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Numero do processo: 10907.002136/2004-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/02/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO.
A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Dcomp, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Andréa Medrado Darzé.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/02/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Dcomp, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 384 1 383 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.002136/200436 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.795 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2013 Matéria IPI DCOMP Recorrente SIPAL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITOPRESUMIDO. INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. A exportação de produto não tributado (NT) não confere direito ao crédito presumido de IPI relativamente aos insumos empregados em sua fabricação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Dcomp, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencida a conselheira Andréa Medrado Darzé. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 21 36 /2 00 4- 36 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório que não homologou a compensação do débito tributário, vencido em 13/02/2004, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 128/131, transmitida em 13/02/2004, com ressarcimento de saldo credor de crédito presumido do IPI, apurado para o 3º trimestre do ano calendário de 2001. A DRF em Paranaguá não homologou a compensação do débito declarado sob o argumento de que a recorrente não tem direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, declarado naquela Dcomp, por não ter receita de exportação de produtos industrializados para fins de apuração desse benefício fiscal, conforme Despacho Decisório nº 118, datado de 4 de julho de 2005, às fls. 296/302. Inconformada com não homologação da compensação do débito declarado, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 303/336), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “que a legislação infralegal citada pelo Despacho Decisório é posterior ao período do pedido, dando ensejo à nulidade, bem como padeceriam de ilegalidade, encontrandose também eivadas do vício de inconstitucionalidade, as restrições criadas pelas Instruções Normativas nos 23/97 e 103/97 e o Parecer PGFN/CAT/n° 3.092/2002 face às disposições da Medida Provisória n° 948/95 e suas reedições, e da Lei n° 9.363/96. Sintetiza algumas fases de processamento pelas quais passa a soja in natura até a obtenção do produto soja industrializada exportada pela requerente, que, segundo seu entendimento caracteriza industrialização, sob a forma de produto semielaborado, que é uma das espécies do gênero produto industrializado. Quanto às exportações de adubo, alega que Da mesma forma que a soja, não pode uma mera classificação como produto ‘nãotributado’ para efeito de IPI descaracterizar o produto tornandoo matériaprima em estado natural. Manifesta seu entendimento de que o fato de estarem estes produtos classificados como não tributáveis, não os excluem do seu enquadramento como produtos industrializados, pois segundo a própria classificação dada pelo RIPI, se a atividade exercida for de industrialização, não pode o contribuinte ver seu legítimo direito minorado por uma questão de mera classificação fiscal. Colaciona diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes acerca da matéria em discussão.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1421.002, datado de 15 de outubro de 2008, às fls. 340/347, sob as seguintes ementas: “CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10907.002136/200436 Acórdão n.º 3301001.795 S3C3T1 Fl. 385 3 terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 351/376), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação dos débitos declarados, alegando, em síntese, a mesma razão expendida na manifestação de inconformidade, ou seja, que as aquisições de cooperativas e pessoas físicas geram créditos presumidos do IPI, tendo em vista que a Lei nº 9.363, de 1996, que instituiu esse benefício fiscal não expressa ou veda implicitamente o crédito sobe tais custos e que instruções normativas não podem vedar seu aproveitamento; e, quanto à industrialização do produto exportado, a referida lei, em seu artigo 1º, contemplou o gênero mercadorias, não cabendo ao intérprete (RFB) restringir sua aplicação aos produtos industrializados; além disto, a soja exportada por ela classificase como produto industrializado, nos termos dos art. 3º e 4º, inciso II, do RIPI/1998. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O benefício fiscal denominado “crédito presumido do IPI”, a título de ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes nas aquisições de matérias primas, insumos e materiais intermediários utilizados em produtos industrializados e exportados, foi inicialmente instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996, e, posteriormente, por meio da MP nº 2.2022, de 23/08/2001, convertida na Lei nº 10.276, de 10/09/2001, foi criado o regime alternativo. No presente caso, a recorrente reclama ressarcimento apurado nos termos da Lei nº 9.363, de 13/12/1996, que assim dispõe: “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Posteriormente, foi editada a IN SRF nº 69, de 06/08/2001, que regulamentou a aplicação desse dispositivo, assim dispondo: “Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins.” Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, o crédito presumido do IPI contempla apenas e tão somente a pessoa jurídica produtora e exportadora, de produtos industrializados por ela e exportados para o exterior diretamente e/ ou via empresa comercial exportadora. Os produtos nãotributados (NT) pelo IPI, nos termos da legislação desse imposto, não se classificam como produtos industrializados e não fazem jus ao crédito presumido do IPI. As alegações de mérito em relação ao direito de aproveitar créditos presumidos do IPI sobre os custos de aquisições físicas de cooperativa e pessoas físicas ficaram prejudicadas tendo em vista que tais insumos foram aplicados em produtos NT, ou seja, não tributados por este imposto. Portanto, considerando que a recorrente não industrializa produtos e não é contribuinte do IPI, não tem direito ao crédito presumido deste imposto. Já em relação à homologação da compensação do débito tributário, declarado na Dcomp em discussão, a Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, a condiciona à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp é ilíquido e incerto, ou seja, não se reconheceu o direito da recorrente ao ressarcimento dos créditos presumidos do IPI utilizados na compensação. Assim, correta a não homologação da compensação do débito tributário declarado na Dcomp em discussão pela autoridade administrativa competente. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10907.002136/200436 Acórdão n.º 3301001.795 S3C3T1 Fl. 386 5 Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 27 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13896.911477/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/10/2008
DCTF. RETIFICAÇÃO ANTES DO LANÇAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE
O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não apreciado.
Numero da decisão: 3803-003.787
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Alexandre Kern.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Alexandre Kern. [assinado digitalmente] Alexandre Kern - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.911477/200973 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.787 – 3ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Matéria PER/DCOMP Recorrente FAST PRINT & SYSTEM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/10/2008 DCTF. RETIFICAÇÃO ANTES DO LANÇAMENTO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não apreciado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Alexandre Kern. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP no 03564.97694.181208.1.3.040233 através do qual a contribuinte pretende compensar crédito pago indevidamente ou a maior de COFINS do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 14 77 /2 00 9- 73 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 período de apuração 05/2004 pago em 15/06/2007, no valor original de R$ 32.904,55, com débito de PIS/PASEP e COFINS ambos de período de apuração 11/2008 no valor total de R$ 53.440,28. A DRF em Barueri indeferiu o pedido através de Despacho Decisório Eletrônico alegando que o pagamento foi localizado, mas, que fora integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Ireesignada a contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade onde alega, que em revisão de apuração do PIS e da COFINS constatou recolhimentos a maior que o devido, que retificou as suas declarações (DCTF, DIPJ e DACON) e as apresentou anteriormente ao Despacho decisório suas versões retificadas. Argumenta que resta demonstrados pelos documentos apresentados (DCTF, DIPJ e DACON) a existência do credito pleiteado. Requer por fim, deferimento do pedido e homologação da compensação. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada sob o argumento de falta de provas, tanto para substanciar a redução do de débito originalmente declarado em DCTF, quanto para comprovar a existência do direito creditório pleiteado. Inconformado o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário. Colacionando vasta doutrina, a recorrente pugna pela primazia do princípio da verdade material no processo administrativo em contraposto à verdade formal no processo judicial, alegando ser de responsabilidade da Receita à instrução probatória e que apenas complementariamente o interessado deve participar desta referida fase probatória. Afirma que sequer foi intimada a apresentar documentos que comprovam a origem dos créditos pretendidos. Alega que a recorrente retificou as informações fiscais "com obvio suporte nos seus balanços e notas fiscais" o que seria suficiente para comprovação do crédito. Ao final requer a homologação das declarações e subsidiariamente que lhe seja concedido prazo de 30 dias para a apresentação de documentos. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A contribuinte apresentou PER/DCOMP que foi indeferido pela ausência de crédito. O Despacho Decisório adota como razão de decidir o fato do pagamento ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensações dos débitos informações em PER/DCOMP. Em sua defesa o sujeito passivo informa que em revisão de apuração de PIS e COFINS constatou recolhimento a maior e que retificou a DCTF, DIPJ e DACON antes do despacho decisório. Anexa as declarações retificadoras em sua manifestação de inconformidade. Do pedido de prazo para apresentação de documentos. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.911477/200973 Acórdão n.º 3803003.787 S3TE03 Fl. 11 3 A Recorrente requer prazo de 30 dias para apresentação de documentos contábeis que comprovem a origem dos créditos. O pedido da Recorrente encontra óbice na legislação que rege o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72 que determina este momento como sendo no ato da impugnação, senão vejamos o enunciado dos artigos 15 e 16: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Pelo que, por absoluta falta de previsão legal, indeferimos o pedido de prazo para apresentação de documentos. Da retificação de declarações. O Contribuinte retificou as informações inicialmente declaradas em DCTF, reduzindo o valor do COFINS devido no mês maio de 2004 de R$ 61.190,47 para R$ 28.285,92. Nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN, a contribuinte pode retificar suas declarações antes do despacho decisório, ainda que esta seja sujeira a comprovação. Passemos a leitura do dispositivo destacado: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo apresentou retificação das suas declarações antes de notificado do despacho decisório, estando dentro do prazo previsto. Da Nulidade do Despacho Decisório. Compulsando as informações constantes dos autos, observase que o Despacho Decisório teve como data de emissão o dia 07/10/2009 (fl.7) e o seu indeferimento se deu em razão do alegado DARF, no valor de R$ 61.190,47, ter sido integralmente utilizado para pagamento do mesmo tributo, ou seja, COFINS de maio/04, informado em DCTF. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Ocorre que a contribuinte retificou as suas obrigações acessórias perante a Receita Federal, entre elas a DCTF em 22/07/2009 (Fl.21), através da qual o valor devido da COFINS para o mês de maio/04 foi reduzido para R$ 28.285,92 (Fl. 22). Observase que na data em que o PER/DCOMP foi analisado eletronicamente o débito da contribuinte, informado em DCTF, era de R$ 28.285,92 e não de R$ 61.190,47, portanto, entendemos que não poderia ter sido utilizado como razão de decidir a utilização integral do valor recolhido para pagamento da referida contribuição. O que entendemos como o procedimento correto por parte da RFB seria o encaminhamento do PER/DCOMP para análise manual a fim de que a contribuinte fosse intimada a apresentar documentos fiscais hábeis a comprovar a redução do valor do tributo informado em DCTF retificadora, tais como: balancetes, razão, livros e documentos fiscais, além das planilhas demonstrativas do crédito apurado. Pelo exposto voto pela nulidade do Despacho Decisório Eletrônico que indeferiu a compensação pleiteada para que outro seja proferido, concedendo oportunidade à contribuinte para que exerça o seu direito de defesa. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 06/ 12/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900417/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Descabe considerar-se, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp).
Numero da decisão: 1803-001.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. Descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 04 17 /2 00 9- 45 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900417/200945 Acórdão n.º 1803001.640 S1TE03 Fl. 112 2 Relatório Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP transmitido em 31.10.2005, através do qual foi pedida restituição de IRPJ (PA junho/2004 lucro real estimativa mensal) no valor original de R$ 837.676,26 e efetivada a compensação de débitos da recorrente com esse crédito (fl. 05). A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico, asseverou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta suas razões de inconformidade de forma tempestiva, alegando que ocorreu erro formal na elaboração do PER/DCOMP, no que se refere ao tipo de crédito, sendo sua intenção compensar o saldo negativo de IRPJ. Ainda, afere que o erro quanto à indicação do tipo de crédito não deve ensejar o desacordo com os pedidos do contribuinte, merecendo a sua homologação. E, por fim, requer a homologação de seu PERD/COMP e a improcedência ou cancelamento do Despacho Decisório. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento em sua integralidade. Aduz que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Assim, salienta o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. Em outras palavras, o julgador a quo observa que através do PER/DCOMP em análise, a empresa recorrente efetuou uma compensação na qual o crédito utilizado refere se ao DARF apontado no documento. Em sua manifestação a empresa inova, afirmando que a origem do crédito seria o saldo negativo apurado no ano. E, neste contexto, entende que não pode ser acolhida a pretensão da recorrente no sentido de fazer compensar débito informado em seu PER/DCOMP com valores referentes a créditos diversos daquele indicado, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Finaliza o seu raciocínio referindo não se tratar de negar a apresentação de documentos comprobatórios, inobservando o princípio da verdade material, mas do fato do crédito cuja existência pretende ver discutida a empresa recorrente ser diferente daquele utilizado na compensação cuja "não homologação" está sendo analisada. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900417/200945 Acórdão n.º 1803001.640 S1TE03 Fl. 113 3 Devidamente cientificada da decisão proferida em primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário de forma tempestiva, reiterando os argumentos já dispostos na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora Tratase, o presente feito, de PER/DCOMP através do qual foi pedida a restituição de IRPJ (PA junho/2004 lucro real estimativa mensal) no valor original de R$861.349,86 e efetivada a compensação de débitos da recorrente com esse crédito. A decisão proferida em primeira instância não homologou a compensação porquanto entender que não pode ser acolhida a pretensão no sentido de fazer compensação de débito informado em PERD/COMP com valores referentes a créditos diversos daquele indicado, os quais não integram o seu conteúdo. Ocorre que o presente feito tratase de erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PERD/COMP) e não de alteração da origem do crédito pleiteado. Ademais, temse que a própria recorrente admite que deveria ter indicado o pagamento de estimativas mensal na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração, compondo assim o saldo negativo correspondente. Neste contexto, podese concluir que o pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na PERD/COMP compõe o saldo negativo apurável. Assim, plausível que a Receita Federal aprecie o direito creditório da empresa recorrente, em conjunto com outras PERD/COMP, por ventura tenham a mesma origem. Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para que a DRF de origem aprecie o direito creditório como o saldo negativo de IRPJ. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10283.900417/200945 Acórdão n.º 1803001.640 S1TE03 Fl. 114 4 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 09/05/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 19647.001304/2003-78
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/12/1999 a 31/05/2000, 01/08/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2003
Ementa: DECADÊNCIA.
O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4º, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, em caso contrário. A Lei nº 8.212/91 não se aplica a esta contribuição, vez que sua receita não se destina ao orçamento da Seguridade Social.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.
A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa, que pode e deve ser realizada, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Descabe a aplicação de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança.
LANÇAMENTO EQUIVOCADO. DESCONSTITUIÇÃO.
Deverá ser desconstituído o lançamento efetuado sob o regime de PIS cumulativo quando a pessoa jurídica estiver obrigada ao recolhimento na modalidade da não-cumulatividade.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-80.577
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I) por maioria de votos, para reconhecer a decadência dos fatos geradores do PIS anteriores a setembro de 1998. Vencidos os Conselheiros Mauricio Taveira e Silva (Relator), que no reconheceu a decadência nem do PIS, nem da Cofins, Fabiola Cassiano Keramidas e Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, que reconheciam a decadência também da Cofins. Designado o Conselheiro Antônio Ricardo Accioly Campos para redigir o voto vencedor nesta parte; e II) por unanimidade de votos, para excluir a multa de oficio dos autos destinados a prevenir a decadência e desconstituir o lançamento do PIS quanto aos fatos geradores referentes ao período de janeiro a abril de 2003.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maurício Taveira e Silva
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/12/1999 a 31/05/2000, 01/08/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2003 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4º, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, em caso contrário. A Lei nº 8.212/91 não se aplica a esta contribuição, vez que sua receita não se destina ao orçamento da Seguridade Social. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa, que pode e deve ser realizada, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Descabe a aplicação de multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida liminar em mandado de segurança. LANÇAMENTO EQUIVOCADO. DESCONSTITUIÇÃO. Deverá ser desconstituído o lançamento efetuado sob o regime de PIS cumulativo quando a pessoa jurídica estiver obrigada ao recolhimento na modalidade da não-cumulatividade. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I) por maioria de votos, para reconhecer a decadência dos fatos geradores do PIS anteriores a setembro de 1998. Vencidos os Conselheiros Mauricio Taveira e Silva (Relator), que no reconheceu a decadência nem do PIS, nem da Cofins, Fabiola Cassiano Keramidas e Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, que reconheciam a decadência também da Cofins. Designado o Conselheiro Antônio Ricardo Accioly Campos para redigir o voto vencedor nesta parte; e II) por unanimidade de votos, para excluir a multa de oficio dos autos destinados a prevenir a decadência e desconstituir o lançamento do PIS quanto aos fatos geradores referentes ao período de janeiro a abril de 2003.
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Bt3"3. /lat. Fis. 2875 Sdvio Slaidbdca. Mat.: Sapa 91745 fi• MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4>. PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 19647.001304/2003-78 Recurso n° 136.873 Voluntário Matéria Cofins e PIS 0,06%cps- , Acórdão n° 201-80.577 oe cse .eacepoN „ Sessão de 18 de setembro de 2007 se?:0*2501-" Recorrente DUPÉ S/A de Recorrida DRJ em Recife - PE - Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição pano PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/12/1999 a 31/05/2000, 01/08/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/05/2002 a . 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2003 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4 2, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, em caso contrário. A Lei n2 8.212/91 não se aplica a esta contribuição, vez que sua receita não se destina ao orçamento da Seguridade Social. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A propositura de ação judicial não impede a formalização do lançamento pela autoridade administrativa, que pode e deve ser realizada, inclusive como meio de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento. MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Descabe a aplicação de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, cuja exigibilidade houver sido suspensa por medida Jiniinar em mandado de segurança. r ?SSitiL "- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRISUINTeS Processo n.° 19647.001304/2003-78 CO:SERE COM O Of0GINAL CCO2/C01#‘• Acórdão n.° 201-80.577 arasitia -43 S 3°— —9— * Fls. 2876 Silvio StWárbosa Mat Stape 91745 LANÇAMENTO EQUIVOCADO. DESCONSTITUIÇÃO. Deverá ser desconstituído o lançamento efetuado sob o regime de PIS cumulativo quando a pessoa jurídica estiver obrigada ao recolhimento na modalidade da não- cumulatividade. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I) por maioria de votos, para reconhecer a decadência dos fatos geradores do PIS anteriores a setembro de 1998. Vencidos os Conselheiros Mauricio Taveira e Silva (Relator), que no reconheceu a decadência nem do PIS, nem da Cofins, Fabiola Cassiano Keramidas e Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, que reconheciam a decadência também da Cofins. Designado o Conselheiro Antônio Ricardo Accioly Campos para redigir o voto vencedor nesta parte; e II) por unanimidade de votos, para excluir a multa de oficio dos autos destinados a • prevenir a decadência e desconstituir o lançamento do PIS quanto aos fatos geradores referentes ao período de janeiro a abril de 2003. (!ta4 01623u-tilL ~ter • JOSEFA MARIA COELHO MARQ ES Presidente \ \ ANTONIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS elator-Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco e Gileno Gurjão Barreto. • Processo n.° 19647.001304/2003-78 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRUJINTES cavai • Acórdão n.° 201-80.577 CONFERE COMO ORIG:NAL Fls. 2877 BraMPa, _4) 2490, Savio asa mat Sapt 91745 Relatório DUPÈ S/A, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 2.850/2.854, contra o Acórdão n2 11-15.829, de 24/07/2006, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife - PE, fls. 2.822/2.831, que julgou procedentes os autos de infração cujos processos foram juntados por anexação (fls. 05/07, 724/726, 1.428/1.430 e 2.131/2.133), relativos ao PIS e à Cofins, decorrentes de diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos, referentes a períodos compreendidos entre janeiro/1998 e abril/2003, cuja ciência do lançamento ocorreu em 05/09/2003. Conforme Termos de Informação Fiscal (fls. 014/022, 733/741, 1.438/1.446, 2.141/2.149), o autuante procedeu ao levantamento dos cálculos, nos moldes das Leis Complementares n2s 7/70 e 70/91, conforme consignado nas planilhas anexas, em cumprimento à sentença judicial no Mandado de Segurança n 2 99.02632-2, tendo sido lavrados quatro autos de infração distintos, sendo dois com suspensão de exigibilidade, visando prevenir a decadência, bem assim outros dois lançamentos, cujos créditos encontram-se exigíveis. Inconformada a contribuinte apresentou impugnações de fls. 357/368, 1.077/1.089, 1.780/1.792 e 2.481/2.493, com as seguintes alegações: 1.defende a nulidade dos autos, pois a autoridade fiscal reconheceu a existência da medida judicial determinando a suspensão da exigibilidade do tributo e mesmo assim procedeu à autuação, com multa de oficio, caracterizando excesso de exação; 2. em virtude da medida liminar em MS suspendendo a exigibilidade do crédito tributário em questão, o Fisco não pode autuar a contribuinte com vistas a coagi-lo a pagar tributo, tampouco com multa de oficio; 3. discute judicialmente a majoração de alíquota introduzida pela Lei n2 9.718/98, porém, em vista das sucessivas negativas em Juizo no sentido de afastar sua cobrança, entendeu conveniente incluir os débitos em questão no Paes, pagando regularmente, conforme Darfs acostados, não podendo prosseguir a autuação, sob pena de cobrança em duplicidade; 4. a Fiscalização não poderia ter considerado, para efeito de base de cálculo, as receitas provenientes das exportações, conforme disposição trazida pela EC n2 33/2001, que acrescentou o § 22 e inciso I ao art. 149 da CF, tomando imunes as receitas de exportação da incidência das contribuições sociais; 5. A partir da MP n2 66, de 29/08/2002, que deu origem à Lei n 2 10.637/2002, o PIS passou a ser um tributo não-cumulativo, podendo-se compensar no seu valor final determinados créditos decorrentes das operações descritas no seu art. 3 2. Erroneamente, a autoridade fiscal desconsiderou as alterações legislativas, autuando as diferenças encontradas. Em planilha anexa, identificam-se os valores recolhidos a titulo de PIS abatidos os créditos decorrentes do seu regime não-cumulativo; e 6. o Fisco considerou, equivocadamente, os valores decorrentes de crédito- prêmio como receita. Uma vez que se constitui ressarcimento de tributo, ou seja, uma devolução de valores devidos, não se enquadra como receita; e 104k • MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • CONFERE COMO ORIGINAL • • Processo n." 196 747.001304/2003-84 BrasSio S 2.00e, CCO2/001' • Acórdão ra.° 201-80.577 Fls. 2878 Sb S4 Mat. Sepe 91745 • 7. juntando planilhas probatórias do alegado, protesta pela realização de todas as provas necessárias à instrução do presente processo, bem como pela juntada oportuna de documentos que entender importantes para o deslinde do processo. A DRJ julgou procedente o lançamento, tendo o Acórdão a seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 31/05/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/12/1999 a 31/05/2000, 01/08/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2003 Ementa: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, há renúncia às instâncias administrativas, não mais cabendo, nesta esfera, a discussão da matéria de mérito, debatida no âmbito da ação judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/01/1999, 01/03/1999 a 31/03/1999, 01/12/1999 a 30/04/2000, 01/08/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/05/2001, 01/08/2001 a 31/12/2001, 01/02/2002 a 31/03/2002, 01/05/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 31/10/2002, 01/01/2003 a 30/04/2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01%02/1999 a 30/04/1999, 01/07/1999 a 30/04/2000, 01/06/2000 a 30/11/2002, 01/01/2003 a 30/04/2003 Ementa: PROCESSO. ADMINISTRATIVO FISCAL. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como também a atividade administrativa de julgamento pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Assunto: Contribuição para o Financiamento a Seguridade Social - Cojins 7 jr.d MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O CRIONAL • Processo o.° 19647.001304/2003-78 CCO2/C01 •• Acórdão n." 201-80.577 8ras1:.a, ,1.9 1 3_,_1.22gt_. Fls. 2879 sMo itwççgirocsa mu. Siam 91745 • Período de apuração: 01/02/1999 a 30/04/1999, 01/07/1999 a 30/04/2003 Ementa: PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazé-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente; destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Lançamento Procedente". Inconformada a contribuinte protocolizou, tempestivamente, em 29/09/2004, recurso voluntário de fls. 2.850/2.854, acrescido dos documentos de fls. 2.856/2.869, apresentando as seguintes alegações: a) a empresa obteve liminar, a qual suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo a movimentação dos processos; b) impossibilidade de cobrança do diferencial de aliquota da Cofins (1%) pela sua inclusão no Paes, o qual é espécie de parcelamento, o que suspende a exigibilidade, e consoante art. 151, VI, do CTN; c) impossibilidade de se desconsiderar pedidos de compensação de PIS e de Cofins com IPI pela sua inclusão no Paes, sob pena de dupla cobrança; e d) recolheu PIS sob o regime não cumulativo, fato desconsiderado pela Fiscalização. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendo a nulidade dos lançamentos. • É o Relatório. (1.1(1 /VIL" • • • ME . SEGUNDO calsr % ”t• !No- nv./TRIEUIN to • 9.. Processo n.° 19647.001304/2003-78 CONFERE Gel,: C 0,1,h3'N‘l CO32/C01 * •• Acórdão n.° 201-80.577 f—n9f8Sit.N. .23._i_____u_ I.,22aL Fls. 2880 saym af s'arbota mat: SiaPe 91145 Voto Vencido Conselheiro MAURÍCIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O presente processo versa sobre quatro autos de infração cujos processos foram juntados por anexação, sendo: a) Cofins exigível (vol. I, fls. 05/07), Processo Original n2 19647.00130412003- 78; b) PIS exigível (vol. IV, fls, 724/726), Processo Original n 2 19647.001301/2003- 34; c) PIS exigibilidade suspensa (vol. VII, fls. 1428/1430), Processo Original n2 19647.001303/2003-23; e d) Cofins exigibilidade suspensa (vol. X, fls. 2131/2133), Processo Original n2 19647.001302/2003-89. Tal procedimento decorre da existência de medida judicial, Mandado de Segurança n9 99.02632-2, através da qual a contribuinte argúi a inconstitucionalidade da Lei n2 9.718/98, demandando efetuar os recolhimentos do PIS e da Cofins nos moldes das Leis Complementares n2s 7/70 e 70/91. O Termo de Informação Fiscal de fls. 14/22 consigna à fl. 16 o que segue: "No âmbito das verificações obrigatórias definidas na Portaria Cofts acima indicada, e em cumprimento da sentença judicial sobredita, procedemos o levantamento da base de cálculo da COFINS nos moldes nas (sie) Leis Complementares 07/70 e 70/91 apurada e escrituradas pelo contribuinte nos Balancetes de Verificação (fis. 148 a 249 e 252 a 354) conforme consignados nas planilhas anexas (fls. 47 a 57)." (grifei) No mesmo Termo, à fl. 20, lê-se: "Contudo, tendo a empresa fiscalizada interposto Mandado de Segurança com pedido de Liminar contra a cobrança da COFINS nos temos da Lei n° 9.718/98 e obtido êxito no que se refere a alteração da base de cálculo, conforme sentença proferida nos autos do processo judicial n° 99.02632-2, consideramos na apuração das diferenças lançadas, a base de cálculo prevista na Lei Complementar n° 70/91 com aplicação da aliquota indicada no artigo 8° da Lei 9718/98." Ainda dos documentos constantes dos autos observa-se, por meio das planilhas "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" de fls. 69/74, elaboradas a partir dos documentos contábeis da recorrente, que os lançamentos decorrem de diferenças entre valores apurados pelo Fisco e aqueles declarados pela contribuinte. Ademais, o precitado Termo consigna que a contribuinte encontrava-se omissa quanto à entrega das DCTF referentes aos 1 2 e 42 trimestres de 2001, ° trimestre de 2002 e 12 trimestre de 2003. " 2ek (./ 1. • i , ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •• Processo n.° 19647.001304/2003-78 CONFERE COMO ORIGINAL CCO2/C01 Acórdão n.° 201-80.577• Brasflta. ,4_,9, 03 im Fls. 2881 541/10 ajdat;sa 1413t. &soa 91745 • Conclui-se, portanto, haver pró iredefity no lançamento, uma vez que se refere a diferenças apuradas pelo fisco entre os valores escriturados e os declarados/pagos, levando-se em conta a decisão judicial. Destarte, correto o procedimento da fiscalização em efetuar o lançamento com a devida multa de oficio, prevista no art. 44, inciso 1, da Lei n 2 9.430/96, uma vez que se trata de atividade vinculada e obrigatória, inclusive sob pena de responsabilidade funcional, tal como disposto no art. 142, parágrafo único, do CTN. Quanto ao lançamento "d", Cofins com exigibilidade suspensa, no referido Termo à fl. 2.143, lê-se: "Verificamos que, examinado pelo poder judiciário o mérito da ação interposta, foi proferida sentença concedendo em parte a segurança, apenas em relação à inconstitucionalidade do artigo 3° da Lei 9.718/98 que trata na base de cálculo das contribuiç'ões, contudo, no que se refere a aliquota da COFINS, determina a aplicação do previsto no artigo 80 da Lei 9.718/98." Na seqüência: "No âmbito das verificações obrigatórias definidas na Portaria Cofis acima indicada, em cumprimento da sentença judicial sobredita, e ainda, compelidos a proceder o lançamento do crédito tributário discutido judicialmente e mio lancado para previnir decadênca, efetuamos o levantamento da base de cálculo da COFINS nos moldes do artizo 3° da Lei 9.718/98 escrituradas pelo contribuinte nos Balancetes de Verificação ((Is. 145 a 249 e 252 a 350), conforme consignados nas planilhas anexas (fls. 48 a 56)." (grifei) Embora haja decisão judicial sobre a matéria, esta não chegou a seu termo e, ainda, não tem o condão de impedir o Fisco de efetuar o lançamento de oficio, uma vez que essa atividade, conforme mencionado anteriormente, é vinculada e obrigatória. Por outro lado, assim dispõe o art. 63 da Lei n2 9.430/96: "Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV do art. 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966. (Vide Medida Provisória n°2.158-35, de 2001) § 1° O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do inicio de qualquer procedimento de oficio a ele relativo. § 2°A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição." Portanto, conforme se depreende, nas ocorrências de demanda judicial, tanto é possível o lançamento que a legislação, nos casos em que especifica, prevê a exclusão da multa de oficio. Ocorre que, no presente caso, o auto de infração destinado a prevenir a decadência foi lavrado com multa de oficio, devendo, portanto, ser desconstituída. Assim, o lançamento, corretamente efetuado, não acarreta prejuízo à contribuinte e resguarda o direito à Fazenda Públ . caso a decisão favoreça a União. Ademais, não há qualquer prejuízo à recorrente, uma z que a multa oficio está sendo desconstituída. MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL • • Processo n.° 19647.001304/2003-78 CCO2/C01o • Acórdão n.° 201-80.577 4.9 / 1_22tLe Fls. 2882 Sintb SabO33 Mat Slacia 91745 • As mesmas considerações supramencionadas se aplicam aos lançamentos de PIS. A recorrente ressalta a existência de liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, trazendo à colação certidão emitida pela secretaria do ' STF, a qual menciona que, por meio da Ação Cautelar n2 132, foi deferida a liminar para suspender a exigibilidade do crédito tributário questionado no recurso extraordinário interposto nos autos da Apelação em Mandado de Segurança n2 71178/PE (200.05.00.0132034), do TRF da 5 2 Região, até sua decisão definitiva. Assim sendo, a autoridade administrativa deverá observar que, obviamente, o tratamento a ser conferido ao respectivo crédito tributário há de se vincular ao conteúdo das sucessivas decisões judiciais proferidas no curso do processo judicial, até seu trânsito em julgado, tendo em vista que a decisão que vier a ser prolatada poderá refletir no crédito tributário, objeto deste lançamento. A contribuinte menciona que não poderá ser cobrado o diferencial decorrente da majoração da alíquota da Cofins, uma vez que tais valores foram incluídos no Parcelamento Especial - Paes, instituído pela Lei if 10.684/2003. No mesmo diapasão, argumenta que os valores, objeto de compensação de PIS e de Cofins com créditos de IPI, não observados quando da lavratura dos autos de infração, também foram incluídos no supradito parcelamento, não podendo ser desconsiderados, sob pena de cobrança em duplicidade. Registre-se que o procedimento fiscal junto à contribuinte teve início com o • Termo de Intimação Fiscal, datado de 19/02/2002 (fl. 24 e outras), e foi encerrado com a • ciência do auto de infração, ocorrida em 05/09/2003 (fl. 05 e outras). Destarte, a adesão ao Paes, instituído pela Lei n2 10.648, de 30/05/2003, deu-se no curso da ação fiscal, não se caracterizando como procedimento espontâneo, conforme art. 72 do Decreto n2 70.235/72. Por conseguinte, correto o procedimento da Fiscalização em efetuar o lançamento com a multa de oficio, quando devida. Por outro lado, é necessário que a DRF verifique se algum débito do auto de infração foi incluído no Parcelamento Especial Em caso positivo, fazer o devido ajuste, de acordo com as normas do Paes, para que não ocorra cobrança em duplicidade. A recorrente alega, ainda, que recolheu PIS sob o regime não-cumulativo, tendo aixesentado planilha demonstrativa (fl. 2.110), sendo est fato desconsiderado pela Fiscalização. Sobre o tema quais são os contribuintes do PIS/Pasep, no regime de apuração cumulativa e não-cumulativa, assim dispõe o "Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica, P1R - 2007", obtido no sítio da Receita Federal do Brasil (littp://www.receita.fazenda. gov.br/PerguntasRespostas/Default.htm), Capítulo XXIII, perguntas 038 e 043 p. 632 e 637: "038 Quais são os contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a Receita Bruta, no regime de apuração cumulativa? São as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto e renda, tributadas pelo referido imposto com base no lucro presu i ou arbitrado, incl ve • ME - SEGUNDO CONSELHO DE C.ONTRICUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • • Processo n.° 19647.001304/2003-78 • • Acórdão n.° 201-80.577 Erasi;ia• —49-1 49— " 1-222IL CF1Cts. Va28831 sNio dosa Mat.: swe 91745 as empresas públicas, as sociedades de economia mista e „suas subsidiárias." (grifos no original) "043 Quais são os contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta, no regime de apuração não-cumulativa, nos termos da Lei n" 10.637, e 2002 e da Lei n° 10.833, de 2003? São as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, tributadas pelo referido imposto com base no lucro real, inclusive as empresas públicas, as sociedades de economia mista e suas subsidiárias." (grifos no original) No mesmo diapasão, de acordo com os notáveis apontamentos de lavra do Auditor-Fiscal Marcus Vinícius Dadalti Barroso, intitulado "Contribuições Não-Cumulativas PIS/Pasep e Cofins", 32 versão, abril de 2005, assim estão definidos os contribuintes do PIS não-cumulativo: "São contribuintes do PIS/Pasep e da Cotins não-cumulativos as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, que aufiram receitas conforme definido nos diplomas legais que instituem as referidas contribuições, tributadas pelo IRRI com base no Lucro Real. Base Legal: PIS/Pasep: MP n° 66/02, art. 4° c/c art. 8°e Lei n°10.637/02, art. 40 c/c art. 8°. Cofins: MP n° 135/03, art. 5° c/c art. 10° e Lei n° 10.833/03, art. 5° c/c art. 10." Em relação à vigência, assim se pronuncia o ilustre autor: • "Contribuição para o P1S/Pasep A partir de 1°112/2002. Base Legal: MP n°66, de 29/8/02, art. 63, inciso II, e Lei n°10.637, de 30/12/02, art. 68, inciso II." Cite-se que, como regra geral, a aliquota do PIS sob o regime não-cumulativo é de 1,65%, conforme art. 22 da Lei n2 10.637/2002. Portanto, em se tratando de empresa tributada pelo IRRI com base no Lucro Real, necessariamente terá que recolher o PIS pelo regime da não-cumulatividade. No presente processo, quanto ao auto de infração de PIS exigível, correto o procedimento do Fisco, pois, conforme mencionado, o lançamento se deu nos moldes da Lei Complementar n2 7/70, em cumprimento de decisã 'udicial, em relação à contribuição devida e não declarada em DCTF (fls. 735 e 737). MF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.. CONFEFtE COM O ORIGINAL • • Processo n.° 19647.001304/2003-78 CCO2/C01o • • Acórdão n.° 201-80.577 . _d_qt IS_____L Fls. 2884 sim S.Bres.ba, 545.a.'atrira Mau Sopa 91745 • . Por outro lado, no auto de m i ação • e PIS exigibilidade suspensa, o lançamento se deu com supedâneo no art. 32 da Lei n2 9.718/98, sendo considerados apenas os valores excedentes aos apurados. Tal procedimento deveria ter sido alterado, a partir de 01/12/2002, pois, conforme documento de fl. 2.872, a empresa foi tributada pelo 112PJ com base no Lucro Real, sendo, portanto, necessariamente obrigada a recolher o PIS pelo regime da não- cumulatividade. No entanto, conforme se verifica da planilha de fl. 1.493, a Fiscalização efetuou o lançamento pelo regime e alíquota do PIS cumulativo, tornando o lançamento prejudicado em relação aos períodos lançados, a partir de dezembro/2002, somente do auto de infração de fl. 1.430. Isto posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir somente a multa de oficio dos autos de infração destinados a prevenir a decadência, ou seja, PIS de fls. 1.428/1.430 e Cofins de fls. 2.131/2.133 e, ainda, para desconstituir o lançamento do PIS de fls. 1.428/1.430, somente quanto aos fatos geradores referentes ao período de janeiro a abril de 2003, bem como seus consectários. Ressalte-se que a DRF deve verificar se algum débito do auto de infração foi incluído no Parcelamento Especial. Em caso positivo, fazer o devido ajuste, de acordo com as normas do Paes, para que não ocorra cobrança em duplicidade. A autoridade administrativa deverá observar, ainda, a existência de medida . judicial visando à suspensão de exigibilidade do crédito tributário, sendo que o tratamento a ser L conferido ao respectivo crédito tributário há de se vincular ao conteúdo das sucessivas decisões judiciais proferidas no curso do processo judicial, até seu trânsito em julgado, tendo em vista que a decisão que vier a ser prolatada poderá refletir no crédito tributário, objeto deste lançamento. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de setembro de 2007. MA 'CIO Ai SILVAt 23Pj1/4- _ ... • Processo n.° 19647.001304/2003-78IBUINTES MF • CCO2/C01 " • • Acórdão n.° 201-80.577 Fls. 2885 CONFEFtE COM O OR1 SEGUNDO CONSELHO DE CGONA NTRL Brasilia, SIMO _rtiosa Mat. Sune 91745 Voto Vencedor. Conselheiro ANTÔNIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS, Relator-Designado quanto à decadência Ouso divergir do ilustre Relator Mauricio Taveira e Silva, pois, em relação à decadência, por se tratar de matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de oficio. Neste tópico é remansoso o entendimento, não só deste Conselho quanto da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, de que a decadência do PIS se verifica após o transcurso de cinco anos. De acordo com o art. 239, § P, da CF, o produto de sua arrecadação é destinado ao financiamento do programa seguro-desemprego, ao abono salarial (14 2 salário) e aos programas de desenvolvimento econômico. Destarte, o PIS não integra o orçamento da Seguridade Social, que compreende as ações nas áreas de saúde, previdência e assistência social, consoante o art. 194 da CF, não se aplicando, portanto, os preceitos da Lei n2 8.212/91. Assim sendo, a contribuição para o PIS fica sujeita às mesmas condições previstas no art. 149 da CF para as contribuições em geral. Corroborando o entendimento supracitado, traz-se à colação as decisões administrativas abaixo: "DECADÊNCIA - PIS/FATURAMENTO - O direito à Fazenda Nacional constituir os créditos relativos para a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), decai no prazo de cinco anos fixado pelo Código Tributário Nacional (C77V), pois inaplicável na espécie o artigo 45 da Lei n° 8212/91." (Acórdão CSRF/02-01.625; Recurso n2 118.904; Relator Henrique Pinheiro Torres; Data da Sessão: 23/03/2004) "PIS. DECADÊNCIA. Tratando-se a matéria decadência de norma geral de direito tributário, seu disciplinamento é versado pelo CTA; no art. 150, § 4°, quando comprovada a antecipação de pagamento a ensejar a natureza homologatória do lançamento, como no caso dos autos. Em tais hipóteses, a decadência opera-se em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, independentemente da espécie tributária em análise. A Lei n° 8.212/91 não se aplica à contribuição para o PIS, vez que a receita deste tributo não se destina ao orçamento da seguridade social, disciplinada, especcamente, por aquela norma." (Acórdão n2 201-77.463; Recurso ng 122.735; Relator Jorge Freire; Data da Sessão: 16/02/2004) Desse modo, tendo em vista que a ciência do auto de infração ocorreu em 05/09/2003, já se encontravam fulminados pela decadência, à época do lançamento, os períodos de apuração de janeiro de 1998 a agosto de 1998, com fulcro no art. 150, § 4 2, do CTN. • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COTA O OROU. • si Processo n.° 19647.001304/2003-78 CCO2/C01 • Acórdão a° 201-80.577 Brasilia, /7 9 0,3 cznot , Fls. 2886 Salvid 5.fgart>6.. sa• Mat • Sina 91745 • Isto posto, somente subsiste a autuação referente aos fatos geradores posteriores a agosto de 1998, tendo em vista que, quanto aos demais, já se encontravam fulminados pela decadência à época do lançamento, razão pela qual reconheço a decadência dos fatos geradores do PIS anteriores a setembro de 1998. Sala das Sessões, em 28 de setembro de 2007. _ rtnNTÔNIO RICARDO ACCIOLY CAMPOS 11. • - . . . 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Numero do processo: 10680.930336/2009-97
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 16992.88796.310807.1.7.039924 em 31.08.2007, fls. 4659, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$778.274,93 do anocalendário de 2006 apurado pelo lucro real anual para fins de compensação dos débitos confessados nos Per/DComp nºs 16992.88796.310807.1.7.039924, 23523.47110.310807.1.3.030094, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 30 33 6/ 20 09 -9 7 Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930336/200997 Resolução nº 1801000.206 S1TE01 Fl. 1.503 2 40579.68257.280907.1.3.032749, 31948.55103.200907.1.3.032936, 36814.07265.201107.1.3.033806 e 24158.06229.200109.1.7.030206, fl. 17. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 17, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$778.234,93. Valor do saldo negativo informado na.DIPJ: R$582.879,54 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 16992.88796.310807.1.7.039924, 23523.47110.310807.1.3.030094, 40579.68257.280907.1.3.032749, 31948.55103.200907.1.3.032936, 36814.07265.201107.1.3.033806, 24158.06229.200109.1.7.030206. Para tanto, cabe indicar o seguinte enquadramento legal: art. 165, art. 168 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 19 de fevereiro de 2005 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0103, argumentando: A SRFB, portanto, analisando a DIPJ apresentada em 2007, relativa ao anobase de 2006, concluiu que os créditos declarados nas PER/DCOMP’s mencionadas foi superior àqueles discriminados na DIPJ, o que, inicialmente, sugeriria que a Recorrente efetuou compensações equivocadas. Não é isso o que ocorreu de fato. Na verdade, a CSLL/2007 (anobase 2006) não contemplou todos os créditos relativos a saldo negativo do ano de 2006, pois a Recorrente ainda não dispunha de todos os comprovantes anuais de retenção de seus clientes. Em resumo: não são as PER/DCOMP’s que estão equivocadas ao pleitear o crédito de R$778.274,93, que está correto mas, antes, a DIPJ/2007 (anobase 2006), que aponta o saldo negativo de R$582.879,54 é que está incompleta e, portanto, incorreta, o que fica evidente a partir dos comprovantes e demais documentos que a Recorrente ora traz ao conhecimento desta DRJ. [...] Portanto, é a presente Manifestação de Inconformidade para se demonstrar a fidedignidade das declarações apresentadas em DCOMP, solicitandose que sejam juntados ao processo os comprovantes de retenção de CSLL e as notas fiscais de serviço anexas, emitidas em 2006, para a prova da legitimidade do crédito nos casos de clientes que não enviaram os comprovantes anuais de retenção e que, após análise pelo órgão competente, seja reformado o Despacho Decisório acima mencionado, declarandose nula a exigência apontada, bem como a inexistência de quaisquer débitos relativamente às compensações que são objeto do presente PTA. [...] Assim, a mera análise documental de contraste da DIPJ/2007, da PER/DCOMP mencionada, com os comprovantes e notas fiscais anexos, já é suficiente para apurar a verdade dos fatos, vez que ficará claro que nem todos os valores retidos, discriminados nos comprovantes anuais das fontes pagadoras e notas fiscais anexos, foram declarados na DIPJ/2007. Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930336/200997 Resolução nº 1801000.206 S1TE01 Fl. 1.504 3 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Portanto, caso os comprovantes e notas fiscais anexos não bastem para o convencimento do I. Julgador quanto à legitimidade das compensações efetuadas em PER/DCOMP, a Recorrente solicita, caso o I. Delegado da SRFB entenda necessário, a produção de prova pericial contábil, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, ou de nova prova documental, para que fique definitivamente comprovado que os créditos compensados em PER/DCOMP são legítimos e, portanto, deve ser invalidada a exigência fiscal em referência. Termos em que, Pedese deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 02 34.112, de 23.08.2011, fls. 489498: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” em que foi reconhecido o valor de R$736.926,34 de CSLL retida na fonte para fins de redução do CSLL devida no anocalendário de 2006. Consta no Voto condutor Nestas condições, deverão ser apropriadas as retenções na fonte de CSLL no valor total de R$736.926,34, que corresponde aos valores indicados na Ficha 54 da DIPJ 2007, confirmados, na falta do comprovante de retenção, pelas Dirf apresentadas pelas fontes pagadoras, além de serem compatíveis com o montante de receitas indicado na Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral. Diante disso, deve ser reconhecido o saldo negativo de CSLL referente ao período anual encerrado em 31/12/2006, assim apurado (valores expressos em R$): DIPJ 2007 (com base nas Fichas 16, 17 e 54) Voto TOTAL DA CSLL 195.395,39 195.395,39 () CSLL retida na fonte 973.565,32 736.926,34 (=)CSLL A PAGAR (778.169,93 (541.530,95) Restou ementado ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. Verificado erro de fato no preenchimento da DIPJ e da Dcomp com demonstrativo de crédito, deve ser reconhecido o direito creditório pertinente ao saldo negativo de CSLL apurado com base nas informações da DIPJ correspondente, corroboradas pelo processamento da Dirf apresentada pelas fontes pagadoras. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930336/200997 Resolução nº 1801000.206 S1TE01 Fl. 1.505 4 Notificada em 20.01.2012, fl. 510, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.02.2012, fls. 528526, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Diz que os atos administrativos são nulos, por cerceamento do direito de defesa. Acrescenta que a [...] Pela análise do acórdão recorrido, notese que o entendimento da [turma julgadora de primeira instância] resultou do confronto de informações da DIPJ apresentada pela Recorrente com as DIRF’s emitidas pelas fontes pagadoras, enquanto as notas fiscais acostadas aos autos do presente processo administrativo foram desconsideradas. [...] Ocorrem que, além da Recorrente ter informado que as fontes pagadoras não cumpriram várias obrigações fiscais, pois elas deixaram de fornecer os comprovantes anuais de retenção e as DIRF’s para [a Recorrente], a [turma julgadora de primeira instância] reconheceu que a Recorrente cometeu equívocos de fato no cumprimento das declarações fiscais atinentes ao crédito pretendido. [...] Portanto, diante dos fatos acima e considerados que o saldo negativo é apurado com base nos registros contábeis da empresa, que são baseados em vários documentos como as notas fiscais e [extratos bancários], a análise destas é providência essencial para se chegar à verdade material, ou seja, para se apurar o real valor dos créditos da contribuinte [Instrução Normativa nº SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004]. [...] Importante destacar ainda que, assim como as notas fiscais, a DIPJ e as DIRF’s também são documentos emitidos unilateralmente e de possível retificação, portanto tal argumento não é hábil para sustentar a recusa da autoridade fiscal em analisar aqueles documentos. Conclui Pelo exposto, a Recorrente requer seja [cassada a decisão turma julgadora de primeira instância] tendo em vista o cerceamento de defesa [...] e, com efeito, [seja determinada que proferida] nova decisão, com base em todos os documentos que instruem o presente processo administrativo. [...] Na eventualidade do pedido acima não prevalecer, diante das notas fiscais e da Ficha 54 da DIPJ apresentadas pela Recorrente, esta requer que seja reformado o r. acórdão recorrido e, assim, seja reconhecido a totalidade dos créditos pretendidos e, com efeito, seja homologada integralmente a compensação em destaque. [...] Por fim, a Recorrente requer a juntada dos documentos anexos, já constantes dos autos, que se referem apenas à parcela controversa dos créditos pretendidos para melhor elucidação dos fatos. P. deferimento. É o Relatório. VOTO Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930336/200997 Resolução nº 1801000.206 S1TE01 Fl. 1.506 5 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida na sua integralidade. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente3. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930336/200997 Resolução nº 1801000.206 S1TE01 Fl. 1.507 6 Também as pessoas jurídicas que efetuarem os pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do anocalendário4. Ademais, na apuração da CSLL, a pessoa jurídica poderá deduzir da contribuição devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços, entre outros, de limpeza, conservação, manutenção, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte no código de arrecadação 5952 em guia única de CSLL, Cofins e PIS. O valor da CSLL, da Cofins e da PIS é determinado mediante a aplicação, sobre o montante a ser pago, do percentual de 4,65% (quatro inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), correspondente à soma das alíquotas de 1% (um por cento), 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente. Os valores devem ser recolhidos ao Tesouro Nacional de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica, até o último dia útil da quinzena subseqüente àquela quinzena em que tiver ocorrido o pagamento à pessoa jurídica fornecedora dos bens ou prestadora do serviço e devem ser considerados como antecipação do que for devido pelo sujeito passivo que sofreu a retenção, em relação às respectivas contribuições. Ainda, os serviços profissionais prestados por pessoas jurídicas sujeitamse também a retenção da CSLL com retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado pelo código de arrecadação 5987 referente à aplicação, sobre o montante a ser pago, da alíquota de 1% (um por cento) 5. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A autoridade de primeira instância de julgamento considerou como correto a CSLL retida na fonte pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2006 a título dos códigos 5952 e 5987 no importe de R$736.926,34, para fins de dedução da CSLL devida, diferentemente do valor indicado na DIPJ de CSLL retida na fonte no valor de R$973.565,32. Também os autos não estão instruídos com os Informe de Rendimentos que as pessoas jurídicas que efetuarem os pagamentos com retenção do tributo na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária em duas vias, até o dia 31 de janeiro, esse documento de caráter declaratório e que comprova a natureza e o montante do pagamento, as deduções e o tributo retido discriminadamente por código de arrecadação atinentes ao o anocalendário anterior. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior (art. 170 do Código Tributário Nacional). 4 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. 5 Fundamentação legal: art. 30, art. 31, art. 35 e art. 36 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, Instrução Normativa nº SRF nº 459, de 18 de outubro de 2004 e o Ato Declaratório Executivo Corat nº 69, de 09 de agosto de 2004. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930336/200997 Resolução nº 1801000.206 S1TE01 Fl. 1.508 7 Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja se a Recorrente efetivamente prestou os serviços as tomadoras identificadas a seguir e respectivamente os rendimento bruto e de CSLL retida na fonte e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente: I) instruir os autos com a DIPJ retificadora do anocalendário de 2006, se for o caso, e as Per/DComp nºs 16992.88796.310807.1.7.039924, 16992.88796.310807.1.7.03 9924, 23523.47110.310807.1.3.030094, 40579.68257.280907.1.3.032749, 31948.55103.200907.1.3.032936, 36814.07265.201107.1.3.033806 e 24158.06229.200109.1.7.030206 arroladas no Despacho Decisório Eletrônico, fl. 17; II) intimar para apresentação do comprovante de retenção tendo como beneficiária a Recorrente emitido pelas seguintes fontes pagadoras para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do anocalendário de 2006 em relação aos códigos de arrecadação 5952 e 5987: (a) Cadam S/A, CNPJ 04.788.980/000190; (b) Gerdau Açominas S/A, CNPJ 17.227.422/000105; (c) Paul Wurth do Brasil Ltda, CNPJ 19.813.492/000162; (d) CST Companhia Siderúrgica de Tubarão, CNPJ 27.251.974/000102; (e) Acesita S/A, CNPJ 33.390.170/000189; (f) Companhia Vale do Rio Doce S/A, CNPJ 33.592.510/000154; (g) TSA Tecnologia de Sistemas de Automação Ltda, CNPJ 41.857.780/0001 78; (h) Anglo Gold Ashanti Mineração Ltda, CNPJ 42.138.891/000197; (i) Votorantim Siderurgia S/A, CNPJ 60.892.403/000114; e (j) Companhia Níquel Tocantins, CNPJ 61.594.065/000105. III) intimar a Recorrente as cópias dos registros contábeis onde estão descriminados os valores os rendimentos brutos e de CSLL retida na fonte, em conformidade inclusive com a escrituração no Livro Razão e no Livro Diário, em relação às fontes pagadoras discriminadas, que comprovem o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá cotejar a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, bem como elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados, em especial relativamente à existência do direito creditório remanescente relativo ao suposto Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.930336/200997 Resolução nº 1801000.206 S1TE01 Fl. 1.509 8 saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente à CSLL retida na fonte no valor de R$236.638,98 do anocalendário de 2006 apurado pelo lucro real anual. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes6 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11128.006283/2003-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 11/04/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA.
Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, Butil-Hidroxitolueno (BHT) (Antioxidante) e Excipientes como Amido, Glicose, Matéria Protéica e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sódio, na forma de microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, conforme laudo técnico oficial, classifica-se no código NCM 2309.90.90.
PENALIDADES E JUROS APLICADOS.
Cabíveis as penalidades e juros aplicados, pois lançados conforme previsto na legislação específica.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.008
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida DRJ SÃO PAULO/SP Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 11/04/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, ButilHidroxitolueno (BHT) (Antioxidante) e Excipientes como Amido, Glicose, Matéria Protéica e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sódio, na forma de microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, conforme laudo técnico oficial, classificase no código NCM 2309.90.90. PENALIDADES E JUROS APLICADOS. Cabíveis as penalidades e juros aplicados, pois lançados conforme previsto na legislação específica. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 12/06/2012 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 133 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Regina Sefuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 08/10/2003, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto de importação, multa de mora e multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como – Lutavit A 500 Plus. Nome Comercial: Lutavit A 500 Plus. Vitamina A Acetato 500.000 UI/g. Qualidade: Ind. Feed Grade; Estado Físico: Sólido. Concentração: 500.000 UI/g. Uso: Exclusivo para Fabricação de Ração Animal , por meio da declaração de importação nº 03/03071421, registrada em 11/04/2003, cópia de fls. 11 a 14, classificandoa no código NCM 2936.21.12. Amostra do produto importado foi coletada para análise laboratorial. Do exame do Laudo nº 1084.01, nas fls. 22/23, elaborado pelo Laboratório de Análises do Convênio IQ/RF/FUNCAMP132, esclarecendo que a mercadoria tratavase de uma “Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, ButilHidroxitolueno (BHT) (Antioxidante) e Excipientes como Amido, Matéria Protéica, Glicose e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sódio, na forma de microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração”, a autoridade fiscal classificou a mercadoria no código NCM 2309.90.90, sujeita à alíquota de imposto de importação de 9,5%. Diante do não pagamento do crédito tributário apurado conforme o Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar nº 363/03 (fl. 28), foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência do recolhimento do imposto de importação apurado em razão da alteração de alíquota tarifária, da multa de mora, prevista no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, e da multa por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, preceituada no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, totalizando, com juros calculados até 30/09/2003, o valor de R$ 19.015,15. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 134 3 Cientificado da lavratura do auto de infração em 20/10/2003 (fl. 01) o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores (instrumento de Mandato nas fls. 53/54), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 17/11/2003, de fls. 30 a 52, alegando, resumidamente, que: 1) para que se possa transformar a Vitamina A Acetato Oleosa em Vitamina A Acetato Pó Seco 500.000 UI/g é necessário que se faça uma matriz contendo gelatina e sacarose revestida de um amido modificado, contendo ainda BHT, como antioxidante, e silicato de alumínio, como antiaglomerante; que a fase de transformação da fase oleosa para a fase pó, não pode ser realizada em território nacional, uma vez que não há equipamento disponível para tal; 2) há um processo de industrialização no caso em tela, com a finalidade única de transformar a forma oleosa em forma de pó seco, uma vez que é impossível a utilização da forma oleosa na industrialização de produtos destinados à alimentação animal, quando esses se apresentam na forma de pó; 3) as substâncias excipientes não tornam o produto objeto do presente auto apto para usos específicos, mas genéricos, ao contrário do que alega a fiscalização; porém, afirma a impugnante que, a mercadoria será utilizada como suplemento para ração animal; 4) da análise laboratorial, a fiscalização concluiu que o produto em tela deveria ser classificado no código 2309.90.90, o que afronta o entendimento administrativo exarado pela COANA na Decisão nº 003/99 (cópia de fls. 62 a 68), em resposta a consulta formulada pelo Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal – SINDIRAÇÕES, na qual se demonstra que o correto enquadramento para o acetato de Vitamina A protegido e estabilizado é no código NCM 2936.21.12, adotado pela impugnante; 5) para que não reste dúvida acerca da total semelhança entre a mercadoria descrita na consulta mencionada, a literatura técnica anexada à impugnação (de fls. 57 a 61) informa que o produto em tela contém 500.000 UI de Vitamina A por grama e que se trata de Vitamina A finamente distribuída, em uma matriz de gelatina e carboidratos, estabilizada com antioxidantes; 6) a mercadoria classificase no capítulo 29 pela utilização da Regra 3a) das RGISH; 7) o inciso III do art. 151 combinado com o art. 161 do CTN nos leva a entender que enquanto se está discutindo a legitimidade e a legalidade da cobrança efetuada pelos órgãos públicos, não são devidos juros e multa de mora, uma vez que o crédito tributário está suspenso não podendo ser exigível; se o crédito tributário só está definitivamente constituído após o encerramento do processo administrativo, isto leva a forçosa conclusão de que não se pode fazer incidir juros e multa de nora sobre algo que ainda não existe; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 135 4 8) incabível a aplicação de juros de mora, posto que o crédito tributário sequer foi definitivamente constituído e, ainda que se pudesse lançálo, não poderia sobre ele incidir a taxa SELIC, em razão da sua clara inconstitucionalidade; 9) requer a conversão do julgamento em diligência para que peritos do Instituto Nacional de Tecnologia respondam aos quesitos que formulou na sua impugnação, nas fls. 51/52, indicando o seu assistente técnico na fl. 52, nos termos do artigo 16, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP julgou o lançamento procedente, conforme Decisão DRJ/SPOII nº 25.571, de 05/06/2008, fls. 73/83: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 11/04/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, Butil Hidroxitolueno (BHT) (Antioxidante) e Excipientes como Amido, Glicose, Matéria Protéica e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sódio, na forma de microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, conforme laudo técnico oficial, classificase no código NCM 2309.90.90. Cabível a multa de mora, aplicada aos débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação específica, conforme art. 61, parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96. Cabível a multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, conforme prevê o inciso I do artigo 84 da MP 2.15835, de 24/08/2001. JUROS DE MORA TAXA SELIC: Legítima a exigência de juros de mora com base na equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por força do disposto no artigo 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. Lançamento Procedente. O contribuinte é intimado da decisão às fls. 87/v e, em face da decisão proferida, interpõe recurso voluntário de fls. 91/128. Iniciado o julgamento, este foi convertido em diligência. Realizada a diligência, retornam os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 136 5 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como se verifica do recurso interposto, discutese nos autos a classificação fiscal do produto importado pela recorrente, qual seja, Lutavit A 500 Plus. Nome Comercial: Lutavit A 500 Plus. Vitamina A Acetato 500.000 UI/g. Qualidade: Ind. Feed Grade; Estado Físico: Sólido. Concentração: 500.000 UI/g. Uso: Exclusivo para Fabricação de Ração Animal. O contribuinte entende deva ser classificado na NCM 2936.2112, por entender que o produto não é exclusivo para usos específicos, bem como porque são matérias primas puras, ou seja, é um produto com de composição química definida, não sofrendo alteração às suas propriedades após a adição de substancias auxiliares. Já a fiscalização entendeu que, conforme Laudo Técnico nº 1084.01, se trata de uma “Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, ButilHidroxitolueno (BHT) (Antioxidante) e Excipientes como Amido, Matéria Protéica, Glicose e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato e Sódio, na forma de microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração”, a autoridade fiscal classificou a mercadoria no código NCM 2309.90.90, código residual da subposição 2309.90 que compreende as Outras Preparações dos Tipos Utilizados na Alimentação de Animais, reclassificoua na posição NCM 2309.90.90. A preliminar levantada de cerceamento do direito de defesa não pode ser acolhida. Em primeiro lugar, porque já existem nos autos informações suficientes para a correta classificação fiscal da mercadoria em tela na Nomenclatura Comum do Mercosul como se verificará na abordagem da questão de mérito deste acórdão. Ademais, a recorrente se defende plenamente da matéria em debate, não havendo qualquer prejuízo em sua defesa. Este é o entendimento desta Corte: Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10421429 do Processo 11041000083200417 Data 23/02/2006 Ementa IRPF NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Não há cerceamento de defesa quando o contribuinte interpõe Recurso Voluntário tendo pleno conhecimento dos fatos do processo. (...) Assim, voto por não acolher a preliminar levantada. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 137 6 Quanto ao mérito, entendo que a classificação pretendida pela recorrente, NCM 2936.2112, somente poderia ser utilizada se o produto em tela fosse um “composto orgânico de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas”. Ocorre que, conforme laudo original e o realizado na diligência requerida por este Relator, o referido produto não é de constituição química definida, contendo impurezas ou apenas outros componentes utilizados para segurança ou transporte. Neste sentido, a segunda perícia é clara: Resposta ao Quesito 1: Não se trata somente de Acetato de Vitamina A, um composto orgânico de constituição química definida e isolado. Tratase de Vitamina Preparada. (...) Resposta ao Quesito 4: Quimicamente não houve uma transformação do Acetato de Vitamina A do estado líquido para o estado sólido. Conforme informações constantes no Laudo em epigrafe, o produto encontrase preparado, ou seja, foram adicionados excipientes ao Acetato de Vitamina A, a qual perdeu as suas características iniciais, ou seja, deixou de ser um produto puro e tomandose uma preparação' especificamente preparada para um determinado fim. A presença dos excipientes e os tratamentos sofridos pela Vitamina A, evidenciam que a mercadoria encontra¬se finalizada, pronta para uso específico. Não há mais fases de industrialização a serem implementadas antes de seu consumo. Vemos então que o referido produto é uma preparação, contendo substâncias outras, utilizadas no revestimento da microesfera com a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem da vitamina A nas rações animais e proteger química e fisicamente a substância ativa durante o processo de mistura com outros componentes, na formulação final a que se destina (prémistura ou ração animal), mantendoa inalterada. Neste sentido, a própria defesa da recorrente esclarece esta situação, como vemos: 1 – Fls. 101 (...) vez que a adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes (...) 2 – Fls. 102 (...) não sofrendo qualquer alteração as (sic) suas propriedades após a adição de substâncias auxiliares (...) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 138 7 Não sendo o produto de constituição química definida, não pode ser classificado na posição da recorrente. Quanto à classificação da fiscalização, entendo ser a mais correta. Como bem transcreve a decisão recorrida, a mercadoria objeto do presente processo, submetida a análise laboratorial pelo Laboratório de Análises do Convênio IQ/RF/FUNCAMP132, Nome Comercial: Lutavit A 500Plus, apresenta as seguintes características, de acordo com o laudo nº 1084.01 (fls. 22/23): RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata somente de Acetato de Vitamina A. Tratase de Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, ButilHidroxitolueno (BHT) (Antioxidante) e Excipientes como Amido, Matéria Protéica, Glicose e Substâncias lnorgânicas à base de Fosfato e Sódio, na forma de microesferas, não doseada, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração. 2. Tratase de Preparação especificamente elaborada para ser adicionada à ração animal e/ou prémisturas. 3. De acordo com Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (cópia anexa), mercadoria desta natureza encontra se pronta para ser misturada na ração ou em outras bases alimentícias pelos formuladores, para depois ser administrada por via oral em animais. A adição desta Vitamina na ração animal é indicada para compensar a ausência, ou complementar a baixa concentração da Vitamina na ração, para evitar doenças que têm origem devido sua deficiência. A deficiência em Vitamina A pode causar lesões de pele e tecidos, problemas oftalmológicos e defeitos no desenvolvimento e modelação de ossos. 4. Quanto aos outros componentes encontrados além da Vitamina A, informamos: O ButilHidroxitolueno (BHT) é um aditivo antioxidante indispensável para estabilizar a substância ativa (Vitamina A) contra oxidação; O Amido, a Matéria Protéica, a Glicose e as Substâncias lnorgânicas à base de Fosfato e Sódio não se tratam de impurezas, estabilizantes, antiaglomerantes e nem de agentes antipoeira. Amido, Matéria Protéica, Glicose e Substâncias lnorgânicas à base de Fosfato e Sódio são excipientes utilizados no revestimento da microesfera com a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem dessa Vitamina nas Fl. 183DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 139 8 rações animais e proteger química e fisicamente a Vitamina durante o processo de mistura com outros componentes, na formulação final a que se destina (pré mistura ou ração animal), mantendose inalterada. Ressaltamos que a razão do Acetato de Vitamina A apresentarse preparado da maneira descrita acima deve se ao uso especifico a que se destina. O Acetato de Vitamina A de constituição química definida é um sólido amarelo, conforme a mercadoria referente ao Laudo de Análise 4985/95, que tomamos a liberdade de anexar.” (sublinhei) As Notas Explicativas da posição 2309 esclarecem que esta posição compreende também as preparações empregadas na alimentação de animais, constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos, a saber, de acordo com as NESH: A. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A FORNECER AO ANIMAL A TOTALIDADE DOS ELEMENTOS NUTRITIVOS NECESSÁRIOS PARA UMA ALIMENTAÇÃO DIÁRIA RACIONAL E BALANCEADA (ALIMENTOS COMPOSTOS “COMPLETOS”); B. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A COMPLETAR, BALANCEANDOOS, OS ALIMENTOS PRODUZIDOS NAS PROPRIEDADES AGRÍCOLAS (ALIMENTOS “COMPLEMENTARES”); C. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS “COMPLETOS” OU “COMPLEMENTARES” DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comercialmente pré misturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados “aditivos”), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; 2) os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 140 9 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir quer em uma ou mais substâncias orgânicas nutritivas (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, farelos, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), quer em substâncias inorgânicas (por exemplo: magnesita, cré, caulim, sal, fosfatos). A concentração, nestas preparações, dos elementos referidos em 1) acima e a natureza do suporte são determinadas, especialmente, de forma a conseguirse uma repartição e uma mistura homogêneas desses elementos nos alimentos compostos a que essas preparações serão adicionadas. Como a mercadoria em tela é uma preparação, conforme laudo técnico oficial e informações da própria recorrente, utilizada como suplemento para ração animal, enquadrase em uma preparação do tipo apresentada no item C do texto reproduzido das NESH, compreendida na posição 2309. Assim, o produto em tela deve ser classificado na posição 2309, com base nas RGIs 1.ª e 6.ª (textos da posição 2309 e da subposição 2309.90), combinadas com RGC1, e com os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Ainda, como não há uma subposição mais específica no capítulo 2309, deve ser classificada na NCM 2309.90.90. Este é o entendimento proferido por esta Corte: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária Acórdão nº 320100502 do Processo 11128006354200307 Data 01/07/2010 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II. DATA DO FATO GERADOR: 21/12/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUTAVIT E 50 S. O produto Lutavit E 50. Acetato de vitamina E 50%, cujo nome comercial é Lutavit E 50 s, identificado como uma preparação constituída de acetato de tocoferol; (acetato de vitamina E) e substâncias inorgânicas à base de sílica, na forma de pó, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, conforme laudo técnico oficial, classificase no código NCM 2309.90.90. (...) Quanto às penalidades aplicadas, temos que o foram de forma correta. Primeiramente, não há que se tratar da alegação de confisco, forte na Súmula n.º 2 desta Corte: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11128.006283/200334 Acórdão n.º 3201001.008 S3C2T1 Fl. 141 10 SÚMULA Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à multa de 1% prevista na MP n.º 2.158, é esta correta e regulamente instituída, não havendo irregularidades em sua aplicação. Havendo identidade do fato à previsão normativa, deve ser aplicada, forte no princípio da tipicidade e da legalidade. Por fim, quanto aos juros, a taxa SELIC é a correta a ser aplicada, forte na Súmula n.º 3 desta Corte: SÚMULA Nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento de direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012. 24/05/2012 Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10183.002977/2005-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre A Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001 ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
A regra expressa no artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico.
Extrai-se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso, o contribuinte apresentou laudo e a materialidade da área sequer foi questionada pela recorrente.
Ainda de acordo com tal orientação, o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal e a própria averbação são formas de comprovação da existência desta área, sendo que, no caso em apreço, ambos os documentos são incontroversos. A verdade formal não pode se sobrepor à verdade material.
ITR - AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL - ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96.
Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel.
Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador.
Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal.
Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados.
Numero da decisão: 9202-002.016
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e do Contribuinte.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Imposto Sobre A Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 ITR - ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA. A regra expressa no artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringe-se a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico. Extrai-se do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso, o contribuinte apresentou laudo e a materialidade da área sequer foi questionada pela recorrente. Ainda de acordo com tal orientação, o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal e a própria averbação são formas de comprovação da existência desta área, sendo que, no caso em apreço, ambos os documentos são incontroversos. A verdade formal não pode se sobrepor à verdade material. ITR - AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL - ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis n os 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados.
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A regra expressa no artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não é taxativa quanto à exigência de apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O ADA restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas de interesse ecológico. Extraise do Manual de Perguntas e Respostas editado pelo IBAMA, no item n° 40, que a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. No caso, o contribuinte apresentou laudo e a materialidade da área sequer foi questionada pela recorrente. Ainda de acordo com tal orientação, o Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal e a própria averbação são formas de comprovação da existência desta área, sendo que, no caso em apreço, ambos os documentos são incontroversos. A verdade formal não pode se sobrepor à verdade material. ITR AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 10 DA LEI N° 9.393/96. Como regra, para que a área de reserva legal possa ser excluída da base de cálculo do ITR, ela deve estar averbada à margem da matrícula do imóvel. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Esta obrigação decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal). A averbação pode se dar, conforme se verifica no caso em apreço, após a ocorrência do fato gerador. Neste feito, a exclusão da área de utilização limitada da base de cálculo do ITR é justificada, também, pelo referido Termo de Responsabilidade de Averbação da Reserva Legal. Recursos especiais da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior – Relator EDITADO EM: 23/03/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 07/08/2007, a então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário n° 136.218, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 30238.823, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Tendo o contribuinte apresentado o pedido de Ato Declamtório Ambiental — ADA, devidamente protocolado, no qual está discriminada a área de preservação permanente, deve ser reconhecido o direito deste à isenção correspondente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.002977/200537 Acórdão n.º 920202.016 CSRFT2 Fl. 2 3 RESERVA LEGAL E ÁREAS DE INTERESSE ECOLÓGICO. A área de reserva legal somente será considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente. Quanto às áreas de interesse ecológico, as mesmas assim devem ser declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, em obediência ao art. 10, da Lei n° 9.393, de 1996. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Somente pode ser considerada área de exploração extrativa a área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado aprovado pelo Ibama até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. JUROS DE MORA CALCULADOS COM BASE NA TAXA REFERENCIAL DO SISTEMA ESPECIAL DE LIQUIDAÇÃO E CUSTÓDIA — SELIC O cálculo dos juros e mora com base na taxa SELIC está expressamente previsto no parágrafo 3°, do artigo 61, da Lei n" 9.430, de 1996, sendo que os mesmos incidem sobre todos os créditos tributários vencidos e não pagos. MULTA DE OFICIO O art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, prevê a aplicação de multa de oficio nos casos em que o contribuinte não cumpre a obrigação tributária espontaneamente, tendo a mesma função punitiva. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. O referido Acórdão foi julgado na sessão plenária de 19/06/2008, e teve o seguinte resultado: Por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso para excluir do Auto de Infração à área de preservação permanente. Vencidos os Conselheiros Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Corintho Oliveira Machado e Mércia Helena Trajano D'Amorim que negavam provimento. Designada para redigir o voto quanto à área de reserva legal a Conselheira Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto Intimada do decisum, a PFN interpôs recurso especial [fls. 219/230] valendo se da prerrogativa que lhe é facultada pelo art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, publicada no DOU de 28/06/2007, sob os seguintes fundamentos: diverge de Acórdão n. 30236.278 proferido pela mesma Câmara, que ressaltou a necessidade da apresentação tempestiva do ADA; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei n 2 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1, com a redação dada pelo art. 1 da Lei n. 10.165/2000. De fato, • esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa n 2 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; e a obrigatoriedade da apresentação do ADA, registrese, não representa qualquer violação de direito ou do princípio da legalidade. Antes pelo contrário, a exigência alinhase com a norma que consagrou o benefício tributário (art: 10, § 12, II, da Lei n2 9.393/96),apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. O recurso interposto foi admitido pelo Despacho n. 302.085 [fls. 231/233]. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 10/08//2008, conforme Intimação constante às fls. 236 e 254, o recorrente protocolou, o Recurso Especial, em 25/08/2009, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão de n° 30238.823, proferido em 07/08/2007, também interpôs, através de seu representante legal, Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no art. 7°, inciso II, do então Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, visando a revisão do julgado. Suscita o recorrente que nos termos do art. 7°, inciso II, do Regimento Interno,compete à Câmara Superior de Recursos fiscais, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na oportunidade, apresentou como paradigmas os seguintes acórdãos: CSRF/0304.325 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO A obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como précondição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.002977/200537 Acórdão n.º 920202.016 CSRFT2 Fl. 3 5 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL — ADA A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 6797, não tem amparo legal. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. CSRF/0304792 ITR — RESERVA FLORESTAL. É suficiente para fim de isenção do ITR a simples declaração relativa às áreas de preservação permanente e de reserva legal no seu imóvel rural, devendo o contribuinte declarante responder pelo pagamento do imposto — ITR e seus consectuários legais em caso de falsidade. (Art. I0o, parágrafo 7o, da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória n.° 2.166). Recurso especial negado Submetido ao exame de admissibilidade, o i. Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao Especial interposto sob os seguintes fundamentos [fls. 323/326]: […] Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a necessidade da averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel junto ao Registro de Imóveis para efeito de exclusão, da base de cálculo do ITR, da área de reserva legal e áreas de interesse ecológico. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas já caracterizam a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende que a área de reserva legal somente sera considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente e quanto às áreas de interesse ecológico, as mesmas assim devem ser declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, em obediência ao art. 10, da Lei n° 9.393, de 1996. Já, por sua vez, os acórdãos paradigmas entendem, que a obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 exigência da averbação como pré condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. Da mesma forma, entende, que o § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. [Grifo nosso] A PFN foi intimada e, devidamente representada, apresentou contrarrazões às fls. 330/343, tendo pugnado pelo não provimento do recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, Relator 1 ADMISSIBILIDADE 1.1 Recurso Especial da PFN A PFN interpôs recurso especial [fls. 219/230] valendose da prerrogativa que lhe é facultada pelo art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, publicada no DOU de 28/06/2007, sob os seguintes fundamentos: diverge de Acórdão n. 30236.278 proferido pela mesma Câmara, que ressaltou a necessidade da apresentação tempestiva do ADA; A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei n 2 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 170, § 1, com a redação dada pelo art. 1 da Lei n. 10.165/2000. De fato, • esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa n 2 43/97 e atos posteriores, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; e a obrigatoriedade da apresentação do ADA, registrese, não representa qualquer violação de direito ou do princípio da legalidade. Antes pelo contrário, a exigência alinhase com a norma que consagrou o benefício tributário (art: 10, § 12, II, da Lei n2 9.393/96),apontando os meios para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção do CARF, a contrariedade suscitada pela PGFN, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. 1.2 Recurso Especial do Contribuinte Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.002977/200537 Acórdão n.º 920202.016 CSRFT2 Fl. 4 7 Suscita o Contribuinte que nos termos do art. 7°, inciso II, do Regimento Interno, compete à Câmara Superior de Recursos fiscais, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na oportunidade, apresentou como paradigmas os seguintes acórdãos: CSRF/0304.325 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO A obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como précondição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL — ADA A recusa de sua aceitação, por intempestividade, em face do prazo previsto da IN SRF n° 6797, não tem amparo legal. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. CSRF/0304792 ITR — RESERVA FLORESTAL. É suficiente para fim de isenção do ITR a simples declaração relativa às áreas de preservação permanente e de reserva legal no seu imóvel rural, devendo o contribuinte declarante responder pelo pagamento do imposto — ITR e seus consectuários legais em caso de falsidade. (Art. I0o, parágrafo 7o, da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória n.° 2.166). Recurso especial negado Submetido ao exame de admissibilidade, o i. Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao Especial interposto sob os seguintes fundamentos [fls. 323/326]: […] Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a necessidade da averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel junto ao Registro de Imóveis para efeito de exclusão, da base de cálculo do ITR, da área de reserva legal e áreas de interesse ecológico. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas já caracterizam a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende que a área de reserva legal somente sera considerada para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição de matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente e quanto às áreas de interesse ecológico, as mesmas assim devem ser declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, em obediência ao art. 10, da Lei n° 9.393, de 1996. Já, por sua vez, os acórdãos paradigmas entendem, que a obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatpra de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como précondição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. Da mesma forma, entende, que o § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. [Grifo nosso] Nesse sentido, o Recurso Especial da Contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. 2 MÉRITO Segundo consta dos autos do processo, exigese do Interessado [fls. 137/140]: Exigese da interessada o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR — DIAC/DIAT/2001, no valor total de R$ 4.058.025,32, referente ao imóvel rural denominado: Fazenda Castanhal, com área total de 168.726,3 ha, com Número na Receita Federal — NIRF 0.735.2298, localizado no Fl. 7DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.002977/200537 Acórdão n.º 920202.016 CSRFT2 Fl. 5 9 município de Rondolândia — MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 08, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 03e 06. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados, especialmente a área isenta de 118.700,0 hectares e área utilizada com Exploração Extrativa de 7.858,0 ha, a interessada foi intimada a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados no Termo de Intimação de fls. 141a 16. Entre os mesmos constam: Certidão ou Matrículas do Imóvel com averbação da Reserva Legal; Ato Declaratório Ambiental — ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Rec ursos Naturais Renováveis — IBAMA; laudo técnico, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, ou documento do Poder Público que ateste a existência de Preservação Permanente e Plano de Manejo aprovado ou autorizado pelo IBAMA. 3. A intimada, tendo em vista a existência de diversas matrículas que compõem o imóvel, requereu, em 28/04/2005, prorrogação de quinze dias do prazo para apresentação das certidões, fl. 18, porém, nada apresentou no prazo requerido. 4. Desta forma, tendo em vista a ausência de comprovação das áreas em questão, a autoridade fiscal procedeu à glosa das mesmas, alterando demais dados consequentes. Apurado o crédito tributário em questão foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência à interessada, de acordo com o Aviso de Recebimento — AR de fl. 19 datado pelo destinatário, foi d da em11/07/2005. […] Instruiu sua impugnação com os documentos de fls. 27 a 106, entre os quais: cópia das certidões das diversas matriculas que compõem o imóvel, constando, na maioria delas, averbação da Reserva Legal e cópia do ADA entregue ao IBAMA em 29/06/1998. 2.1Área de Preservação Permanente e a exigência do ADA: exercício 2001 Pois bem, o artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, da Lei n° 9.393/96 tem a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1°. Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Portanto, de acordo com tal regra, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas no Código Florestal (Lei n° 4.771/65), estão excluídas da base de cálculo do ITR. As chamadas áreas de preservação permanente e de reserva legal ou de utilização limitada têm contornos estabelecidos pelos artigos 2°, 3° e 16 do Código Florestal, atualmente com a redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 2.16667/2001, da seguinte forma: Art. 2°. Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.002977/200537 Acórdão n.º 920202.016 CSRFT2 Fl. 6 11 g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º. Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1°. A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujei.tas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1°. O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2°. A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3°. Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4°. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5°. O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente Fl. 11DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.002977/200537 Acórdão n.º 920202.016 CSRFT2 Fl. 7 13 protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6°. Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7°. O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8°. A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9°. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Estas são as previsões do Código Florestal atualmente em vigor a respeito dos temas em discussão. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 Inicio a análise do recurso pela área de preservação permanente, cuja glosa decorre da falta de apresentação tempestiva do ADA. Em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação relativa à apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2001. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) Embora este texto pareça demonstrar que a legislação é taxativa ao exigir a protocolização tempestiva do ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, sob minha ótica, não se pode olvidar que a apresentação do ADA pelo contribuinte ao IBAMA ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali contidas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência de áreas que têm algum interesse ecológico. Segundo penso, com o advento de tal regra, o ADA apresentado tempestivamente tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra o protocolo tempestivo do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando à fruição da redução da base de cálculo do ITR. Nesse sentido, no que toca à demonstração da existência efetiva das áreas em referência, na página do IBAMA na internet (www.ibama.gov.br), nos “Serviços Online”, na parte relativa ao “Ato Declaratório Ambiental – ADA”, no link “Respostas às Perguntas mais Freqüentes sobre o ADA”, em resposta à pergunta n° 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), consta a possibilidade de apresentação dos seguintes documentos para tal finalidade: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.002977/200537 Acórdão n.º 920202.016 CSRFT2 Fl. 8 15 ● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Portanto, a própria Administração Pública entende que o ADA tem efeito meramente declaratório, não sendo o único documento comprobatório da área de preservação permanente, podendo ser levado em conta, dentre outros, laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine a área de interesse ambiental. Como visto no decisum recorrido [fl. 208] o ADA foi apresentado tempestivamente – datado de 29.06.1998: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 16 O presente processo versa sobre ITR para o período base de 2001, há ADA tempestivo (datado de 29 de junho de 1998), que informa de reserva legal de 84.300 hectares e outra de preservação permanente de 34.400 hectares. A tese defendida é aquela exposta no acórdão proferido pela DRJ [fl. 148]: […] No caso específico, relativamente à Preservação Permanente a interessada apenas protocolou o ADA contendo essa informação, mas, como já dito, não carreou aos auto comprovantes que certifiquem a existência de tais, .áreas enquadradas nos artigos da 1egislação florestal mencionados. Não trouxe laudo técnico elaborado por profissional habilitado acompanhado de ART, e nem certidão de Órgão Ambiental atestando ou declarando que na propriedade há Preservação Permanente com as características previstas no Código Florestal. 48. Com relação à área de Exploração Extrativa a interessada apenas afirma sua existência embasado nas certidões, porém, além de nas mesmas não haver referência dess atividade no ano em análise, não foi carreado nenhum comprovante de Plano de Manejo, aprovado pelo IBAMA nem de autorização da exploração, muito menos de prova de tal exploração e sua comercialização no ano base em questão. A tese defendida pela PFN não pode prosperar. 2.2Reserva Legal Devolvese a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I – de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. (...) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... Fl. 15DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10183.002977/200537 Acórdão n.º 920202.016 CSRFT2 Fl. 9 17 § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. E, no caso, penso que a decisão de segunda instância não deve ser modificada, pois, conforme disposto a fl. 208 foi reconhecida a existência das áreas de reserva legal: O presente processo versa sobre ITR para o período base de 2001, há ADA tempestivo (datado de 29 de junho de 1998), que informa de reserva legal de 84.300 hectares e outra de preservação permanente de 34.400 hectares. A decisão de primeira instância somente reconheceu a área de reserva legal que estava averbada nas diversas matrículas que compõem o imóvel da recorrente num total de75.416,89 hectares. [Grifouse] Diante disso, entendo que o decisum recorrido não merece qualquer reforma. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 18 3 DISPOSITIVO Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DOS RECURSOS ESPECIAIS interpostos pela PGFN e pelo Contribuinte, para no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É o voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 17DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 10166.720258/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF no.29).
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2202-001.855
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.720258/201077 Acórdão n.º 220201.855 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, LIM PAK TJING, foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Brasília DF, o Auto de Infração de fls.813/849, cuja ciência se deu em 25/02/2010 (fl.851). O valor do crédito tributário apurado é de R$8.190.337,07, e está assim constituído em Reais: Imposto............................................................ 3.923.903,96 Juros de Mora (Calculado até 29/01/2010)....... 1.323.505,15 Multa Proporcional (Passível de Redução)....... 2.942.927,96 Total do Crédito Tributário............................... 8.190.337,07 O lançamento, consubstanciado em Auto de Infração, originou se na constatação de omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em Instituição financeira, em relação aos quais, a fiscalizada, regularmente intimada, não comprovou, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A fiscalização teve início com a intimação do contribuinte a apresentar documentos referentes a contas correntes e transações ocorridas durante os anos calendário de 2005 a 2007, resultando na lavratura do Auto de Infração objeto este processo. DA IMPUGNAÇÃO. Inconformado, o contribuinte apresentou, em 26 de março de 2010, impugnação ao lançamento, às fls.856/870, mediante as alegações relatadas, resumidamente, a seguir: Sustenta que a autuação teria tido como base exclusiva, extratos bancários seus, o que não seria admitido pela jurisprudência, conforme entendimento sumulado pelo TRF, em sua súmula número 182, que vem sendo ratificado pelos tribunais. Salienta que os recursos movimentados em suas contas têm origem lícita, e são derivados de negociações realizadas com recursos próprios, devidamente informados em suas Declarações de Ajuste Anuais, com patrimônio declarado em disponibilidades bancárias e dinheiro em mãos que totalizam R$1.873.957,29, em 31/12/2005; R$2.671.047,48, em 31/12/2006 e R$2.903.771,54, em 31/12/2007, deixando claro que possuía condições para negociar com cheques. Afirma ser proprietário da empresa DF Factoring Ltda, devidamente registrada na Junta Comercial e utilizava suas contas pessoais para as operações da empresa, sendo que, à medida que os cheques eram depositados nas contas, novas negociações era feitas, com os valores circulando várias vezes pelas contas durante o ano. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Acrescenta que teve variação patrimonial de menos de 10% e que a movimentação financeira de suas contas relacionase a vários negócios realizados pela pessoa jurídica, que resultaram em ganho real de aproximadamente 2%. Aponta rendimentos que teriam sido comprovados, mas não excluídos da base de cálculo do imposto de renda, que seriam decorrentes da venda de um veículo Parati, ano 1998, vendido em 2005, com os valores recebidos depositados no banco; Moeda estrangeira convertida em reais em 2005, no valor de R$160.000,00, depositado no banco; Cotas da Pousada do Rio Quente, vendidas em 2005, com a receita depositada no banco; Empréstimo recebido de Maria Licia Fontes e depositado no banco; Valores recebidos a título de aluguel da empresa Amadeus Complementos e Couros Reitera ser proprietário da empresa DF Factoring, e que, na condição de gerente, efetuava transações pela empresa e depositava em sua conta corrente particular, evidenciando a confusão patrimonial da pessoa física com a jurídica, mas que o crédito tributário deve ser constituído a partir do ganho auferido em cada transação e não pelo valor total dos depósitos. Decadência. Sustenta que o artigo 150 do CTN estabelece no parágrafo 4º, que o prazo para homologação do crédito tributário é de cinco anos, contados do fato gerador. Entende que todos os lançamentos efetuados com base em receitas anteriores a cinco anos a contar da data de ciência do Auto de Infração estariam extintos, ou seja, os valores anteriores a 25/03/2005. Solicita que o Auto de Infração seja refeito considerando como receita a diferença entre os valores depositados e os saques realizados, sendo certo que o ganho resultante era o percentual de 0,12% por operação realizada, além de excluir desta apuração os recursos decorrentes de alienações de bens declarados e comprovados. Da Diligência Quando da análise da impugnação por esta Turma de Julgamento, foram verificados fortes indícios de que as contas correntes eram conjuntas, o que teria motivado a realização de diligência para que o órgão preparador confirmasse o fato e agisse de acordo com o resultado das diligências. Constatado que as contas eram movimentadas em conjunto com o cônjuge Lim Tjhoen Hoa, CPF 009.854.60822, a fiscalização, em conformidade com o artigo 18, § 3º, do Decreto nº 70.235/72, reabriu a fiscalização sobre o contribuinte o que teria resultado na lavratura de Auto de Infração Complementar em nome do impugnante e de seu cônjuge. Os dois titulares das contas correntes foram intimados a explicar os depósitos bancários ocorridos nas contas e os depósitos não justificados foram tributados à razão de 50% para cada um dos titulares. A DRJ ao apreciar as razões da impugnação, julgou o lançamento improcedente no termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.720258/201077 Acórdão n.º 220201.855 S2C2T2 Fl. 3 5 DEPÓSITOS BANCÁRIOS FALTA DE INTIMAÇÃO DE TITULAR DE CONTA CONJUNTA. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A autoridade de primeira instância Como já esclarecido nesta Decisão, o contribuinte foi autuado por omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários não justificados, entretanto, em decorrência de diligência solicitada por esta Turma de Julgamento, foi verificado que as contas correntes em que foram constatados os depósitos bancários, tinham dois titulares, o sujeito passivo e sua esposa Lim Tjhoen Hoa, que não tinha sido intimada a justificar os depósitos bancários. A DRJ recorre de ofício de sua decisão. É o relatório. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso de ofício preenche os pressupostos de admissibilidade. Dele conheço e passo a sua análise. A autoridade de primeira instância afastou o lançamento pelo fato de que a contas eram conjuntas, e a cotitular não teria sido intimada. Não há dúvidas de que nas hipóteses de contas conjuntas, deve ser observado o comentado do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, acrescentado pela Lei nº 10.637/2002. Mas, deve ele ser interpretado conjuntamente com seu caput: “Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. .... “§ 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” (grifouse) Tratase, pois, de um comando impositivo e incondicional, que prevê um critério objetivo de quantificação da base de cálculo, justamente para conferir critérios de liquidez, certeza e justiça ao lançamento. Constatese que há dois requisitos exigidos pelo dispositivo retrotranscrito: 1º. que os titulares da conta conjunta tenham apresentado declaração de rendimentos em separado; 2º. que todos os titulares da conta corrente sejam intimados para, querendo, comprovarem a origem dos depósitos bancários. É dever da Fiscalização, pois, observado o prazo decadencial, intimar o outro titular da referida conta bancária para que ele, na condição de cotitular e contribuinte do IRPF, comprove a origem dos depósitos, independentemente do percentual de sua real participação em tal conta, e do motivo pelo qual participa como cotitular, o que, todavia, como visto, não foi feito no caso concreto, nas situações de ambas as contas bancárias. Aliás, esse é o posicionamento desse Conselho, como se vê das seguintes ementas: “DEPÓSITO BANCÁRIO CONTA CONJUNTA Tratandose de conta conjunta, é imprescindível que todos os titulares estejam sob o procedimento de ofício. Ademais, o lançamento com base em depósitos bancários deve ter a base tributável Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10166.720258/201077 Acórdão n.º 220201.855 S2C2T2 Fl. 4 7 dividida pelo número de titulares da conta conjunta, nos casos em que estes tenham rendimentos próprios e declarem em separado.” (Acórdão nº 10421006, de 13.09.2005, Relatora Cons. Meigan Sack Rodrigues) “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta é obrigatório intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de ofício, os valores como sendo renda exclusiva de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6º do artigo 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. Exigência cancelada.” (Acórdão nº 10247838, de 16.08.2006, Relator Cons. Moises Giacomelli Nunes da Silva) Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento no tocante a conta conjunta, por desrespeito ao comando cogente do parágrafo 6º, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 08/07/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 08/07/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 18050.008467/2008-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Quando o acórdão de primeira instância analisar toda a tese de defesa objeto da impugnação, o mero descontentamento da contribuinte com os fundamentos de decidir não enseja o reconhecimento da nulidade no decisum.
AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHAS DE PAGAMENTO EFETUADAS EM DESACORDO COM AS NORMAS E PADRÕES DO INSS. AUSÊNCIA DA INCLUSÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. A elaboração de folha de pagamentos sem a inclusão de todos os pagamentos efetuados e sem a totalidade dos segurados empregados que receberam pagamentos da recorrente, configura ofensa ao art. 32, I., da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Quando o acórdão de primeira instância analisar toda a tese de defesa objeto da impugnação, o mero descontentamento da contribuinte com os fundamentos de decidir não enseja o reconhecimento da nulidade no decisum. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHAS DE PAGAMENTO EFETUADAS EM DESACORDO COM AS NORMAS E PADRÕES DO INSS. AUSÊNCIA DA INCLUSÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. A elaboração de folha de pagamentos sem a inclusão de todos os pagamentos efetuados e sem a totalidade dos segurados empregados que receberam pagamentos da recorrente, configura ofensa ao art. 32, I., da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Lourenço Ferreira do Prado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Quando o acórdão de primeira instância analisar toda a tese de defesa objeto da impugnação, o mero descontentamento da contribuinte com os fundamentos de decidir não enseja o reconhecimento da nulidade no decisum. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHAS DE PAGAMENTO EFETUADAS EM DESACORDO COM AS NORMAS E PADRÕES DO INSS. AUSÊNCIA DA INCLUSÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES. A elaboração de folha de pagamentos sem a inclusão de todos os pagamentos efetuados e sem a totalidade dos segurados empregados que receberam pagamentos da recorrente, configura ofensa ao art. 32, I., da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 84 67 /2 00 8- 33 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.008467/200833 Acórdão n.º 2402003.305 S2C4T2 Fl. 141 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por PSH PRODUTOS E SERVIÇOS HOSPITALARES LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.169.6232, lavrado para cobrança de multa por ter a recorrente deixado de preparar folhas de pagamento incluindo as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço. Consta do relatório fiscal que a recorrente deixou de incluir em folha os pagamentos efetuados a contribuintes individuais e pagamentos efetuados a título de lanches e refeições sem a inscrição da empresa no PAT. O período apurado compreende a competência 01/2004 a 12/2004, tendo o contribuinte sido cientificado em 23/10/2008. Julgada improcedente a impugnação, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual, sustenta a recorrente: que a decisão de primeira instância é nula, na medida em não analisou por completo a matéria de defesa, deixando de manifestarse sobre qual é a norma que estabelece o padrão da folha de pagamento a ser elaborada pela recorrente, resumindo se, no caso a citar o art. 225 do Decreto 3.048/09; que ainda que apontasse referida norma, o fato de ter apresentado à fiscalização todos os dados solicitados, ensejaria a necessidade de relevação da multa; que o julgamento deve ser considerado nulo em razão da recorrente não ter sido intimada da data do julgamento, conforme pedido inserto em sua impugnação, para realização de defesa oral; que não houve expedição do mandado de procedimento fiscal, motivo pelo qual também é nulo o lançamento; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE A questão relativa a nulidade do presente lançamento pela supostas ausência do MPF já foi objeto de julgamento por esta Eg. Turma nos autos do processo 18050.008473/200891, no qual também é interessada a ora recorrente, no qual foram lançadas as contribuições devidas por força da ação fiscal que também originou este Auto de Infração. Ali não fora reconhecida a suscitada nulidade, nos termos a seguir trasncritos, que adoto como razões de decidir: “A recorrente sustenta a nulidade do lançamento tendo em vista a inexistência de prévio Mandado de Procedimento Fiscal a justificálo, pois ao fazer tal consulta na internet, de acordo com os dados constantes no Termo de Início de Fiscalização, conta a informação de que (fls. 126): “Não há ação fiscal em andamento ou não há MPF emitido disponível para o N° CNPJ 03.008.929/000155. Tente Novamente Referido documento, todavia, fora juntado, ainda, quando da apresentação da impugnação. Ao analisar o Auto de Infração e seus anexos, de fato não ali não consta o MPF, somente tendo sido juntado aos autos, quando da realização de diligência posterior à impugnação ofertada, realizada com o intuito de apor autenticidade às notas fiscais de reembolso juntadas, conforme informação fiscal de fls. 180. O documento de fls. 180 possui como data de emissão 13 de junho de 2008, data anterior à emissão do TIAF, de modo que não se sustenta a nulidade apontada pelo recorrente, no que se refere a inexistência do MPF. Desta feita, não vislumbro no caso a inexistência do referido documento, de modo que, mesmo em não existindo, este Eg. Conselho já se posicionou com entendimento que tal situação também não configura vício suficiente a invalidar o lançamento. Confirase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/04/2003 a 30/06/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.008467/200833 Acórdão n.º 2402003.305 S2C4T2 Fl. 142 5 INOCORRÊNCIA. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os preceitos estabelecidos no Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e no Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972) sobrepõemse às recomendações insertas na Portaria que criou o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), que se consubstancia mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais alterações nele inseridas, ou até mesmo a inexistência deste instrumento, não caracterizam vícios insanáveis. [...] (Processo 13227.720066/200791, Rel. Cons. José Sérgio Gomes, Sessão de 23/11/2011, acórdão 1103.00.578) Assim, rejeito a preliminar de nulidade aventada.” Da mesma forma, também não compartilho do entendimento argüido no recurso voluntário no sentido de que o acórdão de primeira instância deve ser anulado, por não ter decidido toda a matéria de defesa objeto da impugnação. O que se percebe, em verdade, é que a suscitada nulidade fundase no argumento de que o acórdão não apontou qual seria a legislação ou mesmo o artigo de Lei que defina o modelo de folha de pagamentos que deveria ser seguida pela recorrente para que então, aquela por si apresentada estivesse de acordo com as normas e padrões do INSS. A argumentação do decisum de primeiro instância trouxe a lume exatamente o art. 225, § 9o do Decreto 3.048/99, o qual define a referida forma, não em formato que deve ser obedecido, mas relativamente as informações que devem estar obrigatoriamente contidas no documento. E tais informações, como consta em referido artigo, por exemplo, são a inclusão de todos os segurados empregados ou contribuintes individuais para os quais foram realizados pagamentos pela recorrente, com a indicação dos valores totais pagos, de forma discriminada. Vejamos o que preceitua referido artigo: Art. 225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; [...] §9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: Idiscriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) IIIdestacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IVdestacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e Vindicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Uma vez que o contribuinte deixou de preparar folhas de pagamento dentro de referidos ditames, era imperiosa a imputação do presente Auto de Infração, da forma como foi levado a efeito pela fiscalização. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 17/04/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10830.011594/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3102-000.191
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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E DESENVOLVIMENTO EM TELECOMUNICAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Leonardo Mussi e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, formalizada no auto de infração de fls. 445/453. O feito, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2007 e dezembro de 2007, constituiu crédito tributário no total de R$ 13.933.423,29, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE CONSTATAÇÃO de fls. 439/444, a autoridade autuante assim contextualiza os motivos do lançamento. Inicialmente, assim identifica a pessoa jurídica fiscalizada: 1. Conforme estatuto social datado em 05 de novembro de 2004, o contribuinte em epígrafe é pessoa jurídica de direito privado, sem fins Fl. 933DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 2 2 lucrativos, com autonomia patrimonial, administrativa e financeira, e tem o objetivo primordial e permanente de preservar a capacidade em pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações existente no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Telecomunicações Brasileiras S/A – TELEBRÁS, conforme previsto na Lei nº 9.472, de 16 de junho de 1997, fornecendo soluções científicas e tecnológicas que contribuam para o desenvolvimento, progresso e bem estar da sociedade brasileira. Na seqüência, a autoridade autuante detalha o percurso do procedimento fiscal: 2. Em 29/10/2007 foi lavrado TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO onde o contribuinte foi intimado a apresentar diversos documentos, dentre os quais os demonstrativos das bases de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Em resposta datada em 21/11/07 o contribuinte apresentou as planilhas "APURAÇÃO DA COFINS", do período de janeiro a setembro de 2007, com base no regime nãocumulativo. ............................... 8. Em TERMO DE INTIMAÇÃO lavrado em 24/09/2008 o contribuinte foi intimado a apresentar: ∙Demonstrativo das bases de cálculo da COFINS, do período de outubro/2007 a dezembro/2007, com a indicação das contas contábeis. ∙Relação (em papel e meio digital) das notas fiscais/documentos, agregados por conta contábil (contas 41110, 41120, 41130, 41140, 41150 e 41160), com os seguintes dados: CNPJ do destinatário, Razão Social do destinatário, Nº da NF, data de emissão, valor (somados mês a mês), descrição dos serviços, do período de janeiro a dezembro/2007. ∙Cópia dos contratos referentes às receitas das contas 41140 (CONVÊNIOS – 1 contrato de cada destinatário) e 41150 (SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO – PESQUISA), do período de janeiro/2007 a dezembro/2007. Relação (em papel e meio digital) da COFINS retida por outras pessoas jurídicas, do período de janeiro/2007 a dezembro/2007, com os seguintes dados: CNPJ do destinatário, Razão Social do destinatário, nº da nota fiscal, data de emissão, valor da NF (somados mês a mês), valor da COFINS retida (somadas mês a mês). Cópia das notas fiscais/documentos (apenas uma nota por mês –a de maior valor, de cada conta contábil 41110, 41120, 41130, 41140, 41150 e 41160), do período de janeiro a dezembro/2007. 9. Em resposta datada de 27 de outubro de 2008, recebida em 29/10/2008, o contribuinte apresentou ou documentos. 10. Em TERMO DE INTIMAÇÃO lavrado em 29/10/2008 o contribuinte foi intimado a apresentar: Relação (em papel e meio digital) das notas fiscais/documentos, agregados por conta contábil (contas 41110, 41120, 41130, 41140, Fl. 934DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 3 3 41150 e 41160), com os seguintes dados: CNPJ do destinatário, Razão Social do destinatário, Nº da NF, data de emissão, valor (somados mês a mês), descrição dos serviços, do período de janeiro a dezembro/2007, uma vez que os demonstrativos apresentados na data de hoje não apresentam a descrição dos serviços. 11. Em resposta de 10/11/2008 o contribuinte apresentou a relação solicitada. Na sequência, o auditor fiscal passa discutir o conceito de receitas de atividades próprias: 12. O contribuinte excluiu das bases de cálculo da COFINS diversas receitas, como se fossem receitas de atividades próprias, com base no art. 14, inciso X, da MP 2.158/2001. 13. O inciso X do art. 14 da MP 2.15835/2001 concede isenção da COFINS para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, sendo que a CPqD se situaria no inciso VIII (fundações de direito privado e fundações públicas instituídas e mantidas pelo Poder Público). 14. A Instrução Normativa SRF nº 247/2002, dispõe o seguinte: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: (...) VIII – fundações de direito privado; (...) Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. 15. Neste contexto, para fazer jus à isenção da Cofins não basta que as receitas das entidades relacionadas no art. 13 da MP n° 2.15835/2001 tenham previsão estatutária. É necessário, também, que não decorram de uma contraprestação direta. 16.. Assim, entendese como atividades próprias aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades. Estas normalmente alcançam as receitas auferidas que são típicas das entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, Fl. 935DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 4 4 mensalidades e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção daquelas entidades e à execução de seus objetivos estatutários. 17. A isenção não alcança as receitas que são próprias de atividades de natureza econômico financeira ou empresarial. Por isso, não estão isentas da Cofins, dentre outras, as receitas da prestação de serviços e/ou revenda de mercadorias. 18. Não se quer aqui estatuir que uma entidade sem fins lucrativos não possa desenvolver, eventualmente, alguma atividade comercial ou de prestação de serviços, com o objetivo de investir os recursos adquiridos no desenvolvimento de sua atividade fim. O que não se coaduna com uma entidade sem fins lucrativos é ela ter entre os seus objetivos principais o exercício de atividades típicas das empresas comerciais e prestadoras de serviços, sem recolher os tributos devidos, em total descompasso com o princípio da isonomia, que deve reger os mercados concorrenciais. Nesse contexto, o autuante, procedendo à análise das receitas classificadas sob a rubrica SUBVENÇÕES (conta 41150), assente que se trata de receitas relativas às atividades próprias da CPqD, e são isentas da COFINS, nos termos do inciso X do art. 14 da MP 2.158 35/2001 (fl. 442). Com relação às demais receitas, assim se posiciona o autuante: [...] 25. Já em relação às demais receitas, o contribuinte relaciona ainda, como "ISENÇÃO RECEITAS PRÓPRIAS", as receitas das seguintes contas contábeis (vide planilhas "APURAÇÃO DA COFINS" apresentadas em 21/11/2007 e 29/10/2008): Conta 41110 Venda de Serviços MI Conta 41120 Licença de Uso Conta 41130 Transferência de Tecnologia Royalties Conta 41140 Convênios Conta 41160 Aluguel de Imóveis Polis 26. Em correspondência datada em 10/11/2008, o contribuinte apresentou relação das receitas agregadas por conta. Observase na própria descrição dos serviços (coluna EXPLICAÇÃO) constantes na relação, que as receitas referentes às contas 41110, 41120, 41130 e 41160, têm cunho nitidamente econômico e contraprestacional, fugindo ao conceito de receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e, portanto, foram indevidamente excluídas das bases de cálculo da COFINS. Tal fato pode também ser constatado nas cópias das notas fiscais entregues pelo contribuinte em resposta datada em 27 de outubro de 2008. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 5 5 27. Com relação às receitas referentes à conta 41140 Convênios, em resposta datada em 16 de junho de 2008 o contribuinte entregou cópia dos contratos com diversas empresas privadas, onde se observa também que têm cunho nitidamente econômico e contraprestacional, fugindo ao conceito de receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos e, portanto, foram indevidamente excluídas das bases de cálculo da COFINS. 36. Finalizando, a Receita Federal do Brasil entende que as receitas relativas à conta "41150 Subvenções para Custeio Pesquisa" foram corretamente excluídas das bases de cálculo da COFINS e que as receitas relativas às contas 41110, 41120, 41130, 41140 e 41160, foram indevidamente excluídas. [...] Assentadas as premissas com relação à rubrica admitida sob o conceito de receitas das atividades próprias, a auditoria comenta a respeito da necessidade do lançamento do ofício: VI DA COFINS DO ANOCALENDÁRIO 2007 [...] 31. Das receitas consideradas pelo contribuinte como "ISENÇÃO RECEITAS PRÓPRIAS", estão sendo aceitas como exclusões as receitas da conta 41150, e glosadas as receitas das contas 41110, 41120, 41130, 41140 e 41160, conforme já exposto nos itens anteriores. 32. A PLANILHA 13 apresenta demonstrativo de cálculo da COFINS, levandose em consideração as glosas das exclusões acima citadas, bem como deduzindose a COFINS retida por outras pessoas jurídicas, conforme resposta do contribuinte apresentada em 29/10/2008. 54. Tendo sido apurado COFINS a pagar, esses valores estão sendo lançados de ofício no presente auto de infração. Cientificada da exigência em 17/11/2008, em 17/12/2008 a autuada interpôs a impugnação de fls. 463/482, em que alega o que segue. Inicialmente, define sua atuação como pessoa jurídica: Em cumprimento à Lei Federal 9.472, de 16 de Julho de 1997 e Decreto no 2.546, de 14 de abril de 1998, a TELECOMUNICAÇÕES BRASILEIRAS S/A TELEBRÁS, sociedade de economia mista, vinculada ao Ministério das Comunicações, destacou uma parcela do seu patrimônio para a instituição da Fundação CPqD Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, fato esse que ocorreu em 22 de julho de 1998, conforme Estatuto Social. Coube à Telebrás S/A instituir a fundação, através de escritura pública, mediante dotação especial em moeda e dos bens constantes do acervo patrimonial situados em Campinas, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, tendo sido consignado nos Estatutos Sociais às receitas previstas para a sua manutenção. [...] Fl. 937DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 6 6 A Fundação CPqD é, portanto, uma entidade com personalidade jurídica de direito privado [...]e sobrevive mediante a geração de receitas provenientes de atividades próprias, previstas em seu Estatuto Social, receitas que são empregadas integralmente na manutenção de seus objetivos sociais, pois na qualidade de Fundação, opera sem qualquer finalidade lucrativa. Com efeito, conforme consignado em seu Estatuto Social, a Fundação CPqD visa primordialmente preservar a capacidade em pesquisa e desenvolvimento em telecomunicações, fornecendo soluções científicas e tecnológicas, realizando, entre outras, atividades como pesquisa aplicada, estudos, projetos especializados, especificações de solução, desenvolvimento de sistemas de informática e de produtos industriais. Sua atuação envolve, ainda, prestação de serviços de consultoria e técnica especializada, serviços especializados de manutenção, testes de conformidade e técnicos, tais como certificação de produtos. A Fundação CPqD desenvolve programas de computador e produtos correlatos ao escopo de sua finalidade, concedendo, ainda, licença de uso de marcas, patentes e de programas e transferência de tecnologias adquiridas ou por si desenvolvidas. Não obstante, confere incentivo à produção e à formação cultural, bem como fomenta capacitação de recursos humanos, através de educação e treinamento pessoal, além de conceder bolsas de estudo e demais incentivos para estimular o desenvolvimento da pesquisa na área para a qual foi criada. Em sede preliminar, acusa a inobservância, pelo Fisco, do rito estabelecido pelo art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996: O artigo 32 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu o rito para a suspensão da isenção, prevendo a prévia expedição de ato declaratório suspensivo pelo Delegado da jurisdição da Entidade, com eficácia retroativa à data da infração, possibilitando impugnação e recurso contra esse ato. No caso vertente, a suspensão da isenção foi ultimada sem a observância desse rito, o que determina a nulidade do questionado lançamento de ofício. [...] Ainda no âmbito preliminar, ataca o enquadramento no regime não cumulativo: [...] existe previsão legal que inviabiliza a apuração de COFINS, pela autuada, com base no regime não cumulativo, delineado na Lei n° 10.833/03. [...] O artigo 10 da Lei n° 10.833/03 estabelece um rol de pessoas jurídicas e de receitas excluídas do regime de apuração não cumulativo, ou seja, que permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS vigentes anteriormente a sua edição, não se lhes aplicando, portanto, as disposições dos artigos 1° a 8°. Vale dizer, as pessoas jurídicas e as receitas destacadas no artigo 10 devem obrigatoriamente ser enquadradas no regime cumulativo, se tributáveis as suas receitas. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 7 7 Neste sentido, destacase o inciso V, que tem a seguinte redação: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°: (...) V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; Com efeito, o referido dispositivo remete ao artigo 61 do ADCT, que assim dispõe: Art. 61. As entidades educacionais a que se refere o art. 213, bem como as fundações de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei, que preencham os requisitos dos incisos I e II do referido artigo e que, nos últimos três anos, tenham recebido recursos públicos, poderão continuar a recebêlos, salvo disposição legal em contrário. E o artigo 213 da Constituição Federal assim prescreve: Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que: I comprovem finalidade nãolucrativa e apliquem seus excedentes financeiros em educação; II assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas atividades. Cotejandose os dispositivos legais supracolacionados, chegase a imperiosa conclusão que a Autuada, na qualidade de fundação de direito privado que desenvolve projetos de pesquisa no campo de telecomunicações, está enquadrada na hipótese exclusiva prevista pelo inciso V do artigo 10, de modo que a ela deve ser aplicada a legislação da COFINS anterior à Lei n° 10.833/03. [...] Na seqüência, ainda que não admitida a exclusão da pessoa jurídica do regime da não cumulatividade, protesta a autuada contra a inclusão de receitas que, por sua natureza, não se submetem ao regime: Dentre as receitas que a Autuada considera isentas por lhe serem próprias da atividade, mas que foram levadas à tributação da COFINS pelo AuditorFiscal, encontramse às escrituradas nas contas: ∙"41110 Venda de Serviços MI", ∙"41120 Licença de Uso” e ∙"41130 Transferência de Tecnologia Royalties". Neste particular, vejase a exclusão do regime nãocumulativo prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei n° 10.833/03: Fl. 939DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 8 8 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°: (...) XXV as receitas auferidas por empresas de serviços de informática, decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento ou cessão de direito de uso, bem como de análise, programação, instalação, configuração, assessoria, consultoria, suporte técnico e manutenção ou atualização de software, compreendidas ainda como softwares as páginas eletrônicas. Ou seja, desde a inclusão do inciso XXV ao artigo 10 da Lei n° 10.833/03, ultimada pela Lei n° 11.051/04 (D.O.U de 30.12.2004), as receitas auferidas de serviços de informática, decorrentes das atividades destacadas, estão sujeitas à exclusão do regime de apuração na forma nãocumulativa, cabendolhes a tributação no regime cumulativo previsto na legislação anteriormente, se não contempladas com expressa isenção, que é a situação da Impugnante a ser demonstrada em tópico próprio. Com efeito, a descrição das receitas no referido dispositivo legal contém inequívoca identidade com as receitas contabilizadas pela Autuada nas contas mencionadas, relativamente a serviços de informática decorrente de desenvolvimento de softwares, licença e uso de programas e transferência de tecnologia, em conformidade à previsão do Estatuto Social da Autuada. Prosseguindo, a defesa voltase contra a interpretação fiscal da isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001: [...]Como observado, o item III do Termo de Constatação, intitulado "Do Conceito de Receitas de Atividades Próprias", o AuditorFiscal expõe o entendimento que restringe indevidamente a isenção da COFINS às denominadas "receitas das atividades próprias", que na visão oficial seriam compostas apenas pelas doações e subvenções. No caso presente, este entendimento adotado advém de determinadas manifestações da Administração Tributária, tal como segue: Consideramse receitas das atividades próprias somente àquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.' Se prevalecer a abusiva e restritiva interpretação adotada pelo AuditorFiscal na autuação ora combatida, estará completamente esvaziada a regra de isenção prevista na MP 2.158/01, porque será sem nenhuma utilidade prática a sua manutenção no ordenamento jurídico. Isto porque a concessão de isenção da COFINS só pode alcançar as receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos", eis que para as doações e subvenções não há que falar nem em receita, quanto menos em isenção para aquilo que não está no campo da tributação. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 9 9 Limitar o alcance da isenção concedida pela MP n° 2.158/01 unicamente às doações e subvenções significa, verdadeiramente, suprimir e mutilar a regra de isenção, uma vez que, juridicamente, só há receita nos ingressos que remuneram atividade, o que não ocorre com as doações e subvenções. [...] De outra parte, não há sentido restringir a regra de isenção sob o falacioso argumento de que "as receitas relativas às atividades próprias das associações sem fins lucrativos abrangem, unicamente, as contribuições, doações e mensalidades, sem caráter contraprestacional direto", uma vez que esses ingressos não se qualificam tecnicamente como "receita", por faltar o pressuposto fundamental que a tipifica: só há receita no ingresso que remunera atividade ou cessão onerosa e temporária de direitos. As contribuições e doações são aportes unilaterais, desvinculados de qualquer contraprestação, por isso não se subsumem ao conceito técnico de receita, que exiqe exercício de atividade, pelo que desnecessária qualquer regra para isentar esses ingressos da contribuição da COFINS, porque a regra de isenção incide para que não produza efeitos a regra de incidência. [...] Ademais, vale destacar a regra contida no artigo 111 do Código Tributário Nacional, que impõe a interpretação literal quando o operador do direito tratar de isenção tributária. [...] Isto porque o legislador pretendeu que os benefícios concedidos por meio de isenção não fossem desvirtuados pelos intérpretes da lei, ampliando ou restringindo sua aplicabilidade, senão nos exatos termos adstritos à própria legislação que outorga o benefício fiscal. Assim, voltandose para o caso vertente, verificase que a interpretação conferida na autuação ora combatida acerca das atividades próprias, para fins de alcance das receitas isentas pelo artigo 14 da MP n° 2.158/01, extrapola o conteúdo do instituto pretendido pelo legislador, na medida em que se exige a malfadada inocorrência de caráter contraprestacional para caracterização de receita albergada pela isenção, sendo assim refratárias à contribuição. [...] Vejase que não há elemento algum que indique ou vislumbre a necessidade de inexistência de caráter contraprestacional das receitas auferidas pelas entidades, para configuração de receita própria, como dispõe a lei. Tratase de inovação interpretativa ultimada na autuação, sem qualquer amparo técnico, legal e colidente com o dispositivo do artigo 111 do Código Tributário Nacional. Fl. 941DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 10 10 A defesa focase ainda no que a seu ver constituiria contradição no procedimento fiscal: tratamento diverso conferido pelo Fisco quanto à tributação do PIS/Pasep. Diz a defesa: [...] há que se ressaltar nítida contradição demonstrada pelo Auditor Fiscal na autuação ora combatida, eis que os benefícios conferidos pela MP 2.158/01 estendemse também ao PISPasep, determinando que as "receitas próprias da atividade" não se sujeitam ao PIS incidente sobre as receitas, levando as entidades beneficiadas a contribuir sobre a folha de salários. Com efeito, essa nãotributação da receita para o PIS foi corretamente respeitada pelo Fisco, mas diversamente ocorreu em relação à COFINS, porquanto o AuditorFiscal procedeu ao lançamento de ofício da contribuição incidente sobre as receitas que considerou como tributáveis, tendo em vista a interpretação equivocada conferida ao texto legal que prevê o benefício fiscal, tãosomente ao tributo ora questionado. Sobre as receitas consideradas tributáveis pela fiscalização, reitera a impugnante que se trata de receitas próprias inerentes à atividade da fundação: No caso vertente, as receitas cuja exclusão da base de cálculo da COFINS foi glosada pelo Auditor Fiscal referemse à (1) venda de serviços, (2) licença de uso, (3) transferência de tecnologia, (4) ingressos decorrentes de convênios firmados para concretização de projetos e (5) aluguel de imóveis com destinação específica. Ora, tais receitas consistem inequívocas receitas próprias da Fundação CPqD, consoante previsão do inciso X do artigo 14 da MP 2.158/01, eis que voltadas exclusivamente para atender seus objetivos sociais, ao encontro da previsão em seu Estatuto, sem qualquer finalidade lucrativa. [...] Cotejando o artigo 4° do Estatuto Social da Fundação CPqD, acima transcrito, podese observar que a autuada não aufere receitas divorciadas de suas atividades estatutárias, mas tão somente daquelas para as quais ela foi instituída pelo Poder Executivo. Logo, resta evidente que as receitas consideradas tributáveis no Auto de Infração, na verdade, são receitas provenientes de atividades próprias da Fundação CPqD, ou seja: são as únicas determinadas pelo instituidor (o Poder Executivo) como fonte de manutenção da autuada. Desta forma, não há como se conformar que as receitas provenientes da prestação de serviços, por exemplo, destinadas exclusivamente à manutenção da Fundação e alcance de seu objeto social, sejam consideradas "receitas de atividades impróprias", portanto, não sujeitas à isenção concedida por lei, como consubstancia a autuação. [...]Assim, não há que se falar na caracterização destas como "receitas impróprias", como alegado, unicamente por terem suposta natureza contraprestacional, conforme demonstrado.[....] Fl. 942DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 11 11 A interessada desenha contestação específica contra o tratamento fiscal conferido às receitas de convênios (conta 41140). Diz ela: o Sr. AuditorFiscal [...] incorreu ainda manifestamente em equívoco ao tratar de forma distinta as contas "41140 Convênios" e "41150 Subvenções para Custeio Pesquisa". Isto porque não se considerou a natureza dos ingressos contabilmente escriturados nas mencionadas contas, de forma a conferir a isenção a apenas uma delas (frisese, ao entendimento adotado pelo Auditor Fiscal), em que pese o fato de serem caracterizados pela mesma nota determinante: decorrência de convênios para custear os projetos a serem desenvolvidos, conforme previsão legal. Como demonstrado, a Fundação CPqD objetiva a preservação da capacidade em pesquisa e desenvolvimento, fornecendo soluções científicas e tecnológicas que contribuam para este objetivo. Para tanto, a legislação estabelece critérios e estipula formas de se alcançar tais objetivos, através da realização de convênios para subsidiar o alcance destas finalidades. Basicamente, na consecução destes objetivos existe o subsídio decorrente do Poder Público, mediante convênios firmados com Fundos de Desenvolvimento como é o caso do Funttel, admitido pelo AuditorFiscal e o subsídio oriundo de empresas privadas, conforme prevê a Lei n° 8.248/91, usualmente chamada de "lei da informática". Portanto, o que diferencia tais ingressos, grosso modo, é sua origem. Ou seja, ora decorre do subsídio do Poder Público, através dos Fundos de Desenvolvimento, outras vezes advém de empresas privadas que, conforme comunhão de interesses, confere recursos à autuada para custear projetos, realizados estritamente de acordo com convênios formados na forma que a lei determina, bem como à suas implicações. Apreendese que este fato, por si só, já demonstra cristalina identidade de natureza dos ingressos contabilizados nas contas "41140 Convênios" e "41150 Subvenções para Custeio Pesquisa". O simples fato de serem escrituradas contabilmente em contas distintas não implica distinção de sua natureza, qual seja a destinação específica ao custeio e desenvolvimento de projetos de interesse público ou privado, consoante o Estatuto Social da autuada. Com efeito, tanto é assim que a autuada está dispensada de emitir "nota fiscal de serviço" decorrente dos convênios e aditivos assinados com empresas beneficiárias da "lei de informática". É o que se apreende de parecer jurídico exarado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (Parecer CONJUR/MCTACF n° 20/2003), em resposta à consulta ultimada pela Autuada junto ao Poder Público, e cuja cópia segue em anexo. [...] Como se vê, o próprio Ministério da Ciência e Tecnologia reconhece que os convênios celebrados pela Autuada e empresas privadas, com fundamento na legislação específica (Lei n° 8.248/91 "lei da Fl. 943DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 12 12 informática"), não possuem caráter de prestação de serviço, para todos os fins tributários decorrentes. Ou seja, diversamente do consignado pelo AuditorFiscal no Termo de Constatação (item 35, fl. 5), em tais ingressos por ele considerados receitas tributáveis, não se verifica qualquer caráter de contraprestação e tampouco há que se falar em cunho nitidamente econômico! Ademais, há que se ressaltar que os ingressos oriundos dos convênios firmados com empresas privadas visam tãosomente ao ressarcimento de custos da entidade no desenvolvimento de determinado projeto. Ou seja, tal como nas subvenções decorrentes do FUNTTEL, admitidas pelo entendimento do AuditorFiscal, possuem nítida natureza de custeio. Neste particular, não se pode sequer falar em receita [...] porque só há receita nos ingressos que remuneram a atividade e, como visto, os ingressos provenientes dos convênios celebrados pela autuada e empresas privadas, não remuneram atividade da Fundação, mas apenas visam ao ressarcimento de custos despendidos. Vale dizer que, conforme disposição do convênio específico celebrado, tais ingressos prestamse tãosomente para ressarcimento dos custos que o projeto demandar, inclusive com demonstração prévia, e atrelada a rígido controle de acompanhamento assim como o é quando concretizado mediante recursos oriundos de Fundos de Desenvolvimento do Poder Público. A natureza de custeio dos ingressos provenientes destes convênios é tão evidente que, em determinados casos, a Fundação CPqD estornou à empresa privada conveniada valores remanescentes, vinculados ao projeto que se pretendeu desenvolver, após sua conclusão ou alcance da finalidade. Isto porque, como demonstrado, não se trata de recurso que a Autuada pode dispor livremente para atingir seus objetivos sociais (como seria se fosse decorrente de remuneração da atividade), mas é vinculada ao projeto que vai desenvolver ou assistir, exclusivamente para cobrir seus custos, estritamente nos termos celebrados. Outrossim, como amplamente ressabido, o benefício da autuada nestes casos de convênios celebrados com as empresas privadas corresponde ao próprio desenvolvimento e pesquisa atingidos na realização dos projetos, exatamente como prevê seu Estatuto Social. Portanto, como demonstrado, não há razão na tributação dos ingressos oriundos dos convênios celebrados com empresas privadas, eis que não podem nem ser considerados receita no rigor técnico jurídico, pois não remuneram a atividade da autuada, e, com efeito, não estão no campo de incidência da COFINS. Não obstante, ainda que se admitisse a tese sustentada pelo Auditor Fiscal apenas a título de argumentação os ingressos escriturados na conta "41140 Convênios" detém exatamente a mesma natureza daqueles anotados na conta "41150 Subvenções para Custeio Pesquisa", ambos utilizados para subsídio dos projetos e diferindose Fl. 944DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 13 13 tãosomente na sua origem, bem como inexistente qualquer caráter contraprestacional que caracterize cunho econômico, diversamente do afirmado. Arrematando suas razões endereçadas contra o mérito, insurgese a impugnante contra a consideração dos créditos correspondentes às receitas consideradas como tributáveis: [...] importa destacar que no lançamento de ofício de COFINS ultimado pelo AuditorFiscal na lavratura do Auto de Infração ora combatido, não foram considerados relevantes créditos da autuada, referente aos insumos utilizados, conforme previsão na Lei n° 10.833 de 2003 que trata deste regime de apuração do tributo. Com efeito, assim dispõe o referido diploma legal: Art. 1° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) Art. 2° Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) (Grifos da autuada) Como se apreende dos dispositivos supracolacionados, conferese ao contribuinte que recolhe COFINS no regime nãocumulativo o direito de descontar créditos do valor apurado relativamente aos insumos utilizados na atividade. Tratase, sem qualquer embargo, da inteligência do artigo 3°. Com efeito, verificase que o AuditorFiscal deixou de considerar valores desta natureza quando da elaboração do suposto valor devido pela autuada. As planilhas por ele elaboradas n° 10, 11 e 12 (integrantes do Auto de Infração), que se referem a períodos de apuração da COFINS no regime nãocumulativo previsto na Lei n° 10.833/03, inclui na base de cálculo do tributo determinadas receitas consideradas isentas pela contribuinte, mas apontadas como tributáveis pelo AuditorFiscal, objeto do lançamento de ofício. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 14 14 Todavia, no cálculo do suposto valor devido do tributo, ao proceder às deduções pertinentes, informa o AuditorFiscal que tomou o montante de crédito de COFINS "conforme apuração apresentada pelo contribuinte". Ocorre que este montante de crédito apurado pela autuada corresponde tãosomente às receitas que a autuada considerou tributáveis! Ou seja, o montante creditório apurado pela Autuada não alberga [...] as receitas que somente o AuditorFiscal considerou como passíveis de incidência, eis que a Autuada as tem como isentas e delas não faz crédito! A propósito, tratase da inteligência do inciso II do § 2° do artigo 3° da Lei n° 10.833/03. Vale dizer, revelase completamente equivocado e totalmente inconsistente o lançamento de ofício de COFINS ultimado em face da Autuada, relativamente aos períodos cujo regime de apuração do tributo em questão foi tomado como nãocumulativo. Como demonstrado, a autuação simplesmente ignora e desconsidera os créditos (especialmente quanto aos insumos utilizados pela autuada) que deveriam ser deduzidos em cada período, uma vez que o montante considerado pelo AuditorFiscal diz respeito exclusivamente às receitas já tributadas. [...] Diz ainda a impugnante que o auditor fiscal, mesmo mencionando a existência de autos de infração anteriores lavrados com fundamento nos mesmos fatos que orientaram a lavratura do presente, desconsiderou as impugnações apresentadas pela autuada e o andamento dos respectivos processos administrativos. Postula que os processos 10830.001757/200867 e 10830.009660/200801 devem ser retirados do auto de infração combatido. Por fim, alega a impossibilidade de aplicação da SELIC sobre os valores lançados a título de Multa de Ofício. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de primeira instância pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/12/2007 COFINS. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RITO DO ART. 32 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A isenção conferida pela MP nº 2.158, de 2001, art. 14, X, c/c art. 13 não é condicionada, sendo inaplicável o comando da Lei nº 9.430, de 1996, art. 32, no que respeita ao rito ali estabelecido para a suspensão de isenções. FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBMISSÃO. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 15 15 Fundação de direito privado cujo objeto primordial é a capacitação de pesquisa em telecomunicações está sujeita à incidência da Cofins com base no regime da não cumulatividade. COFINS. ISENÇÃO. FUNDAÇÕES DE DIREITO PRIVADO. RECEITAS DAS ATIVIDADES PRÓPRIAS. CONCEITO. As receitas que têm cunho contraprestacional não são alcançadas pela isenção da Cofins das entidades referidas no artigo 13 da MP nº 2.158, de 2001. RECEITAS DE DESENVOLVIMENTO E LICENCIAMENTO DE SOFTWARE. REGIME NÃO CUMULATIVO. EXCLUSÃO ESPECÍFICA. As receitas decorrentes das atividades de desenvolvimento de software e o seu licenciamento permanecem sujeitas à incidência cumulativa da Cofins a partir de dezembro de 2004. DIREITO AO CRÉDITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS APURADOS SOBRE INSUMOS DIRETAMENTE APLICADOS NA PRODUÇÃO/PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DIREITO AO DESCONTO. CONDIÇÃO. O aproveitamento de créditos na sistemática não cumulativa requer a demonstração de sua liquidez e certeza pelo sujeito passivo segundo as condições legais de apuração e desconto. Comprovado o direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comprová los efetivamente. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a conformidade dos atos praticados pelos agentes do fisco frente à legislação de regência em vigor, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Em essência, acrescenta exclusivamente suas alegações acerca da invalidade do ajuste promovido pelo acórdão de primeira instância, que, no seu sentir, ao excluir parte das receitas do regime nãocumulativo, promovera novo lançamento. Sustenta, assim, a nulidade de tal ajuste. É o Relatório Fl. 947DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 16 16 VOTO Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator. Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Antes de adentrar na análise das questões suscitadas, entendo prudente, em nome da sistematização, demarcar a matéria litigiosa. Não está em discussão a qualificação da recorrente como fundação sem fins lucrativos, que se dedica à pesquisa e desenvolvimento na área de tecnologia. O cerne do litígio, com efeito, pode ser divido em dois aspectos. Em primeiro lugar, há que se definir qual seria o universo das receitas auferidas que deveriam ser tributadas pela contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins e quais seriam consideradas isentas. Definido tal universo, qual seria o regime que tributaria as receitas que não fariam jus a isenção: cumulativo ou nãocumulativo. Justamente por entender que apenas parte das receitas auferidas deveriam se submeter à cobrança e, dentro desse rol, algumas delas ao regime nãocumulativo é que entendo que o presente processo não se encontra em condições de ser julgado. Efetivamente, apesar da realização de uma primeira intimação para apresentação de planilha em que demonstrasse a apuração da Cofins, a apuração apresentada, com efeito, considerou isentas receitas que, na opinião do Fisco, não mereceriam tal tratamento. Ou seja, nem foi promovida uma apuração dos créditos de ofício nem conferida oportunidade para que o sujeito passivo apurasse os créditos decorrentes das parcelas que o Fisco entendia sujeitas à incidência. Assim, em que pese a opinião deste Relator no sentido de que a apuração dos descontos da Cofins não cumulativa não representa uma obrigação do Fisco, mas uma faculdade do sujeito passivo, é inegável que essa faculdade não pôde ser exercida pela recorrente. Isto posto, com base no comando expresso no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 19721, converto o julgamento do presente recurso em diligência, a ser conduzida pela unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de jurisdição, no intuito de que seja aberto prazo para que o sujeito passivo promova a apuração dos créditos vinculados às receitas que o fisco entende tributáveis, colacionando ao processo os elementos que os comprovariam. Caberá a autoridade fiscal elaborar parecer conclusivo acerca da pertinência de tais créditos e do montante da contribuição que seria reduzido em razão do seu acatamento. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10830.011594/200821 Resolução n.º 3102000.191 S3C1T2 Fl. 17 17 Em seguida, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para que o sujeito passivo se manifeste acerca do parecer fiscal. Findo tal prazo, com ou sem manifestação do sujeito passivo, devem os autos retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 949DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 5/07/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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