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Numero do processo: 10530.901529/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.288
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp, em que o COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E ACO LTDA., CNPJ 00.363.548/000104 requer crédito de pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador DRJ/SDR considerou improcedente. Cientificado, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, tempestivo, reclamando da impossibilidade/desarrazoabilidade/desproporcionalidade de se evitar a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 52 9/ 20 09 -5 4 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10530.901529/200954 Resolução nº 1201000.288 S1C2T1 Fl. 3 2 compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da declaração nas Fichas 12A e 17 da DIPJ apresentada, a qual deveria ser retificada; contudo, dado o lapso de tempo decorrido, tal retificação se fez inviável, pela Recorrente. Contudo, o crédito existe, o que comprova mediante a juntada do Balanço Patrimonial em que apurou o prejuízo de R$()675.524,73; pleiteia que a verdade material seja reconhecida, consoante precedentes do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.273, de 20.09.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10530.901191/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.273): O contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2004, no regime de apuração anual com estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos; na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, apurou lucro real R$() 675.524,73, isto é, prejuízo fiscal; na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa apurou Imposto de Renda a Pagar nos meses de 01 a 12/2004, que pagou nos prazos, via DARF; e na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, todos os campos estão zerados, não estando demonstrada a existência de eventual Saldo Negativo de IRPJ; já no caso das estimativas mensais de CSLL, demonstrou na Ficha 16 Calculo da CSLL Mensal por Estimativa, os valores de CSLL a pagar nos meses de 01 a 12/2004, os quais recolheu nos prazos via DARF; mas na da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o contribuinte informou na linha 36. Base de Cálculo da CSLL, o valor de R$() 675.524,73, porém os demais campos como a linha 43. () CSLL Mensal Paga por Estimativa, restaram zerados, e deixou de demonstrar eventual o Saldo Negativo de Base de Cálculo da CSLL, passível de reconhecimento como direito creditório. Requereu crédito de pagamento indevido da estimativa de IRPJ de 08/2017, no mesmo valor recolhido via DARF, no PER/Dcomp objeto deste processo. O Despacho Decisório indeferiu o pleito porque o valor recolhido correspondia ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, portanto tal pagamento foi alocado ao correspondente débito confessado, não restando saldo para compensar outros débitos. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10530.901529/200954 Resolução nº 1201000.288 S1C2T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a DRJ, em relação às estimativas mensais de IRPJ, esclareceu que, como o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ajuste anual do anocalendário de 2004 e os pagamentos efetuados por estimativa referentes ao IRPJ/CSLL deveriam compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL, respectivamente do anocalendário de 2004, que deveria ter sido apurado na forma do art. 2º, §4º, I a IV, da Lei n° 9.430, de 1996, e passível de ser restituído ou compensado com débitos do contribuinte, a partir do mês de janeiro de 2005, conforme disposto no art. 5º combinado com o art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp; em outras palavras, a estimativa mensal paga somente poderá compor eventual crédito de saldo negativo, na apuração anual, sendo a sua data base 31/12/2004, no caso; por isso, a apuração anual do IRPJ/CSLL deveria ter sido demonstrada, para comprovar eventual crédito de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL. No presente caso, verificase que constam os seguintes valores, informados/confessados/pagos pelo contribuinte: IRPJ DIPJ original Ficha 11 DCTF original cód 5993 Darf pago CSLL DIPJ original Ficha 16 DCTF original cód 2484 Darf pago jan/04 11.405,68 11.405,68 11.405,66 jan/04 7.239,06 7.239,06 7.239,06 fev/04 15.272,70 15.272,70 15.272,70 fev/04 9.327,26 9.327,26 mar/04 23.478,90 23.478,90 23.478,88 mar/04 13.758,60 13.758,60 13.758,60 abr/04 18.582,76 18.582,75 18.585,75 abr/04 11.114,69 11.114,69 11.114,69 mai/04 26.483,23 26.483,23 26.483,23 mai/04 15.380,95 15.380,95 15.380,95 jun/04 31.322,78 31.322,78 31.322,78 jun/04 17.994,30 17.994,30 17.994,30 jul/04 20.592,38 20.592,38 20.592,38 jul/04 12.199,89 12.199,89 12.199,89 ago/04 23.701,60 23.701,60 23.701,60 ago/04 13.878,86 13.878,86 13.878,86 set/04 20.732,09 20.732,08 20.732,08 set/04 12.275,33 12.275,33 12.275,33 out/04 20.230,82 20.230,82 20.230,82 out/04 12.004,64 12.004,64 12.004,64 nov/04 24.363,07 24.363,06 24.363,07 nov/04 14.236,08 14.236,08 14.236,06 dez/04 26.126,33 26.126,33 26.126,33 dez/04 15.188,22 15.188,22 15.188,22 Total 262.292,34 262.292,31 262.295,28 Total 154.597,88 145.270,62 154.597,86 E na apuração anual: Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 0,00 ()CSLL Mensal pago por estimativa 0,00 (=) IR a pagar 0,00 (=)CSLL a pagar 0,00 O contribuinte juntou também Demonstrativo de Resultados do Exercício, data de encerramento 31/12/2004, em que apurou Lucro Líquido R$() 675.524,73. Observase na DIPJ do anocalendário 2004 que o contribuinte, para uma receita líquida de R$11.148.363,19, informou R$11.130.026,04 de custo das mercadorias revendidas, e apurou prejuízo fiscal e lucro líquido negativo de R$()675.524,73; e sua DIPJ foi aceita e regularmente processada. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10530.901529/200954 Resolução nº 1201000.288 S1C2T1 Fl. 5 4 À vista destes dados, adoto entendimento prevalente no CARF, expresso no Acórdão nº 9101002.913, da 1ª Turma da CSRF, em 8 de junho de 2017, cujos excertos transcrevo e que se aplicam tanto a estimativas mensais de IRPJ, como de CSLL: Ementa: ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. (Grifei.) Relatório: Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. No voto, foi adotado entendimento de recurso repetitivo, nos seguintes termos, e com os quais esta Relatora concorda: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1o e 2°; do RICARF. aprovado pela Portaria MF 343. de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903. de 08/06/2017 proferido no julgamento do processo 10166.901000/2009 36. paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese. como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101 002.903): Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10530.901529/200954 Resolução nº 1201000.288 S1C2T1 Fl. 6 5 "A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5o da Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3° do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] []§ 3o Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF n° 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10530.901529/200954 Resolução nº 1201000.288 S1C2T1 Fl. 7 6 indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF n° 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10530.901529/200954 Resolução nº 1201000.288 S1C2T1 Fl. 8 7 restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF n° 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retomo dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1o e 2o do art. 47 do RICARF. conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e. no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto" Conclusão. Recomposição da apuração anual. 2004. Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 262.295,28 ()CSLL Mensal pago por estimativa 154.597,86 (=) IR a pagar ()262.295,28 (=)CSLL a pagar () 154.597,86 Evidenciase o direito creditório até o limite do Saldo Negativo de IRPJ em 31/12/2004, de R$()262.295,28, a ser observado para o conjunto de todos as PER/Dcomp deste contribuinte que requerem Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10530.901529/200954 Resolução nº 1201000.288 S1C2T1 Fl. 9 8 créditos de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, ou de Saldo Negativo de IRPJ deste anocalendário; e analogamente, até o limite de R$() 154.597,86, de Saldo Negativo da CSLL em 31/12/2004. Diligência. Constam para julgamento nesta Turma do CARF, 19 (dezenove) processos requerendo créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004; contudo, não se dispõe de informação se estes esgotam todos os pedidos de restituição/compensação, pelo contribuinte, relativos ao anocalendário 2004. A fim de se evitar dar provimento a créditos, em duplicidade, fazse necessária diligência que: a) efetue um levantamento e informe todas as PER/Dcomp apresentadas pelo contribuinte, em que este requereu créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004 e crédito de Saldo Negativo de IRPJ e de CSLL, relativamente ao anocalendário 2004, com o seguinte detalhamento, para cada PER/Dcomp: 1 nº da PER/DComp 2 nº do processo administrativo 3 informar se o crédito requerido é de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, ou de CSLL, e o mês 4 informar se crédito requerido é de Saldo Negativo de IRPJ ou de CSLL 5 valor do crédito requerido 6 valor do crédito já reconhecido e consumido em compensação de débitos 7 localização do processo. b) Elaborar os demonstrativos de compensação dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL reconhecidos, co m os débitos declarados em todas PER/Dcomp. Conclusão. À vista do exposto, voto por efetuar a diligência nos termos descritos. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento indevido de estimativa mensal de IRPJ com apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.905260/2012-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do interessado, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligência, quando entendê-la necessária, indeferindo as que considerar prescindíveis.
A diligência se restringe à elucidação de fato que, ao talante do julgador, apresenta-se duvidoso para o deslinde de questão controversa, sendo desnecessária quando referido fato deve ser demonstrado mediante a juntada de documento, pelo próprio proponente.
Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE INOVAÇÃO.
O aprofundamento das razões constantes do despacho decisório por parte do voto condutor do acórdão recorrido não se consubstancia inovação ou alteração de critério jurídico aptos a motivar a nulidade do respectivo acórdão, exarado por Turma da DRJ.
DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é elemento, por si só, capaz e suficiente para fazer prova do crédito tributário pretendido.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INDISPENSABILIDADE.
É ilíquido e incerto o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF original. É indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu no caso dos presentes autos.
Numero da decisão: 3001-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2011 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do interessado, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligência, quando entendê-la necessária, indeferindo as que considerar prescindíveis. A diligência se restringe à elucidação de fato que, ao talante do julgador, apresenta-se duvidoso para o deslinde de questão controversa, sendo desnecessária quando referido fato deve ser demonstrado mediante a juntada de documento, pelo próprio proponente. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE INOVAÇÃO. O aprofundamento das razões constantes do despacho decisório por parte do voto condutor do acórdão recorrido não se consubstancia inovação ou alteração de critério jurídico aptos a motivar a nulidade do respectivo acórdão, exarado por Turma da DRJ. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é elemento, por si só, capaz e suficiente para fazer prova do crédito tributário pretendido. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INDISPENSABILIDADE. É ilíquido e incerto o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF original. É indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu no caso dos presentes autos.
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PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do interessado, preenchidos os requisitos previstos na legislação, a realização de diligência, quando entendêla necessária, indeferindo as que considerar prescindíveis. A diligência se restringe à elucidação de fato que, ao talante do julgador, apresentase duvidoso para o deslinde de questão controversa, sendo desnecessária quando referido fato deve ser demonstrado mediante a juntada de documento, pelo próprio proponente. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DESPACHO DECISÓRIO. INEXISTÊNCIA DE INOVAÇÃO. O aprofundamento das razões constantes do despacho decisório por parte do voto condutor do acórdão recorrido não se consubstancia inovação ou alteração de critério jurídico aptos a motivar a nulidade do respectivo acórdão, exarado por Turma da DRJ. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é elemento, por si só, capaz e suficiente para fazer prova do crédito tributário pretendido. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. INDISPENSABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 52 60 /2 01 2- 03 Fl. 164DF CARF MF 2 É ilíquido e incerto o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF original. É indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu no caso dos presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 72 a 96) interposto contra o Acórdão 09 51.279, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA (fls. 41 a 44), que, na sessão de 16.04.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 02 a 38). Dos fatos Por bem sintetizar os fatos e com vista a elucidação do caso e a economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que não homologou a Declaração de Compensação DCOMP nº 29781.56625.230112.1.3.040093, referente a alegado crédito, no valor original de R$ 35.978,19, de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF de código de receita 5856 e período de apuração de 31/08/2011. Segundo o Despacho Decisório, não restou crédito disponível para compensação do(s) débito(s) declarado(s) na DCOMP, pois o DARF informado já havia sido utilizado, conforme registrado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP”. Em sua manifestação de inconformidade o interessado alegou, em resumo, que, ao refazer o SPED PIS e Cofins, verificou que o montante realmente devido era de R$ 101.044,70, conforme informado no Dacon, e não R$ 137.022,88, conforme pago e declarado em DCTF. Ao final, pediu a homologação da compensação e a aceitação da DCTF retificadora. Da decisão de 1ª instância Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.905260/201203 Acórdão n.º 3001000.146 S3C0T1 Fl. 165 3 Sobreveio a decisão contida no voto condutor do já referido acórdão vergastado, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório que denegou o direito pleiteado. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário para aduzir que: 1 a DRJ manteve a não homologação sob fundamento novo, qual seja, de que a empresa não apresentou prova que justificasse a redução dos débitos de COFINS declarados na DCTF retificadora. Neste sentido, alega a impossibilidade de a decisão recorrida inovar na fundamentação do indeferimento da compensação, pois, neste caso, operase verdadeira preclusão contra a autoridade julgadora, na medida em que deve seguir critério de coerência com as razões que motivaram o despacho decisório; 2 o único fundamento da decisão recorrida para não homologar a compensação pleiteada decorre da não apresentação de qualquer justificativa para a diminuição do montante do débito informado em DCTF retificadora, mas que, no entanto, o artigo 9º da IN/RFB 1.110/2010, somente exigia justificativa para os casos em que o débito reduzido já tivesse sido inscrito em dívida ativa ou se referisse a período já fiscalizado, o que não é o caso dos presentes autos. Logo, ao assim fundamentar o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, entra em contradição com a própria legislação interna da RFB; 3 o acórdão recorrido reconhece que há divergência entre a DACON e a DCTF apresentadas, pelo fato de, equivocadamente, a DRJ ter considerado apenas a DCTF original; 4 pelo fato de a própria DRJ reconhecer que não há hierarquia entre a DACON e a DCTF, se faz necessário que o feito fosse baixado em diligência para que fosse intimado o contribuinte a apresentar os documentos que comprovariam a existência do crédito pugnado. Fl. 166DF CARF MF 4 Desta feita, requer seja homologada a PER/DCOMP 29761.56625.230112.1.3.040093 e que seja acatada a retificação da DCTF 34.00.35.11.5155 ou, alternativamente, seja convertido o presente feito em diligência. Apresenta, ainda que apartado do recurso voluntário, porém, a ele inerente, a cópia do: (i) "Estatuto Social" da sociedade empresária; (ii) DARF período de apuração: 31.08.2011, código da receita: 5856, data de vencimento: 23.09.2011 e valor recolhido: R$ 137.022,88; (iii) Recibo de Entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) mês/ano de apuração: AGO/2011, referente ao recibo do demonstrativo retificado: 25.63.79.60.18.62, entregue em 23.01.2012; (iv) Recibo de Entrega da Declaração de Compensação, referente ao PER/DCOMP 29761.56625.230112.1.3.040093, entregue também em 23.01.2012; (v) Recibo de Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) mês/ano: AGO/2011, referente ao recibo da declaração retificada: 34.00.35.11.51.55, entregue em 11.01.2013; (vi) Despacho Decisório Nº de Rastreamento: 040910146, emitido em 05.12.2012 (fls. 110 a 129). É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O recurso voluntário, conforme se depreende do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado no CAC / DRF / Belo Horizonte MG, em 19.09.2014 (sexta feira). A ciência da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme carimbo aposto no Aviso de Recebimento "AR" (fl. 65), ocorreu em 20.08.2014 (quartafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Das Questões Preliminares Do pedido alternativo de diligência Em seus pedidos o contribuinte solicita, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, para que fosse intimado para apresentar os documentos que comprovariam a existência do crédito pugnado. No tocante a essa solicitação, esclarecemos que a realização de diligência condicionase à análise da sua imprescindibilidade e viabilidade, cabendo à autoridade julgadora indeferilas quando entender desnecessárias, conforme o artigo 18 do Decreto 70.235 de 1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (...) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.905260/201203 Acórdão n.º 3001000.146 S3C0T1 Fl. 166 5 Contudo, no presente caso não se vislumbra a necessidade de se lançar mão do expediente de diligência, tendo em vista o fato de que os documentos constantes nos autos são suficientes para a convicção necessária ao julgamento administrativo. De qualquer forma, se o contribuinte alega ser necessária a realização de diligência para apresentar outros documentos, que comprovariam a existência do crédito, ele teve a oportunidade de instruir os autos com referidos documentos, mas assim não procedeu, o que nos leva a concluir pela prescindibilidade da diligência pugnada, motivo pelo qual voto pelo seu indeferimento, nos termos do artigo 28 do também Decreto 70.235 de 1972, in fine. Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Da nulidade do acórdão recorrido O contribuinte alega que o acórdão recorrido é nulo, pois inovou em sua fundamentação, relativamente ao despacho decisório, quando igualmente não reconhece o direito creditório pleiteado na PER/DCOMP 29781.56625.230112.1.3.040093. De plano, dissinto do entendimento do contribuinte no que toca sua pretensão pela nulidade da decisão recorrida. O despacho decisório número de rastreamento 040910146, emitido eletronicamente em 05.12.2012, dispõe, ipsis litteris: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 35.978,19. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/12/2012. PRINCIPAL MULTA JUROS 35.978,19 7.195,83 2.781,11 Fl. 168DF CARF MF 6 Para verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMP Despacho Decisório". Enquadramento Legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (CTN); Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Vêse, assim, que a autoridade prolatora do despacho decisório fundamentou a não homologação da declaração de compensação em trato no fato de ter constatado a inexistência de crédito disponível para compensação do débito declarado na DCOMP, na medida em que o DARF informado já havia sido utilizado, conforme registrado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP”. Por sua vez, o voto condutor do acórdão recorrido foi fundamentado no parágrafo 1º do artigo 74 da Lei 9.430 de 27.12.1996, que impõe que a compensação deva ser realizada mediante entrega da DCOMP, mais, que já deve existir o crédito informado na data da sua transmissão. Salientando, tal qual o despacho decisório, que, "segundo as informações constantes da DCTF ativa na data de entrega da DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação". Para, enfim, explicitar que "cabe ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF ativa na data da transmissão da DCOMP e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificada após o Despacho Decisório", mas que, entretanto, "o contribuinte limitouse a afirmar que houve erro na apuração inicial da contribuição e que o valor correto seria aquele declarado no Dacon". De se ver, portanto, que a decisão recorrida tão somente aprofundou, nas suas considerações, a abordagem do despacho decisório, sem inovar ou trazer argumento desconexo aos mencionados, de modo tal que pudesse implicar cerceamento de defesa ou nulidade por outro motivo da decisão guerreada. Cabe, pois, rejeitar a nulidade postulada. Do mérito Em face da manutenção integral dos fundamentos do despacho decisório, efetuada pela da 1ª Turma da DRJ/JFA, quando da prolação do acórdão recorrido, o litígio posto à apreciação desta Turma de Julgamento, restringese em se determinar se os elementos de prova coligidos aos autos, com a apresentação do recurso voluntário, são hábeis e suficientes para infirmar a conclusão contida no voto condutor do acórdão vergastado, que referendou a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem, ocasião em que não homologou a compensação declarada através do PER/DCOMP, e com isto, não reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pelo contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.905260/201203 Acórdão n.º 3001000.146 S3C0T1 Fl. 167 7 Ainda segundo os autos, os fatos ocorreram na seguinte sequência: 1DARFCOFINS, Código da Receita: 5856, Período de Apuração: AGO/2011, Data de Vencimento e de Recolhimento: 23.09.2011, Valor Recolhido: R$ 137.022,88; 2DACON Retificadora 37.36.38.81.97.92 (que retifica a de número 25.63.79.60.18.62), Mês/Ano de Apuração: AGO/2011, Data da Entrega: 23.01.2012; 3PER/DCOMP 29761.56625.230112.1.3.040093, Data da Entrega: 23.01.2012; 4DCTF Retificadora 31.01.25.24.3797 (que retifica a de número 34.00.35.11.5155), Mês/Ano: AGO/2011, Data da Entrega: 11.01.2013; 5Despacho Decisório Nº de Rastreamento: 040910146, Data da Emissão: 05.12.2012. Vêse, pois, que para a retificação da DACON em 23.01.2012, efetuada concomitantemente à transmissão do PER/DCOMP 29761.56625.230112.1.3.040093, não houve a correspondente retificação, espontânea, da DCTF originalmente transmitida, tendo em vista que o Despacho Decisório Nº de Rastreamento: 040910146 foi emitido em 05.12.2012, e a DCTF foi retificada somente em 11.01.2013, porém, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca do alegado equívoco, quando da emissão da DCTF original. Logo, é fato que não foram efetivamente contestadas as razões que levaram a 1ª Turma da DRJ/JFA a concluir que a DCTF retificada, constante destes autos, não se presta para comprovar a existência do crédito pretendido. Diante desses fatos, assiste razão o voto condutor da decisão recorrida quando salienta em sua ementa que a "simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório que denegou o direito pleiteado"; bem como quando firma que constatada "a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião". Por fim, resta verificar se procede a alegação de que o DARF, que informa o recolhimento da importância de R$ 137.022,88, em 23.09.2011, a título de COFINS código da receita 5856, referente ao mês/anos de apuração de agosto de 2011, citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do suposto crédito. O despacho decisório objetivamente atesta que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP originalmente transmitido. É fato que a conclusão da autoridade competente da DRF / VARGINHA baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte por meio de declarações fiscais próprias. Fl. 170DF CARF MF 8 Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. O contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Portanto, não se tem por provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Por oportuno, para melhor esclarecimento dos fundamentos que norteiam este decisório, enfatizo que não é a mera apresentação da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório que justifica o não reconhecimento do seu crédito, pois, compartilho do entendimento segundo o qual tivesse o contribuinte demonstrado inequivocamente a existência de pagamento indevido ou a maior, tal evidenciação suplantaria quaisquer outras questões relativas a apresentação de DCTF, DACON ou PER/DCOMP, pois o que importa nesta fase processual é a demonstração insofismável de que o valor recolhido em DARF foi superior ao efetivamente devido ao Erário Federal, relativamente ao tributo e período de apuração nele informado, tudo isto em homenagem ao disposto no parágrafo 1º do artigo 147 do CTN, que prescreve, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Ocorre que no caso destes autos o contribuinte não logrou êxito ao apresentar quaisquer elementos de prova que demonstrasse o erro de preenchimento de DCTF, não bastando, para tanto o fato de haver efetuado a retificação da DACON, ou de ter carreado a DCTF retificadora, entregue em 11.01.2013, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido e, por conseguinte, homologar a compensação declarada. Neste passo, por entender que a apresentação da DCTF retificadora, após o despacho decisório não ser suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido, concluo que o interessado deixou transcorrer a oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, cujo ônus que lhe competia, na medida em que no processo administrativo fiscal, tal qual ocorre no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é o que prevê o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099, in verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC), in verbis: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10660.905260/201203 Acórdão n.º 3001000.146 S3C0T1 Fl. 168 9 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Desta feita, com amparo na legislação tributária que dispõe que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (parágrafo 1º do artigo 5º do DecretoLei 2.124 de 13.06.1984) e especialmente pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose, nos seus exatos termos, a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e, por conseguinte, não homologou a compensação do débito vinculado. Da conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.909448/2012-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. VALORES RETIDOS NA FONTE. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Somente se reconhece o direito creditório pleiteado relativo a saldo negativo de IRPJ composto por valores retidos na fonte, quando suportado por provas consistentes, a receita pertinente tenha sido oferecida à tributação e haja os necessários informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, não bastando meras alegações ou documentos produzidos pelo próprio contribuinte.
IRPJ. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO JUDICIAL.
Comprovado o trânsito em julgado da decisão judicial com decisão favorável à recorrente, é de se reconhecer o direito creditório pleiteado, posto que atendido os dizeres do artigo 170-A, do CTN.
Numero da decisão: 1402-002.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito complementar no valor de R$ 626.185,79 - valor original - homologando as compensações pleiteadas até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. VALORES RETIDOS NA FONTE. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Somente se reconhece o direito creditório pleiteado relativo a saldo negativo de IRPJ composto por valores retidos na fonte, quando suportado por provas consistentes, a receita pertinente tenha sido oferecida à tributação e haja os necessários informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, não bastando meras alegações ou documentos produzidos pelo próprio contribuinte. IRPJ. SALDO NEGATIVO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. Comprovado o trânsito em julgado da decisão judicial com decisão favorável à recorrente, é de se reconhecer o direito creditório pleiteado, posto que atendido os dizeres do artigo 170A, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito complementar no valor de R$ 626.185,79 valor original homologando as compensações pleiteadas até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 94 48 /2 01 2- 90 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 560 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 561 3 Relatório O litígio remonta ao Despacho Decisório (DD) da DEINF/SP, nº de Rastreamento 041082392, de 05/12/2012 (fls.2), que não reconheceu parte do direito creditório pleiteado pelo contribuinte – R$ 749.710,13. Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade perante a Turma Julgadora de 1º Piso (fls. 8/23) requerendo o deferimento integral do direito creditório remanescente não reconhecido pelo DD (R$ 749.710,13). Em 13 de novembro de 2014, a 8ª Turma da DRJ/SPO prolatou decisão negando provimento ao pleito e mantendo o quanto decidido no DD. (Acórdão fls. 423/435)1. Referido valor – que representa o litígio aqui trazido – compõese de IRRF retido e não confirmado e estimativas igualmente não confirmadas, estando assim resumido: 1. IRRF 2. ESTIMATIVAS 1 A numeração referida, quando não houver indicação em contrário, será sempre a digital. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 562 4 3. RESUMO DO LITÍGIO 3.1 IRRF não confirmado R$ 123.524,34 3.2 Estimativas Insuficientes R$ 626.185,79 Em relação ao item primeiro, o aresto combatido entendeu não ter havido comprovação documental suficiente e necessária dos montantes apontados como retidos, por isso indeferiu inteiramente o pedido. Já acerca das estimativas não confirmadas, fragmentos da decisão contestada mostram as razões de decidir da Turma a quo (fls. 429/435): “8. A contribuinte interessada também discorda do entendimento da autoridade administrativa fiscal que apreciou o direito creditório em relação à não confirmação das parcelas de IRPJ estimativa mensal dos períodos de apuração 31/03/2006 e 31/01/2006, nos valores de R$ 111.207,44 e R$ 514.978,35. A autoridade detectou a diferença em decorrência do pagamento após o vencimento das estimativas (recolhimentos efetuados em junho de 2006) sem o recolhimento da multa de mora. A contribuinte por sua vez defende que o recolhimento fora feito com base em denúncia espontânea, ao abrigo do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, o que afastaria a aplicação da multa de mora. 8.1. Conforme relatado, a contribuinte traz aos autos peças do processo judicial nº 2006.61.00.0250652 em que realmente demonstra terem sido levadas à discussão judicial as parcelas do crédito de estimativa mensal glosadas pela autoridade fiscal (vide petição às fls. 305 a 309 – itens c.3 e c.4). 8.2. O protocolo da petição inicial (fls. 287) indica que o início da ação ocorreu em 17/11/2006, de forma que, em 18/05/2007, a data em que apresentada a PerDcomp 06239.62922.180507.1.3.024028 (declaração original retificada pela PerDcomp 15885.70838.161208.1.7.027029), a discussão sobre a procedência, ou não, da exigência dos valores de R$ R$ 111.207,44 e R$ 514.978,35 (multa de mora) já havia sido levada ao crivo do Poder Judiciário. 8.3. Não é demais lembrar que o art. 170 do CTN autoriza, nas condições e sob as garantias que a lei estipular “a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 563 5 certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública” e o art. 170A do mesmo Código veda expressamente o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da decisão judicial. (...) 8.4. Convém, neste ponto, assinalar que a contribuinte informa na peça de defesa que “Atualmente, o processo encontrase aguardando manifestação da União Federal quanto ao prosseguimento do recurso especial interposto (o qual, frisese, não possui efeito suspensivo, portanto, a decisão proferida pelo E. TRF da 3a Região está em pleno vigor), tendo em vista a edição dos Atos Declaratórios PGFN 4/2011 e 8/2011”. Até a presente data não consta informação alguma no presente processo sobre o trânsito em julgado da decisão proferida no processo judicial nº 2006.61.00.0250652. 8.5. Portanto também em relação a essas parcelas de estimativas mensais glosadas não cabe qualquer retificação ao despacho decisório proferido. 8.6. Cumpre ainda consignar que em relação aos argumentos quanto à adequação do caso aos Atos Declaratórios 4/2011 e 8/2011, que essa Turma de Julgamento não pode se pronunciar porquanto, como restou demonstrado, o assunto encontrase em discussão na esfera judicial, de forma que, em conformidade com o Parecer Normativo nº 7, de 22/08/2014 (cuja ementa abaixo se transcreve), não cabe qualquer manifestação administrativa a esse respeito. Também não se pode inferir que o processo tenha transitado em julgado. (...) 8.7. Como se vê, o despacho decisório deve, à luz dos documentos apresentados pela contribuinte, permanecer incólume. 9. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade sob análise, mantendose incólume o despacho decisório de fl. 415”. O Acórdão guerreado encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DCOMP. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. Os argumentos e documentos apresentados para comprovar a existência do valor do saldo negativo glosado pela autoridade administrativa na fiscal na análise do PerDComp com demonstrativo Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 564 6 do crédito revelaramse ineficazes para afastar o valor de saldo negativo reconhecido no Despacho Decisório combatido. RESTITUIÇÃO. CRÉDITO EM DISCUSSÃO JUDICIAL. É vedada a restituição/compensação mediante aproveitamento de tributo/contribuição que não possua o atributo de liquidez e certeza a que alude o artigo 170 do Código Tributário Nacional. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado em 08/12/2014 (fls. 443) da decisão citada, o interessado interpôs perante a Turma a quo, peça recursal que nominou de “embargos de declaração” (fls. 445/447) questionando o Acórdão embargado em relação ao enfrentamento da matéria que se encontrava sob discussão judicial (espontaneidade – multa de mora – artigo 138 do CTN), alegando ter havido trânsito em julgado (favorável ao recorrente) e a desistência da União no litígio. Ainda que não previsto no PAF “embargos” em relação às decisões de 1º Piso, o presidente da Turma Julgadora a quo entendeu por receber a peça recursal e apreciar os argumentos do contribuinte, concluindo pelo indeferimento do pedido, na forma das conclusões abaixo transcritas (fls. 498/500): “Ao analisarmos o voto condutor do acórdão de fls. 423/435, verifica se que realmente há ponderações da Relatora no tocante à não definitividade da decisão judicial favorável ao contribuinte. Entretanto, não se trata de premissa relevante para a conclusão final do voto. É de se notar que o fundamento utilizado pela Relatora para considerar indevida a compensação está no art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), conforme se extrai do item 8.3 do seu voto (v. também a ementa do acórdão), pois o contribuinte apresentara a Dcomp antes que houvesse o trânsito em julgado da decisão judicial. Cabe ressaltar, ainda, que inexistia informação nos presentes autos sobre a ocorrência do trânsito em julgado em questão, disso resultando que o voto da Relatora está perfeitamente de acordo com os elementos até então disponíveis, não havendo como se falar em inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e nem em erros de escrita ou de cálculo na decisão. Destarte, resta afastada a hipótese prevista no art. 32 do Decreto nº 70.235/72. É de se esclarecer que a falta de trânsito em julgado da decisão judicial não foi abordada no voto com o fim de afastar a figura da denúncia espontânea. Muito ao contrário, apenas serviu para evidenciar a ocorrência de concomitância entre processo administrativo e processo judicial, no que pertine à questão da denúncia espontânea, o que implica em renúncia à discussão administrativa dessa matéria, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 7/2014 (item 8.6 do voto). Como corolário deste mesmo entendimento, significa também que a decisão judicial haverá de ser cumprida pela autoridade impetrada e observada pelo Fisco a partir Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 565 7 do momento em que ela se tornar definitiva, independentemente da situação processual do presente feito. Se, de um lado, a referida concomitância implica na impossibilidade de o julgador administrativo decidir sobre a matéria sub judice antes do trânsito em julgado da sentença, por outro lado, ela também implica na desnecessidade de prolação de novo acórdão da DRJ para implementar e fazer cumprir os exatos termos da decisão judicial transitada em julgado. É essa a natural consequência da declaração da concomitância, consoante abordado no Parecer Normativo nº 7/2014, pois que assentada na prevalência da coisa julgada e da jurisdição única constitucionalmente atribuída ao Poder Judiciário. Portanto, o provimento jurisdicional definitivo obtido pelo interessado há de ser aplicado em todos os seus termos e com todos os seus efeitos, sem que para isso seja necessária a retificação de decisões anteriores (ou mesmo posteriores) prolatadas pela DRJ (ou pelo CARF) sob o rito do PAF. É esse o entendimento que deflui dos termos do Parecer Normativo Cosit nº 7/2014 (vide também os Pareceres PGFN/COCAT nºs 02/2013 e 05/2013). Ante o exposto, por não demonstrada a hipótese do art. 32 do Decreto nº 70.235/72 e nos termos do art. 27 da Port. MF nº 341/2011, INDEFIRO a retificação do acórdão requerida pelo interessado”. Cientificado em 06/08/2015 do despacho retro (fls. 510), o contribuinte acostou recurso voluntário (fls. 512/524) basicamente reproduzindo as argumentações anteriores e reafirmando o trânsito em julgado da decisão judicial sobre os pagamentos de tributos com fulcro no artigo 138, do CTN. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 566 8 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do despacho de “embargos” em 06/08/2015 – fls. 510 – protocolização do RV em 13/08/2015 – fls. 512), a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 525/535) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. O indeferimento do direito creditório requerido pelo contribuinte soma R$ 749.710,13 e tem duas variáveis: 1. Retenções não confirmadas – R$ 123.524,34; e 2. Estimativas não confirmadas (insuficientes) – R$ 626.185,79. Antes da análise individual de cada item não reconhecido é preciso pontuar que a retenção na fonte do Imposto de Renda para fins de composição do chamado “saldo negativo” exige sua sustentação em documentação probante regular e que os valores pleiteados encontremse informados em comprovante específico emitido pela fonte pagadora, conforme expressa determinação do RIR/1999: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 2 º , e Lei n º 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1 º ). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei n º 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei n º 2.124, de 1984, art. 3 º , parágrafo único). § 1 º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 1 º ). Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 567 9 § 2 º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1 º e 2 º do art. 7 º , e no § 1 º do art. 8 º(Lei n º 7.450, de 1985, art. 55). Neste contexto, ainda que outras provas, inclusive a escrituração regular do requerente possam ter cunho probante subsidiário, é inegável a existência de norma cogente (artigos 942/943, do RIR/1999, com seus respectivos fundamentos legais expressos no final de cada um deles) que vincula os julgadores e que dela não podem se afastar sob pena de prevaricar e invadir seara que não lhes compete, negando vigência a dispositivo plenamente válido. Deste modo, carece de fundamento a alegação do recorrente em seu recurso voluntário quando assenta (fls. 520/521): Equivocase o recorrente. O ônus de apresentar os “informes de rendimentos” que comprovariam a retenção, mais não fosse pela específica norma cogente antes reproduzida, é claramente do interessado autor nestes autos , a quem é impingido acostar as provas do que alega (artigo 373, I do atual CPC art. 333, I, do CPC de 1973). Dizendo de outro modo, não cabe à RFB exigir das fontes pagadoras a entrega de tais informes de rendimentos aos beneficiários para que estes apurem saldos negativos ou pleiteiem restituições ou compensações em face do Erário (lembrando que existe penalização pelo seu descumprimento). Tal encargo é de beneficiário que venha demandar em busca de eventuais direitos creditórios, caso do autor, ora recorrente. Segundo, é certo que documentos internos da empresa – como alegado pelo recorrente (fls. 521) podem compor subsidiariamente o quadro probatório para fins de reconhecimento de direito creditório pleiteado para fins de compensação, porém não suprem nem substituem os documentos previstos na legislação. Afasto, assim, estes apontamentos, e volto ao caso concreto, apreciando inicialmente as retenções não confirmadas e que somaram R$ 123.524,34. Acerca do tema, por ter analisado de forma profunda e minuciosa todos os documentos comprobatórios juntados aos autos e exarada decisão com a qual este Relator perfila integralmente, valhome do voto condutor do acórdão recorrido e o adoto como razões de decidir, complementandoo ao final (fls. 429/435): “6.1. Da legislação acima transcrita, há de se verificar não só a comprovação da retenção do imposto de renda na fonte (o que é feito por meio de declaração/informe de rendimentos emitido pela fonte pagadora), como também o oferecimento dos Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 568 10 rendimentos (correspondentes ao imposto retido) à tributação no correspondente anocalendário. 6.2. Por oportuno, registrese que é o próprio regulamento do imposto de renda (RIR/99) que estabelece a necessidade da apresentação de Comprovante emitido pela fonte pagadora, conforme se depreende dos arts. 942 e 943, abaixo transcritos. (...) 6.3. A IN SRF nº 119, de 28/12/2000 (vigente à época dos fatos), em seu art. 2º prescreve as informações que devem estar contidas no informe de rendimentos. (...) 7. A contribuinte trouxe juntamente com sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 24 a 107, os quais entende comprovariam parcela do IRRF glosado. Cumpre aqui observar que apenas e tão somente as retenções que se encontram em litígio, quais sejam, aquelas indicadas no Quadro “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” das Informações Complementares na Análise do Crédito de Saldo Negativo (às fls. 417) é que são passíveis de consideração para fins de cômputo no saldo negativo ora em questão. 7.1. A respeito de tais documentos cumpre observar que: • o documento de fls. 175, comprova que a fonte pagadora 00.360.305/000104 reteve da Pessoa Jurídica 33.517.640/000122 (Banco Santander S/A – outro CNPJ) R$ 827,72 sobre o rendimento total pago no anocalendário de 2006, no valor de R$ 3.679,14; e referese a rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte, portanto não poderia ser essa retenção levada ao ajuste anual, quer porque referente a outro CNPJ quer porque referente à tributação exclusiva na fonte; • os documentos de fls. 176 a 181 referemse a recibos da lavra da própria interessada que não produzem a necessária prova da retenção; • o documento de fls. 182 (Informe de Rendimentos) comprova que a Fonte Pagadora CNPJ nº 60.741.360/000176, reteve da interessada (CNPJ 90.400.888/000142), no anocalendário de 2006, a título de serviços profissionais prestados por PJ (código 1708), IR no valor total de R$ 6.651,69, sobre o total de rendimentos recebidos no ano de R$ 443.455,06, mas tal retenção não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417); • o documento de fls. 183, comprova que a fonte pagadora CNPJ nº 60.746.948/000112 (Banco Bradesco S/a) reteve da Pessoa Jurídica CNPJ nº 61.472.676/000172, no ano Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 569 11 calendário de 2006, a título de IRRF sobre juros sobre capital próprio (código 5706) o valor de R$ 6.122,13; entretanto a interessada (CNPJ 90.400.888/000142) não prova seu direito sobre tal retenção; • o documento de fls. 184, comprova que a fonte pagadora CNPJ nº 60.746.948/000112 (Banco Bradesco S/A) reteve da Pessoa Jurídica CNPJ nº 90.400.888/000142, interessada, no anocalendário de 2006, a título de IRRF sobre juros sobre capital próprio (código 5706) o valor de R$ 23.045,31 calculado sobre o rendimento total pago naquele período de R$ 153.635,47. Essa parcela de IRRF já fora reconhecida pelo Despacho Decisório (fls. 417); • o documento de fls. 185, comprova que a fonte pagadora CNPJ nº 60.087.604/000123 (Itaú Holding Financeira ) reteve da Pessoa Jurídica CNPJ nº 61.472.676/000172, no ano calendário de 2006, a título de IRRF sobre juros sobre capital próprio (código 5706) o valor de R$ 8.989,64 (rendimentos pagos no ano de R$ 59.930,96); entretanto a interessada (CNPJ 90.400.888/000142) não prova seu direito sobre tal retenção e tal fonte pagadora não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417); • o documento de fls. 186, comprova que a fonte pagadora CNPJ nº 60.087.604/000123 (Itaú Holding Financeira ) reteve da Pessoa Jurídica CNPJ nº 90.400.888/000142, interessada, no anocalendário de 2006, a título de IRRF sobre juros sobre capital próprio (código 5706) o valor de R$ 452,16 calculado sobre o rendimento total pago naquele período de R$ 3.014,40 e, ainda, tal fonte pagadora não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417); • o documentos de fls. 187, comprova que a Pessoa Jurídica CNPJ nº33.009.911/000139 reteve da interessada (CNPJ nº 90.400.888/000142), no anocalendário de 2006, a título de IRRF sobre juros sobre capital próprio (código 5706) o valor de R$ 20,06 calculados sobre o rendimento de R$ 113,07, mas tal fonte pagadora não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417); • o documentos de fls. 188, comprova que a Pessoa Jurídica CNPJ nº 33.009.911/000139 reteve IRRF da Pessoa Jurídica CNPJ nº 33.517.640/000122, no anocalendário de 2006, a titulo de IRRF sobre juros sobre capital próprio (código 5706); entretanto a interessada (CNPJ 90.400.888/000142) não prova seu direito sobre tal retenção e, ainda, tal fonte pagadora não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417) ; • o documento de fls. 189, comprova que a fonte pagadora 33.009.911/000139 reteve IRRF da pessoa jurídica CNPJ 61.411.633/000187 no anocalendário de 2006, a titulo de IRRF sobre juros sobre capital próprio (código 5706); entretanto a interessada (CNPJ 90.400.888/000142) não prova Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 570 12 seu direito sobre tal retenção e, ainda, tal fonte pagadora não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417) ; • o documento de fls. 190, além de estar parcialmente ilegível referese a retenção feita por fonte pagadora (CNPJ 29.379.036/090891) que não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417); • o documento de fls. 191, além de estar parcialmente ilegível referese a retenção feita de outro beneficiário 61.472.676/000172 e por fonte pagadora (CNPJ 29.379.036/090891) que não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417); • os documentos de fls. 192, 199 a 207 referemse a recibos da lavra da própria impugnante (CNPJ 90.400.888/000142) que não produzem a necessária prova; • os documentos de fls. 193 a 198 e 208 referemse a recibos da lavra de outra pessoa jurídica (CNPJ 61.472.676/000172) que não produzem a necessária prova; • o documento de fl. 209 referese a Comprovante Anual de Rendimentos emitido pelo CNPJ 02.451.848/000162 para a Pessoa Jurídica CNPJ nº 61.472.676/000172 (a interessada CNPJ 90.400.888/000142 não prova seu direito sobre tal retenção e referese ao código de retenção 1708, enquanto o código de retenção em litígio é 8045 – fls. 417); • o documento de fls. 210, referese a informe das fontes CNPJ nºs 03.209.092/000102; 61.472.676/000172 e 67.376.109/000105 à interessada (CNPJ 90.400.888/000142), também faz prova da retenção da Fonte 61.472.676/000172 sob o código 1708 (em litígio – fl. 417), porque tal informe só contempla os códigos 5952 e 8045; • o documento de fll. 211 referese a recibo da lavra da própria impugnante (CNPJ 90.400.888/000142) que não produz a necessária prova; • os documentos de fls. 212 e 213 referemse a informe de rendimentos do anocalendário (provavelmente apresentado em duplicidade) da fonte pagadora CNPJ nº 05.531.987/000180 para o beneficiário CNPJ 61.472.676/000172, entretanto a interessada (CNPJ 90.400.888/000142) não prova seu direito sobre tal retenção e, ainda, tal fonte pagadora não consta do rol de parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas (fls. 417),• os documentos de fls. 214 a 225 e 227 a 234 referemse a recibos da lavra da própria interessada e de outras pessoas jurídicas que não produzem a necessária prova da retenção; • o documento de fl. 226 referese a Comprovante Anual de Rendimentos da Fonte pagadora CNPJ 61.472.676/000172, Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 571 13 para o beneficiário 60.500.139/000126 (códigos 5952 e 8045), dados que não se relacionam com o IRRF em litígio; • o documento de fl. 235 referese a Comprovante Anual de Rendimentos da Fonte pagadora CNPJ 62.088.042/000183, para o beneficiário 61.411.633/000187 (código 8045), dados que não se relacionam com o IRRF em litígio; • o documento de fl. 236 referese a Comprovante Anual de Rendimentos da Fonte pagadora CNPJ 60.746.948/000112, para o beneficiário CNPJ nº 61.472.676/000172 (código 045), dados que não se relacionam com o IRRF em litígio. • os documentos de fls. 370 a 387, além de terem sido apresentados de forma extemporânea e sem indicar qualquer das condições impostas pelo § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não produzem, nos termos da legislação de regência, a necessária prova. Com efeito, não é demais lembrar que os art. 264, 276 e 923 do RIR/99, a seguir transcritos, impõe a verificação para fins de apuração do lucro real (consequentemente, do IRPJ anual) da documentação comprobatória a respaldar a escrituração. Os registros contábeis apresentados desacompanhados da documentação que lhe deu suporte, qual seja do informe ou outro documento produzido pela fonte pagadora atestando a retenção do imposto (com identificação do código de retenção/tipo de operação e valores do rendimento e do imposto retido) não produzem prova alguma. (...) 7.2 Deste modo, não merece reparo o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte reconhecido pelo Despacho Decisório. Adicionalmente, faço mais os seguintes apontamentos. Primeiro sobre o reclamo do recorrente de que (RV fls. 520): Ora, como corretamente afirmado na decisão recorrida, o beneficiário dos rendimentos e que arcou com o ônus do IRRF possui CNPJ nº 61.472.676/000172, enquanto que o CNPJ do recorrente é 90.400.888/000142. Confirase: Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 572 14 Se o CNPJ é 61 pertence a empresa em relação à qual a recorrente é “sucessora”, tal informação não veio aos autos, por isso o indeferimento do pedido está correto. Segundo, é da lavra do próprio recorrente a afirmação expressa de que, “no que tange aos demais clientes, por não termos localizado os informes de rendimentos até o momento, já que correspondem a operações ocorridas há mais de cinco anos, acostamos planilhas e documentos contábeis atestando que a Recorrente sofreu as retenções” (fls.520). A propósito, i) não se desconhece a obrigatoriedade da juntada de “informes de rendimentos” emitidos pelas fontes pagadoras, de forma que, como já discorrido antes neste voto, registros, escrituração, planilhas e documentos de emissão ou gerados pela própria interessada podem subsidiar o rol probatório, mas não substituem nem suplantam a exigência prevista nos artigos 942 e 943 do RIR/1999 e, mais especificamente, no §2º deste último dispositivo2, e, ii) o transcurso de um quinquênio (ou mais) não justifica a não juntada de provas processuais, a rigor do prescrito no artigo 264, do RIR/1999: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Por fim, a respeito do reclamo da recorrente de que a DRJ teria ignorado “os documentos de fls. 370 a 387” por extemporâneos e que a negativa de apreciálos feriria o principio da verdade material (cita doutrina), é superado nesta instância, nos moldes de assentada jurisprudência deste Colegiado3, porém, em nada modifica o decidido na fase inicial do litígio (e nem neste momento), tendo em vista que citadas fontes probatórias não acrescem, em nada, no que tange ao item aqui analisado – retenções na fonte , o que já foi exaustivamente sopesado, de modo que afasto tais argumentos (RV fls. 521). Nesta linha, mantenho a decisão de 1ª Instância e nego provimento ao RV – valor não reconhecido: R$ 123.524,34. Aprecio, a seguir,o segundo tópico do indeferimento (Estimativas Insuficientes R$ 626.185,79). 2 Art. 943. § 2 º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1 º e 2 º do art. 7 º , e no § 1 º do art. 8 º(Lei n º 7.450, de 1985, art. 55). 3 JUNTADA EXTEMPORÂNEA DE PROVAS. VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade material no processo administrativo, admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. (Ac. 2803002.593) Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 573 15 Confirase o litígio: A decisão recorrida sustentou que o valor não foi reconhecido por insuficiência de recolhimento das estimativas de janeiro/2006 e março/2006. Na argumentação para o indeferimento, a DRJ (fls. 433/435) ratificado pelo despacho de “embargos” (fls. 498/500) proferido pelo presidente da Turma a quo – ficou assentado não haver trânsito em julgado da ação, o que impediria, a teor do artigo 170A, do CTN, o reconhecimento do pleito firmado. Literalmente (fls. 434): “8.3. Não é demais lembrar que o art. 170 do CTN autoriza, nas condições e sob as garantias que a lei estipular “a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública” e o art. 170A do mesmo Código veda expressamente o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da decisão judicial”. Em sua MI e posteriormente no RV, a recorrente argui cuidarse de recolhimento com base no artigo 138, do CTN, sem acréscimo das multas moratórias (R$ 111.207,44 e R$ 514.978,35, totalizando R$ 626.185,79), já que baseado no instituto da denúncia espontânea (que teria formalizado perante a DEINF em 04/07/2006) e que possui ação judicial transitada em julgado, tanto que a Fazenda Nacional desistiu da lide (Processo Judicial nº 2006.61.00.0250652 AMS 300393). Razão assiste à recorrente. Não só os documentos acostados aos autos comprovam os argumentos da interessada como este Relator pesquisou junto ao site do TRF 3ª Região e confirmou os termos do Acórdão, que ratificam as alegações da recorrente, inclusive quanto à desistência da PGFN na lide, e o trânsito em julgado da decisão. Vejase o resultado das pesquisas: Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 574 16 Fl. 574DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 575 17 E, o trânsito em julgado: 18/06/2013 BAIXA DEFINITIVA A SECAO JUDICIARIA DE ORIGEM GRPJ N. GR.2013121986 Destino: JUIZO FEDERAL DA 7 VARA SÃO PAULO >1ªSSJ>SP 17/06/2013 RECEBIDO(A) GUIA NR. : 2013120361 ORIGEM : SUBS. DE FEITOS DA VICE PRESIDENCIA 14/06/2013 REMESSA PELA DINT À DPAS PARA BAIXA DEFINITIVA GUIA NR.: 2013120361 DESTINO: PASSAGEM DE AUTOS 13/06/2013 TRÂNSITO EM JULGADO EM ACÓRDÃO/DECISÃO EM 20/05/2013. Por fim, registrese, a matéria encontrase definitivamente julgada no âmbito do STJ (REsp nº 1.149.022)4 sob o rito do artigo 543C, do Código de Processo Civil, impondo 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇAO. DECLARAÇAO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇAO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A Fl. 575DF CARF MF Processo nº 16327.909448/201290 Acórdão n.º 1402002.701 S1C4T2 Fl. 576 18 sua observância pelo Colegiado Administrativo de 2º Grau, a teor do artigo 62, § 1º, II, “b”, do RICARF vigente. Deste modo, afastados os óbices impostos no Despacho Decisório e confirmados pelo Acórdão da Turma a quo que impediam o reconhecimento do direito creditório pertinente às estimativas de janeiro/2006 e março/2006, é de se deferir o pedido, reformando a decisão recorrida neste aspecto. Assim, confirmada a decisão judicial de forma definitiva, acolho os argumentos da recorrente e dou provimento ao recurso voluntário neste item. Valor R$ 626.185,79. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório de R$ 626.185,79 – valor original , homologando as compensações até o limite do referido direito creditório ora reconhecido. É como voto. Brasília (DF), em 27 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone RESPECTIVA QUITAÇAO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSAO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 576DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954389/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/10//2000
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-004.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo relator, vencido este; e (b) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Designado para redigir o voto vencedor em relação ao afastamento da diligência o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/10//2000 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (a) por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo relator, vencido este; e (b) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Designado para redigir o voto vencedor em relação ao afastamento da diligência o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 89 /2 00 8- 66 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.954389/200866 Acórdão n.º 3401004.146 S3C4T1 Fl. 111 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico (PER/DCOMP n° 10880.954389/200866), na data de 19/08/2004, pela qual pretende quitar débitos com créditos, no valor de R$ 10.172,37, decorrentes de recolhimento indevido de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) realizado por meio do DARF de 13/10/2000, no valor de R$ 539.691,85 (código de receita 8109). Em 24/11/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) proferiu despacho decisório não homologando a compensação com fundamento na inexistência de crédito. A contribuinte autuada apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF em seu exato valor (R$ 539.691,85); (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. Em 13/04/2011, a 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.767, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado nos termos do despacho decisório, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/10/2000 Ementa: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.954389/200866 Acórdão n.º 3401004.146 S3C4T1 Fl. 112 3 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 27/06/2011, a contribuinte foi intimada do resultado do julgamento via postal, conforme aviso de recebimento, e, em 12/07/2011, apresentou recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte realizou a transmissão eletrônica à Receita Federal do Brasil (RFB) da Declaração de Compensação (DCOMP) n° 27309.71987.190804.1.3.048736, na qual informou a utilização de crédito oriundo de pagamento a maior da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) devida no mês de setembro de 2000 decorrente de pagamento a maior de DARF com as características abaixo relacionadas: A compensação intentada não foi homologada sob alegação de que, embora tenha sido localizado nos sistemas da RFB o DARF informado na DCOMP como crédito a ser compensado, foi identificada a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF em seu exato valor, não restando crédito disponível para compensação com o débito apontado, no valor original de R$ 10.172,37 ("insuficiência de crédito"). Aduz a contribuinte que, mesmo após transmitir a DCOMP em questão, por um lapso, esqueceu de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.954389/200866 Acórdão n.º 3401004.146 S3C4T1 Fl. 113 4 pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, de forma a reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de setembro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, como seria correto e necessário para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37. A bem da verdade, tratase o presente de mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, à revelia de mãos humanas que revejam seu teor, ou mesmo de qualquer determinação de prestação de esclarecimentos à contribuinte, que facilmente esclareceria o ocorrido, permitindo, assim, à autoridade fiscal, realizar as devidas correções na rota de forma a impedir que questões de R$ 10.172,37 como a presente abalroem os estoques deste Conselho, avolumando desnecessariamente o contencioso administrativo. Observese que tal horror maquínico seria facilmente resolvido por meio da cotejo contextualizado entre os documentos apresentados pela ora recorrente com os dados disponíveis nos sistemas da Receita Federal. Definir se a contribuinte tem ou não direito a determinado crédito é interesse tanto do particular como da Administração e, no caso presente, ainda que diante do entendimento no sentido de a DCTF se tratar de instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, as questões de fato estão postas e são facilmente verificáveis. Neste sentido, ademais, diante da verossimilhança das alegações e da possibilidade da sua confirmação, não resta outro caminho senão a conversão do presente feito em diligência, pois o motivo da existência do contencioso administrativo é o exercício da autotutela da Administração no sentido do interesse público, devendo o aplicador da norma antes resolver problemas colocados diante de sua jurisdição do que colocar diante de si o escudo intransponível da formalidade processual. Assim, ainda que a contribuinte porte o ônus de provar em casos de ressarcimento/compensação, tendo sido eletrônico o despacho de não homologação ou de homologação parcial, o primeiro momento de que dispõe para prestar esclarecimentos ocorre na oportunidade da apresentação de sua manifestação de inconformidade. Neste cenário, cabe ao aplicador a seguinte avaliação: os documentos juntados nesta defesa, colocados à disposição do fisco, não suficientes para dar o provimento desejado? Se a resposta é negativa, então o despacho eletrônico deve ser mantido. Se é positiva, rejeitado. Não havendo certeza a respeito das questões de fato (quantum do crédito em suficiência para extinguir o débito, por exemplo), deve o processo ser convertido em diligência. Assim já decidiu esta turma, por unanimidade de votos, por exemplo na Resolução CARF nº 3401000.964, proferida em 25/01/2007, de relatoria do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, encomioso defensor desta linha de pensamento, conforme se aduz do voto de sua autoria a seguir transcrito: "Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.954389/200866 Acórdão n.º 3401004.146 S3C4T1 Fl. 114 5 impossibilidade de reverter as negativas até então impostas á contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que venho propondo que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo" (seleção e grifos nossos). Assim sendo, e tendo a contribuinte apontado objetivamente a origem de seu crédito, bem como explicado de maneira verossímil o desencontro eletrônico de contas, e, por fim, diante da possibilidade de verificação conclusiva acerca do quanto alegado, entendo que o processo não se encontra devidamente instruído, não se encontrando, conseqüentemente, em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Informar a respeito do quanto alegado pela contribuinte no sentido da existência de crédito em valor suficiente para extinguir o débito correspondente, bem como acerca da existência de retificação, tentada ou efetivamente realizada, com relação aos débitos e créditos discutidos no presente processo administrativo; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, relativamente à consolidação dos valores lançados de acordo com a verificação dos dados acima determinada; Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.954389/200866 Acórdão n.º 3401004.146 S3C4T1 Fl. 115 6 (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo”, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento no julgamento. Uma vez vencida a proposta de diligência, o colegiado concluiu que a argumentação, considerada verossimilhante por este relator, não seria suficiente para justificar a conversão do feito em diligência. Assim, ao se passar à análise do mérito, no estado em que se encontra o processo, não tendo a contribuinte juntado documentos hábeis a comprovar o direito que pleiteia, não cabe outra saída senão se reconhecer a ausência de certeza e liquidez do crédito postulado (requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação), razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. É como voto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.954389/200866 Acórdão n.º 3401004.146 S3C4T1 Fl. 116 7 Voto Vencedor Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.954389/200866 Acórdão n.º 3401004.146 S3C4T1 Fl. 117 8 apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.954389/200866 Acórdão n.º 3401004.146 S3C4T1 Fl. 118 9 por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. Augusto Fiel Jorge D'Oliveira Redator Designado Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.723539/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2009
DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa lançada.
DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. GUARDA NÃO COMPROVADA. PAGAMENTO DE PENSÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Tendo o contribuinte realizado o pagamento da pensão alimentícia judicial, cabe a esse comprovar por meio de documentos idôneos.
DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE PENSÃO A EX-CÔNJUGE. DIVÓRCIO JUDICIAL. FALTA DE DOCUMENTOS PROBATÓRIOS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de que a ex-cônjuge é sua dependente, deve ser mantida o lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-005.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa na quantia R$1.655,88, referente à condição de dependência da menor, devidamente comprovada, mantendo-se as demais exigências do crédito fiscal
(assinado digitalmente).
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2009 DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa lançada. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. GUARDA NÃO COMPROVADA. PAGAMENTO DE PENSÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo o contribuinte realizado o pagamento da pensão alimentícia judicial, cabe a esse comprovar por meio de documentos idôneos. DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE PENSÃO A EX-CÔNJUGE. DIVÓRCIO JUDICIAL. FALTA DE DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de que a ex-cônjuge é sua dependente, deve ser mantida o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa na quantia R$1.655,88, referente à condição de dependência da menor, devidamente comprovada, mantendo-se as demais exigências do crédito fiscal (assinado digitalmente). João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha.
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ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser mantida a glosa lançada. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. GUARDA NÃO COMPROVADA. PAGAMENTO DE PENSÃO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Tendo o contribuinte realizado o pagamento da pensão alimentícia judicial, cabe a esse comprovar por meio de documentos idôneos. DEDUÇÃO DE PAGAMENTO DE PENSÃO A EXCÔNJUGE. DIVÓRCIO JUDICIAL. FALTA DE DOCUMENTOS PROBATÓRIOS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Não tendo o contribuinte apresentado documentação comprobatória de que a excônjuge é sua dependente, deve ser mantida o lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a glosa na quantia R$1.655,88, referente à condição de dependência da menor, devidamente comprovada, mantendose as demais exigências do crédito fiscal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 35 39 /2 01 1- 21 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 12448.723539/201121 Acórdão n.º 2301005.177 S2C3T1 Fl. 86 2 (assinado digitalmente). João Bellini Junior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por RUBENS MATTARUNA DE TOLEDO, contra o acórdão de julgamento n.º 1247.926, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (19ª Turma da DRJ/ RJ1), no qual os membros daquele colegiado julgaram parcialmente procedente a impugnação apresentada, referente à Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, relativa ao ano calendário 2008, exercício 2009, no valor de R$ 4.384, 85, com os acréscimos legais. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 05/11) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), fls. 28/35, em que foram apuradas as seguintes infrações: 1. Dedução Indevida de Despesas Médicas, com glosa no valor de R$ 1.890,00, tendo em vista o não atendimento da intimação. 2. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial, com glosa no valor de R$ 19.600,00, tendo em vista o não atendimento da intimação. 3. Dedução Indevida com Dependentes, com glosa no valor de R$ 1.655,88, tendo em vista o não atendimento da intimação. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, fls. 02, alegando, em síntese, que: 1. A dependente Michaela dos Santos Silva é filha menor do contribuinte; 2. Apresenta os comprovantes referente às despesas médicas; 3. Apresenta documentação referente ao pagamento de Pensão Alimentícia. Na decisão de acórdão de impugnação foi afastada parte da glosa referente às despesas médicas, mas mantidas as demais exigências fiscais, por falta de comprovações das alegações do contribuinte, em especial por não apresentar documentos idôneos que demonstrassem os pagamentos feitos por meio de determinação judicial da pensão alimentícia, bem como por não haver nenhuma Fl. 86DF CARF MF Processo nº 12448.723539/201121 Acórdão n.º 2301005.177 S2C3T1 Fl. 87 3 decisão judicial para pagamento de pensão para a excônjuge, faltando elementos que pudessem embasar a dedução realizada pelo contribuinte. Ainda, por trazer maiores detalhes referente à improcedência ora informada, reproduzo parte do voto da DRJ, o qual explica de forma clara as razões do não acolhimento das alegações do contribuinte: "(...) Da Dedução Indevida com Dependentes Sobre esta infração, o contribuinte alega que a dependente declarada é sua filha menor, todavia, não há, nos autos, qualquer documento que comprove tal relação de dependência. Ressaltase que o contribuinte foi intimado, conforme fl. 38, a apresentar documento que comprove a dependência de Michaela dos Santos Silva, mas até o presente momento não foi apresentado qualquer documento comprobatório". (....) Dessa forma, as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes, motivo pelo qual há que se manter a presente glosa. Da Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial Com relação à pensão alimentícia, o contribuinte apresenta a Decisão Judicial de fls. 14/17, que determina, conforme item VI, o pagamento de pensão alimentícia de sete salários mínimos somente para as filhas do casal. Ressaltase que, além de as filhas do casal já serem maiores de idade, tendo em vista a data da Decisão Judicial e, portanto, exceto no caso de incapacidade para o trabalho, fato não demonstrado in casu, fariam jus à manutenção da referida pensão, não há, nos autos, qualquer comprovação de pagamento da referida pensão. Desta forma, entendo que os valores declarados como pagamentos de pensão alimentícia não podem ser utilizados como dedução para fins de Imposto de Renda. Ressaltase, ainda, em análise dos documentos juntados aos autos, especialmente a declaração de sua excônjuge, à fl. 20, e a informação prestada, às fls. 26/27, que foi declarado como dedução do Imposto de Renda o pagamento de pensão à Sra Rozalinda Elias Cabus. Conforme acima destacado, a Decisão Judicial apresentada determinou o pagamento de pensão somente para as filhas do casal. Da Dedução Indevida de Despesas Médicas Com relação ao documento apresentado à fl. 18, referente ao tratamento prestado pelo dentista Robson Franco de Oliveira, no valor de R$ 720,00, entendo que o mesmo atende aos requisitos legais acima, motivo pelo qual pode ser utilizado como dedução para fins de Imposto de Renda. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 12448.723539/201121 Acórdão n.º 2301005.177 S2C3T1 Fl. 88 4 Com relação ao documento apresentado à fl. 19, referente à despesa de R$ 1.170,00, verificase que a Nota Fiscal foi emitida em 07/04/2009, ano calendário diverso do presente lançamento, motivo pelo qual não pode ser utilizada como dedução para fins de Imposto de Renda". Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, para afastar a exigência fiscal em relação à glosa lançada pela infração de dedução indevida da pensão alimentícia das filhas menores na época da fiscalização (2008), bem como da excônjuge, e também para que seja aceito um recibo em que contém um suposto "erro formal" na data de um recibo apresentado de tratamento odontológico. Ainda, junta ao recurso a certidão de nascimento da filha Michaela dos Santos da Silva Toledo, bem como cópia da decisão judicial que denegou provimento ao recurso oposto contra sentença de "desquite amigável", datado de 1969. É o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recorrente foi intimado em 17.06.2014 da decisão de impugnação, e o recurso voluntário foi apresentado em 21.07.2014. Ocorre que conforme certificado na fl. 72 ocorreu jogo da Copa do Mundo em 18.07.2014, e que houve interrupção das atividades da Receita Federal do Brasil. Portanto, o recurso apresentado no dia 21.07.2014, primeiro dia útil subsequente é revestido do requisito tempestividade, e dele o conheço. Passo a analisar o mérito. DA DESPESA MÉDICA Referente à glosa lançada, especificamente no tocante a não comprovação das despesas no valor de R$1.170,00, com tratamento ortondôtico, foi apresentado documento referente ao ano calendário de 2009, diverso do período da fiscalização de 2008. Em suas alegações o recorrente apenas traz afirmações de erro "material", sem fazer prova de suas afirmações. Nesse sentido, não inovou em nada o Contribuinte, pois não trouxe nenhuma declaração, comprovante de pagamento ou informações capaz a afastar o possível erro material alegado. Prova que lhe incumbia. Ocorre que em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Nesse sentido, o artigo 73, do RIR/1999, impõe a comprovação quando solicitada pela fiscalização, conforme transcrição in verbis: Fl. 88DF CARF MF Processo nº 12448.723539/201121 Acórdão n.º 2301005.177 S2C3T1 Fl. 89 5 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Assim, não assiste razão o recorrente, devendo ser mantida a glosa lançada. DA DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTES Nesse parte do Lançamento, alega o recorrente que a filha Michaela dos Santos da Silva Toledo seria sua dependente na época da fiscalização, sendo esta menor de idade. Contudo, em sede de recurso, o documento de fl. 77 (certidão de nascimento), comprova que de fato a menor indicada é sua dependente. Nesse quesito, comprovada a alegação por meio de documento idôneo, deve ser afastada a glosa lançada, na quantia de R$1.655,88. DA DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Mais uma vez o Contribuinte deixa de apresentar provas dos pagamentos realizados, e que foram indevidamente deduzidos. De fato existe uma decisão judicial impondo o pagamento da pensão alimentícia. Conforme se constata do documento juntado na f. 14/17, o recorrente teria que pagar sete salários mínimos a título de pensão alimentícia das filhas menores a serem depositados em conta judicial ou entregues em "mãos" à genitora (item VI). Ocorre que em nenhum momento do processo administrativo fiscal, mesmo ciente da legalidade, o Contribuinte não apresentou nenhum documento que pudesse comprovar os pagamentos. É importante ressaltar que se trata de pensão alimentícia e que não há nenhuma prova do seu efetivo pagamento. Diante de uma imposição judicial, não é possível supor que o contribuinte não teria nenhum comprovante de pagamento durante todo o ano calendário de 2008. Pelo menos algum que pudesse demonstrar os pagamentos mensais. Mas nem isso foi possível constatar no presente feito. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, deve se manter sem reparos o acórdão recorrido. Encontrase sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo aresto abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013). Grifouse. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 12448.723539/201121 Acórdão n.º 2301005.177 S2C3T1 Fl. 90 6 Em igual sentido, tal qual o processo administrativo o processo judicial em seu artigo art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, inciso I, impõe ao interessado as comprovações de fato e de direito: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Grifouse. Assim, correta a decisão da DRJ de origem. DA DEDUÇÃO COM ALIMENTOS PARA A EXCÔNJUGE Alega o recorrente que por motivos de incapacidade financeira sua excônjuge não teria condições de realizar sua subsistência própria, e que por "questão moral" seriam devidos os pagamentos de alimentos para a ex cônjuge. Contudo, na fl. 65, item VII, ficou expressamente consignado que a excônjuge desistiria de pensão por ter condições de sustento próprio e trabalho definido. De igual forma, não existem elementos de nova possível pensão alimentícia com outra excompanheira. Portanto, o contribuinte não obrou comprovar a alteração das condições do que foi determinado judicialmente ou de nova imposição judicial ajuizada por outra companheira. Já o art. 35, Lei n°9.250, de 26/12/1995, determina quem, atendendo as condições legais, pode ser considerando dependente do contribuinte na DIRPF: Art. 35 Para efeito do disposto nos arts. 4°, inciso III, e 8°, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da unido resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não. superiores ao limite de isento do mensal: VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. 1° Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau." Mais uma vez, verificase que o contribuinte não fez prova do que alegou, devendo ser mantida a glosa em questão, realizando a manutenção da DRJ de origem. Conclusão Fl. 90DF CARF MF Processo nº 12448.723539/201121 Acórdão n.º 2301005.177 S2C3T1 Fl. 91 7 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PARCIAL PROVIMENTO Recurso Voluntário, para afastar a glosa na quantia R$ 1.655,88, referente à condição de dependência da menor devidamente comprovada, mantendose as demais exigências do crédito fiscal, impondo a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 91DF CARF MF Processo nº 12448.723539/201121 Acórdão n.º 2301005.177 S2C3T1 Fl. 92 8 Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001271/96-44
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ITR - Logrando o contribuinte comprovar com base em Laudo Técnico de avaliação assinado por profissional devidamente habilitado ou por entidade de reconhecida capacitação técnica, que o VTN utilizado corno base de cálculo do lançamento não reflete o real valor do imóvel, cabe ao julgador administrativo, a prudente critério, rever a base de cálculo (art. 3°, 9 4°, Lei nº 8.847/94).
Recurso provido.
Numero da decisão: 201-73.089
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro ,Geber Moreira.
Nome do relator: Valdemar Ludivig
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O. U. . ,.9.'t. ...1 •.P..t../ 2.oQQ. nn,~L_ Rut=rll::a c RECORRI DESTA DECISAO 2° J?D...:::...a2í .;.Q.,.~.G.h. C EM••.o.3..d._.. .._.....d.f'-~2... C10630.001271/96-44 201-73.089 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA Processo Acórdão Sessão Recurso Recorrente : Recorrida : 19 de agosto de 1999 102.446 ABGAlR GRIPP SILVA DRJ em Juiz de Fora - MG ITR - Logrando o contribuinte comprovar com base em Laudo Técnico de avaliação assinado por profissional devidamente habilitado ou por entidade de reconhecida capacitação técnica, que o VTN utilizado corno base de cálculo do lançamento não reflete o real valor do imóvel, cabe ao julgador administrativo, a prudente critério, rever a base de cálculo (art. 3°, 9 4°, Lei nO 8.847/94). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ABGAIR GRlPP SILVA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro ,Geber Moreira. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Ana Neyle Olimpio Holanda, Jorge Freire, Serafim Fernandes Corrêa e Sérgio Gomes Velloso. cVovrs 1 . , Processo Acórdão Recurso Recorrente : MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSRHO-DE CONmtBU1NTB3 10630.001271/96-44 201-73.089 102.446 ABGAlR GRIPP SILVA RELATÓRIO A contribuinte acima identificada, impugna a eXlgencla consignada na notificação de fls. 02, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural- ITR/95, de sua propriedade localizada no Município de Conselheiro Pena - MG, com área de 267,6ha, no valor total de R$ 628,40, alegando em suma que o Valor da Terra Nua (VTN) tributado está muito acima da realidade, e que o valor fixado pela IN SRF n.o 42/96, para o município onde está localizado o imóvel é muito superior aos demais municípios da região. Para comprovar suas alegações traz aos autos Declarações expedidas pela EMA TER - MG, e pela Prefeitura Municipal de Conselheiro Pena. A autoridade julgadora singular, indefere a impugnação apresentada em decisão sintetizada na seguinte ementa: "IMPOSTO TERRITORIAL RURAL INSUFIClÊNCIAlINEXISTÊNCIA DE PROVAS LANÇAMENTO RATIFICADO o artigo 29 do Decreto 70.235/72 assegura à autoridade administrativa julgadora a formação de sua livre convicção. Julgadas insuficientes ou inexistentes as provas acostadas aos autos, ratificada estará a presunção de legitimidade de que goza o lançamento tributário, solucionando o litígio em primeira instância." Inconformada com a decisão de primeiro grau, apresenta recurso a este Colegiado, reiterando suas razões de defesa já apresentadas na fase impugnatória. Às fls. 29 .encontram-se .as .contra-razõesapresentadas pela- Douta Pr-ocuradoria da Fazenda NaCiona:l,propugnando pela procedênCia da decisão recorrida. Este Colegiado entendeu em baixar o processo em diligência, para que a impugnante foi intimada a apresentar a apresentar Laudo Técnico de avaliação, emitido por profissional devidamente habilitado, ou entidade de reconhecida capacitação técnica, de conformidade com as normas que regem a matéria. 2 / . , Processo Acórdão . MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO.CONSElHO DE-coNTRIBUINTES 10630.001271/96-44 201-73.089 • Em atenção à diligência solicitada por esta Corte de Julgamento, a recorrente trouxe aos lIutos, fls. 46/48, Laudo Técnico emitido pela EMATER - MG. É o relatório . 3 . , Processo Acórdão ,MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSElHO'DE CONTRIBUINTES 10630.001271/96-44 201-73.089 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALDEMAR LUDVIG .", • Tomo conhecimento do recurso por tempestivo e apresentado dentro das formalidades legais. A base de cálculo do ITR é o Valor da Terra Nua - VTN, apurado em 31 de dezembro do exercício anterior e informado na declaração anual apresentada pelo contribuinte, retificado de oficio, caso não seja observado o valor minimo fixado pela Secretaria da Receita Federal. A partir dapublicação, em 28/01/94, da Lei n.o 8.847, passou a ser facultado ao contribuinte o direito de questionar o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), a partir do comando contido no artigo 3°, ~ 4° da citada lei, valendo a reprodução do texto legal: "Art. 3° - A base de.cálculo do imposto é o Valor da T=a.Nua (VTN), apurado em 31 de dezembro do exercício anterior. ~ 4° - A autoridade administrativa competente poderá rever, com base em laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, o Valor da Terra Nua mínimo (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte." Conformejurisprudência já formada, a instância administrativa não é competente para avaliar ou mensurar o VTNm do municipio. Entretanto, logrando o impugnante comprovar que o VTN utilizado como base de cálculo do lançamento não reflete o real valor do imóvel, cabe ao julgador administrativo, a prudente critério, rever a base de cálculo questionada. Dispensável dizer que a ilJ!pugnação deverá basear-se em documentos que comprovem o fato alegado, dado que cabe ao contribuinte descaracterizar a presunção de legitimidade de que goza o lançamento regularmente notificado. Laudo Técnico emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica, ou profissional habilitado, é o instrumento probante a que está condicionada a revisão da base de cálculo do ITR. A legislação de regência é taxativa nesse aS\:lecto.O texto legal não especifica sua forma ou conteúdo, citação por certo dispensável, uma vez que por definição, laudo é "o ato escrito pelo avaliador, no qual fundamenta a estimativa atribuída às coisas julgadas, justificando os 4 .,.. .e..:t ...•... , " • '. 0"0 J Processo Acórdão .MINISTÉRIO DA.FAZENDA 'SEGUNDO CONSELHO DE'CONTRIBUINTES . 10630.00127.1/96-44 201-73.089 I "' • preços ou valores, que julgue ser devidos" (plácido e Silva, Dicionário Jurídico~ Volume m, pago 51, Ed. Forense, 1993). Em que pese, o Laudo Técnico apresentado pela recorrente não conter alguns requisitos exigidos pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, este, no entanto, além de ser emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica, nos fornece as informações essenciais para o fim a que se propõe, que são: a identificação do imóvel e o Valor da Terra Nua, base de cálculo do lançamento . Em face do exposto, e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento ao recurso. É como voto. Sessões, em 19 de agosto de 1999 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001654/2002-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ
Ano-calendário: 1992
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VICIO FORMAL.
Na hipótese de o lançamento de oficio original ter sido anulado por vício formal, o prazo para repetição do ato, com as devidas correções, é de 5 anos, contados do ato que reconheceu a referida nulidade.
IRPJ. INOBSERVÂNCIA QUANTO A PERÍODO-BASE DE APROPRIAÇÃO DE DESPESA.
No caso de inexatidão quanto à apropriação de despesas, é cabível a recomposição dos lucros tributáveis dos períodos-base envolvidos para, somente assim, apurar o verdadeiro reflexo fiscal, seja redução indevida do lucro real, seja postergação no pagamento do imposto. Todavia, é necessária a efetiva comprovação desta nos autos.
Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1992 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VICIO FORMAL. Na hipótese de o lançamento de oficio original ter sido anulado por vício formal, o prazo para repetição do ato, com as devidas correções, é de 5 anos, contados do ato que reconheceu a referida nulidade. IRPJ. INOBSERVÂNCIA QUANTO A PERÍODOBASE DE APROPRIAÇÃO DE DESPESA.. No caso de inexatidão quanto à apropriação de despesas, é cabível a recomposição dos lucros tributáveis dos períodosbase envolvidos para, somente assim, apurar o verdadeiro reflexo fiscal, seja redução indevida do lucro real, seja postergação no pagamento do imposto. Todavia, é necessária a efetiva comprovação desta nos autos. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Processo nº 18471.001654/200240 Acórdão n.º 140200.659 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ (fls. 3/6), no valor de R$ 12.660,97, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora, relativamente ao anocalendário de 1992. A descrição dos fatos do auto de infração (fl. 4) esclarece que a ação fiscal foi motivada pelo fato de a notificação de fls. 05/07 do processo 10070.000631/9718, apenso a este, haver sido declarada nula, conforme Decisão DRERJ/SERCO n° 436, de 1998 (fl. 31 do apenso), visto não atender integralmente os requisitos de validade contidos no art. 11, IV e parágrafo único do Decreto n° 70.235, de 1972. A autoridade lançadora, após descrever as razões de direito e de fato que motivaram o lançamento original tido como nulo, refez o lançamento com base no mesmo fato infracional antes apurado, o qual deriva da existência, no primeiro semestre de 1992, de Cr$ 95.819.651,00 de despesa não dedutível com contribuições e doações, visto que acima do limite legal. O enquadramento legal do feito levou em conta os arts. 157, parágrafo 1°, 191, 242, 244, 245, 246 e 387, I, todos do RIR/80. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 19/21), argüindo: (i) que ocorreu a decadência do prazo de lançar; (ii) que o limite da dedutibilidade das doações relativas ao anocalendário de 1992 era apurado anualmente e não semestralmente, conforme Lei nº 6.321/76 e arts. 581/582 do RIR; (iii) e, mesmo que assim não fosse, o excesso de dedução em um exercício é compensável nos dois anoscalendário subseqüentes, conforme arts. 581 e 582 do RIR/99. A 9ª Turma da DRJ/RJ, entendeu, no que toca à alegação de decadência, que a nulidade por vício formal não impede a realização de um novo lançamento e, nesses casos aplicase o art. 173, inciso II do CTN, contandose o prazo de cinco anos da "data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado". Assim, uma vez que a Decisão DRJ/RJ/SERCO n° 436, de 1998 (fl. 30 do processo apenso) foi cientificada ao interessado em 24/11/1998 (fl. 35, verso, do apenso), o direito de a fiscalização constituir o crédito tributário perdurou até novembro de 2003. Como a ciência do novo lançamento se deu em 18/07/2002 (fl. 13), não teria ocorrido decadência. No mérito, entendeu que a cópia da DIPJ anocalendário de 1992 (fls. 22/29 do processo apenso) demonstra que o contribuinte optou por consolidar semestralmente o imposto de renda. Assim, apesar de a apuração do imposto ser mensal, a opção pelo recolhimento por estimativa lhe facultou o direito de consolidar seu resultado semestralmente. Dessa forma, não haveria que se falar em apuração do limite de dedutibilidade das despesas com doações e contribuições em bases anuais como quer a contribuinte. Processo nº 18471.001654/200240 Acórdão n.º 140200.659 S1C4T2 Fl. 3 3 Por fim, a decisão ressalta que não procede a alegação do contribuinte no sentido de que poderia aproveitar o excesso não dedutível em períodos subsequentes. Isso porque sua alegação tem fundamento nos arts. 581/582 do RIR/99 que tratam sobre dedução do imposto relativamente ao Programa de Alimentação do Trabalhador, que nada tem a ver com a dedução de doações que ora se discute, embasadas no art. 242/243 do RIR/1994. Inconformada, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fls.43/52), alegando, em síntese: 1) Que o art. 243 do RIR não se aplica ao caso em tela, mas, sim, o art. 428/429, uma vez que esses últimos trazem disposições específicas para dedutibilidade dos pagamentos vinculados ao Plano de Alimentação do Trabalhador. 2) O próprio relatório anexo ao lançamento deixa claro que: "A empresa impugnou (fls. 01/03) o lançamento suplementar, de fls. 04/07, o qual versa sobre a dedução do limite legal das parcelas lançadas a titulo de "contribuições e doações e vinculadas ao programa de alimentação do trabalhador." 3) a anulação do lançamento anterior por vício insanável o torna nulo, razão pela qual a decadência encerra o direito de proceder a um novo lançamento após o decurso de 5 anos do fato gerador, como determina o art. 150 § 4º do CTN. 4) uma vez superadas as alegações de mérito, deve ser considerado devido apenas a multa de mora e atualização monetária, já que a dedução, se realizada a maior, poderia ser aproveitada nos dois exercícios subseqüentes, na forma da legislação vigente há época. É o Relatório. Processo nº 18471.001654/200240 Acórdão n.º 140200.659 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Inicialmente, no que tange à preliminar de decadência, acertada encontrase a decisão a quo, já que ao caso aplicase o disposto no artigo 173, inciso II do CTN, consoante fundamentos a seguir transcritos: O lançamento anterior foi declarado nulo em virtude de não ter sido atendido o item VI do art. 5o, ou inciso IV do art. 11 do Decreto n º 70.235, de 1972 . Contudo, esta nulidade não impede a realização de um novo lançamento, exatamente por tratarse de nulidade por vício formal. Desta forma, para a contagem do prazo decadencial devese aplicar o art. 173, inciso II do CTN, contandose o prazo de cinco anos da “data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. A Decisão DRJ/RJ/SERCO n º 436, de 1998 (fl. 30 do processo apenso), foi cientificada ao interessado em 24/11/1998 (fl. 35, verso, do apenso); logo, o direito de a fiscalização constituir o crédito tributário perdurou até novembro de 2003. Como a ciência do novo lançamento se deu em 18/07/2002 (fl. 13), não há que se falar em decadência na espécie No que se refere ao mérito, vêse que a decisão recorrida também não merece reforma, conforme adiante fundamentado. Lêse da descrição dos fatos e enquadramento legal do presente auto de infração (fl. 4) que: A empresa impugnou (fls.01/03) o lançamento suplementar de fls.04/07, o qual versa sobre dedução do limite legar das parcelas lançadas a título de "Contribuições e Doações e vinculadas ao programa de alimentação do trabalhador". Tal lançamento foi declarado nulo por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento/RJO (fls.31), resguardandose ali o direito de a Fazenda Nacional refazêlo em boa e devida forma. A empresa considerou na declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa jurídica, referente ao anocalendário de 1992, o somatório dos dois semestres para efeito de cálculo do limite para dedução das contribuições e doações do programa de alimentação do trabalhador Assim, merece razão o contribuinte quando afirma que o processo trata da dedutibilidade de despesas pagas a título de contribuições e doações vinculadas ao Programa de Alimentação do Trabalhador. Processo nº 18471.001654/200240 Acórdão n.º 140200.659 S1C4T2 Fl. 5 5 Esclareçase também, por oportuno, que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, conforme dispõe art. 144 do CTN. E, assim sendo, o dispositivo aplicável não seria o art. 242/243 do RIR/94 como afirma o acórdão recorrido, tampouco os arts. 581/582 do RIR/99 como afirmou inicialmente o contribuinte, mas, sim, a disposição específica do artigo 428 e 429 do RIR/80. Vejamos: Art. 428. A pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto devido, valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto sobre a soma das despesas de custeio realizadas, no períodobase, em programas de alimentação do trabalhador, nos termos desta Seção (Lei nº 6.321/1976, art. 1º). Parágrafo único. As despesas de custeio admitidas na base de cálculo do incentivo são aquelas que vierem a constituir o custo direto da refeição, podendo ser considerados, além da matériaprima, mãodeobra, encargos decorrentes de salários, asseio, e os gastos de energia diretamente relacionados com o preparo e a distribuição das refeições, diminuída a participação dos trabalhadores nos custos. Art. 429. A dedução a que se refere o artigo anterior não poderá exceder, em cada exercício financeiro, a 5% (cinco por cento) do imposto devido, observado o disposto no art. 439, podendo o eventual excesso ser transferido para dedução nos 2 (dois) exercícios subseqüentes (Lei nº 6.321/1976, art. 1º, §§ 1º e 2º). Da atenta leitura do dispositivo, extraise que o limite dedutível é aplicável ao períodobase. Assim, se o contribuinte optou pela apuração semestral do imposto de renda, conforme faz prova sua DIPJ anocalendário 1992 (fl. 22/29 do processo apenso), deve o limite de 5% ser observado em referência ao imposto devido em cada semestre. Com efeito, em virtude de a possibilidade da despesa dedutível que excede os 5% ser transferida para dedução nos dois exercícios subsequentes, aplicarseia o disposto no art. 171 do RIR/80. Confirase: Art. 171. A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598/1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no parágrafo único do art. 154 (DecretoLei nº 1.598/1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo único do art. 154 e no § 1º deste artigo não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598/1977, art. 6º, § 7º). Processo nº 18471.001654/200240 Acórdão n.º 140200.659 S1C4T2 Fl. 6 6 Dessa forma, se comprovada a postergação, eventual cobrança deveria recair, apenas, sobre a correção monetária e juros de mora devidos pelo prazo em que tiver ocorrido adiamento de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Nesse sentido, corrobora a jurisprudência desse Conselho ao analisar lançamentos que apontavam inobservância quanto à apropriação de despesas no mesmo períodobase: IMPOSTO DE RENDAPESSOA JURÍDICA INOBSERVÂNCIA QUANTO A PERÍODOBASE DE APROPRIAÇÃO DE DESPESA IRPJ — EXS: DE 1992 e 1993. No caso de inexatidão quanto à apropriação de despesas, cabe ao fisco recompor os lucros tributáveis dos períodosbase envolvidos para, somente assim, apurar o verdadeiro reflexo fiscal, seja redução indevida do lucro real, seja postergação no pagamento do imposto. (Acórdão 10193.051, sessão de 10/05/2000). Ocorre que o contribuinte não faz prova de que deixou de aproveitar a despesa nos períodos seguintes. Ou seja, apesar de alegála, não traz prova da efetiva ocorrência da postergação, o que a toda evidência estaria a seu alcance, bastando juntar seus livros contábeis. Compulsando os autos não é possível concluir que realmente o contribuinte assim procedeu e, considerando que caberia ao autuado fazer essa prova, não há como reconhecer a ocorrência da postergação. Posto isso, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto, mantendose a exigência. (assinado digitalmente) Carlos Pelá
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Numero do processo: 10875.904180/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 28/02/2007
PROCESSUAL - ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 - INADMISSIBILIDADE DO RECURSO.
Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada.
Numero da decisão: 1302-002.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.904180/201045 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.467 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Compensação Recorrente BINOTTO S/A LOGÍSTICA TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2007 PROCESSUAL ART. 17 DO DECRETO 70.235/75 INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Se o recurso voluntário não devolve a matéria abordada na manifestação de inconformidade, inovando a discussão tratada nos autos, não há como dele conhecer, mormente pela preclusão da matéria inovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 41 80 /2 01 0- 45 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10875.904180/201045 Acórdão n.º 1302002.467 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidam os autos de processo de compensação em que o recorrente pretendeu a quitação de obrigações afeitas ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante pretenso crédito decorrente de pagamento indevido. A vista disto, transmitiu, em 06/06/2007, a Dcomp de nº 39635.11551.060607.1.3.048713, vinculando um DARF de recolhimento, sob o código IRPJ (2362 Estimativa), pago em 28/02/2007, no valor de R$ 46.960,73, a fim de quitar débito do próprio IRPJ, relativo à competência de abril de 2007, no montante de R$ 48.267,50. Em Setembro de 2010, foi proferido despacho decisório por meio do qual deixouse de homologar a predita compensação tendo em conta a seguinte fundamentação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. O contribuinte manejou manifestação de inconformidade abordando, genericamente o seu direito de compensar o valor declinado na DCOMP, destacando que o direito creditório em questão decorreria de erro de preenchimento da DCTF. Em sessão realizada em maio de 2014, a DRJ de Juiz de Fora houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme argumentos resumidos na ementa, O contribuinte teve ciência do resultado do julgamento acima em 27/06/2014, uma sextafeira (AR de fl. 54), tendo interposto o seu recurso administrativo em 29/07/2014 (doc. de fl. 56). O trecho a seguir transcrito resume suficientemente a tese central do apelo. Vejase: Sobre o assunto, a impugnante, absolutamente impossibilitada dado inexistir via legal de fazer frente à exigência de juntada de todos os documentos necessários e aptos a comprovação da regularidade de seu agir, antecipa a apresentação daqueles que instruem a presente 'Manifestação' (notas Fiscais e Extratos), cuja crítica cautelar e minudente já é suficiente ao desnude da conclusão, de que os valores dos serviços tomados e os valores destacados no recebimento líquido dos seus preço guardam identidade com os montantes declarados com retidos e que por consequência compuseram o meio formal da compensação ora discutida (PERDCOMP). Ao final, invoca o princípio da verdade material a fim de reforçar a sua tese quanto a consideração dos documentos, segundo ele, colacionados no feito. O processo foi, então, encaminhado à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10875.904180/201045 Acórdão n.º 1302002.467 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (2362 Estimativa) pago em 28/02/2007. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.402, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10875.900328/200858, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.402): O recurso voluntário é tempestivo, e sobre isso não há dúvidas. O problema, todavia, é que há, no caso, uma confusão impar!!! A questão aventada na manifestação de inconformidade cingia se à "erro material" de preenchimento da DCTF, na qual foi informado o DARF para recolhimento de IRPJ (estimativa) e que, em razão deste erro, transmitiuse, após a prolação do despacho decisório, declaração retificadora. A DRJ não acolheu a manifestação porque, a despeito da transmissão de uma nova DCTF para demonstrar a existência do crédito, considerando que esta providência se deu no curso de ação fiscal, caberia ao contribuinte demonstrar, por meio de documentos idôneos, que o novo valor refletiria, de fato, a correção da realidade apresentada, valendo destacar, neste particular, que da relação que consta da citada manifestação, não foram descritos livros, balancetes ou documentos fiscais que pudessem dar suporte às informações retificadas. No recurso voluntário, como se dessume do relatório acima, o contribuinte lança discussão absolutamente desconectada das razões propostas na manifestação de inconformidade e do próprio acórdão! Discutese, no apelo, a comprovação de valores retidos por tomadores de serviços a título de IRRF (?!?) e que tais valores poderiam ser objeto de compensação com outros tributos ou com o próprio IRPJ relativo à competências subsequentes (?!?!?!), invocando, inclusive, o princípio da verdade material para justificar o conhecimento, pela autoridade julgadora, das notas fiscais juntadas ao processo (?!?!?!??!!?). Esta discussão, digase, é totalmente estranha ao processo; não se conecta com a manifestação de inconformidade, nem tampouco se opõe aos argumentos tratados no acórdão recorrido (cuja análise se cingiu à imprestabilidade da apresentação de DCTF após a prolação do despacho decisório, desacompanhada dos documentos que se prestariam para Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10875.904180/201045 Acórdão n.º 1302002.467 S1C3T2 Fl. 5 4 demonstrar, de fato, os motivos que levaram o contribuinte a retificar a sua declaração). No caso, pois, recurso voluntário é inadmissível, ante a inegável preclusão ocorrida quanto a fatos/argumentos não suscitados na manifestação de inconformidade, em especial à luz do que dispõe o art. 17 do Decreto 70.235/72, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Objetivamente, o contribuinte nem mesmo aventou os motivos pelos quais não trouxe a alegação, e respectivas provas, quando do oferecimento de sua manifestação de inconformidade. Se é fato que o processo administrativo admite uma flexibilização no procedimento de instrução, e, portanto, se pauta, de fato, pelo princípio da verdade material, não se pode olvidar que determinadas amarras não podem ser sobrepujadas; o primado da verdade material pode nortear o julgador de sorte a garantir que ele aprecie provas e argumentos não contempladas pela instância interior, mas que tenham sido produzidas no momento oportuno; pretender, neste ponto, analisar provas e argumentos que não foram sequer disponibilizadas à DRJ, representaria iniludível supressão de instância. Em vista do exposto, não conheço recurso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.002985/88-04
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2000
Ementa: ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL — O PRODUTO POLIETILENO AC-6A, NA FORMA COMO FOI IMPORTADO, POSSUI CARACTERÍSTICAS DE CERA ARTIFICIAL, CONFORME LAUDO E INFORMAÇÃO TÉCNICA DO LABANA-RJ E SE CLASSIFICA NO CÓDIGO TAB 34.04.01.03. MULTA DO ART. 364, INCISO II, DO RIPI E, MULTA DO ART. 530 DO R.A, DECRETO 91.030/85 — INDEVIDAS — INOCORRÊNCIA DO FATO TÍPICO DA PENALIDADE.
1- COMO OS BENS FORAM CORRETAMENTE DECLARADOS, INCABÍVEL, NO CASO, A PENALIDADE DO ART. 364, II, DO RIPI, POR ABSOLUTA FALTA DE PREVISÃO DE PENALIDADE NO ERRO DE LANÇAMENTO DO CONTRIBUINTE NO DOCUMENTO "DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO" E, PELA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ANALOGIA - ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO N.° 10, DE 16.01.97 DA COORDENADORIA GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO.
2- MULTA DE MORA INDEVIDA ENQUANTO NÃO CONSTITUIDO O CRÉDITO
TRIBUTÁRIO POR JULGAMENTO DEFINITIVO E DELE INTIMADO O SUJEITO
PASSIVO
Numero da decisão: CSRF/03-03.081
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER o Embargo Declaratório para Re-ratificar o Acórdão de n° 03-02.585 de 14 de abril de 1997, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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MULTA DO ART. 364, INCISO II, DO RIPI E, MULTA DO ART. 530 DO R.A, DECRETO 91.030/85 — INDEVIDAS — INOCORRÊNCIA DO FATO TÍPICO DA PENALIDADE. 1- COMO OS BENS FORAM CORRETAMENTE DECLARADOS, INCABÍVEL, NO CASO, A PENALIDADE DO ART. 364, II, DO RIPI, POR ABSOLUTA FALTA DE PREVISÃO DE PENALIDADE NO ERRO DE LANÇAMENTO DO CONTRIBUINTE NO DOCUMENTO "DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO" E, PELA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ANALOGIA - ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO N.° 10, DE 16.01.97 DA COORDENADORIA GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO. 2- MULTA DE MORA INDEVIDA ENQUANTO NÃO CONSTITUIDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR JULGAMENTO DEFINITIVO E DELE INTIMADO O SUJEITO PASSIVO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER o Embargo Declaratório para Re-ratificar o Acórdão de n° 03-02.585 de 14 de abril de 1997, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ON PE RIGUES PRESIDEN E Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 _ NIL.TN-----1":" BARr?LlI/RELATO DESIG ADO FORMALIZADO EM:,, ,, --nt) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e JOÃO HOLANDA COSTA. Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 RECURSO N° : RP/301-0.446 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Após julgamento por esta Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 14 de abril de 1997, os autos foram remetidos à IRF/Porto do Rio de Janeiro/RJ, que formulou pedido de esclarecimentos do Acórdão CSRF/03-2.585, vez que entendeu que: ( 1 ) na ementa (fls. 74) consta a informação de que o recurso do Procurador foi parcialmente provido no sentido de excluir as multas; (ii) o voto (fls. 78) dá provimento ao recurso do Procurador; (iii) o recurso do procurador (fls. 61), pede para que seja restabelecida a decisão de i a instância; (iv) a autoridade de i a instância considerou a ação fiscal procedente, mantendo o auto de Infração n.° 118/88. Assim diante da dúvida na aplicação do r. acórdão, os autos foram encaminhados ao Excelentíssimo Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, peio Sr. Presidente do 3° Conselho de Contribuintes, na forma do § 2° do art. 27 do Regulamento Interno da CSRF, para apreciação do pedido de esclarecimento por esta Câmara Superior, face ao entendimento de que a r. decisão prescinde de esclarecimentos. É o relatório. Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 VOTO CONSELHEIRO RELATOR NILTON LUIZ BARTOLI Trata-se de caso no qual discutia-se classificação fiscal da mercadoria "POLIETILENO AC-617-A", cuja posição atribuída pelo contribuinte foi entendida por incorreta, e aplicadas as penalidades previstas no art. 364, inciso II, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82, para o Imposto de Importação, e no art. 530 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030/85. O acórdão CSRF/03-2.585, foi assim Ementado e teve por decisão o seguinte: "CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. O produto polietileno AC-6 A, na forma como foi importado, possui características de cera artificial, conforme laudo e informação técnica do Labana — RJ e se classifica no código TAB 34.04.01.03. Recurso provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar suscitada, e no mérito, por maioria de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir as multas, nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros João Holanda Costa que Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 provia o recurso e Ubaldo Campello Neto que negava provimento ao recurso." Primeiramente, cabe ressaltar que apesar de ser possível a dedução do julgamento, ou seja, que foi provido parcialmente o recurso da Fazenda Nacional, no mérito, tendo sido excluídas as multas, inclusive pelo fato de os votos vencidos terem sido um pelo provimento e outro pelo improvimento, realmente houve omissão destes pontos na declaração do voto vencedor em questão, o qual prescinde de esclarecimento na forma do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A preliminar alegada pelo contribuinte, de que o recurso especial proposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, careceria de requisitos uma vez que o voto divergente do acórdão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, sem que o Eminente Conselheiro tenha declarado as Razões de sua Divergência, fato que impediria o acolhimento do Recurso Especial, não pode prosperar vez que no registro da ata foi consignado o voto do Eminente Conselheiro Itamar Vieira da Costa, voto vencido. Vislumbro, no caso, a necessidade de confrontar a decisão recorrida com a norma, vigente há época, instituidora do Recurso Especial, que está estatuída no Decreto n.° 83.304/79, art. 3°, inciso I, com idêntica redação no art. 30, inciso I, do Regimento Interno do Terceiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda n.° 539/92, a seguir transcrito: "Art. 3°. Caberá recurso especial: I — de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova;" Àk' Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 Note-se que a divergência cinge-se à interpretação da lei tributária, uma vez que a norma tributária interpretada pelo acórdão recorrido é uma posição tarifária, ou seja, norma material de direito que designa, segundo as características de cada mercadoria uma posição na classificação de nomenclatura das mercadorias, indicando as alíquotas de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados a serem aplicadas. De outro lado, as decisões indicadas para confrontar as divergências interpretam a aplicação da norma processual administrativa, que não impõe a necessidade de declaração de voto para a interposição do recurso. Fez a Procuradoria da Fazenda Nacional por demonstrar a divergência de interpretação da norma tributária entre as decisões confrontadas, motivo pelo qual afasta-se a preliminar, argüida em contra- razões. A penalidade por atraso de pagamento do imposto prevista no art. 530 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030/85, foi alterada pela disposição contida no art. 59, da Lei n.° 8.383/91, reduzindo a multa de mora de 30% (trinta por cento) para 20% (vinte por cento) do valor do imposto devido. Contudo, indevida a multa de mora pois, somente após este ato é que o lançamento tributário se perfaz completamente, tendo o contribuinte o direito de, a partir de então, recolher o tributo lançado definitivamente. No presente caso, a exigibilidade do débito objeto do lançamento ficou suspensa pela impugnação do sujeito passivo, sendo devidas tão somente as penalidade de natureza específica, como já se firmou jurisprudência no Terceiro Conselho de Contribuintes (Acórdãos n°s 301-26.284, de 05.11.90, . je. 301.26.297, de 06.11.90, 301-26.410, de 30.01.91, 303-25.925, de 19.09. 0, Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 303-26.096, 13.12.96, e desta Eg. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF/03-01.239, de 13.11.84. No caso da multa aplicada com fulcro no art. 364, inciso H do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo .Decreto n.° 87.981/82, os argumentos para a irregularidade de sua aplicação tem fundamento a não tipificação da conduta do contribuinte, senão vejamos. O Direito Penal (artigol° do C.P.) e o direito tributário penal (artigo 97°, II, do C.T.N.) estão subordinados ao principio -- que decorre do inciso )00(IX do artigo 5° da Constituição -- da tipicidade da norma, i.e., o tipo de conduta ilegal deve estar perfeitamente identificado na norma jurídica. "Nullum crimen nulla poena sine lege" é o brocardo que, na sua simplicidade, se insere na busca de justiça para o caso em julgamento. Assim, para aplicação da norma penal, deve o fato presumível encaixar-se rigorosamente dentro do tipo descrito na lei. No caso dos autos, a conduta dita como inadequada, e objeto da autuação, é a solicitação de despacho aduaneiro com erro de classificação fiscal Note-se o que dispõe o art. 55 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, que trata do Lançamento (Capítulo V), aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82: ART.55 - O lançamento de iniciativa do sujeito passivo será efetuado, sob a sua exclusiva responsabilidade (Lei n.° 4.502/64, art.20, parágrafo único): I - quanto ao momento (Lei n.° 4.502/64, art.19, e Decreto- lei n.° 34/66, art.2, alteração 7a): a) no desembaraço aduaneiro do produto de procedência estrangeira; Processo n° :10711.002985188-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 b) na saída do produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; c) na saída do produto de armazém geral ou outro depositário, situado na mesma Unidade da Federação do estabelecimento industrial ou equiparado a industriai depositante, diretamente para outro estabelecimento; ... II - quanto ao documento (Lei n.° 4.502/64, art.19): a) na Declaração de Importação, se tratar de desembaraço de produto de procedência estrangeira; b) no Documento de Arrecadação, para outras operações, realizadas por firmas ou pessoas não sujeitas habitualmente ao pagamento do imposto; c) na nota fiscal, quanto aos demais casos. Note-se que mesmo que o Regulamento, em seu art. 22, caracteriza o importador como contribuinte do IPI, mas em momento algum dá tratamento idêntico ao importador e ao industrial, pois, reconhecendo as diferenças entre as duas modalidades de atividade econômica, atribui, a cada qual, suas obrigações e suas penas. Oportuno, assim, na medida de suas desigualdades, a caracterização e tipificação individualizada, também, para as multas e procedimentos de cada atividade. Verifica-se que o momento do lançamento para a atividade específica da importação é o desembaraço aduaneiro, e não a entrada da mercadoria no estabelecimento importador. Da mesma forma o documento competente para ser escriturado o - lançamento é declaração de importação e não a nota fiscal de entrada, emitida.01 Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 sob a ordem contida no art. 257 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82. Ou seja, no momento em que é emitida a nota fiscal de entrada, o lançamento tributário já deveria ter sido efetuado. Há, desta forma, uma incoerência lógica temporal e formal entre a exigência da multa prevista no art. 364, inciso II do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82 e a tributação pelo Imposto sobre Produtos Industrializados sobre a importação, pois nem o momento descrito na penalidade é o que se vislumbra diante dos fatos apresentados no caso em tela. Para ser mais explícito, basta a simples leitura do art. 364, para verificar que a tipologia da penalidade é exclusiva para os casos em que o momento e o documento, competentes para o lançamento do tributo, são diversos do caso de importação: ART.364 - A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, ou a falta de recolhimento do imposto lançado na nota fiscal, porém não declarado ao órgão arrecadador, no prazo legal e na forma prevista neste Regulamento, sujeitará o contribuinte às multas básicas (Lei n.° 4.502/64, art.80, e Decretos-lei n°s. 34/66, art.2, alteração 22a , e 1.680/79, art.2): I - de 50% (cinqüenta por cento) do valor do imposto se o contribuinte o lançou devidamente e apenas não efetuou o seu recolhimento até 90 (noventa) dias do término do prazo; II - de 100% (cem por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado, ou que, devidamente lançado, não . Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 foi recolhido depois de 90 (noventa) dias do término do prazo; III - de 150% (cento e cinqüenta por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. § 1 0 Incorrerão ainda nas penas previstas no inciso II ou III do "caput", conforme o caso (Lei n.° 4.502/64, art.80, § 1°): I - os fabricantes de produtos isentos que não emitirem, ou emitirem de forma irregular, as notas fiscais a que são obrigados; II - os que transportarem produtos tributados ou isentos, desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência; III - os que possuírem, nas condições do inciso anterior, produtos tributados ou isentos, para venda ou industrialização; IV - os que destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal, ou o lançarem com excesso sobre o valor resultante do seu cálculo. § 2° Nos casos dos incisos I a III do parágrafo precedente, quando o produto for isento ou a sua saída do estabelecimento não obrigar a lançamento do imposto, as multas serão calculadas com base no valor do imposto que, de acordo com as regras de classificação e de cálculo estabelecidas neste Regulamento, incidiria sobre o produto ou a operação, se tributados fossem (Lei n.° 4.502/64, art.80, § 20). § 30 No caso do inciso IV do mesmo § 1°, a multa corresponderá ao valor do imposto indevidamente destacado ou lançado, e não será aplicada se o responsável, já tendo . recolhido, antes de procedimento fiscal, a importância Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 irregularmente lançada, provar que a infração decorreu de erro escusável, a juízo da autoridade julgadora (Leis ns. 4.502/64, art.80, § 3° e 5.172/66, art.165). § 4° As multas deste artigo aplicam-se, ainda, aos casos equiparados por este Regulamento à falta de lançamento ou de recolhimento do imposto, desde que, para o fato não seja cominada penalidade específica (Lei n.° 4.502/64, art.80, § 4°). § 50 A falta de identificação do contribuinte ou responsável não exclui a aplicação das multas previstas neste artigo e parágrafos, cuja cobrança, juntamente com a do imposto que for devido, será efetivada pela alienação da mercadoria a que se referir a infração, aplicando-se ao processo respectivo o disposto no § 4° do art.388 (Lei n.° 4.502/64, art.80, § 50). Não bastasse expressa menção ao lançamento na Nota Fiscal, o § 4° do artigo, ainda, condiciona a aplicação das penas previstas no art. 364, a não previsão de outra penalidade específica. Especificidade está atrelada à legislação da Importação. Ao caso é apropriada a decisão prolatada pelo MM. Juiz Federal da 4a Vara de São Paulo, Dr. Fleury Antonio Pires, em Mandado de Segurança (Proc. 6374328), que em caso análogo proferiu: "Ora, é princípio elementar de direito, especialmente tributário, que as infrações devem estar expressamente definidas na norma cogente, não se justificando a aplicação de penalidade sem a exata adequação da conduta à figura legal. In casu tal adequação não se revela possível já que a - descrição legal do procedimento punível é por de ais Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 aleatória e incompleta. Assevera Victor Villegas, com propriedade, que "A punibilidade de uma conduta exige sua exata adequação a uma figura legai. Contudo, tal adequação claudicará se a descrição do procedimento punível for incompleta ou confusa, não revelando conteúdo específico e expressão determinada. Assim, podem ocorrer formas disfarçadas de violação da tipicidade, como por exemplo, construindo-se um delito desfigurado, difuso, sem contornos, tanto pela falta quanto pela imprecisão das expressões escolhidas para defini-lo (in "Direito Penal Tributário", ed. 1974, ed. Resenha Tributária, pág. 192)." Verificamos que este é precisamente o caso da infração prevista no art. 364, inciso II, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82, pois pela inadequação do fato à norma tipo (conduta típica, anti-jurídica), excluí-la-á de passível aplicabilidade. Em extraordinário artigo publicado na RT-718/95, pg. 536/549, denominado "A Extinção da Punibilidade nos Crimes contra a Ordem Tributária, o eminente e culto professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, DR GERD W. ROTHMANN destacou um capítulo sob a rubrica "Características das infrações em matéria tributária"., que merece transcrição aqui para servir de supedâneo ao argumento de que a ausência de perfeita tipicidade na lei de conduta do contribuinte induz à carência da ação fiscal: "Tanto o crime fiscal como a mera infração administrativa se caracterizam pela anti-juridicidade da conduta, pela tipicidade das respectivas figuras penais ou . administrativas e pela culpabilidade (dolo ou culpa). Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 A anti-juridicidade envolve a indagação pelo interesse ou bem jurídico protegido pelas normas penais e tributárias relativas ao ilícito fiscal. (..-) A tipicidade é outro requisito do ilícito tributário penal e administrativo. O comportamento antijurídico deve ser definido por lei, penal ou tributária. Segundo RICARDO LOBO TORRES (Curso de Direito Financeiro e Tributário, 1993, pg. 268), a tipicidade é a possibilidade de subsunção de uma conduta no tipo de ilícito definido na lei penal ou tributária. (.-.) Nisto reside a grande problemática do direito penal tributário: leis penais, freqüentemente mal redigidas, estabelecem tipos penais que precisam ser complementados por leis tributárias igualmente defeituosas, de difícil compreensão e sujeitas a constantes alterações." E a mesma esteira doutrina o festejado penalista PROF. DR. BASILEU GARCIA Instituições de Direito Penal, vol. I, Tomo I, Ed. Max Limonad, 4 a edição, pg. 195): "No estado atual da elaboração jurídica e doutrinária, há pronunciada tendência a identificar, embora com algumas variantes, o delito como sendo a ação humana, anti-jurídica, típica, culpável e punível. O comportamento delituoso do homem pode revelar-se por atividade positiva ou omissão. Para constituir delito, deverá . ser ilícito, contrário ao direito, revestir-se de anti-juricida e. Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 Decorre a tipicidade da perfeita conformidade da conduta com a figura que a lei penal traça, sob a injunção do princípio nullum crimen, nulla poena sine lege. Só os fatos típicos, isto é, meticulosamente ajustados ao modelo legal, se incriminam." Tais elementos estavam ausentes no processo que cito, como também estão ausentes no caso presente. Daí não ser punível a conduta do agente. Não será demais reproduzir mais uma vez a lição do já citado mestre de Direito Penal Damásio de Jesus, que ao estudar o FATO TÍPICO (obra citada - 1 0 volume - Parte Geral (Ed. Saraiva - 15a Ed. - pág. 197) ensina: "Por último, para que um fato seja típico, é necessário que os elementos acima expostos (comportamento humano, resultado e nexo causal) sejam descritos como crime" e complementa "Faltando um dos elementos do fato típico a conduta passa a constituir em indiferente penal. É um fato atípico." Lembra, ainda, o mesmo doutrinador, na mesma obra à pág. 17, que: "Foi Binding quem pela primeira vez usou a expressão 'lei em branco' para batizar aquelas leis penais que contêm a sanctio juris determinada, porém, o preceito a que se liga essa conseqüência jurídica do crime não é formulado senão como proibição genérica, devendo ser complementado por lei (em sentido amplo). Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 Normas penais em branco são disposições cuja sanção é determinada, permanecendo indeterminado o seu conteúdo. Depende, pois, a exeqüibilidade da norma penal em branco (ou 'cega' ou 'aberta' ) do complemento de outras normas jurídicas ou da futura expedição de certos atos administrativos (regulamentos, portarias, editais, etc.). A sanção é imposta à transgressão (desobediência, inobservância) de uma norma (legal ou administrativa) a emitir-se no futuro." Nesta mesma linha de raciocínio nos ensina =IDE PREVITALLI CAIS, in O Processo Tributário, assim preleciona o princípio constitucional da tipicidade: "Segundo Alberto Xavier, "tributo, imposto, é pois o conceito que se encontra na base do processo de tipificação no Direito Tributário, de tal modo que o tipo, como é de regra, representa necessariamente algo de mais concreto que o conceito, embora necessariamente mais abstrato do que o fato da vida." Vale dizer que cada tipo de exigência tributária deve apresentar todos os elementos que caracterizam sua abrangência. "No Direito Tributário a técnica da tipicidade atua não só sobre a hipótese da norma tributária material, como também sobre o seu mandamento. Objeto da tipificação são, portanto, os fatos e os efeitos, as situações jurídicas iniciais e as situações jurídicas finais." O princípio da tipicidade consagrado pelo art. 97 do • CTN e decorrente da Constituição Federal, já que tributes Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 somente podem ser instituídos, majorados e cobrados por meio da lei, aponta com clareza meridiana os limites da Administração neste campo, já que lhe é vedada toda e qualquer margem de discricionariedade." (Grifo nosso) Como nos ensinou Cleide Previtalli Cais "... cada tipo de abrangência tributária deve apresentar todos os elementos que caracterizam sua abrangência... " , já que "... lhe é vedada (à Administração) toda e qualquer espécie de discricionariedade." Quando inexiste norma expressa sobre determinada circunstância ou conduta, é lícito ao julgador valer-se da analogia (art. 40 da Lei de Introdução ao Código Civil, e art. 108, I, do C.T.N). E, neste passo, legislações análogas que contemplam situações idênticas socorrem a Contribuinte do caso Concreto. Senão confira-se pelo conteúdo expressivo do Ato Deciaratório n.° 10 da Coordenação Geral do Sistema de Tributação (SRF), de 16 de janeiro de 1997, que declara, em caráter normativo (inciso 1) que "não constitui infração punível com as multas previstas no artigo 40 da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no artigo 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do Imposto sobre a Importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante." (public). LEX 1997, VOL. 61, jan/fev., •pg. 164, Marginália, rubrica "Despacho Aduaneiro"). Processo n° :10711.002985/88-04 Acórdão n° : CSRF/03-03.081 É exatamente o caso. E, com a devida vênia, é tudo quanto se pode aplicar ao caso presente, frente à realidade dos fatos, da conduta do Contribuinte, da não tipificação infracional e tudo o mais! Diante do exposto, julgo procedente o pedido de esclarecimento para, reconhecendo a manutenção da decisão colegiada de fls. 74/78 e respectiva ementa, excluir as multas prevista no art. 364, inciso II, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.° 87.981/82 e a multa do art. 530 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 91.030/85, sob a forma de sua nova redação dada pelo art. 59 da Lei n.° 8.383/91. Sala das Sessões, Brasília, 10 de abril de 2000 NIPON IZ BAOLI Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Numero do processo: 35301.007082/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Sun Sep 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve contradição entre o teor do voto vencedor e seu decisum.
Numero da decisão: 9202-006.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.466, de 24/05/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-004.477, de 28/09/2016, e também alterando sua decisão originária, seja dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: Relator
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve contradição entre o teor do voto vencedor e seu decisum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202005.466, de 24/05/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para, reratificando o Acórdão nº 9202004.477, de 28/09/2016, e também alterando sua decisão originária, seja dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 70 82 /2 00 7- 98 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202006.056 CSRFT2 Fl. 292 2 Relatório Tratase de embargos de declaração de iniciativa deste membro do Colegiado, com fulcro no previsto no art. 65, §1o. inciso I, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Referese aqui ao Acórdão nº 9.202005.466 (efls. 284 a 288), deste Colegiado, julgado na sessão plenária de 24 de maio de 2017. Transcrevese a ementa e decisão do julgado mencionado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve omissão acerca da impossibilidade da aplicação da penalidade em questão no prazo de noventa dias, contado dos fatos geradores das contribuições em questão. Decisão: por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 9202 004.477, de 28/09/2016, com efeitos infringentes, para, alterando a decisão anterior, dar provimento ao Recurso Especial, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para a competência de 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. A propósito, o Conselheiro Relator, em sede de embargos de efls. 289/290, notou contradição na decisão constante da ata da sessão e reproduzida na parte dispositiva do Acórdão formalizado, uma vez que: a) O voto vencedor do recorrido (efl. 287) assim afirma: Assim, diante do exposto, voto por acolher, com efeitos infringentes, os embargos da Fazenda Nacional, a fim de que se mantendo a aplicação na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, lhe seja dado provimento ao Recurso Especial, afastada, todavia, agora, a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/01. b) Todavia, o decisum limitase a afastar a decadência exclusivamente para a competência 12/01 (efl. 284), expressis verbis: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re Fl. 292DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202006.056 CSRFT2 Fl. 293 3 ratificando o Acórdão nº 9202004.477, de 28/09/2016, com efeitos infringentes, para, alterando a decisão anterior, dar provimento ao Recurso Especial, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para a competência de 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. Os embargos, na forma de despacho de admissibilidade de efl. 290, foram regularmente admitidos. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202006.056 CSRFT2 Fl. 294 4 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A partir do Relatório supra, tornase nítida a contradição entre teor do decisum do Acórdão embargado acerca da contagem do prazo decadencial (efl. 284) quando comparado com o teor do voto vencedor de efl. 287, devendo prevalecer este último, consistente com a fundamentação ali constante, no sentido de afastamento da decadência para as competências de 10 a 12/2001. De se ressaltar, por fim, que, no caso em questão, verificase que houve infração de não contabilização para todas as 3 competências, mas, ainda assim, devese notar que a multa é única, ou seja, para qualquer combinação das competências acima, uma vez restando caracterizada a infração (de forma singular ou múltipla) se estaria diante da mesma multa a ser aplicada. Assim, diante do exposto, voto por acolher, com efeitos infringentes, os embargos da Fazenda Nacional, a fim de que, reratificando o Acórdão nº 9202005.466, de 24 de maio de 2017, alterese a decisão anterior, de forma a que, reratificando o Acórdão nº 9202004.477, de 28 de setembro de 2016, e também alterando sua decisão originária, seja dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/2001, com retorno dos autos ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 294DF CARF MF
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