendo o relatório de um (que transcreveu no recurso) base para outro e se trata do mesmo assunto, mesmas partes e mesma causa de pedir, e se lá foi quitado, neste não poderá surtir efeitos sob pena de litispendência (inc. V, art. 301, CPC), que por sua vez, determinaria a extinção do feito, sem exame do mérito. Quanto ao mérito, afirma que todas as prestações de serviço realizadas pela empresa do recorrente, ao qual foram firmados mediante contrato verbal, mostramse válidas, consoante os termos do Cap. VII, do Título VI, do Livro I – do direito das obrigações – parte especial, do Código Civil, e que entendimento contrário seria descumprimento da lei. Ressalta que a fiscalização carece de prova robusta, para a caracterização da responsabilidade solidária, e que nesta linha, o relatório fiscal deve transparecer o seu caráter narrativo (deve revelar o fato com todas as suas circunstâncias, isto é, não só a ação transitiva, como a pessoa que e praticou, os meios que empregou, o malefício que produziu, os motivos que a determinaram a isso, a maneira porque a praticou, o lugar onde praticou e o tempo) e demonstrativo (descrição do fato jurídico, as razões de convicção devidamente comprovadas), e que indícios e desconfianças não bastam. Salienta que o interesse comum destacado na decisão não pode ser confundido com interesse contraposto. Afirma que por meio de sua empresa prestava serviços de assessoria administrativa e financeira com base na boa e reconhecida administração financeira em vários órgãos da municipalidade. Assim, como prestante, atuou em favor da autuada, mediante contrato verbal previsto no ordenamento pátrio, com interesses contrapostos positivos. Explica que o relatório indica que os recursos da autuada originavamse em serviços não prestados, porém pagos e que acabavam nas mãos do recorrente. Indaga: De que forma? Qual o valor? Onde foi feita a entrega? E que nenhuma dessas respostas foi trazida com base em prova documental. Procura exemplificar, a partir dos cheques emitidos pela fiscalizada, que conforme o relatório acabariam beneficiando o recorrente: a) 20 cheques em favor do supermercado da família da fiscalizada (como o recorrente teria sido beneficiado?) b) 07 cheques dados em posto de combustível (como o recorrente foi beneficiado?) c) cheques dados a terceiros sem ligação familiar ou amistosa com o recorrente (v.g.02Heloisa Zorni, 01Cândido Peres, 03Peri Dias da Silva, 06Antônio Vargas, 02Leando Köche e outros – qual o benefício do recorrente?), e d) cheques para fornecedores de produtos de empresas ligadas à fiscalizada (06Tirloni Me, 11frigoríficos, e outros – onde está o benefício do recorrente?) Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 20 20 Afirma que nada disso foi comprovado e que não há como fazer prova negativa. Diz que não se pode confundir interesse contraposto com interesse comum, especialmente quando duas empresas realizam vários contratos assessoria e empreitada. Acrescenta que no que tange às esperadas e cobradas (na decisão) adimplências pertinentes aos contratos de empreitada por parte da Termann em favor da fiscalizada, haveria duas situações que restaram definidas após o trabalho fiscal: a) a fiscalizada não terminou o contrato de empreitada do imóvel de 474 m2. e por isso não lhe foi paga as três últimas; e, b) Neste ínterim, o MPE, por meio de ação cautelar de seqüestro, que tramita na 3ª Vara Cível de Novo Hamburgo, bloqueou todos os recursos do recorrente e da fiscalizada; assim, não havia dinheiro para pagar, logo, a fiscalizada não podia cobrar, e ela sabia disso porque é ré na mesma. No que tange ao MPE, destaca que a Promotora de Justiça foi removida do município conforme cópia de reportagem de jornal, de 27.11.2008. Aduz que o acórdão, de fls. 1806, destaca como receita sem origem que favoreceu ao recorrente, os valores pagos pela empresa Ribas Construtora Ltda, o que seria uma contradição, pois constaria nas folhas 1274 e seguintes, que foi contabilizado pela fiscalizada e pela empresa Ribas Construtora Ltda, os pagamentos em dinheiro e em cheque, por conta de serviços prestados; e estando contabilizada a movimentação financeira entre ambas, qual seria a prova de que o recorrente seria beneficiado daquele valor? Responde: Nenhuma. Não haveria como provar que a fiscalizada não recebeu e que o recorrente sim. Destaca que o ônus da prova é da fiscalização. Ressalta ainda que o recorrente é estranho aos fatos: não haveria qualquer comprovação da ascendência desta sobre aquela – contrato social, procuração, fotografia no caixa eletrônico ou outra forma. Também não seria crível que expressões do tipo Beto, Beto fez direito, ou outras escritas em depósitos realizados ou no verso do cheque, tenham o condão de decretar que o recorrente, que se chama Roberto, seria solidário passivo das obrigações tributárias. Afirma que isso não é prova, nem indício e nem indício de prova. Quanto ao enfrentamento da parte final do acórdão (fl. 1807), no qual foi destacado que a empresa Termann não possuía receitas para pagar os empreendimentos, pois não provou que tenha prestado assessoria. Seria temerária e lastimável a conclusão de que, no trabalho fiscal de que contrato verbal não existe; que a decisão omite que a Termann conforme final da fls. 1806, vendeu as unidades na planta, logo além da receita de assessoria, havia também a receita da venda das unidades e a receita pessoal do recorrente, visto que atuava em vários órgãos da municipalidade, desde 1996. Conclui que inexistindo prova de interesse comum, e sim interesse contraposto, seria impossível de reconhecer qualquer forma de entrelaçamento de interesses do recorrente com a fiscalizada, para fins de tributação. É o relatório. Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 21 21 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima Os recursos voluntários da contribuinte autuada e do Sr. Roberto Tessman (a quem foi atribuída a responsabilidade solidária) atendem às condições de admissibilidade e devem ser conhecidos. Tratase de duas infrações: a) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não corresponde ao informado na contabilidade, com fundamento legal no art. 42 da Lei 9.430/96; para parte das exigências foi aplicada a multa de ofício de 150%; b) Pagamentos sem causa a beneficiário não identificado na contabilidade, com fundamento no art. 674 do RIR/99. Passo a apreciar os argumentos da contribuinte, em relação à infração de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não corresponde ao informado na contabilidade: O art. 42 da Lê 9.430/96 dispõe: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) Depreendese do dispositivo legal acima transcrito, que os recursos com origem comprovada e que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições, submeterseão às normas de tributação específicas. Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 22 22 A presunção do art. 42 da Lei 9.430/96, aplicase à situação de falta de comprovação da origem dos recursos depositados/creditados junto às instituições financeiras, que não tenham sido contabilizados como receitas. Consta no Relatório fiscal: Observamos que em atendimento aos termos solicitados a fiscalizada apresentou três versões diferentes para tentar justificar a origem dos depósitos. O que de fato ocorreu, é que a fiscalizada, num momento anterior, debitava a conta caixa quando seus cheques eram emitidos (conforme item 3.3 do Relatório). Ao mesmo tempo em que recebia recursos sem origens em sua conta bancária, entre eles muitos de fornecedores da Prefeitura de Novo Hamburgo, ela se desfazia destes recursos, através da emissão de cheques, os quais também não interessava identificar o beneficiário. Assim, para encobrir o que de fato ocorria, utilizava o expediente de debitar e creditar a conta "caixa" de forma que a contabilidade "fechasse" pela soma de débitos e créditos. Exemplificamos as operações abaixo: Momento 1: A fiscalizada emite nota fiscal de serviços e recebe os recursos. Contabilidade: credita a conta clientes e debita a conta banco (banrisul). Momento 2: A fiscalizada emite um cheque (para terceiros). Contabilidade: credita a conta banrisul e debita a conta caixa. Momento 3: A fiscalizada recebe um recurso depositado no banco (sem origem comprovada). Contabilidade: debita a conta banrisul e credita a conta caixa. Assim, estou entendendo que a fiscalização detectou a situação relativa ao momento 2, quando o caixa da empresa está inflado pela contabilização a débito de valores de cheques emitidos para terceiros (compensação bancária), e no momento 3, recebe valores sem origem comprovada que são depositados em sua conta corrente, sendo que sua contabilidade registra que esses valores estavam no caixa da empresa. Também consta no Relatório Fiscal: Através da Quebra do Sigilo Bancário, descrito no capitulo IV deste Relatório, foi possível obter cópias de alguns cheques que foram depositados na conta bancária da Construtelmo. Identificamos, assim, que os cheques foram emitidos pelas empresas Ribas Construtora Ltda, CC Pavimentadora Ltda, Construtora e Pavimentadora Pavicon Ltda e Comercial Empreiteira Fagundes Ltda, todas prestadoras de serviços à Prefeitura de Novo Hamburgo. Também identificamos cheques Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 23 23 emitidos pelo Sr. Jandir dos Santos Ribas e Cláudio de Moraes, sócios das empresas Ribas Construtora Ltda e CC Pavimentadora Ltda, respectivamente. Os cheques emitidos pelas citadas pessoas, estão relatados com maior amplitude no item 5.4 deste Relatório. Ou seja, a fiscalização conseguiu identificar os emitentes dos cheques depositados, para alguns casos, mas, não conseguiu identificar qual a razão desses pagamentos. A comprovação da origem de cada depósito/crédito efetuado nas contas correntes bancárias é obrigação do sujeito passivo. A falta da comprovação da origem dos recursos implica na caracterização da infração de omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, acima transcrito. Em seu recurso, argumenta a contribuinte que se o montante dos depósitos fosse superior ao faturamento demonstrado na contabilidade, aí sim, poderia ser considerada a existência de depósitos bancários, sem comprovação, entretanto, é exatamente o que ocorreu, conforme se depreende da tabela contida no relatório. O valor das receitas consideradas como emitidas é inferior a diferença entre os depósitos bancários e a receita declarada. A recorrente também argumenta que nos dias de hoje, com a difusão dos cheques prédatados é comum os empresários pagarem suas despesas e custos com cheques que recebeu de seus clientes e afirma não existir vedação legal que o proíba. Esse fato não o desobriga de esclarecer a origem de cada depósito/crédito efetuado em sua conta corrente bancária. Assim, o lançamento relativo a omissão de receitas deve ser mantido. Passo a apreciar a matéria relativa à acusação de existência de pagamentos a beneficiários não identificados na contabilidade ou cuja operação/causa não tenha sido comprovada, mediante o levantamento de cheques que não foram utilizados para suprir a conta caixa, pois foram compensados em contas de terceiros, sem qualquer justificativa ou comprovação. Acusa a fiscalização: Tendo em vista que a fiscalizada, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a operação ou causa dos cheques emitidos da sua conta corrente no Banco do Estado do Rio Grande do Sul — Banrisul, nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2004, que comprovadamente não foram para a conta caixa da empresa, como quer fazer crer sua contabilidade, mas depositados em conta de terceiros, sendo compensados e identificados na planilha anexa ao presente Relatório, consideramos os mesmos como pagamentos sem causa a beneficiários não identificados. Esse item do lançamento foi fundamentado no art. 674 do RIR/99, que assim dispõe: Art.674.Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 24 24 ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1ºA incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2ºConsiderase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §2º). §3ºO rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §3º). Portanto, o art. 674 do RIR/99, com origem na Lei 8.981/95, art. 61, dispõe que todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ou os pagamentos efetuados e recursos entregues a terceiros, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. Tratase de uma presunção legal, que obriga o sujeito passivo a comprovar o beneficiário dos pagamentos ou recursos entregues a terceiros, bem como, a causa do pagamento. Observese que essa presunção legal aplicase a pagamentos contabilizados ou não. No caso, a contabilidade da autuada não registrou o real beneficiário dos pagamentos, entretanto, a fiscalização obteve a cópia dos cheques e intimou a interessada a comprovar a causa dos pagamentos. Argumenta a interessada que um cheque pode ter sido utilizado para efetuar diversos pagamentos. Ainda que tivesse ocorrido essa situação, mesmo assim, teria que comprovar os beneficiários dos pagamentos e a causa dos mesmos. Quanto à alegação de que as provas estão com o próprio auditor que teria confiscado todos os documentos e livros contábeis da recorrente, consta no Termo de encerramento da ação fiscal, fls. 1405, que em 14.06.2006, foram devolvidos todos os livros e documentos utilizados na fiscalização, no estado em que foram recebidos. Ademais, atender às intimações fiscais é dever do contribuinte, e ainda, o termo de encerramento foi assinado pelo representante da recorrente, e não consta no mesmo, qualquer registro contestando a devolução dos documentos e livros fiscais. Também não é o caso de aplicação do art. 112 do CTN pretendida pela autuada, pois, não há dúvida em relação à aplicação da presunção legal do art. 42 da lei 9.430/96 e do art. 61 da Lei 8.981/95. Sobre os argumentos de inconstitucionalidade, conforme dispõe a súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também não é o caso de bis in idem, pois, uma situação é o fato dos depósitos/créditos não terem origem comprovada, de que trata o art. 42 da Lei 9.430/96, e outra Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 25 25 situação é a realização de pagamentos sem causa, ou pagamento a beneficiário não identificado, de que trata o art. 61 da Lei. 8.98l/95. A afirmação da recorrente de que se está tributando pela receita comprovada com a nota fiscal de serviço emitida e pela emissão de cheques que pagaram os serviços prestados, não se sustenta, por falta de comprovação. Em momento algum, a contribuinte comprovou que ofereceu à tributação os valores dos depósitos/créditos identificados no Relatório Fiscal e tampouco que tenha pagado com os cheques também identificados no Relatório Fiscal, serviços que lhe foram prestados. Passo a apreciar o recurso do responsável solidário. A fundamentação da atribuição de responsabilidade solidária ao Sr. Roberto Tessmann, nos termos do art. 124, I, do CTN, foi baseada no capítulo V, do Relatório Fiscal, e particularmente: a) pelo fato do Sr. Roberto Tessmann e sua empresa, a Termann Assessoria Empresarial Ltda, transitarem com liberdade e desenvoltura pelos principais negócios da fiscalizada; b) pelo fato da fiscalizada permitir o recebimento e pagamento de recursos que dizem respeito tão somente ao Sr. Roberto Tessmann e sua empresa; c) pelo fato da Termann realizar contratos de empreitada cujos benefícios recaem na pessoa do Sr. Roberto Tessmann; d) por ter sido constatado o padrão de vida modesto dos sócios da fiscalizada, em visível contraste com o Sr. Roberto Tessmann e sua empresa; e) por ser o Sr. Roberto Tessmann, de fato, o real beneficiário dos negócios realizados pela fiscalizada. O item V do Relatório fiscal aborda as relações da fiscalizada com a Termann Assessoria Empresarial Ltda e seu sócio majoritário Sr. Roberto Tessmann. A empresa Termann Assessoria Empresarial Ltda, no período de 2001 a 2004, adquiriu veículos e imóveis, contratou empresas, entre as quais, a Construtelmo e a Construlest (outra empresa que serviu aos propósitos do Sr. Roberto Termann), para edificar construções nos mesmos, e por fim, teria prestado serviços de assessoria a empresas, entre as quais, a Construtelmo. Por meio de diligências, a fiscalização constatou que a Termann não tinha recursos para aquisição dos bens, não prestou serviços à Construtelmo ou a terceiros, e tampouco, efetuou ou recebeu qualquer pagamento. Ressaltou a autoridade fiscal, que nos contratos de empreitada não houve qualquer benefício relevante para as contratadas, somente para o contratante. Acusa a fiscalização que a Termann forjou receitas, para usar a renda para dar “origem” a recursos utilizados na aquisição de imóveis, e estando esses imóveis em nome da empresa, livrarseia de uma possível vinculação de suas atividades como Secretário de Planejamento da Prefeitura de Novo Hamburgo e aumento incompatível de seu patrimônio. Dessa forma, o Sr. Roberto Tessmann obteve benefícios próprios, sem ter se utilizado de sua Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 26 26 renda declarada, sendo que os imóveis adquiridos e veículos sequer foram registrados no livro caixa da empresa. Concluiu a fiscalização que o Sr. Roberto Tessmann teve participação decisiva nos atos de gestão da Construtelmo. No relatório fiscal há a transcrição de parte do relatório da ação fiscal desenvolvida na pessoa física de Roberto Tessmann, relativa às atividades de sua empresa Termann Assessoria Empresarial Ltda e informa que na mesma data foi lavrado auto de infração em nome dessa pessoa física. Essa parte do relatório evidencia que foram efetuadas diversas diligências em pessoas jurídicas que supostamente teriam contratado a empresa Termann para que esta prestasse serviços de assessoria às mesmas. Depreendese de tal relatório, que não há provas de que esses serviços teriam sido prestados. O Sr. Roberto Tessmann, informou à fiscalização que os serviços teriam sido prestados, na maior parte, na sede das empresas, em seus escritórios, em reuniões, jantares, viagens, exposições, na sua residência e por telefone. A maior parte dos pagamentos foi efetuada em dinheiro. Ou seja, são contratos verbais, sem produção de documentos materiais que comprovem a efetiva prestação de serviços. O recorrente aduz que a base do argumento em seu desfavor nasceu a partir do proc. 11065.001577/200602 e que desistiu do recurso, aderiu às normas da Lei 11.941/2009 e pagou a dívida à vista; e que eventuais efeitos dos percalços contábeis levantados em seu desfavor foram resolvidos, e estando a dívida extinta pelo pagamento, não poderia o mesmo argumento servir para condenar em outro processo administrativo. Acrescenta que sendo o relatório de um, base para outro, e se trata do mesmo assunto, mesmas partes e mesma causa de pedir, e se lá foi quitado, neste não poderá surtir efeitos sob pena de litispendência (inc. V, art. 301, CPC), que por sua vez, determinaria a extinção do feito, sem exame do mérito. Conforme consulta ao Comprot, via internet, verificase que o proc. 11065.001577/200602 referese a auto de infração do IRPF em nome do Sr. Roberto Tessmann. Entretanto, as infrações que estão em discussão no presente processo não têm relação com exigências do IRPF, em nome do Sr. Roberto Tessmann, como pessoa física. Se foi utilizada parte do mesmo relatório em ambos os processos, foi para esclarecer melhor a estratégia utilizada pela empresa Termann para, aparentemente, obter receitas e tentar justificar o aumento de patrimônio da empresa Termann que beneficia seu sócio Roberto Tessmann. Ou seja, essa parte do relatório foi utilizada para ajudar na fundamentação da atribuição da responsabilidade solidária ao Sr. Roberto Tessmann. Em relação à ligação do Sr. Roberto Tessmann com a empresa Construtelmo, destacamos os seguintes fatos do Relatório Fiscal: a) A Construtelmo foi contratada pela Termann (que tem como sócio majoritário o Sr. Roberto Tessmann) para construir dois pavilhões geminados, com área de 671 m2, no valor de R$ 96 mil, para pagamento em 24 meses. Diligência na Termann mostrou que, quatro anos da celebração do contrato, não houve o registro de qualquer pagamento à Construtelmo, embora o prédio estivesse pronto, e que não houve emissão de notas fiscais à Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 27 27 Termann; o contrato não foi registrado; o imóvel foi alugado pela Termann a partir de julho de 2002; b) A empresa Construtelmo foi contratada pela Termann, em 2001, para a construção de um prédio comercial, de 474 m2, com preço de R$ 100 mil reais, em 20 parcelas mensais e consecutivas. No livro caixa da empresa Termann constava diversos pagamentos à Construtelmo, não espelhados em cheques ou transferências bancárias. A contabilidade da Construtelmo é silente, quanto ao registro de tais recebimentos, firmando a convicção de que os pagamentos jamais foram realizados, sendo que não houve emissão de notas fiscais à Termann; c) Fatos que evidenciam informalidade entre as empresas: Pagamentos efetuados pela Construtelmo relativos a despesas da Termann, entre eles, pagamentos ao Ofício de Registro de Imóveis de Novo Hamburgo (custas referentes à incorporação do Conj. Residencial Termann, contabilizado como a crédito da conta Banrisul e a débito da conta caixa) e ao 1º Tabelionato de Novo Hamburgo (nota de emolumentos) – não haveria razão para que a despesa de terceiros fosse paga sem registrar o fato adequadamente; d) Fatos que evidenciam informalidade entre o Sr. Roberto Tessmann e a Construtelmo: depósitos efetuados pelo Sr. Roberto Tessmann na conta bancária da Construtelmo (um cheque emitido pela COMUSA em nome do Sr. Roberto Tessmann e um cheque da própria conta bancária do Sr. Roberto Tessmann) – os lançamentos contábeis no Livro Diário da Construtelmo indicam que os recursos depositados foram originários de sua própria conta caixa; e) O fato de não haver provas da efetiva prestação de serviços de assessoria por parte da empresa Termann à Construtelmo (que seriam prestados pelo Sr. Roberto Tessmann), aliás, a Termann não provou a efetiva prestação de serviços a nenhuma das empresas diligenciadas; f) padrão de vida modesto dos sócios da fiscalizada, em visível contraste com o Sr. Roberto Tessmann e sua empresa; g) o fato dos emitentes dos cheques que foram depositados na conta bancária da Construtelmo serem de empresas fornecedoras da Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo, cujo Secretario de Planejamento era o Sr. Roberto Tessmann, sendo que os registros contábeis nessas empresas indicaram desconhecimento do destino dos cheques (débito da conta caixa) e existir a anotação em alguns desses cheques, tais como: Beto, Tessmann; h) o fato dos emitentes daqueles cheques que foram depositados na conta bancária da empresa serem de sócios de empresas fornecedores da Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo, cujo Secretário de Planejamento era o Sr. Roberto Tessmann, sendo que esses depósitos foram efetuados no posto bancário do Banrisul, localizado nas dependências da Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo: (Jadir dos Santos Ribas: o fato de no mesmo dia, no mesmo posto bancário, mesma máquina autenticadora de caixa e com número de autenticação seqüencial de documento, a Termann ter efetuado pagamentos de IRPJ e de CSLL; Cláudio de Moraes: Por que um cheque emitido por sócio da CC Pavimentadora Ltda, com sede na cidade de Porto Alegre e que presta serviços à PM de Novo Hamburgo foi depositado na conta bancária da Construtelmo? Qual relação poderia ter este sócio com a Construtelmo já que esta nunca emitiu qualquer nota fiscal a ele ou a essa pessoa jurídica?). Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001677/200621 Acórdão n.º 140200.853 S1C4T2 Fl. 28 28 O Sr. Roberto Tessmann menciona diversos cheques que não teriam relação pessoal com ele, entretanto, a fiscalização não afirmou que todos os cheques beneficiaram diretamente o Sr. Roberto Termann, mas sim, identificou benefícios à empresa Termann, da qual é sócio majoritário, e que em conseqüência o beneficiaram. O conjunto dos fatos nos leva a concluir que a fiscalização tem razão, em atribuir a responsabilidade solidária, de que trata o art. 124, I, do CTN ao Sr. Roberto Tessmann, pois evidenciam que ele teve participação decisiva nos atos de gestão da Construtelmo, com interesse comum. Aplicase o decidido em relação ao tributo principal, às exigências decorrentes de CSLL, Contribuição para o PIS e COFINS, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento aos recursos, mantendo a atribuição da responsabilidade solidária ao Sr. Roberto Tessmann. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.687314/2009-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE.
A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
Numero da decisão: 3002-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA FISCAL. FINALIDADE. A diligência fiscal tem a finalidade de dirimir dúvidas sobre fatos relacionados ao litígio, não de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 73 14 /2 00 9- 45 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.687314/200945 Acórdão n.º 3002000.059 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins e requer a compensação de R$ 15.865,52, relativos ao período de apuração de dezembro/2006, com débitos de IRPJ. O Per/Dcomp foi transmitido em maio/2008 (fls. 7 a 11). Por meio de despacho decisório à fl1. 2, a Derat São decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual expressou seu entendimento de que a compensação teria sido negada pela ausência de análise do DACON, que havia sido retificado antes do pedido de compensação, e solicitava a sua apreciação conjuntamente com a da DCTF, que não havia sido retificada, mas para a qual solicitava retificação de ofício a ser realizada pela Receita Federal (fls. 12 a 15). Instruiu sua manifestação de inconformidade com cópia do despacho decisório, procuração, contrato social e recibo de retificação de Dacon (fls. 16 a 28). A Delegacia de Julgamento proferiu o Acórdão nº 1638.056 (fls. 31 a 37), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, tendo em vista a inexistência de prova do alegado direito de crédito, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2006 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora 1 A numeração informada segue a que foi atribuída pelo eprocesso, e não a realizada manualmente. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.687314/200945 Acórdão n.º 3002000.059 S3C0T2 Fl. 4 3 munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi totalmente utilizado para quitar outro débito do Contribuinte, a compensação não poderá ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual apresentou as seguintes alegações (fls. 40 a 90): a) a recorrente é empresa prestadora de serviço (organização de feiras e eventos) e, à época dos fatos, apurava as contribuições sociais na modalidade nãocumulativa, tendo deixado de se creditar de despesas incorridas "em razão da dubiedade da legislação", o que implicou em pagamento a maior de Cofins em dezembro/2006; b) solicita o creditamento das despesas de aluguel de pavilhão das empresas Adm. Vera Cruz, Corumbal e Orion (contas 816700, 816702 e 816704) e das despesas de manutenção corretiva ou preventiva (contas 845785, 845790 e 845805), com fundamento, respectivamente, nos incisos IV e VII do art. 3º da Lei nº10.833, de 2003; c) o creditamento dessas despesas foi solicitado dentro do prazo decadencial e foram efetuadas as retificações necessárias no DACON; d) a título de comprovação do direito ao crédito, juntase ao recurso voluntário cópia dos registros no Livro Razão das contas relacionadas acima (fls. 60 a 71), DACON retificador (fls. 72 a 86) e planilha de apuração dos débitos e créditos de PIS/Cofins em 2006 (fls. 87 a 90); e e) a recorrente requer que, caso a documentação juntada seja insuficiente para a formação de convicção, que o julgamento seja convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.687314/200945 Acórdão n.º 3002000.059 S3C0T2 Fl. 5 4 Requer a recorrente que se aprecie prova trazida aos autos pela primeira vez apenas nesta fase recursal, sem maiores considerações sobre a omissão em fazêlo no momento oportuno. Sobre esse ponto irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) A demonstração da certeza e liquidez, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus que pertence ao requerente. Define o Código de Processo Civil (CPC) em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Dessa forma, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10880.687314/200945 Acórdão n.º 3002000.059 S3C0T2 Fl. 6 5 § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Disso decorre que a recorrente deveria ter explicado suas razões e juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. Esses dispositivos legais, fundamentais no contencioso administrativo, visam garantir, entre outros, que regra geral uma matéria somente seja apreciada em segunda instância após sua apreciação, na integralidade do que compõe o contraditório, pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, promovemos a supressão do exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância. Não obstante a clareza do dispositivo, nenhum preceito foi atendido. Não se informou na manifestação de inconformidade qual seria o fundamento jurídico para o pedido de compensação e, quanto aos documentos probatórios, juntouse apenas um recibo de entrega da retificação do DACON, além de não ter sido providenciada a retificação da DCTF, que permaneceu em desacordo com o DACON e com o Per/Dcomp. A recorrente não logrou demonstrar sequer indício de direito em sua manifestação de inconformidade. Nos §§ 4º e 5º do art. 16 do PAF, acima transcritos, estão explicitadas as hipóteses em que, mediante petição fundamentada, podese aceitar a apresentação de prova documental após a manifestação de inconformidade: quando impossível a sua apresentação oportuna, por força maior; quando se refira a fato ou direito superveniente; ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Em não ocorrendo nenhuma dessas situações, está precluso o direito de juntada de provas, o que é o caso destes autos. Entretanto, ressalvase que haveria situações em que se poderia aceitar a juntada posterior e, para tanto, concorreria o fato de o contribuinte ter providenciado uma manifestação de inconformidade bem fundamentada, já com elementos relevantes de prova, somado à força probatória acrescida pela nova documentação que se quer juntar ou pela existência de alguma singularidade no transcorrer do processo. Em suma, é condição que o contribuinte tenha desempenhado minimamente sua atividade probatória. No presente caso, após uma manifestação de inconformidade quase nula de informações relevantes, temos um recurso voluntário que pretende remediar a omissão e afinal expor razões e provas. Finalmente ficamos sabendo as razões de pedir – creditamento relativo às despesas com aluguel de prédios utilizados nas atividades da empresa e benfeitorias em imóveis também utilizados nas atividades da empresa, incisos IV e VII do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.687314/200945 Acórdão n.º 3002000.059 S3C0T2 Fl. 7 6 E em relação às provas, são anexados 3 documentos ao recurso: 1) cópias das folhas do Livro Razão que contêm as despesas de aluguel de terrenos e benfeitorias; 2) planilha de créditos e débitos de PIS/Cofins elaborada pela própria empresa; e 3) DACON retificado, na íntegra. Em tese, uma empresa prestadora de serviços de organização de eventos poderia se creditar das despesas citadas, mas é necessário que seja demonstrado, de fato, que incorreu em tais despesas, que elas se relacionaram com o desempenho das atividades da empresa, que foram adequadamente apropriadas, com respeito à legislação do IRPJ, e que está correta a nova composição da base de cálculo da Cofins, o que não é tarefa simples e creio não ter sido alcançada com a mera apresentação do livro razão. Quando se trata de creditamento de despesas com benfeitorias, temos a complexidade adicional de a forma de creditamento depender de os dispêndios serem tratados como custo ou despesa no resultado do exercício ou capitalizados no ativo da pessoa jurídica, como encargos de depreciação. Dentre as despesas que a recorrente se creditou encontramos itens de compra de material de todo o tipo e itens de pagamentos por serviços de manutenção/reforma. Pela planilha, constatamos que ele não se creditou da totalidade dessas despesas, algumas tendo sido por ele classificadas como despesas administrativas. Mas o critério adotado está correto? O tratamento das despesas com compras é diferente daquele que se aplica às despesas com realização de melhorias. Algumas dessas reformas sugerem ultrapassar a vida útil de um ano, caso em que deveriam ser ativadas para serem depreciadas ou amortizadas. Procedeu dessa forma o contribuinte? Em que edificações foram realizadas essas benfeitorias? Relacionamse com as atividadesfim da empresa? Não há como saber. Estamos diante de uma realidade complexa que demandaria a análise pela unidade de origem de um conjunto de documentos contábeis/fiscais, hábeis e suficientes. Mas para tanto a recorrente deveria ter agido no momento certo. Em julgamento de primeira instância, em se constatando a insuficiência do livro razão, poderia ter havido intimação para complementação da instrução probatória. Demandar diligência neste momento, visando a suprir sua própria omissão em relação a seu ônus probante, não é razoável. A diligência se presta à sanar dúvidas sobre os fatos relacionados ao litígio, a partir da instrução promovida pelo interessado. É de se ressaltar que a concessão de exceções à regra posta deve ser realizada com muito zelo, sob pena de a tornar letra morta e violar princípios caros ao direito administrativo como a legalidade, eficiência e razoabilidade. Com frequência, deparase com pedido para juntada intempestiva de provas em nome do princípio da verdade material, que é um norte para o direito tributário, mas que não pode ser utilizado para afastar as demais normas e princípios que devem ser igualmente atendidos pelas partes em prol do devido processo. Devese buscar um equilíbrio razoável entre os princípios e o respeito à norma posta quando ela claramente define um limite temporal. A avaliação dos documentos e do histórico do contribuinte no processo nos leva a concluir que não estão presentes os elementos que possam autorizar a excepcionalidade de se iniciar a produção de provas em fase de recurso voluntário. Tendo em vista a omissão do contribuinte em fase anterior e a ausência de justificativa sobre essa omissão, somado ao fato Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.687314/200945 Acórdão n.º 3002000.059 S3C0T2 Fl. 8 7 de que mesmo os documentos tardios não trazem certeza nem liquidez ao crédito pleiteado, determinar diligência neste momento, como requerido, estendendo por tempo indefinido este julgamento, significaria prolongar esta lide sem motivação legal. Pelo exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.725455/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.
O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.
O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
ALEGAÇÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL.
A Impugnação marca o momento de apresentação de razões de defesa e provas pertinentes. É preclusa a matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. A apresentação posterior de provas deve demonstrar as circunstâncias ensejadoras previstas no §4º do art. 16 do mesmo Decreto.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008
DECADÊNCIA. PRAZO PARA LANÇAMENTO.
Conforme decisão vinculante do STJ no Resp 973.733/SC, o prazo para lançamento conta-se pela previsão do art. 173, I do CTN, no caso de ausência de pagamento, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões, quanto à decadência e o ICMS na base de cálculo, os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 ALEGAÇÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. A Impugnação marca o momento de apresentação de razões de defesa e provas pertinentes. É preclusa a matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. A apresentação posterior de provas deve demonstrar as circunstâncias ensejadoras previstas no §4º do art. 16 do mesmo Decreto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 DECADÊNCIA. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Conforme decisão vinculante do STJ no Resp 973.733/SC, o prazo para lançamento conta-se pela previsão do art. 173, I do CTN, no caso de ausência de pagamento, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões, quanto à decadência e o ICMS na base de cálculo, os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
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INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. O ICMS integra os valores contidos no conceito de receita bruta, conforme legislação, e compõe a base de cálculo do Pis e da Cofins, conforme julgamento do STJ no Resp 114469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 ALEGAÇÕES DE DEFESA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. A Impugnação marca o momento de apresentação de razões de defesa e provas pertinentes. É preclusa a matéria não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. A apresentação posterior de provas deve demonstrar as circunstâncias ensejadoras previstas no §4º do art. 16 do mesmo Decreto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 DECADÊNCIA. PRAZO PARA LANÇAMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 54 55 /2 01 3- 45 Fl. 651DF CARF MF 2 Conforme decisão vinculante do STJ no Resp 973.733/SC, o prazo para lançamento contase pela previsão do art. 173, I do CTN, no caso de ausência de pagamento, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões, quanto à decadência e o ICMS na base de cálculo, os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Tratase de Autos de Infração lavrados por insuficiência de pagamento das Contribuições para a Cofins no valor de R$24.341.448,02 e para o PIS no valor de R$5.272.776,62, conforme Auto de Infração de fls.02/14, referente ao período de apuração de janeiro de 2008 a setembro de 2008. Os lançamentos foram realizados à vista do contido no Termo de Verificação Fiscal e anexos, fls.15/21. Inicialmente, a fiscalização fez constar que os trabalhos foram abertos em decorrência de provocação do Ministério Público Federal, pois a contribuinte estaria relacionada como integrante de esquema de fraude de combustíveis. Informa que solicitou planilhas de apuração da contribuição para o PIS e para a Cofins relativas aos anos de 2008 e 2010. A empresa solicitou prorrogação de 30 dias, prazo não cumprido, ensejando nova intimação, a qual obteve como resposta que os documentos estariam sob sigilo fiscal e que ela não detém as planilhas solicitadas, entregando cópias do contrato social. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10830.725455/201345 Acórdão n.º 3201003.404 S3C2T1 Fl. 651 3 Assim, a fiscalização elaborou outra intimação, com aviso de recebimento em 05/11/2012, a qual foi respondida em 27/12/2012, repetindo o contido na resposta anterior. Desta feita, a autoridade fiscal lavrou nova intimação fiscal e frisou que o não atendimento caracterizaria a lavratura de termo de embaraço de fiscalização. Em resposta, a contribuinte reafirma a necessidade do contencioso para continuidade da fiscalização. (fl.18) Diante dos fatos e omissões, a autoridade formou convicção da necessidade da qualificação da multa de ofício e também constatou: A empresa declarou em Declarações de Débitos e Créditos Federais – DCTFs, do ano de 2008, tributos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Renda Retido na Fonte, mas sonegou informações quanto às contribuições do PIS e Cofins, nestas, ferindo desta forma o art. 1o. da 8.137/90, inciso I. Informou que a contribuinte é distribuidora de combustíveis e estava sujeita no ano de 2008 ao regime monofásico concentrado nas alíquotas de 6,74% e 1,64% para as contribuições para a Cofins e para o PIS, sobre a receita bruta na venda de álcool carburante. Concluiu, a autoridade fiscal, que as omissões em DCTF ensejavam o lançamento de ofício dos valores omitidos, assim encerrando os trabalhos, com a lavratura da Representação Penal para Fins Penais. Inconformada, a autuada apresentou a Impugnação de fls.3227/3271. Inicialmente, a interessada alega que a exigência teria sido atingida pelo transcurso do prazo decadencial, tendo em vista o disposto no art. 150 do Código Tributário Nacional e a data de ciência do auto de infração, ocorrida em 24/09/2013. Alega que a multa por embaraço é indevida, pois “tudo que lhe fora solicitado nos limites da lei foram entregues ao Agente Fiscal de renda dentro dos prazosestabelecidos. Ocorre que AGFR insistia em exigir da Impugnante documentos que a mesma não mais dispunha e informações sigilosas em foram a qual não estava obrigada produzir.” No tocante ao mérito, a contribuinte alega que o art. 155, §3º da Constituição Federal, de 1988, estabeleceu a imunidade das operações relativas a derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País em relação a quaisquer tributos, exceto imposto de importação, exportação e ICMS. Como as contribuições nomeadas PIS e Cofins têm natureza tributária e também porque as vendas de derivados de petróleo, de combustíveis e de minerais do País constituem operações com tais mercadorias, a receita bruta da empresa estaria ao abrigo Fl. 653DF CARF MF 4 da imunidade prescrita na citada disposição constitucional. Assim, seria incabível a presente exigência. Também, entende ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo para apuração do valore devido e cita julgado do STF no RE n. 559937, transcrevendo partes do acórdão. A interessada discorre, a seguir, sobre o instituto da denúncia espontânea, postulando o cancelamento da multa. Seria também, a seu ver, inconstitucional a cobrança da penalidade e dos juros de mora sem a prévia notificação e a abertura do contencioso administrativo previamente à sua cobrança, por configurar cerceamento ao exercício do direito de defesa do contribuinte, bem como representarem verdadeiro e inconstitucional confisco. Por fim, solicita diligência e que as intimações sejam enviadas em nos dos advogados, indicando o endereço. A DRJ/Ribeirão Preto/SP – 4ª Turma, por meio do Acórdão 1455.861, de 18/12/2014, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Prestigiase o lançamento que respeitou esse prazo. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. OPERAÇÕES COM COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. INAPLICÁVEL. A imunidade prevista no art. 155, § 3º, da Constituição da República de 1988, alcança apenas as operações com os produtos ali elencados, mas não o produto decorrente de tais operações, como o faturamento. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. O percentual da multa de ofício, assim como o índice usado para cálculo dos juros de mora decorrem de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10830.725455/201345 Acórdão n.º 3201003.404 S3C2T1 Fl. 652 5 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Prestigiase o lançamento que respeitou esse prazo. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. OPERAÇÕES COM COMBUSTÍVEIS. IMUNIDADE. INAPLICÁVEL. A imunidade prevista no art. 155, § 3º, da Constituição da República de 1988, alcança apenas as operações com os produtos ali elencados, mas não o produto decorrente de tais operações, como o faturamento. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. O percentual da multa de ofício, assim como o índice usado para cálculo dos juros de mora decorrem de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlasnecessária, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis. INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO SOLICITAÇÃO DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO INDICADO FALTA DE PREVISÃO LEGAL INDEFERIMENTO. A solicitação de intimação pessoal do advogado de todos os atos do processo administrativo, e não somente do sujeito passivo, deve ser indeferida por contrariedade ou falta de previsão legal destes em relação à legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de ilegalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua Fl. 655DF CARF MF 6 competência o julgamento da matéria, do ponto de vista legal. A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos de defesa da Impugnação, com exceção da matéria relativa a denúncia espontânea. Acrescenta arguição de matérias relativas a semestralidade do Pis, descontos de gastos com fretes e cerceamento do direito de defesa. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo. Juízo de conhecimento As matérias relativas à semestralidade do Pis, descontos dos gastos com frete e cerceamento do direito de defesa não foram arguidos na Impugnação, restando preclusas, conforme art. 171 do Decreto 70.235/72, combinado com art. 2782 e 5073 do novo CPC. Preliminar de decadência A recorrente suscita a decadência de parte do lançamento. A ciência ocorreu em 24/09/2013 (fl. 22). A decadência, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, dáse no prazo de 5 anos contados do fato gerador, no caso de existência de pagamentos, ou nos casos em que a lei não preveja o pagamento antecipado, conforme. decisão do Superior Tribunal de Justiça – Resp 973.733/SC, no regime dos recursos repetitivos. Tal decisão é vinculante para as Turmas do Carf, consoante art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. 4 No caso de ausência de pagamentos, o termo de início da contagem se dá pelo art. 173, I do CTN, isto é, a partir do primeira dia do exercício seguinte. Conforme se verifica à fl. 463, não houve pagamento de Pis ou Cofins para o período lançado. Houve apenas pagamentos de IRRF (código 0561), IRPJ (código 0220) e CSLL (código 6012). Portanto, a contagem se iniciou em janeiro de 2009, terminando em dezembro de 2014. Assim, não há decadência. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. 3 Art. 507. É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a cujo respeito se operou a preclusão. 4 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10830.725455/201345 Acórdão n.º 3201003.404 S3C2T1 Fl. 653 7 Mérito Imunidade de petróleo e derivados, caráter confiscatório das multas e juros aplicados Nessas matérias a recorrente invoca inconstitucionalidades da legislação tributária. Entretanto, é vedado aos colegiados do Carf afastar a legislação sob o argumento de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula Carf nº 2, art. 26A do Decreo 70.235/72 e Art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 ICMS na base de cálculo do Pis e Cofins A recorrente sustenta que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições nãocumulativas, apresentando jurisprudência a respeito. A base de cálculo da Cofins, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, é a receita bruta, cf. art. 1º, caput, e §1º, da Lei 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. A Receita Bruta é definida pelo art. 12 do Decretolei 1.598/77, com a seguinte redação então vigente: Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Como se vê, a exclusão dos tributos incidentes somente se faz para encontrar o valor da receita líquida, conforme §1º. Para o Pis (Lei 10.637/2002) a redação é semelhante. Desse modo, conforme expressa definição legal, a base de cálculo do Pis e da Cofins abrange os tributos incidentes sobre a receita bruta ou faturamento, tais como o ICMS e o ISS. O Carf não pode afastar a aplicação da Lei sob considerações de inconstitucionalidade, de acordo com a Súmula 2 e artigo 26A do Decreto 70.235/72: Fl. 657DF CARF MF 8 Súmula 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do PAF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. As exceções do §6º não estão caracterizadas. Também não se verificam as exceções tratadas no §1º do artigo 62 do Regimento Interno do Carf – RICARF. Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em regime de repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, a falta de definitividade não enseja a imediata aplicação da decisão, porque é possível ainda a modulação dos efeitos da inconstitucionalidade declarada. Pelo exposto, não acolho os motivos de defesa nesta matéria. Multa de ofício qualificada pelo embaraço à fiscalização O autuante relaciona sua motivação para caracterizar o embaraço à fiscalização: 5 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10830.725455/201345 Acórdão n.º 3201003.404 S3C2T1 Fl. 654 9 “1 – Contribuinte não albergado por medida judicial inconclusa da qual tem notícia por jornais tenta utilizarse da mesma para deixar de prestar informações ao fisco; 2 – Não guarda documentação de suporte a contabilidade (extratos bancários) nem demonstra interesse em obtêlos junto a rede bancária, procedimento comum [tentativa de obter junto a rede bancária] entre os demais contribuintes; 3 – Mente ter entregue documentos, vindo a entregar tempos depois após reintimação, sendo que a entrega referese a 2010, dando entender ter entregue todo o período solicitado, qual seja 2008 a 2010; 4 – Nítida tentativa de censurar a fiscalização, haja vista que nas planilhas apresentadas no CD de fornecedores e clientes, relativamente aos anos de 2008 e 2009, foram suprimidos campos onde deveriam constar CNPJ e razão social, diferentemente daquelas forneceidas em papel, relativamente a 2010, onde tais campos estão preenchidos. Objetivando evitar circularização das informações prestadas. 5 – Não atendeu a intimação quanto as planilhas de apuração do PIS e Cofins, uma vez que forneceu em PDF quando o requerido foi em “xls”. Um dos arquivos apresentados, referente as saídas de 2008 apresenta 2298 folhas em PDF, sendo que cada folha não apresenta um registro completo e sim parte dele, assim as datas do registro estão das folhas 1 a 383, e outras partes deste mesmo registro como o tipo da mercadoria e valores estão 403 a 535. A empresa nitidamente buscou com esta atitude embaraçar e dificultar a fiscalização, posto que poderia ter promovido extrações na forma de planilhas.” O enquadramento legal apontado foi o art. 44, inciso I, e §1º, da Lei 9430/966. Decerto que as planilhas solicitadas não são previstas legalmente, porém, o dever de contribuir para o alcance da verdade material tributária alcança ambas as partes, conforme art. 4º da Lei 9.784/997, e no presente caso, formo convicção de que houve, por parte do contribuinte, evasão desse dever. A negativa de apresentação de extratos bancários também 6 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 7 Art. 4o São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Fl. 659DF CARF MF 10 não encontra qualquer sustentação legal, posto que é dever do contribuinte arquivar a documentação que lastreia a contabilidade, pelo prazo legal, art. 1.1948 do Código Civil. Tal comportamento, associado ao fato de que a empresa não declarou nem recolheu qualquer valor a título de Pis e Cofins por nove meses consecutivos, leva a firmar convicção de que houve o intento doloso de sonegar essas contribuições. Desse modo, não dou provimento nesta matéria. Diligências Nos termos do PAF –Decreto 70.235/72, art. 16, §4º9, as arguições de defesa e provas devem ser apresentadas na Impugnação, salvo quando se caracterizem as circunstâncias previstas no §4º. Não há, no presente caso, qualquer demonstração dessas circunstâncias. Portanto, não se revela pertinente determinar diligência para aferir novos elementos que o contribuinte não trouxe até o momento. Desse modo, não acolho o pedido. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira Relator 8 Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. 9 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 660DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902314/2006-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 08/03/2003
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO.
Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado.
Numero da decisão: 2201-004.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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COMPENSAÇÃO Recorrente BANCO SANTANDER BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 08/03/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. CONSTATAÇÃO DE OFÍCIO. VALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. EXTINÇÃO DO DÉBITO VINCULADO. Havendo a autoridade fiscal confirmado a validade do direito creditório do contribuinte, deve ser homologado o pedido de compensação nele embasado e extinto o débito vinculado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 23 14 /2 00 6- 08 Fl. 947DF CARF MF Processo nº 16327.902314/200608 Acórdão n.º 2201004.350 S2C2T1 Fl. 948 2 Relatório Trata se de Recurso Voluntário (fls. 43/53) interposto contra decisão da DRJSPOI (fls. 35/38) que julgou não homologada a compensação pretendida pelo RECORRENTE por não conhecer o crédito tributário declarado em PER/DCOMP nº 09901.55654.200803.1.3.040080, relativo à compensação de débito de CPMF da 2ª sem/agosto/2003, no montante de R$ 477.158,32 com o crédito oriundo de recolhimento a maior de IRRF, efetuada em 12/03/2003, no valor total do DARF recolhido de R$ 1.947.103,42. A partir desse ponto, considerando a clareza e didática do relatório dos fatos componentes do despacho de conversão do julgamento em diligência proferido por esta C. 1ª Turma da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do E. CARF, acostado às fls. 757/762, passo a adotálo para relatar parte do presente relatório, na forma abaixo: “Trata o processo de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 09901.55654.200803.1.3.040080 de fls. 07, apresentado pelo Contribuinte – BANCO SANTANDER relativo à compensação de débito de CPMF da 2ªsem/agosto/2003, no montante de R$ 447.158,32, com crédito relativo a recolhimento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), efetuado em 12/03/2003, sendo de R$ 1.947.103,42 o valor total do DARF recolhido. Por meio do Despacho Decisório de fls. 05, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo Contribuinte e não homologou a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento indevido ou a maior fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do Contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. Cientificado da decisão em 02/05/2008, o Contribuinte apresentou, em 30/05/2008, Manifestação de Inconformidade, de fls. 02 e seguintes, aduzindo que: Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda foi feito recolhimento a maior, porem não houve a retificação da DCTF e não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP. Assim, considerando o valor apontado na planilha (fls. 05) perceberseá que o Contribuinte tinha crédito para liquidar o débito compensado. Assim, requer que seja retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado, bem como reconhecido Fl. 948DF CARF MF Processo nº 16327.902314/200608 Acórdão n.º 2201004.350 S2C2T1 Fl. 949 3 o direito do crédito, haja vista a compensação procedia por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála. A 10ª Turma da DRJ/SPOI, na sessão de 13/04/2009, pelo Acórdão nº 1621.039, de fls. 35 e seguintes, julgou a compensação não homologada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 12.03.03 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO.RETIFICAÇAO DA DCOMP. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese d inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, na forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendente de decisão administrativa na data da sua apresentação. O contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 42, em 29/04/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 43 e seguintes, em 29/05/2009, aduzindo: O Contribuinte é administradora de fundos de investimento financeiro Santander XXXVIII (FIF VIP 38). O fundo foi tratado como fundo de investimento para não residentes, assim o IRRF sobre o ganho financeiro era cobrado apenas no momento do resgate das quotas. Em razão de auditoria interna a Contribuinte detectou que o FIF VIP 38 deveria ser tributado segundo as regras aplicadas aos residentes no Brasil. Neste contexto, a tributação dos ganhos financeiros deveria ser feita mensalmente, com base na diferença positiva entre o valor patrimonial da quota apurada mensalmente e não apenas quando do resgate. Esta divergência de critérios resultou em falta de pagamento do IRRF para alguns meses (meses em que não houve resgate) e no pagamento a maior de IRRF em outros meses (meses em que o valor do resgate foi superior à variação acumulada). Os valores não adimplidos foram quitados, com seus acréscimos legais. E, os pagamentos a maior, ao seu turno, tornaramse créditos do Contribuinte, passíveis de aproveitamento para compensação com outros tributos federais. Assim, a Contribuinte apresentou Pedido de Restituição e Compensação eletrônico objetivando extinguir crédito tributário de CPMF com crédito relativo a recolhimento a maior de IRRF. Aponta que o entendimento da DRJ não pode prosperar, uma vez que apenas por equívoco o Contribuinte deixou de retificar a DCTF do 3º trimestre de 2002, o que resultou na Fl. 949DF CARF MF Processo nº 16327.902314/200608 Acórdão n.º 2201004.350 S2C2T1 Fl. 950 4 suposta exigibilidade dos valores declarados naquela oportunidade. Requer a reforma do Acórdão recorrido para fins de reconhecer o direito de crédito da recorrente e homologar as compensações. Em 28/03/2011, às fls. 122 e seguintes, o Contribuinte interpôs adendo ao Recurso Voluntário esclarecendo a origem de seu crédito, bem como apresentar parecer de auditoria independente que demonstra a existência do crédito alegado. É o relatório. Em 16/07/2014, às fls. 741/744, o RECORRENTE protocolou manifestação informando que a RFB DEINF realizou análise conclusiva acerca da existência do seu direito creditório, após confrontar créditos e débitos no âmbito do sistema SAPO (folhas 1.652 a 1.759 do EDossiê 10080.000984/091320), vindo constatar a extinção total do valor que havia sido mantido em cobrança contra o si. Ato contínuo, diante das informações prestadas pelo RECORRENTE, esta Turma de Julgamento propôs a conversão do julgamento em diligência (fls. 757/762) para que a autoridade preparadora: i) verificasse a liquidez e certeza do crédito alegado em face da documentação acostada aos autos pelo Contribuinte, bem como que procedesse à solicitação de outros documentos que entendesse necessários; ii) verificasse junto à DIORT a existência de despacho certificando a existência do alegado crédito do RECORRENTE; iii) verificasse se os créditos não eram objeto de processo judicial; iv) promovesse relatório consubstanciado acerca da existência do crédito de IRRF pago a maior. Por sua vez, o RECORRENTE apresentou Memoriais ao Recurso Voluntário (fls. 764/777), nos seguintes termos: 1. Não há que se falar em renúncia ao direito de discussão administrativa em razão da propositura de demanda judicial que discuta seu direito creditório; 2. Não foi proposta demanda judicial para reconhecer o direito de crédito deste processo administrativo; 3. O fundamento da discussão judicial é o mesmo (erro na apuração do IRRF das operações do fundo VIP 38). Porém, são diferentes: (a) os períodos de apuração do crédito; (b) os pagamentos indevidos; (c) as PERDCOMP; (d) os tributos compensados; (e) os períodos de apuração dos tributos compensados são completamente distintos, o que afasta qualquer questionamento quanto renúncia do direito de discussão administrativa; 4. O erro cometido no preenchimento da DCTF, cuja retificação espontânea pelo RECORRENTE foi vedada pela RFB por já haver despacho decisório negando compensação pretendida, não pode ser utilizado como subterfugio para negar o direito subjetivo do Fl. 950DF CARF MF Processo nº 16327.902314/200608 Acórdão n.º 2201004.350 S2C2T1 Fl. 951 5 contribuinte em ter devolvido valores recolhidos a maior, sob pena de enriquecimento ilícito do erário; 5. Nestes casos, é dever da Administração Tributária (à luz do artigo 149, inciso V, e 150 do CTN) proceder com a revisão de oficio, conforme determina o Parecer Normativo PGFN 8/14; 6. A manifestação de inconformidade equipara se à impugnação administrativa, permitindo que o contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa, demonstre a existência do direito creditório pleiteado, por meio de todas as provas cabíveis; 7 Ao final, o RECORRENTE elencou todas as provas que já juntou aos autos que, no seu entender, demonstram a existência do seu crédito, como: i) Parecer DEINF emitido pelo DIORT, reconhecendo seu direito creditório ; 8 Por força do ingresso da ação anulatória 001758615.2010.4.03.6100, ajuizada pela RECORRENTE em face da União, visando cancelar os débitos controlados nos PAFs (16327.902325/200680, 16327.902311/200666 e 16327.904398/200614), a DEINF viu se compelida a analisar os argumentos e demais provas acerca do direito creditório fruto do erro na apuração do IRRF do Fundo VIP 38. Todos os cálculos do procedimento compensatório foram realizados no sistema SAPO (folhas 1.652 a 1.759 do EDossie 10080.000984/091320) Como resultado dessa análise, a DEINF, por meio do Chefe da DIORT, Auditor Fiscal Sr. Eduardo Cerqueira Leite, concluiu pela existência de praticamente todo o indébito pleiteado, com a manutenção de apenas uma pequena parte da cobrança; 9 O valor da exigência tributária mantida, segundo cálculos e critérios da própria DEINF, para todos os demais processos administrativos foi zero; 10 Após análise de todos os documentos carreados aos autos da mencionada ação anulatória, o perito judicial nomeado no processo, Sr. Aléssio Mantovani Filho, emitiu laudo atestando que o RECORRENTE pagou a maior a quantia de R$ 24.329.562,73 (em agosto/2003), apurada mediante recomposição de todo patrimônio líquido do fundo VIP 38, identificação do IRRF devido seguindo o critério de come cotas e comparação do resultado obtido com aquele erroneamente apurado inicialmente pelo RECORRENTE com base no regime de caixa; 11 . O relatório da auditoria independente informou a composição das aplicações do Fundo FIF VIP 38, bem como a evolução do patrimônio líquido e do resultado do período de 01/01/01 até 29/08/03, tendo definido o real valor devido a título de IRRF, em razão da alteração na sistemática de tributação feita pelo RECORRENTE, e concluiu reportando um indébito R$ 24.533.958,00 (em agosto/2003);; Fl. 951DF CARF MF Processo nº 16327.902314/200608 Acórdão n.º 2201004.350 S2C2T1 Fl. 952 6 12 . Os valores identificados pelo perito técnico judicial e pela empresa de auditoria independente foram suficientes para confortar e extinguir as compensações realizadas pelo RECORRENTE; 13 Ao final, requereu provimento ao recurso voluntário, com o reconhecimento do seu direito creditório e extinção das compensações realizadas, bem como dos débitos cobrados, além da baixa dos autos para realização de diligência, caso necessário. A pedido da PFN, requerido nos autos da ação anulatória 0017586 15.2010.4.03.6100 em razão do questionamento judicial levado a efeito pelo RECORRENTE, a DEINF/SPO foi instada a se manifestar acerca da validade da inscrição das dívidas reclamadas. Em 23/06/2016, através do Termo de Intimação nº 124 (fls. 911), a DIORT DEINF requereu a apresentação de novos documentos para o RECORRENTE, sob a alegação de que os documentos até então apresentados eram insuficientes à produção de um relatório de auditoria fiscal que se prestasse ao reconhecimento da liquidez e certeza do crédito tributário que o mesmo almejava. O agente preparador vinculado à DIORTDEINF apresentou o Despacho Decisório de fls. 900/910, elaborado a partir de minuciosa análise dos pedidos de restituição e declarações de compensação do RECORRENTE, em que foram contemplados todos os processos ligados ao fato em análise. A conclusão do aludido despacho considerou que o procedimento adotado pelo contribuinte se encontrava de acordo com a legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e após elaboração dos cálculos usuais, decidiu por reconhecer a liquidez e certeza do crédito tributário relativo a diversas DCOMP, dentre as quais encontrase a Declaração objeto do presente processo. Em razão disso, com fundamento no despacho mencionado, no corpo do relatório acima mencionado, a DIORT/DEINF/SPO respondeu aos quesitos formulados por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do E. CARF, tendo: i) confirmado que a DIORT reconheceu a certeza e liquidez do crédito tributário reclamado pelo RECORRENTE e, assim, homologou a DCOMP nº 01.55654.200803.1.3.040080, controlada no presente processo, mas que, por falha da DIORT, esta deixou de implementar, na prática, os efeitos da decisão; ii) respondido o quesito 2 formulado por esta C. Turma, informando a existência de Despacho Decisório de Reconhecimento do Direito Creditório e homologação das compensações controladas no presente processo; iii) constatado que o crédito controlado no presente processo não é objeto de discussão judicial; e iv) proposto que a DIORT/DEINF/SPO procedesse à execução das compensações conforme constatações do Despacho Decisório proferido nos autos, proposta que foi aprovada e determinada no bojo do mesmo documento, sendo requerida, na sequência, ciência do seu teor ao RECORRENTE para, após decorrido o prazo com ou sem manifestação deste, os autos serem encaminhados a esta C. Turma, conforme fls. 925/934. É o relatório. Voto Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16327.902314/200608 Acórdão n.º 2201004.350 S2C2T1 Fl. 953 7 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Pela análise dos documentos produzidos ao longo deste procedimento e encartados aos autos, entendo os mesmos terem cumprido sua função de esclarecimento dos fatos e formação da convicção deste julgador (Dec. nº 70.235/72, art. 29), proporcionando aos autos condição de julgamento. Assim, passo a fazêlo. No curso do presente processo, ocorreram diligências para que o RECORRENTE apresentasse documentos relacionados ao deslinde dos fatos, bem como sobrevieram trabalhos fiscais, todos de extrema importância e relevância para o esclarecimento dos fatos e contribuição para o deslinde do caso. Merece destaque o Despacho Decisório de fls. fls. 900/910, que por sua leitura se percebe ter sido confeccionado a partir de minuciosa análise dos pedidos de restituição e declarações de compensação do RECORRENTE, em que foram contemplados todos os processos e documentos vinculados ao fato em análise (DARFs, manifestações fiscais e do RECORRENTE), o qual esclareceu e concluiu o quanto ocorrido neste processo e que, por conta disso, elejo para fundamentar as razões do voto. Vejamos. Decorre da análise do Despacho Decisório que o agente preparador vinculado à DIORTDEINF examinou todos os PER/DCOMPs do RECORRENTE, tendo vinculado as declarações de compensação com os respectivos pedidos de ressarcimento, identificando os tributos envolvidos, seus códigos de arrecadação, períodos de apuração, valores e vencimentos, todos resumidos no Quadro 01 (fls. 900). Em seguida, foram indicadas as contas contábeis utilizadas para a composição da base de cálculo do IRRF no regime de competência no período em que se constatou diferenças de recolhimento do imposto pelo fundo de investimento (agosto/2000 a julho/2003), cujos dados foram extraídos dos balancetes mensais do RECORRENTE constantes do EDossiê nº 10080.000984/091320 e descritos nos itens A, B, C e D do Quadro 02 do despacho (fl. 902), cujos itens G e H informaram, respectivamente, a correta base de cálculo reconstituída e o valor do IRRF efetivamente devido. Ato contínuo, foram identificados os pagamentos de IRRF do período, com base nos relatórios apresentados pelo RECORRENTE e no acesso ao sistema da RFB, o qual confirmou os pagamentos reportados, dessa análise gerando o Quadro 03 (fls. 904/906). Posteriormente, foram realizadas as alocações possíveis, restando, todavia, saldos não extintos dos créditos tributários de IRRF recalculados, os quais foram, em momento seguinte, integralmente extintos, mediante alocação de outros pagamentos que haviam sido efetuados pelo RECORRENTE (estranhos ao caso), fato que embasou o despacho a declarar a extinção dos créditos tributários apurados conforme o correto regime de tributação. Em momento seguinte, o trabalho fiscal passou a checar a eventual extinção, por compensação, dos débitos informados pelo RECORRENTE nas suas declarações de compensação e pedidos de ressarcimento, os quais foram confrontados mediante processamento feito pelo sistema SAPO da RFB (folhas 1.652 a 1.759 do EDossiê nº 10080.000984/091320), com a relação de pagamentos confirmados também em sistema da Fl. 953DF CARF MF Processo nº 16327.902314/200608 Acórdão n.º 2201004.350 S2C2T1 Fl. 954 8 RFB (reportados no Quadro 03), tendo como resultado as informações do Quadro 04 do despacho (fl. 907), que evidenciaram a extinção parcial ou total dos débitos do RECORRENTE. Após isso, o despacho trouxe o Quadro 05 (fls. 909), com o resultado da análise dos PER/DCOMP apresentados pelo RECORRENTE em face do indébito apurado no cálculo e no recolhimento indevido do IRRF em nome do Fundo de Investimento Financeiro VIP 38, cuja análise permite verificar não ter restado valor em aberto passível de cobrança com relação à PER/DCOMP nº 09901.55654.200803.1.3.040080, objeto de análise deste processo. Ao final, a conclusão do aludido despacho (que está registrada no EDossiê n° 10080.000.984/091320) considerou que o procedimento adotado pelo contribuinte se encontrava de acordo com a legislação de regência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, e após elaboração dos cálculos usuais, decidiu por reconhecer a liquidez e certeza do crédito tributário relativo a diversas DCOMP, dentre as quais encontrase a Declaração objeto do presente processo. Neste ponto, entendo que estas conclusões advindas do Despacho Decisório de fls. 900/910 são suficientes e comprovam realmente a validade do direito creditório do RECORRENTE, capaz de legitimar seus pedidos de compensação e extinguir seu débito. Dessa forma, pelo que foi exposto, tendo as autoridades fiscais competentes constatado a liquidez e certeza do crédito tributário relativo à DCOMP objeto de análise neste expediente, e restando comprovada a extinção do débito do RECORRENTE, entendo por dar provimento ao recurso voluntário. Contudo, cumpre fazer a ressalva de que o débito objeto do presente processo já foi extinto através do EDossiê nº 10080.000984/091320, tendo em vista que houve a homologação da compensação nos autos do mencionado processo. Conforme já explanado acima, a DIORT reconheceu a certeza e liquidez do crédito e, assim, homologou a compensação pleiteada pelo contribuinte. Neste sentido, resta configurado que o pedido do contribuinte já foi acatado nos autos do EDossiê nº 10080.000984/091320. É importante fazer a ressalva acima a fim de evitar o reconhecimento do crédito em duplicidade ao contribuinte. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16327.902314/200608 Acórdão n.º 2201004.350 S2C2T1 Fl. 955 9 Fl. 955DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001445/2008-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para produção de laudo técnico, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Relator. Designado como redator para a diligência o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para produção de laudo técnico, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Relator. Designado como redator para a diligência o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para produção de laudo técnico, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Relator. Designado como redator para a diligência o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado em substituição à Conselheira a Maysa de Sá Pittondo Deligne), Carlos Augusto Daniel Neto e Jorge Olmiro Lock Freire. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração (fls. 99/113) lavrado para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI relativo aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2003. A fiscalização constatou falta de lançamento do IPI em virtude de o estabelecimento industrial ter promovido a saída de produtos tributados com insuficiência de lançamento do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 44 5/ 20 08 -4 8 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10882.001445/200848 Resolução nº 3402001.301 S3C4T2 Fl. 3 2 imposto, em face de erro de classificação fiscal e de alíquota do produto denominado “Roçadeira Beaver”. 2. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 96/98), a partir da análise dos catálogos e manuais técnicos com as especificações do produto, bem como da relação dos insumos utilizados em sua fabricação, concluiu o agente fiscal que a mencionada roçadeira classificase na posição 8467.29.99 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), com alíquota de 8%, diferentemente da classificação fiscal 8433.19.00 utilizada pela contribuinte, com alíquota de 5%. Segundo o autuante, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado/NESH referentes à posição 8433, para classificarse nessa posição é requisito que o produto seja uma ferramenta de uso manual, razão pela qual excluemse dessa posição as máquinas incorporadas em armações leves com um sistema de corte de fios de náilon, incluídas, então, na posição 8467. 3. Impugnado o lançamento (fls. 129/141), a DRJ/SDR manteve (207/215) o lançamento em sua íntegra. Não resignada com a r. decisão, a autuada interpôs o presente recurso voluntário (fls. 220/231), no qual, em suma, alega: (i) em preliminar, que foi cerceado seu direito de defesa sob a alegação de que não lhe tenha sido oportunizado vista dos autos "por razões ignoradas", o que a teria levado a fazer representações junto à corregedoria da RFB e à ouvidoria do MF. Alega, ainda, que a r. decisão teria inovado ao delegar aos conselheiros do CARF "a obrigação de suprir a deficiência de instrução da peça acusatória", conforme excerto que transcreve (fl. 225). Em síntese, alega que o fato de não ter sido juntado aos autos os catálogos e manuais das roçadeiras referidas no auto de infração prejudicou sua defesa, pois "traziam informações técnicas importantíssimas sobre as roçadeiras BEAVER, que fulminam a pretensão do Fisco de classificálas nos códigos 8467.29.99."; (ii) quanto à questão de fundo, ataca a r. decisão no sentido de que essa não se deu conta de que os trechos da NESH a que se reporta fazem referência a ferramentas municiadas "por sistema de corte formado por um ou mais fios delgados de náilon", o que entende ser "impertinente às roçadeiras BEAVER que saem de fábrica dotadas de lâminas de corte". Acresce que as notas da NESH pertinentes às posições 8433 e 8467 fazem clara distinção entre lâminas de corte e fios de náilon de corte, pelo que entende que "o aresto recorrido tinha de informar a RGI que autorizaria o Fisco a desconsiderar tal distinção (aspecto técnico) quando da classificação". Alega que "jamais poderia imaginar que o código tarifário 8433.19.00 normalmente aceito pela Aduana, em diversas importações rigorosamente conferidas e normalmente desembaraçadas seria posteriormente rechaçado pela fiscalização", o que, consigna, "representa mudança de critério jurídico"; e, por fim (iii) quanto à multa entende que deveria ser aplicada ao percentual máximo de 10 %, nos termos do art. 69 da Lei nº 10.833/2003. Argumenta que ocorrendo divergência de classificação tarifária durante o despacho de importação, a importadora pode aditar a DI, recolher as diferenças de impostos exigidas, acrescidas de multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria (art. 84 , I, da MP 2.15835). 4. É o relatório. Resolução Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10882.001445/200848 Resolução nº 3402001.301 S3C4T2 Fl. 4 3 5. Conforme externado em sessão de julgamento, ousei divergir do I. Relator do caso que negava provimento ao recurso voluntário interposto, uma vez que, da análise dos autos no seu atual estágio, não consigo, com precisão, verificar o tipo de bem aqui fiscalizado, ou seja, se o que restou fiscalizado de fato é uma roçadeira dotada de fios delgados de náilon, como defende a fiscalização, ou se tal objeto é revestido de lâminas de corte, como aduz o contribuinte. Em princípio, o esclarecimento deste ponto é fundamental para precisar a adequada classificação fiscal do bem aqui destacado. Nesse sentido, com escopo no art. 18 do Decreto 70.235/72, c.c. o art. 464 e s.s. do CPC, este último dispositivo aqui convocado com esteio no art. 15 do mesmo Codex, resolvo converter o julgamento em diligência para que seja realizada perícia técnica, a qual deverá de forma tecnicamente fundamentada responder o seguinte quesito: · a roçadeira objeto de discussão no presente processo administrativo é dotada de fios delgados de náilon ou de lâminas de corte? 6. Antes, todavia, da realização da perícia, deverá o contribuinte ser intimado para, querendo, apresentar quesitos e indicar assistente técnico. Na hipótese de indicação de assistente técnico este deverá, com antecedência mínima de 10 (dez) dias, ser intimado da data e local da perícia para que possa acompanhála. 7. Concluída a perícia, bem como apresentada a manifestação da unidade preparadora, o contribuinte deverá ser intimado para, querendo, manifestarse a respeito da providência tomada em até 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 8. Ato contínuo, este processo deverá retornar para este Tribunal e, antes de movimentação para o seu d. Relator, deverá ser dada oportunidade para que a Procuradoria da Fazenda Nacional também se manifeste a respeito do laudo produzido. 9. Tomadas todas as providências acima indicadas, o processo deverá ser movimentado para o i. Relator ou quem lhe fizer as vezes para fins de julgamento. 10. É a resolução. (Assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Redator designado. Fl. 284DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.902420/2009-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-006.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, i) quanto ao crédito presumido de IPI na industrialização por encomenda, vencidos Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. ii) quanto à correção da taxa selic, para reconhecer a atualização a partir do dia 360, exceto sobre o valor originalmente deferido pela autoridade preparadora, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, i) quanto ao crédito presumido de IPI na industrialização por encomenda, vencidos Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. ii) quanto à correção da taxa selic, para reconhecer a atualização a partir do dia 360, exceto sobre o valor originalmente deferido pela autoridade preparadora, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente COMPEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PESCA E EXPORTACAO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, i) quanto ao crédito presumido de IPI na industrialização por encomenda, vencidos Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. ii) quanto à correção da taxa selic, para reconhecer a atualização a partir do dia 360, exceto sobre o valor originalmente deferido pela autoridade preparadora, vencidas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 24 20 /2 00 9- 03 Fl. 234DF CARF MF 2 as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 380303.136, de 27/06/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Referida norma secundária extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. BASE DE CALCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. O crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10380.902420/200903 Acórdão n.º 9303006.366 CSRFT3 Fl. 235 3 de embalagem, para utilização no processo produtivo não permite a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de aproveitamento de crédito, por expressa vedação legal. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento de que não dá direito ao crédito presumido de IPI os serviços de industrialização por encomenda e quanto à não incidência da taxa Selic sobre os créditos ressarcidos. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 340100.916 e 930301.884. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 209/211. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 421/437). É o Relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido afastou a pretensão de ver incluídos, no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os serviços de industrialização por encomenda, assim como entendeu inexistir previsão legal para abonar a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos. Os acórdãos paradigmas, todavia, em flagrante dissídio jurisprudencial, concluíram justamente o contrário. No mérito, vemos assistir razão à contribuinte. No que concerne à primeira matéria, imaginemse as seguintes situações: uma primeira, em que a matériaprima sai do estabelecimento vendedor já definitivamente acabado e pronto para aplicação no processo produtivo do adquirente, ou seja, quando nela já se encontra aplicado aquele serviço que, se assim não fosse, o adquirente teria de encomendar a um terceiro a sua realização para o posterior emprego no seu processo produtivo. Neste caso, não se questiona que todo o valor do custo de aquisição da matériaprima gera o direito ao crédito pleiteado. Agora, uma segunda situação, na qual a matériaprima é adquirida do estabelecimento vendedor sem que nele tenha sido aplicado o serviço que se afigura necessário à sua utilização no processo produtivo do adquirente, que, por isso mesmo, o encomenda a um terceiro. Embora o gasto assim despendido seja incorporado ao custo da matériaprima, a tese encartada no acórdão recorrido o excluiu na determinação do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, pois no seu cálculo não se incluiria a hipótese de contratação de serviços. Todavia, a Lei nº 9.363, de 1996, autoriza o direito ao crédito sobre todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Não havendo óbice legal, entendemos que todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização no processo industrial devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que, sim, devem ser considerados na determinação do crédito presumido pelo encomendante. Fl. 236DF CARF MF 4 Adotando esse entendimento, confiramse os seguintes acórdãos desta mesma Turma e do Superior Tribunal de Justiça STJ: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (Acórdão nº 9303 001.721, de 07/11/2011). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (Acórdão nº 930301.623, de 29/09/2011). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento o insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10380.902420/200903 Acórdão n.º 9303006.366 CSRFT3 Fl. 236 5 recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011) E, com relação à segunda matéria, como também vem entendendo esta Turma, a taxa Selic deve incidir a partir de findo o prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar de sua apresentação (art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007), conforme decidiu o mesmo STJ, aqui sob a sistemática dos recurso repetitivos: ESPECIAL Nº 1.467.934/RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, Fl. 238DF CARF MF 6 pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao recurso especial da contribuinte, para que, no cálculo do crédito presumido, consideremse os gastos na industrialização por encomenda, bem como que o valor a ser ressarcido (excluindose, portanto, o valor originariamente ressarcido pela unidade preparadora), seja corrigido pela taxa Selic a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido (360 dias), independentemente da época de sua apresentação. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10380.902420/200903 Acórdão n.º 9303006.366 CSRFT3 Fl. 237 7 Fl. 240DF CARF MF
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