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Numero do processo: 10730.725385/2018-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2016
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NATUREZA DOS RENDIMENTOS.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, devem ser observados dois requisitos cumulativamente: (i) a comprovação da moléstia por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; e (ii) os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão.
Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe-se o reconhecimento da isenção no caso concreto.
Numero da decisão: 2201-010.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NATUREZA DOS RENDIMENTOS. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, devem ser observados dois requisitos cumulativamente: (i) a comprovação da moléstia por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; e (ii) os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Restando comprovado, nos autos, o atendimento às exigências fiscais, impõe- se o reconhecimento da isenção no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 83/100, interposto contra decisão da DRJ no São Paulo/SP de fls. 73/78, a qual julgou parcialmente procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF, consubstanciado na notificação de lançamento de fls. 22/25, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 53 85 /2 01 8- 68 Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.675 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.725385/2018-68 lavrado em 22/10/2018, referente ao ano calendário de 2016, com ciência do RECORRENTE em 30/10/2018, conforme AR de fl. 51. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por (i) dedução indevida de rendimentos considerados como moléstia grave; (ii) dedução indevida de previdência oficial (iii) Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Sobre Rendimentos Declarados Como Isentos por Moléstia Grave ou Acidente em Serviço. O valor do crédito tributário apurado atinge o montante de R$ 10.832,57, já acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora (até a lavratura). Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave De acordo com a descrição dos fatos e do enquadramento legal à fl. 23, foi constatado a omissão de rendimentos tributáveis recebidos do FUNDO DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (CNPJ: 16.727.230/0001-97), no valor de R$ 44.246,15 e da REAL GRANDEZA FUNDAÇÃO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL (CNPJ: 34.269.803/0001-68), no valor de R$ 347.933,26, perfazendo o montante total de R$ 392.179,41, indevidamente declarados como isentos, pelo fato do RECORRENTE não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave, haja vista que o órgão responsável pela emissão do laudo pericial se tratar de Associação Privada. Dedução Indevida de Previdência Oficial De acordo com a descrição dos fatos e do enquadramento legal à fl. 24, foi constatado dedução indevida declarada a título de contribuição a previdência oficial, no valor de R$ 9.036,73, referente à fonte de pagamento REAL GRANDEZA FUNDAÇÃO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL (CNPJ: 34.269.803/0001-68). Compensação Indevida de IRRF Sobre Rendimentos Declarados Como Isentos por Moléstia Grave De acordo com a descrição dos fatos e do enquadramento legal à fl. 25, foi constatada a compensação indevida de IRRF sobre rendimentos declarados como não tributáveis, recebidos do FUNDO DO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (CNPJ: 16.727.230/0001-97), no valor de R$ 2.582,20 e da REAL GRANDEZA FUNDAÇÃO DE PREVIDÊNCIA E ASSISTÊNCIA SOCIAL (CNPJ: 34.269.803/0001-68), no valor de R$ 87.670,34, perfazendo o montante total de R$ 90.252,54, indevidamente declarados como isentos, pelo fato do RECORRENTE não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave, ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, ou não comprovou a efetiva retenção do imposto de Renda sobre rendimentos isentos e/ou não tributáveis, para fins da compensação pleiteada. Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.675 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.725385/2018-68 Impugnação O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 02/11, em 27/11/2018. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo/SP, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: - é portador de perda auditiva neurossensorial bilateral em decorrência de exposição a pressão sonora elevada (CID H 83.3) desde 09/2002. Tal moléstia foi contraída em face de suas condições de trabalho eis que, ao exercer sua profissão de engenheiro na empresa Furnas Centrais Elétricas S/A, por aproximadamente vinte anos foi exposto a ruído de modo habitual e permanente, consoante é possível inferir do laudo técnico emitido pela citada empresa (fls. 27/28); - sendo portador de moléstia profissional, faz jus ao beneficio de isenção de Imposto de Renda sobre os seus proventos de aposentadoria, na forma do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22/12/1988. Assim, para se beneficiar de tal benefício tributário, em observância as exigências legais previstas no art. 30, da Lei nº 9.250/1995, obteve em 14/07/2017 o laudo médico oficial, emitido por unidade da rede pública municipal (CF Marcos Valadão - CNES 6029965), o qual atesta sua moléstia profissional; - o argumento de que o laudo não teria sido emitido por serviço médico oficial utilizado pela fiscalização para negar seu pleito, é descabido conforme atesta a ficha de identificação do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde - CNES- que anexa à fl. 41; - para que não reste nenhuma dúvida nesse ponto, junta mais dois novos laudos médicos que atestam a sua condição de portador de moléstia profissional, sendo um emitido pelo Hospital Municipal Rocha Maia da Secretaria de Saúde do Município do Rio de Janeiro (fl. 45) e outro pelo Médico de Família e Comunidade da Fundação Municipal de Saúde de Niterói (fl. 47); - transcreve jurisprudência no sentido de ser desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento da isenção do imposto de renda, desde que o julgador entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova; - requer o restabelecimento dos valores pagos a título de contribuição à previdência privada cuja glosa decorreu de erro no preenchimento da declaração, tendo sido informado como contribuição à previdência oficial; - finaliza requerendo o cancelamento da cobrança e a restituição dos valores indevidamente retidos. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ no São Paulo/SP julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme acórdão de fls. 73/78. Na ocasião, a DRJ entendeu que o contribuinte não comprovou ser portador de moléstia profissional, não tendo sido estabelecido o nexo causal, já que a Perda Auditiva Induzida por Ruído não se enquadra nas demais patologias elencadas na legislação. Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.675 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.725385/2018-68 Com relação à glosa de contribuição previdenciária oficial, a DRJ entendeu que a quantia pleiteada de R$ 9.036,73 se refere a contribuições à previdência privada, conforme comprova a DIRF de fl. 72, motivo pelo qual restabeleceu a dedução pleiteada. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE apresentou o recurso voluntário de fls. 83/100. Tendo em vista que não consta nos autos registro de envio da intimação para ciência do Acórdão de Impugnação, foi considera como data da ciência a data da apresentação do recurso, 26/03/2020, conforme descrito a fl. 251. Em suas razões, alega que o julgador de origem na tentativa de manter o lançamento fiscal, ultrapassou o questionamento quanto à legitimidade da assinatura do laudo médico e acabou por inovar no fundamento que deu azo à autuação, violando, de forma desmedida, os Princípios Constitucionais e Processuais da Ampla Defesa e do Contraditório, bem como o da segurança jurídica, motivo pelo qual requer a nulidade do lançamento. No mérito, alega que o órgão emissor do laudo médico apresentado não possui organizações parceiras, não é gerida por terceiros e não é alvo de contrato de gestão. Ou seja, sua gestão é exclusivamente feita pelo Município do Rio de Janeiro. Portanto, tendo em vista que o único motivo da existência da notificação de lançamento era a apresentação de laudo médico emitido por órgão oficial, resta evidente a desconstituição completa da notificação de lançamento. Alega ainda o RECORRENTE que a legislação (art. 6º, da XIV e XXI, da Lei nº 7.713/1988 e art. 30 da Lei nº 9.250/1995) que versa sobre a isenção do imposto de renda para portadores de moléstias graves impõe somente 2 (dois) requisitos cumulativos condicionantes à concessão de tal direito, quais sejam: 1) Receber rendimentos oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; e 2) Apresentar laudo médico emitido por serviço oficial. Relata que ambos os requisitos foram devidamente observados e cumpridos pelo RECORRENTE. Logo, o seu direito à isenção é indubitável. Para embasar seus argumentos, além dos laudos médicos já juntados, o RECORRENTE acosta ao recurso os laudos psicológico e psiquiátrico, demonstrando que, desde 2004, vem tentando, por meio de ajuda de especialistas, controlar os efeitos maléficos dos sintomas não auditivos decorrentes da doença, quais sejam: transtornos do sono, neurológicos e comportamentais. (fls. 239/241). Alega ainda que, caso o julgador de origem não tivesse se convencido quanto ao teor do laudo pericial apresentado, caberia ao mesmo converter o julgamento em diligência para que fosse realizada nova perícia ou a juntada de novos documentos, a fim de dirimir quaisquer dúvidas existentes. Fl. 266DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-010.675 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.725385/2018-68 Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Inovação no julgamento de primeira instância Em suas razões, alega que o julgador de origem na tentativa de manter o lançamento fiscal, ultrapassou o questionamento quanto à legitimidade da emissão do laudo médico por entidade oficial e acabou por inovar no fundamento que deu azo à autuação, violando, os Princípios Constitucionais e Processuais da Ampla Defesa e do Contraditório, bem como o da segurança jurídica, motivo pelo qual requer a nulidade do lançamento. A motivação da notificação de lançamento decorrente da classificação indevida de rendimentos como isentos por moléstia grave se deu conforme razões especificadas na descrição dos fatos e do enquadramento legal (fls. 23/25). Nele, é possível verificar toda a matéria que enseja o lançamento desta natureza, além da fundamentação legal aplicável. Assim, constata-se que a autuação ocorreu porque o contribuinte não comprovou ser portador da moléstia grave. A autoridade fiscal reforçou suas razões sob o argumento de que o emissor do laudo seria uma associação privada. Contudo, o fato de o RECORRENTE apresentar um documento diversos no curso da defesa não significa que toda motivação do lançamento foi superada, haja vista que se o documento apresentado (mesmo que emitido por órgão oficial) também deixar de comprovar ser o contribuinte portador de moléstia grave para fins de isenção do imposto de renda, não haverá modificação do lançamento, visto que esta foi a sua motivação principal. Em outras palavras, não basta apenas apresentar o documento oficial faltante, mas que esse ateste a existência da patologia grave, como exige a legislação de regência. Portanto, sem razão o RECORRENTE neste ponto. MÉRITO: Da isenção de IRPF por moléstia grave Em síntese, o RECORRENTE pugna pelo cancelamento do lançamento por alegar ser isento do imposto de renda em razão de moléstia grave, qual seja, Perda Auditiva Induzida Fl. 267DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-010.675 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.725385/2018-68 por Ruído (Pair), CID H83.3 (moléstia profissional). Afirma que tal patologia encontra-se devidamente comprovada por laudos médicos apresentados, emitidos por órgãos oficiais. Dispõe a Lei nº 7.713/1988, que os proventos de aposentadoria e os benefícios de pensão serão isentos do IRPF quando o beneficiário for portador de moléstia grave. A conferir: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência) (Vide ADIN 6025) XXI - os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) Observa-se que a Lei nº 7.713/1988 não concedeu a isenção de maneira ampla, determinando que o benefício apenas atingiria os proventos recebidos em razão de aposentadoria e/ou pensão. Tal entendimento, inclusive, foi sumulado pelo CARF, a conferir: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Sobre a matéria, o art. 30 da Lei nº 9.250/95 passou a exigir a comprovação da moléstia por laudo emitido por serviço médico oficial: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Desta forma, há dois requisitos que devem ser cumpridos cumulativamente: (i) a comprovação da moléstia por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; e (ii) os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. No caso dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por manter o lançamento pela não comprovação da existência de moléstia profissional. Entendeu que, a despeito dos laudos apresentados, a literatura médica afirma que a moléstia Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair) não progride quando o paciente é afastado da exposição ao ruído. Assim, como aposentou-se em 2002, a partir de então deixou de estar exposto a ruído intenso. Portanto, o agravamento de sua situação ao longo dos anos não poderia ser atribuída à Fl. 268DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11052.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11052.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art1048i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm#art1045 http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADI&documento=748275886&s1=6025&processo=6025 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8541.htm#art6xxi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8541.htm#art6xxi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9250.htm#art30 Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-010.675 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.725385/2018-68 moléstia profissional, eis que apenas em 2017 foi detectada “perda auditiva neurossensorial bilateral (sugestiva de perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados)”. Em que pese a razoabilidade do entendimento exposto pela DRJ de origem, entendo que a sua conclusão não é a mais correta. Não há como ignorar o fato de que o laudo Pericial trazido pelo RECORRENTE junto com sua impugnação (fl. 33) trata-se de documento oficial emitido por Centro de Saúde vinculado ao Município do Rio de Janeiro/RJ (fls. 44/45), sendo o profissional médico emissor expresso ao declarar, sob as penas da lei, que o RECORRENTE “é portador, desde 09/2002 até a presente data, de perda auditiva induzida por ruído CID H83.3, moléstia referida no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, ou no §2º do art. 30 da Lei nº 9.250/95, sob a rubrica de moléstia profissional”. S.m.j., tal declaração, por si só, já se afigura suficiente, nos termos da legislação de regência, para reconhecer a isenção no caso concreto em relação ao RECORRENTE. O RECORRENTE apresentou ainda mais dois outros laudos, com conteúdo semelhante, emitidos por outros órgãos oficiais: um emitido por hospital municipal vinculado à Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro/RJ (fl. 47) e outro emitido pela Fundação Municipal de Saúde de Niterói/RJ (fl. 49). Ao contrário do que afirmou a DRJ de origem, entendo que a descrição detalhada pelos profissionais médicos emissores do laudo não indica que a doença teve início apenas em julho/2017. Esta foi a data em que o médico atestou a perda auditiva neurossensorial bilateral, porém o laudo é expresso ao indicar que a perda auditiva induzida por ruído – Pair, CID H83.3, acomete o RECORRENTE desde 09/2002. Ademais, essa mesma descrição detalhada expressamente associa a moléstia contraída pelo contribuinte às condições de trabalho, atestando que o RECORRENTE é portador de moléstia profissional: (...) De acordo com laudo técnico individual de avaliação de condições ambientais de trabalho fornecido pela empresa Furna Centrais Elétricas S.A., o contribuinte supracitado foi exposto a ruído de modo habitual e permanente por aproximadamente 20 anos. Analisando-se padrão de audiometrias realizadas, é possível associar a moléstia contraída às condições de trabalho. Tal afirmação constante no laudo oficial reforçada pelo Laudo Técnico Individual de Avaliação de Condições de Trabalho para Fins de Processo de Aposentadoria (fls. 30/31), indica o nexo causal para a moléstia profissional, já que o contribuinte “estava exposto ao agente agressivo RUIDO, (...) de modo habitual e permanente” (fl. 31). Entendo que não se pode presumir pela inidoneidade do laudo apresentado pelo RECORRENTE, já que emitido por serviço médico oficial e preenche as condições legais para atestar a moléstia profissional. Portanto, sendo o RECORRENTE portador de moléstia grave consoante a legislação de regência (moléstia profissional) desde 09/2002, atestada por laudo emitido por serviço médico oficial, e tratando-se os rendimentos recebidos de proventos de aposentadoria (fato não contestado pela fiscalização), é de se reconhecer o direito do contribuinte à isenção do imposto de renda no caso concreto. Fl. 269DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-010.675 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.725385/2018-68 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima expostas. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 270DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000333/2007-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
LANÇAMENTO COM BASE NA DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. ERRO. IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O lançamento amparado em dados declarados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual é possível de ser impugnado com base em erro acerca da natureza dos rendimentos declarados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE NÃO DECLARADA. CABIMENTO. CONHECIMENTO DO MÉRITO PELO CARF EM BENEFÍCIO DO SUJEITO PASSIVO.
No caso dos autos, deixa-se de declarar a nulidade da decisão de primeira instância que não conheceu as razões do impugnante, uma vez a decisão acerca do mérito favorece o recorrente.
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Não sendo o caso de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação de pagamento e declaração de ajuste anual, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considera-se ocorrido em 31 de dezembro. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Por ser esse o caso dos autos e na falta de elementos seguros para comprovar o pagamento e a prestação do serviço a glosa deve ser mantida. IRPF. MULTA QUALIFICADA.
Para qualificação da multa exigida de ofício é necessário que, nos autos, esteja comprovado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo, o que não ocorreu no caso dos autos.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-000.996
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator, para a) no ano-calendário 2001, reconhecer a extinção do crédito tributário; b) nos anos-calendário 2002 a 2005, excluir da base de cálculo os rendimentos recebidos a partir de julho de 2002 e afastar a qualificação da multa. Vencido(s) o Conselheiro(s) Lúcia Reiko Sakae que negava provimento.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ERRO. IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. O lançamento amparado em dados declarados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual é possível de ser impugnado com base em erro acerca da natureza dos rendimentos declarados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. NULIDADE NÃO DECLARADA. CABIMENTO. CONHECIMENTO DO MÉRITO PELO CARF EM BENEFÍCIO DO SUJEITO PASSIVO. No caso dos autos, deixase de declarar a nulidade da decisão de primeira instância que não conheceu as razões do impugnante, uma vez a decisão acerca do mérito favorece o recorrente. IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Não sendo o caso de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação de pagamento e declaração de ajuste anual, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física somente são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, Fl. 1DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Por ser esse o caso dos autos e na falta de elementos seguros para comprovar o pagamento e a prestação do serviço a glosa deve ser mantida. IRPF. MULTA QUALIFICADA. Para qualificação da multa exigida de ofício é necessário que, nos autos, esteja comprovado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo, o que não ocorreu no caso dos autos. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator, para a) no ano calendário 2001, reconhecer a extinção do crédito tributário; b) nos anoscalendário 2002 a 2005, excluir da base de cálculo os rendimentos recebidos a partir de julho de 2002 e afastar a qualificação da multa. Vencido(s) o Conselheiro(s) Lúcia Reiko Sakae que negava provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de auto de infração de IRPF dos anoscalendário 2001 a 2006 decorrente de glosa de (a) dedução de dependentes (2002 a 2005), (b) despesas com instrução (2002 a 2005) e (c)despesas médicas (2001 a 2005), as primeiras com multa de 75% e a última acrescida de multa qualificada de 150%. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/29) relata que a fiscalização faz parte de um conjunto de fiscalizações empreendidas contra contribuintes que se utilizaram de recibos fornecidos por pessoas físicas e jurídicas na região de Montes Claros MG, cujo somatório elevado em descompasso com as receitas declaradas pelos emitentes levou a fiscalização a buscar esclarecimentos dos contribuintes, os quais em sua maioria retificaram espontaneamente suas declarações, excluindo as deduções referentes às despesas declaradas alusivas a esses profissionais e pessoas jurídicas, providenciando pagamento ou parcelamento dos débitos. Fl. 2DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10670.000333/200784 Acórdão n.º 280200.996 S2TE02 Fl. 211 3 A glosa de despesas médicas referese às seguintes despesas: a) Anocalendário 2001 R$7.300 – Regina Inês dos Santos Lobo; b) Anocalendário 2002 R$13.000,00 – Clyford Alves Vieira; c) Anocalendário 2003 R$13.000,00 – Clyford Alves Vieira d) Anocalendário 2004 R$4.201,88 – Assistência Médica/Inst Prev Servidores ; e e) Anocalendário 2005 R$1.824,51 – Assistência Médica/Inst Prev Servidores . Foram glosados, ainda: a) quatro nomes da lista de dependentes (Carolina Ribeiro Montalvão, Jessica Faria Santos, Engrid Themer Faria Lafeta e Darlisson Farias Guedes), os quais são identificados pelo contribuinte como netos sem guarda judicial; e b) todas as despesas com instrução, por falta de comprovação. No curso da fiscalização, o contribuinte alega que, por motivo de roubo em sua residência de uma bolsa contendo as declarações de imposto de renda e recibos de comprovantes de pagamentos dos anoscalendários 2000 a 2002, não seria possível apresentar a documentação solicitada pela fiscalização para comprovar suas deduções (fls. 37). Juntou Boletim de Ocorrência (fls.38 e 39) tendo como vítima Maria de Lourdes F. Santos. Em virtude da autuação, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. O Termo de Verificação Fiscal descreve ainda outros fatos relevantes relativos aos emitentes dos recibos: a) os valores consolidados dos recibos emitidos pelos profissionais objeto de investigação são quantias vultosas que demandariam infraestrutura, equipamentos profissionais e condições operacionais e técnicas elevadas que seguramente não é o caso dos profissionais; b) Clyford Alves Vieira é conhecido pela habitualidade e generosidade na emissão de recibos relativos a “serviços” de tratamentos fisioterápicos que não foram realizados, emitidos em seu nome e da Clínica de Ortopedia Clyford S/C Ltda; c) no anocalendário 2002, em que o recorrente declarou ter pago R$13.000,00 ao Sr. Clyford, os pagamentos declarados por pessoas físicas a esse profissional Fl. 3DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 totalizam R$1.428.891,12, tendo o profissional declarado valores extremamente inferiores. Em 2003, o recorrente declarou ter pago novamente R$13.000,00 ao Sr. Clyford; d) o CREFITO declarou que a Clínica de Ortopedia Clyford S/C Ltda não está e nunca esteve registrada naquele conselho; a Clínica Clyford declarase inativa de 1999 a 2005; o Sr. Clyford sistematicamente não atende às solicitações da Receita Federal para comprovar os serviços prestados por ele e por sua empresa, em 16/01/2007 foi intimado a comprovar a prestação dos serviços e o recebimento dos recursos referente ao recorrente; e) quanto às despesas com Regina Ines dos Santos Lobo (CPF 013.228.66619) no valor de R$7.300,00 em 2001, a fiscalização identificou que essa profissional é cadastrada em quatro números de CPF, utilizandose de pequenas modificações em parte do nome (Inês, Inez), e emitindo recibos usando dois números de CPF (013.268.28819 e 009.626.47640), emitindo recibos que de 2000 a 2002 superam um milhão de reais; f) em atendimento às intimações da Receita Federal, a Srª Regina Ines informou que, em 2001, prestou atendimento a Maira de Lourdes Farias Santos e a Ingred Jheymer Faria Lafetá, esposa e neta do recorrente, respectivamente, com recebimento em espécie após cada sessão; a fim de comprovar o regular funcionamento da atividade profissional, a Srª Regina Inês apresentou comprovantes que não se referem ao ano de 2001; g) o contribuinte foi intimado a comprovar através de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, os efetivos pagamentos dados por realizados, assim como a comprovar que os serviços foram efetivamente utilizados, tendo informado que os documentos referentes às despesas médicas a favor da Assist. Med/Instituto de Previdência dos Servidores Militares/MG encontramse extraviados, porém as despesas podem ser comprovadas, por constar nos comprovantes de rendimentos, R$ 711,12, em 2004, e R$ 1.596,49 em 2005, quantias que foram acatadas pela fiscalização, tendo sido glosada a parcela declarada a maior; h) os rendimentos do recorrente são da Polícia Militar, exclusivamente, que paga por meio de créditos em conta corrente, de forma que o recorrente poderia ter comprovado os pagamentos por meio de extratos bancários, cópias de cheques e/ou outros documentos, sendo inverossímil a alegação de pagamentos em Fl. 4DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10670.000333/200784 Acórdão n.º 280200.996 S2TE02 Fl. 212 5 espécie, especialmente por serem valores vultosos e tendo em vista as circunstâncias apuradas; i) a Srª Regina Inês informou que cobrava R$62,50 por sessão de psicologia, de maneira que para implicar uma despesas de R$7.300,00 seriam necessárias 116 sessões em 2001; j) quanto à declaração da profissional de que prestou atendimento à esposa e à neta do recorrente, a fiscalização apontou que em diversas outras autuações recentes os contribuintes autuados apresentaram relatórios emitidos por diversos profissionais atestando trabalhos que teriam sido realizados, esses recibos foram glosados e os contribuintes autuados, na grande maioria, pagaram ou parcelaram o crédito tributário lançado, fatos que demonstram que os relatórios apresentados não correspondem à verdade dos fatos. Não obstante a ação fiscal promovida pela Receita Federal, os vendedores de recibos não se sentem constrangidos em apresentar relatórios também fraudulentos; k) recentemente muitos contribuintes que utilizaram recibos emitidos por Clyford Alves Vieira, pela sua Clínica De Ortopedia Clyford LTDA e por Regina Ines dos Santos Lobo, e os contribuintes que utilizaram recibos destes fornecedores, exceto os que assumiram que os pagamentos não existiram de fato, alegaram sempre que os pagamentos foram em moeda corrente. Em dezenas de fiscalizações não houve sequer um suposto prestador de serviços que comprovasse que os pagamentos foram efetivados de fato. Uma vez glosados estes pagamentos declarados, os contribuintes autuados, em sua grande maioria, quitaram ou parcelam os créditos tributários lançados, fato que demonstra que os recibos são fraudulentos; l) a utilização de documentos frios corresponde ao crime previsto nos incisos I, II e IV do art. 1º da Lei 8.137/1990 e à hipótese de aplicação de multa qualificada (caracterizado pela inserção de informação falsas e utilização de recibos Fraudulentos). As razões do impugnante foram rechaçadas pelo acórdão ora recorrido, em resumo, nos seguintes termos: a) impertinente a alegação de isenção sobre os rendimentos, por se tratar de pedido de retificação que é vedado; b) não houve a decadência, pois em caso de dolo aplicase o inciso I do art. 173 do CTN; Fl. 5DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 c) cabível a multa qualificada por ter o contribuinte utilizado documentação inidônea para reduzir a base de cálculo do imposto; e d) os motivos arrolados pela autoridade fiscal, analisados conjuntamente (profissional inexistente, nãoresposta de profissional à intimação, plano de saúde, não comprovação de registro no órgão competente), formam um todo comprometedor, e diante de dúvidas sobre a veracidade dos recibos cabia ao contribuinte comprovar a efetividade do pagamento e da prestação do serviço, não sendo suficiente a mera apresentação de recibos, ônus do qual não se desincumbiu. Ciência da decisão de primeira instância em 10/07/2007 e protocolo do recurso voluntário em 09/08/2007. No recurso voluntário as alegações foram: a) suscita a decadência, contrapondo aos fundamento da decisão de primeira instância a alegação de que é necessário comprovar o dolo de forma inequívoca para se aplicar a regra do inciso I do art. 173 do CTN, o que não ocorreu; b) os recibos e declarações prestados pelos profissionais Regina Inês e Clyford Alves Vieira atendem às exigências do art. 80 do RIR1999 e afastam a alegação de dolo, traz aos autos novos recibos e relatório médico para corroborar suas afirmações; c) sustenta que a autuação baseiase em suposições; d) insurgese contra o fato de o julgador de primeira instância não ter apreciado o mérito referente à natureza isenta dos rendimentos declarados como tributáveis (recebidos da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais) e, uma vez reconhecida a isenção sobre esses rendimentos, fica prejudica a autuação que fundamentou se em glosa de deduções indevidas. Conforme Resolução nº 19400.007 (fls. 195/197), converteuse o julgamento em diligência a fim de intimar o recorrente a comprovar a partir de que data passou para a reserva remunerada da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Em atendimento à intimação fiscal, o recorrente informa que foi transferido para a reserva remunerada da Polícia Militar de Minas Gerais, a partir de 25/04/1995, conforme Boletim BGPM nº 077, de 25/04/1995 anexado aos autos(fls. 203 e ss.) É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10670.000333/200784 Acórdão n.º 280200.996 S2TE02 Fl. 213 7 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O Órgão julgador de primeira instância entende que, por não ter sido objeto do lançamento, as alegações acerca da natureza isenta dos rendimentos declarados como tributáveis é matéria que não deveria ser conhecida, por ser autêntico pedido de retificação cuja competência não pertence às DRJ. Ao Estado cabe cobrar o tributo previsto em lei, o erro praticado pelo contribuinte não transforma em tributável um rendimento que a lei trata como isento, porém o erro há de ser comprovado nos autos, não basta ser alegado. O erro aqui alegado afeta a base de cálculo do lançamento guerreado. Sobre se conhecer ou não do recurso contra impugnações e recursos como no caso desses autos, a jurisprudência predominante nesse Conselho tem caminhado no sentido de tratar as alegações do recorrente como impugnação, ainda que indiretamente implique em uma retificação dos dados declarados. Os acórdãos a seguir servem de exemplo. Acórdão 10247.784: As impugnações e recursos administrativos podem alterar o lançamento do IRRF, que se baseou em declaração entregue pelo sujeito passivo à Receita Federal, desde que acompanhados dos elementos de prova que comprovem o erro cometido. Acórdãos 10421.702 e 10423.165: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEDUÇÕES No lançamento de ofício, a manifestação do autuado não se caracteriza como pedido de retificação de declaração, mas sim como impugnação de lançamento, portanto toda a matéria tributável é passível de alteração (Parecer Normativo CST 67, de 1986). Acórdão 10246.667: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO POSSIBILIDADE Ainda que o crédito exigido tenha sido constituído com base na declaração prestada pelo próprio sujeito passivo, a impugnação ao lançamento devolvelhe a possibilidade de discutir toda a matéria tributária. Acórdão 10321.308: IRRPJ ERRO DE FATO RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO comprovado o erro cometido no preenchimento da declaração, no tocante ao saldo da conta de correção monetária complementar de credor para devedor, esta pode ser retificada através iniciativa do próprio contribuinte antes de notificado do lançamento, mediante impugnação apresentada ou revisão de ofício pela administração tributária. Fl. 7DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Acórdão 2030.5267 NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE DA DECISÃO SINGULAR. A retificação que trata o art. 147, § 1°, do CTN, não se confunde com o direito da contribuinte de questionar os defeitos do lançamento efetuado com base em sua própria declaração — quando elaborada com erros — por meio do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do Decreto n° 70.235/72. A recusa do julgador singular em apreciar as provas apresentadas por ocasião da impugnação do lançamento acarreta a nulidade da decisão por preterição do direito de defesa e, ainda, por causar a supressão de instância. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. No âmbito no Superior Tribunal de Justiça a solução não é diversa, vejamos a ementa abaixo: Ementa TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO COM BASE NA DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE ERRO IMPUGNAÇÃO POSSIBILIDADE APLICAÇÃO DA REGRA DE QUE ONDE A LEI NÃO DISTINGUE NÃO CABE AO INTÉRPRETE DISTINGUIR. O CTN prevê a possibilidade de impugnação, mesmo do lançamento com base na declaração efetuada pelo contribuinte, posto que, além de tratarse de ato administrativo, o dispositivo de regência não faz referência a que tipo de lançamento pode ser alvo de impugnação, ou não, não podendo o intérprete distinguir onde a lei não distingue, como pontifica avelhantado brocardo jurídico. Destarte, se o lançamento notificado pode ser alterado pelo sujeito passivo, é evidente que conspira em favor da interpretação teleológica das regras do sistema a possibilidade de o sujeito passivo anteciparse. Num sistema tributário em que se admite a "denúncia espontânea", revelase incompatível vedarse a retificação ex officio do autolançamento, acaso engendrado "tempestivamente". Recurso desprovido. (REsp 396875/PR Relator Ministro LUIZ FUX Data do Julgamento 23/04/2002) Fica claro ainda que essa foi a conclusão desse Conselho ao determinar a diligência fiscal. Sufragar esse mesmo entendimento, no caso dos autos, implica reconhecer que o acórdão recorrido – ao não apreciar parte da defesa contida na impugnação , contém mácula de nulidade. Por outro lado, é lícito deixar de declarar a nulidade se da análise do mérito o recurso for decidido a favor do recorrente, o que entendo que é o caso dos autos, como demonstrarei em seguida. O Boletim da Polícia Militar juntado aos autos na fase de diligência fiscal comprova que o recorrente está na reserva remunerada desde 25/04/1995, os rendimentos que estão sendo tributados são recebidos da Polícia Militar, portanto os rendimentos que compõem a autuação são proventos de reserva remunerada. Fl. 8DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10670.000333/200784 Acórdão n.º 280200.996 S2TE02 Fl. 214 9 A súmula CARF nº43 dispõe que a isenção em comento alcança os proventos da reserva remunerada. Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Concomitantemente, o laudo (fls. 130), datado de 28/03/2007, atesta ser o recorrente portador de neoplasia maligna da próstata desde 17/07/2002 e classifica a doença com não sendo passível de controle. Quem assina é o Gerente Regional de Saúde da 3ª RPM, Maj. QOS Geraldo G Alcântara. Estão presentes os dois requisitos para o gozo da isenção, logo os rendimentos auferidos da Polícia Militar a partir de julho de 2002 são isentos e devem ser excluídos da base de cálculo adotada no lançamento. Quanto às despesas médicas glosadas, a fundamentação para classificar a utilização dos recibos glosados como fraude foi descrita no Termo de Verificação Fiscal (fls. 15) No sistema Malha fiscal — Pessoas Físicas e em outros sistemas da Secretaria da Receita Federal, a Seção de fiscalização e controle aduaneiro desta Delegacia — FIANA detectou a intensa utilização de 'recibos fraudulentos relativos a supostos serviços profissionais prestados por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, clinicas médicas e clinicas odontológicas. Estes recibos foram utilizados de forma sistemática e reiterada por muitos contribuintes; na forma de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física — IRPF. Foram utilizados valores extremamente elevados, no montante de milhões de reais, coma conseqüente redução substancial do IRPF a pagar 411 de diversos contribuintes e até mesmo restituições indevidas, em virtude da utilização de recibos que não correspondem de forma alguma a serviços efetivamente prestados, tampouco a valores efetivamente pagos. Dentre os profissionais que forneceram/comercializaram os recibos fraudulentos constam os profissionais discriminados no quadro a seguir. Após procedimentos fiscais executados por esta Delegacia, 'muitos dos usuários dos recibos emitidos pelos "prestadores de serviços" retificaram espontaneamente as suas declarações de rendimentos. Por meio das DIRPF's retificadoras foram excluídos os pagamentos não existentes. Após autuados, a maioria dos usuários dos recibos fraudulentos providenciou o pagamento ou parcelamento dos créditos tributários lançados. Estes fatos confirmam a emissão dos recibos fraudulentos. Esses profissionais/clínicas são: Clyford Alves Vieira, Clínica de Ortopedia Clyford S/C Ltda e Regina Inês dos Santos Lobo. (...) Fl. 9DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Assim sendo, foram realizadas diversas diligências e fiscalizações referentes a emitentes dos recibos e a contribuintes que os utilizaram. Nestas diligências e nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, foram constatados os fatos a seguir relatados: CLYFORD ALVES VIEIRA, CPF 608.295.406 87 — 0 Sr Clyford é conhecido pela habitualidade e generosidade na emissão de recibos relativos a "serviços" de tratamentos fisioterápicos que não foram efetivamente realizados, ou seja, recibos fraudulentos, emitidos em seu nome e em nome da CLÍNICA DE ORTOPEDIA CLYFORD S/C LTDA. Os serviços profissionais dados por realizados pelo Sr CLYFORD somente nos anoscalendário 1999 a 2002, declarados por pessoas físicas supostamente tomadoras dos serviços, totalizaram R$ 1.794.011,12. No anocalendário 2002, no qual o Sr Darci informou que pagou R$ 13.000,00 ao Sr Clyford, os pagamentos declarados por pessoas físicas a esse profissional totalizaram R$ 1.428.891,12. Na DIRPF 2003, relativa ao anocalendário 2002, o Sr Clyford declarou rendimentos extremamente inferiores aos valores declarados pelos supostos usuários dos seus serviços. 0 Sr Darci também informou que pagou R$ 13.000,00 ao Sr Clyford em 2003. CLÍNICA DE ORTOPEDIA CLYFORD S/C LTDA, CNPJ 02.804.923/0001 21 — Essa clinica tem como endereço a avenida Nelson Viana, n° 919, Morada do Parque, Montes Claros/MG, que é o mesmo endereço do seu sócio e representante perante Receita Federal, o Sr CLYFORD ALVES VIEIRA, CPF 608.295.40687. Os serviços profissionais prestados nos anos calendário 1999 a 2002, declarados por pessoas físicas supostamente tomadoras dos serviços prestados pela CLINICA DE ORTOPEDIA CLYFORD S/C LTDA totalizaram R$ 721.254,00. A CLÍNICA CLYFORD declarou que ficou inativa durante os anoscalendário 1998 a 2005. Através do termo de intimação fiscal lavrado em 11/fev/2005, o CONSELHO REGIONAL DE FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL, CNPJ 21.947.619/0001 88, foi intimado a informar se a CLÍNICA DE ORTOPEDIA CLYFORD S/C LIDA estava ou já esteve regularmente registrada e inscrito naquele conselho. Através do Oficio CREFITO/SEGER/N° 385/2005, o CREFITO informou que esta clinica não está e nunca esteve registrada naquele conselho. É evidente que a CLÍNICA DE ORTOPEDIA CLYFORD S/C LTDA, que não existe de fato, e seu sócio, o Sr Clyford, não teriam condições de efetivamente prestar serviços tão vultosos. 0 Sr CLYFORD Por diversas vezes foi intimado a apresentar documentos e informações relativos aos serviços supostamente prestados por ele e pela sua empresa CLÍNICA DE ORTOPEDIA CLYFORD S/C LTDA. Tais como comprovação do efetivo recebimento dos valores constantes em recibos, informações sobre os serviços realizados em pacientes especificados, comprovação da efetiva prestação dos serviços dentre outros. O Sr CLYFORD sistematicamente não atendeu solicitações desta Delegacia. Fl. 10DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10670.000333/200784 Acórdão n.º 280200.996 S2TE02 Fl. 215 11 O Sr Clyford foi intimado a comprovar a efetiva prestação dos serviços e o efetivo recebimento dos recursos, relativos a serviços declarados pelo Sr Darci, conforme termo de intimação fiscal lavrado em 16/jan/2007 O conjunto de indícios relatados pela autoridade fiscal justifica a exigência de elementos seguros de que os serviços foram prestados e que ocorreram os pagamentos alegados. No caso da Srª Regina, não há, nos autos, recibos que atendam as exigências legais. Consta das fls. 191, recibos emitidos pelo Sr. Clyford: são 10 recibos mensais de janeiro a outubro no valor de R$1.000,00 cada e 2 recibos de R$1.500,00 cada para os meses de novembro e dezembro. Já nas fls. 190 consta declaração do Sr. Clyford de que realizou tratamento fisioterápico na Srª Maria de Lourdes no ano de 2003 e nas fls. 138 e 198 relatório desse mesmo profissional acerca do tratamento realizado. No caso do Sr. Clyford, em que os indícios de inidoneidade são mais fortes, destacase que todos os recibos apresentados estão rasurados e somam R$13.000,00 sem permitir aferir com segurança a que anocalendário buscam se referenciar, além de possuírem todos as mesmas formalidades, inclusive quanto à colocação do carimbo de Medical Company S/C Ltda, o conjunto de indícios torna igualmente frágil as declarações (declaração e relatório) prestadas pelo mesmo profissional. Diante de todas as evidências desabonadoras arroladas pela autoridade fiscal, outros elementos deveriam ser trazidos aos autos pelo recorrente. Por outro lado, não há prova nos autos do evidente intuito de fraude, pois a narrativa da autoridade fiscal permite concluir que havia um esquema de uso fraudulento de recibos, mas não assegura que todos os recibos são inidôneos, nem que houve a participação do recorrente, mormente pelo fato de serem frágeis os indícios apontados contra a Srª Regina Inês e pelo recorrente não ter se utilizado de recibos da Clínica Clyford mas somente do Sr. Clyford. Ademais, não consta dos autos que tenha sido providenciada a súmula de documentação ineficaz. Em resumo: mantenhase a glosa, mas afastese a multa qualificada. Com isso, tendo havido a declaração de ajuste e antecipação de pagamento e a notificação do auto de infração ocorrido somente em 15/07/2007 (fls. 109) já estava decaído o anocalendário 2001, pela aplicação do §4º do art. 150 do CTN. Diante do exposto, meu voto é: DAR PROVIMENTO PARCIAL para a) no anocalendário 2001, reconhecer a extinção do crédito tributário; nos anoscalendário 2002 a 2005, excluir da base de cálculo os rendimentos recebidos a partir de julho de 2002 e afastar a qualificação da multa. (Assinado digitalmente) Fl. 11DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 12DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10670.000333/200784 Acórdão n.º 280200.996 S2TE02 Fl. 216 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10670.000333/200784 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802000.996. Brasília/DF, 15 de setembro de 2011 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 13DF CARF MF Excluído Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0817.13139.ISQN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO em 15/09/2011 21:56:39. Documento autenticado digitalmente por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO em 15/09/2011. Documento assinado digitalmente por: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO em 15/09/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/08/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0817.13139.ISQN Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D6525B57C14516EAC2961F5CE329F8061459B73E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10670.000333/2007-84. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13925.000103/2005-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE
RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA
MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE
RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas internas. As planilhas devem constituir um resumo que facilite a visualização e análise da prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-001.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas internas. As planilhas devem constituir um resumo que facilite a visualização e análise da prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas internas. As planilhas devem constituir um resumo que facilite a visualização e análise da prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório A contribuinte HERBIOESTE HERBICIDAS LTDA., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0636.738, proferido em primeira instância pela 3ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CURITIBA – DRJ/CTA, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório proferido pela autoridade julgadora de primeira instância: “Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Cofins – Mercado Externo, apurados no regime de incidência nãocumulativa, correspondente ao período do 2º trimestre de 2004, no montante de R$ 779.833,10, nos termos do §1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, cumulado com declarações de compensação de fls. 258/261, 271/278, 646/665, apresentadas entre os dias 28/07/2005 a 31/01/2007. A DRF em Foz do Iguaçu/PR, por meio do Despacho Decisório nº 187/2011, datado de 10/06/2011 (fls. 666/691), indeferiu o direito creditório formulado, não homologando, em consequência, a compensação dos débitos pleiteados nas Dcomp nºs 14130.34164.310706.1.3.090379, 11791.15292.291106.1.3.095234 e 08517.75901.310107.1.3.090790, por inexistência de crédito, que totalizaram R$ 62.464,69 e reconhecendo a homologação tácita das compensações declaradas nas demais Per/Dcomp, que foram entregues até 04/05/2006. Na análise realizada pela autoridade administrativa, a partir das informações fornecidas pela interessada, destacamse as seguintes situações: a mercadoria tributável adquirida para revenda, no mercado interno, não comporta pedido de ressarcimento de eventual crédito remanescente da contribuição, assim como o crédito desta mesma natureza originário de saídas classificadas como ‘outras receitas’ ou empregadas na ‘prestação de serviços’ (item 1A); pelo resumo dos seus procedimentos operacionais, há destaque para o reconhecimento expresso de que é empresa cerealista, realizando a venda de insumos aos produtores rurais e adquirindo seus produtos, inexistindo nessa sistemática comercial qualquer operação de aquisição de mercadorias para industrialização, em que pese parte dos cereais adquiridos serem classificados e separados por grau de umidade e impureza ou passarem pelos processos de Fl. 988DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13925.000103/200511 Acórdão n.º 3802001.445 S3TE02 Fl. 988 3 secagem, limpeza e padronização. Por isso, não há qualquer receita auferida com a venda de produtos industrializados, mas apenas receita decorrente da revenda de mercadorias (item 1B); não houve esclarecimento e comprovação da pertinência de se considerar os insumos em cada etapa de seu processo produtivo, a que bem eles foram incorporados para exportação ou, ainda, a descrição da função destes bens e serviços no processo de produção das mercadorias fabricadas/produzidas e destinados à exportação, resignandose a listar gastos genéricos da empresa (item 1C) esclareceu que apenas exporta soja e milho em grãos comercial, donde se conclui que a empresa exporta produtos adquiridos de terceiros, normalmente produtores rurais (pessoas físicas) (item 1D); solicitada explicação sobre qual a relação/emprego de cada item/produto relacionado com a exportação do período, vinculandoo ao ciclo produtivo de cada produto exportado, foi listada simples relação de gastos genéricos da empresa (créditos sobre bens, serviços, energia elétrica e fretes prestados por PJ), ou seja, uma listagem apenas dos fornecedores com indicação resumida dos produtos adquiridos e o crédito apropriado (item 2); solicitando identificar a possível vinculação de depreciação, despesas c/ aluguéis, máquinas e equipamentos, despesas financeiras e financiamento de PJ, com o produto exportado no período, bem como esclarecer a forma de sua utilização dentro da produção/industrialização pela empresa ou qual o produto exportado teria sido agregado, não houve justificativa para comprovar a necessidade do emprego de tais gastos no produto exportado. Ressalta que, ainda que existente a possibilidade de apropriação de créditos desta contribuição sobre tais circunstâncias ou operações, não se incorporando ao produto exportado, estaria vinculado ao mercado interno, utilizável somente para deduzir débitos da mesma contribuição (item 3); os valores informados no Dacon devem passar por ajustes com respeito ao rateio proporcional dos custos, das despesas e dos encargos geradores de crédito, pois são passiveis de rateio proporcional apenas os custos, despesas e encargos comuns a ambas as receitas (receita no mercado interno e receita de exportação) e não genericamente a todo e qualquer crédito; créditos básicos: a) peças para manutenção de caminhões e b) manutenção de caminhões – utilizados tanto em operações de transporte na compro de produtos diversos, na transferência de produtos entre suas unidades, na entrega de insumos vendidos a produtores rurais e no transporte de mercadorias em geral vendidas pela empresa no mercado interno, foi canalizada para apropriação do crédito do mercado externo proporcionalmente à receita de exportação quando seria passível de rateio somente gasto comum e indivisível ao mercado interno e externo. Na existência de gastos ocorridos vinculados a uma operação de exportação (que deve constituir exceção), deve ser alocado diretamente àquela operação executado e não pela forma de rateio proporcional; c) óleo diesel – além das justificativas anteriores acrescentase que o mesmo pode ser utilizado também em veículos da administração Fl. 989DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 em outras finalidades; e d) manutenção de máquinas e equipamentos – todos os gastos com a manutenção de bens foram alocados como gasto comum a exportação e incluído em rateio, transferindo indevidamente para o mercado externo parcela significativa destes créditos, quando a estrutura na empresa é empregada basicamente em operações cotidianas no mercado interno, cabendo destacar o gasto com o bem e equipamento utilizado em operação de exportação; serviços utilizados como insumos: a) locação de mãodeobra – não tiveram qualquer comprovação de que estão atreladas ao mercado externo, já que pela sua natureza são ocorrências cotidianas da empresa inerentes ao ciclo de atividades; b) peças manutenção de caminhão – agregam gastos que deveriam ser insumos da prestação de serviços, mas a exportação foi de cereais; c) manutenção de caminhão – poderia ser considerado insumo na prestação de serviços de transporte da empresa, atividade do mercado interno, mas distante da vinculação com a exportação de cereais; e d) manutenção de equipamentos (e itens correlatos) – todos os gastos com a manutenção dos bens foram alocados como gasto comum a exportação e incluído em rateio, transferindo indevidamente para o mercado externo parcela significativa destes créditos, quando a estrutura na empresa é empregada basicamente em operações cotidianas no mercado interno, cabendo destacar o gasto com o bem e equipamento utilizado em operação de exportação; despesas de energia elétrica – consumo em 9 unidades da empresa, adotando um critério irregular de rateio, apropriouse de parcela significativa deste critério como se todo o gasto de energia em todas as unidades estivesse vinculado ao mercado externo, o que não é condizente, pois em geral consumiu na manutenção de suas atividades internas; despesa de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de PJ – não houve esclarecimento sobre a necessidade destes gastos vinculados ao mercado externo e nem justificativa para ser considerado gasto comum entre as atividades e subsidiar rateios; bens do ativo imobilizado: a) rateio de todos os bens integrantes de seu ativo imobilizado, quando deveria priorizar tão somente aqueles utilizados de forma comum tanto para produzir bens exportados como para o mercado interno; contudo diversos bens seria impraticável atribuílos as exportações de cereais, a exemplo de caminhões, carretas graneleiras, semireboque e outros que constitui custo específico da prestação de serviços a ele vinculados; b) diversos outros bens também são incompatíveis com a incorporação ao produto exportado, como por exemplo pá carregadeira, camionete utilitário, caminhonete F4000, motor bomba, caixa d`água, instalação de força e luz, compressor etc; e c) prédios e diversas edificações que ser utilizados para atividades variadas na exploração das atividades empresariais e não exportação; outras operações com direito a crédito: a) crédito presumido – agroindústria – aquisição de pessoas físicas: não existia a época previsão legal para sua apropriação, para fins de compensação ou ressarcimento, mesmo da parcela relativa às receitas vinculadas ao mercado externo e que não são todas as aquisições que geram crédito; b) despesas financeiras de financiamento PJ – as planilhas apresentadas não foram suficientes para produzir a prova de que estão de fato vinculadas às operações de exportação e foram necessárias para viabilizar o rateio e apropriação dos créditos; em parte delas não se vislumbrou que tais gastos Fl. 990DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13925.000103/200511 Acórdão n.º 3802001.445 S3TE02 Fl. 989 5 foram diretamente motivados pela exportação ou que foram custos comuns, como contratos de mútuo entre empresas do mesmo grupo com circunstância e finalidade ignorada, controle de EGF (Empréstimo do Governo Federal), que via de regra são utilizados para financiamentos de produtos no meio agrícola/pecuniário e Cédula Rural Pignoratícia de financiamento para o beneficiamento de ‘semente de soja’ quando o produto exportado é apenas ‘soja comercial’; c) fretes p/ vendas pagas à PJ – o frete sobre operação de exportação não é cumulativo com os demais do mercado interno para propiciar o rateio, pois o frete é pago a cada operação específica de transporte e para comprovação basta vincular a nota fiscal do frete (ou CTRC) à nota fiscal da exportação procedida; e quanto às exportações diretas constatouse que o produto vendido teve como destino o próprio adquirente e parte das vendas para exportação indireta foi efetuado a pessoa jurídica que não consta no cadastro do Siscomex como um recinto alfandegado, o que não caracteriza o fim específico de exportação, sujeitandose essas vendas à incidência da contribuição. Cientificada em 16/06/2011, a interessada, por intermédio de sua procuradora legalmente habilitada, ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 696/736, em 18/07/2011, tecendo, em síntese, as argumentações a seguir expostas. Solicita, em preliminar, o efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, pela nãohomologação das declarações de compensação, constante da Carta de Cobrança nº 08/2011, nos termos do art. 66 da IN RFB nº 900, de 30/12/2008, e inciso III do art. 151 do CTN, até que seja julgado em definitivo na esfera administrativa o presente processo. Aduz que o Despacho Decisório deixou de analisar importantes aspectos da documentação juntada, que demonstra claramente a origem das receitas auferidas e sua correlação com os créditos pleiteados e que partindo da premissa de que a manifestante exerce um grande número de atividades, muitas delas desassociadas da exportação, promoveu uma análise genérica dos créditos pleiteados, sem se atentar para as peculiaridades da atividade exercida, quesito essencial para a correta aferição do crédito de Cofins pleiteado. Explicita que as receitas de exportação representam 76,30% do total das receitas auferidas no trimestre, sendo irrisórias as receitas de prestação de serviços com apenas 0,22% do total, e que considerável parcela das atividades constante de seu objeto social sequer foi exercida no período. Pondera que tendo havido receita de exportação é certo que incorreu em custos e despesas para tal fim, sendo arbitrário e ilegal considerar que inexistiram valores passíveis de ressarcimento, pois, sendo considerável o volume de exportação, certamente o volume de custos e despesas para permitir que o produto fosse exportado também é expressivo. Relativamente aos créditos ordinário do PIS e da Cofins, comenta a legislação trazida a respeito, diferenciandoos da sistemática aplicada para o ICMS e IPI, e que o método nãocumulativo aplicado àquelas contribuições deve estar pautado em função da receita. Nessa sistemática, diz que a legislação permitiu o desconto de Fl. 991DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 créditos em relação aos bens e serviços utilizados – direta ou indiretamente – como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens ou produtos, inclusive, combustíveis e lubrificantes. Nesse contexto, afirma que o conceito de insumo está relacionado ao fato de determinado bem ou serviço ter sido utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto, comercialização das mercadorias ou prestação de um determinado serviço. Ou seja, o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil. Em outras palavras, entende que todos os dispêndios em bens ou serviços relacionados ao processo fabril, de comercialização ou de prestação de serviços. Diz que este conceito de insumo possui amparo legal no Regulamento do Imposto de Renda, sendo portanto muito mais amplo do que o conceito adotado para o IPI e ICMS, sendo incabível a aplicação restritiva, como ocorreu na análise pela DRF. Cita julgado do CARF a respeito. Ressalta que, enquanto empresa cerealista, realiza cumulativamente as atividades de secagem, limpeza, padronização e armazenamento dos produtos in natura adquiridos, existindo uma efetiva alteração do produto destina à venda, principalmente no que tange à sua forma de apresentação, já que contará com um nível de umidade reduzido, livre de impurezas e padronizados. E para isso se utiliza de bens e serviços como insumos e ainda máquinas e bens essenciais para colocação dos produtos à venda. Salienta que o vocábulo ‘fabricação’ utilizado pela Lei nº 10.833/2003 é empregado no sentido de executar, preparar, confeccionar e não apenas no sentido de industrializar, sendo, assim, ilegítima a restrição imposta pela decisão, uma vez que os dispêndios efetuados representam efetivo insumo na produção realizada. Citando Soluções de Consulta, aduz que a manutenção de máquinas e equipamentos industriais, por ter aplicabilidade direta no processo produtivo e ser intrínseca à atividade da manifestante, gera direito a créditos de PIS e Cofins nãocumulativos, uma vez que essas despesas são imprescindíveis para possibilitar o processo de fabricação dos produtos à venda. Afirma que segregouse os bens entre aqueles utilizados integralmente nos produtos destinados ao mercado interno, aqueles exclusivamente usados nos produtos exportados e os bens de uso comum, realizandose o rateio nos termos da legislação. Quanto à glosa de gastos com peças para manutenção de caminhões e máquinas, óleo diesel e manutenção de máquinas e equipamentos, sob o fundamento de que não estão ligados à receita com a prestação de serviços de transporte no mercado interno, argumenta que a sua receita de atividade de transporte de cargas é irrelevante, perfazendo 0,034% da receita bruta total, diante da receita de exportação. Em relação aos serviços prestados por pessoa jurídica, entende que deve compor a base de cálculo dos créditos, por serem essenciais a sua atividade, tratandose de contratação de mãodeobra temporária para a carga e descarga dos produtos no armazém e no porto e manutenção das máquinas e equipamentos. Alega que o direito de creditamento das despesas com armazenagem e frete nas operações de venda encontrase respaldado no art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, por se tratar de pagamento à pessoa jurídica de despesas com armazenagem quando da exportação de grãos e as despesas com frete, quando do deslocamento dos produtos para o fim específico de exportação. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13925.000103/200511 Acórdão n.º 3802001.445 S3TE02 Fl. 990 7 Quanto às despesas com locação de máquinas e prédios, diz que tratase de um armazém, utilizado para armazenagem de soja comercial destinada à exportação, e de arrendamento mercantil de equipamentos de informática utilizados na administração da empresa, de forma comum, não havendo como segregálas, senão por rateio. As despesas financeiras foram glosadas sob o fundamento de não haver correlação entre elas e as receitas de exportação, entretanto, entende que devem ser aproveitadas, pois a maior parte delas referese a ACC celebradas para efetivação das exportações e os demais contratos, em menor número, têm ligação com a atividade no mercado interno. Também os créditos com energia elétrica foram glosados por não ter sido demonstrada sua vinculação aos produtos exportados ou a sua utilização de forma comum, contudo, tal vinculação pode ser facilmente verificada analisando a estrutura da empresa, que assim o faz. Sobre os créditos de bens do ativo imobilizado, esclarece que parte desses bens encontramse vinculados às receitas de exportação, por vezes de forma integral, por vezes de forma comum com as receitas do mercado interno, exemplificando como uso comum os prédios cuja produção destinase em parte à exportação e em parte ao mercado interno e as máquinas que trabalham de forma comum, secando, limpando, padronizando e armazenando produtos que serão destinados para ambos os mercados. Ressalta que a Lei nº 10.833/2003 permitiu, a partir de fevereiro de 2004, o cálculo de créditos presumidos em relação às aquisições de pessoas física de produtos in natura de origem vegetal, concedido a cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar e comercializar tais produtos. Os créditos assim obtidos, acumulados em virtude de operações de exportação, foram objeto do pedido de ressarcimento e de compensação. E que o pedido não teve por base a Lei nº 10.925/2004, mas a Lei nº 10.833/2003. Quanto à exclusão das receitas de exportação das vendas para o CNPJ nº 04.840.718/000147, por não ser considerado recinto alfandegado, salienta que os documentos comprovam que a empresa é uma ‘trading company’, as vendas destinadas a ‘trading’ são equiparadas a saídas para exportação e as vendas objetivaram e tiveram como destino o exterior. Por fim, solicita a aplicação da correção monetária, com base na Selic, embora saiba que não há legislação específica prevendo essa hipótese em pedidos de ressarcimento, mas o Conselho de Contribuintes tem competência de corrigir as imperfeições legislativas. É o relatório.” A manifestação de inconformidade apresentada foi indeferida pelo órgão julgador a quo pelas razões sintetizadas na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 993DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 EXPORTAÇÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. Consideramse vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente ao estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sendo que a possível exportação posterior dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. FORMA DE UTILIZAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução da contribuição apurada no regime de incidência não cumulativa. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime não cumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda das propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação e desde que, como no caso do pedido de ressarcimento sobre produtos destinados ao exterior, haja demonstração clara e eficaz da vinculação entre esses gastos e os bens exportados. VENDAS MERCADO INTERNO E EXTERNO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexistindo apropriação direta, a determinação do crédito pelo rateio proporcional, entre receitas de exportação e receitas do mercado interno, aplicase aos custos, despesas e encargos, que sejam comuns a ambas as receitas. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA/TAXA SELIC. É incabível a incidência de correção monetária e juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada acerca do posicionamento adotado pela 3ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM CURITIBA – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual apresenta como motivações para seu provimento, basicamente: i) A ocorrência de equívoco na análise do Pedido de Ressarcimento, tendo em vista que a documentação juntada ao processo demonstra com clareza a origem das receitas auferidas pela empresa e que, comprovadas as receitas de exportação, devem ser reconhecidos os custos e despesas incorridos para sua geração; Fl. 994DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13925.000103/200511 Acórdão n.º 3802001.445 S3TE02 Fl. 991 9 ii) A utilização de dispositivo legal inaplicável ao caso para o indeferimento do pedido de ressarcimento referente aos créditos presumidos de Cofins promovido com base no art. 6º, §§1º e 2º da Lei nº 10.833/03 e não com fundamento na Lei nº 10.925/04; iii) Ser evidente que a interpretação do termo insumos para o PIS e a Cofins é diversa do conceito aplicado ao IPI e ao ICMS, devendo englobar todos os bens e serviços que sejam utilizados na fabricação ou prestação de serviços, sendo certo que também o conceito de produção e fabricação utilizado para os imposto em comento tampouco devem se estender à Cofins, pelo que seria ilegítima a restrição imposta pela decisão recorrida à utilização dos créditos decorrentes dos dispêndios por ela efetuadas; iv) Quanto aos insumos: iv.a) Os bens iv.a.1) A aplicabilidade direta das peças para manutenção de máquinas e equipamentos industriais, bem como de instalações e veículos no processo produtivo dos produtos para a venda, razão pela qual legítimos os créditos de Cofins apurados com base no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, na medida em que encontrados após promovido o rateio proporcional dos créditos, conforme art. 3º. §8º, do mesmo diploma legal; iv.a.2) Ter demonstrando inequivocamente através das planilhas acostadas aos autos que os bens listados como insumo possuíam vínculo com os produtos destinados ao mercado externo, e que a receita auferida no período com a prestação de serviço interno de transporte foi irrisória para fazer face à receita de exportação. iv.b) Os serviços iv.b.1) A essencialidade da contratação da mão de obra temporária para carga e descarga dos produtos no armazém e no porto, bem assim da manutenção das máquinas e equipamentos, restando clara a sua qualidade de insumos, nos termos do art. 3º, da Lei nº 10.833/03; iv.b.2) Ter comprovado de forma irrefutável a vinculação desses serviços aos produtos exportados mediante a juntada de documentos aos autos. v) Quanto às despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, aduz que as referidas despesas estão diretamente relacionadas à exportação dos grãos de soja, como demonstrado pela documentação trazida à análise, posto que para suas atividades internas, utilizase de frota própria, razão pela qual legítimo o creditamento com fulcro no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03; vi) Quanto às despesas com locação de máquinas e prédios: vi.a) A necessidade de alugar um armazém para depósito da soja comercial a ser exportada e de arrendar equipamentos de informática utilizados na administração da Fl. 995DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 empresa, sendo inquestionável o direito ao crédito previsto no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/03; vi.b) A total vinculação entre os custos da locação do armazém e as receitas de exportação da soja comercial, posto que o estabelecimento alugado se prestaria ao depósito do produto a ser exportado (soja comercial) e, a parcial vinculação entre o arrendamento mercantil dos equipamentos de informática e as receitas de exportação, tendo sido, portanto, realizado o rateio determinado pela legislação. vii) Quanto às despesas financeiras, alega que a correlação entre os contratos de ACC é as receitas de exportação é fato notório, independendo de outras provas que o demonstrem, servindo isoladamente de prova que deveriam ser utilizadas integralmente para a composição dos créditos de Cofins calculados na forma do art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833/03; viii) Quanto às despesas com energia elétrica, assevera que os dispêndios a título de energia elétrica nos estabelecimentos de CNPJs nºs: 77.098.978/000162; 77.098.978/000677; 77.098.978/001053; 77.098.978/001304; e 77.098.978/0014 84 são passíveis do rateio nos moldes do art. 3º, §8º, da Lei nº 10.833/03, por serem de uso comum ao mercado interno e ao mercado externo, devendo ser reconhecido o crédito pleiteado nos termos do art. 3º, inciso III, da Lei nº 10.833/03; ix) Quanto aos bens do ativo imobilizado, destaca ter demonstrado a segregação dos bens utilizados na produção destinado ao mercado interno, ao mercado externo e ao uso comum, e a realização do rateio proporcional, considerando a vinculação comum com as receitas provenientes do mercado interno; x) Haver devidamente identificado os custos, despesas e encargos vinculados às exportação de produtos, de forma a promover o rateio proporcional para apuração dos créditos de Cofins, condutas estas, comprovadas pela documentação carreada aos autos; xi) Serem as exportações remetidas à Allicorp Trading Com. Exterior S.A. (CNPJ nº 04.840.718/000147) caracterizadas como vendas com fim específico de exportação, na medida em que as vendas destinadas a tradings são equiparadas a saídas para exportação para fins fiscais; xii) A necessidade da atualização monetária do montante objeto do Pedido de Ressarcimento da data da apuração dos créditos até sua efetiva fruição, em atenção ao princípio da isonomia e à possibilidade de utilização da analogia (art. 108, CTN) e dos princípios gerais do direito tributário para nortear a decisão a este respeito, com a aplicação da taxa SELIC. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. I) DAS ATIVIDADES DE EMPRESA CEREALISTA Fl. 996DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13925.000103/200511 Acórdão n.º 3802001.445 S3TE02 Fl. 992 11 Para que se chegue ao justo deslinde da presente controvérsia, urge, em sede preliminar, compreender a real natureza das atividades da Recorrente que lhe levaram a crença de que detém créditos da Cofins relacionados às receitas de exportação auferidas. Senão vejamos. Como aduzido pela interessada às fls. 352 e corroborado até este momento pelas autoridades administrativas responsáveis pela análise deste processo (fls. 671 e 836), as operações das quais a Recorrente entende originaremse os créditos de Cofins que supostamente detém, apurados na forma do art. 6º, §1º, da Lei nº 10.833/03, decorrem da atividade de beneficiamento de grãos de soja (característica de empresa cerealista) para posterior comercialização ao mercado externo. Tal atividade compreende diversas etapas, a saber, i) recepção; ii) prélimpeza; iii) secagem; iv) limpeza; v) padronização (separação e classificação); e vi) armazenamento, como sumariamente representado no fluxograma a seguir: (fluxograma acessado em http://www.agr.feis.unesp.br/defers/docentes/mauricio/pdf/Beneficiamento%20de%20gr%E3os. pdf) Em suma, o processo de beneficiamento se inicia com o recebimento dos grãos, que são inicialmente armazenados em depósitos ou silos para produtos a granel ou transportados diretamente para a linha de beneficiamento, onde será promovida sua prélimpeza através de máquinas constituídas de uma ou mais peneiras vibratórias, acompanhadas de um sistema de ventilação para eliminação de poeira e materiais leves. Ultrapassada esta fase do processo de beneficiamento, os grãos são encaminhados à secagem, durante a qual seus níveis de umidade são regulados para viabilizar o Fl. 997DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 processamento e armazenamento posterior, sendo então remetidos para a operação de limpeza, em que ocorre uma separação rigorosa de todos os materiais indesejáveis, como sementes ou grãos de outras espécies, sementes defeituosas ou grãos quebrados etc. Nesta etapa, são utilizadas também máquinas de ventilador e peneiras para garantir o rigor da limpeza, que se segue à separação e classificação dos grãos e ao tratamento destes com os produtos químicos necessários à proteção contra insetos e fungos. Por fim, os grãos são classificados segundo sua qualidade e padronizados de acordo com analises especificas e por comparação entre o material analisado e os padrões oficiais instituídos pelo Ministério da Agricultura. Concluído o beneficiamento em si dos grãos, estes são armazenados conforme a necessidade imediata do beneficiador e posteriormente ensacados para comercialização. Sendo estas, resumidamente, as atividades que, de acordo com a Recorrente lhe atribuíram direito creditório para fazer jus ao Pedido de Ressarcimento de Créditos de Cofins – Mercado Externo, apurado no sistema não cumulativo de incidência desta contribuição durante o 2º trimestre de 2004, na forma do §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/03, no montante de R$779.833,10 (setecentos e setenta e nove mil, oitocentos e trinta e três reais e dez centavos), e às posteriores Declarações de Compensação de fls. 258/261, 271/278, 646/665, adentrese no mérito do presente Recurso. II) DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO O mérito aqui discutido merece um breve esclarecimento, a fim de que não pairem dúvidas quanto ao objeto do que se analisa e ao que se conclui neste voto. A Recorrente, através de Pedido de Ressarcimento, pleiteou o ressarcimento de créditos da Cofins supostamente vinculados a receitas de exportação de soja em grãos, beneficiada nos moldes acima descritos, por entender que as despesas incorridas se enquadrariam nas hipóteses do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e que, por estarem relacionados com as operações de exportação por ela promovidas, gerariam o direito ao ressarcimento/compensação destes valores (art. 6º, §§1º e 2º, Lei nº 10.833/03). A técnica da não cumulatividade adotada pela Lei nº 10.833/03 para a determinação da base de cálculo da Cofins, conhecida como método “indireto subtrativo”, tem por operacionalização o estabelecimento de situações em que o contribuinte poderá descontar, do valor da contribuição devida, créditos apurados em relação aos bens, serviços adquiridos, custos, despesas e encargos, nos termos do art. 3º deste diploma legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) no § 1ºdo art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 998DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13925.000103/200511 Acórdão n.º 3802001.445 S3TE02 Fl. 993 13 b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor; X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009 Evidente, assim, que a mens legis foi a de restringir o benefício creditório a certas despesas do contribuinte, sendo taxativa a listagem do art. 3º, e estes os créditos ordinários ou básicos da Cofins apurada pela sistemática da não cumulatividade e que se prestam à concretizar o princípio da isonomia e da neutralidade concorrencial. Frisese que as determinações legais acima referidas se aplicam tão somente às operações relacionadas ao mercado interno, ou seja, as hipóteses de creditamento ali previstas se Fl. 999DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 limitam a apuração da Cofins não cumulativa referente a receitas decorrentes de negócios efetuados no território nacional. Inobstante, não menos atento foi o legislador em relação às operações de exportação. A fim de garantir a neutralidade tributária/fiscal das exportações e desonerar a cadeia produtiva dos exportadores, evitando deste modo a “exportação de tributos”, as receitas de exportação foram exoneradas da incidência da contribuição, na forma do art. 6º, da Lei nº 10.833/03. Além disso, foi conferida ao contribuinte exportador (pessoa jurídica vendedora) a opção pela utilização dos créditos ordinários ou básicos obtidos conforme o art. 3º para: i) dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações de mercado interno; ii) compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável a matéria. Não conseguindo utilizar o crédito nos moldes citados ao final de cada trimestre, poderia ainda o contribuinte solicitar o ressarcimento do montante apurado de acordo com a legislação de regência da matéria. Ocorre que os créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos na forma do art. 3º, para serem usufruídos na hipótese de exportação, devem estar diretamente vinculados à receita de exportação (art. 6º, §3º, Lei nº 10.833/03). Caso contrário, somente serão válidos para creditamento relacionado às receitas do mercado interno. Resta claro e indiscutível que somente geram direito aos créditos os custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produtos ou de prestação de serviços, que estariam sujeitas à incidência não cumulativa, caso as vendas fossem destinadas ao mercado interno. Quer isto dizer que o aproveitamento dos créditos da Cofins não cumulativa nas operações de exportação depende, em primeiro plano, de sua legitimidade em relação ao mercado interno (art. 3º, Lei nº 10.833/03). Superada esta etapa, deverá o crédito estar vinculado à receita de exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisa; ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação (art. 6º, incisos I, II e III e §3º, Lei nº 10.833/03). Além disso, a determinação do crédito apurado em relação à exportação deverá ser efetuada através da apropriação direta, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou rateio proporcional, sendo aplicável aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a incidência não cumulativa e a receita bruta total auferida em cada mês. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13925.000103/200511 Acórdão n.º 3802001.445 S3TE02 Fl. 994 15 O contribuinte pode buscar o reconhecimento de que certas despesas são efetivamente vinculadas a exportação mediante a juntada de diversos documentos, os quais devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras, de modo a se confirmar a existência da verdade material. No caso em tela, a Recorrente apresentou uma série de documentos, basicamente planilhas que decompõem os valores de seu Dacon e demonstram quais são seus fornecedores e mesmo, em certos casos, qual a funcionalidade de cada uma de suas filiais – se prédios administrativos ou estabelecimentos que destinem produtos ao mercado interno ou ao exterior. Acontece que, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. São diversos os itens que compõem o crédito apresentado pelo contribuinte contra o sujeito ativo da obrigação tributária. Em todos eles, podese discutir, em maior ou menor grau, sobre a possibilidade do direito de crédito. No entanto, essa discussão teórica invariavelmente esbarra em uma questão irrespondível: há prova? Ora, o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte, ou mesmo declarações de terceiros afirmando que certos pagamentos se referiram ao aluguel de um imóvel (sem mesmo haver juntada de contato de locação!). Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Nesse sentido, em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Seria então despiciendo analisar item a item do Recurso Voluntário, já que, mesmo instado pela decisão recorrida sobre a ausência de juntada de prova, o Recorrente apenas aduz que sua prova (as planilhas) não foi apreciada pela instância originária. E a prova é a confirmação da verdade material que, em última análise, justifica a própria existência do pedido de ressarcimento. Destaco, nesse sentido, o seguinte excerto do voto condutor da decisão recorrida e o rebote dessa arguição em sede de recurso voluntário: Decisão recorrida (fl. 842) Após a análise das informações fornecidas pela interessada, a autoridade fisca Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 l menciona que não houve atendimento à intimação para pedido de esclarecimentos/comprovação dos gastos/insumos aplicados no processo prod utivo (item 23), já que foi apresentada uma simples listagem de fornecedores com indicação resumida do produto adquirido, portanto, não foi esclarecido a questão fundamental, qual seja, a comprovação da pertinência de se considerar tais insumos/produtos em cada etapa de seu processo produtivo, ou a que bem eles foram incorporados para exportação, ou ainda a descrição da função destes bens e serviços no processo de produção das mercadorias fabricadas/produzidas destinadas à exportação. Resignouse a lis tar gastos genéricos de sua empresa, afastandose do foco do questionamento. Salienta ao final (item 29) que são passíveis de rateio proporcional (considerando ser este o método adotado pela interessada para a determinação do crédito), consoante dispõe o art. 6º da Lei nº 10.833/2003, ap enas os custos, despesas e encargos comuns a ambas as receitas (receita no mercado interno e receita de exportação) e não genericamente todo e qualquer crédito. Portanto, os valores informados pela interessada nas linhas da ‘Ficha 06’ do Dacon devem passar pelos necessários ajustes com respeito ao rateio proporcional dos custos, das despesas e dos encargos geradores de crédito, que devem observar a condição de serem comuns às receitas no me rcado interno e de exportação. Recurso Voluntário (fls. 962963) No meu sentir, por mais que esse pedido seja facultado ao contribuinte, a ausência de requerimento de diligência quanto ao alegado é sintomática quanto à incerteza acerca da prova cabal da verdade material do crédito pleiteado. Assim, por mais que – como dito – o voto pudesse se debruçar sobre cada um dos itens carreados pelo Recorrente, invariavelmente a conclusão é a mesma: falta comprovação do direito material alegado. E por ser esse o ponto de interseção entre todos os itens, adotoo como fundamento para a negativa de provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13925.000103/200511 Acórdão n.º 3802001.445 S3TE02 Fl. 995 17 Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE TOTAL PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 28/0 2/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 36266.006057/2006-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2003
Ementa: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DAS AUTUAÇÕES.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF confere aos lançamentos c autuações legitimidade dc que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento.
Processo Anulado
Numero da decisão: 205-00.267
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por unanimidade de votos anulou-se o lançamento. Ausência justificadamente do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/05/2003 Ementa: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DAS AUTUAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF confere aos lançamentos c autuações legitimidade dc que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. Processo Anulado
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Numero do processo: 23034.004661/2003-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1996 a 31/01/2003
DECADÊNCIA QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE Nº 8. EXTINÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Sedimentando o entendimento sobre o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, o STF editou a Súmula Vinculante n. 08, que assim dispõe: [s]ão inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.
PAGAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
A alegação, desacompanhada de provas, de que teriam sido integralmente quitados os débitos objeto da autuação, tornam imperiosa a manutenção do lançamento.
Numero da decisão: 2202-009.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decade^ncia ate´ a compete^ncia 13/1997, inclusive.
(assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly Presidente.
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Gleison Pimenta Sousa, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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SÚMULA VINCULANTE Nº 8. EXTINÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Sedimentando o entendimento sobre o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, o STF editou a Súmula Vinculante n. 08, que assim dispõe: “[s]ão inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.” PAGAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A alegação, desacompanhada de provas, de que teriam sido integralmente quitados os débitos objeto da autuação, tornam imperiosa a manutenção do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência até a competência 13/1997, inclusive. (assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly – Presidente. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Gleison Pimenta Sousa, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 46 61 /2 00 3- 73 Fl. 449DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.872 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 23034.004661/2003-73 Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela SPAIPA S/A INDUSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS contra a Informação n° 1170/2005 emitida pela CGEARC, homologada pelo Presidente do FNDE, que indeferiu a defesa apresentada, mantendo-se a exigência de R$ 234.357,12 (Duzentos e trinta e quatro mil, trezentos e cinquenta e sete reais e doze centavos), por motivo de falha de recolhimento das contribuições do salário-educação referente às competências de 05/96, 07 a 09/96, 07 a 09/96 e 12/96, 04 a 06/97, 08,09 e 13/97, 01 a 07/99, 09 e 13°/99, 03, 04 e 13°/00, 02, 03 e 13°/01, 01 a 09/02, 11 e 12/02 e 01/2003. Em sua peça impugnatória (f. 114/121) alegou, em apertada síntese, i) ter ocorrido a “prescrição dos débitos das competências 05/96 a 1/97”; e, ii) ter ultimado o recolhimento das contribuições exigidas em cada uma das 38 (trinta e oito) competências autuadas, inclusive em montante superior ao autuado. Às f. 124/220, acostada à defesa de ingresso, guias de pagamento, folhas de pagamento, cadastro de alunos, bem como declaração e comprovantes de pagamentos de funcionários. Em Informação de n° 1170/2007, emitida pela CGEARC, proposto o indeferimento da defesa pelo Presidente do FNDE, nos seguintes termos: Quanto à alegação da empresa de que houve a prescrição do prazo para cobrança dos débitos das competências 05/96 a 11/97, informamos que de acordo com a Instrução Normativa do INSS n° 100, de 18/12/2003, aprovada pela IN INSS/DC n° 107, de 22/04/2004 em seu artigo 583 § 2°, “O prazo decadencial das contribuições devidas a outras entidades e fundos é de 10 anos, exceto para fatos geradores ocorridos até 18 de junho de 1995, cujo prazo decadencial é de cinco anos. (...) Com relação ao questionamento da empresa que os valores cobrados, foram recolhidos, consultamos as Guias de Recolhimento do Salário- Educação, de fls 120/154 e constatamos que os valores quitados nas mesmas foram considerados, sendo elaborada uma planilha, de fl. 83, por amostragem, apresentando uma análise dos valores levantados de forma detalhada via Sistema ÁGUIA/INSS(PLENUS), nas GRPS/GPS/GFIP s, em confronto com os comprovantes de Arrecadação Direta do FNDE recolhidos pela empresa, apresentando diferenças, as quais se encontram discriminadas na cobrança constante na referida NRD. Quanto a alegação da empresa que o valor da base de contribuição estão muito aquém do calculado e recolhido pela mesma, esclarecemos que os débitos apurados se referem a diferenças entre as bases de contribuição apurada nas GRPS/GFIP's e as bases informadas pela empresa no comprovante de Arrecadação Direta do Salário- Educação. Considerando que as deduções para indenização de alunos estão sendo tratadas em processo específico, conforme Informação n.° Fl. 450DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.872 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 23034.004661/2003-73 597/2003, de fl. 96, não analisamos as declarações de alunos apresentadas pela empresa. Dessa forma, permanecem inalterados os débitos cobrados na presente NRD. Isto posto, sugerimos o indeferimento da defesa (...). – f. 233/235, passim, sublinhas deste voto. Às f. 236 o indeferimento da defesa foi homologado pelo Presidente do FNDE. Cientificado em 24/06/2005 – vide AR às f. 245 – apresentado, em 26/07/2005, recurso junto ao Conselho Deliberativo do FNDE (f. 246/276), suscitando não só as duas teses lançadas em sede de impugnação, mas ainda a de decadência da exigência e de irretroatividade da lei tributária. Vieram-me os autos conclusos. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. Difiro a aferição do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade para após cotejar as razões declinadas em primeira e em segunda instância. No sistema brasileiro – seja em âmbito administrativo ou judicial –, a finalidade do recurso é única, qual seja, devolver ao órgão de segunda instância o conhecimento das mesmas questões suscitadas e discutidas no juízo de primeiro grau. Por isso, inadmissível, em grau recursal, modificar a decisão de primeiro grau com base em novos fundamentos que não foram objeto da defesa – e que, por óbvio, sequer foram discutidos na origem. Embora pleiteado em sede de impugnação apenas a ocorrência da prescrição, certo que estava o ora recorrente a se referir sobre a decadência, porquanto sequer definitivamente constituído o crédito de modo a dar início à contagem do prazo prescricional. Ainda que não tivesse se insurgido desde a defesa de ingresso quanto à forma de extinção do crédito, dela seria possível conhecer até mesmo de ofício, por se tratar de matéria de ordem pública. Há inovação recursal quanto à preliminar de irretroatividade da lei, mas dela tomo conhecimento. Isso porque as matérias de ordem pública, cognoscíveis ex officio na seara tributária, estão sempre umbilicalmente atreladas à questão de viabilidade do próprio executivo fiscal, dentre as quais estão a liquidez e exigibilidade do título, bem como o preenchimento de condições da ação e pressupostos processuais. Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. I – DA DECADÊNCIA Fl. 451DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.872 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 23034.004661/2003-73 O exc. Supremo Tribunal Federal, ao editar a Súmula Vinculante de nº 8, pôs uma pá de cal na controvérsia, ao chancelar a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que trazia prazo decenal para a aferição da prescrição e decadência dos créditos previdenciários. Em obediência ao comando da al. “a” do inc. II do § 1º do art. 62 do RICARF, há de ser observado o entendimento vinculante firmado pela Corte Constitucional ao caso concreto. Afirma o recorrente que Conforme anteriormente demonstrado, a Recorrente tomou ciência, em dezembro de 2003, da Notificação para recolhimento de débito - NRD n° 0001376/ 2003, com exigência de R$ 234.357,12 a título de contribuição social destinada à educação (Salário Educação), referente às competências 1995, 1996 e 1997, cumulando ilegais acréscimos (multa e juros). 19.1. Em decorrência da decadência do direito de lançar supostas divergências (parágrafo único do artigo 149 c/ c o §4° do artigo 150 do CTN) e da prescrição de cobrar alegados créditos tributários (artigo 174 do CTN), a Recorrente apresentou tempestivamente defesa administrativa (doc. anexo), junto ao órgão competente, para demonstrar a total nulidade e improcedência de referida autuação. Às f. 118 consta que em 19 de dezembro de 2003 foi a ora recorrente cientificada da lavratura do auto de infração para a exigência das competências 05/96, 07 a 09/96 e 12/96, 04 a 06/97, 08,09 e 13/97, 01 a 07/99, 09 e 13°/99, 03, 04 e 13°/00, 02, 03 e 13°/01, 01 a 09/02, 11 e 12/02 e 01/2003. A Informação de n° 1170/2007, emitida pela CGEARC, que indeferiu os pedidos formulados na peça impugnatória, “esclarece[u] que os débitos apurados se referem a diferenças entre as bases de contribuição apurada nas GRPS/GFIP's e as bases informadas pela empresa no comprovante de Arrecadação Direta do Salário-Educação.” (f. 235) Aplicável, por esse motivo, o regramento previsto no §4º do art. 150 do CTN, razão pela qual fulminada pela decadência as competências 05/96, 07 a 09/96, 12/96, 04 a 06/97, 08,09 e 13/97. Prejudicada a análise da alegação de nulidade por violação à irretroatividade da lei tributária, porquanto relativa às competências já fulminadas pela decadência. Transcrevo, no que importa, o pedido formulado: 17. Desta feita, os atos administrativos (notificação e decisão) objetados são nulos e improcedentes, de vez que pretendem aplicar a Lei n° 9.766 de 18/12/1998, a IN/FNDE n° 01 de 23/ 12/1996, a IN/INSS n° 100 de 18/12/2003, aprovada pela IN INSS/ DC n° 107 de 22/04/2004, para impor a exigência de recolhimento de supostos créditos de contribuição ao salário educação referente às competências de 1995, 1996 e 1997, o que contraria e nega vigência ao princípio da irretroatividade das leis, prescritos nas normas do inciso XXXVI do art. 5°, na alínea “a” do inciso III do artigo 150, ambos da Constituição Fl. 452DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.872 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 23034.004661/2003-73 Federal, e do caput do artigo 144 do Código Tributário Nacional. (Fl. 261). II – DO RECOLHIMENTO DOS VALORES EXIGIDOS Insiste que teria efetuado o recolhimento dos montantes exigidos, sem que tenha acostado provas para tanto. Por esse motivo, mantida a conclusão do julgador de piso no sentido de que [c]om relação ao questionamento da empresa que os valores cobrados, foram recolhidos, consultamos as Guias de Recolhimento do Salário-Educação, de fls 120/154 e constatamos que os valores quitados nas mesmas foram considerados, sendo elaborada uma planilha, de fl. 83, por amostragem, apresentando uma análise dos valores levantados de forma detalhada via Sistema ÁGUIA/INSS(PLENUS), nas GRPS/GPS/GFIP s, em confronto com os comprovantes de Arrecadação Direta do FNDE recolhidos pela empresa, apresentando diferenças, as quais se encontram discriminadas na cobrança constante na referida NRD. Quanto a alegação da empresa que o valor da base de contribuição estão muito aquém do calculado e recolhido pela mesma, esclarecemos que os débitos apurados se referem a diferenças entre as bases de contribuição apurada nas GRPS/GFIP's e as bases informadas pela empresa no comprovante de Arrecadação Direta do Salário-Educação. Considerando que as deduções para indenização de alunos estão sendo tratadas em processo específico, conforme Informação n.° 597/2003, de fl. 96, não analisamos as declarações de alunos apresentadas pela empresa. II – DO DISPOSITIVO Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso para declarar a decadência até a competência 13/1997, inclusive. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 453DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 36942.000433/2006-76
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 05/10/2005
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto no art. 32, IV, § 5º, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999.
Recurso negado.
Numero da decisão: 205-00.040
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 05/10/2005 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto no art. 32, IV, § 5º, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, IV, § 4º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Recurso negado.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto no art. 32, IV, § 5 0, da Lei 8.212/1991, combinado com o art. 225, IV, § 4 °, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Recurso negado. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA CCO2/C05 Fls. 53 Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Recorrida 36942.000433/2006-76 141.614 Voluntário Contribuição Previdencidria 205-00.040 10 de outubro de 2007 PEDRO PAULO DA ROCHA DRP - GOVERNADOR VALADARES/MG Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 11' JOLib CtSkR VIE1RA GOMES ■ Presidente v a Novato 280 ostre:NO .1 98371 Processo n.° 36942.000433/2006-76 Acórdão n.° 205-00.040 CCO2/C05 Fls. 54 ACOR M/ Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, c1r u animidade de votos, em negar provimento ao recurso AR LO OLIVEIRA (// Relator MF - SECUNE;0 C0NSEL110 CONTRIP CONFERE COM 0 '...T.1 ,..".7NAL 2-4r / 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira, DamiAo Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacronix Thomasi, .Adriana Sato e IVIisael Lima Barreto. Processo n.° 36942.000433/2006-76 AcOrdao n.° 205-00.040 „S soates ‘strA Relatório Ala iv °Pak) B 12 MF - SEGUIN/DO CONSELHO DE CONF COM CONTRIB UR ERE 0 ORIGIIVAL Trata-se de recurs voluntário apresentado con ra • da D: egacia da Secretaria da Receita Previdencidria, em Governador Valadares/MG, (DRP , Decisão- Notificação (DN) 11.424.4/0075/2006, fls. 024 a 027, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, lavrada em 05/10/2005. Segundo a fiscalização, a autuação foi lavrada devido o recorrente ter apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, parágrafo 5°, combinado com o art. 225, IV, parágrafo 4 °, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no Relatório Fiscal da Infração (RF), fl. 12, todos detalhados e claros no RF. Contra a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fl. 021. A DRP analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, fls. 024 a 027. Inconformado Corn a decisão, o recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 044 a 048. No recurso, o recorrente alega, em síntese, que: 1. A decisão não merece prosperar, tendo em vista a ilegitimidade passiva do recorrente; 2. 0 responsável por irregularidades ou violações h legislação previdencidria é o ente público e não o servidor ou o agente público; 3. 0 §6°, do art. 37, da CF/88 deten-nina que quem deve responder pela infração é a Camara Municipal de Matipó, ou, ainda, o Município de Matip6; 4. A Lei Federal e, menos ainda, Regulamento do INSS não podem dispor de maneira contrária a Constituição Federal (CF/88); 5. Dessa maneira, resta clara a ilegitimidade passiva do recorrente, pelo que imperioso o conhecimento e o provimento do presente recurso; 6. Sob ótica diversa, é sabido que as pessoas jurídicas de Direito Público possuem tratamento diferenciado; 411/ 7. Assim, resta claro que não há como prosperar a decisão recorrida, ue pretende equiparar a Camara Municipal de Matipó a uma empresa privr a, para fins de cobrança de multas e aplicação de penalidades; - SEGUNDO CONS '2. 'If )1;r CONTRIBUI' CONFERE ZOO 9- 40` ,31.0 Em suas contra-razões, fls. 050 a 052, a DRP manifestou-se, em síntese, procedência da decisão. E o Relatório. Processo n.° 36942.000433 12006-76 Acórdão n.° 205-00.040 CCO2/C05 Fls. 56 8. A decisão proferida carece de fundamentação válida para- imputar o recorrente; 9. 0 débito supostamente devido carece de certeza e exigibilidade, pois foi apurado unilateralmente, não podendo, portanto, ser cobrado sem que regularmente apurado e liquidado, dai porque, também sob este prisma, carece de validade a autuação e a decisão recorridas, que não devem subsistir, devendo ser cancelado o suposto debito; 10. Por fim, requer que seja declarada a nulidade da autuação e, alternativamente, requer o reconhecimento da não comprovação de dolo ou culpa e a ausência de certeza e liquidez do débito, que inviabilizam sua quitação, cancelando a decisão lavrada em desfavor do recorrente. Processo n.° 36942.000433/2006-76 Acórdão n.° 205-00.040 CCO2/C05 Fls. 57 - ZiEr3tiNt.4_ , l. C ). Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator 411) Roaemetrne A S gente Ad Voto 7 Da Admissibilidade 0 recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais dele se deve tomar conhecimento. Da Preliminar Preliminarmente, devemos analisar a legitimidade passiva do recorrente, questionada em seu recurso, com a alegação de que quem deve responder pela infração legislação previdencidria é a Câmara Municipal ou o Município. A responsabilidade do dirigente dos órgãos públicos encontra respaldo na legislação. Nesse sentido dispõem a Lei 8.212/1991 e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Lei 8.212/1991: Art. 41. 0 dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Decreto 3.048/1999: Art. 283. ... § I". Considera-se dirigente, para os fins do disposto neste Capitulo, aquele que tem a competência funcional para decidir a prática ou não do ato que constitua infração a legislação da seguridade social." Portanto, o dirigente de órgão ou entidade da administração pública direta ou indireta da Unido, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios é pessoalmente responsável pela infração a dispositivo da legislação previdencidria, em nome do qual foi lavrada a autuação, relativamente ao período da sua gestão. Considera-se dirigente a pessoa que tem a competência funcional para decidir a prática ou não do ato que constitui infração à legislação previdencidria. A fiscalização buscou identificar o dirigente responsável pela inobservância da legislação previdencidria pelo exame de documentos. Como, apesar dos reiterados esforços, não foi apresentado qualquer documento que identificasse a estrutura regimental e as atribuições inerentes ao órgão e como não foi ff-OLLIVEIRA vLosie Mien Processo n.° 36942.000433/2006-76 Acórdão n.° 205-00.040 CCO2/C05 Fls. 58 possível estabelecer, nos documentos examinados, a competência pela prática do ato, foi autuado, por ser da administração direta, o dirigente máximo do poder do ente estatal. O agente público que foi autuado é aquele que traduz a vontade do órgão ou da entidade e age em nome destes internamente e frente a terceiros. Para fins de identificação do agente público, o sujeito passivo foi intimado a apresentar os atos que definem as competências dos dirigentes e a relação de todos os órgãos/setores/departamentos no âmbito dos quais devem ser cumpridas as obrigações previdencidrias acessórias. Fato que não ocorreu. Na análise integral do processo verificamos que o recorrente foi, por diversas vezes, intimado e orientado a prestar as informações devidas. Não se deve confundir a responsabilidade objetiva do Estado, determinada no §6°, do art. 37, da CF188, com a responsabilidade por descumprimento de obrigação imposta pela legislação tributária. Aquela dita sobre a responsabilidade do Estado em ressarcir danos causados por seus agentes, esta responsabiliza o agente por descumprimento de obrigação legal. A Lei Federal co Regulamento da Previdência Social não foram de encontro ao preconizado na CF188. Assim, resta claro a responsabilidade do recorrente. Do Mérito Quanto ao mérito, esclarecemos ao recorrente que não há na autuação ou na decisão equiparação do órgão com entidades da iniciativa privada. A fundamentação da autuação, e da conseqüente multa, está detalhadamente descrita na autuação, fl. 01. Corn certeza, o presente débito carece de certeza e exigibilidade, pois é isso que estamos, inclusive, agora discutindo. Caberia ao recorrente demonstrar os motivos dessas carências, fato que, pela ótica desse relator, não o fez. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de outubro de 2007 MF - SEGUNDO CONSELII0 DE CONTRIBUIN- CONFERE co M 0 ORiGINAL Brasilia 2r 0Tstr. \A983." , o a Not° at. LB 80 w
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Numero do processo: 16045.000162/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
EXERCÍCIO: 2006
ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT.
O fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
HABITAÇÃO.
Apenas não será tributada a habitação fornecida ao empregado nos termos da alínea "m" do § 9o da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991.
MULTA PREVISTA EM CCT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
A multa imposta ao empregador por Convenção Coletiva de Trabalho, decorrente da inércia deste em instituir Programa de Participação nos Lucros não tem a mesma natureza da PLR e, assim, seu pagamento nada tem a ver com as condições prescritas pela Lei 10.101/00. Ademais, não é paga por liberalidade, não se constitui em gratificação e não corresponde a contraprestação por serviços prestados.
CURSOS.
Deve ser tributada a concessão de bolsa integral a determinados empregados se, perante os demais, a empresa se comprometia a arcar com até 80% do valor da mensalidade dos cursos.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 2201-010.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário incidente sobre a rubrica alimentação in natura e, ainda, o apurado no Levantamento PL-Participação nos Lucros e Resultados. Vencidos os Conselheiros Débora Fófano dos Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Francisco Nogueira Guarita, Relator, que deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e relator designado.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO NOGUEIRA GUARITA
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PAT. O fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. HABITAÇÃO. Apenas não será tributada a habitação fornecida ao empregado nos termos da alínea "m" do § 9 o da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. MULTA PREVISTA EM CCT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A multa imposta ao empregador por Convenção Coletiva de Trabalho, decorrente da inércia deste em instituir Programa de Participação nos Lucros não tem a mesma natureza da PLR e, assim, seu pagamento nada tem a ver com as condições prescritas pela Lei 10.101/00. Ademais, não é paga por liberalidade, não se constitui em gratificação e não corresponde a contraprestação por serviços prestados. CURSOS. Deve ser tributada a concessão de bolsa integral a determinados empregados se, perante os demais, a empresa se comprometia a arcar com até 80% do valor da mensalidade dos cursos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por Conselhos de Contribuintes, pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário incidente sobre a rubrica alimentação “in natura” e, ainda, o apurado no Levantamento PL-Participação nos Lucros e Resultados. Vencidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 01 62 /2 01 0- 41 Fl. 142DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 os Conselheiros Débora Fófano dos Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Francisco Nogueira Guarita, Relator, que deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Presidente e relator designado. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 05-32.177 – 7ª Turma da DRJ/CPS, fls. 105 a 120. Trata de autuação referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Trata-se de autuação contra a empresa em referência a qual tem por objeto contribuições sociais destinadas aos Terceiros (INCRA e FNDE) incidentes sobre remunerações de segurados empregados que lhe prestaram serviços. Relata a Fiscalização que os fatos geradores que motivaram a autuação não foram declarados nas folhas de pagamento nem confessados em GFIP, o que levou à formalização da Representação Fiscal para Fins Penais. A autuação foi organizada em diversos levantamentos, os quais tratam de rubricas específicas: - O levantamento "AL - Alimentação" trata do fornecimento de alimentação aos seus empregados em desacordo como Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). "A empresa é inscrita no Programa PAT, optante da modalidade 100% Cesta de Alimentação, conforme consta da RAIS de 2006". Todavia, forneceu, rotineiramente, café da manhã, lanches e marmitex, mesmo não sendo optante desta modalidade de serviço (autogestão - serviço próprio). O valor da alimentação percebida por cada trabalhador foi informado pela autuada. - O levantamento "DA - Despesas de Alimentação" versa sobre o pagamento das despesas de alimentação (refeições e bebidas alcoólicas) lidas pelos empregados Paulo Sergio Nascimento e Niels Andreas Christian Thomsem Brochner. A Fiscalização informa que diversas destas despesas constam como despesas de viagens, mas foram realizadas na cidade de Cruzeiro ou imediações, sendo que os funcionários em questão desempenhavam suas atividades em Cruzeiro. Fl. 143DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 Complementa com a informação de que o Sr. Niels se utilizava do cartão corporativo para custear estas despesas. - Foi também criado o levantamento "DF - Diferenças de Base de Cálculo - Folha de Pagamento" com o objetivo de se exigirem as contribuições decorrentes das remunerações declaradas nas folhas de pagamento, mas não incluídas nas GF1P entregues pela empresa. Trata-se de valores constantes na rubrica "143 - Diferenças de Salário da Folha de Pagamento ". - Integra o AI, também, o levantamento "HT- Diárias em Hotel", o qual aborda as diárias de hotel pagas a Paulo Sergio Nascimento nas seguintes condições: A empresa fornece diárias no Hotel Itamaraty, situado no centro da cidade de Cruzeiro, para o mês corrido, conforme Notas Fiscais em anexo. O empregado é lotado na matriz da empresa situada no centro urbano da cidade não sendo tal beneficio meio indispensável para a prestação do trabalho e não se constituindo também no caso de frentes de trabalho, mas sim de salário indireto. Assevera a Auditora-Fiscal que o pagamento das diárias de hotel não decorreram de despesa necessária para a realização de serviços pelo empregado, "representando um acréscimo no patrimônio do trabalhador". - Outro levantamento que constitui o auto de infração é o denominado "MF - Mensalidade FGV” decorrente do pagamento pelo empregador da mensalidade em cursos de qualificação profissional na Fundação Getúlio Vargas frequentados por Adriano Carvalho dos Santos, Silvinho de Souza Zanon c Niels Andreas Christian Thomsem Brochner. Consta no Manual de Integração, apresentado a todos os empregados recém ingressados na empresa, a existência de um programa Concessão Parcial de Bolsas de Estudos. Neste programa está previsto o reembolso de até 80% do valor da mensalidade do curso, dependendo do curso em questão. Entretanto, os mencionados senhores foram reembolsados integralmente, o que não está previsto no benefício oferecido aos demais empregados da empresa. Salienta a Fiscalização que o benefício em questão não foi oferecido a todos os empregados da empresa, não sendo observado o disposto no § 9 o do artigo 28 da Lei n° 8.212, de 1991, o qual não prevê exceção no requisito de abrangência. Tendo em vista que o benefício não foi fornecido a todos os empregados, concluiu a Auditora-Fiscal que houve o pagamento de um plus salarial por retribuição pelo serviço prestado pelos funcionários em questão, o que enseja a tributação destes valores . - Também faz parte da autuação o levantamento "NC - Despesas não Comprovadas", que trata despesas atribuídas aos segurados Marcelo Pinto Magalhães, Adriano Carvalho e Niels Andreas Christian Thomsem Brochner cujos documentos comprobatórios não foram apresentados pela empresa. As mencionadas despesas foram registradas nas contas contábeis "1320301 - quilometragem e pedágio " e "3120306 - outras despesas de viagem ", o que levou a Fiscalização a concluir que são salários indiretos percebidos pelos funcionários. Por fim, o levantamento "PL - Participação nos Lucros e Resultados " se refere ao pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a legislação específica, pois não houve negociação coletiva que disciplinasse como se daria a participação. Salienta a Auditora-Fiscal que "a mera previsão na Convenção coletiva de um pagamento como sendo multa, isenta de incidência previdenciar ia, não basta ", devendo ser observados os requisitos impostos pela Lei n° 10.101, de 2000, mais precisamente seu artigo 2°. Fl. 144DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 A autuada apresentou sua impugnação por meio do instrumento de fls. 388/416. Acerca da alimentação, assevera que a Fiscalização presumiu que os alimentos foram fornecidos igualitariamente aos empregados. Defende que o pressuposto adotado invalida as conclusões fiscais. Argumenta que as utilidades fornecidas aos empregados devem ser habituais para que haja incidência da contribuição previdenciária. Assim, a seu ver, a refeição (marmitex) oferecida aos empregados cuja jornada excedeu dez horas não pode ser tributada. E absurdo imaginar que seja rotineira a situação em que um empregado trabalhe mais de dez horas diárias. Mesmo que admitida a possibilidade, entende que o auto de infração não traz prova da habitualidade. Além disso, sustenta que a refeição fornecida aos empregados tem caráter indenizatório. Tem-se entendido que a alimentação fornecida pelo empregador c um benefício social , sendo irrelevante a sua vinculação ao PAT. Transcreve decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2 a Região a seu favor. Quanto aos empregados do período noturno, alega que, na época, trabalhavam "em turnos de revezamento, ou seja, o mesmo empregado durante certos períodos trabalhava no período diurno e em outros períodos, à noite ". Informa que cerca de oitenta funcionários trabalhavam cm turnos de revezamento, resultando cm aproximadamente quarenta funcionários trabalhando no turno diurno. Invoca decisão do Tribunal Superior do Trabalho em que se decidiu que o alimento fornecido por força de acordo coletivo não tem natureza salarial. Em relação às despesas de alimentação, alega que, por ser uma empresa que faz parle de um grupo de capital dinamarquês, constantemente, recebe visitas de executivos estrangeiros, os quais são convidados para almoços e jantares que devem ser suportados pelos diretores e funcionários da impugnante. O mesmo se diga dos clientes e fornecedores que visitam a empresa. Nada mais natural, a seu ver, que a impugnante deva reembolsar seus funcionários pelos gastos realizados. A utilização de cartões corporativos no pagamento de algumas destas despesas dá suporte à alegação de que são gastos das empresas, não dos funcionários. Aduz que as notas fiscais mencionadas pela Fiscalização têm valores bastante elevados para se supor que tenham sido decorrentes exclusivamente da alimentação dos funcionários ressarcidos. Algumas notas fiscais, inclusive, indicam que diversas refeições foram servidas. Por fim, argumenta que as refeições foram esporádicas, não habituais, o que afasta a pretensão fiscal. Transcreve, a seu favor, o disposto no artigo 458 da Consolidação das T-eis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decrcto-Lei n° 5.452, de I o de maio de 1.943: Ari. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para lodos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Encerra este tópico defendendo que a contabilização na conta despesas de hotel usufruídas por Paulo Sérgio Nascimento. Fl. 145DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 Argui que este funcionário, contador, era domiciliado em São Paulo e trabalhava na matriz da empresa de segunda-feira a quinta-feira, o que tornava imperioso que pernoitasse três dias por semana na cidade de Cruzeiro. O contrato de trabalho e as informações constantes no Livro de Registro dc Empregados confirmam que o funcionário morava na Avenida Julio Buono, 605, apartamento 111, na cidade de São Paulo. Conclui que o fornecimento da diária era indispensável para que o empregado pudesse desempenhar suas atividades, não podendo se concluir que resultou em acréscimo patrimonial do trabalhador. A impugnante prossegue contrapondo-se ao levantamento "MF - Mensalidade FGV". Inicia suas argumentações queixando-se contra a elevada carga tributária e sobre a inibição do empreendedorismo resultante dela. Sustenta que o "auxilio-educação constitui investimento na qualificação dos empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porque não retribui o trabalho efetivo, não integrando, assim, a remuneração ". Transcreve, a seu favor, o disposto no inciso 11 do § 2 o do artigo 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei n° 5.452, de I o de maio de 1.943: Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2 o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) II - educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; Com base na norma supra transcrita, entende que o legislador quis afastar a natureza remuneratória do investimento na educação dos empregados, o que implica a ausência de tributação dos valores despendidos. Expõe que a Lei n° 8.212, de 1991, em seu artigo 28, § 9 o , alínea "c", item 7, veda a incidência tributária sobre os abonos e importâncias percebidas a título de ganhos eventuais. Transcreve a alínea "t" do citado parágrafo: t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art, 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Enfatiza que todos os seus colaboradores têm acesso ao Programa de Concessão de Bolsas. Ademais, os cursos frequentados têm caráter eventual, mesmo que durem dias, meses ou anos, não serão realizados durante toda a vigência do contrato de trabalho. Defende que não interessa ao legislador o percentual custeado pela empresa. Compete à empresa mensurar o benefício, conforme suas possibilidades econômicas. A seu ver, o importante é a existência de um plano de auxílio-educação oferecido a todos os seus empregados. Fl. 146DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 A ampliação do benefício de 80% para 100% não desvirtua a natureza jurídica do benefício. Se a empresa possui condições de suportar integralmente a mensalidade, melhor para o empregado e para o país, que contará com um profissional mais qualificado. Considera injusta e incoerente a penalização de uma empresa que excede suas obrigações, principalmente porque nenhuma legislação prevê os limites que devem ser suportados a quem oferece o benefício. Em seguida, argumenta que a multa paga a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem a mesma natureza desta, não sendo base de incidência tributária. Transcreve a cláusula 4 e o seu parágrafo primeiro da Convenção Coletiva de Trabalho, assinada em 27/09/2005: 4. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DAS EMPRESAS. Às empresas que não possuem programa de participação nos lucros ou resultados deverão negociar com a respectiva entidade sindical representativa dos trabalhadores, em um prazo de 120 dias, a partir da data em que for notificada. Parágrafo Primeiro: Fica fixado, porém, uma multa no valor total e único de RS 100,00 (cem reais) por empregado, para o período de vigência da presente convenção, devendo o valor da multa de RS 100,00 (cem reais), reverter em favor do empregado prejudicado, no caso de descumprimento da empresa do previsto no caput desta cláusula em forma de compensação. A importância avençada será paga a título de indenização por perdas e danos nos moldes da lei Civil, isenta portanto de incidências trabalhistas, fiscais e previdenciárias. Como estava em mora diante da convenção trabalhista, procedeu com o pagamento da sanção nela prevista. Sustenta que "a sanção prevista na convenção é legítima e os seus valores não integram o salário de contribuição. Esses valores, ainda que em forma de sanção, cumprem a mesma finalidade que é imposta pelo Programa de Participação nos Lucros e Resultados". Acredita que "os valores pagos a título de participação nos lucros, ainda que em forma de multa convencional, não serão considerados para efeito de incidência de ônus sociais, trabalhistas, previdenciárias ou fiscais". Tendo em vista que PLR está expressamente desvinculada dos salários, conclui que os valores em questão não podem ser tributados. Assevera que a finalidade do pagamento em sua forma coercitiva não retira a sua finalidade porque permite "integrar os funcionários da empresa com a sua administração, permitindo-lhes tomar parte das decisões e da organização do processo produtivo e como recompensa participar financeiramente dos seus lucros ou resultados". Argui que a Fiscalização relata que o pagamento em questão não observa as disposições da Lei n° 10.101, de 2000, mas não informa quais são as determinações da lei que não foram cumpridas. A seu ver, também não foram apresentados os motivos pelos quais a previsão da penalidade cm convenção coletiva não é suficiente para o reconhecimento da isenção tributária Pergunta: "que alquimia usa o órgão fiscalizador para transformar multa em tributo, quando aquela está expressamente prevista na convenção, que faz lei entre as partes?" Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 Lembra que o fato que desencadeia o nascimento da obrigação tributária deve ser lícito. A multa paga aos empregados é uma sanção para a empresa que descumpriu o prazo para negociação da PLR. Comunica que a multa cm tela poderia ser compensada da participação futuramente avençada, nos termos do parágrafo segundo da cláusula 4 da Convenção Coletiva: Parágrafo Segundo: Fica ressalvado, porém, que posteriormente ao prazo fixado no caput desta cláusula, a empresa negociando a participação nos lucros ou resultados, nos termos da lei, fica facultada a compensação do valor da muita prevista do valor da PLR, caso em que, serão tributadas na fonte em separado dos demais rendimentos recebidos no mês na forma da Lei n° 10.101/00 e. sem incidência JNSS nos termos do artigo 28, parágrafo 9 o , letra "j", da Lei n° 8212/91. Acredita que a tributação pretendida pelo Fisco, além de onerar a empresa com o pagamento de contribuições previdenciárias, irá impedir a possibilidade de compensar a multa paga aos seus empregados, conforme dispõe a convenção. Encerra o assunto transmitindo a lição de Paulo de Barros Carvalho de que o tributo não pode se constituir em sanção de ato ilícito. Relatei. Ao analisar a impugnação, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que assiste razão em parte à contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2006 ALIMENTAÇÃO. A alimentação fornecida ao empregado com habitualidade é utilidade passível de incidência das contribuições previdenciárias. Para haver isenção dos benefícios fornecidos, deve ser observada a legislação que rege o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). HABITAÇÃO. Apenas não será tributada a habitação fornecida ao empregado nos termos da alínea "m" do § 9 o da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. VERBA DE REPRESENTAÇÃO. A empresa tem o ônus de provar que a alimentação fornecida aos gerentes decorreu de necessidades negociais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). Para que não haja incidência das contribuições previdenciárias sobre a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, deve ser observada a Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000. CURSOS. Deve ser tributada a concessão de bolsa integral a determinados empregados se, perante os demais, a empresa se comprometia a arcar com até 80% do valor da mensalidade dos cursos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 123 a 140, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 Voto Vencido Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator. O presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciá-lo em suas alegações meritórias. Analisando os autos, percebe-se que a autuação foi devida à infrações à legislação previdenciária no tocante ao pagamento de verbas relacionadas ao auxílio alimentação, à habitação, à participação nos lucros e resultados e também a bolsas de estudo Pela análise dos autos, vê-se que foram lavrados os autos de número 37.239.285- 7, 37.239.286-5, 37.239.287-3 e 37.239.291-1, onde foram utilizados praticamente os mesmos enquadramentos legais, com a consequente decisão similar para todos os autos. No que diz a este recurso voluntário, tem-se que a contribuinte suscitou os seguintes questionamentos: 1 - ALIMENTAÇÃO Nesta parte do recurso, a contribuinte, demonstra insatisfação relacionada ao fato de que a empresa foi autuada sob alegação de que o pagamento de alimentação aos empregados constitui salário “in natura”, sendo que tais valores devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, quando habitualmente fornecida a segurados da Previdência Social e em desacordo com o PAT. Apesar dos argumentos utilizados pela decisão recorrida para a manutenção da autuação, discorda dos mesmos, pois apesar do entendimento deste Conselho não ser unânime em relação ao direito alegado pela contribuinte relacionado ao pagamento do auxílio alimentação “in natura” e também de não estar vinculado aos pareceres da PGFN, onde há falta de interesse da PGFN de recorrer de decisões judiciais desfavoráveis em relação à não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de alimentação in natura, esta turma de julgamento tem se posicionado no sentido de dar provimento aos recursos dos contribuintes nestas situações. Por conta disso, vê-se que a recorrente está arrazoada ao solicitar o cancelamento da autuação ligado ao pagamento do auxílio alimentação ligado ao PAT, haja vista o fato de que não devem incidir contribuições previdenciárias junto a pagamentos relacionados ao fornecimento de alimentação in natura, perante o PAT. Portanto, diverge-se da decisão recorrida, pois, apesar de não serem de observação obrigatórias pelas decisões deste CARF, existem várias decisões judiciais, sem efeitos vinculantes, que corroboram com as alegações da recorrente, além da existência do parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, onde orienta os Procuradores da Fazenda Nacional a serem dispensados de recorrerem em causas similares afetas ao tema. Tanto é assim, que a própria Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) reconheceu que o tema encontra-se pacificado no Superior Tribunal de Justiça através do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, manifestando-se pela edição de ato declaratório da Procuradora- Fl. 149DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 Geral da Fazenda Nacional que dispensasse a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional da interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, bem como de apresentar contestação acerca da matéria ora abordada, in verbis: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílio-alimentação in natura. Nao incidência. Jurisprudência pacífica no Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da lei n° 10.522. de 19 de julho de 2002. e do Decreto nª 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a nao contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Com efeito, foi expedido o Ato Declaratório n.° 03/2011, pelo qual a PGFN ficou autorizada a não apresentar contestação, interpor recurso, bem como de desistir dos já interpostos, quanto às ações judiciais Portanto, entendo que deve ser acatada a solicitação da contribuinte a fim de que seja excluída da autuação os lançamentos previdenciários efetuados com base na incidência de contribuições devidas a título de auxílio-alimentação in natura. A referida exclusão da autuação é baseada no citado parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, onde defende que nas decisões que envolvam o auxílio-alimentação in natura a PGFN seja dispensada de contestar e recorrer das decisões contrárias. Destarte, conforme anteriormente mencionado, apesar das decisões deste Conselho não estarem vinculadas aos pareceres da PGFN e também do entendimento das demais turmas de julgamento não serem unânimes neste sentido, de acordo com o parecer acima, não tem por que manter autuação por temas em que a PGFN já se manifestou no sentido de não mais contestar ou recorrer, devendo portanto, ser acatado o recurso voluntário no sentido de provê-lo no tocante ao pagamento de auxílio alimentação relacionado ao PAT, para que sejam excluídas as autuações sobre auxílio-alimentação in natura, restando, portanto, razão à recorrentenesta parte do recurso. 2 – DIÁRIAS EM HOTEL Da análise dos autos, tem-se que a sede da empresa situa-se na cidade de Cruzeiro e que o empregado residia na cidade de São Paulo, a 250 km de distância. Segundo a autuação, não teria sentido pagar diárias em hotel de um empregado, para prestar serviços na cidade que sediava a empresa empregadora. A recorrente argumenta que o empregado, por morar em São Paulo e ter que trabalhar de segunda a quinta feira na empresa, deveria ter as 3 diárias semanais do hotel pagas, sem que as mesmas fossem consideradas salário e, consequentemente, livre de contribuições previdenciárias. No caso, entendo que foram corretas a autuação e a decisão recorrida, haja vista o fato de que, a partir do momento em que o empregado foi contratado para trabalhar na cidade sede da empresa, caberia ao mesmo, os gastos com sua moradia. Portanto, observa-se que foram totalmente equivocados os argumentos da recorrente de que o caso se enquadraria na situação de que o empregado foi contratado para trabalhar em local distante de sua residência, ou mesmo que exija deslocamento ou estadia. Senão, veja-se o referido dispositivo legal, para demonstrar o equívoco da recorrente: Fl. 150DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: ( ... ) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ( ... ) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; No caso, para a lei, presume-se que o funcionário reside na localidade da sede da empresa da contratação do empregado e que o deslocamento do empregado fosse algo necessário, fora de seu habitat usual. 3 – MENSALIDADE FGV Da análise dos autos, percebe-se que a autuação no tocante aos pagamentos feitos aos 3 empregados citados, foi devido ao fato de que, para os demais empregados, foram oferecidos bolsa de apenas 80%, já para os referidos empregados, foram oferecidos bolsas de 100%. Em justificativa, a contribuinte argumenta que a empresa, por mera liberalidade e reconhecendo a capacidade, o potencial intelectual de cada um daqueles seus três colaboradores, resolveu, sim, premia-los com uma bolsa de 100%. Como bem fundamentou a decisão recorrida, a partir do momento em que a contribuinte não disponibilizou o pagamento de 100% da bolsa de estudos para todos os empregados, estaria descumprido o regramento legal e que, por conta disso, a bolsa de estudos paga aos 3 empregados, não estaria abrangida pela hipótese de exclusão da contribuição previdenciária. Veja-se, a seguir, o então referido disciplinamento legal (G.N): Lei 8.212/91. ( ... ) Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: ( ... ) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ( ... ) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Fl. 151DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 Por conta do exposto, entendo que a totalidade dos valores pagos aos 3 empregados devem ser considerados passíveis de cobrança de contribuições previdenciárias, haja vista o pagamento em dissonância com o disciplinamento legal. 4 – DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS No tocante a esta parte do recurso, a decisão recorrida concorda com a interpretação da empresa de que a multa em questão tem a mesma finalidade dos valores pagos a titulo de PLR e que a referida multa não pode ser vista como uma indenização, pois seria, na realidade, uma compensação paga aos empregados porque o programa não foi avençado tempestivamente, sendo que no lugar da PLR, foi paga determinada quantia em dinheiro. Porém, como a multa foi paga para substituir a PLR e tendo em vista que o pagamento de um valor fixo sem qualquer pacto sobre a integração do capital e do trabalho, não foi observada a Lei n° 10.101, de 2000. Nesta insatisfação, segundo a recorrente, de acordo com a convenção coletiva assinada, a multa cumpre a mesma finalidade dos valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados. No caso, segundo a recorrente, se a lei existe e que a sua função social foi absolutamente compreendida pela empresa e que, por um lapso não foi cumprida e, a requerente, sem discutir e reconhecendo seu engano, arcou com as consequências previstas na convenção coletiva pagando a multa conforme fora estabelecido, esta multa não deveria ser atingida por incidências trabalhistas, fiscais e previdenciárias, como já foi exposto, pois, se a verba da Participação nos Lucros ou Resultados não possui natureza salarial, pois não se destina a retribuir o trabalho prestado, o mesmo entendimento deve ser dado à multa estabelecida em convenção coletiva. Sobre esta insurgência, entendo que não assiste razão à recorrente, pois, a partir do momento em que a lei dá um determinado disciplinamento como condição para a exclusão da exigência tributária e que o mesmo não é cumprido, não tem porque conceder o benefício fiscal previsto. No caso em debate, tem-se que a própria contribuinte reconhece que não implementou o PLR e que a multa seria uma compensação aos empregados pela referida falta de implementação. Por conta disso, entendo que, a partir do momento em que não são atendidos aos requisitos básicos da lei, que é a integração do trabalho x produtividade, não tem porque se falar em exclusão das contribuições previdenciárias referentes aos valores pagos. Para reforçar este entendimento, utilizarei como argumentos de decisão, os trechos do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201- 003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajuda-nos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matéria-prima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários. A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebê-las, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, insere-se Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré-estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o Fl. 154DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (ab-rogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios Fl. 155DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Portanto, não merece guarida os argumentos da recorrente no sentido de que sejam excluídos da autuação os valores referente à multa de compensação pela não implementação do PLR. No tocante às decisões administrativas suscitadas, há que ser esclarecido que as decisões administrativas, mesmo que proferidas pelos órgãos colegiados, sem que uma lei lhes atribua eficácia normativa, não se constituem como normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicam- se sobre a questão analisada e vinculam apenas as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: ( ... ) II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Em relação a decisões judiciais, apenas as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática dos recursos repetitivos e repercussão geral, respectivamente, são de observância obrigatória pelo CARF. Veja-se o que dispõe o Regimento Interno do CARF (art. 62, §2°): (...) Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 § 2° As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei n° 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n° 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016). Quanto a entendimentos doutrinários, tem-se que, apesar dos valorosos ensinamentos que possam trazer aos autos, os mesmos não são normas da legislação tributária e, por conta disso, não são de seguimento obrigatório. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, conheço do presente recurso voluntário, para DAR-LHE parcial provimentos no sentido de excluir da autuação os lançamentos referentes ao pagamento de auxílio alimentação relacionados ao PAT. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Redator designado Em que pesem a pertinência das razões e os fundamentos legais expressos no voto do Ilustre Relator, ouso discordar de suas conclusões exclusivamente em relação ao tópico “DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS”. Consequentemente, remanescem hígidas todas as demais conclusões expressas pelo Conselheiro Francisco Nogueira Guarita. No que tange ao tema em questão, a Autoridade lançadora, em seu Relatório Fiscal, fl. 23 a 36, ao tratar dos geradores dos levantamentos, assim se manifestou: 9. LEVANTAMENTO - PL -PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS: Constitui fato gerador das contribuições apuradas neste levantamento o pagamento por liberalidade pela empresa aos seus segurados empregados valores a titulo de participação nos lucros ou resultados - PLR em desacordo com a legislação especifica, caracterizados como salário de contribuição. Tais valores foram apurados através da rubrica: 228-PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS das Folhas de Pagamento da competência de 04/2006. 9.1 A empresa foi intimada, pelo TIF 001/2010, copia em anexo, a apresentar o Programa de participação nos lucros ou resultados, para o exercício de 2006, instrumento de negociação que estabelecesse as regras quanto a fixação dos direitos dos empregados na participação nos lucros ou resultados, de forma a se verificar se as regras acordadas para o pagamento da PLR estavam de acordo com as previstas na lei especifica. 9.1.1 A empresa não possuía Programa com tal negociação entre ela empresa e seus empregados para o exercício de 2006 e nem negociou com a entidade sindical representativa dos empregados no prazo estipulado na Convenção. Fl. 158DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 9.2 Para que o valor pago a titulo de participação dos lucros e resultados da empresa não esteja vinculado à remuneração dos trabalhadores é necessário estarem sendo seguidas as determinações Lei n° 10.101/2000. Sem a observância às regras previstas na legislação, a participação nos lucros será mera verba que complementa o salário, representando campo de incidência de contribuição previdênciária. A mera previsão na Convenção coletiva de um pagamento como sendo multa, isenta de incidência previdenciária, não basta para tal. 9.2.1 Enfatizamos que a menção da verba, paga a título de participação nos lucros ou resultados, na Convenção Coletiva não descaracteriza a essência do pagamento, qual seja uma gratificação concedida aos empregados em razão do não cumprimento pelo empregador da legislação aplicável, por liberalidade. 9.3 A seguir transcreveremos textos da legislação pertinente: (...) 9,4 Diante de todo o exposto, foi efetuado o levantamento da PLR. No Anexo III constam os valores da PLR, por segurado, além da remuneração da Folha de Pagamento/GFIP, o total mensal da remuneração incluindo a PLR, a contribuição do segurado da FP/GFIP, a contribuição do segurado devida e a diferença não descontada(devida - FP/GFIP). A análise do citado Anexo III, em particular em fl. 85 a 87, contata-se que o valor individual pago a este título foi de, no máximo, R$ 100,00, valor que foi recebido pela maioria dos colaboradores na rubrica 228, sendo certo que uma parcela pequena dos colaboradores recebeu apenas um fração deste numerário. Em fl. 90, consta informação prestada pela empresa dando conta do pagamento de multa a cada funcionário por não ter negociado Participação nos Lucros e Resultados. Conforme destacado no Relatório da Decisão recorrida, em sua impugnação, a autuada pontuou: ... argumenta que a multa paga a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem a mesma natureza desta, não sendo base de incidência tributária. Transcreve a cláusula 4 e o seu parágrafo primeiro da Convenção Coletiva de Trabalho, assinada em 27/09/2005: 4. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DAS EMPRESAS. As empresas que não possuem programa de participação nos lucros ou resultados deverão negociar com a respectiva entidade sindical representativa dos trabalhadores, em um prazo de 120 dias, a partir da data em que for notificada. Parágrafo Primeiro: Fica fixado, porém, uma multa no valor total e único de RS 100,00 (cem reais) por empregado, para o periodo de vigência da presente convenção, devendo o valor da multa de R$ 100,00 (cem reais), reverter em favor do empregado prejudicado, no caso de descumprimento da empresa do previsto no caput desta cláusula em forma de compensação. A importância avençada será paga a título de indenização por perdas e danos nos moldes da lei Civil, isenta portanto de incidências trabalhistas, fiscais e previdenciárias. Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 Como estava em mora diante da convenção trabalhista, procedeu com o pagamento da sanção nela prevista. Sustenta que “a sanção prevista na convenção é legítima e os seus valores não integram o salário de contribuição. Esses valores, ainda que em forma de sanção, cumprem a mesma finalidade que e' imposta pelo Programa de Participação nos Lucros e Resultados”. No voto condutor do Acórdão recorrido, a Autoridade julgadora afirma concordar com a interpretação da fiscalizada de que o valor pago a título da multa em questão tem a mesma finalidade dos valores pagos a título de PLR e que, portanto, tal numerário. com efeito de PLR, teria sido pago sem observar dispositivos da lei 10.101/00, especificamente pela falta de formalização de um Programa de Participação nos Lucros e Resultados. Sustenta, ainda, o Julgador administrativo que multa não permite integração entre capital e trabalho e seu pagamento, em valor fixo, não evidencia cumprimento dos objetivos da lei. Por fim, o Julgador ressalta que a multa em análise não pode ser vista como indenização, por se referir a mera compensação pela frustração da obtenção de um direito, a qual teria a mesma natureza do direito que se esperava adquirir, citando precedente do STJ. Entendendo que as considerações acima são suficientes para o correto entendimento da matéria, passa-se à manifestação deste Redator. Ora, o que se tem é que foi estabelecida em Convenção Coletiva de Trabalho (fl. fl. 225 e ss) que alcançou toda a indústria de laticínios e produtos derivados do Estado de São Paulo, em que restou definido que as empresas do ramo que não possuíssem Programa de PLR deveriam promover as negociações para instaurar o Programa em prazo determinado. O mesmo instrumento previu que seria paga uma multa aos respectivos colaboradores pelas empresas que descumprissem o prazo para adoção da medida e, ainda, que, caso a mesma fosse levada a termo após o prazo, tal multa poderia ser compensada com o valor da participação apurada em tal Programa extemporâneo. A Autoridade lançadora constatou valores contabilizados em rubrica indicativa de pagamento de PLR e intimou a empresa a apresentar seu Programa, objetivando avaliar o cumprimento da legislação de regência. Por sua vez, a empresa respondeu afirmando não ter negociado o citado Programa e que, por tal razão, pagou a multa prevista na CCT. A partir daí, a fiscalização e a decisão recorrida avançam por uma espécie de looping, ao asseverar que não houve programa de participação nos lucros, mas que, por ter a multa cominada a mesma natureza de PLR, seria necessário seu pagamento observando os termos da lei 10.101/00. Não identifico sentido em tal conclusão. A multa tem natureza diversa da Participação nos Lucros e Resultados. Esta decorre da integração do capital e do trabalho para Fl. 160DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 obtenção do incremento de produtividade enquanto aquela apenas busca compensar o potencial beneficiário da PLR por ter sua expectativa frustrada pela inércia do empregador. O fato do contribuinte ter nominado a conta de registro como de PLR ou mesmo ter afirmado que tanto a multa quando a PLR têm a mesma finalidade não afasta a competência privativa do Agente Fiscal para verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível 1 . Se não houve instituição de Programa de PLR, é certo que caberia à Autoridade lançadora determinar a natureza do numerário pago a título de multa e apontar se sobre estes incidiriam ou não o tributo ora em comento. A indicação da Autoridade lançadora de que a menção da verba, paga a título de participação nos lucros ou resultados, na Convenção Coletiva não descaracteriza a essência do pagamento, qual seja uma gratificação concedida aos empregados em razão do não cumprimento pelo empregador da legislação aplicável, por liberalidade, não parece compatível com o que está no corpo da CCT, tampouco se ajusta ao caráter coercitivo de instrumentos dessa natureza. Afinal, se a CCT estabelece uma multa pela inércia do empregador em formular seu Programa de PLR e seus termos, por se revestir de caráter normativo por expressa previsão legal 2 , obrigam ao empregador. Portanto, não há de se de falar em pagamento por liberalidade, muito menos em gratificação, que corresponde a um pagamento adicional, não condicionado à obrigação contratual, concedido a um funcionário como gratidão à sua colaboração ou como prêmio aos resultados do trabalho. No caso em tela, o direito à percepção do numerário não evidencia qualquer atitude empresarial de gratidão ou está vinculado a qualquer contraprestação e serviços. Pelo exposto, considero que a que foi paga aos empregados não tem a mesma natureza da PLR e, assim, seu pagamento nada tem a ver com as condições prescritas pela Lei 10.101/00. Por outro lado, não foi paga por liberalidade, não corresponde a gratificação e não tem qualquer relação de contraprestação por serviços prestados. Ainda que se pudesse avaliar se tal rubrica corresponde a uma espécie de ganho eventual ou abono único desvinculado do salário, entende este Relator que as constatações citadas no parágrafo precedente, por si só, já evidenciam a improcedência do lançamento objeto do levantamento em discussão, restando desnecessárias quaisquer outras avaliações adicionais sobre a natureza do numerário, pois qualquer que fosse uma eventual conclusão contrária ao contribuinte resultaria em alteração de critério jurídico, o que é vedado pelo art. 146 da Lei 1 Lei 5.172/66(CTN) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 2 Lei 5.452/43 (CLT) Art. 611 - Convenção Coletiva de Trabalho é o acôrdo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. Fl. 161DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-010.603 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000162/2010-41 5.172/66 3 , além de resultar nulidade, já que seria uma inovação à motivação no lançamento fiscal levada a termo no curso do contencioso administrativo, em evidente cerceamento do direito de defesa do autuado. Conclusão Assim, considerando as razões e fundamentos legais acima expressos, dou provimento ao recurso voluntário neste tema para afastar a incidência tributária objeto do levantamento "PL - Participação nos Lucros e Resultados". (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo 3 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 162DF CARF MF Original
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Numero do processo: 13864.000223/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL. LITÍGIO. RESOLVIDO. INTERESSE RECURSAL. AFASTAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADMISSIBILIDADE. INJUSTIFICADA.
O contribuinte interpõe recurso voluntário com a pretensão de ver reformado o conteúdo de acórdão que lhe é desfavorável. Logo, quando o contencioso instaurado é afastado nos termos da lei, a decisão de primeira instância torna-se definitiva e, consequentemente, resolvido estará o litígio.
Numero da decisão: 2402-011.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto.
(documento assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado).
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-06-28T18:06:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-06-28T18:06:28Z; Last-Modified: 2023-06-28T18:06:28Z; dcterms:modified: 2023-06-28T18:06:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-06-28T18:06:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-06-28T18:06:28Z; meta:save-date: 2023-06-28T18:06:28Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-06-28T18:06:28Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-06-28T18:06:28Z; created: 2023-06-28T18:06:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2023-06-28T18:06:28Z; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-06-28T18:06:28Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13864.000223/2008-14 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-011.636 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2023 Recorrente INSTITUTO DAS PEQUENAS MISSIONÁRIAS DE MARIA IMACULADA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL. LITÍGIO. RESOLVIDO. INTERESSE RECURSAL. AFASTAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADMISSIBILIDADE. INJUSTIFICADA. O contribuinte interpõe recurso voluntário com a pretensão de ver reformado o conteúdo de acórdão que lhe é desfavorável. Logo, quando o contencioso instaurado é afastado nos termos da lei, a decisão de primeira instância torna- se definitiva e, consequentemente, resolvido estará o litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros(a): Ana Claudia Borges de Oliveira, Rodrigo Duarte Firmino, José Márcio Bittes, Francisco Ibiapino Luz (presidente), Gregório Rechmann Junior, Diogo Cristian Denny, Rodrigo Rigo Pinheiro e Wilderson Botto (suplente convocado). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte com a pretensão de extinguir crédito tributário decorrente das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais, mas não descontadas nem recolhidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 02 23 /2 00 8- 14 Fl. 7908DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000223/2008-14 Auto de Infração e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto excertos do relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 05-26.050 - proferida pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas - DRJ/CPS - transcritos a seguir (processo digital, fls. 7.114 e 7.115): Trata o presente crédito previdenciário, de contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais que segundo o Relatório Fiscal foi apurado em Folhas de Pagamento, recibos de pagamento, notas fiscais de serviço e na escrituração contábil apresentada pela empresa. Continua relatando que a empresa possui escrituração descentralizada por estabelecimento e que contabilizou em títulos próprios os valores relativos a prestação de serviços, assim na filial 0008-44 verificou que os prestadores de serviço e os valores constantes das folhas de pagamento divergiam dos lançamentos contábeis. Na filial 0011-40 além da divergência anteriormente apontada constatou também que havia contribuintes individuais com múltiplos vínculos tanto na folha de pagamento como também na GFIP e na filial 0022-00 encontrou lançamentos de devolução da retenção da contribuição previdenciária aos contribuintes individuais, conforme contrato que anexa, considerando esses valores como remuneração adicional. Nos demais estabelecimentos foram apurados os valores relativos a prestação de serviços de contribuintes individuais autônomos com base nos lançamentos contábeis e respectivos comprovantes de pagamento conforme demonstra nas planilhas anexas. Complementa a informação fiscal dizendo que por se tratar de uma entidade filantrópica aplica-se à remuneração do contribuinte individual à alíquota de 20% por cento para a apuração da contribuição previdenciária conforme DAD - Discriminativo Analítico do Débito. A auditoria fiscal criou dois levantamentos: FPG – Folha de Pagamento de Contribuintes Individuais declarados em GFIP após o inicio da ação fiscal e FP – Folha de Pagamento de Contribuintes Individuais não declarados em GFIP , este último sem a redução de 50% do valor da multa. Termina o Relatório Fiscal informando que examinou Estatuto e Atas da Instituição, relacionado os demais documentos lavrados durante a ação fiscal as alíquotas aplicadas . Às folhas 111/296 a autoridade lançadora anexou as planilhas que elaborou para a apuração do crédito previdenciário bem como cópia de ata, estatuto e termos iniciais e finais dos livros contábeis examinados. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada a empresa apresenta a Impugnação de folhas 303/306 por meio de regular instrumento com as seguintes razões: Do Auto de Infração – Sintetiza a ação fiscal e a apuração do crédito previdenciário, mencionando detalhadamente a motivação da contribuição lançada. Da Obra Social – Que a Impugnante é uma organização religiosa sem fins lucrativos com o intuito de praticar todos os atos de caridade em favor dos enfermos, crianças e idosos, pobres e necessitados atuando em creches e pensionatos. Do mérito – Transcreve parte de itens do Relatório Fiscal do lançamento informando o constatado na ação fiscal. Em sua defesa alega que quanto as irregularidades encontradas, as afiliadas da Impugnante “regularizaram as divergências mencionadas, Fl. 7909DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000223/2008-14 dentro do período estabelecido na ação fiscal,através de GFIP retificadora, cujo documento segue ora encartado”,sendo assim acredita que o auto não pode subsistir impondo-se como medida o afastamento da punição. Ainda, quanto as infrações descritas no item 2.1.3.2 se destaca que a afiliada da Impugnante procedeu “com as retificações necessárias, através da GFIP, referente aos contribuintes individuais com múltiplos vínculos, sem a devida comprovação , bem como àqueles com vínculos em órgãos públicos e, por fim, àqueles que não constavam em folha de pagamento” Continua, dizendo que “Com referência expressa aqueles contribuintes individuais com múltiplos vínculos, com o devido recolhimento da contribuição previdenciária por outro empregador, encarta aos autos, comprovantes neste particular, o que por certo afastará a incidência pretendida pelos auditores fiscais”. Termina a sua argumentação requerendo que “seja RELEVADA e, por conseguinte, arquivada a autuação em causa, tendo em vista que o Impugnante corrigiu as falhas detectadas na ação fiscal no prazo desta impugnação conforme comprovam os documentos anexo, bem como,por se tratar de contribuinte infrator primário e ante a inexistência de circunstância agravante, nos termos do § 1º do artigo 291 do Decreto nº3.048/99.” Às folhas 307 a 3.763, perfazendo vinte e um volumes o Impugnante acosta aos autos cópias de GFIP, Procuração, Ata de Assembléia, Estatuto Social ,Certidão do CNAS e Recibo de Pagamento de Salários e Declarações de Vinculo empregatício. (Destaques no original) Julgamento de Primeira Instância A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, por unanimidade, julgou improcedente a contestação da Impugnante, nos termos do relatório e voto registrados no Acórdão recorrido, cuja ementa transcrevemos (processo digital, fls. 7.113 a 7.117): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/12/2004 DIREITO PREVIDENCIÁRIO - RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS É fato gerador de contribuição previdenciária a totalidade das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título a segurado contribuinte individual. É obrigação da empresa arrecadar as contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração e recolhendo o produto arrecadado Lançamento Procedente (Destaque no original) Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, basicamente repisando os argumentando apresentados na impugnação (processo digital, fls. 7.131 a 7.137). Fl. 7910DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000223/2008-14 Contrarrazões ao recurso voluntário Não apresentadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 06/07/2009 (processo digital, fl. 7.121), e a peça recursal foi interposta em 03/08/2009 (processo digital, fl. 7.131), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Retorno de diligência Quando manifestada controvérsia foi inicialmente apreciada na sessão do dia 04 de março de 2020, sob a relatoria do então conselheiro, à época, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, mencionado julgamento foi convertido em diligência, para que a Unidade Preparadora da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil adotasse as providências solicitadas por meio da Resolução nº 2402-000.828, da qual extraio os seguintes excertos (processo digital, fls. 7.807 a 7.809): Após a interposição do recurso voluntário, em 01/03/2010, a Recorrente afirmou que realizou o pagamento dos débitos tributários em relação ao lançamento aqui ocorrido (fls. 7558-7560), e comprovante à fl. 7582, como destaco: [...] Ainda, em mesmo petitório, requereu a extinção do feito: Desta forma, em não havendo mais qualquer débito referente a esta autuação, requer-se a extinção do presente Auto, face ao pagamento integral do débito. Diferentemente do certificado nos autos (fl. 7588), entendeu o órgão que não ocorreu a desistência do recurso com base na Lei nº 11.941/2009, mas sim a comunicação de pagamento (fl. 7590). Como destacado acima, a Contribuinte Recorrente informou que realizou o pagamento do débito aqui lançado. Sem qualquer manifestação de oposição ou concordância da Secretaria da Receita Federal sobre o mencionado pagamento (documento fl. 7582), entretanto proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil informe se houve quitação do débito do auto de infração nº 37.096.409-8, emitindo relatório conclusivo sobre quitação/extinção do crédito tributário. Fl. 7911DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-011.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000223/2008-14 Mais precisamente, a Recorrente alega que o crédito constituído está extinto por ter sido integralmente quitado, nestes termos (processo digital, fls. 7.558 a 7.560): Houve interposição de Recurso voluntário, nos termos que seguem anexo, especialmente para impugnar a quantia de R$ 151.520,18 (cento e cinqüenta e um mil quinhentos e vinte reais e dezoito centavos), que já foram pagos nos termos das planilhas e documentos que seguem anexo. Assim, tendo como débito apenas a diferença de R$ 184.403,68 (cento e oitenta e quatro mil quatrocentos e três reais e sessenta e oito centavos), a Requerente efetuou o pagamento através do DARF, cuja cópia segue anexo, com os benefícios da Lei 11.941/2009. Desta forma, em não havendo mais qualquer débito referente a esta autuação, requer-se a extinção do presente Auto, face ao pagamento integral do débito. Tocante ao que está posto, na oportunidade, a unidade de origem assim se pronunciou (processo digital, fl. 7.590): 2 - No requerimento acima citado a empresa apresenta seus argumentos complementando o recurso de fls. 3777 a 3982 e apresentando copia de guia de recolhimento referente ao débito (AI 37.096.409-8), não se manifestando quanto a desistência do recurso impetrado. A Unidade demandada anexou documentação comprobatória, restando confirmada a realização de pagamento referente ao mencionado Debcad (37.096.409-8), sem, entretanto, manifestar-se, conclusivamente, acerca do que, objetivamente, foi-lhe requisitado, que era a emissão de “relatório conclusivo sobre quitação/extinção do crédito tributário”. Assim consignado, passo a transcrever trechos da Informação Fiscal, registrando o resultado do levantamento realizado na diligência (processo digital, fls. 7.812 a 7.815): 1. A presente Informação Fiscal tem o objetivo de atender a Resolução nº 2402- 000.828 do CARF-Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 7.807-7.809), que solicita que seja emitido relatório conclusivo sobre quitação/extinção do crédito tributário, visto que a Contribuinte Recorrente informou que realizou o pagamento integral do débito lançado no DEBCAD nº 37.096.409-9 integrante do Processo acima. [...] Ainda inconformada com as Decisões do DRJ e CARF, manifestou-se (fls. 7.558-7.560) insistindo que o débito que encontra totalmente recolhido: [...] De fato, houve o pagamento em 30/11/2009 , conforme GPS (e não DARF) abaixo, não de R$ 184.403,68 como a Recorrente afirmou, mas de R$ 134.193,76, com os benefícios da Lei 11.941/2009. O código de recolhimento utilizado na GPS 4103 é de exclusivo da RFB, usado para Pagamento de Débito-CNPJ. Confirmamos o pagamento desta GPS em nossos Sistemas: [...] 4. Com relação a outros pagamentos, encontram-se anexadas às fls 7.173-7.363 no Volume XXI, GPS recolhidas durante a ação fiscal apresentadas pelo Contribuinte e abaixo relacionadas: Fl. 7912DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-011.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000223/2008-14 [...] 6. Pelo exposto e tendo em vista que a Impugnante apresenta em sua defesa Guias de Recolhimento relacionadas e pagas durante a ação fiscal, além da GPS código 4103 paga após a ação fiscal, sugiro a devolução do Processo para a ECOA (Equipe de Contencioso Administrativo) para as providências necessárias quanto à alocação desses pagamentos. (Destaques no original) Com efeito, analisando as “telas” referentes às Guias da Previdência Social (GPS), infere-se que o recolhimento efetivado na quantia de R$ 134.193,76, realmente, extingue o crédito remanescente decorrente da reportada autuação. Afinal, os recolhimentos realizados durante o procedimento fiscal, ao serem apropriados no âmbito do parcelamento, também foram suficientes para quitar as parcelas , até então, pendentes no Discriminativo Analítico do Débito Retificado - DADR (processo digital, fls. 7.858 a 7.889 e 7.892). Desistência recursal O sujeito passivo tem a faculdade de renunciar ao suposto direito que fundamentou seu recurso interposto, implicando desistência recursal, independentemente da fase processual em que se deu referida opção. Nessa pretensão, basta a manifestação expressa nos autos (em petição ou a termo) ou a adoção de um dos pressupostos previstos no § 2º art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornando-se insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Como se vê, a Recorrente desistiu do litígio instaurado, com vistas a aderir aos benefícios previstos na Lei nº 11.941, de 2009. Por conseguinte, afastado o contencioso instaurado nos termos da lei, a decisão de primeira instância torna-se definitiva e, consequentemente, resolvido estará o litígio. Fl. 7913DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-011.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13864.000223/2008-14 A propósito, ainda que manifestado crédito supostamente não tiver sido extinto integralmente frente aos recolhimentos realizados, entendo que a Recorrente, igualmente, desistiu do contencioso administrativo, por ter confessado reportada dívida, consoante o RICARF, art. 78, § 2º, transcrito precedentemente. É o que se infere perante sua manifestação tocante ao relatoria da diligência realizada, da qual transcrevo os seguintes excertos (processo digital, fl. 7.901): Conforme informação às fls. 7.558/7.560, a Requerente foi autuada através do auto de infração n° 37.096.409-8, onde houve o lançamento da quantia de R$ 335.713,63 (trezentos e trinta e cinco mil, setecentos e treze reais e sessenta e três centavos), sendo interposto o Recurso Voluntário para impugnar a quantia de R$ 151.520,18 (cento e cinquenta e um mil, quinhentos e vinte reais e dezoito centavos), pagos nos termos das planilhas e documentos acostados aos autos. Em 30 / novembro / 2009, a Recorrente procedeu o pagamento da diferença em aberto, de R$ 184.403,68 (cento e oitenta e quatro mil, quatrocentos e três reais e sessenta e oito centavos), reduzida para R$ 134.193, 76 (cento e trinta e quatro mil, cento e noventa e três reais e sessenta e setenta e seis centavos), em virtude dos benefícios instituídos pela Lei nº 11.941 / 2009. Conclusão Ante o exposto, não conheço do recurso voluntário interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Fl. 7914DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000578/2003-74
Turma: Oitava Turma Especial
Câmara: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2000
IRPJ/CSLL - BASE NEGATIVA - TRAVA DE 30%. A partir de 01.01.95, para efeito de determinar a base de cálculo da CSLL, o resultado ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação, poderá ser reduzido em no máximo 30%.
A recorrente não se desincumbiu do ônus de provar que o recolhimento sugerido como sendo desobrigado da exigência
fiscal respeita ao recolhimento das diferenças advindas de
compensação irregular, porquanto não procedeu às devidas
retificações, tampouco carreou aos autos documentos que
afirmem suas alegações, que a despeito de repousarem sobre a
aparência de verdade, carecem de documentação comprobatória.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 198-00.119
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao
recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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EMPREENDIMENTOS E CONSULTORIA LTDA. Recorrida 8* TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000 IRPJ/CSLL - BASE NEGATIVA - TRAVA DE 30%. A partir de 01.01.95, para efeito de determinar a base de cálculo da CSLL, o resultado ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação, poderá ser reduzido em no máximo 30%. A recorrente não se desincumbiu do ônus de provar que o recolhimento sugerido como sendo desobrigado da exigência fiscal respeita ao recolhimento das diferenças advindas de compensação irregular, porquanto não procedeu às devidas retificações, tampouco carreou aos autos documentos que afirmem suas alegações, que a despeito de repousarem sobre a aparência de verdade, carecem de documentação comprobatória. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por B.F.L. EMPREENDIMENTOS E CONSULTORIA LTDA. ACORDAM os Membros da OITAVA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO de CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • Processo n• 16327.0005782003-74 CCOIrr98 Acórdão n.° 198-00.119 Fls. 2 MÁRIO RGIO F ES BARROSO Presidente EDWAL CASO i ifia A FERNANDES JÚNIOR Relat FORMALIZADO EM: 2 3 MAR 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA e JOÃO FRANCISCO BIANCO. 0 2 • Processo n°16327.000578/2003-74 CCOUT98 Acórdão n.° 198-00.119 Fls. 3 Relatório A recorrente acima qualificada, inconformada com a decisão de primem instância recorre voluntariamente a este Conselho de Contribuintes. Cuida-se de lançamento para exigência de IRPJ e CSLL, embasa-se a exigência fiscal em procedimento de fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias da recorrente, e dos termos de verificação fiscal de folhas 09 e 57, podemos extrair a fundamentação no tocante ao IRPJ, pois, a recorrente compensou prejuízo fiscal acima do limite legal de 30% (trinta por cento), e em se tratando da CSLL compensou base de cálculo negativa sem obedecer, igualmente, a limitação legal, razão pela qual, lavrou-se os autos de infração (fls. 02 — 06 e 50 — 53), acrescidos de multa de oficio e juros de mora. Ciente do lançamento, a recorrente apresentou impugnação de folhas 20 — 22, alegando, em síntese, que constatou o equívoco cometido na compensação efetuada, entretanto, espontaneamente, recolheu em 31 de janeiro de 2000, por meio de competente DARF a importância objeto da exigência fiscal consubstanciada nos autos de infração, cujas cópias estão acostadas às folhas 23 e 70. Consigna, ainda, que demonstrou erroneamente na DIPJ os valores das compensações de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL, mas, por ocasião do encerramento do balanço, constatou a irregularidade cometida (não limitação de 30%), o que a motivou à recolher no mesmo DARF do 4° trimestre, em 31 de janeiro de 2000 a diferença compensada a maior. Elabora demonstrativo (fls. 21 e 68) com o cálculo do IRPJ e da CSLL, que entende devido em 1999, informando que o preenchimento do DARF (fls. 23 e 70), deu-se, também de forma equivocada, pois não teria discriminado os valores respeitantes aos juros de mora e multa de oficio, estando, entretanto, incluídos tais valores. Impugnação com requisitos de admissibilidade satisfeitos, dela conheceu a 8' Turma da DRJ de São Paulo — SP, que nos termos do acórdão e voto de folhas 110 — 114, julgou procedente o lançamento. Assentou o eminente relator e aqui reprisamos, que a exigência afeta à CSLL deu origem ao processo n°. 16327.000579/2003-19, o qual, em razão da Portaria SRF n°. 6.129/2005 foi anexado a este feito (fl. 92). Frisou-se na decisão recorrida, que a exigência fiscal em apreço respeita aos fatos geradores ocorridos em 31/03/1999 e 30/06/1999, e no entender da douta Turma, o DARF de folhas 23 e 70 pertine a fato gerador ocorrido em 31/12/1999. Segundo fundamentações da ilustrada Turma Julgador; a recorrente, inobstante, confesse erro, não procedeu à devida retificação da DIPJ/2000, nem das correspondentes DCTFs, juntando para tanto os extratos de folhas 94 — 109, em razão do que, não há como a autoridade administrativa reconhecer os pagamentos que a recorrente alega ter efetuado, com vistas a corrigir o erro apontado na auditoria interna. • Processo e 16327.000578/2003-74 CCO 1/798 Acórdão n.° 198-00.119 Fls. 4 COM essas assertivas julgou-se procedente o lançamento, cientificando-se a recorrente em 12 de abril de 2007, que no dia 11 de maio daquele ano apresentou o Recurso Voluntário de folhas 120— 123. Das razões recursais extraímos, em apertada síntese, que a recorrente insistiu na extinção dos objetos dos autos de infração em razão de pagamento estampado no DARF de folhas 23 e 70, reprisando os argumentos descritos acima, requerendo ao fim, o provimento do presente recurso. É o relatório. • Processo n°16327.000578/2003-74 CCOI/T98 Ao5rclão n.° 198-00.119 Fls. 5 Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator O recurso foi tempestivo e preenche as condições de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. De se observar, prioritariamente, que a recorrente reconhece que procedeu à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL em montante superior ao determinado na legislação de regência para os tributos com fatos geradores em 31 de março e 31 de junho de 1999, entretanto, ressalva, que em 31 de janeiro de 2000, tão logo percebeu espontaneamente o equívoco, recolheu no mesmo DARF (fl.s 23 e 70) a diferença compensada a maior e o tributo afeto ao fato gerador ocorrido em 31 d dezembro de 1999. Assim sendo, resta-nos ponderar se de fato a recorrente recolheu os tributos e contribuições devidas nos dois primeiro trimestres de 1999 nos referidos DARFs, e mais, em havendo tal pagamento, se este tem o condão de desobrigar a exigência fiscal consubstanciada nos autos de infração, ou, se prevalece o entendimento do acórdão recorrido, o qual assevera que ainda que exista recolhimento a maior cabia a recorrente requerer a restituição, porquanto não logrou retificar a DIPJ/2000 e conseqüente DCTF. Pois bem, passemos ao desiderato de perquirir as situações delineadas acima. Malgrado não tenha a recorrente procedido à retificação da DIPJ e conseqüente DCTF, também não há autos elementos capazes de fundamentar a convicção que de fato esta recolheu aos cofres da União as diferenças exurgidas em razão do desrespeito a trava dos trinta por cento, diferença esta, glosada nos autos de infração de aqui cuidamos. Sem prejuízo de os DARFs carreados aos autos (fl. 23 e 70) estamparem valor igual a R$ 3.803,06 (três mil oitocentos e três reais e seis centavos) e R$ 3.042,45 (três mil e quarenta e dois reais e quarenta e cinco centavos) respectivamente, a recorrente, não trouxe aos autos a DIPJ do respectivo período glosado, pela qual, esse colegjado administrativo poderia aferir o lucro real no período, podendo assim, constatar se nos referidos DARFs foram recolhidos de fato os tributos e contribuições devidas no último trimestre do ano-calendário de 1999 acrescidos do crédito que aqui se exige. Traçado esse panorama, faço consignar, que a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar que o recolhimento sugerido como sendo desobrigador da exigência fiscal respeita ao recolhimento das diferenças advindas de compensação irregular, porquanto não procedeu às devidas retificações, tampouco carreou aos autos documentos que afirmem suas alegações, que a despeito de repousarem sobre a aparência de verdade, carecem de documentação comprobatória. ' Processo n° 16327.000578/2003-74 CO3 Ift98 Acórdão n.° 198-00.119 Fls. 6 De modo que, verificado recolhimento a menor decorrente de compensações desrespeitosas à lei de regência, e não comprovado que o pagamento referido diz respeito ao mesmo crédito aqui lançado, correta a glosa levada a efeito, não havendo reparos a serem feitos na decisão recorrida. Com tais considerações, voto por negar provimento do Recurso Voluntário. Sala das Sessões - DF, em 30 de janeiro de 2009. EDWAL CASONI DE P • ERNANDES JUNIOR 6
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Numero do processo: 36230.000004/2005-44
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
Ementa: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
É vedado ao Segundo Conselho de Contribuintes afastar a aplicação de leis e decretos sob fundamento de inconstitucionalidade.
É prescindível a manifestação do recorrente sobre o resultado da diligência que confirme as conclusões da fiscalização e refute as alegações que a provocaram, nada acrescentando de novo, inteligência do artigo 28 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999.
Recurso Negado
Numero da decisão: 205-00.194
Decisão: ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, II) negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 Ementa: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. É vedado ao Segundo Conselho de Contribuintes afastar a aplicação de leis e decretos sob fundamento de inconstitucionalidade. É prescindível a manifestação do recorrente sobre o resultado da diligência que confirme as conclusões da fiscalização e refute as alegações que a provocaram, nada acrescentando de novo, inteligência do artigo 28 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999. Recurso Negado
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Sia 1198377 Recorrente IGE Instaladora Geral de Eletricidade Ltda Recorrida DRP São Paulo-Centro/SP c/00Grs Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias 0,10 63‘Y %iodo de apuração' : 01/01/1999 a 31/12/2002 .011: 10°` I ao" Ementa: PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONIRIBUINIE A1RAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimato através de dannenbos da rápia anilem da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados tina incontroversa a disaissão sobre a cccreção da base de cálculo. É vedado ao Segundo Conselho de Gontnbuints afastar a aplicação de leis e decretos sob fundamento de inconstitucionalidade. É prescindível a manifestação do manente sobre o resultado da dilig2ncia que confirme as condu95es da fiscalização e refute as alegações que a prowatran, rala acrescentando de novo, inteligncia do artigo 28 da Lei n°9.784, de 29/01/1999. ReansoNeg4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n. 36230.000004/2005-44 Ca2/CO5 Acórdão n.• 205-00.194 Fls. 357 ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, II) negar provimento ao recurso. .1Á JULIO " S VIEIRA GOMES PresiA te \ 1,1 JULI ii ES .# VIEIRA GOMES Relato coms titio DE CONTRIBUINTES SEI&)tir:ERE COM O ORIGINAL Braçais, c23 Roetk #111.7. mai 9S377 , Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros. Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro De Moraes, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Misael Lima Barreto ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo rt.° 36230.000004/2005-44 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/CO5 Acórdão n.205-00.194 2 5 , • e g Fls. 358 411Ru& e •it s,Soares Mat.. f pe 1198377 Relatório Trata-se de lançamento de contribuições incidentes sobre a remuneração de segurados filiados ao Regime Geral de Previdência Social pagas no período acima apontado, conforme detalhado no relatório fiscal da notificação de lançamento, NFLD. A recorrente, através de suas folhas de pagamento e outros documentos por ela preparados, incluiu as parcelas salariais levantadas pela fiscalização na base de cálculo para incidência da contribuição. A fiscalização constato; no entanto, que as contribuições incidentes sobre os valores declarados não foram suficientes para extinção da obrigação tributária. Após impugnação e decisão de primeira instância, ainda inconformada, interpôs o presente recurso, alegando em síntese que: a) Citando o art. 146, inciso D1, o Código Tributário Nacional-CTN, contesta o período do lançamento fiscal com fimdamento no art. 45 da lei 8.212/91, que estabelece o prazo decadencial de 10 (dez) anos para constituição do crédito tributário; alega a inobservância da hierarquia das leis, posto que tal dispositivo é estabelecido por norma inferior, uma vez considerada a natureza complementar do CTN. b) insuficiência de provas para demonstrar a origem do crédito tributário, pois nos autos não está demonstrada a infração praticada, de forma a permitir que o autuado tenha condições de saber plenamente qual a infração cometida, quais os registros que as levaram a esta conclusão e o critério utilizado, de forma a proporcionar o exercício constitucional da ampla defesa. c) a relação exaustiva e genérica das leis contidas no Dispositivos Legais, cerceando de forma incontornável a defesa da recorrente, impõe a nulidade do presente lançamento fiscal. d) a notificação possui erro latente, pois não é o meio competente para efetivação da cobrança. O art. 142 e seguintes do CTN, define o conceito de lançamento como sendo o ato constitutivo do crédito tributário, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador e a obrigação correspondente. Compete ao agente fiscal constatar e descrever a infração por meio de relatório circunstanciado, bem como a sua capitulação; pode propor, mas não impor multa, pois a notificação é meramente declaratória e não ato constitutivo. e) o débito apurado por presunção, limitou-se a auferir infração de dados não verificados, com lançamento desmedido, cerceando-lhe o direito à ampla defesa garantido pela Constituição Federal. O é ilegal a cobrança de contribuições sobre os valores pagos a trabalhadores autônomos e a título de pro-labore, com fundamento na Lei Complementar, n.° 84/96. g) é ilegal a cobrança do SAT — Seguro Acidente do Trabalho, a partir de parâmetros estabelecidos por Decretos do executivo para suprimir lacunas da lei, vedada pela Constituição Federal. • Processo n.° 36230.000004/2005-44 CCO2/CO5 Acórdão n.• 205-00.194 Fls. 359 h) há inconstitucionalidade na cobrança de contribuições para o Salário educação e INCRA e ilegalidade na cobrança de contribuições ao SEBRAE. i) por ter caráter remuneratório, a taxa SELIC não pode ser aplicada como juros de mora destinados a indenizar o retardo no pagamento. A Lei n.° 9.065/95, que instituiu sua aplicação aos débitos tributários, não criou a taxa SELIC. A definição do que seja esta taxa e como ela é composta está concentrada em meras resoluções do Banco Central. j) o § 1° do CTN não deixa dúvida quanto ao percentual a ser aplicado, quando a lei não dispuser de modo diverso, de forma que a aplicação superior à taxa de I% ( um por cento ao )mês, além de ilegal, é inconstitucional, pois afronta o disposto no art. 150 da Constituição Federal. k) a cobrança da multa tem caráter confiscatório, além de ilegal, fere os princípios constitucionais da capacidade contributiva e o direito de propriedade, de maneira que deve ser reduzida. É o Relatório. ME -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia._025 • bilene / Mat s„f 198377 ME- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.° 36230.000004/2005-44 CONFERE COM O ORIGINALCCO2/CO5 Acórdão n.• 205-00.194 Ftneitia, cj ata Fls. 360 Air S Voto Mat. Sia 377 Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. O lançamento foi realizado dentro do prazo fixado no artigo 45 da Lei no 8.212, de 24/07/91. A regra contida no dispositivo é clara quanto à decadência decenal das contribuições previdenciárias; portanto, por expressa vedação regimental, não compete a este órgão julgador afastar sua aplicação: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II- da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. Portaria MF o° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos !ari, Conselhos de Contribuintes) Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; 11- que fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratário do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n.° 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n°73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. Nesse sentido é que foi aprovada pelo Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes a Súmula 02, publicada no DOU de 26/09/2007: Processo n.°36230.000004/2005-44 CCO2/CO5 Acórdão n.• 205-00.194 Fls. 361 "O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária" Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1- a qualcação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 1 Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que Aadministra o tributo e conterá obrigatoriamente: 1- a qualificação do notificado; - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurando-lhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. É prescindível a manifestação do recorrente sobre o resultado da diligência que confirme as conclusões da fiscalização e refute as alegações que a provocaram, nada acrescentando de novo, inteligência do artigo 28 da Lei n° 9.784, de 29/01/1999: Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar Redacão dada Dela Lei n° 9.532. de 10.1219971 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brunia, 023, ai 2029 nbilene s Smits N.. J • 198177 Processo n, 36230.000004/2005-44 CCO2JCO5 Acórdão ri.• 205-00.194 Fls. 362 H - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo • (Redação dada pela Lei n° 9.532. de 10.12.1997) III - por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória n° 232. de 20041 Lei n° 9.784, de 29/01/1999 Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir- se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. !Redação dada pela Lei n° 8.748. de 9.12.1993). < "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. C'C cn g o ,N INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR T: 1/4 PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA e::: kr4 188/STI aJ 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando .D p a tese do recorrente. IA g 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a ater-se aos fundamentos por elas indicados ". use 946.447-RS— MM. Castro Melro — 2 0 Turma — DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: 1- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 36230.000004/2005-44 BrasiIiaj O.L2ç0 g' CCO2/CO5 Acórdão n.* 205-00.194 Fls. 363 Rosilendr rei Mat. Sia n 1.14377 II - os despachos e decisões proferidos per autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. As folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Acrescenta-se, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (..) ,f 12 As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de 1Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para (INfins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como çsi constituir-se-do em termo de confissão de dívida, na hipótese do não- recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFT, caber-lhe-ia demonstrá-lo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passa-se ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regras-matrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SEIJC, a que se refere o Art. 13 da Lei n°9.065. de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, Processo n.• 36230.000004/200544 CCO7JCO5 Acerais n.• 205-00.194 Fls. 364 todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n°9.528. de 10.12,97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórias relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei n° 9.876. de 26.11.99) 1- para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei n° 9.876. de 26.11.99) Li) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei n° 9.876. de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei n°9.876. de 26.11.99) li - para pagamento de créditos incluídos em notcação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da 'f tht n t notificação; (Redação dada pela Lei n°9.876. de 26.11.99) 1- z b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei n°9.876. de 26.11.99) z <o Er_z c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que— u 2 tN antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da o o ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - STI d \à CRPS; (Redação dada pela Lei n°9.876. de 26.11.99) o t, 8 ‘k.1 CT) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão it do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não z z inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei n° 9.876. dee 26.11.99) `si áIII - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei n°9.876. de 26.11.99) b)setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei n°9.876. de 26.11.99) c)oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei n° 9.876. de 26.11.99) Processo n.• 36230.000004/200544 CCOVCOS Acórdão n.• 205-00.194 Fls. 365 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei n° 9.876. de 26.11.99) Quanto à aplicação da taxa SELIC às contribuições sociais, o Conselho Pleno do Segundo Conselho de Contribuintes também aprovou a Súmula 03, publicada no DOU de 26/09/2007: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais". Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendo-se aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO N° 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA N°520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de oficio ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva Decisão-Notificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Por todo o exposto, Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. Sala das I ....i em 11 de dezembro de 2007 JULIO MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''M*0 , • • VIEIRA GOMES CONFERE COM O ORIGINAL Brasdis i, 04:_i22,00 g Hos; 41,5 soare, Ma • •1 198377 Page 1 _0072300.PDF Page 1 _0072400.PDF Page 1 _0072500.PDF Page 1 _0072600.PDF Page 1 _0072700.PDF Page 1 _0072800.PDF Page 1 _0072900.PDF Page 1 _0073000.PDF Page 1 _0073100.PDF Page 1
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