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Numero do processo: 13116.000644/2003-01
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.181
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes Ia Silva, Ry . 4 do Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram prov I i ento. 1 to. r .... OS ALBE ' W •01 ' ITAS : . • ' - O Presidente IIIP 4. 411. - • 81 MARCOS CA DI ) • - elator . / O i EDITADO EM: 11 SEI 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n°303-33.642, exarado na sessão de julgamento de 18 de outubro de 2006. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 50 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 231/233. A divergência jurisprudencial, que se quer seja solucionada nos presentes autos, resume-se a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade • Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, constitua-se condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 243/244. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 13116.000644/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.181 Fl. 2 .•I Lt& 4.4 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). Á teor do artigo 10°, §7° da Lei n.° 9393/96, modificado pela Medida Provisória 2 166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte paia fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. NOS TERMOS DO ARTIGO 10. INCISO II. ALÍNEA 1!A", DA LEI N° 9393/96, NÃO SÃO TRIBUTÁVEIS AS ÁREAS DE RESERVA LEGAL. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização relativa à área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, tendo em vista que a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis deveria ter sido efetuado antes de ocorrido o fato gerador, reportando-se, como paradigma de divergência, ao acórdão n° n° 302-36.539, de 01 de dezembro de 2004, exarada pela 2 a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, com o qual pretende comprovar a divergência suscitada, in verbis: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. Para que as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal seja consideradas para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável imóvel, é preciso que elas preenchamos requisitos legalmente estabelecidos , seja no que tange à averbação da área de reserva legal á margem da matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente (em data anterior à da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária) (.) Pelos excertos reproduzidos restou demonstrada a divergência entre decisões adotadas por duas Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial. Previamente, há que se esclarecer que não se coaduna com a melhor interpretação a argumentação acerca da desnecessidade de produção de prova da existência das áreas declaradas tem base no disposto no § 7° da Lei n° 9.393/96, incluído pela Medida Provisória n°2.166-67, de 24 de agosto de 2001, verbis: 3 ,sÇ 70 A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, ,f 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Da simples leitura do dispositivo transcrito chega-se à conclusão de que o que não é necessária é a prévia comprovação das áreas declaradas. É da essência da atividade de fiscalização que a autoridade tributária, com o fito de comprovar informação constante das diversas declarações elaboradas pelos contribuintes, intime-os a proceder a comprovação daquilo que foi declarado. Assim, a lei desobriga da prévia comprovação, mas não limita a atividade de fiscalização, impedindo a autoridade tributária de proceder seu mister de averiguar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ou de outros aspectos que possam impactar o dimensionamento do crédito tributário devido. O lançamento combatido trata do ITR realizado com fulcro na glosa da área declarada como sendo de reserva legal. Conforme visto, a 2' e 3a Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes divergem quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n°4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n°7.803, de 1989. A 3' Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. 4 Processo n° 13116.000644/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.181 Fl. 3 §. 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II (.) - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destina ção, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (..) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. 5 Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas nono interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 6 Processo n° 13116.000644/2003-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.181 Fl. 4 Tendo em vista que a inexistência da averbação imposta em lei para constituição da reserva legal anteriormente à ocorrência do fato gerador, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial de divergência. s' 111 • . • arcos Candido - Re ator 5 7
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Numero do processo: 18184.000189/2007-70
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1994 a 30/12/1994
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.500
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de julgamento, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1994 a 30/12/1994 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS kkstle SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 18184.000189/2007-70 Recurso n° 152.700 Voluntário Acórdão n° 2301-00.500 — 3* Câmara / 1* Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria Decadência Recorrente CONSTRUBASE ENGENHARIA LTDA. Recorrida SRP/SÃO PAULO-SUL/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREvIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1994 a 30/12/1994 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes auto A Processo n° 18184.000189/2007-70 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.500 Fl. 374 ACORDAM os 4 embros da 3 Câmara / l' Turma Ordinária da Segunda fi iikSeção de Julgamento, por un., idade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos - I, o voto do relator. V,..\ , l 11 JULIO 4 SA 3 " IEIRA GOMES Presiden - imr b ED .: • gád V DAL • ator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de iveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n° 18184.0001892007-70 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.500 Fl. 37$ Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, referente às contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, parte empresa, ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho — SAT e aquelas correspondentes ao segurados empregados, referente à prestação de serviços na área da construção civil pela empresa Temec S/C Ltda., no período de 02/1994 a 12/1994. Ciência ao sujeito passivo do lançamento em 17/12/2004.(fl. 01) A prestadora foi cientificada em 25/04/2005 e não apresentou defesa. A recorrente impugnou o lançamento; no entanto, o lançamento foi julgado procedente. Inconfonnada com a decisão, interpôs recurso, alegando, em síntese, que a NFLD é improcedente. Em 02/06/2009, a recorrente solicitou o reconhecimento da decadência do crédito tributário, com base na Súm a n° 08 do Supremo Tribunal Federal. É o relatório. 3 Processo n° 18184.000189/2007-70 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.500 Fl. 376 • Voto Conselheiro EDGAR SILVA VIDAL , Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do Recurso e passo ao exame das questões preliminares suscitadas pelo recorrente. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DECADÊNCIA Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1,569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4 0, 173 e 174 do CM Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, HL b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 10 -A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: 4 Processo e 18184.000189/2007-70 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00300 Fl. 377 Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei re 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 22 O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 12 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram m obrigados a acatarem a Súmula Vinculante n°. 08. Assim, tendo em vista que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento e, tendo a Contribuição Previdenciária natureza tributária, cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, amoldando-se à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral estatuída no art. 173 do CTN, para encontrar respaldo no § 4° do art. 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Como a inércia da Fazenda Pública homologa tacitamente o lançamento e extingue definitivamente o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (CTN, art. 150, § 42), o que não se tem notícia nos autos, entendo decadente o direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativamente à contribuição, para os fatos geradores ocorridos há mais de 5 anos. Mesmo para aqueles que não concordam com a aplicação do art. 50, §4°, do CTN, o crédito previdenciário lançado também está atingido pela decadência. • • Processo n° 18184.000189/2007-70 S2-C3TI Acórdão n.° 2301-00.500 Fl. 378 Neste caso, a contribuinte tomou ciência da NFLD em 17/12/2004. Logo, em se tratando de tributos cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/1994 a 12/1994, conclui-se que o crédito tributário foi atingido pela decadência. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para provimento do recurso interposto. Sala das Sessõ em 07 dÊjulho de 2009 469 EDGA • I A' DA - Relator 6 Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1
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Numero do processo: 11070.000681/2004-31
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada por órgão do Poder Executivo.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.983
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passavam integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Numero do processo: 13675.000073/2005-23
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBO. RESTABELECIMENTO
Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade das despesas com instrução própria ou com dependentes e os correspondentes pagamentos.
Deve ser restabelecida a despesa a título de instrução com dependente, quando carreado aos autos o documento comprobatório respectivo.
Numero da decisão: 2101-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), José Evande Carvalho Araujo e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBO. RESTABELECIMENTO Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade das despesas com instrução própria ou com dependentes e os correspondentes pagamentos. Deve ser restabelecida a despesa a título de instrução com dependente, quando carreado aos autos o documento comprobatório respectivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), José Evande Carvalho Araujo e Gonçalo Bonet Allage.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1892; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 34 1 33 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13675.000073/200523 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.954 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente WEDERSON MORETE DE SOUSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. APRESENTAÇÃO DE RECIBO. RESTABELECIMENTO Todas as deduções pleiteadas no ajuste anual estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade das despesas com instrução própria ou com dependentes e os correspondentes pagamentos. Deve ser restabelecida a despesa a título de instrução com dependente, quando carreado aos autos o documento comprobatório respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), José Evande Carvalho Araujo e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 5. 00 00 73 /2 00 5- 23 Fl. 34DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 26) interposto em 31 de março de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (MG), (fls. 21/22), do qual a Recorrente teve ciência em 05 de março de 2008 (fls.25), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 07/08, emitido em 13 de janeiro de 2004, em decorrência de deduções indevidas de despesas com instrução, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. INSTRUÇÃO. Somente são admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Lançamento Procedente Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fl.26), aonde faz apensar aos autos, recibo de emissão do estabelecimento de ensino alusivo à glosa de que trata a Notificação de Lançamento de 13 de janeiro de 2004 e, de consequência requer a restituição do valor de direito. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. A contribuinte apresentou a declaração de ajuste do exercício de 2003 e foi autuado sofrendo glosa relativa às despesas com instrução. O julgador a quo manteve a glosa relativa às despesas em questão, no valor de R$ 1.998,00 (Um mil novecentos e noventa e oito reais), isso em decorrência da não comprovação da despesa pleiteada. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores Fl. 35DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13675.000073/200523 Acórdão n.º 2101001.954 S2C1T1 Fl. 35 3 pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas com instrução, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 73, disciplina: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). No voluntário o contribuinte fez carrear aos autos, recibo comprobatório da despesa objeto da glosa (fl.27). no valor de R$ 1.204,00. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas com instrução no valor de R$ 1.204,00 (Um mil duzentos e quatro reais). Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 36DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10820.003029/2008-17
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA CONTRIBUINTE. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA CONTRIBUINTE. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA CONTRIBUINTE. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes CatilhoS e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.93/107 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls.81/90) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, deixando de homologar a compensação tributária pela falta de certeza e liquidez do direito creditório informado/utilizado. Quanto aos fatos, consta que a contribuinte transmitiu eletronicamente, por meio do Programa PER/DCOMP, as declarações de compensação tributária: nº 20467.66622.111104.1.7.032502 – Retificadora do PER/DCOMP Retificado: 36914.55224.251004.1.3.034009 (fls. 02/04), de 11/11/2004, pleiteando o aproveitamento de suposto direito creditório, valor original de R$ 30.273,51 (saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003), para quitação do débito abaixo (crédito original utilizado R$ 1.751,27): CSLL estimativa mensal, código de receita 2484, período de apuração: Julho/2004. O PER/DCOMP original foi transmitido em 25/10/2004 (fls. 05/07). nº 23022.99979.230307.1.3.033520 (fls. 15/18), de 23/03/2007, pleiteando a utilização, também, de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 (crédito original utilizado R$ 30.033,48) para extinção dos débitos da CSLL, períodos de apuração março a junho de 2004. Já, nas DCTF do 1º, 2º e 3º trimestres/2004, onde, também, estão confessados tais débitos da CSLL, consta que seriam objeto de compensação com saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003, porém informando outras DCOMP (fls. 08 e 19/22). Na cópia da DIPJ 2004, anocalendário 2003, Ficha 17, consta (fl.13): Débito de CSLL apurado R$ 40.607,81; CSLL mensal paga por estimativa R$ 70.881,32; Saldo negativo de CSLL de R$ 30.273,51. Entretanto, os pagamentos de antecipações de CSLL por estimativa (código de receita 2484) totalizam, para o anocalendário 2003, apenas R$ 41.841,77, conforme cópia tela SINAL08 (fl. 14). Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 3 3 A DRF/Araçatuba, apreciando, no mérito, o crédito pleiteado e a compensação informada, concluiu pela existência, em parte, do direito creditório no valor de R$ 5.063,55, homologando a compensação até o limite desse crédito reconhecido, cujo Despacho Decisório de 09/06/2008 (fls. 46/47) está assim fundamentado pelo respectivo Parecer (fls. 42/45): (...) Trata o presente de Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (nº 20467.66622.111104.1.7.03 2502; fls. 2 a 4), transmitido em 11/11/2004, no valor de R$ 1.858,80, relativo a débito da CSLL, apurado em julho de 2004. O documento retificou o de nº 36914.55224.251004.1.3.034009, de 25/10/2004. Informa a contribuinte que utilizou, na operação, parte de crédito oriundo de saldo negativo da mesma contribuição, verificado em 31/12/2003, no total de R$ 30.273,51, conforme o demonstrativo de fls. 3. Em 23/03/2007 a interessada transmitiu o PER/Dcomp nº 23022.99979.230307.1.3.033520, compensando débitos da mesma contribuição, apurados entre março e junho de 2004. Em virtude da utilização do mesmo crédito informado no pedido anterior, deve ser vinculado àquele, para o fim de ser analisado neste processo. (...) Os valores e demais informações referentes à compensação constam das DCTF entregues pelo sujeito passivo, referentes ao ano de 2004 (fls. 8 e 19 a 22). Os PER/Dcomp foram formalizados já na vigência da Lei nº 10.637/2002, que introduziu alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, na forma do § 2º daquele dispositivo, tiveram o efeito de extinguir os créditos tributários, sob a condição resolutoria de sua ulterior homologação. (...) Os valores e demais informações referentes à compensação constam das DCTF entregues pelo sujeito passivo, referentes ao ano de 2004 (fls. 8 e 19 a 22). Os PER/Dcomp foram formalizados já na vigência da Lei nº 10.637/2002, que introduziu alterações no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, na forma do § 2º daquele dispositivo, tiveram o efeito de extinguir os créditos tributários, sob a condição resolutoria de sua ulterior homologação. Com essas informações, passase à análise do crédito e das compensações. É necessário registrar que as DCTF referentes aos débitos apurados entre março e junho de 2004 trazem informações de outros PER/Dcomp, que não o que ora é analisado. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 4 4 Ocorre que os PER/Dcomp nºs 41326.15712.120504.1.3.030750 e 27826.71413.090804.1.3.038991 foram cancelados, respectivamente, pelos de nºs 04156.83962.220307.1.8.030108 e 22871.94502.220307.1.8.030975. No mérito, assim prescreviam os artigos 6º e 21 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, vigente à época dos fatos, cujas disposições, em essência, foram mantidas nos artigo 5º e 26 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005: (...) Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica entregue no exercício 2004, referente ao ano calendário 2003, observase, na ficha 17 (fls. 13), que o valor da CSLL devida foi de R$ 40.607,81. Declarando a contribuinte que já havia pago, por estimativa, o montante de R$ 70.881,32, teria verificado o saldo negativo de R$ 30.273,51, que veio a ser utilizado na compensação dos débitos ora tratados. Deve ser anotado, aqui, que nem todos os valores informados como pagos, por estimativa mensal, foram confirmados no sistema de controle de pagamentos (Sinal08), como se vê nas DCTF e no extrato de fls. 14. Para resumir, apenas parte dos débitos foi paga mediante Darf, durante o ano calendário 2003 (R$ 41.841,77), a título de estimativa da CSLL. (...) Conforme as informações prestadas nas DCTF (fls. 29 a 36), os débitos correspondentes à CSLL apurada (por estimativa) nos meses de junho a dezembro de 2003 foram compensados com saldo negativo de CSLL, apurado em 31/12/2002. Embora tenha sido informado que tais compensações foram processadas com a formalização dos PER/Dcomp nºs 34742.66686.280703.1.3.020914, 04058.89832.280703.1.3.03 0144, 20144.91843.190803.1.3.032865, 24730.05813.271003.1.3.038903, 26525.62483.271003.1.3.03 2005 e 20461.20235.060204.1.3.036656, observase que essas informações eram incorretas, pois os documentos mencionados foram cancelados ou se referiam a crédito diferente do alegado. Na realidade, as compensações foram declaradas no PER/Dcomp nº 08188.11618.220307.1.3.039661 (fls. 37 a 41), que veio a ser analisado nos autos do Processo nº 10820.003017/200884. Nos termos do parecer e do despacho decisório proferidos nesse processo (fls. 23 a 28), foi reconhecido apenas parcialmente o direito creditório, no montante de R$ 3.798,34, de modo que também apenas em parte foi homologada a compensação dos débitos, iniciandose, então, o procedimento de cobrança dos valores remanescentes. Assim, às quantias efetivamente pagas no ano de 2003, mediante Darf, no total de R$ 41.841,77, somase a parcela da CSLL parcialmente compensada, apurada em junho de 2003, de R$ Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 5 5 3.829,59, quantia correspondente ao crédito reconhecido (R$ 3.978,34), monetariamente atualizado. Assim, reconhecese efetivamente pago, a título de CSLL paga por estimativa, no período encerrado em 31/12/2003, o total de R$ 45.671,36. Em face do valor devido, apurado em balanço (R$ 40.607,81), registrase um saldo negativo de apenas R$ 5.063,55. (..) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 11/06/2008 (fl. 55), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 10/07/2008 (fls. 60/71), juntando ainda documentos de fls. 72/78, cuja razões, em síntese, são as seguintes: Do direito: que foi utilizado saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 para compensação da CSLL estimativa, 2484, do período de apuração março a julho/2004, conforme os PER/DCOMP e DCTF (fls.02/04, 15/18 e 08 e 19/22); que as DCTF foram apresentadas, mas com erro sanável (divergência de informação em relação às DCOMP), bastando intimação para esclarecimento, caso fosse necessária; que, todavia, o fisco, ao invés de proceder à intimação da empresa impugnante para prestar esclarecimentos preferiu indeferir, em parte, o crédito pleiteado, sob pretexto de que o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 seria de apenas R$ 5.063,55, pois a compensação tributária – DCOMP dos débitos de CSLL estimativa dos meses de junho a dezembro/2003 restou, em parte, não homologada (falta de comprovação de saldo negativo do anocalendário 2002) não podendo ser computada, nessa parte, para formação do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003; que, não obstante, com base na apuração anual – declaração de ajuste anual, não há CSLL a ser exigida do anocalendário 2004: ANO CSLL RECOLHIDA CSLL DEVIDA SALDO REMANESCENTE 2002 R$ 72.962,55 R$ 68.981,21 R$ 3.981,34 2003 R$ 41.841,77 R$ 40.607,81 R$ 1.233,96 2004 R$ 36.926,19 R$ 38.451,05 R$ 1.524,46 que, em outras palavras, em relação aos débitos da CSLLL estimativa confessados na DCOMP (março a julho/2004), ainda que não reconhecida a compensação pela suposta falta de saldo negativo do anocalendário 2003 , esses débitos não podem ser cobrados, pois – com base na declaração de ajuste anual 2005 (anocalendário 2004) – os recolhimentos de estimativa mensal desse ano são maiores do que a CSLL apurada (declaração de ajuste anual); Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 6 6 que o fisco, ao invés de proceder à intimação da empresa impugnante para prestar esclarecimentos, preferiu indeferir os procedimentos, exigindo/cobrando esses períodos de apuração da empresa, configurando bis in idem e confisco; que, também, a autoridade administrativa não demonstrou que caminho a empresa impugnante deveria tomar, isso porque não intimou a parte interessada para prestar esclarecimento, causando cerceamento de defesa; que o total do débito exigido pela Carta de Cobrança, nessa situação, configura confisco; que é indevida a cobrança de multa moratória, pois estaria configurada a denúncia espontânea. A DRJ/Ribeirão Preto, apreciando as razões da contribuinte, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo o acórdão a seguinte ementa (fl.81): (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 18/07/2011 (fl. 92), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/08/2011 (fls. 93/107), cujas razões, em síntese, são as seguintes; que é incabível a exigência dos débitos de estimativa mensal da CSLL do anocalendário de março a julho/2004, código de receita 2484, confessados nos PER/DCOMP, e que deixaram de ser extintos pela negativa, em parte, do direito de crédito Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 7 7 pleiteado, pois, na respectiva declaração de ajuste anual, restou consignado que os recolhimentos em DARF superaram o valor da CSLL apurada (ajuste anual); que a autoridade fiscal vislumbrou a impossibilidade de compensação tributária, porém não disse e nem intimou a contribuinte para corrigir os erros constatados; que a autoridade sequer demonstrou que os valores recolhidos já eram maiores do que o valor da CSLL apurado na declaração de ajuste anual; que, além dos valores recolhidos por estimaiva da CSLL serem maiores do que o valor da CSLL apurado na declaração de ajuste do anocalendário 2004, a exigência das estimativas de CSLL confessadas nas DCOMP desses anos configura confisco; que uma coisa é informar o fisco da compensação tributária; que outra é demonstrar, nos autos, recolhimento a maior e que, no caso, estão comprovados pelas declarações tempestivas, pagamentos, DCTF e PER/DCOMP; que tergiversou a autoridade fiscal ao argumentar que a recorrente não teria comprovado o direito creditório líquido e certo; que, destarte, a recorrente apresentou todos os documentos espontaneamente para efetivação da compensação dos débitos confessados, configurando denúncia espontânea, sendo incabível a exigência da multa moratória. Por fim, a recorrente pediu que seja reformada a decisão recorrida, para reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 8 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca do direito creditório pleiteado, denegado pela decisão recorrida. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a análise do mérito. QUANTO AOS FATOS: A contribuinte pleiteou nos PER/DCOMP (fls. 02/04), de 11/11/2004, e fls (15/18), de 23/03/2007, direito creditório – saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 no valor orignal de R$ 30.273,51, utilizando valor original, respectivamente, de R$ 1.751,27 e R$ 30.033,48, para quitação de débitos de estimaiva da CSLL, código de receita 2484, dos anos calendário dos períodos de apuração março a julho/2004, confessados nessas declarações de compensação. A unidade de origem da RFB (DRF/Araçatuba), que por primeiro conheceu da questão, deferiu, parcialmente, o direito creditório, ou seja, reconheceu saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 no valor de, apenas, R$ 5.063,55, uma vez que, diversamente do consignado na DIPJ 2004, anocalendário 2003 – declaração de ajuste anual (fl. 13): a) os pagamentos de CSLL por estimativa do anocalendário 2003 (recolhimentos em DARF, código de receita 248) totalizaram, apenas, de R$ 41.841,77 (fl. 14), e não R$ 70.881,32; b) os valores da CSLL, estimativa mensal, de julho a dezembro/2003, foram escluídos do saldo negativo da CSLL desse ano, pois foram objeto de DCOMP, a qual, nessa parte, não foi homologada (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661 – processo nº 10820.003017/200884); c) foi, ainda, adicionada a parcela da CSLL parcialmente compensada (homologada), período de apuração junho de 2003, de R$ 3.829,59, quantia correspondente ao crédito reconhecido do anocalendário 2002 (R$ 3.978,34), monetariamente atualizado (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661 – processo nº 10820.003017/200884); d) assim, foi reconhecida, efetivamente, a título de CSLL paga por estimativa, no período encerrado em 31/12/2003, o total de R$ 45.671,36. Em face do valor devido, apurado em balanço (R$ 40.607,81), foi apurado um saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 de apenas R$ 5.063,55. Com isso, o saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 restou reduzido de R$ 30.273,51 para R$ 5.063,55. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 9 9 A razão para essa redução do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2003 foi que a recorrente utilizou saldo negativo de CSLL do anocalendário 2002 para compensação de débitos de CSLL estimativa de 2003 (períodos de apuração de junho a dezembro 2003), porém tal compensação – DCOMP – restou, em parte, não homologada ((DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661 – processo nº 10820.003017/200884). A propósito, a questão foi enfrentada pelo Parecer da DRF/Araçatuba que serviu de base para a expedição do despacho decisório que denegou o direito creditório pleiteado (fls.43/44), cuja fundamentação transcrevo, in verbis: (...) Na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica entregue no exercício 2004, referente ao ano calendário 2003, observase, na ficha 17 (fls. 13), que o valor da CSLL devida foi de R$ 40.607,81. Declarando a contribuinte que já havia pago, por estimativa, o montante de R$ 70.881,32, teria verificado o saldo negativo de R$ 30.273,51, que veio a ser utilizado na compensação dos débitos ora tratados. Deve ser anotado, aqui, que nem todos os valores informados como pagos, por estimativa mensal, foram confirmados no sistema de controle de pagamentos (Sinal08), como se vê nas DCTF e no extrato de fls. 14. Para resumir, apenas parte dos débitos foi paga mediante Darf, durante o ano calendário 2003 (R$ 41.841,77), a título de estimativa da CSLL. (...) Conforme as informações prestadas nas DCTF (fls. 29 a 36), os débitos correspondentes à CSLL apurada (por estimativa) nos meses de junho a dezembro de 2003 foram compensados com saldo negativo de CSLL, apurado em 31/12/2002. (...) Na realidade, as compensações foram declaradas no PER/Dcomp nº 08188.11618.220307.1.3.039661 (fls. 37 a 41), que veio a ser analisado nos autos do Processo na 10820.003017/200884. Nos termos do parecer e do despacho decisório proferidos nesse processo (fls 23 a 28), foi reconhecido apenas parcialmente o direito creditório, no montante de R$ 3.798,34, de modo que também apenas em parte foi homologada a compensação dos débitos, iniciandose, então, o procedimento de cobrança dos valores remanescentes. Assim, às quantias efetivamente pagas no ano de 2003, mediante Darf, no total de R$ 41.841,77, somase a parcela da CSLL parcialmente compensada, apurada em junho de 2003, de R$ 3.829,59, quantia correspondente ao crédito reconhecido (R$ 3.978,34), monetariamente atualizado. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 10 10 Assim, reconhecese efetivamente pago, a título de CSLL paga por estimativa, no período encerrado em 31/12/2003, o total de R$ 45.671,36. Em face do valor devido, apurado em balanço (R$ 40.607,81), registrase um saldo negativo de apenas R$ 5.063,55. Em razão disso, concluise pela existência apenas parcial do crédito aproveitado pela requerente nas compensações da CSLL apurada entre março e julho de 2004. (...) 1) que seja homologada a compensação parcial de débito constante do PER/Dcomp nº 23022.99979.230307.1.3.033520, correspondente à CSLL apurada no mês de março de 2004, regularmente confessado em DCTF, até o limite do crédito reconhecido, de R$ 5.063,55, monetariamente atualizado, observando que a quantia devida está sujeita ao acréscimo de juros e multa de mora, em virtude de, tendo vencido em 30/04/2004, somente ter sido compensado em 23/03/2007, data da transmissão do PER/Dcomp; e 2) que não sejam homologadas as demais compensações, procedendose à cobrança dos saldos remanescentes. (...) QUANTO AO MÉRITO: 1) Instauração da lide, apenas, a partir da apresentação da manifestação de inconformidade: A recorrente alegou, nas razões de mérito, que: 1) Efetuara a compensação dos débitos de estimativa mensal dos períodos de apuração junho a dezembro/2003 (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661 – processo nº 10820.003017/200884); a) utilizando saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002; b) que o fisco, na auditoria interna de seus sistemas informatizados (confrontando DIPJ, DCOMP e DCTF) reduziu, naquele processo, o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2002 de R$ 43.894,86 para R$ 3.978,24, pela falta de comprovação de compensação direta na escrituração, sem processo, dos débitos estimativa da CSLL do ano calendário 2002 (maio a agosto de 2002) com saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001; 2) Diante dessa situação, nos presentes autos, o fisco, por decorrência: a) reduziu o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003 (direito creditório) de R$ 30.273,51 para R$ 5.063,55, pois excluiu os valores da CSLL estimativa dos meses dos meses de julho a dezembro de 2003 que haviam, indevidamente, compensadas com saldo negativo de CSLL do anocaalendário 2002; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 11 11 b) deixou de homologar, em parte, a compensação dos débitos confessados quanto aos períodos de apuração de março a julho/2004; c) que, entretanto, não concorda com essa redução do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003; que, antes da ciência do despacho decisório, o fisco deveria ter intimado a recorrente para prestar, fornecer, informações ou esclarecimentos e não simplesmente reconhcer, em parte, o saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003; que tal situação teria configurado cerceamento de defesa. A argumentação da recorrente não merece prosperar. Não há na legislação tributária essa previsão ou obrigatoriedade do fisco intimar a contribuinte para apresentar provas do direito creditório na fase préprocessual de análise da liquidez e certeza do direito creditório utilizado na Declaração de Compensação – DCOMP. Tratase, meramente, de procedimento de auditoria interna (batimento de informações entre DIPJ, DCTF e DCOMP) no interesse exclusivo do fisco, de caráter inquisitório. Vale dizer, no procedimento de auditoria interna (consulta dos sistemas informatizados internos da RFB) não se exige intimação da contribuinte, pois tratase de um procedimento exercitado no interesse exclusivo do fisco, e não do contribuinte. Tal procedimento de colheita de provas tem natureza inquisitorial, o qual não é banhado pelo contraditório, pois tratase de fase préprocessual no interesse exclusivo do fisco. Ainda não há imputação de fatos (infação tributária), não há acusação e, por conseguinte, ainda não há lide. A fase do devido processo legal administrativo, no caso denegação do direito creditório utilizado na DCOMP, instaurase, apenas, com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o despacho decisório, momento que surge a lide administrativa. A partir daí, no âmbito do devido processo legal administrativo, sim, a pretensão da contribuinte submetese aos princípios do contraditório e da ampla defesa. No pleito de utilização de suposto direito creditório em declaração de compensação tributária, destarte, a fase litigiosa inciase, apenas, com a apresentação de manifestação de inconformidade dentro do prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, em cuja peça de defesa a recorrente aduzirá suas razões, com respectivas provas de suas alegações (juntada de documentos), sob pena de preclusão processual. A propósito, o voto condutor do acórdão recorrido, já enfrentou essa questão devidamente, e adoto também como fundamento de decidir (fl. 103), in verbis: (...) Da análise dos autos verificase que constam no despacho decisório recorrido a identificação do sujeito passivo, identificação do PER/DCOMP, motivação, fundamentação e enquadramento legal da decisão, termo de ciência e intimação, e assinatura da autoridade competente. Vale ressaltar que a fase litigiosa do procedimento administrativo é instaurada com a apresentação da impugnação ou manifestação de inconformidade, nos termos do art. 14 do Decreto n.° 70.235, de 1972 (PAF), sendo esse o momento a Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 12 12 partir do qual pode o contribuinte se manifestar formalmente, no respectivo processo, sobre decisão proferida pela autoridade administrativa da RFB. Concluise, portanto, que os motivos que ensejaram o indeferimento do pedido de compensação estão descritos no despacho decisório, permitindo à impugnante pleno exercício de seu direito de defesa. O próprio teor da peça impugnatória evidencia ter a interessada pleno conhecimento e compreensão acerca do conteúdo do ato administrativo em foco, logrando assim questionar os pontos com os quais não concorda, revelandose insubsistente a alegação de prejuízo ao direito de defesa. (...) .Conforme demonstrado, não tem razão a recorrente ao reclamar que não teria sido intimada antes da ciência do despacho decisório, para prestar enclarecimentos acerca do seu direito creditório pleiteado nas DCOMP (não há tal previsão legal de intimação em análise interna da DCOMP). Portanto, o momento próprio para a contribuinte produzir as prova de seu direito creditório é na fase do devido processo legal administrativo, cuja lide instaurase a partir da apresentação da manifestação de inconformidade contra o despacho decisório 2 – Direito creditório pleiteado. Liquidez e certeza. Falta de comprovação. Ônus da prova da contribuinte: Na sua manifestação de inconformidade na instância a quo, a contribuinte não produziu prova alguma de que a compensação tributária dos débitos da CSLL estimativa mensal dos períodos de apuração junho a dezembro/2003 teria sido efetuada com direito creditório com os requisitos de certeza e liquidez. A questão foi enfrentada adequadamente pela decisão recorrida, cujos fundamentos transcrevo a seguir (fls.85/90), in verbis: (...) O exame do mérito, no caso em tela, implica exame da efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida compensação de débitos, não se limitando, portanto, à análise de consistência de declarações. Há que se consignar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário,(...). O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que: "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda ". Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 13 13 Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Com referência à apresentação de provas, os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, estabelecem: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real anual, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2ºo da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder à apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Cabe frisar que as normas que regulam a sistemática de apuração do IRPJ são aplicáveis à contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) por força do disposto no art. 6º , parágrafo único, da Lei n.° 7.689, de 1988. A respeito do tema, transcrevese o texto dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: (...) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 14 14 Da leitura de tais dispositivos da legislação, inferese que a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa são considerados pela Lei como antecipações da contribuição devida. E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. Como corolário do exposto, esta 5ª Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento das premissas seguintes: 1a) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais; 2a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor da contribuição devida e, 3a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Vale destacar que o efetivo pagamento é condição para a dedução dos valores relativos à CSLL mensal, conforme disposto nas instruções para o preenchimento da Ficha 17 da declaração de rendimentos DIPJ, constantes do programa gerador da DIPJ/2003,(...) No presente caso, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito oriundo de saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário de 2003, conforme informações prestadas na Ficha 17 da DIPJ. A autoridade fiscal, por seu turno, informa no despacho decisorio recorrido ter constatado que parcelas da CSLL devidas por estimativa, utilizadas no cômputo do saldo negativo da contribuição informado em DIPJ, não foram regularmente adimplidas. Com efeito, a interessada informou em DIPJ compensação de débitos de CSLLestimativa apurados entre junho e dezembro de 2003 com utilização de supostos créditos oriundos da apuração de saldo negativo da contribuição em anocalendário anterior (2002), tendo sido o respectivo pedido de compensação formalizado no PER/DCOMP n.° 08188.11618.220307.1.3.039661, objeto do processo administrativo MF n.° 10820.003017/200884. Sucede que tal pedido já havia sido analisado pela DRFAraçatubaSP, do que resultou reconhecimento de direito creditório no valor de R$ 3.978,34, inferior aos R$ 43.894,86 informados na Ficha 17 da DIPJ/2003, a/c 2002. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 15 15 Nesse sentido, a discordância da interessada se dá tão somente quanto à mencionada glosa de compensações de estimativas apuradas no anocalendário de 2003, já que, na manifestação de inconformidade, expressa sua concordância em relação ao somatório dos pagamentos efetuados mediante Darf, para quitação de débitos de CSLLestimativa, no valor de R$ 41.841,77, considerados pela autoridade fiscal para apuração do saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2003. A lide que se estabeleceu no processo n.° 10820.003017/2008 84, à vista da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, foi objeto de exame, em 1ªa instância administrativa, por esta 5ª Turma da DRJ/Ribeirão PretoSP, sendo proferido o Acórdão n.° 33.517, de 27 de abril de 2011, (...), do qual resultou a manutenção da decisão proferida pela DRFVAraçatuba e a negativa quanto ao pedido de reconhecimento de direito creditório adicional. (...) Considerandose a insuficiência de crédito passível de compensação com débitos de estimativa apurados pela interessada no anocalendário de 2003, revelase pertinente a glosa levada a efeito pela autoridade fiscal, dos valores de estimativa não pagos e, portando, não dedutíveis na apuração do ajuste anual, observado o limite do direito creditório reconhecido no processo n.° 10820.003017/200884, do que resultou a apuração de saldo negativo da CSLL no valor de R$ 5.063,55, para o anocalendário de 2003. Assim não há que cogitar reparos no despacho decisório recorrido. Concluise não ter sido comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, nos termos do art. 170 do CTN, por valor superior àquele já reconhecido na decisão recorrida. (...) Nesta instância de julgamento, em sede de recurso voluntário, também, a recorrente não trouxe aos autos provas que pudessem justificar, amparar, o direito creditório pleiteado, nos presentes autos. Não obstante, o direito creditório discutido nestes autos (saldo negativo do anocalendário 2003), por estar imbricado com o direito creditório – saldo negativo do ano alendpário 2002 discutivo nos autos do processo nº 10820.003017/200884 (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661), é dependente, em suma, da sorte desse processo. A propósito, quanto ao processo nº 10820.003017/200884 (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661), está Colenda 2ª Turma Especial/1ª Seção de Julgamento, na sessão de 16 de março 2012, já julgou a lide objeto desse processo, negando provimento ao recurso, conforme Acórdão nº 1802001.163, cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 16 16 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. LIQUIDEZ E CERTEZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. O ônus da prova de fato constitutivo do direito creditório alegado é do autor do pedido. Incumbe, destarte, ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas, apuradas, sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado (...) Ainda, na fundamentação do voto condutor do Acórdão nº 1802001.163 nº 10820.003017/200884 (DCOMP nº 08188.11618.220307. 1.3.039661), quanto ao direito creditório do anocalendário 2002, transcrevo, in verbis: (...) Na sua manifestação de inconformidade na instância a quo, a contribuinte não produziu prova de que a compensação tributária dos débitos de CSLL estimativa do período de apuração maio a agosto/2002 teria sido, realmente, efetuada diretamente na escrituração contábil, sem processo, com saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001. A contribuinte não juntou cópia de sua escrituração contábil/fiscal onde podusse estar registrada tal compensação tributária, quanto aos períodos de apuração maio a agosto/2002. Nesse passo, transcrevo o voto condutor do acórdão recorrido (fls. 103/109), in verbis: (...) O exame do mérito, no caso em tela, consiste em aferir a efetividade e suficiência do alegado direito creditório para efeitos da pretendida compensação de débitos, não se limitando, portanto, à mera análise de consistência de declarações. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 17 17 Há que se consignar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário,(...) 0 art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que "a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda". Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre a contribuinte interessada. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II (...) (...) Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação ora em exame encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, tem se que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2º o da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Cabe frisar que as normas que regulam a sistemática de apuração do IRPJ são aplicáveis à contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) por força do disposto no art. 6ºo , parágrafo único, da Lei n.° 7.689, de 1988. (...) No caso em questão, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto suposto crédito oriundo de saldo negativo de CSLL apurado ao final do anocalendário de 2002, conforme informações prestadas na Ficha 17 da DIPJ. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 18 18 A autoridade fiscal, por seu turno, informa no despacho decisório recorrido ter constatado que parcelas da CSLL devidas por estimativa não foram regularmente adimplidas. Com efeito, a interessada informou em DIPJ compensação de débitos de CSLL estimativa apurados entre maio e agosto de 2002 com utilização de supostos créditos oriundos da apuração de saldo negativo da contribuição em anocalendário anterior (2001), sem formalização de declaração de compensação. Os PER/DCOMP informados pela interessada, de n.° 37869.22986.100604.1.3.037206 e 04269.77423.210307.1.7.03 0948, não se referem a compensação de débito apurado no ano calendário de 2002. (...) verificase que a compensação de débitos da CSLL estimativa apurados pela interessada nos períodos de maio a agosto de 2002 não estava sujeita ao registro de declaração de compensação, tendo em vista que tal exigência passou a existir, juridicamente, a partir de 1ºo de outubro de 2002, com o início da vigência das alterações contidas no art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, (...) Ao tempo dos fatos em foco, a legislação de regência autorizava compensação de débitos da mesma natureza mediante o devido registro contábil e prestação da respectiva informação em DCTF, independente de requerimento à RFB, conforme disposto no art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, e no art. 7o, inciso XI, da Instrução Normativa SRF n° 73, de 19 de dezembro de 1996,(...) Resta, assim, superado o óbice apontado pela autoridade fiscal, do qual resultou o indeferimento do pedido, pelo que cabe dar prosseguimento ao exame do mérito. Em casos da espécie, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os recolhimentos do imposto por estimativa são considerados pela Lei como antecipações da contribuição devida, nos termos dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, (...). E tal demonstração se dá em função dos valores declarados e efetivamente comprovados pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos, os pagamentos por estimativa mensal e os informes de retenção apenas elementos indicativos da apuração do tributo. Como corolário do exposto, esta 5ªa Turma de Julgamento tem consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento das premissas seguintes: Ia) a constatação dos pagamentos a título de estimativas mensais; 2a) a apuração do indébito, fruto do confronto com o valor da contribuição devida e, 3a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em outras compensações. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 19 19 No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anoscalendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos, inclusive no que se refere à correta apuração desses saldos negativos anteriores e adequado tratamento contábil/fiscal. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pela postulante, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, regularmente transcritos no livro "Diário", principalmente porque, para se antecipar ao ajuste anual (tributação pelo lucro real anual) e não ter que recolher tributo a maior durante o ano, a contribuinte dever levantar balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução; a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo. Em suma, caberia à recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis comprobatórios da apuração de saldo negativo de CSLL, no período em questão, especialmente por se tratar de pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decretolei n° 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou tais elementos, limitandose às alegações acima referenciadas. As cópias de documentos de arrecadação juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Concluise, portanto, não ter sido comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, nos termos do art. 170 do CTN, por valor superior àquele já reconhecido na decisão recorrida. (...) Nesta instância de julgamento em sede de recurso voluntário, também, a recorrente não produziu elemento de prova algum de que efetuara a compensação tributária dos débitos da CSLL estimativa dos períodos de apuração de maio a agosto/2002, com saldo negativo da CSLL do anocalendário 2001, diretamente em sua escrituração contábil/fiscal, pois não juntou: cópia cópia do livro LALUR de apuração da CSLL, onde pudessem estar registrados os balanços/balancetes mensias de Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 20 20 apuração da CSLL estimativa mensal, com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balanço de suspensão/redução; não juntou os balanços/balancetes mensais de suspensão/redução dos períodos de apuração maio a agosto/2002; não juntou cópia do livro Diário, onde pudessem estar transcritos os balanços/balancetes mensais de suspensão/redução da CSLL quanto aos períodos de apuração de maio a agosto/2002, nos termos do art. 35 da Lei nº 8.981/95. O ônus da prova do pedido de aproveitamento/restituição do crédito pleiteado (fato constitutivo do seu direito) é da recorrente (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16, III, e CPC art. 333, I). Portanto, não restou comprovado nos autos o direito creditório pleiteado. (...) Se naqueles autos a recorrente não comprovou a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (saldo negativo do anocalendário 2002) do qual a sorte deste processo é dependente (saldo negativo da CSLL do anocalendário 2003), pois a recorrente utilizou na compensação de estimativas mensais do anocalendário 2003 (julho a dezembro/2003) saldo negativo do anocalendário 2002 que, como demonstrado, tal direito creditório não restou confirmado (foi denegado), pois o recurso voluntário foi negado, naqueles autos. Por conseguinte, não há reparo a fazer na decisão recorrida. 3 – Exceções Materias à Exigência dos Débitos Confessados. Matéria Não Objeto da Lide: O objeto da lide lide é o direito créditório pleiteado e, se eventualmente reconhecido, a homologação da compensação tributária. No caso, a recorrente alegou que, mesmo não reconhecido o direito creditório pleiteado nos presentes autos, os débitos em aberto da CSLL por estimativa do anocalendário 2004 (débitos confessados) não podem ser exigidos; que não haveria débito a exigir com base declaração de ajuste anual do anocalendário 2004, pois a CSLL apurada, nesse ano, seria menor do que as estimativas pagas e confirmadas pelo sistema SINAL. A tese da recorrente não merece prosperar. A contribuinte tem o dever de antecipar pagamento das estimativas mensais durante o anocalendário, ainda que, eventualmente, apure prejuízos no final no balanço de encerramento em 31 de dezembro do respectivo ano. Os pagamentos antecipados a maior a título de estimativa mensal durante o anocalendário, quanto cotejados com a CSLL apurada no balanço anual em 31 de dezembro, geram saldo negativo a restituir. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10820.003029/200817 Acórdão n.º 1802001.164 S1TE02 Fl. 21 21 A recorrente alegou que confessara débitos de estimativa da CSLL do ano calendário 2004, muito além do valor da CSLL apurada na declaração de ajuste anual, apurando saldo negativo com base nas estimativas já recolhidas em DARF, e sem levar em conta os débitos de estimativas da CSLL confessados que deixaram de ser compensados pela falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Essa questão dos débitos de estimativa da CSLL confessados e não pagos (débitos em aberto) não é objeto destes autos; é matéria estranha à lide objeto dos autos. O processo de compensação tributária, que tem por objeto a comprovação da certeza e liquidez de direito créditório pleiteado contra a Fazenda Nacional e sua utilização na compensação de débitos confessados, não se prestando para discussão de débitos confessados e objeções materiais relacionadas à exigência desses débitos confessados (cobrança em excesso, bis in idem, confisco, denúncia espontânea, multa moratória), cuja alçada é da unidade de origem da RFB se ainda não estão inscritos em dívida ativa da União. Se já inscritos na Dívida da União, a discussão dos débitos confessados deve ser travada no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional ou do processo de execução fiscal. Por conseguinte, quanto aos débitos da CSLL confessados em DCOMP que deixaram de ser quitados pela não homologação da compensação por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, todas as questões materiais objetadas contra a exigência desses débitos do anocalendário 2004 estão prejudicadas, não cabendo análise de mérito (não se conhece do mérito) nos presentes autos, pois extrapolam o objeto dos autos (análise do direito creditório quanto à certeza e liquidez e sua utilização para efeito de compensação do débito confessado). Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 18336.000728/2002-85
Data da sessão: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: EMENTA: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO / ALÍQUOTA - CERTIFICADO
DE ORIGEM - PREFERÊNCIA TARIFARIA - RESOLUÇÃO ALADI 232
- Produto exportado pela Venezuela e comercializado por meio de pais no integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo pais produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do pais interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada a autoridade aduaneira, como previsto no art.
9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78).
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: CSRF/03-06.240
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Nanci Gama. Ausente justificadamente a conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Judith Do Amaral Marcondes Armando
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A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo pais produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do pais interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada a autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, unanimidade de votos . DAR provimento ao recurso especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Nanci Gama. Ausente justificadamente a conselheira Susy Gomes Hoffmann. Antonio Praga Presidente e Redator Designado — Ad hoc Formalizado em 25/02/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Anelise Daudt Prieto, Nanci Gama, Maria Cristina Roza da Costa, Luiz Roberto Domingo, Susy Gomes Hoffmann e Antonio Praga. Processo 6 0 18336.000728/2002-85 AcórdAo ti.° 03-06.240 CSRFT1•03 Fls. 202 Relatório A contribuinte já identificada importou mercadoria da Venezuela diretamente para o Brasil e a submeteu a despacho aduaneiro mediante a DI n° 99/1094692-0, registrada em 17/12/99 (fls. 09/12), mediante redução de aliquota do Imposto de Importação, prevista no ACE n° 39, celebrado entre o Brasil e a Venezuela, de acordo com o Dec. 3.138/99. A fiscalização reputou como indevida a redução tarifária, eis que a fatura comercial que instruiu a referida DI foi emitida pela empresa Petrobrds International Finance Company (PIFC0), situada nas Ilhas Cayman, pais que não é signatário da ALADI, bem assim por entender que os acordos internacionais suso mencionados não permitem o tipo de triangulação comercial praticado pelo importador, lavrando o auto de infração correspondente. O acórdão D RJ/FOR no 2.677/2003 (fls. 67/85) prolatou a decisão que julgou procedente o lançamento. Insurgindo-se contra a decisão de primeira instancia a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 91/123), requerendo a nulidade ou insubsistência do auto de infração por sua flagrante ilegalidade, ou alternativamente, por sua manifesta improcedência. A Segunda Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n° 302-36.318, prolatado em sessão realizada em 11/08/2004, julgou o recurso interposto desprovido, sintetizando o seu entendimento através da ementa adiante transcrita: REDUÇÃO TARIFÁRIA. Incabível a .fruição do beneficio previsto no ACE-27 (Decreto 17" 1.381195), quando opals exportador não membro da ALADL INTERVENIÊNCIA DE TERCEIRO PAIS. Ainda que se tratasse de interveniência de terceiro puis não signatário do Acordo, o aproveitamento do beneficio estaria condicionado ao cumprimento de formalidades que vinculassent o certificado de origem à fatura comercial que amparou a operação de importação. RECURSO NEGADO. ' 0 voto condutor da decisão proferida considera que a preferência tarifriria somente beneficia as importações que se adequarem as regras previstas nos acordos internacionais, dentre os quais o ACE 39 e o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78/87 do Comitê de Representantes da ALADI. Ressalta que tal dispositivo legal trata da comunicação de irregularidades as autoridades governamentais do pais exportador - no caso, Ilhas Cayman- que, sequer, são signatárias do Acordo aqui tratado. Lembra, ainda, que o artigo quarto da referida Resolução não menciona a palavra "origem", e sim "pais ^portador" que, no caso, como exaustivamente comprovado, não é parte nos acordos de que se trata. Process() n" 18336.000728/2002-85 Acórdtm n.`' 03-06.240 CSR 11103 203 Recorrendo desta decisão a contribuinte aduziu (fls. 168/295) que não infringiu qualquer dispositivo legal, havendo um equivoco por parte da fiscalização, que não levou em consideração os argumentos formulados pela defesa na impugnação e no recurso interpostos, para arguir que resta configurado que o entendimento vazado na decisão recorrida, acerca da violação de lei federal, encontra divergência em julgados da Primeira e Terceira Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, a exemplo dos acórdãos n° 301-29.049, 301- 30.223, 303- 29.776, 303-30.027 e 303-30.380 para ao final requerer que seja julgado insubsistente o auto de infração. Mediante a Informação Técnica (fls. 298/301) e o Despacho n° 302-0.099 (11. 302), foi admitido o recurso de divergência interposto, haja vista o reconhecimento do preenchimento dos requisitos regimentais. A Fazenda Nacional (fls. 303/306) apresentou contra-razões aduzindo que, conforme salientado no acórdão de fls. 134/161, ficou figurado como exportador um terceiro pais (Ilhas Cayman, fl. 12), não participante do Acordo Internacional, cujo agasalho foi pleiteado na D1 objeto do auto de infração. Ressalta, ainda, que o Certificado de Origem constante dos autos não ampara a mercadoria objeto da operação de importação ern comento, tendo em vista que não há correlação entre referido certificado e a fatura comercial n° P1FSB 014/00 (fl. 30). A fatura comercial registrada no Certificado de Origem é a de nde n° 80199-0 (ti. 29). Sendo "assim, sustenta que a falta de correlação, no Certificado de Origem, entre as duas faturas não admite a interpretação de que a PIFCO, nas Ilhas Cayman, tratar-se-ia de mera interveniente. Concluiu alegando que não foram supridas as formalidades exigidas pela Resolução n° 232/97, por conseguinte houve a perda da redução tarifária pleiteada corn base no Acordo de Complementação Econômica n° 39 ( ACE-39, Dec. 3.138/99), para requerer que seja negado provimento ao recurso de divergência interposto. É o relatório. 3 Process() n" 18336.000728/2002-85 Accirchlo IV' 03 -06.240 CSR /103 Hs. 204 Vo to Tendo em vista eu a ilustre conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Redatora originalmente designada, não mais integra esse colegiacio, transcrevo, abaixo, suas razões de decidir: 'Conheço do Recurso por preencher os requisitos legais. 0 recurso de divergência interposto (fls. 168/295), consoante análise preliminar, preenche os requisitos necessários á. sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. A matéria trazida à apreciação por esta Corte cinge-se ao reconhecimento ou no do atendimento pela Recorrente das condições previstas no Regime Geral de Origem, em face de usufruto do beneplácito da redução da aliquota incidente sobre o imposto de Importação, em operação por ela realizada já descrita nos autos. 0 tema em comento é recorrente nesta Turma, a jurisprudência dominante se faz no sentido do acolhimento da pretensão deduzida pela importadora, a exemplo dos julgados acostados aos autos, sendo este o entendimento ao qual me filio. Em oportunidade outra ao examinar caso semelhante constante do Recurso de Divergência n° 303-120.595, interposto pelo Representante da Fazenda Nacional, tendo por importadora a ora Recorrente, assim se fez o meu pronunciamento. Vejamos: "Ocorre que, lendo em vista a edição em 4 de agosto de 1999, da Resolução n° 252, do Comilê de Representantes da ALADI, o seu art. 15 determina que sempre que um pais considere que o certificado de origem não está de acordo coin as disposições comic/us no Regime de Origem, comunicará o falo ao pais exportador pura que esse adote as medidas que considere necessárias para solucionar o problema apresentado. E, akin do pedido de informações poderá adotar as medidas que considere de seu interesse par(' salvaguardar seus direitos. De fato, a medida que deve set - tomada pela Administração Adutmeirct pura salvaguardar os interesses tributários do Fisco é a exigência de garanlia e não a desconsideração do regime de tributação beneficiado em decorrência du aplicação clus Normas de Origem da ALADI e do Mercosul. > Proceder de outra forma seria desconsidercu-, tanto o disposto no próprio Regime de Origem, quanto os demais valores que norteiam o trctiamento discriminado posilivcimente que se deve ado/ar no C0112érd0 entre os Estados-parte cio Acordo de Monlevidéu. Que fique claro que a Resolução 252 mencionada é uma consolidação das Normas Origem e seu art. 15 não é inovador. Já eslava no Anexo I, do Acordo de Complementa cão Econômica n° 18, não podendo, portanto, se alegar que não vigia a época dos fatos aqui narrados. Assim sendo, em atenção as Decisões do Comitê de Representantes da ALAD1 que é o órgão politico permanente e foro negociador onde são analisadas e aprovadas totters as iniciativas destinadas a dar cumprimento aos objetivos do Tratado de Monievidêm que constituiu a ALADL não vislumbro a contrarieclude à legislação suscitucla pela Procuradoria. 4 Processo no 18336.000728/2002-85 Acórcido n.° 03.06.240 CSRF/T03 lis. 205 Como é cediço, a legislação decorrente de Tratados assinados pelo Brasil compile, ao lado das normas domésticas, o ordenam coto jurídico pcitrio, e naquilo que não se confrontar coin a Constituição Federal deve ser cumprido." Ademais, veri ficou-se que os documentos constantes dos autos e que respaldaram a operação de importação sob apreciação, não foram impugnados quanto a sua autenticidade c idoneidade, portanto estando aptos para atestar a regularidade do feito, notadamente quanto ã origem e destino da mercadoria importada, sem passar por terceiro pais, bem assim quanto às quantidades de diesel exportadas e descarregadas no destino, a saber: Quadro de quantidades exportadas/importadas Fls. nr. Documento Descrição Observação 09 a 1 2 Extrato DI 99/1094692-0 1.996.133 kg diesel Importação 25 a 27 Laudo Técnico de Arqueação 1.996,133 kg diesel Descarga 30 Invoice PIFSB-014/00, PIFCO 101.167,000 bbl Invoice 80199-0 9 C. de Oriqem ALD-991219317 Res. 252, art. 1, A Invoice 80199-0 28 C. de Embarque PDVSA 101.167 bbl exportação Do quadro acima tem-se a complementar: a) As quantidades mencionadas no extrato da Dl 99/1094692-0 e no laudo técnico de arqueação demonstram que a quantidade de diesel embarcada na Venezuela e desembarcada no Brasil, coincidem. b) Igualmente coincidem as quantidades mencionadas na invpice PIFSB- 014/00, emitida pela PIFCO das Ilhas Cayman, e no conhecimento de embarque emitido pela PDVSA, da Venezuela, ambos atestam 101.167 bbl. c) 0 invoice PIFSB-014/00, emitida pela PIFCO das Ilhas Cayman, menciona o Certificado de Origem ALD-991219317, de 27/12/1999 e o invoice n° 80199-0 da PDVSA PETROLEO Y GAS, S.A., além dos valores referentes às formas de pagamento. d) O Certificado de Origem informa os países exportador e importador (Venezuela e Brasil), declara que as mercadorias nele indicadas corresponde à fatura comercial n° 80199-0, que se encontra de acordo corn as normas de origem da ALADI, de conformidade com o art. 1 0 , "a", da Resolução n° 252. Assim sendo, dou provimento ao recurso interposto pela contribuinte. - Diante dessas razões de decidir o Colegiado, a unanimidade, deu provimento ao recurso especial do contribuinte. .4------- ANTONIO PRAGAor Designado
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007605/2003-63
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1993
IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZ0.
Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária — PDV, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999, que reconheceu a natureza indenizatória de aludidas importâncias, não sujeitas,
portanto, à incidência do IRPF, conforme precedentes jurisprudenciais Administrativos e Judiciais.
Recuso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.272
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto
Freitas Barreto que dava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRA20. Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária — PDV, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999, que reconheceu a natureza indenizatória de aludidas importâncias, não sujeitas, portanto, à incidência do IRPF, conforme precedentes jurisprudenciais Administrativos e Judiciais. Recuso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à Unidade local da RFB para que aprecie as demais questões relacionadas ao pleito. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto que dava provimento ao recurso. / ,4/44ew CARLOS A t: RT e 1° TAS BA'' TO — Presidente\i bk • Ar.i.. 3Á n:41114 _I---- WIMINII". RYCARDO ili e UE MAGALHÃES DE • LIVEIRA - Relator / EDITADO EM: 2 i SEI 49 Partici , . am d. sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gon•.lo zonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gustavo Lian Haddad (convocado), Julio Cesar Vieira Gomes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes (convocado). Relatório , ORLANDO SÉRGIO MENDES DOS SANTOS, contribuinte, pessoa flsica, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou requerimento de retificação de declaração de ajuste anual, com respectivo Pedido de Restituição de Imposto de Renda Pessoa Física, em 23 de setembro de 2003, em relação ao ano-calendário 1993, incidente sobre as verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária, conforme Petição Inicial, às fls. 01106, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da DRJ em São Paulo/SP, consubstanciada no Acórdão n° 17- 19.093/2007, às fls. 22/26, que indeferiu integralmente o Pedido em referência, a Egrégia 4 a Câmara, em 23/04/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 104-23.127, sintetizados na seguinte ementa: "ASSUTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1994 RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA — Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 31 de dezembro de 1998, ocorrida em 06 de janeiro de 1999, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. PDV — MÉRITO — Afastada a decadência, e sendo esta a única matéria até o momento debatida, cabe o retorno dos autos à DRJ, para julgamento do mérito. Recurso Provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 42/50, com arrimo no artigo 7°, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos 2 [ Processo n° 10830.007605/2003-63 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.272 Fl. 2 Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assevera que a Instrução Normativa n° 165/1998; que recoOeçejí a não incidência de IRPF sobre as verbas pagas a título de PDV, em razão de sua natureza indenizatória, não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação, sobretudo quando referida norma secundária, por esse próprio caráter, não tem o condão de extinguir exigência tributária. Alega que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato 'Declaratório n° 096, de 26 de dezembro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituicã o do tributo pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extincão do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa o condão de criar ou extinguir direitos, dão inovando o lapso decadencial. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Instruções Normativas, Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência, em total afronta a segurança jurídica. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação doutrina e jurisprudência de nossos Tribunais Superiores a propósito da matéria, consonantes com o entendimento acima esposado. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 4 a Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente os artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho n° 104-411/2008, às fls. 52/53. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, o contribuinte ofereceu suas contra-razões, às fls. 58/59, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. 3 Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 4' Câmara do 1° Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I, e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, afrontando, ainda, a jurisprudência dos Tribunais Superiores. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconforrnismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: " Art.165 - O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no ás 4° do art. 162, nos seguintes casos: 1 - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;" "Art.168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário," Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto a existência do indébito, tendo em vista tratar-se de pedido de restituição de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF incidente sobre as verbas concedidas em virtude de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV, reconhecidas como indenizatórias e, por conseguinte, não integrantes da base de cálculo do tributo sob análise, mediante edição da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999. Nesse sentido, a discussão centra-se tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido prazo. \L 4 r Processo n° 10830.007605/2003-63 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.272 Fl. 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 106, inciso I, 165 inciso I, e 168, inciso I, do Códex Tributário, entende que ol termo a quo do prazo prescricional em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Câmara recorrida, em sua maioria, determinou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição e/ou compensação dos tributos em referência (IRPF) inicia-se na data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o IRPF, cobrado sobre as verbas recebidas pela pessoa fisica em decorrência de adesão a PDV, só passou a ser indevido quando do definitivo reconhecimento pela autoridade fazendária da não incidência de tal imposto sobre aludidos valores, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, de 06/01/1999. Em outras palavras, antes da IN SRF n° 165/1999, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os' pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos dos malfadados dispositivos legais que regulamentavam a matéria. Mais a mais, repita-se, à época dos pagamentos do IRPF incidentes sobre as importâncias recebidas em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua natureza indenizatória pela própria autoridade fazendária e, por conseguinte, fora do alcance do IRPF, mediante edição da Instrução Normativa SRF n° 165/1999. Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao principio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, é o entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, somente como ilustração, por se referir à indébito decorrente de norma declarada inconstitucional pelo STF, mister transcrever excerto da obra de Leandro Paulsen, que assim preleciona: " O STJ, contudo, tem se pronunciado reiteradamente no sentido de que, em se tratando de tributo declarado inconstitucional, o prazo qüinqüenal conta-se da publicação da decisão do STF em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado, havendo precedente no sentido da contagem a partir da publicação da decisão do recurso extraordinário. UI - Procuramos identificar a origem da posição do STJ no sentido de que o prazo para repetição contar-se-ia da decisão do STF. A l a Seção firmou tal entendimento por ocasião do julgamento dos Embargos de Div. no Recurso Especial n° 43.502 e também no 44.952. Houve transcrição, pelo Min. Américo Luz, de voto anteriormente proferido pelo Min. Pádua Ribeiro no Resp 44.221/PR, em que resgatava voto proferido por Hugo de Brito Machado na AC 44.403-3, na i a T. do TRF%, em abril de 1994, sendo que também Hugo valera-se da lição alheia (de Ricordo Lobo Torres), conforme segue de seu voto: "O direito de pleitear a resituição, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade, em ação direta. Ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. RICARDO LOBO TORRES, ensina: 'Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF." ("DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Leandro Paulsen — 5 a edição, pág. 991) (grifamos) Igualmente, a jurisprudência consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo oferece proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: "IRPF — RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO — Conta-se a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. . IRPF — PDV — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - ALCANCE — Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Vonluntá rio em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa n° 165 de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. — Recurso Especial negado." (P Turma da Câmara 6 Processo n° 10830.007605/2003-63 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.272 Fl. 4 Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 127.011, Acórdão n° CSRF/01-04.174 — Sessão de 14/10/2002) "IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. PRAZO DECADENCIAL — Nos casos de retenção pela fonte pagadora de importância a título de imposto de renda na fonte considerado indevido por legislação superveniente, o termo inicial para o sujeito passivo apresentar o pedido de restituição junto ao órgão competente é a data em que vigora os efeitos da nova legislação. PDV — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INICIO — No caso de retenções relativas a Programa de Demissão Voluntária ocorridas além do prazo de cinco anos, o termo inicial para protocolização de pedido de restituição ocorre em 06.01.1999, data da publicação de ato administrativo que reconheceu indevida referida exação. Recurso negado" (P Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 126.098, Acórdão n° CSRF/01-05.133 — Sessão de 29/11/2004) No caso vertente, não se cogita em prescrição do direito da contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição em 23 de setembro de 2003, dentro do prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Instrução Normativa SRF n° 165, DOU de 06/01/1999. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela zla Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO • . URSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima es sadas. ~Rãdt, 8)1/.. Mat._ Á Rycar• dit que Magalhães de Oliveira - Relator 7
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Numero do processo: 16095.000307/2008-02
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO DEMONSTRADA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA NÃO RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS RAZÕES DE DEFESA . NULIDADE Anula-se a decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa quando a autoridade julgadora, sob o argumento equivocado da ocorrência de confissão de dívida, considerou definitiva a parcela da exigência supostamente confessada e não analisou as razões de defesa em sua integralidade.
Numero da decisão: 1402-001.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos à primeira instância julgadora, para que outra decisão seja proferida na boa e devida forma.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃO DEMONSTRADA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA NÃO RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS RAZÕES DE DEFESA . NULIDADE Anulase a decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa quando a autoridade julgadora, sob o argumento equivocado da ocorrência de confissão de dívida, considerou definitiva a parcela da exigência supostamente confessada e não analisou as razões de defesa em sua integralidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos à primeira instância julgadora, para que outra decisão seja proferida na boa e devida forma. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva,Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto Relatório Fl. 5614DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000307/200802 Acórdão n.º 1402001.155 S1C4T2 Fl. 2 2 Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e lançamentos decorrentes da CSLL, Cofins e PIS no valor total de R$ 14.972.806,81; aí incluídos multa de ofício e juros de mora, sendo que o percentual da multa foi de 112,50% pelo fato do sujeito passivo não ter atendido às intimações para apresentação de documentos. As exigências do IRPJ e da CSLL foram apuradas sob a sistemática de arbitramento do lucro, tendo em vista que a interessada, tributada com base no lucro presumido, não apresentou a escrituração ou, ao menos, o livro Caixa, ainda que reiteradamente intimada a fazêlo. Em impugnação ao feito, a autuada sustentou a impossibilidade de apresentar a documentação solicitada pois parte dos documentos haviam sido roubados, conforme registro policial acostado aos autos; e parte estava aos cuidados da Secretaria da Fazenda Estadual. Sustenta que o arbitramento representou uma punição, pois a não apresentação dos documentos ocorreu por motivos aos quais não deu causa. Acresce que, com a devolução de alguns documentos pela Secretaria da Fazenda Estadual pode recompor a escrituração. Como exemplo, refez o que seria a apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real para demonstrar que, aduz, a aplicação do lucro arbitrado não condiz com a realidade patrimonial da contribuinte. Argumenta que deseja regularizar a situação perante a RFB mas sem colocar em risco a continuidade de suas atividades e reclama contra a multa aplicada no patamar de 112,50% que não se justificaria, pois estava impedida de apresentar a documentação requerida e, além disso, nesse percentual a multa tem natureza confiscatória. Requer, ao final, a decretação da nulidade dos lançamentos, "por desobediência aos comandos inseridos nos artigos supramencionados", ou, sucessivamente, a diminuição da multa aplicada "para a margem de 20% do montante do tributo exigido". Requer, outrossim, "que o valor devido a titulo de IRPJ e seus reflexos — PIS, COFINS, CSLL sejam calculados tendo como base o Lucro Real da Contribuinte, nos termos do inciso I, do artigo 14 da Lei 9.718/98". Protesta, por fim, pela "posterior juntada de outros documentos comprobatórios para provar os fatos alegados na impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1420.622 dando provimento parcial ao recurso exclusivamente para reduzir a multa ao percentual de 75%. De acordo com a decisão, a multa teria fundamento no inciso I, do § 2º c/c inciso I do caput, do art. 44, da Lei nº 9.430/96; que trata do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, o que não se confundiria com a não apresentação de livros e documentos fiscais. Conclui a decisão hostilizada que, se assim não o fosse, qualquer arbitramento de lucro com base na não apresentação de livros obrigatórios ensejaria agravamento da multa. No que se refere à parcela cancelada da exigência como decorrência da redução do percentual da multa, o Órgão julgador de primeira instância recorreu de ofício a este Colegiado. Quanto ao mérito, a decisão questionada entendeu que as súplicas do sujeito passivo limitaramse à forma de apuração do lucro tributável, que pretenderia ser apurado pelo lucro real, e ao agravamento da multa, que pretenderia ver reduzida para 20%. Fl. 5615DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000307/200802 Acórdão n.º 1402001.155 S1C4T2 Fl. 3 3 Sob essa premissa, não teria havido questionamento dos valores da receita apurados pela autoridade lançadora com base na circularização junto aos clientes o que implicaria na definitividade das exigências do PIS e da Cofins bem como dos valores do IRPJ e da CSLL por ela apurados com base no lucro real, apuração essa contida na peça impugnatória, além de multas de ofício calculadas no percentual de 20% (sic) e juros de mora. Em relação a esses valores, manifestouse a decisão recorrida pela imediata exigibilidade, que não seria suspensa pela eventual interposição de recurso voluntário. No que tange às demais matérias, rejeitou as preliminares de nulidade suscitadas e esclareceu a impossibilidade de a autoridade administrativa manifestarse em relação à argüições de inconstitucionalidade. Por fim, não acatou as razões trazidas pela recorrente para justificar a não apresentação dos documentos da escrituração e, portanto, estaria correto o enquadramento da pessoa jurídica numa das hipóteses de arbitramento previstas na legislação. Após esclarecimentos prestados pela autoridade julgadora, por solicitação da Unidade administrativa executora do Acórdão, quanto ao montante da exigência abrangido pela definitividade, a parte dos débitos que se entendeu não impugnada foi transferida para os autos do processo 16091.001544/200812 e a decisão foi encaminhada à ciência do sujeito passivo. Devidamente cientificada, a interessada recorre a este Colegiado protestando contra o entendimento de que teria concordado, seja no todo ou em parte, com a autoridade lançadora a ponto de se considerar parte da exigência como não impugnada. Argüiu em preliminar o cerceamento do direito de defesa, pois não lhe teria sido disponibilizado o despacho proferido pelo Órgão julgador de primeira instância, onde consta a explicação da forma de execução do Acórdão prolatado, inclusive em relação à multa de 20%. Prossegue afirmando que requereu a suspensão da exigibilidade dos débitos transferidos para o processo 16091.001544/200812 e afirma que a autoridade julgadora inovou na apreciação do pleito ao estabelecer uma suposta confissão no que seria apenas uma forma de demonstrar o quanto a exigência com base no lucro arbitrado seria distorcida. Argumenta que, no momento em que a decisão recorrida estabelece a cobrança de parte da exigência com base no lucro real, estaria sendo criado um regime híbrido de apuração de resultado, ou seja, parte no lucro arbitrado e parte no lucro real, sem qualquer base legal. Nessa ótica, prossegue, tendo em vista a aplicação do Lucro Real pela Autoridade Julgadora, e considerando que a tributação com base no Lucro Real (regra geral) prevalece sobre a tributação com base no Lucro Arbitrado (exceção à regra geral), deverseia , então, levar em conta as bases de cálculo apresentadas na peça impugnatória, de tal modo que, admitido o cálculo da Contribuinte, somente ele deve ser considerado como base para o lançamento, devendo ser integralmente cancelada a exigência original do Auto de Infração. No que se refere ao PIS e à Cofins, afirma que as razões de defesa expostas na peça impugnatória abrangem todo o crédito tributário, inclusive essas contribuições, as quais também estariam abrangidas no pleito quanto à apuração do resultado pelo lucro real. Fl. 5616DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000307/200802 Acórdão n.º 1402001.155 S1C4T2 Fl. 4 4 Por fim, protesta pelo direito de juntada posterior de documentos. É o Relatório. Fl. 5617DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000307/200802 Acórdão n.º 1402001.155 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recurso é tempestivo, foi subscrito por representante legalmente designado e preenche as demais condições de admissibilidade. Tendo em vista o conteúdo dos autos, entendo que merece análise cuidadosa a decisão recorrida na parte em que decidiu pela definitividade de uma parcela da exigência. Manifestouse o Acórdão nos seguintes termos (destaques acrescidos): Destarte, como a impugnante, em nenhum momento, ataca os valores de receita bruta apurados pela autoridade fiscal com base em procedimento de "circularização" de seus clientes (o qual, aliás, apurou valores anuais 80 vezes maiores que aqueles declarados pelo contribuinte!!), entendo que devam ser declaradas definitivas as exigências de PIS e Cofins, e também os valores de IRPJ e CSLL por ela apurados, considerando o regime do lucro real, conforme planilhas constantes na sua peça reclamatória (fls. 4.225/4.227), e respectivos juros de mora e multas de oficio calculadas no percentual de 20%. Estes valores, portanto, com os quais a impugnante expressamente concorda (e "tem interesse em regularizar sua situação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil"), devem ser objeto de imediata cobrança. Eventual recurso voluntário não implicará na suspensão da exigibilidade desta parte. Pelo exame da peça impugnatória, não consegui vislumbrar a “concordância expressa” aludida pela decisão hostilizada. Em primeiro lugar, pela argüição de nulidade da autuação, o que abrangeria toda a exigência. Mesmo que a primeira instância julgadora tenha rejeitado esse argumento, em tese a decisão poderia ser reformada pelo CARF e o auto de infração considerado nulo. Perguntase: O que fazer com parcela da exigência considerada definitiva e objeto de procedimento de cobrança? Além disso, entendi que o demonstrativo elaborado pelo sujeito passivo, do que seria o lucro real teve a finalidade não de confissão, mas de ser utilizado como comparativo para embasar o argumento quanto à inaplicabilidade do lucro arbitrado para representar o efetivo acréscimo patrimonial. No mais, concordo com a recorrente quanto à inaplicabilidade de dois regimes de apuração do lucro simultâneos. Ou bem os elementos fornecidos à autoridade fiscal permitem a apuração do lucro real, ou são insuficientes para tal e o lucro será arbitrado. Seja qual for o diagnóstico, a apuração deve abranger todo o resultado da pessoa jurídica. Ao acatar o que seria a “confissão da dívida” apurada pelo lucro real, creio que a decisão hostilizada incorre em contradição em relação ao próprio entendimento prolatado no bojo do voto condutor quanto à inexistência de arbitramento condicional. Fl. 5618DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000307/200802 Acórdão n.º 1402001.155 S1C4T2 Fl. 6 6 Se, como afirmado na decisão, eventual posterior disponibilidade da documentação, cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento, não há como homologar (no sentido de aceitar como “confissão”) um procedimento da interessada que implica em tributação pelo lucro real e, portanto, vai de encontro ao entendimento do Órgão julgador. Ainda no que tange à suposta “concordância expressa” temse a questão da multa de ofício. Nos termos da transcrição supra, a decisão fala em “multas de oficio calculadas no percentual de 20%”. A heterodoxia da expressão causou estranheza, inclusive junto à autoridade responsável pela execução da decisão que formalmente solicitou explicações quanto à forma de aplicála. Em resposta, a autoridade julgadora confirmou que, sobre os valores que entendeu confessados sujeitos à imediata cobrança “além dos respectivos juros moratórios, deverá incidir a multa de 20%, com a qual a impugnante expressamente concorda”. Mais além, ratifica (destaque acrescido): Respondendo, então, o segundo questionamento trazido pela unidade responsável pelo controle e a cobrança do crédito tributário, é este o percentual da multa de oficio (que coincide com o percentual da multa de mora) que deverá ser desmembrado para prosseguimento da cobrança. A meu ver, a decisão recorrida comete um equívoco. A imputação da multa de ofício decorre de expressa disposição legal ( inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96) que estabelece a incidência no percentual de 75%, podendo ser agravada em 50% (como ocorreu no presente caso) ou qualificada. Assim, não existe previsão para aplicação da multa de ofício no percentual de 20% ou em qualquer outro diferente daquele estabelecido no dispositivo mencionado. Se o sujeito passivo requer a diminuição da multa com aplicação de um percentual não previsto em lei o correto para a autoridade julgadora é simplesmente negar provimento ao recurso, e não entender como confessado o valor da multa calculado sobre o percentual pleiteado. Em função da obviedade de que o acessório segue o principal, a multa é indissolúvel do tributo devido. Se por hipótese, e apenas por hipótese, fosse caracterizada a definitividade parcial da exigência por confissão, o valor passível de cobrança imediata a ser transferido para outro processo seria a parcela do tributo confessada, mais juros de mora e multa de ofício sobre essa parcela no percentual de 75%. Nesses termos, seja por não ter ocorrido a confissão de dívida suscitada na decisão recorrida, seja pela inaplicabilidade da multa de ofício no percentual de 20%, entendo como irregular o procedimento da primeira instância julgadora em considerar como definitiva parte da exigência. Como conseqüência, mostrase indevida a segregação efetuada e a transferência de parte do débito para os autos do processo 16091.001544/200812. De todo o exposto, voto no sentido de anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida com abrangência sobre todo o crédito tributário objeto dos autos de infração. Para isso, a autoridade julgadora deverá requerer a juntada do processo Fl. 5619DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000307/200802 Acórdão n.º 1402001.155 S1C4T2 Fl. 7 7 16091.001544/200812 e os devidos ajustes nos sistemas com vistas ao cancelamento da segregação indevidamente efetuada. Após nova decisão ser proferida, deverá ser reaberto prazo para interposição de recurso. É como voto. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 5620DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10620.000669/2004-90
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, e imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matricula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.169
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage, que negaram provimento.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, e imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matricula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido.
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'-'ç0-. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10620.000669/2004-90 Recurso n° 301-133.179 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.169 — 2a Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado V & M FLORESTAL LTDA. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2000 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, e imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matricula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros ! oberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nune-i da Silva, Ryd, do Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram pr./ imento. 1 4 4 40 ARLOS ALBE • TI FREITAS :A s P. TO - Pre idente \-- 7 .\ li. 1 e 1 is, CAIO MARCOS C •' NDIDO 1' elator di (7 N 1 EDITADO EM: 18 SEI 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° 301-33.428, exarado na sessão de julgamento de 10 de novembro de 2006. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 5° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 142/144. A divergência jurisprudencial, que se quer seja solucionada nos presentes - autos, resume-se a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, constitua-se condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR. Contrarrazões às fls. 148/157. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 10620.000669/2004-90 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.169 5. Fl. 2. 14 f, ki et Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 1' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: imóvel e área de Reserva Legal. Isenção reconhecida. Aplicabilidade da MP n" 2.166-67, de 24 de agosto de 2001 Cita-se, ademais, que neste caso houve averbação tardia, nos termos de fls 18-24. Neste sentido, havendo averbação tardia da área definida como reserva legal, torna-se impossível ignorar a situação fálica demonstrada e provada nos autos, motivo pelo qual se reconhece o beneficio da isenção fiscal, ainda que retroativamente. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização relativa à área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, tendo em vista que a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis deveria ter sido efetuado antes de ocorrido o fato gerador, reportando-se, como paradigma de divergência, ao acórdão n° 302-36.585, de lavra da 2 Câmara do 3° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, na sessão de 02 de dezembro de 2004, em que restou consignado: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão tributária e aproveitada do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente.(.) Pelos excertos reproduzidos restou demonstrada a divergência entre decisões adotadas por duas Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial. No mérito, o lançamento combatido trata do ITR que teve fulcro na glosa da área declarada como sendo de reserva legal. Conforme visto, a 1' e r Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes divergem quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n°4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. 3 A 3a Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbaçã o procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n°9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989: § 2°Á reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: 4 Processo n° 10620.000669/2004-90 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.169 Fl. 3 A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n°9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n°4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 5 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista que a averbação imposta em lei para constituição da reserva legal não foi realizada antes da ocorrência do fato geras c ., voto no sentido de dar provimento ao recurso especial de divergência. • r- ,111% 1110k Cai • Marcos Candido - Relator / 41, 6
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Numero do processo: 13116.001385/2003-28
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluí-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-000.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso em relação à exigência do ADA e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso em relação à área declarada como de reserva legal. Vencidos os
Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento nesta matéria.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: Júlio César Vieira Gomes
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'''''''... t • .;,;'''' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS„,9 ...... ,., CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13116.001385/2003-28 Recurso n° 303-134.847 Especial do Procurador .. .', i Acórdão É' 9202-00.123 — 2 Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DANOZETE GONÇALVES FERREIRA Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluí-la da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação à exigência do ADA e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso em relação à área declarada como de reserva legal. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento nesta matéria. „.____Li i Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 2 / 1 4 (4---- CARLOS • : E § ,' 4 1 • ITAS B • ,' ' ETO — Presidente , ‘ \ 1 n\\I JULIO CE . ', R 1.:n " 1' • GOME' — Relator EDITADO EM: 18 sE T '019 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), 1 Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão, no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente; e também pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de correspondente à reserva legal, ainda que à época dos fato gerador não houvesse sua averbação do registro de imóveis. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que, ao prover o recurso 1 voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o artigo 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF n° 43/1997, com a redação do artigo 1 0, inciso II, da IN/SRF n° 67/1997, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 e os artigos 2°, 30 e 16 da Lei n° 4.771/65. E quanto à reserva legal que houve contrariedade à legislação tributária. Ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o art. 10, § 4°, inciso I, da TN/SRF N° 43/1997, que disciplinou a Lei 9.393/96, com a redação dada pela IN/SRF N° 67/97 e ofender o artigo 111 e 114, ambos do CTN. E ainda que: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. 2 Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 3 O recurso foi admitido através de despacho sob o fundamento de que merece acolhimento, haja vista que a decisão foi prolatada por maioria de .votos e contrariou dispositivos de instrução normativa. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. É o relatório. 3 Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 4 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Examinando o recurso especial e o despacho que lhe deu seguimento, entendo que não foram atendidos os pressupostos para sua admissibilidade. A alegada contrariedade é em face do artigo 1° da Instrução Normativa SRF n° 88/99, além do artigo 10, da Instrução Normativa/SRF no. 43/97, com as alterações introduzidas pela Instrução Normativa/SRF n. 67/97. Ainda que tenha sido referenciado o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, em última instância, a contrariedade é em face de instrução normativa que trouxe a exigência, portanto à legislação tributária, e não à lei, como prevê o artigo 7°, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, publicado no DOU de 28/06/2007: Art. 7° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: 1- decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; Código Tributário Nacional: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Caso o artigo 7 0, I do Regimento fosse interpretado para alcançar toda a legislação tributária, estar-se-ia negando autonomia ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, conforme artigo 25, inciso II do Decreto n° 70.235/72, verbis: 4 Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 5 Art. 25. II — em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritá rio, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de oficio e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Portanto, VOTO PELO CONHECIMENTO PARCIAL do recurso especial por falta de comprovação da contrariedade à lei da parte relativa à preservação permanente. No entanto, diante da possibilidade de prevalência do entendimento contrário, resultando daí o seguimento total do recurso, e considerando o princípio da duração razoável do processo, procedo ao exame de mérito de ambas as matérias. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) id( Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei n° 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2°, com a seguinte redação, in verbis: "Art. 16. § 1° § 2°. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." 5 Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão o.° 9202-00.123 Fl. 6 Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Nesse sentido, transcrevo voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303- 34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): Consoante pródiga jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, v.g. os EDcl no AgRg no REsp 255170 / SP, Min. Luiz Fux e o RMS 18301 / MG, Min. João Otávio de Noronha, a reserva legal representa uma modalidade de limitação administrativa à propriedade rural. Como tal, tanto pode sujeitar o proprietário a obrigações de não fazer (o corte raso) quanto de fazer (de delimitar a área de reserva e averbá-la junto ao órgão competente). Veja-se a lição Maria Silvia di Pietro (Direito Administrativo. São Paulo. Atlas. 2003. 15 a ed., p. 128) As limitações podem, portanto, ser definidas como medidas de caráter geral, impostas com fundamento no poder de policia do Estado, gerando para os proprietários obrigações positivas ou \tk( negativas, com o fim de condicionar o exercício do direito de propriedade ao bem-estar social. (destaquei) De se notar, que, para a solução da lide, interessa definir em que momento se considera constituída tal restrição administrativa, pois somente após a sua constituição é que se configura a debatida hipótese de incidência "negativa", que exclui as áreas submetidas à restrição do pagamento do ITR. Com as devidas vênias, portanto, não me filio ao entendimento de que a averbação seria apenas uma mera formalidade, cujo descumprimento implicaria multa administrativa, e só: Não se admite que o Fisco afirme sustentação legal no Código Florestal para exigir averbação das áreas como condição ao seu reconhecimento como isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a essas áreas se elas forem de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal, conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal) 6 Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 7 (.) De fato agrediria a lógica elementar estabelecer como condição prévia à isenção de área sob reserva legal, o mero ato de averbação, acessório, complementar na tarefa central de buscar a preservação da área, e que cumpre a finalidade especifica de dar conhecimento erga omnes, de forma a que qualquer adquirente posterior esteja ciente e possa ser responsabilizado pelo descumprimento da limitação de utilização imposta por lei, para áreas com certas características geográficas, ecológicas, históricas, de interesse ambiental, que constituem patrimônio nacional a ser obrigatoriamente preservado, independentemente de qualquer ato declaratório do fisco ou de qualquer outro órgão administrativo. A definição de área de reserva legal é estabelecida no Código Florestal, a existência de áreas conforme a definição caracteriza a obrigação imposta não apenas ao proprietário, mas a todos, inclusive à administração pública, de preservação de tal área (Recurso Voluntário no 127.562, de lavra do i. Conselheiro Zenaldo Loibman) É uma peculiaridade da reserva legal a eleição pelo próprio proprietário ou possuidor de qual parte da propriedade, não inferior a 20%, será reservada para a proteção ambiental. É a única modalidade que apresenta essa característica, nas demais, por exemplo a área de preservação permanente, a própria lei cuida de delimitá-la. Repito: somente se constitui reserva legal com a averbação da área eleita pelo proprietário/possuidor. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal pacificou-se nesse mesmo sentido. Transcrevo o resultado de pesquisa realizada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro (Acórdão n° 303-34.883 de 07/11/2007, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes): No Pretório Excelso, tal posição firmou-se a partir do 1,1 julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB (Tribunal 411n • Pleno, relatado pelo Ministro Moreira Alves, DJ de 28/04/2000) ,11 em que se discutia os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideram-se não aproveitáveis: IV - as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. 7 Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 8 Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Nessa mesma linha, o MS 23.370-2/GO, Tribunal Pleno, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 28/04/2000: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legal: A "reserva legal", prevista no art. 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf L. 8.629/93, art. 10, IV),sem que esteja identificada na sua averbação (v.g MS 22.688) Apenas para demonstrar a manutenção desse entendimento jurisprudencial na Excelsa Corte, trago à colação o MS 25186 / DF, Tribunal Pleno, de relatoria do Ministro Carlos Brito, publicado no DJ de 02/03/2007: Segundo a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da produtividade. Precedente: MS 22.688. Peço licença para transcrever novamente outro trecho do voto condutor onde tal entendimento fica consignado: 8 Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 9 Relembrando o que observou o Ministro Pertence, uma diferença essencial entre as áreas de reserva legal e de preservação permanente, é exatamente a ausência de pré-definição de quais são as áreas efetivamente sujeitas a proteção diferenciada. Antes da demarcação, portanto, o efeito invocado no voto condutor resta esvaziado, pois inexiste área a proteger, apenas a obrigação de se constituir um percentual sujeito a proteção. Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28.156/DF, de 02/03/2007). Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sobAndamento de inconstitucionalidade. Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo. A outra divergência é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1— de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1 0 Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; 9 Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 10 Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: - de preservação permanente; II - de utilização limitada. § 1° A área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIA 1', e a distribuição das áreas, à situação existente em 1° de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) § 3° São áreas de utilização limitada: 4° As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do MAM, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuraçà'o do ITR, observado o seguinte: II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAMA; III - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBA111/1, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. (.) Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR11998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; to Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 11 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do C'IN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do beneficio de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. -.- § 4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (.) § 6. 0 Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos .a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 11 , Processo n° 13116.001385/2003-28 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.123 Fl. 12 i Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CTN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela específica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. ... Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção; caso distinto da exigência de averbação, que é requisito para constituição da área de reserva legal. Em razão do exposto, entendo que deve ser incluído na base de cálculo do ITR o valor correspondente à res - a legal não averbada à época do fato gerador e excluído o valor correspondente à área ir ; ação permanente, mesmo que ausente o ADA. JÇ n14.1 , , Julio Ce Vie ç comes - Relator i 1 1 , , 12
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