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Numero do processo: 10580.900678/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2006
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.993
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2006 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado.
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 06 78 /2 01 2- 14 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10580.900678/201214 Acórdão n.º 3201002.993 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S/A transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição (Cofins/PIS). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou que efetuara o pagamento em valor maior que o devido e que retificara a DCTF, tendo sido observados todos os trâmites administrativos próprios à compensação, não havendo motivo para a negativa do seu pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificador. Nos termos do Acórdão nº 14052.338, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que, por ser a DCTF instrumento de confissão de dívida, qualquer alegação de erro no seu preenchimento devia vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas. Destacou, ainda, que apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de decisão judicial em mandado de segurança assegurando lhe o direito à não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre medicamentos, cuja tributação se dá na forma prevista na Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. Junta cópias de decisões judiciais. Em resumo, solicita: 1. “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2. que seja provido o Recurso Voluntário; 3. que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4. que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10580.900678/201214 Acórdão n.º 3201002.993 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.987, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 10580.900671/201294, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.987): Juízo de Conhecimento A questão da incidência com alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10580.900678/201214 Acórdão n.º 3201002.993 S3C2T1 Fl. 5 4 e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I2 do CPC). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, § único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço da matéria de fato quanto à incidência de PIS e Cofins sobre medicamentos, e nego provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10580.900678/201214 Acórdão n.º 3201002.993 S3C2T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.000339/96-48
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 1998
Ementa: ISENÇÃO PREVISTA NA LEI Nº 8.010/90.
Não caracterizada a hipótese de que trata o art. 137 do Regulamento Aduaneiro.
RECURSO DESPROVIDO
Numero da decisão: CSRF/03-03.001
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos. do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Moacyr Eloy de Medeiros
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Não caracterizada a hipótese de que trata o art. 137 do Regulamento Aduaneiro. RECURSO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos. do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ~ ~~~~ SONJ~"'-~ODRIGUES PRESIDENTE MOACYR ELOY DE MEDEIROS RELATOR FORMALIZADO EM: P12 tv1AR 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, UBALDO CAMPELLO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA e ISALBERTO ZAVÃO LIMA (Suplente Convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. '--'--- PROCESSO N° : 10660.000339/96-48 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.001 RECURSO N° : RP/302.654 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 28 CÂMARA DO 3°CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: FUNDAÇÃO THEODOMIRO SANTIAGO RELATÓRIO Recorre a Fazenda Nacional de decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, assim ementado: ISENÇÃOVINCULADA A QUALIDADE DO IMPORTADOR Confiar bens importados com isenção vinculada à qualidade do importador a funcionários da entidade beneficiária da isenção, não caracteriza, por si só, a hipótese de que trata o artigo 137 do RegulamentoAduaneiro. RECLRSO PROVIDO. Da ação fiscal realizada na Fundação, resultou a lavratura do Auto de Infração de fls. 03 a 24, para exigir-se da autuada o crédito tributário constituído dos Impostos de Importação e Sobre Produtos industrializados; da multa sobre o 1.1, capitulada tanto no inciso I, 4°, da Lei nO8.218/91, quanto no artigo 521, I, "b", do Regulamento Aduaneiro; da multa capitulada no inciso U, do art. 364, U, do RIPI, incidente sobre o IPI, juros moratórios e multa capitulada no art. 526, IX do Regulamento Aduaneiro, e teve por base o emprego dos bens importados, com isenção, em finalidade diversa daquela que condicionou a concessão do beneficio. A Fundação Theodomiro dos Santos, entidade devidamente credenciada pelo CNPq, importou, ao amparo da Lei 8.010/90, bens com isenção dos impostos incidentes na operação de importação, e partes desses bens tiveram seu uso cedido a Terceiros, professores da Escola Federal da Engenharia de Itajubá- EFEI, mediante contrato de comodato, o que contraria a legislação que rege a matéria. Em seu voto, a Conselheira Relatora Elizabeth Maria Violatto assim se pronunciou: ,I lf. i 1 PROCESSO N° : 10660.000339/96-48 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.001 importadora e desenvolvidos pela Escola a que pertencem. Não restou comprovado o intuito de proporcionar a tais pessoas a oportunidade de importar bens, sob os auspícios de uma isenção a que não faziam jus. O que se tem por fato é que tais bens foram entregues àqueles que deveriam operá40s, restando sem comprovação tanto o desvio de destinação dos mesmos quanto a intenção de transferi-los para terceiros, eis que estes permanecem integrando o ativo fixo da Fundação, embora encontrem-se em poder de funcionários da Escola, comprometidos com a execução dos programas mantidos pela autuada. Não se trata de terceiros quaisquer, sem vínculo com a beneficiária da isenção. Tenho em conta que, de fato, foi um equivoco o contrato de comodato firmado entre as partes, quando na realidade o adequado seria um termo de responsabilidade e guarda de bens. Entretanto, penso que outros aspectos devam a este conjugar':' separa que se tipifique a infração apontada, razão pela qual voto no sentido de prover o recurso interposto." A Fazenda Nacional, em seu recurso, alega, em síntese: "o Código Tributário Nacional determina, no seu art. 111 J que deve ser interpretada literalmente a outorga da isenção. A isenção deve ser tida como regra de direito excepcional, só abrange os casos especificados, sem ampliações. Ao intérprete, então, é vedada a utilização da interpretação extensiva ou de integração analógica, em se tratando de se conceder a isenção. Ninguém pode se escusar às prestações _decorrentes de obrigação tributária, indicando pacto celebrado para substituir-se por outrem, isto é, nenhuma convenção entre particulares pode ser oposta ao Fisco para modificar a definição do sujeito passivo. A responsabilidade por infrações na legislação tributária é formal e de natureza objetiva, eis que, salvo disposições de lei em contrário, independe da intenção do agente de prejudicar a Fazenda Pública e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Em face do exposto e dos doutos subsídios da decisão de primeiro grau, que se tem como aqui transcrita, requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente recurso para o fim de ser reformado o Acórdão Recorrido e integralmente restabeleci da . a decisão de primeira instância.," É o relatório. ~ ---======- --------_. l I I PROCESSO N° ACÓRDÃO N° : 10660.000339/96-48 : CSRF/03-03.001 "VOTO A hipótese infracionada apontada nos autos refere-se à transferência de bem importado com isenção vinculada à qualidade do importador, a pessoas que não gozam de igual tratamento tributário. As disposições legais a respeito são absolutamente severas, pois que objetivam vedar qualquer possibilidade de que pessoas ou instituições que não fazem jus ao beneficio fiscal, venham, através de procedimentos espúrios, valer-se do nome de qualificada, para eximir-se do pagamento dos tributos normalmente devidos. Assim, o artigo 137 do RegulamentoAduaneiro estabelece que a transferência de propriedade ou uso dos bens a qualquer título, obriga ao prévio pagamento dos impostos incidentes na operação de importação, outrora dispensados em face da qualidade do importador. É evidente, no entanto, que uma instituição não pode operar seus equipamentos, a não ser através de seus funcionários e prepostos, capacitados para tal fim. Dessa forma, tem-se por inevitável que o uso efetivo dos bens será praticado por pessoas que não, necessariamente, fazem jus ao beneficio fiscal de que se trata, mas que, em nome da entidade a que servem, executarão as atividades a que esta se presta. Tem-se, portanto, que muito embora a isenção ora examinada vincule-se à qualidade do importador, indiretamente, prende-se igualmente á destinação dos bens, ao seu emprego na atividade que qualifica o importador para o beneficio fiscal. No caso vertente, restou comprovado nos autos que os usuários dos equipamentos importados pela autuada são professores, pertencentes ao quadro permanente da Escola Federal de Engenharia de Itajubá, em regime de dedicação exclusiva; que a Fundação Theodomiro Santiago trabalha em parceria com a referida Escola, tanto que a transferência de bens similares a esta entidade não foi objeto de autuação, tendo sido considerada licita a outorga de tal beneficio à Escola, que mantém em seu corpo docente os professores que receberam, em regime de comodato, os equipamento a que se referem os autos. Nada nos autos demonstra que os bens confiados aos professores, o tenham sido a eles entregues sem qualquer compromisso relativo ao seu emprego nas atividades típicas da Fundação. Pelo contrário, instruem o processo farto material indicando sua vinculação a projetos de pesquisa sustentados pela ~- ! ! J~' PROCESSO N° ACÓRDÃO N° : 10660.000339/96-48 : CSRF/03-03.001 VOTO ~---I CONSELHEIRO RELATOR MOACYR ELOY DE MEDEIROS A Lei 8.010, de 29 de março de 1990, assim dispõe: "Lei nO8.01O-DE29 DE MARÇO DE 1990. Dispõe sobre importações de bens destinados à pesquisa científica e , tecnológica, e dá outras providencias. Faço saber que o Presidente da República adotou a Medida Provisória nO141, de 07 de março de 1990, que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Nelson Carneiro, Presidente do Senado Federal, para os efeitos do disposto no parágrafo único, do artigo 62, da Constituição Federal, promulgo a seguinte Lei: Art. 1°. São isentas dos impostos sobre a Importação e sobre Produtos Industrializados e do adcional ao frete para renovação da marinha mercante, as importações de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, bem como suas partes e peças de reposição, acessórios, matérias-primas e produtos intermediários, destinados à pesquisa científica e tecnológica. 9 1°. As importações de que trata este artigo ficam dispensadas do exame de similaridade, da emissão de Guia de Importação ou documento de efeito equivalente e controles prévios ao despacho aduaneiro. S 2°. O disposto neste artigo aplica-se somente às importações realizadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, e por entidades sem fins lucrativos ativas no fomento, na coordenação ou na execução de programas de pesquisa científica e tecnológica ou de.ensino, devidamente credenciada pelo CNPq". A sua edição ocorreu após o Decreto-lei nO91.030/85 (Regulamento Aduaneiro), e o Decreto nO81.981/85 (Regu/amento do Imposto Sobre Produtos Industrializados). A norma especifica prevalece sobre a legislação com entendimento contrário, desde que da mesma hierarquia, e. não sendo prevista a hipótese de vedação de transferência a qualquer título (art. 137 do RA), entendo que não cabe o enquadramento apontado no AI. f, r PROCESSO N° ACÓRDÃO N° : 10660.000339/96-48 : CSRF/03-03.001 Em entendimento contrário, caso os citados dispositivos continuassem vigendo para as situações semelhantes ao do presente, a lei isencional seria absolutamente inócua. Isto porque, feita a importação, quem iria utilizar os computadores? Os pesquisadores da Fundação, é claro, foram os visados pelo legislador no sentido de que tivessem participação no esforço do desenvolvimento da pesquisa científica no Brasil. A transferência fez-se dentro do espírito da lei. Não infringiu qualquer dispositivo legal, razão porque, nego provimento ao Recurso Especial. Sala das Sessões, DF em 20 de outubro de 1998. MOACYR ELOY DE MEDEIROS 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 18108.001350/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.663
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada dos Anexos I, II e III integrantes do Auto de Infração.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para juntada dos Anexos I, II e III integrantes do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora. EDITADO EM: 31/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fabio Piovesan Bozza, Luís Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Andrea Brose Adolfo. Trata-se de Auto de Infração de Obrigação Principal Auto de Infração, (AI) DEBCAD nº 37.021.340-8, consolidado em 28/11/2007, no valor de R$ 2.680.754,75. O crédito está discriminado nos seguintes levantamentos: COP - COOPERADOS - diferenças de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos cooperados (contribuinte individual), período de 04/2003 a 12/2006; Fl. 901DF CARF MF Processo nº 18108.001350/2007-35 Resolução nº 2301-000.663 S2-C3T1 Fl. 3 2 SAL - EMPREGADO - diferença salário de contribuição de empregado nas rubricas segurado, empresa, sat, terceiros, período 05/2003 a 13/2006 DAL - DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS - diferenças de acréscimos legais nos períodos 06/2003, 08/2005 e 03, 04 e 09/2006. A DRJ julgou a impugnação improcedente mantendo o lançamento. Inconformada a cooperativa apresentou recurso voluntário (e-fls. 411/447) em que alega, em apertada síntese: a) necessidade de observância dos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, da legalidade objetiva, da verdade material e da razoabilidade; b) no mérito, que os valores constantes da base de cálculo para a autuação são indenizatórios, portanto sobre eles não incide contribuições previdenciárias; c) não há incidência de contribuições previdenciárias sobre a "antecipação de sobras" por se tratar de ato cooperativo; d) a IN SRP 03/2005 ampliou o conceito de salário de contribuição invadindo competência de lei complementar; e) o pagamento de todas as contribuições devidas pela cooperativa, com a juntada de GFIP e GPS, referente ao período 12/2003 e 07/2004 a 04/2005; f) improcedência da Representação Fiscal para Fins Penais. Em 24/01/2013 o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução n º 2403-000.136 (e-fls. 828/838), para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: a) motivos que levaram a considerar como sc os valores de locação, alimentação, adiantamentos, diferenças de verbas, ajuda de custo, com a juntada de documentos probantes; b) se as sobras foram apuradas nos resultados dos exercícios e se referiam aos atos cooperativos do art. 79 Lei. 5764/71; c) após, ciência ao contribuinte. Após cumprimento da diligência, com a emissão de Relatório (e-fls. 874/878) no qual a autoridade fiscal demonstra a impossibilidade de juntada de novos documentos tendo em vista a falta de apresentação de esclarecimentos pela recorrente, os autos retornaram a este Conselho para julgamento. É o relatório. Analisando os autos verifica-se que não constam os Anexos I, II e III citados pela autoridade autuante no Relatório Fiscal da NFLD. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 18108.001350/2007-35 Resolução nº 2301-000.663 S2-C3T1 Fl. 4 3 Tal situação já havia sido mencionada na Resolução nº 2403-000.136 (e-fls. 828/838), da qual valho-me para justificar a necessidade de nova diligência: DAS RUBRICAS Titulado por “ Relação das Rubricas da Folha de Pagamento Não Integrantes da Remuneração Calculada pela Empresa ”, aparentando ter sido produzido pela Autoridade autuante, o documento “ Anexo II ” de fls. 243/250, foi aproveitado e trazido à colação pela recorrente. Registra, entre outros, pagamentos a título de ANTECIPAÇÃO DE SOBRAS. DAS BASES DE CÁLCULO O Relatório Fiscal registra às fls.89 que : “ As bases de cálculo mensais e as contribuições devidas pelos cooperados, ambas apuradas pela Fiscalização, estão relacionadas analiticamente, por segurado, na planilha "Anexo 1 desta NFLD", a qual foi entregue à Cooperoeste na forma de arquivo digital, devido o expressivo volume de páginas de relatório para impressão.” (...) 1.6 os cálculos de apuração das contribuições que deveriam ter sido retidas e descontadas dos cooperados, efetuados pela Fiscalização, foram realizados individualmente para cada segurado, utilizando-se a alíquota de 11% sobre as remunerações pagas aos mesmos, respeitando-se mensalmente os respectivos tetos dos salários de contribuição, como limite máximo da base de cálculo das contribuições de cada segurado cooperado ( Vide Anexo 1 desta NFLD ). (...) 2.2 O anexo 1 desta NFLD, entregue à Cooperoeste em meio digital, contém o demonstrativo dos cálculos das contribuições devidas, efetuados pela Fiscalização, analiticamente por cooperado em cada competência. 3 Base Legal A base legal que ensejou a presente notificação encontra- se na legislação constante do relatório "FLD Fundamentos Legais do Debito", que integra a NFLD, especialmente na Lei 8.212/91 e no Decreto 3.048/99.” ( grifos de minha autoria) Na parte final do Relatório Fiscal a Autoridade autuante registra quer: “A notificação e seus anexos, incluindo este relatório, foram entregues à Sra. Thais Rodrigues Fiore Presidente da Cooperoeste, que ficou ciente da origem e da natureza do débito, cabendo destacar que os anexos citados nas alíneas "b" a "g" do item 8, além das planilhas denominadas como "Anexo 1" , "Anexo 2" e "Anexo 3", as quais são mencionadas no Item 1 deste Relatório Fiscal, foram entregues em meio digital, mediante recibo” Relevante destacar que os sobreditos "Anexo 1" , "Anexo 2" e "Anexo 3" não se encontram colacionados nos autos. (...) Fl. 903DF CARF MF Processo nº 18108.001350/2007-35 Resolução nº 2301-000.663 S2-C3T1 Fl. 5 4 DA DILIGÊNCIA A necessidade de diligência tem fulcro na forma expressa no art. 63 do Decreto 7.574, de setembro de 2011, verbis: “ Art.63.Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36 (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 29 e 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1º).” A Recorrente reitera que : “ os valores incluídos na Notificação Fiscal referentes às supostas contribuições devidas pela empresa à seguridade Social, diferenças apuradas são valores que realmente não integram à base de cálculo da contribuição por tratarem especificamente de parcelas para o trabalho, não havendo incidência tributária, como: a) os valores correspondentes a transporte, alimentação que se destinam a utilização em serviço; b) o valor relativo a vestuário e equipamentos utilizados no próprio local de trabalho; c) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados dos valores recebidos pela prestação de serviços; c) parcelas recebida a titulo de vale transporte; d) demais ajuda de custos como auxilio em caso de doença, ressarcimento de despesas pelo uso de veiculo próprio no cumprimento de sua prestação de serviços, pagamento á título de plano educacional que visa à educação básica e cursos de capacitação relacionados as atividades exercidas pela cooperativa. Assim, proponho que retornem os autos à unidade de origem para que a fiscalização anexe ao presente processo os Anexos I, II e III citados no Relatório Fiscal desta NFLD. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Relatora Fl. 904DF CARF MF
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Numero do processo: 10665.000570/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, que o processo pode ser julgado isoladamente. Vencida a preliminar, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: (i) junte aos presentes autos o termo conclusivo da diligência realizada no processo nº 10665.000737/2009-17, bem como (ii) emita relatório conclusivo das verificações efetuadas.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, que o processo pode ser julgado isoladamente. Vencida a preliminar, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal: (i) junte aos presentes autos o termo conclusivo da diligência realizada no processo nº 10665.000737/200917, bem como (ii) emita relatório conclusivo das verificações efetuadas. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 57 0/ 20 09 -8 6 Fl. 3025DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 3/54) de IRPJ e Reflexos, lavrados em decorrência de omissão de receitas relativas aos anos base de 2004 e 2005, nos seguintes termos: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, intimado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação em anexo, deixou de apresentálos. [...] 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FINANCEIROS: CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de receitas da prestação de serviços financeiros apuradas com base nos créditos bancários não comprovados, oriundos de pagamentos dos empréstimos mútuos concedidos pelo contribuinte a seus diversos clientes, levantados conforme detalhadamente relatado no Termo de Verificação Fiscal e seus anexos, que fazem parte integrante desta descrição de fatos. Em síntese, os fatos mais relevantes e de destaque são: A As contas bancárias mantidas junto à CREDIPEU, Agência 31615, conta n° 30.3356 (Individual) e à CREDICOOP, Agência 31593, conta 1.1045 (conjunta com Murilo Ribeiro Reis até 26/10/2004, com rateio de 50% para cada um, nos termos do parágrafo 6o da Lei 9.430/96, introduzido pela Lei 10.637/2002), foram movimentadas para efetuar operações de empréstimos a terceiros, tendo como financiador (emprestador), Jamir de Souza Machado, CPF 445.016.41649; e como pessoas financiadas (tomador do empréstimo), diversas pessoas fisicas ou jurídicas; B Essas contas bancárias eram movimentadas com assinaturas do correntista ou de seus procuradores Srs. Anderson Ferreira de Freitas e Frank Corrêa Lacerda Campos e o contribuinte não comprovou a origem dos créditos bancários, mesmo regularmente intimado por várias vezes, o que caracteriza omissão de receita nos termos do artigo 42 e seus parágrafos da Lei 9.430/96, observado a nova redação dada pela Lei 10.637/2002; C Essas operações de empréstimos são atividades de pessoas jurídicas e sujeitam o responsável à inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ, voluntariamente ou de oficio; D As operações de empréstimos deverão ser escrituradas e individualizadas nos livros contábeis e fiscais, com base em documentos, e obedecidas as demais normas de controles e autorizações do Banco Central do Brasil estabelecidas pela Lei 4.595/64. A tributação desta atividade é pelo regime do Lucro Real ou na impossibilidade da apuração por esta forma, pelo Lucro Arbitrado; Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 4 3 E Jamir de Souza Machado foi intimado várias vezes a apresentar os documentos e livros onde mantém a escrituração dessas operações, inclusive a discriminação dos empréstimos concedidos e liquidados (livro razão), porém não apresentou qualquer documento ou escrituração. Deste modo, a única forma de tributação é o arbitramento, com base nos dados disponíveis. A tributação é feita com a base apurada em cada tipo de origem dos créditos, quando identificados, ou pelo arbitramento com aplicação do maior percentual relativo às atividades desenvolvidas, quando não é possível apurar cada atividade em separado, sobre os créditos relacionados com os valores dos empréstimos pagos pelos clientes, conforme preceituam os artigos 841 e 845 e seus Incisos c/c artigo 530 e seus incisos I, III e VI, artigo 532, 533 e artigo 537 e seu parágrafo único, todos do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99; F. A multa de oficio cabível é de 150% (cento e cinqüenta por cento), tendo em vista: o montante omitido; a ocorrência, smj, de sonegação e fraude; o exercício de atividades financeiras sem autorização do Banco Central do Brasil. Após emitir várias intimações para esclarecimentos sobre a origem de diversos depósitos e movimentações bancárias, a autoridade fiscal redigiu minucioso Termo de Verificação Fiscal (fls. 55/89), o qual bem relata os fatos envolvidos e argumentos do contribuinte, para, ao final, concluir que: 15) Durante todo o período desta auditagem fiscal, o contribuinte não apresentou os extratos bancários e os comprovantes das origens dos créditos em suas contas bancárias, como também não comprovou as destinações das saldas de recursos dessas contas bancárias, previamente selecionados pela fiscalização. Assim sendo, com base na Lei Complementar n° 005/2001 e Decreto 3.724/2001 foram solicitados às instituições financeiras, documentos relativos às movimentações financeiras do Sr. Jamir de Souza Machado, e realizadas algumas diligências, com o objetivo de confirmar a realização de operações de mútuo, em todas as suas movimentações bancárias, como o próprio contribuinte vem sempre afirmando desde o inicio desta fiscalização. As contas bancárias objeto de auditagem neste procedimento fiscal foram: NOME DO BANCO AGÊNCI A CONTA TIPO SICOOB CREDIPEU 31615. 30.3356. Individual SICOOB CREDIMAC 31410. 6335. Individual SICOOB CREDICOOP 31593. 1.1045. Conjunta:Murilo Ribeiro Reis até 26/10/2004. SICOOB CREDICOOP 31593. 5.1004. Individual CAIXA ECONÔMICA FEDERAL 1426. 2.7100. Individual BANCO DO BRASIL 24759. 16.2663. Individual Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 5 4 16) Os documentos solicitados às Instituições Financeiras, por amostragem, foram relacionados no "ANEXO 1: AMOSTRAGEM DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS" e compõe este Termo de Verificação Fiscal. 17) Realizamos diligências, solicitando informações a terceiros, com base nos documentos disponibilizados pela CREDICOOP, com o objetivo de confirmar os tipos de operações realizadas. Com relação à conta bancária n° 30.3356 junto à CREDIPÉU, já foram realizadas diligências e foram confirmadas as informações do contribuinte de que ele realizou operações de empréstimos mútuos a terceiros, pessoas fisicas ou juridicas, e foram constatadas movimentações em parceria na conta n° 31.6415, também da CREDIPÉU, em nome de Glauciane Maria de Sousa. Parceria, porque houve débito na conta da Glauciane e emissão de transferência bancária, com a citação da conta do Jamir, e transferências com débitos parciais nas duas contas, por intermédio de saques em cheques no caixa ou autorização de débito em conta. Pelas análises documentais, não surgiram evidências de que as demais contas bancárias foram também usadas de forma freqüente para operacionalizar empréstimos a terceiros, motivo pelo qual a tributação dessas contas será realizada em separado, juntamente com a conta n° 5.1004, junto à CREDICOOP, para a qual também não obtivemos dados objetivos e conclusivos que demonstrassem a realização de empréstimos freqüentes. As conclusões das diligências estão relacionadas no "ANEXO 2: DILIGÊNCIAS REALIZADAS PARA CRUZAMENTOS DE INFORMAÇÕES COM TERCEIROS" e os documentos inerentes às mesmas, anexadas aos respectivos procedimentos fiscais. Concluise que parte da movimentação da conta conjunta n° 1.1045 junto à CREDICOOP serviu para a prática de realização de empréstimos mútuos. As bases de cálculo dos impostos e contribuições devidas estão demonstradas nos itens posteriores. 18 Foram constatadas operações de empréstimos com freqüência durante a movimentação da conta n° 30.3356 do Sr. Jamir de Souza Machado junto à CREDIPÉU, confirmando as declarações do próprio contribuinte durante este procedimento fiscal. Também houve uma vinculação desta conta com a conta n° 31.6415, também da CREDIPÉU, em nome de Glauciane Maria de Sousa. Ocorreram saques parciais nas duas contas para a remessa de uma ou várias transferências a terceiros, por ocasião da concessão de empréstimos mútuos, através de débitos autorizados em conta ou saques de cheques pagos no caixa. Verificouse também, operação com débito na conta bancária da Glauciane e a remessa da transferência expedida como se fosse a débito da conta do Jamir e crédito do contratante da operação de empréstimo de mútuo. Resumimos alguns documentos da conta 31.6415 que demonstram esses fatos, no "ANEXO 3: Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 6 5 DOCUMENTOS REQUISITADOS A CREDIPÉU COM PARTICIPAÇÃO EM CONJUNTO DE TRANSFERENCIAS FINANCEIRAS: CONTA 31.6415 EM NOME DA GLAUCIANE MARIA DE SOUSA E CONTA N° 30.3356 DO JAMIR DE SOUZA MACHADO". [...] 20) Os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissões de receitas e serão considerados auferidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, conforme dispõe o artigo 42 da Lei 9.430/96. Os valores das receitas omitidas serão analisados individualmente, eliminando as transferências entre contas da mesma titularidade. No caso da existência de conta em conjunto e não identificados os valores das movimentações individuais, os valores das omissões de receitas serão rateados em partes iguais entre os titulares das contas. Todos esses procedimentos estão previstos nos parágrafos do artigo 42 da Lei 9.430/96, com a observância das alterações introduzidas pelas Leis 9.481/97 e 10.637/2002. 21) As freqüentes operações de empréstimos com remuneração, como consta nos extratos bancários e documentos ora anexados e citados neste Termo, praticadas pelos responsáveis pelas movimentações bancárias, caracterizam serviços financeiros prestados, atividades de natureza comercial, similares às operações de instituições financeiras, nos termos do artigo 17 e seu parágrafo único da Lei 4.595/64, típicas de pessoas jurídicas no que diz respeito à aplicação da legislação tributária. Equiparase às pessoas jurídicas, para os efeitos do Imposto de Renda, "a pessoa física que, em nome individual, explore, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens e serviços", conforme dispõe o Inciso II do artigo 150 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. O lucro da operação é a base tributável, obtida pela diferença entre as receitas e os custos e despesas operacionais dedutíveis. É obrigatória a escrituração contábil completa para as atividades de instituições financeiras, bem como para as empresas equiparadas, cuja tributação deverá ser feita na forma de apuração de Lucro Real, como determina os incisos II e VI do artigo 246 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. No caso em questão, o lucro bruto é a diferença entre os recebimentos e as aplicações, onde os recebimentos são representados pelos créditos provindos das liquidações dos empréstimos mútuos, e os custos são representados pelas entregas dos numerários ao devedor. Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 7 6 Quando inexiste a possibilidade de se apurar o ganho real, a base tributável é obtida pelo arbitramento do lucro, mediante os dados disponíveis, aplicandose o percentual legal para a obtenção do lucro tributável, conforme preceituam os artigos 529, 532, 533, 841 e 845, com seus parágrafos e incisos do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. 22) Assim sendo, as omissões de receitas apuradas com base nos créditos bancários não comprovados nas contas bancárias do contribuinte JAMIR DE SOUZA MACHADO, CPF n° 445.016.4164 9, nos termos do artigo 42 e seus parágrafos da Lei 9.430/96, serão tributados através de dois procedimentos distintos: a) Tributadas na pessoa física do contribuinte, as omissões de receitas apuradas, cujas atividades não são típicas das pessoas jurídicas, ou a elas equiparadas, relativas às seguintes contas bancárias: NOME DO BANCO AGÊNCIA CONTA TIPO SICOOB CREDIMAC 31410. 6335. Individual SICOOB CREDICOOP 31593. 5.1004. Individual CAIXA ECON.FEDERAL 1426. 2.7100. Individual BANCO DO BRASIL 24759. 16.2663. Individual b) Tributadas na pessoa jurídica equiparada, as omissões de receitas vinculadas aos empréstimos mútuos realizados, observados com relevância nas contas bancárias abaixo relacionadas: NOME DO BANCO AGÊNCI A CONTA TIPO SICOOB CREDIPEU 31615. 30.3356. Individual SICOOB CREDICOOP 31593. 1.1045. Conjunta:Murilo Ribeiro Reis até 26/10/2004 50%. [...] 27) Com base em todo o exposto, verificamos a variação patrimonial a descoberto, com base nos valores declarados do contribuinte, com a glosa dos rendimentos isentos não comprovados, a inclusão dos rendimentos tributados exclusivamente na fonte e a adição dos rendimentos apurados da atividade rural, como demonstrado no "Anexo 7 DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO", nos valores de R$ 792.111, 85 e 78.424, 48, nos anos de 2004 e 2005, respectivamente, com base nos artigos 846 e 847 do RIR/99. [...] 29) Como já exposto, foi confirmado que o contribuinte realizou operações de empréstimos mútuos a terceiros, tanto a pessoas físicas quanto a jurídicas,. com utilização das contas movimentadas junto à CREDIPÉU, Agência 31615, conta n° 30.3356 (Individual) e à Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 8 7 CREDICOOP, Agência 31593, conta 1.1045 (conjunta com Murilo Ribeiro Reis até 26/10/2004, com rateio de 50% para cada um, nos termos do parágrafo 6o da Lei 9.430/96, introduzido pela Lei 10.637/2002). Relacionamos todos os créditos bancários de origens não comprovadas, vinculados a essas duas contas bancárias, pertencentes a Jamir de Souza Machado, relativos aos anoscalendário 2004 e 2005, no ANEXO 9: "CRÉDITOS BANCÁRIOS CUJAS ORIGENS NÃO FORAM DISCRIMINADAS E COMPROVADAS MOVIMENTAÇÕES EM CONTAS BANCÁRIAS UTILIZADAS PARA A REALIZAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS MÚTUOS", sendo que a última coluna denominada "Vr. Jamir R$", apresenta o valor total dos créditos relativos a conta na CREDIPÉU ou a 50% dos créditos da conta conjunta na CREDICOOP. Também como já relatado, as operações, de mútuo são operações comerciais, tributadas na qualidade de pessoa juridica equiparada, cujo CNPJ foi inscrito de oficio, nos termos dos artigos 150 e 160 do RIR/99, c/c artigos 10 e 19 da Instrução Normativa da .RFB n° 748 de 28/06/2007. Pela falta da comprovação da origem dos créditos bancários movimentados em conta bancária do Sr. Jamir de Souza Machado, mesmo regularmente intimado, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96; pela falta de apresentação da escrituração e documentos relativos às operações de mútuo; pela equiparação das operações de mútuo às atividades de instituições financeiras, como dispõe o caput e parágrafo único do artigo 17 da Lei 4.595/64, já transcrito neste termo; pela equiparação de operações de mútuo a atividades comerciais e de prestações de serviços financeiros, tributadas em pessoas juridicas; e por tudo mais já mencionado neste Termo, apuramos a base de cálculo sujeita à tributação, na forma de arbitramento do lucro, com base nos Incisos I, II, III e VI do artigo 530, artigos 532, 533, 845 e seus incisos II e III, 849 com seus parágrafos c/c 247 e seus parágrafos, todos do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99. Os totais dos créditos bancários não comprovados apurados como supracitado, estão demonstrados no Anexo 9 deste Termo. 30)Tendo em vista as omissões de receitas verificadas, a relutância do contribuinte em informar os rendimentos da atividade rural, a inclusão de rendimentos isentos sem as comprovações das origens, a constatação de variação patrimonial a descoberto em montantes relevantes comparados aos rendimentos declarados, movimentações bancárias com créditos de R$18.224.666,82, para rendimentos tributáveis de R$ 120.514, 00, nos anos de 2004 e 2005, e ainda, os demais fatos citados neste termo, s..m.j., caracterizam omissão dolosa objetivando retardar o conhecimento e retardar parcialmente a ocorrência do fato gerador, o que enseja a qualificação da multa de oficio, aplicada sobre todo crédito tributário ora levantado, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), nos termos do artigo 44, Parágrafo Io da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, c/c o artigo 957 Inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/99, tendo em vista, s.m.j., a existência de sonegação e fraude, nos termos dos artigos 71, 72 da Lei 4.502/1964, a seguir transcritos: "Artigo 71: Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento por parte da Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 9 8 autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal". Artigo 72: Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Cientificado das autuações, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 2222/2270), a qual, além de formular pedido de perícia, argumenta, em síntese, que: (i) as condutas praticadas pelos fiscais violam os princípios da legalidade, verdade material e "presunção de inocência". Ademais, a ausência de disponibilização de cópias legíveis do processo cerceia o direito de defesa; (ii) as atividades das instituições financeiras em nada se confundem com as operações realizadas pelo Impugnante. A alegada realização de empréstimos por meio da troca de títulos de crédito de terceiros ("troca de cheque pré datado”) deveria ter sido enquadrada no conceito de factoring; (iii) o fisco não poderia ter realizado o arbitramento, tendo em vista: (iii.i) a impossibilidade de exigência de escrituração contábil, nos termos do art. 160 do RIR, como fundamento jurídico para a realização do arbitramento; (iii.ii) a vedação à utilização deste método de tributação em face da possibilidade de se apurar o lucro (no caso representado pelo ganho efetivo com juros); (iv) não se trata de hipótese de aplicação de multa qualificada de 150%, uma vez que ela não tem base legal; é confiscatória; fere o princípio da tipicidade cerrada e deve ser revelada em face da Lei n° 11.488/2007. Em sessão de 21 de julho de 2009, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, após afastar o pedido de perícia, decidiu pela improcedência da impugnação, com a manutenção integral dos montantes. A ementa da decisão (fls. 2336/2369) foi assim redigida: PRELIMINAR DE NULIDADE Há de se rejeitar as preliminares de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, e o autuado, devidamente cientificado, manifestou contestação de forma ampla e irrestrita, em consonância com o rito do processo administrativo fiscal. PESSOA FÍSICA EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA As pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços, equiparamse à pessoa jurídica, e devem inscreverse no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Legitimada a equiparação operada no lançamento, o contribuinte passa a estar obrigado a todos os procedimentos e à observância da Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 10 9 legislação próprios das pessoas jurídicas, inclusive no que atine às regras de tributação pelo lucro real, presumido ou arbitrado e às exigências de escrituração contábil e fiscal. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA X FACTORING Fica afastada a possibilidade de tributação sob as regras aplicáveis às empresas de factoring, quando constatado em procedimento fiscal que, dentre as atividades do contribuinte, está a realização de empréstimo de mútuo, de forma habitual e sistemática, própria de instituição financeira. OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações ARBITRAMENTO DO LUCRO O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, na condição de instituição financeira, sujeito à tributação com base no lucro real, devidamente intimado, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. PERCENTUAL DE ARBITRAMENTO INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O contribuinte que realiza operações de empréstimos de mútuo próprias das instituições financeiras e não apresenta nenhum documento comprobatório da origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias especificadas no lançamento, fica sujeito ao coeficiente de arbitramento no percentual de 45%, específico dessas instituições. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada no percentual de 150% será aplicada quando, em procedimento fiscal, ficar caracterizada ação dolosa do contribuinte, consubstanciada em conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Após tomar ciência dessa decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 2.376/2.439). Reitera, basicamente, os argumentos de defesa; requer a nulidade da decisão de piso em face de cerceamento do direito de defesa; e busca demonstrar que a conta conjunta mantida junto a CREDICOOP, na verdade, foi aberta para movimentar recursos, devidamente tributados, de empresas das quais eram sócios (Ardósia Universal Ltda. e Alto da Boa Vista Mineração Ltda.), afinal a referida instituição financeira, na época dos fatos, não operava com conta de pessoa jurídica. O contribuinte, além disso, buscou comprovar no recurso voluntário que o seu sócio à época, Sr. Murilo Reis, que também era titular em conjunto de uma das contas objeto deste lançamento, apresentou impugnação em face de Auto de Infração de IRPF (fls. 2.724/2.757), nos autos do processo 10665.000737/200917, que discute matéria semelhante. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 11 10 Posteriormente, por meio da petição de fls. 2.770 e seguintes, o contribuinte informa que as instituições financeiras, por força das medidas cautelares que ajuizou, disponibilizaram novos documentos (cheques e controles internos de empréstimos), que foram anexados aos autos para apreciação. O processo acabou sendo sobrestado (cf. fls. 2.928/2.932), uma vez que a discussão sobre a quebra do sigilo bancário encontravase em fase de julgamento pelo STF. Superado este impeditivo, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 1202000.255 (fls. 2959/2972), "para que a unidade de origem, tomando por base os documentos apresentados pelo contribuinte às fls. 1778 e seguintes, verifique se, de fato, a documentação juntada comprova as alegações de defesa do Contribuinte". Em atendimento à Resolução deste Colegiado, a autoridade fiscal elaborou Termo de Diligência (fls. 2974/2977). Conclui que: "De todo o exposto, e após análise da documentação juntada aos autos do presente processo no recurso voluntário, entendemos que não foram apresentados novos elementos materiais que possam sustentar a argumentação da defesa ou modificar as conclusões da primeira instância, a qual manteve integralmente as exigências relativas a IRPJ, CSLL, COFINS e PIS consubstanciadas nos autos de infração de fls. 04 a 51 do processo digitalizado, acrescidas de multa de ofício de 150% e dos juros de mora pertinentes". Após chamado a se manifestar, o contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 2983/2995), afirmando que a auditoria não atendeu os questionamentos determinados pelo CARF. É o relatório. Voto Afasto, de plano, o pedido de conexão do presente processo levantado em tribuna, por entender ausentes seus pressupostos. O contribuinte comprovou que seu sócio em algumas empresas à época dos fatos, Sr. Murilo Reis, que possuía conta conjunta com o Recorrente no CREDICOOP (conta n° 1.1045, que foi objeto deste lançamento) também foi autuado por omissão de receita (na pessoa física), tendo apresentado defesa no dia 09/07/2009, data esta que é posterior à impugnação que foi apresentada neste caso. Da análise dessa defesa, noto que há um argumento comum invocado em ambos os casos, qual seja, o de que os valores movimentados dizem respeito aos movimentos financeiros decorrentes de atividades praticadas por empresas das quais eram sócios. Em consulta realizada, é possível aferir que no processo do Sr. Murilo Reis (10665.000737/200917), o julgamento do recurso voluntário por ele interposto foi convertido em diligência (Resolução nº 2102000.198), nos seguintes termos: Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 12 11 Entretanto, a despeito de não ter sido deferida pela decisão recorrida, entendo que a realização de uma diligência no caso concreto é medida que se impõe, a fim de que não haja qualquer cerceamento à defesa do Recorrente. É que o Recorrente busca justificar parte da origem dos depósitos bancários efetuados em duas contas que ensejaram este lançamento (Credicoop nº 1.1045 e 5.1810) sob a alegação de que tal movimentação seria decorrente da atividade comercial exercida em conjunto com Jamir de Souza Machado. Para comprovar que tal movimentação se referia à atividade de venda de ardósia, acostou aos autos documentação que comprovaria que a receita das empresas das quais era sócio transitavam pelas referidas contas de pessoas físicas. Segundo ele, as contas foram abertas em nome das pessoas físicas (e não da jurídica) porque o Credicoop não aceitaria contas de pessoas jurídicas. A decisão recorrida rejeitou tal alegação, sob o argumento de que os valores estampados nos cheques que supostamente serviriam à quitação de receitas das pessoas jurídicas não refletiam um depósito de igual montante nas contas bancárias em questão, razão pela qual careceriam de prova as alegações do Recorrente No entanto, em sede de recurso, o Recorrente esclareceu que as planilhas por ele elaboradas não teriam sido compreendidas pela autoridade julgadora, pois na realidade o banco (Credicoop) recebia a totalidade dos cheques de pagamentos de um dia, os transformava em dinheiro, usava este dinheiro para quitar obrigações (despesas) das pessoas jurídicas, e somente então depositava o saldo remanescente do dia nas contas bancárias. É o que demonstram as tabelas reproduzidas às fls. 5761 dos autos (no Recurso Voluntário). Ainda de acordo com a defesa do Recorrente, a farta documentação anexada aos autos não pôde ser anexada ainda durante o procedimento fiscal por falta de tempo hábil para arrecadála naquele momento. Assim, diante da quantidade de documentos a serem analisados (relacionados às fls. 857/858 dos autos digitais e anexados às fls. 863/5718 dos autos digitais), e diante da plausibilidade das alegações do Recorrente, entendo que deve ser deferida a realização de diligência, a fim de que tais documentos sejam devidamente apreciados. Vale ressaltar que não é suficiente a comprovação de que os cheques recebidos pelas pessoas jurídicas tenham sido depositados em suas contas bancárias, pois é necessário comprovar também que estes depósitos se refiram a uma receita tributada pela pessoa jurídica. Alega o Recorrente que os documentos trazidos aos autos são aptos a comprovar tais alegações. Diante de todo o exposto, proponho a CONVERSÃO deste julgamento em diligência, a fim de que sejam analisados pela Delegacia de origem (DRF Divinópolis/MG) os documentos anexados às fls. 863/5718 dos autos digitais, devendo ser elaborado relatório esclarecendo: a) se os cheques de pagamentos destinados às pessoas jurídicas referidas nas planilhas elaboradas pelo Recorrente foram efetivamente Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 10665.000570/200986 Resolução nº 1201000.266 S1C2T1 Fl. 13 12 depositados nas contas correntes mantidas no CREDICOOP n° 1.1045 e 5.1810, indicando os respectivos valores e datas de depósito; b) caso a resposta seja afirmativa, indicar se é possível vincular os cheques recebidos a receitas contabilizadas pelas pessoas jurídicas, indicando o documento que o comprove; c) no que diz respeito à conta corrente da CREDICOOP n. 1.2300, esclarecer se os valores contabilizados pelas empresas Ardósia Universal Ltda., Alto da Boa Vista Mineração Ltda. e Lincar Pedras de Ardósia Ltda. como pagos ao Recorrente e sua esposa foram creditados na referida conta, indicando, se for o caso, as datas e valores em que ocorreram; d) intimar o recorrente para que colabore nas apurações acima, fornecendo as informações e cópia de documentos que porventura possuir; e e) caso proceda a alegação do Recorrente de que 50% dos depósitos efetuados na conta n° 1.1045, atribuídos ao Sr. Jamir de Souza Machado foram tributados de forma diversa (equiparando o Sr. Jamir à pessoa jurídica) que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento se pronuncie sobre o que motivou o tratamento diferenciado entre os cotitulares desta mesma conta. Nesse contexto, considerando a relevância desta diligência para o deslinde desta demanda, notadamente os quesitos previstos nos itens "a", "b", "d" e "e", conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade de origem, tomando por base o resultado da diligência solicitada nos autos do processo nº 10665.000737/200917, verifique a procedência ou não das alegações dos contribuintes. Para tanto, requerse que a fiscalização: (i) junte aos presentes autos o termo conclusivo da diligência realizada no processo nº 10665.000737/200917, bem como (ii) emita relatório conclusivo para o presente processo, devendo o contribuinte ser cientificado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias. Após, retornem os autos ao CARF para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator Fl. 3036DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900456/2008-30
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PER/DCOMP. CANCELAMENTO.
Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento.
BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA.
O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR.
CONFISSÃO DE DÍVIDA
A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário.
Numero da decisão: 1801-000.424
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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CANCELAMENTO. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento. BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA. O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. CONFISSÃO DE DÍVIDA A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30/01/2004, fls. 01/02, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$28.952,13 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 30/12/2003, para compensação do débito de IRPJ, código nº 5993, referente ao fato gerador de dezembro de 2003 no valor de R$29.241,65. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 03/04, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 30/04/2008, fl. 05, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20/05/2008, fls. 06/07, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que Trata-se de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. Acrescenta que procedeu a todos os pagamentos dos tributos devidos. Instrui o processo com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano- calendário de 2003, fls. 20/80, bem como com as cópias dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), fls. 81/94. Conclui À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Termos em que, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14-23.846, de 08/05/2009, fls. 96/98:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 173 3 Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõe-se o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Notificada em 30/07/2008, fl. 101, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28/08/2009, fl. 102, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Instrui o processo com a cópia do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), fls. 125/155, onde estão escriturados os balancetes mensais, bem como cópia do Livro Diário, fls. 104/124, onde está transcrito o balancete de dezembro de 2003. Explica que a) A empresa, no ano base em causa, optou pela tributação pelo Lucro Real, com base em Balanço Geral Anual. Levantou mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à • pagar, tendo recolhido todos os meses que acusaram valor à pagar. b) Esta exigência fiscal decorreu de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP. Como recolheu por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que não existe. Esse foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim, esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado. c) E a DCTF Trimestral foi preenchida incorretamente, para corresponder aos valores impropriamente lançado no PER/DCOMP. d) Desta forma, pode-se concluir, força da realidade dos fatos, que a DCTF e PER/DCOMP relativos a este período são imprestáveis. e) Declara este contribuinte que não é titular dos créditos impropriamente lançados no PER/DCOMIP em questão. f) No acórdão epigrafado, afirma seu relator que a contabilidade regularmente executada, vale como prova à favor ou contra o contribuinte (Artigo 923 do RIR). No caso anexa, as peças mencionadas no item g, para demonstrar a inexistência de outro débito fiscal da empresa, que não os já pagos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 g) Para demonstrar que a empresa nada deve à Receita Federal do Brasil, e que os valores erradamente inscritos nos DCTFs e PER/DCOMPs, não tem origem válida, anexa a esta cópia dos Balancetes Mensais de Verificação, transcritos no Livro Diário n.° 45, autenticado sob n.° 1.200, no Cartório de Registro de Salto, mês a mês, e do Lalur e Demonstrativo de Cálculo correspondente a toda apuração do imposto e contribuições devidos, mês a mês, estes todos pagos, conforme cópias de guia que se anexa. h) Ao final, há de se constatar a inexistência de débito, que se comprova por este recurso. Termos em que, Pede Deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que a Per/DComp deve ser cancelada por erro no preenchimento, uma vez que o crédito já foi corretamente utilizado e que o débito confessado é inexistente. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Sobre o Pedido de Cancelamento da Per/DComp, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, determina: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 174 5 do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 145927 Número do Processo 14033.000033/2004-19 Turma 3ª Câmara Contribuinte PHD TRANSPORTES LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Outros Data da Sessão 08/08/2007 Relator(a) Paulo Jacinto do Nascimento Nº Acórdão 103-23143 Tributo / Matéria - Cofins- processo que não versem s/ exigências de credito tributário Decisão Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Paulo André Vacari Beloni, inscrição OAB/DF nº 12.671. Ementa COMPENSAÇÃO [...] PEDIDO DE CANCELAMENTO – Não merece ser acolhido o Pedido de Cancelamento de Compensação formulado após a ciência do despacho decisório que a indeferiu. Recurso improvido. Publicado no D.O.U. nº 185 de 25/09/2007. [...] Nº Recurso 148271 Número do Processo 10480.001708/2002-56 Turma 3ª Câmara Contribuinte COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 09/08/2007 Relator(a) Antonio Carlos Guidoni Filho Nº Acórdão 103-23167 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe em face das disposições do artigo 15, §1º, inciso II, do RI. A contribuinte foi defendida pelo DR. Ivo de Lima Barboza, OAB/PE nº 13.500D Ementa ERRO MATERIAL. Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através das circunstâncias em que a declaração é feita. Hipótese inocorrente nesses autos. COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO FORMULADO POSTERIORMENTE À DECISÃO DENEGATÓRIA DO PEDIDO PELA ADMINISTRAÇÃO. Não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 se admite a retificação de pedido de compensação formulado pelo contribuinte quando a pretensão respectiva já tenha sido negada pela Administração, mormente quando tal retificação significa, em verdade, apresentação de novo pleito. Recurso voluntário a que se nega provimento. Publicado no D.O.U. nº 230 de 30/11/2007. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento, o que não ocorreu no presente caso. Em relação ao erro material que a Recorrente alega ter cometido, vale privilegiar o princípio da verdade real. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157222 Número do Processo 10768.100409/2003-68 Turma 1ª Câmara Contribuinte BANCO FINIVEST SA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 27/06/2008 Relator(a) Valmir Sandri Nº Acórdão 101-96829 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, no sentido de reconhecer o erro de fato no pedido interposto, determinando-se o retorno dos autos à unidade de origem para apreciação das compensações pretendidas, considerando os créditos existentes relativos aos anos-calendário de 2000 e 2001. Ausente justificadamente o Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano- calendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. [...] Nº Recurso 229272 Número do Processo 10283.009117/99-51 Turma 5ª Câmara Contribuinte IMPORTADORA BELMIROS LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Outros Data da Sessão 14/09/2007 Relator(a) Wilson Fernandes Guimarães Nº Acórdão 105-16675 Tributo / Matéria CSL - ação fiscal (exceto glosa compensação bases negativas) Decisão Por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância Ementa IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO: 1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO - ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO - Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 175 7 homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. Neste sentido, há de ser considerada pertinente a apreciação da prova documental trazida aos autos. O Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999, prevê: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º). A pessoa jurídica tributada com base no lucro real pode optar pelo recolhimento do tributo mensal calculado com base nas regras da estimativa a título de antecipação obrigatória ou do apurado com base em balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do ano-calendário (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Ainda, sobre a matéria, a Instrução Normativa SRF nº 97, de 24 de dezembro de 1997, prevê: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I - suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano- calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado; II - reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano-calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. [...] § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano- calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. [...] § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano- calendário; Art. 13. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 12, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, observando-se o seguinte: I - a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo ano-calendário; II - as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real, correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 18/11/2010): Nº Recurso 157989 Número do Processo 11522.000275/2005-93 Turma 3ª Turma Especial Contribuinte ETENGE EMP DE ENG ELET LTDA Tipo do Recurso - Recurso de Ofício - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 13/10/2008 Relator(a) Ester Marques Lins de Sousa Nº Acórdão 193-00014 Tributo / Matéria IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal) Decisão Por unanimidade de votos, deram provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: I) para excluir do IRPJ lançado o valor de R$ 1.450,00 e seus consectários, referente ao fato gerador de 31/12/2000, e II) quanto à multa isolada, reduzir o percentual de 75% para o percentual de 50% , em face da retroatividade benigna. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001. [...] SUSPENSÃO OU REDUÇÃO DO PAGAMENTO DO IRPJ MENSAL - ESTIMATIVA - A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, por estimativa, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 176 9 O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. Sobre a confissão de dívida, o Decreto-lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, determina: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Em relação à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, determina: Art. 1º As normas disciplinadoras da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativas a fatos geradores que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2010, são as estabelecidas nesta Instrução Normativa. [...] Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições federais: [...] § 1º Os valores relativos a impostos e contribuições exigidos em lançamento de ofício não deverão ser informados na DCTF. [...] Art. 8º Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1º Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa e, caso não sejam regularizados, enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), com os acréscimos moratórios devidos. A DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito tributário declarado. No que se refere à DIPJ, foram editados atos normativos evidenciando que se trata de documento informativo (Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999 e Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 10 Analisando os dados constantes na DIPJ do ano-calendário de 2003, bem como com as cópias dos DARF, do LALUR, e do Livro Diário, tem-se que a CSLL devida mensalmente é: Meses de 2003 DIPJ – R$ LALUR – R$ DARF – R$ Livro Diário – R$ Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 0,00 0,00 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 1.507,35 1.507,35 1.507,35 0,00 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 0,00 0,00 0,00 0,00 Setembro 6.826,53 6.826,53 6.826,53 0,00 Outubro 10.578,60 10.578,60 10.578,60 0,00 Novembro 11.341,65 11.341,65 11.341,65 11.341,65 Dezembro 4.216,40 4.216,40 4.216,40 4.216,40 Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou as provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o valor do débito informado em Per/DComp referente ao débito de CSLL, deve ser cancelado. Não consta nos autos a integralidade da cópia do Livro Diário comprovando a transcrição obrigatória do balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo, bem como não há prova de que todos os valores devidos estão corretamente confessados em DCTF. Pelo contrário, o referido crédito tributário não está regularmente constituído, embora possa existir DARF correspondente. Por esta razão, a PER/DComp não pode ser cancelada, já que é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do presente crédito tributário. Logo, não cabem reparos ao procedimento fiscal. Em face do exposto voto: a) para que a DRF que jurisdicione a Recorrente fique alerta para a possível existência de pagamentos; b) no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10855.900456/2008-30 Acórdão n.º 1801-00.424 S1-TE01 Fl. 177 11 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 28/12/2010 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10830.016265/2010-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ECONÔMICO-FINANCEIRO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM AQUISIÇÃO. EFETIVIDADE E CONTEMPORANEIDADE À AQUISIÇÃO. A lei exige que o lançamento do ágio baseado na perspectiva de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Embora não houvesse à época dos fatos a exigência de demonstração na forma de laudo, a produção e arquivamento de documentação que apresenta de forma objetiva e precisa a demonstração do valor econômico-financeiro da participação societária em aquisição a partir das perspectivas de rentabilidade futura da empresa é ônus da adquirente e constitui requisito indispensável para a dedução da amortização do ágio correspondente. Não basta estimá-lo de forma subjetiva, é preciso determiná-lo e demonstrá-lo, matematicamente, de forma precisa, e arquivar a documentação onde isso é feito, tudo ao tempo em que é feita a aquisição, nunca a posteriori.
INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Deve ser mantida a glosa de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL nas hipóteses de incorporação às avessas, quando uma empresa extremamente deficitária, com patrimônio líquido reduzido, com o intuito de redução de pagamento de tributos, incorpora uma empresa lucrativa, com patrimônio líquido seis vezes maior que sua incorporadora, e na sequência assume a denominação social da incorporada e passa a ser administrada pela incorporada.
Numero da decisão: 9101-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. Encerrado o prazo regimental, o conselheiro não apresentou sua declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Ausente justificadamente a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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RENTABILIDADE FUTURA. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ECONÔMICOFINANCEIRO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA EM AQUISIÇÃO. EFETIVIDADE E CONTEMPORANEIDADE À AQUISIÇÃO. A lei exige que o lançamento do ágio baseado na perspectiva de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Embora não houvesse à época dos fatos a exigência de demonstração na forma de laudo, a produção e arquivamento de documentação que apresenta de forma objetiva e precisa a demonstração do valor econômicofinanceiro da participação societária em aquisição a partir das perspectivas de rentabilidade futura da empresa é ônus da adquirente e constitui requisito indispensável para a dedução da amortização do ágio correspondente. Não basta estimálo de forma subjetiva, é preciso determinálo e demonstrálo, matematicamente, de forma precisa, e arquivar a documentação onde isso é feito, tudo ao tempo em que é feita a aquisição, nunca a posteriori. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. DESCONSIDERAÇÃO DOS EFEITOS TRIBUTÁRIOS. Deve ser mantida a glosa de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL nas hipóteses de incorporação às avessas, quando uma empresa extremamente deficitária, com patrimônio líquido reduzido, com o intuito de redução de pagamento de tributos, incorpora uma empresa lucrativa, com patrimônio líquido seis vezes maior que sua incorporadora, e na sequência assume a denominação social da incorporada e passa a ser administrada pela incorporada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 62 65 /2 01 0- 91 Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.866 2 Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. Encerrado o prazo regimental, o conselheiro não apresentou sua declaração de voto. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Ausente justificadamente a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório FAZENDA NACIONAL e SOTREQ SA recorrem a este Colegiado, por meio dos Recursos Especiais de efls. 2.404 e ss. e 2.621 e ss., respectivamente, contra o acórdão nº 1202000.878, de 03 de outubro de 2012 (efls. 2.373 e ss.), que, no mérito e por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para admitir a compensação de prejuízos fiscais. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 DEMONSTRATIVO FUNDAMENTADO DO ÁGIO. NÃO APRESENTAÇÃO. EXIGÊNCIA LEGAL. GLOSA DAS DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O valor do ágio, cujo fundamento econômico seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros, deverá ser demonstrado em documento que indique de forma clara e consistente a avaliação da empresa a valor presente, justificando o valor do ágio na aquisição de participação societária. O demonstrativo deverá ser arquivado pelo contribuinte como comprovante da escrituração do ágio. Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.867 3 Não apresentado o respectivo demonstrativo, como exige a lei, justificase a glosa das despesas de amortização do ágio registradas pela autuada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. INCORPORAÇÃO “ÀS AVESSAS”. GLOSA DA COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Na hipótese de não ter sido caracterizada a operação como simulada, é lícita a denominada "incorporação às avessas" para compensação de prejuízos fiscais da incorporadora, quando realizada entre empresas operativas, sob controle comum e tendo por objetivo a melhor eficiência financeira na operação. A Contribuinte opôs Embargos de Declaração em face do acórdão em questão, os quais não foram admitidos por meio do Despacho de efls. 2.605 e ss. Ambos os recursos foram admitidos por meio, respectivamente, do Despacho de efls. 2.418 e ss. e do Despacho de efls. 2.833 e ss. Recurso da Fazenda Nacional: A Fazenda aponta divergência jurisprudencial em relação ao acórdão nº CSRF/0102.107, cuja ementa está assim redigida na parte de interesse: IRPJ ‘ INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS’ MATÉRIA DE PROVA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados. Se a documentação acostada aos autos comprova de forma inequívoca que a declaração de vontade expressa nos atos de incorporação era enganosa para produzir efeito diverso do ostensivamente indicado, a autoridade fiscal não está jungida aos efeitos jurídicos que os atos produziriam, mas à verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. As alegações de mérito da Fazenda, são, em síntese, as seguintes: a) que a Fiscalização constatou que até março de 2001, a LION era uma empresa deficitária, com prejuízos acumulados e a SOTREQ era empresa superavitária, sem prejuízos fiscais acumulados. Visando suplantar o óbice previsto no art. 514 do RIR/99, o qual veda a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão compensar os prejuízos fiscais da sucedida, a LION incorporou a SOTREQ, alterando sua razão social para SOTREQ S.A., sendo que o procedimento lógico seria a empresa superavitária incorporar a deficitária. Assim, a Fiscalização considerou que, de fato, foi a SOTREQ que incorporou a LION e glosou os valores correspondentes aos prejuízos fiscais compensados da LION. O mesmo ocorreu na incorporação da NOIL. Acrescenta que a Fiscalização constatou que "as provas carreadas no curso do procedimento mostram que a negociação entre as sociedades foi conduzida nesta lógica, como revela o aporte de dinheiro e compra de ações da LION pela SOTREQ"; b) traz elementos do Termo de Verificação e Constatação e considerações feitas no acórdão da DRJ que indicam que "em verdade, não houve a extinção da empresa SOTREQ, CNPJ 33.081.712/000131, que figura, ao contrário, como a real sucessora da empresa LION, de maneira que os prejuízos fiscais desta última não podem ser utilizados pela Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.868 4 empresa autuada". E acrescenta que "a fiscalização glosou os valores relativos a compensações dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL por considerar que a operação de incorporação da SOTREQ, CNPJ 33.081.712/0001‑ 31, pela LION, CNPJ 61.064.689/0001‑ 02, teve como escopo único suplantar o óbice previsto no art. 514, do RIR/99, o qual veda a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão compensar os prejuízos fiscais da sucedida" (grifos originais); c) reproduz trechos do acórdão da DRJ (que manteve a autuação) em que se afirma que "apesar de a operação de incorporação da SOTREQ pela LION não ter sido caracterizada como simulada, nem por isso pôde ser caracterizada como lícita" (consta nos trechos reproduzidos que se reconhece que não há vedação de incorporação da companhia investidora por sua investida), mas que invoca "os critérios já adotados pela jurisprudência administrativa, a fim de definir os limites entre a atuação, de fato, licíta, a ser respeitada e protegida pelo direito, e aqueloutra que, apesar de não poder ser caracterizada propriamente como ilícita, configurase flagrantemente abusiva em face dos preceitos normativos em vigor" (grifos originais); d) fazendo menção ao art. 118 do CTN ("a definição legal do fato gerador deve ser interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos"), refere que no caso "negouse a produção de efeitos relativos à incorporação porque esta apresentou a finalidade exclusiva de, ao arrepio da lei, possibilitar a compensação de prejuízos de empresa deficitária por empresa operacional, em burla ao art. 514 do RIR/99". Ao final conclui que "o v. acórdão proferido em primeira instância não merece qualquer retoque, revelandose em consonância com o entendimento desde Conselho Administrativo de Recursos Fiscais" e pede a Fazenda que o presente recurso seja "admitido e provido o presente recurso especial, reconhecendose como procedente a glosa de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL". A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 2.541 e ss.), aduzindo, em essência o que segue: a) em preliminar, alega o não cabimento do recurso especial por falta de similaridade entre os acórdãos recorrido e paradigma. Aduz que, embora ambos tratem de casos de absorção de prejuízos fiscais, foram firmados sobre bases distintas na medida em que o acórdão paradigma "tem como ponto central a presença de prática simulada pelo contribuinte", o que não ocorre no presente caso, em que sequer foi ventilada a hipótese de ter havido simulação ou fraude. Reproduzindo a ementa do paradigma ("caso Rexnord"), afirma que se trata de decisão arrimada sobre suposta divergência entre a vontade declarada e sua vontade real, característica da simulação; b) menciona que, em artigo em revista especializada, Marciano Seabra de Godoi é preciso quanto à alegação de simulação no referido acórdão, assim como Sacha Calmon em outra publicação. E observa que a própria DRJ registra a ausência de argumentação quanto à presença de simulação no presente caso, transcrevendo trecho do acórdão correspondente; Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.869 5 c) quanto ao mérito, aduz que a alegação da Fazenda de que não houve extinção da SOTREQ, sendo ela sucessora da LION, é nitidamente improcedente por três principais razões, quais sejam: (1) não há vedação legal para a prática da incorporação reversa; (2) para que se atinja a conclusão de que a incorporadora foi, de fato, a incorporada, seria necessária demonstração cabal de prática simulada ou fraudulenta (o que jamais teria sido ventilado no presente caso); e (3) não se configura no caso em exame a prática simulada, uma vez que todos os atos foram praticados com publicidade e às claras e tiveram por base sólidos propósitos negociais. Aqui aponta a combinação de negócios, a necessidade de manter a LION por sua maior importância relativa (maior número de filiais operacionais, representação exclusiva do estado de São Paulo, estabelecimento prestador de serviços de assistência técnica, ausente na SOTRQ, e outros fatores) e os benefícios fiscais concedidos pela prefeitura de Sumaré no recolhimento do IPTU e do ISS; d) aduz ser irretocável a conclusão do Relator no acórdão recorrido no sentido de que "inexistindo vedação legal para a prática conhecida como 'incorporação às avessas', não se pode esperar que duas empresas (...) fiquem impedidas de realizar a incorporação da empresa lucrativa por outra deficitária". E traz jurisprudência do CARF que vai nessa linha, destacando julgado da CSRF em situação idêntica a dos autos; e) assinala que no caso em exame nenhum aspecto da operação foi ocultado, dissimulado ou apontado de modo enganoso, de forma que não se vislumbra potencial divergência entre a vontade real e a vontade declarada. Ao final, requer seja inadmitido o recurso fazendário ou, se ultrapassada a preliminar, seja ele improvido. Recurso da Contribuinte: A Contribuinte aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 1201001.438: LAUDO DE AVALIAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Indevida a glosa do aproveitamento do ágio sob fundamento de intempestividade do laudo de avaliação, vez que sequer existia previsão legal acerca da obrigatoriedade do laudo à época dos fatos. Acórdão nº 1102001.018: ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.870 6 Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, quanto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época. As alegações de mérito da Contribuinte, são, em síntese, as seguintes: a) que a SOTREQ (ora Recorrente) é representante no Brasil da Caterpillar América Co. (CATERPILLAR), fabricante de máquinas, equipamentos e peças destinados à agricultura, indústria, mineração e construção pesada. E que, à época dos fatos, a NOIL PARTICIPAçÔES E COMÉRCIO S.A. (NOIL) controlava a LION S.A. (LION), sociedade operacional que exercia as atividades de representação da CATERPILLAR em diversos estados e que acumulou dívidas importantes, o que levou a CATERPILLAR a adquirir uma participação de 84% no capital social da NOIL e 33% no capital social da LION, como forma de sanear financeiramente a sociedade. Que a SOTREQ, controlada pela CABO EMPREENDIMENTOS SA. (CABO), era outro representante da CATERPILLAR no Brasil, com autação em outros estados, sendo seus sócios totalmente distintos dos de CATERPILLAR, LION ou NOIL; b) que após longo período de negociações e de estudos econômicos, as partes celebraram o contrato de Compra e Venda de Ações, em 23 de março de 2001, pelo qual a CATERPILLAR obrigouse a vender as ações da LION e da NOIL à SOTREQ, mediante o recebimento do preço total de US$ 47.000.000,00. Nessa operação"(i) houve pagamento efetivo do preço das participações pela adquirente, com desembolso real por parte da SOTREQ e da CABO; (ii) não houve a constituição de pessoa veículo (o que não se coloca no caso em exame), pois todas as Partes eram préexistentes; (iii) o negócio envolvia partes totalmente independentes; (iv) não há que se falar em motivação exclusivamente fiscal (o que claramente não é o caso); (v) nem no fato de se tratar de uma incorporação reversa ou às avessas"; c) que o auto de infração reconheceu a realidade do negócio celebrado entre as partes (compra das ações e incorporação), bem como seus legítimos propósitos negociais, sendo que o fundamento exclusivo da recusa da amortização do ágio reside na suposta ausência de apresentação de demonstrativo que embasa o lançamento do ágio, posto que os demonstrativos apresentados foram recusados pelo auto de infração que os julgou inadequados; d) fazendo análise de dispositivos do DecretoLei nº 1.598/1977 e do RlR/1999, aduz que o desdobramento do custo de aquisição previsto no art. 385 do RIR/1999 tem finalidade essencialmente informativa e de controle, "não devendo fazer perder de vista que tanto o valor do patrimônio líquido quanto o ágio são meros elementos integrantes e indissociáveis do custo de aquisição da participação societária na controlada ou coligada e, como tal, têm necessariamente de ser considerados para efeitos de apuração de ganho ou perda de capital". e) acrescenta que só há realização do ágio para fins fiscais na hipótese de alienação ou liquidação do investimento, sendo que tal regra "viria a comportar uma exceção, introduzida pelo art. 8º da Medida Provisória nº 1.602/97, convertido no art. 7º da Lei nº 9.532/97". E que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 constituem "norma especial, aplicável apenas às fusões, cisões e incorporações envolvendo controladora ou coligada e suas controladas ou coligadas, cujo participação tenho sido adquirido com ágio ou deságio", tendo introduzido regime de dedução diferida e fracionada no tempo da perda de capital decorrente de ágio nas operações especiais de fusões, cisões e incorporações envolvendo controladas ou Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.871 7 coligadas, diferentemente do regime geral de dedução plena e imediata da perda previsto nos arts.426 e 430 do RIR/1999. Ou seja, regime de dedução mais restritivo do que o da perda aplicável nos demais casos de liquidação de investimentos regulados pelos arts. 426 e 430 do RIR/1999; f) aduz que "é certo, porém, que no regime estabelecido nos arts. 7 e 8 da Lei na 9.5321/97 o direito à amortização fiscal do ágio, registrado na aquisição de investimento em controlada ou coligada, é adquirido quando ocorre a fusão, cisão ou incorporação da controlada ou coligada pela controladora ou coligada ou vice e versa". A partir desse evento "a pessoa jurídica adquire o direito à dedução fiscal do ágio que, se fundado em expectativa de rentabilidade futura, poderá ser amortizado à razão de /60 avos", sendo que "não há na legislação fiscal qualquer outro limite ou restrição à amortizacão fiscal do ágio" (grifos originais); g) refere que o ágio pago nas aquisições da LION e da NOIL "representa, na verdade, a parte do preço que excede o valor de patrimônio líquido contábil das participações adquiridas, que totalizava a quantia de R$ 79.345.197,83"; h) aduz, então, que a razão que conduz à diversidade de tratamento fiscal do ágio na legislação fiscal segundo o seu fundamento, está em que o ágio deve seguir o tratamento da motivação que lhe deu causa. Assim, se o ágio levou em consideração exclusivamente o valor de mercado de um ou mais bens do ativo da coligada ou controlada, o sobrepreço em que o ágio se traduz deve ser imputado aos bens especificamente considerados. Por outro lado, o ágio que se baseia exclusivamente em fundo de comércio, intangíveis ou em outras razões econômicas, deve ser imputado de modo direto e imediato àquele bem ou direito, individualmente considerado, como parte integrante do seu custo de aquisição para fins de apuração de ganho ou perda de capital na alienação ou no encerramento da empresa. No entanto, quando o ágio se baseia em perspectivas de rentabilidade futura da controlada ou coligada, precisamente porque o sobrepreço em que o ágio se traduz não é imputável exclusivamente a um determinado bem ou direito, de forma individualmente considerada, mas sim à empresa globalmente considerada, como uma universalidade de bens e direitos, que se desenvolve dinamicamente no tempo. Nesses casos, o ágio não é imputável às partes isoladas, mas sim ao todo em que a empresa se traduz, não podendo ser agregado ao custo de aquisição dos elementos patrimoniais que a integram, pelo que o tratamento fiscal do ágio consistiu em considerála como um ativo diferido suscetível de dedução fragmentada no tempo. Assinala que foi isso que ocorreu no presente caso; i) assinala que, no presente caso, o ágio se baseia em perspectivas de rentabilidade futura da controlada ou coligada, sendo que o preço pago na aquisição das participações na LION e na NOIL não teve por fundamento um ou outro bem, individualmente considerado, mas sim empresas em atividade, seus bens, direitos, empregados, negócios atuais e perspectivas de negócios futuros, expansão das operações, aumento de eficiência e sinergias com as atividades da própria adquirente (Recorrente). Aqui refere que: 65. Isto mesmo fica evidente nas avaliações feitas pela adquirente (RECORRENTE) e que foram tomadas por base para a formulação da proposta de preço de compra das participações na LION e na NOIL. 66. lnclusive, em avaliação de 23 de novembro de 1999, intitulada "SOTREQ MERGER PROPOSAL", verificase uma projeção de receitas líquidas para o ano de 2004, após a união Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.872 8 das atividades de ambas as sociedades, muito superior à receita da SOTREQ isoladamente no ano de 1999 (cfr. Doc. 5 acostado à impugnação). 67. lgual conclusão surge da avaliação econômica realizada pelo perito Anderson de Amorim que conclui que "a Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow, expresso em dólares norteamericanos da Lion S.4., possui consistência nas principais premissas adotadas para a sua elaboração, suportando o valor atribuído à negociação nas ações do capital da sociedade no montante equivalente a USS 49.719.000,00 (quarenta e nove milhões, setecentos e dezenove mil dólares norteamericanos) e, a Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow, expresso em dólares norteamericanos consolidados indicam um valor após a unificação das operaçôes de USS 153.871.000,00 (cento e cinquenta e três milhões, oitocentos e setenta e um mil dólares norteamericanos)" (cfr. doc. 6 acostado à impugnação). j) ressalta que a lei fiscal exige que o lançamento contábil do ágio indique o seu fundamento econômico e que, sendo o fundamento econômico do ágio o valor de rentabilidade da coligada ou controlada ou o valor de mercado de bens do ativo da controlada ou coligada, que referido lançamento seja "(...) baseado em demonstracão que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração" (art. 385, §3º do RIR). E que as avaliações por ela apresentadas à Fiscalização revestem precisamente à natureza substancial do demonstrativo a que a lei se refere e suportam o preço pago na aquisição dos investimentos na LION e na NOIL, avaliados em seu conjunto. Aqui assinala que: 71. Ambas as avaliações, frisese, foram entregues e revisadas pela fiscalização, assim como o cálculo do ágio (documento intitulado "Goodwill Calculation") (cfr. doc.7 acostado à impugnação), constando referencia a estas no auto de infração que, não obstante, simplesmente as desconsiderou, justificando em conclusão que "ficou comprovado que não foi elaborado por 3 peritos ou por empresa especializada o Laudo de Avaliação econômicofinanceira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura em questão" (fls. 22, parte final do Termo de Constatação). k) refere que, embora o acórdão recorrido determine um rol de elementos que deveriam estar presentes no demonstrativo apresentado pela fiscalizada (transcreve trecho), "a lei tributária vigente à época da ocorrência dos fatos geradores determina que o lançamento do ágio com fundamento em rentabilidade futura deverá ser baseado em demonstração", sendo que "a lei em momento algum requereu a elaboração de Laudo de Avaliação econômico financeira por 3 peritos ou empresa especializada para a demonstração do lançamento do ágio ou para a legitimidade de sua amortização, e nem sequer elencou os elementos trazidos pelo acórdão". Tais requisitos, assinala, não constam da lei, nem de qualquer outra norma, mas apenas da interpretação do auto de infração e da decisão recorrida. Ressalta, também, que "a lei sequer estabelecia forma determinada para a apresentação desta demonstração, requerendo tão somente que o contribuinte demonstre a existência de rentabilidade futura que tenha justificado o pagamento de um ágio", observando que "a exigência de elaboração de laudo surgiu apenas a partir do art. 2ª da MP 627/13, convertida na Lei 72.973/14 muito após a ocorrência dos fatos geradores do caso em questão, pelo que não se aplica a eles"; Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.873 9 l) afirma que "isto mesmo foi reconhecido recentemente por este CARF, como se verifica do trecho do voto do Acórdão nº 1201001.438, proferido em sessão realizada em 07 de junho de 2016", transcrevendo extenso trecho do julgado. E acrescenta que a ausência de forma prevista em lei é reconhecida pelo próprio acórdão recorrido, igualmente transcrevendo excerto. m) aduz que a lei se refere à demonstração da existência do fundamento do ágio rentabilidade futura que é utilizado para justificar o pagamento do ágio, pontuando que o valor da rentabilidade futura evidentemente não será idêntico ao valor do ágio, nem ao valor do preço de aquisição, pois se o preço fosse igual à rentabilidade do negócio nenhuma vantagem existiria ao comprador. Assim, "as projeções de rentabilidade futura devem logicamente corresponder à expectativa do adquirente de ganhos na operação da controlada ou coligada, valor totalmente dissociado do preço e do ágio, mas superior a estes para justificar o sobrepreço do investimento"; n) defende que a projeção de rentabilidade futura foi devidamente demonstrada, alegando o que segue: 81. Ora, essa projeção de rentabilidade futura é precisamente o que consta das projeções constantes do documento intitulado "SOTREQ MERGER PROPOSAL", de 23 de novembro de 1999 e da avaliação econômica do perito Anderson Amorim de Amorim, que conclui que a Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow indicam um valor após a unificação das operações de USS 153.873.000,00 (cento e cinquenta e três milhões, oitocentos e setenta e um mil dólares norteamericanos). 82. Para fundamentar a rejeição a este último documento, o auto de infração invocou o fato de ser sido elaborado por um único perito, não estar assinado e ser datado de data posterior à dos projetos aportes (31 de maio de 2001), muito embora com anterioridade à transferência das ações. Nenhum desses fatos, contudo, constitui razão suficiente para justificar a desconsideração deste documento quando, como atrás se viu, a lei tributária não determinou a forma de apresentação da demonstração de rentabilidade futura. 83. Outras demonstrações, inclusive anexadas, foram elaboradas pelo próprio contribuinte ou peritos e emitidas posteriormente à aquisição, o que não afeta a validade também destes documentos, pois têm natureza meramente declaratória e não se trata de documento constitutivo de direito, conforme reconhece o Acórdão paradigma no trecho atrás citado. 84. A força probatória dos demonstrativos mesmo em relação a períodos anteriores à sua produção resulta, em primeiro lugar, do princípio da verdade material, que tem como corolários a livre apreciação das provas e a admissibilidade de todos os meios de prova e, em segundo lugar, da natureza declaratória desses documentos e da sua consequente eficácia retroativa. o) aduz que esta natureza e esta eficácia são reconhecidas pela jurisprudência do CARF, fazendo referência aos acórdãos 120100.548 (de 03.08.2011, voto do Conselheiro Rafael Cordeiro Fuso), além de outros dois julgados. Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.874 10 Ao final, conclui que "uma vez demonstrado que as avaliações apresentadas pela RECORRENTE revestem a natureza de demonstração, para fins do que dispõe o art.385 do RIR/99, há de se concluir pela total improcedência das glosas das despesas relativas à amortização do ágio apurado na aquisição dos investimentos na LION e na NOIL que, como visto, tiveram por fundamento exclusivamente a consideração pelos autos de infração de que tais avaliações eram inexistentes, já que foram por eles tidas como inadequadas". E pede que o presente recurso seja "admitido o presente recurso especial e no mérito provido, cancelandose integralmente a autuação fiscal, por serem legítimas as deduções de amortização de ágio". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 2.839 e ss.), aduzindo, em essência, o que segue: a) que a Fiscalização glosou a amortização do ágio pago pela recorrente nas aquisições dos investimentos na LION e NOIL por considerar que o fundamento econômico do ágio não foi a expectativa de rentabilidade futura (art. 386, III, §2º do RIR/99), mas sim fundo de comércio. Mas que mesmo que se considerasse atendido o requisito legal da demonstração de rentabilidade futura dos investimentos, os créditos tributários constituídos por meio do auto de infração continuam válidos, pois remanescem os fundamentos fáticojurídicos da não demonstração matemática dos valores pagos e falta de comprovação integral do pagamento do ágio da LION, que não foram infirmados, seja no Recurso Voluntário seja no Recurso Especial; b) que não há prova do fundamento econômico do ágio, deixando consignado que, sendo a dedução do ágio benesse tributária, para ser autorizada deverá envolver a situação literalmente prevista no artigo 386 do RIR/99, assim como observar estritamente as condições estipuladas, sob pena de ser considerada indevida; c) aduz, então, que, para gozar da dedutibilidade preconizada no artigo 386 do RIR/99, não basta a pessoa jurídica, por exemplo, simplesmente incorporar uma controlada na qual detenha participação societária com ágio. Entre as condições e requisitos previstos, deve essa pessoa jurídica ter efetivamente suportado o ágio por ele registrado, ou seja, o ágio deve existir, deve ter propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua origem; deve também esse ágio ter como fundamento econômico a rentabilidade futura da controlada; o laudo que atesta esse fundamento econômico deve estar arquivado como comprovante da escrituração do ágio; por fim, a sua amortização deverá obedecer o mínimo de 1/60 para cada mês do período de apuração. Além disso, para existir, o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e, assim, um substrato econômico (transação comercial). Somente registros escriturais, por exemplo, não podem ensejar o nascimento dessa figura econômica e contábil. É o relatório. Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.875 11 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Os recurso da Fazenda Nacional e da Contribuinte são tempestivos, assim como as respectivas contrarrazões. Conheço do recurso da Contribuinte e adiante enfrento a preliminar de inadmissão do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Antes de enfrentar os recursos da Fazenda e da Contribuinte, anoto que, como relata o acórdão recorrido, foram duas as infrações autuadas no presente processo: (1) Glosa das despesas de amortização de ágio por desatendimento aos preceitos legais: i) inexistência de fundamento econômico com base em “laudo de avaliação”; ii) falta de demonstração matemática dos valores do ágio apurado; e iii) não comprovação do pagamento integral do ágio apurado; (2) Glosa da compensação de prejuízos compensados indevidamente em razão do evento de “incorporação” da empresa superavitária (com lucros), por empresa deficitária (com prejuízos a compensar), visando contornar a vedação legal prevista no art. 514 do RIR/99; A autuação da primeira infração foi mantida pelo acórdão recorrido, sendo objeto do recurso especial da Contribuinte, ao passo que a autuação da segunda infração foi afastada pelo acórdão recorrido, sendo objeto do recurso especial da Fazenda. Por bem resumir os fatos consignados no Termo de Constatação Fiscal (efls. 1.802 e ss., que consta no documento intitulado "Documentos Diversos Outros Volume 10 do eprocesso, fls. 1.802 e ss. do processo papel), valhome da síntese trazida no acórdão da DRJ que julgou a impugnação (grifos originais): A presente ação fiscal teria se iniciado na pessoa jurídica SOTREQ S.A., CNPJ n° 61.064.689/000102 (Fiscalizada), empresa que, em 30/06/2009, foi incorporada pela CABO EMPREENDIMENTOS S.A. (holding da SOTREQ), CNPJ n° 34.151.100/000130, tendo a incorporadora alterado sua razão social para SOTREQ S.A. A Fiscalizada SOTREQ S.A., CNPJ n° 61.064.689/000102, tinha como atividades preponderantes a representação comercial dos produtos da linha Caterpillar, produzidos no Brasil pela CATERPILLAR BRASIL LTDA., ou no exterior por quaisquer fábricas CATERPILLAR INC., a importação, a exportação, o aluguel, a manutenção e o reparo de máquinas em geral e de suas partes e acessórios, bem como a prestação de serviços técnicos relacionados com esses produtos, por intermédio de suas filiais. A investigação diz respeito à verificação da regularidade da contabilização e da amortização dos ágios pagos pela SOTREQ S.A., CNPJ n° 33.081.712/000131, e pela CABO EMPREENDIMENTOS S.A. (holding da SOTREQ), CNPJ n° Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.876 12 34.151.100/000130, na aquisição em março de 2001, de participações societárias de titularidade da CATERPILLAR DAS AMÉRICAS Co. CACo, respectivamente, na LION S.A., CNPJ n° 61.064.689/000102, e na NOIL PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO S.A. (holding da LION), CNPJ N0 01.352.859/000122. As participações adquiridas eram de titularidade da NOIL (holding e controladora da LION) e da CATERPILLAR AMÉRICAS Co CACo, empresa sediada no exterior (USA), controladora da NOIL, e com a qual a SOTREQ e a LION tinham contratos de distribuição exclusiva dos produtos CATERPILLAR, em regiões determinadas do território nacional. A SOTREQ, sediada no Rio de Janeiro/RJ, atuava nos Estados de RJ, ES, MG, GO, TO, PA e AP. Já a LION, sediada em Sumaré/SP, era distribuidora dos produtos CATERPILLAR nos Estados de SP, MT, MS, RR, AC e AM. Após a alienação das participações societárias, a SOTREQ (CNPJ n° 33.081.712/000131), adquirente/investidora, teria sido incorporada em junho de 2001, pela LION (CNPJ n° 61.064.689/000102), alienada/investida, tendo se tornado dedutível, nos termos da legislação de regência, o ágio contratado pela SOTREQ na aquisição do investimento. A partir da operação de incorporação, a incorporadora LION teria alterado a denominação social para SOTREQ S.A., a qual, para melhor elucidação dos fatos, será denominada, no presente julgamento, de NOVA SOTREQ. Da mesma forma, em dezembro de 2002, teria se operado a cisão parcial da CABO, CNPJ n° 34.151.100/000130, com a incorporação do patrimônio cindido no qual se incluiu o investimento adquirido na NOIL e o ágio correspondente à própria NOIL, CNPJ n° 01.352.859/000122. Na seqüência, a NOIL também foi incorporada pela SOTREQ NOVA SOTREQ, CNPJ n° 61.064.689/000102, tornandose dedutível também o ágio contratado pela CABO na aquisição do investimento, em março de 2001. Recurso Especial da Fazenda Nacional Preliminar de Inadmissibilidade Em preliminar trazida em suas contrarrazões, a Contribuinte alega que o recurso fazendário não deve ser admitido porque falta similaridade entre os acórdãos recorrido e paradigma. Assevera que, embora ambos tratem de casos de absorção de prejuízos fiscais, foram firmados sobre bases distintas, na medida em que o acórdão paradigma "tem como ponto central a presença de prática simulada pelo contribuinte", o que não ocorre no presente caso. Compulsandose o acórdão paradigma (de nº CSRF/0102.107), vêse que ali se manifesta o entendimento de que a norma tributária permite que, após incorporação, a empresa sucessora (ou seja, incorporadora) compense os prejuízos que já tinha ante lucros que passe a ter após absorver a sucedida (ou seja, a incorporada). Vêse que se decidiu afastar a compensação de prejuízos levada a cabo, por se concluir que a operação de incorporação levada a cabo era artificial, simulada, uma vez que, na verdade, a declarada incorporadora era a incorporada (e viceversa). Ou seja, não foram as empresas deficitárias que incorporaram a Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.877 13 lucrativa (REXNORD CORRENTES), mas o contrário, o que é vedado. Confirase (sublinhou se): O que se discute é a possibilidade, ou não, de, após sucessivas incorporações, se compensar prejuízos fiscais de titularidade de uma empresa (no entender da Câmara recorrida, incorporada; para o recorrente, incorporadora) com o lucro de outra (para a Câmara "a quo", incorporadora; na ótica do reclamante, incorporada). O cerne da questão, portanto, está em se saber se houve, ou não, à luz das provas trazidas aos autos, as incorporações preconizadas pela recorrente, isto é, se em todas as operações descritas nos autos, a empresa REXNORD CORRENTES LTDA. foi de fato e de direito incorporada pelas demais pessoas jurídicas envolvidas. Se essa for a conclusão, devese dar provimento ao recurso especial aqui interposto, ao amparo do PN CST n° 10/81, item 5.3: "...nada obsta a que a empresa sucessora [REXNORD DO BRASIL INDÚSTRIA LTDA. ou REXNORD DO SUL LTDA. ou REXNORD DO RIO GRANDE LTDA. ou UNIÃO MINAS EMPREENDIMENTOS LTDA.] continue a gozar do direito a compensar seus próprios prejuízos anteriores à data da absorção...". Por outro lado, se se concluir que, In casu, "a incorporadora de direito" sempre foi "a incorporada de fato" , devese adotar outra decisão, pois todo procedimento estará eivado de artificialidade, a partir de um planejamento tributário, para evitar o pagamento do imposto de renda. Por isso, na ausência da excepcionalidade prevista nos artigos 384 ou 385 do RIR/80 (dispositivos esses à época revogados) e não se podendo homologar a simulação (no dizer do ilustre relator da Câmara recorrida, a prática ilícita), o mesmo deve ser improvido. (...) Da definição legal, fica claro: "no ato de incorporação, a incorporadora absorve o patrimônio da incorporada; ato continuo, extinguese a incorporada e a incorporadora lhe sucede em todos os direitos e obrigações". Agora é de se perguntar: e nos presentes autos, a cada operação de incorporação, a autuada (que se diz incorporada) foi extinta? Quem incorporou o patrimônio de quem? A meu ver, os fatos descritos no relatório não deixam nenhuma dúvida: "a empresa rica (REXNORD CORRENTES LTDA.) sistematicamente incorporou de fato as empresas pobres". Nunca a REXNORD deixou de existir. Extintas foram as outras empresas, cindidas parcialmente e por ela incorporadas. Firmo esse entendimento pelos seguintes motivos: (...) Finalizando, e sem querer ser cansativo, repito: a) as "INCORPORAÇÕES", sutilmente realizadas ao final de cada ano (21.09.83, 28.12.84, 27.11.86 e 16.10.86), envolvendo uma empresa rica e outras que tradicionalmente apresentavam elevados prejuízos fiscais, tiveram um único propósito: o de não pagar o imposto devido; b) na prática, ao contrário da manifestação expressa pelas partes, a empresa rica (REXNORD CORRENTES LTDA.) jamais deixou de existir e nunca interrompeu as suas atividades econômicas; Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.878 14 c) os sócios, ao arrepio da lei, alterando apenas o n° do CGC, arquitetaram "INCORPORAÇÕES/PAPEL". A manobra propiciou a compensação de elevados prejuízos fiscais das incorporadas (empresas pobres) com o lucro da incorporadora (empresa rica), resultando daí imposto de renda zero durante cinco exercícios financeiros; d) a interpretação do direito tributário deve ser feita abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados, para considerar os verdadeiros efeitos econômicos subjacentes nesses atos e que se procuram mascarar; e) não se pode homologar a simulação (no dizer do ilustre Conselheiro Relator do Acórdão recorrido, a prática ilícita), sob pena de afronta aos princípios mais elementares de direito. Ou seja, buscou o relator do acórdão paradigma verificar se houve, de fato, uma incorporação, ou se a incorporação foi só direito, em um arranjo em que, na verdade, a incorporadora de fato foi a incorporada de direito. No acórdão recorrido também se afirma a possibilidade de a empresa com prejuízos incorporar empresa lucrativa e compensar seus prejuízos anteriores (compensação de prejuízos em incorporação às avessas). É bem verdade que a Fiscalização não utilizou a expressão "Simulação", tampouco qualificou a multa. Mas fundamentou a sua autuação, conforme item 69 do seu Termo de Constatação, no entendimento do STJ que fez juntar aos autos às fls. 1.829/1.830, segundo o qual, apesar de não haver lei que vedasse expressamente a operação, uma incorporação invertida é considerada ilegal, posto que caracterizada uma "simulação". No caso em apreço, a Fiscalização apontou que a incorporadora Lion era deficitária e a incorporada, Sotreq, superavitária; disse que os administradores da incorporada Sotreq é que passaram a administrar a incorporadora Lion; afirmou que o objetivo do negócio foi exclusivamente para compensar prejuízos de períodos anteriores; constatou que as atividades da incorporada continuaram plenamente funcionais. E a partir dessa reunião de indícios concluíram que efetivamente foi a Sotreq que incorporou a Lion. Ou seja, que a incorporadora de direito era a Lion, e que a de fato seria Sotreq. Em face de tudo isso, a Fiscalização expressamente consignou que a operação era ilegal. Aliás, todos os lançamentos de ofício de glosa de prejuízos e bases negativas de CSLL em razão da constatação de incorporação invertida ou às avessas é sempre calcada em uma desconsideração dessa operação, porque, de fato, nunca houve lei expressa vedando. Daí porque, no item 78 da Impugnação (fl. 1.879, vol. 10), a contribuinte se defende nos seguintes termos: "Tivesse a operação em exame consistido em uma 'disfarçada' incorporação da LION pela SOTREQ, como afirmam os autos de infração..." Em todos esses casos, a discussão paira sobre a seguinte pergunta: quem incorporou quem? Entretanto, o Relator do acórdão recorrido chegou à conclusão de que não se estava diante de simulação e como não havia óbice na lei a tal incorporação, reconheceua como válida e lícita. Confirase: Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.879 15 O acórdão recorrido entendeu que apesar da operação de incorporação da SOTREQ pela LION não ter sido caracterizada como simulada, nem por isso pode ser caracterizada como sendo lícita. A incorporação da empresa deficitária pela superavitária teria sido feito exclusivamente por motivos fiscais, tanto no âmbito federal, como municipal, para a manutenção dos benefícios fiscais concedidos. Considerou, assim, passível de desconsideração a operação de incorporação às avessas, efetuada com o único e exclusivo objetivo de redução da carga tributária. Já a recorrente alega em seu recurso que inexiste proibição legal de efetuar a incorporação nos moldes do que foi feito e que, na realidade, a operação de reorganização societária de fato era desejada pela partes por razões de natureza empresarial. Analisando os fatos constante dos autos e a legislação que rege a matéria, creio assistir razão à defesa. (...) No caso em análise, a LION detinha prejuízos fiscais e a SOTREQ era a empresa lucrativa. Portanto, nos termos do art. 510 acima transcrito, a LION tinha o direito de compensar os seus prejuízos fiscais. Pelo que consta dos autos, ambas empresas desempenhavam operações semelhantes na colocação dos produtos com a marca “CATERPILAR, de modo que a SOTREQ vinha desenvolvendo tratativas junto à matriz americana da “CATERPILAR” para assumir o controle da LION, uma vez que esta última vinha apresentando sucessivos prejuízos. Portanto, nada mais natural que a empresa lucrativa SOTREQ, tendo adquirido a participação societária na LION, fizesse também a incorporação desta última. No entanto, vislumbrou a SOTREQ um impedimento legal (art. 514 do RIR/99) para a compensação de prejuízos da possível sucedida, a LION. No bojo da reorganização societária entendeuse que as empresas estavam, em verdade, sob o manto de um mesmo comando, por isso, procederam de forma contrária: a empresa com prejuízos incorpora a empresa lucrativa, o que possibilitaria a compensação dos prejuízos da empresa deficitária, conforme permissivo legal contido no art. 510 do RIR/99. Nesse contexto, o direito à compensação dos próprios prejuízos da empresa que se encontra deficitária (LION) encontrase amparado pela lei. No presente caso, ficou evidenciado que a compensação de prejuízos ocorreu obedecendo o limite de 30% do lucro líquido ajustado, nos exatos termos do art. 510 do RIR/99, fls.1839/1840 e fls. 1848 e 1856. Já a lei das sociedades anônimas também não veda a incorporação da empresa lucrativa por empresa com prejuízos. Assim, do ponto de vista legal, a operação de incorporação às avessas pode perfeitamente ser taxada como lícita, posto não Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.880 16 haver impedimento legal para que a empresa com prejuízos incorpore a lucrativa, detendo esta, participação naquela. É claro que se esperaria justamente o contrário, mas em determinadas situações, como no presente, ela pode até efetivamente ocorrer, uma vez que a sucedida (SOTREQ) já detinha participação societária relevante na sucessora (LION), o que em última análise significa que se trata de uma mesma realidade econômica. Além disso, a operação teria sido realizada entre empresas que estavam regularmente operando no mercado, com objeto social semelhante, e teria sido assim justificada no Protocolo e Justificação de Incorporação da SOTREQ pela LION (fls.148 e seguintes): (...) O que se depreende dos autos é que toda a operação de incorporação foi feita às claras, com ambas empresas operando regularmente no mercado e a forma escolhida tinha uma justificação: a economia tributária. Ressaltese que nem a fiscalização e nem o acórdão recorrido caracterizaram a ocorrência de simulação nos eventos societários em análise. A defesa também justificou a incorporação, nos moldes como foi feito, em razão da necessidade de manter a sede da empresa em Sumaré – São Paulo, onde funcionava a LION, face aos benefícios fiscais concedidos pela prefeitura dessa cidade no recolhimento do IPTU e do ISS, fls. 1879. Vejase a manifestação do Acórdão da DRJ nesse sentido, fls. 2167: (...) Com efeito, é perfeitamente admitido pelo ordenamento jurídico pátrio que a redução da carga tributária é um objetivo que deve ser perseguido para a própria sobrevivência das pessoas jurídicas desde que, evidentemente, seja feita de forma lícita. Nos processos de reorganização das empresas, a boa técnica de administração dos negócios recomenda que os dirigentes adotem, dentro da legalidade, a alternativa econômica menos onerosa possível, dentre elas optem pela economia tributária. A empresa LION apresentava sucessivos prejuízos, que seriam perdidos, caso a SOTREQ incorporasse a LION. E uma das formas de manter a empresa LION em funcionamento foi a reorganização societária perpetrada, que a meu ver foi feita de forma legal. Inexistindo vedação legal para a prática da conhecida “incorporação às avessas”, não se pode esperar que duas empresas, integrantes do mesmo grupo econômico, praticando operações comerciais semelhantes, tendo a intenção de se reorganizar societariamente, com o objetivo de melhorar o desempenho das suas atividades, fiquem impedidas de realizar a incorporação da empresa lucrativa por outra deficitária. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também decidiu nesse mesmo sentido, conforme ementário do Acórdão nº CSRF/0105.413, sessão de 20 de março de 2006: Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.881 17 (...) De tudo o que foi exposto, entendo pela possibilidade legal da compensação de prejuízos fiscais do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL na chamada “incorporação às avessas”, nos moldes do permitido pelo art. 510 do RIR/99. Assim, diante de uma situação de incorporação às avessas, um colegiado entendeu ser lícita a operação, porque não havia lei expressa vedando, enquanto o outro entendeu pela sua ilicitude, porque considerou a situação simulada. Rejeitase, portanto, a preliminar de não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional. Recurso Especial da Fazenda Nacional Mérito O recurso da Fazenda Nacional versa sobre a segunda infração, correspondente à glosa da compensação de prejuízos compensados indevidamente, em razão do evento de "incorporação" da empresa superavitária, por empresa deficitária, visando contornar a vedação legal prevista no art. 514 do RIR/99. Conforme anotado no início do presente voto, a SOTREQ S.A. tinha como atividade preponderante a representação da CATERPILLAR (fabricante de máquinas com unidades no exterior e no Brasil), tendo adquirido da CATERPILLAR DAS AMÉRICAS Co, em março de 2001, participações societárias na LION S.A. e na NOIL PARTICIPAÇÕES E COMÉRCIO S.A. (holding da LION). Tanto a SOTREQ quanto a LION tinham contratos de distribuição exclusiva dos produtos CATERPILLAR em regiões determinadas do território nacional (a SOTREQ, sediada no Rio de Janeiro/RJ, atuava nos Estados de RJ, ES, MG, GO, TO, PA e AP; enquanto a LION, sediada em Sumaré/SP, era distribuidora dos produtos CATERPILLAR nos Estados de SP, MT, MS, RR, AC e AM). Após essas aquisições, a adquirente/investidora SOTREQ foi incorporada, em junho de 2001, pela alienada/investida LION. Após a incorporação, a incorporadora LION alterou sua denominação social para SOTREQ S.A. Em junho de 2002, a NOIL também foi incorporada pela (nova) SOTREQ S.A. Tendo a LION prejuízo fiscal acumulado e base de cálculo negativa de CSLL acumuladas, a (nova) SOTREQ S.A., passou a compensar esses prejuízos fiscais/bases negativas de CSLL, o mesmo ocorrendo em relação à NOIL. A Fazenda alega, em apertada síntese, que o fato de a LION (empresa deficitária, com prejuízos acumulados) ter incorporado a SOTREQ (empresa superavitária, sem prejuízos fiscais acumulados), teve o propósito único de suplantar o óbice imposto no art. 514 do RIR/99, o qual veda a pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão compensar os prejuízos fiscais da sucedida. Assim, trazendo à baila o art. 118 do CTN ("a definição legal do fato gerador deve ser interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos"), refere a Fazenda que, no caso, "negouse a produção de efeitos relativos à incorporação porque esta apresentou a finalidade exclusiva de, ao arrepio da lei, possibilitar a compensação de prejuízos de empresa deficitária por empresa operacional, em burla ao art. 514 do RIR/99", concluindo a Fazenda com a afirmação de que "o v. acórdão proferido em primeira instância Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.882 18 não merece qualquer retoque, revelandose em consonância com o entendimento desde Conselho Administrativo de Recursos Fiscais". A Contribuinte, por seu turno, alega que não há vedação legal à prática da incorporação reversa e que, para que se pudesse concluir que a incorporadora foi, de fato, incorporada, "seria necessária a demonstração cabal de prática simulada ou fraudulenta", o que não teria ocorrido, elencando as razões negociais para que a LION incorporasse a SOTREQ. Pois bem, no caso dos autos temse como fato incontroverso que a empresa LION, era deficitária, com prejuízos acumulados, e a Sotreq, era uma empresa superavitária, o que fez a Fiscalização concluir que o normal seria a Sotreq assumir os negócios da Lion. No item 6 do Termo de Constatação, a Fiscalização transcreve resposta da contribuinte recebida em 26/4/2010, explicando as operações. Nessa resposta, a então Fiscalizada, aduz que de acordo com o Segundo Memorando de Entendimentos, a Sotreq deveria: [...] (iv) otimizar a incorporação do patrimônio da LION ao seu próprio, concluída a aquisição da totalidade da participação societária." (grifo da fiscalização) No item 63 do seu Termo de Constatação, a Fiscalização destaca desse "Segundo Memorando de Entendimentos", mais um trecho que corrobora a sua tese pois nele consta expressamente que: "a Sotreq garante e concorda que, pela administração dos negócios da Lion, aquisição da participação da Caterpillar na Lion e assunção de benefícios financeiros imediatos e de longo prazo associados a esse(s) contrato(s), ela assume todas as responsabilidades e obrigações passadas incorridas pela Lion". Ou seja: Sotreq assume Lion e não Lion assume Sotreq. No item 68 do mesmo Termo de Constatação, a Fiscalização observa, a partir da Ata da Assembléia Geral Extraordinária na Lion, que a Lion destituiu os componentes de seu conselho de administração e nomeou aqueles da Sotreq. Assim, nas próprias respostas que a Contribuinte forneceu à Fiscalização, com respectivos documentos, evidenciase que efetivamente foi a Sotreq que incorporou a Lion, tanto é que após a incorporação, a Lion adotou a razão social da Sotreq e as atividades da Sotreq continuaram sendo desenvolvidas "nos moldes que já aconteciam" antes. A Contribuinte por sua vez aduz que as razões não são meramente fiscais, e justifica suas razões por estratégias empresariais: unir ambas as empresas para se ter um único distribuidor dos produtos CATERPILLAR no país. Contudo, é se de reconhecer que se a Sotreq incorporasse a Lion, tal objetivo também seria alcançado. Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.883 19 A segunda e terceira razão para a operação seria o fato de a Lion já ter sede em São Paulo que, por ser o principal centro de negócios no país, preservaria os inúmeros contratos em vigor, e ainda aproveitaria os benefícios fiscais de isenção do ISS de que gozava a Lion. E tanto isso seria verdade que a sede da autuada permaneceu em Sumaré, sede da Lion. Com a devida vênia, nada impedia que Sotreq incorporando Lion, a sede fosse alterada para São Paulo, se outras tantas alterações foram efetuadas. Certamente, e até pelo maior porte que tinha a Sotreq em relação à Lion, também problemas contratuais e de empregados adviriam com a incorporação inversa. E se o motivo foi aproveitar, além da compensação de prejuízos e bases negativas, também a isenção do ISS de que gozava a Lion, resta corroborada a tese de que a finalidade foi exclusivamente fiscal. O fato é que ao mudar a razão social para o nome da incorporada, ao fazer a gestão a partir dos gestores da incorporada, fica, de fato, evidenciada, que a empresa robusta, com superávit, é que incorporou a outra, aliás, extremamente deficitária. Ou seja, revelase que o negócio que efetivamente ocorreu não é aquele formalmente realizado. Assim, para as relações comerciais, quem estava realizando as operações era a nova Sotreq. Mascarouse, com efeito, a realidade. A decisão de primeira instância observou (fls. 66 e seguintes da própria peça) que a circunstância que o precedente do STJ REsp 946.707 citado pela Fiscalização e trazido no inteiro pela defesa considerou como determinante para a desconsideração da operação de incorporação realizada foi o fato de, naqueles autos, a incorporadora ter patrimônio líquido inferior à incorporada, além de prejuízos acumulados. Fazendo, então, um paralelo com o caso dos autos, a partir dos documentos acostados na Impugnação relativos ao Contrato de Compra e Venda de Ações, assim concluíram os julgadores da DRJ: Na verdade, sem o investimento inicial da SOTREQ de US$ 37.724.000,00, a relação entre os valores de mercado das empresas revela uma grande desproporção: US$ 25.000.000,00 LION e US$ 152.724.000,00 SOTREQ ( US$ 115.000.000,00 + US$ 37.724.000,00), ou seja, do total do negócio combinado 14% seria representado pelo patrimônio da LION e 86% pelo patrimônio da SOTREQ. É nesse contexto que se coloca a questão: como poderia a LION, empresa com valor de mercado de US$ 25.000.000,00, e deficitária, ter incorporado a SOTREQ, empresa com valor de mercado de US$ 152.724.000,00, no mínimo, 6 vezes maior, e lucrativa? (Sublinhouse) E dessa decisão ainda cabe destacar os seguintes trechos: Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.884 20 Com efeito, a partir do momento em que o legislador estabeleceu a vedação de que trata o art. 33 do Decretolei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, que abaixo transcrevese, temse em nosso ordenamento jurídico uma previsão legal expressa que é contrária ao princípio da sucessão universal, senão vejamos: Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Assim, seja qual for a denominação jurídica que se queira dar, chamando ou não a operação de simulada, o fato é que resta flagrantemente evidenciado que o negócio jurídico ora analisado caracterizase como uma incorporação às avessas, essa concebida com o Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.885 21 intuito de burlar a vedação do citado art. 33 do Decretolei nº 2.341, de 1987, motivo pelo qual deve ser considerada ilícita sob o ponto de vista tributário. Recurso Especial da Contribuinte O recurso da Contribuinte versa sobre a primeira infração, correspondente à glosa das despesas com amortização de ágio. Em relação a essa infração, entendendo a Fiscalização que não foram apresentados os necessários demonstrativos de rentabilidade futura (conforme exigido no inciso II do § 2º do art. 385 do RIR/1999), concluiu que o ágio decorria de fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas (inciso III do § 2º do art. 385 do RIR/1999), o qual não é amortizável e, assim, não seria dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL (inciso II do art. 386 do RIR/1999). O Termo de Constatação lavrado pela Fiscalização se encontra às efls. 1.802 e ss. (no documento intitulado "Documentos Diversos Outros Volume 10 do eprocesso, fls. 1.802 e ss. do processo papel). Como esclarecido no acórdão recorrido, "a dedução da amortização do ágio ocorreu a partir de julho de 2001, em razão do evento de incorporação às avessas, ocorrido em 30/06/2001. No entanto, o lançamento fiscal, efetuado em 2010, somente ocorreu em relação aos anos de 2005, 2006, 2007, face ao transcurso do prazo decadencial para os períodos anteriores (fls. 101 e 1847)". Alega a Contribuinte, em síntese, que o ágio pago nas aquisições da LION e da NOIL se baseia em projeção de rentabilidade futura, a qual foi demonstrada, sendo que, embora o acórdão recorrido determine um rol de elementos que deveriam estar presentes no demonstrativo apresentado, "a lei em momento algum requereu a elaboração de Laudo de Avaliação econômicofinanceira por 3 peritos ou empresa especializada para a demonstração do lançamento do ágio ou para a legitimidade de sua amortização, e nem sequer elencou os elementos trazidos pelo acórdão". Em contrarrazões, a Fazenda Nacional aduz, resumidamente, que, sendo a dedução do ágio benesse tributária, para ser autorizada deverá observar estritamente as condições legais estipuladas, sob pena de ser considerada indevida, sendo que, no presente caso, não há prova do fundamento econômico do ágio. O art. 385 do RIR/1999 estabelece que o lançamento do ágio deve indicar a razão econômica que levou o seu pagamento, a qual, por seu turno, deve estar demonstrada em um documento arquivado em comprovação. No caso de o fundamento econômico do ágio se assentar em perspectiva de rentabilidade futura, o lançamento do ágio deve indicar o "valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros". Confirase (sublinhouse): Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.886 22 I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Embora assista razão à Contribuinte quando afirma que a lei então vigente não estabelecia uma forma determinada para a apresentação da demonstração de que aqui se trata, e, nesse sentido, não se podia exigir documento na forma de laudo assinado por três peritos, também acerta a Turma a quo quando assenta no acórdão recorrido que "não é qualquer documento que pode se valer o sujeito passivo para demonstrar e comprovar o motivo determinante dos fundamentos econômicos do valor do ágio". Como bem se assinala ali, "para que se possa dar credibilidade ao documento que contenha a avaliação econômica da empresa, é mais do que razoável pressupor que seja um documento técnico completo, elaborado por pessoas habilitadas e que contenha uma exposição clara e consistente da forma como se chegou ao valor presente da empresa avaliada". Nesse quadrante, em primeiro lugar, deve o documento demonstrar o valor econômicofinanceiro que alcança a participação societária que se está adquirido, quando se considera as perspectivas de rentabilidade futura da empresa em que se está fazendo o investimento. É precisamente a diferença entre esse valor e o valor de patrimônio líquido da participação societária em aquisição, diferença que aqui vamos chamar de sobrevalor, advindo das perspectivas de rentabilidade futura da investida, que vai caracterizar o sobrepreço pago na aquisição da participação societária como ágio por expectativa de rentabilidade futura, e, assim, possibilitar a dedução de sua amortização na apuração do IRPJ e da CSLL. É claro que o sobrepreço pago na aquisição da participação societária pode vir a ser maior do que o sobrevalor advindo das perspectivas de rentabilidade futura da investida. Nesse caso, o ágio por expectativa de rentabilidade futura dedutível encontra limite no sobrevalor advindo das perspectivas de rentabilidade futura. É dizer, não se pode deduzir amortização correspondente à parte do sobrepreço que não decorre de expectativa de rentabilidade futura, simplesmente porque essa parcela não constitui ágio por expectativa de rentabilidade futura. Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.887 23 Se, por outro lado, ocorrer o contrário, isto é, caso o sobrepreço pago na aquisição da participação societária venha a ser menor do que o sobrevalor advindo das perspectivas de rentabilidade futura, o ágio por expectativa de rentabilidade futura dedutível encontra limite no sobrepreço efetivamente pago. Em outras palavras, não se pode deduzir amortização da parte do sobrevalor que, por algum motivo, não se traduziu em ágio pago. Vêse, portanto, que a objetiva e precisa determinação e demonstração do valor econômicofinanceiro da participação societária em aquisição a partir das perspectivas de rentabilidade futura da empresa é crucial para a fixação dos efeitos tributários do pagamento do ágio correspondente. E constitui ônus da adquirente. Não basta, assim, estimálo de forma subjetiva, é preciso determinálo, e demonstrálo, matematicamente, de forma precisa. E arquivar a documentação em que isso é feito. Só assim o ágio restará quantificado e demonstrado. Só assim sua amortização poderá ser deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL. Socorrendome do Dicionário Eletrônico Houaiss (verbete "demonstração") assinalo que "demonstrar" aqui pressupõe a exposição de um "raciocínio que torna evidente o caráter verídico de uma proposição, ideia ou teoria". É dizer, não se trata aqui de meramente afirmar certo valor econômicofinanceiro a partir de certas presmissas, mas determinálo matematicamente, evidenciando como a ele se chegou. No amplamente aceito e difundido método do Fluxo de Caixa Descontado ("Disconted Cash Flow"), por exemplo, o valor da empresa é determinado pelo fluxo de caixa descontado por uma taxa que reflita o risco associado ao investimento. Nesse caminho, uma vez que o valor econômicofinanceiro da participação societária que se está adquirido decorre das perspectivas de rentabilidade futura da investida, é imprescindível que a demonstração desse valor se construa matematicamente a partir das projeções de rentabilidade esperada. Como bem pontuou a decisão recorrida, louvandose na doutrina de Luís Eduardo Schoueri (Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), São Paulo, Dialética, 2012, p. 36/37), "o demonstrativo de rentabilidade futura deverá fornecer dados a respeito do mercado em que atua a empresa avaliada, as projeções de rentabilidade esperada em determinado período, trazendo por técnicas de matemática financeira, tais resultados a valor presente, de modo a se calcular o valor de mercado da empresa em determinado momento". No aspecto temporal, deve a demonstração do ágio por rentabilidade futura ser contemporânea à aquisição da participação societária com ágio, não havendo sentido em se admitir fundamentação da rentabilidade futura a posteriori. A determinação do valor econômicofinanceiro da participação societária deve preceder a aquisição com ágio, não podendo se sustentar que primeiro se pague o ágio, para que depois se venha a justificálo. Vale trazer à baila o que deixou assentando o então Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé no acórdão nº 1102001.104 (2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, 7 de maio de 2014): De início, registrese que a lei não exige propriamente a produção de um laudo que ateste a rentabilidade futura da coligada ou controlada, senão antes exige uma mera “demonstração” desta rentabilidade futura — a qual, por certo, também se pode materializar em um laudo. Contudo, a lei exige que essa demonstração seja arquivada como comprovante da escrituração do fundamento do ágio. Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.888 24 Escrituração, a qual, aliás, também obrigatoriamente deve indicar o fundamento econômico do ágio, já no momento da aquisição de participação societária. Analisadas em conjunto essas duas disposições legais obrigatórias, percebese claramente que o fundamento econômico do ágio há de ser determinado antes — ou, no máximo, até o momento — da aquisição. Tratase, ainda, de uma questão de ordem lógica: não faz sentido imaginar que o fundamento econômico determinante para o pagamento de um ágio somente possa terse tornado conhecido após a operação de compra. Ora, se somente tornouse conhecido após a aquisição, não pode ter sido ele o fator determinante para o pagamento ocorrido. Assim, a prova de que foi a rentabilidade futura a razão do pagamento do ágio incumbe obrigatoriamente à empresa que por ele pagou, e tal prova há de ser feita com documentos contemporâneos aos fatos. Dito isso, comungo da conclusão a que chegou a Turma recorrida no sentido de que a Contribuinte não logrou comprovar que, ao tempo da aquisição, foi arquivada documentação que demonstra de forma efetiva o valor econômicofinanceiro da participação societária em aquisição a partir das perspectivas de rentabilidade futura. E, como se viu, isso era ônus seu, não se podendo admitir, assim, a dedução de amortização do ágio correspondente. Alega a Contribuinte que a projeção de rentabilidade futura "é precisamente o que consta das projeções constantes do documento intitulado 'SOTREQ MERGER PROPOSAL', de 23 de novembro de 1999 e da avaliação econômica do perito Anderson Amorim de Amorim, que conclui que a Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow indicam um valor após a unificação das operações de USS 153.873.000,00 (cento e cinquenta e três milhões, oitocentos e setenta e um mil dólares norteamericanos)". E indica que esses documentos se encontram no "Doc. 5" e no "Doc. 6" anexados à Impugnação. Pois bem, o documento "Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow" (Doc. 6 da Impugnação, efls. 2.038 e ss., que consta no documento intitulado "Documentos Diversos Outros Volume 11 do eprocesso, fls. 2.032 e ss. do processo papel), foi apresentado à Fiscalização durante o procedimento fiscal. Vale reproduzir o que consta na página inicial desse documento para bem identificálo: Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.889 25 Sobre esse documento, que se encontra às efls. 835 e ss. ("Volume V5" do eprocesso, fls. 834 e ss. do processo papel), a Fiscalização concluiu o que segue (conforme Termo de Constatação, que se encontra às efls. 1.802 e ss., no documento intitulado "Documentos Diversos Outros Volume 10 do eprocesso, fls. 1.802 e ss. do processo papel, grifos originais): 44. Em resposta recebida em 23/08/2010 a fiscalizada relacionou os documentos que, segundo ela, seriam os laudos de avaliação econômicofinanceira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura, os quais comentaremos a seguir. 45. Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow (LION e SOTREQ), elaborado pelo perito Anderson Amorim de Amorim, em 31 de maio de 2001 (doc. 6 da resposta recebida em 26/04/2010). Observações da Fiscalização: • É um documento de 6 folhas, genérico, encimado com os dizeres "MINUTA PARA DISCUSSÃO SUJEITA A ALTERAÇÃO". • O documento foi elaborado posteriormente aos aportes supostamente realizados em março de 2001 (parte dos US$ 25 milhões) e apenas por 1 perito, sendo que a cópia apresentada sequer está assinada. • O documento contempla apenas a LION e a SOTREQ, não a NOIL. Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.890 26 • Não há qualquer demonstrativo de rentabilidade futura. Também o documento "SOTREQ MERGER PROPOSAL", de 23 de novembro de 1999 (Doc. 5 da Impugnação, efls. 1.939 e ss., que consta no documento intitulado "Documentos Diversos Outros Volume 10 do eprocesso, fls. 1.933 e ss. do processo papel), foi apresentado à Fiscalização durante o procedimento fiscal. Vale reproduzir o que consta na página inicial desse documento para bem identificálo: Sobre esse documento, que se encontra às efls. 702 e ss. ("Volume V4" do eprocesso, fls. 701 e ss. do processo papel, sendo de se assinalar que a partir das efls. 751 se encontra a versão em português, intitulada "PROPOSTA DE INCORPORAÇÃO"), a Fiscalização concluiu o que segue: 51. A fiscalizada não relacionou, em sua resposta recenda em 23/08/2010, como laudo de avaliação econômicofinanceira, o fundamento econômico e o demonstrativo de rentabilidade futura, o doc. 2 (ACORDO PRELIMINAR DE INTENÇÕES assinado em 25/10/1999 pela SOTREQ e LION) e o doc. 3 (PROPOSTA DE INCORPORAÇÃO) da resposta recebida em 26/04/2010. A fiscalização observa que os documentos acabaram não gerando resultados, conforme consta nos Itens 7 e 8 da resposta, tendo sido elaborados 17 (dezessete) meses antes das operações (março/2001) A PROPOSTA DE INCORPORAÇÃO apresenta, na capa, os dizeres "Apresentação para George Beckwith, 23 de novembro de 1999) e prevê, entre eventos que não se concretizaram a formação de empresa holding. Em sede de julgamento da Impugnação, a 2ª Turma da DRJ Campinas assim se pronunciou em relação ao documento 6 da impugnação antes referido ("Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow", grifos originais): A fiscalizada trouxe também aos autos o documento denominado MINUTA PARA DISCUSSÃO SUJEITA A ALTERAÇÃO, elaborada em 31/05/2001, pelo contador Anderson Amorim Amorim (de apenas 6 folhas fls. 835/840), mediante a qual teria sido realizada a revisão de um relatório preparado pela SOTREQ de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW, que contemplava a SOTREQ e a LION, de forma individual e consolidada, com o objetivo de expressar o entendimento do perito contábil acerca: (i) da consistência das premissas adotadas para a elaboração dos relatórios; (ii) da Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.891 27 metodologia de cálculo empregada para a obtenção do fluxo de caixa descontado e do valor presente líquido; (iii) do resultado dos cálculos; e (iv) dos negócios e sua gestão, com base em leitura dos estatutos e dos balancetes preliminares da investidora (SOTREQ) e da investida (LION). Destaquese, preliminarmente, que apesar de apresentar o relatório elaborado pelo perito, a fiscalizada deixou de apresentar, para apreciação da fiscalização, a PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW da SOTREQ/LION sobre a qual teria se debruçado o perito. Constou ainda expressamente daquele instrumento: 1. que o trabalho do perito teria sido efetivado sobre (i) as planilhas de projeções do resultado econômico e do fluxo de caixa preparados pela SOTREQ, com o entendimento daquela companhia sobre operações da LION; e (ii) o contrato de compra de ações; 2. que teriam sido adotados como base para o período projetivo os valores constantes das demonstrações financeiras do exercício findo em 31/12/2000 (documento da LION também não apresentado à fiscalização); 3. a título de conclusão, que a Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow da LION possuiria consistência, suportando o valor atribuído à negociação das ações do capital da sociedade de US$49,719.000,00; a Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow da SOTREQ apontaria um valor de US$ 104.152.000,00; e a Projeção do Resultado Econômico e do Cash Flow Consolidado indicaria um valor de US$ 153.871.000,00, a indicar a seguinte correlação na incorporação da SOTREQ pela LION (1 ação da antiga SOTREQ = 132,883382 ações da nova LION). Entretanto, o demonstrativo de rentabilidade futura da LION e da NOIL não integram a revisão, elaborada pelo perito, do suposto relatório de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW da SOTREQ/LION, não apresentado à fiscalização. Por oportuno, salientese que a referida revisão efetuada pelo perito do relatório, não apresentado, preparado pela SOTREQ, de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW, não foi rejeitado pelos problemas formais apontados pela defesa (por ter sido elaborada por um único perito; por não estar assinada; e por ser pósdatada em relação aos projetados aportes), mas porque não contém a demonstração da rentabilidade futura dos investimentos adquiridos na LION/NOIL. Já em relação ao documento 5 da impugnação ("SOTREQ MERGER PROPOSAL"), a Turma julgadora da DRJ assim referiu: Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.892 28 Além do problema da língua em que apresentado o documento, como bem ponderou a fiscalização quando o analisou, a operação não se realizou da forma como apresentada naquela proposta, o que compromete as projeções ali formuladas a respeito da performance da "nova companhia" (denominada Holding RJ), que sequer foi criada. Ademais, o que também se verifica nas projeções é que aparentemente o fator relevante de comparação não é propriamente a rentabilidade futura das investidas, mas a transferência de renda/investimento entre a SOTREQ e a LION. No julgamento do Recurso Voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por sua vez, após reproduzir trechos da decisão da DRJ, adotando suas razões de decidir, assim se manifestou no acórdão ora recorrido sobre os documentos trazidos pela Contribuinte para comprovar a devida demonstração da rentabilidade futura que embasou o ágio: Da leitura dos trechos do voto condutor acima transcritos, bem como do exame efetuado por este relator dos documentos entregues para justificar o valor do ágio, verificase que nenhum deles contém as características próprias de demonstrativo do valor do ágio cujo fundamento econômico seria o valor de rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. A demonstração para a determinação do valor da empresa a preços presentes, e do correspondente valor de ágio, não se encontram em nenhum dos documentos/demonstrativos apresentados pela fiscalizada, carecendo dos seguintes elementos: 1 inexistência da análise de mercado e da conjuntura onde atua a empresa examinada; 2 demonstrativo do faturamento já ocorrido e projeção para exercícios futuros; 3 projeções do fluxo de caixa; 4 demonstração da forma de escolha da taxa de desconto do fluxo de caixa; 5 demonstração da apuração do valor de mercado a valor presente e do valor do ágio; Ressaltese que a fiscalização buscou insistentemente junto à autuada os demonstrativos que contivessem os valores do ágio da LION e da NOIL, cujo fundamento econômico seria o valor de rentabilidade “com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros”, que deveria ser arquivado como comprovante do registro do ágio, como exige a lei (inciso II do § 2º, e § 3º, do art. 385 do RIR/99), pelo que a autuada não logrou comprovar. O próprio recorrente menciona em seu recurso (fls. 15 do recurso voluntário), que o valor do ágio foi apurado de acordo com a parte excedente do valor do patrimônio líquido das participações societárias adquiridas, ou seja, encontrase em desacordo com o que prevê a legislação tributária: Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 10830.016265/201091 Acórdão n.º 9101003.008 CSRFT1 Fl. 2.893 29 “40. Tal ágio representa, na verdade, a parte do preço que excede o valor de patrimônio líquido das participações adquiridas, que totalizava a quantia de R$ 79.345.197,83.” Dito isso, embora a Contribuinte alegue que os dois documentos de que aqui se trata demonstram a projeção de rentabilidade futura que sustentou o ágio pago, não se tem infirmadas as deficiências probatórias consignadas na decisão recorrida, decisivas no sentido de se concluir pela insuficiência da demonstração da rentabilidade futura para fins do que dispõe o antes transcrito art. 385 do RIR/1999. Com efeito, o documento 6 anexo à impugnação menciona apresentar revisão de relatório de PROJEÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO E DO CASH FLOW mas não se vê ali as projeções de fluxo de caixa e o dimensionamento do valoreconômico financeiro que supostamente revisa. Além disso, como assinalou a Fiscalização, o documento é posterior à aquisição da participação societária. Já o documento 5 anexo à impugnação apresenta estudo realizado em novembro de 1999, projetando operações societárias diferentes das levadas a cabo (previa, por exemplo a formação de empresa holding, ali denominada de "Holding RJ"). Nesse documento, não se tem nada calculado a título de valor do investimento. Nada é falado a respeito de rentabilidade futura. Não existe, portanto, nos autos, nenhuma demonstração que comprove o fundamento econômico do ágio. Assim, é de se manter a decisão recorrida, negandose provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, sendo mantidas, assim, as glosas das despesas com amortização de ágio empreendidas pela Fiscalização. Conclusão Em face do exposto, CONHEÇO do recurso especial da Fazenda e do recurso especial da Contribuinte; e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Contribuinte e DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2893DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722267/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO DE PRODUÇÃO. DEFINIÇÃO.
1. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado.
2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição.
ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003).
ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
É passível de apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep a aquisição do Óleo Combustível BPF utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção.
INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE.
1. A opção pela apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
2. O desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam.
3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o creditamento sobre óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO DE PRODUÇÃO. DEFINIÇÃO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, enquadram-se na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003). ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. É passível de apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep a aquisição do Óleo Combustível BPF utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção. INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A opção pela apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 2. O desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. 3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o creditamento sobre óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO DE PRODUÇÃO. DEFINIÇÃO. 1. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no curso do processo de produção ou fabricação, mas que não se agregam ao bem produzido ou fabricado. 2. Também são considerados insumos de produção ou fabricação os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo de produção ou fabricação, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. ENERGIA TÉRMICA UTILIZADA COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Se utilizada como insumo, o custo de aquisição de energia térmica permite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, ainda que o custo tenha ocorrido antes de 15/6/2007, data da vigência da nova redação do art. 3º, III, da Lei 10.833/2003, dada pela Lei 11.488/2007 (ADI SRF nº 2/2003). ÓLEO COMBUSTÍVEL BPF. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NA GERAÇÃO DE ENERGIA TÉRMICA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. É passível de apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep a aquisição do “Óleo Combustível BPF” utilizado como combustível na geração de energia térmica, utilizada como insumo de produção. INIBIDOR DE CORROSÃO E ÁCIDO SULFÚRICO. PRODUTOS UTILIZADOS NOS EQUIPAMENTOS DO PROCESSO INDUSTRIAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 67 /2 00 9- 52 Fl. 864DF CARF MF 2 INSUMO DE PRODUÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. A aquisição dos produtos Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico aplicados, respectivamente, (i) na limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor e (ii) na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes, por serem insumos de produção, permite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE REJEITOS INDUSTRIAIS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados na remoção de rejeitos industriais. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A opção pela apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor mensal correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo de aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, somente poderá ser exercida se os referidos bens forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. 2. O desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre o valor mensal correspondente a 1/12 (um doze avos) somente beneficia a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, destinados à incorporação ao ativo imobilizado de empresas em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. 3. Se não atendidos os requisitos legais, o contribuinte não faz jus aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep calculados com base os valores mensais dos encargos de depreciação acelerada incentivada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o creditamento sobre óleo combustível BPF, inibidor de corrosão e ácido sulfúrico. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 865 3 Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento PER (fls. 5/8) de saldo da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, vinculado a operação de exportação, apurado no 2º trimestre de 2007, no valor de R$ 7.818.185,43, parcialmente utilizado na compensação dos débitos, no valor total de R$ 6.142.331,11, discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) de fls. 9/20. Com base nas conclusões apresentadas no relatório fiscal e o auto de infração de fls. 289/411, por meio do despacho decisório de fl. 413, foi parcialmente reconhecido o direito creditório, no valor de R$ 3.074.279,02. Em seguida, por intermédio do despacho decisório de fl. 415, a compensação do débito foi homologada parcialmente até o limite do valor do crédito reconhecido. De acordo com o citado relatório fiscal, o reconhecimento parcial do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do 2º trimestre de 2007 foi motivada pelas glosas dos créditos a seguir mencionadas: 1) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS OBJETO DE GLOSA (Ficha 06A/06B/02): Os bens glosados foram os seguintes: a) combustíveis e carvão energético utilizados nas caldeiras, para geração de energia térmica, sob a forma de vapor, uma vez que a Lei 11.488/2007, só admitiu créditos na aquisição de energia térmica, a partir de 15/06/2007; b) produtos/bens por não aplicados diretamente no processo produtivo; c) produtos/bens considerados como ativo imobilizado; d) produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; e e) fretes referentes aos produtos/bens glosados. Nas planilhas 10, 10A e 11 (fls. 340/393) encontramse relacionados os tipos de bens e os valores glosados; 2) CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 06A/03): existência de serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas 08 e 09, anexas a informação fiscal. Nas planilhas 08 e 09 (fls. 336/339) encontramse relacionados os tipos de serviços e os valores glosados, respectivamente; 3) BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO A DESCONTAR REFERENTE AO ATIVO IMOBILIZADO (Ficha 06A/06B/10): A empresa utilizou créditos decorrentes da aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado em duas modalidades: a) por aproveitamento do crédito no prazo de 4 (quatro) anos, correspondente a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei n° 10.833/2003, art 3º, § 14, introduzido pela Lei n° 10.865/2004, art. 21 e Instrução Normativa SRF n° 457/2004, art. 1º, inciso I do § 2º e art. 2º, § 2º, inciso II do caput). Através dos arquivos magnéticos referentes às aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de Fl. 866DF CARF MF 4 bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: a.1)Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados a venda. a.2) Maquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo; b) por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam [...]. Na planilha 07D, encontramse discriminados as referidas glosas. Enfim, nas planilhas 12 e 13 (fls. 394/402) foram apresentados os demonstrativos de apuração da Contribuição para o PIS/Contribuição para o PIS/Pasep do 2º trimestre de 2007, elaborados pelo contribuinte e pela fiscalização, respectivamente. Em sede de manifestação de inconformidade, a interessada apresentou as razões de defesa, que foram assim resumidas no relatório encartado na acórdão recorrido: a) Foram glosados créditos gerados por bens e serviços empregados como insumos, mais especificamente: Transporte de Rejeitos Industriais, Óleo BPF, Ácido Sulfúrico e Inibidor de Corrosão, sob o fundamento de que não se enquadrariam como bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção dos bens destinados à venda. Por derradeiro, foram glosados créditos relacionados a despesas ou encargos com Ativo Imobilizado para emprego na fabricação de produtos destinados à Venda ou Prestação de Serviços, inclusive máquinas, equipamentos e outros bens que foram incorporados ao Ativo Imobilizado. b) A contribuição, por incidir sobre a receita e o faturamento, não se encontra atrelada a produto específico, no que tange ao sistema de desconto de créditos, não segue a técnica do imposto contra imposto, sendo adotado, para tal tributo, ao revés o critério da base contra base, viabilizando a diminuição da base de cálculo de determinados custos, encargos e despesas enumerados em lei e relacionados à atividade da pessoa jurídica. Ponto fundamental, portanto, é o da definição e amplitude conceitual dispensadas aos insumos que gerariam o crédito da Contribuição e que seriam os bens e serviços que seriam utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, abrangendo mas não se restringindo ao universo das matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produtos em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também se reputam como insumos empregados na prestação de serviços os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Centrando a atenção ao presente processo, bem se vê que a requerente é sociedade empresária preponderantemente exportadora, de sorte que igualmente faz jus à apropriação de créditos, inclusive concernentes a estoque Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 866 5 de abertura oriundos dos custos, despesas e encargos advindos das receitas resultantes de exportação dos produtos que industrializa e comercializa. Especificamente quanto aos serviços utilizados como insumos, a autoridade fazendária glosara serviços inegavelmente empregados como insumos porque diretamente aplicados ao processo produtivo, particularmente o de transporte de rejeitos industriais, óleo BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão. Naturalmente que não poderia furtarse a impugnante do creditamento dos valores desembolsados com o transporte destes rejeitos, que são sabidamente inerentes ao processo fabril da alumina produzida e exportada por pessoa jurídica como a requerente. Os dispêndios com este transporte são, portanto, irrefutavelmente, dedutíveis. O óleo BPF, considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, destinase à queima em fornos adequados para a calcinação do hidrato e na geração de vapor nas caldeiras. A maior parte das glosas dos bens utilizados como insumos refere se à aquisição de combustível (BPF) e carvão energético considerado pela fiscalização como gerador de energia térmica, embasada no art. 3º, IX, da Lei 11.488/2007, que só admitiu crédito a partir de 15/06/2007. Com isso, as aquisições de combustíveis e carvão utilizados nas caldeiras a partir de 16/06/2007 não deveriam ser objeto de glosa pela fiscalização. Porém, no mês de junho de 2007 todas as aquisições de BPF, posteriores a 15/06/2007, foram glosadas. Em relação ao Ácido Sulfúrico, descabe glosa já que a fiscalização o está considerando como material de limpeza. O ácido sulfúrico é utilizado para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, limpeza esta fundamental para manter a eficiência de troca térmica e a estabilidade do licor para garantir a produtividade da planta. O ácido usado é utilizado na neutralização de afluentes cáusticos. A fiscalização glosou toda a aquisição deste insumo e frete, inclusive glosando fretes e duplicidade. Já a respeito do Inibidor de Corrosão, utilizado para formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento, insta mencionar que sua ausência no rol das especificações compromete substancialmente a qualidade e quantidade da alumina produzida. Ora, com toda a necessidade de que tais insumos sejam empregados de modo direto, na geração do alumínio final que será objeto de exportação, não se vê como possamos acatar a glosa dos serviços de transporte dos itens em voga, como, igualmente nos termos da legislação vigente, insumo de aplicação direta, que, portanto, não podem ser recusados enquanto serviços creditáveis. Transcreve decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. c) Quanto à glosa sobre bens considerados edificações e componentes do Ativo Imobilizado, não há como se deixar de reconhecer que as razões que teriam conduzido a autoridade fiscal à glosa padecem de inegável confusão, na medida em que as ressalvas apontadas coincidem com enunciados legais que asseguram ao contribuinte o direito ao desconto de créditos sobre tais despesas. A Fiscalização afirma que a postulante creditarase indevidamente das despesas que desembolsou, Fl. 868DF CARF MF 6 porque diriam respeito a máquinas e equipamentos que não poderiam ser enquadrados como insumos, uma vez que não haveria aplicação direta. A rigor, segundo a fiscalização, em grande parte tais valores diriam respeito ao ativo imobilizado, senão deveriam ser conceituados como edificação (??!!), por isso, seriam despesas não passíveis de se converter em descontos sobre o valor a recolher de Cofins e PIS no plano da não cumulatividade (??!!). Contudo, os arts. 2º e 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 prescrevem exatamente o contrário. Em suma, mesmo que as máquinas e equipamentos e suas peças devessem ser enquadrados no ativo imobilizado, a legislação ampara o desconto dos respectivos créditos, assim como das edificações aplicadas às atividades da pessoa jurídica. A menos, portanto, que a fiscalização expusesse e demonstrasse (o que nem remotamente ocorreu) que estas máquinas, equipamentos, peças e serviços relacionados ao mesmo fossem utilizados para outra finalidade que não fosse a produção de alumina (que representa a atividade exclusiva da contribuinte), a recusa de reconhecerlhes a geração de créditos resvala para o indefensável. E quanto às razões expendidas no sentido de que tais despesas também seriam indedutíveis em razão de não poderem ser enquadradas como insumos, tratase de equívoco, representando glosas pautadas por critério inconciliável com a diretriz constitucional da nãocumulatividade, bem como de sua previsão infraconstitucional. Atualmente, há inúmeras decisões do CARF, inclusive da CSRF, assegurando o direito ao desconto dos créditos sobre quaisquer custos ou despesas que a empresa tenha suportado para a produção do bem ou prestação do serviço. Nestes casos, a menos que a fiscalização explicite que a edificação ou bem do ativo imobilizado ou insumo (que a fiscalização afirma não ser insumo) não sejam empregados na produção do bem ou serviço prestado não pode solenemente glosálos. Relata e discute decisões administrativas, judicial e soluções de consulta. d) O que resta evidente da análise do tratamento legal é a completa ausência de amarras, restrições, condicionantes ao direito de desconto de créditos sobre os valores de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP a pagar, desde que os bens ou serviços reputados creditáveis pelo contribuinte, efetivamente, sejam insumos empregados na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, ensejam os descontos. Mesmo analisando as Instruções Normativas editadas pela Receita Federal, no afã de regulamentar os aludidos preceitos legais pertinente ao desconto de créditos de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP sobre certas despesas, aquisições e dispêndios, não há discrepância relevante que justifique a manutenção das glosas ora questionadas. A Jurisprudência do outrora denominado Conselho de Contribuintes não tergiversa em rever glosas como as que foram equivocadamente perpetradas no presente caso, especificamente mencionando a possibilidade de se creditar sobre os gastos havidos com a remoção de resíduos industriais, tal como sucede no caso vertente. Refere e transcreve excertos de julgados administrativos, concluindo que as despesas com remoção de resíduos industriais correspondem a serviços Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 867 7 aplicados/consumidos no processo produtivo, os quais também geram créditos dedutíveis das bases de apuração da contribuição, haja vista que representam custos, gastos ou despesas vinculados ao produto ou serviço vendido. Aduz que, para o afastamento da glosa sobre Transporte dos Rejeitos Industriais, é de ser observado imperativamente o § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, uma vez que é uma sociedade empresária comercial exportadora. Ora, a dicção do § 3º do art. 6º em questão não permite que remanesça qualquer dúvida sobre quais os créditos passíveis de ressarcimento, como sendo os que são “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não apenas os que digam respeito aos insumos empregados no processo produtivo do alumínio exportado. Em várias outras ocasiões, ainda que se centrando mais no art. 3º da Lei 10833/2003, os órgãos judicantes do Ministério da Fazenda têm registrado que não se pode sustentar glosas que tenham sido levadas a efeito pela Fiscalização, sem que a mesma tenha logrado “motivar” tais glosas, a ponto de expor sua incompatibilidade legal. Refere julgados administrativos e judiciais, também transcrevendo soluções de divergência proferidas pela Cosit e salientando que, no caso concreto, mesmo que se admita que as soluções de consulta possam ser aplicadas em total desconexão com a ordem constitucional e a legislação ordinária, os bens e serviços glosados são inegavelmente insumos de aplicação direta, inclusive de contato físico com o produto final industrializado, de sorte que também sob tal viés não poderiam ter sido glosados. e) Cabe voltarnos com maior detença à glosa das máquinas e equipamentos adquiridos pela requerente e incorporados ao seu ativo imobilizado, a qual, com a devida vênia, causou estranheza, considerando, de plano, a permissão constante da Lei 10833/2003. A IN SRF nº 457/2004 veiculou a facultatividade do cálculo do crédito insculpido na lei ordinária, observada a periodicidade de quatro anos. O Decreto 5988/2006, que dispõe sobre o art. 31 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, instituiu depreciação acelerada incentivada e desconto da Contribuição para o PIS/PASEP e da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, no prazo de doze meses, para aquisições de bens de capital efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas das áreas de atuação das extintas SUDENE e SUDAM. A querela reside no fato de que a fiscalização, injustificadamente, glosou não menos que a totalidade dos créditos gerados sobre maquinas e equipamentos adquiridos e incorporados ao ativo imobilizado da requerente, sob o suposto fundamento de que a mesma não teria observado as exigências constantes da Lei 11.196/2005, ou seja, não teria considerado na periodicidade legal diferencial de apuração do crédito sobre ativo imobilizado, apenas as máquinas e equipamentos adquiridos sob o regime incentivado do RECAP, utilizandose ao revés da periodicidade excepcional dos 1/12 sobre a totalidade das máquinas e equipamentos adquiridos no período auditado. O fato, contudo, que, data vênia, desmantela a pretensão esposada pela Autoridade Fazendária é que a postulante, por uma questão de tempo real Fl. 870DF CARF MF 8 de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas suas especificidades, é evidente que a conduta apontada no Auto, seria, como é, impraticável. Ante tal quadro, o mínimo que se poderia aceitar para a pretensa manutenção das glosas, seria a demonstração por parte da Fiscalização de que a requerente, efetivamente, se apropriou de créditos sobre máquinas e equipamentos adquiridos fora do regime diferenciado do RECAP, sem observar a periodicidade permitida pela lei e pela IN aplicáveis. A ocorrência supra, contudo, reiterese, não apenas é inexeqüível em face do processo produtivo e depreciação ordinária das máquinas e equipamentos empregados no mesmo, como ainda não fora minimamente exposta pela autoridade fazendária, pelo que, consoante as decisões colacionadas alhures, tais glosas também hão de ser inteiramente desconstituídas. Do que é possível inferir da sucinta exposição declinada pela autoridade fazendária, não teria sido reconhecido benefício para tais itens na medida em que não se enquadrariam no rol de máquinas e equipamentos, volvidos ao Ativo Imobilizado, empregados na fabricação de produtos para venda, restando excluídos assim móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e demais que estariam, segundo a inteligência esposada pela autoridade, ao largo do rol de máquinas e equipamentos que gerariam crédito consoante o ordenamento aplicável. Não há, contudo, nem reflexamente, uma clara indicação da razão pela qual e nem tampouco quais seriam estes itens específicos, ao menos referidos em uma planilha anexa ao Mandado de Procedimento que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração de tais máquinas e equipamentos defendose objetivamente de tais glosas. O que se tem por certo é que os itens qualificados pela postulante como máquinas efetivamente foram incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção do alumínio destinado à venda, respeitada a periodicidade prevista nas normas aludidas. O Fiscal não se desincumbira de tal ônus mínimo, incorrendo não somente em cerceamento de defesa como ainda trazendo a lume mais uma glosa descabida. Logo, não há como se vislumbrar infringência à Lei nº 11.488/20087 (REIDI). f) Transcreve o que identifica como o entendimento doutrinário relativo ao regime da nãocumulatividade aplicado à Contribuição para o PIS/Pasep, concluindo que a Constituição Federal previu o regime da nãocumulatividade originariamente para o ICMS e IPI, traçandolhes com precisão os limites em que tal regime poderia vigorar. Estendeuo pela EC 42/2003 à CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, remetendo sua regulamentação à legislação infraconstitucional, o que já havia sido levado a efeito antes da EC, pela Lei ordinária 10833/2003, que não apenas elencara quais setores da economia seriam autorizados a se apropriar de créditos sobre determinadas despesas e encargos, como ainda discriminara quais destes desembolsos permitiriam tal apropriação. As Instruções Normativas e normas complementares afins, por força do princípio da nãocumulatividade, por não gozar de envergadura constitucional, evidentemente, não podem a pretexto de regulamentar, restringir a restrição e muito menos ainda o Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 868 9 AuditorFiscal, restringir a restrição da restrição, o que significaria o aniquilamento de uma determinação magna ao ponto de inverter a lógica interna do regime tornandoo mais oneroso que a própria cumulatividade. Nada obstante, o teor das mesmas não se choca com os procedimentos apuratórios da impugnante. No caso vertente, convém ressaltar que a impugnante fora extremamente conservadora na medida em que seguira religiosamente as disposições da Lei 10833, apropriandose dos créditos gerados apenas pelas aquisições e despesas de aplicação direta listadas nos diplomas legais, conquanto seja irrefutável a natureza imperativa e irrestrita do comando constitucional pós EC 42/2003 para os setores previstos em lei, as contribuições serão nãocumulativas. Simples. Nada obstante, amargara as glosas inexplicáveis contra as quais ora se insurge. Cita posição doutrinária. g) Protesta pela produção de prova pericial, via auditagem suplementar, considerandose a incompatibilidade entre a escrita contábil da Alunorte do período, e as razões de glosa suscitadas pela N. Fiscalização esclarecendo que a finalidade é a de ratificar a efetiva utilização dos bens e serviços glosados como insumos de aplicação direta e efetiva no processo produtivo da requerente, desde já indicando Assistente técnico. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 579/598), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível a realização de perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. Fl. 872DF CARF MF 10 No cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃOCUMULATIVA. ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Na nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores dos encargos de depreciação e amortização, incorridos no mês, relativos a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos no País para utilização na produção de bens destinados à venda, desde que observadas as disposições normativas que regem a espécie. DCOMP. CRÉDITO. HOMOLOGAÇÃO. LIMITE DO CRÉDITO. As declarações de compensação apresentadas à Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas no exato limite do direito creditório comprovado pelo sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 24/5/2012 (fls. 621/622), a interessada foi cientificada da referida decisão. Inconformada, em 22/6/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 623/692, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Na Sessão de 27 de fevereiro de 2014, por meio da Resolução nº 3302 000.397 (fls. 720/729), os então componentes deste Colegiado, converteram o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal, in verbis: a) informe se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada (art. 31 lei 11.196 1/ 48 e 1/12), foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03; a.1) em caso negativo, elaborar planilha demonstrando o valor dos créditos a que faria jus a Recorrente, considerandose a Lei 10.833/03, em relação aos bens do ativo imobilizado que entende passíveis de creditamento; b) intime a Recorrente para que esta apresente: b.1) informações sobre a utilização do produto “inibidor de corrosão”, declarando onde ele é utilizado e qual função desempenha no processo produtivo; b.2) descritivo detalhado dos bens (art. 3º VI da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 869 11 características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; c.3) em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entende se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”(art. 3º VII); Reunidas as informações acima requeridas deve a autoridade tecer as considerações que entender pertinentes ao bom deslinde do presente processo, intimando a Recorrente para manifestarse sobre o resultado da diligencia. Em 26/11/2014, a recorrente foi intimada a: 1. Apresentar informações detalhadas sobre a forma de utilização do produto “inibidor de corrosão” dentro do processo produtivo da empresa; 2. Apresentar descritivo detalhado dos bens (art. 3o VI da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; 3. Apresentar, em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entenda se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa (art. 3o VII); Em resposta, no dia 15/12/2014, a intimada apresentou os seguintes esclarecimentos: a) em relação ao produto “inibidor de corrosão”, informou que se tratava “de um produto químico apresentado em forma líquida e utilizado no processo de limpeza química ácida, com objetivo de se evitar desgastes das paredes dos trocadores de calor da área de digestão; b) em relação à descrição detalhada dos bens, após apresentar um breve histórico do processo de expansão das suas atividades industriais e um resumo do seu processo produtivo, a recorrente passou a descrever os investimentos realizados nas 2ª e 3ª expansões do parque fabril e respectivos valores aplicados nas atividades de investimentos indiretos, serviços de obras civis, serviços de montagem de equipamentos e instalações, equipamentos e instalações; e c) em relação aos serviços de manutenção glosados, informou que eles não enquadravam “no conceito de Benfeitorias em Imóveis Próprios ou de Terceiros.” Com base nas informações prestadas pela recorrente, por meio do relatório de diligência fiscal de fls. 739/744, a autoridade fiscal opinou pela manutenção integral das glosas, baseadas nos seguintes argumentos relevantes, que seguem transcritos: 1) O produto “Inibidor de Corrosão” era usado somente para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor, em nenhum momento ele é utilizado como “insumo” na produção da Fl. 874DF CARF MF 12 alumina, nunca é usado, em qualquer fase do processo produtivo, na mistura que gera o “licor” da bauxita até sua transformação em alumina. Fazendo uma comparação com o cotidiano, seria similar ao “aditivo” usado no radiador do carro para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero produto para “limpeza”, não participando efetivamente do processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos a glosa dos créditos para o PIS/CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NãoCumulativo desses produtos. 2) Relativamente aos bens do art. 3 VI da Lei 10.833 “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”, que foram glosados pela fiscalização, o sujeito passivo somente transcreveu, de uma forma geral, os aspectos do funcionamento operacional da empresa. Não houve, em relação aos itens glosados, informações específicas sobre a aplicação/destinação de cada item dentro do processo produtivo. Considerando que só foram prestadas informações de forma genérica, é de se manter a glosa efetuada pela fiscalização. 3) Quanto as glosas realizadas nos serviços de manutenção, o sujeito passivo não apresentou elementos que possibilitem sua alteração. Somente foi informado que as mesmas não se enquadram no art. 3o, VII da Lei 10.833. 4) No item "a" das Resoluções citadas, foi levantada a possibilidade, em tese, de aceitarse os créditos oriundos da depreciação normal incidente sobre os Itens que tiveram os encargos da depreciação incentivada (art. 21 da lei 10.865/2004, art. 31 da lei 11.196/05, 1/48 e 1/12) glosados pela fiscalização. Em atendimento ao requerido pelo CARF e considerando que não foram reconhecidos os encargos de depreciação normal quando das glosas, elaboramos diversas planilhas contendo os encargos de depreciação normal incidentes sobre os bens anteriormente glosados. As planilhas geradas com as respectivas taxas de depreciação e data de vigência estão contidas no CD anexo ao presente relatório. Está incluído no CD uma planilha com os bens que consideramos não passíveis de gerarem créditos relativos a encargos de depreciação normal, segue abaixo dados das planilhas: [...] Embora tenhamos efetuado os cálculos dos encargos de depreciação normal incidentes sobre os itens anteriormente glosados, seguindo as resoluções do CARF, não concordamos com o reconhecimento dos créditos incidentes sobre os citados encargos, conforme colocações abaixo: Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 870 13 a) Em todos Demonstrativos de Apurações das Contribuições Sociais (DACONs), entregues pelo sujeito passivo só foram preenchidos os itens referentes a créditos sobre encargos de depreciação com base no “Valor de Aquisição” (leis 10.865/2004, 11.196/2005), Ficha 16 A/10, Ficha 16 B/07, Ficha 06 A/10 e Ficha 06 B/07; b) Os itens referentes às depreciações normais flei 10.833/2003) das referidas fichas, ficaram “em branco”; c) O contribuinte, espertamente, alocou todas aquisições do ativo imobilizado (veículos, maquinas, moveis, ferramentas, edificações...) na lei que lhe seria mais benéfica (dep. incentivada) não tendo qualquer cuidado em separar os bens que estariam beneficiados pelo incentivo dos demais bens sujeitos à depreciação normal; d) Como as leis são bem claras em relação aos bens incentivados, a conduta do sujeito passivo não pode ser considerada “erro de fato” no preenchimento das DACONs; Notas: Não foi concedido o benefício da depreciação incentivada para os outros bens, senão máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado e utilizados na fabricação de produtos destinados a vendas, ficando fora do benefício a aquisição de: móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. A partir de 1°/12/2005, são também admitidos créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado desde que sejam utilizados na produção de bens destinados à venda, continuando fora do benefício a aquisição de: móveis, veículos, construção civil e outros bens que não sejam utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a 1/12(um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em mícroregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art 31, e Decreto n° 5.988/2006). e) Como são atos legais distintos e com campos próprios para serem declarados nos DACOIMs, é de se aplicar o art. 832 do RIR/99 que veda a retificação de declaração após iniciado e concluído o processo fiscal de lançamento de ofício; Fl. 876DF CARF MF 14 As planilhas referenciadas no presente relatório estão contidas no CD/DVD anexo e foram autenticados e validados através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA) que pode ser acessado no site da Receita Federal. (grifos do original) Em 29/5/2015 (fl. 744), a recorrente foi regularmente cientificada do citado relatório de diligência fiscal e arquivos digitais, bem como lhe foi facultado, no prazo de 30 (trinta) dias, a apresentar manifestação. Em resposta ao referido trabalho de diligência fiscal, em 19/6/2015, por meio da petição de fls. 751/771, a recorrente reprisou os argumentos aduzidos no recurso voluntário, acrescidos apenas de novas transcrições de legislação e de jurisprudência deste Conselho. No final, reiterou o pedido constante do recurso voluntário e que fossem acolhidas as razões apresentadas na manifestação, bem como, requereu que fosse atendida à diligência determinada por este Colegiado, a fim de realizar registros fotográficos, levantamentos físicos e periciais, nomear um técnico habilitado com formação acadêmica mínima para fazer inspeção na fábrica, conforme determinado na citada Resolução. Na Sessão de 9 de dezembro de 2015, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à glosa de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep do 2º trimestre de 2007, que resultou no deferimento parcial do valor do crédito informado e, por conseguinte, na homologação parcial do débito compensado. De acordo com relatório fiscal de fls. 403/410, as glosas limitaramse a parte dos créditos apropriados sobre (i) os custos de aquisição de bens e de serviços utilizados como insumos e (ii) os encargos de depreciação acelerada incentivada de bens registrados no ativo imobilizado. 1) Da Definição de Insumos. Em relação às glosas dos créditos calculados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos de fabricação, as razões jurídicas, de caráter geral, apresentadas pela autoridade fiscal foram as que seguem transcritas: A pessoa jurídica poderá se creditar de aquisições de insumos (bens ou serviços), inclusive combustíveis e lubrificantes efetuadas no mês. Considerase como insumos a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda da propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 871 15 De outra parte, para a recorrente, insumo seria não apenas o que incorporado ao produto final a ser comercializado, mas tudo aquilo que concorresse na composição do processo produtivo desse produto, ou seja, cada um dos elementos imprescindíveis para a produção das mercadorias ou para a prestação dos serviços. Com base nos entendimentos apresentados pela autoridade fiscal e pela recorrente, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance do termo insumo, utilizado no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, que permite a dedução de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...] (grifos não originais) Como o referido diploma legal não há definição de insumo, duas correntes definemno de forma diferente. A primeira, capitaneada pelos integrantes da Administração tributária, considera insumo os bens que se integram ao produto final (matériasprimas e Fl. 878DF CARF MF 16 produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem) e quaisquer outros que sofram alterações, tais como desgaste, desbaste, dano e perda de propriedades físicas ou químicas, em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou viceversa. Essa corresponde, em termos gerais, a definição de insumo prevista na legislação do IPI, especificamente, no veiculada no Parecer Normativo CST 65/1979. A segunda, representada por parte relevante da doutrina, considera insumo de produção os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento do processo de produção/fabricação da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação (custos), assim como aqueles necessários a manutenção da atividade da pessoa jurídica (despesas), que corresponde a definição custos e despesas da legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo (i) tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, (ii) quanto os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação dos bens aplicados diretamente na produção. Com a ressalva de que insumos e custos são termos que representam a mesma realidade de forma diferente, isto é, enquanto insumos representam os bens materiais ou imateriais (ou serviço), os custos representam a expressão financeira (o valor monetário) despendida na aquisição do respectivo bens. Ambos representam mesma realidade de forma distinta, ou seja, os insumos representam o fluxo físico dos bens, enquanto os custos representam o fluxo financeiro dos mesmos bens. E, no âmbito pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. No entendimento deste Relator, com a devida vênia aos que entendem de forma diferente, essa é a definição que melhor reflete o significado e alcance jurídico do termo insumo, contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002. E com base nesse entendimento, podese asseverar que, no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, enquadramse na definição de insumo tanto a matéria prima, o produto intermediário e o material de embalagem, que integram o produto final, quanto aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação, que compreendem os insumos diretos de produção. Também são considerados insumos os bens ou serviços previamente incorporados aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo produtivo, desde que estes bens ou serviços propiciem direito a créditos da referida contribuição. Por outro lado, não integram a definição de insumo de produção ou fabricação os bens e serviços não aplicados ou consumidos no processo de produção ou fabricação. Em outras palavras, todos os bens ou serviços utilizados antes do início ou após a conclusão do processo de produção ou fabricação, que incluem os bens e serviços utilizados (i) na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, compreende às despesas préindustriais, ou (ii) na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, equivalem às despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica (as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc.). Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 872 17 Com base nesse entendimento, passase a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação pela recorrente, especificamente, aqueles cujos créditos glosados foram objeto de contestação pela recorrente. E para facilitar a abordagem e a sua compreensão, analisarseá os pontos controversos, seguindo a mesma ordem dos tópicos apresentados no referido relatório fiscal. 2) Da Glosa dos Créditos Vinculados aos Bens Utilizados Como Insumos (Ficha 16A/16B/02 do Dacon). Nas planilhas de nºs 10 e 10A (fls. 340/391), encontramse relacionados os tipos de bens, que a fiscalização considerou que não foram utilizados na produção da alumina, o produto fabricado pela recorrente, cujos respectivos créditos foram glosados, pelos seguintes motivos, in verbis: 10.1 Combustíveis e Carvão Energético utilizados como energia térmica no aquecimento das caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de Combustíveis/Carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agir diretamente no processo produtivo; 10.2 Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo; 10.3 Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado; 10.4 Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo. 10.5 Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados. No recurso em apreço, de forma genérica, a recorrente alegou que “os insumos glosados participam efetivamente do processo de industrialização da alumina, passíveis, por conseguinte, de restituição no esteio da não cumulatividade da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP”. Para facilitar a análise da controvérsia, revelase de todo oportuno que se tenha uma visão geral do complexo processo fabricação da alumina, o produto industrializado no estabelecimento fabril da recorrente e destinado à venda parte no mercado interno e o restante no mercado externo. No documento de fls. 51/83, a recorrente assim descreveu o processo de produção da alumina, realizado no seu estabelecimento industrial, in verbis: Para se extrair a Alumina da Bauxita utilizamos o Processo Bayer desenvolvido, há cerca de 100 anos, pelo Austríaco KARL JOSEPH BAYER. Fl. 880DF CARF MF 18 Inicialmente, a Bauxita, misturada com uma solução de Soda Cáustica e Cal é moída formando uma polpa de Bauxita que é préaquecida antes de receber uma nova adição de Soda na qual a Alumina se dissolverá sob certas condições separandose das impurezas. Seguemse as etapas de Decantação, Separação de Lama e Filtração que eliminarão as impurezas remanescentes da Alumina dissolvida, obtemos a solução de Licor Rico em Alumina dissolvida de alta pureza. Em equipamentos chamados Precipitadores, a Alumina da solução de Licor Rico se precipitará através de um processo chamado "Cristalização por Semente", obtendose o Hidrato de Alumina. O Hidrato é, então, classificado, lavado e calcinado, obtendose assim um pó fino branco denominado Alumina, sendo necessário 5 t de bauxita para uma de alumina, em média. Os fluxogramas geral e parcial do processo de produção do referido produto encontramse reproduzido na primeira página do citado documento e no documento de fl. 738. Da glosa dos créditos relativos aos bens discriminados na planilha nº 10. Na planilha de nº 10 (fls. 340/347), encontramse discriminados os produtos/bens utilizados nas caldeiras para geração de energia térmica (vapor) ou limpeza (subitem 10.1) e os produtos/bens não aplicados diretamente no processo produtivo (subitem 10.2). De forma específica, a recorrente contestou a glosa dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição do Óleo Combustível BPF, que segundo a fiscalização era utilizado na geração de vapor das caldeiras para o processo e calcinação do hidrato. Não há controvérsia quanto ao fato de que a queima do óleo combustível BPF em fornos de calcinação destinase a produção de energia térmica sob a forma de vapor a ser consumido no processo industrial de produção da alumina, que é produto fabricado pela recorrente, conforme se extrai do excerto extraído do recurso voluntário em apreço, que segue transcrito: Não é admissível glosar a aquisição de um insumo no caso, o óleo combustível/BPF que é diretamente empregado na produção da alumina, com previsão serena e sem restrições na norma regente, pelo só fato de que sua aplicação no processo produtivo específico da alumina ocorre mediante processo havido no interior das caldeiras que resulta em energia a vapor. O fato é que a energia não foi adquirida pela postulante, e sim produzida a partir do insumo verdadeiro óleo combustível/BPF dentro dos equipamentos da refinaria. (grifos não originais) Essa afirmação esclarece que o referido produto não é insumo aplicado direta e imediatamente no processo produtivo da alumina. Ora, se o referido combustível era utilizado para produzir energia térmica, sob a forma de vapor, logo, o insumo diretamente utilizado no processo produtivo era a energia térmica resultante da queima do combustível e não o próprio combustível. De fato, o citado combustível era submetido a processo de combustão nas caldeiras, para fim de geração de energia térmica, sob a forma de valor, que era utilizado no processo produtivo da alumina, conforme demonstrado fluxograma geral do processo de produção colacionado aos autos. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 873 19 Assim, resta demonstrado que não o referido combustível não era utilizado como insumo de produção da alumina, mas do vapor gerado por sua queima nas respectivas caldeiras, que gera a energia térmica utilizada pela recorrente como insumo de produção. Cabe ressaltar, por oportuno, que no período de apuração dos créditos objeto da presente lide, só havia previsão de apropriação de créditos sobre custos na aquisição de energia elétrica. A extensão para a energia térmica somente ocorreu a partir de 15/6/2007, data da vigência da Lei 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 3º, III, da Lei 10.833/2003. Acontece que a interpretação da anterior e nova redação do citado preceito legal, leva a conclusão que ele institui o direito de crédito sobre aquisição de energia elétrica, quando ela não é utilizada como insumo produção, ou seja, quando utilizada nas demais atividades do contribuinte. Se caracterizada como insumo de produção, o fundamento do direito de apropriação de crédito encontrase estabelecido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, vigente desde a instituição do regime não cumulativo. Esse é, inclusive, o entendimento da própria administração tributária, que se encontra explicitado Ato Declaratório Interpretativo (ADI) nº 2/2003, cujos excertos pertinentes seguem transcritos: Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e II prestação de serviços. [...] Art. 3º Para os fatos geradores da contribuição para o PIS/Pasep, na modalidade nãocumulativa, ocorridos em dezembro de 2002 e janeiro de 2003: I a receita decorrente da venda de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica integra a respectiva base de cálculo; II não poderá ser descontado: a) o crédito do PIS/Pasep calculado em relação ao valor da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, exceto quando se tratar de insumo utilizado na forma prevista no art. 1º; e [...] (grifos não originais). Assim, de acordo com a definição de insumo aqui adotado, inequivocamente, o custo de aquisição do referido combustível gera direito a crédito da Cofins. Cabe ainda ressaltar que, embora a recorrente não houvesse contestado, de forma específica, a glosa dos créditos apropriados sobre o custo de aquisição do produto “Inibidor de Corrosão”, por meio referida Resolução, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, para que a recorrente, apresentasse informações detalhadas sobre a forma de utilização do citado produto dentro do processo produtivo da empresa. Fl. 882DF CARF MF 20 Em resposta, a recorrente prestou a seguinte informação: “Tratase de um produto químico apresentado em forma líquida e utilizado no processo de limpeza química ácida, com objetivo de se evitar desgastes das paredes dos trocadores de calor da área de digestão.” No item 1 do citado relatório de diligência fiscal, a fiscalização assim descreveu o referido produto, in verbis: 1) O produto "Inibidor de Corrosão" é usado somente para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor, em nenhum momento ele é utilizado como "insumo" na produção da alumina, nunca é usado, em qualquer fase do processo produtivo, na mistura que gera o "licor" da bauxita até sua transformação em alumina. Fazendo uma comparação com o cotidiano, seria similar ao "aditivo" usado no radiador do carro para diminuir o efeito corrosivo da água sobre as paredes do radiador. Por ser um mero produto para "limpeza", não participando efetivamente do processo químico de transformação da bauxita em alumina é que efetuamos a glosa dos créditos para o PIS/COFINS NãoCumulativo desses produtos. (grifos não originais) Como o referido produto é utilizado para limpeza ácida dos equipamentos e trocadores de calor utilizados no âmbito do processo industrial, diferentemente do que entendeu a fiscalização, tratase de insumo de produção, portanto, a recorrente faz jus à apropriação dos créditos da contribuição. A mesma conclusão aplicase ao “Ácido Sulfúrico”, utilizado na limpeza de dutos e trocadores de calor, desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes. Com base nessas considerações, por atender ao conceito de insumos, deve ser restabelecidos os valores dos créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. Da glosa dos créditos relativos aos bens discriminados na planilha nº 10A. Na planilha de nº 10A (fls. 348/391), encontramse discriminados os produtos/bens considerados como ativo imobilizado (subitem 10.3) e produtos/bens sem descrição detalhada ou sem informação sobre sua aplicação no processo produtivo (subitem 10.4). No recurso em apreço, a recorrente não apresentou qualquer esclarecimento ou contestação específica sobre as glosas dos créditos, calculados sobre os valores de aquisição dos referidos produtos/bens. Com base apenas na simples descrição, resta evidenciado que, dentre outros, os seguintes produtos não foram aplicados no processo produtivo: torneiras para jardim, ferramentas manuais, ferramentas intercambiáveis, trenas, tábuas de passar, lixeiras para a sala de RH, pilha alcalina AAA, bateria automotiva, disjuntores e transformador de comando etc. Em suma, por não atender ao conceito de insumo, deve ser mantida a glosa integral dos créditos calculados sobre o valor de aquisição relacionado nas planilhas de nºs 10 e 10A, incluindo o valor dos fretes vinculados aos transportes dos respectivos bens, conforme procedido pela autoridade fiscal. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 874 21 3) Da Glosa dos Créditos Vinculados aos Serviços Utilizados como Insumos (Ficha 06A/03 do Dacon). Na planilha de nº 08 (fls. 336/337), encontramse relacionados os tipos de serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção da alumina, o produto fabricado pela recorrente, cujos créditos foram glosados. No recurso em apreço, a recorrente limitouse a contestar a glosa dos créditos calculados sobre os serviços de transportes de rejeitos industriais, sob o argumento de que os dispêndios realizados com tais serviços, enquanto vinculados à receita de exportação, gerariam créditos, nos termos do art. 6º, § 1º e 3º, da Lei 10.833/2003. Sem razão a recorrente. Os referidos preceitos legais tratam da forma de apuração e utilização dos créditos vinculados às operações de exportação. As situações que a asseguram apropriação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep estão especificadas nos incisos I a XI da Lei 10.833/2003. Em julgamentos anteriores, após analisar os referidos preceitos legais, este Relator chegou à conclusão, que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são assegurados somente em ralação aos serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os gastos com os serviços de transporte de rejeitos industriais, inequivocamente, não se enquadram em nenhuma das referidas condições. A uma, porque não são insumos aplicados no processo de produção ou fabricação. A duas, porque não representa serviço de transporte (frete) na operação de venda, em que o ônus foi suportado pelo vendedor. Relativamente aos demais serviços, embora não tenha havido contestação específica, a descrição apresentada na planilha nº 8 revela que tais serviços não estavam Fl. 884DF CARF MF 22 relacionados com o processo produtivo da recorrente. Certamente, não foram aplicados na produção da alumina, dentre outros, os serviços de fornecimento de concreto usinado, palestras, manutenção de bicicletas, revisões efetuadas em veículos de passeio e assessoria técnicos comerciais nas compras de energia elétrica, serviços topográficos realizado em diversas áreas da recorrente, chave de impacto, manutenção de elevadores, manutenção de pequenas obras civis etc. Em atenção ao pedido de informação sobre os serviços de manutenção glosados pela fiscalização feito pelo Colegiado, por meio da Resolução, que converteu o julgamento em diligência, a recorrente informou que os mesmos não se enquadravam no conceito de benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros. Por conseguinte, se tais serviços não atendem os requisitos do art. 3º, VII, da Lei 10.833/2003, não merece reparo a glosa dos referidos serviços realizada pela fiscalização. Com base nessas considerações, deve ser mantida a totalidade das glosas dos créditos, calculadas sobre o custo de aquisição dos serviços discriminados na planilha de nº 08, conforme procedida pela fiscalização. 4) Da Glosa dos Créditos Calculados Sobre Encargos de Depreciação Incentivada de Bens do Ativo Imobilizado (Ficha 06A/06B/10 do Dacon). A fiscalização procedeu a glosa dos créditos calculados sobre os encargos de depreciação incentivada acelerada, previstos no art. 3º, § 14, da Lei 10.833/2003 (4 anos ou 1/48 mensal) e no art. 31, II, da Lei 11.196/2005 (1 ano ou 1/12 mensal). Da glosa dos créditos calculados sobre encargos de depreciação incentivada a taxa 1/48 por mês. O primeiro tipo de glosa referese às aquisições dos bens do Ativo Imobilizado, realizadas no período de maio/2004 a dezembro/2005, por não serem máquinas e/ou equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B. Essa glosa foi dividida em duas categorias: a) máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados à venda; e b) máquinas, equipamentos e outros bens considerados como edificações. Segundo a autoridade fiscal, até 30/11/2005, o referido benefício da depreciação incentivada foi concedido apenas para os máquinas e equipamentos destinados ao Ativo Imobilizado, utilizados na fabricação do bem destinado a venda, ficando de fora do benefício a aquisição os móveis, ferramentas, instrumentos, construção civil, veículos e outros não considerados máquinas ou equipamentos. E a partir de 1/12/2005, foram também admitidos os créditos em relação a outros bens incorporados ao ativo imobilizado, desde que fossem utilizados na produção do bem destinado à venda, continuando fora do benefício a aquisição de móveis, veículos, construção civil e outros bens que não fossem utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda. Os valores dos produtos relacionados na planilha 1 foram glosados porque os bens ali descritos não foram aplicados na produção dos bens destinados à venda, como exige o art. 3º, VI, § 1º, III, combinado com o § 14 da Lei nº 10.833/04. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 875 23 manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota materiais elétricos diversos, entre outros. É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. O entendimento da autoridade fiscal está em consonância com disposto no art. 3º, § 14, da Lei 10.833/2003, vigente na data dos fatos, a seguir transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; [...] § 1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...] § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Fl. 886DF CARF MF 24 Em relação a essa modalidade de glosa, a recorrente se limitou em alegar, de forma genérica, que “os itens qualificados como máquinas foram efetivamente incorporados ao ativo imobilizado e empregados na produção da alumina destinada à venda”. Porém, em relação máquinas incorporadas ao ativo imobilizado e utilizadas na produção do bem destinado à venda, a fiscalização manteve o crédito apropriado pela recorrente. A glosa limitouse aos bens registrados no ativo imobilizado que não foram aplicados na produção do bem destinado à venda, porém, em relação aos referidos bens, discriminados nas citadas planilhas, a recorrente não apresentou qualquer elemento que comprovasse que eles foram utilizados na produção do bem destinado à venda. E a leitura das referidas planilhas revela que assiste razão a fiscalização, pois, na planilha nº 1, estão relacionados a equipamentos de informática, móveis e utensílios, ferramentas para elétrica, ferramentas diversas, sobressalentes nacionais, instalações provisórias para construção de canteiros, sistema monitor de câmeras da fábrica, equipamentos para restaurante, melhorias para tratamento de efluentes etc. Os valores dos encargos relacionados nas planilhas 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos são edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mão de obra, “diversos materiais para construção civil” etc. E os bens relacionados na planilha 4, constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, lanches comerciais, café da manhã completo, desfibrilador, veneziana translúcida, condicionadores de ar, poltrona executiva diretor spider, execução de serviços de topografia, serviços de paisagismo das áreas dos restaurantes, veículo Toyota materiais elétricos diversos, entre outros. No recurso em apreço, a recorrente apresentou apenas alegações genéricas, sem amparo em qualquer elemento de prova adequado. Em relação a esse ponto, a defesa da recorrente limitouse em transcrever e comentar a legislação sobre apropriação de créditos normais de depreciação, bem como transcrever textos de jurisprudência e de doutrina sem relação com o motivo da glosa dos créditos em apreço, ou seja, o não atendimento dos requisitos para exercer a indevida opção pela apropriação de créditos, calculados sobre os encargos de depreciação incentivada no prazo de 48 meses. Assim, com base nos tipos de bens descritos nas referidas planilhas fica demonstrado que eles não foram aplicados no processo de fabricação da alumina, portanto, deve ser integralmente mantida a glosa realizada. Da glosa dos créditos calculados sobre encargos de depreciação incentivada a taxa 1/12 por mês. O segundo tipo de glosa referese às aquisições dos bens do Ativo Imobilizado, realizadas no período de janeiro a dezembro de 2006. O valor, a descrição dos bens e o motivo da glosa encontramse detalhado na planilha de nº 07D. O direito ao crédito calculado sobre o valor do encargo de depreciação acelerada (1/12 do custo de aquisição do bem), tratase de benefício fiscal previsto no âmbito do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), destinado às pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras, que somente se aplica às Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 876 25 máquinas, aos aparelhos aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microrregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam, conforme estabelecido art. 31, II, da Lei 11.196/2005 (vigente na época dos fatos), a seguir transcrito: Art. 31. Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, para bens adquiridos a partir do anocalendário de 2006 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional, em microrregiões menos desenvolvidas localizadas nas áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam, terão direito: [...] II ao desconto, no prazo de 12 (doze) meses contado da aquisição, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o PIS/Pasep de que tratam o inciso III do § 1odo art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o inciso III do § 1odo art. 3oda Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e o § 4o do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, na hipótese de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado. [...] (grifos não originais). O referido preceito legal foi regulamentado pelo Decreto 5.988/2006, do qual merece destaque o art. 3º, a seguir reproduzido: Art. 3º O direito ao desconto dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP mencionado no inciso II do art. 1º aplicase às máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto nº 5.789, de 25 de maio de 2006, destinados aos projetos de que trata o caput do art. 1o. [...] (grifos não originais). Em conformidade com o citado preceito regulamentar, somente o custo de aquisição das máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados no Decreto 5.789/2006, podem ser apropriados como créditos das referidas contribuições, no prazo de 12 (doze) meses contado da data da aquisição. De acordo com a citada planilha de nº 07D, os motivos da glosa dos créditos em apreço foram os seguintes: a) bens com da data de aquisição (emissão nota fiscal) anterior a janeiro de 2006, ou seja, antes do início da vigência do benefício; b) edificações construídas no ano de 2006 e 2007; c) bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo; d) bens não relacionados no Decreto 5.789/2006, conforme exige o art. 3º do Decreto 5.988/2006; e) vendas equiparadas a exportação, que não geram direito a crédito. Fl. 888DF CARF MF 26 Da análise do conteúdo da referida planilha e com base nos esclarecimentos apresentados no citado relatório fiscal, verificase que, diferentemente do alegado pela recorrente, a autoridade fiscal não só relacionou todos bens que não atendiam os requisitos legais para gozo do referido beneficio fiscal, como apresentou os motivos das respectivas glosas. Assim, para contraditar os fundamentos da questionada glosa, cabia a recorrente manifestarse, especificamente, em relação aos itens objeto da glosa, bem como apresentar as razões e/ou os elementos probatórios adequados que infirmassem os motivos apresentados pela fiscalização. Porém, não foi o que ocorreu nas duas oportunidades em que a recorrente compareceu aos autos para se defender. Com efeito, da leitura das referidas peças defensivas, especialmente do recurso em apreço, extraise que a recorrente restringiuse em apresentar alegações genéricas, sem amparo em qualquer elemento de prova adequado, assim como em transcrever a legislação instituidora e regulamentadora do citado benefício fiscal, bem como textos de jurisprudência e de doutrina sem relação com a questão objeto da lide. No caso, se a recorrente alegou que os motivos da glosa não tinham procedência, cabialhe o ônus de apresentar e comprovar o alegado equívoco da fiscalização. Ao se limitar a apresentar de argumentos meramente teóricos, para contraditar elementos de natureza fática, inequivocamente, a defesa apresentada deixa de ter relevância, por se tratar de uma peça de cunho meramente retórica. Do resultado da diligência fiscal. Em relação a esse tópico, cabe destacar ainda a resposta da autoridade fiscal à indagação formulada na referida Resolução, que determinou a conversão do julgamento em diligência, no sentido de que, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação acelerada incentivada de 1/48 (art. 21 da Lei 10.865/2004) e 1/12 (art. 31 Lei 11.196) do valor de aquisição, não foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03. Mas, atendendo solicitação pelo Colegiado, a autoridade fiscal elaborou as planilhas com os respectivos valores da depreciação normal, que integram o arquivo não paginável anexado ao documento de fl. 748. Embora tenha apurados os valores da depreciação normal, calculados sobre os itens das referidas depreciações incentivadas que foram glosados, em cumprimento a determinação deste Colegiado, a autoridade fiscal manifestou a sua discordância quanto ao reconhecimento dos créditos incidentes sobre os citados encargos depreciação normal, com base nas razões a seguir reproduzidas: a) Em todos Demonstrativos de Apurações das Contribuições Sociais (DACONs), entregues pelo sujeito passivo só foram preenchidos os itens referentes a créditos sobre encargos de depreciação com base no "Valor de Aquisição" (leis 10.865/2004, 11.196/2005), Ficha 16 A/10, Ficha 16 B/07, Ficha 06 A/10 e Ficha 06 B/07; b) Os itens referentes às depreciações normais (lei 10.833/2003) das referidas fichas, ficaram "em branco"; c) O contribuinte, espertamente, alocou todas aquisições do ativo imobilizado (veículos, maquinas, moveis, ferramentas, edificações...) na lei que lhe seria mais benéfica (dep. incentivada) não tendo qualquer cuidado em separar os bens que Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10280.722267/200952 Acórdão n.º 3302004.597 S3C3T2 Fl. 877 27 estariam beneficiados pelo incentivo dos demais bens sujeitos à depreciação normal; d) Como as leis são bem claras em relação aos bens incentivados, a conduta do sujeito passivo não pode ser considerada "erro de fato" no preenchimento das DACONs; Além das pertinentes ponderações apresentadas pela autoridade fiscal, no recurso voluntário em apreço não existe nenhum pedido ou manifestação da recorrente, sequer em caráter alternativo, a respeito do direito de apropriação dos créditos sobre o valor dos encargos de depreciação normal. Diante desta constatação, cabe decidir sobre a seguinte questão: pode este Colegiado conceder, de ofício, parcela de crédito que não foi pleiteada pela recorrente, ainda que houvesse amparo legal para apropriação pela recorrente em momento oportuno? Este Relator entende que não. Não se pode olvidar que a função deste Colegiado limitase a julgar as questões objeto do recurso de ofício e voluntário. Com a ressalva de que apenas as matérias de ordem pública podem ser apreciadas e resolvidas pelo Colegiado, o que não é o caso em tela. Com base nessas considerações, propugnase pela manutenção integral das glosas dos créditos apropriados sobre os encargos de depreciação acelerada incentivada, determinadas pela fiscalização. 5) Da manifestação da recorrente sobre o resultado da diligência. Por meio da petição de fls. 751/771, em 19/6/2015, a recorrente alegou que não fora atendida à diligência determinada por este Colegiado, uma vez que a autoridade fiscal não havia realizado registros fotográficos, levantamentos físicos e periciais, nomeado um técnico habilitado com formação acadêmica mínima para fazer inspeção na fábrica, conforme determinação deste Colegiado. Não procede a alegação da recorrente. Da simples leitura do inteiro teor da Resolução colacionada aos autos, que determinou a realização da referida diligência, não existe a mencionada determinação de que a autoridade fiscal realizasse registros fotográficos, levantamentos físicos e periciais, nomeado um técnico habilitado com formação acadêmica mínima para fazer inspeção na fábrica da recorrente. Diferentemente do alegado, de acordo com a citada Resolução, o que fora determinado, por este Colegiado, à autoridade fiscal foi que ela informasse se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada, foram considerados os créditos da depreciação normal e, caso negativo, elaborasse planilha com o valor dos créditos, o que foi plenamente atendido. Ainda foi determinado que a recorrente fosse intimada a apresentar descrição detalhada das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, objeto da glosa, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo. Porém, apesar de devidamente intimada, a recorrente limitouse apenas em transcrever, de uma forma geral, determinados aspectos do funcionamento operacional da empresa, com destaque para a implantação/ampliação do parque fabril. Fl. 890DF CARF MF 28 6) Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para restabelecer os créditos glosados calculados sobre o valor de aquisição do óleo combustível BPF, Inibidor de Corrosão e Ácido Sulfúrico. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 891DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.903123/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.398
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/05/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada qualquer documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito apto a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 31 23 /2 01 2- 15 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13830.903123/201215 Acórdão n.º 3402004.398 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de COFINS. O despacho decisório indeferiu o pedido de restituição por inexistência do crédito pleiteado face a vinculação do DARF nele informado com a quitação de débitos do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega em síntese que: (...) a empresa tem seus produtos tributados à alíquota zero de PIS e Cofins, conforme determina o art. 1º, inciso XII, da Lei nº 10.925, de 2004. Faz ainda referência à legislação que autoriza o contribuinte a solicitar o ressarcimento ou restituição dos valores que resultarem em crédito acumulado ou recolhimento que se revelou indevido ou a maior. Destaca que revisou suas apurações de PIS e Cofins e constatou que apurou erroneamente os valores ao tributar receitas sujeitas à alíquota zero, tendo efetuado os pedidos de restituição, via PER/DCOMP. Diante disso, foram retificados os Dacon, revelando saldo credor das referidas contribuições. Afirma ainda que, em data posterior ao protocolo dos pedidos, efetuou também as retificações das DCTF, cujo recibo segue anexo. Diante disso, o recorrente não pode ter seu pedido de restituição indeferido sem que se analise o crédito que lhe deu origem, demonstrado no Dacon retificador que se encontra no banco de dados da Receita Federal. Também é necessário que se verifiquem as DCTF retificadoras apresentadas. Defendeu ainda o direito à incidência da taxa Selic sobre o crédito em debate. Ao final, requer: 1. seja recebida e processada a manifestação de inconformidade; 2. seja determinada nova verificação do Dacon retificador e da DCTF retificadora relativa ao período em debate, para o fim de identificar o crédito objeto deste processo; 3. seja reformado o Despacho Decisório, para o fim de reconhecer integralmente o crédito objeto do PER/DCOMP nº 19327.90131.170910.1.2.043613, que tem origem em pagamento indevido ou a maior demonstrado em Dacon e DCTF; 4. que seja determinada a atualização do crédito pela taxa Selic, nos termos fixados no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13830.903123/201215 Acórdão n.º 3402004.398 S3C4T2 Fl. 4 3 5. que seja determinado o depósito do valor solicitado e atualizado em conta corrente especificada. Sobreveio então o Acórdão 02060.660, da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, devido a ausência de comprovação do pagamento indevido ou a maior. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.394, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13830.903129/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.394): "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13830.903123/201215 Acórdão n.º 3402004.398 S3C4T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à COFINS, decorrente de pagamentos indevidos (receita da venda de seus produtos, queijos, que é reduzida a zero pela legislação da Contribuição). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13830.903123/201215 Acórdão n.º 3402004.398 S3C4T2 Fl. 6 5 COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o crédito alegado. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.903123/201215 Acórdão n.º 3402004.398 S3C4T2 Fl. 7 6 Ressalto que com relação à alegação em manifestação de inconformidade que haveria DCTF retificadora, a decisão recorrida bem coloca que os valores constantes desse documento foram aqueles utilizados pela Fiscalização para a análise do PER/DCOMP, bem como que, com o exame do DACON retificador, fica evidenciada a utilização do crédito em questão. Nesse sentido, destaco o seguinte trecho do acórdão da DRJ: Quanto à alegada retificação da DCTF, registrese que o documento retificador constante dos sistemas mantidos pela Receita Federal, entregue em 28/09/2012 (conf. recibo de entrega), revela a existência do débito no valor que foi considerado no Despacho Decisório e indicado no quadro “UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP. (...) Nestas condições, fica convalidado em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado, que evidencia que o crédito postulado pelo contribuinte foi utilizado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de restituição. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.903123/201215 Acórdão n.º 3402004.398 S3C4T2 Fl. 8 7 provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803 006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.903123/201215 Acórdão n.º 3402004.398 S3C4T2 Fl. 9 8 para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo sido em momento algum comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Quanto a correção monetária do crédito, hodiernamente não restam mais dúvidas sobre a necessidade de correção monetária do indébito, desde a data em que o pagamento foi feito ao Estado. É o que consta tanto da jurisprudência do Supremo, da Súmula nº 46 do extinto Tribunal Federal de Recursos, quanto da Súmula n. 162 do Superior Tribunal de Justiça, vazada nos seguinte dizeres: “na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.” Inclusive, merece destaque o Parecer AGU/MF01/96 da AdvocaciaGeral da União, publicado no Diário Oficial de 18.01.96, que claramente sintetizou as soluções adotadas pelos legítimos intérpretes da lei, além de enfatizar o papel da correção monetária nas ações de repetição de indébito. 2 2 Mesmo na inexistência de expressa previsão legal, é devida correção monetária de repetição de quantia indevidamente recolhida ou cobrada a título de tributo. A restituição tardia e sem atualização é restituição incompleta e representa enriquecimento ilícito do Fisco. Correção monetária não constitui um plus a exigir expressa previsão legal. É, apenas, recomposição do crédito corroído pela inflação. O dever de restituir o que se recebeu indevidamente inclui o dever de restituir o valor atualizado. Se a letra fria da lei não cobre tudo o que no seu espírito se contém, a interpretação integrativa se impõe como medida de Justiça. Disposições legais anteriores Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.903123/201215 Acórdão n.º 3402004.398 S3C4T2 Fl. 10 9 Ademais, fato é que a Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 (artigo 66, § 3º) trouxe a disciplina de forma expressa ao âmbito tributário, especificamente sobre a restituição e compensação de tributos federais. Desde então, diferentes índices foram usados para fins de atualização monetária dos indébitos fiscais, terminando com a taxa de juros Selic aplicada atualmente. Contudo, como destacado alhures, não houve a comprovação de crédito a ser utilizado pela Recorrente, de modo que resta prejudicado seu pedido acerca da correção monetária do mesmo. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire à Lei n° 8.383191 e princípios superiores do Direito brasileiro autorizam a conclusão no sentido de ser devida a correção na hipótese em exame. A jurisprudência unânime dos Tribunais reconhece, nesse caso, o direito a ̀ atualização do valor reclamado. O Poder Judiciário não cria, mas, tãosomente aplica o direito vigente. Se tem reconhecido esse direito é porque ele existe. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005938/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NÃO CONTESTADO. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. MANUTENÇÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 2401-004.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse recalculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32-A. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NÃO CONTESTADO. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. MANUTENÇÃO. Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NÃO CONTESTADO. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. MANUTENÇÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 59 38 /2 01 0- 01 Fl. 374DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse recalculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32A. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 375 3 Relatório COLETIVOS VENDA NOVA LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0232.369/2011, às efls. 85/89, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente a constatação de que a autuada apresentou GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, relativas às competências 06/2006, 07/2006, 10/2006 e 13/2006, com informações incorretas ou omissas, quais sejam, as remunerações pagas a segurados empregados, conforme Auto de Infração, às efls.01/02, e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 03, a multa cabível é de R$ 56.431,60 (cinqüenta e um mil quatrocentos e trinta e um reais e sessenta centavos) estando prevista no art. 32, IV, §5° da Lei 8.212/91 c/c o art. 284, II do RPS, e corresponde a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos no §4° do art. 32 da Lei 8.212/91. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 95/99, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, sustenta que os valores apontados pela Autoridade Lançadora não retratam a realidade, por incluírem parcelas relativas ao abono de férias instituído por intermédio de Convenção Coletiva de Trabalho, portanto, parcelas de natureza indenizatória. Acresce que de acordo com diversos julgados do STJ, o abono de férias concedido em virtude de acordo coletivo, efetivado sob a égide do artigo 144 da CLT , não integra o salário de contribuição, desde que não excedente a 20 dias de salário. Aduz, que além do auto tributar indevidamente o abono de férias, as cópias das guias devidamente quitadas, que junta à impugnação, demonstram a improcedência do lançamento. Defende que a multa aplicada não pode exceder o valor da obrigação principal, de acordo com o art. 412 do código Civil Brasileiro, que deve ser aplicado ao presente caso. Suscita a ocorrência de bis in idem, pelo fato de ter sido autuada pelo mesmo fundamento em outro auto de infração, qual seja pelo não recolhimento do FGTS de seus funcionários. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Fl. 376DF CARF MF 4 Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 14 de agosto de 2012, foi proposta resolução pelo Nobre Conselheiro Relator Dr. Igor Araújo Soares, acatado pela unanimidade do Colegiado, às efls 111/114, in verbis: [...] De todos os Autos de Infração indicados no TEAF, sejam relativos a obrigações principais ou acessórias, não foi possível descobrirse o paradeiro de todos eles, especialmente nos quais foram lançadas as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores não foram informados em GFIP e que originaram a multa objeto deste Auto de Infração. Se o lançamento principal conexo vier a ser anulado, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde dos Autos de Infração nos quais foram lançadas a obrigações principais. Por tais motivos, tenho que o julgamento do presente Auto de Infração deve se dar somente em conjunto com o Auto de Infração correlatas, ou, quando este já esteja definitivamente julgado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo passem a tramitar em conjunto com os relativos ao lançamento da obrigação principal. Em resposta a diligência encimada, houve um despacho da autoridade administrativa às efls. 119/120, informando o seguinte: [...] Conforme consta as fls. 113 no parágrafo terceiro “Se o lançamento principal conexo vier a ser anulado, concluise, por óbvio, que não havia a obrigatoriedade da recorrente informar os fatos geradores em GFIP, o que elidiria a aplicação da multa lançada no presente Auto de Infração, que tem estreita ligação e é acessório ao deslinde dos Autos de Infração nos quais foram lançadas as obrigações principais.” Os autos que fazem parte desta fiscalização estão discriminados abaixo: AI n. 37.250.7417 Comprot 15504.019267/200913 Referese as contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados.(Apropriação Indébita). AI n. 37.268.8187 Comprot 15504.005935/201069 Referese as contribuições previdenciárias de devidas a Seguridade Social parte segurado. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 376 5 AI n. 37.268.8195 – Comprot 15504.005936/201011. Tratase de contribuições previdenciárias devidas pela empresa destinada a outras entidades. AI n. 37.268.8209 – Comprot 15504.005937/201058. Referese as contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social parte empresa e SAT. AI n. 37.268.8217 Comprot 15504.005938/201001. Código 68 – por apresentar GFIP om dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99).[...] Uma vez ter o processo retornado a este Conselho com a devida resposta encimada, após regular processamento, foi proposta nova Resolução n° 2401000.459 pelo Nobre Conselheiro Relator Dr. Igor Araújo Soares, às efls 238/244, in verbis: [...] Cumprida a diligência, informou a fiscalização que os lançamentos principais são relativos aos processos n. [...] Apesar de terem sido carreadas tais informações aos autos, o presente processo não pode ser apensado aos demais, em virtude de todos já se encontrarem arquivados, também não tendo sido prestadas quaisquer informações acerca do sorte de cada um dos processos, se arquivados com lançamentos julgados improcedentes ou não. Assim, mesmo que tenham sido explicitados os números dos processos principais no resultado da diligência comandada, ao ver deste julgador, tais informações não me parecem suficientes a subsidiar o julgamento do presente processo em razão de sua relação de acessoriedade, até mesmo em razão de não ser possível identificarse pontualmente quais os fatos geradores não informados em GFIP. Se apenas quanto ao pagamento de abono de férias, ou se também com relação a outros pagamentos, que me parece ser o caso dos autos. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, determinando a baixa dos autos à origem para que seja: (i) esclarecido qual o resultado do julgamento dos processos administrativos n. 15504.019267/200913, 15504.005935/201069, 15504.005936/201011 e 15504.005937/201058; (ii) juntadas aos autos as decisões porventura tomadas em referidos processos; Fl. 378DF CARF MF 6 (iii) informado se os fatos geradores não declarados nas GFIP´s que originaram o presente lançamento são exclusivamente com relação a abono de férias. Em caso negativo, que sejam apontadas quais os demais fatos geradores não informados. Em resposta aos questionamentos exarados na Resolução acima transcrita, foi elaborado um Relatório de Diligência Fiscal pela autoridade administrativa às efls. 248/252, além de terem sido juntados todos os documentos solicitados. Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 377 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. O lançamento fiscal é referente a constatação de que a autuada apresentou GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, relativas às competências 06/2006, 07/2006, 10/2006 e 13/2006, com informações incorretas ou omissas, quais sejam, as remunerações pagas a segurados empregados, conforme Auto de Infração, às efls.01/02, e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 03, a multa cabível é de R$ 56.431,60 (cinqüenta e um mil quatrocentos e trinta e um reais e sessenta centavos) estando prevista no art. 32, IV, §5° da Lei 8.212/91 c/c o art. 284, II do RPS, e corresponde a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos no §4° do art. 32 da Lei 8.212/91. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do RPS. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, sustentando que os valores apontados pela Autoridade Lançadora não retratam a realidade, por incluírem parcelas relativas ao abono de férias instituído por intermédio de Convenção Coletiva de Trabalho, portanto, parcelas de natureza indenizatória. Acresce que de acordo com diversos julgados do STJ, o abono de férias concedido em virtude de acordo coletivo, efetivado sob a égide do artigo 144 da CLT , não integra o salário de contribuição, desde que não excedente a 20 dias de salário. Aduz, que além do auto tributar indevidamente o abono de férias, as cópias das guias devidamente quitadas, que junta à impugnação, demonstram a improcedência do lançamento. Defende que a multa aplicada não pode exceder o valor da obrigação principal, de acordo com o art. 412 do código Civil Brasileiro, que deve ser aplicado ao presente caso. Não obstante o esforço da contribuinte, mais uma vez, seu insurgimento não é capaz de macular a exigência fiscal em comento. Da análise dos autos, concluise que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, senão vejamos. Registrese, que em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito da autuação fiscal correlata e fazendo alegações genéricas. Fl. 380DF CARF MF 8 Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou explicitado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, contrariando o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a aplicação da penalidade calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS. Ocorre que, a autoridade fiscal, em resposta a Resolução transcrita no relato desta minuta, elaborou informação fiscal, onde conclui que todos os lançamentos conexos foram mantidos em sua integralidade por não terem sidos impugnados, anexou aos autos os termos de revelia. Transcrevo o relato fiscal abaixo: [...] 5.1) Auto de Infração nº 37.250.7417 Comprot nº 15504.019.267/200913 Referese às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados. (Apropriação Indébita). Conforme consta da folha nº 30 (em anexo), após transcurso do prazo regulamentar, a empresa não impugnou o lançamento, não quitou ou apresentou prova de interposição de medida judicial para anular ou suspender a exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual foi declarada revel por meio do Termo de Revelia lavrado no dia 08/11/2010. Em decorrência do acima exposto temse que o presente lançamento foi integralmente mantido. 5.2) Auto de Infração nº 37.268.8187 Comprot nº 15504.005935/201069 Referese às contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social, parte do segurado. Conforme consta da folha nº 46 (em anexo), após transcurso do prazo regulamentar, a empresa não impugnou o lançamento, não quitou ou apresentou prova de interposição de medida judicial para anular ou suspender a exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual foi declarada revel por meio do Termo de Revelia lavrado no dia 08/11/2010. 5.3) Auto de Infração nº 37.268.8195 – Comprot nº 15504.005936/201011 – Referese às contribuições previdenciárias devidas pela empresa e destinadas a outras entidades (Terceiros). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 378 9 Conforme consta da folha nº 43 (em anexo), após transcurso do prazo regulamentar, a empresa não impugnou o lançamento, não quitou ou apresentou prova de interposição de medida judicial para anular ou suspender a exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual foi declarada revel por meio do Termo de Revelia lavrado no dia 08/11/2010. 5.4) Auto de Infração nº 37.268.8209 – Comprot nº 15504.005937/201058 Referese às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte empresa e SAT (Patronal). Conforme consta da folha nº 170 (em anexo), após transcurso do prazo regulamentar, a empresa não impugnou o lançamento, não quitou ou apresentou prova de interposição de medida judicial para anular ou suspender a exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual foi declarada revel por meio do Termo de Revelia lavrado no dia 08/11/2010. Em decorrência do acima exposto temse que o presente lançamento foi integralmente mantido.[...] Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à manutenção dos lançamentos retomencionados, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal principal, não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, na forma que pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, em que pese à procedência parcial do lançamento em seu mérito, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A aquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96, senão vejamos: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Fl. 382DF CARF MF 10 III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 8o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV do caput deste artigo impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 379 11 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 384DF CARF MF 12 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifamos) Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Não obstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 380 13 A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Júlio César Vieira Gomes se manifestou com muita propriedade, conforme se depreende do excerto do Voto condutor do Acórdão n° 2402001.895, exarado nos autos do processo n° 15983.000199/200892, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: [...] O recorrente já se beneficiou do direito à relevação de parte da multa aplicada pela correção parcial da falta, mas ainda não quanto à retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao exame desse direito. Seguem transcrições: [...] Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Fl. 386DF CARF MF 14 Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Fl. 387DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 381 15 ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros Fl. 388DF CARF MF 16 de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. [...] Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: [...] Fl. 389DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 382 17 De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazê lo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Fl. 390DF CARF MF 18 Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ressaltase que a verificação da regra mais benéfica deve ser em relação ao valor da multa aplicada no autode infração, anteriormente à qualquer outra redução em face da correção parcial da falta ou outro motivo. Isto porque a retroatividade benéfica do artigo 106 do CTN se opera no plano da subsunção do fato à nova regra jurídica. A relevação de parte da multa pela correção parcial da falta do decorrer do processo deve ser realizada após a incidência da nova regra. Melhor explicando: devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A, inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor; após, a relevação de parte da multa remanescente na proporção da correção parcial da infração. [...] Na esteira desse entendimento, em que pese à procedência do lançamento em relação ao mérito, impõese determinar o recálculo da multa, com fulcro no artigo 32A da Lei n° 8212/91, na forma prescrita na legislação hodierna mais benéfica, retroagindo, portanto, para alcançar fatos pretéritos. Quanto às demais alegações da contribuinte, em especial a alegação de bis in idem, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em parcial consonância com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 391DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 383 19 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, redatora designada. INFRAÇÃO E MULTA APLICADA Discordo do relator que entende que deve ser aplicado ao caso em análise o disposto na Lei 8.212/91, art. 32A. Quanto ao dispositivo legal da infração e da multa aplicada, devese observar os seguintes artigos do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, a princípio, devese observar a lei vigente à época de ocorrência do fato gerador. Entretanto, em matéria de penalidades, deverá ser considerada a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Fl. 392DF CARF MF 20 A falta praticada, que foi objeto da presente autuação, apesar de ter sua capitulação legal alterada, continua definida como infração: entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas a fatos geradores. Sobre a multa aplicada, a partir de 4/12/08, com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o auditor, ao emitir Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA relacionado à GFIP, deve considerar a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Para tanto, deve comparar as penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da referida MP, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo. Contudo, a presente autuação foi lavrada antes de referida mudança, não tendo o auditor fiscal autuante, por óbvio, efetuado referido comparativo, que deverá ser feito por ocasião do pagamento. A multa aplicada tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/09, é explicada a seguir: Em 4/12/08, foi publicada a Medida Provisória no 449, de 3/12/08, convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Assim, a partir da publicação da MP 449, de 3/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea ‘c’. Desta feita, devem ser vinculados os processos de contribuições não declaradas em GFIP, somandose as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de ofício prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescida, se for o caso, da nova multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 (relativa a contribuição recolhida e não declarada em GFIP). Assim, a multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador (percentual de multa previsto na redação original do artigo 35 da Lei 8.212/91 somado ao valor de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, §§ 4º, 5o e 6º da Lei 8.212/91) com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430/96 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. Os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ou tiveram sua aplicação em razão do princípio da Fl. 393DF CARF MF Processo nº 15504.005938/201001 Acórdão n.º 2401004.948 S2C4T1 Fl. 384 21 retroatividade benigna de que trata o Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, alínea “c”. CONCLUSÃO Pelo exposto, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a multa seja recalculada, se for o caso, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário remanescente, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando os autos de infração conexos (processos n° 15504.019267/200913, 15504.005935/201069 e 15504.005937/201058), em razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011699/2002-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/07/2002
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN.
As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/07/2002
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN.
As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional.
Recurso Especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-005.450
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/1998 a 31/07/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/1998 a 31/07/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Procurador provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 278 1 277 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10380.011699/200230 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.450 – 3ª Turma Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria PIS. COFINS. ZFM. ISENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AÇO CEARENSE INDUSTRIAL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1998 a 31/07/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/07/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Recurso Especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 16 99 /2 00 2- 30 Fl. 278DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 380200.466, de 01/06/2011, proferido pela 2ª Turma Especial da Segunda Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1998 a 31/07/2002 PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037/24 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037/25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se dá provimento em parte. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento esposado no acórdão recorrido que reconheceu a isenção do PIS das receitas decorrentes de vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus ZFM realizadas a partir da publicação da MP nº. 2.03725, em 22/12/2000, a qual suprimiu a expressão “Zona Franca de Manaus” do Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 279 3 inciso I do §2º do art. 24 da MP 2.03724. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 20401.802, de 20/09/2006, e nº. 340200.522, de 19/03/2010. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fl. 248/251. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 259/267). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com relação ao único tema nele proposto, enquanto o acórdão recorrido entendeu que as receitas decorrentes de vendas a empresas localizadas na ZFM, realizadas a partir da publicação da MP nº. 2.03725, em 22/12/2000, são isentas do PIS, os paradigmas concluíram justamente o inverso, conforme comprova a ementa do Acórdão nº 340100.522: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2000 VENDAS A EMPRESA ESTABELECIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. INCABÍVEL. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para o PIS. Recurso Negado. Cumpre observar que, conforme destacado no exame de admissibilidade do recurso especial, a questão referente à edição da MP nº. 2.03725 restou analisada no acórdão paradigma. No mérito, como já expusemos nesta mesma Turma, entendemos assistir razão à Recorrente. Como os motivos que fundamentam o nosso entendimento coincidem com o exposto no voto condutor do Acórdão nº 9303004.430, de 7/12/2016, de relatoria do il. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, motivo pelo qual passamos a adotálo, também aqui, como razão de decidir (advirtase que a divergência entre os períodos de apuração objeto dos autos e os referidos no voto em nada modificam o entendimento aqui firmado): Como relatado, a controvérsia decorre de divergência na interpretação da legislação tributária quanto à possibilidade de Fl. 280DF CARF MF 4 isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus nos períodos de apuração referentes aos anos calendários de 2001 e 2002. De acordo com o contribuinte e o acórdão recorrido estas vendas são isentas com base no art. 4º do DecretoLei nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da Constituição Federal. Não concordo com esse entendimento. Vejamos o que dispõe o art. 4º do DL nº 288/67: Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (destaquei). Observase que o dispositivo legal estabeleceu uma equivalência entre vendas de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus e exportação para o estrangeiro. Deixou claro porém que esta regra valia para todos os efeitos fiscais em relação à legislação em vigor na data de sua publicação em 1967. Esta regra não poderia ser aplicada ao PIS, que foi criado pela Lei Complementar 7/70, e à Cofins que foi criada pela Lei Complementar nº 70/91. Ambas contribuições não existiam na data da edição do DL nº 288/67 e, portanto, por ele não poderiam ser reguladas. Esta também é a dicção do disposto nos art. 177 do CTN, in verbis: Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I – às taxas e às contribuições de melhoria; II – aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.(destaquei). Já o art. 40 do ADCT da CF/88, nada inovou no assunto. Somente estendeu o prazo de duração de um benefício fiscal no qual já não continha as isenções do PIS e da Cofins. Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 280 5 Portanto, não há como acatar que o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 permitia qualquer isenção/imunidade de PIS e da Cofins nas vendas de produtos para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Nesta linha de raciocínio, não procede a argumentação de imunidade na incidência destas contribuições nas operações de venda para a ZFM, pois elas não foram equiparadas a exportação como defende o contribuinte, para efeito destas contribuições, portanto inaplicável a imunidade prevista no art. 149, § 2º, inc. I da CF. Resta analisar se a própria legislação destas contribuições permitia, no período solicitado, a exclusão destas receitas de sua base de cálculo. Sempre lembrando que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, nos termos do art. 111 do CTN. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trouxe diversas alterações relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Em seguida, foi publicada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em tela, nas hipóteses especificadas, tendo revogado expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o dia 30 de junho de 1999: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) II – da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º. São isentas da contribuição para o P1S/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º. As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) (destaquei) Ressaltese que esta Medida Provisória foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIn nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000), que requereu a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. O Supremo Tribunal Federal – STF, nesta ação, deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", disposta no inciso I do Fl. 282DF CARF MF 6 § 2º do art. 14 da Medida Provisória Nº 2.03724/00, com efeitos ex nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada decisão julgando prejudicada a ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito. Posteriormente à decisão liminar do STF na ADIn nº 2.3489, foi editada a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores. Desta forma, as exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, no período solicitado no presente processo, anoscalendários de 2001 e 2002, eram as previstas no art. 14 da MP 2.158/200135, abaixo transcrito: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 281 7 § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no §1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007) III – a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Da leitura do dispositivo legal não é possível localizar que havia previsão legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por óbvio não é possível aplicar a isenção constante do inc. II do caput, já que a Zona Franca de Manaus não é localizada no exterior e já proferimos o entendimento de que não é aplicável o disposto no art. 4º do DL nº 288/67. Somente a partir da edição da Medida Provisória nº 202/2004, que foi convertida na Lei nº 10.996/2004, é que foi reduzida a zero as alíquotas de PIS e Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 2º, in verbis: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Necessário concluir que caso estas receitas já eram isentas/imunes das referidas contribuições sociais, seria totalmente inócua a edição desta lei reduzindo a alíquota para zero. Até porque não se poderia estabelecer alíquota zero para uma operação que estaria fora do campo de incidência das contribuições por força de imunidade constitucional. Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também vem decidindo assim. Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303 003934, cujo julgamento deuse em 07/06/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 Fl. 284DF CARF MF 8 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 282 9 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama No que tange à discussão acerca da isenção ou não do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus ZFM, peço vênia ao ilustre Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza para manifestar meu entendimento. Para melhor elucidar essa questão, importante trazer breve histórico da criação da Zona Franca de Manaus. Em junho de 1957, foi publicada a Lei 3.173/57, dispondo em seu art. 1º, que fica criada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, uma zona franca para armazenamento ou depósito, guarda, conservação beneficiamento e retirada de mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza, provenientes do estrangeiro e destinados ao consumo interno da Amazônia, como dos países interessados, limítrofes do Brasil ou que sejam banhados por águas tributárias do rio Amazonas. Tal lei ainda explicitou que as mercadorias de procedência estrangeira, quando desembarcadas diretamente na área da zona franca de Manaus, e enquanto permanecerem dentro da mesma, não estarão sujeitas ao pagamento de direitos alfandegários ou quaisquer outros impostos federais, estaduais ou municipais que venham graválas, sendo facultado o seu beneficiamento e depósito na própria zona de sua conservação. Sendo assim, resta claro que a Zona Franca de Manaus foi criada, a rigor, para fins de se incentivar o desenvolvimento daquela Região, bem como reduzir as desigualdades sociais. Fl. 286DF CARF MF 10 Posteriormente, foi publicado o Decreto 47.757/60, que regulamentou o disposto na Lei 3.173/57, trazendo, entre outros (com as alterações do Decreto 51.114/61) – Grifos Meus: “ Art. V A Zona Franca de Manaus destinase a receber mercadorias, artigos e produtos de qualquer natureza de origem estrangeira, para armazenamento, depósito, guarda, conservação e beneficiamento, a fim de que sejam retirados para o consumo interno no Brasil ou para exportação observadas as prescrições legais. (Redação dada pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 1º A entrada dêsses produtos na Zona Franca, independerá de licença de importação ou documento equivalente. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961) § 2º As mercadorias de origem e procedência brasileiras, depois de terem sido objeto de um processo regular de exportação perante a Carteira de Comércio Exterior e as demais autoridades do fisco federal e estadual, poderão utilizar o mesmo Tratamento outorgado às mercadorias estrangeiras e como tal serão consideradas, para efeito do presente Regulamento. (Incluído pelo Decreto nº 51.114, de 1961)” “ Art. VI. A Zona Franca de Manaus gozará de extraterritorialidade em relação ao pagamento do impôsto de importação e taxa aduaneira, bem como quanto a quaisquer outros impostos, ágios e tributos federais, estaduais e municipais que incidam sôbre as mercadorias importadas do exterior enquanto estas permanecerem em seus depósitos.” Tais dispositivos deixam claro que as mercadorias de origem brasileira devem observar um processo regular de exportação. O que, por óbvio, há que se entender que as vendas de mercadorias efetuadas à ZFM devem ser consideradas puramente como operação de exportação. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 283 11 Continuando, posteriormente, tal Lei foi revogada pelo DecretoLei 288/67, conforme art. 48, § 2º (Grifos Meus): “ Art 48. Fica o Poder Executivo autorizado a abrir, pelo Ministério da Fazenda, o crédito especial de NCr$ 1.000.000,00 (hum milhão de cruzeiros novos) para atender as despesas de capital e custeio da Zona Franca, durante o ano de 1967. § 1º O crédito especial de que trata êste artigo será registrado pelo Tribunal de Contas e distribuído automàticamente ao Tesouro Nacional. § 2º Fica revogada a Lei nº 3.173, de 6 de junho de 1957 e o Decreto nº 47.757, de 2 de fevereiro de 1960 que a regulamenta.” Não obstante, tal DecretoLei ter revogado a Lei 3.173/57 e o Decreto 47.75760, trouxe em seu art. 4º: “ Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” O que resta concluir que as receitas das vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM, por expressa determinação do art. 4º do DecretoLei 288/1967 c/c o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT são equiparadas às exportações, de forma que as receitas delas decorrentes não devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins. Ora, sendo assim, desde a publicação do DecretoLei 288/1967, as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFN são equiparadas às exportações, não devendo ser tributadas pelas contribuições as receitas de vendas à ZFM. Fl. 288DF CARF MF 12 Ademais, é de se constatar que a Constituição Federal de 1988 ainda determinou a imunidade dessas receitas, conforme preceitua o art. 149, § 2º, inciso I dessa Carta: “ Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; [...]” O que, em respeito à Constituição Federal, quando da instituição do PIS e da Cofins, houve observância dessa desoneração. E, no que tange à discussão trazendo que o art. 4º do DecretoLei 288/67 ter sido publicado na vigência da Constituição Federal anterior a de 1988 – vêse que houve a manutenção dos benefícios à ZFM através do art. 40 do ADCT. E, relativamente à edição da MP 202/2004, que foi convertida na Lei nº 10.996/2004, que trouxe o art. 2º, in verbis: “ Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM.” Tal norma somente veio para explicitar que não há que se falar em tributação das receitas auferidas na venda de mercadorias à ZFM, podendo considerar que antes dessa MP, para fins de não se tributar a r. receita pelas contribuições, há que se observar o disposto Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 284 13 no art. 4º DecretoLei 288/67 c/c o art. 40 do ADCT e art. 149 da CF/88. Entendimento já pacificado pelo STJ. E, com o advento da MP 202/04, considerando a jurisprudência pacíficada dada pelo STJ e intentando a diminuição de litígios tributários, manter o procedimento de não se tributar tais receitas. Sendo assim, com essas breves considerações, já resta negar provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Não obstante, independentemente do direito esposado, em respeito ao Novo Código de Processo Civil de 2015, não há como se ignorar também os precedentes favoráveis emanados pelos Tribunais. Em tempos atuais, inclusive, o novo Código de Processo Civil – Lei 13.105/15 traz o respeito à “eficácia vinculante dos precedentes” em seus arts. 926 e 927, in verbis (Grifos meus): “ Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente. § 1o Na forma estabelecida e segundo os pressupostos fixados no regimento interno, os tribunais editarão enunciados de súmula correspondentes a sua jurisprudência dominante. § 2o Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; Fl. 290DF CARF MF 14 III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados. § 1o Os juízes e os tribunais observarão o disposto no art. 10 e no art. 489, § 1o, quando decidirem com fundamento neste artigo. § 2o A alteração de tese jurídica adotada em enunciado de súmula ou em julgamento de casos repetitivos poderá ser precedida de audiências públicas e da participação de pessoas, órgãos ou entidades que possam contribuir para a rediscussão da tese. § 3o Na hipótese de alteração de jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores ou daquela oriunda de julgamento de casos repetitivos, pode haver modulação dos efeitos da alteração no interesse social e no da segurança jurídica. § 4o A modificação de enunciado de súmula, de jurisprudência pacificada ou de tese adotada em julgamento de casos repetitivos observará a necessidade de fundamentação adequada e específica, considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção da confiança e da isonomia. § 5o Os tribunais darão publicidade a seus precedentes, organizando os por questão jurídica decidida e divulgandoos, preferencialmente, na rede mundial de computadores.” Devese, assim, em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos precentes” – exposta “explicitamente” pelo Novo Código de Processo Civil NCPC, observar o entendimento emanado pelos tribunais. Não é demais lembrar que no processo administrativo há que se considerar e respeitar tais precedentes, conforme versa o art. 15 do NCPC Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 285 15 “ Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.” O Brasil adota como estrutura jurídica o “Civil Law” – que adota fontes de direito, dentre as quais, considera, além da Lei, como fonte direta, os precedentes jurisprudenciais. Sendo assim, inquestionável, a valorização dos precedentes. Até mesmo como forma de se conceder a segurança jurídica que tanto procura a administração fazendária e os sujeitos passivo. Ora, tal cultura de valorização de precedentes, que tora a jurisprudência no Brasil fonte direta da estrutura jurídica adotada pelo Brasil “Civil Law” – traz irrefutavelmente segurança jurídica ao buscar o respeito à unicidade da interpretação. O que, cabe trazer que as decisões do STF, STJ e TRF´s tem sido favoráveis aos contribuintes – pelo afastamento da cobrança do PIS e da Cofins sobre a receita da venda de mercadorias à ZFM – considerando, em síntese, como operação de exportação. Para melhor elucidar, cabe mencionar que o STF, por meio da ADI 310, pacificou o seu entendimento ao manifestar que o quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à ZFM constitucionalizouse pelo art. 40 do ADCT, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária, persistindo vigente a equiparação procedida pelo art. 4º do DecretoLei 288/67: “ EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONVÊNIOS SOBRE ICMS NS. 01, 02 E 06 DE 1990: REVOGAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS INSTITUÍDOS ANTES DO ADVENTO DA ORDEM CONSTITUCIONAL DE 1998, ENVOLVENDO BENS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. Fl. 292DF CARF MF 16 1. Não se há cogitar de inconstitucionalidade indireta, por violação de normas interpostas, na espécie vertente: a questão está na definição do alcance do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a saer, se esta norma de vigência temporária teria permitido a recepção do elenco préconstitucional de incentivos à Zona Franca de Manaus, ainda que incompatíveis com o sistema constitucional do ICMS instituído desde 1988, no qual se insere a competência das unidades federativas para, mediante convênio, dispor sobre isenção e incentivos fiscais do novo tributo (art. 155, § 2º, inciso XII, letra ‘g’, da Constituição da República). 2. O quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à Zona Franca de Manaus constitucionalizouse pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária, persistindo vigente a equiparação procedida pelo art. 4º do DecretoLei n. 288/1967, cujo propósito foi atrair a não incidência do imposto sobre circulação de mercadorias estipulada no art. 23, inc. II, § 7º, da Carta pretérita, desonerando, assim, a saída de mercadorias do território nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. 3. A determinação expressa de manutenção do conjunto de incentivos fiscais referentes à Zona Franca de Manaus, extraídos, obviamente, da legislação préconstitucional, exige a não incidência do ICMS sobre as operações de saída de mercadorias para aquela área de livre comércio, sob pena de se proceder a uma redução do quadro fiscal expressamente mantido por dispositivo constitucional específico e transitório. 4. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente.” É de se considerar que, em respeito ao art. 40 do ADCT, a saída de mercadorias do território nacional para a ZFM deve ser considerada como exportação de serviços – não podendose afastar nesse evento a natureza de imunidade tributária. Ainda que se trate especificamente de ICMS – o evento de per si é o mesmo discutido no caso vertente. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 286 17 Vêse que os Tribunais Judiciais têm manifestado de forma pacífica entendimento favorável aos sujeitos passivos, explicitando que desde o advento do DecretoLei 288/67 as vendas efetuadas a empresas sediadas na ZFM são equiparadas às exportações, afastando, por conseguinte a tributação pelo PIS e pela Cofins das receitas provenientes dessas vendas. Frisese tal jurisprudência pacificada nos tribunais, o entendimento esposado pela 2ª Turma do STJ em recente julgado de 2.8.2016 quando da apreciação do REsp 874.887/AM (Grifos Meus): “ EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DECRETOLEI 288/67. ISENÇÃO. SÚMULA 568/STJ. 1. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem da Cofins sobre tais receitas. 2. O benefício de isenção das referidas contribuições alcança, portanto, receitas oriundas de vendas efetuadas por empresa sediada na Zona Franca de Manaus a empresas situadas na mesma região. Agravo interno improvido.” Reforçamos tal jurisprudência o entendimento proferido pelo também STJ quando da apreciação do REsp 691.708 AM: “ PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. Fl. 294DF CARF MF 18 EMPRESAS QUE VENDEM PRODUTOS PARA OUTRAS NA MESMA LOCALIDADE. RECURSO MANIFESTAMENTE IMPROCEDENTE. MULTA. CABIMENTO. 1. À luz da interpretação conferida por esta Corte ao DecretoLei n. 288/1967, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS. 2 . "O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais" (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012). 3. O recurso manifestamente improcedente atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. 4 . Agravo interno desprovido, com aplicação de multa.” É de se trazer, nesse caso, a transcrição parcial do voto do Ministro Gurgek de Faria (Grifos Meus): [...] Consoante anteriormente explicitado, quanto à suposta violação ao art. 4º do DecretoLei n. 288/1967, é de se destacar que o aresto combatido não diverge da orientação preconizada por este Tribunal Superior. Isso porque, à luz da interpretação conferida por esta Corte à legislação de regência, a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS, ainda que as empresas sejam sediadas na própria Zona Franca de Manaus. A propósito: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 287 19 PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO DEC. LEI 288/67. PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte é pacificada no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição para o PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Precedentes: AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012). Grifos acrescidos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem Fl. 296DF CARF MF 20 ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se argumentos apresentados. [...] 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4º do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2012, DJe 05/03/2012). Grifos acrescidos. Confiramse, ainda, os seguintes julgados desta Corte no mesmo sentido: AREsp 944269, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 30/06/2016; AREsp 820600, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 17/02/2016; AREsp 708492, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/06/2015; AREsp 690708, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 11/06/2015; Ag 1417811, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19/12/2013. Incide, portanto, a Súmula 83 do STJ. Assim, o recurso é manifestamente improcedente, o que atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno e aplico multa à agravante de 1% sobre o valor atualizado da causa. [...]” Constatase que o voto do Ministro Gurgel de Faria ainda traz que no foi decidido pela Corte no mesmo sentido os seguintes julgados: · AREsp 944269, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 30/06/2016; Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 288 21 · AREsp 820600, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 17/02/2016; · AREsp 708492, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/06/2015; · AREsp 690708, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 11/06/2015; · Ag 1417811, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19/12/2013. Por isso, aquela Corte considera que esse entendimento pela não cobrança do PIS e da Cofins sobre tais receitas estaria pacificado. Além do entendimento proferido pelos Tribunais superiores, não se pode ignorar o entendimento no mesmo sentido exarado pelos TRF´s. Eis o que traz o TRF da 1ª Região julgado em 19.9.2016: “ CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS E COFINS. ISENÇÃO SOBRE RECEITAS DECORRENTES DE OPERAÇÕES COMERCIAIS REALIZADAS NA ZONA FRANÇA DE MANAUS. POSSIBILIDADE. ART. 4º DO DL 288/67. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E DESTE REGIONAL. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ CONSTITUÍDA REJEITADA. APELAÇÃO E REMESSA OFICIAL NÃO PROVIDAS. (...) 2. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação para efeitos fiscais (art. 4º do DL 288/67), não devendo incidir sobre elas o PIS e a COFINS. Precedentes. (...)” (Apelação/Reexame Necessário nº 0001384 45.2014.4.01.3200/AM; 8ª Turma do TRF da 1ª Região; J: 19/09/2016; P: 14/10/2016) E, então, no mesmo sentido, o TRF da 2ª Região julgado em 08/04/2015: “ TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA, PIS/COFINS. ISENÇÃO. ART. 40 DO ADCT, E ART. 4º DO DECRETOLEI Nº 288/67. Fl. 298DF CARF MF 22 EXTENDESE AOS PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRECEDENTES STJ. 1. Os arts. 4º do DL 288/67 e 40 do ADCT preservam a Zona Franca de Manaus, enquanto área de livre comércio, o que se aplica às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região, cujos benefícios fiscais compreendem as exportações ao estrangeiro. Desse modo, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. 2. 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da lei Complementar 70/91, autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS, respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Equiparandose os produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes do STJ (RESP 223.405 MT) [...]” Proveitoso ainda trazer o que entende o TRF da 3ª Região “ PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OPERAÇÕES ORIGINADAS DE VENDAS DE PRODUTOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ART. 4º DO DL 288/67). PRELIMINAR REJEITADA. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. APLICABILIDADE. REMESSA OFICIAL PARCIALMENTE PROVIDA. [...] Cuidase de medida visando á compensação de crédito decorrente de indevido recolhimento da COFINS e do PIS, com base em legislação considerada inconstitucional pela Impetrante. O PIS e a COFINS NÃI INCDEM SOBRE AS RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS E SERVIÇOS PARA EMPRESAS SITUADAS NA Zona Franca de Manaus, uma vez que se trata de receitas de exportação para o exterior em razão de equiparação legal, Jurisprudência, firmouse nesse mesmo sentido. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10380.011699/200230 Acórdão n.º 9303005.450 CSRFT3 Fl. 289 23 [...] (Apelação/Reexame Necessário nº 001678327.2013.4.03.6100/SP; 4ª Turma)” Em vista de todo o exposto, visando a celeridade a ser observada nos tribunais, bem como a garantia da segurança jurídica que tanto merecem as partes e, principalmente, em respeito ao Novo CPC, é de se observar o Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes para se afastar a tributação pelo PIS e pela Cofins das receitas auferidas na venda de mercadorias à ZFM desde o advento do DecretoLei 288/67, por serem equiparadas tais vendas à operação de exportação. O que, dessa forma, resta negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 300DF CARF MF
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