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Numero do processo: 10467.900262/2006-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO JÁ INDEFERIDO.
IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de compensação o valor objeto de pedido de ressarcimento já
indeferido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.043
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO JÁ INDEFERIDO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de compensação o valor objeto de pedido de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALAN FIALHO GANDRA Relator. ALAN FIALHO GANDRA Redator designado. EDITADO EM: 07/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antônio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Relatório A empresa Companhia Industrial do Sisal CISAL apresentou Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, referente aos 1º ao 4º trimestre de 2002, cumulado com pedido de compensação. Tal pedido foi indeferido pela DRF de sua jurisdição, sob o fundamento de que o valor objeto do pedido de ressarcimento já ter sido indeferido pela autoridade competente. Inconformada com o indeferimento, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, a qual foi apreciada por colegiado de primeira instância que negou o direito creditório, em acórdão com a seguinte ementa: “DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Não se sustentam compensações declaradas nas quais o crédito utilizado já foi objeto de não reconhecimento nas instâncias administrativas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, sustentando que faz jus integralmente ao crédito presumido do IPI denegado no decisum recorrido. Aduz, em suma, os seguintes argumentos: i) para apurar os valores dos créditos presumidos que entende existir, em seus cálculos, a autoridade administrativa excluiu apenas no terceiro trimestre de 2002 o valor que entendia contido.nos estoques não vendidos, não levando em conta que em cada início de trimestre também existe o valor não vendido contido no estoque do trimestre anterior que também teria que ser considerado nos cálculos; ii) a glosa dos créditos relativos a insumos adquiridos de pessoas físicas é indevida; iii) que o princípio da verdade material deve ser observado pela administração pública. Em relação ao pedido de ressarcimento já indeferido pela Receita Federal, razão da denegação do pleito, a Recorrente quedouse silente. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10467.900262/200646 Acórdão n.º 330201.043 S3C3T2 Fl. 2 3 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Verificase na decisão de primeiro grau, o que também se constata nos autos, que o crédito utilizado foi objeto de pedido de ressarcimento indeferido no processo n° 13449.000046/2003 62. Esse foi o único motivo do indeferimento do pleito em questão. Conforme já aventado no relatório acima, o cerne da questão trazida no recurso voluntário resumese na (im)possibilidade de apresentação de pedido de ressarcimento relativo a valores já indeferido pela Receita Federal. Nesse particular, vejamos o que reza a Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Defluise da simples leitura do excerto legal acima que o valor objeto de pedido de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil não pode ser objeto de compensação. Em relação aos argumentos aduzidos pela Recorrente, destacados no relatório acima, entendo que os mesmos não se prestam a amparála haja vista que tais argumentos destoam do cerne da questão, bem como, não afastam a aplicação daquele dispositivo legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 98DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Fl. 99DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 07/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 07/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000657/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2004
Ementa: RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
De acordo com o disposto no art. 138 do CTN não se considera espontânea a denúncia efetuada após o início da ação fiscal. Desse modo, são devidos os juros e a multa. Os recolhimentos efetuados após o início da ação fiscal serão considerados na fase de execução, após a definitividade da decisão administrativa.
Numero da decisão: 2302-001.217
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2004 Ementa: RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. De acordo com o disposto no art. 138 do CTN não se considera espontânea a denúncia efetuada após o início da ação fiscal. Desse modo, são devidos os juros e a multa. Os recolhimentos efetuados após o início da ação fiscal serão considerados na fase de execução, após a definitividade da decisão administrativa.
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Recorrente CPC CONSTRUÇOES E PROCESSOS CIENTÍFICOS LTDA Recorrida DRJ BRASILIA DF Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 30/11/2004 Ementa: RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. De acordo com o disposto no art. 138 do CTN não se considera espontânea a denúncia efetuada após o início da ação fiscal. Desse modo, são devidos os juros e a multa. Os recolhimentos efetuados após o início da ação fiscal serão considerados na fase de execução, após a definitividade da decisão administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Ausente momentaneamente os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida a terceiros. O período do presente levantamento abrange as competências junho a novembro de 2004, fls. 14 a 18. Referese ao pagamento a empregados resultante de programas de motivação e incentivo para aumento de produtividade, cujos valores eram depositados para os segurados por meio da sociedade empresária Incentive House S.A. À fl. 70 dos autos principais, a recorrente requer a juntada de GPS, informando que parte dos valores foi objeto de parcelamento. Às fls. 104 a 106 dos autos principais, a recorrente requer a relevação da multa aplicada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília proferiu decisão confirmando a procedência do lançamento fiscal, fls. 22 a 25. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 28 a 29. Em síntese, a recorrente alega o seguinte: 1. Requer que sejam anexadas as GPS demonstrando ter recolhido o valor apurado; 2. Deve ser reconhecida a extinção do crédito previdenciário; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. Decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência, fls. 150 e 151, para que a unidade da RFB atenda ao comando contido na decisão de primeira instância; bem como seja esclarecido o motivo, com a devida fundamentação normativa, de não terem sido incluídos os pagamentos como recolhimentos durante a ação fiscal, compondo os créditos apropriados. Foram prestadas informações às fls. 153 a 155. Cientificada do resultado da diligência à fl. 155, a autuada não se manifestou. É o relato suficiente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14041.000657/200861 Acórdão n.º 230201.217 S2C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator Recurso interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 149 dos autos principais. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. Quanto ao mérito litígio não se instaurou, pois a recorrente reconhece que os valores seriam devidos, tendo apresentado GFIP após o início da ação fiscal. A lide ocorre apenas quanto à correção dos recolhimentos efetuados. Após o início da ação fiscal os recolhimentos têm que ser efetuado com os valores de acréscimos legais, multas e juros, conforme expressamente previsto na legislação federal. No relatório fiscal, item 6 à fl. 17, constou expressamente que as GPS arroladas não seriam consideradas pois foram recolhidas após o início da ação fiscal. Tais GPS são as mesmas colacionadas às fls. 76, 78, 80, 82 dos autos principais. As GPS colacionadas às fls. 77, 79, 81, 83, 84 e 85, dos autos principais, foram consideradas como crédito do contribuinte, conforme planilha II à fl. 15 do relatório fiscal. Há que se observar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento comandou o encaminhamento à DRF de origem, fl. 22, para verificar a possibilidade de apropriação das GPS relacionadas no item 6 do relatório fiscal. Após conversão do julgamento em diligência, foi esclarecido o motivo de ainda não terem sido apropriadas as GPS recolhidas pelo sujeito passivo. Uma vez que os recolhimentos foram efetuados após o início da ação fiscal, são devidos os acréscimos legais de acordo com a legislação de regência. Após o início do procedimento fiscal (ação fiscal) não pode ser aplicado o instituto da denúncia espontânea, conforme previsto no art. 138 do CTN, sendo devida a multa de ofício. Esclarecidos os motivos de não terem ainda sido considerados os recolhimentos efetuados pelo autuado, fls. 153 a 155, há que ser mantido o lançamento nos termos em que foi lavrado. Os recolhimentos serão considerados na fase de execução do presente julgado pelo órgão arrecadador. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 10/08/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000632/2004-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OBSCURIDADE.
Caracterizada a obscuridade no Acórdão carente de melhor explicação, acolhe-se em parte os embargos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SANADA COM
ACRÉSCIMO DE EMENTA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002.
A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional.
Numero da decisão: 1401-000.472
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para ratificar o Acórdão nº 1401-00.270, Sem alterar o decidido, apenas acrescentando lhe mais uma ementa.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OBSCURIDADE. Caracterizada a obscuridade no Acórdão carente de melhor explicação, acolhe-se em parte os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SANADA COM ACRÉSCIMO DE EMENTA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para ratificar o Acórdão nº 1401-00.270, Sem alterar o decidido, apenas acrescentando lhe mais uma ementa.
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Caracterizada a obscuridade no Acórdão carente de melhor explicação, acolhese em parte os embargos. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SANADA COM ACRÉSCIMO DE EMENTA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para reratificar o Acórdão n 140100.270, sem alterar o decidido, apenas acrescentandolhe mais uma ementa. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13876.000632/200458 Acórdão n.º 140100.472 S1C4T1 Fl. 234 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Viviani Aparecida Bacchmi, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega OMISSÃO no Acórdão nº 140100.270, proferido pela 1ª Turma ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que por maioria de votos, negou provimento ao recurso por considerar decaído o pedido de compensação, nos termos da ementa abaixo: DECADÊNCIA DO DIREITO DE REPETIR INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ^ TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Decai em cinco anos, contados inexoravelmente do pagamento indevido, o direito de repetir tributo espontaneamente recolhido a maior (CTN: art. 165, I; art. 168, I; e § Io do art. 150), não prevalecendo a tese dos "cinco anos mais cinco". A embargante assim afirma : (...) acórdão recorrido enseja sua revisão por apresentarse omisso, já que a Primeira Seção de Julgamento deste E. Conselho quedouse silente quanto ao sustentado pela embargante, mormente no que diz respeito ao início do procedimento homologatório, o qual se deu com a entrega da DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Federais em 14.02.2003 referente ao trimestre 4º Trimestre de 2002, vez que fora neste momento que a autoridade administrativa federal tomou conhecimento dos atos praticados pela embargante tendente a apurar os valores correspondentes, tanto ao crédito oriundo de recolhimento a maior de CSLL apurada em 30.06.1998 e paga em 31.07.1998, quanto ao débito tributário desta mesma contribuição apurada em outubro de 2002, a qual pretendia liquidar através da compensação (...). (grifos no original) Da análise perfunctória dos autos, por entender estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma foi proferido despacho de informação propondo à Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção que submetesse referidos embargos à deliberação da Turma, que foi aceito como proposto. É o relatório, no que interessa a este julgamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13876.000632/200458 Acórdão n.º 140100.472 S1C4T1 Fl. 235 3 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Em primeiro lugar, verifico que a referida matéria dita omissa não foi tratada no voto vencedor, pois foi enfrentada pelo relator do voto vencido, nos seguintes termos: Inicialmente, alega a Recorrente que respeitara todas as disposições legais pertinentes à compensação de tributos federais, instituídas por lei e/ou reguladas pela Secretaria da Receita Federal por meio de instruções normativas, quando da informação a esta por meio de DCTF do seu procedimento compensatório. Ocorre que o crédito fora compensado em outubro e novembro de 2002, durante a vigência da Instrução Normativa nº 210/2002, na qual dispunha: (...) Ou seja, a compensação deveria ter sido efetuada mediante o encaminhamento à Declaração de Compensação, que somente foi realizada em 23/09/2004. Diante da decorrência do lapso temporal entre a compensação contábil e a entrega da declaração de compensação, passase a discorrer acerca do prazo decadencial do direito de o contribuinte pleitear a compensação.(...) Como se vê, o relator deixou implícito que o advento de nova legislação (MP n. 66/2002), regulamentada pela Instrução Normativa SRF 210/2002, quaisquer compensações (mesmo sendo tributos mesmo que da mesma espécie), devem ser precedidos dos competentes Declarações de Compensações, sendo este o marco temporal a ser considerado para efeito de contagem do prazo decadencial. O que estava implícito no Acórdão embargado e aqui se esclarece mais expressamente é que eventual menção do crédito na DCTF, desacompanhada do dever instrumental exigido pelos citados normativos tributários (Dcomp) não serviriam como marco final para a contagem do prazo decadencial. Outrossim, embora não de todo necessário, aproveito a oportunidade para sanar ausência da correspondente ementa da referida matéria tratada no voto vencido, sendo proposta a ementa abaixo para suprir a omissão: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. Por todo o exposto acolho parcialmente os embargos de declaração apenas para reratificar o Acórdão n 140100.270, dessa feita acrescentandolhe a ementa sem qualquer modificação do que fora decidido: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA Nº 66, de 2002. A compensação tributária, a partir de 1º de outubro de 2002, quando exercitada pelo contribuinte, requisita, nas hipóteses legalmente permitidas, a entrega da Declaração de Compensação (Dcomp), Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 13876.000632/200458 Acórdão n.º 140100.472 S1C4T1 Fl. 236 4 independentemente do encontro de contas versar sobre tributos e contribuições de mesma ou diferentes espécies e destinação constitucional. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900265/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/12/2002
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.534
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/12/2002 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/12/2002 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 67 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 68 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 41183.33875.060906.1.7.049295, na qual foi utilizado crédito de R$ 1.225,28, apurado em recolhimento de IRPJ (código 2089), realizado em 31/01/2003 e relativo à apuração de 31/12/2002. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2089, do período de apuração de 31/12/2002. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 69 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 70 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 71 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 72 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua impugnação, cópia da ficha de apuração de IRPJ incidente sobre o Lucro Presumido, constante de sua DIPJ do anocalendário correspondente à apuração do crédito alegado, e nela consta a declaração de tributo no valor de R$ 77.153,52, inferior ao recolhimento de R$ 78.378,79, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 41183.33875.060906.1.7.049295. Nos sistemas informatizados da Receita Federal verificase que esta informação provém de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1249635. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 1.225,27, utilizado integralmente na compensação aqui tratada. Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 73 8 retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 74 9 Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 75 10 constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 76 11 somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 77 12 Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 78 13 Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 79 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 80 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 81 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900265/200937 Acórdão n.º 110100.534 S1C1T1 Fl. 82 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 35166.002438/2002-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2002
Ementa:
NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. SÚMULA N 1 DO CARF
De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991, bem como no art. 38, parágrafo único da Lei 6.830 de 1980, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.
Conforme disposto no verbete de Súmula n 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da
constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-000.984
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do
recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2002 Ementa: NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. SÚMULA N 1 DO CARF De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991, bem como no art. 38, parágrafo único da Lei 6.830 de 1980, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Conforme disposto no verbete de Súmula n 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido
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MATÉRIA QUESTIONADA JUDICIALMENTE. SÚMULA N 1 DO CARF De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991, bem como no art. 38, parágrafo único da Lei 6.830 de 1980, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Conforme disposto no verbete de Súmula n 1 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência momentânea : Thiago D’ Avila Melo Fernandes Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35166.002438/200294 Acórdão n.º 230200.984 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a notificação, lavrada em 30/09/2002, de contribuições previdenciárias descontadas da remuneração dos servidores contratados e comissionados, sem vínculo com a prefeitura municipal, bem como dos agentes políticos, no período de 09/1999 a 07/2002. O relatório fiscal de fls. 45/47, diz que os valores descontados dos segurados foram apurados nas folhas de pagamento, conforme descrito nos relatórios de fatos geradores (fls.23/35) e as contribuições já recolhidas foram devidamente abatidas no levantamento. Foi apresentada defesa intempestivamente a qual não foi conhecida e ao município impetrou ação judicial, que deferiu a antecipação de tutela para anular a decisão que concluiu pela intempestividade, assegurando o trâmite administrativo da notificação. Assim foi emitida decisãonotificação pela procedência do lançamento, às fls. 78/83, e o contribuinte inconformado apresentou recurso tempestivo alegando em síntese: a) a suspensão do processo até o julgamento final da ação judicial; b) a nulidade do procedimento pela falta de MPF; c) a nulidade do Auto de Infração pela falta de homologação da decisão; d) a nulidade do Auto de Infração pela inclusão indevida de segurados e das contribuições nos meses outubro, novembro, dezembro e 13º salário, pois não houve pagamento aos servidores; e) que inexistiu sonegação de informações para amparar o arbitramento; f) a nulidade da NFLD pela ausência de individualização de segurados. Requer a nulidade da ação fiscal e a revisão total com a individualização dos débitos. Às fls.100/101, a fiscalização remete o processo à Procuradoria Federal Especializada para que se pronuncie quanto à ação judicial, em especial se possui idêntico pedido ao pleiteado no recurso administrativo. Em resposta, a Procuradoria informa, às fls. 125/126, que o pedido é idêntico. O processo baixa em diligência, fl. 128, para que seja informado quais os valores relativos aos exercentes de mandato eletivo. À fl. 237, em resposta a diligência, o auditor fiscal notificante traz uma planilha com os valores dos salários e descontos efetuados nas remunerações de prefeito e vice prefeito. Não foram apresentadas contrarazões. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 35166.002438/200294 Acórdão n.º 230200.984 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cuida a notificação lavrada em 30/09/2002, de contribuições previdenciárias descontadas dos segurados servidores contratados e comissionados, bem como dos agentes políticos, no período de 09/1999 a 07/2002. De acordo com os elementos constantes dos autos a recorrente possui ação judicial, Processo 2004.39.00.0046244, onde discute a exação pretendida na notificação fiscal de lançamento de débito Compulsando os autos, se pode verificar, da cópia do pedido na ação judicial, fls. 103/119, que os termos do recurso administrativo são os mesmos que os levados à justiça. Também, informação prestada pela Procuradoria Federal Especializada do INSS, fls.125/126, reitera que a ação judicial possui idêntico pedido do recurso pleiteado administrativamente. De acordo com o disposto no art. 126, § 3º da Lei n ° 8.213/1991, a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Toda a matéria litigiosa no Judiciário impede o conhecimento administrativo. Assim, verifico que a fiscalização agiu no estrito cumprimento de seu dever legal, eis que o lançamento é ato vinculado e obrigatório, procedendo corretamente ao lançar o crédito previdenciário, o qual ficará com sua exigibilidade suspensa até o final da demanda judicial ou até decisão judicial que lhe possibilite a cobrança. Por derradeiro, esta matéria já foi objeto de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que transcrevo: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de não conhecer do recurso administrativo Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 12/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000587/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, como forma de punição, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE NFLD. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Tratando-se de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos, via de regra, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria.
MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA.
RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Tratando-se de matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de ofício a decadência do crédito previdenciário lançado.
MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA.
RETROATIVIDADE. Aplica-se ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.673
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I)
declarar a decadência até a competência 11/2001; e II) dar provimento parcial, para recalcular a multa nos termos do artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2001 a 30/04/2007 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, como forma de punição, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE NFLD. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Tratandose de auto de infração decorrente de descumprimento de obrigação acessória, onde o contribuinte omitiu informações e/ou documentos solicitados pela fiscalização, caracterizando o lançamento de ofício, o prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 05 (cinco) anos, via de regra, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tratandose de matéria de ordem pública, incumbe ao julgador reconhecer de ofício a decadência do crédito previdenciário lançado. MULTA/PENALIDADE. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento legislação posterior à sua lavratura que comine penalidade mais branda, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, impondo seja recalculada a multa com esteio na Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 11/2001; e II) dar provimento parcial, para recalcular a multa nos termos do artigo 32A, I da Lei nº 8.212/91, se mais benéfico ao contribuinte. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 225DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13646.000587/200798 Acórdão n.º 240101.673 S2C4T1 Fl. 214 3 Relatório CALSIMEC INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., contribuinte, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 5a Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG, Acórdão n° 0919.147, que julgou procedente, com relevação parcial da multa, a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em relação ao período de 02/2001 a 04/2007, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 15, e demais documentos constantes dos autos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 03/09/2007, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 267.890,44 (Duzentos e sessenta e sete mil, oitocentos e noventa reais e quarenta e quatro centavos), com base nos artigos 284, inciso II, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 189/2196, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender não ter deixado de apresentar à fiscalização os documentos solicitados, os quais, inclusive, foram suporte para lavratura de LDC´s contra a empresa, não tendo prejudicado e/ou dificultado a ação fiscal em nenhum momento, inexistindo qualquer prejuízo ao INSS. Lança assertivas a propósito das LDC’s lavradas contra a contribuinte, pugnando pela decretação da improcedência do lançamento, repisando o argumento de não ter existido prejuízo à ação fiscal desenvolvida na empresa, a qual colaborou em todo momento com a autoridade lançadora. Contrapõese à multa imposta, aduzindo que afrontou os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do não confisco, sendo, por conseguinte, ilegal/inconstitucional. Assevera que o fiscal autuante não levou em consideração os documentos ofertados pela contribuinte que seriam capazes de comprovar sua regularidade fiscal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Posteriormente ao recurso voluntário, apresentou a contribuinte nova petição, de fls. 200/204, pugnando pela aplicação da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, impondo seja recalculada a multa na forma daquele Diploma Legal. Fl. 226DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 É o relatório. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13646.000587/200798 Acórdão n.º 240101.673 S2C4T1 Fl. 215 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passa ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Preliminarmente, impõe suscitar questão relativa ao prazo decadencial, não aventada pela contribuinte em sede de recurso voluntário que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Com efeito, a matéria objeto de inúmeras discussões na doutrina e judiciário diz respeito ao prazo decadencial a ser levado a efeito para as contribuições previdenciárias. Os contribuintes pretendem seja acolhida a decadência de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo decenal insculpido no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, por considerálo inconstitucional, restando maculada a exigência cujo fato gerador tenha ocorrido fora do prazo encimado, hipótese que se amolda ao presente caso. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: Fl. 228DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13646.000587/200798 Acórdão n.º 240101.673 S2C4T1 Fl. 216 7 Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez tratarse de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória que, via de regra, caracterizase como lançamento de ofício, impondo a aplicação do disposto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme precedentes deste Colegiado. Dessa forma, é de se restabelecer a ordem legal no sentido de acolher o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, na forma do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em observância aos preceitos consignados na Constituição Federal e CTN. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 03/09/2007, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da autuação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos durante o período de 02/2001 a 11/2001, os quais encontramse fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, impondo seja decretada a improcedência parcial do lançamento. MÉRITO De conformidade com a peça vestibular do feito, a presente autuação foi lavrada em virtude de a recorrente ter apresentado GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deixando de informar os fatos geradores constantes dos Anexos I a IV, relativamente ao período de 02/2001 a 04/2007, com as respectivas contribuições (obrigação principal) lançadas nos autos das LDC’S n°s 37.120.6057 e 37.120.6090, as quais foram objeto de pedido de parcelamento, como informado pela própria contribuinte. Nesse contexto, a contribuinte foi autuada, com fundamento no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a constituição do presente crédito previdenciário decorrente da aplicação da multa calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Fl. 231DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13646.000587/200798 Acórdão n.º 240101.673 S2C4T1 Fl. 217 9 Art. 32. A empresa também é obrigada: [...] IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] § 5° A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior.” “Regulamento da Previdência Social Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras;” Verificase, que a recorrente não apresentou a documentação exigida pela Fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supratranscritos, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social. Antes de adentrar ao mérito propriamente dito, impende frisar que, não obstante tratarse de autuação face à inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente dizem respeito basicamente às LDC´s lavradas contra a empresa, bem como a propósito de matérias alheias ao presente lançamento, o que por si só seria capaz de ensejar o não conhecimento do recurso voluntário, por trazer em seu bojo questões estranhas ao auto de infração sob análise. Com efeito, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais, e outras obrigações acessórias. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Consoante se positiva do artigo 113, do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar, o contribuinte, de apresentar ao fisco os comprovantes de entrega da GFIP, situação que se amolda ao caso sub examine. Nesse sentido, inobstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte ao longo do seu arrazoado, sua pretensão não merece ser acolhida. A uma porque se vinculam com descumprimento de obrigações tributárias principais, estranhas ao presente caso. A duas, porque dizem respeito à ilegalidade e/ou inconstitucionalidades de normas legais, não sendo, portanto, oponíveis na esfera administrativa, conforme estabelece o artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256. DA RELEVAÇÃO DA MULTA Alfim, reitera a contribuinte o pedido de relevação da multa aplicada, com esteio no artigo 291, do RPS, §1 , do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Não obstante o esforço da contribuinte, sua pretensão, mais uma vez, não é capaz de determinar a reforma da decisão recorrida. Destarte, a relevação da multa, ocorrendo efetivamente à correção da falta, darseá nos precisos termos do artigo 291, § 1º, do RPS, na sua redação original, vigente à época da infração, que assim estabelece: “Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.” Na hipótese dos autos, constatase que a contribuinte não corrigiu integralmente a falta incorrida. Aliás, a própria autoridade julgadora de primeira instância já determinou a relevação parcial da multa, relativamente às infrações corrigidas, não tendo a recorrente, nesta segunda instância, demonstrado outras correções eventualmente desconsideradas pelo Acórdão recorrido, capazes de reformar aquele decisum. No que tange às demais alegações da recorrente, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de macular a exigência fiscal em comento, especialmente por estarem desprovidas de qualquer embasamento legal ou lógico, bem como por não guardarem relação de causa e efeito com a presente autuação. DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE Por derradeiro, em que pese à procedência do lançamento em seu mérito, mister destacar que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A àquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de Fl. 233DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13646.000587/200798 Acórdão n.º 240101.673 S2C4T1 Fl. 218 11 mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a conseqüente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Nessa toada, impende recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, uma vez que as LDC’s acima mencionadas, não são consideradas como Lançamento de Ofício convencional. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, acolher de ofício a decadência parcial do crédito previdenciário, relativamente ao período de 02/2001 a 11/2001, e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular a multa nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, se mais benéfico ao contribuinte, pelas razões de fato e de direito encimadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 234DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 21/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 18108.001293/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 23/11/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, III DA LEI N.º 8.212/91
C/C ARTIGO 283, II, “b” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º
3.048/99 NÃO APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS SOBRE
INDIVIDUALIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE SEGURADOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter a empresa deixado de apresentar os esclarecimentos sobre individualização, por segurado, dos valores escriturados nas contas, de despesas na compra de cesta básica, vale transporte, vale refeição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.701
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, IIIº da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter a empresa deixado de apresentar os esclarecimentos sobre individualização, por segurado, dos valores escriturados nas contas, de despesas na compra de cesta básica, vale transporte, vale refeição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.001293/200794 Acórdão n.º 240101.701 S2C4T1 Fl. 105 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob n° 37.116.5407, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, III da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, III e § 22 e art. 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de prestar todas as informações contábeis, econômicas e financeiras de interesse da fiscalização, em especial deixou de prestar os esclarecimentos abaixo descritos, o que constitui infração. A empresa após ter sido notificada através do Termo de Inicio da Ação Fiscal — TIAF, e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD deixou de apresentar os esclarecimentos sobre individualização, por segurado, dos valores escriturados nas contas, de despesas na compra de cesta básica, vale transporte, vale refeição. Na forma especificada no TIAD emitido em 13/11/2007. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 23/11/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/11/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 15 a 31. A DecisãoNotificação confirmou a procedência total do lançamento, fls. 54 a 58. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 607 a 653. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega: 1. Preliminarmente, no presente caso ocorreu decadência do crédito tributário. 2. Que a administração pública deve agir em plena conformidade com os dispositivos legais, ou seja, agir sob a égide da lei, respeitando suas delimitações, devendo atuar sob a lei, com o objetivo ético de respeitála e fazêla respeitar, devendo também tomar como irrefutáveis as definições que delas emergem. 3. Entendemos que o fiscal pode propor, mas não impor, vez que a notificação de lançamento é meramente declaratória e não ato constitutivo, angariando a personalidade de um lançamento de ofício que deverá descrever a subsunção do conceito do fato ao conceito da norma, deixando a valoração ou cognição do conteúdo para o órgão judicante que realmente tem competência para apreciar e rever, não só os aspectos de direito como os de fato e deduzir se ocorreram ou não os efeitos. 4. O auto de infração pretende abordar uma contingência comum a inúmeros contribuintes pessoas jurídicas empregadoras, que, pautandose em previsões de acordos coletivos firmados por si, ou por intermédio de seus sindicatos com os sindicatos dos seus empregados, têm pago o valerefeição, valetransporte a seus empregados em dinheiro, moeda corrente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 5. O valealimentação não é fornecido gratuitamente pela empresa, é parcela indenizatória, e não salarial, não podendo, assim, ser incorporado ao salário. 6. O valetransporte é um direito consagrado pela legislação aos trabalhadores, esse direito não tem caráter salarial, mas sim indenizatório, por essa razão, o fato de uma empresa fornecer valestransportes aos seus funcionários em dinheiro • não acarreta o fato gerador das contribuições previdenciárias. 7. A fiscalização está exigindo multa num patamar superior ao descrito na Lei. 8. Incabível a aplicação da taxa SELIC. 9. Diante do exposto, requer a autuada seja acatada o presente Recurso Ordinário, a fim de se determinar a ANULAÇÃO da NFLD n° 37.116.5407 em comento, por serem indevidos os valores ora cobrados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.001293/200794 Acórdão n.º 240101.701 S2C4T1 Fl. 106 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 202. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa ou falta de definição clara dos fatos geradores que ensejaram a autuação. Destacase como passos necessários a realização do procedimento fiscal: Ø autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal – MPF F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Ø intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, bem como os documentos pertinentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Ø autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação da autuação, bem como demonstrado de forma criteriosa os valores que entendeu devido, não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal da infração, como também a própria capa do AI, indicam o dispositivo legal infringido, e o embasamento legal da multa aplicável. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a omissão na prestação de informações necessárias a comprovar a regularidade fiscal, cumprilhe lavrar de imediato a autuação de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Pelos documentos constantes dos autos, não foram encontradas quaisquer irregularidade quanto ao procedimento adotado pela autoridade fiscal durante a fiscalização ou quando da lavratura da NFLD não havendo qualquer irregularidade no lançamento em questão. DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.001293/200794 Acórdão n.º 240101.701 S2C4T1 Fl. 107 7 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.001293/200794 Acórdão n.º 240101.701 S2C4T1 Fl. 108 9 sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.001293/200794 Acórdão n.º 240101.701 S2C4T1 Fl. 109 11 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa prestado informações concernentes a individualização dos pagamentos para seus segurados no período de 2002 a 2005. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse 23/11/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/11/2007. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/2002 a 12/2005, dessa forma, em aplicandose o art. 173, I não há decadência a ser anunciada. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 DO MÉRITO Pelos documentos presentes nos autos a autoridade previdenciária requereu os documentos pertinentes ao cumprimento da legislação previdenciária, no que diz respeito a individualização dos pagamentos feitos à título de alimentação e transporte. Contudo, entendeu o recorrente que ditos pagamentos não constituem fato gerador de contribuição, razão porque incabível O art. 293 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. No presente caso, a obrigação acessória está prevista na Lei n ° 8.212/1991 em seu artigo 32, III, nestas palavras: Art.32. A empresa é também obrigada a: (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. O presente auto foi lavrado tendo como fundamento a não apresentação dentre outros dos documentos no relatório deste voto. Quanto a essas interpretações não logrou o recorrente êxito em demonstrar a entrega das mesmas. Nem mesmo ter prestado os esclarecimentos pertinentes. Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18108.001293/200794 Acórdão n.º 240101.701 S2C4T1 Fl. 110 13 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas pela Previdência Social. Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo. Quanto ao argumento de incabível a taxa SELIC, vale esclarecer que nos AI não são aplicados juros moratórios, mas tão somente multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente arrecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa. Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. Desse modo, a autuação deve persistir. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, julgando procedente o lançamento efetuado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 14DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/03/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 29/03/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14751.000081/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01.
Numero da decisão: 3201-000.663
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: Luís Eduardo Garrossino Barbieri
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ementa_s : Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01.
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 08/04/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O presente processo trata de Autos de Infração para a cobrança da COFINS e do PIS (fls. 2/16), lavrados em 08/03/2007, em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento das contribuições, relativos aos períodos de apuração de 01/01/2004 a 31/12/2005. Por bem descrever os fatos ocorridos transcrevo o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa: Relatório Contra a pessoa jurídica já identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 04/07 e 14/17 do presente processo, para exigência dos créditos tributários da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e do Programa de Integração Social PIS, adiante especificado, referente aos períodos constantes dos autos de infração: (...) 2. De acordo com os autuantes, os referidos autos são decorrentes da falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e do Programa de Integração Social PIS, cujas diferenças foram apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos, conforme descrito às fis. 06/07, 16/17 e no Relatório de Fiscalização, fls. 24/26, parte integrante do auto de infração, nos seguintes termos, em síntese: 2.1 — a cooperativa contrata com pessoas jurídicas de direito público e privado a execução de serviços de cirurgias a serem executados por seus associados, coletiva ou individualmente. A cooperativa emite notas fiscais de prestação de serviços pelas quais recebe os pagamentos de seus contratantes. Parte desses pagamentos é repassada aos cooperados, retendo a cooperativa uma parcela para o fomento de suas atividades; 2.2 — a fiscalização constatou que a cooperativa não recolhe PIS nem Cofins sobre parcela alguma de suas receitas. A cooperativa somente fez dois recolhimentos residuais de PIS Faturamento nos valores de R$ 152,15 e R$ 15,35 relativos aos períodos de apuração de Jan e Set de 2004, respectivamente. Quanto à Cofins, somente há um recolhimento de R$ 702,22 relativo ao período de apuração Jan/04; 2.3 — pela legislação citada no enquadramento legal dos autos de infração as cooperativas em geral devem apurar as contribuições para o PIS e a Cofins sobre o faturamento Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 14751.000081/200744 Acórdão n.º 320100.663 S3C2T1 Fl. 201 3 independentemente de serem as receitas decorrentes de atos cooperativos ou de operações com terceiros; 2.4 — com o advento da Lei n° 9.718/98, a discussão sobre a tributação das receitas das cooperativas foi superada, uma vez que essa norma estabeleceu como base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida, aí incluídas as cooperativas, e a classificação contábil adotada para as receitas; 2.5 — pela MP n° 2.158/01, art. 15, inciso I foram introduzidas normas legais que deferiram a alguns tipos de cooperativas subtrair valores da base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins. As cooperativas de produção podem subtrair da base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins os valores repassados aos cooperados relativos à venda dos produtos per eles entregues à cooperativa. Não havendo previsão legal dessa subtração para as cooperativas de trabalho, como é o caso do contribuinte fiscalizado; 2.6 — a Cooperativa dos Cirurgiões da Paraíba LTDA impetrou, em 2004 e 2005, dois mandados de segurança visando obter o reconhecimento judicial da não obrigatoriedade de recolher o PIS Faturamento e Cofins sobre suas receitas. O mandado de Segurança impetrado em 2004, cujo processo na 1a Vara da Justiça Federal da Paraíba tomou o n° 2004.82.00.0059277, tendo sentença desfavorável à impetrante tanto na primeira instância como no Tribunal Regional Federal da 5ª Região por unanimidade, com julgamento do mérito. Nesse processo a cooperativa pleiteava o reconhecimento de não se submeter ao recolhimento da Cofins sobre as receitas que considera cooperativas; 2.7 — o mandado de segurança, em 2005, versava sobre a obrigatoriedade da cooperativa submeterse à legislação do PIS. Da mesma forma que no processo anterior, a sentença de primeira instância foi desfavorável à impetrante, com julgamento do mérito. Não consta ter havido apelação à segunda instância; 2.8 — os valores das receitas registrados nas contas 3110.000.000 INGRESSOS SERVIÇOS COOPERADOS, 3120.000.000 OUTROS INGRESSOS e 3320.000.000 OUTROS INGRESSOS NÃO OPERACIONAIS. Nos meses de dezembro/04 e dezembro/05 foram subtraídos da base de cálculo os valores destinados aos fundos a que se refere o art. 1° da Lei n° 10.676/03. Foram aproveitadas as retenções sofridas na fonte e contabilizadas pela cooperativa em conta do ativo (PIS e COFINS a recuperar. 3. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por seu procurador, instrumento, fl. 133, apresentou a impugnação, de fls. 106/132, e anexou cópias dos documentos, de fls. 133/167, alegando, em síntese, que: 3.1 — a autuada é pessoa jurídica de direito privado, constituída na forma de sociedade cooperativa, sem fins lucrativos, nos termos da Lei n° 5.764/71 e do seu estatuto social, com o mister exclusivo de prestar serviços aos seus médicos cooperados, fomentando o desenvolvimento das suas carreiras, lhes dando Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 4 condições para o exercício das suas atividades e para o aprimoramento dos seus conhecimentos profissionais; 3.2 — é importante ressaltar que como sociedade de pessoas, a cooperativa é diferente de qualquer outro tipo societário. Caracterizase pela reunião de pessoas que se juntam no afã de envidar esforços, tendo como objetivo comum a criação de estrutura que visa facilitar a realização das atividades particulares de cada cooperado. A entidade é criada para servir aos associados, servir de fomento para que as suas atividades pessoais, voltadas para segmento econômico comum, possam ser melhor desenvolvidas, ganhando estrutura, eficiência, produtividade e competitividade; 3.3 — é impróprio falar em receita da sociedade quando a cooperativa coloca no mercado bens ou serviços dos seus associados, visto que, juridicamente, não está praticando em nome próprio operação de venda e compra, porque os bens que oferece não são de sua titularidade. A receita, e também os custos necessários para obtêla, são fatos econômicos registrados em nome da entidade exclusivamente para fins de apuração das chamadas sobras líquidas individuais, visto que não objetivam trazer resultado para cooperativa, e sim para cada um dos seus associados; 3.4 — importante perceber que as importâncias arrecadadas pelas cooperativas de serviços médicos a título de remuneração devida aos médicos a título de remuneração devida aos médicos, seus cooperados, em razão de tais atendimentos, não constituem receitas para a cooperativa, nem mesmo representam o preço dos serviços que a cooperativa, como pessoa jurídica, tenha prestado às empresas ou entes públicos; 3.5 — os valores auferidos não constituem receitas, não só porque não incluem no âmbito do faturamento, mas também porque representam meros ingressos temporários em seus patrimônios, sem acréscimo nos ativos ou decréscimos nos passivos, de conformidade com os princípios de contabilidade, e que possam alterar o patrimônio líquido; 3.6 — considerando que a impugnante não tem efetiva receita, porquanto os valores recebidos apenas transitam por seu caixa, pelo fato de pertencerem aos seus associados, não há como incidirem as contribuições PIS e Cofins. Este postulado vincula se ao principio da vedação ao confisco (art. 150, IV, da CF/88) representando um dos fundamentos basilares da tributação, como corolário do princípio da isonomia, verdadeiro sinônimo da justiça fiscal. Considerando que a tributação interfere no patrimônio das pessoas, de forma a subtrair parcelas de seus bens, não há dúvida de que é inconstitucional a imposição de ônus superiores às forças desse patrimônio; 3.7 — a capacidade contributiva é revelada nas atividades dos associados, em razão de suas específicas prestações de serviços, mas jamais nas atividades da cooperativa, já que esta não aufere qualquer remuneração ou receita. Nessa circunstância, é de se considerar a caracterização como "receita" dos valores auferidos pela cooperativa; 3.8 — por outro lado, não se justifica o tratamento diferenciado para as cooperativas de produção, ao dispor sobre exclusões na base de cálculo das contribuições, violando o princípio constitucional da isonomia (art. 5°, caput), assegurando que Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 14751.000081/200744 Acórdão n.º 320100.663 S3C2T1 Fl. 202 5 todos são iguais perante a lei, especialmente aplicável na seara tributária; 3.9 — vêse que deve ser observada a diferença existente entre a classificação das receitas de atos cooperativos e não cooperativos, de sorte a incidir apenas sobre estes últimos as contribuições para o PIS e Cofins; 3.10 — cumpre à autuada impugnar os cálculos elaborados pela fiscalização, que apurou a exorbitante cifra de R$ 707.382,58 (setecentos e sete mil, trezentos e oitenta e dois reais e cinqüenta e oito centavos), quantum este não se coaduna com os reais quantitativos eventualmente devidos, mesmo na hipótese improvável de ser rejeitada a presente impugnação; 3.11 — daí se impor a necessidade da impugnante requerer uma perícia contábil, com o fito de ser apurar com exatidão os faturamentos mensais relativos aos atos não cooperativos, únicos a servir de base de cálculo para a incidência dos tributos questionados, o que desde já se requer; 3.12 — requer a insubsistência dos autos de infração, isentando a do recolhimento do PIS e Cofins sobre a totalidade das receitas auferidas, correspondentes ao período fiscalizado; ou, alternativamente, determine que seja efetivada a perícia requerida, visando apurar valores que possam redundar na obrigação reconhecida (atinente exclusivamente aos atos não cooperados). A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE, julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão 1126.955 ( 169/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004, 01/01/2005 a 31/12/2005. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS A opção, por parte da interessada, pela discussão de determinada matéria junto ao Poder Judiciário, importa renúncia tácita às instâncias administrativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI 6 As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS A opção, por parte da interessada, pela discussão de determinada matéria junto ao Poder Judiciário, importa renúncia tácita às instâncias administrativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. A interessada foi cientificada do acórdão de primeira instância em 06/08/2009 (fls. 180). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 182/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator em 05/12/2010, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Entendo que o Recurso Voluntário não deve ser conhecido na esfera administrativa por haver identidade de matéria (incidência de PIS/COFINS sobre as receitas auferidas pelas cooperativas) e de partes, entre este processo administrativo e os processos judiciais impetrados pela Recorrente. No Relatório da Fiscalização (fls. 24/26) consta a informação que a autuada impetrou duas ações judiciais para discutir a matéria em litígio: a primeira para discutir a incidência da COFINS sobre as receitas das cooperativas (processo N° 2004.82.00.0059277 na la Vara da Justiça Federal da Paraíba) e a segunda em relação ao PIS (processo No. n° 2005.82.00.0045258 na 3ª Vara da Justiça Federal da Paraíba). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 14751.000081/200744 Acórdão n.º 320100.663 S3C2T1 Fl. 203 7 Para corroborar estas informações foram anexados extratos dos processos obtidos no site da Justiça Federal (Processo 2004.82.00.0059277 às folhas 52 a 56; Processo n°: 2005.82.00.0045258 às folhas 57 a 64). A Recorrente não questiona a informação da existência de processos judiciais tratando da mesma matéria. Destarte, quando foram impetrados os Mandados de Segurança, foi feita a opção pela via judicial, abdicando, assim, da via administrativa para a solução do litígio fiscal. Este é o teor da Súmula CARF No. 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Neste sentido já decidiu, também, a DRJ – Recife no acórdão recorrido. Ante o exposto, não conheço do recurso. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Assinado digitalmente em 08/04/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 13894.000334/00-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ.
DEMONSTRAÇÃO.
Homologa-se a compensação pleiteada até o limite do crédito, representado pelo saldo negativo do IRPJ efetivamente demonstrado.
Numero da decisão: 1102-000.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 265.606,44, homologando-se as compensações até este limite, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Leonardo de Andrade Couto
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. DEMONSTRAÇÃO. Homologa-se a compensação pleiteada até o limite do crédito, representado pelo saldo negativo do IRPJ efetivamente demonstrado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. DEMONSTRAÇÃO. Homologase a compensação pleiteada até o limite do crédito, representado pelo saldo negativo do IRPJ efetivamente demonstrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 265.606,44, homologandose as compensações até este limite, nos termos do voto do relator IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Manoel Mota Fonseca, Leonardo de Andrade Couto e Meigan Sack Rodrigues. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIR 2 Trata o presente de pedido de restituição de fl. 01 no valor original de R$ 556.317,72 obtido fundamentalmente a partir do saldo negativo do IRPJ apurado nos anos calendário de 1998 e 1999. Esse suposto crédito, por sua vez, serviu de base a diversos pedidos de compensação acostados aos autos. Na análise do feito, a Unidade Local da Receita Federal do Brasil emitiu o Despacho Decisório DRF/Seort/GUA n° 165/2005 (fls. 362/364) indeferindo a solicitação por entender que os saldos negativos do IRPJ nos anoscalendário de 1998 e 1999 foram obtidos a partir da dedução do imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras sem a apropriação correta das respectivas receitas. Cientificado (fl. 369), o sujeito passivo apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 370/400) alegando em síntese que: No anocalendário de 1998, a empresa se encontrava em fase pré operacional. Nessas condições, conforme entendimento manifestado por conceituada empresa de auditoria, as receitas financeiras devem integrar o resultado apenas no que tange à parcela que exceder os gastos e despesas registradas na conta de ativo diferido. Em relação ao anocalendário de 1999, houve equívoco no preenchimento da DIPJ com registro a menor das receitas financeiras; entretanto o mesmo ocorreu em relação às despesas financeiras implicando em resultado neutro. A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão DRJ/CPS n° 11.544/2005 (fls. 427/441) mantendo o entendimento do despacho decisório e negando provimento à solicitação, em decisão ementada nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: Direito Creditório — Comprovação, Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 Ementa: IRRF — Receitas Financeiras — Antecipação DIPJ — Saldo Negativo. 0 imposto retido na fonte constitui antecipação do imposto apurado no período, configurandose crédito da contribuinte apenas quando a tributação no período dos rendimentos auferidos pela empresa resultar em imposto devido inferior ao montante antecipado. Fundamentandose o indeferimento do pleito na ausência de tributação dos rendimentos financeiros relativos ao IRRF deduzido na DIPJ, compete a interessada comprovar documentalmente nos autos a regular inclusão da totalidade das receitas, sendo ineficaz a simples disponibilização na empresa da escrita contábil/fiscal para verificação da autoridade. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIR Processo nº 13894.000334/0045 Acórdão n.º 1102 00436 S1C1T2 Fl. 2 3 Ausente a comprovação, incerta a existência e o montante do crédito alegado, indeferese o pedido. Fase Préoperacional Diferimento de Despesas Receitas Correlatas. O diferimento admitido pela legislação tributária restringese aos custos e despesas pertinentes as atividades da empresa na fase préoperacional, observando a tributação das receitas financeiras o regime de competência. Declaração de Compensação — Débitos PIS, Cofins e IPI – Não Homologação Inexistência de Crédito. Não reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte, impõese, por decorrência, a não homologação das compensações pleiteadas. 0 sujeito passivo foi regularmente cientificado dessa decisão (fl. 443) e interpôs recurso voluntário a este Colegiado (fls. 445/454, com documentos de fls. 455/646),ratificando em essência as razões da peça impugnatória. No momento do julgamento foi apresentado memorial com documentos e explicações que, no entendimento da recorrente, esclareceriam as inconsistências que geraram o indeferimento do pleito nas instâncias anteriores. Em vista da documentação apresentada, o Colegiado (fls. 702/707) decidiu converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fossem confirmadas algumas informações prestadas no memorial Cumprida a solicitação, retornaram os autos para nova apreciação. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIR 4 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Trata o presente de pedido de compensação do crédito referente ao saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 1999 no montante de R$ 500.462,08 (valor original) com diversos débitos, nos termos dos pedidos acostados aos autos. O valor em questão foi apurado da seguinte forma: IR devido apurado no anocalendário de 1999 ............................1.609.103,88 Saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 1998....... (234.855,64) IRRF............................................................................................(1.863.204,69) Imposto recolhido a título de estimativa em março de 1999..... (11.505,63) ============ Saldo negativo no anocalendário de 1999.............................. (500.462,08) Dentre os valores que entraram na composição do crédito estão devidamente demonstrados o IRRF mediante a apresentação de informes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora, e o recolhimentos da estimativa no montante de R$ 11.505,63. No que se refere ao anocalendário de 1998, o saldo negativo do IRPJ teve origem no fato do sujeito passivo ter lançado como exclusão do lucro real a totalidade do imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras enquanto, no que se refere à receita correspondente, apenas a parcela que excedeu as despesas diferidas no período foi acrescida ao resultado. Em relação ao anocalendário de 1999, a interessada reconhece que lançou na DIPJ um valor de receita financeira inferior ao efetivamente auferido. Entretanto, alega que as despesas financeiras também foram lançadas a menor o que implicaria na inexistência de prejuízo ao erário. Seus argumentos podem ser com a seguinte tabela: FICHA 7 DIPJ Contabilidade Linha 24— Outras Receitas Financeiras 8.652.130,68 9.324.171,68 Linha 35 — Outras Despesas Financeiras 113.332,10 785.373,10 Valor de Receitas Despesas 8.538.798,58 8.538.798,58 Na apuração do saldo negativo do IRPJ em 1998 o sujeito passivo entendeu que, por estar em fase préoperacional, caberia apropriar apenas o resultado líquido entre as Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIR Processo nº 13894.000334/0045 Acórdão n.º 1102 00436 S1C1T2 Fl. 3 5 receitas financeiras e as demais despesas. Entretanto, apropriou integralmente o IRRF correspondente às receitas financeiras. A questão foi analisada com precisão pela decisão recorrida que se valeu do voto condutor proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR no Acórdão 7.784/2005, que aqui transcrevo: "Conforme previsto no art. 76, §2" da Lei n°8.981, de 1995, é obrigatória, em cada período de apuração, a tributação dos rendimentos, inclusive dos de aplicações financeiras, por todas as pessoas jurídicas que apuram os resultados com base no lucro real, sendo irrelevante, para tal fim, que estejam ou não em operação e que se trate ou não de receita operacional. Em face do citado dispositivo, os referidos rendimentos integram obrigatoriamente o lucro liquido e, mediante as adições e exclusões – e nestas nunca prevista a de receitas financeiras de empresa em fase préoperacional — resulta no lucro real, que é a base de cálculo do IRPJ. Por conseguinte, equivocado o entendimento da contribuinte ao pretender, por se encontrar em fase préoperacional, não levar ao resultado tais receitas invocando a IN SRF n" 54, de 1988, a qual se baseou no art. 8°, Ido Decretolei n°2.341, de 1987 e na competência conferida pela Portaria MF n" 371, de 1985, e expressa a seguinte ementa: ESTABELECE NORMAS DE CORREÇÃO MONETÁRIA PARA OS EMPREENDIMENTOS EM FASE DE PRÉ OPERAÇÃO. Logo, esse ato normativo se aplicava exclusivamente à correção monetária das demonstrações financeiras das empresas ou empreendimentos em fase de préoperação, e teve por finalidade disciplinar a tributação do lucro inflacionário, em cuja apuração, conforme disposto no art. 21, §1" da Lei n.º 7.799, de 1989 e no art. 21, §1" do Decreto n° 332, de 1991, o saldo credor da correção monetária das demonstrações financeiras era ajustado mediante a dedução de valor correspondente à diferença positiva entre a soma das despesas financeiras com as variações monetárias passivas e das receitas financeiras com as variações monetárias ativas. Dessa forma, além do oferecimento obrigatório à tributação das receitas financeiras do período de apuração por todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, se o resultado do ajuste previsto no art 21 da Lei nº 7.799, de 1989 fosse credor, para a maioria das empresas haveria também a tributação do lucro inflacionário, cujas regras especificas de tributação, para as empresas em fase préoperacional, estavam previstas na IN SRF nº 54, de 1988, podendo assim o lucro inflacionário não ser tributado no exercício em que apurado, sendo diferido mediante sua exclusão do lucro liquido do exercício. Atentese que o Decretolei n" 2.341, de 1987, que tratava da correção monetária das demonstrações financeiras e em que se Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIR 6 baseou a instrução normativa em referência, em seu art. 8' I, atribuiu ao Ministro da Fazenda a competência para baixar as instruções necessárias à aplicação de suas disposições aos empreendimentos em fase de construção, implantação ou pré operacional. Assim, ao se reportar, em seu item 2, transcrito no parecer elaborado por interesse da contribuinte, ás receitas e despesas financeiras, a IN SRF n° 54, de 1988, nada mais fez que disciplinar a forma de apuração, pelas empresas cm fase pré operacional, do saldo credor ou devedor de correção monetária das demonstrações financeiras, e a disciplinar o tratamento a ser dado a esse saldo, ou seja, se devedor, seria acrescido ao saldo da conta de gastos a amortizar, do ativo diferido e, se credor, seria diminuído do total das despesas préoperacionais incorridas no próprio períodobase, devendo o excesso compor o lucro liquido do exercício e podendo ser totalmente diferido como lucro inflacionário. Ademais, cumpre esclarecer que a Lei n" 9.249, de 1995, em seus arts. 4° e 36, I1 revogou a correção monetária das demonstrações financeiras. Assim,a partir de 1996 deixou de ser apurado lucro inflacionário e, portanto, deixou automaticamente de ser aplicada essa IN SRF nº 54, de 1988. Em resumo, o valor das receitas financeiras a ser considerado no resultado deve ser total auferido no período. A partir dos informes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora chegase ao montante de R$ 2.316.492,40. Mesmo que se considere o valor indicado pelo sujeito passivo (R$ 2.255.633,07), o imposto devido apurado reverteria o resultado indicado na DIPJ do período em questão. Teríamos um imposto mais adicional de R$ 543.900,78 (R$ 338.344,95 + R$ 205.555,63), valor superior ao IRFF, gerando imposto a pagar e não saldo negativo como originariamente apurado pelo sujeito passivo. Quanto à apuração do imposto devido no anocalendário de 1999, caberia ao sujeito passivo esclarecer a origem das despesas financeiras no montante aproximado de R$ 672.041,00 (R$ 785.373,10 – R$ 113.332,10)que, segundo afirmou, justificaria a diferença entre o valor das receitas financeiras indicadas na DIPJ e aquelas lançadas nos informes de rendimentos. Desse total, R$ 6.000,00 corresponderia à diferença de CPMF que teria sido indevidamente computada como receita pela instituição financeira. Entendo que a justificativa deva ser aceita quanto a esse valor. O valor remanescente teria origem em rendimentos negativos ocorridos nas aplicações denominadas CITIHEDGE e SUDAMERIS CAMBIAL que não teriam sido lançadas nos respectivos informes de rendimentos e que foram lançadas como despesas. Em relação a esse item, a recorrente trouxe aos autos diversas planilhas que demonstrariam as perdas em questão. Essas planilhas parecem estar em consonância com os dados informados nos extratos mensais emitidos pelas instituições financeiras o que levame a acatar as argumentações. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIR Processo nº 13894.000334/0045 Acórdão n.º 1102 00436 S1C1T2 Fl. 4 7 Além disso, a diligência não foi conclusiva em sentido contrário. Registrese inclusive que as instituições financeiras não esclareceram as dúvidas suscitadas, limitando se a ratificar as informações lançadas nos comprovantes emitidos. Por fim, entendo que se o sujeito passivo tivesse preenchido a DIPJ na forma que seria correta, ou seja, informando a totalidade das receitas financeiras (R$ 9.324.171,68) no campo correspondente e fizesse o mesmo com as despesas ( R$ 785.373,10; em vez de R$ 113.332,10); a comparação com o informe de rendimentos não geraria qualquer pendência lembrando que, conforme quadro acima, o resultado final é o mesmo. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso excluindo do montante pleiteado o valor correspondente ao saldo negativo do imposto apurado em 1998 e não comprovado (R$ 234.855,64) e reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 265.606,44, homologandose as compensações até este limite. A autoridade administrativa deve adotar as providências necessárias para a cobrança dos débitos indevidamente compensados. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Assinado digitalmente em 31/05/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, 20/06/2011 por IVETE MALAQUIAS PE SSOA MONTEIR
score : 1.0
Numero do processo: 10540.002071/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2007
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE.
O Mandado de Procedimento Fiscal constitui-se em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal.
ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2007
MULTA REGULAMENTAR. DIF-BEBIDAS. ART. 57 DA MP Nº 2.15835/
2001. PENALIDADE PROPORCIONAL AO NÚMERO DE MESES COM DECLRAÇÃ NÃO ENTREGUE.
À luz do art. 112, IV, do Código Tributário Nacional, que impõe a
interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida quanto à graduação de penalidade, a multa regulamentar pelo atraso na entrega da DIF-Bebidas, cujo suporte legal é o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, tem seu valor calculado à base de cinco mil reais por cada Declaração em atraso, independentemente da quantidade de meses transcorridos entre o vencimento para entrega e a lavratura do auto de infração.
poA obrigatoriedade de apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune se inicia a partir do trimestre em que o contribuinte é cientificado da concessão do Registro Especial, sendo que tal notificação há de ser feita nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, para
que possa ser exigida a multa pelo atraso na entrega da DIF. Antes da notificação não pode ser exigida a penalidade, ainda que já tenha sido publicado no Diário Oficial da União o ato declaratório concessivo do Registro Especial.
Numero da decisão: 3401-001.441
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente justificadamente o conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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MULTA REGULAMENTAR Recorrente KENIKOV IND E COM DE BEBIDAS LTDA Recorrida DRJ SALVADORBA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2007 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF Nº 2. Nos termos da Súmula CARF nº 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O Mandado de Procedimento Fiscal constituise em elemento de controle da atividade fiscal, sendo que eventual irregularidade na sua expedição ou renovação não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2007 MULTA REGULAMENTAR. DIFBEBIDAS. ART. 57 DA MP Nº 2.158 35/2001. PENALIDADE PROPORCIONAL AO NÚMERO DE MESES COM DECLRAÇÃ NÃO ENTREGUE. À luz do art. 112, IV, do Código Tributário Nacional, que impõe a interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida quanto à graduação de penalidade, a multa regulamentar pelo atraso na entrega da DIFBebidas, cujo suporte legal é o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, tem seu valor calculado à base de cinco mil reais por cada Declaração em atraso, independentemente da quantidade de meses transcorridos entre o vencimento para entrega e a lavratura do auto de infração. poA obrigatoriedade de apresentação da Declaração Especial de Informações relativas ao controle de papel imune se inicia a partir do trimestre em que o contribuinte é cientificado da concessão do Registro Especial, sendo que tal Fl. 348DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 339 2 notificação há de ser feita nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, para que possa ser exigida a multa pelo atraso na entrega da DIF. Antes da notificação não pode ser exigida a penalidade, ainda que já tenha sido publicado no Diário Oficial da União o ato declaratório concessivo do Registro Especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente justificadamente o conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Gerzoni Filho, Helder Massaaki Kanamaru e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que manteve auto de infração no valor de R$ 10.800.000,00, relativo à multa regulamentar pelo atraso na entrega da DIFBebidas, exigida com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, art. 57, inc. I, e Instrução Normativa nº 325/2003, art. 3º, I, A 4ª Turma da DRJ julgou o lançamento procedente. Inicialmente considerou o art. 111, III, do CTN, segundo o qual interpretase literalmente a dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Em seguida rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração por vício no MPF (a contribuinte alega ausência de prorrogação e não conclusão da fiscalização no prazo estabelecido no MPF), por considerálo mero instrumento de controle da atividade fiscal; interpretou que a eventual opção pelo SIMPLES não dispensa a entrega da DIFBebidas; não admitiu a redução da multa por verificar que a contribuinte foi cientificada em 01/09/2004 da exclusão da SIMPLES, retroativa a 09/01/2004 (data da opção); e manteve o valor da penalidade, calculada à base de R$ 5.000,00 por cada mês de atraso transcorrido entre o prazo fixado para entrega da declalação e a lavratura do auto de infração. Embora admitindo a possibilidade de interpretação da então Impugnante que, para a hipótese da eventualidade de manutenção da autuação, defende a redução do valor a R$ 5.000,00 por mês sem entrega da DIF, independentemente da quantidade de meses em atraso, com base no art. 57 da MP nº 2.15835/2001 , a rejeita por aplicar o § 2º do art. 3º da IN SRF nº 325/2003. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 340 3 No Recurso Voluntário, tempestivo, a insiste na improcedência do lançamento, refutando o acórdão da DRJ e repisando as alegações referentes ao seguinte: preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, com violação aos arts. 196 do CTN, 11 e 12 da Portaria RFB nº 11.371/2007 e ao princípio da segurança jurídica; desde a constituição da empresa, em 09/11/2001, houve a opção pelo SIMPLES a a RFB não criou nenhuma objeção à adesão, tanto assim que as Declarações referentes aos anoscalendários 2004 e 2005 foram entregues na condição de optante e foram liberados à empresa os selos necessários á comercialização das bebidas, de modo que somente em 2007, no nomento do envio da Declaração do IRPJ, é que o sistema eletrônico impediu a transmissão sob a alegação de que a Recorrente não constante como optante pelo SIMPLES; ao contrário do afirmado pela fiscalização e entendeu a DRJ, em momento algum tomou conhecimento da exclusão no ano de 2004, nem tampouco do ADE DRF/VCS nº 494.172, de 02/08/2004; a exclusão do SIMPLES violou o devido processo legal, tendo havido cerceamento do direito de defesa e ofensa ao contraditório consagrado no art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal, e o valor da multa regulamentar imposta – quase o dobro do valor da autuação relativa à obrigação principal do IPI, ojeto de outro auto de infração, destaca , implica em violação dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e nãoconfisco; os optante pelo SIMPLES estão dispensados de entrega da obrigação acessória em questão, haja vista os arts. 117 a 120 do Decreto nº 4.544/2002 (Regulamento do IPI); caso mantida a penalidade, seu valor deve resultar de R$ 5.000,00 por mês sem entrega da DIFBebidas (em vez de R% 5.000,00 a cada mês de atraso até o mês do auto de infração, para obrigação mensal sem entrega), seguido da redução de 70% aplicável aos optantes pelo SIMPLES, esta no período de janeiro de 2004 a maio de 2007. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Recurso Voluntário é tempestivo atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que argúi inconstitucionalidade. A alegação de suposta ofensa a princípios constitucionais, como o de vedação ao confisco, não pode ser analisada aqui porque somente o Judiciário é competente para julgá las, a teor do que dispõe a Constituição Federal, nos seus arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Neste sentido, inclusive, a Súmula CARF nº 2, constante da consolidação Fl. 350DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 341 4 realizada conforme a Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Na parte conhecida, os temas a tratar podem ser divididos em três: nulidade do auto de infração, por vício no MPF; exclusão do SIMPLES, que segundo a Recorrente não pode surtir efeitos desde a data da opção e, por isso, caberia aplicar a redução da penalidade específica dos optantes, além de que, enquanto válida a opção, não haveria obrigatoriedade à entrega da DIF Bebidas; valor da penalidade, de modo a decidir se no cálculo cabe considerar R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a cada mês de atraso entre o prazo fixado pela na IN SRF nº 325/2003 para entrega de cada DIFBebidas (que é mensal), como conta da autuação, ou 5.000,00 por mês sem entrega da DIFBebidas, como argúi a Recorrente. Como demonstrado adiante, rejeito a nulidade, verifico que a Recorrente não é optante pelo SIMPLES, em face da exclusão com efeitos retroativos à data da opção, mas dou provimento parcial ao Recurso para reduzir o valor da multa a R$ 5.000 por mês sem entrega. PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO: REJEIÇÃO Quanto ao vício apontado no Mandato de Procedimento Fiscal (MPF) – ausência de prorrogação , considero irrelevante porque esse instrumento se constitui em controle da atividade de fiscalização no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo que eventual irregularidade na sua expedição, ou nas renovações que se seguem, não macula o lançamento tributário. Sendo o MPF instrumento de controle da atividade fiscal, as hipóteses de nulidade, catalogadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não devem ser cogitadas. Por outro lado, o Auto de Infração obedeceu ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não podendo ser inquinado de nulo. O MPF encontra guarida, no âmbito da legislação complementar, no art. 196 do CTN, que dispõe, verbis: Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. A referendar que o MPF é instrumento de controle interno da atividade fiscal, destaco que não deve ser confundido com o Termo de Início de Fiscalização, a ser lavrado pelo AuditorFiscal no início de todo e qualquer procedimento fiscal. Neste sentido cabe trazer à Fl. 351DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 342 5 colação o entendimento do Conselheiro Luiz Martins Valero, quando do julgamento do Acórdão nº 10706820, Recurso de Ofício nº 131.369, julgado em 16/10/2002, à unanimidade, cujo excerto aqui transcrevo: “É possível, portanto, afirmar que o MPF, apesar de sumamente importante para o controle da execução da fiscalização, não integra o rol dos atos e termos vinculados ao lançamento de ofício, que são privativos do agente fiscal encarregado da auditoria fiscal, nos estritos termos do artigo 6º da Medida Provisória nº 46/2002, que convalidou a Medida Provisória nº 2.175/2001 que continha dispositivo semelhante. O MPF destinase a dar publicidade da autorização emitida para a realização do procedimento de fiscalização, no contexto dos atos privativos da Administração Tributária. O lançamento de ofício, por sua vez, está vinculado à lei. Assim, tornase imperativo concluir que o MPF não se constitui em elemento indispensável para dar validade ao lançamento tributário. Ouso discordar das conclusões de Roque Antonio Carrazza e Eduardo D. Bottallo, em artigo publicado no nº 80 da Revista Dialética de Direito Tributário, de que irregularidades relativas ao MPF invalidam o lançamento tributário. É certo, porém, como pregado pelos ilustres tributaristas no referido artigo, que, com a cessação do prazo de validade do MPF, o contribuinte readquire sua espontaneidade, estando assim habilitado a exercitar o direito que lhe confere o art. 138 do CTN. Essa é a primeira conclusão extraída pelos ilustres tributaristas. Na segunda conclusão, os mestres citados afirmam que a simples emissão do MPF, sem a ciência do contribuinte, não tem o condão de tirarlhe a espontaneidade. Para tanto, registram os referidos mestres, é imprescindível a lavratura dos termos fiscais que marquem a existência das providências fiscalizadoras. Portanto, com o devido respeito, ouso afirmar que há contradição entre a primeira e a segunda conclusão apresentadas, posto que se a suspensão da espontaneidade, como afirmam os ilustres pareceristas, exige a lavratura de termos que marquem a continuidade do procedimento de fiscalização, fica evidenciado que o MPF não integra o rol dos atos e termos vinculados ao lançamento, mas sim o âmbito do controle administrativo da execução da fiscalização, e sua ausência não pode resultar em nulidade do lançamento, que é o nosso entendimento.” Agora no sentido de que o MPF é norma voltada para o controle interno da atividade da fiscalização, o voto do Conselheiro Jorge Freire, no Acórdão 20176927, Recurso nº 122.038, sessão em 13/05/2003, julgado à unanimidade quanto à matéria relativa ao MPF. Observese: “De fato, o órgão administrativo Secretaria da Receita Federal decorre do que se chama em direito administrativo de desconcentração das competências estatais. O Estado, no intuito de melhor desempenhar suas funções, cria um órgão, sem Fl. 352DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 343 6 personalidade própria, seu longa manus, e lhe confere um feixe de competências. No caso da SRF, administrar, fiscalizar e arrecadar tributos e contribuições de competência da União. Assim, no quadro da legalidade, criase um órgão e, normalmente, um quadro de carreira para abrigar seus funcionários, aos quais a lei determinará os limites de suas competências, que decorrerão daquelas do órgão ao qual vinculamse. E dentre as atribuições dos Auditores da Receita Federal, em caráter privativo, a norma legal lhes conferem, a teor do disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, o poder dever de “constituir, mediante lançamento, o crédito tributário”1. E o procedimento de fiscalização2, constituição e cobrança dos créditos tributários administrados pela SRF está no Decreto 70.235/72, que, sabemos todos, regula o processo administrativo fiscal em relação aos tributos administrados pela Receita Federal, e, estreme de dúvidas, é lei ordinária no sentido material. Sem embargo, temos de um lado uma lei que regula o procedimento fiscal e o processo administrativo fiscal3, e, de outro, atos infralegais que regulam, administrativamente, a forma que o agente fiscal deve agir, criando meios internos de controle e acompanhamento das ações fiscais. Não vejo entre elas qualquer antinomia. Ao contrário, ambas visam resguardar os interesses da Fazenda Nacional e a legalidade da relação jurídica tributária Assim, regulamentando o art. 196 do CTN, que se refere à administração tributária, mais especificamente sua ação de fiscalização, criouse o Mandado de Procedimento Fiscal, que designa determinado auditor para iniciar os procedimentos fiscais em relação a contribuinte específico, o qual, por sua vez, disporá de meio para aferir na INTERNET a veracidade e legalidade do ato que o intimou do início da fiscalização. ... Como leciona WEIDA ZANCANER4, não basta o interesse genérico na restauração da legalidade, fato que, quero crer, motivou a decisão a quo anular o lançamento, devendo haver a necessidade da existência de um interesse público concreto e específico que justifique a eliminação do ato administrativo, no caso o lançamento. A r. decisão deveria ter buscado a convalidação do ato que julgou afrontar a ordem jurídica, determinando o refazimento de outro MPF ou a edição de um complementar. Como ensina aquela autora paulista, “a 1 Art. 6o, da MP 2.17529, de 24/08/2001. 2 O Decreto 3.724, de 10/01/2001, em seu art. 2o, § 1o, reportase ao art. 7o e seguintes do Decreto 70.235/72, como procedimento fiscal. 3 Assim entendido aquele que decorre do início do litígio administrativo fiscal por ocasião da impugnação, tendo por fim a solução do conflito nascido da pretensão resistida do sujeito passivo à pretensão exacional do sujeito ativo. O Decreto 70.235/72 têm normas que regulam tanto o procedimento quanto o processo administrativo federal em relação aos tributos administrados pela Receita Federal. 4 Da Convalidação e da Invalidação dos Atos Administrativos, 2ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 5559. Fl. 353DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 344 7 convalidação visa evitar a desconstituição dos atos ou relações jurídicas que podem se albergadas pelo sistema normativo se sanados os vícios que os maculam, já que a reação da ordem normativa com relação a essa espécie de atos ou relações não é de repúdio absoluto”. A meu sentir, não há dúvida que seria caso de convalidação, mormente quando o contribuinte não se insurgiu contra o apontado vício5. A normatização administrativa que regulamenta o MPF tem como função, como a própria Portaria SRF 3.007, de 26/11/2001, menciona, o disciplinamento administrativo da execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF. Portanto, seu âmbito é administrativo, no intuito da administração tributária planejar suas ações de fiscalização de acordo com parâmetros que estabeleça. E, nesse mister, não vejo qualquer mácula para que a Administração regulamente o procedimento fiscal. Legítimo, então, que ela estabeleça a forma como se dará o “ato de ofício” a que alude o art. 7o, I, do já aduzido Decreto. De tal regulamentação decorre que ao AFRF não é dado escolher, ao seu alvedrio, com juízo próprio de oportunidade e conveniência, qual sujeito passivo, em que período, e a extensão que se dará o procedimento fiscal. Sem dúvida, a Administração tributária pode normatizar sobre critérios fiscalizatórios que entenda convenientes ao gerenciamento e busca de diretrizes traçadas. E o AFRF assim deve agir, sob o pálio do princípio administrativo da subordinação hierárquica. Mas, com efeito, não defluo da leitura da Portaria SRF 1.265/99 e, presentemente, da Portaria SRF 3.007, que a indicação do AFRF através de MPF interfira em sua competência para praticar o ato de lançamento. Dessarte, não intimado o sujeito passivo da revogação expressa do anterior MPF, o lançamento decorrente de procedimento fiscal iniciado através de MPF e que nele conste o agente fiscal autuante no pleno exercício de suas funções, a menção de quais tributos deverão ser fiscalizados, o período explicitado, não pode ser fulminado de nulidade tendo como pressuposto qualquer outro descumprimento formal estabelecido em ato normativo administrativo. Demais disso, o 70.235/72 não estabeleceu tal hipótese a ensejar a nulidade do lançamento. Aliás, nem as Portarias administrativas o fizeram. O vencimento do prazo de um MPF gerará efeitos na órbita administrativa, mas não a tal ponto de fulminar a própria constituição do crédito tributário, obra da ação fiscal por ele iniciada.”. Do exposto, resta explicitado meu entendimento de que não há como anular um lançamento pelo fato do descumprimento de requisitos estatuídos em norma administrativa. Do 5 Nesse sentido art. 55 da Lei 9.784/99, que dispõe: “Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração”. Fl. 354DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 345 8 retrotranscrito, não identifico na circunstância sob análise a necessidade da existência de um interesse público concreto e específico que justifique a eliminação do ato administrativo de lançamento (ainda mais que houve a emissão de um MPF, mas de Fiscalização, mesmo não atendendo os prazos da então vigente Portaria SRF no 1.265/99), e que, em nenhum momento a mim restou evidenciado qualquer mácula às garantias do administradorecorrente.” (negritos ausentes no original). Pelos fundamentos acima, rejeito a arguição de nulidade. EXCLUSÃO DO SIMPLES: EFEITOS RETROATIVOS À DATA DA OPÇÃO Diante das provas constantes dos autos, é certo que a Recorrente foi excluída do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/VCA nº 494172, de 02/08/2004 (fl. 257), entregue à contribuinte em 01/09/2004 (fls. 258 e 259). E como o referido ADE tem efeitos desde a data da opção (09/11/2001), descabe aplicar a redução estabelecidade para os optantes do SIMPLES. Observo que no Aviso de Recebimento (AR) com cópia à fl. 01, no qual foi anotada a data de recebimento (01/09/04), consta a identificação de quem o recebeu no endereço da Recorrente, incluindo o número da identidade. Comprovada a ciência regular à contribuinte, não vislumbro qualquer cerceamento do direito de defesa ou outro vício na exclusão do SIMPLES. Quanto à circunstância de a contribuinte ter adquirido selos após a opção pelo SIMPLES, não tem importância para o deslinde deste litígio porque o atraso na entrega da DIF Bebidas não impede o fornecimento, já que apesar do atraso ela continou detentora do Registro Especial de que trata o DecretoLei nº 1.593/77. A Recorrente alega ainda que os optante pelo SIMPLES estariam dispensados de entrega da DIFBebidas, mas esta argüição ficou superada diante da comprovação de que houve a exclusão com efeitos desde a opção. VALOR DA MULTA: R$ 5.000 POR CADA DIFBEBIDAS NÃO ENTREGUE Por último cuido do valor da multa, dando razão em parte à Recorrente, como já antecipado. Em julgamento do qual participei, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes entendeu, por maioria, que a multa regulamentar pelo atraso na apresentação da Declaração especial de Informações relativas ao controle de papel imune (DIFPapel Imune) cuja base legal é o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, a mesma da DIFBebidas ora debatida – de modo a resultar em R$ 5.000,00 por mês de cada DIFPapel Imunidade entregue com atraso, e não em R$ 5.000,00 por cada mês de atraso. Refirome ao Acórdão nº 20313.674, Recurso nº 153.556, julgado em 03/12/2008, relator designado o ilustre Conselheiro José Adão Vitorino de Morais (o relator sorteado, igualmente ilustre Cons. Odassi Guerzoni Filho, ficou vencido), que assentou o seguinte: Fl. 355DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 346 9 Em relação à obrigação acessória, quanto à entrega tempestiva da DIFPapel Imune, levandose em conta que esta declaração é trimestral, o inciso I do art. 57 da MP, transcrito acima, permite dupla interpretação sobre a expressão “R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário”. Uma, o valor da multa pode ser de até R$ 15.000,00 (quinze mil reais), conforme o número de meses compreendidos pela declaração; ou, uma segunda, de múltiplos de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), conforme o número de mesescalendários correspondentes ao atraso no cumprimento ou na formalização da autuação. Devese levar em conta que a DIF – Papel Imune é uma declaração trimestral, diferente de outras declarações, cujas multas também encontram amparo no inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, como é o caso das declarações mensais previstas nas Instruções Normativas SRF nº 325, de 30/04/2003; nº 396, de 06/02/2004 e nº 445, de 20/08/2004. Muitas destas normas regulamentadoras declaram expressamente que lhes valem a segunda interpretação. A IN 71, de 2001, que trata exclusivamente da DIF – Papel Imune, nada contempla sobre esse item. Essa omissão pode ter dois significados: ou o efeito multiplicador da multa é aplicável ao atraso na entrega da DIF – Papel Imune, em virtude de interpretação sistemática (se para as outras declarações é assim, porque não seria para esta?), ou o legislador administrativo não quis adotar a mesma regra das outras declarações (se nada disse, é porque não quis). Tomamos a liberdade de citar e transcrever a interpretação favorável à multa progressiva expendida julgador Celso Lopes Pereira Neto, no julgamento do Acórdão DRJ/REC nº 13.624, de 27 de outubro de 2005, in verbis: “Suponhamos que haja, na jurisdição de uma mesma Unidade da SRF, dois contribuintes na mesma situação: mesma natureza do negócio (por exemplo, gráfica), mesmo porte, com o registro especial que as autoriza a realizar operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. E ambas deixam de apresentar a Declaração DIF – Papel Imune, referente ao mesmo trimestrecalendário. A autoridade administrativa tem, imediatamente, nos sistemas da SRF, a informação de que ambas descumpriram a obrigação acessória. No entanto, em relação a uma delas, age imediatamente autuandoa pela infração cometida. Em relação à outra, a falta de ação e autuação faz com que o “taxímetro fique rodando” até que a empresa seja incluída em alguma fiscalização. Parecenos que isto configuraria um tratamento claramente desigual em relação a contribuintes em situação equivalente. Também, não nos parece que esta (aplicação de taxímetro) fosse a intenção da lei, para os casos de declarações periódicas. Haveria mais sentido para solicitações e intimações isoladas, casos em que o não atendimento configuraria embaraço à ação fiscal. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 347 10 Porém, não compete ao julgador administrativo de primeira instância da Receita Federal do Brasil decidir sobre a justeza, legalidade ou inconstitucionalidade de Instruções Normativas, mas apenas darlhes cumprimento. Ora, o montante da penalidade vai depender exclusivamente da ação das DRFs em fiscalizar as pessoas jurídicas obrigadas a entregas de DIF – Papel Imune. Se exigir a multa no mês imediatamente seguinte ao trimestre, esta será correspondente a apenas um mês, se demorar mais de um mês, a multa será multiplicada por tantos meses quantos tiverem decorrido desde a data limite, fixada para sua entrega, podendo chegar a 60 (sessenta) vezes por cada declaração trimestral, gerando um montante impagável e muitas vezes superior ao patrimônio líquido da pessoa jurídica, como no presente caso. Diante da duplicidade de interpretações sobre a lei tributária que comina penalidade, parecenos imprescindível aplicarse ao presente caso o art. 112 do CTN que assim dispõe, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.”(destaque nãooriginal.) Dessa forma, entendo que a interpretação mais favorável ao sujeito passivo é a que limita a penalidade em R$ 15.000,00 (quinze mil reais) por declaração em atraso... Embora o Cons. José Adão Vitorino de Morais, no voto acima transcrito, ressalve que na hipótese de outras obrigações acessórias há disposição expressa no sentido de que o valor da penalidade deve ser calculado contandose a quantidade de meses em atraso (referese, certamente, em se trando da DIFBebidas, ao § 2º do art. 3º da IN SRF nº 325/2003)6, me parece que a interpretação deve ser uma, para todas as obrigações acessórias cuja penalidade encontre suporte legal no art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Ainda que algum 6 Art. 3º A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DIFBebidas no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarseá às seguintes multas: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), os valores e o percentual referido neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. § 2º Para aplicação da multa de que trata o inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e, como termo final, a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Fl. 357DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 348 11 ato infralegal seja expresso em dizer que a cominação equivale a R$ 5.000,00 por cada mês de atraso – o que a referida Medida Provisória não diz , deve prevalecer a norma da Lei (Medida Provisória, no caso), e não a da Instrução Normativa. A DIFBebidas, assim como a DIFPapel Imune, foi instituída por meio de ato infralegal (Instruçãos Normativas), o que é plenamente possível porque obrigação acessória não requer, necessariamente, lei formal para ser criada. Apenas a penalidade exigível pelo seu descumprimento é que precisa constar de lei formal, que nas hipóteses dessas obrigações acessórias é o citado art. 57 da MP nº 2.15835/2001, a dispor o seguinte, in verbis: Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos doart. 16 da Lei no 9.779, de 1999,acarretará a aplicação das seguintes penalidades: IR$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; IIcinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único.Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. O art. 16 da Lei nº 9.779/1999, por sua vez, tem a seguinte dicção: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Diante da dúvida que o inciso I do art. 57 da MP nº 2.15835/2001 comporta – seria R$ 5.000,00 por mêscalendário em atraso a partir do vencimento da obrigação acessória e até sua entrega ou lavratura de auto de infração, ou R$ 5.000,00 por mêscalendário de cada obrigação acessória, independentemente da quantidade de meses em atraso? , a interpretação que deve prevalecer é a mais favorável ao contribuinte, por força do inc. IV do art. 112 do CTN. Pela exegese menos favorável, o valor da penalidade é aumentado conforme a quantidade de meses do atraso. Assim, quanto mais demorada a entrega pelo contribuinte, maior o valor. Ou, quanto mais demora a Receita Federal do Brasil para efetuar o lançamento, maior a penalidade. E como o valor é de R$ 5.000,00 por mêscalendário de atraso (sem a redução própria dos optantes pelo SIMPLES, já descartada), a multa podia atingir um montante alto demais, de forma nada razoável. Afinal, “o taxímetro ficava rodando”, na expressão mui bem empregada pelo julgador Celso Lopes Pereira Neto, por ocasião do julgamento do Acórdão DRJ/REC nº 13.624, de 27 de outubro de 2005. Destaco, por oportuno, que a penalidade pelo atraso na DIFPapel Imune, que é trimestraal, foi alterada pela Lei nº 11.945/2009, segundo a qual o valor da multa é obtido levandose em conta cada obrigação acessória isolada, e não mais cada mês em atraso. Nos termos da Lei nº 11.945/2009, se a Administração Tributária demora mais para efetuar o Fl. 358DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10540.002071/200930 Acórdão n.º 340101.441 S3C4T1 Fl. 349 12 lançamento a multa não aumenta a cada mês. E como a Receita Federal do Brasil tem meios eletrônicos de detectar o descumprimento de obrigações acessórias, nada impede que o lançamento de ofício seja imediato, tão logo vencido o prazo de sua entrega. Daí ser mais razoável a fixação da penalidade proporcional ao número de DIFPapel Imune (ou trimestre) em atraso, em vez do “taxímetro” anterior. A alteração da Lei nº 11.945/2009 é específica da DIFPapel Imune, sendo que a DIFBebidas em discussão neste processo continua com sua penalidade apoiada no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, a ser interpretado do modo favorável à Recorrente, como acima delineado. Pelo exposto, não conheço do Recurso Voluntário no que alega inconstiutcionalidades e, na parte conhecida, dou provimento parcial para reduzir a multa regulamentar ao valor equivalente a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por cada DIFBebidas em atraso, independentemente da quantidade de meses transcorridos entre o vencimento de cada obrigação acessória e a lavratura do auto de infração. (assinado digitalmente) Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 359DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Assinado digitalmente em 14/06/2011 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, 14/06/2011 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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