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Numero do processo: 10315.720435/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004.
A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO.
As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
EDITADO EM: 15/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado
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MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI Nº 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos prevista na Lei no 11.033, de 2004, referese às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. As receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda de gasolina, óleo diesel e álcool são submetidas à alíquota zero da contribuição, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso. O Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 04 35 /2 00 9- 21 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 15/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sergio Celani, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720435/200921 Acórdão n.º 3801001.382 S3TE01 Fl. 75 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de pedido de compensação apresentado pelo contribuinte, supra qualificado, no qual pretende se utilizar de créditos relativos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, tendo por base o disposto no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. A DRF Juazeiro do Norte/Ce emitiu Despacho Decisório, fls. 11/20, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, não homologando a compensação. Dentre os fundamentos do referido despacho decisório, destacamse os seguintes trechos: (...) Destarte, o contribuinte não efetua qualquer recolhimento de PIS e COFINS com relação às receitas provenientes das mercadorias em relação as quais pretendem creditar. Ora, o creditamento, nos casos em que na saída das mercadorias incide alíquota zero, traduzse em isenção, para a qual seria necessária disposição de lei expressa e específica nesse sentido como determina o art. 176 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Ora, permitir que se credite pela aquisição das mercadorias sujeitas ao regime de alíquotas diferenciadas concentradas (e por isso mesmo tributadas à alíquota zero por ocasião da percepção da receita de venda), equivale a permitir que se recupere todo o montante recolhido pelo fabricante a título das contribuições em tela, desonerando completamente a circulação econômica daquelas mercadorias. Desta forma o regime de alíquotas diferenciadas concentradas transformarseia em uma desoneração total da cadeia de produção e circulação dos produtos e mercadorias por ele abrangidos. (...) Cientificado do despacho em 14/09/2009, fls. 20, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 14/10/2009, fls. 21/31, contrapondose ao despacho decisório, com base nos argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, destaca que até 31 julho do ano de 2004, os produtos sujeitos a tributação monofásica ficaram excluídos do regime nãocumulativo de incidência do PIS e da COFINS, previsto nas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 4 permanecendo, dessa forma, sob a tributação estabelecida na Lei n° 9.718/98. Posteriormente, com o advento da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, cujos efeitos se iniciaram a partir de 10 de agosto de 2004, as vendas dos produtos ora sob enfoque foram inseridas no rol das receitas das atividades sujeitas ao regime da não cumulatividade para cálculo do PIS e da COFINS. Desse modo, em virtude da lógica tributacional da novel sistemática, restou evidenciado que as pessoas jurídicas sujeitas ao regime nãocumulativo tem direito a "constituir créditos" de PIS e da COFINS às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre determinados custos e despesas vinculados a atividade operacional das pessoas jurídicas vinculadas ao regime da nãocumulatividade, inclusive bens adquiridos para revenda, desde que anteriormente submetidos à incidência das contribuições mencionadas, por ocasião das saídas promovidas pelo fornecedor. Alega que, até então havia expressa vedação a apuração dos créditos sobre os bens para a revenda, nos termos do art. 30,1, b, da Lei 10.833. Todavia, se por um lado, nessa época, negavase a possibilidade de crédito sobre os bens de tributação monofásica que eram adquiridos para revenda, por outro, em virtude da sistemática da nãocumulatividade, era permitido, assim como ainda o é, o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados a venda desses produtos, tal como, por exemplo, a energia elétrica, encargos com a locação de prédios e equipamentos. Nesse particular, afirma que a Refeita Federal do Brasil já se pronunciou sobre o tema, consoante a solução de consulta da DISIT SRRF10aRF (ementa transcrita pela defesa). Com efeito, a partir de agosto de 2004, com a edição da Lei n° 11.033/2004, entende que o direito ao crédito oriundo das aquisições de bens para a revenda foi conferido também ao regime monofásico, onde se concentra a tributação numa fase e se reduz a zero a tributação das saídas das demais fases. Ressalta que o aludido dispositivo da Lei n° 11.033/2004, não fez qualquer menção nem tampouco restringiu a possibilidade de manutenção dos créditos apenas em relação a determinados produtos ou atividades, sendo assim considerada como norma geral para o sistema, possibilitando a utilização dos créditos em quaisquer situações, desde que os mesmos estejam vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e da COFINS. Destarte, com base no artigo mencionado, firma o entendimento da total possibilidade do creditamento sobre aquisições de veículos novos, autopeças, pneus novos e câmarasdear de borracha. Tanto é assim que, no sentido de regulamentar a utilização de tais créditos, foi editada a Lei 11.116/2005. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720435/200921 Acórdão n.º 3801001.382 S3TE01 Fl. 76 5 Frente ao exposto, no entender da impugnante, com o advento da Medida Provisória n° 206/2004, posteriormente convertida na Lei n.° 11.033/04, a vedação ao creditamento constante nos artigos 3o , I, b, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 foi revogada, fato esse que possibilita a apuração de credito por parte dos contribuintes tributados sob a sistemática do monofásico. Reforçando seus argumentos a defesa transcreve o entendimento dos professores Sacha Calmon Navarro Coelho e Helenilson Cunha Pontes. Em seguida, transcreve soluções de consulta da Receita Federal, que entende serem favoráveis a sua tese. Alega, ainda, que em 03.01.2008 foi editada a Medida Provisória n° 413/2008, que proibiu expressamente o aproveitamento, por distribuidores e varejistas de produtos sujeitos à tributação monofásica de créditos relativos às suas aquisições de bens para revenda a partir de 10 de maio de 2008, acrescentando os §§ 14 e 22 aos arts. 30 da lei 10.637/02 e art. 30 da lei 10.833/03. Desse modo, entende que o Governo Federal ao vedar expressamente o creditamento a partir de 01/05/2008, tacitamente, admitiu a sua existência no período anterior compreendido entre 09/08/2004 e 30/04/2008. Por outro lado, antes da vigência dos supramencionados dispositivos da Medida Provisória, o próprio Governo Federal adiou o termo inicial de vigência, que somente passariam a vigorar "a partir do 10° dia do mês subseqüente ao dia da publicação do ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecendo os termos, condições e prazos de que trata o art. 13”. Entretanto, em 23/06/2008, no momento da conversão da referida MP 413/08 em Lei, o Congresso Nacional não convalidou a vedação do crédito oriundo das aquisições sujeitas a tributação monofásica, haja vista que a Lei de conversão da 11.727/2008 nada versa sobre a matéria, suprimindo, dessa forma, os dispositivos da MP 413 vedavam o crédito. Desse modo, tendo em vista que os arts. 14 e 15 da Medida Provisória 413/2008 jamais entraram em vigor, conclui que não há outra conclusão a não ser a de que o direito ao crédito proveniente das aquisições dos produtos sujeitos ao regime monofásico nunca foi extinto do ordenamento jurídico. A Delegacia de Julgamento em Fortaleza proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. COMERCIANTE VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. CRÉDITOS. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 6 A receita bruta decorrente das vendas de gasolina, óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP) e álcool auferida por comerciante varejista está sujeita à incidência da Cofins à alíquota zero, estando expressamente vedada a apuração de créditos da contribuição em relação à aquisição desses produtos. Observada essa vedação, não há impedimento à manutenção de outros créditos vinculados a essas vendas, autorizados pela legislação para a atividade comercial, admitida sua compensação ou ressarcimento nos casos previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 54 a 65, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720435/200921 Acórdão n.º 3801001.382 S3TE01 Fl. 77 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Pedido de Ressarcimento de Pis/Pasep NãoCumulativo, fls. 02/04, referente ao 3º Trimestre de 2004, no valor de R$ 10.474,23. Em seu recurso voluntário a recorrente embasa sua defesa, da mesma forma que procedeu quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, nas questões relacionadas com a interpretação e aplicação da legislação à situação em concreto. Assim, a questão central para a solução da controvérsia reside na análise da possibilidade da interessada, uma vez que se ocupa do comércio varejista de combustível, utilizar como crédito os dispêndios realizados com a compra de gasolina e óleo diesel. Desse modo, necessário se faz trazer a lume a legislação de regência. Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) X no art. 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes, querosene de aviação, gás Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 8 liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural. (Incluído pela Lei nº 10.925, de 2004) (Vide Lei nº 10.925, de 2004) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Art. 4o Os arts. 2o, 5oA e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: (Vigência) "Art. 2o .............................................................. § 1o ................................................................... I nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) Art. 16. É vedada a utilização do crédito de que trata o art. 15 desta Lei nas hipóteses referidas nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 8o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o e no art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – 5,08% (cinco inteiros e oito centésimos por cento) e 23,44% (vinte inteiros e quarenta e quatro centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720435/200921 Acórdão n.º 3801001.382 S3TE01 Fl. 78 9 (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) II – 4,21% (quatro inteiros e vinte e um centésimos por cento) e 19,42% (dezenove inteiros e quarenta e dois centésimos por cento), incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel e suas correntes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.051, de 2004) Como é de conhecimento, o regime de nãocumulatividade das contribuições PIS e COFINS foi instituído pelas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, sendo que a Lei nº 10.865/04 introduziu alteração no citado regime (nos artigos 3º, inciso I, alínea "b", das referidas leis), vedando a possibilidade de creditamento nas operações de venda de gasolina e óleo diesel. Posteriormente foi editada a Lei nº 11.033/04, cujo artigo 17 estabeleceu que “as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações”, originando a contenda aqui presente. Argui a recorrente que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04). Em razão disso, entende ser de direito o crédito sobre as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), sujeitos a tributação concentrada/monofásica. Quanto à controvérsia especificamente estabelecida nesse processo, fazse necessário tecer algumas considerações. Em linhas gerais, ressaltase, a seguir, os regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. 1. Regime de Incidência Cumulativa. Nesse regime de apuração, a base de cálculo do Pis/Pasep e Cofins é a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, conforme Lei nº 9.715, de 1998 e LC nº 70/91, cujas alíquotas são 0,65% e 3%, respectivamente. 2. Regime de Incidência NãoCumulativa. O regime da nãocumulatividade das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, introduzido pela EC (Emenda Constitucional) nº 42, de 2003, foi instituído pela Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) e Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), respectivamente, permitindo, nos exatos termos definidos em lei, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica. Seu fundamento constitucional está gravado no art. 195, §12 da CF/1988: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 10 mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins são, respectivamente, de 1,65% e de 7,6%. 3. Regime Diferenciado. Caracterizase pela incidência especial sobre algum tipo de receita e não sobre pessoas jurídicas, devendo as mesmas calcular as contribuições sobre as demais receitas, em existindo, na sistemática cumulativa ou nãocumulativa. Tem seu fundamento constitucional no art. 149, §4º, abaixo colacionado: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) O regime diferenciado de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins pode ser assim especificado, resumidamente em: (i) base de cálculo e alíquota diferenciada; (ii) base de cálculo diferenciada; (iii) alíquota reduzida; (iv) substituição tributária e (v) monofásico ou concentrado. Fazse referência, a seguir, por se tratar do caso em análise, do sistema de apuração das contribuições intitulado de regime monofásico ou de alíquota concentrada. De acordo com esse regime, o importador ou produtor/fabricante tem suas alíquotas majoradas, incidindo uma única vez na cadeia de distribuição dos produtos, ficando os demais elos da referida cadeia desonerados das referidas contribuições. Quanto ao regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins a legislação não previa, de início, a inclusão das receitas sujeitas ao modelo monofásico. Somente a partir da edição da Lei nº 10.865, de 2004, permitiuse para o produtor e importador que o regime nãocumulativo do PIS e da Cofins abrangesse as receitas referente às vendas de produtos tributados com base em alíquotas diferenciadas (modelo concentrado/monofásico) e, com isso, abriuse a possibilidade destes contribuintes descontar créditos em relação a certos custos e despesas previstos no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Podese dizer, em remate, que o regime de apuração das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins na sistemática da nãocumulatividade é geral, enquanto que o regime de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720435/200921 Acórdão n.º 3801001.382 S3TE01 Fl. 79 11 tributação diferenciado na sistemática de apuração concentrada/monofásica é específico e apurado paralelamente àquele. Feitas as considerações acima, convém retornar à análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, abaixo colacionado, bem como o entendimento da recorrente no sentido de que essa norma teria revogado tacitamente aquelas restrições constantes dos artigos 3º, inciso I, alínea “b”, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 (inseridas no regime de nãocumulatividade pela Lei nº 10.865/04), verdadeira razão da controvérsia submetida a esse colegiado. Art. 17 As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Relativamente a revogação tácita invocada pela recorrente, de acordo com o artigo 2º , §§ 1° e 2º, do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro – “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” e “a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Assim, como é incontroverso que não houve revogação expressa, nem tão pouco é possível se admitir que o referido artigo regulou inteiramente a matéria, resta tão somente a possibilidade do novo texto ser incompatível com o anterior. Quanto a esse aspecto, como visto na abordagem dos regimes de incidência das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, a sistemática de apuração nas modalidades não cumulativa e concentrada/monofásica tem fundamentos constitucionais diferentes, o que leva a concluir que são sistemas distintos, que não se misturam mesmo quando apurados paralelamente. Assim, da análise do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, é manifesto que sua aplicação se limita a apuração das contribuições sob a sistemática da nãocumulativa. Portanto, no caso de receita sujeita a tributação concentrada, caso dos autos, referido comando legal é inaplicável. Desse modo, em razão do comando normativo expresso nos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente, com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004 (arts. 21 e 37), e pela Lei nº 10.925, de 2004 (arts. 4º e 5º), é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação as aquisições de combustíveis (gasolina, óleo diesel), adquiridas para revenda, submetidas ao regime de tributação estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.718, de 1998. Por fim, uma vez que as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais definidas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 tem natureza específica e o art. 17 da Lei nº 11.033/04 é um dispositivo de caráter genérico, cujo comando não previu expressamente a revogação dos artigos 2º, § 1º, I, e 3º, I, “b” das referidas leis, predomina o princípio da especialidade na resolução do aparente conflito das leis no tempo. Significa dizer que as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não foram atingidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/04, inexistindo o direito da recorrente ao ressarcimento buscado através do PER/DCOMP de fls. 02/04. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 12 Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720435/200921 Acórdão n.º 3801001.382 S3TE01 Fl. 80 13 Declaração de Voto Conselheiro Jacques Maurício Ferreira Veloso. A questão posta é sobre a possibilidade ou não dos contribuintes que operam com produtos sujeitos ao regime monofásico de contribuição do PIS e COFINS. Para entender o pleito, vejo como necessária uma análise da evolução legislativa sobre o tema e busca daí a melhor forma de sua aplicação, vejamos. As contribuições citadas (Pis e Cofins) foram inseridas no regime não cumulativo de apuração após a publicação das leis 10.627/02 e 10.833/03 respectivamente. Pelos referidos normativos, estava criado o regime nãocumulativo de apuração das contribuições, obrigatório para os contribuintes optantes pelo lucro real, porém fora do referido regime operações realizadas com os produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração. Ou seja, com a edição das normas citadas, passamos a ter concomitantemente o regime cumulativo de apuração, o regime nãocumulativo e o regime monofásico. Acontece que com a edição da lei 10.865/04 houve uma significativa alteração no sistema posto, pois pela referida legislação os produtos revendidos pela Recorrente passaram a integrar também o regime nãocumulativo, ou seja, o que antes era tratado pelo legislador como dois regimes distintos, passou a ser uma operação mista, onde o contribuinte sujeito ao recolhimento concentrado (monofásico) também teria o direito de creditamento através regime nãocumulativo. Ou seja, a partir de agosto de 2004, quando entrou em vigência a lei 10.865/04, houve uma mudança no regime monofásico que passou a beneficiar os contribuintes que operam com mercadorias sujeitas a sua sistemática. Tal benefício foi corroborado posteriormente pela lei 11.033/04 que em artigo 17 reconhece o referido crédito, cito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Não bastasse, o artigo 16 da lei 11.116/05 novamente confirma o crédito e disciplina a sua utilização, inclusive possibilitando o seu uso para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, cito: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO 14 final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Vale citar que o artigo supracitado não só reconhece a existência do crédito, como a sua data de início, 09/08/2004, ou seja, início da vigência da lei 10.865/04. O referido crédito e seu aproveitamento chegou inclusive a ser regulamentado no âmbito da Receita Federal, através da IN 600/05, que em seu artigo 42 assim dispunha: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou II aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (Retificada no DOU de 27/01/2009, pág. 11) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 34. (...) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO Processo nº 10315.720435/200921 Acórdão n.º 3801001.382 S3TE01 Fl. 81 15 § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso II do caput e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III do caput e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. Importante ressaltar que a IN 600/05 permaneceu inalterada e reconhecendo o direito ao crédito, como posto, até a edição da IN 900/08, ou seja, durante 3 (três) anos a própria administração reconheceu e admitiu a cumulação das sistemáticas de apuração – monofásico e nãocumulatividade. Finalmente, a meu sentir para por uma pá de cal sobre o assunto, foi publicada a MP 413/08 que em seus artigos 14 e 15 alterava as leis 10.637/02 e 10.833/03 para impedir a utilização do crédito de PIS e COFINS nos produtos sujeitos ao regime monofásico de apuração, a partir da regulamentação pela Secretaria da Receita Federal, no que se refere à vedação instituída, ou seja, reconhecendo a validade dos créditos em períodos anteriores. O referido dispositivo foi derrubado no Congresso Nacional sendo convertida a MP 413 na Lei 11.727/08 sem tais disposições, ou seja, mantendo na íntegra o direito ao creditamento. A tentativa de revogação ao direito de crédito foi novamente levada a efeito pelo Poder Executivo na edição da MP 451/08 e novamente os dispositivos que vedavam a utilização do crédito não foram aprovados no processo de conversão da MP na Lei 11.945/09. Ou seja, no meu entendimento, é fato que o Congresso Nacional, Poder responsável pela edição das leis em nosso país, reiterou por diversas vezes seu entendimento de que há o direito ao crédito no caso em análise. Portanto como aplicadores das normas, entendo que não é possível o afastamento deste direito, senão mediante alteração legislativa, o que, como dito, foi buscado por duas vezes e não foi admitido pelo Poder Legislativo. Portanto, voto pelo provimento do recurso. É como voto. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado d igitalmente em 14/05/2013 por JACQUES MAURICIO FERREIRA VELOSO DE MELO
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Numero do processo: 10293.720047/2007-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL/INTERESSE ECOLÓGICA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO.
A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental - ADA, fazendo-se, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA - VTN SUBAVALIAÇÃO Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha do SIPT, exige-se Laudo de Avaliação firmado por profissional habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado. Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.791
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odmir Fernandes (Relator) e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a área de utilização limitada (reserva legal) declarada. Designado para redigi o voto o Conselheiro Nelson Mallmann.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA VTN SUBAVALIAÇÃO Para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha do SIPT, exigese Laudo de Avaliação firmado por profissional habilitado, com os requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Odmir Fernandes (Relator) e Pedro Anan Junior, que proviam parcialmente o recurso para restabelecer a área de utilização limitada (reserva legal) declarada. Designado para redigi o voto o Conselheiro Nelson Mallmann. (Assinado digitalmente) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 2 Nelson Mallmann – Presidente e Redator (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odair Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720047/200783 Acórdão n.º 220201.791 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF, que manteve a autuação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2005, no valor de R$6.783.313,51, com multa de 75% e juros, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Catiana/Fazenda Cirópolis”, localizado no Município de Sena Madureira/AC, decorrente da revisão da DITR/2005. A autuação ocorreu porque o contribuinte, intimado, não comprovou a área de reserva legal e o VTN Valor da Terra Nua, declarado na DITR/2005. Houve glosa integral da área de reserva legal declarada, de 20.563,0 ha, e alteração do Valor da Terra Nua VTN declarado de R$12.000,00 (R$0,47/ha), que se considerou subavaliado com arbitramento em R$16.707.600,00 (R$650,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT da Receita Federal, com aumentos da área tributável/área aproveitável, do VTN tributável e da alíquota, resultando imposto suplementar de R$ 3.341.040,00. A decisão recorrida de fls. 149/173, com ciência em 08/09/2011, afastou as preliminares de cerceamento de defesa e não admitiu a exclusão da área da área ambiental declarada do ITR de 20.563 ha, pela falta de averbação na matrícula do imóvel, e pela falta do Ato Declaratório Ambiental ADA. Manteve o VTN arbitrado com base no Sistema de Preço de Terras – SIPT, em R$16.707.600,00 (R$650,00/ha), pela ausência de comprovação do valor declarado. Recurso Voluntário a fls. fls. 179/265, onde sustenta nulidade do procedimento administrativo. No mérito, pede a isenção da área de reserva legal declarada; sustenta que o VTN arbitrado contrariou o valor declarado e houve confisco pela impossibilidade da utilização da área de reserva legal e preservação permanente, sem utilidade econômica. Pede o cancelamento da autuação ou a redução dos juros e da multa. É o breve relatório. Voto. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes, relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve e ser conhecido. Sustenta inicialmente nulidade do procedimento administrativo por falta de notificação do lançamento; cerceamento de defesa pela falta e oportunidade para apresentar os documentos comprobatórios das informações declaradas na DITR; e erro na capitulação da infração. As preliminares não procedem. Não há nulidades a sanar, cerceamento de defesa ou erro na capitulação da infração. Parte das preliminares envolve o exame do mérito da exigência e assim deve ser decidida. Também não alegou e nem se demonstrou qual o prejuízo das supostas nulidades. Sem essa demonstração não cabe reconhecer qualquer nulidade, salvo sendo se absoluta. No mérito, tratase de autuação do ITR relativo a glosa da área de reserva legal e do VTN – Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte, ora Recorrente. Passo ao exame de cada uma das infrações. Área de reserva legal A decisão recorrida não área de reserva legal por falta do ADA e da averbação na matricula do imóvel. Temos posição fixada sobre a matéria. Em nosso sentir, não é necessário o ADA para permitir exclusão das áreas de reserva legal, preservação permanente, interesse ecológico da tributação o ITR; e nem a averbação na matrícula do imóvel, se o contribuinte consegue comprovar, por outros meios de prova firmes e extreme de dúvidas, notadamente laudo pericial subscrito por profissional habilitado, a existência efetiva dessas áreas de exclusão do imposto. A exigência do ADA se fez pelo acréscimo do art. 17O, pela Lei n° 10.165, de 2000, alterando a Lei no 6.938, de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, cujo artigo possui a seguinte redação: “Art. 17O”. ... § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR). Contudo, a Lei do ITR n° 9.393, de 1996, no art. 10 § 7o, com a redação dada pela Medida Provisória 216667 de 2001, posterior à lei 10.165, de 2000, estabelece: § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720047/200783 Acórdão n.º 220201.791 S2C2T2 Fl. 4 5 Ora, a Lei no 6.938, de 1981, com a alteração da Lei n° Lei n° 10.165, de 2000, exige a prévia comprovação pelo ADA, mas a Lei n° 9.393, de 1996, com a redação da MP 216667, de 2001, não faz a prévia exigência. Deixa a critério do contribuinte a comprovação, da reserva legal, preservação permanente e servidão florestal ou ambiental, se questionado pela fiscalização. Há assim aparente conflito ou antinomia de normas no tempo, supletiva, especial e geral, que devem ser resolvidas e compatibilizadas pelo interprete e aplicador da lei. A Lei no 6.938, de 1981 é norma supletiva ou geral em relação ao ITR e a sua alteração pela Lei n° 10.165, de 2000. Por ser lei supletiva não pode derrogar ou revogar a disposição normativa especifica da lei especial do ITR, sob pena de afronta à regra de aplicação e interpretação prevista na Lei de Introdução ao Código Civil. Vejamos. O Decretolei n° 4.657, de 1942 (com força de lei), com a redação dada pela Lei n° 12.376 de 2010, estabelece: “Art. 2o.... § 1o A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2o A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Ofende ainda a cronológica das leis. A exigência veio com a Lei n° 10.165, editada no ano de 2000, enquanto a regra especifica do ITR que não faz a exigência é do ano de 2001 (MP 216667). Dessa forma, prevalece a regra da Lei do ITR, estabelecendo: “A declaração para fim de isenção do ITR, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante”. De outro lado, a tributação busca o aspecto material, os fatos reais praticados ou realizados pelo contribuinte, ou presuntivos, se previstos em lei. A obrigação principal – pagamento do tributo não pode se condicionar à formalidade “do ADA tempestivo”, apenas a existência do fato real comprovado por prova seguras da restrição ambiental, notadamente laudo firmado por profissional habilitado, sem contrariedade, no sentido de o imóvel possuir área de preservação permanente, sem possibilidade de utilização econômica. O ADA é mero ato declaratório ambiental, não se constitui sequer em obrigação acessória do ITR ou condição para dispensa do tributo. Contudo, feita a comprovação pelo ADA temos a dispensa da produção de outras provas. A averbação na matricula da Reserva Legal é registro da restrição do direito de propriedade, causa da limitação do domínio útil e da posse. Feita a averbação cabe à fiscalização demonstrar situação inversa, ou seja, a inexistência da área de reserva. Com a limitação, o proprietário passa a deter apenas o domínio direto ou a nuapropriedade, fica destituído de parte do domínio, perde os poderes de usar e gozar a propriedade, mas permanece com obrigação de zelar e conservar o imóvel. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 6 O conflito do ITR entre fisco e contribuinte com a exclusão da base de cálculo ou isenção das áreas de restrição ambiental, seja de preservação permanente, utilização limitada, reserva legal, interesse ecológico e outras, desperta situação curiosa. De um lado a fiscalização, com exigência do ADA, tempestivo. De outro o contribuinte, comprovando por provas firmes que o imóvel é de preservação permanente, possui interesse ecológico, restrição de uso, reserva legal e mesmo assim, sem ADA tempestivo ou a matrícula contemporânea ao fato gerador, exigese a tributação. O ITR tem como fato gerador, na expressão constitucional, a propriedade em seu sentido amplo (art. 153, IV, da CF/88) do direito real na clássica definição do Código Civil de usar, gozar, dispor e reivindicar (cf. art. 1228), mas o Código Tributário Nacional estendeu a tributação da propriedade ao titular do domínio útil e da posse, ao seu possuidor (art.29 e 31 do CTN). Domínio exige registro dominial dessa condição de dono no registro imobiliário. Posse ou possuidor, no alcance da tributação ao ITR, corresponde à posse aquisitiva com animus domini do domínio, ou ad usucapionen; posse com os poderes e atributos da propriedade para se submeter à tributação. Nas áreas de restrição, seja de reserva legal, preservação permanente, interesse ecológico, não se cuida de domínio útil, pois este se constitui pelo registro e a posse, com poder do domínio, por isso útil. É certo que o titular do domínio continua com a posse, mas esta posse, com a limitação não é a posse do possuidor com os poderes e atributos da propriedade para se sujeição ao ITR. Esta posse com restrição é posse precária, é detenção. O ITR, ao admitir a exclusão das áreas com restrição de uso, reconhece a ausência da propriedade, do domínio útil e da posse ao seu titular, não podendo se falar em tributação das áreas de restrição, pela ausência do aspecto material e sujeição passiva do imposto. Na hipótese em exame, há averbação da Reserva Legal na matricula do imóvel (AV5 2085), realizada em 14.05.2004, com reconhecimento da área de 20.563,20ha de reserva legal (fls. 124, PDF), exatamente a área declarada pelo contribuinte recorrente. O Laudo pericial de fls. 98 a 113, elaborado em 31.08.2007, comprova a existência da área de reserva legal. Assim, é necessário admitir a exclusão da área diante da comprovação feita. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de reserva legal declarada, mantida a autuação em relação ao VTN. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720047/200783 Acórdão n.º 220201.791 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Nelson Mallmann, Redator Designado Com a devida vênia do nobre relator da matéria, Conselheiro Odmir Fernandes, permitome divergir quanto à exclusão da tributação a integralidade da área de utilização limitada (reserva legal), acompanhando o voto do relator nas demais questões. Entende o nobre relator, que no caso em concreto, no que diz respeito à área de utilização limitada (reserva legal), o recorrente preencheu os requisitos previstos na legislação de regência, em razão da apresentação de laudo técnico. Contudo, não posso acompanhar o raciocínio do nobre relator, já que discordo frontalmente no que diz respeito ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, exigência mútua para as áreas de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal), além da exigência concomitante da averbação da área de reserva legal nos Cartórios de Registro, pelos motivos abaixo expostos. Não restam duvidas de que se confirmou o não cumprimento de uma exigência aplicada às áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR, qual seja, que as áreas de utilização limitada (área de reserva legal) sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento (do ADA). Para fins de um melhor entendimento da presente matéria (isenção das áreas cobertas por florestas nativas), se faz necessário a transcrição da Instrução Normativa nº 5, de 25 de março de 2009, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA, verbis: Art. 1o O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. Art. 2o São áreas de interesse ambiental não tributáveis consideradas para fins de isenção do ITR: I Área de Preservação Permanente APP: a) aquelas ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, descritas nos arts. 2o e 3o da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, e não incluídas nas áreas de reserva legal, com as exceções previstas na legislação Fl. 302DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 8 em vigor, bem como não incluídas nas áreas cobertas por floresta nativa; II Área de Reserva Legal: a) deve estar averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, ou mediante Termo de Compromisso de Averbação de Reserva Legal, com firma reconhecida do detentor da posse, para propriedade com documento de posse reconhecido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA; III Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural, prevista na Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000; IV Área Declarada de Interesse Ecológico: a) para proteção dos ecossistemas, declarada mediante ato do Poder Público competente, que contemple as Unidades de Conservação Federal, Estadual ou Municipal, de proteção integral ou de uso sustentável, comprovadamente contidas nos limites da unidade de conservação, caracterizadas sua limitação ao exercício do direito de propriedade; b) localizada em propriedade particular e que foi nominada e delimitada em ato do Poder Público Federal e Estadual, que contenha restrição de uso no mínimo igual à área de reserva legal; e c) comprovadamente imprestável para a atividade rural, declarada mediante ato do órgão competente federal ou estadual; V Área de Servidão Florestal ou Ambiental, prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente; VI Área Coberta por Florestas Nativas, aquela onde o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006; VII Área Alagada para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público, conforme Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008. Parágrafo único. As áreas enumeradas nos incisos I, II, V e VI deste artigo devem estar com vegetação natural não degradada ou as frações em estágio médio ou avançado de regeneração. Art. 3o O IBAMA, a qualquer tempo, poderá solicitar que sejam informadas as áreas tributáveis constantes do Relatório de Atividades do Cadastro Técnico Federal, quais sejam: I construções, instalações e benfeitorias; II culturas permanentes e temporárias; III pastagens cultivadas e melhoradas; e Fl. 303DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720047/200783 Acórdão n.º 220201.791 S2C2T2 Fl. 6 9 IV florestas plantadas, área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas. Parágrafo único. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, o ADA substituirá o Relatório de Atividades e poderá conter informações sobre as atividades desenvolvidas nas áreas descritas nos incisos I à IV deste artigo. Art. 4o Os imóveis rurais que possuem áreas de reserva legal, de servidão florestal ou ambiental e área coberta por florestas nativas como compensação de outros imóveis rurais, de acordo com as normas estabelecidas na legislação, farão jus à isenção do ITR sobre essas áreas. Parágrafo único. É vedada a utilização de isenção pelos adquirentes de áreas de compensação. Art. 5o O proprietário rural que se beneficiar da isenção prevista no art. 2o desta Instrução Normativa deverá recolher junto ao IBAMA, anualmente, a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 28 de janeiro de 2000, a título de vistoria. Parágrafo único. A taxa de vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a 10% (dez por cento) do valor da redução do imposto, proporcionada pelo ADA, e terá como base de cálculo a área total da propriedade. Art. 6o O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). § 1o Para a apresentação do ADA não existem limites de tamanho de área do imóvel rural. § 2o O declarante da pequena propriedade rural ou posse rural familiar definidas na Lei no 4771, de 1965, poderá dirigirse a um dos órgãos descentralizados do IBAMA, onde poderá solicitar seja efetuada a transmissão das informações prestadas no ADAWeb. § 3o O ADA deverá ser entregue de 1o de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. Art. 7o. As pessoas físicas e jurídicas cadastradas no Cadastro Técnico Federal, obrigadas à apresentação do ADA, deverão fazêla anualmente. Art. 8o. O ADA será devidamente preenchido conforme informações constantes do Documento de Informação e Atualização CadastralDIAC do ITR, Documento de Informação e ApuraçãoDIAT do ITR e da Declaração para Cadastramento de Imóvel RuralDP do INCRA. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 10 Parágrafo único. Será necessário um ADA para cada número do imóvel na Receita Federal N I R F. Art. 9o. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber. Art. 10. Deverão constar no ADA os imóveis rurais daqueles declarantes que pleiteiam autorizações ou licenças junto ao IBAMA. Não há dúvidas que, a princípio, por se tratarem de áreas não tributáveis pelo Imposto Territorial Rural, cabe destacar que as áreas assim declaradas estão sujeitas à comprovação para serem aceitas, de acordo com a situação em que se enquadrem: 1 Reserva Legal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício e que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente até a data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela MP n° 2.166, de 2001, art. 1°). Definição: São áreas de reserva legal aquelas cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos, devendo estar averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, art. 1º; RITR/2002, art. 12; IN SRF nº 256, de 2002, art. 11). 2 Reserva Legal do Patrimônio Natural — RPPN — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas sejam reconhecidas pelo IBAMA ou por órgão estadual de meio ambiente, mediante requerimento do proprietário (Decreto n° 1.922, de 1996 e Lei nº 9.985, de 2000, art. . 21); que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 9.985, de 2000, art. 21; Decreto n° 4.382, de 2002, art. 13, parágrafo único). Definição: São áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) as áreas privadas gravadas com perpetuidade, averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, destinadas à conservação da diversidade biológica, nas quais somente poderão ser permitidas a pesquisa científica e a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais, reconhecidas pelo IBAMA. (Lei nº 9.985, de 2000, art. 21; RITR/2002, art. 13; IN SRF nº 256, de 2002, art. 12). 3 Interesse Ecológico – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; reconhecimento, em caráter especifico, para determinada área, de órgão competente federal ou estadual (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, II, "b" e "c"). Definição: São áreas de interesse ecológico, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente, as áreas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720047/200783 Acórdão n.º 220201.791 S2C2T2 Fl. 7 11 ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, e que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não será aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14) 4 Servidão Florestal — Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário o protocolo do ADA no prazo legal e a cada exercício; que as áreas estejam averbadas no Registro de Imóveis competente na data da ocorrência do fato gerador (Lei n° 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela MP n° 2.16667, de 2001, art. 2°). Definição: São áreas de servidão florestal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais o proprietário voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizadas fora das áreas de reserva legal e de preservação permanente. (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001, art. 2º; RITR/2002, art. 14; IN SRF nº 256, de 2002, art. 13). 5 Para as áreas de Preservação Permanente – Para a sua exclusão da incidência do ITR se faz necessário que o contribuinte protocolize o Ato Declaratório Ambiental (ADA) no prazo legal e a cada exercício ou reconhecimento da área através de Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo ou Florestal acompanhado da ART (Anotação da Responsabilidade Técnica) e de acordo com as normas da ABNT. As áreas de Preservação Permanente são as descritas na Lei n° 4.771, de 1965, artigos 2° e 3°, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989, artigo 1°. Definição: São áreas de preservação permanente, desde que atendam ao disposto na legislação pertinente: I As florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de trinta metros para os cursos d’água de menos de dez metros de largura; de cinquenta metros para os cursos d’água que tenham de dez a cinquenta metros de largura; de cem metros para os cursos d’água que tenham de cinquenta a duzentos metros de largura; de duzentos metros para os cursos d’água que tenham de duzentos a seiscentos metros de largura; de quinhentos metros para os cursos d’água que tenham largura superior a seiscentos metros; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 12 b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de cinquenta metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a quarenta e cinco graus, equivalente a cem por cento na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a cem metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a mil e oitocentos metros, qualquer que seja a vegetação. II As florestas e demais formas de vegetação natural, declaradas de preservação permanente por ato do poder público, quando destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) afixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. 6 As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393, de 1996). Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, no prazo lega e a cada exercício, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º). Definição: São áreas cobertas por florestas nativas aquelas nas quais o proprietário protege as florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, onde o proprietário conserva a vegetação primária – de máxima expressão local, com grande diversidade biológica, e mínimos efeitos de ações humanas, bem como a vegetação secundária – resultante dos processos naturais de sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações humanas ou causas naturais. Assim, verificase que uma das exigências prevista para justificar a exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR/2005, qualquer que sejam as suas reais dimensões, não foi providenciada de forma tempestiva, qual seja, não cumprimento de uma exigência genérica, Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720047/200783 Acórdão n.º 220201.791 S2C2T2 Fl. 8 13 aplicada às áreas de interesse ambiental, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovado a protocolização tempestiva do seu requerimento. No tocante à apuração do imposto, de acordo com as instruções de preenchimento da DITR, podem ser excluídas, da área total do imóvel, para determinar a área tributável, as áreas de interesse ambiental. Como é de notório conhecimento, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide sobre: (i) o direito de propriedade do imóvel rural; (ii) o domínio útil; (iii) a posse por usufruto; (iv) a posse a qualquer título, tudo conforme ditado pela Lei nº 9.393, de 1996. Conquanto, este tributo será devido sempre que no plano fático se configurar a hipótese de incidência ditada pela norma (Lei 9393/96): (i) a norma dita que a obrigação tributária nasce sempre em primeiro de janeiro de cada ano uma vez que a periodicidade deste tributo é anual; (ii) o imóvel deve estar localizado em zona rural; (iii) os demais requisitos já constam acima posse, propriedade ou domínio útil. Tenho para mim que para excluir as áreas de interesse ambiental cobertas por florestas nativas e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, é necessário que seja atendida uma condição essencial que a informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. É de se ressaltar, que em nenhum momento estou questionando a existência e o estado das áreas cobertas por florestas nativas, relatórios técnicos que atestam a sua existência não atingem o âmago da questão. Mesmo aquelas possíveis áreas consideradas inaproveitáveis, para integrarem as reservas da propriedade, para fins de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, devem, no meu ponto de vista, obrigatoriamente, atender as exigências legais. Um dos objetivos precípuos da legislação ambiental e tributária é, indubitavelmente, estimular a preservação do meio ambiente, via beneficio fiscal. No entanto, o beneficio da exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, inclusive em áreas de proteção e/ou interesse ambiental como os Parques Estaduais, não se estende genérica e automaticamente a todas as áreas do imóvel por ele abrangidas. Somente se aplica a áreas especificas da propriedade, vale dizer, somente para as áreas de interesse ambiental situadas no imóvel como: área de preservação permanente, área de reserva legal, área de reserva particular do patrimônio natural e área de proteção de ecossistema, áreas cobertas por florestas nativas, bem como área imprestável para a atividade rural, desde que reconhecidas de interesse ambiental e desde que haja o reconhecimento dessas áreas por ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) apresentado para o exercício e de forma tempestiva. Não tenho dúvidas, de que a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, surgiu no ordenamento jurídico pátrio com o art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000 que incluiu o art. 17, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 14 Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA. § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei. § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Tal dispositivo teve vigência a partir do exercício de 2001, anteriormente a este, a imposição da apresentação do ADA para tal fim era definido por ato infralegal, que contrariava o disposto no § 1º do inciso II do art. 97, do Código Tributário Nacional. Os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2002, portanto, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo encontra respaldo legal, pelo quê, deve ser mantido quanto a este ponto, já o recorrente não comprovou nos autos a protocolização, de forma tempestiva, do requerimento/ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado para as áreas de utilização limitada. Não é do desconhecimento deste Relator, que as áreas cobertas por florestas nativas, foram introduzidas especificamente nas áreas de interesse ambiental pelo art. 48 da Lei Federal nº 11.428, de 2006, verbis: Art. 48. O art. 10 da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 10. (...). § 1o (...). II –(...). d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Assim se manifesta o art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1993: Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10293.720047/200783 Acórdão n.º 220201.791 S2C2T2 Fl. 9 15 Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) É oportuno salientar, que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem entendido em suas decisões de que a dispensa de comprovação relativa às áreas de interesse ambiental, conforme redação do parágrafo 7°, do art. 10, da Lei n° 9.363, de 1996, introduzido originariamente pelo art. 3º da MP n° 1.95650, de 2000, e mantido na MP n° 2.16667, de 2001, ocorre quando da entrega da declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, o que não dispensa o contribuinte de, uma vez sob procedimento administrativo de fiscalização, comprovar as informações contidas em sua declaração por meio dos documentos hábeis previstos na legislação de regência da matéria. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 16 Não obstante a pretensão do requerente de comprovar nos autos a efetiva existência da área de utilização limitada/reserva legal no imóvel (materialidade) por meio do documento “Laudo de Avaliação do Imóvel”, cabe ressaltar que essa comprovação, no meu entendimento, não é suficiente para que a lide seja decidida a seu favor, pois o que se busca nos autos é a comprovação do reconhecimento das referidas áreas mediante ato do IBAMA ou órgão delegado por convênio ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Enfim, a solicitação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) constituiuse um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Portanto, não há outro tratamento a ser dada à área de utilização limitada/reserva legal glosada pela fiscalização, por falta de comprovação da exigência tratada anteriormente, que devem realmente passar a compor as áreas tributável e aproveitável do imóvel, respectivamente, para fins de apuração do VTN tributado e do seu Grau de Utilização (do imóvel). Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter a glosa efetuada pela fiscalização em relação à área de utilização limitada/reserva legal. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta parte, acompanhando o voto do relator nas demais questões. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 15540.000125/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2005
RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS VALORES. MATÉRIA DE PROVA.
Verificada a correção da decisão de 1ª. instância na apreciação das provas da apresentadas pelo contribuinte, cancela-se a exigência.
Recurso de oficio Negado.
Numero da decisão: 1402-001.009
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15540.000125/200946 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 140201.009 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria AUTO DE INFRACAO IMPOSTO SIMPLES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ATIVA LOGISTICA INTERNACIONAL S/S LTDA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 RECURSO DE OFICIO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS VALORES. MATÉRIA DE PROVA. Verificada a correção da decisão de 1a. instância na apreciação das provas da apresentadas pelo contribuinte, cancelase a exigência. Recurso de oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório A 3a. TURMA DA DRJ RIO DE JANEIRO, com fulcro no artigo 35 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou improcedente a exigência lavrada contra ATIVA LOGISTICA INTERNACIONAL S/S LTDA. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração lavrado contra empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Os valores lançados, por tributo, foram os seguintes: a)IRPJ...........R$ 55.425,04 (fls. 04/08); b)PIS/Pasep ..R$ 55.425,04 (fls. 65/71); c)CSLL .......R$ 86.580,61 (fls. 72/80); d)Cofins ......R$ 173.161,23 (fls. 81/89); e e)INSS .......R$ 366.133,48 (fls. 90/98). 2. Sobre esses valores incidiram a multa de ofício de 75% e os juros de mora. 3. Segundo o auto de infração de IRPJ, foram imputadas à empresa as seguintes infrações: 1) Omissão de Receitas. Depósitos Bancários não Escriturados; 2) Insuficiência de recolhimento. 4. A infração denominada Insuficiência de Recolhimentos decorre da infração anterior, haja vista a geração de recálculo nos valores mensais devidos. 5. Os autos de infração de CSLL, Cofins, PIS/Pasep e INSS são reflexos da matéria apurada no lançamento do IRPJ. 6. Os enquadramentos legais podem ser observados nos campos respectivos de cada lançamento. 7. Os fatos geradores lançados referemse a todos os meses de 2005. 8. Segundo o termo de fls. 09/44, foram estes os fatos e circunstâncias que levaram à autuação: 8.1 Conforme intimação (fls. 311 e ss.), a fiscalização, de posse de extratos bancários do interessado, solicitoulhe a comprovação dos créditos/depósitos Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 3 em suas contas correntes. Foilhe concedida prorrogação do prazo para cumprimento do solicitado. 8.2 O interessado, então, esclarecera (fls. 335/336) que os créditos/depósitos são referentes a valores enviados por clientes para pagamento de fretes internacionais, tarifas portuárias ou aeroportuárias, impostos e contribuições (Siscomex – DI), armazenagens, capatazia, “dumurrages”, fretes domésticos, seus honorários e CPMF. 8.3 Observou a fiscalização que o interessado não apresentou comprovação dessas operações, uma vez que apenas alguns depósitos contêm a identificação do depositante. 8.4 Uma vez que o interessado esclarecera que a documentação se encontrava na sua sede, o fiscal autuante informa que lá foi, e constatou que alguns créditos/depósitos que porventura tinham identificação do depositante nos extratos foram comprovados com “Demonstração de Despesas”. Com relação a outros créditos/depósitos que não tinham essa identificação, informa o fiscal que o interessado ficou de comprovar posteriormente com outros documentos. 8.5 Em 07/11/2008 foi lavrada nova intimação (fls. 895) para que o interessado comprovasse a origem dos créditos/depósitos sem identificação do depositante. 8.6 Em 17/11/2008, esse respondeu (fls. 914/915) informando que oferece aos clientes soluções para toda as fases da cadeia logística, como por exemplo: agenciamento de frete; armazéns; alfandegados, ou não; despachantes aduaneiros. Informou ainda que não possui transporte de carga próprio, nem armazéns, e que apresenta a relação de clientes do exercício de 2005; 8.7 Após esclarecimento do interessado (fls. 925/929), informa a fiscalização que parte já fora aceita. 8.8 Assim, em 09/02/2009, foi lavrado Termo de Verificação (fls. 1527/1528), onde foram examinados todos os esses esclarecimentos feitos pelo interessado, refazendo a relação de depósitos/créditos cuja origem não foi comprovada com documentos idôneos em datas e valores. Eis o que diz o referido termo: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado, VERIFICAMOS os fatos abaixo, após o exame dos documentos apresentados, referentes aos Termos de Intimação datados de 06/08/2008 e 07/11/2008, relativos a origem dos créditos bancários: Em 04/12/2008, o contribuinte apresentou vários "Demonstrativos de Despesas" dos clientes, comprovando os créditos identificados nos extratos bancários. E também solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos documentos solicitados. Em 05/01/2009, o contribuinte apresentou esclarecimentos e cópias de vários documentos, que serão analisados a seguir: Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 4 1 Do item I, verificamos a comprovação dos depósitos através das cópias dos cheques dos "clientes" abaixo: CASA CRUZ LTDA., valor R$ 15.800,00 OPTOTAL LENTES LTDA., valor R$ 28.400,00 OPTOTAL LENTES LTDA., valor R$ 23.200,00 RASSINI NHK S.A., valor R$ 57.620,00 OPTOTAL LENTES LTDA., valor R$ 12.100,00 RASSINI NHK S.A., valor R$ 30.000,00 Porém verificamos que a empresa NET CONECT LTDA. não consta da relação de clientes apresentada pela fiscalizada, também não foi emitida nenhuma nota fiscal de prestação de serviços para este cliente e por fim os depósitos de terceiros não comprovam sua origem. 2 Do item II, os 150 depósitos com o histórico "TEC DEPÓSITO DINHEIRO", conforme informação da própria instituição bancária "comunicamos não termos outra informação que não seja a descrita nos extratos regularmente enviados e disponibilizados aos nossos clientes para auxiliálos na identificação dos depósitos realizados em dinheiro". 3 Do item III, os 13 lançamentos restantes verificamos que: Dos lançamentos a débitos que a fiscalizada informou, não conseguimos identificar em que período foi lançado o crédito correspondente; Do crédito no valor de R$ 209.776,28 de 02/02/2005, foi relacionado por engano, tendo em vista que foi estornado nesta mesma data; Do crédito no valor de R$ 128.000,00 de 01/04/2005, não foi devidamente comprovado; Dos demais créditos não foram apresentadas as devidas comprovações; Ainda foram juntadas outros depósitos que através das cópias dos cheques foram devidamente comprovados, conforme abaixo: # OPTOTAL LENTES LTDA., valor R$ 11.316,00 # OPTOTAL LENTES LTDA., valor R$ 12.200,00 # MARCHON BRASIL LTDA., valor R$ 12.456,62 Verificamos novamente depósitos da empresa NET CONECT LTDA., não consta da relação de clientes apresentada pela fiscalizada, também não foi emitida nenhuma nota fiscal de prestação de serviços para este cliente, e por fim os depósitos de terceiros não comprovam sua origem. Diante do exposto, foi refeito a relação dos depósitos cuja origem permanecem não comprovadas. (relação anexa) Em 28/01/2009, o contribuinte apresentou nova resposta, que após analisadas em nada modificou o entendimento da fiscalização quanto à incidência tributária. Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 5 (...) 8.9 Informa a fiscalização que os extratos se referem a contas nos bancos Itaú – principalmente , HSBC, Banco do Brasil, Bradesco e Unibanco, sendo que dali foram expurgados os valores que “... não guardavam relação lógica e objetiva com possíveis receitas da atividade, por exemplo: ‘Resgate de aplicação financeira; Bônus; CPMF; Estornos; Transferências entre agências; etc’ ...”; 8.10 As tabelas de fls. 21/44 consignaram individualizadamente os créditos/depósitos cuja origem a fiscalização entendeu não ter sido comprovada. Assim, na forma dos arts. 25 e 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tais créditos foram lançados como receita omitida. 8.11 O resumo mensal dos valores lançados pode ser visto abaixo: PERÍODO RECEITA DECLARADA (1) DIF. APURADAS (2) OMISSÃO DE RECEITAS (12) JANEIRO 52.728,39 380.553,03 327.824,64 FEVEREIRO 31.055,96 739.762,46 708.706,50 MARÇO 50.423,90 606.382,28 555.958,38 ABRIL 39.350,90 832.752,68 793.401,78 MAIO 61.762,76 667.758,44 605.995,68 JUNHO 38.738,39 593.118,33 554.379,94 JULHO 57.408,61 709.548,81 652.140,20 AGOSTO 60.202,91 877.863,64 817.660,73 SETEMBRO 45.974,17 485.311,48 439.337,31 OUTUBRO 39.750,06 757.032,06 717.282,00 NOVEMBRO 61.969,45 850.167,36 788.197,91 DEZEMBRO 60.787,63 434.623,04 373.835,41 TOTAL 600.153,13 7.934.873,61 7.334.720,48 9. Em 13/05/2009, o interessado, por meio da peça de fls. 1558/1565, impugnou as exigências, alegando, em síntese: 9.1 que jamais se furtou a apresentar os documentos solicitados; 9.2 que foi esclarecido que, dado seu objeto social, recebia adiantamentos e liquidações de saldos de terceiros (clientes) em suas contas bancárias, efetuando, por conta e ordem desses, pagamentos de tributos relativos à Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 6 importação e exportação, e ainda aqueles relativos às demais despesas decorrentes do comércio exterior, como armazenagem, seguros, fretes etc.; 9.3 que toda a documentação foi franqueada à fiscalização; 9.4 que mesmo as Declarações de Importação registradas em nome de clientes seus, cujos tributos eram adiantados para sua conta corrente e posteriormente descontados, foram ignoradas; 9.5 que a fiscalização se limitou a aceitar como créditos de origem comprovada aqueles em que o comprovante de depósito indicasse a data, o valor, o CNPJ, ou o CPF, do depositante e o nome deste, ao passo que é notório que tais dados não constam dos depósitos realizados em espécie; 9.6 que havia vários outros elementos hábeis a demonstrar que os valores creditados em sua conta não lhe pertenciam; 9.7 que as DIs geram números de controle aos quais a fiscalização tem todo acesso e pode verificar a procedência ou não de tais alegações; 9.8 que os extratos bancários da Impugnante, que foram apresentados por ela espontaneamente, fazem referência a esses números, o que por si só já retira quase 80% (oitenta por cento) do volume financeiro considerado como "omissão de receita" pela fiscalização; 9.9 que a origem dos depósitos em dinheiro na conta corrente da Impugnante, para fazer frente ao registro de DIs de terceiros, é evidentemente recurso desses terceiros, para quem a Impugnante atua como prestadora de serviços, pois não há qualquer razoabilidade imaginar uma hipótese na qual a Impugnante gastaria seus recursos para pagar tributos de terceiros; 9.10 que seus maiores clientes apresentaram declarações de que realizaram tais depósitos e a sua motivação em operações de comércio exterior, cujos despachos aduaneiros eram administrados pela Impugnante; 9.11 que o Banco Itaú chegou a emitir carta afirmando que uma das agências de origem do maior volume de depósitos é um Posto de Atendimento Bancário (PAB) instalado no interior da maior cliente da Impugnante, a empresa Akzo Nobel, que, de sua parte, também declarou que foi ela quem efetuou os referidos depósitos para a realização de operações de comércio exterior, cujo despacho foi realizado pela Impugnante; 9.12 que nada disso valeu durante o curso da ação fiscal levada a cabo, haja vista que a fiscalização aceitou apenas e tãosomente uma prova impossível: comprovantes de depósito na conta corrente da Impugnante nos quais estivessem consignados a data, o valor, o CNPJ e o nome do depositante; 9.13 que sequer o banco detém tais dados, como se infere da leitura de uma das correspondências enviadas pelo Banco Itaú (fls. 942); 9.14 que não poderia a fiscalização, com base apenas em seu entendimento acerca da acepção do termo "prova idônea e hábil", criar, sem qualquer base legal, exigência que nem lei ou nem regulamento mencionam; Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 7 9.15 que o Fisco não pode afirmar serem inidôneas as declarações de clientes que mantém profícua relação comercial com a Impugnante; 9.16 que não pode ser considerada inidônea a óbvia origem de recursos que tiveram origem em PAB situado em empresa cliente da Impugnante, que além do uso exclusivo de tal dependência bancária, por força das normas do BACEN, ainda declarou ter realizado tais depósitos; 9.17 que não há exigência legal ou regulamentar de registro do CNPJ e do nome do depositante em comprovantes de depósito bancário; logo, tal não pode ser exigido do contribuinte; 9.18 que, de qualquer forma, os demais elementos atestam que tais créditos são, em sua maioria, pertencentes a terceiros, clientes da Impugnante; 9.19 que o volume de recursos escriturado contabilmente na conta "adiantamento de clientes" já demonstra que os numerários que deram ingresso em sua conta, no mínimo, merecem ter analisado se seu emprego foi efetivamente em favor desse terceiro de quem se alega pertencerem tais créditos; 9.20 que a presunção jurídica passou a ter o valor de um dado absoluto, levado às últimas conseqüências, mesmo que em flagrante contrariedade com o que os fatos demonstravam; 9.21 que todas as despesas de clientes que a Impugnante realizou por sua conta e ordem têm comprovantes (notas fiscais e recibos), e foram lançadas contabilmente por esses clientes; já as provisões de numerários estão lançadas pela Impugnante em seu livro diário como "adiantamento de clientes", numa conta que tende a zero ao se somar o montante relativo aos honorários dos serviços por ela prestados; 9.22 que toda essa extensa documentação foi oferecida para que a fiscalização pudesse cotejar entradas e saídas; provisões de numerário com despesas em favor de terceiros (clientes); extratos bancário, DIs registradas, recibos, notas fiscais de armazéns, seguros, fretes, etc; 9.23 que, entretanto, uma idéia fixa norteava a fiscalização a fixarse num foco único: queria ela uma prova cabal de que os depósitos foram realizados pelos clientes, para o que somente serviria, no caso de depósitos em dinheiro, um comprovante com data, valor, nome e CNPJ/CPF do cliente. Documento esse, conforme já mencionado, que não é exigido pelas normas bancárias brasileiras; 9.24 que a comprovação do depositante não tem a relevância da comprovação da origem, pois posso “....descontar um recebível em um banco e esse banco, por sua vez, creditar numa conta de terceiro esse valor. Ora, nesse caso não temos identidade entre o depositante e o titular do crédito que origina esse depósito.”; 9.25 que tal é a situação de um pequeno número de entradas na conta corrente da Impugnante: clientes seus que descontam recebíveis em factorings Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 8 (empresas de fomento mercantil), e endereçam tais créditos de forma direta à Impugnante; 9.26 que, nesses casos, todas essas operações têm comprovação de sua regularidade; entretanto, a fiscalização preferiu a ficção à realidade, fazendo preceder a presunção legal à comprovação cabal de fatos fartamente documentados, os quais foram solenemente ignorados; 9.27 que a comprovação da origem não é simplesmente comprovação do nome do depositante; 9.28 que há a necessidade de se compatibilizem os demais elementos de prova cuja apreciação foi desprezada pela fiscalização, como Declarações de Importação, Notas Fiscais de despesas, Declarações do Banco, Declarações dos Clientes, Livros Contábeis; 9.29 que, me vista disso, é necessário que se realizem diligências que deveriam ter sido observadas pela fiscalização primitiva, a teor do que dispõe o art. 16, inciso IV do Decreto 70.235/1972; 9.30 que os autos sejam baixados em diligência, uma vez que é inviável a juntada de comprovantes de inúmeras despesas de terceiros e DIs respectivas de mais de mil e duzentas operações realizadas no exercício de 2005; 9.31 que seus lançamentos da impugnante sejam cotejados com os dos respectivos clientes, o que evidenciará a procedência da argumentação da Impugnante; 9.32 que é evidente a inviabilidade de que sejam juntados ao presente toda a documentação que compõe os elementos de prova que servirá para atestar que os depósitos na conta da Impugnante foram provisões de numerário para as despesas das operações de terceiros (cópias de comprovantes de despesas e DIs respectivas que somam mais de 10.000 folhas), bem como o fato de que é necessária detida análise para que sejam cotejadas as declarações da Impugnante com essas despesas. Dessa forma, isso justifica com folga a realização de nova diligência para permitir o devido preparo desses autos para julgamento; 9.33 que juntou aos autos planilha de créditos efetuados na sua conta, cuja origem são duas agências bancárias do Itaú (mesmo banco da Impugnante), de histórico "TEC DEPÓSITO DINHEIRO"; sendo que um é o PAB situado na empresa Akzo Nobel LTDA. e outra é a agência em que a Rassini NHK Autopeças S/A é correntista em São Paulo; 9.34 que só esses valores, num universo lançado de mais sete milhões de reais, representam mais de cinco milhões de reais de crédito; 9.35 que ínfima parte desses valores, já devidamente oferecidos à tributação e cujos tributos foram recolhidos tempestivamente, é de honorários da Impugnante, portanto, propriamente receita; 9.36 que a jurisprudência administrativa que cita dá respaldo ao seu entendimento. Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 9 10. Do anexo I deste processo consta o Ato Declaratório Executivo nº 22, de 27 de março de 2009 (fls. 16), por meio do qual o interessado foi excluído do Simples Federal, com efeitos a partir de 01/01/2006, em virtude de ter excedido, no anocalendário de 2005, o limite de receita bruta previsto na legislação. 10.1 Desse ato o interessado foi cientificado em 02/04/2009 (fls. 16), não constando dos autos manifestação de inconformidade contra tal exclusão. A decisão recorrida está assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO NÃO COMPROVADA. Cancelamse os lançamentos se não comprovada a omissão de receitas imputada. Impugnação procedente Em face da exoneração acima do limite de alçada a turma recursal recorreu de oficio. É o relatório. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 10 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é de ofício e preenche os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Consoante relatado, tratase de autuação calcada em omissão de receitas em face de depósitos bancários, que a turma julgadora de 1a. instância considerou que a origem está comprovada (repasse dos clientes da empresa para pagamento de despesas das mesmas). Vejamos os fundamentos da decisão recorrida (verbis): 11. Guindouse o crédito em banco sem comprovação como presunção de omissão pelo fato de que, hodiernamente, grande parte das operações comerciais que geram renda ou receitas transita por estabelecimento bancário. Antes esse crédito bancário no máximo se traduzia em indício de omissão, a exigir que a fiscalização obtivesse outros que assegurassem que esse crédito corresponderia a receita omitida. Hoje, após a referida norma, temse uma presunção legal de que configura receita omitida o crédito em conta bancária, em relação ao qual o contribuinte, após intimação para tal, não comprove sua origem. 12. Pelo que vemos, para que esse fato indiciário (créditos em conta bancária) se efetive como presunção de omissão de receita, exigese que a fiscalização intime o titular da conta a comprovar a origem desses creditamentos, individualizando cada um cuja origem se quer conhecer (§3º, art. 42). É importante ressaltar, então, que a intimação compõe o próprio fato indiciário legalmente tratado como presunção de omissão de receita. Sem intimação, inaplicável a figura do art. 42. 1 13. Ainda no campo da verificação de que o fato indiciário realmente se subsume à hipótese da presunção estampada no art. 42, a norma exige do contribuinte a comprovação da “origem” dos valores creditados em conta bancária. Indagase a que tipo de informação a norma se refere, quando clama pela “origem” do valor creditado. 14. Pelo que vimos antes, para que a estrutura presuntiva da norma inserta no art. 42 valide a suposição legal de que um fato indiciário (crédito em conta bancária) seja representativo de um fato indiciado (omissão de receita), o conceito de origem, nesse caso, se refere à natureza, ao princípio, ao começo, à procedência, ao nascimento, à progênie ou à causa da operação que deu origem ao depósito ou crédito. Essa conclusão decorre da própria estrutura da presunção de omissão de receita ali vista, pois somente se conhecendo a natureza da operação poderseá saber a que tipo de fato ou relação se vincula 1 CURTY, Leonardo de Menezes. "A extenção do fato indiciário relativo à presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários promovida pelos Tribunais Regionais Federais e pelo Superior Tribunal de Justiça". In "A prova no processo tributário", coordenadores Marcus Vinicius Neder, Eurico Marcos de Santi e Maria Rita Ferragut São Paulo: Dialética, 2010, pág. 183 e 184. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 11 o depósito, e assim saber se se trata de receita. Conhecida essa natureza, poderseá deduzir qual tipo de conseqüência jurídica o crédito traz em si, conhecendose também se permanece hígida a própria presunção de omissão de receita. 15. Nesse contexto, é de se afastar o entendimento de que “origem” aqui significa o simples itinerário do dinheiro, ou a mera identificação da pessoa do depositante. O conhecimento desses fatos no máximo inaugura uma compreensão, ainda que prévia, do que efetivamente ocorreu. Identificar a pessoa que depositou o dinheiro não nos habilita a conhecer a origem do numerário, pois pode ele ser oriundo de venda, de empréstimo, de adiantamento, etc., ou mesmo não ter sua origem explicada pelo beneficiário. Na última hipótese, mesmo se conhecendo o depositário, a presunção de omissão se manteria, ao passo que somente nos demais casos vemos ali congregadas situações que impossibilitam o uso da presunção de omissão do art. 42. Como ocorre no suprimento de caixa (art. 282, do RIR, de 1999)2, que se vale do mesmo termo (“origem”), o que se quer ver comprovada é a natureza da operação que originou o valor depositado. Conhecendose a origem, ou seja, a natureza da operação, conhecese o tratamento tributário a ser adequadamente dispensado ao fato. 16. A questão, então, é saber como se prova a origem do crédito em conta bancária. O dispositivo legal não dá pistas sobre o tema. Nem mesmo vemos menção à comum expressão “comprovação mediante documentação hábil e idônea”. Assim, a comprovação poderseá dar de forma ampla, tanto pela escrituração, como diretamente por meio de documentos. De sua vez, a conclusão sobre a natureza do crédito dependerá, efetivamente, da efetividade ou robustez da prova. Exemplificando, em se tratando de valor depositado originado de uma duplicata de venda, e não tendo sido ele levado à tributação de estilo, submeterseá tal valor às normas de tributação específicas (§2º, art. 42); não há que se falar em presunção de omissão, nesse caso. Da mesma forma estaria impedido o uso da presunção da omissão caso os elementos de prova assegurem que o crédito tem origem em empréstimo, transferência entre contas de mesmo titular, resgate de aplicação, etc. 17. Vale mencionar, ainda, como corolário do antes dito, que a prova a se exigir do contribuinte sempre deverá ser aquela que pertença ao campo de competência do contribuinte, seja ela de natureza contábilescritural, seja de natureza documental. Vale dizer, não se pode exigir do contribuinte documento ou coisa que fuja ao universo de eventos a que seja obrigado a comprovar. 18. Vejamos então como se deu a autuação em nosso caso. 19. Pelo que vimos no relatório e nos autos, a fiscalização só acatou como de origem comprovada os créditos em conta do fiscalizado, cujos depositantes 2 Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 12 tenham sido identificados mediante documentos bancários, a exemplo dos extratos, de comprovantes e de cópias de cheques. Os créditos/depósitos cujos extratos não identificavam o depositante, e em relação aos quais o interessado não apresentou outro documento bancário com essa identificação, foram tidos como de origem não comprovada, mesmo que o contribuinte tenha trazido documentos outros que alegadamente justificariam a operação, e trouxesse o real pagador da quantia ali depositada. Em suma, vêse que a fiscalização, neste caso, criou como pressuposto de invalidade das provas o fato de não se ver identificado nos extratos, ou em outro documento bancário (a exemplo da cópia de cheque), quem foi o depositante. Isso fica claro quando observamos no Termo de Verificação (fls. 09/20), que ele tomou como comprovada a origem de todo depósito, cujo depositante foi identificado em termos bancários, ou no próprio extrato, ou mediante cópia de cheque. 20. No que toca aos depósitos em dinheiro (“TEC DEPÓSITO DINHEIRO”), o fiscal trouxe como supedâneo da manutenção da presunção a manifestação da própria instituição bancária que lhe assegurara o seguinte: "comunicamos não termos outra informação que não seja a descrita nos extratos regularmente enviados e disponibilizados aos nossos clientes para auxiliálos na identificação dos depósitos realizados em dinheiro" (fls. 942). 21. Houve mesmo caso em que, mesmo identificado o depositante no extrato (NET CONECT LTDA), e mesmo comprovada a operação de adiantamento em nome de terceiro (fls. 1014/1015, 1153), o fiscal entendeu que a origem não fora comprovada, pois o depositante não constava de relação de clientes (embora o terceiro mencionado pelo fiscalizado ali estivesse, fls. 917, Netsys Tecnologia Ltda.), e que não teria sido apresentada nenhuma nota fiscal de prestação de serviços para este cliente. Ora, eis outro caso que não se subsume à figura da presunção encontrada no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Se já se conhece a razão do depósito, não mais se pode falar em presunção de omissão. Se por acaso o contribuinte não lançou como receita a parte daquele adiantamento que consigna a remuneração/comissão pelo serviço prestado, o que cabe é o lançamento dessa parte como receita omitida da atividade. Incabível, nesse caso, o lançamento de todo a adiantamento como presunção de omissão. 22. Continuando, no que toca à identificação do depositante, esta só ocorre se este assim o faz. A legislação, fiscal ou bancária, não obriga a que os depósitos ou créditos em conta bancária sejam todos identificados. Vale dizer, é normal que haja depósitos em dinheiro sem identificação do depositante. É critério de quem deposita tal medida. De outro lado, a prova bancária do depositário, no caso de o extrato não acusar o nome da pessoa, é impossível, a não ser que o beneficiário, ferindo o sigilo bancário, tivesse acesso ao recibo de depósito, ou do documento de transferência interbancária, os quais não lhe pertencem. Portanto, não se pode exigir do contribuinte que produza como prova a elidir a presunção a identificação em documento bancário do depositante de quantia que lhe foi creditada. 23. Poderá haver caso em que o depositante não seja a mesma pessoa que deu origem ao numerário depositado, nada havendo de errado nessa hipótese. Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 13 24. Não quero dizer com isso que o contribuinte não tenha que identificar o sujeito que deu origem a esse depósito, nos casos de depósitos sem identificação em extrato. Caberá a fiscalização verificar se as demais provas juntadas justificam a operação. Como falamos antes, podem ser elas de natureza contábil, documental e outras, independentemente de haver ou não identificação, em documento bancário, do depositante do crédito. 25. Em nosso caso, conforme resposta de fls. 914/915, o impugnante esclarecera à fiscalização que os créditos/depósitos seriam referentes a valores enviados por clientes para pagamento de fretes internacionais, tarifas portuárias ou aeroportuárias, impostos e contribuições (Siscomex – DI), armazenagens, capatazia, “dumurrages”, fretes domésticos, seus honorários e CPMF. Sabese que é praxe nesse tipo de atividade que haja adiantamento de valores à pessoa jurídica que presta esse tipo de serviços, haja vista que assumem os pagamentos de tributos e de demais despesas incidentes no desembaraço de mercadorias importadas ou exportadas em nome de seus contratantes. Como se sabe, a partir de um documento que atesta a fatura (BL), cujos valores vêem expressos em moeda estrangeira, somente no momento do desembaraço é que se dá a conversão do valor da transação para nossa moeda, ao câmbio do dia, fazendo só assim incidir sobre o valor em real do bem os tributos correspondentes. O pagamento desses tributos, em especial o II e o IPI, é efetuado no ato do registro da respectiva Declaração de Importação (DI) por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) eletrônico, mediante débito automático em conta corrente bancária, em agência habilitada de banco integrante da rede arrecadadora, tudo sobre o controle do sistema Sicomex (Instrução Normativa SRF nº 680, de 2 de outubro de 2006). Ao lado disso, há as despesas com tarifas, fretes, armazenagens, capatazia, “dumurrages”, e honorários, que são assumidas pelo prestador, a conta e risco do contratante. Quero dizer então que não é estranho o procedimento adotado pelo impugnante. 26. Nesse sentido, temse que o impugnante fizera juntar aos autos farto documental potencialmente indicativo de que seriam verídicas suas alegações, notadamente com relação aos “Demonstrativos de Despesas” com prestação de contas entre o impugnante e as empresas que lhe contrataram para fins de prestação desses serviços aduaneiros. Nesses documentos (fls. 1018 e ss.), pude verificar, por amostragem, coincidência de datas e valores entre os depósitos e os adiantamentos ali descritos, notadamente nos casos de depósito em dinheiro. Além disso, pelo que se vê nas intimações e nos termos lavrados pela fiscalização (fls. 128/137 e 1543) o fiscal autuante esteve de posse da escrituração contábilfiscal do impugnante, e dá a entender que essas operações estariam ali registradas – como alega o impugnante. 27. Saliento, ainda, que o fiscal autuante esteve na sede da empresa, quando essa lhe disponibilizou os documentos relacionados a essas prestações de conta de cada operação. Todavia, fixouse a fiscalização na verificação daqueles que se relacionavam a depósito cujo depositante estivesse identificado em documento bancário. É nítido que, dado que o fiscal autuante condicionou a invalidação da presunção à identificação do depositante em documento de cunho bancário, nos casos em que o extrato bancário – ou algo Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 14 do gênero – não trazia a identificação do depositante, nada lhe interessaram os demais documentos apresentados, mesmo sendo eles potencialmente comprobatórios das operações que originaram os créditos no banco. 28. Fica claro nos autos que o contribuinte, quando percebeu que era esse o pressuposto jurídico em que se fiava a fiscalização, preocupouse em diligenciar junto às instituições bancárias para que essas lhe informassem o nome dos depositantes. Essa diligência malogrou quase totalmente, como era de se esperar, haja vista que, como já disse, é manifesta a impossibilidade de que tais instituições dessem essa informação na grande maioria dos casos, notadamente quando os depósitos e as transferências eram não identificados, sem mencionar a questão da quebra do sigilo bancário. 29. Ora, vimos no estudo do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, que inexiste esse pressuposto jurídico de que a identificação do depositante em documento bancário (cópia de cheque, consignação em extrato, recibo de depósito) é o elemento central de prova a atestar a origem do crédito. 30. Ao lado disso, os mencionados registros de “Demonstração de Despesas” são fortes indícios que afastam a conclusão automática de que todo o depósito cujo depositante não esteja identificado em documento bancário é representativo de presunção de omissão de receita. Entendo que cabia a fiscalização, no mister de avaliar a origem dos créditos, tomar individualizadamente os documentos referidos, e a contabilidade, cotejando os com os créditos correspondentes, para só assim asseverar que a origem não foi comprovada, independentemente de haver a visualização do nome do depositante em documento bancário. 31. Uma vez que isso não foi feito, não nos caberia aqui, em sede de julgamento, refazer o lançamento agora sobre um novo pressuposto jurídico, mesmo que correto, haja vista isso configurar inovação não permitida no escopo de uma decisão em contencioso. 32. O mesmo se dá com relação a uma possível diligência para que fossem analisados, sob novo enfoque, os documentos já estudados pelo fiscal autuante. O resultado dessa diligência também implicaria em verdadeiro lançamento, o que é, com se sabe, vedado em nossa ordem jurídica. 33. Assim, uma vez que a fiscalização fundamentou o lançamento em pressuposto jurídico que não faz parte da hipótese de presunção de omissão de receitas do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, entendo que devem ser tidos como improcedentes todos os lançamentos consignados nestes autos. (...) Conclusão Pois bem, da análise dos autos em confronto com as razões de decidir acima transcritas, formei plena convicção de que a contribuinte logrou êxito em comprovar a destinação dos recurso recebidos, qual seja, quitar compromissos (despesas) de seus clientes. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 15540.000125/200946 Acórdão n.º 140201.009 S1C4T2 Fl. 0 15 O ilustre julgador Marcus Vinicius Melo Moraes restou vencido no julgamento em 1a. instância por entender que os elementos trazidos aos autos seriam insuficientes, pois, não restou comprovado que os depósitos foram mesmo efetuados pelos clientes da empresa. Ora, em que pese a veemência de seus fundamentos, entendo que não lhe cabe mesmo razão, haja vista que há razoável coincidência entre os depósitos e os pagamentos efetuados. Mais a mais, a auditoria fiscal não logrou trazer quaisquer outros elementos que indique a utilização de recursos a margem da contabilidade para pagamento dessas despesas. Não é crível que o contribuinte tenha depositado recursos de outras origens em suas contas bancárias para pagamento de obrigações de seus clientes. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 06/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 15374.915897/2008-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado Direito
Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 58 97 /2 00 8- 62 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório INFINEUM BRASIL LTDA. apresentou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DComp) no 333217.17942.101104.1.3.04 0076, por meio do qual requereu a restituição de indébito por pagamento indevido ou a maior do que o devido a título de Cofins, efetuado em 15/07/2004, e declarou sua compensação com débito da mesma Contribuição. O Despacho Decisório Eletrônico no de rastreamento 81163178, fl. 10, indeferiu o pleito e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio reclamação, fls. 12 a 14, por meio da qual o declarante alega que cometeu repetidos equívocos nas DCTF que transmitiu, mas sempre diligenciou no sentido de sanálos. Entende que o valor de R$ 13.048,65, declarado na PER/DComp retificadora (transmitida em 16/09/2008, recibo no 20.62.04.69.44) está correto, sendo que este constitui crédito, devendo ser homologado pela autoridade fiscal. A DRJ/RJ117ª Turma julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão no 1245.134, de 12 de abril de 2012, fls. 43 a 45, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso interposto contra a decisão da DRJ/RJ117ª Turma. O arrazoado de fls. 52 a 55, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as mesmas razões já esboçadas na Manifestação de Inconformidade. Requer o provimento do Recurso Voluntário, reformandose totalmente o despacho decisório recorrido e homologandose a compensação procedida. Pede que decisão negativa seja fundamentada. Requer também que todas as publicações e intimações sejam feitas em nome do patrono da causa, no endereço que refere. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.915897/200862 Acórdão n.º 3403002.114 S3C4T3 Fl. 90 3 O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 52 a 55 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRJ117ª Turma nº 1245.134, de 12 de abril de 2012. Requerimento de intimação pessoal do patrono da causa Com relação ao requerimento de que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao patrona da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Mérito – Comprovação do indébito Liminarmente, informo que não há, nos autos, qualquer início de prova de que o débito da contribuição do PA de interesse não seja aquele confessado na DCTF original. Há tão somente a alegação do recorrente. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710— RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83— PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 4 existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA– VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO– NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL –ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES– Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ– Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ –RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) A prova do alegado direito creditório é ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15374.915897/200862 Acórdão n.º 3403002.114 S3C4T3 Fl. 91 5 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nem mesmo a DCTF retificadora, transmitida após a ciência do DDE, quando o contribuinte não mais dispunha de espontaneidade hábil para conferirlhe a mesma natureza da DCTF original1, aporta aos autos a prova da liquidez e certeza do crédito oposto na compensação, atributos requeridos pelo art. 170 do CTN. 1 Inteligência do art. 11 da INRFB nº 903, de 2008: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração riginariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN 6 E não se diga que o contribuinte não teve como apresentar a prova requerida. Nos termos do art. 16 do PAF, que o recorrente demonstrou bem conhecer, o rito do processo administrativo fiscal federal facultalhe a produção probatória até o momento processual da reclamação2, quando a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e/ou fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse (01/06/2004 a 30/06/2004) não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora. Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013 Alexandre Kern § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. 2 Até a Manifestação de Inconformidade, nos processos de restituição, ressarcimento e compensação de tributos e contribuições federais. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/04/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 35948.002195/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXIBIÇÃO DE
DOCUMENTOS. TIAD. PRAZO DECADENCIAL DE 5 ANOS.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, se aplicada a regra do Código Tributário Nacional sobre a dacadência.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-000.481
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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Recorrida DRP/CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1996 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. TIAD. PRAZO DECADENCIAL DE 5 ANOS. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, se aplicada a regra do Código Tributário Nacional sobre a dacadência. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. t, Processo n°35948.002195/2006-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.481 Fl. 188 ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. JULIO 4 ESA ' 'IEIRA GOMES Preside e • DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator 2 Processo n°35948.002195/2006-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.481 Fl. 189 Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 3 Processo n°35948.002195/2006-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.481 Fl. 190 Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário apresentado pela empresa FERTIPAR FERTILIZANTES DO PARANÁ LTDA contra decisão de primeira instância que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação tributária acessória. 2. Segundo consta do relatório fiscal a autuação se deu por que a empresa não teria apresentado documentos de caixa referentes a lançamentos contábeis elencados nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD's, conforme abaixo informado: "Durante a Ação Fiscal n" 09255895, a empresa acima identificada foi intimada, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, de 14/10/2005, e reintimada através do TIAD de 16/11/2005, a apresentar os documentos de caixa referentes a lançamentos contábeis elencados nos referidos termos. Ocorre que a empresa, até a data da lavratura do presente auto, não apresentou os documentos solicitados elencados na Tabela 1 anexa a este relatório. Tal fato constitui infração ao art. 33, §2" da Lei 8.212/91, abaixo transcrito, razão pela qual lavramos o presente Auto de Infração: §2" A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei." 3. A empresa, inconformada com a decisão interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, o seguinte: a) decadência do direito de constituição do crédito tributário, o que, por conseqüência, atingiria a exigência acessória; b) defende o direito à relevação ou atenuação da multa, pois teria promovido a juntada da documentação requerida pela fiscalização; c) conforme listagem solicitada na 'tabela 1 do auto de infração'; questiona a legalidade dos valores relativos à imposição da multa. 4. O fisco apresentou suas co tra-razões defendendo a manutenção da decisão recorrida. J00 É relatório. 4 Processo n°35948.002195/2006-11 S2-C3T1. Acórdão n.° 2301-00.481 Fl. 191 Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, uma vez que é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade. DO PRAZO DECADENCIAL PARA A GUARDA DE DOCUMENTOS 2. As empresas devem guardar adequadamente os documentos fiscais previdenciários e a escrituração contábil, bem como prestar informações, esclarecimentos e documentos solicitados pelos agentes do fisco, conforme determinado pelos arts. 32 e 33 da Lei 8.212/91. 3. Ocorre que o prazo decadencial de cinco anos deve ser observado para que o fisco possa exigir a documentação contábil e fiscal do contribuinte, pois se não há como cobrar os tributos relativo a período superior ao prazo qüinqüenal, também não poderá exigir dos contribuintes os documentos. 4. In casu, a recorrente foi autuada porque não apresentou à fiscalização os documentos de caixa referentes a lançamentos contábeis solicitados na "Tabela 1" anexa ao relatório fiscal da multa. 5. Entretanto, compulsando a relação de documentos solicitados pelo fisco e o Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, constata-se que a exigência está relacionada a documentos do período de 1995 e 1996, portanto fora do prazo de cinco anos, já que o auto de infração somente somente foi lavrado e recebido pelo contribuinte em 23/12/2005. 6. Assim, com base no art. 173 do Código Tributário Nacional, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do acima exposto. CONCLUSÃO 7. Firme nestas considerações, meu voto é por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009 11, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator
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Numero do processo: 10880.679539/2009-28
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Numero da decisão: 1802-001.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. EXCESSO DE RECOLHIMENTO. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO SALDO NEGATIVO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 95 39 /2 00 9- 28 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 245 2 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls.167/189 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (fls. 160/165) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. Quanto aos fatos, consta que em 24/01/2008 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 20468.21622.240108.1.7.041798 (fls.06/08), onde consta: a) débito informado (confessado): Cofins, código de receita 5856, do PA dezembro/2007, data de vencimento 20/01/2008, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 54.020,65; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 54.020,65. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 47.628,86 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA 31/10/2006, DARF no valor de R$ 101.668,44 (valor original), data do recolhimento 30/11/2006. O despacho decisório da DERAT/SÃO PAULO, de 23/10/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 59.580,19. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 246 3 informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido {CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 05/11/2009 (fl. 158), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 08/18 em 04/12/2009. Em 24/02/2010 juntou petição reiterando os argumentos da Manifestação de Inconformidade (fls.19/21). Em sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte, em síntese, aduziu: que o entendimento da autoridade fiscal, consignado no referido despacho decisório, afigura –se equivocado; que o crédito pleiteado é legitimo haja vista decorrer de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendários de 2003 a 2006, e compensados no anocalendário 2007; que urge a declaração de suspensão do crédito tributário do fisco em razão da apresentação da Manifestação de Inconformidade; que os recolhimentos por estimativa efetuados e o IRRF são considerados antecipações, não se tratam de indébito ou recolhimento a maior, mas podem ser deduzidos do imposto devido apurado ao final do anocalendário. que, com efeito, durante os anoscalendários de 2003 a 2006 apurou a existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL; porém, ao elaborar suas DIPJ dos anoscalendário referidos acima, por um lapso, não informou a existência do saldo negativo, mas considerou que os pagamentos dos tributos decorreram de "Pagamento Indevido ou a Maior; que, não obstante, o direito creditório é legítmo e indiscutível; que, ademais, como forma de elucidar ainda mais o exposto, elaborou quadro explicativo contendo as informações quanto ao débito apontado no despacho decisório e à comprovação da existência de créditos de saldo negativo de IRPJ e CSLL dos anoscalendários de 2003 a 2006, através do qual será possível detectar os períodos de janeiro e fevereiro, maio a outubro de 2006 devidamente compensados (quadro ilegível); que malgrada as informações equivocadas prestadas nas declarações pela impugnante e que serviram de base para o descho decisório contestado, em verdade não houve qualquer prejuízo aos cofres públicos; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 247 4 que qualquer afirmação em sentido contrário não subsiste à análise da questão à luz do princípio da verdade material, autêntico pilar do processo administrativo fiscal; que não restam dúvidas quanto ao direito de compensar os legítimos créditos de tributos federais, ante a expressa disposição do art. 170 do CTN e artigo 74 da Lei n.° 9.430/96; que seja admitida a juntada posterior dos documentos comprobatórios da regularidade do procedimento fiscal da empresa, como consagração do princípio da verdade material. Ainda, em anexo às razões de defesa, foram apresentadas cópias de DIPJ retificadoras e extratos de PER/DCOMP. Por fim, com base nessas razões, a contribuinte pediu a reforma do despacho decisório, para o deferimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação. Por sua vez, a DRJ/São Paulo I, à luz dos fatos e elemento de prova consantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 08/12/2010 (fls. 160/165), transcrevo, in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa J u r í d i c a IRPJ Data do fato gerador: 30/11/2006 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; b) refírase a fato ou a direito superveniente; ou c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. (...) Ciente desse decisum em 31/01/2011 (fl. 166), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 01/03/2011 (fls.167/189) e juntou documentos (fls. 190/219), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 248 5 que discorda da decisão recorrida, pois, diversamente do que nela restara consignado, a compensação informada/pleiteada é regular, pois foi utilizado direito creditório legítimo; que é indiscutível a existência do direito crédito tributário em montante suficiente para dar guarida à compensações efetuada; que, contudo, analisando seus documentos fiscais e contábeis a propósito do citado Despacho Decisório, a recorrente pôde concluir que o fato que levou o sistema da Receita Federal do Brasil a acusar a suposta inexistência de crédito foi a equivocada informação constante das DIPJ apresentadas pela recorrente relativamente ao anocalendário de 2006; que, com efeito, durante o anocalendário de 2006 a recorrente apurou IRPJ devido no valor de R$ 558.468,83. Contudo, em razão de recolhimentos realizados a maior, conforme se comprova através dos DARF acostados (fls. 215/219), ao final do período houve diferença de recolhimento do imposto a maior no valor de R$ 872.542,68, confore Planilha I constante das razões do recurso (fl. 173); que houve meramente um erro ou equívoco formal quanto ao procedimento contábil no que diz respeito ao preenchimento da DIPJ 2007, anoclendário 2006, pois, por um lapso, não foi devidamente composto o saldo negativo do IRPJ e da CSLL para que, posteriormente, a compensação pudesse vir a ser realizada. Contudo, em momento algum pode ser colocada em dúvida a existência do crédito tributário da recorrente; que a recorrente demonstrou total boafé ao apresentar, mesmo que somente após a ciência do citado despacho decisório, as DIPJ retificadoras nas quais comprova que nos anosbase de 2004 e 2005 foi apurado saldo negativo; que, ainda, sobre a possibilidade de retificação tanto da DIPJ quanto da PER/DCOMP diante da ocorrência de erro de fato, a jurisprudência administrativa aponta que é possível sua realização na hipótese de ainda pender decisão administrativa e também diante da apresentação de documentação contábil/fiscal que comprovam a necessidade da retificação; que, ademais, a recorrente repetiu os argumentos apresentados na instância a quo, já resumidos anteriormente. Por fim, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 249 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 24/01/2008 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária nº 20468.21622.240108.1.7.041798 (fls.06/08), informando que compensara débito da Cofins, código de receita 5856 do PA dezembro/2007, data de vencimento 20/01/2008, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 5993, do PA outubro/2006, data do recolhimento 30/11/2006. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição de IRPJ estimativa mensal, mas sim saldo negativo do anocalendário. Porém, a contribuinte não comprovou a existência dessa saldo negativo, pois transmitira a DIPJ 2007, anocalendário 2006, sem apuração de tal saldo negativo. Restando, por conseguinte, não comprovada a liquidez e certeza do direito créditório pleiteado. Entretanto, nas razões do recurso, e na sustentação oral, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando: 1) – Existência de questão prejudicial, ou seja, pagamento indevido ou a maior por erro na base de cálculo estimada do IRPJ estimativa mensal; porém, tal questão não restou enfrentada pelas decisões anteriores: que o crédito utilizado não se trata de saldo negativo de IRPJ; que não se trata de simples antecipação de IRPJ em excesso no anocalendário, como se pautou a decisão recorrida para negar procedência à manifestação de inconformidade; que, ao contrário, a recorrente se equivocou na apuração da base estimada, erro que ocasionou o recolhimento indevido, em parte, da estimativa do PA outubro de 2006; que a recorrente recolheu R$ 101.668,44 a título de estimativa de IRPJ estimativa mensal do PA outubro de 2006; que retificando sua apuração, no entanto, verificou em balanço de suspensão desse PA, que sua base estimada de outubro de 2006 era menor, implicando apuração de IRPJ estimativa de apenas R$ 42.088,26 e não no montante originalmente apurado; que recolheu IRPJ estimativa mensal a maior ou indevidamente R$ 59.580,18 (valor original); que o despacho decisório e a decisão recorrida não entraram sequer na análise da existência do crédito apontado pela recorrente. Para tanto, bastava confrontar a DCTF (retificadora) do PA outubro de 2006 com os correspondentes comprovantes de Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 250 7 arrecadação (notadamente o da estimativa em questão) para verificar que houve um recolhimento a maior (em excesso) de R$ 59.580,18 à época; que, vale dizer, a decisão recorrida reafirma o quanto afirmado pelo despacho decisório, ao considerar o crédito utilizado indisponível pelo simples fato de se tratar de pagamento efetuado a título de estimativa, e que a legislação regente não autoriza a restituição ou compensação de pagamentos por estimativa indevidos ou a maior”, mas apenas o saldo negativo, a partir do primeiro dia útil do exercício subseqüente; que o crédito utilizado não se trata de saldo negativo de IRPJ, mas sim de excesso de pagamento por antecipação de IRPJ estimativa mensal do PA out/2006, por erro na base de cálculo estimada; que o recolhimento sobre uma base estimada correta não é tratado como pagamento indevido ou a maior justamente porque os pagamentos (antecipados) serão computados no ajuste anual (para reduzir o valor a pagar ou compor o saldo negativo); que, no caso, a situação é diversa, houve excesso de recolhimento do PA out/2006, por erro na base de cálculo estimada do IRPJ; que, nesse caso, é cabível a restituição do excesso de pagamento ainda no próprio anocalendário, conforme Solução de Consulta nº 285 de 17/07/2009 da Superintendência da 8ª Região Fiscal, in verbis: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL EMENTA: SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. que, ainda, o Acórdão nº 10200.465, proferido pela 2ª Turma Ordinária da Colenda 2ª Câmara do CARF, reconheceu a possibilidade de o contribuinte utilizar o crédito decorrente de estimativa de imposto recolhida a maior independente do correspondente saldo negativo. A recorrente cita o seguinte trecho deste Acórdão: (...) O ponto fundamental para análise deste colegiado se refere à possibilidade de compensação de recolhimentos indevidos de estimativas mensais de CSLL no período de vigência das IN SRF 460/2004 e 600/2005, que apresentavam vedação expressa à referida compensação, enquanto a IN SRF nº 900/2008 não mais disciplinou aludida vedação. Em análise da matéria, posteriormente a edição da IN SRF nº 900/2008, a SRRF9ªRF proferiu Solução de Consulta 285 de 17/06/2009, na qual conclui pela possibilidade da compensação da diferença a maior entre o valor efetivamente recolhido e o Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 251 8 apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, conforme conclusão abaixo transcrita: Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. (...) que, tanto a decisão recorrida quanto o despacho decisório, ignorando por completo a citada distinção, nem chegaram a analisar a existência do crédito da recorrente, com a fundamentação de que pagamento por estimativa não se devolve, mas apenas saldo negativo. 2) Erro de fato no preenchimento da DIPJ 2007, anocalendário 2006. Existência do crédito, seja como excesso de pagamento (pagamento indevido ou a maior), seja como saldo negativo. que, em face do erro de base de cálculo do PA out/2006, tem direito a restituição do pagamento indevido ou a maior (erro de base de cálculo estimada) ou do saldo negativo do anocalendário 2006; que houve meramente um erro ou equívoco formal quanto ao procedimento contábil no que diz respeito ao preenchimento da DIPJ 2007, anoclendário 2006 (e de anos anteriores), pois, por um lapso, não foi devidamente composto o saldo negativo do IRPJ e da CSLL para que, posteriormente, a compensação pudesse vir a ser realizada. Contudo, em momento algum pode ser colocada em dúvida a existência do crédito tributário da recorrente; c) que a recorrente demonstrou total boafé ao apresentar, mesmo que somente após a ciência do citado despacho decisório, as DIPJ retificadoras na quais comprova que no anosbase de 2003 a 2006 foi apurado saldo negativo; d) que, ainda, sobre a possibilidade de retificação tanto da DIPJ quanto da PER/DCOMP diante da ocorrência de erro de fato, a jurisprudência administrativa aponta que é possível sua realização na hipótese de ainda pender decisão administrativa e também diante da apresentação de documentação contábil/fiscal que comprovam a necessidade da retificação. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2003 a 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 252 9 No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste. Sendo assim, não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais, pagamentos por antecipação, indevidos ou a maior dessas exações fiscais, quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução), pois serão abatidos do imposto apurado no encerramento do anocalendário ou vão compor o saldo negativo. O simples fato de apuração no final do ano de eventual prejuízo não torna os recolhimentos, pagamentos por antecipação, indevidos, pois foram antecipados na forma da legislação de regência. Ainda, na hipótese de apuração de prejuízo fiscal no encerramento do anocalendário, os pagamentos assim antecipados de estimativa mensal serão devolvidos como saldo negativo; b) entretanto, considerase pagamento indevido ou a maior o excesso de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução), sem necessidade de leválo para o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Nesse sentido, também é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso por erro de base de cálculo estimada do imposto, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Ainda, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: 1) Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA out/2006: a) sequer há cópia completa nos autos da DIPJ 2007, anocalendário 2006 (DIPJ original); b) embora a recorrente alegue erro de base de cálculo do imposto (pagamento em excesso) e erro de preenchimento da DIPJ ou, seja, preenchimeno de forma incompleta, sem indicação do IRPJ pago por antecipação desse anocalendário e sem apuração do saldo negativo, não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2006 quanto ao Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 253 10 erro de base estimada do imposto de fevereiro/2006 e quanto à formação regular de eventual saldo negativo; c) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de base de cálculo estimada de out/2006 e o erro de preenchimento da DIPJ, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade material; c) entretanto, como já dito, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos ou se com base em balancetes de suspensão/redução. Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial constante do despacho decisório e a decisão a quo, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente é possível a restituição de saldo negativo, pois é possível a devolução de direito creditório pago em excesso, por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste. Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, ou seja, à DERAT/SP para analise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, vale dizer para: a) apurar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve erro de base de cálculo do PA out/2006 e se realmente houve equívoco no preenchimento da da DIPJ 2007, anocalendário 2006, em relação à Ficha do saldo de IRPJ a pagar ou do saldo negativo; b) à luz da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, apurar se existe, ou não, o direito creditório pleiteado (apurar se o alegado saldo negativo foi formado regularmente, nos termos da legislação de regência). Na hipótese de existir o direito creditório pleiteado, apurar o seu valor e se ele decorreu de excesso de pagamento por antecipação no referido mês (recolhimento sem relação com a receita bruta mensal ou sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução) ou se, simplesmente, é hipótese de restituição de saldo negativo, em face do pagamento, por antecipação, indevido ou maior ou em decorrênia de apuração de prejuízos, no ajuste anual. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões. Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DERAT/São Paulo para que ela prossiga no julgamento, na análise do mérito do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10880.679539/200928 Acórdão n.º 1802001.686 S1TE02 Fl. 254 11 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000472/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE
RENDA FIXA DE TITULARIDADE DE SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA.Os rendimentos e ganhos líquidos de aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de sociedade de previdência privada aberta, além de comporem o lucro real, quando for o caso, deverão integrar a receita bruta de que trata o art. 29 da Lei n° 8.981, de
1995.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.184
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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Processo n° 19740.000472/2004-69 Recurso n° 160.537 Voluntário Acórdão n° 2202-00.184 — 2 Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRF - Ano(s): 1999 a 2002 Recorrente MONTE VAN PREVIDÊNCIA PRIVADA - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL Recorrida 8aTURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA DE TITULARIDADE DE SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA.Os rendimentos e ganhos líquidos de aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de sociedade de previdência privada aberta, além de comporem o lucro real, quando for o caso, deverão integrar a receita bruta de que trata o art. 29 da Lei n° 8.981, de 1995. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. NE O A WPrdente TONIO IP MAÜEZ — Relator FORMALIZAD EM: 2 8 SET 2009 1 Processo n° 19740.000472/2004-69 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.184 Fl. 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Heloisa Guarita Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). 1 4\1( 2 Processo n° 19740.000472/2004-69 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.184 Fl. 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, MONTEVAN PREVIDÊNCIA PRIVADA - EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, foi indeferida o Pedidos de Restituição (fls. 86/101), no valor total de R$ 419.369,35 (quatrocentos e dezenove mil, trezentos e sessenta e nove reais e trinta e cinco centavos) referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre ganhos em aplicações financeiras de fundos de investimento em renda fixa (código de recolhimento 6800), apurados no período de dezembro de 1999 até dezembro de 2002. O pedido foi protocolizado no dia 20/12/2004. O Despacho Decisório (fls 322), elaborado com base no Parecer DEINF/RJO/DIORT n° 050/2006 (fls. 314/321), apresentou a seguinte ementa: RESTITUIÇÃO - Não poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração quando não ocorridas as hipóteses, entre outras, de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido. PEDIDO INDEFERIDO. Tendo em vista tratar-se a interessada de entidade de previdência privada aberta sem fins lucrativos em liquidação extrajudicial, o Parecer DEINF/RJO/DIORT fundamentou o indeferimento do pleito com base na seguinte legislação de regência: art. 6° do Decreto-Lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983; art. 65 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995; art. 11 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 35 da Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997; art. 175, §1° e art. 729 do RIR11999; art. 60 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Ato Declaratório SRF n° 97, de 02 de dezembro de 1999; art. 150, §6°, da Constituição Federal com redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993; art. 34, §6° da IN SRF n° 25, de 06 de março de 2001; art. 1°,2°, §2°, e 3° da MP n° 2.222/2001; art. 50 da Lei n" 11.053/2004; e, art. 165 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Cientificada do Despacho Decisório em 15/01/2007 (A.R. - fls. 325), apresentou a interessada manifestação de inconformidade (fi. 326/329), juntamente com os documentos (fls. 330/331), em 07/02/2007 (fls. 330), alegando, em síntese, que: • Trata-se de pedido de restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre ganhos de aplicações financeiras em Fundos de Investimento de Renda Fixa do Banco do Brasil, relativos ao período de dezembro/1999 a dezembro/2002; • Por se tratar de entidade aberta de previdência privada, sem fins lucrativos, e, como tal, isenta de imposto de renda, e conseqüentemente de apuração do lucro real, submetida ao regime de liquidação extra judicial (Portaria SUSEP n° 703 de 03.12.99, publicada no Diário Oficial da União em 07.12.99), o referido pedido teve como suporte fático o Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal (SRF) n° 97, de 02/12/99 (publicado no Diário Oficial da União em 06.12.99) que, ao \V 3 Processo n° 19740.000472/2004-69 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.184 Fl. 4 dispor sobre o tratamento tributário aplicável às instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial, foi taxativo "quanto à não incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa de sua titularidade"; • Discorre sobre o imposto de renda retido na fonte como antecipação do devido; • Afirma que foi a Lei n° 8.981/95 que primeiro estabeleceu a tributação por meio de IR Fonte para as aplicações financeiras de renda fixa e variável, citando o art. 65; • No entanto, apesar de o referido artigo atribuir que o rendimento auferido por qualquer beneficiário estaria sujeito à incidência do Imposto de Renda na fonte, esta retenção era dispensada pela própria lei, nos termos do art. 77, com redação dada pela Lei na 9. 065, de 1995; • Vale registrar que a norma do art. 77, inciso L da Lei na 8.981/1995 não importava em isenção de imposto de renda, mas sim de afastamento da retenção do imposto na fonte no momento do pagamento dos juros. Ou seja, as receitas dos juros decorrentes dos ganhos auferidos em aplicações de renda fixa de titularidade de sociedade de previdência deveriam ser oferecidas à tributação pelo imposto de renda - IRP J - por ocasião da apresentação da declaração de ajuste anual da empresa beneficiária dos pagamentos, não existindo, contudo, obrigação de retenção do imposto de renda na fonte; • Posteriormente foi editada a Lei na 9.779/99 que em seu art. 50 estabeleceu que: "Art. 50 Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitam- se à incidência do imposto de renda na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura (hedge), realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos. Parágrafo único. A retenção na fonte de que trata este artigo não se aplica no caso de beneficiário referido no inciso I do art. 77, da Lei na 8.981, de 1995, com redação da Lei na 9.065, de 20 de junho de 1995." • Portanto, percebe-se claramente a confusão do ilustre Auditor Fiscal, onde apresenta a tese de isenção de IR Fonte e, ao final, aplica a legislação concernente à tributação de pessoa física para pagamento do tributo no momento do resgate dos recursos aplicados no fundo de previdência privada, o que não é o caso; • Conclui-se, por fim, que o art. 60 da Lei na 9.430, de 1996, deve ser aplicado já que as disposições legais anteriormente transcritas não foram revoga das, estando, por conseguinte, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitas às normas de incidência do imposto de renda de \/, 4 Processo n° 19740.000472/2004-69 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.184 Fl. 5 competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas ativas em relação às operações que praticarem durante o período em que perdurarem suas atividades, qual seja, está sujeita ao ajuste anual do imposto de renda, sem, contudo, ser retido o imposto na fonte decorrente de suas aplicações financeiras de renda fixa; • É exatamente esta a inteligência do Ato Declaratório SRF na 097, de 02/12/1999, ao dispor que as instituições financeiras submetidas ao regime de liquidação extrajudicial sujeitam-se às mesmas regras da legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, "inclusive quanto à não incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa de sua titularidade; " • Solicita, pois, revisão de decisão exarada para acolher integralmente o pedido de restituição Em 11 de maio de 2007, os membros da 8' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro proferiram Acórdão que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE- IRRF Ano-calendário: 1999,2000,2001,2002 RESTITUIÇÃO. IRRF SOBRE GANHOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA. Somente são passíveis de restituição pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração quando ocorridas as hipóteses previstas no art. 165 do CTN. Solicitação Indeferida Cientificado o contribuinte em 29/05/2007, se mostrando irresignado, apresentou, em 27/06/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 344/358, reiterando as razões da sua impugnação, às quais já foram devidamente explicitadas do presente relatório. É o relatório. \\/ 5 Processo n° 19740.000472/2004-69 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.184 Fl. 6 Voto Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido Como relatado, a Recorrente ingressou com o Pedido de Restituiçãodo Imposto sobre a Renda Retida na Fonte - IRRF incidente sobre os rendimentos recebidos de aplicações financeiras nos anos de 1999 e 2000, por entender que tais valores não poderiam ter sido retidos uma vez que se trata de uma Entidade de Previdência Privada Aberta, sem fins lucrativos (referida no inciso art. 77, inciso 1, da Lei n° 8.981, de 1995), conforme dispõem a Instrução Normativa SRF 07, de 03/02/99 e Instrução Normativa SRF n° 123, de 14/10/99. Cabe destacar que as entidades fechadas de previdência privada e as entidades abertas sem fins lucrativos estavam isentas do imposto de renda sobre o lucro real, conforme dispõe o art. 6°, do Decreto-lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983, reproduzido no art. 175 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999, que assim dispõe, verbis: Art. 175. Estão isentas do imposto as entidades de previdência privada fechadas e as sem fins lucrativos, referidas, respectivamente, na letra "a" do item I e na letra "h" do item II do art. 4° da Lei n° 6.435, de 15 de julho de 1977 (Decreto-Lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 6°). Entretanto, cabe ressaltar que o disposto no § 1° do mesmo diploma legal supra, a isenção não alcançava os juros, rendimentos e ganhos de capital auferidos, que assim sujeitavam-se à tributação definitiva na fonte: § 1° A isenção de que trata este artigo não se aplica ao imposto incidente na fonte sobre dividendos, observado o disposto nos arts. 654, 662 e 666, juros e demais rendimentos e ganhos de capital recebidos pelas referidas entidades, o qual será devido exclusivamente na fonte, não gerando direito à restituição (Decreto-Lei n°2.065, de 1983, art. 6°, §§ 1° e 2°, Lei n° 8.981, de 1995, arts. 65 e 72, § 3°, e Lei n°9.249, de 1995, art. 11).. A partir de 1° de janeiro de 1995, com o advento da Lei n° 8.981, de 20.01.95, em seu art. 77, inciso I, ratificado pelo parágrafo 3° do artigo 11, da Lei n° 9.249, de 26/12/1995, com previsão no art. 19, inciso I, da IN/SRF n° 72, de 10/09/1997, e da alínea "a", inciso II, do artigo 10, da IN SRF n° 96 de 26/12/1997, o parágrafo único do art. 5°, da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, as aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituições financeiras, sociedade de seguro, de previdência e de capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliares e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil, não estão incluídas no campo de incidência do IRRF. 6 1 Processo n° 19740.000472/2004-69 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.184 Fl. 7 O art. 77, I, da Lei 8981/95, exclui da sistemática geral de tributação de operações financeiras ou ganhos líquidos auferidos por, entre outras, instituição de previdência e capitalização. No entanto, à referida exclusão não implica em outorga de isenção, mas na obrigatoriedade das entidades elencadas no art. 77 em tributar esses rendimentos de forma cumulada com os demais rendimentos tributáveis (§ 3° do mesmo artigo) Desta forma verifica-se que a não retenção é mera mudança sistemática de apuração do imposto, que, para essas entidades, incorrendo no fato gerador, continua a ser devido. Para tanto, basta verificar o que dispõe o art. 77, parágrafo 3°, da Lei n° 8.981, de 1995, ou seja, o mesmo artigo em que a interessada fundamentou seu pedido de restituição, que assim dispõe: Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capitulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: I - em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, inclusive sociedade de seguro, previdência e capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil; ... § 3° Os rendimentos e ganhos líquidos de que trata este artigo deverão compor a base de cálculo prevista nos arts. 28 ou 29 e o lucro real. Desta forma, não procede o pedido de Restituição. Ante ao exposto,voto por NEGAR provimento ao recurso. Sal das Sessões, em 30d e julho de 2009 itYllt/ 1 .2 11104-f A TONI LO O M TINEZ - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720616/2010-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
COFINS. DCTF E DACON. DIVERGÊNCIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA.
Sendo o lançamento realizado pela autoridade fiscalizadora, ato
administrativo plenamente vinculado e obrigatório, ex vi do art. 142, do
Código Tributário Nacional – CTN, e tendo esta autoridade o poder-dever
de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias previstas em lei, não
podendo se imiscuir de exigir a sua observância e punir o seu
descumprimento, não há que se falar na desnecessidade “de se proceder ao
lançamento de um crédito tributário que já estava constituído por atividade
da própria Recorrente.”. Em que pese a COFINS ser tributo sujeito a
lançamento por homologação, uma vez inobservada a atitude esperada do
sujeito passivo, ou seja, insuficientes ou contraditórias as informações
prestadas pelo contribuinte de forma a afetar a apuração e o recolhimento do
tributo correlato, cabe à Fazenda Pública apurar e lançar o quantum devido.
Regular o lançamento.
VERIFICAÇÃO FISCAL. DCTF RETIFICADA (ORIGINAL). IMPOSSIBILIDADE.
A possibilidade de retificação de declarações existe unicamente para que o
contribuinte tenha a oportunidade de corrigir eventuais erros cometidos no
preenchimento destas, antes que seja iniciado qualquer procedimento de
fiscalização ou que decorra o prazo homologatório tácito. Ocorre que a
declaração retificadora tem os mesmos efeitos da declaração originária,
substituindoa, nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/ 01 E
das Instruções Normativas SRF nºs 255/02; 482/04; 583/05; 695/06; 786/07;
903/08; 974/09; 1.110/10. Sendo assim, há nova constituição do crédito
tributário retificado na data da entrega da DCTF retificadora, motivo pelo
qual é de todo modo incabível confrontar a DCTF retificada, assim entendida
a DCTF originária, com a DACON.
Numero da decisão: 3802-001.017
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por UNANIMIDADE, negar provimento ao
recurso voluntário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 COFINS. DCTF E DACON. DIVERGÊNCIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Sendo o lançamento realizado pela autoridade fiscalizadora, ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório, ex vi do art. 142, do Código Tributário Nacional – CTN, e tendo esta autoridade o poderdever de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias previstas em lei, não podendo se imiscuir de exigir a sua observância e punir o seu descumprimento, não há que se falar na desnecessidade “de se proceder ao lançamento de um crédito tributário que já estava constituído por atividade da própria Recorrente.”. Em que pese a COFINS ser tributo sujeito a lançamento por homologação, uma vez inobservada a atitude esperada do sujeito passivo, ou seja, insuficientes ou contraditórias as informações prestadas pelo contribuinte de forma a afetar a apuração e o recolhimento do tributo correlato, cabe à Fazenda Pública apurar e lançar o quantum devido. Regular o lançamento. VERIFICAÇÃO FISCAL. DCTF RETIFICADA (ORIGINAL). IMPOSSIBILIDADE. A possibilidade de retificação de declarações existe unicamente para que o contribuinte tenha a oportunidade de corrigir eventuais erros cometidos no preenchimento destas, antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo homologatório tácito. Ocorre que a declaração retificadora tem os mesmos efeitos da declaração originária, substituindoa, nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/01 E das Instruções Normativas SRF nºs 255/02; 482/04; 583/05; 695/06; 786/07; 903/08; 974/09; 1.110/10. Sendo assim, há nova constituição do crédito tributário retificado na data da entrega da DCTF retificadora, motivo pelo Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 6/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 qual é de todo modo incabível confrontar a DCTF retificada, assim entendida a DCTF originária, com a DACON. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por UNANIMIDADE, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. EDITADO EM: 22/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O contribuinte COMERCIAL DE ALIMENTOS BASTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0337.887 proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ/BSB, que julgou parcialmente procedente o crédito tributário exigido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e multa no montante de R$ 463.327,80, pleiteando a anulação total do Auto de Infração ao qual se insurge. Em razão de sua pertinência, convém revisitar os atos e fases processuais ultrapassados até o respectivo momento, antes da apreciação das motivações recursais propriamente ditas. A demanda em tela consiste na exigência de COFINS e multa, decorrentes da falta de recolhimento da aludida contribuição, no período de apuração de 01/04/2005 a 30/06/2005, constatada mediante procedimento fiscalizatório consubstanciado no Auto de Infração de fls. 02/11, através do cruzamento de informações prestadas pela Recorrente na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON. Isto porque, verificaramse divergências entre os valores confessados em DCTF e aqueles apurados no DACON, sendo certo que o quantum declarado na primeira se distanciou consideravelmente daquele consignado no segundo, conforme se verifica na tabela abaixo, oportunamente retirada do Acórdão ora recorrido: P.A. DACON DCTF Diferença Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 6/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.720616/201041 Acórdão n.º 3802001.017 S3TE02 Fl. 69 3 30/04/2005 99.782,31 250,11 99.532,20 31/05/2005 90.891,99 233,83 90.658,16 30/06/2005 101.291,04 295,90 100.995,14 Impugnado o Auto de Infração, a Recorrente alegou, em síntese: i) Ter declarado em DCTF (anocalendário 2005) a integralidade do crédito tributário em cobrança; ii) Ter transmitido DCTF retificadora para fins exclusivos de viabilização de compensação de débitos tributários com créditos resultantes de empréstimo compulsório sobre energia elétrica; iii) A impossibilidade do lançamento de ofício nos casos de débitos declarados em DCTF, ainda que não recolhidos ou recolhidos a menor; iv) O caráter confiscatório da multa de 75% imposta, por desarrazoada e desproporcional e, portanto, inconstitucional. Ato contínuo, a 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BRASÍLIA – DRJ/BSB afastou a argumentação da outrora Impugnante, dando lhe parcial provimento tão somente para corrigir erro material cometido pela autoridade fiscal, restando assim ementado o Acórdão nº 0337.887: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. DIFERENÇAS APURADAS. DACON E DCTF. Tendo a Fiscalização constatado divergências entre valores declarados em DACON e confessados em DCTF, cabe lançamento de ofício sobre as diferenças apuradas, incidindo as respectivas penalidades. ERRO MATERIAL. VÍCIO SANÁVEL. Equívoco no preenchimento do demonstrativo de apuração em apenas um período de apuração, apurando valor a menor, estando os demais corretamente determinados, consiste em erro material que pode ser sanável de ofício pelo próprio julgador. DA MULTA DE OFÍCIO. Efetuado o lançamento de ofício, cabe imposição da multa proporcional de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VIOLAÇÃO. PRINCÍPIOS. É vedado aos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento violação a princípios constitucionais, como nãoconfisco ou proporcionalidade, exceto nas hipóteses previstas expressamente no § 6º do artigo 26A do Decreto nº 70.235/1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 6/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Cumpre assinalar que após a correção do mencionado erro material, o lançamento referente aos períodos de 31/05/2005 e 30/06/2005, modificado de forma a consignar como valor tributável aquele confessado em DCTF e não o indicado na DACON, a autuação em relação aos mencionados períodos ficou assim configurada: P.A. Valor Tributável 31/05/2005 90.658,16 30/06/2005 100.995,14 Cientificada da decisão em 21/10/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR de fls. 53/54, a autuada , inconformada com a decisão de primeira instância, protocolou, em 16/11/2010, o Recurso Voluntário de fls. 56/59, em apreço por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, arguindo, para fins de cancelamento do Auto de Infração a que combate que, única e exclusivamente com o intuito de prosseguir com o pedido de compensação decorrente de empréstimo compulsório, transmitiu DCTF retificadora, tendose presente que este procedimento não se deu pelo fato de “os débitos informados em valor maior – antes da compensação – não existissem ou estivessem errados”. Ademais, assevera que a análise da autoridade fiscalizadora deveria ter sido feita através do cotejo entre a DCTF retificada e a DACON, e não entre a DCTF retificadora e esta. Neste contexto, frisa uma vez mais a Recorrente, que a retificação realizada “foi feita tão somente como meio para possibilitar o pedido de compensação resultante do empréstimo compulsório sobre energia elétrica.”. A fim de corroborar com o argumentado, junta aos autos (fls. 62/66) cópia incompleta da decisão de primeira instância na qual restou consignada a impossibilidade da compensação de obrigações da Eletrobrás decorrentes de empréstimo compulsório com tributos federais. É o relatório. Sendo estes as principais considerações relativas ao status do processo sob análise, passese ao voto. Voto O recurso merece ser conhecido, por preencher os requisitos de admissibilidade e ter sido tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Cingese a controvérsia na constatação de divergência entre os valores declarados em DCTF retificadora e informados em DACON pela Recorrente. A recorrente insiste que, pelo simples fato de a DCTF original indicar os mesmos valores do DACON, não há o que se lançar – sendo certo que, em sede de impugnação, o contribuinte chega a sugerir que sequer deveria haver processo administrativo, devendo os créditos tributários dessa espécie “ser encaminhados diretamente para cobrança executiva, inclusive com inscrição em dívida ativa” (fl. 20). Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 6/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.720616/201041 Acórdão n.º 3802001.017 S3TE02 Fl. 70 5 Ocorre que, nada obstante essas particularidades, o correto é considerarse o seguinte: caso o contribuinte tenha retificado sua DCTF e feito o pedido de compensação antes do vencimento do tributo, ele não está em mora até que o processo de compensação seja definitivamente julgado. Por outro lado, caso o contribuinte tenha retificado sua DCTF e feito o pedido de compensação depois do vencimento, ele já estará em mora e deverá sofrer a cobrança do quanto devido. E ainda, considerando que o contribuinte tenha efetuado seu pedido de compensação antes da mora, uma vez indeferido esse pleito, a mora restará configurada, porquanto decidido que, desde o vencimento, não houve a apropriada extinção do crédito tributário. De fato, com bem alega o Recorrente, é cediço ser desnecessário o processo administrativo no caso sob exame (débito declarado em DACON divergente do informado na DCTF); todavia, causa espécie o contribuinte arguir que não deveria haver o processo administrativo, uma vez que este lhe beneficia ao propiciar uma discussão do mérito da cobrança sem todos os inconvenientes do executivo fiscal. Ora, sendo o lançamento realizado pela autoridade fiscalizadora, ato administrativo plenamente vinculado e obrigatório, ex vi do art. 142, do Código Tributário Nacional – CTN, e tendo esta autoridade o poderdever de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias previstas em lei, não podendo se imiscuir de exigir a sua observância e punir o seu descumprimento, não há que se falar na desnecessidade “de se proceder ao lançamento de um crédito tributário que já estava constituído por atividade da própria Recorrente.”, como pretende fazer crer a Recorrente. Em que pese a COFINS ser tributo sujeito a lançamento por homologação, uma vez inobservada a atitude esperada do sujeito passivo, ou seja, insuficientes ou contraditórias as informações prestadas pelo contribuinte de forma a afetar a apuração e o recolhimento do tributo correlato, cabe à Fazenda Pública apurar e lançar o quantum devido. Acerca do tema convém trazer a baila as irretocáveis considerações de LEANDRO PAULSEN. Senão vejamos: “O lançamento de ofício como modalidade supletiva. Os lançamentos por declaração e por homologação (...) dependem da colaboração do sujeito passivo. Caso o contribuinte não cumpra tal dever, ou o faça de modo não satisfatório, o Fisco tem a prerrogativa de efetuar, ele próprio, toda a atividade tendente ao lançamento, verificando, pois, a ocorrência do fato gerador, identificando o sujeito passivo e levantando todos os dados para efetuar o cálculo do montante devido. Assim, não ocorrendo os lançamentos por declaração ou por homologação, abrese espaço para o lançamento de ofício supletivo, na medida em que tem ensejo quando falham as demais modalidades do lançamento. É o que se vê do art. 149, inciso II e seguintes, do CTN.” (PAULSEN, Leandro, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário a Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Livraria do Advogado, 7ª edição, 2005, p.1052) Bem se vê que o lançamento foi procedido de maneira regular e legítima, em decorrência do exercício do dever legal da autoridade autuante, não devendo ser acolhido o argumento da Recorrente. O fato de a DACON, por si só, ser uma forma de constituição do crédito tributário distinta do lançamento, não pode resultar no impedimento deste ato pela autoridade administrativa. É, portanto, um ato desnecessário, que, porém, beneficia o contribuinte caso seja efetivado. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 6/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 De todo modo, certo é que o Recorrente não apresenta as datas em que se deu essa sucessão de eventos – apresentação de DCTF original e DACON; apresentação de DCTF retificadora e pedido de compensação; data do vencimento da obrigação tributária. E ainda assim, a questão fica plenamente resolvida porque, em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente atesta e apresenta a decisão que indeferiu seu pedido de compensação, o que ratifica sua posição de falta de recolhimento com relação ao crédito tributário em questão – cujo montante é precisamente a diferença entre os valores informados na DCTF retificadora e no DACON. Não bastasse isso, há ainda a arguição de que a DCTF original, e não a retificadora, deveria ter sido avaliada pela autoridade administrativa – o que, na visão do Recorrente, invalidaria todo o procedimento fiscal. Ocorre que, como não poderia deixar de ser, a declaração retificadora tem os mesmos efeitos da declaração originária, substituindoa, nos termos do art. 18 da Medida Provisória nº 2.189 49/01. Vejase: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Neste sentido, as Instruções Normativas SRF nºs 255/02; 482/04; 583/05; 695/06; 786/07; 903/08; 974/09; 1.110/10 são assentes ao confirmarem o disposto na Medida Provisória acima transcrita, como se pode inferir da leitura do art. 12, da IN SRF nº 482/04, em vigor à época da transmissão da DCTF, verbis: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Sendo assim, há nova constituição do crédito tributário retificado na data da entrega da DCTF retificadora, motivo pelo qual é de todo modo incabível confrontar a DCTF retificada, assim entendida a DCTF originária, com a DACON, pela total falta de fundamentação legal para tanto. Com efeito, tal entendimento já foi consolidado neste Conselho, conforme se verifica no acórdão adiante colacionado: RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO CORREÇÃO DA DECISÃO ANTERIOR, PARA DETERMINAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO APENAS PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA, ATÉ O LIMITE DO DIREITO CREDITÓRIO APURADO APLICAÇÃO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS ESTABELECIDOS NO ART. 28 DA IN SRF 210/2002 –(...). RETIFICAÇÃO DE DCTF PARA Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 6/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10166.720616/201041 Acórdão n.º 3802001.017 S3TE02 Fl. 71 7 SUBSTITUIÇÃO DA FORMA DE PAGAMENTO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF são formalizados por meio de DCTF retificadora, que tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, servindo não só para declarar novos débitos e aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados, mas, também, para efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. O sujeito passivo tem o direito de requerer a restituição das quantias recolhidas a titulo de tributo ou contribuição, nas hipóteses de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido, podendo utilizar o referido crédito na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB. Embargos Acolhidos. (CARF, 1ª Seção, 3ª Turma Especial, Acórdão 180300.237, Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Junior, Julgamento e Publicação 08/12/2009) Não é outra a posição esposada pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ em inúmeras oportunidades, das quais se trazem, a título exemplificativo do que se verifica nas demais manifestações do E. STJ, os acórdãos abaixo selecionados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. REQUISITOS DA CDA. SÚMULA 7/STJ. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO DECLARADO EM DCTF. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. POSSIBILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. (...) 3. A retificação tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada mas, no entanto, somente interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário que foi retificado. (...) 6. Agravo regimental não provido. (STJ,Primeira Turma, AgRg no AgRg no Ag 1254666/RS, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Julgamento 05/04/2011, Publicação 08/04/2011) TRIBUTÁRIO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE DCTF RETIFICADORA ART. 18 DA MP N. 2.18949/2001 PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. 1 A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, no que retificado. (...) 4 Recurso especial nãoprovido. (STJ, Segunda Turma, REsp 1044027/SC, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, Julgamento 18/12/2008, Publicação 16/02/2009) Não obstante, é de se dizer ainda, que não importa ao Fisco a finalidade da retificação de declarações, sendo certo apenas, que é através das informações prestadas pelo contribuinte que a autoridade fiscalizadora poderá apurar a compatibilidade destes dados com a Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 6/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 realidade. Uma vez constatadas inconsistências, deverá se proceder ao lançamento do respectivo crédito tributário devido. Por tais razões não merece prosperar o presente Recurso, pelo que oriento meu voto no sentido de que seja mantida na íntegra a decisão recorrida, subsistindo a autuação na forma indicada pela autoridade julgadora de primeira instância, após as devidas correções dos erros materiais indicados. Conclusão Isto posto, conheço do Recurso Voluntário em sua integralidade, para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 6/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 15504.000466/2007-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL.
No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542-B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. preliminarmente, reconhecer a decadência das competências até 10/2002, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. No RE 596.177, submetido ao regime do Art. 542B, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi julgada a inconstitucionalidade da contribuição de 2% sobre a produção rural, por ofender ao art. 150, II, da CF, em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador e por necessidade de Lei Complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 66 /2 00 7- 96 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos. preliminarmente, reconhecer a decadência das competências até 10/2002, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15504.000466/200796 Acórdão n.º 2403002.105 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte MG, que entendeu por manter em parte a autuação constante da NFLD n. 37.116.3587 em razão da aquisição de produção rural pessoa física, segundo o relatório fiscal de fls. 31/34: 1 – Este relatório é [arte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n. 37.116.3587 referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal e às destinadas ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, não recolhidas em época própria, incidentes sobre valores de comercialização de produção rural. – contribuições próprias e subrogação decorrente da aquisição de produto rural de pessoas físicas, do período de 01/2002 a 05/2003. 2. FATOS GERADORES APURADOS EM AÇÃO FISCAL 2.1. – COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL – apuramos os valores devidos de contribuições previdenciárias sobre a comercialização da produção rural FPAS 744. A contribuição sobre a produção rural, no sujeito passivo, ocorre tanto quando na venda de sua produção quanto na aquisição de produtos rurais de produtor rural pessoa física. É prática recorrente no sujeito passivo a falta de recolhimento das contribuições devidas sobre a comercialização tanto através de vendas de sua produção rural quanto da aquisição de produto rural de produtores pessoas físicas, instituto da subrogação. A Legislação previdenciárias através do TPS – Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 2173/97 nos CAPITULO IV – SEÇÃO I, DAS CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA E DO EMPREGADOR DOMÉSTICO e NA SEÇÃO III – DA ARRECADAÇÃO E DO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES, regulamenta: (...) No âmbito da legislação previdenciária, o conceito de sub rogação é aplicado na substituição do produtor rural pessoa física pela pessoa jurídica, na mesma relação jurídica, quanto à obrigação de recolher as contribuições devidas sobre a comercialização de produtos rurais. Assim, consoante ao inciso III do artigo 216 do RPS acima citado, apuramos o débito referente às contribuições devidas sobre a comercialização de produtos rurais adquiridos pelo sujeito passivo adquiridos de pessoa física conforme lançamentos contábeis analisados durante a operação fiscal realizada. Esclarecemos que não houve caracterização de crime contra a Previdência Social tipificado no artigo 1º. Da Lei 9983 de 14 de julho de 2000 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 acrescentado à Parte Especial do DecretoLei 2.848/1940, o qual trata dos crimes contra a Previdência Social, especificamente o art. 168A sobre a apropriação indébita Previdenciária. O valor total do débito referente às contribuições rurais não recolhidas, atualizado até 31/10/2007 é de R$ 186.356,50 (cento e oitenta e seis mil trezentos e cinqüenta e seis reais e cinqüenta centavos). DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls.36/43. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 8a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, prolatou o Acórdão n. 0235.567, fls. 308/315, mantendo o lançamento em parte, excluindo assim o levantamento “SUR” no período de 01/2002 e 02/2002, referente a aquisição de gado proveniente de produtores rurais (pessoas físicas) com finalidade de cria, recria ou engorda, em razão da isenção contida no art. 25, parágrafo 4º, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A partir de 22/6/2008 a venda de produto animal destinado à reprodução ou à criação pecuária ou granjeira a quem os utilize com essas finalidades passou a integrar a base de cálculo das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física. A aplicação de penalidade mais benéfica darseá quando do pagamento ou parcelamento do débito pelo contribuinte, ou, não se subsumindo às mencionadas hipóteses, quando do ajuizamento da execução fiscal. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatos e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos considerar procedente a impugnação e manter, em parte, o crédito exigido na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, n. 37.116.3587 conforme documento de retificação de débito anexo. De acordo com o Decreto n. 70.235, de 1972, artigo 34, inciso I, não cabe recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, porque o valor exonerado é inferior ao previsto no artigo 1º da Portaria MF n. 3, de 3/1/2008. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15504.000466/200796 Acórdão n.º 2403002.105 S2C4T3 Fl. 4 5 DO RECURSO Inconformado, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 201/232, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma: Todas as aquisições feitas pela Recorrente a produtor rural pessoa físicas arroladas no AI DEBCAD n. 37.116.3587, referemse a bovinos destinados à reprodução e/ou criação, atividades que constituem o seu objeto social, o que foi confirmado pela própria fiscalização; É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fls., tomo o recurso como tempestivo e, por estarem presentes os demais requisitos, adentro ao mérito da questão. DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15504.000466/200796 Acórdão n.º 2403002.105 S2C4T3 Fl. 5 7 órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Nessa esteira, à autoridade fiscal incumbe, quando do lançamento de créditos tributários, cujas competências ultrapassam o prazo decadencial aplicado aos tributos lançados por homologação, comprovar a inexistência de antecipação de pagamento apto a atrair o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Isso porque é imprescindível que o auditor apresente prova apta a comprovar a ocorrência do fato gerador, eis que cediço o entendimento a qual, em se tratando de processo administrativo federal, incumbe o ônus da prova àquele que se aproveita. Neste toar, mister são as palavras de Marcos Vinicius Neder (A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010): “Por força do que dispõe o artigo 9º do Decreto n. 30.235/72, o Fisco tem o dever de provar o fato constitutivo do seu direito de exigir o crédito tributário. Em nosso ordenamento, não há normas jurídicas que imponham a presunção de legitimidade ao lançamento tributário, no que se refere ao seu conteúdo. A falta de comprovação de fato impositivo acarreta a invalidade do lançamento tributário.” Portanto, o seu silêncio quanto ao não pagamento das demais rubricas, que não as exigidas nestes autos, gera a conclusão de ter havido antecipação. Considerando que o período de apuração compreende as competências de 01/2002 a 05/2003 e a notificação ocorreu apenas em 02/11/2007, temse que o prazo decadencial alcançou os créditos exigidos nas competências de 01/2002 a 10/2002. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 DO MÉRITO DA (IN)CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA E DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL Com relação aos fatos geradores sobre aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, conforme o anexo I, exigido na forma art. 25, parágrafos 3º e 4º da Lei 8.212/91, cumpre observar que a exigência é indevida ante a sua declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede repercussão geral, de reprodução obrigatória, em razão de expressa disposição regimental, art. 62A, in verbis: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe165 DIVULG 26082011 PUBLIC 29082011 EMENT VOL0257502 PP00211 RT v. 101, n. 916, 2012, p. 653662) Cumpre trazer à lume os argumentos para reconhecimento da inconstitucionalidade, constantes no voto condutor do acórdão, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski: A Lei Maior é exaustiva quanto aos fatos que podem dar causa à obrigação de financiamento da seguridade social,e que somente a Constituição pode abrir exceção à unicidade de incidência da contribuição; O produtor rural passou a estar compelida a duplo recolhimento, com a mesma destinação, ou seja, o financiamento da seguridade social recolhe, a partir do disposto no art. 195, I, alínea 'b', a COFINS e a contribuição prevista no referido art. 25"; Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária Art. 150, II, da CF/1988 pois haveria duplicidade de contribuição, uma vez que o produtor rural, caso possua empregados estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei n. 8.212/91; Necessidade de lei complementar para se instituir nova fonte de custeio para a seguridade social, dado que o faturamento e resultado da produção não possuem o mesmo Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15504.000466/200796 Acórdão n.º 2403002.105 S2C4T3 Fl. 6 9 significado. Nesse sentido, destacou ser essa a razão para a existência do art. 195 da Constituição e da impossibilidade de se considerar o previsto no art. 25, I e II, da Lei 8.212/1991 como majoração da alíquota da contribuição prevista na Lei Complementar 70/1991. Todos os fundamentos foram retirados do julgamento do RE 363.852, matéria com o mesmo objeto do julgado acima, apenas sem o pálio da repercussão geral, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, cuja ementa segue dado o valor do precedente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL00217 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) O Acórdão prolatado foi no seguinte sentido, in verbis: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, em conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do recolhimento por sub rogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural"de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1 da Lei n. 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n. 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus sucumbência. Em seguida, o relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Ministro Gilmar Mendes, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Em continuação ao acórdão do Recurso em sede de repercussão geral, para que não restasse dúvidas, o Ministro relator do primeiro acórdão julgado, RE 363.852, Marco Aurélio, interveio em seu voto, cujos trechos seguem transcritos a seguir: Senhor Presidente, apenas em atenção ao que foi veiculado da tribuna, consigno que persiste o erro glosado quando do pronunciamento anterior do Tribunal. Veio à balha não uma lei complementar que atendesse ao artigo 195, parágrafo quarto, da Carta Federal, mas uma lei ordinária, a n. 10.256/2001. E nem se diga que a Emenda Constitucional n. 20 acabou por placitar a utilização da lei ordinária para criação desse tributo, porque apenas alterou o parágrafo oitavo do artigo 185 para expungir a referência a garimpeiro. A situação, portanto, é idêntica àquela com a qual o Plenário se defrontou se não me falha a memória, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n. 363.852/MG , e concluiu pelo provimento do recurso do contribuinte. Acompanho o relator provendo o recurso e declarando a inconstitucionalidade dos preceitos referidos por Sua Excelência, reportandome ao voto proferido no mencionado extraordinário: (...) Outrossim, destaquese que também há o afastamento da exigência de contribuição ao SENAR, conforme vem decidindo este conselho. Para tanto, vejase trecho do precedente de relatoria da conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva, no Acórdão 2401 002.464 (4ª Câmara/1ª Turma Ordinária), Processo 11060.003084/200991, de 19./06/2012, in verbis: (...) A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: O egrégio Supremo Tribunal Federal apontou pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar. Em função de a subrogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de infração referese à falta de recolhimento da contribuição para o SENAR pelo sujeito passivo, substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento. Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 15504.000466/200796 Acórdão n.º 2403002.105 S2C4T3 Fl. 7 11 Uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. (...) Recurso Voluntário Provido Portanto, há de ser afastada a exigência no tocante à contribuição decorrente da aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, da contribuição referente à comercialização da produção rural. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do recurso, para reconhecer a decadência das competências de 01/2002 a 10/2002, bem como afastar, quanto aos créditos previdenciários remanescentes, a exigência de contribuição sobre a produção rural. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 390DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10845.001296/95-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES -
Data do fato gerador: 30/11/1991, 31/12/1991, 31/01/1991, 29/02/1992, 31/03/1992
Competência em Razão da Matéria. Improrrouabilidade.
O extinto Conselho de Contribuintes padecia de incompetência material para processar e julgar a regularidade da inclusão ou exclusão de débito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis), matéria afeta às autoridades enumeradas na legislação que disciplina o referido pro grama. Se adentra em
tal matéria, forçoso é reconhecer a nulidade do acórdão maculado de vicio insanável. Aplicação do art. 59, 1 do Decreto n°70.235, de 1972.
Confissão de Divida. Efeitos.
A confissão de dívida relativa a crédito tributário objeto de processo administrativo fiscal torna definitiva a exigência e extin gue o litígio.
EMBARGOS ACOLHIDOS
Numero da decisão: 3201-00201
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embar gos para anular o Acórdão 303-33765, de 09/11/2006 e, no mérito, não se conheceu do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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'.5..... . 't0 MINISTÉRIO DA FAZENDA. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ‘iatt.tsc:, "9 TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO , Processo n" 10845.001296/95-14 Recurso n" 129.679 Embargos Acórdão n" 3201-00.201 — 2' Câmara IV' Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2009 Matéria FINSOCIAL - FALTA DE RECOLHIMENTO Embargam° DRF Santos - SP Interessado Transporte e Comércio Fassina Ltda. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES - Data do fato gerador: 30/11/1991, 31/12/1991, 31/01/1991, 29/02/1992, 31/03/1992 Competência em Razão da Matéria. Improrrouabilidade. O extinto Conselho de Contribuintes padecia de incompetência material para processar e julgar a regularidade da inclusão ou exclusão de débito do Programa de Recuperação Fiscal (Refis), matéria afeta às autoridades enumeradas na legislação que disciplina o referido pro grama. Se adentra em tal matéria, forçoso é reconhecer a nulidade do acórdão maculado de vicio insanável. Aplicação do art. 59, 1 do Decreto n°70.235, de 1972. . Confissão de Divida. Efeitos. . A confissão de dívida relativa a crédito tributário objeto de processo administrativo fiscal torna definitiva a exigência e extin gue o litígio. . EMBARGOS ACOLHIDOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / 1" Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acolher os embar gos para anular o Acórdão 303-33765, de 09/11/2006 e, no mérito, não se conheceu do recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. t Processo n" 10845.001296/95-14 83-C2TI Acórao n." 3201400.201 • Fl. 319 • • MA CELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente e Fleroldes Bahr Neto. • Processo n° 10845.001296/95-14 S3-C2T1 Acórdào n°3201-00.201 Fl. 320 Relatório Tratam-se de embargos inominados opostos pela r. Dele gacia da Receita Federal do Brasil em Santos em desfavor do Acórdão 303-33.765, de 09.11.2006, que assim restou ementado: Débito relativo ao FINSOCIAL. REFIS Desistência eficaz mesmo após o prazo inserto na Resoluçáo CGREHS n". 07/2000, em razão do contribuinte ter sido induzido a erro. Resoluçáo CGREFIS 24/2002 e artigo I4J único da AIP 75/2002. Recurso voluntário provido. Tal acórdão, como se observa, pôs fim ao litígio acerca dos efeitos de confissão de divida, no sentir do Fisco, realizada a destempo. O processo em questão tinha como objeto a insuficiência de recolhimento dos valores devidos a titulo de contribuição para o FINSOCIAL. relativas aos períodos de apuração de novembro de 1991 a março de 1993, alvo do processo judicial 92.0201135-4, formalizada de oficio no intuito de prevenir a decadência da direito de promover o lançamento, caso a viesse a União a sagrar-se vencedora. Decorrido determinado lapso de tempo, intimou-se o contribuinte para apresentar documentos acerca do andamento daquela ação e, em resposta fora informado que os débitos relativos a tal auto de infração foram alvo de adesão ao REFIS. Conforme se extrai da leitura do documento juntado às lis. 300 a 305, os embargos encontrariam espeque em dois pontos: a) erro quando da análise da matéria tática, eis que, equivocadamente, teria a Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes formado convicção acerca de falha alcgadamente perpetrada pela unidade administrativa da jurisdição do sujeito passivo; c b) incompetência da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes para se pronunciar acerca da denegação ou inclusão do débito litigioso no Programa de Recuperação Fiscal (Refis), matéria que, ademais, seria estranha ao presente litigio, supostamente limitado às razões contidas na autuação e na impu gnação juntada às lis. 31 a43; Em uma primeira análise, o então conselheiro Marciel Eder Costa, opinou pelo não conhecimento dos embargos, alegando, e)-n sintese, a impropriedade da via eleita para pleitear a reanálise dos fatos que orientaram o acórdão embargado. Analisando as conclusões do i. Relator, juntamente com os fundamentos dos embargos, conclui que os mesmos deveriam ser conhecidos por este Colegiado. É o relatório. 3 Processo n" 10845.001296/95-14 53 -C2T1 Acórdão n." 3201-00.201 Fl. 321 Voto - Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Presidente e Relator Analisando a legislação que disciplina a execução do REFIS, estou convicto de que, de fato, este Colegiado é incompetente para se manifestar acerca da inclusão ou exclusão do sujeito passivo ou de seus débitos no referido programa de recuperação. Arr. 224 administração do REF1S será exercida pelo Comité Gesto; a quem compete o gerenciamenro e a implementação dos procedimentos necessários à execução do Prognana. notadamente: 111- homologar as opções pelo REFIS: IV - excluir cio Programa os optantes que descunwiren2 suas condições. Parágrafo único. O Comité Gestor será constituído por ato conjunto dos Ministts de Estado da Fazenda e do M .el/ide:neta e Assistência Social e integrado por representantes dos seguintes órgãos, indicados por seus respectivos titulares: No plano das normas administrativas, importante citar o que dispôs o Comitê Gestor do Refis, na Resolução CG/REFIS n° 16, de 3 de agosto de 2001, onde se lê, em seu art. 1" O COMITÊ GESTOR DO PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO FISCAL, constituído pela Portaria Interministerial MF/MPAS ti." 21, de 31 de janeiro de 2000, no uso da competência estabelecido no art. 1" §1", do Lei n" 9.964. de 10 de abril de 2000, e no art. 2" do Decreto n°3.431, de 24 de abril de 2000, resolve Art. l' 'Atribuir competência aos Delegados da Receita Federal e aos Inspetores das Inspetorias da Receita Federal, classe Mz, no timbiro de sua jurisdição, para: 1 - apreciar pleitos relativos à rejeição de Termo de Opção pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou pelo parcelamento a ele alternativo,. li - denegar pleitos relativos à: o) apresentação ou conwlementação da Declaração Re/is: b) mudança de opção do Refis para o parcelamento a ele alternativo e vice-versa; DOU de 8.8.2001 4 Processo n° 10845.001296/95-14 53-C2T1 Acórdão n." 3201-00.201 Fl. 322 Iii - decidir sobre outras matérias de caráter operacional atinentes ao Refis, de acordo com orientação do Secretário Executivo. § 1" A apresentação ou complementação da Declaração Refis poderá ser recepcionado quando tenha sido admitido o correspondente Termo de Opção pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou pelo parcelamento a ele alternativo, anteriormente rejeitado. § 2" A competência de que trata este artigo .fica atribuída, também, ao Secretário Executivo do RelLs.. De se registrar que os antigos Conselhos de Contribuintes já se manifestaram em igual sentido, a exemplo das seguintes manifestações: Acórdão 206-00.624, de 08 de abril de 2008: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2000 Ementa: PREVIDÊNCIA' RIO - CUSTEIO — NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO — FNDE — EMPRESA COM CONVÊNIO — EXCLUSÃO DO REFIS — COMPETÊNCIA DA SRE. Houve discriminação clara e precisa dos fitos geradoirs, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. Não demonstrou o contribuinte a inclusão dos valores destinados ao FNDE nos parcelamentos realizados. Compete a SRF a apreciação da procedência de exclusão do REFIS. Recurso Voluntário Negado. Acórdão 106-13045, de 06/11/2002 NORMAS PROCESSUAIS - R.EFIS - Está fira do campo de competência clo Conselho de Contribuintes, a análise de inclusão/exclusão de débitos no REEI& Recurso não conhecido. Demonstrado que a extinta terceira câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes padecia de incompetência material para enfrentar o mérito da re-inclusão no Retis. forçoso é concluir pela incidência no inciso 1 do art. 59 do Decreto n" 70.235, de 1972, que diz: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Aplicável, por outro lado, dado o silêncio da legislação processual administrativa, o art. 113 do Código de Processo Civil, que reza: Processo n" 10845.001296/95-14 53-C2T1 Acórclfio n•" 3201-00.201 Fl. 323 Art. 113. A incompetáncia absoluta deve ser declarada de alicio e pode ser alegada, em qualquer tempo e grau de jurisdição, independentemente de exceção. Ou seja, o vicio apontado insere-se na seara das chamadas questões de ordem pública, que devem ser reconhecidas em qualquer etapa do processo. Anulado o acórdão embargado, pouco resta a acrescentar. Efetivamente, o sujeito passivo renunciou à via administrativa e, corno tal, só resta a este colegiado reconhecer a extinção do litígio e como conseqüência, a definitividade da exigência. Efetivamente, o reconheciment6 da divida induz preclusão lógica do direito de litigar acerca daquele débito. Sala das Sessões, em IS de junho de 2009. L CE O GUERRA DE CASTRO - Presidente e Relator • • 6 0 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA .NtSi CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .tnt ti TERCEIRA SEÇÃO ---4.“-- Processo n°: 10845.001296/95-14 Recurso n.": 129679 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 81 anexo 11 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n". 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, a tomar ciência do Acórdão n.° 3201-00.201. ._ Brasília, 18 e ag gi to de 009. / / LUIZ HUMBER O •FP' ANDES Chefe da Z. Ca/. i e . -rc ira Seção Ciente, com a observação abaixo: [ , Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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