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Numero do processo: 16327.000420/2010-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
Ementa:
PERIODICIDADE NA ENTREGA DA DCTF PELO CRITÉRIO DE RECEITA BRUTA. RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXTENSÃO DO CONCEITO NÃO CONCEBÍVEL.
As receitas geradas por equivalência patrimonial, por não serem decorrentes da atividade fim (objeto social) da pessoa jurídica não fazem parte do conceito para receita bruta e faturamento, mormente, não podem entrar no cômputo do valor para definição da periodicidade da entrega da DCTF, se mensal ou semestral, não sendo possível a aplicação do conceito trazido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que inclusive foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório.
MULTA. ENTREGA DA DCTF FORA DO PRAZO NORMATIVO. NÃO CABIMENTO.
O contribuinte entregou a DCTF Semestral dentro do prazo normativo. Contudo, pelos sistemas da Receita Federal do Brasil constando como pendência a não entrega da DCTF Mensal, obrigou o contribuinte a cumprir a pendência, pela entrega fora do prazo normativo da obrigação acessória, o que lhe acarretou a multa pelo atraso. Contudo, como a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal não possui fundamento, sua multa também não pode perseverar - o acessório segue o principal. Os dados declarados pela DCTF Semestral se mostram válidos e cumprem o objeto normativo que, declarados no prazo legal supre por completo o objeto da DCTF Mensal.
Numero da decisão: 1802-002.117
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencido o Conselheiro Relator Nelso Kichel. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
(documento assinado digitalmente)
Marciel Eder Costa Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 Ementa: PERIODICIDADE NA ENTREGA DA DCTF PELO CRITÉRIO DE RECEITA BRUTA. RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXTENSÃO DO CONCEITO NÃO CONCEBÍVEL. As receitas geradas por equivalência patrimonial, por não serem decorrentes da atividade fim (objeto social) da pessoa jurídica não fazem parte do conceito para receita bruta e faturamento, mormente, não podem entrar no cômputo do valor para definição da periodicidade da entrega da DCTF, se mensal ou semestral, não sendo possível a aplicação do conceito trazido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que inclusive foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório. MULTA. ENTREGA DA DCTF FORA DO PRAZO NORMATIVO. NÃO CABIMENTO. O contribuinte entregou a DCTF Semestral dentro do prazo normativo. Contudo, pelos sistemas da Receita Federal do Brasil constando como pendência a não entrega da DCTF Mensal, obrigou o contribuinte a cumprir a pendência, pela entrega fora do prazo normativo da obrigação acessória, o que lhe acarretou a multa pelo atraso. Contudo, como a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal não possui fundamento, sua multa também não pode perseverar - o acessório segue o principal. Os dados declarados pela DCTF Semestral se mostram válidos e cumprem o objeto normativo que, declarados no prazo legal supre por completo o objeto da DCTF Mensal.
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RECEITAS DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EXTENSÃO DO CONCEITO NÃO CONCEBÍVEL. As receitas geradas por equivalência patrimonial, por não serem decorrentes da atividade fim (objeto social) da pessoa jurídica não fazem parte do conceito para receita bruta e faturamento, mormente, não podem entrar no cômputo do valor para definição da periodicidade da entrega da DCTF, se mensal ou semestral, não sendo possível a aplicação do conceito trazido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que inclusive foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório. MULTA. ENTREGA DA DCTF FORA DO PRAZO NORMATIVO. NÃO CABIMENTO. O contribuinte entregou a DCTF Semestral dentro do prazo normativo. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 04 20 /2 01 0- 23 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 70 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto vencedor. Vencido o Conselheiro Relator Nelso Kichel. Designado o Conselheiro Marciel Eder Costa para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 71 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls. 45/55 contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 35/40) que julgou improcedente a impugnação do auto de infração – multa pecuniária por atraso na entrega da DCTF mensal do PA Maio/2005 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta do auto de infração de 23/03/2010 (efl. 16) que a Contribuinte, em 30/06/2009, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA Maio/2005, com atraso de 48 (quarenta e oito) meses calendário ou fração. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 07/07/2005; b) data de entrega: 30/06/2009; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 4.342.808,51; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos/contribuições informados na DCTF, limitada a 20%; cálculo da multa: R$ 4.342.808,51 x 20% = R$ 868.551,70; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF, ou seja, antes da ciência de início do procedimento de ofício) = R$ 868.551,70 x 50% = R$ 434.280,85 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) por mês calendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. A multa cabível foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, (...) Enquadramento legal: Artigos 115 e 160 do CTN; Artigo 1° da Lei n° 9.249/95; Artigo 7°, inciso II e § 3°, inciso II da Lei n° 10.426/02 e alterações posteriores. (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 72 4 A Contribuinte tomou ciência do auto de infração, por via postal, em 30/03/2010 (efls. 31 e 34), e apresentou impugnação em 29/04/2010 (efls.02/09), cujas razões estão resumidas no relatório da decisão recorrida e que aproveito, nessa parte, para transcrever, por contemplar os principais aspectos da lide (efls. 35/40), in verbis: (...) 3.1 Preliminarmente alega que entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava a sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei nº 9.718/98 (art. 3º, § 2º), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2º da IN SRF nº 482/04. A receita Federal, no entanto, entendia que as referidas exclusões seriam admitidas exclusivamente para compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, não servindo para a definição de receita bruta para entrega da DCTF. Com a recusa de recebimento da DCTF semestral pela via eletrônica, o contribuinte entregou, por meio de ofício a DCTF do primeiro semestre de 2005 e por meio eletrônico a do 2º semestre. Devido a pendências no SINCOR (de todo o ano de 2005), que impedia a renovação de CND, o impugnante, seguindo orientações da Receita Federal, transmitiu as DCTFs mensais, mesmo tendo apresentado tempestivamente as DCTFs semestrais. 3.1.1 Em razão de erro nos sistemas da Receita Federal, a empresa protocolou ofício de fls. 18, em 09/03/09, requerendo que as DCTFs mensais fossem aceitas. Por sua vez, a Receita Federal verbalmente orientou o impugnante a solicitar o cancelamento das DCTFs semestrais para possibilitar a transmissão das mensais e, via de conseqüência, a baixa das pendências do SINCOR.. O pedido de cancelamento do segundo semestre foi protocolado em 20/04/2009, já que a do primeiro semestre não foi transmitida eletronicamente. Em 01/06/2009, o Impugnante foi cientificada da decisão da RFB de cancelamento da DCTF referente ao 2º semestre de 2005 e, em razão disso, transmitiu as DCTFs mensais de todo o ano de 2005, gerando a presente autuação e outras 11 – uma para cada entrega mensal. 3.1.2 O impugnante entendia que estava sujeita à entrega semestral da DCTF e assim o fez, entregando, tempestivamente, a DCTF semestral, posteriormente entregou as DCTFs mensais, todavia esse procedimento não significaria confissão de divida ou concordância com a exigência do Fisco — foi um procedimento meramente burocrático. Do ponto de vista tributário o impugnante não concordava com a exigência da entrega mensal da DCTF. 3.1.3 Mesmo que o entendimento fosse diverso não haveria que se falar em multa, uma vez que houve a entrega da declaração semestral onde constavam todas as informações que a DCTF mensal teria. Ou seja, a entrega, mesmo semestral, permitiria ao Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 73 5 Fisco receber todas as informações por ele exigidas, registrar em seus sistemas e fazer regularmente a ação fiscal, sem prejuízo. Assim, penalizar o contribuinte que agiu de forma tempestiva e diligente, conforme a melhor interpretação da regra, da mesma maneira que aquele que deixou de transmitir informações ao Fisco, descumprindo integralmente a obrigação acessória é desproporcional e antiisonômico. Por fim, caso o entendimento seja pela obrigatoriedade da DCTF mensal o impugnante entende que o cálculo da multa deve levar em consideração apenas o período entre o dia em que a entrega deveria ter ocorrido e o dia em que foi feita a entrega da DCTF semestral. 3.2 Em seguida, o impugnante apresenta as razões pelas quais entende estar sujeito à entrega da DCTF semestral no ano de 2005. Basicamente, alega que o conceito de receita bruta disposto no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 pressupõe as exclusões do § 2º do mesmo dispositivo, assim para o cálculo previsto no inciso I do artigo 2º da IN SRF nº 482/2004 não deveriam entrar as receitas objetos da referida exclusão legal, dentre as quais se encontram as receitas de equivalência patrimonial. Segundo seu entendimento, se o legislador quisesse atingir toda e qualquer receita não teria feito remissão ao § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 que pressupõe as exclusões do § 2º. 3.2.1 Caso não se entenda a receita bruta com as exclusões previstas acima, há que se admitir que as receitas só podem ser consideradas se fizerem parte da base tributável do IRPJ e CSLL, conforme entende estar consubstanciado na ementa da Solução de Consulta que colaciona. 4. Por fim, solicita que seja julgada procedente a presente impugnação, cancelandose o auto de infração em questão, ou ainda, caso não seja este o entendimento, que a multa seja reduzida para incidir somente pelo período decorrido entre o dia em que a entrega deveria ter sido feita com bases mensais e o dia em que foi feita a entrega semestral da DCTF. (...) A DRJ/São Paulo I (8ª Turma), à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 12/04/2012 (efls.35/40), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 74 6 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. APRESENTAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do anocalendário de 2005, ficaram obrigadas à apresentação mensal da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, as pessoas jurídicas cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais. RECEITA BRUTA. TOTALIDADE DAS RECEITAS. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões previstas no § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98 só servem para o fim de cálculo do PIS e da COFINS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 20/04/2012 – sextafeira (efls. 43 e 67), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22/05/2012terçafeira (efls. 45/55), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1– Receita bruta. Periodicidade de apresentação da DCTF: Quanto à receita bruta, a Recorrente rechaça o entendimento de que as exclusões do art. 3o, §2° da Lei n° 9.718/98 seriam admitidas exclusivamente para compor a base do PIS e da COFINS e, portanto, não se prestariam para definir a receita bruta para entrega da DCTF. Vale dizer: que discorda do critério utilizado pelo fisco quanto à definição da periodicidade para apresentação de DCTF. E, por conseguinte, repudia a obrigatoriedade de apresentação de DCTF mensal. A Recorrente pugna pela reforma da decisão recorrida, defendendo a tese, para efeito de definição da periodicidade de entrega da DCTF, da receita bruta, menos a exclusões previstas no § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Senão vejamos: a) que entregou tempestivamente, no ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°); b) que a entrega semestral da DCTF ocorreu porque o artigo 2o, I, da Instrução Normativa SRF n° 482/04, vigente à época dos fatos, não obrigava a Recorrente à entrega mensal. Vale dizer, que a IN determinara que a Contribuinte a partir de 2005, caso tivesse auferido receita bruta superior a R$ 30 milhões no segundo anocalendário anterior ao período de apuração correspondente à DCTF apresentada, deveria apresentar a DCTF mensalmente; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 75 7 c) que, contudo, o § 1o do art. 2o da IN SRF n° 482/04 determinou que o conceito de receita bruta para fins de determinação do período de entrega da DCTF era aquele contido no §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98; d) que, por decorrência lógica, entendeu a Recorrente, no conceito de receita bruta (§1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98), a ser observado para cumprimento da obrigação acessória, caberiam as exclusões previstas no § 2° desse mesmo artigo, como por exemplo, as receitas = resultado positivo com equivalência patrimonial; e) que, ao observar o conceito de receita bruta previsto no art. 2°, I, § 1º, da IN SRF n° 482/04, constatou que não se enquadrava no critério de entrega mensal da DCTF, razão pela qual efetuou a entrega tempestiva da DCTF semestral; f) que, entretanto, a DCTF semestral, entregue em outubro/2005 (relativa aos PA janeiro a junho/2005), não foi aceita; g) que, necessitando renovar sua certidão de regularidade fiscal, entregou a DCTF mensal em 30/06/2009, quanto ao PA Maio/2005; porém, muito tempo antes (ainda em 2005), entregara, tempestivamente, a DCTF semestral, quanto ao PA 1º semestre/2005; h) que, mesmo entendendo estar sujeita a entrega semestral da DCTF e assim o fez tempestivamente, acabou por transmitir as DCTF do ano de 2005 de forma mensal, como forma de baixar as pendências apontadas no SINCOR e possibilitar, via de conseqüência, a renovação de sua certidão de regularidade fiscal, documento indispensável à continuidade de suas atividades empresariais. i) que a entrega, por último, da DCTF mensal não desnatura a premissa que defende, ou seja, de que estava obrigada a apresentar DCTF semestral quanto aos PA 1º semestre/2005; que discorda da decisão recorrida, também, na parte atinente à receita bruta. Vale dizer: discorda do entendimento do fisco de que as exclusões do art. 3o, §2°, da Lei n° 9.718/98 seriam admitidas exclusivamente para definição da base de cálculo do PIS e da COFINS e que, portanto, seriam computadas para definição da receita bruta para entrega da DCTF, por força do art. 2o, §1°, da IN SRF n° 482/04; que o citado dispostivo da IN não pode ser interpretado de forma isolada; j) que, alega a Recorrente, o dispositivo da IN, ao inserir o conceito estabelecido pelo §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, buscou alcançar para fins de determinação do período de entrega da DCTF um conceito de receita bruta compatível com aquele da lei e com ordenamento jurídico; k) que interpretálo de forma contrária, ou seja, no sentido de que tal conceito não comporta exclusões legais, traduz um equívoco pois parte do pressuposto de que o §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 continha um conceito fechado, fora de todo um contexto no qual foi inserido; l) que a Lei n° 9.718/98, por certo, não contemplava dois conceitos de receita bruta um para a base de cálculo do PIS e da COFINS e outro para outros fins! Tal veículo legislativo possuía apenas uma definição de receita bruta que, necessariamente, se compatibilizava com todo o ordenamento jurídico e contábil; m) que se o legislador pretendesse abranger toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica não seria feita a remissão ao §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, cujo conceito pressupõe as exclusões contidas no §2° do mesmo artigo; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 76 8 n) que, ademais, a corroborar a premissa de que a interpretação isolada de receita bruta decorrente do § 1 o do art. 3o da Lei n° 9.718/98 era incompatível com o ordenamento jurídico, vale relembrar que o Supremo Tribunal Federal, no final do ano de 2005, declarou a inconstitucionalidade de tal dispositivo (RE's n°s 346.084/PR, 390.840/MG, 358.273/RS, 357.950/RS). E, posteriormente, o § 1 o do art. 3o da Lei n° 9.718/98 foi revogado pela Lei n° 11.941/09; o) que, em suma, o conceito de receita bruta, para qualquer fim, admite exclusões legais, sob pena de incompatibilidade com o ordenamento jurídico. Isso posto, resta demonstrado que a Recorrente se sujeitava à entrega semestral da DCTF, e, consequentemente, não houve atraso apto a legitimar a cobrança da multa remanescente ainda discutida; p) que, por fim, ainda que se admita que o conceito de receita bruta contido no §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 não albergava as exclusões previstas no §2° do mesmo artigo, o que se admite por retórica, ao menos deve ser considerada como receita bruta, para fins de determinação da periodicidade da apresentação da DCTF, àquela relativa à receita tributável pelo IR e pela CSLL, conforme já decidiu a SRF na Solução de Consulta n° 85 de 29.03.2005 da 6a RF: "DCTF MENSAL RECEITA BRUTA A contrapartida do aumento do ativo, em decorrência da atualização dos estoques de produtos agrícolas, animais e extrativos destinados à venda, tanto em virtude do registro de estoque de crias nascidas no período, como pela avaliação de estoque a preço de mercado, por constituir receita tributável pelo imposto de renda e pela CSLL, deve ser computada para efeito de fixação do limite 30 (trinta) milhões de reais de receita bruta anual que determina a apresentação da DCTF mensal. " q) que, com o devido respeito, ao contrário do que foi afirmado pelo Relator da decisão ora combatida, a mencionada Solução de Consulta demonstra, sim, que a Receita Federal do Brasil considera que as receitas que devem compor a receita bruta para efeito de fixação do limite de 30 milhões de reais de receita bruta anual são aquelas tributáveis pelo IR e pela CSLL; r) que o fato que gerou a apresentação da DCTF semestral ao invés da mensal foi a exclusão, para o cálculo da receita bruta, da receita de equivalência patrimonial. E tal receita não é tributável pelo IR e pela CSLL. 2 – Efetiva entrega das informações e espontaneidade: que a Recorrente entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a DCTF de forma semestral, pois calculava sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2o da IN SRF n° 482/04; que a Receita Federal, no entanto, entendia que essas exclusões seriam admitidas exclusivamente para compor a base do PIS e da COFINS, não servindo para definição de receita bruta para entrega da DCTF. Com isso, o valor apurado seria maior e sujeitaria a empresa à entrega mensal. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 77 9 que a ausência da entrega mensal das DCTF deu causa a pendências no SINCOR (de todo o ano de 2005), que impediam a renovação da Certidão Negativa da Recorrente; que a Recorrente, seguindo orientação da própria Receita Federal, viuse obrigada a transmitir as DCTF mensais, mesmo tendo apresentado, tempestivamente, as DCTF semestrais; que, todavia, para que pudesse transmitir as DCTF mensais, e via de conseqüência, obter a baixa das pendências no SINCOR, a Recorrente foi orientada pela Receita Federal a cancelar as DCTF semestrais. Tal procedimento foi efetuado, conforme documentação juntada à impugnação; que a Recorrente, mesmo entendendo que se sujeitava à entrega semestral da DCTF, e assim o fez tempestivamente, acabou por transmitir as DCTF do ano de 2005 de forma mensal, como forma de baixar as pendências apontadas no SINCOR e possibilitar, via de conseqüência, a renovação de sua certidão de regularidade fiscal, documento indispensável à continuidade de suas atividades empresariais; que tal procedimento, adotado unicamente para a obtenção de certidão de regularidade fiscal, deu ensejo à aplicação da multa ora atacada, o que, conforme amplamente demonstrado acima, não merece prosperar; que é certo que a Recorrente entregou, antes de qualquer procedimento da fiscalização, todas as informações necessárias ao cumprimento da obrigação tributária. Assim, em que pese a DCTF ter sido entregue de forma semestral, é cristalino que tal declare não consolidava todas as informações que as DCTF mensais conteriam; que a entrega da DCTF, ainda que de forma semestral, permitiu ao Fisco receber todas as informações por ele exigidas, registrar em seus sistemas e fazer regularmente sua ação fiscal, sem qualquer outro prejuízo aos cofres públicos. Por isso, sob esse argumento, não se justifica, a partir desse momento (da entrega da DCTF semestral) a cobrança de multa; que se tem decisão do Superior Tribunal de Justiça no sentido de inaplicabilidade de multa por descumprimento de obrigação acessória quando não se configura prejuízo ao Fisco (princípio da razoabilidade); que, caso não se entenda pelo afastamento da multa em questão, requer o Recorrente que a referida penalidade seja reduzida para incidir apenas pelo período decorrido entre o dia em que a entrega deveria ter sido feita com bases mensais e o dia em que foi feita a entrega semestral da DCTF; 3 – Não incidência de juros de mora sobre a multa: Por fim, com base nessas razões, a Recorrente pediu a improcedência da multa aplicada de ofício e dos juros de mora ou, subsidiarimente, a redução da multa e dos juros de mora. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 78 10 Voto Vencido Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF do PA Maio/2005, ou seja, pela inobservância de prazo limite no cumprimento dessa obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF era 07/07/2005. Entretanto, a Contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 30/06/2009. Por isso da imposição em concreto da multa pecuniária objeto dos autos. Nesta instância recursal, a Recorrente busca a reforma da decisão a quo. Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. PERIODICIDADE MENSAL. CRITÉRIO. RECEITA BRUTA SEM EXPURGOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. PERDA DE PRAZO. IMPOSIÇÃO DE MULTA PECUNIÁRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A RFB está exigindo, por auto de infração, multa formal pecuniária da Recorrente, por descumprimento de obrigação acessória autônoma, ou seja, pela entrega intempestiva da DCTF mensal atinente ao PA Maio/2005. A obrigação acessória autônoma entrega de DCTF, quanto a fatos geradores do anocalendário 2005, está regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 482, de 21/12/2004, in verbis: Art. 2ºA partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou II – (...) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 79 11 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Redação dada pela IN SRF nº532, de 30/03/2005) (...) Art. 6ºA DCTF será apresentada: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada ano calendário, no caso de DCTF relativa ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de DCTF relativa ao segundo semestre do ano calendário anterior. (...) A obrigatoriedade de apresentação da DCTF mensal, a partir de 1º de janeiro 2005, decorreu do fato da Contribuinte no anocalendário 2003 ter apresentado DIPJ informando receita bruta superior a R$ 30 milhões, conforme relata a fiscalização da RFB no Termo de Verificação Fiscal de 16/02/2006 (efls.24/25), in verbis: (...) (1) Foi constatado que o contribuinte fiscalizado deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referentes aos meses de Janeiro e fevereiro de 2005; (2) Em vista do não atendimento das disposições contidas na Instrução Normative nº 482 de 21/12/2004, o contribuinte fiscalizado foi intimado em data de 16/05/2005 (fis. ) a prestar os devidos esclarecimentos, o que foi feito em 13/06/2005 (fls. ). (3) Em suas considerações, entende o contribuintefiscalizado que embora tenha auferido a receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme os dados constantes na DIPJ do arocalendário de 2003, deveria ser excluido o valor de R$ 51.735.971,59 referente à receita de equivalência patrimonial informada na citada DIPJ, (...) valor foi declarado nas DCTFs trimestrais do A/C 2003 inferior ao limite de R$ 3.000.000,00 previsto no inciso II do art. 2 ° da IN 482/2004. (4) Argumenta ainda que em data de 06/10/2005, foi impedido pelo sistema Receitanet de proceder à transmissão eletrônica da DCTF Semestral, apontando o relatório no formato TXT, gerado pelo mencionado sistema, pelo qual a contribuinte estava obrigado a utilizar o PGD DCTF mensal (fl. ). (...) Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 80 12 A divergência da Recorrente, em síntese, reside acerca da interpretação das normas infralegais que definem condições ou critérios de obrigatoriedade de apresentação de DCTF semestral ou mensal (IN SRF nº 482/2004); que entregou tempestivamente, para o ano de 2005, a respectiva DCTF de forma semestral, pois calculara sua receita bruta com as exclusões previstas na Lei n° 9.718/98 (art. 3o, §2°), não se enquadrando, portanto, no inciso I do artigo 2o da IN SRF n° 482/04. A Recorrente defende a tese de que no anocalendário 2005 estaria obrigada a apresentação de DCTF semestral, e não DCTF mensal, alegando: a) que em relação ao critério da receita bruta estariam excluídas as receitas de que trata o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; b) que o art. 2o, I, §1°, da IN SRF n° 482/04, o qual reproduz o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não pode ser interpretado de forma isolada; que discorda da aplicação de um conceito de receita bruta para as contribuições e outro critério para definição do modo e forma como a DCTF deve ser apresentada; que além de tudo o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo STF. c) que, tendo efetuado exclusões de que trata o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.318/98 (mormente o resultado positivo com equivalência patrimonial), apresentou tempestivamente a DCTF semestral, a qual não foi aceita pelo fisco e que, então, algum tempo depois, necessitando a obtenção do Certificado de Regularidade Fiscal ou CND para exercício de sua atividade operacional, foi obrigada a apresentar a DCTF mensal mesmo discordando da interpretação do fisco; que, então, recebeu a autuação pela intempestividade no cumprimento dessa obrigação acessória; d) que, caso seja vencida na tese defendida de necessidade de expurgo do ganho com equivalência patrimonial, então seja acolhida a tese da exclusão da receita bruta das parcelas não tributáveis pelo IRPJ, como é caso do ganho com equivalência patrimonial. Vale dizer, em suas considerações, a Recorrente entende que, embora tenha auferido a receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme dados constantes na DIPJ do anocalendário de 2003, deveria ser excluido o valor de R$ 51.735.971,59 referente à receita de equivalência patrimonial, para efeito de critério ou condição na definição de periodicidade de apresentação da DCTF, se mensal ou semestral. A irresignação da Recorrente não merece prosperar. Para o anocalendário 2005, como critério de definição, fixação, de periodicidade mensal para apresentação de DCTF, a IN SRF 482/2004 (art. 2º, I, § 1º) estabeleceu a receita bruta, caso auferida em patamar superior a 30 (trinta) milhões de reais no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada, independentemente da receita ser tributada ou não. “Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas (Lei 9.718, art. 3º, § 1º). Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 81 13 A obrigação acessória autônoma – DCTF não tem natureza de tributo (não está vinculada a fato gerador de nenhum tributo); é uma obrigação de fazer autônoma, implementada em decorrência do poder de polícia administrativa (fiscalização de tributos). Nesse caso, o fisco pode, nada impede, de utilizar o critério alargado da receita bruta (sem expurgos), para efeito de definição, determinação da períodicidade de apresentação dessa declaração pelos contribuintes. O STF declarou a inconstitucionalidade do alargamento da receita bruta do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 para efeito tributário (quando utilizado como matéria tributável, base de cálculo, imposição/aumento de carga tributária), por envolver fato gerador de imposição tributária (com ressalva das instituições financeiras ou equiparadas, pois as receitas de tal atividade são eminentemente financeiras). Inclusive, o § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 já foi revogado pela Lei nº 11.941/09. Porém, como dito inicialmente, a situação dos autos é diversa; é de outra ordem. Entretanto, no caso a receita bruta alargada (sem expurgos) está sendo utilizada meramente como critério para definição, fixação, de periodicidade de entrega da DCTF, para efeito de cumprimento de obrigação acessória autônoma de natureza não tributária (obrigação formal, autônoma, não atinente a fato gerador de determinado tributo ou contribuição). Vale dizer, a IN SRF nº 482/2004 (art. 2º, I, § 1º) utilizou o entendimento de receita bruta ampliado para efeito de obrigação acessória autônoma, a qual não tem natureza tributária (obrigação autônoma de fazer de natureza não tributária, decorrente da atividade de fiscalização, poder de polícia da Administração Tributária), conforme precedentes jurisprudenciais transcritos mais adiante. Desta forma, entendo, data venia, que não há óbice algum para utilização do critério da receita bruta sem expurgos – como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, para definição, fixação, da periodicidade mensal de entrega da DCTF para o anocalendário 2005. Logo, o ganho de equivalência patrimonial integra o conceito de receita bruta, para efeito de critério, fixação, da periodicidade mensal para entrega da DCTF (obrigação acessória autônoma), pois é irrelevante o fato dessa parcela da receita bruta ter ou não tratamento específico na legislação do IRPJ e de outras exações fiscais. Vale dizer, para efeito de condição ou definição da periodicidade de entrega mensal ou sementral da DCTF, pouco importa se algumas parcelas da receita bruta total são, ou não, tributáveis pelo IRPJ, CSLL, PIS ou Cofins. Todas as receitas devem ser computadas na receita bruta como condição para definição da periodicidade para apresentação da DCTF: se mensal ou semestral. Tanto que pessoas jurídicas imunes ou isentas, ainda que todas as suas receitas sejam imunes ou isentas, também estão obrigadas a apresentar DCTF mensal, caso a receita bruta total esteja enquadrada no art. 2º, I, da IN SRF nº 482/2004 (dispositivo já transcrito acima). Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 82 14 A escolha, eleição de critérios, condições, para definição de periodicidade, modo e forma de cumprimento de obrigação acessória autônoma (para entrega tempestiva de DCTF pelos contribuintes) são prerrogativas da Administração Tributária, dentro da política de fiscalização, e não envolvem imposição tributária, nem aumento de carga tributária. Logo, é mera tergiversação a tese da Recorrente de que a receita – ganho com esquivalência patrimonial deveria ser expurgada da receita bruta. Não se está no campo de imposição tributária, mas de mera utilização de critério para fixação de periodicidade de entrega da DCTF. Não teria nenhum sentido exigir a entrega de DCTF com base na condição de receita bruta total, se houvesse a permissão de exclusões ou expurgos de receitas, mascarando o controle da fiscalização. O fisco não teria a real dimensão, de plano, de forma expedita, do nível de atividade econômica do contribuinte, se compatível em relação ao montante dos tributos declarados na DCTF. É a situação dos autos. A Contribuinte, atuando no ramo de capitalização (equiparada à instituição financeira) auferiu receita bruta total no montante de R$ 55.352.891,77, conforme dados constantes da DIPJ do anocalendário de 2003. Se fosse permitida a exclusão de R$ 51.735.971,59 (ganho com equivalência patrimonial) da receita bruta total, o critério da receita bruta restaria esvaziado ou prejudicado, o que inviabilizaria a utilização desse critério dentro da política de fiscalização de controle das DCTF, pois não espelharia o nível de atividade econômica da Recorrente que, pertencendo à categoria dos médios/grandes contribuintes deste País, passaria a apresentar DCTF não mensal, mas semestral – como se fosse contribuinte de pequeno porte a partir de 01/01/2005, implicando, além de postergação de informações, evidente prejuízo ao controle expedito mensal pela repartição fiscal de origem, quanto a fatos geradores do anocalendário 2005 e seguintes. Implementação da DCTF. Base legal. A DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Federais), obrigação acessória autônoma, foi instituída pela Instrução Normativa SRF nº 126/98, de 30 de outubro de 1998, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e em consonância com o art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito , transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 83 15 § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...). No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (grifei) (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 84 16 EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...). 3) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea. Precedentes jurisprudenciais. Matéria sumulada pelo CARF. Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável, como mencionado anteriormente, o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória (infração de natureza não tributária, infração de natureza formal). Nesse sentido, transcrevo a fundamentação do voto do Exmo. Sr. Ministro do STJ, José Delgado, no REsp n° 190388/GO, que tratou da multa pelo atraso na entrega da declaração do Imposto de Renda, cujo entendimento é, igualmente, aplicável à entrega tardia da Dimob, DCTF etc, pois são exemplos de obrigação acessória autônoma, in verbis: "A configuração da denúncia espontânea, como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerando acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 85 17 A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que se possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. A multa aplicada é em decorrência do poder de polícia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a uma determinada categoria de contribuinte." (Grifei) No mesmo sentido, cabe trazer à baila precedentes jurisprudenciais do STJ: EAREsp n° 258141/PR, cujo acórdão tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. PRECEDENTES. 1. (omissis) 2. (otnissis) 3. (omissis) 4. A entidade 'denúncia espontánea' não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de contribuições e Tributos Federais DCTF. 5. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 6. (omissis) 7. Embargos declaratórios rejeitados." Acórdãos em sede de Recurso Especial REsp cujas ementas transcrevo, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 86 18 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Ainda, nessa linha de entendimento, por ser elucidativo, colaciono a ementa do seguinte julgado do TRF/2ª Região: TRIBUTÁRIO. ENTREGA DCTF EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. LEGALIDADE. 1. Conforme iterativa jurisprudência do STJ, somente são albergadas pela denúncia espontânea as infrações de natureza tributária, quer sejam principais ou acessórias. 2. O retardamento na entrega do DCTF constitui mera infração formal. 3. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessária ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. 4. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação autônoma, não abarcada pela denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso na apresentação da DCTF. 5. A multa aplicada ao contribuinte decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do Fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. 6. Remessa e recursos conhecidos e providos. (AMS NUM: 97.02.329043 REG: 02 TURMA: 06 DEC: 1506 2004 REL: JUIZ POUL ERIK DYRLUND). Na esfera administrativa, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, também, nesse diapasão, pronunciouse sobre o assunto e destaco, aqui, a ementa do Acórdão CSRF n° 020.829, da lavra da ilustre Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez: Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 87 19 "DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA É devida a multa pela omissão na entrega da Declaração de Contribuições Federais. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Precedentes do STJ.” Ademais, por ser matéria de entendimento pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – CARF, a inaplicabilidade da denúncia espontânea quanto à obrigação acessória autônoma encontrase sumulada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Pelo exposto, demonstrada está a inaplicabilidade da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN para cumprimento tardio, a destempo, de obrigação acessória autônoma, pois tratase de obrigação que não tem natureza tributária (infração de natureza formal). Perda de prazo. Cominação de penalidade. Lei em sentido estrito. Já, a multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 88 20 Ainda, como a entrega da DCTF semestral não configurou cumprimento de obrigação acessória (DCTF com períodicidade diversa da determinada), logo incabível a pretensão da Recorrente de que fosse exigida a multa apenas para o período entre a data limite para cumprimento tempestivo da DCTF mensal e a data de entrega da DCTF semestral. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a decisão recorrida. JUROS DE MORA SOBRE O VALOR DA MULTA REGULAMENTAR ISOLADA. No caso, foi aplicada multa regulamentar – por infração de natureza formal (de natureza nãotributária) – perda de prazo para cumprimento tempestivo de obrigação acessória autônoma, ou seja, por penalidade não vinculada à falta de pagamento de tributo ou contribuição. Por não ter natureza tributária essa infração (infração formal descumprimento de obrigação autônoma), é inaplicábel o instituto da denúncia espontânea, ainda que seja cumprida a obrigação acessória após o prazo de vencimento e antes do início de qualquer procedimento de ofício. Mas, o descumprimento dessa obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (CTN, art. 113, § 3º). O crédito decorrente dessa multa isolada aplicada, quando não pago até a data de vencimento, sujeita a cobrança de juros de mora, sim, conforme art. 43 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o art. 43, transcrito acima, estatui a imposição de juros de mora SELIC, na hipótese de auto de infração – imposição de multa isolada. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 89 21 Voto Vencedor Conselheiro Marciel Eder Costa – Redator Designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente Relator, peço vênia para dele divergir, especificamente quanto ao que diz respeito à interpretação do conceito “receita bruta” para fins de determinação da obrigatoriedade da periodicidade da entrega da DCTF, interpretação esta que define a incidência ou não da multa por atraso na obrigação acessória, objeto de análise nos presentes autos. Portanto, o alcance da divergência ora proposta é em relação ao tópico “OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DE DCTF. PERIODICIDADE MENSAL. CRITÉRIO. RECEITA BRUTA SEM EXPURGOS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. PERDA DE PRAZO. IMPOSIÇÃO DE MULTA PECUNIÁRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.” com resultado diretamente vinculado ao resultado de mérito. O voto condutor analisou adequadamente à luz da norma vigente à época, pela Instrução Normativa nº 482, de 21 de dezembro de 2004, que: Art. 2ºA partir do anocalendário de 2005, deverão apresentar, mensalmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz, as pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, imunes e isentas: I cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a 30 (trinta) milhões de reais; ou [...] Portanto, o critério que definiu a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal é ser a Receita Bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF superior a 30 milhões de reais. A referida Instrução Normativa também estabeleceu prazo para sua apresentação: Art. 6ºA DCTF será apresentada: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; [...] Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 90 22 Assim, tratandose de obrigatoriedade de apresentação da DCTF relativa ao anocalendário de 2005, devese recorrer ao anocalendário 2003 na busca da Receita Bruta tendente a definir a periodicidade de entrega: mensal ou semestral. A análise desta questão foi feita tanto pela r. fiscalização como pelo voto condutor, acima já transcrito, que identificou que a “receita bruta” no anocalendário do contribuinte em 2003, conforme constante em DIPJ foi de R$ 55.352.891,77, valor superior portanto, aos 30 milhões de reais, o que em tese determina ser a obrigatoriedade da entrega da DCTF Mensal. Ocorre que o contribuinte, com razão, expõe que deste montante, R$ 51.735.971,59 está claramente atrelado à receita por equivalência patrimonial, o que não poderia ser considerado intrínseco ao conceito de “receita bruta”. No voto condutor, o Eminente Relator aplicando o conceito de “receita bruta” do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, entendeu que independe a classificação contábil adotada para a receita, devendo ser considerado a “totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica” e que, no critério de obrigação acessória autônoma, implementada como decorrente do poder de polícia administrativa, seria cabível a aplicação de critério alargado para determinação da periodicidade de apresentação da DCTF. Ainda, na interpretação exarada, dispõe que a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo do §1º do art. 3º da referida Lei teria efeito tão somente tributário, e não haveria óbice de sua utilização como critério para definição da periodicidade na entrega da DCTF. Daí, conclui que: [...] Desta forma, entendo, data venia, que não há óbice algum para utilização do critério da receita bruta sem expurgos – como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, para definição, fixação, da periodicidade mensal de entrega da DCTF para o anocalendário 2005. Logo, o ganho de equivalência patrimonial integra o conceito de receita bruta, para efeito de critério, fixação, da periodicidade mensal para entrega da DCTF (obrigação acessória autônoma), pois é irrevalente (sic) o fato dessa parcela da receita bruta ter ou não tratamento específico na legislação do IRPJ e de outras exações fiscais. [...] (Grifo no original) Na sequência, o Eminente Relator através de precedentes jurisprudenciais e enxertos da própria legislação que (i) denotam a força normativa para imposição da multa por Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 91 23 atraso na obrigação acessória, (ii) afastam a hipótese de aplicação das benesses da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional e (iii) impõe a incidência de multa pecuniária pela falta da entrega da DCTF, ou a entrega a destempo, determinou a manutenção da decisão recorrida, matérias não contraditadas pela Turma. Contudo, o conceito de “receita bruta” incluindo as receitas a título de equivalência patrimonial na visão da maioria, não corresponde a melhor interpretação. Primeiramente, forçoso destacar que o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 foi revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, após ter sido inclusive declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório. Num dos Acórdãos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal observase que o objeto principal da declaração de inconstitucionalidade do dispositivo em comento, foi exatamente a extrapolação do conceito já definido pelo direito privado para “receita bruta” e “faturamento”, contrariando o art. 110 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (Grifouse) Logo, não se pode definir como parâmetro para qualquer fim esse dispositivo legal, incluindo na definição da periodicidade na entrega da DCTF, mensal ou semestral. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 92 24 Isto porque, está evidente a afronta aos princípios basilares da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, a definição de “receita bruta” e “faturamento” feitas pelo dispositivo em comento. O conceito de “receita bruta” da pessoa jurídica deve estar vinculado à atividade fim a que está estabelecida. Vejase que a recorrente tem como objetivo social a venda de títulos de capitalização. Neste ínterim, as receitas contábeis obtidas por equivalência patrimonial não são vinculadas a sua atividade fim, mormente que não podem ser consideradas como receita bruta da pessoa jurídica. Interpretação diferente estendendo o conceito de receita bruta e faturamento, incluindo receitas que embora influenciem no resultado patrimonial da pessoa jurídica, não fazem parte de seu objetivo social, diverge totalmente ao que já está definido pelo direito privado para esses institutos, desde outrora. Não vejo como possível adotar essa interpretação apenas para fins tributários, nem como estender o alcance impositivo da multa para definição da periodicidade da entrega das obrigações acessórias, pois se tratam exatamente do mesmo conceito para receita bruta e faturamento, não havendo como ser diferente a interpretação de uma em relação à outra. Ademais, ainda que o referido dispositivo servisse de base para definição do conceito de “receita bruta” e “faturamento”, a mesma Lei constitui hipóteses de exclusão da receita bruta, daí sim, afetando para fins tributários a base de cálculo de incidência dos tributos relacionados ao PIS e à COFINS: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; [...] (Grifouse) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 16327.000420/201023 Acórdão n.º 1802002.117 S1TE02 Fl. 93 25 Apesar do §2º intentar determinar somente uma exclusão da base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, fato é que relacionou em seu contexto uma clara extensão de exclusão da própria concepção de receita bruta, que havia sido definida pelo §1º, posteriormente revogado. Assim sendo, desconsiderando o §2º, inciso II, o “resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido” onde estariam enquadrados os resultados provenientes de equivalência patrimonial da receita bruta, por evidente que tal montante também não deveria influenciar na definição da periodicidade da entrega da DCTF de forma mensal. Por tais motivos, a turma por maioria entende equivocada a imposição de multa pela obrigatoriedade na entrega da DCTF Mensal, visto que o conceito de faturamento e receita bruta para definição da periodicidade não pode se estender às receitas por equivalência patrimonial. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROCEDÊNCIA ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Marciel Eder Costa Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 18050.003281/2008-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 29/05/2008
PEÇA RECURSAL QUE APRESENTA TESES INCOMPATÍVEIS COM O QUE DOS AUTOS CONSTAM. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO ENTRE A SITUAÇÃO DOS AUTOS E A ALEGAÇÕES RECURSAIS. SITUAÇÃO QUE ENSEJA A APLICAÇÃO DA TESE DO DIVÓRCIO IDEOLÓGICO DO STF. RELATÓRIO FISCAL FALHO. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR. SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima votou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente SINDICATO DAS EMPRESAS DE REFEIÇÕES COLETIVAS DO ESTADO DA BAHIA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/05/2008 PEÇA RECURSAL QUE APRESENTA TESES INCOMPATÍVEIS COM O QUE DOS AUTOS CONSTAM. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO ENTRE A SITUAÇÃO DOS AUTOS E A ALEGAÇÕES RECURSAIS. SITUAÇÃO QUE ENSEJA A APLICAÇÃO DA TESE DO DIVÓRCIO IDEOLÓGICO DO STF. RELATÓRIO FISCAL FALHO. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO FATO GERADOR. SERVIÇO PRESTADO POR PESSOA JURÍDICA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima votou pelas conclusões. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 81 /2 00 8- 98 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003281/200898 Acórdão n.º 2803003.997 S2TE03 Fl. 257 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.158.7247 CFL.34, deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 06 a 09, com período de apuração de 01/2005 a 12/2005, segundo Termo e Início de Ação Fiscal – TIAF, de fls. 24 e 25. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 06/06/2008, conforme AR, de fls. 73. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões impugnatórias acostadas, as fls. 77 a 79, recebida, em 04/07/2008, acompanhada dos documentos, de fls. 80 a 139. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 140 e 141. A DRJ/SDR emitiu o Acórdão nº 1521.045 6ª, datado de 24/09/2009, fls. 142 a 143, por meio do qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 29/04/2010, conforme AR, de fls. 147. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 150, com razões recursais, as fls. 151 a 154, acompanhado dos documentos, de fls. 155 a 178, remetida via postal, conforme envelope de remessa, postado em 27/05/2010. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 183 e 184. O processo foi remetido ao CARF, fls. 184. Os autos foram devolvidos pelo CARF à origem, conforme Despacho nº 2803185, de fls. 185 a 186, tendo em vista possível falha na peça recursal. A DRF em Salvador juntou aos autos os documentos, de fls. 221 a 251, informando, ainda, pelo despacho, de fls. 254, que a peça recursal foi redigitalizada e a falha sanada, sendo a nova peça cópia fiel da que se encontra nos autos físicos. Os autos foram devolvidos ao CARF, fls. 254. É o Relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003281/200898 Acórdão n.º 2803003.997 S2TE03 Fl. 258 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Esclareço, inicialmente, que nos termos da divisão proposta pela recorrente em sua peça recursal, o item que ela denominou de I – FATOS está completamente dissociado da realidade, pois a DRJ julgou a impugnação, sem nenhuma restrições. Independentemente, deste equivoco o recurso seria conhecido e julgado, pois a representação processual neste autos não foi questionada no primeiro grau como se verifica do acórdão, bem como foi anexado ao recurso a Ata da AGO para o triênio 2007/2010, fls. 156 e 157. Fiz a ressalva apenas para demonstrar o desacerto da tese. Ao retomar a análise da peça recursal naquilo que a recorrente denominou de II – DA DEFESA, verificase que esta não tem relação com os fatos apresentados nos autos, pois o lançamento decorre do não cumprimento de dever instrumental (obrigação acessória), conforme consta da descrição sumária da infração e dispositivo legal infringindo, fls. 01. Nestes autos em momento algum foi: · questionada a localização ou o recolhimento das fontes pagadores em GFIP ou nas GPS; · levantado qualquer valor, salvo o da própria multa aplicada neste auto e fixada em lei · realizada glosa de qualquer espécie nestes autos; Os presentes autos apenas relatam, demonstram e comprovam a não inclusão de supostas contribuições previdenciárias em títulos próprios da contabilidade, na contabilização do fatos contábeis nos Livros Diário e Razão, conforme item 6, do REFISC, de fls. 07. Além do que, a peça recursal é desconexa com narração dos fatos, confusa e incongruente. Desta forma, ante a absoluta falta de relação entre os fatos, os elementos narrados nos autos e o que apresentado na peça recursal impõese a aplicação da teoria do divórcio ideológico construída no Supremo Tribunal Federal – STF, como a seguir transcrito. Decisão do STF. E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003281/200898 Acórdão n.º 2803003.997 S2TE03 Fl. 259 4 IMPUGNAÇÃO RECURSAL QUE NÃO GUARDA PERTINÊNCIA COM OS FUNDAMENTOS EM QUE SE ASSENTOU O ATO DECISÓRIO QUESTIONADO OCORRÊNCIA DE DIVÓRCIO IDEOLÓGICO INADMISSIBILIDADE RECURSO IMPROVIDO. O RECURSO DE AGRAVO DEVE IMPUGNAR, ESPECIFICADAMENTE, TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. O recurso de agravo a que se referem os arts. 545 e 557, § 1º, ambos do CPC, na redação dada pela Lei nº 9.756/98, deve infirmar todos os fundamentos jurídicos em que se assenta a decisão agravada. O descumprimento dessa obrigação processual, por parte do recorrente, torna inviável o recurso de agravo por ele interposto. Precedentes. A ocorrência de divergência temática entre as razões em que se apóia a petição recursal, de um lado, e os fundamentos que dão suporte à matéria efetivamente versada na decisão recorrida, de outro, configura hipótese de divórcio ideológico, que, por comprometer a exata compreensão do pleito deduzido pela parte recorrente, inviabiliza, ante a ausência de pertinente impugnação, o acolhimento do recurso interposto. Precedentes.(AIAgR 440079, CELSO DE MELLO, STF) Assim sendo, rejeito todos os pedidos da recorrente. Todavia, necessário se faz consignar que no Relatório Fiscal – REFISC em seu item 6, não traz a necessária descriminação clara e precisa do fato gerador não contabilizados em títulos próprios da contabilidade do sujeito passivo, conforme exigia à época dos fatos e do lançamento, o artigo 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99. A descrição do fatos pelo agente lançador foi assim realizada, observe os trecho transcrito. DESCRIÇÃO DOS FATOS 6. Após análise dos lançamentos contábeis do Livro Diário número 02, registrados em microfilme em 05/03/2008, no 2° . Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas da Comarca de Salvador, sob n°. 29718 do rolo 711 e, do Livro Razão relativo ao período janeiro a dezembro/2005, foi constatado que o contribuinte registrou algumas Notas fiscais emitidas pela COTRAS na conta 1.1.2.04.005 Clientes/Devedores Diversos/COTRAS (debito) tendo como contrapartida a conta 1.1.2.01.003 Banco Bradesco (crédito) e as vezes complementadas com a conta Caixa, sem registro contábil na conta de Serviços Prestados Pessoa Jurídica, conta 4.2.1.01.021. Anexamos fotocópias destes lançamentos contábeis (Anexo I). Demonstramos no quadro abaixo lançamentos exemplificativos: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003281/200898 Acórdão n.º 2803003.997 S2TE03 Fl. 260 5 Ocorre, porém, que ordinariamente a contratação de uma pessoa jurídica não enseja a ocorrência do fator gerador da contribuição social previdenciária, pois, em regra, o fato gerador de tal contribuição se dá com a prestação de serviços remunerados por pessoas físicas, podendo, ainda, ocorrer em razão da receita, faturamento ou lucro das empresas e pelas contribuições substitutivas. Do quadro acima elaborado pelo agente fiscal e constante do REFISC da autuação temos: · 1 NFFS Nº 1.195; 1.272 e 1.310 – Sprest. Prato Povo Comércio; · 2 NFFS Nº 1.196; 1.271 e 1.312 – Sprest. Prato Povo Liberdade; · 3 NFFS Nº 1.289 e 1.294 – Sprest. p/cooperados. Desta forma, indago em relação ou item 1 e 2 acima descrito qual é o fato gerador não descriminado em títulos próprios da contabilidade? Efetivamente eu não sei e com certeza o contribuinte, também, não, pois não está indicado o tipo de serviço prestado e qual a contribuição social previdenciária, que essa prestação de serviço realizada por pessoa jurídica gerou e que deveria estar discriminada na contabilidade em títulos próprios. Da observação e análise do item 3, acima, descriminado, também, não está indicado o serviço prestado e qual o fato gerador da contribuição deveria ter sido contabilizado em títulos próprios da contabilidade, a indicação dá uma leve pista ao trazer a expressão “cooperados”, Mas, isso é insuficiente para a determinação da existência do fato gerador e da contribuição, pois a 3ª TE do CARF, tem o entendimento de que os serviços de cooperativas de trabalho médico está na zona da não incidência tributária em relação a contribuição social previdenciária. Ademais, do compulsar do autos verificase que a DRJ percebeu tal falha e tentou remediar a situação, assim se pronunciando, veja a transcrição. O regime de competência diz respeito ao momento em que são reconhecidas as receitas e as despesas. Existindo a transação com terceiros e a fruição dos serviços por eles prestados, impõe se o registro contábil da despesa incorrida e, consequentemente, o reconhecimento da obrigação de efetuar o pagamento ou a diminuição das disponibilidades. No presente caso, as notas fiscais emitidas pela COTRAS – Cooperativa de Trabalho indicam a contratação de serviços desta entidade. O valor relativo ao pagamento destas entidades Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003281/200898 Acórdão n.º 2803003.997 S2TE03 Fl. 261 6 foi registrado a crédito na conta 1.1.1.02.003 Banco Bradesco, significando que o dinheiro saiu desta conta para pagamento das faturas. O lançamento a débito foi efetuado em conta de ativo 1.1.2.04.005 Clientes/devedores diversos/COTRAS. Ora, este lançamento ofende a lógica contábil, pois o pagamento pelos serviços prestados implica a extinção de uma obrigação e não o surgimento de um direito. A análise dos lançamentos contábeis indicados no relatório fiscal demonstra ainda que não houve o lançamento contábil da despesa correspondente aos serviços prestados pela COTRAS. Assim, constatada a inexistência de lançamento da despesa decorrente da contratação de prestação de serviços da cooperativa de trabalho COTRAS, resta claro o cometimento da infração, uma vez que a contratação de prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de trabalho é fato gerador da contribuição prevista no inciso III do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991. (destaquei). Verificase, assim, que a informação essencial deveria estar disposta no REFISC e não no acórdão de primeiro grau, pois não é função do órgão julgador complementar lançamento imperfeito, pois órgão julgador não tem competência para lançar, mas, sim para julgar. Assim sendo, entendo que não ficou caracterizado a ocorrência do fato gerador que ensejaria a necessidade de escrituração contábil de tais fatos nos livros diário e razão, por esse motivo tenho por improcedente o presente lançamento. Trago apenas para constar que o STF declarou a inconstitucionalidade da contribuição que supostamente daria suporte a essa multa, esclarecendo, ainda, que os embargos de declaração que pedia modulação dos efeitos foi rejeitado, sendo que a ação não transitou em julgado, ainda. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18050.003281/200898 Acórdão n.º 2803003.997 S2TE03 Fl. 262 7 contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07102014 PUBLIC 08102014) (grifei). Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.12.2014. Assim, com os esclarecimentos que fiz, ainda, que por razões diversas das trazidas pela recorrente, considero a autuação improcedente ante a ausência da caracterização do fato gerador. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito, darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 12585.000237/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina e óleo diesel são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fábia Regina Freitas (relatora), Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Mário de Abreu Pinto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fez sustentação pela recorrente a advogada Mary Elbe Queiroz, OAB/PE 25620 e, pela PGFN, o Procurador Frederico Souza Barroso. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 37 /2 01 0- 26 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 114 3 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de COFINS Não Cumulativa decorrentes da aquisição, no mercado interno, de Gasolina A e Óleo Diesel, cujo PER/DCOMP n° 07777.85025.131008.1.1.113140, foi transmitido pelo interessado em 13/10/2008 (fls. 05 a 07). O Pedido de Ressarcimento da COFINS referese ao crédito atinente ao 1º trimestre de 2005, no montante de R$ 9.169.627,81 (nove milhões cento e sessenta e nove mil e seiscentos e vinte e sete reais e oitenta e um centavos). Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir (fl. 82/87): 4. O processo em exame versa sobre pedido eletrônico de ressarcimento de supostos créditos de Cofins nãocumulativa apurados no 4° trimestre de 2005. 5. Em despacho decisório exarado nas fls. 20/24, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da DERAT/SPO indeferiu o pedido de ressarcimento devido à falta de apresentação dos documentos comprobatórios solicitados pela autoridade fiscal. 6. Em 09/11/2011 apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade anexa às fls. 31/70, na qual alega em síntese que: 6.1 “todo o tratamento legal aqui abordado cingese apenas a creditamento na aquisição de Gasolina A e Óleo Diesel, doravante englobados apenas pelo termo combustível”; 6.2 foi desejo do legislador que, no regime nãocumulativo, não houvesse qualquer vedação ao creditamento; 6.3 existe nítida distinção entre os conceitos de “produtor” e “distribuidor”; 6.4 os distribuidores que apurem o IRPJ pelo lucro real “foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade”; 6.5 o art. 3°, I, alínea “b” da lei n° 10.833/2003 referese apenas a produtores e importadores, de modo que não há lei vedando o aproveitamento de crédito pelos distribuidores de combustíveis. 6.6 a tributação com alíquota zero não se confunde com tributação monofásica; 6.7 o art. 17 da lei n° 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes sujeitos ao regime da nãocumulatividade, ainda que faturem com alíquota zero, têm direito a creditarse de Pis e Cofins; 6.8 o regime nãocumulativo do Pis e da Cofins diverge em vários aspectos daqueles adotados no âmbito do IPI e do ICMS. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 115 4 7. Concluindo, requer o deferimento do creditamento pleiteado, bem como a homologação da compensação a ele vinculada. A Delegacia de Julgamento em São Paulo desproveu integralmente o apelo do contribuinte (fls. 82/87) por entender que a vedação ao creditamento pretendido encontrase prevista no art. 3º, I, “b” c/c art. 2º, § 1º., I da Lei n. 10.833/2003. Tal vedação, no entender da Delegacia, aplicavase ao contribuinte em análise, distribuidor dos produtos listados nos mencionados dispositivos, sobre os quais a incidência da COFINS é monofásica. A decisão possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESSARCIMENTO Averiguada a inexistência do direito creditório pleiteado, deve se Indeferir o pedido de ressarcimento. AQUISIÇÃO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL DO CREDITAMENTO A aquisição para revenda de derivados de petróleo — particularmente gasolina A e óleo diesel — produtos sujeitos ao regime de incidência monofásica, não gera créditos por força de vedação expressa contida na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, Recurso Voluntário (fls. 93/109), em que essencialmente, conclui o seu recurso afirmando os seguintes pontos: afirma que a empresa é tributada pelo Lucro Real, e, portanto havia sido posta compulsoriamente na incidência do regime nãocumulativo para o PIS/COFINS (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03); afirma que para solucionar o caso, o julgamento deve se ater ao Principio da Legalidade, portanto, o único instrumento, com poderes para criar restrições a direitos como vedação a creditamento, é a lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; afirma que é inegável a existência de uma norma que previu, expressamente, que a Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica, substituição tributária ou nãoincidência; afirma que houve a introdução no universo jurídico do art. 17 da Lei nº 11.033/04, prevendo expressamente que, para todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditarse de PIS/COFINS; Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 116 5 afirma que a Lei nº 11.033/04 não é monotemática, mas norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas, ainda que de diversas matérias; afirma que o art. 16 da Lei 11.116/05 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei nº 11.033/04, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; afirma que sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos; o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a Contribuinte; sendo certo que normas infralegais não têm tal condão; afirma que o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS; e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; afirma que o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é justamente norma geral para os casos específicos que estavam vedados, pois obviamente seria desnecessário para os outros casos que não estavam vedados, até porque ninguém, nem o fisco, nunca restringiu o creditamento para os casos não vedados; afirma que o Poder Executivo, via Medida Provisória nº 413/08, tentar restringir creditamento baseados no art. 17 da Lei 11.033/04, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; e, apesar de ensaiar nova tentativa vedatória na Medida Provisória nº 451/08, esta também não foi convertida em lei; mas já provando que, quando quer, o Poder Executivo dá direito de creditamento, e expressamente também quando não quer, cria norma vedando a tomada de crédito. conclui arguindo que viola o arcabouço jurídico ser indeferido o direito da Contribuinte, de tomar os créditos aqui discutidos, pois amparada legal e constitucionalmente. E o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 117 6 Voto Vencido Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de COFINS NãoCumulativa (fls. 05 a 07), referente ao 1º Trimestre de 2005, no valor de R$ 9.169.627,81. O v. acórdão recorrido negou o direito ao crédito da contribuinte por entender que o art. 3º, I, “b”, da Lei n. 10.833/2003, redação está abaixo transcrita, seria aplicável ao caso concreto e conteria vedação expressa ao creditamento pretendido pela contribuinte, reza o mencionado dispositivo: “Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) b) no § 1° do art. 2° desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Já o § 1° do art. 2º, I, referido expressamente pela r. decisão, tem a seguinte redação: “Art. 2° Para determinação do valor da COFINS aplicarseá sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1°, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1° Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I nos incisos I a III do art. 4° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004)“ O aresto recorrido embasou seu entendimento no fato de que o combustível revendido pela contribuinte no caso concreto teria tributação monofásica e, portanto, sujeita às alíquotas dispostas nos incisos I a III do art. 4º. da Lei n. 9.718/98. Em que pese o respeito pelo Ilmo. Julgador a quo, a interpretação por ele outorgada não é a que melhor se aplica ao caso em análise. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 118 7 A priori é de se destacar que no caso concreto, como bem ressalvado inclusive no relatório do aresto recorrido, trata de pedido de creditamento, por DISTRIBUIDOR, de supostos créditos decorrentes de aquisição, para revenda, de GASOLINA A e ÓLEO DIESEL. Sob esse enfoque é de se ressaltar que a vedação do art. 3º. destaca que a pessoa jurídica que apurar o tributo COFINS, na forma do que determina o caput do art. 2º da Lei n. 10.833/2003, não poderá descontar do valor a ser recolhido crédito decorrente de bens para a revenda descritos no § 1° do art. 2º, dentre os quais estão relacionados a gasolina A e o óleo diesel. Analisando a Exposição de Motivos da MP 164/2004, que foi convertida na Lei n. 10.865/2004, a qual introduziu a exceção descrita no famigerado art. 3º., I, “b”, extraise o seguinte excerto, especificamente sobre a norma mencionada: “3. Considerando a existência de modalidades distintas de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS cumulativa e nãocumulativa no mercado interno, nos casos dos bens ou serviços importados para revenda ou para serem empregados na produção de outros bens ou na prestação de serviços, será possibilitado, também, o desconto de créditos pelas empresas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/PASEP e da COFINS, nos casos que especifica. 4. A proposta, portanto, conduz a um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados: tributação às mesmas alíquotas e possibilidade de desconto de crédito para as empresas sujeitas à incidência nãocumulativa. As hipóteses de vedação de créditos vigentes para o mercado interno foram estendidas para os bens e serviços importados sujeitos às contribuições instituídas por esta Medida Provisória.” Notese que a preocupação do legislador, desde o início da instituição dessas vedações introduzidas pela Lei n. 10.685/2004, era outorgar ao produto importado o mesmo tratamento do produto produzido no Brasil. Isso porque, para esse efeito, o importador, quando adquiria produto destinado a revenda no mercado interno, não possuía o mesmo tratamento do produtor nacional, vez que não havia previsão expressa para o seu aproveitamento de crédito. Tanto esse objetivo é verdadeiro que, para dirimir essa diferenciação, a Lei n. 10.685/2004, fazia constar crédito específico para o importador, em seus arts. 15 e 17: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 119 8 (...) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...) § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta Lei: (...) II – produtos do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º a 3º e 5º a 10 do art. 8º desta Lei poderão descontar crédito, para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, em relação à importação desses produtos, nas hipóteses: (...) II do § 8º do art. 8º desta Lei, quando destinados à revenda, ainda que ocorra fase intermediária de mistura; (...) Art. 8º. – (...) § 8º A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação, e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido Já o produtor nacional, como era sabido, já tinha o crédito garantido pelo que determinava o art. 3º, II da Lei n. 10.833/2003, em sua redação original, litteris: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 120 9 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Diante dessa nova inserção – do crédito para o importador – por meio de dispositivo legal específico e regulado de forma igualmente específica, faziase necessário vedar, PARA O IMPORTADOR, por já haver previsão legal, o crédito descrito no art. 3º. quando se destinasse à aquisição de gasolina e seus derivados para revenda. Assim, tanto pela exposição de motivos da norma que introduziu a vedação contida no inciso I, “b”do art. 3º. da Lei n. 10.833/2003, como pela lógica legislativa empregada na interpretação das normas, concluise que a vedação não poderia atingir, de forma alguma, o DISTRIBUIDOR dos derivados de petróleo, que continuava a deter os créditos normalmente atribuídos pelo regime nãocumulativo da COFINS. Nesse ponto, tenho por bem fazer uma colocação no tocante ao regime aplicável à relação jurídicotributária estabelecida nesses autos, pois entendo que, nessa hipótese, o regime adotado não é o monofásico, mas o plurifásico, em que há incidência de imposto em todas as fases, mas apenas na primeira há uma alíquota positiva e, nas demais, a alíquota é zero. Também entendo se tratar de um sistema plurifásico regido pela não cumulatividade, em que os créditos decorrentes desse sistema devem ser reconhecidos. De toda a forma, ainda que meus pares não concordem com essas colocações, tal diferenciação passou a não fazer qualquer diferença para o caso concreto a partir da edição do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 que veio a explicitar o direito ao crédito de PIS e COFINS em situações como a presente, considerando tratarse de sistema monofásico ou não. De fato, é o que se extrai do seu conteúdo, in litteris: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Como se verifica, pelo que se extrai do teor da norma, a possibilidade de aproveitamento dos créditos autorizada pelo art. 17 aplicase para os casos que eventualmente tinham vedação expressa. Isso porque, para os demais casos, não havia necessidade dessa expressa autorização, na medida em que não estavam vedados, decorrendo da própria norma da nãocumulatividade. Nesse toada, após toda essa evolução legislativa, foi publicada a MP 413/2008, que expressamente buscava coibir o aproveitamento desses créditos de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao chamado regime monofásico (assim tratados pela legislação) a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal dos dispositivos que seriam por ela alterados (arts. 14 e 15 da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/200). A tentativa de alteração das normas pela MP deixava evidente que os mencionados créditos sempre existiram, já que não se pode extinguir o que antes não existia. Ocorre que essa norma foi afastada pelo Congresso Nacional, por ocasião da conversão da MP 413 na Lei n. 11.727/2008, na qual os dispositivos mencionados não foram aproveitados. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 121 10 Após essa tentativa, o Poder Executivo buscou novamente afastar esse crédito por meio da MP 451/08, que continha dispositivos com a mesma finalidade da MP anterior, os quais foram igualmente rechaçados pelo Congresso, sendo a mencionada MP convertida na Lei n. 11.945/2009 sem tais disposições. Tais tentativas, por parte do Poder Executivo, só deixa ainda mais evidenciado que o direito ao crédito pleiteado nesses autos sempre existiu. O fato de o Poder Legislativo sempre ter repugnado essas investidas, deixa ainda mais evidenciada a legitimidade desses créditos, donde decorre que, esse Eg. CARF, como órgão aplicador das normas vigentes, também deve reconhecêlo. Por fim, importa registrar que, a despeito das diversas tentativas do Poder Executivo, todas frustradas, em tentar obstar o aproveitamento desses créditos, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece ser possível à convivência do direito de crédito para as pessoas jurídicas que esteja submetidas à alíquota zero. Tal conclusão é possível de se extrair da ementa da Solução de Consulta n. 18, de 25 de abril de 2013, que abaixo se transcreve, litteris: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 18 de 25 de Abril de 2013 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Observadas as limitações legais ao creditamento, o comerciante varejista de combustíveis pode manter os créditos da não cumulatividade da Cofins que sejam vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero em virtude do regime monofásico, quando apurados em decorrência de gastos com energia elétrica consumida no estabelecimento da pessoa jurídica, de pagamentos a pessoa jurídica referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa e de encargos de depreciação de edificações e benfeitorias em imóveis utilizados nas atividades da empresa. É possível o ressarcimento de tais créditos ou sua compensação com outros tributos administrados pela RFB, por meio do sistema PER/DCOMP, desde que cumpridos os requisitos estabelecidos pela IN RFB nº 1.300, de 2012, e que o Pedido de Ressarcimento, obrigatório também no caso de compensação, seja efetuado dentro do prazo de cinco anos do encerramento do trimestrecalendário. Nos períodos compreendidos entre 01/05/2008 a 23/06/2008 e 01/04/2009 a 04/06/2009, esteve em vigor vedação expressa à manutenção de quaisquer créditos da Cofins nãocumulativa relacionados às vendas dos produtos sujeitos à tributação concentrada constantes no § 1º do art. 2º das Leis nº 10.833, de 2003, e nº 10.637, de 2002, por parte de distribuidores ou comerciantes atacadistas e varejistas, em decorrência das Medidas Provisórias nº 413, de 2008, e nº 451, de 2008. No mesmo sentido, a resposta dada pela Administração da Receita no “Perguntão” perguntas e Respostas Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídica, publicado no site da SRFB, sobre a possibilidade de creditamento no chamado regime monofásico, verbis: 16. Em que consiste o sistema de tributação monofásica? Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 122 11 É um tratamento tributário próprio e específico que a legislação veio dar à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de determinados produtos. O objetivo é concentrar a tributação nas etapas de produção e importação, desonerando as etapas subsequentes de comercialização. A concentração da tributação ocorre com a aplicação de alíquotas maiores que as usualmente aplicadas na tributação das demais receitas, unicamente na pessoa jurídica do produtor, fabricante ou importador, e a conseqüente desoneração de tributação das etapas posteriores de comercialização no atacado e no varejo dos referidos produtos. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições. O enquadramento de uma pessoa jurídica e de suas receitas, que se dedique à venda de produtos sujeitos à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam pessoas jurídicas que não comercializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica venha a estar submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, a tributação monofásica também tem natureza não cumulativa, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos. (fonte:http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj 2013/Capitulo_XXI_DisposicoesGerais_PISPasep_Cofins_2013) Diante de todo o exposto só se pode constatar que o direito ao crédito ora pleiteado é, de fato, indubitável e decorrente não apenas da Lei, mas da mais adequada interpretação das normas. Assim, sendo inegável tal direito, não cabe a esse Conselho restringir e limitar os créditos onde a lei não o fez, sendo de rigor o provimento do recurso da contribuinte. Fábia Regina Freitas – Relatora Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 123 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. A matéria discutida no presente processo já foi objeto de análise e julgamento em outras turmas da 3ª Seção de Julgamento. Neste sentido invoco o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, para utilizar o voto do Conselheiro José Luiz Bordignon, abaixo transcrito, como razão de decidir. O voto foi retirado do Acórdão nº 3801001381, processo nº 10315.720434/200986, proferido na Sessão de 19/07/2012. “Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 , e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 124 13 § 1ºA Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores, importadores ou distribuidores com a venda de álcool, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas no caput e no § 4º do art. 5º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. ( Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008 ) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2º, 5ºA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2º .............................................................. § 1º ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 125 14 calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; ( Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 ) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foram instituídos pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltamse, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do PIS/PASEP e COFINS é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 126 15 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003). Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou não cumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001). O regime diferenciado de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos nos arts. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 127 16 Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da empresa no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente à revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º, §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades nãocumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da não cumulatividade. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação às aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 têm natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da contribuinte ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 12585.000237/201026 Acórdão n.º 3301002.345 S3C3T1 Fl. 128 17 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente.” Do meu ponto de vista, por qualquer ângulo que se observe esta questão, a conclusão a que se chega é que o aproveitamento de crédito é totalmente incompatível com o regime monofásico de apuração das contribuições do PIS e da Cofins. Somente a título ilustrativo, caso fosse acatado o entendimento defendido pela recorrente de que se pudesse aproveitar o crédito nas vendas com alíquota zero de combustíveis e óleo diesel, temos que lembrar que tanto às distribuidoras e varejistas teriam direito a este aproveitamento. Nesta situação houve a incidência do PIS e da Cofins somente na refinaria e teria que ser ressarcido o mesmo valor para os dois elos da cadeia de distribuição. Nesta hipótese, chegaríamos ao absurdo de ter uma tributação negativa, tendo a Fazenda Nacional recolhido um valor, para em seguida devolvêlo em dobro. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 09/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por FABIA REGINA FREITA S, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.004370/2007-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 30/09/2003
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.INEXISTÊNCIA
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 150, § 4O. DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional.
No presente caso, existindo prova de pagamento, aplica-se a regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, nos termos da Súmula 99 do CARF.
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos de sua Súmula 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E SEBRAE. LEGALIDADE.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, acolhendo a preliminar de decadência para aplicar a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, e declarar decaídas as competências de 01.05.1998 a 31.12.2001.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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NULIDADE.INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 150, § 4O. DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. No presente caso, existindo prova de pagamento, aplicase a regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, nos termos da Súmula 99 do CARF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos de sua Súmula 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E SEBRAE. LEGALIDADE. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 43 70 /2 00 7- 71 Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, acolhendo a preliminar de decadência para aplicar a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, e declarar decaídas as competências de 01.05.1998 a 31.12.2001. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10580.004370/200771 Acórdão n.º 2803003.928 S2TE03 Fl. 2.981 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ACF Empresa de Engenharia e Manutenção, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) que julgou procedente o lançamento e manteve o crédito Tributário. Conforme Relatório da Notificac ão Fiscal de Lanc amento de Débito, fls. 86/89, os valores que integram ora em apreço referemse às contribuic ões patronais devidas pela empresa incidentes sobre as remunerac ões pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo aos segurados empregados e contribuintes individuais (Auto nomos, Fretistas e Empresários), As contribuic ões devidas decorrentes de servic os prestados à empresa por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, à contribuic aõ destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incide ncia de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a destinada a outras entidades. Conforme se depreende do Relatório Fiscal, a presente NFLD inclui os levantamentos FPFolha de Pagamento de período anterior A implantac ão da GFIP, FP1 Folha de Pagamento declarado em GFIP, FP2Folha de Pagamento não declarado em GFIP e DAL Diferenc as de Acréscimos Legais, todos referentes a fatos geradores originados de pagamentos efetuados, no precitado período de apurac ão. Devidamente intimado da autuação, a contribuinte apresentou impugnação às fls.107/135, alegando em síntese: a) a decade ncia parcial, nas compete ncias 05/19983 1/2001, em razão de o lanc amento somente ter sido efetuado em 20/12/2006, nos termos dos arts. 150, 173 e 174 do Código Tributaŕio Nacional CTNç b) Nas compete ncias 03, 04, 07, 08, 09 e 11/2002, que a fiscalização desconsiderou as compensac ões efetuadas pela defendente e o seu respectivo cred́ito. Demonstra em planilha valores retidos em notas fiscais, suas compensac ões e valores acumulados, fls. 144/145; c) que recolheu, a titulo de contribuic aõ de terceiros, na compete ncia 11/2002, a quantia de R$ 10.208,22 (dez mil, duzentos e oito reais e vinte e dois centavos), quando era devido a quantia de R$ 8.967,04 (oito mil, novecentos e setenta e sete reais e quatro centavos)ç d) a improcede ncia da cobranc a referente a acreścimos legais de suposto recolhimento em atraso, tendo em vista que a data em que diz ter efetuado o pagamento foi 02.10.2003, portanto, dentro do prazo. Anexa cópia da Guia da Previde ncia Social — GPS, As fls. 616. A DRJ ao apreciar a impugnaçãoo apresentada, não acolheu as ponderações da contribuite, lavrando acõrdão com a seguinte ementa: Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 30/09/2003 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 10 anos. PARCELAMENTO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Inexistem provas de parcelamento de débito para as competências lançadas. COMPENSAÇÃO INCIDENTE SOBRE VALORES RETIDOS, DESTACADOS DE NOTAS FISCAIS. Não cabe compensação se o valor já foi restituído. DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Cabem acréscimos legais aos recolhimentos efetuados em atraso. Considera se como competência para lançamento do acréscimo legal aquela em que foiefetuado o recolhimento de acréscimos legais a menor. Lançamento Procedente” Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls..2572/2612, aduzindo, em apetado escorço: a) a decadência das competências de maio de 1998 até dezembro de 2001, visto que a notificação da autuação se deu em 19.12.2006; b) a nulidade da notificação por cerceamento de defesa, uma vez que o fiscal não descreveu de forma pormenorizada a infração, com os elementos que o levaram aos etendimento do comentimento da irregularidadeç c) o parcelamento parcial dos débitos da NFLD, devendo a administraçãoo tributária manter o controle dos débitos constituídos por ela mesmaç d) que deve se levar em consideração o direito da recorrente em compensar os débitos lançados com com créditos seus oriundos de retenções realizadas pelos tomadores dos seus serviços; e) a inconstitucionalidade do SAT; f) da ilegalidade das contribuições a terceiros com INCRA e SEBRAE. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10580.004370/200771 Acórdão n.º 2803003.928 S2TE03 Fl. 2.982 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes estão os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Nulidade Aduz a recorrente que os autos de infração não foram confeccionados e atendimento aos requisitos mínimos exigidos, por não se observar a fiel descrição do fato infringente. Contudo, diferentemente do que entende a recorrente, não há nulidade no presente processo. Devo concordar com a decisão a quo, visto ser totalmente improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. Da análise dos autos depreendese que a autoridade fiscal descreveu os fatos e apresentou o enquadramento legal. Ademais, os dados baseiamse em arquivos e dados prestados pela própria autuada, constantes de sua escrita fiscal, não pode a recorrente alegar que desconhece os valores constantes das informações inconsistentes. Deste modo, rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, em face da inexistência de ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Da Decadência Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, tendo em vista o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional (CTN). Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10580.004370/200771 Acórdão n.º 2803003.928 S2TE03 Fl. 2.983 7 pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional – CTN se aplica ao caso concreto. Compulsando os autos depreendese que a contribuinte efetuou alguns pagamentos de contribuições previdenciárias, mormente se analisarmos o Relatório Fiscal apresentado pelo auditor, que informa às fl. 345 que “os recolhimentos efetuados pela empresa foram apropriados prioritariamente no levantamento GFP (relacionado aos valores declarados em folha e GFP lanc ados na NFLD 37.023.3913) , sendo posteriornente apropriados no levantamento AFE da presente notificac ão, conforme Relatório de Apropriac ão de Documentos Apresentados – RADA”. Desta forma, devese aplicar, para cálculo da decadência, a contagem estabelecida pelo artigo 150, § 4o., do CTN, consubstanciada na Súmula 99 deste Conselho: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ora, a autuação foi lavrada contra a recorrente e recebida em 19.12.2006, referente às contribuições do período de 01.05.1998 a 30.09.2003, assim, constatase que, aplicandose a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, encontramse decaídas as competências de 01.05.1998 a 31.12.2001. Da Contribuição ao SAT A recorrente aduz em suas razões que a contribuição ao SAT é miguada de constitucionalidade, apresentando, em seu entendimento, diversas afrontas aos dispositivos constitucionais. Ocorre que, como é cediço, este Conselho Administrativo não pode enfrentar as questões constitucionais suscitadas pelos contribuintes. Ora, a declaração de inconstitucionalidade de normas vigentes, é procedimento de competência exclusiva do Poder Judiciário. Os Conselhos Administrativos, ainda que sejam órgãos de julgamento estão subordinados ao controle de legalidade exercido pelo Ministro da Fazenda; portanto, não gozam de autonomia para a declaração de inconstitucionalidade de norma. Além do que, toda norma, ao ser introduzida no ordenamento jurídico, passa por testes de constitucionalidade preventivo no processo legislativo. Quer dizer que, antes de entrar no ordenamento, a lei passa por 07 (sete) provas de constitucionalidade: Comissão de Constituição e Justiça da Casa Legislativa, Câmara Temática, Plenário, caso aprovado, o Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 projeto vai para exame da Casa Legislativa revisora, que percorrerá pela Comissão de Constituição e Justiça daquela Casa, pela Câmara Temática e pelo plenário. Depois, conseguida a maioria simples ou absoluta, dependendo da natureza ordinária ou complementar da futura legislação, o projeto vai à apreciação do Presidente da República que, consoante os termos do artigo 66, §1º, da Constituição Federal, poderá vetálo por contrariedade ao interesse público ou por inconstitucionalidade. E, se sancionado, carrega consigo a presunção de constitucionalidade. Ora, se a presunção é outorgada pela sanção do Chefe do Poder Executivo, não poderá um tribunal administrativo, que é um órgão do Poder Executivo, afastála ou mitigála. Afinal, a declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, logo, no âmbito administrativo fica vedado aos órgãos julgadores afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de lei em vigor. Há exceção somente quando determinada lei for declarada inconstitucional por controle direto de constitucionalidade, quando então irão viger os efeitos vinculantes da decisão proferida. Ademais, este Conselho Administrativo já se posicionou sobre a impossibilidade dos Tribunais Administrativos se posicionarem sobre a inconstitucionalidade da norma, editando a Súmula 02, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, entendo ser correto o posicionamento adotado pelos tribunais administrativos, no sentido de não apreciarem declarações de inconstitucionalidades de leis, salvo no caso de decisão de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado de constitucionalidade, em virtude dos efeitos vinculantes gerados, deixando, assim, de apreciar as alegações da recorrente nestes termos. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O SEBRAE Quanto a alegação de ilegalidade da cobrança de contribuições para o SEBRAE, tendo em vista sua vinculação com as atividades das micro e pequenas empresas, também não dou razão à recorrente. Isso porque, sobre a questão, este Conselho vem pacificando seu entendimento no sentido de que a contribuição ao SEBRAE tratase de um adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT. A título de ilustração, sito julgado recente do ilustre Conselheiro Mauro José Silva, membro desta Turma: “(...)CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas.” (Acórdão n.º 2301 001.826 –Sessão realizada em 10.02.2011 – 1ª Turma, 3ª Câmara, 2ª Seção de Julgamento do CARF) E com relação à cobrança da contribuição para o SEBRAE, a jurisprudência vem se posicionando no sentido de que o pagamento da contribuição não está diretamente relacionado com quem irá se beneficiar.. Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10580.004370/200771 Acórdão n.º 2803003.928 S2TE03 Fl. 2.984 9 Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, conforme ementa do Agravo Regimental no Recurso Especial de n ° 1216186/RS, publicado no DJe em 16 de maio de 2011: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO.DESCARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 7. REDUÇÃO DE MULTA PARA 20%. LEISUPERVENIENTE N. 11.941/09. POSSIBILIDADE. 1. A contribuição para o SEBRAE constitui contribuição de intervenção no domínio econômico (CF art. 149) e, por isso, é exigível de todos aqueles que se sujeitam às Contribuições ao SESC,SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte econômico, porquanto não vinculada a eventual contraprestação dessa entidade. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei 11.941/09,devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN.3. Precedentes: REsp 1.189.915/ES, Rel. Ministra Eliana Calmon,Segunda Turma, julgado em 1º.6.2010, DJe 17.6.2010; REsp1.121.230/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em18.2.2010, DJe 2.3.2010.Agravo regimental improvido.” Por fim, ressalto que essa foi a vertente adotada pelo Supremo Tribunal Federal, ao analisar a questão nos Embargos de Declaração no Agravo de Instrumento n ° 518.082, publicado no Diário da Justiça em 17 de junho de 2005, cuja ementa é abaixo transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEBRAE: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. Lei 8.029, de 12.4.1990, art. 8º, § 3º. Lei 8.154, de 28.12.1990. Lei 10.668, de 14.5.2003. CF, art. 146, III; art. 149; art. 154, I; art. 195, § 4º. I. Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. As contribuições do art. 149, CF contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais ou econômicas posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, CF, isso não quer dizer que deverão ser instituídas por lei complementar. A contribuição social do art. 195, § 4º, CF, decorrente de "outras fontes", é que, para a sua instituição, será observada a técnica da competência residual da União: CF, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º. A contribuição não é imposto. Por isso, não se exige que a lei complementar defina a sua hipótese de incidência, a base imponível e contribuintes: CF, art. 146, III, a. Precedentes: RE 138.284/CE, Ministro Carlos Velloso, RTJ 143/313; RE 146.733/SP, Ministro Moreira Alves, RTJ 143/684. III. A Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 contribuição do SEBRAE Lei 8.029/90, art. 8º, § 3º, redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003 é contribuição de intervenção no domínio econômico, não obstante a lei a ela se referir como adicional às alíquotas das contribuições sociais gerais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DL 2.318/86, SESI, SENAI, SESC, SENAC. Não se inclui, portanto, a contribuição do SEBRAE no rol do art. 240, CF. IV. Constitucionalidade da contribuição do SEBRAE. Constitucionalidade, portanto, do § 3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação das Leis 8.154/90 e 10.668/2003. V. Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento desse.” Por tudo, entendo que não procedem os argumentos da recorrente visto que também ela é devedora das contribuições destinadas ao SEBRAE. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA Muito embora a recorrida alegue que “a verba destinada ao INCRA não poderia ser instituída por via de DecretoLei, haja vista não se tratar de matéria de finanças públicas” (f. 148) não se olvida que a referida contribuição tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto.” ... “LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: (...) Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10580.004370/200771 Acórdão n.º 2803003.928 S2TE03 Fl. 2.985 11 Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola;” Assim, verificase que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, a qual relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas.” E nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal – STF, verbis: “TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INCRA ART. 6º, § 4º, DA LEI N. 2.613/55 EXIGIBILIDADE EMPRESA URBANA. 1. A contribuição destinada ao INCRA, desde sua concepção, caracterizase como contribuição especial de intervenção no domínio econômico, sendo classificada doutrinariamente como contribuição especial atípica. 2. A contribuição ao INCRA não possui referibilidade direta com o sujeito passivo, por isso se distingue das contribuições de interesse das categorias profissionais e de categorias econômicas. 3. Possível a exigência da contribuição social destinada ao INCRA das empresas urbanas. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no REsp 991214/PE. Segunda Turma. Relator Ministro Humberto Martins. DJ 16.05.2008, p. 1) Abaixo, segue ementa lavrada pelo STF no julgamento do Agravo Regimental de n ° 735.665/RS, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa publicado no Diário da Justiça em 01 de abril de 2011: “AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESA URBANA. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10580.004370/200771 Acórdão n.º 2803003.928 S2TE03 Fl. 2.986 13 A decisão agravada está em perfeita harmonia com o entendimento firmado por ambas as Turmas deste Tribunal, no sentido de que é devida por empresa urbana a contribuição destinada ao INCRA. Agravo regimental a que se nega provimento.” Dessa forma, com base nas considerações tecidas acima, entendo que não merecem prosperar as alegações trazidas pela recorrente em suas razões. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste Conselho. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 14 importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (g.n.) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) E quanto às alegações de multa confiscatória, devese concluir que não possuem fundamento, pois o valor da multa não corresponde ao valor da contribuição. Tal constatação pode ser alcançada pela leitura da discriminação dos valores realizadas pelo agente fiscal no auto de infração. Assim, tendo atendido à determinação legal e não sendo equivalente à totalidade do débito, não há que se falar em caráter confiscatório da multa. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para dar provimento parcial, acolhendo a preliminar de decadência para aplicar a regra do artigo 150, § 4º, do CTN, e declarar decaídas as competências de 01.05.1998 a 31.12.2001. É como voto. (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000765/2008-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 13/08/2008
INFRAÇÃO. DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE.
A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2403-002.851
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. O conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto declarou-se impedido.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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DEIXAR DE LANÇAR MENSALMENTE EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. O conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto declarouse impedido. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 07 65 /2 00 8- 33 Fl. 664DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000765/200833 Acórdão n.º 2403002.851 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, Acórdão 0330.488 da 5ª Turma, que julgou o lançamento procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória — AIOA DEBCAD n ° : 37.129.9713, lavrado por infringência ao art 32, I1, da Lei 8.212, combinado com o art. 225, II, §§13 a 17, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração de fls . 05/08, a autuada, no período de 2003 a 2007,_deixou de lançar, em títulos próprios de sua contabilidade; de forma discriminada os fatos geradores de contribuição previdenciária, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, no período de 01 a 12/2004. Segundo informa o autuante, a prática efetuada pela autuada, que ora caracterizou a presente infração, foi registrar, numa mesma conta contábil, indiscriminadamente, valores reconhecidos pela mesma como fatos geradores previdenciários misturados a outros não reconhecidos como tal. Cita como exemplo algumas contas como a 2.1.2.3.7.09 DESPESA/ADMINISTRAÇÃO GERAL/ DEPARTAMENTOS/ SERVIÇOS DE TERCEIROS/DIVERSOS SERVIÇOS DE TERCEIROS/DIVERSOS 2.1.2.3.7.09, onde a empresa registra diversos tipos de despesas não caracterizadas como fato gerador previdenciário, por exemplo, pagamento de faturas de serviço de TV a cabo, pagamento de IPVA de automóveis da autuada, pagamento de projetos de sistema de ar condicionado, pagamento de serviços gráficos, entre outras contas de despesas , discriminando o número de lançamentos dentro das referidas contas que eram reconhecidas pela autuada como fatos geradores previdenciários. DA PENALIDADE Em decorrência da infração cometida, e considerando a ausência de circunstancias agravantes foi aplicada a penalidade prevista no art. 283, inciso II, alínea"a", e art. 373, ambas do RPS,aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, no valor de R$12.548,77 (Doze mil, quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos), atualizado pela Portaria MPS/MF n° 77, de 12/03/2008. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, a autuada apresentou a impugnação de fls. 24/32, com alegações de que as infrações cometidas não foram discriminadas no relatório fiscal, de forma que não se permitiu o exercício do contraditório e da ampla defesa, haja vista que o auditor apenas apresentou números que indicariam a eventual infração. Requer, então, o cancelamento da penalidade em tela, ou, se assim não se entender, ao menos forneça dados e elementos para que se possa efetuar a defesa, reabrindo, obviamente, novo prazo legal para fazêla. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · As alegadas infrações não foram discriminadas no referido relatório, de forma que não se permitiu in casu, o exercício do contraditório e da ampla defesa. · É certo que houve cerceamento de defesa, devendo ser reformada r. decisão de fls. 315/318, para que reconheça que as alegadas infrações cometidas pela autuada não foram t discriminadas no relatório fiscal, conforme alegado na impugnação. É o relatório. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000765/200833 Acórdão n.º 2403002.851 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A autuação deuse, segundo o fisco, por a empresa ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Abaixo, apresento o texto da obrigação legal Lei 8.212/91. Art. 32. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; A recorrente alega cerceamento de defesa por entender que “as alegadas infrações não foram discriminadas no referido relatório, de forma que não se permitiu in casu, o exercício do contraditório e da ampla defesa.” Não concordo com a recorrente. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Apresento trecho do Relatório Fiscal que, no meu entender, bem descreve a situação fática que motivou o lançamento. A motivação foi por registrar numa mesma conta contábil indiscriminadamente valores reconhecidos pela recorrente como fatos geradores previdenciários misturados a outros não reconhecidos como fatos geradores. Exemplos são apresentados. 4. A prática efetuada pela autuada que caracterizou a presente infração foi registrar numa mesma conta contábil indiscriminadamente valores reconhecidos pela autuada como fatos geradores previdenciários misturados a outros não reconhecidos como fatos geradores previdenciários. 5. Como primeiro exemplo, tomemos a conta DESPESA/ ADMINISTRAÇÃO GERAL/DEPARTAMENTOS/SERVIÇOS DE TERCEIROS/DIVERSOS SERVIÇOS DE TERCEIROS/ DIVERSOS 2.1.2.3.7.09. 6. Encontramse ali registrados diversos tipos de despesas não caracterizados como fato gerador previdenciário, por exemplo, pagamento de faturas de serviço de TV a cabo, pagamento de IPVA de automóveis da autuada, pagamento pela elaboração de projeto de sistema de ar condicionado, pagamento de serviços gráficos, entre inúmeros outros. 7. Em meio aos 4909 (quatro mil novecentos e nove) lançamentos ali registrados, encontramse 175 (cento e setenta e cinco) reconhecidos pela da autuada como fatos geradores previdenciários (remuneração de segurados contribuintes individuais) e devidamente declarados nas respectivas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, conforme dados extraídos do Cadastro Nacional de Informações Sociais / Arrecadação CNISA imediatamente após o inicio do procedimento fiscal. 8. Outro exemplo de conta contábil onde se encontram indiscriminadamente lançamentos referentes a fatos geradores previdenciários em meio a lançamentos de outras naturezas é o da conta DESPESA/ ADMINISTRAÇÃO GERAL! CONSELHO TÉCNICO/ENCARGOS DIVERSOS/OUTROS ENCARGOS! DESPESAS COM CONSELHO TÉCNICO 2.1.6.8.01. 9. Neste caso são 228 (duzentos e vinte e oito) lançamentos ao longo do ano de 2004, 3 (três) dos quais referentes a remuneração de segurados contribuintes individuais devidamente declarados nas respectivas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP. 10. Ainda mais um exemplo, o da conta DESPESA/ASSISTÊNCIA TÉCNICA/CONGRESSOS E CONFERENCIAS/ENCARGOS DIVERSOS/OUTROS Fl. 669DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14041.000765/200833 Acórdão n.º 2403002.851 S2C4T3 Fl. 5 7 ENCARGOS! DESPESAS COM CONGRESSOS E CONFERENCIAS 2.5.2.4.8.02. 11. Aqui são 233 (duzentos e trinta e três) lançamentos ao todo, 8 (oito) dos quais referentes a remuneração de segurados contribuintes individuais devidamente declarados nas respectivas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP. 12. Caso idêntico ao da conta DESPESA/ASSISTENCIA TECN1CA/MEDIDAS DIVULGAÇAO COMERCIAL/ ENCARGOS DIVERSOS/ OUTROS ENCARGOS/ DESPESAS COM CONSELHO DE TURISMO 2.5.6.4.8.06, com 415 (quatrocentos e quinze) lançamentos ao longo do ano 2004, sendo 42 (quarenta e dois) referentes a remuneração de segurados contribuintes individuais devidamente declarados nas respectivas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP. 13. Outros exemplos ainda poderiam ser citados, sem nada acrescentar à ora pretendida caracterização. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 670DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19515.005054/2008-55
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2004 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido - Crédito Tributário Mantido
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NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 50 54 /2 00 8- 55 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.005054/200855 Acórdão n.º 2803003.264 S2TE03 Fl. 123 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de incidência de contribuições previdenciárias incidentes a valores levantados com base em fornecimento de alimentação mediante tíquete alimentação, que estariam desvinculados ao Programa de Alimentação do Trabalhador, logo em desordem ao disposto no art. 28, §9º, III, da Lei n. 8.212/1991, no período de 01/2004 a 12/2004. O lançamento foi cientificado em 26.11.2008. Do julgamento de primeira instância, foi realizada a ciência do contribuinte no dia 16 de setembro de 2009(AR de fls. 108 dos autos digitais). O recurso foi protocolizado no dia 03 de novembro de 2009 (fls 112 dos autos digitais). Às fls. 117 dos autos digitais, foi declarada a intempestividade do protocolo. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.005054/200855 Acórdão n.º 2803003.264 S2TE03 Fl. 124 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 16 de setembro de 2009 e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 16 de outubro 2009. Contudo, nos autos o comprovante protocolo do recurso demonstra a data como 03 de novembro de 2009, sete dias após o final do prazo, logo fora do prazo normativo (art. 33 do Decreto n° 70.235/72), preculindose o direito de apresentação do recurso voluntário. Isso posto, voto por NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestividade, mantendose o lançamento. (assinado digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 18192.000072/2007-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2005
DECADÊNCIA. DIES Á QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART, 173,
INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O lançamento de oficio ou A parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se A regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido
dispositivo, que o lançamento só node ser efetuado apes o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental.
MULTA POR OMISSÕES OU INEXATIDÕES NA GFIP, FIXAÇÃO DA
PENALIDADE POR MEIO DE LEI.
A penalidade aplicável para o caso de omissões ou inexatidões relativas a GFIP estava prevista no art. 32 da Lei 8.212/91, sendo que o RPS apenas regulamentava o conteúdo da referida lei.
RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP
LEI 11,941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator; conforme consta do art. 32-A da Lei n " 8.212/1991 Conforme previsto no art, 106,
inciso II, alínea "c" do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS.
A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas as
contribuições providenciarias somente sera relevada se o infrator for primário, não river incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de inflação, artigo 291, § 1° do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n° 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por
descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigida até a data da decisão de primeira instância. Ausência de provas de que as faltas foram sanadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.755
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência com base no artigo 173, I do CTN; no mérito, por maioria de votos, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava artigo 35 da Lei n° 8212/91, em adequar a multa ao artigo 32-A da Lei n° 8212/91.
Nome do relator: Mauro José da Silva
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JULGAMENTO DE. JUIZ DE FORA/PR ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. DIES Á QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART, 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de oficio ou A parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se A regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só node ser efetuado apes o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. MULTA POR OMISSÕES OU INEXATIDÕES NA GFIP, FIXAÇÃO DA PENALIDADE POR MEIO DE LEI. A penalidade aplicável para o caso de omissões ou inexatidões relativas a GFIP estava prevista no art. 32 da Lei 8.212/91, sendo que o RPS apenas regulamentava o conteúdo da referida lei. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP<' LEI 11,941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator; conforme consta do art„ 32-A da Lei n " 8.212/1'991 Conforme previsto no art, 106, inciso II, alínea "c" do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS.. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas as contribuições previdenciarias somente sera relevada se o infrator for primário, não river incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de inflação, artigo 291, § 1' do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n." 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigida até a data da decisão de primeira instancia. Ausência de provas de que as faltas foram sanadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Cámara / lu Turma Ordinária da Segunda Seção dc Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência com base no artigo 173, I do CTN; no mérito, por maioria de votos, vencida a conselheira Bemadete de Oliveira Barros que aplicava arti_ a 35 da Lei n° 8..212/91, em adequar a multa ao artigo 32-A da Lei n° 8 -12/91.. JULIO CE RA GOMES — Presidente e tor Parti Barros, Leonardo Henn Cordeiro de .Moraes e Ju do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira res Lopes, Mauro José Silva, Adrian() Gonzales Silvério, .Damião o Cesar Vieira Gomes (presidente). para ue Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 31/03/2006, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls, 18, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3 0 com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 04/1999 a 08/2005, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 378.995,26. A interessada não apresentou impugnação no prazo legal, mas no documento de fls. 419 argumentou pela decadência e relevação da multa tendo anexado farta documentação aos autos.. O Acórdão da DM/Juiz de Fora/MG afastou os argumentos da recorrente no documento de fls. 3.726/1/3. 731, No voto condutor do decisório ficou consignado que houve a analise da documentação anexada e ficou constatado que a falha não havia sido sanada. A recorrente foi cientificada do decisório em 08/11/2007, fls, 3,731 O recurso voluntário, apresentado em 08/12/2008, fls. 57/88, insistiu na decadência, exagero da multa aplicada e relevação da penalidade.. Process° n" 18192.000072/2007-97 S2-C3T1 Acencl5o n " 2301-01355 Fl 3 745 o relatório . Voto Conselheiro MAURO JOSÉ SILVA, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, DECADÊNCIA A aplicaçá'o da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de inicio.. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa corn relaçiio à aplicaçiio do que dispunha a Lei 8212/1991 — dez anos - ou o CTN — cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Porte final do vow prolerido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator. - Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8 212/91 e o parágrafb único cio art5" do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direilo Tributório, invadiram conteúdo material .sob a reserva constitucional de lei . complementar Sendo inconstitucionais os divositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qiiinqüenais de pi escrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor; o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4", 173 e 174 c/c) CTN Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclaim-Ida inconstilucionalidade dos arts 4.5 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do 1.7arágrofb único do art. 5" do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao ,ys' 1" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69 È como voto. Súmula Vinculante n° 08. "Silo inconstitucionais: o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os antigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que Ira/uni de prescrição e decaddncia de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art 10.3 -A 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisiies sobre matéria constitucional, aprovar sumula que, a partir de sua publica cão na imprensa terá efeito vinco/ante em relação aos demais órgelos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, esiadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei, (Incluido pela Emenda Constitucional 11" 45, de 2004) Lei nÕ 11 417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei n" 9 784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e del outras providencias. Art.. 2' 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas deciseies sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em pelage -la aos denials órgãos do Poder Judiciário e ã administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. 1" 0 enunciado da súmula terá por objeto a validade, a if/el] retação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança juridica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos .judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante n° 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social 6 de cinco anos„ Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere 5 decadência, da definição de seu prazo — 05 anos — em harmonia com o previsto no CTN -, deixando o dies a quo do prazo decadencial para so - definido segundo as regras constantes do art. 150, §4" ou do art. 173, inciso I do CTN. Processo n" 18192 000072/2007-97 S2-C3 TI Acórdfio n." 2301-01,755 Fl 3 746 A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontra-se disciplinada no art, 173 CTN: "Art„ 173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o credito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados„ I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado Pará grafo único O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do credito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento" Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art, 150 do CTN, in verbis : "Art 150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 0 0 pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o credito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. ( § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, sera ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Observe-se, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributdrios. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Misabei Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed Forense, 1997, Ng 160 e 404' "A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de oficio, na forma disciplinada pelo art 149 do CTN, e eventual imposição de sanção "(auto de infração) "0 prazo pare homologação do pagamento, em regra, 6 de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação Portanto a forma de contagem 6 diferente daquela estabelecida no art 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de oficio Trata-se de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed Saraiva, 4a Ed , 1 999, pág 352 "Se, porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrative proceder ao lançamento de oficio (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido,." . Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/01 -01.994, manifestou -se o Relator: "0 lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 40 do referido artigo 150 O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessume-se do referido dispositivo legal 0 que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de oficio. Trata-se de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercicio seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado " (negrito da transcrição) 0 Superior Tribunal de Justiça (ST.1), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4" com o art.. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973..9333 — SC como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL . RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA ARTIGO 543-C, DO CPC TRIBUTÁRIO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁR1A. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÉNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CIN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PRE VISTOS NOS ARTIGOS 150, §' 4", e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE Processo n" 18192.000072/2007-97 S2-C3T1 Acórdão n 2301-01.755 Fl 3 747 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir crédito tributário (lançamento de oficio) conta-se do primeiro dia do exercicio seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dal°, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rd, Ministro Luiz FUN; julgado em 28.11,2007, D.1 25 02,2008; AgRg nos EREsp 216„758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 2.2 03 2006, Di 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Ltd: Firs, julgado em 13.12.2004, 1).128 02.2005). 2 E que a decadência ou caducidade, no ambit() do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo tie o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadencia do direito de lançar nos casos de tributos siqeitos ao langamento de oficio, ou nos casos dos tributos ,siijeitos 00 lançamento por homologagdo em que o contribuinte não *lira o pagamento antecipado (Enrico Marcos Diniz de &Intl, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed, Max Limonad São Paulo, 2004, prigs 163/210). 3, 0 dies a quo do prazo qüinqüenal do aludida regra decadência rege-se pelo disposto no artigo 173, 1, do CTAI, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do ;quo imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos ci lançamento por homologação, revelando-se inadmissivel a aplicação cumulativa/concorrente dos prows previstos nos artigos 1.50, § 4", e 173, do Coder Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed., Ed Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amara, "Direito Tributário Brasileiro", 10" ed , Ed. Saraiva, 2004, prigs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed , Max Limonad, São Paulo, 2004, págs 18.3/199). Extrai-se do julgado acima transcrito que o ST.1, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4' com o art. 173, inciso 1, definiu que o die.s- a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente sera aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado.. Nos demais casos, devem ser aplicados o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e a period() analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso 1 para o art. 150, § 4"? Nossa resposta 6: não. 0 pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art.. 150, §4 0 ern relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no calculo sejam por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art, 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art, 150, §4° refere-se aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte, Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Definida a aplicação da regra decadencial do art.. 173, inciso 1, precisamos tornar seu conteúdo para prosseguirmos: "Art 173 - O direito de a Fazenda Públiar constituir o crMito tributório extingue-se após .5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercicio seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial corno o "primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Mas ainda precisamos de finir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. No Resp 971933-SC, o ST1 entendeu que o lançamento poderia ser efetuado a partir da ocorrência do fato gerador, mas não partilhamos desse entendimento., Aqui tratamos de lançamento de oficio e sabemos que este só pode ser realizado após a constatação da omissão do contribuinte em relação ao seu dever de calcular o montante do tributo a ser antecipado e realizar o pagamento. Seria possível, no dia seguinte ao fato gerador, a fiscalização efetuar lançamento de oficio, com aplicação de penalidades, sabendo que o contribuinte ainda dispõe de prazo legal para efetuar o pagamento? Evidentemente que não, pois, insistimos, o lançamento de oficio só pode ser realizado após transcorrido o prazo para o contribuinte efetuar o pagamento. Não pode passar sem ser notado que para fatos geradores ocorridos no último mês do ano essa circunstancia pode ser relevante. No caso das contribuições regidas pela Lei 8,212/91, por exemplo, o prazo para pagamento, desde outubro de 2008 conforme estabelecido pela Lei 11,933; 2009 6 o 20" dia do mês subseqüente ao da competência. Logo, os fatos geradores ocorridos em dezembro de 20XX ensejam crédito tributário que deve ser adimplido em janeiro de 20(XX+1), o que resulta em considerar que o lançamento somente poderia ser realizado em 20(XX+1) e o dies a quo da decadência somente ocorre no primeiro dia de janeiro de 20(XX+2). Então, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial 6 de cinco anos contados a partir do primeiro do exercício seguinte aquele ern que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art, 173, inciso E do CTN. Para o lançamento de oficio em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência 6' a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art, 150, §4" do CTN. Para a aplicação do art.. 150, § 4", entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: a 9 Processo n" 18192 000072/2007-97 S2-C3TI Acórato n." 2391-01755 Fl 3 748 „sç 4" Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador;. evirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fiande ou simulação Notamos que o texto legal refere-se a urna homologação tácita por parte da Fazenda Pública "considera-se homologado" é a expressão utilizada - no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco "se tenha pronunciado" . A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve SOT' entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício corn a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão "pronunciado" não conduz a urna interpretação inequívoca de que equivale A homologação expressa ou lançamento de oficio, O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, "emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente". Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo e um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4" do art 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contamos de tal atividade, mas preferiu a expressão "pronunciado". Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida A regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que urna fiscalização tenha sido iniciada em 06120XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05120(X.X-5). Os fatos geradores ocorridos depois de 20(XX-5) poderão ser objeto de lançamento de oficio válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 17.3, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto . Tratamos de lançamos de oficio motivado por descumprimento de obrigação acessória, o que, segundo nosso entendimento anteriormente apresentado, leva-nos a aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN. Assim, considerando que o lançamento foi concluído em 04/04/2006, so podem ser alcançados pelo respectivo ato administrativo os fatos geradores ocorridos depois de 12/2000. Du legalidade da multa aplicada.. Omissfies ou inexatidões na GFIP. Entende a recorrente que foi o Regulamento da Previdência Social(RPS) que criou a obrigação de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e estabeleceu a penalidade aplicável no caso de seu descumprimento„ O argumento da recorrente padece de fundamento, pois, corn efeito, a obrigação que foi descumprida está prevista no art. 32, inciso IV da Lei 8.212/91 e não diretamente no RPS, como, erroneamente concluiu. A fundamentação da autuação neste dispositivo esta presente em \ratios documentos dos autos, especialmente no Relatório Fiscal. No que tange à cominação de penalidades, o valor da penalidade estava previsto no §3" do art. 32 da Lei 8.212/91, sendo que o RPS apenas regulamentou o que na lei estava estabelecido. Improcedentes, portanto, os argumentos da recorrente sobre a ilegalidade e excesso da multa aplicada. Relevação da multa. Infrações até 31/01/2007. Possibilidade diante da correção de todas as faltas até a data da decisão de primeira instância Sobre a relevação da multa, a legislação aplicável ao caso determina o seguinte: RPS Art 291 Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1" A multa sera relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o inflator for primário, liver corrigido a . falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agrawmte. Em sintonia corn as conclusões do Parecer MPS/CJ 1194/2003, entendemos que, para a relevação da penalidade, a falta deve ser corrigida ate a data da decisão de primeira instância, o que, de fato, não ocorreu no caso. 0 Acórdão a quo já analisou os documentos apresentados pela Recorrente e concluiu que não houve a COMO() das falhas. No Recurso Voluntário, a recorrente nada acrescentou sobre tal conclusão.. Multa por não apresentação da GFIP. Adequação ao art. 32-A. 0 valor da multa por apresentação da GTIP corn incorreções ou omissões sofreu modificações corn o advento da Lei 11.941/09 que introduziu o art.. 32-A na Lei 8.212/91, in verbis: "Art 32-A O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-ci às seguintes multas I - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) infOrmações incorretas ou omitidas, e ; Ii - de 2% (dois por cent()) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por- cento), observado o disposto no § 3o deste artigo." Processo n" 18192 000072/2007-97 Sl-C3 1 1 Acórdilo n " 230141;755 Fl 3.749 Corn relação ao tema, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alinea "e", afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior ., verbis.- Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pietérito - em qualquer caso, quando seja expressamente interpret ativa, excluída a aplicação de penalidade a infiação dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando delve de delini-lo como infrit(lio; 1.9 quando delye de ii ará-lo canto contrário a qualquer exigéncia de ação ou omissão, desde que mulo tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, c) quando Ihe comine penalidade menus severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Logo, a perfeita adequação do lançamento à legalidade exige que a multa aplicada seja confrontada corn a multa prevista no art, 32-A da Lei 8,212/91, devendo prevalecer aquela que resultar em menor ônus para a recorrente.. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, no sentido de aplicar o art. 32- A, da Lei 8212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente; e de excluir os fatos geradores ocorridos antes de 01/2001 Sala das Sessões, em 01 de dezembro de 2010.
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005309/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-001.627
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.005309/200551 Acórdão n.º 220201.627 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra o contribuinte Ailton das Graças Agostinho, inscrito no CPF 204.154.00600, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 e 2002, anoscalendário 2000 e 2001, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 207.517,25, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até março de 2005, o que perfaz o montante de R$ 483.355,43. O lançamento decorre da tributação de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores depositados/creditados em contas bancárias de titularidade do contribuinte, uma vez que o interessado, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações financeiras (explicações e planilhas às fls.10 a 23). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 10 a 23, a autoridade lançadora registra que a fiscalização teve origem em determinação do Juiz Federal da Quarta Vara/MG, que acatou requerimento do Ministério Público Federal no qual foram apontados indícios de ofensa ao inciso I do art. 1º e ao inciso I do art. 2º, ambos da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, por parte do contribuinte Ailton das Graças Agostinho. Durante as investigações judiciais foi quebrado o sigilo bancário da conta corrente 11098, agência 8607, do Banco Bemge S.A., no período de novembro de 2000 a maio de 2001 e colhido o depoimento do contribuinte. O contribuinte declarou que “... emite diversos cheques para pagamento de despesas da Prefeitura à vista, pois estas firmas não aceitam outra forma, vindo o depoente a receber da Prefeitura para pagamento destas despesas posteriormente; que o depoente deposita, em alguns casos, o cheque da prefeitura em sua conta, bem como os desconta antes e deposita o dinheiro em sua conta...”. Durante a fiscalização, o contribuinte apresentou cópias de documentos da Prefeitura Municipal de Rio Acima, tais como notas de empenho, notas fiscais, recibos de depósito e cópias de cheques de conta corrente da Prefeitura (anexos I a V). A autoridade lançadora ao confrontar as cópias de cheques da Prefeitura com os depósitos efetuados nas contas do contribuinte, verificou que em poucas transações foi possível relacionar datas e valores dos depósitos recebidos e cheques emitidos pela Prefeitura (planilha à fl. 11). A autoridade lançadora também em poucas operações foi possível relacionar datas e valores da expressiva movimentação bancária do contribuinte com o pagamento de despesas da Prefeitura (planilha às fls. 12 a 14). Não obstante a falta de previsão legal para recursos públicos transitarem em contas correntes de terceiros antes do pagamento de dívidas de órgãos públicos, nas situações em que houve coincidência entre os valores dos cheques emitidos pelo contribuinte e a proximidade entre a data da compensação e da quitação dada pelos credores da Prefeitura Municipal de Rio Acima, um indício de que esses pagamentos sofreram a intermediação do contribuinte, os valores correspondentes foram excluídos dos depósitos de origem não justificada, por parte da autoridade lançadora. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Cientificado em 02/05/2005 (Aviso de Recebimento, AR à fl. 123), em 01/06/2005, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 126 a 131, instruída com os documentos constantes dos anexos 08 a 15, argumentando, em síntese, que: vem enriquecer com detalhes e com documentação comprobatória a origem e o destino dos recursos financeiros depositados em suas contas correntes mantidas na Caixa Econômica Federal e no Banco Bemge S.A., demonstrando que a exigência não pode prosperar; a título de exemplo, considerese o depósito de R$ 10.200,00, realizado em 17/10/2000. Sua finalidade foi o pagamento ao Sr. José Francisco da Silva Filho, empreiteiro contratado pela Prefeitura Municipal de Rio Acima para a realização de obras na cidade. Como se trata de um empreiteiro de pequeno porte e com dificuldades para adquirir os materiais necessários à realização da obra, ele solicitou ao contribuinte cheques prédatados para serem repassados aos fornecedores. Assim, foram emitidos os cheques nºs 845 (R$ 5.264,00), 852 (R$ 1.900,00) e 872 (R$ 3.000,00); diferentemente do entendimento da autoridade lançadora, não houve irregularidade no pagamento de R$ 180.000,00 à empresa Cimensul Cimento Sul Ltda., nos anos de 2000 e 2001, pois, em se tratando de carta convite, como no caso, são dispensadas formalidades; como prova de que os cheques eram prédatados, cita o exemplo da compra efetuada na Drogaria Santa Terezinha Ltda., no valor de R$ 475,25, cuja emissão da Nota Fiscal e do cheque ocorreu em 03/12/1999 e o cheque foi dado para ser descontado em 03/01/2000; não procede o entendimento da autoridade lançadora de que não eram dados cheques do contribuinte em garantia, conforme diligência realizada na empresa Freios Via Ltda. A comprovação se faz por meio de cópia do cheque emitido pelo interessado, em 29/05/2001, no valor de R$ 19.659,68, com vencimento para 12/07/2001, para pagamentos de compras realizadas pela Prefeitura Municipal de Rio Acima nos meses de abril e junho; diante das exposições, cópias, documentação e relatórios anexos, inclusive cópias de cheque da origem dos depósitos e do destino dado a esses depósitos, bem como das cópias dos cheques emitidos pelo contribuinte, resta provado que não houve omissão de rendimentos, devendo ser cancelada a exigência formalizada. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte – DRJ/BH, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade de votos pela procedência parcial do lançamento, através do acórdão DRJ/BH n° 14.479, de 15 de junho de 2007 (fls. 134/145), consubstanciado na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002 Depósitos bancários. Omissão de rendimentos. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.005309/200551 Acórdão n.º 220201.627 S2C2T2 Fl. 3 5 Lançamento procedente em parte. Devidamente cientificado dessa decisão em 14 de agosto de 2007, ingressa o contribuinte tempestivamente com recurso voluntário em 13 de setembro de 2007, às fls 152/169 e anexos, onde alega em síntese que: Da inconstitucionalidade da exigência do arrolamentos de bens para fins de admissibilidade do recurso administrativo; Da não caracterização do fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa física, só pela existência de depósitos bancários nas contas bancárias do recorrente; Impossibilidade de se constituir crédito tributário pela existência de demanda judicial cujo provimento final pode vir a comprovar a inexistência do fato gerador do imposto de renda; Ilegalidade de se presumir depósitos bancários como sinal de enriquecimento ilícito do agente público para fins de improbidade administrativa. Inaplicabilidade de multa e juros ao presente caso. Os autos foram convertidos em diligência através da Resolução 340200.002, de 06 de maio de 2009. Devidamente cumprida, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JR., Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. Antes de mais nada gostaria de destacar, que a quebra do sigilo bancário, ocorreu em virtude de autorização judicial a pedido do Ministério Público. O auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Como se verifica no relatório após detido exame dos autos, podese chegar às seguintes conclusões: O lançamento decorre de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.005309/200551 Acórdão n.º 220201.627 S2C2T2 Fl. 4 7 Sustenta a recorrente que os depósitos bancários efetuados em sua conta corrente são de titularidade de prefeitura municipal e os recursos eram efetuados para pagar as contas do ente público, juntando diversos documentos para comprovar o alegado; A autoridade lançadora ao analisar tais documentos excluiu da tributação os valores que conseguiu correlacionar; Em sede de impugnação o contribuinte tenta demonstrar novamente quais os valores que se referem os depósitos e os pagamentos; No julgamento a quo , a DRJ exonerou o crédito tributário que entendeu comprovado, mantendo as demais exigências; O contribuinte apresentou recurso voluntário juntando documentação nova, até então não constante nos autos, fls. 172 a 454, que foi devidamente analisada pela autoridade preparadora cumprindo a diligência que foi requerida por essa turma de julgamento. Ocorre todavia que, ao analisar as provas apresentadas as alegações do contribuinte não foram comprovadas. Devidamente intimado da diligência, o Recorrente se limitou a requerer a suspensão do julgamento do caso, até que o laudo contábil que esta sendo elaborado no processo criminal fique pronto. Entendo que tal pretensão não pode ser atendida, uma vez que o contribuinte deveria demonstrar de maneira efetiva que tais valores não eram de sua titularidade. Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe de novo para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Assim, por tudo o que dos autos consta, conheço do recurso e no mérito nego provimento. (Assinado Digitalmente) PEDRO ANAN JR. Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/03/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720312/2006-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
IRPJ SIMPLES. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO - RECEITA NÃO DECLARADA. DEDUÇÕES OU EXPURGOS. EMBORA INTIMADO EM SEDE DE PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA DETERMINADO PELO CARF, O SUJEITO PASSIVO NÃO PRODUZIU PROVA DA NECESSIDADE DE AJUSTE DO VALOR TRIBUTÁVEL DA IMFRAÇÃO IMPUTADA.
Efetuado o lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo respectivo fisco estadual, incabível a mera alegação do sujeito passivo, sem a juntada de provas de suporte de sua escrituração contábil/fiscal (cópias de notas fiscais), da necessidade de outros expurgos ou deduções do valor tributável da infração imputada, a título de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade, em face de declaração mensal do ICMS retificadora apresentada ao fisco estadual, após ciência do lançamento do Simples, contendo tais ajustes.
A defesa do sujeito passivo, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, ou seja, contendo os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.
O ônus da prova incumbe ao sujeito passivo quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA - DIFERENÇA DE ALÍQUOTA - INFRAÇÃO REFLEXA.
Mantida a infração principal diferença de base de cálculo - receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração - insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples - diferença de alíquota (infração reflexa).
LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL- Simples, PIS-Simples, Cofins - Simples e Contribuição para Seguridade Social - INSS - Simples.
Mantido o lançamento do IRPJ - Simples, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente.
MATÉRIA NÃO OBJETO DE LITÍGIO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA PARCIAL ÀS ALEGAÇÕES DE DIREITO. ADESÃO AO PARCELAMENTO ESPECIAL.
O respectivo crédito tributário não litigioso já foi transferido para controle nos autos de processo específico objeto de parcelamento.
Numero da decisão: 1802-002.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Jose de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO RECEITA NÃO DECLARADA. DEDUÇÕES OU EXPURGOS. EMBORA INTIMADO EM SEDE DE PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA DETERMINADO PELO CARF, O SUJEITO PASSIVO NÃO PRODUZIU PROVA DA NECESSIDADE DE AJUSTE DO VALOR TRIBUTÁVEL DA IMFRAÇÃO IMPUTADA. Efetuado o lançamento de ofício dos tributos do Simples Federal com base nos dados de receita bruta mensal informados na declaração mensal do ICMS, cujos dados foram repassados à Receita Federal por convênio de cooperação técnica pelo respectivo fisco estadual, incabível a mera alegação do sujeito passivo, sem a juntada de provas de suporte de sua escrituração contábil/fiscal (cópias de notas fiscais), da necessidade de outros expurgos ou deduções do valor tributável da infração imputada, a título de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade, em face de declaração mensal do ICMS retificadora apresentada ao fisco estadual, após ciência do lançamento do Simples, contendo tais ajustes. A defesa do sujeito passivo, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, ou seja, contendo os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. O ônus da prova incumbe ao sujeito passivo quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 12 /2 00 6- 15 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 480 2 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES. RECEITA DECLARADA DIFERENÇA DE ALÍQUOTA INFRAÇÃO REFLEXA. Mantida a infração principal diferença de base de cálculo receita não declarada, implica, por decorrência, a manutenção da infração insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples acerca da receita informada na Declaração Simplificada do Simples diferença de alíquota (infração reflexa). LANÇAMENTOS REFLEXOS CSLL Simples, PISSimples, Cofins Simples e Contribuição para Seguridade Social INSS Simples. Mantido o lançamento do IRPJ Simples, por decorrência devem ser mantidos também os lançamentos reflexos, pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. MATÉRIA NÃO OBJETO DE LITÍGIO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA PARCIAL ÀS ALEGAÇÕES DE DIREITO. ADESÃO AO PARCELAMENTO ESPECIAL. O respectivo crédito tributário não litigioso já foi transferido para controle nos autos de processo específico objeto de parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Jose de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 481 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 166/171 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Salvador (efls. 151/159) que julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento fiscal – Autos de Infração do Simples Federal, quanto ao anocalendário 2003. Quanto aos fatos, consta dos autos que, em relação ao anocaledário 2003, em 27/12/2006 o fisco imputou as seguintes infrações, conforme Autos de Infração do Simples Federal (IRPJSimples, CSLLSimples, PISSimples, CofinsSimples e Contribuição INSS – Simples) – efls.03/51 e Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (e fls.52/55): a) Diferença de base de cálculo – Receita não declarada: Período de Apuração Total Receitas de Vendas ( devoluções) = Declaração Mensal de Apuração do ICMS Total Receitas = Declaração Simplificada do SIMPLES Diferença Base de Cálculo Jan/2003 160.569,29 160.794,00 Fev/2003 175.467,04 94.473,19 80.993,85 Março/2003 179.473,64 89.390,00 90.083,64 Abril/2003 196.354,67 93.013,50 103.341,17 Maio/2003 186.941,29 94.670,00 92.271,29 Junho/2003 198.858,54 96.590,00 102.268,54 Julho/2003 212.186,63 86.652,90 125.533,73 Ago/2003 195.952,35 92.019,00 103.933,35 Set/2003 210.207,80 90.250,70 119.957,10 Out/2003 213.798,35 89.117,00 124.681,35 Nov/2003 197.836,14 92.931,90 104.904,24 Dez/203 236.593,81 119.889,90 116.703,91 TOTAL 2.364.239,55 1.199.792,09 1.164.672,17 Obs: Os dados ou informações do ICMS da contribuinte foram fornecidos pela Secretaria de Fazenda do Estado da Bahia, por força do Convênio de Cooperação Técnica entre a RFB e a Sefaz/BA. Enquadramento legal: IRPJ/Simples: Lei nº 9.317/96, arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “a”, 5º e 7º, § 1º; Lei nº 9.732/98, art. 3º e RIR/99, arts. 186 e 188; PIS/Simples: LC nº 07/70, art. 3º, “b”; LC 17/73, art. 1º, parágrafo único; MP 1249/95, art. 2º, 3º e 9º e reedições; Lei 9.317/96; CSLL/Simples: Lei nº 7.689/88, art 1º; Lei 9.317/96; Lei 9.732/98, art. 3º. Cofins/Simples: LC 70/91, art. 1º; Lei 9.317/96. Contrib. Seguridade Social INSS/Simples: Lei 9.317/96, arts. 2º, 3º, 5º e 7º. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 482 4 b) Insuficiênca de recolhimento em relação à receita informada na Declaração Simplificada do Simples – diferença de alíquota (infração reflexa). Valores apurados conforme Autos de infração e respectivos demonstrativos de cálculo (efls. 03/55). Enquadramento legal: Lei 9.317/96, art. 5º; Lei 9.732/98, art. 3º e RIR/99, arts. 186 e 188. O crédito tributário lançado de ofício do anocalendário 2003 perfaz o montante de R$ 275.070,90, assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal Juros de Mora (calculados até 30/11/2006) Multa de Ofício de 75% Total IRPJSimples 9.285,95 4.717,93 6.964,41 20.968,29 PIS – Simples 9.285,95 4.717,93 6.964,41 20.968,29 CSLL – Simples 14.973,91 7.677,07 11.230,37 33.881,35 Cofins – Simples 29.947,79 15.354,19 22.460,78 67.762,76 Seg. Social INSS Simpes 58.317,44 29.434,74 43.738,02 131.490,20 TOTAL 275.070,90 A contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração do Simples Federal, apresentando impugnação (efls. 135/138), suscitando nulidade do feito fiscal, com base nas seguintes razões, in verbis: (...) 3 Verificase do auto lavrado contra e empresa contestante, que a mesma foi autuada por lançar em títulos de sua contabilidade, nos meses do anocalendário de 2003, o montante das quantias descontadas, sem atender as formalidades legais exigidas. 4 Ressaltese, todavia, que a empresa vem cumprindo com a sua obrigação, tendo arquivado todo o documental referente a livros contábeis relativos às contribuições previstas nas Leis 9.249/95 e 9.317/96, podendo exibilos a qualquer momento, estando todos os livros a disposição desse órgão para análise e averiguação, comprovando assim, através de diligência, que as despesas ocorreram e foram corretamente contabilizadas, sanando o equívoco ocorrido na contabilidade da empresa em foco. 5 — Resta evidente que não basta a apuração de irregularidades na escrituração contábil para fundamentar a presunção de omissão de receitas. Os fatos identificados pela fiscalização são indícios que exigiriam maiores averiguações para coleta de provas da infração. 6 Convém também salientar que a empresa e seu sócio administrador agiram com total seriedade e clareza de procedimentos, tendo consignado em seus registros os aportes de capital efetuados, não tendo havido em momento algum omissão de receita. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 483 5 7 Por outro lado, o agente passivo não agiu com dolo ou máfé e não causou prejuízo ao Fisco Federal. 8 Vale ressaltar que a empresa Contribuinte não tem as mínimas condições de solvência do compromisso, não apenas pelo gigantesco imposto cobrado, mas, sobretudo e principalmente pela forma de evolução do débito, através de indexadores extorsivos, multas astronômicas, juros fora da Lei e, FINALMENTE, DEVIDO A UMA SITUAÇÃO QUE AMPARADA PELO DIREITO A IMPEDE DE PAGAR O TRIBUTO VISIONARIAMENTE COBRADO PELA RECEITA FEDERAL. (...) 11 Há de concluirse, portanto, que os fundamentos legais aqui argüidos embasam sem dúvida os anseios da Peticionaria, vez que o débito contestado inexiste de pleno direito, haja vista principalmente, os valores exorbitantes dos juros e da multa cobrados pela Receita Federal. (...) Por sua vez, a 4ª Turma da DRJ/Salvador, enfrentando o mérito das questões suscitadas pela contribuinte, julgou improcedente a impugnação, mantendo os Autos de Infração do Simples Federal, conforme Acórdão de 24/09/2008 (efls.151/159), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Correto o lançamento de ofício decorrente de apuração de diferença entre a receita bruta escriturada no Livro de Apuração do ICMS e a declarada na DSPJSimples. MULTA OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC No lançamento do crédito tributário é legal a cobrança da multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora fixados nos percentuais equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. NULIDADE. VICIO FORMAL Estando o procedimento fiscal revestido dos requisitos legais, afastase a preliminar de nulidade. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 484 6 CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. Na instância administrativa não se discute questões versando sobre constitucionalidade de atos legais, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO O prazo para entrega de documentos é no momento da impugnação, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses do art. 16, § 4°, alíneas "a", "b" e "c" do Decreto n° 70.235, de 1972. LIVRO DE APURAÇÃO DO ICMS. LEGALIDADE É legal a utilização pelo Fisco Federal de informações sobre receita escriturada no Livro de Apuração do ICMS Estadual. Lançamento Procedente. (...) Ciente desse decisum em 24/11/2008 – segundafeira (efl. 165), a contribuinte apresentou Recurco Voluntário parcial em 24/12/2008 (efls. 166/171) e juntou documentos (efls. 172/336), ou seja, acatou parte da infração imputada receita não declarada, cujas razões são as seguintes: (...) 5.Em que pese a extrema capacidade técnica e competência dos integrantes da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento, o acórdão proferido deverá ser reformado por este eg. Conselho de Contribuintes, uma vez que a autuação baseouse, exclusivamente, nas informações declaradas no Livro Registro de Apuração do ICMS, as quais estão equivocadas, conforme se demonstrará a seguir. 6. De acordo com o relatório da decisão recorrida, foi informado no livro Registro de Apuração do ICMS a receita bruta total de R$ 2.364.239,55, referente ao exercício de 2003, ao passo que, na DSPJSimples, foi declarada a quantia de R$1.199.793,09. 7. Inicialmente, cumpre à recorrente esclarecer que o lançamento na DSPJSimples da receita bruta em valores inferiores àqueles informados no Livro Registro de Apuração de ICMS deveuse a equívocos cometidos pelos funcionários do setor de contabilidade da empresa, os quais já foram, inclusive, afastados do quadro. 8. Com relação aos valores de receitas apontados no Livro Registro de Apuração do ICMS, após análise da recorrente, esta constatou que houve erros, já que foi informada quantia superior à receita efetivamente auferida naquele exercício de 2003. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 485 7 9. Em outras palavras, as informações nas quais o i. Auditor se baseou para lavrar o presente Auto de Infração não correspondem à efetiva receita da recorrente. 10. Logo após perceber a falha operacional, a recorrente providenciou a correção dos valores, por meio da retificação da Declaração e Apuração Mensal do ICMS (DMA), enviada a Secretaria da Fazenda, via Internet, nos dias 13 e 14 de novembro de 2008, anexa a este Recurso (doc. 02). 11.Conforme se pode perceber, a receita bruta apurada pela recorrente no exercício de 2003 foi de R$ 2.205.994,91, ou seja, inferior àquela utilizada pela Fiscalização (verificar planilha explicativa anexa doc. 03). 12.Importante salientar que, após a retificação da DMA, a ora recorrente foi submetida à Fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, não tendo os auditores fiscais apurado qualquer irregularidade (conforme documento anexo doc. 04), o que pode ser comprovado por meio da Certidão Negativa de Débitos expedida recentemente, em 17/12/2008 (doc. 05). 13.E para que não restem quaisquer dúvidas acerca da lisura do procedimento adotado, bem como dos valores ora informados, a recorrente junta ao presente Recurso a cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS (doc. 06), do Livro Registro de Saídas de Mercadorias (doc. 07), bem como do Livro Registro de Entradas (doc. 08), que comprovam, efetivamente, que a receita apurada no exercício de 2003 foi de R$ 2.205.994,91 ao invés dos R$ 2.364.239,55 apontados pela Fiscalização. 14. Para facilitar a análise das informações, a recorrente elaborou a planilha explicativa anexa (doc. 03), que descreve, individualmente, cada receita auferida durante o exercício de 2003, com base nos Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOPs), e examina as deduções efetuadas, decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto etc. (...) 18. Evidentemente, as saídas de mercadorias remetidas para conserto (CFOPs 6915 e 5915) ou devolvidas ao fornecedor (CFOPs 6411 e 5411) não integram a receita do contribuinte. Logo, não podem compor a base de cálculo do Simples Federal. 19. Merecem atenção, também, as saídas de mercadorias registradas sob o código 5929 (Lançamento efetuado em decorrência de emissão de documento fiscal relativo a operação ou prestação também registrada em equipamento de Cupom Fiscal ECF). Isso ocorre no caso das vendas de mercadorias ao consumidor final em que há emissão do cupom fiscal e, simultaneamente, emissão da nota fiscal. Para que não haja dupla tributação do ICMS, o segundo registro da saída de mercadorias nesta situação é feito utilizandose este código. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 486 8 Por fim, deve, ainda, ser deduzido do total das receitas os valores correspondentes às entradas de mercadorias sob o código 1411, uma vez que referemse à devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária. (...) 22. Salientese que a planilha anexa (doc. 03) contém a demonstração pormenorizada da composição da receita de cada mês do exercício de 2003, elaborada com base nas informações constantes do Livro Registro de Apuração do ICMS (doc. 06). 23.Deste modo, deve a presente autuação ser revista por este Eg. Conselho de Contribuintes, a fim de que seja reduzido o valor exigido, levandose em consideração a receita efetivamente auferida pela recorrente (R$ 2.205.994,91), bem como os pagamentos já efetuados a título de Simples Federal no exercício de 2003 (conforme doc. 09). DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS 24.Em cumprimento ao quanto disposto no § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a recorrente fundamenta a juntada posterior de documentos na alínea b do §4Q deste dispositivo, tendo em vista que a retificação e envio à SEFAZ da Declaração de Apuração Mensal do ICMS DMA ocorreu após a apresentação da Impugnação e alterou substancialmente a realidade fática ora analisada. (...) PEDIDO 26. Ante todo o exposto, pleiteia a recorrente seja reformado o Acórdão DRJ/SDR n° 1517.014, da 4a Turma da Delegacia da Receita Federal deJulgamento em SalvadorBA, julgandose parcialmente procedente o Auto de Infração ne. 10580.720312/200615 e reduzindose o valor do débito exigido. (...) Em 23/02/2010, ainda quanto ao crédito tributário não recorrido a contribuinte acostou aos autos, de forma expressa, Pedido de Desistência Parcial do Recurso/renúncia às alegações de direito para fins de adesão a parcelamento especial, juntando, inclusive, Planilha detalhada do valor tributável da infração imputada acatada e da parte que mantém o litígio (efls. 337/338), in verbis: RAIMUNDO MORAES COSTA, já devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, vem, por seus advogados, apresentar sua desistência parcial ao Recurso Voluntário interposto e renunciar parcialmente às alegações de direito sobre as quais se funda o presente processo, relacionadas ao débito ora reconhecido, em cumprimento ao quanto disposto no art. 13, § 3º e § 4º, da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº. 6, de 22 de julho de 2009, com a finalidade de aderir parcialmente ao Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 487 9 parcelamento instituído pela Lei na. 11.941, de 27 de maio de 2009, do débito objeto do PAF nQ. 10580.720312/200615. Em atendimento ao quanto disposto no § 4º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB ne. 6, de 22 de julho de 2009, a recorrente pleiteia a juntada da planilha anexa (doc. 01), demonstrando, detalhadamente, a base de cálculo do débito objeto da desistência parcial {que está indicado na Coluna "E" e foi parcelado), bem como a base de cálculo do débito sobre o qual prosseguirá a discussão administrativa (indicado na Coluna "F" Vale dizer, em relação à infração imputada diferença de receita não declarada do anocalendário 2003 – valor tributável da infração imputada R$ 1.164.672,17, a contribuinte acatou infração tributável de R$ 1.006.201,97, conforme Coluna E – Planilha – efl. 338); que, por conseguinte, a lide persiste sobre a diferença não acatada da infração imputada receita não declarada, pois tal diferença de receitas seria inexistente, sob as seguintes alegações: a) referese a saídas de mercadorias obejto de remessa para conserto (CFOPs 6915 e 5915) ou devolvidas ao fornecedor (CFOPs 6411 e 5411) e que não integram a receita da contribuinte; que não podem, assim, compor a base de cálculo do Simples Federal; b) referese a saídas de mercadorias registradas sob o código 5929 (Lançamento efetuado em decorrência de emissão de Nota Fiscal relativo a operação ou prestação também registrada em equipamento de Cupom Fiscal ECF); que, no caso, houve vendas de mercadorias ao consumidor final com emissão de cupom fiscal e, simultaneamente, emissão da nota fiscal. Para que não haja dupla tributação do ICMS, o segundo registro da saída de mercadorias nesta situação é feito utilizandose esse código; c) que, por fim, deve ser deduzido do total das receitas os valores correspondentes às entradas de mercadorias sob o código 1411, uma vez que se referem à devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária. Às efls. 352/354, consta Termo de Transferência de Crédito Tributário não litigioso, com data de 22/10/2010, para os autos do Processo nº 10580.730604/20034, com respectiva planilha, informando o valor do principal, por período de apuração mensal para cada exação fiscal. Ainda, consta dos autos Extrato do Processo quanto aos débitos remanescentes por período de apuração mensal e por exação fiscal, conforme telas (e fls.355/360). Em face das alegações da recorrente e deficiência de instrução probatória (falta de parte das provas das alegações da recorrente e necessárias para formação da convicção do julgador), na sessão de 11/09/2013, seguindo proposição do voto do Relator (busca da verdade material), esta Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.326, determinando o retorno dos Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 488 10 autos à unidade origem da RFB, no caso DRF/Salvador, conforme fundamentação do voto do Relator que transcrevo, no que pertinente (efls. 362/373), in verbis: (...) Vale dizer, a recorrente, nas razões do recurso, argumentou: que a diferença de receitas questionada, recorrida, de R$ 163.578,02 na verdade é inexistente como matéria tributável, pois apresentou declaração retificadora do ICMS após a lavratura dos autos de infração do Simples pela RFB, reduzindo a receita bruta inicialmente informada ao fisco estadual, quanto ao anocalendário 2003, de R$ 2.364.465,17 para R$ 2.205.994,91 e que o fisco estadual teria acatado essa redução de base de cálculo e que, por conseguinte, o fisco federal, também, teria que reconhecer essa redução da receita bruta na declaração retificadora do ICMS, do anocalendário 2003; que essa redução de receita bruta na apuração do ICMS decorreu, basicamente, de deduções ou expurgos decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade (com emissão de nota fiscal e com cupom fiscal) etc que, até então, por lapso ou equívoco na escrituração contábil não haviam sido deduzidas da receita bruta informada ao fisco estadual. Entretanto, a recorrente não juntou aos autos cópia dos documentos de suporte de sua escrituração contábil que pudessem justificar ou comprovar a alegada ou indigitada exclusão, dedução ou expurgos decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas escrituradas em duplicidade (com nota fiscal e cupom fiscal) etc. Em face dessa deficiência de instrução probatória (falta de parte das provas),não é possível, neste momento, ao julgador formar convição se as deduções ou os expurgos em relação à receita bruta não declarada apurada pelo fisco federal devem ser acatados ou não. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, baixando os autos do processo à unidade de origem da Receita Federal do Brasil –DRF/Salvador, para que a fiscalização: a) em relação à parcela de receita tributável recorrida, questionada, de R$ 163.578,02, apure, à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte dos registros contábeis do sujeito passivo quanto anocalendário 2003, se esse valor corresponde, ou não, a valor não tributável, que deva ser expurgado das receitas tributáveis objeto dos autos de infração ; b) demonstre em planilha específica, pormenorizada ou detalhada, quando comprovado e cabível algum expurgo em Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 489 11 relação à receita não declarada no SIMPLES, objeto dos autos de infração, identificando valor a ser excluído, individualmente, por natureza ou categoria do expurgo (por exemplo, vendas escrituradas em duplicidade), identificando o total mensal para cada natureza do expurgo, total mensal de todos os expurgos (considerando todas os valores e todas naturezas de expurgos comprovados, para o mês) e, por fim, identificar, efetuar o somatório dos expurgos comprovados, para o anocalendário 2003; c) verificar se o crédito tributário remanescente administrado, nos autos deste processo, corresponde à diferença de receitas questionada, não objeto da desistência parcial da lide; d) concluída a diligência, elaborar relatório circunstanciado quanto ao resultado apurado, devidamente comprovado e demonstrado com planilhas e documentos de suporte da escrituração contábil; e) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para apresentação de manifestação nos autos, em querendo. Vencido o prazo dado pela fiscalização, tendo ou não a contribuinte apresentado manisfestação, retornem os autos para este CARF, para julgamento da lide. (...) É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 490 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos pressupostos para sua admissibilidade e envolve, tem por objeto, apenas parte do crédito tributário em relação ao montante lançado de ofício. Conheço do recurso. Conforme relatado, os autos tratam da exigência de crédito tributário do Simples Federal do anocalendário 2003 no montante de R$ 275.070,90 (valor na data da lavratura do auto de infração), pela imputação ds seguintes infrações pelos autos de infração (IRPJSimples, PISSimples, CSLL – Simples, Cofins – Simples e Contribuição Previdenciária INSS – Simples): a) diferença de base de cálculo – receita não declarada; b) insuficiênca de recolhimento em relação à receita informada na Declaração Simplificada do Simples – diferença de alíquota (infração reflexa). Como já mencionado, em relação ao montante do crédito tributário lançado de ofício do anocalendário 2003, a recorrente rebelase, mantém a lide, apenas sobre parte desse montante, não recorrendo da outra parte, apresentando, inclusive, desistência/renúncia da parte acatada, não litigiosa, para efeito de Adesão a Parcelamento Especial. Quanto ao crédito tributário não litigioso, o respectivo valor do principal e acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora) já foram transferidos para os autos do processo nº 10580.730604/20034, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário, com data de 22/10/2010, e respectivo planilha, informando o valor do principal por período de apuração mensal e por exaçãofiscal (efls. 352/354). Vale dizer, nos presentes autos está sendo controlada apenas a parte remanescente do crédito tributário, ou seja, a parte litigiosa, conforme telas do Extrato do Processo (efls. 355/360). Para a contribuinte, o crédito tributário remanescente controlado nestes autos, envolve base de cálculo controversa, ou seja, valor tributável controvertido, conforme planilha resumo anexa ao requerimento acostado aos autos de desistência parcial do recurso e reconhecimento parcial de débito, com data de 23/02/2010 (efls. 337/338). Nessa planilha resumo a contribuinte segregou o valor tributável da infração diferença de base de cálculo – receita não declarada em: a) diferença de base de cálculo – receita não declarada (valor incontroverso); b) diferença de base de cáculo – receita não declarada (valor controverso). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 491 13 A propósito, transcrevo a planilha elaborada pela contribuinte (efl. 338), demonstrando a segregação do valor da infração imputada – diferença de receita não declarada ao fisco do anocalendário 2003 no valor R$ 1.164.672,17 , parte acatada pela contribuinte (parte não litigiosa): R$ 1.006.201,91: Receita Bruta declarada na DSPJ Simples (A) Diferença de Receita Bruta apontada pelo Auditor Fiscal (B) Receita Bruta considerada pelo Auditor Fiscal antes da retificação da DMA ICMS (C= A + B) Receita efetiva (após a retificação da DMA ICMS) (D) Diferença entre a receita efetiva e a receita inicialmente declarada na DSPJ Simples (E = D A) Diferença entre a receita bruta considerada peto Auditor Fiscal (Antes da retificação da DMA ICMS) e a receita efetiva (após a retificação da DMA ICMS) ( F = C D o uB E ) Jan/2003 160.794,91 — 160.794,91 117.055,76 43.739,15 43.739,15 Fev/2003 94.473,19 80.993,85 175.467,04 140.715,98 46.242,79 34.751,06 Mar/2003 89.390,00 90.083,64 179.473,64 167,814,13 78.424,13 11.659,51 Abr/2003 93.013,50 103.341,17 196.354,67 180.231,77 87.218,27 16.122,90 Maio/2003 94.670,00 92.271,29 186.941,29 173.651,46 78.981,46 13.289,83 Jun/2003 96.590,00 102.268,54 198.858,54 197.045,78 100.455,78 1.812,76 Jul/2003 86.652,90 125.533,73 212.186,63 204 065,35 117.412,45 8.121,28 Ago/2003 92.019,00 103.933,35 195.952,35 186.584.52 94,565,52 9.367,83 Set/2003 90.250,70 119.957,10 210.207,80 199.821,08 109.570,38 10.386,72 Out/2003 89.117,00 124.681.35 213.798,35 207.503,40 118.386,40 6.294,95 Nov/2003 92.931,90 104.904,24 197.836,14 202.943,90 110.012,00 — Dez/2003 119.889,90 116.703,91 236.593,81 228.561,78 108.671,88 8.032,03 TOTAL 1.199.793,00 1.164.672,17 2.364.465,17 2.205.994,91 1.006.201,91 163.578,02 A diferença de base de cálculo omitida– receita não declarada – apurada pela fiscalização nos autos de infração do Simples Federal, conforme já demonstrado em planilha constante do relatório, foi de R$ 1.164.672,17, ou seja: Período de Apuração Total Receitas de Vendas ( devoluções) = Declaração Mensal de Apuração do ICMS Total Receitas = Declaração Simplificada do SIMPLES Diferença Base de Cálculo TOTAL 2.364.239,55 1.199.792,09 1.164.672,17 A recorrente, nas razões do recurso, reconhceu como matéria não controvertida a diferença de base de cálculo – receita não declarada (receita omitida) de R$ 1.006.201,91. Já, com relação à parcela controvertida da receita omitida, a recorrente, nas razões do recurso, argumentou: que a diferença de receita bruta questionada, controvertida, na verdade é inexistente, pois apresentou declaração retificadora do ICMS após a lavratura dos autos de infração do Simples pela RFB, reduzindo a receita bruta inicialmente informada ao fisco estadual, quanto ao anocalendário 2003, de R$ 2.364.465,17 para R$ 2.205.994,91 e que o fisco estadual teria acatado essa redução de receita bruta e que, por conSeguinte, o fisco federal, também, teria que reconhecer essa redução da receita bruta, consoante declaração retificadora do ICMS, do anocalendário 2003; que essa redução de receita bruta na apuração do ICMS decorreu, basicamente, de deduções ou expurgos decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 492 14 (com emissão de nota fiscal e com cupom fiscal) etc que, até então, por lapso ou equívoco na escrituração contábil não haviam sido deduzidas da receita bruta informada ao fisco estadual. Entretanto, a recorrente não juntou aos autos cópia dos documentos de suporte de sua escrituração contábil que pudessem justificar ou comprovar a alegada ou a indigitada redução da receita bruta do anocalendário 2003 (após a autuação), por exclusão, dedução ou expurgos de parcelas decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas escrituradas em duplicidade (com nota fiscal e cupom fiscal) etc. Em face dessa deficiência de instrução probatória dos autos (falta de parte das provas das alegações da recorrente e necessárias para formação da convicção do julgador), na sessão de 11/09/2013, seguindo proposição do voto do Relator (e busca da verdade material), esta Colenda 2ª Turma Especial, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para instrução probatória complementar, conforme Resolução nº 1802000.326, determinando o retorno dos autos à unidade origem da RFB, no caso DRF/Salvador, conforme fundamentação do voto do Relator (efls. 362/373) e já transcrita no relatório. No procedimento de diligência – instrução probatória complementar, a recorrente foi intimada pela fiscalização da RFB, no caso pela DRF/Salvador, para produzir as provas de suas alegações; porém, a recorrente deixou de produzir as provas, de apresentar à fiscalização as provas de sua escrituração contábil e documentos de suporte, de suas alegações constantes das razões do recurso. Vale dizer, a contribuinte, em resposta à intimação fiscal no procedimento de diligência, de 03/01/2014 (efls. 383/472), limitouse repetir as razões já constantes dos autos e exibir cópia da planilha já constante dos autos, cópia do Livro Registro de Apuração do ICMS e conferência de lançamentos de saídas, mas sem comprovação com documentos de suporte da escrituração contábil/fiscal dos expurgos/excluões suscitados para efeito de diminuição do valor tributável da infração imputada diferença de base de cálculo – receita não declarada. Em face disso, entendo que não há como acatar ou reconhecer as exclusões ou expurgos pretendidos pela recorrente no valor tributável da infração imputada diferença de base de cálculo – receita não declarada, por falta de comprovação das alegações suscitadas ou objetadas. Infração mantida. A propósito, transcrevo a narrativa e conclusão do resultado da diligência constante do Termo de Encerramento de Diligência da DRF/Salvador, de 26/02/2014 (e fls.377/378), in verbis: (...) No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB, em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Diligência, (...), consistente no atendimento à Resolução n° 1802000.326, de 11 de setembro de 2013, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, Primeira Seção de Julgamento 2a Turma Especial, constante do Processo Administrativo Fiscal PAF n° 10580.720312/200615, que trata de Auto de Infração do Simples Federal IRPJ Simples, CSLL Simples, PIS Simples, Cofins Simples e Contribuição INSS Simples, referente ao anocalendário 2003 fls.03/51, e Termo Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 493 15 de Verificação Fiscal, parte integrante do referido lançamento fls.52/55, realizei diligência fiscal no contribuinte, tendo sido adotados os seguintes procedimentos, conforme abaixo demonstrado: 1Verificouse que a referida diligência se fez necessária em razão da ausência de provas acompanhadas das razões da defesa do impugnante, que pudessem comprovar suas alegações, uma vez que o impugnante justifica a inconsistência do referido Auto de Infração, no valor correspondente a R$ 163.578,02, (diferença esta demonstrada mediante uma planilha por ele apresentada), sob o argumento de terem sido valores correspondentes a vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas escrituradas em duplicidade e que foram posteriormente retificados no Livro de Registro do ICMS. A despeito desta alegação, não anexa, a sua defesa, os elementos de prova; 2 O interessado foi intimado, mediante o Termo de Intimação Fiscal n.° 01, em anexo, cientificado via postal em 13 de dezembro de 2013, a apresentar, os seguintes elementos: a) Referente à parcela de receita tributável recorrida e questionada, de R$ 163.578,02, os Originais e Cópias dos documentos de suporte de sua escrituração contábil, que pudessem justificar e comprovar suas alegações, apresentadas ao Recurso Voluntário de 24/12/2008 (fls. 166/171 do PAF), contra decisão da 4a Turma da DRJ/Salvador (fls. 151/159 do PAF), consistente nas exclusões, deduções ou expurgos da efetiva Base de Cálculo, no anocalendário 2003, decorrentes de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas escrituradas em duplicidade (com nota fiscal e cupom fiscal) etc; b) Demonstrar, em planilha específica, pormenorizada ou detalhada, quando comprovado e cabível algum expurgo em relação à receita não declarada no SIMPLES, objeto dos autos de infração, identificando os valores a serem excluídos, individualmente, por natureza ou categoria do expurgo (por exemplo, vendas escrituradas em duplicidade), identificando o total mensal para cada natureza do expurgo, total mensal de todos os expurgos (considerando todas os valores e todas naturezas de expurgos comprovados, para o mês) e, por fim, identificar e efetuar o somatório dos expurgos comprovados, para o anocalendário 2003, conforme suas alegações. 3 O interessado apresentou sua resposta em 03 de janeiro de 2014, conforme documento anexo, porém nada de novo trouxe para o processo. Apenas reiterou seus fundamentos já anteriormente apresentados com relação ao direito de excluir das respectivas bases de cálculo os valores de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto e vendas escrituradas em duplicidade, e novamente apresentou sua planilha e cópia do Livro de Registro de ICMS, assinalando os valores que supostamente Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 494 16 corresponderam a valores que deveriam ser excluídos do lançamento em questão, porém, novamente, deixou de apresentar qualquer documentos de suporte de sua escrituração contábil, tais como notas fiscais de cancelamento, notas fiscais de entrada, que pudessem servir de prova de suas alegações. Diante do acima exposto, verificase que o contribuinte deixou de atender ao que lhe foi solicitado nesta diligência, repetindo a argumentação já apresentada em sua defesa anterior, razão pela qual encerro a presente diligência fiscal, tendo sido encaminhada uma das vias do presente termo ao contribuinte para sua ciência VIA POSTAL. (...) Tendo tomando ciência do resultado da diligência – Termo de Encerramento da Diligência, a contribuinte em 26/03/2014 manifestouse nos autos, novamente sem juntar as provas solicitadas na diligência fiscal, apenas repetiu as razões já constantes de sua defesa, pedindo, por fim, a revisão de ofício, alegando ter havido falhas de ambas as partes, tanto do fisco, quanto contribuinte, que ocasionou o lançamento fiscal (efls. 379/382). Como já dito, para o fisco federal acatar, aceitar, deduções, exclusões ou expurgos de parcelas apuradas e escrituradas após a ciência do auto de infração, em relação ao valor tributável da infração imputada diferença de receita bruta não declarada, tornase necessário a contribuinte comprovar – com documentos de surporte de sua escrituração contábil , que a receita bruta do anocalendário 2003 seria menor do que o valor informado ao fisco estadual e que fora repassado ao fisco federal, pois a indigitada retificação da receita bruta junto ao fisco estadual ocorreu somente após a lavratura do auto de infração.. Entretanto, a recorrente não se desemcumbiu do ônus probatório, quanto a suas alegações nas razões do recurso, pleiteando exclusões ou expurgos da receita tributável da infração imputada diferença de receita bruta não declarada, a título de vendas canceladas, mercadorias devolvidas, mercadorias remetidas para conserto, vendas computadas em duplicidade (com emissão de nota fiscal e com cupom fiscal). Reiterando, embora a recorrente tenha sido intimada, no procedimento de diligência, para apresentação das provas, documentos de suporte (cópias de notas fiscais), das parcelas suscitadas a serem excluídas ou expurgadas do valor tributável da infração imputada, ou seja, documentos esses que teriam embasado, após a ciência do auto de infração, a retiticação das declarações mensais do ICMS do anocalendário 2003, nada trouxe aos autos, em termos de documentos de suporte dos lançamentos registrados a tal título na escrituração contábil/fiscal, após a ciência do auto de infração. A legislação processual de regência é clara, taxativa, no sentido de que compete ao sujeito passivo o ônus probatório, quando alega fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do fisco de efetuar o lançamento tributário. Nesse sentido, transcrevo o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720312/200615 Acórdão n.º 1802002.418 S1TE02 Fl. 495 17 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)t. 16. A impugnação mencionará: (...) Ainda, dispõe o art. 333, II, do Código de Processo Civil – Lei nº 5.869/73, com redação dada por leis posteriores, e aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – (...); II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Diante do exposto, deve ser mantida a infração imputada diferença de base de cálculo – receita não declarada, bem como a infração reflexa insuficiênca de recolhimento em relação à receita informada na Declaração Simplificada do Simples – diferença de alíquota (infração reflexa). Mantido o auto de infração do IRPJSimples, devem ser mantidos também os laçamentos reflexos (CSLL – Simples, PISSimples, Cofins – Simples e Contribuição Seguridade Social – INSS – Simples), pela conexão dos fatos e provas, e inexistindo razão e jurídica para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720605/2008-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003.
INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada, mediante o primeiro despacho decisório cientificado ao interessado, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente.
COMPENSAÇÃO DE IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA APURAÇÃO DO IRPJ.
Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção.
MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.
PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO COMPOSTO POR IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado.
O fato de o Fisco desconsiderar suposto crédito decorrente de IRRF de 2001 e 2002 para compor alegado pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao período de apuração de 31/03/2003, sem que tenha havido a entrega de PERDCOMP, não constitui lançamento tributário nos termos do artigo 142 do CTN.
Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade do alegado direito creditório, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1802-002.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003. INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada, mediante o primeiro despacho decisório cientificado ao interessado, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente. COMPENSAÇÃO DE IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA APURAÇÃO DO IRPJ. Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO COMPOSTO POR IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O fato de o Fisco desconsiderar suposto crédito decorrente de IRRF de 2001 e 2002 para compor alegado pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao período de apuração de 31/03/2003, sem que tenha havido a entrega de PERDCOMP, não constitui lançamento tributário nos termos do artigo 142 do CTN. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade do alegado direito creditório, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.720605/200850 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.363 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente DELL COMPUTADORES DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003. INOCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada, mediante o primeiro despacho decisório cientificado ao interessado, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente. COMPENSAÇÃO DE IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES AO DA APURAÇÃO DO IRPJ. Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO COMPOSTO POR IRRF DE PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. O fato de o Fisco desconsiderar suposto crédito decorrente de IRRF de 2001 e 2002 para compor alegado pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 06 05 /2 00 8- 50 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 2 ao período de apuração de 31/03/2003, sem que tenha havido a entrega de PERDCOMP, não constitui lançamento tributário nos termos do artigo 142 do CTN. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas o fato não impede o exame para apuração e constatação da veracidade do alegado direito creditório, uma vez que a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Henrique Heiji Erbano. Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: O Despacho Decisório Eletrônico (DDE) n° 757799803 não homologou as compensações declaradas no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3.040506, cujo crédito seria originário de suposto pagamento a maior do que o devido de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), realizado por Darf em 30/04/03, sob o código de arrecadação 0220, no valor total de R$ 364.847,65, porque o pagamento informado estaria Fl. 62DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 3 3 integralmente utilizado na quitação de débito de IRPJ do período apuração 31/03/03. A interessada não apresentou manifestação de inconformidade contra tal decisão, entregou DCTF retificadora com a pretensão de regularizar a situação e ingressou com a ação ordinária n° 2008.71.00.0179970/ RS, pleiteando certidão de regularidade fiscal cuja emissão foi obstada em função do débito resultante da não homologação da compensação. Em decisão exarada nos autos da ação judicial ajuizada foi suspensa a exigibilidade do crédito tributário decorrente do DDE n° 757799803 para permitir a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa em favor da demandante até que a Receita Federal do Brasil pudesse proceder a uma nova análise do procedimento de compensação tendo em conta a retificação da DCTF. Em atendimento à decisão judicial, o Despacho Decisório DRF/POA n° 606/2008 revisou de oficio o DDE n° 757799803 e concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório, com a consequente não homologação da compensação indicada no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3.040506, em virtude de ter sido apurado imposto a pagar de IRPJ no primeiro trimestre/2003 em valor maior do que o recolhido, visto não terem sido confirmados valores retidos de IRPJ. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DRF/POA n° 606/2008 na qual alega ter entendido que a retificação da DCTF seria suficiente para evitar a não homologação da compensação e que a revisão da compensação pela Receita Federal resultou no reconhecimento da procedência do crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ, mas trouxe outra razão para a não homologação da compensação, consubstanciada no não reconhecimento dos créditos de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), ocasionando o reajuste do valor devido a título de IRPJ. A manifestante se indispõe contra o não reconhecimento de valores retidos de IRPJ porque entende que a revisão dos créditos por ela declarados já teria sido atingida pela decadência e que a compensação realizada já estaria homologada tacitamente, eis que transcorridos mais de cinco anos desde a apresentação do PER/DComp até a sua intimação da decisão. A empresa alega que parte das retenções de IRPJ utilizada na redução do IRPJ devido é relativa aos anos calendário 2001 e 2002, quando apurou prejuízos fiscais, e defende que a utilização dessas retenções em anos posteriores é um direito que lhe assiste, que a vedação ao seu uso viola o princípio da capacidade contributiva, que os dispositivos legais que regulam o art. 773 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) não vedam a utilização do crédito do IRRF nos períodos posteriores Fl. 63DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 4 e menciona o Acórdão n° 107.08.073, do Primeiro Conselho de Contribuintes. A contribuinte defende que a impossibilidade de aproveitar os valores retidos na fonte sobre rendimentos resultantes de aplicações financeiras nos períodos em que apresentou prejuízo fiscal em anos posteriores à retenção resultaria na tributação daquilo que não corresponde ao conceito de “renda”. Por fim, a empresa torna a invocar o instituto da decadência em relação ao “direito do fisco de revisar os lançamentos relativos aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003” e torna a sustentar a ocorrência de homologação tácita da compensação realizada, reafirmando que, não tendo a fiscalização se manifestado em relação à utilização dos créditos de IRRF na primeira análise da compensação, não poderia se manifestar posteriormente. O litígio deste processo corresponde à compensação formalizada no PER/Dcomp 11264.04308.290104.1.3.040506, cujo crédito equivale a R$ 207.410,55. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Porto Alegre/RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1041.973, de 19 de dezembro de 2012, cientificado ao interessado com Aviso de Recebimento (AR) em 27/03/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A não homologação da compensação no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, afasta a homologação tácita. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O procedimento de verificação da existência do crédito pela autoridade fazendária não está sujeito a prazo decadencial. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A homologação da compensação depende da liquidez e certeza do crédito. RETENÇÃO NA FONTE. APROVEITAMENTO. As retenções na fonte somente podem ser utilizadas como antecipação do imposto de renda a pagar ou a restituir do respectivo período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 64DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 4 5 A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 26/04/2013 no qual diz que “o objeto do presente processo são os créditos utilizados nessa compensação, mais especificamente a possibilidade de composição desses créditos com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002”. Aduz que a situação fática apresentada pode ser resumida da seguinte forma: declarou (em DCTF) e pagou (via DARF) um valor de débito de IRPJ para o 1º trimestre de 2003 superior ao que seria realmente devido. posteriormente, apurou em auditoria interna que o débito de IRPJ havia declarado e recolhido a maior do que o efetivamente devido. informou então o valor correto de débito de IRPJ na DIPJ transmitida em 2004. por um equívoco, esqueceuse de retificar a DCTF do 1o trimestre de 2003 para refletir essa nova informação apresentada na DIPJ. providenciou a compensação do crédito resultante do pagamento (via DARF) a maior de IRPJ efetuado no 1o trimestre de 2003, reconhecido pela correção informada em DIPJ, com débitos de CSLL. teve sua compensação não homologada pela Receita Federal em razão da divergência das informações prestadas via DCTF (no 1o trimestre de 2003) e DIPJ (em 2004). retificou a DCTF para que ela refletisse o valor informado na DIPJ na esperança de que tal operação fosse suficiente para que o Fisco homologasse a compensação. ingressou com a Ação Declaratória n° 200871000179970 perante a Justiça Federal objetivando o reconhecimento do crédito e, consequentemente, a declaração de regularidade da compensação transmitida. obteve decisão judicial intimando a Receita Federal a proceder a análise da compensação transmitida considerando a retificação da DCTF. ao proceder a nova análise da compensação, o Fisco reconheceu o crédito do pagamento a maior (via DARF), mas, por outro lado, proferiu nova decisão não homologatória, dessa vez não mais pela divergência em relação aos débitos de IRPJ para o 1o trimestre de 2003, e sim por uma suposta inconsistência dos créditos utilizados na compensação. o argumento da Receita Federal nessa nova decisão, ora combatida, é de que a legislação tributária não permitiria a composição dos créditos a serem compensados com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002. no entendimento do Fisco a não inclusão do IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002 para composição do saldo negativo de IRPJ no próprio ano calendário no qual a retenção foi feita, retiraria da Recorrente o direito de compensálas posteriormente. A Recorrente discorda da decisão da DRJ que manteve os mesmos fundamentos do último despacho decisório para a não homologação da compensaçõa pleiteada. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 6 A Recorrente alega a possibilidade de utilização de créditos de IRRF de períodos anteriores (2001 e 2002) ao da compensação realizada, bem como a decadência do direito de o Fisco questionar os créditos da Recorrente. Aduz que, analisando o artigo 773 do Regulamento do Imposto de Renda conclui que tal disposição confere aos contribuintes o direito de deduzir o montante retido ao longo do ano calendário do valor devido a título de IRPJ daquele mesmo ano, mas não prevê qual a consequência aplicável para os casos nos quais a retenção não é considerada no ajuste do imposto no mesmo período no qual os valores são retidos. Em outros termos, o artigo referido fala daquilo que é permitido mas não trata em momento algum do que não é permitido. Aliás, não há na legislação tributária, e tampouco nos regulamentos emitidos pela Receita Federal qualquer disposição que trate da perda do direito à recuperação de valores pagos a maior a título de IRPJ pela não utilização desses valores no ajuste do imposto no ano nos quais eles foram auferidos. Essa é uma consequência "inventada" pela fiscalização e que não está prevista na legislação tributária. Diz que, a utilização de valores de IRRF, relativo a retenções realizadas em anos anteriores, para compensação de débitos tributários verificados em anos posteriores é bastante semelhante à utilização do próprio saldo negativo de IRPJ. Portanto, havendo o contribuinte pago determinado tributo em excesso não é possível conceber a perda do direito de restituir ou compensar o valor pago a maior. Qualquer argumento de ordem formal deverá ser superado em razão da busca pela Verdade Material, qual seja, a do efetivo pagamento. Argúi que, o fato de a Recorrente não ter incluído tal retenção na apuração de ajuste do imposto no ano calendário no qual houve a retenção é fator meramente formal, que não deve obstar o reconhecimento do direito à compensação. Argumenta que, admitirse a manutenção da decisão recorrida significaria chancelar a tributação do que não corresponde à renda da Recorrente, em manifesta violação ao princípio da capacidade contributiva, uma vez que a mesma não apresentou lucro tributável nos anos de 2001 e 2002. E que, considerando que as receitas que originaram as retenções foram computadas na determinação do lucro real da Recorrente, a vedação da posterior utilização destes créditos através da compensação realizada representa interpretação que culmina por alterar o conceito de lucro e confiscar o patrimônio da Recorrente. A Recorrente, arguindo o princípio da isonomia, alega que o tratamento a ele dispensado é semelhante ou pior do que aquele dispensado a determinado contribuinte que não sofre retenção de IRRF, ainda que possua obrigação para tanto. Isso porque, considerando que nos anos calendários de 2001 e 2002 a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, então o não recolhimento das retenções, caso o sujeito responsável pela retenção não o fizesse, teria levado tão somente ao descumprimento de uma obrigação acessória do sujeito obrigado a reter (fonte pagadora), sem alterar em nada o valor a ser recolhido a título de IRPJ, fazendo com que fosse economicamente mais vantajoso não cumprir com a obrigação tributária. Em seguida cita jurisprudência. A Recorrente argumenta que a lei tributária ao fazer referência à postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido ou à redução indevida do lucro real, assenta de maneira clara e expressa que o transporte do IRRF para períodos subsequentes só pode ser vedado caso acarrete os efeitos previstos na lei, quais sejam, prejuízo ao erário pela alteração do pagamento da obrigação principal. Quando não há dano ao Fl. 66DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 5 7 erário e consequente modificação das obrigações tributárias em sua substância, não há razão para impedir a utilização dos créditos de IRRF no período seguinte. Assim, o desrespeito ao Regime de Competência só pode ensejar uma punição ao contribuinte quando houver prejuízo ao erário público. A Recorrente alega que, conforme determina o §4°, do art. 150, do CTN, passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda tenha se pronunciado, "considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito". Assim, ocorreu a decadência de o Fisco revisar os lançamentos relativos aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003. Por fim, a Recorrente alega que ocorrreu a homologação tácita das compensações realizadas relativas aos créditos do IRRF de 2001 e 2002, pelos seguintes motivos: ... Com efeito, conforme já referido em tópico anterior do presente Recurso, a decisão ora recorrida trata de uma segunda análise realizada pela fiscalização a respeito da compensação realizada pela Recorrente através da DECOMP n° 11264.04308.290104.1.3.040506. Tal revisão ocorreu por força de requerimento expresso da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional realizado nos autos da ação judicial proposta pela Recorrente com o objetivo de ver declarada a regularidade desta compensação. Ocorre que na primeira decisão sobre a compensação ora discutida, a fiscalização entendeu por não homologar a compensação declarada por não reconhecer o crédito decorrente de "pagamento indevido ou a maior". Naquela oportunidade, a fiscalização não fez qualquer observação quanto à irregularidade dos créditos de IRRF utilizados pela Recorrente. Desta forma, resta evidente que o não reconhecimento dos créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 é totalmente inoportuno, uma vez que tal direito do Fisco restou prejudicado pela Homologação Tácita (ou pelo instituto da preclusão), eis que não realizado no momento adequado. Sendo assim, não tendo a fiscalização realizado a glosa dos créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 na primeira análise realizada, é evidente que a mesma não pode inovar agora, até porque ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos previsto para a revisão dos pedidos de compensação, conforme previsto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 ... Neste sentido, merece ser referido que a compensação objeto da decisão vergastada foi transmitida em 29/01/2004, enquanto que a intimação da Recorrente desta nova decisão ocorreu somente Fl. 67DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 8 em 19/03/2009, ou seja, mais de 5 (cinco) anos contados da sua entrega. ... Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 11264.04308.290104.1.3.040506 (fls. 01/05 do processo nº 11080.901355/200857, apenso), transmitido em 29/01/2004, com objetivo de ver reconhecida a compensação de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, de IRPJ, código 0220, no valor de R$ 207.410,55 (DARF: R$ 364.847,65, período de apuração: 31/03/2003, Arrecadação: 30/04/2003), com débito de CSLL 1º trimestre, (PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/03/2003 e VENCIMENTO: 30/04/2003. No mencionado processo (apenso) consta o despacho decisório nº 757799803 de fl.06, expedido em 24/04/2008 pela DRF Porto Alegre, cientificado ao interessado em 06/05/2008. A teor deste Despacho Decisório, o alegado pagamento de R$ 364.847,65 foi confirmado (fl. 11), todavia, por ter sido ele integralmente utilizado na quitação do próprio débito de IRPJ de março/2003, nada restou de crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP, em decorrência do que não foi homologada a compensação declarada, do qual o interessado foi cientificado em 06.05.2008 (copia do AR de fl. 07). A interessada embora não tenha apresentado manifestação de inconformidade contra tal despacho decisório, entregou em 30/05/2008 DCTF retificadora onde alterou o débito do IRPJ do 1° trimestre de 2003 no valor de R$ 364.847,65 para R$ 157.437,10 e ingressou com a ação ordinária n° 2008.71.00.0179970/RS, pleiteando certidão de regularidade fiscal cuja emissão foi obstada em função do débito resultante da não homologação da compensação. Conforme relatado, em decisão exarada nos autos da ação judicial ajuizada foi suspensa a exigibilidade do crédito tributário decorrente do Despacho Decisório n° 757799803 para permitir a expedição de certidão positiva com efeitos de negativa em favor da demandante até que a Receita Federal do Brasil procedesse uma nova análise da compensação pleiteada tendo em conta a retificação da DCTF. Nesse contexto e de acordo com a segunda análise, a DRF Porto Alegre expediu o segundo e último Despacho Decisório DRF/POA n° 606, de 10 de novembro de 2008 (fls.72/75 do processo nº 11080.901355/200857, apenso), cientificado ao interessado em 24/03/2009, fl.75, o qual conclui pelo não reconhecimento do crédito e por conseqüência a não homologação da compensação pleiteada, tendo em vista que: ... Fl. 68DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 6 9 De acordo com a ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da DIPJ/2003, relativo ao 1º trimestre de 2003 (fl. 13), o contribuinte apura IRPJ no valor de R$ 2.430.840,08 que depois de deduzir o valor de R$ 2.273.402,98, relativo ao IRRF, restou o valor de R$ 157.437,10 de IRPJ a pagar. Todavia, verificando as DIRFs do 1° trimestre/2003, a requerente dispõe do montante de R$ 308.306,89, declarado a seu favor, conforme podemos ver na planilha anexada na fl. 71 elaborada com base nos valores extraídos das DIRFs/2003 (fls. 23/56). Portanto, o valor apurado de IRPJ a pagar é de R$ 2.122.533,19 e não R$ 157.437,10 como informa o contribuinte. A requerente foi intimada apresentar demonstrativo do IRRF, retido por trimestre e os respectivos documentos (Informes de Rendimentos) a fim de comprovar o valor utilizado na dedução do IRPJ do 1° trimestre/2003. Solicitou mais prazo para cumprir a intimação alegando que teria que buscar os comprovantes junto aos bancos (fl. 57) e informou verbalmente que no montante do IRRF declarado na DIPJ/ 2003 estaria incluído o IRRF de anoscalendário anteriores a 2003. ... Grifei O litígio decorre do Acórdão nº 1041.973, de 19 de dezembro de 2012 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Porto Alegre/RS) que julgando improcedente a manifestação de inconformidade do interessado, manteve os mesmos fundamentos do último Despacho Decisório DRF/POA n° 606/2008 que, em atendimento à decisão judicial, revisou o DDE n° 757799803 e concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório, com a consequente não homologação da compensação indicada no PER/DCOMP nº 11264.04308.290104.1.3.040506, em virtude de ter sido apurado imposto a pagar de IRPJ no primeiro trimestre/2003 no valor de R$ 2.122.533,19 e não R$ 157.437,10 como informa o contribuinte, visto não terem sido confirmados valores de IRRF, considerando que as retenções na fonte somente podem ser utilizadas como antecipação do imposto de renda a pagar ou a restituir do respectivo período de apuração. A Recorrente diz que a decisão recorrida trata de uma segunda análise realizada pela fiscalização a respeito da compensação realizada pela Recorrente através da DECOMP n° 11264.04308.290104.1.3.040506 que foi transmitida em 29/01/2004, enquanto que a intimação da Recorrente desta nova decisão ocorreu somente em 19/03/2009, ou seja, mais de 5 (cinco) anos contados da sua entrega. Aduz que o objeto do presente processo são os créditos utilizados nessa compensação, mais especificamente a possibilidade de composição desses créditos com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002. Que, o não reconhecimento dos créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 é totalmente inoportuno, uma vez que tal direito do Fisco restou prejudicado pela Homologação Tácita (ou pelo instituto da preclusão), eis que não realizado no momento adequado. Afirma que, não tendo a fiscalização realizado a glosa dos créditos de IRRF relativos aos anos de 2001 e 2002 na primeira análise realizada, é evidente que a mesma não Fl. 69DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 10 pode inovar agora, até porque ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos previsto para a revisão dos pedidos de compensação, conforme previsto no §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96. A argumentação de homologação tácita argüida pela Recorrente não prospera, pois, considerando o PER/DCOMP n° 11264.04308.290104.1.3.040506 transmitido em 29/01/2004 o primeiro despacho decisório nº 757799803 que não homologou a compensação declarada, com base nas informações prestadas pelo contribuinte nas declarações DCOMP e DCTF original, foi cientificado ao interessado em 06/05/2008, portanto antes do prazo de 5 (cinco) anos para homologação de compensação, de que trata o § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Gizse que, o procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório. Com efeito, tendo o Fisco verificado e contestado a compensação declarada mediante o primeiro despacho decisório, no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, resta afastada a homologação tácita alegada pela Recorrente. Contra o primeiro despacho decisório eletrônico (processo nº 11080.901355/200857, apenso, fl.06) poderia o contribuinte haver apresentado manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo e devolutivo, garantindo a continuidade dos atos procedimentais e seu avanço em direção a decisão definitiva. Não o fez. Como afirmado acima, a interessada em vez de apresentar a manifestação de inconformidade contra tal despacho decisório adotou procedimento de sua iniciativa ao entregar em 30/05/2008 DCTF retificadora onde fez constar o débito de IRPJ do 1° trimestre de 2003 no valor de R$ 157.437,10 e ingressou com a ação ordinária n° 2008.71.00.0179970/ RS. O segundo despacho decisório (reexame) foi proferido em virtude de haver o contribuinte interposto ação judicial na qual obteve decisão judicial (tutela antecipada) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 7 11 intimando a Receita Federal a proceder nova análise do procedimento de compensação tendo em conta as retificações das DCTFs. Portanto, a atividade individual do contribuinte interrompeu a movimentação dos atos procedimentais do Fisco e garantiu a suspensão da exigibilidade dos débito mas não tem o efeito de gerar a seu favor a homologação tácita do PER/DCOMP em comento. Conforme explicitado acima, em virtude da determinação judicial para nova análise do procedimento de compensação tendo em conta as retificações das DCTFs, e com o objetivo de verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado no PERDCOMP, a autoridade administrativa no seu poderdever, com supedâneo no artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN, intimou a pessoa jurídica interessada a apresentar demonstrativo do IRRF, retido por trimestre e os respectivos documentos (Informes de Rendimentos) a fim de comprovar o valor do IRRF utilizado na dedução do IRPJ do 1° trimestre/2003. A intimada solicitou mais prazo para cumprir a intimação alegando que teria que buscar os comprovantes junto aos bancos (fl. 57) e informou verbalmente que no montante do IRRF declarado na DIPJ/ 2003 estaria incluído o IRRF de anoscalendário anteriores a 2003. A Recorrente diz expressamente no Recurso Voluntário que “o objeto do presente processo são os créditos utilizados nessa compensação, mais especificamente a possibilidade de composição desses créditos com a utilização de IRRF decorrente de retenções feitas em 2001 e 2002”. No entendimento do novo despacho decisório bem como da decisão recorrida, o IRRF na fonte dos anos de 2001 e 2002 somente pode ser deduzido como antecipação do imposto de renda devido do respectivo período de apuração. Eis, a conclusão do acórdão recorrido, verbis: ... A lei permite a dedução desses valores no final do respectivo período de apuração para diminuir o imposto devido ou aumentar o saldo negativo. Isto posto, é o saldo negativo, regularmente apurado pela contribuinte de acordo com a legislação vigente, que é passível de utilização em períodos posteriores. A contribuinte confirma que a maior parte do valor declarado como retido na fonte é relativa a anos calendário anteriores e não questiona o valor confirmado pela DRF/POA referente ao IRRF no ano calendário 2003. Não há base legal para a utilização de fontes retidas em outros anos calendário para compor o saldo negativo de anos posteriores. A forma de aproveitamento dessas fontes seria através da retificação das DIPJs referentes aos anos calendário de retenção, com a consequente apuração de saldos negativos naqueles períodos, no caso concreto, 2001 e 2002. Não merece reparos à decisão recorrida. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 12 Indubitavelmente o procedimento adotado pelo contribuinte em incluir no montante do IRRF declarado na DIPJ/ 2004 o IRRF de anoscalendário anteriores a 2003 não tem amparo na legislação tributária. As alegações da Recorrente no sentido de utilizar supostos créditos de IRRF decorrentes de retenções feitas em 2001 e 2002” para compensar o débito de CSLL do período de apuração de 31/03/2003, conforme tratado nos presentes autos, não se sustentam como será visto a seguir. É induvidoso que o contribuinte no ano calendário de 2003, adotou a forma de apuração do IRPJ com base no lucro real trimestral, conforme se verifica na DIPJ/2004,fl.13 (processo apenso). Assim, ao fim de cada período de apuração trimestral, a pessoa jurídica deverá determinar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância, das leis comerciais e fiscais (art.251 do RIR/99), do Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Período de Apuração, transcritos no Diário ou no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). São de uso obrigatório, os livros, Diário e Razão (arts.258 e 259 do RIR/99). No tocante às demonstrações financeiras o art.274 do RIR/99, assim dispõe: Art.274.Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º, §4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). E, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a Lei nº 9.430/96 determina que a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido, o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real do período de apuração, vejamos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ... § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; Fl. 72DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 8 13 II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. ... Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. ... GRIFEI Portanto, à luz da legislação acima, não pode o contribuinte ao seu talante deduzir do IRPJ apurado em 31/03/2003, valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de períodos anteriores (2001 e 2002) como pretende a Recorrente. Ao contrário dos argumentos da Recorrente, entendo que não basta ao interessado comprovar a retenção do imposto de renda na fonte, mas também deve comprovar a efetiva apuração de saldo negativo de IRPJ ao final de cada período e, para tanto, deve demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções integraram à base de cálculo do imposto de renda em cada trimestre, condição indispensável para que o IRRF possa ser aproveitado na compensação do imposto de renda apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Em decorrência da sistemática de tributação adotada, o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre as receitas que integram o lucro tributável e constitui antecipação do IRPJ do período de apuração – é passível de dedução na apuração do valor a pagar ou para compor o saldo negativo do imposto do período de apuração em que houve a retenção. A matéria encontrase pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo sendo inclusive objeto da seguinte súmula: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 14 A DIPJ/2004, fl.15 processo apenso, demonstra IRPJ a pagar no período de apuração de 31/03/2003, como a seguir: IRPJ devido R$ 2.430.840,08 () IRRF: R$ 2.273.402,98 = IRPJ a pagar de R$ 157.437,10. Todavia, de acordo com a decisão recorrida confirmouse apenas o valor de R$ 308.306,89 a título de IRRF, sob o fundamento de que os demais valores se referiam à retenções ocorridas em anos anteriores a 2003. Assim, chegouse ao IRPJ a pagar no valor de R$ 2.122.533,19 em vez de R$ 157.437,10 como declarado na DIPJ/2004. No presente caso, para o contribuinte extinguir o IRPJ apurado em 31/03/2003 com supostos créditos decorrentes de 2001 e 2002 somente poderia fazêlo por compensação mediante a entrega de um PERDCOMP no qual fizesse constar informações relativas aos supostos créditos de 2001 e/ou 2002 para compensar com o débito do IRPJ a pagar apurado em 31/03/2003, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pelo artigo 49 da Medida Provisória n° 66/2002 (publicada no D.O.U. de 30/08/2002), com vigência a partir do dia 1° de outubro de 2002, passou a exigir para formalização de compensação – a respectiva declaração de compensação, nos seguintes termos, in verbis: Art.74.0 sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. §1°A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. ... Pela nova redação do dispositivo legal citado, restou legalmente autorizada a compensação tributária, sempre mediante declaração de iniciativa do contribuinte, inclusive para tributos e contribuições de mesma espécie e/ou espécies distintas. Assim, a partir de outubro de 2002, a empresa, necessariamente, ficou obrigada a entregar a declaração de compensação para exercer essa modalidade de extinção do crédito tributário. Logo, o IRPJ apurado em 30/03/2003 somente poderia ser compensado com os supostos saldos negativos de 2001 e/ou 2002 com a OBRIGATÓRIA entrega de PERDCOMP para exercer essa modalidade de extinção do crédito tributário. No caso de haver homologação expressa ou tácita desse hipotético PERDCOMP é que poderia resultar no suposto pagamento indevido ou a maior do DARF: R$ 364.847,65, período de apuração: 31/03/2003, Arrecadação: 30/04/2003 indicado no PERDCOMP. A Recorrente não alega e nem se encontra nos autos qualquer PER/DCOMP no sentido de extinguir o pagamento do IRPJ apurado em 31/03/2003 utilizando o saldo negativo de 2001 e/ou 2002 para restar o pagamento indevido ou a maior indicado pelo contribuinte no PERDCOMP n.° 11264.04308.290104.1.3.040506 (fls. 01/05 do processo nº 11080.901355/200857, apenso) a ser compensado com débito de CSLL 1º trimestre, (PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/03/2003 e VENCIMENTO: 30/04/2003. Desse modo, não há falar em pagamento indevido ou a maior em relação ao DARF: R$ 364.847,65, período de apuração: 31/03/2003, Arrecadação: 30/04/2003 indicado Fl. 74DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 11080.720605/200850 Acórdão n.º 1802002.363 S1TE02 Fl. 9 15 no PERDCOMP n.° 11264.04308.290104.1.3.040506 (fls. 01/05 do processo nº 11080.901355/200857, apenso), tratado nos presentes autos. A Recorrente alega também que, conforme determina o §4°, do art. 150, do CTN, passados 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda tenha se pronunciado, "considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito". Assim, ocorreu a decadência de o Fisco revisar os lançamentos relativos aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003. Gizse que, o procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório e a homologação tácita ocorre após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da entrega do PER/DCOMP, conforme estabelecido no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Diferente do crédito tributário constituído pelo lançamento que compete a autoridade administrativa conforme prescrito no artigo 142 do Código Tributário Nacional. De fato, possíveis diferenças do IRPJ a pagar relativas aos anos calendário de 2001 a 2003 não mais podem ser lançados pela autoridade tributária em virtude do prazo decadencial previsto no §4°, do artigo 150 ou 173 do CTN. Ultrapassado o prazo previsto legalmente, não cabe ao Fisco Federal lançar eventuais diferenças encontradas em relação aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003 mas a decadência do direito de lançar não gera créditos a favor do contribuinte. É o que também se depreende da conclusão a que se chega no Acórdão recorrido, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir, vejamos: ... Logo, ainda que o período a que se refira o crédito já esteja albergado pela decadência do direito de lançar o tributo, isto não dispensa o contribuinte de comprovar a pertinência dos créditos que pretenda ver restituídos ou com eles compensados, nem dispensa a autoridade fazendária da obrigação de verificar a certeza e liquidez dos créditos. Registrese que, qualquer doutrina ou jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração tributária àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Ressaltese que a DIPJ/2004 e de períodos anteriores não estão sendo alteradas, apenas foram feitas verificações para se apurar a certeza do crédito alegado. Sem este requisito não há como se deferir qualquer restituição/compensação, posto que, o mesmo está previsto no artigo 170 do CTN. Somente poderá se considerar como líquido e certo o crédito indiscutível, comprovado. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA 16 confrontandoas com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o IRPJ devido no período de apuração do ano calendário e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/ 11/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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